Você está na página 1de 23

Tecnologia em Processos Gerenciais

Gestão Ambiental

MEIO ATMOSFÉRICO
4
Gestão Ambiental
MEIO ATMOSFÉRICO

Objetivos da Unidade de aprendizagem


Discutir as principais questões relacionadas ao meio
atmosférico e sua influência na gestão ambiental das
empresas, incluindo questões legais e econômicas,
aspectos e impactos ambientais

Competências
Capacidade de identificar e compreender as conse-
quências da poluição atmosférica na gestão de uma
empresa e os impactos das atividades produtivas na
qualidade desse recurso.

Habilidades
Habilidade para verificar as exigências legais rela-
cionadas a qualidade do ar. Identificar os aspectos e
impactos ambientais envolvidos no setor produtivo e
relacionados à poluição atmosférica.
APRESENTAÇÃO
Essa Unidade de Aprendizagem trata de outro impor-
tante recurso para a vida do homem e dos profissio-
nais envolvidos nos processos gerenciais: a atmosfera.
Apresentaremos os principais impactos causados
pelas atividades do homem na atmosfera, tratando
sobre assuntos relacionados ao efeito estufa e aque-
cimento global; a chuva ácida; a destruição da camada
de ozônio; e os aspectos legais envolvidos e de inte-
resse aos processos gerenciais, quando se trata do
meio atmosférico.

PARA COMEÇAR
As consequências dos padrões de consumo e de desen-
volvimento da sociedade contemporânea tem sido
sentido também na atmosfera. Um dos principais pro-
blemas ambientais desse século, de repercussão global,
refere-se às mudanças climáticas. Essa é uma questão
que deverá ser enfrentada pelas instâncias governa-
mentais e pelo setor produtivo, sendo de grande rele-
vância para os processos gerenciais brasileiros.
Nessa unidade, aprenderemos sobre os impactos do
setor produtivo na qualidade do ar, além dos aspectos
legais que afetam a gestão empresarial e relacionados
a poluição atmosférica.
Vamos seguir em frente!

Fundamentos
1. Atmosfera
A atmosfera pode ser definida como um conjunto de
gases, vapor d’água e partículas, constituindo o que
se chama ar, e que envolve a superfície da Terra. Os
principais gases constituintes da atmosfera, em termos relativos, são o
Nitrogênio (78,0%); o Oxigênio (20,9%); o Argônio (0,9%); o Dióxido de
Carbono (0,031%). Apesar da aparente baixa importância relativa do
Dióxido de Carbono e do Ozônio (0,000001%) na composição da atmos-
fera, eles exercem um papel significativo sobre fenômenos naturais,
como o efeito estufa e a atenuação da radiação ultravioleta que atinge
a superfície terrestre. No âmbito da Meteorologia, geralmente se con-
sidera que a atmosfera possui cerca de 80 km a 100 km de espessura.
Desse total, a porção mais importante da atmosfera, sob o ponto de
vista meteorológico, porém, não atinge 20 km de altitude, o que repre-
senta apenas 0,3% do raio do planeta. Justifica-se, portanto, a cres-
cente preocupação em preservá-la.

2. Variabilidade e Mudanças Climáticas


Ao longo da história evolutiva da Terra o clima vem sofrendo contínuas
variações gerando e transformando novos ecossistemas. A variabili-
dade natural do clima e sua interação com a atmosfera envolvem fato-
res internos como alterações no sistema solar, efeitos astronômicos
sobre a órbita da terra e atividades vulcânicas e externas ao sistema.
Nesse momento é importante definir a diferença entre variabilidade e
mudança climática.

Conceito
“Variabilidade climática é o processo de variação do clima con-
dicionado por fatores naturais existentes no globo terrestre e
suas interações. Já a mudança climática refere-se ao processo de
alteração do clima devido às atividades humanas.”

A Revolução Industrial, em meados do século XVIII, torna-se um marco


na história da humanidade, pois o trabalho braçal e artesanal do
homem é substituído pela força motriz das máquinas, proporcionando
uma grande melhoria nas condições de vida humana. Tal processo,
atrelado às tecnologias, proporciona o atendimento das necessidades
do homem. Todavia, o progresso trouxe um aumento nos padrões
de consumo, na demanda por recursos naturais, na queima de com-
bustíveis fósseis (carvão, petróleo e derivados), de florestas e pasta-
gens, e na geração de resíduos, os quais elevam a concentração de
gases de diversos tipos na atmosfera, como o dióxido de carbono
(CO2); o metano (CH4), também associado a criação de animais e a

Gestão Ambiental  /  UA 04  Meio Atmosférico 4


decomposição de lixo; os óxidos nitrosos (NOx) e os compostos de
clorofluorcarbono, dentre outros. Esse quadro tem levado a intensi-
ficação de um fenômeno natural, denominado efeito estufa, o qual é
fundamental para a sobrevivência humana.
Efeito estufa é o nome dado à retenção de calor na Terra causada
pela absorção de radiação infravermelha, originária do Sol, pela con-
centração de gases de diversos tipos, sendo responsável por manter
a temperatura média do planeta em torno de 15oC. Sem a existência
do efeito estufa, as temperaturas no planeta seriam em torno de 17ºC
negativos, dificultando a existência da vida humana (PINTO et al., 2003).
Porém, com a elevação das emissões dos chamados Gases de Efeito
Estufa (GEE), esse fenômeno vem se intensificando. A intensificação do
efeito estufa tem como consequência as mudanças climáticas, as quais
têm sido associadas ao aumento de temperatura média do planeta, ao
surgimento de pragas e doenças, a intensificação de eventos extremos,
como tornados, cheias e secas.

3.Impactos do aquecimento global


e das mudanças climáticas
O Intergovernmental Panel on Climate Change (IPCC) é uma entidade
formada por cientistas de todo o mundo, com o objetivo de estudar
e divulgar abertamente as informações técnicas e socioeconômicas e
os impactos relevantes aos riscos à humanidade, visando criar meca-
nismos para a adaptação e mitigação dos efeitos das mudanças cli-
máticas globais.
A concentração de dióxido de carbono, gás metano e dióxido de
nitrogênio na atmosfera global vêm aumentando desde 1750, com
o início da Revolução Industrial, devido a intensificação na utilização
(queima) de combustíveis fósseis, como o carvão mineral e os deriva-
dos de petróleo (IPCC, 2007).
O uso crescente desses elementos gera uma maior quantidade de
gases poluentes o que provocam como consequência, alterações na
composição da atmosfera. Segundo o IPCC, o aumento nas concen-
trações de gases de efeito estufa (dióxido de carbono, vapor de água,
nitrogênio, oxigênio, monóxido de carbono, metano, óxido nitroso,
óxido nítrico e ozônio entre outros) tende a reduzir a eficiência com
que a Terra se resfria, levando a elevação da temperatura média em
várias regiões do planeta e às mudanças climáticas.

Gestão Ambiental  /  UA 04  Meio Atmosférico 5


papo técnico
“No período de 1995 a 2006, onze desses anos foram os mais
quentes da história, desde 1850 (IPCC, 2007).”

Essa constatação ilustra a ocorrência do aquecimento global, ou seja,


mostra que as temperaturas na superfície terrestre estão se elevando.
Entre os impactos gerados pelo aquecimento global, segundo estudos
do IPCC, temos:

→→ Aumento em quase duas vezes na temperatura do ártico com rela-


ção à taxa média global dos últimos cem anos;
→→ Aumento das temperaturas nas camadas permanentemente con-
geladas no ártico (em até 3°c); diminuição da área total coberta pelo
congelamento sazonal do solo em cerca de 7% no hemisfério norte;
→→ Secas mais longas e mais intensas têm sido observadas em áreas
cada vez maiores desde a década de 1970, principalmente nas regiões
tropicais e subtropicais;
→→ Aumento da frequência de precipitações intensas sobre a maio-
ria das regiões continentais, consistente com o aquecimento e com o
aumento observado de vapor d’água na atmosfera;
→→ Com base em simulações do ipcc é possível prever que os ciclones
tropicais e tempestades extratropicais futuros se tornem cada vez mais
violentos, causando ainda mais danos a humanidade.

Notícia veiculada no jornal Folha de S. Paulo, em 4/2/2007, alertava que


dezoito praias do litoral paulista poderiam desaparecer nos próximos
anos. Uma das causas estava associada às mudanças climáticas, pois
desde agosto de 2005 até janeiro de 2007 houve quatro ciclones extra-
tropicais – fenômeno climático que causa ressacas – de intensidade
extrema no Sul do país. Foi uma dessas ressacas, no final do ano de
2006, que causou prejuízos na ordem de R$ 2 milhões a praia da Ense-
ada, no município de Guarujá, no estado de São Paulo, com a destrui-
ção de quiosques, iluminação e parte do calçamento.
Os países em desenvolvimento são os mais vulneráveis a essas
mudanças do clima, podendo ser duramente atingidos pelos seus
efeitos adversos. Para o Brasil, isso é reforçado pela sua economia
fortemente dependente de recursos naturais diretamente ligados ao
clima na agricultura, na geração de energia hidroelétrica, entre outros
setores, segundo o relatório Mudança do Clima, de 2005, publicado

Gestão Ambiental  /  UA 04  Meio Atmosférico 6


pelo Núcleo de Assuntos Estratégicos da Presidência da República
(MUDANÇA DO CLIMA, 2005).
No Brasil, alguns trabalhos têm apontado para um aumento da tem-
peratura. Em Campinas, no estado de São Paulo, observou-se que a
temperatura mínima diária medida no posto meteorológico do Cen-
tro Experimental do Instituto Agronômico de Campinas, no período
de 1890 a 2002, teve um acréscimo significativo de cerca de 2oC nos
últimos cem anos (PINTO et al., 2003). Além disso, alguns fenômenos
raros e extremos, no estado de São Paulo, têm sido observados, como
o tornado que atingiu o município de Indaiatuba no ano de 2005.
A seca de 2005 foi uma das mais intensas dos últimos cem anos
na Amazônia, causada por um aquecimento das águas do Atlântico
Norte (PHILIPS et al., 2009). O impacto ambiental da seca de 2005 na
Amazônia, devido a soma do carbono que deixou de ser absorvido
pelo crescimento reduzido das árvores, mais o carbono liberado pela
decomposição da vegetação morta, corresponde a um acréscimo de
aproximadamente 5,5 bilhões de toneladas de CO2 na atmosfera. É
quase o mesmo total que os Estados Unidos emitiram pela queima de
combustíveis fósseis em 2005 (5,75 bilhões de toneladas).

Figura 1.  Seca de


2005 matou mais de
cem toneladas de
peixes no Lago do Rei,
próximo a Manaus.
Fonte:  O Estado de
S. Paulo, 5 dez. 2008;
Foto: Marcio Silva/
Correio Amazonense.

Gestão Ambiental  /  UA 04  Meio Atmosférico 7


3.1. Emissões de Gases de Efeito Estufa
Os principais gases de efeito estufa incluem o vapor d’água, o dióxido
de carbono (CO2), o metano (CH4), o óxido nitroso (N2O), o ozônio (O3), e
compostos químicos produzidos exclusivamente pelo homem, como o
clorofluorcarbono (CFC), o qual também é responsável pela destruição
da camada de ozônio; o hidrofluorcarbono (HFC); o perfluorcarbono
(PFC); hidrofluorclorocarbono (HCFC) e o hexafluoreto de enxofre (SF6)
(MCT, 2004).
Há um razoável consenso (até 90% de chance) que as alterações no
clima global são em consequência do aumento da concentração de
gases de efeito estufa nas últimas décadas ocasionadas pelas atividades
antrópicas e não por eventual variabilidade natural do clima. Num perí-
odo de 15 anos, de 1990 a 2005, a emissão de CO2 pelo Brasil apresen-
tou um crescimento de 69%, variando de 0,9 a 1,5 bilhões de toneladas
de CO2 (MCT, 2009). Já os Estados Unidos, historicamente o maior emis-
sor de CO2 para a atmosfera, apresentou um aumento, nesse período,
de 19%, atingindo aproximadamente 6,0 bilhões de toneladas de CO2
em 2005. A China, devido a seu crescimento econômico acelerado, no
mesmo período, apresentou uma elevação na emissão de CO2 de 137%,
alcançando um lançamento anual de 5,3 bilhões de toneladas de CO2.
Em 2008, a China tornou-se o país com a maior taxa de emissão de
CO2 do planeta. Todavia, os Estados Unidos ainda possuem uma das
maiores taxas de emissão anual per capita de CO2 do mundo, a qual
atinge 19 toneladas de CO2, já a China e o Brasil apresentam taxas per
capita de 4,65 e 1,86 toneladas de CO2 respectivamente, com base no
ano de 2006 (WORLD BANK, 2010).
As emissões de CO2 dos países industrializados e da China são pre-
dominantemente relacionados a queima de combustíveis fósseis. No
caso brasileiro a principal fonte de emissão refere-se a queimada de
áreas florestais.
O Inventário Nacional de Emissões de Gases de Efeito Estufa, publi-
cado pelo Ministério de Ciência e Tecnologia aponta que, em 1994, a
mudança no uso da terra e das florestas, o qual inclui as queimadas,
as emissões e remoções pelos solos, representou cerca de 75,4% das
emissões de CO2 brasileiras (MCT, 2004). Já no relatório preliminar do 2º
Inventário Brasileiro das Emissões e Remoções Antrópicas (MCT, 2009),
observa-se que a participação desse setor no total de emissões brasi-
leira atingiu 76,3%.
Segundo o jornal O Estado de S. Paulo, de 29 de agosto de 2008:

Gestão Ambiental  /  UA 04  Meio Atmosférico 8


As siderúrgicas instaladas em Minas Gerais consomem, por ano, uma média de
10 milhões de metros cúbicos de carvão vegetal produzido pela derrubada ilegal
de matas nativas, segundo dados do Instituto Estadual de Florestas. Desse total
cerca de 3,5 milhões de metros cúbicos são extraídos de florestas mineiras e os
demais de outros estados, como Bahia, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Tocan-
tins e Piauí. O desmate clandestino em MG atinge 55.000 ha/ano.

Figura 2. 
Incêndio no Parque
Nacional da Chapada
Diamantina, na
Bahia. Foto: Calil
Neto/Fotorepórter/
AE — 04/09/06.

O combate ao desmatamento torna-se muitas vezes de difícil execu-


ção, pois a economia das comunidades que vivem nas regiões das flo-
restas dependem da entrada de recursos financeiros provenientes do
desmatamento, como destaca a notícia a seguir.
O jornal O Estado de S. Paulo, de 25 de fevereiro de 2007 diz:

No Maranhão, na região dos municípios de Grajaú e Arame, a 500 km de São


Luís, um caminhão com nove toras de ipê ou jatobá custa R$ 300,00 aos atra-
vessadores. Os atravessadores revendem o produto para serrarias de cidades
vizinhas pelo dobro do preço. Os donos de serrarias vendem a mesma madeira
processada por R$ 1.000,00. A exploração ilegal de madeira na floresta amazô-
nica do Maranhão está devastando uma floresta de 23.000 ha.

A notícia a seguir, do jornal O Estado de S. Paulo, de 9 de novembro


de 2008, apresenta uma comparação do impacto das queimadas das
florestas brasileiras e a redução proporcionada pelo aumento do uso
do etanol em substituição a gasolina, devido a tecnologia Flex Fuel.

Gestão Ambiental  /  UA 04  Meio Atmosférico 9


Desmatamento anula o benefício climático do etanol: Em cinco anos, desde que
a tecnologia Flex Fuel chegou ao mercado de automóveis, o Brasil deixou de
emitir para a atmosfera 42,5 milhões de toneladas de dióxido de carbono (CO2),
graças à substituição de gasolina por álcool combustível, segundo cálculos da
União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica). Isso equivale a três anos e meio
de emissões de CO2 da cidade de São Paulo. Todavia, a má notícia é que em
um único mês, a combustão da floresta tropical lança na atmosfera a mesma
quantidade de gás carbônico que deixou de ser emitida nos cinco anos de tec-
nologia Flex Fuel. A comparação foi feita pelo jornal O Estado de S. Paulo, com
base em informações fornecidas por especialistas da academia e da indústria.
Pesquisadores estimam que cada quilômetro quadrado de floresta derrubada e
queimada na Amazônia libera para a atmosfera, em média, 44 mil toneladas de
CO2. Em 2007, por exemplo, foram derrubados 11.532 km2 de floresta amazônica,
segundo dados oficiais do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). Pelos
cálculos dos cientistas, isso implicou na emissão de 507,4 milhões de toneladas
de CO2, o que dá uma média de 42,3 milhões de toneladas por mês - quase o
mesmo que os 42,5 milhões de toneladas evitadas pelo uso de álcool em motores
Flex Fuel em cinco anos.

O segundo setor brasileiro em importância na emissão de CO2 na


atmosfera é a queima de combustíveis fósseis. Em 1994 esse setor
representou cerca de 22,5% no total de emissões brasileiras de CO2.
Em 2005 essa participação se reduziu para 21,5%, apesar das emissões
de CO2 desse setor terem aumentado 70% no período de 1990 a 2005.
Somente o transporte rodoviário emite 7,8% do total de CO2 brasi-
leiro, enquanto a queima de combustíveis fósseis do setor Industrial
é responsável por 7,3% do total de emissões CO2, com base em 2005.
O jornal O Estado de S. Paulo, de 24/4/2008 teve a seguinte manchete:

Fonte:  <http://www. Oito empresas emitem 63% de todo o CO2 industrial no estado de São Paulo
estadao.com.br/
noticias/geral,em-sp- Elas respondem por 18 milhões dos 29 milhões de toneladas de CO2 (dados de
8-empresas-emitem- 2006). A maior emissora de CO2 é a siderúrgica Cosipa da cidade de Cubatão (6,3
63-do-co2-das- milhões de tCO2 por ano), seguida da Refinaria Replan da cidade de Paulínia (3,1
industrias,162059,0. milhões de tCO2 por ano); da refinaria REVAP da cidade de São José dos Cam-
htm>. pos (2,1 milhões de tCO2 por ano); da refinaria RBPC da cidade de Cubatão (2,0
milhões de tCO2 por ano).

Além do CO2, outras importantes emissões de gases estufa incluem


o metano e o óxido nitroso. As emissões de metano são associadas a
diversas atividades, como: aterros sanitários, tratamento de esgotos,

Gestão Ambiental  /  UA 04  Meio Atmosférico 10


sistemas de produção e processamento de gás natural, atividades agrí-
colas, queima de combustíveis fósseis, entre outros.
No Brasil, o setor de agropecuária é responsável por 71% do lança-
mento de metano na atmosfera, o que representou 19,0 milhões de
toneladas de CH4 emitidos em 2005. A principal emissão tem como fonte
a fermentação entérica (eructação) do rebanho de ruminantes, quase
toda referente ao gado bovino, o segundo maior rebanho do mundo.
As emissões de óxido nitroso resultam de atividades como: práti-
cas agrícolas, processos industriais, queima de combustíveis fósseis
e conversão de florestas para outros usos. No Brasil, as emissões de
N2O, ocorrem, predominantemente, no setor de agropecuária, princi-
palmente pela disposição dos dejetos de animais nas pastagens. No
ano de 2005 o setor de agropecuária foi o responsável por 90,6%, ou
660,1 mil toneladas de N2O, das emissões brasileiras de óxido nitroso,
as quais totalizaram 728 mil toneladas de N2O. Destaque-se que o
óxido nitroso faz parte dos gases responsáveis pela chuva ácida, e a
sua redução na queima de combustíveis fósseis deve-se a exigência da
instalação de catalisadores nos veículos automotivos.

4. Chuva ácida
Outro importante problema ambiental relacionado a atmosfera é a
chuva ácida.

Conceito
“Considera-se ácida a chuva que apresenta um pH inferior a 5,6.”

Para você que vive no estado de São Paulo temos dois estudos reali-
zados sobre chuva ácida na região de Campinas. No primeiro, reali-
zado em Paulínia, Tresmondi et al. (2005) encontrou um pH da água de
chuva variando de 4,6 a 4,8, num estudo com dois anos de duração. Na
bacia do rio Piracicaba, Lara et al. (2001) observaram que o pH médio
da água da chuva esteve na faixa de 4,4 a 4,6.
A chuva ácida é principalmente provocada pela queima de combustí-
veis fosseis como o carvão e o petróleo. A queima desses combustíveis
gera, entre outros poluentes, o dióxido de enxofre (SO2) e os óxidos de
nitrogênio (NO e NO3, ou NOx). Estes gases reagem com o vapor d’água
presente na atmosfera, transformando-se em ácido sulfúrico (H2SO4) e
nítrico (HNO3). Outras formas de precipitação ácida que podem ocorrer
na natureza são a neve, o granizo e a neblina.

Gestão Ambiental  /  UA 04  Meio Atmosférico 11


Os principais problemas econômicos e ambientais causados pela
chuva ácida, segundo Braga et al. (2002) são:

→→ Perda da produtividade da agricultura devido a acidificação do solo;


→→ Acidificação da água, principalmente em lagos e reservatórios de
abastecimento de água para a população e produção de energia elé-
trica, pela corrosão de tubulações e turbinas. Acrescente-se que a alte-
ração da acidez pode afetar a vida aquática, notadamente os peixes;
→→ Destruição de obras civis e monumentos, como aqueles de Atenas
e Roma.

No estado de São Paulo um exemplo de impacto da chuva ácida é a


cidade de Cubatão, pois a ameaça de escorregamentos de terra da
Serra do Mar tem origem no desfolhamento provocado pela emissão
de poluentes do polo industrial (BRAGA et al., 2002).
O alcance da chuva ácida é muito variável podendo chegar a milha-
res de quilômetros, dependendo das condições atmosféricas (velo-
cidade do vento, frequência de chuvas, umidade relativa do ar), da
altura das chaminés das fábricas. Estima-se que 50% da chuva ácida do
Canadá provem dos Estados Unidos (BRAGA et al., 2002). Os principais
causadores da chuva ácida são:

→→ Usinas geradoras de energia elétrica movidas a combustíveis deri-


vados de carvão e petróleo (ou usinas termoelétricas);
→→ Sistema de Transporte;
→→ Processos industriais.

O controle da chuva ácida passa por medidas de controle da emissão


de óxidos de nitrogênio e de dióxido de enxofre, como o uso de cata-
lisadores nos veículos; a diminuição do teor de enxofre nos combus-
tíveis; uso de fontes de energia alternativa, como a eólica e a solar;
incrementar o uso de transporte público.

5. Destruição da camada de Ozônio


A destruição da camada de ozônio completa a lista dos principais pro-
blemas de repercussão global relacionados a poluição atmosférica.
A camada de ozônio está situada entre 15 km e 50 km acima da
superfície do solo, na camada da atmosfera chamada estratosfera.
Nela concentra-se 90% de todo o ozônio atmosférico. O ozônio (O3)
é um gás que tem uma importante função de absorção da radiação
ultravioleta. Todavia, na superfície terrestre ou Troposfera, esse gás

Gestão Ambiental  /  UA 04  Meio Atmosférico 12


é considerado um poluente, pois pode provocar irritação nos olhos,
problemas respiratórios e o smog (nevoeiro fotoquímico), também
degrada tecidos e danifica plantas.

conceito
“A destruição da camada de ozônio se dá pela reação do ozô-
nio com gases utilizados nas indústrias de ar condicionado e de
refrigeração, de aerossóis, de equipamentos eletrônicos e de
plásticos, conhecidos como CFC (clorofluorcarbono).”

Uma molécula de CFC pode destruir até dez mil moléculas de ozônio
O3 (Braga et al., 2002).
Os principais impactos na saúde, economia e meio ambiente da
radiação ultravioleta são: aumento da incidência do câncer de pele;
redução das safas agrícolas; danos aos materiais plásticos; destrui-
ção e inibição do crescimento das espécies vegetais, afetando todo o
ecossistema terrestre (BRAGA et al., 2002). O controle da destruição da
camada de ozônio passa por medidas de controle da emissão do CFC.

6. Legislação, Programas, Planos, Políticas E


Convenções Relacionadas As Mudanças Climáticas

6.1. Protocolo de Montreal


O Protocolo de Montreal sobre Substâncias que Destroem a Camada
de Ozônio foi firmado na cidade de Montreal, no Canadá, em 16 de
setembro de 1987, e com os ajustes e emendas adotados posterior-
mente. É um tratado internacional para implementar a Convenção de
Viena para a Proteção da Camada de Ozônio (1985), que bane toda
uma família de produtos químicos, como os clorofluorcarbono ou CFC,
e estabelece prazos para sua substituição (VALLE, 2002).
No Brasil foi criado o Decreto 99.280 (6/6/1990) o qual está associado
à Promulgação da Convenção de Viena e ao Protocolo de Montreal.
Destaque-se ainda a Instrução Normativa do Ibama 37, de 29/6/ 2004,
a qual dispõe sobre a produção, comércio e uso do CFC (SEIFERT, 2007).

6.2. Protocolo de Kyoto


A necessidade do enfrentamento das mudanças climáticas levou a
organização de diversos fóruns para a discussão e criação de estraté-
gias e metas globais para mitigar as consequências da intensificação

Gestão Ambiental  /  UA 04  Meio Atmosférico 13


do efeito estufa. Dentre esses fóruns internacionais, destaca-se a Con-
venção Quadro das Nações Unidas, realizada em 1992, que estabeleceu
metas, ações e prazos para que os países reduzissem suas emissões
de gases do efeito estufa.
Para o início das ações e dos trabalhos mundiais foi criada a Con-
venção das Partes (COP), um órgão supremo reunindo países que par-
ticipam da Convenção Quadro que abrange exclusivamente assuntos
sobre Mudanças do Clima.
Em 1997, foi realizado no Japão, na cidade de Kyoto, a Terceira Con-
venção das Partes (COP-3), onde foi assinado o Protocolo de Kyoto,
documento que coloca como objetivo que os países industrializados
reduzam suas emissões em 5,2% em relação aos níveis de 1990, para o
período de 2008 à 2012.
Basicamente este protocolo reúne e estabelece regras de mecanis-
mos flexíveis que permitem esses países cumprirem com as exigên-
cias de reduzir suas emissões fora de seus territórios. Os países foram
divididos entre aqueles pertencentes ao Anexo B (os desenvolvidos) e
aqueles que compõem o não Anexo B (países em desenvolvimento).
Para se atingir a meta de redução de 5,2% da emissão dos gases do
efeito estufa abaixo dos índices observados em 1990, o protocolo esta-
beleceu três mecanismos:

→→ Implementação conjunta (Joint Implementation): Ações que os


países do Anexo B desenvolvem em conjunto para atingir as metas de
redução das emissões dos GEE’s;
→→ Comércio de emissões: Prevê que os países do Anexo B comer-
cializem suas reduções de emissão entre si. Essas reduções devem
ser certificadas;
→→ Mecanismos de Desenvolvimento Limpo (MDL): Investimentos
dos países do Anexo B nos países do não Anexo B para implantação de
projetos que visam redução dos gases do efeito estufa. Estas reduções
podem ser comercializadas para atingir as metas de redução das emis-
sões de CO2 na atmosfera.

Conceito
“O MDL é um mecanismo de flexibilização que incentiva o finan-
ciamento de projetos em países subdesenvolvidos, com o obje-
tivo de auxiliar os países industrializados do Anexo B a cumprir a
meta de redução estipulada no Protocolo de Kyoto.”

Gestão Ambiental  /  UA 04  Meio Atmosférico 14


Vale destacar que essa ação contribui para a criação de projetos de
desenvolvimento sustentável nos países subdesenvolvidos, pelo fato
de o investimento nas tecnologias limpas ser menos custoso nesses
países. Nesse aspecto se insere o Brasil, o qual vem recebendo recur-
sos com a venda de créditos de carbono. Um exemplo de projeto de
MDL é o aterro sanitário Bandeirantes, o qual produz energia a partir
do aproveitamento gás metano gerado pela decomposição do lixo.
Notícia veiculada na Folha on line de 27 de agosto de 2007 infor-
ma que:

[...] no dia 26 de setembro de 2007 foi realizado o primeiro leilão de carbono no


Brasil e na América Latina. O evento aconteceu na BM&F (Bolsa de Mercadorias
e Futuros), em São Paulo, quando o banco belgo-holandês Fortis comprou os
808.450 créditos ofertados pela Prefeitura de São Paulo, referente ao projeto da
Central Térmica a Gás do Aterro Sanitário Municipal Bandeirantes pelo qual pagou
16,20 Euros por cada tonelada de CO2 o que na época correspondeu a cerca de 34
milhões de reais. Esses créditos de carbono podem ser usados pelo banco tanto
para cumprir eventuais metas de redução de emissão de gases de efeito estufa
como para vender no mercado internacional, principalmente o europeu.

Notícia veiculada no jornal O Estado de S. Paulo, de 5 de novembro


de 2008, aponta que:

O Mercado de Crédito de Carbono cresceu 41% no 1º semestre de 2008, o que


representa um volume de negócios de 38 bilhões de euros, de acordo com a
Associação Internacional para o Comércio de Emissões (Ieta).

Existem aproximadamente 445 projetos de MDL em validação, apro-


vação ou registro no Brasil, segundo compilação realizada pelo Minis-
tério de Ciência e Tecnologia, correspondendo a levantamento até 19
de abril de 2010. O Brasil ocupa o terceiro lugar em número de ativi-
dades de projetos, correspondendo a 7% de um total de 6096. Em pri-
meiro lugar está a China, seguida da Índia, os quais alcançaram 2282
(37%) e 1628 (27%) projetos respectivamente (MCT, 2010). Considerando
o potencial de reduções de emissões associado aos projetos no ciclo do
MDL, o Brasil é responsável pela redução de 380.641.793 t CO2.
Apesar dos avanços no que se refere a mobilização global para a dis-
cussão sobre as mudanças climáticas, consubstanciada pelo Protocolo
de Kyoto, a visão expressa é de pessimismo.
Notícia veiculada no jornal O Estado de S. Paulo, de 5 de novembro
de 2008, referente ao encontro de Polznan, na Polônia, divulgou que:

Gestão Ambiental  /  UA 04  Meio Atmosférico 15


[...] a concentração de gás carbônico (CO2) na atmosfera aumentou mais 0,5%
entre 2006 e 2007, atingindo o recorde de 383,1 partes por milhão (ppm), segundo
a Organização Mundial de Meteorologia. Para evitar que ocorram mudanças cli-
máticas nas próximas décadas, essa concentração tem de se estabilizar em 450
ppm e depois diminuir. Desde 1990, ano-base de comparação de Kyoto, houve
um aumento de 24% na concentração, em vez da esperada e acordada queda de
5,2%, sendo uma prova de que o Protocolo de Kyoto, que previa uma redução das
emissões até 2012, está fracassando.

6.3. Plano Nacional de Mudanças Climáticas


O Plano Nacional de Mudanças Climáticas foi lançado em 2 de dezembro
de 2008 pelo governo federal. A meta principal desse plano é a redução
progressiva do desmatamento na Amazônia nos próximos dez anos. A
primeira etapa é reduzir em 40% a média anual de desmate no período
2006-2009, em relação à média dos dez anos anteriores (1996-2005), que
foi de 19.500 km2 de floresta derrubada. Para cumprir o plano, segundo
cálculos do jornal O Estado de S. Paulo, o desmatamento em 2009 terá
de ser o menor da história – 9.200 km2, no máximo (NOSSA, 2008).
Nos quadriênios seguintes (2010-2013 e 2014-2017), segundo o plano,
o desmatamento deverá ser reduzido em mais 30% cada, comparado
à média dos quatro anos anteriores. A expectativa, com isso, é que
em 2017 a taxa anual de desmate seja de 5.000 km2. Até lá, mesmo se
todas as metas forem cumpridas, outros 70 mil km2 de florestas vão
desaparecer – uma área maior do que a dos estados do Rio de janeiro
e Sergipe juntos (NOSSA, 2008).

6.4. Política Nacional sobre Mudança do Clima


A Política Nacional sobre Mudança do Clima (PNMC) foi instituída pela
Lei 12.187, de 29/12/ 2009, e apresenta, como uma de suas principais
deliberações, fixar o compromisso do Brasil em reduzir, até 2020, as
emissões projetadas de gases do efeito estufa, dentro do limite que
vai de 36,1% a 38,9%. Destacam-se, entre outros objetivos da PNMC, o
especial interesse na preservação, na conservação e na recuperação
dos grandes biomas naturais tidos como Patrimônio Nacional; o incen-
tivo aos reflorestamentos e à recomposição da cobertura vegetal em
áreas degradadas e o estímulo ao desenvolvimento do Mercado Brasi-
leiro de Redução de Emissões – MBRE. Destacamos, para a carreira de
processos gerenciais, a diretriz da Política Nacional que trata, em seu
artigo 5º, do estímulo e o apoio à manutenção e à promoção de prá-
ticas, atividades e tecnologias de baixas emissões de gases de efeito
estufa e de padrões sustentáveis de produção e consumo.

Gestão Ambiental  /  UA 04  Meio Atmosférico 16


Para a implementação da Política Nacional de Mudança de Clima, o
Art. 6º apresenta como instrumentos planos de ação, para prevenção
e controle de desmatamentos de biomas, a criação de um fundo nacio-
nal, medidas fiscais e tributárias, linhas de crédito e financiamento
específicas; mecanismos financeiros e econômicos, entre outros.
O Art. 9º estabelece que o Mercado Brasileiro de Redução de Emis-
sões – MBRE será operacionalizado em bolsas de mercadorias e futu-
ros, bolsas de valores e entidades de balcão organizado, autorizadas
pela Comissão de Valores Mobiliários – CVM, onde se dará a negocia-
ção de títulos mobiliários representativos de emissões de gases de
efeito estufa evitadas certificadas.

6.5. Resoluções do Conselho Nacional


do Meio Ambiente - CONAMA
Resolução CONAMA 18, de 6/5/1986: Institui o Programa Nacional de
Controle da Poluição por Veículos Automotores, em caráter nacional.
Objetivo: reduzir a emissão de poluentes pelo escapamento de veículos.
Resolução CONAMA 1, de 23/10/1987: Aprovou o Programa Nacio-
nal de Certificação e Conformidade de Veículos Automotores.
Resolução CONAMA 5, de 15/6/1989: Institui o Programa Nacional
de Controle da Qualidade do Ar (Pronar) considerando o progressivo
aumento da poluição atmosférica. Esse programa tem por objetivo per-
mitir o desenvolvimento econômico e social do país de forma ambien-
talmente segura, pela limitação dos níveis de emissão de poluentes por
fontes de poluição atmosférica com vistas a:

→→ Melhoria na qualidade do ar;


→→ O atendimento aos padrões estabelecidos;
→→ O não comprometimento da qualidade do ar em áreas considera-
das não degradadas.

Resolução CONAMA 3, de 28/6/1990: Fixa as concentrações máximas


permissíveis de poluentes do ar, sendo toleráveis os seguintes limites.

→→ Partículas totais em suspensão (PTS): 240 ug/m3x24h;


→→ Partículas inaláveis com diâmetro menor do que 10 micron (PM10):
150 ug/m3x24h;
→→ Dióxido de enxofre (SO2): 365 ug/m3x24h;
→→ Dióxido de nitrogênio (NO2): 320 ug/m3x1h;
→→ Ozônio (O3): 160 ug/m3x1h;
→→ Monóxido de carbono (CO): 9.000 ug/m3x8h.

Gestão Ambiental  /  UA 04  Meio Atmosférico 17


6.6. Programas da Cetesb no estado de São Paulo

6.6.1. Proconve – Programa de Controle da


Poluição do Ar por Veículos Automotores
Programa criado por uma resolução do Conselho Nacional do Meio
Ambiente – Conama, a partir de uma proposta da Cetesb que foi cre-
denciada pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e Recursos Natu-
rais Renováveis – Ibama para a sua implementação. O programa,
implantado em 1988, impõe limites para emissão de poluentes veicu-
lares e a obrigatoriedade de certificação de motores, resultando na
adoção de melhorias tecnológicas, como os catalisadores e injeção ele-
trônica, para reduzir as emissões nos veículos novos.

6.6.2. Fumaça Preta


Programa que tem por objetivo desenvolver campanhas de educação,
orientação e conscientização de frotistas de caminhões e ônibus, para
reduzir as emissões de fumaça preta.

6.6.3. Operação Inverno


Desenvolvida nos meses mais frios do ano, quando as condições de
dispersão de poluentes na atmosfera se tornam desfavoráveis, essa
operação intensifica as ações de controle e fiscalização das fontes de
poluição fixas e móveis.

6.6.4. Prozonesp - Programa Estadual de Prevenção


à Destruição da Camada de Ozônio
Criado pelo Governo do Estado de São Paulo em 1995, através da Reso-
lução 27, da Secretaria Estadual do Meio Ambiente, esse programa tem
por objetivo coordenar as ações de implantação e disseminação de
boas práticas para a Proteção da Camada de Ozônio. Atendendo ao
Protocolo de Montreal, a Cetesb desenvolve esforços para eliminar a
produção e o consumo de substâncias que destroem a camada de ozô-
nio, os SDOs. Com esse objetivo, realiza o cadastro de usuários dessas
substâncias, para controlar e prevenir o seu uso. Além disso, elabora
normas de procedimentos para reduzir as emissões, por meio de cam-
panhas de informação e conscientização dos setores industriais, técni-
cos em manutenção de refrigeradores, aparelhos de ar condicionado
e outros, além da sociedade em geral.

Gestão Ambiental  /  UA 04  Meio Atmosférico 18


6.6.5. Proclima – Programa Estadual de
Mudanças Climáticas Globais
Programa que contribui para um maior conhecimento científico da
questão das mudanças climáticas decorrentes de emissões de gases de
efeito estufa e para a implementação da política estadual de redução
dessas emissões a um nível que não comprometa o sistema climático.

6.6.6. PIV - Programa de Inspeção Veicular Ambiental


Realiza a aferição dos níveis de emissão de poluentes e ruídos de uma
frota de 7,4 milhões de veículos no estado. Os restantes 4,6 milhões de
veículos da capital são inspecionados por meio de um programa próprio.

Gestão Ambiental  /  UA 04  Meio Atmosférico 19


antena
parabólica
Você se lembra do capítulo sobre recursos hídri-
cos que a principal causa da escassez da água era o
padrão de consumo, produção e exploração dos recur-
sos naturais de forma insustentável. No caso do efeito
estufa a história se repete. Os nossos hábitos de vida,
que demandam energia e geração de carbono, nosso
consumo de energia, baseada na queima de combus-
tível fóssil, a pecuária que avança sobre as áreas de
matas nativas são exemplos de como podemos afetar
a nossa atmosfera. A intensificação do efeito estufa é
uma consequência de tudo isso e irá, também, exigir
de toda a sociedade, da comunidade científica e tec-
nológica e dos gestores e planejadores alternativas e
mudança de postura para enfrentar as consequências
da degradação ambiental. Para esse fim, necessitare-
mos de profissionais capacitados, com senso crítico
e comprometidos com o paradigma do desenvolvi-
mento sustentável. É a hora e a vez de vocês.

E agora, José?
Você lembra da Unidade de Aprendizagem 3, quando
tratamos dos problemas da água? Qual a relação
da aula passada com essa, que trata dos problemas
atmosféricos e sua relação com a gestão empresarial?
Tudo se relaciona ao padrão de consumo e desenvolvi-
mento adotados pela sociedade contemporânea. Será
que paramos por aqui? Você já deve saber a resposta,
aguarde a próxima aula na qual trataremos sobre um
outro recurso natural imprescindível para a vida do
homem, o solo, seus usos e impactos.
Não perca!
Atividades
Nesta Unidade de Aprendizagem, discutimos as prin-
cipais questões relacionadas ao meio atmosférico
e sua influência na gestão ambiental das empresas,
incluindo questões legais e econômicas, aspectos e
impactos ambientais. As atividades propostas direcio-
nam essa discussão para três vértices: no ambiente
corporativo, na região onde você mora e os impactos
para a sociedade.
Glossário
Fonte estacionária e fonte móvel: expressões tornar o ar impróprio, nocivo ou ofensivo à
que se referem a fontes que liberam ou emi- saúde, inconveniente ao bem-estar público,
tam matéria para a atmosfera, causando a sua danoso aos materiais, à fauna e à flora ou pre-
poluição, e liberem ou emitam matéria para a judicial à segurança, ao uso e gozo da proprie-
atmosfera através de uma chaminé. As fontes dade e às atividades normais da comunidade.
estacionárias ou fixas são qualquer instalação, Radiação ultravioleta: radiação eletromagnética,
equipamento ou processo, situado em local invisível ao olho humano, com comprimentos
fixo, geralmente representadas pelas indús- de onda variando de 100 a 280 nm. A radiação
trias. Já as fontes móveis são principalmente ultravioleta, em função do comprimento de
aquelas relacionadas aos veículos automotores. onda, divide-se em UVA (320 a 400 nm); UVB
IPCC (Painel Intergovernamental sobre as (280 a 320 nm) e UVC (100 a 280 nm).
Mudanças Climáticas): promovido pela Smog fotoquímico: “smog” é um termo proposto
Organização Mundial de Meteorologia (WMO por Harold De Voeux, fruto da composição de
ou OMM) e o Programa das Nações Unidas smoke e fog (fumaça e neblina), para designar
para o Meio Ambiente (UNEP ou PNUMA), a nuvem produzida pela queima de carvão em
visa a avaliação da informação científica, téc- Londres, e que causou a morte de milhares de
nica e socioeconômica disponível sobre as pessoas. Nas grandes cidades, a emissão de
mudanças climáticas (LORA, 2002). poluentes por veículos e indústrias, principal-
Ozônio: gás cuja molécula é formada por três mente óxidos de nitrogênio, monóxido de car-
átomos de oxigênio (O3), a qual é constan- bono e hidrocarbonetos, associado a presença
temente fragmentada na atmosfera desa- da radiação solar, daí vem a expressão fotoquí-
gregada na atmosfera por sua reação com a mico, criam condições para a geração de novos
radiação solar. poluentes presentes na neblina ou fumaça.
Poluente atmosférico: toda e qualquer forma Taxa de emissão: o valor representativo que
de matéria ou energia com intensidade e em relaciona a massa de um poluente específico
quantidade, concentração, tempo ou caracte- lançado para a atmosfera por unidade de
rísticas em desacordo com os níveis estabele- tempo (massa/tempo), como tonelada por
cidos em legislação, e que tornem ou possam ano (t/ano).

Referências
ASSAD, E. D.; PINTO, H. S.; ZULLO JUNIOR, J.; ÁVILA, vidae,desmatamento-anula-beneficio-
A. M. H. Impacto das mudanças climáticas climatico-do-etanol,274729,0.htm>. Acesso
no zoneamento agroclimático do café no em: out. 2014.
Brasil. Pesquisa Agropecuária Brasileira, Bra- IPCC - Intergovernmental Panel on Climate
sília, v. 39, n. 11, p. 1.057-1.064, 2004. Change. Climate change 2007: the physical
BRAGA, B.; HESPANHOL, I.; CONEJO, J. G. L. et al. science basis: summary for policymakers.
Introdução a Engenharia Ambiental. São Geneva: IPCC, 2007. p. 18. Disponível em:
Paulo: Prentice Hall, 2002. p. 305. <http://www.ipcc.ch/publications_and_data/
Escobar, H.  Desmatamento anula benefício publications_ipcc_fourth_assessment_
climático do etanol. O Estado de S. Paulo, report_wg1_report_the_physical_science_
9.nov.2008. Notícias, Planeta. Disponível basis.htm>. Acesso em: out. 2010.
em: <http://www.estadao.com.br/noticias/

Gestão Ambiental  /  UA 04  Meio Atmosférico 22


LARA, L.B.L.S. et al, Chemical composition of à mudança do clima. Brasília: Núcleo de
rainwater and anthropogenic influences in Assuntos Estratégicos da Presidência da
the Piracicaba River Basin, Southeast Bra- República. 2005. 250 p. (Cadernos NAE, 3).
sil. Atmospheric Environment, v. 35, 2001, p. NOSSA, H. E. L. Desmatamento de 2009 terá de
4.937-4.941. ser o menor da história para cumprir meta.
LORA, E. E. S. Prevenção e controle da poluição O Estado de São Paulo, 2.dez.2008. Caderno
nos setores energético, industrial e de trans- Vida & Ambiente, p. A16.
porte. Rio de Janeiro: Interciência, 2002. p. 481. PHILIPS, O. L.; ARAGÃO, L. E. O. C.; LEWIS, S. L.
MCT – Ministério de Ciência e Tecnologia. Sta- et al. Drought sensitivity of the Amazon
tus atual das atividades de projeto no Rainforest. Science, v. 323, n. 5919, 2009, p.
âmbito do Mecanismo de Desenvolvi- 1.344 – 1.349.
mento Limpo (MDL) no Brasil e no mundo PINTO, H. S.; ASSAD, E. D.; ZULLO JUNIOR, J.; ÁVILA,
.Disponível em <http://www.mct.gov.br/upd_ A. M. H. Variabilidade climática. In: HAMADA,
blob/0210/210195.pdf>. Acesso em: out. 2010. E. (Ed.). Água, agricultura e meio ambiente
MCT – Ministério de Ciência e Tecnologia. Inven- no Estado de São Paulo: avanços e desafios.
tário brasileiro das emissões e remoções Jaguariúna: Embrapa Meio Ambiente, 2003.
antrópicas de gases de efeito estufa: cap. I, 1 CD-ROM.
informações gerais e valores preliminares SALANI, F. São Paulo ganha R$ 34 milhões com
(2009). Brasília: Ministério de Ciência e Tecno- crédito de carbono. Folha de São Paulo, 27
logia. Disponível em: <http://www.ipam.org. set. 2007. Mercado. Disponível em: <http://
br/biblioteca/livro/Inventario-Brasileiro-das- www1.folha.uol.com.br/folha/dinheiro/
Emissoes-e-Remocoes-Antropicas-de-Gases- ult91u331829.shtml>. Acesso em: out. 2010.
de-Efeito-Estufa/255>. Acesso em: out. 2010. SEIFERT, M.E.B. Gestão ambiental: instrumen-
MCT – Ministério de Ciência e Tecnologia. Inven- tos, esferas de ação e educação ambiental.
tário de emissões e remoções antrópicas São Paulo: Atlas, 2007. 310p.
de gases de efeito estufa não controlados TRESMONDI, A. C. C. L.; TOMAZ, E.; KRUSCHE, A. V.
pelo Protocolo de Montreal. In: Comunicação Avaliação do pH e composição das águas
Nacional Inicial do Brasil à Convenção-Quadro de chuva em Paulínia – SP. Engenharia
das Nações Unidas sobre Mudança do Clima. Ambiental, v. 2, n. 1, 2005, p. 70-85.
Brasília: MCT, 2004. p.274. Disponível em: VALLE, C. E. Qualidade ambiental: ISO 14000.
<http://www.mct.gov.br/index.php/content/ São Paulo: Editora SENAC, 2002. 205 p.
view/310914.html>. Acesso em: out. 2010. WORLD BANK . Base de dados. Disponível
Mudança do Clima: Volume I: Negociações em: <http://data.worldbank.org/indicator/
Internacionais sobre a Mudança do Clima: EN.ATM.CO2E.PC>. Acesso em: out. 2014.
vulnerabilidade, impactos e adaptação

Gestão Ambiental  /  UA 04  Meio Atmosférico 23

Você também pode gostar