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Corpo e sexualidade: os processos de normalização na dança


ISSN
Body and sexuality: the normalization processes in dance 1809-9475

Aline Menezes de Oliveira1


Carla de Oliveira dos Santos1
Artigo
Marcelo Paraíso Alves2
Original

Palavras-chave Resumo Original


O presente trabalho busca como centralidade a discussão da prática da dança por Paper
Dança meninos dentro dos processos normalizadores, apropriando-se da história da se-
xualidade para explicar como surgiu a concepção de que homens que dançam são
Sexualidade gays e explicitando conceitos como biopoder e normalização. A produção desta Recebido em
pesquisa partiu de um Projeto da Fundação Geração Futura, o Projeto COMUNI 10/2012
Biopoder (Comunidade Unida) onde ministrávamos aulas de dança. A experiência no proje-
to mencionado nos permitiu refletir sobre alguns aspectos: dança é uma modalida- Aprovado em
04/2013
Normalização de voltada apenas para meninas? Por que as turmas de dança, mais precisamente a
do Projeto COMUNI existe a predominância de garotas? Por que há uma evasão
tão grande de meninos nas turmas de dança? Existe um processo que normatiza,
regula e controla os comportamentos do homem e da mulher? Qual a origem deste
processo de normatização? O intuito do trabalho é possibilitar um debate acerca da
sexualidade, mais especificamente discutindo os conflitos e tensões vivenciados
no cerne do projeto citado. O artigo pretende inicialmente aproximar o leitor do
espaço do Projeto COMUNI, contextualizando o espaço vivenciado pelos autores
do trabalho. No segundo momento, o artigo se propõe a discutir a constituição his-
tórica do processo de regulação e controle da sexualidade, bem como o conceito
de biopoder. Posteriormente, buscou-se pensar o corpo a partir da corporeidade,
permitindo compreender a complexa rede que constituí o processo de subjetivi-
dade, dentre eles, a questão de gênero. Por fim, perspectivaremos possíveis dis-
cussões acerca do papel do profissional de Educação Física frente aos processos
exclusórios que emergem dos referidos processos de normatização. É relevante
ressaltar que optou-se pela pesquisa bibliográfica descritiva.

Abstract Keywords
This article aims to discuss the practice of dancing among boys within the
normalization process, taking into account the sexuality history to explain how Dance Edição Especial Ciências da Saúde e Biológicas - Maio/2013
it came to the concept that men that dance are gays and explaining concepts
such as biopower and normalization. The production of this research came from Sexuality
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a project at the Future Generation Foundation, the COMUNI Project (United
Community) where we taught dance lessons. The experience in the mentioned Biopower
project has enabled us to reflect on certain aspects: is dancing a sport geared just
for girls? Why do the dance classes have a predominance of girls, specially in the Normalization
COMUNI project? Why is there such a big evasion in boys’ dance classes? Is there
a process that standardizes, regulates and controls men and women behavior?
What is the origin of this process of standardization? The objective of this work
is to enable a discussion about sexuality, specifically discussing conflicts and
tensions experienced in the cited project. The article intends to approximate the
reader of the COMUNI project space, contextualizing the space experienced by
the authors. Second the article proposes to discuss the historical constitution of
the regulation and sexual control process, as well as the concept of biopower.
Then it seeks to think the body from the corporeity that allows the understanding
of the complex net which constitutes the process of subjectivity, among them the
question of gender. Finally discussions about the role of the Physical Education
professional in the exclusion process that come from such normalization
processes. It is important to emphasize that the descriptive literature was opted.

1 Graduação e Licenciatura em Educação Física - Centro Universitário de Volta Redonda - UniFOA


2 Professor Doutor do Centro Universitário de Volta Redonda - UniFOA
1. Introdução mento apresentado pelas discentes (crianças e
24 adolescentes) diante da presença dos meninos,
Na tentativa de propor soluções para al- seja na sua participação nas aulas, bem como
guns problemas que emergem na sociedade quando observavam outras turmas do projeto
atual, Estado, empresas e instituições priva- de dança: a maneira como se referem aos me-
das, organizações não governamentais, den- ninos que dançam; como se dá a relação du-
tre outros, se mobilizam para desenvolver rante aula e, por outro lado, como os meninos
projetos e atividades voltadas para crianças e percebem seu próprio corpo, as permissões e
adolescentes de comunidades carentes em si- os interditos, por exemplo, em inúmeras situa-
tuação de vulnerabilidade social, ou seja, que ções, os meninos paravam na metade da aula
estejam em condição objetiva da situação de e sentavam, pois afirmavam que as meninas
exclusão. Estes tem o intuito de direcioná-los estavam zombando deles, chamando-os de
para os referidos locais educativos, ao contrá- gays, “mocinhas”. Não era raro o depoimento
rio de irem para as ruas, oferecendo a esses de insultos e alunos relatando agressões ver-
sujeitos oportunidades de vivenciarem ativi- bais de outros garotos e até mesmo de meninas
dades prazerosas e educativas, buscando de- quando saíam das aulas de dança.
senvolver suas habilidades físicas, cognitivas, Dessa forma, estabelecem-se como refle-
artísticas, dentre outras. xão os seguintes aspectos: dança é uma moda-
Dentre os diversos projetos desenvol- lidade voltada apenas para meninas? Por que
vidos no município de Volta Redonda e que nas turmas de dança, mais precisamente a do
buscam se articular às políticas públicas para Projeto COMUNI, existe predominância de
ações dos sujeitos supracitados, encontra-se garotas? Por que há uma evasão tão grande de
o Projeto COMUNI - Comunidade Unida (o meninos em turmas de dança? Existe um pro-
projeto bem como as entidades envolvidas cesso que normatiza, regula e controla os com-
são fictícios), desenvolvido em parceria com portamentos do homem e da mulher? Qual a
diversos órgãos municipais. Esse surgiu com origem deste processo de normatização?
o objetivo de proporcionar informações, en- Na intenção de provocar um debate acerca
tretenimento saudável e vivência da cultura dos questionamentos expostos, o presente estudo
através de atividades direcionadas, além de objetiva compreender os processos de regulação
possibilitar o resgate do equilíbrio e harmonia e controle dos corpos no espaço da dança.
social, segundo consta no documento idealiza- O presente estudo busca a sua relevân-
dor do projeto. cia acadêmica ao discutir os aspectos vincu-
O projeto constitui-se de várias oficinas: lados a dimensões relacionadas ao biopoder
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música, esporte (futebol, tênis, handebol e (FOUCAULT, 1979), ao processo de subjeti-


futsal) e dança (Jazz, balé, hip-hop, contem- vação e à determinação dos corpos autoriza-
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porânea, todas trabalhadas alternadamente nas dos a dançar (NOLASCO, 1995).


aulas). Possui também atendimento e apoio A opção metodológica foi a pesquisa bi-
psicológico para a família. Essas atividades bliográfica descritiva, pois, tal ótica “procura
são realizadas duas vezes durante a semana, explicar um problema a partir de referências
atendendo crianças e adolescentes na faixa teóricas publicadas em artigos, dissertações e
etária de 06 a 16 anos. teses” (CERVO et al. 2007, p.60).
Nossa inserção do projeto se deu nas tur- Em certos meios acadêmicos, a pesquisa
mas de dança, como estagiárias, e algumas bibliográfica tem sido tratada como secundária
situações começaram a nos chamar a aten- e sem dados inéditos, porém, é preciso levar em
ção. Notamos, inicialmente, a predominância consideração a originalidade dos raciocínios que
da participação das meninas em detrimento ela desperta, pois fenômenos já publicados po-
da presença dos meninos, mas, com o passar dem possibilitar raciocínios inéditos, entenden-
dos meses, ocorreram algumas mudanças na do-se que o conceito de inédito não se restringirá
busca dos discentes pelas aulas, modificando a uma nova realidade (SANTOS, 2006).
a configuração da turma que passou a não ter A pesquisa foi de nível descritivo, pois o
apenas meninas. O que nos intrigou e nos le- desenvolvimento do artigo detém-se em des-
vou a alguns questionamentos foi o comporta- crever, registrar e interpretar dados existentes a
respeito do tema da sexualidade, bem como sua a primeira mobilização para que ocorresse a
influência na organização social. A pesquisa criação do projeto iniciou-se em uma reunião 25
descritiva é “um levantamento das caracterís- ocorrida em dezembro de 2008, no Conselho
ticas conhecidas que compõem o processo. É Tutelar, articulada pelo posto de saúde da fa-
normalmente feita na forma de levantamentos mília (PSF) de um bairro periférico e com a
ou observações sistemáticas do fato/fenômeno/ presença de representantes dos mais variados
processo escolhido” (SANTOS, 2006, p.26). setores do município.
Este artigo se baseia principalmen- A reunião tinha como objetivo chamar
te nas referências de Foucault (1979, 1989, a atenção de toda a rede municipal para os
2008) e Louro (1997, 2000, 2001, 2004, 2007, problemas que ocorriam constantemente na
2010), pois estes autores são referências em comunidade, visando propor soluções para
temas sobre a sexualidade e a maneira como amenizar alguns destes embates, sendo o prin-
ela é percebida diante da ótica social. cipal deles o aumento significativo de crianças
O intuito do trabalho é possibilitar um e adolescentes viciados em álcool e drogas.
debate acerca da sexualidade, pois segundo Uma vez ao mês ocorriam reuniões para
Louro (2010), ao longo de toda história, sem- discutir como sanar os problemas mais graves
pre observamos discussões referentes ao cor- que ocorriam na comunidade: o abandono de
po, principalmente no que diz respeito à sua crianças, maus tratos, déficit de aprendizagem,
imagem diante da sociedade. drogas e alcoolismo.
O artigo , inicialmente, aproximar o leitor No ano de 2009, esse grupo de representan-
do espaço do Projeto COMUNI, contextuali- tes encaminhou diversos casos para tratamento
zando o espaço vivenciado pelos autores do em instituições especializadas, o que permitiu
trabalho. No segundo momento, se propõe a perceber “novas” possibilidades de intervenção
discutir a constituição histórica do processo para estes problemas sociais. Assim, crianças
de regulação e controle da sexualidade, bem e adolescentes passariam a ser estimulados na
como o conceito de biopoder(FOUCAULT, direção de hábitos e práticas saudáveis, ocupan-
1979). Posteriormente, busca-se pensar o cor- do o seu tempo disponível com atividades que
po a partir da corporeidade permitindo com- despertassem seus interesses, necessidades e,
preender a complexa rede que constituí o pro- consequentemente, perspectivando uma trajetó-
cesso de subjetividade, dentre eles a questão ria de prevenção para os sujeitos envolvidos nas
de gênero. Por fim, perspectivar-se-ão possí- tramas sociais já enunciadas.
veis discussões acerca do papel do profissional Além das atividades proporcionadas pelo
de Educação Física frente aos processos ex- projeto, ainda seria disponibilizada às famílias

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clusórios que emergem dos referidos proces- um trabalho em grupo voltado para a área tera-
sos de normatização. pêutica, com o intuito de promover diálogos en-
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tre a comunidade e especialistas para a busca de
soluções dos problemas sociais e individuais,
2. Conhecendo os espaços e como por exemplo, o apoio psicológico.
sujeitos do Projeto COMUNI Dessa forma, o projeto foi criado -
COMUNI (Comunidade Unida) – em 30 de
O projeto COMUNI é uma intervenção julho de 2010, com ações específicas de funda-
social, realizada em um município da região ções e secretarias municipais da cidade, tendo
Sul Fluminense do estado do Rio de Janeiro. os seguintes objetivos: proporcionar através
Essa ação social se desenvolve, por uma autar- das oficinas culturais e esportivas, o bem-
quia do poder executivo municipal (instituição -estar, a integração e a formação de hábitos
criada em 1968, com o objetivo de auxiliar e saudáveis; criar oportunidades e realizar ati-
assistir a crianças e adolescentes, em situação vidades voltadas para crianças e adolescentes,
de risco, vítimas de maus tratos, abandono, envolvendo cultura e esporte; apoiar e orientar
abuso sexual, em situação de rua, ou qualquer as famílias diante dos problemas partilhados
outra que coloque em risco a sua integrida- nos grupos. Na intenção de atingir os objetivos
de física, moral ou psicológica). De acordo propostos, a comunidade, em conjunto com
com os documentos oficiais da instituição, instituições e órgãos municipais, definiram as
ações sociais a partir das seguintes atividades: A partir do referido século, os estudos
26 futebol, percussão, dança e tênis. anatômicos começavam a demonstrar as dife-
Inicialmente, as oficinas eram realizadas renças entre homens e mulheres, então, se criou
duas vezes por semana. Os horários eram de- uma nomenclatura específica para os órgãos fe-
finidos semestralmente, de acordo com vários mininos, mas ainda, associados aos masculinos.
aspectos: disponibilidade das crianças, crono- Fraga (2000) menciona que havia, nesse
grama de atividades e disponibilidade do pro- período histórico, uma sujeição do corpo femi-
fessor. Os atendimentos às famílias ocorriam nino a um discurso biológico-moral. O autor
toda quarta-feira e sexta-feira, no período da reitera que ocorre um processo de aparecimento
tarde, e aos sábados, no período da manhã, no e sumiço do clitóris na literatura médica ociden-
Posto de Saúde da Família do bairro (PSF) e, as tal, que segundo Foucault (1979) faz parte de
oficinas para as crianças e adolescentes no cam- uma eficiente tecnologia de controle do corpo
po de futebol, quadra poliesportiva e na Casa feminino a partir do discurso biológico e moral.
Comunitária também localizada no bairro. Apresentar o processo contraditório de
Portanto, a presente pesquisa tem como aparecimento e desaparecimento do clitóris é
ponto central a discussão das tensões que relevante pelo fato de ser uma explicitação do
emergem das oficinas de dança, na tentativa controle social sobre o corpo da mulher, pois o
de compreender os conflitos presentes cotidia- órgão mencionado era concebido apenas como
namente nas aulas de dança. Nesse sentido, o a função de proporcionar prazer à mulher, sem
item a seguir inicia a discussão necessária à caráter reprodutivo, o que era um problema, pois
compreensão dos problemas relacionados à representava uma ameaça à normalidade na rela-
temática da sexualidade. ção heterossexual. Contudo, estes estudos e con-
trovérsias obtinham como principal finalidade,
além de normatizar a reprodução humana, estru-
3. Sexualidade turar detalhadamente uma política sexual para os
sujeitos tornarem-se seus próprios reguladores,
3.1. A história da sexualidade instituindo uma série de condutas consideradas
apropriadas (FRAGA, 2000).
A sexualidade na modernidade tornou-se A todo este processo, Foucault (1979)
uma questão central da sociedade. Por toda intitula de histerização do corpo da mulher
parte, notam-se comportamentos e identidades em que este passa a ser analisado como inte-
sexuais sendo controladas, vigiadas, padroni- gralmente saturado de sexualidade e, poste-
zadas e normatizadas assumindo tons e dire- riormente, colocado em comunicação com o
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tivas diferentes conforme o gênero, mas nem corpo social, espaço familiar e com a vida das
sempre foi assim. Conforme Foucault (1979), crianças, reafirmando, mais uma vez, uma sé-
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ela constituiu-se em um processo de pelo me- rie de normas e papéis socialmente impostos
nos duzentos anos. que devem ser seguidos.
O que antes parecia ser carregado de Posteriormente aos acontecimentos men-
certezas e respostas estáveis traz agora uma cionados, mais precisamente no fim do sécu-
gama de incertezas e modelos inúteis, sendo lo XVIII, as sociedades ocidentais modernas
também impossível ignorar essas questões, criaram e instalaram um novo dispositivo: o da
levando-nos ao seguinte questionamento: “o sexualidade, que seria relacionado com as sen-
que fazer?” Antes de tudo é preciso conhecer sações corporais, a natureza das impressões, a
como essas questões e práticas emergiram e qualidade dos prazeres. O dispositivo da sexua-
tornaram-se alvo de tantas discussões. lidade “tem como razão de ser não o reproduzir,
Aproximadamente até o século XVIII, as mas o proliferar, inovar, anexar, inventar, pene-
anatomias dos sujeitos eram percebidas como trar nos corpos de maneira cada vez mais deta-
uma matriz unissexual, pois “o corpo mascu- lhada e controlar as populações de modo cada
lino era o modelo e o feminino a sua versão vez mais global” (FOUCAULT, 1979, p. 101).
atenuada”, considerando-se então a mulher, Para Foucault (1979), o dispositivo da se-
um homem invertido (FRAGA, 2000 p. 134). xualidade centra-se na família, tendo nela como
principais agentes os pais e os cônjuges e exte- O termo homossexualidade foi concei-
riormente os médicos, pedagogos e psiquiatras. tuado ainda no século XIX (LOURO, 2001) 27
No decorrer do século XIX, percebe-se de para caracterizar os indivíduos que fugiam dos
uma maneira mais clara a presença e implanta- padrões da normalidade no que diz respeito à
ção mais acentuada do referido dispositivo no sua opção sexual. À medida que a sociedade
cotidiano social, pautado agora em um novo se tornou mais preocupada com a vida dos
conceito, o de biopoder, utilizando-o como uma seus membros, ela passa a se atentar cada vez
forma de repressão e controle dos corpos. A so- mais para o disciplinamento dos corpos e com
ciedade, neste período, volta seus olhares para a vida sexual dos indivíduos. O que antes era
as mulheres com o intuito de assegurar uma tido como uma atividade indesejável ou pe-
imagem de “pureza”. Mas isso não ocorria, pois caminosa, agora passava a ser vista sob uma
ainda havia o predomínio da prostituição o que nova perspectiva: “a prática passava a definir
acarretava o aumento das doenças venéreas. um tipo especial de sujeito que viria assim
Como diz Weeks (2000), esse século foi mar- a ser marcado e reconhecido. Categorizado
cado por uma dose de hipocrisia moral, quando e nomeado como desvio da norma, seu des-
se aparentava respeitabilidade ao sujeito, e sua tino só poderia ser segredo ou segregação”
prática era totalmente contraditória e carregada (LOURO, 2001 p.542).
de princípios pré-estabelecidos. É importante ressaltar que relações afeti-
No período compreendido entre 1860 até vas e amorosas entre sujeitos do mesmo sexo
1890, “a prostituição, as doenças venéreas, a já existiam antes desta época, mas não eram
imoralidade pública e os vícios privados esta- nomeadas como homossexualidade, mas con-
vam no centro dos debates devido o aumento sideradas práticas pecaminosas. Com o adven-
dessas práticas no século, muitas pessoas viam to desse novo conceito, essa prática passa a
na decadência moral um símbolo da decadên- “indicar um tipo particular de pessoa, um tipo
cia social” (WEEKS, 2000, p. 37). social, uma ‘espécie’ de gente que se desviara
Esse modo de compreensão ou concep- da ‘normalidade’ ” (LOURO, 2010).
ção de mundo fazia com que a sexualidade se Nos anos que compreenderam o século
tornasse uma obsessão pública, que buscava XX, mas precisamente na década de 1940, hou-
controlar, ao máximo, os corpos, ditando suas ve certa preocupação com o controle da natali-
formas de ação e distinguindo o comporta- dade para que a família fosse constituída pelo
mento “normal” do “anormal”, começando tipo certo de indivíduo, e um zelo maior em
então a transformar-se em uma questão, sendo relação aos papéis apropriados para homens e
“objeto de atenção do estado, da medicina, das mulheres. Já a partir de 1950, houve uma caça

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leis, além de continuar a ser tema da religião” àqueles que iam contra os padrões comporta-
(LOURO, 2010, p.334) mentais e heterossexuais, pois eram considera-
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Ao longo de todo século XIX, o Estado dos diante da sociedade como degenerados.
preocupou-se cada vez mais com a organiza- A década de 1960 foi marcada por um
ção e controle de suas populações, procurando período de transição, onde houve um relaxa-
meios de garantir a vida e a produtividade de mento dos velhos códigos de autoritarismo e
seus povos, voltando-se para a disciplinariza- uma descoberta de novos modos de regulação
ção, regulação da família, da reprodução e das social. Por volta dos anos de 1970 e 1980 hou-
práticas sexuais. Nas décadas finais deste sécu- ve uma reação contra aquilo que não foi tido
lo, surge uma nova disciplina: a sexologia, em como excessos da década anterior, devido ao
que médicos, filósofos, moralistas e pensadores fim da ditadura, o reestabelecimento da demo-
começaram a pesquisar mais profundamente cracia, a abertura política e à anistia possibili-
sobre o sexo, inventando classificações de su- tando estudos referentes a gênero, raça, etnia,
jeitos, práticas sexuais e determinando o que classe social e sexualidade baseado nos estudos
era normal ou não, adequado e sadio. A partir sobre mulheres e suas relações sociais (SILVA
de então, as diferenças entre sujeitos e suas prá- JÚNIOR, 2009) tornando então a sexualidade
ticas sexuais eram determinadas de acordo com como “uma verdadeira questão política de pri-
o olhar de tais autoridades. (LOURO, 2010). meira linha, com a Nova Direita identificando o
“declínio da família”, o feminismo e a nova mi- outros grupos não priorizam, propria-
28 litância homossexual como potentes símbolos mente as reivindicações de inclusão so-
do declínio nacional” (WEEKS, 2000, p. 49). cial, mas preferem desafiar as fronteiras
Inspirados então no movimento feminista, tradicionais de gênero e sexuais – em
em 1978, os/as homossexuais, criaram a pri- outras palavras, esses grupos decidem
meira associação gay do Brasil, indicando o iní- por em xeque as dicotomias masculino/
cio da luta pelo reconhecimento social de suas feminino, homem/mulher, heterossexu-
identidades sexuais (SILVA JÚNIOR, 2009). al/homossexual e pretendem, de muitos
Todo este movimento em busca do respei- modos, atravessar e perturbar essas
to e da visibilidade veio a transformar a vida fronteiras. Há, ainda, aqueles que não
cultural dos indivíduos, construindo espaços se contentam em atravessar as divisões,
de lazer e arte, e constituindo aquilo que veio mas decidem viver a ambiguidade da
a se chamar política de identidades, conceitua- própria fronteira. Sujeitos que. delibe-
da como um “conjunto de movimentos sociais radamente, inscrevem em seus corpos,
organizados que teve e tem como protagonistas suas roupas, seu comportamento e ati-
grupos historicamente subalternizados (mulhe- tudes signos masculinos e femininos
res, jovens, negros, gays e lésbicas)” (LOURO, buscando embaralhar esses signos,
2010, p. 336). Foi a partir deste marco que gays afirmando-se propositalmente, como
lésbicas e mulheres começaram a falar suas ex- diferentes, estranhos, queer – para usar
periências amorosas e sexuais. um termo bem contemporâneo (p. 338)
Os debates acerca da sexualidade torna-
ram-se mais frequentes com a erotização dos Como citado, Louro (2004) utiliza em
corpos infantis, o aumento de adolescentes suas obras o termo queer, que traduzido do
grávidas, das doenças sexualmente transmis- inglês pode ser entendido como estranho, es-
síveis – DST, a desconstrução do arquétipo quisito, palavra esta empregada para se referir,
familiar tradicional (BRAGA, 2010) e, prin- de forma pejorativa, a um sujeito não heteros-
cipalmente, a proliferação da AIDS, a partir sexual. Enquanto para alguns, a referida pa-
dos anos de 1980, que, segundo Silva Júnior lavra serviu e serve para marcar uma posição
(2009), deu maior visibilidade à causa homos- marginalizada e abominada, para outros, ela
sexual, transgredindo as fronteiras convencio- indica um movimento, a não acomodação,
nais da heterossexualidade hegemônica. uma disposição, um modo de ser e viver. Do
Com o advento da AIDS, surgiram diver- termo queer, surge uma nova teoria, intitulada
sas alianças de solidariedade entre amigos e por Teoria Queer, que segundo a autora, possi-
bilita o pensamento em torno da “ambiguida-
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parentes, não necessariamente homossexuais,


para se discutir normas de sexo seguro e de de, a multiplicidade e a fluidez das identidades
sexuais e de gênero, mas, além disso, também
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prevenção com o intuito de mostrar à socieda-


de outras maneiras de vivenciar a sexualidade, sugere novas formas de pensar a cultura, o co-
o prazer e o desejo. Outro fator relevante e nhecimento, o poder e a educação” (p. 47).
que influenciou nas futuras discussões acerca Para Fraga (2000), a referida temática as-
da sexualidade era a ideia que se tinha a res- sumiu o caráter da verdade mais profunda a
peito da AIDS, que era considerada um cân- respeito de nós mesmos. Surge então a sexua-
cer gay, desencadeando assim um sentimento lidade como um dos temas centrais da atuali-
homofóbico em diversos indivíduos ( SILVA dade, sendo vista como objeto de controle do
JÚNIOR, 2009). A partir de então, mais es- corpo e também social.
pecificamente no Brasil, a sexualidade passa A construção da história da sexualida-
a ser discutida em várias instâncias sociais, de, diante dos fatos supracitados, passa então
inclusive nas escolas, através do Ministério da por dois momentos de ruptura voltados para
Educação e Cultura estimulando projetos de os mecanismos de repressão, um deles ocorre
educação sexual (LOURO, 2010). no século XVII com o nascimento das grandes
Além de todo esse movimento promovi- proibições, uma valorização da sexualidade
do, principalmente, por homossexuais e o ad- adulta e matrimonial, contenção e controle da
vento da AIDS, Louro (2010) ainda relata que: linguagem e o outro no século XX, quando
começa um afrouxamento dos mecanismos Considerando as prerrogativas supracita-
de repressão (FOUCAULT, 1979), tornando das, Foucault desenvolve seu estudo no campo 29
os debates acerca da sexualidade uma práti- da sexualidade, apropriando-se dos referidos
ca usual, mas que ainda objetiva o controle e conceitos como a base de toda sua discussão,
dominação dos corpos, estabelecendo papéis principalmente no que concerne ao estabeleci-
socialmente padronizados. mento das definições de biopoder e biopolítica.
Diante dos aspectos históricos apresenta- O conceito de biopoder (e biopolítica) é
dos, percebemos que o corpo e a concepção citado pela primeira vez em sua obra História
de sexualidade que hoje se configura na so- da Sexualidade, volume um, sendo abordada
ciedade incorporaram os valores vigentes em através de uma comparação sobre o poder que
décadas anteriores, é uma transmissão cultural os pais de família romanos obtinham sobre o
com idealizações, padronizações e normati- direito de vida e morte de seus filhos e escra-
zações advindas através dos séculos, portan- vos, afirmando então que o biopoder e a biopo-
to, uma construção sócio-histórica. Perfis de lítica vem com o intuito de regular e controlar
“beleza, saúde, doença, vida, juventude, viri- os corpos como feito antigamente na sociedade
lidade, entre outras, não deixaram de existir, romana (FOUCAULT, 1979). Segundo Duarte
apenas transmudaram-se, incorporaram ou- (2008), eles são idealizados por Foucault ao
tros contornos, produziram outros contornos” vislumbrar no decorrer do século XVIII e, so-
(GOELLNER, 2010, p. 38). bretudo na virada para o século XIX,
Partindo então desse constructo histó-
rico referente à sexualidade, observamos, na poder disciplinador e normalizador que
atualidade, que esta será modelada a partir da já não se exercia sobre os corpos indi-
junção de dois elementos: o subjetivo e o so- vidualizados nem se encontrava disse-
cial que estão intimamente ligados através do minado no tecido institucional da socie-
corpo. A sociedade tornou-se cada vez mais dade, mas se concentrava na figura do
preocupada com a vida de seus membros, as- Estado e se exercia a título de política
sim como com o disciplinamento dos corpos e estatal que pretendia administrar a vida
com as vidas sexuais dos indivíduos, possibili- e o corpo da população.(p. 3).
tando o surgimento de poderes que regulam o
comportamento sexual (WEEKS, 2000). Que Foucault (2008) pontua outros dois aspec-
poder é esse que emerge capilarmente na so- tos considerados relevantes para a constituição
ciedade estabelecendo padrões de comporta- do conceito de biopoder na Idade Média, e que
mento? Responder a essa pergunta não é algo interferiu e interfere ainda hoje no processo de

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simples, mas complexo, o que nos move ao interjeição do sujeito. Primeiramente, a confis-
próximo item deste artigo. são (dispositivo religioso), pois através desse
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dispositivo de poder, os prazeres individuais,
3.2. Biopoder em Foucault os sentimentos, desejos, vontades e as próprias
emoções da alma, poderiam ser requisitados,
Para compreender o pensamento foucaul- conhecidos, medidos e regulados (MENDES,
tiano e seu conceito de biopoder, é relevante 2006). E, em um segundo plano, o exame de
ressaltar que a sexualidade é considerada um consciência, disposta enquanto circunstância,
dispositivo histórico, uma invenção social, que em que os sujeitos, através dos parâmetros
se constituiu a partir de diversos discursos sobre impostos por instituições e quadros morais,
o sexo, que tinham como intenção regular, nor- avaliariam consigo mesmos suas atitudes e
matizar, instaurar saberes e produzir verdades pensamentos analisando se corresponderia ou
(FOUCAULT, 1979). Para o autor, a definição não com os valores morais socialmente esta-
de dispositivo é tida como um conjunto que belecidos (MENDES, 2006).
possui componentes distintos que englobam A confissão e o exame de consciência são
discursos, instituições, leis, enunciados cientí- logo, considerados técnicas e dispositivos para
ficos, o dito e o não dito, entre outros, sendo o a constituição do biopoder, atuando no sentido
dispositivo a rede ou conexão que se estabelece de estimular
entre esses elementos (FOUCAULT, 2008).
os sujeitos a praticar uma estética de de saber por meio dessas práticas de poder” (p.
30 si, procurando alcançar o melhor que 21). Então, se a disciplina opera sobre os indi-
podem fazer de suas vidas em vários víduos, o biopoder age sobre o ser humano, no
campos: no trabalho, em sua aparência, corpo, que perpassa pelo aspecto orgânico do
em suas relações familiares e com os ser vivo, como base nos processos biológicos,
amigos, estando tudo isso imbricado por intermédio dos processos de saúde coleti-
com valores morais que remetem a uma va, nascimentos, mortalidades e longevidades.
vasta gama de sentimentos, relativos a Para o autor, o ato de cuidar desse corpo acarre-
outros, mas em especial, a nós mesmos. tará, dessa forma, em modelos controlados nos
Mais do que uma projeção externa so- aparelhos de produção capitalistas.
bre nós, é uma projeção nossa em nós Ainda sobre biopoder, Duarte (2008)
mesmos (MENDES, 2006, p. 175). menciona a relação que Foucault faz com a
sexualidade, aqui intitulada por ele de dispo-
A idealização do biopoder, partindo da sitivo da sexualidade:
afirmação, vem então com o intuito de se jun-
tar às reflexões sobre as práticas disciplinares. a partir do momento em que passou à
Disciplinas essas que se centram no corpo de análise dos dispositivos de produção da
uma maneira mecânica: no seu adestramento, sexualidade, Foucault percebeu que o
no acréscimo de suas aptidões, no crescimento sexo e, portanto, a própria vida, se tor-
de sua utilidade e docilidade, na sua conexão naram alvos privilegiados da atuação
em sistemas de controle eficazes e econômicos de um poder que já não tratava simples-
(FOUCAULT, 1979), ou seja, se voltam para mente de disciplinar e regrar comporta-
o sujeito, seu corpo, sua normalização (linha mentos individuais, mas que pretendia
auferida nas proporções e variáveis aceitas normalizar a própria conduta da espécie
pelo coletivo os pelos padrões institucionais) ao regrar, manipular, incentivar e obser-
e domesticação (saber que limita a liberdade e var fenômenos que não se restringiam
o espaço de um corpo, invadindo e delineando mais ao homem no singular, como as
seu meio social) por meio das inúmeras insti- taxas de natalidade e mortalidade, as
tuições panópticas, como, por exemplo, a es- condições sanitárias das grandes cida-
cola, a fábrica, o hospital, a prisão (Foucault, des, o fluxo das infecções e contamina-
1989) dentre outras e que poderíamos inclusi- ções, a duração e as condições da vida
ve acrescentar os espaços da Dança. etc. A partir do século XIX já não im-
Segundo Foucault (1989), eram institui- portava apenas disciplinar as condutas
ções que docilizavam os corpos e os colocavam
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individuais, mas, sobretudo, implantar


prontos à produção industrial, em vigência en- um gerenciamento planificado da vida
quanto produção central na fase do capitalismo
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das populações. Assim, o que se produ-


Nesse sentido, o biopoder é concebido zia por meio da atuação específica do
com o intuito de reger a vida da população, biopoder não era mais apenas o indiví-
organizando-a e vigiando-a para assim buscar duo dócil e útil, mas era a própria ges-
atender a determinadas expectativas de mo- tão da vida do corpo social. O sexo se
dernização e progresso. O biopoder é enten- tornou então um foco privilegiado para
dido então como “a gestão da vida como um o controle disciplinar do corpo e para
todo, uma técnica, um poder sobre o biológico a regulação dos fenômenos da popula-
que vira tema central nas discussões políticas” ção, constituindo-se o que o autor deno-
(CUPELLO, 2010, p. 3). minou como dispositivo da sexualidade
Pode-se afirmar, diante dos aspectos su- (Op. cit., p.3).
pramencionados, que o biopoder é baseado na
disciplina e vigilância do sujeito. Badiali (2009) Diante do exposto, o autor anuncia o cor-
afirma que: “o poder disciplinar age através da po e a sexualidade, como técnicas e disposi-
inscrição desses corpos em espaços determina- tivos centrais de controle para além do indi-
dos, do controle do tempo sobre eles, da vigi- víduo: a sociedade, o coletivo. Duarte (2008),
lância contínua e permanente, e da produção a partir de estudos foucaultianos, nos permite
perceber como as instituições, historicamente normais, inscrevendo e hierarquizando as prá-
construídas na atualidade, reproduzem as mar- ticas sexuais, em que os sujeitos são marcados 31
cas deixadas nos corpos, e, o espaço da dança e denominados a partir dessa referência que,
como parte de todo esse processo, nos revela posteriormente, os classifica como desviantes
esses interditos, os fechamentos aos corpos da norma, cabendo aos mesmos o destino ou a
proibidos de estarem ali, participando e ex- segregação (MORAES, 2006).
pressando uma forma particular de cultura. Pode-se considerar que gênero e sexua-
A discussão do conceito de biopoder re- lidade atrelam-se em um constructo histórico,
mete-nos ao próximo tópico deste artigo, bus- que se consolidou no decorrer dos séculos, e
cando pensar o corpo a partir da corporeidade, cultural, que determina, de acordo com a cul-
procurando compreender como se constitui a tura, as variadas formas de sentir-se homem e
complexa rede de subjetividades, dentre essas mulher e seus respectivos papéis, definindo o
questões, o gênero, para posteriormente discu- que é normal e anormal na ótica de determina-
tir-se como o biopoder, o gênero, os processos da sociedade (LOURO, 2007). De acordo com
de normalização e a sexualidade influenciarão Louro (2000),
nas concepções de comportamentos modelos,
esperados para meninos e meninas durante a inscrição dos gêneros — feminino ou
suas práticas cotidianas, mais especificamente masculino — nos corpos é feita, sem-
nas aulas de dança. pre, no contexto de uma determinada
cultura e, portanto, com as marcas des-
sa cultura. As possibilidades da sexu-
4. Sexualidade e Gênero: possíveis alidade — das formas de expressar os
enredamentos desejos e prazeres — também são sem-
pre socialmente estabelecidas e codifi-
Sexualidade e gênero são dois conceitos cadas. As identidades de gênero e sexu-
que inúmeras vezes são confundidos ou consi- ais são, portanto, compostas e definidas
derados palavras sinônimas, mas na realidade por relações sociais, elas são moldadas
não são, apesar de estarem intimamente inter- pelas redes de poder de uma sociedade
ligados. Suas diferenças demarcarão lugares, (Op. cit., p. 9).
influenciarão comportamentos, maneiras e
determinadas práticas no exercício do prazer Torna-se claro, diante de tais discussões,
sexual, intitulado como feminino e masculino, que é, no âmbito cultural e histórico que se
partindo de corpos que correspondem de ma- definem as identidades sociais mais especifi-

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neira diferente, na sua interface com o campo camente aqui tratadas identidades referentes a
biológico (SILVA, 2008). gênero e sexualidade, que constituirão os sujei-
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Para Louro (1997), a questão do gênero tos a partir de diferentes situações, instituições
está ligada à identificação histórica e social dos ou agrupamentos sociais. Então, reconhecer-se
sujeitos, que se denominam como femininos em uma determinada identidade pressupõe-
ou masculinos, já a sexualidade indica direta- -se pertencer a um grupo social de referência
mente a forma com que os sujeitos experien- (LOURO, 2000), ou seja, a sexualidade e a
ciam seus desejos corporais, de variadas ma- questão do gênero são carregadas de valores
neiras, podendo ser sozinhos/as, com parceiros próprios de cada cultura e períodos históricos,
do mesmo sexo ou não. Esta dada sexualidade, podendo-se afirmar que, por exemplo, atos se-
segundo Souza (1999) não é fixa, mas se cons- xuais fisicamente idênticos podem ter significa-
trói ao longo da vida, ela se torna a verdade de- ção social variada e variado sentido subjetivo,
finitiva sobre cada sujeito e seus corpos susci- de acordo com a cultura (WEEKS, 2000).
tando também segundo Foucault (1979) como Diante dos conceitos já explicitados,
elemento especulativo a noção do sexo. (biopoder, sexualidade, gênero) e, traçados
O gênero perpassa a sexualidade, possibi- seus possíveis enredamentos, cabe-nos, por
litando em determinados momentos históricos, fim, relacioná-los à dança e, aos processos de
a delimitação das características principais normalização construídos no decorrer da his-
que compõem a masculinidade e feminilidade tória, pois estes se mantêm ainda hoje como
dispositivos de controle e vigilância dos sujei- Para se entender melhor o processo da
32 tos, perspectivando algumas discussões rela- dança, enquanto modalidade voltada para
cionadas ao papel do professor de Educação meninas, torna-se necessário conceituá-la e
Física, que busca se posicionar contrário aos discuti-la dentro da esfera do biopoder. Achar
processos exclusórios. (1998) define a dança como “o entendimento
completo das possibilidades físicas do corpo
humano, a qual permite exteriorizar um esta-
5. Biopoder e os processos de do latente, pelos jogos dos músculos, segundo
normalização na dança as leis naturais do ritmo e da estética” (p. 15).
O aparato físico mencionado emerge das ex-
A dança tem se constituído ao longo dos pressões corporais embebidos de sentimentos
anos em um espaço de corporificação de se- e emoções fazendo com que o homem trans-
xualidades que, articuladas com as representa- cenda ao movimento simples, técnico e sem
ções culturais, define e regula comportamen- sentido ou significado.
tos adequados para homens e mulheres. Cada Então, a dança enquanto expressão cor-
estilo de dança trará consigo um mecanismo poral, é a exteriorização de sentimentos, par-
cultural que produzirá tipos específicos de tindo opostamente aos valores socialmente jul-
políticas de masculinidades e feminilidades gados como masculinos. Meninos que dançam
(ANDREOLI, 2010). Um corpo quando é de- são considerados gays, pois os mecanismos
finido como sendo do sexo masculino, torna-se articulados pelo biopoder disciplinar (MAIA,
codificado por uma rede de valores culturais, 2011), vinculam à sociedade o valor de que o
com comportamentos e atitudes sociais espe- homem não pode se expressar corporalmente
radas da referida masculinidade (SANTOS, de forma suave e demonstrar seus sentimentos
2009), comportamentos estes que se estabele- através da dança.
cem socialmente e que compreendem a dança O biopoder é um dispositivo que orienta
como uma ação não estabelecida para homens. a vida em sociedade por dentro, decifrando-a
Os referidos valores culturais, consi- e rearticulando-a (BRAGA, 2004). A atuação
derados essencialmente masculinos e femi- do biopoder na dança como objeto de controle
ninos, configurarão tipificações dos papéis dos corpos, afirma-se em dois níveis de exer-
pertinentes ao homem e a mulher, englobando cício: de um lado as técnicas, implicadas nos
aprovações, restrições e proibições que são corpos através da disciplina e do poder disci-
transmitidas ao longo das gerações e influen- plinar, e, do outro o corpo percebido, como
ciarão na sexualidade do sujeito enquanto ser parte de uma espécie (população) com suas
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subjetivo e membro da sociedade. Bandeira e leis e regularidades determinadas. Dos referi-


Domingues (2010) afirmam que: dos níveis, surge o processo de disciplinariza-
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ção, que através do biopoder irá padronizar e


os homens são reconhecidos dentro dos normatizar os papéis e atividades pré-determi-
inúmeros espaços que estão inseridos e, nadas para homens e mulheres. Para Foucault
para que isso ocorra, primeiramente, é (1979), a fabricação do biopoder se processa
preciso localizar o tempo e o espaço no e se insere nas fábricas, hospitais, hospícios,
qual eles estão circulando, isso porque prisões e outras instituições necessárias para a
as masculinidades são construídas so- vida da sociedade: em nosso estudo, revela-se
cialmente e historicamente, variando de nas aulas de dança.
uma cultura para outra (Op. cit., p.3). Com relação ao exposto, Mondardo
(2009) afirma que
Na cultura vigente ocidental, cabe aos me-
ninos serem fortes, independentes, dominantes, a ação do poder sobre o corpo atua para
competentes e agressivos, eliminando expres- a normatização do comportamento, a
sões físicas de conteúdo emocional ou que trans- partir do adestramento e da imposição
pareçam sensibilidade, enquanto às meninas na forma de movimento dos sujeitos. O
compete serem dependentes, sensíveis e afetuo- objetivo é controlar as inúmeras formas
sas (NEGREIROS E CARNEIRO, 2004). territoriais que se formam para admi-
nistrar os corpos. A produção do poder, um obstáculo social por não estar enquadra-
nesse sentido, é de suma importância da nas representações culturais hegemônicas 33
para a manutenção dos comportamen- de masculinidade (ANDREOLI, 2010). Este
tos dos corpos através da mobilidade rótulo homossexual aos praticantes da dança,
adestrada, buscando torná-la cada vez afeta não somente a vida externa, mas tam-
mais “limitada”, e desta forma, contro- bém sua própria consciência (BANDEIRA;
lada (p. 4). DOMINGUES, 2010).
Justifica-se assim a procura quase que
Portanto, o processo de ação do biopo- absoluta das meninas no campo da dança, e
der sobre os corpos julga, condena e classifica para não ficar à margem ou ser um sujeito
(BRAGA,2004) homens que dançam como desviante da norma, cabe aos meninos prati-
indivíduos que vivem à margem da socieda- car esportes, principalmente o futebol, consi-
de, transformando então as práticas dançantes derado interesse masculino obrigatório e um
como exclusivamente femininas. elemento essencial para manutenção/produção
Partindo do referido pressuposto, além da masculinidade (SANTOS, 2009).
dos já mencionados, outro fator que reafir- No Projeto COMUNI, notou-se, com fre-
ma nas crianças e adolescentes o panóptico quência, atitudes preconceituosas e carregadas
de papéis pré-determinados, em que dançar desses valores culturais e processos normaliza-
é considerado, ao ver da sociedade, prática dores, construídos e impostos pela sociedade
de homossexuais, mais popularmente falada no decorrer dos anos. Em várias aulas, pode-se
como “coisa de gay”, advém inicialmente da observar como os meninos se sentiam coagidos
própria família como os processos de norma- com a presença de garotos que não fossem da
lização, que simultaneamente também pro- turma e até mesmo das próprias companheiras.
duzem e reproduzem os panópticos sociais, Em inúmeras situações os meninos paravam
constituídos pela cultura, auxiliando assim, a na metade da aula e sentavam, pois afirmavam
normatização, regulação e instituição dos mo- que as meninas estavam zombando deles, cha-
dos masculinos de ser e suas respectivas prá- mando-os de gays, “mocinhas”, entre outros.
ticas. Quando há esta interferência negativa Quando outros meninos assistiam, nenhum dos
por parte da família, ocasiona um determinado alunos (homens) fazia aula e, quando ao térmi-
medo de se perder a identidade masculina, um no os chamávamos para conversar, afirmavam
choque de identidades, ou seja, neste processo não participar, pois não se sentiam à vontade
de normatização, para constituir-se “como um de dançar na frente dos outros garotos. Não
sujeito heterossexual um indivíduo é estimu- era raro o depoimento de insultos e alunos re-

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lado e obrigado a negar tudo àquilo que possa latando as agressões verbais. Outro relato inte-
o mais vagamente possível ser associado à ho- ressante foram as afirmações em que os alunos
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mossexualidade” (ANDREOLI, 2010, p.87). admitiam dançar escondidos e que não partici-
Nota-se, então, que o biopoder determina pariam de nenhuma apresentação por medo de
todo e qualquer papel social, investindo sobre serem classificados como afeminados.
toda a vida do sujeito, desde a biológica até Por esse motivo, percebemos que pare-
a cultural (FERREIRA, 2008). Dessa forma, ce haver uma relação entre o quantitativo de
para ser aceito, ser considerado normal e estar alunos e alunas que participam das aulas de
dentro dos padrões sociais, os sujeitos devem dança no Projeto COMUNI em decorrência
abnegar suas vontades e desejos, permitindo do processo de normalização estabelecido
que suas práticas e sua construção sexual se- pela sociedade. A nomenclatura na qual foram
jam determinadas pelos mecanismos de poder classificados a zombaria dos amigos, vizinhos,
estabelecidos socialmente. familiares, e até mesmo durante as aulas por
Esses mecanismos de poder trazem, em parte das companheiras de turma, os tornam
seu bojo, o imaginário de que homens, ao infrequentes ou desistentes, pois são diversas
dançar, se aproximam de uma tendência ao vezes coagidos e inibidos, apresentando com-
homossexualismo, tornando-a então um ele- portamentos retraídos ou agressivos.
mento marcante e de peso na prática da dança Diante dessa problemática, cabe ao pro-
por parte dos homens, sendo apontada como fissional de Educação Física intervir durante
as aulas com diálogos ou até mesmo propi- importantes e marcantes que ocorreram desde
34 ciando experiências para que haja uma des- o início do século XVIII até o fim do sécu-
construção do conceito de que dançar é “coisa lo XX interferiram na sexualidade como uma
de gay”, mostrando aos sujeitos que a sexuali- forma de controle dos corpos e da sociedade:
dade é algo subjetivo e construído ao longo do do dispositivo da sexualidade ao biopoder.
tempo, cabendo a cada um escolher o local e a Assim, entendendo a sexualidade como
opção sexual que se sentir melhor. É evidente um dispositivo histórico e uma invenção da
que essa prática não trará resultados imedia- sociedade a fim de regular os comportamen-
tos, é uma construção e uma mudança gradual tos, temos o biopoder como forma de discipli-
e em longo prazo, que exigirá do profissional narização normalizando e domesticando os se-
paciência e determinação. res através de instituições panópticas, regendo
assim, a vida da população para que atendam
às expectativas de modernização e progresso.
6. Considerações Finais Sendo assim, ficou evidente que o biopoder se
baseia na disciplina e vigilância do sujeito.
Na intenção de compreender os processos Outro aspecto importante a ser salientado
exclusórios que emergiam de nossa experiên- é a impossibilidade de tratar de sexualidade
cia em um projeto de dança no município de sem levar em consideração sua íntima relação
Volta Redonda, buscou-se o referido trabalho. com as questões de gênero. Vimos que po-
O processo de discutir como a constituição demos entender como gênero a identificação
do processo de normalização dos corpos coti- histórica dos sujeitos denominando-se como
dianamente se produz na sociedade atual, nos femininos ou masculinos. Já a sexualidade tra-
permitiu acessar outros conhecimentos antes ta da forma como esses sujeitos optam em vi-
não vislumbrados em nossas leituras e deba- venciar seus desejos sexuais. Essa forma não é
tes acadêmicos. Portanto, acreditamos que, a fixa, ela se constrói ao longo da vida. Quando
intenção de discutir os processos de contro- o gênero perpassa a sexualidade, delimita as
le que a sociedade “usa” para normatizar as características que compõem a feminilidade e
ações dos sujeitos- estabelecendo papéis que a masculinidade, marcando e denominando os
definem os indivíduos como sendo masculino sujeitos que fogem a essa delimitação como
ou feminino, e inscrevendo em seus corpos pa- ‘anormais’. Falamos aqui como o gênero e a
drões que devem ser seguidos, tendo a sexuali- sexualidade, de forma atrelada, determinam as
dade como referência - foi atingido. várias formas de sentir-se homem ou mulher e
Percebemos que, diante da padronização, quais são seus papéis, definindo o que é nor-
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refletem-se, atualmente, determinadas ações, mal e desvio sob a visão de uma determinada
sendo a dança uma prática que inibe e coíbe sociedade. Entendemos que as identidades so-
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a participação de meninos, gerando aos que a ciais, inclusive as de gênero e sexualidade, são
praticam, comentários que vão muitas vezes compostas e definidas por relações sociais que
confrontar suas identidades sexuais pelo fato formam grupos com identidade determinada e
da dança se caracterizar enquanto expressão os sujeitos reconhecem-se como parte desses
de sentimentos. grupos de acordo com suas atitudes.
Assim, a prática da dança não define a se- Em nossa pesquisa vimos que a dança
xualidade dos sujeitos e cabe aos profissionais se constitui em um desses espaços em que a
de Educação Física trabalhar nesta vertente, sexualidade se corporifica articulando as re-
conscientizando os alunos que a identidade presentações culturais, definindo e regulan-
sexual de cada sujeito é construída subjetiva- do comportamentos que são adequados aos
mente, independente do indivíduo dançar ou homens e às mulheres. Um comportamento
não, possibilitando a eles a vivência de todas masculino deve expressar força, competência e
as modalidades, sejam elas esportivas ou ape- agressividade, sem conteúdo emocional, como
nas expressivas. a dança é uma prática de expressão corporal e
Outro aspecto importante a ser ressalta- de exteriorização de sentimentos, meninos que
do, é a percepção de que o corpo é um proces- dançam são considerados gays. Esses valores
so de construção histórica, pois muitos fatos culturais são transmitidos de geração a gera-
ção influenciando na sexualidade dos sujeitos 5. BARBOSA, M. J. S. Chorar, verbo
enquanto ser subjetivo e membro da sociedade. transitivo. Cadernos Pagu, v. 11, p. 321- 35
Enfim, a homossexualidade é apontada 343, 1998.
como um obstáculo à prática da dança por me-
ninos, pois, mesmo de forma inconsciente eles 6. BRAGA, D. S. Vidas na fronteira - corpos,
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Revista eletrônica de geografia e ciências
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Edição Especial Ciências da Saúde e Biológicas - Maio/2013


Cadernos UniFOA

Endereço para Correspondência:


Carla de Oliveira dos Santos
carladeoliveiraedfisica@hotmail.com

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