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Conteúdos – História – Concurso Soldado PM/PR

O BRASIL COLONIAL O PERÍODO PRÉ-COLONIAL: (1500 a 1530)


ANTECEDENTES: As três décadas iniciais da História do Brasil, bem como da trajetória do
processo colonizador português para as novas terras “descobertas” apresentam características
distintas no que se refere ao tratamento dado a uma nova possessão territorial. Não podemos
esquecer que o processo de Expansão Marítima foi motivado e orientado pelo modelo
econômico Mercantilista, apoiado sobre pilares arguidos graças a alianças político-econômicas
entre a figura do Rei fortalecido e centralizador, e dos ambiciosos Burgueses comerciantes. O
modelo expansionista vai buscar retorno rápido do investimento inicial, e segundo os preceitos
mercantilistas isso significava encontrar logo no primeiro momento: metais preciosos
(movimento conhecido como metalismo); ou o estabelecimento de praças comerciais de onde
fosse possível a obtenção de grandes lucros através do monopólio sobre determinados
produtos produzidos naquela região (como no caso posterior do açúcar aqui mesmo no Brasil)
ou comprados para a revenda no mercado europeu através de uma balança comercial
favorável (como a pimenta do reino comprada na Índia e vendida na Europa). Inicialmente o
Brasil não vai apresentar nenhuma dessas características, e associado às prosperidades com
que os comerciantes portugueses aumentavam sua lucratividade com o comércio oriental, a
terra recém-conquistada ficará relegada a um segundo plano entre o período de 1500 a
1530.
O RELATIVO ABANDONO: O Brasil, diferente do oriente, não apresentava nenhum atrativo do
ponto de vista comercial: sem metais preciosos, sem mercado consumidor, sem produção
agrícola passível de exploração – ao menos neste primeiro momento. A Coroa portuguesa
enviou várias expedições que buscavam realizar um reconhecimento da costa brasileira. Em
1501, Gaspar Lemos foi responsável pelo batismo de várias regiões (Cabo de São Tomé; São
Vicente; Cabo Frio) e nessa expedição viajou também o florentino Américo Vespúcio que
chegou a declarar ao governante de Florença que não encontrou nada de aproveitável nesta
terra. Na verdade a existência de pau-brasil foi à única atividade pensada como possível de
realização de uma atividade econômica. Vai ser na atividade extrativista de madeira realizada
sob o regime de utilização do trabalho indígena (escambo e escravização), sendo o comércio
uma exclusividade da Coroa Lusitana (Monopólio Régio). O termo “relativo abandono” deve-
se ao fato de que não houve a implementação de um projeto efetivo de ocupação de terras
por parte de Portugal. Contudo a atividade extrativista foi consentida a arrendatários
(iniciativa particular de ocupação da terra, sem financiamento da Coroa) que tinham a missão
de não só explorar a madeira, como também realizar defesa do território contra ataques
indígenas e invasões estrangeiras, estabelecimento de acampamentos litorâneos (feitorias)
para armazenagem e comercialização da madeira extraída, além do pagamento de impostos.

A DECADÊNCIA DO PERÍODO PRÉ-COLONIAL: A mudança do cenário da ocupação nas terras


brasileiras vai mudar assim que a prosperidade do comércio oriental entrou em declínio e as
invasões estrangeiras em território colonial brasileiro tornaram-se mais frequentes. Estas são
basicamente as razões que justificam a colonização efetiva após 1530. Com o crescimento da
presença estrangeira junto as costa brasileira, torna-se cada vez mais fundamental um sistema
de proteção territorial mais eficaz. Para isso várias expedições são enviadas para combater os
corsários e piratas, entretanto, sem atingir grandes resultados e o litoral continua a ser
ameaçado necessitando de esforços maiores por parte da Coroa portuguesa. Apesar de
conquistado em 1500, Portugal não se preocupou com o Brasil por mais de 30 anos porque os
investimentos metropolitanos estavam concentrados no comércio com o oriente. Ocorre que
após 1530 os lucros com este comércio começaram a diminuir e o governo resolveu colonizar
o Brasil plantando aqui cana de açúcar para ser vendida na Europa, contando com
investimentos e financiamentos holandeses para tal empreitada. Para cá se deslocavam
aventureiros, militares, administradores e até condenados que aceitassem o exílio ou degredo
como pena alternativa.

O PERÍODO COLONIAL BRASILEIRO: (1530 a 1822)


Plantada inicialmente em São Vicente (fundada em 1532), a cana logo se espalhou pela
colônia, cultivada utilizando-se de mão de obra compulsória primeiramente indígena para
logo em seguida ser substituída pela mão de obra africana. Dentre as razões que motivaram
essa substituição, podemos destacar a lucratividade obtida pela Coroa com o comércio dos
cativos africanos, ao passo que se fosse incentivada a escravização indígena, os colonos
brasileiros não teriam razões para a compra dos escravos africanos uma vez que poderiam
realizar incursões contra as tribos mais desprotegidas e assim conseguirem a mão de obra que
necessitavam em suas lavouras. Como podemos imaginar, o ideal para os colonos seria a
manutenção da mão de obra cativa indígena, como foi feito pela Espanha em suas colônias,
porém, para a Coroa a manutenção de tal mão de obra seria extremamente prejudicial uma
vez que com a perda das colônias orientais e o declínio da venda de especiarias, a grande
fortuna de Portugal passará a vir deste mercado de cativos africano e não essencialmente do
açúcar. Desta forma, e também com o auxílio das proibições da Igreja Católica, ficou-se
vetado a manutenção da mão de obra cativa indígena oficializando o negro escravo como a
mão de obra a ser utilizada na produção açucareira (muito embora casos de escravização
indígena ainda fossem comuns na época).

O sistema estabelecido então foi o chamado “plantation”, que consistia na manutenção de


grandes áreas latifundiárias por parte dos colonos, voltadas para a produção de um único
produto de exportação (o açúcar) utilizando uma mão de obra ampla e escrava somados
também a manutenção de insumos para a subsistência como a pecuária, por exemplo.
Resumindo: o sistema de plantation possuía quatro pilares:
 Monocultura (foco na plantação de um produto)
 Em latifúndios
 Produção voltada à exportação
 Mão-de-obra escravizada

A ADMINISTRAÇÃO COLONIAL E O SISTEMA DE CAPITANIAS HEREDITÁRIAS (1534 - 1759)


A administração da colônia caía primeiramente sobre a metrópole e era ela que controlava
todas as decisões importantes da vida colonial: nomeava funcionários, recebia imposto,
controlava o comércio e a exploração, tinha produtos de exclusiva exploração em favor do Rei
– Monopólio Régio – cuidava da defesa e da repressão contra aqueles que se opunham ao
domínio português, até 1533, durante o período do relativo abandono. Este cenário sofrerá
uma considerável mudança. Em 1534 iniciou-se o sistema de administração das Capitanias
Hereditárias que dividiu o território em 15 circunscrições administrativas onde houve uma
primeira tentativa de descentralização das decisões metropolitanas sobre a colônia, uma vez
que neste sistema de capitanias, foi concedido aos capitães donatários, os responsáveis pela a
administração destas capitanias, direitos de autoridade máxima como a fundação de vilas, a
cobrança de impostos e até mesmo a aplicação de penas. Evidentemente, se faz necessário
lembrar que ainda dentro deste sistema, as decisões mais importantes ainda eram de controle
da metrópole, como por exemplo a nomeação dos capitães, as delimitações territoriais e o
monopólio comercial que proibia os colonos de comercializarem diretamente com outras
nações ou se recusarem a utilizar a mão de obra escrava negreira provida pela Coroa, por
exemplo. O sistema de capitanias irá prevalecer durante quase toda história colonial sendo
extinto apenas em 1759 por Marquês de Pombal em uma de suas reformas administrativas de
Portugal. Em 1549, observando que apenas as capitanias de São Vicente e Pernambuco tinham
prosperado consideravelmente, ocorre à criação do Governo Geral em adição ao sistema que
buscava assim centralizar o poder político dentro da colônia reduzindo ainda mais a
necessidade das decisões mais importantes de serem repassadas à metrópole e assim auxiliar
as capitanias a prosperar através da redução desta burocracia.
O MOVIMENTO DAS ENTRADAS E BANDEIRAS
As entradas e bandeiras eram basicamente movimentos de exploração do território colonial
ainda desconhecido e que aconteceram ao longo da história colonial, tendo início em 1531. Os
Bandeirantes, principais personagens deste movimento, eram, na sua maioria, colonos da
capitania de São Vicente (Vicentinos ou Paulistas). Empobrecidos pela estagnação econômica
da capitania, durante os séculos XVII e XVIII organizaram sucessivas expedições pelo interior do
país. Buscavam apresar índios (vendidos como escravos), encontrar metais preciosos e destruir
quilombos. A diferença entre uma “entrada” e uma “bandeira” se dá basicamente pela
finalidade da expedição. As entradas têm o intuito primário de explorar o território e eram
financiadas pela própria Coroa, ao passo que as bandeiras eram na verdade movimentos
particulares realizados pelos bandeirantes que visavam o apresamento de indígenas (vale
ressaltar que nos primeiros anos coloniais o uso da mão de obra cativa indígena ainda era
incentivado, conforme vimos anteriormente) ou a descoberta de minas de metais preciosos
tanto quanto a exploração do território. Seja por um meio ou outro, estes movimentos de
entradas e bandeiras foram decisivos para o mapeamento do território colonial e para a
exploração do mesmo.

PRIMEIRO MOMENTO: A PRODUÇÃO AÇUCAREIRA (1540 – 1654) E O INÍCIO DO TRÁFICO


NEGREIRO
O comércio de especiarias orientais já se encontrava decadente para Portugal em meados do
século XVI e a exportação do pau-brasil não se mostrava igualmente lucrativa. Somados a estes
fatores de uma necessidade econômica, o Império Português precisava também estabelecer
um projeto colonial rentável que pudesse efetivar a colonização sobre o território brasileiro
para assim afastar o fantasma das invasões estrangeiras. A partir desta necessidade, a resposta
mais cabível foi o estabelecimento das Capitanias Hereditárias organizadas sob um sistema de
plantation – nascia então o projeto do plantio da cana de açúcar. O açúcar foi o produto
escolhido não por acaso: os portugueses sabiam do seu alto valor comercial e muito embora a
sua exploração exigisse um alto investimento para a época, além da rentabilidade do produto
valer o risco, o estabelecimento de um sistema de plantation seria politicamente e
administrativamente mais viável porque assim asseguraria a fundação de grandes fazendas,
vilas e portos para sustentar e articular o comércio do produto podendo, assim, efetivamente
colonizar o território. As capitanias de São Vicente e Pernambuco foram as únicas duas
capitanias que tiveram sucesso em exportar significativas quantidades de açúcar e assim
conseguiram um maior desenvolvimento em comparação as demais capitanias. O sucesso do
sistema colonial neste primeiro momento só foi possível, porém, por um segundo fator
diretamente ligado à produção açucareira: o tráfico negreiro. Portugal carecia de manufaturas
e, portanto, a velha ideia do pacto colonial de que a colônia produziria matéria prima e
consumiria as manufaturas de sua metrópole em troca proporcionando assim um grande
superávit por parte da segunda não poderia ser aplicada, uma vez que Portugal não possuía
uma produção manufaturada considerável. Porém, ainda que não fosse através das primeiras
indústrias ou do comércio de especiarias, Portugal encontrou uma forma de conseguir
acumular riquezas através da venda dos negros cativos capturados na África e que eram
vendidos aos colonos que quisessem investir na produção açucareira. Desta forma, o
“produto” manufaturado que Portugal revendia à colônia na verdade eram os escravos que
seriam utilizados na mão de obra para a produção do açúcar que ele mesmo teria o direito de
monopólio. Ou seja, o papel das colônias brasileiras era produzir açúcar para vendê-lo a um
custo viável para Portugal enquanto deveria comprar de sua metrópole os negros cativos que
lhes serviriam para a própria produção do açúcar. Era uma balança comercial extremamente
benéfica para Portugal e um tanto quanto lucrativa também para os colonos que fossem bem
sucedidos na produção açucareira.

POR QUE O AÇÚCAR? E POR QUE PRINCIPALMENTE NO NORDESTE?


 O solo de tipo massapê, ótimo para o cultivo de açúcar
 Produto muito valorizado no comércio europeu
 Nordeste como região mais próxima da Europa
 Os portugueses já tinham experiência com o cultivo da cana

A DECADÊNCIA DA PRODUÇÃO AÇUCAREIRA (1580 - 1654)


Em 1580 Portugal caiu sob domínio da Espanha, que se transformou na virtual "Dona" do
Brasil. Em guerra com a Holanda, os espanhóis proibiram os holandeses, principais
compradores e investidores do açúcar no nordeste do Brasil, de continuarem comercializando
o açúcar brasileiro. Sem outra alternativa, os holandeses invadiram a Bahia em 1624 e
Pernambuco em 1630. Quando foram expulsos em 1654 (Insurreição Pernambucana), os
holandeses deram início à produção de açúcar nas Antilhas. A qualidade e a quantidade de
açúcar antilhano/holandês jogaram para baixo o preço do açúcar no mercado internacional
contribuindo para a decadência do comércio açucareiro. Portugal se encontrava novamente
em uma crise econômica que ameaçava se alastrar por décadas. Tal crise só pode ser
solucionada com o desenvolvimento de um outro ramo econômico, que será a exploração
metalista (mineração) colonial, responsável por resgatar a economia portuguesa.

A DESCOBERTA DO OURO E O CICLO DA MINEIRAÇÃO COLONIAL (1693 – 1770 apr.)


Em 1693, após tentar percorrer o caminho desbravado por Fernão Dias à procura de
esmeraldas, o bandeirante Antônio Rodrigues Arzão enfim encontrará ouro no território
colonial próximo de onde hoje se encontra a cidade de Mariana - MG. A notícia foi
extremamente impactante para Portugal, que sofria com a decadência. Por isso, decidiu não
poupar esforços na tentativa de extração dos minérios preciosos. De imediato, esta região até
então inexplorada recebeu um extraordinário afluxo de pessoas, vindas da metrópole e de
outras regiões da colônia sendo alvo de disputa de interesses tanto de colonos quanto
colonizadores evidenciando (o que acarretara na Revolta dos Emboabas) um sintoma de que a
extração do ouro no Brasil iria precisar de um sistema colonial ainda mais desenvolvido para
sua devida exploração por parte da Coroa. Para administrar a região mineradora a metrópole
então criou em 1702, a Intendência das minas, órgão presente em cada uma das capitanias de
onde se extraia ouro, visando controlar de perto a exploração aurífera. A Intendência era
constituída por um guarda-mor e auxiliares submetidos diretamente à Coroa. Era responsável
pela distribuição dos lotes a serem explorados, chamados de data, e pela cobrança de 20% do
ouro encontrado pelos mineradores, imposto conhecido como quinto. As datas eram
distribuídas segundo a capacidade de explorar do minerador; avaliada em número de escravos.
Visando controlar a questão do contrabando, a Coroa determina que o único porto pelo qual
seria permitido o transporte do ouro seria o porto do Rio de Janeiro, o que demandou também
a abertura do caminho novo (1700-1707), que passou a ser a principal rota por onde o ouro
extraído no interior de minas gerais deveria percorrer até chegar ao referido porto. Apesar do
controle imposto pelas autoridades metropolitanas, o contrabando era intenso e, para coibi-
lo, a coroa proibiu a circulação de ouro em pó e em pepitas, criando em 1720, as casas de
fundição. Todo o ouro encontrado nas lavras - grandes minas - ou garimpos, onde era feita a
faiscação nas areias dos rios, tinha a ser entregue nesses locais, onde era derretido, quintado
(ou seja, era lhe extraído quinto pertencente à Coroa) e transformado em barras. As casas de
fundição não representavam apenas uma forma de evitar a sonegação do quinto por parte de
Portugal, mas também, ainda que de maneira não intencional, um obstáculo para o comércio
em geral na capitania de Minas Gerais, visto que o ouro em pó neste território era a moeda
corrente. A Revolta de Vila Rica terá como fator principal justamente o combate da população
contra a instalação das casas de fundição no interior de Minas Gerais. Aprofundamento ainda
mais o controle fiscal, sobretudo quando a exploração aurífera começou a dar sinais de
esgotamento, o governo português fixou em 100 arrobas de ouro (1.468,9 kg) anuais o mínimo
a ser arrecadado em cada município como pagamento do quinto. Para garantir a arrecadação
do montante, foi instituída a derrama: a cobrança dos impostos à população seria efetuada
pelos soldados portugueses, chamados de dragões, que estavam autorizados a invadir casas e
tomar tudo que tivesse valor, a fim de completar as 100 arrobas devidas à metrópole. Essa
prática portuguesa deixou rastro de insatisfação da colônia. Todo o arrocho fiscalizador
conseguiu temporariamente diminuir o tráfico ilegal, mas nunca suprimiu por completo. De
qualquer modo, aliviou por algum tempo as dificuldades financeiras de Portugal. A descoberta
de diamantes em 1729, no arraial do Tijuco, hoje Diamantina, em Minas Gerais, levou Portugal
a adotar uma fiscalização apropriada à extração diamantífera. Inicialmente, dada à dificuldade
em se quintar o diamante, a metrópole determinou a expulsão dos mineiros da região e
arrendou a exploração a empresários, chamados contratadores, indivíduos que antecipavam
parte dos lucros à coroa e recebiam assumir a exploração do diamante, estabelecendo a real
extração. A partir da segunda metade do século XVIII, devido ao esgotamento das jazidas e ao
uso de técnicas rudimentares, incapazes de uma prospecção mais profunda no subsolo,
iniciou-se a decadência da produção de ouro no Brasil. O período situado entre 1740 e 1770
correspondeu ao apogeu da exploração das minas, e o ano de 1754 registrou a maior produção
de ouro. A partir da década de 1770, verificou-se o declínio da atividade, que se tornou cada
vez menos atraente.
O DESENVOLVIMENTO DO ESPAÇO ECONÔMICO MINEIRO
O desenvolvimento econômico promovido pela mineração não se restringiu somente aos
exploradores da atividade metalista – ele se estendeu também por fora das zonas de
mineração. Diferentemente do plantation, a atividade mineradora demanda todo o tempo do
seu atuante no ato da extração e por isso, quem atua na mineração normalmente não se
dedica a outra atividade como por exemplo o plantio de insumos para a subsistência. Para
responder a esta carência do mercado, pequenos fazendeiros voltados sobretudo para a
pecuária começaram a se instalar próximo as zonas de mineração, sobretudo nas margens dos
rios, procurando atender a esta demanda interna de alimentos que existia em Minas Gerais e
acabavam por prosperar economicamente uma vez que a atividade da mineração, principal
consumidora do produto destas fazendas, se mostrava extremamente rentável e capaz de
sustentar este tipo de articulação econômica. Firmou-se assim um padrão mineiro de
economia, onde próximo a uma zona de mineração, e, portanto, uma zona de produção de
riqueza, fixava-se uma zona de produção de alimentos capaz de abastecer a zona de
mineração e prosperar economicamente através deste comércio.

A INDEPENDÊNCIA DO BRASIL
O PERÍODO JOANINO (1808 – 1821)
Os conflitos existentes no continente europeu, iniciados com a Revolução Francesa trarão
consequências de valores inestimáveis para o Brasil. Além da importância da Revolução para as
rebeliões no Brasil Colônia, como já notamos anteriormente, o movimento acabou por dar as
bases da ascensão de Napoleão Bonaparte ao trono francês. Este momento reflete o fim das
inconstâncias sociais do movimento revolucionário e o início da expansão imperialista francesa
pela Europa. A busca por novos mercados acabou por fortalecer o estado economicamente e
militarmente e o colocou numa situação de concorrência com sua maior rival: a Inglaterra. Na
tentativa de conquista do império britânico, Napoleão acabou por fracassar na alternativa
naval, e o imperador francês então optou pela via comercial. Neste quadro, em 1806 Napoleão
assina com a maioria dos países europeus o “Bloqueio Continental”. Este tratado firmava a
proibição dos países a comercializarem com os ingleses, sob pena de invasão de seus
territórios pelos exércitos napoleônicos. Diante deste quadro, os lusitanos ganham
importância primordial, uma vez que manteve por longos anos acordos comercias com os
ingleses, necessitava das manufaturas britânicas e poderia sofrer retaliações dos mesmos. No
entanto, caso não obedecesse a instrução francesa, teria o seu território tomado pelos
franceses. Após as várias oscilações por parte de D. João VI – dúvidas essas derivadas das
diferentes pressões que sofria dentro do aparelho estatal, uma vez que dentro deste havia
uma linha que defendia o aceite ao bloqueio e outra que não queria o rompimento com os
antigos parceiros – o exército francês acabou por invadir as terras lusitanas. Desde o momento
da decretação do Bloqueio os ingleses vinham pressionando o reino português a transferir sua
corte para terras brasileiras, uma vez que estas neste momento compunham a parte mais
preciosa do reino português, e com a invasão, não restou outro caminho ao rei, senão a
transferência do aparelho estatal para a América do Sul. Com isso, em 29 de Novembro de
1807 desembarcava no Brasil 36 navios, escoltados por navios britânicos. Parte da elite
portuguesa acreditava que esta vinda para o Brasil não passava de uma passageira retirada
estratégica, um plano de emergência para assegurar a unidade territorial do Império e garantir
a proteção da colônia que naquele período era o grande alicerce econômico do Império
Português: o Brasil.
A família real no Brasil, com toda sua corte acabou trouxe alterações nos diferentes campos
coloniais. Muitos historiados, mais voltados a vertente economicista garantem que a
independência ocorre em 1808 e não em 1822, face que neste momento o rei passa a fazer
decretos que visam não mais Portugal e sim o Brasil e suas necessidades. Dentre estas varas
mudanças ocorridas no período, temos como destaque as seguintes:
 Decreto de Abertura dos Portos as Nações Amigas (ainda em 1808), que pregava que as
nações que mantivessem relações amistosas com Portugal poderiam vender seus produtos no
Brasil, neste momento somente a Inglaterra. Por menos impactante que pareça, este ato de
abertura dos portos trouxe fim ao monopólio português sobre o comércio com sua colônia, e,
portanto, trouxe fim à ideia do Pacto Colonial entre o Brasil e Portugal. A partir daí, os tempos
que viriam seriam de mudanças.
 Alvará de 1° de Abril de 1808 assinado por D.João VI que permitia agora a instalação de
manufaturas em território brasileiro, revogando assim o Alvará de 1785 assinado por sua mãe
D.Maria I ( que possuía o “carinhoso” apelido de “D. Maria a Louca ), este, que por sua vez,
proibia a instalação destas manufaturas aqui no Brasil. O Alvará de 1785 havia sido assinado
em uma tentativa de proteger as primeiras indústrias que começavam a se formar em Portugal
e também como uma forma de perpetuar a ideia do Pacto Colonial onde o papel da colônia
seria estritamente de fornecer a matéria prima e 23 não a manufatura para que não houvesse
concorrência com a metrópole. Uma ressalva importante porém se faz necessária: O fato do
Alvará de 1° de Abril ter sido emitido não significa que a partir daqui o Brasil começou a se
industrializar, pelo contrário, nenhum efeito imediato será sentido na colônia, apenas há uma
diferença jurídica quanto a permissão ou não de manufaturas poderem ser instaladas aqui.
 Invasão da Guiana Francesa (1808 – 1817): Uma vez que estava em guerra declarada contra
a França, D.João VI precisaria mostrar força perante as demais nações europeias, perante seus
colonos e perante até mesmo os seus bravos soldados que ficaram em Portugal para defender
o território de Napoleão e para que a retirada estratégica da família real para o Brasil não fosse
minimizada e transformada em uma tentativa de fuga, o monarca decide então tomar da
França a Guiana Francesa que se encontrava desprotegida naquele momento e assim levantar
uma aparente impressão de resistência às forças napoleônicas. O território só foi devolvido à
França depois do Congresso de Viena em 1815 quando ficou definido que os territórios
modificados durante o período napoleônico seriam todos devolvidos às suas respectivas
nações soberanas.
 Tratados de Comércio e Navegação (1810): Este foi um tratado assinado por D.João VI como
uma forma de reforçar a aliança estabelecida com o Reino Unido uma vez que a partir dele, a
alíquota de impostos dos produtos ingleses que seriam taxados ao entrarem no Brasil foi
acertada em meros 15% do valor do produto ao passo que os próprios produtos Portugueses
encontravam-se taxados em 16%. Os produtos das demais nações amigas entrariam com uma
margem de 24%. Desta forma, após a assinatura deste tratado tornou-se mais vantajoso para
os comerciantes brasileiros comprarem seus produtos vindos da Inglaterra do que do próprio
Portugal que em teoria ainda seria a metrópole brasileira.
 Ocupação da Província Cisplatina ou Banda Oriental do Rio da Prata (1811 – 1828): Um
segundo movimento militar foi comandado pelo monarca D.João VI poucos anos depois de sua
chegada ao Brasil tendo ele sido relacionado à necessidade que a nação se encontrava de
conseguir controlar uma das saídas da extensa e lucrativa rota comercial do Rio da Prata para
o mar, o que era fruto do desejo de Portugal já de alguns anos antes da própria vinda da
família real. A província foi conquistada a princípio em 1811, porém, sempre foi um território
de grande disputa entre elites locais e o poder central de D. João VI. O território chegou a ser
efetivamente anexado em 1823 se incorporando ao Império do Brasil, porém, grupos de
caudilhos descontentes com os interesses dos brasileiros e buscando atender aos próprios se
mantiveram em constante guerrilha até a independência conquistada em 1828 desanexando
de uma vez por todas o território do Brasil.

Naturalmente, porém, todas estas transformações necessárias ao Rio de Janeiro para


transformá-la em capital de um Império tão acostumado com os luxos trazidos por um século
de exploração aurífera precisariam de uma grande quantidade de moedas para serem
custeadas e como era de se imaginar, foi através do aumento de impostos sobre os colonos
que este dinheiro foi arrecadado. Com a transferência da corte, o Brasil passa a ser sede do
reino. Assim, nada mais natural do que mudanças administrativas para melhoria e
desenvolvimento dos diferentes setores econômicos. Foram criados três ministérios: Guerra e
Estrangeiros, Marinha e Fazenda e interior. Promoveu a Junta de Comércio e a Casa de
Suplicação, alterou a administração das capitanias que agora passam a ser províncias e criou
novas. Com o objetivo de participar da administração estatal, vários brasileiros compraram
títulos de nobreza. Assim, acabamos por ter o desenvolvimento de uma elite social dentro do
país, composta em sua maioria por proprietários de terra, que agora passam a se articular em
busca dos interesses particulares de sua classe. Este momento é de importância significativa,
uma vez que no momento do retorno do rei a Portugal é este o grupo que vai engendrar o
movimento de independência. A sociedade brasileira assim sofreu profundas transformações,
e a cidade que melhor denota tais mudanças é a cidade portuária do Rio de Janeiro, pois a
transferência do eixo administrativo acabou por mudar a fisionomia, que agora passou a
contar com uma certa vida 24 cultural. Temos um maior acesso aos livros, uma maior
circulação ideias, a criação do primeiro jornal em 1808, temos ainda teatros, bibliotecas,
academias literárias e científicas, visando atender uma população urbana em rápida expansão,
uma vez que a população praticamente dobrou. Essas mudanças não podem ser confundidas
com o liberalismo no plano das ideias, pois apesar das mudanças, a marca do absolutismo
permaneceu, com a comissão de censura, que proibia a publicação de papéis contra o governo
a religião e os bons costumes. As mudanças pelas quais passam a nova capital eram
claramente controladas pelo governo e seus interesses. A situação tomaria um novo contorno
a partir de 1815 quando Napoleão é enfim derrotado e a Europa se reúne no famoso
Congresso de Viena para decidir sobre o futuro do velho continente após esta página da
história.

 Elevação do Brasil ao posto de Reino Unido de Portugal e Algarves (1815): Quando o


Congresso de Viena foi planejado para redefinir a situação europeia pós napoleônica,
ficou-se acertado que apenas as nações cujo as capitais fossem instaladas em território
metropolitano poderiam participar do congresso. Tal formalidade poderia excluir Portugal
de participar deste importante congresso e para que pudesse preencher este pré-
requisito, D.João VI elevará oficialmente o Brasil à condição de Reino Unido de Portugal e
Algarves e com isso, o estado de colônia foi efetivamente extinto, muito embora
economicamente ele já tenha sido enfraquecido com a abertura dos portos em 1808. A
partir desta decisão, parte da elite portuguesa, sobretudo aquela que havia permanecido
em Portugal e resistido a invasão napoleônica passou a ficar descontente com as atitudes
de D.João VI uma vez que a medida supostamente provisória de retirada estratégica para o
Brasil se tornava cada vez mais permanente. O clamor desta elite era pelo retorno de
D.João VI para Portugal para que os investimentos fossem novamente centralizados em
território português e não brasileiro, atendendo assim às necessidades desta elite e,
naturalmente, retornando a situação ao estado de ordem que estivera antes das invasões
de Napoleão.

 Aclamação de D.João VI (1818): D.João VI apesar de estar no controle do Império


Portugues carregava o título de Príncipe Regente e não efetivamente de Rei, uma vez que
o trono ainda pertencia a sua mãe, D.Maria I que havia repassado ao seu filho os direitos
de regência devido ao seu estado mental enfraquecido. Com a morte de sua mãe em 1816,
iniciou-se uma disputa pela aclamação de D.João VI que deveria acontecer em Portugal
segundo a tradição. D. João, porém, opta por ser aclamado aqui no Brasil como forma de
assegurar sua popularidade na nova capital do Império e em uma tentativa de controlar os
ânimos inflamados da Revolução Pernambucana contida no ano anterior.

A REVOLUÇÃO PERNAMBUCANA DE 1817

Neste período o nordeste passa por uma enorme seca, e consequentemente grande queda
na taxa de exportação, com os senhores perdendo grande parte de seu lucro, e quase
desaparecimento da cultura de subsistência, com aumento da miséria. Para deteriorar
ainda mais a situação dos nordestinos, os impostos criados para sustentação da corte no
Brasil, acabaram por gerar um grande quadro de descontentamento na população em
geral. O ponto flagrante de descontentamento se dava quando ocorria a comparação do
luxo da capital da corte com a miséria e dificuldades regionais. Este descontentamento
nordestino era mais aguçado em Pernambuco, região que durante vários anos se
consagrou como a região mais rica e promissora do Brasil, onde a vida luxuosa dos seus
senhores não encontrava precedentes em todo território Nacional. No entanto, este
quadro de profunda austeridade não se repetia, e a insatisfação popular acabou por
fomentar um campo propício para a difusão de ideiais liberais, através principalmente do
Seminário de Olinda e por lojas Maçônicas. As reuniões nas casas de militares passaram a
se tornar cada vez mais constantes, e contavam cada vez mais com a adesão de grandes
senhores de engenho, comerciantes, padres e estudantes recém chegados da Europa, com
todo o ideário revolucionário do continente. Por último, não podemos deixar de citar a
presença cada vez mais notória de setores populares da população nordestina. Ampliando
o grau de descontentamento, temos ainda a figura do Governador de Pernambuco, um
gaúcho, de desregrada, que aumentava a ira dos nativos. 25 O movimento eclode no
momento em que o governador avisado do movimento manda prender o líder José Barros
Lima. No entanto, o mesmo foge da prisão e este fato somado com a deserção da grande
maioria de soldados brasileiros, animam os revolucionários. Os revoltosos ganham em
ímpeto, e em Março do mesmo ano, tomam a sede do governo e proclamam um governo
republicano em Recife. No mesmo mês, a Paraíba instala sua república. O governo
provisório tinha como principais objetivos: proclamação da república, abolição da maioria
dos impostos e elaboração de uma constituição, documento este estabeleceria a liberdade
religiosa e de imprensa, além da igualdade de todos perante a lei. Somente no quesito a
respeito da escravidão os revoltosos abandonavam o ideal liberal, como meio de evitar o
choque com os interesses dos senhores de engenho. Queriam a abolição, mas desde que
essa não atrapalhasse a economia local e nem prejudicasse os donos de cativos. O governo
não durou mais de um mês, já que logo em seguida as tropas portuguesas reprimiram o
movimento de forma violenta, esmagando a república recém fundada. Os principais líderes
do movimento foram executados. Era o governo lusitano tentando através do
derramamento de sangue manter o seu poder em mais um episódio de dura repressão
contra os movimentos separatistas, da mesma forma que aconteceu em Minas Gerais em
1789, e na Bahia em 1798. A Conjuração Pernambucana, porém, na verdade foi um dos
sintomas de uma realidade que se mostrava por todo mundo pós independência norte
americana e Revolução Francesa: a ascensão dos ideais liberais frente à um mundo ainda
atado ao Antigo Regime e que estava cada vez mais ganhando força pelas ruas.

A REVOLUÇÃO LIBERAL DO PORTO DE 1820

Desde a transferência da Corte para o Brasil, Portugal passava por uma situação no mínimo
desconfortável: após a expulsão dos franceses de seu território, os lusos ficaram sob tutela
dos ingleses. A posição de D. João, contribuía para a situação, uma vez que mesmo sem a
presença francesa, o mesmo permanecia no Brasil. Além disso, as medidas liberais do
governo no Brasil acabaram por prejudicar os comerciantes lusitanos, levando sua
economia a uma situação delicada. Em 1818 foi fundada na cidade do Porto uma
associação liberal inspirada na Revolução Francesa. Esta associação reuniu comerciantes,
que saíram prejudicados com as medidas de abertura de comércio do rei no Brasil, padres
e também militares. A revolução eclodiu quando em agosto de 1820, quando o general
inglês que governava Portugal viajou ao Brasil, os rebeldes formaram uma Junta Provisória,
e o movimento finalmente chegou a Lisboa tornando-se um movimento nacional. Os
britânicos foram obrigados a se retirar, e convocou-se uma assembleia para elaboração de
uma constituição. As notícias acerca do movimento chegaram ao Rio de Janeiro. A
exigência do retorno do rei, para que este jurasse a constituição gerava duas alternativas:
o retorno do próprio rei, ou a ida do príncipe Pedro, para que este acalmasse os ânimos
revoltosos. Neste momento de dúvidas a revolução foi propagada ao Brasil, com a adesão
do Pará, depois a Bahia, todos com o objetivo de obedecer a constituição portuguesa. Vale
destacar que tal fato reflete os descontentamentos populares para com o governo do Rio
de Janeiro e todos os seus impostos, além de que a viajem a Lisboa era menos desgastante
do que ao Rio. D. João tentou enviar o Príncipe e membros do governo brasileiro para
ajudar na elaboração da constituição, mais a guarnição militar do Rio, fiel as Cortes opôs-
se a ideia. Com este quadro, de pressão popular, militar, além do risco de perder o
controle no Nordeste, não restava outra saída ao Rei, a não ser retornar a Lisboa e jurar a
constituição, nomeando D. Pedro, como príncipe regente do Brasil. Além do retorno do rei,
foram eleitos deputados a serem enviados as cortes. Estes foram com a ideia ilusória de
tentar manter a liberdade de comércio adquirida com os decretos reais assinados após a
vinda da família real e que beneficiavam os colonos brasileiros. No entanto, as cortes aos
poucos definiram sua linha de tentativa de recolonização (restauração do Pacto Colonial)
do Brasil cogitando-se o seu rebaixamento novamente à condição de colônia. Dois fatos
descontentavam os liberais: a autonomia do Brasil e a penetração inglesa. Tentou-se
anular os privilégios concedidos aos ingleses, e buscou – se a subordinação dos governos
provinciais a Lisboa. Temos assim o início de uma bipolarização política no Brasil: de um
lado setores comerciais influentes de Portugal, que visavam o restabelecimento colonial, e
de outros os proprietários de terra do Brasil, comerciantes brasileiros, empresas inglesas,
beneficiados com a abertura comercial, e não admitiam a recolonização. No Brasil inteiro,
a mobilização a respeito do tema se mostrava latente, e diante do desconforto da
situação, existiram polarizações 26 políticas que se dividiam em quatro frentes principais:

O Partido Português: Os portugueses que moravam no Brasil, formavam um contingente


considerável. Entre eles temos comerciantes, militares e funcionários da Coroa, que
apoiavam o movimento do Porto. Principalmente os comerciantes, prejudicados em seus
ganhos com a liberalização da política joanina.

O Partido Brasileiro (ou Liberais Moderados): Composto pela aristocracia rural,


comerciantes e burocratas, em outras palavras, formado pela elite colonial. O grupo seria
prejudicado de maneira veemente em caso de recolonização, mais também, pelo seu
caráter conservador, não via com bons olhos a Independência naquele primeiro momento.
O medo era de o movimento ganhar um caráter revolucionário, de participação popular,
onde seus privilégios poderiam ser questionados e ameaçados. O objetivo era negociar
com as Cortes, para que ambas as partes não fosses prejudicadas e se evitaria a
Independência. O líder: José Bonifácio de Andrada. O partido irá nascer dividido entre a
elite do nordeste e do sudeste onde os primeiros tinham uma afinidade maior ao próprio
Partido Português mas que acabarão se unificando em uma única bandeira receosos
justamente pelo terror do liberalismo popular assim que perceberem que o Partido
Português não tinha influência suficiente para definir o futuro do Império.

Os Liberais Radicais: Era um grupo heterogêneo, composto por pequenos proprietários,


membros do clero, intelectuais liberais, pequenos comerciantes, e tinham em comum o
fato de defender os princípios liberais. Eram contra as propostas portuguesas e achavam
que o melhor caminho seria romper definitivamente os laços portugueses, movendo uma
Independência para modificar o quadro socioeconômico do Brasil e tinham até mesmo
aspirações revolucionárias populares. Compunham o terror no imaginário do Partido
Brasileiro.

Os Bragança: D. Pedro tinha uma formação marcadamente absolutista, não estando


habituado com contestações ao seu poder, e a Revolução do Porto acabou por questionar
o poder dos Bragança. As cortes passaram a exigir o retorno também do príncipe, para que
esse jurasse a Constituição, e esta situação o colocou em oposição as Cortes, dado a sua
falta de intenção de cumprir com o determinado. O príncipe tinha o temor de perder o
poder em Portugal e também no Brasil, naquele momento, economicamente mais
importante que Portugal. Mal sabia ele que o absolutismo neste momento estaria
definitivamente acabado para a família Bragança. Embora a Independência do Brasil tenha
sido um arranjo político, como defende Caio Prado Júnior, ela implica também em uma
complexa luta social. As classes buscavam nada mais do que defender os interesses
particulares de cada uma. No fim,a grande vitoriosa como veremos, foi à classe dos
latifundiários escravistas, ou, o Partido Brasileiro. Para o Partido Brasileiro, o ideal era a
criação de uma monarquia dual, que preservasse a autonomia e o liberalismo comercial e
mantivesse a ordem. No entanto, a intransigência das Cortes fez o partido inclinar-se para
emancipação, sem alterar a ordem social e sés privilégios. Os Liberais Radicais, mais
ligados as classes populares, assim potencialmente revolucionários, defendiam mudanças
mais profundas e democráticas espelhadas nos moldes revolucionários franceses. No
entanto, os Liberais Moderados é que encontravam meios econômicos e políticos para
alcançar o seu objetivo, contando principalmente com o apoio da liberalista burguesia
britânica. D. Pedro, não pretendia retornar a Europa, e se aproximou dos brasileiros,
reforçando sua posição para as “Cortes”. D. Pedro era cortejado pelos Brasileiros e pelos
Radicais, que envergavam nele o líder capaz de alterar a ordem. Por outro lado, José
Bonifácio, tentava afasta-lo dos radicais afirmando que estes tentariam implantar uma
República, onde os Bragança perderiam seu lugar. O caminho para este seria a aliança com
os Brasileiros e uma negociação com as “Cortes” para evitar a recolonização. No entanto,
com a posição das “Cortes” não restou outro caminho ao partido a não ser o da defesa a
emancipação, para que não se prejudicasse os seus negócios. Nesse momento ocorre a
junção de circunstâncias, o Partido Brasileiro enxergando um líder para romper os laços
com Portugal e este líder encontrando no partido o apoio contra os lusitanos. A
Independência, no entanto, iria ter algumas condições: manter a população longe do
movimento, manter a unidade territorial e não alterar a estrutura do país, e, acima de
todas as outras, após a proclamação da independência, D. Pedro deveria reunir uma
Assembleia Constitucional Brasileira para redigirem uma carta constitucional a qual ele
deveria jurar e utilizar como base para seu governo. Não importava para onde corresse,
D.Pedro se via na obrigação de jurar uma constituição. A partir daí, estaria oficialmente
extinto o Absolutismo Português e passaríamos para um regime de Monarquia
Constitucional.

Em Dezembro de 1821 o decreto vindo de Portugal propunha: abolição da regência e o


imediato retorno do príncipe, a obediência a Lisboa e não ao Rio de Janeiro. Em resposta,
D. Pedro une os aliados e transforma a sua decisão em um ato político. Reúne a multidão
no campo de Santana e declara ao povo sua intenção: foi o “Dia do Fico”, registrado em 9
de Janeiro de 1822. Esta decisão foi resultado de um amplo movimento organizado por
José Bonifácio. José Bonifácio, político ligava o príncipe a políticos paulistas e acabou por
seus contatos sendo nomeado ministro de governo, pela primeira vez, um cargo de tal
importância foi dado a um brasileiro. Continuando pelo caminho da ruptura definitiva com
com as Cortes, D. Pedro determina que toda ordem de Lisboa só seria seguida no Brasil se
fosse avaliada e assinada por ele. Com este ato a Câmara do Rio de Janeiro lhe confere o
título de Defensor Perpétuo do Brasil. A situação se agravará em Agosto do mesmo ano
quando D.Pedro decide redigir um manifesto a todas as nações com as quais o Brasil
estabelecia relações comerciais explicando sobre a situação em que o reino se encontrava
e que a única solução cabível seria o rompimento definitivo com Portugal. Já em Setembro
e em virtude de tamanhas medidas, em meio a uma viajem a São Paulo, chega ao Rio de
Janeiro mais uma carta das Cortes, ameaçando de destituir D.Pedro de seus títulos caso ele
mantivesse este tom de discurso e se recusasse a voltar para Portugal. Em São Paulo,
quando recebe a carta, resolve mesmo em território paulista, “...do Ipiranga às margens
plácidas...”, proclamar o grito de Independência do Brasil. Era 7 de Setembro de 1822.

Como observa-se a independência teve um caráter conservador: isto é: manteve o que já


havia antes. Enquanto nos outros países da América do Sul onde os movimentos de
independência buscaram estruturar novas formas de governo, no Brasil a preocupação foi
manter o espaço conquistado pelas ações joaninas e que estavam ameaçadas. Assim
temos a vitória do Partido Brasileiro, pois temos: a manutenção da liberdade de comércio,
a autonomia administrativa e evitou-se uma que o movimento se transformasse em uma
convulsão social, com a alteração da ordem. Resumindo: a Independência foi um arranjo
das elites políticas que visavam manter afastado do movimento as camadas populares,
para assim preservar a monarquia, os seus privilégios, a escravidão e a exploração da
maioria da população. As preocupações iniciais foram: irradiar o movimento inicialmente
de caráter regional, para nacional, isso é, que a Independência fosse aceita além do
sudeste. Era necessário garantir a integridade territorial sufocando as resistências de
algumas regiões, como o Pará e o Maranhão, por exemplo, e era necessário ainda que as
principais potências mundiais reconhecessem o país como uma nação, pois só assim seria
mantida a tranquilidade do modelo agroexportador. Nossa Independência tem um caráter
diferenciado das demais nações europeias, mas tem traços semelhantes também, pois
também foi influenciada pela Independência dos Estados Unidos e pela Revolução
Francesa, como vimos nas rebeliões do Brasil colonial. A emancipação política do Brasil
não trouxe mudanças mais significativas na estrutura social, pois homens pobres livres,
escravos e pessoas afastadas do grande centro permaneceram a margem do movimento.

QUESTÕES

1 - (ALFENAS – 2000) O Bloqueio Continental, em 1807, a vinda da família real para o Brasil
e a abertura dos portos em 1808, constituíram fatos importantes:

a) na formação do caráter nacional brasileiro.


b) na evolução do desenvolvimento industrial.
c) no processo de independência política.
d) na constituição do ideário federalista.
e) no surgimento das disparidades regionais.

2 - (ESPM – 2000) Acontecimentos políticos europeus sempre tiveram grande influência no


processo da constituição do estado brasileiro. Assim, pode-se relacionar a elevação do
Brasil à situação de Reino Unido a Portugal e Algarves, ocorrida em 1815:

a) às tentativas de aprisionamento de D. João VI, pelas forças militares de Napoleão


Bonaparte.
b) à Doutrina Monroe, que se caracterizava pelo lema: "a América para os americanos".
c) ao Bloqueio Continental decretado nesse momento por Napoleão Bonaparte e que
pressionava o Brasil a interromper seu comércio com os ingleses.
d) ao Congresso de Viena, que se encontrava reunido naquele momento e se constituía em
uma rearticulação de forças políticas conservadoras.
e) a política de expansionismo econômico e à tentativa de dominar o mercado brasileiro,
desenvolvida pelos ingleses após a Revolução Industrial.

3 - (UNIBH – 1999) “Em 1808, 90 navios, sob bandeiras diversas, entraram no porto do Rio
de Janeiro, enquanto, dois anos depois, 422 navios estrangeiros e portugueses fundearam
naquele porto. Por volta de 1811, existiam na capital 207 estabelecimentos comerciais
portugueses e ingleses, além dos que eram possuídos por nacionais dos países amigos de
Portugal”. As modificações descritas no texto estão relacionadas com:

a) o período joanino e o Ato Adicional à Constituição imperial.


b) a abertura dos portos e a guerra de independência da Cisplatina.
c) o domínio napoleônico em Portugal e a implantação do Estado Novo.
d) a abertura dos portos e os tratados de comércio e amizade com a Inglaterra.

4 - (PUC – MG – 1998) Refere-se à Revolução Pernambucana de 1817:

I. O objetivo dos rebeldes era proclamar uma república inspirada nos ideais franceses de
igualdade, liberdade e fraternidade.
II. Os líderes do movimento foram condenados à morte por enforcamento.
III. Os revoltosos, após matarem os chefes militares governamentais, conquistaram o
poder por 75 dias.

a) se apenas a afirmação I estiver correta.


b) se apenas as afirmações I e II estiverem corretas.
c) se apenas as afirmações I e III estiverem corretas.
d) se apenas as afirmações II e III estiverem corretas.
e) se todas as afirmações estiverem corretas.

5 - (PUC – MG – 1999) A presença da Corte Portuguesa no Brasil (1808 – 1820) gerou


grandes transformações na vida econômica, política e sócio-cultural brasileira, tais como,
EXCETO:

a) abertura do Banco do Brasil e da Casa da Moeda.


b) mudança da capital de Salvador para o Rio de Janeiro.
c) revogação do Alvará de 1785, que proibia manufaturas no país.
d) elevação do Brasil a Reino Unido.
e) inauguração de institutos científicos como o Jardim Botânico.

6 – Com relação ao processo de colonização das terras brasileiras pelos portugueses,


assinale a alternativa INCORRETA.

a) O açúcar foi um importante item da economia colonial, principalmente a partir do fim


do século XVI.
b) No chamado Período Pré-Colonial o açúcar era o principal item produzido na colônia.
c) O sistema de plantation foi a base que estruturou a produção colonial.
d) A produção de açúcar na colônia era realizada essencialmente em latifúndios
monocultores.
e) Embora os indígenas tenham sido escravizados, houve a transição para a adoção da
mão-de-obra escravizada africana na colônia.
7 – (UFRJ) Para garantir a posse da terra, Portugal decidiu colonizar o Brasil. Mas, para isso,
seria preciso desenvolver uma atividade econômica lucrativa. A solução encontrada foi
implantar em certos trechos do litoral:
a) a produção açucareira.
b) a exploração do ouro.
c) a extração do pau-brasil.
d) a criação de gado.
e) o comércio de especiarias.
8 - O país que atuava como parceiro econômico de Portugal na produção do açúcar por
meio do financiamento dos engenhos, refinamento do açúcar e distribuição da mercadoria
pela Europa foi:
a) Holanda.
b) Espanha.
c) França.
d) Índia.
e) Cabo Verde.

9 - Qual era a estrutura básica da produção de açúcar implantada por Portugal no Brasil?
a) policultura, trabalho assalariado e grande propriedade.
b) monocultura, trabalho escravo e pequena propriedade familiar.
c) monocultura, trabalho assalariado e pequena propriedade familiar.
d) monocultura, trabalho escravo e grande propriedade.
e) policultura, trabalho escravo e grande propriedade.

10 – A produção açucareira constituiu um ciclo econômico importantíssimo no período


colonial brasileiro e foi capaz de delinear, inclusive geograficamente, o desenvolvimento da
colônia. Por isso, é compreensível o fato de que a primeira capital brasileira tenha sido:
a) São Paulo
b) Rio de Janeiro
c) Brasília
d) Recife
e) Salvador

11 - (Fuvest) No Brasil colonial, a escravidão caracterizou-se essencialmente:


a) por sua vinculação exclusiva ao sistema agrário exportador;
b) pelo incentivo da Igreja e da Coroa à escravidão de índios e negros;
c) por estar amplamente distribuída entre a população livre, constituindo a base econômica da
sociedade;
d) por destinar os trabalhos mais penosos aos negros e mais leves aos índios;
e) por impedir a emigração em massa de trabalhadores livres para o Brasil.

12 - (Fuvest-SP) Podemos afirmar sobre o período da mineração no Brasil que

a) atraídos pelo ouro, vieram para o Brasil aventureiros de toda espécie, que inviabilizaram a
mineração.
b) a exploração das minas de ouro só trouxe benefícios para Portugal.
c) a mineração deu origem a uma classe média urbana que teve papel decisivo na
independência do Brasil.
d) o ouro beneficiou apenas a Inglaterra, que financiou sua exploração.
e) a mineração contribuiu para interligar as várias regiões do Brasil e foi fator de diferenciação
da sociedade.

13 - (Unesp-2015) A constatação de que “Essa aliança refletiu-se numa política de terras que
incorporou concepções rurais tanto feudais como mercantis” justifica-se, pois a política de
terras desenvolvida por Portugal durante a colonização brasileira

a) permitiu tanto o surgimento de uma ampla camada de pequenos proprietários, cuja


produção se voltava para o mercado interno, quanto a implementação de sólidas parcerias
comerciais com o restante da América.
b) determinou tanto uma rigorosa hierarquia nobiliárquica nas terras coloniais, quanto o
confisco total e imediato das terras comunais cultivadas por grupos indígenas ao longo do
litoral brasileiro.
c) envolveu tanto a cessão vitalícia do usufruto de terras que continuavam a ser propriedades
da Coroa, quanto a orientação principal do uso da terra para a monocultura exportadora.
d) garantiu tanto a prevalência da agricultura de subsistência, quanto a difusão, na região
amazônica e nas áreas centrais da colônia, das práticas da pecuária e da agricultura de
exportação.
e) assegurou tanto o predomínio do minifúndio no Nordeste brasileiro, quanto uma regular
distribuição de terras entre camponeses no Centro-Sul, com o objetivo de estimular a
agricultura de exportação.

14 - A economia mineradora brasileira, florescida na época colonial, na passagem do século


XVII para o século XVIII, só foi possível pela ação de determinadas figuras históricas que
desbravaram e adentraram pelo sertão brasileiro. Tais figuras eram:
a) os jesuítas
b) os bandeirantes
c) os militares
d) os comunistas
e) os huguenotes
15 - (Fuvest) No século XVIII a produção do ouro provocou muitas transformações na colônia.
Entre elas podemos destacar:

a) a urbanização da Amazônia, o início da produção do tabaco, a introdução do trabalho livre


com os imigrantes.

b) a introdução do tráfico africano, a integração do índio, a desarticulação das relações com a


Inglaterra.

c) a industrialização de São Paulo, a produção de café no Vale do Paraíba, a expansão da


criação de ovinos em Minas Gerais.

d) a preservação da população indígena, a decadência da produção algodoeira, a introdução


de operários europeus.

e) o aumento da produção de alimentos, a integração de novas áreas por meio da pecuária e


do comércio, a mudança do eixo econômico para o Sul.

GABARITO DAS QUESTÕES


1-C/2-D/3-D/4-E/5-B/6-B/7-A/8-A/9-D/10-E/11-C/12-E/13-C/14-B/15-E

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