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Adoração e

estilo de vida
Adoração e
estilo de vida
ZOE LILLY -------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------

A adoração tem um conceito muito vasto em nossos dias. Existem incontáveis cursos, aulas e livros sobre
adoração, e com muita frequência, quando ouvimos falar sobre esse assunto, logo pensamos em música. A Bíblia,
porém, nos oferece um entendimento mais profundo. Ela traz a expressão de adoração em dezenas de situações,
através de quatro palavras diferentes. A primeira vem do hebraico shachah, que significa “inclinar-se, prostrar-
se”. Ela pode ser encontrada no Antigo Testamento:

E o povo creu; e, tendo ouvido que o Senhor havia visitado os filhos de


Israel e lhes vira a aflição, inclinaram-se e o adoraram. (Êxodo 4.31)

Outro termo, também utilizado no Antigo Testamento, está nas referências de Isaías 44, versículos 15, 17 e
19. Da mesma forma que encontramos no capítulo 46:

Os que gastam o ouro da bolsa e pesam a prata nas balanças assalariam o ourives
para que faça um deus e diante deste se prostram e se inclinam. (Isaías 46.6)

No texto acima, a adoração é expressa por cagad, compreendida por “cair no chão (em adoração)”. Ambas
as palavras retratam a ação do corpo e da mente diante de uma entidade ou divindade, em que uma pessoa se
prostra ou se ajoelha.

Já no Novo Testamento, obtemos a mesma ideia de adoração, porém com uma definição diferente. A palavra
de origem grega é sebomai, significando uma “reverência com temor”, vista em uma das falas de Jesus:

E em vão me adoram, ensinando doutrinas que são


preceitos de homens. (Mateus 15.9)

O entendimento do versículo acima é que, quando adoramos com sincera reverência ao Senhor, ficamos
extasiados com Sua glória, reconhecendo a grandeza de quem Ele é. E, por fim, adoração aparece como
proskuneo, também com referência nos evangelhos:

Então, Jesus lhe ordenou: Retira-te, Satanás, porque está escrito: Ao


Senhor, teu Deus, adorarás, e só a ele darás culto. (Mateus 4.10)

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Sua etimologia vem de pros, que significa “se prostrar”, mais kuneo, que quer dizer “beijar”. Dessa maneira,
percebemos que alguém que está adorando se prostra de tal forma que chega a tocar o chão com o rosto. É
interessante observar que em todas essas apresentações bíblicas de adoração, em momento algum ela está
diretamente ligada à música. Frequentemente nos esquecemos de que podemos adorar não somente através
desse meio, mas também em silêncio, com palavras ou danças, além de qualquer outra maneira de expressão
física, mental ou emocional. O importante ao exercermos um momento de adoração é a confiança de que
estamos gerando uma profunda conexão de rendição com o Pai.

Logo, durante um momento de adoração, imaginamos que alguém que se prostra e ajoelha, rendido e com
o rosto em chão, dificilmente poderá batalhar por algo. É nessa condição, porém, que nos esvaziamos das
próprias defesas, abrindo espaço para um relacionamento com Deus. Precisamos investir tempo para alcançar
profundidade em adoração. Não podemos afirmar que temos intimidade com alguém estranho, então um grande
requisito para tal, é conhecer o coração do Senhor.

1. Qual o seu entendimento sobre adoração?

2. Por que a Palavra sempre relaciona adoração com reverência?

3. Como seu relacionamento com Deus pode afetar a adoração?

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A MÚSICA COMO ADORAÇÃO
Sobre isso, somos levados a entender por que a música está presente em momentos de adoração descritos
no tabernáculo de Moisés e de Davi, fora a presença de músicos na tribo de Levi e entre outros casos. Ela é
uma ferramenta para que a adoração aconteça, e foi muita usada por profetas ao anunciarem a mensagem de
Deus, porque, assim, podiam atrair a manifestação da Sua presença. Entretanto, não é toda música que pode
construir um ambiente propício para a habitação da glória divina.

Diante de tantos termos sobre adoração que temos hoje, nos confundimos sobre o que realmente está de
acordo com a Palavra. Ela não precisa, necessariamente, ter relação com a música que ouvimos na igreja, porque
não se trata de um gênero musical. Diferente disso, pode se apresentar por meio de quaisquer ritmos, seja
erudito, clássico, reggae, rap ou qualquer outro que mantenha sua essência. Esse é o elemento que definirá se
estamos prestando ao Senhor uma adoração ou não.

Assim, encontramos uma analogia sobre a função musical da adoração no trabalho de um pintor. Ele tem seus
pincéis, sua tela e algumas tintas, porém, isso por si só não é arte. Quando ele usa essas ferramentas, que são
apenas veículos de expressão, então o produto é uma obra artística que pode ser apresentada às pessoas. Desse
modo, também usamos a música para adorar, como qualquer outra forma de exteriorização do nosso coração a
Deus, mas ela em si não é adoração. Portanto, a essência que sempre precisamos manter é Jesus Cristo.

Um exemplo bíblico da música como adoração é relatado em um contexto de guerra:

Aconselhou-se com o povo e ordenou cantores para o Senhor, que, vestidos


de ornamentos sagrados e marchando à frente do exército, louvassem a
Deus, dizendo: Rendei graças ao Senhor, porque a sua misericórdia dura
para sempre. Tendo eles começado a cantar e a dar louvores, pôs o Senhor
emboscadas contra os filhos de Amom e de Moabe e os do monte Seir que
vieram contra Judá, e foram desbaratados. (2 Crônicas 20.21-22)

Aqui encontramos a história de guerra do povo de Judá, que tinha Josafá como rei na época. Ele se apavorou
quando viu o grande exército inimigo que marchava contra eles. Com o rosto em terra (2 Crônicas 20.18), clamou
ao Senhor por socorro com jejuns e petições. Então, o Espírito de Deus foi derramado sobre a congregação e
os direcionou a se posicionar, mas eles não batalhariam, uma vez que deveriam confiar n’Ele suas esperanças.
Enquanto os guerreiros de Judá entoavam louvores, seus inimigos se confundiram entre si, porque o Senhor
havia colocado emboscadas contra eles. Quando os filhos de Israel subiram ao monte, viram apenas corpos
mortos espalhados pelo deserto.

Esse relato vai contra o que muitas pessoas pensam. Alguém pode alegar que um adorador não pode ser um
guerreiro, mas, na verdade, a adoração é uma das maiores armas que podemos ter. É justamente quando nos
tornamos vulneráveis, que Deus nos concede a vitória, uma vez que escolhemos descansar nos cuidados de
quem pode batalhar por nós.

1. Qual a função da música na adoração?

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2. O que faz da canção um importante instrumento de adoração?

3. Como você pode usar a adoração como arma para vencer as dificuldades de sua vida?

4. Quais mudanças em sua vida são necessárias para que o


ambiente ao seu redor manifeste a glória de Deus?

A ADORAÇÃO DESENVOLVE NOSSO AMOR POR DEUS


O amor sempre parte de um lugar de confiança, e não de medo. Como diz o salmista:

Preparas-me uma mesa na presença dos meus adversários, unges-


me a cabeça com óleo; o meu cálice transborda. (Salmos 23.5)

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Esta verdade é a rocha na qual precisamos lançar nossos fundamentos (Mateus 7.24), que mesmo na
presença de adversários, temos uma mesa onde desfrutaremos da presença de Deus. A adoração só acontece
genuinamente quando nos rendemos em reconhecimento à Sua soberania, que é exercida em nossas vidas.
Assim, nossa entrega total não se detém visando as próprias vontades, mas como oferta em favor dos desejos
do Pai. É então que somos movidos a adorar como resultado do amor d’Ele por nós, pela manifestação da Sua
misericórdia, ao demonstrar Seus maravilhosos planos quando enviou Cristo para morrer em nosso lugar. Amar
a Deus é a única resposta apropriada ao amor que Ele nos dá gratuitamente (1 João 4.19).

Portanto, tem sido um erro relacionar a adoração com uma ação, em vez de vê-la como uma conexão
com Deus. Sabemos que estamos em contato com Deus quando entendemos quem Ele é para nós, e quem
somos para Ele, e não quando cantamos várias músicas que outras pessoas fizeram. Desse modo, adoramos
não quando estamos em um momento de ministração antes dos cultos, mas quando nos imergimos n’Ele.
Consequentemente, percebemos que um sinal de que estamos com o coração no lugar errado é o incômodo
frequente com as músicas escolhidas para o louvor, com o ambiente e com vários outros detalhes que teriam
pouca importância para nós se estivéssemos reconhecendo a presença de Deus naquele lugar.

Isso significa que ao lembrarmos de tudo o que Deus fez na Palavra, e continua fazendo em nossas vidas, não
encontramos espaço para nos acostumarmos com Sua presença. Uma vida rendida, se mantém constantemente
comovida e vislumbrada, já que Ele nos revela novidades sobre Si todos os dias. Quando ficamos dias ou semanas
sem aprender mais sobre quem o Pai é, significa que estamos gravemente doentes na prática da vida cristã. São
os encontros diários com o Senhor que nos enchem de força e alegria para experimentarmos a plenitude do
Reino Eterno. Essa é a compreensão que nos impulsiona a ter um estilo de vida transformador.

1. O que deve motivar nossas adorações?

2. Como o conhecimento de Deus vai contra uma rotina monótona de adoração?

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3. Por que a adoração genuína é uma manifestação de amor por Deus?

ADORAÇÃO COMO ESTILO DE VIDA


Além da profundidade da adoração, ela também é uma expressão que deve se tornar um hábito. O ato de
estar continuamente conectado com a presença de Deus, é o que chamamos de adoração como estilo de vida.
Isso pode acontecer durante uma conversa com amigos, durante um treino na academia, no serviço, em um
culto, antes de dormirmos, logo que acordamos e em todos os demais momentos – essenciais ou não. Ainda
assim, ficamos desesperados quando surgem pequenos problemas em nosso dia, porém, mal nos importamos
quando perdemos o contato com o Senhor. Como resultado, as dificuldades que aparecem passam a pesar
nosso coração. Pela misericórdia de Deus, temos a oportunidade de voltar e resgatar o lugar de adoração que
tínhamos esquecido. Esse é um convite não apenas a um grupo selecionado de pessoas, mas para todos que se
colocam na posição de filhos. A identidade de Adão no Éden também está sobre nós, porque da mesma forma
que ele se encontrava com o Criador pelas tardes, também somos chamados para estar com Ele.

A Palavra nos desafia a sempre ouvir a voz do Espírito Santo e caminhar com Ele, para que nosso coração
acenda com um novo amor por Jesus. É em um ambiente de gratidão que nossos olhos se abrem para vermos a
grande intimidade que o Senhor anseia ter conosco. Quando nos rendemos a essas verdades, nossa expressão
de adoração se torna espontânea. O fruto disso é nossa impulsão para longe de uma rotina vazia, preenchendo
todo nosso ser de encontros verdadeiros de amor com o Pai.

1. Por que a adoração não deve ser praticada somente no contexto


com a igreja, mas continuamente durante o dia?

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2. O que você pode melhorar para ter a adoração como um estilo de vida?

A adoração é uma das armas mais poderosas que temos em Deus. Por meio dela, Paulo e Silas venceram
grandes dificuldades. Jesus também nos ensina a prostrar nossos corações diante d’Ele. Portanto, recomendamos
o seguinte desafio pessoal:

DESAFIO PESSOAL: Medite naquilo que Deus tem feito em sua vida, e sobre isso, coloque-se diante d’Ele em
adoração. Tenha como base as referências de Atos 16.16-26, Mateus 11.28-30 e 2 Crônicas 20.21-22.

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