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Centro de Tecnologia e Ciências

Programa de Pós-Graduação em Gestão e Regulação de


Recursos Hídricos

Almaia Argentina da Silva

Panorama da aplicação de práticas de conservação de solo e água nos


Programas de Pagamento por Serviços Ambientais hídricos do Estado do
Rio de Janeiro

Rio de Janeiro
2018
Almaia Argentina da Silva

Panorama da aplicação de práticas de conservação de solo e água nos Programas


de Pagamento por Serviços Ambientais hídricos do Estado do Rio de Janeiro

Dissertação apresentada, como requisito parcial


para obtenção do título de Mestre, ao Programa
de Pós-Graduação Mestrado profissional em
Rede Nacional em Gestão e Regulação de
Recursos Hídricos polo UERJ. Área de
concentração: Regulação e Governança de
Recursos Hídricos

Orientador: Prof. Dr. Hugo Portocarrero


Coorientador: Prof. Dr. Aluísio Granato de Andrade

Rio de Janeiro
2018
CATALOGAÇÃO NA FONTE
UERJ / REDE SIRIUS / BIBLIOTECA CTC/C

S586 Silva, Almaia Argentina da.


Panorama da aplicação de práticas de conservação de solo e água nos
Programas de Pagamento por Serviços Ambientais hídricos do Estado do Rio de
Janeiro / Almaia Argentina da Silva. – 2018.
146 f.: il.

Orientador: Hugo Portocarrero.


Coorientador: Aluísio Granato de Andrade.
Dissertação (Mestrado) - Universidade do Estado do Rio de Janeiro, Centro de
Tecnologia e Ciências.

1. Recursos hídricos – Administração – Rio de Janeiro – Teses. 2.


Abastecimento de água – Segurança ambiental – Rio de Janeiro – Teses. 3. Bacias
hidrográficas – Conservação – Rio de Janeiro – Teses. 4. Pagamento por serviços
ambientais – Bacias hidrográficas – Rio de Janeiro – Teses. I. Portocarrero, Hugo.
II. Andrade, Aluísio Granato de. III. Universidade do Estado do Rio de Janeiro,
Centro de Tecnologia e Ciências. IVI. Título.

CDU 556.18(815.3)
Bibliotecária responsável: Fernanda Lobo / CRB-7: 5265

Autorizo, apenas para fins acadêmicos e científicos, a reprodução total ou parcial desta
dissertação, desde que citada a fonte.

______________________________________ ______________________
Assinatura Data
Almaia Argentina da Silva

Panorama da aplicação de práticas de conservação de solo e água nos Programas


de Pagamento por Serviços Ambientais hídricos do Estado do Rio de Janeiro

Dissertação apresentada, como requisito parcial


para obtenção do título de Mestre, ao Programa
de Pós-Graduação Mestrado profissional em
Rede Nacional em Gestão e Regulação de
Recursos Hídricos polo UERJ. Área de
concentração: Regulação e Governança de
Recursos Hídricos.

Aprovada em 10 de outubro de 2018.


Banca Examinadora:

__________________________________________
Prof. Dr. Hugo Portocarrero (Orientador)
Faculdade de Geografia – UERJ
__________________________________________
Prof. Dr. Aluísio Granato de Andrade (Coorientador)
Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária Solos
___________________________________________
Prof. Dr. Friedrich Wilhelm Herms
Faculdade de Oceanografia – UERJ
___________________________________________
Dr. Rodrigo Peçanha Demonte Ferraz
Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária Solos

Rio de Janeiro
2018
DEDICATÓRIA

Dedico este trabalho primeiramente а Deus, que foi meu alento e força nessa longa jornada; e
minha família, meu porto seguro.
AGRADECIMENTOS

A Deus que cuida de mim, me orienta e deu as melhores pessoas do mundo para que
eu conseguisse trazer este projeto à realidade.
Aos meus pais, José e Tina, meu orgulho, minha alegria, os mestres que me deram
tudo.
Ao meu irmão Alan, o primeiro mestre da família. Abriu caminho, foi na frente e
garantiu que o que havia depois era bom.
Ao professor Hugo Portocarrero pelas orientações, parceria, e confiança depositada em
mim.
Ao professor Aluisio Granato de Andrade, por cada consideração compartilhada e por
aceita fazer parte desse projeto.
Ao Professor Friedrich Wilhelm Herms “Professor Fred”, por ter acreditado primeiro.
Ao Dr. Rodrigo Demonte por aceitar fazer parte desse projeto.
A todos os professores do ProfÁgua Polo UERJ, que contribuíram generosamente para
o meu aprendizado e professores dos demais Polos, pelas experiências compartilhadas.
As equipes da Agência Nacional de Águas – ANA e CAPES pelo empenho e
confiança depositados no Programa.
Aos amigos da 1ª turma ProfÁgua (UERJ), só nós sabemos, não é mesmo?
Compartilhar esse percurso com vocês foi um prazer, foi mais leve, foi mais alegre...
Aos demais alunos do programa, a nossa cooperação sempre será enriquecedora.
A todos os amigos, que espantaram os sentimentos ruins, ouvindo minhas desventuras,
sorrindo comigo, dando likes, mandando memes. Suportaram as ausências e mau humor,
vocês são incríveis.
Esse trabalho tem um pouco de cada um de vocês.
Muito obrigada!
O presente trabalho foi realizado com apoio da coordenação de Aperfeiçoamento de
Pessoal Nível Superior – Brasil (CAPES) – Código de Financiamento 001, agradeço também
ao Programa de Mestrado Profissional em Rede Nacional em Gestão e Regulação de Recursos
Hídricos – ProfÁgua, Projeto CAPES/ANA AUXPE Nº. 2717/2015, pelo apoio técnico
científico aportado até o momento.
Suba o primeiro degrau com fé. Não é necessário que você veja toda a escada. Apenas
dê o primeiro passo.
Martin Luther King
RESUMO

Silva, Almaia Argentina da. Panorama da aplicação de práticas de conservação de solo e


água nos Projetos de Pagamento por Serviços Ambientais hídricos do Estado do Rio de
Janeiro. 2018 146f. Dissertação (Mestrado Profissional em Rede Nacional em Gestão e
Regulação de Recursos Hídricos (PROF-ÁGUA)), Centro de Tecnologia e Ciências,
Universidade do Estado do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 2018.

Na busca da melhoria da eficiência da gestão de recursos hídricos do estado do Rio de


Janeiro este estudo investiga as principais intervenções relacionadas às práticas de
conservação do solo e da água dentro dos projetos de Pagamento por Serviços Ambientais
(PSA) hídricos implementados no estado. O primeiro projeto, nesses moldes no Brasil,
ocorreu no município de Extrema em MG no ano de 2006. No Rio de Janeiro, o primeiro
projeto desse tipo foi instaurado no ano de 2007 na Região dos Lagos com o nome de Fundo
de Boas Práticas Socioambientais em Microbacias – FUNBOAS. Desde então outros seis
projetos foram implementados em quase todas as regiões hidrográficas do estado, a saber:
Produtores de Água e Floresta (PAF); PRO-PSA Guandu; Programa de PSA Hídrico do
CEIVAP; Projeto de PSA da bacia do Rio Macaé; Programa do Rio das Flores no município
de Valença e Programa Águas do Rio no município de Miguel Pereira. As práticas de
conservação do solo e da água foram as intervenções realizadas nas áreas de influência de
mananciais nas zonas rurais do estado. A pesquisa avançou com uma abordagem exploratória
crítica através do estudo de caso de cada projeto. Cada caso foi descrito em tópicos que os
caracterizam, como: histórico dos projetos; a operacionalização do PSA; as práticas
conservacionistas e resultados. As práticas de conservação foram classificadas em:
mecânicas, edáficas e vegetativas. Em alguns casos, um quarto grupo de práticas foi
observado, as práticas de saneamento, que apesar de não comporem, no sentido estrito
agronômico, as práticas de conservação do solo e da água exercem forte influência na
disponibilidade hídrica. No universo dos projetos pesquisados as práticas vegetativas foram
as intervenções mais executadas, seguida das práticas edáficas e de saneamento. Já as práticas
mecânicas não tiveram ações identificadas em nenhum projeto, apenas apareceram no
programa indutor de projetos da Agência Nacional de Águas (ANA) chamado Produtor de
Água. A partir das análises das estruturas dos projetos e ações de conservação executadas foi
possível traçar as potencialidades e limitações desse conjunto, evidenciando questões como:
os modelos de PSA hídrico, formação de mão de obra especializada, condição do produtor
rural e sua propriedade, necessidade de novas práticas e processos, dentre outras. De forma
geral os projetos preconizam o convívio mais harmônico das práticas rurais e o meio ambiente
promovendo a resiliência das regiões. Apesar da necessidade de ajustes, quanto à melhoria da
segurança hídrica, as ações realizadas indicam a possibilidade de alcançar esse propósito.

Palavras-chave: PSA hídrico; Serviços ambientais; Práticas de conservação do solo e da água;


Gestão de recursos hídricos; Rio de Janeiro.
ABSTRACT

Silva, Almaia Argentina da. Panorama of the application of soil and water conservation
practices in the Water Payment Projects for Environmental Services of the State of Rio
de Janeiro. 2018 146f. Dissertação (Mestrado Profissional em Rede Nacional em Gestão e
Regulação de Recursos Hídricos (PROF-ÁGUA)), Centro de Tecnologia e Ciências,
Universidade do Estado do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 2018.

In an effort to improve the efficiency of water resources management in the state of


Rio de Janeiro, this study investigates the main interventions related to soil and water
conservation practices within the Water Environmental Services Payment (PES) projects. The
first such project in Brazil took place in the municipality of Extrema, MG in the year of 2006.
The first project in Rio de Janeiro began at 2007 at the Lakes Region named Socio-
Environmental Practices Fund in Micro watershed (FUNBOAS). Since then, six other
projects have been implemented in almost all hydrographic regions of the state: Water and
Forest Producers (PAF); PRO-PSA Guandu; Water PES Program of CEIVAP; PES project of
Watershed Macaé River; “Rio das Flores” Program inside the municipality of Valença and
“Águas do Rio” Program inside the municipality of Miguel Pereira. The practices of soil and
water conservation were the interventions performed into water influence areas, on the state’s
rural zones. The research advanced with a critical exploratory approach through the case
study of each project. Each case has been described and characterized by topics, such as:
project history; the operationalization of PES; conservation practices and results. The
practices conservationists were classified: mechanical, edaphic and vegetative. Some cases, a
fourth group of practices was observed, the sanitation practices, which, although do not
compose, the strict agronomic sense, soil and water conservation practices, realizes strong
influence on water availability. The universe of the surveyed projects vegetative practices
were the most executed interventions, followed by the edaphic and sanitation practices.
Mechanical practices did not have actions identified inside any project; they only appeared on
the inducing program of the National Water Agency (ANA) called Water Producer. From the
project structures and conservation actions analyzes, was possible to trace potentials and
limitations of this set, highlighting issues, such as: water PES models, skilled labor, condition
of the rural producer and his property, need for new practices and processes, among others.
Generally, the projects advocate more harmonious interaction of rural practices and the
environment, promoting the regions resilience. Despite need some adjustments, the actions
implanted indicate a possibility of achieving better water conditions for this areas.

Keywords: Water PES; Environmental services; Soil and water conservation practices; Water
resources management; Rio de Janeiro.
LISTA DE FIGURAS

Figura 1 – Modelo conceitual de indicadores para monitoramento de PSA


hídrico....................................................................................................... 50
Figura 2 – O estado do Rio de Janeiro na divisão hidrográfica nacional.................. 67
Figura 3 – Limites das Regiões Hidrográficas do estado do Rio de Janeiro............. 68
Figura 4 – Bacia do Rio Paraíba do Sul .................................................................... 72
Figura 5 – Percentual de demanda hídrica por Regiões Hidrográficas e setor
usuário preponderante- RJ........................................................................ 73
Figura 6 – Modalidade dos serviços ambientais e Valor de referência....................... 77
Figura 7 – Estágios para a implementação do Programa Produtor de Água............. 79
Figura 8 – Região Hidrográfica II e sub-bacias prioritárias do Programa PRO-
PSA Guandu............................................................................................ 94
Figura 9 – Esquema de arranjo institucional com o município como o executor...... 96
Figura 10 – Esquema de arranjo institucional Organização sem fins lucrativos
como proponente...................................................................................... 96
Figura 11 – Esquema do arranjo institucional dos projetos de PSA CEIVAP........... 106
LISTA DE GRÁFICOS

Gráfico 1 – Solos degradados no Mundo (entre 1981 e 2003)................................... 24


Gráfico 2 – Solos degradados no Brasil (entre 1981 e 2003).................................... 24
Gráfico 3 – Demanda hídrica por setor de usuário nas Regiões Hidrográficas – RJ. 73
Gráfico 4 – Quantidade de atividades realizadas por grupos de práticas de
conservação e saneamento...................................................................... 118
LISTA DE QUADROS

Quadro 1 – Danos causados pela erosão hídrica........................................................ 25


Quadro 2 – Possíveis intervenções de restauração ambiental.................................... 33
Quadro 3 – Atividades relacionadas à metodologia de restauração florestal (RNA) 34
Quadro 4 – Atividades relacionadas à metodologia de restauração florestal
(RFTE).................................................................................................... 36
Quadro 5 – Sugestões de ações para PSA Hídrico.................................................... 45
Quadro 6 – Serviços ambientais de provisão relacionados às bacias hidrográficas.. 50
Quadro 7 – Serviços ambientais de regulação relacionados às bacias hidrográficas 51
Quadro 8 – Serviços ambientais de suporte relacionados às bacias hidrográficas.... 52
Quadro 9 – Serviços ambientais culturais relacionados às bacias hidrográficas....... 52
Quadro 10 – Práticas de conservação do solo e da água Programa produtor de Água 81
Quadro 11 – Caracterização legal e institucional do FUNBOAS............................... 83
Quadro 12 – Nível de boas práticas Socioambientais do FUNBOAS........................ 84
Quadro 13 – Práticas conservacionistas adotadas no FUNBOAS............................. 86
Quadro 14 – Caracterização legal e institucional do PAF Rio Claro.......................... 89
Quadro 15 – Práticas Conservacionistas do Projeto PAF Rio Claro........................... 91
Quadro 16 – Caracterização legal e institucional do PRO-PSA Guandu.................... 95
Quadro 17 – Técnicas previstas para implantação no projeto PRO-PSA Guandu...... 98
Quadro 18 – Caracterização legal e institucional da “Bacia do Rio Macaé”............... 101
Quadro 19 – Boas práticas agropecuárias.................................................................... 103
Quadro 20 – Ações para a modalidade de PSA de Recuperação Florestal................. 103
Quadro 21 – Caracterização legal e institucional do PSA Hídrico CEIVAP.............. 107
Quadro 22 – Principais Práticas conservacionistas do projeto PSA Hídrico
CEIVAP.................................................................................................. 108
Quadro 23 – Ações de manutenção e monitoramento hidrológico do projeto PSA
Hídrico CEIVAP.................................................................................... 109
Quadro 24 – Projetos de PSA Hídrico elaborados pelo CEIVAP até outubro de
2017........................................................................................................ 110
Quadro 25 – Caracterização legal e institucional da “Bacia do Rio das Flores”......... 113
Quadro 26 – Ações realizadas na Bacia do Rio das Flores.......................................... 113
Quadro 27 – Linha do tempo dos projetos de PSA hídricos no Rio de janeiro........... 115
Quadro 28 – Características gerais dos projetos de PSA do estado do Rio de Janeiro 117
Quadro 29 – Práticas mecânicas de conservação do Programa Produtor de Água
(ANA)..................................................................................................... 119
Quadro 30 – Relação das práticas edáficas de conservação e projetos de PSA
Hídricos................................................................................................... 120
Quadro 31 – Práticas de conservação vegetativas....................................................... 121
Quadro 32 – Relação das Práticas de conservação vegetativas e projetos de PSA
hídricos.................................................................................................... 122
Quadro 33 – Relação das Práticas de saneamento e projetos de PSA hídricos........... 123
LISTA DE ABREVIAÇÕES E SIGLAS

AGEVAP Associação Pró-Gestão das Águas da Bacia Hidrográfica do Rio Paraíba do Sul
ANA Agência Nacional de Águas
APP Área de Preservação Permanente
CAR Cadastro Ambiental Rural
CBH Comitês de Bacia Hidrográfica
CBHLSJ Comitê de Bacia Hidrográfica Lagos São João
CEIVAP Comitê de Integração da Bacia Hidrográfica do Rio Paraíba do Sul
CEPERJ Fundação Centro Estadual de Estatísticas, Pesquisas e Formação de Servidores
Públicos do Rio de Janeiro
CERHI Conselho Estadual de Recursos Hídricos
CILSJ Consórcio Intermunicipal Lagos São João
DBO Demanda Bioquímica de Oxigênio
EMATER Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural
FAO Food and Agriculture Organization
FMP Faixa Marginal de Proteção
FUNASA Fundação Nacional de Saúde
FUNDRHI Fundo Estadual de Recursos Hídricos
IBGE Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística
INEA Instituto Estadual do Ambiente
ITPA Instituto Terra de Preservação Ambiental
MAPA Ministério da Agricultura Pecuária e Abastecimento
MMA Ministério do Meio Ambiente
ONG Organização Não Governamental
ONU Organização das Nações Unidas
PAF Produtor de Água e Floresta
PAP Plano de Aplicação Plurianual
PCJ Piracicaba-Capivari-Jundiaí
PERHI Plano Estadual de Recursos Hídricos
Ph Potencial hidrogeniônico
PNAD Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio
PRH Plano de Recursos Hídricos
PROHIDRO Programa Estadual de Conservação e Revitalização de Recursos Hídricos
PRO-PSA Programa Estadual de Pagamento por Serviços Ambientais
PSA Pagamento por Serviços Ambientais
RAD Recuperação de Áreas Degradadas
RFTE Restauração Florestal com Implementação de Técnicas Específicas
RH Região Hidrográfica
RNA Regeneração Natural Assistida
SAF Sistema Agroflorestal
SEA Secretaria Estadual do Ambiente
SEGRHI Sistema Estadual de Gerenciamento de Recursos Hídricos
SNIRH Sistema Nacional de Informações sobre Recursos Hídricos
TNC The Nature Conservancy
UGP Unidade Gestora do Projeto
WWF World Wildlife Fund
SUMÁRIO

INTRODUÇÃO .................................................................................................. 16
1 OBJETIVOS DA PESQUISA............................................................................ 21
2 EMBASAMENTO TEÓRICO........................................................................... 22
2.1 Práticas de manejo e conservação do solo e da água........................................ 22
2.1.1 Degradação ambiental........................................................................................... 23
2.1.2 Erosão hídrica ....................................................................................................... 24
2.1.3 Pastagens degradadas............................................................................................ 25
2.1.4 Recuperação e práticas conservacionistas ............................................................ 26
2.1.5 Recuperação de áreas degradadas, práticas de conservação do solo e água e
legislação ............................................................................................................... 37
2.2 Pagamento por Serviços Ambientais (PSA) ...................................................... 40
2.2.1 Serviços ambientais ............................................................................................... 43
2.2.2 Mercado de serviço ambiental................................................................................ 45
2.2.3 Indicadores............................................................................................................ 49
2.2.4 Pagamento por serviços ambientais e legislação.................................................... 53
2.2.4.1 Política Nacional de Recursos Hídricos................................................................ 54
2.2.4.2 Sistema Nacional de Unidades de Conservação................................................... 54
2.2.4.3 Lei da Mata Atlântica............................................................................................ 55
2.2.4.4 A Política Nacional de Mudanças do Clima......................................................... 55
2.2.4.5 Programa de apoio à conservação ambiental (Bolsa Verde) e o Programa de
fomento às atividades produtivas rurais................................................................. 56
2.2.4.6 Lei de proteção da vegetação nativa (Novo Código Florestal).............................. 56
2.2.4.7 Estado do Rio de Janeiro........................................................................................ 57
2.2.5 Pagamento por serviços ambientais hídricos......................................................... 58
3 METODOLOGIA ............................................................................................... 62
3.1 Características socioeconômicas e ambientais do Estado do Rio de Janeiro . 64
3.1.1 Geologia e geomorfologia ..................................................................................... 64
3.1.2 Clima...................................................................................................................... 65
3.1.3 Uso e cobertura do solo......................................................................................... 66
3.1.4 Hidrografia ........................................................................................................... 66
3.2 Aspectos da gestão dos recursos hídricos.......................................................... 71
3.2.1 Demanda hídrica do Estado ................................................................................ 72
4 DESCRIÇÃO DOS PROGRAMAS DE PSA HÍDRICO DO RIO DE 75
JANEIRO ............................................................................................................
4.1 Programa Produtor de Água (ANA) ................................................................. 75
4.1.1 A operacionalização do PSA ................................................................................ 78
4.1.2 As práticas conservacionistas ................................................................................ 79
4.1.3 Resultados.............................................................................................................. 81
4.2 Fundo de Boas Práticas Socioambientais em Microbacias – FUNBOAS....... 82
4.2.1 A operacionalização do PSA................................................................................. 83
4.2.2 As práticas conservacionistas................................................................................. 85
4.2.3 Resultados.............................................................................................................. 86
4.3 Programa Produtores de Água e Floresta Guandu (PAF)............................... 87
4.3.1 A operacionalização do PSA ................................................................................ 89
4.3.2 As práticas conservacionistas................................................................................. 91
4.3.3 Resultados............................................................................................................. 91
4.4 PRO-PSA Guandu............................................................................................... 92
4.4.1 A operacionalização do PSA................................................................................. 95
4.4.2 As práticas conservacionistas................................................................................. 97
4.4.3 Resultados............................................................................................................. 99
4.5 Bacia do Rio Macaé ............................................................................................ 100
4.5.1 A operacionalização do PSA................................................................................. 101
4.5.2 As práticas conservacionistas................................................................................. 102
4.5.3 Resultados............................................................................................................. 104
4.6 Programa PSA hídrico (CEIVAP).................................................................... 104
4.6.1 A operacionalização do PSA................................................................................. 106
4.6.2 As práticas conservacionistas................................................................................. 108
4.6.3 Resultados.............................................................................................................. 109
4.7 Projeto Águas do Rio Santana (Miguel Pereira)............................................... 110
4.8 Pacto pelas Águas do Estado do Rio de Janeiro – Projeto Rio das Flores...... 111
4.8.1 A operacionalização do PSA................................................................................. 112
4.8.2 As práticas conservacionistas................................................................................. 113
4.8.3 Resultados.............................................................................................................. 114
5 DISCUSSÃO......................................................................................................... 115
5.1 Práticas conservacionistas e saneamento........................................................... 118
5.1.1 Práticas mecânicas.................................................................................................. 119
5.1.2 Práticas edáficas..................................................................................................... 120
5.1.3 Práticas vegetativas................................................................................................ 120
5.1.4 Saneamento............................................................................................................ 123
5.2 Monitoramento..................................................................................................... 124
5.3 Potencialidades e Limitações.............................................................................. 125
5.3.1 Potencialidades..................................................................................................... 125
5.3.2 Limitações ............................................................................................................. 127
CONCLUSÃO...................................................................................................... 129
REFERÊNCIAS................................................................................................... 133
16

INTRODUÇÃO

No mundo, um bilhão de pessoas não têm acesso ao abastecimento de água


considerado suficiente, que significa 20 litros de água por dia, oriundos de fonte a uma
distância inferior a mil metros. Outras 3,6 bilhões de pessoas vivem em áreas que apresentam
uma potencial escassez de água por pelo menos um mês ao ano. Esse é o levantamento
realizado pela ONU Águas sobre a situação do abastecimento hídrico no mundo (ONU,
2018a). A disponibilidade hídrica suficiente é condição que se dá pela relação de diversos
fatores, mas, basicamente, leva em consideração a produção, a retirada e a conservação da
água.
Quanto à produção, segundo o Relatório Mundial das Nações Unidas sobre
desenvolvimento dos Recursos Hídricos - ONU (2018b), as alterações do ciclo hidrológico se
acentuam devido à mudança climática, indicando a intensificação de condições extremas em
regiões naturalmente úmidas ou secas. No Brasil, essa conjuntura assume outras variáveis de
forte influência na disponibilidade hídrica, como os desarranjos ambientais. A
desestruturação das condições ambientais é fato recorrente nos noticiários, principalmente as
perdas associadas aos biomas. Um dos biomas mais atingidos, a Mata Atlântica, concentra
cerca de 72% da população brasileira. Atualmente, apresenta aproximadamente 12% da
cobertura florestal original, devido a sua intensa exploração, que se deu por diversos ciclos
econômicos. Vale destacar que desses remanescentes 80% estão em áreas privadas (SOS Mata
Atlântica, 2018). A desestruturação dos biomas compromete a oferta de serviços ambientais,
continuamente disponibilizados pela natureza e imprescindíveis ao equilíbrio ecossistêmico.
Esses serviços fornecem condições, indispensáveis à manutenção da vida, como a regulação
do clima, controle da erosão, armazenamento de carbono, ciclagem de nutrientes, manutenção
dos ciclos biogeoquímicos, proteção contra desastres naturais, provimentos de recursos
hídricos em quantidade e qualidade adequadas, entre outras.
Pelo lado da retirada de água, estima-se que a demanda mundial por recursos hídricos
cresça a uma taxa de 1% ao ano, mantendo esse crescimento pelas próximas duas décadas,
principalmente em países com economias emergentes ou em desenvolvimento. Atividades do
setor agrícola, responsáveis por 70% das captações de água em todo o mundo, a expansão da
indústria e produção de energia, urbanização acelerada e aumento dos sistemas municipais de
abastecimento de água e saneamento, configuram-se como os principais fatores que
17

determinam a demanda hídrica (ONU, 2018b). De forma adicional, as ações antrópicas,


intimamente relacionadas à diminuição da qualidade de água, pressionam ainda mais a
demanda. Problemas como a contaminação dos mananciais e aumento do despejo de esgoto
não tratado resultam na degradação da qualidade da água e provocam a restrição dos
múltiplos usos. Persistindo essa tendência, os países mais pobres em recursos e/ou em áreas
secas serão os maiores afetados.
Sob a ótica da disponibilidade hídrica, o Brasil está no pequeno grupo de países
privilegiados, que contam com alta produção anual. Contudo, o aparente conforto não se
consolida devido à desigualdade da distribuição do recurso ao longo do território, no espaço e
no tempo. Outros fatores tais como os diferentes usos da água e problemas com a qualidade,
não raramente, aparecem como geradores de conflitos. Segundo o Relatório Conjuntura de
Recursos Hídricos no Brasil (ANA, 2017b) a demanda por uso da água é crescente, com
aumento estimado de aproximadamente 80% nas últimas duas décadas.
Configura-se, então o quadro mundial e nacional onde ameaças a saúde humana e aos
ecossistemas, estão presentes, indicando um futuro com a acentuação da escassez de água,
restrição dos usos e perdas econômicas.
Frente a essa conjuntura, negligenciar as oportunidades decorrentes da gestão das
águas é impensável. A gestão de recursos hídricos é o processo pelo qual são estruturadas e
organizadas as atividades e a participação social para o controle e regulamentação do uso da
água de forma sustentável (ANA, 2017b). A gestão exitosa das águas deve conciliar as
condições ambientais com as relações políticas-institucionais, econômicas, sociais e culturais
locais.
No Brasil, a água é classificada como um bem de domínio público (BRASIL, 1997) e
tem na Agência Nacional de Águas (ANA) e nos órgãos gestores estaduais as bases da
regulação do seu acesso. Os comitês de bacias têm por objetivo a gestão participativa e
descentralizada dos recursos hídricos, onde usuário, representantes da sociedade civil
organizada e poder público se reúnem para decidir sobre a melhor alocação desse recursos.
Nos últimos anos, os eventos extremos se tornaram mais frequentes trazendo maiores
desafios à gestão das águas, frente às perdas sociais, ambientais e econômicas. A escassez
hídrica é uma realidade em algumas regiões do país, principalmente as regiões que reúnem a
baixa disponibilidade e alta demanda. Os exemplos mais recentes de criticidade remontam o
longo período de estiagem no Nordeste; e a crise hídrica nos estados do Rio de Janeiro e São
Paulo nos anos de 2003 e 2004, e mais recentemente 2014 e 2015. Esse último período de
escassez hídrica provocou uma disputa judicial entre os dois estados pelo acesso às águas da
18

Bacia do Rio Paraíba do Sul (CASTELO BRANCO, 2015). Conflitos como estes tendem a se
repetir, tendo com o pano de fundo as condições anteriormente comentadas.
O comprometimento dos mananciais de abastecimento gera ônus a população, já que,
cada vez mais, se faz necessário buscar água em regiões mais distantes. Cabe a gestão de
recursos hídricos as ações que visam identificar, recuperar e proteger as fontes de
abastecimento, buscando a sustentabilidade do sistema de forma menos onerosa.
Segundo o relatório da The Nature Conservancy (TNC) Beyond the Source, 40% das
áreas de mananciais das quatro mil grandes e médias cidades de todo o planeta apresentam
nível moderado ou alto de degradação. Estima-se que 2/3 das terras do mundo se encontram
em estado de degradação, que afeta de sobremaneira a disponibilidade hídrica (TNC, 2017).
Há uma estreita relação do equilíbrio entre solo e vegetação na dinâmica hídrica. O
solo fornece água e nutrientes para o desenvolvimento das plantas, estas por sua vez oferecem
proteção física por meio de suas raízes e parte aérea, devolvendo ao solo matéria orgânica,
influenciando a sua capacidade de armazenamento de água e nutrientes. Quando este ciclo é
quebrado tem início os processos de degradação que promovem alterações hídricas como o
aumento das taxas de evaporação, a redução da capacidade de armazenamento de águas
subterrâneas e aumento do escoamento superficial, acompanhado pelo aumento da erosão
(CASTELO BRANCO, 2015; ONU, 2018b).
O relatório da TNC Beyond the Source e, mais recentemente, o Relatório Mundial das
Nações Unidas sobre Desenvolvimento dos Recursos Hídricos indicam as soluções baseadas
na natureza, como: a proteção florestal, o reflorestamento e as boas práticas agrícolas, sendo
meios pelos quais se pode alcançar significativos resultados visando à segurança hídrica e
revertendo o quadro de degradação (TNC, 2017; ONU, 2018b).
Cabe ressaltar que as perdas associadas à degradação não afetam somente a gestão
hídrica, incluem prejuízos e riscos à produção de energia, impactos sociais decorrentes de
êxodo rural, precarização da saúde, perdas da biodiversidade, problemas com a segurança
alimentar, além de impactos econômicos com quedas na produção, aumento de custos, dentre
outros.
A busca por novas soluções passa por políticas públicas ligadas à conservação e
recuperação dos mananciais e uso e conservação do solo, como observados na Política
Nacional de Recursos Hídricos, instituída pela Lei 9.433/97. Do mesmo modo, a inovação e o
aprimoramento de instrumentos econômicos e financeiros têm importante participação e
devem progredir para integrar as soluções futuras.
19

Nesse sentido o Pagamento por Serviços Ambientais (PSA) se configura como um


instrumento econômico baseado na compensação dos agentes que mantêm ou recuperam o
meio, gerando serviços ambientais. O PSA permite a transferência de incentivos entre
compradores (ou consumidores) de um serviço ambiental, como o provimento de água, por
exemplo, e vendedores (e/ou produtores) que asseguram a manutenção do fluxo ecossistêmico
desejado, através das práticas de conservação do solo e da água. Esse é um exemplo típico do
arranjo de PSA hídrico instalado em zonas rurais com o intuito de estimular a
recuperação/restauração de áreas degradadas, assim como a produção em bases sustentáveis e
a conservação de áreas hidricamente relevantes (ANA, 2012).
No Brasil algumas ações desse modelo estão em execução, tendo destaque para o
programa Produtor de Água da Agência Nacional de Águas - ANA, que em 2006, no
município de Extrema em Minas Gerais, implantou o primeiro modelo de PSA com
orientação hídrica. A partir de então, demais programas e projetos surgiram no país. O estado
do Rio de Janeiro apresentou seu primeiro projeto no ano de 2007, o FUNBOAS.
A presente pesquisa avançou com uma abordagem exploratória, justificada pela
ausência de trabalhos que objetivam essa prospecção. Uma análise, mesmo que parcial, já
que, a maioria dos projetos ainda está sendo realizada, pode contribuir para construir
arcabouços mais robustos. Em outras palavras, busca-se entender o contexto dos projetos
através do seu histórico, do seu funcionamento e intervenções aplicadas nas áreas. A
narrativa do ambiente dos projetos prevê a melhor interpretação das atividades realizadas
nesse campo e procura responder às questões de pesquisa.
Para cada projeto foram criados tópicos que os caracterizam, como: a
operacionalização, as práticas conservacionistas e os resultados. A partir de então, as análises
estruturais dos projetos foram geradas. Da mesma forma, análises dos grupos de práticas
conservacionistas mecânicas, edáficas e vegetativas de cada projeto, juntamente com as ações
de saneamento, foram produzidas, demonstrando as ações realizadas nessa esfera. Por fim, o
conjunto de dados relacionados permitiu traçar as potencialidades e limitações dos projetos de
PSA hídrico analisados.
A estrutura da dissertação contempla, além do capítulo introdutório e os objetivos da
pesquisa outras cinco partes.
O capítulo 2 apresenta o embasamento teórico que aborda dois eixos de conceituação
fundamentais para o entendimento da problemática, a saber: as práticas de manejo e
conservação do solo e da água, sob perspectiva da degradação ambiental e legislação
20

correlata. O segundo eixo expõe os principais pontos do Pagamento por Serviços Ambientais,
incluindo a legislação relacionada.
O capítulo 3 retrata a metodologia da pesquisa, a qual buscou demonstrar aspectos da
caracterização, relacionada ao contexto hídrico, do estado do Rio de Janeiro, além da
descrição da estratégia de pesquisa.
O capítulo 4 traz o estudo dos casos dos projetos de PSA hídricos presentes no estado,
organizados de forma cronológica. São explicitados um programa (Produtor de Água - ANA)
acrescentado de outros sete projetos: o Fundo de Boas Práticas Socioambientais em
Microbacias – FUNBOAS; Programa Produtor de Água e Floresta Guandu (PAF); PRO-PSA
Guandu; Bacia do Rio Macaé; Programa PSA Hídrico – CEIVAP; Pacto pelas Águas do
Estado do Rio de Janeiro – Projeto Rio das Flores; e Projeto Águas do Rio – Miguel Pereira.
O capítulo 5 apresenta a discussão das ações de conservação empregadas nos projetos,
além das potencialidades e limitações encontradas.
O último capítulo traz a conclusão e considerações finais.
21

1 OBJETIVOS DA PESQUISA

Na busca de compreender as atividades realizadas no sentido da conservação do


solo e da água pelos projetos de PSA hídricos no estado, espera-se atingir o objetivo geral
dessa dissertação: contribuir para a melhoria da eficiência dos Projetos de PSA hídricos e da
implantação das práticas conservacionistas do solo e da água no estado do Rio de Janeiro.
Para isso, os itens (a, b e c) foram determinados como os objetivos específicos:
a) levantar e organizar informações sobre os projetos de PSA hídricos
implantados no estado;
b) avaliar a aplicação das práticas conservacionistas do solo e da água nos
projetos de PSA hídrico no estado;
c) avaliar as potencialidades e limitações do PSA hídrico, através da
comparação entre projetos, sob a ótica das práticas conservacionistas.
22

2 EMBASAMENTO TEÓRICO

Nos últimos cinquenta anos, ações antrópicas transformaram os ecossistemas mais


rápida e extensamente do que em qualquer outro período da humanidade. Quando se pensa na
demanda global crescente por comida, água, fibras e combustíveis percebe-se a relevância da
resiliência do meio fornecedor desses recursos (DE ANDRADE, 2014).
Segundo o relatório da WWF (2012), os recursos naturais oferecidos pelo planeta
estão supra utilizados em 50%, ou seja, consumimos mais recursos que a capacidade natural
de oferta. O aumento das desigualdades sociais, o crescimento desordenado das cidades, a
contaminação das reservas de água doce, do solo e do ar, o desmatamento de florestas,
mudança climática com efeitos negativos e perda da biodiversidade (30% nas últimas três
décadas), ratificam o quadro preocupante do futuro das espécies.
Olhando de forma mais aproximada, no Brasil, os desarranjos ambientais são tão
severos ou maiores quando comparados aos identificados em outras partes do mundo. A
intensa exploração da Mata Atlântica através dos diversos ciclos econômicos (exploração do
Pau Brasil, mineração de ouro e diamantes, criação de gado, plantação de cana de açúcar e
café, industrialização, exportação de madeira, queimadas e plantio de soja e fumo) resultou na
supressão da sua cobertura original, quase que por completo. As interferências no bioma
impedem que a oferta de serviços ambientais seja realizada de forma satisfatória, provocando
os desequilíbrios ambientais (ITPA, 2013).

2.1 Práticas de manejo e conservação do solo e da água

Segundo o representante da FAO no Brasil Alan Bojanic, 95% dos alimentos


produzidos no mundo são oriundos da terra. Essa é apenas uma das razões para a sua
conservação, visto que, a saúde e fertilidade têm relação direta com a quantidade de nutrientes
das culturas alimentares (FAO, 2018). Em contrapartida, o mesmo Alan Bojanic relata a
fragilidade da conservação do solo, traduzida em áreas degradadas. Atualmente essas áreas
sofrem contínuo crescimento, juntamente com os processos de desertificação no mundo;
“33% dos solos no mundo estão degradados”, disse. Ainda segundo Bojanic, as áreas
23

degradadas na América Latina correspondem a 14% das áreas no mundo; no Caribe


correspondem a 26% e na América do Sul contabilizam 14% da degradação mundial. Dezoito
países na América Latina possuem mais de 20% do seu território degradado (FAO, 2018).
A Agência Nacional de Águas (ANA) ressalta a correlação existente entre o uso
agrícola do solo e a depreciação de seus atributos. A intensa utilização do solo, sem o manejo
adequado, provoca a perda de propriedades, como: a redução de fertilidade, o aumento da
compactação e limitação da sua capacidade de infiltração, proporcionando condições
favoráveis à instalação de processos erosivos. Uma das consequências possíveis à ausência de
práticas conservacionistas, capazes de mitigar tais impactos, será o quadro de êxodo rural ou
ondas migratórias (ANA, 2008).

2.1.1 Degradação ambiental

Desde que as questões ambientais se tornaram temas de discussão na sociedade e


meios acadêmicos, a degradação ambiental é objeto de estudo de diversos autores que a
conceituaram e pesquisaram (GUERRA, 1998; LIMA e RONCAGLIO, 2001; FERNANDES,
CUNHA e SILVA, 2005, apud FLAUZINO, 2012; GUERRA E JORGE, 2014).
Uma das definições mais utilizadas no Brasil trata a degradação como: “processos
resultantes dos danos ao meio ambiente, pelos quais se perdem ou se reduzem algumas de
suas propriedades, tais como, a qualidade ou capacidade produtiva dos recursos ambientais”
(BRASIL, 1989).
De modo semelhante, para Chaves et al. (2012), a degradação refere-se às alterações
acumuladas nos ecossistemas naturais, que modificam suas propriedades físicas, químicas e
biológicas de forma negativa. A regeneração natural e/ou uso socioeconômico que
anteriormente eram possíveis ficam comprometidos em uma área degradada. Contudo, a
amplitude do conceito de degradação ambiental permite variações da definição de acordo com
a linha de pensamento adotada.
Segundo o Relatório Global Assessment of Land Degradation and Improvement
(GLADA, 2008) desenvolvido pelo ISRIC (International Soil Reference and Information
Centre) para a FAO, com base no mapeamento de mudanças significativas na cobertura
vegetal da superfície do planeta, as áreas degradadas atingem 35 milhões de quilômetros
quadrados, afetando 23,89% da população mundial. O gráfico 1, a seguir, representa a relação
24

de terras degradas no planeta. No Brasil, o problema alcança 1,8 milhões de quilômetros


quadrados, o que representa 5,38% das terras degradadas do planeta, afetando 4,7 milhões de
habitantes. O gráfico 2 representa a relação entre terras degradadas e não degradadas no Brasil
(BAI et al., 2008).
Gráficos 1 e 2 - Solos degradados no Mundo e no Brasil respectivamente (entre 1981 e 2003)
Relação de terras degradadas Relação de terras
Mundo degradadas Brasil
Áreas Áreas
degradadas degradadas
24% 22%

Áreas Não Áreas Não


Degradadas Degradadas
76% 78%

Fonte: adaptado de BAI et al., (2008).

A diferença causada entre os processos de erosão e formação do solo (pedogênese) é


responsável por impactos econômicos negativos, sempre que as taxas de erosão se sobrepõem
as taxas de formação.

2.1.2 Erosão hídrica

No Brasil a erosão hídrica é considerada o maior problema da prática agrícola, pois


compromete os recursos naturais, pondo em risco a produção econômica, fomentando a
degradação dos solos e assoreamento dos mananciais que interferem na qualidade e
disponibilidade da água (ZOCCAL, 2007). Essa forma de erosão ocorre quando os valores de
precipitação excedem a capacidade de infiltração do solo, resultando os processos de remoção
e transporte de partícula que podem ocorrer na superfície ou subsuperfície (erosão laminar).
A evolução desse processo leva a formação de ravinas podendo ser acelerado através da
retirada de vegetação, aumento das terras cultivadas, queimadas excessivas e superpastoreio,
dando origem às formas mais graves chamadas voçorocas (GUERRA E JORGE, 2014).
A erosão hídrica é um processo natural; os seus principais fatores são a intensidade
pluviométrica, a topografia, o baixo teor de matéria orgânica do solo, a percentagem e o tipo
de cobertura vegetal. Entretanto, esse processo é intensificado pelas atividades antrópicas,
como: o uso de técnicas e práticas de cultivo inadequadas, a alteração das condições
25

hidrológicas, a deflorestação e o abandono das terras (SOCO, 2009). Segundo MARTINS et


al., 2002 e PIRES et al. (2006) apud Ferreira et al. (2010) a rugosidade da superfície e as
propriedades físicas nas camadas, superficial e subsuperficial do solo são fatores que,
também, interferem na erosão hídrica.
Algumas das consequências da erosão hídrica no solo, tanto no local, quanto a jusante,
são destacadas no quadro 1 a seguir:
Quadro 1 - Danos causados pela erosão hídrica
Danos a jusante decorrentes da erosão
Danos locais decorrentes da erosão hídrica
hídrica
Perda de matéria orgânica Contaminação das águas
Degradação da estrutura do solo Eutrofização das águas
Compactação da superfície do solo Inundações
Redução da infiltração de água Enterramento de infraestrutura
Redução da alimentação dos lençóis freáticos Obstrução das redes de drenagem
Perda de solo à superfície Alteração da secção dos cursos de água
Remoção de nutrientes Assoreamento das vias navegáveis e dos portos
Aumento da fração grossa do solo Aumento dos custo para tratamento da água
Redução da capacidade de geração de energia em
Produção de regos e sulcos
reservatórios de usinas hidrelétricas
Redução da produtividade do solo Diminuição da biodiversidade aquática

Fonte: adaptado de SOCO, 2009.

2.1.3 Pastagens degradadas

No Brasil, além das monoculturas historicamente más exploradas (café e cana de


açúcar), a criação extensiva de animal, é uma atividade relevante no meio rural. Geralmente a
pecuária extensiva não obedece ao ciclo de desenvolvimento das forrageiras e não desfruta do
manejo adequado necessário ao seu desenvolvimento (DIAS-FILHO, 2014).
Segundo o IBGE, até o ano 2014, a dinâmica de uso e cobertura da terra contava com
1.600.238 km2 de pastagem natural, o equivalente a 19,42% do uso e ocupação no território
nacional. As pastagens com manejo ocupavam 998.944km2 o que representa 12,12% do uso e
ocupação da terra no país (IBGE, 2014).
O departamento de Florestas do Ministério do Meio Ambiente (MMA) relata que no
país há cerca de 30 Milhões de hectares de pastagens que apresentam algum estágio de
degradação, com baixa produtividade para o alimento animal (MMA, 2017b).
26

Segundo Dias-Filho (2014), “no Brasil, a degradação de pastagens está presente em


todas as regiões. No entanto, o problema tende a ser maior nos locais em que a pecuária vem
apresentando as maiores taxas de expansão, isto é, nas áreas de fronteira agrícola”. Ainda
segundo o autor, as causas e consequências da degradação das pastagens no Brasil são muito
complexas. Todavia, identificá-las é essencial, posto que, através da compreensão desses
processos os programas de recuperação ou manutenção de produtividade em pastagens podem
ser desenvolvidos, buscando o equilíbrio amplamente sustentável do sistema.
Rocha Junior et al. (2013) e Dias-Filho (2015) consideram que em regiões tropicais e
subtropicais, o manejo não apropriado de pastagens é uma das principais causas de
degradação.

2.1.4 Recuperação e práticas conservacionistas

Segundo Rocha Junior et al. (2013), para garantir a manutenção e recuperação da


produtividade da atividade agrícola ou pastoreio são necessários procedimentos e práticas
conservacionistas que garantam a recomposição das condições físicas, químicas e biológicas
da terra. Os autores recomendam a utilização de práticas conservacionistas mecânicas,
edáficas e vegetativas a fim de reduzir as perdas de solo, água e nutrientes.
As práticas conservacionistas mecânicas de controle de erosão são projetadas e
construídas para conter a água da enxurrada, propiciando sua infiltração ou escoamento
seguros. Elas devem proteger o terreno quando ocorrem chuvas muito intensas, canalizando a
água de forma segura (Rocha Junior et al., 2013). No grupo de práticas Mecânicas as
atividades que permitem o melhor ordenamento da água no terreno são inclusive:
a) Terraceamento: se baseia na construção de estruturas físicas (compostas de
um canal e um dique ou camalhão) no sentido transversal ao declive do
terreno, em intervalos dimensionados, visando ao controle do escoamento
superficial das águas de chuva. A construção dessas estruturas está
diretamente relacionada ao tipo de solo, à declividade do terreno e à
intensidade e duração das chuvas (EMBRAPA, 2012a).
b) Bacia de infiltração (barraginha): consiste na construção de pequenos
barramentos da água de chuva (miniaçudes) à frente de cada enxurrada
perceptível nas pastagens, lavouras e beiras de estradas. O Sistema se aplica
27

bem na recuperação de solos degradados (compactados, erodidos). A água da


chuva captada por cada barraginha infiltra no solo inúmeras vezes durante o
ciclo da chuva, proporcionando carregamento e elevação do lençol freático e
umedecendo as baixadas (EMBRAPA, 2013).
c) Barragem subterrânea: é uma tecnologia de captação e armazenamento da
água de chuva para produção de alimentos. Possui a função de reter a água da
chuva que escoa em cima e dentro do solo, por meio de uma parede
construída dentro da terra no sentido contrário à descida das águas. A
barragem subterrânea forma uma vazante artificial temporária na qual o
terreno permanece úmido por um período de dois a cinco meses após a época
chuvosa, permitindo a plantação mesmo em época de estiagem (EMBRAPA,
2007a).
d) Subsolagem: o subsolamento consiste no rompimento das camadas
compactas do solo, com o subsolador, puxado por trator, que melhora a
retenção da água e dos nutrientes, favorece o crescimento das raízes e o
aumento da produtividade das culturas. É realizado quando o solo se
apresenta compactado ou com o conhecido pé de grade (EMBRAPA, 2015).
e) Readequação de estradas rurais: é um conjunto de práticas que visam a
recuperação, manutenção e conservação dos leitos naturais, pavimentados ou
não, levando-se em consideração a sua integração com as áreas agrícolas. O
objetivo é evitar a erosão do solo, a degradação do meio ambiente, a garantia
de tráfego normal de veículos e o escoamento da produção agrícola durante
todo o ano, proporcionando uma substancial economia dos recursos gastos na
manutenção das estradas rurais (CAMILO, 2007).

As práticas edáficas são aquelas relacionadas ao solo que podem fornecer melhores
condições de fertilidade para o crescimento das pastagens uma vez que podem melhorar as
características químicas do solo. As atividades mais comumente realizadas nesse sentido são:

a) Adubação: é a prática agrícola que consiste em adicionar ao solo a


quantidade de nutrientes que preenche a lacuna entre o que a planta exige e o
que o solo pode fornecer, acrescentando, ainda, a quantidade perdida. A
28

adubação começa com a análise do solo, continua com a correção da acidez e


termina com a aplicação correta do adubo (EMBRAPA, 2002).
b) Adubação orgânica: são resíduos animais ou vegetais que melhoram as
condições físicas, químicas e biológicas do solo como esterco de currais,
resíduos de matadouros e da indústria de óleo, vinhaça e adubos verdes. O
fertilizante orgânico é um produto de natureza orgânica, obtido por processos
físicos, químicos, físico-químico ou bioquímico, natural ou controlado, a
partir de matérias primas de origem industrial, urbana ou rural, vegetal ou
animal, enriquecido ou não de nutrientes minerais. (SANTOS, 2013).
c) Calagem: tem como objetivos eliminar a acidez do solo e fornecer
suprimento de cálcio e magnésio para as plantas. O cálcio estimula o
crescimento das raízes e, portanto, com a calagem ocorre o aumento do
sistema radicular e uma maior exploração da água e dos nutrientes do solo,
auxiliando a planta na tolerância à seca. A calagem ainda tem outros
benefícios, como: aumentar a disponibilidade de fósforo, diminuir a
disponibilidade de alumínio e manganês através da formação de hidróxidos,
que não são absorvidos; aumentar a mineralização da matéria orgânica
(SANTIAGO & ROSSETTO, 2018a).
d) Gessagem: a aplicação de gesso agrícola no solo visa melhorar o
aproveitamento do cálcio e enxofre e, também, melhorar o ambiente em
subsuperfície. Para solos salinos e sódicos o gesso também é utilizado como
corretivo. Entretanto, por ser uma fonte mais solúvel do que o calcário, o
gesso não promove a neutralização da acidez do solo. Por ter alta solubilidade
no solo, o gesso fornece rapidamente o cálcio, que pode ser lixiviado em
profundidade, melhorando a fertilidade e aumentando a exploração das raízes
(SANTIAGO & ROSSETTO, 2018b).

As práticas de caráter vegetativo são aquelas em que se utiliza a vegetação para


proteger o solo contra a erosão. Sendo assim, o processo erosivo no solo é tanto menor quanto
mais densa for a vegetação que recobre o solo. (Rocha Junior et al., 2013). As atividades mais
comumente realizadas nesse sentido são:
a) Cultivo consorciado: também conhecido por cultivos múltiplos consiste na
semeadura de mais de uma cultura, na mesma área e no mesmo período.
Através dessa técnica ocorre maior produção de alimentos por área,
29

estabilidade de rendimento no sistema consorciado, já que, se uma das


culturas falha ou se desenvolve pouco, a outra cultura componente pode
compensar. Também melhora o controle das plantas daninhas e melhora o
aproveitamento da mão de obra (EMBRAPA, 2017).
b) Aceiramento: são faixas onde a vegetação foi completamente eliminada da
superfície do solo. A finalidade é prevenir a passagem do fogo para área de
vegetação, evitando-se assim queimadas ou incêndios. Em época de seca é
comum a ocorrência de queimada em pastos e uma das formas de evitar o
problema é fazer aceiro (EMBRAPA, 2008).
c) Adubação verde: consiste na incorporação de plantas especialmente
cultivadas para este fim ou restos de plantas forrageiras e ervas daninhas ao
solo, sendo esta uma das formas mais baratas e acessíveis de se repor a
matéria orgânica no solo, melhorando suas características físicas e
estimulando os processos químicos e biológicos. A adoção da adubação verde
proporciona aumento na infiltração e retenção de água no solo, além de
ocasionar melhoria na sua fertilidade (EMBRAPA, 2012a).
d) Limpeza de pasto: é a operação de retirada de plantas oportunistas e/ou
invasoras em áreas de pastagens nativas, assim como de plantas regeneradas
nas áreas de pastagens cultivadas más manejadas, em visível estágio de
degradação. Deve ser realizada de forma sistemática de modo a permitir o
pronto restabelecimento das forrageiras e garantir maior oferta de pasto para
os animais (EMBRAPA, 2012a).
e) Pastejo rotacionado: é um sistema no qual a pastagem é subdividida em três
ou mais piquetes, que são pastejados em sequência por um ou mais lotes de
animais. Difere do pastejo contínuo, em que os animais permanecem na
mesma pastagem por um longo período de tempo (meses). Essa técnica
permite melhor aproveitamento da forragem produzida, devido à maior
uniformidade de pastejo. Proporciona períodos regulares de descanso do
pasto, favorecendo a rebrotação das forrageiras sem a interferência do animal,
auxilia no controle de verminoses e carrapatos no rebanho e ciclagem de
nutrientes (EMBRAPA, 2003).
f) Plantio adensado e em nível: O cultivo em curvas de nível é uma prática
indispensável para o controle da erosão. Quando as operações de preparo,
cultivo e plantio são realizados em nível, o aumento da rugosidade superficial
30

decorrente dos sulcos deixados pela semeadora, perpendicularmente ao


declive, e as linhas cultivadas formam barreiras para o escoamento
superficial, reduzindo sua capacidade erosiva (EMBRAPA, 2012a).
g) Sistema Agrosilvopastoril: são sistemas de produção nos quais forrageiras
e/ou animais e árvores são cultivados simultaneamente, na mesma unidade de
área, juntamente com culturas agrícolas. A introdução de árvores em áreas de
pastagens a céu aberto protege o rebanho dos extremos climáticos e ainda
possibilita obter serviços ambientais e diversificação da produção. Também
reduz a dependência por insumos externos (como postes e mourões),
permitindo e intensificando o uso sustentável do solo, além de outros
benefícios. Podem ainda fornecer alimento, madeira, lenha, frutos e
castanhas, resinas, pasto apícola, entre outros produtos (EMBRAPA, 2012b).
h) Sistema Silvipastoril: é uma opção tecnológica de integração lavoura-
pecuária-floresta (ILPF) que consiste na combinação intencional de árvores,
pastagens e gado numa mesma área e ao mesmo tempo (EMBRAPA, 201?).
i) Uso de cobertura morta: a cobertura morta, como palha ou resíduos
vegetais, protege o solo contra o impacto direto das gotas de chuva,
diminuindo o escoamento superficial. Com o passar do tempo, a matéria
orgânica se decompõe e aumenta a agregação das partículas do solo,
tornando-o com isso mais resistente à erosão (EMBRAPA, 2012a).
j) Rotação de culturas: consiste em alternar no tempo, o cultivo de espécies
vegetais em uma determinada área, preferencialmente com culturas que
possuem sistemas radiculares diferentes (gramíneas e leguminosas, por
exemplo) onde cada espécie deixa um efeito residual positivo para o solo e
para a cultura sucessora (EMBRAPA, 2007b).
k) Cordões de vegetação: são faixas estreitas, tipo cordão, cultivadas com
espécies densas perenes ou de ciclo mais longo, com sistemas radicular
compacto e ambulante. Os cordões de vegetação servem como verdadeiras
barreiras vivas, com a finalidade de quebrar (ou seccionar) o comprimento
das pendentes, reforçar outras estruturas já existentes (como os terraços), e
servir de guia permanente para outras práticas, como culturas em faixas e
plantio em contorno (SILVA, 1995).
l) Coroamento: esta prática constitui-se na eliminação das plantas infestantes
da zona de maior concentração de raízes da planta, com o objetivo de reduzir
31

a competição por água e nutrientes. O método mais utilizado de coroamento é


o de capina manual com enxada, devendo-se observar os cuidados de não
provocar arrastamento da camada superficial do solo, onde se concentra
maior fertilidade, evitando-se também excessivo corte de raízes da planta
(FONTES & MARTINS, 2018).
Para aplicar essas técnicas visando a recuperação da degradação, os autores
recomendam algumas etapas, como: o diagnóstico; ordenamento e dissipação da energia da
água ou outro agente de degradação; aplicação de cobertura e revegetação do solo;
monitoramento das intervenções e avaliação.
O nível de degradação do solo pode ser definido a partir de um conjunto de
indicadores, com os quais, pode-se classificar o estado de degradação. A partir do diagnóstico
elaboram-se planos mais completos de recuperação. Alguns indicadores podem ser
empregados para o diagnóstico: a taxa de cobertura vegetal e/ou de solo exposto, o grau de
compactação do solo, a taxa de infiltração de água, o nível de fertilidade natural, a ocorrência
de determinadas espécies vegetais e/ou a incidência de cupinzeiros, a ocorrência de processos
erosivos, dentre outros (ANDRADE et al., 2014).
A seleção da técnica deve levar em consideração as características locais, como: qual
agente interfere no solo, o tipo de solo, declividade do terreno, disponibilidade de máquinas,
intensidade das precipitações entre outros fatores.
Para estabilizar áreas em estágio avançado de erosão, com ravinas, voçorocas e
deslizamentos de terra, recomendam-se ações que busquem impedir a ação do agente
causador através da aplicação de práticas mecânicas. Quando a água é o agente principal de
interferência, propõem-se conduzir adequadamente as águas da área à montante de forma a
reduzir sua velocidade, desviar das áreas erodidas e aumentar sua infiltração (ANDRADE et
al., 2014). Algumas técnicas são recomendadas, para essa situação:
a) fazer o terraceamento e canais em desnível com bacias de captação,
conjugados com cordões vegetados;
b) aplicar cordões de vegetação com espécies: perenes de crescimento rápido,
não invasoras, com sistemas radiculares extenso, com resistência a pragas
e doenças;
c) formar barreira densa junto ao solo com os cordões de vegetação.
Em toda área erodida a baixa fertilidade do solo é uma característica dominante,
limitando o estabelecimento das plantas. Portanto, após a realização das práticas mecânicas,
recomenda-se a aplicação de restos vegetais para a formação de cobertura morta sobre a
32

superfície do solo. Com a aplicação dessa prática, espera-se ganho de benefícios nas
características físicas e químicas do solo. A implantação de leguminosas fixadoras de
nitrogênio, do grupo sucessional das pioneiras, é recomendada em conjunto com espécies
nativas que apresentam crescimento rápido e maior eficiência nutricional para completar a
etapa de recuperação do solo, buscando torná-lo mais fértil.
Os autores destacam, ainda, a possibilidade de usar espécies de interesse econômico,
pois em alguns casos, a recuperação da área pode ser associada à formação de sistemas
agroflorestais (ANDRADE et al., 2014).
Segundo SABOGAL et al. (2015), técnicas como a Restauração Florestal da Paisagem
(RFP) (Forest and Landscape Restoration – FLR) procuram desenvolver áreas diversificadas,
produtivas e multifuncionais que sejam resilientes em face de flutuações econômicas e
mudanças climáticas. Esse tipo de restauração desloca a ênfase da simples maximização da
cobertura arbórea para o restabelecimento de múltiplas funções do ecossistema em paisagens
anteriormente degradadas, buscando o equilíbrio entre a restauração dos serviços ambientais e
a melhoria da capacidade produtiva da terra para agricultura, silvicultura e demais usos.
A Restauração Florestal da Paisagem difere do reflorestamento comum porque procura
explicitamente restaurar processos ecológicos, como: ciclos biogeoquímicos,
desenvolvimento do solo e dinâmica da população silvestre que operam ou só são eficazes em
uma determinada escala local. A (RFP) não busca maximizar a cobertura de árvores, mas
objetiva atender à demanda por bens florestais e serviços ambientais; além de expressamente
evitar a degradação adicional da terra e perda de florestas naturais. Desta forma qualquer
restauração deve ser equilibrada com outros usos da terra, como a agricultura, promovendo no
caso, até mesmo, o aumento da produção de alimentos (SABOGAL et al., 2015).
A metodologia de Restauração Florestal da Paisagem provávelmente sofrerá variações
de uma região para outra, com diferentes abordagens para diferentes locais. As árvores podem
ser plantadas em monoculturas de plantações comercialmente orientadas, enquanto os
esforços em outros lugares podem se concentrar na restauração dos ecossistemas florestais
originais (abordagem referida como restauração ecológica). Primordialmente, a combinação
de atividades de restauração deve aumentar a produtividade e a provisão de serviços
ambientais, enquanto atende às necessidades das pessoas que vivem na região. Outros
esforços de restauração podem envolver a reintrodução de algumas (mas não necessariamente
todas) as espécies de árvores florestais originalmente encontradas na paisagem (muitas vezes
referidas como reabilitação), ou várias formas de agrosilvicultura. O quadro 2 apresenta uma
33

tipologia de possíveis intervenções de restauração. A ideia é garantir que diferentes linhas de


ação sejam conectadas com o processo avançado de restauração (SABOGAL et al., 2015).
Quadro 2 - Possíveis intervenções de restauração ambiental
Opção de
Uso da terra Sub divisões Descrição
Regeneração Florestal

Plantio de árvores em terras anteriormente


1. Plantação de florestadas com plantas nativas ou introdução
florestas e bosques de espécies para diversos fins, lenha, madeira,
produção de frutas, etc.
Se a terra está
Área com floresta ou Regeneração natural de terras anteriormente
sem árvores há
designada para se tornar florestadas. O local pode ser altamente
dois tipos de
uma como uso dominante degradado e não ser mais capaz de cumprir
Florestas opções:
sua função passada, por exemplo a
2.Regeneração Natural
agricultura. Ou se o local estiver muito
degradado e não tiver mais sementes nativas,
algumas plantações provavelmente serão
necessárias.
Adequado para Se a terra for Melhoria das florestas e bosques existentes,
restauração em larga floresta 3.Silvicultura por exemplo, reduzindo fogo e pastoreio,
escala degradada plantio de enriquecimento, etc.
Estabelecimento e gestão de árvores em terras
agrícolas ativas, quer através da plantação ou
Se a terra está
favorecendo a regeneração natural, para
Área para produção de sob gestão
4.Agrofloresta melhorar produtividade das culturas, fornecer
alimento permanente de
forragem na estação seca, aumentar a
produção
fertilidade do solo,aumentar a retenção de
Áreas
água, etc.
agricultáv
eis Estabelecimento e gestão de árvores em terras
Se a terra está agrícolas de pousio para melhorar a
Adequado para sob gestão produtividade, através do controle de fogo,
5. Pousio melhorado
restauração em mosaico intermitente de estendendo o período do pousio, etc. Tem a
produção intenção de que, eventualmente, esta terra irá
ser revertida para a agricultura permanente.
Áreas que são vulneráveis
Se a terra é
ou críticas na salvaguarda 6.Restauração de Estabelecimento ou restauração de mangues
mangue
Áreas de contra eventos críticos manguezal ao longo das áreas costeiras e estuários.
degradado:
proteção e (zona de amortecimento).
zonas de Adequado para
amortecim restauração de manguezal,
Estabelecimento e restauração de florestas em
7. Proteção de Bacia
ento Se forem terras muito íngremes, ao longo dos cursos de
proteção de bacias hidrográfica e controle
outras áreas água, áreas que naturalmente inundam e
hidrográficas e controle de de erosão
corpos hídricos.
erosão
Fonte: adaptado de Sabogal et al., 2015.
O Programa Produtor de água da ANA instalado na Bacia do Rio Guandu, Rio de
Janeiro (RJ), utilizou outra abordagem metodológica quanto às práticas conservacionistas do
solo e da água. Foram selecionadas duas metodologias: a Regeneração Natural Assistida
(RNA) e a Restauração Florestal com implementação de Técnicas Específicas (RFTE) (TNC,
2013).
A técnica de Regeneração Natural Assistida (RNA) é o conjunto de práticas simples e
de baixo custo objetivando a restauração florestal. O método tem como característica acelerar,
ao invés de substituir, os processos naturais de sucessão, removendo ou reduzindo as barreiras
à regeneração de florestas naturais, como: a degradação do solo, a competição com espécies
34

daninhas, fogo, pastoreio, extração de madeira, dentre outras. A vantagem do método é a


redução dos custos, já que não abarca despesas com a propagação, transporte e plantio de
mudas (TNC, 2013). Algumas técnicas são relacionadas ao RNA como:
a) retirada de vetores de pressão com isolamento, como retirada de animais,
principalmente gado e cavalos, da área que será restaurada. Evita-se a
precarização das espécies vegetais, pelo pisoteio, consumo e compactação do
solo;
b) retirada de vetores de pressão com aceiramento que tem por objetivo limitar
a propagação de incêndios nas áreas em restauração. A capina manual ou
química ocorrerá nos trechos em que o risco de incêndios for eminente,
podendo ser alocado no perímetro integral ou em parte da área a ser
restaurada, assim como internamente;
c) mudança do uso do solo ocorre com a retirada dos vetores de pressão
(animais e fogo), ou seja, a extinção destas práticas (limpeza de pasto,
desbaste, bosqueamento ou outros), por parte do produtor rural, promoverá a
regeneração natural da floresta;
d) condução de regeneração prevê ações que aceleram a regeneração natural da
área, com retirada de espécies competitivas e invasoras, através da roçada,
coroamento, etc.
O quadro 3, a seguir, demonstra de forma simplificada as principais atividades da
metodologia (RNA), a saber:
Quadro 3 – Atividades relacionadas à metodologia de restauração florestal (RNA)

RNA
Retirada de vetores de Isolamento (Simples ou Reforçado)
pressão com isolamento
Aceiramento
Limpeza de pasto
Mudança do uso do solo Desbaste
Bosqueamento
Roçada seletiva
Condução de Amassamento de touceiras
regeneração Coroamento de indivíduos arbóreos
regenerantes
Fonte: adaptado de TNC, 2013; COMITÊ GUANDU, 2015b.
35

A Restauração Florestal com implementação de Técnicas Específicas (RFTE) é


caracterizada como a forma mais clássica de restauração florestal. Ela ocorre com a utilização
de técnicas de restauração que demandam empenho financeiro e técnico altos, maiores que os
aplicados nas técnicas de RNA. Algumas técnicas relacionadas à (RFTE) são:
a) plantio total: consiste na técnica com maior emprego de energia e custo,
pois prevê o plantio de mudas em toda a extensão da área destinada a
restauração. O modelo está baseado nas linhas de preenchimento e
diversidade, incluindo ações de conservação;
b) enriquecimento: técnica que demanda, de igual forma, maiores recursos
financeiros e técnicos em comparação com as técnicas implementadas na
RNA. Consiste no plantio de mudas, contudo o adensamento é menor do
que o do plantio total. Essa técnica é destinada a áreas com algum processo
de regeneração inicial e em caso de maior disponibilidade de recursos.
Também necessita de ações de conservação;
c) Nucleação: consiste na implementação de ilhas de vegetação ou núcleos,
possibilitando a propagação da vegetação secundária e acelerando o
processo de sucessão natural. O Programa Produtor de Água selecionou
algumas técnicas como: chuva de sementes; abrigo de fauna; poleiros
naturais ou artificiais e plantio de mudas. Neste último caso, será adotada a
técnica de plantio de “grupos de Anderson”;
d) Sistemas Agroflorestais (SAFs): são formas de otimização do uso do solo
nos quais se combinam espécies arbóreas lenhosas (frutíferas e/ou
madeireiras) com cultivos agrícolas e/ou animais, de forma simultânea ou
em sequência temporal. A diversificação da produção, a maior fixação de
carbono, aumento da rentabilidade e o melhor aproveitamento da mão de
obra são resultados alcançados indiretamente pelos SAFs. O projeto
Produtor de Água e Floresta adotou duas metodologias para SAFs: os
Quintais agroflorestais, que selecionam uma unidade agrícola e empregam
práticas de manejo conservacionista com alta diversidade de espécies para
diversos fins comerciais; e a segunda metodologia trata do enriquecimento
de capoeiras com espécies de interesses econômico e práticas de pousio
melhorado (TNC, 2013).
O quadro 4, a seguir, demonstra de forma simplificada as principais atividades da
metodologia (RFTE), a saber:
36

Quadro 4 – Atividades relacionadas à metodologia de restauração


florestal (RFTE)
RFTE
Plantio de mudas em espaçamento de
3,0 X 2,0 metros.
Roçada
Plantio
Plantio direto
Replantio
Adubação
Calagem (caso necessário)
Controle de formigas
Plantio de mudas com adensamento
menor (espaçamento de 3,0 X 4,0
metros)
Roçada
Enriquecimento Plantio
Replantio
Adubação
Calagem (caso necessário)
Controle de formigas
Chuva de sementes
Abrigo de fauna
Nucleação
Poleiros naturais ou artificiais
Plantio de mudas "grupo Anderson"
Quintais agroflorestais
Sistema de enriquecimento de
Sistema Agroflorestal
capoeiras com espécies de
(SAFs)
importância econômica e pousio
melhorado
Fonte: adaptado de TNC, 2013; COMITÊ GUANDU, 2015b.
O monitoramento é um processo sistemático pelo qual periodicamente se checa,
descreve e avalia o estado da recuperação ambiental. O monitoramento assíduo, logo após a
implantação da vegetação é recomendado para a substituição de mudas mortas e ataque de
formigas. Da mesma forma deve ser realizado em períodos posteriores a chuvas intensas
(CHAVES et al., 2012).
A avaliação das atividades consiste em um conjunto de ações destinadas a indicar se
os objetivos propostos para a recuperação, ou restauração de uma área, foram ou estão sendo
alcançados. A avaliação dos resultados obtidos será responsável por subsidiar a tomada de
decisão corretiva, quando necessária, por parte do executor, além de reunir lições aprendidas
como base para conhecimento do processo de restauração e recuperação (De ANDRADE,
2014).
37

O monitoramento e a avaliação constituem a melhor maneira de assegurar a


consecução dos objetivos e metas previamente definidos para um processo de restauração e,
em maior escala, permitem definir a trajetória ambiental da área em recuperação bem como
sua capacidade futura de sustentabilidade, medindo o progresso ao longo do tempo. O
monitoramento e avaliação fornecem a base de evidências nas quais as estratégias podem ser
elaboradas e adaptadas, ajudando, dessa forma a construção da resiliência na área (FAO,
2015).
Por fim, a complexidade e relevância dos estudos sobre o Manejo e Conservação do
Solo e da Água e degradação do solo traduzem o grande desafio que é alcançar a
sustentabilidade das atividades econômicas, sociais e ambientais. Ao considerar a perda de
solo um vetor que afeta de sobremaneira a qualidade e o volume das águas devido sua
inseparável relação e interferência no ciclo da mesma, deve-se atentar para os processos
erosivos que assumem valores acima da taxa de tolerância. Nessas circunstâncias a dinâmica
hídrica e os cursos de água não conseguem mais fornecer os serviços ambientais essenciais à
sociedade (ANA, 2008).
Em casos extremos, a degradação do solo pode culminar em impactos negativos
irreversíveis ao meio ambiente, desencadeando perdas em demais áreas. Pode-se destacar
prejuízos e riscos a matriz energética, a sociedade através do êxodo rural, a economia como a
queda na produtividade agropastoril, aumento do custo de tratamento de água, aumento dos
gastos com saúde em decorrência das doenças de veiculação hídrica, escassez hídrica nas
metrópoles, dentre outros. Quanto à gestão de recursos hídricos, as práticas de manejo e
conservação assumem papel imprescindível na disponibilidade quantitativa e qualitativa das
águas, já que, contribui com a recarga dos aquíferos, mantêm a água no solo por mais tempo,
reduz a poluição lançadas nos corpos de água, etc. (ANA, 2008).

2.1.5 Recuperação de áreas degradadas, práticas de conservação do solo e água e legislação

A Recuperação de Áreas degradadas (RAD) é a expressão empregada para


intervenções realizadas em local alterado (degradado) de modo que as condições ambientais
sejam restituídas para condições próximas às anteriores a intervenção, ou seja, trata-se de
devolver ao local o equilíbrio e a estabilidade dos processos ali atuantes, podendo ser
diferente da condição original.
38

Segundo o MMA (2017b) a recuperação de áreas degradadas e a restauração ecológica


são ciências fortemente relacionadas. A restauração ecológica é o processo que busca o
equilíbrio de um ecossistema que foi degradado, danificado ou destruído. Um ecossistema é
considerado recuperado e restaurado quando contém recursos bióticos e abióticos suficientes
para continuar seu desenvolvimento sem auxílio, subsídios ou intervenções adicionais.
A recuperação de áreas degradadas contribui diretamente no meio rural, onde as
erosões são responsáveis pela perda da capacidade produtiva e aumento de custos. O processo
de recuperação interfere de modo positivo mitigando o assoreamento de rios, açudes e
represas e a redução das emissões de carbono, através do sequestro feito pelas plantas
utilizadas no reflorestamento das áreas erodidas, por exemplo (CHAVES et al., 2012).
Os projetos relacionados à RAD devem contar com profissionais de diferentes áreas
do conhecimento, já que, devido à complexidade do assunto é necessário ampliar a integração
de competências da Engenharia Geotécnica, Engenharia Agronômica, Biologia, Geografia,
Engenharia Florestal, entre outras ciências, para que se possa encontrar soluções mais
oportunas para os diferentes tipos de solo, clima e nível de degradação existente (ANDRADE
et al., 2014).
A Constituição de 1988 aborda a Recuperação de Áreas Degradas em seu Art. 225
quando afirma que:
Todos têm direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado, bem de uso
comum do povo e essencial à sadia qualidade de vida, impondo-se ao Poder Público
e à coletividade o dever de defendê-lo e preservá-lo para as presentes e futuras
gerações (BRASIL, 1988).
No § 1º do Art. 225 da constituição de 1988 está assegurado a efetividade desse
direito, quando incumbe o Poder Público de preservar e restaurar os processos ecológicos
essenciais e prover o manejo ecológico das espécies e ecossistemas.
Ainda sobre a Constituição e seu Art. 225, o § 2º - trata da exploração dos recursos
minerais, prevendo a obrigação de recuperar o meio ambiente degradado para aqueles que
exploram tais recursos.
Ademais, a Lei nº 6.938/81 que dispõe sobre a Política Nacional do Meio Ambiente,
menciona em seu Art.2º os princípios que abrange, dentre outros, a recuperação de áreas
degradadas.
Art.2º A Política Nacional do Meio Ambiente tem por objetivo a preservação,
melhoria e recuperação da qualidade ambiental propícia à vida, visando assegurar,
no país, condições ao desenvolvimento socioeconômico, aos interesses da segurança
nacional e à proteção da dignidade da vida humana, atendidos os seguintes
princípios:
(...)VIII - recuperação de áreas degradadas.
39

O Art. 4º da mesma Lei relata os objetivos pretendidos, dentre outros, a “preservação


e restauração dos recursos ambientais com vistas à sua utilização racional e disponibilidade
permanente, concorrendo para a manutenção do equilíbrio ecológico propício à vida”
(BRASIL, 1981).
A Lei nº 9.9851, de 18 de julho de 2000, que implementa o Sistema Nacional de
Unidades de Conservação, em seu Art. 2º, distingue, para seus fins, um ecossistema
“recuperado” de um “restaurado”, como:
Art. 2º (...) XIII - recuperação: restituição de um ecossistema ou de uma população
silvestre degradada a uma condição não degradada, que pode ser diferente de sua
condição original;
(...) XIV - restauração: restituição de um ecossistema ou de uma população silvestre
degradada o mais próximo possível da sua condição original.

A Lei nº 12.651, de 25 de maio de 2012, que dispõe sobre a proteção de vegetação


nativa e substitui o Código Florestal, alterada pela Medida Provisória nº 571, de 25 de maio
de 2012, trata em diversos artigos (por exemplo, nos artigos 1º-A, 7º, 17, 41, 44, 46, 51, 54,
58, 61-A, 64, 65 e 66) de ações organizadas entre o setor público e a sociedade civil para
promover a recuperação de áreas degradadas (MMA, 2017b).
Segundo o Decreto nº 3.420, de 20 de abril de 2000, que dispõe sobre a criação do
Programa Nacional de Florestas - PNF, e dá outras providências evidência no Art. 2º os 10
objetivos do Plano, dentre os quais:
a) fomentar as atividades de reflorestamento, notadamente em pequenas
propriedades rurais;
b) recuperar florestas de preservação permanente, de reserva legal e áreas
alteradas.
A Agência Nacional de Águas (ANA) tem na lei de sua criação nº 9.984/2000, em seu
Art. 4º, a delimitação de suas atribuições, que inclusive estabelece incentivos financeiros para
a conservação qualitativa e quantitativa dos recursos hídricos por meio da conservação do
solo e da água. A viabilização dessas ações está vinculada à regulamentação desse dispositivo
(ANA, 2008).
A Política Nacional de Recursos Hídricos (Lei nº. 9.433/1997), prevê interações da
gestão dos recursos hídricos com a gestão ambiental e com o uso do solo, através da bacia
hidrográfica, adotada como unidade territorial de planejamento. Contudo, para uma perfeita
integração dessas ações, torna-se necessário a estruturação de uma política de uso e

1
A Lei 9.985/2000 regulamenta o Art. 225 da Constituição Federal de 1988.
40

conservação do solo, que tenha como princípio o uso sustentável do solo de forma a garantir
sua capacidade de produção, retenção e infiltração de água, buscando sempre os usos
múltiplos. Esse contexto requer uma política nacional de uso e conservação do solo, visando
evitar descontinuidades nos programas de governo. Deseja-se que a Política de manejo e
conservação do solo seja complementar a Política Nacional de Recursos Hídricos
contribuindo para a formulação dos planos de bacia, processos de licenciamento ambiental,
outorgas e fiscalização (ANA, 2008).
Ainda não há nenhuma lei federal que trate da questão da Conservação do solo e da
água exclusivamente.

2.2 Pagamento por Serviços Ambientais (PSA)

Desde a década de 70 existem propostas para a introdução de mecanismos de caráter


econômico que contribuam para gestão ambiental. Esses mecanismos devem satisfazer as
demandas da preservação do meio ambiente e atuar onde as medidas de comando-controle
públicas não chegam (BORN & TALOCCHI, 2002).
O caráter econômico visa otimizar a alocação de recursos, principalmente quando são
escassos. Na atual conjuntura socioambiental alguns serviços ambientais se enquadram nesse
caso, e a visão econômica pode contribuir, de fato, para reduzir as incertezas relativas aos
seus provimentos. Para tal é necessário atribuir a noção de valor econômico aos serviços
ecossistêmicos, tarefa que não é trivial, já que, depende diretamente da percepção de valor
cultural, distintos aspectos biológicos, ecológicos e antropológicos de difícil averiguação.
Para Fidalgo et al. (2017), a atribuição de valor aos serviços ecossistêmicos tem passado por
simplificações que não condizem com sua complexidade. Todavia, determinar o valor de
serviços ambientais, especialmente, os associados à geração de recursos econômicos, auxilia o
gestor na tomada de decisão.
O pagamento por serviços ambientais (PSA) é um instrumento econômico que tem por
objetivo garantir o provimento dos serviços ecossistêmicos e ambientais, através da
transferência de recursos ou benefícios, da parte que se aproveita da preservação dos serviços,
para a parte que contribui “ativamente” para esse propósito. O princípio orientador dessa
relação é o chamado princípio “protetor-recebedor” (GUEDES E SEEHUSEN, 2011).
41

De forma geral, um sistema de PSA costuma ser definido como “uma transação
voluntária, na qual um serviço ambiental bem definido, ou um uso da terra que possa
assegurar um ou mais serviços ambientais, é adquirido por, pelo menos, um comprador no
mínimo e um provedor, sob a condição de que ele garanta a provisão do serviço” (WWF,
2014).
Quando bem desenhado o PSA respeita os princípios da sustentabilidade ao atender o
tripé basal: econômico-ambiental-social. Ele reconhece o valor econômico da proteção dos
ecossistemas e usos sustentáveis, além de oferecer incentivos econômicos aos “provedores”,
enquanto cobra do usuário dos serviços (GUEDES E SEEHUSEN, 2011).
Segundo Born e Talocchi (2002) o Pagamento por Serviços Ambientais pode ocorrer
de diferentes formas, dentre as quais são citados alguns exemplos, como:
a) transferências diretas de recursos financeiros;
b) favorecimento na obtenção de créditos;
c) isenção de taxas e impostos;
d) aplicação (alocação) de receitas de impostos em programas especiais;
e) fornecimento preferencial de serviços públicos;
f) disponibilização de tecnologia e capacitação técnica;
g) subsídios e produtos;
h) garantia de acesso a mercados ou programas especiais.
Segundo Batista (2010 apud Villas Boas et al., 2011), existem algumas condições
importantes para que seja configurado um “Pagamento por Serviços Ambientais”, são elas:
a) transação voluntária;
b) serviço ambiental bem caracterizado;
c) existência de “valor” para pelo menos um comprador dos serviços;
d) existência de um provedor dos serviços;
e) garantia da provisão do serviço prestado pelo provedor (condicionante).
Para Guedes e Seehusen (2011) o PSA aglomera utilidades transversais, pois auxilia a
regularização de propriedades rurais; o processo de mapeamento do território; a aplicação de
Leis e normas como o Código Florestal, Lei da Mata Atlântica, etc.; a conservação e
recuperação dos solos, dos recursos florestais e hídricos e, em alguns casos, a implementação
de medidas sanitárias em regiões de mananciais. Melhoras sociais também são frutos da sua
implementação e, da mesma forma, contribui para a educação ambiental.
O arcabouço teórico do PSA advém dos conceitos de externalidade e bem público do
início do século XX. O esquema de PSA é procedente do Teorema de Coase, de 1960, o qual
42

afirma que as negociações realizadas pelos agentes internalizam as externalidades e atingem


eficiência, independentemente da dotação inicial dos direitos de propriedade e na ausência de
custos de transação (ANTONIAZZI & SHIROTA, 2007).
Os esquemas contemporâneos, apesar de embasados no teorema de Coase, lidam com
limitações e necessidades socioeconômicas, tendo que responder a questões como a
continuação da provisão do serviço ambiental pelo prestador, bem como questões
relacionadas aos custos de transação pela instalação e condução do regime e ainda a relação
ganhos/perdas dos proprietários rurais com a adesão aos esquemas (SILVA & LEE, 2010).
Para além dessas questões, acreditar que a solução para os problemas ambientais possa
vir unicamente por meio do mercado, deixa de lado o contexto no qual os acordos de PSA são
firmados, visto que, relacionam os aspectos ecológicos, de governança ambiental, justiça
social e manejo integrado dos recursos naturais (SILVA & LEE, 2010). Em suma, o PSA
deve atender a melhoria ambiental e a promoção da qualidade de vida das comunidades
locais, prezando sempre pela boa governança dos projetos.
43

2.2.1 Serviços ambientais

A Convenção das Nações Unidas sobre a Diversidade Biológica (CDB) define


ecossistema como um “complexo dinâmico de comunidades vegetais, animais e de micro-
organismos e o seu meio inorgânico que interagem como uma unidade funcional” (MMA,
1992).
As complexas interações entre os componentes bióticos e abióticos, resultados de
processos naturais, garantem a sobrevivência das espécies no planeta e têm a capacidade de
prover bens e serviços que satisfazem as necessidades humanas direta ou indiretamente
(provisão de alimentos, a regulação climática, a formação do solo, etc.). Essas capacidades
são classificadas como funções dos ecossistemas. Uma vez conhecidas suas contribuições
para a sociedade, podem ser definidas como serviços ecossistêmicos na medida em que
determinada função traz consigo a ideia de valor humano (HUETING et al., 1998; DE
GROOT et al., 2002).
Há inúmeras definições para serviços ecossistêmicos e serviços ambientais. Os autores
assumiram a terminologia de serviços ambientais, considerando que eles envolvem tanto os
serviços proporcionados ao ser humano por ecossistemas naturais (os serviços
ecossistêmicos), quanto os providos por ecossistemas manejados pelo homem. Por exemplo,
as práticas agrícolas diversificadas e sustentáveis em uma área (Sistemas Agroflorestais,
agricultura orgânica, etc.) em detrimento de atividades potencialmente degradantes
(MURADIAN et al., 2010).
Muitos dos esquemas de PSA referentes à agricultura incluem contratos de boas
práticas agrícolas (BPA) - (best management practices - BMP), que podem incorporar
diferentes especificações de práticas agrícolas, dependendo do objetivo do esquema de PSA
(LANDELL-MILLS & PORRAS, 2002). As BPAs podem ser definidas como procedimentos
que minimizam o efeito nocivo ao ambiente, sem sacrificar a produtividade econômica,
enquanto melhora indicadores ambientais. As BPAs são divididas em três classes: redução do
uso de insumos, controle da erosão e do runoff, e zonas de vegetação para proteção
(ANTONIAZZI & SHIROTA, 2007).
Os serviços ambientais relacionados a florestas vêm sendo amplamente utilizados,
principalmente, para a proteção de bacias, sendo que os principais serviços ambientais
relacionados são: regulação do fluxo de água (controle de enchentes e aumento da vazão na
época seca), manutenção da qualidade da água (controle de carga de sedimentos, controle de
44

carga de nutrientes, controle de químicos, e controle da salinidade), controle de erosão e


sedimentação, redução da salinidade de terras e regulação do lençol freático, e manutenção do
habitat aquático (LANDELL-MILLS & PORRAS, 2002).
A relação do uso do solo e provisão de serviços ambientais hídricos, inclusa em um
PSA, precisa criar incentivos que promovam mudanças nos usos e gestão da terra e dessa
forma melhorar a oferta desses serviços garantindo sua perpetuidade. Na prática é difícil
substituir características indesejáveis da cobertura da terra. As compensações nesses
processos são inevitáveis, por exemplo, o plantio de árvores de rápido crescimento em um
área degradada aumentará o controle da erosão e reduzirá a sedimentação a jusante, mas
também, poderá reduzir o armazenamento de água. Do mesmo modo, os ganhos financeiros
dos usuários da terras ou oportunidades de emprego também podem mudar devido a aplicação
de PSA (SMITH et al., 2006).
Sob essa perspectiva, um esquema PSA deve responder a quatro questões-chave: No
que se deve investir? Onde os investimentos devem ser feitos? Quanto deve ser investido?
Quem deve investir? Decidir sobre no que se deve investir e onde é necessário investir, exige
conhecimento sobre a quantidade, qualidade e duração dos serviços das bacias hidrográficas
que se almeja, por exemplo. A partir de então, as mudanças no tipo de cobertura e uso do
solo, assim como os regimes de gestão ficarão mais visíveis. (SMITH et al., 2006).
Segundo os mesmos autores, para o sucesso do programa é vital que os serviços de
bacias hidrográficas, incluídos em um esquema de pagamento, sejam selecionados em
consonância com as principais partes interessadas, e sejam baseados na melhor análise
disponível dos potenciais impactos oriundos das mudanças propostas no tipo de cobertura do
solo ou da sua gestão.
As ações para intervenção devem ser baseadas em análises prévias do problema,
causas e objetivos. Outras abordagens devem ser consideradas nas escolhas das práticas
adotadas no projeto de PSA, como o meio físico, as condições socioeconômicas e culturais da
região. Tais análises não permitem um modelo único, engessado de ações. Cada PSA pode
ter características exclusivas e assumir um combinado de técnicas de acordo com as
necessidades locais (FIDALGO et al., 2017). O quadro 5 relaciona algumas sugestões de
práticas a serem adotadas.
45

Quadro 5 - Sugestões de ações para PSA Hídrico

Ações em iniciativas de PSA Hídrico


Práticas mecânicas para a conservação do solo e da água
Práticas de recuperação florestal
Atividades de educação ambiental
Recuperação e restauração de áreas degradadas.
Ações para apoiar/incentivar a produção em bases sustentáveis.
Proteção/intervenção em áreas ecologicamente relevantes.
Transações sobre direitos de uso da água.
Gestão de águas pluviais.
Tecnologias para limitar descarga de poluentes.
Ações visando a redução das disparidades de desenvolvimento social
Ações de saneamento rural.
Fonte: adaptado de FIDALGO et al., 2017.
Os investimentos em serviços de bacias hidrográficas devem ser apoiados por análise
de benefícios proporcionados e custos de oportunidade (tradeoff) envolvidos. Assumir o
valor econômico da bacia hidrográfica torna o processo de elaboração do PSA mais próximo
da realidade e permite uma tomada de decisão mais alicerçada, no que diz respeito a
investimentos e práticas na bacia. A falta de conhecimento dos valores atribuídos aos
serviços ambientais geralmente leva a investimentos insuficientes na bacia hidrográfica ao
custo da degradação de todo o ecossistema e não atendimento das metas (SMITH et al.,
2006).

2.2.2 Mercado de serviço ambiental

O mercado de serviços ambientais pode ser derivado de objetivos “não ambientais”.


As corporações já observam a provisão de serviços ambientais como meio de reduzir custo,
aumentar a eficiência, respeitar legislação, gerenciar riscos, e atender as demandas dos
stakeholders, podendo encontrar novos nichos de mercado e se beneficiar com a mudança de
perspectiva (ZIBERMAN et al., 2006).
Existem alguns tipos de instrumentos fundamentados no mercado que criam incentivos
para melhorar a gestão ambiental. Os autores aqui citados definiram quatro variações que
podem ser identificadas como mecanismos de pagamento/compensação por serviços de bacia
hidrográfica. Esses mecanismos são diferenciados pelo grau de intervenção do governo na
46

administração dos esquemas e pelas características dos compradores e provedores (SMITH et


al., 2006). Os quatro tipos dos esquemas são:
a) regimes de pagamento privados;
b) esquemas de cap-and-trade, sob uma base regulatória ou piso;
c) esquemas de certificação de bens ambientais;
d) esquemas de pagamento público, incluindo mecanismos fiscais.
Na prática, muitas iniciativas existentes são combinações destas abordagens,
adaptadas às necessidades e contextos locais. Portanto, os contornos de cada tipo de esquema
que se segue não são prescrições, todavia, são estruturas básicas que podem ser utilizadas
como pontos de partida para o processo de elaboração de PSA.
Os regimes de pagamento privado têm o menor nível de intervenção governamental.
Esse arcabouço reúne dois grupos principais de atores, a saber: as empresas de propriedade
privada e lucrativas, como empresas de energia hidrelétrica, e grupos de indivíduos, para
quem a procura por lucros não é o principal objetivo (por exemplo, consumidores). Nesses
esquemas, as entidades privadas concordam em ofertar pagamentos ou recompensas em troca
de manutenção ou restauração de um serviço de bacia hidrográfica visando sua própria
perpetuação no mercado, diminuição dos riscos e aumentos dos lucros. Os mecanismos de
transação em tais esquemas podem assumir várias formas, a mais popular inclui transferir
pagamentos de forma direta. Um provedor de serviços recebe um pagamento de um
comprador de serviços em troca da proteção ou restauração de um serviço de bacia
hidrográfica. Por exemplo, uma empresa de energia hidrelétrica que percebe fluxos de água
cada vez mais irregulares pode decidir pagar aos proprietários a montante para mudar as
práticas de gestão.
No esquema Cap-and-trade é estabelecido cotas para um determinado elemento ou
limite de uso, por exemplo, a liberação de poluentes ou explotação das águas subterrâneas. No
caso da poluição, o limite máximo permitido de liberação de poluente será dividido entre as
entidades participantes. Licenças ou créditos de “poluição” poderão ser comercializados entre
os poluidores. As indústrias ou empresas podem vender as licenças que não precisam para
outros participantes que precisam de mais cotas do que lhes foram fixados. Esse comércio
recompensa as empresas capazes de cortar sua descarga de poluentes e penaliza aqueles que
poluírem mais fortemente, criando um incentivo para que eles invistam no controle da
poluição. A negociação aumenta a eficiência econômica da gestão da água e do meio
ambiente, permitindo que as empresas ou proprietários possam comprar licenças de pessoas
capazes de cumprir metas (SMITH et al., 2006). A negociação de “permissões” foi utilizada
47

com sucesso para atingir metas de qualidade do ar nos Estados Unidos e é elemento crucial do
Protocolo de Quioto para reduzir as emissões de gases de efeito estufa (ZIBERMAN et al.,
2006).
São necessárias três etapas principais para estabelecer um esquema de cap-and-trade.
Primeiramente, o limite máximo deve ser determinado. Esse limite normalmente é definido
por uma agência governamental. Em segundo lugar as autorizações ou créditos devem ser
alocados entre usuários de recursos ou poluidores. Em terceiro lugar, um mercado é
desenvolvido para a troca de licenças e créditos entre compradores e vendedores.
A Lei 9433/97 prevê esse arranjo em seus instrumentos. A outorga do uso de água
para captação e lançamento é uma forma de melhor alocar os recursos hídricos de uma região
observando os diversos fins. Assim, através da arrecadação associada ao uso da água, os
comitês de bacia podem aplicar esse valor em melhorias nas bacias hidrográficas. Essa ação
permite que os objetivos da lei sejam alcançados. Vale ressaltar que nem todos os entes da
federação aplicam a outorga e cobrança pelo uso dos recursos hídricos de forma plena ou de
forma alguma.
Os sistemas de certificação ou de rotulagem ecológica são outros mecanismos de PSA
aplicáveis à bacia hidrográfica. Nesse esquema as transações ocorrem entre particulares, mas
o pagamento está incorporado no preço pago por um produto comercializado, como madeira
certificada, peixes ou produtos orgânicos. Os compradores nesses esquemas são os
consumidores que preferem produtos de fornecedores que cumpram os requisitos ambientais
acordados. Os agentes intermediários desempenham um papel fundamental neste tipo de
mecanismo, seja como agência certificadora ou como comerciantes de produtos certificados.
Exemplos de esquemas de rotulagem ecológica incluem:
a) a madeira certificada pelo Forest Stewardship Council (FSC)
b) produtos "Salmon-safe" dos produtores de salmão nativo no noroeste dos
EUA.
Os vendedores de serviços ambientais sob esses esquemas são representados pelos
fornecedores de bens certificados ou “eco marcados”. Eles são compensados através de um
ágio sobre os preços pagos pelos consumidores. O pagamento pode ser feito aos fornecedores
através de uma quantia fixa, por hectare ou diretamente por um preço superior aos produtos
vendidos.
Os sistemas de pagamento público têm o maior nível de envolvimento das agências
públicas e, atualmente, ainda é a forma mais comum de sistema de PSA. Os compradores de
serviços ambientais, neste modelo, são autoridades públicas que são motivados pela
48

necessidade de fornecer água potável ou regulação dos fluxos dos rios. Os mecanismos de
pagamento nesse esquema incluem taxas de usuários e compra e servidão de terras pelo poder
público. O governo pode fornecer ajuda financeira, compensações, subsídios, isenções de
taxas e suporte técnico diretamente aos produtores.
Os impostos ambientais podem ser utilizados para garantir que alguns ou todos os
custos (preço) externos do uso da terra sejam internalizados nos custos de transação. Como
exemplo, nos Estados Unidos, os agricultores podem deduzir os custos da conservação do
solo e da água do lucro tributável, limitado anualmente como 25% da renda bruta da
agricultura. Os impostos ambientais, também podem ser usados para desencorajar o consumo
ou atividades prejudiciais ao meio ambiente (SMITH et al., 2006).
De acordo com os autores algumas etapas são sugeridas para a elaboração de
esquemas de PSA como:
a) identificar os serviços do ecossistema mais relevantes para o
gerenciamento das bacias hidrográficas;
b) estabelecer relações claras de causa e efeito entre o uso da terra e a
provisão serviços ambientais de bacias hidrográficas;
c) avaliar os trade-offs esperados na bacia hidrográfica devido a mudanças no
uso da terra;
d) utilizar essas relações e dados para selecionar e priorizar locais para
intervenção;
e) usar indicadores para definir linhas de base e rastrear o progresso do
programa;
f) identificar indicadores para medir e monitorar os serviços de bacia
hidrográfica;
g) adquirir e organizar os dados necessários para apoiar o planejamento,
negociação e gestão de PSA;
h) identificar os principais interessados na bacia hidrográfica, incluindo
potenciais compradores e fornecedores;
i) comparar a escala em que os serviços de bacia hidrográfica são fornecidos
e a escala de ação possível dos proprietários.
No estado do Rio de Janeiro, as iniciativas de melhoria, proteção e recuperação
ambientais através de PSA são formadas, em sua maioria, por arranjos institucionais que
reúnem o poder público, a iniciativa privada e a sociedade. Esses arranjos são complexos,
mas conformados para que cada membro possa dirimir a fragilidade dos outros entes. Para
49

Castelo Branco (2015) as três questões fundamentais a ser concatenada pelo arranjo
institucional são: a inserção social do projeto, a superação de obstáculos burocráticos e o
fluxo de recursos.

2.2.3 Indicadores

Segundo Fidalgo et al. (2017) no desenvolvimento de um esquema de Pagamento por


Serviço Ambiental a seleção e conformação de indicadores e dados precisam ser definidas.
Indicadores são instrumentos que exprimem uma visão mais complexa, resultado da interação
entre vários fatores. Para Gomes et al. (2000) a utilização de indicadores assume papel
relevante nas metodologias, já que, os mesmos, resumem a informação de caráter técnico e
científico permitindo transmiti-la de forma sintética, preservando a essência dos dados
originais e utilizando somente as variáveis que melhor servem aos objetivos. Deste modo a
informação é difundida de forma eficaz aos tomadores de decisão, gestores, políticos, grupos
de interesse e pelo público em geral.
Dentre os diversos desafios de um projeto de PSA, esse em especial tangencia os
gestores, já que, se faz necessário apontar indicadores para rastrear a entrega de serviços
ambientais. Como exemplo de indicador, a capacidade de fornecer água durante a estiagem
pode ser medida por parâmetros hidrológicos, a vida útil de reservatórios pode ser projetada
segundo dados sedimentológicos dos rios e a atratividade para o uso recreativo pode ser
monitorada pela disposição a pagar de visitantes ou potenciais visitantes (SMITH et al, 2006).
Uma forma de facilitar o processo de escolha dos indicadores é responder a três
perguntas norteadoras: indicadores para que (objetivo)? Indicadores para quem (usuários)?
Qual a disponibilidade de recursos (humanos e financeiros) para o monitoramento dos
indicadores? Outras questões podem ser agregadas ao processo de seleção de indicadores,
como: qual o nível de exequibilidade na obtenção de um indicador? Qual é a relevância do
indicador como representativo de mudanças em um serviço ambiental? (FIDALGO et
al.,2017).
Um modelo conceitual pode auxiliar a organização e desenvolvimento da escolha de
indicadores, posto que, esses modelos evidenciam os conceitos relevantes, suas associações e
desdobramentos (FIDALGO et al., 2017). A figura 1 exemplifica a utilização de um modelo
conceitual.
50

Figura 1 - Modelo conceitual de indicadores para monitoramento de PSA hídrico

TOMADA DE DECISÃO/INTERVENÇÕES

Benefícios
Estrutura Função Disponibilidade
Uso e Ocupação do Regulação dos fluxos hídrica para
solo hídricos atendimento da
população

Indicador Indicador
Indicador
Taxa de % da
% da área
infiltração e população ou
com os
capacidade de domicílios
distintos
água com acesso a
usos
disponível água

Fonte: adaptado de FIDALGO, et al., 2017.


Os tipos de dados necessários para a construção de indicadores são determinados pelos
critérios escolhidos para a alocação dos pagamentos. Os dados precisam ser adquiridos e
organizados de forma clara para gerar um conjunto restrito de indicadores chaves e alvos
(SMITH et al., 2006). Os quadros, a seguir, exemplificarão os serviços oferecidos pelas
bacias hidrográficas e possíveis indicadores associados, sendo divididos em serviços
ambientais de provisão, regulação, suporte e culturais. O quadro 6 relaciona os serviços de
provisão oferecidos pelas bacias hidrográficas e possíveis indicadores associados.
Quadro 6 – Serviços ambientais de provisão relacionados às bacias hidrográficas
Serviços de bacias Indicador de uso
Atributos de serviço Indicador de estado
Hidrográficas sustentável
Serviços de Provisão
Precipitação, infiltração,
Capacidade de
retenção de água no
armazenamento de água
solo, percolação, fluxo
Abastecimento de (m3 / m2)
de água subterrânea Descarga (m3 / ano)
água
Efeitos bióticos e
Concentrações de
abióticos sobre a
poluentes
qualidade da água
Uso máximo sustentável
Cultivo de frutas, Uso agrícola da água
da água para irrigação
Provisão de verduras e legumes (m3 / ha)
(m3 / ano)
alimentos
Estoque de peixe (kg / Produtividade líquida (kg
Pecuária, aquicultura
m3) / ha / ano)
Produção de
Produtos não medicamentos Montantes disponíveis Colheita máxima
alimentícios Produção de matérias- (kg / ha / ano) sustentável (kg / ha /ano)
primas (madeira)
Vazão dos rios
Energia máxima
Energia Fluxo para geração de Capacidade de
sustentável produção
Hidrelétrica energia armazenamento dos
(kWh / ano)
reservatórios
Fonte: adaptado SMITH et al., 2006.
51

O quadro 7 relaciona os serviços de regulação identificados nas bacias hidrográficas e


possíveis indicadores associados.
Quadro 7 – Serviços ambientais de regulação relacionados às bacias
hidrográficas
Serviços de
Indicador de uso
bacias Atributos de serviço Indicador de estado
sustentável
Hidrográficas
Serviços de Regulação
Recarga de água Capacidade de Volume do fluxo
Regulação do subterrânea e infiltração (mm / h) base (m3 / ano)
fluxo de água Descarga Capacidade de
Zonas úmidas armazenamento de
Redução dos picos de água dos solos (m3 /
enchentes e dos danos
Capacidade de Tamanho (km2) e
causados por
Mitigação de armazenamento valor econômico
tempestades
perigos natural de água (m3 / (R$ / km2 / ano)
Proteção da costa
m2) das áreas afetadas
Estabilidade de
barrancos e taludes
Capacidade de Perda de solo (kg /
Manejo adequado do infiltração (mm / h) ha / ano)
Controle da
solo Comprimento da
erosão do solo
inclinação (m) Armazenamento
e
Proteção do solo por de sedimentos (kg
sedimentação
vegetação e biota do Terra estéril (%) / ha / ano)
solo
Redução da
Quantidade de
sedimentação de
nitrogênio (kg / ha)
córregos e lagos
Captação de nutrientes
Purificação da Total de sólidos Desnitrificação
e ciclagem realizada
água dissolvidos (kg / m3) (kg / ha / ano))
pelo ecossistema
Diminuição matéria
Condutividade
orgânica, sais e
elétrica (μS / cm)
poluentes
Fonte: adaptado SMITH et al., 2006.

O quadro 8 relaciona os serviços de suporte identificados nas bacias hidrográficas e


possíveis indicadores associados.
52

Quadro 8 – Serviços ambientais de suporte relacionados às bacias hidrográficas


Serviços de
Atributos de Indicador de Indicador de uso
bacias
serviço estado sustentável
Hidrográficas
Serviços de suporte
Espécies nativas
Habitat de vida (número) Aumento ou declínio
Habitat de
selvagem e Área de superfície da população das
vida selvagem
viveiro por tipo de biomas espécies (número)
(ha)
Área de habitat Espécies e
Manutenção do
críticos (ha) população de peixes
Fluxo regime de fluxo
Valor da descarga
ambiental dos corpos Captura total de
para cada estação
hídricos peixe (ton. / ano)
(m3 / dia)
Fonte: adaptado SMITH et al., 2006.
O quadro 9, a seguir, relaciona os serviços culturais identificados nas bacias
hidrográficas e possíveis indicadores associados.

Quadro 9 – Serviços ambientais culturais relacionados às bacias hidrográficas


Serviços de
Atributos de Indicador de Indicador de
bacias
serviço estado uso sustentável
Hidrográficas
Serviços culturais
Casas em
Apreciação
margem do lago
Estética e Qualidade e realizada
(número / km)
serviços características
Valor recreativo
recreativos da paisagem Visitantes
(por exemplo,
(número / ano)
entrada, taxas)
Características
Patrimônio e Visitantes
da paisagem ou Significado cultural
identidade (número / ano)
espécies
Valor espiritual
Inspiração Livros e pinturas
e características Visitantes
espiritual e usando a paisagem
das espécies e (número / ano)
artística como inspiração
paisagem
Fonte: adaptado SMITH et al., 2006.

Onde não há dados suficientes, uma equipe especializada pode ser empregada para
analisar e fornecer estimativas de prováveis respostas às intervenções propostas, com o
objetivo de melhorar e garantir o fornecimento dos serviços de bacia hidrográfica, por
exemplo (FIDALGO et al., 2017).
Segundo Guedes e Seehusen (2011) os indicadores relacionados ao manejo do solo,
como por exemplo, a adoção de práticas de manejo conservacionistas, que atuam diretamente
53

na melhoria de parâmetros como: a fauna edáfica, teor de matéria orgânica, de nutrientes,


umidade, entre outros; devem ser adotados no contexto hídrico.

2.2.4 Pagamento por serviços ambientais e legislação

O Brasil não possui uma legislação específica sobre PSA a nível nacional. Contudo, o
Projeto de Lei - PL 792/2007, dispõe sobre a definição de serviços ambientais. O PL define os
serviços ambientais e prevê a transferência de recursos, monetários ou não, aos que ajudam a
produzir ou conservar estes serviços (WWF, 2014). Até o momento, o PL 792/2007 está na
Comissão de Finanças e Tributação do senado (CFT), onde permanece desde outubro de
2015. Uma vez aprovado pela CFT, o mesmo será encaminhado para a Comissão de
Constituição e Justiça (CCJ) e, após o parecer desta, vai para o plenário da Câmara.
Finalizado o processo de tramitação na Câmara dos Deputados, o PL será encaminhado ao
Senado para análise e votação (CÂMARA DOS DEPUTADOS, 2017).
O Art. 8º do PL determina que atividades de recuperação e manutenção em áreas de
APP e RL sejam pagas com recursos advindos da cobrança pelo uso da água, divergindo do
que está disposto no Art.41 da Lei Florestal, que remunera apenas as atividades de
manutenção em tais áreas. Segundo o autor, o PL permite o PSA em áreas ilegais, estando em
desacordo com a Lei Florestal 12.651/12 (PACKER, 2015 apud PELLIZZARI, 2015).
A este Projeto de lei está apensado, dentre outros, o PL 5.487/2009 e PL 312/2015 que
institui a Política Nacional dos Serviços Ambientais (PNPSA), o Programa Federal de
Pagamento por Serviços Ambientais (PFPSA), o Fundo federal de Pagamento por serviços
Ambientais (FFPSA) e o Cadastro Nacional de Pagamento por Serviços Ambientais (CNPSA)
(BRITO et al., 2012, CÂMARA DOS DEPUTADOS, 2017).
Apesar da falta de Lei e regulamentação específica, até o momento, outras leis
existentes adotam o PSA ou determina providências que podem ser interpretadas como
formas de PSA.
54

2.2.4.1 Política Nacional de Recursos Hídricos

A Lei nº 9.433/1997, também conhecida como a Lei das Águas, institui a Política
Nacional de Recursos Hídricos e cria o Sistema Nacional de Gerenciamento de Recursos
Hídricos. Como objetivos, a Lei 9433/97, busca a sustentabilidade dos recursos hídricos,
observando concomitantemente a quantidade e qualidade adequadas aos múltiplos usos, assim
como, a prevenção e a defesa contra eventos hidrológicos críticos de origem natural ou
decorrentes do uso inadequado dos recursos naturais (BRASIL, 1997).
Um dos instrumentos atrelado à lei é a cobrança pelo uso dos recursos hídricos. A
cobrança não é um pagamento por serviço ambiental, ela é uma arrecadação que tem por
objetivo reconhecer a água como bem econômico e dar ao usuário uma indicação de seu real
valor, incentivar a racionalização do uso e obter recursos financeiros para o financiamento dos
programas e intervenções contemplados nos planos de recursos hídricos (BRASIL, 1997).
O valor arrecadado deve ser aplicado prioritariamente na bacia hidrográfica onde
ocorre a cobrança. Esse instrumento permite que projetos como PSA hídrico, possam ser
incluídos nos Planos de bacia e elaborados pelos comitês de bacia (BRASIL, 1997).
Art. 22. Os valores arrecadados com a cobrança pelo uso de recursos hídricos serão
aplicados prioritariamente na bacia hidrográfica em que foram gerados e serão
utilizados:
I - no financiamento de estudos, programas, projetos e obras incluídos nos Planos de
Recursos Hídricos;
II - no pagamento de despesas de implantação e custeio administrativo dos órgãos e
entidades integrantes do Sistema Nacional de Gerenciamento de Recursos Hídricos
(BRASIL, 1997).

2.2.4.2 Sistema Nacional de Unidades de Conservação

A Lei 9.985/20002 que institui o Sistema Nacional de Unidades de Conservação


(SNUC) não cita o Pagamento por Serviço Ambiental diretamente. Contudo, prevê
contribuições financeiras, tendo em vista a conservação e implementação da unidade de
conservação, quando órgão público ou privado usufruírem de um serviço ambiental como
abastecimento de água e ou geração de energia elétrica oriundos das unidades de conservação.
Art. 47 O órgão ou empresa, público ou privado, responsável pelo abastecimento de
água ou que faça uso de recursos hídricos, beneficiário da proteção proporcionada

2
A Lei do SNUC foi regulamentada pelo Decreto Federal 4.340/2002 (Brasil, 2002).
55

por uma unidade de conservação, deve contribuir financeiramente para a proteção e


implementação da unidade, de acordo com o disposto em regulamentação específica.
Art. 48. O órgão ou empresa, público ou privado, responsável pela geração e
distribuição de energia elétrica, beneficiário da proteção oferecida por uma unidade
de ‘conservação, deve contribuir financeiramente para a proteção e implementação
da unidade, de acordo com o disposto em regulamentação específica (BRASIL,
2000c).

2.2.4.3 Lei da Mata Atlântica

A Lei 11.428/2006 dispõe sobre a conservação, a proteção, a regeneração e a


utilização do Bioma Mata Atlântica. O Art. 33 da mesma Lei relata os incentivos econômicos
oferecidos pelo poder público para estimular a proteção e o uso sustentável do bioma
mediante as características das áreas beneficiadas e sua relevância quanto os recursos
hídricos. O Art.36 institui o Fundo de Restauração do Bioma Mata Atlântica que fica
destinado a projetos de restauração ambiental e pesquisas (BRASIL, 2006).
Novamente o termo PSA não está escrito no corpo da Lei, mas entende-se a
transferência de valores ou incentivos econômicos visando à conservação do bioma um
incentivo para a proteção dos serviços ambientais oferecidos pelo mesmo. A regulamentação
da Lei 11.428/2006 veio pelo Decreto 6.660/20083 que determina os incentivos econômicos
visando à preservação.

2.2.4.4 A Política Nacional de Mudanças do Clima

A Lei 12.187/2009 institui a Política Nacional sobre Mudança do Clima (PNMC). A


política tem como um dos seus instrumentos o Fundo Nacional sobre Mudanças no Clima
instituído pela Lei 12.114/20094, com a finalidade de assegurar recursos para apoiar projetos
ou estudos e financiar empreendimentos que visem à mitigação e adaptação às mudanças do
clima e seus efeitos (BRASIL, 2009).

3
Art. 36 Os projetos de recuperação de vegetação nativa da Mata Atlântica, inclusive em área de preservação permanente e
reserva legal, são elegíveis para os fins de incentivos econômicos eventualmente previstos na legislação nacional e nos
acordos internacionais relacionados à proteção, conservação e uso sustentável da biodiversidade e de florestas ou de
mitigação de mudanças climáticas.
4
A Lei 12.114/2009 foi regulamentada pelo Decreto Federal 7.343/2010 Fundo Nacional sobre Mudança do Clima.
56

Em seu artigo 5º, a Lei Fundo Clima, trata das possíveis aplicações dos recursos. O
PSA está previsto no § 4º inciso XI, onde relata que o fundo poderá ser empregado em
atividades como os pagamentos por serviços ambientais às comunidades e aos indivíduos
cujas atividades comprovadamente contribuam para a estocagem de carbono atrelada a outros
serviços ambientais. O inciso XII contempla as atividades de recuperação de áreas degradadas
e restauração florestal, priorizando áreas de Reserva Legal e Áreas de Preservação
Permanente, e as áreas prioritárias para a geração e garantia dos serviços ambientais e
implementação de serviços agroflorestais como possíveis atividades elegíveis para receber os
recursos do Fundo (BRASIL, 2009).

2.2.4.5 Programa de apoio à conservação ambiental (Bolsa Verde) e o Programa de fomento


às atividades produtivas rurais

A Lei 12.512/20115 em seu Art. 2º dispõe sobre a transferência de recursos financeiros


e a disponibilização dos serviços de assistência técnica às famílias em situação de extrema
pobreza que desenvolvam atividades de conservação de recursos naturais no meio rural. A Lei
não aborda especificamente o PSA, mas de igual forma, remunera um ente visando à
conservação do ambiente e consequentemente contribui para a perpetuação da prestação dos
serviços ambientais (BRASIL, 2011).

2.2.4.6 Lei de proteção da vegetação nativa (Novo Código Florestal)

A Lei Florestal (Lei 12.651/2012) substituiu o Código Florestal de 1965 e provocou


diversas mudanças no modo de ocupação do território nacional. A Lei Florestal aborda novas
formas de incentivo a conservação ambiental, como a previsão de Pagamento por Serviços
Ambientais, descrevendo-o como uma gratificação às atividades que visam à manutenção e
conservação dos ecossistemas. A gratificação sugerida pode ser monetária ou não (BRASIL,
2012).
Art. 41. É o Poder Executivo federal autorizado a instituir, sem prejuízo do
cumprimento da legislação ambiental, programa de apoio e incentivo à conservação

5
A Lei foi regulada pelo decreto federal 7.572/2011.
57

do meio ambiente, bem como para adoção de tecnologias e boas práticas que
conciliem a produtividade agropecuária e florestal, com redução dos impactos
ambientais, como forma de promoção do desenvolvimento ecologicamente
sustentável, observados sempre os critérios de progressividade, abrangendo as
seguintes categorias e linhas de ação: (Redação dada pela Lei nº 12.727, de 2012).
I - pagamento ou incentivo a serviços ambientais como retribuição, monetária ou
não, às atividades de conservação e melhoria dos ecossistemas e que gerem serviços
ambientais, tais como, isolada ou cumulativamente (...) (BRASIL, 2012).

O artigo 41º ainda relata os serviços ambientais suscetíveis a Lei como: o sequestro de
carbono, a conservação da beleza cênica natural, a conservação da biodiversidade, a
conservação das águas e dos serviços hídricos, a regulação do clima, a valorização cultural e
do conhecimento tradicional ecossistêmico, a conservação e o melhoramento do solo, a
manutenção de Áreas de Preservação Permanente, de Reserva Legal e de uso restrito
(BRASIL, 2012).

2.2.4.7 Estado do Rio de Janeiro

A Lei 3.239/1999 instituiu a Política Estadual de Recursos Hídricos do Rio de Janeiro


e tem por objetivo promover a harmonização entre os múltiplos e competitivos usos da água,
e a limitada e fortuita disponibilidade, temporal e espacial, da mesma. Ainda observa a
segurança hídrica, promoção da prevenção e defesa contra eventos hidrológicos críticos,
integração e articulação entre a União, estados vizinhos, municípios, usuários e sociedade
civil organizada, visando à proteção, conservação e recuperação dos corpos de água;
recuperação e preservação dos ecossistemas aquáticos e a conservação da biodiversidade dos
mesmos e promover a despoluição dos corpos hídricos e aquíferos (RIO DE JANEIRO,
1999).
Os instrumentos da Política Estadual são fundamentados nos instrumentos da Lei
Nacional das águas 9433/97. No caso, o Rio de Janeiro assume os cinco instrumentos da Lei
nacional e acresce o Plano Estadual de Recursos Hídricos (PERHI) e o Programa Estadual de
Conservação e Revitalização de Recursos Hídricos (PROHIDRO).
O PROHIDRO é um instrumento de organização da ação governamental atuando nas
áreas de Preservação e Conservação Ambientais; Controle Ambiental; Recuperação de Áreas
Degradadas; Meteorologia; e Recursos Hídricos. Tem por objetivo proporcionar a
revitalização, a conservação dos recursos hídricos, como um todo, sob a ótica do ciclo
hidrológico, através do manejo dos elementos dos meios físico e biótico, tendo a bacia
58

hidrográfica como unidade de planejamento e trabalho. A sua regulamentação veio pelo


Decreto 42.029/2011 onde definiu no seu Art.1º, o Pagamento por Serviço Ambiental como
um dos mecanismos do programa (RIO DE JANEIRO, 2011).
Art. 1º - fica estabelecido, no âmbito do Programa estadual de conservação e
revitalização de recursos Hídricos - PROHIDRO, o mecanismo de Pagamento por
Serviços ambientais, a ser coordenado como um subprograma denominado PRO-
PSA- Programa estadual de Pagamento por Serviços ambientais (RIO DE
JANEIRO, 2011).

O PSA estabelecido no PROHIDRO pode contemplar atividades como:


a) conservação e recuperação da qualidade e da disponibilidade das águas;
b) conservação e recuperação da biodiversidade;
c) conservação e recuperação das faixas marginais de proteção (FMP).
O Projeto de Lei Nº 453/2015 que pretende instituir a Política Estadual de Serviços
Ambientais e autorizar o governo a criar o Programa Estadual de Pagamento por Serviços
Ambientais está passando por comissões na câmara. Atualmente o Projeto de Lei está na
comissão de saneamento ambiental, já tendo sido aprovado pela comissão de constituição e
justiça e pela comissão de defesa do meio ambiente.
Em seu Art. 7º o PL considera os serviços ambientais passíveis de retribuição, direta
ou indireta, monetária ou não, às práticas e iniciativas prestadas por possuidores, a qualquer
título, que favoreçam a conservação, manutenção, ampliação ou a restauração de benefícios
propiciados aos ecossistemas. Os mesmos serviços devem estar enquadrados nas seguintes
modalidades:
a) conservação e recuperação da qualidade e da disponibilidade das águas;
b) conservação e recuperação da biodiversidade;
c) conservação e recuperação de florestas, em especial, Áreas de Preservação
Permanente;
d) sequestro de carbono para fins de minimização dos efeitos das mudanças
climáticas globais (RIO DE JANEIRO, 2015).

2.2.5 Pagamento por serviços ambientais hídricos

A problemática envolvendo o uso da água no Brasil tem características complexa


compostas de multifaces. Os diversos temas inter-relacionados que configuram a situação do
59

uso múltiplo das águas se apresentam como desafios à gestão dos recursos hídricos, que busca
o equilíbrio entre as distintas demandas, dentre as quais a irrigação (intensidade de ocupação
agropecuária do território), abastecimento dos grandes centros urbanos, dessedentação de
animais, indústria, produção energética, mineração, aquicultura, navegação e
turismo/recreação (ANA, 2017b).
Somado a esse cenário de diferentes fisionomias, a escassez hídrica apresenta-se como
condição cada vez mais presente em algumas regiões do país e totalmente inserida no
cotidiano em outras. As bacias hidrográficas mais suscetíveis a essa condição são as que
concatenam a baixa disponibilidade hídrica com a alta demanda de uso. Segundo o relatório
conjuntura (ANA) de 2017, aproximadamente 80% dos recursos hídricos disponíveis em todo
o território brasileiro estão distribuídos entre as bacias hidrográficas de menor densidade
demográfica, enquanto as regiões mais densamente urbanizadas detêm somente 12% dos
recursos hídricos, abrigando 54% da população total do País (ANA, 2017b).
As condições oriundas de fatores socioeconômicos impõem mais um desafio a gestão,
quando entra em pauta problemas comuns como a deterioração dos mananciais devido à
deficiência da coleta e tratamento de esgoto; poluição pontual e difusa; uso e ocupação
desordenada, erosão e degradação dos solos e assoreamento dos corpos hídricos, dentre
outros.
A partir desse contexto, observa-se, o árduo desafio dos gestores que buscam equalizar
os conflitos em torno do uso da água. O agravamento dessas condições, já precárias, surge na
forma de eventos extremos (estiagens e inundações), crescente limitação para utilização de
novos mananciais (disponibilidade e custo) e acirramento de conflitos (IBGE, 2011). Busca-
se a melhor solução para esse cenário, que pode ser alcançado através da apropriação dos
instrumentos que objetivam regular, institucionalmente, o uso local/regional dos recursos
hídricos e prover educação ambiental. Para isso é necessário investir em outras ferramentas,
como as econômicas, exemplificadas no PSA.
A análise do histórico do PSA hídrico no Brasil retrata sua maior movimentação a
partir do ano de 2006 com a criação do Programa Produtor de Água da Agência Nacional de
Águas (ANA). O projeto inicial ocorreu em Minas Gerais na cidade de Extrema, que em seu
arranjo institucional reuniu a ANA, o Instituto Estadual de Florestas (IEF), a prefeitura de
Extrema, a ONG The Nature Conservancy (TNC) e o Comitê de Bacia PCJ. Desde então, as
iniciativas de PSA ganharam volume. Até o ano de 2014 o número de projetos de PSA
hídrico chegou ao total de 52 (FIDALGO et al., 2017).
60

O Pagamento por Serviços Ambientais Hídricos tem seus alicerces fixados no


equilíbrio do ciclo da água de uma região levando em consideração o contexto social,
econômico e ambiental. Dessa forma é uma boa ferramenta para áreas altamente antropizadas
e áreas que ainda não foram afetadas de modo permanente por atividades antrópicas, visando
a sua preservação.
O equilíbrio da dinâmica do ciclo da água permite a entrega de diversos serviços
ambientais hídricos, como exemplo, a infiltração da água no solo que possibilita o
abastecimento do lençol freático, que alimenta as nascentes e rios com água limpa.
Entretanto, por razões socioeconômicas, a supressão da vegetação nativa faz com que os solos
percam muito da sua capacidade de infiltração. A terra sem cobertura vegetal, não oferece
mais obstáculos à força da enxurrada, que desce em direção aos rios com grande poder de
destruição. Esse processo é acompanhado e intensificado pela degradação das matas ciliares,
que não realizam seu papel de amortecer o grande escoamento e limitar a quantidade de
sedimentos que alcançam os corpos hídricos. A repetição e propagação dessa condição
ambiental provoca o assoreamento dos rios que tendem a ficarem mais rasos, com maior
turbidez e com menos água no período de estiagem. Por outro lado, a ocorrência e magnitude
das cheias durante os meses de chuva são maiores, provocando grandes estragos e perdas
(ANA, 2008).
Visto isso, relacionar harmoniosamente o uso e a gestão da terra com os serviços
ambientais produzidos em uma bacia hidrográfica é tarefa difícil. Isso muito se dá, em
virtude da complexidade dos sitemas onde os serviços ambientais são produzidos e os
interesses socioeconômicos envolvidos, como o uso e ocupação da área da bacia. O
atendimento aos multiplos usos hídricos deve prezar pela sustentabilidade do sistema,
promovendo a boa governança das bacias. Uma vez diagnosticado o estado da bacia
hidrográfica deve-se projetar a bacia que se almeja, à vista disso, determinar novos
indicadores ambientais ou melhorar indicares críticos para alcançar o uso sustentável da
região (SMITH et al., 2006).
Para melhor entendimento, os Serviços Ambientais Hídricos podem ser determinados
como a manutenção da qualidade hídrica por meio da regulação do fluxo da água, do controle
da deposição de sedimentos, da quantidade de nutrientes, da deposição de substâncias
químicas e da conservação de habitat e espécies aquáticas; assim como os processos e funções
ecológicas relacionadas com o abastecimento e a manutenção da qualidade e quantidade de
água, assegurando sua oferta para todo uso direto e indireto (AMAZONAS, 2015).
61

Experiências de Esquemas de PSA para a Proteção dos Recursos Hídricos em Bacias


hidrográficas vêm sendo estudadas com o intuito de identificar e garantir a provisão de uma
série de serviços ambientais ao alavancar o processo de recuperação ambiental de bacias
hidrográficas (ANA, 2008).
62

3 METODOLOGIA

Em linhas gerais, essa é uma pesquisa exploratória, que tem por finalidade clarificar as
intervenções realizadas nos programas e projetos de PSA hídrico no âmbito do estado do Rio
de Janeiro, através de uma análise crítica e com isso contribuir para a melhoria da eficiência
dos Programas de PSA hídricos e da implantação das Práticas Conservacionistas. Para tal, os
temas relacionados integram a aplicação das técnicas de conservação do solo e da água e o
Pagamento por Serviços Ambientais, conforme definido no capítulo dois (Embasamento
Teórico).
A técnica de estudo de caso foi empregada tendo como objeto de estudo os projetos de
PSA hídrico implantados no estado do Rio de Janeiro. Foram identificados sete projetos
dentro do estado: o Fundo de Boas Práticas Socioambientais em Microbacias – FUNBOAS,
na Região dos Lagos; Produtores de Água e Floresta (PAF) no município de Rio Claro; PRO-
PSA Guandu; Programa de PSA Hídrico do CEIVAP na bacia do Rio Paraíba do Sul; Projeto
de PSA da bacia do Rio Macaé; Programa do Rio das Flores no município de Valença e
Programa Águas do Rio no município de Miguel Pereira.
A coleta de dados ocorreu por análise documental, além da pesquisa bibliográfica que
se deu por meio de consultas a livros, artigos, dissertações, teses, visitas aos sites de
instituições públicas e de periódicos e relatos de especialistas e membros de comitê.
A estratégia de pesquisa buscou atender aos objetivos específicos, a saber:
levantar e organizar informações sobre os projetos de PSA hídricos implantados no estado;
avaliar a aplicação das práticas de conservação do solo e da água nos projetos de PSA hídrico
no estado; avaliar as potencialidades e limitações do PSA hídrico, através da comparação
entre projetos, sob a ótica das práticas conservacionistas. Através deles responder o objetivo
geral.
O horizonte temporal da pesquisa está compreendido no período entre 2007 e
2018, visto que o primeiro projeto estudado tem seu início em 2007 e os demais estão em
diferentes estágios de execução no ano corrente.
Cabe informar, que os projetos foram selecionados de acordo com os seguintes
critérios:
a) compartilham as premissas básicas do conceito de PSA, principalmente, a
garantia de provimento de um ou mais serviços ambientais, no caso,
63

preferencialmente, de natureza hídrica, em troca de algum incentivo


(financeiro ou não);
b) a configuração institucional conta com a presença de órgãos colegiados
representados pelos comitês de bacias e/ou poder público na figura dos
municípios (secretarias) e estado (INEA). Critério esse elegido devido à
importância dos entes na gestão e regulação dos recursos hídricos e
garantia jurídica;
c) existência das práticas de conservação do solo e da água como
intervenções.
Os dados obtidos da pesquisa documental são prioritariamente originados nos editais
dos projetos de PSA selecionados, onde se dá conhecimento às suas normas. A partir desse
levantamento os projetos foram caracterizados de acordo com os seguintes tópicos:
a) o histórico do projeto;
b) a operacionalização do PSA;
c) as práticas conservacionistas;
d) resultados.
Para a construção do cenário mais próximo da realidade outras fontes bibliográficas
foram acessadas como relatórios técnicos, pesquisas acadêmicas, leis, decretos e resoluções.
Em seguida, a pesquisa abordou as práticas conservacionistas do solo e da água,
iniciando com a categorização das práticas, onde se determinaram os quatro grupos de
atividades relacionadas a seguir:
a) Práticas mecânicas,
b) Práticas edáficas,
c) Práticas vegetativas
d) Práticas de saneamento.
As práticas foram descritas evidenciando o conjunto de atividades pertencentes a cada
uma, e em seguida, foram correlacionadas com os projetos de PSA, permitindo a
esquematização das atividades segundo as características de cada projeto.
Posteriormente, a partir das descrições dos projetos e práticas conservacionistas foram
construídas as potencialidades e limitações dos projetos de PSA hídricos contribuindo para a
análise crítica final.
64

3.1 Características socioeconômicas e ambientais do Estado do Rio de Janeiro

A pesquisa tem como âmbito o território do estado do Rio de janeiro que tem
aproximadamente 43,8 mil km2, vigésimo quarto estado em extensão territorial no Brasil. Os
aspectos naturais, como a interação relevo e clima, tanto quanto as relações socioeconômicas
são fatores relevantes na conjuntura hídrica. A junção dessas variáveis atua diretamente na
formação, disponibilidade e demanda dos recursos hídricos, da mesma forma que interferem
na ocupação e uso do solo, na preservação e degradação da cobertura vegetal, na intensidade
dos processos de degradação dos solos, assim como nas ocorrências de inundações e de
deslizamentos. A gestão de recursos hídricos deve prezar pela segurança hídrica de uma
população estimada de 16,8 milhões de habitantes (estimativa para o ano de 2017), que
predominantemente residem em zona urbana (96% da população). Apesar das 92 cidades
fluminenses, 70% da população se concentram nos 18 municípios que compõem a região
metropolitana6 do estado (IBGE, 2018).

3.1.1 Geologia e geomorfologia

O estado do Rio de Janeiro possui diversificação geomorfológica contundente,


resultado da interação entre aspectos tectônicos e climáticos que moldaram sua morfologia
dívida em duas unidades morfo-estruturais principais: o Cinturão Orogênico do Atlântico e as
Bacias Sedimentares Cenozoicas (CPRM, 2000).
De forma geral, no relevo do estado, as altitudes variam do nível do mar nas planícies
costeiras a mais de 2.000 metros nas serras do Mar e da Mantiqueira. Desta forma, destacam-
se três unidades gerais do relevo: as terras altas, as baixadas e os maciços costeiros.
As terras altas compreendem os planaltos com maiores altitudes, como: a Serra do
Mar, o Planalto de Itatiaia e parte do Vale do Paraíba do Sul. Os pontos culminantes são:
Agulhas Negras (2.791m, no município de Itatiaia), Pedra dos Três Picos (2.310m, entre os

6
A Região Metropolitana do Rio de Janeiro foi criada em 1974 com a fusão dos Estados do Rio de Janeiro e da
Guanabara e é composta por 18 municípios, a saber: Rio de Janeiro, Belford Roxo, Duque de Caxias,
Guapimirim, Itaboraí, Itaguaí, Japeri, Magé, Nilópolis, Niterói, Nova Iguaçu, Paracambi, Queimados, São
Gonçalo, São João de Meriti, Seropédica, Mesquita e Tanguá (MUSEUSDORIO, 2018).
65

municípios de Teresópolis e Nova Friburgo) e Pico do Macela (1.840m, no município de


Parati) (CEPERJ, 2010).
As baixadas7 localizam-se entre o planalto e o oceano, e entremeando-se pelas colinas
e maciços costeiros. Destacam-se a Baixada dos Goytacazes (ou Campista), Baixada dos Rios
Macaé e São João, Baixada da Guanabara e Baixada de Sepetiba.
Já os maciços costeiros (ou litorâneos) são elevações que surgem nas áreas das
baixadas, desde Cabo Frio até o município do Rio de Janeiro (CEPERJ, 2010).

3.1.2 Clima

O clima varia de acordo com o relevo e a proximidade do mar, se apresentando de


forma não uniforme, variando de clima quente e úmido nas planícies da costa, para clima
mesotérmico nas áreas mais altas e sub-quente mais seco nas regiões interiores do estado.
(PERHI RJ, 2014).
A região na qual o estado está localizado apresenta períodos de chuvas bem definidos.
De dezembro a março (verão) ocorrem as maiores precipitações, enquanto de julho a
setembro (inverno) anota-se os menores registros de chuva. Nas áreas úmidas, em quase
todos os meses do ano ocorre precipitação; nas semiúmidas, de quatro a seis meses são secos.
Nas áreas secas, são mais de sete meses de muita pouca chuva, como na maior parte da RH IX
(Baixo Paraíba do Sul), incluindo os municípios de São João da Barra, São Francisco de
Itabapoana e Bom Jesus do Itabapoana; em parte da RH VII (Rio Dois Rios) e Arraial do
Cabo (CEPERJ, 2010; PERHI RJ, 2014).
Contudo, os períodos chuvosos são mais preocupantes pelos graves processos de
inundações e deslizamentos em eventos críticos de chuva, causando perdas humanas,
ambientais e materiais, principalmente nas regiões metropolitana e serrana (PERHI RJ, 2014).

7
De acordo com a tradição, a expressão Baixada Fluminense fica restrita à porção do território que abrange os
Municípios de Belford Roxo, Duque de Caxias, Japeri, Mesquita, Nilópolis, Nova Iguaçu, Queimados e São João
de Meriti (CEPERJ, 2010).
66

3.1.3 Uso e cobertura do solo

O estado do Rio de Janeiro está no domínio do Bioma Mata Atlântica, que teve sua
área severamente desflorestada, ocupando hoje pouco menos de 33% do território estadual e
majoritariamente nas áreas serranas. A supressão da vegetação se deu ao longo do tempo,
desde o período do descobrimento através da ocupação do território e sucessivos ciclos
econômicos. Nos remanescentes florestais se identifica três variações de florestas: a
Ombrófila Densa, a Ombrófila Mista e a Estacional Semidecidual. Nas Regiões
Hidrográficas destaca-se a RH I (Baía da Ilha Grande) com grande porção do território
coberto por floresta. Por outro lado, a RH IX (Baixo Paraíba do Sul e Itabapoana) é a região
mais desflorestada, apresenta apenas 10% do seu território coberto com florestas. As demais
RHs apresentam mais de 20% de cobertura florestal (PEHI RJ, 2014).
O uso e cobertura do solo, levantado pelo IBGE (2016), retrata a predominância das
pastagens em aproximadamente metade da extensão territorial (47,2%). As atividades
tradicionais, como a lavoura de cana-de-açúcar, no norte do estado, e a extração de sal, na
Região dos Lagos, tiveram sua participação reduzida, devido à expansão da pecuária e das
áreas urbanas, respectivamente. Em contrapartida, novas atividades foram identificadas,
como o cultivo de noz de macadâmia, no município de Piraí, e o plantio de grama comercial,
em Saquarema, Silva Jardim, Cachoeiras de Macacu e Casimiro de Abreu (MUNDO GEO,
2016).

3.1.4 Hidrografia

No contexto nacional, o estado do Rio de Janeiro pertence à Região Hidrográfica


Atlântico Sudeste8. Sua disponibilidade hídrica representa aproximadamente 1,25% do total
nacional, configurando um quadro preocupante nesse quesito, já que, a concentração
populacional da região e a disponibilidade hídrica concentrada em algumas áreas pressionam

8
A Divisão Hidrográfica Nacional foi instituída pela Resolução nº 32/2003 do Conselho Nacional de Recursos
Hídricos (CNRH).
67

a alocação desse recurso (INEA, 2014). A figura 2 representa o estado do Rio de Janeiro na
Região Hidrográfica nacional Atlântico Sudeste.

Figura 2 – O estado do Rio de Janeiro na divisão hidrográfica nacional

Fonte: INEA, 2014.

A hidrografia fluminense pode ser separada em duas grandes áreas divididas pela
Serra do Mar, que se estende de Paraty a São Fidélis: uma voltada para o interior do
continente, abarcando o território drenante para a Bacia do Rio Paraíba do Sul, e outra oposta,
drenando para o Oceano Atlântico (INEA, 2015).
A região que drena para o Oceano Atlântico, apresenta no relevo as escarpas da Serra
do Mar e uma faixa de planícies que vai aumentando gradativamente de oeste para leste,
tendo inicialmente, na região da Costa Verde, a serra muito próxima ao mar, até regiões de
extensas planícies fluviais e fluviomarinhas e lagoas costeiras. As alterações de relevo
propicia alta diversidade de ambientes, com variadas hidrografias, diferentes tipos de
cobertura vegetal e diferentes graus de ocupação e usos do solos, que resulta em diferentes
potenciais econômicos e densidades demográficas. Já na região que drena para o Rio Paraíba
do Sul, após a Serra do Mar, tem-se um relevo acidentado característico do domínio de Mar
de Morros, que especificamente na divisa com os estados de Minas Gerais e São Paulo,
encontra-se com a Serra da Mantiqueira (INEA, 2015).
68

O território do estado está dividido em nove regiões hidrográficas - RH, que são as
unidades estaduais de planejamento e gestão dos recursos hídricos. Os limites das RHs são
definidos pela Resolução nº 107 do CERHI-RJ, de maio de 2013. A figura 3 representa as
divisões das RHs do estado.

Figura 3 - Limites das Regiões Hidrográficas do estado do Rio de Janeiro

Fonte INEA, 2014.

As regiões hidrográficas apresentam disparidade na disponibilidade hídrica natural,


isso devido à forte influência da diversidade climática e geomorfológica local e intervenções
antrópicas. Deve-se destacar que essa conjuntura delicada vem sofrendo agravamento graças a
maior recorrência de eventos extremos, como os observados nos últimos anos, que
corroboram com o cenário de vulnerabilidade hídrica do estado (INEA, 2015; PERHI, 2014).
As principais características das RHs, segundo INEA (2015) estão dispostas a seguir:

a) RH I - Região Hidrográfica Baía da Ilha Grande: a região ocupa uma


área aproximada de 1.758 km2, o equivalente a 4% do território do estado.
Está inserida nas vertentes da Serra do Mar ao sul do estado. A sua
hidrografia apresenta rios curtos, com alto gradiente topográfico e cabeceiras
acima de 1000m de altitude. A região apresenta alta pluviosidade e boa
69

cobertura vegetal, cerca de 90% da sua área. A RH coleta 34% dos esgotos e
trata 100%. A região tem forte vocação para o turismo, geração de energia,
conservação e proteção ambiental.
b) RH II - Região Hidrográfica Guandu: a região ocupa uma área
aproximada de 3.712 km2, o equivalente a 8,5% do território. Seu relevo
apresenta área de transição com trechos mais acidentados da Serra do Mar e
planícies litorâneas. Os rios são curtos e médios, sendo os principais com
vazões regularizadas. Essa RH recebe as águas transpostas do Rio Paraíba do
Sul, que contribui com o abastecimento de grande parte da população da
Região Metropolitana. A cobertura florestal está presente em 45% do
território. A região coleta 38% dos esgotos e trata apenas 7%. A vocação da
região é voltada para a indústria, serviços e turismo.
c) RH III - Região Hidrográfica Médio Paraíba do Sul: sua área total é de
6.429,1 km2 (14,7% do território). Como característica tem sua área formada
predominantemente por morros e colinas e Mar de Morros, na região do Vale
do Rio Paraíba do Sul. Nessa região ocorre a transposição das águas do Rio
Paraíba do Sul para o Sistema Guandu. A cobertura florestal está presente em
menos de 25% da área, apresenta, em proporção, uma das maiores áreas de
pastagens do Estado. Coleta 89% dos esgotos e trata 20%. A vocação da
região é voltada para a indústria e pecuária.
d) RH IV - Região Hidrográfica Piabanha: ocupa área de 3.459,2 km2 (7,9%
do território), seu relevo é predominantemente acidentado que contribui com
a alta vulnerabilidade a eventos críticos extremos. Apresenta ainda um alto
comprometimento da qualidade das águas devido à carga orgânica lançada
nos rios sem tratamento. Coleta cerca de 60% dos esgotos e trata 80%. A
cobertura florestal está presente em 40% do território e tem vocação para
serviços, agropecuária e turismo.
e) RH V - Região Hidrográfica Baía de Guanabara: ocupa áreas de: 4.813,6
km2 (11% do território), o relevo predominante é planície com serras isoladas.
Os rios drenam para a Baía de Guanabara e para sistemas lagunares costeiros.
É a região mais populosa do Estado e apresenta alto comprometimento da
qualidade das águas devido à carga orgânica lançada nos rios sem tratamento.
Coleta 64% dos esgotos e trata 50%. A cobertura florestal está presente em
40% da região, que tem vocação para serviços, indústria e turismo.
70

f) RH VI - Região Hidrográfica Lagos São João: área aproximada de 3.650


km2o equivalente a 8,3% do território do RJ. O relevo é plano na área costeira
e acidentado nas proximidades da Serra do Mar. A região destaca-se por
apresentar uma das mais baixas pluviosidades do Estado. Nela está presente a
Lagoa de Araruama, a maior lagoa hipersalina do mundo, e o Reservatório de
Juturnaíba, importante manancial da região. A cobertura florestal ocupa 25%
da área e mais de 78% do território está em áreas de conservação. Coleta de
64% dos esgotos e trata 96%. Sua vocação é para o turismo.
g) RH VII - Região Hidrográfica Rio Dois Rios: ocupa área de 4.462 km2
(10,2% do território). O relevo é predominantemente acidentado, com 25% da
área com cobertura florestal e menos de 2% em unidades de conservação.
Coleta 78% dos esgotos e trata 19,5%. Tem vocação para serviços,
confecções, agropecuária, turismo e mineração.
h) RH VIII - Região Hidrográfica Macaé e das Ostras: área de 2.012,9 km2
(4,6% do território). O relevo característico é o escarpado na Serra do Mar,
com transição para planícies litorâneas. A região é o principal polo nacional
de logística, exploração e produção de petróleo e gás natural. A cobertura
vegetal ocupa 40% da área. Coleta 48% dos esgotos e trata 68%. Tem
vocação para petróleo e gás, turismo e agricultura familiar.
i) RH IX - Região do Baixo Paraíba do Sul e Itabapoana: área aproximada
de 13.467 km2 (30,8% do território). Seu relevo é predominantemente de
planície e corresponde ao trecho final do Rio Paraíba do Sul. É a maior região
hidrográfica do Estado abarcando a vertente drenante para o Rio Itabapoana,
na divisa com o estado do Espírito Santo. Apresenta baixo índice
pluviométrico. Tem grandes intervenções na sua dinâmica hidrológica com
mais de 1300 km de canais e rios retificados. A coleta 54% de esgoto, e trata
entorno de 42%. Tem vocação para agropecuária e petróleo.
O Plano Estadual de Recursos Hídricos (PERHI-RJ) descreve, ainda, subdivisões das
regiões hidrográficas chamadas de Unidade Hidrológica de Planejamento (UHP), que
correspondem às sub-bacias ou grupos de sub-bacias, definida nos estudos de demanda e
balanço hídrico (PERHI RJ, 2014).
71

3.2 Aspectos da gestão dos recursos hídricos

A gestão dos recursos hídricos no Estado é configurada pelo Sistema Estadual de


Gerenciamento de Recursos Hídricos - SEGRHI, que é formado pelo Conselho Estadual de
Recursos Hídricos - CERHI, pelo Fundo Estadual de Recursos Hídricos - FUNDRHI, pelos
Comitês de Bacia Hidrográfica - CBH, pelas Agências de Água e pelos organismos dos
poderes públicos federal, estadual e municipal com competências relativas à gestão dos
recursos hídricos. O Estado do Rio de Janeiro implantou os instrumentos de gestão dos
recursos hídricos, previstos na Lei das Águas através da Lei estadual 3.239/999, a saber:
a) Plano Estadual de Recursos Hídricos (PERHI);
b) Programa Estadual de Conservação e Revitalização de Recursos Hídricos
(PROHIDRO);
c) Planos de Bacia Hidrográfica (PBH);
d) enquadramento dos corpos de água em classes, segundo os usos
preponderantes;
e) outorga do direito de uso dos recursos hídricos;
f) cobrança aos usuários, pelo uso dos recursos hídricos;
g) Sistema Estadual de Informações sobre Recursos Hídricos (SEIRHI).
A gestão hídrica do Rio de janeiro lida com grandes desafios, um caso especial, que
requer atenção está vinculado a grande dependência do estado na bacia do Rio Paraíba do Sul.
Esse é um rio federal que tem suas nascentes no estado de São Paulo e, também, é
compartilhado com o estado de Minas Gerais. Percorre cerca de 1.100 km até chegar a sua
foz (oceano Atlântico) no município de São João da Barra, região norte fluminense.
As características geográficas naturais fazem com que o estado do Rio de Janeiro fique
numa posição a jusante dos vizinhos com relação às principais nascentes (São Paulo) e
afluente (Minas Gerais) do Paraíba do Sul, aumentando a complexidade da gestão dos
recursos dessa bacia. A bacia do Paraíba do Sul10 alonga-se por 62% do território fluminense
e atende como principal manancial de abastecimento humano e demais usos para 17

9
A lei 9.239/99 institui a Política Estadual de Recursos Hídricos; criou o Sistema Estadual de Gerenciamento de
Recursos Hídricos e deu outras providências.
10
As regras operativas do Sistema Hidráulico do Paraíba do Sul que dispõem sobre as vazões mínimas a jusante
dos reservatórios envolvidos, bem como a vazão mínima transposta de 119m 3/s e a vazão mínima remanescente
no Rio Paraíba do Sul de 71m3/s a jusante da transposição, constituem hoje a principal garantia de oferta hídrica
para o estado do Rio de Janeiro (INEA, 2015).
72

municípios ao longo do seu percurso e mais nove municípios da região metropolitana do


estado, graças à transposição de suas águas na barragem de Santa Cecília para o Rio Guandu
visando à melhoria na disponibilidade hídrica do sistema Guandu (INEA, 2015). A Figura 4
representa a o limite da bacia do Rio Paraíba do Sul e os estado de São Paulo, Minas Gerais e
Rio de Janeiro.
Figura 4 – Bacia do Rio Paraíba do Sul

Fonte: CEIVAP, 2018c.

3.2.1 Demanda hídrica do Estado

As maiores demandas no setor de usuário11 caracterizam-se pela indústria e


abastecimento humano, que juntos respondem por 85% da demanda total. O gráfico 3
representa a distribuição da demanda por setores de usos consuntivos de água no estado. A
demanda do setor industrial concentra-se nas RHs II (Guandu), seguido da RH III (Médio
Paraíba do Sul) e RH IX (Baixo Paraíba do Sul e Itabapoana). A demanda para abastecimento

11
O Plano Estadual de Recursos Hídricos caracterizou as demandas setoriais, considerando apenas os usos
consuntivos. Desta forma, não são incluídas neste cálculo as demandas para finalidades não consuntivas (INEA,
2015).
73

humano é mais alta na RH V (Baía de Guanabara), que tem boa parte das suas necessidades
hídricas atendidas pela transposição de águas da RH II (PERHI RJ, 2014; INEA, 2015).
Gráfico 3 - Demanda hídrica por setor de usuário nas Regiões
Hidrográficas - RJ
100%
90%
80%
70%
60% Criação Animal
50% Mineração
40% Agricultura
30% Indústria
20% Abastecimento Humano
10%
0%
I II III IV V VI VII VIII IX
Regiõe hidrográficas

Fonte: adaptado de PERHI RJ, 2014.


Essencialmente a maior parcela da demanda hídrica do estado é voltada para o
abastecimento humano e traz consigo os desafios para atender a atual necessidade e as
projeções futuras, que preveem aumento em 30% da demanda por abastecimento até 2030
(INEA, 2015). A situação se torna mais urgente, principalmente, em RHs já deficitárias e
dependentes de bacias vizinhas, como a RH V, que é a região com maior participação na
demanda total estadual, como observado na figura 5 a seguir:
Figura 5 - Percentual de demanda hídrica por Regiões Hidrográficas e setor usuário preponderante- RJ

Fonte: adaptado de INEA, 2014.


74

Os aspectos ambientais, econômicos e sociais formam o tripé que influencia as


questões de desenvolvimento, principalmente o sustentável. Quando em desequilíbrio esses
aspectos prejudicam o desenvolvimento da sociedade, causando perdas à qualidade de vida de
seus cidadãos.
A situação hídrica natural é pouco confortável, principalmente quando se considera a
dependência da bacia do Rio Paraíba do Sul, que garante o abastecimento de boa parte da
RMERJ. A disponibilidade hídrica, ainda, detém o agravante da degradação ambiental das
suas regiões produtoras de água, já que, as florestas cobrem menos de 20% das terras do
estado. Segundo INEA (2015) a extrema redução de florestas em algumas bacias tem relação
direta com a redução da disponibilidade hídrica, com os problemas de erosão e degradação
dos solos e com as ocorrências frequentes de deslizamentos e inundações em cidades e zonas
rurais.
Em especial a questão hídrica, também é fortemente influenciada pelo uso e ocupação
do solo associados aos fatores antropológicos, que exercem forte pressão no meio ambiente.
A forma da distribuição da população no espaço, como a maioria presente nas zonas urbanas e
essas zonas urbanas concentradas na região metropolitana do estado, com exceção de Campo
dos Goytacazes, exige ações de natureza diversas para o atendimento prioritário ao
abastecimento dessa população. As demais regiões do estado, de igual forma, também
apresentam quadros hídricos delicados, sejam pela recorrência de eventos críticos (inundação
ou escassez), áreas degradadas ou poluição de seus corpos hídricos. Frente a essa situação,
fica perceptível a relevância de ações, principalmente, preventivas que permitam a maior
disponibilidade e melhor alocação hídrica no estado.
75

4 DESCRIÇÃO DOS PROGRAMAS DE PSA HÍDRICO DO RIO DE


JANEIRO

O Estado do Rio de Janeiro apresenta avanços expressivos relativos à implantação da


política do Pagamento por Serviços Ambientais. Quando o PSA é voltado para os recursos
hídricos, a representatividade aumenta, já que, em um curto intervalo, o Estado passa de dois
projetos em execução no ano de 2010, para os atuais sete projetos com viés hídrico. Há ações
sendo desenvolvidas, em municípios ao longo da bacia do Rio Paraíba do Sul, orientadas pelo
Comitê de Integração da Bacia Hidrográfica do Rio Paraíba do Sul – Ceivap. Outros três
projetos na Região Hidrográfica do Rio Guandu, um projeto na Região Hidrográfica do Rio
Macaé e das Ostras e um projeto na região do comitê de bacias Lagos São João. Cabe
ressaltar a presença da ANA como grande promotora de projetos de PSA hídrico através do
Programa Produtor de Água que tem abrangência nacional.
De forma geral, a seleção dessas áreas como sendo prioritárias para receber as ações
no estado se deu pela estreita relação das mesmas com a proteção e recuperação de
mananciais de abastecimento público e proteção da biodiversidade local. Através da adoção
desses projetos, espera-se o aumento das ações de restauração e conservação florestal
contribuindo com a promoção da segurança hídrica, através de ações que contemplam a
conservação do solo, conversão produtiva e implantação de sistemas de saneamento rural
(ANA, 2016).

4.1 Programa Produtor de Água (ANA)

O programa Produtor de Água foi desenvolvido pela Agência Nacional de Águas


(ANA) e é um grande fomentador de ações no sentido da implantação de projetos de PSA no
Brasil. No estado Rio de Janeiro o Programa oferece suporte a dois projetos: "Produtores de
Água e Floresta - Bacia do Rio Guandu” e “Bacia do Rio Macaé".
A Agência Nacional de Águas – ANA é uma autarquia sob regime especial, vinculada
ao Ministério do Meio Ambiente. A Agência foi criada através da Lei Nº 9.984 de 2000, que
prevê a instituição como entidade responsável pela implementação da Política Nacional de
76

Recursos Hídricos, além de integrar o Sistema Nacional de Gerenciamento dos Recursos


Hídricos. A ANA tem como algumas de suas atribuições o desenvolvimento de ações
voltadas à gestão dos recursos hídricos, dentre elas: executar os instrumentos de gestão e
desenvolver programas e projetos buscando a conservação e o uso eficiente e racional da água
(ANA, 2012).
No Art. 4.º, inciso XVII da referida Lei, é destacada a atribuição da Agência de:
“propor ao Conselho Nacional de Recursos Hídricos o estabelecimento de incentivos,
inclusive financeiros, à conservação qualitativa e quantitativa de recursos hídricos”
(BRASIL, 2000b). Neste contexto, esses incentivos podem ser orientados para a execução de
projetos voltados para a conservação de solo e água.
Os incentivos financeiros previamente mencionados muito se deram pelo
financiamento da cobrança pelo uso da água, prevista na Lei 9433/97 como um de seus
instrumentos. O princípio que embasa a cobrança é o “usuário-pagador”, que relaciona o uso
da água, por um usuário, com a redução da disponibilidade da qualidade e quantidade aos
demais usuários da mesma bacia. Esse instrumento, inclusive, adota o entendimento que a
renda gerada pelas atividades econômicas do usuário da água deve contribuir para a mitigação
do dano causado pelo seu uso, sendo revertida em benesses para todos (ANA, 2012).
Partindo do princípio do usuário-pagador, de igual forma, pode-se adotar o princípio
do “provedor-recebedor”, para aqueles que promovem a manutenção ou melhoria da
disponibilidade de água com qualidade e quantidades suficientes. Toda vez que um ou mais
produtores rurais adotam práticas sustentáveis, eles geram benefícios sociais para os usuários
da bacia hidrográfica que passam a dispor de água em qualidade e quantidade mais adequadas
às suas demandas e, em contrapartida, o produtor recebe o incentivo financeiro (ANA, 2012).
Foi nessa conjuntura que o Programa Produtor de Água foi idealizado em 2001, apesar
de, sofrer reestruturação nos anos de 2005 e 2006, quando seu escopo passou por ampliação e
admitiu o pagamento de incentivos para práticas vegetativas inclusive (ANA, 2008). Com
essa conformação, o programa tornou-se uma ferramenta de articulação entre a Agência, os
usuários e o setor rural, sob a ótica da articulação da gestão ambiental, de recursos hídricos e
de uso do solo, visando à recuperação de bacias hidrográficas por meio da promoção da
melhora da qualidade, ampliação de oferta e regularização da vazão dos corpos hídricos, a
partir do PSA (ANA, 2012). Além dessas ações o saneamento rural, por meio de instalação
de fossas sépticas ou estruturas similares, está previsto no edital de 2017 do programa, que
possibilita, ainda, a adição de outras ações que viabilizem a melhoria da qualidade e o
77

aumento da oferta de água, desde que sejam previamente aceitas pela comissão avaliadora da
Agência (ANA, 2017a).
O Programa Produtor de Água se dá por chamamento público onde as propostas de
projetos apresentadas devem seguir a metodologia descrita no edital, notadamente no que
concerne às práticas elegíveis, estabelecimento de parcerias institucionais; bacia hidrográfica
como unidade territorial para condução de projetos e utilização de Pagamentos por Serviços
Ambientais (ANA, 2017a).
Os pagamentos são baseados em custos de referência pré-estabelecidos com base em
duas metodologias:
a) custo de oportunidade: leva em consideração o valor do arrendamento da
área objeto do programa. Ademais, poder ser definido, a nível deste
programa, como a receita que o produtor rural deixa de receber quando
seleciona uma determinada área para ser ocupada com vegetação nativa.
Deve-se avaliar se o valor averiguado é real, através das condições locais
de mercado que variam de acordo com atributos ambientais, sociais,
culturais e econômicos de cada região;
b) avaliação de desempenho: é resultado do impacto positivo proporcionado
pela prática adotada no projeto, tendo como base o custo de implantação,
monitoramento e avaliação (ANA, 2008; ANA, 2012).
O valor de Referência (VRE) é o custo de oportunidade de uso de um hectare da área
objeto do projeto, expresso em R$/hectare/ano. Pode ser aplicado em três conformações de
atividades (ANA, 2012). A figura 6 a seguir, relaciona as modalidades de serviços ambientais, o
Valor de Referência e respectivas condições.
Figura 6 - Modalidade dos serviços ambientais e Valor de referência

II-Recuperação da III-Ações de
I-Conservação da vegetação nativa conservação do solo
vegetação nativa em APP e reserva e água
Legal
•O valor máximo do •O valor máximo a
pagamento é 1,25 X •O pagamento é ser pago é 50% do
VRE. igual ao VRE. VRE.
•Quando toda área •Variável de acordo •Este percentual
do projeto não gerar com os cuidados varia proporcional
demais rendas ao dispensados na ao abatimento da
pordutor. condução das erosão.
mudas.

Fonte: ANA, 2012.


78

4.1.1 A operacionalização do PSA

A divisão do Programa em estágios permite o melhor entendimento do seu processo


construtivo, iniciando com a definição da bacia hidrográfica e áreas prioritárias12 (sub-bacias).
Regularmente são escolhidas sub-bacias com relevância para a produção de água e que
apresentem grau expressivo de degradação. A segunda etapa conta com a identificação dos
stakeholders, ou seja, os principais beneficiários dos serviços ambientais, os possíveis
provedores de serviços ambientais e os demais órgãos e entidades públicas ou privadas e
organizações dispostos a participar do projeto. O arranjo institucional é o passo seguinte, que
consiste na formação da Unidade de Gestão do Projeto (UGP), através da celebração de
Acordo de Cooperação Técnica (ACT) que estabelece as atribuições de cada participante, as
fontes e formas de financiamento. A etapa de avaliação do projeto básico13 prevê o
diagnóstico socioambiental da área, as estimativas de valores de referência, cronograma,
parcerias, etc. A fase de mobilização é realizada pela UGP que deverá desenvolver atividades
com o intuito de nivelar o conhecimento dos participantes do projeto, por meio de trabalhos
de extensão rural, assistência técnica, oficinas, etc. O lançamento do edital de seleção dos
projetos permite a habilitação e seleção dos Projetos Individuais das Propriedades (PIP). No
PIP estão dispostas a estimativa dos benefícios ambientais alcançáveis e respectivas
remunerações. A fase de seleção e execução dos projetos conta com a celebração dos
contratos pelos produtores e início das atividades previstas. Por fim, a etapa de certificação e
pagamento é realizada de acordo com as datas e “produtos” previstos nos contratos. Uma vez
comprovadas as entregas é autorizada a liberação dos pagamentos proporcionais às metas
previamente acordadas (ANA, 2008). A seguir, a figura 7 representa a esquematização dos
estágios de implementação do Programa.

12
Áreas de mananciais de abastecimento público; com conflito de usos de recursos hídricos; com problemas de
baixa qualidade das águas; com vazões e regimes de rios sensivelmente alterados; com eventos hidrológicos
críticos (ANA, 2012).

13
Os interessados em ingressar no Programa, e que solicitarem via ofício dirigido ao Diretor-Presidente da
ANA, poderão receber assistência técnica para a elaboração de projetos. Aqueles que já possuem projetos
elaborados e querem receber apoio da ANA, devem encaminhar correspondência acompanhada do projeto, ao
Diretor-Presidente, que se manifestará após análise da área técnica (ANA, 2012).
79

Figura 7 - Estágios para a implementação do Programa Produtor de Água

Fonte: ANA, 2008.


A Unidade Gestora do Projeto (UGP) foi constituída por um grupo de trabalho
formado pelos entes, a saber:
a) a Agência Nacional de Águas;
b) os órgãos gestores estaduais;
c) comitês de bacias hidrográficas;
d) organizações não governamentais;
e) estados e municípios;
f) empresas de saneamento;
g) empresas de geração de energia elétrica;
h) agentes financeiros.

4.1.2 As práticas conservacionistas

O Programa Produtor de água prevê que os provedores (produtores rurais) através das
práticas e manejos conservacionistas e melhoria da cobertura do solo propiciem a redução dos
processos erosivos e sedimentação, permitindo o aumento da infiltração de água (ANA,
2008). Há flexibilidade no que diz respeito ao tipo de manejo conservacionista a ser adotado
nos projetos, desde que, o manejo observe a relação custo/benefício e a eficácia de abatimento
80

da erosão. Também é incentivada à utilização de práticas agrícolas que prezam o uso racional
da água, incluindo a substituição de sistemas de irrigação convencionais por aqueles que
consumam menor vazão de água. Nos Editais são relacionadas três modalidades distintas de
PSA, descritas a seguir:
a) Modalidade I – conservação de solo e da água: visa recompensar
financeiramente o produtor rural que adote ou venha a adotar práticas de
Conservação de Solo em sua área de agricultura e/ou pastagem. Apesar do
Programa ser flexível e permitir todos os tipos de práticas e manejos deve-
se alcançar um valor mínimo de abatimento de erosão (25%) para que a
proposta do projeto seja aceita. Além disso, em uma primeira etapa do
Programa, sugere-se que seja estipulado um limite máximo de hectares
para cada produtor participante (ANA, 2012);
b) Modalidade II – restauração ou conservação de APP e/ou Reserva
Legal: visa recompensar financeiramente o produtor rural que restaurar ou
conservar a vegetação da Reserva Legal e da Área de Preservação
Permanente (APP) relacionadas a nascentes, cursos d’água, reservatórios,
lagos e lagoas naturais;
c) Modalidade III – conservação de remanescentes de vegetação nativa:
Visa recompensar produtor rural que proteger a vegetação nativa de sua
propriedade, evitando alterar a cobertura vegetal.
Os produtores que já adotam práticas conservacionistas comprovadamente efetivas são
incentivados a continuar com elas, e podem ter preferência para ingressar nos projetos. O
Programa considera que a recuperação de vegetação deve privilegiar o uso de espécies nativas
em áreas legalmente protegidas, visando aproximar o ambiente alterado das suas condições
originais (ANA, 2012). Além das práticas conservacionistas outras ações que possibilitam a
melhoria da qualidade e o aumento da oferta de água podem ser implantadas, como a
adequação de estradas rurais, saneamento rural, dentre outras.
Cabe ressaltar que toda atividade executada deve contar com o Monitoramento para a
futura avaliação dos resultados. As principais práticas conservacionistas apoiadas pelo
programa estão representadas no quadro 10 a seguir:
81

Quadro 10 - Práticas de conservação do solo e da água Programa produtor de Água

PRÁTICAS VEGETATIVAS PRÁTICAS MECÂNICAS

• Manutenção da área de floresta • Bacia de infiltração (barraginhas)


• Plantio adensado e em nível • Barragem subterrânea
• Cercamento de áreas • Readequação de estradas
• Plantio direto • Terraceamento
• Reflorestamento, regeneração • Recuperação de áreas de proteção
natural e conservação permanente – APP e Reserva
• Recuperação de pastagens Legal
• Sistemas Agrosilvopastoril • Subsolagem
• Produção de mudas

Fonte: ANA, 2012.


O Programa Produtor de Água se estabeleceu como uma excelente alternativa para
investimentos na recuperação, preservação e conservação das bacias hidrográficas na área
rural, já que o mesmo tem a capacidade de concatenar diversos atores, além de identificar e
garantir os benefícios conjuntos. Sua implementação estimula o desenvolvimento das
políticas de PSA de proteção hídrica no país, além de contribuir de forma positiva para a
solução e mitigação dos problemas de ordem hídrica, como a redução dos conflitos pelo uso
da água, a melhora das condições dos mananciais de abastecimento, a redução dos custos de
tratamento e a regularização das vazões e mitigação dos eventos hidrológicos críticos. Outros
benefícios como a difusão dos conceitos de manejo integrado do solo, da água e da vegetação
e a promoção da educação ambiental, também são identificados como resultados do
Programa.

4.1.3 Resultados

No estado do Rio de Janeiro o Programa está em atividade com dois projetos:


"Produtores de Água e Floresta - Bacia do Rio Guandu” e “Bacia do Rio Macaé." Ambos
serão detalhados mais à frente. No Brasil, até o momento, são 57 projetos em andamento,
com população impactada de 35 milhões de pessoas e mais de 2.000 produtores recebendo
pelos serviços ambientais. Por meio do Programa já se mobilizou uma área de mais de 40.000
ha. (ANA, 2018b).
82

4.2 Fundo de Boas Práticas Socioambientais em Microbacias – FUNBOAS

O FUNBOAS foi criado através da Resolução Nº 13/2007 e regulamentado pela


Resolução Nº 23/2009 do Comitê de Bacia Hidrográfica Lagos São João (CBHLSJ, 2007;
CBHLSJ, 2009a).
Segundo a Resolução Nº 23/2009, o FUNBOAS é um fundo de financiamento para
ações e projetos dos Programas de Gestão Ambiental Participativa em Microbacias, de
Recuperação da Integridade Ecológica e Ordenamento dos Usos Múltiplos das Regiões
Hidrográficas contidos no Plano de Bacia do comitê. De maneira geral, o fundo tem como
objetivo fomentar as boas práticas socioambientais dos agricultores familiares e com isso
melhorar as condições ambientais da região. Os agricultores que participam, por meio da
conservação e prestação dos serviços ambientais, recebem incentivos financeiros e técnicos
para o manejo adequado de suas propriedades, atendendo ao princípio conservador-recebedor
que orienta o projeto.
Os serviços ambientais contemplados visam garantir a conservação dos recursos
naturais e principalmente os recursos hídricos da região da Bacia Hidrográfica Lagos São
João - RH VI, que abrange 13 municípios da baixada litorânea do estado do Rio de Janeiro
(KRUSCHEWSKY et al., 2011).
A criação do fundo surgiu da dependência dos recursos hídricos da Bacia do Rio São
João que abastece 75% da população da região. A primeira microbacia selecionada foi a do
Córrego Cambucaes, no município de Silva Jardim, localizada à montante do Reservatório de
Juturnaíba, maior manancial de abastecimento de água da bacia. Em seguida, foi selecionada
a microbacia do Roncador/Mato Grosso, no município de Saquarema (KRUSCHEWSKY et
al., 2011). O quadro 11 retrata de forma sucinta a caracterização legal e institucional do
projeto.
83

Quadro 11 – Caracterização legal e institucional do FUNBOAS


Caracterização, Marco Legal e Institucional
Instituições Participação da
Projetos/Ano Municípios RH Marcos Legais
envolvidas ANA
Resolução Comitê Associação Mico
LSJ Nº 13/2007 Leão Dourado
Comitê de Bacia
Hidrográfica Lagos
Fundo de Boas São João
Silva Jardim, Nenhuma
Práticas Resolução Comitê Consórcio
Saquarema, VI informação no
Socioambientais - LSJ Nº 23/2009 Intermunicipal Lagos
Araruama SNIRH
FUNBOAS (2007) São João
EMATER
FUNASA
Resolução Comitê Programa Rio Rural
LSJ Nº 38/2011 WWF Brasil

Fonte: diversos autores.

4.2.1 A operacionalização do PSA

O FUNBOAS tem seu recurso originado da cobrança do uso da água. Segundo a


Resolução Nº 23 do comitê até 50% das receitas originárias da cobrança pela outorga sobre o
direito de uso de recursos hídricos, podem ser repassadas, ficando estabelecido o limite
mínimo de 25% da arrecadação. Outras fontes são previstas como: multas, doações,
financiamento público e privado, dentre outras (CBHLSJ, 2009a). Em 2011 uma resolução
complementar do CBHLSJ Nº 38 definiu porcentagens para contratação e serviços de
assistência técnica e valores para custeios operacionais (CBHLSJ, 2011).
Para a gestão do Fundo, regulação e acompanhamento da aplicação dos recursos,
foram criados o Escritório Técnico de Apoio Operacional (ETAO) do comitê, a Câmara
Técnica Permanente de Microbacias (CTPEM) e o Conselho de Ética e Fiscalização. O
Escritório Técnico de Apoio Operacional (ETAO) foi responsável pelo suporte administrativo
e financeiro do fundo, como: transferir recursos e providenciar os instrumentos legais
(assinatura dos termos de compromisso) (CBHLSJ, 2009b).
A CTPEM também foi responsável pela verificação da implementação do Plano
Individual de Desenvolvimento (PID) e supervisão das atividades realizadas no contexto do
projeto, além de possuir poder deliberativo sobre todos os projetos integrantes dos Planos
Executivos das Microbacias (PEMs).
A seleção de áreas prioritárias adotou critérios que levaram em consideração a
biodiversidade, o fornecimento de água para abastecimento humano, a concentração de
84

pequenos produtores familiares, análise de vulnerabilidade, e a organização comunitária. As


bacias foram ranqueadas com a pontuação própria de cada critério. Para tal, foi consultado o
Plano Executivo da Microbacia (PEM), que definiu as áreas prioritárias de intervenção no
âmbito do comitê. Uma vez eleita, a microbacia foi caracterizada nas esferas ambiental,
social e econômica (CBHLSJ, 2009b).
Os proprietários rurais da microbacia participaram da construção dos projetos ao
relatarem os impactos e problemas da região, assim como, suas possíveis causas e soluções.
As informações levantadas deram subsídios para ações individuais, por propriedade, ou
soluções que demandaram intervenções coletivas na microbacia. Após esse levantamento
construiu-se o Plano Individual de Desenvolvimento (PID), que caracterizou individualmente
as propriedades, descrevendo todas as atividades e sistemas de produção, o manejo do solo e
da água, saneamento ambiental, dentre outros aspectos (KRUSCHEWSKY et al., 2011).
Os recursos foram alocados mediante o Instrumento de Avaliação do Nível de Boas
Práticas Socioambientais, que definiu a forma de acesso ao FUNBOAS da seguinte maneira:
os produtores que se candidataram a acessar o FUNBOAS foram avaliados, e quando
alcançaram 50% de boas práticas socioambientais puderam dispor dos recursos para melhorar
o manejo da paisagem. Já, os proprietários definidos acima de 70% lhes foram facultados a
utilização de parte dos recursos para aquisição de bens de capital que contribuíssem para a
melhoria da geração de renda e da qualidade de vida (FULGENCIO, 2012). A forma de
acesso ao FUNBOAS depende da performance ambiental que mede as boas práticas
realizadas pelas propriedades e está representa no quadro 12 a seguir.
Quadro 12 – Nível de boas práticas Socioambientais do FUNBOAS

Nível de Boas Práticas Socioambientais

Acesso aos
Faixa Nível
recursos
Inferior a 30% Crítico Sem acesso
Entre 30% e 50% Baixo Sem acesso
100% Manejo de
Entre 50% e 70% Médio
Pastagem
50% Manejo de paisagem
e 50% Melhoria de
Entre 70% e 90% Bom
geração de renda e /ou
qualidade de vida
100% Melhoria de
Superior a 90% Ideal geração de renda e/ou
qualidade de vida
Fonte: adaptado de CBHLSJ, 2009b.
85

As taxas presentes nas faixas acima foram aferidas segundo questionário de boas
práticas socioambientais aplicado nas propriedades. O questionário relacionou perguntas em 7
temáticas distintas, a saber:
a) manejo e conservação do solo;
b) manejo e conservação da água;
c) controle da qualidade do ar;
d) manejo e conservação dos ecossistemas;
e) tratamento justo e boas condições de trabalho;
f) manejo da lavoura e uso de insumos;
g) conservação de energia e gestão de resíduos.
De acordo com as respostas foi calculada a taxa final que representa a performance
ambiental da propriedade. Os produtores podem acessar o FUNBOAS a cada dois anos,
desde que comprovadamente tenham melhorado sua avaliação do nível de boas práticas
(FULGENCIO, 2012; CBHLSJ, 2009b).
As ações incentivadas e implantadas na esfera do Fundo foram acompanhadas por
técnicos, que participaram do planejamento da propriedade junto às famílias, através de metas
de curto, médio e longo prazo, elaboradas em conjunto (KRUSCHEWSKY et al., 2011). Os
técnicos realizaram visitas regulares a campo para monitoramento e acompanhamento das
ações, produziram relatórios de supervisão e reaplicaram o Instrumento de Avaliação do Nível
de Boas Práticas Socioambientais, sempre que necessário (FULGENCIO, 2012).
O projeto estabeleceu algumas parcerias com outras instituições: WWF Brasil,
EMATER, INEA, Programa Rio Rural, organização de pequenos produtores rurais,
Associação Mico-Leão-Dourado, Consórcio Intermunicipal Lagos São João, FUNASA e
Secretaria de agricultura, que ora participaram através de doações, ora através da
disponibilidade de assistência técnica e equipamentos (CBHLSJ, 2009b).

4.2.2 As práticas conservacionistas

São amplas as práticas conservacionistas elegíveis para a aplicação do fundo. Elas


estão dispostas na Resolução Nº 23 de 2009 do comitê que conta com práticas mecânicas de
controle de erosão como: distribuição racional dos caminhos, terraceamento, plantio em
curvas de nível, sistemas de condução de água, sulcos e camalhões em pastagens, mulching
86

vertical, cobertura morta e viva, bacias de captação e retenção de águas pluviais, cordões de
contorno, quebra ventos, faixa vegetativa de proteção consorciação, cultivo mínimo;
adequação de estradas rurais, ações de conservação da água, saneamento rural, sistemas de
agro florestas, práticas vegetativas e adoção de boas práticas agrícolas (CBHLSJ, 2009a).
Contudo, as ações efetivamente implementadas no projeto foram as seguintes, relacionadas no
quadro 13.
Quadro 13 - Práticas conservacionistas adotadas no FUNBOAS
Práticas conservacionistas FUNBOAS
Saneamento
Instalação de fossas sépticas
biodigestoras
Saneamento Rural Instalação de caixas de gordura
Adequação de sistemas de captação
de água
Práticas Vegetativas
Enriquecimento Sistemas agroflorestais (SAF)
Espécies frutíferas (jabuticaba,
citros, banana, café, açaí, pupunha,
etc.)
Sistemas Agroflorestais Espécies nativas (jussara, aroeira,
ingá, etc.)
Espécies anuais (milho, feijão,
guandu, aipim, etc.)
Implantação de horta sombreada
Controle da erosão Uso de cobertura morta
Adubação verde Plantio de guandu e feijão de porco
Implantação de cerca para a
Isolamento
proteção de APP
Fonte: CBHLSJ, 2009a.
Os SAFs implantados substituíram antigas áreas degradadas e pastagens abandonadas,
com o plantio de espécies frutíferas, nativas e anuais (KRUSCHEWSKY et al., 2011).

4.2.3 Resultados

A primeira microbacia selecionada pelo Programa de Gestão Ambiental Participativa


foi a do Córrego Cambucaes, no município de Silva Jardim, onde foi desenvolvido um projeto
comunitário, com auxílio da CTPEM que alocou R$30.000,00 em saneamento rural
87

(instalação de fossas sépticas biodigestoras14, caixas de gordura e adequação de sistemas de


captação de água), em 24 propriedades rurais. Também foi construída uma pequena unidade
para beneficiamento de produtos agrícolas. Outros seis planos individuais foram
implementados com recursos previstos em R$5.000,00 cada (PID), visando ações de práticas
conservacionistas do solo e da água, e investimento em bens de capital, a saber:
a) enriquecimento de (6 ha) de sistemas agroflorestais;
b) implantação de (2 ha) sistemas agroflorestais;
c) aquisição de equipamentos para beneficiamento de produtos agrícolas;
d) implantação de horta sombreada;
e) manejo do gado leiteiro;
f) medidas de controle da erosão;
g) plantio de espécies de adubação verde;
h) implantação de cerca para a proteção da APP.
No período de 2010/2011 foram investidos 60.000,00 na seleção de áreas, construção
de um viveiro e ações na Bacia do Rio Roncador no município de Saquarema. No período de
2011/2012, R$ 60.000,00 foram alocados em ações na Bacia do Rio Lontra no município de
Casemiro de Abreu. Entre 2012/2013 R$ 120.000,00 foram empregados em ações na bacia
do Rio Piripiri em Araruama (KRUSCHEWSKY et al., 2011).
Esta foi a primeira experiência em PSA hídrico, portanto, possui relevância para a
proposição de uma metodologia participativa de gestão das águas e do território. Destacou-se
pela fácil aplicação e entendimento dos executores e comunidade envolvida no projeto, da
mesma forma, se configurou como um projeto que trouxe os benefícios esperados.

4.3 Programa Produtores de Água e Floresta Guandu (PAF)

No ano de 2008, o projeto piloto de Pagamento por Serviços Ambientais hídricos,


denominado Produtores de Água e Floresta (PAF) foi elaborado na Região Hidrográfica do
Rio Guandu, Rio da Guarda e Rio Guandu-Mirim. O projeto teve como área de ação a
microbacia do Rio das Pedras, localizada na região do Alto Rio Piraí, e posteriormente, foi
ampliado para todo o município de Rio Claro no estado do Rio de Janeiro (ITPA, 2013). O

14
O modelo escolhido foi o proposto pela EMBRAPA (NOVAES et al., 2002), que permite o uso do efluente
final na adubação de culturas perenes.
88

PAF foi uma das primeiras iniciativas no país a implementar um mecanismo de valoração e
pagamento por serviços ambientais, que focou em áreas produtoras de água e prioritárias para
a conservação da biodiversidade da Mata Atlântica (CASTELO BRANCO, 2015).
Segundo o ITPA (2013), aproximadamente 100 milhões de habitantes ocupam os
1.300.000 Km2 do bioma Mata Atlântica. Essa população demanda continuamente dos
serviços ambientais fornecidos por esse bioma. Nessas áreas, 80% das terras em estágios de
degradação ou remanescentes florestais intactos estão sob domínio privado, o que dificulta as
ações públicas para a restauração da degradação, preservação desses remanescentes e garantia
do fornecimento dos serviços ambientais fundamentais a população.
As ações de recuperação e restauração foram concentradas, a princípio, na microbacia
do Rio das Pedras, que abrange uma área total de 5.227ha. Este manancial é responsável por
até 11% dos recursos hídricos disponíveis no Sistema Guandu15, destacando-se, igualmente,
pela relevância para a biodiversidade da Mata Atlântica, por ser zona núcleo da Reserva da
Biosfera (RBMA), entorno do Parque Estadual Cunhambebe, e faz parte da Área de Proteção
Ambiental do Alto Piraí (ITPA, 2013).
O projeto Produtores de Água e Floresta foi elaborado adotando o modelo provedor-
recebedor, sendo realizado através do PSA. A participação dos proprietários rurais das áreas
de relevância se deu pelas ações em recuperação e proteção dos remanescentes florestais. A
contrapartida para os proprietários rurais provieram dos entes beneficiados, que pagaram
pelos benefícios de maior disponibilidade e qualidade hídricas oportunizadas pelo projeto
(ITPA, 2013).
Os critérios adotados para o PSA nesse programa foram estabelecidos com base no
custo de oportunidade local, no estágio de conservação da floresta e proximidade ou inclusão
em unidade de conservação. O quadro 14 retrata de forma sucinta a caracterização legal e
institucional do projeto.

15
A Estação de Tratamento de Água Guandu foi incluída no Guinness Book, O Livro dos Recordes, como a
maior estação de tratamento de água do mundo em produção contínua. Desde a inauguração da primeira etapa,
em agosto de 1955, a ETA Guandu passou por sucessivas ampliações e melhorias técnicas que permitem hoje
uma vazão de 43 mil litros por segundo, suficiente para abastecer uma população de 9 milhões de pessoas na
região metropolitana (CEDAE, 2018).
89

Quadro 14 – Caracterização legal e institucional do PAF Rio Claro


Caracterização, Marco Legal e Institucional
Instituições Participação da
Projetos/Ano Municípios RH Marcos Legais
envolvidas ANA
Lei Municipal de Rio
AGEVAP
Claro Nº 514/2010
Decreto Municipal de
Comitê de Bacia
Rio Claro Nº
Hidrográfica Guandu.
931/2011
Instituto Estadual do
Produtores de
Ambiente (INEA)
Água e Lei Municipal de Rio
Rio Claro II Instituto Terra de UGP
Floresta (Rio Claro Nº 760/2014
Preservação
Claro) (2008)
Ambiental (ITPA)
Município de Rio
Decreto Municipal de Claro
Rio ClaroNº SEA
2.228/2016 The Nature
Conservancy (TNC)
Fonte: diversos autores.

4.3.1 A operacionalização do PSA

O contrato de transferência de recursos financeiros do comitê para os produtores rurais


visando o pagamento de serviços ambientais, a princípio, era celebrado pela AGEVAP.
Contudo, em 2010 foi promulgada a Lei Municipal de Rio Claro Nº 514 que autorizou o
poder executivo municipal a prestar apoio financeiro aos proprietários de Reservas
Particulares do Patrimônio Natural (RPPNs) e participantes do Projeto Produtor de Água e
Floresta. Esta lei foi em seguida regulamentada pelo Decreto Municipal Nº 931 de 2011.
Neste mesmo ano, o estado do Rio de Janeiro aprovou o Decreto Nº 42.029/20011 que criou o
Programa Estadual de Conservação e Revitalização de Recursos Hídricos (PROHIDRO).
Através desse arcabouço legal a expansão do projeto piloto Produtores de Água e Floresta
para todo o município de Rio Claro foi possível (TNC, 2013).
As instituições envolvidas para a implantação do projeto foram oficializadas através
da celebração do termo de Cooperação Técnica, e envolveu a The Nature Conservancy
(TNC), o Instituto Terra de Preservação Ambiental (ITPA), o município de Rio Claro e o
Instituto Estadual do Ambiente (INEA), com a interveniência do Estado do Rio de Janeiro e
do Comitê Guandu. O papel de cada instituição ficou definido desta forma: o Comitê Guandu
ficou responsável pela destinação dos recursos para pagamento por serviços ambientais aos
proprietários rurais, e por meio da Agencia de Bacia (AGEVAP) realizou as vistorias em
90

campo para a verificação das ações implantadas. O Estado do Rio de Janeiro, por meio da
Secretaria de Ambiente (SEA) e do Instituto Estadual do Ambiente (INEA), investiu recursos
para a restauração florestal e liderou a construção de políticas públicas de PSA visando à
ampliação do projeto. O ITPA16 disponibilizou recursos humanos, juntamente com a TNC,
que ofereceu apoio técnico ao projeto. A TNC, também, custeou parcialmente o PSA aos
produtores, as ações de conservação, a comunicação e o monitoramento do projeto (TNC,
2013).
A Unidade Gestora do Projeto (UGP) foi constituída por um grupo de trabalho
formado pelos entes, a saber:
a) Secretaria de Estado do Ambiente;
b) Comitê de Bacia Hidrográfica do Rio Guandu;
c) Prefeitura Municipal de Rio Claro;
d) The Nature Conservancy (TNC);
e) Instituto Terra de Preservação Ambiental (ITPA).
No caso do PAF, o pagamento aos proprietários rurais foi realizado mediante o
cumprimento de metas de manutenção florestal e incremento da cobertura vegetal, atribuindo
valores diferenciados, segundo a relevância ecológica da área e o seu grau de conservação.
As áreas elegíveis foram: as florestas em estágios sucessionais avançados e as Áreas de
Preservação Permanente (no entorno de nascentes e margens de rios ou riachos e áreas
consideradas “Interceptadoras de Água”).
Para a verificação do sucesso das ações e posterior liberação de pagamento, o projeto
realizou o monitoramento de indicadores, que foram segmentados em três eixos principais:
indicadores hidrológicos, indicadores biológicos (bioindicadores) e indicadores de uso do solo
e cobertura vegetal. O uso do solo e a cobertura vegetal foram monitorados por sensoriamento
remoto e checagens de campo, utilizando-se uma base de dados georreferenciada, elaborada
pela equipe do projeto (ITPA, 2013).

16
Nessa época o ITPA assumiu a primeira parcela do Pagamento por Serviços Ambientais por dificuldades
operacionais da FAPUR que até então funcionava como Agência delegatária do Comitê Guandu (TNC, 2013).
91

4.3.2 As práticas conservacionistas

As práticas conservacionistas foram divididas em dois grupos de ações: a Regeneração


Natural Assistida (RNA) e a Restauração Florestal com Implementação de Técnicas
Específicas (RFTE). As práticas elegíveis no PAF são relacionadas no quadro 15, a seguir:
Quadro 15 - Práticas Conservacionistas do Projeto PAF Rio Claro
Metodologia Práticas
Retirada de vetores de pressão com
isolamento Simples ou Reforçado
Retirada de vetores de pressão com
aceiramento
REGENERAÇÃO Mudança do uso do solo: limpeza de
NATURAL ASSISTIDA pasto, desbaste, bosqueamento
(RNA) Condução de regeneração: roçada
seletiva de gramíneas invasoras,
coroamento/ adubação de indivíduos
arbóreos regenerantes ou controle de
espécies arbustivas exóticas.
Plantio total
RESTAURAÇÃO
FLORESTAL COM Enriquecimento
IMPLEMENTAÇÃO DE
TÉCNICAS ESPECÍFICAS
(RFTE) Nucleação

Sistemas agroflorestais (SAFs)


Fonte: TNC, 2013.

4.3.3 Resultados

Os resultados preliminares do projeto respondem por 70 proprietários rurais


contratados, totalizando aproximadamente 4.562 ha de áreas destinadas à conservação e 564
ha à restauração. Os investimentos realizados pelos parceiros em cinco anos de atuação foram
superiores a R$ 8,5 milhões (ANA, 2016).
Atualmente, está em manutenção 2.903,82 ha de conservação de remanescentes
florestais. As áreas de Restauração florestal implementadas somam 215 ha. Além disso, foi
92

implementado o saneamento rural com três biossistemas que atendem duas comunidades
rurais da região (ANA, 2018b).
Em decorrência do sucesso desse projeto piloto, em 2012, o Comitê Guandu
responsável pela Região Hidrográfica II criou o Programa de Pagamento por Serviços
Ambientais (PRO-PSA Guandu) para incentivar a criação de projetos de PSA em toda a
Região Hidrográfica (COMITÊ GUANDU, 2015a).

4.4 PRO-PSA Guandu

O Programa de Pagamento por Serviços Ambientais na RH II (PRO-PSA GUANDU)


criado em 2012 pelo Comitê Guandu17, através da Resolução Nº 85, tem como objetivo
aperfeiçoar e ampliar o projeto já instalado na microbacia do Rio das Pedras no município de
Rio Claro (Programa Produtor de Água e Floresta - PAF). O PRO-PSA Guandu surgiu para
incluir os demais municípios e sub-bacias da Região Hidrográfica II no programa e incentivar
a adoção de práticas de conservação e restauração ambiental com o intuito da manutenção da
quantidade e qualidade dos recursos hídricos da Bacia do Rio Guandu (ITPA, 2013). Com
base na Resolução Nº 85 de 2012, ficou determinado que a partir desse mesmo ano fosse
aplicado anualmente, no mínimo, o valor relativo a 3,5% da arrecadação do comitê Guandu
no Programa PRO-PSA Guandu, o que permitiu a realização em 2015 de duas chamadas
públicas para seleção de novos projetos de PSA em toda a bacia (ANA, 2016).
Cabe ressaltar que a estrutura legal do PRO-PSA Guandu é alicerçada no Programa
Estadual de Pagamento por Serviços Ambientais (PRO-PSA), instituído por meio do Decreto
Estadual 42.029/2011, subordinado ao (PROHIDRO), que por sua vez é instrumento de
gestão de recursos hídricos previsto na Lei Estadual 3.239/1999. O PRO-PSA é coordenado
pela Secretaria de Estado do Ambiente - SEA, através do Instituto Estadual do Ambiente –
INEA. O programa estadual abrange as seguintes modalidades de serviço ambiental:
a) conservação e recuperação da qualidade e da disponibilidade das águas;
b) conservação e recuperação da biodiversidade;

17
O Comitê de Bacia Guandu é o órgão colegiado que tem atribuições normativas, consultivas e deliberativas e
reúne 60 instituições entre representantes dos usuários da água, da sociedade civil organizada e de órgãos de
diferentes esferas de governo. O Comitê tem a atribuição principal de fomentar a gestão integrada e participativa
dos recursos hídricos na região. As decisões do Comitê Guandu estão pautadas no “Plano Estratégico de
Recursos Hídricos das Bacias dos Rios Guandu, da Guarda e Guandu Mirim” (Plano de Bacia), este é o
instrumento que norteia a aplicação dos recursos arrecadados com a cobrança pelo uso da água.
93

c) conservação e recuperação das FMPs;


d) sequestro de carbono originado de reflorestamento das matas ciliares;
e) nascentes e olhos d´água para fins de minimização dos efeitos das
mudanças climáticas globais (ANA, 2016).
O PRO-PSA Guandu adota o modelo provedor-recebedor, através do sistema de PSA,
incentivando por meio de compensação financeira ou não aos proprietários rurais
(provedores) que adotarem, contribuírem ou implementarem práticas para a proteção e
recuperação de mananciais de interesse público (COMITÊ GUANDU, 2015d).
Os serviços ambientais prioritários no PRO-PSA Guandu a serem considerados são os
discriminados como aqueles relacionados à purificação e regulação dos ciclos das águas,
controle de enchentes e de erosão (TNC, 2013). Portanto, o Programa tenciona estimular a
implantação de projetos de PSA como forma de recuperar e conservar a qualidade e a
regularidade da disponibilidade da água nos corpos hídricos, através da redução dos níveis de
erosão e sedimentação, o aumento da cobertura vegetal, da infiltração de água no solo, da
recarga dos aquíferos e da regularidade da vazão nas microbacias. Além desses benefícios
espera-se que a difusão dos conceitos de boas práticas de manejo integrado de solo e água em
microbacias contribua para a capacitação de agentes públicos e produtores rurais (COMITÊ
GUANDU, 2015c).
A área alvo do programa é a Região Hidrográfica II localizada na porção oeste do
estado, abrangendo um domínio de 3.715 km². A RH II está sob gestão do Comitê Guandu,
que compreende a bacia hidrográfica do Rio Guandu, assim como as bacias hidrográficas dos
Rios da Guarda e Guandu-Mirim, a bacia do rio Piraí, a bacia do Ribeirão das Lajes e bacias
dos rios afluentes do Canal de São Francisco até a sua foz na Baía de Sepetiba (COMITÊ
GUANDU, 2015c).
Uma particularidade da área envolvida por este Programa de PSA é a relevância da
rede hídrica que a drena. As bacias sob tutoria do Comitê Guandu são responsáveis por
aproximadamente 80% do abastecimento de água e 25% da geração de energia elétrica da
região metropolitana do Rio de Janeiro, alcançando por volta de 8 milhões de pessoas (valores
da época), além do maior adensamento industrial do estado. Outro destaque deve ser dado à
transposição das águas da bacia contígua do Rio Paraíba do Sul para a bacia do Guandu, que
além de garantir vazão suficiente para a operação da Estação de Tratamento de Água Guandu
e da Usina Hidroelétrica Pereira Passos, permite a diluição dos poluentes lançados nos rios
que drenam áreas com baixo índice de saneamento urbano e industrial de partes da zona oeste
94

e baixada fluminense (TNC, 2013). A figura 8 retrata a RH II e as sub-bacias prioritárias que


receberam investimentos. Também, posiciona a ETA Guandu.

Figura 8 - Região Hidrográfica II e sub-bacias prioritárias do Programa PRO-PSA Guandu

Fonte: COMITÊ GUANDU, 2015d.

As sub-bacias selecionadas como prioritárias contemplaram as rurais, de mananciais


de abastecimento público e aquelas, igualmente, identificadas como prioritárias nos Planos de
Bacias. O enfoque se deu nas regiões produtoras de água situadas em porções altas da bacia,
no entorno de unidades de conservação, e proteção integral dentro de unidade de conservação
de uso sustentável (ITPA, 2013). Para as ações de restauração florestal as áreas prioritárias
contemplaram as margens de rios e riachos em larguras variáveis, e o entorno de nascentes
que estavam sem vegetação nativa (TNC, 2013). O quadro 16 retrata de forma sucinta a
caracterização legal e institucional do programa.
95

Quadro 16 – Caracterização legal e institucional do PRO-PSA Guandu


Caracterização, Marco Legal e Institucional
Instituições Participação
Projetos/Ano Municípios RH Marcos Legais
envolvidas da ANA
Resolução Comitê
Guandu Nº 85/2012
Comitê Guandu
Resolução Comitê
Guandu nº 98/2013
PAP Resolução Comitê
Rio Claro, Piraí, Guandu nº 106/2014.
Barra do Piraí, Unidade Gestora
Lei Municipal de
Mendes, (UGP)
Mendes Nº1.805/2015 Nenhuma
PRO PSA Engenheiro Paulo
II Decreto Municipal de informação no
Guandu (2012) de Frontin,
Mendes Nº 12/2015 SNIRH
Paracambi,
Lei Municipal de Eng.
Vassouras, Miguel
Paulo de Frontin Nº
Pereira e Japeri
1.190/2015
AGEVAP
Lei Municipal de
Paracambi Nº
1.072/2013
Lei Municipal de Piraí Nº
Prefeituras
1.216/2015
Nota: Alguns municípios estão inseridos parcialmente na RH II, contudo as ações do projeto foram
realizadas no âmbito do Comitê de Bacia responsável por essa RH.
Fonte: Diversos autores.

4.4.1 A operacionalização do PSA

O PRO-PSA Guandu foi composto por duas fases: a primeira “Implantação”, que
compreendeu o período de 2014 a 2016, e a segunda “Consolidação”, com início em
2017(Comitê Guandu, 2015b). A primeira fase foi subsidiada por meio do Plano de Aplicação
18
Plurianual (PAP) do comitê, aprovado em 2014 para o período compreendido entre 2014-
2016, através da Resolução Nº 106. A partir de então foram elaborados os editais para o PRO-
PSA Guandu (COMITÊ GUANDU, 2015d).
O Programa conta com o comitê Guandu que fornece apoio técnico, financeiro e
institucional, a Unidade Gestora do Projeto (UGP), a agência de bacia (AGEVAP), as
prefeituras, as instituições executoras, os proprietários rurais e os beneficiários dos serviços
ambientais. No projeto há a possibilidade de adotar dois arranjos entre as instituições. A
agência de bacia (AGEVAP) firma contrato com a prefeitura e essa, por sua vez, fica

18
O PAP é o instrumento de planejamento e orientação dos desembolsos a serem executados com recursos da
cobrança pelo uso da água no período de 2014 a 2016.
96

encarregada pela realização das atividades, ora pela contratação de uma instituição executora
sob sua responsabilidade, ora pela realização das atividades com seu próprio recurso. Essa
situação está esquematizada na figura 9, a seguir:
Figura 9 – Esquema de arranjo institucional com o município como o executor.

*O município pode contrata uma instituição executora ou ele mesmo executar as atividades.
Fonte: Adaptado de COMITÊ GUANDU, 2015c.
Outro arranjo possível deixa a cargo da Agência de bacia a escolha de uma instituição
executora que realizará todas as atividades. Esse arranjo está esquematizado na figura 10.
Figura 10 – Esquema de arranjo institucional Organização sem fins
lucrativos como proponente

Fonte: Adaptado de COMITÊ GUANDU, 2015c.


A principal fonte de recurso para o PRO-PSA é o Fundo Estadual de Recursos Hídricos do
Estado do Rio de Janeiro (FUNDRHI) com os recursos financeiros oriundos da cobrança pelo uso da
água da Região Hidrográfica II – Guandu (TNC, 2013).
97

De forma direta o PRO-PSA Guandu adota as seguintes diretrizes para o seu


ordenamento:
a) bacia hidrográfica como unidade de planejamento;
b) os serviços ambientais contemplados nos projetos deverão ocorrer
preferencialmente em áreas prioritárias para a conservação dos recursos
hídricos;
c) a busca por parcerias entre instituições deve ser constante;
d) a gestão dos projetos deverá ser compartilhada;
e) as iniciativas de projetos de pagamentos por serviços ambientais deverão
pressupor a adicionalidade de serviços;
f) as práticas e manejos a serem implantados são flexíveis desde que
pressuponham o planejamento integrado e a adequação ambiental da
propriedade, e o uso de práticas sustentáveis de produção;
g) os resultados esperados deverão ser monitorados;
h) as transações e os resultados dos projetos deverão ser divulgados.

Para participar do processo de PSA as instituições executoras devem cumprir algumas


etapas. As propostas elaboradas serão avaliadas quanto aos quesitos técnicos e documentais.
Uma vez aprovadas, as propostas serão hierarquizadas segundo critérios descritos no edital.
A partir de então, as propostas melhores ranqueadas formalizarão o contrato do projeto
(COMITÊ GUANDU, 2015c).

4.4.2 As práticas conservacionistas

As práticas conservacionistas são empregadas nas duas modalidades de ações que o


programa acomoda: a conservação florestal e restauração. As áreas de conservação
19
(remanescentes) são determinadas em contrato com os proprietários por mapeamento de
uso e cobertura do solo e análise espacial das áreas nas propriedades. Para áreas de
conservação suscetíveis a intensa pressão deve-se isolar a área. Quando ameaçadas por
incêndios a construção de aceiros se faz necessária. O enriquecimento dessas áreas, com

19
As áreas destinadas a conservação poderão ser exploradas por meio de Plano de Manejo Florestal Sustentável
previamente aprovado pelo INEA (COMITÊ GUANDU, 2015a).
98

espécies clímax e secundárias tardias, atrativas de fauna, raras e ameaçadas de extinção,


também é previsto (COMITÊ GUANDU, 2015a).
As práticas selecionadas neste programa, quanto à restauração, deverá priorizar as
áreas de preservação permanentes úmidas e segue a metodologia adotada no projeto Produtor
de Água e Floresta (PAF), onde foram dispostas duas metodologias, que consiste em
empregar técnicas de Regeneração Natural Assistida (RNA) e a Restauração Florestal com
implementação de Técnicas Específicas (RFTE). A Regeneração Natural Assistida será
regularmente implementada, já que, demanda custos mais baixos, enquanto a Restauração
Florestal com implantação de Técnicas Específicas será implementada mediante aporte
financeiro.
Vale ressaltar que em todos os casos caberá a UGP a implantação parcial da área
(principalmente a parcela referente às mudas nativas). Fica a cargo do proprietário o apoio na
implantação (parcial) e manutenção (integral). O quadro 17 a seguir resume as Práticas
conservacionistas aptas à implantação.
Quadro 17 - Técnicas previstas para implantação no projeto PRO-PSA Guandu

Metodologia Práticas
Retirada de vetores de pressão
com isolamento Simples ou
Reforçado
Retirada de vetores de pressão
com aceiramento
Mudança do uso do solo: limpeza
REGENERAÇÃO NATURAL de pasto, desbaste,
ASSISTIDA (RNA) bosqueamento
Condução de regeneração:
roçada seletiva de gramíneas
invasoras, coroamento/ adubação
de indivíduos arbóreos
regenerantes ou controle de
espécies arbustivas exóticas.
RESTAURAÇÃO FLORESTAL Plantio total
COM IMPLEMENTAÇÃO DE Enriquecimento
TÉCNICAS ESPECÍFICAS Nucleação
(RFTE) Sistemas agroflorestais (SAFs)*
Nota: *A implantação do SAF ficará condicionada ao atendimento das regras
e procedimentos estabelecidos na Resolução INEA Nº 086/2014
Fonte: COMITÊ GUANDU, 2015b.
Para o final dos três anos (2014 a 2016), na conclusão da fase de implantação do
Programa, algumas metas foram estabelecidas dentre elas:
a) elaborar o cadastro ambiental rural em 240.000 ha.;
99

b) restaurar 600 ha de floresta;


c) conservar 3.000 ha de floresta;
d) contratar 90 proprietários rurais (provedores);
e) destinar R$ 13.900.000,00 no PRO-PSA Guandu;
f) capacitar 90 profissionais, entre gestores e técnicos, dos setores público e
privado, para a formulação de sistemas de pagamento por serviços
ambientais.

4.4.3 Resultados

Para os resultados o monitoramento hidrológico é previsto em edital buscando


verificar o alcance do serviço ambiental promovido. As verificações devem atender a
diretrizes e critérios mínimos que serão levantados em período anterior, contiguo e posterior
às intervenções do projeto. Os padrões mínimos a serem observados são: a pluviosidade,
vazão e/ou níveis dos corpos hídricos, turbidez e sólidos em suspensão, sedimentação no leito
dos corpos hídricos, além de demais parâmetros quando financeiramente viável, como: PH,
DBO, nitrogênio e fósforo totais, dentre outros, em no mínimo dois pontos da microbacia
(exutório e porção média ou superior). O Volume de solo, e suas propriedades físico-
químicas, assim como a infiltração da água e erosão nas áreas de restauração onde forem
implantadas medidas de conservação de solo, também são critérios de monitoramento, dentro
outros, quando assim couber (COMITÊ GUANDU, 2015d).
Segundo a especialista em recursos hídricos do Comitê Guandu, até o momento o
projeto ainda não tem rastreabilidade suficiente. As metas em relação à contratação do
número de hectares desejados para conservação e restauração foram atendidas. Contudo, o
retorno efetivo em relação a ganhos ambientais, ainda, não foi totalmente mensurado. O
monitoramento feito até então, engloba um levantamento sobre espécies de aves e peixes20 da
região.

20
Guia de peixes do Rio das Pedras: http://comiteguandu.org.br/conteudo/guia-peixes-rio-das-pedras.pdf e
Guia de aves:<http://www.terrabrasilis.org.br/ecotecadigital/images/Monit.%20Avifauna.pdf>.
100

4.5 Bacia do Rio Macaé

O Programa “Produtor de Água na Bacia do Rio Macaé” foi elaborado pelo Comitê de
Bacia do Rio Macaé e das Ostras21, em parceria com a Agência Nacional de Águas (ANA) e o
22
Consórcio Intermunicipal Lagos São João (CILSJ) . Essa parceria se deu por meio de um
convênio com o objetivo de realizar o levantamento das informações socioambientais e
projeto técnico das ações de manejo e conservação do solo e da água com intenção da
elaboração de Programa de PSA que alcance os produtores rurais da sub-bacia do alto curso
do Rio Macaé (ANA, 2018a).
O Rio Macaé nasce na Serra de Macaé de Cima, distrito de Mury, município de Nova
Friburgo e percorre cerca de 140 km até sua foz na cidade de Macaé. O rio faz parte da
Região Hidrográfica VIII que abrange totalmente o território do município de Rio das Ostras
e Macaé, e parcialmente Nova Friburgo, Casimiro de Abreu, Conceição de Macabu e
Carapebus. A área considerada para o início do Produtor de Água ocupa aproximadamente
43.200 ha. A relevância socioeconômica e ambiental se configura na necessidade de
abastecimento doméstico para uma população crescente de mais de 500 mil habitantes em
cinco municípios; uso agropecuário, industrial, petrolífero23, turismo e lazer (CBH MACAÉ
OSTRAS, 2016a; ANA, 2018a).
A partir do diagnóstico socioambiental da sub-bacia do alto curso do Rio Macaé foi
possível desenvolver um projeto técnico que irá orientar as atividades na região. De acordo
com o projeto técnico as ações de manejo e conservação do solo e da água se concentrarão em
práticas que visem à regularização da vazão do manancial em regiões altas e nas várzeas,
através de técnicas mecânicas e biológicas, além do incentivo a adoção de boas práticas
agropecuárias. Cabe ressaltar as demais recomendações do projeto para intervenções que
objetivam o controle de processos erosivos, o estímulo à educação ambiental e adequação do

21
O CBH Macaé é formado por 27 representações dos quais 9 são da sociedade civil organizada, 9 do Poder
Público e 9 dos grandes usuário de água. É um órgão colegiado, de voto paritário e deliberativo, responsável pela
gestão descentralizada e democrática dos recursos hídricos na Região Hidrográfica VIII - RJ.
22
O Consórcio Intermunicipal Lagos São João (CILSJ) foi reconhecido pelo Conselho Estadual de Recursos
Hídricos em sua Resolução CERHI-RJ Nº 84, de 30 de maio de 2012, como entidade delegatária das funções de
Agência de Água do Comitê das Bacias Hidrográficas dos Rios Macaé e das Ostras por um período de cinco
anos.

23
80% da produção de petróleo no Brasil ocorre na região de Macaé, que se insere na bacia hidrográfica do rio
Macaé. Fonte: Dados abertos ANA, 2018b.
101

saneamento rural na região (CBH MACAÉ OSTRAS, 2016a). O quadro 18 retrata de forma
sucinta a caracterização legal e institucional do projeto.
Quadro 18 – Caracterização legal e institucional da “Bacia do Rio Macaé”
Caracterização, Marco Legal e Institucional
Instituições Participação
Projetos/Ano Municípios RH Marcos Legais
envolvidas da ANA
Resolução Nº 49/20013 Instituto Federal
Macaé Financiamento
CBH Macaé das Ostras Fluminense
de diagnóstico
Bacia Rio Nova VI; VII;
Comitê Macaé Ostras socioambiental
Macaé (2013) Friburgo VIII Resolução Nº 69/2016
e projeto
Casimiro de CBH Macaé das Ostras Prefeitura de Nova técnico
Abreu Friburgo
Alguns municípios estão inseridos apenas parcialmente na RH VIII, contudo as ações do projeto foram
realizadas no âmbito do Comitê de Bacia responsável por essa RH.
Fonte: diversos autores.

4.5.1 A operacionalização do PSA

Apesar do projeto ainda não estar implementado, o seu arcabouço legal e demais
informações para a sua elaboração estão previstos na Resolução Nº 49/20013 do Comitê
Macaé Ostras, que orienta sobre as fontes de recursos que serão oriundas das receitas da
cobrança pelo uso da água na bacia, multas e dívidas provenientes do mau uso dos recursos
hídricos, créditos e financiamentos públicos e privados, bem como doações, dentre outras. A
ANA juntamente com o comitê de Bacia Hidrográfica Macaé e Ostras implementará o
projeto, junto a outros parceiros, como o Instituto Federal Fluminense e a Prefeitura de Nova
Friburgo (ANA, 2018a).
O projeto se dará por meio de Edital e nele constarão os requisitos necessários para a
participação. Os proprietários rurais interessados passarão por avaliação documental e vistoria
técnica, em sua propriedade, realizadas pela agência delegatária. Uma vez atendido todos os
requisitos haverá a celebração do contrato, onde constará o mecanismo e condições de repasse
do pagamento, e formalização da adesão do proprietário ao projeto. Os pagamentos pelos
serviços ambientais serão valorados da segundo a expressão (PSA = VR24 x P x A25).

24
O valor de Referência adotado baseia-se no custo médio de oportunidade do arrendamento de um hectare para
pastagem praticado na data de aprovação da Resolução 69 do CBH Macaé Ostras.
25
Segundo a Resolução 69 de 2016 do CBH Macaé Ostras o Valor máximo de pagamento por componente (Vc,
em R$/ano) = 10xVR.
102

O (PSA) é o valor de pagamento dos serviços ambientais de conservação e incremento


e da qualidade e da disponibilidade hídrica em R$/ha/ano. O (VR) é a unidade do Valor de
Referência estabelecido pelo comitê no Valor de R$ 240,00/ha./ano, (P) é o peso
correspondente às boas práticas agropecuárias existentes na propriedade beneficiária e (A) é a
área da propriedade objeto do PSA em hectares (CBH MACAÉ OSTRA, 2016b). Cabe
lembrar, para a realização dos pagamentos será necessário o monitoramento das metas
acordadas, realizado pelo comitê anualmente.

4.5.2 As práticas conservacionistas

Atualmente as ações conservacionistas estão previstas no projeto técnico e na


Resolução do CBH Macaé Nº 69, de 21 de novembro de 2016. Dessa forma, a tomada de
decisão do gestor deve considerar as ações prioritárias, seguida por ações complementares, de
acordo com as necessidades de cada área (CBH MACAÉ OSTRA, 2016b).
A Resolução do CBH Macaé Nº 69/201626considera três modalidades como elegíveis
para pagamento por serviços ambientais e cada modalidade conta com ações prioritárias e
estratégicas para a implementação do PSA, como:
a) Modalidade uso e conservação de solo na atividade produtiva (boas
práticas agropecuárias);
b) Recuperação Florestal;
c) Modalidade Conservação Florestal (Água e Biodiversidade).
O quadro 19 a seguir relaciona as práticas conservacionistas pertencentes à
modalidade de uso e conservação de solo na atividade produtiva (CBH MACAÉ OSTRA,
2016b).

26
Altera a Resolução CBH Macaé n° 49, de 19 de novembro de 2013, que aprova a regulamentação do Programa
de Pagamento por Serviços Ambientais da Região Hidrográfica VIII do Estado do Rio de Janeiro.
103

Quadro 19 - Boas práticas agropecuárias

Boas práticas agropecuárias


Ações/Práticas Classificação
Em nível
Organização de plantio
Em gradiente
Sistema agroflorestal
Cobertura do solo
Sistema de plantio direto
Adubação verde
Diversificação da produção Cultivo consorciado
Rotação de culturas
Pastejo rotacionado
Áreas de pastagem
Sistema silvipastoril
Insumos utilizados Orgânicos
Ações complementares
Voçoroca em recuperação
Recuperação de processos
Ravina em recuperação
erosivos
Erosão laminar em recuperação
Uso de cordões de vegetação
Uso de moirão vivo
Fonte: CBH MACAÉ E DAS OSTRAS, 2016b.
A modalidade Recuperação Florestal conta com ações em áreas de Preservação
Permanente (APP) e Reserva Legal, áreas de uso restrito e outras. A recuperação se dará nas
seguintes situações, destacadas no quadro 20, a saber:
Quadro 20 - Ações para a modalidade de PSA de Recuperação Florestal
PSA - Modalidade Recuperação Florestal
Localização Classificação
Plantio de mudas de espécies arbóreas
Restaurações bem cuidadas
Restaurações medianamente cuidadas
Área de Preservação Permanente/Reserva
Restaurações com carência de zelo
Legal/ áreas de uso restrito e outras
Implantação de sistemas agroflorestais
Condução da regeneração natural e ou
nucleação/enriquecimento florestal
Fonte: CBH MACAÉ E DAS OSTRAS, 2016b.

A terceira modalidade elegível trata da conservação Florestal com estágios


sucessionais distintos (estágio inicial, médio e avançado) atribuindo pesos diferentes, além de
áreas úmidas e brejos.
104

4.5.3 Resultados

Até o presente momento, foram investidos cerca de 1,2 milhões de reais para o
desenvolvimento de um diagnóstico socioambiental e projeto técnico com proposição de
ações que subsidiem a elaboração de um arranjo de Pagamento por Serviços Ambientais na
região do alto curso do rio Macaé, nos municípios de Nova Friburgo e Casimiro de Abreu.
(ANA, 2016).

4.6 Programa PSA hídrico (CEIVAP)

A bacia do Rio Paraíba do Sul possui cinco projetos do Programa de Pagamento por
Serviços Ambientais com foco em recursos hídricos (PSA Hídrico) sendo realizados no
estado do Rio de Janeiro. Esse programa é coordenado pelo Comitê de Integração da Bacia
Hidrográfica do Rio Paraíba do Sul (CEIVAP). O Comitê de Integração da Bacia
Hidrográfica do Rio Paraíba do Sul foi criado pelo Decreto Federal Nº 1.842, de 22 de março
de 1996. Teve sua área de abrangência e nomenclatura alteradas pelo Decreto Federal Nº
6.591, de 1º de outubro de 2008. A partir de então, a área de influência do comitê abrange
184 cidades nos estados de Minas Gerais, Rio de Janeiro e São Paulo. O Comitê tem como
finalidade promover, no âmbito da gestão de recursos hídricos, a viabilidade técnica e
econômico-financeira de programas de investimento. Também busca a consolidação de
políticas de estruturação urbana e regional, visando o desenvolvimento sustentável da bacia
hidrográfica do Rio Paraíba do Sul. Ademais, promove a articulação interestadual, garantindo
que as iniciativas regionais de estudos, projetos, programas e planos de ação sejam partes
complementares, integradas e consonantes com as diretrizes e prioridades estabelecidas para a
bacia hidrográfica (CEIVAP, 2018a). Dentre as atribuições conferidas ao comitê, em especial,
a aprovação e execução do Plano de Recursos Hídricos da Bacia do Paraíba do Sul. O plano
de recursos hídricos de bacias hidrográficas é um instrumento da Política Nacional de
Recursos Hídricos, onde sua promoção se dá pela gestão de programas e projetos referentes à
bacia (CNRH, 2012).
O componente: Proteção de Mananciais e Sustentabilidade no Uso do Solo, descrito
no Plano de Bacia do Rio Paraíba do Sul, foi o motivador do desenvolvimento do Programa
105

de PSA com foco em recursos hídricos (PSA-HÍDRICO). Este é um projeto piloto como
prazo definido em dois anos (2014-2016), que tem como meta servir como modelo
experimental e demonstrativo da proposta do programa de PSA na região (AGEVAP, 2014a).
As ações implementadas têm foco na conservação de até 350 ha de áreas de florestas e
restauração florestal de até 420 ha de áreas degradadas, projetando a proteção dos recursos
hídricos, a recuperação e conservação da qualidade de água, além da regularização da
disponibilidade nos corpos hídricos da bacia (AGEVAP, 2014b).
O programa PSA Hídrico assume as premissas amplamente difundidas sobre PSA,
inclusive, compartilha algumas delas com o programa precursor Produtor de Água (ANA).
As diretrizes, também são compartilhadas entre esses dois projetos. Em síntese, as premissas
adotadas são:
a) os pagamentos por serviços ambientais são transações entre um
beneficiário e um provedor referente à prestação de um serviço ambiental;
b) é necessário um Marco Legal;
c) os pagamentos deverão ser proporcionais aos serviços ambientais
prestados e estar condicionados à sua verificação;
d) a participação no programa de PSA é voluntária;
e) os serviços ambientais contemplados neste programa são aqueles
relacionados aos recursos hídricos;
f) os projetos devem buscar a sustentabilidade financeira.
Esse programa de PSA Hídrico conta com as seguintes partes interessadas: o CEIVAP,
os comitês de bacias estaduais, a AGEVAP, as prefeituras ou autarquias ligadas aos
municípios, instituições executoras, a unidade gestora do projeto (UGP), os produtores rurais
(Provedores), os beneficiados pelos serviços ecossistêmicos e parceiros. A figura 11
demonstra a configuração do arranjo institucional dos projetos.
106

Figura 11 - Esquema do arranjo institucional dos projetos de PSA CEIVAP

Fonte: AGEVAP, 2014b.

4.6.1 A operacionalização do PSA

A implantação do programa PSA se estrutura, a princípio, na implementação de


Projetos-Pilotos que funcionam como modelos experimentais visando demais ações do PSA
Hídrico na bacia. Para tal, foram abertos editais de chamamento e seleção de propostas de
PSA tendo como proponentes os municípios ou instituições executoras.
O financiamento do programa foi orientado para a gestão, gerenciamento,
implantação, monitoramento e pagamento aos provedores. (AGEVAP, 2014a). O CEIVAP,
sobretudo, subsidia financeiramente o programa através da arrecadação da cobrança pelo uso
da água estabelecido no Plano de Aplicação Plurianual - PAP do CEIVAP27.
A agência de bacia – AGEVAP28, por sua vez, é responsável por contratar, dar suporte
e fiscalizar as entidades executoras do projeto que realizarão todas as atividades previstas nas
propriedades. A AGEVAP também é responsável pela transferência financeira às prefeituras

27
Resolução CEIVAP nº199/2012.
28
A Agência de Água de Bacias Hidrográficas, mais comumente chamada de Agência de Bacia é o braço
executivo de um Comitê de Bacia, sendo que esta figura institucional foi definida pela Lei Federal 9.433/97. São
instâncias executivas responsáveis pela implementação das decisões dos respectivos Comitês de Bacia. A
Associação Pró-Gestão das Águas da Bacia do Rio Paraíba do Sul – AGEVAP exerce a função de Agência de
Bacia da RH II e está vinculada, por intermédio de contrato de gestão, ao Comitê Guandu.
107

que contratam e repassam o pagamento pelos serviços ambientais certificados aos provedores.
As prefeituras devem aprovar e regulamentar a Lei sobre PSA no município, que deverá
contemplar rubrica orçamentária ou fundo específico para PSA. O município também pode
assumir o cargo de entidade executora do projeto.
A realização dos projetos pelas prefeituras ou entidades executoras passam por
processo de habilitação, priorização e hierarquização segundo critérios descritos no edital,
tendo em vista a melhor alocação da verba destinada ao programa (AGEVAP, 2014a). O valor
máximo a ser pago aos provedores dos serviços ambientais por ano no âmbito do programa
PSA HÍDRICO na bacia hidrográfica do Paraíba do Sul será de R$ 200,00/ha./ano (duzentos
reais por hectare por ano).
Por fim os provedores recebem o equivalente ao serviço ambiental contratado,
entretanto, para participar do projeto deve estar inscrito e regularizado no Cadastro Ambiental
Rural (CAR). O quadro 21 retrata de forma sucinta a caracterização legal e institucional do
projeto.
Quadro 21 – Caracterização legal e institucional do PSA Hídrico CEIVAP
Caracterização, Marco Legal e Institucional
Instituições Participação
Projetos/Ano Municípios RH Marcos Legais
envolvidas da ANA
Lei Municipal de Petrópolis
Petrópolis
Nº7.342/2015
CEIVAP
Lei Municipal de Resende
Resende
Nº 3.117/2014
Lei Municipal de Italva Comitês de
Italva
Nº1.085/2015 bacias estaduais
Lei Municipal de Carapebus
Carapebus
Nº 626/2015
AGEVAP
Lei Municipal de Barra
Barra Mansa
Mansa Nº 4.457/2015
Lei Municipal de Areal Nº
PSA Hídrico -
III; IV; 835/2014 Instituições Aporte
CEIVAP Areal
VII, IX Decreto Município de Areal executoras Financeiro
(2014)
Nº 1424/2016
Lei Municipal de Paraíba do
Paraíba do Sul Unidade gestora
Sul Nº3.141/2014
do projeto
Lei Municipal de Paty do
(UGP)
Alferes Nº2.158/2014
Paty do Alferes
Decreto Municipal de Paty
do Alferes Nº 4.557/2016
Prefeituras ou
PAP Rio Paraíba do Sul
autarquias ligadas
Bacia do rio CEIVAP nº 199/2012
aos municípios
Paraíba do Sul Deliberação CEIVAP Nº
213/2014

Nota: Neste quadro estão somente os dados dos municípios fluminenses.


Fonte: diversos autores.
108

4.6.2 As práticas conservacionistas

As áreas determinadas para a restauração e conservação serão estabelecidas com os


proprietários. As regiões selecionadas para a conservação florestal que estejam sob intensa
pressão devem ser isoladas. Em regiões vulneráveis a incêndios florestais recomenda-se a
construção de aceiros. Nesse programa as práticas conservacionistas voltadas à restauração
não poderão usufruir da metodologia da Regeneração Natural (RNA). A prática do plantio
direto deve estar associada às intervenções realizáveis nessas circunstâncias. O objetivo é
promover a restauração das áreas que apresentam estado crítico de degradação e, ao mesmo
tempo, que sejam de interesse para a conservação de recursos hídricos, como as Áreas de
Preservação Permanentes úmidas, ou seja, entorno de nascentes, matas ciliares e várzeas
(AGEVAP, 2014b).
De forma geral, as intervenções nas áreas selecionadas passam pelo isolamento da
área, conservação florestal, restauração florestal e o monitoramento hidrológico. A seguir, no
quadro 22 estão descritas as principais práticas elegíveis no projeto.
Quadro 22 - Principais Práticas conservacionistas do projeto PSA
Hídrico CEIVAP

Técnicas Práticas Atividades

Conservação florestal Isolamento da área


Plantio de mudas em
espaçamento de 3,0 X 2,0
metros
Roçada
Plantio total
Replantio
Adubação
Calagem (caso necessário)
Controle de formigas
Plantio de mudas com
adensamento menor
RESTAURAÇÃO FLORESTAL
espaçamento de 3,0 X 4,0
COM IMPLEMENTAÇÃO DE
metros
TÉCNICAS ESPECÍFICAS
Enriquecimento Roçada
(RFTE)
Replantio
Adubação
Calagem (caso necessário)
Controle de formigas
Sistemas
Quintais agroflorestais
Agroflorestais
Sistemas de enriquecimento de
capoeiras com espécies de
importância econômica e
pousio melhorado
Atividades de manutenção
Monitoramento hidrológico
Fonte: AGEVAP, 2014b.
109

As atividades de manutenção e monitoramento hidrológico, também foram previstas


no projeto, que determina as ações mínimas que deve ser implantada, como demonstrado no
quadro 23 a seguir:
Quadro 23 - Ações de manutenção e monitoramento hidrológico do projeto PSA Hídrico
CEIVAP
Manutenção de cerca
Roçada
Marcação
Coroamento
Berçamento
Calagem
Atividades de manutenção
Adubação de cobertura e
plantio/replantio
Replantio
Cobertura morta
Hidrogel
Controle de formigas
Pluviosidade
Vazão e/ou nível dos corpos
hídricos
Monitoramento hidrológico
Turbidez da água e sólidos em
suspensão
Outros quando necessário
Fonte: AGEVAP, 2014b.

4.6.3 Resultados

Para a verificação do atendimento das metas, o monitoramento deve ser implantado


em cada projeto, preferivelmente antes mesmo do início das ações em campo, podendo gerar
uma linha de base da condição inicial da bacia hidrográfica e mais facilmente apontar os
impactos positivos sobre a quantidade e qualidade de água.
O início das ações de restauração e conservação foi postergado para 2017, já que,
apenas no final de 2016 os contratos entre os produtores rurais e os municípios foram
firmados (CEIVAP, 2018b).
Até o momento o programa conta com um total de 116 provedores, nos três estados,
que contribuem com a conservação de aproximadamente 550 ha de floresta e restauração de
290 ha. Como descritos no quadro 24 a seguir, que identifica o alcance dos projetos até
outubro de 2017 (CEIVAP, 2017).
110

Quadro 24 - Projetos de PSA Hídrico elaborados pelo CEIVAP até outubro de 2017
Conservação Restauração
Estados Projetos Provedores
(hectare) (hectare)
São Jose dos Campos 4 352,9 50,48
SP
Guaratinguetá 17 0 38,17
Resende 5 20 40
Barra Mansa 7 21 39
Áreal 1 10 8
RJ Paraíba do sul 2 2,27 10,8
Paty do Alferes 6 10 10
Petrópolis 11 30 30
Carapebus 27 20 23
Muriaé 12 27,97 11,52
Rio Pomba 12 25,74 25,92
MG
São sebastião da Vargem
12 32,41 6,18
Alegre
Total 116 552,29 293,07

Fonte: CEIVAP, 2017.

4.7 Projeto Águas do Rio Santana (Miguel Pereira)

No Projeto Águas do Rio Santana, as informações relacionadas aos editais e relatórios


não foram encontradas. Os entes ITPA e INEA foram acionados para contribuir com a
pesquisa, contudo, a demanda não foi atendida, pelo menos não a tempo. Os dados aqui
demonstrados têm como fonte o relatório de certificação Nº 5 do PROGESTÃO29 do ano de
2016 para o estado do Rio de Janeiro.
O Projeto águas do Rio Santana foi iniciado em 2014 no município de Miguel Pereira.
É uma iniciativa do ITPA com recursos da HSBC (aproximadamente R$ 1.294.673,00) e
apoio do INEA, que já alcançou como principais resultados a instalação de 95 sistemas de
saneamento rural (meta de 116), a conservação florestal de 297 ha e restauração florestal de
259 ha, com a participação de sete proprietários rurais contratados (ANA, 2016).

29
O Programa de Consolidação do Pacto Nacional pela Gestão das Águas (PROGESTÃO) é um programa de
incentivo financeiro aos sistemas estaduais para aplicação exclusiva em ações de fortalecimento institucional e
de gerenciamento de recursos hídricos, mediante o alcance de metas definidas a partir da complexidade de gestão
(tipologias A, B, C e D) escolhida pela unidade da federação.
111

4.8 Pacto pelas Águas do Estado do Rio de Janeiro – Projeto Rio das Flores

O governo do estado do Rio de Janeiro, por meio da SEA, do INEA e com apoio de
diversos parceiros, lançou em 22 de outubro de 2015 o “Pacto pelas Águas” que se configura
como ações de médio e longo prazo que buscam fomentar a segurança hídrica do estado,
através da proteção dos mananciais estratégicos de abastecimento.
O Pacto pelas Águas tem por objetivos algumas ações como a delimitação de áreas de
mananciais estratégicos e prioritárias para restauração e conservação florestal e ações de
restauração florestais estabelecidas por meio de compensações ambientais decorrentes de
licenciamento ambiental. O programa busca, ainda, dar apoio a projetos de PSA que
envolvam ações de restauração e conservação florestal visando à produção de água e a
regularização das propriedades rurais através do Cadastro Ambiental Rural (CAR) e Programa
de Regularização Ambiental (PRA).
O Pacto tem por meta o restauro e conservação de 22 mil hectares até 2022, o que
corresponde a cerca de 42 milhões de mudas para restauração. O projeto Água do Rio das
Flores é uma das iniciativas do pacto que visa à restauração e conservação florestal de áreas
prioritárias de mananciais (SEGURANÇA HÍDRICA RJ, 2018).
O projeto Água do Rio das Flores consiste fundamentalmente na proteção e
recuperação de matas ciliares da bacia do Rio das Flores, no município de Valença,
beneficiando o abastecimento de mais de 50 mil habitantes, o equivalente a cerca de 80% da
população do município. O projeto tem como objetivo o plantio de mais de um milhão de
mudas de árvores nativas próximas a nascentes e margens dos rios da bacia. Prevê, ainda, a
regularização das propriedades rurais da região através do Cadastro Ambiental Rural (CAR)
(SEGURANÇA HÍDRICA RJ, 2018). O projeto teve início em julho de 2016 e prevê
duração de cinco anos. Ao final, espera-se o reflorestamento, com vegetações nativas, em
áreas estratégicas para produção de água (INEA, 2018).
A Bacia do Rio das Flores30 possui 161,7 km² de extensão e tem suas nascentes e
cabeceiras localizadas nos municípios de Valença e Barra do Piraí. Aproximadamente 32%
de sua área está coberta por florestas, contudo, os usos antrópicos na bacia se destacam, com
aproximadamente 66% da área com uso voltado para pastagens e agricultura (SEGURANÇA

30
Vídeo do projeto https://www.youtube.com/watch?time_continue=16&v=y-AX-Xv46lo.
112

HIDRICA RJ, 2018). A região conta com uma Unidade de Conservação (UC), 31 o Parque
Estadual da Serra da Concórdia, criado em 2002 e ampliado em setembro de 2016, sendo uma
UC de proteção integral e abrangendo uma área total de 5.952,11 hectares (INEA, 2018).
Como meta, o projeto pretende recuperar 610 hectares em nascentes e matas ciliares,
totalizando o plantio de mais de um milhão de mudas de árvores nativas. Para isso, o
investimento previsto na bacia fica a cerca de 18 milhões de reais (INEA, 2018).

4.8.1 A operacionalização do PSA

O projeto é realizado pela Secretaria de Estado do Ambiente (SEA) e o Instituto


Estadual do Ambiente (INEA), em parceria com a Fundação Dom André Arco Verde e
Concessionária Rio Galeão, que disponibilizam assistência técnica aos proprietários. A
seleção de áreas prioritárias de restauro, divulgação e sensibilização da comunidade ficam sob
a responsabilidade da Fundação Educacional André Arcoverde e INEA. Outros parceiros
envolvidos no Projeto são a Ferroport e o Comitê de Integração da Bacia Hidrográfica do Rio
Paraíba do Sul - CEIVAP.
Para participar do Projeto os proprietários rurais da bacia devem estar cadastrados no
CAR e adotar boas práticas como: saneamento rural, conservação do solo, sistemas
agroflorestais, consórcios florestais, entre outras. A partir da celebração do Termo de Adesão
os proprietários recebem apoio gratuito para o registro no Cadastro Ambiental Rural (CAR) e
acesso ao crédito agrícola; além da adequação ambiental da propriedade, financiamento e
execução gratuita das ações de restauração florestal em nascentes e matas ciliares (INEA,
2018). O quadro 25 retrata de forma sucinta a caracterização legal e institucional do projeto.

31
As Unidades de conservação (UC) são espaços territoriais, incluindo seus recursos ambientais, com
características naturais relevantes, que têm a função de assegurar a representatividade de amostras significativas
e ecologicamente viáveis das diferentes populações, habitats e ecossistemas.
113

Quadro 25 – Caracterização legal e institucional da “Bacia do Rio das Flores”


Caracterização, Marco Legal e Institucional
Instituições Participação
Projetos/Ano Municípios RH Marcos Legais
envolvidas da ANA
Fundação Dom
André Arco
Verde
Concessionária
Bacia do Rio Nenhuma
Informação não Rio Galeão
das Flores Valença III informação no
encontrada CEIVAP
(2016) SNIRH
Secretaria de
Estado do
Ambiente (SEA)
Ferroport
Fonte: diversos autores.

4.8.2 As práticas conservacionistas

As práticas conservacionistas relatadas contam com o plantio de mudas nas áreas


mapeadas como prioritárias nas propriedades participantes. A saber, o quadro 26, a seguir,
relaciona a ação de plantio com as áreas prioritárias contemplada no projeto.
Quadro 26 - Ações realizadas na Bacia do Rio das Flores

Bacia do Rio das Flores


Meta de
Ação Parceiro restauração Instrumento
(hectare)
Termo de Compromisso
Concessionária Rio
94 Ambiental (TAC)/Medida
Galeão
Plantio de mudas compensatória
em APP Termo de Compromisso
Ferroport/Porto do
(Nascentes e 500 Ambiental (TAC)/Medida
Açu
matas ciliares) compensatória
CEIVAP 16 Projeto Aprovado
TOTAL 610
Fonte: INEA, 2018.
114

4.8.3 Resultados

O Programa, atualmente conta com a mobilização de 33 proprietários, que participam


da recuperação de cerca aproximadamente: 440 ha de áreas prioritárias (nove nascentes, matas
ciliares e áreas de recarga). O monitoramento das ações de plantio se dá por sensoriamento
remoto e visitas técnicas.
Os proprietários que aderem ao programa recebem apoio gratuito para o registro no
Cadastro Ambiental Rural (CAR) e acesso ao crédito agrícola; além da adequação ambiental
da propriedade. O financiamento e execução da restauração são gratuitos.
Até dezembro de 2016 o (CAR) foi realizado em 156 imóveis, representando uma área
de 9.744ha o equivalente a aproximadamente 60% da área da bacia do Rio das Flores. O
projeto ainda está em curso e até maio de 2018 apresentou os seguintes resultados (INEA,
2018):
a) 441 ha de área mobilizadas;
b) 235 hectares de florestas restauradas;
c) Realização do plantio de cerca de 391.510 mudas.
115

5 DISCUSSÃO

De forma geral os projetos de PSA hídricos fluminenses apresentam conformações


diferentes quanto a temática envolvida e a metodologia empregada nas práticas de
conservação. O horizonte temporal dos projetos se inicia com a formulação em 2007 do
Fundo de Boas Práticas Socioambientais - FUNBOAS, seguido pelo projeto Produtores de
Água e Floresta no Rio das Pedras no município de Rio Claro (2008), que se desenvolveu sob
a guarda do Programa Produtor de Água da ANA. Em um intervalo de quatro anos o projeto
ganhou força sendo expandido para todo o município de Rio Claro e posteriormente, a partir
de 2012, deu origem ao programa PRO-PSA Guandu que abarcou toda a Região Hidrográfica
II do estado.
Em 2013 o PSA da Bacia do Rio Macaé foi concebido através da resolução Nº49 de
seu comitê, que obteve como primeiro produto o Diagnóstico socioambiental e Projeto técnico
de ações de conservação do solo e da água da Sub Bacia do Alto curso do Rio Macaé,
produzido sob a tutela do Programa Produtor de Água da ANA. No ano seguinte, ocorreu a
instauração do projeto piloto de PSA Hídrico para a bacia do Rio Paraíba do Sul idealizado
pelo CEIVAP. Em 2014 o CEIVAP iniciou o processo que estabeleceu 13 projetos em
município dos estados de São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais. No mesmo ano teve
início o Projeto água do Rio Santana, no município de Miguel Pereira. Mais dois anos se
passaram (2016) para que as ações em PSA hídrico realizadas no município de Valença, na
Bacia do Rio das Flores, fossem implementadas. O quadro 27 representa a evolução temporal
dos Projetos de PSA hídricos no estado.
Quadro 27 – Linha do tempo dos projetos de PSA hídricos no Rio de janeiro

Fonte: O autor, 2018.


116

No total passaram se nove anos desde a primeira ação com esse intuito até a mais
recente. Pode se afirmar que é um espaço temporal curto, visto a complexidade de alguns
projetos e o contexto político–econômico do estado no período. Como comparativo, as
primeiras ações de PSA hídrico no mundo tem registro na década de 90 na Colômbia, a saber,
a iniciativa de compensação por serviços ambientais no Vale do Rio Cauca, originada pela
necessidade de atender a alta demanda hídrica agrícola da região (FIDALGO et al., 2017).
Quando a comparação se dá com o projeto pioneiro no Brasil o estado do Rio de Janeiro
demonstra paridade de desenvolvimento de iniciativas do tipo. A primeira experiência prática
nacional surgiu sob o amparo da ANA em 2006 visando à melhora da qualidade, quantidade
hídrica e o regime de vazão das bacias hidrográficas no âmbito do comitê PCJ. Essas ações
envolveram entes de São Paulo, Minas Gerais e a ANA no entorno de bacias consideradas
prioritárias para a produção de água (ANA, 2008).
O uso preponderante das águas nas regiões de implantação dos projetos prevê
prioritariamente o abastecimento doméstico e atendimento agropecuário. Entretanto, de
acordo com a vocação da bacia outros usos podem ser observados. Esses projetos atendem a
uma população estimada em 14 milhões de habitantes, que além do ganho de maior segurança
hídrica obtêm outros benefícios associados, como os ganhos ambientais e socioeconômicos.
As parcerias estabelecidas possuem representantes de diferentes esferas do governo,
ONGs e a sociedade civil. Em somente um dos projetos a iniciativa privada age de forma
direta, ainda que por força de medidas compensatórias (Bacia do Rio das Flores). Os valores
depositados nos projetos variam, ora pela conformação, ou seja, o tipo de estrutura e incentivo
negociado, ora devido às ações previstas, algumas mais onerosas que outras. As
características socioambientais das bacias, também, têm forte influência no valor total
empregado. Cabe lembrar, que fatores externos como a situação político-econômica do
estado interferiu nos programas. Precisamente, o arresto no FUNDRHI32 fragilizou os comitês
e impossibilitou a ampliação dos projetos previstos para 2015, que só foram retomados nesse
ano.
Os projetos estão em etapas distintas de implementação. O FUNBOAS está em fase de
execução das ações mais recentes, o PAF Guandu e o PRO-PSA Guandu estão em fase de
manutenção e pagamento aos produtores. O PSA da Bacia do Rio Macaé está em espera por

32
O Fundo Estadual de Recursos Hídricos- FUNDRHI é parte do Sistema Estadual de Gerenciamento de
Recursos Hídricos - SEGRHI para a viabilidade econômica de diversas atividades e a possibilidade de
descentralização da gestão de recursos hídricos. É gerido pelo Instituto Estadual de Ambiente - INEA e tem
como objetivos: o financiamento para implementação dos instrumentos de gestão, o desenvolvimento das ações,
programas e projetos do Plano Estadual de Recursos Hídricos e dos Planos de Bacia Hidrográfica e os programas
governamentais de recursos hídricos.
117

primeiro edital. O PSA Hídrico CEIVAP está realizando o pagamento aos produtores rurais e
realizando as atividades de manutenção. O PSA da Bacia do Rio das Flores está em estágio de
execução das atividades e realização do Cadastro Ambiental Rural.
De forma mais dinâmica esse panorama está representado no quadro 28 a seguir, onde
as principais características dos projetos estão dispostas.
Quadro 28 – Características gerais dos projetos de PSA do estado do Rio de Janeiro
CARACTERIZAÇÃO GERAL
População
Projeto Uso da Água Valor Global Fase do projeto Objetivo
beneficiadas
Limite mínimo
Fundo de Boas Abastecimento 25% e máximo de Fomentar as boas práticas
Práticas doméstico, 50% da socioambientais dos agricultores
390 mil Em execução
Socioambientais - agropecuário, arrecadação sobre familiares e melhorar as condições
FUNBOAS turismo e lazer a cobrança pelo ambientais da região.
uso da água
Abastecimento
Produtor de água Pagamento do Intervir em áreas produtoras de água
doméstico, Indústria,
e Floresta (Rio 100 mil 8.500.000,00 PSA e práticas e prioritárias para a conservação da
Agropecuária,
Claro) de manutenção biodiversidade da Mata Atlântica
Mineração

Abastecimento no mínimo, o valor


Pagamento do Recuperar e conservar a qualidade e
PRO PSA doméstico, Indústria, relativo a 3,5% da
9 milhões PSA e práticas a regularidade da disponibilidade da
Guandu Agropecuária, arrecadação do
de manutenção água nos corpos hídricos da RH
Mineração Comitê Guandu
Realizar práticas que visem à
Abastecimento regularização da vazão do manancial
doméstico, em regiões altas e nas várzeas,
Aguardando
Bacia Rio Macaé agropecuário, 500 mil 1.200.000,00 incentivo ás boas práticas
edital
industrial, turismo e agropecuárias, intervir em processos
lazer erosivos e adequação do
saneamento rural
Aproximadam
Abastecimento ente 14 Promover a restauração das áreas
doméstico, diluição milhões de que apresentam estado crítico de
Pagamento do
PSA Hídrico - de esgotos, irrigação habitantes, degradação e, ao mesmo tempo, que
6.150.000,00 PSA e práticas
CEIVAP e geração de somados os 9 sejam de interesse para a
de manutenção
energia, pesca, milhões da conservação de recursos hídricos,
aquicultura, etc. região como as APPs úmidas
metropolitana
Informação
Rio Santana Informação não Informação não
não 1.300.000,00 Informação não encontrada
(Miguel Pereira) encontrada encontrada
encontrada
Abastecimento Realização das
Bacia do Rio das Restaurar e conservar áreas
doméstico e 50 mil 18.000.000,00 restaurações e
Flores (Valença) prioritárias de mananciais
agropecuária CAR
Fonte: O autor, 2018.
Vale ressaltar que as condições legais exigidas conferem segurança aos projetos e
estão representadas, na maioria das vezes, pela presença dos órgãos públicos executivos na
figura das prefeituras. O arcabouço legal viabiliza as ações no município e aproxima os
produtores rurais. Em contrapartida, a ausência de leis sobre o PSA pode atrasar e/ou
inviabilizar os projetos por não fornecer a segurança jurídica necessária. Todavia, a vontade
118

política dos entes envolvidos deve estar de comum acordo com a necessidade da bacia para
receber tais intervenções.

5.1 Práticas conservacionistas e saneamento

Inicialmente, as práticas de conservação foram separadas em três grupos distintos, nas


quais foram agrupadas atividades relativas às práticas mecânicas, edáficas e vegetativas. A
esse conjunto foi adicionado um quarto grupo, que não pertence ao nicho das práticas
conservacionistas do solo e da água, embora, tenha grande influência na garantia da segurança
hídrica, e principalmente, teve ações executadas nos projetos de PSA hídrico; é o grupo
referente às ações de saneamento rural.
Sendo assim, ao todo, foram identificadas 34 diferentes ações de conservação e
saneamento dentro dos sete projetos pesquisados e do programa Produtor de Água da ANA.
As práticas conservacionistas presentes no Programa Produtor de Água, também, foram
relacionadas devido a importância do programa como fomentador do PSA hídrico no âmbito
nacional e sua influência específica em dois dos projetos analisados.
Das 34 atividades 67% corresponderam às ações de práticas vegetativas, grupo com
maior número de ações. Vale ressaltar que as práticas mecânicas mencionadas foram
descritas, apenas, no escopo do Programa Produtor de Água (ANA), onde foram apresentadas
5 atividades. As ações relacionadas às práticas edáficas e saneamento foram as que tiveram o
menor número absoluto dentre os grupos com apenas 3 ações cada. A relação quantitativa das
atividades em grupo de prática pode ser observada no gráfico 4 a seguir:
Gráfico 4 – Quantidade de atividades realizadas por grupos de práticas de conservação e
saneamento
Ações relacionadas aos grupos de conservação e
saneamento
Práticas Vegetativas Práticas Edáficas
Práticas Mecânicas Saneamento
23

5
3 3

Fonte: O autor, 2018.


119

5.1.1 Práticas mecânicas

O grupo de práticas mecânicas foi relacionado apenas pelo Programa Produtor de


Água da ANA, que apesar de ser um dos programas pioneiros no país e indutor de outros
projetos de PSA hídrico, incluindo os projetos PAF Rio Claro e Bacia do Rio Macaé, não
influenciou de forma plena a adoção das técnicas mecânicas em nenhum projeto pesquisado.
O quadro 29 mostra a relação das atividades conservacionistas mecânicas propostas
unicamente pelo Produtor de Água.
Quadro 29 - Práticas mecânicas de
conservação do Programa
Produtor de Água (ANA)
Ações relacionadas ao grupo de
práticas conservacionistas
mecânicas
Bacia de infiltração (barraginhas)
Barragem subterrânea
Readequação de estradas
Subsolagem
Terraceamento
Fonte: ANA, 2008.
Ainda que, as práticas mecânicas relacionam-se com o ordenamento do solo e da água,
principalmente em situações que se busca evitar, mitigar ou reverter a degradação, nenhuma
ação dessa natureza foi prevista nos projetos. A ausência dessas atividades foi comentada por
algumas instituições responsáveis pela execução dos projetos de PSA hídrico, que
relacionaram a necessidade dessas práticas em virtude das características das áreas elegidas,
que, com certa frequência, apresentavam algum estágio de degradação. Em conversa com
especialistas do Comitê Guandu a relevância desse grupo de ações se tornou mais evidente,
quando comentado um caso, no qual, as atividades de restauração realizadas ao longo da faixa
ciliar de um corpo hídrico no Projeto PAF de Rio Claro não teve sucesso devido o estado de
degradação da margem em questão.
120

5.1.2 Práticas edáficas

As atividades relacionadas às práticas edáficas foram identificadas em quatro projetos


de PSA hídricos. Esse grupo reuniu apenas três atividades distintas, destacando a “adubação”
como a ação mais replicada, presente em três dos sete projetos. Vale ressaltar que nenhuma
das atividades listadas desse grupo de práticas conservacionistas foram identificadas no
Programa Produtor de Água (ANA). A relação entre atividades de conservação edáfica e
projetos de PSA hídrico está disposta no quadro 30 a seguir:
Quadro 30 – Relação das práticas edáficas de conservação e projetos de PSA Hídricos
PAF Rio Claro

Rio das Flores


Águas do Rio
Bacia do Rio

PSA hídrico
Práticas de
FUNBOAS

PRO PSA

CEIVAP

Santana
Guandu

Macaé
conservação do
solo e da água
e Saneamento

Práticas Edáficas
Insumos
X
orgânicos
Adubação X X X
Calagem X X
Fonte: O autor, 2018.

Segundo Andrade e Chaves (2012), as práticas edáficas têm como objetivo o manejo
adequado da fertilidade do solo com aplicações de adubos e corretivos sempre que necessário.

5.1.3 Práticas vegetativas

As práticas vegetativas formaram o grupo com o maior número de atividades elegíveis


e executadas nos projetos. Engloba aproximadamente 67% das atividades previstas. Foi nesse
conjunto que as ações conservacionistas foram mais implantadas em projetos, sendo os
destaques para:
a) plantio de mudas – 5 projetos
b) sistemas Agroflorestais – 5 projetos
121

A ANA em seu Programa Produtor de Água estabelece algumas atividades nesse


grupo como: plantio adensado e em nível, produção e plantio de mudas e sistemas
agrosilvipastoris. As atividades de produção de mudas e o sistema agrosilvipastoril não foram
adotadas por nenhum projeto pesquisado.
Como observado por MAPA (2012) a utilização dessas práticas de conservação é de
fundamental importância no controle de perdas de solo e água em áreas agriculturáveis, posto
que, elas procuram adequar o sistema de cultivo de modo a manter ou melhorar a fertilidade
do solo e sua cobertura, interferindo ao mesmo tempo na dinâmica hídrica local.
Durante o seminário Conservação de solo: Sustentabilidade na produção de alimentos
e na segurança hídrica, realizado em abril de 2018 em Brasília (DF), Alan Bojanic,
representante da FAO no Brasil, sustentou a implementação das boas práticas de manejo e
conservação do solo como fundamentais. Destacou o uso da integração lavoura-pecuária-
floresta, como uma importante prática. Inclusive, ressaltou a necessidade de promoção de tais
práticas aos agricultores, na busca da mudança do entendimento coletivo sobre o trato do solo
e da água (FAO, 2018). O quadro 31 apresenta as práticas vegetativas relacionadas nos
projetos. O quadro 32 representa a relação das ações de conservação vegetativas e os projetos
de PSA hídricos.
Quadro 31 – Práticas de conservação vegetativas

Ações relacionadas às práticas vegetivas


Nucleação
Cultivo Rotação de Sistemas Produção de
(Poleiros naturais Nucleação
consorciado culturas Agroflorestais mudas
ou artificiais) (Abrigo de
Uso de cobertura Pastejo fauna)
Enriquecimento Aceiramento Roçada seletiva
morta rotacionado
Implantação de
Uso de moirão Sistema Plantio adensado
horta Coroamento Nucleação
vivo Agrosilvopastoril e em nível
sombreada (chuva de
Limpeza de Uso de cordões Sistema semente)
Adubação verde Plantio de mudas
pasto de vegetação silvipastoril
Fonte: O autor, 2018.
122

Quadro 32 – Relação das Práticas de conservação vegetativas e projetos de PSA hídricos

PAF Rio Claro

Rio das Flores


Águas do Rio
Bacia do Rio

PSA hídrico
Práticas de

FUNBOAS

PRO PSA

CEIVAP

Santana
Guandu

Macaé
conservação do
solo e da água
e Saneamento

Práticas Vegetativas
Aceiramento X X
Adubação verde X X
Coroamento X X X
Cultivo
X
consorciado
Enriquecimento X X X X
Implantação de
X
horta sombreada
Limpeza de pasto X X
Nucleação X X
Nucleação -
X
Abrigo de fauna
Nucleação -
chuva de X
semente
Nucleação -
Poleiros naturais X
ou artificiais
Pastejo
X
rotacionado
Plantio adensado
X X
e em nível
Plantio de mudas X X X X X
Roçada seletiva X X X
Rotação de
X
culturas
Sistema
X
silvipastoril
Sistemas
X X X X X
Agroflorestais
Uso de cobertura
X
morta
Uso de cordões
X
de vegetação
Uso de moirão
X
vivo
Fonte:O autor, 2018.
123

5.1.4 Saneamento

Foram poucas as práticas referentes ao saneamento rural realizadas nos projetos. As


atividades previstas nesse grupo foram:
a) adequação dos sistemas de captação de água;
b) instalação de caixas de gordura;
c) instalação de fossas sépticas biodigestoras33.
Da mesma forma, esse foi o grupo menos implantado, sendo apenas adotado em três
projetos, como o observado no quadro 33 que relaciona as ações em saneamento e os projetos
de PSA hídricos.
Quadro 33 - Relação das Práticas de saneamento e projetos de PSA hídricos
PAF Rio Claro

Rio das Flores


Águas do Rio
Bacia do Rio

PSA hídrico
Práticas de
FUNBOAS

PRO PSA

CEIVAP

Santana
Guandu

Macaé
conservação do
solo e da água
e Saneamento
Práticas de Saneamento
Adequação de
sistemas de X
captação de água

Instalação de
X
cai1as de gordura

Instalação de
fossas sépticas X X X
biodigestoras
Fonte: O autor, 2018.

A implementação dessas práticas contribui de forma contundente com a qualidade das


águas e solo, ao reduzir as perdas e contaminações hídricas. Do mesmo modo, viabiliza a
redução da poluição oriunda das propriedades rurais.
Segundo FUNASA (2017) com base nos dados da PNAD 2015, estima-se que pouco
mais de 1/3 (34,5%) dos domicílios nas áreas rurais estejam ligados a redes de abastecimento
de água. Em contrapartida 65,5% da população obtém água diretamente de cursos de água

33
Segundo pesquisa de Costa e Guilhoto (2014) a instalação de fossas biodigestoras em comunidades rurais
pode reduzir a poluição dos corpos hídricos em cerca de 129 mil toneladas de resíduos/ano e que cada R$ 1,00
investido pode gerar retorno para a sociedade de R$ 1,6 em renda interna bruta; além de ganhos na saúde e
geração de emprego.
124

sem nenhum tratamento ou de fontes alternativas. O esgotamento sanitário, através de rede


propícia, está presente em 5,45% dos domicílios rurais. Outros 4,47% dos domicílios
utilizam fossas sépticas ligadas à rede coletora e 28,78% fossa séptica não ligada à rede
coletora. Os demais domicílios (61,27%) fazem uso de fossas rudimentares34, lançam dejetos
em cursos hídricos ou diretamente no solo a céu aberto.
Nesse contexto as práticas pertencentes ao PSA que estão no grupo saneamento são
pertinentes e necessárias, já que, promovem a melhora das condições de saúde, benefícios ao
meio ambiente e ganhos sociais, culminando em ganhos econômicos para a comunidade
atendida. Ademais, permite o atendimento dos objetivos do PSA hídrico quando favorece o
aumento da disponibilidade qualitativa e quantitativa hídrica da região. Cabe ressaltar que as
características locais podem requerer formas distintas de saneamento, quanto às questões
ecológicas, educacionais e técnico-financeiras.

5.2 Monitoramento

Em todos os projetos a etapa de monitoramento das atividades executadas é


determinada. Contudo, as formas de monitorar assumem distintos aspectos variando de
acordo com os projetos. De forma geral, o olhar do técnico é uma das primeiras ações e a
mais corriqueira nos projetos. A visita técnica pode estar relacionada a aplicações de
questionários ou construção de relatórios durante a verificação In Loco das atividades
executadas.
Acompanhar o desenvolvimento das atividades através de indicadores, também foi
uma forma utilizada. Pelo caráter do PSA os indicadores mais recorrentes são os hidrológicos
como observados no PAF Guandu, PRO-PSA Guandu e PSA Hídrico CEIVAP que
compartilham praticamente os mesmos parâmetros de monitoramento. As ações de
monitoramento contam com a verificação da pluviosidade, vazão e/ou níveis dos corpos
hídricos, turbidez e sólidos em suspensão, sedimentação no leito dos corpos hídricos. Demais
parâmetros como PH, DBO, nitrogênio dentre outros podem ser adotados para a aferição de
qualidade. Os Indicadores biológicos, indicadores do uso do solo e cobertura vegetal, suas
propriedades físico-químicas, assim como a infiltração da água e erosão nas áreas de

34
O uso de fossas rudimentares não garante a não contaminação das águas superficiais e subterrâneas,
aumentando o risco de dispersão das doenças de veiculação hídrica, parasitoses e diarreias.
125

restauração também são previstos nos projetos. O sensoriamento remoto é uma ferramenta
prática e bastante utilizada para o monitoramento das atividades em restauração.
Cabe ressaltar que a temática do monitoramento da relação solo-água, ou seja, os
mecanismos associados a essa etapa do ciclo hidrológico, vem sendo estudada em ciências
como a agronomia e a geociência há pelo menos 40 anos. Portanto, outras contribuições,
metodológicas e técnicas, referentes a essa análise podem ser incorporadas a estrutura do
monitoramento, otimizando a averiguação dos entregáveis e alcance dos objetivos.
De forma geral, as práticas de conservação do solo e da água e saneamento,
relacionados aos projetos reuniram atividades de extrema relevância para o “pensar
ambiental” visando a integração homem natureza. Pode se dizer que as práticas de
conservação são de fundamental importância para o atendimento das demandas ambientais as
quais o PSA hídrico se dispõe. Isso se dá, não exclusivamente através da sua realização, mas
sim, em conjunto com os arcabouços administrativo, legal e institucional dos quais são
formados os projetos.

5.3 Potencialidades e Limitações

Por meio da observação dos históricos e conformações dos PSAs destacam se algumas
potencialidades e limitações na construção e implementação desse tipo de projeto.

5.3.1 Potencialidades

As potencialidades a seguir representam as oportunidades de melhoramento na


eficiência dos projetos de PSA.
A especificidade de cada projeto de PSA, onde se deve buscar a adequação às
necessidades e peculiaridades locais, permitindo ações com maior efetividade e que
promovam os objetivos esperados. Portanto, pode–se dizer que não há um modelo rígido e
único para todas as situações, mas, o modelo apropriado.
Os projetos já realizados, e os que estão em andamento, contribuem com a formação
de mão de obra especializadas nesse tipo de organização. A discussão gerada pelos projetos
126

permite identificar as competências essenciais para os profissionais que participam desse tipo
de ação. Desta forma, o projeto de PSA contribui com o pensar global, quando favorece a
transdisciplinaridade. A reunião de especialistas em diversas áreas cria um espaço de troca e
desenvolvimento de conhecimento específico e se configura como um dos legados dos
projetos.
A participação de entes de diversas esferas da sociedade reflete o amadurecimento da
gestão, na tentativa de garantir a eficácia das ações com construções administrativas, jurídicas
e sociais mais robustas. Esse tipo de salvaguarda permite que o projeto seja, promovido,
desenvolvido e angarie outras fontes de financiamento, novas abordagem e soluções, na busca
da sua sustentabilidade. A congregação de diversos entes incentiva a “vontade política” e
permiti que novas políticas públicas sejam desenvolvidas.
Outro efeito importante nesse universo é a melhora das condições do produtor rural,
que se vê inserido no contexto ambiental produtivo e sustentável. Ele assume uma posição
importante de cidadão conservador e provedor dos serviços da natureza essenciais à vida,
além de fortalece os vínculos com a comunidade. O PSA permite, também, a valorização da
propriedade rural e adequação ambiental.
A promoção da educação ambiental, que em projetos como esses, permite a difusão de
conhecimento de forma regular. Conforme as etapas vão acontecendo elas se integram a vida
da comunidade, proporcionando maior entendimento e possíveis replicações.
Com as experiências adquiridas, até então, novas conformações de projetos serão
construídas com a possibilidade da inclusão de outros grupos de práticas e processos. Os
projetos pesquisados são pilotos, que tem por característica experimentar novas ideias de
processos e ferramentas. Com o desenvolvimento da expertise a tendência é a construção de
planos mais eficientes e efetivos, redução dos custos e maior assertividade. Um indicativo de
bom projeto é sua replicação para outras áreas. Como exemplo, as experiências obtidas no
Projeto PAF Rio Claro estão sendo discutidas para a formulação de projetos para municípios
vizinhos, o que representa a positividades das ações nesses moldes.
A potencialidade na questão financeira está no rastreio por novas fontes, que pode
chegar com o aumento da expertise do projeto, ou novos arranjos, buscando investimentos
públicos e privados. Exemplos de outros projetos de PSA no país são bem-vindos, como a
formação do FEMA – Fundo Especial do Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável do
município de São Paulo, que tem por objetivo financiar ações de PSA. O Projeto Produtor de
Água do Rio Camboriú, que recebe contribuição de 1% da arrecadação bruta anual da
Empresa Municipal de Água e Saneamento de Balneário Camboriú (EMASA), dentre outros
127

(MMA, 2017a). Outra forma de reduzir custos é incentivar as boas práticas agrícolas que se
desdobrariam na economia verde, com atividades rentáveis aos produtores rurais. Como
exemplo, o fomento dado à implantação de SAFs e culturas consorciadas no projeto Replanta
Guandu35 (CAMPELLO et al., 2018).

5.3.2 Limitações

As limitações descritas a seguir representam alguns pontos, inclusive, das


potencialidades, que se negligenciados, podem limitar ou até mesmo contribuir para o
insucesso dos projetos de PSA.
Destaca-se a necessidade de personalização de cada projeto, que deve ser construído
de acordo com as especificidades locais atento às esferas sociais, ambientais e econômicas.
Para que isso ocorra da melhor forma as pesquisas e diagnósticos socioambientais devem
reproduzir a real situação da localidade. Essas etapas de construção de cenários e indicação
de premissas são extensas e dispendiosas devido às necessidades de mão de obra qualificada e
aporte financeiro. Todavia, a ausência ou a fragilidade dessa etapa pode constituir um risco ao
projeto tornando-o oneroso, improdutivo ou até mesmo inviável.
A escassez de mão de obra qualificada, principalmente para a etapa de monitoramento,
é um fator limitante. As atividades de recuperação e restauração necessitam da congregação
de especialistas em diversas áreas. Assim como, a própria estruturação do projeto requer
profissionais especializados.
A condição institucional, de igual modo, pode configurar uma limitação constituída na
dependência da disponibilidade e sincronia dos distintos entes para a realização do projeto.
Como relatado nos levantamentos, a exigência da participação do poder executivo na figura
das prefeituras, em alguns casos, atrasou o andamento de projetos. Porém, a exigência da lei
municipal é basilar na maioria dos arcabouços. Como caso emblemático o projeto “Produtor
de Água e Floresta da Bacia da Sacra Família”, foi habilitado em 2015, entretanto, um dos
municípios envolvidos só conseguiu promulgar sua lei municipal, apenas, em 2018.

35
Em complementação à recomposição florestal da bacia do rio Guandu, foram trabalhadas diferentes
ações enfatizando a implantação de sistemas agroflorestais buscando meios de se praticar uma agricultura
racional embasada na sustentabilidade. Diante disso, diferentes modelos agrolforestais foram
apresentados e implantados, sempre em concordância aos costumes da comunidade trabalhada.
128

Outro ponto destacado é a necessidade da constante sensibilização do produtor rural.


Em alguns projetos, mais antigos, a visão do produtor sobre a relevância das ações de garantia
ambiental inseridas no PSA se deteriorou. Ficou apenas a percepção econômica do projeto.
Cabe, então, a continua ação de educação ambiental, promovendo a conscientização sobre os
demais benefícios, incluindo o cumprimento das exigências legais, oferecidos pelo projeto,
além do benefício financeiro.
Ainda como fator limitador pode-se desatacar a ausência, na maioria dos projetos,
incluindo os que estão em fase de execução, das práticas mecânicas para intervenções em
áreas degradadas, que assim exijam.
A ausência de ações de saneamento nas propriedades rurais é uma situação que
prejudica a segurança hídrica. A carência excessiva desse serviço e sua influência na
disponibilidade hídrica, já configuram a indispensabilidade dessas ações. A adequação de
estradas rurais aparece como outra demanda ambiental, e de igual forma é extremamente
relevante para a conservação do solo e da água, porém, não disponível como ação na maioria
dos projetos observados.
O financiamento dos projetos é perene e indispensável. A necessidade de
remuneração aos proprietários rurais enfrenta o paradigma temporal, condicionado a duração
dos projetos e situação financeira. Portanto, a busca de alternativas autossustentáveis é ponto
importante. Não somente, a remuneração dos proprietários é ponto a ser debatido, mas, o
financiamento que perpassa outras etapas como o custeio da concepção, implementação,
operação, monitoramento, assistência técnica do projeto, e por vezes, a implementação das
políticas públicas; além dos demais custos de transação.
129

CONCLUSÃO

No contexto fluminense, o histórico de uso e ocupação das terras pouco objetivou a


perpetuação dos serviços ambientais, ao contrário, os passivos ambientais, sociais e
econômicos, frutos dessa forma de exploração, ainda estão presentes, e são altamente
impactantes nas dinâmicas naturais dos serviços ambientais, inclusive o hídrico. Somado a
isso, a situação hídrica da região reúne bacias hidrográficas com baixa disponibilidade
hídrica, ora por razões naturais, ora por questões socioecômicas, que permanecem provocando
o deterioramento dos mananciais de abastecimento devido à poluição e ou degradação.
Uma saída dessa condição hídrica delicada é utilizar instrumentos que possam
promover a resiliência do conjunto hídrico do estado e permitir que as múltiplas demandas de
usos, atuais e futuras, sejam atendidas. Nesse sentido, no estado do Rio e Janeiro tem início
em 2007 a aplicação do instrumento econômico PSA que reúne os provedores de serviços
ambientais (proprietários rurais) e demandantes (demais usuários) com o intuito de dirimir os
passivos ambientais, principalmente os hídricos, por intermédio da aplicação das boas práticas
de manejo e conservação do solo e da água.
Desde então, somam-se sete projetos de PSA hídricos cada um com particularidades
oriundas da dinâmica do seu planejamento e objetivos específicos individuais. Contudo, todos
os projetos implantados, ou em fase de implementação, preconizaram o convívio mais
harmônico entre as práticas rurais e o meio ambiente, promovendo a resiliência das regiões
hidrográfica fluminenses. Das nove regiões hidrográficas presentes no estado apenas duas
não possuem projetos desse tipo: RH I - Baía de Ilha Grande e RH V - Baía de Guanabara.
Apesar de não possuir projetos nesse âmbito a RH V – Baía de Guanabara se beneficia
diretamente com melhorias promovidas em outras RHs, já que, é dependente das águas
transpostas da bacia do Médio Rio Paraíba do Sul e do sistema Guandu, RHs III e II,
respectivamente, para suprir boa parte da demanda hídrica da região metropolitana do estado.
Os projetos adotaram as boas práticas de conservação do solo e da água como
intervenções em regiões de mananciais, prioritariamente. Essas práticas representam as
intervenções físicas, que reúnem diversas técnicas objetivando o resgate e melhora do
equilíbrio hídrico da região, além da promoção de uma relação mais harmônica entre a
sociedade e o meio. Outra questão que se sobressai são os arranjos institucionais-legais que
esse tipo de projeto exige, já que, através deles se dá a garantia jurídica.
130

Sob a perspectiva das boas práticas, a estrutura desses projetos, destacou a figura do
produtor rural. Diferente de outros programas o PSA tem na propriedade privada um dos
condicionantes para a sua implantação contribuindo, assim, para a melhoria do meio ambiente
e promoção das externalidades positivas para o coletivo público.
As intervenções adotaram atividades relativas às práticas conservacionistas edáficas e
vegetativas. Nessa pesquisa foi identificado e incluído outro grupo de atividades, que
configura a prática de saneamento rural. Embora não pertença estritamente às práticas de
conservação do solo e da água, no sentido agronômico, exerce forte influência na
disponibilidade quali-quantitativa hídrica, além de ser listada como conjunto de ações em
alguns dos projetos pesquisados.
O resultado das práticas de conservação aplicadas nos projetos demonstrou a
preponderância das práticas vegetativas e a ausência de ações de práticas mecânicas. As
práticas edáficas e de saneamento compartilharam baixo alcance nos projetos quando
comparadas às atividades de conservação vegetativas.
O monitoramento das atividades realizadas contou, de forma preponderante, com a
adoção de indicadores hidrológicos e sensoriamento remoto. Outros indicadores foram
relatados, como os biológicos, uso e ocupação do solo, cobertura vegetal, dentre outros.
Porém, não foi observado um padrão bem definido da forma de monitoramento e dos
indicadores essenciais a cada projeto.
De forma geral, os sistemas de Pagamentos por Serviços Ambientais hídricos
implantados no estado do Rio de Janeiro se configuram como boas metodologias para lidar
com as externalidades geradas pelas intervenções realizadas no meio rural e com isso
melhorar a condição hídrica da região. Algumas questões importantes que foram
categorizadas como potencialidades e limitações, e se bem trabalhadas, podem contribuir para
a melhoria da eficiência dos projetos de PSA hídricos.
Dentro dos projetos, a forma de escolha e implementação das práticas de conservação
encontraram, possivelmente, nas exigências financeiras e técnicas as primeiras barreiras.
Como constatado, nem todas as ações elegíveis foram realizadas, talvez, devido tais
limitações, apesar da previsibilidade em edital. Técnicas menos onerosas, foram priorizadas,
em detrimento das práticas mecânicas de conservação, apesar de serem fundamentais para o
ordenamento da dinâmica solo-água. O viés econômico-financeiro das práticas de
conservação não foi abordado nessa pesquisa. Embora, essa abordagem se mostre relevante
para a implantação das boas práticas de conservação, podendo configurar pesquisas futuras
através da análise de custo-benefício de cada atividade implementada nesse sentido.
131

Outros pontos relevantes relacionados às práticas de conservação requerem maior


atenção e aprofundamento, como o cuidado necessário para a seleção das práticas de
conservação. Espera-se que tais práticas realmente atendam os objetivos esperados. Para isso,
fatores como a construção de bons diagnósticos das áreas de intervenção e a presença de
especialização técnica são fundamentais.
De igual modo é recomendado adoção de outras técnicas de monitoramento, inclusive,
os realizáveis nos compartimentos solo e vegetação, com a utilização de novos parâmetros
que permitam a melhor aferição da eficácia das ações, alcançando assim resultados mais
palpáveis.
A perpetuidade dos projetos carece da busca por novas fontes de financiamento e/ou
novos arranjos, visando garantir à plena implementação e manutenção. Nesse ramo a
participação do setor privado pode e deve aumentar através do desenvolvimento de planos na
área da responsabilidade social corporativa. A participação do setor privado apenas como
contribuinte no pagamento pelo uso da água é muito pouco, visto o baixo preço pago e os
grandes benefícios angariados pelo uso dos recursos hídricos.
Com o auxílio desse estudo, pode se dizer que o caminho na busca da segurança
hídrica causa interferência em diversos níveis, já que, não se pode dissociar os
compartimentos da natureza, nem isolar aspectos sociais, ambientais e econômicos. Visto
isso, a visão integrada desses componentes pode gerar arranjos mais amplos e com melhores
resultados, apesar de tenderem a maior complexidade. Nessa circunstância, a contribuição de
distintas áreas do conhecimento se faz necessária, onde o conhecimento das ciências sociais,
economia, engenharias, geociências, educação, dentre outras, construirão o saber de forma
integrada. Cabe à academia, terreno fértil de conhecimento, ser berço desse processo,
adotando e fomentando a transdisciplinaridade como chave para o sucesso desse movimento,
que em suma, visa recuperar a relação homem-natureza.
A contribuição dessa pesquisa para o campo da gestão e regulação de recursos hídricos
está na demonstração de diversos aspectos dos projetos de PSA hídricos no estado do Rio de
Janeiro e o paralelo traçado quanto às práticas de conservação do solo e da água aplicadas. A
partir dessas informações é possível observar esse panorama de forma mais crítica, visando à
melhoria da eficiência dos Projetos de PSA hídricos e da implantação das práticas
conservacionistas do solo e da água no estado do Rio de Janeiro.
Finalmente, a melhoria da eficiência dos projetos de PSA hídricos através do melhor
planejamento e execução das práticas de conservação do solo e da água traz consigo inúmeros
benefícios em diversas esferas, além de multiplicar as externalidades positivas. Em
132

contrapartida, são muitos os desafios à gestão de arranjos tão complexos como o PSA. Sem
dúvida, a expertise adquirida, nos meandros desses projetos pilotos, auxiliará a construção de
um caminho mais seguro na busca do atendimento às demandas hídricas do estado em
equilíbrio com o meio ambiente.
133

REFERÊNCIAS

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hidrico.pdf> Acesso em: Jan/2018.

AGEVAP - Associação Pró-Gestão das Águas da Bacia Hidrográfica do Rio Paraíba do Sul –
Programa de Pagamento por Serviço Ambiental com Foco em Recursos Hídricos-PSA
Hídrico. (2014b) Disponível em:< http://ceivap.org.br/conteudo/edital-psa-hidrico-
programa.pdf> Acesso em: Jan/2018.

AMAZONAS. LEI Nº 4.266, DE 1º DE DEZEMBRO DE 2015. Institui a Política do


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ANA - Agência Nacional de Águas (Brasil) SNIRH - Dados Abertos - Projetos do


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