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NOTA DE REPÚDIO

Centro Acadêmico de Medicina da ESCS

Brasília, 30 de Janeiro de 2021

No dia 18 de Janeiro de 2021, o Ministério da Saúde (MS) divulgou um informe técnico no qual
descrevia os grupos prioritários da vacinação para o COVID-19. Foram contemplados pelo
informe, dentre outros, todos aqueles ligados direta ou indiretamente ao serviço de saúde -
incluindo, obviamente, os acadêmicos em áreas da saúde em estágio curricular obrigatório e
aqueles em contato com a atenção básica e clínica.

Na contramão do MS, a Secretaria de Saúde do Distrito Federal (SES-DF), tanto em sua


primeira, quanto em sua segunda circular sobre a vacinação em 2021, na definição do
público-alvo, excluiu todos os acadêmicos das áreas da saúde. Todavia, nesses mesmos
documentos, foram incluídos trabalhadores vinculados à SES-DF que atuam apenas em áreas
administrativas, sem contato direto com a população e os pacientes.

Os estudantes do Estágio Curricular Obrigatório de Medicina da ESCS, atuando nos hospitais


públicos da Secretaria de Saúde, desde a liberação do retorno ainda no ano passado; estão
expostos a infecção pelo Covid-19 e em contato com pacientes, atuando nos Pronto-Socorros,
UTIs e Enfermarias dos hospitais, cumprindo uma carga horário que ultrapassa as 40h
semanais. Na mesma situação encontram-se estagiários de diferentes instituições e cursos
espalhados pelos serviços de saúde públicos do GDF. Mesmo atuando de maneira ímpar,
como “profissionais da saúde”, foram totalmente deixados de lado no plano de vacinação do
Governo do Distrito Federal.

Dentro dessa realidade, seguindo as orientações da Secretaria de Saúde, o Hospital Regional


de Taguatinga (HRT) e o Hospital de Base negaram vacinar os estudantes sem sua inclusão na
circular. O Hospital Regional de Sobradinho (HRS) realizou a primeira dose da vacinação para
os estudantes em estágio obrigatório que atuam no hospital, contudo, demonstrou intenção de
não realizar a segunda dose por conta da devida circular. Essa decisão governamental
mostra-se tanto na contramão da recomendação federal, quanto do bom senso; evidenciado
ainda mais pela inclusão dos estagiários dos cursos de saúde na vacinação dos hospitais
universitários, como o caso no Hospital Universitário de Brasília.

O Centro Acadêmico de Medicina da ESCS (CAMESCS) reconhece o número limitado de


doses e acredita que elas devem ser utilizadas de forma estratégica visando proteger a maior
parcela possível da população do DF - considerando suas vulnerabilidades e a exposição ao
vírus. A vacinação de grupos sem contato com pacientes em detrimento de grupos em contato
mostra-se incoerente com o discurso de vacinas limitadas. Os acadêmicos do internato da
ESCS estão, sem sombra de dúvidas, incluídos no grupo de risco. A carga horária do curso de
medicina dentro dos cenários, ou seja, dentro de hospitais, unidades de pronto atendimento e
unidades básicas de saúde, é gradativamente maior chegando, atualmente, a 50 horas
semanais para os alunos em estágio curricular obrigatório.

É um absurdo garantir vacinação para servidores em áreas administrativas que não atuam
diretamente em hospitais e UBSs e deixar de lado os estagiários que estão nos cenários
realizando procedimentos, atendendo pronto-socorro, examinando pacientes na enfermaria, e
tendo contato com diversos pacientes infectados pelo COVID-19. Esses estudantes estão se
expondo, tanto quanto os outros profissionais do ambiente hospitalar e merecem ser levados
em consideração. Os estudantes do internato aumentam a capacidade de atendimento dos
serviços onde estão alocados, sendo que afastamentos por saúde desse grupo também têm
impacto no serviço. Acreditamos que a vacinação dos estudantes de medicina e das demais
áreas de saúde que estão expostos é imperativa. A vacinação é um direito de todos e o próprio
Ministério da Saúde reconhece a relevância de vacinar os acadêmicos com prioridade.

Ademais, mesmo procurada e questionada pela ESCS e outras instituições, houve ausência de
respostas e justificativas, por parte da SES-DF, para a não vacinação dos estudantes. A
Secretaria de Saúde do Governo do Distrito Federal, como um órgão que representa os
interesses da população, reforçados por sua pasta no que concerne às medidas de saúde
pública, promoção e proteção à saúde e controle da disseminação de doenças têm se
direcionado na contramão do esperado da pasta. Diante disso, o CAMESCS, em nome dos
estudantes do internato de medicina da ESCS e, com certeza, dos estagiários de outras
faculdades e outros cursos, demonstra seu descontentamento e sua indignação diante dessa
situação, exigindo ainda uma resposta da Secretaria de Saúde que seja coerente com as
últimas ações.

Centro Acadêmico de Medicina da ESCS

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