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CANTO & CANTO

MATERIAL PARA O PROFESSOR


Ciências Naturais
Aprendendo com o cotidiano

E A BASE NACIONAL
COMUM CURRICULAR
Ensino Fundamental • Anos Finais

CIÊNCIAS NATURAIS – APRENDENDO COM O COTIDIANO 8 E A BNCC


3ª versão entregue ao
Conselho Nacional de Educação
(Versão preliminar)

MATERIAL PARA O PROFESSOR

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CANTO & CANTO

Ciências Naturais
Aprendendo com o cotidiano 8
E A BASE NACIONAL
COMUM CURRICULAR
Ensino Fundamental • Anos Finais
3ª versão entregue ao
Conselho Nacional de Educação
(Versão preliminar)

MATERIAL PARA O PROFESSOR

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APRESENTAÇÃO

A proposta de criação de uma base comum curricular não é re-


cente. Desde a promulgação da Constituição Federal, em 1988, já
se indicava, no artigo 210, a necessidade de se estabelecer “con-
teúdos mínimos para o Ensino Fundamental, de maneira que asse-
gurasse a formação básica comum” (BRASIL, 1988). Tal aspecto foi
ratificado na Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB
n. 9.394/96) e nos documentos oficiais subsequentes, como os Pa-
râmetros Curriculares Nacionais (PCN) e as Diretrizes Curriculares
Nacionais (DCN).
Como estratégia articulada ao cumprimento de algumas das metas
do Plano Nacional da Educação (PNE), instituído em 2014, a Base Na-
cional Comum Curricular (BNCC) começou a ser construída em 2015
com a finalidade de estabelecer os conteúdos fundamentais a serem

REPRODUÇÃO
aprendidos por crianças e jovens durante a Educação Básica.
Após estudo de documentos oficiais curriculares em vigência nos
estados, consulta pública e seminários estaduais para análise de
duas versões preliminares, a BNCC chega agora à sua terceira ver-
são (divulgada em abril de 2017), aguardando aprovação do Conse-
lho Nacional de Educação (CNE). Para essa anuência, o CNE propôs a
realização de cinco audiências públicas regionais a partir de junho de
2017. Após isso, a Base deverá ser homologada pelo Ministério da
Educação, data que marcará o prazo de dois anos para que possa ser
efetivamente implantada em todo o território nacional.
Nesse contexto, este caderno convida você a refletir sobre os
principais aspectos fundantes da BNCC, com enfoque no trabalho
Para consulta à terceira versão
a ser desenvolvido em sala de aula no processo de transição até a integral da BNCC, acesse:
efetiva implantação do documento nos sistemas de ensino e esco- <basenacionalcomum.mec.org.br>.
las do país. Acesso em: 23 jun. 2017.

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Ciências Naturais – Aprendendo com o cotidiano 8, 6a edição, e a BNCC

A BASE NACIONAL
COMUM CURRICULAR

OBJETIVO
O principal objetivo da Base Nacional Comum participação mais consciente de toda a socie-
Curricular (BNCC) é promover a equidade na dade no acompanhamento das práticas educa-
educação, na medida em que garante aos tivas propostas.
alunos o acesso ao mesmo conteúdo nas Com o estabelecimento das unidades temá-
escolas de todo o país, e, com isso, reverter ticas, dos objetos de conhecimento e das habi-
a histórica situação de exclusão social. Por- lidades a serem desenvolvidas, a BNCC espera
tanto, a BNCC visa oferecer igualdade de opor- ser um instrumento de gestão que encaminhe a
tunidades por meio da definição das apren- construção de propostas curriculares e sua
dizagens essenciais que crianças e jovens constante reflexão, considerando a diversidade
precisam desenvolver ano a ano durante a Edu- constitutiva do contexto educacional brasileiro.
cação Básica. Nesse âmbito, caberá a cada ator educacional
Tais aprendizagens são organizadas em definir os melhores caminhos para o processo
de ensino-aprendizagem de crianças e jovens.
competências e habilidades, direcionando a
formação integral de todos os estudantes em Além disso, a BNCC pretende estabelecer
suas variadas dimensões (intelectual, afetiva, e/ou reencaminhar as políticas públicas nacio-
ética, física, sociopolítica etc.). Esse direciona- nais que envolvem a avaliação da Educação
mento está ligado aos princípios éticos, esté- Básica, a produção de materiais didáticos e
ticos e políticos das DCN e da LDB e visa à con- as práticas de formação inicial e continuada
solidação de um pacto interfederativo. Por de professores.
meio desse pacto, diferentes atores educacio- Assim, com o propósito de balizar a qualida-
nais (União, estados, Distrito Federal, muni- de da educação, a BNCC visa garantir o direito
cípios, instituições públicas e privadas) con- de crianças e jovens a uma educação que pro-
solidam uma atitude de colaboração em prol mova pleno desenvolvimento com foco na for-
da almejada equidade, permitindo, também, a mação de cidadãos críticos e participativos.

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HISTÓRICO

2014

REPRODUÇÃO
O PNE é instituído

2018-2019
pela Lei n. 13.005

ANDERSON DE ANDRADE PIMENTEL


para determinar
metas para a política
educacional até Um período de transição de
2024, especificando dois anos é estabelecido para a
estratégias entre as implantação da BNCC em território
quais se encontra a nacional, considerando a:
criação de uma base • produção dos currículos;
curricular comum. • formação de professores;
• produção de material didático;
• revisão de matrizes de avaliação.

2015 2017
REPRODUÇÃO

REPRODUÇÃO
JUNHO ABRIL
O I Seminário A terceira versão da BNCC
Interinstitucional para é divulgada no dia 6 de abril e
elaboração da base reúne enviada ao CNE para aprovação.
assessores e especialistas
envolvidos na fase de MESES SEGUINTES
preparação da primeira Após a publicação da terceira
versão a partir da versão, espera-se:
análise das DCN e dos • a avaliação do CNE;
referenciais curriculares • a homologação do
em vigência nos estados Ministério da Educação.
e no Distrito Federal.
JULHO

2016
Em 30 de julho, o Portal

REPRODUÇÃO
da Base Nacional Comum
Curricular é lançado para
compartilhar com o público MARÇO
a elaboração da base,
Em 15 de março, encerra-se o
estabelecendo canais e
período de consulta pública com mais
formas de participação
de 12 milhões de contribuições.
nesse processo.
MAIO
SETEMBRO
Em 3 de maio, a segunda versão
Em 16 de setembro,
é disponibilizada no portal.
a primeira versão é
disponibilizada no portal, JUNHO-AGOSTO
iniciando o período de 27 seminários estaduais são
consulta pública para realizados, abertos à participação
envio de contribuições pública, para debater a segunda
de todo o Brasil. versão, resultando em contribuições
de professores, especialistas
e associações científicas, o que
orientou a redação da terceira versão.

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Ciências Naturais – Aprendendo com o cotidiano 8, 6a edição, e a BNCC

COMO A BNCC ORGANIZA OS COMPONENTES CURRICULARES

COMPETÊNCIAS GERAIS DA BASE NACIONAL COMUM CURRICULAR PARA A EDUCAÇÃO BÁSICA

Ensino Médio
Educação Infantil Ensino Fundamental
(aguardando divulgação)

Direitos de aprendizagem
e desenvolvimento

Campos de experiências Áreas do conhecimento

Competências específicas da área

Componentes
curriculares

0 a 1 ano 4 anos a 5 anos Anos Anos


e 6 meses e 11 meses Iniciais Finais

Língua
1 ano e 7 meses a Portuguesa
3 anos e 11 meses
Arte

Linguagens
Educação Física

Língua
Inglesa

Matemática Matemática

Ciências da
Ciências
Natureza

História
Ciências
Humanas
Geografia

Objetivos de aprendizagem Competências específicas


e desenvolvimento do componente

Unidades Objetos de
Habilidades
temáticas conhecimento

A BNCC está organizada por competências e habilidades. Educação Infantil, e, no Ensino Fundamental, inter-rela-
Há competências gerais que dão unidade à Educação Básica cionam-se as competências específicas da área, seguidas
ao afirmar valores e visar à transformação social por meio das competências específicas do componente curricular.
da proposição de uma formação integral, ética e cidadã. As habilidades propostas, portanto, só podem ser desen-
A essas competências, na Educação Infantil, vinculam- volvidas nessa articulação imprescindível com as com-
-se os objetivos de aprendizagem e desenvolvimento da petências estabelecidas.

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AS COMPETÊNCIAS GERAIS
A BNCC apresenta dez competências gerais articuladas aos princí-
pios éticos, estéticos e políticos da LDB e das DCN e que perpassam
todas as áreas do conhecimento, vinculando-se às habilidades a se-
rem desenvolvidas em todos os componentes curriculares.

Competências Gerais da Base 6. Valorizar a diversidade de saberes e vivências


culturais e apropriar-se de conhecimentos e
Nacional Comum Curricular experiências que lhe possibilitem entender as
1. Valorizar e utilizar os conhecimentos histo- relações próprias do mundo do trabalho e fazer
ricamente construídos sobre o mundo físi- escolhas alinhadas ao seu projeto de vida pes-
co, social e cultural para entender e explicar soal, profissional e social, com liberdade, auto-
a realidade (fatos, informações, fenômenos e nomia, consciência crítica e responsabilidade.
processos linguísticos, culturais, sociais, eco- 7. Argumentar com base em fatos, dados e in-
nômicos, científicos, tecnológicos e naturais), formações confiáveis, para formular, negociar
colaborando para a construção de uma socie- e defender ideias, pontos de vista e decisões
dade solidária. comuns que respeitem e promovam os direi-
2. Exercitar a curiosidade intelectual e recorrer tos humanos e a consciência socioambiental
à abordagem própria das ciências, incluin- em âmbito local, regional e global, com posi-
do a investigação, a reflexão, a análise crítica, cionamento ético em relação ao cuidado de si
a imaginação e a criatividade, para investigar mesmo, dos outros e do planeta.
causas, elaborar e testar hipóteses, formular e 8. Conhecer-se, apreciar-se e cuidar de sua saúde
resolver problemas e inventar soluções com física e emocional, reconhecendo suas emoções
base nos conhecimentos das diferentes áreas. e as dos outros, com autocrítica e capacidade
3. Desenvolver o senso estético para reconhecer, para lidar com elas e com a pressão do grupo.
valorizar e fruir as diversas manifestações ar- 9. Exercitar a empatia, o diálogo, a resolução de
tísticas e culturais, das locais às mundiais, e conflitos e a cooperação, fazendo-se respei-
também para participar de práticas diversifi- tar e promovendo o respeito ao outro, com
cadas da produção artístico-cultural. acolhimento e valorização da diversidade de
4. Utilizar conhecimentos das linguagens ver- indivíduos e de grupos sociais, seus saberes,
bal (oral e escrita) e/ou verbo-visual (como identidades, culturas e potencialidades, sem
Libras), corporal, multimodal, artística, ma- preconceitos de origem, etnia, gênero, idade,
temática, científica, tecnológica e digital para habilidade/necessidade, convicção religiosa ou
expressar-se e partilhar informações, expe- de qualquer outra natureza, reconhecendo-se
riências, ideias e sentimentos em diferentes como parte de uma coletividade com a qual
contextos e, com eles, produzir sentidos que se deve comprometer.
levem ao entendimento mútuo. 10. Agir pessoal e coletivamente com autonomia,
5. Utilizar tecnologias digitais de comunicação e responsabilidade, flexibilidade, resiliência e
informação de forma crítica, significativa, re- determinação, tomando decisões, com base
flexiva e ética nas diversas práticas do cotidia- nos conhecimentos construídos na escola, se-
no (incluindo as escolares) ao se comunicar, gundo princípios éticos democráticos, inclu-
acessar e disseminar informações, produzir sivos, sustentáveis e solidários.
conhecimentos e resolver problemas. (BNCC, 2017, p. 18-19)

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Ciências Naturais – Aprendendo com o cotidiano 8, 6a edição, e a BNCC

DÚVIDAS FREQUENTES
A BNCC é um currículo?
Você pode consultar os documentos
A Base e os currículos são documentos com mencionados nos seguintes sites:
finalidades diferentes. Ela visa apresentar os
• Constituição Federal de 1988
conhecimentos fundamentais que se espera
BRASIL. Constituição da República Federativa do
que o estudante aprenda em cada ano da Edu- Brasil (1988). Brasília, DF: 1988. Disponível em:
cação Básica. Já o currículo se configura como o <www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/
percurso que cada instituição educacional es- constituicao.htm>. Acesso em: 11 maio 2017.
tabelecerá para desenvolver as competências e • Lei de Diretrizes e Bases
habilidades propostas pela BNCC.
BRASIL. Lei n. 9.394, de 20 de dezembro de 1996.
A BNCC, portanto, não é um currículo em si, Estabelece as diretrizes e bases da educação
mas parte dele, ou seja, a sua finalidade é orien- nacional. Disponível em: <www.planalto.gov.br/
ccivil_03/leis/l9394.htm>. Acesso em: 11 maio 2017.
tar a construção dos referenciais curriculares
e dos projetos político-pedagógicos das esco- • Diretrizes Curriculares Nacionais
las, à medida que estabelece as competências BRASIL. Diretrizes Curriculares Nacionais para a
e habilidades que serão desenvolvidas pelos Educação Básica. Brasília, DF: MEC, SEB, 2013.
alunos ano a ano. “De maneira simples, é possí- Disponível em: <portal.mec.gov.br/par/195-
secretarias-112877938/seb-educacao-basica-
vel afirmar que a Base indica o ponto aonde se 2007048997/13867-diretrizes-curriculares-
quer chegar. O currículo traça o caminho até lá.” nacionais-para-a-educacao-basica>. Acesso em:
(BNCC, 2017). Dessa forma, preserva-se a auto- 11 maio 2017.
nomia de cada rede de ensino para adequar os • Parâmetros Curriculares Nacionais
currículos respeitando a diversidade e as parti-
cularidades de cada contexto educacional; isto Ensino Fundamental – Anos Iniciais
é, as escolas poderão contextualizá-los e adap- Disponível em: <portal.mec.gov.br/pnld/195-
secretarias-112877938/seb-educacao-basica-
tá-los de acordo com seus projetos pedagógicos. 2007048997/12640-parametros-curriculares-
nacionais-1o-a-4o-series>. Acesso em: 11 maio 2017.
A BNCC substitui algum outro
Ensino Fundamental – Anos Finais
documento oficial?
Disponível em: <portal.mec.gov.br/pnaes/195-
A BNCC está fundamentada em bases legais, secretarias-112877938/seb-educacao-basica-
presentes na Constituição Federal, de 1988, 2007048997/12657-parametros-curriculares-
na LDB, de 1996, e nos fundamentos teórico- nacionais-5o-a-8o-series>. Acesso em: 11 maio 2017.
-metodológicos presentes nas DCN, nos PCN Ensino Médio: PCNEM e PCN+
e no PNE. Isso significa que a Base não exclui Disponíveis em: <portal.mec.gov.br/
tais documentos oficiais, mas dialoga com eles, acompanhamento-da-frequeencia-escolar/195-
secretarias-112877938/seb-educacao-basica-
consolidando uma necessidade historicamente 2007048997/12598-publicacoes-sp-265002211>.
situada, que é o estabelecimento e a organiza- Acesso em: 11 maio 2017.
ção progressiva das aprendizagens essenciais Ensino Médio: Orientações curriculares
de toda a Educação Básica. Disponível em: <portal.mec.gov.br/par/195-
secretarias-112877938/seb-educacao-basica-
Quando a Base será implantada? 2007048997/13558-politicas-de-ensino-medio>.
Após a apreciação do Conselho Nacional de Acesso em: 11 maio 2017.
Educação (CNE), caberá ao Ministério da Educa- • Plano Nacional da Educação
ção homologar o documento, reconhecendo ou BRASIL. Planejando a Próxima Década Conhecendo
não as considerações do Conselho. A contar da as 20 Metas do Plano Nacional de Educação. Brasília,
data da homologação, estabelece-se um prazo DF: MEC/Sase, 2014. Disponível em: <pne.mec.gov.
br/images/pdf/pne_conhecendo_20_metas.pdf>.
de dois anos para ocorrer a efetiva implantação Acesso em: 11 maio 2017.
da BNCC em todo o território nacional.

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IMPLANTAÇÃO
A implantação da BNCC estará pautada na orientações da BNCC. Paralelamente, haverá a
colaboração entre União, estados, municípios reelaboração dos referenciais curriculares fe-
e Distrito Federal, bem como instituições priva- derais, estaduais, municipais e privados para,
das. Cada ator educacional tem sua autonomia então, haver a reformulação dos projetos polí-
garantida, à medida que a Base estimula a va- tico-pedagógicos de cada unidade escolar. Esse
lorização da diversidade e considera as especi-
processo também estará inter-relacionado às
ficidades dos múltiplos contextos educacionais
políticas públicas que envolverão a adapta-
no Brasil.
ção de materiais didáticos, bem como os pro-
Nesse processo colaborativo, algumas ações cessos de avaliação da Educação Básica.
estão previstas para fundamentar o proces-
so de implantação. A primeira delas, cabendo Para que tais ações se efetivem, está previs-
sobretudo à União, é revisar a formação do- to um período de dois anos até a implantação
cente inicial e continuada articulando-a às do documento nas redes educacionais do país.

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Período de implantação:
ações para a consolidação
da BNCC.

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Ciências Naturais – Aprendendo com o cotidiano 8, 6a edição, e a BNCC

BNCC - CIÊNCIAS
DA NATUREZA

Roberta Bueno,
bacharela e licenciada em Ciências Biológicas pela UFSCar,
mestra em Ensino de Ciências e Matemática pela Unicamp,
editora de livros didáticos de Ciências e Biologia.

De acordo com a Base Nacional Comum Cur- as relações que se estabelecem entre eles, exer-
ricular (BNCC), o ensino de Ciências da Nature- citando a curiosidade para fazer perguntas e
za é imprescindível para a formação cidadã dos buscar respostas.
estudantes. Ao longo de todo o documento, é 4. Avaliar aplicações e implicações políticas, so-
enfatizada a importância da formação integral cioambientais e culturais da ciência e da tec-
dos alunos. nologia e propor alternativas aos desafios do
Em sintonia com as competências gerais, a mundo contemporâneo, incluindo aqueles
área de Ciências da Natureza estabeleceu as relativos ao mundo do trabalho.
competências específicas para serem desenvol- 5. Construir argumentos com base em dados,
vidas ao longo do Ensino Fundamental. evidências e informações confiáveis e nego-
ciar e defender ideias e pontos de vista que
respeitem e promovam a consciência so-
Competências específicas cioambiental e o respeito a si próprio e ao ou-
de Ciências da Natureza tro, acolhendo e valorizando a diversidade de
para o Ensino Fundamental indivíduos e grupos sociais, sem preconceitos
de nenhuma natureza.
1. Compreender as ciências como empreen-
dimento humano, reconhecendo que o co- 6. Conhecer, apreciar e cuidar de si, de seu cor-
nhecimento científico é provisório, cultural po e bem-estar, recorrendo aos conhecimen-
e histórico. tos das Ciências da Natureza.

2. Compreender conceitos fundamentais e es- 7. Agir pessoal e coletivamente com respeito,


truturas explicativas das Ciências da Nature- autonomia, responsabilidade, flexibilidade,
za, bem como dominar processos, práticas e resiliência e determinação, recorrendo aos co-
procedimentos da investigação científica, de nhecimentos das Ciências da Natureza para
modo que sinta segurança no debate de ques- tomar decisões diante de questões científico-
tões científicas, tecnológicas e socioambien- -tecnológicas e socioambientais e a respeito
tais e do mundo do trabalho. da saúde individual e coletiva, com base em
princípios éticos, democráticos, sustentáveis
3. Analisar, compreender e explicar característi- e solidários.
cas, fenômenos e processos relativos ao mun-
do natural, tecnológico e social, bem como (BNCC, 2017, p. 276)

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Os conhecimentos científicos são fundamen- culturas digitais, aplicar conhecimentos para re-
tais para o processo de formação integral do solver problemas, ter autonomia para tomar de-
aluno. O documento afirma que cisões, ser proativo para identificar os dados de
Para debater e tomar posição sobre alimentos, uma situação e buscar soluções, são competências
medicamentos, combustíveis, transportes, comu- que se contrapõem à concepção de conhecimento
nicações, contracepção, saneamento e manuten- desinteressado e erudito entendido como fim em
ção da vida na Terra, entre muitos outros temas, si mesmo.
são imprescindíveis tanto conhecimentos éticos, (BNCC, 2017, p. 17)
políticos e culturais quanto científicos. Isso por si
De acordo com a BNCC, os estudantes devem
só já justifica, na educação formal, a presença da
ser “estimulados e apoiados no planejamento e
área de Ciências da Natureza, e de seu compro-
misso com a formação integral dos alunos. na realização cooperativa de atividades inves-
tigativas” (BNCC, p. 274). Em outras palavras,
(BNCC, 2017, p. 273) os alunos devem ser estimulados a ir além do
É certo que a BNCC estabelece mudanças passo a passo e do conjunto de etapas prede-
bastante significativas na área de Ciências da finidas, que é característico do método cientí-
Natureza. Porém, vale lembrar que outros do- fico; eles devem ser estimulados a exercitar a
cumentos, como os Parâmetros Curriculares observação, a experimentação e a investigação.
Nacionais (PCN) e as Diretrizes Curriculares Na- O processo investigativo deve ser entendido no
cionais (DCN) já traziam muitas das propostas seu sentido mais amplo; vai além da reprodução
que estão na BNCC, como a concepção do co- ou da execução de uma atividade laboratorial.
nhecimento curricular contextualizado na reali- Nesse sentido, é essencial motivar os estu-
dade local, social e individual da escola e do seu dantes a serem questionadores e divulgadores
alunado, a valorização das diferenças e o aten- dos conhecimentos científicos, de modo que
dimento à pluralidade e à diversidade cultural. se construa um caminho que os leve a exercer
plenamente sua cidadania. No desenvolvimen-
Para que o ensino de Ciências não seja um to das aprendizagens essenciais propostas pela
apanhado de conceitos sem significado para BNCC, é importante que os alunos reconheçam
os alunos, a BNCC dá atenção especial ao letra- a Ciência como construção humana, histórica e
mento científico. Mais do que conhecer concei- cultural, e se identifiquem como parte do pro-
tos, os alunos precisam ser habilitados a com- cesso de construção do conhecimento científico.
preender e a interpretar o mundo, bem como a
transformá-lo, ou seja, interferir nele de forma Entre as principais mudanças curriculares
consciente, sabendo que suas ações têm con- trazidas pela BNCC está a distribuição, ao lon-
sequências que podem ser refletidas na vida go da Educação Básica, dos conhecimentos
individual e coletiva. das diferentes áreas da Ciência, como a Física,
a Química, a Biologia e outras. A formalização
A sociedade contemporânea impõe um olhar
dos conhecimentos de Física e de Química,
inovador e inclusivo a questões centrais do proces-
so educativo: o que aprender, para que aprender, usualmente concentrados no 9o ano dos livros
como ensinar, como promover redes de apren- didáticos, passa a ser distribuída ao longo de
dizagem colaborativa e como avaliar o aprendi- todo o Ensino Fundamental, estando presente
zado. No novo cenário mundial, comunicar-se, numa progressão gradual e contínua desde o
ser criativo, analítico-crítico, participativo, pro- 1o ano até o 9o ano, instrumentando os alunos
dutivo e responsável requer muito mais do que a para a investigação científica. O mesmo é pro-
acumulação de informações. posto para os assuntos relacionados ao corpo
Aprender a aprender, saber lidar com a infor- humano, fornecendo bases científicas para os
mação cada vez mais disponível, atuar com dis- estudantes cuidarem da saúde individual, cole-
cernimento e responsabilidade nos contextos das tiva e ambiental.

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Ciências Naturais – Aprendendo com o cotidiano 8, 6a edição, e a BNCC

Nos anos iniciais do Ensino Fundamental,


Principais pontos para o desenvolvimento
as experiências e vivências dos alunos devem das aprendizagens essenciais para o
ser o ponto de partida para a sistematização ensino de Ciências da Natureza
do conhecimento científico. Para tanto, é pro-
• Embora as aprendizagens essenciais sejam
posto que os assuntos sejam apresentados a apresentadas em três unidades temáticas, elas
partir de elementos concretos, considerando devem ser tratadas de forma progressiva, gradual,
a disposição emocional e afetiva dos estudan- contínua e integrada.
tes. O ensino de Ciências deve aguçar a curio- • Temas como sustentabilidade socioambiental,
sidade natural dos estudantes, incentivando a ambiente, saúde e tecnologia são desenvolvidos
formulação de perguntas. nas três unidades temáticas ao longo de todo o
Ensino Fundamental.
Nos anos finais do Ensino Fundamental, os
alunos devem ser capazes de se fundamentar • Os conhecimentos das diferentes áreas da
Ciência, de maneira geral, permeiam todo o Ensino
no conhecimento científico para avaliar e inter- Fundamental, desde o 1o ano até o 9o ano, com a
vir, assumindo o protagonismo na escolha de intenção de instrumentalizar os estudantes para
posicionamentos e desenvolvendo uma visão o processo investigativo, elemento central para o
ensino das Ciências Naturais.
mais sistêmica do mundo.
Ao longo do Ensino Fundamental – Anos Fi- • Os assuntos relacionados ao corpo humano e à
nais, os estudantes se deparam com desafios de saúde não ficam concentrados no 8o ano, como
maior complexidade, sobretudo devido à neces- era usual no currículo tradicional da maioria das
escolas e na grade temática de muitos livros
sidade de se apropriarem das diferentes lógicas de didáticos, mas são tratados ao longo de todo o
organização dos conhecimentos relacionados às Ensino Fundamental, para que os alunos tenham
áreas. Tendo em vista essa maior especialização, é uma noção mais ampla de saúde individual,
importante, nos vários componentes curriculares, coletiva e ambiental.
retomar e ressignificar as aprendizagens do En-
• O processo investigativo vai além das etapas
sino Fundamental – Anos Iniciais no contexto predefinidas do método científico. Devem ser
das diferentes áreas, visando ao aprofundamen- valorizadas a observação, a investigação e a
to e à ampliação de repertórios dos estudantes. experimentação, indo além do passo a passo
procedimental.
(BNCC, 2017, p. 56, grifos do documento)

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Ciências Naturais - Aprendendo com o cotidiano 8

E A BASE NACIONAL
COMUM CURRICULAR
3ª versão entregue ao
Conselho Nacional de Educação
(Versão preliminar)

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SUMÁRIO DO LIVRO:

CIÊNCIAS NATURAIS –
APRENDENDO COM O COTIDIANO Os códigos associam as Habilidades
8o ANO, 6a edição da 3a versão da BNCC aos temas do livro.

HABILIDADE:
• EF08CI08

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Ciências Naturais – Aprendendo com o cotidiano 8, 6a edição, e a BNCC

HABILIDADE:
• EF08CI11

HABILIDADES
• EF08CI09
• EF08CI10

15

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BNCC – CIÊNCIAS – 8O ANO
Ciências Naturais –
CIÊNCIAS NATURAIS –
Aprendendo com o
APRENDENDO COM
cotidiano 8 e a BNCC
O COTIDIANO 8o ano
CADERNO COMPLEMENTAR

UNIDADE TEMÁTICA: MATÉRIA E ENERGIA

OBJETO DE CONHECIMENTO: Fontes e tipos de energia

(EF08CI01) Identificar e classificar


diferentes fontes (renováveis e não
X
renováveis) e tipos de energia utilizados
em residências, comunidades ou cidades.

OBJETO DE CONHECIMENTO: Transformação de energia

(EF08CI02) Construir circuitos elétricos


com pilha/bateria, fios e lâmpada ou
X
outros dispositivos e compará-los a
circuitos elétricos residenciais.

(EF08CI03) Classificar equipamentos


elétricos residenciais (chuveiro, ferro,
lâmpadas, TV, rádio, geladeira etc.) de
acordo com o tipo de transformação X
de energia (da energia elétrica para a
térmica, luminosa, sonora e mecânica,
por exemplo).

OBJETO DE CONHECIMENTO: Cálculo de consumo de energia elétrica

(EF08CI04) Classificar equipamentos


elétricos residenciais com base no cálculo
de seus consumos efetuados a partir dos X
dados de potência (descritos no próprio
equipamento) e tempo médio de uso.

OBJETO DE CONHECIMENTO: Circuitos elétricos

(EF08CI05) Propor ações coletivas para


otimizar o uso de energia elétrica em
sua escola e/ou comunidade, com base
na seleção de equipamentos segundo X
critérios de sustentabilidade (consumo
de energia e eficiência energética) e
hábitos de uso.

OBJETO DE CONHECIMENTO: Uso consciente de energia elétrica

(EF08CI06) Discutir e avaliar usinas


de geração de energia elétrica
(termelétricas, hidrelétricas, eólicas etc.),
suas semelhanças e diferenças, seus X
impactos socioambientais, e como essa
energia chega e é usada em sua cidade,
comunidade, casa ou escola.

16

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Ciências Naturais – Aprendendo com o cotidiano 8, 6a edição, e a BNCC

Ciências Naturais –
CIÊNCIAS NATURAIS –
Aprendendo com o
APRENDENDO COM
cotidiano 8 e a BNCC
O COTIDIANO 8o ano
CADERNO COMPLEMENTAR

UNIDADE TEMÁTICA: VIDA E EVOLUÇÃO

OBJETO DE CONHECIMENTO: Mecanismos reprodutivos

(EF08CI07) Comparar diferentes


processos reprodutivos em plantas e
X
animais em relação aos mecanismos
adaptativos e evolutivos.

OBJETO DE CONHECIMENTO: Sexualidade

(EF08CI08) Analisar e explicar as


transformações que ocorrem na
X
puberdade considerando a atuação dos
hormônios sexuais.

(EF08CI09) Comparar o modo de ação


e a eficácia dos diversos métodos
contraceptivos e justificar a necessidade
de compartilhar a responsabilidade na
X
escolha e na utilização do método mais
adequado à prevenção da gravidez
precoce e indesejada e de Doenças
Sexualmente Transmissíveis (DST).

(EF08CI10) Identificar os principais


sintomas, modos de transmissão e
tratamento de algumas DST (com X
ênfase na AIDS), e discutir estratégias
e métodos de prevenção.

(EF08CI11) Selecionar argumentos que


evidenciem as múltiplas dimensões
da sexualidade humana (biológica,
sociocultural, afetiva e ética) e a
X
necessidade de respeitar, valorizar e
acolher a diversidade de indivíduos,
sem preconceitos baseados nas
diferenças de gênero.

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Ciências Naturais –
CIÊNCIAS NATURAIS –
Aprendendo com o
APRENDENDO COM
cotidiano 8 e a BNCC
O COTIDIANO 8o ano
CADERNO COMPLEMENTAR

UNIDADE TEMÁTICA: TERRA E UNIVERSO

OBJETO DE CONHECIMENTO: Sistema Sol, Terra e Lua

(EF08CI12) Justificar, por meio da


construção de modelos e da observação
da Lua no céu, a ocorrência das * Ciências Naturais – Aprendendo
X
fases da Lua e dos eclipses, com com o cotidiano 6, capítulo 16
base nas posições relativas entre Sol,
Terra e Lua.

(EF08CI13) Representar os movimentos


de rotação e translação da Terra e
analisar o papel da inclinação do eixo
* Ciências Naturais – Aprendendo
de rotação da Terra em relação à sua X
com o cotidiano 6, capítulo 16
órbita na ocorrência das estações
do ano, com a utilização de modelos
tridimensionais.

OBJETO DE CONHECIMENTO: Clima

(EF08CI14) Relacionar climas regionais


aos padrões de circulação atmosférica
e oceânica e ao aquecimento desigual X
causado pela forma e pelos movimentos
da Terra.

(EF08CI15) Identificar as principais


variáveis envolvidas na previsão do X
tempo e como elas são medidas.

18

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Ciências Naturais - Aprendendo com o cotidiano 8

E A BASE NACIONAL
COMUM CURRICULAR
3ª versão entregue ao
Conselho Nacional de Educação
(Versão preliminar)

CADERNO
COMPLEMENTAR

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HABILIDADE:
Ciências Naturais – Aprendendo com o cotidiano 8, 6a edição, e a BNCC
• EF08CI01

CAPÍTULO

1
DESENVOLVIMENTO
SUSTENTÁVEL

Gigantescas estátuas de
pedra encontradas na
Ilha de Páscoa. Quem
as construiu? Como a
história da Ilha de Páscoa
se compara ao que está
acontecendo em nosso
planeta?
(Em primeiro plano,
estátua com cerca de
8 metros.)

21

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MOTIVAÇÃO

Em destaque Ilha de Páscoa: lição silenciosa


“Sempre presentes na paisagem, os imen- Quando o navegador holandês Jacob Rog-
sos moais são testemunhas de erros que não geveen avistou uma ilha não assinalada no
podemos repetir: superlotação e superexplora- mapa, em 5 de abril de 1722 – um domingo
ção dos recursos naturais, causas do declínio de Páscoa, origem do nome ocidental –, en-
e da autodestruição da civilização Rapa Nui controu 2 a 3 mil moradores malnutridos e
uma paisagem devastada. [...]
Durante muitos anos, os moradores da Como o declínio teve início, ninguém sabe
Ilha de Páscoa acreditaram que estavam so- ao certo. É um mistério testemunhado apenas
zinhos no mundo. E, de certa forma, estavam pelos moais, as gigantescas estátuas que fa-
mesmo. Durante pelo menos mil anos, a civi- zem da ilha um dos lugares mais fascinantes
lização Rapa Nui – nome que os moradores do mundo. Mas estas estão condenadas ao
davam a si mesmos e à ilha – desenvolveu-- silêncio da pedra.
-se sem contato com os continentes, num Juntar pistas para reconstituição dessa
pequeno triângulo de 170 km2 de terra, história exige muita paciência. E persistência.
no Oceano Pacífico, a 3.700 quilômetros Em 200 anos de pesquisa, os arqueólogos
da costa da América do Sul. Eles conseguiram costuraram algumas constatações científicas
criar um mundo particular, com religião, tecno- com o fio tênue da tradição oral, único canal
logia e escrita próprias, uma civilização que flo- de transmissão de conhecimento ao longo
resceu e ruiu rapidamente. Os rapa nui só não dos anos, de geração em geração. As teses
imaginavam que suas façanhas e seus erros cientificamente mais aceitas apontam para
seriam tomados como exemplo da capacidade uma sequência de problemas ambientais,
de autodestruição do homem exatamente por alguns naturais, outros provocados ou agra-
quem eles pensavam não existir: nós. vados pelo homem. Os escassos recursos da
ilha teriam sido consumidos por excesso de
população. Os bosques foram devastados e
as nascentes se esgotaram. A fome trouxe
doenças e guerras. Há indícios até de caniba-
lismo, resultante da falta de comida.
[...]
Segundo os cálculos dos arqueólogos, a
história rapa nui começa por volta do século
4 com a chegada dos primeiros homens, vin-
dos das ilhas Marquesas (Polinésia Francesa).
Essa colonização é o primeiro de uma série de
acontecimentos fantásticos que emprestam à
Ilha de Páscoa uma vocação para o mistério:
além de navegar por milhares de quilômetros
em canoas pequenas e precárias, os pioneiros
fizeram um caminho improvável, pois as cor-
rentes marinhas do Oceano Pacífico, naquela
região, seguem na direção contrária, de leste
para oeste. [...]

Não se sabe ao certo a época em que as estátuas da


Ilha de Páscoa, os moais, foram esculpidas, mas
estima-se que tenha sido na mesma época em que a
Europa vivia a Idade Média.

Capítulo 1

22

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Ciências Naturais – Aprendendo com o cotidiano 8, 6a edição, e a BNCC

A ilha tem 23 km de comprimento e 11 km de costas para o oceano, de queixo alto e


de largura. A forma de triângulo é marcada olhos voltados para cima.
por 3 vulcões principais, todos eles acessíveis, [...]
cada um com uma característica especial. [...] As estátuas não representam deuses, desig-
Ranu Raraku, a leste, forneceu a matéria- nam pessoas. Talvez por isso sejam a imagem
-prima para a ‘marca registrada’ da ilha: a rocha mais dramática de uma civilização que fez ma-
usada na construção das estátuas. [...] ravilhas e pagou com a própria existência pelos
[...] No total, são quase mil estátuas, de crimes contra o meio ambiente. Eretos sobre os
4 a 8 metros de altura, pesando entre 8 e altares ou caídos de nariz ao chão, os moais não
15 toneladas. A maioria está disposta em linhas falam. Mas, para quem quer entender a lição,
de 3 a 15 monolitos sobre altares ao ar livre, dizem o bastante.”
Fonte do texto: D. Martins. Terra da Gente, n. 41, p. 55-59.

Cerca de 200 moais estão


ou estiveram em pé na
Localização da Ilha de Páscoa linha costeira ou ao redor
da cratera de um antigo
vulcão inativo. Pelo menos
700 foram abandonados
nas pedreiras ou no
Á S I A
caminho entre as pedreiras
e a costa. São lembranças
AMÉRICA de uma sociedade que não
DO NORTE explorou corretamente
Ilha de o ambiente e sofreu as
Páscoa OCEANO
ATLÂNTICO consequências disso.
TRÓPICO DE CÂNCER
AMÉRICA
OCEANO
8 km
CENTRAL
PACÍFICO
EQUADOR

POLINÉSIA

TRÓPICO DE CAPRICÓRNIO AMÉRICA


Austrália OCEANO
DO SUL
PACÍFICO Chile A Ilha de Páscoa situa-se
Ilha de Páscoa
Nova (CHI) no Pacífico Sul, a leste da
Zelândia
OCEANO Polinésia e a oeste da América
ÍNDICO do Sul. Desde 1888, a ilha
2.050 km
pertence ao Chile.

Desenvolvimento sustentável

23

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DESENVOLVIMENTO DO TEMA

1 Desenvolvimento sustentável
Há inúmeras evidências de que os seres humanos continuam
ATIVIDADE
cometendo, no mundo todo, os mesmos erros dos nativos da Ilha
de Páscoa. No passado, houve exploração abusiva dos recursos na-
Para discussão turais — tais como petróleo, carvão mineral, minérios, madeira —,
em grupo porque eles eram relativamente abundantes e baratos. Essa explo-
Os recursos naturais ração ainda acontece, e suas consequências já aparecem com muita
da Ilha de Páscoa foram clareza. O desmatamento acentuado, a extinção de espécies, a perda
explorados exaustivamente da fertilidade do solo, a poluição do ar e da água são apenas alguns
pela população. Que lições
podemos aprender com
exemplos. Colocando a questão em outras palavras, a atual socie-
o ocorrido nessa ilha? Se dade humana não apresenta um desenvolvimento sustentável.
os habitantes estivessem A expressão “desenvolvimento sustentável” pode ser entendida
conscientes do que iria como desenvolvimento econômico e material que leve em conta
acontecer no futuro, a
tragédia poderia ter sido as consequências das atividades humanas sobre o ambiente e se
evitada? utilize de recursos naturais que possam ser renovados, para que não
O que aconteceu com haja degradação do ambiente ou esgotamento desses recursos. Para
a Ilha de Páscoa pode
acontecer com o planeta
que uma sociedade se desenvolva de modo sustentável, ela deve
Terra? praticar atitudes que atendam não apenas às suas necessidades,
mas também às necessidades das futuras gerações.

Desafios para estabelecer o


desenvolvimento sustentável da
sociedade humana

estão relacionados, entre outros fatores, a

Qualidade Qualidade Obtenção Seres vivos e Produção de bens e


do ar da água de alimento biodiversidade geração de energia

exemplos exemplos exemplos exemplos exemplos

• Poluição do ar • Quantidade • Extração de • Caça e pesca • Exploração de


insuficiente de recursos animais e predatórias recursos renováveis
• Chuva ácida
água vegetais acima da em velocidade
• Destruição da capacidade natural de • Desmatamento maior do que a
camada de • Descarte renovação capacidade natural
inadequado • Introdução de de renovação
ozônio
das águas • Perda da fertilidade espécies estranhas
• Aquecimento servidas do solo aos ambientes • Intensa exploração
global e de recursos que
alterações • Poluição dos • Fome • Destruição ou não são renovados
climáticas mananciais alteração de naturalmente
dele decorrentes • Desnutrição habitats
• Propagação
de doenças • Desperdício de • Extinção de
transmitidas alimentos espécies
pela água

• Falta de acesso
à água tratada

Capítulo 1

24

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Ciências Naturais – Aprendendo com o cotidiano 8, 6a edição, e a BNCC

De modo bem geral, podemos dizer que na época atual o de- ATIVIDADE

senvolvimento da humanidade não é sustentável. Isso acontece Trabalho em equipe


porque a população mundial retira da natureza uma quantidade
Cada equipe deve escolher
de recursos maior do que ela é capaz de repor. E também porque um dos cinco desafios
lança no ambiente uma quantidade de resíduos maior do que apresentados na página
a natureza é capaz de decompor e reintegrar ao ciclo natural de anterior e reunir reportagens
e fotografias sobre esse
matéria existente nos ecossistemas. desafio. Em seguida o grupo
Elaborar estratégias para que a sociedade se desenvolva de modo deve elaborar um texto em
sustentável é o grande desafio, provavelmente o maior, do século que constem aspectos e
XXI. Não estar atento a esse fato é submeter a humanidade a um fu- questões da região onde
mora.
turo que repetirá, em escala global, o que ocorreu na Ilha de Páscoa. Os grupos devem expor
Proponha as atividades 1 e 2 do Explore diferentes linguagens. todo o material em um
2 Ação humana e mural.

desequilíbrios ambientais
Aproveite os resultados desse Trabalho em
Nos ecossistemas existe uma complexa relação de dependên- equipe ao desenvolver a atividade Isso vai para
o nosso mural!, que vem logo após este capítulo.
cia dos seres vivos entre si e destes com os fatores não vivos do
ambiente. A atividade humana pode interferir nessas relações e
impedir o ecossistema de se recompor.

Redução do solo fértil


Para exemplificar, vamos considerar o desmatamento da Floresta
Amazônica. A atuação dos decompositores sobre resíduos — que
na sua maioria são restos de plantas — deixa no solo nutrientes
necessários às plantas. Com o desmatamento, várias plantas de uma
área deixarão de existir. Consequentemente, os decompositores dei-
xarão de obter alimento, pois não haverá resíduos para
utilizarem em sua nutrição, e morrerão. Enquanto o
solo estiver desprotegido pela ausência de vegetação,
a chuva e o vento podem facilmente carregar para lon-
ge a camada superior do solo, que contém nutrientes
necessários às plantas. Sem nutrientes no solo e sem
decompositores, a mata das regiões vizinhas não se
expande em direção ao terreno desflorestado, pois o
solo perdeu sua fertilidade.
Ainda que o ser humano introduza novas plantas nes-
se local, pode ser que não existam nutrientes em quan-
tidade suficiente no solo para que elas se desenvolvam.
Essa sequência de eventos frequentemente acontece
quando se derruba uma floresta para transformá-la em
campo agrícola. Pior ainda é o que ocorre em muitos
terrenos agrícolas já existentes que, manejados ina-
dequadamente, sofrem erosão e perdem a fertilidade.
A redução da quantidade de solo fértil em vários
locais do mundo é um dos claros indicadores de que o
desenvolvimento de nossa sociedade não é sustentável.
Desmatamento na Amazônia, exemplo de
intervenção humana que produz tristes resultados.
(Na foto, corte ilegal de madeira.)

Desenvolvimento sustentável

25

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comprimento: 2 m
Introdução de uma espécie onde ela não existe
Outro caso de intervenção do ser humano no ambiente que
pode ser problemático é a introdução de uma espécie onde ela não
existe naturalmente. Um exemplo aconteceu na Austrália, onde
não havia lebres até meados do século XIX. Nessa época, coloni-
zadores ingleses resolveram levar para lá alguns poucos casais de
uma espécie conhecida como lebre europeia. Há quem diga que a
intenção era ter um animal ágil e rápido que pudesse ser usado nas
caçadas esportivas em lugar da raposa, que não existia naquele país.
Na Austrália, não havia carnívoros suficientemente ágeis e rápi-
dos para caçar essas lebres. Por isso, em pouco tempo a população
desses animais aumentou assustadoramente e eles passaram a de-
O javali é nativo da Ásia, Europa vorar a vegetação nativa e a invadir as plantações, devastando-as.
e norte da África. Animais da Mesmo após várias tentativas para eliminar as lebres da Austrália,
espécie foram trazidos ao
Brasil por criadores. Alguns ainda hoje elas representam um problema ambiental naquele país.
escaparam e, no ambiente As espécies introduzidas em um ecossistema de forma inten-
natural, transformaram-se em cional ou acidental são chamadas espécies invasoras ou espécies
praga. Essa espécie invasora exóticas e oferecem riscos a esse ecossistema.
devasta plantações, compete
com outros animais e pode até
atacar pessoas. Substituição da vegetação nativa
Outro exemplo de intervenção humana no ambiente é observado
em locais do Brasil onde a vegetação do Cerrado foi substituída
por plantações de eucalipto destinadas à produção de madeira e
de papel. Nessas novas florestas — que, de fato, são apenas planta-
ções cultivadas pelo ser humano — as formigas saúvas continuam
encontrando condições favoráveis para o seu desenvolvimento.
Porém alguns de seus predadores naturais, como tamanduás e al-
gumas espécies de aves, não conseguem sobreviver nos eucaliptais
e acabam morrendo ou fugindo para outras regiões onde há vege-
tação de Cerrado. Sem predadores, o resultado é a multiplicação
descontrolada de saúvas, que se transformam em praga.

Outros exemplos
Ainda no Brasil, podemos citar vários outros casos de
intervenções humanas no ambiente que se mostraram de-
sastrosas. A destruição dos manguezais em vários pontos
do litoral vem interferindo na procriação de muitas espécies
marinhas. A derrubada da Mata Atlântica, reduzida a me-
nos de 10% do que existia em 1500, vem alterando o regime
de chuvas em vários pontos do litoral, o que já provocou
a extinção de inúmeras espécies. O despejo de esgotos
e de resíduos industriais em rios vez ou outra provoca a
mortalidade de grandes quantidades de peixes, como você
provavelmente já pôde acompanhar nos noticiários.
À nossa volta podemos encontrar inúmeros A ação agressiva do ser humano pode causar sérios
exemplos de intervenções humanas no
ambiente. (Na foto, lixo descartado em área
problemas ambientais, a ponto de os ecossistemas não
de mata, Araucária, PR.) mais recuperarem o equilíbrio.

Capítulo 1

26

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Ciências Naturais – Aprendendo com o cotidiano 8, 6a edição, e a BNCC

3 Recursos renováveis e
recursos não renováveis
Recurso natural é tudo aquilo que existe na natureza e que
pode ser utilizado pelo ser humano para suprir suas necessidades.
A madeira das florestas, a água doce, a luz solar, as quedas-d’água,
os minerais, os combustíveis fósseis e os peixes de lagos, rios e
oceanos são exemplos de recursos naturais.
Recursos naturais
dividem-se em

Renováveis Não renováveis


exemplos exemplos

• Luz solar • Ar não poluído • Combustíveis


• Vento • Água não poluída fósseis
• Quedas-d’água • Solo fértil • Minerais
• Marés • Seres vivos

Alguns desses recursos são renováveis, isto é, são produzidos


por mecanismos naturais e, portanto, repostos naturalmente.
Exemplos de recursos naturais renováveis são a luz solar, o vento
e as quedas-d’água, entre outros.
Muitos dos recursos naturais renováveis só podem ser adequa-
damente renovados se forem explorados pela humanidade em uma
velocidade suficientemente baixa para que permita a reposição
natural. Esse é o caso, por exemplo, do solo fértil, das reservas de
água potável, do ar isento de poluição, da madeira e dos peixes.
Já os recursos naturais não renováveis, ou esgotáveis, são
aqueles que existem na natureza em quantidade finita e que a
natureza demora muitos milhões de anos para produzir. É o caso
do petróleo, do carvão mineral e dos minérios. Se o ser humano
explorar a jazida de um desses recursos até a exaustão, ela não
será renovada pela natureza para nosso uso.

A madeira é um recurso natural renovável. Na foto, Os minerais são recursos não renováveis. (Na foto vemos
carregamento de madeira certificada. (Xapuri, AC.) uma jazida de minério de ferro em Nova Lima, MG.)
Aqui podem ser propostas as questões 1 a 3 do Use o que aprendeu.
Desenvolvimento sustentável

27

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A 4 Recursos energéticos
Estamos rodeados de equipamentos que consomem energia. São
lâmpadas, eletrodomésticos, aparelhos de som e imagem, compu-
tadores, automóveis e ônibus, apenas para citar alguns exemplos.
Nossa sociedade é ávida por energia.

Uso de combustíveis
Os veículos motorizados em geral queimam combustíveis, que
B
são fontes de energia para sua movimentação. Vários tipos de
indústrias também obtêm energia para realizar atividades, como
aquecimento de fornos, fervura da água, derretimento de materiais
etc., da queima de combustíveis.
O gás natural, o carvão mineral e o petróleo são conhecidos
como combustíveis fósseis, pois, segundo evidências geológi-
cas, foram formados há milhões de anos a partir de restos de
organismos. Tais combustíveis são fontes não renováveis de
energia.
Há muita especulação sobre quanto tempo vão durar as jazidas
naturais de combustíveis fósseis, e as estimativas feitas pelos espe-
cialistas variam bastante. Alguns dizem que o petróleo poderá se
esgotar em poucas décadas; outros preveem que poderá durar mais
cem anos. Uma das poucas certezas que se tem é que, persistindo
as atuais taxas de consumo, o petróleo irá acabar muito antes do
carvão mineral.
C
Preocupados com a possível escassez de petróleo, com os
altos preços que o produto pode atingir quando isso aconte-
cer, e, principalmente, atentos à necessidade de alternativas
que substituam o petróleo com vantagens do ponto de vista
ambiental, muitos pesquisadores tentam adaptar as atuais tec-
nologias para o uso de combustíveis provenientes de recursos
renováveis.
O Programa Nacional do Álcool, Proálcool, implantado pelo
governo brasileiro em 1975, tem o álcool proveniente da cana-
-de-açúcar (etanol) como combustível alternativo. Durante parte da
década de 1980 o Brasil chegou a ter uma frota de carros a álcool
maior que a de carros a gasolina. Nos anos seguintes, o programa
passou por dificuldades mas, no início deste século, com a popu-
larização dos motores bicombustível (usam álcool ou gasolina), o
programa ganhou novo alento.
Exemplos de combustíveis
fósseis:
Além do álcool, outros recursos que podem substituir os
A Petróleo (no frasco da combustíveis fósseis são a lenha, o carvão obtido a partir da
esquerda) e dois de seus lenha (carvão vegetal), o biodiesel (veja texto a seguir) e o bio-
derivados: gasolina (ao centro) gás, que é produzido quando resíduos de organismos, tais como
e querosene (à direita). restos de comida, fezes de animais, folhas etc., sofrem a ação de
B Carvão mineral recém-tirado
microrganismos decompositores em recipientes apropriados, os
da jazida. (Forquilhinha, SC.)
biodigestores. Esses recursos são renováveis e, administrados
C Bomba para abastecimento
de veículos com gás natural. adequadamente, podem minimizar o problema da exaustão das
(São Paulo, SP.) jazidas de petróleo.

Capítulo 1

28

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Ciências Naturais – Aprendendo com o cotidiano 8, 6a edição, e a BNCC

Em destaque Como se obtém biodiesel?


O biodiesel é um combustível que pode ser usado
em motores a diesel (caminhões, ônibus e tratores, por
exemplo). Ele é produzido a partir de óleos vegetais,
tais como óleo de soja, girassol, amendoim, mamona,
dendê, pequi e pinhão-manso.
A fabricação é feita aquecendo-se o óleo por algu-
mas horas, em um recipiente industrial adequado, junto
com etanol (o álcool comum) ou metanol (um outro tipo
de álcool, bastante tóxico). Uma ou mais substâncias
específicas são adicionadas a essa mistura para acelerar
o processo. As substâncias que aceleram os processos
químicos chamam-se catalisadores.
Ocorre uma reação química que transforma o óleo e
o álcool em biodiesel e glicerina. Ambos são separados.
A glicerina, uma substância incolor, é purificada e enca-
minhada para indústrias que a utilizarão, por exemplo,
em cremes hidratantes para pele ou em sabonetes
glicerinados.
O “biodiesel” utilizado no Brasil ainda é, de fato,
uma mistura de diesel comum e um pouco de biodiesel,
pois a produção ainda é muito baixa para atender às
necessidades da frota nacional. Contudo, isso já per-
mite pequena redução da emissão de fuligem pelos
veículos.
Ônibus movido a biodiesel. (São Paulo, SP.)

A produção de biodiesel

1 Frutos da mamona que contêm óleo


são cultivados e colhidos.
(Altura da planta: 3,0 m, diâmetro
do fruto: 2,5 cm.)

2 Os frutos são prensados para extrair


o óleo, do qual são eliminadas as
impurezas.

3 Óleo, álcool (etanol ou metanol)


e catalisador são aquecidos por
algumas horas.

5 O biodiesel é misturado
Biodiesel Glicerina
com diesel e a mistura é
comercializada com o nome
de “biodiesel”.

4 Biodiesel e glicerina são separados.

Fonte dos dados dos esquemas desta página e das duas seguintes: BiodieselBr.

Desenvolvimento sustentável

29

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O biodiesel no Brasil
As diversidades sociais, econômicas
e ambientais no Brasil, geram distintas
motivações regionais para a produção,
consumo e comercialização do biodiesel.
Um exemplo é a geração de emprego
e de renda para as comunidades rurais.
Produção do biodiesel
Esse processo gera dois subprodutos
principais: a glicerina e a torta vegetal
(adubo), que també m podem ser
explorados economicamente pelas
comunidades produtoras
de biodiesel.

Obtenção do óleo vegetal


A matéria-prima Após a colheita, os frutos são
processados de diferentes maneiras,
A grande extensão territorial e a diversidade de
dependendo da espécie utilizada, para a
clima e solo tornam o Brasil um país privilegiado
extração do óleo vegetal.
para o plantio de diversas culturas. As
peculiaridades de cada região devem ser
analisadas no momento da escolha da
espécie de planta utilizada na produção 3
de biodiesel. 3
3
1 9 1
5 1
2 8
T 3 9 9
2 5
As espécies vegetais 8 9 7
A escolha da espécie de 1
5 9
9
oleaginosa geralmente está 2 1 1
associada à região em que será 5
1
produzido o biodiesel. 8 1 2
5
8 1
5
1
5
4 6
8
1 1 7
5 6
AL BABAÇÚ MAC
AÚBA
GODÃO DENDÊ 8
1 2 3 5 4
8
5

Capítulo 1

30

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Ciências Naturais – Aprendendo com o cotidiano 8, 6a edição, e a BNCC

Redução na importação de diesel


O uso de biodiesel diminui a
importação de diesel, o que pode
significar considerável economia
para o país.

Utilização nas comunidades rurais Utilização nas comunidades isoladas


As comunidades podem ser beneficiadas em Em muitos locais para se obter 1 L de diesel gasta­
diversos setores, como por exemplo, com ­se até 3 vezes o seu valor; nesses casos, a produção
a instalação de geradores, possibilitando o local do biodiesel pode solucionar esse problema.
acesso à energia elétrica.

Emissão de poluentes
Em comparação com o diesel, a queima
de biodiesel puro pode emitir:
■ 48% menos monóxido de carbono;
■ 47% menos material particulado;
■ 67% menos hidrocarbonetos.

CA
R

AM NA A GIR
SOJA EN DOI M -DE-AÇÚC ASSOL MAMONA
5 6 7 8 9

Desenvolvimento sustentável

31

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Geração de energia elétrica
Existem várias fontes para obter energia elétrica em usinas
apropriadas, como ilustra o esquema a seguir.

Usina hidrelétrica Usina termelétrica Usina eólica Usina solar Usina nuclear

Gera energia elétrica Gera energia elétrica Gera energia elétrica Gera energia elétrica a Gera energia elétrica a
a partir da energia do a partir do calor a partir da energia do partir da energia que partir do calor liberado
movimento de uma liberado na queima de movimento do vento. provém do Sol. nos complexos
queda-d’água. combustíveis. processos nucleares.

(Representações esquemáticas fora de proporção. Cores fantasiosas.)

No Brasil, a energia elétrica que chega às residências e aos esta-


belecimentos é obtida, fundamentalmente, em dois tipos diferentes
de usinas. Um tipo é o das usinas hidrelétricas, que geram ele-
tricidade a partir da energia do movimento de uma queda-d’água.
O outro é o das usinas termelétricas, que queimam carvão mineral
e derivados do petróleo para obter energia elétrica.
As usinas hidrelétricas empregam um recurso energético renová-
vel — as quedas-d’água —, enquanto as termelétricas utilizam re-
cursos não renováveis — o gás natural, petróleo e o carvão mineral.
O Brasil apresenta muitos recursos hídricos (rios e quedas-d’água),
por isso a maior parte da energia elétrica nacional é gerada em usi-
nas hidrelétricas, como você pode perceber analisando o gráfico A.
O gráfico B mostra as fontes de onde provém a energia total utili-
zada no Brasil, incluindo aí a energia elétrica e o uso de combustíveis.

Fontes de energia elétrica Fontes naturais da energia


no Brasil A total usada no Brasil B

Petróleo
4,1% 1,4% Combustíveis
Eólica + solar Hidreletricidade
1% 72% 5,2% da cana-de-açúcar
(álcool, bagaço etc.)
Nuclear Quedas-d’água
2%
9,5% 37,7% Gás natural
Lenha
10,3%
Carvão mineral
14,1% 17,7% Outras fontes
renováveis
Termeletricidade
25% Urânio
(energia nuclear)

Fonte: Agência Nacional de Águas. Fonte: Ministério de Minas e Energia.

A tabela a seguir compara vantagens e desvantagens de diferen-


Neste ponto sugere-se a atividade 3 do
Explore diferentes linguagens. tes fontes de energia, não apenas de energia elétrica.

Capítulo 1

32

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Ciências Naturais – Aprendendo com o cotidiano 8, 6a edição, e a BNCC

Comparação entre fontes energéticas

Fonte Produção Vantagens Desvantagens

A queima do carvão
Eletricidade por queima de Não renovável. Consumo
aquece a água, que move
carvão [ou Alta disponibilidade. alto de água e emissão de
as turbinas para gerar
outro combustível] gases do efeito estufa.
eletricidade.

A passagem da água Instalação gera gases do


Renovável. Alta
Hidreletricidade move as turbinas para a efeito estufa e causa danos
disponibilidade.
produção de eletricidade. ao meio ambiente.

O gás chega encanado ao Eficiente. Menor emissão Disponibilidade limitada.


Gás natural consumidor e é queimado de gases poluentes que na Não renovável. Aplicação
no local. queima de carvão. limitada.

O gás, fornecido em Ampla disponibilidade.


Cara. Transporte requer
GLP botijões ou cilindros, é Baixa emissão de gases do
energia adicional.
queimado no local. efeito estufa.

A energia solar é
Abundante, gratuita,
convertida em energia Disponibilidade limitada.
Solar renovável. Sem gases do
elétrica usando células Instalação cara.
efeito estufa.
fotovoltaicas.

O vento move turbinas Gratuita, limpa. Sem Instalação cara. Turbinas


Eólica para a produção de emissão de gases do efeito invasivas e perigosas para
eletricidade. estufa. pássaros.

As marés movem turbinas Alta disponibilidade,


Captação eficiente de
Ondas/marés para a produção de renovável e próxima das
energia é difícil e cara.
eletricidade. cidades [litorâneas].

Matéria vegetal é Potencialmente renovável. Cultivo e queima de


Biomassa queimada para alimentar Recicla os resíduos da matéria-prima pode emitir
geradores de eletricidade. agricultura. poluentes.

O metano do lixo em Recicla resíduos. Ajuda


Caro. Requer grande
Aterro sanitário putrefação é queimado a prevenir o acúmulo de
quantidade de resíduos.
para alimentar geradores. metano na atmosfera.

Calor, vapor ou água Limitada a áreas de


Barata depois da
Geotérmica quente do interior da Terra atividade geotérmica e
instalação. Eficiente.
alimenta geradores. características apropriadas.

Fonte: S. Kent et al. (ed.). Salve o meio ambiente. Rio de Janeiro: Reader’s Digest. p. 21.

5 Recursos materiais
para o sistema produtivo
São inúmeras as fontes naturais de materiais para a indústria.
Entre as mais importantes estão os minerais, o petróleo, o carvão
mineral, o ar, a água do mar e os seres vivos.

Desenvolvimento sustentável

33

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Minerais
Alguns minerais são usados praticamente como são obtidos da
natureza, sem sofrerem grandes transformações industriais. É o
caso do granito, do basalto, da ardósia e do ouro.
Já outros minerais são utilizados em complexos processos indus-
triais, realizados em instalações apropriadas, por meio dos quais são
obtidos o ferro, o alumínio, o cobre, a prata, o mercúrio, o manganês,
o vidro, as cerâmicas e diversos outros produtos de interesse dos
consumidores.

Petróleo
O petróleo é empregado como matéria-prima na fabricação de
Alguns exemplos de produtos itens com formas e cores tão variadas que, em geral, as pessoas
cuja matéria-prima para a nem desconfiam de onde vieram. São exemplos: plásticos, tintas,
fabricação é o petróleo.
gomas de mascar, colas, tecidos sintéticos, perfumes, medicamen-
tos, borrachas, explosivos e muitos outros.

Outras fontes
A partir do carvão mineral, do ar e da água do mar, as indústrias
químicas também elaboram diversos produtos.
O tema permite que os alunos percebam
que há vários tipos de unidades de conservação,
Todos os produtos que adquirimos e utilizamos têm, de alguma
sujeitas a diferentes restrições quanto às ativida- forma, a matéria-prima extraída da natureza.
des humanas em seu território. Se dispuser de
tempo e julgar conveniente, sugira também os
seguintes temas para pesquisa: “Que projetos
de conservação ambiental existem em nossa
região?”; “O maior consumo de energia elétrica
6 Os seres vivos como fonte de recursos
no Brasil se deve às indústrias, ao comércio ou
às residências?”. O primeiro tema é uma com- Quando pensamos nos organismos vivos como recursos
plementação do que está apresentado no livro. naturais, o que nos vem à mente é o uso que fazemos deles na
Para o segundo tema, que pode ser desenvol-
vido de modo interdisciplinar com Geografia, alimentação. De fato, as frutas, as verduras, as carnes, o leite,
sugerimos que seja consultado, por exemplo,
o portal da Aneel (www.aneel.gov.br). O setor
os ovos e os outros alimentos provêm de seres vivos. Mas dos
industrial consome mais que o residencial, e este organismos vivos se obtêm muitos outros materiais de interesse
mais que o comercial.
para o ser humano.
Os animais são fonte de vários materiais de interesse. Veja o
caso do gado bovino. Quando abatido, além da carne, pode-se
ATIVIDADE aproveitar praticamente tudo. O couro é usado na fabricação de
calçados, cintos e bolsas. O casco e os cornos servem para fazer
Tema para pesquisa pentes e fivelas. A gordura é matéria-prima do sabão, seja ele
O que diz a legislação elaborado em fábricas ou de modo caseiro. E os ossos, aquecidos
brasileira sobre unidades num grande forno e depois triturados, podem ser incorporados à
de conservação ambiental?
Todas essas unidades são ração do gado ou servem de adubo para plantas.
do mesmo tipo? De quem As plantas representam outra fonte de recursos. A madeira,
é a responsabilidade de usada na fabricação de móveis e em construções, serve também
cuidar delas? Existem
atividades de extração de
de matéria-prima para fabricar papel. As fibras do algodão e da
recursos permitidas em tais juta são empregadas na produção de tecidos, e as fibras de sisal
unidades? Quais são as servem para fazer cordas. Muitos dos medicamentos comercializa-
unidades de conservação dos foram desenvolvidos por pesquisadores a partir de substâncias
mais próximas de sua
localidade? extraídas de plantas.
Seres vivos são recursos naturais renováveis.

Capítulo 1

34

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Ciências Naturais – Aprendendo com o cotidiano 8, 6a edição, e a BNCC

Em destaque Reduzir, reutilizar, reciclar


Ao usar recursos naturais como matéria-prima, o sistema
produtivo industrial está explorando o ambiente.
Alguns dos recursos usados, como o ar, os seres vivos, a água
e o solo, são renováveis, desde que explorados corretamente
e de modo sustentável. Outras dessas fontes, entretanto, não
são renováveis, como, por exemplo, os minerais, o petróleo e
o carvão mineral.
A necessidade que a sociedade tem (que nós temos) de usar Redações possíveis, considerando-se o
recursos materiais propõe um grande desafio para o futuro. nível de compreensão atual dos estudantes:
Os recursos não renováveis podem se esgotar e os recursos recurso natural renovável Fonte natural de
material ou de energia (recurso natural) que
renováveis têm sido explorados, em geral, acima da capacidade é reabastecida continuamente por processos
que a natureza tem para renová-los. naturais. A conservação de tais recursos envol-
ve um compromisso entre a velocidade de sua
Buscar alternativas para acabar com a exploração descontro-
exploração pela humanidade e a velocidade com
lada de matérias-primas é um desafio urgente para a sociedade que são renovados pela natureza. Exemplos:
e todo cidadão pode contribuir para isso com simples mudanças luz solar, ventos, marés, solo fértil, água não
poluída e seres vivos.
em suas atitudes: recurso natural não renovável Fonte natural de
• Refletindo sobre a real necessidade de consumo; material ou de energia que contém quantidade
finita daquilo que se deseja explorar e pode,
• R
ecusando comprar coisas desnecessárias ou cuja produção portanto, acabar. Exemplos: minerais, petróleo
e uso agridam o ambiente; e carvão mineral.
desenvolvimento sustentável Desenvolvimento
• R
eduzindo o uso de recursos (especialmente os não reno-
visando oferecer melhores condições de vida
váveis) e, quando for realmente necessário consumi-los, à população, mas realizado de modo que não
priorizar o uso de recursos renováveis; comprometa a qualidade de vida das futuras
gerações. Inclui a conservação dos ambientes
• Reutilizando objetos ao máximo e naturais, a exploração sensata dos recursos
• R
eciclando materiais, como plástico, metal, papel e vidro. naturais e a minimização da poluição.

ATIVIDADE

Isso entra no nosso


vocabulário!
• recursonatural renovável
• recursonatural não
renovável
• desenvolvimento
sustentável

Observe esta foto, tirada no corredor de um shopping


center em São Paulo, e reflita sobre qual é a relação
entre recursos naturais e hábitos de consumo.

Desenvolvimento sustentável

35

019-043-BNCC-PE-CAC8-C01-M17-LP.indd 35 26/07/17 17:10


ATIVIDADE
7 Ameaça aos recursos renováveis
Reflita sobre suas
atitudes O ser humano não é mais importante que os outros seres vivos.
Nós dependemos dos recursos do planeta para sobreviver. Já a
Quais de seus hábitos e
atitudes contribuem para Terra, no entanto, não precisa de nós. Se a espécie humana for
o desenvolvimento não extinta como consequência de nossa própria incapacidade de con­
sustentável da humanidade? trolar a exploração do ambiente, o planeta continuará existindo, e
É possível alterar esses
hábitos e atitudes?
muitos outros seres vivos também.
Os recursos naturais são limitados e também não é inesgotável
a capacidade que o nosso planeta tem de receber resíduos. A Ilha
Proponha, após este item, a questão 4
do Use o que aprendeu. de Páscoa é um exemplo dessa situação.

Algumas intervenções humanas que comprometem recursos renováveis

Diminuição de
áreas florestais

Alterações climáticas
Redução de habitats
para a vida selvagem
Poluição do ar Poluição da água

Extinção de espécies

Erosão do solo

Superexploração
da pesca

Exploração da água
subterrânea além do que
é reposta pela chuva

(Representação fora de proporção. Cores fantasiosas.)

Fonte: G. T. Miller Jr. e S. E. Spoolman. Living in the environment. 17. ed. Belmont: Brooks/Cole. p. 13.

8 O crescimento da população humana


No início da era cristã a população mundial contava com cerca
de 200 milhões de pessoas e cresceu gradualmente até cerca de
1 bilhão por volta de 1800. Daí saltou para 2 bilhões nas primeiras
décadas do século XX e disparou para 7 bilhões de pessoas em 2011.

Algumas razões do crescimento populacional


O considerável aumento da população mundial nas últimas
décadas deve­se, principalmente, à diminuição da mortalidade re­
sultante dos progressos da Ciência e da Tecnologia. Medicamentos
mais avançados, procedimentos médicos mais eficazes, técnicas

Capítulo 1

36

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Ciências Naturais – Aprendendo com o cotidiano 8, 6a edição, e a BNCC

de assistência às gestantes, melhores condições para o tratamento


da água e para o saneamento básico são algumas das razões que,
em muitas partes do mundo, reduziram a mortalidade infantil e
aumentaram a expectativa de vida da população.
Paralelamente, avanços da tecnologia agrícola, com desta­
que para os métodos de controle de pragas e as técnicas para
melhorar a fertilidade do solo com o uso de fertilizantes inorgâ­
nicos, possibilitaram grande aumento da produtividade agrícola
no transcorrer do século XX, permitindo alimentar a crescente
população. Hoje, mais de 90% do alimento da população mundial
provêm da agricultura.
Todos esses progressos que ajudaram a abrigar mais pessoas no
planeta mostram que a espécie humana teve um sucesso adaptativo
fabuloso. Contudo, esse sucesso tem um outro lado. Neste capítulo
vimos que o nosso planeta dispõe de uma quantidade finita de
recursos não renováveis e apresenta uma capacidade limitada
para repor os recursos renováveis e para absorver e reciclar os
resíduos produzidos por esses bilhões de pessoas.

Mais pessoas, mais problemas Ajude o aluno a interpretar os dados.


Na parte inferior do gráfico lemos que os
Até 2050, a expectativa é de que a população mundial ultrapasse dados de população estão expressos em
milhões de pessoas. Assim, por exemplo,
9 bilhões de pessoas. 9.587 milhões de pessoas equivalem a
9 bilhões e 587 milhões de pessoas.

Gráfico da população mundial em meados de 2011 e estimativas para 2025 e 2050

9.587
Total 8.084
6.987

5.284
Ásia 4.780
4.216

2.300
África 1.444
2050
1.051
2025
1.216
2011
América 1.068
942

725
Europa 746
740

62
Oceania 46
37

0 1.000 2.000 3.000 4.000 5.000 6.000 7.000 8.000 9.000 10.000

População (em milhões de pessoas)

Fonte: Gráfico elaborado a partir de dados de Population Reference Bureau.

Desenvolvimento sustentável

37

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Com o crescimento populacional ocorre o aumento da
exploração de recursos naturais e da produção de resíduos que
poluem o ar, a água e o solo. Além disso, a área coberta por florestas
é ocupada por cidades, o que reduz a biodiversidade e o espaço
destinado à agricultura. Se, ainda, não houver manejo correto da
terra, esta se torna improdutiva.
A disputa de recursos é motivo de desentendimentos em várias
partes do mundo. Vez ou outra os noticiários mostram conflitos
provocados pela posse de terra fértil ou pela disputa de reservas de
água doce. Com o aumento da população, tais conflitos tendem a
se agravar, principalmente nas regiões pobres do planeta, onde
a distribuição desigual de renda já oferece enormes dificuldades
para o acesso à água, à terra fértil, ao alimento, à moradia e ao
saneamento básico.
A visão de que a humanidade caminha para uma tragédia tem
sido defendida por alguns cientistas já há algumas décadas, mas
a desinformação e os interesses políticos, sociais e econômicos
de pessoas ou de grupos de pessoas têm dificultado bastante a
mudança de rumos.
Por tudo isso, é fundamental que cada indivíduo tenha
consciência de suas responsabilidades (o que se pode verificar
nas atitudes individuais e nas coletivas), pois somente assim as
futuras gerações não sofrerão as consequências da exaustão ou
do comprometimento de recursos naturais.

As soluções começam conosco


O que podemos fazer para tornar menos sombrio o futuro
de nossa espécie? Providências devem ser tomadas logo, e elas
começam com nossas atitudes individuais na vida cotidiana.
Há pessoas que têm pensamentos do tipo: “não há problema
em descartar meu lixo de modo incorreto” ou “não é o meu lixo
que vai agravar o problema ambiental” ou “tudo bem eu desper-
diçar recursos, pois o que eu gasto é muito pouco”. Esse tipo
de raciocínio poderia até funcionar se existissem pouquíssimos
Use a internet seres humanos no planeta. Mas, com bilhões de pessoas e com
Conheça mais sobre o aumento desenfreado da população mundial, tal raciocínio
atitudes responsáveis no é incorreto.
uso de energia elétrica e
no consumo de bens. Visite
Sobre aquilo que cada um de nós deve fazer, vale uma ideia
a página do Programa muito simples e importante: devemos pensar globalmente e agir
Nacional de Energia (Procel) localmente. Pensar globalmente é refletir sobre como nossas
e do Instituto Akatu Pelo atitudes interferem no ambiente e no planeta. Agir localmente
Consumo Consciente:
começa com a nossa própria rotina de vida, em nossa casa,
http://www.eletrobras.com/elb/
procel/main.asp nossa escola e nossa comunidade. Precisamos consumir tanto
http://www.akatu.org.br e desperdiçar tantos recursos e tanta energia? Precisamos usar
Caso esses endereços tantos produtos descartáveis? Que fazemos para contribuir para
tenham mudado, busque por a reciclagem do lixo? Passamos informações a outras pessoas
Procel dicas de conservação
e por Instituto Akatu. sobre os problemas ambientais que algumas de nossas atitudes
diárias provocam?

Capítulo 1

38

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Ciências Naturais – Aprendendo com o cotidiano 8, 6a edição, e a BNCC

Pequenos gestos, como, por


exemplo, dar destino ao lixo
reciclável em lixeiras ou em postos
de coleta seletiva são o ponto de
partida para resolver os problemas
criados pelo próprio ser humano.
Faça você também a sua parte.
A Posto de coleta seletiva.
B Lixeiras de coleta seletiva.
O recipiente marrom no centro
é para o descarte de lixo não
reciclável.

As soluções envolvem a coletividade


Além das providências individuais, é necessário que governantes,
empresas e órgãos sejam pressionados pela sociedade a agirem
rápida e concretamente a favor da sustentabilidade.
Nesse processo, é importante destacar o trabalho, em todo o
mundo, de organizações não governamentais (ONGs) compro-
metidas com questões ambientais. Mas as conquistas ainda são O tema propicia a discussão de pontos
como a liberdade individual de escolha dentro
pequenas, quando comparadas à dimensão dos problemas e da de uma sociedade democrática e o direito de
população do planeta. todos terem acesso a métodos de planejamento
familiar.
Controlar o crescimento da população mundial é outro fator que Se dispuser de tempo, sugira, também, este
deve ser tratado com a máxima urgência, para que a humanidade Tema para discussão em grupo: “Qual ONG com
atuação voltada para questões ambientais é a
tenha tempo de resolver seus enormes problemas sociais, para de maior destaque em sua cidade ou em seu
reduzir a necessidade de recursos naturais e para administrar a estado? Que tipo de trabalho ela desenvolve?”.

exploração desses recursos de modo que assegure o desenvolvi- ATIVIDADE


mento sustentável.
Apesar das muitas controvérsias sobre esse ou aquele ponto, Para discussão
quando refletimos sobre a situação atual e o futuro da humanidade, em grupo
não há como escapar da ideia de que o desenvolvimento do planeta Que meios poderiam
deve se tornar sustentável, e rápido, ou o destino da humanidade não ser usados para controlar
o aumento da população
será muito diferente do destino dos habitantes da Ilha de Páscoa, humana?
que a exploraram além das possibilidades naturais de recuperação.
Proponha as atividades 4 e 5 do Explore diferentes linguagens.

Desenvolvimento sustentável

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ORGANIZAÇÃO DE IDEIAS: MAPA CONCEITUAL
envolve desafios relacionados a é o desenvolvimento que visa também à
Desenvolvimento sustentável

Qualidade do ar Qualidade de vida das


futuras gerações
dificultado
Qualidade da água pelo

Aumento da
Obtenção de alimento população mundial

Conservação do
Seres vivos e ambiente
biodiversidade

que envolve a
que aumenta a exploração
Produção de bens e envolve o aumenta necessidade adequada
geração de energia controle da a de de

Produção de Recursos Conservação dos


Interesses sociais, resíduos naturais recursos naturais
econômicos e políticos

que podem ser divididos em

Não renováveis Renováveis

Veja respostas das atividades do Use o que aprendeu em Comentários e respostas dos capítulos do 8o ano.

USE O QUE APRENDEU ATIVIDADE

1. O ser humano faz parte da natureza? Justifique 4. Neste capítulo, afirmou-se que uma das
sua resposta. maneiras de conservar os re cursos não
renováveis é substituindo-os por recursos
2. A espécie humana pode viver de modo total-
que possam ser renovados. Faça uma lista
mente independente dos recursos naturais?
com pelo menos cinco exemplos de substi-
Explique.
tuições desse tipo que podem ser feitas pela
3. Que relação há entre as respostas das duas sociedade.
perguntas anteriores?

EXPLORE DIFERENTES LINGUAGENS ATIVIDADE

A critério do professor, as atividades a seguir poderão ser feitas em grupos.


Veja respostas das atividades do Explore diferentes linguagens em Comentários e respostas dos capítulos do 8o ano.
TEXTO

1. Redija um texto de dez a quinze linhas tradicional de desenvolvimento e o conceito


fazendo comparações entre o conceito de desenvolvimento sustentável.

Capítulo 1

40

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Ciências Naturais – Aprendendo com o cotidiano 8, 6a edição, e a BNCC

FÁBULA

2. Você conhece a fábula A galinha dos ovos de ouro? Se não a conhece, informe-se a respeito dela. Em
seguida responda no caderno: quais características do planeta Terra podem ser comparadas à “galinha
dos ovos de ouro”?

GRÁFICO

3. Neste capítulo há um gráfico que mostra a contribuição de várias fontes para a energia total utilizada
no país. Consulte-o e responda se a maior parte da energia utilizada no Brasil provém de recursos
renováveis ou de recursos não renováveis. Justifique apresentando os cálculos efetuados.
4. Reveja o gráfico sobre o crescimento da população mundial. Consulte-o para responder às perguntas.
a) Em qual dos continentes se espera redução da população de 2011 para 2050?
b) Com auxílio do seu professor, se necessário, calcule o aumento porcentual esperado para a popu-
lação do planeta entre 2011 e 2050.
c) Faça o mesmo tipo de cálculo pedido no item anterior para cada um dos continentes.
d) Compare as respostas anteriores e responda: em quais continentes espera-se que a população
cresça, entre 2011 e 2050, proporcionalmente mais do que crescerá a população do planeta
nesse mesmo período?

ENCENAÇÃO

5. O professor dividirá a classe em grupos. Cada um deles deve preparar uma encenação que envolva
diálogos entre duas pessoas com ideias opostas relativas ao ambiente. Por exemplo, um dono de
madeireira dialogando com alguém que deseja evitar o desflorestamento, um dono de indústria
poluidora do ar argumentando com uma autoridade responsável pelo controle da qualidade do
ar etc. Ambos os lados devem apresentar argumentos para defender seu ponto de vista.

Seu aprendizado não termina aqui


Os meios de comunicação noticiam todos os dos diferentes países, o que eles têm feito sobre
anos a realização de reuniões com representan- as questões ambientais, a interferência dos
tes dos países mais ricos. É frequente, nessas problemas econômicos nessas discussões e as
reuniões, a discussão das questões ambientais. demais dificuldades que a humanidade enfrenta
Acompanhe essas notícias e conheça a posição para atingir o desenvolvimento sustentável.

Desenvolvimento sustentável

41

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ISSO VAI PARA O NOSSO MURAL!
ATIVIDADE
EM GRUPO

Nosso planeta é uma ilha

Veja comentário
sobre esta atividade
em Comentários e res-
postas dos capítulos
do 8o ano.

266

42

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HABILIDADES:
• EF08CI02
• EF08CI03
• EF08CI04
• EF08CI05
• EF08CI06

CAPÍTULO
GERAÇÃO E

2
APROVEITAMENTO
DE ENERGIA
ELÉTRICA

As turbinas eólicas
transformam a energia do
movimento do ar (vento)
em energia elétrica. O vento
é uma fonte de energia
renovável, limpa e disponível
em diversos lugares.
(Parque Eólico de Osório, RS.)

44

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Ciências Naturais – Aprendendo com o cotidiano 8, 6a edição, e a BNCC

MOTIVAÇÃO
A critério do professor, esta atividade poderá ser realizada em grupos.

Objetivo ATENÇÃO!

Ajudá-lo
uu a entender o que é um circuito elétrico. Por razão de segurança,
Você vai precisar de: para realizar qualquer ex-
perimento de Eletricidade
• pilha comum de lanterna de 1,5 V (lê-se “1,5 volt”) você deve ter a AUTORI-
• lâmpada de 1,5 V ZAÇÃO e a SUPERVISÃO
de seu professor, mesmo
• soquete para a lâmpada
que aparente ser algo
• fita adesiva inofensivo.
• 3 fios elétricos com 10 centímetros de comprimento e com as
pontas desencapadas (peça a um adulto que desencape as
pontas); se o soquete já tiver dois fios saindo dele, aproveite-os.

Procedimento
A
1. Usando a fita adesiva, faça uma montagem como a que
aparece na figura ao lado. Observe se a lâmpada acende.
2. Encoste a extremidade A do fio na extremidade B e observe
a lâmpada. B
3. Separe a extremidade A da extremidade B e observe no-
vamente a lâmpada.
4. O que você observou? Por que aconteceu isso?

DESENVOLVIMENTO DO TEMA

1 Introdução
Ao realizar o experimento descrito, você construiu um circuito elé-
trico. Quando as extremidades A e B estão separadas, dizemos que o
circuito está aberto. Quando A e B estão unidas, o circuito está fechado.
Como você pôde observar, a lâmpada acende quando está ligada
adequadamente à pilha. Isso acontece quando o circuito está fechado.
Circuito
Nessa situação, passa pelo circuito elétrico fechado o que os cientistas fechado
chamam de corrente elétrica. Uma corrente elétrica não pode ser
Uma corrente elétrica A
vista, mas seus efeitos podem ser percebidos. No caso do experimen- passa pelo circuito B
to, os efeitos da corrente elétrica são o acendimento da lâmpada e o
aquecimento do seu bulbo.
As extremidades A e B funcionam como um interruptor, porque
elas permitem interromper a passagem da corrente elétrica. Os in-
terruptores elétricos que permitem acender as lâmpadas na sua casa
têm esse princípio de funcionamento.
Circuito aberto
Uma lâmpada de filamento incandescente é formada por um
Interrupção no circuito A
filamento metálico, protegido por um envoltório (bulbo) de vidro.
B
O filamento é um fio metálico muito fino. Cada ponta do filamento
está ligada, por fios metálicos, não tão finos quanto o filamento, a uma (Representações esquemáticas
parte distinta da base metálica da lâmpada. fora de proporção.)

Geração e aproveitamento de energia elétrica

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Assim, quando a lâmpada faz parte de um circuito, a corrente
elétrica pode fluir através do filamento como mostram os esquemas
abaixo. A corrente elétrica provoca aquecimento do filamento, que,
de tão quente que fica, passa a emitir luz.

Lâmpada Lâmpada doméstica


de lanterna incandescente

Filamento
Filamento
O trajeto da
corrente elétrica
está indicado
em vermelho

Fios Fios
internos internos
A passagem de corrente A ponta
Isolante que
elétrica, cujo trajeto está de um
impede o contato
esquematizado em vermelho, dos fios
direto da rosca
pelo filamento de uma lâmpada está ligada
metálica com o
à rosca A ponta
incandescente produz calor e terminal metálico
metálica do outro
luz. (Representação esquemática inferior 
do interior dos dispositivos, fio está
ligada ao terminal
fora de proporção e em cores metálico inferior
fantasiosas.)

2 Diferença de potencial elétrico


O voltímetro mede diferença de potencial
O voltímetro é um aparelho usado, por exemplo, no estudo
da eletricidade e na manutenção de equipamentos eletrônicos.
Do aparelho saem dois fios metálicos encapados com plástico isolante,
geralmente um vermelho e outro preto, com extremidades de metal
rígido desencapado.

Mostrador em que
se faz a leitura da
medida

Extremidades
encapadas com
Fios metálicos plástico
encapados com
plástico

Extremidades
metálicas

O voltímetro mede a diferença de potencial elétrico (ddp) entre


as extremidades de seus dois fios. A ddp, também denominada tensão
Normalmente encontramos, elétrica, é medida na unidade volt, cujo símbolo é V.
nas oficinas de eletrônica, Para fazer uma medida, encosta-se em um determinado local a
o multímetro, aparelho que extremidade do fio preto e, em um outro local, a extremidade do fio
tem outras funções, além de
vermelho. O voltímetro indica quantos volts o potencial elétrico da
voltímetro. A função desejada
é escolhida por meio de uma extremidade do fio vermelho é maior ou menor do que o potencial
chave seletora. elétrico da extremidade do fio preto.

Capítulo 2

46

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Ciências Naturais – Aprendendo com o cotidiano 8, 6a edição, e a BNCC

Um primeiro exemplo 3,0 V


Maior
potencial
Imagine, por exemplo, duas esferas de metal, uma delas neutra e + ++
+ +
outra eletrizada com carga positiva. Usando um voltímetro, podemos + ++
determinar a diferença de potencial elétrico entre ambas, como mos-
tram as figuras A e B.
A
A medida realizada na figura A indica que o potencial elétrico da
esfera eletrizada é 3 V maior que o da esfera neutra (lê-se 3 V como Menor
potencial 3,0 V
“três volts”). A medida realizada na figura B indica que o potencial + ++
+ +
elétrico da esfera neutra é 3 V menor que o da esfera eletrizada. + ++
Assim, pelas figuras A e B observamos que:
• a diferença de potencial elétrico entre as esferas é de 3 V;
• o potencial elétrico da esfera com carga positiva é maior que B

o da esfera neutra. Fio metálico permite


a distribuição da carga
Se um fio metálico tocar simultaneamente as duas esferas, como
na figura C, a carga positiva se distribuirá por ambas. No final, as + +
+ + + +
duas estarão carregadas positivamente. Uma nova medida (figura D) + +
mostra, agora, que a diferença de potencial entre as esferas é zero,
C
ou seja, o potencial elétrico delas é igual.
zero
+ +
Um segundo exemplo + + + +
+ +
Considere duas esferas de metal, uma eletrizada negativamente e
outra neutra. Imagine que, empregando um voltímetro, obtiveram-se
Potenciais elétricos iguais
os resultados esquematizados nas figuras E e F*. D
A figura E indica que o potencial elétrico da esfera neutra é 3 V Maior
maior que o da esfera eletrizada. E a figura F indica que o potencial 3,0 V potencial
– – –
elétrico da esfera eletrizada é 3 V menor que o da esfera neutra. – –
– – –
Nas figuras E e F verificamos que:
• a diferença de potencial elétrico entre as esferas é de 3 V;
• o potencial elétrico da esfera neutra é maior que o da esfera E
com carga negativa. Menor
Caso um fio metálico toque as duas esferas, como ilustra a figura G, potencial 3,0 V
––
isso permitirá que a carga negativa se distribua por elas. Uma nova – –
– –
medida (figura H) indica que o potencial elétrico de ambas as esferas – – –

agora é igual, ou seja, a diferença de potencial é zero.
F
Conclusões dos dois exemplos Fio metálico permite
a distribuição da carga
Os dois exemplos que acabamos de apresentar ilustram algumas
importantes conclusões científicas: – –
– – – –
• a carga positiva flui espontaneamente para uma região de menor
– –
potencial elétrico (primeiro exemplo);
G
• a carga negativa flui espontaneamente para uma região de maior
zero
potencial elétrico (segundo exemplo); – –
• a carga elétrica não flui de uma região para outra quando a di- – – – –
ferença de potencial entre elas é zero. – –

Potenciais elétricos iguais


* O valor da diferença de potencial (3 V) neste caso é igual ao do primeiro exemplo. Mas não H
precisaria ser. Esse valor depende, entre outras coisas, da quantidade e do sinal da carga
elétrica das esferas.

Geração e aproveitamento de energia elétrica

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O atrito da criança agasalhada O atrito com o ar, em um dia seco, pode fazer um carro de Fórmula-1 se
com o plástico do escorregador, eletrizar a ponto de atingir uma diferença de potencial de 30.000 V em
em dia seco, eletriza a criança, relação ao solo. A aproximação da mangueira de reabastecimento pode
que fica com potencial elétrico provocar uma descarga elétrica que incendeia o vapor de combustível.
diferente do da sua mãe. (Na foto, incêndio durante o reabastecimento de um carro, na década
Quando a criança toca na mãe, passada. Atualmente, o reabastecimento não é permitido no decorrer das
ambas podem levar um pequeno corridas de Fórmula-1.)
choque: a faísca que salta se
deve à carga elétrica transitando Valores de tensão elétrica
entre dois corpos com diferença
de potencial elétrico. Impulso nervoso 0,1 V
Pilha de lanterna 1,5 V
Bateria de automóvel 12 V
Tomada de parede 127 V ou 220 V
Linhas de transmissão até 750.000 V

ATENÇÃO!
3 Corrente elétrica
Você NÃO deve abrir pi- O conceito de corrente elétrica
lhas nem baterias, pois mui-
tas delas contêm METAIS Nos dois exemplos da página anterior, havia inicialmente uma
TÓXICOS. diferença de potencial entre as esferas. Quando elas foram tocadas
Pilhas e baterias NÃO simultaneamente pelo fio metálico, ocorreu através dele um movimen-
devem ser jogadas no lixo
comum, pois com o tempo
to ordenado de cargas elétricas, que chamamos corrente elétrica.
sofrem vazamento e conta- Porém, assim que a diferença de potencial passou a ser zero, a corrente
minam o solo e a água. elétrica deixou de existir.
Elas devem ser enca- E se fosse possível manter a diferença de potencial entre as duas
minhadas ao fabricante
para que sejam recicladas.
regiões conectadas pelo fio, a corrente elétrica se manteria?
Informe-se em seu município
sobre locais de recolhimento Pilhas e baterias: dispositivos
de pilhas e baterias usadas
e leve a sério a necessidade que mantêm diferença de potencial
do correto descarte desses
produtos.
Existem dispositivos capazes de manter uma diferença de potencial
por um certo período de tempo, por exemplo, pilhas e baterias.

Capítulo 2

48

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Ciências Naturais – Aprendendo com o cotidiano 8, 6a edição, e a BNCC

Ao testar com um voltímetro uma pilha de lanterna nova, pode- ATIVIDADE

mos obter resultados como os mostrados nas figuras A e B. Nelas Isso entra no
verificamos que:  1,5 V
nosso vocabulário!
• a diferença de potencial elétrico entre os polos da pilha é de
• voltímetro
1,5 V; • diferença de potencial
+
• o potencial elétrico do polo positivo é maior que o do polo elétrico

negativo. • corrente elétrica
• circuito elétrico

 1,5 V  1,5 V

+ +

– –

A B
 1,5 V

Ao testar uma bateria de nove volts nova (empregada, por exemplo,


em alguns+ tipos de brinquedo com controle remoto), podemos obter ATENÇÃO!
resultados como os das figuras C e D. Nelas, observamosque:
9,0 V
– Você NÃO DEVE fazer
• a diferença de potencial elétrico entre os polos da bateria é experimentos de Eletrici-
 
de 9 V; dade que envolvam dife-
• o potencial elétrico do polo positivo é maior que o do polo rença de potencial superior
a 9 V, pois existe RISCO
negativo.
DE CHOQUE ELÉTRICO,
QUEIMADURAS E MORTE.
 9,0 V  9,0 V Além disso, para realizar um
experimento de Eletricidade
    você SEMPRE DEVE ter a
AUTORIZAÇÃO e a SUPER-
VISÃO de seu professor,
mesmo que aparente ser
algo inofensivo.
C D
 9,0 V

A corrente
  elétrica em um metal Redações possíveis, considerando-se o
nível de compreensão atual dos estudantes:
é formada por cargas negativas voltímetro Aparelho que mede a diferença de
potencial elétrico.
diferença de potencial elétrico Grandeza (esca-
Em circuitos metálicos, a corrente elétrica é formada por cargas lar), expressa em volts (V), que permite prever
negativas que se movimentam do polo negativo para o polo po- se haverá movimento de cargas elétricas entre
dois pontos, se forem ligados por um condutor.
sitivo da pilha, da bateria ou de outro dispositivo usado para manter corrente elétrica Movimentação ordenada de
a diferença de potencial. As minúsculas partículas dotadas de carga cargas elétricas.
circuito elétrico Trajeto constituído de conduto-
negativa que se movimentam ordenadamente através de um metal res elétricos, pelo qual cargas elétricas podem
quando nele se estabelece uma corrente elétrica são denomina- se movimentar.

das elétrons.
E por que essas cargas negativas se movem do polo negativo para
o polo positivo? A resposta está ligada ao que aprendemos antes sobre Maior potencial
elétrico elétrons
potencial elétrico. elétrons
Cargas negativas movimentam-se espontaneamente de uma
região de menor potencial elétrico (o polo negativo) para outra, 
Pilha elétrons
de maior potencial elétrico (o polo positivo), como está esquema- comum

tizado ao lado. elétrons
elétrons
A corrente elétrica e suas propriedades são objetos de estudo da Menor potencial
área da Física denominada Eletrodinâmica. elétrico

Neste ponto são recomendados os exercícios 1 a 7 do Use o que aprendeu e a atividade 1 do


Explore diferentes linguagens.
Geração e aproveitamento de energia elétrica

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4 Energia elétrica
Para movimentar um automóvel é preciso energia, que vem da
queima do combustível no motor. Para nosso corpo se mover, também
é necessário energia, obtida dos alimentos.
Tanto para acender uma lâmpada como para colocar em funciona-
mento qualquer aparelho elétrico ou eletrônico, é necessário energia.
Essa energia está associada à passagem de corrente elétrica e é, por
isso, denominada energia elétrica.

Geração de energia elétrica


Pilhas e baterias contêm Há dois meios principais para gerar energia elétrica. Um deles é pelo
substâncias que liberam energia
elétrica, no momento em que se uso de substâncias químicas apropriadas, que são armazenadas dentro
transformam em outras, dentro de uma pilha ou bateria. Quando essas substâncias transformam-se
do dispositivo. em outras, ocorre a produção da energia elétrica.
Após um tempo de uso, as pilhas e as baterias deixam de fornecer
energia elétrica, porque as substâncias inicialmente presentes acabam.
Quando isso ocorre, costuma-se dizer que elas se “descarregaram”.
Outro modo de produzir corrente elétrica é movimentando a roda
de um aparelho conhecido como dínamo ou gerador elétrico, pro-
jetado para transformar em energia elétrica a energia do movimento,
chamada energia cinética.
Assim, quando uma pessoa pedala uma bicicleta equipada com um
dínamo, parte da energia do movimento dos pedais (energia cinética) é
aproveitada para gerar energia elétrica, que acende as luzes da bicicleta.

Quando uma bicicleta equipada


com dínamo (indicado pela seta)
está em movimento, as luzes Dínamo ou
acendem sem a necessidade gerador elétrico
de usar pilhas ou baterias. O
dínamo transforma energia do
movimento em energia elétrica.

Esta representação esquemática mostra que, quando o ciclista movimenta


os pedais, o movimento de giro é transferido para o gerador, que, por sua vez,
transforma a energia desse movimento em energia elétrica. (Fora de
proporção e em cores fantasiosas.)

Geração de energia elétrica em larga escala


Nas usinas hidrelétricas existem grandes barragens que represam
a água de um rio. A água represada cai por dentro de uma tubulação
e, nesse trajeto, movimenta uma imensa roda, chamada turbina. Esse
movimento gira a roda de um grande gerador de energia elétrica.
Assim, a energia do movimento da queda da água (energia cinética)
é aproveitada para gerar energia elétrica.

Capítulo 2

50

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Ciências Naturais – Aprendendo com o cotidiano 8, 6a edição, e a BNCC

Além desse, existem outros meios para a geração de energia elétrica


em larga escala, a fim de abastecer muitas cidades, com suas casas,
escolas, indústrias, hospitais etc. Alguns desses modos aparecem
Pode-se propor aqui a atividade 2 do
ilustrados abaixo. Explore diferentes linguagens.

Usina hidrelétrica

1 A água é represada 2 e, caindo por 3 movimenta a roda 4 que transforma


uma tubulação, de um gerador, energia cinética
em energia elétrica.

Usina eólica

1 A usina utiliza 2 para girar 3 movimenta a roda 4 que transforma


o vento uma hélice, que de um gerador, energia cinética
em energia elétrica.

Usina termelétrica

1 O combustível é 2 e o calor é usado 3 O vapor passa por 4 movimenta a roda 5 que transforma
queimado para ferver a água. uma tubulação e de um gerador, energia cinética
em energia elétrica.

Usina nuclear

1 Um complexo 2 produz calor, usado 3 O vapor passa por 4 movimenta a roda 5 que transforma
processo nuclear para ferver a água. uma tubulação e de um gerador, energia cinética
em energia elétrica.

Usina solar

1 A luz do Sol incide em 2 que transformam


painéis solares (chamados energia luminosa
células fotovoltaicas) em energia elétrica.

Representação esquemática de formas de geração de energia Redações possíveis, considerando-se o


nível de compreensão atual dos estudantes:
elétrica. (Fora de proporção e em cores fantasiosas.)
Eletrodinâmica Parte da Física que estuda as
Fonte: Elaborada a partir de M. Delbrück et al. The Science book. cargas elétricas em movimento.
Washington: National Geographic. p. 348-353. energia elétrica Energia associada à corrente
elétrica e que pode ter várias aplicações práticas.
pilhas e baterias Dispositivos para estabelecer
ATIVIDADE diferença de potencial em circuito elétrico, ela-
Isso entra no nosso vocabulário! borados com substâncias químicas adequadas.
Transformam energia química em energia elétrica.
• Eletrodinâmica • pilhas e baterias gerador elétrico ou dínamo Dispositivo, acionado
• energia elétrica • gerador elétrico ou dínamo por movimento, que estabelece diferença de
potencial em circuito elétrico. Transforma energia
cinética em energia elétrica.

Geração e aproveitamento de energia elétrica

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5 O uso doméstico de energia elétrica
Os aparelhos que utilizam energia elétrica podem ter diversas fi-
nalidades. De acordo com sua principal finalidade, podemos agrupar
alguns aparelhos que usam energia elétrica, por exemplo, da seguinte
maneira:

Iluminação Som/imagem Calor

Refrigeração Movimento

Aparelhos que usam


energia elétrica.

Lâmpadas fluorescentes compactas são econômicas

Potência das lâmpadas


Use a internet Potência da lâmpada
fluorescentes compactas
incandescente (watts)
Veja as dicas para equivalentes (watts)
economizar energia do 40 9 a 11
Procel (Programa Nacional
de Conservação de Energia) 60 13 a 15
em: 75 18 a 20
http://www.eletrobras.com/ 100 23 a 25
elb/procel 150 30 a 35
clicando em “Dicas
Conservação” ou realize Fonte: R. Zampil. Salve o meio ambiente. Rio de Janeiro: Reader’s Digest. p. 26.
uma busca por Procel dicas
economia energia.
Circuito elétrico doméstico
Ao ligarmos um aparelho elétrico, estamos fechando um circuito e
permitindo que a corrente elétrica passe por dentro dele. Essa passa-
ATENÇÃO!
gem de corrente faz com que o aparelho receba a energia elétrica de
que necessita para funcionar. A instalação elétrica de uma residência é
A rede elétrica e também construída de modo que possamos, ao mesmo tempo, ligar e desligar
a parte interna de equipa- circuitos elétricos diferentes, em aparelhos diversos.
mentos elétricos podem
oferecer RISCO DE CHO-
QUE ELÉTRICO, QUEIMA- Rede elétrica da residência
DURAS E MORTE.
Por isso, consertos de
instalações e equipamentos Medidor Usina
elétricos devem ser feitos de elétrica
consumo Rede de
por profissionais treinados. distribuição
Fusível de energia
ou elétrica
Esquema (fora de proporção)
disjuntor
do percurso da energia elétrica
desde a usina até os aparelhos Fonte: Esquema elaborado a partir de J. T. Shipman et al. An introduction
domésticos. to Physical Science. 12. ed. Boston: Houghton Mifflin. p. 198, 215.

Capítulo 2

52

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Ciências Naturais – Aprendendo com o cotidiano 8, 6a edição, e a BNCC

A conta de energia elétrica


No local onde os fios da rede de distribuição de energia elé-
trica entram numa casa existe um quadro com o chamado
“relógio de luz”.
Na verdade ele não é um relógio, pois não mostra as
horas. Ele é um medidor da energia elétrica que é gasta
naquela residência. A energia gasta é expressa numa uni-
dade apropriada, o quilowatt-hora, simbolizado por kWh.
Todos os meses, um funcionário da companhia distri-
buidora de energia elétrica passa pelas casas e prédios de
apartamentos para fazer a leitura desse medidor. Fazendo
a subtração entre o valor lido e o do mês anterior, obtém-
-se o consumo mensal de energia elétrica, ou seja, quantos
quilowatts-hora foram gastos pelos moradores no último pe-
ríodo de um mês.
A “conta de luz”, mais corretamente chamada conta de energia Um medidor de consumo
elétrica, traz todos os meses o consumo da residência, quanto custa de energia elétrica.
cada quilowatt-hora e o valor em dinheiro a ser pago. Resistências elétricas são dispositivos para converter energia elétrica
em calor (e, eventualmente, também em luz). Exemplos de aparelhos elé-
tricos com resistência elétrica são lâmpadas incandescentes, aquecedores
Economia de energia elétrica de ambiente, chuveiros, secadores de cabelo, fornos, torneiras, ebulidores
de água, torradeiras, cafeteiras, sanduicheiras e ferros de passar roupa.
Quando economizamos energia elétrica não estamos apenas pou- ATIVIDADE

pando dinheiro. Estamos também colaborando no uso racional dos


recursos da natureza. Tema para pesquisa
Nos locais em que existem usinas termelétricas, por exemplo, Para que servem as
economia de energia elétrica significa menos combustível queimado. resistências elétricas? Em
que aparelhos utilizados em
Isso acarreta menos poluição, menor contribuição para o aquecimento casa elas são encontradas?
global e, ao mesmo tempo, poupa recursos não renováveis, como
petróleo, carvão mineral e gás natural. Neste ponto podem ser trabalhados os
exercícios 8 a 11 do Use o que aprendeu e
realizada a atividade 3 do Explore diferentes
linguagens.
6 Segurança no uso da energia elétrica
O uso de fusíveis e disjuntores
A passagem da corrente elétrica pode produzir calor, como nos
aquecedores e nas lâmpadas. Mas não é só nesses casos que acontece
produção de calor a partir da energia elétrica. Todo aparelho elétrico
em funcionamento sofre aquecimento. Pode-se perceber, por exemplo,
que algumas partes externas da televisão e da geladeira ficam quentes
quando esses aparelhos estão ligados.
Instalações malfeitas, uso de materiais de baixa qualidade ou des- Saiba de onde
gaste de materiais antigos podem provocar curto-circuito. Quando vêm as palavras
isso ocorre, a corrente elétrica passa por um caminho diferente do “Disjuntor” vem do latim
usual e produz tanto calor que pode até provocar um incêndio. Para dis, separação em duas
partes, e junctu, junto.
evitar o risco de incêndio, as instalações elétricas devem conter Ele atua “desjuntando” o
disjuntores adequados. circuito, interrompendo-o.
Os disjuntores possuem uma chave liga-desliga, como os inter- “Fusível” significa material
ruptores. Só que eles realizam uma tarefa ainda mais importante que que pode ser fundido,
derretido, sofrer fusão.
os interruptores: quando ocorre um curto-circuito, o disjuntor  se

Geração e aproveitamento de energia elétrica

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desarma (isto é, desliga-se) automaticamente e interrompe o circuito.
(Veja o esquema ao lado.) Após o conserto do defeito na instalação,
basta rearmá-lo, ou seja, religar sua chave, e ele continuará funcionando.
Antes de os disjuntores serem inventados e se popularizarem, a
segurança das instalações elétricas de edificações era garantida por
Trajeto normal da fusíveis, dispositivos que ainda são usados em automóveis e aparelhos
corrente elétrica eletrônicos. Os fusíveis possuem em seu interior um fio que se derrete
Disjuntor armado com facilidade quando muito aquecido. Caso haja um curto-circuito,
a fiação esquenta, o fusível se derrete e, por causa disso, o circuito
elétrico é interrompido. Para de passar corrente elétrica na instala-
ção e um incêndio é evitado. Após resolver o problema que causou o
curto-circuito e trocar o fusível por um novo e de iguais características,
a instalação volta a funcionar e continua protegida.
Um
curto- A B
-circuito
acontece
1 2

A Quadro de disjuntores. Cada um deles dá segurança a uma parte da instalação.


B Diferentes modelos de fusíveis: 1 e 2 são antigos fusíveis residenciais
O disjuntor se desarma (agora preferem-se os disjuntores), 3 é fusível de automóvel, 4 e 5 são
e interrompe o circuito fusíveis de aparelhos eletrônicos.

(Representações esquemáticas
fora de proporção.) O risco de choque elétrico
O corpo humano conduz razoavelmente a corrente elétrica. Quan-
Os exercícios 12 e 13 do Use o que
aprendeu e a atividade 4 do Explore diferentes do ela passa pelo corpo humano, vinda, por exemplo, de um fio ou
linguagens são oportunos neste momento. dispositivo ligado à rede elétrica, os músculos sofrem violenta con-
tração e há a sensação de dor. Trata-se de um choque elétrico, que
pode causar desde pequenas sensações desagradáveis e dor até sérias
queimaduras e paradas cardíaca e respiratória. Pode até mesmo matar!
Isso também vale para outros animais em geral; passarinhos, por
exemplo. Quando um deles pousa sobre os fios elétricos desencapa-
dos nas ruas, não toma choque, porque a corrente elétrica não passa
através do seu corpo. Mas, se ele encostar no outro fio, a corrente
passará pelo seu corpo em direção a esse outro fio e, nesse caso, a
ave sofrerá um choque elétrico fatal.
Tocar num fio desencapado ligado à rede elétrica, estando com os pés
descalços sobre o chão, provoca choque elétrico, pois a corrente elétrica
atravessa o corpo em direção ao solo. Sapatos com solas de borracha
reduzem a possibilidade de choque, porque a borracha não conduz
corrente elétrica, mantendo a pessoa eletricamente isolada do solo.
O choque elétrico ocorre quando
a corrente elétrica passa através Estar com a pele molhada, particularmente no ponto de contato
do corpo. Isso acontece, em com a rede elétrica ou com o chão, aumenta muito a chance de sofrer
geral, quando um indivíduo não sério choque elétrico. Por isso pessoas que estão em banheiras não
está eletricamente isolado do
devem manusear interruptores ou objetos elétricos. É também por esse
solo e encosta num fio ou objeto
metálico ligado à rede elétrica. motivo que os chuveiros elétricos precisam ser muito bem instalados.

Capítulo 2

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Ciências Naturais – Aprendendo com o cotidiano 8, 6a edição, e a BNCC

O uso do fio terra em aparelhos elétricos ATENÇÃO!

Alguns aparelhos elétricos têm carcaça (envoltório externo) de A rede elétrica e também
metal. Imagine que, por algum problema de fabricação ou desgaste a parte interna de equipa-
mentos elétricos podem
pelo tempo, um fio ligado à rede elétrica, interno ao aparelho, encoste
oferecer RISCO DE CHO-
nessa carcaça. Ela poderá dar choque elétrico em quem tocar nela. QUE ELÉTRICO, QUEIMA-
Esse tipo de problema pode ser evitado com o uso de um fio terra, DURAS E MORTE.
que nada mais é do que um fio que liga a carcaça metálica à terra. No Por isso, consertos de
instalações e equipamentos
caso acidental de ela se ligar à rede elétrica, a corrente será desviada
elétricos devem ser feitos
para o solo por meio do fio terra e não haverá o risco de choque. por profissionais treinados
Quando o fio terra de um aparelho está corretamente instalado, dize- para isso.
mos que o aparelho está aterrado. O aterramento é um importante
procedimento para evitar acidentes com aparelhos elétricos.

Geladeira

Defeito: fio ligado à rede elétrica Fio terra


Motor
encostou na carcaça.

Alguns aparelhos têm um fio terra (indicado pela seta) Outros aparelhos, como computadores,
que deve ser conectado à fiação de aterramento da impressoras e monitores, possuem uma
residência. É o caso de freezers, geladeiras, fornos tomada de três pinos, na qual um deles
de micro-ondas, máquinas de lavar louça ou de lavar (indicado pela seta) está ligado à carcaça
roupa, chuveiros (foto) e aquecedores de água. do aparelho e proverá o aterramento se
conectado a uma tomada adequada.
Proponha o exercício 14 do Use o que aprendeu e a atividade 5 do Explore diferentes linguagens. Redações possíveis, considerando-se o
ATIVIDADE nível de compreensão atual dos estudantes:
fusível Dispositivo de segurança em instalação
Isso entra no nosso vocabulário! elétrica contendo fio que derrete e interrompe
o circuito, caso superaqueça.
• fusível • curto-circuito
disjuntor Dispositivo de segurança em instalação
• disjuntor • fio terra elétrica, reutilizável, que interrompe o circuito se
a corrente for superior a um certo valor.
curto-circuito Contato elétrico entre partes distintas de um circuito que faz a corrente seguir caminho indesejado, provocar superaquecimento e risco de incêndio.
fio terra Fio que liga objeto à terra e permite o escoamento de uma eventual corrente que poderia causar choque elétrico.
Geração e aproveitamento de energia elétrica

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ORGANIZAÇÃO DE IDEIAS: MAPA CONCEITUAL
obtida por
usada para obter meio de
Energia elétrica

Iluminação Movimento Hidrelétricas


da roda de
um gerador
Som/imagem pode provocar elétrico Eólicas

Acidentes
o que ocorre
Calor nas usinas Termelétricas
como

Refrigeração Nucleares

Curto- Choque Painéis em


solares usinas
-circuito elétrico
Movimento Solares
(células
fotovoltaicas)

está cujos efeitos


associada à prejudiciais são prevenido, em
passagem prevenidos certos casos,
de com o com o
o que
Circuito por um Uso de Uso do fio Substâncias ocorre nas
Corrente Pilhas e
elétrico fusíveis ou terra químicas
elétrica baterias
fechado disjuntores (aterramento) apropriadas

Veja respostas dos exercícios da seção Use o que aprendeu em Comentários e respostas
dos capítulos do 8o ano.

USE O QUE APRENDEU ATIVIDADE

1. Nas figuras a seguir, o voltímetro está indican- 2. Considerando que as pilhas abaixo sejam de
do um valor positivo ou negativo? 1,5 V, qual deve ser o valor indicado pelo vol-
tímetro em cada caso?
A B C
+ ? + ? + ?
? ? ? – – –

A B C
– –––
+++ – – +++
+ + – – – – + +
+++ ––– ––– + ++

+ ? ? ?

– + – + + – + –

D E F
ATIVIDADE

Reflita sobre suas atitudes ? ?


Você é atento aos riscos relacionados à
eletricidade? Ou você acha que acidentes só – + + – + – – +
acontecem com os outros?
G H

Capítulo 2

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Ciências Naturais – Aprendendo com o cotidiano 8, 6a edição, e a BNCC

3. Limpe um pedaço de arame com palha de aço 6. Observe os esquemas deste capítulo que
até ficar brilhante. Use esse pedaço de arame, mostram como são as lâmpadas por dentro.
uma lâmpada e uma pilha, ambas de 1,5 V, A seguir, responda: o que você acha que acon-
para montar os seis experimentos esquema- tece quando a lâmpada “queima”?
tizados abaixo. Observe, em cada caso, se a
7. Observe a montagem E abaixo.
lâmpada acende ou não. Registre os resultados
em seu caderno e tente explicá-los.
Duas lâmpadas
ligadas em série
ATENÇÃO! E

Por razão de segurança,


para realizar qualquer expe-
rimento de Eletricidade você

deve ter a AUTORIZAÇÃO e
a SUPERVISÃO de seu pro-
fessor, mesmo que aparente Muitos cordões de lâmpadas de Natal são
ser algo inofensivo.
construídos dessa maneira, com várias lâmpa-
das em série. O que você acha que acontece
com as outras lâmpadas quando uma delas
queima? Por quê?

    

    8. Se a represa secar, o que acontece com a
 1 2 3 produção de energia numa hidrelétrica? Jus-
tifique e compare essa situação com a de uma
bicicleta com dínamo.
     
      9. Por que as lâmpadas fluorescentes compactas
são mais recomendadas que as lâmpadas in-
4 5 6
candescentes?
10. Num secador de cabelos, a energia elétrica é
4. Usando lâmpadas adequadas para 3 V e pilhas usada para realizar quais tarefas?
de 1,5 V cada, foram feitas as montagens A e 11. Pesquise o significado da palavra “blecaute” e
B abaixo. Em qual delas o brilho da lâmpada escreva-o em seu caderno. A seguir responda:
será maior? que prejuízos um blecaute de alguns dias pode
trazer a uma cidade? (Sugestão: lembre-se das
A B atividades desenvolvidas, por exemplo, em
hospitais, indústrias, açougues, residências,
bancos etc.)
12. Que motivo leva os eletricistas a instalarem
  
disjuntores nas instalações elétricas?
13. Instalações elétricas muito antigas ainda
5. Usando uma lâmpada adequada para 3 V e fios contêm fusíveis, para proteção em caso de
metálicos foram feitas as montagens C e D, curto-circuito. Algumas pessoas, de maneira
abaixo. Explique, em cada caso, por que a irresponsável, substituem os fusíveis quei-
lâmpada não acende. mados (das instalações antigas que ainda os
contêm) por moedas ou pedaços de arame.
C D Que riscos isso oferece?
14. Um determinado equipamento elétrico do-
méstico está em uso sem que o fio terra tenha
  sido corretamente instalado. Que risco isso
     oferece?

Geração e aproveitamento de energia elétrica

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EXPLORE DIFERENTES LINGUAGENS ATIVIDADE

A critério do professor, as atividades poderão ser feitas em grupos.


Veja respostas das atividades do Explore diferentes linguagens em Comentários e respostas dos capítulos do 8o ano.
DESENHO

1. O esquema ao lado mostra o circuito elétrico de uma lanterna Interruptor


comum. Usando duas pilhas de 1,5 V, um soquete, fios elétricos
e fita adesiva você conseguiria fazer a mesma lâmpada acender
fora da lanterna? Desenhe em seu caderno como você faria. Se for
possível, faça o experimento para comprovar a resposta. Indique
no seu desenho o sentido de movimento das cargas negativas Duas pilhas
(elétrons) nos fios.

TRECHO DE DISCURSO

2. Durante uma solenidade, um representante do governo deu a seguinte declaração:


“Estamos estudando a possibilidade de, em vez de geração térmica e hidrelétrica, empregar nesta região
alternativas energéticas renováveis, tais como a energia eólica, a solar e a proveniente da biomassa”.
Releia o capítulo, pesquise e responda às perguntas a seguir.
a) O que é energia eólica? d) Por que essas três formas de energia são
“alternativas energéticas renováveis”?
b) O que é energia solar?
e) O que o autor da declaração quis dizer com
c) O que é biomassa? Como pode ser usada
“geração térmica e hidrelétrica”?
para gerar energia?

TABELA

3. Pesquise nas contas de energia elétrica de sua casa quantos quilowatts-hora (kWh) foram consumidos
em cada um dos últimos 12 meses. Monte uma tabela em seu caderno com esses dados. A seguir,
analise a tabela e diga se existe alguma relação entre o consumo e a variação de temperatura ao
longo do ano.

COMERCIAL DE RÁDIO

4. Elabore um texto para um comercial de rádio de 30 segundos, informando a população sobre o risco
de substituir fusíveis queimados por moedas ou pedaços de arame.

SLOGAN

5. Crie um slogan que possa ser usado em uma campanha cujo objetivo é evitar mortes por choque
elétrico.

Seu aprendizado não termina aqui


Em certas instalações residenciais, quando um aparelho de elevado consumo elétrico é ligado —
como, por exemplo, um secador de cabelos ou um ferro de passar roupa —, a claridade de uma
lâmpada acesa diminui.
Tente pesquisar em livros ou em outras fontes de informação por que isso ocorre.

Capítulo 2

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Ciências Naturais – Aprendendo com o cotidiano 8, 6a edição, e a BNCC

ISSO VAI PARA O NOSSO MURAL!


ATIVIDADE
EM GRUPO

O Brasil e a energia elétrica Veja comentário sobre esta atividade em


Comentários e respostas dos capítulos do 8o ano.

Geração e aproveitamento de energia elétrica 111

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HABILIDADE:
Ciências Naturais – Aprendendo com o cotidiano 8, 6a edição, e a BNCC
• EF08CI07

CAPÍTULO
REPRODUÇÃO DOS

3
SERES VIVOS
E VARIABILIDADE
DOS DESCENDENTES

As joaninhas parecem
iguais. Mas serão mesmo
todas iguais? (Joaninhas-
-de-sete-pintas, que
têm cerca de 8 mm de
comprimento.)

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MOTIVAÇÃO
Cada uma das joaninhas mostradas na página anterior é um indivíduo
único, apesar de pertencerem a uma mesma espécie. São as diferenças
individuais entre as joaninhas que podem tornar algumas delas mais
adaptadas ao ambiente, favorecendo-as no processo de seleção natural.
Apesar de a reprodução dos seres vivos poder variar bastante de
uma espécie para outra, os biólogos reconhecem dois modos básicos
de gerar descendentes: a reprodução sexuada e a reprodução asse-
xuada. Este capítulo aborda ambos os modos e mostra, por meio de
alguns exemplos, como os descendentes gerados em cada um deles
podem se apresentar, ou não, diferentes entre si e diferentes do(s)
organismo(s) do(s) qual(is) descendem.

DESENVOLVIMENTO DO TEMA

Célula inicial 1 Divisão celular


O crescimento de um ser vivo pluricelular até o tamanho adulto
é decorrência do aumento do número de células no organismo. Esse
aumento deve-se à capacidade que as células têm para sofrer divisão
celular, processo em que duplicam suas estruturas internas e dividem--
-se, originando novas células.
A divisão celular também torna possível substituir as células que
morreram ou foram lesadas. A reposição das células mortas da pele
humana e a cicatrização de um corte, por exemplo, ocorrem graças
às divisões celulares.
Além de ser responsável pelo crescimento e pelos reparos no or-
ganismo, o processo de divisão celular ocupa posição de destaque na
reprodução dos seres vivos, como você perceberá nas próximas páginas.
Essa posição de destaque é consequência de um fato importante: uma
Duas células idênticas
à inicial nova célula se origina de uma célula anteriormente existente.
Representação esquemática de
uma célula animal dividindo-se em 2 Material genético
duas no processo de crescimento
ou de regeneração dos tecidos. Cromossomos
(Cor e forma fantasiosas.)
Cromossomos são estruturas presentes nas células e que contêm
as informações genéticas referentes ao indivíduo.
Nas células procarióticas (por exemplo, de bactérias), o cromos-
somo (geralmente um só) encontra-se disperso no citoplasma. Já
nas células eucarióticas (por exemplo, de animais, plantas, fungos e
protistas), os cromossomos encontram-se dispersos no líquido contido
pela membrana do núcleo.
Cada cromossomo é formado por um longo e finíssimo fio da subs-
tância química designada pela sigla DNA (ou ADN, de ácido desoxirribo-
nucleico). Esses fios de DNA são tão finos que, mesmo com poderosos
microscópios, é muito difícil distinguir o emaranhado formado por eles.
Durante a divisão celular, contudo, o fio de cada cromossomo se enrola
ao redor de si mesmo e forma uma estrutura condensada, uma espécie
de “novelo”, que pode ser vista ao microscópio.

Capítulo 3

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Ciências Naturais – Aprendendo com o cotidiano 8, 6a edição, e a BNCC

Genes
Os genes são trechos desses longos fios formadores dos cromos-
somos. Ao longo de um único cromossomo pode haver centenas de
genes. Nos genes estão registradas, por meio de um código químico,
todas as informações para produzir substâncias necessárias ao
funcionamento da célula. Os genes desempenham papel fundamen-
tal no funcionamento das células durante toda a vida do organismo,
desde o instante em que ele é concebido. As informações genéticas
influenciam o metabolismo celular e as características hereditárias.
Todas as informações genéticas que você recebeu de sua mãe e
de seu pai estão registradas em cerca de 30 mil genes. Nos genes de
cada célula estão codificadas informações que influenciam a cor dos
Genes são trechos
olhos, a cor dos cabelos, o formato do nariz, o formato das orelhas, o do cromossomo
tipo sanguíneo e inúmeras outras características.

A B
Cromossomo
representado 30 nm
desenrolado e
sucessivamente
ampliado
Representação
esquemática da
molécula de DNA, 2 nm
300 nm
que tem forma de
dupla hélice
Ampliação 700 nm
esquemática de
A Células de cebola, ao um cromossomo
(duplicado e Longo fio
microscópio de luz, sob de DNA
condensado 1.400 nm
ampliação aproximada
durante divisão 1 nm 5 1 nanômetro 5
de 1.990 vezes. Cada Ampliações sucessivas
celular) 1029 m 5 0,000 000 001 m
uma delas está em um
diferente estágio do
processo de divisão celular.
Os cromossomos aparecem B Os cromossomos são longos fios de DNA. Os genes são trechos dos
em azul graças ao uso de cromossomos. Quando nos referimos ao material genético de uma célula,
um corante especial. referimo-nos ao conjunto de todos os genes dessa célula.

Número aproximado de genes na célula Redações possíveis, considerando-se o


nível de compreensão atual dos estudantes:
Espécie Comentário Número de genes cromossomos Estruturas presentes nas células e
que contêm as informações genéticas.
Treponema pallidum Bactéria da sífilis 1,0 3 103 DNA Substância constituinte dos cromossomos.
gene Trecho de um cromossomo, no qual estão
Helicobacter pylori Bactéria da úlcera gástrica 1,6 3 103 codificadas (por meio de um código químico)
Levedura do fermento informações para a produção de substâncias
Saccharomyces cerevisiae 5,9 3 103 necessárias ao funcionamento celular (ou que
biológico nele interferem).
Drosophila melanogaster Mosca-das-frutas 2,0 3 104
ATIVIDADE
Verme muito usado em
Caenorhabditis elegans 2,3 3 104
pesquisas genéticas Isso entra no
Homo sapiens Ser humano 2,9 3 104 nosso vocabulário!
Oryza sativa Arroz 3,8 3 104 • cromossomos
• DNA
Pan troglodytes Chimpanzé 4,9 3 104
• gene
Fonte: D. L. Nelson e M. M. Cox. Lehninger Principles of Biochemistry. 5. ed. Nova York: Freeman. p. 950.

Reprodução dos seres vivos e variabilidade dos descendentes

63

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3 Cromossomos homólogos
e número haploide
Ao examinar ao microscópio os cromossomos condensados das
Número diploide (2n) células do corpo humano, os cientistas perceberam que existem 46
de algumas espécies
em cada célula. De acordo com suas características, como o tama­
Espécie 2n
nho e a forma, agrupam­se em 23 pares distintos entre si. Outras
Mosca-das-frutas 8 espécies dotadas de células eucarióticas também têm cromossomos
Ervilha 14 que se agrupam aos pares. É o caso da ervilha, com 7 pares, ou seja,
Arroz 24 14 cromossomos ao todo.
Rã 26 Os cromossomos de um mesmo par são denominados cromos­
Minhoca 36 somos homólogos. O número de pares de cromossomos homólogos
Camundongo 40
em cada célula varia de uma espécie de ser vivo para outra. Esse
número de pares é válido para todas as células do corpo, exceto para
Ser humano 46
os gametas (células reprodutivas). Durante sua produção, os gametas
Chimpanzé 48
recebem apenas um cromossomo de cada par de homólogos.
Ameba 50 Simbolizamos por n o número de cromossomos presentes nos
Cão 78 gametas e dizemos que n é o número haploide de cromossomos da
Fontes: C. Starr et al. Biology: the unity espécie. Os gametas são células haploides. Como as outras células
and diversity of life. 12. ed. Belmont: do corpo de um organismo eucariótico têm o dobro do número de
Thomson Brooks/Cole. p. 167.
D. L. Nelson e M. M. Cox. Lehninger cromossomos dos gametas, dizemos que elas são células diploides;
Principles of Biochemistry. 5. ed. possuem 2n cromossomos.
Nova York: Freeman. p. 950.
A tabela ao lado mostra os valores de 2n para algumas espécies.
Não existe uma relação entre número de cromossomos e grau de
complexidade da espécie ou tamanho do organismo. Seres humanos,
por exemplo, são mais complexos que as amebas, mas têm menor
número de cromossomos em suas células.
Dos 46 cromossomos que existem nas células do seu corpo, você
Redações possíveis, considerando-se o herdou metade de seu pai e metade de sua mãe. Esse é o ponto de
nível de compreensão atual dos estudantes:
cromossomos homólogos Par de cromossomos
partida para entender a forma de reprodução denominada sexuada,
de uma célula que são semelhantes em tamanho, apresentada logo mais à frente.
forma e na sequência dos genes.
célula haploide Célula que contém apenas um
cromossomo de cada par de homólogos.
número haploide (n) Número de cromossomos 1 Células humanas são convenientemente 2 De uma fotografia ampliada, os
nas células haploides de uma espécie. preparadas para observação ao microscópio. cromossomos são recortados e
célula diploide Célula que contém n pares O conjunto de 46 cromossomos de uma delas ordenados, perfazendo, ao todo,
de cromossomos homólogos; portanto, 2n cro- é fotografado. 23 pares.
mossomos.
número diploide (2n) Número de cromossomos
em uma célula diploide da espécie. 1 2 3 4 5

6 7 8 9 10 11 12

13 14 15 16 17 18
ATIVIDADE

19 20 21 22 23

Isso entra no
nosso vocabulário!
• cromossomos
homólogos
• célula haploide Na espécie humana há 23 pares de cromossomos que podem ser visualizados,
• número haploide (n) ao microscópio, durante certas fases da vida da célula. (Cores fantasiosas.
• célula diploide
• número diploide (2n) Fonte: E. N. Marieb e K. Hoehn. Human Anatomy & Physiology. 8. ed. San Francisco:
Benjamin Cummings. p. 1.102.

Capítulo 3

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Ciências Naturais – Aprendendo com o cotidiano 8, 6a edição, e a BNCC

4 Cromossomos e reprodução humana


O zigoto é diploide
A reprodução humana necessita de células especiais, os gametas.
Os gametas masculinos são os espermatozoides e os gametas femi­
ninos são os óvulos.
As células do corpo humano, exceto os gametas, são células di­
ploides: têm 46 cromossomos (2n 5 46). Os gametas são células
haploides: apresentam 23 cromossomos (n 5 23). Quando a mulher ovula, ocorre a liberação
Na geração de um novo ser humano, o pai contribui com 23 cro­ de um ovócito na tuba uterina. Se um esperma-
tozoide penetrar nesse ovócito, este completará
mossomos, do espermatozoide, e a mãe, com 23, do óvulo. Quando o seu desenvolvimento e originará um óvulo. O
ocorre a fertilização, ou fecundação, forma­se uma célula diploide, óvulo assim formado e o espermatozoide em
seu interior participam da fertilização, produ-
o zigoto, cujo material genético é proveniente do espermatozoide e zindo o zigoto.
do óvulo que participam da fertilização.

O zigoto se desenvolve por divisões celulares


O desenvolvimento do zigoto ocorre por meio de sucessivas
divisões celulares. Em cada uma dessas divisões, é feita uma
cópia fiel do conjunto de 46 cromossomos. Assim, todas as células
resultantes dessas divisões celulares possuirão um conjunto diploide
de cromossomos idêntico ao do zigoto.
Durante a gestação do novo ser, as células sofrem diferenciação,
ou seja, modificações em sua forma e em sua função. São produzidas
as células do sangue, as células nervosas, as células musculares, as
células ósseas e todas as demais que formam os diferentes tecidos do
corpo humano. Toda essa diferenciação faz parte da atividade celular
e é influenciada pelos genes herdados dos pais. O resultado de tudo
isso é um indivíduo que não é exatamente igual ao seu pai nem à sua
mãe, mas que herdou características de ambos por meio dos genes.
Apesar da diferenciação das células e de sua multiplicação (res­
ponsável pelo crescimento do corpo e pela reposição das células),
todas elas mantêm uma cópia fiel da bagagem genética originalmente
presente no zigoto. Somente as células envolvidas na reprodução é que
não apresentavm o conjunto cromossômico completo, apenas metade.
Os gametas são produzidos por um tipo especial de divisão celular
que reduz à metade o número de cromossomos, pois cada gameta
recebe apenas um cromossomo de cada par de homólogos.

A divisão celular permite o crescimento e


o reparo do organismo humano. Alguns
tipos de células humanas podem se
dividir uma vez por dia. Outras o fazem
com menos frequência. Outras, ainda,
nunca se dividem.
As células provenientes das divisões
celulares possuem uma cópia completa
dos genes presentes na célula original,
exceto no caso dos gametas, que
apresentam metade do conjunto genético.

Reprodução dos seres vivos e variabilidade dos descendentes

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Esquema (simplificado) da reprodução humana

1 As células do organismo 1 As células do organismo


masculino são diploides feminino são diploides
(2n  46). (2n  46).

2 Divisões celulares 2 Divisões celulares


produzem novas células produzem novas células
diploides para reparar Testículos Ovários diploides para reparar
lesões e para substituir lesões e para substituir
células mortas. células mortas.

3 Os espermatozoides, 3 O óvulo, gameta


gametas masculinos, são feminino, é uma célula
células haploides haploide (n  23)
(n  23) produzidas por produzida por um tipo de
divisões celulares, nas divisão celular, na qual
quais recebem apenas recebe apenas
metade do número de metade do número de
cromossomos das células cromossomos de uma
diploides do homem. célula diploide da mulher.
O ovócito é a célula
precursora do óvulo.

(n) (n)
Espermatozoide
(Comprimento: 0,05 mm) Ovócito, célula que originará o óvulo após
ser estimulada pela penetração
São milhões de de um espermatozoide.
espermatozoides (Diâmetro: 0,1 mm)
que buscam o ovócito.
Dos muitos que chegam 4 Na fertilização, ou fecundação, ocorre
a ele, apenas um a junção do material genético
conseguirá penetrar. do espermatozoide (n  23) e do óvulo
Só esse foi representado (n  23).
neste esquema.
5 O zigoto é uma célula diploide
(2n  46).
Zigoto Metade dos seus cromossomos veio
(2n) do espermatozoide e a outra metade,
do óvulo.

6 Sucessivas divisões celulares produzem


novas células diploides a partir do zigoto
— que passa a se chamar embrião e,
posteriormente, feto — até o nascimento.

7 O recém-nascido é formado
por células diploides.
Recém-
-nascido 8 Sucessivas divisões celulares produzem
(2n) novas células diploides, propiciando
o crescimento do recém-nascido até
atingir o tamanho adulto.

(Representação esquemática fora de proporção. Cores fantasiosas.)


Este ponto é adequado para propor aos alunos os exercícios 1 a 3 do Use o que aprendeu.

Capítulo 3

66

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Ciências Naturais – Aprendendo com o cotidiano 8, 6a edição, e a BNCC

5 Reprodução sexuada em animais Os gametas femininos (assim como os


masculinos) são formados por meiose, divisão
Na reprodução sexuada, tanto do ser humano quanto das outras celular que reduz o número cromossômico
diploide a haploide.
espécies animais, há quatro eventos marcantes: “Nas diferentes espécies, a meiose pode ocorrer
• formação dos gametas; no ovário, ou depois de o óvulo [ovócito] ter
sido liberado ou, ainda, só se completa depois
• acasalamento; da penetração de um espermatozoide no cito-
• fertilização, ou fecundação; e plasma ovular.”
T. I. Storer et al. Zoologia geral. 6. ed. São Paulo:
• desenvolvimento do zigoto. Nacional. p. 162.
“Algumas fontes definem o termo fertilização

Formação dos gametas


simplesmente como o ato da penetração do
espermatozoide no ovócito. Contudo, a menos
que os cromossomos dos pronúcleos masculino
A formação dos gametas, masculinos e femininos, nas demais e feminino estejam de fato reunidos, o zigoto
humano não se forma.”
espécies animais ocorre, em linhas gerais, como na espécie humana. E. N. Marieb e K. Hoehn. Human Anatomy &
Os gametas são produzidos em divisões celulares que reduzem Physiology. 8. ed. San Francisco: Benjamin
Cummings. p. 1.073. (Tradução dos autores.)
o conjunto cromossômico ao número haploide.
Os gametas masculinos, os espermatozoides, são dotados comprimento: 5,5 cm
de um flagelo que permite que se locomovam ativamente
em busca do óvulo*. Este, por sua vez, é geralmente maior
que os espermatozoides e não apresenta meios próprios
de locomoção.
Em muitas espécies animais há indivíduos, os machos,
que produzem os gametas masculinos e outros indiví-
duos, as fêmeas, que produzem os gametas femininos.
No entanto, há espécies em que os indivíduos têm órgãos
para reprodução tanto masculinos como femininos; esses
indivíduos são denominados hermafroditas. A minhoca
e o caracol-de-jardim são exemplos de espécies cujos
indivíduos são hermafroditas.

Acasalamento e fertilização Caracóis são hermafroditas,


A diversidade de adaptações reprodutivas nos animais é muito produzindo gametas masculinos
e femininos. (Na foto, dois deles
grande, sobretudo quanto ao comportamento exibido pelos indiví-
se acasalando. Cada um tem
duos das diferentes espécies durante o acasalamento. No entanto, seus óvulos fertilizados pelos
a fertilização nas demais espécies animais assemelha-se à que espermatozoides do parceiro.)
ocorre na espécie humana. Vários espermatozoides podem atin-
gir um óvulo, mas apenas um consegue penetrar nele e participar
da fertilização. Da união do material genético do espermatozoi-
de e do óvulo forma-se o conjunto diploide de cromossomos do
novo indivíduo. Saiba de onde
Por mais diferentes que possam parecer os modos de acasalamento, vêm as palavras
todos eles, em última análise, favorecem a ocorrência do encontro de “Hermafrodita” vem de
espermatozoide e óvulo. Alguns modos de acasalamento possibilitam nomes da mitologia grega:
o do deus Hermes e o da
a fertilização interna, que ocorre no interior do corpo da fêmea deusa Afrodite.
(em órgãos reprodutores femininos); outros propiciam a fertilização
externa, que ocorre no exterior dele.

* Há espécies, entre as quais a espécie humana, em que os espermatozoides buscam o ovócito


(ou oócito), célula que originará o óvulo assim que estimulada pela penetração de um esper-
matozoide.

Reprodução dos seres vivos e variabilidade dos descendentes

67

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comprimento: 6-9 cm
Fertilização externa
Na fertilização externa, macho e fêmea lançam seus gametas
no ambiente, onde estes se encontram e ocorre a fertilização.
Essa prática requer um ambiente aquático ou, se terrestre, que seja
extremamente úmido, pois espermatozoides e óvulos são muito
delicados e podem se desidratar e morrer rapidamente quando
expostos ao ar.
Esse tipo de fertilização é relativamente comum em animais menos
complexos, principalmente naquelas espécies cujos indivíduos perma-
necem fixos todo o tempo ou em boa parte dele, como, por exemplo,
as esponjas, as anêmonas-do-mar e as ostras. É também um tipo de
fertilização que ocorre em várias espécies de peixes.
Macho anfíbio “abraça” a fêmea, Muitas espécies animais com fertilização externa exibem interes-
e ambos liberam seus gametas santes comportamentos quanto ao acasalamento, adaptações que
na água: fertilização externa. aumentam a probabilidade de fertilização. Em várias espécies de
anfíbios o macho abraça a fêmea e ambos liberam seus gametas na
água de modo praticamente simultâneo. Essa proximidade física de
macho e fêmea favorece o encontro dos gametas.
Saiba de onde Outro comportamento adaptativo de acasalamento é exibido por
vêm as palavras muitos peixes que, na época da reprodução, retornam à cabeceira do
A palavra “piracema” é rio onde nasceram. Nesses locais, a proximidade de macho e fêmea e
muito usada para designar o as águas calmas e limpas favorecem o encontro de espermatozoides
retorno de certas espécies de e óvulos para ocorrer a fertilização externa.
peixes à cabeceira dos rios
para a desova. Essa palavra
tem origem no tupi piraséma Fertilização interna
e significa “sair peixe”.
A fertilização interna, adaptação presente em muitos animais
terrestres (e até em alguns aquáticos), favorece o encontro dos ga-
metas. Em aves e répteis, propicia a formação da casca impermeá-
comprimento: 8 mm
vel, que protege o ovo da dessecação quando é posto pela fêmea no
ambiente terrestre. As espécies atuais de animais apresentam grande
variedade de comportamento e de órgãos sexuais que permitem a
fertilização interna. Esses comportamentos incluem a cópula (ou coito
ou, ainda, ato sexual), que é a junção física do par de indivíduos em
acasalamento, durante a qual o macho deposita os espermatozoides
no interior do corpo da fêmea.
Para realizar a cópula, os machos, em várias espécies, são dotados
de um órgão tubular, o pênis, que é introduzido num órgão reprodu-
tivo feminino com abertura para o exterior. Este último pode ser, por
exemplo, a vagina, nas fêmeas de mamíferos, ou a cloaca — abertura
comum aos sistemas reprodutivo, urinário e digestório —, em aves
e répteis.
Joaninhas: reprodução sexuada
com fertilização interna.
Desenvolvimento do zigoto
Após a fecundação, o zigoto inicia seu desenvolvimento por
meio de sucessivas divisões celulares, formando um pequenino
embrião que prosseguirá seu desenvolvimento até o nascimento.
Em algumas espécies de animais, o zigoto desenvolve-se fora do
corpo materno; em outras, dentro dele.

Capítulo 3

68

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Ciências Naturais – Aprendendo com o cotidiano 8, 6a edição, e a BNCC

comprimento: 7 cm
Animais ovíparos
Insetos, répteis e aves, por exemplo, costumam pôr ovos
após a fecundação. Em cada ovo há um pequeno embrião
e uma reserva de material nutritivo que garantirá o forne-
cimento de nutrientes ao novo ser que se desenvolve, até
que esteja pronto para nascer, saindo do ovo. As espécies
de animais que põem ovos são denominadas ovíparas.
Os ovos das espécies terrestres atualmente viventes têm
paredes impermeáveis à água, o que impede a desidratação
e a morte do embrião.
A casca dos ovos de répteis e de aves, constituída de
carbonato de cálcio, é um interessante exemplo desse
tipo de adaptação. Essa casca impede a passagem de Répteis, de modo geral, são
água, mas permite que passem gases através dela, o que possibilita ovíparos. (Na foto, o nascimento
a entrada de gás oxigênio, necessário à respiração celular do ser de uma tartaruga-cabeçuda,
Praia do Forte, BA.)
em desenvolvimento, e a saída de gás carbônico, excretado por ele.
A casca desses ovos é bastante resistente, e, caso se formasse antes
da fertilização, impediria a passagem dos espermatozoides. A casca
dos ovos de répteis e aves forma-se, portanto, em uma época posterior
àquela em que pode ocorrer fecundação.

Animais vivíparos
Diferentemente do que acontece com as fêmeas ovíparas, a maioria
das fêmeas de mamíferos retém os embriões no interior de seu corpo.
Seu organismo é dotado de um órgão, o útero, no qual um ou mais
embriões se desenvolvem até estarem prontos para nascer. Durante
esse período de desenvolvimento, a gestação, os novos indivíduos
são nutridos pelo corpo materno por meio de um órgão chamado
placenta. Espécies animais que possuem essas características são
denominadas vivíparas.

Animais ovovivíparos
No que diz respeito ao desenvolvimento do embrião, há um
terceiro caso, que pode ser encontrado, por exemplo, em algumas
espécies de peixes e de répteis. Após a fertilização interna, as fêmeas
produzem ovos, mas os retêm em seu interior até o nascimento dos
filhotes. Diversamente do que ocorre no caso dos vivíparos, a nutrição
do embrião presente nesses ovos não vem diretamente da mãe, mas
sim das reservas nutritivas existentes nos próprios ovos no momen-
to em que foram formados. Nessas espécies animais, denominadas
ovovivíparas, o corpo materno apenas protege os ovos de fatores Mamíferos, em sua grande
ambientais que possam destruí-los, tais como o calor excessivo e os maioria, são vivíparos.
predadores.
Pode-se propor aqui os exercícios 4 a 6 do
Use o que aprendeu e a atividade 1 do Explore
diferentes linguagens.
6 Reprodução assexuada em animais
A reprodução sexuada está presente em praticamente todas as
espécies de animais. Várias espécies, principalmente de animais me-
nos complexos, conseguem também reproduzir-se assexuadamente.

Reprodução dos seres vivos e variabilidade dos descendentes

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Na reprodução assexuada, um ou mais novos indivíduos são
gerados por uma série de divisões celulares a partir de um úni-
co “ancestral”. Nesse tipo de reprodução não ocorre a união de
gametas, e os descendentes são geneticamente idênticos ao ser
que os originou, ou seja, têm em suas células cópias exatas dos
cromossomos de seu “ancestral”.

comprimento: 4 mm
Brotamento
Um modo de reprodução assexuada é o brotamento, que ocorre,
por exemplo, na hidra, organismo aquático pluricelular visto na foto
ao lado. O broto surge por meio de sucessivas divisões celulares que
produzem novas células diploides cuja bagagem genética é idêntica à
da hidra original. O broto cresce à medida que seu número de células
aumenta, por divisões celulares. Atingido um certo tamanho, o broto
pode se destacar e passar a ter vida independente.
As anêmonas-do-mar também são exemplos de animais nos quais
pode ocorrer brotamento. As colônias de anêmonas-do-mar formam-se
quando os novos indivíduos produzidos assexuadamente permanecem
unidos aos “ancestrais” (veja foto A, abaixo).

Regeneração de fragmentos
A hidra desta foto, pequeno Outro modo de reprodução assexuada ocorre com alguns animais
animal aquático, está se
reproduzindo por brotamento. quando há fragmentação seguida de regeneração das partes. Nesse
A seta indica o broto, uma nova processo, um ou mais pedaços do corpo do animal destacam-se dele
hidra em formação. (Foto ao por ação de uma força externa e, a seguir, sofrem regeneração, ou
microscópio de luz.) seja, reconstroem as partes que faltam. Isso acontece, por exem-
plo, em certas espécies de esponjas, anêmonas-do-mar, vermes e
estrelas-do-mar.
Dependendo da espécie e dos fragmentos, pode haver regeneração
de todos os pedaços ou de apenas alguns deles. Se uma estrela-
-do-mar perder um de seus braços, por exemplo, haverá regeneração
e um novo braço será formado (veja foto B). Se o braço perdido tiver
Momento oportuno para propor a ativida-
uma porção do disco central do animal, também terá a capacidade de
-de 2 do Explore diferentes linguagens. regeneração e originará um novo indivíduo.
diâmetro de cada indivíduo: até 8 mm diâmetro: 17 cm

A B

Colônia de anêmonas-do-mar. As estrelas-do-mar têm a capacidade de regenerar


braços perdidos. Note os dois braços em regeneração
na estrela-do-mar desta foto.

Capítulo 3

70

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Ciências Naturais – Aprendendo com o cotidiano 8, 6a edição, e a BNCC

7 Reprodução sexuada em angiospermas


A reprodução sexuada não ocorre apenas em animais. Ela também
está presente no ciclo de vida de outros seres vivos, como plantas, fungos
e protistas. Até em bactérias há processos que permitem a troca de genes
entre dois indivíduos. Vamos comentar agora alguns aspectos gerais da
reprodução sexuada em plantas com flores e frutos, as angiospermas*.
As flores produzem gametas: os gametas femininos são chamados
oosferas; os gametas masculinos são os núcleos espermáticos.
Na ilustração de flor que aparece abaixo, é possível reconhecer a
presença de alguns estames e de um carpelo.
Carpelo
Estame (Um ou mais carpelos
(Os estames formam a estrutura
formam a estrutura reprodutiva feminina
reprodutiva da flor.)
masculina da flor.)

Pétala Esquema de flor com estrutura


removida reprodutiva masculina e estrutura
reprodutiva feminina.
Os estames compõem a estrutura masculina de uma flor. Nas extre-
midades dos estames, as anteras, formam-se os grãos de pólen, dentro
dos quais se encontram os núcleos espermáticos. Um ou mais carpelos
formam a estrutura feminina de uma flor. A base dilatada de cada car-
pelo é o ovário, dentro do qual há um ou mais óvulos. No interior de
cada óvulo encontra-se uma oosfera. Nas plantas, o termo óvulo não
designa o gameta feminino (oosfera), mas uma estrutura que o aloja.
Há espécies com flores masculinas e flores femininas. Dependendo
da espécie, as flores masculinas e as flores femininas podem ocorrer
em uma mesma planta ou em plantas diferentes. Há também espécies
cujas flores têm tanto a estrutura masculina como a estrutura feminina.
Quando um grão de pólen atinge o estigma (topo de um car-
pelo), ocorre a polinização da flor. A partir do grão de pólen, cresce
um fino tubo, o tubo polínico, que desce pelo carpelo adentro até
atingir o óvulo. O tubo polínico permite que ocorra o encontro de
núcleo espermático (haploide) e oosfera (haploide) dentro do óvulo.
A junção de ambas as células é a fertilização, ou fecundação, que
marca a formação de um novo indivíduo diploide, o zigoto. Por meio
de divisões celulares, o zigoto sofre aumento do número de células,
transformando-se num embrião, uma minúscula planta. Depois da
polinização e da fertilização ocorre uma série de eventos que faz,
em muitos casos, o ovário se transformar num fruto, dentro do qual
há uma ou mais sementes. Cada semente contém um embrião, que
veio de uma oosfera fertilizada por um núcleo espermático. Além do
embrião, a semente contém uma reserva nutritiva que será usada por
ele em seu desenvolvimento, durante a germinação.

* Nas plantas, a reprodução sexuada não é exclusividade das plantas com flores. Plantas sem
flores, como as gimnospermas (grupo que inclui os pinheiros), as pteridófitas (grupo que
inclui as samambaias) e as briófitas (grupo que inclui os musgos), têm outros tipos de estruturas
produtoras de gametas que não são flores.

Reprodução dos seres vivos e variabilidade dos descendentes

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Esquema (generalizado e simplificado) da reprodução
sexuada em plantas com flores e frutos
Grão de pólen 2 Crescimento do tubo polínico, por
contendo gameta onde o gameta masculino será
masculino (n) encaminhado até o gameta feminino,
no óvulo
Antera, vista
em corte
1 Polinização

Estigma

3 Fertilização, ou
fecundação,
Ovário, encontro
visto em do gameta
corte masculino (n)
com o gameta
feminino (n)

4 Em geral, o ovário
transforma-se num fruto,
Gameta
em cujo interior há uma ou
feminino (n)
mais sementes
no interior do
óvulo

Semente, ilustrada
6 Se a semente estiver em em corte Fruto, ilustrado
condições favoráveis em corte
(temperatura, umidade etc.),
ocorre a germinação. Por Embrião (2n)
meio de sucessivas divisões
celulares, ocorre o crescimento
da planta (2n) 5 Dentro de cada semente
há um embrião e reserva
Reserva de nutritiva
material
nutritivo

Nessa representação
esquemática, algumas estruturas
estão mais ampliadas do que 8 Reprodução assexuada em plantas
outras; portanto, ela não está em
proporção. (Cores fantasiosas.) Quando uma planta se reproduz por sementes, está se reproduzindo
sexuadamente. Cada semente contém um embrião que se originou da
Fontes: Elaborado a partir de W. S. Judd união de um gameta feminino e de um gameta masculino.
et al. Sistemática vegetal: um enfoque
filogenético. 3. ed. Porto Alegre: Artmed. Além da reprodução sexuada, as plantas têm uma incrível capacidade
p. 63; N. A. Campbell et al. Biology. 9. ed. de se reproduzir assexuadamente, produzindo novos descendentes que
San Francisco: Benjamin Cummings.
p. 802-803. são geneticamente idênticos ao indivíduo que os originou.
O bambu ilustra bem a reprodução assexuada. De um mesmo
indivíduo podem sair vários brotos que originam vários novos pés de
bambu. Cada um deles, mesmo separado dos demais, pode sobrevi-
ver independentemente. Um único pé de bambu pode originar por
brotamento vários outros, até mesmo uma floresta inteira, desde que
encontre condições favoráveis.

Capítulo 3

72

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Ciências Naturais – Aprendendo com o cotidiano 8, 6a edição, e a BNCC

Divisão de touceira A
A capacidade de reprodução assexuada das plantas é de grande
utilidade para a obtenção de mudas para a agricultura e para a jardi-
nagem. Uma das técnicas mais simples para obter novas mudas é a
divisão de touceira (veja a figura A, ao lado), após a qual cada uma
das partes pode se desenvolver independentemente.

Estaquia B

Outro método simples e bastante usado é o da estaquia. Uma


estaca é um pedaço cortado do caule e que, plantado, pode originar
folhas e raízes, desenvolvendo-se numa nova planta (figura B). Esta-
cas são obtidas cortando-se pedaços de 10 cm a 15 cm das pontas
Estaca
jovens da planta ou, às vezes, pedaços de 20 cm a 30 cm da região
mais antiga do caule.

Enxertia
Um modo bastante interessante de obter mudas, porém mais tra-
balhoso, é a enxertia, que consiste em implantar um pedaço de caule C
Enxerto
da planta sobre outro, dotado de raízes, que lhe servirá de suporte
(figura C). O caule implantado é denominado enxerto ou “cavaleiro”, Porta-enxerto
e o caule com raízes que lhe servirá de suporte é chamado de porta-
-enxerto ou “cavalo”. Após algum tempo, ambos os caules se fundem
e resulta uma nova planta, cujas raízes são as do porta-enxerto, mas
as características de folhas, flores e frutos são as do enxerto. A Divisão de touceira.
A enxertia é bastante empregada para cultivo de espécies frágeis B Estaquia.
e para encurtar o tempo necessário para florescimento e frutificação, (Altura da estaca: 15 cm.)
pois a planta torna-se adulta mais rapidamente do que se fosse cul- C Enxertia.
tivada a partir do plantio da semente. A probabilidade de sucesso na (Altura do enxerto:
enxertia é tanto maior quanto mais similares forem as espécies das 20 cm; altura do porta-
-enxerto: 30 cm.)
plantas empregadas no enxerto e no porta-enxerto.
Você pode obter novas plantas em sua casa, usando algumas técni-
cas simples para propiciar a reprodução assexuada de plantas. Alguns
exemplos desses procedimentos aparecem nas ilustrações abaixo.

D E

Propagação assexuada de vegetais.


(Os eventos relatados levam vários
dias para acontecer.)
D Colocando-se numa tigela com um
pouco de água o topo cortado de
uma cenoura, desenvolvem-se
caule e folhas. (Altura: 12 cm.)
E Uma batata-doce mergulhada
F parcialmente em água
desenvolve caule, folhas e
delicadas ramificações da raiz.
(Comprimento da batata: 15 cm.)
F Do pecíolo (“haste”) de uma folha
de violeta mergulhado na água,
surgem pequenas raízes.

Reprodução dos seres vivos e variabilidade dos descendentes

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Em destaque Clonagem em tubo de ensaio
A capacidade de reprodução assexuada das novo embrião da planta, que pode ser plantado
plantas é tão grande que é possível, em labora- e originar uma nova planta adulta.
tório, produzir inúmeras cópias de um vegetal a Esse método, conhecido como cultivo de
partir de algumas de suas células. Esses novos tecidos, ou clonagem em tubo de ensaio, é ex-
indivíduos, geneticamente idênticos àquele do tremamente útil para reproduzir espécies raras
qual provêm, são denominados clones. e/ou ameaçadas de extinção. Serve também para
Isso é feito isolando algumas células das produzir mudas em grande quantidade, a serem
partes jovens da planta e colocando-as em um usadas em agricultura — árvores frutíferas, por
recipiente com uma solução nutriente adequada. exemplo —, ou, ainda, para plantar em grandes
Sob condições controladas de temperatura e luz, áreas — como nos casos de eucaliptos e pinus que
essas células desenvolvem-se, originando um se destinam à exploração de madeira.

Clones vegetais cultivados em tubos A técnica é usada, por exemplo, para obter
de ensaio. mudas em grande quantidade.

Redações possíveis, considerando-se o nível


de compreensão atual dos estudantes:
reprodução sexuada Reprodução que envolve ATIVIDADE
a junção de células reprodutivas (gametas) de Isso entra no nosso vocabulário!
ambos os sexos. O material genético do descen-
dente conterá genes herdados de ambos os pais. • reprodução sexuada • clone
reprodução assexuada Reprodução que não • reprodução assexuada
envolve gametas. O material genético do des-
cendente é igual ao do “ancestral”.
clone Indivíduo geneticamente igual a seu
“ancestral”, resultado de reprodução assexuada.

Aqui já podem ser propostos os exercícios


9 Variabilidade dos descendentes
7 e 8 do Use o que aprendeu e as atividades
3 e 4 do Explore diferentes linguagens.
e seleção natural
Qual o modo mais vantajoso de reprodução: sexuada ou assexua-
-da? Bem, se ambos são observados na natureza, é porque ambos
têm suas vantagens. Em termos evolutivos, podemos dizer que, se
determinada espécie se reproduz de um e/ou de outro modo, é por-
que isso é uma característica para sobreviver no ambiente ao qual
está adaptada.
A reprodução assexuada permite que um indivíduo gere vários
descendentes geneticamente iguais a ele (clones). Se o ser original
está bem adaptado ao ambiente, e se esse ambiente fornece condições
adequadas para a vida de novos indivíduos, então os descendentes
terão grandes chances de sobreviver e de se desenvolver. A repro-
dução assexuada permite a uma espécie, portanto, ter sucesso em
determinado ambiente, povoando-o rapidamente.

Capítulo 3

74

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Ciências Naturais – Aprendendo com o cotidiano 8, 6a edição, e a BNCC

comprimento: 2 cm
Na reprodução assexuada, os indivíduos não precisam investir suas
A
energias na produção de gametas e, no caso de animais, também na
procura de parceiro para acasalar e em rituais de acasalamento.
Por outro lado, a grande desvantagem da reprodução assexuada é o
fato de os descendentes não apresentarem variabilidade genética.
Como todos os descendentes são geneticamente semelhantes, eles estão
muito mais sujeitos ao desaparecimento no caso de alguma alteração
ambiental à qual eles não tenham resistência. Assim, por exemplo, as
mudanças climáticas, o aparecimento de novas doenças ou de novas comprimento: 4 cm
pragas e as modificações na composição do ar, do solo ou da água
B
podem provocar a morte de grande parte dos indivíduos da espécie e
até mesmo extingui-la.
Aí entra em cena a grande vantagem evolutiva da reprodução
sexuada: os descendentes não são geneticamente idênticos a
nenhum dos pais, pois herdam apenas metade dos genes de cada
um deles. Assim, numa população de indivíduos que se reprodu-
zem sexuadamente, encontramos uma variabilidade muito maior
de características, na forma e no funcionamento do organismo, que
confere à espécie uma maior chance de adaptação a possíveis mu-
A reprodução sexuada é fonte de
danças do ambiente. variabilidade de descendentes,
Uma nova doença pode eliminar alguns indivíduos, mas outros sobre os quais a seleção natural
podem sobreviver a ela. Um novo predador pode eliminar alguns atua. A semelhança visual com
o ambiente no qual se vive, aqui
indivíduos, mas não outros que, por exemplo, graças à variabilidade ilustrada pelo cavalo-marinho-
de características, confundam-se visualmente com o ambiente. -pigmeu A (Oceano Pacífico,
Assim, a reprodução sexuada aumenta a variabilidade dos in- Indonésia) e por uma mariposa
B (Mata Atlântica, SP), é um
divíduos de uma população, aumentando as chances de surgirem exemplo de adaptação que
indivíduos com características que os ajudem a sobreviver e se fornece proteção contra os
desenvolver no ambiente. Isso é essencial para explicar a evolução, predadores, favorecendo a
seleção natural desses indivíduos.
que conduziu à enorme biodiversidade atual.
Proponha o exercício 9 da seção Use o
que aprendeu.

ORGANIZAÇÃO DE IDEIAS: MAPA CONCEITUAL

Reprodução

pode ser pode ser

Sexuada Assexuada

envolve produz produz

Gametas Zigoto Descendentes Descendentes


que geneticamente geneticamente
Fertilização que diferentes iguais
participam
da ou forma
fecundação

células célula denominados

Haploides (n) Diploide (2n) Clones

Reprodução dos seres vivos e variabilidade dos descendentes

75

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USE O QUE APRENDEU Veja respostas dos exercícios da seção Use
ATIVIDADE

o que aprendeu em Comentários e respostas dos


capítulos do 8o ano.

1. Na espécie humana, assim como em muitas ou- a) Quantos cromossomos há num esperma-
tras, há células diploides e células haploides. tozoide de jumento?
a) Cite uma importante diferença entre uma b) Quantos cromossomos há num óvulo de
célula haploide humana e uma célula di- égua (fêmea do cavalo)?
ploide humana. c) Do cruzamento de um jumento com uma
b) Quais são as células haploides humanas? égua origina-se a mula, descendente estéril
c) Quais são as células diploides humanas? (incapaz de se reproduzir), pois provém do
d) Qual desses dois tipos de células, haploide cruzamento de animais de diferentes espé-
ou diploide, tem participação direta no cies. Quantos cromossomos você esperaria
processo de fertilização? que fossem encontrados ao se examinar,
com o equipamento de microscopia ade-
2. Um zigoto é uma célula haploide ou diploide? quado, o núcleo de uma célula do corpo de
Explique. uma mula?

3. Nas células diploides do seu corpo há 46 cro- altura: 1,6 m


mossomos.
a) Quantos deles são herança de seu pai?
E quantos são herança de sua mãe?
b) No seu corpo há centenas de trilhões de
células diploides. Explique como é possível
que todas elas possuam cópias desses cro-
mossomos que você herdou de seus pais
se, nos gametas deles que participaram da
fecundação, havia cromossomos suficientes
apenas para a formação do zigoto.

4. A fertilização externa requer um número


muito maior de gametas do que a interna.
(Uma ostra, por exemplo, produz 100 milhões
A mula descende do cruzamento
de gametas femininos por ano; já uma de um jumento com uma égua.
mulher libera anualmente apenas cerca de
12 ovócitos.) Levando em conta as caracterís- 7. O número diploide da ervilha é 14. Quantos
ticas da fertilização externa e da fertilização cromossomos há:
interna, explique por que, evolutivamente, as a) num gameta de planta de ervilha?
espécies com fertilização externa produzem b) numa célula de folha da planta de ervilha?
mais gametas. 8. Uma grande área foi plantada usando mudas
5. A espécie humana é classificada como viví- de árvores obtidas por clonagem em tubo de
para, ao passo que as araras são consideradas ensaio a partir de tecidos de um único indivíduo
ovíparas. vegetal. Compare essa área de plantação com
a) Por que essas espécies diferem nessa clas- uma floresta natural e responda: qual delas está
sificação? mais sujeita a ser devastada por pestes ou por
b) Cachorros, gatos, porcos e cavalos são mudanças climáticas bruscas na região? Explique
incluídos em qual dos dois grupos? Por quê? como chegou a essa conclusão.
6. O número diploide na espécie dos cavalos 9. Enumere as vantagens e as desvantagens
(Equus caballus) é 64 e, na espécie dos jumen- das duas formas de reprodução, sexuada e
tos (Equus asinus), é 62. assexuada.

Capítulo 3

76

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Ciências Naturais – Aprendendo com o cotidiano 8, 6a edição, e a BNCC

Veja respostas das atividades do Explore diferentes linguagens em Comentários e respostas dos capítulos do 8o ano.

EXPLORE DIFERENTES LINGUAGENS ATIVIDADE

A critério do professor, as atividades a seguir poderão ser feitas em grupos.


FRASE

1. Após estudar o tema deste capítulo, um aluno disse o seguinte:


“Nas espécies animais, a variabilidade genética dos descendentes só acontece no caso daqueles que
exibem fertilização interna”.
Essa frase está correta ou incorreta? Justifique sua resposta.
TRECHO DE DOCUMENTÁRIO

2. Um documentário de televisão informou que, as encontravam, cortavam-nas ao meio e


numa certa localidade à beira-mar, nativos so- jogavam os pedaços de volta ao mar. Após
brevivem da coleta e da venda de pérolas que alguns anos, perceberam que a população de
se formam dentro de certas ostras. Sabendo estrelas-do-mar tinha aumentado em vez de
que as estrelas-do-mar se alimentam de ostras, diminuir.
esses nativos criaram o hábito de mergulhar Proponha uma explicação para o aumento da
à procura de estrelas-do-mar e, sempre que população de estrelas-do-mar relatado.

INTERPRETAÇÃO DE EXPERIMENTO

3. Num experimento escolar, um grupo de alunos de reprodução envolvida é sexuada ou


utilizou uma batata na qual existiam várias ge- assexuada? Explique.
mas (veja a figura ao lado). Cortaram pedaços
b) Compare os novos indivíduos entre si, no
dessa batata, cada um deles contendo uma
gema, e enterraram cada um deles em terra que diz respeito à bagagem genética.
fértil convenientemente regada. Após algumas Gema
semanas, um pé de batata desenvolveu-se a
partir de cada um dos pedaços plantados.
a) Nesse experimento houve um processo
de obtenção de novos indivíduos. A forma

CHARGE

4. A charge satiriza a clonagem humana, que, hoje


em dia, não é eticamente aceita.
a) O que é um clone?
b) Um clone de um mamífero é um ser haploi-
de ou diploide?
c) A produção de um clone de árvore frutífe-
ra é um modo de reprodução sexuada ou
assexuada?

Seu aprendizado não termina aqui


Que tal experimentar algumas técnicas para reprodução assexuada de plantas? Use o que aprendeu
neste capítulo para obter um clone de cenoura, de batata-doce e de violeta. Além disso, converse
com pessoas que costumam cultivar plantas em casa e verifique outros procedimentos que você
poderia realizar com orquídeas, laranjeiras, cana-de-açúcar, mandioca ou outras plantas.

Reprodução dos seres vivos e variabilidade dos descendentes

77

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HABILIDADES:
Ciências Naturais – Aprendendo com o cotidiano 8, 6a edição, e a BNCC
• EF08CI12
• EF08CI13

CAPÍTULO

4 NOSSO PLANETA
NO UNIVERSO
Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

LEO DRUMOND/NITRO

Como se explica o funcionamento


de um relógio de sol? (Na foto, um
relógio de sol na praia da Areia
Preta, Natal, RN.)

Nosso planeta no Universo

79

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Depois do Sol, pode‑se dizer que a Lua é o corpo celeste que
exerceu maior influência na organização da vida humana. Duas
unidades de medida de tempo usadas em nossos calendários, a
semana e o mês, tiveram sua origem na observação da mudança
de aparência da Lua com o passar dos dias.
Para perceber a regularidade do comportamento da Lua, o
primeiro passo é observá‑la. Os desenhos a seguir dão uma noção
esquemática do aspecto lunar em trinta dias consecutivos.
Você também pode realizar a interessante experiência de obser‑
var a Lua durante, pelo menos, trinta dias consecutivos e registrar
suas observações.

1 2 3 4 5 6 7 8 9 10

ADILSON SECCO
11 12 13 14 15 16 17 18 19 20

21 22 23 24 25 26 27 28 29 30

Representação esquemática do aspecto da Lua,


observada do Hemisfério Sul da Terra num período
de 30 dias consecutivos.

1 As fases da Lua
Como se pode notar nos trinta desenhos, a Lua passou por
alterações em seu aspecto, mas, ao trigésimo dia, voltou ao seu
aspecto inicial. O que se observa nos primeiros 29 dias irá repetir‑
‑se a partir do trigésimo dia.
No desenho número 15, a Lua, vista da Terra, atinge a sua
máxima extensão iluminada, sendo chamada de Lua cheia. Já no
desenho 29, recebe o nome de Lua nova.

Capítulo 4

80

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Ciências Naturais – Aprendendo com o cotidiano 8, 6a edição, e a BNCC

A sequência de 1 a 15 mostra a Lua nova mudando gradualmente


seu aspecto até a Lua cheia. Nesse período, seu brilho cresce a cada
dia. O desenho 7, que mostra a situação intermediária nessa mudança,
é a Lua crescente, ou quarto crescente. Na sequência de 16 até 29, o
brilho da Lua está diminuindo. A situação intermediária corresponde ao
desenho 22 e é denominada Lua minguante, ou quarto minguante. Ao descobrir (por meio da observação) a
regularidade temporal na mudança das fases da
A observação repetida permitiu aos astrônomos descobrir mais Lua, podemos fazer previsões sobre o aspecto
uma regularidade da natureza. O aspecto da Lua se modifica ao futuro desse corpo celeste. O tema proposto é
útil para mostrar a importância da observação
longo dos dias, sempre na mesma sequência: da natureza como meio que nos torna aptos a
nova → crescente → cheia → minguante fazer previsões.

O intervalo de tempo para a Lua passar por um ciclo completo


de suas fases é denominado lunação e não é de exatamente 29 dias,
ATIVIDADE
mas de 29,53059 dias, ou seja, aproximadamente 29 dias e meio.
Para discussão
ADILSON SECCO

em grupo
Como é possível prever as
datas futuras de mudança
Nova Crescente Cheia Minguante das fases da Lua para indicá­
­las num calendário?
As fases da Lua, em representação esquemática.

2 A Lua e seus horários


A Lua, assim como o Sol, nasce no lado leste e se põe no lado
oeste. A Lua nasce e se põe em horários diferentes durante a
lunação. A tabela abaixo mostra os horários aproximados do nas‑
cente e do poente da Lua, em suas diferentes fases.

Horários aproximados para o nascente e o poente da Lua Proponha os exercícios 1 a 4 do Use o


que aprendeu.
Fase da Lua Nascente Poente
Nova Seis da manhã Seis da tarde
Crescente Meio‑dia Meia‑noite
Cheia Seis da tarde Seis da manhã
Minguante Meia‑noite Meio‑dia
Fonte: R. R. F. Mourão. Manual do astrônomo: uma introdução à Astronomia
Observacional e à construção de telescópios. Rio de Janeiro: Jorge Zahar. p. 51. Redações possíveis, considerando ‑se
o nível de compreensão atual dos estudantes:
fase da Lua Aspecto da Lua tal qual observada
Não é verdade que a Lua nasce quando o Sol se põe e se põe da Terra.
quando o Sol nasce. Perceba, pela tabela, que isso só é razoavel‑ Lua nova Fase lunar em que um indivíduo
situado no planeta Terra não vê a face da Lua
mente válido para a Lua cheia. diretamente iluminada pela luz solar.
Lua cheia Fase em que a face da Lua vista da
Terra está totalmente iluminada pela luz solar.
Lua crescente Fase da Lua que vem depois da
Lua nova e antes da Lua cheia, na qual a face
ATIVIDADE vista da Terra está com metade de sua superfície
diretamente iluminada pela luz solar. A cada
Amplie o vocabulário! dia seguinte, a área iluminada aumentará, até
chegar à Lua cheia.
Hora de debater o significado de cada conceito, redigi‑lo com nossas Lua minguante Fase da Lua que vem depois da
palavras e incluí‑lo no nosso blog. Lua cheia e antes da Lua nova, na qual a face
vista da Terra está com metade de sua superfície
• fase da Lua • Lua cheia • Lua minguante diretamente iluminada pela luz solar. A cada
• Lua nova • Lua crescente dia seguinte, a área iluminada se reduzirá, até
chegar à Lua nova.

Nosso planeta no Universo

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Em destaque

Da chegada à Lua aos modernos voos espaciais


“A Águia pousou.” Essa frase foi dita em 20

KEYSTONE/HULTON ARCHIVE/GETTY IMAGES

NASA/NEWSMAKERS/HULTON ARCHIVE/
GETTY IMAGES
de julho de 1969 pelo astronauta Neil Armstrong,
quando o módulo lunar Eagle (Águia, em por-
tuguês) pousou na superfície da Lua. A primeira
pegada na superfície da Lua, deixada por ele
alguns instantes depois, representou um grande
passo tecnológico. Era a primeira vez que o ser
humano chegava até lá.
Na época, duas grandes potências mundiais,
os Estados Unidos e a antiga União Soviética, Astronauta Neil Astronauta Edwin E.
disputavam a predominância na política mundial. Armstrong, da missão Aldrin Jr. descendo do
Chegar à Lua era uma importante demonstração Apollo 11, imprimindo módulo lunar pousado
de poder. a primeira pegada na superfície da Lua
Corrida espacial: esse é o nome pelo qual ficou na superfície lunar, na missão Apollo 11,
em 1969. em 1969.
conhecida a série dos primeiros voos espaciais,
incluindo os que levaram o ser humano à Lua.
DENIS SINYAKOV/AFP

Marcos César Pontes, o


Transcorridos muitos anos e modificadas algumas astronauta brasileiro que
situações da política internacional, as missões esteve na Estação Espacial
espaciais adquiriram um caráter mais científico. Internacional.
A Estação Espacial Internacional é um projeto

NASA
que envolve a cooperação de alguns países, entre
os quais o Brasil. Ela é formada por módulos, o
primeiro dos quais foi colocado em órbita em
novembro de 1998.
Os astronautas que compõem a tripulação são
periodicamente substituídos. A comparação dos
resultados de experimentos feitos a bordo com
os resultados obtidos quando os mesmos experi-
mentos são feitos em terra tem permitido verificar
Estação Espacial Internacional na órbita terrestre.
como a gravidade os afeta. Como consequência,
Na ocasião em que este material foi escrito, a
progressos científicos vêm ocorrendo na busca desativação da estação estava prevista para 2024.
de novos materiais, novos medicamentos e na Em função de condições operacionais, esse prazo
melhor compreensão das leis da natureza. pode sofrer alterações.

Crateras e “mares” lunares • A expressão “mares lunares” designa formações


geológicas observáveis, mesmo a olho nu,
• A Lua apresenta muitas crateras, buracos
como manchas escuras sobre a superfície da
côncavos (em latim, crater significa taça)
que se formaram provavelmente em virtude Lua. Amostras colhidas pelas missões espaciais
do impacto de meteoritos. Como na Lua Apollo 11 (no Mar da Tranquilidade), Apollo
não existem ventos (não há atmosfera), tais 12 (no Mar Conhecido), Apollo 15 (no Mar das
buracos não foram disfarçados pela erosão. Chuvas) e Apollo 17 (no Mar da Serenidade)
• Na Terra existem pouquíssimas crateras, pois revelaram que eles contêm alto teor de rochas
muitas das que se formaram no passado basálticas, responsáveis pela sua coloração
desapareceram por causa de processos escura. Os mares correspondem a cerca de 15%
erosivos e deposição de sedimentos. da superfície lunar.

Capítulo 4

82

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Ciências Naturais – Aprendendo com o cotidiano 8, 6a edição, e a BNCC

DAYANE RAVEN
3 As fases da Lua e os eclipses
As fases da Lua
A Lua não possui luz própria, e nós só conseguimos vê‑la porque
é iluminada pelo Sol.
A Lua realiza um movimento ao redor da Terra e, dependendo de sua
localização, podemos ver toda a área dela que está iluminada. Às ve‑ Um experimento para ajudar a
entender as fases da Lua. Segure
zes, enxergamos apenas parte e, eventualmente, não conseguimos ver
uma bola como na figura, em
sequer um pedaço da Lua que esteja diretamente iluminado pelo Sol. um ambiente escurecido. Peça a
É por isso que, para nós que estamos na Terra, a Lua muda de aspecto. alguém que aponte uma lanterna
O esquema a seguir pode ajudá‑lo a entender isso melhor. Contudo, acesa para a bola, na mesma
altura dela. Gire seu corpo no
é importante esclarecer que, ao contrário do que se pode pensar ao sentido anti‑horário, observando
ver o esquema, o plano da órbita lunar NÃO coincide com o plano a bola. Você consegue ver a parte
da órbita terrestre. Isso será esclarecido nas duas próximas páginas. iluminada durante todo o giro?

C
A E

D B

Terra

ILUSTRAÇÕES: ADILSON SECCO


vista
pelo B F
E A
Polo
Norte Luz solar

F H C G

D H
Esquema que mostra o movimento da Lua em relação à Terra. Em cada uma
das posições, A, B, C, até H, a Lua é vista da Terra com um aspecto diferente. Representação esquemática da
A Lua completa uma volta ao redor da Terra em 27,3 dias. (A Terra, a Lua e a
Lua vista por um observador no
distância entre elas não estão representadas em proporção.) A órbita lunar e
Hemisfério Sul: A é a Lua nova;
a órbita terrestre NÃO estão no mesmo plano, como mostrarão os próximos
C é a crescente; E é a cheia; e G é
esquemas deste capítulo. (Cores fantasiosas.)
a minguante.
Fonte: Elaborado a partir de A. C. S. Friaça et al. (org.). Astronomia: uma visão geral do universo. 2. ed.
São Paulo: Edusp. p. 43; M. Ferreira e G. Almeida. Introdução à Astronomia e às observações astronômicas. O intervalo entre duas Luas cheias
7. ed. Lisboa: Plátano. p. 81; R. Boczko. Conceitos de Astronomia. São Paulo: Blucher. p. 4. (lunação) é de cerca de 29,5 dias.

Os eclipses
O plano da órbita da Lua é ligeiramente inclinado em relação A inclinação do plano da órbita lunar em
ao plano da órbita terrestre, como mostra a figura 1 da página se‑ relação ao plano da órbita terrestre é de 5,2°.

guinte. Quando a Terra realiza a translação, essa inclinação se man‑


tém, conforme mostrado na figura 2 (também na página seguinte).
A órbita lunar corta o plano da órbita terrestre em apenas dois pontos,
denominados nodos. Só há dois momentos no ano em que os nodos
ficam alinhados com a linha imaginária que passa pelo Sol e pela Terra.

Nosso planeta no Universo

83

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ADILSON SECCO
1
Plano da órbita lunar Plano da órbita terrestre
Lua

Terra

O plano da órbita da Lua


B não é o mesmo da órbita
terrestre, e sim ligeiramente
inclinado em relação a ele.

Esquema que mostra que a órbita lunar está em um plano que é um pouco inclinado em relação
ao plano da órbita terrestre. Os nodos correspondem aos pontos A e B. (Os astros e a distância
entre eles não estão representados em proporção. Cores fantasiosas.)
Fonte: G. R. Thompson e J. Turk. Earth Science and the environment.
4. ed. Belmont: Thomson Brooks/Cole. p. 571.

2
ADILSON SECCO

Terra Lua

Plano da órbita lunar


Órbita terrestre

A
Órbita lunar
B
A
B

Sol

A
B
A
B

Ao longo desta linha,


Sol, Terra e nodos
(A e B) estão alinhados.
Plano da órbita terrestre

Esquema que mostra que os nodos ( pontos A e B) se alinham com o Sol e a Terra apenas duas
vezes por ano. (Os astros e a distância entre eles não estão representados em proporção.
Cores fantasiosas.)
Fonte: Esquema elaborado a partir de R. Boczko. Conceitos de Astronomia.
São Paulo: Blucher. p. 273.

Capítulo 4

84

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Ciências Naturais – Aprendendo com o cotidiano 8, 6a edição, e a BNCC

Se, em seu movimento ao redor da Terra, acontecer de a Lua pas­


sar por um dos nodos no exato momento em que eles se alinham
com o Sol e a Terra, haverá eclipse, como ilustra a figura 3, item A.
Uma das situações é a do eclipse solar, que ocorre quando a Lua
(na fase Lua nova) passa pelo nodo que está entre o Sol e a Terra,
situação que aparece na figura 3, item B. Outra situação corresponde
ao eclipse lunar, que ocorre quando a Lua (na fase cheia) passa pelo
nodo que está na sombra da Terra. Isso é mostrado na figura 3, item C.
Como os nodos só se alinham com a Terra e o Sol duas vezes ao
ano, a ocorrência de eclipses não é muito frequente. A figura 4 ilustra
a situação usual em que há ocorrência de Lua nova e de Lua cheia.

ADILSON SECCO
Lua Plano da órbita
durante terrestre
eclipse
lunar

Terra
Terra

A Lua
durante A. Quando a Lua passa pelo plano
eclipse Sol da órbita terrestre e fica em
solar alinhamento com a Terra e o
Sol, há um eclipse solar ou um
eclipse lunar.
B. Eclipse solar; os habitantes de
B algumas regiões da Terra veem
Lua nova Sol o Sol encoberto pela Lua (nova).
Terra C. Eclipse lunar; a sombra da Terra
é projetada na Lua (cheia).
C (Nesses esquemas, os astros e
Sol a distância entre eles não estão
Lua cheia Terra representados em proporção.
Cores fantasiosas.)

Plano da órbita
4
ADILSON SECCO

terrestre Proponha os exercícios 5 e 6 do Use o


que aprendeu.

Terra

Lua
A
A. Na grande maioria das vezes,
Sol
a Lua não está alinhada com o
Sol e a Terra, e não há eclipse.
B. Lua em sua fase nova, sem
eclipse.

B Lua nova C. Lua em sua fase cheia, sem


Sol eclipse.
Terra (Nesses esquemas, os astros e
a distância entre eles não estão
representados em proporção.
C
Terra Sol Cores fantasiosas.)
Fonte: G. R. Thompson e J. Turk. Earth
Lua cheia Science and the environment. 4. ed.
Belmont: Thomson Brooks/Cole. p. 572.

Nosso planeta no Universo

85

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4 Os planetas e o sistema solar
A estrela mais próxima de nós é o Sol. Diversos corpos celestes o orbitam (movimentam-se
ao redor dele), como planetas (Mercúrio, Vênus, Terra, Marte, Júpiter, Saturno, Urano e Netuno),
planetas-anões (Ceres, Plutão, Makemake, Éris), satélites naturais de planetas-anões e de plane-
tas (a Lua, por exemplo), asteroides (corpos rochosos menores que planetas-anões) e cometas.
O Sol e todos os corpos celestes que o orbitam contituem o Sistema Solar.

Raio

Lua 1.738 km

Sol 695.510 km
ILUSTRAÇÕES: MILENA MANTOVANI BUZZINARO

Ceres
Mercúrio Vênus Terra Marte Júpiter
(Planeta‑anão)
Raio 2.440 km 6.052 km 6.378 km 3.396 km 471 km 71.492 km

Distância do Sol 57.910.160 km 108.210.168 km 149.600.000 km 227.939.536 km 414.392.000 km 778.422.656 km

Período de translação 88 dias 225 dias 1 ano 2 anos 1.682 dias 12 anos

Período de rotação 1.408 horas 5.832 horas 24 horas 25 horas 9 horas 10 horas

Satélites naturais Não possui Não possui 1 2 Não possui 67

86

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Ciências Naturais – Aprendendo com o cotidiano 8, 6a edição, e a BNCC

Cint
urão
de K
uiper

Representação esquemática em que os corpos celestes não


estão ilustrados em proporção de tamanho ou de distância
entre si. Cores fantasiosas.
Fontes: Elaborado a partir de W. M. Haynes (ed.). CRC Handbook of Chemistry and Physics.
92. ed. Boca Raton: CRC Press. p. 14‑2, 14‑3; Agência Espacial dos Estados Unidos (Nasa).
Acessado em: http://solarsystem.nasa.gov/planets/

Plutão Makemake Éris


Saturno Urano Netuno
(Planeta‑anão) (Planeta‑anão) (Planeta‑anão)
Raio 60.268 km 25.559 km 24.764 km 1.195 km 750 km 1.225 km

Distância do Sol 1.426.745.672 km 2.871.012.496 km 4.498.316.416 km 5.906.459.328 km 6.850.184.000 km 10.127.920.000 km

Período de translação 29 anos 84 anos 165 anos 248 anos 310 anos 557 anos

Período de rotação 11 horas 17 horas 16 horas 153 horas 22 horas 26 horas

Satélites naturais 62 27 13 5 Não possui 1

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5 As estações do ano
O complexo movimento da Terra pode ser decomposto em
ADILSON SECCO

componentes, duas das quais são a rotação e a translação.


Dia
A rotação terrestre é o giro do planeta ao redor de um eixo
imaginário que atravessa o planeta do Polo Norte ao Polo Sul. A
Noite
rotação terrestre origina os dias e as noites. A metade do planeta
iluminada pela luz solar está no período diurno e a metade escura
encontra‑se no período noturno, conforme o esquema ao lado.
A ocorrência de dias e noites está O movimento da Terra ao redor do Sol é denominado trans-
relacionada à rotação da Terra lação. Uma volta ao redor do Sol é completada em aproximada‑
ao redor de um eixo imaginário mente 365,25 dias. O eixo imaginário de rotação terrestre não é
norte‑sul. (Representação
esquemática em que a seta
perpendicular ao plano de sua órbita, mas sim inclinado em relação
vermelha indica o sentido a essa perpendicular. Das diversas posições da Terra em sua órbita
de rotação da Terra. Cores ao redor do Sol, quatro merecem destaque, porque correspondem
fantasiosas.) ao momento em que se iniciam as estações do ano (veja a tabela
A inclinação do eixo de rotação da Terra é
no final da página). Essas quatro posições e o nome que recebem
de 23°27’ em relação à perpendicular ao plano estão no esquema a seguir.
da órbita terrestre.
ADILSON SECCO

2 Equinócio
de março

3 Solstício
de junho

Sol

1 Solstício de
dezembro

4 Equinócio
de setembro

Esquematização da posição da
Terra quando se iniciam as estações
do ano. (O Sol, a Terra e a distância Acontecimento e data Hemisfério Sul Hemisfério Norte
entre ambos estão ilustrados fora Solstício de dezembro
de proporção. As setas vermelhas Início do verão Início do inverno
(21, 22 ou 23 de dezembro)
indicam o sentido de rotação da
Terra e as setas verdes indicam a Equinócio de março
Início do outono Início da primavera
direção e o sentido da translação. (20 ou 21 de março)
Cores fantasiosas. A órbita da Terra Solstício de junho
Início do inverno Início do verão
é quase circular, mas aparece como (21, 22 ou 23 de junho)
uma elipse nesse esquema devido Equinócio de setembro
à perspectiva da qual o desenho Início da primavera Início do outono
(22 ou 23 de setembro)
foi feito.)
Proponha as atividades 1 a 3 do Explore diferentes linguagens.

Capítulo 4

88

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Ciências Naturais – Aprendendo com o cotidiano 8, 6a edição, e a BNCC

6 As estrelas no céu noturno


As constelações
Alguns povos antigos foram hábeis astrônomos.

MILENA BUZZINARO
Enquanto uns dependiam de informações obtidas
da observação do céu para saber a época certa
para semear suas lavouras, outros usavam as es‑
trelas para orientar a navegação noturna, pois não
existiam bússolas para indicar a posição do norte.
Para facilitar a descrição do céu, povos antigos,
como os chineses, os babilônios, os egípcios e
os gregos, davam nomes a grupos de estrelas,
que eram associados por eles a animais ou a
personagens da mitologia. (A mitologia é o con‑
junto das narrativas fabulosas ou heroicas de um
povo.) Esses grupos de estrelas são denominados
constelações.
Ao verem nuvens no céu, é frequente as pessoas imaginarem que A constelação de Touro era usada
pelos babilônios 6 mil anos atrás
elas formam figuras conhecidas. Provavelmente você já fez isso. Às
como sinal do início do ano em seu
vezes uma pessoa “vê” na nuvem uma certa forma e outra pessoa calendário. (O contorno da imagem
“vê” uma forma diferente. O mesmo ocorre com as constelações. de touro é imaginário.)
É fácil perceber que as estrelas da constelação de Touro, ilustrada
nesta página, não formam exatamente o desenho de um touro. As
associações que os povos antigos faziam das constelações com ATIVIDADE
figuras serviam apenas para facilitar a descrição do céu.
Atualmente os astrônomos ainda utilizam esses nomes de cons‑ Tema para pesquisa
telações para se referir a elas e para descrever o céu. Por exemplo, Os povos antigos e a
Astronomia:
dizer que “determinado corpo celeste está próximo à constelação Que povos da Antiguidade
de Touro” facilita a comunicação e o entendimento. foram hábeis astrônomos?
Os astrônomos reconhecem no céu 88 constelações. A maioria Para que usavam a
delas já havia sido identificada pelos gregos. Muitos dos nomes observação dos astros?
Que descobertas
usados hoje para elas são as traduções do nome grego para o latim, importantes fizeram?
língua que foi falada no Império Romano da Antiguidade.

Nomes de algumas das 88 constelações A partir do tema sugerido, podem ‑se


buscar informações sobre como os povos an‑
Nome em Nome em
Nome em latim Nome em latim tigos usavam o aspecto do céu noturno para a
português português agricultura e a navegação. Esse é um dos con‑
teúdos procedimentais deste capítulo e favorece
Andromeda Andrômeda Lepus Lebre
a atitude de valorizar os conhecimentos de povos
Aquarius Aquário Libra Balança antigos para explicar os fenômenos celestes.
Se dispuser de tempo e julgar conveniente,
Aquila Águia Lupus Lobo sugira também para pesquisa o tema “A origem
Aries Carneiro Monoceros Unicórnio do nosso calendário”.

Cancer Caranguejo Orion Órion


Capricornus Capricórnio Pisces Peixes
Columba Pomba Sagittarius Sagitário
Crux Cruzeiro do Sul Scorpius Escorpião
Fonte: R. R. F. Mourão. Manual do
Gemini Gêmeos Taurus Touro Astrônomo: uma introdução à Astronomia
Observacional e à construção de telescópios.
Leo Leão Virgo Virgem Rio de Janeiro: Jorge Zahar. p. 21‑22.

Nosso planeta no Universo

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Em destaque

As estrelas de uma constelação não estão necessariamente próximas entre si


As estrelas de uma constelação podem estar a que as pontas estão próximas, mas, na verdade,
distâncias muito grandes umas das outras. Veja, uma delas está mais à frente que a outra.
por exemplo, o esquema das estrelas do Cruzeiro Uma ilusão semelhante a essa acontece com as
do Sul na figura abaixo. estrelas, que estão tão longe de nós que, mesmo
Faça uma demonstração para compreender com os dois olhos abertos, não conseguimos dizer
isso. Segure um lápis em cada uma das mãos e qual delas está mais próxima. O brilho também
estique bem os braços, à frente do corpo. Man‑ não é necessariamente indicativo da distância, pois
tenha um dos olhos fechado e tente encostar as há estrelas de diversos tamanhos e com diferentes
pontas dos dois lápis. É comum ter‑se a ilusão de intensidades de brilho.
Visão de um
PAULO MANZI

observador
na Terra

Posição das
estrelas
As estrelas da constelação Crux, Cruzeiro
do Sul. (Representação esquemática, fora
de proporção e em cores fantasiosas.)

As constelações do zodíaco
Pedro e José estão sentados na arquibancada assistindo a um
jogo de futebol. De repente Pedro vê Augusto, que é amigo dos dois,
em outro ponto da arquibancada e quer mostrar para José onde
está Augusto. Não vai adiantar nada ele dizer: “Augusto está ali!”.
É muito mais sensato buscar um ponto de referência. Por exemplo:
“Augusto está cerca de 2 metros à direita daquela bandeira azul!”
ou “Ele está uns 5 metros à esquerda do poste dos refletores”.
A bandeira azul e o poste dos refletores são pontos de referência.
Use a internet Da mesma forma, os astrônomos buscaram pontos de referência
A Série ABC da
no céu. Importantes pontos de referência celestes são as constelações.
Astronomia, produzida pela As estrelas estão a uma distância muito grande do Sistema Solar.
TV Escola e apresentada A estrela mais próxima é Alpha Centauri, que está a 4,3 anos‑luz de
pelo astrônomo e professor distância (1 ano‑luz é a distância que a luz percorre em 1 ano, e
Walmir Cardoso, tem seus
vídeos disponibilizados no
equivale a 9 trilhões e 500 bilhões de quilômetros).
You Tube. Busque‑os pelas Para efeitos de estudo, podemos encarar as estrelas (exceto o
palavras TV Escola ABC da Sol) como se formassem uma gigantesca esfera, a esfera celeste,
Astronomia. posicionada a uma distância inimaginavelmente grande da Terra.
As 88 constelações estão distribuídas na esfera celeste. Entre
Enfatize que ano‑luz expressa distância, elas, 12 merecem destaque, porque se posicionam na região pró‑
e não tempo.
xima ao plano da órbita terrestre. Essas 12 constelações formam
uma faixa no céu conhecida como zodíaco. Essa palavra, zodíaco,
vem do grego e significa “caminho dos animais” (lembre‑se de que
muitas das constelações têm nomes de animais).
As 12 constelações do zodíaco são Sagitário, Capricórnio, Aquá‑
rio, Peixes, Carneiro (ou Áries), Touro, Gêmeos, Caranguejo (ou
Câncer), Leão, Virgem, Balança (ou Libra) e Escorpião.

Capítulo 4

90

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Ciências Naturais – Aprendendo com o cotidiano 8, 6a edição, e a BNCC

O movimento aparente anual do Sol pelo zodíaco


O desenho ao lado representa, de modo esquemático,

ADILSON SECCO
Virgem
a Terra, o Sol e as constelações do zodíaco. Quando ça Leã
a la n o
a Terra está em A, o Sol está à frente de Sagitário. B
É impossível ver a constelação de Sagitário no

Ca
i ão

ran
céu nessa época, pois, graças ao brilho do Sol,

orp
B

gue
o céu estrelado não é visto no período diurno.

Es c

jo
Porém, os astrônomos conseguem deduzir que

S agitário

Gêmeos
é essa a constelação que está atrás do Sol, já
C Sol A
que conhecem a posição das constelações na
esfera celeste e podem ver quais delas estão no
céu noturno. Os astrônomos da Antiguidade já
io

Tou
D
faziam isso. órn
ric

ro
Graças à translação terrestre, 3 meses depois de
p
Ca
passar por A, a Terra estará em B. Nesse momento,
Ca
o rne
ári iro
o Sol estará à frente de Peixes. Aqu Peixes
Quando a Terra estiver em C, 3 meses mais tarde, o Sol
estará à frente de Gêmeos. E, passados mais 3 meses, o planeta
À medida que a Terra muda de
atingirá D, e o Sol estará à frente de Virgem. posição em sua translação ao
Transcorridos mais 3 meses, a Terra estará de volta a A, e o Sol redor do Sol, um observador
estará novamente à frente de Sagitário. posicionado na Terra tem a
impressão de que o Sol está se
Percebeu? Ao longo de um ano, o Sol aparentemente movimenta‑ movendo à frente da sequência
‑se à frente das constelações do zodíaco. Porém, na realidade, essa de constelações do zodíaco.
aparente movimentação solar pelo zodíaco é consequência do fato Os pontos A, B, C e D que
aparecem neste esquema referem‑
de a Terra orbitar ao redor do Sol. ‑se à descrição feita no texto.
(Representação esquemática.)
A mudança regular anual do aspecto do céu noturno
A figura desta página também nos permite entender por que o
aspecto do céu noturno muda ao longo do ano.
Quando a Terra está em A, a constelação de Gêmeos pode ser
vista no céu à meia‑noite*. Quando a Terra está em B, a constelação
de Virgem pode ser vista no céu à meia‑noite. E assim por diante. Julgando conveniente, os exercícios 7 a 9
do Use o que aprendeu já podem ser trabalha‑
Note que, por exemplo, quando a Terra está em C, Gêmeos dos neste momento. E as atividades 4 a 7 do
Explore diferentes linguagens também.
não pode ser vista no céu, pois é ofuscada pelo brilho do Sol.
Assim, nem todas as constelações são vistas no céu noturno
durante o ano.
Se dispuser de tempo e julgar conveniente,
O movimento de translação terrestre faz com que o aspecto sugira os seguintes temas para discussão: “Se
a rotação da Terra, ao redor do eixo imaginário
do céu noturno, visto por um observador na Terra, modifique‑ norte‑sul, ocorresse no sentido oposto àquele
‑se gradualmente à medida que os dias passam. Contudo, após em que acontece, como isso modificaria as
observações que fazemos no céu diurno? E no
um ano, a Terra estará de volta ao mesmo ponto de sua órbita e, céu noturno?”; “Se a translação da Terra ao
nesse momento, o aspecto do céu noturno voltará a ser o mesmo redor do Sol ocorresse no sentido oposto àquele
em que acontece, em que isso alteraria o que
de um ano atrás. se pode observar no céu ao longo de um ano?”.

* Dependendo da latitude onde está o observador,


algumas constelações podem não ser visíveis no céu.

Nosso planeta no Universo

91

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Em destaque

O relógio de sol
O relógio de sol foi o primeiro instrumento utilizado para
medir o tempo. Ele consiste basicamente de uma haste cuja
Gnômon sombra é projetada sobre uma superfície.
Sombra do
(haste do
gnômon
relógio de sol) Ao longo do dia, à medida que as horas vão passando, a sombra
projetada vai mudando de posição. Com o auxílio da escala que
Escala existe na superfície do relógio de sol, é possível saber as horas.
indicando Arqueólogos, cientistas que realizam escavações em ruínas a
as horas
fim de obter informações sobre antigas civilizações, descobriram
que muitos povos da Antiguidade construíram e usaram relógios
de sol. Foram encontrados, por exemplo, relógios de sol da civili‑
zação egípcia construídos no século XV antes de Cristo. Alguns
grandes relógios de sol usados em cidades do Império Grego da
PAULO MANZI

Antiguidade ainda existem e estão expostos em museus europeus.


Já na era cristã, o relógio de sol foi aprimorado pelo mate‑
mático e astrônomo árabe Abu’l Hassan Ali, no século XIII.
Alguns modelos portáteis, acompanhados de bússola, foram de
Esquema de relógio de sol. uso relativamente comum até o século XIX.

Em destaque

ATIVIDADE Não confunda Astronomia com astrologia


Amplie o vocabulário! Astronomia é a Ciência que se ocupa com a determinação
Hora de debater o significado da posição e das propriedades dos corpos celestes, como o Sol, a
de cada conceito, redigi‑lo Lua, os planetas etc.
com nossas palavras e
incluí‑lo no nosso blog. Já a astrologia corresponde ao uso de acontecimentos astronô‑
• constelação micos para fazer previsões não científicas sobre eventos relaciona‑
• zodíaco dos à vida humana. Isso é feito partindo‑se de uma suposta relação
• Astronomia entre a posição dos astros no momento em que a pessoa nasce e o
• astrologia destino dessa pessoa. Os astrólogos utilizam conceitos e palavras
da Astronomia e, por isso, algumas pessoas confundem as duas.
Redações possíveis, considerando‑se o Zodíaco é frequentemente confundido com horóscopo. Zo-
nível de compreensão atual dos estudantes:
constelação Grupo de estrelas associado por díaco é um conjunto de 12 constelações usadas como pontos de
povos antigos a figuras de animais ou a figuras
mitológicas. (Constelação também pode ser
referência pelos astrônomos, já o horóscopo é uma previsão sem
entendida como uma das 88 regiões convencio‑ base científica a respeito da vida da pessoa, baseada na situação
nais da esfera celeste estabelecidas pela União
Internacional de Astronomia com propósitos
dos astros no momento de seu nascimento.
relacionados à cartografia celeste.) Embora em sua origem, séculos atrás, Astronomia e astrologia
zodíaco Faixa circular imaginária no céu, divi‑
dida em 12 constelações, à frente das quais o não estivessem bem diferenciadas, desde o século XVII pode‑se
Sol parece passar em seu movimento aparente afirmar que a comunidade científica internacional não reconhece
na esfera celeste ao longo de um ano.
Astronomia Estudo dos corpos celestes e de a astrologia como uma Ciência, pois ela não utiliza os procedi‑
sua composição, suas características, sua posi‑ mentos que caracterizam as Ciências Naturais.
ção no céu e seu movimento ao longo do tempo.
astrologia Atividade não reconhecida como Não há, até o momento, nenhuma prova científica de que as
Ciência que pretende associar o comportamento
e o futuro das pessoas à posição dos corpos
alegações dos astrólogos sejam realmente válidas.
celestes.

Proponha os exercícios 10 e 11 do Use o que aprendeu.

Capítulo 4

92

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Ciências Naturais – Aprendendo com o cotidiano 8, 6a edição, e a BNCC

MAPA CONCEITUAL

incluem a incluem as
Lua Corpos celestes Estrelas

agrupadas
que apresenta uma
em

que é uma das cujo aspecto é uma das


Sucessão de fases lunares Constelações

entre as quais
denominada estão as que são

que dura
29 dias e cerca de
meio Lunação Regularidades da 12 constelações 88 ao todo
natureza do zodíaco

que compreende as fases

que já eram
observadas que servem de
pelos

Lua Lua Lua Lua Povos Pontos de


nova crescente cheia minguante antigos referência no céu

ATIVIDADE

Veja respostas dos exercícios da seção Use o que aprendeu em Comentários e respostas
dos capítulos do 8o ano.
1. Com o passar dos dias, a Lua tem sua aparência 8. Ao longo do ano, o Sol parece realizar um
modificada. Quantos dias leva para que ela movimento à frente das constelações do
volte à aparência inicial? zodíaco.
2. Faça um desenho em seu caderno de como é a a) Quantas constelações os astrônomos reco-
aparência da Lua nas fases: cheia, minguante, nhecem no céu?
nova e crescente. b) Quantas constelações fazem parte do zo-
3. Se hoje é uma noite de Lua cheia, o que se díaco?
pode afirmar sobre o aspecto da Lua daqui a c) Explique por que esse movimento do Sol à
sete dias? E daqui a 14 ou 15 dias? E daqui a frente das constelações do zodíaco é apenas
29 dias e meio? aparente.
4. Existe noite sem luar? Explique. 9. O céu noturno, observado de um mesmo local
5. Existe diferença entre um eclipse lunar e um numa mesma hora, é igual no inverno e no
eclipse solar. Explique qual é. verão? Comente.
6. Por que não ocorre eclipse solar toda vez que 10. Explique o significado da frase:
há Lua nova? Por que não ocorre eclipse lunar
toda vez que há Lua cheia? “Hoje o Sol está na constelação de Capricórnio”.

7. Como os povos antigos se orientavam em suas 11. Podemos dizer que zodíaco é a mesma coisa
navegações noturnas se não existia bússola? que horóscopo? Justifique sua resposta.

Nosso planeta no Universo

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ATIVIDADE

Veja respostas das atividades da seção Explore diferentes lingua-


gens em Comentários e respostas dos capítulos do 8o ano.
A critério do professor, as atividades a seguir poderão ser feitas em grupos.

TEXTO DE JORNAL

1. Na notícia de jornal ao lado, por que mais de uma data


é apresentada para cada solstício e cada equinócio? "No intervalo de um ano, ocorrem
2. A notícia se refere ao Hemisfério Norte ou ao Hemisfério dois solstícios: de verão (22 ou 23 de
dezembro) e de inverno (22 ou 23 de
Sul?
junho); e dois equinócios: de outono
3. Redija essa notícia com as devidas alterações, de modo (20 ou 21 de março) e de primavera
a torná-la correta para a ocorrência dos mesmo eventos (22 ou 23 de setembro)."
no outro hemisfério.

© MARK PARISI, REPRINTED WITH PERMISSION, WWW.OFFTHEMARK.COM


CHARGE

Para criar uma situação de humor, o chargista faz uma


associação entre dois procedimentos. Um deles é a
brincadeira de unir pontos numerados no papel para
ver que figura aparece. O outro tem relação com a
observação do céu noturno, especificamente a obser-
vação das constelações.
4. O que são constelações?
5. Comparar constelações com figuras de animais ou de
personagens da mitologia é uma criação dos astrôno-
mos atuais? Comente.
6. As estrelas de uma mesma constelação estão todas em
um mesmo plano?

ESQUEMA

7. Vamos admitir que hoje o Sol esteja à frente da constelação de Escorpião. Consulte o esquema do
capítulo que julgar necessário e responda:
a) Daqui a dois meses, à frente de qual constelação estará o Sol? E daqui a três meses?
b) Quanto tempo levará para o Sol estar à frente da constelação de Touro?
c) Quanto tempo levará para o Sol estar à frente da constelação de Caranguejo?
d) Quanto tempo levará para o Sol voltar a passar por Escorpião?

Seu aprendizado não termina aqui

Nos meses de março, junho, setembro e dezembro, os meios de comunicação costumam informar
o dia de mudança das estações do ano.
Compare essas datas com as da tabela apresentada neste capítulo sobre solstícios e equinócios
e constate a regularidade na ocorrência desses fenômenos astronômicos.

Capítulo 4

94

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Ciências Naturais – Aprendendo com o cotidiano 8, 6a edição, e a BNCC

Veja comentários
sobre esta atividade em
Isso vai para o nosso blog !
Comentários e res-
postas dos capítulos Avanços da Astronomia e da Astronáutica
do 8o ano.

DANIEL ZEPPO
A critério do professor, a classe será dividida em grupos e cada um deles criará e manterá
um blog na internet sobre a importância do que se aprende na disciplina de Ciências Naturais.
Na presente atividade, a meta é selecionar informações (acessar, reunir, ler, analisar, debater e
escolher as mais relevantes e confiáveis) relacionadas aos tópicos abaixo para incluir no blog.

Pesquise a diferença Colete informações, sobretudo de fontes


entre Astronomia e confiáveis e de atualização dinâmica (tais
Astronáutica. como jornais, revistas e endereços da
internet que tenham credibilidade), sobre os
Faça o mesmo tipo de coleta avanços mais recentes da Astronomia.
de dados sobre os avanços da
Astronáutica. Inclua também as
Os avanços recentes feitos pela
Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

informações que encontrar sobre


Astronomia e pela Astronáutica
projetos pretendidos para o futuro.
contribuem de alguma forma para a
vida da população? Por quê?

Pesquise a opinião de pessoas


próximas a você a respeito
dessas duas áreas de atuação
científica e tecnológica.

Capítulo 1 • Fatores vivos e fatores não vivos presentes nos ambientes 245

95

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HABILIDADES:
• EF08CI14
• EF08CI15

CAPÍTULO

5 PREVISÃO DO TEMPO

Imagem obtida por satélite


do Irene, furacão categoria
2, com ventos que
chegaram a 169 km/h, que
atingiu os Estados Unidos
da América do Norte.
O que é um furacão? O que
significa dizer que ele é de
categoria 2?

96

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Ciências Naturais – Aprendendo com o cotidiano 8, 6a edição, e a BNCC

MOTIVAÇÃO

Em destaque Frente fria chega ao Nordeste


e provoca chuva
“As imagens de satélite mostram que poucas nuvens cobrem
o país. Nesta quinta-feira, o destaque é a frente fria que chega
ao Nordeste. As águas quentes do Oceano Atlântico aumentam
a evaporação e, junto com o calor, mantêm o risco de temporais
no litoral baiano.
Nos últimos quatro dias choveu no Rio Grande do Sul. No
município de Soledade, na região central do Estado, em apenas
dois dias choveu mais de 110 mm, o que representa 90% da
chuva esperada para todo o mês [...], mas a boa notícia é que
até o fim de semana o tempo abre.
Chuva rápida e isolada também do Rio Grande do Norte ao
Maranhão. Já no Amapá, o volume de água é intenso. Pode
chover em um dia o esperado para uma semana.
E na maior parte do país o tempo segue firme, com sol e
calor. Estado de alerta no sul do Pará, em Mato Grosso e no
Tocantins, por causa da baixa umidade do ar.
Em Porto Alegre, o sol aparece, mas não faz calor. A máxima
chega aos 22 ºC. Já em Curitiba, dia fechado e com garoa. A
máxima na capital paranaense não passa dos 16 ºC.
[...]”
Fonte: R7 Notícias.

O que é uma frente fria? Como é feita a previsão do tempo?


O que significa dizer que “choveu mais de 110 mm”? Em que
período do dia costuma ocorrer a temperatura mínima? E a
máxima?
Essas são algumas perguntas relacionadas ao que estudaremos
neste capítulo e que poderão ser respondidas por você.

DESENVOLVIMENTO DO TEMA

1 As brisas à beira-mar
Uma pessoa que more em uma localidade à beira-mar ou que
vá à praia com frequência sabe, por observação diária, que desde
a manhã até a metade da tarde costuma haver um vento leve, uma
brisa, que sopra do mar para o continente. Durante o entardecer e
à noite, ocorre o contrário. A brisa sopra do continente para o mar.
Como se explica esse fato?
A explicação está baseada no fato de que a areia se aquece
mais rápido do que a água e também esfria mais rápido do
que ela.

Previsão do tempo

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Durante o dia, com a ação da luz solar, a areia da praia esquen-
ta mais rápido do que a água do mar. O ar que está sobre a areia
é aquecido por ela e se eleva (lembre-se da tendência de o ar
aquecido subir). Como consequência, o ar que está sobre o mar
se desloca para ocupar o lugar do ar aquecido que subiu. Assim,
Se você trabalha em cidade litorânea (ou
forma-se uma brisa que sopra do mar em direção à praia. É a cha-
se há alunos que vão com certa frequência ao mada brisa marítima.
litoral), procure evocar lembranças sobre o lado
para o qual vai uma pipa (papagaio, maranhão, Ao entardecer, a areia esfria mais rápido do que a água do mar.
pandorga) quando ela é empinada na praia (1) O ar mais quente que está acima do mar sobe, e o ar mais frio que
de manhã ou (2) no final da tarde.
Em (1), ela é empurrada pela brisa marítima em está sobre a areia se desloca para ocupar o espaço deixado por ele.
direção ao interior do continente. Forma-se uma brisa que sopra da praia para o mar, denominada
Em (2), é empurrada pela brisa terrestre em
direção ao mar. brisa terrestre.

Esquema da origem da brisa marítima Esquema da origem da brisa terrestre

O ar sobre a praia O ar quente que


é aquecido mais subiu esfria e
rapidamente (porque acaba descendo
a areia está mais sobre a praia.
quente que a água).
Esse ar quente sobe.

O ar quente que subiu


esfria e acaba descendo
sobre o mar.

O ar sobre o mar é aquecido


mais rapidamente (porque a
água está mais quente que
a areia). Esse ar quente sobe.

O ar que está sobre o mar vai O ar que está sobre a praia vai
ocupar o espaço deixado pelo ar ocupar o espaço deixado pelo ar
que subiu. Esse deslocamento de que subiu. Esse deslocamento de
ar forma a brisa marítima. ar forma a brisa terrestre.

(Esquemas fora de escala. Neles, o deslocamento do ar quente está representado na


cor vermelha e o ar frio, em azul.)

Fonte: Esquemas elaborados a partir de K. B. Krauskopf e A. Beiser. The physical universe. 14. ed. Nova York: McGraw-Hill. p. 463.

2 Ventos: o ar em movimento
O calor que vem do Sol esquenta o solo e ele, por sua vez,
esquenta a atmosfera da Terra. Por uma série de complexos
fatores, certas partes da atmosfera são aquecidas mais do que
outras. O ar aquecido sobe. O ar das regiões vizinhas se move
para ocupar o lugar desse ar que subiu. Isso dá origem a ventos.
É o mesmo que acontece à beira-mar, só que em maior escala.

Capítulo 5

98

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Ciências Naturais – Aprendendo com o cotidiano 8, 6a edição, e a BNCC

O vento é ar em movimento em relação à superfície terrestre.


Para saber a direção dessa movimentação, utiliza-se um cata-vento
ou uma biruta. Para medir a velocidade dos ventos, utiliza-se um
anemômetro.

O cata-vento aponta sempre para a A biruta se parece com um pé O anemômetro gira quando o ar
direção de onde vem o vento. de meia (aberto nas duas em movimento bate nas suas
extremidades) tremulando ao vento. conchas.
A “boca” mais larga aponta para a A frequência de seu giro permite
direção de onde vem o vento. medir a velocidade do vento.

Alguns ventos sopram durante praticamente todo o tempo em Além de quilômetros por hora existe outra
certas regiões da Terra. Esses ventos são importantes, pois são úteis unidade para expressar a velocidade dos ventos,
o nó, que é mais antiga e que tende ao desuso.
à navegação à vela praticada nos oceanos. Eles também possuem Um vento de 1 nó tem velocidade de 1,85 km/h,
uma acentuada importância na formação das correntes marítimas um vento de 2 nós tem o dobro dessa veloci-
dade, e assim por diante.
de superfície e nas características do clima de uma região.
Os ventos costumam ser chamados por diversos nomes — bri-
Momento oportuno para os exercícios 1 a
sa, ventania, tempestade etc. —, dependendo de sua velocidade. 6 do Use o que aprendeu e para a atividade 1
Quanto mais velozes eles são, maiores estragos podem causar. do Explore diferentes linguagens.

A escala Beaufort, criada pelo almirante inglês Francis Beaufort,


classifica os ventos de zero a 12, de acordo com a velocidade. A
velocidade de um vento é a velocidade com que o ar se move em
relação à superfície da Terra, e é expressa geralmente em quilô-
metros por hora (km/h). A tabela da próxima página mostra a
relação entre a velocidade dos ventos e seus efeitos.

Furacão no México. Tornado nos EUA.

99

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Em destaque A velocidade dos ventos e suas consequências
(km/h é o símbolo de quilômetro por hora)

0 km/h a 1 km/h 2 km/h a 6 km/h 7 km/h a 11 km/h


Calmaria. A fumaça sobe A fumaça mostra a direção do O vento é sentido na face, e as
verticalmente das chaminés. vento. folhas das árvores balançam.
Vento zero na escala Beaufort. Vento 1 na escala Beaufort. Vento 2 na escala Beaufort.

12 km/h a 19 km/h 20 km/h a 29 km/h 30 km/h a 39 km/h


O vento consegue estender Um pedaço de papel solto é As árvores menores
uma bandeira hasteada. levado pelo vento. balançam.
Vento 3 na escala Beaufort. Vento 4 na escala Beaufort. Vento 5 na escala Beaufort.

40 km/h a 50 km/h 51 km/h a 61 km/h 62 km/h a 74 km/h


O vento consegue balançar As árvores maiores balançam Alguns galhos menores das
os cabos telefônicos. um pouco. árvores são quebrados.
Vento 6 na escala Beaufort. Vento 7 na escala Beaufort. Vento 8 na escala Beaufort.

75 km/h a 87 km/h 102 km/h ou mais


Alguns galhos maiores das 88 km/h a 101 km/h Estragos generalizados.
árvores são quebrados. Casas Os troncos das árvores são que- Catástrofe.
são destelhadas. brados. Algumas são arrancadas. Ventos 11 e 12 na escala
Vento 9 na escala Beaufort. Vento 10 na escala Beaufort. Beaufort.
Fonte: Esquema elaborado a partir de dados de C. D. Ahrens. Meteorology today; an introduction to
weather, climate, and the environment. 9. ed. Belmont: Thomson-Brooks/Cole. p. A-7.

Capítulo 5

100

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Ciências Naturais – Aprendendo com o cotidiano 8, 6a edição, e a BNCC

3 Ciclone, furacão, tufão e tornado


Saiba de onde
Qual é a diferença entre ciclone, furacão, tufão e tornado? vêm as palavras
Ciclone é uma espécie de um grande “rodamoinho” de ar que
• “Ciclone” vem do grego
acontece em certos locais em virtude de diferenças de pressão kýkloma, que significa roda.
atmosférica entre o Equador e os polos. Os ciclones possuem • “Furacão” vem do taino

uma extensão de dezenas de quilômetros, com ventos que podem hurakán, grande vento. O
taino era a língua falada
chegar aos 300 km/h.
pelos tainos, extinto povo
Os ciclones que ocorrem no Oceano Atlântico e também na indígena das Antilhas.
parte leste do Pacífico (próximo à América) são denominados • “Tufão” vem do árabe

furacões. Os ciclones que ocorrem na parte oeste do Pacífico tufan, inundação, dilúvio,
cataclismo.
são denominados tufões. Assim, ciclone, furacão e tufão são • “Tornado” vem do espanhol
nomes para fenômenos equivalentes, mas que acontecem em tronada, trovoada.
locais diferentes.
Já os tornados são colunas de ar em rápida rotação que
parecem estar penduradas em nuvens. Eles se parecem com
nuvens em forma de tubo ou funil, e têm poucos metros de ex-
tensão. São, portanto, muito menores — em tamanho, não em
poder destrutivo — do que os furacões e tufões. Os ventos mais
velozes da Terra ocorrem nos tornados, podendo ultrapassar
500 km/h. Esse é um valor estimado, já que instrumentos meteo-
rológicos não resistem aos tornados mais velozes.
Por onde passa, um tornado “suga” o que encontra pelo caminho
e leva consigo. Depois de se mover por muitos quilômetros, perde
sua força e se dissipa. Nesse momento, começam a despencar
no chão, além de água, também galhos, sapos, pedaços de cerca,
pedras etc.
A escala Saffir-Simpson é usada pelos cientistas para clas-
sificar os furacões e, de acordo com essa classificação, prever
as possíveis consequências danosas que podem trazer. A clas-
sificação de um furacão frequentemente se altera durante sua
existência. Quando se forma — essa formação ocorre sobre as
quentes águas oceânicas tropicais — ele tem uma intensidade
inicial que pode ser reavaliada e alterada pelos cientistas à me-
dida que o furacão se intensifica ou perde força. Os principais
furacões relatados pela imprensa internacional são de categoria
3 ou superior.
Uma tabela com a classificação dos furacões na escala Saffir-
-Simpson, e os estragos que podem causar, é mostrada na próxima
página.
Já os tornados podem ser classificados segundo uma outra
escala, a Fujita. Como um tornado tem pequena extensão, ele
raramente passa sobre uma estação meteorológica. A intensidade
de seus ventos é estimada pelos estragos que causa. A maioria dos
tornados é do tipo F0 e F1 (considerados relativamente fracos),
sendo que pequena parte deles atinge classificação F4 ou superior
(considerados violentos).
Na próxima página há uma tabela com a escala Fujita.

Previsão do tempo

101

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Escala Saffir-Simpson para classificação de furacões

Categoria Altura
Velocidade dos ventos
(número das ondas Estragos
(quilômetros por hora)
na escala) (metros)

1 118 a 152 1,5 Danos principalmente a árvores e arbustos.

Algumas árvores caídas e alguns danos aos telhados de


2 153 a 176 2 a 3,0
construções.

Remoção das folhas das árvores, árvores grandes


3 177 a 209 2,5 a 4 arrancadas, trailers destruídos, alguns danos estruturais a
pequenas construções.

Todas as placas de sinalização arrancadas, danos


significativos a telhados, janelas e portas. Destruição
completa de trailers. A invasão da água do mar pode
4 210 a 250 4 a 5,5
chegar a até 10 km continente adentro (em locais
planos). Danos sérios no piso térreo das construções
costeiras.

Danos severos a janelas e portas. Estragos generalizados aos


telhados de casas e indústrias. Casas pequenas e frágeis são
maior que maior que
5 despedaçadas. Danos sérios aos andares inferiores de todas
250 5,5
as estruturas que estejam abaixo de 5 m de altura e a até
500 m de distância da praia.

Fonte: C. D. Ahrens. Meteorology today; an introduction to weather, climate, and environment. 9. ed. Belmont: Thomson-Brooks/Cole. p. 426.

Escala Fujita para classificação de tornados

Número na Velocidade dos ventos


Categoria Estragos
escala (quilômetros por hora)

Leves: ramos de árvores quebrados, placas de


F0 65 a 115 Fraco
sinalização danificadas.

F1 116 a 179 Moderados: árvores e janelas quebradas.

Consideráveis: árvores grandes arrancadas,


F2 180 a 252 Forte
estruturas mais fracas destruídas.

Severos: árvores arrasadas, carros virados, paredes


F3 253 a 331
das construções arrancadas.

F4 332 a 419 Violento Desvastadores: colunas e vigas das casas destruídas.

Inacreditáveis: estruturas do tamanho de carros


F5* 420 a 511 jogadas a mais de 100 m, estruturas fortalecidas
com aço altamente danificadas.

* A escala continua (em teoria) até F12. Admite-se que pouquíssimos tornados (se é que algum) têm ventos superiores a 511 km/h.

Fonte: C. D. Ahrens. Meteorology today; an introduction to weather, climate, and environment. 9. ed. Belmont: Thomson-Brooks/Cole. p. 400.

Capítulo 5

102

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Ciências Naturais – Aprendendo com o cotidiano 8, 6a edição, e a BNCC

A B

A e B Devido à sua extensão de vários quilômetros, a destruição causada por um furacão


é generalizada. Em A e B , fotos do Haiti, logo após a passagem do furacão Ike.

C e D Como um tornado normalmente tem


C poucos metros de extensão, ele pode destruir
algumas edificações completamente, enquanto
outras, próximas, parecem estar intactas, como se
vê nessas fotos tiradas nos EUA.

Previsão do tempo

103

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4 As correntes marítimas
Você já se perguntou o que forma as ondas do mar?
São os ventos. A passagem contínua dos ventos sobre os oce-
anos não produz apenas ondas, mas também contribui para a
movimentação da água do mar. O deslocamento de porções de
água do mar é denominado corrente marítima.
Vários fatores provocam a formação das correntes marítimas e
influenciam sua movimentação. Entre eles estão o vento, a diferença
de temperatura entre diferentes partes do oceano, o contorno do
litoral dos continentes e a rotação do planeta Terra.
O vento é um fator fundamental na formação
das correntes marítimas na superfície
dos oceanos.
O vento movimenta os veleiros
e também produz as correntes Assoprando com o canudinho, o
marítimas de superfície. movimento do ar sobre a água faz
com que ela também se mova. É uma
comparação para explicar que os ventos
influenciam as correntes marítimas.

Principais correntes marítimas de superfície

IA
ND

EN
RO
C. DO LABRADOR

G
DA
C.
ICO
NT RTE

O
AT NO

IASIV
O
C. D

C. O
PÃO
LFO

O JA
CALIFÓRNIA

S
O GO

C. D
C. DA
ÁRIAS
C. DA

.D

C
AN

TORIAL
C EQUA
C. NORTE
C. D
AS C. DAS
L GU
C. NORTE EQUATORIA IAN NÇ
0° C. SUL
AS MO ÕES
C. SUL
EQUATORIAL
U ATORIAL
EQ EQU
C.
SUL

SCAR
ATO IAL

AGA
AD
R

A
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BENGUELA

C. DE M

AL
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C. DE
AS

R
C.

ST
AU
C.
O

C. D C. D
O
C. D

O
RU

ATL
PACÍ ÂN
PE

FICO SUL TICO SUL


C. DAS C. ANTÁRT
ICA C. ANTÁRTICA
FALKLAND

2.460 km Corrente quente Corrente fria

Fonte: G. M. L. Ferreira. Atlas geográfico: espaço mundial. 3. ed. São Paulo: Moderna. p. 26.
Redações possíveis, considerando-se o nível de
compreensão atual dos estudantes:
ATIVIDADE
brisa marítima Deslocamento de ar do mar para a
praia, durante o dia. Isso entra no nosso vocabulário!
brisa terrestre Deslocamento de ar da praia para o mar,
a partir do fim da tarde. • brisa marítima • biruta
cata-vento Instrumento formado por haste e lâmina, de
livre rotação, que indica a direção do vento. • brisa terrestre • anemômetro
biruta Instrumento (que lembra um saco cônico aberto • cata-vento • corrente marítima
nas duas extremidades) que, tremulando ao vento,
indica a direção da qual ele sopra.
anemômetro Instrumento cuja frequência de rotação, provocada pelo vento, permite avaliar a velocidade com que ele sopra.
corrente marítima Deslocamento de porções de água do mar. As correntes marítimas na superfície dos oceanos se devem
Capítulo 5 principalmente aos ventos.

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Ciências Naturais – Aprendendo com o cotidiano 8, 6a edição, e a BNCC

Em destaque El Niño e La Niña


O que é El Niño
El Niño é um fenômeno atmosférico-oceânico caracterizado
por um aquecimento anormal das águas superficiais no oceano Use a internet
Pacífico Tropical, e que pode afetar o clima regional e global, mu-
A página do Centro
dando os padrões de vento a nível mundial, e afetando, assim, de Previsão de Tempo e
os regimes de chuva em regiões tropicais e de latitudes médias. Estudos Climáticos, do
Ministério da Ciência,
O que é La Niña Tecnologia e Inovação
La Niña representa um fenômeno oceânico-atmosférico fornece o monitoramento
com características opostas ao El Niño, e que caracteriza-se e a previsão referente aos
por um esfriamento anormal nas águas superficiais do Oceano efeitos de El Niño e de
Pacífico Tropical. Alguns dos impactos de La Niña tendem a ser La Niña. Disponível em:
opostos aos de El Niño, mas nem sempre uma região afetada http://enos.cptec.inpe.br/
pelo El Niño apresenta impactos significativos no tempo e Em particular, veja as
clima devido à La Niña. animações referentes a
esses fenômenos, clicando
Fonte: CPTEC/INPE/Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação.
no link Animações. Caso o
endereço tenha mudado,
busque por cptec el nino.

Este é um momento apropriado para as atividades 2 e 3 do Explore diferentes linguagens.

5 Tempo e clima
O boletim meteorológico ou boletim do tempo mostrado a
seguir é parecido com os que são vistos diariamente nos jornais.
Ele nos informa, por meio de desenhos e números, como deverá
ser o tempo naquele dia. O significado dos desenhos aparece na
legenda. Os números dizem quais serão a temperatura máxima e
a mínima registradas durante aquele dia.

Exemplo de boletim do tempo

Boa Vista
RR AP
Macapá 530 km
Belém

São Luís
25
5 35
Manaus Fortaleza Natal
AM PA MA Teresina
CE RN
22 29
29
PB João Pessoa
AC PI PE
Rio Branco Porto Velho 26 38 AL
Palmas SE 20
0 2
28
RO TO Recife
BA
MT 21 28
Salvador Maceió
25 37 DF 14 30
Cuiabá Brasília
13 35 23
3 29
29
Goiânia MG Aracaju
GO OCEANO
PREVISÃO DAS CONDIÇÕES Belo 15 32
Horizonte ES
DO TEMPO MS ATLÂNTICO
Campo SP
Grande Vitória
RJ
25
Parcialmente
Céu claro nublado São Paulo
PR 13
3 28
28
Curitiba Rio de Janeiro

Chuva fraca SC 20
Nublado Florianópolis
RS Temperatura
(em graus Celsius)
8 20
Porto Alegre mínima
Chuvoso Pancadas
de chuva máxima

Previsão do tempo

105

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Em dias ensolarados, a temperatura máxima costuma aconte-
cer por volta das 2 ou 3 da tarde. Em dias nublados, ela não varia
muito ao longo do dia. A mínima geralmente ocorre entre 5 e 6
da manhã. Observando o boletim mostrado, vemos, por exem-
plo, que a previsão para a cidade de Belo Horizonte, no estado
de Minas Gerais, é dada pelo desenho ao lado. Isso significa, de
acordo com a legenda, que será um dia com céu claro, no qual
a temperatura mínima deverá ser 15 graus Celsius e a máxima,
32 graus Celsius.
Tempo não é a mesma coisa que clima.
Tempo é o conjunto de condições da atmosfera de um certo
Previsão para Belo Horizonte, no
boletim do tempo apresentado na lugar e num certo momento. Assim, podemos falar em tempo seco
página anterior. ou tempo chuvoso, ensolarado ou nublado, frio ou quente e assim
por diante.
Os boletins meteorológicos, como o que você acabou de ver,
fornecem a previsão do tempo, e não do clima.
A palavra clima é usada para se referir às condições da atmos-
fera que costumam se repetir, em um certo lugar, durante anos.
O clima de uma região é determinado pelos padrões observados de
temperatura máxima, temperatura mínima, quantidade de chuvas,
ventos, umidade do ar, neblina, tipos de nuvem e eventual ocor-
rência de tempestades e ciclones.
Na Bahia, por exemplo, o clima é mais quente que em Santa
Catarina, ou seja, a temperatura na Bahia é, em geral, maior que
em Santa Catarina. Em Brasília, o clima é mais seco que em Natal.
Isso significa que, em Brasília, o ar costuma ser mais seco que
em Natal.

6 O movimento das massas de ar


As grandes porções da atmosfera do nosso planeta que apre-
Redações possíveis, considerando-se o
nível de compreensão atual dos estudantes: sentam características semelhantes de umidade e de temperatura
tempo (no sentido meteorológico) Condições de
temperatura, nebulosidade, precipitação atmos-
são denominadas massas de ar.
férica, umidade do ar e vento que vigoram, em Os deslocamentos das massas de ar pelo planeta fazem com
um certo momento, numa localidade.
clima Condições de temperatura, nebulosidade, que o tempo em uma região sofra mudanças. São elas que tornam
precipitação atmosférica, umidade do ar e vento
que são mais ou menos repetitivas, ao longo dos
os dias mais secos ou mais úmidos. Elas originam os dias mais
anos, em uma localidade. quentes ou mais frios.
massa de ar Grande porção da atmosfera com
aproximadamente a mesma temperatura e a Uma massa de ar que venha de uma região quente produzirá dias
mesma umidade em suas partes. mais quentes. Uma outra que venha do Polo Sul trará, certamente,
ATIVIDADE dias mais frios.
O que faz as massas de ar se movimentarem? A resposta está
Isso entra no relacionada à pressão do ar. Nem todos os locais da superfície da
nosso vocabulário! Terra apresentam exatamente a mesma pressão atmosférica. Há
• tempo
locais com a pressão um pouco maior e outros onde ela é menor. As
• clima
• massa de ar massas de ar se movimentam das regiões onde a pressão é maior
para outras onde ela é menor.

Capítulo 5

106

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Ciências Naturais – Aprendendo com o cotidiano 8, 6a edição, e a BNCC

Com a chegada da frente


Massa de ar quente
fria, o ar quente sobe

Parte frontal da
massa de ar frio

Avanço da massa de ar frio

Aqui são adequados os exercícios 7 a 10


do Use o que aprendeu e as atividades 4 a
7 do Explore diferentes linguagens.

Esquema de uma massa de ar frio se movimentando em direção a um local em Use a internet


que existe uma massa de ar quente. Dizemos que está havendo a chegada
de uma frente fria. (Cores fantasiosas.) Visite a página do Centro
de Previsão de Tempo e
O clima de uma região depende de muitos fatores. Alguns deles Estudos Climáticos, do
Ministério da Ciência,
são: Tecnologia e Inovação.
• a que distância essa região está do oceano; Disponível em:
http://www.cptec.inpe.br/
• correntes marítimas que passam pela região;
Clique em Estações do
• se a área é montanhosa ou plana; Ano para saber sobre as
regularidades naturais de
• altitude, isto é, altura em relação ao nível do mar; chuva, temperatura máxima
• duração do período diurno ao longo do ano; e e temperatura mínima na
sua região. Caso o endereço
• massas de ar que costumam passar pela região. tenha mudado, busque por
cptec inpe.

7 A previsão do tempo
É no encontro de massas de ar que ocorrem algumas súbitas
mudanças de tempo. Se dispuser de tempo e achar conveniente,
sugira o seguinte tema para discussão: “Qual
Imagine que uma massa de ar quente está sobre certa região é a importância da previsão do tempo para as
do Brasil. Uma massa de ar frio que vem do Polo Sul se move em atividades típicas da nossa cidade?”.
Esse tema permite explorar a realidade local da
direção a ela. Os estudiosos do tempo, chamados meteorologistas, comunidade e da região (efeitos da geada ou da
seca sobre a agricultura, efeitos das enchentes
sabem que, no encontro dessas duas massas, ocorrem chuvas. nas grandes cidades etc.).
A seguir, deve haver uma temporada de frio na região.
A Meteorologia é a atividade científica que tem por objetivo o
estudo da atmosfera e dos fenômenos que nela ocorrem. Isso inclui
Use a internet
o acompanhamento do movimento das massas de ar.
Você também
Quando um meteorologista acompanha o movimento das mas- pode acessar mapas
sas de ar, é possível saber de onde elas vêm e a velocidade com que meteorológicos na página
do CPTEC/INPE:
se movimentam. Também é possível prever o destino dessas massas
http://www.cptec.inpe.br/
de ar, quando chegarão e, principalmente, quais serão seus efeitos.
Clique em Tempo, depois
Tal acompanhamento é feito com o auxílio de diversos tipos de em Cartas de superfície.
instrumentos, tais como o barômetro, o anemômetro, o cata-vento, Lá você também
a biruta, o pluviômetro e os satélites meteorológicos. Computadores encontrará a legenda das
informações que aparecem
e uma moderna rede de comunicação também fazem parte do dia no mapa.
a dia do meteorologista.

Previsão do tempo

107

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Tecnologia utilizada na previsão do tempo

Estações automáticas
São equipamentos Radares meteorológicos
automáticos que medem Emitem ondas de
e transmitem dados de rádio que, refletidas
pressão, temperatura, nas nuvens, indicam a
umidade e direção e localização delas.
velocidade do vento.

Balões meteorológicos
São balões sonda inflados
com gás hélio acoplados a
equipamentos que medem
e transmitem dados de
pressão, umidade, direção
e velocidade do vento e
temperatura. Satélites meteorológicos
Obtêm e transmitem
fotografias que permitem
monitorar o deslocamento
de frentes frias e as
grandes formações de
nuvens.

Aviões e navios
Instrumentos dos aviões obtêm
e transmitem informações
sobre temperatura e direção do
vento. Navios e aeroportos têm
estações meteorológicas.

Boa Vista
RR AP
Macapá
Belém
26 35
Boa Vista São Luís
25
5 35
720 km
RR AP

Natal
24 34
Macapá 24 34
Belém
24 33
São Luís 21 29
Manaus Fortaleza
AM
25 35 22 32

PA
Natal
Fortaleza

MA
Manaus

Teresina
AM PA MA Teresina
CE RN
22 29
PB
CE RN
20 36 João Pessoa
PI PE
AC 21 36 24 36
Rio Branco Porto Velho
Palmas
26 38 AL
SE 20 28
Recife
22 29
29
RO TO

MT
BA
18 27
Salvador
21 28
Maceió
PB João Pessoa
DF 14
PI PE
30

AC
25 37
Cuiabá Brasília
13 35 23 29
Goiânia
MG Aracaju

PREVISÃO DAS CONDIÇÕES


GO
Belo 15 32
Horizonte ES
OCEANO
ATLÂNTICO Rio Branco Porto Velho 26 38 AL
DO TEMPO MS
Palmas SE
19 35 14 34
Campo
Grande
SP
RJ
Vitória
20
0 28
2
RO
14 25

TO Recife
Parcialmente São Paulo
Céu claro nublado PR 10 20 13 28
Curitiba Rio de Janeiro

Nublado Chuva fraca


RS
SC 14 20
Florianópolis Temperatura
BA
Pancadas
8
Porto Alegre
20
(em graus Celsius)
mínima MT 21 28
Salvador
Chuvoso máxima
de chuva
Maceió
25 37 DF 14 30
Cuiabá Brasília
13 35 23
3 29
29
Goiânia MG Aracaju
GO OCEANO
PREVISÃO DAS CONDIÇÕES Belo 15 32
Horizonte ES
DO TEMPO MS ATLÂNTICO
Campo SP
Grande Vitória
RJ
25
Parcialmente
Céu claro nublado São Paulo
PR 13
3 28
28
Curitiba Rio de Janeiro

Processamento digital Nublado Chuva fraca


RS
SC 20
Florianópolis
Temperatura
Os dados chegam aos centros de previsão por meios 8 20
(em graus Celsius)
mínima
Porto Alegre
como satélite e internet. Chuvoso Pancadas
de chuva máxima

Computadores com alta capacidade de processamento


utilizam esses dados para fazer previsões que são A previsão do tempo é feita a partir de muitas fontes
traduzidas em mapas que contêm as previsões. de informação e com o uso de modernos computadores.

Capítulo 5

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Ciências Naturais – Aprendendo com o cotidiano 8, 6a edição, e a BNCC

Em destaque Quantos milímetros choveu neste mês?


Os meteorologistas expressam a quantidade Funil coletor
de chuva que caiu sobre um local por meio do de chuva
índice pluviométrico, em milímetros (mm). São
comuns frases como “no mês de dezembro,
foram registrados 300 mm de chuva em Recife
e 62 mm no Rio de Janeiro”.
Como se mede o índice pluviométrico? Qual
é o significado de tais medidas?
A medida é feita com um pluviômetro, apa-
relho que se assemelha a um funil que recolhe
chuva que cai no local. A seguir é feita uma
leitura da altura da coluna de água captada,
numa escala em milímetros. Escala em
milímetros
Os pluviômetros possuem uma escala de
medida adequadamente projetada a fim de que
a medida obtida tenha um significado prático.
Chuva
Então o que quer dizer “choveu 10 milíme- coletada
tros”?
Significa que, se a água não escorresse, não
infiltrasse no solo e não evaporasse, formar-se-
Pluviômetro.
-ia uma camada de água de 10 milímetros de (Esquema fora de
altura sobre o chão. proporção.)

ATIVIDADE
Redações possíveis, considerando-se o
Isso entra no nosso vocabulário! nível de compreensão atual dos estudantes:
Meteorologia Atividade científica que estuda
• Meteorologia • índice pluviométrico a atmosfera e os fenômenos (acontecimentos)
• previsão do tempo que ocorrem nela.
previsão do tempo Suposição de como será o
tempo, num certo dia e local, feita com base
em informações coletadas e analisadas por
meteorologistas.
índice pluviométrico Número que indica a quan-
8 A previsão do tempo tidade de chuva que caiu em uma localidade,
durante um período de tempo.
e a atividade humana
Além dessa interpretação, existe uma
Muitas atividades humanas dependem da previsão do tempo. outra que é a seguinte: dizer que “choveu 10
Na aviação, por exemplo, é importantíssimo que se tenha certeza milímetros” equivale a dizer que “caíram 10 litros
de água de chuva em cada metro quadrado de
de que um voo não vá, por exemplo, encontrar nuvens que possam terreno”.

produzir gelo. A formação de gelo sobre as asas de um avião, além


de aumentar seu peso, faz com que ele perca o formato aerodinâ-
mico que lhe permite voar. Isso seria desastroso.
Pessoas que viajam longas distâncias podem se valer da previsão
do tempo para levar, em sua bagagem, roupas adequadas ao tempo
que encontrarão no local de destino.
Outro exemplo é o da agricultura. Há, atualmente, métodos para
evitar ou, pelo menos, diminuir o estrago provocado pelas geadas.
Assim que a previsão do tempo informa que há possibilidade de Trabalhe os exercícios 11 a 14 do Use o
que aprendeu e as atividades 8 a 12 do Explore
geada, os agricultores podem entrar em ação e evitar prejuízos. diferentes linguagens.

Previsão do tempo

109

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ORGANIZAÇÃO DE IDEIAS: MAPA CONCEITUAL

apresenta apresenta
Tempo Localidade Clima

influenciado,
por exemplo,
pelas
Chuva

Massas de ar

isto é Temperatura isto é


que
influencia
Condições de de Condições ao longo as
cujo movimento
momentâneas do tempo
é acompanhado
pelos
Ventos

Meteorologistas

Umidade

que fazem a

Previsão do que influencia as Atividades


tempo humanas

Veja respostas dos exercícios da seção Use o que aprendeu em Comentários


e respostas dos capítulos do 8o ano.

USE O QUE APRENDEU ATIVIDADE

1. Por que, pela manhã, a brisa sopra do mar para a seguir. Explique como funciona esse método
a praia? e o que deve ser observado para concluir de
que lado vem o vento.
2. Por que, ao entardecer, a brisa sopra da praia
para o mar?
3. O que é o vento? Como se origina?
4. Qual é a utilidade de um cata-vento? E de uma
biruta?
5. Para que serve um anemômetro?
6. Você pode determinar a direção do vento
molhando seu dedo indicador na água e
deixando-o erguido no ar, como na ilustração

Capítulo 5

110

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Ciências Naturais – Aprendendo com o cotidiano 8, 6a edição, e a BNCC

7. Um boletim meteorológico informa a previsão 12. Cite uma vantagem de um agricultor do


do tempo ou do clima? interior do Rio Grande do Sul acompanhar
8. “O clima de Manaus é mais úmido que o de regularmente a previsão do tempo.
Goiânia.” Interprete essa frase. 13. Por que as empresas de navegação consultam
9. “O clima de Porto Alegre é mais frio que o de diariamente o serviço de meteorologia?
Fortaleza.” Interprete essa frase.
14. Um navio sai do porto de Manaus, onde o
10. Qual é a região do país que apresenta os in- clima é quente e úmido, levando em seu com-
vernos mais rigorosos? partimento de carga várias caixas de produtos
11. “No mês de janeiro tivemos 320 mm de chuva eletrônicos. Ele vai para o norte da Europa,
na cidade de Belo Horizonte.” onde o clima é frio.
a) Interprete essa frase. Por que a tripulação mantém o compartimento
b) Que aparelho faz tal medida? de carga constantemente ventilado?

Veja respostas das atividades do Explore diferentes linguagens em Comentários e respostas dos capítulos do 8o ano.

EXPLORE DIFERENTES LINGUAGENS ATIVIDADE

A critério do professor, as atividades a seguir poderão ser feitas em grupos.

INTERPRETAÇÃO DE IMAGENS

1. As duas ilustrações a seguir mostram uma criança empinando pipa (também chamada, dependendo
da região, de papagaio, maranhão ou pandorga) numa mesma praia, em diferentes horários.
Qual é o período do dia ao qual as imagens se referem? Como você concluiu isso?

A B

INFORMAÇÃO DA INTERNET

“El Niño (nome espanhol para O Menino) três a sete anos, um evento El Niño pode durar
inicialmente se referia a uma corrente maríti- vários meses, tendo consequências econômicas
ma quente e fraca que aparece anualmente e atmosféricas em vários pontos do mundo. [...]”
por volta da época do Natal ao longo da costa Fonte: Departamento de Ciências Atmosféricas –
do Equador e do Peru e que dura de poucas Universidade de Illinois.
semanas a um mês ou mais. A intervalos de ( Tradução do autor.)

Previsão do tempo

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2. Escreva com suas palavras o que é uma cor- em que a corrente aparece e levando em conta
rente marítima. a religião predominante nos países citados,
3. O texto explica o significado em espanhol da proponha uma razão para a escolha do nome
expressão El Niño. A julgar pela época do ano El Niño.

BOLETIM METEOROLÓGICO

4. Consulte o boletim meteorológico apresenta- 5. Ainda sobre o mesmo boletim meteorológico,


do neste capítulo e escreva no caderno: responda no caderno:
a) Qual é a previsão para Salvador, capital da a) Em quais das capitais a previsão diz que
Bahia? haverá dia chuvoso?
b) E para Curitiba, capital do Paraná? b) Para quais capitais está previsto, segundo o
boletim, dia de céu claro?
c) E para Palmas, capital de Tocantins?

MAPA

6. O mapa abaixo fornece a previsão das temperaturas máximas para um determinado dia,
expressas por um código de cores.

Brasil: Temperatura Máxima

°C
OCEANO
ATLÂNTICO
380 km 40
EQUADOR

37

34

31

–10°
28

25

21

–20° 18

TRÓPICO DE CAPRICÓRNIO
–23°27’ 15
OCEANO OCEANO
12
PACÍFICO ATLÂNTICO
9
–30°

70° 60° 50° 40° 30°

Fonte: Instituto Nacional de Meteorologia.

Capítulo 5

112

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Ciências Naturais – Aprendendo com o cotidiano 8, 6a edição, e a BNCC

a) Encontre a localização aproximada de sua cidade no mapa e faça a leitura da temperatura máxima
prevista para ela.
b) Em que estados está a área com a menor faixa de temperatura prevista para esse dia?
(Consulte um atlas ou a internet, se necessário.)

TRECHO DE TELEJORNAL

7. Diga se você concorda com o que o apresenta-


dor do telejornal disse e justifique sua opinião.

E AGORA, A
PREVISÃO DO CLIMA
PARA AMANHÃ...

TABELA

Analise a tabela para realizar as atividades 8 a 10.

Tabela de balanço hídrico da semana


Temperatura média da Índice de chuva da Evapotranspiração
Regiões
semana (oC) semana potencial*
Barretos 21,7 4 mm 20 mm
Campinas 19,6 35 mm 18 mm
Franca 20,9 5 mm 19 mm
Garça 20,1 20 mm 18 mm
Iguape 21,1 2 mm 19 mm
Ilha Solteira 21,5 9 mm 19 mm
Itapeva 18,6 8 mm 17 mm
Jaboticabal 21,2 7 mm 19 mm
Jaú 21,6 6 mm 19 mm
Piracicaba 19,1 20 mm 17 mm
Presidente Prudente 19,5 8 mm 18 mm
Ribeirão Preto 20,8 3 mm 19 mm
São Carlos 20,3 17 mm 18 mm
São José do Rio Pardo 18,6 15 mm 17 mm
Sorocaba 19,7 16 mm 18 mm
Taubaté 21,4 3 mm 19 mm
Votuporanga 21,8 4 mm 20 mm

* Quantidade de água evaporada do solo.


Fonte: CPTEC, Inmet, Cooxupé, Esalq, Unesp, Unicamp, Unoeste e Defesa Civil de São Paulo.
Publicada em O Estado de S. Paulo, Caderno Agrícola, 11 maio 2011, p. 9.

Previsão do tempo

113

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8. Qual é a cidade que recebeu maior quantidade de chuva na semana?
9. Qual é a cidade que recebeu menor quantidade de chuva?
10. Quais são as cidades em que a quantidade de água evaporada do solo foi maior do que a quantidade
que choveu? Cite três consequências que podem ocorrer se essa situação persistir por muito tempo
nesses locais.

TEXTO JORNALÍSTICO

11. Leia a notícia abaixo.

Massa polar avança e derruba temperaturas no Amazonas


“MANAUS – O final de semana vai marcar a queda na temperatura no Amazonas, segundo
previsão do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet). No Sul e Sudeste do Estado, o fenômeno
conhecido como friagem deve causar temperaturas de até 17 ºC — abaixo dos padrões na região.
[...]”
Fonte: Portal Amazônia.

Agora, responda às perguntas.


a) O que vem a ser uma “massa polar”?
b) Por que a “massa polar” provoca redução da temperatura no local?

12. Leia o texto a seguir e consulte as tabelas do capítulo que julgar necessárias para responder às ques-
tões abaixo.

“O avanço de uma nova frente fria sobre o Sul do Brasil provocou fortes rajadas de vento nos
três Estados da região na manhã desta segunda-feira. De acordo com o Instituto Nacional de
Meteorologia (Inmet), a velocidade do vento chegou a 114 km/h às 8 h em Urubici, na serra de
Santa Catarina. [...]”
Fonte: Terra Notícias.

a) O texto relata um episódio de ventos muito intensos no interior do Estado de Santa Catarina. Durante
esse acontecimento, com que velocidade o ar se movimentou em relação à superfície terrestre?
b) Quais são os possíveis efeitos destrutivos que podem ser esperados por onde esse vento passar?

Seu aprendizado não termina aqui


Consultar a previsão do tempo pode, por exem- Agora que você já sabe o que é a previsão do
plo, ajudar você a sair de casa com roupa adequa- tempo, é por sua conta! Consulte-a regularmen-
da e levar, se for o caso, agasalho e guarda-chuva. te. Em pouco tempo você terá muita facilidade
Não basta, portanto, saber o que é a previsão nesse procedimento, realizando-o com rapidez e,
do tempo; é preciso ter o hábito de consultá-la. principalmente, beneficiando-se dele.

Capítulo 5

114

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Ciências Naturais – Aprendendo com o cotidiano 8, 6a edição, e a BNCC

ESTABELEÇA CONEXÕES
ATIVIDADE
ATIVIDADE
EM GRUPO

A critério do professor, esta atividade poderá ser realizada em grupos. Veja comentário sobre esta atividade em Comentários e
respostas dos capítulos do 8o ano.

No texto a seguir, faltam palavras designadas por 𝖠𝖠, 𝖡𝖡, 𝖢𝖢, 𝖣𝖣 etc.
A água pode ser encontrada na natureza previsão do 𝖩𝖩, de grande utilidade para
nos estados sólido, 𝖠𝖠 e 𝖡𝖡. A maior parte atividades humanas.
da superfície da Terra está coberta por Muitos fenômenos meteorológicos podem
ela, que, no estado líquido, forma 𝖢𝖢, 𝖣𝖣, ser explicados com base em conhecimentos
𝖤𝖤 e lençóis 𝖥𝖥. No estado sólido, constitui científicos. Sabe-se, por exemplo, que
as 𝖦𝖦. o ar aquecido apresenta tendência a 𝖪𝖪,
As grandes massas de água influenciam enquanto o ar resfriado tende a 𝖫𝖫. Com
tremendamente o 𝖧𝖧 de uma região, ou seja, isso, pode-se explicar a direção em que
influenciam os padrões de temperatura sopra a brisa à beira-mar. Durante o dia,
máxima, temperatura mínima, quantidade o ar sobre o continente se aquece mais
de chuvas e outras precipitações rapidamente que o ar sobre o oceano e
atmosféricas, ventos, umidade do ar, ocorre a brisa 𝖬𝖬, que sopra do oceano
tipos de nuvem e eventual ocorrência de em direção ao continente. A partir do
neblina e de tempestades. A ciência que entardecer, o ar sobre o mar mantém-se
se ocupa com o estudo desses fenômenos mais aquecido que o ar sobre o continente
é a 𝖨𝖨. Com os progressos dessa área do e, por causa disso, acontece a brisa 𝖭𝖭, que
conhecimento humano, pode-se fazer a sopra da praia para o mar.

Escreva no caderno as palavras que faltam no texto. (Cada quadrinho indica uma letra.
Algumas letras estão reveladas, como pistas. Outras estão numeradas, para uso a seguir.).

𝖠𝖠 ? ? ? ? 13 ? ?
𝖡𝖡 6 ? ? ? ? ?
𝖢𝖢 4 ? ? S
𝖣𝖣 ? 15 G ? ?
𝖤𝖤 ? ? E ? 11 ? ?
𝖥𝖥 ? ? 5 ? T ? ? ? ?
𝖦𝖦 ? E ? 12 ? ? ? ?
𝖧𝖧 1 ? ? ? 2
𝖨𝖨 ? E ? ? ? ? ? ? ? ? ? 7
𝖩𝖩 ? ? ? 9 ?
𝖪𝖪 ? ? ? ? 8
𝖫𝖫 ? 10 ? ? ? ?
𝖬𝖬 ? ? 14 ? ? ? ? ?
𝖭𝖭 ? ? 3 ? ? ? ? R ?

Agora, também no caderno, troque os números a seguir pelas letras correspondentes,


descubra qual é a pergunta e responda-a.
Quando é que podemos 1 2 3 4 5 6 7 8 água na 9 10 11 12 13 14 15 ?

115

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Ciências Naturais – Aprendendo com o cotidiano 8, 6a edição, e a BNCC

COMENTÁRIOS E
RESPOSTAS DOS
CAPÍTULOS DO 8O ANO

Comentários e respostas dos capítulos do 8o ano

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CAPÍTULO

1
DESENVOLVIMENTO
SUSTENTÁVEL

Respostas do Use o que aprendeu Terra, pois, em termos biológicos, não há motivo
algum para nos considerarmos mais importan‑
1. Sim. Somos animais e, portanto, estamos sujeitos, tes do que qualquer outra espécie que habita
em linhas gerais, tanto quanto os outros animais, o planeta.
às mesmas leis da natureza.
3. De acordo com o gráfico, a maior parte da energia
2. Não. Todas as substâncias, todos os materiais e usada no Brasil é proveniente de recursos naturais
toda a energia utilizada pela humanidade provêm, não renováveis.
direta ou indiretamente, de recursos naturais. A porcentagem de recursos não renováveis é:
3. Espera‑se que os alunos percebam que, por sermos 37,7% 1 10,3% 1 5,2% 1 1,4% 5 54,6%
parte da natureza, é impossível vivermos inde‑
A porcentagem de recursos renováveis é:
pendentemente dela ou tentar controlá‑la visando
exclusivamente aos nossos interesses. 17,7% 1 14,1% 1 9,5% 1 4,1% 5 45,4%
4. Alguns entre os muitos exemplos são substituir 4. a) Na Europa.
ga solina pelo álcool de cana, embalagens de
b) Em muitas escolas, a disciplina de Matemática
plástico por embalagens de papel, embalagens
trabalha porcentagem desde o 6o ano e, em
de alumínio por embalagens de papel, roupas de
outras, a partir do 7o ano. Como existem modos
tecidos provenientes do petróleo por roupas de
diferentes de encaminhar o raciocínio (regra
algodão, carvão mineral por lenha e gás natural de três, fração equivalente etc.), recomenda‑
por biogás. ‑se que o professor de Ciências converse com
o de Matemática sobre a melhor maneira de
resolver esse item e o seguinte. Melhor ainda
Respostas do Explore seria ambos trabalharem esse exercício em
diferentes linguagens conjunto, se possível. Vamos, a seguir, apresen‑
tar uma sugestão de como resolver com o uso
1. Resposta pessoal. Espera‑se que o texto con‑ da regra de três.
trapo nha a ideia de crescimento econômico
Por simplicidade, vamos trabalhar com os
sem considerar os danos ao ambiente (concei‑
valores em milhões de pessoas.
to tradicional de desenvolvimento) à ideia de
População mundial em 2011: 6.987
crescimento econômico condicionado pelo im‑
pacto que causa no ambiente (desenvolvimento População mundial em 2050: 9.587
sustentável). Crescimento no período:
2. Na fábula, a galinha que bota ovos de ouro é fon‑ 9.587  6.987 5 2.600
te de riqueza para seu dono. Ele, por ganância, Cálculo da porcentagem por regra de três:
resolve matá‑la para obter, de uma só vez, todo
o ouro que deve haver dentro dela. Descobre, No de pessoas Porcentagem
espan tado, que não há ouro algum. A lição é 6.987 100%
que a pressa de obter o máximo de vantagens ⇒
2.600 x
da galinha fez com que seu dono perdesse a
fonte de riqueza que era lenta, porém contínua.
A Terra é fonte de recursos para a humanidade. A ⇒ x5 2 .600
6.987 ? 100% 5 37,2%
exploração muito rápida desses recursos, acima
da capacidade natural de recomposição, pode
devastar o ambiente e, então, não haverá mais a O crescimento porcentual esperado para a
possibilidade de obter recursos. po pu lação mundial, de 2011 a 2050, é de
É importante que o professor também destaque 37,2%.
uma importante diferença entre a Terra e a c) Vamos repetir o mesmo tipo de cálculo anterior,
galinha dos ovos de ouro: não somos donos da com os dados de cada continente.

Comentários e respostas dos capítulos do 8o ano

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Ciências Naturais – Aprendendo com o cotidiano 8, 6a edição, e a BNCC

ÁSIA EUROPA
População em 2011: 4.216 População em 2011: 740
População em 2050: 5.284 População em 2050: 725
Crescimento no período: Decréscimo no período: 740  725 5 15
5.284  4.216 5 1.068 Cálculo da porcentagem por regra de três:
Cálculo da porcentagem por regra de três:
No de pessoas Porcentagem
No de pessoas Porcentagem
740 100%
4.216 100% ⇒
⇒ 15 x
1.068 x

⇒ 15 ? 100% 5 2,0%
x 5 740
⇒ x5 1 .068
4.216 ? 100% 5 25,3%

O decréscimo porcentual esperado para a popu‑


O crescimento porcentual esperado para a
lação da Europa, entre 2011 e 2050, é de 2,0%.
população da Ásia, entre 2011 e 2050, é de
25,3%. OCEANIA
ÁFRICA População em 2011: 37
População em 2011: 1.051 População em 2050: 62
População em 2050: 2.300 Crescimento no período: 62  37 5 25
Cálculo da porcentagem por regra de três:
Crescimento no período:
2.300  1.051 5 1.249
No de pessoas Porcentagem
Cálculo da porcentagem por regra de três:
37 100%
No de pessoas Porcentagem ⇒
25 x
1.051 100%

1.249 x ⇒ x5 2 5
37 ? 100% 5 67,6%

⇒ x5 1 .249
1.051 ? 100% 5 118,8%
O crescimento porcentual esperado para a po‑
pulação da Oceania, entre 2011 e 2050, é de
O crescimento porcentual esperado para a 67,6%.
população da África, entre 2011 e 2050, é de d) De acordo com os resultados, espera‑se que a
118,8%. África (118,8%) e a Oceania (67,6%) cresçam,
AMÉRICA em termos porcentuais, mais do que a população
mundial (37,2%).
População em 2011: 942 Professor, os resultados desse exercício podem
População em 2050: 1.216 ser trabalhados de forma interdisciplinar com
Crescimento no período: 1.216  942 5 274 Geografia, relacionando‑se as características
sociais, culturais e econômicas dos continentes
Cálculo da porcentagem por regra de três:
com a variação populacional.
Os dados para o continente americano, de
No de pessoas Porcentagem
muito interesse para os brasileiros, englobam
942 100% realidades muito distintas. Para permitir uma

274 x análise mais detalhada, caso os professores
de Ciências e Geografia achem oportuno, é
⇒ x5 2 74
942 ? 100% 5 29,1%
oferecido a seguir um gráfico com dados sobre
o crescimento populacional esperado para a
América do Sul e para o Brasil.
O crescimento porcentual esperado para a A partir desses dados pode‑se calcular que os
população da América, entre 2011 e 2050, é crescimentos populacionais esperados, entre
de 29,1%. 2011 e 2050, serão:

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• América do Sul: 23,0%
• Brasil: 13,3%
De acordo com esses resultados, a população da América do Sul e a do Brasil crescerão
porcen tualmente abaixo da média mundial (37,2%).

População da América do Sul e do Brasil em meados


de 2011 e estimativas para 2025 e 2050

América do Sul
487
447
396

222,8
Brasil

216,2 2050
2025
196,7 2011

0 50 100 150 200 250 300 350 400 450 500 550 600
População (em milhões de pessoas)
Fonte do gráfico: elaborado a partir de dados
de Population Reference Bureau.

5. Encenação.

Isso vai para o nosso mural!

Objetivo: Compreender os problemas relacio- da sociedade que habitava a Ilha de Páscoa. Assim,
nados ao ambiente fazendo uma analogia entre a com a participação dos alunos na busca e na inter-
Terra e a Ilha de Páscoa. pretação de notícias, a intenção é dar real signifi-
cado ao tema estudado no capítulo 1 do material,
Comentário: Essa atividade relaciona notícias em que se aborda o conceito de desenvolvimento
sobre a conservação ou a destruição do ambiente sustentável mediante a analogia entre nosso pla-
e os acontecimentos que conduziram ao declínio neta e essa ilha.

CAPÍTULO

2
GERAÇÃO E APROVEITAMENTO
DE ENERGIA ELÉTRICA

Respostas do Use o que aprendeu 5. C. A diferença de potencial nos terminais da lâm-


pada é zero.
1. A. positivo; B. negativo; C. positivo. D. O circuito elétrico está aberto.
2. A. 1,5 V; B. 1,5 V; C. zero; D. zero; 6. Espera-se que os alunos concluam que há a inter-
E. 3 V; F. 3 V; G. zero; H. zero. rupção do circuito porque o filamento da lâmpada
3. A lâmpada deverá acender nos casos 3 e 5, pois se rompe.
são os únicos em que existe um circuito fechado 7. Espera-se que, inspirados na resposta à pergunta
para a passagem da corrente elétrica. anterior, os estudantes concluam que, se uma das
4. Em A, pois a diferença de potencial (3 V) é maior lâmpadas queimar, haverá interrupção do circuito
do que em B (1,5 V), gerando uma corrente elétrica e não haverá mais passagem de corrente elétrica
mais intensa (maior fluxo de cargas no fio). por ele. Portanto, as outras lâmpadas se apagarão.

Comentários e respostas dos capítulos do 8o ano

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Ciências Naturais – Aprendendo com o cotidiano 8, 6a edição, e a BNCC

8. A produção acaba. Podemos comparar com uma


bicicleta com dínamo na qual se parou de pedalar.
Sem movimento, o dínamo não produz energia
elétrica. Da mesma maneira, sem água da represa
caindo e movimentando a roda do gerador, a hi-
drelétrica não produz energia elétrica.
elétrons elétrons
9. Porque, para propiciar a mesma iluminação, têm
potência menor e, assim, gastam menos energia
elétrica.
10. Produzir calor e movimento.
11. Blecaute (do inglês black-out): escurecimento com- + – + –
pleto (por exemplo, por falta de energia elétrica).
Espera-se que, após listarem os prejuízos decorren- (Representação esquemática fora
tes da falta prolongada de energia elétrica numa de proporção.)
cidade (cirurgias canceladas, alimentos, vacinas
e medicamentos refrigerados que se estragam, 2. a) Energia eólica é a energia do vento.
suspensão das aulas e das atividades industriais,
  b) Energia solar é a energia da luz do Sol.
interrupção do sistema bancário etc.), os alunos
naturalmente percebam como somos dependen-   c) Biomassa é qualquer matéria de origem vegetal
tes da energia elétrica, o que muitos só percebem usada como fonte de energia. (Poderíamos até
quando ela falta. incluir matéria de origem animal, como as fezes,
usadas em fazendas na produção de gás com-
12. Reduzir os riscos decorrentes de um eventual curto-
bustível.) A queima da biomassa (ou de gases
-circuito; por exemplo, incêndio.
vindos dela) produz calor, que pode ser usado
13. A proteção oferecida pelos fusíveis ou disjuntores para gerar energia elétrica.
deixa de existir e, portanto, há risco de curto-
-circuito e incêndio.   d) O vento e a luz solar não se esgotam ao serem
utilizados na geração de energia elétrica.
14. A ausência do aterramento cria o risco de choque
A biomassa é renovável porque animais e plan-
elétrico no usuário e até de eletrocussão, se, por
tas podem ser repostos para fornecer biomassa
alguma razão, um fio ligado à rede elétrica encostar
novamente.
na carcaça do aparelho.
  e) Geração de energia elétrica em usinas termelétri-
cas (a partir do carvão e do petróleo) e hidrelé-
Respostas do Explore tricas (a partir da queda-d’água).
diferentes linguagens 3. Resposta pessoal.

1. Espera-se uma resposta equi-valente à apresentada no 4. Resposta pessoal.


desenho ao lado. 5. Resposta pessoal.

Isso vai para o nosso mural!

Objetivo: Conhecer melhor a realidade local que contribuem para o desperdício da energia
de abastecimento de energia elétrica e favorecer elétrica e, espera-se, à conscientização sobre a ne-
o desenvolvimento de hábitos que evitem seu cessidade do seu uso racional e à prática diária, pelo
desperdício. estudante, do não desperdício de energia elétrica.
Comentário: As questões levantadas nessa ativi- Julgando conveniente, os aspectos relacionados à
dade conduzem ao conhecimento da realidade local política energética e à abrangência da hidreletrici-
de fornecimento de energia elétrica, à análise mais dade no território nacional podem ser trabalhados
criteriosa da conta mensal, à discussão de hábitos de modo interdisciplinar com Geografia.

Comentários e respostas dos capítulos do 8o ano

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CAPÍTULO

3
REPRODUÇÃO DOS SERES VIVOS E
VARIABILIDADE DOS DESCENDENTES

Respostas do Use o que aprendeu da égua. (Professor, destaque o fato inusitado de


um número ímpar de cromossomos numa célula
1. a) A célula haploide tem 23 cromossomos, a “diploide” e relacione isso com a não existência
metade do “lote” total encontrado nas células de uma perfeita correspondência entre os cro-
diploides, que é de 46 cromossomos. mossomos dos “lotes” cromossômicos paterno
b) Os gametas (óvulo e espermatozoide). e materno. Em casos como esse, surgem dificul-
c) As demais células do corpo. (Professor, estas cos- dades na divisão celular que forma os gametas
tumam ser designadas como células somáticas.) e disso decorre o fato de esse descendente ser
estéril.)
d) As células haploides. Na fertilização, um esper-
matozoide e um óvulo se unem para formar uma 7. a) 7, a metade do número diploide.
célula diploide. b) 14, o número diploide.
2. Diploide, pois resulta da junção de dois “lotes” 8. Espera-se que os alunos concluam que, na floresta
haploides de cromossomos, um de cada gameta. natural, há diversidade genética nas árvores da
mesma espécie e existe, portanto, variação nas
3. a) 23 do pai e 23 da mãe. características dos indivíduos. Alguns deles podem
b) Todas essas células se originaram de divisões ce- ser sensíveis a pestes ou alterações climáticas e
lulares sucessivas a partir do zigoto. A cada vez morrer, enquanto outros podem resistir a elas e
que uma célula diploide sofre divisão e origina sobreviver. No caso da área plantada com mudas
duas novas células diploides, os cromossomos obtidas por clonagem, os indivíduos são genetica-
da célula original são copiados e um “lote” dos mente iguais, e uma peste ou alteração climática
46 cromossomos existirá em cada uma das que destrua alguns indivíduos pode, em princípio,
células resultantes da divisão. destruir todos, resultando num risco muito maior
de devastação.
4. Espera-se que os alunos comentem que a fertiliza-
ção externa depende do encontro entre os game- 9. A reprodução assexuada permite a uma espé-
tas dispersos em um espaço muito maior (o meio cie “explorar” um certo ambiente, povoando-
externo ao corpo) que no caso da fertilização inter- -o rapidamente. Os indivíduos não precisam
na. No caso da fertilização externa, os indivíduos investir suas energias na produção de gametas
produtores de mais gametas foram favorecidos pela e, no caso de animais, também na procura de
seleção natural, já que o maior número de gametas parceiro para acasalar e em rituais de acasala-
aumenta a chance de ter descendentes. mento. A grande desvantagem da reprodução
assexuada é que os descendentes, geneticamente
5. a) A espécie humana é classificada como vivípara
semelhantes, estão muito mais sujeitos ao desa-
porque a fêmea retém o embrião no interior de
seu organismo, mais especificamente no útero, parecimento no caso de alguma alteração am-
protegendo-o e também nutrindo-o até o final biental à qual não tenham resistência. A grande
da gestação. Já as araras são ovíparas porque vantagem evolutiva da reprodução sexuada é que
a fêmea põe ovos; no interior de cada um deles numa população de indivíduos que se reproduzam
há um embrião e reservas nutritivas. sexuadamente encontramos uma maior variabilida-
de de caracterís-ticas do que se a reprodução fosse
b) Cachorros, gatos, porcos e cavalos são mamífe-
assexuada, o que confere à espécie maior chance
ros que compartilham, entre outras caracterís-
de adaptação a eventuais alterações ambientais.
ticas, o fato de a fêmea reter o embrião em seu
corpo, protegendo-o e nutrindo-o até o final da Dessa população, os indivíduos mais adaptados ao
gestação. Essas espécies são, portanto, vivíparas. ambiente são selecionados naturalmente e, ao se
reproduzirem, passam adiante seus genes. Como
6. a) 31, a metade do número diploide. desvantagens dessa forma de reprodução podemos
b) 32, a metade do número diploide. mencionar que os indivíduos devem investir energia
c) Espera-se que os alunos respondam 63, a soma na produção de gametas e, no caso de animais,
do “lote” de cromossomos do espermatozoide do também na procura de parceiro para acasalar e em
jumento com o “lote” de cromossomos do óvulo rituais de acasalamento.

Comentários e respostas dos capítulos do 8o ano

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Ciências Naturais – Aprendendo com o cotidiano 8, 6a edição, e a BNCC

Respostas do Explore 3. a) A reprodução em questão é assexuada, pois não


houve a participação de gametas.
diferentes linguagens
b) Os novos indivíduos apresentam a mesma ba-
1. A variabilidade genética é uma importante decor-
rência da reprodução sexuada, que, em animais, gagem genética do indivíduo original, pois todas
pode envolver fertilização externa ou fertilização as células dos novos indivíduos originaram-se
interna. Baseando-se nisso, espera-se que os alunos de sucessivas divisões de células presentes no
considerem a frase incorreta.
indivíduo original.
2. Espera-se que os alunos associem a proliferação das
estrelas-do-mar à grande capacidade de regene- 4. a) Um organismo geneticamente idêntico a outro.
-ração de que esses animais são dotados. Assim, b) Diploide.
os fragmentos resultantes de uma estrela-do-mar
cortada podem eventualmente se regenerar e ori- c) Assexuada, já que o clone é geneticamente
ginar novos indivíduos. idêntico ao ancestral.

CAPÍTULO

4 NOSSO PLANETA NO UNIVERSO

Respostas do Use o que aprendeu quando a Lua passa entre a Terra e o Sol, e a sombra
da Lua é projetada sobre a superfície terrestre.
1. Leva 29 dias e meio.
6. A resposta às duas perguntas é a mesma: a órbita
2.
ADILSON SECCO

lunar e a órbita terrestre não estão em um mesmo


plano. O plano da órbita da Lua é ligeiramente
inclinado em relação ao plano da órbita da Terra.
Assim, o alinhamento dos três astros — Terra, Lua
e Sol — não ocorre com tanta frequência.
Cheia Minguante
7. Utilizavam as estrelas como pontos de referência.
8. a) 88
b) 12
c) Na verdade é a Terra que se move ao redor do
Sol e, como consequência desse movimento,
para um observador posicionado na Terra tudo
se passa como se o Sol estivesse se deslocando,
ao longo do ano, à frente das 12 constelações
Nova Crescente
do zodíaco.
9. Não. O aluno pode utilizar um esquema similar
3. Daqui a sete dias, teremos Lua minguante; daqui a
àquele do item 6 do capítulo para mostrar que, visto
14 ou 15 dias, haverá Lua nova; em 29 dias e meio, por um observador situado na Terra, o aspecto do
ocorrerá novamente Lua cheia. céu noturno muda conforme a época do ano, devido
4. Sim, na época da Lua nova não há luar à noite. ao movimento de translação terrestre.
(Professor: além disso, nessa fase, a Lua nasce por 10. Significa que o Sol está à frente da constelação de
volta das 6 horas da manhã e se põe por volta das 6 Capricórnio (para um observador na Terra).
horas da tarde. Assim, mesmo que ela fosse visível,
11. Não. Zodíaco é um conjunto de 12 constelações
não estaria no céu durante a noite.)
usadas como pontos de referência pelos astrôno-
5. Um eclipse lunar ocorre quando a sombra da Terra mos. Por outro lado, horóscopo é uma previsão
é projetada sobre a Lua. Um eclipse solar ocorre não científica a respeito da vida da pessoa.

Comentários e respostas dos capítulos do 8o ano

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Respostas do Explore a) Daqui a dois meses a Terra estará em B, e o Sol
diferentes linguagens estará à frente de Capricórnio. Daqui a três me-
ses, o planeta estará no ponto C, e o Sol estará à
1. Porque a data desses acontecimentos varia ligei- frente de Aquário. (Obviamente, as constelações
ramente de um ano para outro. mencionadas não serão vistas, na época, pois
2. Refere-se ao Hemisfério Sul, pois as datas apresen- estarão no céu diurno.)
tadas marcam o início das estações nesse hemisfério.
b) O Sol será visto à frente de Touro quando a Terra
3. No intervalo de um ano, ocorrem dois solstícios: de estiver em D, o que ocorrerá daqui a seis meses.
verão (22 ou 23 de junho) e de inverno (22 ou 23 de
c) Oito meses. A Terra estará em E.
dezembro); e dois equinócios: de outono (22 ou 23
de setembro) e de primavera (20 ou 21 de março). d) Isso ocorrerá daqui a um ano, quando o planeta
4. Grupo de estrelas associadas por povos antigos a voltar a passar por A.
figuras de animais ou a figuras mitológicas. (Cons-

ADILSON SECCO
telação também pode ser entendida como uma das
88 regiões convencionais da esfera celeste esta- Virgem
ça Leã
belecidas pela União Internacional de Astronomia lan o
Ba
com propósitos relacionados à cartografia celeste.)

Ca
5. Não. É uma criação de povos antigos. A atividade dos

ão

ran
rpi

gu
astrônomos atuais não consiste em buscar tais compa-

Esco
C

ejo
rações entre conjuntos de estrelas e figuras. Porém,
D B
eles utilizam o conceito de constelação (e os nomes

Gêmeos
Sagitário
delas) como parte do processo de comunicação, ao Sol
fazer descrições de corpos e de fenômenos celestes.
6. Não. Algumas estão mais distantes e outras menos E A
distantes. Como nosso afastamento em relação às
nio

Tou
estrelas é muito grande, não conseguimos ter noção cór

ro
pri
comparativa de distância entre elas. Ca

7. No esquema a seguir, que reproduz um esquema do o


Ca
rne
ári
capítulo, podemos afirmar que, dentro da suposição
iro
Aqu
do enunciado, a Terra está hoje no ponto A. A cada
Peixes

1
mês, o planeta percorre da circunferência, e o
12 Representação esquemática da translação da Terra em
Sol, visto da Terra, “pula” para a constelação seguinte torno do Sol e sua posição em relação às constelações
do zodíaco. do zodíaco.

Isso vai para o nosso blog! Avanços da Astronomia e da Astronáutica

Objetivo: Tomar contato com avanços recentes que busquem, leiam, interpretem, selecionem
da Astronomia e da Astronáutica. e publiquem no blog da equipe as informações
mais relevantes.
Comentário: Um material didático não tem a
mesma rapidez de atualização de uma página da É sugerida uma pergunta polêmica: “Os avanços
inter net, de um jornal diário ou de uma revista recentes feitos pela Astronomia e pela Astronáu-
tica contribuem de alguma forma para a vida da
semanal. Assim, ao abordar temas que sofram
população? Por quê?”
mudanças constantes no cenário da pesquisa
científica e do desenvolvimento tecnológico, é De um lado, é preciso considerar os vários pro-
conveniente desenvolver nos alunos a capacidade gressos tecnológicos presentes na vida diária (no-
vos plásticos, circuitos eletrônicos miniaturizados,
de acessar informações recentes e confiáveis. É
novas ligas metálicas etc.) que foram originalmen-
dentro desse espírito que se propõe essa ativi-
te desenvolvidos para missões espaciais. De outro
dade. Antes de mais nada, pretende-se que os lado, é preciso considerar as cifras bilionárias
alunos descubram que Astronáutica é o ramo consumidas pelos projetos espaciais. Peça aos
de atividade científico-tecnológica que se ocupa alunos que relacionem esses dois aspectos aos
com as viagens espaciais. A seguir, espera-se problemas socioeconômicos do planeta.

Comentários e respostas dos capítulos do 8o ano

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Ciências Naturais – Aprendendo com o cotidiano 8, 6a edição, e a BNCC

CAPÍTULO

5 PREVISÃO DO TEMPO

Respostas do Use o que aprendeu 13. Tais empresas precisam saber das condições me-
teorológicas a fim de evitar acidentes com seus
1. Pela manhã e durante o dia, com a luz do Sol, a navios, causados, por exemplo, pelos furacões.
areia esquenta mais depressa que a água do mar. 14. Porque o ar em Manaus é muito úmido, isto é,
O ar que está sobre a areia também esquenta mais contém muito vapor de água. Com a diminuição da
depressa e, aquecido, tende a subir. O ar que está temperatura ao se dirigir para o norte da Europa,
sobre o mar se desloca para ocupar o lugar desse esse vapor de água pode se condensar e estragar os
ar que subiu e, assim, forma-se a brisa marítima, produtos eletrônicos. Ao ventilar o compartimento
que sopra do mar para a praia. de carga, o ar úmido vai sendo substituído pelo ar
2. Ao entardecer, a água esfria mais devagar que a areia. local, não oferecendo risco à carga.
O ar acima do mar está mais quente do que o ar sobre
a praia. Ele sobe e, como consequência, forma-se a
brisa terrestre, que sopra da praia para o mar.
Respostas do Explore
3. Vento é o ar em movimento em relação à superfície diferentes linguagens
terrestre. Ele se forma quando o ar aquecido pelo Sol 1. A imagem A mostra que a pipa é empurrada em
sobe e o ar das regiões vizinhas se desloca para ocu- direção ao mar, o que indica que há brisa terrestre
par seu lugar. Professor, vale ressaltar aos alunos que e, portanto, trata-se do final da tarde. A imagem
todo esse processo é dinâmico e contínuo; ele não se B mostra a pipa sendo empurrada em direção ao
inicia de repente nem para de acontecer subitamente. continente, o que corresponde a uma situação de
4. O cata-vento e a biruta são úteis para determinar brisa marítima, que sopra no período da manhã e
a direção dos ventos. início da tarde.
5. O anemômetro serve para medir a velocidade dos 2. Espera-se uma resposta com o seguinte teor: uma
ventos. corrente marítima é o deslocamento de (grandes)
6. O vento acelera a evaporação da água. Assim, o porções de água do mar.
lado do dedo que secar primeiro é o que está vol- 3. É uma referência ao nascimento de Jesus, come-
tado para o lado de onde o vento sopra. morado no Natal.
7. Um boletim meteorológico informa a previsão do 4. a) Dia de chuva fraca, temperatura mínima de 18 °C
tempo. e máxima de 27 °C.
8. Significa que em Manaus o ar costuma ser mais b) Dia com pancadas de chuva, temperatura míni-
úmido do que em Goiânia. ma de 10 °C e máxima de 20 °C.
9. Significa que em Porto Alegre a temperatura cos- c) Dia de céu claro, temperatura mínima de 26 °C
tuma ser menor do que em Fortaleza. e máxima de 38 °C.
10. A Região Sul, porque está mais longe da linha do 5. a) Em Boa Vista, Florianópolis e Rio de Janeiro.
Equador. b) Belo Horizonte, Brasília, Cuiabá, Goiânia, Pal-
11. a) Significa que a água da chuva que caiu, se fosse mas, Porto Alegre e São Paulo.
impedida de evaporar, de escorrer ou de se 6. a) Resposta que varia em função da localidade. A
infiltrar no solo, formaria uma camada de finalidade é desenvolver a capacidade de localiza-
320 milímetros de altura sobre o chão na cidade ção da própria cidade no mapa do Brasil e também
de Belo Horizonte, no mês de janeiro. de interpretar esse tipo de mapa.
b) O aparelho que mede quantos milímetros de b) Santa Catarina e Rio Grande do Sul (estados
água de chuva caíram é o pluviômetro. em que está a única área indicada no tom que
12. Ele pode assim se informar sobre a possibilidade corresponde a 12 °C a 15 °C).
de eventos que possam afetar sua plantação, como 7. O boletim meteorológico apresenta a previsão
estiagens ou geadas, e tomar providências para do tempo, e não do clima. A frase, portanto, está
evitar ou reduzir os danos à sua lavoura. incorreta.

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8. Campinas (35 mm). 11. a) Uma massa de ar proveniente da região de um
9. Iguape (2 mm). dos dois polos terrestres (no caso da notícia, do
Polo Sul).
10. Todas, exceto Campinas, Garça e Piracicaba. En-
tre as possíveis consequências que o aluno pode b) Porque a temperatura dessa massa de ar (isto
responder estão: seca, perda de lavouras, redução é, a temperatura do ar que a constitui) é mais
da quantidade de plantas e, consequentemente, baixa do que a temperatura do local ao qual ela
prejuízos aos herbívoros e ao restante das cadeias está chegando.
alimentares, desabastecimento de água nas cidades 12. a) 114 km/h
(evaporação de água dos mananciais), animais mor- b) Por exemplo, estragos a placas, janelas, telhados
rendo de sede, problemas respiratórios nas pessoas. e portas; árvores quebradas ou arrancadas.

Estabeleça conexões
Objetivo: Integrar, em um texto associado a uma superfície da Terra está coberta por ela, que, no estado
atividade lúdica, alguns conceitos referentes ao ciclo líquido, forma [𝖢𝖢: rios], [𝖣𝖣: lagos], [𝖤𝖤: oceanos] e lençóis
hidrológico, às propriedades do ar quente e do ar frio, [𝖥𝖥: freáticos]. No estado sólido, constitui as [𝖦𝖦: geleiras].
às brisas terrestre e marítima e à meteorologia. As grandes massas de água influenciam tremen-
Comentário: Este Estabeleça conexões aproveita damente o [𝖧𝖧: clima] de uma região, ou seja, influen-
um tipo de atividade lúdica que, em geral, interessa ciam os padrões de temperatura máxima, temperatura
aos alunos e introduz alterações que a tornam mais mínima, quantidade de chuvas e outras precipitações
desafiadora, ao mesmo tempo em que inter-rela- atmosféricas, ventos, umidade do ar, tipos de nuvem
ciona, por meio do texto apresentado, conceitos
e eventual ocorrência de neblina e de tempestades. A
de diferentes capítulos.
ciência que se ocupa com o estudo desses fenômenos é
Resolução: a [𝖨𝖨: meteorologia]. Com os progressos dessa área do
As palavras que completam o texto são:
conhecimento humano, pode-se fazer a previsão do [𝖩𝖩:
𝖠𝖠 L Í Q U I D O tempo], de grande utilidade para atividades humanas.
13 Muitos fenômenos meteorológicos podem ser
𝖡𝖡 G A S O S O explicados com base em conhecimentos científicos.
6
Sabe-se, por exemplo, que o ar aquecido apresenta
𝖢𝖢 R I O S
4 tendência a [𝖪𝖪: subir], enquanto o ar resfriado tende
𝖣𝖣 L A G O S a [𝖫𝖫: descer]. Com isso, pode-se explicar a direção
15 em que sopra a brisa à beira-mar. Durante o dia, o ar
𝖤𝖤 O C E A N O S sobre o continente se aquece mais rapidamente que o
11
ar sobre o oceano e ocorre a brisa [𝖬𝖬: marítima], que
𝖥𝖥 F R E Á T I C O S
sopra do oceano em direção ao continente. A partir do
5

𝖦𝖦 G E L E I R A S entardecer, o ar sobre o mar mantém-se mais aquecido


12 que o ar sobre o continente e, por causa disso, acontece
𝖧𝖧 C L I M A a brisa [𝖭𝖭: terrestre], que sopra da praia para o mar.
1 2
A pergunta apresentada ao final da atividade,
𝖨𝖨 M E T E O R O L O G I A
já decifrada, é:
7
𝖩𝖩 T E M P O Quando é que podemos
9
C A R R E G A R
𝖪𝖪 S U B I R 1 2 3 4 5 6 7 8
8
água na
𝖫𝖫 D E S C E R
10 P E N E I R A ?
𝖬𝖬 M A R Í T I M A 9 10 11 12 13 14 15
14
A resposta dessa adivinha é: quando ela está
𝖭𝖭 T E R R E S T R E no estado sólido. Essa resposta revela algo muito
3
interessante: mesmo o senso comum sabe que água
O texto completo é: continua sendo a mesma substância química quando
A água pode ser encontrada na natureza nos esta- sofre solidificação. Mudanças no estado físico não
dos sólido, [𝖠𝖠: líquido] e [𝖡𝖡: gasoso]. A maior parte da alteram a composição das substâncias.

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CANTO & CANTO

MATERIAL PARA O PROFESSOR


Ciências Naturais
Aprendendo com o cotidiano

E A BASE NACIONAL
COMUM CURRICULAR
Ensino Fundamental • Anos Finais

CIÊNCIAS NATURAIS – APRENDENDO COM O COTIDIANO 8 E A BNCC


3ª versão entregue ao
Conselho Nacional de Educação
(Versão preliminar)

MATERIAL PARA O PROFESSOR

15304133

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