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Manual Caseiro

Ed. 2020
Direito Administrativo – De
na Súmula!!!

CRIMES HEDIONDOS
Lei nº 8.072/1990

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Direito Administrativo
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Crimes Hediondos – Lei nº 8.072/1990

Crimes Hediondos
Lei nº 8.072/1990

Prezado aluno, passaremos nesse momento ao estudo da Lei dos Crimes Hediondos. O presente
material tem por objetivo reunir todas as informações que o candidato precisa para resolver questões dos
certames públicos. Dessa forma, nosso material trouxe uma abordagem doutrinária sobre o tema objeto de
estudo, a legislação (lei seca), questões que já foram cobradas pela Banca CESPE, questões já cobradas em
concurso público pelas diversas bancas, alterações promovidas pelo PAC, e, por fim, informativos.

Cumpre alertamos ainda que, a Lei dos Crimes Hediondos foi recentemente modificada pelo Pacote
Anticrime, o qual alterou, bem como, alargou o rol dos crimes considerados hediondos. Desse modo, a
leitura da legislação em comento deve ser feita com bastante atenção pelo candidato, principalmente, no que
tange ao seu rol (quais os crimes são considerados hediondos).

Além de alteração no rol dos crimes, tivemos também modificação do regramento da progressão de
regime, passando a ter novos parâmetros; vedação da saída temporária em circunstâncias especiais, etc.

Feita as devidas considerações iniciais, vamos ao conteúdo.

Bons estudos, #TmJuntos!

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1. Noções introdutórias

A Constituição Direito Administrativo


Federal da República de 1988 já trazia–emDe
seu escopo previsão para os crimes
na Súmula!!!
hediondos no seu Art. 5º, XLIII, e em 1990 adveio a Lei n. 8.072 para regulamentar tal previsão
constitucional. Na época o mundo tinha uma influência muito forte do Direito Penal Máximo, o discurso de
Lei Ordem, a ideia de se punir com gravidade, tendo em vista que poderia dessa forma desestimular e reduzir
a impunidade, aderindo a teoria das janelas quebradas, que seria exatamente a ideia de que “se uma janela
de um edifício for quebrada e logo não receber reparo, a tendência é que passem a arremessar pedras nas
outras janelas e posteriormente passem a ocupar o edifício e destruí-lo”, ou seja deve-se punir mesmo os
delitos menos graves com o intuito de que os mais graves sejam reprimidos.

Os países ao redor do mundo absorveram, portanto, muito desses ideais e consequentemente


começaram a se mobilizar neste sentido, não acontecendo diferente com o Brasil, que por sua vez deu
surgimento a Lei de Crimes Hediondos.

Desse modo, temos que a Lei nº 8.072/90 foi a primeira lei no Ordenamento Jurídico Brasileiro a
disciplinar os crimes hediondos, sendo objeto de várias reformas desde a sua edição. A última alteração que
tivemos na presente lei foi oriunda do chamado Pacote Anticrime – Lei nº 13.964/2019, o qual alterou e
alargou o rol dos crimes considerados hediondos.

Nessa esteira, nos remetendo ao contexto histórico temos que o termo “crimes hediondos” é fruto da
Constituição Federal, sendo a referida expressão descrita ao teor do art. 5º.

A CF dispõe “a lei definirá os CRIMES HEDIONDOS”– trata-se de uma norma de eficácia limitada
(depende de regulamentação por lei ordinária para a sua aplicação).

Vejamos:
Art. 5º. XLIII. A lei considerará crimes inafiançáveis e insuscetíveis de graça ou anistia a prática da tortura,
o tráfico ilícito de entorpecentes e drogas afins, o terrorismo e os definidos como crimes hediondos, por eles
respondendo os mandantes, os executores e os que, podendo evita-los, se omitirem.

2. Candidato, o que se entende por Crime Hediondo?

Excelência, existem determinados critérios para se definir o que é crime hediondo. Nesse contexto,
vejamos os critérios de qualificação do crime em hediondo.

Quais são eles?

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Critério Legal
Direito Administrativo – De
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Critério Critério
Misto Judicial

a) Critério legal ou legislativo: será considerado crime hediondo aquele que for determinado pelo
legislador, o crime positivado em Lei. Assim, crime hediondo é aquele que a lei define como tal.

b) Critério judicial: será considerado hediondo aquele crime em que o juiz analisa o caso concreto e
determina se o crime é hediondo ou não.

c) Critério misto: afirma que o legislador determina o que é crime é hediondo, embora através apenas de
um rol exemplificativo, pelo qual o juiz analisando o caso e sua gravidade pode incluir novas hipóteses
ou afastar os previstos em Lei.

O Brasil adota o critério legal ou legislativo, em nosso Ordenamento Jurídico. São considerados
crimes hediondos apenas os descritos em Lei, através de um rol exaustivo, não abrindo margem para
nenhuma decisão judicial determinar a hediondez de um crime. Atente que a Constituição não diz quais são
os crimes hediondos, apenas diz algumas características destes, como a inafiançabilidade e não possibilidade
de graça, anistia, bem como diz quais os crimes equiparados a hediondos. O rol exaustivo fica a cargo da Lei
8.072/90.

Vamos esquematizar?

Critério legal Critério judicial Critério misto


Cabe ao legislador enunciar, de Levando-se em consideração os O legislador apresenta preceitos
forma exaustiva, os crimes que elementos do caso concreto, mínimos, cabendo ao juiz
devem ser considerados confere-se ao magistrado/juiz enquadrar determinada conduta
hediondos. ampla liberdade para identificar a delituosa como hedionda.
natureza hedionda de determinada
conduta delituosa.

Candidato, qual o critério adotado no Brasil? O Ordenamento Jurídico brasileiro adota o CRITÉRIO
LEGAL, é a conclusão que podemos extrair da leitura do art. 5º, XLIII da CF “A lei considerará crimes
inafiançáveis e insuscetíveis de graça ou anistia a prática de tortura, o tráfico ilícito de entorpecentes e drogas
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afins, o terrorismo e os definidos como crimes hediondos, por eles respondendo os mandantes, os executores
e os que, podendo evita-los, se omitirem”.
Direito Administrativo – De
na(numerus
Cabe ao legislador, em rol exaustivo Súmula!!!
clausus), enunciar os crimes considerados hediondos
(princípio da legalidade). Para regulamentar o referido inciso, vem o art. 1º da Lei nº 8.072/90 “são
considerados crimes hediondos os seguintes crimes, todos tipificados ao teor do Código Penal, consumados
ou tentados”.

Por esse sistema, é função do legislador elencar quais os crimes considerados hediondos, em um rol
taxativo, não cabendo ao juiz tecer qualquer juízo de valor para averiguar a hediondez do delito, vez que,
ao constar em tal rol, previamente definido em lei, caberá ao julgador reconhecer essa característica.
Importante perceber que, a classificação de determinada infração penal como hedionda, incumbe,
exclusivamente, ao Poder legislativo, podendo este vir a ser pressionado pela sociedade quando,
determinada conduta, repercutir de forma negativa e atentar gravosamente contra a mesma.

2.1 Cláusula salvatória

A cláusula salvatória seria a hipótese de o juiz poder afastar em determinado caso concreto, a
hediondez do crime. No entanto como explicado anteriormente, o critério adotado pelo Brasil é o Legal ou
Legislativo, não sendo possível essa afastabilidade, bem como uma possível inclusão da qualificação de
hediondez por intermédio de um magistrado.

- Já Caiu CESPE

(CESPE/2018/EBSERH/ADVOGADO). O ordenamento jurídico nacional adotou o critério legal para


a tipificação dos crimes hediondos, sendo vedado ao juiz, em caso concreto, fixar a hediondez de um
delito ou excluí-la em razão de sua gravidade ou forma de execução.

Correto. O ordenamento jurídico fez isso porque adota-se o critério legal ou legislativo, no qual é
vedado ao juiz fixar ou afastar a hediondez.

- Já Caiu CESPE

(CESPE/2018/PC-MA/DELEGADO DE POLÍCIA CIVIL). É cabível ao magistrado classificar como


hediondo um crime em razão de sua gravidade ou forma de execução.
Errado. O critério judicial não é aplicado ao Ordenamento Jurídico Brasileiro, portanto não é cabível
ao magistrado classificar um crime como hediondo, apenas à Lei compete isso.

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Observação. Tráfico de drogas, Tortura ou Terrorismo, NÃO SÃO CRIMES HEDIONDOS. São
apenas equiparados aDireito
hediondos. Administrativo – De
É o chamado 3T. Estes terão o mesmo tratamento, como hediondos
nadeSúmula!!!
fossem, serão inafiançáveis, insuscetíveis graça ou anistia. Vejamos;

CF/88 - XLIII – a lei considerará crimes inafiançáveis e insuscetíveis de graça ou anistia a prática da
tortura, o tráfico ilícito de entorpecentes e drogas afins, o terrorismo e os definidos como crimes
hediondos, por eles respondendo os mandantes, os executores e os que, podendo evitá-los, se omitirem;
Vejamos:

3T
Tráfico de drogas Tortura Terrorismo

Os referidos crimes não são crimes hediondos, são EQUIPARADOS, assemelhados, o que significa
que embora não sejam crimes hediondos recebem o mesmo tratamento dispensado pela Constituição Federal,
bem como, pela Lei nº 8.072/90, por exemplo, são insuscetíveis de anistia, graça e indulto.

2.2 Indulto

Atente para a questão de que a Constituição Federal cita apenas “inafiançáveis e insuscetíveis de
graça ou anistia”. Vejamos:

CF/88 - XLIII – a lei considerará crimes inafiançáveis e insuscetíveis de graça ou anistia a prática da
tortura, o tráfico ilícito de entorpecentes e drogas afins, o terrorismo e os definidos como crimes
hediondos, por eles respondendo os mandantes, os executores e os que, podendo evitá-los, se omitirem;

Enquanto que o Art. 2º da Lei n º 8.072/1990 traz além da fiança, anistia e graça a figura do indulto:

Art. 2º. Os crimes hediondos, a prática da tortura, o tráfico ilícito de entorpecentes e drogas afins e o
terrorismo são insuscetíveis de:

I – anistia, graça e indulto;


II – fiança.

Nesse sentido, questiona-se, a inclusão do indulto com previsão de vedação apenas na legislação
infraconstitucional é constitucional?

O STF se pronunciou afirmando que o indulto e a graça fazem parte do denominado “poder de graça”
(perdão) do Presidente da República, significando que o indulto (coletivo), e a graça (individual) desta

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forma não são cabíveis exatamente por estarem ambos incluídos no perdão Presidencial. E afastando a tese

Direito
de que seria inconstitucional Administrativo
a inclusão – De
do indulto como insuscetível pela Lei 8.072/90.
na Súmula!!!
Em relação a liberdade provisória embora a Lei tenha disciplinado acerca da sua impossibilidade,
o STF declarou a inconstitucionalidade e entendeu que esta será cabível, tendo em vista que não se pode
trazer previsão legislativa que venha a ferir o princípio da individualização da pena ou o princípio da
presunção de inocência. No entanto a liberdade provisória será aplicada sem fiança, tendo em vista que a Lei
e Constituição vedam a aplicação de fiança para estes crimes.

- Já Caiu CESPE

(CESPE/2013/TJ-DFT/TÉCNICO JUDICIÁRIO - ÁREA ADMINISTRATIVA). Não é possível a


concessão de anistia, graça ou indulto àqueles que tenham praticado crimes hediondos. Correto.

(CESPE/2010/MPU/TÉCNICO DE APOIO ESPECIALIZADO – TRANSPORTE). Os crimes


hediondos, embora inafiançáveis e insuscetíveis de graça e indulto, podem ser anistiados. Errado.

Segundo a Constituição não é possível a aplicação da graça e anistia, segundo a Lei n. 8.072/1990 e
o entendimento do STF não será possível também a aplicação do indulto.

Candidato, a vedação do indulto feita exclusivamente pela Lei nº 8.072 é constitucional?

A polêmica inerente ao indulto: proibição constitucional e ampliação legal

A proibição do indulto efetuado pela lei dos crimes hediondos é constitucional ou inconstitucional? Formam-
se duas posições/correntes sobre o assunto.

Vejamos:

1ª Corrente 2ª Corrente
A proibição do indulto pela lei dos crimes A proibição é CONSTITUCIONAL! Os
hediondos é INCONSTITUCIONAL, pelo fato de defensores dessa posição argumentam que a CF
que a lei dos crimes hediondos proibiu um proibiu a graça, quando utilizou a expressão graça
instituto que a CF não proibiu. A legislação o fez em sentido amplo para abranger também o
extrapolou os ditames da Constituição Federal. indulto.
- adotar para concursos como a Defensoria. - adotar para concursos como MP, Delegado.

1ª Corrente: a ampliação é inconstitucional, pois as vedações previstas no art. 5º, XLIII da Constituição
Federal, são máximas sendo defeso ao legislador amplia-las.

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2ª Corrente: a ampliação é constitucional, pois as vedações constitucionais são mínimas, podendo o

Direito
legislador amplia-las. Para Administrativo
aqueles que entendem que as vedações–são
Demáximas, não se pode esquecer que a
vedação da graça, abrange indulto, pois ona Súmula!!!
indulto nada mais é do que graça coletiva. A 2ª Corrente é a que
prevalece no STF e STJ.

3. Crimes hediondos tentados

Candidato, para ser crime hediondo será necessária consumação ou podemos ter um crime
hediondo tentado?

A Lei menciona em seu Art.1º, consumados ou tentados, vejamos:

Art. 1º São considerados hediondos os seguintes crimes, todos tipificados no Decreto-Lei no 2.848, de
7 de dezembro de 1940 - Código Penal, consumados ou tentados.

Portanto, mesmo que por tentativa, o agente responderá por um crime hediondo, sujeito a todas as
decorrências que se dão pelo fato de ter praticado um crime hediondo tentado.

Muita atenção, candidato! A natureza tentada de um crime rotulado pela lei não exclui a sua
hediondez. A tentativa não altera a classificação do crime como hediondo, funcionando como uma mera
causa de redução de pena (1 a 2/3), conforme disposição do art. 14, parágrafo único do CP. Dessa forma,
temos que “para fins de reconhecimento da natureza hedionda, pouco importa que o delito seja consumado
ou tentado”.

- Já Caiu CESPE

(CESPE/2018/PC-MA/DELEGADO DE POLÍCIA CIVIL) A prática não consumada, ou seja, tentada,


do crime afasta o caráter hediondo do tipo penal. Errado.

Crimes hediondos são todos aqueles consumados ou tentados, desde que previstos em Lei.

4. Rol dos crimes hediondos

O rol dos crimes hediondos é taxativo e exaustivo, estampado ao teor do art. 1º da Lei nº 8.072/90.
Assim, o juiz não pode no caso concreto definir aquela conduta como crime hediondo se não estiver

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capitulado no referido rol. Deverá fazer um juízo de adequação: caso concreto versus crime estipulado na
legislação. Caso o crimeDireito Administrativo
esteja capitulado – De
no rol de crimes hediondos, será assim considerado.
na Súmula!!!
Conforme já destacado acima, o Brasil adotou o sistema legal de definição dos crimes hediondos.
Isso significa que é a lei quem define, de forma exaustiva (taxativa, numerus clausus), quais são os crimes
hediondos. Logo, o art. 1º da Lei 8.072/90 não pode ser ampliado com base em analogia, nem tampouco em
interpretação extensiva.

Salienta-se que a Lei 8.072/90 não trouxe novos tipos penais, apenas incluiu uma qualidade de
hediondo para crimes já existentes, crimes criados a alguns anos antes por outras Leis.

4.1 Natureza hedionda do crime de homicídio simples (quando praticado em atividade típica de grupo de
extermínio) e qualificado

O primeiro crime hediondo trazido pela Lei em comento é o crime de homicídio simples;

Art. 1o São considerados hediondos os seguintes crimes, todos tipificados no Decreto-Lei no 2.848,
de 7 de dezembro de 1940 - Código Penal, consumados ou tentados: (Redação dada pela Lei nº 8.930,
de 1994) (Vide Lei nº 7.210, de 1984).

I - homicídio (art. 121), quando praticado em atividade típica de grupo de extermínio, ainda que
cometido por um só agente, e homicídio qualificado (art. 121, § 2º, incisos I, II, III, IV, V, VI, VII e
VIII); (Redação dada pela Lei nº 13.964, de 2019). Anticrime.

Observe que a lei traz a expressão “quando praticado em atividade típica de grupo de extermínio”.
Não é necessário que esse homicídio seja praticado em um grupo de extermínio, basta apenas que seja
praticado com características semelhantes a atividades deste tipo de grupo. Exemplo: Um indivíduo que
escolhe suas vítimas de maneira aleatória, como por exemplo, pessoas que são moradores de rua, pessoas
viciadas em drogas, etc.

Desta feita, o homicídio simples quando praticado nas circunstâncias acima descritas, será crime
hediondo, bem como o homicídio qualificado em qualquer das suas qualificadoras. Atente para o fato do
legislador mencionar TODAS as qualificadoras, e incluir pelo pacote anticrime o inciso VIII, que é
qualificadora pelo emprego de arma de fogo de uso restrito ou proibido.

CUIDADO. Embora este inciso VIII se encontre na Lei, ele foi vetado pelo Presidente da República
no artigo 121 do Código Penal. Por motivos técnicos deveria ter sido feito o veto também na Lei de crimes
hediondos, no entanto ficou esta Lei fazendo a referência a um inciso vetado do Código Penal.

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Observação:

Direito
O homicídio qualificado Administrativo
privilegiado – De
(homicídio privilegiado - quando o indivíduo age por violenta
na Súmula!!!
emoção, logo após injusta provocação da vítima, ou instigado por um relevante valor social moral) não é
crime considerado hediondo pela doutrina e os Tribunais Superiores. É um homicídio qualificado
privilegiado quando estiver presente nesse caso, uma qualificadora de natureza objetiva, já que o privilegio
é necessariamente subjetivo. Exemplo. Ao chegar em casa o indivíduo encontra o vizinho estuprando seu
filho, agindo de imediato e matando o vizinho por asfixia, neste caso a maneira de execução é cruel,
qualificadora objetiva. Tornando-se homicídio qualificado privilegiado.

- Já Caiu CESPE

(CESPE/2000/POLÍCIA FEDERAL/AGENTE FEDERAL) O homicídio qualificado-privilegiado é


crime hediondo. Errado. O STJ dispôs que o homicídio qualificado privilegiado não é crime hediondo.

Candidato, o homicídio SEMPRE é crime hediondo? O homicídio qualificado é sempre crime


hediondo, homicídio privilegiado, por sua vez, não é hediondo. Por fim, o homicídio simples, em regra, não
é crime hediondo, contudo, será considerado hediondo quando praticado em atividade típica de grupo de
extermínio, ainda que cometido por um só agente e homicídio qualificado. Ante o exposto, contemplamos
que nem sempre o homicídio é considerado crime hediondo.

Logo:

Homicídio qualificado É Hediondo


Homicídio privilegiado NÃO é hediondo
Homicídio simples Em regra, NÃO É hediondo.
Exceção: quando praticado em atividade típica de
grupo de extermínio, ainda que cometido por um
só agente.
Homicídio híbrido (qualificado-privilegiado) Não é crime hediondo.

Candidato?

Candidato, o homicídio simples pode ser considerado crime hediondo? Excelência, em regra, não.
Exceção: quando praticado em atividade típica de grupo de extermínio, ainda que cometido por um só
agente (art. 1º, I, primeira parte, da Lei 8.072/90). Logo, o homicídio simples, ainda que na forma tentada,
inclui-se entre os crimes hediondos, se praticado em atividade típica de grupo de extermínio.

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Candidato, o homicídio hibrido (qualificado-privilegiado) é considerado hediondo? Excelência,

Direito que
inicialmente cumpre destacarmos Administrativo – De no sentido da possibilidade de
é dominante o entendimento
na Súmula!!! combinando-se os§§ 1º e 2° do art. 121 do
reconhecimento da figura do homicídio qualificado-privilegiado,
Código Penal, desde que a qualificadora tenha natureza objetiva (incisos III e IV).

Nesse sentido, os tribunais entendem que não poderá ser considerado hediondo, pois a hediondez é
incompatível com o privilégio. Há, contudo, doutrina argumentando que sendo o privilégio uma mera causa
de diminuição de pena, não deveria afastar o caráter hediondo (posição para provas de MP e
Delegado/discursiva e oral). A posição do STJ, majoritária, é no sentido de que o homicídio hibrido não
é crime hediondo.

STJ: “(...) Entendendo não haver contradição no reconhecimento de


qualificadora de caráter objetivo (modo de execução do crime), e do privilégio, sempre de
natureza subjetiva”. (STF, 1º Turma, HC 89.921|PR). O homicídio qualificado-privilegiado
não pode ser considerado hediondo (STJ, HC 153.728|SP).

Como #JÁCAIU esse assunto em prova de Concursos?

Ano: 2020 Banca: CESPE / CEBRASPE Órgão: MPE-CE Prova: CESPE - 2020 - MPE-CE - Técnico Ministerial

Mário, após ingerir bebida alcoólica em uma festa, agrediu um casal de namorados, o que resultou na morte do
rapaz, devido à gravidade das lesões. A moça sofreu lesões leves.

A partir dessa situação hipotética, julgue o item a seguir.

Se, após a apuração dos fatos, a morte do rapaz caracterizar homicídio simples doloso, a conduta de Mário não
será classificada como crime hediondo.

Certo, pois homicídio simples só será hediondo SE praticado em atividade típica de grupo de extermínio, ainda
que cometido por um só agente.

Como #JÁCAIU esse assunto em prova de Concursos?

Ano: 2020 Banca: SELECON Órgão: Prefeitura de Boa Vista - RR Prova: SELECON - 2020 - Prefeitura de Boa
Vista - RR - Guarda Civil Municipal.

Daniel é Delegado da Polícia Civil e encabeça investigação sobre múltiplos assassinatos ocorridos na periferia do
município HO. Como fruto dessas investigações, descobre que o autor de três crimes é VR, alcunha “Caolho”,
pertencente a grupo de extermínio que atua em alguns bairros do município. Nos termos da Lei nº 8.072/90, pode
ser afirmado que:

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A. os homicídios praticados são caracterizados como crimes hediondos
B. os homicídios praticados pela ausência de qualificação não são hediondos
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C. os homicídios praticados não são hediondos, pois praticados por um agente
D. os homicídios praticados são hediondos por serem praticados em comunidades pobres.

Gab. A.

4.2 Lesão corporal gravíssima

Inicialmente, cumpre destacarmos que lesão corporal, em regra, não é crime hediondo. Atualmente,
apenas em duas hipóteses é que a lesão corporal será considerada crime hediondo.

Considerando a Lei 13.142/2015, o art. 1º, I-A, da Lei 8.072/90 passou a prever os seguintes crimes
como hediondos:

• Lesão corporal gravíssima funcional; e


• Lesão corporal seguida de morte funcional

→Lesão gravíssima ou lesão corporal seguida de morte quando praticadas contra autoridade ou
agente descrito nos arts. 142 e 144 da Constituição Federal, integrantes do sistema prisional e da Força
Nacional de Segurança Pública, no exercício da função ou em decorrência dela, ou contra seu cônjuge,
companheiro ou parente consanguíneo até terceiro grau, em razão dessa condição;

A referida hipótese legal fora acrescentada com o advento da Lei 13.142/2015, a qual alterou o
Código Penal, assim como a Lei de Crimes Hediondos. Vejamos a redação atual:

Art. 1º I – A – lesão corporal dolosa de natureza gravíssima (art. 129, §2º CP) e lesão corporal seguida
de morte (art. 129, §3º CP), quando praticadas contra autoridade ou agente descrito nos arts. 142 e 144
da Constituição Federal (FA’s e Segurança Pública), integrantes do sistema prisional e da Força
Nacional de Segurança Pública, no exercício da função ou em decorrência dela, ou contra seu cônjuge,
companheiro ou parente consanguíneo até terceiro grau, em razão dessa condição; (Incluído pela Lei nº
13.142, de 2015).

O artigo faz menção a lesão corporal de natureza gravíssima e a lesão seguida de morte CONTRA
agentes das forças armadas ou polícia federal, polícia civil, bem como agentes penitenciários. As vítimas
podem ser tanto os agentes em exercício da função ou em decorrência dela, por exemplo se o policial está
de folga, mas foi visto como um agente policial e por esse fato foi vítima do crime. O âmbito também pode
ser ainda mais amplo, atingindo o cônjuge ou parente até terceiro grau, em razão do cargo exercido pelo
parente.

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Vamos esquematizar1?

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- Já Caiu CESPE

(CESPE/2016/POLÍCIA CIENTÍFICA – PE/CONHECIMENTOS GERAIS/PERITO CRIMINAL E


MÉDICO) O crime de lesão corporal dolosa de natureza gravíssima é hediondo quando praticado
contra parente consanguíneo até o quarto grau de agente da segurança pública, em razão dessa
condição. Errado.

O crime poderá ser contra seu cônjuge, companheiro ou parente consanguíneo até terceiro grau.

- Já Caiu CESPE

(CESPE/2015/TJ-DFT/ANALISTA JUDICIÁRIO -OFICIAL DE JUSTIÇA AVALIADOR FE-


DERAL) O crime de lesão corporal dolosa de natureza gravíssima é hediondo quando praticado contra
cônjuge, companheiro ou parente consanguíneo de até terceiro grau, de agente da Polícia Rodoviária
Federal e integrante do sistema prisional e da Força Nacional de Segurança Pública, em razão dessa
condição. Correto.

1
Quadro esquematizado extraído do site dizer o direito – http://www.dizerodireito.com.br/2015/07/comentarios-sobre-lei-
131422015-que.html
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PRF e integrante do sistema prisional estão no art. 144 da Constituição Federal e também há previsão

Direito
expressa da Força Nacional. Administrativo – De
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Como #JÁCAIU esse assunto em prova de Concursos?

Ano: 2020 Banca: SELECON Órgão: Prefeitura de Boa Vista - RR Prova: SELECON - 2020 - Prefeitura de
Boa Vista - RR - Guarda Civil Municipal. Camila é investigadora da Polícia Civil, sendo ferida gravemente
em confronto com grupo de pessoas portando armas de grosso calibre. Nos termos da Lei nº 8.072/90, é
considerado crime hediondo o praticado dolosamente contra agente de segurança que resulte em:

A. lesão corporal de natureza leve


B. lesão corporal de natureza média
C. lesão corporal de natureza gravíssima
D. lesão corporal de natureza grave

Gab. C.

4.2 Roubo

Antes da publicação do Pacote Anticrime (Lei n. 13.964/2019) somente era considerado hediondo o
roubo quando qualificado pelo resultado morte, denominado de Latrocínio.

E o que fez o PAC em relação ao referido tema? O pacote anticrime retirou a expressão “latrocínio”
de seu tipo penal, que também já não constava no Código Penal. Agora a expressão “latrocínio” só existe na
doutrina.

A Lei n. 13.964/2019 modificou significativamente esse cenário, ampliando as hipóteses legais.


Assim, no contexto atual será considerado hediondo não apenas o roubo qualificado pelo resultado morte,
mas também:
• O roubo circunstanciado pela restrição da liberdade da vítima;
• O roubo circunstanciado pelo emprego de arma de fogo (art. 157, § 2°-A, inciso I) ou pelo
emprego de arma de fogo de uso proibido ou restrito (art. 157, § 2°-B).
Vejamos:

Art. 1º, II – ROUBO: (Redação dada pela Lei nº 13.964, de 2019).

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a) circunstanciado pela restrição de liberdade da vítima (art. 157, § 2º, inciso V); (Incluído pela Lei
nº 13.964, de 2019).
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Antes do pacote anticrime o inciso II era apenas latrocínio (abordado pela alínea “c”), agora roubo.
Não confundir com sequestro relâmpago, aqui não é uma conduta essencial por parte da vítima, é o roubo
em que o criminoso restringiu a liberdade da vítima de maneira momentânea, a doutrina afirma ser um
período curto para que o criminoso consiga fugir sem ser pego pela polícia por exemplo. Diferentemente de
uma conduta que o criminoso restringe a liberdade da vítima para ir até um caixa eletrônico fazer o saque,
uma conduta essencial enquadrada no caso de extorsão, vulgarmente conhecida como sequestro relâmpago.

Não confundir também com roubo seguido de sequestro, que é quando o criminoso subtrai um bem
mediante violência ou grave ameaça, restringe a liberdade da vítima por uma quantidade de tempo que é
desnecessária, não precisava ter sobre seu poder a vítima.

b. circunstanciado pelo emprego de arma de fogo (art. 157, § 2º-A, inciso I) ou pelo emprego de arma
de fogo de uso proibido ou restrito (art. 157, § 2º-B); (Incluído pela Lei nº 13.964, de 2019).

A Lei separou a arma de fogo de uso geral da arma de fogo de uso proibido ou restrito, tendo em vista
que no Código Penal o pacote anticrime promoveu alterações de forma a incluir uma majorante do aumento
de pena de 2/3 para uso de arma de fogo e um aumento mais grave, o dobro da pena, para uso de arma de
fogo de porte restrito ou proibido.

c) qualificado pelo resultado lesão corporal grave ou morte (art. 157, § 3º); (Incluído pela Lei nº 13.964,
de 2019).

Aqui o crime considerado hediondo é o roubo qualificado pelo resultado agravador, morte ou lesão
corporal grave.

Observação

Prezado candidato, cumpre atentarmos para o fato de que a lei foi taxativa em mencionar arma de
fogo, logo, o emprego de violência ou grave ameaça para subtração de coisa alheia com arma branca, não
será considerado hediondo. Vale salientar que a Lei 13.964/2019 reestabeleceu a majorante da pena, se a
violência ou grave ameaça é exercida com emprego de “arma branca”, nesse caso, o deito não será
considerado hediondo e majorante será de 1/3 a ½.
15
Manual Caseiro
Pacote Anticrime

Direito Administrativo – De
Redação Anterior Nova Redação – Pacote Anticrime
na Súmula!!!
II - latrocínio (art. 157, § 3°, in fine); II – roubo:
a) circunstanciado pela restrição de liberdade da
vítima (art. 157, § 2°, inciso V);
b) circunstanciado pelo emprego de arma de
fogo (art. 157, § 2°-A, inciso I) ou pelo emprego
de arma de fogo de uso proibido ou restrito (art.
157, § 2°-B);
c) qualificado pelo resultado lesão corporal
grave ou morte (art. 157, § 3°);

Em se tratando de novatio legis in pejus, posto que ampliou as hipóteses em que o crime de roubo
será considerado hediondo, deve respeitar a regra constitucional-penal da irretroatividade da lei penal
prejudicial.

4.3 Extorsão qualificada pela restrição da liberdade da vítima, ocorrência de lesão corporal ou morte

Art.1º III - extorsão qualificada pela restrição da liberdade da vítima, ocorrência de lesão corporal ou
morte (art. 158, § 3º); (Redação dada pela Lei nº 13.964, de 2019).

Antes do pacote anticrime tínhamos apenas a expressão, “extorsão qualificada pela morte”, ou seja,
apenas a extorsão com resultado morte era crime hediondo. Agora deixa de ser crime hediondo a extorsão
qualificada pela morte e temos a nova redação “restrição da liberdade da vítima”, o famoso sequestro
relâmpago simples ou com o resultado agravador lesão corporal ou morte.

Destaca-se para o fato de que assim como antes, após o pacote anticrime, a extorsão simples continua
não sendo crime hediondo, mas é crime hediondo a extorsão qualificada pela restrição de liberdade, ou seja,
o sequestro relâmpago vai ser crime hediondo em qualquer de suas formas, independentemente do resultado.

- Já Caiu CESPE

Conforme a legislação pertinente, considera-se crime hediondo a extorsão simples.

16
Manual Caseiro
Errada. A extorsão simples nunca foi considerada crime hediondo, antes ou depois do pacote
anticrime. Direito Administrativo – De
Pacote Anticrime
na Súmula!!!

Redação Anterior Nova Redação – Pacote Anticrime


III – extorsão qualificada pela morte (art. III – extorsão qualificada pela restrição
158, §2°); da liberdade da vítima, ocorrência de
lesão corporal ou morte (art. 158, § 3°);

4.4 Extorsão mediante sequestro e na forma qualificada

IV - extorsão mediante sequestro e na forma qualificada (art. 159, caput, e §§ lo, 2o e 3o); (Inciso
incluído pela Lei nº 8.930, de 1994).

Neste inciso, exige-se o pagamento de resgate. Todas as modalidades de extorsão mediante sequestro
serão consideradas crimes hediondos.

4.5 Estupro

V - estupro (art. 213, caput e §§ 1o e 2o); (Redação dada pela Lei nº 12.015, de 2009).

O delito de estupro é considerado hediondo independente da modalidade. Leia-se, em todas as


modalidades o delito de estupro é etiquetado como hediondo.
Hoje não se exige mais apenas a conjunção carnal, mas sim qualquer tipo de ato libidinoso que não
haja consentimento.

4.6 Estupro de Vulnerável

VI - estupro de vulnerável (art. 217-A, caput e §§ 1o, 2o, 3o e 4o); (Redação dada pela Lei nº 12.015,
de 2009).

O delito de estupro de vulnerável é considerado hediondo independente da modalidade. O STF e STJ


entendem que o estupro de vulnerável (art. 224 do CP, na redação anterior a Lei nº 12.015), já era hediondo.

17
Manual Caseiro
A 3ª Seção do STJ autoriza a aplicação dos consectários da Lei 8.072/90 para os crimes sexuais

Direito
praticados com violência Administrativo
presumida, mesmo que anteriores a Lei– De
nº 12.015/09.

Vejamos: na Súmula!!!
“Os crimes de estupro e atentado violento ao pudor praticados anteriormente à Lei n.º
12.015/2009, ainda que mediante violência presumida, configuram crimes hediondos.
Precedentes desta Corte e do Supremo Tribunal Federal. 2. Embargos de divergência
acolhidos a fim de reconhecer a hediondez do crime praticado pelo Embargado”
(REsp. 1225387/RS, rel. Min. Laurita Vaz, Dje 04/09/2013).

Atente-se ainda para o fato de que o estupro de vulnerável, não é apenas contra menores de 14 anos,
mas sim contra pessoas que possuam deficiência mental, ou pessoas que estavam embriagas ao ponto de não
saber onde estavam, pessoas que por ventura estejam sob efeito de algum medicamento, pessoas que não
possam oferecer capacidade de resistência. Cuidado que nestes casos o consentimento do vulnerável não é
sequer considerado.

4.7 Demais Crimes

VII - epidemia com resultado morte (art. 267, § 1o). (Inciso incluído pela Lei nº 8.930, de 1994).

Este inciso aborda uma epidemia que resulta em morte e caso seja causada de forma dolosa.
A epidemia, por si só, não é crime hediondo. Exige-se que seja qualificada pela morte. Epidemia é a
difusão de doença mediante a propagação de genes patogênicos. Ademais, cumpre destacarmos que somente
a propagação de doença humana é que configura o crime do art. 267, §1º do Código Penal, já que em se
tratando de enfermidade que atinja animais ou plantas, o crime será o do art. 61, Lei nº 9.605/98, não
hediondo por falta de previsão legal.

VII-B - falsificação, corrupção, adulteração ou alteração de produto destinado a fins terapêuticos


ou medicinais (art. 273, caput e § 1o, § 1o-A e § 1o-B, com a redação dada pela Lei no 9.677, de 2 de
julho de 1998). (Inciso incluído pela Lei nº 9.695, de 1998).

Também conduta praticada com dolo. Exemplo: Pílulas anticoncepcionais estavam sendo substituídas
por farinha, placebo. Quando a falsificação acontecer de forma dolosa, como neste caso será enquadrada
nesse crime hediondo.
A Lei n.° 12.978/2014 acrescentou mais um inciso ao art. 1º da Lei n.° 8.072/90 prevendo que também
é considerado como crime hediondo o favorecimento da prostituição ou de outra forma de exploração sexual
18
Manual Caseiro
de criança ou adolescente ou de vulnerável, delito previsto no art. 218-B, caput, e §§ 1º e 2º do Código Penal.

Direito Administrativo – De
VIII - favorecimento da prostituição ou de outra forma de exploração sexual de criança ou adolescente
ou de vulnerável (art. 218-B, caput, e §§ 1º e 2º). (Incluído pela Lei nº 12.978, de 2014).
na Súmula!!!
Cumpre destacarmos que não é qualquer tipo de exploração sexual, uma exploração de maior de idade
não é considerada como crime hediondo. Terá de ser uma criança, adolescente ou deficiente mental.
Vejamos o tipo penal em estudo:

Favorecimento da prostituição ou de outra forma de exploração sexual de criança ou


adolescente ou de vulnerável. (Redação dada pela Lei nº 12.978, de 2014)

Art. 218-B. Submeter, induzir ou atrair à prostituição ou outra forma de exploração sexual alguém
menor de 18 (dezoito) anos ou que, por enfermidade ou deficiência mental, não tem o necessário
discernimento para a prática do ato, facilitá-la, impedir ou dificultar que a
abandone: (Incluído pela Lei nº 12.015, de 2009)

Pena - reclusão, de 4 (quatro) a 10 (dez) anos. (Incluído pela Lei nº 12.015, de 2009)

§ 1o Se o crime é praticado com o fim de obter vantagem econômica, aplica-se também


multa. (Incluído pela Lei nº 12.015, de 2009)

§ 2o Incorre nas mesmas penas: (Incluído pela Lei nº 12.015, de 2009)

I - quem pratica conjunção carnal ou outro ato libidinoso com alguém menor de 18 (dezoito) e maior
de 14 (catorze) anos na situação descrita no caput deste artigo; (Incluído pela Lei nº 12.015, de
2009)

II - o proprietário, o gerente ou o responsável pelo local em que se verifiquem as práticas referidas


no caput deste artigo. (Incluído pela Lei nº 12.015, de 2009)

§ 3o Na hipótese do inciso II do § 2o, constitui efeito obrigatório da condenação a cassação da licença


de localização e de funcionamento do estabelecimento. (Incluído pela Lei nº 12.015, de
2009)

- Já Caiu CESPE

(CESPE/2018/PC-MA/ESCRIVÃO DE POLÍCIA CIVIL). Conforme a legislação pertinente,


considera-se crime hediondo:

a. o favorecimento da exploração sexual de pessoas adultas.


b. o estupro de vulnerável tentado.
c. a lesão corporal dolosa de natureza grave.
d. o sequestro.
e. a extorsão simples.

a. Criança, adolescente ou vulnerável.


b. Alternativa correta. Crimes hediondos são tanto os tentados como os consumados

19
Manual Caseiro
c. Vai ser lesão corporal dolosa aquela que for gravíssima ou com resultado morte contra as autoridades do
art. 142 que são os militares e do art. 144 que são os órgãos de segurança pública, do sistema prisional e
Direito
Força Nacional de Segurança Pública,Administrativo
tanto no exercício da função–quanto
De por exercerem a função. Também
os cônjuges e os parentes consanguíneosna até oSúmula!!!
terceiro grau civil.
d. Não.
e. Com as mudanças do pacote anticrime a extorsão que vai ser considerada crime hediondo vai ser o
sequestro-relâmpago e a extorsão qualificada pelo resultado lesão corporal ou morte.

Pacote Anticrime

A principal modificação na Lei dos Crimes Hediondos ocasionada pelo Pacote Anticrime foi a
ampliação do rol dos crimes considerados hediondos. Alguns deles, como, por exemplo, o crime de roubo
qualificado pela morte passou a ser etiquetado como hediondo também em outras hipóteses.

No crime de furto, por sua vez, não tínhamos nenhum dispositivo correspondente. Assim, o furto
não era considerado crime hediondo em nenhuma situação, seja na forma simples ou qualificada.

Contudo, com o advento da Lei n.º 13.964/2019 (Pacote Anticrime), passa a ser considerado
hediondo o furto qualificado pelo emprego de explosivo ou de artefato análogo que cause perigo comum (art.
155, § 4°- A).

Deste modo, temos que com a recente alteração no rol taxativo dos crimes hediondo, o legislador
entendeu ser necessário reprimir de maneira mais veemente, indivíduos que subtraiam bens alheios com a
utilização de explosivos ou qualquer outro artefato análogo que cause perigo comum. Isto posto, reveste-se
do caráter hediondo, passando a ser punido com maior rigidez.
Em se tratando de novatio legis in pejus, posto que passou a considerar hediondo um crime que não
era capitulado como tal, deve respeitar a regra constitucional-penal da irretroatividade da lei penal
prejudicial.

Vejamos:

Redação Anterior Nova Redação – Pacote Anticrime


Sem dispositivo correspondente. IX – furto qualificado pelo emprego de
explosivo ou de artefato análogo que
cause perigo comum (art. 155, § 4°- A).

Vejamos detalhadamente:

IX – FURTO qualificado pelo emprego de explosivo ou de artefato análogo que cause perigo comum
(art. 155, § 4º-A). (Incluído pela Lei nº 13.964, de 2019).

Inserido pelo pacote anticrime. Essa inserção foi feita pelo aumento das explosões de caixas
20
Manual Caseiro
eletrônicos. Presenciamos aqui uma das várias falhas do pacote anticrime, o legislador incluiu o furto

Direito
qualificado pelo emprego de artefatoAdministrativo
explosivo ou análogo como– De mas esqueceu de fazer o mesmo
hediondo,
com o roubo. na Súmula!!!
Parágrafo único. Consideram-se também hediondos, tentados ou consumados:
I – o crime de genocídio, previsto nos arts. 1º, 2º e 3º da Lei n. 2.889, de 1º de outubro de 1956; (Incluído
pela Lei nº 13.964, de 2019).

Este crime de genocídio tem algumas possibilidades, não é só matar uma grande quantidade de
pessoas de determinada raça ou etnia. É, por exemplo, fazer transferência forçada de crianças, obrigar um
conjunto de pessoas a não se reproduzir.

Candidato, existe algum crime hediondo que não esteja previsto no Código Penal? Existe sim, é o
crime de genocídio, previsto na Lei nº 2.889/56, sendo considerado hediondo se tentado ou consumado.
O crime de genocídio tem previsão no art. 1º, parágrafo único da Lei 8.072/90 “considera-se também
hediondo o crime de genocídio previsto nos arts. 1º, 2º e 3º da Lei no 2.889, de 1º de outubro de 1956,
tentado ou consumado”.
Cumpre destacarmos ainda que, o genocídio é classificado como crime contra a humanidade, e não
contra a vida.
O crime de genocídio não se trata de delito de competência do Tribunal do Júri, ainda que a conduta
consista em matar dolosamente membros de um grupo, pois é crime contra a humanidade e não contra a vida.
Lembre-se! O Tribunal do Júri tem competência para julgar crimes dolosos contra a vida. Por sua
vez, o genocídio é crime contra a humanidade, razão pela qual a competência de julgamento é do juízo
singular (comum) – Federal ou Estadual, a depender do caso concreto.
Por fim, cumpre recordarmos que o genocídio é um típico exemplo de norma penal em branco “ao
avesso”, isto é, temos as condutas criminosas, mas faltam as respectivas penas, o preceito secundário está
incompleto.

II - o crime de posse ou porte ilegal de arma de fogo de uso proibido, previsto no art. 16 da Lei nº
10.826, de 22 de dezembro de 2003; (Incluído pela Lei nº 13.964, de 2019).

A posse ou porte de arma de uso PROIBIDO foi incluída pelo pacote anticrime como crime
hediondo, enquanto o restrito deixa de ser crime hediondo.

Pacote Anticrime

21
Manual Caseiro
O inc. II, do parágrafo único do art. 1º da Lei 8.072/90, dispõe acerca de um outro crime com natureza
hedionda, constante em Direito
lei específica.Administrativo
Trata-se da posse ou porte – Dede arma de fogo de uso PROIBIDO,
ilegal
na
previsto no art. 16 da Lei no 10.826, de 22 de Súmula!!!
dezembro de 2003.

Ao analisarmos o tipo penal, contemplamos que o pacote anticrime retira de crime hediondo a posse
ou porte de arma de uso restrito por aqueles que não podem fazê-lo. Agora, será hediondo posse ou porte
ilegal de arma de fogo de uso proibido.

Assim, levando-se em consideração que o legislador optou por tratar a posse ou o posse de arma de
fogo de uso proibido como qualificadora do referido delito, dessa forma, como a lei de crimes hediondos fala
somente em arma de fogo de uso proibido, acreditamos que excluiu-se da abrangência da lei de crimes
hediondos as armas de fogo de uso restrito, restando apenas o enquadramento para as armas de fogo de uso
proibido, conforme a nova redação do art. 16, Estatuto do Desarmamento.

Vejamos:

Redação Anterior Nova Redação – Pacote Anticrime


Parágrafo único. Consideram-se também hediondos Parágrafo único. Consideram-se também
o crime de genocídio previsto nos arts. 1°, 2° e 3° da hediondos, tentados ou consumados:
Lei no 2.889, de 1º de outubro de 1956, e o de posse
I – o crime de genocídio, previsto nos arts. 1°, 2° e
ou porte ilegal de arma de fogo de uso restrito, 3° da Lei n. 2.889, de 1° de outubro de 1956;
previsto no art. 16 da Lei no 10.826, de 22 de
dezembro de 2003, todos tentados ou consumados.
II – o crime de posse ou porte ilegal de arma de fogo
de uso proibido, previsto no art. 16 da Lei n.
10.826, de 22 de dezembro de 2003;

III - o crime de comércio ilegal de armas de fogo, previsto no art. 17 da Lei nº 10.826, de 22 de dezembro
de 2003; (Incluído pela Lei nº 13.964, de 2019).

O pacote anticrime (Lei n. 13.964/2019) alterou a redação do parágrafo único do art. 1º da Lei nº
8.072/90 prevendo que também é considerado como crime hediondo o crime de comércio ilegal de armas
de fogo previsto no art. 17 da Lei n. 10.826, de 22 de dezembro de 2003.

Redação Anterior Nova Redação – Pacote Anticrime


Sem dispositivo correspondente. III – o crime de comércio ilegal de armas de fogo
previsto no art. 17 da Lei n. 10.826, de 22 de
dezembro de 2003;

22
Manual Caseiro

Direito Administrativo – De
Trata-se de atualização introduzida pela lei 13.964/2019, incluindo no rol taxativo dos crimes
na Súmula!!!
hediondos, o comércio ilegal de arma de fogo previsto no art. 17 do Estatuto do Desarmamento. Tal delito
passa a ser tratado como hediondo.

Vejamos:

Comércio ilegal de arma de fogo

Art. 17. Adquirir, alugar, receber, transportar, conduzir, ocultar, ter em depósito, desmontar, montar,
remontar, adulterar, vender, expor à venda, ou de qualquer forma utilizar, em proveito próprio ou alheio, no
exercício de atividade comercial ou industrial, arma de fogo, acessório ou munição, sem autorização ou em
desacordo com determinação legal ou regulamentar:

Pena - reclusão, de 6 (seis) a 12 (doze) anos, e multa. (Redação dada pela Lei nº 13.964, de 2019)

§ 1º Equipara-se à atividade comercial ou industrial, para efeito deste artigo, qualquer forma de prestação de
serviços, fabricação ou comércio irregular ou clandestino, inclusive o exercido em residência. (Redação dada
pela Lei nº 13.964, de 2019)

§ 2º Incorre na mesma pena quem vende ou entrega arma de fogo, acessório ou munição, sem autorização ou
em desacordo com a determinação legal ou regulamentar, a agente policial disfarçado, quando presentes
elementos probatórios razoáveis de conduta criminal preexistente. (Incluído pela Lei nº 13.964, de 2019)

Em se tratando de novatio legis in pejus, posto que passou a considerar hediondo um crime que não
era capitulado como tal, deve respeitar a regra constitucional-penal da irretroatividade da lei penal
prejudicial.

IV - o crime de tráfico internacional de arma de fogo, acessório ou munição, previsto no art. 18 da Lei
nº 10.826, de 22 de dezembro de 2003; (Incluído pela Lei nº 13.964, de 2019).

O pacote anticrime (Lei n. 13.964/2019) alterou a redação do parágrafo único do art. 1º da Lei nº
8.072/90 prevendo que também é considerado como crime hediondo o crime de tráfico internacional de
arma de fogo, acessório ou munição, previsto no art. 18 da Lei n. 10.826, 22 de dezembro de 2003.

Refere-se, pois, a mais uma inovação trazida pelo pacote anticrime, etiquetando o crime de tráfico
internacional de armas de fogo, acessórios e munições como hediondo. Doravante, o delito ora em comento,
será reprimido com maior rigor.

Redação Anterior Nova Redação – Pacote Anticrime


Sem dispositivo correspondente. IV – o crime de tráfico internacional de arma de
fogo, acessório ou munição, previsto no art. 18
da Lei n. 10.826, 22 de dezembro de 2003;

23
Manual Caseiro
Tráfico internacional de arma de fogo

Direito Administrativo – De
Art. 18. Importar, exportar, favorecer a entrada ou saída do território nacional, a qualquer título, de arma de
fogo, acessório ou munição, sem autorização da autoridade competente:
na Súmula!!!
Pena - reclusão, de 8 (oito) a 16 (dezesseis) anos, e multa. (Redação dada pela Lei nº 13.964, de 2019)

Parágrafo único. Incorre na mesma pena quem vende ou entrega arma de fogo, acessório ou munição, em
operação de importação, sem autorização da autoridade competente, a agente policial disfarçado, quando
presentes elementos probatórios razoáveis de conduta criminal preexistente. (Incluído pela Lei nº 13.964,
de 2019).

Essas condutas são muito mais graves que o mero porte ou posse de armas de fogo de uso proibido,
com o pacote anticrime o legislador corrigiu essa questão do comércio e o tráfico internacional antes não
serem crimes hediondos, passando agora a serem considerados como tal, leia-se, hediondos.

Em se tratando de novatio legis in pejus, posto que passou a considerar hediondo um crime que não
era capitulado como tal, deve respeitar a regra constitucional-penal da irretroatividade da lei penal
prejudicial.

V - o crime de organização criminosa, quando direcionado à prática de crime hediondo ou


equiparado. (Incluído pela Lei nº 13.964, de 2019).

O inciso V traz o crime de organização criminosa quando direcionada para o fim da prática do tráfego
de drogas por exemplo que é equiparado a hediondo, portanto, teremos aqui o crime de organização criminosa
como crime hediondo nesta situação.

O pacote anticrime (Lei n. 13.964/2019) alterou a redação do parágrafo único do art. 1º da Lei nº
8.072/90 prevendo que também é considerado como crime hediondo o crime de organização criminosa,
quando direcionado à prática de crime hediondo ou equiparado.

Redação Anterior Nova Redação – Pacote Anticrime


Sem dispositivo correspondente. V – o crime de organização criminosa, quando
direcionado à prática de crime hediondo ou
equiparado.”

Diante do exposto, temos que o pacote anticrime acrescentou o inc. V ao parágrafo único do art. 1º
da lei ora em comento, etiquetando como hediondo, o crime de organização criminosa, quando essa
organização tiver por finalidade a prática de crime hediondo ou equiparado.

24
Manual Caseiro
Em se tratando de novatio legis in pejus, posto que passou a considerar hediondo um crime que não

Direito
era capitulado como tal, Administrativo
deve respeitar – De da irretroatividade da lei penal
a regra constitucional-penal
prejudicial. na Súmula!!!

5. Lei de drogas e figuras equiparadas

Lembrem-se que o crime de tráfico de drogas não é crime hediondo, é um crime equiparado a
hediondo.
Candidato, todos os tipos penais da Lei de Drogas que são equiparados a crimes hediondos?
Não! Apenas alguns crimes da Lei de drogas são equiparados a hediondos. Art. 33 §1º e Art. 36.
Vejamos:

Condutas equiparadas a crimes hediondos Condutas não equiparadas a crimes hediondos

Art. 33, caput e §1º da Lei. Art. 28 – Consumo próprio


Art. 36 – Financiamento ou custeio de tráfico Art. 33 §4º - tráfico privilegiado. (Réu primário
A maioria dos doutrinadores incluem o art. 34 – de bons antecedentes, não integra organização
tráfico maquinário. (Não há consenso). criminosa. STF e STJ entendem não ser
equiparado a hediondo).
Art. 35 – Associação para o tráfico
Art. 33, § 2º - Induzimento, instigação ou auxílio
ao uso de drogas.
Art. 33, §3º - Uso compartilhado. (roda de drogas)
Art. 37 – Colaboração para o tráfico na condição
de informante (fogueteiro).

Candidato, tráfico privilegiado é considerado crime hediondo?

Inicialmente, cumpre estudarmos a referida espécie. Vejamos:


A figura privilegiada (art. 33, § 4º, da Lei 11.343/2006): Nos delitos definidos no caput e no §
1o deste artigo, as penas poderão ser reduzidas de um sexto a dois terços, vedada a conversão
em penas restritivas de direitos, desde que o agente seja primário, de bons antecedentes, não
se dedique às atividades criminosas nem integre organização criminosa. (Vide Resolução nº
5, de 2012)

25
Manual Caseiro
Essa figura privilegiada configura o tráfico acidental, e reclama a presença de quatro requisitos

Direito
cumulativos (diminuição Administrativo
de 1/6 a 2/3): – De
a. Agente primário; na Súmula!!!
b. Bons antecedentes;
c. Não se dedica a atividades criminosas;
d. Não integra organizações criminosas.

O STF entendeu recentemente que a figura privilegiada não é equiparada a hediondo.


Nesse sentido, o Informativo 831. Vejamos:

Tráfico privilegiado não é hediondo (cancelamento da Súmula 512-STJ)


O chamado "tráfico privilegiado", previsto no § 4º do art. 33 da Lei nº 11.343/2006 (Lei de
Drogas), não deve ser considerado crime equiparado a hediondo. STF. Plenário. HC
118533/MS, Rel. Min. Cármen Lúcia, julgado em 23/6/2016 (Info 831). O tráfico ilícito de
drogas na sua forma privilegiada (art. 33, § 4º, da Lei nº 11.343/2006) não é crime equiparado
a hediondo e, por conseguinte, deve ser cancelado o Enunciado 512 da Súmula do Superior
Tribunal de Justiça. STJ. 3ª Seção. Pet 11.796-DF, Rel. Min. Maria Thereza de Assis Moura,
julgado em 23/11/2016 (recurso repetitivo) (Info 595). O que dizia a Súmula 512-STJ: "A
aplicação da causa de diminuição de pena prevista no art. 33, § 4º, da Lei n. 11.343/2006
não afasta a hediondez do crime de tráfico de drogas."
http://www.dizerodireito.com.br/2016/06/o-trafico-privilegiado-art-33-4-da-lei.html

O STJ tinha editado a Súmula 512, a qual pregava que a natureza privilegiada não afastaria o caráter
hediondo. Contudo, com o novo entendimento do STF, a súmula restou superada/cancelada.

Pacote Anticrime

Em consonância com a Jurisprudência, a alteração trazida pela Lei n. 13.964/19 (PAC), prevê na Lei
de Execução Penal, que NÃO SE CONSIDERA hediondo ou equiparado, para os fins deste artigo, o
crime de tráfico de drogas previsto no § 4º do art. 33 da Lei no 11.343, de 23 de agosto de 2006.

26
Manual Caseiro
Diante do exposto, contemplamos que o PAC positivou o entendimento da Jurisprudência no sentido
de que tráfico de drogasDireito
privilegiado Administrativo – De
não é considerado crime hediondo.
Vejamos: na Súmula!!!

Art. 112, § 5º, da [Lei de Execução Penal]: “Não se considera hediondo ou equiparado, para
os fins deste artigo, o crime de trafico de drogas previsto no § 4º do art. 33 da Lei no 11.343,
de 23 de agosto de 2006.”

6. Fiança

Os crimes hediondos e equiparados são inafiançáveis. Cumpre destacarmos que na redação original
da Lei dos Crimes Hediondos também era vedada a liberdade provisória sem fiança. Essa proibição, contudo,
foi abolida pela Lei 11.464/2007.

Art. 2º. Os crimes hediondos, a prática da tortura, o tráfico ilícito de entorpecentes e drogas
afins e o terrorismo são insuscetíveis de: II - fiança.

O referido inciso foi alterado pela Lei nº 11.464/2007, antes o mesmo inciso vedava fiança, bem
como, a liberdade provisória, atualmente, veda tão somente a fiança.
Atualmente, a liberdade provisória sem fiança depende do convencimento do Juiz, no sentido de
estarem ausentes os requisitos para a decretação da prisão preventiva.
Desse modo, temos que é cabível a liberdade provisória, sem fiança.

Candidato, ao estabelecer os crimes hediondos e equiparados como sendo crimes inafiançáveis


(art. 5º, XLIII, da CF), isso não significa que a CF proibiu também a concessão de liberdade provisória?
NÃO. A impossibilidade de pagar fiança em determinado caso não impede a concessão de
liberdade provisória, pois são institutos diferentes. Esta distinção está prevista, inclusive, na própria CF,
em seu art. 5º, LXVI (ninguém será levado à prisão ou nela mantido, quando a lei admitir a liberdade
provisória, com ou sem fiança). Conforme se observa pela redação deste inciso LXVI, existe liberdade
provisória com fiança e liberdade provisória sem fiança. O que a CF vedou foi a fiança e não a liberdade
provisória.
Resumindo:
- É proibida a concessão de liberdade provisória com fiança.
27
Manual Caseiro
- É permitida, entretanto, a concessão de liberdade provisória sem fiança.

Direito Administrativo – De
Como #JÁCAIU esse assunto em provana Súmula!!!
de Concursos?

Ano: 2020. Banca: SELECON Órgão: Prefeitura de Boa Vista - RR Prova: SELECON - 2020 - Prefeitura de
Boa Vista - RR - Guarda Civil Municipal
Geromel é Delegado da Polícia Civil do Estado JJ e recebe da polícia repressiva dois indivíduos acusados
por crime considerado hediondo, os quais recolhe para as instalações carcerárias. Posteriormente, recebe
requerimento de advogado constituído para relaxar a prisão dos acusados. Nos termos da Lei nº 8.072/90,
não é possível arbitrar para os crimes nela tipificados:

A. caução
B. seguro
C. fiança
D. garantia

Gab. C, Fiança. Não cabe fiança nos crimes hediondos. Contudo, cumpre recordarmos que fato do crime ser
hediondo não impede a concessão de Liberdade provisória sem fiança.

7. Progressão de regime

Para ter acesso a progressão de regime o indivíduo além de ter que possuir os critérios subjetivos
como o bom comportamento atestado pelo diretor do presídio, que inclusive atualmente não exige mais o
atestado criminológico (o STJ afirma que não é obrigatório, mas não foi proibido, portanto, se o juiz exigir
e justificar terá de ser feito), terá de cumprir também os requisitos objetivos.

Em um breve histórico da progressão de regime nos crimes hediondos, voltamos a 1990 quando a
lei de crimes hediondos determinava que;

Art. 2º § 1º A pena por crime previsto neste artigo será cumprida integralmente em regime fechado.

Em 2007 o STF entendeu que este parágrafo era inconstitucional pois violava o princípio da
individualização da pena, cada pessoa deve ser tratada de acordo com as necessidades;

§ 1º A pena por crime previsto neste artigo será cumprida inicialmente em regime fechado. (Redação
dada pela Lei n. 11.464, de 2007).

Neste ano a Lei mudou e passou a atestar que a pena será cumprida INICIALMENTE em regime
fechado. Cumpre ressaltar que antes da Lei 11.464/2007 como não havia uma regra prevista de progressão

28
Manual Caseiro
de regime na Lei de Crimes Hediondos, passou-se a aplicar (primeira regra) o critério de 1/6 de cumprimento
da pena para progressãoDireito Administrativo
de regime, previstos na LEP. – De
na Súmula!!!
Observamos, portanto, que em 1990, a Lei informava que o cumprimento de pena era integralmente
em regime fechado, esse critério prevaleceu até 2007, quando a lei mudou os critérios determinou que a pena
prevista no artigo será cumprida inicialmente em regime fechado. No entanto em 2013 p STF dispôs que até
esse inicialmente era inconstitucional. STF HC 119382 26/11/2013.

Ressalta-se que a Lei 11.464/2007 que passou a disciplinar a liberdade provisória nos crimes
hediondos, determinou a progressão de regime trazendo a segunda regra:

Art. 1o O art. 2o da Lei no 8.072, de 25 de julho de 1990, passa a vigorar com a seguinte redação:

§ 2o A progressão de regime, no caso dos condenados aos crimes previstos neste artigo, dar-se-á após
o cumprimento de 2/5 (dois quintos) da pena, se o apenado for primário, e de 3/5 (três quintos), se
reincidente.

A reincidência não é especifica, ou seja, não precisa ser reincidência nos crimes hediondos, se
cometer qualquer outro crime a menos de 5 anos para fins de reincidência, iria necessitar cumprir 3/5 da
pena.

Em 2018 adveio mais uma alteração;

§ 2º A progressão de regime, no caso dos condenados pelos crimes previstos neste artigo, dar-se-á após
o cumprimento de 2/5 (dois quintos) da pena, se o apenado for primário, e de 3/5 (três quintos), se
reincidente, (2018) observado o disposto nos §§ 3º e 4º do art. 112 da Lei n. 7.210, de 11 de julho de
1984 (Lei de Execução Penal).

Esse parágrafo 3º e 4º trouxe a possibilidade de uma progressão mais benéfica para mãe gestante ou
responsável por criança ou por deficiente mental. Consideram-se alguns critérios de natureza subjetiva,
outros critérios elencados na Lei de Execuções Penais, precisa-se cumprir 1/8 da pena para progredir de
regime.

Atualmente com o Pacote Anticrime temos a aplicação da terceira regra na progressão de regime,
agora em porcentagem; (contextualização da progressão de regime geral, não especifica para crimes
hediondos).

29
Manual Caseiro
Art. 112. A pena privativa de liberdade será executada em forma progressiva com a transferência para
regime menos rigoroso, a ser determinada pelo juiz, quando o preso tiver cumprido ao menos: (Redação
Direito Administrativo – De
dada pela Lei nº 13.964, de 2019)

I - 16% (dezesseis porna Súmula!!!


cento) da pena, se o apenado for primário e o crime tiver sido cometido sem
violência à pessoa ou grave ameaça;

II - 20% (vinte por cento) da pena, se o apenado for reincidente em crime cometido sem violência à
pessoa ou grave ameaça;

III - 25% (vinte e cinco por cento) da pena, se o apenado for primário e o crime tiver sido cometido com
violência à pessoa ou grave ameaça;

IV - 30% (trinta por cento) da pena, se o apenado for reincidente em crime cometido com violência à
pessoa ou grave ameaça;

Observe que temos uma lacuna na lei do pacote anticrime, tendo em vista que se o indivíduo for
reincidente, no entanto ele cometeu um crime sem violência ou grave ameaça e outro foi com violência ou
grave ameaça. Essa hipótese não foi contemplada pela Lei.

V - 40% (quarenta por cento) da pena, se o apenado for condenado pela prática de crime hediondo ou
equiparado, se for primário;

VI - 50% (cinquenta por cento) da pena, se o apenado for: (Incluído pela Lei nº 13.964, de 2019)

a) condenado pela prática de crime hediondo ou equiparado, com resultado morte, se for primário,
vedado o livramento condicional;

Não terá livramento condicional quem pratica crime hediondo com resultado morte.

b) condenado por exercer o comando, individual ou coletivo, de organização criminosa estruturada para
a prática de crime hediondo ou equiparado; ou

Nesse momento não estamos falando do crime hediondo, apenas uma contextualização da progressão
de regime.

c) condenado pela prática do crime de constituição de milícia privada;

VII - 60% (sessenta por cento) da pena, se o apenado for reincidente na prática de crime hediondo
ou equiparado;

VIII - 70% (setenta por cento) da pena, se o apenado for reincidente em crime hediondo ou
equiparado com resultado morte, vedado o livramento condicional.

Não terá livramento condicional quem pratica crime hediondo com resultado morte. Em resumo
temos, portanto, a progressão de regime para crimes hediondos.

Vejamos:

30
Manual Caseiro
% de cumprimento Crimes hediondos praticados
40% Crime hediondo ou equiparado (primário)
Direito
50% Administrativo – De ou equiparado, com resultado
Crime hediondo
na Súmula!!!
MORTE (primário).
60% Reincidente na prática de crime hediondo ou
equiparado.
70% Reincidente em crime hediondo ou equiparado
com resultado MORTE.

Observamos que mais uma vez aparece uma lacuna, quem cometer crime hediondo, mas não for
reincidente específico não há hipótese.

7.1 Situações de direito intertemporal

Situação 1 - Crime Hediondo cometido antes de 29/03/2007, (antes da Lei 11.4642007) terá que
cumprir 1/6 da pena.

Situação 2 – Crime Hediondo cometido entre 29/03/2007 e 22/01/2020, (vigência da Lei 11.4642007)
se for primário terá que cumprir 2/5 da pena, se reincidente (não específica) terá de cumprir 3/5 da pena.

Situação 3 – Crime Hediondo cometido a partir de 23/01/2020, (vigência da Lei nº 13.964, de 2019)
aplicadas regras do pacote anticrime.

- Já Caiu CESPE

(CESPE/2011/TJ-ES/ANALISTA JUDICIÁRIO/DIREITO) Maura praticou crime de extorsão,


mediante sequestro, em 27/3/2008, e, denunciada, regularmente processada e condenada, iniciou o
cumprimento de sua pena em regime fechado. Nessa situação hipotética, após o cumprimento de um
sexto da pena em regime fechado, Maura terá direito à progressão de regime, de fechado para
semiaberto.
Errado. Como o crime foi cometido em 2008, se ela for primária vai ter que cumprir 2/5 e se for
reincidente terá que cumprir 3/5.

(CESPE/2017/TJ-PR/JUIZ SUBSTITUTO) A progressão de regime será admitida somente mediante


a realização de exame criminológico, que é imprescindível para os condenados por crime hediondo.
Errado. O exame criminológico não é obrigatório, também não é proibido. O juiz pode solicitar desde
que justifique.
31
Manual Caseiro

Lembre-se! Direito Administrativo – De


na
A progressão de Regime prisional paraSúmula!!!
os crimes hediondos até o advento do Pacote Anticrime era
tipificada no §2º do art.2º da Lei 8.072/90 – Art. 2 § 2º A progressão de regime, no caso dos condenados aos
crimes previstos neste artigo, dar-se-á após o cumprimento de 2/5 (dois quintos) da pena, se o apenado for
primário, e de 3/5 (três quintos), se reincidente. (Redação dada pela Lei nº 11.464, de 2007).

Como era antes do Pacote Anticrime:

• 2/5 da pena, se o apenado fosse primário;


• 3/5 da penal, se reincidente;
• 1/8, no caso de mãe, gestante ou responsável legal de criança/deficiente.

Contudo, após o Pacote Anticrime esse cenário é alterado.

8. Regime inicial fechado para o cumprimento da pena privativa de liberdade

Art. 2º, § 1º, da Lei 8.072/90: “A pena por crime previsto neste artigo será cumprida inicialmente em regime
fechado”. 

Em sua redação original, a Lei dos Crimes Hediondos o regime era integralmente fechado (começa e
termina no regime fechado – não tem direito a progressão de regime). O STF decidiu pela
inconstitucionalidade desse regime, pela violação dos princípios da individualização da pena, da
proporcionalidade e também da dignidade da pessoa humana.

Dessa forma, temos que antes do advento da Lei nº 11.464/2007, a Lei de Crimes Hediondos previa
o cumprimento da pena em regime integralmente fechado, ou seja, não admitia a progressão do regime de
cumprimento de pena. O referido dispositivo fora posteriormente declarado inconstitucional. Nessa esteira,
passou-se a admitir a progressão de regime, contudo, ainda ficou estipulado que o regime inicial seria
obrigatoriamente o fechado. Ocorre, todavia, que, o STF declarou também inconstitucional o regime inicial
fechado obrigatório, por entender que viola o princípio da individualização da pena, devendo analisar o caso
concreto e fundamentar sua decisão.
Na fixação do regime inicial, o juiz deve observar as Súmulas 718 e 719 do STF.

32
Manual Caseiro
Súmula 718 STF: “A opinião do julgador sobre a gravidade em abstrato do crime não constitui motivação
idônea para a imposiçãoDireito Administrativo
de regime mais severo do que o permitido–segundo
De a pena aplicada.” Não pode fixar
na Súmula!!!
regime c/ base a gravidade em abstrato apenas.

Súmula 719 STF: “A imposição do regime de cumprimento mais severo do que a pena aplicada permitir
exige motivação idônea”.

O STF decidiu que o regime inicial fechado também é inconstitucional, por violação dos princípios
da individualização da pena e da proporcionalidade, e por falta de previsão na CF (Plenário, HC 111.840,
Informativo 672):

EMENTA Habeas corpus. Penal. Tráfico de entorpecentes. Crime praticado durante a


vigência da Lei nº 11.464/07. Pena inferior a 8 anos de reclusão. Obrigatoriedade de
imposição do regime inicial fechado. Declaração incidental de inconstitucionalidade do § 1º
do art. 2º da Lei nº 8.072/90. Ofensa à garantia constitucional da individualização da pena
(inciso XLVI do art. 5º da CF/88). Fundamentação necessária (CP, art. 33, § 3º, c/c o art.
59). Possibilidade de fixação, no caso em exame, do regime semiaberto para o início de
cumprimento da pena privativa de liberdade. Ordem concedida. 1. Verifica-se que o delito
foi praticado em 10/10/09, já na vigência da Lei nº 11.464/07, a qual instituiu a
obrigatoriedade da imposição do regime inicialmente fechado aos crimes hediondos e
assemelhados. 2. Se a Constituição Federal menciona que a lei regulará a individualização
da pena, é natural que ela exista. Do mesmo modo, os critérios para a fixação do regime
prisional inicial devem-se harmonizar com as garantias constitucionais, sendo necessário
exigir- se sempre a fundamentação do regime imposto, ainda que se trate de crime hediondo
ou equiparado. 3. Na situação em análise, em que o paciente, condenado a cumprir pena de
seis (6) anos de reclusão, ostenta circunstâncias subjetivas favoráveis, o regime prisional, à
luz do art. 33, § 2º, alínea b, deve ser o semiaberto. 4. Tais circunstâncias não elidem a
possibilidade de o magistrado, em eventual apreciação das condições subjetivas
desfavoráveis, vir a estabelecer regime prisional mais severo, desde que o faça em razão de
elementos concretos e individualizados, aptos a demonstrar a necessidade de maior rigor da
medida privativa de liberdade do indivíduo, nos termos do § 3º do art. 33, c/c o art. 59, do
Código Penal. 5. Ordem concedida tão somente para remover o óbice constante do § 1º do
art. 2º da Lei nº 8.072/90, com a redação dada pela Lei nº 11.464/07, o qual determina que
“[a] pena por crime previsto neste artigo será cumprida inicialmente em regime fechado“.
Declaração incidental de inconstitucionalidade, com efeito ex nunc, da obrigatoriedade de
fixação do regime fechado para início do cumprimento de pena decorrente da condenação
por crime hediondo ou equiparado. (HC 111840, Relator (a): Min. DIAS TOFFOLI,
Tribunal Pleno, julgado em 27/06/2012, PROCESSO ELETRÔNICO DJe-249 DIVULG 16-
12-2013 PUBLIC 17-12-2013).

Para o STF, o legislador não pode obrigar o Juiz a aplicar um determinado regime prisional. Assim,
atualmente é possível a aplicação de um regime aberto ou semiaberto para condenado em crime hediondo ou
equiparado.
33
Manual Caseiro
9. Livramento condicional

Direito Administrativo – De
No caso de crimes hediondos ou equiparados que tiverem resultado morte, não será cabível o
na Súmula!!!
livramento condicional.

Art. 83 do Código Penal e alterações do Art. 112 da LEP.

Situação Requisito objetivo (cumprimento de pena)

Não reincidente em crime doloso Art. 83 CP + de 1/3

Reincidente em crime doloso Art. 83 CP + de 1/2

Condenado por crime hediondo ou equiparado Art. +2/3 (vedado para o reincidente específico)
83 CP

Crime hediondo ou equiparado com resultado VEDADO


MORTE Art. 112 LEP (modificado pela Lei nº
13.964, de 2019 – anticrime).

Se a pessoa for reincidente específico (em crime hediondo), não vai ter direito ao livramento
condicional. Se o primeiro crime praticado não foi crime hediondo e o segundo crime foi crime hediondo,
pode ter direito, desde que cumpra mais de 2/3 da pena.

Se praticar crime hediondo ou equiparado com resultado morte, seja primário, seja reincidente, não
obterá livramento condicional.

10. Crimes Hediondos e Saída Temporária

De acordo com o art. 122, §§ 2º da Lei de Execução Penal, não terá direito à saída temporária a
que se refere o caput deste artigo o condenado que cumpre pena por praticar crime hediondo com
resultado morte.
Concluímos que, se for condenado apenas por crime hediondo, leia-se, sem o resultado morte, a saída
temporária é possível.

11. Prisão Temporária

34
Manual Caseiro
A prisão temporária é uma modalidade de prisão provisória, decretada antes do trânsito em julgado

Direito
da condenação, e tem natureza Administrativo
cautelar. – De
na Súmula!!!
No Brasil a prisão temporária é possível apenas na fase investigatória, por esse motivo ela não pode
ser decretada de ofício pelo juiz, dependendo de requerimento do MP ou representação da autoridade policial.

Art. 2º, § 4º, da Lei 8.072/90: “A prisão temporária, sobre a qual dispõe a Lei no 7.960, de 21 de dezembro de
1989, nos crimes previstos neste artigo, terá o prazo de 30 (trinta) dias, prorrogável por igual período em caso
de extrema e comprovada necessidade”.

• Prazo da prisão temporária nos crimes em geral: 5 + 5 dias


• Prazo da prisão temporária: 30 dias + 30 dias (em caso de extrema e comprovada necessidade).

12. Estabelecimento de Segurança Máxima

“Art. 3º da Lei 8.072/90: A União manterá estabelecimentos penais, de segurança máxima, destinados ao
cumprimento de penas impostas a condenados de alta periculosidade, cuja permanência em presídios
estaduais ponha em risco a ordem ou incolumidade pública”.

O condenado de alta periculosidade pode não ser necessariamente um condenado por crime hediondo
ou equiparado.
Cumpre destacarmos que, para o presídio federal não vão apenas os condenados pela Justiça Federal.

13. Direito de Recorrer em Liberdade

§3º Em caso de sentença condenatória, o juiz decidirá fundamentadamente se o réu poderá apelar em
liberdade.

Interpretação conforme a CF: Réu processado preso, recorre preso, salvo se desaparecerem os
fundamentos que determinaram a decretação da prisão preventiva. Por outro lado, réu processado solto, via
de regra, recorre solto, salvo se presentes os fundamentos da prisão preventiva, eis a interpretação conforme
a Constituição.

35
Manual Caseiro
Ante o exposto, contemplamos que está vedado a imposição da condição de recolhimento ao cárcere
para recorrer, devendo aDireito Administrativo
sua decretação – De
quando necessária ser fundamentada, em observância ao art.93,IX,
da CF. na Súmula!!!

14. Qualificadora do Delito de Associação Criminosa

A Lei de crimes hediondos passou a prever uma espécie de qualificadora para o crime de associação
criminosa, delito previsto ao teor do art. 288 do Código Penal, disciplinando que será de 3 a 6 anos de
reclusão a pena prevista no art. 288 do Código Penal, quando se tratar de crimes hediondos, prática de
tortura, tráfico ilícito de entorpecentes e drogas afins ou terrorismo.

Assim, se o fim da associação criminosa for praticar crimes hediondos e/ou equiparados a hediondos
(3T), a pena será mais grave, ou seja, trata-se de uma modalidade qualificada de associação criminosa.

Nesse sentido, dispõe o texto legal, art. 8º“será de três a seis anos de reclusão a pena prevista no
art. 288 do Código Penal, quando se tratar de crimes hediondos, prática da tortura, tráfico ilícito de
entorpecentes e drogas afins ou terrorismo”.

Se a prática da associação criminosa for para cometer tráfico de drogas não


irá incidir a qualificadora ora em comento, visto que a legislação especial, ei
11.343/2006, possui regramento especifico, que refere-se ao crime de associação para o tráfico, que se
contenta com a figura de dois agentes apenas.

15. Já Caiu. Vamos Treinar?

1. Ano: 2019 Banca: CESPE / CEBRASPE Órgão: TJ-PA Prova: CESPE - 2019 - TJ-PA - Juiz de
Direito Substituto. Conforme a Lei n.º 8.072/1990, é considerado hediondo o crime de:

A. favorecimento da prostituição ou de outra forma de exploração sexual de mulheres.


B. infanticídio.
C. extorsão qualificada por qualquer resultado.
D. lavagem de dinheiro.
E. epidemia com resultado morte.

Gab. ERRADO.

36
Manual Caseiro
2. Ano: 2019 Banca: CESPE / CEBRASPE Órgão: TJ-AM Prova: CESPE - 2019 - TJ-AM - Analista
Judiciário – Direito.
Direito Administrativo
Júnia, de quatorze – De
anos de idade, acusa Pierre, de dezoito anos de idade, de
na Súmula!!!
ter praticado crime de natureza sexual consistente em conjunção carnal forçada no dia do último
aniversário da jovem. Pierre, contudo, alega que o ato sexual foi consentido. A respeito dessa
situação hipotética, julgue o item a seguir, tendo como referência aspectos legais e jurisprudenciais
a ela relacionados.

Se Pierre for condenado por estupro, o regime de cumprimento de pena será integralmente fechado, por
se tratar de crime hediondo.

Gab. ERRADO.

3. Ano: 2019 Banca: FCC Órgão: TJ-MA Prova: FCC - 2019 - TJ-MA - Analista Judiciário - Direito
Segundo o que dispõe a legislação nacional acerca dos crimes hediondos (Lei n° 8.072/1990):

A. o feminicídio não consta do rol dos crimes hediondos.


B. o crime de favorecimento da prostituição ou de outra forma de exploração sexual de criança ou
adolescente ou de vulnerável é hediondo.
C. o crime de corrupção é definido como hediondo de acordo com o ordenamento jurídico.
D. o delito de exposição a perigo embarcação ou aeronave, própria ou alheia, ou praticar qualquer ato
tendente a impedir ou dificultar navegação marítima, fluvial ou aérea é hediondo, conforme o Código
Penal.
E. o crime de lesão corporal dolosa, em nenhuma de suas modalidades, é, para efeito da lei brasileira,
hediondo.

Gab. B.

4. Ano: 2018 Banca: CESPE / CEBRASPE Órgão: Polícia Federal Prova: CESPE - 2018 - Polícia
Federal - Delegado de Polícia Federal. Em cada item que se segue, é apresentada uma situação
hipotética seguida de uma assertiva a ser julgada com relação a crime de tortura, crime hediondo,
crime previdenciário e crime contra o idoso.

37
Manual Caseiro
Paula, proprietária de uma casa de prostituição, induziu e passou a explorar sexualmente duas garotas de

Direito
quinze anos de idade. Administrativo
Nessa situação, – De
o crime praticado por Paula é hediondo e, por isso, insuscetível de
anistia, graça e indulto. na Súmula!!!

Gab. CERTO.

5. Ano: 2018 Banca: FCC Órgão: DPE-AM Prova: FCC - 2018 - DPE-AM - Defensor Público –
Reaplicação. À luz do que dispõe o direito brasileiro sobre os crimes hediondos,

A. somente recebem essa classificação os crimes consumados em razão do princípio da reserva legal.
B. é obrigatória a fixação de regime inicial fechado para o cumprimento da pena.
C. todas as modalidades de tráfico de drogas são equiparadas a crime hediondo, o que não ocorre no crime
de associação para o tráfico.
D. sua prática autoriza a majoração da pena-base acima do mínimo legal.
E. existe vedação legal expressa à concessão dos institutos da graça e do indulto.

Gab. ERRADO.

6. Ano: 2018. Banca: NUCEPE Órgão: PC-PI Prova: NUCEPE - 2018 - PC-PI - Delegado de Polícia
Civil. Acerca dos Crimes hediondos, marque a alternativa CORRETA.

A. São considerados hediondos o Infanticídio e o Estupro.


B. A tentativa de homicídio simples ou de homicídio qualificado constituem-se crimes hediondos.
C. É possível a liberdade provisória aos autores de crimes hediondos e equiparados.
D. Dependendo da gravidade do crime, é cabível ao juiz classificar o crime como hediondo.
E. Tratando-se de crime hediondo ou equiparado, o condenado por crime de tortura, em qualquer
modalidade, deverá iniciar o cumprimento da pena em regime fechado.

Gab. CERTO.

7. Ano: 2018 Banca: CESPE / CEBRASPE Órgão: EBSERH Prova: CESPE - 2018 - EBSERH –
Advogado. Julgue o item seguinte, relativos aos tipos penais dispostos no Código Penal e nas leis
penais extravagantes.

38
Manual Caseiro
O ordenamento jurídico nacional adotou o critério legal para a tipificação dos crimes hediondos, sendo

Direito
vedado ao juiz, em caso concreto,Administrativo – De
fixar a hediondez de um delito ou excluí-la em razão de sua gravidade
ou forma de execução. na Súmula!!!

Gab. CERTO.

8. Ano: 2018 Banca: CESPE / CEBRASPE Órgão: PC-MA Prova: CESPE - 2018 - PC-MA - Escrivão
de Polícia Civil. Conforme a legislação pertinente, considera-se crime hediondo:

A. o favorecimento da exploração sexual de pessoas adultas.


B. o estupro de vulnerável tentado.
C. a lesão corporal dolosa de natureza grave.
D. o sequestro.
E. a extorsão simples.

Gab. B.

9. (Ano: 2015. Banca: FUNIVERSA. Órgão: PC-DF. Prova: Delegado de Polícia). A respeito dos
crimes hediondos, assinale a alternativa correta com base na legislação de regência.

A. O crime de epidemia com resultado morte não é considerado hediondo.


B. Os crimes hediondos são insuscetíveis de anistia, graça e indulto, embora lhes seja admitida fiança.
C. A pena do condenado por crime hediondo deverá ser cumprida em regime integralmente fechado, apesar
de haver precedente jurisprudencial em que se admite o cumprimento da pena em regime inicialmente
fechado.
D. Se o crime hediondo de extorsão mediante sequestro for cometido por quadrilha ou bando, o coautor que
denunciá-lo à autoridade, facilitando a libertação do sequestrado, será beneficiado com a redução da pena
de um a dois terços.
E. Entre os crimes hediondos previstos na lei, apenas as condutas consumadas são consideradas hediondas;
as tentadas configuram a modalidade simples de crime.

Gab. D.

39
Manual Caseiro
10. (Ano: 2017. Banca: CESPE. Órgão: PC-GO. Prova: Delegado de Polícia Substituto). A respeito de

Direito
crimes hediondos, assinale Administrativo
a opção correta. – De
na Súmula!!!
A. Embora tortura, tráfico de drogas e terrorismo não sejam crimes hediondos, também são insuscetíveis de
fiança, anistia, graça e indulto.
B. Para que se considere o crime de homicídio hediondo, ele deve ser qualificado.
C. Considera-se hediondo o homicídio praticado em ação típica de grupo de extermínio ou em ação de
milícia privada.
D. O crime de roubo qualificado é tratado pela lei como hediondo.
E. Aquele que tiver cometido o crime de favorecimento da prostituição ou outra forma de exploração sexual
no período entre 2011 e 2015 não responderá pela prática de crime hediondo.

Gab. A.

16. Informativos

• Com a revogação do art. 224 do CP pela Lei 12.015/2009, há de ser redimensionada a pena
aplicada ao condenado, subtraindo-lhe o acréscimo sofrido em razão do aumento da pena
previsto no art. 9º da Lei nº 8.072/90, que foi tacitamente revogado

A causa de aumento prevista no art. 9º da Lei de Crimes Hediondos foi tacitamente revogada pela Lei nº
12.015/2009, considerando que esta Lei revogou o art. 224 do CP, que era mencionado pelo referido art. 9º.
Se um indivíduo foi condenado, antes da Lei nº 12.015/2009, pela prática de estupro contra menor de 14
anos com a incidência da causa de aumento do art. 9º da Lei de Crimes Hediondos, esta majorante deverá
ser retirada de sua condenação por força da novatio legis in mellius (art. 2º, parágrafo único, do CP). Diante
da revogação do art. 224 do CP pela Lei nº 12.015/2009, ainda que o fato delituoso seja anterior a esta
alteração, é o caso de se decotar da pena do condenado o acréscimo baseado no art. 9º da Lei nº 8.072/90.
STF. Plenário. HC 100181/RS, rel. orig. Min. Marco Aurélio, red. p/ o ac. Min. Alexandre de Moraes,
julgado em 15/8/2019 (Info 947).

• Regime inicial de pena no caso do crime de tortura

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Manual Caseiro
O Plenário do STF, ao julgar o HC 111.840/ES, declarou incidentalmente a inconstitucionalidade do § 1º,

Direito
do art. 2º, da Lei nº 8.072/90, com aAdministrativo
redação que lhe foi dada –
pelaDe
Lei nº 11.464/2007, afastando, dessa
na
forma, a obrigatoriedade do regime inicial Súmula!!!
fechado para os condenados por crimes hediondos e equiparados,
incluído aqui o crime de tortura. Dessa forma, não é obrigatório que o condenado por crime de tortura inicie
o cumprimento da pena no regime prisional fechado. STJ. 5ª Turma. HC 383090/SP, Rel. Min. Joel Ilan
Paciornik, julgado em 21/03/2017. STJ. 6ª Turma. RHC 76642/RN, Rel. Min. Maria Thereza de Assis
Moura, julgado em 11/10/2016. Obs: existe um julgado da 1ª Turma do STF afirmando que o regime inicial
no caso de tortura deveria ser obrigatoriamente o fechado: HC 123316/SE, Rel. Min. Marco Aurélio, julgado
em 9/6/2015. Penso que se trata de uma posição minoritária e isolada do Min. Marco Aurélio. Os demais
Ministros acompanharam o Relator mais por uma questão de praticidade do que de tese jurídica. Isso porque
os demais Ministros entendiam que, no caso concreto, nem caberia habeas corpus, considerando que já havia
trânsito em julgado. No entanto, eles não aderiram expressamente à tese do Relator. Não há fundamento que
justifique o § 1º do art. 2º da Lei nº 8.072/90 (que obriga o regime inicial fechado para crimes hediondos) ter
sido declarado inconstitucional e o § 7º do art. 1º da Lei nº 9.455/97 (que prevê regra semelhante para um
crime equiparado a hediondo) não o ser. Em provas de concurso, deve-se ter atenção para a redação do
enunciado.

• Estupro e atentado violento ao pudor são hediondos ainda que praticados na forma simples

Os crimes de estupro e atentado violento ao pudor, mesmo que cometidos antes da edição da Lei nº
12.015/2009, são considerados hediondos, ainda que praticados na forma simples. Em outras palavras, seja
antes ou depois da Lei nº 12.015/2009, toda e qualquer forma de estupro (ou atentado violento ao pudor) é
considerada crime hediondo, sendo irrelevante que a prática de qualquer deles tenha causado, ou não, lesões
corporais de natureza grave ou morte. STJ. 3ª Seção. REsp 1110.520-SP, Rel. Min. Maria Thereza de Assis
Moura, julgado em 26/9/2012 (Info 505). STF. 1ª Turma. HC 100612/SP, rel. orig. Min. Marco Aurélio, red.
p/ o acórdão Min. Roberto Barroso, julgado em 16/8/2016 (Info 835).

• O regime inicial de pena nos crimes hediondos não precisa ser obrigatoriamente o fechado

A hediondez ou a gravidade abstrata do delito não obriga, por si só, o regime prisional mais gravoso, pois o
juízo, em atenção aos princípios constitucionais da individualização da pena e da obrigatoriedade de
fundamentação das decisões judiciais, deve motivar o regime imposto observando a singularidade do caso
concreto. Assim, é inconstitucional a fixação de regime inicial fechado com base unicamente na hediondez
do delito. STF. 1ª Turma. ARE 935967 AgR, Rel. Min. Edson Fachin, julgado em 15/03/2016. STF. 2ª
41
Manual Caseiro
Turma. HC 133617, Rel. Min. Gilmar Mendes, julgado em 10/05/2016. É inconstitucional a fixação ex lege,
com base no art. 2º, § Direito Administrativo
1º, da Lei 8.072/1990, do regime inicial–fechado,
De devendo o julgador, quando da
na Súmula!!!
condenação, ater-se aos parâmetros previstos no artigo 33 do Código Penal. STF. Plenário. ARE 1052700
RG, Rel. Min. Edson Fachin, julgado em 02/11/2017.

• A causa de aumento prevista no art. 9º da Lei 8.072/90 foi tacitamente revogada

O entendimento do STJ e do STF é no sentido de que a causa de aumento prevista no art. 9º da Lei de Crimes
Hediondos foi revogada tacitamente pela Lei nº 12.015/2009, considerando que esta Lei revogou o art. 224
do CP, que era mencionado pelo referido art. 9º. STF. Primeira Turma. HC 111246/AC, Rel. Min. Dias
Toffoli, julgado em 11/12/2012 (Info 692).

17. Legislação

Art. 1o São considerados hediondos os seguintes crimes, III - extorsão qualificada pela restrição da liberdade da vítima,
todos tipificados no Decreto-Lei no 2.848, de 7 de dezembro ocorrência de lesão corporal ou morte (art. 158, §
de 1940 - Código Penal, consumados ou 3º); (Redação dada pela Lei nº 13.964, de 2019)
tentados: (Redação dada pela Lei nº 8.930, de
1994) (Vide Lei nº 7.210, de 1984) IV - extorsão mediante seqüestro e na forma qualificada (art.
159, caput, e §§ lo, 2o e 3o); (Inciso incluído pela
I - homicídio (art. 121), quando praticado em atividade típica Lei nº 8.930, de 1994)
de grupo de extermínio, ainda que cometido por um só agente,
e homicídio qualificado (art. 121, § 2º, incisos I, II, III, IV, V, V - estupro (art. 213, caput e §§ 1o e
VI, VII e VIII); (Redação dada pela Lei nº 13.964, de 2019) 2o); (Redação dada pela Lei nº 12.015, de 2009)

I-A – lesão corporal dolosa de natureza gravíssima (art. 129, VI - estupro de vulnerável (art. 217-A, caput e §§ 1o, 2o, 3o e
§ 2o) e lesão corporal seguida de morte (art. 129, § 3o), quando 4o); (Redação dada pela Lei nº 12.015, de 2009)
praticadas contra autoridade ou agente descrito nos arts.
142 e 144 da Constituição Federal, integrantes do sistema VII - epidemia com resultado morte (art. 267, §
prisional e da Força Nacional de Segurança Pública, no 1o). (Inciso incluído pela Lei nº 8.930, de 1994)
exercício da função ou em decorrência dela, ou contra seu
cônjuge, companheiro ou parente consanguíneo até terceiro
VII-A – (VETADO) (Inciso incluído pela Lei nº
grau, em razão dessa condição; (Incluído pela Lei
9.695, de 1998)
nº 13.142, de 2015)
VII-B - falsificação, corrupção, adulteração ou alteração de
II - roubo: (Redação dada pela Lei nº 13.964, de 2019) produto destinado a fins terapêuticos ou medicinais (art.
273, caput e § 1o, § 1o-A e § 1o-B, com a redação dada
a) circunstanciado pela restrição de liberdade da vítima (art. pela Lei no 9.677, de 2 de julho de 1998). (Inciso
157, § 2º, inciso V); (Incluído pela Lei nº 13.964, de 2019) incluído pela Lei nº 9.695, de 1998)

b) circunstanciado pelo emprego de arma de fogo (art. 157, § VIII - favorecimento da prostituição ou de outra forma de
2º-A, inciso I) ou pelo emprego de arma de fogo de uso exploração sexual de criança ou adolescente ou de vulnerável
proibido ou restrito (art. 157, § 2º-B); (Incluído pela Lei nº (art. 218-B, caput, e §§ 1º e 2º). (Incluído pela Lei nº 12.978,
13.964, de 2019) de 2014)

c) qualificado pelo resultado lesão corporal grave ou morte IX - furto qualificado pelo emprego de explosivo ou de
(art. 157, § 3º); (Incluído pela Lei nº 13.964, de 2019) artefato análogo que cause perigo comum (art. 155, § 4º-
A). (Incluído pela Lei nº 13.964, de 2019)
42
Manual Caseiro
Parágrafo único. Consideram-se também hediondos, tentados Art. 4º (Vetado).
ou consumados: (Redação dada pela Lei nº 13.964, de
2019) Direito Administrativo –art.De
Art. 5º Ao 83 do Código Penal é acrescido o seguinte
inciso:
I - o crime de genocídio, previsto nos arts. 1º, 2º ena
3º daSúmula!!!
Lei
nº 2.889, de 1º de outubro de 1956; (Incluído pela Lei nº "Art. 83. ..............................................................
13.964, de 2019)
........................................................................
II - o crime de posse ou porte ilegal de arma de fogo de uso
proibido, previsto no art. 16 da Lei nº 10.826, de 22 de V - cumprido mais de dois terços da pena, nos casos de
dezembro de 2003; (Incluído pela Lei nº 13.964, de 2019) condenação por crime hediondo, prática da tortura, tráfico
ilícito de entorpecentes e drogas afins, e terrorismo, se o
III - o crime de comércio ilegal de armas de fogo, previsto apenado não for reincidente específico em crimes dessa
no art. 17 da Lei nº 10.826, de 22 de dezembro de natureza."
2003; (Incluído pela Lei nº 13.964, de 2019)
Art. 6º Os arts. 157, § 3º; 159, caput e seus §§ 1º, 2º e 3º; 213;
IV - o crime de tráfico internacional de arma de fogo, 214; 223, caput e seu parágrafo único; 267, caput e 270; caput,
acessório ou munição, previsto no art. 18 da Lei nº 10.826, de todos do Código Penal, passam a vigorar com a seguinte
22 de dezembro de 2003; (Incluído pela Lei nº 13.964, de redação:
2019)
"Art. 157. .............................................................
V - o crime de organização criminosa, quando direcionado à
prática de crime hediondo ou equiparado. (Incluído pela § 3º Se da violência resulta lesão corporal grave, a pena é de
Lei nº 13.964, de 2019) reclusão, de cinco a quinze anos, além da multa; se resulta
morte, a reclusão é de vinte a trinta anos, sem prejuízo da
Art. 2º Os crimes hediondos, a prática da tortura, o tráfico multa.
ilícito de entorpecentes e drogas afins e o terrorismo são
insuscetíveis de: (Vide Súmula Vinculante) ........................................................................

I - anistia, graça e indulto; Art. 159. ...............................................................

II - fiança. (Redação dada pela Lei nº 11.464,


Pena - reclusão, de oito a quinze anos.
de 2007)
§ 1º .................................................................
§ 1o A pena por crime previsto neste artigo será cumprida
inicialmente em regime fechado. (Redação dada
pela Lei nº 11.464, de 2007) Pena - reclusão, de doze a vinte anos.

§ 2º (Revogado pela Lei nº 13.964, de 2019) § 2º .................................................................

Pena - reclusão, de dezesseis a vinte e quatro anos.


§ 3o Em caso de sentença condenatória, o juiz decidirá
fundamentadamente se o réu poderá apelar em
liberdade. (Redação dada pela Lei nº 11.464, de § 3º .................................................................
2007)
Pena - reclusão, de vinte e quatro a trinta anos.
o o
§ 4 A prisão temporária, sobre a qual dispõe a Lei n 7.960,
de 21 de dezembro de 1989, nos crimes previstos neste artigo, ........................................................................
terá o prazo de 30 (trinta) dias, prorrogável por igual período
em caso de extrema e comprovada Art. 213. ...............................................................
necessidade. (Incluído pela Lei nº 11.464, de
2007) Pena - reclusão, de seis a dez anos.

Art. 3º A União manterá estabelecimentos penais, de Art. 214. ...............................................................


segurança máxima, destinados ao cumprimento de penas
impostas a condenados de alta periculosidade, cuja Pena - reclusão, de seis a dez anos.
permanência em presídios estaduais ponha em risco a ordem
ou incolumidade pública.
........................................................................

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Manual Caseiro
Art. 223. ............................................................... Art. 8º Será de três a seis anos de reclusão a pena prevista
no art. 288 do Código Penal, quando se tratar de crimes
Pena - reclusão, de oito a doze anos. Direito Administrativo – De hediondos, prática da tortura, tráfico ilícito de entorpecentes
e drogas afins ou terrorismo.
na Súmula!!!
Parágrafo único. ........................................................
Parágrafo único. O participante e o associado que denunciar
à autoridade o bando ou quadrilha, possibilitando seu
Pena - reclusão, de doze a vinte e cinco anos.
desmantelamento, terá a pena reduzida de um a dois terços.
........................................................................
Art. 9º As penas fixadas no art. 6º para os crimes capitulados
nos arts. 157, § 3º, 158, § 2º, 159, caput e seus §§ 1º, 2º e
Art. 267. ............................................................... 3º, 213, caput e sua combinação com o art. 223,
caput e parágrafo único, 214 e sua combinação com oart. 223,
Pena - reclusão, de dez a quinze anos. caput e parágrafo único, todos do Código Penal, são
acrescidas de metade, respeitado o limite superior de trinta
........................................................................ anos de reclusão, estando a vítima em qualquer das hipóteses
referidas no art. 224 também do Código Penal.
Art. 270. ...............................................................
Art. 10. O art. 35 da Lei nº 6.368, de 21 de outubro de 1976,
Pena - reclusão, de dez a quinze anos. passa a vigorar acrescido de parágrafo único, com a seguinte
redação:
......................................................................."
"Art. 35. ................................................................
Art. 7º Ao art. 159 do Código Penal fica acrescido o seguinte
parágrafo: Parágrafo único. Os prazos procedimentais deste capítulo
serão contados em dobro quando se tratar dos crimes
previstos nos arts. 12, 13 e 14."
"Art. 159. ..............................................................
Art. 11. (Vetado).
........................................................................
Art. 12. Esta lei entra em vigor na data de sua publicação.
§ 4º Se o crime é cometido por quadrilha ou bando, o co-autor
que denunciá-lo à autoridade, facilitando a libertação do
seqüestrado, terá sua pena reduzida de um a dois terços." Art. 13. Revogam-se as disposições em contrário.

18. Referências bibliográficas

https://www.dizerodireito.com.br/2014/05/lei-129782014-favorecimento-da.html <Acesso em 22.05.2020>


http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L8072compilada.htm <Acesso em 22.05.2020>
https://www.buscadordizerodireito.com.br/jurisprudencia/listar/?categoria=11&subcategoria=116 <Acesso
em 22.05.2020>
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2019-2022/2019/lei/L13964.htm <Acesso em 22.05.2020>
https://www.qconcursos.com/questoes-de-
concursos/questoes?discipline_ids%5B%5D=9&publication_year%5B%5D=2020&subject_ids%5B%5D=
17455 <Acesso em 22.05.2020>

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