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Ensaios de campo e sua aplicação no cálculo de fundações profundas: Estudo


de caso de uma creche de múltiplos andares

Conference Paper · October 2016


DOI: 10.20906/CPS/CB-04-0142

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Reinaldo Santos
University of São Paulo
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O Futuro Sustentável do Brasil passa por Minas
COBRAMSEG 2016 – Cong. Brasileiro Mec. dos Solos e Eng. Geotécnica – 19-22 Outubro, Belo Horizonte, Minas Gerais, Brasil
© ABMS, 2016

Ensaios de Campo e sua Aplicação no Cálculo de Fundações


Profundas: Estudo de Caso de uma Creche de Múltiplos Andares
Reinaldo Luiz dos Santos
Universidade Federal de Viçosa, Viçosa, Brasil, rei.sants@hotmail.com

Cíntia Ferreira Gomes


Universidade Federal de Viçosa, Viçosa, Brasil, cintiafegomes@hotmail.com

Enivaldo Minette
Universidade Federal de Viçosa, Viçosa, Brasil, eminette@ufv.br

RESUMO: Conhecer as condições do subsole é um pré-requisito fundamental para o projeto de


fundações seguras e econômicas. As informações geotécnicas obtidas das sondagens são
indispensáveis à previsão dos custos associados ao projeto. Independente da natureza do projeto
geotécnico, estes são normalmente executados com base em ensaios de campo, pois revelam uma
noção satisfatória da estratigrafia do subsolo. Devido à natureza predominantemente investigativa,
alguns ensaios visam apenas à identificação dos materiais das camadas do subsolo e a sua disposição.
O Teste de Penetração Padrão (SPT) é um tipo de ensaio in situ que permite tanto a retirada de
amostras deformadas e a determinação do nível de água, quanto a medida do índice de resistência à
penetração dinâmica. O Pressiômetro de Ménard (PMT) e o Dilatômetro de Marchetti (DMT)
permitem a medição direta de propriedades in situ, sem a necessidade de coletar amostras. No Brasil,
o ensaio SPT é normalizado pela ABNT NBR 6484:2001. Já os ensaios PMT e DMT não possuem
norma específica brasileira, sendo utilizadas assim, as normas Eurocode 7 e ASTM D4719, e ASTM
D663, respectivamente. Os resultados dos ensaios foram utilizados com o objetivo de calcular a
fundação de uma edificação de múltiplos pavimentos, além de fornecer conhecimentos teórico e
prático sobre os ensaios citados. O prédio será a sede da Creche “CENTRO EDUCACIONAL E
AÇÃO SOCIAL SÃO SEBASTIÃO”, localizado no Bairro Inácio Martins, Viçosa, Minas Gerais.
Para o dimensionamento da estrutura, utilizaram-se os métodos de Décourt-Quaresma, Aoki-Velloso,
Powell, e um último utilizando os dados do PMT. Para o projeto, escolheram-se fundações em estacas,
pois o solo não apresentou resistência mecânica adequada, além de apresentar grande
deformabilidade.

PALAVRAS-CHAVE: Ensaios de campo, fundação profunda, estaca, dilatômetro, pressiômetro.

1 INTRODUÇÃO identificação dos materiais das camadas do


subsolo e a sua disposição.
Conhecer as condições do subsole é um pré- O Teste de Penetração Padrão (SPT) é o
requisito fundamental para o projeto de método de sondagem mais empregado no Brasil,
fundações seguras e econômicas. principalmente em prospecção do subsolo para
Independente da natureza do projeto fins de fundações. Permite a retirada de amostras
geotécnico, estes são normalmente executados deformadas e determinação do nível d’água,
com base em ensaios de campo, pois revelam além de medir o índice de resistência à
uma noção satisfatória da estratigrafia do penetração dinâmica. É um ensaio de baixo
subsolo. custo, de fácil execução. No Brasil, o ensaio SPT
Devido à natureza predominantemente é normalizado pela ABNT NBR 6484:2001.
investigativa, alguns ensaios visam apenas à O Teste pressiométrico de Ménard (PMT)
consiste na inserção da sonda pressiométrica em

COBRAMSEG 2016
um furo de sondagem previamente escavado. Os 2.2.1 Localização
principais parâmetros obtidos diretamente do
ensaio são o módulo pressiométrico ou módulo Para investigação geotécnica realizaram-se os
Ménard (EM) e a pressão limite (PL). ensaios de campo SPT, PMT e DMT. A ABNT
O Teste dilatométrico de Marchetti (DMT) NBR 8036:83: Programação de sondagens de
consiste na expansão do diafragma presente na simples reconhecimento dos solos para
lâmina dilatométrica no subsolo. O equipamento fundações de edifícios, normatiza o número, a
é portátil e de fácil manuseio, sendo a operação locação e a profundidade das sondagens
simples e relativamente econômica realizadas em campo
Os ensaios PMT e DMT não possuem norma Na Figura 1, tem-se o mapa de locação dos
específica brasileira, sendo utilizadas assim, as furos de sondagem que foram feitos para a
normas Eurocode 7 e ASTM D4719, e ASTM realização dos ensaios de campo. Sua
D663, respectivamente localização é estabelecida de acordo com regiões
Os resultados dos ensaios foram utilizados
para o cálculo da fundação de uma edificação de
múltiplos pavimentos, localizado no município
de Viçosa, Minas Gerais. O prédio será a sede da
Creche “CENTRO EDUCACIONAL E AÇÃO
SOCIAL SÃO SEBASTIÃO”.
Para o dimensionamento da estrutura de
fundação, utilizaram-se os métodos de Décourt-
Quaresma (1978), Aoki-Velloso (1975), via SPT
e via DMT, o método de Powell et al. (2001). Os
dados via ensaio PMT não puderam ser
utilizados devido à inexistência de dados para
maiores profundidades. Entretanto os resultados
do ensaio PMT estão mostrados no presente
artigo.
Para o caso estudado, escolheram-se
fundações em estacas, pois o solo não apresentou
resistência mecânica adequada, além de
apresentar grande deformabilidade.

2 CARACTERIZAÇÃO DO SUBSOLO

2.1 Localização e caracterização do edifício


Figura 1: Croqui esquemático da localização das
O “CENTRO EDUCACIONAL E AÇÃO sondagens (fonte: autores).
SOCIAL SÃO SEBASTIÃO” está situado no
de maior carregamento e com o intuito de
Bairro Inácio Martins, na cidade de Viçosa,
abranger áreas diagonalmente opostas.
Minas Gerais.
O edifício possui quatro pavimentos, sendo:
Todos os equipamentos utilizados para
subsolo, que abrigará os serviços de
execução dos ensaios pertencem à Universidade
armazenamento, preparo e consumo de
Federal de Viçosa, sendo operados pela equipe
alimentos, e garagem; térreo, com os espaços de
técnica do Laboratório de Engenharia Civil
vivência; primeiro e segundo pavimentos, com
(LEC).
salas de aulas, administração e salas de apoio.
2.2.2 Teste de penetração padrão – SPT
2.2 Ensaios de campo

COBRAMSEG 2016
O equipamento mais comum para execução do sonda, quando é dado por encerrado o ensaio
ensaio é constituído por um tripé equipado com naquela cota.
roldanas e sarilho, que possibilita o manuseio de Realiza-se a sondagem até chegar na cota de
hastes metálicas ocas, em cuja extremidade será apoio da fundação.
acoplada os equipamentos de perfuração e Duas grandezas utilizadas no
sondagem. dimensionamento são importantes: a pressão
O procedimento de execução das sondagens é limite (PL) e o módulo de Ménard (EM). Numa
um processo repetitivo, de modo que a cada cavidade que se expande, a pressão limite
metro de solo são realizadas as mesmas corresponde a uma deformação infinita,
operações: perfuração, penetração e retirada de indicando que o solo já atingiu sua fase plástica.
amostras. O módulo de Ménard mede o comportamento
A perfuração é realizada usando trado concha, de deformação do solo quando solicitado por
trado helicoidal ou trépano de lavagem. A carregamentos, principalmente nos casos de
escolha de qual equipamento utilizar dependerá assentamento das fundações.
da sequência de execução do ensaio.
São retiradas amostras representativas do solo 2.2.4 Teste dilatométrico de Marchetti – DMT
a cada metro de profundidade por meio do
amostrador padrão acoplado nas hastes. A lâmina do dilatômetro consiste de uma
Utilizando-se o tubo de revestimento como placa de aço inoxidável, com uma membrana
referência marca-se nas hastes, com giz, um metálica circular expansível em uma das faces.
segmento de 45 cm dividido em três trechos O fornecimento de corrente elétrica e pressão de
iguais. gás para o seu funcionamento provém da
O índice de resistência à penetração (NSPT) é unidade de controle através do cabo
expresso como a soma do número de golpes eletropneumático.
requeridos para penetrar os últimos 30 cm A unidade de controle tem como funções
marcados. básicas monitorar e controlar a pressão de gás
fornecida à lâmina e tornar perceptível a posição
2.2.3 Teste pressiométrico de Ménard – PMT da membrana durante o ensaio.
O ensaio é iniciado pela inserção vertical da
A sonda pressiométrica é composta de um lâmina no solo de 20 em 20 cm de profundidade
núcleo cilíndrico de aço e três células a uma velocidade constante de 2 a 4 cm/s.
independentes, formadas por duas membranas de O ensaio é composto, basicamente, por 4
borracha superpostas. passos:
A célula do meio é preenchida com água 1. Cravação: solo empurra a membrana para
proveniente do volumímetro e é chamada de dentro. Ouve-se sinal sonoro;
“célula de medição”; as duas adjacentes são 2. Primeira expansão: retorno ao estado inicial
chamadas de “células de guarda” e são (deslocamento zero). Sinal sonoro
preenchidas com gás comprimido. interrompido. Anota-se a pressão (A);
O procedimento se baseia na introdução da 3. Segunda expansão: deslocamento de 1,1 mm
sonda pressiométrica no furo escavado a partir do estado inicial. Ouve-se sinal
previamente a cada 1 metro. A cada nível, são sonoro. Anota-se a pressão (B);
executados incrementos de igual pressão e 4. Relaxamento da membrana até o estado
realizadas leituras do volumímetro para os inicial.
tempos de 15, 30 e 60 segundos. Após as leituras a membrana, crava-se a
Obtém-se um gráfico volume versus pressão, membrana mais 20 cm, efetuando novas leituras.
chamado curva pressiométrica, onde o volume é Após a correção das leituras de pressão A e B,
aquele medido ao final de 60s após injetada a referente à rigidez da membrana, obtém-se as
pressão. pressões P1 e P0. A primeira corresponde à
Com o aumento de pressão, a parede flexível pressão necessária ao deslocamento de 1,1 mm
da célula de medição vai se expandindo da membrana e a segunda, pressão inicial para
radialmente até atingir a expansão limite da dilatá-la.

COBRAMSEG 2016
A partir dessas pressões, calculam-se três QP = A. q P (3)
parâmetros utilizados no dimensionamento:
módulo dilatométrico (ED), índice do material Em que:
(ID) e índice de tensão horizontal (KD). U é o perímetro da seção transversal da estaca;
O módulo dilatométrico não é utilizável A é a área da ponta;
sozinho, especialmente porque ele não tem l é o segmento da estaca que está sendo
informações da história de tensões, devendo ser calculado.
As tensões de ruptura de ponta (qP) e a de atrito
usado somente em combinação com as outras lateral (qL) são:
grandezas obtidas.
Geralmente o índice de material proporciona k
um perfil representativo do solo, sendo utilizado q P = F NP (4)
1
como parâmetro de classificação. Observa-se
que este índice não é resultado de uma análise α.k
qL = NL (5)
granulométrica, e sim um parâmetro que reflete F2

um comportamento mecânico, possivelmente


algum tipo de índice de rigidez. Os coeficientes e K são tabelados e
O índice de tensão horizontal é definido de dependem do tipo de solo. Os valores F1 e F2 são
forma análoga ao coeficiente de empuxo no fatores de correção, visto que o método foi
repouso (K0) e o seu perfil é similar, na forma, desenvolvido considerando a penetração de um
ao perfil da razão de pré-adensamento (OCR). cone.
Os valores NP e NL são, respectivamente, o
índice de resistência a penetração (NSPT) na cota
3 CÁLCULOS de apoio da ponta da estaca e o índice de
resistência a penetração médio na camada de
A carga de ruptura (QU) de uma estaca é solo de espessura l.
Conhecida a carga de ruptura, a carga
QU = QL + QP (1) admissível (QA) é dada pela expressão:

Q
U
Em que: QA = F.S. (6)
QL é a parcela correspondente ao atrito lateral
ao longo do fuste e a Em que F.S. é o fator de segurança que,
QP é a parcela de resistência da ponta. adotando as recomendações da ABNT NBR
Essas parcelas são calculadas de maneira 6122:2010, deve ser igual a 2.
distinta através de métodos de cálculo
elaborados a partir dos resultados dos ensaios de 3.2 Método Decourt-Quaresma
campo realizados.
Não foi utilizada para fins de comparação a Por ser um método baseado em estacas pré-
resistência da estaca segundo os dados obtidos moldadas de concreto, são considerados os
do ensaio PMT pois não foram obtidos coeficientes  e  para o cálculo de QU,
resultados suficientes para o cálculo. Isso permitindo estender os cálculos efetuados para
ocorreu devido ao fato de se encontrar solo os demais tipos de estacas.
lamacento, dificultando a retirada do Assim, as cargas de atrito lateral e de ponta
pressiômetro. também são definidas pelas equações:
3.1 Método Aoki-Veloso QL = β. U. ∑(∆l . q L ) (7)
As cargas de atrito lateral e de ponta são QP = α. A. 𝑞𝑃 (8)
definidas pelas equações:
As tensões de ruptura de ponta (qP) e a de atrito
QL = U ∑(∆l . q L ) (2) lateral (qL) são:

COBRAMSEG 2016
q P = C. NP ′ (9)
QL = U. L. q L (14)
NL ′
q L = 10 . ( + 1) (10)
3 A resistência de ponta (QP) é dada por:
Em que:
C é função do tipo de solo. QP = K di . A. P1e (15)
NP’ corresponde à média entre os valores de
NSPT na ponta, o imediatamente anterior e o Em que:
posterior a este; P1e é a pressão P1 logo abaixo da ponta da
NL’ é o NSPT médio ao longo do fuste até a estaca.
cota de projeto. Na determinação deste último, O valor de Kdi depende do módulos de
os valores de NSPT menores que 3 devem ser elasticidade ED. Como foi utilizado estacas
considerados iguais a 3, e os maiores que 50, cravadas com ponta fechada, utiliza-se Kdi = 1,3
iguais a 50. (ED > 2) e Kdi = 0,7 (ED < 2).
A carga admissível (QA) da fundação é A carga admissível (QA) da fundação é
calculada como sendo o menor valor obtido entre calculada utilizando a equação (6).
o obtido da equação (6) e o da expressão:

Q QP 4 RESULTADOS
QU = 1,3L + (11)
4
4.1 Ensaios de campo
3.3 Correlação entre os métodos Aoki-Veloso
e Decourt-Quaresma 4.1.1 SPT

Após o cálculo das cargas admissíveis pelos dois Os resultados dos ensaios SPT se encontram na
métodos, faz-se uma média entre as capacidades Tabela 1.
de carga resultantes em cada método, obtendo-se
um valor de carga de ruptura por estaca para o Tabela 1: Resultados dos ensaios SPT.
ensaio SPT.
NSPT NSPT
Z (m) Z (m)
SPT 01 SPT 02 SPT 01 SPT 02
3.4 Método de Powell
1,0 6 6 12,0 3 4
O cálculo da fundação profunda em estacas com 2,0 6 5 13,0 3 4
base em resultados do DMT se baseia no Método 3,0 5 4 14,0 4 2
de Powell et al (2001). A resistência lateral 4,0 6 6 15,0 11 6
unitária para o caso de estacas submetidas à 5,0 2 7 16,0 12 49
compressão, é obtida pelas seguintes expressões, 6,0 3 4 17,0 15 -
dependentes do índice de material (ID). Com ID 7,0 3 2 18,0 18 -
menor que 0,6: 8,0 4 1 19,0 19 -
9,0 2 2 20,0 49 -
q L = (P1 − P0 ). (0,775 − 1,1111. ID ) (12) 10,0 11 3 21,0 41 -
11,0 5 3
Com ID maior que 0,6:
4.1.2 PMT
q L = (P1 − P0 ). 0,11 (13)
Os resultados dos ensaios PMT 01 e PMT 02 se
Observa-se que ao ocorrer uma razão entre encontram na Tabela 2 e na Tabela 3,
comprimento da estaca (L) e a largura de sua respectivamente.
seção transversal (r) maior que 50, multiplicam-
se as equações acima por 0,85.
A resistência lateral (QL) será dada por:

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Z A B P0 P1 ED
ID KD
(m) (kPa) (kPa) (kPa) (kPa) (MPa)
9,0 125 355 132 310 1,75 0,8 6,2
Tabela 2: Resultados do ensaio PMT 01.
10,0 215 465 221 420 1,1 1,4 6,9
Z P0 V0 PF VF PL EM 11,0 235 515 239 470 1,22 1,4 8,0
(m) (kPa) (kPa) (kPa) (kPa) (kPa) (kPa/cm³)
12,0 265 640 264 595 1,61 1,4 11,5
1,0 17,6 110,0 238,4 235,0 440,0 2804,4
13,0 195 340 206 295 0,65 0,9 3,1
2,0 31,7 120,0 217,1 187,0 415,0 4177,7
14,0 360 540 369 495 0,43 1,8 4,4
3,0 46,5 55,0 293,6 160,0 425,0 3673,0
15,0 335 540 343 495 0,6 1,5 5,3
4,0 30,8 124,0 305,5 220,0 443,0 4431,5
16,0 620 765 631 720 0,17 3,1 3,1
5,0 34,6 107,0 383,2 210,0 561,5 5273,1
17,0 380 1125 361 1080 2,84 1,4 25,0
6,0 25,6 37,0 240,0 173,0 325,0 2525,3
17,2 445 770 447 725 0,83 1,8 9,7
7,0 43,3 69,0 149,3 175,0 293,0 1562,0
17,4 450 850 448 805 1,06 1,8 12,4
8,0 30,6 125,0 177,1 380,0 320,0 1011,4
17,6 380 810 377 765 1,48 1,4 13,5

Tabela 3: Resultados do ensaio PMT 02. 4.2 Perfil geológico


Z P0 V0 PF VF PL EM
(m) (kPa) (kPa) (kPa) (kPa) (kPa) (kPa/cm³) O perfil geológico é representado na Figura 2.
1,0 30,0 115,0 291,2 220,0 402,9 3882,4 Este foi elaborado considerando as amostras de
2,0 30,0 115,0 233,3 275,0 300,9 2076,0 solos retiradas dos ensaios SPT.
3,0 38,0 90,0 295,7 215,0 372,9 3272,7
4,0 30,0 130,0 267,6 205,0 451,3 4817,5
5,0 30,0 115,0 287,8 215,0 422,6 4006,6
6,0 42,0 60,0 315,3 175,0 437,8 3740,2
7,0 34,0 110,0 125,4 285,0 184,5 863,6
8,0 20,0 45,0 216,3 220,0 276,7 1854,8
9,0 17,0 65,0 112,6 200,0 203,9 1133,3
10,0 17,0 60,0 327,8 325,0 380,3 2080,1
11,0 40,0 80,0 287,9 385,0 383,6 1484,7
12,0 47,0 35,0 365,6 180,0 482,2 3545,9
13,0 28,0 135,0 36,3 160,0 219,6 485,1
14,0 18,0 60,0 199,2 270,0 296,8 1466,9

4.1.3 DMT

Os resultados obtidos pelo ensaio DMT 02 se


encontram na Tabela 4.

Tabela 4: Resultados do ensaio DMT 02.

Z A B P0 P1 ED
ID KD Figura 2: Perfil geológico-geotécnico.
(m) (kPa) (kPa) (kPa) (kPa) (MPa)
1,0 210 550 211 505 1,39 11,8 10,2
2,0 115 430 117 385 2,28 3,3 9,3
3,0 150 505 150 460 2,06 2,9 10,7
4.3 Comparação entre os métodos
4,0 145 590 141 545 2,87 2,0 14,0
Conforme visto em tópico anterior, a sondagem
5,0 175 615 171 570 2,33 2,0 13,8
PMT não teve resultados suficientes até uma
6,0 165 505 166 460 1,77 1,6 10,2
profundidade considerável. Assim, este ensaio
7,0 115 385 120 340 2,01 1,0 7,7
não foi utilizado para comparação.
8,0 205 515 208 470 1,4 1,6 9,1

COBRAMSEG 2016
A comparação entre os resultados, então, foi obtidas pelos métodos ocorre devido à
feita considerando as resistências encontradas resistência de ponta: no método de Powell et all,
pelo SPT 02 e DMT 02 na cota final da obtém-se 27,6 kN na cota de 15 metros; jáa
sondagem SPT 02 (15 metros). média entre Aoki-Velloso e Decourt-Quaresma,
Na Tabela 5, encontram-se as relações entre a 152,8 kN, mais que o quíntuplo da primeira.
carga admissível (em kN) obtida do DMT 02
com a do SPT 02, na cota de 15 metros, SPT 02 DMT 02
considerando estacas de 17, 20 e 23 centímetros
de lado. Resistência de Ruptura - QU (kN)
0 100 200 300 400
Tabela 5: Relação entre as cargas admissíveis. 0
1
2
Estaca 3
Ensaio 4

Profundidade (m)
17 cm 20 cm 23 cm 5
DMT 02 155,5 185,8 217,0 6
7
SPT 02 215,3 265,7 318,0 8
9
10
Observa-se que a carga admissível gerada 11
12
pelo método de Powell et all corresponde a 13
14
aproximadamente 70% daquela apresentada pela 15
média dos métodos Aoki-Velloso e Decourt-
Figura 4: Resistência de ruptura até a cota de 15 metros.
Quaresma.
A evolução da resistência lateral e a
resistência à ruptura na cota de 15 metros, Por ser um método ainda sem muita
considerando estacas de 17 cm de lado, são comprovação real de obras, o método de Powell
apresentadas nas Figuras 3 e 4, respectivamente. et al. não foi empregado no cálculo definitivo da
fundação profunda da edificação, adotando a
SPT 02 DMT 02 média dos resultados obtidos pelos métodos de
Aoki-Velloso e Décourt-Quaresma.
Resistência Lateral - QL (kN) Para a sondagem SPT 01, foram consideradas
0 50 100 150 200 250 300 as resistências lateral e de ponta na cota de 19
0
1
metros, e 15 metros para SPT 02, pois são nessas
2 profundidades que se encontram os últimos NSPT
3
4 menores que 25 (ver Tabela 1). Este valor é
Profundidade (m)

5 encontrado na literatura, e serve como parâmetro


6
7 para findar a cravação de estacas pré-moldadas
8 de concreto, com a finalidade de se evitar
9
10 quebras ou possíveis flambagens na estrutura de
11
12
fundação.
13
14
15
6 CONCLUSÃO
Figura 3: Evolução da resistência lateral (QL).

Como pode ser aferido da figura acima, a Qualquer projeto de engenharia requer uma
evolução da resistência lateral entre os métodos identificação e avaliação adequada das
de cálculo praticamente segue a mesma características e propriedades dos solos do local
tendência: geram resultados próximos bem de implantação da obra. A ausência de
próximos, com diferenciação entre 5 e 10 informações suficientes e adequadas leva ao
metros. superdimensionamento.
Na Figura 4, observa-se que a diferença de Assim, a realização de ensaios de campo é
praticamente 30% entre as cargas admissíveis essencial e indispensável para a execução de um

COBRAMSEG 2016
projeto de fundação de qualidade e um Associação Brasileira de Normas Técnicas. NBR 13441:
dimensionamento econômico e seguro. Rochas e solos. Rio de Janeiro, 1995. 13 p.
Cunha, M.R.B. (2014) Aplicações e evolução do ensaio de
Para este trabalho, o ensaio de campo determinação de empuxos em solos pelo método do
determinante para o cálculo do projeto de dilatômetro de Marchetti, Trabalho de Conclusão de
fundação do “CENTRO EDUCACIONAL E Curso - Curso de Engenharia Civil, Centro
AÇÃO SOCIAL SÃO SEBASTIÃO” foi o SPT. Universitário de Formiga – Unifor, 61 p.
A capacidade de carga obtida pelos resultados Frank, R. (2003) Calcul des Fondations Superficielles et
Profondes, Presses de l´École Nationale des Ponts et
do DMT apresentou valor próximo ao do SPT, Caussées, Nancy, FRA 141 p.
porém, por ser um método ainda em Lobo, B.O. (2005) Método de previsão de capacidade de
desenvolvimento, não é característica principal carga de estacas: aplicação dos conceitos de energia
deste ensaio ser utilizado no cálculo da do ensaio SPT, Dissertação de Mestrado, Curso de
capacidade de carga das estacas. Engenharia Civil, Escola de Engenharia, Universidade
Federal do Rio Grande do Sul, 139 p.
Marchezini, S.F. (2013) Comparação entre métodos
estáticos e dinâmicos de previsão de capacidade de
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COBRAMSEG 2016

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