Rev Saúde Pública 2004;38(5):687-94

www.fsp.usp.br/rsp

$&%

Impacto funcional da internação hospitalar de pacientes idosos Functional impact of hospitalization among elderly patients
Ana Barros Siqueiraa, Renata Cereda Cordeiroa, Monica Rodrigues Perracinia e Luiz Roberto Ramosb
a b

Universidade Federal Paulista. Escola Paulista de Medicina (Unifesp-EPM). São Paulo, SP, Brasil. Departamento de Medicina. Unifesp-EPM. São Paulo, SP, Brasil

Descritores Saúde do idoso. Hospitalização. Avaliação geriátrica. Resultado de tratamento. Avaliação de resultados (cuidados de saúde). Qualidade de vida. Recuperação de função fisiológica.

Resumo Objetivo Descrever as alterações da capacidade funcional de idosos durante a internação hospitalar e o grau de associação dessas alterações na ocasião da alta hospitalar a variáveis sociodemográficas e clínicas. Métodos Foram estudados 94 pacientes internados em enfermaria geriátrico gerontológica de um hospital escola, com idades entre 65 e 94 anos. A primeira avaliação da capacidade funcional (número de atividades cotidianas comprometidas) dos idosos foi realizada em até 24 horas da entrada do paciente e a última, imediatamente após a alta. Os pacientes sofreram intervenções terapêuticas rotineiras por equipe interdisciplinar. Os dados foram analisados pelo teste qui-quadrado, tanto para a linha de base como em relação à análise dos resultados obtidos com a internação hospitalar (α≤0,05). Resultados Dos pacientes estudados, 25,6% obtiveram melhora na capacidade funcional, 34,0% não sofreram alterações funcionais, 19,1% pioraram funcionalmente e 21,3% faleceram durante o período. Houve correlação significante entre a piora funcional e a presença déficit cognitivo, delirium e baixa capacidade funcional na entrada no hospital. Conclusões A capacidade funcional é um importante marcador de saúde em idosos hospitalizados. A melhora funcional durante a internação está associada a menores dificuldades nas atividades diárias referidas no momento da entrada no hospital e melhores condições clínicas.

Keywords Aging health. Hospitalization. Geriatric assessment. Treatment outcome. Outcome assessment (health care). Quality of life. Recovery of function.

Abstract
Objective To describe functional capacity changes of elderly during hospitalization and to assess the correlation of these changes at the time of hospital discharge and sociodemographics and clinical variables. Methods There were studied 94 patients aged 65 to 94 years admitted to a geriatric-gerontological hospital unit of a school hospital. The first functional capacity evaluation (number of daily living activities impaired) of the elderly patients was carried out up to 24 hours after admission and the last one immediately after discharge. Routine therapeutic
Baseado em dissertação de mestrado apresentada à Universidade Federal de São Paulo, 2002. Recebido em 7/4/2003. Reapresentado em 17/3/2004. Aprovado em 10/5/2004.

Correspondência para/ Correspondence to: Ana Barros Siqueira Rua Imaculada Conceição, 81 Apto. 21 Santa Cecília 01226-020 São Paulo, SP, Brasil E-mail: anabrs@ig.com.br

25. em linhas gerais.3 Os idosos utilizam os serviços hospitalares de maneira mais intensiva que os demais grupos etários.05). Cerca de metade das internações hospitalares de idosos tem como causas mais freqüentes as doenças do aparelho circulatório e as do aparelho respiratório.fsp. a manutenção da qualidade de vida torna-se mais desafiadora. especialmente nos países subdesenvolvidos. há a necessidade de estruturação de serviços e de programas de saúde que possam responder às demandas emergentes do novo perfil epidemiológico do País. em geral.6. No Brasil. and low functional capacity at admission. Envelhecer mantendo-se íntegros o funcionamento orgânico e psicossocial não significa problema. entre os profissionais da saúde. muitas vezes.1% had worsened functionally. freqüentemente. and 21. cujos problemas de saúde poderão levar a limitações funcionais e. por uma diminuição da capacidade funcional e mudanças na qualidade de vida.10 Assim.usp. 34. quer para o indivíduo. irreversíveis. entre os idosos com idade mais avançada (80 anos e mais). 19.br/rsp interventions were performed by an interdisciplinary health care team in the study period.9 de modo a tornar imprescindível sua avaliação. A fragilidade é um construto que tem atualmente merecido esforços em sua conceituação. especialmente no tratamento de idosos que são frágeis ou apresentam vários problemas de saúde. apesar de ser amplamente utilizado. Data was analyzed using Chi-square test (α≤0.19 Frente ao envelhecimento da população idosa brasileira. projeções estatísticas indicam que a população idosa passará de 7. Considerando-se a própria idade como fator de risco para esses eventos. Results Of all patient studied. em 1991.38(5):687-94 www.5%. envolvendo maiores custos. baseados em questionários e testes rápidos de desempenho .$&& Funcionalidade em idosos hospitalizados Siqueira AB et al Rev Saúde Pública 2004. em 2025.13 Como repercussões. Desde a metade do século XX a maioria dos idosos tem-se concentrado nos países subdesenvolvidos. Functional improvement during hospitalization is associated to lesser impairment in daily activities at the time of admission and better clinical conditions.15 Estudos realizados em pacientes hospitalizados. de maneira ampla.12. os métodos de avaliação funcional devem ser os mais abrangentes possíveis. Dessa forma.6 Os idosos são mais suscetíveis a complicações causadas pelo repouso prolongado no leito durante a hospitalização. além de facilitar a pesquisa epidemiológica.5.0% had not had functional changes.16 Nas últimas décadas.4 A hospitalização é considerada de grande risco especialmente para as pessoas mais idosas. implicando no tratamento de duração mais prolongada e de recuperação mais lenta e complicada. Conclusions Functional capacity is an important marker of health in hospitalized elderly. a idéia que norteia as questões da saúde do idoso diz respeito à manutenção de vida autônoma e independente. os idosos frágeis são os indivíduos portadores de múltiplas condições crônicas. a avaliação funcional fornece dados que são importantes no prognóstico e proporcionam uma linguagem comum. estão os que já são imediatamente caracterizados como frágeis. os problemas e as queixas quanto à saúde começam a surgir. ao desenvolvimento de quadro de dependência funcional. a hospitalização é seguida.1 Durante a internação.12 Embora ainda foco de controvérsias quanto à sua conceituação. principalmente quando a discussão atinge a questão do preparo dos sistemas de saúde para acolher essa crescente demanda.6. para 15%. tornou-se tema da atualidade.3% died during the study period. os riscos a que estão sujeitos os pacientes hospitalizados. delirium. tem sido foco de atenção a importância desses problemas. Quando tais funções começam a deteriorar-se de modo a desafiar a reserva funcional do idoso e atingir seu limiar. tendo em vista suas complicações médicas. expressa pela capacidade de auto-determinação e execução de atividades de vida diária (AVD) sem necessidade de ajuda durante a velhice. Geralmente. ambulatoriais e em reabilitação. concluíram que a avaliação funcional pode detectar deficiências importantes no desempenho funcional que podem se ocultar durante os exames clínicos convencionais. sabe-se que.6% improved their functional capacity. sociais e políticas. A significant correlation was seen between functional deterioration and cognitive deficits. quer para a família e a comunidade.14 Alguns estudos têm avaliado.19 Com o envelhecimento. INTRODUÇÃO A velocidade com que ocorre o envelhecimento populacional. as avaliações do estado funcional são instrumentos de medida simples e baratos.

medida até as primeiras 24 horas da internação e a segunda. pelo método de escalonagem de Guttman. escolaridade e estado civil. A função cognitiva foi avaliada por meio do “Mini-Exame do Estado Mental” (MEEM)11 – 30 questões que obtém valores dos domínios da orientação. tomar remédios na hora certa. Obtiveram-se informações a respeito da via de entrada. “4 a 6 AVD comprometidas” e “7 e mais AVD comprometidas”. transferências posturais. pentear cabelo. caso aquele não tivesse condições clínicas de responder às questões. história de inter- nação prévia. pegar condução. As mais complexas envolvem tarefas relacionadas a atividades como fazer compras.21 a partir de funções básicas para as mais complexas. constituída por fisioterapeutas. atenção e cálculo.7 Esses achados também foram confirmados no estudo de Corral et al5 (1995).fsp.Rev Saúde Pública 2004.usp. número de medicamentos e ocorrências durante a internação (complicações. Para análise do fenômeno capacidade funcional na linha de base. Compuseram as variáveis do subgrupo sociodemográfico: sexo. Supõe-se que a internação provoque melhora funcional em vista das intervenções médico-reabilitadoras usuais e que tal melhora esteja associada a melhores escores funcionais na entrada e melhores condições clínicas durante o seguimento. subdivididas em dois grupos: sociodemográficas e clínicas. infecção do trato urinário. Os valores das variáveis clínicas foram obtidos por meio do prontuário de cada paciente. Esse instrumento permitiu obter dados de um total de 21 variáveis. “muita dificuldade”. que podem ter um valor considerável ao predizer a incidência de óbitos em hospitais. sendo a casuística composta por todos os pacientes idosos (60 anos e mais) internados em enfermaria geriátrica de um hospital-escola geral de grande porte da cidade de São Paulo. fonoaudiólogos. médicos e nutricionistas. na alta hospitalar. subir um lance de escadas e andar por perto do domicílio. que afirmam que o estado funcional é um parâmetro importante como fator de prognóstico do resultado hospitalar. “com pouca dificuldade”. assim como uma importante variável determinante de mortalidade. de julho de 2000 a agosto de 2001. Todos os pacientes participantes do estudo ou seus familiares assinaram termo de consentimento pós-informado. “1 a 3 AVD comprometidas”.17 instrumentos adaptados transculturalmente e validados para o idioma português. enfermeiras. A avaliação inicial foi executada por meio de instrumento multidimensional que emprega fontes de informação indiretas (questionário estruturado e dados de prontuários). considerou- . idade. Os pacientes receberam intervenção individualizada rotineira pela equipe interdisciplinar da referida enfermaria. O instrumento de avaliação da capacidade funcional dos pacientes poderia ser aplicado tanto ao paciente como ao cuidador. segundo as diretrizes do Comitê de Ética em Pesquisa da Universidade Federal de São Paulo.br/rsp Funcionalidade em idosos hospitalizados Siqueira AB et al $&' observável. ou “não realiza”). fazer limpeza de casa. 4 categorias). memória imediata. bem como o grau de associação dessas alterações verificadas na ocasião da alta hospitalar a variáveis sociodemográficas e clínicas. preparar refeições. Foi identificado o diagnóstico principal no momento da internação de acordo com a Classificação Internacional de Doenças (CID-10). considerou-se a variável “número de atividades comprometidas” (qualitativa ordinal. desidratação.38(5):687-94 www. Para a segunda medida. MÉTODOS Foi realizado estudo clínico observacional com duas medidas da capacidade funcional: a primeira. foi construída uma variável qualitativa com quatro categorias de dificuldade funcional. usar o toalete.8. A partir daí. Considerou-se como parâmetro temporal para referência do respondente às dificuldades em AVD aquelas recordadas nos últimos 30 dias que antecederiam a internação hospitalar. na ocasião da alta hospitalar. a referência temporal seria momentânea. A variável dependente do presente estudo é a capacidade funcional medida pela dificuldade auto-referida em executar 15 atividades da vida diária (AVD). Para a análise longitudinal. Considerou-se para cada tarefa funcional questionada desse instrumento quatro categorias de resposta possíveis (“sem dificuldade”. sendo a nota de corte 24 para determinar déficit cognitivo – e pelo Confusion Assessement Method (CAM). com a pontuação mínima de zero e máxima de 30 pontos. Dessa forma. insuficiência respiratória. úlceras por pressão. segundo o número de tarefas comprometidas: “nenhuma AVD comprometida”. cor. A técnica de amostragem foi consecutiva. o Brazilian OARS Multidimensional Functional Assessment Questionaire (BOMFAQ). comer. vestir-se e andar no plano. assistentes sociais. o presente estudo tem como objetivo descrever as alterações da capacidade funcional de idosos durante a internação hospitalar. e óbito). memória de evocação e linguagem. essa. organizados hierarquicamente no instrumento Order Americans Resources and Services (OARS).21 As básicas são: tomar banho.

enquanto que a maioria (em torno de 49%) apresentava sete e mais atividades comprometidas (Tabela 2).5 42. Quanto às variáveis clínicas.2 69.br/rsp Tabela 1 .9 12.fsp.Ocorrências e percentuais das doenças registradas em prontuário na entrada em idosos hospitalizados. expressa por “melhor ou igual” e “pior ou óbito” como resultados possíveis.1 14.0 24.8 54.4 13. em função do grau de comprometimento funcional expresso pela dificuldade na realização de atividades diárias. 0 21.3 13.2% eram do sexo feminino e 43.4 20.7 23. tendo sido a única variável sociodemográfica a revelar associação com capacidade funcional: quanto maior a escolaridade.0 33.279 0.6 39.9 10.014* 0. A média de idade dos pacientes com 65 a 94 anos.5 11. Foi fixado nível de significância α≤0.4 19.2 16.usp.05.2 7+ 37.0 24.1 21. tanto na entrada. Destaca ainda que o nível de escolaridade indica que 83.8 7.3 37.5 43.4 20. 54. não havia referido qualquer dificuldade funcional nos últimos 30 dias. foi de 78.344 . tivessem referido alguma dificuldade nas AVD.6 48. nutricionais e inumes Doenças do aparelho geniturinário Doenças do sangue Doenças osteoarticulares Doenças do sistema nervoso Neoplasias Doenças do aparelho digestivo Outras doenças Total 286 se a mudança da capacidade funcional durante a internação uma variável qualitativa dicotômica. ou melhor.9 17.1 100.8 26.0 42.6%). o nível descritivo obtido para as associações entre as variáveis qualitativas do estudo deu-se por meio do teste qui-quadrado. Variáveis sociodemográficas Faixa etária 65-69 75-84 85 ou mais Sexo Masculino Feminino Raça Branco Negro Amarelo Escolaridade Analfabeto ou mais baixa escolaridade Média ou mais alta escolaridade Estado civil Sem vida conjugal Com vida conjugal Total *Significância α≤0.05.0 28.0 15.385 0.1 50. quase 15%.7 50.9 13.5 54.1 17. criada a partir da diferença entre o número de AVD comprometidas referidas no momento da alta e na entrada.6 17. A Tabela 2 mostra a distribuição das ocorrências de cada variável sociodemográfica.0 18.5 13.2 20.08 anos.0% estavam classificados como média e alta escolaridade. Doenças Ocorrência % doença 57 37 31 31 27 22 18 14 12 11 10 16 60.$' Funcionalidade em idosos hospitalizados Siqueira AB et al Rev Saúde Pública 2004. dentre os quais as doenças do aparelho circulatório foram as mais freqüentes (60. aqueles que deram entrada no hospital via pron- Doenças do aparelho circulatório Transtornos mentais Doenças do aparelho respiratório Sinais e sintomas inespecíficos Doenças endócrinas.38(5):687-94 www.6 16.5 0.0 0.4 10.34±8. A classificação de resultado “pior ou óbito” foi empregada para aqueles que não tivessem apresentado dificuldades em AVD na entrada e tivessem referido dificuldades ou óbito como resultados possíveis. Além de ter-se empregado estatística descritiva simples (distribuição de ocorrências e percentagens).5 43.5 41. ou para aqueles que.7 50.0 28.2 48.2 14.7 10. menor a ocorrência de relato de dificuldade em AVD. A Tabela 1 contém informações a respeito da distribuição de diagnósticos clínicos.0%). RESULTADOS Dos 94 pacientes estudados.9 %Total p 34.7 12.7 14.0 23.0 52.3 83.9 35.Associações entre variáveis sociodemográficas e capacidade funcional em idosos hospitalizados.4 7.9 16.1 22.0 64.3 15.1 100.4%) e das doenças do aparelho respiratório (33.8 20. tanto para a análise da linha de Tabela 2 .4 33.0 base como em relação à análise dos resultados obtidos com a internação hospitalar.5 21.3 17.0 28. observa-se que a minoria.0 0.0 12. Considerou-se um resultado “melhor ou igual” aqueles pacientes que não tivessem referido dificuldade em AVD ao responder o questionário.8 44.0% eram analfabetos ou tinham baixa escolaridade e 17.9 Atividades funcionais 1-3 4-6 21.8 11.765 0. mas obtiveram uma mudança na qual tivessem expressado ausência de dificuldades na alta. houve associação entre capacidade funcional e a via de entrada. Descrevendo-se os resultados funcionais de entrada. na ocasião da entrada. seguidas dos transtornos mentais (39.5 61.8 14.8% do masculino.7 23.0 17. como na saída do hospital.

001* 100.5%).9 16.6%).4 52.4 0.2 26.1 48.2 7+ 63.2 22.2 22. enquanto 40.8 20. sendo a média de 2.1 59.0 52.3 17.4 42.4 14. de diagnóstico 1a3 4a8 MEEM <24 >24 CAM Positivo Negativo 0 6.9 5. 25.001* 0.001* Total 14.5 63.1 24.6% obtiveram melhora ou permaneceram inalterados em relação às dificuldades funcionais.0 30.2 32.38(5):687-94 www. Houve associação significante entre estado cognitivo e presença de confusão aguda na entrada com capacidade funcional (p=0. Com relação à capacidade funcional na entrada e às variáveis clínicas.00±0.05 MEEM: Mini-Exame do Estado Mental CAM: Confusion assessement method to-socorro.br/rsp Funcionalidade em idosos hospitalizados Siqueira AB et al $' Tabela 3 .05 85. com a seguinte distribuição: rebaixamento do nível de consciência (20. O tempo médio de internação foi de 12. Nenhuma associação foi encontrada entre o desempenho da capacidade funcional e as variáveis sociodemográficas. desidratação (9. as complicações hospitalares estiveram associadas às repercussões funcionais durante a internação. Conforme mostra a Tabela 5.Rev Saúde Pública 2004.5 33.4 80.0 26. 34.1 47.1 Atividades funcionais 1-3 4-6 14.81±9.4 17.4 8.7 23.8 8.2 20.6 41.5 3.8 44.3 25.9 *Significância α≤0. No momento da alta hospitalar.3 33.01).fsp.001).45 dias.8 14.2 17.9 % Total P 52.6 64.4 22.6 47.9 52.3 24.usp.8 26.2 55.0 88. Dos 94 pacientes. Como mostra a Tabela 3. infecção do trato urinário (8. Tabela 4 . 37.001* 0.1 23.0 47.4 16. exceto desidratação e infecção do trato urinário.6 11.8 28.8%).004* 0.022 0.5 3. a pior capacidade funcional está associada a pior desempenho cognitivo geral.5 20. úlcera por pressão (12. capacidade funcional na entrada e estado cognitivo em idosos hospitalizados.3 17.3 57.5 57.6 14. 19.00 0.2%).3 20.466 0. broncopneumonia (14.1 47.1 42.9%).7 80.8 19.6 16.1% apresentaram uma piora e 21.3% faleceram durante o período do estudo.0 .9 40.1 27.1 47.1 41.068 0.0 54.2 24. Variáveis Atividades funcionais P Melhor ou igual Pior ou óbito Atividades funcionais Sem comprometimento 1 a 3 comprometimentos 4 a 6 comprometimentos 7 ou mais MEEM <24 >24 CAM Positivo Negativo Total *Significância α≤0.Associações entre variáveis clínicas e capacidade funcional em idosos hospitalizados.4 17. foram os que pioraram funcionalmente ou faleceram durante a hospitalização (p<0. O mesmo se verifica em relação à história prévia de quedas (p=0.5 58. 59.Associações entre o resultado funcional da internação.001). observa-se nas Tabelas 4 e 5 que os idosos com maiores comprometimentos funcionais na entrada os que apresentaram déficit cognitivo e delirium.9 72.4 6.5%).6 27.9 52.5 10.1 24. Variáveis clínicas Via de entrada Pronto-socorro Comunidade Histórico de internação Sim Não Histórico de quedas Sim Não Dias de internação 1 a 10 11 ou mais N.0 73.9 55.0 3.015* 0.0 16. Desse modo.9 48.4% pioraram ou faleceram durante o estudo.010* 0.0% não apresentaram alteração.8 48.9 51.6% melhora- ram sua capacidade funcional.2% apresentaram complicações.3 100.4 9.6 27.6 20.6 15.1 4. e insuficiência respiratória (8. obtiveram os piores escores funcionais (Tabela 3).1 18.49 por participante.7 72.

funcional e ambiental. Não houve associação entre a faixa etária e a capacidade funcional.0 62. contrariando a literatura.14. suficientes para a verificação de declínios funcionais. nota-se que esses dados contribuem para apontar o elevado grau de dependência funcional na população internada e corroborar a idéia da necessidade de maior intensidade nos cuidados por parte da equipe que assiste o doente. Percebendo a importância dessa variável como indicadora de qualidade de serviços hospitalares.38(5):687-94 www. Dentre aqueles que faleceram durante o período de internação.7%.6 38.13 aponta a tendência à polifarmácia.usp.5 38.05.5 64. há relatos de desenvolvimento de programas destinados a obter melhores resultados na internação de pacientes idosos e de alto risco. também encontrado em outros estudos.183 100. no momento da entrada no hospital. cujos objetivos são determinar mais precisamente os problemas nas dimensões clínica.4 40. verificou-se associação significante entre os maiores comprometimentos funcionais e maiores dias de hospitalização.6 Atividades funcionais Pior ou óbito 62.9 31.331 0.3 92.18 A estratégia consiste na formação de equipes interdisciplinares.4 p 0. institucionalização e dependência funcional. Pôde-se verificar que os pacientes participantes do estudo foram admitidos em enfermaria em estado de fragilidade instalada já nos últimos 30 dias que a antecederiam.23 o que pode ser explicado pela elevada incapacidade referida pelos idosos entrevistados no presente estudo. em torno de 13 dias.0 0.14.6 59.5.16 Os resultados funcionais do presente estudo indicam que a maioria dos idosos voltou para a comuni- . como o de Lola.4 61. alguns estudos18.6.fsp.8 62.br/rsp Tabela 5 . esteve condizente com outros trabalhos nacionais.16. em relação aos 30 dias que antecederiam a hospitalização.8 12.20 houve um discreto predomínio do sexo feminino.3 87.20 Na maioria dos estudos estrangeiros.005* 0.8 55. a exemplo do presente estudo cuja medida da capacidade funcional foi realizada por meio de relatos retrospectivos.001* 0. rebaixamento do nível de consciência e broncopneumonia.9 31. Sabendo-se ser essa uma realidade entre os idosos.7 7.4 33.001* 0.1 72. Como implicação direta do estudo.6 O tempo médio de internação.1 68.5 36. visto que quase metade dos idosos relatou dificuldades em sete e mais atividades funcionais. a variação é de oito a 15 dias de hospitalização.9 27.2 37.$' Funcionalidade em idosos hospitalizados Siqueira AB et al Rev Saúde Pública 2004. sendo que a presença deste últimofoi de 27.0 100.6 apóiam o uso das medidas funcionais retrospectivas em pacientes idosos hospitalizados.6 66.Associações entre o resultado funcional da internação e complicações clínicas em idosos hospitalizados. O número médio de medicamentos em uso (3.22 têm-se dedicado a acompanhar mais de perto esses resultados.8. dado esse similar ao encontrado por Vazquez et al23 (2000). Variáveis Complicação Sim Não Rebaixamento do nível de consciência Sim Não Broncopneumonia Sim Não Úlcera por pressão Sim Não Insuficiência respiratória Sim Não Desidratação Sim Não Infecção trato urinário Sim Não Total *Significância α≤0.0 37.4 Observou-se no presente estudo correlação entre a piora da capacidade funcional ou óbito e a piora clínica nos pacientes.2 44. com medidas de intervenções clínicas e ambientais que beneficiam o idoso no período da hospitalização. evidenciando assim a importância de indicadores do estado funcional associados a variáveis clínicas. Essa informação é importante para predição de mortalidade em pacientes idosos hospitalizados.5 61. assim como de complicações como úlcera por pressão. assim como em outros estudos. Alguns autores.0 DISCUSSÃO Na amostra estudada.1 68.005* 0. O presente estudo mostrou haver associação entre a baixa capacidade funcional. déficit cognitivo e estado confusional agudo (delirium).16 Além do número elevado de dias de internação. três quartos dos participantes apresentaram baixa capacidade funcional. Melhor ou igual 37.13. psicossocial.013* 0. ou seja. bem como desenvolver estratégias de intervenção e acompanhamento.65 fármacos).

Rev Saúde Pública 1997. A saúde dos idosos brasileiros ás vésperas do século XXI: problemas.12:189-98. Blass JP. Pearson J. Desse modo. as complexidades dos problemas caracterizam a prática geriátrica como interdisciplinar. The natural history of functional morbidity in hospitalized older patients. 11. Davis RB.59:175-9. Age Ageing 2004. Predicting in hospital mortality: the importance of functional status information. Applegate WB.33:110-5. Creditor MC. 9. Med Care 1995. Iezzoni LI. Folstein SE. evidenciou-se na literatura que a capacidade funcional foi preditora de resultados de internação hospitalar expressos em tempo de permanência no hospital.48:1031-40. Fabbri R. Abraira V. a capacidade funcional é um importante marcador de saúde em idosos. Considerando-se essa reflexão. Hirsch CH. 4.74:45-53.1:1-9. Hazards of hospitalization of the elderly. Coelho Filho4 (2000) adverte que o delineamento de unidades geriátricas em diferentes níveis de atenção à saúde deve ser objeto de maior discussão e pesquisa. 5. .38(5):687-94 www. com múltiplos fatores determinantes e associados à incapacidade funcional. Mayo Clin Proc 1995. 13. Walston J. Seymour DG. 7. 3. Winograg CH. útil para identificar resultados clínico-funcionais decorrentes da internação hospitalar e permite aceitar a suposição inicialmente assumida de que a melhora funcional durante a internação esteve associada a menores dificuldades nas atividades diárias referidas no momento da entrada no hospital e melhores condições clínicas.4 Em revisão sistemática recente. Safran C. observamse programas. Rev Assoc Med Bras 1995. a fim de demonstrar a eficácia de abordagens assistenciais sistemáticas sobre a capacidade funcional de idosos submetidos à internação em enfermarias. A systematic literature review of factors affecting outcome in older medical patients admitted to hospital.38:1296-303. na ocasião da internação. Avaliação da autonomia do idoso: definição de critérios para uma abordagem positiva a partir de um modelo de interação saúde-autonomia. 2.2 2004) . GorzonI ML. Ann Inter Med 1993.31:184-200. 12. REFERÊNCIAS 1. com a participação de profissionais da área de reabilitação e a partir daí ampliam novas estratégias de intervenção com metas específicas de uma atuação articulada. Chaimowicz F. 6. acentuando assim a importância do papel da família. Sommers L.41:227-32. proporcionando uma forma de assistência intermediária entre a comunidade e a instituição. The folstein mini mental state examination: a practical method for grading the cognitive state of patientes for clinician. Autoperception and satisfaction with health: two medical care markers in elderly hospitalized patients. Quality of life as an outcome estimate of clinical practice.Rev Saúde Pública 2004. Phillips RS. Modelos de serviços hospitalares para casos agudos em idosos. J Psychiartry Res 1975. Am J Phys Med Reabil 1995. N Engl J Med 1990. no Brasil. Reability and validity of the frail elderly functional assessment questionnaire. o suporte formal não tem sido capaz de substituir o papel da família. J Clin Epidemiol 1995. Jonathan EM.34:666-71. Olsen A. Coffman GA. Os indivíduos estudados apresentaram. Farinati PTV. Chutka D. Arq Geriatr Gerontol 1997.usp. Fleming K. graves limitações. projeções. 10. J Am Geriatr Soc 1990. Recomenda-se que ensaios clínicos controlados sejam delineados a partir desses resultados obtidos. Rev Saúde Pública 2000. e alternativas. Reiley P.322:1207-13. Willians FT. Corral FP. David W.70:890-910. Muller L.18 destinados a dar acompanhamento aos pacientes que necessitam de reabilitação ou tratamento clínico imediatamente após alta hospitalar. Arq Neuropsiquiatr 2001.118:219-23. 14.33:906-21. 8. Campbell SE. Em conclusão. Chaimowicz3 (1997) afirma que. Instruments for the functional assement of older patients.fsp. Meyer J. Gloth MF. Practical functional assessment of elderly persons: a primary care approach. destino pós-alta e índice de readmissão (Campbell. Análise dos parâmetros clínicos de idosos internados em enfermaria de clínica médica.br/rsp Funcionalidade em idosos hospitalizados Siqueira AB et al $'! dade com necessidade de alguma forma de assistência para os cuidados pessoais. Na literatura estrangeira. Folstein MF. Validity and reability of the portuguese version of Confusion Assessment Method (CAM) for the dection of delirium in the elderly. Primrose WR. Coelho Filho JM . mortalidade. mobilidade e locomoção.

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