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Diversidade linguística e

cultural
UFCD 6657
Ilisete Silva

(04/03/2020)

Este manual tem por principal objetivo ser suporte e auxílio às sessões de formação de
Viver em português, no âmbito da UFCD – Diversidade linguística e cultural e destina-
se ao Curso de Técnico de Cozinha/Pastelaria – ação 6, ministrada pela Consultâmega.
Índice
O português - uma Língua Viva ................................................................................ 4

Língua, dialeto e falar regional ................................................................................. 6

A pronúncia e o léxico, elementos de diferenciação........................................ 8

Variedades do português, distribuição geográfica........................................... 9

O Português no mundo atual .................................................................................. 11

Comunidade de língua oficial portuguesa (CPLP) ......................................... 13

Antecedentes ................................................................................................................. 13

Declaração ...................................................................................................................... 14

Estatutos ......................................................................................................................... 18

Estados membros ........................................................................................................ 19

Objetivos ......................................................................................................................... 29

Expansão da língua portuguesa no mundo: descobrimentos e


descolonização ............................................................................................................. 31

Política externa e defesa da língua portuguesa .............................................. 37

Bibliografia e netgrafia.............................................................................................. 38
Condiçõ es de utilizaçã o do manual
Este manual foi concebido pela formadora Ilisete Silva. Pretende-se que seja
usado como elemento de estudo e de apoio ao tema abordado: Diversidade
linguística e cultural (UFCD 6657). O manual é um complemento da formação e
da UFCD, não substitui os objetivos das sessões de formação, mas sim
complementa-as.

Condições de utilização do manual

O manual apresenta os conteúdos de forma simples, clara e objetiva e deve ser


usado unicamente pela formadora Ilisete Silva.
Resultados da Aprendizagem

 Reconhece a língua como caraterística de uma cultura.

 Identifica os diferentes falares regionais e os seus elementos diferenciadores.

 Interpreta corretamente o sentido da expressão “unidade na diversidade”.

 Situa geograficamente os diferentes falares.

 Identifica alguns aspectos culturais dos países pertencentes à CPLP.

 Relaciona os objetivos da CPLP com os objetivos da política externa portuguesa.

Conteúdos

 O Português – uma língua viva

 Língua, dialeto e falar regional

 Unidade e diversidade da Língua Portuguesa

 A pronúncia e o léxico, elementos de diferenciação

 Variedades do português, distribuição geográfica

 O Português no mundo atual

 Comunidade de Língua Oficial Portuguesa (CPLP)

 Antecedentes e Declaração

 Estatutos

 Estados membros

 Objetivos

 Expansão da Língua Portuguesa no mundo: descobrimentos e descolonização

 Política externa e defesa da Língua Portuguesa


O Português - uma língua viva
O português é uma língua viva e, como tal, todos os dias se transforma. Língua viva em várias
culturas, em vários climas.
Uma língua viva é usada por uma determinada comunidade passível de evoluir e de se
renovar.

As variantes do português, que surgem na CPLP e em Portugal, são uma fonte riquíssima de
criatividade e de reflexão.

O português - é falado atualmente não apenas em Portugal e no Brasil, mas em várias áreas
de diversos continentes. A sua origem remonta ao latim falado na antiga Roma. Inicialmente,
o latim era a língua de um povo que vivia no Lácio, região central da Península Itálica. A
partir do século III a.C., porém, com as conquistas militares de Roma (de 264 a.C. a 117 a.C.),
cidade situada na região do Lácio, a influência romana espalhou-se pelas regiões
conquistadas. Consequentemente, a língua falada pelos soldados, o latim, também foi levada
às áreas ocupadas por Roma, inclusive na Península Ibérica, onde mais tarde surgiriam os
reinos de Portugal e da Espanha.
Havia dois níveis de expressão do latim: o clássico e o vulgar.

O latim clássico, modalidade da língua escrita e falada pelas pessoas cultas, foi
pouco divulgado e hoje conhecemos apenas por meio da literatura e dos documentos
históricos. Enquanto isso, a língua falada pelo povo - o latim vulgar - espalhou-se durante
a expansão do domínio romano e foi-se diversificando nas regiões conquistadas. Assim, o
latim vulgar deu origem às línguas neolatinas ou românicas, como são chamadas as línguas
modernas derivadas do latim: o português, o espanhol, o galego, o catalão, o francês, o
provençal, o italiano e o romeno.

Como toda língua viva, desde o seu período de formação a língua portuguesa não se tem
mantido uniforme, nem no tempo nem no espaço. Historicamente, recebeu influências de
outras línguas e vem-se transformando a partir do uso que se faz dela e enriquecendo-se
sempre por palavras de diferentes origens. Em cada país que é falado, o português apresenta
variações que se manifestam tanto no vocabulário utilizado quanto na pronúncia, na
morfologia e na sintaxe. Essas variações ocorrem também dentro de um mesmo país, de
região para região, em consequência de fatores sociais, económicos e culturais.

Onde se fala o Português?

Com os descobrimentos marítimos dos séculos XV e XVI, os portugueses levaram a sua


língua para vastos territórios por eles conquistados na África, na América, na Ásia e na
Oceânia. Assim, o português é falado em áreas de todos os continentes. Vejamos:

Continente País ou região

Europa Portugal, arquipélago dos Açores e Ilha da


Madeira

África Angola, Guiné-Bissau e Moçambique,


arquipélago de Cabo Verde e ilhas de São
Tomé e Príncipe
Ásia Macau

Oceânia Timor Leste

América Brasil

Fora das regiões pertencentes ao domínio político de Portugal, do Brasil e das jovens
repúblicas africanas, o português é falado ainda em povoações espanholas como Ermisende
(na província de Zamora); Alamedilla (na província de Salamanca); em San Martín de
Trevejo, Eljas, Valverde de Fresno, Herrera de Alcantara e Cedill (na província de Cáceres);
em Olivença e arredores (na província de Badajós).

Também nas áreas das fronteiras do Brasil, a língua portuguesa tem penetrado em
territórios de língua espanhola, formando às vezes um dialeto misto, como o falado nos
departamentos uruguaios de Artigas, Rivera, Cerro Largo, Salto e Tacuarembó. É falado
ainda por núcleos de imigrantes expressivos, em países como Estados Unidos, França e
Alemanha.

Língua, dialeto e falar regional


Segundo a gramática tradicional, um dialeto é uma forma de língua que tem o seu próprio
sistema léxico (isto é, de vocabulário), sintático (de organização das palavras em frases)
e fonético (de pronúncia das palavras), e que é usada num ambiente mais restrito do que
a própria língua. Deste modo, o conceito designa as diferenças que não opõem línguas mas
que constituem antes variedades de uma mesma língua.

Geralmente considerado como uma variedade regional da língua-padrão (dialeto social), o


dialeto constitui-se como um sistema de signos e de regras combinatórias da mesma
origem que a língua, apesar de, aquando do seu desenvolvimento, não ter adquirido o
mesmo estatuto cultural e social.
Desta forma, o dialeto é excluído do ensino de base e só se emprega numa parte de um
determinado país ou países em que se usa a língua. Daí que, por exemplo, no que diz respeito
ao português (padrão europeu), se possa falar de dialetos setentrionais ou centro-
meridionais, distinção baseada em caraterísticas fonéticas (por isso, pela fala se distingue
entre uma pessoa do Norte e outra do Sul).

Por outro lado, também é possível a classificação de dialeto social, que se constitui como
um sistema de signos e de regras sintáticas usado num dado grupo social ou em
referência a esse grupo. Um determinado dialeto pode revelar a origem social de quem o
utiliza. Pode também demonstrar a manifestação da vontade de pertencer ou de se referir a
um grupo social (é o caso da gíria dos estudantes, por exemplo).

Quando é que uma linguagem deixa de ter o estatuto de dialeto para passar a língua?

Existe alguma definição de língua e/ou dialeto do ponto de vista linguístico?

 A língua define-se como um código, entendendo por isso a criação de


correspondência entre imagens auditivas e conceitos.

 A fala é a utilização, o emprego desse código pelos sujeitos falantes.

 A língua é uma pura passividade. A sua posse põe em jogo apenas as faculdades
recetivas do espírito e antes de tudo a memória. Correlativamente, qualquer atividade
ligada à linguagem pertence à fala. Acrescentada à precedente, esta caraterística tem duas
consequências:

a) O código linguístico consiste apenas numa multidão de signos isolados (palavras,


morfemas), cada um dos quais associa um som particular a um sentido particular.

b) Significantes e significados são, no código linguístico, puramente estáticos.

 A língua é um fenómeno social, enquanto a fala é individual.

 O dialeto é um falar regional (dialeto mirandês) no interior duma nação onde


domina oficialmente outro falar. Esta é a língua oficial: da administração, das escolas, etc.
O dialeto é uma forma particular duma língua num determinado domínio. Define-se por um
conjunto de particularidades tais, que dá a impressão de ser um falar distinto do falar (ou
falares) em que está integrado, apesar do parentesco que tem com os outros. O dialeto passa
a ser língua, quando adquire independência total. Foi o que aconteceu com as línguas
novilatinas.

 Língua é um sistema de comunicação verbal que se desenvolve espontaneamente


no interior duma comunidade. Este termo opõe-se à língua artificial.

 Dialeto é cada uma das subdivisões que se podem aplicar a uma determinada língua,
tomando por critério a região geográfica ou a camada social a que pertencem os falantes. O
dialeto passa a ser língua, quando adquire independência.

A pronúncia e o léxico, elementos de


diferenciação
A língua é uma estrutura maleável que apresenta variações e está sempre em constante
mudança, mudanças estas que podem ocorrer tanto no léxico, quanto na sintaxe e mesmo
na semântica. Mas, para que haja mudança, é necessário haver variação e esta dura um longo
período dentro da comunidade linguística até que se estabilize. Muitas das línguas
europeias descendiam de línguas antigas. O Inglês surgiu a partir do anglo-saxão as
chamadas línguas românicas; o Francês, o Espanhol, o Italiano etc., tiveram sua origem do
Latim.
A língua portuguesa originou-se a partir do latim que era
a língua falada na região do Lácio (atual Roma). Os Romanos ao conquistarem as regiões
próximas levavam sua cultura e sua língua: o Latim. Um dos fatores que contribuíram para
a origem das línguas: português, Francês, Provençal, Romano, Espanhol e etc. foram à
invasão da Península Ibérica.

As línguas derivadas do Latim são chamadas neolatinas ou românicas. São elas: galego,
romeno, francês, espanhol, italiano, português, franco-provençal e rético. A língua
portuguesa deriva do latim vulgar, com a queda do Império Romano, as invasões
provocaram o surgimento das variações linguísticas, entre elas o galego-português.

O léxico pode ser definido como o conjunto de palavras de um determinado idioma: todo o
conjunto de palavras que as pessoas de uma determinada língua têm à sua disposição para
se expressarem, oralmente ou por escrito. Podemos dizer que uma caraterística básica do
léxico é sua mobilidade, já que ele está em constante evolução. Algumas palavras tornam-se
arcaicas, outras são incorporadas, outras mudam o seu sentido, e tudo isso ocorre de forma
gradual e quase impercetível. O sistema léxico de uma língua traduz a experiência cultural
acumulada por uma sociedade através do tempo, ou seja, o léxico pode ser considerado
como o património vocabular de uma comunidade linguística através da sua história, um
património que é transmitido de uma geração para a geração seguinte.

O léxico de uma língua é composto de palavras semânticas agrupadas em classes, conforme


prescreve a gramática da língua. Há classes de palavras que existem em praticamente todos
as línguas como os substantivos, os adjetivos e os verbos. O léxico, ou uma parte do léxico
de uma língua pode ser encontrada em dicionários de diversos tamanhos. Quanto maior o
tamanho, maior o conjunto de palavras e definições que poderão ser contempladas com um
espaço naquela obra.

A pronúncia é o modo como a prosódia de uma palavra é realizada. Na gramática normativa,


há um modelo padrão de pronúncia das palavras. À fixação deste modelo de pronúncia dá-
se o nome de ortoepia. A pronúncia padrão das palavras depende do falante, do idioma de
origem, do sotaque e de outros fatores circunstanciais.

Os dicionários utilizam recursos simbólicos para retratar de modo fiel a pronúncia padrão
das palavras. Podem ser utilizados:

Alfabetos fonéticos, que são conjuntos de símbolos para os diversos fonemas da


linguagem.

As pronúncias fonadas, possíveis a partir do surgimento de dicionários eletrónicos.

Variedades do português,
distribuição geográfica

O português – não se fala apenas em Portugal. Muitas pessoas de outros países, que vivem
em continentes diferentes, usam a nossa língua para comunicar. Isso acontece porque, na
época dos Descobrimentos, os portugueses instalaram-se e permaneceram em lugares
distantes do país, como em certos pontos de África, da Ásia e da América.

Ao longo do tempo, o português acabou por se manter como língua oficial de alguns países
africanos e de um país sul-americano. Em África, é ainda hoje a língua oficial de cinco
países:

Angola;

Cabo Verde;

Guiné-Bissau;

São Tomé e Príncipe


Moçambique.

Na América do Sul, é a língua oficial do Brasil. Mas, apesar de se tratar da mesma língua, o
português falado no Brasil, em Portugal ou em Angola tem algumas caraterísticas diferentes.
A isto chama-se variedade linguística, já que o modo de falar e usar uma língua adapta-
se à geografia, à cultura e às diversidade locais.

O português tem, assim :

A variedade europeia, falada em Portugal continental, Açores e Madeira;

A variedade brasileira, falada no Brasil;

As variedades africanas: variedade angolana; variedade cabo-verdiana;

As variedades do português divergem ao nível do vocabulário e das expressões utilizadas


na oralidade, bem como em alguns aspetos da construção frásica. Nas variedades do
português, são usadas diferentes palavras para designar as mesmas coisas.

Por exemplo, no português europeu, usamos a palavra casa de banho; na variedade


brasileira, usa-se banheiro. A palavra pequeno-almoço, do português europeu, não é
usada nas variedades angolana e moçambicana, sendo substituída pela palavra mata-bicho.

Ao nível da construção frásica podemos dizer que em Português europeu, os


pronomes átonos vêm a seguir ao verbo, nas frases afirmativas: “Deu-me uma surra.” Nas
variedades africanas e brasileira, estes pronomes aparecem antes da forma verbal: “Me deu
uma surra.” O uso dos pronomes diverge consoante a variedade do português. Nas
variedades africanas e brasileira, o pronome lhe ou lhes aparece, às vezes, sobretudo na
oralidade, em vez de o/a, os/as: “Posso-lhe acompanhar.”

As preposições são usadas também de forma diferente: “Abria nas cabeças dos
peixes” ou “Vivia em uma casa de tamanho médio.” Nas variedades africanas e brasileira,
as formas verbais no gerúndio são muito comuns: “Vou correndo”, ”Ele vive fazendo”, etc.

Todas estas diferenças não impedem a comunicação, uma vez que as estruturas
básicas da língua são comuns a todas as variedades. Podemos então verificar que a nossa
língua portuguesa é falada pelos quatro cantos do mundo. O facto de apresentar tantas
variedades dá à Língua Portuguesa mais cor e mais expressividade!

O Português no mundo atual

Atualmente, o português é língua oficial de oito países (Portugal, Brasil, Angola,


Moçambique, Guiné-Bissau, Cabo Verde, São Tomé e Príncipe, Timor Leste). Apesar da
incorporação de vocábulos nativos e de modificações gramaticais e de pronúncia próprias
de cada país, as línguas mantêm uma unidade com o português de Portugal.

O português também é falado em pequenas comunidades, reflexão de povoamentos


portugueses datados do século XVI, como é o caso de:

Zanzibar (na Tanzânia, costa oriental da África)

Macau (ex-possessão portuguesa encravada na China)

Goa, Diu, Damão (na Índia)

Malaca (na Malásia)

A Língua Portuguesa está presente nos seguinte continentes:

América: O Brasil é o único país de língua portuguesa na América. Durante o


período colonial, o português falado no Brasil foi influenciado pelas línguas indígenas,
africanas e de imigrantes europeus. Isso explica as diferenças regionais na pronúncia e no
vocabulário verificadas, por exemplo, no nordeste e no sul do país. Apesar disso, a língua
conserva a uniformidade gramatical em todo o território.

Europa: O português é a língua oficial de Portugal. Em 1986, o país passa a integrar


a Comunidade Económica Europeia (CEE) e a língua portuguesa é adotada como um dos
idiomas oficiais da organização. Existem expressões concentradas na França, Alemanha,
Bélgica, em Luxemburgo e na Suécia, sendo a França o país com mais falantes.

Ásia: Entre os séculos XVI e XVIII, o português atuou como língua franca nos portos
da Índia e sudeste da Ásia. Atualmente, a cidade de Goa, na Índia, é o único lugar do
continente onde o português sobrevive na sua forma original. Entretanto, o idioma está a
ser gradualmente substituído pelo inglês.

Em Damão e Diu (Índia), Java (Indonésia), Macau (ex-território português), Sri


Lanka e Malaca (Malásia) fala-se o crioulo, língua que conserva o vocabulário do português,
mas adota formas gramaticais diferentes.

Na Oceania: O português é idioma oficial no Timor Leste. No entanto, a língua


dominante no país é o tétum. Devido à recente ocupação indonésia, grande parte da
população compreende o indonésio bahasa e apenas uma minoria compreende o português.

Em África: O português é a língua oficial de cinco países, sendo usado na


administração, no ensino, na imprensa e nas relações internacionais. A língua convive com
diversos dialetos crioulos.

Em Angola, 60% dos moradores falam o português como língua materna. Cerca de
40% da população fala dialetos crioulos como o bacongo, o quimbundo, o ovibundo e o
chacue.

Em Cabo Verde, quase todos os habitantes falam o português e um dialeto crioulo,


que mistura o português arcaico a línguas africanas. Há duas variedades desse dialeto: o
Barlavento e o Sotavento.

Na Guiné-Bissau, 90% da população fala o dialeto crioulo ou dialetos africanos,


enquanto apenas 10% utiliza o português.
Em Moçambique, apenas 0,18% da população considera o português como língua
oficial, embora seja falado por mais de 2 milhões de moçambicanos. A maioria dos
habitantes usa línguas locais, principalmente as do grupo banto.

Nas ilhas de São Tomé e Príncipe, apenas 2,5% dos habitantes falam a língua
portuguesa. A maioria utiliza dialetos locais, como o forro e o moncó.

Comunidade de Língua Oficial


Portuguesa (CPLP)
A Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) é uma organização assinada entre
países lusófonos, que instiga a aliança e a amizade entre os signatários. A sua sede fica em
Lisboa e o seu atual Secretário Executivo é Domingos Simões Pereira, da Guiné-Bissau.
Promove a data de 5 de Maio como Dia da Língua Portuguesa e da Cultura, celebrado em
todo o espaço lusófono.

Antecedentes
O primeiro passo no processo de criação da CPLP foi dado em São Luís do Maranhão, em
Novembro de 1989, por ocasião da realização do primeiro encontro dos Chefes de Estado
e do Governo dos países de Língua Portuguesa - Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau,
Moçambique, Portugal e São Tomé e Príncipe, a convite do Presidente brasileiro, José
Sarney. Na reunião, decidiu-se criar o Instituto Internacional da Língua Portuguesa (IILP),
que se ocupa da promoção e difusão do idioma comum da Comunidade. A ideia da criação
de uma Comunidade que reunisse os países de língua portuguesa – nações irmanadas por
uma herança histórica, pelo idioma comum e por uma visão compartilhada do
desenvolvimento e da democracia – já tinha sido suscitada por diversas personalidades.

Em 1983, por ocasião de uma visita oficial a Cabo Verde, o então ministro dos Negócios
Estrangeiros de Portugal, Jaime Gama, referiu que: "O processo mais adequado para tornar
consistente e descentralizar o diálogo tricontinental dos sete países de língua portuguesa
espalhados por África, Europa e América seria realizar cimeiras rotativas bienais de Chefes de
Estado ou Governo, promover encontros anuais de Ministros de Negócios Estrangeiros,
efectivar consultas políticas frequentes entre directores políticos e encontros regulares de
representantes na ONU ou em outras organizações internacionais, bem como avançar com a
constituição de um grupo de língua portuguesa no seio da União Interparlamentar". O
processo ganhou impulso decisivo na década de 90, merecendo destaque o empenho do
então Embaixador do Brasil em Lisboa, José Aparecido de Oliveira.

A CPLP foi criada em 17 de Julho de 1996 por Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau,
Moçambique, Portugal e São Tomé e Príncipe. No ano de 2002, após conquistar
independência, Timor-Leste foi acolhido como país integrante. Na atualidade, são nove os
países integrantes da CPLP, tendo em 2014, a Guiné Equatorial entrando como novo
membro da organização.

Apesar da iniciativa, a CPLP é uma organização recente que procura colocar em prática os
objetivos de integração dos territórios lusófonos. Em 2005, numa reunião em Luanda,
Angola, a CPLP decidiu que no dia 5 de Maio seria comemorado o Dia da Cultura Lusófona
pelo mundo.

No decorrer da VI Conferência de Chefes de Estado e de Governo realizada em Bissau em


julho de 2006, foram admitidos como dois observadores associados: a Guiné Equatorial e
as Maurícias. Na Cimeira de Lisboa, que teve lugar no dia 25 de julho de 2008, foi a vez da
formalização da admissão do Senegal como observador associado.

Declaração

Os Chefes de Estado e de Governo de Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau,


Moçambique, Portugal e São Tomé e Príncipe, reunidos em Lisboa, no dia 17 de Julho de
1996, imbuídos dos valores permanentes da Paz, da Democracia e do Estado de Direito,
dos Direitos Humanos, do Desenvolvimento e da Justiça Social;

Tendo em mente o respeito pela integridade territorial e a não-ingerência nos assuntos


internos de cada Estado, bem como o direito de cada um estabelecer as formas do seu
próprio desenvolvimento político, económico e social e adotar soberanamente as respetivas
políticas e mecanismos nesses domínios;
Consciente da oportunidade histórica que a presente Conferência de Chefes de Estado e de
Governo oferece para responder às aspirações e aos apelos provenientes dos povos dos sete
países e tendo presente os resultados prometedores das reuniões de Ministros dos Negócios
Estrangeiros e das Relações Exteriores dos Países de Língua Portuguesa, realizadas em
Brasília em 9 de Fevereiro de 1994, em Lisboa em 19 de Julho de 1995, e em Maputo em 18
de Abril de 1996, bem como dos seus encontros à margem das 48ª, 49ª e 50ª Sessões da
Assembleia-Geral das Nações Unidas;

Consideram imperativo:

• Consolidar a realidade cultural nacional e plurinacional que confere identidade


própria aos Países de Língua Portuguesa, refletindo o relacionamento especial existente
entre eles e a experiência acumulada em anos de vantajosa concertação e cooperação;

• Encarecer a progressiva afirmação internacional do conjunto dos Países de Língua


Portuguesa que constituem um espaço geograficamente descontínuo mas identificado pelo
idioma comum;

• Reiterar, nesta ocasião de tão alto significado para o futuro coletivo dos seus
Países, o compromisso de reforçar os laços de solidariedade e de cooperação que os unem,
conjugando iniciativas para a promoção do desenvolvimento económico e social dos seus
povos e para a afirmação e divulgação cada vez maiores da Língua Portuguesa.

Reafirmam que a Língua Portuguesa:


• Constitui, entre os respetivos Povos, um vínculo histórico e um património comum
resultantes de uma convivência multissecular que deve ser valorizada;

• É um meio privilegiado de difusão da criação cultural entre os povos que falam


português e de projeção internacional dos seus valores culturais, numa perspetiva aberta e
universalista;

• É igualmente, no plano mundial, fundamento de uma atuação conjunta cada vez mais
significativa e influente;

• Tende a ser, pela sua expansão, um instrumento de comunicação e de trabalho nas


organizações internacionais e permite a cada um dos Países, no contexto regional próprio,
ser o intérprete de interesses e aspirações que a todos são comuns.

Assim, animados de firme confiança no futuro, e com o propósito de prosseguir os


objetivos seguintes:

• Contribuir para o reforço dos laços humanos, para a solidariedade e para a


fraternidade entre todos os Povos que têm a Língua Portuguesa como um dos fundamentos
da sua identidade específica, e, nesse sentido, promover medidas que facilitem a circulação
dos cidadãos dos Países Membros no espaço da CPLP;

• Incentivar a difusão e enriquecimento da Língua Portuguesa, potenciando as


instituições já criadas ou a criar com esse propósito, nomeadamente o Instituto
Internacional da Língua Portuguesa (IILP);

• Incrementar o intercâmbio cultural e a difusão da criação intelectual e artística no


espaço da Língua Portuguesa, utilizando todos os meios de comunicação e os mecanismos
internacionais de cooperação;

• Envidar esforços no sentido do estabelecimento em alguns Países Membros de


formas concretas de cooperação entre a Língua Portuguesa e outras línguas nacionais nos
domínios da investigação e da sua valorização;

• Alargar a cooperação entre os seus Países na área da concertação político-


diplomática, particularmente no âmbito das organizações internacionais, por forma a dar
expressão crescente aos interesses e necessidades comuns no seio da comunidade
internacional;

• Estimular o desenvolvimento de ações de cooperação interparlamentar;

• Desenvolver a cooperação económica e empresarial entre si e valorizar as


potencialidades existentes através da definição e concretização de projetos de interesse
comum, explorando nesse sentido as várias formas de cooperação, bilateral, trilateral e
multilateral;

• Dinamizar e aprofundar a cooperação no domínio universitário, na formação


profissional e nos diversos setores da investigação científica e tecnológica com vista a uma
crescente valorização dos seus recursos humanos e naturais, bem como promover e
reforçar as políticas de formação de quadros;

• Mobilizar interna e externamente esforços e recursos em apoio solidário aos


programas de reconstrução e reabilitação e ações de ajuda humanitária e de emergência
para os seus Países;

• Promover a coordenação das atividades das diversas instituições públicas e


entidades privadas, associações de natureza económica e organizações não-
governamentais empenhadas no desenvolvimento da cooperação entre os seus Países;

• Promover, sem prejuízo dos compromissos internacionais assumidos pelos Países


Membros, medidas visando a resolução dos problemas enfrentados pelas comunidades
imigradas nos Países Membros, bem como a coordenação e o reforço da cooperação no
domínio das políticas de imigração;

• Incentivar a cooperação bilateral e multilateral para a proteção e preservação do


meio ambiente nos Países Membros, com vista à promoção do desenvolvimento
sustentável;

• Promover ações de cooperação entre si e de coordenação no âmbito multilateral


para assegurar o respeito pelos Direitos Humanos nos respetivos Países e em todo o mundo;

• Promover medidas, particularmente no domínio pedagógico e judicial, visando a


total erradicação do racismo, da discriminação racial e da xenofobia;
• Promover e incentivar medidas que visem a melhoria efetiva das condições de vida
da criança e o seu desenvolvimento harmonioso, à luz dos princípios consignados na
Convenção das Nações Unidas sobre os Direitos da Criança;

• Promover a implementação de projetos de cooperação específicos com vista a


reforçar a condição social da mulher, em reconhecimento do seu papel imprescindível para
o bem estar e desenvolvimento das sociedades;

• Incentivar e promover o intercâmbio de jovens, com o objetivo de formação e troca


de experiências através da implementação de programas específicos, particularmente no
âmbito do ensino., da cultura e do desporto.

• Decidem, num ato de fidelidade à vocação e à vontade dos seus Povos, e no respeito
pela igualdade soberana dos Estados, constituir, a partir de hoje, a Comunidade dos Países
de Língua Portuguesa.

Feita em Lisboa, a 17 de julho de 1996

Estatutos
Nos estatutos aprovados pela 1ª Cimeira de Chefes de Estado e de Governo, a CPLP é
definida como “o foro multilateral privilegiado para o aprofundamento da amizade mútua,
da concertação político-diplomática e da cooperação entre os seus membros”
particularmente nos domínios económico, social, cultural, jurídico, técnico-científico e
interparlamentar.

Os estatutos da CPLP consagram os princípios básicos seguintes:

Igualdade soberana dos Estados-membros;

Não-ingerência nos assuntos internos de cada estado;

Respeito pela sua identidade nacional;

Reciprocidade de tratamento;
Primado da paz, da democracia, do estado de direito, dos direitos humanos e da
justiça social;

Respeito pela sua integridade territorial;

Promoção do desenvolvimento;

Promoção da cooperação mutuamente vantajosa.

A organização tem como objetivos gerais:

A concertação político-diplomática entre seus Estados-membros, nomeadamente


para o reforço da sua presença no cenário internacional;

A cooperação em todos os domínios, inclusive os da educação, saúde, ciência e


tecnologia, defesa, agricultura, administração pública, comunicações, justiça, segurança
pública, cultura, desporto e comunicação social;

A materialização de projetos de promoção e difusão da língua portuguesa.

Estados membros

A área do globo terrestre ocupada pelos oito Estados-membros da CPLP é muito vasta. São
10 742 000 km2 de terras, 7,2 por cento da terra do planeta (148 939 063 km2),
espalhadas por quatro Continentes – Europa, América, África, Ásia.

Situado maioritariamente no hemisfério sul, este espaço descontínuo abrange realidades


tão diversas como a do Brasil, quinto país do mundo pela superfície, como o minúsculo
arquipélago de São Tomé e Príncipe, o Estado mais pequeno, em área, de África.

O clima, a fauna e a flora são variados, correspondentes à diversidade das latitudes em que
se situam os vários países membros.

Com exceção de Portugal, de clima temperado com variantes oceânica e mediterrânea, a


maior parte da CPLP situa-se na zona tropical subequatorial.
Os índices de pluviosidade determinam grandes diferenças de paisagens naturais, às vezes
dentro de um só país, como acontece no Brasil – das estepes semiáridas do Nordeste à selva
amazónica – e em Angola – da floresta do Maiombe ao deserto de Namibe e às savanas
inundáveis do Zambeze, por exemplo.

Angola

Designação Oficial: República de Angola

Capital: Luanda

Outras cidades importantes: Huambo, Lobito, Cabinda, Benguela, Lubango, Malange

Data da atual Constituição: o MPLA adoptou uma Constituição de Independência em


Novembro de 1975, alterada em Outubro de 1976, Setembro de 1980, Março de 1991, Abril
e Agosto de 1992 e Novembro de 1996

Língua: a língua oficial é o Português. São falados outros idiomas, sobretudo o Umbundo,
Quimbundo, Quicongo e Tchokwé
Unidade monetária: Kwanza (Kz)

Recursos económicos:

Angola possui uma grande diversidade de recursos naturais. Estima-se que seu subsolo
tenha 35 dos 45 minerais mais importantes do comércio mundial, entre os quais se
destacam petróleo, diamante e gás natural. Há também grandes reservas de fosfato, ferro,
manganésio, cobre, ouro e rochas ornamentais, além de uma grande produção pecuária. A
cultura do café e o petróleo representam 90% das exportações

As principais bacias de petróleo em expansão situam-se junto à costa nas províncias de


Cabinda e Zaire, no norte do País. As reservas de diamantes nas províncias de Lunda Norte
e Lunda Sul são admiradas por sua qualidade e consideradas umas das mais importantes do
mundo.

Brasil

Designação Oficial: República Federativa do Brasil

Capital: Brasília

Outras cidades importantes: São Paulo, Rio de Janeiro, Salvador, Belo Horizonte,
Fortaleza, Curitiba, Recife, Manaus, Porto Alegre e Belém

Data da atual Constituição: Outubro de 1988. Alterações introduzidas posteriormente

Língua: Português
Unidade monetária: Real (BRL)

Recursos económicos:

Pelo facto de a industrialização se concentrar no triângulo formado por Rio de Janeiro, São
Paulo e Minas Gerais, e de as vias de transporte serem precárias devido à extensão
geográfica e à ineficiente rede rodoviária, o desenvolvimento económico entre as regiões
refletem-se nas condições sociais, acentuando as discrepâncias na distribuição de riqueza e
de oportunidades de trabalho.

A atividade é variada e tem como produtos de destaque café, banana, cacau, tabaco, açúcar,
feijão, citrinos, milho, soja, algodão, arroz, trigo, batata e mandioca. O Brasil ocupa posições
de destaque mundial na produção dessas culturas.

Nos anos 1930, o cultivo do café representava 80% da sua receita por exportações e mais
de metade da produção mundial. Na década de 1990, o peso do café na economia brasileira
foi reduzido significativamente, mas o país ainda conserva posto de primeiro produtor
mundial. Na produção de cana-de-açúcar, soja, milho e cacau, o Brasil ocupa as primeiras
posições.

Minas Gerais, São Paulo, Paraná, Rio Grande do Sul e Bahia são os principais estados
agrícolas. Embora figure entre os principais produtores mundiais, o Brasil não aproveita o
potencial das áreas cultiváveis. Ainda existem várias regiões aráveis como a bacia
Amazónica e o Oeste do país.

A exploração florestal é importante. Cerca de 60% da superfície do país é florestal. O Brasil


é o primeiro produtor sul-americano de caucho e tem uma relevante reserva de pinheiros
no Paraná, que serve de matéria-prima para as indústrias madeireira e de papel. Também
exporta outras espécies, como o cedro e a nogueira.

Ainda em relação ao setor primário, a pecuária tem demonstrado uma evolução nas últimas
década com a modernização das técnicas e a formação profissional. O país é o primeiro
produtor mundial de carne.

No setor mineral, o Brasil possui a segunda maior reserva de ferro do mundo em Minas
Gerais e Pará (serra dos Carajás), além de manganésio, crómio, níquel, carvão, fosfatos,
cobre, urânio e bauxite. Também possui reservas petrolíferas e tornou-se recentemente
autossuficiente nesse setor. Devido ao relevo hidrográfico acidentado, mais de 90% da
energia consumida no país é proveniente de hidroelétricas.

O setor secundário gira em torno das indústrias automobilísticas, siderúrgica, têxtil,


química, de derivados agropecuários (açúcar, cacau, café, carne) e metalúrgica (aço,
alumínio, ferro, zinco, chumbo).

Transportes e serviços financeiros são as atividades de maior destaque, favorecidos por


42,3 mil km de rios navegáveis, pela rede de estradas, com uma extensão de quase 1,5
milhões de km – dos quais 31 mil km de ferrovias. Os seus principais portos localizam-se
em Santos, Vitória, Rio de Janeiro, Paranaguá, Porto Alegre, Recife, Belém, Macapá e
Salvador.

A partir da crise energética dos anos 1970, o Brasil experimentou um crescente défice na
sua balança comercial – até 2001, quando apresentou um superavit. Ao mesmo tempo, o
Estado contraiu uma enorme dívida externa. Nos anos 1990, as taxas de juros mantiveram-
se altas para atrair capital, ocasionando estagnação económica.

Cabo Verde

Designação Oficial: República de Cabo Verde

Capital: Cidade da Praia


Outras cidades importantes: Mindelo, Assomada, S. Filipe

Data da atual Constituição: 25 de setembro de 1992. Foi revista em julho de 1999

Língua: A língua oficial é o Português, utilizando-se localmente o Crioulo

Unidade monetária: Escudo de Cabo Verde (CVE)

Recursos económicos:

Os recursos económicos de Cabo Verde dependem sobretudo da agricultura e da riqueza


marinha. A agricultura sofre frequentemente os efeitos das secas.

As culturas mais importantes são o café, a banana, a cana-de-açúcar, os frutos tropicais, o


milho, os feijões, a batata-doce e a mandioca.

O setor industrial encontra-se em pleno desenvolvimento e podemos destacar a fabricação


de aguardente, vestuário e calçado, tintas e vernizes, o turismo, a pesca e as conservas de
pescado e a extração de sal, não descurando o artesanato e a construção.

A banana e a indústria das conservas de peixe, o peixe congelado, as lagostas, o sal e as


confeções são os principais produtos exportados.

Assim, o comércio e o turismo, especialmente na ilha do Sal, produzem 69% do PIB. O setor
secundário gera 17% do PIB. O país importa mais de 80% dos alimentos que consome.

Guiné-Bissau
Designação Oficial: República da Guiné-Bissau

Capital: Bissau

Outras cidades importantes: Bafatá, Gabú, Mansoa, Catió, Cantchungo, Farim

Data da atual Constituição: aprovada em 16 de maio de 1984, foi revista em maio de 1991,
novembro de 1996 e julho de 1999

Língua: a língua oficial é o Português, utilizando-se localmente o Crioulo, Mandjaco,


Mandinga, entre outros

Unidade monetária: Franco CFA

Recursos económicos:

A Guiné-Bissau depende fortemente da agricultura e da pesca (cerca de 62% do PIB). O


preço das castanhas de caju aumentou e hoje o país encontra-se em sexto lugar na produção
mundial do produto. A Guiné-Bissau exporta peixe e mariscos juntamente com amendoim,
semente de palma e produtos das atividades extrativas florestais. As licenças para a pesca
são uma fonte de receitas do governo. O arroz é o cereal mais produzido e comida típica. O
turismo é, também, uma aposta crescente do país.

Moçambique

Designação Oficial: República de Moçambique


Capital: Maputo

Outras cidades importantes: Beira, Nampula, Chimoio, Nacala-Porto, Quelimane, Tete,


Xai-Xai, Pemba, Inhambane

Data da atual Constituição: 30 de Novembro de 1990, alterada em 1996 e em 2004

Língua: a língua oficial é o Português. Há numerosas línguas nacionais, como o Lomué,


Makondé, Shona, Tsonga e Chicheua

Unidade monetária: Metical (MZM)

Recursos económicos:

A economia é precária e depende de doadores estrangeiros. O solo é rico em ouro, carvão,


sal, grafite e bauxite, mas é pouco explorado. Moçambique possui também reservas de gás
natural, mármore e madeiras. A maioria da população vive da agricultura de subsistência,
mas o país exporta cana-de-açúcar, algodão, sisal, chá e tabaco.

Portugal

Designação Oficial: República Portuguesa

Capital: Lisboa
Outras cidades importantes: Aveiro, Braga, Coimbra, Évora, Faro, Funchal (Madeira),
Ponta Delgada (Açores), Porto, Setúbal

Data da atual Constituição: aprovada em Abril de 1976. Revisões em Setembro de 1982,


Julho de 1989, Novembro de 1992, Setembro de 1997, Dezembro de 2001, Julho de 2004 e
Agosto de 2005

Língua: Português

Unidade monetária: Euro (EUR)

Recursos económicos:

A produção agrícola representa apenas 4% do PIB. A principal cultura é a uva, situando o


país entre os dez primeiros produtores mundiais de vinhos de qualidade.

Batata, beterraba açucareira, arroz, legumes, hortaliças e frutas também são importantes
produtos.

A abundância de sobreiros, especialmente a Sul do rio Tejo, faz de Portugal o maior produtor
mundial de cortiça (cerca de metade da produção da cortiça mundial).

Na pecuária, destaca-se a produção de ovinos e, na pesa, a da sardinha. Embora o solo seja


rico em muitos minerais, como pirite, tungsténio, estanho, ferro, carvão, urânio, volfrâmio,
manganésio, sal, ouro, prata e cobre, mármore, a sua exploração comercial ainda é reduzida,
por se encontrarem dispersos geograficamente.
Com um passado predominantemente agrícola, atualmente e devido a todo o
desenvolvimento que o país registou, a estrutura da economia baseia-se nos serviços e na
indústria, que representam 67,8% e 28,2% do VAB (Fonte: INE, 2004).

O setor industrial responde por 28% do PIB. As principais atividades concentram-se nos
setores têxtil, siderúrgico, metalúrgico, automobilístico e químico. Também têm
importância as indústrias alimentares (conservas de peixe, vinho, cerveja e azeite), de
calçados e de cerâmica.

O setor de serviços (destaque para o turismo) responde por 68% do PIB e por 60% dos
empregos.

O comércio exterior é deficitário, pois as importações – petróleo, gás natural e alimentos,


entre outros são maiores do que as exportações.

Com vista a tornar-se mais autossuficiente em produção energética, Portugal aposta nas
novas energias e vai implementar, no norte do país, o primeiro parque mundial de
aproveitamento da energia das ondas.

São Tomé e Príncipe

Designação Oficial: República Democrática de São Tomé e Príncipe

Capital: São Tomé

Outras cidades importantes: Santo António, Santa Cruz, Neves

Data da atual Constituição: publicada a 29 de janeiro de 2003 em Diário da República

Língua: a língua oficial é o Português. Localmente, também se fala Crioulo

Unidade monetária: Dobra (STD)


Recursos económicos:

A principal atividade económica é a agricultura, que produz cacau, óleo de palma, café e coco
e na pesca.

A recém-descoberta de jazidas de petróleo nas suas águas pode constituir uma importante
fonte de receitas e de energia no futuro.

São Tomé e Príncipe também aposta no turismo quer favorecer a qualidade, propondo um
quadro único de descoberta, preservando o melhor possível as suas paisagens luxuriantes,
a sua arquitetura singular e, sobretudo, a sua calma.

Timor-Leste

Designação Oficial: República Democrática de Timor-Leste

Capital: Díli

Outras cidades importantes: Baucau, Manatuto, Aileu e Liquiçá

Data da atual Constituição: Maio de 2002

Língua: as línguas oficiais são o Português e o Tétum

Unidade monetária: Dólar norte-americano (USD). Para facilitar as trocas comerciais,


o Estado cunha moedas de denominação “centavo”.
Missão Permanente de Timor-Leste junto à CPLP: Embaixador José Barreto Martins
Recursos económicos:
A economia de Timor-Leste assenta na produção de cacau, café, cravo e coco. Nos
últimos anos foram encontrados importantes reservas de petróleo e gás natural.

Guiné Equatorial

Designação Oficial: República da Guiné Equatorial

Capital: Malabo, cerca de 100 mil Habitantes.

Outras cidades importantes: Bata.

Línguas oficiais: Português, Espanhol e Francês

Unidade monetária: Franco CFA.

Objetivos
A Comunidade dos Países de Língua Portuguesa - CPLP é o foro multilateral privilegiado
para o aprofundamento da amizade mútua e da cooperação entre os seus membros. Criada
em 17 de julho de 1996, a CPLP goza de personalidade jurídica e é dotada de autonomia
financeira.

A Organização tem como objetivos gerais:

A concertação político-diplomática entre seus estados membros, nomeadamente


para o reforço da sua presença no cenário internacional;

A cooperação em todos os domínios, inclusive os da educação, saúde, ciência e


tecnologia, defesa, agricultura, administração pública, comunicações, justiça, segurança
pública, cultura, desporto e comunicação social;

A materialização de projetos de promoção e difusão da língua portuguesa.

A CPLP é regida pelos seguintes princípios:

Igualdade soberana dos Estados membros;

Não-ingerência nos assuntos internos de cada estado;

Respeito pela sua identidade nacional;

Reciprocidade de tratamento;

Primado da paz, da democracia, do estado de direito, dos direitos humanos e da


justiça social;

Respeito pela sua integridade territorial;

Promoção do desenvolvimento;

Promoção da cooperação mutuamente vantajosa.

No ato de criação da CPLP, foram estabelecidas como órgãos da Comunidade as


seguintes instâncias:

A Conferência de Chefes de Estado e de Governo


O Conselho de Ministros

O Comité de Concertação Permanente

O Secretariado Executivo

Posteriormente, os Estatutos revistos na IV Conferência de Chefes de Estado e de


Governo (Brasília, 2002) estabeleceram como órgãos adicionais da CPLP:

As Reuniões Ministeriais Setoriais

A Reunião dos Pontos Focais da Cooperação

Em Luanda, o X Conselho de Ministros em 2005 estabeleceu também como órgão


adicional:

O Instituto Internacional de Língua Portuguesa - IILP.

Expansão da Língua Portuguesa no


mundo: descobrimentos e
descolonização

O conceito «Lusofonia» usa-se genericamente para designar o conjunto das comunidades


de língua portuguesa no mundo. Para além de Portugal, há mais sete países que utilizam o
Português como língua oficial: Angola, Brasil, Cabo-Verde, Guiné-Bissau, Moçambique,
S. Tomé e Príncipe e Timor-Leste A ideia da criação de uma Comunidade reunindo os
países de língua portuguesa – nações irmanadas por uma herança histórica, pelo idioma
comum e por uma visão compartilhada do desenvolvimento e da democracia.

A CPLP foi criada a 17 de Julho de 1996 numa cimeira constitutiva, realizada em Lisboa. Dela
fazem parte, como já atrás se referiu, Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique,
Portugal, São Tomé e Príncipe e, desde 2002, Timor-Leste. As Ilhas Maurícias, a Guiné
Equatorial e o Senegal (na VII Cimeira) são países observadores associados. É um meio
privilegiado de difusão da criação cultural entre os povos que falam português e de projeção
internacional dos seus valores culturais, numa perspetiva aberta e universalista.

A presença dos Portugueses e do luso-descendente emigrante nos quatro cantos do mundo


(cerca de 4,5 milhões) em França, na Alemanha, na Suíça, no Brasil, no Canadá, nos Estados
Unidos da América e na África do Sul ou Macau faz com que a Língua Portuguesa seja a 5ª
Língua mais falada em todo o mundo.

Os descobrimentos

Os descobrimentos foram uma condição para a expansão da língua portuguesa e a


descolonização como fator que permitiu que novos Estados adotassem a língua portuguesa
como língua oficial. Estes dois fatores são essenciais para perceber a importância e a
dimensão da língua portuguesa espalhada pelo mundo.

No séc. XV, os Portugueses iniciaram um projeto que iria modificar a sua história, bem como
a do mundo: as descobertas.

Na base deste “projeto” estiveram sobretudo motivações de ordem económica (o reino


estava a precisar de metais preciosos, cereais e mão de obra), mas também de ordem social,
politica e religiosa.

Foi este processo de aculturação (processo pelo qual duas ou mais culturas diferentes,
entrando em contacto entre si, originam mudanças importantes numa delas ou em ambas)
que permitiu que a Língua Portuguesa se tenha difundido e que ainda hoje seja o Idioma
Oficial de vários países.

A descoberta do Brasil

O Brasil foi descoberto por Pedro Álvares Cabral, navegador português, em 1500. Esta foi
uma das descobertas mais importantes da História dos Descobrimentos Portugueses.

Em Fevereiro de 1500, D. Manuel I (o rei de Portugal na altura) escolheu Pedro Álvares


Cabral para ser o capitão-mor de uma armada de 13 navios que deveria seguir para a Índia.
No dia 9 de março de 1500, a armada de Pedro Álvares Cabral partiu em direção à Índia.

Quando já estavam perto de Cabo Verde, os navios começaram a desviar o seu percurso para
sudoeste.

Não se sabe se este desvio foi propositado ou se foi obra do acaso.

No dia 22 de abril de 1500, a armada de Pedro Álvares Cabral avista as Terras de Vera
Cruz.

Em julho de 1501, Pedro Álvares Cabral e a sua armada regressam a Portugal.

Antes de regressarem, foram a Calecute (Índia) para cumprirem os objetivos que o rei tinha
traçado no início da viagem.

A descoberta do caminho marítimo para a Índia

Em 1492, D. João II começou a preparar a primeira viagem marítima até à Índia.

No entanto, foi só no reinado de D. Manuel I que tal viagem teve lugar. Este monarca,
designou Vasco da Gama para chefiar a expedição, que partiu a 8 de junho de 1497.

Vasco da Gama chegou finalmente a norte de Calecute a 20 de maio de 1947.

A descoberta do caminho marítimo para a Índia permitiu que se estabelecesse uma nova
rota a ligar diretamente as regiões produtoras das especiarias aos mercados europeus.

Dominada pelos portugueses, a Rota do Cabo possibilitou o grande desenvolvimento


económico da metrópole.
A Descolonização

No fim da 2ª guerra mundial, a maioria dos países europeus acabou por reconhecer a
independência das suas colónias.
Portugal, no entanto, não acompanhou esta tendência. O chefe do Governo, António de
Oliveira Salazar, considerava as colónias como partes integrantes do território nacional.

Em 1961 estalou a Guerra Colonial primeiro em Angola e depois na Guiné-Bissau e em


Moçambique, a qual só terminaria em 1974.

Porém o fim do império colonial fez regressar a Portugal mais de 800 mil pessoas, muitas
das quais se viram forçadas a deixar em África os seus bens e empregos.

Mas também as novas nações africanas sentiram os efeitos negativos da descolonização.


Além das já referidas guerras civis, o êxodo repentino dos portugueses desorganizou os
principais setores da economia (comércio e agricultura).

A Guerra Colonial

Designa-se por Guerra Colonial, ou Guerra do Ultramar, o período de confrontos entre as


Forças Armadas Portuguesas e as forças organizadas pelos movimentos de libertação das
antigas províncias ultramarinas de Angola, Guiné e Moçambique, entre 1961 e 1974.
Cronologia da Independência das Ex-Colónias Portuguesas

Guiné-Bissau Setembro de 1974

Moçambique Julho de 1975

Cabo Verde Julho de 1975

São Tomé e Príncipe Julho de 1975

Angola Novembro de 1975

Timor-Leste Anexação pela Indonésia em dezembro de 1975

Independência em 2003
A Diáspora Portuguesa

As Comunidades Portuguesas no mundo

Diáspora – De acordo com o dicionário este termo define o deslocamento, normalmente


forçado ou incentivado, de grandes massas populacionais originárias de uma zona
determinada, para várias áreas de acolhimento distintas.

A diáspora (ou dispersão) dos Portugueses pelo mundo não se limitou, porém, à época das
descobertas. Pelo contrário, ao longo da história nacional sucederam-se as vagas
migratórias, sendo que os dois momentos mais importantes tiveram lugar no final do séc.
XIX e nas décadas de 60 e 70 do séc. XX.

1º Período

A maioria dos emigrantes (cerca de 80%) voltou-se para o Brasil devido à afinidade da
língua e à necessidade crescente de mão-de-obra.

2º Período

Nas décadas de 60 e 70, Portugal permanecia um dos países mais atrasados da Europa,
sendo muito acentuado o desnível de rendimentos entre os trabalhadores portugueses e
europeus.
Tal situação afetava de modo especial as populações rurais, as quais viram na emigração o
único meio de fuga à pobreza e à fome em que viviam.

Uma excecional vaga emigratória originou-se então em Portugal, dirigindo-se para destinos
tão variados como a França, a Alemanha, a Suíça, os Estados Unidos da América, o Canadá e
a África do Sul, entre outros.

A Emigração

Desde o início da expansão marítima, no século XV, que os Portugueses têm emigrado para
quase todos os continentes.

Calcula-se que existam mais de 4,5 milhões de Portugueses e Luso-descendentes em Países


estrangeiros.
Política externa e defesa da língua
portuguesa

A política externa e a defesa da língua portuguesa prende-se com:

Reforçar da relação privilegiada com o espaço lusófono, nomeadamente através da


projeção de valores e interesses nos PALOP, no Brasil e em Timor;

Aprofundar as relações bilaterais com os países vizinhos e os parceiros estratégicos;

Reforçar a presença nas organizações internacionais;

Manter uma estreita ligação às Comunidades Portuguesas e aos Estados que as


acolhem;

Defender e afirmar a língua e a cultura portuguesas;

Promover uma diplomacia económica ativa;

Rumar a uma diplomacia do século XXI.

Tendo o círculo como base geométrica, resolveu-se dividir em sete partes iguais, tantas
quantos os países que formam a Comunidade dos Países de Língua Portuguesa. Utilizou-
se um elemento modular com forma de onda, tendo este a intenção de simbolicamente
representar o mar que, antes da língua, foi o elemento primeiro que serviu ao
estabelecimento dos laços que unem os países constituintes da Comunidade. No centro
desta estrutura colocou-se um círculo concêntrico a esta, representando o elemento de
união — a Língua.
Bibliografia e netgrafia

CUNHA, Celso e Cintra, LINDLEY, Luís F. Nova Gramática do Português


Contemporâneo

O Atlas da Língua Portuguesa

www.oi.acidi.gov.pt/docs/...Intercultura/3_PI_Cap6.pd