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Transferência de Calor

UNIDADE 1
TRANSFERÊNCIA de calor
Unidade 1
Introdução à Condução
Condução Unidimensional em Regime Estacionário
Condução Bidimensional em Regime Estacionário

Para início de conversa

Olá, querido (a) estudante! Como vai?

Nesta unidade, você irá conhecer (ou relembrar) as formas de troca de calor que existem:

• Condução;
• Convecção;
• Radiação.

Para isso, esses conceitos serão desenvolvidos de forma bastante didática, de maneira a que você não
tenha mais dúvidas.

Inicialmente, você irá entender por que ocorrem as transferências (ou trocas) de calor. Em seguida, serão
apresentadas formalmente como essas trocas de calor ocorrem (tipos e condições).

Após isso, você estará preparado para se aprofundar no tema de condução de calor, quando faremos uma
introdução. Para prosseguir, definiremos o que vem a ser um regime estacionário, também conhecido
como regime permanente, diferenciando-o do que seja regime transiente.

Prezado (a) aluno (a), com a introdução dos conceitos de condução térmica e regime estacionário, você
estará pronto para desenvolvermos o estudo de condução unidimensional em regime estacionário.

Por fim, você ampliará seus conhecimentos de condução, desenvolvendo as equações necessárias ao
estudo da condução bidimensional em regime estacionário. Ao longo do texto, há alguns exemplos apli-
cando as equações conceituadas.

Aproveite para aprender e não deixe de consultar o seu livro texto, bem como outros sugeridos sobre o
assunto.

FUNDAMENTOS DA TRANSFERÊNCIA DE CALOR

Conceitos fundamentais

Alguns conceitos fundamentais são necessários à compreensão do fenômeno de transferência de calor.


Basicamente, esses conceitos derivam da necessidade de sua compreensão: o que é e como ocorre a
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transferência de calor; quem pode trocar calor; quais as condições necessárias para se poder trocar calor;
que tipos de transferência de calor existem. Você vai perceber que esses conceitos são bastante simples,
mas fundamentais.

CALOR

O que vem a ser calor?

• Calor é uma espécie de energia, mas essa energia não costuma ser considerada isoladamen-
te. Assim, este tipo de energia, denominada calor possui um conceito relacionado com o seu
movimento ou trânsito;
• Calor é a energia em trânsito;
• Calor é uma forma de energia que é diretamente transferida de um corpo para outro.

Assim, podemos considerar que a energia só se apresenta na forma de calor durante a sua transferência
de um corpo para outro.

Transferência de calor

??? Você sabia?

Uma condição fundamental para que ocorra a transferência de calor entre dois corpos
é que haja uma diferença de temperatura entre eles.

Já que transferência de calor só ocorre quando entre dois corpos há uma diferença de temperatura, você
pode perguntar: mas ocorre sempre? E em que sentido ocorre essa transferência de calor? Do corpo mais
quente para o mais frio? Do corpo frio para o mais quente? Para responder a essas perguntas, continue-
mos nosso estudo.

Primeiro, quando falamos de dois corpos, devemos considerar algumas situações. Por exemplo, se um
mesmo corpo está inicialmente com uma temperatura mais alta em uma de suas extremidades e, na outra
extremidade, a temperatura é mais baixa, podemos considerar este corpo como se fossem dois corpos
com temperaturas diferentes, para efeitos de transferência de calor.

Assim mesmo, também devemos considerar um fluido (seja um líquido como a água, ou um gás como o ar),
que envolve um dado corpo sólido, como um segundo corpo, quando o fluido e o corpo sólido estão cada
um com uma temperatura diferente.

Sentido da troca de calor

Você já deve ter observado que, quando um corpo frio entra em contato com um corpo quente, ambos
sofrem variação de temperatura. O corpo frio aumenta de temperatura, ao passo que o corpo quente tem
sua temperatura abaixada.
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Observe que não podemos dizer que um corpo possui calor. Calor não é uma propriedade dos corpos. Os
corpos possuem o que chamamos de energia interna, composta normalmente por duas partes, a energia
térmica e a energia potencial. O conceito de calor não deve jamais ser confundido nem com o conceito
de energia interna, tampouco com o conceito de energia térmica. Lembre-se que, como já falamos antes,
“calor é uma energia em trânsito”.

Assim, você está percebendo que o calor é um fenômeno de transferência, e mais, o calor só pode fluir de
um corpo mais quente para um corpo mais frio, nunca o contrário. Assim, sempre que um corpo mais frio
entra em contato com um corpo mais quente, terá sua temperatura elevada. E o contrário também ocorre:
um corpo mais quente, em contato com um corpo mais frio, ao transferir parte de seu calor para o corpo
mais frio, terá sua temperatura reduzida.

Agora, podemos melhorar nosso conceito de calor:

Calor é uma forma de energia que é diretamente transferida de um corpo mais quente para outro corpo
mais frio.

Equilíbrio térmico

Essa troca de calor possui limites: um corpo mais quente não pode transferir calor para um corpo mais
frio indefinidamente, da mesma forma que o corpo mais frio não pode receber todo o calor do corpo mais
quente. Essa troca se estabelece de forma “equilibrada”. Esse equilíbrio é conhecido como equilíbrio
térmico:

Quando dois corpos de temperaturas diferentes são colocados próximos um ao outro num mesmo am-
biente, ocorre uma troca de energia térmica entre eles sob a forma de calor. Com o passar do tempo,
eles tendem a alcançar a mesma temperatura, atingindo um equilíbrio térmico. O corpo que apresentava
temperatura mais alta perde energia térmica, diminuindo sua temperatura, enquanto o outro corpo ganha
energia e tem a sua temperatura elevada.(Clausius, 1850)

Observe que ao perder calor para o corpo frio, o corpo quente tem sua temperatura diminuída até que sua
temperatura seja igual à temperatura do corpo frio, que vem ganhando parte do calor que o corpo quente
tinha. O corpo frio aumenta sua temperatura até o limite da temperatura que o corpo quente alcança ao
perder calor. Se o corpo frio ganhasse muito calor a ponto de, ao final, ficar com uma temperatura superior
à do corpo quente que perdeu calor, o processo se inverteria, e o corpo que era frio passaria a ser mais
quente que o que era inicialmente quente. A partir de então, perderia calor até que se restabelecesse o
equilíbrio térmico.

Apesar do raciocínio do parágrafo anterior poder parecer difícil, basta você entender que dois corpos em
contato, com temperaturas inicialmente diferentes, alcançarão, após algum tempo, a mesma temperatu-
ra, o que significa que eles alcançarão o denominado equilíbrio térmico.

Finalmente, é interessante relembrar uma lei conhecida como Lei Zero da Termodinâmica ou Princípio
Zero da Termodinâmica.

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Lei Zero da Termodinâmica

O Princípio Zero da Termodinâmica advém justamente do equilíbrio dos corpos. É conhecida como a lei do
equilíbrio dos corpos.

Basicamente consiste em dizer que o equilíbrio térmico entre corpos materiais só pode ser atingido quan-
do os mesmos se encontram na mesma temperatura.

Seu conceito formal é o seguinte:

“Se três sistemas se apresentam isolados de qualquer outro universo externo, e, dois sistemas conse-
cutivos estiverem em equilíbrio térmico com o terceiro, então os dois sistemas consecutivos estarão em
equilíbrio térmico entre si. ”(Clausius, 1850)

Figura 1. Sistemas termodinâmicos – SISTEMA ABERTO (troca massa e energia).


Fonte: http://sereduc.com/m0j5XQ

Figura 2. Sistemas termodinâmicos – SISTEMA FECHADO (troca só energia).


Fonte: http://www.telelistas.net/blog/wp-content/uploads/2014/05/gal%C3%A3o1.jpg

Figura 3. Sistemas termodinâmicos – SISTEMA ISOLADO (não troca massa, nem energia).

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Leituras complementares

Para entender isso melhor, recomendamos a leitura e compreensão do significado de


sistemas termodinâmicos (abertos, fechados e isolados), de acordo com as figuras: 1, 2
e 3. Essa leitura e compreensão pode não ser absolutamente necessárias, mas ajudará
você a entender melhor o conceito formal acima citado. Você poderá ler um texto muito
simples neste link da InfoEscola.

Você também poderá complementar sua leitura sobre o Princípio Zero da Termodinâmi-
ca, lendo um pouco o conteúdo da página do Mundo Educação.

FORMAS DE TRANSFERÊNCIA DE CALOR

Há essencialmente três formas possíveis de transferência de calor conhecidas: (Figura 4).

Figura 4. Formas de transferência de calor.


Fonte: http://www.ebanataw.com.br/roberto/conforto/transmissao.jpg

• A CONDUÇÃO é a forma de transferência de calor que ocorre entre sólidos ou fluidos. A condução
está normalmente relacionada com a energia cinética das moléculas dos corpos envolvidos. Conside-
rando que a temperatura de um corpo é proporcional à energia cinética média das partículas de cada
corpo, pode-se concluir facilmente que a diferença de temperaturas é o fator principal da transferên-
cia de calor por condução;

• A CONVECÇÃO ocorre quando a transferência de calor se dá entre a superfície de um corpo e um


fluido que se movimenta próximo a essa superfície. Este movimento pode ser o resultado da variação
de densidade que ocorre em partes do fluido, sendo essa diferença de densidade devida a diferentes
temperaturas do mesmo (conhecida como convecção natural), mas também pode ser o resultado da
ação de ventiladores ou bombas, que promovem o movimento do fluido sobre a superfície do corpo
(conhecida como convecção forçada);

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• A RADIAÇÃO também conhecida como irradiação, é a troca térmica que ocorre entre dois corpos
quando não há nada entre eles, ou seja, quando entre eles somente há o espaço vazio. Nos dois pri-
meiros casos, condução e convecção, a troca de calor se dá através da troca de energia que se efetua
entre as moléculas que se tocam. Aqui, entretanto, como não há moléculas que se toquem (lembre-
se: neste caso, consideramos que há espaço vazio entre os corpos), a troca térmica se dá através de
ondas eletromagnéticas.

Primeira Lei da Termodinâmica

A Primeira Lei da Termodinâmica é conhecida como Lei da Conservação da Energia.

Esta lei relaciona a variação da energia interna ΔE de um sistema com seu fluxo de calor Q e o trabalho
W realizado ou recebido por este sistema.

Figura 5. Convenção de sinais para a Primeira Lei da Termodinâmica.


Fonte: Imagem do autor

Por convenção, o fluxo de calor pode ser positivo (Q > 0, se o sistema recebe calor) ou negativo (Q < 0, se
o sistema perde calor), assim como o trabalho pode ser considerado positivo (W > 0, quando o trabalho
é realizado pelo sistema no ambiente que o envolve) ou negativo (W < 0, quando o ambiente é quem
realiza trabalho sobre o sistema, ou, de outra forma, quando o sistema recebe trabalho das vizinhanças),
de acordo com a Figura 5.

De acordo com essa lei, a energia total de um sistema se conserva. Seu conceito formal é o seguinte:

“O calor recebido por um sistema é igual à soma entre a variação da energia interna do sistema e o tra-
balho efetuado pelo sistema. ” (Carnot, 1824)

Essa relação é representada pela Eq. 1:

Eq. 1

É importante lembrar que, apesar de ΔE ser conhecida como variação de energia interna do sistema, de
maneira que ΔE = Ee – Es (energia interna que entra “menos” a energia interna que sai, de maneira que
essa variação seja positiva), a energia interna de um sistema não costuma ser determinada, mas apenas
sua variação. Também podemos dizer que ΔE = Ef – Ei, sendo Ef a energia interna que o sistema possui
ao final da transformação e Ei a energia interna que o sistema possuía antes. Ambas as variações levam
ao mesmo resultado.
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Essa variação, demonstrada na Eq. 1, mostra que, para que um sistema tenha sua energia interna modi-
ficada, é preciso ocorrer pelo menos uma das alternativas: ou haver troca de calor (Q) pelo sistema com
o ambiente (que pode ser outro corpo, inclusive um fluido), resultante da diferença de temperatura entre
eles; ou que haja realização de trabalho pelo sistema no ambiente (W positivo) ou pelo ambiente no sis-
tema (W negativo).

Dito isto, é fácil perceber que, se não houver realização de trabalho (W = 0), a Eq. 1 se reduz a ΔE = Q.

QUANTIDADE DE CALOR DE UM CORPO

Por outro lado, você sabe que nem todo corpo se aquece ou se esfria da mesma forma. A forma como
se aquece um corpo (se mais ou menos rápido) depende basicamente de fatores como a massa do corpo
(todo corpo tem massa m) e o seu calor específico (c).

O calor específico de um corpo é a taxa de transferência que ocorre em um corpo por unidade de massa
m e por temperatura T, de maneira que a quantidade de calor que um corpo recebe ou perde é dada pela
Eq. 2, em que ΔT = Tf – Ti (a variação de temperatura do corpo é a diferença entre a sua temperatura final
Tf e a sua temperatura inicial Ti):

Eq. 2

Mudança de fase

Em algumas situações, quando um corpo se aquece ou se esfria, o corpo pode experimentar o que cha-
mamos de mudança de fase. Mudança de fase ocorre quando um corpo muda de estado físico (Figura 6).

Figura 6. Mudanças de fase dos corpos


Fonte: http://www.soq.com.br/conteudos/em/introducao/index_clip_image015.gif

Nestas circunstâncias, podemos dizer que, durante o processo de mudança de fase, a temperatura do
corpo se mantém constante, de forma que o calor necessário para realizar a mudança de fase de toda a
massa do corpo é dado pela Eq. 3, em que L é conhecido como calor latente, que representa a quantidade

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de energia necessária, por unidade de massa, necessária para a mudança de fase do referido corpo.

Eq. 3

Sistema de unidades

É importante conhecer as unidades representativas das propriedades estudadas. Sugerimos que você
consulte o livro texto (Souza, 2016) para um melhor aproveitamento. De qualquer maneira, apresentamos
as unidades das propriedades até então estudadas.

Sistema Internacional de Unidades (SI):

kg (quilo) = unidade de massa ;

m (metro) = unidade de comprimento;

s (segundo) = unidade de tempo;

J (Joule) = unidade de energia ;

ºC (grau Celsius) = unidade de temperatura;

K (Kelvin) = unidade de temperatura, sendo ;

= unidade de calor específico (em graus Celsius);

= unidade de calor específico (em Kelvin);

= unidade de calor latente;

(Watt ou Joule/s) = taxa de transferência de calor.

Sistema inglês de unidades

Apesar de não pertencerem ao SI, algumas unidades do sistema inglês continuam sendo utilizadas, sendo
interessante que você conheça a conversão dessas unidades em unidades do SI. Neste caso, apresenta-
mos a unidade “calorias” (cal) que representa a unidade de energia do sistema inglês:

1 cal = 4,1868 J

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INTRODUÇÃO À CONDUÇÃO

Você já viu que a transferência de calor depende de corpo para corpo. Isso quer dizer que cada corpo
possui o que chamamos de suas próprias propriedades térmicas.

Também já entendeu que essa transferência somente se dá de um corpo mais quente para um corpo mais
frio.

Um outro ponto muito importante, já apresentado, é que um corpo (ou fluido) pode apresentar uma região
mais quente e outra mais fria (geralmente nas extremidades). Quando isso ocorre, temos o que chamamos
de gradiente de temperatura.

Gradiente de Temperatura

Formalmente, podemos dizer que:

Gradiente de temperatura é uma grandeza utilizada para descrever a direção e a taxa de variação de
temperatura em um dado ponto. É uma grandeza expressa em unidades de temperatura por unidades de
comprimento.

Sua unidade no SI o K/m (Kelvin por metro).

A temperatura, a rigor, pode variar em diversas direções, de modo que o gradiente térmico pode ocorrer
em qualquer uma das três dimensões. A Eq. 4 representa este fenômeno:

Eq. 4

O símbolo ∇ é o gradiente, e os termos entre parênteses são derivadas parciais da temperatura em rela-
ção às dimensões x, y e z. Nesta parte do estudo, consideraremos inicialmente gradientes térmicos que
variem em uma só dimensão, de maneira que a Eq. 4 se reduz a uma derivada simples (não mais parcial,
por não depender de outras variáveis, mas apenas de x, ou seja, de uma dimensão), representada pela
Eq. 5:

Eq. 5

Condutividade Térmica (k)

Como comentado, cada material possui suas próprias propriedades térmicas. Em nosso estudo, uma pro-
priedade muito importante é a condutividade térmica. Formalmente, podemos dizer que:

“A condutividade térmica é a capacidade de um material conduzir energia térmica. ” Callister, William,


Materials Science and Engineering - An Introduction (John Wiley & Sons, INC. 2003)

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Caro (a) aluno (a), alguns materiais conduzem energia térmica de forma mais rápida e eficiente que outros.
Dizemos que esses materiais são bons condutores térmicos ou que possuem uma condutividade térmica
mais alta. Eles costumam ser utilizados para a fabricação de equipamentos que necessitam dissipar o
calor de forma rápida. Outros materiais possuem condutividade térmica baixa, sendo normalmente utili-
zados como isolantes térmicos.

A condutividade térmica é uma característica específica de cada material, e dependendo tanto da pureza
como da própria temperatura na qual esse se encontra (especialmente em baixas temperaturas). Em
geral, a condução de energia térmica nos materiais, aumenta à medida que a temperatura aumenta. Isso
quer dizer que a condutividade térmica é uma propriedade que varia conforme a temperatura em que se
encontra cada material.

No SI, a sua unidade de representação é o W/(m.K), ou seja, o watt por metro e por Kelvin (lembrando que
o Watt é o mesmo que J/s), pois:

“A condutividade térmica representa a taxa temporal de transmissão de energia, sob a forma de calor,
através de um material. ”

A condutividade térmica equivale numericamente à quantidade de calor (Q) transmitida por unidade de
tempo através de um objeto com espessura unitária (L), numa direção normal à área da superfície de sua
seção reta A, também unitária, devido a uma variação de temperatura unitária (ΔT) entre as extremidades
longitudinais (Eq. 6).

Eq. 6

Sugerimos que você consulte seu livro texto para conhecer uma tabela de condutividade térmica, quando
observará que a condutividade térmica é maior nos sólidos que nos líquidos, que, por sua vez, é maior do
que nos gases. Lá, você poderá também conhecer, através de uma figura, como a condutividade térmica
varia em alguns sólidos em função da temperatura.

Resistividade Térmica (ρ)

Outra propriedade, que advém diretamente do conceito de condutividade térmica, é justamente a


resistividade térmica, que nada mais é que o oposto ao que foi definido. Dizemos que a resistividade
térmica é o recíproco da condutividade térmica (Eq. 7).

Eq. 7

Se alguns corpos possuem alta condutividade térmica, possuirão baixa resistivivdade térmica, e vice-
versa.
Tabelas de condutividade térmica podem ser facilmente encontradas em consultas feitas na internet ou
no google, como vemos por exemplo na Tabela 1.

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Exemplo

Tabela 1. Resistividade de alguns materiais.


Fonte: Adaptação do professor

Difusividade Térmica (α)

??? Você sabia?

Você sabia que existe outra propriedade importante, no estudo de transferência de calor?

Sim, é a Difusividade Térmica. Ela indica basicamente a velocidade com que o calor se difunde em dado
material. Seu conceito formal é:

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“A difusividade térmica representa a forma como o calor se difunde através de um material. ” Clauser, C.
e Huenges, E. (1995) Thermal conductivity of rocks and minerals, Americam Geophysical Union, 3:105-126.

Isto depende, por um lado, da condutividade (k) ou da velocidade de condução da energia térmica no
interior do material, mas também depende do calor específico (c) e da densidade (ρ) do referido material
(Eq. 8).

Eq. 8

Guarde essa ideia!

Muita atenção neste momento. Você deve ter percebido que os símbolos usuais de
representação de resistividade e de densidade são os mesmos neste texto: r. Normal-
mente a densidade pode ainda ser representada por d. Como usaremos muito mais a
propriedade de condutividade (o recíproco da resistividade), então, daqui por diante,
quando aparecer o símbolo r estaremos nos referindo à densidade do material.

As unidades SI para essas grandezas são:

= unidade de condutividade térmica (k);

= unidade densidade (ρ);

= unidade de calor específico (c);

= unidade de difusividade térmica (α).

Fluxo de calor (q/A ou q”)

O conceito formal de fluxo de calor é o seguinte:

“Fluxo de calor a taxa de transferência de calor por unidade de área (A) perpendicular à direção dessa
transferência, sendo também proporcional ao gradiente de temperatura nessa direção. ” Sistema Inter-
nacional de Unidades : SI. — Duque de Caxias, RJ: INMETRO/CICMA/SEPIN, 2012. 94 p.

O calor tem sido representado pelo símbolo Q, sendo sua unidade no SI uma unidade de energia, ou seja,
o J (Joule).

Por sua vez, a taxa de calor é uma quantidade de calor transferida por unidade de tempo (valor temporal).
Sendo, portanto, a taxa de calor uma quantidade de calor temporal, temos (Eq. 9).

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Eq. 9

Sua unidade no SI é (Watt ou Joule/s).

Considerado o conceito de fluxo de calor, temos pela Eq. 10, representando tal fluxo por q”:

Eq. 10

A unidade de fluxo de calor pelo SI é (Watt/metro2).

Taxa de energia gerada (por unidade de volume)

A taxa de energia gerada q por unidade de volume (volume de controle) será representada por . Como
se uma taxa de energia, sua unidade [ ] = W/m3.

Lei de Fourier (equação de condução de calor)

Prezado (a) estudante, como vimos, o fluxo de calor é proporcional ao gradiente de temperatura. Se esse

gradiente for unidimensional, como , vamos representá-lo simplesmente por (justamente por

ser unidimensional) (veja essa proporcionalidade nas Eq. 11):

Eq. 11 (a)

Eq. 11 (b)

Guarde essa ideia!

Lembre-se que o símbolo de proporcionalidade (µ) não significa a mesma coisa que o
símbolo de igualdade (=). Antes, ele significa apenas uma dependência direta de outras
variáveis ou funções, mas para a igualdade é necessário normalmente alguma (s) outra
(s) conjectura (s) ou uma expressão constante que a faça ser real partindo das propor-
cionalidades existentes em um determinado conceito estudado.

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Aqui, estamos usando duas equações, sendo a primeira (Eq. 11.a) a que é usada em seu livro texto (con-
sulte-o), e a segunda (Eq. 11.b) uma equação que pode ser encontrada em outros livros textos, como o
(Dewitt & Incropera, 2003).

Para que essa proporcionalidade se transforme em uma igualdade, a inserção de uma constante se faz
necessária. Neste caso, a constante que melhor se adequa é uma propriedade dos materiais que você já
estudou, a condutividade térmica (k).

É importante lembrar, por outro lado, que, considerando que o gradiente de temperatura é negativo, pois,
à medida que nos afastamos da fonte de calor, a temperatura é menor (a temperatura final é menor que a
inicial, logo sua subtração leva a um valor negativo), para que essa igualdade se estabeleça, inseriremos
também um sinal negativo.

Dessa forma, chegamos à Lei de Fourier:

Eq. 12 (a)

Eq. 12 (b)

Exemplos

Exemplo 1

Suponha que você tenha um forno, formado por um material isolante, de seção transversal 20 m2, cuja es-
pessura é de 5,0 cm, que conduza calor a uma taxa de 4,5 kW. Considerando que a sua superfície interna
se encontra a uma temperatura de 300ºC e ainda que a condutividade térmica do material isolante seja
de 0,275 W.m-1K-1, determine qual a temperatura da superfície externa.

Solução

Para responder esta questão, usemos a Eq. 12 (a):

Para este caso, considerando a variação de temperatura apenas em uma dimensão, que é a espessura do
material L, podemos usar a equação Eq. 12 (a) da seguinte forma:

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Isolando ΔT:

Definindo os valores:

Aplicando os valores:

A temperatura da superfície externa do forno será de 259,09ºC, para as condições indicadas.

Exemplo 2

Admita uma transferência de calor em uma dimensão (unidimensional) por condução, em regime perma-
nente (estacionário), desconsiderando geração interna de calor. Essa transferência se dá em uma parede
plana com temperaturas T1 e T2 (conforme as situações da tabela que se segue) de espessura 0,3 m. A
condutividade térmica do material da parede é de 30 W.m−1.K−1. Com estas informações, preencha a
tabela abaixo:

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Para preencher esta tabela, precisamos basicamente da Lei de Fourier e sua forma para

condução unidimensional .

Situação 1:

Situação 2:

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Situação 3:

Situação 4:

Balanço de energia

Denominamos de balanço de energia a avaliação da energia que entra e que sai de um volume de contro-
le, bem como a energia que pode ser gerada ou consumida dentro desse volume de controle, dentro de
um dado intervalo de tempo. Consideraremos ainda a energia armazenada, por ocasião do fenômeno, mas
que o material não sofra mudanças de fase (efeito da energia latente). Finalmente, inicialmente conside-
raremos que o fluxo de calor se somente na direção x:

Figura 7. Balanço de energia em um volume de controle.


Fonte: Adaptação do(a)professor (a).

Na Figura 7, o calor que entra no volume de controle é dado por , sendo a barra à direita
com o x como subscrito justamente a notação representativa de que o calor entra no sentido de x, sendo
dx a espessura do volume de controle dx.

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O calor que sai do volume de controle é dado por , sendo x+dx a distância percorrida
pelo calor.

Como já foi visto, a taxa de energia gerada q por unidade de volume (volume de controle) será represen-
tada por . Como se uma taxa de energia, sua unidade [ ] = W/m3, ou J/(s.m3). O calor gerado é obtido
multiplicando-se pelo volume de controle .

A energia armazenada passa a constituir parte da energia interna, pelo que consideramos então que essa
energia corresponde à variação da energia interna do material. Essa variação de energia depende do
variação de temperatura do corpo com o tempo (dT/dt), o calor específico do corpo (c), sua densidade (ρ)

e, claro, o volume do corpo (A.dx), ou seja .

O balanço de energia (calor neste caso) é dado pelas Eq. 13:

entra + gerado = armazenado + sai Eq. 13 (a)

Eq. 13 (b)

Querido (a) aluno (a), observe que o sinal negativo no segundo membro da equação é função do gradiente
de temperatura (diminuição da temperatura à medida que nos afastamos da fonte de calor).

No livro texto é apresentado o desenvolvimento dessa equação em termos de derivadas, levando a Eq. 14.

Eq. 14 (a)

Lembrando do conceito de difusividade térmica, dado pela Eq. 8:

Eq. 8

Podemos ter também:

Eq. 14 (b)

A única diferença desta equação para a equação do livro texto é que aqui, como consideramos inicial-
mente o fluxo em apenas uma dimensão, no sentido do eixo x, usamos uma derivada simples. Entretanto,
a rigor, a equação do livro texto, com derivadas parciais, representa melhor o fenômeno, uma vez que
estamos falando de “volume de controle”, ou seja, de um corpo tridimensional.

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Finalmente, para essa dedução se aplicar a corpos tridimensionais, basta que consideremos o gradiente
de temperatura ∇T (Eq. 15):

Eq. 15 (a)

Eq. 15 (b)

Eq. 15 (c)

Condições de contorno

São denominadas condições de contorno as situações necessárias de serem conhecidas para que se
possa resolver um problema proposto.

Em nosso estudo, você poderá considerar três tipos de condições de contorno possíveis, a Condição de
Dirichlet, a Condição de Neumann e a Condição de Robin.

A representação da temperatura T nas equações estudadas até então denota que ela é uma função da
posição e do tempo, ou seja, T = T (x, t).

Condição de Dirichlet

Figura 8. Representação da Condição de Dirichlet.


Fonte: Imagem do próprio autor.

Também conhecida como condição de contorno de primeira espécie, ocorre quando consideramos que
a superfície do corpo é mantida a uma temperatura fixa Ts (Figura 8). Exemplos dessa situação ocorrem
quando a superfície do corpo em questão está em contato com um material que está mudando de fase
(fusão, ebulição), quando mantém sua temperatura constante, como você sabe.

Neste caso:

Eq. 16

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Condição de Neumann

Figura 9. Representação da Condição de Neumann, para o caso de fluxo de calor finito.


Fonte: Imagem do próprio autor.

Esta é uma condição de contorno de segunda espécie, ocorrendo com o contato da superfície do corpo
com uma fonte de calor ou com um isolante (Figura 9).

No caso de uma fonte de calor, temos um fluxo de calor finito, em que:

Eq. 17 (a)

Eq. 17 (b)

Figura 10. Representação da Condição de Neumann, para o caso de uma superfície isolada (ou adiabática).
Fonte: Imagem do próprio autor.

No caso de uma superfície isolada (ou adiabática, (Figura 10), consideramos que não ocorre troca de calor
na superfície, de maneira que a variação de temperatura na superfície (x = 0) é nula (Eq. 18).

Eq. 18

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Condição de Robin

Figura 11. Representação da Condição de Robin.


Fonte: Imagem do próprio autor.

Trata-se de uma condição de contorno de terceira espécie, que correspondente à existência de troca de
calor (aquecimento ou resfriamento) por convecção na superfície do corpo (Figura 11).

Neste caso, a variação da temperatura na superfície, depende da temperatura do fluído em condições de


corrente livre (T∞), bem como da temperatura na superfície do corpo, T (0, t), do coeficiente de transferên-
cia de calor por convecção (h), que é dado em W/(m2.K), dada pela Eq. 19.

Eq. 19

CONDUÇÃO UNIDIMENSIONAL EM REGIME ESTACIONÁRIO

Agora, caro (a) aluno (a), iremos aplicar os balanços de energia, mais especificamente a equação de
condução de calor, unidimensionalmente, ou seja, em sistemas de uma só dimensão, e em regime esta-
cionário.

Definido o que vem a ser um regime estacionário, desenvolveremos o estudo da condução de calor sem
geração de energia, para o que você conhecerá também o conceito de resistência térmica.

Ao final, incluiremos o estudo da condução de calor com geração de energia.

Regime estacionário (ou permanente)

Dizer que um sistema está em regime estacionário, também conhecido como regime permanente, é o
mesmo que dizer que suas propriedades são inalteráveis com o tempo, o que vale dizer que qualquer
derivada temporal será nula, por exemplo .

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CONDUÇÃO DE CALOR SEM GERAÇÃO DE ENERGIA

Consideraremos neste estudo situações de transferência de calor por condução em uma parede plana, em
um cilindro e em uma esfera.

Parede plana

Figura 12. Fluxo por condução em uma parede plana.


Fonte: Imagem do próprio autor.

Para uma parede plana (Figura 12), a condução de calor em regime estacionário permite-nos dizer que a
Eq. 12 (a) pode ser integrada, variando-se entre a posição x = 0, na superfície do corpo, e x = L, L corres-
pondendo à espessura do corpo estudado. Consideraremos ainda que a condutividade térmica do corpo é
constante na faixa de temperatura avaliada, de T1 a T2, sendo T2 < T1.

Eq. 12 (a)

Eq. 20

Resistência térmica

Observe que a Eq. 20 pode ser modificada para representar o calor conduzido em função do quociente da
variação de temperatura sofrida e um valor “constante” para a situação, bastando dividir o numerador e
o denominador do segundo membro por –kA (Eq. 21).

Eq. 21

23
Figura 13. Fluxo por condução em duas paredes planas contíguas.
Fonte: Imagem do próprio autor.

Essa forma permite avaliar uma situação em que paredes contíguas (vizinhas), que possuam a mesma
área A de contato, mas que possuam condutividades térmicas diferentes. Considere assim, duas paredes
1 e 2, ambas de áreas A, com espessuras L1 e L2 e condutividades térmicas k1 e k2 respectivamente
(Figura 13).

Observe que o fluxo de calor (q/A) em qualquer face das paredes é o mesmo, e, uma vez que A é a mesma
para ambas as paredes, podemos afirmar que q também é o mesmo para ambas as paredes, de maneira
que, a Eq. 21 pode ser interpretada na Eq. 22:

Eq. 22

Você pode inicialmente isolar T2 em termos de T1 e T3:

O que leva a:

Agora, isolando q:

Teremos a Eq. 23:

Eq. 23

24
L1 L
Observe que os termos e 2 são como resistências térmicas, pois quanto maior forem, menor
k1 A k2 A
será a taxa de transferência de calor. Você poderá lembrar que a resistividade térmica é uma propriedade

dos corpos, sendo o recíproco da condutividade térmica. Comparando a resistividade térmica

com tais termos, eles se assemelham, sendo a diferença apenas relacionada às dimensões do corpo
(espessura L e área da seção reta A por onde é o calor transferido). Por isso mesmo é que podemos dizer
que os termos resistividade térmica e resistência térmica têm algo em comum: quanto maior a resistência
térmica que um corpo oferece, ou sua a resistividade térmica, menor a taxa de transferência de calor que
este corpo poderá proporcionar.
L1 L
Ainda observando os termos e 2 podemos observar que, quanto maior os valores das condu-
k1 A k2 A
tividades (k1, k2), menores serão estes termos, e, portanto, maior a taxa de transferência de calor. Isso
também deve ser óbvio, uma vez que já sabemos que, quanto maior a condutividade térmica de um corpo,
maior sua taxa de transferência de calor.

Finalmente, avaliando as equações 21 a 23, podemos ver que, quanto maior a diferença de temperatura,
maior a taxa de transferência de calor, o que faz com que possamos considerar essa diferença como po-
tencial térmico.

Figura 14. Fluxo por condução em três paredes planas contíguas.


Fonte: Imagem do próprio autor.

Podemos ampliar esse estudo de maneira que, se você tiver mais paredes (Figura 14), basta somar as
resistências térmicas, de acordo com as espessuras das paredes e suas condutividades térmicas, para
poder determinar as temperaturas de entrada na primeira parede e de saída na última parede, e, claro,
calcular inclusive as temperaturas intermediárias (entre uma parede e outra).

Exemplos

Exemplo 3

Considere uma parede plana constituída de uma placa cobre com 2,0 cm de espessura recoberta com uma
camada de amianto de 2,5 mm e uma chapa de vidro com 4,0 cm. Suponha que essa placa isola um lado
com 570ºC de seu outro lado com 40ºC. Determine o fluxo de calor (q/A) desta parede. As propriedades

25
do cobre puro são: densidade 8.954 kg/m3, calor específico 0,38 kJ.kg−1.ºC−1, considere uma condutividade
térmica média na faixa de temperatura estudada de 380 W.m−1.ºC−1. As propriedades do amianto são:
densidade 500 kg/m3, calor específico 0,82 kJ.kg−1.ºC−1 e condutividade térmica 0,16 W.m−1.ºC−1. Final-
mente, as propriedades do vidro utilizado são: densidade 2.700 kg/m3, calor específico 0,84 kJ.kg−1.ºC−1 e
condutividade térmica 0,78 W.m−1.ºC−1.

Solução

Você pode determinar o fluxo de calor (q/A) através da Eq. 12 (a): , considerando dx como

a espessura L para cada um dos materiais, como na Figura 13. Desta maneira, a equação deve considerar
as três resistências térmicas dos materiais:

Como a área de contato entre os materiais é a mesma, podemos obter o fluxo de área da seguinte forma:

Vamos observar os valores dados necessários à equação:

Aplicando os valores na equação:

26
Exemplo 4

Observe que é possível se determinar as temperaturas intermediárias em caso de paredes planas com-
postas de materiais contíguos de diferentes condutividades térmicas. Neste exemplo, procure determinar
as temperaturas entre a placa de cobre e o amianto (T2), e entre o amianto e o vidro (T3) do Exemplo 3.

Solução

Parte-se de que o fluxo de calor é o mesmo entre cada um dos materiais. Assim, você pode continuar
usando a Eq. 12 (a), desconsiderando as demais resistências térmicas. Entre o cobre e o amianto:

Logo, como você já conhece o fluxo de calor (q/A), para calcular T2:

Para calcular T3:

27
Observe que é possível calcular T2 ou T3 de outras formas (admitindo outras resistências):

Com isso, você pode observar que há várias maneiras de se determinar as temperaturas intermediárias,
em uma parede plana constituída de diversos materiais com áreas de contato iguais, em que se observa
a transferência de calor por condução transversalmente à estrutura da parede.

Distribuição de temperatura

Rearranjando a Eq. 14, poderemos tê-la assim:

Eq. 14

Como, em regime estacionário , e considerando ainda a ausência de fontes de calor, ou


seja, :

28
Eq. 24

Lembre-se que a derivada segunda da Eq. 24 pode ser reescrita assim:

Eq. 25

A Eq. 25 é uma equação diferencial ordinária de segunda ordem, cuja solução (curso de cálculo) é:

Eq. 26

No caso de uma parede que possui T1 e T2, quando x = 0 e x = L, respectivamente, teremos que C2 = T1 e
C1 = (T2 – T1)/L, de maneira que obtemos para o perfil de temperatura (ou distribuição de temperatura) a
Eq. 27:

Eq. 27

Podemos tirar ao menos duas conclusões pela Eq. 27. A primeira delas é que sendo
função de x/L. A segunda conclusão é que a Eq. 27 é uma equação de uma reta, em que o coeficiente
angular é e o coeficiente linear é T1, ou seja, o decaimento de temperatura é linear.

Exemplo 5

Considere uma parede plana de 30 cm de espessura, cuja distribuição de temperatura se dê conforme a


equação , em que a temperatura seja dada em graus Celsius e x em metros, sendo a
= 600ºC, b = – 200ºC/m e c = – 40ºC/m2. A parede tem dimensões correspondentes a 2 metros de altura
por 10 metros de comprimento, e a gera calor, de forma uniforme, correspondente a 600 W/m3. Considere
ainda que a densidade do material da parede é de 2,0 g/cm3, sua condutividade térmica é de 30 W.m-1.K-1
e seu calor específico (à pressão constante) é de 5 J.kg-1.K-1.

a) Determine a temperatura interna da parede (quente) e a temperatura externa (mais fria) da parede.
b) Calcule a taxa de transferência de calor que entra na parede.
c) Calcule a taxa de transferência de calor que sai da parede.
d) Através do balanço de energia, encontre o valor de energia armazenada pela parede.
e) Estime a taxa de variação de temperatura (em relação ao tempo) 10 cm após a entrada de calor na
parede e 10 cm antes de o calor sair da parede.

29
Solução

Primeiramente, vamos definir os valores:

a) Para determinar as temperaturas interna e externa da parede, basta que apliquemos os valores da
espessura da parede, L, em x = 0 e em x = 30 cm = 0,3 m, na equação de temperatura:

b) Usemos a Eq. 12 (a), inicialmente aplicando-a em x = 0 e depois em x = 0,3 m. Entretanto, primeiramen-


te, derivemos dT/dx:

30
Então, para x = 0:

(1)

q = 168000W

q = 168kW (em x = 0, ou seja, no início da parede, lado quente)

Atenção, observe que não foi necessário transformar ºC em K, pois os valores da distribuição de tempera-
tura é em temos de “variação” por metro ou “variação por metro quadrado”. Assim, se o valor é 200ºC por
metro, isso corresponde também à variação de 200 Kelvins por metro. Da mesma forma, se o valor é 20ºC
por metro quadrado, isso também corresponde à variação de 20 Kelvins por metro quadrado.

c) Para x = 0,3 m:

q = 134400W

q = 134, 4kW (em x = 0,3m, ou seja, no final da parede, lado mais frio)

d) O balanço de energia é dado pelas Eq. 13, em que o calor gerado pode ser dado por :

Assim, com o valor dos calores na entrada na saída da parede, calculados nas letras (b) e (c):

31
e) Para calcular a taxa de variação de temperatura em relação ao tempo, precisamos das Eq. 14 (b):

d 2T
Por outro lado, é preciso inicialmente determinar , derivando a equação de temperatura
dx 2
. Como já obtivemos sua primeira derivada,

, basta que a derivemos novamente:

Agora, aplicando os valores conhecidos para x = 10 cm = 0,1 m:

E aplicando os valores conhecidos para x = 30 cm = 0,3 m, como a equação não depende da posição x,
podemos dizer que , o que significa dizer que a taxa de queda de

temperatura é linear, sendo apenas função do tempo.

32
Cilindro

Figura 15. Fluxo por condução em um cilindro.


Fonte: Imagem do próprio autor.

Para determinar o fluxo de calor na parede de um tubo cilíndrico, uma mudança de coordenadas se faz
necessária (Figura 15).

Pretende-se determinar a transferência de calor entre uma região com raio r1 (raio interno) e r2 (raio
externo), segundo a Eq. 28.

Eq. 28

Naturalmente, convém lembrar que a própria área de transferência de calor é função do raio do cilindro,
A = 2πrL. Aplicando esta definição da área na Eq. 28 e integrando-a de r1 a r2 e de T1 a T2, teremos a Eq.
29, cuja demonstração mais detalhada encontra-se no livro texto, embora com r1 = ri, r2 = re, T1 = Ti e T2
= Te, sendo os índices i e e correspondentes aos termos interno(a) e externa (e) respectivamente.

Eq. 29

Podemos reescrever a Eq. 29 de outra forma (Eq. 30), em que o termo representa justamente
uma resistência térmica.

Eq. 30

Você pode trabalhar com o conceito de resistência térmica, de maneira que, para dois tubos concêntricos,
com raios r1 (interno), r2 (entre um tubo e outro) e r3 (externo ao tubo mais externo), condutividade térmica

do tubo mais interno k1 e condutividade térmica do tubo mais externo k2, a Eq. 31 possui termos de resis-

tência térmica correspondentes a e .


33
Eq. 31

Exemplo 6

Uma tubulação de aço inoxidável, cuja condutividade térmica é 19 W.m−1.ºC−1, possui um diâmetro interno
de 0,5 cm e um diâmetro externo de 2,0 cm. Para efeitos de dissipação de calor, recobre-se esta tubulação
com um isolamento 1,0 cm de espessura de condutividade térmica 0,15 W.m−1.ºC−1. Considerando que a
tubulação serve para conduzir um fluido que mantém sua parede interna a 500ºC, qual deve ser a perda de
calor por unidade de comprimento já que a parede externa ao isolamento se encontra a 50ºC?

Solução

O sistema envolve coordenadas radiais (tubulação, coordenadas cilíndricas).

Usando a Eq. 31, você pode obter a perda de calor por unidade de comprimento L:

Figura 16. Condução de calor em uma tubulação revestida com um Isolamento.


Fonte: Imagem do próprio autor.

Os dados foram:

34
Aplicando à equação:

Esfera

Figura 17. Fluxo por condução em uma esfera oca.


Fonte: Imagem do próprio autor.

Finalmente, podemos também considerar o fluxo de calor de dentro para fora de uma esfera oca (Figura
17).

Pretende-se determinar a transferência de calor entre uma região com raio r1 (raio interno) e r2 (raio
externo), segundo a Eq. 28.

Eq. 28

Naturalmente, convém lembrar que a própria área de transferência de calor é função do raio da esfera,
A = 4πr2. Aplicando esta definição da área na Eq. 28 e integrando-a de r1 a r2 e de T1 a T2, teremos a Eq.
32, cuja demonstração mais detalhada encontra-se no livro texto, embora com r1 = ri, r2 = re, T1 = Ti e T2
= Te, sendo os índices i e e correspondentes aos termos interno(a) e externa (e) respectivamente.

Eq. 32

Podemos reescrever a Eq. 32 de outra forma (Eq. 33), em que o termo representa justa-
mente uma resistência térmica.

Eq. 33

35
Você também pode trabalhar com o conceito de resistência térmica, de maneira que, para duas esferas
concêntricas, com raios r1 (interno), r2 (entre um tubo e outro) e r3 (externo ao tubo mais externo), condu-
tividade térmica do tubo mais interno k1 e condutividade térmica do tubo mais externo k2, a Eq. 34 possui

termos de resistência térmica correspondentes a e .

Eq. 34

CONDUÇÃO DE CALOR COM GERAÇÃO DE ENERGIA

Neste caso, devemos considerar a geração de calor interna, de maneira que será necessário que a distri-
buição de temperatura seja considerada em todo o volume do corpo considerado.

Parede plana

Figura 18. Fluxo por condução em uma parede plana com geração de calor.
Fonte: Imagem do próprio autor.

Será considerada uma parede plana que possui como temperatura em seu centro T1 e na superfície (am-
bas as superfícies) T2. O centro da parede será considerado como x = 0, crescendo seu valor para as extre-
midades, até alcançar as superfícies, cuja distância do centro será considerada como L (ou seja, a parede
possui espessura corresponde a 2L).

O balanço de energia dado pela Eq. 14 é:

Eq. 14

Como estamos ainda tratando de regime estacionário (ou permanente), temos que , de modo
que, nesta situação o balanço de energia é apresentado na Eq. 35

Eq. 35

36
A Eq. 35 é uma equação diferencial ordinária de segunda ordem, cuja solução (curso de cálculo) é:

Eq. 36

Para determinar as constantes C1 e C2, consideremos as seguintes condições de contorno: na superfície


1, Ts1 = T(−L); para a superfície 2, Ts2 = T(L). Aplicando estas duas condições na Eq. 36, ao subtrair as
equações resultantes, obtemos C1, e, ao somá-las, obtemos C2.

Então, para esta condição particular, a Eq. 36 fica na forma da Eq. 37:

Eq. 37

Quando as duas superfícies são mantidas à mesma temperatura, TS2 = TS1 = Ts (Eq. 38):

Eq. 38

No caso de uma parede que possui Ts2, quando x = –L ou x = +L, e Ts1, quando x = 0, respectivamente, se TS2
= TS1 = Ts teremos que C1 = 0 e C2 = T1, a temperatura máxima é encontrada em x = 0 (T0) (Eq. 39) (simetria).

Eq. 39

E o perfil de temperatura (ou distribuição de temperatura) pode também ser apresentado como na Eq. 40:

Eq. 40

Quando uma parede é adiabática (isolada), para uma espessura L, ainda vale a Eq. 38, porém, a tempe-
ratura mais alta ocorre em x = 0, a contar da parede adiabática. Se a espessura for considerada como 2L
(de −L a +L), a temperatura máxima será encontrada em T(−L), mas a Eq. 38 fica assim modificada (Eq. 41):

37
Eq. 41

Exemplo 7

Admitindo que uma parede plana de espessura 2L = 30 mm e condutividade térmica 40 W.m−1.K−1 gere
calor volumetricamente na taxa de 6 x 106 W/m3, possuindo ainda uma superfície perfeitamente isolada
(a −L) e a outra sob temperatura uniforme de 40ºC (a +L), determine (a) o perfil de temperatura da parede;
(b) a posição na parede em que a temperatura é máxima; (c) o valor da temperatura máxima.

Solução

a) Temos uma parede plana com geração de calor, cabendo, neste caso, o uso da Eq. 37.

Figura 19. Condução de calor em uma parede plana isolada em uma das faces com geração de calor.
Fonte: Imagem do próprio autor.

Aplicando (−L) à equação acima, teremos:

Aplicando (+L), que, por definição da Figura 19, é T0:

Entretanto, neste caso, temos que uma das superfícies é adiabática, ou seja, cabe aqui a Eq. 41:

38
Para T(−L):

Para T(+L):

Subtraindo as duas últimas equações:

Atribuindo os valores conhecidos:

2 L = 30mm = 0, 03m

b) A posição de maior temperatura é dada por x = −L, próxima à parede adiabática.

c) Como , então, . Esta é a maior temperatura.

Cilindro

Figura 20. Fluxo por condução em cilindro.


Fonte: Imagem do próprio autor.

39
Neste caso, as coordenadas cilíndricas levam a Eq. 14, considerando o regime permanente (Figura 20):

Eq. 14

Como estamos ainda tratando de regime estacionário (ou permanente), temos que , de modo que, nesta
situação o balanço de energia é apresentado na Eq. 42

Eq. 42

A separação das variáveis da Eq. 42 (considerando a geração de calor e a condutividade térmica unifor-
mes), poderemos integrá-la:

Eq. 43

A Eq. 43 também pode ser resolvida por separação de variáveis:

Eq. 44

No caso de um cilindro que r = 0, , ou seja, em , podemos determinar C1 da Eq.

43, de forma que C1 = 0.

Na superfície, onde r = r0, a temperatura é T2, pela Eq. 44, obtemos que , uma vez que
já foi definido que C1 = 0.

40
Nessas condições, a solução particular (para as condições de contorno apresentadas) é apresentada na
Eq. 45:

Eq. 45

Considerando, por fim que, no centro, onde chamaremos de T0, em que r = 0:

Eq. 46

Isolando as temperaturas das equações 45 e 46 e subtraindo a Eq. 46 da Eq. 45, chegamos ao perfil de
temperatura (distribuição de temperatura) dado pela Eq. 47

Eq. 47

CONDUÇÃO BIDIMENSIONAL EM REGIME ESTACIONÁRIO

Há casos em que se deve considerar o fluxo de calor bidimensionalmente, sendo um bom exemplo a con-
dução de calor sobre uma superfície, quando devem ser considerados os efeitos da transferência de calor
em duas dimensões.

Lembremo-nos da Eq. 15 (b):

Eq. 15 (b)

41
Método de separação de variáveis

Figura 21. Fluxo por condução em cilindro.


Fonte: Imagem do próprio autor.

Consideremos o fluxo de calor em duas dimensões: . Além disso, consideremos o regime

estacionário: . Finalmente, consideremos que não há calor gerado: . Feitas essas

considerações, teremos:

Eq. 48

Para a resolução dessa equação diferencial parcial, façamos uma substituição de variáveis, usando as
temperaturas apresentadas na Figura 21:

Eq. 49

De forma que, derivando adequadamente a Eq. 49:

Eq. 50

Observando a Figura 20, temos as seguintes condições de contorno:

42
É possível obter a solução da Eq. 50 através de separação de variáveis, considerando que a solução a
ser obtida pode ser expressa por duas funções, uma dependente apenas de x e outra apenas de y. O livro
texto, bem como Dewitt e Incropera (2003), faz a demonstração da obtenção da solução que se segue,
obtendo uma solução em forma de série de potências (Eq. 51).

Eq. 51

Método gráfico

O método gráfico requer uma boa capacidade de desenhar. Ele está bem ilustrado no livro texto.

O fluxo de calor total por unidade de profundidade do material (corpo) a ser estudado é dado pela Eq. 52,
quando se introduz o fator de forma S.

Eq. 52

Fator de forma

M
O fator de forma é o resultado do quociente S = , em que M representa o número de isotermas
N
desenhado e N o número de incrementos de temperatura considerado.

O livro texto traz ainda uma tabela apresentando diversos fatores de forma e suas restrições para uso com
corpos de diversas geometrias.

Resistência térmica

1
A resistência térmica da condução bidimensional é dada por .
Sk
Taxa de transferência de calor

Se o desenho for construído adequadamente, a Lei de Fourier poderá ser ajustada ao fator de forma (Eq.
52), obtendo-se a taxa de transferência de calor.

43
Exemplo 8

Determine a temperatura no ponto médio de uma placa de altura 1,0 m e largura 2,0 m com três de suas
faces mantidas a 50ºC e uma delas mantida a 150ºC (Figura 22).

Figura 22. Condução bidimensional de calor parede plana.


Fonte: Imagem do próprio autor.

Solução

Usando as equações 49 e 51, teremos:

Com os valores da questão L = 2, 0 m e W = 1, 0 m , avaliando o ponto , ou seja,


para x = 1,0 e y = 0,5:

Nesta série, se n for par, o somatório é “zero”, pois, por exemplo, para n = 2, em
.

Para n ímpar, para os 5 primeiros termos da série, n = 1, 3, 5, 7 e 9:

44
Usando a Eq. 49:

Palavras Finais

Meu (minha) caro (a) aluno (a), nesta unidade você viu o conceito de transferência de calor, bem como as
formas como este fenômeno se dá: condução, convecção e radiação.

Você também pode se aprofundar o conceito de condução térmica, aplicada a regime estacionário e uni-
dimensional e bidimensional.

Foram ainda apresentados diversos exemplos resolvidos de como podem ser explorados os assuntos
recém estudados.

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que constam no Ambiente Virtual de Aprendizagem (AVA). Além delas servirem como
importantes ferramentas para assimilação do assunto estudado, elas representam
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Então não deixe de fazer, e nem deixe para a última hora! No término da unidade, realize as atividades.

Caso tenha alguma dúvida, entre em contato com o (a) tutor (a)!

Nos encontramos na próxima unidade.

Até lá!

45
Referências Bibliográficas

Britto, H. (2015). Mecânica de fabricação: conceitos, elementos e processos. Tabela de cores para resis-
tores e resistividade dos materiais. Disponível no link. Acesso em 20 Dez. 2015.

Callister, William, Materials Science and Engineering - An Introduction (John Wiley & Sons, INC. 2003)

Carnot, Sadi. “Reflexions sur la puissance motrice dufeu.” Edition critique avec introduction et commen-
taire, augmentee de documents d’archives et divers manuscrits de Carnot par Robert Fox (1824): 273-312.

Clauser, C. e Huenges, E. (1995) Thermal conductivity of rocks and minerals, Americam Geophysical Union,
3:105-126.

Clausius, Rudolf (1850). On the Motive Power of Heat, and on the Laws which can be deduced from it for
the Theory of Heat Poggendorff’s Annalen der Physick, LXXIX (Dover Reprint) [S.l.] ISBN 0-486-59065-8

Dewitt, D. P., & Incropera, F. P. (2003). Fundamentos de Transferência de Calor e de Massa. Livros Técnicos
e Científicos (LTC) Editora SA.

Lira, J. C. L. (2006). InfoEscola: Navegando e Aprendendo: Lei Zero da Termodinâmica. Disponível no link.
Acesso em 20 Dez. 2015.

Santos, L. R. d. (2006). InfoEscola: Navegando e Aprendendo: Refrigeração. Disponível no link. Acesso


em 20 Dez. 2015.

Silva, D. C. M. d. (2013). Mundo Educação: Lei Zero da Termodinâmica. Disponível no link. Acesso em 20
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Sistema Internacional de Unidades : SI. — Duque de Caxias, RJ: INMETRO/CICMA/SEPIN, 2012. 94 p.

Souza, J. A. L. d. (2016). Transferência de calor. São Paulo (SP): Pearson Education do Brasil.

Vida, C. p. a. (2007). Ciência para a Vida: Origem da Terra. Disponível no link.. Acesso em 20 Dez. 2015.

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