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Reis e

Sacerdotes
Reis e
Sacerdotes
ANDRÉ TANAKA -------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------

A Bíblia é um livro repleto de promessas para nós. Nela encontramos revelações suficientes para conhecermos
a natureza de Deus e, como consequência disso, entendermos a identidade que Ele nos deu. O reino e sacerdócio
é uma dessas promessas que podem mudar completamente a forma como vemos nosso chamado espiritual e
natural. Essa também é uma mentalidade ativa contra mentiras que tentam abafar nosso ministério celestial.

Logo no início da Criação as Escrituras nos dizem:

Criou Deus, pois, o homem à sua imagem, à imagem de Deus o criou;


homem e mulher os criou. [...] Viu Deus tudo quanto fizera, e eis que era
muito bom. Houve tarde e manhã, o sexto dia. (Gênesis 1.27-31)

Durante os cinco primeiros dias da Criação, Deus diz que tudo o que tinha criado era bom (Gênesis 1.25),
mas no sexto dia fez o ser humano e disse que era muito bom. Assim, quando nos referimos a uma identidade
de reis e sacerdotes, estamos falando sobre a forma como o Senhor nos enxerga. Se caminharmos em uma
vida sem a perspectiva divina, ou vamos nos posicionar em um lugar que não é nosso, ou simplesmente não
teremos um posicionamento.

Infelizmente ouvimos o contrário sendo ensinado no meio cristão. É fácil encontrar pessoas dizendo que
somos completamente maus, diferente do que foi dito por Deus. Esse tipo de mentalidade pode destruir nossa
autoestima, nos tornando inseguros sobre os nossos próprios atos e pensamentos. O mesmo discurso ainda pode
aparecer afirmando categoricamente que somos nada sem Deus e realmente isso é verdade. Contudo, quando
se trata dos diversos cargos que podemos ocupar, veremos que não é bem assim que as coisas funcionam, visto
que pessoas que ainda não se converteram a Cristo, muito menos reconheceram o Senhor como seu Salvador,
exercem sim lugares de autoridade e influência em nossa sociedade. Se elas não tivessem seu valor, não teriam
posições importantes.

Entretanto, esta aula não é sobre sermos bons ou maus, mas sim sobre quem nós fomos chamados para ser
em Deus. Esse propósito real e sacerdotal se manifestou claramente através do nosso maior exemplo, Jesus. E
quando os discípulos perguntaram ao Mestre como deveriam orar, Sua resposta teve um efeito muito prático:

Portanto, vós orareis assim: Pai nosso, que estás nos céus,
santificado seja o teu nome; venha o teu reino; faça-se a tua
vontade, assim na terra como no céu. (Mateus 6.9-10)

Ele não disse para que esperassem a Sua própria morte e só então estariam no Reino de Deus, assim como
também não transferiu a responsabilidade à soberania divina, dizendo que Seu reinado apenas seria revelado
quando o Senhor quisesse. Ao invés disso, convidou aqueles homens sedentos por direção a atraírem, naquele
instante, o governo celestial para suas vidas. Jesus estava dizendo que Ele tinha autoridade não somente sobre
o mundo espiritual, mas também sobre toda Terra.

2 REIS E SACERDOTES
Desse modo, o Filho do Deus vivo nos revelou que era o principal Rei e Sacerdote, cumprindo a profecia feita
por Isaías:

Porque um menino nos nasceu, um filho se nos deu; o governo está sobre
os seus ombros; e o seu nome será: Maravilhoso Conselheiro, Deus Forte,
Pai da Eternidade, Príncipe da Paz; para que se aumente o seu governo,
e venha paz sem fim sobre o trono de Davi e sobre o seu reino, para o
estabelecer e o firmar mediante o juízo e a justiça, desde agora e para
sempre. O zelo do Senhor dos Exércitos fará isto. (Isaías 9.6-7)

Por meio da profecia de Isaías vemos qual era a missão de Jesus na Terra: estabelecer um governo sem fim, o
Reino de Deus. Porém, hoje nós somos aqueles que carregam essa responsabilidade de não apenas manter o que já
começou, mas fazê-lo expandir. É nossa função liderar uma nação para que a Palavra e o Senhor sejam conhecidos.

Quando pensamos nisso, talvez não acreditemos que somos realmente capazes de liderar, mas em Deus
descobrimos o método como isso acontecerá. Alguns são convocados para estarem à frente de multidões e
milhares de pessoas. Outros, no entanto, são escolhidos para direcionarem seus amigos e familiares. E mesmo
dessa forma, um chamado não se torna maior que o outro, uma vez que todos têm suas raízes em Jesus.

Essa autoridade que recebemos, se encontra no contexto histórico das Escrituras, começando por Gênesis:

Criou Deus, pois, o homem à sua imagem, à imagem de Deus o criou; homem e
mulher os criou. E Deus os abençoou e lhes disse: Sede fecundos, multiplicai-
vos, enchei a terra e sujeitai-a; dominai sobre os peixes do mar, sobre as aves
dos céus e sobre todo animal que rasteja pela terra. (Gênesis 1.27-28)

Desse texto, destacamos a ordem que foi dada ao homem, para que ele sujeitasse e dominasse tudo o que havia
sido criado. Naquele momento, Deus estava soprando em nossa natureza o poder para governar o mundo. E ainda
que o ser humano, em muitas ocasiões, não fizesse bom uso desse direito, esse poder foi perfeitamente restaurado
e reestabelecido pelo nome de Jesus. Quando isso aconteceu, todos reconheceram que algo havia mudado:

O povo que jazia em trevas viu grande luz, e aos que viviam na região
e sombra da morte resplandeceu-lhes a luz. (Mateus 4.16)

Com essa luz de autoridade, enfermos eram curados, demônios expulsos, cativos libertos e mais inúmeras
outras obras que foram confiadas a nós para continuarmos. Jesus ainda acrescentou:

Em verdade, em verdade vos digo que aquele que crê em mim fará também as obras
que eu faço e outras maiores fará, porque eu vou para junto do Pai. (João 14.12)

Logo, não podemos ficar escondidos em um lugar onde as pessoas não terão acesso a essa luz (Mateus
5.15). Da mesma forma que muitos eram atraídos por Jesus, eles serão também por nós. Como está escrito:

A ardente expectativa da criação aguarda a revelação


dos filhos de Deus. (Romanos 8.19)

3 REIS E SACERDOTES
Essa é a herança que recebemos pela profecia de Isaías. O salmista também fala de um governo que está em
nossas mãos:

Os céus são os céus do Senhor, mas a terra, deu-a ele


aos filhos dos homens. (Salmos 115.16)

Isso nos ajuda a tomar propriedade daquilo que não foi atribuído por homem algum, mas por Deus. Ele não
somente nos mostra a direção, mas nos aprova de que temos a capacidade de cumprir Sua vontade. Por
exemplo, no tempo em que Pedro passou com Jesus, ele pôde aprender na prática qual era a nossa identidade:

Vós, porém, sois raça eleita, sacerdócio real, nação santa, povo de
propriedade exclusiva de Deus, a fim de proclamardes as virtudes daquele
que vos chamou das trevas para a sua maravilhosa luz. (1 Pedro 2.9)

Como observamos nesse versículo, ao compreendermos que somos parte de um sacerdócio e de uma realeza,
nos prevenimos de pensar que não temos valor ou utilidade. O que é algo constantemente dito por muitos. Essa
é uma mensagem que começou a ser anunciada em Gênesis e permaneceu até Apocalipse:

E da parte de Jesus Cristo, a Fiel Testemunha, o Primogênito dos mortos e o


Soberano dos reis da terra. Àquele que nos ama, e, pelo seu sangue, nos libertou
dos nossos pecados, e nos constituiu reino, sacerdotes para o seu Deus e Pai, a
ele a glória e o domínio pelos séculos dos séculos. Amém! (Apocalipse 1.5-6)

Com base nisso, responda o que se pede:

1. Por que cada um de nós tem um valor inerente?

2. Como você pode expressar às pessoas ao seu redor o valor que elas têm?

4 REIS E SACERDOTES
3. O que é fazer parte do Reino de Deus?

4. De que forma Jesus Se manifestou como Rei e Sacerdote, e qual foi a herança deixada a nós?

5. O que significa dizer que somos sucessores de Cristo?

6. Com base em Mateus 5.14-16, como podemos mostrar a luz da Palavra refletida em nós?

5 REIS E SACERDOTES
OS REIS E SACERDOTES DOS NOSSOS DIAS
A partir do momento em que descobrimos que fazemos parte de um grande grupo de reis e sacerdotes, temos
que reconhecê-los em nosso dia a dia, sabendo de fato quem eles são.

Quando citamos o sacerdócio, estamos fazendo referência aos que trabalham na igreja por meio dos cinco
ministérios: os apóstolos, os profetas, os evangelistas, os pastores e os mestres (Efésios 4.11). Mas dentre
todos os cristãos, apenas uma pequena parcela faz parte desse grupo. É então que Deus institui a outra parte
do corpo, os quais representam os reis da Terra. Esses são aqueles que exercem liderança sobre este mundo,
dominando cada esfera da sociedade.

Atualmente, o domínio dos reis é aplicado por meio da influência de pessoas. Exemplos disso são os esportistas
que, durante o principal evento da sua modalidade, aparecem diante de milhões de espectadores com uma
camisa diferente ou um corte de cabelo incomum. Mesmo que eles recebam muitas críticas no começo, depois
de algum tempo aquela atitude se torna comum e, todos aqueles que apreciam seu trabalho, passam a ser seus
imitadores. Isso acontece porque quando alguém está em posição de domínio em alguma esfera, o que ele faz
transmite cultura.

Contudo, essa posição de destaque foi criada para ser ocupada por nós, reis e sacerdotes de um Reino
Eterno. Não para que apenas fôssemos líderes de nações, mas para que, usando desse lugar, fosse manifesta
uma influência celestial através de nós. Por exemplo, na época da monarquia, em que um trono deveria ser
sucedido, isso ocorria seguindo a linhagem hereditária, pois não existia ninguém que possuísse o direito de se
tornar rei. Isso significa que o próximo a governar depois do rei, era seu filho. Entretanto, sabemos que nem
sempre isso acontecia porque, em alguns casos, o príncipe recusava seus direitos. Como consequência, outras
pessoas que não eram da família real lutavam entre si para assumirem tal posto.

Da mesma forma, nós, os filhos de Deus, quando não exercemos a nossa função, estamos recusando a
autoridade que foi entregue por Ele a nós. Com isso, outras pessoas que não têm o direito e que não compartilham
da natureza real, governam e frequentemente destroem o mundo. Como responsáveis, nós podemos fazer algo
a respeito, uma vez que somos os detentores do direito de reinar e governar. Quando entendermos nosso lugar
e voltarmos a assumir a posição que nos foi outorgada, os ocupantes ilegítimos devem sair.

Contudo, essa não é uma tarefa individual. Encontramos em toda história de Israel, a presença de um
sacerdote que trazia de Deus a direção, e de um rei que usava dela para liderar um povo. Essa é a revelação do
poder que existe na união entre mundo e igreja. Quando ambos se alinham na mesma visão, as esferas são
transformadas nos moldes do Reino.

Entretanto, vale ressaltar que no momento em que descobrimos que fazemos parte desse plano de redenção
mundial, ficamos cheios de expectativas para cumprir a vontade de Deus e nos esquecemos de um elemento
fundamental para que tudo cresça saudável: o tempo de capacitação. Se visamos uma esfera a nossa frente,
não podemos simplesmente nos apropriar dela, visto que mesmo que ela seja parte de nosso chamado, se não
estivermos preparados, não haverá consolidação.

Se pensarmos novamente no exemplo do esportista, seu trabalho não foi o de apenas chegar a seus adversários
e vencer a Olimpíada. Pelo contrário, foram investidos anos de treinamento e preparação. Outro modelo que nos
auxilia a entendermos isso é o de um empresário que, muito antes de ganhar seus rendimentos, estudou horas
a fio sobre sua área de atuação. Assim, se não nos capacitarmos para exercer nossa posição como reis, outra
pessoa sem esse direito toma o lugar e lidera fora dos princípios eternos.

Porém, isso não pode nos sufocar em culpa, mas sim ser um impulso para tomarmos nosso lugar. É essa postura
que nos permite forjarmos uma sociedade com o caráter do Reino e nos princípios bíblicos. E sua consequência
natural é a revelação da glória de Deus por intermédio das nações da Terra. Para isso, precisamos nos lembrar
diariamente que todas as mentiras de que não temos utilidade são quebradas quando enxergarmos a herança
real e sacerdotal de Cristo sobre nós.

6 REIS E SACERDOTES
Por esse motivo, reflita no que estudamos até este momento revendo cada ponto e em seguida responda as
questões abaixo:

1. Qual a diferença entre reino e sacerdócio?

2. Ainda que diferentes, por que é necessário que ambos estejam juntos?

3. Qual a consequência no mundo quando renunciamos nosso direito de reis e sacerdotes?

4. Como esses dois conceitos se aplicam na sua vida?

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5. De que forma você pode desenvolver seu chamado de rei e sacerdote?

6. Como sua vida nas esferas da sociedade pode gerar transformação de pessoas?

DESAFIO PESSOAL: Sabendo da sua esfera de atuação, busque do Senhor três passos práticos que você pode
realizar ao longo deste mês para se desenvolver em capacitação até que chegue o seu tempo de reinado. Isso
pode ser feito por meio de um curso ou treinamento, pela leitura de algum livro da área, por exemplo.

Obs.: Caso você ainda não saiba qual é a sua, entre em um propósito este mês com a pessoa que o(a) lidera ou
seu(sua) mentor(a), para juntos pedirem ao Senhor revelação sobre a sua área nas esferas da sociedade. Em
seguida, busque desenvolver seu chamado.

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