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Sonhos

Sonhos
DENNIS COELHO -------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------

Como base para entendermos os sonhos, estudaremos as raízes dos nossos anseios por meio da visão bíblica.
Começando pelo dia em que nascemos de novo no espírito, algo mudou em nossa natureza. Os objetivos que
tínhamos no passado deram lugar a pensamentos muito maiores. A resposta para isso é que uma noção de
herança foi introduzida em nosso ser, antes mesmo que soubéssemos disso. Compreendemos que esse legado é
uma tarefa transferida a alguém para continuar uma obra física, moral ou espiritual. Assim, com uma estrutura
preestabelecida, o sucessor necessita de menos esforços para gerar algo bem maior do que poderia fazer, caso
tivesse começado do zero.

Dessa forma, somos levados às palavras de Jesus:

E eu rogarei ao Pai, e ele vos dará outro Consolador, a fim de que


esteja para sempre convosco, o Espírito da verdade, que o mundo
não pode receber, porque não o vê, nem o conhece; vós o conheceis,
porque ele habita convosco e estará em vós. (João 14.16-17)

Mediante as palavras ditas por Jesus, entendemos pontos importantes para nossa compreensão de herança.
Ele afirmou tanto Sua posição de quem transmite, porque foi quem rogou ao Pai, quanto mostrou ser Ele mesmo
O próprio transferido a nós. Ou seja, estava confirmando que havia Se dado por nós. Além disso, estendeu seu
legado a nós, quando prometeu que viria o Consolador, a fim de fazer habitação em nossos corações.

Logo, somos levados a pensar quais as diferenças entre uma herança natural e uma espiritual. Dizemos que os
direitos hereditários deste mundo nos dão algo que não tínhamos, como quando alguém herda uma casa ou carro.
Já a nossa herança espiritual é a revelação das coisas que já tínhamos e às quais passamos a ter acesso. Isso é,
quando descobrimos tudo o que possuímos por meio do Pai, nossa realidade é transformada. Porém, quando não
levamos em conta nossa herança espiritual, frequentemente perdemos nossa identidade, e por essa causa somos
vencidos pelo medo. Portanto, ao termos convicção da Palavra, nossa postura deve ser de legítimos herdeiros.

Podemos formar uma mentalidade de herdeiros praticando diariamente exercícios que coloquem nossos
pensamentos na Palavra. Exemplo disso é imaginar quem seríamos, ou o que faríamos, caso não tivéssemos
medo algum. Ou como viveríamos, se tudo o que precisássemos para cumprir nossos objetivos estivesse à nossa
disposição. Contudo, a verdade é que não precisamos ter medo, e que todas as necessidades foram supridas na
herança entregue por Cristo.

Tendo isso em mente, responda:

1. O que você entende sobre a herança espiritual para nossas vidas?

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2. Você consegue notar mudanças em sua forma de pensar,
desde que passou pelo Novo Nascimento? Quais?

3. Como uma mentalidade de herdeiro transforma nossos sonhos?

OS SONHOS SÃO FRUTOS DA NOSSA IDENTIDADE


Diante da herança que visamos em Jesus, nos deparamos com duas realidades: a em que estamos e a que
precisamos alcançar. Para desenvolvermos esse projeto é fundamental conhecermos quem somos, e isso revela
claramente as coisas que mais almejamos: os sonhos. Tais aspirações são uma ponte que nos transfere de um
lugar frágil para outro de perfeita sincronia com o Reino.

Ainda destacamos que nem todas as vontades são sonhos. Elas também podem ser desejos, que é a
representação de uma busca por bens materiais, ou fantasias, que se referem às coisas irreais. Porém, a palavra
em latim usada para sonho é somnĭum, que expressa uma aspiração veemente, constante e intensa, e como as
Escrituras dizem, nasce no coração de Deus:

Antes que eu te formasse no ventre materno, eu te conheci, e, antes que saísses


da madre, te consagrei, e te constituí profeta às nações. (Jeremias 1.5)

O que o Senhor estava dizendo nessa palavra a Jeremias é que todos os desejos que temos, e que são gerados
em Seu coração, possuem um propósito maior que nosso próprio benefício. Precisamos entender a importância
disso, porque os sonhos funcionam como combustível para acessarmos plenamente a herança deixada por
Jesus. Se não solidificarmos uma mentalidade de quem somos, não compartilharemos dos planos de Deus para

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nós e, consequentemente, seremos como um barco que navega sem norte, sem direção. Portanto, os desejos que
temos devem estar sincronizados com os sonhos de Deus para nós.

Além de nos dar um alvo para alcançarmos, os sonhos servem como sustentação em tempos difíceis. Quando
olhamos para eles, mesmo contra todas as possibilidades, encontramos base para tomar decisões alinhadas com
a vocação de nossas vidas. Assim como Paulo afirma:

Irmãos, quanto a mim, não julgo havê-lo alcançado; mas uma coisa
faço: esquecendo-me das coisas que para trás ficam e avançando para
as que diante de mim estão, prossigo para o alvo, para o prêmio da
soberana vocação de Deus em Cristo Jesus. (Filipenses 3.13-14)

Outra característica dos sonhos é que eles são nosso “RG” espiritual. Pois uma vez que fomos criados por
Deus, então nossos desejos por algo também vieram d’Ele. No instante que Ele estava nos gerando, não pensou
em colocar fraquezas, medos ou imperfeições em nós. Diferentemente, fomos formados com Suas próprias
características. Logo, quando nos confrontarem com mentiras a respeito da nossa identidade, podemos
ousadamente renovar nossas mentes com os sonhos do Criador, confiados a nós, porque Ele sabia que nossa
essência continha os Seus traços de força e excelência.

Além da identidade, até mesmo os sonhos são atacados por mentiras. Uma delas é quando alguém diz não ter
sonhos. Essa é uma falsa afirmação, uma vez que, no Éden, Adão e Eva foram criados para serem uma família e
darem continuidade a ela. Isso significa que um dos primeiros desejos colocados no coração dos seres humanos
foi o de formar uma família. Precisamos compreender que se não abraçarmos essa verdade, lutaremos contra o
plano original da Criação. Como cristãos, sermos bons pais, filhos e cônjuges fazem parte de um processo que
devemos cultivar em nosso interior.

Até mesmo quando falamos em avivamento, para que ele não fique apenas no contexto da igreja, mas
produza uma reforma social em todo seu potencial, temos a família devendo ser a base. Presenciaremos vidas
restauradas em nossa nação quando a transformação começar em casa. Por meio de pais que abraçaram os
sonhos de Deus, filhos podem mostrar ao mundo o exemplo de amor, cuidado e instrução que receberam. Talvez
ouviremos que existem outras coisas importantes além da família, entretanto, nada pode ser tão importante
quanto nosso desígnio original.

E a última mentira que destacamos é a de que não merecemos ter sonhos. Provavelmente alguém tenha esse
pensamento por achar que não é relevante ou bom o bastante para a obra do Reino. Mas a Palavra ensina que
o Senhor não nos vê dessa forma:

Jesus, aproximando-se, falou-lhes, dizendo: Toda a autoridade me foi


dada no céu e na terra. Ide, portanto, fazei discípulos de todas as nações,
batizando-os em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo; ensinando-
os a guardar todas as coisas que vos tenho ordenado. E eis que estou
convosco todos os dias até à consumação do século. (Mateus 28.18-20)

Esse trecho na Bíblia é chamado de “Grande Comissão” porque se estende a todos que nasceram do espírito.
Não existem exceções para determinadas pessoas, visto que foi uma ordem para os discípulos daquele tempo e
que continua ativa para cada um de nós hoje.

Por meio dessas palavras, Jesus estava nos encarregando de cumprir uma missão, o “ide”. Ou seja, nós somos
os responsáveis por anunciarmos as boas notícias do Reino e, com isso, também fazermos discípulos. Somos
capazes de viver tal chamado, porque o requisito para uma pessoa formar um seguidor de Jesus é que ela seja

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um antes. Sendo assim, a eficácia do nosso trabalho não está em apontarmos o caminho em que os outros
devem andar, mas em os convidarmos para viver algo que já temos experimentado.

Por meio da Grande Comissão, concluímos que, independentemente da idade, todos podem ser discípulos
e os formar. Logo, quer sejam crianças ou idosos, é o propósito de Deus que faz com que os sonhos existam
para cada um. Enquanto não deixarmos esse corpo, precisamos manter acesa em nosso coração a esperança
de conquistar um objetivo. Essa é a prova de que Deus sempre está conosco, uma vez que a primeira Pessoa a
sonhar os nossos sonhos foi Ele.

Para concluirmos o assunto, responda o que se pede a seguir:

1. Quais fatores podem impedir que sonhemos?

2. Como a sua identidade em Deus pode ajudá-lo(a) a ter sonhos?

3. Na sua concepção, como seu relacionamento com Deus interfere nos seus sonhos?

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4. Como os sonhos nos ajudam a cumprir nosso chamado?

5. De que forma o seu alinhamento com os planos de Deus pode tocar pessoas ao seu redor?

6. O que você pode fazer para criar um ambiente em que as pessoas também passem a sonhar?

DESAFIO PESSOAL: Faça uma lista com 100 sonhos. Depois disso, elenque os dez principais e faça declarações em
relação a eles nesta semana. Coloque-os em um post-it e deixe em algum lugar em que você os veja com frequência
para lembrá-lo(a) de focar neles também em suas orações.

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