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TRABALHO DE CONCLUSÃO DE CURSO – TCC

TURMA XIX
PSICOLOGIA TRANSPESSOAL APLICADA
INSTITUTO HUMANITATIS

A KUNDALINI E O DESPERTAR
ATRAVÉS DANÇA EXTÁTICA

ANA LAURA P. GARCIA


ALINE VICENTE
CHRISCIANE FERREIRA GRAMIGNA

CAMPINAS, 2017

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AGRADECIMENTOS

Agradeço à Deus/Deusa pela oportunidade de estar aqui aprendendo. É de


profunda gratidão agradeço à Leyde por nos proporcionar momentos maravilhosos e
transformadores. Agradeço aos meus pais, e à todos os meus ancestrais e à
espiritualidade que sempre guiou-me para os lugares certos onde deveria estar. E com
as pessoas certas com quem deveria conectar-me. Agradeço também à toda linhagem
de mulheres que trouxeram a dança até à mim como um caminho para o sagrado. E por
último agradeço principalmente aos amigos do grupo pela amizade e carinho que
construímos durante o ano letivo e aos desenvolvedores e colaboradores que
possibilitaram este trabalho acontecer. E que eu possa proporcionar ajuda à diversas
pessoas.

Ana Laura P. Garcia


Agradeço ao grande Criador e a Grande Mãe, por ter me guiado até a Leyde, segui
por turvos caminhos até aqui, mas sei que algo acordou dentro de mim, e devo muito à
este curso maravilhoso, às experiências que vivenciei, e aos amigos que fiz e a toda
energia compartilhada.

Aline Vicente

Agradeço à Leyde e sua equipe que proporcionaram momentos maravilhosos e


transformadores. Agradeço ao grupo, pela união e respeito mútuo. E por fim gratidão
infinita por minha família, pelo apoio à realizar este curso, ao Universo, à Deus/Deusa e
à Força Maior.

Chrisciane F. Gramigna

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“Oh, meu senhor, tua mão, que segura o
tambor sagrado, colocou o céu, a Terra,
outros mundos e incontáveis almas no
lugar correto. Tua mão erguida protege
tanto a ordem consciente da criação
como a inconsciente. Todos estes mundos
são transformados pela mão que leva o
fogo. Tua mão esquerda dá abrigo às
almas sofridas e cansadas. Teu pé
erguido garante a eterna bem-
aventurança a todos aqueles que se
aproximam de ti” Ananda
Coomaraswarny The Dance of Shiva

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E aqueles que foram vistos dançando foram julgados insanos por aqueles que não podiam
escutar a música.
Friedrich Nietzsche

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RESUMO

A Dança Extática como mobilizadora de expansação da consciência produz


estados alterados, devido às atividades de expressão corporal e de drenagem de quantum
de afeto. O dançarino ao produzir os movimentos necessários desencadeará os
desbloqueios das couraças somato-sensoriais estagnadas e reprimidas no inconsciente e
automaticamente no corpo físico. Esta modalidade de dança é uma ferramenta que
possibilita a abertura do portal da inconsciência, produzindo uma integração entre as
energias Feminina e Masculina e despertando automaticamente a Kundalini adormecida.
A Dança é fonte de arte e cultura, possibilita ao praticante mergulhar em si mesmo,
experenciando o equilíbrio homeostático e consequentemente o prazer. A facilidade de
levar o praticamente à viajar e mergulhar nos recôncavos de sua psique é infinita,
permitindo estabelecer uma conexão direta com o Self, a verdadeira essência do Ser. A
ansiedade sentida pelo Ego mobiliza-o à buscar uma conexão e integração com o Divino,
criando uma necessidade de tornar-se UNO. A verbalização destas memórias
adormecidas produzirá um estado de Graça e plenitude. A dissociação dos
pensamentos gera constantemente comportamentos compulsivos, sentidos pelo Ego
como algo real, produto de pura fantasia, que desencadeará ao adoecimento físico, mental
e consequentemente espiritual.
Este trabalho nos possibilitou um mergulho no universo holístico, à Dança
Extática (Kundalini Dance) resgata às referências necessárias para sentir-se mais pleno
e feliz. Durante o seu desenvolvimento, nos proporcionou uma maneira mais integrada
e consciente de sentir o Universo dual, pois tudo está integrado e sincronizado. A
realidade é construída perante a nossa maneira de olhar e perceber o mundo. Tudo é
energia, somos feitos de energia. LUZ.

Palavras-Chaves: Dança Extática, Kundalini e Luz.

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SUMÁRIO

1. INTRODUÇÃO.........................................................................................................10
2. DANÇA E O SEU SIGINIFICADO..........................................................................11
2.1. ORIGEM DA DANÇA NA HISTÓRIA.............................................................11
2.2. CERIMÔNIA DE DANÇA EXTÁTICA (KUNDALINI DANCE) À DEUSA
NÓRDICA FREYJA ..........................................................................................12
2.3. A DANÇA COMO ARTE..................................................................................13
2.4. A DANÇA RODOPIANTE DOS DERVIXES DA TURQUIA.........................14
2.5. DANÇA ATRAVÉS DOS TEMPOS E CULTURA...........................................15
3. BIONERGÉTICA......................................................................................................25
3.1. ENERGIA ORGONE.........................................................................................25
3.2. CONTEXTO HISTÓRICO – ANÁLISE BIONERGÉTICA .............................25
3.3. ANÁLISE TÉCNICA E PRESSUPOSTOS TEÓRICOS...................................26
4. PARADIGMA PULSIONAL E OBJETAL...............................................................27
4.1. PARADIGMA PULSIONAL.............................................................................27
4.2. PARADIMA OBJETAL.....................................................................................28
5. ENRAIZAMENTO DO SELF - GROUNDING........................................................29
6. FUNÇÃO ORGÁSTICA ..........................................................................................30
7. O QUE É O TANTRA E SUA ORIGEM...................................................................31
7.1. O MECANISMO BIOLÓGICO DO TANTRA..................................................31
7.2. QUAL A RELAÇÃO DO TANTRA COM A SEXUALIDADE........................32
7.3. O TANTRA COMO AMPLIFICADOR DA POTÊNCIA SEXUAL.................32
7.4. O QUE É O HIPERORGASMO.........................................................................33
7.5. O TRUQUE PARA O HIPERORGASMO.........................................................33
7.6. SEXO É VIDA....................................................................................................33
8. A ANATOMIA DO CORPO DE LUZ.......................................................................34
8.1. O CORPO DE LUZ - SHUSHUMNA................................................................34
8.2. O CORPO DE LUZ – IDA E PINGALA............................................................35
8.3. RETENDO SUA LUZ........................................................................................36
8.4. LUZ, CONSCIÊNCIA E MEDITAÇÃO...........................................................37
8.5. MAYA................................................................................................................37
8.6. SÁMADHI.........................................................................................................38
9. O PANAROMA DAS ENERGIAS SUTIS ...............................................................38
10. OS CHAKRAS E O CORPO FÍSICO........................................................................39
10.1. CHAKRA MULADHARA - BÁSICO....................................................40
10.2. CHAKRA SVADHISTHANA - ESPLÊNIO...........................................42
10.3. CHAKRA MANIPURA - PLEXO SOLAR.............................................44
10.4. CHAKRA ANAHATA - CARDÍACO....................................................45
10.5. CHAKRA VISHUDDHA - LARÍNGEO................................................47
10.6. CHAKRA AJNA - FRONTAL................................................................49
10.7. CHAKRA SAHASRARA - CORONÁRIO.............................................51
11. APRESENTAÇÃO DA DANÇA EXTÁTICA ( KUNDALINI DANCE)................52
12. EVOLUINDO COM À PRÁTICA PESSOAL NA DANÇA EXTÁTICA
(KUNDALINI DANCE)............................................................................................55
13. TRANSFORMAÇÃO ATRAVÉS DA DANÇA EXTÁTICA (KUNDALINI
DANCE)....................................................................................................................55
14. O PAPEL DOS CHAKRAS DURANTE A DANÇA EXTÁTICA (KUNDALINI
DANCE)....................................................................................................................56

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15. RESPIRAÇÃO À SUA IMPORTÂNCIA NA PRÁTICA DA DANÇA EXTÁTICA
(KUNDALINI DANCE)............................................................................................57
15.1. A DANÇA COMO FORMA DE ACESSAR O ÊXTASE.......................57
15.2. DESPERTANDO A KUNDALINI SHAKTI ♀NA PRÁTICA DA
DANÇA EXTÁTICA (KUNDALINI DANCE).................................................58
16. O PODER DA TRANSFORMAÇÃO DA TERRA...................................................60
16.1. A IMPORTÂNCIA DO ÚTERO NA MOBILIZAÇÃO DE
ENERGIA♀.......................................................................................................61
16.2. O PRINCÍPIO DIVINO MASCULINO SHIVA - ♂................................61
16.3. UNIÃO DIVINA INTERIOR (♂+♀ = ♂♀).............................................62
16.4. ÊXTASE DIVINO (♂+♀ = ♂♀)..............................................................63
17. ANTIGA CONCEPÇÃO DA KUNDALINI.............................................................64
17.1. OS VÁRIOS NOMES PARA KUNDALINI............................................64
17.2. A DANÇA EXTÁTICA (KUNDALINI DANCE) COM O USO
MEDICINAL DO CACAU................................................................................66
18. DANÇA E A PSICOLOGIA TRANSPESSOAL......................................................67
19. VIVÊNCIA TRANSPESSOAL - ORGANIZAÇÃO.................................................68
19.1. PREPARAÇÃO DA DANÇA EXTÁTICA (KUNDALINI DANCE)
VIVÊNCIA.........................................................................................................69
20. CONCLUSÃO...........................................................................................................70
21. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS......................................................................72

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ÍNDICE DE FIGURAS

Figura 1 MATISSE..........................................................................................................11
Figura 2 DEUSA NÓRDICA FEYJA .............................................................................12
Figura 3 DANÇA COMO ARTE ....................................................................................13
Figura 4 DANÇA TRIBAL XÂMANICA ......................................................................13
Figura 5 DANÇA DERVIXES DA TÚRQUIA ..............................................................14
Figura 6 DANÇA SUFISTA ...........................................................................................14
Figura 7DANÇA GREGA ...............................................................................................16
Figura 8 DANÇA EGIPCIA .........................................................................................16
Figura 9 BACANAL ......................................................................................................16
Figura 10 DANÇA CORROBORI .................................................................................17
Figura 11 DANÇA DERVIXES PERSAS......................................................................17
Figura 12 DANÇA PRIMAVERA .................................................................................17
Figura 13 DANÇA O BRANDO......................................................................................18
Figura 14 DANÇA MACABRA......................................................................................18
Figura 15 DANÇA HÉBREA......... ................................................................................18
Figura 16 DANÇA CAMPONESA.................................................................................19
Figura 17 DANÇA VALSA VIENENSE - Século XIX..................................................19
Figura 18 DANÇA INDÚ ...............................................................................................19
Figura 19 DANÇA SIAMESA........................................................................................20
Figura 20 DANÇA JAVANESA.....................................................................................20
Figura 21 DANÇA GEISHA .........................................................................................20
Figura 22 MORRIS DANCE - INGLATERRA...............................................................21
Figura 23 DANÇA HOLANDESA..................................................................................21
Figura 24 DANÇA NORUEGUESA...............................................................................21
Figura 25 DANÇA SUECA.............................................................................................21
Figura 26 SCOTH JIG – ESCOCESA..............................................................................21
Figura 27 CONTRAPAS DE XINXINA - ESPANHA....................................................22
Figura 28 MARACATU - BRASIL.................................................................................22
Figura 29 FREVO – BRASIL..........................................................................................22
Figura 30 DANÇA DOS ÍNDIOS NORTE AMERICANOS...........................................22
Figura 31 SAMBA – BRASIL.........................................................................................22
Figura 32 A ZAMBA ARGENTINA...............................................................................22
Figura 33 JOTA – ESPANHA..........................................................................................23
Figura 34 VIRA PORTUGUESA....................................................................................23
Figura 35 TANGO ARGENTINO...................................................................................23
Figura 36 ONE STEP - (DANÇA MODERNA) - AMÉRICA........................................23
Figura 37 BOSTON – (DANÇA MODERNA) - AMÉRICA...........................................23
Figura 38 FOX STROT – (DANÇA MODERNA) - AMÉRICA ....................................24
Figura 39 SWING – (DANÇA MODERNA) - AMÉRICA .............................................24
Figura 40 SEGUIDILHAS SEVILHANAS – ESPANHA..............................................24
Figura 41 DÁNUBIO AZUL – BALLET CLÁSSICO....................................................24
Figura 42 O BAILE DOS CISNEIS – BALLET CLÁSSICO..........................................24
Figura 43 SELF................................................................................................................29
Figura 44 IDA E PINGALA.............................................................................................36
Figura 45 PÊNDULO.......................................................................................................36
Figura 46 OS CHAKRAS................................................................................................39
Figura 47 CHAKRA MULADHARA..............................................................................40
Figura 48 CÍRCULO ENERGÉTICO..............................................................................41

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Figura 49 CHAKRA SVADHISTHANA........................................................................42
Figura 50 CHAKRA MANIPURA..................................................................................44
Figura 51 CHAKRA ANAHATA....................................................................................45
Figura 52 LÓTUS DO CORAÇÃO..................................................................................46
Figura 53 CHAKRA VISHUDDHA................................................................................47
Figura 54 CHAKRA AJNA.............................................................................................49
Figura 55 CHAKRA SAHASRARA...............................................................................51
Figura 56 KUNDALINI SHAKTI...................................................................................59

9
A dança como
expressão da
alma

1. INTRODUÇÃO

Devido à falência do paradigma cartesiano, que desintegra o indivíduo em partes


e não o permite ter acesso à sua completude, inteireza e integralidade em consonância
com o universo; começou a nascer no ser humano a necessidade de um novo paradigma;
que o auxilie a uma nova forma de avaliar e reconstruir as maneiras que utiliza para
entender e se relacionar com o mundo.
Dentre as muitas maneiras que a humanidade tem usado para a ampliação da
consciência, como a meditação, retiros, jejuns, encontros psicodélicos, trabalhos
respiratórios, etc está a DANÇA.A dança tanto como arte, na qual radica a fruição
estética, quanto como experiência estética, na qual radica o desenvolvimento da
sensibilidade humana, que é tarefa da educação. Entendemos que a experiência estética
se realiza na e para a arte, como campo de superação do dualismo corpo/mente,
sensibilidade/razão, na nossa racionalidade instrumental, ela busca, justamente, o
desenvolvimento de outras formas de conhecimento, que se instituem, na sensibilidade e
na imaginação. A experiência estética assenta no conhecimento sobre a memória emotiva
e os sentimentos: faz-se reflexão analítica e pensamento discursivo mobilizados para o
conhecimento do sentido (LINHARES, 1995).
Nosso trabalho pretende demonstrar e entender a Dança Extática (Kundalini
Dance), como um veículo de comunicação e acionamento da Kundalini Shakti. Durante
os movimentos corporais provocados pela dança e pela respiração. É possível através do
som abrir e desbloquear couraças (que são registros somato-sensoriais) bloqueados e
esquecidos no inconsciente, onde estes recalques desviam e diminuem o fluxo normal
de energia, provocando a retenção, bloqueio e consequentemente o fechamento dos
chakras (grandes centros de armazenamento e distribuição de energia) que dificultam a
circulação energética em todo o corpo.
A DANÇA EXTÁTICA ou KUNDALINI DANCE é uma prática que torna-se
uma excelente ferramenta de expressão da arte e cultura, e que possibilita esta experiência
vivencial. Desta maneira (os movimentos corporais e de respiração) possibilitará os
chakras inferiores como o Básico e Sacral serem extremamente trabalhados, para que o
encontro das energias Feminina e Masculina (♀e ♂) possam-se integrar-se permitindo ao
dançarino(praticante) uma explosão de energia corporal, mental e espiritual.
Convidamos vocês à DANÇAR?

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2. A DANÇA E O SEU SIGNIFICADO

Dança é a arte de movimentar expressivamente o corpo seguindo movimentos


ritmados, em geral ao som de música.
Os povos primitivos iniciaram à arte de dançar e a praticava em diferentes ocasiões:
no período de colheitas, nos rituais aos deuses, na época das caçadas, nos casamentos, em
momentos de alegria ou tristeza, ou ainda, em homenagem à mãe natureza. É considerada
a mais completa das artes, pois envolve elementos artísticos como a música, o teatro, a
pintura e a escultura, sendo capaz de exprimir tanto as mais simples quanto as mais fortes
emoções.

O significado da dança vai além da expressão artística, podendo ser vista como um
meio para adquirir conhecimentos, como opção: de lazer, fonte de prazer,
desenvolvimento da criatividade e importante forma de comunicação. Através da dança,
uma pessoa pode expressar o seu estado de espírito. A dança pode ser acompanhada por
instrumentos de percussão ou melódicos, ou ainda pela leitura de diferentes textos. A
dança teve forte influência nas sociedades ao longo dos tempos. Como via de socialização
e disseminação de cultura, proporcionou ao mundo o conhecimento sobre a diversidade
cultural dos diferentes povos em todo mundo, especialmente através das danças
folclóricas. Nas escolas, a dança faz parte da área de Educação Física. Como disciplina
acadêmica, a dança integra diferentes cursos universitários ligados às Artes e
Humanidades. Também é uma modalidade amplamente praticada em academias e clubes
para manutenção da saúde física e mental.

2.1. ORIGEM DA DANÇA NA HISTÓRIA

A dança é uma das formas de expressão de sentimentos mais antigas usadas pelo
homem. No período Paleolítico é possível encontrar pinturas de pessoas dançando.
Existem também várias pinturas rupestres da Pré-história nas quais aparecem
manifestações de danças em roda e em filas.

O cristianismo tentou combater a dança como um ritual de idolatria. Apesar disso,


a Igreja não proibiu todas as formas de dança, sendo que algumas danças feitas em
procissões eram permitidas. Durante o Renascimento muitas danças populares
ficaram mais estilizadas e surgiram escolas de dança artística a partir do século XV.

Figura 1

MATISSE

Dançar é uma arte, uma arte que


expressa sentimentos. O corpo diz muito
através da dança. A dança também traduz o
estado de espírito, como quando se está feliz,
quando se ganha algo que tanto desejava, ou
quando se recebe uma boa notícia, ou quando
receberá uma visita agradável. A dança enfim, traduz sentimentos, obedecendo a seu
ritmo interno. Dessa forma a dança é uma expressão dos seus sentimentos internos, que
são traduzidos nos movimentos. Mas a dança também é uma Arte produzida pelo homem

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principalmente quando possui seus movimentos cadenciados e coordenados ao som de
uma música e que exige habilidades motoras para acompanhá-la, com regras, objetivando
a perfeição. A dança existe desde os tempos primitivos e tem se transformado conforme
o desenvolvimento do homem. No Oriente Médio e na Ásia Meridional foi onde se
originou a famosa Dança do Ventre mais ou menos 7000 a 5000 antes de Cristo, é uma
dança muito sedutora. Na história antiga já tinham registros dessa incrível dança no
Antigo Egito, Babilônia, Mesopotâmia, Índia, Pérsia e Grécia. Esta dança antigamente
tinha por objetivo preparar a mulher para que começasse a vida adulta e pudessem ser
mãe, era um ritual religioso para as Deus.

Figura 2

Deusa Nórdica Freyja

2.2. CERIMÔNIA DE DANÇA EXTÁTICA (KUNDALINI DANCE) À DEUSA


NÓRDICA FREYJA

Freyja nos traz o calor que forja o fogo do amor sexual. Ela também ensina à arte
da adivinhação, e ensinou está arte às Volvas Sagradas (antigas profetisas) que entravam
em êxtase ao dançar. Quando acessavam este estado de consciência ofereciam vislumbres
do futuro. Freyja possue uma essência de original do amor carnal(sexual) .

Seu chakra correspondente não poderia ser outro senão o Sacral (Vishuddha). No
entanto dentro da tradição Nórdica esses povos associavam Freyja ao elemento terra, e
assim invocavam as qualidades sensuais e sensoriais da terra. O plexo Solar (Manipura)
e o poder do Sol Central interior também são ativados por essa poderosa Deusa Xamânica
do Amor, da Beleza, e da Sexualidade.

É uma dança tribal, utilizando o círculo sagrado e ritos ancestrais, seu foco são os
movimentos de quadris, que naturalmente tem características sensuais, honrando as
formas do corpo feminino e trazendo mais consciência à este centro de poder sensual e
sexual da mulher. A sensualidade encarnada em movimentos de quadris é um forte traço
do elemento terra.

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2.3. A DANÇA COMO ARTE

Figura 3

Quando dançamos, nos movemos no espaço segundo um ritmo que marca o


tempo, juntando-se os dois em harmonia com a música, símbolo do sentimento. A dança
nasceu como arte sagrada, forma de oração, por cujo intermédio o homem se afina com
toda a natureza e com os deuses. Por meio da dança rítmica, o homem lançou uma ponte
para o abismo entre o tempo mortal e o tempo transcendental e experimentou-se como
parte de um processo em eterna mudança.

Figura 4

Através da dança ritual, o xamã pôs-se em harmonia com o universo, para


restaurar o equilíbrio da natureza de modo que pudesse chamar a chuva necessária ou
efetuar curas.

Na dança extática, o dervixe saltou fora do tempo mortal, harmonizando o seu


ritmo com o das estrelas gigantes. A dança simboliza a arte da criação. Na doutrina
ortodoxa grega, Sofia (a divina beleza) dança. A filosofia Zen encara toda a vida como
dança de sutileza, cuja arte consiste em movermos pela vida comum, de maneira natural
e integrada, e no entanto espontânea. Dizem-nos os físicos que o mundo é, nós mesmos,
não passamos de uma dança de partículas. No nível microscópico, todas as dicotomias -
interior e exterior, meu e teu, subjetivo e objetivo - perdem o sentido. O dançarino no
Tarô é a carta ( Louco).

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2.4. A DANÇA RODOPIANTE DOS DERVIXES DA TURQUIA

Figura 5

Figura 6

A dança rodopiante também é conhecida como a Ordem Mevlevi e deriva da teoria


da Celaleddin Rumi, segundo a qual os seres humanos com a ajuda de música e dança
podem alcançar um estado de êxtase que os liberta da dor da vida diária, purificando sua
alma e enchendo os com amor. Apesar do fato de que Celaleddin Rumi é mundialmente
conhecido como o fundador dos dervixes rodopiantes da dança (Sema), foram os seus
seguidores que a estabeleceram, Mevlevi também não fundou a irmandade dos dervixes.
Os companheiros que acreditavam em suas idéias criaram o grupo inspirado na teoria
mística de Mevlana. Os dervixes levam uma maneira disciplinada de viver combinando
a espiritualidade e o amor com a música e a dança.
O Sama é uma dentre as várias técnicas mentais-corporais utilizadas no
Sufismo com o objetivo de abrir a mente e o coração do indivíduo para o seu potencial
maior. Tanto quanto o zikr (repetição dos nomes de Deus), o Sama é considerado “um
meio de liberar a energia espiritual”, ou seja, de “permitir que a parcela de luz divina que
jaz adormecida no místico, desperte, unindo-se a seu semelhante, no Cosmos”:
A hermenêutica espiritual que rege o princípio do semelhante atrai o semelhante
– amplamente discutido pelo filósofo Henry Corbin,em seu L’homme de lumière dans le
Soufisme Iranienv – foi fixada entre os séculos XII e XIII pelo místico persa Najmuddin
Kubravi e continuada por seu discípulo direto Alâoddawileh Semnânî. Partindo do
pressuposto de que as partes que constituem o ser humano são consideradas fragmentos
de suas homólogas cósmicas, Kubra desenvolveu uma fisiologia esotérica ou fisiologia
dos órgãos sutis da percepção (lataif), na qual cada órgão ou centro sutil está associado a
uma metafísica da luz que se reflete no Infinito:
O Sama é a arte do equilíbrio – do equilíbrio da vida. O giro rodopiante em torno
do eixo do próprio corpo é realizado com a perna esquerda firmemente fixada no chão,
enquanto a perna direita faz o movimento de impulso. No giro, o manto branco dos
dervixes dançantes (samazen[s]) se abre como uma rosa que, ávida por água, estica-se
para o céu. Beleza e encanto encontram nesse movimento sua expressão mais perfeita. A
mão direita volta-se para o alto e a esquerda para baixo. Com a mão direita erguida, capta-
se a baraka (graça) dos Céus, que é conduzida ao coração e, através da mão esquerda,
passada ao mundo. O Sama significa estar enraizado na terra e estirar-se para o Alto.
Significa pertencer, ao mesmo tempo, a este e ao outro mundo.
O Sama consistia em um rito que era realizado no Sama hane. Havia um Xeique
que representava Mevlana, que estava vestido com uma roupa feita de pele de animal. Os
dervixes usavam uma longa saia branca e um casaco branco que simbolizava o seu pano
sepultural. Colocavam um casaco preto que simbolizava o seu túmulo e o seu chapéu

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cônico simbolizava a sua pedra tumular. Inicialmente, há uma recitação comum seguida
de um recital de flauta.

Depois, os dervixes curvam-se ao Xeique e beijavam suas mãos e deixavam seu


casaco preto cair no chão. Desta forma simbolizava a saída do túmulo. Enquanto os
músicos estão tocando os seus instrumentos, eles giram cada vez mais rápido. Durante o
giro, os dervixes experienciam uma dança extática e atingem o sentimento chamado de
"final ".

2.5. DANÇA ATRAVÉS DOS TEMPOS E CULTURAS

A expressão através da dança veio estabelecer o elo inicial da comunicação


coletiva, permitindo o agrupamento, a preservação e a cooperação entre os povos
primitivos. Através desta forma de comunicação foi possível, ao homem primitivo,
desenvolver seu potencial interno, num sentido intelectual, social e cultural, adquirindo
gradualmente, senso de organização, ordenação, divisão de trabalho, estruturando e
amadurecendo o seu caminho evolutivo, dentro de um esquema coletivo. (BERTONI,
1992, p.08). O homem utiliza-se das formas artísticas para se expressar e se comunicar.
Sendo a dança no tempo uma tradução através do movimento corporal e o estado
emocional do indivíduo, ela acompanhou a evolução do homem facultando a ele a opção
pela autonomia, pela expressão espontânea de si mesmo e pelo instigante desafio de
comunicar-se autenticamente com os outros, demonstrando papéis sociais e também
desempenhando relações dentro de uma sociedade. Portanto, o homem e a dança
evoluíram juntos nos movimentos, nas emoções, nas formas de expressão e também na
arte de transformar a sociedade que era considerada a primeira manifestação do
emocional humano.

“Esteticamente a dança pode ser considerada como a mais antiga das artes, a mais
capaz de exprimir tanto às fortes quanto às simples emoções sem o auxílio da palavra,
porque está, podendo tudo expressar, revela-se insuficiente nesses
momentos”. (MENDES, 2001, p. 10).

Por todas as fases pela qual a dança passou – da primitiva à contemporânea –


ela retratou épocas e etapas do desenvolvimento sócio-econômico e cultural, materializou
as técnicas, os valores e os significados de todas as civilizações nas quais se fez presente,
questionou e documentou seu contexto histórico refletindo e revivendo os fatos através
da representação das vivências do homem no mundo e das influências que o mundo lhe
apresentava. Nos possibilitando conhecer a cultura de um povo. Ao percorrer a
trajetória da história da dança desde os primeiros sinais de sua existência, passando por
sua evolução desde a luta pela sobrevivência, caminhando pelos aspectos: religiosos,
folclóricos, artísticos, até nossos dias, é possível perceber com clareza a presença da
dança, tanto no mais simples, quanto nos momentos históricos que marcaram época em
cada sociedade. (RANGEL, 2002, p. 40)

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Figura 7 DANÇA GREGA
(GRÉCIA ANTIGA)

As danças gregas apresentavam duas formas distintas:


danças Sagradas e danças Ginopédicas.
Enquanto as danças Sagradas, eram executadas
exclusivamente por mulheres e que guardavam um caráter
de magia enobrecida, os guerreiros que eram jovens atletas
desnudos. As moças usavam trajes masculinos e se
entregavam com alegria aos encantos das danças.

Figura 8 DANÇA EGIPCÍA


(EGITO ANTIGO)

No início, as danças do Egito antigo eram de caráter


religiosas e mitológicas, aos poucos foram perdendo seu
caráter Sagrado e sua nacionalidade.
No tempo do “Reino Novo” (1500 A.C.) as danças
aparecem apenas como exibições artísticas ou acrobáticas,
executadas pelas dançarinas profissionais.

Figura 9 BACANAL
(ROMA ANTIGA)

Este nome foi dado pelos Romanos às festas orgíacas do


mito Dionisíaco ou Báquico. No começo, eram danças de
iniciação mas pouco à pouco tomaram um caráter orgíaco
e desenfreado de tal forma que o Senado romano teve que
proibi-las. São a origem do nosso moderno Carnaval.

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Figura 10 CORROBORI
(CONGO BELGA)

O Corroborí é um baile ginástico comum à todos os


povos de vida primitiva. Essa dança quase sempre
acontece à noite, principalmente ao luar, para festejar
acontecimentos importantes da vida da tribo

Figura 11 DERVIXES PERSAS

(PÉRSIA)

Antes de tornar-se um passatempo autorizado, a dança era


sobretudo um ato Sagrado e um mistério Sacerdotal. Essa
dança religiosa Extática dos Persas. Eram fanáticos
muçulmanos da Seita dos Sufistas. A sua dança consistem
em girar.

Figura 12 DANÇA PRIMAVERA


(EUROPA ANTIGA)

Os povos primitivos da Europa conheceram, amaram e


cultivaram as danças.
Na maioria agricultores, foram os primeiros indo-
europeus e adoravam a natureza, e as danças eram
ligadas ao sol, a lua, a terra, as chuvas, a fertilidade, etc.
Aqui vemos jovens Eslavas celebrando a chegada da
Primavera. Mês de maio

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Figura 13 DANÇA O BRANDO
(EUROPA – RENASCIMENTO)

Dança predileta da sociedade europeia, na época do


Renascimento. É uma roda com numerosas figuras,
lentas no início e muito vivas no final.
Passear, brincar, correr era a sucessão tradicional dos
Brandos.

Figura 14 DANÇA MACABRA


(EUROPA IDADE MÉDIA)

Durante a Idade Média a humanidade ficou cativa de


estranho frenesi, que nós chamamos de dança
Macabra. Esta dança era executada geralmente nos
cemitérios. Era uma forma alucinada de dança,
chegou a manifestar-se várias vezes na história
Europeia. No século XIV sob o nome de dança de
São Vito e mais tarde na Itália em forma de
Tarantismo.

Figura 15 DANÇA HEBRÉA


(ISRAEL ANTIGO)

Dança sagrada que se realizava no dia do Perdão.


As moças Hebréas, vestidas de cores claras,
dançavam dentro das vinhas sob a admiração dos
rapazes que escolhiam futuras esposas.

18
Figura 16 DANÇA CAMPONESA
(EUROPA MEDIEVAL)

A dança camponesa do século XV foi a origem de


todas as danças desse gênero que se encontram na
Europa. Era uma dança animada, cuja principal
característica é de ser dançada por um par, e em que
o rapaz procura cortejar a moça. Ela finge fugir,
depois volta a provocá-lo e foge de novo, enquanto
o rapaz se entrega a toda espécie de saltos graciosos
ou cômicos para tratar de conquistar a
parceira.moça

Figura 17 DANÇA VALSA VIENENSE

(Europa Século XIX)

De origem vienense, a valsa aparece no fim do


século XVIII e nos salões da alta sociedade e
espalha-se rapidamente pela Europa e América do
Norte. A valsa representa uma reação impetuosa
contra o formalismo petrificado das danças do fim
do grande século.
Expressão, alma, paixão, são suas características.

Figura 18 DANÇA INDÚ


(ÍNDIA ANTIGA)

É na Índia que aparece a arte superior da dança de


gesto, e de lá se espalha pelo Oriente inteiro. Essas
danças representam os mitos e as numerosas lendas
do Pantéon Indú. Para sua expressão dramática
usam de uma linguagem de gestos simbólicos, em
que todas as partes do corpo tem um papel
rigorosamente definido.
Essas maravilhosas realizações artísticas unem um
grande poder de criação pessoal à estabilidade de
um estilo fixo e impessoal.

19
Figura 19 DANÇA SIAMESA
(SIÃO)

Um outro exemplo de dança de gesto. Entretanto no


Sião, ela perde mais facilmente todo elemento de
criação pessoal e torna-se a ser uma pantomima rígida e
tradicional.
A sua beleza reside principalmente numa técnica
extraordinária de movimentos de mãos e na riqueza e
diversidade dos trajes.

Figura 20 DANÇA JAVANESA


(JAVA)

Na corte dos sultões de Java existe até agora o mais


famoso ballet oriental.
As danças são de origem Indo-Budista e o conjunto, é
constituído de rapazes e moças formados desde a
infância nesta arte delicada, guarda fielmente às
tradições mais antigas da coreografia oriental.

Figura 21 DANÇA DE GEISHA

(JAPÃO)

No Japão encontramos a etapa final da dança imitativa


sujeita à lei inexorável de um estilo simbólico e
convencional. É difundido pelas “casas de chá” o que
outrora, nos outros países do Oriente, foi criado nos
templos e nas cortes imperiais.
Nas mais humildes aldeias do Japão podemos ver as
Geishas bailar com uma delicadeza e uma simples
grandeza, dignas das melhores tradições da arte
Nipônica.

20
DANÇAS CIRCULARES
Figura 22 Figura 23 Figura 24

Figura 25

Figura 26

21
Figura 27

Figura 28 Figura 29

DANÇAS FOLCLÓRICAS
Figura 30 Figura 31

Figura 32

22
DANÇAS CLÁSSICAS

Figura 33 Figura 34

Figura 36

Figura 35

Figura 37

23
Figura 38 Figura 39

BALLET CLÁSSICO
Figura 40 Figura 41

Figura 42

24
3. BIOENERGÉTICA

A Análise Bioenergética, segundo Lowen (1995), tem como objetivo o resgatar da


natureza primária, que é a condição do organismo de ser livre, gracioso e belo; a liberdade
de pensar e sentir, a graça de movimentar-se e a beleza do viver amorosamente, com
saúde e alegria.

3.1. ENERGIA ORGONE

Dr. Wilhelm Reich, discípulo dissidente de Freud, desenvolveu uma extensa e


incansável pesquisa sobre uma energia universal que nomeou de Orgone (Biofísica do
Orgônio Cósmico – 1934). Verificou a relação entre os distúrbios do fluxo do orgone no
corpo humano e as doenças psicológicas. É a partir desse invento, criou uma terapia
inovadora para liberar bloqueios para retomada do fluxo natural de energia do orgone no
corpo, saneando estados mentais e emocionais negativos. Estudou largamente a função
bioenergética da convulsão orgástica, aferindo os desequilíbrios e doenças que acontecem
quando essa função é contrariada e negada. Por meio de tensões, a musculatura pode
obstruir a corrente sanguínea, reduzir o movimento dos fluidos do corpo. A energia da
vida sexual pode ser contida por tensões musculares crônicas. Assim como a cólera e a
angústia podem também ser bloqueadas por tensões musculares.

"Energia cósmica primordial, presente universalmente na matéria viva bem como na


inanimada. Reich chamou energia orgone, porque sua descoberta resultou da
aplicação consistente da formula do orgasmo (tensão carga) e também porque a
energia possuía efeitos sobre o organismo." (BOADELLA, 1985)

3.2. CONTEXTO HISTÓRICO – ANÁLISE BIOENERGÉTICA

A Análise Bioenergética surgiu da associação, em 1953 de dois alunos de Reich,


Alexander Lowen e John Pierrakos (LOWEN, 1982).Reich viveu de 1897 a 1957.
Discípulo de Freud, na década de 1920 desenvolveu na psicanálise o conceito de análise
do caráter e análise das resistências, bem como elucidou aspectos importantes da
transferência (REICH,1995). Na década de 1930, começou a trabalhar diretamente com
o corpo dos pacientes, com uma técnica que visava especificamente aprofundar e liberar
a respiração, a fim de melhorar e intensificar a experiência emocional. Associou à
psicanálise a observação do corpo, das expressões dos olhos e da face, qualidade da voz
e dos padrões de tensão muscular; descreveu o que nós chamamos hoje de linguagem
corporal (SHARAF, 1983).
Em 1934, Reich foi expulso da Associação Psicanalítica Internacional, por suas
divergências teóricas e por sua posição política em favor do comunismo. Viveu e
trabalhou na Noruega, de 1933 até1934, na Suécia de 1934 a 1939, quando passou a viver
nos Estados Unidos até sua morte em 1957. Reich desenvolveu, no decorrer de seu
percurso científico, três fases com técnicas terapêuticas específicas em cada fase: a
análise do caráter(1923-1934), a Vegetoterapia caractero-analítica (1934-
1939) e a Orgonoterapia (1939-1957). (BEDANI, 2002).
Lowen (1982) conheceu, entusiasmou-se e se tratou com Reich de 1942 a 1945,
enquanto este ainda praticava a vegetoterapia caractero-analítica, embora já estivesse

25
envolvido com as pesquisas da energia Orgone. Estimulado pela energia Orgone seu
trabalho como psicoterapeuta reichiano, foi estudar medicina na Suíça entre1947 e 1951.
Em 1952, fez sua residência em medicina e em 1953 voltou a procurar Reich. Nessa época
Reich tinha mudado sua forma de trabalhar, havia se voltado para o estudo da energia
Orgone e os tratamentos baseavam-se em princípios energéticos descobertos por ele,
deixando a análise e os traços de caráter em segundo plano. Lowen (1982) não conseguiu
se identificar com essa nova abordagem. Os problemas se relacionava à sua associação
com Reich. Lowen sentiu que continuar ligado ao Reich poderia prejudicar sua carreira e
mesmo significar um impedimento para a obtenção da licença para praticar medicina
(LOWEN, 2004).Além disso, ele não compartilhava da crença de Reich nos benefícios
dos acumuladores de Orgone.
Segundo ele "em algumas situações esse engenho se mostrou útil, mas não tinha
nenhum efeito sobre os problemas da personalidade"(LOWEN, 1982, p.30).Em suma,
três fatores influenciaram a decisão de Lowen de seguir seu caminho: a necessidade de
aprofundar o aspecto analítico da psicoterapia reichiana, o comprometimento de Reich
com as instituições legais dos Estados Unidos e a descrença no valor terapêutico
dos acumuladores. Entre 1953 e 1956, Lowen compartilhava o consultório de Pierrakos.
Reuniam-se para discutir seus casos clínicos, criaram seminários clínicos nos quais era
mais conectado com o aspecto físico, embora tivesse muito desenvolvida a percepção de
campos energéticos e pudesse ver a aura das pessoas (LOWEN, 2004).

3.3. ANÁLISE TÉCNICA E PRESSUPOSTOS TEÓRICOS

No início, Lowen (1982) e Pierrakos exploravam em si próprios, trabalhando um com


o outro, técnicas corporais que ajudassem a melhorar a respiração e liberar as tensões e
emoções que bloqueavam o livre fluxo da energia no organismo. Buscando novas
maneiras de obter esses resultados terapêuticos, experimentaram trabalhar o corpo na
posição vertical e não com o paciente deitado, como Reich. Assim desenvolveram a
técnica do Grounding, descobriram como induzir as vibrações no corpo e começaram a
usar o banquinho para ajudar a abrir a respiração.
Nota-se que Lowen (1982) parte de uma prática, para depois desenvolver a teoria.
Para ele, a experiência corporal antecede a elaboração dos conceitos teóricos,
permanecendo como base de sustentação e campo de observação para o desenvolvimento
teórico. Esta tem sido sua marca ao longo de toda a vida. Segundo ele, o terapeuta não
pode pedir aos clientes que façam algo que ele mesmo não esteja preparado para fazer
com seu corpo. A Análise Bioenergética foi desenvolvida e obteve bons resultados,
primeiramente, como um método para tratamento dos sintomas neuróticos (depressão-
ansiedade) e para pessoas com problemas sexuais e de relacionamentos. O acesso à
experiência corporal, consegue atingir conteúdos pré-verbais, e revelou-se também de
grande valia no tratamento de personalidades com disfunções pré-genitais (como
organizações Borderline e estruturas narcísicas) e também nas doenças psicossomáticas
(OELMAN, 1988;WEIGAND, 1998, 1999; VENTLING, 2002; GUDAT, 2002).

O terapeuta possui uma segunda linguagem, com o uso da psicoterapia corporal,


com a qual pode se comunicar com o cliente. Esta segunda linguagem possibilita reviver
as relações primárias do cliente e alcançar mais facilmente um nível mais profundo de
experiência do que aquele obtido com a abordagem puramente verbal. A Análise
Bioenergética se baseia na proposta de identidade funcional corpo-mente. Afirma que nós

26
somos os nossos corpos e também nossos pensamentos, emoções, sensações e ações.
Dando sequência à proposta de Reich (1975), de uma psicoterapia que lida com as bases
biológicas da neurose, a Análise Bioenergética centra-se nos processos biológicos
envolvidos na saúde e na energia que alimenta esses processos. Lowen (1977) combinou
os princípios fundamentais da psicanálise com o trabalho direto no organismo visto do
ponto de vista do seu desenvolvimento energético, emocional e relacional.

Sendo o indivíduo uma unidade psicossomática, o que afeta a mente afeta o corpo
e o que afeta o corpo afeta a mente. As defesas psicológicas usadas para lidar com a dor
e o estresse, tais como racionalizações, negação e supressões também estão ancoradas no
corpo e aparecem como padrões corporais cronicamente rígidos. Esses padrões,
juntamente com as representações mentais, crenças e valores que os sustentam,
constituem a estrutura de caráter, que influencia a auto- percepção física, a autoestima, a
autoimagem e o intercâmbio com o ambiente. Tornam-se inconscientes e passam a fazer
parte da própria identidade da pessoa, impedindo que ela consiga se modificar, mesmo
que entenda a natureza do problema. A Análise Bioenergética utiliza a leitura corporal
para a observação da energia, intensidade, fluxo ou bloqueios (vitalidade), capacidade de
conter energia (autocontrole), centramento (autoconhecimento), Grounding que é o
contato com a realidade interna emocional, e com a realidade externa o mundo.

O objetivo da psicoterapia é uma pessoa cheia de vida, capaz de vivenciar e


expressar, adequadamente, prazeres e dores, alegrias e tristezas, raiva, amor e
sexualidade. O prazer de estar plenamente vivo fundamenta-se no estado vibratório do
sistema, sendo percebido na expansão/contração pulsátil do organismo, inclusive no
sistema vegetativo–respiratório, circulatório e digestivo. A atitude vibratória é
responsável por ações espontâneas, liberação emocional e funcionamento interno
harmônico. Difere de outras formas de psicoterapia psicodinâmica em razão do
componente somático de sua abordagem teórica, e do envolvimento ativo do corpo nas
intervenções terapêuticas, além de incorporar a compreensão da psicanálise, inclusive as
dinâmicas de transferência e contratransferência, e a importância do relacionamento no
processo psicoterapêutico.

4. PARADIGMA PULSIONAL E OBJETAL

4.1. PARADIGMA PULSIONAL

A pulsão na teoria freudiana da época em que Freud escreveu o Ego e o Id


(1924:1976) visa o prazer, segundo a noção dos processos primários. O prazer é alcançado
quando se descarregam as tensões geradas por excitações internas. Para evitar o
desprazer, o indivíduo se afasta de situações que possam causar desprazer (acúmulo de
tensões sem possibilidade de descarga).
A fonte da pulsão está na excitação somática e a meta consiste na redução da
tensão através da descarga somática. Para Freud a pulsão é um processo dinâmico
consistindo em um impulso que tem sua fonte numa excitação corporal localizada. Esse
impulso mobiliza o aparelho psíquico, assim como a motricidade, o que gera um

27
comportamento cujo objetivo é a descarga da tensão existente no corpo, conforme o
princípio de constância. Esta descarga é obtida com a ajuda de um objeto (BRABANT,
1977).
A noção de pulsão é abordada por Freud como um conceito-limite,
uma junção entre o psíquico e o somático. Segundo Brabant (1977, p.27), a fonte da
tensão e a meta (descarga-prazer) são somáticas, mas "a procura do objeto apto a reduzir
esta tensão implica uma participação necessária da atividade psíquica". A noção de pulsão
nesse sentido de junção psico-soma foi incorporada como um dos pilares da psicoterapia
reichiana e, na seqüência da Análise Bioenergética.
Reich, em seu período inicial como psicanalista, adotava as idéias de Freud no
quanto o inconsciente, sexualidade, trauma infantil, libido, instintos de auto-preservação
e preservação da espécie. Sua proposta de análise das defesas de caráter, de começar o
trabalho analítico a partir das camadas periféricas, sua perspicácia em desvendar o papel
da transferência negativa no início da análise foram integradas ao corpo teórico da
psicanálise e se mantêm atuais até hoje.
De acordo com Wagner (1996), Reich apoiou-se na teoria psicanalítica e, sem
discordar dos princípios básicos dessa teoria, criou uma vertente própria, desenvolvendo,
aprofundando e radicalizando os princípios econômico-libidinais.
Reich separou-se do movimento psicanalítico, mas nunca deixou de ser um
psicanalista. Mesmo quando na fase orgonômica deixou de praticar análise para trabalhar
diretamente com a energia (DOR) estagnada e com as biopatias, seu pensamento era
coerente com a visão econômica-libidinal, com a proposta inicial de Freud de buscar as
raízes biológicas dos males do indivíduo.

4.2. PARADIGMA OBJETAL

NEO-FREUDIANOS - Segundo Mezan (1996), desde 1930 surge no seio do


movimento psicanalítico a recusa de considerar a pulsão como elemento central fundante
do Self. Fonagy (1999, p.600) escreve que a primazia da sexualidade nas explicações da
psicopatologia “foi considerada um erro conceitual por muitos psicanalistas, dentre eles
Melanie Klein”. Melanie Klein significou uma passagem entre a psicanálise e os teóricos
da Escola Britânica, na qual estão incluídos Winnicott e Bowlby. Fairbairn, da Sociedade
Britânica de Psicanálise, foi um dos primeiros a propor que "a libido é uma energia que
busca objetos e não o prazer, como postulava Freud" (ZIMERMAN, 2001 p.138).
Segundo Zimerman (2001 p.138), a partir da década de 1940, cresceram nos
Estados Unidos as escolas psicanalíticas que seguiam a linha Kleiniana, adotando os
pressupostos da Teoria das Relações Objetais, voltadas para a pesquisa do tratamento da
problemática pré-genital. Hartmann, Kohut e Kernberg foram expoentes dessas escolas
que tomaram o nome de Psicologia do Ego e Psicologia do Self. Na Europa, Bowlby
desenvolve a Teoria do Apego e Winnicott divulga seu trabalho com crianças e adultos.
As pesquisas voltadas para o comportamento de famílias e crianças saudáveis começaram
a ser amplamente divulgadas a partir da década de 1970, com o trabalho principalmente
de Mahler (1993) que contribuiu para o estudo da saúde - aquilo que contribui, numa
criança normal, para a constituição de um ego saudável. Todos estes teóricos se voltam
para o estudo do desenvolvimento, deslocando a questão da sexualidade do centro da
organização psíquica, em favor de uma perspectiva de amadurecimento, da qual a

28
sexualidade faz parte. Propagou-se o conceito de Desenvolvimento Interrompido, ou
seja, diante de uma situação traumática ou da falta da experiência que constitui o Ego na
fase adequada, ficaria como um “buraco” na personalidade, onde faltou a experiência
essencial. Esse “buraco” vai constituir a ferida narcísica.

Dentro da psicanálise pós-freudiana passam a ser considerados dois paradigmas


básicos: o pulsional e o objetal. A diferença entre eles consiste na maneira de conceber a
natureza do objeto e a função do objeto..Mezan (1996, p.352) entende que “no paradigma
pulsional, o objeto é essencialmente o objeto da pulsão, enquanto no segundo, a bem
dizer, o bebê é no início um objeto do seu objeto(a mãe). Assim o constituinte
fundamental do psiquismo é uma [relação]fantasiada e interiorizada, e não uma tensão
cega que busca eliminar-se sobre o que quer que se preste a absorvê-la."Segundo a teoria
do amadurecimento de Winnicott (1990), a motivação principal do ser humano, aquilo
que mantém a vida e distingue o que é humano, é a necessidade de estar em relação. A
teoria das pulsões por outro lado propõe que o movimento da vida se direciona para a
busca do prazer e a descarga da excitação para conseguir o retorno a um estado de
equilíbrio psíquico. Daniel Stern (1992,1997), atualmente residindo na Suíça, segundo
Fonagy (1999) é o psicanalista que reúne ambos os paradigmas (pulsional e objetal)
dentro da psicanálise.A Análise Bioenergética já possui uma consistência teórica que
suporta revisões, promovendo debates que favorecem seu fortalecimento. Assim como a
psicanálise pôde rever seus modelos tornando-se mais abrangente e revitalizada, chegou
a vez da Análise Bioenergética fazer o mesmo. Assimilar o paradigma objetal à sua teoria
básica que se apoiou inicialmente no paradigma pulsional. A força de um modelo reside
em sua flexibilidade e expansibilidade, segundo Greenberg e Mitchell (1994).

“A existência de um modelo forte leva à geração de novas informações, e o sucesso do


modelo depende de sua capacidade de abarcarem suas premissas fundamentais,
explicações de novos fenômenos.”Greenberg e Mitchell (1994).

Figura 43

5. ENRAIZAMENTO DO SELF - GROUNDING

Lowen (1993) vê o Grounding, como uma função constitutiva do Self , um Self corporal.
O caráter e sua inscrição corporal - couraça são uma construção defensiva à serviço do
ego, correspondendo ao Falso Self .

29
Dentre os autores da psicologia do desenvolvimento, que têm sido utilizados para
construir a base teórica da Análise Bioenergética, escolhi a visão de Donald W.Winnicott
(1990), cuja linguagem a respeito do alojamento do Self no corpo se aproxima das idéias
de Lowen. É também a teoria com a qual me sinto mais confortável para complementar a
compreensão de Reich e dos neo-reichianos quanto ao desenvolvimento da personalidade.
Winnicott (1990) diz que a localização da psique no corpo acontece à partir da experiência
pessoal, de impulsos internos e sensações cutâneas, do erotismo muscular e dos instintos
envolvendo excitação da pessoa total e também de estímulos que provêm do ambiente,
ou seja, os cuidados com o corpo e a satisfação de exigências instintivas por meio do
holding e do manejo do bebê. “...podemos dar uma ênfase especial ao exercício físico,
especialmente àquele realizado de forma espontânea”. Há coincidências entre
Lowen (1993) e Winnicott (1990), inclusive nos termos utilizados por este último como
excitação e erotismo muscular. “O self se descobre naturalmente localizado no corpo,
mas pode, em certas circunstâncias, dissociar-se do último, ou este dele” (WINNICOTT,
1994, p. 210). Lowen (1993) adota os termos Falso Self e Verdadeiro Self, dando-lhes
um sentido similar ao de Winnicott e utiliza também o conceito de um Falso Self que se
dissocia do corpo. Winnicott (1994) considera essencial para a saúde psíquica a formação
de um self total, o qual implica uma diferenciação entre eu e não-eu numa crescente
integração, até permitir uma imagem unificada de si mesmo e do mundo exterior. Isso
acontece a partir de um ambiente suficientemente bom, que possibilite o
desenvolvimento das potencialidades de um Self rudimentar que já existe desde o
nascimento, embora de forma extremamente frágil. Nos casos em que falha da função
materna de integrar as sensações corporais do bebê, os estímulos ambientais e o despertar
de suas capacidades motoras, a criança sente sua continuidade existencial (ser) ameaçada
e procura substituir a proteção que lhe falta por outra, fabricada por ela. (Falso Self).

No trabalho à distorção do ego, em termos de Falso e Verdadeiro Self (1990)


Winnicott esclarece a relação entre o ego e o verdadeiro e o falso self . Nessa obra, ele
considera que o Verdadeiro Self seria o resultado da mãe ter aceitado os gestos
espontâneos da criança. Nos casos em que a mãe não tem capacidade para entender e
satisfazer as necessidades do filho, ela coloca seu próprio gesto, assim submetendo a
criança a ela, o que começa a gerar um Falso Self. A princípio, Winnicott considerou o
falso self, como uma formação presente nos pacientes graves, provocada pelo “fracasso
do meio ambiente inicial em se adaptar ativamente” (1978b p. 382). Nos casos mais
próximos da saúde, o Falso Self, agiria como uma forma de defender e proteger o
verdadeiro, que se mantém oculto, enquanto nos casos mais graves, o Falso Self substitui
o verdadeiro. Desse modo, a visão que o sujeito tem de si e a visão que as pessoas que o
rodeiam têm dele, na verdade são uma visão de uma casca espessa que ele criou, segundo
Zimerman(2001). Esta casca pode ser comparada à couraça caracterológica reichiana.

6. FUNÇÃO ORGÁSTICA

Reich (1975) define potência orgástica como“... capacidade de abandonar-se, livre


de quaisquer inibições, ao fluxo de energia biológica; a capacidade de descarregar

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completamente a excitação sexual reprimida, por meio de involuntárias e agradáveis
convulsões do corpo”.
Para ele nenhum neurótico é orgasticamente potente sendo que a maioria dos
homens e mulheres são neuróticos e a potência orgástica era um indicador de saúde
mental.
O conceito de potência orgástica como medida da saúde física e mental
influenciou durante muitos anos o desenvolvimento da teoria e da prática da Análise
Bioenergética. Em 1992 Lowen, declarou que abria mão oficialmente deste conceito e
colocou que o objetivo da psicoterapia bioenergética era, para ele auto percepção, auto
expressão e auto possessão, ou seja, conhecer-se, expressar sua verdade e ser dono de si
mesmo. Coloca o ego saudável, como o
objetivo principal da psicoterapia, e a
manifestação da sexualidade como uma
das formas de bem estar.

Ao me perguntar se a Função do
Orgasmo ainda é um modelo válido de
crescimento, a resposta a que cheguei foi
sim, na medida em que a fórmula da
função do orgasmo pode ser considerada
como uma metáfora da auto regulação. A
função do orgasmo, longe de ser um
tema esgotado, abre possibilidades de
exploração de diferentes experiências
orgásticas: onde quer que haja fusão,
expansão, sexualidade, amor, prazer,
nutrição emocional, pode-se chamar de
experiência orgástica, ainda que não haja
uma expressão por meio do contato genital. Na minha opinião, pensando em Reich (1975,
1995), a sua descoberta da função do orgasmo como modelo de auto regulação da própria
vida, foi um acerto. No entanto as inferências quanto à potência orgástica me parecem ser
de utilidade limitada para tratar os males mais comuns e frequentes das pessoas que
procuram ajuda na psicoterapia.

7. O QUE É O TANTRA E SUA ORIGEM

Tantra é uma filosofia comportamental de características matriarcais, sensoriais e


desrepressoras. Tem origem na Civilização Harappiana, de etnia dravídica, e conta com
mais de 5.000 anos de antiguidade. Defino o Tantra como a arte de conhecer-se a si
mesmo através do outro.
O termo Tantra significa: net, rede, tecido ou teia, ou a trama do tecido; regulado
por uma regra geral; o encordoamento de um instrumento musical. Outra tradução é
"aquilo que esparge o conhecimento". Ou ainda, segundo Shivánanda, explica (Tanôti) o
conhecimento relativo a tattwa e mantra, por isso se chama Tantra.

31
Tantra é o nome dos antigos textos de transmissão oral (Param-Pará) do período
pré-clássico da Índia. Mais tarde, alguns desses textos foram escritos e tornaram-se livros
ou escrituras secretas do hinduísmo.

7.1. O MECANISMO BIOLÓGICO DO TANTRA

Os antigos haviam descoberto que para a natureza, o indivíduo é fator descartável,


porém, a espécie não. Esta deve ser preservada a qualquer custo. A natureza é capaz de
eliminar sumariamente milhões de indivíduos se tal for útil à espécie.

Que utilidade há em sabermos que a natureza descarta os espécimes, mas luta para
preservar as espécies? Sob a ótica da lei natural, quando um indivíduo se reproduz, já
cumpriu sua obrigação perante a espécie. E logo depois seu organismo passará a um
processo mais acelerado de decadência em direção à morte.

Como a natureza preserva um reprodutor por ser muito útil à espécie, esse indivíduo
será protegido contra doenças, envelhecimento e até acidentes, pois mantém-se com mais
reflexos e mais inclinação a Eros que a Thânatos. Esses dois impulsos, o de vida e o de
morte, estão em constante oposição nos seres humanos.

7.2. QUAL A RELAÇÃO DO TANTRA COM A SEXUALIDADE

No Tantra, aprendemos um conceito muito bonito, segundo o qual Shiva sem Shaktí é
Shava. Isto é, "o homem sem a mulher é um cadáver". Shiva é o arquétipo masculino, que
deve ser catalisado pela Shaktí, arquétipo feminino. Veja como é interessante: a mulher,
quando companheira, denomina-se Shaktí, que significa literalmente energia. É aquela que
energiza, que faz acontecer. Sem a mulher, o homem não evolui na senda tântrica. Nem a
mulher sem o homem. É preciso que tenhamos os dois Polos. Podemos fazer passar qualquer
quantidade de eletricidade por um fio e ainda assim a luz não se acenderá, a menos que haja
um Polo positivo e outro negativo, um masculino e outro feminino. Assim é nas práticas
tântricas.
O Tantra também possui um componente fortemente poético que contribui para tornar as
pessoas mais sensíveis e aumenta o senso de respeito e de amor entre homem e mulher. Nesse
sentido, um dos seus conceitos mais encantadores ensina que, para o homem, a mulher é a
manifestação vivente da própria divindade e, como tal, ela deve ser reverenciada e amada.
A recíproca é verdadeira, pois a mulher desenvolve um sentimento equivalente em relação
ao homem.

7.3. O TANTRA COMO AMPLIFICADOR DA POTÊNCIA SEXUAL

A técnica denominada Maithuna tem a propriedade de aumentar a produção de


hormônios e exacerbar a libido. Conseqüentemente, predispõe ao praticante, homem
ou mulher, a um estado de alerta biológico para qualquer estímulo sexual, por mais
discreto que possa ser. Isso pode contribuir decisivamente para superar estados de
inapetência, especialmente para aqueles casais que já convivem há anos e cuja chama

32
do desejo parece ter-se extinguido. Ajuda também àqueles que tendem a utilizar o
sexo como uma mera necessidade fisiológica e que, até por condicionamento, não
conseguem extrair mais prazer dessa função ou, ao menos, permanecer mais tempo
no ato sexual.

7.4. O QUE É O HIPERORGASMO

Hiperorgasmo é o estado de maximização do prazer sexual a níveis absolutamente


inimagináveis. Esse estado expandido da consciência é obtido mediante técnicas orientais
provenientes da tradição tântrica. Essas técnicas de otimização da sexualidade têm mais
de cinco mil anos e vêm sendo praticadas ao longo da História por grupos seletos de
pessoas muito especiais. O hiperorgasmo não tem nada a ver com orgasmos múltiplos.
Aliás, não é nem mesmo um orgasmo, mas o estado de hiperestesia sensorial obtido
pela contenção do orgasmo.
 atingir um patamar de prazer indescritivelmente mais alto do que o do orgasmo
ordinário; e
 sustentar esse êxtase por um tempo ilimitado, até que ele extrapole os limites do
corpo físico e produza um estado de graça.

7.5. O TRUQUE PARA O HIPERORGASMO

Para experimentar o estado que denominamos hiperestesia você precisa apenas


adestrar-se na contenção orgástica. Significa protelamento do orgasmo. Não é difícil nem
desagradável. Ao contrário.

O indivíduo inteiro se converte num polo de sensorialidade, e qualquer parte do


seu corpo sente prazer como se fosse um extenso órgão sexual que cobrisse toda a
amplitude do seu corpo por fora e por dentro, e mais o seu psiquismo.

7.6. SEXO É VIDA

O sexo é a atividade mais natural e comum para o ser humano. Mas resultará em
perversão de todos os aspectos da vida caso fique assombrado pelos pensamentos
eróticos, que transbordam das frustrações.

A ênfase não está em entregar-se aos prazeres sexuais, mas a abstinência não irá
ajudar também. Se a necessidade sexual não puder ser satisfeita da forma correta, será
como se tivesse um distúrbio alimentar.

A relação sexual libera endorfinas e reduz a incidência de doenças fatais e outras.


Endorfinas são substâncias semelhantes à morfina, só que são produzidas pelo próprio
organismo em situações biologicamente prazerosas. As endorfinas têm o poder, por

33
exemplo, de reduzir a dor e combater o stress. Elimina a depressão e injeta alegria de
viver.
A energia sexual é a grande chave para facilitar o desenvolvimento de chakras, o
despertamento da Kundaliní e a conquista do Samádhi, meta do Yôga. Por isso, é
conveniente adestrar-se nas artes tântricas que aumentam a sensibilidade e aperfeiçoam o
relacionamento com seu parceiro.
As técnicas do Tantra melhoram o rendimento da sexualidade não apenas visando
ao prazer, mas, também, à canalização da energia para a produtividade no trabalho, nos
estudos, nos esportes, na arte e principalmente no desenvolvimento interior.

8. A ANATOMIA DO CORPO DE LUZ

8.1. O CORPO DE LUZ - SHUSHUMNA

O corpo de luz possui um núcleo ou eixo central. Em sânscrito é conhecido como


Shushumna, e corresponde aproximadamente à coluna física, O Shushumna(nádi central)
é o núcleo luminoso de iluminação dentro de cada um de nós. A maioria das pessoas no
sistema separado não está consciente de que ele existe e raramente o sentem.
Todos os véus da personalidade condicionada — medos, desequilíbrios, sistemas de
crenças negativos e limitantes etc. — têm sido enrolados firmemente à sua volta e o
escondido de nossa visão consciente.
De fato, eles parecem uma camada de couro grossa e negra, como uma capa, em volta do
Shushumna(podemos assimilar as couraças sugeridas por Reich e Lowe). Restringem e
cortam o fluxo natural de luz e energia que normalmente subiria e emanaria do
Shushumna através de nosso corpo físico.

A medida que aumentamos em vibração, descascando os véus do ego (ou


reestruturando a personalidade transformando ou falso Self em verdadeiro), liberando as
crenças de separação e de limitação, a luz literalmente ascende e emana à partir do
Shushumna, ligando-nos até o topo, desde o chakra da raiz até o chakra da coroa.

E por isso que, quando meditamos é importante manter a coluna reta e ereta para
ajudar no fluxo de luz que ascende através do Shushumna.
No Oriente a luz ou energia que se move e anima o corpo é chamada de kundalini. A
kundalini é nossa força vital. Ela vem da palavra sânscrita kundalini, que significa espiral.
Vista de forma clarividente, a kundalini está enroscada na base da coluna, como uma
cobra, e quando despertada move-se como uma serpente subindo através do
corpo. Quando o fluxo único, semelhante a um fio de luz ou kundalini, ascende até o topo
do Shushumna, desde a raiz até a coroa, sem interrupções de limitações egóicas, o estado
de Samadhi, é um estágio avançado de testemunhar e é o precursor da iluminação.

Limpando padrões limitantes e restritivos do ego, enquanto progredimos no


caminho da autodescoberta, torna o filete mais largo e nosso estado de samadhi evolui e
cresce. Samadhi é uma experiência da luz do Shushumna. A luz é unidade e contém

34
informação. Quando entramos em Samadhi, fazemos um download da informação na luz,
que mais tarde é decodificada através do corpo mental, onde nos tornamos conscientes de
compreensões multidimensionais.

8.2. O CORPO DE LUZ – IDA E PINGALA

Ida e Pingala são os nomes sânscritos para os fluxos de energia que formam o
campo eletromagnético bipolar do corpo. Eles tomam a forma de uma dupla-hélice e se
enroscam à volta do Shushumna (Figura 42).

A consciência move-se por esses fluxos percebendo o positivo e o negativo, o bem


e o mal e as outras dualidades da vida no sistema separado. Nossas atrações e repulsões
no campo eletromagnético giram a energia através do Ida e Pingala.

O Ida é o fluxo descendente passivo ou Yin, e está associado com a energia


feminina; o Pingala é o fluxo ascendente ativo ou Yang, e está associado com a energia
masculina.

Equilibrando nossa consciência através da unificação de opostos, nossa


consciência começa a poder perceber à partir do Shushumna, assim como do Ida e do
Pingala.
Esta é a adição do terceiro canal de consciência, descrito como “testemunha”., que
sãos canais de positivo e negativo. A testemunha está em realidade, fora do campo
eletromagnético da zona polarizada. Na medida em que equilibramos o Yin e o Yang, o
feminino e o masculino, encontramo-nos cada vez menos na mente discriminativa,
associada ao sistema dualístico e limitado, e cada vez mais no estado de centramento e
desapego associado à testemunha (podemos fazer uma comparação ao verdadeiro Self)..
E interessante referir-nos brevemente após terem ingerido o fruto proibido,
aprendido sobre o bem e o mau, e caído:

“Então disse o Senhor Deus: - eis que o homem é como um de nós, sabendo o bem e o
mau ora, pois para que não estenda sua mão, e tome também da árvore da vida, e coma
e viva eternamente; … o senhor Deus pois, o lançou fora do jardim do Éden, para
lavrar a terra de que fora tomado. Gênesis 3:22-24, na história de Adão e Eva,
E havendo lançado fora o homem, pôs... uma espada inflamada que andava ao
redor, para guardar o caminho da árvore da vida”.

A autora ( Thurston, Lesley) acredita que a história se refira à anatomia do corpo


de luz. A árvore da vida é Shushumna, e quando comemos deste fruto vivemos para
sempre, quer dizer que conhecemos nossa natureza enquanto eternidade. Mas à partir de
nosso estado caído, separado, há uma espada flamejante que guarda o caminho para ele,
sendo portanto de difícil acesso. Quando alguém vê o Shushumna de forma clarividente,
parece-se com uma espada flamejante.
Você perceberá no diagrama que o Ida e o Pingala iniciam-se logo abaixo do
terceiro olho. E aí que a mente discriminativa começa. Abaixo do terceiro olho é onde
percebemos a dualidade, que engloba do sexto ao primeiro chakra. A testemunha está,
frequentemente, centrada no terceiro olho. Acima do terceiro olho encontra-se o chakra
da coroa, que além do Shushumna, é onde percebemos nossa conexão com a fonte.

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E referindo-nos novamente à afirmação de Jesus em Mateus 6:22, “se teu olho for
único, todo o teu corpo terá luz”, vemos que, quando nosso fluxo de consciência ascende
para o terceiro olho, o olho único, então começamos a nos iluminar para nossa natureza
como unidade.

Figura 44. — Ida e Pingala, ondas de forças


que fluem em uma hélice dupla ao redor do
Shushumna. Note, por favor, que este
diagrama simples e bidimensional não
demonstra as qualidades tridimensionais da
hélice dupla.

Figura 45. - Na medida em que o fio do pêndulo


fica mais curto, o pêndulo oscila com mais
rapidez. Ele oscila cada vez menos e se move
para mais perto do ponto fixo. E à medida que
processamos e nos identificamos mais com a
testemunha neutra, encurtamos o fio do pêndulo
O ponto fixo no centro é o lugar da testemunha
neutra.

8.3. RETENDO SUA LUZ

Para alcançar estados mais elevados de consciência você precisa ter muita luz e
energia. Nossa consciência é como um pêndulo. Oscila com nossos pensamentos e
emoções desequilibrados.

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Quando estamos desequilibrados e oscilamos mental e emocionalmente,
perdemos nossa luz e energia, a força vital é empurrada para fora.
A perda de luz e energia acontece porque existem buracos no corpo sutil, criados
pelo processo de condicionamento que vivenciamos na infância. Onde quer que existam
desequilíbrios na personalidade, existirão buracos no corpo sutil. A luz está sempre
entrando, já que nossa verdadeira essência é um fluxo de luz divina e de conexão com a
fonte. Mas algumas vezes perdemos luz com maior rapidez do que ganhamos, quando
estamos abaixo da paridade. Toda vez que temos sucesso em testemunhar e equilibrar
nossos padrões desequilibrados de personalidade — por exemplo, nossas oscilações
extremas de humor — estamos preenchendo os buracos.
Quando perdemos muita luz, caímos em estados negativos, e ficamos deprimidos
e infelizes, devido à luz insuficiente. Quando estamos plenos de luz, estamos felizes,
equilibrados e confiantes. Estamos inspirados, criativos, estimulados com tudo, temos
energia e conseguimos passar o dia sem termos que nos arrastar.
Corpos de luz fortes e luminosos são geralmente prerrogativa dos jovens e fortes.
Para eles não é tão vital ter muito equilíbrio na personalidade e uma testemunha tão
fortalecida. Mas, à medida que ficamos mais velhos e esses padrões tornam-se mais
entrincheirados, continuamos a perfurar o corpo luminoso mais e mais com nossos
comportamentos desequilibrados, crenças negativas e atitudes autodestrutivas.
Temos que tomar mais cuidado enquanto envelhecemos porque perdemos luz
com mais facilidade. Desenvolvendo a testemunha, equilibramos a personalidade,
fortalecemos o corpo sutil e a luz é retida com mais facilidade no sistema de corpos.
E essencial que deixemos de oscilar e cheguemos ao ponto fixo, se quisermos reter
nossa luz, para melhorarmos a qualidade de vida e atingirmos estados mais elevados de
consciência.

8.4. LUZ , CONSCIÊNCIA E MEDITAÇÃO

Muitos dos maiores cientistas do mundo, artistas e líderes têm acesso a níveis mais
elevados de luz — quer de forma consciente, quanto inconsciente — e assim são capazes
de receber informações e novas ideias. A luz é algumas vezes vivenciada — geralmente
na meditação — como uma presença de felicidade, êxtase e expansão, o amor
incondicional do Divino.
A luz do Shushumna está relacionada como consciência não dualística.
Tradicionalmente o envolvimento da consciência Shushumna é feito principalmente com
à prática da meditação. Através da meditação, abrem-se gradualmente portas no espaço
interior do indivíduo e a consciência é preenchida com estado de consciência não-
dualística, que é nosso estado natural. A experiência é, frequentemente, uma forma
espetacular de realização da unidade. Entretanto ao desenvolvermos uma testemunha
cada vez mais neutra conseguimos vagarosa e gentilmente desgastar nossos véus,
possibilitando passar a realinhar-se à consciência comum do dia-a-dia, trazendo-nos de
uma forma fácil e suavemente ao estado integrado do despertar.

8.5. MAYA

Há muito tempo atrás éramos um com o Todo. Tínhamos acesso a toda a eternidade.
Isto ocorreu antes de encarnarmos pela primeira vez no sistema limitado e separado, e

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nos encontrarmos presos na consciência corporal (profundamente identificados com o
corpo), passando a possuir apenas uma visão parcial do todo.
A visão parcial que temos neste mundo é descrita nas filosofias orientais como
sendo apenas um truque astuto da parte de Maya (Ilusão na Matrix). Maya é uma palavra
sânscrita que descreve a existência como sendo ilusão. É Maya, que continuamente nos
engana no sentido de pensarmos que somos separados e nos desvia de encontrarmos a
verdade absoluta. A dualidade deste mundo e a personalidade são aspectos de Maya. O
sentido de tempo e de espaço como o conhecemos neste mundo físico, também é um
estado relativo de nossa percepção e não faz com que este mundo seja mais real do que o
mundo dos sonhos. Essa nova percepção da realidade, entra em cena porque, na medida
em que sua vibração aumenta, você pode ver e fluir com a mudança, até o ponto em que
o sentido de si mesmo neste mundo, é como um fluxo de luz e consciência, e não sólido
ou fixo.

8.6. SAMÁDHI

Samádhi é o estado de hiperconsciência, de megalucidez, que proporciona o


autoconhecimento, bem como o conhecimento do Universo.
Os praticantes de alguns tipos de Yôga consideram o samádhi algo inatingível, digno
apenas dos grandes Mestres.

9. O PANORAMA DAS ENERGIAS SUTIS

“Chakra” é uma palavra sânscrita que significa roda. A roda gira ao redor do
próprio eixo: ela pode revolver lenta ou rapidamente. À semelhança dos discos
coloridos(yô yô) que as crianças fazem rodopiar com pouco de linha, o chakra gira de
acordo com o grau de energia do sistema. A roda em si, é um poderoso símbolo que
representa os inúmeros padrões cíclicos da vida. Os chakras também são
chamados de lótus ou padmas. Este belo símbolo fala-nos bastante da natureza dos

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chakras, como uma força estimulante em toda a Ásia. A flor exótica floresce na água,
mas suas raízes estão profundamente enterradas no lodo, bem abaixo da superfície.
Ela passou a representar a condição humana. (Uma analogia na escala de evolução da
consciência do estado primitivo do ID no ínicio da infância à um estado de
Consciência Absoluta dos grandes Mestres Acencionados).

10. OS CHAKRAS E O CORPO FÍSICO

Cada chakra corresponde a determinados sistemas físicos e aos seus respectivos


órgãos. Existe uma relação direta entre as condições dos chakras e os órgãos físicos
correspondentes. Um chakra pode estar com excesso de vitalidade, com pouca vitalidade
ou num estado de equilíbrio. Pode estar aberto ou bloqueado.
Os chakras podem funcionar como transmutadores de energia de um nível para o
outro, distribuindo energia prânica ao corpo físico. Isso é feito, em parte pelas glândulas
que regulam diferentes sistemas dentro do corpo. Tradicionalmente cada um dos chakras
também está relacionado com uma glândula importante.
As glândulas endócrinas desempenham um papel fundamental na saúde e no bem-
estar diário do corpo. Os hormônios liberados pelas glândulas diretamente na corrente
sanguínea governam todos os aspectos do crescimento, do desenvolvimento e da
atividade física diária. O mau funcionamento físico
é, em si, o resultado de um colapso que ocorre
dentro da rede energética de nádis e chakras.
Existem aspectos da consciência e
características de comportamentos associados
a cada chakra. Quando alguém medita
sobre um chakra, pode perceber os níveis de
consciência que se encontram descritos
abaixo. Mencionamos apenas os aspectos
básicos de consciência associados com
cada chakra; existem, em verdade, muitos
outros.

Figura 46 - Os chakras são centros de força


do corpo sutil. Quando vistos através da
clarividência, os raios irradiantes que
configuram os chakras parecem flores ou
rodas. São pontos de contato entre os corpos etérico e físico, transmissores e retentores
de energias cósmicas e de força vital. Os principais são 7:
Os chakras e o corpo físico.

CHAKRA LOCALIZAÇÃO GLÂNDULA


1º Muladhara Plexo Coccígeo Supra-Renais
2º Svadisthana Plexo Sacro Testículos
Ovários
3º Manipura Plexo Solar Pâncreas
4º Anahata Plexo Cardíaco Timo
5º Vishuddi Plexo Faringeo Tireóide
Paratireóide
6º Anjna Plexo Carótico Pituitária
7º Sahasrara Plexo do Merediano Pineal

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Figura 47

10.1. CHAKRA MULADHARA – BÁSICO


SIGNIFICADO DO NOME DO CHAKRA: “Fundação”
LOCALIZAÇÃO: Plexo pélvico, região entre o ânus e os
genitais: base da espinha dorsal: as três primeiras vértebras.
COR BJA (SEMENTE): Dourada
SONS DA PÉTALA BIJA: Vang, Shang, Kshang, Sang
ASPECTOS: Alimentos e abrigo
TATIVA (ELEMENTO): Terra
COR DO TATIVA: Amarela
FORMA DO TATIVA: Quadrado
SENTIDO PREDOMINANTE: Olfato
ÓRGÃO DO SENTIDO: Nariz
ÓRGÃO DO MOTOR: Ânus
VAYU (AR): Apna Vayu, or ar que expele o sêmen do órgão
masculino: urina de ambos os sexos: e o que empurra a criança
para fora do útero durante o nascimento.
LOKA (PLANO): Bhu Loka (plano físico)
PLANETA REGENTE: Marte (solar, masculino)
FORMA YANTRA: Quadrado de cromo amarelo com quatro
pétalas rubro-escarlates. O quadrado possui grande significado
em relação ao conhecimento ligado à terra, pois representa a
própria terra, as quatro dimensões e as quatro direções. A forma
do elemento terra é linear, e os quatro pontos formam os quatro
pilares ou ângulos do que é o conhecido como terra quadrangular. Quatro permite a
conclusão em todos os níveis. Esse yantra é o centro do som bija, liberando, portanto, o
som em oito direções. A terra é o mais denso de todos os elementos, sendo uma mistura
dos outros quatro: água, fogo, ar e akasha.

O CÍRCULO COM QUATRO PÉTALAS: O lótus de quatro pétalas representa os


gânglios formados nas quatro terminações nervosas importantes. A cor das pétalas é o
rubro-escarlate misturado com uma pequena quantidade de carmesim.

O TRIÂNGULO: O local da força vital, Kundalini Shakti, é representado na forma da


serpente enroscada, de um linguam ou de um triângulo. A serpente é enroscada três vezes
e meia envolta do Linguam Svayambhu(auto nascido). Com a boca aberta voltada para
cima, ela está ligada ao caminho de Shushumna, o canal nervoso central que corre ao
longo da espinha dorsal. A Kundalini Shakti não desperta, permanece enroscada, abrigada
em torno do linguam com a ponta da cauda na boca. Em virtude de a boca estar voltada
para baixo, o fluxo energético é descendente. Assim que é iniciado o trabalho com o
primeiro chakra, essa energia adormecida levanta sua cabeça e flui livremente pelo canal
de Shushumna. O triângulo apontado para baixo é o yantra do linguam e da Kundalini.
Indica o movimento descendente e os três nervos principais: ida, pingala e shushumna. A
união desses nervos no chakra Muladhara forma um triângulo invertido, que também faz
com que a energia desça. A cor do linguam é cinza-esfumado, mas algumas vezes
apresenta a cor de uma folha nova.

VEÍCULO DO BIJA: O elefante Airavata. Indra, o deus do firmamento, monta em seu


elefante Airavata. A pele do animal é cinza-claro, a cor das nuvens. Os sete troncos de

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Airavata formam um arco-íris de sete cores. Há sete aspectos de cada pessoa que devem
ser reconhecidos e envolvidos em harmonia com as leis naturais.
Os sete aspectos são: Som, Tato, Visão, Paladar, olfato, Defecação e Sexo
De modo similar, sete dhatus (constituintes) formam o corpo físico:
Figura 48
1. RAJA – Barro, terra
2. RASA – Líquidos
3. RAKTA – Sangue
4. MANSA – Carne, fibras nervosas, tecidos
5. MEDHA – Gordura
6. ASHTI – Ossos
7. MAJJAN – Medula Óssea

Os sete tipos de desejo: (segurança, procriação, longevidade, participação,


conhecimento, autorealização e união) são vistos nos troncos e nas setes cores. Também
estão associados aos setes chakras, às sete notas de uma oitava e aos setes planetas
principais.

EFEITOS DA MEDITAÇÃO: O chakra Muladhara representa a manifestação da


consciência individual na forma humana, isto é, o nascimento físico. A meditação na
ponta do nariz induz ao início do esclarecimento, liberdade de doenças, iluminação,
inspiração, vitalidade, vigor, resistência, segurança e compreensão da pureza interior, e
brandura na voz e na melodia interior.

CARACTERÍSTICAS COMPORTAMENTAIS NO CHAKRA: Se o indivíduo com


os maxilares e os pés enrijecidos recusa-se a viver de acordo com as leis naturais que
governam o corpo, criará um Karma ou obstáculo no mundo. Seus órgãos dos sentidos e
motores servirão somente para trazer confusão e dor em troca de gratificação temporária.
Quando um indivíduo começa agir em harmonia com estas leis naturais, não mais
desperdiçará energia ou poluirá seu esclarecimento sensorial com excesso de indulgência.
Agirá sabiamente e com moderações, explorando seu corpo e mente como veículos da
liberação dos reinos inferiores. Normalmente a criança de um a sete anos age com as
motivações do “Primeiro chakra”. A terra é vista como uma nova experiência. Esta
criança deve se assegurar e estabelecer as leis do seu mundo, aprendendo a regularizar os
padrões de comer, beber e dormir, bem como o comportamento apropriado e necessário
para a segurança de sua identidade mundana. A criança está autocentrada e altamente
ligada na sua própria sobrevivência física. O principal problema da criança e do adulto
agindo, com a motivação do primeiro chakra, é o comportamento violento baseado na
insegurança. Um indivíduo com medo pode lutar cega e insensivelmente, como um
animal acuado, por causa da sensação de perda de segurança básica. Neste chakra inclui
os planos de origem, ilusão, ira, avidez, desilusão, avareza e sensualidade. Esses aspectos
do primeiro chakra são fundamentais à existência humana. O desejo de mais experiência
e mais informação age como força motivadora, um ímpeto básico para o desenvolvimento
individual. O chakra básico é a raiz de todo o crescimento e esclarecimento da divindade
do homem.

41
Figura 49
10.2. CHAKRA SVADHISTHANA - ESPLÊNICO
SIGNIFICADO DO NOME DO CHAKRA: “Lugar-morada do Ser”.
LOCALIZAÇÃO: Plexo hipogástrico, genitais.
COR BIJA (SEMENTE): Dourada.
SONS DA PÉTALA BIJA: Bang, Bhang, Mang, Yang, Rang, Lang.
ASPECTOS: Procriação, família, fantasia. O elemento terra do
chakra Muladhara dissolve-se no elemento água do chakra
Svasdhisthana. A fantasia penetra à medida que a nossa pessoa
começa a inter-relação com a família e os amigos. A inspiração para
criar começa no segundo chakra.
TATIVA (ELEMENTO): Água
COR DO TATIVA: Azul-claro
FORMA DO TATIVA: Círculo
SENTIDO PREDOMINANTE: Paladar
ÓRGÃO DO SENTIDO: Língua
ÓRGÃO MOTOR: Genitais
VAYU (AR): Apana Vayu o mesmo do 1º chakra.
LOKA (PLANO): Bhuvar, Loka, Naga Loka, o plano astral.
PLANETA REGENTE: Mercúrio (lunar, feminino)
FORMA YANTRA: O círculo com o crescente. A forma crescente da
lua é o yantra deste chakra, de cor azul-claro. A forma do elemento
água é circular. O segundo chakra é dominado pelo elemento água –
a essência da vida.
Três quartos da Terra são cobertos de água. As máres são governadas pela lua. Três
quartos do nosso peso corporal de uma pessoa são água. A lua afeta as pessoas sob forma
de “máres emocionais”. As mulheres possuem um ciclo mensal sincronizado com o ciclo
da lua. O chakra Svadhisthana é o centro da procriação, diretamente relacionado com a
lua. A relação vital entre água e a lua é mostrada no yantra crescente dentro do círculo
branco do chakra da água. A lua desempenha um papel importante na vida das pessoas
do “segundo chakra”, que atravessam muitas flutuações emocionais durante a mudança
das fases da lua.

O CÍRCULO COM SEIS PÉTALAS: Fora do círculo estão seis pétalas vermelhas de
lótus (mistura de escarlate e carmim), e a cor do óxido de mercúrio. As seis pétalas
representam as seis terminações nervosas importantes no segundo chakra. Assim como
as quatro pétalas no primeiro chakra representam o fluxo de energia das quatro fontes e
pelas quatro dimensões, as seis pétalas do segundo chakra mostram a energia que flui das
seis dimensões. No segundo chakra, o esclarecimento linear do primeiro torna-se circular,
com mais movimento e fluxo. O círculo branco simboliza a água, o elemento do chakra
Svadhisthana.

VEÍCULO DO BIJA: Crocodilo(sânscrito, Makara). Movendo-se de modo serpentino,


o crocodilo retrata a natureza sensual das pessoas do segundo chakra. O crocodilo captura
sua vítima por meio de vários truques. Aprecia flutuar, mergulhar fundo nas águas e tem
um forte poder sexual. A gordura do crocodilo já foi utilizada no homem para aumentar
a virilidade.
Os hábitos de caçar, realizar truques, flutuar e se camuflar do crocodilo são
qualidades das pessoas do segundo chakra. O ditado “chorar lágrimas de crocodilo”,
também é conhecido na Ìndia, referindo-se à falsa manifestação de emoção.

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DEIDADE: Vishnu, o senhor da preservação. Ele representa o poder da preservação da
raça humana: por isso está no segundo chakra, o local da procriação. Está sentado sobre
um lótus cor-de-rosa. Sua pele é azul-lavanda, e usa dhoti amarelo-dourado.
Os quatro braços de Vishnu sustentam quatro instrumentos essenciais para a diversão
correta da vida:
1. A concha contém o som das ondas do oceano. A concha de Vishnu
representa o som puro que traz a liberação para os seres humanos.
2. O chakra é o anel de luz que rodopia no dedo indicador de Vishnu. Este
chakra é o símbolo do dharma. O chakra Dharma gira em torno de seu
próprio eixo: destrói os obstáculos, a desarmonia e o desequilíbrio. A roda,
forma do chakra, representa o tempo. Permanecendo verdadeira em sua
revolução, a roda do chakra cria o ciclo do tempo: se não estiver em
conformidade com o ritmo cósmico, deve terminar.
3. A clava é feita de metal, um elemento terra, sendo instrumento de
manutenção do controle sobre a terra. A alça traz o controle às mãos de
Vishnu. A segurança terrena sob a forma de fortuna monetária é o primeiro
requisito para os desejos sensuais e a vida sexual possam ser realizados.
4. A quarta mão de Vishnu traz um lótus cor-de-rosa claro. O lótus cresce no
lodo e permanece luninoso, radiante e elegante. O lótus é puro – não
afetado pelo ambiente. A flor abre-se com o primeiro raio de luz de sol, e
com o último fecha suas pétalas. Delicado e de perfume suave, o lótus é
calmante para todos os sentidos.

EFEITOS DA MEDITAÇÃO: A centralização neste chakra permite que a mente reflita


o mundo, como a lua reflete o sol. Adquire-se capacidade de usar a energia criativa e
sustentadora para elevar-se às artes refinadas e às relações puras, tornando-se livre da
luxuria, ira, ganância, insegurança e ciúme.

CARACTERÍSTICAS COMPORTAMENTAIS NO CHAKRA SVADHISTHANA:


Normalmente uma pessoa entre as idades de oito e catorze anos age com a motivação do
segundo chakra. Dormirá entre oito e dez horas por noite em posição fetal. Em termos de
elementos, a terra é dissolvida em água em vez de permanecer sozinha e na defensiva,
como no primeiro chakra, a criança começa a se aproximar da família e amigos para um
contato físico. A imaginação aumenta. Satisfeita a necessidade de alimento e proteção, a
pessoa está livre para visualizar o ambiente ou circunstância que deseja. A sensualidade
entra nas relações como um novo esclarecimento da evolução do corpo físico.
O desejo de sensações físicas e fantasias mentais pode tornar-se um problema para
a pessoa neste nível. A gravidez conduz a água para baixo e, assim o segundo chakra
pode ter um efeito de redomoínho, puxando para baixo na psique, levando a desassossego
e confusão. Corpo e mente possuem limitações naturais, que devem ser respeitadas e
compreendidas para haver saúde e equilíbrio. Comer, dormir e praticar sexo devem ser
metódicos para corpo e mente manterem-se harmoniosos em paz.
Uma pessoa do segundo chakra com frequência gosta de ser príncipe, senhor ou
herói. A troca de papéis mantém a autoestima elevada e nobre. Todas as culturas
produzem várias histórias e poemas que enaltecem estes heróis, destruidores do mal.
O chakra Svasdhisthana engloba o plano astral e os outros do entretenimento,
fantasia, insignificância, ciúme, misericórdia, inveja e alegria. O plano astral é o espaço
entre o céu e a terra. A fantasia pode ser utilizada para favorecer as profissões e as belas-
artes. A insignificância é um estado de vazio e falta de propósito. Quando um mundo é
visto com a mente negativa, nada excita, nada agrada, tudo fica perdido. A inveja e o

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ciúme surgem de um desejo de possuir o lugar ou as qualidades do outro. Resulta em um
estado destruidor de ansiedade inquieta. O plano da alegria traz uma sensação de
satisfação profunda. Ela penetra a consciência inteira da pessoa que evoluiu além dos
aspectos do segundo chakra.

Figura 50

10.3. CHAKRA MANIPURA - PLEXO SOLAR


SIGNIFICADO DO NOME DO CHAKRA: “Cidade das
Gemas”.
LOCALIZAÇÃO: Plexo solar, plexo epigástrico: umbigo.
COR BIJA (semente): Dourada
SONS DA PÉTALA BIJA: Dang, Dhang, Rlang (palatais): Tang
Thang, Dang, Dhang (dentais): Nang, Pang, Phang (Labiais).
ASPECTOS: Visão, forma ego, cor
TATIVA (ELEMENTO): Fogo
FORMA DO TATIVA: Triângulo.
SENTIDO PREDOMINANTE: Visão
ÓRGÃO DO SENTIDO: Olhos
ÒRGÃO MOTOR: Pés e pernas.
VAYU(AR); Saman Vayu que habita o abdômen superior, na
área do umbigo, ajudando o sistema digestivo. Transporta o
sangue e alquímica produzida no plexo solar pela assimilação.
Com a ajuda de Saman Vayu, a rosa ou a essência, do alimento
é produzida, assimilada e transportada para o corpo todo.
LOKA(PLANO) Sva Loka (plano celestial)
PLANETA REGENTA: Sol (solar, masculino).
FORMA YANTRA: Triângulo invertido. O triângulo vermelho,
com a ponta voltada para baixo, está localizado em um círculo
cercado por dez pétalas. O triângulo é a forma do elemento fogo.
Este chakra é também chamado plexo solar, sendo dominado pelo elemento fogo, que
auxilia na digestão e absorção do alimento para fornecer ao corpo inteiro a energia vital
necessária à sobrevivência. O triângulo é a forma geométrica rígida mais simples:
necessita somente de três lados, mas é inteiro em si mesmo. A visualização desempenha
um grande papel na vida das pessoas do terceiro chakra. O fogo domina sua consciência,
e seu calor pode ser sentido a distância. O triângulo invertido sugere o movimento
descendente da energia.

O CÍRCULO COM DEZ PÉTALAS: As pétalas representam dez terminações nervosas


importantes, dez fontes de energia, que flui em dez dimensões; seu padrão agora nem é
circular nem quadrangular. Seu movimento não é circular como no segundo chakra. A
cor das pétalas é azul, como a chama azul da parte mais luminosa do fogo. As dez pétalas
também representam os dez pranas ou respirações vitais, como Rudras(formas primitivas
de Shiva). Cada pétala apresenta um aspecto de Rudra Braddha (Shiva Velho).

VEÍCULO DO BIJA: O carneiro, o transportador do som bija Rang, com quatro braços
radiantes, é o carneiro veículo de Agni, o deus do fogo. O carneiro representa a natureza
da pessoa do terceiro chakra: é forte e ordena com a cabeça.
O plexo solar é o terceiro chakra, o local do fogo dentro do corpo. As pessoas do terceiro
chakra são dominadas pelo intelecto e pelo fogo, que é de natureza solar. Vivem em grupo

44
e movem-se em direção ao objetivo desejado, sem pensar nas consequências – como um
carneiro. Caminha com ar de orgulho, como se bebessem vaidade. Preocupa-se com a
aparência e com o fato de andar na moda.

EFEITOS DA MEDITAÇÃO: A meditação neste chakra trará a compreensão da


fisiologia, do funcionamento interno do corpo e do papel das glândulas de secreção
interna em relação às emoções humanas. A concentração no umbigo, centro de gravidade
do corpo, impede a indigestão, constipação e todos os problemas da região intestinal.
Consegue-se uma vida longa e saudável. Perde-se o egoísmo, atingindo-se o poder de
criar e destruir o mundo. A fluidez vinda pelo segundo chakra assume a forma de
praticabilidade. As fantasias assumem caráter prático, desenvolvendo-se o poder de
comandar e organizar. Atinge-se o controle da fala, podendo-se expressar as idéias de
maneira muito eficaz.

CARACTERÍSTICAS COMPORTAMENTAIS NO CHAKRA MANIPURA: Entre


as idades de catorze e vinte e um anos, a pessoa é governada pelo chakra Manipura. A
energia motivadora deste chakra impele-a a desenvolver o ego, sua identidade no mundo.
Uma pessoa dominada pelo terceiro chakra lutará pelo poder pessoal e pelo
reconhecimento, mesmo em detrimento da família e dos amigos. Essa pessoa dormirá
entre seis e oito horas por noite, de costas.
O plano do chakra Manipura engloba carma, caridade, compensação pelos erros,
boa companhia, má companhia, serviço abnegado, tristeza, o plano do dharma e o plano
celestial.
Dharma é a lei atemporal da natureza que une tudo o que existe. Permanecendo-
se verdadeiro com sua natureza, as relações com o outro serão mais estáveis e claras. O
equilíbrio do chakra Manipura é o serviço abnegado, isto é, servir sem esperar pela
recompensa. A prática da caridade esclarecerá o caminho da ação, ou carma. Cada pessoa
deve estar consciente de suas ações para atingir o equilíbrio em sua vida. Uma vez obtido,
entrará no plano celestial da iluminação.

Figura 51
10.4. CHAKRA ANAHATA – CARDÍACO
SIGNIFICADO DO NOME DO CHAKRA: “Intocado”.
LOCALIZAÇÃO: plexo cardíaco, o coração.
COR BIJA (Semente): Dourada.
SONS DA PÉTALA BIJA: Kang, Khang, Gang, Ghang, Yong,
Cang, Chang, Jang, Jhang, Uang, Tang, Thang.
ASPECTOS: Atingir o equilíbrio entre os três chakras superiores
do cardíaco e os três inferiores.
TATIVA (ELEMENTO): Ar (sem forma, sem cheiro ou gosto).
COR DO TATIVA: Sem cor, algumas escrituras indicam o cinza
esfumado, e outras o verde esfumado.
FORMA DO TATIVA: Hexagrama.
SENTIDO PREDOMINANTE: Tato.
ÓRGÃO DO SENTIDO: Pele.
ÓRGÃO MOTOR: Mãos.
VAYU(AR): Prana Vayu. Habitando a região do toráx, é o ar que
respiramos; é rico na doação de íons negativos portadores de
vida.
LOKA(PLANO): Maha Loka, o plano do equilíbrio.

45
PLANETA REGENTE: Vênus (Lunar, feminino).
FORMA YANTRA: O hexagrama. O Hexagrama verde-acinzentado do chakra Anahata é
circundado por doze pétalas escarlates. A estrela de seis pontas simboliza o elemento ar.
Ar é prana, a respiração vital. Auxilia o funcionamento dos pulmões e do coração,
fornecendo oxigênio fresco e força vital, isto é, a energia prânica. O ar é responsável pelo
movimento, é o quarto chakra possui movimento em todas as direções.
Este yantra é composto de dois triângulos sobrepostos. Um triângulo, voltado para
cima, simboliza Shiva o princípio masculino. O outro triângulo, voltado para baixo,
simboliza Shakti, o princípio feminino. Atinge-se o equilíbrio quando essas duas forças
estão unidas em harmonia.

O CÍRCULO COM DOZE PÉTALAS: O lótus de doze pétalas se abre partindo do


círculo, sendo de cor vermelha. Elas representam a expansão da energia em doze direções,
e o seu fluxo nas doze fontes. A compreensão da pessoa do quarto chakra não é linear
(como no primeiro chakra) nem circular (como no segundo) ou triangular (como no
terceiro). O quarto chakra se expande em todas as direções e dimensões, como uma estrela
de seis pontas. O chakra cardíaco é o local do equilíbrio dentro do corpo, movendo-se em
direção a um fluxo energético uniforme, tanto nas direções ascendentes como nas
descendentes.

O CÍRCULO COM OITO PÉTALAS: Dentro do chakra Anahata está um lótus de oito
pétalas, no centro do qual repousa o coração espiritual ou etérico. Esse coração, conhecido
como Ananda Kanda, está voltado para o lado direito, embora o coração físico volte-se
para a esquerda. É nesse coração espiritual que se medita sobre a divindade amada ou
sobre a luz. Essas oito pétalas estão ligadas às diferentes emoções.
VEÍCULO DO BIJA: Gamo(antílope). O gamo ou antílope negro é o símbolo do próprio
coração. O antílope salta com alegria e sempre é aprisionado pelas miragens dos reflexos.

LÓTUS DO CORAÇÃO:
Figura 52
Leste (Purva) – Desejo de realizar atos sagrados.
Sudeste (agnheye) – Sono, lentidão, Sonolência, Preguiça.
Sul (Dakshina) – Ira, Crueldade.
Sudoeste (Nairaktra) – Desejo de realizar atos maus.
Oeste (Paschim) – Felicidade, Alegria, Jocosidade.
Noroeste: (Vayav) – Movimentos.
Norte (Uttara) - Desejo de comunhão sexual.
Noroeste (Ishana) – Caridade
No meio - Renúncia

KUNDALINI SHAKTI: é no chakra cardíaco que ela aparece, pela primeira


vez, como uma bela deusa. Senta-se na postura de lótus dentro de um
triângulo. Este está apontado para cima, revelando a tendência de Shakti,
de mover-se de modo ascendente, levando o aspirante para os planos
mais elevados de existência. Sentada na postura de lótus, Kundalini
Shakti personifica anahata nada, o som cósmico que está presente em toda
a parte, sendo conhecido como “barulho branco”. Esse som começa no coração
como AUM, a semente de todos os sons. O coração e a respiração desempenham papéis
vitais no chakra Anahata, porque o coração é o controle sobre o padrão respiratório, o
ritmo cardíaco fica simultaneamente regularizado. A pessoa que atinge a consciência do

46
quarto chakra consegue o equilíbrio sutil do corpo e da psique. O plano de santidade
dentro deste chakra traz a percepção da graça divina em toda a existência.
EFEITOS DA MEDITAÇÃO: Evoluindo pelo quarto chakra, domina-se a linguagem,
a poesia e todos os empreendimentos verbais, bem como os indryas, ou desejos e funções
físicas. A pessoa torna-se senhora de si mesma, ganhando sabedoria e força interior. As
energias masculina e feminina ficam equilibradas, e a resolução das duas, interagindo
fora do corpo, cessa o problema, pois todas as relações tornam-se puras. Os sentidos são
controlados, e a pessoa flui livremente, sem os obstáculos de uma barreira externa. Aquele
que está centralizado no quarto chakra evoluiu além das limitações circunstânciais e
ambientais para tornar-se independente e autoemanente. Sua vida passa a ser uma
inspiração para os outros, pois descobrem paz e calma em sua presença. A visão divina
evolui com o som puro do Anahata, trazendo equilíbrio de ação e alegria. Obtém-se poder
sobre vayu, o elemento ar. E pelo fato de o ar não ter forma, a pessoa do quarto chakra
pode ficar invisível, viajar pelo espaço e entrar nos corpos de outras pessoas.
CARACTERÍSTICAS COMPORTAMENTAIS DO CHAKRA ANAHATA: Dos
vinte e um aos vinte e oito anos vibra-se no chakra Anahata. A pessoa fica consciente do
seu carma, das suas ações de vida. Bhakti, ou fé, é a força motivadora, pois se luta para
conseguir o equilíbrio em todos os níveis. Essa pessoa dorme de quatro a seis horas por
noite do lado esquerdo.
O gamo do chakra Anahata corre velozmente, mudando com freqüência de
direção, em caminho angular. De modo similar, a pessoa que está amando pode ter
qualidades e tendências do gamo, tais como os olhos sonhadores, andar sem rumo certo
e voar. Quando sob controle, todas as perturbações emocionais cessam.
O chakra Anahata engloba sudharna (religião correta ou adequada), boas
tendências e os planos de santidade, equilíbrio e fragrância. Pode-se experiementar a
expiração no chakra Anahata, quando decretados carmas negativos. A clareza de
consciência é a iluminação do puro que desenvolveu boas tendências e santificou sua vida
para Jana Loka, o plano humano.

Figura 53
10.5. CHAKRA VISHUDDHA - LARÍNGEO
SIGNIFICADO DO NOME DO CHAKRA: “Puro”.
LOCALIZAÇÃO: Plexo carótida, garganta
COR BIJA (Semente): Dourada.
SONS DA PÉTALA BIJA: Ang, Ang, Ing, Ing, Ung, Ung, Ring,
Ring, Lring, Lring, Eng, Aing, Ong, Aung, Ang, Ahang.
ASPECTOS: Conhecimento, o plano humano.
TATIVA (ELEMENTO): Akasha, som
COR DO TATIVA: Púrpura-acinzentado.
FORMA DO TATIVA: Crescente
SENTIDO PREDOMINANTE: Audição.
ÓRGÃO DO SENTIDO: Ouvidos.
ÓRGÃO MOTOR: Boca (cordas vocais).
VAYU (AR): Udana Vayu, que habita a região do cérebro
correspondente à garganta. A tendência deste vayu é transportar o
ar para a cabeça, auxiliando na produção do som.
LOKA (PLANO): Jana Loka (plano humano).
PLANETA REGENTE: Júpiter.
FORMA DO YANTRA: O crescente. O yantra do chakra Vishuddha
é um crescente prateado dentro de um círculo, brilhante como a lua

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cheia, rodeado de dezesseis pétalas. O crescente prateado é o símbolo lunar do nada, o
som cósmico puro. O quinto chakra é o local do som no corpo, localizado na garganta. O
crescente é o símbolo da pureza, e a purificação é o aspecto vital deste chakra.

O CÍRCULO COM AS DEZESSEIS PÉTALAS: As dezesseis pétalas do lótus são de


cor cinza-lavanda ou púrpura-esfumada. Dezesseis completa o ciclo um oitavo
ascendente e outro descendente em torno do círculo. Aqui o aumento do número das
pétalas em cada chakra chega ao fim. A energia flui para o quinto chakra das dezesseis
dimensões. A expansão do conhecimento dá ao aspirante uma visão de akasha é da
natureza da antimatéria. No quinto chakra todos elementos dos chakras inferiores – terra,
água, fogo e ar- estão refinados até a sua essência mais pura e dissolvem-se em akasha.
O chakra Vishuddha é o cume de stupa, ou templo, dentro do corpo.

EFEITOS DA MEDITAÇÃO: A meditação no espaço vazio na área da garganta produz


calma, serenidade e pureza, voz melodiosa, comando da fala e dos mantras, capacidade
para escrever poesia, interpretações das escrituras e compreensão da mensagem
escondida nos sonhos. Também torna a pessoa mais jovem, radiante (ojas) e um bom
professor das ciências espirituais (brahma-vidya).

CARACTERÍSTICAS COMPORTAMENTAIS NO CHAKRA VISHUDDHA:


Aquele que atinge o chakra Vishuddha torna-se mestre de todo o seu ser. Aqui todos os
elementos (tattvas) dissolvem-se no akasha puro e auto-luminoso. Permanecem somente
os tanmatras – as frequências sutis desses elementos.
Cinco órgãos motores foram empregados na criação de todos os carmas: mãos,
pés, boca, órgãos sexuais e ânus. Além disso, existem cinco koshas (revestimentos) da
consciência: a densa, a que se move, a sensorial, a intelectual e a do sentimento. Cinco é
o número do equilíbrio, o um com dois de cada lado. O planeta regente do chakra
Vishuddha é Júpiter, que em sânscrito é chamado Guru, aquele que distribui
conhecimento.
A terra se dissolve na água e permanece no segundo chakra como a essência do
odor. A água evapora no terceiro chakra ígneo e permanece como a essência do paladar.
A forma do fogo entra no terceiro chakra e permanece lá como a essência da forma da
visão. O ar do quarto chakra entra em akasha e torna-se o som puro, Akasha personifica
a essência de todos os cincos elementos – não tem cor, cheiro, paladar, tato ou forma – é
livre dos elementos densos.
O chakra Vishuddha governa entre as idades de vinte e oito a trinta e cinco anos.
As pessoas motivadas pelo quinto chakra dormem de quatro a seis horas por noite,
alternando os lados.
A natureza atraente do mundo, dos sentidos e da mente não é mais um problema.
A racionalização suprema suplanta os elementos e as emoções do coração. O indivíduo
buscará somente o conhecimento verdadeiro, além das limitações do tempo, das
condições culturais e da hereditariedade. O principal problema encontrado no quinto
chakra é o intelecto negativo, que pode ocorrer pela ignorância no uso insensato do
conhecimento. Este chakra engloba os cinco planos de jnana (esclarecimento), e distribui
felicidade, prana (força vital do corpo), que afeta o equilíbrio de todos os elementos,
apana (ar que limpa o corpo) e vyana (ar que regula o fluxo de sangue). Jana Loka (plano
humano) torna-se vital, pois aqui o indivíduo recebe comunicação da sabedoria divina
com os dezesseis reinos dimensionais da experimentação, proporcionando o nascimento
do rei do homem. Aquele que entra no plano do Chakra Vishuddha segue o conhecimento,
caminho que conduz ao verdadeiro renascimento do homem no estado divino. Todos os

48
elementos são transmutados na sua essência refinada, em sua manifestação mais pura.
Quando isso ocorre, o ser se estabelece na consciência pura. Tornar-se um chitta, livre
dos grilhões do mundo e senhor do seu ser total. O chakra Vishuddha personifica chit, a
consciência cósmica.

Figura 54

10.6. CHAKRA AJNA – FRONTAL

SIGNIFICADO DO NOME DO CHAKRA: “Autoridade,


comando, poder ilimitado”.
LOCALIZAÇÃO: Plexo da medula, plexo pineal, ponto entre
as sombancelhas.
COR BIJA (Semente): Dourada
SONS DA PÉTALA BIJA: Hang, Kshang.
TATIVA (ELEMENTO): Maha Tattva, no qual todos os
outros tattvas estão presentes em sua essência pura rarefeita
(tanmatra). Segundo a filosofia Samkhya, Mahat ou Tattva,
consiste de três gunas e inclui manas, buddhi, ahankara e
chitta: e de Maha Tattva provêm os cinco mahabhutas (os
cinco elementos densos, isto é, akasha, ar, fogo, água e terra).
Contudo, segundo o Tantra, Maha Tattva é o mesmo que
Buddhi Tattva, a causa dos manas, buddhi, ahamkara e chitta.
COR DO TATTVA: Azulado-luminescente-transparente ou
branco-cânfora.
LOKA (PLANO): Tapas Loka, o plano da austeridade ou
penitência (tapasia).
PLANETA REGENTE: Saturno (solar, masculino).
SOM BIJA: AUM
VEÍCULO DO BIJA: Nada, também conhecido como
Ardhamatra.
SHAKTI: Hakini. Shakti hakini possui quatro braços e seis
cabeças. Concede o conhecimento da verdade incondicional
e o esclarecimento da não-dualidade.
FORMA YANTRA: Círculo branco com duas pétalas
luminosas. Essas pétalas são a representação da glândula
pineal. Vemos no círculo do lingam.

EFEITOS DA MEDITAÇÃO: Aquele que medita neste chakra erradica todos os


pecados ou impurezas e atravessa a sétima porta., além do Chakra Ajna. A aura dessa
pessoa manifesta-se de forma tal que permite que todos os que vêem à sua presença se
tornem calmos e sensíveis às frequências sonoras refinadas de AUM; o ritmo AUM é
gerado pelo próprio corpo da pessoa. Ela agora é tattvatita – além dos tattvas. Todos os
desejos são basicamente o papel do tattva e, quando estabelecida no local entre as
sombrancelhas, ela vai além de todos os tipos de desejo que motivam a vida e impelem
ao movimento em várias direções. A pessoa torna-se unidirecionada, um trikaladarsh,
conhecedor do passado, presente e futuro. Ida e pingala são limitadores do tempo. Até o
quinto chakra o iogue é também limitado pelo tempo, mas como ida e pingala terminam
ali, ele se move até o Shushumna, que é kalatita, além do tempo. O perigo de recair

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termina. Não há reverso espiritual, pois enquanto estiver no corpo físico ele estará em
constante estado de consciência não-dual. Pode entrar em qualquer corpo à sua vontade.
É capaz de compreender o significado interior do conhecimento cósmico e de gerar
escrituras.

O indivíduo que evolui através do chakra Ajna revela o divino interior e reflete a
divindade interior dos outros. No quarto chakra ele evolui através de ananda (beatitude),
e no quinto através de chit (consciência cósmica). No chakra Ajna ele se torna sat
(verdade). Não há observado nem observador. Atinge a realização “Isso eu sou, Eu sou
Isso”, e personifica sat-chit-ananda, ou “ser-consicência-felecidade”.
A realização no quinto chakra é Soham (“Isso eu sou”, do as, “Isso”, aham, “Eu
sou”). No sexto chakra estas sílabas ficam invertidas, Hamsa. quando o iogue medita no
atman, ou o Ser em bindu (o”ponto” que representa o infinito na sílaba AUM), este ser
tornar-se conhecido como Hamsa, que também é a palavra sânscrita para cisne, a ave que
pode voar para locais desconhecidos das pessoas comuns. Aquele que habita esta
consciência é chamado Paramhamsa.

CARACTERÍSTICAS COMPORTAMENTAIS NO CHAKRA AJNA: O corpo da


glândula pineal aparece no terceiro ventrículo envolvido pelo líquido cérebro-espinhal.
Esse líquido aquoso e claro flui do chakra Soma (o chakra da Lua), que se situa acima do
Ajna. Ele se move nos espaços vazios (ventrículos) no cérebro e desce pela coluna
vertebral até a base da espinha dorsal. A pineal ajuda a regular esse fluxo de modo
equilibrado. A própria glândula responde com muita sensibilidade à luz. Quando um
indivíduo entra no chakra Ajna, haverá luz em torno da sua cabeça e na sua aura.
O iogue mantém a respiração e a mente sob controle nesse estado, por isso sustenta
um estado contínuo de samadhi (não-dualidade realizada) durante todas as ações. Tudo o
que deseja se realiza pela capacidade de induzir as visões do passado, presente e futuro.
Ida (corrente lunar), pingala (corrente solar) e Sushumna (corrente neutra central)
se encontram no chakra Ajna. Esses três “rios” se reúnem no Triveni, o local principal da
consciência. O sexto chakra engloba o plano da consciência (Viveka), o da neutralidade
(Sarasvati), o solar (Yamuna), o lunar (Ganga), o da austeridade (Tapas), o da violência
(Himsa), o terreno (Prithvi), o líquido (Jala) É o da devoção espiritual (Bhakti).
O terceiro olho é a consciência. Os dois olhos físicos vêem o passado e o presente,
enquanto o terceiro revela a visão do futuro. Toda a experiência e as idéias servem
somente para esclarecer a percepção no chakra Ajna. O plano da neutralidade (Sarasvati)
aparece como um equilíbrio entre as energias solar e lunar dentro do corpo. Negativo e
positivo, os componentes da dualidade ficam equilibrados em Sarasvati, deixando um
estado de neutralidade e música pura. As energias nervosas, solar (Yamuna) e lunar
(Ganga) se entrelaçam em todos os chakras e se encontram em Sarasvati, tornando-se
uma no Ajna. É o sentido da unidade com as leis cósmicas que aparece no plano da
austeridade. A pessoa compreende que é um espírito imortal em um corpo temporal. O
plano do líquido lunar refrigera qualquer calor excessivo gerado pelos poderes ampliados
e purifica a consciência. Bakti Loka, o plano da devoção espiritual, mantém o equilíbrio
apropriado no interior do iogue.
No chakra Ajna o próprio iogue se torna uma manifestação divina. Personifica
todos os elementos em suas formas ou essências mais puras. Todas as alterações externas
e internas não constituem um problema. A mente atinge um estado de esclarecimento
cósmico não-diferenciado. Termina a dualidade.

50
Figura 55
10.7. CHAKRA SAHASRARA - CORONÁRIO

SIGNIFICADO DO NOME DO CHAKRA: “De mil pétalas”.


Também chamado chakra Shunya (vazio, vácuo) é o chakra
Niralambapuri (moradia sem apoio).
LOCALIZAÇÃO: Topo do crânio, plexo cerebral. Os chakras
Soma e Kameshvara estão incluídos.
COR BIJA (Semente): Dourada.
SONS DA PÉTALA BIJA: Todos os grupos puros do AH ao
KSHA, incluindo todas as vogais e consoantes da língua
sânscrita. São escritas de maneira sistemática nas pétalas.
PLANETA REGENTE: Ketu
FORMA YANTRA: Círculo como a lua cheia. Em algumas
escrituras o yantra é mencionado como purna chandra (lua
cheia), em outras, como nirakara (sem forma). Acima da
esfera está um guarda-chuva de mil pétalas de lótus,
arrumadas nas cores do arco-íris.
SOM BIJA: Visarga (determinado som da respiração em
pronúncia sânscrita).
VEÍCULO DO BIJA: Bindu, o ponto acima do crescente.
LOKA(PLANO): Satyam Loka, o plano da verdade e da
realidade.
MOVIMENTO DO BIJA: Como o de Bindu.
DEIDADE: O Guru interior.
SHAKTI: Chaitanya. Algumas escrituras indicam Paramatma;
outras, Mahashakti.

PLANOS ENGLOBADOS NO CHAKRA SAHASRARA: Os planos abaixo são


realizados pelo iogue que atingiu a consciência do sétimo chakra.

 O plano da irradiação (Tejas Loka). Tejas é a luz, fogo ou visão em sua essência
mais refinada. O iogue torna-se ilumidado como o sol. Sua aura de luz é
continuamente radiante.
 O plano das vibrações primordiais (Om Kara). AUM (ou OM) é o primeiro som,
infinitamente contínuo. Aqui a sua frequência torna-se manifesta dentro do iogue.
 O plano gasoso (Vayu Loka). O iogue obtém a supremacia sobre o prana, que fica
tão sutil (Sukshuma) que diz-se que todo o prana dentro do corpo fica do tamanho
do polegar (angushthamatra), se colocar um pedaço de vidro abaixo do nariz do
iogue, não haverá vapores depositados.
 O plano do intelecto positivo (Subuddhi Loka). Todos os julgamentos de valores
ou percepções dualistas devem ser equilibrados ou poderá surgir na mente o
intelecto negativo (durbuddhi), o negativo do divino.
 O plano da felicidade (Sukha Loka) surge quando estabelece equilíbrio no corpo,
psique e mente.
 O plano da indolência (Tamas Loka) pode ocorrer quando o iogue atinge o estado
de felicidade, somente ao parar toda a ação, quando entra em estado de samadhi,
o corpo físico fica totalmente inativo.

51
EFEITOS DA MEDITAÇÃO: Obtém-se a imortalidade no chakra Sahasrara. Antes de
atingir este chakra o iogue é incapaz de chegar à consciência inconsciente chamada
asama-prajnata-samadhi. Nesse estado não há atividade de mente nem qualquer
conhecimento, nada a ser conhecido; conhecimento, conhecedor e conhecido, tudo fica
unificado e liberado.
O samadhi é o êxtase puro da inatividade total. Até o sexto chakra o iogue pode
entrar em transe no qual a atividade ou forma permanece ainda dentro da consciência. No
chakra Sahasrara o prana move-se para cima e atinge o ponto mais elevado. A mente se
estabelece no puro vácuo do Mandala Shuya, o espaço entre os dois hemisférios. Neste
ponto todos os sentimentos, emoções e desejos, que são atividades da mente, são
dissolvidos em sua causa primária. Atingi-se a união. O iogue é sat-chit-ananda, verdade-
ser-felicidade. Ele é o seu próprio ser real e, enquanto permace no seu corpo físico, retém
a consciência não-dual, apreciando o papel de Lila sem ter problemas com o prazer e a
dor, honrarias e humilhações.
Quando a Kundalini sobe até o chakra Sahasrara, dissolvem-se a ilusão do “ser
individual”. O iogue tornar-se realizado, uno com os princípios cósmicos que governam
todo o universo dentro do corpo. Obtém todos os siddhis (poderes) até o chakra Soma,
onde encontra Kamadhenu, a vaca realizadora dos desejos dentro dele. É um siddha, mas
transcendeu o desejo de manifestar estes desejos.
Segundo o shastras, Sahasrara é o local da alma autoiluminescente, ou chitta, a
essência do ser. Aqui chitta é como uma tela onde se vê o reflexo do Ser cósmico, e
através da qual se reflete o divino. Na presença do ser cósmico é possível para qualquer
pessoa sentir o divino, e até realizar a divindade dentro de si.

11. APRESENTAÇÃO DA DANÇA EXTÁTICA (KUNDALINI DANCE)

O trabalho desenvolvido por Leyolah Antara, começou quando estava em uma


cerimônia e teve uma visão que mudaria sua vida para sempre. O trabalho de
transformação alquímica através da dança que desperta a Kundalini. Enquanto estava
sentada meditando, alcançou uma profunda comunhão com a Divina Mãe. "Ela" indicou
que a terra e a humanidade estão em um tempo de despertar acelerado. Afirmou que uma
transição seria enviada sobre nós e que ao invocá-la, o poder da serpente Shakti, a corrente
terrestre Kundalini, nos apoiaria para revelar nosso brilho interior. Iluminando nosso
potencial latente, nossas emoções negativas e impressões kármicas armazenadas em
nossos chakras que estavam tomando nossa energia e velando o nosso verdadeiro eu.
Quando ela perguntou à essa revelação qual era o seu trabalho, a resposta que
veio foi que o trabalho seria de educar as pessoas a como trabalhar com "ela" (a energia
Kundalini Shakti) para limpar seus chakras, através da dança-movimento, respiração,
energia, trabalho e sexo sagrado para preparar seus corpos para uma mudança vibratória,
que estava começando e iria acelerar até um ponto de extrema intensidade num futuro
próximo.
A Terra está em seu ciclo evolutivo e terá seu próprio despertar da Kundalini e
renascimento. Sua forma de despertar como uma estrela, um corpo de luz de quinta
dimensão. Toda a Humanidade e toda a vida estaria envolvida nesse renascimento e se
optássemos por abrir nosso corpo/mente/espírito para "seu" amor, ela nos prepararia para
lidar com a vida terrena. A forma seria nos movimentando e renascendo
harmoniosamente, como à nova humanidade iluminada.
O meio preferido de Shakti (energia luz divina) viajar pela consciência
corpo/mente, conduzindo o Divino Feminino, a amante do mistério, o brilho primordial

52
e sustentador de toda a vida. Quando estamos abertos à sua corrente ascendente, ela
dissolve e limpa o corpo emocional e o corpo físico, revelando nossa radiação interna,
manifestando o melhor do nosso DNA, em ressonância extática com a criação. Ela deseja
fundir-se com o Divino Masculino, Shiva, o Sol, a consciência divina, a Fonte de
criação. Quando se encontram em equilíbrio de sua unidade nasce o Espírito Santo. Sua
ascensão dá-se à partir de uma centelha de êxtase divino em cada célula de nossos
corpos. O êxtase é uma força alquímica, um renascimento o despertar.
“Eu (Leyonah) já experimentava as ondas de êxtase Shakti enquanto dançava, senti
o seu calor em meu quadril que balançava ao som de uma música, dissolvendo as minhas
couraças deixando meu corpo aberto provocando ondulações e espasmos, iluminando
meu corpo enérgico, e proporcionando-me um sentimento de unicidade
extática. Revelava-me a proporção de felicidade que poderia, estar neste corpo e
começou a seduzir-me para despertar. Minha dança tornou-se um diálogo com meu
corpo e mente, dancei para desbloquear-me, o meu pescoço rígido, ombros tensos,
mandíbula apertada, experimentando uma emoção reprimida e até então esquecida não
expressada e congelada. Estava muito reprimida por um longo tempo. Comecei à
perceber o nível de tensão muscular em meu corpo, e como gritava por atenção. Tenho
algo a dizer à ti na forma de medo recalcado, necessitando de atenção, carinho e amor.
A fluidez da energia corporal estava bloqueada devido ao estress do cotidiano. Desenvolvi
um estrangulamento de energia e uma rigidez em meu corpo físico e sutil. Gostaria de
aproveitar melhor o momento para respirar, dançar e ouvir o meu corpo, deixar o amor
fluir.” A Grande Mãe Kundalini Shakti é desenfreada, impulsiva é puro amor. Uma
vida de pura paixão, força e energia. Ela nos convida à sentir tudo o que não é ressonante
com o seu amor. O Divino Feminino tem muitas facetas, pode ser tão suave e sutil, e por
outro avassaladora. Neste momento estou começando à sentir uma paixão feroz que
origina-se de sua chama.. De repente senti-me abalada, como estive-se chamando-me a
re-vivenciar esses sentimentos que tinha reprimido. Desta forma poderia libertá-
los. Viajando para o meu lado sombra, os aspectos do EU que tentei esconder e tinha
banido nos cantos mais escuros do meu corpo-mente. Dancei, orei e ainda continuo
dançando e rezando, totalmente absorvida na minha busca pela liberdade. Danço para
colocar o meu ego em consonância com meu Self. A chama do amor que arde luminosa
em meu âmago, também danço para ativar em minha pele as camadas de memórias
adormecidas e reprimidas, mantendo me dissociada de minha personalidade. Durante a
dança posso esvaziar-me do passado, pois acabo acessando material recalcado e ao
retornar ao aqui agora estou mais plena e completa.

Por muitos anos, a prática Kundalini Dance (Dança Extática) era principalmente
um exercício de exclusividade feminina. Nos primeiros anos às sessões de dança eram
emocionalmente catártica e não totalmente de integração, apenas fornecia à maneira de
liberar energia reprimida. É importante sentir e liberar a emoção, mas em seguida
precisamos nos abrir, para as frequências mais altas de consciência leve e pura, para
recriar nossa vida que vem com o fluxo masculino descendente. Como fundadora do
trabalho, refleti o meu estado interior de consciência e consegui alguma cura profunda
com o masculino, tanto com os homens quanto com Deus. Ainda que o trabalho de
ressignificação e cura com o masculino não esteja completo, sinto que o processo ainda

53
continua até a sua totalidade. Mas por agora os fluxos de energia feminino e masculino
estão em comunhão extática comigo e durante todos os dias da minha vida. Sei que
ambos, estarão sempre em comunhão, o Masculino e o Feminino nunca devem estar
separados pois o resultado é a desarmonia. Deverão estar sempre integrados, mas as suas
diversidades deverão serem respeitadas pois possuem espectros de diferentes qualidades
da consciência. A chave para o sucesso é o casamento perfeito entre ambos dentro de
nós, se quisermos experimentar a alquimia. O êxtase é a chave para, acessar os novos
caminhos evolutivos de nosso potencial totalmente desperto. Sinto que é um trabalho
coletivo que todos estamos fazendo, e que em breve tanto homens quanto mulheres
estarão de volta em equilíbrio sagrado um com o outro. Abro-me aos fluxos do Divino
Feminino e o Divino Masculino ascendente e descendente da mesma forma, para o puro
êxtase corporal, isto é, o que vim para experimentar como o fluxo alquímico tântrico
extático da unidade divina. O divino masculino irá manter o espaço para o feminino
despertar, e será recebido sem julgamento. É a base o alicerce que penetra no feminino
com sua consciência e, juntos, co-criam o novo, ancorando profundamente no que é
verdadeiro dentro de você.

Durante os últimos 5.125 anos, temos estado na era de Peixes, um tempo


caracterizado pelas lições da dualidade: luz e escuridão, bom e mal, e um desequilíbrio
na polaridade do feminino e do masculino, que têm estado em guerra entre si. O Sagrado
Feminino sempre desconfiando do masculino, dos seus amantes, seus maridos, seus
líderes e até de Deus. O masculino tem sido dominante e suprimindo o feminino: a sua
sabedoria intuitiva e consciente tem sido negada, o aspecto feminino de Deus foi temido
e perseguido.

A consciência humana foi aprisionada em um dualismo, separativista mas agora


chegamos a um novo paradigma baseado no próximo ciclo de 5125 anos, a oportunidade
de avançar em uma nova era a Era de Aquário. Uma Era dourada que representa um
tempo de holísmo, consciência da unidade. Uma grande parte do modelo holísta é o
reequilíbrio e reunificação das polaridades masculinas e femininas, relacionando-se de
uma forma melhor entre eles e também uma melhor maneira de relacionar-se conosco e
em nossas relações com o Divino.

Começamos uma mudança, para a Era de Aquário nos últimos anos. Em 21 de


dezembro 2012, demos um salto para o novo alvorecer. Os tibetanos fizeram uma
previsão que entre 2012 e 2027 continuaremos o processo de ancoragem dos novos
sistemas e novas formas de ser, tanto interna como externamente. Nos próximos 15 anos
desapegaremos de formas antigas de encarar a vida e daremos, boas vindas a uma nova
forma de Ser, promovendo um renascimento de novos paradigmas que formarão uma
base para a cultura planetária, que será reformulado em gerações posteriores. Em 2027, o
novo paradigma será fixado no planeta e vamos redescobrir a alegria de simplesmente
SER.

54
12. EVOLUINDO COM À PRÁTICA PESSOAL NA DANÇA EXTÁTICA
(KUNDALINI DANCE)

A Kundalini dance é uma prática espiritual que trabalha diretamente, para reequilibrar
aspectos femininos e masculinos dentro de nós, despertando nossa inata inteligência
divina. A prática nos treina para iluminar conscientemente o corpo luminoso e oferece
chaves evolutivas que despertam códigos de alma latentes dentro de nós, que vão ajudar
a inaugurar a nova era. Dentro deste tempo de evolução acelerada, temos a oportunidade
de sairmos do ciclo kármico (roda de Sansara) antigos padrões e formas de ser que nos
têm mantido em isolamento e separação.
A prática da Kundalini Dance (Dança Extática) traz a consciência desses ciclos, os
padrões de comportamento repetitivos que temos vivido, e apoia-nos a sentir e liberá-los
para recriar o novo SELF. Quando entregamos nossos corpos para os fluxos cósmicos da
criação, abrimos ao nosso ser a possibilidade de transformar aquele falso Self, que muitas
vezes está baseados em uma emoção primitiva(medo), em aspectos egóicos, com pouca
consciência. Estes ciclos cármicos serão dissolvidos, e o universo nos dá suporte para
redefinir e recriar a realidade que escolhemos para viver. A chave para a transformação
do círculo completo dos nossos padrões cármicos é o casamento sagrado do Divino
Feminino e o Divino Masculino.
O seu significado, é que poderemos lidar com nossas questões centrais de confiança
e de separação do masculino e do feminino, que tocam em nossas questões Mãe/Pai e
feridas da infância.
Quando fazemos a pazes com esses problemas, estaremos em paz com a criação,
e nos lembramos que somos parte da criação. A energia do divino masculino, e também
a energia feminina circula através dos principais chacras os quais distribuem a energia
por todos meridianos e nádis. Experenciamos o êxtase da alquimia de transformação,
aproveitando o campo criativo de vida. Começamos à sentir as vastas possibilidades
infinitas do nosso poder de co-criar. Quanto mais aberto ao fluxo cósmico da criação,
mais ela purifica o nosso medo e insegurança, nos lembrando que somos expressões
dignas da essência criativa de vida e de que somos amor. À medida que evoluímos nesta
prática, a nossa integridade se aprofunda, fazendo nossa vontade servir para o
florescimento e melhoramento de toda a vida, estaremos à servir as forças criativas
cósmicas, sintonizando nossos corpos e nossas habilidades.
A ativação dos nossos corpos luminosos, se dá através da alquimia extática. Os
antigos medos e falsas crenças, nos impedem de realmente entrar em contato com a
nossa fonte de poder. Ao fazermos às pazes com nossas almas lembramos das chaves
que estão dentro de nós e que são cruciais para a humanidade, para estabelecer a
possibilidade de executarmos o próximo salto na consciência com facilidade e graça.

13. TRANSFORMAÇÃO ATRAVÉS DA DANÇA EXTÁTICA (KUNDALINI


DANCE)

Em sessões de Dança Extática (Kundalini Dance), aplicamos dança, respiração,


som e cura energética como ferramentas para a transformação, purificação e ativação
espiritual. Exploramos a dança, como uma prática espiritual e também Transpessoal
como uma modalidade de cura transformacional. Dançamos para cultivar Shakti o fogo
sagrado dentro de nós. A Kundalini Shakti está adormecida na maioria dos seres
humanos, apenas uma pequena parte dos seres à ativa, somente durante a excitação
sexual, mas apenas torna-se uma força evolutiva quando é ligada ao nosso anseio de
fusão com o Divino.

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O foco principal do trabalho da Kundalini Dance(Dança Extática) é conectar
profundamente com sua verdadeira natureza, também conhecida como a Essência, o Eu,
a nossa Alma pura ou nossa natureza divina. É um sistema de transformação com base
em uma fonte de amor incondicional, acessado por abertura no centro do coração(no
chakra cardíaco). Como o chakra do coração se abre, o dançarino experimenta as
qualidades do amor incondicional, de aceitação, compaixão e perdão, que são necessários
para uma integração transformadora no processo emocional.
O processo secundário da Kundalini Dance(Dança Extática) é a purificação e
descoberta das energias emocionais reprimidas e negadas ou não realizadas no corpo, por
medo e desta forma estagnando à força de vida. O seu resultado é, a de poder, saúde e
vitalidade. O processo de honestidade em se apropriar de seu verdadeiro Self, envolve a
integração de encarar a própria sombra. Retomamos nosso poder pessoal na aceitação e
adoção de todos aspectos de si mesmo.
Através da Kundalini Dance(Dança Extática), o corpo emocional é literalmente
limpo, alguns têm se referido a ele como se sentir "bem limpo". Quando as camadas de
blindagem física e resistência baseada no medo são sentidas e descarregadas, abrimo-nos
para uma infinita quantidade de amor, à profundidade dessa entrega permite ser sentida
corporalmente através das contrações, relaxamento e purificação dessa parte permanente
do processo evolutivo. Onde é necessária à sua reintegração como consciência e
aceitação. A liberação autêntica não ocorre através de um afastamento dos sentimentos,
ou tentando se livrar desses sentimentos, negando-os ou simplesmente deslocando-os
para fora de si mesmo. Sua autencidade ocorre quando, simplesmente aceitamos os
nossos sentimentos e nos permitimos senti-los sem julgamento. Eu (Leoylah Antara)
encontrei a minha forma de entregar-me aos meus sentimentos mais profundos, que
ocorrem quando oro à Mãe Divina para ajudar-me a sentir algo em meu profundo
Ser. Desta forma tenho a segurança, ternura e delicadeza, e entrego-me aos sentimentos.
A permissão de entrega aos sentimentos de amor, acessa as camadas mais
profundas do Self, amolecendo-o e abrindo-o para o amor. A Kundalini Dance opera
com o entendimento de que o corpo, mente e espírito funcionam como um banco inter-
relacionado de consciência em formação. O corpo nos mostra onde estamos nos
controlando e reprimindo à energia sutil Shakti, através de pensamentos baseados no
medo das nossas dores, moléstias, e nossas várias formas do corpo.
Quando aprendemos a ouvir a linguagem do nosso corpo, perceber que ele não mente.
Por exemplo, ombros apertados e uma mandíbula rígida pode ser uma
manifestação física de raiva retida, o que pode ocorrer quando a verdade não é falada. O
amor é excipiente no corpo de expansão, o medo é o resultado de uma contração que
pode ser deformada no corpo físico produzindo as couraças. O corpo é o mensageiro
direto consciente da nossa alma, aquela que anseia para que possamos evoluir e viver
com amor.

14. O PAPEL DOS CHAKRAS DURANTE A DANÇA EXTÁTICA (KUNDALINI


DANCE)

O sistema psico-fisiológico oriental dos chakras, é parte integrante para execução


desta dança transformadora. Ele nos proporciona pontos de referência essenciais para ver
mais facilmente como os nossos estados mentais e emocionais afetam diretamente à nossa
saúde.
Usar o sistema dos chakras, nos permite identificar mais facilmente as questões
e bloqueios de energia de forma clara. Ao acessar os chakras e abrindo-os é um importante
aspecto da Kundalini Dance (Dança Extática), já que os chakras têm a chave necessária

56
para áreas específicas do corpo.
Quando dançamos, meditamos e respiramos à vida em cada chakra, nós
desbloqueamos quaisquer energias previamente armazenadas. A energia bloqueada é a
manifestação de um estado emocional reprimido ou negado, que nos impede de resolver
questões de desenvolvimento e padrões cármicos. Os chakras são como portais que a
energia universal, armazenada na psique usa para distribuir no corpo físico,
recarregando-o energeticamente. Dentro de nossa psique possuímos um banco de
memórias ou softwares de computador, carregando nossos programas comportamentais
e códigos de alma emocional. Todas as tensões e doenças no organismo estão
relacionadas com algum medo, baseado em crença ou contração emocional que está
impressa no chakra ou nas células de suas partes do corpo relacionado. Quando o medo é
acionado, ele bloqueia o fluxo de energia através do chakra, diminuindo a quantidade de
força de vida disponíveis para nutrir a sua função que está interconectada às partes do
corpo.
É por isso que o nosso estado mental e emocional está diretamente ligado à nossa
saúde.

15. RESPIRAÇÃO À SUA IMPORTÂNCIA NA PRÁTICA DA DANÇA


EXTÁTICA (KUNDALINI DANCE)

A utilização da respiração e o som de ativação dos chakras durante à prática da


Dança Extática (Dança Extática), permite a medicina preventiva final para a Era de
Aquário. Som e os movimentos são formas ideais para limpar a energia emocional de
vidas presas no corpo e no sistema de energia humana. "A Respiração no canal Central"
- Shushumna é fundamental para a Kundalini Dance (Dança Extática), o trabalho com a
nossa respiração é a chave para ativar estados de êxtase e liberdade. Quanto mais nós
respiramos, mais se recebe. Nossa respiração é a corrente que carrega a força de cura do
espírito em nossos seres. Apenas precisamos aprender à dirigi-la, e o seu magnetismo irá
reconstituir e rejuvenescer-nos, e mais importante nos purificar. Quando você cultiva à
energia Kundalini Shakti, abra-se para a luz divina e respire-a para o canal central(nádi
Shushumna) do seu corpo. Este local onde você acessa a purificação espontânea, a
libertação de tudo o que está fora de alinhamento com a sua natureza superior, e abrimos
um caminho para experimentar estados de êxtase.
A respiração no canal central também maximiza o potencial de qualidades físicas,
mentais, emocionais e espirituais de cada chakra.

15.1. A DANÇA COMO FORMA DE ACESSAR O ÊXTASE

A Kundalini Dance (Dança Extática) é uma prática de dança em êxtase. Dançar


através dos chakras é o nosso mapa para o êxtase. O êxtase é uma força transmutadora,
aquela que possibilita a vibração de todas às nossas células em ressonância com o campo
universal. Todos os nossos modelos comportamentais são codificados no corpo físico, no
DNA e RNA de todas as células do nosso corpo. Nós podemos mudar padrões de
comportamento baseados no medo inconsciente que incorporam estados de consciência
superior e a emoção, que estão em harmonia com o campo Universal. Estes estados são
compassivos de amor, êxtase e alegria. O medo não pode existir em um corpo que vibra
em êxtase. Apenas conhece a união. É a alquimia da transformação do êxtase.

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"Os pesquisadores agora demonstraram que as mudanças genéticas, que aparecem no
seqüenciamento real de nosso DNA, podem ser estabelecidos por qualidades específicas
de pensamento, sentimento e emoção. (The Science of compassivo sion por Gregg
Braden). Temos tanta sabedoria nas células do nosso corpo e o potencial para desencadeá-
las está disponível para todos, se aprendermos a conectar com a fonte e nos permitir que
nossa sabedoria interna nos orientem na cura pessoal. A prática da dança acelera o
processo evolutivo, ancorando modelos divinos e trazendo para a consciência quaisquer
padrões desalinhados que são mantidos em um nível do DNA. Os padrões cármicos que
também são mantidos no nível da alma. Então, vamos dançar para quebrar esses padrões
que mantemos confinados, na ilusão de nossos medos. Dançando, destruímos esses
bloqueios e ao liberarmos tudo o que não é amor em sua esfera. Seu corpo sabe o que
precisa fazer para curar a si mesmo, então confie e deixe o seu corpo ser conduzido no
ritmo de sua respiração e ao dançar, desperte-o. Esta prática possibilita um transe cultural.
Dançar é curar sua alma, e lembrar quem você é. Liberte-se do que você não é. Libere o
seu corpo e você libertará sua mente e lembre-se que você é Divino.

15.2. DESPERTANDO A KUNDALINI SHAKTI♀ NA PRÁTICA DA


DANÇA EXTÁTICA (KUNDALINI DANCE)

Desde tempos imemoriais, a humanidade dançou para encarnar o espírito e


conhecer a unicidade e unidade com a Fonte Divina. Dançaram ao som de batidas
repetitivas rítmicas para alcançar estados de transe extático. Os povos antigos, conheciam
o poder da respiração para alcançar estados alterados de consciência. Desta forma
facilitou uma mudança no foco de consciência mundana para o reino do Divino,
suportando tanto o nível pessoal como a cura da comunidade. Os místicos sufis da Pérsia,
os bailarinos dos templos dionisíacos da Grécia, as tribos indígenas da Austrália, África
e Américas, todas sem exceção usavam a sua dança como um caminho para estados de
êxtase, para ligação das comunidades e para a transformação individual. Nos templos
antigos do Egito, Grécia, Índia e Suméria, as sacerdotisas dançavam para comungar com
a Deusa, a Divina Mãe Videira. Através da dança, elas encarnavam sua sexualidade
como uma energia sagrada que unificavam os seus corpos e almas com o Divino do amor
de Deus. Dançaram para cultivar o fogo sagrado dentro de si, o fogo da força vital que
existe dentro de todas as coisas. Este fogo sagrado pode ser sensual, feliz, amoroso e de
êxtase, bem como tem o poder totalmente transformador e implacável em sua destruição.
Destrói falsas ilusões de uma personalidade e alma.
Na Índia chamam de fogo interior que queima a ilusão e desperta consciência
da Kundalini Shakti. O fogo cria, transforma e queima através de todas as limitações da
personalidade do ego. O fogo purifica o ser, para que possa receber o amor divino de
Deus. Existe vários, caminhos antigos e tradições esotéricas duradouras associadas a
Kundalini e a Grande Deusa Mãe. Elas incluem as escolas esotéricas da Deusa Sekhmet
no Egito, a deusa Hera, na Grécia, a Deusa Kapo no Havaí, a Deusa Kali na Índia
(Quetzalcóatl ou kukulkán no Mexico é uma divindade cultuada pelos astecas, toltecas
e Maias. Seu nome significa "serpente emplumada" .
A divindade Quetzalcoatl representa as energias telúricas que ascendem, daí a sua
representação como uma serpente emplumada. Neste sentido, representa a vida, a
abundância da vegetação, o alimento físico e espiritual para o povo que a cultua ou o
indivíduo que tenta uma ascenção espiritual. Posteriormente, passou a ser cultuado
como Deus representante do planeta Vênus, simultaneamente Estrela da Manhã e Estrela
da noite, correspondendo à noção de morte e ressurreição. Deusa do Vento e Senhora da

58
Figura 56
Luz, era por excelência, a deusa dos sacerdotes e as
tradições indianas de Aghoras e Yoga Kundalini.
Levaram compromisso e disciplina para a prática diária
em cultivar sua força de vida. Os sacerdotes, sacerdotisas e
iniciados dos templos "escolas de mistérios sagrados eram,
obrigados a incorporar profunda devoção à Grande Mãe, dizendo
que a Kundalini Shakti só iria despertar em um coração dedicado
naquele que foi humilde o suficiente para enfrentá-la, e ser
corajoso o suficiente para sentir sua própria dor.
O sagrado movimento da dança, respiração, ioga, mantra,
meditação, oração devocional e sexualidade sagrada geraria a
Kundalini Shakti, que iria despertar a cura de um praticante
dedicado. E conceder-lhe presentes, capacidades intuitivas e
outros poderes superes humanos.
Até recentemente, tradições e religiões espirituais
ocidentais levaram-nos a nos distanciarmos cada vez mais do nosso corpo físico.
Acreditavam que os prazeres do corpo estariam relacionados às tentações da carne,
portanto a dança foi sendo tirada de nós, e fomos sendo privados da natureza espiritual
ou divina. A dança morreu no Ocidente quando a igreja católica proibiu-a como uma
forma de culto devocional. Aqueles que dançavam extáticamente tinham um link direto
para a Divina Fonte que ameaçava o papel dos sacerdotes, e finalmente o poder da Igreja.
A sociedade ocidental tem recentemente registado um incrível renascimento do
nosso apelo natural em reconectar o corpo como um berço para o Divino. Estamos
abraçando a dança e nossa sexualidade, como portais para a profunda união e conexão da
alma com nós mesmos, com o outro e com a Divina Fonte da Vida. Estamos integrando
coletivamente nossa relembrança dos ensinamentos espirituais do Feminino Divino
depois 5.000 anos de supressão, silêncio e esquecimento. A dança é uma prática espiritual
poderosa e uma forma direta para comungarmos com a Deusa Mãe, Deus Pai e o Amor
Divino. A dança é um meio, um veículo para os poetas e místicos entre nós para expressar
seu anseio por Deus. É também, uma oração um caminho espiritual de êxtase para
aqueles que anseiam por uma relação direta com a divindade, de uma maneira palpável,
tangível e encarnada. Quando dançamos para receber amor Divino em nossos corpos e
nossas células, o amor traz tudo o que está reprimido dentro que não é amor puro e
verdadeiro e até todos que se sente indigno de amor. A dança é uma bela arte, criativa e
potente maneira de expressar emoções mais profundas da alma. Quando dançamos,
deixamos nossos sentimentos fluírem e quanto mais nos sentimos, mais conectados com
o Divino estaremos. O amor flui através de nós, para polir o diamante de nossas almas.
O caminho da Dança Extática ajuda-nos à crescermos, desenvolvermos as nossas
almas no amor e reforçar a nossa capacidade de viver o amor em ação e sentindo e
expressando-o. A Kundalini Dance (Dança Extática) é uma antiga e futura dança
xamânica, uma prática tântrica que mistura o antigo ensinamento do mistério do feminino
Divino, que era praticada por sacerdotisas do templo, que estavam profundamente e
inerentemente ligadas a sabedoria do útero e o poder alquímico da energia sexual como
um caminho para a união divina com evolucionárias práticas transformadoras. Essa
prática nos auxilia a navegar no nosso território interior. A prática da Kundalini Dance
(Dança Extática) baseia-se nos princípios tântricos da união das polaridades
divinas. Especificamente e diretamente entramos em comunhão com os dois princípios
primordiais de divindade, o Divino Masculino e Divino Feminino. A união da energia

59
da Divina Mãe Terra (GAIA) e a solar energia masculina Celeste (DEUS) é o objetivo
desta prática.
Sua união dentro de nossos corações aumenta a nossa capacidade de expandir e
receber o amor Divino e a Luz. Quanto mais poderosamente o nosso coração devocional
se abre para receber a vida universal no fluxo de Deus Pai/Mãe, mais potente é a nossa
cura alquímica, e as experiências transformadoras e místicas estarão extaticamente
fundindo-se com as polaridades divinas, desta forma em todo nosso circuito energético.
Os corpos sutis, meridianos e chakras, conduzem a energia e também a vibração dos
nossos quatro corpos energéticos principais: o corpo físico, o corpo espiritual, o corpo
emocional e o corpo mental. A oportunidade de ancorar novos modelos de
comportamento e consciência e despertar o nosso DNA dormente.

16. O PODER DE TRANSFORMAÇÃO DA TERRA

Na camada profunda no núcleo central da Terra existe um metal líquido e quente.


O fogo que queima, aquele que gera um campo eletromagnético que influencia toda a
vida na terra.
Este fogo dourado no centro da terra, é conhecido em algumas tradições como o
útero de Gaia. O Ventre de Gaia detém o potencial puro de toda a vida, antes de ser
nascida em manifestação. Se você realmente deseja tocar em seu propósito de alma e
aproveitar a energia da vida criativa que é o seu direito de primogenitura, sintonizando
seu ventre ou para o núcleo da Terra, onde irá estimular o potencial criativo dentro de
você. O ajuste regular com o núcleo da Terra nos ajuda a ficar sintonizados, aos turnos
planetários magnéticos da Terra e sintonizar os tesouros ocultos dentro de nós.
A humanidade está no meio de um período de transição. Nossa velha e egoísta
maneira de se relacionar com a Terra e com o outro, deve mudar para que a nossa espécie
possa sobreviver. O acesso para o ventre de Gaia tem sido um dos maiores, segredos
alquímicos conhecidos por sacerdotes, sacerdotisas e grandes místicos ao longo dos
tempos. Como mulheres, devemos conectar-nos ao útero da terra através dos nossos
úteros, e o desejo de nossos corações puros para despertar a nossa consciência, servindo
ao nascimento da nova Terra. Assim como os homens devem se conectar com ela,
através de seu Hara, o ponto de energia primária em seu núcleo baixo ventre. Somente
aqueles que têm um verdadeiro anseio de união espiritual e que estarão dispostos à
transformar suas velhas identidades egóicas, e receberem um transe a vastidão
primordial.
Precisamos nos purificar para que as verdadeiras joias da nossa alma possam
ser reveladas. Aterrar-se profundamente no núcleo magnético da Terra e vincular seu
útero ou Hara em sua energia, sendo uma maneira potente para acender a centelha da
Kundalini Shakti.
A Kundalini Shakti é uma evolução dos mecanismos existentes dentro de nossos
corpos que permanecem adormecidos na maioria dos seres, quando ativado ele nos leva
em uma viagem que desperta a maior consciência, nossos potenciais de curas profundas
e novas capacidades. Não devemos buscar ativar a Kundalini prematuramente, de fato
estamos sintonizando e preparando o corpo para as contínuas mudanças magnéticas da
Terra, de modo que o corpo experimenta a energia da Kundalini Shakti delicadamente e
gradualmente.
Na prática Kundalini Dance(Dança Extática), ligamos o núcleo Kundalini da terra,
ao útero de Gaia e ajustamos e alinhamos os nossos corpos, mentes e almas ao amor puro
da Divina Mãe Terra.

60
Quando nos abrimos para a energia do núcleo magnético da Terra, nos tornamos
abertos para receber e incorporar à força criativa do Feminino Divino, Kundalini
Shakti. Então, absorvemos a energia da terra de uma forma ascendente para ativar o
chakra raiz no nosso útero(hara) energizando o berço da Kundalini Shakti que está
adormecida. Quanto mais a Kundalini é ativada, maior será o seu funcionamento. A
plenitude de nos sentirmos vivos, e mais energia criativa teremos à nossa disposição,
mais transformação será manifestada.

16.1. A IMPORTÂNCIA DO ÚTERO NA MOBILIZAÇÃO DE


ENERGIA♀

Em muitas antigas tradições o sagrado feminino, fala que o útero tem o poder
da criação, de dar à luz bem como, o poder de fazer nascer o nosso EU criativo. Dentro
do útero da mulher encontra-se a semente de seu fogo criativo, o fogo evolutivo luminoso
que pode transformar e despertar a consciência.
O útero é o Santo Graal, descansando no fundo do ventre da mulher, onde
repousa a semente criativa. Em última análise, a profunda ligação ao seu útero leva-a
para o ventre da Mãe Divina, de cujo ventre toda a vida é criada. Diz-se em muitas
tradições que uma mulher que abriu seu ventre se torna uma transmissora dos mistérios
da Mãe Divina, a Criadora. Ela é uma faísca mais profunda da criatividade que se abre
dentro dela como um vaso para receber uma flor símbolo do amor. Podemos auto-cultivar
o fogo sagrado do nosso útero e despertar a energia transformadora e curadora de nossa
essência feminina profunda com a nossa oração, respiração e movimento.
Os homens têm acesso a Kundalini Shakti também, e como as mulheres podem
cultivar o fogo sagrado interior da transformação e da criatividade através do foco em
seus ventres, assim também os homens podem despertar o fogo sagrado através do cultivo
da energia em seu hara. As mesmas práticas seguidas por mulheres para ativar nossas
entranhas, podem serem aplicadas por homens que se concentram em seus haras.
O hara está no baixo ventre, cerca de três dedos abaixo do umbigo. É nosso núcleo
o centro de dan tien que é o foco de toda prática de artes marciais. Este é o centro onde
podemos construir e gerar a energia. É o lugar onde reside a fonte de energia que abastece
todo o corpo. É também o lugar onde voltamos para armazenar as energias vitais que
geramos através da nossa prática. Quando você se render à sua jornada de fluidos através
de seu sistema energético, a Kundalini Shakti limpará e purificará quaisquer emoções que
não puderam serem expressadas ou vivenciadas, bloqueando a energia emocional nos
chakras.

16.2. O PRINCÍPIO DIVINO MASCULINO SHIVA - ♂

"Eu sou o silêncio da presença da consciência pura, divina respiração de


amor, luz da verdade divina em seu corpo, mente, coração
e alma. Você me encontrará no silêncio do seu coração e em suas orações
e sentirá minha presença, quando entender o anseio de sua alma
pelo nosso encontro.. "

Assim como Shakti, a Divina Deusa Mãe, anseia fundir-se com o princípio
masculino de Deus, Shiva, o mesmo acontece ao masculino Deu , que anseia por se reunir
com a essência feminina dentro do nosso coração, corpo e alma.
Recebemos o amor divino e luz do Deus masculino através da corrente
descendente da energia. À medida que despertamos o chakra da coroa e da estrela da

61
alma, que se encontra acima de nossas cabeças, que nos permite receber o amor divino e
luz do o aspecto celestial da consciência universal, conhecido por muitas tradições como
o Grande Espírito, Criador, Shiva ou Santo Pai, Deus. O masculino está no lado direito
do nosso corpo e do lado esquerdo do nosso cérebro. O Masculino Divino é a energia
solar. É uma dinâmica de força evolutiva descendente criativa ativa. O divino Masculino
nos dá o poder de manifestar os desejos dos nossos corações e concretizar os nossos
sonhos. O aspecto masculino da divindade é a quietude, que é a força de aterramento da
existência. Ele é a estrutura geométrica sagrada da mente universal, é o guia da força que
nos permite termos maiores pensamentos positivos, que estão baseados no pensamento
criativo e ação.
É a fonte de inteligência curativa divina, recalibra a nossa estrutura celular em
alinhamento com a criação. O Divino Masculino é o chão para o criativo dinamismo do
Divino Feminino (Shakti), ao se manifestar. Sua união é um ato alquímico de êxtase de
co-criação contínuo.
Depois de "Ela" ter purificado, esvaziado e reacendido-nos com a nossa paixão
para a vida, "Ele" nos enche de amor divino e penetra em nós com a consciência pura e
cristalina. Estar conectado com o nosso corpo líquido, vibrante e sensual, e abrindo o
coração para nos fundirmos com o grande "Ele".
Convidamos o amor divino de Deus Shiva para ancorar-se através de nossos
corpos. Se o nosso desejo e anseio pela união divina é forte e inabalável, e estamos
dispostos à sentir o que surge em seu caminho até lá, Shakti Mãe Divina nos apoia para
nos tornarmos vazios. Em seguida, o amor e luz do Divino Pai.

16.3. UNIÃO DIVINA INTERIOR (♂ + ♀ = ♂♀)

“ Quando dois tornam-se um, e quando o interior torna-se igual ao exterior, e


o exterior como o interior e o acima como abaixo, e quando macho e a fêmea tornam-se
único, de modo que o macho não será macho e a fêmea não será fêmea, entrará no
reino. ". O Evangelho de Tomé

Como homens e mulheres somos pontes para o céu na terra, os nossos corpos
possui canais para as forças divinas, para mesclar alquimicamente a luz do amor luminoso
de Shakti e Shiva, que se fundem, experimentando a união interna, o casamento tântrico
alquímica em êxtase do Divino Feminino e Masculino.
A exploração de uma união interna é uma iniciação à ser experimentanda em uma
reunião com a criação, é um mergulho no poço mais profundo de luz infinita e amor. Esta
fonte de amor nunca sessará, é uma conexão com um fluxo interminável de amor divino.
Alinhando com os poderes de co-criação. Quando o macho divino e polaridades
do sexo feminino fundirem-se dentro de nós, cria-se uma união dos opostos e entram-se
nos reinos sutis do "ouro", onde tudo é silencioso, onde tudo é luz. É aqui, neste campo
em êxtase do silêncio, que podemos entrar em contato com o campo da potencialidade
pura, onde a semente criativa da mais alta potência de nossas almas pode ser imaginada,
renascida e ancorada em nossas vidas. Esta combinação requintada de Divino Masculino,
em presença e consciência pura, juntamente com a apaixonada, criativa, móvel energia
do feminino, criam o equilíbrio perfeito de quietude e movimento simultâneo, onde pode
co-criar o seu mais profundo desejo do coração.
Quando você alinhar-se com esta mistura de opostos, tanto quietude e
movimento, abre-se no mundo de energia, o campo quântico, a anti-matéria, que é a

62
origem do mundo material, permitindo-lhe libertar a sua criatividade em todas as
direções, onde quer que o desejo do seu coração e imaginação o leve?!
A Divina União interior é um processo que fortalece, a conexão pessoal direta
com a Mãe, e Deus Pai e onde podemos alcançar estados de êxtase orgásmicos de
consciência com ou sem um parceiro.

16.4. ÊXTASE DIVINO (♂ + ♀ = ♂♀)

Quando Deus Pai/Mãe se mesclar dentro do caldeirão de nossos corações, de sua


unidade nasce o Espírito Santo e inflama uma centelha de êxtase divino em todas as
partes, aonde o amor divino esteve ausente.
Estando em êxtase, nossos corações abrem-se e a mente silencia-se. Ecstasy é
um estado de Êxtase Santo. Estando intoxicado pelo amor do divino, que transborda e
expande para além de nós para o campo interconectado de vida.
Sintonizamos ao nível da fonte Primeva o sopro de amor e vida, e percebemos
sermos amados. Quando experienciar o êxtase, não temos medo devido ao nosso padrão
limitado de pensamentos e crenças. É quando seremos abençoados com o divino amor,
luz e verdade e sentimos o potencial ilimitado para a co-criação maior de nossa vida.
Este estado é uma supra consciência ,que inspira a poesia de êxtase de Rumi,
Kabir ou Hafiz. Os mestres do êxtase entendiam como deixar-se levar pelo êxtase se
dissolverem em união, isto é, permitindo que as correntes sublimes de êxtase da divindade
derretam o sentido do ego, da separação e nossa resistência a este sagrado interior entre
em harmonia com a união. Encerrando o ciclo vicioso de medo, julgamento e separação.
O êxtase divino e o êxtase sexual são ambos experimentados dentro nossa
química sexual e se estamos experimentando uma união sexual humana com a união
sexual divina com Deu /Deusa dentro de nós, sentimos como um estado orgástico, o
êxtase divino corporificado, encarnado.
O Espírito usa nossa química sexual em nosso processo evolutivo alquímico, é
por isso que as nossas relações sexuais provocam profundamente nosso ser e assim
mostram seu potencial transformador. Se não estivermos nos sentindo em êxtase, seja em
nossa prática da dança ou enquanto fazemos amor ou mesmo aspirando o perfume de
uma rosa ou dando graças por nosso dia, então há algo que precisa ser sentido.
A prática Kundalini Dance(Dança Extática) é uma prática individual da união
interior, também conhecida como Tantra Branco ou Tantra Interior, que nos prepara para
os mais profundos níveis de união sexual sagrada, um relacionamento tântrico com o
nosso amor próprio onde nos focamos em equilibrar os fluxos de masculino e energia
feminina dentro de nós.
Quando as duas polaridades divinas atenderem energicamente cada chakra, nós
experimentamos uma alquimia interior de êxtase que eleva a vibração de cada chakra em
ressonância com a criação, abrindo-nos ao nosso potencial mais elevado em todos os
níveis da nossas vidas. O processo de união interna dá-lhe a possibilidade de mudar e
esclarecer todos os velhos padrões de relacionamento de seu núcleo ferido com seus
cuidadores primários, a sua mãe e pai.
Essas emoções serão conectadas a nossa dignidade para receber o amor do
gênero oposto que surgiu frequentemente na infância (Édipo), onde feridas parentais
serão projetadas sobre nossos relacionamentos com o sexo oposto, e em nosso
relacionamento com o Pai, Mãe e Deuses.
Oração para a União Divina de Shiva e Shakti. Deusa Mãe Amada, Amado Deus
Pai, convido-vos agora a fundir como um no caldeirão do meu coração Posso sentir o

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êxtase de seu nascimento em união divina dentro de cada célula, cada chakra, e todas as
minhas partes onde seu amor foi ausente.
Ofereço meu corpo como um vaso para a sua união divina, que o novo paradigma
de amor em êxtase incorporado nasça através de mim e o novo mito da nova humanidade
também nasça por mim. A minha oferta como veículo para a expressão criativa
consciente do amor em ação, através de seu casamento na consciência não-dualista que
nasce através de mim.
Agradeço pelo seu amor e agradeço a possibilidade de servi-los com a minha
felicidade extática.

17. ANTIGA CONCEPÇÃO DA KUNDALINI

A Kundalini é a guardiã da evolução humana. Tradicionalmente, é conhecida


como Durga a criadora, Chandi a feroz sedenta de sangue e Kali a destruidora.
É, também conhecida por Bhajangi a serpente, como Chandi ou Kali tem uma
guirlanda de crânios em volta do pescoço e bebe sangue humano. Que pode haver de
divino atrás dessa hedionda descrição? Que terá levado os antigos Mestres a fazerem tão
horripilante retrato da deusa? É verdade que, tida ao mesmo tempo como criadora e
destruidora, no sentido cosmológico, ela só podia ser representada sob um aspecto
terrífico enquanto no segundo papel. Por quê a serpente pica, por que Chandi, a feroz?
Há uma profunda significação, não apenas nesses terríveis retratos da Shakti (energia
divina), mas também em muitos outros rituais e cerimônias do culto tântrico, assim como
em outras formas de iniciação ao culto.
O poder, quando despertado num corpo não sintonizado com ele pelo auxílio de
várias disciplinas, ou por não estar geneticamente maduro para tanto, pode levar a
terríveis estados mentais, a quase todas as formas de desordem mental, desde aberrações
pouco notadas até as mais horríveis formas de insanidade, do estado neurótico ao
paranóico, à megalomania, e pode causar uma torturante pressão nos órgãos de
reprodução, a uma insaciável sede sexual que nunca se aplaca.

17.1. OS VÁRIOS NOMES PARA KUNDALINI

Quando falamos de Kundalini falamos de energia. Mas para entendermos o processo


da subida da Kundalini alguns pontos importantes precisam ser ressaltados:

A kundalini pode ser chamada de vários nomes. No Tantra ela é conhecida como
a energia Shakti, a energia do Sagrado feminino. Essa por sua vez é una com Shiva, seu
lado Masculino. Essa energia está em constante transformação e uma vez que se
transforma ela se torna Kundalini Shakti ou apenas Kundalini. A Kundalini se torna a
energia do Prana, que fluem através dos Nádis, que são canais de energia, que se
concentram formando cruzamentos de energia denominados Chakras. Essas energias sutis
quando condensadas formam os elementos, terra, fogo, água e ar e éter. O despertar da
Kundalini é a energia em movimento, em ascensão e revela sua forma primordial,
revelando sua verdadeira forma. Essa energia uma vez manifestada pode ser
transformadora.

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...quando eu estava sentado com as pernas cruzadas, em estado de meditação, uma
coisa estranha aconteceu. Algo explodiu em meu cérebro numa corrente de luz prata
que elevou-se pela minha espinha, de maneira cintilante, até atingir meu cérebro
inteiro e eu senti-me expandir em todos os sentidos. Esta expansão era tão incrível, tão
espantosa que eu pensei de que algo incomum tinha acontecido em meu ouvido
internamente” - Gopi Krishna.

Todo mundo deve saber algo a respeito de Kundalini, uma vez que ela representa a
vinda da consciência da humanidade. A Kundalini é o nome de uma força em potencial
adormecida no organismo humano e que está situada na raiz da coluna espinhal.

No corpo masculino ela está situada no períneo, entre o órgão urinário e excretor.
No corpo feminino está localizada na raiz do útero, no colo do útero. O centro é
conhecido como Muladhara Chakra (Chakra Raiz ou Básico) e é realmente uma estrutura
física.

É uma pequena glândula que você pode até mesmo pressionar, contudo, a
Kundalini é uma energia latente, e mesmo que você a pressione, ela não explode como
uma bomba. Para despertar a Kundalini deve se preparar através das técnicas de yoga.
Ao praticar Asanas, Pranayama, Kriya yoga e meditação. Então, quando você
estiver capacitado para forçar seu prana para dentro da sede da Kundalini, a energia
desperta para cima e percorre através do Nádi Sushumna o canal nervoso central para o
cérebro.

Conforme a Kundalini ascende, passa através de cada um dos chakras que estão
interconectados com as diferentes regiões silenciosas do cérebro. Com o despertar da
Kundalini, ocorre uma explosão no cérebro e as áreas dormentes ou latentes começam a
florescer.Em Sânscrito, Kundalini significa uma espiral, e assim Kundalini tem sido
descrita como "aquela que esta enrolada". A crença tradicional a tem compreendido de
uma maneira incorreta. A palavra Kundalini atualmente vem da palavra kunda,
significando "um lugar mais profundo, poço ou cavidade". O fogo usado na cerimônia de
iniciação é aceso em um poço chamado kunda. Da mesma forma, o local onde um corpo
morto é queimado é chamado kunda. Se você cavar uma vala ou um buraco, recebe o
nome de kunda.

Kunda refere-se à cavidade côncava no qual o cérebro, semelhante a uma serpente


enrolada e dormindo se aconchega. (Se você tiver a oportunidade de examinar uma
dissecação do cérebro humano, verá que ele é da forma de uma espiral ou serpente
enroscada sobre si mesma). Este é o verdadeiro significado de Kundalini.
A palavra Kundalini refere-se à Shakti, ou poder quando ela está em seu estado
potencial adormecido, mas quando está se manifestando você pode chamá-la Devi, Kali,
Durga, Saraswati, Lakshmi ou qualquer outro nome, de acordo com a manifestação que
está exibindo diante de você.

A física moderna mostra que o movimento e os ritmos são propriedades essenciais


da matéria, que toda matéria – tanto na Terra como no espaço – está envolvida numa
dança cósmica. Os mestres orientais possuem uma visão dinâmica do universo
semelhante aos dos físicos. Para eles, quando o ritmo da dança se modifica, o som
produzido também se modifica. Cada átomo canta incessantemente sua canção, e a cada
momento, cria formas densas e sutis.
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Na Índia, o som é associado com o éter, o primeiro dos cinco elementos. A
manifestação penetrante da substância divina, da qual se desenvolveram os outros
elementos, tais como o Ar, a Água, o Fogo e a Terra.

17.2. A DANÇA EXTÁTICA (KUNDALINI DANCE) COMO USO


MEDICINAL DO CACAU

Por meio da dança de êxtase chegamos em partes pouco exploradas do nosso


corpo, de nossas emoções, de nossa mente. Trazemos a luz de nossa consciência para os
porões empoeirados de nossa individualidade, nos limpamos do passado e abrimos espaço
para o novo. Acendemos o fogo interior, purificamos e energizamos nossas visões mais
evolucionárias para nossas vidas. Reunimos a força necessária para dar um passo rumo a
melhor versão de nós mesmas.
Dance para sentir a força feminina da Terra pulsar dentro de ti. Dance para se conectar
com os fluxos eletromagnéticos e sensuais de êxtase e amor!
Dance! Em cada sessão de Dança Extática consagramos a medicina do Cacau, conforme
utilizada pela cultura Maia, para abrir o chakra cardíaco e trazer a força e consciência
desta planta de poder para nossa dança.

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18. DANÇA E A PSICOLOGIA TRANSPESSOAL

A arte é o grande portal de ligação do ser humano ao Self. Desde tempos mais
remotos à música e a dança são mecanismos de expressão cultural e de experiências
sensoriais e motoras. Durante sua execução o som permite que o praticante possa expandir
sua consciência de uma forma surpreendente. Ambas às artes não podem ser expressadas
pelo campo fala não existe uma expressão no vocabulário que possa defini-la de uma
forma definitiva, pois uma de suas características mais importantes é que tanto à música
quanto a dança devem ser vivenciada e sentida. Sua intangibilidade é de difícil
compreensão, pois para captar à sua essência é necessário à entrega.
O poder exercicido por ambas atividades é fascinante, transporta o dançarino a
outro tempo e espaço. Por isso, a expressão de que a dança seguida pela música conduz
o ser ao um estado de fantasia.
Tentando explicar esse fenômeno grupal, estudos sobre os sentidos (sinestesia
sobre o processo de percepção (somestesia) e sobre temporalidade e habilidade de
alteração da realidade de tempo e espaço) desencadeia em estados de HOMEOSTASE
(êxtase profundo).

SINESTESIA - tem origem no grego synaísthesis, que quer dizer “sentir junto”. O termo
é resultado da combinação de syn, que significa “união”, “junto”, “ao mesmo tempo”,
e esthesia, que quer dizer “sensação”.

 Descrição: A figura de linguagem sinestesia caracteriza-se pela combinação de


termos que remetem a diferentes sentidos do corpo humano. Desse modo, uma
expressão que misture sensações visuais e auditivas é um exemplo de sinestesia,
assim como outra que, ao mesmo tempo, remeta à audição e ao tato.
SOMESTESIA - o latim soma, que quer dizer corpo e aesthesia, que significa
sensibilidade. “Sensibilidade do Corpo” Consciência da posição e movimento das partes
do corpo através dos órgãos dos sentidos (proprioceptores), localizados internamente nos
músculos, tendões e labirinto. Este tipo de sensibilidade refere-se principalmente à
pressão, vibração e toque. É detectada quer por receptores cutâneos e sub-
cutâneos (informações do meio exterior) que por receptores internos
designados proprioreceptores (informações do meio interno).
As mensagens são encaminhadas ao córtex somestésico através do tálamo.

O neurocientista Antônio Damásio (1995), estudou, compreendeu e mapeou o


cérebro físico, afirmou que todas as imagens são captadas pelos cinco sentidos e são
armazenadas em registros. Este padrão de mapa mental tem uma semelhança com o
mapeamento cartesiano do Filósofo Descartes. Damásio rejeita a idéia de uma mente
separada do corpo. Os processos mentais têm uma base biológica. (Semelhança a Lowen
e a Winnicott de SELF). As sensações despertadas pela captação de dados e imagens
processadas pelo cérebro, produzem uma alteração biológica e essa modificação tem
como resultante um estado de HOMEOSTASE.

Este conceituado cientista defende que o organismo é constituído por corpo, cérebro
e mente. E não pode ser visto separado da sua interação com o meio. Desta maneira a
dança e à música são captadas pelos sentidos e expressados automaticamente pelo
praticante. À percepção da realidade torna-se alterada pois a noção de tempo e espaço é
sentida pela nova conexão neural que se estabeleceu dentro desses circuitos de mapas
mentais, criando uma nova realidade interna para o dançarino.

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Por mais racionais que possamos considerar as nossas decisões, há sempre emoções a
elas associadas. Ficaríamos incapacitados de tomar decisões e de fazer escolhas se
deixássemos de sentir emoções.
Antônio Rosa Damásio

Durante a Dança Extática o som produzido é captado pela audição e processado


no cérebro, e a glândula pineal é acionada. A pineal é a glândula mestre de todo o corpo
ela mantém o nível de regulação neuro-quimíca em níveis estáveis permitindo que o fluxo
energético possa circular por todo o sistema nervoso central e a resposta fisiológica é
rápida.

Quando o ser humano permite-se a entrega total durante a execução dos


movimentos da dança, seu cérebro volta toda à sua capacidade para os sentidos auditivo
e sinestésico, durante esse procedimento a mente relaxa e o dançarino experimenta o
prazer de ser conduzido pela música e as sensações despertadas o levam ao Êxtase.

19. VIVÊNCIA TRANSPESSOAL - ORGANIZAÇÃO

OBJETIVO: Promover estados alterados de consciência e consequentemente sua


expansão, através dos movimentos rítmicos da DANÇA EXTÁTICA. Movimentos
corporais de puxar energia da TERRA(GAIA) e a Energia do AR(SHIVA), sincronizando
a respiração (pranas). Durante a inspiração fazer os movimentos de braços e pernas e
emitir sons de prazer ao libertar o ar na expiração. Os movimentos repetitivos corporais
utilizando os quadris produzirá os desbloqueios de conteúdos reprimidos sensoriais,
possibilitando a energização e harmonização dos CHAKRAS, principalmente os
inferiores, Básico e Sacral. A mobilização de energia através dos Chakras deverá
despertar a Kundalini, desta forma será produzida a Cura Física, Emocional e Espiritual.
Aplicação da vivência pela integrante – Ana Laura Garcia.

Orientação para o Grupo referente à conclusão da vivência:

 Será lida o programa de indução do ritual da DANÇA EXTÁTICA (Kundalini


Dance) para o despertar da energia, através dos Chakras relacionados.
 Início do ritual de abertura pelo Chakra Básico, movimentos corporais sensuais
utilizando principalmente os quadris e braços para busca de energia Terra e Ar.
 Respiração sincronizada com os movimentos corporais.
 Movimentos corporais apresentados pelas integrantes do grupo.
 Música Chakra Muladhara (Básico)
 Música Chakra Svadhistana (Esplênio)
 Música Chakra Anahata (Cardíaco)
 Durante a Dança Extática os movimentos corporais e respiratório.
 Os participantes acessará e poderá desbloquear couraças e conteúdos sensório-
motor adormecidos produzindo a catarse. Este processo possibilita a mobilização
da energia (Shakti) e sua movimentação através dos chakras e a distribuição pelos
meridianos de todo o corpo, possibilitando o despertar da Kundalini.

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 As induções conduzidas pela integrante Ana Laura ao grupo, proporcionará aos
participantes desbloqueios de energia densas estagnadas e bloqueadas em chakras
e meridianos por todo o corpo. Desta forma a energia produzirá estados de Graça.
 Momento da partilha

Material necessário para vivência:

 Pen Drive com a playlist de música para respectivo chakra a ser trabalhado

 Roupas confortáveis

 Incensos, velas

 Aromatizadores específicos para cada chakra (Opcional)

 Cacau da Amazônia c/ pimenta (Opcional)

19.1. PREPARAÇÃO DA DANÇA EXTÁTICA (KUNDALINI DANCE)


VIVÊNCIA

A vivência da dança extática, deve começar com uma contextualização do


praticante, onde o terapeuta oferece uma explicação sobre os corpos densos e sutis e
sobre os meridianos energéticos do nosso corpo. Uma explicação sobre a energia da
Kundalini e os tubos por onde ela passa, para que o praticante entenda ao longo da
vivência os termos utilizados, bem como o conhecimento à respeito dos chakras, ou
centros de energia vital e sobre as polaridades feminina da terra e masculina do
cosmos e também à relação com o corpo e mente do ser integral.
Logo após esta introdução, o terapeuta informa que a ascensão da Kundalini
é um processo lento e uma prática que deve ser constante, para que o praticante chegue
a níveis elevados de êxtase.
Explicação sobre a vivência é um processo que envolve a cura de fatores
relacionados à nossa existência, e que ao abrir os chakras, esta energia deverá fluir, e
que também é um processo de contínuo treino e aprimoramento que acontecerá a
medida em que evoluímos em o nosso auto conhecimento e dominamos cada vez
mais o acesso à esta energia ígnea.
O terapeuta deve aconselhar o praticante a esvaziar a bexiga antes da prática,
pode ensinar à respiração cruzada e os movimentos de condução da energia que serão
abordados durante a vivência. (No caso da utilização da prática criada por Leyolah
Antara). Vídeo demonstrativo da prática da Dança Extática (Kundalini Dance).
Para estimular o estado de transe através da dança, são necessárias músicas
que estimulam a abertura de cada chakra em específico, conduzindo de maneira a
levar o praticante à entrar em contato com às informações guardadas nestes centros
através do corpo, para que as mesmas possam ser limpadas e curadas à partir da
energia Kundalini é acessada e da conscientização destes conteúdos.

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Durante a vivência o terapeuta deve estimular o participante a respirar e se
conectar com as energias da terra e do cosmos, dessa forma energizará os chakras
através de sua dança, estimulando verbalmente este desbloqueio para um maior
contato com às forças divinas masculinas e femininas presentes em si.
(Exemplo: Inspire pelo nariz e absorva a energia feminina da terra, peça para que ela
limpe seus chakras, expire soltando todas as tensões e o ar pela boca emitindo sons
de prazer, faça da sua dança à sua oração para que as polaridades sagradas, (permita
que os movimentos fluam sem julgamento, etc.)

Estimule para que o participante expresse quaisquer sentimentos que


venham à tona, e confie na sabedoria da natureza.
Ao final deve haver uma partilha para melhor elaboração dos conteúdos
acessados e os agradecimentos que transcorrem da noção de sagrado estimulada pelo
estado de Êxtase.

20. CONCLUSÃO

Dança é uma expressão simbólica do indivíduo, uma ferramenta mobilizadora de


estados sutis de consciência e de autoconhecimento. Possibilita ao praticante uma
nova conexão consigo mesmo. A necessidade empírica de viver a plenitude é nata em
todo ser humano, à falta sentida gera um desejo algoz que impulsiona o “religare”
com o seu SELF, a dança abri esta possibilidade de conectar-se através de cadeias
associativas sistêmicas adormecidas e até esquecidas no inconsciente.

As danças de diversos povos é uma das atividades mais antigas da humanidade.


E a Dança Extática/Kundalini Dance é uma modalidade de caráter ancestral. Durante
a execução de seus movimentos, o dançarino experimenta ritmos e candência que é
inata ao homem, libera movimentos específicos de danças tribais em tributo à Deusa.
Esses antigos cultos tribais procuravam transcender o indivíduo, impulsionando-o a
conectar-se com o Divino Sagrado.

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Durante a movimentação corporal conduzida pelo som de algum instrumento,
gerava uma, explosão sinérgica experienciada por esse grupo de mulheres que
reverenciavam o culto à Deusa, acabavam por liberar a Kundalini Shakti, desta forma
acabavam por sentir explosões catárticas e atingiam o Êxtase, que era o intuito do
círculo de mulheres. A comunhão com Deus/Deusa era sentida como um estado de
Graça e Plenitude com o TODO.

Essas mulheres dançavam e liberavam sua sensualidade de uma forma natural


sem pudor, com o único intuito de vivenciar o “Amor puro e pleno”.
A Dança Extática (Kundalini Dance) é a invocação do espírito de liberdade,
sentir-se completo e plenamente consciente de seu corpo/alma e espírito. Podemos
afirmar que ao experimentar o Êxtase essas mulheres deram um salto de FÉ.

Realinhe e integre as suas energias masculina e feminina e alce seu vôo para
alcançar este estado de GRAÇA.

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21. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

Eucanol Série 300 – “As Danças através do Mundo” – Texto extraído do verso das
Estampas das coleções do Rio de Janeiro -
http://www.brasilcult.pro.br/dancas/eucalol/dancas06.htm

Sinestesia - Figuras de Linguagem


www.figurasdelinguagem.com/sinestesia/

Somestesia - Bio Portugal


bioug.blogspot.com/2012/11/somestesia-somestesia-e-capacidade-que.html

CAMARGO, Giselle Guilhon Antunes, A Arte Secreta dos Dervixes Giradores: um


estudo etnocentológico do Sama Mevlevi - Salvador Bahia, 2006

Krishna, Gopi, O Despertar da Kundalini, Editora Pensamento, 1975

Saraswati, Swami Satyananda, Kunalini Tantra, Yoga Publications Trust, Tradução,


Maio/2010

DeRose, LS.A. Mestre, Tantra a Sexualidade Sacralizada, 22ª Edição, Copyright, 2004

Antara, Leyolah, Kundalini Dance (Sacred Alchemical Evolutionary Keys), Destiny


Press, Copyright, 2014

Lowen, Alexander, Bioenergética, Editora Milano, Copyright, 1975

Lowen, Alexander, O corpo em terapia à abordagem bioenergética, Summus Editorial,


11ª Edição, 1977

Reich, Wilhelm, Função do Orgasmo, 9ª Edição, Editora Brasiliense, 1975

Temple-Thurston, Leslie, O casamento do Espírito, Editora WVA, 2006

Mendes, M.J.B.S., Nobrega, T.P, Cultura de Movimento: reflexões à partir da relação


entre corpo, natureza e cultura, 2009. – Revista pensar à prática

Wauters, Ambika, O Livro completo dos Chacras, Quarto Editora, 1ªEdição 2014

C.W. Leadbeater, O Poder dos Chakras Texto Desenvolvimento dos Chakras, Editora
Martin Claret, 2005

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