Você está na página 1de 3

Ricardo Francisco Rodrigues Silva

Nº22 11ºC

Trabalho de Português : Livro do Desassossego

Documentário sobre o “Livro do Desassossego”, do semi-heterónimo


de Fernando Pessoa, Bernardo Soares;

a) duração da escrita e completude da obra;


A obra nunca chegou a ser terminada apesar de ter sido escrita e acompanhar Fernando Pessoa
e o seu semi-heterónimo Bernardo Soares por mais de 20 anos, meio século para a sua
completude.

b) o semisemi-heterónimo , Bernardo Soares, segundo Fernando Pessoa;


Segundo Fernando pessoa o semi-heterónimo Bernardo Soares é como se de facto se tratasse
de um segundo Fernando Pessoa, pois este diz que ele só aparece quando se encontra cansado
e sonolento, diz também que não sendo a personalidade a sua, não é diferente da sua
personalidade mas sim uma simples mutilação dela, é ele menos o raciocínio e a afetividade.

c) características do “Livro do Desassossego


É uma mistura de géneros(poemas em prosa,mistura) 500 textos à solta sem principio meio e fim.
Não é monótono, é um diário, uma autobiografia sem factos(opiniões/reflexões). E representa o
desencanto do século.

d) forma de ler o livro corretamente.


Abrir em qualquer pagina, ao acaso, e ler o poema em à frente ou à atrás.

 Respostas às questões de 1 a 7 nas páginas 54 e 55

1. Verifica-se uma relação de semelhança e de proximidade entre a nota inicial e a primeira frase
do texto, dado o mundo de «faz-de-conta», próprio da infância, ser assumido pelo narrador como
a sua forma de viver. Assim, ao nomear a infância, tempo de brincadeiras, de jogos, atribui um
caráter claro à criação desse «mundo interior» e concede realidade e valor à matéria a partir da
qual constrói o sonho.

2.
2.1. Bernardo Soares afirma que o «sonho» é a única verdade na sua vida e a sua orientação, o
seu propósito «Tem sido esse, e esse apenas, o sentido da minha vida». O envolvimento afetivo
nessa realidade sonhada, na sua «vida interior», por ser o que o separa do real, permite um
menor sofrimento e uma menor angústia «As maiores dores esbatem-se-me».
2.2. A metáfora «abrindo a janela para a rua do meu sonho», para dentro de si, «para a rua dos
seus devaneios» exprime a facilidade de abrir da janela e contemplar o movimento de uma rua
com que o sujeito se entrega ao devaneio e se esquece de si, participando completamente naquilo
que vê e imagina. A «janela», lugar privilegiado do olhar, leva o sujeito do exterior para o interior
de si, abrindo um mundo de perceções e sensações imaginarias, originadas pela memória.

3. A segunda frase da-nos uma explicação do sentido da primeira, ou seja, Bernardo Soares
afirma ser, em primeiro lugar, desde sempre e eternamente um sonhador algo que o faz lembrar a
sua infância explicando, de seguida, como se processa a criação desse mundo de «faz-de-conta»,
feito por comparação com a sua infância: o alinhar, o criar, na sua imaginação, como alinhava, em
criança, nas suas gavetas carros de linha e peões de xadrez, figuras que fazem parte da sua vida
interior.

4. O mundo que Bernardo Soares tem no seu interior é verdadeiro, «um mundo de amigos» de
vidas reais dentro de um mundo falso, falso na interpretação de que tudo o que é exterior não é
real. Estes amigos são completos, reais, não lhes faltando a imperfeição, característica de um ser
real, e uma vida tipicamente real, como podemos ver na informação passada pelo narrador.

5.
5.1 O sujeito, no momento em que sonha com esse «mundo de amigos» e os encontra, é invadido
pela felicidade. Sente-se como uma criança, feliz com as suas brincadeiras «me alegro», «me
pulo, brilham-me os olhos, abro os braços». No entanto, à medida que toma consciência de que
tudo não passa de um sonho, sente saudades, raiva, uma angústia e uma dor profunda.
5.2 A metáfora «uma vida-real morta que fito, solene no seu caixão», é reveladora do sofrimento
do sujeito, que se coloca no mundo exterior a antecipar a morte do seu mundo interior, sentindo
saudades dessa vida que, durante algum tempo, foi uma realidade para si, um espaço de
felicidade. Agora, consciente de que tudo não passara de um sonho, sofre e chora a sua perda.

6.O desespero do sujeito surge da consciência da impossibilidade de estar no mesmo espaço que
o sonhado e ter de lidar com a realidade, com o mundo exterior, de não poder interagir com o
mundo sonhado, sem ter de o exprimir por palavras e, no limite, de tornar-se inconsciente e fundir-
se totalmente com o sonho, tornando-se ele próprio o sonho.

7.
7.1 Fingimento artístico: «A minha mania de criar um mundo falso acompanha- -me ainda, e só na
minha morte me abandonará», « alinho na minha imaginação. Tenho um mundo de amigos dentro
de mim, com vidas próprias, reais, definidas e imperfeitas»
Sonho e realidade: «Eu nunca fiz senão sonhar. Tem sido esse, e esse apenas, o sentido da
minha vida», «Nunca pretendi ser senão um sonhador. A quem me falou de viver nunca prestei
atenção.»
Nostalgia da infância: «choro sobre o cadáver da vida da minha infância ida», «Oh, o passado
morto que eu trago comigo e nunca esteve senão comigo!»
Dor de pensar: «Aqui o não poder sonhar inteiramente doía-me», «O mal da vida, a doença de
ser consciente, entra em o meu próprio corpo e perturba-me»

 Gramática

1.
a) V.
b) V.
c) V.
d) F. coesão referencial