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O vendedor de

passados
(José Eduardo Agualusa)

AULA DE LIVROS
Prof. Claudio
O autor

▪ Nascido em Huambo, Angola, em 1960;


▪ Um dos maiores autores angolanos da atualidade;
▪ Mia Couto, Pepetela e Agualusa são os três nomes masculinos mais
recorrentes na literatura lusófona africana;
▪ Estudou Agronomia e Silvicultura em Lisboa, Portugal;
▪ Ingressa no jornalismo e na produção literária em seguida;
▪ Descendente de portugueses (paterno) e brasileiros (materno);
▪ Vive entre Luanda, Lisboa e vindas para o Brasil;
O autor

▪ Contista, poeta, romancista e jornalista;


▪ Obras traduzidas para diversas línguas;
▪ Realidade angolana, guerras, pós-guerra, lutas e abusos de poder,
miséria do povo e riqueza do país, corrupção e política, questão racial
– temas presentes no cotidiano do autor que ele reflete em sua
produção;
▪ Textos cheios de elementos fantásticos, acontecimentos insólitos –
Narrativas Fantásticas;
▪ Construção de imagens fortes;
▪ Fusão linguística e cultural – Fronteiras Perdidas (lusofonia e
globalização);
O autor

▪ Nação Crioula (1998) – livro possui como base a produção de Eça de


Queirós;
▪ Crioulo: afirmação de raízes, de valores culturais angolanos e
africanos;
– Afirmação, não somente da negritude, mas da miscigenação
(étnica e cultural);
▪ Invenção semântica e estilística – neologismos, expressões orais e
populares (de Angola, Portugal e Brasil – tudo misturado), expressões
arcaicas e tribais;
– Diálogos do Fantástico com o Neorrealismo Regionalista;
A obra – O vendedor de passados (2004)

▪ O romance narrado por uma osga (lagartixa)


chamada Eulálio;
▪ História de Félix Ventura – um negro albino,
morador de Luanda, que tem a profissão de
inventar passados aos seus clientes;
▪ Seus clientes buscam uma nova árvore
genealógica – buscando um passado mais
notável, digno de admiração no presente;
▪ Alguns poucos, buscam apagar o passado
grandioso para poder viver como um
anônimo;
A obra – O vendedor de passados (2004)

▪ “Procurava-o, explicou, toda uma classe, a nova burguesia. Eram


empresários, ministros, fazendeiros, camanguistas, generais, gente,
enfim, com o futuro assegurado. Falta a essas pessoas um bom
passado, ancestrais ilustres, pergaminhos. Resumindo: um nome que
ressoe a nobreza e a cultura. Ele vende-lhes um passado novo em
folha. Traça-lhes a árvores genealógica. Dá-lhes as fotografias de
avôs e bisavôs, cavalheiros de fina estampa, senhores do tempo
antigo” (p. 17);
A obra – O vendedor de passados (2004)

▪ Realismo animista – mundo natural converge ao sobrenatural;


– Eulálio – lagartixa com lembranças de sua encarnação humana;
– Elementos sobrenaturais como parte da ordem natural;
– “Se tivesse de nascer outra vez escolheria algo totalmente
diferente. Gostaria de ser norueguês. Talvez persa. Uruguaio não,
porque seria como mudar de bairro.” – Jorge Luís Borges;
▪ Elementos da realidade angolana desde a década de 1970 – agitação
política pela emancipação, dinâmicas sociais herdadas;
▪ Herança portuguesa e relações entre países lusófonos;
▪ Intertextualidade com autores e compositores lusófonos;
Metaficção
Metaficção

▪ “– Acho que aquilo que faço é uma forma avançada de literatura –,


confidenciou-me. – Também eu crio enredos, invento personagens,
mas em vez de os deixar presos dentro de um livro dou-lhes vida,
atiro-os para a realidade” (p. 75).
▪ Metalinguagem e metaliteratura;
▪ Conceber a História de alguém é conceber ficção?
(Metaficção/Metanarrativa);
– Excelência lusófona contemporânea: História do Cerco de Lisboa
(José Saramago), Mayombe (Pepetela), O fio das missangas (Mia
Couto);
– Narrativas pós-modernas;
Enredo

▪ 32 capítulos curtos;
▪ Félix Ventura fabrica passados – histórias de vida para seus clientes;
▪ Eulálio, o narrador, busca vestígios de sua reencarnação passada
como ser humano, para compreender suas emoções e pensamentos;
– Passou quase um século como ser humano sem se sentir humano;
– Lamenta a alma presa como lagartixa;
– Age como humano, sem nítida compreensão animal de mundo;
▪ Casa (de Félix) onde a osga mora também: relação íntima e visceral
entre Eulálio e a casa;
– Local seguro, onde se revelam segredos e fantasias;
Enredo

▪ Ampla biblioteca de Félix para pesquisas de passados e inspiração;


▪ Rotina da vida de Félix é quebrada: chegada de um fotógrafo
estrangeiro de guerra que quer um novo passado;
– Pedro Gouveia transforma-se em José Buchmann;
– Gouveia era preso político;
– História vai sendo montada – busca pela suposta mãe, o corredor
cheio de espelhos, sua solidão em Nova Iorque;
▪ Sonhos de Eulálio:
– Sonhos com a mãe – memórias da vida humana;
Enredo

▪ Diversos clientes passam por Félix – precisam de uma trajetória que


corrobore as máscaras que vestem;
– Maioria são políticos e pessoas de altas classes que cresceram na
turbulência angolana de guerra civil – corrupção e hipocrisia;
– Nos modelos das personalidades (ou seriam personagens)
históricas – passado maquiado;
– O mascarado: homem acorda e descobre que fizeram uma
operação plástica – ninguém acredita nele;
– O mendigo: Edmundo Barato dos Reis, ex-agente de segurança do
estado, comunista assumido, que vira mendigo;
– Ângela: o caso amoroso de Félix, mulher que gosta de fotografar
nuvens;
ALERTA DE SPOILER!!

▪ O fotógrafo descobre que o mendigo é, na verdade, Edmundo, um


sujeito que, em seu passado, havia feito muito mal:
– É o assassino de sua esposa e torturador de sua filha (quando ela
era um bebê);
▪ Pensando em vingança, tenta atirar em Edmundo, mas Félix o
impede;
▪ Mas, ao fim, tudo revela-se: Ângela atira em Edmundo;
– Revelação: ela era a filha de Buchmann, a criança torturada;
▪ Félix enterra o corpo em seu quintal – e também o assunto;
▪ Ângela viaja pelo mundo, fugindo do passado – manda fotografias a
Buchmann e Félix para lhes dizer que não esqueceria de ambos.
O vendedor de passados

▪ “A única coisa que em mim não muda é o meu passado: a memória


do meu passado humano. O passado costuma ser estável. Está
sempre lá, belo ou terrível, e lá ficará para sempre.”

▪ “A verdade é uma superstição.”

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