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SÉRGIO BUARQUE DE HOLANDA ENTRE A TEMPORALIDADE


E OS PARADIGMAS HISTORIOGRÁFICOS

André Augusto Abreu Villela278

RESUMO: O foco do trabalho é fragmentar e desconstruir as narrativas construídas em


torno do intelectual Sérgio Buarque de Holanda, através de um olhar crítico e
contemporâneo sobre o tema. A ideia é concatenar, e estabelecer um diálogo entre o
pensamento weberiano, a historiografia francesa e o historicismo alemão, tendo Sérgio
Buarque de Holanda como centro da operação historiográfica. Mostrando sua evolução
de crítico literário a um historiador profissional. Dentro dessa perspectiva, é estar
reavendo através de um olhar crítico, e estabelecer um diálogo através de cartas, jornais,
livros, revistas, que construa uma rede de escuta e de internacionalização em torno do
trabalho de Sérgio Buarque de Holanda, colocando-o e situando-o dentro do cenário
cultural internacional.
PALAVRAS-CHAVE: Sérgio Buarque de Holanda, Historicismo Alemão, Annales,
Max Weber e História da Historiografia.

ABSTRACT: The focus of the work is to fragment and deconstruct the narratives built
around the intellectual Sérgio Buarque de Holanda, through a critical and contemporary
look at the theme. The idea is to concatenate, and establish a dialogue between
Weberian thought, French historiography and German historicism, with Sérgio Buarque
de Holanda as the center of the historiographic operation. Showing his evolution from
literary critic to a professional historian. Within this perspective, it is to be reviving
through a critical eye, and to establish a dialogue through letters, newspapers, books,
magazines, which builds a network of listening and internationalization around the work
of Sérgio Buarque de Holanda, placing it and placing it within the international cultural
scene.
KEYWORDS: Sérgio Buarque de Holanda, German Historcism, Annales, Max Weber
and History of Historiography.

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Graduado e Especialista em História e Ciências Sociais. E-mail: andrevillela2000@hotmail.com

Anais da XXXVI Semana de História da Universidade Federal de Juiz de Fora. Entre golpes e
democracias: Narrativas históricas de um sonho em vertigem. Gabrielle Barra Tarocco; Júlia Machado de
Souza Freitas; Marco Antônio Campos e Souza (Org.). Juiz de Fora, 2020. 1463 p.
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INTRODUÇÃO
Certeau em seu livro A Escrita da História, mais precisamente no capítulo A
Operação Historiográfica, o autor assim começa a introdução, “o que fábrica o
historiador quando “faz história”? Para quem trabalha? O que produz?”. (CERTEAU,
2017, p. 45). Trata-se de uma obra seminal para todo historiador. Para Certeau, o fazer
história seria a síntese de uma prática, de um lugar social e de uma escrita particular.
Obra essa que pode ser entendida como revolucionária dentro do campo historiográfico,
desde seu lançamento na França no ano de 1975. Michel de Certeau foi um pensador
multidisciplinar, um iconoclasta, influenciado principalmente pelo pós-estruturalismo
francês, na figura de Michel Foucault, a psicanálise freudiana e lacaniana, o apreço a
desconstrução e à linguagem de Roland Barthes, a etnologia de Lévi Strauss, e ainda
leitor atento de Hegel, Wittgenstein, Nietzsche e de Karl Marx. Sendo assim, o jesuíta
francês não fala simplesmente da história, mas principalmente sobre a escrita da
história. Ou seja, as fontes selecionadas pelo historiador, são efeitos de algo que ele não
vivenciou. Estudar história, dirá Certeau, é promover um diálogo com o discurso dos
mortos. E o trabalho do historiador é criar ausentes. As identidades de tempo, lugar,
sujeito e objeto, presumidas pela historiografia clássica, não passariam, para Certeau de
um efeito, de uma construção, de um mito. Como Aron, Foucault, Veyne e outros antes
dele, Certeau questiona a capacidade interpretativa contemporânea de produzir
representações adequadas a realidade passada. Segundo Júlio Bentivoglio, “de certo
modo, a obra de Certeau acabou sendo inserida no contexto da história das mentalidades
por um lado e por outro na nova história cultural”. (BENTIVOGLIO, 2016, p. 118)

SÉRGIO BUARQUE DE HOLANDA ENTRE AS ESCOLAS HISTÓRICAS DE


PENSAMENTO
O Historicismo era heterogêneo, a temporalidade historicista não se manifesta
em uma trajetória retilínea. Tendo essa escola, surgida como uma pedra de toque no
século XIX, através de Ranke, Humboldt, Droysen e Gervinus, todos eles vinculados ao
historicismo e ao surgimento da chamada Escola Histórica Prussiana, enquanto o objeto
de estudo e reflexão, vê-se valorizada a partir de 1810, com a criação da Universidade
de Berlim. (BENTIVOGLIO, 2010). A expressão “história da historiografia”, ao que
tudo indica, foi utilizada pela primeira vez pelo filósofo alemão Hegel. Essa expressão

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aparece nas suas Lições sobre a filosofia da história, no capítulo relativo à escrita da
história. (GUIMARÃES, 2011). Ranke até recentemente constava na história da
historiografia como autor positivista, resultado, em grande parte, da estratégia
desenvolvida pelos Annales, para firmarem sua identidade como inéditos. O próprio
François Dosse já duvidava da revolução historiográfica dos Annales desde os anos de
1980. Como cita, “todo projeto científico é inseparável de um projeto de poder”.
Segundo Barros (2012), quando da fundação dos Annales como escola, existiam
três paradigmas historiográficos, o Marxismo, o Positivismo e o mais forte o
Historicismo, e por isso o inimigo mais perigoso e respeitoso a ser contraposto pelos
Annales. Ainda segundo ele, a França sempre teve dois grandes adversários nacionais,
os ingleses e os alemães. Porém os ingleses naquele momento não apresentavam nada
de novo e de destaque no campo historiográfico, já os alemães vinham de um grande
século com inúmeros historiadores renomados. Os alemães tinham dando o “start” no
paradigma historiográfico, que até agora era o mais bem sucedido em termos de
realizações, e entre os anos de 1870 a 1930 haviam consolidado uma hegemonia
historiográfica no continente europeu, como cita: “Iniciado pela Escola Histórica Alemã
de Ranke, e apresentado alguns precursores, esse paradigma veio a estabelecer uma
unidade, a partir de uma oposição mais geral contra o Positivismo”. (BARROS, 2012, p.
64). Nesse complexo “jogo de poder”, os pioneiros dos Annales, Bloch e Febvre, não
foram medir forças contra a filosofia historicista mais avançada, que segundo Barros
(2012), já desenvolvia interessantes reflexões sobre a Hermenêutica e os problemas
relacionados a interpretação histórica, nem dirigiram críticas aos chamados
neokantianos, que também iria influenciar outro setor historicista, como o que mais
tarde seria representado por Weber e Heinrich Rickert, mas foram medir forças contra
os adeptos da chamada “História Historizante”, expressão que tomaram emprestada do
sociólogo francês François Simiand.
No conflito bélico de 1870, durante a guerra franco-prussiana, a Alemanha saía
da batalha com status de vencedora, ao mesmo tempo assegurando sua unificação sob
Bismarck, e impondo uma derrota aos franceses também no campo historiográfico.
Porém nas duas guerras subsequentes, e com sua eminente derrota nos dois conflitos,
passaria a predominar uma certa hostilidade contra a cultura alemã nos demais países
europeus. A partir desse momento, estava no ar uma demanda por outra cultura

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historiográfica que fosse capaz de se apresentar como vanguarda europeia e que


angariasse maior simpatia política na Europa Mediterrânea, na Inglaterra e no Leste
Europeu. (BARROS, 2012).

O desfecho da guerra franco-prussiana abalara o prestígio da


cultura francesa, e os intelectuais brasileiros se abriram as
influências inglesa e alemã: Spencer, Darwin, Buckle, Ranke,
Ratzel. Os franceses ainda influenciavam: Comte, Taine, Tarde,
Renan, G. Le Bom. (REIS, 2007, p.89).

O primeiro Sérgio Buarque que geralmente aparece nas narrativas, é o


“weberiano”, escritor de Raízes do Brasil, muito influenciado pelos anos que viveu em
Berlim. Mas como já mencionado, não podemos defini-la como uma obra uníssona, e
que costuma fugir das definições rígidas. Também não se pode perder de vista o que
está em jogo é a percepção do processo de adaptação do europeu e sua conversão em
algo novo. Esse novo são a nacionalidade, a cultura e a sociedade brasileira.
(EUGÊNIO, 2011). O segundo, o que se aproxima dos Annales, quando se muda em
definitivo para São Paulo e se torna um “uspiano”. O terceiro, o historicista alemão,
principalmente na obra Do Império a República, de 1972, sobre a política do Brasil no
século XIX, e seu artigo sobre Leopold Von Ranke, de 1974.
Sérgio Buarque, já no final dos anos de 1940, troca correspondências com
Lucien Fevbre e Fernand Braudel, sendo convidado a ministrar palestras na Sorbonne,
no que mais tarde se tornaria um artigo na revista dos Annales, intitulado "Au Brésil
colonial: lês civilisations Du miel", se tornando mais tarde o livro Caminhos e
Fronteiras de 1957, que trata sobre cultura material, e um ano depois, escrevendo sobre
história das mentalidades, o aclamado e controverso Visão do Paraíso, sendo sua
entrada como docente. Importante ressaltar que durante a sua “fase francesa”, Sérgio
embarca para Europa, onde permanece de 1952 a 1954 como professor da Universidade
de Roma, a partir de um projeto Varguista, de criação de 15 cátedras de estudo de
Ensino Brasileiro, em várias universidades pelo mundo, com a chamada crise das
potências europeias no pós-guerra. Essa fase de Sérgio é conhecida como “fase
italiana”. Antonio Candido crê que sua estadia em Roma foi decisiva para o projeto, de
qualquer modo os seus frutos são patentes nos manuscritos, como se vê tanto pela
bibliografia usada, quanto pela familiaridade com os autores italianos do Renascimento,

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Barroco e Arcadismo. Ainda segundo Candido, Sérgio fez pesquisas no acervo da


Arcádia Romana, e a impregnação foi tão marcada que seria possível falar, na sua
história mental, de uma “fase italiana”, assim como já havia vivido sua “fase alemã”.
(CANDIDO, 1992). Muito de sua perspectiva sobre a literatura brasileira foi
desenvolvida a partir da leitura atenta de autores como Mario Praz, seu colega na
Universidade de Roma, e de Benedetto Croce, intelectual mais influente de sua época.
Ainda durante sua “fase italiana”, Sérgio Buarque é convidado a participar da
organização de um número especial sobre literatura e arte brasileira contemporânea da
revista Ausonia, Rivista di Lettere e Arti, da cidade toscana de Siena. A contribuição de
Sérgio para a revista foi a de articulador, principalmente no papel de angariar fundos
para a publicação, no qual conseguiu junto a embaixada brasileira, uma contribuição na
compra de 300 exemplares da revista, publicada em outubro de 1954. Outro papel
importante, foi de articular junto a outros intelectuais brasileiros, artigos a serem
publicados no periódico.

A revista inicia-se com uma introdução de Luigi Fiorentino,


seguindo-se o artigo de Sérgio Buarque de Holanda, “Apporto
Italiano nella Formazione del Brasile”, que ocupa cerca de doze
páginas da revista. O artigo seguinte é de autoria de José Lins do
Rego e trata da história do romance no Brasil, “Tendeze del
Romanzo Brasiliano”, uma tradução do conto de Machado de
Assis, por Barreto Filho; um ensaio de Sérgio Milliet, sobre a
poesia contemporânea brasileira, “La Moderna Poesia
Brasiliana”; uma antologia, “Antologia Mínima”, de poemas de
escritores brasileiros contemporâneos – Manuel Bandeira,
Ribeiro Couto, Cassiano Ricardo, Sérgio Milliet, Cecília
Meirelles, Carlos Drummond de Andrade, Abgar Renault,
Murilo Mendes, Vinicius de Moraes e Ledo Ivo – vertidos ao
italiano. A revista traz ainda artigo de Luiz Heitor sobre música
brasileira, “Musica d’Ogni Tempo nel Brasile d’Oggi”; de
Mario Verdone sobre cinema, “II Giovane Cinema Brasiliano”;
um parêntese com um único texto em português endereçado ao
público brasileiro, sobre Palio de Siena, manifestação cultural
típica da cidade sede da revista Ausonia, de autoria de Iside
Bonini; e, por fim, uma seção de resenhas, com uma análise da
recém publicada tradução de Raízes do Brasil ao italiano, de

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uma antologia de poesia brasileira publicada e traduzida por


Mercedes La Valle, da obra Musica Popolare Brasiliana de
Oneyda Alvarenga e de uma antologia de Poesia Brasileira
publicada pelo Clube de Poesia de São Paulo. (NICODEMO,
2014, p. 154-155).

A problematização principal do presente artigo, visa discutir como as duas


escolas historiográficas, (ou mais), dialogaram com as obras de Sérgio Buarque de
Holanda. Se Raízes do Brasil, como próprio citou Antonio Candido, é um livro “meio
alemão”, o que dizer de obras posteriores influenciadas pela historiografia francesa? O
que o artigo propõe, é mostrar que mesmo um intelectual já maduro, Sérgio Buarque
nunca superou a sociologia Weberiana em sua escrita, inclusive dialogando com a
escola alemã, como se mostra em Visão do Paraíso. Na segunda edição, Sérgio Buarque
admitiu ter se inspirado na obra de Ernst Curtius, historiador e arqueólogo alemão,
utilizando-a como ferramenta em sua investigação. Os motivos edênicos do
descobrimento e expansão do Brasil são análogos à tópica utilizada na investigação dos
traços latinos das culturas regionais e nacionais europeias. “Para isso foi de grande
serventia o recurso à tópica, no sentido que adquiriu esse conceito, tomado à velha
retórica, desde as modernas e fecundas pesquisas filológicas de E. R. Curtius”.
(HOLANDA, 2010, p. 24)
Quando docente da USP, naquele momento dominada por “braudelianos”,
metódicos e marxistas, principalmente na figura de Florestan Fernandes e Caio Prado
Júnior, Guimarães (2008), cita que Sérgio Buarque representava uma terceira via na
Universidade de São Paulo.

Sua chegada a cátedra representou uma renovação e uma


terceira via para a produção historiográfica uspiana, até então
marcada por duas vertentes: de um lado, os tradicionalistas
paulistas, herdeiros da historiografia do Instituto Histórico; do
outro os “braudelianos”, próximos aos postulados dos Annales,
marcados pela presença de Braudel na USP e sua subsequente
ascensão na revista francesa. A abertura de Sérgio Buarque de
Holanda ao diálogo teórico metodológico, que tanto o marcou,
permitiu que mantivesse o respeito e influxo sobre membros das
duas correntes, assim como também ocorreu com relação aos
marxistas, que muito cresceram nos anos 60. (GUIMARÃES,
2008, p. 53).

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Mesmo estando próximo da historiografia francesa, Sérgio jamais superou a


historiografia alemã e Weber, pelo contrário, ele dialogou com eles o tempo todo.
Assim como Marx, principalmente em O Capital, em seu auge intelectual (1867),
Weber, outro pensador alemão, também está interessado na gênese do capitalismo
moderno. Marx irá propor uma análise puramente economicista, através do
Materialismo Histórico, enquanto Weber propõe uma abordagem cultural, e das ideias
para a problematização, tal qual Sérgio Buarque de Holanda em Visão do Paraíso.
Muitos ainda consideram a obra de Weber, como uma resposta a Marx. Inclusive a
Escola de Frankfurt, principalmente na figura de Herbert Marcuse, irá chamar Weber
de forma pejorativa de “O Marx da Burguesia”, principalmente no Congresso de
Sociologia de 1964, ocorrido em Heidelberg, em homenagem ao centenário de Max
Weber. (SELL, 2013).
Outro ponto em comum entre Sérgio Buarque e Weber, aparece em Raízes do
Brasil, quando o autor irá citar a diferença entre “Trabalho e Aventura”, talvez bastante
inspirado pelo termo alemão Beruf (vocação), usado no capítulo Conceito de Vocação
de Lutero. (WEBER, 2011). Afinal muito da historiografia francesa, passa
principalmente pelo historicismo alemão. “O historicismo francês alimenta-se em
grande parte, na escola historiográfica alemã, nas teses de Leopold Von Ranke da
metade do século 19. Elas influenciaram bastante os historiadores franceses, que delas
extraíram as bases teóricas”. (DOSSE, 2003, p. 66). Destacando a interlocução,
mediação e admiração de Bloch e Febvre, por intelectuais alemães, criando um
intercâmbio entre as duas nações, com nomes como Max Weber, George Von Below,
Karl Lamprecht, Friedrich Meinecke, Kantorowicz e Werner Sombart. Para Peter
Schottler, Bloch e Febvre dialogaram diretamente com as ciências históricas alemãs.
Febvre chega ao ponto de afirmar que era preciso “desaprender dos alemães”, aludindo
a existência recalcada de uma clara inspiração alemã em seus escritos. Herdeiro da
tradição crítica metódica, Bloch se impõe como um mediador principal entre a ciência
histórica alemã e a história francesa. (BENTIVOGLIO, 2013).
Ou porque não citar Braudel, quando este próprio, líder da segunda geração cita
a importância da historiografia alemã para os Annales, quando estes formados em
Estrasburgo, ficaram expostos a um processo de germanização no campo da história.

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Sendo assim, pode-se afirmar que a Alemanha, tentava rivalizar com a França,
principalmente através da Universidade de Estrasburgo, até então pertencente à
Alemanha, durante o governo de Bismarck, tornando-a o símbolo da superioridade
alemã sobre a cultura francesa. “Seria então fortuito o fato de Henri Berr, Lucien
Febvre, Marc Bloch e eu mesmo sermos os quatro do leste da França? Que o
empreendimento dos Annales comece em Estrasburgo, face a Alemanha e ao
pensamento histórico alemão?”. (DAIX, 1995, p. 173). Como cita Maria Odila Silva
Dias. "A rivalizar com a presença da “nova história social francesa” no pensamento de
Sérgio Buarque, quando não superando-a, estaria a filosofia, a sociologia e a
historiografia alemã". (DIAS, 1986).
O projeto francês, propunha uma guerra simbólica pela dominação da
historiografia em nível mundial. Rivalizando com outras potências ocidentais, como o
projeto inglês, o norte americano, o italiano e principalmente o alemão, como cita Reis,
“Na verdade, a escola francesa dos Annales não pode ser entendida sem se considerar a
herança da escola histórica alemã. Os "grandes homens" dos Annales liam alemão e
Bloch até mesmo estudou na Alemanha”. (REIS, 2004, p. 101). Como cita Guy Bourdé,
“Antes da I Guerra Mundial, Marc Bloch permanece nas Universidades de Leipzig e
Berlim na Alemanha”. (BOURDÉ, 2018, p. 207)

OS ANOS DE SÉRGIO BUARQUE NA ALEMANHA (1929-1930)


Durante o período em que esteve na Alemanha, Sérgio foi testemunha ocular de
movimentos totalitários que cercavam a Europa. Viu o fascismo na Itália e mais de
perto a ascensão do nazismo na Alemanha na década de 30, o que o fazia receptivo a
esquerda política democrática, que pode ser percebido na publicação de 1936 de Raízes
do Brasil, a partir de uma análise crítica de um passado oligárquico passível de
denúncia. O próprio Nietzsche, antes de Weber, já havia demonstrando um grande
desencantamento com a cultura ocidental. Sérgio, antes mesmo de ir a Berlim, já havia
entrado em contato com as obras do filósofo alemão, através de traduções francesas,
também conhecidas nos círculos dos jovens modernistas.
A década de 30, em Berlim, vivia um clima profundamente nietzschiano, através
do partido nazista, como cita Guiomar de Grammont, no livro História da Consciência
Histórica Ocidental Contemporânea (2011). Para Grammont, todo o pensamento de

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Nietzsche seria político: a vontade de potência seria a imagem de um poder disseminado


nas relações entre os homens. O pensador proporia “um novo mundo, que a nova
cultura alemã faria vir a luz”. Pode-se dizer que Nietzsche é “um pensador da Europa
germanizada”. (DE GRAMMONT, 2011, p.12). Em palestra proferida na USP, no ano
de 1969, Sérgio Buarque comenta a respeito da escrita do livro em terra estrangeira:
“Escrevi aquele livro em parte na Alemanha, terra clássica do historicismo e do
antipositivismo: o positivismo tal como era compreendido no século passado. E sem
pensar retomava o fio dessas considerações naquela aula”. (HOLANDA, 196 – Anexo,
p. 1)
Esses anos em que Sérgio passa em Berlim, o sentimento que rondava a Europa
era um sentimento de mudança, do pensamento radical, de ruptura profunda com o
passado. Dois volumes das obras de Nietzsche foram encontrados em sua biblioteca, o
primeiro era um livro de Alfred Baumler sobre Bachofen e Nietzsche e o outro era uma
tradução francesa do livro de Karl Jaspers sobre a questão do cristianismo em
Nietzsche. Ernani Chaves (2008), em seu artigo, cita algumas traduções das obras do
filósofo encontrada na biblioteca particular de Sérgio Buarque de Holanda.

Em 1954, ou seja, mais de duas décadas depois, Schelechta


publicou a sua edição das obras de Nietzsche, que continha um
volume com os póstumos, depois igualmente questionado pela
edição Colli-Montinari. É a edição Schelechta que se encontra
ainda hoje na biblioteca de Sérgio, no arquivo da Unicamp. Isso
mostra, sem dúvida, o seu permanente interesse por Nietzsche.
(CHAVES, 2008, p. 403).

No ano de 1973, Sérgio Buarque empreende uma viagem à Alemanha, onde irá
entrar em contato com a obra O dicionário de conceitos Históricos, de Reinhart
Koselleck, Otto Brunner e Werner Conze. Muitos consideram Koselleck, como o mais
influente historiador de língua alemã do século XX. Doutor pela Universidade de
Heidelberg, em 1959, com a tese intitulada Crítica e Crise, escrita sobre forte influência
de autores como Martin Heidegger, Johannes Kühn e Carl Schmitt. Entre as décadas de
1960 e 1970, houve uma ampla discussão a respeito de uma crise de identidade na
disciplina histórica alemã, principalmente após o declínio do historicismo.
Geschichtliche Grundbegriffe (Conceitos básicos de história), um léxico composto por
nove volumes editados entre os anos de 1973 e 1997 por autores que compunham uma

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boa parte do cenário intelectual alemão durante as três décadas do projeto. Em seus
últimos anos de vida, Koselleck manteria vivo o projeto que alimentara ao longo de toda
sua carreira, qual seja, o desconstruir a história no singular e tematizar as infindáveis
possibilidades da experiência humana no tempo. O ponto crucial para o autor, está no
fato de que a história deve ser plural, devendo ser escrita a partir de pontos de vista que
também fossem plurais. Segundo ainda Koselleck, irá afirmar que as melhores obras de
história foram escritas por desterrados, exilados ou derrotados. (BENTIVOGLIO;
CUNHA, 2016).

Foge à finalidade da presente introdução, mas foge sobretudo à


competência de quem a redige, uma resenha das tendências
dessa historiografia [alemã]. Baste, a título de exemplo, lembrar
a singular importância do monumental Léxico dos conceitos
fundamentais da história, já em curso de publicação, sob a
direção de Otto Brunner, Werner Conze e Reinhart Koselleck,
que, além de revelar a notável vitalidade daquelas tendências, é
uma demonstração de como se pode renovar, sem traí-lo, o
espírito da “escola” histórica alemã [...]. A originalidade da
concepção do léxico prende-se estreitamente a querer mostrar a
transformação das noções, de maneira que a experiência nelas
condensada permita esclarecer os aspectos teóricos. Não se
pretende, contudo, oferecer definições abstratas e exteriores à
história, que pudessem prescindir das mudanças de significação
ao longo do tempo. [...] Nada destoa vivamente, nessa
concepção, da tradição espiritual que Leopold von Ranke
representou em grau eminente, renovada, embora, e enriquecida,
para atender às mais recentes exigências do trabalho histórico.
(HOLANDA, 2006, p. 480)

Segundo Fernando Novais, há dois trabalhos de Sérgio Buarque de Holanda


considerado como historiográficos, inclusive seus últimos. O primeiro de 1972, Do
Império a República, e o segundo um extenso artigo publicado na revista da USP no
ano de 1974, intitulado, O atual e o inatual de Leopold Von Ranke. O que ele define
como historismo, a diferença que ele faz entre historicismo e historismo naquele texto,
parece ser crucial para entender o procedimento metodológico de Sérgio Buarque.
Ainda segundo Novais, Sérgio é fundamentalmente um historicista alemão, e é curioso
acompanhar seu percurso e o percurso de Weber e volta para Ranke, para as fontes, para
as raízes, já com toda a ideia na cabeça. (NOVAIS, 1992). Francisco Iglésias faz um
salutar elogio ao artigo de Sérgio Buarque sobre Ranke, publicado na coleção de

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Grandes Cientistas Sociais, publicado originalmente em 1979. A seleção perfaz centro e


quarenta e duas páginas, em nove partes, precedida do estudo “O atual e o inatual na
obra de Leopold Von Ranke”, de quase sessenta páginas. Esse estudo é talvez o melhor
de todos os da coleção segundo Iglésias, e um dos momentos máximos da crítica
historiográfica do país. Como de outros livros aqui examinados, dele se poderia dizer
que somente Sérgio poderia escrevê-lo, pelo que dá de sólida erudição e agudeza crítica
sobre Ranke. (IGLÉSIAS, 1992).
Essa mistura de sociologia e ensaio teológico, em A Ética Protestante e o
Espírito do Capitalismo, talvez tenha sido junto ao Historicismo alemão, seus maiores
referenciais, sem se esquecer de Capistrano de Abreu, (o homem entre o positivismo e o
historicismo) talvez um dos pioneiros no uso da historiografia alemã em terras
brasileiras, juntamente com José Honório Rodrigues, Manoel Luiz Salgado Guimarães.
Desde o começo da História no IHGB até a urbanização juntamente com a
Universidade. Capistrano e Sérgio Buarque não abandonaram uma concepção realista
de história, ou sua pretensão a verdade. Mas ambos perceberam dimensões da
complexidade dessa tarefa, na presença constante da reescrita, ou na perspectiva de que
novos documentos e interpretações obriguem a uma revisão dos conhecimentos
estabelecidos. Tanto a obra de um quanto do outro historiador são de difícil
enquadramento em tradições historiográficas nacionais, e também nos ismos
historiográficos.

A “DISPUTA PELA ESCRITA”


Apesar de bastante ligado a um projeto nacional, percebe-se no jogo das
identidades, várias narrativas diferentes acerca de Sérgio Buarque construída ao longo
dos anos por vários projetos políticos, que disputavam em âmbito nacional um projeto
ligado a “disputa da escrita da história” no Brasil, principalmente entre a capital federal
naquele momento Rio de Janeiro, e São Paulo, principalmente quando esse , através dos
cafeicultores paulistas e do intelectual Mário de Andrade, criam a Semana de Arte
Moderna Paulista de 22, estabelecendo assim um “marco canônico” para o movimento,
e outro momento a criação da USP em 1934, principalmente nas figuras de Braudel,
Lévi-Strauss e do francófilo brasileiro Júlio de Mesquita.

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São Paulo graças a USP, passou a disputar vantajosamente com


a então capital federal a escrita e a interpretação do Brasil(...). A
década de 1950 foi a da ascensão da USP a posição de destaque
no cenário intelectual do país, fazendo sombra a Universidade
do Brasil. Evidencia essa relevância a autossuficiência da
universidade. (CARVALHO, 2013, p. 288-289).

Se em nível mundial havia essa guerra simbólica pela disputa da escrita da


história entre franceses e alemães, no Brasil, Rio de Janeiro e São Paulo disputavam
palmo a palmo esse espaço. Ronaldo Vainfas mostra como foi “fria” a recepção de
Visão do Paraíso em terra fluminense naquele momento. “No caso do Rio de Janeiro,
por exemplo, a quase nenhuma atenção dispensada a Visão do Paraíso, contrastava com
o prestígio de uma Formação Histórica do Brasil, obra do carioca Nelson Werneck
Sodré”. (VAINFAS, 1998). Quando desembarca no Brasil, a chamada “Missão
Francesa”, capitaneada pelo Historiador Fernand Braudel e pelo Antropólogo Lévi-
Strauss, que tinham como ideia construir um projeto político para rivalizar com o Rio de
Janeiro, e com outras escolas, como cita Fernando Novais.

A palavra missão, evidentemente, mostra que éramos vistos


como uma terra de índios que deviam ser catequizados. Não há
outra explicação”. A missão foi composta de pessoas de alta
qualidade: Roger Bastide, Paul Arbousse-Bastide, Braudel,
Lévi-Strauss, Pierre Monbeig, entre outros. (NOVAIS, 1994,
vol. 8, n. 22)

Nesse ínterim, durante o ano de 1935, período que morava no Rio de Janeiro,
Sérgio Buarque de Holanda foi assistente da Universidade do Distrito Federal, como
analisou Antonio Candido: “foi o mais belo plano de Universidade já criado no Brasil,
porém o projeto foi massacrado pela direita católica e pela direta política, no qual eram
bastante conservadores” (CANDIDO, 2011). Como bem citou Marieta de Moraes
Ferreira em seu artigo, acerca da influência francesa no Brasil, principalmente no
começo dos anos de 1930, onde o projeto francês no campo universitário entra em
conflito com outros projetos, como o italiano, alemão e norte-americano, toda essa
disputa se intensifica principalmente na criação das primeiras universidades no Brasil.

Com a fundação da Universidade de São Paulo (USP) em 1934,


da Universidade do Distrito Federal (UDF) em 1935 e da

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democracias: Narrativas históricas de um sonho em vertigem. Gabrielle Barra Tarocco; Júlia Machado de
Souza Freitas; Marco Antônio Campos e Souza (Org.). Juiz de Fora, 2020. 1463 p.
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Faculdade Nacional de Filosofia (FNFi) da Universidade do


Brasil em 1939, organizaram-se afinal as missões universitárias
francesas compostas não mais de conferencistas eventuais, mas
de professores que iriam se transferir para o Brasil e tornar-se
responsáveis por cursos completos. As articulações para a vinda
dessas missões constam da documentação diplomática francesa
a partir de 1934. (FERREIRA, 1999, p. 230).

CONCLUSÃO
O objetivo principal do trabalho é reorganizar uma forma de pensar as
identidades historiográficas, tendo Sérgio Buarque como objeto de estudo, procurando
fazer isso através de um trabalho interdisciplinar, dialogando com outras áreas das
Ciências Humanas, trazendo questionamentos, perguntas e problematizações acerca do
tema proposto. Como citado no resumo do trabalho, é trazer novas discussões que sejam
pertinentes para o saber do campo historiográfico. A ideia é situar Sérgio Buarque de
Holanda nos paradigmas historiográficos, fazendo-o dialogar através de sua obra com as
diversas Escolas Históricas, que diretamente ou indiretamente, influenciaram na escrita
do intelectual.
Seria possível pensar os Annales sem a ciência histórica alemã oitocentista, sem
os anos de “germanização” de Marc Bloch e Febvre em Estrasburgo, através dos
conflitos e do nacionalismo europeu, legitimando uma suposta “revolução” dos
Annales? Ou será que que Sérgio já em sua maturidade como intelectual, superou
Weber em sua escrita? Ou apenas, o adaptou-o ao seu novo método historiográfico? O
projeto francês em terras brasileiras, a chamada “Missão Francesa” principalmente na
USP e na UDF, visavam uma disputa simbólica contra a historiografia alemã nos
trópicos? (ROJAS, 1995). Se a unificação alemã, que coincide com a constituição da
ciência histórica alemã no século XIX, e a vitória na guerra Franco-Prussiana em 1871,
trouxeram uma vitória no campo historiográfico, já a “catástrofe” alemã nas guerras
mundiais, teriam abalado o prestígio germânico em relação a historiografia francesa,
americana e inglesa? O projeto historiográfico francês silenciou a historiografia alemã
no Brasil? Como bem analisaram Estevão Martins e Pedro Caldas, sobre a construção
de um “mito” historiográfico dos Annales, acerca da escola alemã do século XIX.

De que adianta um Sérgio Buarque de Holanda ter enfatizado


que Ranke buscava “grandes unidades de sentido” se ainda

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democracias: Narrativas históricas de um sonho em vertigem. Gabrielle Barra Tarocco; Júlia Machado de
Souza Freitas; Marco Antônio Campos e Souza (Org.). Juiz de Fora, 2020. 1463 p.
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prevalece o ataque francês dos Annales à historiografia do


século XIX? Até mesmo, um autor marxista – portanto,
insuspeito – como Ciro Cardoso tentou desfazer o equívoco. Em
primeiro lugar, é fundamental descolar o nome de Ranke o
rótulo de “positivista”. Em comum com Auguste Comte, apenas
a busca pela verdade. (MARTINS E CALDAS, 2013, p. 13).

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