Você está na página 1de 13

PALAFITAS DA LAGUNA DA JANSEN NAS DÉCADAS DE 1980/1990

EM SÃO LUÍS -MA


Área 1: Teoria e História – C. À trajetória dos investimentos públicos em Habitação.
Autora: Adriana Alice Sekeff Castro
Acadêmica do Curso de Arquitetura e Urbanismo – UEMA, cursando o 8° período.
Endereço: Rua das Jaqueiras, quadra 57, casa 13, Renascença I, São Luís – MA
Telefone: (98) 3268-0007, 8412-8454 ou 8872-0072
E-mail: dricasekeff@hotmail.com
PALAFITAS DA LAGUNA DA JANSEN NAS DÉCADAS DE 1980/1990
EM SÃO LUÍS -MA

A cidade de São Luís do Maranhão cresceu de forma acelerada e com pouca preocupação com o
meio ambiente. A Laguna da Jansen logo foi um exemplo do descaso público. Com a urbanização
das novas áreas de expansão na década de 1970, o Igarapé da Jansen, sendo hoje transformada em
laguna por origem antrópica, foi ponto de habitação de centenas de palafitas em meio a vários bairros
de classe média / alta. Diversas foram às tentativas para melhorar a região que se tornou um grande
ponto de esgoto a céu aberto. Apenas em 2000 foi feita uma grande reforma urbanizando toda a
região do igarapé, configurando-se em um novo ponto turístico e área de interesse para a elite.
Apesar da grande especulação imobiliária que se formou no entorno da laguna, o esgoto continua um
descaso, sendo ainda jogado in natura. Os palafitados que ali viviam, parte foram remanejados para
um bairro próximo e os restantes se mantiveram próximos da laguna, porém na área menos
privilegiada. Em parte não se pode afirmar que não houve benefícios para os moradores, no entanto,
prevalece a “maquiagem urbana”, ou seja, a estética acima de um adequado planejamento urbano.

Palavras – chave: Laguna da Jansen. Palafitas. Meio Ambiente.


1 INTRODUÇÃO

Cerca de 40% da população mundial vivem num raio de 100 km das linhas das costas.
Associada à ocupação desses terrenos, encontra-se uma crescente necessidade de infra-estrutura
[...] (SERRA,2003). Na década de 1970 São Luís vivia a euforia de tornar-se o futuro pólo
Minerometalúrgico, passando a ser cotada para a chegada de grandes empresas que levariam a
cidade ao esperado desenvolvimento urbano levando-a a ser um destaque no país. A adoção de uma
política de infra-estrutura associada à economia da cidade foi o necessário para a expansão desta
para além das margens do Rio Anil, região esta formada apenas por pescadores e com moradias
humildes de adobe, madeiras de mangue.
A expansão era necessária, pois se tratava de uma cidade que foi fundada em 1612 e
que até então vivia ainda no mesmo local onde os franceses, holandeses e portugueses construíram
a urbe, hoje chamada de “cidade histórica”.
Em meados das décadas de 1940 e 1950, o centro histórico já estava muito adensado
necessitando de novas áreas para ampliação. Uma das questões que impossibilitava o crescimento
às margens do Rio Anil era a travessia feita apenas de carro, que durava até dias, ou de barco. A
comunicação com a outra margem do rio só foi possível na década 1970, com a construção da ponte
São Francisco, também conhecida como Governador José Sarney.

Fig. 01 - São Luís no início da década de Fig.02 - Cartão postal de São Luís em 2002
1970 Fonte: Acessado em <http://martinha-
Fonte: Foto de Madalena Schwartz no livro cards.blogspot.com/2007_11_01_archive.html>
Geografia Ilustrada, 198?. disponível em 10 de abr. de 2008.

A formação de São Luís nos seus primeiros séculos foi uma prévia de como a cidade
posteriormente iria se desenvolver. Os impactos do mau manejo da natureza foram sentidos pouco a
pouco no século passado. Período este em que o ritmo de crescimento atinge taxas de 4,3% ao ano,
porém, ainda baixa, comparada aos Estados vizinhos, que já atingiam 7,0% ao ano. (ALVES, 1987).
Diversas foram as agressões à natureza e falta de planejamento na cidade; entre os casos está o que
aconteceu com o Igarapé da Jansen, local onde é hoje uma laguna de origem antrópica.
Somente nas décadas de 1980 e 1990, entre os bairros de classe média /alta – São
Francisco, Renascença I, Renascença II, Ponta do Farol – que a Laguna da Jansen em estudo,
conhecida como “Lagoa da Jansen”, ganhou destaque para o grande descaso de poluição e o grande
adensamento de palafitas que ganharam as suas margens. Importante salientar que o nome “lagoa” é
usado erradamente. No conceito de lagoa, esta não entra em contato com o mar, e esse não é o caso
da referida área.
2 OBJETIVO E METODOLOGIA

Tem como objetivo mostrar a habitação da classe menos privilegiada na região da


Laguna da Jansen nas décadas de 1980/1990 na cidade de São Luís do Maranhão, mostrando a
requalificação de um meio que antes não havia nenhum interesse social, onde viviam centenas de
famílias de classe baixa, para um meio de habitação de classe média / alta e novo ponto de visitação
turística da cidade.
As pesquisas contam de que forma houve esta mudança, através de fontes primárias e
secundárias, ou seja, em: documentos, livros, jornais, relatórios de pesquisas, etc. Além de assuntos
relacionados à Arquitetura e Urbanismo houve estudos nas áreas de: Turismo, História, Geografia,
Políticas Públicas, Biologia e Ciências Aquáticas. A pesquisa multidisciplinar tem como importância
compreender as ações tomadas na época e entender de que forma a natureza responde à ocupação
nas áreas de ecossistema frágil de nossa ilha.

3 LOCALIZAÇÃO

A área em estudo encontra-se situada nas coordenadas 02°29’07’’S e 44°18’02’’W, na


parte ocidental da Ilha de São Luís. Encontra-se em área metropolitana valorizada, sendo
compreendida entre os bairros do São Francisco, Ponta D’areia, Ponta do Farol e Renascença I e II.

Ponta do
Farol

Ponta
D’ areia LAGUNA Renascença II

Renascença I
Conexão São Francisco
com o
mar

Fig. 03 – Localização da área de estudo.


Fonte: Foto alterada pela autora a partir do Google Earth, 2007.

4 IGARAPÉ DA JANSEN – ATUALMENTE LAGUNA DA JANSEN

A origem da laguna se deu com o igarapé, denominação esta dada aos pequenos rios
(GUERRA, Antônio. 1993). Até meados da década de 1970, o Igarapé da Jansen apresentava o seu
ecossistema praticamente natural e com apenas poucas moradias em suas mediações.
De acordo com o Laboratório de Hidrologia – LABOHIDRO, em 1985, “Levantamento e
Monitoramento Ecológico da Lagoa da Jansen em São Luís, Maranhão”, a constituição original do
igarapé era:

[...] O mangue era a categoria dominante, ocupando praticamente toda a


região, com extensão areal de 160 ha. Os apicuns, em um total de oito,
apresentavam-se distribuídos ao longo da zona de contato com terra firme,
e representavam a segunda categoria em importância, com 15,6 ha. As
formações de transição, geralmente associadas a apicuns totalizaram 11,3
há. Os cursos d´agua ou igarapés, totalizaram 9,1 ha , sendo representados
basicamente pelo antigo igarapé Ana Jansen. [...] (LABOHIDRO,1985)

Em 1967, foram identificados nove tipos de unidade de paisagem. Este material tem
grande importância por mostrar a morfologia do igarapé e como era a disposição e denominação de
seus ecossistemas. A grande predominância da região é o mangue, que circunda toda a extensão do
igarapé. A faixa vermelha, que indica a urbanização já estava se aproximando, “a pressão urbana
sobre os manguezais era mínima [...].Importante lembrar que a Ponte do São Francisco ainda não
havia sido inaugurada.

Fig. 04 – Unidades de paisagem identificadas em 1967 na área correspondente ao atual Parque


Ecológico da Lagoa da Jansen
Fonte: Nytia Costa, 2007

A transformação do igarapé para uma laguna ocorreu devido a um erro de cálculo. Em


1974, com o surgimento das diretrizes da Primeira Política Nacional de Desenvolvimento Urbano, São
Luís teve o seu primeiro Plano Diretor baseado no Plano de Expansão de São Luís de 1958, de Ruy
Mesquita. (VIÉGAS, 1996). Ruy Mesquista foi um grande idealizador para a urbanização da área em
expansão, inclusive ele quem indicou o posicionamento da Ponte São Francisco.
A descaracterização deste ambiente “inicia-se com a construção das duas rodovias, que
modificaram o sistema de drenagem natural da região”. (LABOHIDRO, 1985).
Entre elas foi a Avenida Colares Moreira, a primeira a ser feita, por volta de 1969/1970.
Esta interceptou na ligação do Igarapé do Jaracati ao Igarapé da Jansen. Mesmo tendo a sua
importância secundária, prejudicou a drenagem natural, porém não se caracterizou com uma grande
descaracterização do local.
No entanto, diferentemente da Avenida Colares Moreira, a segunda avenida construída,
a Avenida João Maestro Nunes, construída em meados de 1974, é responsável pela sua maior
descaracterização. Esta interceptou a principal rede de drenagem do seu ecossistema.

Para facilitar o acesso para a praia da Ponta d’Areia que até então, era
efetuado apenas por via marítima, foram feitos estudos para a construção
de uma via de acesso sobre o Igarapé da Jansen. Os estudos de
engenharia indicaram a construção de uma ponte, entretanto, a Prefeitura
não dispunha de recursos e como o prefeito da época, não desejava
contrair débitos para os seus sucessores, optou por construir apenas um
bueiro, o que ocasionou o represamento daquele importante corpo d’água e,
conseqüentemente, deu-se a criação de uma laguna em área antes
inundada apenas nas preamares. Assim, surgiu a Lagoa da Jansen,
segundo o Secretário de Urbanismo e Planejamento da Prefeitura de São
Luís, daquela época, Dr. Adolfo Radon. (VIÉGAS, Maria do Carmo. 1996).

A figura 05 mostra a disposição das avenidas com relação ao Igarapé da Jansen. A


rodovia com tubulação à esquerda é a Avenida João Maestro Nunes e a rodovia à direita é a Avenida
Colares Moreira.

Fig. 05 – Vista do Igarapé da Jansen. A rodovia com tubulação à esquerda é a Avenida João Maestro
Nunes e a rodovia à direita é a Avenida Colares Moreira.
Fonte: Alteração feita pela autora a partir do mapa do LABOHIDRO,1985
As primeiras manchas da urbanização estavam cada vez mais se expandido e
influenciando a laguna. Após 10 anos da construção da ponte, na década de 1980, a Companhia
Vale do Rio Doce – C.V.R.D (hoje sendo conhecida como VALE) e a Alumínio do Maranhão –
ALUMAR, chegaram em São Luís, como já anunciava o Plano Diretor de 1977, da necessidade de
expansão para suportar o desenvolvimento da cidade. O bairro do São Francisco cresceu em pouco
tempo. Com ele surgiram os bairros do Renascença I, Renascença II, Ponta do Farol, Ponta D’Areia e
Calhau. Estes bairros foram pensados como “exclusivamente residenciais para a classe média/alta,
face aos seus planejamentos em conjuntos habitacionais financiados pelo Sistema Habitacional”, mas
começou a sair do controle com o “acelerado crescimento do comércio e dos setores de serviços
nesses bairros”. (VIÉGAS, 1996)
De acordo com Viégas em 1996, o Plano de Urbanização de 1974 pecou em
desconsiderar a cultura do maranhense, na qual a moradia fica próxima ao trabalho. Dessa forma,
quando a classe média/alta se mudou para a parte nova da cidade esqueceu-se dos trabalhadores de
baixa renda que não tinham condições acessíveis para a sua fixação na região. Com isso
propiciaram-se a invasão nas periferias destes novos bairros, às margens do Igarapé da Jansen.

Fig. 06 – Vista da do Igarapé da Jansen e sua área afetada


Fonte: Alteração feita pela autora no mapa do LABOHIDRO, 1985

As palafitas foram feitas de madeira, papelões, palhas entre outros materiais e os


moradores não possuíam nenhuma captação da rede pública, lançando o seu esgoto “in natura”
diretamente para a laguna. Essas casas flutuantes abrigavam diversos trabalhadores da região, como
garçons, domésticas, marceneiros, eletricistas, mecânicos entre outros que conviviam sem condições
alguma de saneamento básico, em meio à insalubridade e expostos a doenças.
Como comumente acontece, o governo não dá continuidade aos planejamentos de longo
prazo e o Plano Diretor foi esquecido e “o ordenamento dos bairros assumiu outras lógicas”.
(VIÉGAS, 1996).
Fig. 07 – Palafitas na Laguna da Jansen Fig. 08 – Palafitas na Laguna da Jansen
Fonte: São Luís – Uma Ilha Bela por Fonte: Revista Leia Hoje, 1991
Natureza, 199?

Os palafitados não foram os únicos responsáveis pela poluição da laguna, as próprias


residências de classe média/alta e as outras construções em seu redor eram responsáveis por tal
situação da poluição e degradação. O exemplo é o bairro da Ponta D’areia, que só foi receber água
encanada e rede de esgoto em 1993. (VIÉGAS,1996).
Em levantamento feito pela CAEMA, em 1990, foram detectados dez pontos de
lançamento de esgoto, porém existiam outras centenas lançadas pelas palafitas.
A poluição não se dava apenas pelo esgoto, mas também pela elevada quantidade de
materiais orgânicos no fundo da laguna contendo restos do mangue. A abertura que faz a passagem
do mar com o igarapé, por baixo da rodovia Avenida João Maestro Nunes, devido ao erro de cálculo,
formou uma lâmina de água permanente, como a seguir é comentado:

[...] chega a apresentar uma galeria para o escoamento d’água da lagoa e


também do nível médio das preamares de quadratura, o que acarreta um
nível de água permanente, originando assim a lagoa. A troca de água na
referida área só ocorre nas grandes marés de sizígia, cujo nível ultrapassa o
piso da galeria, e na estação chuvosa, quando o grande aporte de água
doce garante um fluxo constante em direção ao mar.

Pelo que foi exposto anteriormente, todos os sistemas encontrados na área,


com exceção dos igarapés, são sistemas de mediolitoral, isto é, sistemas
característicos de áreas que são regulamente expostas e submersas nos
ciclos de maré. Com a criação de uma lâmina d’água permanente, temos o
surgimento de um ambiente de infralito – ral, i.e. , áreas nunca expostas
durante os ciclos de maré. Assim o surgimento da lâmina d’água
permanente não só impactou, mas também criou um ambiente hostil para
os sistemas típicos da região. (LABOHIDRO, 1985)

A poluição da laguna estava com o odor muito desagradável. O aterramento feito por
moradores, que viviam na margem do igarapé, foi outra contribuição para sua degradação.
Enfim, em 1988, a Laguna da Jansen teve o projeto aprovado que a tornou um Parque
Ecológico. Ser um Parque Ecológico, antes de tudo, é uma Unidade de Conservação.
Ser uma Unidade de Conservação significa minimizar os impactos ambientais causados
pela ocupação desordenada em áreas naturais e também tem o objetivo de difundir na sociedade a
importância da conservação e preservação. Apesar do novo título, a laguna continuou a sofrer com
maus tratos.
Em 1991, o Estado, por meio da Secretaria de Estado do Meio Ambiente e Turismo do
Maranhão – SEMATUR propôs, junto com a CAEMA, Prefeitura Municipal de São Luís, Sociedade de
Melhoramento e Urbanização da Capital (SURCAP), entre outros, um estudo em que buscaria a
solução dos principais problemas da Laguna da Jansen, entre eles estavam os problemas
socioambientais e o crescimento das palafitas.
Através da SURCAP, em 1991 foi feito um cadastro que indicou que 428 famílias viviam
em palafitas e outras 149 famílias estavam vivendo em áreas aterradas nas margens da laguna.
Dentre os relatórios da SURCAP, eram 577 famílias que necessitavam serem remanejadas. Para
resolver o problema parcialmente foi elaborado o plano de construir 500 casas populares com lotes
de 96m² destinado a cada família. As casas teriam duas tipologias. O primeiro tipo de casa teria
37,35m² podendo expandir 50,18m². O segundo tipo de casa seria 21,00m², podendo crescer para
51,03m².

Fig. 09 – Retirada das palafitas. Fig. 10 – Casas populares, no bairro Ana Jansen,
Fonte: MENDES,2003 para abrigar uma parte dos ex-palafitados.
Fonte: MENDES,2003

Apesar de a SUCARP ter previsto a construção de 500 casas, esta não dispunha de
área suficientemente extensa para todas as moradias. A solução foi dividir em três áreas diferentes:
Ilhinha – 57.787m² (296 lotes), Ferradura – 16.178,63m² (96 lotes) e Sítio Campinas – 20.925m² (142
lotes). Destas, apenas a Ilhinha foi parcialmente loteada com casas geminadas de 30,02m².
(VIÉGAS,1996)

Ponte São Francisco CENTRO

PALAFITAS

LAGUNA DA IGARAPÉ DA
JANSEN JANSEN

Fig. 11 – Residencial da Jansen


Fonte: Alteração feita pela autora a partir de VIÉGAS, 1996.
Dos 577 previstos para o remanejamento, somente 244 foram levadas para o
Residencial Jansen. De acordo com os técnicos da PRO-VITA, empresa de consultoria contratada
pela Prefeitura, nem todas as residências necessitavam ser retiradas, pois poderiam ser feitas
apenas algumas melhoras nas instalações sanitárias e que economizaria 80% dos recursos usados
para o remanejo.
Em 1998, [...] quase 30% dos manguezais originais já tinham sido destruídos.”
(LABOHIDRO,2002). Em 2000, iniciou-se um grande projeto no entorno da Laguna da Jansen, que
contou com áreas de cooper, quadras de esporte, concha acústica, playground, etc. Quase todas as
margens insalubres da região foram compradas por investidores imobiliários.

Fig. 12 – Reforma da Laguna da Jansen Fig. 13 – Reforma da Laguna da Jansen


Fonte: Acervo de Barbara Prado Fonte: Disponível em:
<http://www.ibnna.org/Maranhao.htm> acessado
em 15 de mar. de 2008

Parte da classe trabalhadora, regiões próximas às antigas palafitas, ainda se encontram


instaladas. Porém, esta área é a menos favorecida dos recursos urbanísticos oferecidos no projeto.
Inclusive é o local onde ainda possui forte mau cheiro, pois a “lagoa” não foi despoluída, como
prometeram, e nem melhorou de forma adequada a infra-estrutura dos antigos moradores que ainda
convivem com o esgoto e a falta de saneamento básico.
Além da região onde havia as palafitas, ainda há vários outros pontos que se encontram
os seus antigos moradores, formando, ainda, um grande tecido de ruas tortuosas. Os proprietários
desses pontos sofrem constantemente com o assédio dos empreendedores imobiliários, a fim de
fazer especulação.

Fig. 14 – Novos empreendimentos Fig. 15 – Formação de comércio em meio às


Fonte: Adriana Sekeff, 2008 residências.
Fonte: Adriana Sekeff, 2008
Interessante que a maioria das casas que antes se deparavam com um pântano, após a
revitalização do parque ecológico, criou-se uma auto-estima nos moradores, que passaram a
reformar suas casas. Reforma esta não só pela transformação urbanística como também pela sua
atual localização, em um ponto de visitação turística, e também ser, diferente de outros tempos,
trajeto das classes mais favorecidas.

Fig. 16 – Residências do bairro Ana Jansen Fig. 17 – Residências do bairro Ana Jansen
Fonte: Adriana Sekeff, 2008. Fonte: Adriana Sekeff, 2008.

Atualmente as casas habitacionais do bairro Ana Jansen, local onde parte dos
moradores das palafitas foi remanejada, já estão bem alteradas, muitas já não possuem mais suas
feições originais. O crescimento do bairro já se encontra sem nenhum tipo de regulamento, inclusive,
sua expansão foi tanta que novamente foram formados mais palafitas próximas à foz do igarapé.

5 CONSIDERAÇÕES FINAIS

Este projeto visou transformar a região em um ponto turístico, porém não teve a
preocupação para com seu meio ambiente, a laguna continua com odor desagradável, restando muito
pouco da sua vegetação original.

Fig. 18 – Lagoa da Jansen _Vista do Ed. Los Angeles


Fonte: Adriana Sekeff, 2007

Como lado positivo, além de um novo cartão postal para a cidade e uma nova área de
lazer, a reforma elevou a auto-estima das pessoas que permaneceram na região. Como pode ser
visto anteriormente, as casas estão sendo reformadas a fim de se adequar às mudanças de seu
entorno.
Infelizmente, o lixo que vira luxo não possui os mesmos protagonistas, ou seja, as
pessoas que teoricamente deveriam ser beneficiadas foram novamente afastadas para fins políticos.
Políticas públicas a fim de melhorar a infra-estrutura para classes menos favorecidas
devem ainda ser desenvolvidas. Hoje, boa parte dessas famílias está na Ilhinha, bairro periférico, que
é responsável pela elevação do índice de violência nos bairros adjacentes – Ponta D’Areia, São
Francisco, Ponta do Farol e Renascença I e II – os mesmos bairros que antes os circundavam.
Este artigo mostra o que ocorre constantemente nas cidades em desenvolvimento: a
exclusão social e a degradação do meio ambiente.

REFERÊNCIAS

ARAUJO FILHO, Erivaldo Antonio de. Uma Ánalise Acerca do Lazer Noturno Oferecido ao
Público em Geral na Área da Lagoa da Jansen. São Luís: UFMA, 2006. Monografia de Graduação
de Bacharel em Turismo.

BASTOS, Jorge Henrique Martins. Urbanismo Turístico, Crescimento Urbano e os Impactos


Sócio-Ambientais na Laguna da Jansen e Áreas de Entorno (São Luís-MA). São Luís: UFMA,
2006. Monografia de Graduação de Bacharel em Geografia.

Caderno – O Jornal O Estado do Maranhão. Neiva e Haroldo debatem com empresários futuro de
São Luís. 12 de dez. de 1973.

COSTA, Gildean Parga. A Segregação Sócio-Espacial Provocada pela Construção do Complexo


São Francisco / Calhau / Renascença – São Luís-MA. São Luís: UFMA, 2006. Monografia de
Licenciatura em Geografia.

FIGURA O2 – Acessado em <http://martinha-cards.blogspot.com/2007_11_01_archive.html>


disponível em 10 de abr. de 2008.

GOVERNO DO ESTADO MARANHÃO. Turismo – São Luís – Lagoa da Jansen. Disponível em: <
http://www.turismo.ma.gov.br/pt/polos/sao_luis/lagoa_jansen.htm>.
Acessado em: 13 de fev. 2007.

IBNNA. Disponível emhttp://www.ibnna.org/Maranhao.htm acessado em 10 de abr. 2008.

LABOHIDRO. Relatório Final – Estruturação do LABOHIDRO para Levantamento e


Monitoramento Ecológico da Lagoa Jansen em São Luís, Maranhão. 1985.

LABOHIDRO. Diagnóstico das Condições Ambientais da Lagoa da Jansen – Projeto para


Recuperação Ambiental. São Luís, 1993.

LABOHIDRO. Relatório Parcial - Diagnóstico Ambiental da Lagoa da Jansen. São Luís, 1998.

LABOHIDRO. Relatório Final – Diagnóstico Ambiental da Lagoa da Jansen. São Luís, 2002.

MESQUITA, Ruy Ribeiro. Plano de Expansão da Cidade de São Luís. 1958

PRADO, Barbara Irene Wasinski Prado. A Função Social da Arquitetura Paisagística Insular: uma
síntese entre a ilheidade e a modelação da paisagem na Ilha de São Luís. Projeto de Tese de
Doutorado em Urbanismo apresentada a Universidade Federal do Rio de Janeiro – UFRJ em
convênio com a Universidade Estadual do Maranhão –UEMA. São Luis: Julho de 2005.

SILVA, Flávio Augusto Lobato da. Adensamento Populacional do Município de São Luís (MA) a
partir da Década de 70 e suas Principais Implicações Sócio-Ambientais. São Luís: UFMA, 2006.
Monografia de Graduação de Bacharel em Geografia.

SCHWARTZ, Madalena. Geografia Ilustrada. São Luís: 198?.


SOUSA, Maria Nilde Ximenes de. Potencialidades Turísticas e Limitações Político-Ambientais
em São Luís. São Luís: UFMA, 2001. Monografia para a obtenção de Especialista em Planejamento
Ambiental.

VIÉGAS, Maria do Carmo Pinto. Políticas Públicas e o Ecossistema Manguezal: O Caso da Lagoa
da Jansen. São Luís: UFMA, 1996. Dissertação para a obtenção do título de Mestre em Políticas
Públicas.

Você também pode gostar