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TCC
O PROJETO POLÍTICO PEDAGÓGICO E A GESTÃO ESCOLAR

RESUMO

Muitas são as discussões sobre a necessidade de desenvolver um trabalho mais


coletivo e participativo na escola. O processo de descentralização da gestão em
busca da qualidade do ensino e na superação do conceito fragmentado e limitado de
administração (hierárquica e burocratizada) para um novo entendimento de gestão
(democrática) transpassa uma simples nomenclatura para tornar-se um efetivo modo
de viver a gestão. Nessa perspectiva, o presente trabalho objetiva analisar os
principais pontos que alicerçam o Projeto Político Pedagógico. Foram utilizadas
neste trabalho, pesquisas bibliografias referentes à educação, materiais digitalizados
adquiridos na rede mundial de computadores. Esta pesquisa bibliográfica discute
sobre a cultura local onde está inserida a escola e o seu currículo, problematiza
questões pertinentes ao contexto escolar com a atual Legislação vigente; estabelece
um diálogo entre a literatura da área de gestão com o atual PPP e; amplia as
discussões acerca da Gestão democrática e participativa. Pode-se constatar que os
principais programas do Governo Federal são possibilidades legais e reais para a
concretização de inúmeras expectativas, a exemplo da universalização da Educação
Básica de qualidade e a valorização profissional. O PPP da escola, quando
estruturado a partir dos anseios da comunidade escolar e vinculado aos referidos
programas, ganha força. O PPP, ao ser rediscutido, precisará ser mais objetivo e de
fácil acesso; enfatizar as metas pedagógicas e; dialogar com a literatura da área.
Dessa maneira, estreitará cada vez mais a sua relação com a comunidade escolar.
Palavras-chave: Gestão Educacional. Gestão Escolar. Projeto Político Pedagógico.
Democracia.

ABSTRACT
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O PROJETO POLÍTICO PEDAGOGICO E GESTÃO ESCOLAR

There are many discussions about the need to develop collective and participatory at school. The
process of decentralization of the search for the quality of education and the overcoming of the
fragmented and limited concept of administration (hierarchical and bureaucratized) for a new
understanding of (democratic) management transcends a simple nomenclature to become an effective
way of living management. From this perspective, the present work aims to analyze the main points
that underpin the Political Pedagogical Project. We used bibliographical research on education,
digitized materials acquired in the world computer network. This bibliographic research discusses the
local culture where the school is inserted and its curriculum, problematizes questions pertinent to the
school context with the current Legislation in force; establishes a dialogue between the literature of the
area of management with the current PPP and; broadens the discussions about democratic and
participatory management. It can be seen that the main programs of the Federal Government are legal
and real possibilities for the realization of numerous expectations, such as the universalization of Basic
Education of quality and professional valorization. The PPP of the school, when structured according
to the wishes of the school community and linked to said programs, gains strength. The PPP, when
rediscussed, will need to be more objective and easily accessible; emphasize pedagogical goals and;
dialogue with the literature of the area. In this way, it will increasingly narrow its relationship with the
school community.

Key-words: Management Education. Management Scholar.Educational


PoliticianProject. Democracy.
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SUMÁRIO

Sumário
1- Democracia e Gestão: Um Primeiro Diálogo..............................................4
2- Objetivos........................................................................................................8
2.1Objetivo Geral................................................................................................8
2.2 Objetivos Específicos..................................................................................8
3- Gestão Escolar .............................................................................................9
4- Gestão educacional e gestão escolar........................................................14
5- A Legislação Vigente e o Contexto Escolar..............................................17
6- Os descompassos entre o dito e o feito .................................................. 19
7- CONSIDERAÇÕES FINAIS..........................................................................21
8- REFERÊNCIAS........................................................................................... 24
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1. DEMOCRACIA E GESTÃO: UM PRIMEIRO DIÁLOGO

O Projeto Político Pedagógico é a identidade da escola, sendo este


instrumento indispensável para o bom andamento das ações da unidade,
podemos compreender um pouco de sua atribuição vendo o significado de
seu nome:
PROJETO = vem do latim PROJICERE que significa lançar para frente;
POLÍTICA = refere-se à ciência ou arte de governar; orientação administrativa
de um governo; princípios diretores da ação; conjunto dos princípios e dos
objetivos que servem de guia a tomadas de decisão e que fornecem a base
da planificação de atividades em determinado domínio; modo de se haver em
qualquer assunto particular para se obter o que se deseja; estratégia; tática;
(Do grego politiké, a arte de governar), PEDAGÓGICO = relativo ou conforme
a pedagogia; que é teoria da arte, filosofia ou ciência da educação, com vista
à definição dos seus fins e dos meios capazes de os realizar.

Para que a construção do projeto político seja possível, não é preciso


convencer os professores, a equipe escolar e os funcionários a trabalhar
mais ou mobilizá-los de forma espontânea, mais propiciar situações que
lhes permitam aprender e pensar e a realizar o fazer pedagógico de forma
coerente. (VEIGA, 2003. P.13)

Para sua construção ou reconstrução do Projeto Político Pedagógico é necessário


antes de tudo, conhecer a realidade do grupo educacional, conhecer a realidade
da comunidade em que a escola está inserida, realizar um diagnóstico destas
realidades, em seguida definir equipe responsável pela organização da
elaboração do projeto, o qual deve inegavelmente ser criado na escola, tratando-
se da identidade da mesma, não pode ser construído por pessoas que não
conheçam a realidade. Esta equipe tratará da organização das etapas a serem
realizadas, onde poderão seguir os seguintes passos: pesquisa bibliográfica e
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documental, levantamento de dados da U.E., levantamento de dados da


comunidade, pesquisa campo: realizar reunião com todos os membros da
comunidade escolar para determinar os primeiros passos a serem dados na
construção do PPP, definir equipe responsável pela elaboração do projeto.
Organização de programação para criação do projeto político pedagógico;
mobilização de toda a comunidade escolar, pais, alunos e membros da
comunidade para criação do PPP, levando em conta o diagnóstico realizado,
promovendo quantos encontros se fizerem necessários. Elaboração do
documento devidamente redigido.
Ao fazer uma análise da relevância do PPP, Carvalho (2004, p.156-157)

[...] o projeto político-pedagógico pode ser considerado como a ‘carteira de


identidade’ da escola, evidenciando os valores que cultua, bem como o
percurso que pretende seguir em busca de atingir a intencionalidade
educativa. Espera-se que prevaleça o propósito de oferecer a todos
igualdade de oportunidades educacionais, o que não significa
necessariamente, que as oportunidades sejam as mesmas e idênticas para
todos.

Nesse contexto o projeto escolar por se tratar de um planejamento deve evitar


improvisação, perda de tempo e de dinheiro. É com planejamento, que se define
bem o que se pretende e o que deve ser feito para se chegar aonde se quer. Um
bom Projeto Político Pedagógico dá segurança à escola. Escolhem-se as
melhores estratégias o que facilita o trabalho de todos da unidade, pois o mesmo
está fundamentado no Projeto que norteia toda Escola. Isso se faz imprescindível
para  se ter um rumo, visando obtenção de resultados de forma mais eficiente,
intensa, rápida e segura.
Observa-se que o Projeto Político Pedagógico tornou-se nos últimos anos objeto
de estudo e debates entre educadores e especialistas, sendo reconhecido como
principal instrumento na busca da melhoria da qualidade de ensino, pois o mesmo
proporciona auto conhecimento. Conhecimento do contexto e principalmente de
sua realidade, permitindo que se quebre a rotina que às vezes se instala
reorganizando e direcionando o saber fazer, construindo uma realidade palpável
da educação.
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De acordo com Veiga, 2003. p. 23-27, para esta construção é indispensável levar
em conta elementos constitutivos do projeto com, Marco referencial: O Marco
Situacional (onde estamos, como vemos a realidade); O Marco Doutrinal ou
Filosófico (para onde queremos ir); O Marco Operativo (que horizonte queremos
para nossa ação).
Marco filosófico: Que tipo de sociedade queremos construir? Que tipo de
Homem/Pessoa Humana queremos colaborar na formação? Que finalidade
queremos para a Escola? Que papel desejamos para a Escola em nossa
realidade? Marco situacional: Como compreendemos / vemos / sentimos
o mundo atual? O País/Estado/Cidade onde vivemos? Como percebemos / vemos
o bairro em que fica inserida a nossa escola? Quais são os sinais no mundo atual
que nos alegram/mobilizam? Por quê? Que concepções temos de: Educação?
Conhecimento? Escola? Comunidade? Sala de aula? Professor? Aluno? Marco
operativo: Dimensão pedagógica, Dimensão comunitária e Dimensão
administrativa.
Nesse sentido, consideramos que o Projeto Político-Pedagógico prevê todas as
atividades da escola, do pedagógico ao administrativo, devendo ser uma das
metas do Projeto construir uma escola democrática, capaz de contemplar
vontades da comunidade na qual ele surge tanto na sua elaboração quanto na
sua operacionalização, desde professores, técnicos, pais, representantes de
alunos, funcionários e outros membros da comunidade escolar.
Após a elaboração do Projeto Político Pedagógico deve-se lembrar que o mesmo
é contínuo, pode ser reformulado quando necessário, e principalmente não deve
ser arquivado e esquecido, é instrumento fundamental a ser usado em todo ano
letivo, colocando em pratica ações propostas, podendo a escola avaliar
continuamente estas ações, e futuramente sanar as dificuldades encontradas.
Assim pode-se reconhecer que o projeto político-pedagógico da escola, quando
bem construído e administrado, pode ajudar de forma decisiva a escola a alcançar
os seus objetivos. A sua ausência, por outro lado, pode significar um descaso
com a escola, com os alunos, com a educação em geral, o que, certamente,
refletirá no desenvolvimento da sociedade em que a escola estiver inserida.
Construir o Projeto Político Pedagógico da escola é fundamental, frente à
realidade de que toda instituição educacional necessita desta ferramenta
norteadora, para orientar todas as atividades nela realizada.
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O Projeto Político Pedagógico deve dar atenção especial ás necessidades


básicas de aprendizagem do educando, com ações que direcionem todo trabalho
da instituição, pois o mesmo leva em conta a realidade do alunado não somente a
realidade que vivem na escola mais principalmente da sociedade.O projeto
político-pedagógico é uma construção coletiva na qual deve-se concordar com
Rosita Carvalho Edler 2004, p.157, quando se refere em relação do projeto, “o
texto estará sempre em processo de aprimoramento, por se tratar de um ‘tecido’
que nunca se arremata, porque a vida é dinâmica e exige modificações
permanentes.”

Para ser autônoma, a escola não pode depender somente dos órgãos
centrais e intermediários que definem a política da qual ela não passa de
executora. Ela concebe sua proposta pedagógica ou projeto pedagógico e
tem autonomia para executá-lo e avaliá-lo e avaliar uma nova atitude de
liderança, no sentido de refletir sobre as funções sociopolíticas e culturais
da escola. (VEIGA, 2003. P.15)

Aplicado esses propósitos à gestão escolar, em nome de uma maior eficiência e


produtividade, influenciou diretamente no planejamento, na burocratização, na
organização racional do trabalho pedagógico, na operacionalização dos objetivos e
no parcelamento do trabalho com a especialização de funções. Caso tivermos um
olhar atento a essa temática será possível perceber que a educação foi influenciada
por teorias administrativas e economicistas a partir do momento em que se exige da
escola produtividade, excelência, eficácia e eficiência. Esses motivos apresentados
já são suficientes para afirmar que a escola está inserida dentro de um contexto de
inúmeros questionamentos. É possível constatar que em nosso país, desde o
período colonial, passando pelo período do Império e, posteriormente, no governo
de Getúlio Vargas, não houve grandes tentativas de deflagração de um processo
democrático. Podemos afirmar com certa timidez que foi com a deposição de Getúlio
Vargas (1945) que ocorreu a primeira experiência democrática no Brasil, embora
muitos confundam democracia com práticas populistas. Contudo, uma democracia
restrita não pode ser considerada democracia. Ou seria uma “pseudodemocracia” ou
uma “democracia ditatorial”?

Quando os processos de gestão não são partilhados, desvaloriza-se o contexto e a


comunidade escolar acaba por se afastar. Sem a participação, a interação, a
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solidariedade e o diálogo entre as pessoas, além da falta de espaço para a


alteridade, o resultado é a inexpressividade de sentido para as pessoas e a
reprodução de modelos importados ou impostos.
A gestão educacional é um processo tecido de maneira multifacetada, através de
conhecimentos construídos culturalmente e, não raro, de forma conflitante,
divergente e até mesmo contraditória. Com a gestão escolar também não é
diferente.
Buscaremos identificar as ações pedagógicas e administrativas de uma escola:
Projeto Político Pedagógico. Ele será o resultado de reflexões e questionamentos de
seus profissionais sobre o que é a escola hoje e o que poderá vir a ser. Visa, pois, a
inovar a prática pedagógica da escola e elevar a qualidade do ensino.
O projeto pedagógico passou a ser considerado uma necessidade da escola atual
como instituição com novos paradigmas e novas exigências, impostas pelas
profundas transformações no Brasil e no mundo, logo, projeto pedagógico não é
modismo e nem se admite ser um documento para ficar engavetado em uma mesa
na sala de direção da escola, pois é instrumento de trabalho que indica rumo,
direção e construção de todos os envolvidos no processo educativo. O termo Projeto
Político Pedagógico se mostra como algo indissociável política e pedagogicamente..

2- Objetivos

2.1 Objetivo Geral

Buscamos verificar as peculiaridades do documento que oficializa as ações


educativas dentro da escola e analisar a partir de uma ótica democrática as relações
que o documento e a gestão possuem entre si.

2.2 Objetivos Específicos


 Descrever a intenção de administração;
 Descrever as características de gestão democrática;
 Definir as especificidades do documento oficial regulamentador das ações
pedagógicas dentro de uma intenção educativa;
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 Analisar o caráter formativo sobre o repensar de conceitos;


 Co-relacionar o projeto político pedagógico com os conceitos democráticos e
inovadores.

3 - GESTÃO ESCOLAR

Designamos “administração”, no ramo empresarial, como a


capacidade de possuir uma visão ampla e inovadora para que os objetivos
estabelecidos pelo corpo acionista possam ser alcançados, possibilitando o
crescimento da organização e aumento do valor de suas ações. Gere-se, ministra-se
e estipulam-se direções dentro de uma empresa para que esta construa um
cotidiano organizado e eficiente, para com o trabalho realizado. Obter-se-a assim,
um processo rentável nos mais diversos aspectos.
A administração ou gestão escolar corresponde às funções
especificas de planejar, organizar, dirigir e avaliar uma determinada instituição
educacional, mediante várias ações e procedimentos. Conceitualmente a gestão faz
parte da organização, no entanto na escola a gestão e a organização aparecem
juntas, pois seus objetivos e resultados, seus processos e meios estão relacionados
com a formação humana.
Em muitos aspectos os anseios da organização escolar se
familiarizam com os anseios empresariais. Condizem-se em geral nas questões
relacionadas à busca de soluções e artifícios na realização de seu trabalho e na
conquista de resultados, é algo que poderíamos chamar de gestão educacional
centrada na escola na perspectiva neoliberal, que concede à 2 comunidade e à
escola a iniciativa de planejar, organizar e avaliar os serviços educacionais, e, libera
boa parte das responsabilidades do Estado.
No entanto, as relações que vivemos e as condições de vida,
tornam necessária uma reflexão sobre a administração escolar, já que não é
possível dissociá-la da área pedagógica, como faz transparecer a política neoliberal.
A destinação de recursos dentro da escola, a defesa de interesses
coletivos, a tomada de decisões políticas no âmbito escolar, colocam-se como
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componentes do currículo, entendido como a construção do conhecimento em sua


totalidade e rompendo com a concepção conteúdista, assim contrapondo se à
compreensão de administração/gestão escolar neoliberal. Qual o caminho a seguir?
A perspectiva sócio crítica que, pelo interesse público do serviço educacional
prestado, valoriza as ações concretas dos profissionais na escola que sejam
decorrentes de sua iniciativa, cobrando do Estado suas responsabilidades na
educação, aquilata a escola, seu tempo, seu espaço, as relações que ali se travam,
constituem um ambiente educativo.

“A racionalidade necessária, expressa por intermédio de organizações,


processo decisório participativo, consciência coletiva, critério no
atendimento das necessidades, descentralização, corresponsabilidade e
ação planejada, caracteriza hoje a dimensão pedagógica peculiar da
atividade administrativa na escola e nas demais instancias do sistema e
transforma a administração num ato pedagógico ao se assumir novos
paradigmas de conhecimento, superando o individualismo” (BUSSMANN
1995, pg. 42).

A Educação que almejamos nos remete a uma gestão escolar que visa à
democracia. Uma gestão democrática que alicerce ações coletivas e críticas em
relação à realização da educação dentro do ambiente escolar e que possua
autonomia para o feitio educativo. Esta gestão deve buscar descentralizar o poder,
remanejar e aproximar grupos que antes atuavam perifericamente à administração
escolar, possibilitando-os assim ter também o poder de decisão. 3 A união dos
grupos acarreta dentro das articulações político pedagógicas, um melhor
encaminhamento de recursos. Com participação ativa, os grupos sentem-se inclusos
criando um comprometimento maior com a escola.

Como ressalta Veiga:

“a gestão democrática implica principalmente o repensar da estrutura de


poder da escola, tendo em vista sua socialização. A socialização do poder
propicia a prática da participação coletiva, que atenua o individualismo; da
reciprocidade, que supera a opressão; da autonomia, que anula a
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dependência de órgãos intermediários que elaboram políticas educacionais


das quais a escola é mera executora” (VEIGA 1995, pg. 18).

Dentro dessa gestão onde os grupos tomam as decisões e que se gere um modelo
autônomo de administração, existem indivíduos que possibilitarão a articulação entre
os universos sociais, pedagógicos, financeiros, filosóficos entre outros. Eles são os
gestores, ou especialistas educacionais. Estes que encaram as funções de diretores,
supervisores, orientadores, coordenadores, inspetores, entre outros, que fazem a
ponte entre os diversos ambientes e elementos presentes na escola e na
comunidade escolar. Tais profissionais unem os problemas às soluções, as dúvidas
às certezas, os anseios às realizações. Tem de delegar funções para determinados
indivíduos e providenciar resoluções para diferentes assuntos. Devem conhecer
globalmente o ambiente escolar e as relações que este possui com seus usuários
internos e externos. Estes precisam possuir liderança e firmeza no ambiente
democrático viabilizando decisões, competência pedagógica, ética profissional,
realizando um impulso para que as decisões técnicas e pedagógicas sejam
cumpridas por todos. Dirigir e coordenar significa assumir no grupo a
responsabilidade de fazer a escola funcionar mediante o trabalho conjunto e, essas
tarefas agrupadas referem-se à gestão. A postura que a escola deve tomar em
relação à sua administração tem que ser aplicada no currículo que ela desenvolve. A
questão da integração dos grupos, da divisão de poder e da articulação da teoria
com a prática realista tem de se tornar norteadores de um trabalho pedagógico. São
exemplos de uma gestão democrática a valorização e a garantia da participação de
toda a comunidade escolar, exemplificadas pelo Conselho de Escola, Associação de
Pais e Mestres, Grêmio Estudantil, reuniões de Pais e Mestres e todos os espaços a
serem construídos. Assim é competência da direção, assegurar a execução
coordenada e integral das atividades dos setores e dos indivíduos, o processo
participativo de tomada de decisões, a articulação das relações interpessoais. Todos
os profissionais da escola precisam estar aptos a dirigir a participar das formas de
gestão, pois é necessário que haja um mínimo de normas, sempre decididas
conjuntamente, garantindo a unidade da ação educativa escolar, garantida no
Projeto Político Pedagógico. A gestão democrática participativa acentua tanto a
necessidade de objetivos e metas como também a de estabelecer formas
organizativas e procedimentais assegurando assim práticas de gestão participativa.
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Como exemplos de ações a serem desenvolvidas para que isso ocorra,


apresentamo las abaixo:
 Formação de uma boa equipe de trabalho, visando a excelência do trabalho
e a garantia do comprimento do estabelecido pelo coletivo;
 Vivência e aprendizagem de jovens e adultos (sociedade, local e escolar)
dentro do espaço – tempo, a escola busca viabilizar as condições para estas
relações ocorram. Com isso a administração escolar deve prever e promover
formas democráticas de organização e funcionamento;
 Metas pertinentes, claras e viáveis para que todos os membros da
comunidade escolar tenham conhecimento e clareza das ações a serem
desenvolvidas;
 Fortalecimento de formas de comunicação e de difusão de informações,
almejando assim envolver a todos, ao mesmo tempo em que tal prática
favorece a crítica e a avaliação;
 Mudança de paradigmas, tornando possível a renovação dos pensamentos,
atitudes, crenças, verdades e colocando em contraposição velhos modelos
que regem e dão diretrizes à educação brasileira;
 Metas e diretrizes, estipulando marcas a serem atingidas, norteadores que
devem ser conhecidos pelos agentes escolares e que estes possam se
comprometer com o andamento do processo em vista da melhora para a
conquista de resultados;
 Criar/possibilitar coletividade e transparência, pois se deseja uma escola
democrática e autônoma. Para isso devem-se criar condições das diversas
áreas para que ocorra a transparência do trabalho planejado e realizado. Para
que esta seja possível, nada melhor do que a ciência de todos os indivíduos
sobre os acontecimentos relativos ao processo educativo, possibilitando uma
coletividade sobre o trabalho pedagógico.
 Conhecimento da realidade escolar a fim de se identificar os indivíduos
presentes na escola e a comunidade que a escola serve. Partindo dessa
identificação será possível criar laços com a história que a instituição possui
com a sociedade e consigo mesma. Criar a identidade própria estabelecendo
uma singularidade que causa um vínculo maior entre os atores educativos.
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 Contínua análise e avaliação da escola e de seus programas para que não


se criem “comodismos” nocivos ao processo educativo. A educação é um
processo que se renova a cada dia, “morrendo” e “renascendo” a cada
pensamento e recriando-se a cada análise e avaliação, como uma fênix que
surge de suas próprias cinzas e se fortifica ao seu avoar, metamorfoziando-se
em um elemento mais belo.
 Retomada das bases fundamentais da atuação pedagógica para que sejam
norteados os princípios que regem os conceitos de educação. Com isso não
se caminha pela estrada de incertezas deixando espaço para “achismos”
pedagógicos que muitas vezes são provindos de fora da escola e feitos por
aqueles que não se lembram mais do que significa educar.
 Formação continuada de todo o corpo docente e funcionários. Este fato se
mostra importantíssimo pelo cunho que se dá à quebra de paradigmas e
renovação do conhecimento aliada às experiências e já vivenciadas pelos
profissionais. Inovação do pensamento e aquisição de novos saberes.
É preciso ressaltar que a gestão democrática como a fênix surge a cada novo
desaparecer; provinda das mais difíceis situações. A democracia pressupõe um
“eterno” construir-se, pois o novo trás o germe de outras possibilidades exigindo de
cada um de nós novas reflexões, disposição, tolerância, desprendimento,
generosidade, percebimento, de que nada está pronto e acabado, mas sim em
processo de transformação, que precisamos do outro para avançarmos em
atmosferas nunca antes desbravadas. A construção de uma gestão democrática
permite que a educação brasileira caminhe na realização de seu principal
compromisso: a formação de cidadãos plenos, capazes de construir, reconstruir
suas vidas e a de sua comunidade e sem dúvida alguma é na escola que este
processo pode e deve começar com conhecimento, comportamentos, atitudes
democráticas e vivenciadas no seu cotidiano, incumbindo-nos da tarefa de educar.
O projeto político pedagógico pressupõe uma relação entre teoria e prática que não
se coloca de forma compartimentada, más sim dialética. Assim o exercício de refletir
possui um caráter teórico que, entretanto só tem significado se emerge da prática;
procura analisá-la, fundamentá-la e a ela volta no sentido de reforçá-la ou reconduzi-
la, se necessário. Planejar ou pensar um projeto significa a intenção de realizá-lo, o
que quer dizer que temos em mente um ideal que enquanto encontrar-se em nossa
mente tem um caráter utópico, entendido aqui não como algo impossível más ainda
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não realizado. Ao apresentarmos o ideal como algo possível e que poderá vir a ser,
iremos torná-lo real a partir da nossa ação (prática), por isso à unicidade entre teoria
e prática, prática e teoria, requerendo de cada um dos envolvidos no fazer
pedagógico uma disposição, responsabilidade pelo pensar e pelo agir, o que
significa dizer que a construção do projeto pedagógico requer o abandono do
trabalho solitário e exige a organização da intencionalidade coletiva com tal
processo.
Concebemos o projeto político pedagógico como um planejamento estratégico das
ações pedagógicas a serem desenvolvidas no âmbito escolar, fruto de uma
construção coletiva que envolve toda a comunidade escolar entendida não apenas
como o espaço físico da unidade escolar como também o seu entorno. O objetivo,
sem dúvida, é propiciar as condições para que prática democrática em constante
construção leve o educando a atingir plenamente sua cidadania transportando tais
atitudes e comportamentos democráticos para todos os espaços de convivência
social.

4-. Gestão educacional e gestão escolar

Por falarmos em articulação, torna-se interessante relacionarmos e, ao mesmo


tempo, distinguirmos o que é gestão educacional e o que é gestão escolar. A
primeira, a gestão educacional, pode ser entendida como o resultado do processo
de articulação nas diferentes instâncias educacionais do governo (Federal, Estadual
ou Municipal). Trata-se das “normatizações de leis que gestam a educação”
(MOUSQUER, 2008, p.30), numa dimensão macro. Podemos citar como exemplo,
as políticas públicas e as leis decretadas pelo governo, as quais servirão,
futuramente, como base da gestão escolar. Esta, por sua vez, está localizada numa
esfera mais local, ou seja, a própria escola. Já a segunda, a gestão escolar, se
processa em interface no campo pedagógico, administrativo e financeiro, e em
articulação com a comunidade escolar. A tomada de decisões coletivas e
democráticas na escola pelos pais, professores, alunos, direção e membros
externos que queiram contribuir para a melhoria da infraestrutura, arrecadação de
fundos ou na participação dos conselhos escolares são exemplos de gestão escolar.
A pesquisadora Lück (2006) destaca que a gestão escolar é local (micro), enquanto
que a gestão educacional está relacionada aos sistemas de ensino, num caráter
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amplo e abrangente (macro), sendo que ambos articulam interativamente. O


seguinte recorte esclarece, de maneira sucinta, o que vem a ser gestão educacional.
Nas palavras da autora:
Gestão educacional corresponde ao processo de gerir a dinâmica do
sistema de ensino como um todo e de coordenações das escolas em
específico, afinado com as diretrizes e políticas educacionais públicas, para
a implementação das políticas educacionais e projetos pedagógicos das
escolas, compromissado com os princípios da democracia e com métodos
que organizem e criem condições para um ambiente educacional autônomo
(soluções próprias, no âmbito de suas competências) de participação e
compartilhamento (tomada conjunta de decisões e efetivação de
resultados), autocontrole (acompanhamento e avaliação com retorno de
informações) e transparência (demonstração pública de seus processos e
resultados)
(LÜCK, 2006, p. 35-36).

A autora destaca, ainda, da necessidade de se desenvolver um trabalho docente


mais coletivo e participativo com a comunidade escolar. Enfatiza o processo de
descentralização da educação na busca da qualidade do ensino e supera o conceito
fragmentado e limitado de administração (hierárquica e burocratizada) para um novo
entendimento de gestão - democrática.
Tal mudança vai além de uma simples alteração de nomenclatura. Trata-se de uma
mudança de paradigma, o que demanda um novo entendimento e uma nova
conduta docente. Nessa perspectiva, a escola e os gestores passam a ser todos os
envolvidos no processo de aprendizagem, o que requer a busca por um novo valor
para a educação, pautado na autonomia, no desenvolvimento e na coletividade. A
gestão escolar numa perspectiva democrática envolve diferentes espaços de
participação nos seus diversos segmentos (direção, professores, pais, alunos,
funcionários e comunidade em geral).
A complexidade das relações sociais, políticas e ideológicas das instituições de
ensino não deveriam permitir reduzir a gestão escolar a um simples conjunto de
atribuições. No entanto, muitos desafios se apresentam ao gestor que pretende
implementar uma gestão de qualidade, o que compreende acompanhar e fazer as
devidas intervenções: na organização do currículo, nas relações entre famílias,
lideranças e escola (diálogo), na infra-estrutura para o PPP (nível de participação,
trabalho coletivo, organização do espaço e tempo da aprendizagem), no ambiente
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físico, na formação de profissionais envolvidos, no acompanhamento do processo


ensino-aprendizagem e nas políticas de inclusão – atento às satisfações
profissionais e pessoais. Cabe ao Gestor Escolar atuar como um ouvinte atento às
necessidades do grupo, comunicativo na análise das situações e participativo na
tomada de decisões.
Segundo Borba (2008, p. 03), “o gestor de qualidade é aquele que consegue se
servir de todos esses papéis, administrando conflitos pessoais, os seus e de seus
pares, e, sobretudo, tendo discernimento para motivar a sua equipe na realização de
sonhos e projetos”.
Conforme o caderno “Conselho Escolar, a gestão democrática da educação e
escolha do diretor”, da Secretaria de Educação Básica - Ministério da Educação
(2004), são típicos exemplos de espaço democrático e participativo dos diversos
segmentos na gestão da escola a eleição direta para diretores e o fortalecimento dos
conselhos escolares (classe, pais, professores e estudantil). Neles, o foco principal
está direcionado para a democratização da educação, que implica nos processos de
progressiva autonomia da escola e de efetiva participação dos diferentes segmentos
que compõem a comunidade local e escolar.

Acreditamos que as instituições de ensino possam vir a se fortalecer pela


via da participação. Quando as decisões são tomadas de maneira
descentralizadas e providas de interesses coletivos, com a participação de
toda comunidade escolar e a sociedade civil, estaremos caminhando na
direção da democracia de “alta intensidade”
(SANTOS, 2002).

A intensidade da democracia pode ser evidenciada pelo grau de participação dos


atores envolvidos no processo, o que implica no processo de execução e de tomada
de decisões. Isso vem a estimular e garantir condições para a construção coletiva da
educação que almejamos – uma educação mais interativa, capaz de partilhar a
autoridade, pois quanto mais partilhada é a autoridade mais participativa é a
democracia.
A gestão democrática poderá constituir um caminho real de melhoria da qualidade
de ensino se ela for concebida, em profundidade, como mecanismo capaz de alterar
práticas pedagógicas. Nas idéias de Spósito (2002, p. 55) a abertura de portões e
muros escolares deve estar acompanhada de uma nova proposta pedagógica: “se
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as escolas não estiverem predispostas a essa mudança, a gestão e a melhoria da


qualidade serão expressões esvaziadas de qualquer conteúdo substantivo”.
As escolas, instituições sociais como espaços públicos, demandam à educação
democrática, por isso cabem a elas o desafio de manutenção das liberdades
individuais e a diversidade cultural. Para Sacristán (2002) a educação é motivo de
progresso para os sujeitos porque os transformam, de certo modo, em parte de uma
comunidade cultural mais ampla e porque os conduz ou os ajuda a ir além de onde
estão, porque lhes proporciona o que eles não têm e os conteúdos da experiência
que lhes são alheios. A escola pode ser um agente modernizador se ampliar as
referências culturais daqueles que a freqüentam.

5 - A LEGISLAÇÃO VIGENTE E O CONTEXTO ESCOLAR

Muitos segmentos da sociedade vêm trabalhando determinadamente em


busca da tão almejada e sonhada educação de qualidade. Acreditamos que para
alcançá-la devêssemos fornecer condições de igualdade para todos, não somente
de acesso e permanência na escola, mas também permitir a construção da
autonomia do sujeito enquanto cidadão. Para tanto, a ampliação de recursos
públicos será sempre necessária para atender a população na busca da melhoria de
vida.
A gestão vai além da busca pela eficiência na relação custo/benefício ou do
funcionamento dos recursos disponíveis para o alcance das metas estabelecidas. À
gestão compete sobrepujar o cumprimento de normas prescritas pela ordem
superior
e as rotinas pré-estabelecidas para investir na função educativa do cargo. Nessa
perspectiva, poderá ser sinônima de qualidade, pois para haver qualidade a gestão
deverá estar atenta ao planejamento, amparada nas dimensões ética, política e
técnica das relações que se tecem nos meandros do ensino.
Vale lembrar que um planejamento não terá sentido, tampouco qualidade, se
não atender às expectativas e necessidades do contexto em que está inserida. Ao
ser feita referência sobre a educação de qualidade, não podemos deixar de enfatizar
18

a obra de Torres (2001) intitulada: “Educação para todos: a tarefa por fazer”, onde
menciona a Conferência Mundial sobre a "Educação para Todos", realizada na
Tailândia em 1990. Essa conferência resultou a criação de vários acordos entre os
países e organizações participantes, dentre eles a responsabilidade em garantir a
Educação Básica de qualidade para crianças, jovens e adultos.
A partir da conferência surgiram algumas frentes nacionais e internacionais de
ação que buscam tirar o projeto do papel. Tal projeto permite inúmeras
possibilidades de leitura, assim sendo, a tarefa continua por ser feita, uma vez que é
facilmente perdível à ordem demagógica. Por esse motivo podemos dizer que a
educação para todos “encolheu”. Passados dezoito anos, percebemos que muito
ficou a ser feito.
O sucateamento da educação evidencia que o acordo, infelizmente, foi
reduzido a mera formalidade política, desprovida de comprometimento sério com a
população. Contudo, muitos avanços vêm sendo conquistados, conforme veremos
posteriormente.
O foco dado ao documento não é voltado somente à erradicação do analfabetismo,
mas pode ser ampliado a inúmeras possibilidades, segundo sua viabilidade.
Pensamos que o atual desafio para o gestor escolar é fazer que a proposta se torne
uma realidade e não mais uma utopia. Uma pergunta oportuna seria: que ações
concretas podemos realizar?
A questão da diversidade, da autonomia, do respeito às diferenças, da mudança de
paradigma, da participação e da democracia é trazida à tona, dessa vez, por Torres
(2001). Quando escrevemos as palavras “dessa vez” é porque se tornou comum o
uso excessivo desses termos de maneira adjetivada e precisamos ter o cuidado para
não serem apenas termos discursivos ou livrescos, mas um modo efetivo de viver a
gestão escolar.
Nesse mesmo sentido, de educação para todos, vale destacar um outro documento.
Delors (2000) volta o seu olhar para a Educação do século XXI ao fundamentar a
educação para a vida através de várias aprendizagens, ou seja, através dos quatro
pilares:

1) aprender a conhecer;
2) aprender a fazer;
3)aprender a conviver
19

4) aprender a ser.

Ao mencionar essas quatro aprendizagens, Delors (2000) ressalta o “aprender a


conhecer”, como a busca do conhecimento, o estudo, a pesquisa, o esforço
intelectual permanente para a compreensão sobre o mundo. O “aprender a fazer”,
como a ousadia, a descoberta, a mudança real que supera o preconceito e a
superficialidade. O “aprender a conviver”, como o aprofundamento da produção
cultural, ou seja, a reflexão sobre valores, costumes e idéias, definindo o homem.
Por outro lado, enfatiza o compartilhar de experiências e responsabilidades sociais.
No “aprender a ser”, entende o homem como ser integral, naquilo que se refere ao
seu modo próprio e único de ser, envolvendo todas as suas dimensões, seu pensar,
seu sentir e seu agir no contexto existencial onde se situa.
Para ajudar a desenvolver e a melhorar a qualidade da educação brasileira o
Ministério da Educação (MEC) criou leis, planos, índices, fundos, entre outras ações.
Às vezes, torna-se até difícil entender o significado de tamanho emaranhado de
letras. Dentre as mais conhecidas, está um conjunto de siglas que formam uma
verdadeira sopa de letrinhas:
LDB – (Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional) - A Lei nº. 9.394, de 20 de
dezembro de 1996 estabelece as diretrizes e bases da educação nacional.

PNE – (Plano Nacional de Educação) No título IV, da Organização da Educação


Nacional, o Artigo 9º, inciso I determina que a União incumbir-se-á de elaborar o
em colaboração com os Estados, o Distrito Federal e os Municípios.

PDE – ( Plano de Desenvolvimento da Educação)- Lançado oficialmente pelo MEC


em 24 de abril de 2007, simultaneamente à promulgação do Decreto n. 6.094,
dispondo sobre o "Plano de Metas Compromisso Todos pela Educação", destaca a
questão da qualidade do ensino em todas as escolas de educação básica do país.

E tantas outras. Porém, para se constatar se há qualidade no ensino torna-se


necessário avaliar a escola como um todo, além dos demais componentes
curriculares. Infelizmente, o atual modelo acabou por se tornar fragmentado - um
recorte da realidade escolar.
20

6 - Os descompassos entre o dito e o feito

Em todo tipo de organização encontraremos o conflito entre


interesses divergentes. Aqueles que encontram-se já algum tempo em um
determinado posto de comando ou mesmo de trabalho, já criaram normas e
práticas que geraram uma estabilidade produtiva e profissional que os levam a
acreditar que nada mudará ou deva mudar. Baseiam-se na idéia de que “time que
está ganhando não se mexe”. Porém há aquele grupo que está chegando e que
trás novas formas de organizar o tempo, o trabalho, trazendo novas práticas e
conceitos.
A presença do novo causa um grande desconforto a aqueles que já
encontram-se “acomodados”. Na organização escolar, não é diferente.
Profissionais da educação já “acomodados” sentem-se incomodados com a
presença daqueles dispostos a inovar e renovar práticas, procedimentos, atitudes,
valores, conhecimento. Assim o bloco conservador e o emergente geram além de
um conflito filosófico, um novo germe de sua superação. De um lado os
educadores que pensam o conhecimento como pronto e acabado e do outro lado
aqueles que pensam nele como uma construção.
A que lembrarmos que nesta relação dialética entre o “velho” e o
“novo”, o “acomodado” e o “emergente” o dialogo dá-se não só no plano teórico
como também prático, o que resultará, dependerá da disposição daqueles que
estão dispostos à arregaçar as “mangas” e construir coletivamente, levando em
consideração aqueles que se opõem, suas críticas, sua experiência, seu trabalho
e de uma forma integradora e includente para trilhar um caminho de um novo
paradigma que atenda os objetivos construídos nesse processo. Assim não basta
simplesmente criticar o passado, o antigo, o conservador, mas faz-se necessário
dialogar com ele, aprender com ele e superá-lo como resultado de um trabalho
coletivo e participativo.
Neste momento em que a educação é responsabilizada por todas as
mazelas do país e ao mesmo tempo apontada como único caminho para superar
a crise por que passa a humanidade, é preciso rever nossos paradigmas. A
gestão participativa democrática, em que todos os envolvidos no processo
pedagógico são responsáveis pela sua construção entendida como teoria e
prática, vem atender o desejo de propiciar uma educação inclusiva, cidadã e
21

global, em que a formação se constrói nas relações travadas no cotidiano escolar,


no qual o novo é enfrentado sem medo, a divergência e o conflito colocam-se
como elementos promotores de aprendizado na direção da tolerância, do respeito
e da democracia.

6. CONSIDERAÇÕES FINAIS

É perceptível que o debate acerca da educação se intensificou nos


últimos anos, tornando-se praticamente indiscutível suas contribuições no
desenvolvimento de uma nova sociedade. Para tanto, a educação precisa estar
inserida em um projeto de nação e de mundo.
Considerando que a educação é capaz de proporcionar um meio de
vivenciar valores, onde as pessoas são respeitadas em sua individualidade,
podemos dizer que o sistema educacional brasileiro vem se organizando na tentativa
de atender as diversidades, sejam elas regionais, étnicas, religiosas, políticas ou
culturais, indo ao encontro da cidadania e igualdade de direitos entre os cidadãos.
A LDB, o PDE, o PNE, entre outras ações, são possibilidades legais
de se concretizar inúmeras expectativas, a exemplo da universalização de uma
educação básica de qualidade, integração dos níveis de Ensino (da Educação
Infantil ao Ensino Superior) e valorização profissional.
O ensino de qualidade que a sociedade demanda é, sim, uma
possibilidade. Nesse contexto, o gestor torna-se o foco essencial na mediação dos
processos de discussões e indagações da real necessidade do espaço de
22

professores, alunos e pais no contexto social do qual fazem parte. A comunidade


escolar deverá sempre tomar parte na elaboração do PPP, o que demandará um
maior comprometimento com o processo de construção de uma escola e de uma
sociedade melhor.
Os professores, articuladores dos conhecimentos dos estudantes
com os conhecimentos científicos, têm um papel importante na educação. Por este e
tantos
outros motivos, precisam se preocupar em assumir com responsabilidade as
mudanças, não somente na dimensão tecnológica e social, mas também cultural nos
espaços que lhe é de atuação. É desejável e oportuno que os docentes estejam
ligados às comunidades, recriem concepções diferentes de trabalho e de gestão, e
sejam capazes de estabelecer novas relações com as diferentes formas de
conhecimento.

Dentre tantos questionamentos, algumas das seguintes interrogações


poderão balizar a (re)estruturação do PPP:
1. Há evidências de participação da comunidade na sua elaboração?
2. Problematiza a realidade escolar?
3. Tem uma proposta pedagógica inovadora e original?
4. Como é realizada a avaliação escolar?
5. Como o currículo é apresentado e percebido?
6. Qual a imagem e o papel do professor?
7. Dá ênfase à formação continuada do professor?
8. Valoriza as diferenças culturais e a inclusão?

De acordo com Veiga (2001), existem vários caminhos para a


construção do PPP, uma vez que ele retrata o entendimento e o percurso possível
trilhado em cada uma das escolas. Todavia, é possível apontar três movimentos
básicos desse processo de construção do PPP denominados: Ato Situacional, Ato
Conceitual e Ato Operacional.
23

O objetivo do Ato Situacional é apreender o movimento interno da


escola, conhecer seus conflitos e contradições, fazer seu diagnóstico e definir onde
é prioritário agir. No Ato Conceitual a escola discute a sua concepção de educação e
sociedade, homem, educação, escola, currículo, ensino e aprendizagem, visando a
um esforço analítico da realidade constatada no Ato Situacional, e vai definindo
como as prioridades devem ser trabalhadas. No Ato Operacional a escola
efetivamente realiza as operações necessárias às mudanças.
E que não se restringe aos profissionais da educação e aos alunos, mas a
todos que vivem próximos a escola, que sem dúvida alguma deve ser um centro
irradiador de aprendizado, de conhecimento, de valores e de sonhos. Por isso,
nossa preocupação quando constatamos que ainda prevalece em muitas instituições
escolares paradigmas conservadores e autoritários que contribuem para a
manutenção de uma cultura política, econômica e social excludente e marginal.
Espero contribuir de alguma forma para a reflexão do tema e chamar
a todos aqueles que querem construir uma educação de qualidade, inclusiva,
democrática e cidadã, para que o futuro seja hoje e a desigualdade social, a miséria
que ainda prevalece em nosso país, desapareça, se não hoje, talvez um dia.
O PPP não é um simples documento feito para ficar engavetado em
uma mesa na sala do gestor escolar, pois transcende o simples agrupamento de
planos de ensino e atividades diversificadas. É um instrumento de trabalho que
indica rumo, direção e deve ser elaborado com a participação de todos os
profissionais da organização escolar bem como, pais e alunos.
24

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Materiais diversos
Site: http://www.uol.com.br/michaelis
MODELO III - da coleção Prógestão de José Vieira de Souza e Juliana
Corrêa Marçal.

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