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PsiPorto

Técnico de Auxiliar de Saúde


Manual UFCD 6683

1ª Edição
Maia
2020

PPF.068.1
Instituto de Emprego e de
Formação Profissional, IP

Índice
1.1) OBJECTIVO GERAL DO MANUAL................................................................................................... 3

1.2) OBJECTIVOS ESPECIFICOS DO MANUAL.....................................................................................3

1.3) BENEFICIOS DO MANUAL................................................................................................................ 3

1.4) CONTEUDOS A MINISTRAR:............................................................................................................ 3

2) DESENVOLVIMENTO DOS CONTEÚDOS........................................................................................... 4

2.1 - Introdução............................................................................................................................................. 4

2.2 – Desenvolvimento................................................................................................................................... 5

1- INTERAÇÕES DOS MICRORGANISMOS COM O ORGANISMO HUMANO.......................................................5

2- IMPORTÂNCIA DOS MICRORGANISMOS DO SOLO PARA OS ECOSSISTEMAS..............................................35

2.3- Conclusão.............................................................................................................................................. 38

Bibliografia e Webbibliografia.................................................................................................................................38

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ENQUADRAMENTO DO MANUAL

Com este capítulo pretende-se demonstrar a importância deste manual, que contêm informações
essências acerca da formação em causa. Serão apresentados os objectivos do manual e condições
de utilização.

1.1) OBJECTIVO GERAL DO MANUAL


Apoiar os formandos nos temas abordados ao longo das sessões.

1.2) OBJECTIVOS ESPECIFICOS DO MANUAL


- Servir de instrumento para o formando recorrer para verificar, actualizar ou complementar
informação;
- Orientar o formando no desenvolvimento de actividades que facilitem uma reflexão sobre a sua
prática;
- Permitir a atualização de métodos de trabalho que incentivem o desenvolvimento da sua autonomia.

1.3) BENEFICIOS DO MANUAL


Trata-se de um documento escrito elaborado pela equipa de formação de forma simples e de fácil de
utilização, com o sentido de existir uma linguagem comum entre o grupo de formandos e formadores.
Serve como fio orientador da formação no campo da exploração de conteúdos novos como do reforço
de outros conhecimentos. A sua finalidade é ser um complemento e registo da formação em sala.

1.4) CONTEUDOS A MINISTRAR:

Interações dos microrganismos com o organismo humano


• Microrganismos
- Bactérias
 Pele e mucosas humanas
 Forma de controlar bactérias - antibióticos
- Fungos
 Pele e mucosas humanas
- Interagem entre si e com outros organismos - humanos
- Benéficos para o equilíbrio do organismo humano
- Prejudiciais para o organismo humano
 Invadir tecidos e/ou produzindo toxinas (doenças)
• Fatores de controlo de microrganismos no corpo humano
- Interações com outras espécies de microrganismos
- Capacidades fisiológicas do corpo humano
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- Cuidados de higiene
 Remoção de agentes ou condições que facilitem a proliferação de microrganismos
 Esterilização de utensílios utilizados em atividades de cuidados de beleza
 Utilização de utensílios descartáveis
• Fatores de proliferação de microrganismos no corpo humano
- Práticas desadequadas de higiene ou de embelezamento
- Utilização de instrumentos contaminados
• Mecanismos de defesa do organismo humano
- Específicos
- Não específicos

Importância dos microrganismos do solo para os ecossistemas


• Solo
- Bactérias e fungos
 Dinâmica dos ecossistemas
 Decompositores
• Processos de tratamento de resíduos
- Acão de decomposição de bactérias
 Lamas ativadas em ETAR
 Compostagem

2) DESENVOLVIMENTO DOS CONTEÚDOS


Com este capítulo pretende-se desenvolver cada uma das temáticas do módulo.

2.1 - Introdução
As plantas e os animais são os organismos com um impacte mais visível nos ecossistemas, no
entanto, a intervenção de fungos protistas e bactérias é necessária para a manutenção da vida e dos
ecossistemas. Muitos destes seres promovem a decomposição da matéria orgânica permitindo, num
processo de reciclagem a sua circulação na Biosfera. Outros são essenciais à defesa do nosso
organismo e contribuem para o metabolismo no processo digestivo, entre outros.
Neste manual está incluída a importância e os riscos dos diferentes tipos de microrganismos.

2.2 – Desenvolvimento

1- INTERAÇÕES DOS MICRORGANISMOS COM O ORGANISMO HUMANO

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Microrganismos

Microrganismo é o nome dado a todos os organismos compostos por uma única célula e que não
podem ser vistos a olho nu, sendo visíveis apenas com o auxílio de um microscópio. Os
microrganismos incluem organismos pertencentes aos mais diversos grupos, como, por exemplo,
vírus, bactérias, fungos unicelulares e protistas.
A área que estuda esses pequenos organismos é chamada de microbiologia. Muitas vezes, o termo é
associado à transmissão de doenças. No entanto, nem todos os microorganismos são patogénicos,
pois há aqueles que são benéficos à saúde humana, como é o caso das bactérias da flora intestinal.

1.1- Vírus: parasitas celulares

Os vírus são estruturas microscópicas cujo comprimento varia, em média, entre 0,05 e 0,9
micrómetros, logo os vírus só podem ser observados por meio de técnicas de microscopia eletrónica.
Vírus são acelulares e dependem de células vivas para se reproduzirem. Por este motivo, são
considerados como parasitas celulares obrigatórios. Quando não se encontram dentro da célula
hospedeira, permanecem numa forma dormente chamada de vírion. Os vírus causam doenças em
animais, vegetais e até mesmo em bactérias.
Cada vírus é formado por uma cápsula protéica, chamada de capsídio, e ácido nucléico, que pode ser
tanto DNA (denominando-se adenovírus) como RNA (denominando-se retrovírus). As proteínas
presentes na superfície do capsídio são responsáveis pelo reconhecimento e pela ligação do vírus à
célula hospedeira. Já o material genético atua na replicação viral.
Um dos vírus mais estudados ataca bactérias, sendo, por isso, chamado de bacteriófago. As
proteínas presentes no capsídio do bacteriófago reconhecem a célula da bactéria, ligando-se à sua
superfície e liberando enzimas que perfuram a parede celular, permitindo que o DNA viral penetre na
célula hospedeira.
Ao atingir o núcleo celular, o DNA viral é transcrito em RNA, que, por sua vez, atua na codificação de
proteínas de novos vírus. Este processo é realizado pelas enzimas da célula, que confundem o
material genético do vírus com o seu próprio DNA. Assim, em poucos minutos, a célula hospedeira é
tomada por partículas virais e acaba por romper-se, liberando milhares de novos vírus.
Os vírus são responsáveis por inúmeras doenças, genericamente chamadas de viroses, que atacam
tanto vegetais como animais. Algumas viroses que atacam o homem são a gripe, a SIDA. Para
diversas doenças virais já foram desenvolvidas vacinas que previnem o contágio e a conseqüente
propagação do vírus.
Porém, os vírus também podem ser úteis ao homem. São muito utilizados em estudos de genética e
biologia molecular, pois fornecem um modelo simples e de rápida reprodução, que permite estudos
acerca da replicação e transcrição do material genético, além de serem empregados como vetores
para produzir organismos geneticamente modificados.

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Bactérias: organismos procariontes

As bactérias são seres microscópicos que surgiram na Terra há mais de 4 biliões de anos. São
organismos procariontes, ou seja, que não possuem um núcleo organizado, e que pertencem ao reino
Monera. São unicelulares, medindo, em média, entre 0,3 e 2 micrómetros. A sua nutrição pode ser
tanto autótrofica como heterótrofa. Quanto à reprodução, pode ser sexuada ou assexuada.
As bactérias habitam os mais diversos ambientes, podendo ser encontradas em locais tão diferentes
quanto o trato intestinal de animais, as profundezas marinhas e as raízes das plantas.
O corpo da bactéria é revestido, externamente, pela parede celular, uma estrutura rígida, composta
por peptídeos e açúcares, que se situa logo acima de membrana plasmática e que envolve e protege
a célula. Algumas bactérias possuem flagelos na superfície da parede celular, cuja função é auxiliar
na sua movimentação.
No citoplasma da célula bacteriana encontram-se os ribossomas e o seu material genético. Este é
composto por uma molécula de DNA circular e, em algumas espécies, também por pequenos
filamentos de DNA chamados de plasmídeos.
Diversas doenças são provocadas pelas bactérias, como a cólera, a sífilis e a tuberculose. Para
muitos desses males existem antibióticos específicos que inibem o crescimento das bactérias. Porém,
as bactérias também possuem grande importância ecológica e diversas utilidades para o homem.
Elas atuam na decomposição da matéria orgânica, participam do ciclo do azoto, são usadas na
fabricação de remédios e cosméticos, entre outros exemplos.

Classificação dos organismos:

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Forma de controlar bactérias - antibióticos

Os antibióticos são medicamentos muito importantes para a saúde humana, atuando sobre diversas
bactérias que causam doenças no ser humano. Os antibióticos são capazes de promover a morte
dessas bactérias, através de vários mecanismos diferentes. Assim, são drogas bastante úteis no
tratamento de várias doenças infeciosas. Com sua descoberta, o homem trata de forma eficaz
doenças que causavam a morte de milhares de pessoas.
Desde que a indústria farmacêutica passou a produzir os antibióticos em larga escala, dezenas de
antibióticos novos, de diferentes classes, foram produzidos. O desenvolvimento desses
medicamentos permitiu a formação de um amplo “arsenal” terapêutico, trazendo várias opções de
tratamento para uma mesma infeção. Assim, a utilização dos antibióticos aumentou gradativamente
ao longo dos anos.
No entanto, os antibióticos devem ser utilizados com muito cuidado. O uso excessivo provoca
mudanças significativas nas bactérias do meio ambiente. As bactérias sofrem alterações em sua
estrutura e os antibióticos perdem o poder de ação sobre elas. Assim, surgem as “superbactérias”,
resistentes aos antibióticos e com poucas opções de medicamentos para o tratamento.
Um dos exemplos mais recentes de aparecimento de “superbactéria” é o surgimento de espécies de
Klebsiella pneumonia, denominadas “KPC”. A utilização excessiva de antibióticos induziu mutação em
parte dessas bactérias. Como resultado, a maior parte dos antibióticos atualmente disponíveis é
ineficaz contra a bactéria. Atualmente, essa bactéria está presente em algumas instituições
hospitalares e é causa de infeções graves, muitas vezes fatais, principalmente em pacientes muito
debilitados, internados em unidades de tratamento intensivo.
Assim, fica demonstrado o risco da utilização excessiva de antibióticos. Um exemplo claro do uso
exagerado de antibióticos é a sua utilização em doenças virais, como resfriado comum, gripe,
amigdalite e gastroenterite viral. As doenças virais evoluem naturalmente para a cura, na maior parte
dos pacientes, sem necessidade do uso de antibióticos. Os antibióticos não agem sobre os vírus, não
apresentando benefícios. Mas a impaciência de muitos médicos e pacientes leva à utilização dos
antibióticos, sem necessidade.
No caso da gripe, causada pelo vírus influenza, o tratamento consiste em repouso, hidratação, boa
alimentação e uso de medicamentos para os sintomas da doença, como analgésicos para a dor no
corpo e medicamentos contra a febre. A doença pode durar até 7 dias e a tosse pode persistir por
mais de 1 semana. A recuperação é lenta. Uma avaliação médica cuidadosa permite o diagnóstico de
gripe, evitando o uso de antibióticos.
Nesse momento, não há muitos antibióticos novos em desenvolvimento. A indústria farmacêutica
informa que não há previsão da comercialização de antibióticos eficazes contra as bactérias que
apresentam os perfis mais acentuados de resistência aos antibióticos. Assim, toda a sociedade
precisa colaborar para poupar os medicamentos atualmente disponíveis, utilizando-os apenas quando
indicado, com dose e tempo correto. É o chamado uso racional dos antibióticos.

Todos nós podemos contribuir com o uso racional de antibióticos:


 Evitando a automedicação.
 Questionando os médicos sobre a real necessidade e os riscos e benefícios de utilizar o
antibiótico.
Além de contribuir para a resistência das bactérias, os antibióticos podem ter efeitos colaterais para o
paciente. Se agirmos com prudência, os antibióticos manterão sua utilidade para quando forem
realmente necessários.

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1.3- Fungos

Fungos unicelulares
O reino Fungi engloba uma grande variedade de organismos, cerca de 70.000 espécies, que habitam
ambientes diversos e que apresentam uma grande variação de forma e tamanho. São eucariontes,
aclorofilados e heterótrofos, ou seja, não produzem seu próprio alimento, dependendo de fontes de
matéria orgânica, viva ou morta, para a sua alimentação.
Os fungos classificados como microorganismos são aqueles compostos apenas por uma única célula,
e pertencem a duas classes: Deuteromycetes e Ascomycetes.
Um exemplo de fungo unicelular é a levedura (Saccharomyces cerevisae). A levedura reproduz-se
rapidamente, através de processos assexuados. Para obter energia, a levedura realiza a fermentação
e, por esse motivo, é utilizada na fabricação do pão e de bebidas alcoólicas. Na produção do pão, as
leveduras consomem a glicose presente na massa e, através da fermentação desse açúcar, liberam
gás carbônico e álcool etílico. O gás liberado cria pequenas bolhas no interior da massa, que fazem o
pão crescer e ficar macio.
Na fabricação de bebidas, as leveduras são utilizadas para fermentar diversos ingredientes e, através
desse processo, liberar o álcool etílico. Na fabricação do vinho, as leveduras fermentam os açúcares
presentes na uva; na produção de cerveja, fermentam a cevada.

Protozoários ou Protistas
Os protozoários são seres unicelulares, eucariontes e heterótrofos. De acordo com a sua estrutura de
locomoção (pseudópodes, cílios ou flagelos) são divididos em quatro filos: Sarcodina, Flagellata,
Ciliophora e Sporozoa.
Os protozoários realizam as trocas gasosas, a absorção e a excreção de substâncias através de sua
membrana plasmática, que pode ser simples ou recoberta por uma carapaça calcária (foraminíferos).
A sua reprodução pode ser sexuada, assexuada ou, ainda, pode envolver a alternância de gerações.
Muitos protistas são parasitas e provocam doenças em animais e humanos. Este é o caso da
Entamoeba histolytica, sarcodíneo que provoca a disenteria amebiana, do Leishmania brasiliensis,
flagelado que provoca a úlcera de Bauru, e do Plasmodium sp., que infecta mosquitos do gênero
Anopheles, transmitindo a malária.

 Pele e mucosas humanas


A pele as mucosas humanas constituem barreiras naturais que impedem a entrada de alguns
microrganismos para o meio interno.
A pele é o órgão que envolve o organismo determinando o seu limite com o meio externo.
Corresponde a 16% do peso do corpo corporal e exerce diversas funções, como: regulação térmica,
defesa orgânica controle do fluxo sanguíneo, proteção contra diversos agentes do meio ambiente e
funções sensoriais (calor, frio, pressão, dor e tato).
A derme localizada entre a epiderme e a hipoderme, é responsável pela resistência e elasticidade da
pele. É constituída por tecido conjuntivo (fibra, colagénio e por substâncias fundamentais), vasos
sanguíneos.
A hipoderme é a porção mais profunda da pele é composta por feixes de tecido conjuntivo que
envolvem células gordurosas (adipócitos) e formam lobos de gordura.
A pele isola e protege o interior do nosso corpo. Não deixa que o pó e os micróbios entrem. Avisa-nos
também se há perigo de nos cortarmos ou picarmos.
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A pele é uma superfície elástica e à prova de água como um casaco fino que cobre todo o corpo,
protege o interior e mantém a sujidade e os micróbios afastados. Também isola a temperatura, para
que não fiquemos demasiado quentes nem demasiado frios.
As células da pele que estão à superfície já estão mortas. Novas células cutâneas vão crescendo
debaixo dessa camada e vão-se impulsionando, lentamente, para a superfície. À medida que vão
subindo, vão morrendo. Algum tempo depois, as células mortas desprendem-se.

Microbiota Humano
• Constituída por grande número de organismos, especialmente bactérias;
• Adquirida após o nascimento;
• São microrganismos comensais que habitam a pele, cavidades em contacto com a superfície
e o trato digestivo;
• Microbiota residente e transiente;
• Podem tornar-se microrganismos patogénicos:
• Alteração da imunidade do hospedeiro;
• Virulência
• Introduzidos em sítios estéreis (SNC, cérebro, coração, sangue, alvéolos, fígado, rins,
bexiga).
• Alguns sítios estéreis (SNC, cérebro, coração, sangue, alvéolos, fígado, rins, bexiga) podem
possuir microbiota transitória:
• São microrganismos que passam frequentemente por determinado órgão e que são
eliminados. Ex: microrganismos presentes em frutas e legumes, provenientes do solo, mas
não povoam a microbiota residente.

Funções da microbiota humano:


• Imunidade Inata;
• Barreira contra a flora microbiana patogénica;
• Produção de alguns nutrientes essenciais para o hospedeiro (vitamina K e vitaminas do
complexo B);
• Participa no metabolismo de alguns alimentos.

Microbiota da pele:
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• Microbiota Cutânea que se distribui por toda a extensão da pele (principalmente áreas mais
húmidas e quentes);
• Bactérias mais comumente encontradas na superfície da pele: Staphylococcus coagulase
negativo, Corynebacterium, Propioniobacterium;
• Fungos mais comumente encontradas nos locais húmidos: Candida e Malassezia
É necessário um cuidado especial com a pele porque a microbiota é importante e não deve ser
totalmente retirada com a higienização excessiva.

Microbiota das mucosas da boca, faringe e nasofaringe


• Saliva:108 bactérias/ mL
• Dentes: 1011 bactérias
• Anaeróbios: Peptostreptococcus, Veillonella,
Actinomyces, Fusobacterium
Aeróbias: Streptococcus, Haemophilus, Neisseri

Microbiota dos olhos e ouvidos


• Olhos: colonizados por espécies de estafilococos coagulase negativo.
Bactérias da pele, como as difteróides, epidermitis e aureus podem passar transitoriamente pelos
olhos, sendo comensais, são beneficiadas, mas não causam problemas.
• A microbiota é controlada pela lágrima.
• Ouvido – semelhante à pele.

Microbiota do Sistema Digestivo:


• Estômago – bactéria ácido tolerantes como lactobacillus, Streptococcus e Heliobacter pylori.
• Duodeno e jejuno 103bactérias /mL
• Íleo – 106 a 108 bactérias /mL
• Maioria anaeróbios (Peptostreptococcus,Porphyromonas e Prevotella)
• Colon – acima de 1011 bacteria/g de conteúdo intestinal.
• Maioria anaeróbios:Bifidobacterium, Eubacterium, Bacteroides, Enterococcus,
Enterobacteriaceae.
Quantidade de bactérias:
Esófago < estômago < intestino delgado < intestino grosso

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Microbiota genital:
• A microbiota vaginal varia com a idade, pH e secreção hormnal:
• Staphylococcus, Lactobacillus, Escherichia, Corynebacterium, Streptococcus,
Enterococcus, Gardnerella, Mycoplasma, Ureaplasma.
• pH ácido - lactobacillus
• Uretra
• Lactobacilos, estreptococos e estafilococos coagulase
negativos

Cuidados de Higiene:

Desinfeção é o tratamento físico de resíduos contaminados que permite eliminar ou reduzir para
níveis não nocivos potenciais agentes patogénicos pelo contato do material com vapor de água e
altas temperaturas através de ciclos de compressão e de descompressão.

Esterilização é a destruição de todas as formas de vida microbiana (vírus, bactérias, esporos, fungos,
protozoários e helmintos) por um processo que utiliza agentes químicos ou físicos.
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A higiene pessoal é muito importante:


Hábitos de Higiene Pessoal: escovar os dentes após as refeições e antes de dormir; fazer uso de fio
dentário; tomar banho diariamente, manter as unhas cortadas e limpas; limpar os ouvidos; lavar as
mãos sempre que estiverem sujas ou suadas; dormir 8 a 10 horas diárias e não ir para a cama muito
tarde.

O crescimento celular pode ser controlado por diferentes métodos:

Métodos físicos: Temperatura, radiação, filtração. Dessecação, remoção de oxigénio e Vibração


ultrassónica.

Métodos químicos: Desinfetantes, antissépticos preservativos usados em alimentos.

Existe uma variação muito grande em termos de sensibilidade entre os microrganismos e os


endósporos dos procariontes aos métodos físicos e químicos de controle.

O Príon é uma proteína simples. Não são considerados seres vivos, porque não tem genoma, mas
são infeciosos, causando sérios distúrbios, e, portanto é alvo dos processos de desinfeção e
esterilização.

Métodos físicos: Os métodos físicos são muito utilizados para promover a descontaminação a
desinfeção e a esterilização. Os métodos mais utilizados para atingir estes objetivos usam como
princípio o calor, as radiações e a filtração.

Temperatura: Calor seco e húmido

O calor é um dos mais importantes métodos para o controle do crescimento para eliminar os
microrganismos. Acima da temperatura ideal de crescimento o calor vai promover a desnaturação de
proteínas estruturais e enzimas, levando a perda da integridade celular à morte.

O calor seco elimina os microrganismos também por processo de oxidação. O calor húmido na forma
de vapor tem o maior poder de penetração e eliminar as formas vegetativas dos procarióticos, vírus e
fungos e seus poros. A morte pelo o calor é uma função exponencial que ocorre à medida que a
temperatura menor será o valor D (maior temperatura, menor D ). Deste modo, são necessárias
rápidas exposições à temperatura alta para grande redução no número dos microrganismos viáveis.

Métodos que empregam o calor húmido

Autoclave: Equipamento que emprega vapor d’água sob processo que produz a temperatura mínima
de 121ºC. Quanto maior a pressão da autoclave mais a temperatura. Estes métodos destroem as
formas vegetativas e esporuladas a procariontes e fungos, promovendo a esterilização: Os príons são
uma exceção por serem agentes extremamente resistentes aos métodos de desinfeção e
esterilização. A autoclavação é uma um método muito usado em laboratórios e hospitais. O ar
normalmente impede direto do agente esterilizando vapor com material, o que torna menos eficiente.

Tipos de autoclaves:

Autoclave gravitacional: O ar é removido por gravidade e sai por um ralo na parte inferior da câmara a

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medida que o vapor é injetado. O aquecimento é feito de fora para dentro.

Autoclave com sistema de vácuo: O ar é previamente removido por vácuo. Quando o vapor entra
penetra instantaneamente os artigos na ausência de ar residual.

Pasteurização: Métodos muito usados na indústria de alimentos que só podem ser submetidos ao
calor em condições controlados para não desnaturar os nutrientes. Na pasteurização ocorre uma
redução no número dos microrganismos pela exposição breve a uma temperatura relativamente alta.
Não esteriliza. Existem basicamente três tipos:

- Ultra-alta temperatura
- Alta temperatura
- Baixa temperatura

Água em ebulição: É o vapor d’água livre (100ºc/20 min.). Destrói as formas vegetativas e alguns
endósporos (dependendo da temperatura e da espécie de bactérias). A maior dos endósporos e
alguns vírus, como o do hepatite podem sobreviver 30 minutos na fervura. Não é um método de
esterilização apenas permite o controle do crescimento microbiano.

Métodos que empregam calor seco

Estufa e formo: Tem menor poder de penetração do que calor húmido usam temperatura e tempos
maiores. A característica em comum entre os métodos é ausência de umidade, o que torna o
processo menos eficiente e demorado.

Flambagem: Ocorre combustão completa dos microrganismos em alças e agulhas microbiológicas, as


quais são aquecidas diretamente na cama do bico de Bunsen até ficarem rubras.

Incineração: É a combustão completa para descontaminação de material hospitalar de uso


descartável (luvas, material plástico) e lixo contaminado em geral.

Baixas temperaturas: A baixa temperatura é um método de controle dos microrganismos porque


causa diminuição na taxa de crescimento e na atividade enzimática. Pode não causar a morte celular.
Os microrganismos patogênicos são geralmente mesofilos (não crescem a 5º C), embora existam
exceções como verta amostras de Clostridium botulinum que crescem a 5ºC.

Métodos que empregam baixa temperatura

O efeito das baixas temperaturas sobre os microrganismos e da intensidade da aplicação.

Refrigeração: Nos microrganismos comuns (0-7ºC) a taxa metabólica da maioria dos microrganismos
é tão reduzida que eles não podem se reproduzir. A refrigeração comum tem mais efeito
bacteriostático, entretanto, microrganismos psicrófilos crescem lentamente em baixas temperaturas,
alterando o sabor dos alimentos após algum tempo, como, por exemplo, as pseudomonas. O método
é usado para a preservação de alimentos durante período limitado de tempo.

Congelamento: Usado para preservar alimentos nas residências e na indústria alimentícia. As


temperaturas abaixo do congelamento obtidas rapidamente tendem a tornar os micróbios dormentes,
mas não necessariamente os matam. O congelamento lento faz com que cristais de gelo se formem e
cresçam rompendo as estruturas celular e molecular das bactérias.

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Radiação: As radiações constituem um método eficaz para reduzir ou eliminar os microrganismos.


Existem vários tipos de radiações, eletromagnéticas como o raio x e outras radiações ionizantes,
ultravioletas feixes de eletrões e micro-ondas.

Radiação ionizante: Raio x como comprimento de onda de 0,1-40nm e radiação gama (y) com
comprimentos até menores são radiações ionizantes porque possuem energia para retirada dos
eletrões das moléculas, ionizando-as (formando iões).

A principal molécula ionizada é água, com a formação das radicais livres. A ação ais prejudicial é no
DNA, mas atinge outras moléculas como proteínas. Leva a morte celular.

A radiação é rotineiramente usada para processos de esterilização e descontaminação de


suprimentos médicos e de produtos alimentícios.

Radiação Ultravioleta: Esta radiação não ionizante tem sua atividade microbicida na faixa de
comprimento de onda 240-280 nm, sendo 260 nm o comprimento mais efetivo para eliminar
microrganismo.

Este tipo de radiação é mutagénico e leva a formação de dímeros de timina, que impedem a ação da
DNA polimerase. Tem ação microbicida, mas baixo poder de penetração, por isso seu uso é
recomendado apenas em superfícies (não atravessa sólidos muito pouco em líquidos). Muito eficaz na
inativação dos vírus.

Micro-ondas: É a radiação com os maiores comprimentos de onda do espectro eletromagnético (1nm


a 1m). As frequências dos fornos de micro-ondas são sincronizadas para combinar níveis de energia
em moléculas de água. No estado líquido as moléculas de águas absorvem rapidamente a energia do
micro-ondas, liberando-a para alimento na forma de calor. Materiais que não contem água
permanecem frios (papel, porcelana, plástico), enquanto os que a contem ficam quentes.

Filtração: A filtração pode ser usada para esterilizar gases e líquidos que são sensíveis ao calor. Os
filtros são compostos por grande variedade de matérias sintéticos podendo ser filtros de celulose,
acetado, amianto, policarbonato, teflon ou outro material sintético com poros de 0,2-0,25m. Impedem
a passagem de bactérias menos Mycoplasma sp. Entretanto, existem diferentes tamanhos de poros
de acordo com o tipo de filtragem que se deseja. O uso da filtração é recomendado para materiais
termolábeis em solução e na descontaminação do ar, em fluxos laminares e sistemas de ventilação
nos quais o controle microrganismo é especialmente importante como salas de cirurgias e
enfermarias de tubérculos e unidades de queimados.

Dessecação: Os métodos que utilizam como princípio a dessecação removem a água e, como os
microrganismos necessitam dela para seu crescimento, estes procedimentos são eficazes para o
controle do crescimento microbiano. O mais usado é a liofilização.

Liofilização: É o congelamento rápido do material sob N² e posterior remoção da água por sublimação,
sendo convertida diretamente do estado solido para o gasoso. Este método bacteriostático e menos
destrutivo que o congelamento. É usado na indústria de alimentos (café, leite) e na preservação de
cultura bacterianas.

Defumação: Consiste na diminuição do teor de água por exposição de alimento (carnes, peixes)
durante horas ou dias a fumaça de madeira em combustão.

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Remoção do oxigênio: Previne o crescimento de microrganismo aeróbio. Muito usado na indústria de


alimentos (café, enlatado). No caso do café, usa o empacotamento a vácuo. Entretanto, deve-se
tomar cuidado com a presença de microrganismos anaeróbios capazes de esporular em alimentos
enlatados. Neste caso é melhor esterilizar pelo calor antes da remoção de oxigênio (115ºC/5min)

Vibração ultrassónica: Consiste em vibrações sonoras de alta frequência que levam a rompimento de
células, despolimerização de compostos quebras do DNA. Não esteriliza.

Métodos Químicos

São substâncias químicas de origem natural ou sintética usadas para eliminar ou inibir o crescimento
dos microrganismos. A resposta dos microrganismos aos agentes químicos varia em relação a fatores
tais como pH, temperatura, presença de matéria orgânica, fase de multiplicação e mesmo presença
de outros agente químicos. De acordo com seu efeito nos microrganismos podem apresentar:

Efeito estático (bacteriostático, fungistático ou virustático)- inibição do crescimento. Em condições


normais os microrganismos voltam a crescer.

Efeito microbicida (bactericida, fungicida, viruscida) – morte do microrganismo.

Os agentes químicos podem ser usados para descontaminação, desinfeção, antissepsia ou


esterilização. Têm maior efeito nas células vegetativas por terem metabolismo ativo. Ocorrem
variações na sua ação de acordo com concentração da substância e tempo de contato, pH,
temperatura, tipo de microrganismo e presença de material orgânico (possível inativação da
substância)

Desinfetantes: Compostos químicos que podem matar ou inibir o crescimento dos microrganismos
são usados em superfícies e objetos inanimados. Existem métodos para avaliar a eficácia destes
desinfetantes que são o coeficiente fenólico e método da diluição de uso, atualmente é o mais usado.

Coeficiente Fenólico: É um processo clássico, cujo objetivo é realizar uma comparação da atividade
germicida de determinado desinfetante-teste como a atividade do fenol em condições padronizadas

Método da diluição de uso

Usado atualmente, determina a concentração apropriada do desinfetante e não compara com nenhum
outro desinfetante-padrão como o método do fenol.

Antissépticos: Antissépticos são agentes químicos para uso tópico em tecidos vivos. Não podem ser
ingeridos. Existe teste de toxicidade que são feitos em culturas de células para verificar o nível de
toxicidade.

Índice de toxicidade (I) : É uma medida da toxicidade seletiva do antisséptico. Os testes são feitos em
culturas de células e visam a verificar a toxicidade do agente químico.

Agentes químicos: Desinfetantes e antissépticos

Agentes Alquilantes: Promovem a alquilação de grupos –COOH, -OH, -SH e –NH de enzimas e
ácidos nucleicos inativando-os. Em virtude da capacidade de romperem ácidos nucleicos, podem

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causar câncer e não devem ser usado em situações nas quais possam afetas células humanas.

Glutaraldeído: O mecanismo de ação é a alquilação (entra como substituto) dos grupos sulfidrila,
hidroxila, carbonila e grupo amina, alterando o DNA e a síntese proteica.

Formaladéido (CH20): Pode ser um agente esterilizante ou desinfetante. Ter ação sobre Gram-
positivas e negativas, fungos, vírus, microbactérias e endósporos bacterianos. Para fins de
esterilização, o tempo mínimo é de 18 horas tanto em solução alcoólica a 8% como aquosa a 10%.
Oxido de etileno (ETO) : Gás incolor, com grande poder de penetração e mutagénico, o óxido de
etileno é misturado com gases inertes liquefeitos como freão (difluormetano) e o CO para diminuir o
risco de inflamabilidade. Os vapores do óxido etileno são tóxicos para pele, olhos e membranas
mucosas, além se serem cancerígenos. Exige treinamento do pessoal com controle de exames
bioquímicos de sangue. Existe monitoração biológica para este tipo de esterilização. O indicador
usado é o Bacillus subtilis var niger.

Fenol: O fenol (ácido carbólico) e seus derivados fenólicos são agentes desnaturantes de proteínas.
Os derivados possuem alterações na estrutura do fenol que aumentam a ação antimicrobiana e
diminuem a toxicidade. Por exemplo: alqui-fenois (orto, metade paracresóis).

O fenol é mais usado para desinfetar superfícies e culturas que serão descartadas. Entretanto,
dependendo da sua concentração, pode ter diferentes níveis de ação:
- Fenol 0,5-1% - antisséptico
- Fenol 5%- desinfetante

O fenol promove uma desinfeção de nível médio ou intermediário oi baixo. Podem ser usados para
descontaminação de superfícies hospitalares, artigos metálicos e de vidro.

Binguanida: A clorexidina é um composto clorado, semelhante ao hexaclorofeno, que é eficaz contra


vários micróbios, mesmo na presença de matéria orgânica. Muito sado no controle da densidade
microbiana em pele e mucosas. Combinada com detergente ou álcool, também é usada para
escovação cirúrgica das mãos e na preparação pré-operatória de pacientes.
Halogênios: Hipoclorito de sódio, cloro e Iodo

Cloro e compostos clorados: Agentes oxidantes, que oxidam grupos-SH e _NH de enzimas, inibindo-
as e inativando ácidos nucleicos são eficazes contra vírus, bactérias Gram-positivas e negativas,
fungos, micobactérias, todos os tipos de vírus e endósporos.

Usado na desinfeção hospitalar e de água (alimentação, piscinas). Em hospital é indicado para


desinfeção de nível médio de artigos e superfícies e também para descontaminação de superfícies
durante 10 minutos com 1% de cloro ativo.

Solução de Iodo: Agente químico usado com desinfetante ou antisséptico, é uma forte agente
oxidante (completa e inativa proteínas) e pode ser usado na forma de álcool ioado. Têm ação contra
células vegetativas, endósporos, vários fungos e alguns vírus. Um mecanismo proposto é aquele em
que o iodo se combina com o aminoácido tirosina, aminoácido encontrado em varias proteínas e
enzimas inibido suas funções.

Quaternários de Amônio (QUATS): São desinfetantes surfactantes, detergentes iônicos, derivados da


amônia. Possuem quatro grupos orgânicos ligados a um átomo de nitrogénio do ião amônio NH+.
Considerados desinfetantes de baixa toxicidade e classificados com atividade de baixo nível, é mais

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efetivo contra bactérias Gram-positivas do que Gram-negativas P. aeruginosa, E. coli e Salmonella


typhimurium são resistentes a sua ação. Ativos contra alguns fungos e vírus não-lipídicos.

Sabões: Agentes tensoativos ou surfactantes são capazes de reduzir a tensão de superfície entre as
moléculas de um líquido. São os detergentes e sabões. O sabão tem pouco valos com antisséptico,
mas remove mecanicamente os micróbios pela esfregação.

Peroxigénio: Peróxido de hidrogénio, áciddo peracético e ozônio

São agentes químicos oxidantes

Peróxido de hidrogénio: O peróxido de hidrogénio é usado como agente esterilizante na indústria de


alimentos para filtros e tubulações há muito tempo e, em ração de sua eficácia, passou a ser usado
em outras áreas, inclusive na prática hospitalar para antisséptico. É um agente antimicrobiano eficaz,
quando utilizado isoladamente.

Gás plasma ou plasma esterilizante de peróxido de hidrogénio: Definido como o quarto estágio da
matéria, o plasma é produzido altas temperaturas e em decorrência de um campo eletromagnético. É
composto por nuvens de eletrões, iões e moléculas neutras. O sistema de esterilização utiliza o
peróxido de hidrogênio como gás substrato. É um processo rápido que ocorre a baixa temperatura.

Ácido peracético: Este agente pode ser usado em baixas concentrações, possui rápida atividade
contra microrganismos, procariontes, inclusive endósporos, fungos e vírus. Considerado desinfetante
de níveis intermediários e altos. Decompõem-se produtos não tóxicos (água, oxigénio e peróxido de
hidrogénio). É efetivo na presença de matérias orgânica.
Ozono: Forma altamente reativa do oxigénio que é gerada passando o oxigénio através de descargas
elétricas de alta voltagem. É frequentemente usado para suplementar o cloro na desinfeção da água.
Apresenta a vantagem de ser microbicida sem contaminantes. A desvantagem é ser mais caro que o
cloro, sem atividade residual.

Álcoois: Promovem a desnaturação de proteína e desorganização dos lipídeos de membrana. São


indicados para desinfeção de níveis abaixo ou intermediário. Os álcoois na contração 60-90% são
excelentes bactericidas, principalmente paras as formas vegetativas. Atuam também sobre células de
Mycobacterium tuberculosis, alguns fungos e vírus lipofílicos. Sua indicação é para desinfeção de
artigos e superfícies; e o tempo de exposição recomendado é 10 minutos. O álcool etílico possui
maior ação germicida, menores custo e toxicidade do que o isopropílico, que por sua vez, tem maior
ação para vírus hidrofílicos.

Metais pesados: Os metais pesados usados em agentes químicos são o selénio, o mercúrio, e cobre
e a prata. O nitrato de prata já foi muito usado para prevenir infeções oftálmicas por gonococos em
bebés na hora do parto, mas depois foi substituído por antibióticos.

Corantes: alguns corantes podem ser usados, como o azul de metileno, que inibe o crescimento de
algumas bactérias, e o cristal violeta, conhecido como violeta de genciana, que bloqueia a síntese de
parede celular, impedindo o crescimento do bactérias Gram-positivas

Testes de validação, indicadores químicos e indicadores biológicos

Teste de validação programas desenvolvidos para assegurar a reprodutibilidade e confiabilidade do


processo, garantindo resultado satisfatório e segurança. A validação verifica a eficiência do

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equipamento para ele exigida.

Substâncias químicas usadas como preservativos de alimentos: O uso de preservativos químico nos
alimentos é um método para prevenir a decomposição dos alimentos e o crescimento de patógenos.

Ácidos orgânico: Ácidos acético, cítrico, lático, propiónico, benzoico sórbico ou seus sais são efetivos
no controle do crescimento. Ácido propiónico é eficaz contra fungos filamentosos e usados em bolos,
cafés e vários tipos de queijos.

Nitrato e Nitritos: Combina-se com protões e formam ácido nitroso e óxido nítrico, substâncias
fortemente oxidantes, desestabilizando proteínas e a membrana. Causa a inibição de várias bactérias,
inclusive Clostridium botulinum. Desvantagem: reações com grupos amina e formação de nitrosamina
(cancerígeno). São usados na “cura” e carnes como bacon e presunto. Preservam o tom vermelho da
carne.

Gás sulfeto, metabissulfito: Causam a redução de pontes dissulfito. Usados em sumos, vinhos e frutas
secas.

Adição de sal e açúcar: O meio hipertónico provoca a redução da qualidade intracelular de água. Altas
concentrações de açucares, sais ou outras substâncias criam este meio que retira a água dos
microrganismos por osmose, A perda da água interfere na função celular e, eventualmente, acarreta a
morte celular.

Mecanismos de Defesa do organismo


Constituintes do sistema imunitário:
Nos vertebrados, consideramos que fazem parte do sistema imunitário:
 Vasos linfáticos;
 Órgãos e tecidos linfoides;
 Células efectoras.

 Órgãos linfoides:
 Primários:

Estruturas envolvidas na produção e maturação de leucócitos. (Timo e Medula


Óssea.)
 Secundários:

Órgãos envolvidos na captura e destruição de agentes agressores externos.


Locais de circulação e armazenamento das células imunitárias. (Adenoides,
amígdalas, gânglios linfáticos, baço, apêndice, tecido linfático associado a
mucosas.)

 Células efectoras:
 Granulares:

Células com núcleo POLILOBADO e grânulos citoplasmáticos específicos.


Neutrófilos: células muito ativas que patrulham o corpo, fagocitando bactérias e outros corpos
estranhos, constituindo a primeira linha de defesa contra a invasão de microrganismos;

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Basófilos: células produtoras de mediadores químicos de reações inflamatórias (como a


histamina). Podem realizar fagocitose, mas de uma forma muito lenta. Têm um núcleo volumoso,
irregular e retorcido, por vezes em forma de S.
Eosinófilos: realizam fagocitose de forma mais lenta que os neutrófilos, já que são geralmente
mais seletivos. A sua ação dirige-se especialmente contra parasitas, colocando-se junto à sua
parede, libertando enzimas que os destroem. Com núcleo, geralmente bilobado.

 Agranulares:

Células com núcleo grande, mais ou menos esférico ou em forma de rim, sem grânulos no
citoplasma.
Linfócitos: existem dois tipos principais destas duas células, os linfócitos B e os linfócitos T.
Os primeiros podem diferenciar-se em plasmócitos que produzem anticorpos, enquanto que os
segundos não libertam anticorpos, mas reconhecem e ajudam a destruir agentes patogénicos.
Células com núcleos esféricos, que resultam da diferenciação de células da medula óssea,
chamadas linfoblastos.
Monócitos: são capazes de abandonar os vasos, migrando para os tecidos, nos quais se
diferenciam em células fagocitárias de grandes dimensões: os macrófagos. São muito eficientes
na fagocitose de protozoários, vírus e células em degenerescência. Apresentam o núcleo em
forma de rim, ferradura ou ovoide.

Os fagócitos são células com capacidade fagocitária, das quais se destacam os granulócitos e os
monócitos. Os monócitos diferenciam-se em macrófagos, que se espalham por todo o organismo,
prontos a atuar sobre corpos estranhos.

Os linfócitos são células fundamentais na resposta imunitária. Existem dois tipos principais de
linfócitos – os B e as T. Estas células atuam de diferente modo na defesa do organismo e distinguem-
se por recetores membranares que possuem, q lhes permitem reconhecer corpos estranhos.

Linhas de defesa do organismo

Cada indivíduo é bioquimicamente único.


Esta individualidade é definida pela presença na superfície das células de macromoléculas
(glicoproteínas) que são diferentes das macromoléculas das células dos indivíduos de outra espécie,
de outro indivíduo da própria espécie e por vezes mesmo de outras células do mesmo indivíduo q
experimentaram mutações.
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Essas moléculas funcionam como marcadores celulares e são a expressão de genes que existem sob
diferentes formas alélicas.
As linhas de defesa do organismo são variadas. Algumas estão presentes em todos os seres
multicelulares e constituem a imunidade inata.
Outras foram adquiridas mais tardiamente na evolução das espécies, só aparecendo nos vertebrados,
e constituem a imunidade adaptativa.
Imunidade: diversos processos fisiológicos que permitem ao organismo reconhecer corpos estranhos
ou anormais, neutralizá-los e eliminá-los.
O sistema imunitário tem funções não só em relação a agentes estranhos, mas também na eliminação
de células lesionadas ou já envelhecidas e na destruição de células mutantes ou anormais que se
formam no organismo (vigilância imunitária – das principais defesas contra o cancro).

Os mecanismos de defesa em relação a agentes estranhos


(internos ou externos), independentemente do tipo de corpo
e dão-se sempre do mesmo modo.
Os mecanismos de defesa específica implicam células que
têm uma ação específica sobre determinados agentes
invasores.

Defesa não específica

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Os mecanismos envolvidos na defesa não específica fazem parte da IMUNIDADE INATA, pois não
são intrinsecamente afetados pelo contacto prévio com o agente invasor.
Impedem a entrada de agentes patogénicos ou destroem-nos quando estes penetram no organismo.
 Barreiras anatómicas

São as primeiras linhas de defesa do organismo contra a entrada de corpos estranhos.


 Pele: primeira barreira mecânica e química para os corpos estranhos. Tem uma camada de
células mortas que constituem a camada córnea protetora. Também células que asseguram a
imunidade cutânea – são muito ramificadas, e por isso captam corpos estranhos, degradam-nos e
apresentam fragmentos moleculares dos constituintes aos linfócitos T;
 Pelos das narinas;
 Mucosas: forram as cavidades do corpo que abrem para o exterior e segregam muco que
dificulta a fixação de microrganismos e a sua multiplicação nessas mucosas.
 Secreções e enzimas: algumas glândulas segregam substâncias que são tóxicas para
muitas bactérias, impedindo a sua progressão no organismo. Também existem células secretoras de
muco que têm função de barreira.

 Resposta inflamatória

Traduz-se por uma sequência


complexa de acontecimentos
que visam inativar ou destruir
agentes invasores quando
alguns microrganismos
ultrapassam a primeira linha
de defesa do organismo.
No tecido atingido por agentes
patogénicos, diversos tipos de
células, como por exemplo,
mastócitos e basófilos,
produzem histamina e outros mediadores químicos que provocam a dilatação dos vasos sanguíneos e
aumentam a sua permeabilidade. Com isto, aumenta a quantidade de fluido intersticial, provocando
um edema na região.
1. Os agentes patogénicos e/ou as células dos tecidos lesados libertam substâncias químicas,
principalmente histamina e prostaglandinas.
2. As substâncias químicas libertadas causam a vasodilatação e o aumento da permeabilidade
dos capilares sanguíneos da zona atingida. Como consequência, aumenta o fluxo sanguíneo no local
e uma maior quantidade de fluído intersticial passa para os tecidos envolventes.
3. A zona atingida manifesta rubor, calor e edema. A dor que acompanha esta reação deve-se
à ação de substâncias químicas nas terminações nervosas locais e pela distensão dos tecidos.
4. Os neutrófilos e os monócitos são atraídos por quimiotaxia, deixam os vasos sanguíneos por
diapedese e dirigem-se aos tecidos infetados. Os neutrófilos são os primeiros a chegar e começam a
realizar a fagocitose de agentes patogénicos. Chegam a seguir os monócitos que se diferenciam em
macrófagos.
5. Os macrófagos fagocitam os agentes patogénicos e os seus produtos, os neutrófilos
destruídos no processo e as células danificadas. O pus que se acumula no local da infeção é formado

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por microrganismos e fagócitos mortos e por proteínas e fluído que saíram dos vasos sanguíneos. O
pus é absorvido e, ao fim de alguns dias, verifica-se a cicatrização dos tecidos.

Propriedades apresentadas pelos leucócitos:


 Quimiotaxia: a acumulação de substâncias químicas inflamatórias ativa o sistema imunitário,
atraindo células efetoras para o local;
 Diapdese: os neutrófilos e monócitos deformam-se, atravessam as paredes dos capilares e
passam para os tecidos infetados;
 Fagocitose: Captura, por endocitose, de células ou restos de células que são destruídas em
vesículas digestivas. As células que realizam a fagocitose são os fagócitos.

 Os monócitos transformam-se em macrófagos, que fagocitam as células estranhas e destroem-nas


em vacúolos digestivos por ação de enzimas.
 A cicatrização ocorre por processos mitóticos.

 Resposta sistémica

Envolve todo o organismo. Um dos sintomas é a febre.


As toxinas produzidas pelos agentes patogénicos e certos compostos chamados pirogénios,
produzidos por alguns leucócitos, podem fazer disparar a febre.
Aumento do número de leucócitos em circulação – este aumento resulta da estimulação da medula
óssea por substâncias
A febre muito alta é perigosa, mas a febre moderada contribui par a defesa do organismo, uma vez
que dificulta a multiplicação de bactérias e vírus.

 Interferões

Conjunto de proteínas antivirais segregadas por células infetadas por vírus.


O interferão não protege a célula que o produz nem atua diretamente sobre o vírus, mas difunde-se
para as células vizinhas e estimula-as a produzir substância que inibem a reprodução dos vírus,
limitando a expansão das infeções virais.
São proteínas importantes na limitação da propagação de determinadas infeções virais.
Atuação:
O vírus entra na célula X, introduzindo a síntese de interferão.
Este abandona a célula, entra na circulação e liga-se a recetores da superfície da célula Y. Esta é
induzida a produzir proteínas antivirais, capazes de destruir o mRNA viral, inibindo a síntese proteica.
As proteínas antivirais bloqueiam a multiplicação de qualquer vírus que entra na célula Y.
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 Sistema complemento

Grupo de cerca de 20 proteínas que circulam no sangue na forma inativa. Quando o sistema
complemento é ativado, por uma série de reações em cascata, são levadas a cabo diferentes ações
de defesa não específica, como:
-abertura de poros na membrana citoplasmática de células invasoras, que conduzem à sua
lise;
-atração de fagócitos e estimulação da fagocitose.

Defesa específica
Corresponde à imunidade adquirida: inclui o
conjunto de processos através dos quais o
organismo reconhece os agentes invasores e os
destrói de uma forma dirigida e eficaz.
Interatuam com a primeira e a segunda linha de
defesa. Ao contrário do que acontece com a
defesa não específica, a resposta do organismo
ao agente invasor melhora a cada novo contacto.
Podemos então falar em especificidade e
memória.
Antigénios: componentes moleculares estranhos
que estimulam uma resposta imunitária específica.
Podem ser moléculas livres ou estruturas
moleculares que existem na superfície das
células. A grande maioria são polissacarídeos ou
proteínas que existem na superfície externa de
microrganismos invasores (ou que são produzidos
por esses microrganismos).
Nem todos os antigénios fazem parte de
microrganismos (pólen, hemácias, tecidos, órgãos
transplantados, parasitas, etc.).
Um antigénio possui várias regiões capazes de
serem reconhecidas pelas células do sistema imunitário. Cada uma dessas regiões é um
determinante antigénico. Durante a maturação destas células, elas adquirem recetores superficiais
para numerosos antigénios, passando a reconhecê-los. Passam a ser células
IMUNOCOMPETENTES.

Os linfócitos que durante o


seu processo de maturação
desenvolvem a capacidade
de reconhecer antigénios
próprios do organismo são
destruídos ou inativados.
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Os linfócitos maduros passam para a circulação sanguínea e linfática e encontram-se em grande


quantidade em órgãos do sistema linfático como o baço ou os gânglios linfáticos.
Em casos como as leucemias, etc., em que a medula óssea não funciona ou origina células anormais,
pode ser proposta como tratamento uma transplantação de medula óssea.

Os mecanismos de defesa específica do organismo são divididos em dois grupos:


 Imunidade humoral (mediada por anticorpos);
 Imunidade celular (mediada por células).

 Imunidade Humoral – MEDIADA POR ANTICORPOS

Os efetores da imunidade humoral são os linfócitos B. estes produzem anticorpos.


Os anticorpos são uma forma solúvel dos recetores existentes na superfície dos linfócitos.
Todos os linfócitos que possuem o mesmo tipo de recetores provêm da multiplicação de uma mesma
célula e constituem um clone, sendo capazes de reconhecer o mesmo antigénio.
Na imunidade humoral ocorrem diferentes fases:
Seleção clonal – quando o agente entra no organismo, ao encontrar linfócitos B, estimula uma
pequena fração desses linfócitos, aqueles que possuem na membrana recetores, determinados
geneticamente, para esses agentes específicos;
Proliferação clonal dos linfócitos ativados – estes linfócitos experimentam uma rápida divisão,
formando muitas células, todas idênticas geneticamente, que possuem os mesmos recetores e
pertencem ao mesmo clone.
Diferenciação dos linfócitos B – uma parte das células do clona diferencia-se em plasmócitos, que
são células secretoras de anticorpos. Os plasmócitos ativos podem produzir 5000 moléculas de
anticorpos por segundo, pois têm um RER muito desenvolvido.
A defesa do organismo através da imunidade humoral ocorre pela seguinte ordem:
1. Um macrófago
fagocita um determinado
antigénio e processa-o
(fragmenta-o). Uma porção do
antigénio, o determinante
antigénico, liga-se a uma
proteína MHC e é
apresentado à superfície do
macrófago.
2. O determinante
antigénico é reconhecido
pelo clone de linfócitos B
que possui o recetor
específico e por linfócitos T
auxiliares. O clone de
linfócitos B também pode

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reconhecer os determinantes antigénicos de antigénios livres – sem a intervenção de células


apresentadoras;
3. O clone de linfócitos B é ativado e sofre multiplicação;
4. Uma parte das células do clone de linfócitos B ativado diferencia-se em plasmócitos e outra
parte em linfócitos B de memória;
5. Os anticorpos interagem com o antigénio e levam à sua destruição;
6. Após a destruição do antigénio, os plasmócitos morrem e os anticorpos são degradados,
diminuindo a sua concentração no sangue. Os linfócitos B de memória permanecem no sangue
durante anos e desencadeiam uma resposta imunitária secundária.

Reação Antigénio-
anticorpo
Os anticorpos
pertencem a um
grupo de
proteínas
globulares
designadas
IMUNOGLOBULINAS.
As imunoglobulinas são células com
estrutura em forma de Y, constituídas por
quatro cadeias polipeptídicas, duas
cadeias pesadas (H) e duas cadeias leves
(L). As cadeias polipeptídicas possuem uma
região constante (C), muito semelhante em todas as imunoglobulinas e uma região variável (V).
Na região variável das imunoglobulinas existem sequências de aminoácidos que lhe conferem uma
conformação tridimensional particular – sítios de ligação para um antigénio específico. É nesta região
que se estabelece a ligação com o antigénio, formando o complexo antigénio anticorpo ou
complexo imune.
O elevado grau de especificidade no local de ligação do anticorpo a um antigénio deve-se a dois
fatores:
- A sua estrutura é complementar da estrutura de um antigénio;
- Nesse local toda a estrutura química favorece o estabelecimento de forças eletrostáticas de ligações
de hidrogénio ou de outro tipo de ligação entre anticorpo e antigénio.
 Mecanismos de ação dos
anticorpos:

Os anticorpos não têm capacidade de


destruir diretamente os invasores

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portadores de antigénios. Na verdade, eles marcam as moléculas estranhas, que depois são
destruídas por outros processos.
- Neutralização: a ligação anticorpo-antigénio inativa o agente patogénico ou neutraliza a toxina que
ele produz.
- Estimulação da fagocitose: a ligação anticorpo-antigénio estimula a ligação dos macrófagos e a
fagocitose.
- Aglutinação: os anticorpos agregam os agentes patogénicos, neutralizando-os e tornando-os
acessíveis aos macrófagos. A aglutinação é possível porque cada anticorpo tem pelo menos dois
locais de ligação ao antigénio.
- Precipitação: ligação de moléculas solúveis do antigénio, formando complexos insolúveis que
precipitam.
- Ativação do sistema complemento: o complexo anticorpo-antigénio ativa umas proteínas do
sistema e desencadeia a reação em cascata que ativa todo o sistema. Como já foi referido, as
proteínas do sistema de complemento estimulam a fagocitose e a lise celular.

A presença do complexo antigénio-anticorpo amplifica a


resposta inflamatória e a eliminação celular já iniciada de
uma forma não específica.

 Imunidade Celular - mediada por células

A imunidade mediada por células resulta da participação dos linfócitos T. estes só reconhecem
antigénios apresentados na superfície das células do nosso organismo ligados a moléculas
particulares que são marcadores individuais. É particularmente efetiva na defesa do organismo contra
agentes patogénicos intracelulares.
Esta é a base do reconhecimento dos nossos próprios antigénios (self), que permite a tolerância
imunológica; é também a base do reconhecimento de antigénios que nos são estranhos (non-self)
quando apresentados por células apresentadoras.
Quando um macrófago fagocita uma bactéria ou um vírus, ao dar-se a destruição dentro do
macrófago, formam-se fragmentos peptídicos que são antigénicos. Estes fragmentos ligam-se a
certos marcadores superficiais do macrófago que os exibe e apresenta aos linfócitos T.
Estes linfócitos T são ativos contra: parasitas multicelulares, fungos, células infetadas por bactérias ou
vírus, células cancerosas, tecidos enxertados e órgãos transplantados.

Na imunidade celular estão envolvidos os seguintes acontecimentos:


- Células que apresentam, na sua superfície, determinantes antigénicos estranhos ligados a
proteínas do MHC são reconhecidas por linfócitos T auxiliares. As células apresentadoras podem ser
macrófagos que fagocitaram e processaram agentes patogénicos, células infetadas, células
cancerosas ou células de outro organismo;
- O clone de linfócitos T auxiliares, que reconhece o complexo antigénio – MHC, divide-se e
diferencia-se em linfócitos T citotóxicos e linfócitos T de memória. Os linfócitos T auxiliares também
libertam mediadores químicos (citoquinas) que estimulam a fagocitose, a produção de interferão e a
produção de anticorpos pelos linfócitos B;
- Os linfócitos T citotóxicos ligam-se às células estranhas ou infetadas e libertam perforina (uma
proteína que forma poros na membrana citoplasmática, provocando a lise celular);
- Os linfócitos T de memória desencadeiam uma resposta mais rápida e vigorosa num segundo
contacto com o mesmo antigénio.
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Existem diferentes tipos de linfócitos T com funções específicas – uns produzem substâncias
químicas que coordenam diferentes intervenientes de defesa específica, outros matam células
portadoras de antigénios, outros moderam ou suprimem a resposta imunitária quando a infeção já
está debelada.

Cooperação entre células


Imunitárias
Os linfócitos B e T influenciam-se
mutuamente, pelo que a ação da
imunidade humoral e da imunidade
celular não é independente.

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2ª exposição ao antigénio
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Significa que há estimulação


Linfócitos T ativos: Defesa contra agentes patogénicos intracelulares e células cancerosas, através da
ligação e destruição destas células.
Anticorpos: Defesa contra agentes patogénicos extracelulares, tornando-os alvos fáceis para os
fagócitos.

Todos os agentes do sistema imunitário interagem. Se um deles falha, todas as


linhas de defesa ficam perturbadas.
 Vigilância Imunitária

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Uma das principais funções da imunidade mediada por células é reconhecer e destruir células
cancerosas. Isto é possível devido ao facto de as células cancerosas terem alguns antigénios
superficiais diferentes dos das células normais e podem ser reconhecidas como estranhas.
As células cancerosas surgem como resultado de mutações génicas em células normais do
organismo – estas mutações provocam o aparecimento de novos antigénios superficiais.
A destruição das células cancerosas é feita por determinados linfócitos T, que libertam substâncias
que podem provocar a morte dessas células por diferentes mecanismos (geralmente apoptose –
morte programada das células).
Quando o sistema mediado por células é ineficaz em reconhecer ou destruir células cancerosas é que
elas se multiplicam e originam o cancro, segundo alguns investigadores.
O sistema imunitário é também responsável pela rejeição de tecidos ou órgãos quando existem
diferenças bioquímicas entre o dador e o recetor – o dador e o recetor têm de ter uma IDENTIDADE
BIOQUÍMICA o mais próxima possível.
Há rejeição de enxertos quando o dador e o recetor (pertencem a estirpes diferentes) têm diferenças
genéticas mais ou menos acentuadas. Os linfócitos reagem contra as células estranhas do enxerto
destruindo-as.
Quando se reincide esta prática com o mesmo dador e o mesmo recetor, a resposta imunitária é mais
intensa e mais rápida, devido à presença de linfócitos T de memória.
Para minimizar as reações de rejeição no organismo humano, procuram-se tecidos/órgãos que sejam
compatíveis com as características bioquímicas do recetor.
Aplicam-se também ao recetor várias drogas que suprimem a resposta imunitária – mas estas drogas,
por serem pouco específicas, podem comprometer a capacidade do sistema imunitário em relação a
outras infeções.
É importante considerar numa situação de enxerto/transplante:

 Memória Imunitária e vacinação

O primeiro contacto com um antigénio origina uma resposta imunitária primária, durante a qual são
ativados linfócitos B e T.
As células de memória podem reconhecer rapidamente esse antigénio numa nova infeção,
desencadeando uma resposta imunitária secundária que se caracteriza por ser mais intensa e mais
rápida no combate e eliminação desse antigénio.
As células efetoras desaparecem após a eliminação do antigénio invasor. As células de memória
permanecem no organismo, inativas, prontas para dar uma resposta imunitária secundária, mais
rápida, mais intensa e de maior duração. A esta propriedade chamamos MEMÓRIA IMUNITÁRIA. A
memória imunitária é específica para o antigénio para o qual foi sensibilizada.

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O princípio da memória imunitária pode ser utilizado na imunização do organismo, através de


processos de vacinação.
Uma vacina é uma solução preparada em laboratório, de agentes patogénicos mortos ou inativados
de modo a que não se reproduzam.
O risco de uma vacina provocar uma doença é ínfimo, mas não é nulo, pelo que atualmente se
investe na produção de vacinas comestíveis, que seriam mais seguras, mais baratas e que
apresentassem resultados mais rápidos.
A vacina tem a função de desencadear uma resposta imunitária primária, provocando a produção de
células de memória que estarão prontas para responder a um segundo contacto com os agentes
patogénicos para os quais estão sensibilizadas.

Existem diferentes tipos de imunidades, discriminados na seguinte tabela:


Imunidade ativa Natural
O sistema imunitário do indivíduo responde O indivíduo é, naturalmente, exposto ao
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antigénio.
Exemplo: contrai uma doença, etc.
ao antigénio e produz anticorpos e células de
memória Artificial
O antigénio é, deliberadamente, introduzido
no organismo através de vacinação.
Natural
A criança recebe anticorpos que são
Imunidade passiva transferidos da mãe através da placenta ou
O sistema imunitário do indivíduo não do leite.
responde ao antigénio. São transferidos
anticorpos produzidos por outra pessoa ou Artificial
por um animal. O individuo recebe um soro que contém
anticorpos produzidos por outra pessoa ou
por um animal.

 Desequilíbrios e doenças

O sistema imunitário preserva a integridade do nosso organismo. O combate a agentes patogénicos e


a doenças por eles provocadas deve ser ajustado, de forma a que seja intensa o suficiente para ser
bem sucedido no combate às mesmas, mas não excessivo ao ponto de prejudicar o individuo.
Deve ser específica e adaptada ao agente patogénico. Contudo, as pessoas reagem de maneira
diferente face o mesmo antigénio.
Esta desigualdade pode ser adquirida por fatores como a desnutrição, a idade, etc., ou devido a uma
componente genética, levando à produção de mediadores químicos que intervêm na imunidade de
maneira diferente.
Qualquer um destes desequilíbrios pode criar situações de anormalidade no funcionamento do
sistema imunitário. Este pode desregular-se ou possuir algumas deficiências, tornando o indivíduo
vulnerável a infeções ou conduzir a reações violentas contra elementos do ambiente normalmente
tolerados.
 Alergias

Algumas reações de defesa exacerbam-se e podem condicionar doenças. Uma dessas situações é a
alergia. A asma, rinite alérgica, eczema, urticária e conjuntivite são manifestações alérgicas comuns.
As alergias correspondem a estados de hipersensibilidade imunitária, conduzindo a reações
aberrantes em relação a antigénios específicos. Esta hipersensibilidade pode ter consequências
graves, como a lesão de tecidos e órgãos.
As substâncias que desencadeiam alergias são os alergénios.

As reações alérgicas podem assumir vários aspetos:


 Hipersensibilidade Imediata

É a forma de alergia mais frequente e manifesta-se logo após o contacto com o alergénio.
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num primeiro contacto os linfócitos B são estimulados a diferenciarem-se em plasmócitos que


produzem anticorpos específicos da classe IgE. Esta liga-se aos mastócitos. Num segundo contacto,
este alergénio liga-se ao
anticorpo dos mastócitos
(IgE). O complexo antigénio-
anticorpo ativa os mastócitos e
os basófilos e são libertados
mediadores químicos como a
histamina, que desencadeiam
uma reação inflamatória
intensa, caracterizada por
vasodilatação, edema e afluxo
de células fagocitárias.
Ex. asma, rinite e urticária.
 Hipersensibilidade
Tardia

Leva mais de 12 horas a


desenvolver-se e é devia a
reações imunitárias mediadas
por células.
É um exemplo deste tipo de hipersensibilidade a alergia de contacto.
Esta resulta de uma sobre ativação de certas células do sistema imunitário. Ex.: Eczema de contacto.

Algumas reações alérgicas podem conduzir a um choque anafilático, que é provocado pela diminuição
brusca da pressão arterial em consequência do aumento da permeabilidade dos vasos sanguíneos –
resultado de uma reação inflamatória MUITO intensa.
O património hereditário é um fator de risco importante na génese de certas alergias. O risco de
desenvolver uma alergia é tanto mais elevado quanto os ascendentes diretos são alérgicos.

 Doenças autoimunes

Os linfócitos são normalmente tolerantes em relação aos antigénios do próprio indivíduo.


Aqueles que apresentam uma forte afinidade para os antigénios do próprio indivíduo são eliminados
ou ficam inativados aquando da sua maturação, impedindo a sua ação.
O timo funciona como um filtro, que só deixa passar os linfócitos com pouca ou nenhuma afinidade
para os antigénios do próprio indivíduo. Um processo idêntico acontece com os linfócitos B na medula
óssea.
Por diversos motivos, esta tolerância pode ser rompida e o organismo acaba por produzir anticorpos e
células T sensibilizadas para alguns dos seus próprios tecidos, levando à sua destruição, tendo como
consequência a lesão e alteração das funções dessas células.
Existem vários tipos de doenças autoimunes, cujos sintomas se relacionam com o tipo de tecido que é
atacado e destruído pelo sistema imunitário do próprio indivíduo, sendo algumas delas:

 Diabetes insulinodependentes:

O nosso organismo possui uma concentração variável de glicose no sangue à qual chamamos
glicemia.

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A variação dessa concentração pode ser devia à ingestão de alimentos com alto teor de glicose
(aumenta a glicemia) ou devido à prática de exercício físico (diminui a glicemia).
Células localizadas no pâncreas chamadas ilhotas de Langerhans produzem insulina, que é usada na
decomposição da glicose.
Contudo, alguns indivíduos apresentam concentrações anormais de glicemia. A essas pessoas
chamamos diabéticos. Esta doença pode ter implicações a nível do sistema cardiovascular, nervoso,
etc.
Esta é uma doença auto imune uma vez que no soro dos diabéticos encontram-se anticorpos contra
células das ilhotas de Langerhans. Também os linfócitos T destroem as células produtoras de insulina
através de mediadores químicos. O tratamento passa pela injeção diária de insulina.
Parece haver uma predisposição genética para diabetes.

 Artrite Reumatoide

É caracterizada pela destruição de cartilagens articulares pelo sistema imunitário, o que causa a
deformação das articulações e diminuição da mobilidade das zonas afetadas.

 Esclerose Múltipla

Doença neurológica que inclui sintomas como perturbações sensitivas, formigueiros, falta de visão,
desequilíbrio, dificuldades motoras nos membros inferiores, etc.
Verificam-se lesões na zona branca dos centros nervosos devido à destruição da mielina de axónios e
de células nervosas, provocadas por linfócitos T ou mediadores químicos libertados pelo sistema
imunitário.
Certos linfócitos T reativos a determinado antigénio “enganam-se” e atacam a mielina. Os macrófagos
fagocitam os fragmentos da mielina. Também anticorpos são produzidos contra os constituintes da
mielina. A longo prazo, estas lesões levam à atrofia do sistema nervoso central, com diversas
consequências.

 Lúpus

O sistema imunitário produz anticorpos contra vários tipos de moléculas próprias, incluindo histonas e
DNA. Caracteriza-se por erupções da pele, febre, artrite e disfunção renal.

 Imunodeficiência

Os indivíduos podem não possuir linfócitos B ou T. há ainda casos em que se verifica a deficiência de
fagócitos ou de outros intervenientes do sistema imunitário.
Como todos os agentes do sistema imunitário interagem, desde que um deles falhe, todas a linhas de
defesa ficam perturbadas.

 Imunodeficiência inata (ou congénita):

Existem diferentes tipos de imunodeficiências inatas, cujos sintomas dependem dos constituintes do
sistema imunitário que têm um funcionamento deficiente.
A falta de linfócitos T traduz-se numa maior sensibilidade a agentes infeciosos intracelulares, vírus e
cancros. A falta de linfócitos B traduz-se numa maior sensibilidade a infeções extracelulares causadas
por bactérias e outros agentes.
A imunodeficiência grave combinada (SCID) passa pela ausência de linfócitos B e T. os doentes são
extremamente vulneráveis e apenas sobrevivem em ambientes completamente estéreis.
Tratamento por transplante de medula óssea ou terapia genica.
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 Imunodeficiência adquirida

O caso mais paradigmático na atualidade é o da SIDA (HIV).


A SIDA é causada pelo vírus da imunodeficiência humana (HIV). Este é um vírus de RNA (retrovírus)
que infeta principalmente os linfócitos T, mas também linfócitos B, macrófagos e células do sistema
nervoso.
No interior da célula hospedeira, o RNA viral é transcrito para DNA pela transcriptase reversa e o DNA
é integrado no genoma. Quando ativo, o DNA viral dirige a produção de novos vírus que causam a
destruição da célula hospedeira e infetam novas células. A diminuição progressiva do número de
linfócitos T deixa o organismo muito suscetível a doenças oportunistas e cancros.
Não existe cura nem vacina para a doença, mas a sua progressão pode ser retardada por drogas
inibidoras da transcriptase reversa (AZT) e das proteases e inibidores da ligação do vírus às células
hospedeiras.
A contaminação pelo HIV é silenciosa, não desencadeando imediatamente uma doença aguda:
Após a fixação do vírus sobre uma célula-alvo, um linfócito T, o material genético, RNA vira, assim
como algumas enzimas como a transcriptase reversa entram na célula.
Em presença da enzima transcriptase reversa, o RNA viral é copiado em DNA por um processo
designado por transcrição inversa, formando uma cadeia simples de DNA complementar do RNA do
vírus. A cadeia de DNA serve de molde à síntese de uma cadeia complementar, formando uma
molécula de DNA em cadeia dupla, designada por provírus.
O DNA proviral é incorporado no genoma da célula hospedeira.
Os genes do vírus podem ficar um período mais ou menos longo sem se exprimirem.
Uma ativação do DNA proviral leva à sua transcrição, formando RNA mensageiro.
Algumas moléculas do RNA vão constituir o RNA viral, enquanto que outras funcionam de mRNA,
ligando-se a ribossomas da célula, que passam a traduzir a sua linguagem codificada numa
sequência de aminoácidos que forma as proteínas do vírus.
Constituem-se então novos vírus, que formam saliências à superfície da célula e se separam,
podendo infetar outras células.
Com a destruição dos linfócitos T que coordenam a defesa específica, o sistema imunitário vai
enfraquecendo ao longo do tempo, tornando-se progressivamente incapaz de controlar a proliferação
do vírus e de outros agentes patogénicos. Surgem assim doenças oportunistas, como a tuberculose,
sapinhos, dermatomicoses, pneumonia, meningite, etc., que levam à morte do indivíduo.

2- IMPORTÂNCIA DOS MICRORGANISMOS DO SOLO PARA OS ECOSSISTEMAS

2.1 - Solo

- Bactérias e fungos
 Decompositores
Dentro da biologia alguns seres desempenham o importante papel de reciclar a matéria
orgânica. Eles são classificados como seres decompositores. Fazem parte desse grupo os
fungos, as bactérias, e os protozoários. Cada um deles irá desempenhar diferentes tipos de
trabalhos dentro do ecossistema. Como dependem da matéria orgânica que decompõem para
obterem energia, esses seres se encaixam no grupo de organismos heterotróficos.

O ato de reciclagem praticado pelos seres decompositores representa um importante papel


para o equilíbrio ecológico do planeta, pois além de darem um fim a parte dos restos
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orgânicos de seres mortos, eles produzem nutrientes. Esses nutrientes são essenciais para a
continuidade da vida dentro dos ecossistemas. Algumas plantas, por exemplo, são
extremamente dependentes desse processo, e nós humanos, somos dependentes das
plantas, constituindo o ciclo ambiental de vida.

O processo de decomposição depende da interação de alguns fatores, como a comunidade, o


ambiente físico-químico e a qualidade dos recursos. Isso envolve temperatura, PH do solo,
ambiente físico, carbono, umidade, etc.

Os principais grupos de decompositores trabalham de maneiras distintas:

Bactérias – Esses pequenos seres são muito numerosos, reproduzem-se rapidamente e


adaptam- se facilmente a situações extremas, portanto apresentam grande sucesso no
processo de decomposição. Essas bactérias usam energia da luz solar, energias de fontes
químicas e substratos orgânicos para realizarem o processo e fornecerem nutrientes.
Fungos – Os fungos possuem uma estrutura morfologicamente adaptada para realizarem o
processo de reciclagem, chamadas de hifas fúngicas. Além de serem classificados como
heterotróficos, os fungos são aeróbios.
Protozoários – A partir do consumo de micróbios que os protozoários obtêm energia. Esses
seres participam do processo de ingestão de partículas orgânicas nos sedimentos em
decomposição. Também estão presentes e ativos no organismo de animais mortos. De
acordo com seu comportamento no momento da decomposição, eles mantem um equilíbrio
entre fungos e bactérias.

Curiosidade: As minhocas são comumente classificadas como decompositoras, mas esse é


um equívoco: as minhocas se encaixam no grupo de seres detritívoros.

2.2 - Processos de tratamento de resíduos

- Acão de decomposição de bactérias

 Lamas ativadas em ETAR


Águas residuais:
ETAR:
1.Tratamento primário: processo mecânico que remove materiais sólidos de grande dimensão
e outros em suspensão por filtragem e decantação;
2.Tratamento secundário: processo biológico em que as bactérias aeróbias e anaeróbias
eliminam 90% da matéria orgânica dissolvida. As bactérias decompositoras podem ser
incluídas em lamas ativadas que podem ser misturadas com as águas resultantes do
tratamento primário e originar os tanques de percolação.
3.Tratamento terciário: tratamento físico ou químico para remover poluentes específicos.
Nem sempre é usado por ser muito caro. Antes de ser devolvida ao ambiente a água é
desinfetada com cloro ou radiações UV para matar os microrganismos. As lamas são
sujeitas a compostagem e podem ser usadas como fertilizante. O biogás produzido pelas
bactérias anaeróbias durante o tratamento secundário ou a compostagem de lamas,
pode ser usado para obter energia

 Compostagem
A compostagem é um processo biológico através do qual os microrganismos transformam a
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matéria orgânica (folhas, papel, restos de fruta e hortaliças) numa substância semelhante ao
solo, à qual chamamos de composto.
Este composto, rico em nutrientes, melhora o crescimento das plantas, relvados e jardins.
Os resíduos que podem e devem ser compostados são, normalmente, classificados em
"verdes” e ”castanhos” conforme o teor de humidade e a proporção de nutrientes.
Para que a compostagem decorra da melhor forma, é fundamental ter a maior diversidade de
resíduos possível, numa proporção igual de verdes e castanhos.

2.3- Conclusão
Com este manual constatamos a grande biodiversidade dos microrganismos. Concluímos que
uns são benéficos para os seres humanos e para os ecossistemas, quer em processos de
decomposição de matéria morta, quer na produção de medicamentos e alimentos, quer na
manutenção e equilíbrio dos ecossistemas. Concluímos também que alguns são patogénicos,
portanto, capazes de provocar doenças.
Relativamente a estes últimos tivemos também a oportunidade de conhecer os mecanismos de
defesa do organismo.

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Bibliografia e Webbibliografia
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RIBEIRO, Elsa et all. (2009). Biodesafios 12. Lisboa. Edições ASA.

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