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Física II

FEP 112 (43001120)

1º Semestre de 2012

Instituto de Física - Universidade de São Paulo

Professor: Valdir Guimarães

E-mail: valdir.guimaraes@usp.br
Fone: 3091-7104(05)
Aula – 1

Temperatura e

Teoria Cinética dos gases


Termodinâmica: estudo dos fenômenos associados a temperatura
e calor.

Descrição macroscópica de gases envolve poucos parâmetros.

Temperatura - Pressão - Volume

Pressão e temperatura são valores médios de grandezas


microscópicas = Teoria Cinética dos gases.

Descrição termodinâmica
é uma descrição macroscópica
de sistemas com um número
grande de partículas.
Lei zero da termodinâmica

(Equilíbrio térmico)

Equilíbrio térmico: Sistema isolado num estado em que nenhuma


das variáveis macroscópicas (pressão, volume e temperatura) que
o caracterizam mudam com o tempo.

Se dois corpos estão em equilíbrio térmico com um


terceiro, então eles estão em equilíbrio térmico entre si.

Por definição dois corpos tem a mesma temperatura se


estiverem em equilíbrio térmico entre si.
Termômetros (medida de temperatura)

Uma propriedade física que se altera


com a temperatura é chamada de
propriedade termométrica.

Uma alteração em uma propriedade


termométrica indica uma alteração na
temperatura do corpo.
Tipos de termômetros

 Gás ideal : pressão e volume de um gás rarefeito.

 Tubo de mercúrio : expansão ou contração do fluído.

 Fita bi-metálica: diferença na expansão dos dois metais.

 Resistência : variação da resistência elétrica.

 Paramagnético : diferença da propriedade magnética .

 Pirômetro : cor da luz emitida.


Termômetro com fita bi-metálica
Escalas de temperatura)

 Célsius

 Fahrenheit

 Absoluta
Escala Célsius
Na escala Celsius o ponto de gelo é 0 e o ponto de vapor é 100.
Nessa escala, o intervalo entre os pontos fixos é dividido em
100 partes iguais, sendo que cada divisão corresponde a 1grau

Calibração com dois pontos:

00 temperatura água + gelo


1000 temperatura água + vapor

tc  0 Lt  L0 Lt  L0
 tc  1000
100  0 L100  L0 L100  L0
Escala Fahrenheit
Na escala Fahrenheit o ponto de gelo é 32 e o ponto
de vapor é 212. Nessa escala, o intervalo entre os
dois pontos fixos é dividido em 180 partes iguais,
sendo que cada divisão corresponde a 1 grau
fahrenheit (1°F).

Conversão de uma para outra:

tc  (t f  32 )
5
9
0
Termômetros a gás

Diferentes termômetros calibrados a 0 e 100 graus nem sempre


concordam e as discrepâncias aumentam para pontos fora da
região de calibração.

Termômetros a gás são mais confiáveis.

Usando como substância termométrica um gás, poderíamos tomar


como propriedade termométrica:

Volume a pressão constante ou

Pressão a volume constante.


Termômetros a gás de volume constante
apresentam maior confiabilidade.

Exemplo gás: hidrogênio


O volume do bulbo B1 se mantem
constante. O tubo B3 é elevado ou
abaixado de forma a manter o nível do
tubo B2 se mantenha no zero. A pressão
no gás B1 é indicado pela altura h no
tubo B3.
ht  h0
tc  1000
h100  h0
P  Patm  gh
  densidade
Pt  P0
Temperatura varia tc  1000
linearmente com a pressão. P100  P0
Medidas da temperatura do ponto de ebulição do enxofre com
termômetros a gás de volume constante contendo gases
diferentes.

Em função da pressão do ponto de vapor da água


(quantidade de gás).

Conforme a quantidade de gás diminui as temperaturas coincidem


em 444.600C.
Dedução do valor para o Zero absoluto

Razão das temperaturas absolutas de vapor e gelo para pressão baixa

Tv Pv
 lim [ ]  1,366
Tg pg 0 Pg
Dividir em escala em 100 como a Célsius

Tv  Tg  Tg 1.366  Tg  100
Tv  Tg  100 100
Tg   273,15K
1  1.366
T P P
 lim [ ] T  273,15  lim [ ]
p g 0 P
Tg p g 0 Pg g

Precisa de apenas um ponto


Fixo padrão ( C )  T  Tg  T  273,15
0
Zero absoluto
Medidas da temperatura realizada com um
termômetro a gás a volume constante, com uma
quantidade muito pequena de gás.

Para pressão zero o limite é sempre o mesmo


não importa o gás utilizado.
Ponto triplo da água
Um estado muito mais preciso é o ponto triplo da água.

Coexistência (água-gelo-vapor) a 4,58 mmHg e 0.010C.

Escala absoluta

Ponto triplo a 273,16 Kelvins (K)

P
T  Ttriplo  lim [ ]
ptriplo 0 P
triplo

P
T  273,16 K  lim [ ]
ptriplo 0 P
triplo
Lei dos gases ideais
Lei de Boyle: Produto da pressão e volume de um gás com baixa massa
específica é constante a uma temperatura

PV  Constante (temperatura = const.)

Lei de Charles e Gay-Lussac:

PV  CT  kNT
Constante k  1,3811023 J / K  8,617 105 eV / K
de Boltzmann

Número de moléculas N  nN A

Número de Avogadro
n moles
Átomos ou moléculas em um mol
1 mol = massa atômica
(molecular) em gramas N A  6,022 1023
1 mol de 12C = 12g
Lei dos gases ideais

PV  Nk BT  nN Ak BT  nRT

R  N Ak  8,314 J /( mol  K )  0.08206L  atm /( mol  K )

Constante universal dos gases

PV
 R  8,314 J /( mol  K )
nT
PV/T é quase constante para um
grande intervalo de pressões.

Um gás ideal é definido como aquele para o qual PV/nT


é uma constante para todas as pressões.
Isotermas

Isotermas de um gás ideal são hipérboles.

P1V1 P2V2
Para uma quantidade fixa de gás temos: 
T1 T2
Qual o volume ocupado por 1 mol de um gás ideal à temperatura de
00 C e pressão de 1 atm.?

Utilizando-se a nRT
lei dos gases ideais: V
P
Latm
(1mol )(0.0821 mol K )( 273K )

1atm
 22,4 L
Veja que R foi escrito em
Latm P em atmosfera
mol K
A condição de 00C (273K) e pressão de 1 atm é conhecida como CNTP
(Condições Normais ou padrão de Temperatura e Pressão)
Quantas moléculas teriam num volume de 1cm3 ?
PV (1atm)(103 L) 5
n  Latm
 4, 46  10
RT (0.0821 mol  K )(273K )

N  nN A  4,46 105  6,022 1023  2,68 1019 moléculas


Massa molar
A massa em um mol de um gás é chamada massa molar M.

A massa molar do 12C é por definição 12g/mol


A massa molar do CO2 é 12+(16+16) = 44 g/mol

Uma amostra de 100 g de CO2 ocupa um volume de 55 L a 1 atm de


pressão.
(a) Qual a temperatura da amostra.
(b) Se o volume for aumentado para 80L e a temperatura for mantida
constante, qual a nova pressão?
m 100 g
Número de moles n: n   2,27mol
M 44 g / mol
(a) Temperatura:
PV (1atm)(55L)
T  Latm
 295K
nR (2,27mol )(0.0821 molK )

(b) Nova pressão para P1V1  P2V2  (1atm)(55L)  P2 (80 L)


temperatura constante. P2  0.688atm
Teoria cinética dos gases

A descrição do comportamento de um gás em termos das variáveis


macroscópicas de estado P,V e T pode ser feita com médias de grandezas
microscópicas, como a massa e velocidade das moléculas do gás.
Hipóteses básicas da teoria cinética dos gases:
 Grande número de moléculas que colidem entre si e com as paredes do
recipiente.

 As moléculas são separadas por distâncias muito maiores que seus


diâmetros.
Número de moléculas por mol = número de Avogadro N A  6,022 1023
1 mol de H2O = massa atômica (molecular) em gramas = 18g

Como a densidade da água é 1g/cm3 1 mol de água ocupa 18cm3

O volume ocupado por uma única molécula é dado por:


3
18cm Na forma líquida as
V  43 d 3   30 10  24 cm 3
NA moléculas de H2O estão
próximas umas das outras.
d  3 10 8 cm  3 A
Na forma gasosa a molécula
1 mol de água = 18cm3 de H2O ocupa 1/1.000 do
1 mol de vapor de água = 22,4L=22.400cm3 volume total.
Hipóteses básicas da teoria cinética dos gases:

 Ausência de forças externas (gravidade pode ser desprezada).

 Não há orientação preferencial.

 Não exercem forças umas sobre as outras.

 Conservação da quantidade de movimento.

Essas hipóteses explicam a capacidade ilimitada de expansão de um gás.

É devido as colisões entre as moléculas e com as paredes que as direções


da velocidade são aleatórias e uniforme.

Típico caminho de uma molécula é zigue-zague irregular e complexo.


Movimento Browniano (Tese de doutorado de Einstein).
Interpretação microscópica da pressão
A pressão que o gás exerce sobre o recipiente é o produto das
colisões das moléculas com as paredes.

Considere um recipiente com volume V contendo N moléculas de


um gás com massa m e velocidade v.

Vamos considerar a direção x e a colisão na parede da direita.

volume  vx tA

Em média apenas metade


vão para direita.

Número de moléculas que


colidem com a parede da N 1 N
nv  ( )  (volume)  2  (vx tA)
1
direita num intervalo de 2
V V
tempo t .

F 1 P Variação da quantidade de
P  movimento
A A t


Cada molécula: p  mvx  (mvx )  2mvx

Para nv moléculas: P  (2mvx )  (nv )

1 N N
P  (2mvx )  ( 2 vx tA)  mvx2 At
V V

1 P 1 N mvx2 At N
P   mvx2
A t AV t V

PV  Nmvx2  2 N ( 12 mvx2 ) med


Interpretação microscópica da pressão

PV  2 N ( 12 mvx2 ) med

Considerando que todas direções são iguais.

(vx2 ) med  (v y2 ) med  (vz2 ) med

Generalizando para qualquer direção temos:

(v 2 ) med  (vx2 ) med  (v y2 ) med  (vz2 ) med e (v 2 ) med  3  (vx2 ) med


N
P  13 m(v 2 ) med  13 nm(v 2 ) med
V

n= número de moléculas por volume


Interpretação microscópica da temperatura
PV  2 N ( 12 mvx2 ) med PV  nRT  NkT  2 N ( 12 kT )

( 12 mvx2 ) med  12 kT
Considerando que todas direções são iguais.

(vx2 ) med  (v y2 ) med  (vz2 ) med

(v 2 ) med  3  (vx2 ) med

K med  12 m(v 2 ) med  12 m3  (vx2 ) med  32 kT


A temperatura absoluta é, então, uma medida da
energia cinética média de translação das moléculas.
Para n moles de um gás com N moléculas temos:

K  N ( 12 mv2 ) med  32 NkT  32 nRT

Onde foi usado que: Nk  nN Ak  nR


Energia cinética de translação por molécula é: K  32 kT
Energia cinética de translação por mol é: K  32 RT

Velocidade média de uma molécula:

3kT 3RT
vrms  (v ) med
2
 
m M
A massa molar do oxigênio gasoso (O2) é 32g/mol. Calcule a velocidade
rms de uma molécula de oxigênio quando a temperatura for 300K.

3RT
vrms  (v ) med
2

M

3RT 3(8.31J / mol  K )(300 K )


vrms   3
 483m / s
M 32 10 kg / mol

vsom  347m / s

Se a velocidade é tão grande porque a demora para o cheiro de um


perfume chegar de um ponto a outro numa sala?

Caminho livre médio


Caminho livre médio

Uma molécula de raio r1 com


velocidade v colidirá com
qualquer molécula de raio r2
quando a distância entre os
centros for d=r1+r2.

A medida que a molécula se


movimenta ela irá colidir com
outra cujo centro esteja dentro
de um volume dado por um
comprimento e área=A.

A  d 2
Caminho livre médio
Em um intervalo de tempo t a molécula se chocará com uma outra
molécula dentro do volume dado pelo cilindro:

V  d 2vt
Número de colisões:

N 2
d vt  nvd vt
2

Número de moléculas
por volume vt 1
Caminho livre médio é dado
 
pelo comprimento total da nvd vt d 2 N
2

trajetória dividido pelo V


número de colisões.
Qual o caminho livre médio de um gas de oxigênio a 300K e 1atm ?
r=2,9x10-10m.

Vamos primeiro encontrar a razão número de moléculas por volume.

Assumindo que o oxigênio se comporte como um gás ideal N/V :

Para 1 mol o volume é:

nRT (1mol)(831J / mol.K )(300 K ) 2 3


V   2, 47  10 m
P (1atm)(1.0110 Pa / atm)
5

N nN A (1mol)(6.022 1023 moleculas / mol )


   2, 44  10 25
moleculas / m 3

V V (2,47 102 m3 )
1 1 O caminho livre médio é pequeno
   1,110 7 m mas as moléculas são menores
N N
d 2  1,44r 2 ainda, da ordem de 10-10m.
V V
Distribuição de velocidades

v  R
Distribuição de velocidades de Maxwell-Boltzman
Gases ideais
Gases ideais são gases na condição de baixa massa
específica, ou seja, a baixa pressão.

Manchas solares - Flor solar - diâmetro 17.000 kilometros.


Explosões solares