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DIREITO PROCESSUAL CIVIL I Prof.

Flavio Nun’Alvares
Apostila n° 1

I – Procedimento:

Para aqueles que se encontravam na aula anterior, lembrarão que ficou


pendente uma das palavras a serem conceituadas na atividade realizada.

Tal palavra, PROCEDIMENTO, é, uma das mais mal utilizadas e confundidas,


haja vista que, em sua pratica é usualmente confundida com rito e processo.

Perspectiva formal - Segundo ADA PELLEGRINI, procedimento é: “a


realidade fenomenológica perceptível do processo”.

Já segundo a perspectiva Constitucional: “é uma instituição


constitucionalizada regida pelos princípios da ampla defesa,
contraditório e da isonomia, que rege os atos jurídicos”.

Já segundo o conceito lógico de Fazzalari procedimento é: “uma estrutura


técnica de atos jurídicos seqüenciais, em que o ato jurídico inicial é
pressuposto do ato conseguinte, e este, é uma extensão do ato anterior,
e assim, sucessivamente, ate o ato encerrador”.

Seguindo esta ultima corrente, entendemos que procedimento é a seqüencial


de atos interdependentes de acordo com o modelo legal.

Ou seja:

Espaço – tempo ------------

Petição inicial  Despacho citatório  Defesa do réu (...)Sentença

II - Espécies de Processo: (art. 270 CPC)

Conhecimento – Livro I  Objeto desta matéria, é o procedimento mais


extenso, e é aquele que tende a instruir a lide, tomando “conhecimento” da
matéria em questão;
Execução – Livro II Cuida da Intervenção do estado no patrimônio do
particular, seja ele sucumbente, devedor de um Título de Crédito, ou análogo.

Cautelar – Livro III  Cuida da proteção de um direito na iminência de um


risco/dano, bem como garantir o objeto da lide, de forma a permear a
efetividade do processo.

Especiais – Livro IV  Cuida de procedimentos específicos, cujo modo ou


tempo de execução de seus atos se diferem ao de conhecimento comum. Ex.
Possessórias (920/933 CPC), Usucapião(941/945 CPC), consignação em
pagamento(890/900 CPC).

Especialíssimos – CF  São os atos constitucionais, MS, MI, AD, ação Civil


Publica...

III – Modalidades de Processo de Conhecimento:

Ordinário Comum
Sumario Comum
Sumaríssimo  fora do CPC, 9099/95

IV – Conceito de processo de conhecimento:

“Relação Jurídica de direito publico entre juiz, autor e réu, que visa o
reconhecimento de direitos, e eventualmente, a liquidação e o cumprimento
da sentença”

V – Conceitos modernos da relação jurídica:

a)Teoria linear de Kohler: (autorReu) “os direitos e deveres processuais


se dão entre autor e réu, sendo o juiz uma parte estranha. A relação
processual é a mesma relação de direito material tornada litigiosa”

b)Teoria triangular de Wach: (autor  juiz  réu – Autor) “Por ser uma
relação de direito publico, é uma relação triangular, não somene havendo
direto e deveres entre si, mas também em relação ao juiz”.

c) Teoria Angular de Hellwig: (autor JuizRéu – autor): Por se


sujeitar à soberania do estado, toda atividade das partes é voltada para
estimular a atividade jurisdicional, jamais atingindo as partes diretamente.
VI – Inicio do processo (art. 262)

De acordo com o previsto no art. 262 do CPC, “o processo civil começa por
iniciativa da parte, mas se desenvolve por impulso oficial”.

Ou seja, reconhece que o processo civil é regido por dois princípios, o


Dispositivo e do Impulso Legal.

Por Dispositivo, entende-se que a atividade jurisdicional é inerte, e tende


ficar assim até a provocação da parte, ou seja, a ação.

Por Impulso Legal, entende-se que após a provocação da parte, a marcha


do processo rumo à sentença independe da provocação da parte.

VII – Formação gradual do processo:

Com a provocação da parte, o processo ainda não se encontra estabelecido,


pois somente há a vinculação do estado com apenas o autor de forma linear,
por força do direito de ação.

De acordo com o art. 263 do CPC, esta relação só se forma com o despacho
do Juiz recebendo a inicial.

Desta forma, podemos entender que, ate então é dado ao autor o direito de
aditar a inicial sem qualquer prejuízo por parte do réu, pois inexistiu a
formação da lide.

Até então, não há quaisquer vinculação com o réu, ou seja, a parte passiva,
que somente ocorrerá com a citação válida (art. 219 CPC).

VIII – Estabilização do Processo:

Com a citação do réu, o processo se estabiliza, por força da litispendência,


(art. 219 CPC) que impede que sejam propostas outras ações envolvendo as
mesmas partes, causa de pedir e pedido.

Esta estabilização também impede a alteração do pedido ou causa de pedir,


sem a anuência do réu, alteração das partes, salvo as causas previstas em
lei, bem como se fixa o juízo, pela prevenção.

IX – Suspensão do processo:
Ocorre a suspensão do processo quando um acontecimento voluntário ou
não provoca, de forma temporária, a paralisação da marcha dos atos
processuais.

A suspensão diferente da extinção é essencialmente temporária, portanto,


cessada a causa da paralisação do processo, este se restabelece, contando
os prazos a partir de onde parou.

‘” Art. 180. Suspende-se também o curso do


prazo por obstáculo criado pela parte ou ocorrendo
qualquer das hipóteses do art. 265, I e III; casos em
que o prazo será restituído por tempo igual ao
que faltava para a sua complementação.”

A suspensão do processo não elimina o vinculo jurídico entre as partes,


apenas obsta a realização de atos durante a sua vigência. (art. 266 CPC)

De acordo com o mesmo artigo, é garantido que, dada a urgência ou risco de


dano irreparável, podem ser feitos atos enquanto suspenso o processo.
Temos como exemplos destas exceções legais, a citação para evitar
prescrição ou decadência, antecipação de prova para evitar o risco de sua
perda...

“Art. 266. Durante a suspensão é defeso


praticar qualquer ato processual; poderá o
juiz, todavia, determinar a realização de atos
urgentes, a fim de evitar dano irreparável.”

As causas de suspensão do processo estão previstas no art. 265, que são as


seguintes:

a) Por morte ou perda da capacidade processual:

Com a morte, desaparece um dos sujeitos da relação processual, o que não


pode persistir sem a devida substituição pelos sucessores ou o espólio. (art.
43 CPC)

Suspende sem prazo determinado, para realização do inventário, e, por


conseguinte, formado o espólio, porém, comprovada a inércia dos
sucessores, pode gerar extinção do processo por abandono de causa.

Outra observação que deve ser destacada é que, em caso de direito


personalíssimo, e, por isso intransmissível, com a morte do interessado, gera
a extinção do processo (art. 267, IX). Ex. divorcio, separação judicial,
alimentos...

Inicia-se com a prova do óbito ou da incapacidade (265, par. 1º).

Se a morte é do advogado, suspende-se o processo e é determinada a


intimação da parte para constituir advogado no prazo de 20 dias.

b)Por convenção das partes:

Necessita de Manifestação escrita das partes requerendo a suspensão.

Limite de 6 meses.

Independe de manifestação das partes para o retorno do curso do processo.

c) Por razão de exceção:

Ocorre por interposição de exceção alegando incompetência, impedimento ou


suspeição do Juízo. (arts. 112, 304 e 314)

Fica suspenso ate solução das exceções.

d) Por Prejudicialidade e conexão:

Quando há questões que prejudicam o processo (prejudicialidade) ou quando


depende o objeto deste processo de outro processo (conexão).

e) Por motivo de força maior:

Incêndio, alagamento, destruição do edifício do fórum, morte dos agentes do


judiciário, greve...

“vis maior est cui humana infirmitas resistire non potest” – força maior é a que
não pode resistir à fraqueza humana.

Suspende-se o processo ate o momento que o impedimento de ordem física


ou natural deixe de existir.

f) Por incidentes processuais:


Embargos de terceiros, incidente de falsidade, embargos à execução,
atentado, intervenção de terceiros...

g) Por férias forenses:

Há de destacar que a suspensão se dá quanto aos prazos e não quanto ao


processo, motivo pelo qual, ainda perdura para efeito de tutelas emergenciais
o plantão judiciário.