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HISTÓRIA DAS

RELIGIÕES

Bianca Luiza Freire de Castro França


Religiosidade, sincretismos
e misticismos
Objetivos de aprendizagem
Ao final deste texto, você deve apresentar os seguintes aprendizados:

 Definir religiosidade como conceito teológico e cultural.


 Determinar as bases do sincretismo religioso.
 Diferenciar os conceitos de religiosidade, sincretismo e misticismo.

Introdução
Os conceitos de religiosidade, sincretismos e misticismos são muito impor-
tantes para a compreensão do pensamento social, de outras sociedades
diferentes da nossa e do comportamento humano, de forma geral. A
religiosidade é uma função complexa, que depende do desenvolvimento
da personalidade, e está associada a indicadores de saúde mental, sendo
um comportamento cognitivo e emocional capaz de direcionar valores,
integrar a personalidade e direcionar o comportamento (ALLPORT, 1950
apud SOARES; ALMINHANA, 2018).
Por seu caráter complexo, a religiosidade envolve vários outros con-
ceitos e práticas, como o misticismo, que podemos entender como uma
espécie de inclinação para a crença em forças sobrenaturais. Já o conceito
de sincretismo religioso pode ser caracterizado pela fusão de diferentes
cultos ou doutrinas religiosas, com reinterpretação de seus elementos —
no Brasil, por exemplo, temos o sincretismo religioso entre a fé católica
e as religiões de matriz africana ou as crenças indígenas.
Neste capítulo, portanto, você vai ver uma discussão sobre esses
conceitos tão fundamentais na história das religiões a partir de suas
singularidades, relações e diferenças.
2 Religiosidade, sincretismos e misticismos

1 Um olhar para a religiosidade: a prática


religiosa enquanto conceito cultural
e teológico
A palavra “religião” vem do latim “religare” e significa refazer o elo, religar.
A religião, por definição, é um conjunto de doutrinas, rituais e práticas que preten-
dem estabelecer contato entre divindades e humanos, ou seja, religar o homem a
Deus (ELIADE, 1984). É uma manifestação coletiva, que gera fortes sentimentos
de pertencimento em comunidade. Os membros de uma mesma crença se unem
não apenas para manifestar sua fé, mas, também, em torno de filosofias em comum.
As religiões, além disso, podem interferir socialmente. Dois exemplos comuns
são os feriados religiosos, dias de descanso ou festa, em que são comemorados
acontecimentos de natureza religiosa (o domingo, o Shabat dos judeus, o Natal, a
Páscoa, as festas juninas de São João e Santo Antônio, entre outros); e os momentos
marcantes na vida das pessoas, como o nascimento de um filho, o casamento e
o falecimento, que têm suas solenidades permeadas por cerimônias religiosas.
É possível elencar, a partir desses pressupostos, dois elementos fundamen-
tais para a definição de uma religião:

 a crença em uma divindade;


 a orientação da vida em consonância com a crença.

Por exemplo, judeus não podem comer carne de porco, segundo sua religião, e exis-
tem religiões sabatistas, nas quais as pessoas não podem fazer provas ou atividades
produtivas até o pôr do sol aos sábados.

Sobre as divisões religiosas, podemos ter (DELUMEAU, 1997):

 religiões politeístas, sistemas religiosos que reconhecem e veneram


vários deuses — um exemplo de religião politeísta é o hinduísmo (Fi-
gura 1);
 religiões monoteístas, sistemas religiosos que reconhecem apenas um
deus — o cristianismo, o judaísmo e o islamismo são as três maiores
religiões monoteístas do mundo.
Religiosidade, sincretismos e misticismos 3

A experiência religiosa, ou religiosidade, está associada a vivências parti-


culares. Cada experiência religiosa se apresenta como uma (re)ligação entre o
homem e o “Sagrado” (ELIADE, 1984), e só se dá na presença divina.
Diante do exposto, podemos contextualizar religiosidade, ou seja, a atividade
religiosa, como um conceito cultural e teológico. É cultural porque varia entre os
povos, de cultura para cultura, ao longo da história da humanidade; e é um con-
ceito teológico porque é cunhado para explicar as atividades de crença humana.

Figura 1. Festival Perahera. O festival celebra o “dente de Buda” e consiste em danças e


decoração de elefantes.
Fonte: Shukla (2016, documento on-line).

Soares e Alminhana (2018) explicam que, segundo Allport, existem razões


diferentes pelas quais os indivíduos aderem às religiões e suas práticas, e essas
predisposições de orientação religiosa têm base nos valores de motivação para
o comportamento religioso. Os autores afiram que, nesse sentido:

[...] uma visão religiosa bem construída e amadurecida é direcionadora para


a vida e afeta o comportamento moral do indivíduo de uma maneira estável
e consistente, diferente da imaturidade que vive de impulsos flutuantes e
alberga contradições entre discurso e ação (SOARES; ALMINHANA, 2018,
documento on-line).

Além disso, a importância do sentimento religioso varia de acordo com a


centralidade que esse valor tem na personalidade de cada indivíduo.
4 Religiosidade, sincretismos e misticismos

A teologia (do grego theologuia) é uma disciplina acadêmica, portanto, ensinada


em universidades, seminários e escolas. Trata-se da ciência que estuda a natureza
dos deuses, dos seres divinos, seus atributos, e a relação desses com os homens. De
forma estrita, está ligada ao cristianismo, porém, em sentido amplo, pode ser aplicada
a qualquer religião (TEOLOGIA, 1998).

Eu creio, tu crês, nós cremos em algo


Quando falamos em religiosidade, também é importante falar de liberdade
religiosa e intolerância religiosa. Soares e Alminhana (2018, documento
on-line) recuperam “[...] a noção de religiosidade como função autônoma
integradora do comportamento e desenvolvida na dependência do amadu-
recimento pessoal”. Com base “[...] no conceito de Allport como meio para
investigar de que forma a orientação religiosa se relaciona com indicadores
de maturidade e saúde mental” apontam que uma expressão de personali-
dade madura é menos propensa a atitudes discriminatórias. Dessa forma,
a discriminação religiosa seria característica de pouco amadurecimento
cognitivo e emocional.
Segundo a Declaração Universal dos Direitos Humanos, adotada pela
Organização das Nações Unidas (ONU) em 1948:

Artigo XVIII Todo ser humano tem direito à liberdade de pensamento, cons-
ciência e religião; este direito inclui a liberdade de mudar de religião ou
crença e a liberdade de manifestar essa religião ou crença, pelo ensino, pela
prática, pelo culto e pela observância, em público ou em particular (ONU,
1948, documento on-line).

No Brasil, a Constituição Federal de 1988 assegura que o Estado bra-


sileiro seja laico, ou seja, o Estado é imparcial às questões religiosas e
não possui uma religião oficial. No artigo 5º da Constituição, é garantida
a liberdade religiosa dos brasileiros e estrangeiros que estiverem em ter-
ritório nacional:
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[...] VI - é inviolável a liberdade de consciência e de crença, sendo assegurado


o livre exercício dos cultos religiosos e garantida, na forma da lei, a proteção
aos locais de culto e a suas liturgias;
VII - é assegurada, nos termos da lei, a prestação de assistência religiosa nas
entidades civis e militares de internação coletiva;
VIII - ninguém será privado de direitos por motivo de crença religiosa ou de
convicção filosófica ou política, salvo se as invocar para eximir-se de obrigação
legal a todos imposta e recusar-se a cumprir prestação alternativa, fixada em
lei; [...] (BRASIL, 1988, documento on-line).

Também no Brasil, a Lei nº. 9.459, de 15 de maio de 1997, que altera a Lei
nº. 7.716, de 5 de janeiro de 1989, considera crime a prática de discriminação
ou preconceito contra religiões:

Art. 1º Serão punidos, na forma desta Lei, os crimes resultantes de discrimi-


nação ou preconceito de raça, cor, etnia, religião ou procedência nacional. [...]
Art. 20. Praticar, induzir ou incitar a discriminação ou preconceito de raça,
cor, etnia, religião ou procedência nacional.
Pena: reclusão de um a três anos e multa (BRASIL, 1997, documento on-line).

Soares e Alminhana (2018) apontam que, para Allport, o preconceito é


um dos pilares da sociedade secular, decorrente em especial do autoritarismo
expressado no nacionalismo e na exclusão. O autor reconhece no preconceito
religioso um paradoxo, tendo em vista que os valores religiosos não aprovam
comportamentos discriminatórios.

Quando abordamos a temática da religiosidade, sempre esbarramos com a questão


da intolerância religiosa. Oliveira (2007) nos mostra que, na história do cristianismo,
do islamismo e do judaísmo, consideradas as três maiores religiões monoteístas,
houve momentos de convivência respeitosa. Porém, também houve momentos de
intolerância entre as diversas religiões e dentro das religiões. A autora explica que os
diversos tipos de fundamentalismos — cristão, islâmico e judaico — se caracterizam
pela resistência à modernização das sociedades e são movidos como comportamentos
em busca de eliminação do outro.
6 Religiosidade, sincretismos e misticismos

2 As bases do sincretismo religioso


Você sabe o que é sincretismo religioso ou quais são as bases do sincretismo
religioso no Brasil, por exemplo? O sincretismo religioso ocorre do encontro
de duas ou mais doutrinas religiosas diferentes, em que há necessariamente
uma relação de dominação (pode ser uma relação colonial, por exemplo) e a
religião dos dominados, que, geralmente, sofre um processo de definhamento
cultural e acaba tendo de adaptar e reinterpretar elementos da doutrina religiosa
dominante para poder continuar sua veneração religiosa sem sofrer maiores
prejuízos e ataques.
Um bom exemplo é a chegada dos colonizadores portugueses ao Brasil
e seu encontro com os povos ameríndios que aqui se encontravam. Romão
(2018) explica que esses primeiros contatos representaram a eclosão de severos
atos de violência contra diversos grupos populacionais e que, com a ocupação
do litoral brasileiro pelos colonizadores portugueses, mas também franceses
e holandeses, imensos prejuízos foram acarretados para os grupos étnicos
nativos, que se destacavam pela diversidade linguística, religiosa e cultural e
que foram progressivamente reduzidos, dizimados.
Esses indígenas foram submetidos à cruz e à espada portuguesa a partir
das missões jesuíticas, que vieram à colônia com a missão de catequizar os
nativos, acumulando almas para a Igreja e súditos para o reino de Portugal.
O quadro A Primeira Missa no Brasil (Figura 2), do pintor espanhol
Victor Meirelles, foi produzido em 1860 e pode ser visto no Museu Nacional
de Belas Artes, na cidade do Rio de Janeiro, RJ. Esse quadro foi pintado
após a Independência do Brasil (1822), na segunda metade do século XIX,
quando o país estava construindo sua história como nação e a figura do
indígena era utilizada como um valoroso antepassado, que estava em
vias de extinção devido à sua assimilação pela sociedade civil. O quadro
representa a primeira missa celebrada no que seria o território brasileiro,
com a cruz fincada em Porto Seguro, Bahia, local onde os colonizadores
portugueses colocaram os pés pela primeira vez no que viria um dia ser
o Brasil.
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Figura 2. A Primeira Missa no Brasil, de Victor Meirelles.


Fonte: Meirelles (2008, documento on-line).

Observe como os indígenas são colocados no quadro: nus, admirados e


estranhando a presença do colonizador português, mas, acima de tudo, pacíficos
à presença da cruz, como se estivessem prontos para a conversão ao cristianismo
— prontos para “aceitar” à fé cristã e abandonar seus antigos costumes.
Como aponta Romão (2018), os indígenas não resistiram à violência colonial,
à escravidão e tampouco às muitas doenças que os acabavam levando à morte.
Com o tempo, os atos de violência contra os povos indígenas passaram a ter como
alvo os homens e mulheres trazidos à força do continente africano e aportados
no Rio de Janeiro e em Salvador para serem comercializados e escravizados no
Brasil colônia: eles “Realizavam todo tipo de trabalho nas lavouras, na extração de
madeira, tarefas de pastoreio, etc. Eram destituídos de qualquer direito humano e
civil e ficavam à mercê de seus proprietários” (ROMÃO, 2018, documento on-line).
Nesse contexto, esses africanos precisaram encontrar um meio para a
comunicação cotidiana, uma forma de ajustar suas visões de mundo e também
seu universo religioso. A religiosidade cristã dos colonizadores era baseada
no catolicismo inquisitório e no repúdio a quaisquer outras manifestações
religiosas diferentes. Para sobreviver, esses homens e mulheres lançaram mão
de um “[...] refinado estratagema para driblar a vigilância de seus senhores e
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poder professar seus cultos originais” (ROMÃO, 2018, documento on-line).


Assim, por exemplo, trocavam os nomes dos orixás por nomes de santos,
revelando grande perspicácia em entender, com o passar dos anos, qual orixá
poderia corresponder a que personagem do complexo mundo católico.
Segundo Romão (2018), esse procedimento não foi fácil, pois os escravos
provinham de diversas regiões africanas e seguiam religiões — politeístas — que,
às vezes, eram semelhantes, mas, em outras, eram bastante distintas entre si.
Ao longo da história brasileira, com o passar dos séculos, os elementos cris-
tãos, africanos e indígenas se misturaram em intensos processos de assimilação.
É possível compreender a questão da religiosidade africana e do sincretismo
religioso brasileiro como uma forma de tradução e adaptação em relação ao
outro. A partir disso, novas formas de cultos e crenças foram se desenvolvendo,
permitindo o surgimento de uma “[...] cultura religiosa híbrida, rica em detalhes,
e não mais traduzível de forma linear” (ROMÃO, 2018, documento on-line).

A comemoração do dia de São Cosme e Damião, no dia 26 de setembro para os


católicos e no dia 27 de setembro para o Candomblé e a Umbanda, é um exemplo
de sincretismo no Brasil. Cosme e Damião, irmãos gêmeos que morreram por volta
de 300 d.C., eram médicos e considerados santos por praticarem a medicina sem fins
lucrativos (PADRE LUIZINHO, [201-?]). Os santos foram resinificados como os Ibejis das
religiões de matriz africana, que são divindades gêmeas e crianças, ligadas à dualidade
das coisas e a tudo que nasce: nascentes dos rios, nascimentos humanos, germinar das
plantas, etc. (SANTOS, 2010). Por isso, na comemoração de Cosme e Damião, as pessoas
presenteiam crianças com sacos de doces, representando os Ibejis, entidades infantis.

3 Religiosidades, misticismos e sincretismos:


conceitos diferentes, mas que podem andar
juntos
A religiosidade é um conceito que engloba diversas práticas místicas e, muitas
vezes, sincréticas. O que isso quer dizer? Primeiramente, você deve saber dife-
renciar os conceitos de religiosidade — que não é a mesma coisa que religião
—, misticismo e sincretismo. Religião é uma doutrina, enquanto religiosidade
é a prática dessa doutrina. Essa prática pode envolver atividades místicas,
ou seja, de comunicação com o espiritual, como, por exemplo, as “mesas
Religiosidade, sincretismos e misticismos 9

mediúnicas” das casas de kardecismo, nas quais médiuns se comunicam com


os espíritos desencarnados. A prática religiosa também pode estar ligada ao
sincretismo. Por exemplo, várias comemorações religiosas, no Brasil, possuem
bases sincréticas entre religiões de matriz africana e a religião católica.
A religiosidade, ou seja, a forma de vivenciar uma doutrina religiosa, pode
englobar práticas místicas e sincréticas ao mesmo tempo, mas isso não é uma
regra. Um exemplo é a doutrina protestante, na qual seus adeptos, dependendo
da ramificação protestante, possuem diferentes atividades religiosas que não
envolvem praticas místicas ou sincréticas, muito pelo contrário, as condenam.
O Quadro 1, a seguir, apresenta explicações sobre cada conceito e uma
imagem exemplificativa.

Quadro 1. Diferenças e exemplos dos conceitos de religiosidade, misticismo e sincretismo

Religiosidade Misticismo Sincretismo

Religião é o seguimento O misticismo é o O sincretismo é absorção de um


pelo qual um indivíduo contato com uma sistema de crenças por outro.
tem sua crença em uma divindade espiritual por Geralmente, ocorre do contato
ou mais divindades. A meio da experiência de alteridades através de relações
religiosidade é a relação, direta ou individual de dominação (coloniais). Porém,
as práticas do indivíduo pode ocorrer de outras formas.
com essa crença.

Fonte: Dr. Gilad Fiskus/Shutters- Fonte: MiraCosic/Pixabay.com


tock.com. Fonte: Fred S. Pinheiro/ Shutterstock.com.

Freiras rezam na caverna Práticas de ocul- Pequeno altar para Iemanjá, orixá
do Santo Sepulcro de tismo, esoterismo e dos mares nos cultos de Um-
Jesus Cristo em Jerusa- adivinhação. banda e Candomblé. No Brasil, a
lém, Israel. imagem de Iemanjá foi readap-
tada com a imagem de Nossa
Senhora da Conceição. É possível
ver no altar junto à Iemanjá duas
pequenas imagens de Nossa
Senhora Aparecida, santa de de-
voção católica, conhecida como
padroeira do Brasil.
10 Religiosidade, sincretismos e misticismos

O kardecismo é uma doutrina reencarcionista formulada por Allan Kardec (pseudônimo


de Hippolyte Léon Denizard Rivail, escritor francês, 1804–1869), que pretende explicar,
segundo uma perspectiva cristã, o movimento cíclico pelo qual um espírito retorna à
existência material após a morte do antigo corpo em que habitava, o período interme-
diário em que se mantém desencarnado, e a evolução ou regressão de caráter moral
e intelectual que experimenta na continuidade desse processo (KARDECISMO, 2020).

Para entender melhor o misticismo, é importante voltar à metade do século


V d.C., segundo Barroso (2009), quando a palavra mística começou a ser
utilizada nos escritos de Dionísio de Areopagita, inspirado no neoplatonismo.
A mística tem sentido de mistério, ou seja, algo não acessível aos sentidos ou
à razão, mas que traz uma espécie de conhecimento. O conceito de mística
implica um acréscimo de conhecimento intuitivo, supra-racional e simples.
Ou seja, está associado às formas não racionais de apreensão da realidade,
que podem, por exemplo, ocorrer na comunicação com o divino.
O primeiro aspecto distintivo da mística é o prático, que é um conhecimento
experimental da realidade supra-sensível; o segundo, é uma reflexão doutrinal,
filosófica, teológica, ou teológico-filosófica, sobre o conhecimento prático. “A
percepção mística baseia-se na convicção íntima da onipotência, na ausência
de limitações das possibilidades de poder infinito” (BARROSO, 2009, p. 106).
Ainda assim, o autor chama atenção para o fato de não ser possível dar uma
definição exata do que se pode entender por mística, dada a multiplicidade
de características que este fenômeno apresenta.
Quanto aos sincretismos, Castro (2013) aponta que são coexistências de
objetos discordantes, como em Bastide (apud CASTRO, 2013). As práticas
religiosas são historicamente divergentes, mas coexistem. O cristianismo e o
espiritismo, desde sua origem, divergem; porém, alguns religiosos espíritas
propõem uma integração entre o espiritismo com o cristianismo.
Existem, ainda, segundo Castro (2013), doutrinas religiosas quem mesmo
sem discursarem a favor de práticas sincréticas, têm na sua práxis o sincretismo,
como, por exemplo, o pentecostalismo, que une algumas práticas judaicas
com o cristianismo, ou práticas de xamanismo, como a cura pela imposição
das mãos (Figura 3).
Religiosidade, sincretismos e misticismos 11

Figura 3. Cura pelas mãos em uma cerimônia pentecostal. Igreja de


Deus, Kentucky (EUA).
Fonte: Lee (2011, documento on-line).

BARROSO, M. A. Misticismo como forma dinâmica de religião. Sacrilegens, v. 6, n. 1,


2009. Disponível em: https://www.ufjf.br/sacrilegens/files/2010/04/6-9.pdf. Acesso
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BRASIL. Lei n. 9.459, de 13 de maio de 1997. Altera os arts. 1º e 20 da Lei nº 7.716, de 5 de
janeiro de 1989, que define os crimes resultantes de preconceito de raça ou de cor, e
acrescenta parágrafo ao art. 140 do Decreto-lei nº 2.848, de 7 de dezembro de 1940.
Brasília: Presidência da República, 1997. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/
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CASTRO, J. G. A formação de uma igreja sincrética: Igreja do Nazareno do Cabral. 2013.
67 f. Dissertação (Mestrado em Ciências da Religião) - Universidade Mackenzie, São
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12 Religiosidade, sincretismos e misticismos

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SOARES, R. T.; ALMINHANA, L. O. Religiosidade madura e personalidade: uma revisão
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Religiosidade, sincretismos e misticismos 13

Leituras recomendadas
CARVALHO, R. W. O reino de Deus na história da teologia. Revista Ensaios Teológicos,
v. 2, n. 1, jun. 2016. Disponível em: http://ead.batistapioneira.edu.br/ojs/index.php/
ensaios/article/view/139. Acesso em: 19 jul. 2020.
MAFRA, C. Os evangélicos. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 2001.
OLIVEIRA. J. P. Regime Tutelar e faccionalismo: política e religião em uma reserva Ticuna.
Manaus: UEA Edições, 2015
PELIKAN, J. A imagem de Jesus ao longo dos séculos. São Paulo: Cosac & Naif Edições, 2000.
VERGER, P. F. Orixás deuses iorubas na África e no Novo Mundo. 6. ed. Salvador: Corrupio,
2002.

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