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Memória 05.

Aula 17/10/2019
Fundamentos da Educação.
Os/a autores/a trabalhados/a na última aula, nos conduzem a um outro momento
da história da educação e da educação brasileira, fechamos um ciclo de debates sobre a
educação moderna e passamos a nos aproximar agora dos conceitos da Escola Nova.
Para tanto, nosso debate se pautou nos pensamentos e contribuições teóricas de Èmile
Durkeim, Maria Montessori e John Dewey.

Durkeim abordará a escola como instituição responsável pela socialização dos/as


sujeitos/as. O autor vai explicar a sociedade a partir do conceito de fato social, que para
ele, seria todo um conjunto de regras, normas, condutas, padrões, ou seja, valores
externos e anteriores ao indivíduo. Ele compreenderá a escola como um fato social, ou
seja, para ele, a natureza socializadora da escola seria fundamental para que os/as
sujeitos/as incorporassem as regras e condutas necessárias para o convívio social. É
Durkeim que, no século XIX, produzirá uma discursividade sobre a educação,
construindo um pensamento sobre ela. Nesse momento em que outras ciências estavam
se legitimando, o autor trará a pedagogia para esse debate.

O debate me conduziu, principalmente, a uma reflexão sobre o que é ciência e,


em que momento, a educação ganhará status de ciência. Ao meu ver, as reflexões
trazidas pelas professoras e pelos colegas foram bastante significativas para a
compreensão de que é justamente a partir das reflexões de Durkeim, da educação
enquanto um fato social observável, que poderia, portanto, ser estudado, tal qual
qualquer outro elemento da natureza, que esse movimento de legitimação acontece. Foi
importante compreender um pouco melhor que, é justamente no século XIX, que áreas
como a história, a geografia, a sociologia e a pedagogia, passarão a se legitimar
enquanto ciência. E mais, é fundamental que, não deixemos de compreender que isso se
dá a partir do cenário e dos parâmetros estabelecidos pelo positivismo, ou seja, a ideia
de que só poderíamos estudar algo que fosse verificável, palpável, quantificável.
Durkeim coloca a pesquisa de humanidades, o estudo da sociedade, num cenário
científico, que é o cenário do positivismo.

Quando entramos em contato com o pensamento e o método experimental de


Maria Montessori, o primeiro ponto a ser considerado é o fato de estarmos diante de
uma mulher que, entre os séculos XIX e XX, num contexto hegemonicamente composto
por homens, consegue criar e desenvolver um método de ensino. A autora cria uma
teoria do desenvolvimento da criança, a partir da prática da observação desse/a sujeito/a.
Ela acreditava que a função do/a professor/a era muito mais a de observar o processo de
cada criança do que de intervir diretamente nesse processo. Seu foco estava em criar um
ambiente propicio para que a aprendizagem e o desenvolvimento da criança ocorressem.
A partir da criação desse ambiente, a autonomia deveria ser o elemento principal. Ela
cria uma educação sensorial, um processo de ensino mais individualizado, no qual a
criança vai determinando, a partir do contato com o meio, seus próprios movimentos.
Resulta de seu método a ideia de pensar em mobílias adequadas aos tamanhos das
crianças, por exemplo.

Montessori consegue demonstrar que a educação é uma ciência assim como as


ciências naturais, ou seja, ela vai estruturar uma pedagogia científica, e vai demonstrar
justamente aquilo que Durkeim já havia apresentado como caminho para a pesquisa em
educação no contexto das bases do positivismo. A autora via o/a professor/a como um/a
cientista, ele/a preparava o ambiente (a sala de aula), que seria seu laboratório, e lá seu
objetivo era observar a criança, as suas descobertas, os seus movimentos.

Com John Dewey e suas ideias chegamos a Escola Nova e acompanhamos uma
ruptura com a concepção moderna de educação que vigorava até então. O conceito de
interesse aparece como ponto central dessa ruptura. A educação pragmática sugerida por
Dewey, tinha como foco preparar esse sujeito/a para que ele/ela se inserisse na
sociedade, ou seja, a teoria só faria sentido se estivesse conectada à prática. Os
interesses das crianças/alunos/as seriam pontos centrais para que o/a professor/a pudesse
desenvolver o seu trabalho, se fortalece nesse momento a ideia de que o interesse do
aluno é elemento fundamental no processo de ensino. A partir das ideias desse autor
teremos as bases do modelo das pedagogias ativas que passarão a fazer parte do nosso
cenário, a educação como função social, a ideia de que a criança precisa aprender algo
que seja útil a ela, a criança como ser em desenvolvimento, escola como lugar ideal para
o consolidação de um projeto de sociedade democrática nos padrões liberais.

De certa maneira, podemos dizer que Durkeim vai desenhar a ideia da educação
enquanto ciência, Maria Montessori aplicará metodologicamente essas ideias no
desenvolvimento de seu método experimental e com Dewey vemos o processo
acontecendo na prática. A nossa educação republicana, vai se ancorar nas ideias de
Dewey e isso se legitimará ainda mais a partir da publicação do Manifesto dos Pioneiros
em 1932.

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