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Máquinas Térmicas

Prof. Carlos Gurgel


Dep. Engenharia Mecânica – FT
Universidade de Brasília

Capítulo V – Segunda Lei da Termodinâmica (Eastop & McConkey,


1993)

De acordo com a primeira lei da termodinâmica, quando um sistema realiza um ciclo


completo, a soma do calor líquido transferido mais o trabalho realizado é zero. Isto é
baseado no princípio da conservação de energia observável nos eventos naturais. A
Segunda Lei da Termodinâmica, que é também observável nos eventos naturais,
indica que em qualquer ciclo completo, a quantidade de calor bruto transferido mais o
trabalho realizado deve ser maior que zero. Em outras palavras, quando o sistema
fornece trabalho líquido, calor deve ser rejeitado. Quando o calor é inserido numa
temperatura baixa (TL) e rejeitado a uma temperatura mais elevada (TH) será sempre
necessário introduzir trabalho no sistema. Sendo a segunda lei derivada da observação
de fatos que ocorrem na natureza, uma discussão mais aprofundada requer a definição
de máquina térmica.

1. Máquina Térmica

Máquina térmica pode ser definida como um sistema que opera continuamente e em
cujas fronteiras, fluem somente calor e trabalho . A Figura V-1 indica
esquematicamente uma máquina térmica. De fato, um refrigerador é uma máquina
térmica cujo objetivo não é realizar trabalho mas transferir calor de um reservatório a
baixa temperatura para um a temperatura mais elevada.
Em qualquer um dos casos, a primeira lei para um ciclo é aplicável na forma,

∑ Q + ∑W = 0 .
o o

De acordo com a Fig. V-1,

Q1 + Q 2 + W = 0 .

66
Baseado nesta equação e nas experiências observadas, pode se enunciar a Segunda Lei
como:
É impossível uma máquina térmica produzir trabalho líquido na vizinhança,
num ciclo completo, trocando calor com um único reservatório térmico.

Reservatório de Energia Reservatório de Energia


em Alta Temperatura em Alta Temperatura

Q1 Q1

W W

Q2 Q2

Reservatório de Energia Reservatório de Energia


em Baixa Temperatura em Baixa Temperatura

Máquina Térmica Bomba de Calor


Q1 + vq Q1 − vq
W − vq W + vq
Q2 − vq Q2 + vq

Figura V-1: Máquina Térmica, Refrigerador e Bomba de Calor.

Aplicando-se a convenção de sinais previamente estabelecida, isto é (Q1 > 0, W < 0 e


Q2 < 0) para uma máquina térmica, assumindo-se que calor é sempre rejeitado (Q2 ≠
0), tem-se, Q1 > − W .
Pode-se então definir a eficiência do ciclo de uma máquina térmica a partir da
equação acima, dada por

−W
η= .
Q1

Como, para uma máquina térmica, Q1 − Q2 + W = 0 . Logo, Q1 − Q2 = −W .

Portanto,

Q1 − Q2 Q2
η= =1−
Q1 Q1

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A razão entre os calores transportados pode ser representada por uma escala de
temperaturas absolutas tal que

Q 2 T2
= .
Q1 T1

Isto é, levando-se em conta a convenção de sinais, podemos escrever

Q2 T
η =1− =1− 2
Q1 T1

Operando-se a relação acima pode-se escrever,

Q2 T Q 2 T2
1− =1− 2 ⇒ = , portanto,
Q1 T1 Q1 T1

Q2 Q
− 1 = 0 . Esta equação pode ser escrita na forma de somatório com a devida
T2 T1

convenção adotada. A expressão geral para as interações de calor num ciclo reversível
torna-se

Qi ⎛ dQ ⎞
∑T
o
= 0 , na forma diferencial, ∫ ⎜ ⎟ = 0.
⎝ T ⎠ rev
i

De forma similar, pode-se enunciar a segunda lei como


É impossível uma máquina térmica que operando num ciclo completo,
produza como único efeito a transferência de calor de um corpo frio para um
corpo a temperatura mais elevada.

Matematicamente tal enunciado é representado por,

W > 0.

É interessante se observar que uma máquina térmica sempre rejeita calor para um
reservatório de baixa temperatura, mas num refrigerador, não existe nenhuma
obrigatoriedade para Q2 ser diferente de zero. Isto equivale a dizer que é possível se
construir uma máquina que converta, na totalidade, energia mecânica em calor
(bomba de calor). Por outro lado, é impossível se construir uma máquina que
transforme inteiramente calor em trabalho mecânico. A diferença entre um
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refrigerador e uma bomba de calor está no objetivo desejado. Se o objetivo for resfriar
um dado ambiente (Q2), trata-se de um refrigerador. Se o interesse for em elevar a
temperatura de um dado ambiente, trata-se de uma bomba de calor (Q1). De comum
ocorre a necessidade de se fornecer trabalho, para ambos os casos. Filosoficamente
falando, o termo bomba de calor parece ser mais abrangente, pois em ambos os casos
analisados calor está sendo transferido de alguma forma.
No caso de bombas de calor, a eficiência do ciclo é conhecida como coeficiente de
performance e será sempre a razão entre calor e o trabalho envolvidos.
No caso de um refrigerador onde o interesse é manter um dado reservatório a baixa
temperatura, tem-se

Q2
COPref = .
W

Se o interesse é manter um dado reservatório a alta temperatura, tem-se,

− Q1
COPhp = .
W

A Figura V-2 ilustra diferentes interações de calor e trabalho (processos


termodinâmicos entre dois reservatórios com temperaturas diferentes. Seis casos estão
indicados, alguns são possíveis outros impossíveis pois violam a segunda lei da
termodinâmica. Seguem:

Sistema A – reservatório quente

3 4 5 6

1 2

Sistema B – reservatório frio

Interação de calor Interação de trabalho Máquina Térmica

Figura V-2: Interações de calor e trabalho entre dois sistemas.

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1 – Interação de calor de A para B 4 – Máquina Térmica interagindo com B

2 – Interação de calor de B para A 5 – Máquina Térmica interagindo com A e B

3 – Bomba de calor 6 - Refrigerador

Processos que não violam a segunda lei: 1, 3, 5 e 6.


Processos que violam a segunda lei: 2 e 4.

2. Entropia

Foi verificado anteriormente que a propriedade energia interna emergiu como


consequência da primeira lei da termodinâmica. A partir da segunda lei pode-se
derivar uma propriedade chamada entropia.
Considere um processo adiabático reversível para um sistema num diagrama p – v.

p TB = TC = T1
B
C
C ⇒ A adiabático reversível

A ⇒ B adiabático reversível

Figura V-3: Ciclo Hipotético num diagrama p – v.

Tal processo está representado pela linha AB na Fig. V-3. De B, parte-se para C
através de um processo isotérmico a temperatura T1. De C, através de um segundo
processo adiabático reversível, retorna-se para A.
Neste ciclo hipotético, calor é transferido apenas no processo BC uma vez que os
outros são adiabáticos. Num diagrama p – v, o trabalho líquido é dado pela área
definida pelos diversos processos. Neste caso, o sistema está realizando um ciclo,
fornecendo trabalho para a vizinhança e trocando calor com uma única fonte, aquela
no processo isotérmico BC. Isto equivale ao caso 4 na Fig. V-2, que sabemos ser
impossível. Portanto, alguma suposição na montagem do ciclo da Fig. V-3 está errada.

70
Pode-se concluir, então, que é impossível que dois processo adiabáticos passem pelo
mesmo estado A.
Foi verificado que num diagrama p – v, duas isotérmicas nunca se interceptam. Neste
caso, as duas propriedades p e v, definem pontos de uma terceira propriedade (T), que
formam uma linha (isotérmica). Isto é, partindo de um ponto qualquer (estado 1),
caracterizado pela temperatura T1, seguindo-se num processo isotérmico, isto é
mantendo-se a temperatura do sistema igual a T1, seria impossível de se chegar a um
estado 2 cuja temperatura T2 fosse outra senão T1. Seguindo-se este raciocínio para
um processo adiabático reversível, partindo-se de um estado 1 qualquer, para um
estado 2 seria possível se definir uma linha única num diagrama p – v. Como p e v são
propriedades, esta linha definida pelo processo adiabático reversível deve portanto
definir uma propriedade derivada. Neste caso, esta propriedade é a entropia. Os
processos adiabáticos reversíveis definem linhas isentrópicas (Fig. V-4).

p p p
s pvγ=constante
T3 s3
T
T2 s2
T1 s1
pv=constante

v v v

Figura V-4: Linhas de temperatura e entropia constantes num diagrama p – v.

A Figura V-5a, indica um processo reversível qualquer entre os estados i e f. Na Fig.


V-5b, traçam-se dois caminhos adiabáticos passando pelos pontos i e f. Na Fig. V-5c,
escolhe-se uma isotérmica passando pelo ponto g que expande-se reversivelmente até
o ponto h. A posição exata do ponto h que representa um nível de temperatura
particular é determinado como se segue.
O trabalho total entre os pontos i e f é dado pela área sobre a curva . Escolhe-se o
ponto g de maneira que a área sobre a curva g − h defina a mesma quantidade de
trabalho do caminho original. Da primeira lei tem-se

(u 2 − u1 ) if = (u 2 − u1 ) ighf

Como Wif = Wighf , pela escolha apropriada do caminho g – h,

71
Qif = Qighf .

Como os caminhos i – g e h – f são adiabáticos, acarretando em

Qig = Q hf = 0 então,

Qif = Q gh .

Está conclusão é conhecida como o Teorema de Clausius:


Dado um processo reversível em que ocorre mudança de temperatura, é
sempre possível encontrar um processo reversível consistindo de passos
adiabático-isotérmico-adiabático de tal forma que as interações de calor que
ocorrem no processo isotérmico são iguais as interações de calor do processo
original.

a b c
p p p
i i i

g
f
f
f

v v v

Figura V-5: Linhas de temperatura e entropia constantes num diagrama p – v.

Aplica-se então este teorema para um ciclo reversível qualquer.


A Figura V-6 ilustra um ciclo reversível (jifkdc) desenvolvido por uma máquina
térmica num diagrama p – v. Pode concluir que as interações de calor que ocorrem ao
longo do ciclo se fazem com reservatórios de diferentes temperaturas. Na análise que
se segue, escolhe-se parte do ciclo representada pelos pontos i e f. Duas linhas
adiabáticas são traçadas por estes pontos e interceptam o ciclo nos pontos c e d,
respectivamente.
Pelo teorema de Clausius, pode-se substituir os caminhos i – f e c – d numa série de
processos isotérmicos e adiabáticos cujas interações de calor e trabalho são
numericamente iguais ao caminho original.
72
p g
k
i f T
g h
h

d
j a
b a b
c

v ?

Figura V-6: Ciclo reversível diagrama p – v e T – ?.

Na figura acima, apenas um possível ciclo composto de adiabáticas e isotérmicas está


ilustrado. Pode-se repetir o procedimento, para um grande número de ciclos
infinitesimais, iniciando em j e terminando em k, de forma a cobrir inteiramente o
ciclo original. Examina-se agora este ciclo compostos de isotérmicas e adiabáticas.
(ighfdbac) que substitui numericamente o ciclo original (jifkdc).

Qi
∑T
o
=0
i

Qi Qighf Qdbac Qif Qcd


∑T
o
=
Tgh

Tba
= −
Tif Tcd
=0.
i

Esta expressão confirma a hipótese da existência de uma quantidade que se conserva


num processo cíclico reversível, tal como energia interna e entalpia.
O diagrama que representa os processos isotérmicos e adiabáticos (ghbag) também
indica a possível existência de uma propriedade derivada ( ∫ (dQ / T ) rev ).

Para se definir esta nova propriedade em termos de outras propriedade


termodinâmicas faz necessário um tratamento bastante rigoroso que aqui seguirá uma
linha mais aplicada.
No capítulo anterior, provou-se que um sistema contendo um gás perfeito, quando
submetido a um processo adiabático reversível define um caminho cuja lei é dada por

pv γ = constante .

Verificou-se, também, que num diagrama p – v, esta lei define linhas únicas de
maneira similar as linhas determinadas em processos isotérmicos ( pv = constante ).

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Desta forma, a prova de que pv γ = constante deve indicar alguma propriedade
derivada, que não se altera num processo adiabático reversível.
Para um processo reversível qualquer, vale a seguinte equação

dQ = du + pdv .

Para um gás perfeito,

dv
dQ = c v dT + RT .
v

Dividindo-se esta equação por T, obtém-se,

dQ c v dT Rdv
= + .
T T v

Para um processo adiabático, dQ = 0 , que sendo também reversível, chega-se a

dQ c v dT Rdv
= + = 0.
T T v

Portanto,

dQ
=0
T

Esta divisão por T, resgata a restrição imposta pela segunda lei.


De acordo com a definição dada anteriormente, a variação da propriedade derivada
relacionada com um processo adiabático reversível deve ser nula. Nota-se que estes
processos formam linhas constantes num diagrama p – v. Estas iso-linhas são
específicas do processo adiabático reversível. Porém, calor é uma forma de energia
em trânsito. Uma substância não pode conter calor, logo este não pode caracterizar
uma propriedade derivada para o fluido. Ao dividir-se calor por uma dada
temperatura, que é uma propriedade termodinâmica, pode-se então estabelecer uma
propriedade nova para a substância. Como apenas diferenças de entalpia, de energia
interna são importantes em termodinâmica, o calor envolvido (diferença entre dois
estados) dividido por uma dada temperatura serve para estabelecer esta nova
propriedade para processos adiabáticos reversíveis.
Este resultado pode ser generalizado para todas as substâncias na forma,

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dQ
ds = , onde s é a entropia.
T

A variação de entropia é muito mais importante que seus valores absolutos de forma
que o valor nulo pode ser escolhido arbitrariamente.
A equação acima pode ser rescrita na forma

dQ = Tds .

Para qualquer processo reversível,


2
Q = ∫ Tds .
1

Esta equação é análoga a equação que quantifica trabalho reversível


2
W = − ∫ pdv .
1

Num diagrama p – v esta integração representa geometricamente a área sobe a curva,


que é numericamente igual ao trabalho envolvido. Pode-se concluir que num
diagrama T – s, a área sobre a curva representa o calor transferido no processo.

3. Diagrama T – s.

Para Vapor

A Figura V-7 apresenta o diagrama T – s para vapor. Estão indicadas as curvas de


pressão constante e as curvas de volume específico constantes.

p2 > p1

Linha de volume

Figura V-7: Diagrama T – s para vapor.


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Como no cálculo de outras propriedades, a entropia na linha de vapor úmido deve ser
equacionada em função do título.

Exemplo V-1:
1 kg de vapor a 7 bar, entropia 6.5 kJ / kg K, é aquecido reversivelmente a pressão
constante até a temperatura de 250 °C. Calcule o calor suprido e indique num
diagrama T – s a área que representa o fluxo de calor.
A expressão que fornece o calor num processo a volume constante é

Q = h2 − h1

Das tabela, verifica-se que trata-se de vapor úmido. Portanto devemos calcular a
entalpia neste estado após a determinação do título. No caso de utilização do
programa, as entalpias são obtidas de imediato.

s1 − s f 1 6.5 − 1.992
x= = = 0.955
s fg1 4.717

h1 = h f 1 + xh fg1 = 697 + 0.955 × 2067 = 2672 kJ / kg

No estado 2 o vapor está superaquecido. Das tabelas retira-se h2.


O calor envolvido é,

Q = h2 − h1 = 2955 − 2672 = 283 kJ / kg

Num diagrama T – s, teríamos,

T
7 bar

1 2

6.5 6.709 s

Para Gás Perfeito

A Figura V-8 ilustra linhas de pressão constante e volume específico constante num
diagrama T – s. Pode-se mostrar que no diagrama as linhas de pressão são menos
inclinadas que a de volume específico (Fig. V-8).
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T v3
p3 T
v3 > v 2 > v 1 v2
p3 > p2 > p1 p2
v1
p1

s s

Figura V-8: Isobáricas e isocóricas num diagrama T – s para gás perfeito.

Na Figura V-9, sejam os pontos A e B a T2 e v1 e T2 e p1, respectivamente.


Entre os estados 1 e A pode-se escrever,
A
dQ
s A − s1 = ∫
1
T

Numa linha de volume constante para 1 kg de gás tem-se dQ = cv dT , portanto

A
c v dT ⎛T ⎞ ⎛T ⎞
s A − s1 = ∫ = c v ln⎜⎜ A ⎟⎟ = c v ln⎜⎜ 2 ⎟⎟
1
T ⎝ T1 ⎠ ⎝ T1 ⎠

Da mesma forma, numa linha a pressão constante e1 kg de gás tem-se dQ = c p dT ,

portanto
B
c p dT ⎛T ⎞ ⎛T ⎞
s B − s1 = ∫ = c p ln⎜⎜ B ⎟⎟ = c p ln⎜⎜ 2 ⎟⎟
1
T ⎝ T1 ⎠ ⎝ T1 ⎠

T v1

A B p1
T2
1
T1

s1 sA sB s

Figura V-9: Diagrama T – s para gás perfeito.

Como cp é maior do que cv para qualquer gás perfeito, sB-s1 é maior que sA-s1. O ponto

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A deve ficar, então, a esquerda do ponto B no diagrama. A curva de pressão constante
inclina-se de maneira mais suave do que a linha de volume constante.

Exemplo V-2:
Ar a 15 °C e 1.05 bar ocupa 0.02 m3. O ar é aquecido a volume constante até pressão
de 4.2 bar, e resfriado a pressão constante até a temperatura original. Calcule o fluxo
de calor nos dois processos e a variação de entropia.
A figura abaixo ilustra os processos.
O calor trocado no processo 1-2, a volume constante é dado por

Q = mc v (T2 − T1 ) .

No processo 2-3, a pressão constante no calor trocado é dado por

Q = mc p (T3 − T2 ) .

0.02 m3
T 4.2 bar
2
1.05 bar
3
T1
1

s3 s1 s2 s

Precisamos, portanto, determinar a temperatura no estado 2, apenas.


Para um gás perfeito sofrendo um processo a volume constante vale a seguinte relação

p1 p 2
=
T1 T2

Consequentemente,
4.2 × 288
T2 = = 1152 K
1.05
Para completar as informações, a massa do sistema deve ser calculada. Logo,

p1V1 1.05 ×10 5 × 0.02


m= = = 0.0254 kg.
RT1 0.287 ×10 3 × 288

Desta forma, para o processo 1-2


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Q1− 2 = mc v (T2 − T1 ) = 0.0254 × 0.718(1152 − 288) .

Q1− 2 = 17.75 kJ
Para o processo 2-3,

Q 2 −3 = mc p (T3 − T2 ) = .0254 ×1.005(288 − 1152) .

Q 2 −3 = −22.05 kJ.
O fluxo líquido de calor é a soma dos dois processos, 1-3.
Q1−3 = Q1− 2 + Q 2 −3 = 15.75 − 22.05 = −6.3 kJ
Portanto, o calor líquido trocado durante os processos foi de rejeição é numericamente
igual a 6.3 kJ.
A variação de entropia é dada por,
s 1 − s 3 = ( s 2 − s 3 ) − ( s 2 − s1 )
A pressão constante tem-se,

⎛ 1152 ⎞
1152
mc p dT
m( s 2 − s 3 ) = ∫
288 T
= 0.0254 ×1.005 × ln⎜
⎝ 288 ⎠
⎟ = 0.0354

A volume constante tem-se,

⎛ 1152 ⎞
1152
mc v dT
m( s 2 − s1 ) = ∫
288 T
= 0.0254 × 0.718 × ln⎜
⎝ 288 ⎠
⎟ = 0.0253

Portanto,
m( s1 − s 3 ) = 0.0354 − 0.0253 = 0.0101 kJ / K (decréscimo na entropia).

4. Processos Reversíveis no Diagrama T – s.

Quando exploramos a primeira lei da termodinâmica utilizamos o diagrama p – v para


ilustrar, principalmente, o trabalho envolvido nos processos reversíveis. Para o cálculo
das trocas de calor o diagrama T – s é de grande conveniência.

Processo isotérmico

O processo isotérmico aparece como um linha horizontal num diagrama T – s. A área


sobre a curva entre os estados 1 e 2 determina o calor trocado. Uma vez determinado
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o calor, o trabalho pode ser inferido com a utilização da primeira lei da
termodinâmica. No caso de gás perfeito, existe uma relação entre a pressão e o
volume específico que nos permite calcular o trabalho envolvido. No caso de vapor
superaquecido esta relação não existe e, portanto, o trabalho não pode ser determinado
de imediato. Logo, é conveniente se determinar o calor trocado no diagrama T – s e
inferir o trabalho por intermédio da primeira lei.
O calor envolvido num processo isotérmico é dado por,

Q − 2 = T ( s 2 − s1 )

Para o caso de um gás perfeito, a variação de entropia pode ser obtida numericamente
por relações que envolvem as variações de volume específico ou pressão, num
processo isotérmico reversível.
Sabe-se que num processo isotérmico

dv
dQ = RT
v

Então,
2 v v
dQ 2 RTdv 2
dv
s 2 − s1 = ∫ =∫ = R∫
1
T v1
Tv v1
v

Isto é

⎛v ⎞ ⎛p ⎞
s2 − s1 = R ln⎜⎜ 2 ⎟⎟ = R ln⎜⎜ 1 ⎟⎟
⎝ v1 ⎠ ⎝ p2 ⎠

Finalmente,

⎛v ⎞ ⎛p ⎞
Q = T ( s2 − s1 ) = RT ln⎜⎜ 2 ⎟⎟ = RT ln⎜⎜ 1 ⎟⎟
⎝ v1 ⎠ ⎝ p2 ⎠

Exemplo V-3:
0.03 m3de nitrogênio (massa molecular 28) está contido em um cilindro inicialmente a
1.05 bar e 15 °C.O gás é comprimido de maneira isotérmica e reversível até 4.2 bar.
Calcule a mudança de entropia, o fluxo de calor e o trabalho realizado. Ilustre o
processo nos diagramas p – v e T – s. Assumir nitrogênio como um gás perfeito.

Diagramas:
80
p A 0.03 m3
4.2 bar
p2 T
2 2 1
1.05 bar

p1 1

v2 v1 v s1 s2 s

A área sobre a curva no diagrama A representa trabalho, no diagrama B representa


calor trocado.
A variação de entropia é dada por

⎛ p ⎞ 297 ⎛ 1.05 ⎞
s2 − s1 = R ln⎜⎜ 1 ⎟⎟ = 3 ln⎜ ⎟ = −0.4117 kJ / Kg K
⎝ p2 ⎠ 10 ⎝ 4.2 ⎠

~
R 8314.5
Onde R = ~ = = 297 N m / kg K
m 28
E sabendo que

pV 1.05 ×10 5 × 0.03


m= = = 0.0368 kg.
RT 297 × 288

Portanto,

S 2 − S 1 = m( s 2 − s1 ) = 0.0368 × 0.4117 = 0.01515 kJ / K

O calor rejeitado é obtido pela área sobre a curva no diagrama T – s.

Q = mT ( s1 − s 2 ) = 0.0156 × 288 = 4.37 kJ

Q = −4.37 kJ.

Para um processo isotérmico, a variação de energia interna é nula, portanto

Q +W = 0 .

Desta forma,

W = 4.37 kJ

81
Processo adiabático reversível

Numa processo adiabático reversível, a entropia se mantém constante,


consequentemente, o processo pode ser chamado de isentrópico. A mudança de estado
de 1 para 2, num processo isentrópico, aparece como uma linha vertical num diagrama
T – s.
Sendo o processo adiabático reversível, a equação da primeira lei (sistema fixo) se
simplifica para

W = u 2 − u1

uma vez que Q = 0.


O estado 2 pode ser facilmente determinado sabendo-se que a entropia é a mesma do
estado 1 e uma informação adicional (P, v, T, etc.)

Processos politrópicos

A mudança de entropia num processo politrópico pode ser facilmente determinado


utilizando-se a relação

p1 v1n = p 2 v 2n

e das tabelas de vapor da substância em questão.


Para o caso de um gás perfeito, a variação de entropia é dada por,

dQ c v dT Rdv
ds = = + .
T T v

Entre os estados 1 e 2,

⎛T ⎞ ⎛v ⎞
T2 v
2
dT dv
s 2 − s1 = c v ∫ + R∫ = c v ln⎜⎜ 2 ⎟⎟ + R ln⎜⎜ 2 ⎟⎟ .
T1
T v1
v ⎝ T1 ⎠ ⎝ v1 ⎠

Exemplo V-4:
Um compressor de refrigeração admite vapor saturado seco a 2.01 bar e comprime o
gás politropicamente, segundo a lei, pv 1.1 = constante até 10 bar. Calcule a variação
de entropia específica entre os estados 1 e 2.
Do programa, escolhendo-se FREON 134A como substância de trabalho,

82
s1 = 1.732 kJ / kg K

v1 = 0.0995 m3 / kg

1 1
⎛p ⎞ 1.1
⎛ 2.01 ⎞ 1.1
v 2 = v1 ln⎜⎜ 1 ⎟⎟ = 0.0995⎜ ⎟ = 0.0231 m / kg
3

⎝ p2 ⎠ ⎝ 10 ⎠
Com o valor da pressão no estado 2, determina-se a entropia.

s 2 = 1.7815 kJ / kg K (vapor super aquecido).

Logo, s 2 − s1 = 1.7815 − 1.732 = 0.0495 kJ / kg K.

83