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OFÍCIO FÚNEBRE – D.

CARMELITA ALCIDES – 23/09/2018 – 14h

Começo as palavras deste momento com o que foi dito acerca do Rei Davi, e creio que o mesmo se aplica à nossa
irmã Carmelita: “Porque Davi, depois de servir a sua própria geração pela vontade de Deus, adormeceu* e foi posto
junto a seus pais e sofreu deterioração.” (Atos dos Apóstolos 13:36, ALM21).
Nossa irmã, partiu para estar com o Senhor. Mas, não sem antes ser uma serva fiel à sua própria geração e vivendo
pela vontade do Senhor.
ORAÇÃO – Algum pastor que estiver presente, ou presbítero da IPMS.
HINO – 192 “No Céu com Jesus”

LEITURA – 1Timóteo 4:7


Paulo, como se estivesse já diante do seu carrasco, volta seus olhos e sua mente para trás, rememorando seu ministério de
aproximadamente 30 anos, e descreve este passado ministerial e de vida cristã em três curtas, porém impactantes e convictas,
frases: “Combati o bom combate, completei a carreira, guardei a fé.”. Qual a relevância destas afirmações?

a) Combati o bom combate: Paulo lança mão aqui da figura do combate esportivo, muito provavelmente, e não propriamente de
uma luta de guerra. Isto pode ser confirmado especialmente se observarmos dois capítulos antes, quando o apóstolo diz:
“Igualmente, o atleta não é coroado se não lutar segundo as normas.” (2 Tm 2:5). Hendriksen ressalta que Paulo “faz esta
comparação para indicar um prodigioso esforço de energia contra um inimigo muito poderoso.”1.

As lutas vivenciadas pelo apóstolo foram muitas! Perseguições, naufrágios, açoites, prisões…Paulo certamente travou duras
batalhas ao longo de seu ministério. Como ele mesmo chegou a afirmar certa vez, em 2Coríntios 11:23-27. Os oponentes eram
poderosos, fortes, difíceis! Entretanto, o apóstolo chega ao final de sua vida declarando convictamente: “Combati o bom
combate!”.

Talvez, diante dos olhos do mundo, o combate de Paulo não teria sido tão bom assim, afinal, ele estava diante da morte. Mas o
apóstolo tinha convicção, pela fé, de ter combatido um bom combate. Não importava se o mundo o apontaria dizendo que o final
de seu combate foi vergonhoso. Para o apóstolo, a certeza de sua salvação em Cristo Jesus, a certeza de que haveria de receber
a coroa da justiça, o motivava a afirmar que o combate foi bem combatido.

Aplicação: Certamente, amados irmãos, as lutas que enfrentamos nessa vida são árduas, são duras, são difíceis. Mas, olhando
para o ministério do apóstolo Paulo, somos encorajados a lutar de maneira justa, limpa, não com armas carnais, mas com armas
espirituais. Dia após dia, lute as batalhas de Deus, e ele ganhará as suas guerras! Lute pela verdade, lute pelo evangelho, lute
pela glória de Deus e, certamente, Deus lutará por você!

b) Completei a carreira: Paulo segue sua linha de pensamento dentro da esfera esportiva. Agora, pintando o quadro de uma
corrida. Ou, como Hendriksen afirma, “uma corrida de obstáculos” 2. O apóstolo já havia lançado mão desta ilustração em outro
momento, quando disse: “Irmãos, quanto a mim, não julgo havê-lo alcançado; mas uma coisa faço: esquecendo-me das coisas
que para trás ficam e avançando para as que diante de mim estão, prossigo para o alvo, para o prêmio da soberana vocação de
Deus em Cristo Jesus.” (Fl 3:13-14).

Mas, agora, no final da vida, ele já não mais está prosseguindo para o alvo. Ele chegou ao seu destino. Ele completou a carreira.
Ele terminou a corrida. Ele já não tem a perspectiva de completar a corrida. Ele já a terminou! Ele venceu os obstáculos do meio
do caminho e chegou ao tão esperado e visado final. Completar a carreira é o ponto culminante da carreira ministerial de Paulo.

1
William Hendriksen. Op. Cit., 387.
2
Idem. Ibid.
Muito embora os obstáculos fossem muitos, agora não é o momento de mencioná-los. É hora de exaltar a preservação vivida. É
hora de mostrar que o Santo Senhor fez o santo homem perseverar até o fim!

Aplicação: Irmãos, tal qual o apóstolo Paulo, precisamos continuar firmes na carreira! Certamente encontraremos muitos
obstáculos em nossa caminhada da vida cristã. Muitos tentarão nos impedir, muitos tentarão nos derrubar, muitos nos dirão que
não vale a pena, mas continue! Não desista no meio do caminho! Fique firme, mantenha o foco no Senhor Jesus! Não deixe de
olhar firmemente para o Autor e Consumador da nossa fé, o Senhor Jesus Cristo!

É certo que dificuldades irão se apresentar. É certo que obstáculos irão aparecer. Mas em momentos assim, você não deve
procurar por atalhos! Firme seus passos no Caminho. Mantenha seus olhos voltados para o Senhor, como fez o profeta Miqueias
quando estava vivendo um tempo de crise, um tempo de desesperança: “Eu, porém, olharei para o Senhor e esperarei no Deus
da minha salvação; o meu Deus me ouvirá.” (Mq 7:7). Continue firme! Continue a caminhada! Chegue ao final da sua vida com a
convicção de ter completado a carreira de forma justa, santa e agradável ao Senhor!

c) Guardei a fé: aqui, Paulo sai da sua sequência de metáforas que se inicia no versículo 6, e conclui sua retrospectiva com a
incisiva afirmação de que ele guardou a fé.

Há uma variedade de opiniões sobre qual o significado desta afirmação paulina. Mas, observando-se o contexto na qual a mesma
está inserida, entendemos, seguindo Hendriksen3, que Paulo está referindo-se à firme fé depositada em Cristo Jesus, seu amado
Salvador. É como se ele dissesse: “Retive minha confiança pessoal em Deus, minha confiança em todas suas promessas
centradas em Cristo. na arena espiritual da vida, não só combati arduamente e corri bem, mas também fui sustentado até o fim
pela convicção profundamente arraigada de que receberei o prêmio, o glorioso galardão.”4.

Hans Bürki ressalta: “Poder crer até o fim, ser sustentado na fé em Jesus, receber constantemente essa fé renovada e
aprofundada: essa é a graça máxima, dádiva imerecida, exaltação da fidelidade de Deus.” 5. O apóstolo chega ao final de sua vida
absolutamente convicto de sua fé e de sua salvação.

Paulo pode olhar para o seu passado com extrema convicção em seu coração. Convicção de que fez o que deveria fazer.
Convicção de que, apesar de árduo, o combate foi bem combatido. Convicção de que, apesar dos mais diversos obstáculos, a
corrida chegou ao fim, e ele atingiu o seu alvo. Convicção de que a fé salvadora que outrora havia sido colocada em seu coração,
ali permaneceu.

Poderíamos, também, aplicar este texto à vida nossa irmã Carmelita, a qual combateu o bom combate, completou a
carreira e guardou a fé. Nossa irmã está com o Senhor na eternidade, pois viveu com o Senhor no tempo. Mas,
pergunto-lhe: e você? Se hoje fosse o seu dia de se encontrar com o Senhor, poderia dizer o mesmo que foi dito por
Paulo? Poderia ter convicção de uma vida bem vivida diante do Senhor?
ORAÇÃO PASTORAL
HINO – 194 “Morada feliz”
ORAÇÃO FINAL

3
William Hendriksen. Op. Cit., 388.
4
Idem. Ibid.
5
Hans Bürki. Comentário Esperança: 2 Timóteo (Curitiba, PR: Editora Esperança, 2007), 61 (pdf).

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