Você está na página 1de 22

CURSO DE ENGENHARIA

CIVIL

Geologia de Engenharia

Unidade III

Intemperismo
Professor: Me. Lucas Manoel da Silva
Mestre em Engenharia de Barragens e Gestão Ambiental
Universidade Federal do Pará.

Açailândia - MA
2020/3
Dinâmica da Terra
 Dinâmica Externa (Orogenese)
Intemperismo é o processo geral pelo qual as rochas são destruídas na superfície da Terra. O
intemperismo produz todas as argilas, todos os solos e as substâncias dissolvidas e carregadas
Intemperismo

pelos rios para os oceanos. As rochas meteorizam-se de dois modos:


 O intemperismo químico ocorre quando os minerais de uma rocha são quimicamente alterados
ou dissolvidos. O desgaste ou esmaecimento de inscrições gravadas em lápides ou monumentos
antigos é causado principalmente pelo intemperismo químico.
 O intemperismo físico ocorre quando a rocha sólida é fragmentada por processos mecânicos
que não mudam sua composição química. Os escombros de colunas e blocos de pedras que eram
parte dos imponentes templos da Grécia antiga resultaram principalmente do intemperismo físico,
que causou, também, rachaduras e fraturas de antigos túmulos e monumentos do Egito.
Os intemperismos químico e físico reforçam-se mutuamente. A decomposição química deteriora os
fragmentos das rochas e torna-os mais suscetíveis ao rompimento. Por sua vez, quanto menores os
blocos produzidos pelo intemperismo físico, tanto maior a superfície disponível para a ação do
intemperismo químico.

Prof. Lucas Manoel da Silva (UEMASUL) 2


Dinâmica da Terra
 Intemperismo, erosão e ciclo das rochas

Depois que os processos tectônicos e vulcânicos formaram as montanhas, a decomposição química


Intemperismo

e a fragmentação física, juntamente com a chuva, o vento, o gelo e a neve desgastam essas regiões
elevadas.

A erosão é o conjunto de processos que desagregam e transportam solo e rochas morro abaixo ou
na direção do vento. Esses processos transportam o material alterado da superfície da Terra de um
local e depositam-no em outro lugar. Como a erosão move o material sólido alterado, novas porções
de rocha fresca e inalterada vão sendo expostas ao intemperismo.

O intemperismo e a erosão são processos geológicos importantes no ciclo das rochas e nos
sistemas da Terra. Juntamente com a tectônica e o vulcanismo (outros dois elementos do ciclo das
rochas), o intemperismo e a erosão modelam a superfície terrestre e alteram os materiais rochosos,
convertendo rochas ígneas, bem como as demais, em sedimentos e formando solos.
De certa forma, o intemperismo e a erosão são inseparáveis. Quando rochas como o calcário puro
ou as rochas evaporiticas são alteradas pela chuva, por exemplo, todo o material é completamente
dissolvido e levado pela água como íons em solução. O material do intemperismo químico constitui-
se no principal aporte de matéria dissolvida nos oceanos
Prof. Lucas Manoel da Silva (UEMASUL) 3
Dinâmica da Terra
 Intemperismo, erosão e ciclo das rochas
Todas as rochas alteram-se, mas a maneira e a taxa com que isso ocorre é variável. Os quatro fatores que
controlam a desintegração e a decomposição das rochas são as propriedades da rocha matriz, o clima, a
Intemperismo

presença ou a ausência de solo e o tempo de exposição das rochas à atmosfera. Esses quatro fatores
estão sumarizados no Quadro 7.1.

Prof. Lucas Manoel da Silva (UEMASUL) 4


 Intemperismo químico.
 Intemperismo químico.
As rochas alteram-se quimicamente quando seus constituintes minerais reagem com o ar e a água.
Nessas reações químicas, alguns minerais dissolvem-se. Outros, combinam-se com a água e alguns
Intemperismo

componentes da atmosfera, como o oxigênio e o gás carbônico, formando minerais novos. Algumas
dessas reações químicas podem ser deduzidas a partir de observações de campo.
Iniciaremos nossa investigação pelo exame da alteração química do feldspato, o mineral mais abundante
da crosta da Terra

O papel da água no intemperismo do Feldspato e de outros silicatos.

O feldspato é um mineral-chave num grande número de rochas ígneas. sedimentares e metamórficas.


Muitos outros tipos de minerais silicosos formadores de rocha também se alteram tanto quanto ele. Este
mineral é apenas um dos muitos silicatos que se alteram por reações químicas para formar outras
espécies que contêm água. conhecidas como argilominerais. O comportamento do feldspato durante o
intemperismo ajuda-nos a entender de maneira geral o processo de alteração, por duas razões:

1º Há uma grande abundância de minerais silicosos na Tenra.


2º Os processos de dissolução e decomposição química que provocam a alteração do feldspato são os
mesmos que causam a alteração de outros tipos de minerais.

Prof. Lucas Manoel da Silva (UEMASUL) 5


 Intemperismo químico.
O exemplo extremo de alteração do feldspato pode ser observado em matacões de granito, nos solos
de Regiões tropicais úmidas. Aí, muitos dos fatores que promovem o intemperismo — chuva intensa,
temperatura alta e a presença de solo e abundante atividade orgânica - estão presentes.
Intemperismo

Matacões de granito em regiões tropicais encontram-se tão fragilizados que podem ser facilmente
quebrados com um pontapé ou esmigalhados num monte de grãos minerais soltos.
A maioria dos grãos de feldspato desses matacões foi alterada para argila.
Quando observado num microscópio eletrônico sob grande aumento, qualquer grão de feldspato
remanescente mostraria sinais de corrosão e estaria revestido por uma capa de argila . Já os cristais de
quartzo, ao invés disso, estariam relativamente intactos e inalterados.

Em uma amostra de granito sâ, a rocha é dura e sólida porque uma rede de ligação intergranular
mantém os cristais de quartzo, feldspato e outros firmemente juntos.
Entretanto, quando o feldspato é alterado para uma argila com fraca aderência, a rede intergranular
torna-se debilitada pelo desenvolvimento de fissuras na borda dos grãos, facilitando sua separação mútua
(Figura 7.3; ver também a Figura 5.1). Nesse exemplo, intemperismo químico, por meio da produção de
argila, também contribui para o intemperismo físico, pois a rocha passa a fragmentar-se mais facilmente
pelo alargamento das fissuras nos bordos dos minerais.

Prof. Lucas Manoel da Silva (UEMASUL) 6


Intemperismo
 Intemperismo químico.

Prof. Lucas Manoel da Silva (UEMASUL) 7


 Intemperismo químico.
Na reação em que a caulinita é produzida, o
feldspato sólido sofre hidrólise,(hydro significa "água" e
lysn significa "afrouxar, deslocar a aderência"). O
feldspato é fragmentado e, ao mesmo tempo, perde
Intemperismo

vários componentes químicos. A alteração é análoga à


reação química que ocorre quando preparamos café. O
café sólido reage quimicamente com a água quente para
resultar numa solução - o café líquido. A reação extrai
cafeína e outros componentes do café sólido, deixando
como resíduo o pó usado. De modo, análogo, a água da
chuva infiltra-se no solo, alterando o feldspato o dos
fragmentos da rocha e deixando para trás a caulinita
como resíduo (Figura 7.4)

Prof. Lucas Manoel da Silva (UEMASUL) 8


 Intemperismo químico.
 A variação da concentração de dióxido de carbono na atmosfera leva a uma variação correspondente na taxa de intemperismo
Intemperismo

Prof. Lucas Manoel da Silva (UEMASUL) 9


 Intemperismo químico.
 Podemos , a partir disso, escrever a reação química da alteração do feldspato com a água:
Intemperismo

Prof. Lucas Manoel da Silva (UEMASUL) 10


 Intemperismo químico.
• Estabilidade química: um controlador da velocidade do intemperismo
Intemperismo

Prof. Lucas Manoel da Silva (UEMASUL) 11


 Intemperismo químico.
• O papel do oxigênio no intemperismo: dos silicatos de ferro aos óxidos de ferro
O ferro é um dos oito elementos
mais abundantes da crosta terrestre,
mas o ferro metálico, ou seja, o
Intemperismo

elemento químico na sua forma


pura, é raramente encontrado na
natureza.
O ferro presente no mais abundante
oxido de ferro da superfície terrestre,
a hematita (Fe203), é o ferro férrieo
(Fe3+); os átomos do ferro, nesse
caso, perderam três elétrons.

Quando o piroxênio - e outros


minerais ricos em ferro – é exposto à
água, sua estrutura de silicato
dissolve-se, liberando sílica e ferro
ferroso para a solução, onde o íon
Fe2+ é oxidado, para Fe3+ (como
mostra a Figura).
Prof. Lucas Manoel da Silva (UEMASUL) 12
 Intemperismo Físico

Intemperismo físico
Depois de termo vistos o intemperismo químico
separadamente, podemos, agora, retornar ao seu aliado, o
Intemperismo

intemperismo físico. A ação desse intemperismo pode ser


mais clara quando examinamos seu papel nas regiões
áridas, onde o intemperismo químico tende a ser mínimo.
Os afloramentos rochosos alterados em regiões áridas
são cobertos por um entulho de fragmentos de vários
tamanhos, desde grãos minerais individuais de somente
poucos milímetros de diâmetro até matacões de mais de 1
metro, A diferença de tamanho resulta de uma variação dos
graus de intensidade de intemperismo mecânico e dos
padrões de fraturamento da rocha matriz. Quando o
intemperismo físico atua, as partículas maiores são
rachadas e fragmentadas em pedaços menores. Alguns
desses fragmentos são separados ao longo de planos de
fraqueza da rocha-matriz (Figura 7.10), Os grãos de areia
formam-se quando os cristais individuais de vários minerais,
como o quartzo, desagregam-se dos demais ou quando
rochas de grão fino. como o basalto, desintegram-se.

Prof. Lucas Manoel da Silva (UEMASUL) 13


 Intemperismo Físico
O que determina o modo como as rochas se fragmentam?
 Zonas naturais de fraqueza;
 Atividade dos organismos (Fig. 7,11)
 Acunhamento do gelo; (Fig. 7,12)
Intemperismo

 Cristalização mineral;
 Alternância de calor e frio;
 Esfoliação e alteração esferoidal

Prof. Lucas Manoel da Silva (UEMASUL) 14


 Intemperismo Físico
As taxas de intemperismo químico são baixas em grandes altitudes; onde as temperaturas são
geralmente baixas, o solto é delgado ou ausen tee a vegetação é esparsa. O intemperismo físico é maior
nas grandes altitudes e nos terrenos glaciais, onde o gelo despedaça a rocha. A Figura 7.15 apresenta um
quadro sinótico dos processos do intemperismo físico e químico.
Intemperismo

Prof. Lucas Manoel da Silva (UEMASUL) 15


 Solo: o resíduo do intemperismo

Nem todos os produtos do intemperismo são erodidos e imediatamente carregados pelas


correntes ou por outros agentes de transporte. Em encostas moderadas e suaves, nas planícies
e terras baixas, uma camada de material alterado, heterogêneo e desagregado permanece
Intemperismo

sobreposta ao substrato rochoso.


Ela pode incluir partículas da rocha-matriz alterada e sã, de argilominerais, de óxidos de
ferro e de diversos metais, bem como de outros produtos do intemperismo. Engenheiros e
trabalhadores da construção civil referem-se a toda essa camada como “solo". Os geólogos,
entretanto, preferem a designação de Rigolito, reservando o termo solo para a fina camada do
topo, a qual contém matéria orgânica e pode suportar a vida.

Prof. Lucas Manoel da Silva (UEMASUL) 16


 Solo: o resíduo do intemperismo
O clima afeta intensamente o intemperismo
e, portanto, tem grande influência nas
características do solo formado em qualquer
tipo de rocha-matriz. Por exemplo, os solos de
Intemperismo

uma região quente e úmida diferem daqueles


de uma região árida e temperada.
Os cientistas do solo têm mapeado as
características do solo em grande parte do
mundo, com a esperança de prevenir a erosão
do mesmo e promover práticas agrícolas
eficientes. Para nossos propósitos, podemos
distinguir três grupos principais de solo —
padalfer, laterito e pedocal — com base na
sua mineralogia e composição química, as
quais também podem ser correlacionadas com
o clima (ver Figura 7.16).

Prof. Lucas Manoel da Silva (UEMASUL) 17


 Erosão
 Intemperismo, erosão e ciclo das rochas
Segundo Zachar (1982) pode-se classificar a erosão conforme os seus fatores e agentes ativos e
estabelecer o ambiente de atuação conforme a Tabela 1.
Intemperismo

Prof. Lucas Manoel da Silva (UEMASUL) 18


 Erosão
Processos erosivos
Erosão Superficial
Erosão Interna
Erosão em Sulcos, Ravinas e Voçorocas
Intemperismo

Erosão em Esqueletização
Outras formas de erosão
• Erosão em Pedestal
• Erosão em Pináculo
• Erosão da Fertilidade

Prof. Lucas Manoel da Silva (UEMASUL) 19


Intemperismo
 Erosão Hídrica

Influencia da erosão por efeito da chuva e por fluxo superficial

Prof. Lucas Manoel da Silva (UEMASUL) 20


 Erosão
Definição de Erosão em estágio avançado em diferentes países
Intemperismo

Fundamentos de Geologia Prof. Lucas Manoel da Silva (UEMASUL) 21


Apresentação das Referências Utilizadas na Disciplina
ROSSI, C. H. A. Fundamentos de geologia. 1 ed. São Paulo: Pearson Education do Brasil, 2016.
SILVA, R. A. G.; MEDEIROS, P. C. Geologia e geomorfologia: a importância da gestão ambiental no uso do solo. 1 ed. Curitiba:
Inter Saberes, 2017.
Intemperismo

POPP, J. H. Geologia geral. 7. ed. Rio de Janeiro: LTC, 2017.

QUEIROZ, R. C. Geologia e Geotecnia Básica para Engenharia Civil. 1º ed. Bulcher. São Carlos, 2016, 392 p

PRESS, F.; MENEGAT, R. Para entender a terra. 6 ed. Porto Alegre: Bookman, 2013.

TEIXEIRA, W. Decifrando a terra. 2. ed. São Paulo: Companhia Editora Nacional, 2009.

Fundamentos de Geologia Prof. Lucas Manoel da Silva (UEMASUL) 22