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FACULDADE DE EDUCAÇÃO SÃO BRAZ

A RELEVÂNCIA DOS ASPECTOS SOCIOCULTURAIS DOS ALUNOS DA


EDUCAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS

CURITIBA/PR
2015
FACULDADE DE EDUCAÇÃO SÃO BRAZ

A RELEVÂNCIA DOS ASPECTOS SOCIOCULTURAIS DOS ALUNOS DA


EDUCAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS

Trabalho entregue à Faculdade de Educação


São Braz, como requisito legal para
convalidação de competências, para obtenção
de certificado de Especialização Lato Sensu,
do curso de Pós-Graduação Educação de
Jovens e Adultos conforme Norma Regimental
Interna e Art. 47, Inciso 2, da LDB 9394/96.

Orientador:

CURITIBA/PR
FOLHA DE APROVAÇÃO

A RELEVÂNCIA DOS ASPECTOS SOCIOCULTURAIS DOS ALUNOS DA


EDUCAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS

Trabalho entregue à Faculdade de Educação


São Braz, como requisito legal para
convalidação de competências, para obtenção
de certificado de Especialização Lato Sensu,
do curso de Pós-Graduação Educação de
Jovens e Adultos conforme Norma Regimental
Interna e Art. 47, Inciso 2, da LDB 9394/96.

Orientador:

Aprovado(a) em: _____/_____/_______

Examinadores:

Prof. (Esp/Me/Dr.) ____________________________________________________


Instituição: ___________________________ Assinatura: _____________________

Prof. (Esp/Me/Dr.) ____________________________________________________


Instituição: ___________________________ Assinatura: _____________________

Prof. (Esp/Me/Dr.) ____________________________________________________


Instituição: ___________________________ Assinatura: _____________________
RESUMO

A Educação de Jovens e Adultos foi criada pela necessidade de alfabetizar as pessoas que não
tiveram acesso a modalidade regular de ensino, despertando na sociedade a reversibilidade dessa
situação, pois o número de analfabetos era muito grande influenciando negativamente para o
processo de desenvolvimento do país, sendo assim a Educação de Jovens e Adultos é marcada por
um histórico com muitos desafios e dificuldades. Para verificar as bases teóricas deste projeto
desenvolvido, realizou -se uma pesquisa bibliográfica, levantando dados relativos aos desafios e
dificuldades na Educação de Jovens e Adultos dentro desse contexto de diversidades sociais e
culturais. O aluno apresenta diferenças socioculturais em sala de aula e que na escola deve-se
efetuar um trabalho que valorize e respeite as experiências de cada um, havendo a contribuição dos
mesmos tanto na aula como na sociedade, destacando a importância das relações estabelecidas
entre educador e educando no processo de formação individual.

PALAVRAS-CHAVE: Analfabetismo. Educação de Jovens e Adultos. Diversidades. Valorização.


1. INTRODUÇÃO

A Educação de Jovens e Adultos ocupou seu lugar na história da Educação


brasileira desde muitos anos e vem sendo discutida por diversas organizações.
O profissional que atua na EJA, nem sempre está preparado para atuar com
jovens e adultos, pois os mesmos carregam uma bagagem extra de conhecimentos
e experiências vividas, que devem ser usadas ao seu favor na hora do aprendizado.
O presente trabalho tem o objetivo principal de demonstrar a importância da
valorização, do respeito às diversidades socioculturais, do uso de experiências em
sala de aula como forma de facilitar a aprendizagem e enriquecer a formação do
aluno da Educação de Jovens e Adultos elevando também, por meio, desse
processo a autoestima do mesmo.
O estudo justifica-se pelo entendimento de que o adulto, quando abandona o
estudo regular acaba abrindo mão de muitas oportunidades para crescer
profissionalmente, e ter melhor qualidade de vida. Quando decide voltar a estudar,
ele encontra um mundo totalmente diferente do que ele imagina e muitas vezes
chega à sala de aula com baixa autoestima. Para esse aluno, o professor é o
transmissor de todo conhecimento que ele precisa e não imagina que seus
conhecimentos, suas experiências o ajudarão nesse processo de aprendizagem.
O trabalho divide-se em itens e subitens que trazem informações sobre:
Perspectivas Históricas do Ensino da EJA; As Relevâncias dos Aspectos
Socioculturais;
Constata-se que através da identificação das características do aluno, há
diferenças socioculturais e que as experiências ligadas a esta é valorizada em sala
de aula pelo professor, sendo esse trabalho eficaz, mas não o suficiente pela falta
de preparo e qualificação profissional ou o pouco tempo de atuação nessa
modalidade de ensino.
2. PERSPECTIVAS HISTÓRICAS DO ENSINO DA E.J.A.

Fazendo parte da educação básica a Educação de Jovens e Adultos -EJA


também teve um processo histórico de conquistas bastante difícil, estando engajada
em diversos problemas econômicos em que se encontrava outrora o Brasil. Apesar
de haver grande distanciamento da realidade do ensino fundamental.

A preocupação política com o segmento social do analfabeto emerge em


meados do século XIX, tendo como intenção a superação da “ignorância”
daqueles que não sabiam ler e escrever; a missão era civilizar a população
analfabeta. (SOUZA, 2007, p.25)

Percebe-se que é desta forma, como “ignorante” que o analfabeto era visto
pela sociedade nessa época. Se inicia assim debates para a gratuidade e
obrigatoriedade do ensino, porém as dificuldades eram grandes mediante a falta de
condições tanto dos alunos como da falta de estrutura na execução desse ensino.
“Com a lei de Saraiva em 1882, que proíbe o voto do analfabeto” (Souza, 2007,
p.26), a sociedade começa a se preocupar mais com a escolarização deste, por estar ligado
com a política, questão de forte interesse no país. Havendo também a marginalização do
analfabeto e ainda o julgando como incapacitado.
Em 1890, cerca de 85,21% da população era iletrada, “o índice de analfabetismo era
motivo de vergonha nacional, e a educação passa a ser considerada necessária para a elevação
cultural da Nação” (SOUZA, 2007, p.27).
A educação popular sendo gratuita, ganha destaque na EJA por influenciar a
mesma. Porém a carga horária era menor, pois foi adaptada às necessidades e
realidade do seu público alvo, os jovens e adultos que geralmente trabalhavam
durante o dia, sendo ofertado assim em período noturno.
‘’A educação popular era entendida como aquela ofertada a toda a
população, devendo ser gratuita e universal’’ (PAIVA, 1987 apud SOUZA, 2007,
p.27).
Sabe-se que a desigualdade, a concentração de renda, pobreza e o
crescimento da urbanização com a vinda dos moradores rurais à cidade sã
contribuições ao grande número de analfabetos em nosso país. E com todos esses
desequilíbrios econômicos e contradições sociais ocorria que as famílias com mais
poder aquisitivo, possuíam professores particulares e o resto da população se
encontrava sem acesso, excluídos de ter uma boa educação e formação.

Após a Revolução de 1930 era possível encontrar no pais movimentos que


discutiam a educação de adultos de forma significativa. O ensino foi
expandido no período pós-1930 e após a Primeira Guerra Mundial, o debate
sobre a necessidade de expandir a rede de ensino elementar e evidenciou
também a educação de adultos. (SOUZA, 2007, p.28).

Foi aproximadamente nos “anos 1932 e 1937 que as vagas no ensino


supletivo aumentaram junto às unidades escolares isso foi um ponto positivo para a
EJA pois logo após na década de 40 foi criado o Fundo de ensino primário (FNEP) ”.
(SOUZA, 2007, p28)
Essa década de 40 é marcada por vários movimentos que destacavam a EJA,
“primeira Campanha de Educação de Adultos (CEA) ou Campanha de Adolescentes
e Adultos (CEAA) criada em 1947 e extinta em 1963”. (SOUZA, 2007, p.29)
Outra campanha, a Campanha Nacional de Educação Rural - CNER, e 1952,
(Souza, 2007, p.32), foi uma das instituições promotoras do processo de
desenvolvimento de comunidades no meio rural brasileiro incentivando a população
rural a ingressar nos estudos. O processo de urbanização e a migração do campo
para a cidade exerceu grande influência na criação de campanhas como essa que
eram voltadas para o meio rural, mas elas não adequavam o ensino às condições
dessa população, a realidade era diferente sendo que o material didático era o
mesmo para todo o país, o que provocou o fracasso dessa campanha.

Em 1958, foi realizado o II Congresso Nacional de Educação de Adultos,


objetivando avaliar as ações realizadas na área e visando propor soluções
adequadas para a questão. Foram feitas críticas à precariedade dos prédios
escolares, à inadequação do material didático e à qualificação do professor.
Nesse congresso se destacou Paulo Freire que anuncia ‘’o princípio da
pedagogia dialógica freiriana, que na década de 1960 será aprofundada: a
valorização do ser humano que aprende como alguém que já traz uma
bagagem de experiências, e não como alguém ignorante’’ (SOUZA, 2007,
p.33).

Paulo Freire foi de grande importância para a EJA por ter um olhar sempre
humano sobre os analfabetos, defendendo sempre a valorização do educando e
suas experiências, não o vendo como um incapaz que só precisa saber ler e
escrever, se faz necessário mais exigências na formação dos alunos.
No ano de 1961, surgiu o Movimento de Educação e Base (MEB) que passou
a atuar na Educação de Jovens e Adultos. Trata-se de um convênio do governo federal e o
Conselho Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) (SOUZA, 2007, p.34).
Em 1960 houve o Movimento de Cultura Popular (MCP) no Recife, seu objetivo
conforme Beisiegel, era ‘’elevar o nível cultural das massas, conscientizando-as
paralelamente’’. (BEISIEGEL, 2004, apud SOUZA, 2007, p.34).
Eram improvisados vários lugares da cidade como a Igreja, entidades esportivas e
salas de associações de bairro, pois não havia lugares para construir escolas.
Em 1967 foi criado o Movimento Brasileiro de Alfabetização (MOBRAL) a qual
começou em Recife, Paraíba e Sergipe. Era uma instituição independente
financeiramente. Na década de 1970, houve inserção do ensino supletivo no sistema
regular de ensino”, complementando a atuação do MOBRAL. Sendo que “em 1985 o
MOBRAL foi extinto e substituído pela Fundação Educar”, sua função era criar
programas para aqueles que eram excluídos e não tinham acesso escolar (SOUZA, 2007,
p.35).
Em 1991, o MEC com a extinção da Fundação Educar, configura-se um processo de
transferência das obrigações com a educação supletiva – que eram do governo federal- para os
estados e municípios (SOUZA, 2007, p.36).
Em 1996, é aprovada a Lei de Diretrizes e Bases - LDB 9.394/96:

Art. 37. A educação de jovens e adultos será destinada àqueles que não:
tiveram acesso ou continuidade de estudos no ensino fundamental e médio
na idade própria. § 1º Os sistemas de ensino assegurarão gratuitamente
aos jovens e aos adultos, que não puderam efetuar os estudos na idade
regular, oportunidades educacionais apropriadas, consideradas as
características do aluno, seus interesses, condições de vida e de trabalho,
mediante cursos e exames. § 2º O Poder Público viabilizará e estimulará o
acesso e a permanência do trabalhador na escola, mediante ações
integradas e complementares entre si. § 3o A educação de jovens e adultos
deverá articular-se, preferencialmente, com a educação profissional, na
forma do regulamento. (Incluído pela Lei nº 11.741, de 2008) Art. 38. Os
sistemas de ensino manterão cursos e exames supletivos, que
compreenderão a base nacional comum do currículo, habilitando ao
prosseguimento de estudos em caráter regular. § 1º Os exames a que se
refere este artigo realizar-se-ão: I - no nível de conclusão do ensino
fundamental, para os maiores de quinze anos; II - no nível de conclusão do
ensino médio, para os maiores de dezoito anos. § 2º Os conhecimentos e
habilidades adquiridos pelos educandos por meios informais serão aferidos
e reconhecidos mediante exames. (BRASIL, 1996, não paginado, grifo do
autor)

Todos os movimentos direcionados a EJA até a LDB foram bastante


conturbados, os programas não tinham verba era tudo muito precário e faltava
estrutura, e sem leis voltadas a essa modalidade de ensino só agravava cada vez
mais a situação desta. É por esses motivos que nenhuma das Campanhas teve
sucesso e ainda quando eram do governo a situação não era diferente pois o
material não estava de acordo com realidade dos educandos, com a chegada da
LDB a EJA começa a caminhar lentamente, porém já era uma grande conquista.
“Observamos que não há menção nessa LDB à necessidade de haver
professores especializados para EJA, o que pode incentivar a não – qualificação dos
profissionais” (SOUZA, 2007, p.55).
A LDB deixa a desejar quando não exige para a EJA profissionais com qualificação,
se os alunos apresentam grandes diversidades de experiências e conhecimentos, é necessário
que haja um professor que também seja experiente nessa modalidade. As leis mostram que
ainda não estão de acordo com os interesses dos alunos, a revisão destas seria conveniente
para o progresso da EJA que necessita de melhoras, é também mediante a isso que houve a
criação de movimentos, que ainda hoje acontecem para a modificação desse ensino.

Brasil é signatário da Declaração Mundial de Educação para todos e do


Plano de Ação para Satisfazer as Necessidades Básicas de Aprendizagem
(Jomtien, 1990). Sediou a Conferência Regional Preparatória (Brasília,
1997), fez-se presente à V Conferência Internacional de Educação de
Adultos (V CONFINTEA) e subscreveu a Declaração de Hamburgo e a
Agenda para o futuro sobre a educação de pessoas adultas (Hamburgo,
1997) e, como pátria do educador Paulo Freire, sente-se particularmente
comprometido com a década pela alfabetização desencadeada nesta
conferência, em sua homenagem. (BRASIL,2007, p.71)

As conferências internacionais também exerceram grande influência nos


movimentos do Brasil, destacando a V CONFERÊNCIA que aconteceu em
Hamburgo na Alemanha em julho de 1997, ocorrendo a elaboração da Declaração
de Hamburgo, que traz uma concepção do jovem e do adulto que outrora era bem
diferente, atualmente esse olhar é bem avançado, pois enxerga o educando como
ser humano que tem o direito de buscar seu lugar no mundo e autonomia para criar
sua identidade, o destacando o como pessoa que tem sua cultura e a considerando
capaz, possuidora de conhecimentos que podem vir a contribuir na sociedade. É
uma Declaração para se levar em sala e discutir toda a valorização que ela traz
relativa à EJA.
A agenda do futuro elaborada pela Conferência de Hamburgo aborda sobre
as metas estabelecidas para a melhoria da Educação de Jovens e Adultos
futuramente, e esta foi adaptada no Brasil considerando a realidade do país.

Como indica a Declaração de Hamburgo, a educação de adultos adquiriu


uma amplitude e uma dimensão acrescidas; ela tornou-se um imperativo
para lugar de trabalho, o lar e a comunidade, no momento em que homens
e mulheres lutam para influir sobre o curso de sua existência em cada uma
de suas etapas. (BRASIL, 2007, p.47)

O educando segundo, a Declaração de Hamburgo, passa a dar mais


importância à educação, seja em qual for o ambiente, sendo a forma de melhorar de
vida. A educação faz parte da vida em todas as etapas, iniciando na infância e
continuando mediante o crescimento.
Diante desse histórico inserido e um contexto com muitos desafios e lutas
ainda em processo de desenvolvimento, observa-se a necessidade de levantar
dados para verificar se essa situação se modificou, obtendo a realidade dessa
modalidade de ensino e também observar como se encontra a questão do
analfabetismo, se há valorização do educando nos aspectos socioculturais e como
vêm se efetuando esse trabalho no ambiente escolar.
Tornar a sala de aula um ambiente onde o aluno possa compartilhar suas
experiências relativas a aula não só o valorizará, como também irá tornar a
aprendizagem mais fácil e próxima da realidade. Isso gera até um excelente debate
elevando a aula para um novo patamar, abrindo horizontes e proporcionado espaços
para o posicionamento de cada um, permitindo que o educando forme seus próprios
conceitos havendo respeito à sua autonomia como ser pensante.
O aluno se sente motivado ao poder contribuir na aula, e sendo assim firma
novamente sua identidade e se orgulha dela, e ainda descobre que ele possui
conhecimentos que muitos desconhecem, inclusive o professor. A EJA não é apenas
uma oportunidade de desenvolvimento intelectual, mas também de formação e
reconstrução como indivíduo único, e esses são momentos em que o professor
estará elevando a autoestima desse aluno.
O jovem ou adulto chega à sala de aula com baixa autoestima, sentindo-se
incapacitado e se culpando pelo abandono dos estudos. É necessário um resgate
social desse aluno, sendo um trabalho gradativo, mediante o processo de
aprendizagem, de acordo com a realidade social. Se o aluno vai em busca dos
estudos é porque ele quer aprender, seja por necessidade, seja pelo trabalho ou por
outro motivo.

Quantos de nós ouvimos a frase “burro velho não aprende”. É preciso


entender que essa fala está localizada no contexto das contradições sociais
vividas pelos trabalhadores. Eles incorporam o sentimento de incapacidade
que durante muito tempo foi incutido neles. Os seus discursos denunciam –
de forma ingênua ou crítica - uma educação distanciada das reais
necessidades do povo brasileiro (SOUZA, 2007, p.104).

Essas pessoas sofrem preconceito pela baixa escolaridade, é preciso que


exista um ensino que valorize o aluno como pessoa, pois as relações sociais
estabelecidas têm grande influência no aluno como ser humano, elas estão
presentes em todos os lugares, e auxiliam na superação dos obstáculos como: a
exclusão social vivida pelos jovens e adultos. O educando tem que se sentir
valorizado para que depois possa ser dado início a aprendizagem dos conteúdos.
A sociedade precisa motivar as pessoas que não terminaram os estudos ou
as analfabetas a procurar escolas que possam inseri-las na EJA, há falta de
oportunidade, de tempo e vagas disponíveis, mas existe também falta de estímulo,
exatamente pelo preconceito e discriminação relativo a esta modalidade de ensino.
É uma vitória o fato de o aluno buscar ampliar seus conhecimentos, considerando
que ainda há muitas pessoas que estão fora da escola e nem mesmo as procuram
por desconhecimento mediante a não divulgação, ou ausência de incentivo da
família que tem grande peso na volta aos estudos.

Se trabalho com jovens ou adultos, não menos atento devo estar com
relação a que o meu trabalho possa significar como estímulo ou não à
ruptura necessária com algo defeituosamente assentado e à espera de
superação (FREIRE, 1996, p.70).

As relações estabelecidas entre aluno e professor devem ser levadas em


consideração, o educador é quem proporciona grande parte da estimulação para a
aprendizagem e permanência do educando na escola. Um simples gesto faz toda
diferença, podendo levar o aluno a desistência dos estudos, ou motivar este ainda
mais.
Os alunos apresentam determinação, e aos poucos deixam os medos para
trás e se firmam na busca de cada vez mais conhecimentos, a aula propicia
momentos de superação de algo desconhecido, gerando oportunidade para que o
educando se sinta parte da sociedade, tornando a aprendizagem significativa para o
mesmo.
São indispensáveis para o professor, no processo de resgate social os
seguintes saberes: “respeitar o educando e a si próprio como sujeitos do
conhecimento, valorizar a cultura dos educandos e a própria sociedade como fonte
de problematização dos conhecimentos” (SOUZA, 2007, p.101).
Destacando assim a necessidade de formação adequada do educador para
que este intervenha de forma positiva, é a constante atualização do profissional
tanto na teoria como na prática.
O trabalho desenvolvido pelo profissional de EJA é pouco reconhecido, sendo assim
acaba sendo desvalorizado, mas mesmo nesta situação ele deve estar em busca da atualização
se possível, para que “melhore sua qualidade de intervenção como educador” (SOUZA, 2007,
p.97).
A falta de tempo e a vontade de aprender muitas vezes aparecem como desafio nessa
formação adequada, que se efetuada proporcionará mais qualidade a essa modalidade de
ensino.

Resta aos profissionais da educação e aos educadores o engajamento


numa concepção de educação que valorize o aluno como ser humano como
ser que aprende com e que ensina com, produzindo pelas relações sociais
mediante a análise crítica da prática social, própria e coletiva (SOUZA,
2007, p.105).

O educador entra como papel fundamental nesse processo de prática


educativa, que é mediada com experiências de vida e diferenças socioculturais dos
alunos, onde relaciona-se à vida escolar com o cotidiano do educando, o que não é
distinto do ensino regular. Desta forma respeita-se as diferentes formas de
aprendizagem e níveis de conhecimento. O educador deve sempre adaptar as suas
aulas à realidade dos alunos, de forma que ele se sinta motivado e familiarizado,
fazendo uso do conhecimento deles para benefício dos mesmos.

3 AS RELEVÂNCIAS DOS ASPECTOS SOCIOCULTURAIS DA EJA


O assunto de Educação de Jovens e Adultos (EJA) está vinculado com a
alfabetização, só se viu a necessidade de criar esta modalidade de ensino mediante
o grande número de analfabetos no nosso país, que devido a desigualdade forçava
os jovens a trabalhar mais cedo para ajudar a família de baixa renda deixando de
lado ou mesmo abandonando os estudos.

É desse modo que podemos falar em duas concepções de alfabetização:


uma instrumental, na qual o analfabeto, visto como ignorante, é apenas um
objeto no processo de aquisição de um sistema de código alfabético, e uma
dialógica ou crítica, que tem no ato de conhecer a essência da
alfabetização. (SOUZA, 2007, p.88)

Poder ler, escrever e interpretar dá dignidade ao cidadão na sociedade,


despertando um sentimento de pertencente ao mundo, facilitando diversas coisas no
cotidiano, como a comunicação, assim como ocorre também com a tecnologia,
porém neste, caso o valor atribuído à alfabetização é bem maior.
Só porque alguém não é alfabetizado não pode ser discriminado dizendo
que o mesmo é ignorante. Isso mostra que algo está errado, a educação não está
cumprindo seu papel de formação de pessoas críticas, pensantes; pois o educando
é capaz de aprender e de se expressar, ele também possui conhecimentos e pode
vir a adquiri-los.
Os adultos sentem-se excluídos pela sociedade por não serem
alfabetizados, um simples letreiro pode fazer a diferença, e o mercado está cada vez
mais exigente. A codificação, a decodificação, e uma boa formação são requisitos
básicos para todos os níveis de trabalho, porém não basta apenas saber ler e
escrever, é necessário também compreender e interpretar a escrita, ou seja, o
letramento.
No começo da criação de EJA a necessidade maior era de busca por
emprego melhor, pela situação precária das famílias. Atualmente esta visão se
modificou, os alunos vão em busca da conclusão dos estudos com outros objetivos,
objetivos como o de progredir até passando para o ensino superior.
É despertada a vontade de uma formação superior não apenas para o
campo de trabalho, mas para que haja a ampliação dos conhecimentos,
acompanhamento do crescimento veloz do mundo atual mediante o surgimento de
novas tecnologias.
Os alunos de EJA trazem um histórico de vida em que estão inseridos, as
diferenças culturais, sociais, étnicas e além de uma diversidade de experiências que
no âmbito escolar devem ser usadas de forma favorável a eles.
Na socialização e na reflexão sobre as diferenças e experiências em sala, se
inicia um processo de estimulação para a busca da educação, havendo
fortalecimento e superação dos aspectos negativos de autoestima e do sentimento
de incapacidade, proporcionando dentro do contexto escolar um espaço que
possibilita ao aluno a formação de sua identidade.

A questão da identidade cultural, de que fazem parte a dimensão individual


e a de classe dos educandos cujo respeito é absolutamente fundamental na
prática educativa progressista é um problema que não pode ser desprezado
(FREIRE, 1996, p.4).

O respeito a essas diferenças que cada aluno traz consigo é irrelevante e


até uma questão de ética, é necessário que haja a valorização do educando por
inteiro como ser humano e histórico que ele é, sendo a identidade composta pelas
diferenças.
A identidade que é individual está inserida em diferenças culturais,
costumes, jeitos de se falar, formas de se viver. Um trabalho do professor
valorizando esse aspecto é muito importante para a estimulação do respeito entre
colegas e professor e até mesmo o conhecimento entre estes, mergulhando assim
nas experiências diferenciadas de cada um, contribuindo para o enriquecimento e
formação da identidade do educando.

A aprendizagem é entendida como processo pelo qual o indivíduo relaciona


um novo conhecimento anteriormente construído, com o processo pelo qual
as informações e as habilidades desenvolvidas interagem e passam a ter
sentido para o sujeito (BRASIL, 2007, p.40).

É de grande importância todo conhecimento prévio do aluno, que contribui


para a aprendizagem por meio das diversas experiências socializadas na sala de
aula, enriquecendo a prática educativa, mediante sua participação dos alunos,
levando-os à reflexão nas várias situações do processo de aprendizagem.
Há um processo de avaliação que deve ser efetuado para se saber em que
nível se encontra esse aluno, e aos poucos o conduzi-lo para uma aprendizagem
que esteja vinculada com os conhecimentos já adquiridos sobre a atividade
desenvolvida, despertando mais segurança no educando. Esses conhecimentos já
construídos se relacionam com as experiências de vida de cada um.

A concepção de ensino denominada por Mizukami de sociocultural


apresenta características da concepção dialógica de educação, defendida
por Freire. Tal abordagem caracteriza-se pela busca de interação entre
homem e mundo, sendo o sujeito entendido como elaborador e criador de
conhecimentos; o homem é pensado e educado tendo como pressuposto a
sua cultura, a sua prática social; ele é visto como sujeito que se constrói
como tal à medida que pensa o seu contexto (MIZUKAMI, apud SOUZA,
2007 p.80).

O homem é influenciado por sua cultura e meio em que vive, por isso o uso
de suas experiências socioculturais em sala de aula, de modo a ligar conteúdos ao
contexto que se encontra esse aluno, é conectar a aprendizagem com a realidade.
Não há como desvincular a aprendizagem intelectual da social uma
complementa a outra, toda concepção, ideia ou opinião do educando é relativa aos
seus aspectos socioculturais pois estes contribuem para a formação do eu de cada
pessoa, ou seja, da personalidade. Assim é importante um trabalho voltado para a
colaboração do aluno em sala, não havendo a separação da formação já construída.

Por que não aproveitar a experiência que tem os alunos de viver em áreas
da cidade descuidadas pelo poder público para discutir por exemplo, a
poluição dos riachos e dos córregos e os baixos níveis de bem-estar das
populações (FREIRE, 1996, p.30).

Tornar a sala de aula um ambiente onde o aluno possa compartilhar suas


experiências relativas a aula não só o valorizará, como também irá tornar a
aprendizagem mais fácil e próxima da realidade. Isso gera até um excelente debate
elevando a aula para um novo patamar, abrindo horizontes e proporcionando
espaços para o posicionamento de cada um, permitindo que o educando forme seus
próprios conceitos havendo respeito à sua autonomia como ser pensante.

O trabalho desenvolvido pelo profissional de EJA é pouco reconhecido,


sendo assim acaba sendo desvalorizado, mas mesmo nesta situação ele deve estar
em busca da atualização se possível, para que “melhore sua qualidade de
intervenção como educador” (SOUZA, 2007, p.97). A falta de tempo e a vontade de
aprender muitas vezes aparecem como desafio nessa formação adequada, que se
efetuada proporcionará mais qualidade a essa modalidade de ensino.
Resta aos profissionais da educação e aos educadores o engajamento numa
concepção de educação que valorize o aluno como ser humano como ser que
aprende com e que ensina com, produzindo pelas relações sociais mediante a
análise crítica da prática social, própria e coletiva (SOUZA, 2007, p.105).
O educador entra como papel fundamental nesse processo de prática
educativa, que é mediada com experiências de vida e diferenças socioculturais dos
alunos, onde relaciona-se à vida escolar com o cotidiano do educando, o que não é
distinto do ensino regular. Desta forma respeita-se as diferentes formas de
aprendizagem e níveis de conhecimento. O educador deve sempre adaptar as suas
aulas à realidade dos alunos, de forma que ele se sinta motivado e familiarizado,
fazendo uso do conhecimento deles para benefício dos mesmos.
“É uma pena que o caráter socializante da escola, o que há de informal na
experiência que se vive nela, de formação ou deformação, seja negligenciado”
(FREIRE, 1996, p.43).
As escolas estão tão focadas nos conteúdos que se esquecem da formação
dos educandos como sujeitos sociais, essa experiência adquirida na escola será
levada por toda a vida sejam elas positivas ou não, todos os dias as aprendizagens
sociais e intelectuais são requeridas no cotidiano, se metade do que se utiliza no dia
a dia são relações sociais, a escola deve fazer um trabalho voltado para isso, já que
os alunos no ambiente escolar estão em constante aprendizagem.
Sem estrutura escolar e com educadores despreparados é difícil
desenvolver um trabalho que proporcione aspectos positivos, sendo assim o
educando de EJA deve contribuir para o meio, seja pela tradição cultural ou
educacional de forma a valorizar sua identidade. Ele também se posiciona como
aprendiz e ensinante, a formação escolar mesmo que não acontecendo na idade
regular transforma o adulto ou jovem em uma nova pessoa, nunca é tarde para
ampliar os conhecimentos, para se aprender.

4. CONSIDERAÇÕES FINAIS
Constatou-se pelos estudos e auxílios bibliográficos que a história da EJA
exerce grande influência nessa modalidade de ensino até hoje, através de
preconceito e discriminação, falta de acesso, desvalorização acarretando em
precariedade, o desconhecimento dos próprios educandos dos seus direitos, a falta
de qualificação dos professores e, fazer desta uma exigência da lei, são questões a
serem abordadas na aula por estar relacionado com a realidade desse ensino.
Sendo assim, o contexto histórico é vinculado com problemas sociais e
econômicos do país.
Entende-se que não há valorização do ensino na Educação de Jovens e Adultos
(EJA), pois o mesmo não é visto com importância pelo poder público.
Devido a isso, existe falta de recursos e profissionais qualificados, produzindo ainda
um certo preconceito na sociedade quanto ao ensino de EJA. Demonstrando também aos
profissionais de EJA como eles podem favorecer em sala de aula os alunos com o uso das
experiências de vida e cultura de cada um, mediante a participação dos mesmos, contribuindo
para o enriquecimento da aula, pois os educandos apresentam diversidades socioculturais.
A formação informal contribuirá com a autoestima do aluno, fazendo-o se
sentir capaz e percebendo que ele também possui conhecimentos, estimulando-o
através destes a dar continuidade aos estudos, formando uma nova pessoa mais
crítica, consciente de seus direitos, exercendo seu papel de cidadão
adequadamente, que em um todo, fará diferença para que haja menos
desigualdade, pois a melhoria do nosso país está ligado claramente na educação,
colaborando assim com a formação fora da escola, ou seja, socialmente.
As Políticas Públicas simulam estar combatendo a exclusão e a
desigualdade nessa modalidade de ensino, pois não investem na EJA, se contrário
mudariam a realidade de muitos analfabetos que se sentem desmotivados,
discriminados pela própria comunidade, que ignoram esse ensino o deixando cada
vez mais precário.
Parece ser favorável ao Poder Público o descaso com a EJA, apresentado
mediante o não investimento na formação de cidadãos críticos, autônomos e
pensantes, capazes de lutar por seus direitos, diminuindo o número de analfabetos e
pessoas sem formação escolar na realidade brasileira.
Na EJA, a carência em vários aspectos deixa a desejar proporcionando uma
educação precária não sendo de boa qualidade, exatamente pelo preconceito com
essa modalidade partindo das próprias instituições de ensino.
Há falta de material adequado, estrutura física e também profissionais
qualificados, pode-se ver o descaso com a educação de jovens e adultos que se
encontra totalmente sem estrutura.
E ainda como se não bastasse a política não prioriza a modalidade de EJA,
refletindo isso na sociedade havendo discriminação em relação a pessoas
estudantes ou formadas por meio desta.

Art. 37. § 1º Os sistemas de ensino assegurarão gratuitamente aos jovens e


aos adultos, que não puderam efetuar os estudos na idade regular,
oportunidades educacionais apropriadas, consideradas as características do
aluno, seus interesses, condições de vida e de trabalho, mediante cursos e
exames (BRASIL, 1996, não paginado).

Se a lei garante poucos, porém no mínimo alguns requisitos para a


execução da EJA, ela deve ser respeitada e valorizada, é preciso que se efetue uma
pesquisa com foco para este ensino, pois não é constatado iniciativas que
assegurem essa lei.
As estruturas não são apropriadas nem tão pouco é levado em consideração
os interesses de cada aluno, sendo as aulas uns dos itens que é cumprido,
ocorrendo em período favorável já que grande parte dos educandos trabalham
durante o dia.
A educação brasileira teve um processo lento para chegar no nível que
atualmente se encontra, tanto nas conquistas como a Lei de Diretrizes e Bases
- LDB quanto na formação de sua identidade que até hoje não está
determinada. Com a EJA não iria ser diferente principalmente pela despreocupação
apresentada quando o assunto é prioridades na educação.
REFERÊNCIAS

BRASIL, Ministério da Educação. Lei de Diretrizes e Bases da Educação.


Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Leis/L9394.htm acessado
em 15/08/2015

BRASIL, Ministério da Educação. Construção Coletiva: contribuições à


Educação de jovens e adultos. Brasília: Editora, 2006.

FREIRE, Paulo. Pedagogia da Autonomia. 25 ed. São Paulo: Paz e Terra,


1996.

PAIVA, Jaime, et all. Educação de Jovens e Adultos: uma memória


Contemporânea 1996-2004. Edição Eletrônica. Brasília: Editora, 2007.

SOUZA, Maria Antonia. Educação de Jovens e Adultos. Curitiba, 2003.