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XI ASSEMBLEIA GERAL ORDINÁRIA DO SÍNODO DOS BISPOS

RELATÓRIO DO ARCEBISPO D. NICOLA ETEROVIC,


SECRETÁRIO-GERAL DO SÍNODO DOS BISPOS
NA I CONGREGAÇÃO GERAL

3 de Outubro, de 2005

Santo Padre
Eminentíssimos e Excelentíssimos
Padres
Queridos Irmãos e Irmãs

Pela primeira vez, como Secretário-Geral do Sínodo dos Bispos tenho a honra de dirigir
a palavra aos membros desta ilustre Assembleia, saudando de bom grado todos os
presentes com as palavras de São Paulo Apóstolo: "Graça e paz vos sejam dadas da
parte de Deus, nosso Pai, e do Senhor Jesus Cristo" (1 Cor 1, 3).

Dirijo uma deferente saudação ao Santo Padre Bento XVI que preside à primeira
Assembleia do Sínodo dos Bispos do Seu Pontificado. Ao mesmo tempo, agradeço a
Sua Santidade ter confirmado a convocação da presente Assembleia sinodal e ter
seguido de perto a sua preparação.

Em nome de todos os Padres sinodais estou-lhe grato antecipadamente pela sua


presença e por todas as contribuições preciosas para o andamento dos trabalhos que tem
por finalidade promover a vida e a missão da Igreja universal, no sinal da Eucaristia.

Saúdo cordialmente os 256 membros da XI Assembleia Geral Ordinária do Sínodo dos


Bispos, dos quais 177 são eleitos, 40 de nomeação pontifícia, 39 ex officio e 10
Superiores-Gerais. Entre eles há 55 Cardeais, 8 Patriarcas, 82 Arcebispos, 123 Bispos e
12 religiosos. Quanto aos cargos desempenhados, estão presentes 36 Presidentes de
Conferência Episcopal, 234 Ordinários, 4 Ordinários, 4 Coadjutores, 14 Auxiliares e 4
Eméritos.

Os mencionados Padres sinodais provem de todos os continentes: 50 da África, 59 da


América, 44 da Ásia, 95 da Europa e 8 da Oceânia.

Grato por ter aceite o convite, dirijo o meu deferente pensamento aos Delegados
fraternos, representantes de 12 Igrejas e comunidades eclesiais.

Saúdo de coração os Auditores, os Peritos, os Assistentes, os Tradutores e o pessoal


técnico, sem cuja colaboração não se poderiam desenvolver adequadamente os
trabalhos. Por fim, dirijo uma cordial saudação e agradecimento aos generosos
Colaboradores da Secretaria Geral do Sínodo dos Bispos, cuja obra foi para mim de
particular apoio nesta minha primeira experiência sinodal.

Com o Apóstolo das Gentes desejo a todos a graça e a paz, dons com que Deus Uno e
Trino abençoará os nossos trabalhos colegiais para o bem da Igreja e da humanidade.

O presente relatório é composto de VI partes:


I) Considerações preliminares;
II) Período entre a X e a XI Assembleia Geral Ordinária;
III) Preparação da XI Assembleia Geral Ordinária;
IV) Novidade na metodologia sinodal;
V) Actividades da Secretaria Geral do Sínodo dos Bispos;
VI) Conclusão.

I) CONSIDERAÇÕES PRELIMINARES

"Tenho ardentemente desejado comer esta Páscoa convosco, antes de padecer" (Lc 22,
15). Com estas palavras pronunciadas durante a última Ceia, Jesus Cristo introduziu a
narração da instituição do sacramento da Eucaristia. Os três Evangelhos sinópticos
coincidem acerca do significado das palavras pronunciadas sobre o pão e sobre o vinho
que, pela graça do Espírito Santo, se tornaram o corpo e o sangue do Senhor Jesus (cf.
Mt 26, 26-28; Mc 14, 22-25; Lc 22, 14-20). As palavras foram acompanhadas por gestos
concretos: "tomou o pão e, depois de pronunciar a bênção, partiu-o e deu-o aos seus
discípulos" (Mt 26, 26). Estas palavras e gestos indicam claramente a vontade de Jesus
Cristo de instituir a Eucaristia no âmbito da ceia pascal hebraica, prefiguração da sua
morte e ressurreição, antecipação do banquete escatológico das núpcias do Cordeiro
imolado.

A narração do evangelista João (cf. 6) torna ainda mais evidente que Jesus de Nazaré
estava havia tempos a preparar o grande sacramento. De facto, ele apresentou-se ao
povo, quase no início da vida pública, como o pão e o vinho, que desceu do céu para a
vida do mundo (cf. Jo 6, 51).

A Eucaristia que Jesus Cristo instituiu na presença dos apóstolos, reunidos com ele em
redor da mesa, está inseparavelmente ligada à Igreja, desde o início até ao fim dos
tempos. Por vontade manifestada pelo Senhor, "fazei isto em memória de Mim" (1 Cor
11, 24), o sacramento da Eucaristia, celebrado na Igreja, devia transmitir-se de geração
em geração, como a herança mais preciosa, como o Testamento de amor do Senhor
Jesus. Trata-se de sagrada Tradição, como testemunha São Paulo na Primeira Carta aos
Coríntios (cf. 1 Cor 11, 23-26), que pela Providencia Divina chegou na sua pureza
original aos nossos dias. Devemos agradecer continuamente a Deus Uno e Trino esta
graça inestimável, porque a Eucaristia, grande dom e mistério, continua a ser celebrada,
adorada e vivida na Igreja. Ela representa o coração da Igreja, a fonte e o ápice da sua
vida e da sua actividade de evangelização e de promoção humana.

Herança espiritual do Papa João Paulo II

O tema do XI Assembleia Geral Ordinária do Sínodo dos Bispos, centrado na


Eucaristia, foi querido pelo Papa João Paulo II de v. m. Quem conhece bem a sua obra e
a sua missão eclesial não pode não compreender as referencias significativas do Servo
de Deus ao exemplo do único Mestre e Senhor Jesus Cristo, Filho de Deus e Filho do
Homem.

De facto, a descoberta da Eucaristia, celebrada e vivida adequadamente na Igreja,


parece ser também o conteúdo do Testamento espiritual do Papa João Paulo II. Sentindo
que se aproximava a sua hora, ele, com o Espírito do Senhor, procurou concentrar as
suas energias sobre o essencial, isto é, sobre o Santíssimo Sacramento. A admirável
presença do Senhor glorioso sob as espécies do pão e do vinho foi o apoio da sua fé
viva, a fonte da grande esperança e a razão da caridade incisiva. Tratou-se de uma
experiência que maturou sobretudo durante 59 anos de sacerdócio, dos quais 44 vividos
como Bispo, que estimulou o saudoso Pontífice a repropor o tema da Eucaristia à
reflexão da Igreja universal. A sua última Encíclica foi Ecclesia de Eucharistia. A sua
penúltima Carta Apostólica foi Mane nobiscum Domine. A última iniciativa pastoral a
nível da Igreja universal é o Ano da Eucaristia. Nesta perspectiva não surpreende que
também a XI Assembleia Geral Ordinária do Sínodo dos Bispos tenha por tema a
Eucaristia. Com a sua celebração encerrar-se-á o Ano da Eucaristia. Iniciada pelo Papa
João Paulo II, a preparação para a XI Assembleia Geral Ordinária será levada à sua
conclusão pelo seu sucessor, o Santo Padre Bento XVI. O anúncio da presença de Jesus
Cristo na Eucaristia, testamento do seu amor divino, permanece a fonte inexaurível da
vida e da missão da Igreja. A experiência de fé eucarística do Servo de Deus João Paulo
II, que nos foi deixada em herança espiritual, não deixará de influenciar de maneira
positiva também a actividade da assembleia sinodal que começa os seus trabalhos.

Na escolha do tema da XI Assembleia Geral Ordinária é possível entrever também uma


intuição profética do Papa João Paulo II. Ele quis favorecer a reflexão a nível da Igreja
Católica sobre a prática eucarística, verificando como são aplicados nas Igrejas
particulares os grandes pronunciamentos do Magistério sobre o sublime Sacramento da
presença verdadeira, real e substancial de Jesus Cristo ressuscitado na Eucaristia, fonte
da unidade e da comunhão eclesial. Desejava certificar-se como o sacramento da
Eucaristia é assumido e vivido e que influencia tem na vida dos fiéis, das famílias, das
comunidades e de toda a sociedade. A sua intenção básica era, depois, relançar a
Eucaristia, inestimável dom de Deus à sua Igreja, através de uma apropriada catequese a
todos os níveis, um renovado culto litúrgico, um serviço da caridade reforçado, que tem
a fonte permanente no pão partido para nós homens e no vinho derramado para a nossa
salvação.

II) ACTIVIDADE ENTRE


A X E A XI ASSEMBLEIA GERAL ORDINÁRIA

Recordação do Em.mo Cardeal Jan Pieter Schotte

Recordando nesta Assembleia a herança espiritual do Papa João Paulo II, é obrigatório,
com gratidão ao Senhor, recordar também um dos seus colaboradores mais próximos, o
Cardeal Jan Pieter Schotte, C.I.C.M., que durante quase 19 anos foi Secretário-Geral do
Sínodo dos Bispos. Durante este período o Em.mo Purpurado desempenhou serviços
eclesiais preciosos. Em particular, organizou 12 Assembleias sinodais, das quais 4
(1987, 1990, 1994, 2001) Assembleias Gerais Ordinárias, 1 (1985) Assembleia Geral
Extraordinária e 7 Assembleias Especiais (em 1991, I para a Europa; em 1994 para a
África; em 1995 para o Líbano; em 1997 o para a América; em 1998 para a Ásia; em
1998 para a Oceânia; em 1999 II para a Europa). Sua Eminência o Cardeal Jan Pieter
Schotte começou também a preparação da XI Assembleia Geral Ordinária. Um ano
antes que o Senhor da vida o chamasse a si a 10 de Janeiro de 2005, o Papa João Paulo
II quis nomear-me, a 11 de Fevereiro de 2004, para lhe suceder no cargo da Secretaria
Geral do Sínodo dos Bispos. Também esta sucessão se realizou no sinal do mistério da
Eucaristia, tema da XI Assembleia Geral Ordinária, quando dele recebi o testemunho e
quando o caminho sinodal já tinha começado, sem dúvida inserido numa tradição bem
consolidada e com resultados bastante positivos.

De facto, Sua Eminência o Card. Jan Pieter Schotte, terminava felizmente a X


Assembleia Geral Ordinária, que sobre o tema O Bispo: Servo do Evangelho de Jesus
Cristo para a esperança do mundo, foi celebrada de 30 de Setembro a 27 de Outubro de
2001, e começou, em estreita união com o Sumo Pontífice, a preparar a XI Assembleia
Geral Ordinária.

Antes da conclusão da X Assembleia Geral Ordinária, a 26 de Outubro de 2001, o


Cardeal Secretário-Geral presidiu à primeira reunião do X Conselho Ordinário, acabado
de constituir, realçando que 6 Padres sinodais faziam parte pela primeira vez de tal
organismo colegial. Depois de ter aprofundado o conhecimento recíproco, aos membros
foram indicadas as tarefas do Conselho Ordinário segundo as normas vigentes do
Sínodo dos Bispos. Em particular, foi afirmado que o Conselho está chamado a manter
vivo o espírito colegial da Assembleia sinodal e a repropor o conteúdo das Proposições,
resultados preeminentes do Sínodo dos Bispos, num documento a submeter ao Santo
Padre em vista da publicação da Exortação pós-sinodal.

O X Conselho Ordinário reuniu-se 8 vezes de Fevereiro de 2002 a Novembro de 2004.


Em particular, a segunda reunião realizou-se de 6 a 8 de Fevereiro de 2002, a terceira
nos dias 13 e 14 de Junho de 2002, a quarta de 5 a 7 de Novembro, a quinta de 26 a 27
de Março de 2003, a sexta de 1 a 2 de Julho de 2003, a sétima de 23 a 24 de Outubro de
2003 e a oitava nos dias 16 e 17 de Novembro de 2004.

As primeiras 4 reuniões concentraram-se quase exclusivamente sobre a reelaboração do


material da X Assembleia Geral Ordinária, em vista da redacção da Exortação pós-
sinodal Pastores gregis que o Papa João Paulo II assinou e promulgou a 16 de Outubro
de 2003, por ocasião do XXV aniversário de Pontificado. Participaram no acto solene,
que se realizou na Sala Paulo VI na presença de numerosos peregrinos, os Senhores
Cardeais: Giovanni Battista Re, Ivan Dias e Bernard Agré, o Relator-Geral, Card.
Edward Egan e o Relator-Geral Adjunto, Card. Jorge Mário Bergoglio, o Secretário-
Geral, Card. Jan Pieter Schotte, e o Secretário Especial, D. Marcello Semeraro.
Encontravam-se ao lado do Papa João Paulo II o Decano do Colégio Cardinalício, Card.
Joseph Ratzinger, e o Secretário de Estado, Card. Angelo Sodano. O Sumo Pontífice
entregou simbolicamente o documento aos três Presidentes Delegados, aos dois
Relatores-Gerais, ao Secretário Especial e a cinco bispos, um de cada Continente.

Entretanto, no início de 2003, o Card. Secretário-Geral enviou a Relatio circa laboris


peractos da X Assembleia Geral Ordinária às Instituições que a ela tem direito. No
documento são indicados, entre outros, os seguintes dados estatísticos: na assembleia
sinodal participaram 247 membros, dos quais 175 eleitos, 35 de nomeação pontifícia e
37 ex officio. A X Assembleia Geral Ordinária teve 25 Congregações gerais, 17 sessões
dos Círculos menores. Os Padres aprovaram 67 Propositiones.

III) PREPARAÇÃO DA XI ASSEMBLÉIA GERAL ORDINÁRIA

Tema da XI Assembleia Geral Ordinária


O tema e a data da celebração da XI Assembleia Geral Ordinária foram debatidos em
várias ocasiões.

No final da X Assembleia Geral Ordinária os Padres sinodais expressaram os seus


pareceres acerca do tema da próxima assembleia sinodal. Além disso, por encargo do
Papa João Paulo II, a Secretaria Geral do Sínodo dos Bispos consultou em relação a isto
também as Conferências Episcopais, os Sínodos das Igrejas Orientais Católicas sui
iuris, as Congregações da Cúria Romana e a União dos Superiores-Gerais. Os resultados
foram examinados durante a terceira reunião do X Conselho Ordinário nos dias 13 e 14
de Junho de 2002. À luz dos resultados obtidos, os membros do Conselho formaram o
trio dos temas a serem submetidos à decisão do Sumo Pontífice. Em primeiro lugar,
estava o tema da Eucaristia na vida e na missão da Igreja.

Durante a sucessiva quinta reunião do X Conselho Ordinário, a 26 de Março de 2003, o


Card. Secretário-Geral informou os membros que o Papa João Paulo II escolhera o tema
da Eucaristia para a XI Assembleia Geral Ordinária, com a recomendação de realçar a
paróquia em relação ao ministério e culto eucarístico. Portanto, concretizou-se o tema
sobre a Eucaristia fonte e ápice da vida e da missão da Igreja e teve início a reflexão
acerca das ideias básicas dos Lineamenta, documento que tem por finalidade favorecer
o debate a nível da Igreja universal sobre o assunto da assembleia sinodal.

Elaboração dos Lineamenta

A sexta reunião do Conselho Ordinário da Secretaria Geral do Sínodo dos Bispos,


realizada a 1 e 2 de Junho 2003, foi dedicada ao exame dos esboços dos Lineamenta.
Como de costume, o texto foi objecto de estudo em dois grupos de trabalho, divididos
segundo as línguas italiana e inglesa. No encontro conjunto alcançou-se o
consentimento sobre a estrutura e as modificações a serem feitas no projecto. O trabalho
procedeu com bons resultados na reunião de 23 e 24 de Novembro de 2003 de modo
que os Lineamenta, enriquecidos pelas respostas que pouco a pouco iam chegando,
puderam ser publicados no mes de Fevereiro de 2004.

O debate no seio do X Conselho Ordinário foi seguido com grande interesse pelo Papa
João Paulo II o qual, na audiência concedida a 29 de Novembro de 2003 ao Secretário-
Geral, Card. Jan P. Schotte, aprovou definitivamente o tema da XI Assembleia Geral
Ordinária do Sínodo dos Bispos "Eucharistia: fons et culmen vitae et missionis
Ecclesiae". A data prevista da celebração era de 2 a 29 de Outubro de 2005.

Com Despacho de 18 de Dezembro de 2003, o Cardeal Angelo Sodano, Secretário de


Estado, comunicou oficialmente ao Secretário-Geral do Sínodo dos Bispos a
mencionada decisão do Papa João Paulo II. Portanto, a 13 de Fevereiro de 2004 foram
publicados em "L'Osservatore Romano" o tema e a data da XI Assembleia Geral
Ordinária do Sínodo dos Bispos.

Sem dúvida, o Sumo Pontífice seguiu de perto também a redacção dos Lineamenta, cujo
texto estava a ser escrito em 8 línguas: latim, italiano, francês, espanhol, português,
inglês, alemão e polaco. O documento, acabado de publicar no mês de Fevereiro de
2004, foi enviado em primeiro lugar às Instituições que a ele tem direito: Conferências
Episcopais, Sínodos das Igrejas Orientais Católicas sui iuris, Congregações da Cúria
Romana, União dos Superiores-Gerais. Depois, foi dada uma difusão mais ampla
através dos meios de comunicação social a toda a Igreja universal. No fim do
Documento encontrava-se um Questionário que devia contribuir quer para a reflexão
sobre a Eucaristia, insigne Sacramento da nossa fé, quer para a redacção das respostas a
serem enviadas à Secretaria Geral do Sínodo dos Bispos até ao dia 31 de Dezembro de
2004.

Preparação do Instrumentum laboris

A recepção dos Lineamenta foi bastante positiva, como demonstra também o número
das respostas e observações que chegaram. A este propósito pode ser útil indicar os
dados estatísticos relativos às respostas aos Lineamenta dos últimos Sínodos, dando
ênfase especial às instituições de natureza colegial, como as Conferências Episcopais e
os Sínodos dos Bispos das Igrejas Orientais Católicas sui iuris.

Respostas das Conferências Episcopais para as diversas Assembleias Gerais


Ordinárias:

1974 De evangelizatione (75, 38%)


1977 De catechesi (67,18%)
1980 De familia (50, 37%)
1983 De reconciliatione et paenitentiae (42, 75%)
1987Dechristifidelibuslaicis(59,85%)
1990 De formatione sacerdotum (63, 94%)
1994 De vita consecrata (66, 05%)
2001 De episcopo (62, 50%)
2005 De Eucharistia (94, 69%)

Vale a pena observar que para esta Assembleia sinodal, quanto aos Sínodos da Igrejas
Orientais Católicas sui iuris, a percentagem foi de 73% [1] .

As Congregações da Cúria Romana responderam 100%. Também a resposta da União


dos Superiores-Gerais chegou imediatamente e bem elaborada.

A Secretaria Geral do Sínodo dos Bispos recebeu também 110 observações da parte de
Bispos individualmente, de sacerdotes, religiosos, religiosas e leigos de todo o mundo.

A alta percentagem das respostas e observações é bastante significativa. Em particular é


preciso realçar as respostas de quase 95% das Conferências Episcopais, a mais elevada
para uma Assembleia Geral Ordinária [2] . Estes dados estatísticos indicam claramente
o grande interesse das Igrejas particulares e de outras instituições eclesiais para o tema
da actual assembleia sinodal. Ao mesmo tempo, são sinónimo das suas expectativas
para a influencia do Sínodo dos Bispos na vida da Igreja e da sua missão no mundo.
Além disso, das respostas compreende-se que os Lineamenta favoreceram a reflexão,
muitas vezes bem organizada, acerca da percepção e da celebração da Eucaristia nas
respectivas dioceses, paróquias, instituições, organizações e comunidades eclesiais. O
amplo debate, acompanhado pela oração, foi de grande ajuda às Igrejas locais para
verificar o grau de compreensão do sacramento da Eucaristia, a frequência da
participação nas celebrações eucarísticas, sobretudo aos domingos e nos dias de
preceito, as consequências da fé eucarística na vida pessoal, familiar e social. Várias
Dioceses aproveitaram esta ocasião quer para ter dados mais exactos sobre a prática da
fé dos próprios fiéis, quer para promover uma acção de catequese com a finalidade de
favorecer um maior conhecimento do mistério do Santíssimo Sacramento e de promover
várias formas de celebração e de adoração.

Noutros lugares, ao contrário, foi encarregada uma Comissão da Conferência Episcopal


de redigir a resposta aos Lineamenta, limitando o debate eclesial ao tema. A reflexão
esteve ainda menos presente porque responderam ao Questionário peritos encarregados
por algumas Conferências Episcopais.

Em todo o caso, os dados recebidos pela Secretaria Geral foram muito úteis para ter um
panorama bastante fiel do modo como o sacramento da Eucaristia é recebido e
celebrado na Igreja universal com características próprias segundo as Tradições
espirituais, os diversos ritos e as conotações geográficas e culturais particulares.

As respostas de entidades de índole colegial e as que foram enviadas por fiéis


individualmente formam o material abundante que foi devidamente estudado. Graças à
ajuda de alguns peritos e sob a responsabilidade da Secretaria Geral, ele foi também
incorporado e sintetizado no Instrumentum laboris.

Desempenhou um papel importante na sua redacção o X Conselho Ordinário. Na


reunião de 15 a 16 de Novembro de 2004 foi decidido o esquema do Documento, tendo
em consideração a natureza das respostas e das observações que chegaram. O Papa João
Paulo II recebeu em audiência os membros do X Conselho Ordinário a 16 de
Novembro, encorajando o seu trabalho ao serviço da Igreja universal, que "haure da
Eucaristia as energias vitais para a sua presença e a sua acção na história dos homens"
(Encontro com o Papa João Paulo II, 16 de Novembro de 2004).

A este propósito, é preciso recordar que muitas respostas chegaram depois da data
indicada, 31 de Dezembro de 2004. Mas foram igualmente consideradas durante o
empenhativo e delicado trabalho de redacção do Instrumentum laboris. O Secretário-
Geral apresentou o documento a 7 de Julho de 2005 numa Conferência de Imprensa.
Como de costume, ele foi publicado em 8 línguas e difundido através dos meios de
comunicação social.

Participação nas assembleias sinodais do Papa João Paulo II

Entretanto, o Senhor da vida tinha chamado a si o Seu fiel Servo João Paulo II a 2 de
Abril de 2005. Assim, o Sínodo dos Bispos perdeu o seu Presidente que teve grandes
merecimentos pelo desenvolvimento desta instituição eclesial e colegial. Com o
falecimento do Papa João Paulo II veio a faltar o único Bispo activo que foi Padre
sinodal de todas as assembleias desde a fundação do Sínodo dos Bispos até à sua última
Assembleia Geral Ordinária em Outubro de 2001. Em particular, como Arcebispo de
Cracóvia, o Card. Karol Wojtyla foi membro de cinco Assembleias Sinodais: 1969,
1971, 1974 e 1977. Quanto à primeira Assembleia Geral Ordinária de 1967, por
solidariedade com o Arcebispo de Varsóvia, Card. Stefan Wyszynski, ao qual o governo
comunista proibiu a saída do País, o Card. Wojtyla renunciou a vir a Roma. Em relação
a isto, existe uma correspondência muito interessante entre a Secretaria Geral do Sínodo
dos Bispos e os delegados polacos ausentes, que testemunha uma sua participação
espiritual nos trabalhos sinodais. Em 1974 o Card. Wojtyla foi Relator-Geral para a
Assembleia Geral Ordinária do Sínodo dos Bispos sobre o tema "Evangelização no
mundo moderno".

Durante o fecundo e longo Pontificado de quase 27 anos, o Papa João Paulo II


convocou 15 Assembleias sinodais, das quais 6 Assembleias Gerais Ordinárias (1980,
1983, 1987, 1990, 1994, 2001); 1 Assembleia Geral Extraordinária (1985) e 8
Assembleias Especiais (1980 para os Países Baixos; 1991, I para a Europa; 1994 para a
África; 1995 para o Líbano; 1997 para a América; 1998 para a Ásia; 1998 para a
Oceânia; 1999, II para a Europa). Além disso, o Papa João Paulo II começou também a
preparação para a XI Assembleia Geral Ordinária do Sínodo dos Bispos, deixando a sua
conclusão em herança ao seu Sucessor, Sua Santidade Bento XVI.

Na celebração da Eucaristia os fiéis, unindo-se ao Senhor Jesus ressuscitado,


ultrapassando os limites do tempo e do espaço e, como membros da comunidade dos
santos, rejubilam também pela glória dos irmãos já admitidos à presença de Deus na
eternidade bem-aventurada ou pela feliz expectativa de quantos se estão a purificar para
poder quanto antes ver o único Santo face a face (cf. 1 Cor 13, 12). Participando neste
grande mistério da celebração do pão e do vinho, em nome de todos os Padres sinodais
agradeço a Deus Uno e Trino a querida Pessoa do Papa João Paulo II e o seu exímio
serviço eclesial em favor do Povo de Deus, desempenhado para maior glória de Deus
Pai, Filho e Espírito Santo. Animados pela graça do Espírito Santo, cremos que o Servo
de Deus João Paulo II do céu intercederá também pelo bom êxito desta Assembleia
sinodal, para que dê aos católicos, aos outros cristãos, aos crentes de religiões não
cristãs assim como a todos os homens de boa vontade, abundantes frutos.

Actividade sinodal do Santo Padre Bento XVI

A sucessão apostólica permite que a Igreja de Jesus Cristo continue a sua missão na
história, transmitindo às novas gerações o depósito da fé, que forma os costumes e
regula a disciplina dos fiéis. Graças aos modernos meios de comunicação social, os
católicos espalhados pelo mundo inteiro, assim como os numerosos fiéis pertencentes às
Igrejas e comunidades cristãs ou a várias denominações religiosas, seguiram com muitas
participação o período excepcional do fim do Pontificado do Papa João Paulo II e do
início do Pontificado do seu sucessor, Bento XVI. Tratou-se de uma graça insigne do
Senhor à sua Igreja, que pôde experimentar, entre outras coisas, a importância das
estruturas colegiais na sucessão apostólica e, em particular, no que diz respeito à eleição
do Pontífice Romano, do colégio cardinalício.

Nesta assembleia, enquanto tenho grande honra de renovar a mais devota saudação ao
Santo Padre Bento XVI, que pela primeira vez cumpre o seu direito inato de convocar e
presidir uma Assembleia sinodal, cumpro o dever bastante agradável de recordar alguns
dados relativos à sua participação nas precedentes assembleias sinodais. Eleito
Arcebispo de Munique e Frisinga a 25 de Março de 1977, Sua Eminência o Senhor
Cardeal Joseph Ratzinger participou em 16 Assembleias sinodais, de 1977 até à
presente XI Assembleia Geral Ordinária. Concretamente, de Arcebispo de Munique e
Frisinga o Cardeal Joseph Ratzinger participou em 2 Assembleias Gerais Ordinárias, de
1977 e de 1980. Durante a segunda, celebrada sobre o tema A família cristã, ele foi o
Relator-Geral. Chamado pelo Papa João Paulo II, a 15 de Fevereiro de 1982, para dirigir
a Congregação para a Doutrina da Fé, Sua Eminência participou em 5 Assembleias
Gerais Ordinárias (1983, 1987, 1990, 1994 e 2001), na Assembleia Geral Extraordinária
de 1985 e em 7 Assembleias Especiais, excepto na assembleia para os Países Baixos de
1980. É necessário recordar que o Card. Joseph Ratzinger foi Presidente Delegado da
Assembleia Geral Ordinária realizada em 1983 sobre o tema A penitência e a
reconciliação na missão da Igreja.

Considerando que cada Assembleia sinodal dura cerca de quatro semanas, é fácil
concluir que o Santo Padre Bento XVI dedicou ao Sínodo dos Bispos cerca de 14
meses, um ano e dois meses, isto é, uma parte significativa dos 54 anos de vida
sacerdotal, dos quais 28 de Bispo. A este dado relativo à presença na assembleia sinodal
é necessário acrescentar a sua participação nos trabalhos dos Conselhos da Secretaria
Geral do Sínodo dos Bispos, visto que o Card. Ratzinger fez parte de 4 Conselhos
Ordinários (1980, 1983, 1987 e 1990) e de 2 Extraordinários (1983 e 1997) da mesma
Secretaria Geral.

IV) NOVIDADE NA METODOLOGIA SINODAL

Graças a esta experiência, o Santo Padre Bento XVI indicou de bom grado algumas
inovações na metodologia sinodal, com a finalidade de favorecer ainda mais a natureza
colegial do Sínodo dos Bispos.

Fazendo sua a iniciativa do Papa João Paulo II, o Santo Padre decidiu levar à conclusão
a celebração da XI Assembleia Geral Ordinária do Sínodo dos Bispos, modificando a
sua data. De facto, a 12 de Maio de 2005 foi tornado público de maneira oficial que o
Sumo Pontífice tinha confirmado a celebração da mencionada assembleia sinodal e o
tema escolhido, estabelecendo que os trabalhos fossem realizados não durante quatro,
mas por três semanas, isto é de 2 a 23 de Outubro corrente. Com esta decisão, Sua
Santidade quis concentrar em maior medida os trabalhos para favorecer ainda mais o
seu aspecto colegial e sinodal. Por esta razão, os trabalhos terão lugar também no
sábado à tarde.

A diminuição do período total da Assembleia sinodal é o resultado de vários factores.


Por um lado, o desejo dos mesmos Padres sinodais de não se ausentarem por muito
tempo das próprias sedes, mesmo se a norma canónica não faz limitação alguma acerca
da ausência dos Bispos da Diocese no caso específico do Sínodo dos Bispos. Por outro
lado, a redução da duração da celebração do Sínodo tem a sua razão, como se verá mais
adiante, na redistribuição dos tempos destinados às diversas actividades sinodais
(Congregações gerais, Círculos menores, etc.), com a finalidade de tornar o
procedimento mais fácil e eficiente.

O modo de proceder está indicado pormenorizadamente no Vademecum que cada


participante recebeu no início da assembleia sinodal. Nele está contida a prática
experimentada nos Sínodos anteriores, que se regula segundo as normas da Carta
Apostólica Apostolica sollicitudo e do Ordo Synodi, promulgados pelo Papa Paulo VI
de v. m., e segundo as sucessivas revisões e acréscimos. Além disso, o Vademecum faz
referência ao Código de Direito Canónico e ao Código dos Cânones das Igrejas
Orientais.

Já se entrevêem algumas novidades do método sinodal pelo Calendário dos trabalhos,


que está inserido no fim do Vademecum. Entretanto, estão previstas 23 Congregações
gerais e 7 sessões dos Círculos menores. Isto foi causado pelas modificações da
metodologia sinodal e da redução do tempo de trabalho. Em relação a isto, permito-me
indicar as inovações mais significativas.

1) Cada Padre sinodal poderá intervir na sala sinodal 6 e não 8 minutos, como era a
prática precedente. Esta redução é devida à diminuição dos trabalhos a três semanas,
permanecendo o número dos participantes invariado, cerca de 250. É supérfluo observar
que os Padres poderão apresentar intervenções escritas mais amplas, que serão objecto
de atenta consideração por parte do Secretário Especial.

2) Além disso, esta diminuição é devida principalmente à introdução durante o debate,


de uma hora de debate livre, das 18 às 19, todos os dias no final das Congregações
Gerais. Trata-se de uma novidade significativa para os participantes e para os
Presidentes Delegados. Eles serão os moderadores dos debates na sala. Os Padres
sinodais, por seu lado, poderão pedir ulteriores informações aos irmãos que já se
tiveram pronunciado na sala, referindo também sobre a situação da própria Igreja
particular. O livre intercâmbio de pareceres e experiências permitirá, espera-se,
aprofundar as questões de maior actualidade, sobretudo de índole pastoral, relativas à
celebração do sacramento da Eucaristia, fonte da unidade e vínculo da comunhão
eclesial.

Não é supérfluo indicar que o livre debate deverá limitar-se ao tema do Sínodo: A
Eucaristia: fonte e ápice da vida e da missão da Igreja. Como resulta do Instrumentum
laboris, trata-se de um assunto bastante rico de aspectos, quer doutrinais quer pastorais,
que merecem ser aprofundados, tendo presente a prática nas respectivas Igrejas
particulares. Portanto, não seria adequado tratar outros temas que, mesmo que sejam
actuais, não estão relacionados com a Assembleia sinodal. A este propósito, os
Presidentes Delegados terão a tarefa de manter o debate dentro dos limites
estabelecidos.

3) Com a finalidade de tornar mais ordenado o debate, os Padres sinodais são


cordialmente convidados a seguir nas suas intervenções a estrutura do Instrumentum
laboris. Como se sabe, este documento compõe-se de 4 partes. Por conseguinte, deseja-
se que o debate comece com os temas da primeira parte, e que continue depois com os
da segunda e da terceira para chegar à última, a quarta parte. Esta ordem de
intervenções exige uma certa disciplina. Cada Padre sinodal deveria já nos primeiros
dias do Sínodo indicar a parte à qual pretende referir-se, dizendo possivelmente o
número do respectivo parágrafo. É provável que este método seja mais fácil para os
Bispos escolhidos pelas Conferências Episcopais com mais de 100 membros, que têm
direito a serem representados por 4 Padres sinodais. Cada um deles poderia escolher
intervir sobre uma parte distinta. É óbvio, não se negam intervenções sobre outros temas
interessantes. Os membros das Conferências Episcopais com menos representantes, dos
Sínodos dos Bispos das Igrejas Orientais Católicas sui iuris, das Congregações da Cúria
Romana e da União dos Superiores-Gerais estão convidados a seguir esta ordem lógica.
Inscrevendo-se quanto antes, eles indicarão o número do Instrumentum laboris ao qual
desejam referir-se ou, eventualmente, a parte do documento. A Secretaria Geral terá isto
em consideração e, quando já não houver mais pedidos de intervenções sobre a primeira
parte, começarão a falar os Padres que se inscreveram para a segunda, e assim por
diante. Contudo, não se recusarão possíveis intervenções avulsas. Será necessário
realçar que este método, previsto no Ordo Synodi, responde às observações críticas de
não poucos Padres, porque, de outra forma, as intervenções durante a primeira fase dos
trabalhos sinodais correm o risco de se afastarem do tema e, portanto, seriam difíceis de
seguir. Além disso, a ordem na exposição deveria favorecer o debate e, portanto, o
aprofundamento dos temas de maior interesse, sobretudo durante a hora do debate livre.

Não é supérfluo recordar que, se um Padre não deseja pronunciar publicamente a sua
intervenção, pode entregar o seu texto escrito à Secretaria Geral, que se encarregará de o
estudar e tomar em condideração igualmente como os outros textos lidos na sala. Na
medida em que diminuírem as intervenções, poder-se-á eventualmente empregar o
tempo disponível para favorecer ulteriormente o debate livre.

4) Considerando o tempo limitado da Assembleia sinodal e do amplo debate na sala,


teve que ser abreviado o número dos encontros dos 13 Círculos menores, organizados
segundo as 6 línguas do Sínodo: latim, francês, inglês, espanhol e alemão. Por isso, os
membros dos Círculos menores são convidados a concentrarem-se principalmente sobre
a elaboração das proposições. Cada proposição, concisa e breve, deveria tratar um só
aspecto. Seria bom evitar as exposições da doutrina tradicional da Igreja. Os Padres
sinodais deveriam formular conselhos destinados a favorecer uma renovação da prática
pastoral da Igreja e a promover a aplicação doutrinal e espiritual do sacramento da
Eucaristia na celebração litúrgica e na vida pessoal, familiar e social dos fiéis.

5) Para encorajar uma maior participação, o Santo Padre Bento XVI aprovou a proposta
de que se aplique à composição da Comissão para a Mensagem quanto está previsto no
Ordo Synodi para as Comissões de estudo (cf. Art. 8 2). Portanto, também a Comissão
para a Mensagem será composta de 12 membros, dos quais 4 de nomeação pontifícia,
incluídos o Presidente e o Vice-Presidente, enquanto que os outros 8 membros serão
eleitos pelos Padres sinodais, tendo em consideração as qualidades desejadas para este
cargo como, por exemplo, as qualidades profissionais e técnicas em matéria e o
conhecimento das línguas. Para garantir uma adequada representação, propõe-se a
escolha de cinco candidatos, um por continente, um representante das Igrejas Orientais
Católicas sui iuris, um da Cúria Romana e um da União dos Superiores-Gerais.
Em relação a isto, é oportuno ter em consideração a recomendação de que os Padres
sinodais chamados a desempenhar um cargo sinodal não assumam qualquer outro cargo
no âmbito do Sínodo. Esta norma tem por finalidade favorecer uma distribuição
equitativa dos encargos entre os membros da Assembleia sinodal.

6) Na XI Assembleia Geral Ordinária é bastante alto o número de Auditores e de


Peritos. A razão principal consiste nas modificações da metodologia sinodal e na
redução da duração do tempo sinodal, que exigem necessariamente um grande
compromisso. Na assembleia sinodal participam 32 Peritos, que seguirão as
intervenções dos Padres e assistirão principalmente o Secretário-Geral no desempenho
das suas tarefas.

Os 27 Auditores, pessoas consagradas, leigos, homens e mulheres, provenientes de


diversas partes do mundo, enriquecerão o debate sinodal com os seus testemunhos sobre
a importância do sacramento da Eucaristia na sua vida pessoal e comunitária, assim
como nas múltiplas actividades sociais, segundo a sua própria espiritualidade.

7) O Sumo Pontífice Bento XVI quis aumentar o número dos Delegados fraternos,
representantes de outras Igrejas cristãs e comunidades eclesiais. São 12 e provêm das
Igrejas Ortodoxas, das Antigas Igrejas do Oriente e das Comunidades derivadas da
Reforma, que têm uma visão do mistério da Eucaristia semelhante à católica. Neste
gesto não é difícil entrever um ulterior sinal de consideração do Sumo Pontífice em
relação ao diálogo ecuménico com as Igrejas e comunidades eclesiais, que crêem no
Senhor Jesus presente na Eucaristia e se esforçam por viver as suas consequências.

8) Como é possível verificar, existem também algumas modificações de ordem técnica


que deveriam favorecer os trabalhos e, por conseguinte, o clima de colegialidade
episcopal e eclesial jubiloso e responsável. Refiro-me à melhoria da iluminação, ao
aperfeiçoamento dos serviços de televídeo; à votação electrónica para questões de
menor alcance, etc. Por esta obra devemos estar gratos ao Senhor Cardeal Edmund
Casimir Szoka, Presidente do Governatorato da Cidade do Vaticano, e também aos
funcionários, que relativamente em breve tempo conseguiram introduzir significativas
inovações técnicas que, espero, beneficiarão todos os participantes.

9) A Divina Providência dispôs que a celebração da XI Assembleia Geral Ordinária


coincidisse com o 40° aniversário da instituição do Sínodo dos Bispos. Uma sessão dos
trabalhos será dedicada à comemoração deste grande acontecimento. Estão previstas
duas conferências principais, uma de índole teológica, e outra de carácter jurídico sobre
a natureza dos Sínodos dos Bispos. Depois, seguir-se-ão breves comunicações sobre os
resultados positivos das Assembleias Especiais do Sínodo dos Bispos. Além das que se
referem aos Sínodos continentais, haverá um relatório sobre os Sínodos para os Países
Baixos e para o Líbano. Em seguida, se o tempo permitir, poder-se-á, através da livre
troca de opiniões, aprofundar alguns temas para procurar melhorar ulteriormente a
metodologia sinodal para o bem da Igreja e da sociedade, nas quais os cristãos vivem e
trabalham.

V) ACTIVIDADE DA SECRETARIA GERAL

A preparação da XI Assembleia Geral Ordinária do Sínodo dos Bispos ocupou grande


parte da actividade da Secretaria Geral do Sínodo dos Bispos nos últimos tempos.
Contudo, ela continuou a desempenhar também outras actividades. Entre elas, permito-
me indicar brevemente as seguintes.

A Secretaria Geral empreendeu o trabalho de actualização do Ordo Synodi, em


conformidade com as normas canónicas, sobretudo com o Código de Direito Canónico
e com o Código dos Cânones das Igrejas Orientais, emanados após a promulgação do
Ordo. Depois desta Assembleia Geral Ordinária esta iniciativa prosseguirá, enriquecida
pela experiência da presente assembleia sinodal com as suas já anunciadas inovações
metodológicas.

Reunião dos Conselhos da Secretaria Geral

A partir da Assembleia Geral Ordinária de Outubro de 2001 a Secretaria Geral do


Sínodo dos Bispos teve várias reuniões com os membros dos Conselhos da mesma.
Trata-se de uma experiência bastante válida para cerca de 100 Bispos, provenientes de
todas as partes do mundo, que através da Secretaria Geral fornecem ao Santo Padre
informações sobre as situações eclesiais e sociais nos respectivos Países, acompanhadas
por conselhos destinados a consolidar a presença da Igreja, favorecer a evangelização,
promover a paz, a reconciliação e a justiça em cada um dos Países ou regiões. Estes
encontros são muito úteis porque não só dão notícias qualificadas sobre a aplicação das
Exortações pós-sinodais mas, num diálogo colegial, permitem partilhar as esperanças e
as preocupações dos irmãos na realização do seu ministério episcopal. Os encontros dos
respectivos Conselhos com o Santo Padre, quando isto é possível, representam
momentos de entendimento comum e de profunda colegialidade episcopal. Os discursos
do Sumo Pontífice pronunciados nessas ocasiões foram de grande conforto não só para
os membros dos Conselhos, mas para todos os Bispos das respectivas Igrejas
particulares, partes vivas da única Igreja Católica, da qual o Bispo de Roma é sinal e
garantia de unidade e de comunhão.

Como já foi dito, o X Conselho Ordinário da Secretaria Geral reuniu-se 8 vezes. Além
disso, foram realizadas as seguintes reuniões dos 6 Conselhos Especiais da Secretaria
Geral.

O Conselho Especial para a Europa reuniu-se 3 vezes, nas seguintes datas: de 21 a 23


de Novembro de 2003, a 6 e a 14 de Maio de 2005.

O Conselho Especial para a Oceânia teve 3 sessões: a 23 de Novembro de 2001, de 28


a 31 de Maio de 2002 e nos dias 18-19 de Fevereiro de 2004.

O Conselho Especial para o Líbano reuniu-se 2 vezes: 22-23 de Maio de 2002 e 16-17
de Março de 2004.

O Conselho Especial para a Ásia realizou 4 reuniões: de 20 a 21 de Novembro de 2001,


de 19 a 21 de Novembro de 2002, de 18 a 19 de Novembro de 2003 e a 18 e 19 de
Novembro de 2004.

O Conselho Especial para a África desempenhou uma actividade intensa, devida


também à preparação da II Assembleia Especial para a África do Sínodo dos Bispos. De
facto, os membros do mencionado Conselho reuniram-se 6 vezes: a 7-8 de Junho de
2001, 11-12 de Junho de 2002, 18-19 de Junho de 2003, 15-16 de Junho de 2004, 24-25
de Fevereiro de 2005 e 21-22 de Junho de 2005.

Como se sabe, a 13 de Novembro de 2004, o Papa João Paulo II expressou a intenção de


convocar a II Assembleia Especial para a África do Sínodo dos Bispos. O Santo Padre
Bento XVI fez sua esta vontade. No discurso de 22 de Junho de 2005, confirmando a
decisão do seu Predecessor, ele esclareceu: "desejo anunciar a minha intenção de
convocar a II Assembleia Especial para a África do Sínodo dos Bispos". Ao mesmo
tempo, Sua Santidade especificou a finalidade dessa reunião colegial: "Tenho grande
esperança de que esta Assembleia dê um ulterior estímulo no continente africano à
evangelização, à consolidação e ao crescimento da Igreja e à promoção da reconciliação
e da paz".

Actualmente o Conselho Especial para a África da Secretaria Geral, com a ajuda de


alguns peritos, está a preparar os Lineamenta da mencionada assembleia sinodal que
serão publicados no momento devido, com a aprovação do Santo Padre. Todos os fiéis,
sobretudo os participantes na XI Assembleia Geral Ordinária são convidados a rezar
para que a II Assembleia Especial para a África do Sínodo dos Bispos fortaleça a
presença da Igreja em toda a África, dê um novo dinamisno à evangelização e à
promoção humana e os filhos da Igreja se tornem sempre mais fautores da
reconciliação, da paz e da justiça no grande continente africano.
VI) CONCLUSÃO

"Desejei ardentemente comer esta Páscoa convosco" (Lc 22, 15). A palavra do Senhor
ressoa na Igreja desde há dois mil anos e reúne em volta da mesa eucarística os cristãos,
homens e mulheres, membros do Povo de Deus, que, alimentando-se do pão que desceu
do céu, recebem a vida em abundância (cf. Jo 10, 10).

Por conseguinte, na Eucaristia manifesta-se um caminho em dupla direcção. Em Jesus


Cristo, morto e ressuscitado, o próprio Deus vem ao encontro do homem redimido,
purifica-o dos seus pecados, alimenta-o com o pão verdadeiro, o que dá vida ao mundo
(cf. Jo 6, 33), acompanhando-o durante a peregrinação terrena rumo à pátria celeste.
Neste percurso descendente do Senhor Jesus, correspondo o percurso ascendente do
homem que no fundo anseia por encontrar Deus, porque é criado à sua imagem (cf. Gn
1, 27). Não obstante as várias hesitações e possíveis dispersões, relacionadas com o dom
da liberdade, no encontro com Deus o homem encontra-se a si mesmo, o sentido da sua
existência e a meta do seu destino eterno, que consiste na visão beatífica. Na Eucaristia
realiza-se então o encontro entre Deus e o homem. Ela é a forma por excelência da
presença de Deus no sacramento da humanidade glorificada de Jesus Cristo, o qual se
oferece como alimento e bebida em cada celebração eucarística. Ao mesmo tempo,
recebendo a Eucaristia, o homem obtém do Senhor Jesus a graça que transforma a sua
vida. Neste sublime sacramento encontra a verdade acerca de Deus e da própria
existência e do mundo criado, a força para permanecer fiel à vocação cristã no meio das
tentações do mundo, o fervor da caridade para ser testemunha do amor de Deus
sobretudo em relação aos pobres e aos pequeninos (cf. Mt 25, 31-44). Alimentando-se à
mesa do Senhor, o fiel está chamado a pôr em prática na vida de cada dia o ensinamento
do Mestre, o qual veio "não para ser servido, mas para servir e dar a sua vida em resgate
por muitos" (Mt 20, 28).

O ícone desta atitude é o lava-pés (cf. Jo 13, 1-15). Esta atitude de serviço eucarístico é
perceptível de modo particular na vida dos Santos que alcançaram em grau excelente a
perfeição da vocação cristã, graças ao sublime sacramento da Eucaristia que estava no
centro da sua vida. Eles oferecem-nos um exemplo sempre actual da espiritualidade
eucarística como caminho privilegiado rumo à perfeição cristã. Além disso, intercedem
continuamente por nós, para que, comungando o Corpo e o Sangue de Jesus Cristo, nos
tornemos cada vez mais aquilo que por graça já somos: filhos de Deus, membros da
Igreja, isto é, Corpo místico de Jesus Cristo (cf. Cl 1, 18).

Entre os Santos ocupa um lugar particular a Bem-Aventurada Virgem Maria, "Mulher


Eucarística" (cf. EE 53). Ela precede a grande multidão dos beatos e dos santos
reconhecidos pela Igreja, dos quais alguns são recordados no n.76 do Instrumentum
laboris. A eles é preciso juntar uma enorme multidão, de todas as nações, raças, povos e
línguas (cf. Ap 7, 9), cuja santidade só é conhecida aos olhos de Deus. Entre eles,
levados pelas asas da fé, ousamos esperar que se encontre também o Papa João Paulo II
e tantos outros Bispos, que durante a vida terrena desempenharam admiravelmente
serviços à Igreja promovendo, em particular, a colegialidade episcopal. Entre eles, o
Cardeal Jan Pieter Schotte pode ser indicado como exemplo de servo fiel da Igreja e do
Santo Padre, cuja pessoa recomendamos à misericórdia de Deus bom e clemente.

Neste Ano da Eucaristia, toda a Igreja acompanha com a oração a celebração do Sínodo
dos Bispos. Como no início da Igreja para São Pedro Apóstolo (cf. Act 12, 5), assim
agora a oração particular se eleva incessantemente a Deus pelo Santo Padre Bento XVI,
no início do seu Pontificado, neste alvorecer do Terceiro Milénio do cristianismo. Os
fiéis, gratos a Deus Omnipotente pela sua eleição à Sé de Roma, invocam sobre ele a
abundância dos dons do Espírito Santo, para que, perscrutando os sinais dos tempos,
possa guiar a barca de Pedro (cf. Jo 21, 11) para o porto tranquilo, não receando
eventuais tormentas e tempestades, mas confiando-se ao Senhor Jesus Cristo, o único
capaz de as aplacar (cf. Mt 8, 23-27).

Depois, esta oração coral inclui os sucessores dos apóstolos, os Bispos, chamados a
participar na solicitude pela Igreja universal pelo Bispo de Roma e Chefe do colégio
episcopal. Portanto, a oração acompanha os trabalhos da XI Assembleia Geral Ordinária
do Sínodo dos Bispos. Sob a guia do Espírito do Senhor ressuscitado, a presente
assembleia sinodal continue a ser de grande ajuda para o Ministério do Sumo Pontífice e
dos Bispos, na colegialidade e na comunhão hierárquica. O serviço eclesial do Sínodo
dos Bispos torna-se precioso sobretudo enquanto procura aprofundar as aplicações
pastorais da fé no sacramento da Eucaristia, que representa, desde há dois mil anos, a
fonte da vida da Igreja e a razão da sua missão no mundo. Unindo-se à intercessão da
Igreja do céu, o Povo de Deus súplica ao Senhor, para que seja dado um novo impulso à
celebração do sublime mistério do pão da vida (cf. Jo 6, 35) e do cálice da nova aliança
(cf. Lc 22, 20), seja suscitado um renovado amor pela adoração do Santíssimo
Sacramento e seja reavivada a criatividade da caridade fraterna, considerando as
grandes expectativas do homem contemporâneo e das crescentes necessidades do nosso
mundo.

Obrigado pela escuta paciente. Bom trabalho em nome do Senhor.

NOTAS

[1] Não chegaram à Secretaria Geral do Sínodo dos Bispos respostas do Sínodo da
Igreja Sírio-Malabar, do Patriarcado de Antioquia dos Maronitas e do Conselho da
Igreja Etíope.

[2] A Secretaria Geral do Sínodo dos Bispos não recebeu respostas das Conferências
Episcopais de: Gabão, Irão, Laos e Camboja, Namíbia, Pacífico e Turquia.