Você está na página 1de 48

FISIOLOGIA DO EXERCÍCIO: NUTRIÇÃO E DIETÉTICA 1

Coordenação de
Ensino FAMART

www.famart.edu.br | atendimento@famart.edu.br | +55 (37) 3241-2864 | Grupo Famart de Educação


FISIOLOGIA DO EXERCÍCIO: NUTRIÇÃO E DIETÉTICA 2

FISIOLOGIA DO EXERCÍCIO:

NUTRIÇÃO E DIETÉTICA

www.famart.edu.br | atendimento@famart.edu.br | +55 (37) 3241-2864 | Grupo Famart de Educação


FISIOLOGIA DO EXERCÍCIO: NUTRIÇÃO E DIETÉTICA 3

SUMÁRIO

INTRODUÇÃO ............................................................................................................4
A PSICOLOGIA DO DESENVOLVIMENTO HUMANO ...............................................5
Definindo Desenvolvimento .........................................................................................6
Os princípios básicos do desenvolvimento humano....................................................8
As multidimensões do desenvolvimento humano...................................................... 11
Algumas contribuições teóricas ................................................................................. 11
Sigmund Freud (1856-1939) ..................................................................................... 11
Jean Piaget (1896-1980) ........................................................................................... 12
Henri Wallon (1879-1962) ......................................................................................... 18
Albert Bandura (1925-presente) ................................................................................ 22
Urie Bronfenbrenner (1917-2005) ............................................................................. 23
Arnold Gesell (1880-1961) ........................................................................................ 23
A FISIOLOGIA DO DESENVOLVIMENTO HUMANO ............................................... 24
Áreas de estudo da fisiologia humana ...................................................................... 26
A fisiologia do exercício ............................................................................................. 28
A questão da obesidade ............................................................................................ 29
Técnicas de avaliação da gordura corporal ............................................................... 33
O sedentarismo ......................................................................................................... 35
Tratar a obesidade – a prevenção através da educação física ................................. 36
As recomendações do OMS...................................................................................... 37
O DESENVOLVIMENTO HUMANO NA ÓTICA DA BIOECOLOGIA – UMA ÁREA
EM CONSTRUÇÃO .................................................................................................. 39
Os processos proximais ............................................................................................ 41
Representação do modelo ecológico ........................................................................ 43
Curso de vida ............................................................................................................ 44
Momento histórico ..................................................................................................... 44
O Tempo ................................................................................................................... 44
Psicofisiologia - Lobos Cerebrais .............................................................................. 44
REFERÊNCIAS ......................................................................................................... 46

www.famart.edu.br | atendimento@famart.edu.br | +55 (37) 3241-2864 | Grupo Famart de Educação


FISIOLOGIA DO EXERCÍCIO: NUTRIÇÃO E DIETÉTICA 4

INTRODUÇÃO

Para discutirmos a psicofisiologia e sua importância para esse curso de


especialização em Educação Física Escolar, precisamos fazer uma pequena
retrospectiva histórica que começa com o surgimento da Psicologia.
O passo inicial é dado quando Wilhelm Wundt estabelece em 1879, o primeiro
laboratório psicológico, estudando as sensações e as percepções. No entanto, seu
método de estudo era o da introspecção e por isso, muito subjetivo. Na esteira dos
acontecimentos, o behaviorismo1, principalmente por parte de Pavlov, começa a
estabelecer as correlações entre funções psíquicas e atividades cerebrais (MOTTA,
2008).
A psicofisiologia não trata somente de psicologia e fisiologia. Ao contrário, ela
agrega biologia, anatomia, fisiologia, química e psicologia, ou seja, ela representa a
junção de todas as abordagens de base biológica do comportamento.
Conceitualmente Psicofisiologia é o ramo da psicologia que estuda as
relações mentais e as funções físicas, procurando o entendimento da relação corpo
mente e dos processos psíquicos com os fisiológicos. Isso quer dizer que para
compreendermos o funcionamento do nosso organismo, precisamos levar em conta
todas as interdependências com o ambiente e considerar os subsistemas que o
organismo integra (sistema nervoso, endócrino, dentre outros) (MOTTA, 2008).
Desde sempre a importância da estrutura biológica do nosso comportamento
explica e justifica as relações interdisciplinares entre a fisiologia e a
psicologia. É da interseção destas duas áreas ou vertentes do saber que surge a
psicofisiologia para esclarecer os fundamentos biológicos do comportamento.
Essas pontuações nos levam a considerar a importância do ambiente como
influenciador do desenvolvimento humano, pois de acordo com a teoria da evolução,
sabemos que a seleção natural acaba sendo uma resposta às pressões do meio
ambiente, ou seja, o homem é concebido como uma interação complexa entre
as influências do meio e a estruturas biológicas (aptidões e limitações biológicas
geneticamente determinadas).
Resumidamente, a psicofisiologia estuda como nosso organismo funciona
normalmente e como se altera diante das emoções.

www.famart.edu.br | atendimento@famart.edu.br | +55 (37) 3241-2864 | Grupo Famart de Educação


FISIOLOGIA DO EXERCÍCIO: NUTRIÇÃO E DIETÉTICA 5

Em relação a educação física e aos esportes, a psicofisiologia vem ganhando


importância, principalmente nos últimos 10 anos, a partir da necessidade de
entender os processos psicológicos e fisiológicos.
Esta apostila vem discutir a importância, os fatores e aspectos do
desenvolvimento humano dentro das dimensões biológica, subjetiva e
cognitiva. Apresenta também as contribuições de estudiosos como Freud,
Piaget, Wallon, Vigotsky, e mais recentemente Bandura, Bronfenbrenner e
Gesell.
A questão da obesidade infantil, sua etiologia, o sedentarismo, as práticas
alimentares, a nutrição na escola e a prevenção através da educação física também
são temas expostos ao longo da apostila, mostrando que o profissional da
educação física tem muito a contribuir com o desenvolvimento
psicobiológico saudável dos alunos.
Uma área recente e ainda em construção do desenvolvimento humano, a
bioecologia é outro tema que será abordado ao final, que nos levará a perceber a
importância do meio ambiente no desenvolvimento humano.

A PSICOLOGIA DO DESENVOLVIMENTO HUMANO

A psicologia é considerada uma ciência tanto das áreas sociais, ou humanas


como da área de biomédicas, portanto, que estuda muito mais do que o
comportamento humano. O cérebro é a principal parte do corpo humano que é
objeto de estudo da psicologia.
É uma ciência que pode ser estudada tanto em métodos quantitativos como
em métodos qualitativos, aplicado em estudo dos processos psíquicos, geradores de
comportamentos e vice-versa. Outro método para se chegar aos processos
conscientes utilizado é a introspecção (www.wikipedia.com.br, 2008).
Dentre os processos psíquicos e comportamentais estudados pela psicologia
encontramos a personalidade, a aprendizagem, a motivação, memória,
desenvolvimento, comportamento em grupo, processos psicoterapêuticos.
A psicologia do desenvolvimento humano estuda exatamente
o desenvolvimento humano (que representa tanto o desenvolvimento mental quanto

www.famart.edu.br | atendimento@famart.edu.br | +55 (37) 3241-2864 | Grupo Famart de Educação


FISIOLOGIA DO EXERCÍCIO: NUTRIÇÃO E DIETÉTICA 6

o crescimento orgânico) em todos os seus aspectos, ou seja, físico- motor,


intelectual, afetivo, emocional e social, desde o nascimento até a idade adulta.

Definindo Desenvolvimento

Desenvolvimento são mudanças que ocorrem na pessoa ao longo do tempo,


de maneira ordenada e relativamente duradoura, e afetam as estruturas físicas e
neurológicas, os processos de pensamento, as emoções, as formas de interação
social e muitos outros comportamentos (MARTURANO, 2008, p. 1).
O desenvolvimento compreende um conjunto de tarefas relevantes para cada
estágio no ciclo da vida, definidas de acordo com os contextos culturais em que o
indivíduo se desenvolve. Entretanto, uma vez cumpridas, as tarefas não perdem
importância. Embora a saliência dessas tarefas possa declinar diminuir em relação
a questões que vão emergindo, as tarefas permanecem importantes para a
adaptação ao longo do tempo. A resolução bem sucedida de uma questão saliente
em um estágio precoce do desenvolvimento aumenta a probabilidade de
ajustamento bem sucedido em etapas posteriores. À medida que cada nova tarefa
relevante para o desenvolvimento em um determinado estágio assume posição
central, surgem oportunidades para crescimento e consolidação, tanto quanto
desafios associados com novas vulnerabilidades (MARTURANO, 2008, p.7).
Nesse contexto, a noção corrente de tarefa de desenvolvimento implica em
um conjunto de critérios, alguns universais, outros específicos de determinada
cultura ou momento histórico, através dos quais se avalia a competência do
indivíduo no enfrentamento dos desafios psicossociais típicos de cada etapa.
Pressupõe-se que o grau de sucesso no cumprimento das tarefas em uma dada
etapa afeta o desenvolvimento em etapas posteriores, de modo que a competência
individual em um dado momento da vida decorre do interjogo entre condições
internas e externas, passadas e presentes (MARTURANO, 2008).
A competência é vista como a habilidade de usar com sucesso
recursos internos e externos para resolver questões que são proeminentes no
estágio de desenvolvimento em que o indivíduo se encontra. A competência pode
ser definida com atributos adaptativos, cognitivos, emocionais, comportamentais e
sociais, complementados pelas crenças e expectativas da pessoa sobre sua

www.famart.edu.br | atendimento@famart.edu.br | +55 (37) 3241-2864 | Grupo Famart de Educação


FISIOLOGIA DO EXERCÍCIO: NUTRIÇÃO E DIETÉTICA 7

possibilidade de ter acesso a esses atributos e sua habilidade para


implementá-los. Trata-se de um conceito fundamentado em uma perspectiva de
desenvolvimento, segundo a qual o desenvolvimento ótimo consistiria em um
processo contínuo de reorganização e integração ativa, pelo indivíduo, das diversas
competências adquiridas ao longo da vida (MARTURANO, 2008, p.8).
A competência para resolver questões em um período de desenvolvimento
não prediz necessariamente a competência posterior; em vez disso, pensa-se que a
competência em um período torna o indivíduo, em sentido amplo, adaptado ao
ambiente e preparado para desenvolver competência no período seguinte. Os
contextos onde o indivíduo se desenvolve podem contribuir tanto para a
competência, em maior ou menor grau, como para a vulnerabilidade aos riscos,
tanto aqueles inerentes a cada etapa do ciclo da vida, como os decorrentes de
circunstâncias de vida adversas ao desenvolvimento (MARTURANO, 2008).
Enfim, Marturano (2008) resume em três os motivos pelos quais estudamos o
desenvolvimento humano:
 Compreender mudanças universais (compartilhadas);
 Explicar a continuidade na pessoa (diferenças individuais);

Entender como a pessoa em desenvolvimento é influenciada pelo ambiente. A


importância, os fatores e os aspectos do desenvolvimento humano.
A importância do estudo do desenvolvimento humano reside no fato de que o
ser humano percebe e se comporta de maneira própria diante do mundo, de acordo
com a faixa etária e se faz necessário estudar tais comportamentos e conhecer o
sujeito por dois motivos principais, quando se trata de indivíduo em idade escolar:
saber o que planejar e como ensinar esse aluno.
Alguns fatores que influenciam o desenvolvimento são:
1. A hereditariedade: a carga genética estabelece o potencial do indivíduo,
que pode ou não desenvolver-se. A inteligência pode desenvolver-se de acordo com
as condições do meio em que se encontra;
2. Crescimento orgânico: refere-se ao aspecto físico;
3. Maturação neurofisiológica: é o que torna possível determinado padrão de
comportamento;
4. Meio: o conjunto de influências e estimulações ambientais altera os
padrões de comportamento do indivíduo (MEDKE, 2008).

www.famart.edu.br | atendimento@famart.edu.br | +55 (37) 3241-2864 | Grupo Famart de Educação


FISIOLOGIA DO EXERCÍCIO: NUTRIÇÃO E DIETÉTICA 8

Os aspectos estudados pela psicologia do desenvolvimento humano são:


 Aspecto físico-motor – refere-se ao crescimento orgânico, à
maturação neurofisiológica. Ex.: A criança que leva a chupeta à boca.
 Aspecto intelectual – é a capacidade de pensamento, raciocínio. Ex.: A
criança de dois anos que usa um cabo de vassoura para puxar um brinquedo que
está em baixo de um móvel.
 Aspecto afetivo-emocional – é o modo particular de o indivíduo integrar
as suas experiências. A sexualidade faz parte desse aspecto. Ex.: A vergonha que
sentimos em algumas situações.
 Aspecto social – é a maneira como o indivíduo reage diante
das situações que envolvem outras pessoas. Ex.: Quando em um grupo há uma
criança que permanece sozinha.
Como diz Medke (2008) não é possível encontrar um exemplo puro, porque
todos estes aspectos relacionam-se permanentemente.

Os princípios básicos do desenvolvimento humano

Os princípios básicos do desenvolvimento no ciclo de vida humana podem ser


assim distinguidos:
 Causalidade múltipla: Como o desenvolvimento tem uma variedade
de causas, ver o comportamento somente do ponto de vista da psicologia seria
incompleto. O estudo do desenvolvimento humano requer a parceria de estudiosos
de diversos campos. Por exemplo, como podemos compreender inteiramente o
impacto psicológico da menopausa sem conhecer as mudanças biológicas que
ocorrem no corpo da mulher ou o modo como as diferentes culturas consideram esta
transição?
 Auto-organização: O processo de desenvolvimento é caracterizado
por uma integração hierárquica de sistemas de comportamento, através da qual as
estruturas mais antigas são incorporadas a estruturas mais recentes, sob
formas cada vez mais complexas. O indivíduo participa ativamente deste processo,
trazendo para as novas experiências as atitudes, expectativas e sentimentos
derivados de uma história de interações que influenciam a maneira como as pistas e
os estímulos ambientais são interpretados e organizados. O desenvolvimento ótimo

www.famart.edu.br | atendimento@famart.edu.br | +55 (37) 3241-2864 | Grupo Famart de Educação


FISIOLOGIA DO EXERCÍCIO: NUTRIÇÃO E DIETÉTICA 9

consistiria em um contínuo de reorganização e integração ativa, pelo indivíduo, das


diversas competências adquiridas ao longo da vida.
 Plasticidade: Muitas habilidades podem ser
significativamente modificadas com treinamento e prática, mesmo tarde na vida, mas
o potencial para mudança não é ilimitado.
 Influências transacionais: Cada pessoa se desenvolve dentro de
um conjunto específico de circunstâncias ou condições definidas pelo tempo e
lugar. Durante o curso de desenvolvimento, os seres humanos influenciam e são
influenciados por seu contexto histórico e social. Eles não apenas respondem a seu
ambiente, mas interagem com ele e o modificam.
 Multidirecionalidade: O desenvolvimento durante a vida envolve um
equilíbrio entre crescimento e declínio. À medida que as pessoas ganham
numa área, podem perder em outra, e em taxas variáveis. As crianças crescem
principalmente em uma direção - para cima, tanto em tamanho quanto em
habilidades. Na idade adulta, o equilíbrio muda gradativamente. Algumas
habilidades, tais como o vocabulário, continuam a crescer; outras, como a
capacidade de resolver problemas desconhecidos, normalmente diminuem; e alguns
novos atributos, como a sabedoria, podem aparecer (MARTURANO, 2008, p.5).

As principais etapas do desenvolvimento humano acontecem em ciclos ou


etapas que são assim divididos por Marturano (2008):
 Primeira infância – de zero a três anos;
 Segunda infância – de três a seis anos;
 Meninice – de seis a doze anos;
 Adolescência – dos doze aos vinte anos;
 Adulto jovem – de 20 a 40 anos;
 Meia-idade – 40 a 65 anos;
 Velhice – a partir dos 65 anos.

Embora esta apostila priorize a idade escolar, achamos interessante


expor, mesmo que sucintamente, os principais marcos, as tarefas desenvolvimentais
e o contexto social relevante aos períodos de vida enumerados acima.

www.famart.edu.br | atendimento@famart.edu.br | +55 (37) 3241-2864 | Grupo Famart de Educação


FISIOLOGIA DO EXERCÍCIO: NUTRIÇÃO E DIETÉTICA 10

PERÍODO DA VIDA MARCOS E TAREFAS CONTEXTOS SOCIAIS


DESENVOLVIMENTAIS RELEVANTES
Infância Adquirir habilidades de
linguagem;
Desenvolver controle de
impulso.

Meninice Entrar na escola;


Aprender a ler e escrever;
Desenvolver habilidades

Escola
sociais;
Entrar na puberdade.

Grupo de pares
Adolescência Namorar;

Família de origem
Desenvolver independência; Sair

Parceiro
(a)
de casa;
Escolher uma profissão; Estudar
na universidade.
Início da vida adulta Casar-se; Ter filhos;
Criar filhos pequenos e em

Trabalho
idade escolar.

Família de procriação
Maturidade Criar filhos adolescentes; Afirmar-
se profissionalmente; Filhos
Escola dos filhos

Grupo de pares

deixam o lar;
Filhos se casam;
Cuidar de um progenitor enfermo;
Torna-se avó ou avô.

Velhice Aposentar-se;
pós-
Grupo de pares

Lidar com enfermidades; Cuidar


parental

do cônjuge enfermo; Lidar com a


Família

morte do cônjuge;
Lidar com a morte de amigos.

Fonte: Adaptado de Marturano (2008).

www.famart.edu.br | atendimento@famart.edu.br | +55 (37) 3241-2864 | Grupo Famart de Educação


FISIOLOGIA DO EXERCÍCIO: NUTRIÇÃO E DIETÉTICA 11

As multidimensões do desenvolvimento humano

Dentre as dimensões do desenvolvimento humano temos a dimensão


biológica que diz respeito ao organismo, a hereditariedade, ao ambiente e ao
desenvolvimento motor. Ocorrem mudanças no corpo, na capacidade sensorial e
nas habilidades motoras.
A dimensão subjetiva ou também chamada de psicossocial está voltada para
as mudanças nos relacionamentos com os outros e no modo de a pessoa
sentir, reagir e se comportar. Diz respeito ao desenvolvimento psicossexual e social
e ao desenvolvimento da linguagem.
A dimensão cognitiva se relaciona com o desenvolvimento cognitivo e moral,
quando ocorrem mudanças na capacidade mental, raciocínio, memória e
aprendizagem.

Algumas contribuições teóricas

Várias teorias foram e ainda são elaboradas com o objetivo de reconstituir, a


partir de diferentes metodologias e pontos de vista, as condições de produção da
representação do mundo e de suas vinculações com as visões de mundo e de
homens dominantes em cada momento histórico da sociedade (TERRA, 2008).
Dentre elas, escolhemos as enumeradas abaixo, não somente por serem de
estudiosos renomados, mas por entender que foram as teorias que mais
contribuições trouxeram para o entendimento do desenvolvimento humano.

Sigmund Freud (1856-1939)

À sua época, inovou em dois campos, desenvolvendo uma teoria da mente e


da conduta humana e uma técnica terapêutica para ajudar pessoas afetadas
psiquicamente. Seu novo e radical modelo da mente humana alterou a forma como
pensamos sobre nós próprios, a nossa linguagem e a nossa cultura. A sua
descrição da mente enfatiza o papel fundamental do inconsciente na psique
humana e apresenta o comportamento humano como resultado de um jogo e de
uma interação de energias.

www.famart.edu.br | atendimento@famart.edu.br | +55 (37) 3241-2864 | Grupo Famart de Educação


FISIOLOGIA DO EXERCÍCIO: NUTRIÇÃO E DIETÉTICA 12

Freud contribuiu para a eliminação da tradicional oposição básica entre


sanidade e loucura ao colocar a normalidade num continuum e procurou
compreender o funcionamento do psiquismo normal através da gênesis e da
evolução das doenças psíquicas (ALMADA, 2008).
Estudou o desenvolvimento psíquico da pessoa a partir do estágio
indiferenciado do recém-nascido até a formação da personalidade do adulto.
Para ele muitos dos problemas psicopatológicos da idade adulta de que trata
a Psicanálise têm as suas raízes, as suas causas, nas primeiras fases ou
estágios do desenvolvimento.
Na perspectiva freudiana, a “construção” do sujeito, da sua personalidade,
não se processa em termos objetivos (de conhecimento), mas em termos objetais e
tal objeto é um objeto libidinal, de prazer ou desprazer, gratificante ou não
gratificante, positivo ou negativo (ALMADA, 2008).
O conceito de desenvolvimento da personalidade ocorre em sete fases: oral,
anal, fálica, latência, adolescência, maturidade e velhice. Ele afirma que em cada
fase, a pessoa deve aprender a resolver certos problemas específicos, originados do
próprio crescimento físico e da interação com o meio. A solução dos diferentes
problemas, que em grande parte depende do tipo de sociedade ou cultura, resulta
na passagem de uma fase para a outra e na formação do tipo peculiar de
personalidade. No decorrer das fases, o indivíduo expressa seus impulsos e suas
necessidades básicas dentro de moldes que visam a continuação da cultura
(D`ANDRÉA, 2001).
Embora não encontremos em Freud as respostas que buscamos para
entender o desenvolvimento humano, a sua teoria sobre o desenvolvimento da
personalidade atribui uma nova importância às necessidades da criança em diversas
fases do desenvolvimento e sobre as consequências da negligência dessas
necessidades para a formação da personalidade, levando outros nomes a
estudarem profundamente o assunto.

Jean Piaget (1896-1980)

Piaget foi um dos investigadores mais influentes do século 20 na área da


psicologia do desenvolvimento. Ele acreditava que o que distingue o ser

www.famart.edu.br | atendimento@famart.edu.br | +55 (37) 3241-2864 | Grupo Famart de Educação


FISIOLOGIA DO EXERCÍCIO: NUTRIÇÃO E DIETÉTICA 13

humano dos outros animais é a sua capacidade de ter um pensamento


simbólico e abstrato. Acreditava também que a maturação biológica estabelece as
pré-condições para o desenvolvimento cognitivo. As mudanças mais significativas
são mudanças qualitativas (em gênero) e não quantitativas (em quantidade).
Na sua teoria existem dois aspectos principais: o processo de conhecer e os
estágios/etapas pelos quais nós passamos à medida que adquirimos essa
habilidade.
Como biólogo, Piaget estava interessado em como é que um organismo se
adapta ao seu ambiente (ele descreveu esta capacidade como inteligência) - O
comportamento é controlado através de organizações mentais denominadas
“esquemas”, que o indivíduo utiliza para representar o mundo e para designar as
ações (ALMADA, 2008).
Até o início do século XX assumia-se que as crianças pensavam
e raciocinavam da mesma maneira que os adultos. A crença da maior parte das
sociedades era a de que qualquer diferença entre os processos cognitivos
entre crianças e adultos era, sobretudo de grau: os adultos eram superiores
mentalmente, do mesmo modo que eram fisicamente maiores, mas os processos
cognitivos básicos eram os mesmos ao longo da vida (ZACHARIAS, 2007).
Mas, a partir da observação cuidadosa de seus próprios filhos e de muitas
outras crianças, concluiu que em muitas questões cruciais as crianças não pensam
como os adultos. Por ainda lhes faltarem certas habilidades, a maneira de pensar é
diferente, não somente em grau, como em classe (ZACHARIAS, 2007).
A teoria de Piaget, do desenvolvimento cognitivo é uma teoria de etapas, uma
teoria que pressupõe que os seres humanos passam por uma série de mudanças
ordenadas e previsíveis (ZACHARIAS, 2007).
Assim, na transformação da lógica infantil para adulta, o
desenvolvimento ocorre num processo contínuo de trocas entre o organismo vivo e o
meio ambiente.
Ele divide os períodos do desenvolvimento de acordo com o aparecimento de
novas qualidades do pensamento. Neste período, o que de mais importante
acontece é o aparecimento da linguagem (MEDKE, 2008).
Como decorrência do aparecimento da linguagem, o desenvolvimento do
pensamento se acelera, a interação e a comunicação entre os indivíduos são as
consequências mais evidentes da linguagem. Um dos mais relevantes é o respeito

www.famart.edu.br | atendimento@famart.edu.br | +55 (37) 3241-2864 | Grupo Famart de Educação


FISIOLOGIA DO EXERCÍCIO: NUTRIÇÃO E DIETÉTICA 14

que a criança nutre pelos indivíduos que julga superiores a ela. Neste período, a
maturação neurofisiológica completa-se, permitindo o desenvolvimento de novas
habilidades, como a coordenação motora fina – pegar pequenos objetos com
as pontas dos dedos, segurar o lapis corretamente e conseguir fazer os
delicados movimentos exigidos pela escrita (MEDKE, 2008).
A teoria de Piaget, interacionista, contrapõe-se às correntes que permeiam a
Psicologia em geral (objetivismo e subjetivismo2) e baseia-se no esquema cognitivo.
Assimilação, acomodação e equilibração são os processos responsáveis pelas
transformações nos esquemas.
Os esquemas são estruturas cognitivas pelas quais os indivíduos
intelectualmente se adaptam ao meio. A capacidade humana para organizar
mentalmente a experiência torna o pensamento mais adaptado ao ambiente, à
medida que se torna mais organizado. Esses esquemas organizam os eventos como
eles são percebidos pelo indivíduo, classificando-os em grupos, de acordo com
características comuns e, por fim, o comportamento que expressa um esquema é
uma sequencia de ações que pode ser generalizada em situação semelhante
(MARTURANO, 2008).
Sobre o alicerce da teoria piagetiana, esta é a noção de equilíbrio, consistente
em que todo organismo vivo tenta se adaptar ao meio, para superar as perturbações
constantes. A este processo dinâmico e constante chamamos equilíbrio majorante.
Piaget acreditava que a constante necessidade de equilibrar o ser ao meio é
que desenvolve o conhecimento do indivíduo.
A cada desequilíbrio, necessita-se alcançar o equilíbrio e isso se faz pela
assimilação e pela acomodação.
1º. Assimilação - Na assimilação, o organismo, sem alterar suas estruturas
desenvolve ações destinadas a atribuir significações a partir de sua experiência
anterior, ou seja, aos elementos do meio, com os quais interage isto é:
 processo cognitivo pelo qual uma pessoa integra um novo dado
perceptivo, motor ou conceitual nos esquemas já existentes;
 estímulos são “forçados” a se ajustarem aos esquemas da pessoa;
 não resulta em mudança nos esquemas, mas em sua ampliação
e diferenciação;
 processo ativo e seletivo; modifica a informação assimilada para que
ela fique compatível com o esquema.

www.famart.edu.br | atendimento@famart.edu.br | +55 (37) 3241-2864 | Grupo Famart de Educação


FISIOLOGIA DO EXERCÍCIO: NUTRIÇÃO E DIETÉTICA 15

2º. Acomodação - o organismo é compelido a se modificar, a se transformar


para se ajustar as demandas impostas pelo meio ambientes, ou seja:
 criação de novos esquemas ou modificação de esquemas existentes
para atender a novas exigências do ambiente;
 ocorre quando as qualidades do ambiente não se ajustam bem;
 Processos responsáveis pelas transformações dos esquemas
aos esquemas existentes;
 resulta sempre em mudança na estrutura cognitiva;
 pessoa é forçada a mudar seu esquema para acomodar
novos estímulos.

3º. Equilibração:
 Tendência de todo indivíduo em desenvolvimento, de esforçar-se
para atingir um equilíbrio entre os elementos cognitivos internos e entre eles e o
mundo externo;
 Processos responsáveis pelas transformações dos esquemas;
 Processo autorregulador que garante o equilíbrio entre assimilação
e acomodação, necessário para uma eficiente interação da criança com o ambiente;
 processo de equilibração é acionado sempre que ocorre um conflito
cognitivo (quando uma hipótese da criança não é confirmada pela experiência, ou
quando duas crianças têm explicações diferentes para o mesmo fenômeno)
(MARTURANO, 2008).

O desenvolvimento cognitivo visto como um processo de equilibrações


sucessivas, passa por quatro fases distintas:
 A sensório-motora (até dois anos);
 A pré-operatória (de 2 a 7 anos);
 A operatório-concreta (de 7 a 13 anos);
 A operatório-formal (de 13 anos até a fase adulta).

1- Fase Sensório-motora - a criança está presa ao aqui e agora da situação,


pois, baseia-se exclusivamente em percepções sensoriais e em esquemas motores
para resolver seus problemas. Embora tenha conduta inteligente, não dispõe da
capacidade de representar eventos, de evocar o passado ou referir- se ao futuro. A

www.famart.edu.br | atendimento@famart.edu.br | +55 (37) 3241-2864 | Grupo Famart de Educação


FISIOLOGIA DO EXERCÍCIO: NUTRIÇÃO E DIETÉTICA 16

criança pega, balança, joga, bate, morde objetos como forma de experimentação e
definição pré-lógica, conceituando o que balança, o que não balança, o que faz
barulho, o que não o faz, etc. Esses conceitos sensórios- motores também são
usados para conhecer e se relacionar a outros seres humanos, a partir de
reflexos inatos, que vão se aperfeiçoando com as experiências obtidas num
processo de afetividade e inteligência, influenciados pela socialização.
Nesse período, as concepções de espaço, tempo e causalidade começam a
ser construídas e o bebê que interagia apenas com objetos que estivesse
visível à sua frente, aos oito meses, já percebe que o objeto está ali a sua frente,
porém, coberto com um pano. Anuncia-se a função simbólica, ou seja, a capacidade
de representar eventos futuros, alterando consideravelmente a forma como a criança
lida com o meio.
2- Fase Pré-Operatória - é aquela marcada pelo aparecimento da linguagem
oral por volta dos dois anos. Além da experiência e da inteligência prática, a criança
começa a estruturar pensamentos através de esquemas de ação interiorizados que
são denominados esquemas representativos ou simbólicos, sendo capaz de ter uma
ideia pré-existente sobre algo, substituir o boneco pelo bebê, e imitar a mãe
usando sua bolsa ou sapatos. Os objetos, ações, situações, pessoas e símbolos
são decorrentes de um pensamento sustentado por conceitos, ações interiorizadas e
mentais. Nesta fase, o pensamento é egocêntrico e a crianças não consegue
colocar-se no ponto de vista do outro. Ocorre o antropomorfismo (atribuir
características humanas a objetos e animais) e a transdedutividade, consistente
no fato de que a criança não estabelece normas gerais para coisas do cotidiano.
Exemplo: ao ver o pai esquentar água para barbear-se, no outro dia ao ver a água
esquentando diz: “- papai vai se barbear”. Não consegue estabelecer princípios
gerais que a levem as várias aplicações cotidianas da água quente, como cozinhar,
lavar, aquecer, etc. Não há noção de conservação, mudando-se a aparência do
objeto, muda também a quantidade, volume, massa e o peso desse mesmo objeto.
E não há noção de reversibilidade, pois não entende que é possível retornar ao
ponto de partida. Exemplo: se acrescentar três a mais duas laranjas e depois tirar as
três já acrescentadas, a criança não percebe que voltou à condição anterior,
ocorrendo o pensamento como se fosse uma nova tarefa.
3- Fase Operatório Concreta - vai dos sete anos aos treze anos. A criança
está pronta para iniciar um processo de aprendizagem sistemática e adquirir uma

www.famart.edu.br | atendimento@famart.edu.br | +55 (37) 3241-2864 | Grupo Famart de Educação


FISIOLOGIA DO EXERCÍCIO: NUTRIÇÃO E DIETÉTICA 17

autonomia crescente em relação ao adulto, passando a organizar seus próprios


valores morais. A grupalização com o sexo oposto diminui. A criança, que no início
do período ainda considerava bastante as opiniões e ideias dos adultos, no final
passa a enfrentá-los. As ações interiorizadas tornam-se cada vez mais reversíveis
(móveis e flexíveis), não confunde mais o real e o fantástico e interage
melhor com o mundo ao seu redor, o pensamento é menos egoísta. Nesta fase
a reversibilidade é comprovada, pois a criança sabe que 2 + 3 = 5 porque 5 - 3 = 2 e
que a massa dos objetos não muda ainda que lhe altere a forma (massinha de
modelar), já existindo a noção de conservação. É chamado de concreto, pois a
criança só consegue pensar logicamente apoiada em exemplos concretos, reais,
materiais, não conseguindo pensar em proposições ou enunciados.
4- Fase Operatório-formal - após os 13 anos a criança raciocina
logicamente, podendo pensar e trabalhar não só com a realidade concreta, mas
também com a realidade possível. É capaz de lidar com conceitos como
liberdade, justiça, etc. É capaz de tirar conclusões de puras hipóteses. O alvo de sua
reflexão é a sociedade, sempre analisada como possível de ser reformada e
transformada. No aspecto afetivo, o adolescente vive conflitos. Sendo capaz de
raciocinar hipóteses, pode também, derivar todas as consequências lógicas
possíveis. Nesta fase o adolescente chega ao raciocínio hipotético-dedutivo que
lhe permitirá estender seu pensamento ao infinito. Com esta ampla capacidade,
atinge o grau mais complexo do seu desenvolvimento cognitivo, necessitando
apenas de ajustar, solidificar e estofar suas estruturas cognitivas (COLL, PALACIOS
E MARCHESI, 2004; MEDKE, 2008).

Voltando ao estágio sensório-motor este se subdivide em seis sub-estágios:


1. Período reflexo (vai do nascimento até um mês de vida, os reflexos são
inatos como o sugar e o olhar, ausência de imitação e de capacidade para integrar
informações a partir dos diversos sentidos);
2. Reações circulares primárias (de 1 a 4 meses, as ações são simples e
repetitivas e centradas no corpo do bebê. As ações repetidas são aquelas
agradáveis em si. À medida que há prática, os esquemas básicos de sugar, olhar
vão se acomodando, mas ainda não relaciona as ações do seu corpo com algo fora
dele).

www.famart.edu.br | atendimento@famart.edu.br | +55 (37) 3241-2864 | Grupo Famart de Educação


FISIOLOGIA DO EXERCÍCIO: NUTRIÇÃO E DIETÉTICA 18

3. Reações circulares secundárias (4 a 8 meses, coordenação olho-mão e


ações no meio externo, podendo ocorrer imitação dos esquemas que fazem parte do
repertório do bebê).
4. Coordenação de esquemas secundários (8 a 12 meses, noções de
permanência dos objetos; comportamento meios-fins claramente intencional
combina os esquemas para atingir os efeitos desejados)
5. Reações circulares terciárias (12 a 18 meses; descobre novos meios
mediante experimentação. Variação deliberada das estratégias para resolução de
problemas. Exploração bastante ativa e intencional).
6. Início do pensamento representativo (MARTURANO, 2008).

Como pudemos observar, os estudos de Piaget contribuíram


enormemente para conhecer os estágios do desenvolvimento da criança. Este
conhecimento irá influenciar nas decisões daqueles que trabalham com educação,
orientando todo um planejamento e levando a perceber a importância de
caminhar segundo os passos da própria criança para ajudar na sua formação
enquanto cidadão autônomo e seguro.

Henri Wallon (1879-1962)

Wallon procura explicar os fundamentos da psicologia como ciência, os seus


aspectos epistemológicos, objetivos e metodológicos e considera que o homem é
determinado fisiológica e socialmente, sujeito às disposições internas e às situações
exteriores (ALMADA, 2008).
A proposta de Wallon é do estudo integrado do desenvolvimento, ou
seja, propõe a psicogênese da pessoa completa, pois para ele, o estudo do
desenvolvimento humano deve considerar o sujeito como “geneticamente
social” e estudar a criança contextualizada, nas relações com o meio
(ALMADA, 2008).
Wallon recorreu a outros campos de conhecimento para aprofundar
a explicação dos fatores de desenvolvimento (neurologia, psicopatologia,
antropologia, psicologia animal), considerando que não é possível selecionar um
único aspecto do ser humano e ver o desenvolvimento nos vários campos funcionais

www.famart.edu.br | atendimento@famart.edu.br | +55 (37) 3241-2864 | Grupo Famart de Educação


FISIOLOGIA DO EXERCÍCIO: NUTRIÇÃO E DIETÉTICA 19

nos quais se distribui a atividade infantil (afetivo, motor e cognitivo) (ALMADA,


2008).
Ele não aceita dissociar no homem, o biológico do social, sendo esta uma das
características básicas da sua Teoria do Desenvolvimento.
Wallon reconstruiu o seu modelo de análise ao pensar no desenvolvimento
humano, estudando-o a partir do desenvolvimento psíquico da criança. Assim, o
desenvolvimento da criança aparece descontínuo, marcado por contradições e
conflitos, resultado da maturação e das condições ambientais, provocando
alterações qualitativas no seu comportamento em geral (ZACHARIAS, 2007).
Nesse sentido, a passagem dos estágios de desenvolvimento não se
dá linearmente, por ampliação, mas por reformulação, instalando-se no momento da
passagem de uma etapa a outra, crises que afetam a conduta da criança. Conflitos
se instalam nesse processo e são de origem exógena quando resultantes dos
desencontros entre as ações da criança e o ambiente exterior, estruturado pelos
adultos e pela cultura e endógenos e quando gerados pelos efeitos da maturação
nervosa (GALVÃO, 1995 apud ZACHARIAS, 2007). Esses conflitos são
propulsores do desenvolvimento.

Os cinco estágios de desenvolvimento do ser humano apresentados por


Galvão (1995 apud Zacharias, 2007) sucedem-se em fases com predominância
afetiva e cognitiva:
 Impulsivo-emocional: que ocorre no primeiro ano de vida. A
predominância da afetividade orienta as primeiras reações do bebê às
pessoas, às quais intermediam sua relação com o mundo físico;
 Sensório-motor e projetivo: que vai até os três anos. A aquisição da
marcha e da prensão, dão à criança maior autonomia na manipulação de
objetos e na exploração dos espaços. Também, nesse estágio, ocorre o
desenvolvimento da função simbólica e da linguagem. O termo projetivo refere- se
ao fato da ação do pensamento precisar dos gestos para se exteriorizar. O ato
mental "projeta-se" em atos motores. Para Wallon, o ato mental se desenvolve a
partir do ato motor;
 Personalismo: ocorre dos três aos seis anos. Nesse
estágio desenvolve-se a construção da consciência de si mediante as
interações sociais, reorientando o interesse das crianças pelas pessoas;

www.famart.edu.br | atendimento@famart.edu.br | +55 (37) 3241-2864 | Grupo Famart de Educação


FISIOLOGIA DO EXERCÍCIO: NUTRIÇÃO E DIETÉTICA 20

 Categorial: Os progressos intelectuais dirigem o interesse da criança


para as coisas, para o conhecimento e conquista do mundo exterior;
 Predominância funcional: Ocorre nova definição dos contornos da
personalidade, desestruturados devido às modificações corporais resultantes da
ação hormonal. Questões pessoais, morais e existenciais são trazidas à tona.

Na sucessão de estágios há uma alternância entre as formas de atividades e


de interesses da criança, denominada de “alternância funcional”, onde cada fase
predominante (de dominância, afetividade, cognição), incorpora as conquistas
realizadas pela outra fase, construindo-se reciprocamente, num permanente
processo de integração e diferenciação.
Wallon enfatiza o papel da emoção no desenvolvimento humano, pois, todo o
contato que a criança estabelece com as pessoas que cuidam dela desde o
nascimento são feitos de emoções e não apenas cognições.
Baseou suas ideias em quatro elementos básicos que estão todo o tempo em
comunicação: afetividade, emoções, movimento e formação do eu.
AFETIVIDADE – possui papel fundamental no desenvolvimento da pessoa,
pois é por meio delas que o ser humano demonstra seus desejos e vontades. As
transformações fisiológicas de uma criança (nas palavras de Wallon, em seu
sistema neurovegetativo) revelam importantes traços de caráter e personalidade.
EMOÇÕES – é altamente orgânica, ajuda o ser humano a se conhecer. A
raiva, o medo, a tristeza, a alegria e os sentimentos mais profundos possuem uma
função de grande relevância no relacionamento da criança com o meio.
MOVIMENTO – as emoções da organização dos espaços para se
movimentarem. Deste modo, a motricidade tem um caráter pedagógico tanto pela
qualidade do gesto e do movimento, quanto pela maneira com que ele é
representado. A escola ao insistir em manter a criança imobilizada acaba por limitar
o fluir de fatores necessários e importantes para o desenvolvimento completo da
pessoa.
FORMAÇÃO DO EU – a construção do eu depende essencialmente do outro.
Com maior ênfase a partir de quando a criança começa a vivenciar a “crise de
oposição”, na qual a negação do outro funciona como uma espécie de instrumento
de descoberta de si própria. Isso acontece mais ou menos em torno dos 3 anos,

www.famart.edu.br | atendimento@famart.edu.br | +55 (37) 3241-2864 | Grupo Famart de Educação


FISIOLOGIA DO EXERCÍCIO: NUTRIÇÃO E DIETÉTICA 21

quando é a hora de saber que “eu” sou. Imitação, manipulação e sedução em


relação ao outro são características comuns nesta fase.
Zacharias ressalta que Wallon, deixou-nos uma nova concepção da
motricidade, da emotividade, da inteligência humana e, sobretudo, uma
maneira original de pensar a Psicologia infantil e reformular os seus problemas.
Vygotsky desenvolveu a teoria sociocultural do desenvolvimento cognitivo. A
sua teoria tem raízes na teoria marxista do materialismo dialético, ou seja, que as
mudanças históricas na sociedade e a vida material produzem mudanças na
natureza humana (ALMADA, 2008).
Ele abordou o desenvolvimento cognitivo por um processo de orientação. Em
vez de olhar para o final do processo de desenvolvimento, ele debruçou-se sobre o
processo em si e analisou a participação do sujeito nas atividades sociais, propondo
que o desenvolvimento não precede a socialização. Ao invés, as estruturas
sociais e as relações sociais levam ao desenvolvimento das funções mentais
(ALMADA, 2008).
Vygotsky acreditava que a aprendizagem na criança podia ocorrer através do
jogo, da brincadeira, da instrução formal ou do trabalho entre um aprendiz e um
aprendiz mais experiente e o processo básico pelo qual isto ocorre é a
mediação (a ligação entre duas estruturas, uma social e uma pessoalmente
construída, através de instrumentos ou sinais). Quando os signos culturais vão
sendo internalizados pelo sujeito é quando os humanos adquirem a capacidade de
uma ordem de pensamento mais elevada (ALMADA, 2008).
Ao contrário da imagem de Piaget em que o indivíduo constrói a
compreensão do mundo, o conhecimento sozinho, Vygotsky via o
desenvolvimento cognitivo como dependendo mais das interações com as
pessoas e com os instrumentos do mundo da criança (canetas, papel,
computadores; ou símbolos: linguagem, sistemas matemáticos, signos).

Outros pontos importantes de sua teoria são:


 A cultura afeta a forma como pensamos e o que pensamos;
 Cada cultura tem o seu próprio impacto;
 conhecimento depende da experiência social;
 A criança desenvolve representações mentais do mundo através da
cultura e da linguagem;

www.famart.edu.br | atendimento@famart.edu.br | +55 (37) 3241-2864 | Grupo Famart de Educação


FISIOLOGIA DO EXERCÍCIO: NUTRIÇÃO E DIETÉTICA 22

 Os adultos têm um importante papel no desenvolvimento através da


orientação que dão e por ensinarem;
 Existe uma Zona de Desenvolvimento Proximal3 (ZDP) – intervalo
entre a resolução de problemas assistida e individual;
 Uma vez adquirida a linguagem nas crianças, elas utilizam a
linguagem/discurso interior, falando alto para elas próprias de forma a direcionarem
o seu próprio comportamento, linguagem essa que mais tarde será internalizada e
silenciosa – Desenvolvimento da Linguagem.

Albert Bandura (1925-presente)

Psicólogo canadense, autor da Teoria Social Cognitiva. Embora seguidor da


linha behaviorista da Psicologia, enfatiza a modificação do comportamento do
indivíduo durante a sua interação. Acredita que o ser humano é capaz de aprender
comportamentos sem sofrer qualquer tipo de reforço e que também é capaz de
aprender através da observação do comportamento dos outros e de suas
consequências, com contato indireto como o reforço.
A teoria na qual se baseia, postula que as pessoas aprendem através da
observação dos outros e que os processos do pensamento humano são
centrais para se compreender a personalidade.

De acordo com essa teoria temos ainda que:


 A aprendizagem é um processo interno que pode ou não alterar o
comportamento;
 As pessoas comportam-se de determinadas maneiras para atingir os
seus objetivos;
 comportamento é auto-dirigido (por oposição a determinado pelo
ambiente);
 reforço e a punição têm efeitos indiretos e imprevisíveis tanto no
comportamento como na aprendizagem;
 Os adultos (pais, educadores, professores) têm um papel importante
como modelos no processo de aprendizagem da criança (ALMADA, 2008).

www.famart.edu.br | atendimento@famart.edu.br | +55 (37) 3241-2864 | Grupo Famart de Educação


FISIOLOGIA DO EXERCÍCIO: NUTRIÇÃO E DIETÉTICA 23

Urie Bronfenbrenner (1917-2005)

Bronfenbrenner é um dos expoentes atuais do modelo bioecológico do


desenvolvimento humano que será tratado no último capítulo desta apostila.
Ele concebe a teoria dos Sistemas Ecológicos, os quais se inter-relacionam e
criam uma rede de relações próprias, dependentes uns dos outros.
Um bom modo de relacionar o sistema de Bronfenbrenner é a analogia com
as bonequinhas russas (matrioshkas), as quais são ocas e uma vai encaixando
perfeitamente dentro da outra até chegar a última, única que não é oca.
Bronfenbrenner acredita que para compreender como as crianças se
desenvolvem é preciso observar seu comportamento em ambientes naturais,
enquanto elas estão interagindo com adultos conhecidos, durante períodos de
tempo prolongados (ALMADA, 2008).

Arnold Gesell (1880-1961)

Psicólogo americano que se especializou na área do desenvolvimento infantil.


Os seus primeiros trabalhos visaram o estudo do atraso mental nas crianças, mas
cedo percebeu que é necessária a compreensão do desenvolvimento normal para
se compreender um desenvolvimento anormal (ALMADA, 2008).
Foi pioneiro na sua metodologia de observação e medição do comportamento
e, portanto, foi dos primeiros a implementar o estudo quantitativo do
desenvolvimento humano, do nascimento até à adolescência (ALMADA, 2008).
Realizou uma descrição detalhada e total do desenvolvimento da criança;
baseada em pesquisas rigorosas e sistemáticas, realçando o papel do
processo de maturação no desenvolvimento (ALMADA, 2008).
Gesell e colaboradores caracterizaram o desenvolvimento segundo quatro
dimensões da conduta: motora, verbal, adaptativa e social. Nesta perspectiva cabe
um papel decisivo às maturações nervosa, muscular e hormonal no processo de
desenvolvimento (ALMADA, 2008).
Desenvolveu, a partir dos seus resultados, escalas para avaliação do
desenvolvimento e inteligência.

www.famart.edu.br | atendimento@famart.edu.br | +55 (37) 3241-2864 | Grupo Famart de Educação


FISIOLOGIA DO EXERCÍCIO: NUTRIÇÃO E DIETÉTICA 24

Inaugurou o uso da fotografia e da observação através de espelhos de um só


sentido como ferramentas de investigação (ALMADA, 2008).

A FISIOLOGIA DO DESENVOLVIMENTO HUMANO

Fisiologia, palavra que origina do grego physis = natureza e logos = estudo, é


o ramo da biologia que estuda as múltiplas funções mecânicas, físicas e bioquímicas
nos seres vivos, ou seja, estuda o funcionamento do organismo.
Os princípios físicos e químicos são de extrema importância e atuam como
alicerce para compreendermos como decorrem as funções vitais.
Classicamente a fisiologia se divide em vegetal e animal. Evidentemente que
nos interessa os estudos, métodos e ferramentas voltados para a fisiologia humana.
Uma dos campos de estudo da fisiologia centra-se na busca do entendimento
de como as funções fisiológicas mudaram ao longo da história evolutiva dos animais.
O termo fisiologia humana, cuja definição mais apropriada para os dias de
hoje é: “... a ciência que descreve como o corpo dos organismos vivos funciona...”
(Santos,1998 apud Andersen, 2008); foi primeiramente utilizado pelos gregos, cerca
de 600 anos antes de Cristo, para descrever o questionamento filosófico da natureza
das coisas.
O significado etimológico do termo fisiologia humana é: história da natureza
humana; mas, empregada numa acepção mais restrita, designa a ciência dos
fenômenos da vida humana.
Embora a fisiologia dos gregos não tenha sido exatamente a mesma que
conhecemos hoje, muitas das ideias que ainda são verdadeiras para o seu
desenvolvimento foram formuladas nos livros da Escola de Medicina de Hipócrates,
ainda antes do ano 350 a.C., principalmente o tratado “De natura hominis”, que pode
ser atualmente interpretada como a teoria da doença causada pelos fatores
emocionais (ANDERSEN, 2008).
Também bastante significante para a definição da fisiologia durante a época
dos grandes pensadores foi a teleologia de Aristóteles, quando dizia que “cada parte
do corpo é formada para uma finalidade e esta função pode ser deduzida de sua
estrutura”.

www.famart.edu.br | atendimento@famart.edu.br | +55 (37) 3241-2864 | Grupo Famart de Educação


FISIOLOGIA DO EXERCÍCIO: NUTRIÇÃO E DIETÉTICA 25

É importante notar que os princípios que nortearam a fisiologia


permaneceram os mesmos, sem que seus erros fossem contestados até o século
XVII quando, no ano de 1628, William Harvey publicou seu trabalho “Exercitatio
Anatomica de Motu Cordis et Sanguinis in Animalibus” , sendo considerado o início
da moderna fisiologia experimental.
A definição de fisiologia como Anatomia em Movimento apareceu no século
XVIII com a publicação de “Elementa physiologiae corporis humani” (Albrecht von
Haller, 1757-1766, 8 volumes apud ANDERSEN, 2008).
No século XIX, as pesquisas na área da fisiologia de todos os organismos
vivos tomou uma importância fundamental devido a curiosidade, as necessidades
médicas e os interesses econômicos.
A descoberta de estruturas semelhantes e funções comuns a todos os
organismos vivos resultou no desenvolvimento de um conceito praticamente
unificado de fisiologia geral.
A partir da segunda metade do século XIX a palavra fisiologia passou
a significar a utilização de métodos experimentais, assim como técnicas e conceitos
das ciências físicas para investigar as causas e os mecanismos das atividades de
todas as coisas vivas.
O significado da fisiologia humana no final do século XX quase se aproxima
ao estudo do comportamento do organismo humano de forma exclusivamente
mecanicista ou matemática, ou seja: “ [...] os fisiologistas contemporâneos
consideram os organismos como máquinas que, embora incrivelmente complexas,
são compreensíveis pelo estudo de seus componentes [...] ” (Santos, s.d.) ou,
segundo defende Dennett: “ [...] todas as relações entre a mente e o cérebro
humano podem ser compreendidas com a aplicação de modelos matemáticos [...] ”
(Daniel C. Dennett, 1998), pensamento também próximo das ideias de Damásio:
“Existo e sinto... logo, penso” (Antônio Damásio em “O erro de Descartes”) ou
ainda, quase da mesma forma: “ [...] o ser humano é, na verdade, um autômato, e o
fato de sermos dotados de sensibilidade, sentimentos e conhecimentos é
parte dessa sequencia automática da vida; esses atributos especiais nos
possibilitam existir sob uma ampla variedade de condições que, de outra maneira,
tornariam a vida impossível”(Guyton apud ANDERSEN, 2008).

www.famart.edu.br | atendimento@famart.edu.br | +55 (37) 3241-2864 | Grupo Famart de Educação


FISIOLOGIA DO EXERCÍCIO: NUTRIÇÃO E DIETÉTICA 26

Áreas de estudo da fisiologia humana

Dentre as subdivisões da fisiologia consideradas independentes temos:


 Eletrofisiologia – estuda o fluxo dos elétrons no funcionamento
dos nervos e músculos e o desenvolvimento de instrumentos para sua medida;
 Neurofisiologia – estuda a fisiologia do sistema nervoso;
 Fisiologia celular – trata do funcionamento das células individuais;
 Ecofisiologia – busca compreender como os aspectos fisiológicos
afetam a ecologia dos seres vivos e vice-versa.
 Fisiologia do exercício – que estuda os efeitos do exercício físico no
organismo, em especial do homem.
A fisiologia estuda entre outros aspectos do funcionamento, a respiração, a
circulação, a reprodução, a excreção e a digestão.
A digestão diz respeito aos processos químico e mecânico. É onde ocorre a
quebra das moléculas dos nutrientes (lipídeos, proteínas, carboidratos e ácidos
nucleicos). Na digestão os hormônios envolvidos são a gastrina, secretina,
colecisticinina e enterogastrona. O caminho feito pelo alimento passa pela
boca, esôfago, estômago, duodeno, intestino delgado, intestino grosso, reto e ânus,
onde saem as fezes.
Em relação aos alimentos, todos são utilizados como fonte de energia ou
construtores da matéria viva. O que estiver em excesso será armazenado na forma
de lipídeos, nos adipócitos (células do tecido gorduroso ou adiposo). Havendo
carência de nutrientes, as gorduras começam a ser mobilizadas como fonte de
energia e a pessoa emagrece.
Dentre os problemas do trato digestivo temos a úlcera péptica que é causada
por medicamentos ou pela bactéria Helicobacter pylori, levando a lesões e feridas no
revestimento do estômago, causando dores e azia. Quando os movimentos
peristálticos do intestino estão muito lentos, e os resíduos ficam lá por muito tempo,
endurecem devido à grande reabsorção de água e ocorre a constipação. A diarreia
ocorre quando o intestino delgado fica irritado e os movimentos peristálticos ficam
muito rápidos.
Excreção é o processo de eliminação dos resíduos metabólicos resultantes
das reações químicas das células do organismo. Como são nitrogenados, não

www.famart.edu.br | atendimento@famart.edu.br | +55 (37) 3241-2864 | Grupo Famart de Educação


FISIOLOGIA DO EXERCÍCIO: NUTRIÇÃO E DIETÉTICA 27

podem permanecer na corrente sanguínea por serem tóxicos. São geralmente


amônia, ureia e ácido úrico.
Como o ser humano precisa economizar água ao máximo, excreta ureia que é
feita pelos néfrons, unidade filtradora dos rins. Existem cerca de um milhão de
néfrons em cada rim. Nosso rim é do tipo metanefro, pois retira todos os metabólitos
direto do sangue. 99% da água é reabsorvida e no ducto coletor é formada a urina,
armazenada na bexiga e liberada pela uretra.
A respiração é representada pelos processos de inspiração e expiração. O
Sistema respiratório é formado pelas vias respiratórias e pelos pulmões. O ar
inspirado, rico em oxigênio, enche os pulmões ao nível dos alvéolos (sacos onde
ocorrem as trocas gasosas com o sangue (hematose). Os pulmões são protegidos
pela caixa torácica, formada pelo esterno e pelas costelas. Os movimentos são
feitos pelo diafragma e pelos músculos intercostais. Quando inspiramos, a caixa se
expande e o diafragma desce, entrando o ar. Quando expiramos, a caixa volta ao
normal e o diafragma sobe novamente, expelindo o ar, cheio de gás carbônico. O
sangue deve nutrir os tecidos e por isso leva os nutrientes e os gases respiratórios.
Quando chega às células dos tecidos diversos, ocorre uma troca entre eles e o
sangue arterial, que libera o oxigênio e recebe o gás carbônico, que é carregado
principalmente sob a forma de íons bicarbonato, mas também é levado dissolvido no
plasma e ligados à hemoglobina.
Entre os problemas do trato respiratório temos as gripes e resfriados,
causados por vírus; a tuberculose e pneumonia causadas por bactérias.
A circulação é feita através do tecido sanguíneo. O sangue circula
pelos vasos, artérias, veias e os vasos capilares. A circulação humana é dupla,
fechada e completa. O sangue passa duas vezes pelo coração em um circuito
completo que dura cerca de 1 minuto. O coração é composto de quatro cavidades:
dois átrios e dois ventrículos. O átrio direito recebe sangue venoso do corpo através
das veias cavas. O ventrículo direito bombeia este sangue para os pulmões, onde
ocorre a hematose, através da artéria pulmonar. O sangue arterial entra no átrio
esquerdo e é bombeado para o corpo através da sístole do ventrículo esquerdo e
sai do coração para o corpo através das artérias Aorta e Carótidas. As
cavidades são separadas por válvulas e há também válvulas entre os ventrículos e
os vasos por onde o sangue sai. O miocárdio é o músculo cardíaco (musculatura
estriada cardíaca - movimentos involuntários). Ele tem certa independência em

www.famart.edu.br | atendimento@famart.edu.br | +55 (37) 3241-2864 | Grupo Famart de Educação


FISIOLOGIA DO EXERCÍCIO: NUTRIÇÃO E DIETÉTICA 28

relação ao sistema nervoso, pois permite os batimentos cardíacos através de feixes


de células que transmitem um impulso elétrico permitindo os movimentos de sístole
e diástole de ambos os átrios e ambos os ventrículos. O sangue arterial leva
nutrientes, gases respiratórios e hormônios para os tecidos e recolhe as excretas e
gás carbônico. A troca ocorre ao nível dos capilares, vasos bem finos e o que
extravasa e não retorna devido à diferença de pressão na parte arterial e na parte
venosa do capilar, é recolhido pela circulação linfática, que também transporta
linfócitos, células de defesa do organismo. O que é recolhido é mais tarde levado de
volta ao sangue através das veias subclávias.
Dentre os problemas do Trato Circulatório temos a Aterosclerose, que é o
endurecimento dos vasos sanguíneos pela deposição de placas de gordura
(ateroma); Isquemia, dificuldade de transporte de oxigênio e oxigenação das células
em geral; Trombose, entupimento de um vaso, impedindo a passagem do sangue;
Derrame (AVC – Acidente Vascular Cerebral) que é o rompimento de uma artéria do
cérebro devido à uma elevação brusca da pressão arterial; Infarto, morte do
miocárdio devido ao entupimento das artérias que irrigam o coração, as coronárias.
Dentre as causas dos problemas cardíacos e circulatórios estão o Sedentarismo
(falta de exercício físico), obesidade, alimentação rica em gordura animal e gordura
trans, fumo, estresse, depressão e uso de anabolizantes (www.fisiologia.kit.net,
2008).
Embora pareça complicado para pessoas que não sejam da área de ciências
biológicas entender os processos expostos acima, percebe-se o quanto é importante
para os profissionais que lidarão com crianças, com adolescentes, enfim, com
educação física e esporte, conhecer pelo menos o funcionamento básico deles,
devido sua influência nos processos do desenvolvimento humano.

A fisiologia do exercício

O exercício físico pode ser toda atividade física recreativa, que se realiza em
momentos de lazer ou de tempo livre ou a ação ou série de ações corporais com o
fim de desenvolver a aptidão física, prescritas para prática regular ou repetida como
meio de ganhar força, destreza, agilidade ou competência geral em algum campo de
atividade, habilidades motoras ou reabilitação orgânico funcional, definido de acordo

www.famart.edu.br | atendimento@famart.edu.br | +55 (37) 3241-2864 | Grupo Famart de Educação


FISIOLOGIA DO EXERCÍCIO: NUTRIÇÃO E DIETÉTICA 29

com diagnóstico de necessidade ou carências específicas de seus praticantes,


em contextos sociais diferenciados (NIEMANN, 1999).
Não há dúvidas de que a ginástica, o esporte e a educação física de modo
geral são modalidades que levam ao exercício físico e constituem, nos tempos
atuais, atividades vitais para a saúde, a educação, a recreação e o bem-estar do ser
humano.
O melhor é que se torne um hábito desde a infância ou adolescência, pois
assim na idade adulta não se torna um sacrifício ou uma obrigação para
algumas pessoas que necessitam do exercício para equilibrar alguma função vital do
organismo.
Então, o que vem a ser a Fisiologia do Exercício?
Nada mais é do que estudar os processos adaptativos relacionados com a
atividade física na execução de tarefas motoras em diferentes situações de
exercício, ou seja, estudar os efeitos da atividade física e do exercício no organismo
humano. A partir desse conhecimento pode-se optar pelo exercício mais adequado
a cada situação e a cada ser humano.

Dentre os benefícios do exercício físico podemos citar:


 Melhoria da função pulmonar; da circulação sanguínea; da circulação
cardíaca;
 Mais disposição pessoal;
 Redução do estresse, ansiedade e depressão;
 Redução da pressão arterial nos hipertensos;
 Facilita o metabolismo de açúcares e gorduras;
 Reduz o mau colesterol e estimula a produção do bom colesterol;
 Diminui a prisão de ventre e as dores de coluna;
 Ajuda na perda de peso, dentre muitos outros.
Frisamos que todo exercício físico precisa da orientação de um profissional
para que os objetivos esperados sejam atingidos sem consequências negativas.

A questão da obesidade

www.famart.edu.br | atendimento@famart.edu.br | +55 (37) 3241-2864 | Grupo Famart de Educação


FISIOLOGIA DO EXERCÍCIO: NUTRIÇÃO E DIETÉTICA 30

A obesidade é definida como acúmulo excessivo de gordura em regiões


específicas ou no corpo como um todo. É uma doença de etiologia complexa e
multifatorial que envolve a interação de fatores fisiológicos, comportamentais e
sociais.
O indivíduo é considerado obeso quando a quantidade de gordura se iguala
ou excede 30% em mulheres e 25% em homens, enquanto o excesso de 40% para
mulheres e de 35% para homens caracteriza a obesidade grave (SABIA et al., 2004
apud SANTOS, CARVALHO E GARCIA JUNIOR, 2007).
A causa primária da obesidade é o desequilibro crônico entre a ingestão
alimentar e o gasto energético, o que resulta de elevado consumo calórico e pouca
atividade física (MEIRELLES; GOMES, 2004 apud SANTOS, CARVALHO E
GARCIA JUNIOR, 2007). Disso se depreende que a combinação de dieta e
exercícios pode proporcionar perda de peso mais eficiente durante curto ou longo
prazo, em comparação à apenas uma dessas intervenções isoladamente (HAUSER
et al., 2004 apud SANTOS, CARVALHO E GARCIA JUNIOR, 2007).
Enquanto o consumo alimentar e a atividade física podem ser classificados
entre os fatores ambientais, existem também os fatores genéticos, os quais
determinam que filhos de pais obesos estejam predispostos a um risco maior de se
tornarem obesos (BOUCHARD, 2003 apud SANTOS, CARVALHO E GARCIA
JUNIOR, 2007). Contudo, a determinação das proporções de contribuição da
genética e dos fatores ambientais é extremamente difícil, visto que pais e filhos,
além da semelhança dos genes, costumam também compartilhar hábitos
semelhantes de alimentação e de atividade física. Em adição, há evidências de que
fatores genéticos podem modular a resposta do organismo às variações dos fatores
ambientais, tais como dieta e atividade física (BALABAN; SILVA, 2004 apud
SANTOS, CARVALHO E GARCIA JUNIOR, 2007).
A obesidade é uma doença de prevalência crescente, o que faz dela o
principal problema de saúde pública das sociedades desenvolvidas e em
desenvolvimento, como o Brasil. De acordo com a Organização Mundial de Saúde
(OMS) o número de obesos entre os anos de 1995 e 2000 passou de 200 para 300
milhões, perfazendo cerca de 5% da população mundial. Estimativas mostram que
no ano de 2025, o Brasil será o quinto país no mundo em termos de prevalência
e de problemas causados pela obesidade (ROMERO; ZANESCO, 2006 apud
SANTOS, CARVALHO E GARCIA JUNIOR, 2007).

www.famart.edu.br | atendimento@famart.edu.br | +55 (37) 3241-2864 | Grupo Famart de Educação


FISIOLOGIA DO EXERCÍCIO: NUTRIÇÃO E DIETÉTICA 31

No Brasil, assim como na maioria dos países em desenvolvimento,


a prevalência de sobrepeso e obesidade na população em geral e em crianças em
particular, ainda é maior na população economicamente mais favorecida, ao
contrário do que ocorre nos países desenvolvidos, onde a maioria das crianças com
sobrepeso ou obesas pertencem às famílias de classe econômica mais baixa
(RONQUE et al., 2005 apud SANTOS, CARVALHO E GARCIA JUNIOR, 2007).
De acordo com Leão et al (2003 apud SANTOS, CARVALHO E GARCIA
JUNIOR, 2007), Brasil, Dinamarca, Itália e Baharein são os países que apresentam
a mais rápida elevação na prevalência de sobrepeso e obesidade (avaliados pelo
IMC) em crianças e adolescentes, mesmo em populações mais carentes. Mesmo
no Nordeste do Brasil, com sua tendência secular de desnutrição, nota-se
aumento do sobrepeso e obesidade. Numa análise considerando estratos sociais no
Nordeste e Sudeste do Brasil, observou-se aumento uniforme da obesidade em
adultos nas duas regiões até 1989.
Em 1997 a frequência da obesidade foi maior nas classes média e alta na
região Nordeste, enquanto no Sudeste a elevação no número de obesos foi maior
nas classes menos favorecidas e menor nas classes média e alta, mostrando a
influência do nível socioeconômico na expansão da obesidade (LEÃO et al., 2003
apud SANTOS, CARVALHO E GARCIA JUNIOR, 2007).
Dados da OMS mostram que a prevalência da obesidade infantil cresceu em
torno de 10 a 40% na maioria dos países europeus nos últimos 10 anos,
apresentando maior frequência no primeiro ano de vida, entre 5 e 6 anos e na
adolescência, em diferentes faixas econômicas. As causas principais mencionadas
pelos autores são a alimentação inadequada e estilo de vida sedentário (MELLO et
al., 2004 apud SANTOS, CARVALHO E GARCIA JUNIOR, 2007).
Na maioria dos estudos, observa-se maior prevalência da obesidade infantil e
adulta no sexo feminino, sendo a fase púbere, período de aumento gradativo de
peso devido aos hormônios femininos, a mais suscetível ao acúmulo excessivo de
gordura, o qual pode permanecer em toda a adolescência e até na vida adulta. A
diferença de prevalência quanto ao gênero pode também ser devida à menor
proporção de tecido muscular (mais metabolicamente ativo) e à prática de atividade
física menos prolongada e menos vigorosa, característica das mulheres (OLIVEIRA
et al., 2003 apud SANTOS, CARVALHO E GARCIA JUNIOR, 2007).

www.famart.edu.br | atendimento@famart.edu.br | +55 (37) 3241-2864 | Grupo Famart de Educação


FISIOLOGIA DO EXERCÍCIO: NUTRIÇÃO E DIETÉTICA 32

Observem que existem estudos os mais variados, pesquisas e estatísticas


constantes sobre o problema da obesidade, com variáveis e indicadores de várias
naturezas, o que evidencia quão sério é o problema da obesidade a nível mundial.
Vários fatores são importantes na gênese da obesidade, como os genéticos,
os fisiológicos e os metabólicos; no entanto, os que poderiam explicar este
crescente aumento do número de indivíduos obesos parecem estar mais
relacionados às mudanças no estilo de vida e aos hábitos alimentares. O aumento
no consumo de alimentos ricos em açúcares simples e gordura, com alta densidade
energética, e a diminuição da prática de exercícios físicos, são os principais fatores
relacionados ao meio ambiente (OLIVEIRA E FISBERG, 2003).
Outros estudos importantes relacionados à obesidade mostraram que o
acesso mais fácil aos alimentos ricos em gorduras e açúcares simples, assim como,
aos avanços tecnológicos, como computadores e videogames, poderia explicar de
certa forma a maior prevalência da obesidade encontrada nas escolas particulares.
Um outro aspecto que tem se discutido sobre os fatores relacionados à
epidemia da obesidade é a contribuição do aumento das porções dos alimentos
servidas em restaurantes, bares e supermercados. O artigo de Young & Nestle apud
Oliveira e Fisberg (2003) apresenta a evolução dos tamanhos das porções de
alimentos oferecidas em alguns estabelecimentos nos EUA, nas últimas décadas, e
compara com as padronizadas pelo Departamento de Agricultura dos EUA (USDA).
Os resultados mostraram que o tamanho da porção de carnes, massas e chocolates
ultrapassavam em 224, 480 e 700%, respectivamente, o da padronizada pelo USDA.
Além disso, constatou-se que foi a partir da década de 70 que se iniciou um
aumento das porções, coincidindo com a atuação mais forte do marketing na
indústria alimentícia (OLIVEIRA E FISBERG, 2003).
Diante do que foi discutido e dos números apresentados, percebe-se a
importância da implementação de medidas intervencionistas no combate e
prevenção a este distúrbio nutricional em indivíduos mais jovens. Algumas
áreas merecem atenção, sendo a educação, a indústria alimentícia e os meios de
comunicação, os principais veículos de atuação. Medidas de caráter educativo e
informativo, através do currículo escolar e dos meios de comunicação de massa,
assim como, o controle da propaganda de alimentos não saudáveis, dirigidos
principalmente ao público infantil e, a inclusão de um percentual mínimo de
alimentos in natura no programa nacional de alimentação escolar e redução de

www.famart.edu.br | atendimento@famart.edu.br | +55 (37) 3241-2864 | Grupo Famart de Educação


FISIOLOGIA DO EXERCÍCIO: NUTRIÇÃO E DIETÉTICA 33

açúcares simples são ações que devem ser praticadas. Sobre a indústria
alimentícia, devemos procurar o apoio à produção e comercialização de alimentos
saudáveis (OLIVEIRA E FISBERG, 2003).
Não podemos nos esquecer de considerar a classificação da obesidade, uma
vez que ela se constitui em uma doença de etiologia multifatorial e associada com o
desenvolvimento de várias doenças.

Assim, a obesidade pode ser classificada:


 Segundo a distribuição de gordura: generalizada, androide (na
região do tronco e relacionada com alto risco cardiovascular) e ginóide (na região do
quadril).
 De acordo com a idade de início: na primeira infância
(mais precisamente no primeiro ano de vida), na adolescência (relacionada com as
mudanças hormonais que podem trazer problemas psicológicos e desencadear
transtornos alimentares), no início da idade adulta (geralmente em decorrência de
sedentarismo ou caracterizado por hipertrofia dos adipócitos) (OLIVEIRA E
FISBERG, 2003).

Técnicas de avaliação da gordura corporal

Para início da avaliação e posterior diagnóstico de obesidade, uma das


medidas iniciais a ser tomada é avaliação dos níveis de gordura corporal (ZAMBONI,
1997 apud CAMPOS, 2007). Existe uma série de métodos avaliativos para que este
objetivo seja alcançado. Existem dois principais meios de avaliação: a direta e a
indireta, de onde são derivadas uma grande quantidade de metodologias
específicas (BATISTA FILHO & RISSIM, 2003 apud CAMPOS, 2007).
Dentre as técnicas de avaliação direta temos a determinação histológica da
quantidade de células presentes no tecido adiposo corporal por meio de biópsia
realizada através do estudo em cadáver humano, mas esse método, segundo
Afonso e Sichieri (2002) é inviável, portanto, torna-se necessário lançar mão de uma
grande variedade de métodos indiretos.

Dentre as técnicas indiretas temos:

www.famart.edu.br | atendimento@famart.edu.br | +55 (37) 3241-2864 | Grupo Famart de Educação


FISIOLOGIA DO EXERCÍCIO: NUTRIÇÃO E DIETÉTICA 34

Avaliação da massa magra – conhecendo a massa magra, temos a


oportunidade de calcular posteriormente a taxa de gordura corporal. Pode-se avaliar
água corporal, potássio e nitrogênio total. Outra técnica deste grupo é a
determinação da densidade corporal: imergindo o indivíduo em água e subtraindo o
volume de ar presente no interior dos alvéolos pulmonares calcula-se a massa
corporal. Sua fórmula é dada por:

% de gordura corporal = [(4,95 / densidade) – 5,5 ] x 100

Ainda como métodos indiretos de avaliação pode-se lançar mão da utilização


de meios como Tomografia computadorizada (TC) e Ressonância
Magnética (RMN), através dos quais se tem a possibilidade de visualizar e
determinar a quantidade proporcional de tecido adiposo em cada região específica
do corpo (GALLAGHER et al, 1999 apud CAMPOS, 2007).
Uma vez que a obesidade tem se apresentado como um dos principais
problemas de saúde pública é importante utilizar técnicas acessíveis aos serviços de
saúde, ou seja, de baixo custo.
Se encaixam nesse contexto, a Plicometria que avalia o nível de gordura
através das pregas subcutâneas, considerando a quantidade de gordura presente
em regiões especificamente pré-determinadas, o cálculo do IMC – Índice de massa
corporal e o RCC – relação cintura-quadril.
O IMC foi desenvolvido por Quetelet, aproximadamente 150 anos atrás, mas
somente algumas décadas tem sido utilizado em larga escala. Ele correlaciona peso
com estatura do sujeito, objetivando determinar a densidade corporal.
Uma grande quantidade de estudos tem evidenciado a correlação de IMC
com valores superiores a 30 com o aparecimento de uma grande variedade de
doenças, como exemplo diabetes mellitus, doenças coronarianas, doenças
envolvendo as vias biliares, determinados tipos de câncer, dentre outros (OLIVEIRA
et al, 1999 apud CAMPOS, 2007).

A obtenção do IMC se dá através da aplicação da seguinte fórmula:

IMC = peso (kg) / altura (m2)

www.famart.edu.br | atendimento@famart.edu.br | +55 (37) 3241-2864 | Grupo Famart de Educação


FISIOLOGIA DO EXERCÍCIO: NUTRIÇÃO E DIETÉTICA 35

Para avaliação dos resultados obtidos através da aplicação da fórmula do


IMC, deve-se levar em consideração os seguintes valores de referência, para
classificação de sobrepeso em indivíduos adultos (BOUCHARD, 1995;
BATISTA FILHO; RISSIM, 2003 apud CAMPOS, 2007):
Tabela 1 – Valores de referência para cálculo de sobrepeso

Classificação IMC Risco de comorbidades


Baixo peso Valores inferiores à Presença de risco de outros tipos
18,5 de
problemas clínicos.
Normopeso 18,5 – 24,9 ------------------------------------------

Pré-obesidade 25 – 29,9 Moderado

Obesidade grau I 30 – 34,9 Aumentado


Obesidade grau II 35 – 39,9 Severo
Obesidade grau Valores superiores a Muito severo
III 40

Fonte: Rissin (2003 apud Campos, 2007)

Desta forma, o IMC pode ser considerado um método útil para detecção da
obesidade em grupos populacionais, sendo eficaz ainda em determinar a
prevalência de obesidade bem como da presença de riscos de
desenvolvimento de doenças em resposta a instalação desta (ANJOS, 1992 apud
CAMPOS, 2007).

O sedentarismo

Numa verdadeira disputa pelo primeiro lugar junto à obesidade, encontramos


o sedentarismo que também vem se caracterizando como epidemia global.
O sedentarismo está relacionado com a falta ou redução drástica da atividade
física, decorrente de diversos fatores como o aumento da frota de veículos, falta de
segurança para circular nos bairros, uso de controles remotos para a maioria dos

www.famart.edu.br | atendimento@famart.edu.br | +55 (37) 3241-2864 | Grupo Famart de Educação


FISIOLOGIA DO EXERCÍCIO: NUTRIÇÃO E DIETÉTICA 36

aparelhos que antes necessitavam uma breve caminhada para mudar o canal, o
hábito de assistir televisão.
Segundo Coutinho (2008) existem alguns estudos com crianças que relatam
uma média de 28 horas de televisão por semana, demonstrando uma relação direta
com o risco de obesidade.

Tratar a obesidade – a prevenção através da educação física

O principal objetivo de se tratar a obesidade é a redução dos fatores de risco


e complicações impostas por esta doença, desta forma, o tratamento deverá
proporcionar uma melhora do estado de saúde através da promoção de equilíbrio
metabólico, especialmente de substâncias dispersas no sangue como os níveis de
glicose, triglicérides, colesterol e subfrações deste, ácido úrico, insulina, dentre
outros, o que consequentemente melhora principalmente problemas relacionados ao
sistema osteoarticular e psicológico (FULLER et al, 1998; AYYAD & ANDERSEN,
2000 apud COUTINHO, 2008).
Esta melhora do estado de saúde e dos níveis metabólicos em geral é
alcançada a partir da redução ponderal em torno de 5 a 10% do peso corporal total.
Tendo em vista estes aspectos, é necessário que o profissional de educação física
conjuntamente o indivíduo candidato à perda de peso planejem um programa para
que este objetivo possa ser alcançado (MENDONÇA & ANJOS, 2004 apud
COUTINHO, 2008).
Um grande número de pesquisas tem demonstrado que quando praticada de
maneira regular a prática de atividade física é eficaz na alteração dos níveis da
composição corporal (WANG, 1994; KELLER et al, 1997 apud COUTINHO, 2008).
Desta forma, a atividade física se apresenta como um dos principais
elementos da variação do balanço e gasto energético, constituindo-se desta forma
num dos principais preditores do sucesso tanto do emagrecimento quanto da
manutenção do peso (DUBBERT, 1982; DEPRESS, 1991 apud COUTINHO, 2008).
Além de promover a redução e manutenção ponderal, a prática regular de
atividades físicas se mostra extremamente eficaz em potencializar tanto a
2008).

www.famart.edu.br | atendimento@famart.edu.br | +55 (37) 3241-2864 | Grupo Famart de Educação


FISIOLOGIA DO EXERCÍCIO: NUTRIÇÃO E DIETÉTICA 37

O papel da Educação Física Escolar, integrado a um programa de educação


alimentar, é um fator que pode determinar resultados positivos no combate ao
problema. Especialistas em obesidade dizem que os cuidados com a alimentação
devem começar cedo e a escola teria um papel fundamental nessa matéria.
No entanto, isto não basta. É preciso que, paralelamente, a carga das aulas
de Educação Física seja ampliada. A Federação latino-americana de Sociedades de
Obesidade elaborou um documento, entregue ao Ministro da Saúde, em que
destaca a importância da atividade física na escola, no combate à obesidade.
Médicos apontam que o ideal seria que as crianças e adolescente tivessem três
aulas de Educação Física por semana. Tal medida, segundo estes especialistas,
permitiria um melhor desempenho tanto físico, como mental.
Nas aulas de Educação Física, os jovens eliminam os excessos de calorias
acumuladas, desenvolvem a musculatura, mas, antes de tudo, aprendem diferentes
modalidades esportivas, adquirindo o costume da prática de atividade física,
o que os leva, muitas vezes, a se tornarem adeptos de um determinado esporte pelo
resto de suas vidas. No plano social, desde cedo, a criança aprende a competir, a
perder e a vencer, além de experimentar o espírito da coletividade, e todas as
diferenças devem ser respeitadas. Portanto, a Educação Física Escolar deixa de
cumprir apenas o seu aspecto pedagógico, transcende a mera recreação e passa a
influir decisivamente na prevenção de doenças, na melhoria da qualidade de vida e
na sociabilização dos jovens. Neste sentido, vem sendo proporcionados debates
com profissionais, com entidades educacionais de ensino fundamental, médio e de
formação e com entidades governamentais, na intenção de dar à Educação Física
Escolar e ao profissional que exerce o status que merecem (COUTINHO, 2008).

As recomendações do OMS

As consequências negativas da obesidade infantil estão muito bem


documentadas na literatura científica, e as principais são o aumento da pressão
arterial, dislipidemias e resistência à insulina, fatores que elevam enormemente o
risco de doenças cardiovasculares na idade adulta. Casos de diabetes tipo II em
crianças, antes muito raros, já representam um terço dos casos novos da doença
nos Estados Unidos. Devido à estigmatização social da obesidade, crianças com

www.famart.edu.br | atendimento@famart.edu.br | +55 (37) 3241-2864 | Grupo Famart de Educação


FISIOLOGIA DO EXERCÍCIO: NUTRIÇÃO E DIETÉTICA 38

excesso de peso estão ainda sujeitas a uma série de graves distúrbios psicológicos.
Por outro lado, uma grande parte das crianças obesas serão adultos obesos e,
nessa medida, estarão expostas a maior risco de várias graves doenças
crônicas, incluindo as cardiovasculares, certos tipos de câncer e distúrbios do
aparelho locomotor, vivendo assim menos anos e com pior qualidade de vida
(HALPERN, 2008).
A Organização Mundial de Saúde (OMS) recomenda que os países deem
máxima prioridade à prevenção da obesidade em crianças e adolescentes,
sugerindo as seguintes atividades:
1. Promoção da atividade física;
2. Restrição do consumo de alimentos caloricamente densos e pobres em
micronutrientes (ex: salgadinhos de pacote e refrigerantes);
3. Limitação da exposição das crianças às pesadas práticas de marketing
desses produtos;
4. Provisão de informações para promover escolhas saudáveis para o
consumo alimentar (educação nutricional);
5. Resgate de dietas tradicionais saudáveis (alimentação é cultura)
(HALPERN, 2008).

No que se refere especificamente à promoção da alimentação saudável, a


OMS recomenda:
1. Estratégias abrangentes e indissociáveis (alimentação, atividade física
e tabaco) na perspectiva do ciclo de vida;
2. Governos devem trabalhar em estreita parceria com a sociedade
(consumidores, associações científicas e profissionais, indústrias, comunidade
acadêmica etc.);
3. Estratégias devem ser focalizadas nas necessidades dos mais pobres
(associar-se à agenda de combate à pobreza);
4. Padrões internacionais para regulamentar a comercialização e
marketing de alimentos pouco saudáveis (Codex Alimentarius);
5. Forte liderança proativa de quem tiver mais condições de iniciar
o processo (sociedade civil, governo, organismos internacionais);

www.famart.edu.br | atendimento@famart.edu.br | +55 (37) 3241-2864 | Grupo Famart de Educação


FISIOLOGIA DO EXERCÍCIO: NUTRIÇÃO E DIETÉTICA 39

6. Aumentar o acesso aos alimentos frescos e nutricionalmente ricos,


principalmente para as populações mais pobres, com políticas de preços, rotulagem
e alegações nutricionais;
7. Disponibilizar a informação sobre o conteúdo nutricional das refeições
fora de casa, particularmente “fast-foods”;
8. Estabelecer um plano de comunicação social (envolver profissionais da
mídia);
9. Capacitar os profissionais de saúde e educação;
Implementar um sistema de informação para o monitoramento da situação
alimentar, atividade física e morbidade por doenças crônicas não transmissíveis
(HALPERN, 2008).

O DESENVOLVIMENTO HUMANO NA ÓTICA DA BIOECOLOGIA – UMA


ÁREA EM CONSTRUÇÃO

Segundo Bronfenbrenner (1996) a ecologia do desenvolvimento humano é o


estudo científico da acomodação progressiva, mútua, entre um ser humano ativo,
m desenvolvimento, e as propriedades mutantes dos ambientes imediatos
em que a pessoa em desenvolvimento vive, conforme esse processo é afetado
pelas relações entre esses ambientes, e pelos contextos mais amplos em que
os ambientes estão inseridos.
Sua proposta ecológica de desenvolvimento apresenta aspectos
fundamentais que diferem, por exemplo, da didática proposta pela psicologia clínica,
e laboratorial psicodiagnóstica proposta pela psicologia científica (ALVES, 1997).
Ele privilegia os aspectos saudáveis do desenvolvimento, os
estudos realizados em ambientes naturais e a análise da participação da pessoa
focalizada no maior número possível de ambientes e em contato com
diferentes pessoas (ALVES, 1997).
O desenvolvimento humano é, então, definido como “o conjunto de processos
através dos quais as particularidades da pessoa e do ambiente interagem para
produzir constância e mudança nas características da pessoa no curso de sua vida”
(BRONFENBRENNER, 1989, p.191).
Segundo Krebs (2008), Bronfenbrenner não inclui em sua teoria uma relação
específica das características individuais, como, por exemplo, inteligência, caráter,

www.famart.edu.br | atendimento@famart.edu.br | +55 (37) 3241-2864 | Grupo Famart de Educação


FISIOLOGIA DO EXERCÍCIO: NUTRIÇÃO E DIETÉTICA 40

etc., que foram amplamente discutidas em outras teorias do desenvolvimento.


Entretanto, essa sua omissão não deve ser tomada como uma negligência, pois ele
próprio admite concordar com outros autores que tratam desses temas. No entanto,
Bronfenbrenner alerta que todas as características individuais não podem ser
interpretadas sem uma perspectiva ecológica, ou seja, sem estabelecer-se a relação
entre as características do ser humano ativo em desenvolvimento com seus
respectivos contextos, entendidos como ambientes dinâmicos em constantes
transformações.
Para designar as propriedades da pessoa, Bronfenbrenner usou, inicialmente,
o termo competências. Em relação à avaliação dessas competências, nas
quais está incluída a cognição, Krebs (2008, p. 18) faz a seguinte observação:
“Bronfenbrenner destaca uma variada gama de testes para a avaliação da
inteligência, da personalidade, dos estágios do desenvolvimento cognitivo e
moral, etc. Tais medidas baseiam-se em padrões de respostas experimentais em
situações laboratoriais. Para ele essas medidas não têm dado a devida
consideração ao status real dessas capacidades nas situações de vida
cotidiana da pessoa em desenvolvimento”.
Para avaliar as competências individuais dentro do contexto, Bronfenbrenner
(1992 apud Krebs, 2008) mostra que o resultado muitas vezes depende de como
tenha sido organizada a compreensão dessa competência. De uma maneira geral
ele comenta que uma das abordagens refere-se a uma avaliação da competência
como um status adquirido dentro do contexto. Isso significa atribuir certas
competências à pessoa em função de seu status social, como por exemplo: um
professor, pelo seu status, receberia uma avaliação superior a de seus alunos em
competência cognitiva.
Esse nível de avaliação é denominado como competência em função do
status pessoal. Uma outra maneira de avaliar-se competência em contexto, é pelo
julgamento da capacidade da pessoa solucionar satisfatoriamente os
problemas relativos ao contexto. Voltando ao exemplo anterior, do professor e seus
alunos, nesse tipo de avaliação, o mais competente, independente do status, é
quem obtiver mais sucesso na solução de problemas inerentes ao contexto da aula.
Esse segundo nível de avaliação é denominado de competência avaliada dentro do
ambiente. Nesses dois níveis de avaliação, a competência é vista em termos mais
pragmáticos.

www.famart.edu.br | atendimento@famart.edu.br | +55 (37) 3241-2864 | Grupo Famart de Educação


FISIOLOGIA DO EXERCÍCIO: NUTRIÇÃO E DIETÉTICA 41

Para definir um terceiro tipo de avaliação de competência, Bronfenbrenner


estabelece relações com a visão de Vygotsky, que ressalta que a espécie humana é
a única que cria e elabora seu próprio ambiente em forma de cultura. Assim, esse
terceiro nível é denominado de competência como uma maestria culturalmente
definida. Nesse último caso, a avaliação de competência não se limita ao status da
pessoa, nem a sua competência limitada a um contexto específico, mas, considera a
competência como um fator relacionado a toda a cultura que permeia os contextos
em que a pessoa esteja inserida, desde os mais imediatos até aos mais abrangentes
(KREBS, 2008).
Em relação aos parâmetros do contexto, Bronfenbrenner propõe um modelo
sistêmico em que os ambientes em que a pessoa em desenvolvimento
participa ativamente constituem a dimensão mais imediata, nomeados como
microssistemas. A rede sistêmica que é formada pelos microssistemas que
uma pessoa vivencia é chamada de mesossistema. Os contextos em que a pessoa
em desenvolvimento não participa ativamente, mas aos quais esteja indiretamente
relacionada são chamados de exossistema.
E, finalmente, a dimensão mais abrangente do modelo, que envolve todos os
níveis de contextos caracterizados como micro- meso- e exossistemas, é
denominado como macrossistema (Krebs, 2008, p. 8). Essas dimensões serão
explicadas abaixo com mais riqueza de detalhes.
Veremos também, os componentes do modelo bioecológico proposto pela
abordagem sistêmica de Bronfenbrenner, que são: processo – pessoa –
contexto – tempo.

Os processos proximais

Ao longo de todo o curso da vida, e especialmente nas fases iniciais, o


desenvolvimento humano tem lugar através de processos de interação recíproca,
cada vez mais complexa, entre um organismo humano biopsicológico ativo e
as pessoas, objetos e símbolos em seu ambiente imediato.
Para ser efetiva, a interação deve ocorrer sobre uma base bastante regular ao
longo de períodos extensos de tempo. Essas formas duradouras de interação nos
ambientes imediatos são identificadas como processos proximais. Exemplos de

www.famart.edu.br | atendimento@famart.edu.br | +55 (37) 3241-2864 | Grupo Famart de Educação


FISIOLOGIA DO EXERCÍCIO: NUTRIÇÃO E DIETÉTICA 42

padrões duradouros de processos proximais são encontrados em atividades


conjuntas mãe-criança, pai-criança ou criança-criança, brincadeira solitária ou em
grupo, leitura, aprendizagem de novas habilidades, estudo, atividades esportivas.
Os processos proximais de interação entre o indivíduo e seus
ambientes operam no tempo e constituem os mecanismos primários do
desenvolvimento humano.

A pessoa

A Pessoa desempenha um papel ativo nos processos proximais, pois ela


interage com os parceiros sociais, seleciona e molda seu ambiente. Dentre as
características da pessoa que influenciam os processos proximais temos sua
disposição e seus recursos e as características de demanda.
Para agir existem também disposições comportamentais, seletivas que
podem ser generativas (iniciam e mantêm os processos proximais) ou inibidoras
(obstruem, retardam ou impedem processos proximais). Estas disposições
comportamentais são as características da pessoa que mais influenciam os
processos proximais.
As características pessoais generativas, que iniciam e sustentam processos
proximais, envolvem disposições ativas como curiosidade, tendência para iniciar
e engajar-se em atividade (sozinho ou junto com outras pessoas), responsividade
às iniciativas dos outros, e capacidade de adiar gratificação para alcançar metas
de longo prazo.
As características inibidoras ou disruptivas, que interferem com os processos
proximais, incluem aspectos do funcionamento em dois polos, sendo que em um
desses polos estariam características como impulsividade, distratibilidade, tendência
a reagir explosivamente ou com agressão, dificuldade para adiar gratificação, enfim,
dificuldades em manter controle sobre as emoções e o comportamento. E no polo
oposto estariam atributos como apatia, falta de interesse no ambiente circundante,
sentimentos de insegurança, timidez, ou uma tendência geral para evitar a atividade
(MARTURANO, 2008).
Quanto aos recursos estes são potencialidades e deficiências biopsicológicas,
que influenciam a capacidade do organismo para se envolver efetivamente em
processos proximais. Conforme vão se desenvolvendo, as potencialidades

www.famart.edu.br | atendimento@famart.edu.br | +55 (37) 3241-2864 | Grupo Famart de Educação


FISIOLOGIA DO EXERCÍCIO: NUTRIÇÃO E DIETÉTICA 43

expandem os domínios nos quais os processos proximais podem fazer seu trabalho
construtivo.
A disposição dos outros em relação à pessoa são as características
chamadas de demanda. Sua influência sobre o desenvolvimento consiste na
capacidade de estimular ou desencorajar reações do ambiente social, de um modo
que pode obstruir ou promover processos de crescimento psicológico; por exemplo,
um bebê irritadiço versus um bebê feliz; aparência física atraente ou não atraente;
ou hiperatividade em contraste com passividade (ALVES, 1997; BEE, 2003).

O contexto

É o ambiente em que a pessoa em desenvolvimento vive experiências


pessoais diretas: família, escola, creche, etc.
É dentro do microssistema que os processos proximais operam para produzir
e sustentar o desenvolvimento.
O Mesossitema inclui as interrelações e influências recíprocas entre dois ou
mais ambientes nos quais a pessoa em desenvolvimento participa ativamente,
sendo ampliado sempre que a pessoa em desenvolvimento entra num novo
microssistema.
O exossistema inclui elementos do sistema que não envolvem a pessoa em
desenvolvimento como um participante ativo, mas nos quais ocorrem eventos que
afetam aquilo que acontece em um dos microssistemas.
O Macrossistema é composto pelo padrão global de ideologias, crenças,
valores, religiões, formas de governo, culturas e subculturas presentes no cotidiano
das pessoas. Inclui o ambiente cultural ou subcultural mais amplo em que tanto o
micro como o meso e o exossistema estão inseridos (MARTURANO,
2008).

Representação do modelo ecológico

www.famart.edu.br | atendimento@famart.edu.br | +55 (37) 3241-2864 | Grupo Famart de Educação


FISIOLOGIA DO EXERCÍCIO: NUTRIÇÃO E DIETÉTICA 44

Curso de vida

Momento histórico

O Tempo

As mudanças universais, os eventos da vida, os acontecimentos históricos


são as influência ao longo do ciclo da vida. Desse modo, se existe um sistema
instável, caótico ou excessivamente rígido, os processos proximais serão
prejudicados em seu desenvolvimento. Ao contrário, se o ambiente for estável,
flexível, favorecerá os processos proximais (ALVES, 1997; BEE, 2003).

Psicofisiologia - Lobos Cerebrais

www.famart.edu.br | atendimento@famart.edu.br | +55 (37) 3241-2864 | Grupo Famart de Educação


FISIOLOGIA DO EXERCÍCIO: NUTRIÇÃO E DIETÉTICA 45

Fonte: Durão (2008)

www.famart.edu.br | atendimento@famart.edu.br | +55 (37) 3241-2864 | Grupo Famart de Educação


FISIOLOGIA DO EXERCÍCIO: NUTRIÇÃO E DIETÉTICA 46

REFERÊNCIAS

ABBAGNANO, Nicola. Dicionário de Filosofia. São Paulo: Martins Fontes, 1990


Verbete Psicologia, subseção d, p. 810.
AFONSO F. M.; SICHIERI R. Associação do índice de massa corporal e da relação
cintura/quadril com hospitalizações em adultos do Município do Rio de Janeiro.
Revista Brasileira de Epidemiologia, v.5, p.153-163, 2002.
ALMADA, Ana. Psicologia do desenvolvimento: contribuições teóricas. Disponível
em: <http://www.notapositiva.com/trab_professores/textos_apoio/psicologia/psicdes
envcontrteoricas.htm> Acesso em: 16 jun. 2008.
ALVES, Paola Biasoli. A ecologia do desenvolvimento humano: experimentos
naturais e planejados. Revista de Psicologia Reflexão e
Crítica. v.10 n.2 Porto Alegre, 1997.
ANDERSEN, Roberto. Neurofisiologia. Disponível em:
<http://www.iupe.org.br/ass/psicanalise/psi-neurofisiologia.htm> Acesso em: 10 jun.
2008.
BEE, Helen L. A ecologia do desenvolvimento: a criança no sistema
familiar. Trad. M. A. V. Veronesi. 9 ed., Porto Alegre: Artes Médicas, 2003.
BRONFENBRENNER, Urie. A ecologia do desenvolvimento humano:
experimentos naturais e planejados. Trad. M. A. V. Veronesi. Porto Alegre:
Artes Médicas, 1996, 268 p.
CAMPOS, Armênio. A importância da atividade física no tratamento e
prevenção da obesidade. Rio de Janeiro: Universidade Castelo Branco, 2007.
COLL, César; PALACIOS, Jesus; MARCHESI, Álvaro. Desenvolvimento
psicológico e educação. 2.ed. Porto Alegre: Artmed, 2004.
COUTINHO, Walmir. Obesidade: o papel da escola. Disponível
em:<http://www.portalesporte.com.br.>
D`ANDRÉA, Flávio Fortes. Desenvolvimento da Personalidade. Rio de
Janeiro: Ed. Bertrand Brasil, 2001.
DURÃO, Isabel. Psicofisiologia: lobos cerebrais. Disponível em:
<http://www.notapositiva.com/trab_professores/textos_apoio/psicologia/psicoflo
boscerebrais.htm> Acesso em: 15 jun. 2008.Fisiologia HP -
http://www.fisiologia.kit.net

www.famart.edu.br | atendimento@famart.edu.br | +55 (37) 3241-2864 | Grupo Famart de Educação


FISIOLOGIA DO EXERCÍCIO: NUTRIÇÃO E DIETÉTICA 47

HALPERN, Zuleika. Fórum Nacional sobre Promoção da Alimentação Saudável e


Prevenção da Obesidade na Idade Escolar. Revista Abeso n.15 Disponível em:
<http://www.abeso.org.br> Acesso em 10 jun. 2008.
KREBS, Ruy Jornada. Novas tendências para o estudo do desenvolvimento
humano. Disponível em:
<http://www.fmh.utl.pt/mestradodc/textosruykrebs/novastendencias.pdf>
MARTURANO, Edna Maria. Princípios básicos – desenvolvimento cognitivo
– desenvolvimento psicossocial – psicologia do desenvolvimento.
Disponível em:
<http://rnp.fmrp.usp.br/~pdh/Aulas/PrincipiosBasicos.pdf>
MEDKE, Roger. A psicologia do desenvolvimento. Disponível em:
<http://pt.shvoong.com/tags/a-psicologia-do-desenvolvimento/>
MOTTA, Paulo Rogério da. A psicofisiologia. Disponível
em:<http://www.euniverso.com.br>
NIEMANN, D. C. Exercício e Saúde: como se prevenir de doenças usando o
exercício como seu medicamento. Barueri (SP): Manole, 1999.
OLIVEIRA, Cecília L. de; FISBERG, Mauro. Obesidade na infância e adolescência –
uma verdadeira epidemia. Arquivo Brasileiro de Endocrinologia e Metabolismo.
V. 47 n. 2 Abril 2003.
Psicologia. Disponível em: <http://www.wikipedia.com.br>
SANTOS, André Luis dos; CARVALHO, Antônio Luis de; GARCIA JUNIOR, Jair
Rodrigues. Obesidade infantil e uma proposta de Educação Física preventiva.
Revista Motriz, Rio Claro, v.13 n.3 p.203-213, jul./set. 2007.
TERRA, Márcia Regina. O desenvolvimento humano na teoria de Piaget.
Disponível em:
<http://www.unicamp.br/iel/site/alunos/publicacoes/textos/d00005.htm>
ZACHARIAS, Vera Lucia Camara. Henri Wallon. Disponível em:
<http://www.centrorefeducacional.pro.br/wallon.htm>
ZACHARIAS, Vera Lucia Camara. Jean Piaget. Disponível
em:<http://www.centrorefeducacional.pro.br/piaget.htm>
BARBOSA, Vera Lucia Perino. Prevenção da Obesidade na Infância e na
Adolescência - Exercício, Nutrição e Psicologia. Barueri (SP): Editora Manole,
2003.

www.famart.edu.br | atendimento@famart.edu.br | +55 (37) 3241-2864 | Grupo Famart de Educação


FISIOLOGIA DO EXERCÍCIO: NUTRIÇÃO E DIETÉTICA 48

PAPALIA, Diane E.; OLDS, Sally Wendkos. Desenvolvimento humano. 8 ed. Porto
Alegre: Artmed, 2006, 888 p.
DESSEN, Maria Auxiliadora; COSTA JR, Aderson Luiz. A ciência do
Desenvolvimento Humano. Porto Alegre: Artmed, 2005, 278p.
KOLLER, Silvia Helena. Ecologia do Desenvolvimento Humano: pesquisa e
intervenção no Brasil. São Paulo: Casa do Psicólogo, 2004, 437 p.
WILMORE, J. H. e COSTILL, L. D. Fisiologia do esporte e do exercício. 2 Ed. São
Paulo: Manole, 2001.

www.famart.edu.br | atendimento@famart.edu.br | +55 (37) 3241-2864 | Grupo Famart de Educação

Você também pode gostar