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seg003- NR10 Sep Avançado

NR10 - Sep Avançado


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Federação das Indústrias do Estado do Espírito Santo – Findes

Lucas Izoton Vieira


Presidente

Senai – Departamento Regional do Espírito Santo

Manoel de Souza Pimenta


Diretor-gestor

Robson Santos Cardoso


Diretor-regional

Alfredo Abel Tessinari


Gerente de Operações

Fábio Vassallo Mattos


Gerente de Educação e Tecnologia

Agostinho Miranda Rocha


Gerente de Educação Profissional

Equipe técnica

Marcelo Bermudes Gusmão


Coordenação

Elson Lyra
Elaboração

Fábio Vassallo Mattos


Revisão técnica

Lygia Bellotti
Adaptação de linguagem

Islene Servane dos Santos


Revisão gramatical

Samira Ribeiro Cunha Curto


Revisão pedagógica

Andrelis Scheppa Gurgel


Projeto gráfico

Jackeline Oliveira Barbosa


Paola Lougon Pasolini
Diagramação

Fabrícia Resieri
Fabrício Zucolotto
Fernando Emeterio de Oliveira
Ilustração

Fernanda de Oliveira Brasil


Maria Carolina Drago
Organização
Segurança do Trabalho
NR10 - Sep Avançado
Versão 0

Vitória
2009
© 2009. Senai - Departamento Regional do Espírito Santo
Todos os direitos reservados e protegidos pela Lei nº 9.610, de 19/02/1998. É proibida a reprodução total ou parcial desta publicação, por
quaisquer meios, sem autorização prévia do SENAI/ES.

Senai/ES
Divisão de Educação e Tecnologia - Detec

Ficha catalográfica elaborada pela Biblioteca do Senai-ES

Dados Internacionais de Catalogação-na-publicação (CIP)

SENAI. Departamento Regional do Espírito Santo.


S474n NR-10 - Segurança em instalações e serviços em eletricidade : sistema elétrico
de potência / Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial, Departamento
Regional do Espírito Santo. - Vitória : SENAI, 2009.
144 p. : il.

Inclui bibliografia.

1. NR 10 - SEP. 2. Eletricidade. 3. Segurança. 4. Métodos de trabalho. 5.


Prevenção de acidentes. 6. Medidas de controle. I. Título.

CDU: 614.8:537

Senai-ES - Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial

Departamento Regional do Espírito Santo


Av. Nossa Senhora da Penha, 2053
Ed. Findes - 6º andar CEP: 29056-913 - Vitória - ES
Tel: (27) 3334-5600 - Fax: (27) 3334-5772 - http://www.es.senai.br
Apresentação

A busca por especialização profissional é constante. Você, assim como a


maioria das pessoas que deseja agregar valor ao currículo, acredita nessa
idéia. Por isso, para apoiá-lo na permanente tarefa de se manter atualiza-
do, o Senai-ES apresenta este material, visando a oferecer as informações
de que você precisa para ser um profissional competitivo.

Todo o conteúdo foi elaborado por especialistas da área e pensado a


partir de critérios que levam em conta textos com linguagem leve, gráfi-
cos e ilustrações que facilitam o entendimento das informações, além de
uma diagramação que privilegia a apresentação agradável ao olhar.

Como instituição parceira da indústria na formação de trabalhadores qua-


lificados, o Senai-ES está atento às demandas do setor. A expectativa é
tornar acessíveis, por meio deste material, conceitos e informações neces-
sárias ao desenvolvimento dos profissionais, cada vez mais conscientes
dos padrões de produtividade e qualidade exigidos pelo mercado.
Sumário

Organização do sistema elétrico ...........................................................................................9

Qualificação, habilitação, capacitação e autorização ................................................. 19

Sinalização de segurança...................................................................................................... 23

Documentação de instalações elétricas ......................................................................... 37

Procedimentos de trabalho ................................................................................................. 41

Aterramento elétrico .............................................................................................................. 47

Riscos no SEP e sua prevenção ........................................................................................... 51

Equipamentos e ferramentas de trabalho ..................................................................... 73

Responsabilidade civil e criminal no acidente ............................................................. 81

Distribuição de energia elétrica ........................................................................................ 85

Técnicas de trabalho em espaços confinados .............................................................. 89

Direção defensiva .................................................................................................................... 99

Postura de trabalho .............................................................................................................. 105

Aspectos comportamentais .............................................................................................. 111

Acidentes típicos ................................................................................................................... 119

Condições impeditivas para o serviço ........................................................................... 131

Transporte da vítima ............................................................................................................ 133

Anexo – Modelo .................................................................................................................... 139

Referências bibliográficas .................................................................................................. 143


Organização do sistema elétrico

Nesta unidade você vai aprender algumas normas que envolvem a orga-
nização do Sistema Elétrico de Potência (SEP). Primeiramente, serão abor-
dados os aspectos organizacionais da atividade, em seguida, questões
relacionadas à operação dos sistemas elétricos.

O Sistema Elétrico de Potência (SEP) é o conjunto de todas as instalações e


equipamentos usados para gerar, transmitir e distribuir a energia elétrica.
Atualmente, esse mercado tem crescido anualmente em média 4,5%. No
Brasil, esse sistema apresenta grandes extensões de linhas de transmis-
são e um parque produtor de geração predominantemente hidráulica.
O principal centro consumidor do País fica concentrado nas regiões mais
industrializadas, Sul e Sudeste. No Norte, o recurso é gerado em peque-
nas centrais, especialmente termelétricas a óleo diesel.

Achou importante?
Faça aqui suas anotações.
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As estruturas dos sistemas de energia elétrica possuem organização ver-
tical e horizontal, conforme você pode conferir na ilustração a seguir.
{
SUBTRANSMISSÃO

DISTRIBUIÇÃO

SECUNDÁRIO
PRODUÇÃO

TRANSMISSÃO
NÍVEL DE
TRANSMISSÃO
SITEMA DE

NÍVEL DE
SISTEMA DE SUB-
TRANSMISSÃO
NÍVEL DE

PRIMÁRIO

DISTRIB.
SISTEMA
{
{ Muito Grandes
INTERLIGAÇÃO
LINHA

{{ {
TRANSMISSÃO

SISTEMA DE SUB-
PRODUÇÃO

SITEMA DE

TRANSMISSÃO

Pequenos

Grandes
Médios

DISTRIB.
SISTEMA
{

Aspectos organizacionais
A regulamentação e a fiscalização da geração, transmissão e distribuição
de energia elétrica no Brasil são feitas pela Constituição Federal. Assim,
as concessões para empresas que atuam nesse setor devem ser emitidas
pelo Ministério das Minas e Energia (MME), já a fiscalização e a regula-
ção são responsabilidades da Agência Nacional do Setor Elétrico (Aneel).
Além desses órgãos, há ainda outras instituições encarregadas de coor-
denar a expansão e a operação do sistema, como:

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- Operador Nacional do Sistema (ONS): Tem a função de planejar e co-
ordenar a operação elétrica e energética no Brasil.

- Empresa de Planejamento Energético (EPE): Responsável por proje-


tar a expansão dos sistemas elétricos e energéticos do País.

- Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE): É o órgão en-


carregado pelos contratos de compra e venda de energia e também pela
mensuração da energia fornecida ou recebida pelos geradores, distribui-
dores, consumidores livres e pelas empresas que comercializam o recurso.

Segmentos
Há três segmentos que compõem o sistema elétrico: a geração, a transmissão
e a distribuição de energia elétrica. Para facilitar a sua compreensão sobre as
questões que envolvem cada uma dessas etapas que fazem parte da organi-
zação vertical do sistema, elas serão abordadas separadamente a seguir.

Geração ou produção
Os termos geração ou produção podem ser também compreendidos
como a conversão de uma forma qualquer de energia em energia elé-
trica. Conforme dados apresentados pela Aneel, no Brasil, há mais de 1,5
mil empreendimentos em operação que geram quase 102.364.691 mi-
lhões de kW de potência. A atual Matriz de Energia Elétrica do País está
representada na ilustração a seguir:

MATRIZ DE ENERGIA ELÉTRICA DO BRASIL


Empreendimentos em Operação
Capacidade
Total
Instalada
Tipo % %
n˚ de n˚ de
(kW) (kW)
Usinas Usinas
Hidro 607 71.848.487 70,19 607 71.848.487 70,19
Natural 72 9.886.953 9,66
Gás 98 10.812.701 10,56
Processo 26 925.748 0,90
T
Óleo
E 521 3.572.554 3,49
Diesel
R Petróleo 539 4.736.524 4,63
Óleo
M 18 1.163.970 1,14
Residual
E
Bagaço
L de Cana 222 2.324.550 2,27 3.346.429
É Licor
T Negro 13 782.617 0,76
R Biomassa 264 3,27
Madeira 25 212.832 0,21
1.415.429
I Biogás 2 20.030 0,02
C Casca de
A Arroz 2 6.400 0,01
S
Carvão Mineral Carvão 7 1.415.000 1,38 7 1.415.000 1,38
Mineral

Nuclear 2 2.007.00 1,96 2 2.007.000 1,96


Eólica 10 28.550 0,03 10 28.550 0,03
Paraguai 5.650.000 2,33
Argentina 2.250.000 5,85
Importação 8.170.000 7,98
Venezuela 200.00 0,08
Uruguai 70.000 0,20
Total 1,527 102.364.691 100 1,527 102.364.691 100

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Conforme já mencionado, as fontes de energia elétrica mais comuns no
Brasil são as usinas hidrelétricas de grande porte – com potência maior
que 30 MW – e as usinas termelétricas. As hidrelétricas, que são respon-
sáveis por mais de 70% de toda a produção brasileira, estão localizadas,
especialmente, nas regiões Sul e Sudeste do País.

A NBR 5460 - Sistemas Elétricos de Potência - estabelece a seguinte defi-


nição para essas usinas:

2.1 – Usina (Elétrica) – É a instalação elétrica destinada a gerar energia


elétrica em escala industrial, por conversão de outra forma de energia.

2.2 – Usina Hidrelétrica – É a usina elétrica na qual a energia elétrica é


obtida por conversão da energia gravitacional da água.
Podemos encontrar usinas hidrelétricas do tipo:
2.2.1 – Usina (hidrelétrica) a fio d´água – Usina hidrelétrica que utiliza
diretamente a vazão do rio, tal como se apresenta no local.
2.2.2 – Usina (hidrelétrica) com acumulação - Usina hidrelétrica que dis-
põe do seu próprio reservatório de regularização.
Nas grandes usinas o nível de tensão na saída dos geradores está normal-
mente na faixa de 6 a 25 kV.

Já as usinas termelétricas apresentam, como principais características,


baixos custos de construção, operação e manutenção, além da possibili-
dade de serem instaladas em locais próximos aos centros consumidores.
Essas usinas ficam principalmente na região Norte do País, representam
3,4% da produção de eletricidade do País e atendem a uma área que
corresponde 45% do território brasileiro e a cerca de 3% da população,
aproximadamente 1,2 milhões de consumidores.

Conforme a NBR 5460 esse tipo de geração é definido da seguinte forma:

2.3 - Usina Termelétrica – Usina elétrica na qual a energia elétrica é obtida


por conversão da energia térmica. Os tipos mais utilizados no Brasil são:
2.3.1 – Unidade (Termelétrica) a combustão interna – Unidade termelé-
trica cujo motor primário é um motor de combustão interna
2.3.2 - Unidade (Termelétrica) a gás – Unidade termelétrica cujo motor
primário é uma turbina a gás.
2.3.3 - Unidade (Termelétrica) a turbina - Unidade termelétrica cujo mo-
tor primário é uma turbina a vapor.
2.3.4 – Usina Nuclear – Usina termelétrica que utiliza a reação nuclear
como fonte térmica.

Assim como as hidrelétricas, as usinas termelétricas a carvão mineral,


óleo combustível, gás natural ou as nucleares são classificadas como fon-
tes de energia elétrica convencionais. Em ambos os casos são utilizados
geradores do tipo síncrono e a operação ocorre em frequência nominal
de 60Hz, que é a usada nos sistemas elétricos brasileiros. Já no caso da
geração nuclear, as usinas ficam localizadas o mais próximo possível dos
locais de consumo. Isso é feito para reduzir os gastos com transmissão e
de acordo com normas de segurança e preservação ambiental.

Além das fontes de energia elétrica já citadas, há diversas formas alterna-


tivas de energia como solar fotovoltaica, usinas eólicas, usinas que usam

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queima de biomassa (madeira, cana-de-açúcar, por exemplo) e outras
fontes menos usuais, como as que utilizam a força das marés.

No Brasil, estão sendo desenvolvidos estudos para verificar as possibi-


lidades técnicas e os custos de produção de energia na Amazônia e a
transmissão dela para as regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste, situa-
das a mais de 2000 quilômetros.

A seguir, você vai aprender mais sobre a transmissão de energia elétrica.


Confira.

Transmissão
A transmissão pode também ser definida como o transporte de energia
elétrica de acordo com o valor nominal de tensão entre a subestação ele-
vadora de uma usina elétrica e a subestação abaixadora em que se inicia
a subtransmissão. Nessa fase, o sistema de distribuição é alimentado e
fornece energia elétrica a um grande consumidor.

Esse processo de transmissão também pode ser realizado entre as subes-


tações que fazem a interligação dos sistemas elétricos de dois concessio-
nários, ou áreas diferentes do sistema de um mesmo concessionário.

No Brasil, as tensões de transmissão mais comuns em corrente alternada


variam entre 138 KV e 765 KV, incluindo nesse intervalo tensões de 230
KV, 345 KV, 440 KV e 500 KV. As redes que possuem tensões nominais
iguais ou maiores que 230 KV formam uma rede básica de transmissão.

Já os sistemas de subtransmissão apresentam níveis mais baixos, como


34,5 KV, 69 KV ou 88 KV e 138 KV e alimentam subestações de distribui-
ção. Geralmente, esses sistemas operam com tensões menores que as
dos sistemas de transmissão, porém, não é raro operarem com mesma
tensão que eles.

Os sistemas de subtransmissão nascem nos barramentos das subesta-


ções regionais e terminam nas subestações abaixadoras locais. Das re-
gionais, geralmente, saem diversas linhas de transmissão que apresen-
tam caminhos diversos.

Um único sistema pode apresentar dois ou mais níveis de tensões de


subtransmissão, além de um subnível de subtransmissão.

No Brasil existe um sistema que opera em corrente contínua, o Sistema


de Itaipu, com nível de tensão de ± 600 kVDC .

No caso de transmissão em corrente alternada, o sistema elétrico de


potência é constituído basicamente pelos geradores, estações de eleva-
ção de tensão, linhas de transmissão, estações seccionadoras e estações
transformadoras abaixadoras.

Na transmissão em corrente contínua a estrutura é essencialmente a


mesma, diferindo apenas pela presença das estações conversoras junto à

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subestação elevadora (para retificação da corrente) e junto à subestação
abaixadora (para inversão da corrente) e ainda pela ausência de subesta-
ções intermediárias abaixadoras ou de seccionamento.

As linhas de transmissão em corrente contínua apresentam custo inferior


ao de linhas em corrente alternada, enquanto que as estações conver-
soras apresentam custo elevado. Portanto, a transmissão em corrente
contínua apresenta-se vantajosa na interligação de sistemas com frequ-
ências diferentes ou para transmissão de energia a grandes distâncias.

Sob o ponto de vista físico e elétrico, as linhas de transmissão e de subtrans-


missão se confundem e os métodos de cálculo são os mesmos. Em algumas
empresas as linhas de subtransmissão ficam sujeitas aos seus departamen-
tos de distribuição, que as planejam, projetam, constroem e operam. Em
outras empresas elas estão a cargo dos departamentos encarregados das
linhas e subestações. É uma opção de organização administrativa.

Para efeito didático, extraímos algumas definições da NBR 5460, as quais


transpomos abaixo:

3.1 – Subtransmissão – Transmissão de energia elétrica entre uma subes-


tação abaixadora de um sistema de transmissão e uma ou mais subesta-
ções de distribuição.

3.2 – Subestação – Parte de um sistema de potência concentrada em um


dado local, compreendendo primordialmente as extremidades de linhas
de transmissão e/ou de distribuição, com os respectivos dispositivos de
manobra, controle e proteção, incluindo as manobras civis e estruturas
de montagem, podendo incluir também, transformadores, equipamen-
tos conversores e outros equipamentos. Podemos citar dentre os tipos
de subestação:

3.2.1- Subestação Elevadora – Subestação transformadora na qual a ten-


são de saída é maior que a tensão de entrada.

3.2.2- Subestação Abaixadora – Subestação transformadora na qual a


tensão de saída é menor que a tensão de entrada.

3.2.3 – Subestação de Manobra (chaveamento) – Subestação cuja fina-


lidade principal é modificar a configuração de um sistema elétrico, me-
diante modificação das interligações de linhas de transmissão.

3.2.4 – Subestação telecontrolada (desassistida) – Subestação não-aten-


dida cuja operação é controlada à distância.

3.3 – Linhas – Conjunto de condutores, isoladores e acessórios, destinado


a transportar energia elétrica entre dois pontos de um sistema elétrico.
Compõem-se basicamente de três partes principais:

a) Estruturas (ou suportes) e acessórios;


b) Cadeias de isoladores e acessórios,
c) Cabos condutores e acessórios.

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Protegendo este conjunto, encontramos a malha ou dispositivo de ater-
ramento, composto de cabos pararraios, fios terra e contrapeso.

Em resumo, sob o ponto de vista funcional e operacional, podemos dizer


que a estrutura de um sistema elétrico pode ser dividida em várias subes-
truturas baseadas nos seus diversos níveis de tensão: geração, transmis-
são, subtransmissão e distribuição (primária e secundária), sendo essa
última objeto de nosso estudo no próximo item.

À medida que a demanda de energia aumenta, mais fontes necessitam


serem exploradas e novas linhas de transmissão necessitam serem cons-
truídas para conectar essas novas estações geradoras aos novos pontos
de distribuição e também às estações já existentes, surgindo assim a in-
terligação de sistemas.
Essas interligações podem propiciar um melhor aproveitamento das dis-
ponibilidades energéticas de regiões com disponibilidades energéticas
com características distintas. São economicamente vantajosas e aumen-
tam a confiabilidade do suprimento às cargas, embora implique numa
maior complexidade de operação do sistema. Um exemplo é a interliga-
ção dos sistemas Sudeste/Centro-Oeste e Sul do Brasil, que apresentam
sensíveis diferenças de hidraulicidade de seus rios, uma vez que os perío-
dos chuvosos não são coincidentes nas várias bacias hidrográficas.

Distribuição
Por definição, “é a transferência de energia elétrica para os consumidores,
a partir dos pontos em que se considera terminada a transmissão (ou
subtransmissão), até a medição de energia, inclusive”.

Os principais componentes do sistema elétrico de distribuição são:

• Redes primárias;

• Redes secundárias;

• Ramais de serviço e entrada;

• Medidores;

• Transformadores de distribuição,

• Capacitores e reguladores de rede.

As linhas de transmissão e de subtransmissão convergem para as esta-


ções de distribuição, que são uma subestação rebaixadora que alimenta
um sistema de distribuição, onde a tensão é abaixada, usualmente, para
o nível de 13,8 kV.

Dessas subestações originam-se alguns alimentadores que se interligam


aos transformadores de distribuição da concessionária ou a de consumi-
dores em tensão primária.

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Define-se Sistema (de distribuição) Primário, como sendo o conjunto dos
alimentadores de um dado sistema de distribuição, incluindo os primários
dos transformadores de distribuição pertinentes. São linhas de tensões
suficientemente baixas para ocuparem vias públicas e suficientemente
elevadas para assegurarem uma boa regulação, mesmo para potências
razoáveis. Às vezes desempenham o papel de linha de subtransmissão
em pontas de sistemas.

Consumidores cuja carga instalada seja superior a 75 kW serão atendidos


em tensão primária, tensão nominal de média ou alta tensão, dependen-
do de sua demanda.

Dentre os outros níveis de tensão primária de distribuição ainda encontra-


dos no Brasil podemos citar: 2,3 kV; 3,8 kV ; 6,6 kV; 11,9 kV; 23 kV; 34,5 kV.

A energia em tensão primária de distribuição é entregue a um grande nú-


mero de consumidores tais como indústrias, centros comerciais, grandes
hospitais, entre outros. Os alimentadores primários suprem um grande nú-
mero de transformadores de distribuição que abaixam o nível para a tensão
secundária para o uso doméstico e pequenos consumidores comerciais.

Quanto ao nível de tensão de distribuição dos sistemas secundários,


observam-se os seguintes valores nominais mais frequentes: sistema de
220/127 volts (entre fases e entre fase e neutro) e o sistema de 380/220
volts, deriváveis de sistemas trifásicos com neutro, e o sistema de 220/110
volts derivável de sistemas monofásicos. Esses sistemas incluem os se-
cundários dos transformadores de distribuição pertinentes e os ramais
de ligação dos consumidores. Operam com as tensões mais baixas do
sistema e em geral seu comprimento não excede de 200 a 300 m.

O Centro de Operação da Distribuição – COD - é o órgão destinado a


supervisionar e coordenar as atividades operativas do sistema de distri-
buição. Sua filosofia básica é a de centralização do comando operativo
da rede elétrica em um só órgão e local e visa a proporcionar:

• Adequado atendimento aos consumidores.

• Controle e análise das interrupções, visando minimizá-las.

• Manutenção da configuração planejada.

• Melhores condições operativas, diminuindo os riscos.

• Dinamização e controle das manutenções.

Atualmente, o mercado de distribuição de energia elétrica atende cerca


de 47 milhões de unidades consumidoras, das quais 85% são consumi-
dores residenciais, em mais de 99% dos municípios brasileiros. Ao longo
dos últimos 20 anos o consumo de energia elétrica apresentou índices
de expansão elevados, devido à expressiva participação das classes de
consumo residencial, comercial e rural, enquanto o segmento industrial
teve participação menor.

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Aspectos sobre a operação de sistemas elétricos
Tanto os grandes motores industriais quanto os equipamentos eletro-
domésticos, são projetados e construídos para trabalharem dentro de
certas faixas de tensão e frequência, fora das quais podem apresentar
funcionamentos não satisfatórios ou até mesmo se danificarem.

Essas exigências básicas impõem à operação dos sistemas elétricos um ade-


quado controle da tensão e da frequência na rede, a qual está sujeita às mais
variadas solicitações de carga, que variam ano a ano, mês a mês e, o mais im-
portante, podendo variar muito durante um único dia, devido, por exemplo,
à demanda nos horários de pico, quando comparada com a da madrugada.
Como não é possível armazenar energia elétrica comercialmente, deve ser
produzida, a cada instante, na medida da demanda requerida.
Além das variações de carga previstas, há também as de natureza alea-
tória, tais como a conexão e desconexão de cargas por manutenção ou
defeito de instalações da planta industrial ou comercial, que ocasionam
alterações pequenas, em geral, na frequência e tensão da rede. Defei-
tos na rede que provocam o desligamento de linhas, geradores, grandes
blocos de carga ou de interligações entre sistemas, podem ocasionar os-
cilações ou variações mais significativas, as quais os equipamentos de
controle procuram minimizar.

A frequência é controlada automaticamente nos próprios geradores


através dos reguladores de velocidade, equipamentos que injetam mais
ou menos água, vapor ou gás nas turbinas que acionam os geradores,
dependendo do aumento ou diminuição da demanda.

O controle da tensão pode ser feito remotamente nas usinas, através dos
reguladores automáticos de tensão, podendo também ser efetuado em
nível de transmissão, de subtransmissão e de distribuição. De um modo
geral, o controle junto à carga é bem mais efetivo, uma vez que o contro-
le remoto pode não ser suficiente. O controle é feito automaticamente
por meio de transformadores com controle de TAP por compensadores
síncronos ou compensadores de reativos estáticos e, manualmente, por
meio de conexão ou desconexão de bancos de capacitores e/ou reatores
em derivação.

Além dos aspectos ligados ao controle de tensão e da carga/frequência


na operação das redes interligadas, existe o problema de como distri-
buir as cargas entre as diversas usinas do sistema, nas diversas situações
de demanda. À alocação dessa geração dá-se o nome de despacho da
geração, de cujo estabelecimento depende muito a operação racional e
eficaz do sistema como um todo.

É interessante ressaltar também que existem sistemas automáticos de


supervisão e controle ou de despacho automático. O controle é feito por
algoritmos de simulação/decisão em computador, com dados monitora-
dos continuamente sobre o carregamento das linhas de transmissão, as
gerações das diversas usinas e o estado da rede de transmissão.

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NR10 - Sep Avançado
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Qualificação, habilitação, capacitação e
autorização

Conforme a Norma Regulamentadora 10 (NR 10), os profissionais que


realizam intervenções, execuções, manutenções ou operações em ativi-
dades de natureza elétrica devem ser capacitados em cursos regulares
específicos para esse trabalho. A qualificação dessas pessoas é certifica-
da pela conclusão de cursos “elé” que, segundo o Conselho Federal de
Engenharia, Arquitetura e Agronomia (Confea), inclui as modalidades de
eletrotécnica, eletrônica e telecomunicações. Essa especialização deve
também ser reconhecida pelo Ministério da Educação e Cultura (MEC) e
ter currículo específico e que comprove aprovação em exames e avalia-
ção preestabelecidos.

São considerados capacitados profissionais de nível superior e médio


com profissões regulamentadas - engenheiros, técnicos e tecnólogos -
além de pessoas que concluíram cursos profissionalizantes e adquiriram
conhecimento para atuar profissionalmente, como os eletricistas monta-
dores, eletricistas de manutenção, entre outros.

A habilitação para todos os profissionais dessa área deve ser emitida pelo
Conselho Regional de Engenharia, Arquitetura e Agronomia (CREA) baseada
na Lei n.º 5.194/66, que regula o exercício das profissões de engenheiro, ar-
quiteto e engenheiro-agrônomo e na Lei n.º 5.524/68, que normaliza as atri-
buições dos técnicos industriais de nível médio em diversas modalidades.

É considerado capacitado um trabalhador que, mesmo não tendo reali-


zado cursos, desenvolveu habilidades para realizar atividades específicas.
Esses profissionais devem ser orientados por outros devidamente habi-
litados e que possuam autorização para capacitar. Eles serão também os
responsáveis por limitar o trabalho dos capacitados.

O termo autorizado é usado para designar os trabalhadores qualificados


ou capacitados e os profissionais habilitados com aprovação formal da
empresa. É importante ressaltar que a autorização é um processo adminis-
trativo, por meio do qual a empresa declara oficial e formalmente a apro-
vação, que autoriza o profissional a operar em suas instalações elétricas.

Achou importante?
Faça aqui suas anotações.
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O esquema a seguir irá ajudá-lo a entender como funcionam as questões
apresentadas até agora. Confira:

FORMAÇÃO
SISTEMA OFICIAL DE ENSINO NA EMPRESA

QUALIFICAÇÃO
CAPACITAÇÃO ESPECÍFICA
DIRIGIDA E SOB
PROFISSÃO OCUPAÇÃO RESPONSÁBILIDADE DE UM
PROFISSIONAL HABILITADO
AUTORIZADO
REGISTRO
NO
CONSELHO

HABILITADO CAPACITADO NÃO ELETRICISTAS

TREINAMENTO DE SEGURANÇA (40H) PALESTA / BRIEFINE DE


SEGURANÇA PARA
TRABALHADORES NA
SEGURNAÇA COM ELETRICIDADE RISCOS ELÉTRICOS E ADICIONAIS PROXIMIDADE DE INSTALAÇÕES
PRIMEIRO SOCORROS
COMBATE A INCÊNDIO ELÉTRICAS
PROCEDIMENTO E RESPONSÁBILIDADE

AUTORIZADO INSTRUÍDO
(INSTALACÕES BT / NÃO SEP)
POR EXEMPLOS, PINTURA / LIMPEZA DE
CAPACITADO - TRABALHO SOB RESPONSÁBILIDADE DE HABILITADO
SUBESTAÇÕES
AUTORIZADO

TREINAMENTO COMPLEMENTAR EM TREINAMENTO EM INSTALAÇÕES E


SEGURNAÇA NA ALTA TENSÃO / EQUIPAMENTOS PARA AMBIENTES
SEP E EM SUAS PROXIMIDADES COMATMOSFERAS EXPLOSIVAS

AUTORIZADO TREINADO
INSTALAÇÕES AI / SEP E NAS (PARA TRABALHOS EMÁREAS
SLAS PROXIMIDADES OU CLASSIFICADAS MEDIANTE PT)
SIMILARES

É responsabilidade da empresa desenvolver um sistema de identifica-


ção, como crachás, para possibilitar o reconhecimento da abrangência
da autorização que cada profissional possui, de acordo com seu nível de
conhecimento.

Além da identificação, os trabalhadores que têm autorização para atuar


em instalações elétricas devem ter essa informação registrada na em-
presa. Esse trabalho também demanda que o profissional se submeta
a exames para atestar condições de saúde compatíveis com a atividade.
Esses dados também devem ser registrados em seu prontuário médico,
conforme estabelece a NR 7.

Instruções da Organização Mundial da Saúde (OMS) salientam a impor-


tância de a autorização dos profissionais que irão desempenhar funções
com envolvimento de eletricidade ser feita por médico do trabalho, que
deve usar um protocolo específico.

NR10 - Sep Avançado


20
Esses trabalhadores precisam ainda passar por treinamentos específicos
a respeito dos riscos que a atividade com energia elétrica apresenta. A
NR 10 estabelece conteúdos mínimos para os módulos básico e com-
plementar desse curso. A empresa concederá autorização somente aos
profissionais que tenham participado da capacitação e apresentaram
aproveitamento satisfatório.

Além do curso, a norma também recomenda treinamentos de recicla-


gem a cada dois meses, com conteúdo de acordo com as necessidades
identificadas por cada organização durante esse período e sempre que
ocorrer alguma das situações a seguir:

- Troca de função ou mudança de empresa: As alterações podem ser


no local de trabalho e, consequentemente, mudança em relação à expo-
sição a riscos elétricos. No caso específico de mudança de empresa, é o
empregador que deve recomendar ou não que o trabalhador realize o
curso sob sua coordenação ou se responsabilize pelo treinamento reali-
zado pelo profissional na antiga empresa.

- Retorno ao trabalho após afastamento ou inatividade por período


superior a três meses: Essa reciclagem é feita para relembrar ao profis-
sional conceitos e práticas relacionadas à prevenção de riscos envolvidos
no trabalho com eletricidade.

- Modificações significativas nas instalações elétricas ou troca de


métodos, processos e organização do trabalho: É um aperfeiçoamen-
to essencial, especialmente quando há alterações nas instalações, inclu-
são de novos equipamentos e métodos de trabalho.

É importante ressaltar ainda dois aspectos normativos essenciais. O pri-


meiro define que as atividades em áreas classificadas sejam previamen-
te autorizadas e os profissionais recebam treinamento adequado. Essa
recomendação é feita pelo fato de essas áreas estarem sujeitas à ocor-
rência de atmosferas explosivas e, por isso, apresentam restrições para o
trabalho com eletricidade.

Outra recomendação, é que os profissionais que não atuem diretamente


com eletricidade recebam instruções formais sobre essas atividades para
que desenvolvam capacidade de identificar e avaliar possíveis riscos e to-
mar medidas adequadas, em caso de acidentes. É o caso, por exemplo, de
profissionais que realizam serviços de limpeza, pintura e manutenção.

Nesta unidade você conheceu os requisitos básicos necessários para


um profissional atuar em atividades que envolvam eletricidade. Você vai
ampliar ainda mais seus conhecimentos no próximo capítulo em que o
conteúdo abordado será a sinalização de segurança usada nas áreas de
trabalho com energia elétrica.

NR10 - Sep Avançado


21
NR10 - Sep Avançado
22
Sinalização de segurança

Para trabalhar em locais que apresentem riscos de acidentes, é necessá-


rio conhecer as sinalizações padrão aplicadas durante os processos. Sina-
lizar equipamentos, delimitar a área de trabalho e disponibilizar um cor-
redor de acesso a ela são algumas das medidas essenciais para garantir a
segurança dos profissionais envolvidos na atividade e de outras pessoas
que possam vir a ser atingidas por eventuais acidentes.

Equipamentos energizados, que permanecem fechados com chave e ca-


deado, também devem ser sinalizados com bandeiras ou fitas. Isso pos-
sibilita a identificação dos riscos, proibições de acesso, cuidados a serem
tomados e a identificação dos circuitos.

Nesta unidade, você vai conferir alguns exemplos de sinalização e de


equipamentos de proteção.

Sinalização
As sinalizações aplicadas em ambientes que apresentam risco elétrico e
seus respectivos significados devem ser identificados por todos os pro-
fissionais da área, mesmo os que não estejam diretamente envolvidos
com o risco. Conheça algumas delas a seguir.

Alta tensão
Sinalização que adverte os trabalhadores sobre o risco de choque elétri-
co, no caso de ultrapassar as áreas demarcadas.

PERIGO DE
MORTE
ALTA TENSÃO

Achou importante?
Faça aqui suas anotações.
NR10 - Sep Avançado
23
Restrições e impedimentos de acesso
Alerta sobre exposição a perigos ao entrar na área.

DTAO
CUIDAAL
TENSÃO

Identificação de circuitos elétricos


Indica a presença de circuitos elétricos.

LTA

LES NOR 88KV

Equipamentos de travamento
Usado para bloquear dispositivos e sistemas de manobra e comandos.

NR10 - Sep Avançado


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Delimitações de áreas
Restringe a entrada de trabalhadores a locais específicos.

Sinalização de áreas
Aplicada em áreas de circulação de pessoas, como vias públicas e ao re-
dor de veículos e de cargas que estejam sendo movimentadas.

Sinalização de painéis
É uma bandeira imantada ou outro elemento similar que demonstra o
bloqueio de operação do equipamento.

Sinalização de dispositivos de seccionamento


Os dispositivos de seccionamento usados em manobras de impedimen-
to devem ser identificados com bandeiras aplicadas no mecanismo e
no comando de acionamento e, também, terem suas partes mecânicas
e elétricas bloqueadas. Os disjuntores desativados durante as ações de
impedimento também devem ter seus comandos de acionamento, loca-
lizados no painel, sinalizados e ter o comando elétrico bloqueado.

As sinalizações acima do nível do solo podem ser feitas somente depois


de realizado o aterramento temporário.

NR10 - Sep Avançado


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Sinalização de manoplas
Bandeiras de cor laranja devem ser utilizadas para sinalizar todos os va-
rões dos dispositivos de seccionamento, além dos disjuntores do barra-
mento. Esses dispositivos precisam também ser mecanicamente bloque-
ados durante o processo de impedimento.

Sinalização de áreas com obras civis


Uma fita refletiva apoiada em cones, cavaletes ou estruturas adjacentes
é utilizada para sinalizar as áreas em que estão sendo feitas obras. Locais
abertos e tampões de caixas subterrâneas precisam também ser identifi-
cados com cones ou grades não-metálicas. Em todos os casos, é necessá-
rio deixar livre um corredor de acesso para permitir a passagem.

Sinalização de subestações transformadoras portáteis


ou de transformadores móveis
Durante o trabalho nesses locais, as áreas devem ser demarcadas com fi-
tas refletivas fixadas nas estruturas ou apoiadas em cones, posicionados
a uma distância de segurança.

Outros dispositivos
Outros dispositivos de segurança importantes são invólucros, obstáculos
e barreiras. Conheça-os a seguir.

Invólucros: Envolvem partes energizadas para impedir contato com par-


tes internas.

Obstáculos: Têm a função de impedir o contato acidental, mas não impe-


dem o contato direto por ação deliberada.

Barreiras: Impedem contato com partes energizadas das instalações elétricas.

PERIGO DE
MORTE
ALTA TENSÃO

Agora que já conhece as sinalizações de segurança, você vai estudar os


equipamentos de proteção.

NR10 - Sep Avançado


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Equipamentos de segurança
O trabalho com eletricidade demanda a utilização de equipamentos de
proteção individual (EPI) e coletiva (EPC), que protegem o trabalhador de
acidentes e identificam riscos ao grupo de profissionais, respectivamen-
te. A seguir, você vai conferir alguns exemplos desses equipamentos.

EPI
Nos trabalhos em instalações elétricas, quando as medidas de proteção
coletiva forem tecnicamente inviáveis ou insuficientes para controlar os
riscos, devem ser adotados equipamentos de proteção individual (EPI)
específicos e adequados para cada atividade desenvolvida. Essa medida
é normatizada pela Norma Regulamentadora do Ministério do Trabalho
e Emprego, a NR 6.

As roupas para o trabalho também precisam ser, obrigatoriamente, ade-


quadas às atividades. O desenvolvimento delas deve levar em conta fa-
tores como condutibilidade, inflamabilidade e influências eletromagné-
ticas. Acessórios de uso pessoal, como relógios, brincos, anéis e outros,
são proibidos em trabalhos em instalações elétricas ou próximos a elas,
pois eles facilitam a condução da energia.

Todos os equipamentos de proteção individual têm que possuir um Cer-


tificado de Aprovação (CA) emitido pelo Ministério do Trabalho e Em-
prego. A limpeza e a acomodação desses equipamentos também devem
ser realizadas de acordo com procedimentos específicos. O uso desses
aparelhos é recomendado nas seguintes situações:

- Quando não é possível eliminar o risco por outros meios.


- Se houver necessidade de complementar a proteção coletiva.
- Quando forem realizados trabalhos eventuais e que apresentem exposição
de curta duração, cujo controle na fonte ainda não tenha sido estudado.

Confira a seguir alguns exemplos de EPI.

Vestimenta condutiva para serviços ao potencial


São roupas que têm a função de proteger o trabalhador contra efeitos
do campo elétrico criado em serviços realizados em linha viva. Faz parte
desse conjunto um macacão feito com tecido aluminizado, luvas, gor-
ro e galochas feitas com o mesmo material, além de uma malha flexível
acoplada a um bastão de grampo de pressão, que deve ser conectado
à instalação e manterá o eletricista na mesma tensão que a tensão da
instalação em todos os pontos. É recomendado o uso da vestimenta em
serviços com tensões iguais ou superiores a 66 kV.

NR10 - Sep Avançado


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Luvas

LUVAS DE LUVAS ISOLANTES INFLADOR DE BOLSA EM LINA


PROTEÇÃO P/ AT E BT LUVAS PARA GUARDAR
LUVA ISOLANTE
As luvas são classificadas de acordo com o nível de tensão de trabalho e
de teste, conforme tabela a seguir:

Classe Tensão de Ensaio Tensão em Uso


00 2.500 v 500 v
0 5.000 v 1.000 v
1 10.000 v 7.500
2 20.000 v 17.000 v
3 30.000 v 28.500 v
4 40.000 v 38.000 v

Mangas de segurança isolantes para proteção dos braços e antebraços


contra choques elétricos

Protegem os braços e antebraços de contato com instalações ou partes


energizadas. As mangas apresentam, normalmente, nível de isolamento
de até 20 kV e estão disponíveis em vários tamanhos. Elas possuem alças
e botões que as unem nas costas e devem ser usadas em conjunto com
luvas isolantes. Antes do uso, elas devem ser vistoriadas e periodicamen-
te ensaiadas em relação ao seu isolamento.

Capacetes isolantes de segurança


É um dispositivo usado para proteger os profissionais contra quedas de obje-
tos e contatos acidentais com as partes energizadas da instalação. O capacete
para uso em serviços com eletricidade deve ser classe B, ou seja, passar por
testes de rigidez dielétrica a 30 kV e apresentar, preferencialmente, aba total.

NR10 - Sep Avançado


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Óculos de segurança
Tem a função de proteger os olhos contra elementos que venham a pre-
judicar a visão, como descargas elétricas.

Máscara e respiradores
Equipamento destinado à utilização em áreas confinadas e sujeitas à
emissão de gases e poeiras.

Creme protetor solar


Para trabalhos externos com exposição solar deve ser usado creme pro-
tetor na face e em outras partes expostas. O objetivo do uso do protetor
é proteger o trabalhador da radiação solar.

Calçados
Também conhecidos como botinas sem biqueira de aço. Esses equipa-
mentos têm a função de minimizar consequências de contatos com par-
tes energizadas, selecionadas de acordo com o nível de tensão, de isola-
ção e de aplicabilidade.

NR10 - Sep Avançado


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Perneiras de segurança isolantes para proteção da perna
contra choques elétricos
São elementos usados para proteger as pernas e coxas dos profissionais
de contato com instalações ou partes energizadas. As perneiras normal-
mente apresentam um nível de isolamento de até 20 kV e estão dispo-
níveis em vários tamanhos. Devem ser usadas em conjunto com calçado
apropriado para trabalhos elétricos. Antes do uso devem ser vistoriadas
e ter seu isolamento checado.

É um dispositivo que tem a função de proteger os profissionais contra


quedas. A aplicação dele é obrigatória em operações realizadas a alturas
maiores que dois metros. Os cinturões de segurança podem ser: abdo-
minais ou de três pontos (paraquedista), que é o mais recomendado. Os
equipamentos devem ser usados com trava quedas instalados em cabos
de aço ou cabo flexível fixados a estruturas que serão escaladas.

CINTO DE SEGURANÇA
ABDOMINAL

TRAVA QUEDAS PARA


CABE DE AÇO

CINTO DE SEGURANÇA
TIPO PÁRA-QUEDISTA

Protetor auricular
Esses dispositivos têm a função de reduzir as consequências de ruídos que
possam vir a prejudicar a audição dos profissionais. No caso de trabalho
com eletricidade, os protetores não devem possuir elementos metálicos.

PROTETOR AURICULAR PROTETOR AURICULAR


TIPO CONCHA DESCARTÁVEL

NR10 - Sep Avançado


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Legislação específica para EPIs
A Consolidação das Leis do Trabalho – CLT, apresenta artigos específicos
sobre os Equipamentos de Proteção Individuais (EPIs). Confira:

Artigo 166 – A empresa é obrigada a fornecer aos empregados gratuita-


mente Equipamento de Proteção Individual (EPI) adequado ao risco e em
perfeito estado de conservação e funcionamento, sempre que as medi-
das de ordem geral não ofereçam completa proteção contra os riscos de
acidentes e danos à saúde dos empregados.

Cinturão de segurança
Artigo 167 – O Equipamento de Proteção Individual (EPI), só poderá ser
posto à venda ou utilizado com a indicação do Certificado de Aprovação
do Ministério do Trabalho.

A Norma Regulamentadora nº 6, ao tratar dos equipamentos de prote-


ção individual estabelece as obrigações do empregador:

a) Adquirir o Equipamento de Proteção Individual(EPI) adequado ao risco


de cada atividade.
b) Exigir seu uso.
c) Fornecer ao trabalhador somente o equipamento aprovado pelo órgão
nacional competente em matéria de segurança e saúde no trabalho.
d) Orientar e treinar o trabalhador sobre o uso adequado, guarda e
conservação.
e) Substituir imediatamente, quando danificado ou extraviado.
f ) Responsabilizar-se pela higienização e manutenção periódica.
g) Comunicar ao Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) qualquer irre-
gularidade observada.

Quanto ao Equipamento de Proteção Individual (EPI) o empregado deverá:


a) Usá-lo apenas para a finalidade a que se destina.
b) Responsabilizar-se por sua guarda e conservação.
c) Comunicar ao empregador qualquer alteração que o torne impróprio
para uso.

O artigo 158 constitui ato faltoso do empregado a recusa do uso do Equi-


pamento de Proteção Individual (EPI).

Além dessas obrigações legais, há outra que determina que os Equipa-


mentos de Proteção Individual (EPI) devem ser inspecionados antes da
utilização. Em caso de dúvidas em relação à sua integridade, é necessário
consultar suas especificações técnicas ou o responsável pela área de se-
gurança da empresa.

Os equipamentos de proteção coletiva serão abordados a seguir. Confira.

NR10 - Sep Avançado


31
EPC
Os profissionais e pessoas autorizadas a trabalhar em instalações elétri-
cas devem possuir treinamento específico sobre os riscos decorrentes do
emprego da energia elétrica e as principais medidas de prevenção de
acidentes em instalações elétricas.

Um treinamento de reciclagem bienal sobre o uso dos equipamentos tam-


bém é recomendado, conforme você já aprendeu em unidades anteriores.

Em todas as operações realizadas em instalações elétricas é necessário


prever as medidas de proteção coletiva para garantir a segurança e a saú-
de dos trabalhadores, que incluem prioritariamente a desenergização
elétrica e, se ela não for possível, deve ser aplicada tensão de segurança,
conforme estabelece a NR-10.

O objetivo desses procedimentos é proteger os profissionais envolvidos


nas atividades de risco e os outros trabalhadores que atuem em áreas
próximas à eletricidade.

Confira a seguir alguns exemplos de equipamentos e sistemas de prote-


ção coletiva usados nas instalações elétricas.

Conjunto de aterramento
Equipamento destinado à execução de aterramento temporário, visando
a evitar os efeitos da ocorrência de sobretensões.

GRAMPOS DE CONEXÃO A LINHA

VARA PARA
CONEXÃO DOS
GRAMPOS

GRAMPO DE CONEXÃO A TERRA

Conjunto para aterramento provisório

NR10 - Sep Avançado


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Tapete de borracha isolante
É um dispositivo aplicado em subestações para isolar o chão de contatos
indiretos, minimizando, dessa forma, as consequências de eventuais fa-
lhas na isolação dos equipamentos.

TAPETE DE BORRACHA

CIRCUITO
FALHA DE ISOLAÇÃO EQUIVALENTE
IF

IA IC
RT
RA

RT

IF = CORRENTE TOTAL DE FALTA


IA = CORRENTE DE FALTA FLUINDO
DO ATERRAMENTO
Ic = CORRENTE DE FALTA FLUINDO
PELO E TAPETE
Rc = RESISTÊNCIA DE ATERRAMENTO
RC RESISTÊNCIA DO CORPO
RT = RESISTÊNCIA DO TAPETE

Placas de sinalização
A função das placas de sinalização é demonstrar perigos e situações dos
equipamentos - equipamentos energizados; não manobre este equipa-
mento; sobre carga, entre outras. O objetivo desses objetos é proteger
profissionais que atuem no circuito e demais pessoas.

BANDEROLA COM BASTÃO

PLACAS DE SINALIZAÇÃO

PERIGO
DE MORTE
ALTA TENSÃO
ESTA CHAVE PERIGO
NÃO DEVERÁ
SER MANOBRADA NÃO OPERE
EM CARGA ESTA CHAVE

NR10 - Sep Avançado


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Cones e bandeiras de sinalização
Anteparos destinados a isolar área onde esteja sendo realizada uma
intervenção.

Fita zebrada para sinalização


É um tipo de fita plástica colorida, com listas amarelas e pretas interca-
ladas, fabricada a partir de poliestireno. Geralmente, esse dispositivo é
usado para sinalização, interdição, balizamento ou demarcação em geral
por indústrias, construtoras, transportes, órgãos públicos ou empresas
que realizam trabalhos externos.
Leves, resistentes, dobráveis e de fácil instalação, são fornecidas em rolo
de 200 metros de comprimento e 70 mm de largura, podendo ser afixa-
das em cones e tripés.

Cone em PVC
São elementos usados para sinalizar, isolar, balizar ou interditar áreas de
tráfico ou serviços com extrema rapidez e eficiência. Fabricados a partir
de polietileno, PVC, ou borracha, os cones são altamente duráveis e resis-
tentes a intempéries e maus tratos.

NR10 - Sep Avançado


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Correntes em sinalização ABS
Essas correntes são usadas para sinalização e isolamento. Fabricadas a par-
tir de plástico ABS de alta durabilidade, resistência mecânica e contra altas
temperaturas, esse material é excelente para uso externo, pois não perde
a cor ou descasca com a ação de intempéries e estão disponíveis em ta-
manhos pequenos e grandes, nas cores amarelo, preto ou mesclado.

As correntes de sinalização ABS são indicadas para uso na construção


civil, como decoração ou isolamento e sinalização de áreas em diversas
aplicações como docas, ancoradouros, estacionamentos, rodovias, pedá-
gios, bancos, shopping centers, supermercados, entre outros.

Roteadores de máquinas
São anteparos usados para impedir contatos acidentais com partes ener-
gizadas ou partes móveis de equipamentos.

Protetores isolantes de borracha para Redes elétricas


São anteparos que têm a função de proteger contra contatos acidentais
em redes aéreas e aplicados em áreas onde estão sendo realizados traba-
lhos em redes energizadas ou perto delas.

Neste capítulo, você aprendeu a identificar as sinalizações aplicadas em


locais que apresentam risco elétrico. A seguir, você irá estudar outro pro-
cedimento essencial para o controle do trabalho com energia elétrica
que é a documentação.

NR10 - Sep Avançado


35
NR10 - Sep Avançado
36
Documentação de instalações elétricas

Antes da realização de quaisquer atividades em instalações elétricas, é


necessária a expedição de documentos específicos, como a documenta-
ção técnica e o projeto elétrico. A seguir, você vai aprender os conceitos
que envolvem cada um deles.

Documentação técnica
Essa documentação inclui conhecimentos e técnicas que devem ser dis-
ponibilizados para consulta ou análise durante ou após a execução dos
projetos. Normalmente, os profissionais da construção civil desconhe-
cem a documentação das instalações elétricas, apesar de elas possuírem
muitas informações essenciais.

Um projeto de engenharia elaborado de forma adequada deve contemplar


muito mais que um conjunto de plantas. Conforme estabelecem as NBR
5410 e 14039, é necessário haver, no mínimo, os seguintes documentos:

- Plantas.

- Esquemas unifilares e outros, quando aplicáveis.

- Detalhes de montagem, quando necessários.

- Memorial descritivo da instalação.

- Especificação dos componentes, como descrição, características nomi-


nais e normas que devem atender.

- Parâmetros de projeto, que incluem informações referentes aos parâ-


metros utilizados durante a concepção e o dimensionamento do projeto
da instalação elétrica, necessários para permitir que qualquer profissio-
nal compreenda e avalie as decisões tomadas. Por exemplo: correntes
de curto-circuito, queda de tensão, fatores de demanda e reserva con-
siderados, temperatura ambiente, classificação das influências externas,
presença de harmônicas, critérios de proteção, temperatura ambiente,
entre outros.

- Memorial de cálculo.

- Lista de materiais.

Além da apresentação dos documentos já mencionados, a NBR 5410


Achou importante? aborda a necessidade de ser elaborado um manual do usuário, especial-
mente em unidades residenciais e pequenos centros comerciais em que
Faça aqui suas anotações.
NR10 - Sep Avançado
37
a eletricidade seja manuseada por leigos. Esse manual deve contemplar
pelo menos as seguintes informações:

- Esquemas dos quadros de distribuição com indicação dos circuitos e


respectivas finalidades. Deve ser incluída também uma relação de pon-
tos alimentados, no caso de circuitos terminais.
- Potências máximas permitidas em cada circuito terminal disponível.
- Potências máximas previstas nos circuitos terminais de reserva, se houver.
- Recomendações para os dispositivos de proteção dos quadros não de-
vem ser substituídos por outros com características diferentes.

A seguir, você vai estudar o projeto elétrico.

Projeto elétrico
Projeto é um conjunto de estudos e realizações desenvolvidas desde a
concepção inicial até a materialização de uma ideia concretizada. Esse
trabalho tem grande relevância técnica, pois inclui experiência e signifi-
cativa abrangência de conhecimentos normativos, físicos, matemáticos
e da legislação e sua realização. Visa a proporcionar segurança, conforto
e melhor custo e benefício para usuário e o empreendimento.

Há três classificações possíveis para o empreendimento, de acordo com


a fase que se encontra, são elas:

- Projeto básico.
- Projeto executivo.
- Projeto “as built” (conforme construído).

Todas as cópias e documentos relacionados a cada uma dessas fases de-


vem ser armazenados e devidamente identificados pelo projetista. Isso
garante segurança jurídica dos projetos.

A NR-10 (Segurança em Instalações e Serviços em Eletricidade) estabele-


ce algumas normas específicas a respeito da documentação das instala-
ções elétricas. Confira:

10.2.3 - “As empresas estão obrigadas a manter esquemas unifilares


atualizados das instalações elétricas dos seus estabelecimentos com as
especificações do sistema de aterramento e demais equipamentos e dis-
positivos de proteção”.

10.2.4 - “Os estabelecimentos com carga instalada superior a 75 kW de-


vem constituir e manter o Prontuário de Instalações Elétricas, contendo,
além do disposto no subitem 10.2.3, no mínimo:
a) Conjunto de procedimentos e instruções técnicas e administrativas de
segurança e saúde, implantadas e relacionadas a esta NR e descrição das
medidas de controle existentes.
b) Documentação das inspeções e medições do sistema de proteção
contra descargas atmosféricas e aterramentos elétricos.
c) Especificação dos equipamentos de proteção coletiva e individual e o
ferramental, aplicáveis conforme determina esta NR.

NR10 - Sep Avançado


38
d) Documentação comprobatória da qualificação, habilitação, capacita-
ção, autorização dos trabalhadores e dos treinamentos realizados.
e) Resultados dos testes de isolação elétrica realizados em equipamen-
tos de proteção individual e coletiva.
f ) Certificações dos equipamentos e materiais elétricos em áreas classi-
ficadas.
g) Relatório técnico das inspeções atualizadas com recomendações, cro-
nogramas de adequações, contemplando as alíneas de “a” a “f”.

10.2.5 - “As empresas que operam em instalações ou equipamentos in-


tegrantes do sistema elétrico de potência devem constituir prontuário
com o conteúdo do item 12.2.4 e acrescentar ao prontuário os documen-
tos a seguir listados:
a) Descrição dos procedimentos para emergências e
b) Certificações dos equipamentos de proteção coletiva e individual.
10.2.5.1 - As empresas que realizam trabalhos em proximidade do Siste-
ma Elétrico de Potência devem constituir prontuário contemplando as
alíneas “a”, “c”, “d” e “e”, do item 12.2.4 e alíneas “a” e “b” do item 12.2.5”.

10.2.6 - O Prontuário de Instalações Elétricas deve ser organizado e man-


tido atualizado pelo empregador ou pessoa formalmente designada pela
empresa, devendo permanecer à disposição dos trabalhadores envolvi-
dos nas instalações e serviços em eletricidade.

10.2.7 - Os documentos técnicos previstos no Prontuário de Instalações


Elétricas devem ser elaborados por profissional legalmente habilitado.

NR10 - Sep Avançado


39
NR10 - Sep Avançado
40
Procedimentos de trabalho

Cada tipo de atividade realizada no setor elétrico demanda um procedi-


mento específico, que inclui instruções de segurança. Por esse motivo, é
preciso que as empresas desenvolvam seus próprios manuais de proce-
dimentos com indicações claras e objetivas e com a descrição minuciosa
de cada etapa do processo. É imprescindível que esses informativos se-
jam periodicamente atualizados e abordem a realidade que o profissio-
nal vive no trabalho.

Entre os trabalhos com eletricidade que necessitam de procedimentos,


estão:

- Atividades em alta tensão.


- Liberação de redes para serviço e para reenergização.
- Bloqueio de religador automático.
- Serviços de ligação, inspeção e corte de unidades de baixa tensão.
- Trabalhos em redes desenergizadas localizadas próximas a instalações
com tensão.
- Troca de medidores em baixa tensão.
- Poda de árvores em redes aéreas de alta e baixa tensão energizada.
- Manutenção do sistema de iluminação.
- Medições instantâneas e gráficas em subestações e instalações de baixa
tensão.
- Lavagem de acessórios em redes energizadas.
- Manutenção em redes de alta e baixa tensão desenergizadas.
- Atendimento emergencial em redes aéreas de média e baixa tensão
energizada.
- Trabalhos em rede de alta tensão energizada.
- Fiscalização de fraude e desvio de energia em unidades de consumo de
baixa tensão.
- Construção de redes de alta e baixa tensão.
- Análise, aprovação e comissionamento de projetos de automação.
- Inspeções em redes de alta e baixa tensão.

O conteúdo abordado no manual de cada empresa é específico, porém, é


necessário que ele contenha, pelo menos, os itens citados a seguir:

Objetivo: Relaciona os procedimentos técnicos e de segurança para re-


alização de serviço no sistema elétrico, visando garantir a integridade do
trabalhador.

Aplicação pessoal: Estabelece o público a quem se destina o manual,


que pode ser contratada ou contratante.

Aplicação de instalações: Indica se a rede elétrica é contratada, cliente,


Achou importante? outra concessionária, entre outros.
Faça aqui suas anotações.
NR10 - Sep Avançado
41
Características da instalação: Descreve as especificidades da rede, que
pode ser: alta ou baixa tensão, trifásica, monofásica, energizada e dese-
nergizada.

Avaliação do risco e requisito de segurança: Faz um levantamento a


respeito da segurança, da execução dos serviços pela equipe e dos pro-
cedimentos necessários para execução das tarefas.

Distância de atuação: Relaciona as distâncias mínimas de segurança


para realização dos trabalhos em eletricidade.

Recursos humanos: Descreve e quantifica a equipe que realizará o tra-


balho e relaciona a função de cada profissional, como chefe de turma,
eletricista, ajudantes, motoristas.

Recursos materiais: Demonstra os recursos necessários para a execução


do trabalho, como:

Equipamentos de proteção individual: capacete de segurança, luvas


de borracha, luva de raspa, luva de vaqueta e luva de cobertura para luva
de borracha, óculos de proteção, cinturão de segurança com talabarte,
botina de segurança, entre outros.

Equipamentos de proteção coletiva, de serviços e ferramentas: de-


tectores de tensão para baixa e alta tensão, alicate de corte universal iso-
lado, sacola para conduzir materiais, cones de sinalização, fitas, cordas ou
correntes, estojo de primeiros socorros, placas de advertência, corda de
manilha, escadas extensíveis - dupla ou singela -, caminhão com carro-
çaria longa ou equipado com escada extensível giratória isolada e rádio
para comunicação.

Recomendações sobre cuidados com os equipamentos: neste tópi-


co devem ser descritas as condições dos equipamentos, como higieni-
zação, lubrificação, testes mecânico e elétrico, uso de material anticor-
rosivo, entre outros.

Sequência de operações: Relacionam os procedimentos de execução


por etapa, desde a chegada ao local e delimitação da área de serviço até
a saída da equipe, após conclusão da tarefa. Neste item podem ser indi-
cadas a função de cada profissional em cada passo, os riscos envolvidos,
as medidas de controle. É necessário ainda incluir, no manual de passos,
desenhos, fotos, esquemas de cada etapa que será realizada.

Necessidade de comunicação integrada: aborda a necessidade pri-


mordial de haver comunicação entre contratada, contratante e centro de
operações. As intervenções no sistema elétrico precisam ser previamen-
te solicitadas por escrito ao setor competente para serem autorizadas
pelo centro de operações.

A autorização dos serviços é o tema que você vai estudar a seguir.

NR10 - Sep Avançado


42
Pedido para Execução de Serviço (PES)
Sobre a autorização dos serviços, é preciso ainda ressaltar algumas ques-
tões. Atividades que não estejam no prazo de programação devem ter
sua autorização solicitada à área que comanda o sistema ou instalação
com justificativa escrita. Se liberado, o serviço fica sob responsabilidade
do setor que o realizará.

Em caso de liberação de sistema ou instalação que demande manobras,


é necessário levar em consideração os prazos mínimos estabelecidos. Já
quando a intervenção no sistema ou a instalação elétrica envolver outras
áreas ou empresas, ela deve ser desenvolvida de acordo com/conforme
normas definidas em um acordo, que necessita do planejamento de to-
das as equipes que participam da realização dos serviços.

O Pedido para Execução de Serviço (PES) é emitido para cada tipo de


atividade a ser desenvolvida, caso sejam identificados impedimentos
distintos. Se dois ou mais serviços possuírem o mesmo tipo de impedi-
mento, somente um PES deve ser feito sob a supervisão de um profissio-
nal responsável.

Na situação em que um mesmo impedimento tiver dois ou mais respon-


sáveis, um PES deve ser solicitado para cada um, mesmo que eles façam
parte da mesma área.

Já quando a programação de impedimento apresentar alteração na confi-


guração do sistema ou instalação, um projeto atualizado tem que ser en-
caminhado. Se isso não for possível, o órgão que realizará o serviço deve
elaborar um croqui com todos os elementos, de modo a garantir a identifi-
cação dos pontos de serviço e as modificações que vão ser promovidas.

A seguir você vai estudar as etapas da programação. Confira.

Etapas da programação
A programação é feita em algumas etapas que serão descritas a seguir.

Elaboração da manobra programada


No programa de manobra devem constar as seguintes informações:

- Data, horário previsto para início e fim do serviço.


- Descrição sucinta da atividade.
- Nome do responsável pelo serviço.
- Dados dos clientes interrompidos, área ou linha de produção.
- Trecho elétrico a ser desligado, identificado por pontos significativos.
- Sequência das manobras necessárias para garantir a ausência de tensão
no trecho do serviço e a segurança nas operações.
- Sequência de manobras para retorno à situação inicial.
- Divulgação do desligamento programado aos envolvidos.
- As áreas e clientes afetados pelo desligamento programado devem ser
informados antes da data do desligamento.

NR10 - Sep Avançado


43
Aprovação do Pedido para Execução de Serviços (PES)
Depois de realizada a programação e elaborado o planejamento de exe-
cução do serviço, o setor responsável disponibilizará o PES no sistema,
para que ele possa ser consultado por todos os órgãos envolvidos no
processo. O chefe da área executante deve entregar uma via impressa
do PES aprovado ao responsável pelo serviço, que deve disponibilizar o
documento no local de trabalho.

Procedimentos gerais
Se o responsável pelo serviço não possuir o PES e a Autorização para Exe-
cução de Serviços (AES), a área funcional responsável não permitirá execu-
ção do desligamento. Esse processo de desativação do equipamento está
condicionado à solicitação direta do responsável pelo serviço ao setor res-
ponsável, que deve visitar o local em que serão executados os serviços.

Se for preciso substituir o responsável pelo trabalho, a área executante


deve justificar a alteração e informar à responsável os dados do novo co-
mandante.

Para cada PES deve ser gerada uma Ordem de Serviço (OS) ou um Pedido
de Turma de Emergência (PTE). Depois de confirmar os dados do serviço
com o responsável, as atividades são liberadas e serão comandadas pela
área funcional, que coordenará o processo de retorno à configuração
normal de operação, retirando toda a documentação vinculada à execu-
ção do serviço.

Para garantir a segurança das pessoas que participam das atividades, se


houver mais de uma equipe trabalhando em um mesmo trecho, a nor-
malização somente poderá ser autorizada pela área funcional responsá-
vel, após a liberação do trecho por todos os responsáveis.

Nos casos em que os serviços não forem executados ou executados par-


cialmente, conforme a programação, o responsável pelo serviço deve
comunicar à área funcional responsável. Isso é feito com o objetivo de
adequar a base de dados e reprogramar os serviços.

Procedimentos para serviços de emergência


Os procedimentos de segurança para corrigir eventuais problemas são
responsabilidade do órgão executante. O impedimento das atividades
em caso de emergência deve ser solicitado ao setor funcional responsá-
vel com a informação dos seguintes dados:

- Motivo do impedimento.
- O nome do solicitante e do responsável pelo serviço.
- Descrição sucinta e localização das atividades a serem executadas.
- Tempo necessário para a execução das atividades.
- Elemento a ser impedido.

NR10 - Sep Avançado


44
A partir do recebimento dessas informações, a área funcional gera uma OS
ou PTE e relata a ocorrência aos clientes afetados. Depois da realização de
reparos e da liberação do sistema e das instalações elétricas pelo responsá-
vel, o serviço será reiniciado até voltar ao normal de operação, mediante a
expedição de toda a documentação vinculada à execução do serviço.

O procedimento de liberação de serviços é o tema que você estudará a


seguir.

Liberação para serviços


A liberação dos serviços é feita com o objetivo de definir os procedimen-
tos básicos que devem ser realizados durante a execução de trabalho
nos circuitos e instalações elétricas desenergizadas. Esse processo tem,
obrigatoriamente, que ser aplicado em todas as áreas que sejam direta
ou indiretamente ligadas ao planejamento, programação, liberação, co-
ordenação e realização de serviços em sistemas ou instalações elétricas.

Alguns conceitos básicos precisam ser conhecidos pelos profissionais


que participam das atividades, são eles:

Falha: Está relacionada à irregularidade total ou parcial de equipamentos


e componentes da rede ou da instalação em que atuem ou não dispositi-
vos de proteção, supervisão ou sinalização. A ocorrência de falha impede
que os dispositivos desempenhem suas tarefas previstas temporária ou
permanentemente.

Defeito: O termo significa irregularidade de equipamento ou componen-


te do circuito elétrico que altera seu funcionamento adequado e pode
provocar a inatividade.

Interrupção programada: É o conceito que relaciona interrupção no for-


necimento de energia elétrica por um período determinado, programa-
do e com prévio aviso aos clientes envolvidos.

Interrupção não programada: Significa a interrupção no fornecimento de


energia elétrica sem prévio aviso aos clientes.

Procedimentos
Alguns procedimentos gerais são necessários para a liberação dos equi-
pamentos ou circuitos dos quais deve ser obtido o maior número pos-
sível de informações que permitam a realização de um planejamento.
Nesse plano deve constar uma estimativa do tempo de execução dos
serviços, adequação dos materiais, previsão de ferramentas específicas e
diversas, número de empregados.

A disposição das equipes é realizada de modo que permita a maior agilida-


de possível em caso de ser necessária a obtenção e o restabelecimento dos
circuitos com a máxima segurança no menor tempo possível. Para isso, de-
vem ser consideradas questões como comprimento do circuito, dificulda-
de de acesso, período de chuvas, existência de cargas e clientes especiais.

NR10 - Sep Avançado


45
A definição e a liberação dos serviços devem levar em consideração pon-
tos estratégicos dos circuitos, tipo de defeito, tempo de restabelecimen-
to, importância do circuito, comprimento do trecho a ser liberado, cruza-
mento com outros circuitos e a sequência das manobras necessárias para
a liberação dos circuitos envolvidos.

No processo de liberação de serviços também é necessário considerar


um procedimento para minimizar a área que será atingida, caso haja fa-
lha elétrica durante as operações. Para isso, o setor funcional deve man-
ter os cadastros de todos os circuitos atualizados.

Antes de iniciar qualquer atividade ou serviço, o responsável pelo pro-


cesso deve reunir os profissionais envolvidos no processo de liberação e
realizar os seguintes procedimentos:

- Verificar se todos os profissionais que atuam na liberação e na execução


dos serviços estão usando todos os equipamentos de proteção individu-
al necessários.

- Demonstrar aos envolvidos as etapas da liberação dos processos que


vão ser executados e os objetivos a serem alcançados.

- Explicar de forma clara e objetiva as normas de segurança, especial-


mente as consideradas fora de rotina.

- Confirmar que os trabalhadores estão conscientes do que fazer, onde,


como, quando e por que fazer.

O programa de manobras deve ser checado por um profissional diferen-


te do que o elaborou. Os procedimentos para a verificação das falhas são
definidos pela empresa e devem ser seguidos corretamente, de acordo
com procedimentos previamente estabelecidos.

Se houver dúvida em relação à realização das manobras para a liberação


ou trabalho, é necessário que o executante consulte o responsável pelo
serviço a respeito dos procedimentos que precisam ser adotados para
assegurar a proteção de todos.

O processo de liberação dos serviços somente pode ser feito se o res-


ponsável tiver posse de documento emitido pelo setor responsável pela
liberação. Caso seja necessário interromper o serviço ou condicionar as
ações de comandos de equipamentos, é preciso sinalizá-los com mate-
riais e objetos específicos para essa finalidade. A reativação das ativida-
des deve ser feita por um profissional que deve devolver todos os docu-
mentos de autorização para a liberação.

Os procedimentos de trabalho em atividades com envolvimento de ele-


tricidade foi o tema que você estudou neste capítulo. A seguir, você irá
aprender um método que garante a segurança nas operações, por impe-
dir a ocorrência de curto-circuito: o aterramento elétrico. Confira.

NR10 - Sep Avançado


46
Aterramento elétrico

O aterramento elétrico é um método desenvolvido para controlar riscos


de curtos-circuitos nas instalações. O objetivo da operação é levar a cor-
rente a percorrer um caminho seguro com propriedades mecânicas para
impedir que correntes elétricas perigosas causem danos onde haja pou-
ca resistência elétrica. Essa técnica também protege os trabalhadores de
descargas atmosféricas que possam interagir ao longo do circuito.

Uma instalação pode ter somente um aterramento, independente da


atividade que vai ser realizada. Em alguns casos específicos, é possível
fazer dois aterramentos separados, desde que sejam levadas em conta
medidas de proteção específicas.

Cada tipo de trabalho demanda um método diferente de aterramento


temporário. Em linhas de distribuição ou em trabalhos de manutenção
e instalação o tipo mais indicado é um conjunto padrão composto pelos
seguintes itens:

Vara ou bastão de manobra em material isolante e acessórios: Do


qual fazem parte cabeçotes de manobra.

Grampos condutores: Ligam o conjunto de aterramento aos pontos a


serem ativados.

Trapézio de suspensão: Leva o conjunto de grampos à linha e conec-


ta os cabos de interligação das fases. Esse elemento é fabricado a partir
de materiais leves e com boa condutividade, além disso, possibilita que
sejam realizadas conexões elétricas e mecânicas entre os cabos de inter-
ligação das fases e descida para terra.

Grampos de terra: Conectam os itens do conjunto ao ponto de terra,


que é a estrutura ou o trado.

Trado ou haste de aterramento: Tem a função de ligar o conjunto de


aterramento ao solo. Suas dimensões devem ser realizadas de forma a
permitir baixa resistência de terra e área de contato adequada. As medi-
das têm que levar em conta a tensão da rede de distribuição ou da linha
de transmissão, o material da estrutura e os procedimentos de operação.

Como você já sabe, para cada tipo de trabalho é indicado um aterramen-


to específico. Conheça a seguir cada um deles.

Achou importante?
Faça aqui suas anotações.
NR10 - Sep Avançado
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Fixo em equipamentos
O aterramento fixo em equipamentos é um sistema de proteção coletiva
desenvolvido para garantir proteção elétrica rápida e eficaz. Isso é feito
por meio do escoamento da energia para potenciais inferiores, geral-
mente, a terra. A medida evita que a corrente passe pelo corpo de uma
pessoa, caso ela toque ocasionalmente a instalação ou ocorra falha no
isolamento. Todas as instalações devem possuir invólucros, carcaças de
equipamentos, barreiras e obstáculos.

Essa operação funciona da seguinte forma: o terminal de terra se conecta


ao neutro da rede e ao cabo de para-raios.

Esse tipo de aterramento é bastante utilizado em subestações, cercas e


telas de proteção, carcaças de transformadores e componentes, quadros
e painéis elétricos, torres de transmissão, entre outros.

Fixo em redes e linhas


Nesse tipo de aterramento, quando o neutro estiver disponível, ele deve
ser ligado ao circuito de aterramento e aterrado a cada 300 metros. No
aterramento fixo em redes e linhas nenhum ponto da rede ou da linha
deve ficar a mais de 200 metros de um ponto de aterramento.

NR10 - Sep Avançado


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Fixo em estais
O aterramento fixo em estais recebe este nome porque é feito com o uso
de estais de âncora e contra poste, ilustrados a seguir, que são sempre
aterrados e conectados ao neutro da rede se ela estiver disponível. Nes-
se caso, sempre que houver possibilidade, o condutor de aterramento é
instalado na parte interna do poste.

Veículos
Em serviços realizados em linha viva, o veículo que realiza o transporte
dos equipamentos deve ser aterrado. Nesse caso, um grampo de cone-
xão é aplicado entre o veículo e o trado e eles são ligados por um cabo
flexível.

A seguir, você estudará os conceitos de equipotencialização. Fique atento!

Equipotencialização
O aterramento temporário deve ser realizado em todos os circuitos que
estiverem sendo utilizados em conexão com o ponto de terra e por meio
de curto-circuito, ou seja, por equipotencialização. Essa técnica consiste
na aplicação de cabos com potencial elétrico idêntico para diminuir a
diferença de potencial.

Esse procedimento deve ser usado antes e depois do ponto de interven-


ção do circuito, mas não pode ser aplicado se a intervenção ocorrer no
fim do trecho. É preciso que o profissional saiba que, por ser temporário,
esse aterramento deve ser retirado após a finalização do serviço.

NR10 - Sep Avançado


49
A energização acidental pode ser causada pelos fatores apresentados a
seguir:

- Erros na manobra;
- Fechamento de chave seccionadora;
- Contato acidental com outros circuitos energizados ao longo do circuito;
- Tensões induzidas por linhas adjacentes ou que cruzam a rede;
- Fontes de alimentação de terceiros (geradores);
- Linhas de distribuição para operações de manutenção e instalação e
colocação de trafos;
- Torres e cabos de transmissão nas operações de construção de linhas
de transmissão;
- Linhas de transmissão nas operações de substituição de torres ou ma-
nutenção de componentes da linha.

Após conhecer os métodos de aterramento, você vai estudar os riscos


envolvidos no trabalho com eletricidade. Confira.

NR10 - Sep Avançado


50
Riscos no SEP e sua prevenção

Os riscos no SEP e a prevenção deles, temas abordados nesta unidade,


devem ser conhecidos por todas as pessoas que tenham contato mínimo
com instalações elétricas. Para isso, a NR 10 estabelece alguns conceitos
para garantir a segurança dos trabalhadores que atuam em locais próxi-
mos a instalações elétricas, são eles:

Zona de risco: É uma área restrita a profissionais autorizados, em que


devem ser adotadas técnicas, instrumentos e equipamentos adequados
ao trabalho.

Zona controlada: Área restrita a trabalhadores autorizados.

Zona livre: Zona com acesso permitido.

Contatos com partes energizadas


Entre as causas mais comuns de acidentes no trabalho com eletricidade
está o contato com condutores aéreos energizados. Geralmente, aconte-
ce o toque de equipamentos, como guindastes, caminhões basculantes,
nos condutores. Com isso, eles passam a integrar o circuito elétrico ao
serem tocados por uma pessoa localizada fora do equipamento ou pelo
motorista que, ao sair do veículo, entra em contato com terra e o veículo,
e pode ocorrer um acidente fatal.

Outro acontecimento muito frequente é o choque elétrico de pessoas


que se encostam à banca de capacitores que, mesmo desativadas, con-
servam a carga elétrica por algum tempo. Por isso, é muito importante
respeitar as normas de manuseio desses dispositivos.

O desligamento primário de transformadores em que será realizado ser-


viço deve ser realizado com bastante precaução, pois há risco de o lado
secundário ter sido ligado a algum aparelho que pode enviar para o pri-
mário uma tensão elevadíssima. Por isso, é essencial aterrar os conduto-
res do transformador ao ligar o primário.

Indução
Tensões induzidas também podem ser identificadas na linha por causa
de um fenômeno chamado acoplamento capacitivo e eletromagnético.
O efeito capacitivo ocorrerá se um ou dois condutores e o potencial de
dielétrico tiverem potenciais diferentes.
Achou importante?
Faça aqui suas anotações.
NR10 - Sep Avançado
51
Por causa das tensões capacitivas e as tensões estáticas em relação à ter-
ra, as linhas aterradas são drenadas imediatamente. Porém, haverá ten-
são de acoplamento capacitivo e eletromagnético induzida pelos condu-
tores energizados próximos à linha.

Confira a seguir os conceitos de descarga atmosférica.

Descargas atmosféricas
As descargas atmosféricas são fenômenos que provocam alterações nas
redes aéreas de transmissão e distribuição de energia elétrica e podem
causar prejuízos materiais em construções atingidas por elas. Também
há riscos de morte para pessoas e animais submetidos às descargas, que
podem fazer a tensão atingir um valor maior que 100kV.

Estudos comprovaram que, na atmosfera, as cargas elétricas positivas fi-


cam na parte superior das nuvens, e as negativas na parte inferior. Com
os ventos ascendentes e de forte intensidade, as gotículas de água vão
para a parte superior da nuvem e ocorre a polarização delas. Além disso,
a concentração de cargas elétricas positivas e negativas numa determi-
nada região faz surgir uma diferença de potencial entre a terra e a nu-
vem. Porém, normalmente, o ar possui rigidez dielétrica, que pode ser
alterada pelas condições ambientais.

O aumento da diferença de potencial entre a terra e a nuvem faz as car-


gas elétricas dela irem em direção à terra e realizarem um trajeto incons-
tante, geralmente, cheio de ramificações, que recebe o nome de descar-
ga piloto. Esse fenômeno permitirá a passagem de uma avalanche de
cargas com corrente de pico em torno de 200 mil ampéres. As descargas
atmosféricas podem ser ascendentes – da terra para a nuvem - ou des-
cendentes – da nuvem para a terra – ou entre nuvens.

Sobre esse fenômeno é possível afirmar ainda:

- O raio tem natureza absolutamente imprevisível em relação às suas ca-


racterísticas elétricas e também tem efeitos destruidores decorrentes de
sua incidência sobre instalações, pessoas ou animais.

- Nenhuma medida é capaz de impedir a ocorrência de uma descarga


em uma determinada região. Algumas técnicas podem somente minimi-
zar os efeitos destruidores como, por exemplo, instalações adequadas de
captação e de condução segura da descarga para a terra.

NR10 - Sep Avançado


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- Normalmente, a nuvem atua como placa negativa, o solo como placa
positiva e o ar tem a função de isolante de baixo poder dielétrico. Essa
configuração favorece ocorrência de raios.

Agora que você já sabe como ocorrem as descargas atmosféricas, estu-


dará as sobretensões transitórias.

Sobretensões transitórias
A queda de um raio na terra pode causar, além dos danos diretamente pro-
vocados pela corrente elétrica e pelo calor intenso, sobretensões em redes
de energia elétrica, de telecomunicações, de TV a cabo, antenas parabóli-
cas, redes de transmissão de dados, entre outros. Esse fenômeno recebe o
nome de sobretensão transitória e traz as seguintes consequências:

- Danos a pessoas e animais.


- Queima total ou parcial de equipamentos elétricos ou danos à instala-
ção elétrica interna e telefônica, entre outras.
- Reduz a vida útil dos equipamentos, até a parada deles.

As sobrecorrentes transitórias originadas por descargas atmosféricas podem


ser provocadas por descarga direta ou indireta. Veja mais detalhes sobre elas.

Descarga Direta: Por meio desse processo, o raio atinge diretamente


uma rede elétrica ou telefônica e causa efeito devastador, gerando ele-
vados valores de sobretensões sobre diversos circuitos.

NR10 - Sep Avançado


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Descarga Indireta: Nesse caso, que é o mais comum, o raio cai a uma
distância de até um quilômetro da rede elétrica. A sobretensão gerada
por ele é menor do que a da descarga direta, mas pode causar sérios
danos. Esse tipo de sobretensão ocorre quando uma parte da energia do
raio é transferida através de um acoplamento eletromagnético com uma
rede elétrica.

Medidas de proteção
Para prevenir a ocorrência de sobretensões indiretas, você deve seguir
algumas recomendações:

- Procure abrigo em instalações seguras. Jamais fique ao relento ou em-


baixo de árvores ou construções isoladas que não possuam sistema de
proteção atmosférica adequado.
- Não entre em rios, lagos ou piscinas e mantenha deles uma distância segura.
- Evite tocar em qualquer equipamento elétrico ligado à rede elétrica.
- Evite locais perigosos, como topos de morros, topos de prédios, prox-
imidade de cercas de arame, torres, linhas telefônicas e linhas aéreas.

As medidas de segurança contra descargas atmosféricas são baseadas


no princípio da criação de caminhos de baixa resistência à terra, para
onde as correntes elétricas dos raios devem ser escoadas.

Entre os principais componentes de um sistema de proteção contra des-


cargas atmosféricas estão:

NR10 - Sep Avançado


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Terminais aéreos: Também conhecidos como para-raios, esses disposi-
tivos são hastes montadas em bases, que devem ser instaladas acima
do ponto mais alto das edificações. Isso é feito visando a levar as cargas
da descarga atmosférica sobre a construção a percorrerem um caminho
mais fácil e onde estão ligados condutores horizontais.

Condutores de descida: São os cabos que ligam os terminais aéreos aos


de aterramento.

Terminais de aterramento: são condutores usados para conectar os ca-


bos de descida ao solo. Geralmente, esses terminais são constituídos por
cabos e hastes enterradas no solo, que levam o sistema a ter baixa re-
sistência, a qual varia de acordo com as características do solo.

Condutores de ligação equipotencial: São elementos usados para interli-


gar sistemas de aterramento. A função desses condutores é impedir que
surjam diferenças de potenciais entre os elementos interligados, pois,
conforme você já estudou, em sistemas de equipotencialização todas
as partes metálicas da edificação, aterramentos de equipamentos, fer-
ragens estruturais, sistema de proteção atmosférica, devem ser interliga-
das a um mesmo referencial de terra.

Supressores de surto, varistores, para-raios de linha, centelhadores são in-


stalados em pontos de entrada de energia, de cabos telefônicos e de da-
dos e em dispositivos utilizados em atividade industrial, para proteger as
instalações e os equipamentos contra sobrecorrentes transitórias ou so-
bretensões causadas por descargas direta, indireta e manobras realizadas
por equipamentos que fazem parte de sistemas de alimentação elétrica.

A seguir, você vai conhecer os conceitos de estática.

Estática
Também conhecida como choque eletrostático, a estática é um tipo de
choque provocado por uma descarga elétrica proveniente do acúmu-
lo de eletricidade em materiais ou equipamentos como, por exemplo,
postos de combustíveis ou montagens de dispositivos eletrônicos. Esse
fenômeno pode ocorrer em redes de alta e baixa tensão, máquinas, fer-
ramentas, aparelhos eletrodomésticos ou em veículos.

O choque eletrostático ocorre porque o corpo humano acumula eletrici-


dade estática quando realiza movimentos, como andar, sentar, abrir uma
porta ou quando toca um elemento que apresenta eletricidade estática.
Se uma pessoa tocar em um dispositivo eletrônico, por exemplo, as cargas
estáticas são transferidas rapidamente para ele, o que gera uma espécie
de choque de baixíssima corrente, mas o suficiente para danificar parcial-
mente ou totalmente os circuitos internos existentes dentro dos chips.

A ação de caminhar sobre um tapete, gera uma carga de eletricidade es-


tática de mais de 35 mil volts em ambientes secos ou de aproximadamente
dois mil volts em locais úmidos. Uma pessoa que está simplesmente sen-
tada em uma cadeira, tem carga de eletricidade estática acima de 18 mil
volts, valor semelhante ao de segurar um copo plástico de café.

NR10 - Sep Avançado


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O que explica o fato de não haver consequências danosas causadas por
essa voltagem é a baixíssima amperagem, muito menor que a encontrada
na rede elétrica de uma casa. Isso significa que o perigo não está na carga
elétrica em si, mas na rapidez com que ela é transferida para o corpo.

O choque é o resultado da transferência rápida de carga elétrica ao en-


costar-se em fios energizados e desprotegidos. É por isso que muitos
eletricistas tocam num fio elétrico energizado e continuam trabalhando
normalmente. O choque é muito fraco, além disso, eles não estão fazen-
do grande transferência de cargas, pois não tocam simultaneamente em
mais de um fio e usam sapatos para isolar o corpo do chão.

Esse também é o motivo pelo qual passarinhos não tomam choque ao pousa-
rem em fios de alta tensão, pois a distância entre os fios impede que eles to-
quem em dois com cargas elétricas diferentes e criem o curto-circuito.

Campo elétrico é o conteúdo que você estudará nas próximas páginas.


Fique atento!

Campo elétrico
Toda a região em volta de uma carga elétrica é conhecida como campo elé-
trico. Essa grandeza é representada geometricamente por linhas de força elé-
trica, que são originadas nas cargas positivas e tem fim nas cargas negativas.
Quanto mais próximos de uma carga, mais intenso será o campo elétrico.

Detalhes de como um campo elétrico funciona serão explicitados a seguir.

Se for considerada uma carga Q fixa em determinada posição, conforme


a ilustração a seguir e for colocada uma outra carga q em um ponto P1, a
uma distância de Q, será gerada uma força elétrica F atuando sobre q.

Em outro caso, se a carga q for deslocada, em torno de Q, para outro pon-


to qualquer, como P2, P3, em cada um desses pontos estaria também
atuando sobre q uma força elétrica, exercida por Q. Para descrever esse
fato, dizemos que em qualquer ponto do espaço em torno de Q existe
um campo elétrico criado por esta carga.
P2

Q
q
F
P3
P1

P4 P5

Observe que na ilustração apresentada o campo elétrico é criado nos


pontos P1, P2, P3, P4, P5, pela carga Q, que pode ser positiva ou negativa.
A carga de prova é uma carga q deslocada de um ponto a outro, para
verificar se existe ou não um campo elétrico nesses pontos.

NR10 - Sep Avançado


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Vetor campo elétrico
O vetor campo elétrico é um campo elétrico representado, em cada pon-
to do espaço, por um vetor, que geralmente é denominado pela letra E.
Veja a ilustração a seguir.
P2

Q
P1 F
P3
q

F
E = _____
q

O módulo do vetor E, em um determinado ponto recebe o nome de in-


tensidade do campo elétrico no ponto. Para entender melhor essa ques-
tão, considere a carga Q, da figura já apresentada, criando um campo
elétrico no espaço em torno dela. Se for aplicada uma carga de prova q
em um ponto qualquer, como P1, por exemplo, uma força elétrica F atua-
rá sobre esta carga de prova. Assim, a intensidade do campo elétrico em
P1 será dada pela expressão E= F/q .

Essa fórmula permite a determinação do campo elétrico em qualquer


outro ponto, como P2 ou P3. Normalmente, o valor de E é diferente em
cada ponto, com raras exceções.

Observe que de E = F/q obtemos F = qE .

Portanto, se você tiver o valor da intensidade E do campo elétrico em um


ponto, poderá calcular, usando a expressão, o módulo da força que atua
em uma carga q qualquer, aplicada naquele ponto.

A direção e o sentido do vetor campo elétrico em um ponto são determi-


nados pela direção e sentido da força que atua na carga de prova positiva
colocada no ponto.

NR10 - Sep Avançado


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Por exemplo: considerando o ponto P1 da ilustração a seguir, se uma car-
ga de prova positiva fosse colocada em P1 ela seria repelida por Q com
uma força horizontal para a direita. E o vetor campo elétrico E1 naquele
ponto, seria também horizontal e para a direita. Da mesma forma, é pos-
sível concluir que em P2 há um vetor E2 dirigido verticalmente para cima.
Isso porque, se uma carga de prova positiva fosse colocada neste ponto,
ela ficaria sob a ação de uma força com aquela direção e naquele sentido.
Assim, conclui-se que em P3 e P4, os vetores E3 e E4 têm as direções e os
sentidos indicados a seguir. Confira.

P2

P3 Q P1 E
E

P4

Suponha que, no caso a seguir, a carga que cria o campo seja negati-
va. Nesse caso, se fosse aplicada carga de prova positiva em P1, ela seria
atraída por Q com uma força para a esquerda. Assim, o vetor campo elé-
trico estaria agora dirigido para a esquerda – sempre no mesmo sentido
da força que atua na carga de prova positiva. Com isso, você pode chegar
à conclusão de que em P2, P3 e P4 o vetor campo elétrico será represen-
tado pelos vetores E2, E3 e E4 ilustrados a seguir.

P2

E2

P3 E3 Q E1 P1

E4

P4

NR10 - Sep Avançado


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Movimento de cargas
Imagine que uma carga (q) positiva seja colocada no ponto P1 mostrado
na figura em que existe um campo elétrico E1 criado por Q. Nesse caso,
a carga q será repelida por Q com uma força dirigida para a direita e, por
isso, ela tende a se deslocar no sentido dessa força.

Como o vetor E1 tem o mesmo sentido dessa força, a carga positiva q ten-
de a se deslocar no sentido do campo elétrico. Se essa mesma carga po-
sitiva for colocada no ponto P1 da figura acima – que é um campo criado
por carga negativa – ela será atraída pela carga Q e tende a se deslocar
no sentido do campo elétrico E1.

De modo geral, é possível concluir que, em qualquer ponto que a carga


positiva q for abandonada, ela tenderá a se deslocar no sentido do vetor
do campo elétrico presente no ponto.

Se em outro caso for colocada uma carga negativa no ponto P1 da figu-


ra - direção sentido do vetor, a carga q será atraída por Q e tenderá a se
deslocar em sentido contrário ao campo E1. No caso de deslocar a carga
negativa q no ponto P1 da figura acima, ela será repelida pela carga ne-
gativa Q e, da mesma maneira, tenderá a se deslocar em sentido contrá-
rio ao do vetor E1.

Campo elétrico criado por cargas pontuais


Por meio da equação E= F/q é possível calcular a intensidade do campo
elétrico, independente do valor e do tipo das cargas geradoras do cam-
po. A seguir, será exemplificada uma situação especial, em que a carga
que cria o campo é uma carga pontual.
Q
r E

Q
E = Kc _____
r

Se considerarmos, nesse caso, uma carga pontual Q, no ar, e um ponto


situado a uma distância r dessa carga e for aplicada carga de prova q
neste ponto, ela ficará sujeita a uma força elétrica F, cujo módulo poderá
ser calculado pela lei de Coulomb. Assim, F = k0 Qq/r como E = F/q, ob-
temos facilmente E = k0 Q/r.

Assim, essa equação possibilita o cálculo da intensidade do campo em


um determinado ponto, caso seja conhecido o valor da carga pontual Q,
que criou o campo e a distância do ponto até essa carga.

Entretanto, é preciso ressaltar que essa fórmula só pode ser usada para o
caso de campo criado por uma carga pontual.

NR10 - Sep Avançado


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Você vai aprender as especificidades de campos elétricos criados por vá-
rias cargas elétricas pontuais, como Q1, Q2, Q3, ilustradas a seguir.
E1
E3
P

Q3
Q1

E2

Q2

Se for necessário calcular o campo elétrico que essas cargas criam em um


ponto P qualquer do espaço, é preciso encontrar, inicialmente, o campo
E1 criado em P apenas pela carga Q1. Como Q1 é uma carga pontual, o
valor de E1 poderá ser obtido através da expressão e = k0Q/r. A direção e
o sentido de E1, como já ilustrado acima, foram determinados de acordo
com o que você aprendeu anteriormente.

Depois disso, é possível determinar o campo E2, criado por Q2 e o campo


E3, criado por Q3. O campo elétrico E, presente no ponto P, será dado pela
resultante dos campos E1, E2, E3, produzidos separadamente pelas car-
gas Q1, Q2, Q3, isto é: E = E1 + E2 + E3.

No caso de uma esfera eletrizada, que possui carga Q distribuída de for-


ma igual em sua superfície e o raio dela não tenha valor desprezível, nos
deparamos com uma situação diferente: uma carga Q não pontual cria
um campo elétrico no espaço em torno dela.

Para calcular o campo elétrico em um ponto P fora da esfera, como mostra a figu-
ra a, seria necessário imaginar a esfera dividida em pequenas porções, de forma
que a carga /\Q em cada porção pudesse ser considerada carga pontual. Cada
uma dessas pequenas cargas /\Q criaria em P um pequeno campo /\ E (figura a),
que poderia ser facilmente calculado. O campo em P, devido à carga total, Q, da
esfera seria obtido somando-se vetorialmente esses pequenos campos.
Q

Q E
P
Q E
Q E

r P E

R
Q
E = K0 _____
r2

NR10 - Sep Avançado


60
A realização dessa operação geraria o seguinte resultado: o campo E,
criado em P pela carga Q da esfera tem direção e sentido mostrados na
figura b e seu módulo é dado pela equação: E = k0 Q/r, onde r é a distân-
cia do ponto P ao centro da esfera.

Observe que essa expressão é a mesma que nos dá o valor do campo


elétrico criado por uma carga pontual. Assim, é possível concluir que o
campo criado por uma esfera eletrizada em pontos fora dela pode ser
calculado, imaginando-se que toda a carga da esfera estivesse concen-
trada como se fosse uma carga pontual, em seu centro.

Se na figura b fosse considerado um ponto situado bem próximo à superfí-


cie da esfera, sua distância ao centro dela seria praticamente igual a R (raio
da esfera). Portanto, o campo nesse ponto seria dado por E = k0 Q/R.

Estude a seguir os conceitos de linha de força.

Linhas de força
As linhas de força foram conceituadas, no século passado, por um físico
inglês chamado M. Faraday, que pretendia representar o campo elétrico
por meio de diagramas.

Para entender melhor essa concepção, imagine uma carga pontual posi-
tiva Q criando um campo elétrico no espaço em torno dela. Como você já
estudou, em cada ponto do espaço há um vetor E, que tem seu módulo
reduzido à medida que ocorre afastamento da carga. Na figura a estão
representados vetores em alguns pontos em torno de Q.

Considere que E1, E2, E3 têm a mesma direção e trace uma linha passan-
do pelos vetores orientada no mesmo sentido deles, como mostra a figu-
ra b. Essa linha, tangente a cada um dos vetores E1, E2, E3, é conhecida
como linha de força do campo elétrico. Como foi feito na ilustração b, é
possível traçar várias outras linhas de força do campo elétrico criado pela
carga Q. Nessa figura está representado o campo elétrico, como propõe
Faraday. Confira.

E3 Linhas de Força

E2

E1

(b)
(a)

NR10 - Sep Avançado


61
No caso de a carga criadora do campo ser pontual negativa, o vetor E, em
cada ponto do espaço, apontará para a carga, como mostra a figura a a
seguir. Nesse caso, é possível ainda traçar as linhas de força representantes
desse campo elétrico. Na figura b, a disposição das linhas de força é idênti-
ca à do campo elétrico da carga positiva. A única diferença é o sentido de
orientação das linhas de força, que no campo da carga positiva divergem a
partir da carga, e no campo de carga negativa convergem para a carga.

Linhas de Força

(b)
(a)

Campo elétrico uniforme


Considere duas placas planas, paralelas, separadas por uma distância
pequena em relação às suas dimensões. Suponha que elas estejam ele-
trizadas de modo uniforme com cargas de mesmo módulo e de sinais
invertidos, conforme a ilustração apresentada a seguir.
+Q P E - Q
+ -
+ q F
-
+ -
-
+ P1 -
+ q F -
+ -
+ P2 -
+ -
+ -
q F -
P3

Se for aplicada uma carga de prova positiva q em um ponto P1 situado


entre as placas, a carga ficará sujeita à ação de uma força F, por causa de
um campo elétrico criado pelas placas no espaço entre elas. Essa força
F será perpendicular às placas, conforme é possível prever, e está orien-
tada da placa positiva para a negativa.

No caso de a carga de prova q ser deslocada para outro ponto entre as pla-
cas, uma força F de mesmo módulo, direção e sentido de quando estava em
P1 atuará sobre ela. Assim, você pode concluir que o campo elétrico entre as
placas tem, em qualquer ponto, o mesmo módulo, direção e sentido. Esse
campo recebe o nome de campo elétrico uniforme e pode ser represen-
tado por um vetor E, conforme você pode observar na ilustração acima.

NR10 - Sep Avançado


62
Na figura a seguir, estão traçadas as linhas de força do campo entre duas
placas. Verifique que estas linhas são paralelas, ou seja, a direção de E
não varia e o espaço entre elas é o mesmo, ou seja, o módulo de E é con-
stante. Isso demonstra que o campo elétrico nessa região é uniforme.

É necessário observar, entretanto, que essas considerações são válidas para


pontos localizados a uma certa distância das extremidades das placas, pois,
como é possível verificar na ilustração, nas extremidades as linhas de força
são curvas, o que demonstra que nesse local o campo não é uniforme.

+ -
+ -
+ -
-
+ -
+ E -
+ -
+ -
+ -
+ -
-

Comportamento de um condutor eletrizado


A seguir, você vai conhecer especificidades do comportamento de um
condutor eletrizado, como a que afirma que a carga se distribui na su-
perfície do condutor.

Suponha que um corpo condutor como, por exemplo, um bloco metáli-


co, seja atritado em uma determinada região de sua superfície e adquira
carga negativa. Nesse caso, a carga aparece na região que sofreu o atrito,
como mostra a figura A.

- -
- - - - --
- -
METAL -- -- -- -
-- - - --
-
- ----- -
- -- -
A

NR10 - Sep Avançado


63
Porém essas cargas, compostas por um excesso de elétrons, se repelem e
atuam sobre os elétrons livres do condutor. Isso faz com que eles se des-
loquem até atingir o equilíbrio eletrostático, em que cargas no condutor
ficam em repouso. Quando isso ocorre experimentalmente, a carga ne-
gativa adquirida pelo condutor é distribuída em toda a sua superfície,
conforme representa a figura B.

- - - -- - -
- --
- --
-
- METAL --
- -
- ---
-
-- - --
- - - -- -
B

No caso de o condutor ser eletrizado positivamente, o resultado final seria


o mesmo, ou seja, a carga positiva, adquirida pelo condutor em uma deter-
minada região de uma superfície, ilustrada na figura c, atrai elétrons livres
desse corpo. Os elétrons se deslocam até alcançarem o equilíbrio eletros-
tático. Quando isso ocorre, a carga positiva ficará distribuída na superfície
do condutor, situação representada pela figura D.

+ + ++
+++ + +
+ ++ + +
+ + + + + METAL
+ ++ + METAL + +
+ ++ + +
+ + +
+ + + + +++
C D

Verifique que esse comportamento é específico de condutores, pois, se


um isolante for atritado em uma região de sua superfície, a carga adquir-
ida por ele não se espalhará e o equilíbrio continuará existindo no local.
Isso acontece porque o isolante não apresenta elétrons livres e, por isso,
cargas elétricas não poderão se deslocar no material.

Como você pôde observar, quando o equilíbrio eletrostático é atingido,


as cargas elétricas em um condutor estão distribuídas em sua superfície e
estão em repouso. Nesse caso, a distribuição deve ser realizada de modo
que o campo elétrico seja nulo em qualquer parte interna do condutor.
Isso porque, se o campo elétrico interno fosse diferente de zero, haveria
movimentação de elétrons livres sob a ação do campo. Portanto, como
as cargas no condutor estão em equilíbrio, não há movimento.

NR10 - Sep Avançado


64
Em pontos da superfície do condutor em equilíbrio eletrostático pode exi-
stir um campo elétrico, sem que isso altere a condição de equilíbrio elet-
rostático. Isso é estabelecido, desde que o vetor E seja perpendicular à su-
perfície do condutor, conforme os pontos B, C, e D da figura a seguir.

E A
90º E1
+ + + + +
B +
+ + 90º E
+ E= ? + D
+ +
+ +
+ + + + +
C 90º
E

Se o campo elétrico não fosse perpendicular à superfície, como ocorre no


ponto A da figura acima, ele teria um componente E tangente à super-
fície do condutor. Assim, os elétrons livres estariam em movimento sob a
ação de E. Você pode concluir, portanto, que esse componente não pode
existir, pois o condutor está em equilíbrio eletrostático. Se não houver o
componente tangencial, o vetor E terá que ser perpendicular à superfície
do condutor. Atuando nessa direção, o campo não poderá provocar mo-
vimento de cargas, porque o condutor está envolvido pelo ar que, como
você já sabe, é um isolante.

Depois de estudar o campo elétrico, você vai aprender sobre o campo


magnético.

Campo magnético
Durante muito tempo suspeitava-se que havia uma relação entre a eletricidade
e o magnetismo. Mas, somente em 1819 é que essa questão foi definida.

direção da
corrente

NR10 - Sep Avançado


65
Ao aproximar uma bússola de um condutor atravessado por corrente elé-
trica, a agulha sofre desvio, o que confirma a existência de um campo mag-
nético. Outra constatação é que a agulha tende a se localizar de modo per-
pendicular à direção da corrente, conforme ilustram as imagens a seguir.

S N

N S

Linhas de fluxo magnético circundando um condutor cilíndrico no


qual a corrente está entrando.

N S

S N

Linhas de fluxo magnético abraçando um condutor cilíndrico em


que a corrente está saindo para o lado do leitor.

Se a agulha for colocada acima do condutor, ela apontará no sen-


tido oposto de quando ficou abaixo do mesmo condutor.

Outra constatação é que o fluxo magnético existe sob a forma de


círculos, em todo o contorno do condutor, se não houver outro
campo magnético próximo. Esses círculos possuem centros que
coincidem com o eixo longitudinal do condutor e seus planos são
perpendiculares a ele.

No caso de a corrente do condutor ter sua direção invertida, a agul-


ha imantada também inverterá o sentido para o qual aponta. Isso
comprova que a orientação do campo magnético depende direta-
mente do sentido da corrente elétrica que percorre o condutor.

O motivo da inversão da agulha da bússola, quando deslocada de


um ponto acima do condutor para outro abaixo, é explicado pelo
fato de o fluxo magnético ser realizado em círculos, que tem pla-
nos paralelos perpendiculares ao eixo longitudinal do condutor.
Isso porque o sentido do fluxo, em cima, é o inverso do existente
embaixo do condutor.

NR10 - Sep Avançado


66
A seguir está ilustrado como ocorre a interdependência existente
entre o fluxo magnético e a corrente elétrica. Confira.

No caso demonstrado acima, um condutor, percorrido por uma corrente


elétrica, é enfiado num papelão e atravessa seu plano na perpendicular.
A limalha de ferro que for espalhada sobre o papelão é disposta em cír-
culos concêntricos. Para que a situação exemplificada ocorra, é preciso
aplicar uma corrente com a intensidade de, no mínimo, 100 ampéres. Se
forem dispostas quatro bússolas, como no exemplo acima, elas demons-
trarão, por meio da pontaria de suas agulhas, que linhas magnéticas que
envolvem o condutor são círculos que têm como centro o próprio eixo
do fio portador da corrente.

A relação entre o campo magnético e a corrente é definida por duas re-


gras simples:

Regra da mão: é realizada por meio de um condutor agarrado pela mão


direita, com o polegar apontando no sentido da corrente e as pontas dos
outros dedos correspondentes à orientação das linhas de força.

Corrente

Regra da mão

Regra dos saca-rolhas - É a regra mais comum e simples de ser recordada,


em que os sentidos da corrente elétrica e os das linhas do fluxo magné-
tico podem ser relacionados da seguinte forma: o da corrente ao movi-
mento de avanço dos saca-rolhas, e o do fluxo, ao sentido do movimento
de rotação, que se aplica ao saca-rolhas quando está sendo introduzido.

NR10 - Sep Avançado


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Campo magnético com dois condutores
Quando dois condutores paralelos estão sendo percorridos por corren-
tes elétricas de mesmo sentido, a tendência é que eles se aproximem
um do outro até se unirem. Nas ilustrações a seguir estão representadas
linhas de força que abraçam os condutores no mesmo sentido, como na
regra do saca-rolha, e o campo magnético resultante forma uma bainha
de linhas de força, que atuam como anéis elásticos estirados e tendem a
juntar os dois condutores.

a b

d c

Campo magnético em torno de Campo magnético em torno de


dois condutores paralelos com a dois condutores paralelos com a
corrente no mesmo sentido. corrente em sentidos opostos.

Um outro motivo que explica essa atração é a tendência de o campo


magnético se dispor de modo que faça o número de linhas de força ser
o maior possível. A atração com a aproximação dos condutores reduz o
comprimento do trajeto abcd, que as linhas de força precisam percorrer.

O campo independente que se forme em torno de cada condutor é circular em


relação à forma, mas o campo magnético resultante tem somente uma forma
circular aproximada, conforme a figura acima, que apresenta campo magnéti-
co em torno de dois condutores paralelos com a corrente no mesmo sentido.

No caso da figura à esquerda, o campo entre os condutores têm correntes


circulando em sentidos opostos e as linhas de força são círculos, mas não
concêntricos entre si ou entre condutores. As linhas estão amontoadas en-
tre os condutores e, portanto, exercem sobre eles um efeito de repulsão.

Além disso, quando os condutores se afastam, aumenta o espaço dispo-


nível entre eles e, consequentemente, reduz o espaço disponível para a
passagem das linhas de força. Assim, cada circuito magnético procura se
acomodar para satisfazer a condição de fluxo máximo.

Com base nessas teorias apresentadas, foram formuladas as seguintes leis:

- Os condutores com correntes elétricas de mesmo sentido tendem a se


atrair, e os que têm correntes opostas procuram se repelir.

- Todo circuito elétrico tende a buscar uma posição que possibilite às cor-
rentes terem direções paralelas e no mesmo sentido. Esse efeito é mais
aplicado em sistemas modernos de energia com grandes capacidades.

A seguir, você vai conhecer alguns procedimentos de segurança que de-


vem ser aplicados nos trabalhos em locais onde haja presença de cam-
pos elétricos ou magnéticos. Confira.

NR10 - Sep Avançado


68
Procedimentos de segurança
Medidas de segurança padrão foram desenvolvidas para evitar a ocor-
rência de acidentes em atividades com envolvimento de eletricidade. A
seguir, você vai conhecer alguns métodos de prevenção de acidentes.

Comunicação e identificação
No momento em que chega ao local de trabalho, o responsável pela
equipe deve entrar em contato com o Órgão de Operação do Sistema e
realizar os seguintes procedimentos:

- Identificar-se - fornecer o nome e tipo de turma que irá atuar.


- Informar sua localização.
- Confirmar o tipo de serviço que será executado e os métodos de execução.
- Fornecer números de identificação dos equipamentos obtidos previamen-
te e que caracterizem o ponto em que serão desenvolvidos os serviços.
- Solicitar a confirmação do nome da linha e a classe de tensão que está
alimentando o local do trabalho.
- Requerer a retirada de serviço e o bloqueio do circuito, dependendo
do tipo de trabalho. A retirada de serviço do dispositivo de religamento
automático do religador na subestação ou no próprio circuito também
pode ser solicitada.

Trabalhos em altura
Algumas medidas específicas são necessárias para trabalhos em altura,
visando a evitar acidentes.

Para todo trabalho realizado sobre andaimes deve ser elaborada uma
análise de risco específica. A atividade deve ser acompanhada direta-
mente pelo supervisor técnico e pelo técnico de segurança. A NR-18
deve ser consultada e seguida para assegurar a integridade física dos
profissionais.

Recomendações mínimas para a permissão desse tipo de serviço estão


relacionadas a seguir:

- Um supervisor devidamente qualificado deve dimensionar o andaime.


- O piso de trabalho dos andaimes deve possuir forração completa, piso
antiderrapante e ser nivelado e fixado de modo seguro e resistente.
- Solicitar supervisão elétrica, caso seja necessário movimentar ou execu-
tar qualquer serviço próximo à rede elétrica.
- A madeira utilizada nos serviços deve ser de boa qualidade, não possuir
nós, rachaduras e não ser pintada.
- Não devem ser aplicadas aparas de madeira na confecção de andaimes.

- Todo andaime deve apresentar sistema de guarda-corpo e rodapé, inclusi-


ve nas cabeceiras, em todo o perímetro, exceto do lado da face de trabalho.
- A proteção contra quedas, quando constituída de anteparos rígidos,
em sistema de guarda-corpo e rodapé, deve: ser construída com altura
de 1,20 metros para o travessão superior e 0,70 metros para o travessão

NR10 - Sep Avançado


69
intermediário, ter rodapé com altura de 0,20 metros e apresentar vãos
entre travessas preenchidos com tela ou outro dispositivo que garanta o
fechamento seguro da abertura.
- É proibida a utilização de escadas sobre o piso de trabalho para atingir
alturas mais elevadas.
- Os montantes dos andaimes devem ser apoiados em sapatas sobre
base sólida capaz de resistir aos esforços e às cargas transmitidas.
- É proibido deslocar estruturas dos andaimes com trabalhadores sobre eles.
- As torres de andaimes não podem ter altura quatro vezes menor que a
base de apoio, quando não estaiados.
- O ponto de instalação de qualquer aparelho de içar materiais deve ser esco-
lhido de modo que não comprometa a estabilidade e segurança do andaime.
- Os rodízios dos andaimes devem apresentar travas para evitar desloca-
mentos acidentais, e somente poderão ser utilizados andaimes móveis
em superfícies planas.
- As peças de contraventamento devem ser fixadas nos montantes por
meio de parafusos, braçadeiras ou por encaixe em pinos, devidamente
travados ou contrapinados, de modo que assegurem a estabilidade e a
rigidez necessárias ao andaime.

Os cestos aéreos ou caçambas também são bastante utilizados em tra-


balhos de montagem e manutenção elétrica, como na iluminação pú-
blica ou em isoladores de subestações. A eliminação de esforços físicos,
a agilidade no posicionamento para execução do trabalho são algumas
das vantagens da utilização desses acessórios. Esse tipo de trabalho tam-
bém demanda a observação de critérios de segurança, que serão apre-
sentados a seguir. Esses procedimentos são relacionados a trabalhos em
sistemas desenergizados. Para trabalhos sob tensão, outros cuidados e
equipamentos de proteção específicos devem ser considerados. Existem
empresas especializadas em serviços de eletricidade sob tensão.

- O posicionamento adequado do caminhão, principalmente em relação


ao nivelamento;
- A correta montagem do cesto no braço do caminhão;
- A proibição da movimentação do caminhão com o trabalhador já den-
tro do cesto;
- Manutenção correta do caminhão;
- A observação de distâncias seguras para movimentação do cesto com
o caminhão parado;
- Comunicação eficiente entre operador e trabalhador que está no cesto;
- Utilização correta dos EPI’s;
- Isolamento adequado da área de trabalho;
- Correta identificação de circuitos energizados;
- Seleção adequada dos equipamentos de trabalho;
- Qualificação dos profissionais envolvidos na operação, inclusive do mo-
torista e do operador do cesto aéreo;
- Sinalização correta do caminhão,
- Proibição do aumento da altura de trabalho com colocação de artifícios
dentro do cesto.
As escadas são outros acessórios que merecem atenção e demandam
cuidados adequados desde o armazenamento até a montagem e amar-
ração para execução de trabalhos em altura.

O armazenamento delas deve ser feito na posição horizontal, fixada em

NR10 - Sep Avançado


70
braçadeiras contra a parede, as que ficam guardadas em veículos tem
que ser cuidadosamente apoiadas para evitar a ocorrência de defeitos e
a vibração quando o veículo está em movimento.

É necessário também que o armazenamento das escadas seja feito a uma


altura que impeça ocorrência de choques com obstáculos ou pessoas. A
parte da frente delas deve ser mantida a uma altura superior a dois me-
tros para, por exemplo, evitar que atinja uma pessoa. Já a parte de trás
pode ser deixada próxima ao nível do piso.

Uma inspeção rigorosa deve ser promovida antes da utilização de escadas, pois
é comum encontrar pessoas usando o acessório danificado ou sem as sapatas
de segurança. No processo de assentamento, a escada tem que ser amarrada
com a observação de pontos seguros de sustentação. É comum ver cintos de
segurança amarrado em escadas sem amarração. Jamais permita que um tra-
balhador suba a escada carregando ferramentas, objetos, peças, entre outros.
Esses devem ser içados após o correto posicionamento dele na escada.

A improvisação de escadas é outro fator de insegurança e pode provocar


acidentes. Atitudes como usar escadas de abrir para passar de um lado a
outro da escada sem descer ao solo também são proibidas. Além disso, o
terceiro degrau superior é o ponto máximo de subida em uma escada.

Manuseio de ferramentas elétricas


O uso de ferramentas elétricas, como furadeiras, esmerilhadeiras, má-
quinas de solda, entre outras, deve ser inspecionado por um Técnico de
Segurança, que tem a função de garantir o uso dos EPIs e o manuseio
correto dos equipamentos.

A utilização de relógios, joias, roupas folgadas e até luvas deve ser evi-
tada nesse processo. Inspeções periódicas nos aparelhos para verificar a
existência de fios com isolamento danificado, emendas mal-executadas
e estado de conservação dos plugues também são recomendadas. A se-
guir, serão descritas algumas das principais máquinas elétricas e os riscos
de acidente que seu uso apresenta.

Policorte
Riscos:
- Ruptura do disco de corte.
- Contato da mão com o disco de corte.
- Emissão de partículas e poeiras.
- Choque elétrico.
- Incêndio.

Principais causas dos acidentes:


- Montagem incorreta ou defeito de fabricação ou especificação incorreta
do disco.
- Ausência de proteção ou proteção inadequada.
- Corte de materiais não apropriados.
- Falha ou falta de isolação elétrica.

NR10 - Sep Avançado


71
- Falta de aterramento elétrico.
- Presença de materiais inflamáveis.

Máquina de rosquear
Riscos:
- Choque elétrico.
- Lesões corporais diversas.
- Deslocamento da bancada de sustentação da máquina.

Principais causas de acidentes:


- Falta ou falha no aterramento elétrico.
- Uso de adereços, como braceletes, relógios e cabelos compridos e soltos.
- Erro de fixação, equipamento desalinhado, operação que possibilite tra-
vamento da peça.

Furadeira elétrica
Riscos:
- Desprendimento da morsa ou da broca.
- Quebra da broca.
- Choque elétrico.
- Perfuração da mão.
- Projeção de partículas.

Principais causas de acidentes:


- Morsa mal-apertada.
- Broca defeituosa ou de má qualidade.
- Falta ou falha no aterramento ou isolamento elétrico.
- Desatenção ao operar o equipamento.
- Procedimento inadequado.

Esmerilhadeiras
Riscos:
- Quebra do disco.
- Choque elétrico.
- Projeção de partículas ou do disco.
- Corte.

Principais causas de acidentes:


- Disco defeituoso.
- Falha no aterramento elétrico ou na isolação dos cabos elétricos.
- Projeção de partículas.
- Falha no equipamento.

Nessa unidade você aprendeu mais sobre eletricidade e conheceu os ris-


cos que envolvem a atividade com esse tipo de energia, além das formas
de evitá-los. A seguir, você estudará as ferramentas e equipamentos de
trabalho necessários para as operações.

NR10 - Sep Avançado


72
Equipamentos e ferramentas de trabalho

Nesta unidade, você vai estudar as ferramentas e os equipamentos uti-


lizados nos trabalhos realizados em instalações elétricas, como dispo-
sitivos de isolação elétrica, de bloqueio, contra queda, de sinalização e
equipamentos de proteção. Confira.

Dispositivos de isolação elétrica


Os dispositivos de isolação elétricos são elementos fabricados a partir de
materiais que não conduzem eletricidade, também chamados de dielé-
tricos. Eles permitem que os trabalhos sejam desenvolvidos sem exposi-
ção dos profissionais a risco elétrico, desde que sejam compatíveis com
os níveis de tensão do serviço. Para facilitar a identificação dos dielétri-
cos, eles geralmente são de cor laranja.

Armazenamento em locais adequados para evitar a exposição dos mate-


riais à sujeira e à umidade e inspeções periódicas são algumas recomen-
dações essenciais para que eles mantenham a condutividade.

Confira a seguir alguns exemplos:

- Calha isolante: Geralmente feitas de polietileno rígido.

Isoladores tipo calha

- Mantas ou lençol de isolamento.


- Tapetes isolantes.
- Coberturas isolantes para dispositivos específicos.

Achou importante?
Faça aqui suas anotações.
NR10 - Sep Avançado
73
Dispositivos de bloqueio
O bloqueio ou travamento são operações que visam manter um disposi-
tivo de manobra fixo em uma posição específica, além de impedir ações
não autorizadas. Os dispositivos de bloqueio e travamento realizam essa
função, ou seja, impedem o acionamento ou o religamento de elemen-
tos, como chaves e interruptores, geralmente usando cadeados.

Em trabalhos simultâneos é necessário que seja aplicado mais de um


bloqueio.

O controle desses dispositivos de travamento deve ser feito individual-


mente por cada trabalhador.

Etiquetas de sinalização que contenham informações como nome do


profissional responsável, data, setor de trabalho e forma de comunica-
ção precisam ser incluídas em todas as ações de bloqueio ou travamento,
assim como formulários e ordens documentais. Além disso, a empresa
deve desenvolver procedimentos padronizados para essa operação e
divulgá-los a todos os profissionais envolvidos nas atividades.

Atente para o fato de que o termo bloqueio em Sistema Elétrico de Po-


tência (SEP) também é relacionado à ação de impedimento do religa-
mento automático de circuito, sistema ou equipamento elétrico. Essa
ação é realizada quando são identificados problemas na rede provoca-
dos por acidentes ou disfunções. Neste caso, entram em operação equi-
pamentos usados para religar o disjuntor automaticamente aos circuitos,
de acordo com a programação estabelecida. Em atividades realizadas em
linha viva é obrigatório que esse equipamento esteja desativado, pois se
houver algum acidente, contato ou descarga não programada, o circuito
se desliga através da abertura do disjuntor da subestação e desenergiza
todo o trecho. Essa operação, que também recebe o nome de bloqueio
do sistema de religamento automático, demanda um procedimento es-
pecial para ser aplicada.

Conheça a seguir os dispositivos usados para evitar quedas.

Dispositivos de contra queda


Atividades envolvendo eletricidade que são realizadas no alto deman-
dam a utilização de dispositivos contra queda para garantir a integrida-
de física dos profissionais. A seguir, você vai conhecer alguns desses ele-
mentos. Confira.

NR10 - Sep Avançado


74
Esporas
Cada tipo de espora que é utilizada para evitar a queda dos profissionais
é recomendada para uma atividade específica. Veja:

- Duplo T: Utilizada para escalar postes tipo duplo T. Fabricada a partir de


aço redondo com diâmetro de 16 mm ou mais, apresentam ainda cor-
reias de couro.
- Ferro meia lua: É um tipo de espora redonda usada para postes de ma-
deira. São feitas de aço e possuem estribo para apoio total do pé, correias
de couro e três pontas de aço para fixação ao poste.
- Espora extensível: Ideal para escalar postes de madeira. Esse tipo de
espora é composto por haste em forma de “J” com duas almofadas.

Escadas
As escadas também podem ser de vários tipos:

- Escada extensível portátil de madeira.


- Escada extensível de fibra de vidro, mais adequada que a de madeira
por ser mais leve e isolante.
- Escada extensível de madeira ou de fibra de vidro para suporte giratório.
- Escada singela de madeira ou fibra de vidro.
- Escada para trabalhos em linha viva.

Escadas para linha viva

NR10 - Sep Avançado


75
Cestas aéreas
Confeccionadas em PVC, revestidas com fibra de vidro, normalmente
acoplado ao ‘munck’ ou grua. Podem ser individuais ou duplas. Utilizadas
principalmente nas atividades em linha viva, pelas suas características
isolantes e devido à melhor condição de conforto em relação à escada.
Os movimentos do cesto possuem duplo comando (no veículo e no ces-
to) e são normalmente comandados no cesto. Tanto as hastes de levan-
tamento, como os cestos devem sofrer ensaios de isolamento elétrico
periódico e possuir relatório das avaliações realizadas.

Cestas aéreas

Plataformas
Geralmente, as plataformas para degraus de escada e as gaiolas são fei-
tas de material isolante, como fibra de vidro ou madeira. Grua, “munck”,
guindaste, extensão isolante para grua estão entre alguns exemplos de
plataformas utilizadas em trabalhos com eletricidade.

Gaiola em grua dotada de extensão


NR10 - Sep Avançado
76
Andaime isolante simplesmente apoiado
Os andaimes isolantes simplesmente apoiados também são utilizados
em trabalhos que envolvem eletricidade. Segundo a NR-18, esse disposi-
tivo deve apresentar sistema guarda-corpo e rodapé.

Andaime isolante

Cadeira de acesso potencial


A cadeira de acesso potencial é aplicada em gruas ou na extensão delas.

Gancho de escada
O gancho de escada é aplicado em caso de necessidade de escalar torres
de transmissão. Nele, é fixada a corda guia com um trava-quedas. À me-
dida que o operador escala a torre, o dispositivo modifica sua posição e
o encaixa em um ponto superior da torre.

Gancho de
escada

Estude agora os dispositivos de manobra.

NR10 - Sep Avançado


77
Dispositivos de manobra
Os dispositivos de manobra são elementos isolantes que são aplicados
em trabalhos em linha viva e em operações, equipamentos ou instala-
ções energizadas ou não, que apresentem possibilidade de receberem
energia acidentalmente. Confira alguns exemplos de trabalhos que ne-
cessitam de dispositivos de manobra:

- Operações de instalação e retirada de conjuntos de aterramento e curto circuita-


mento temporário em linhas desenergizadas, como distribuição e transmissão.
- Manobras de chave faca e chave fusível.
- Retirada e colocação de cartucho porta fusível ou elo fusível.
- Detecção de tensão.
- Troca de lâmpadas e elementos do sistema elétrico.
- Poda de árvores.
- Limpeza de rede.

Conheça a seguir alguns exemplos de dispositivos de manobra.

Varas de manobra
As varas de manobra são dispositivos, geralmente de cor laranja, fabri-
cados a partir de materiais isolantes, como fibra de vidro e epóxi. Esses
elementos têm segmento de aproximadamente um metro cada, que são
aumentados de acordo com a necessidade de alcance da operação.

Esses materiais possuem ainda suporte universal e cabeçote. Na ponta


desse último é possível aplicar detectores de tensão, gancho para de-
sativar a chave do fusível ou para conectar o cabo de aterramento nos
fios, entre outros dispositivos. Nessa ponta há também uma ‘borboleta’
na qual que é possível acoplar manualmente elementos necessários.
As varas mais comuns suportam tensão de até 100 KV por metro.

No caso de tensões maiores que 60 KV, é necessário realizar um teste


prévio para conferir a condutividade com aparelho próprio.

Antes de utilizá-las, é necessário realizar limpeza usando procedimentos


adequados para retirar poeiras e graxas, pois elas reduzem bastante o
poder de isolamento. Outra questão que deve ser considerada é o acon-
dicionamento correto para transporte. Observe as ilustrações a seguir.

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Bastões
Os bastões são semelhantes às varas de manobra, fabricados a partir do
mesmo material e utilizados para operações de apoio. Nesses dispositi-
vos usados para salvamento há ganchos para remover o acidentado.

Instrumentos de detecção de tensão


Os instrumentos de detecção de tensão são acoplados na ponta da vara
e utilizados para conferir a tensão existente no condutor. Antes do início
das operações em circuitos desenergizados, é obrigatório verificar a au-
sência de tensão com o uso desse equipamento, que emite sinais sono-
ros e luminosos, quando há presença da tensão.

Veículos das equipes de campo devem sempre estar equipados com ins-
trumentos de detecção de tensão. O uso de aparelhos improvisados para
fazer essa conferência pode provocar acidentes fatais. A aferição e a cer-
tificação dessa condição também são essenciais.
Os detectores podem ser dos seguintes tipos:

- De tensão por contato.


- De tensão por aproximação.
- Microamperímetro para medição de correntes de fuga, que são apare-
lhos para aferir correntes de fuga em cestas aéreas, escadas e andaimes
isolantes nas atividades de manutenção em instalações energizadas.

Neste capítulo você conheceu os equipamentos e ferramentas de traba-


lho. A seguir, serão apresentadas informações relacionadas à responsabi-
lidade civil e criminal do acidente.

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Responsabilidade civil e criminal no acidente

As responsabilidades civis e criminais dos profissionais e da empresa no caso


de ocorrer um acidente durante o trabalho serão abordadas nesta unidade.

Responsabilidades solidárias aos contratantes e contra-


tados envolvidos
Se uma ou mais empresas individuais ou coletivas possuírem personalida-
des jurídicas próprias e estiverem sob o comando ou controle da operação
ou prestarem serviços sob administração ou contrato a outra empresa se-
rão consideradas solidariamente responsáveis pela empresa principal ou
contratante e pelas demais empresas subordinadas, contratadas. Essa de-
nominação é feita para efeito de aplicação de normas regulamentadoras.

O conceito de responsabilidade solidária é fundamentado em um princí-


pio chamado culpa in eligendo, que é resultante da falta de critérios no
processo de seleção do profissional a quem a empresa confia à execução
de um ato ou serviço. Esse princípio também ocorre em consequência de
falta de atenção, vigilância, fiscalização ou de outros atos de supervisão
do tomador do serviço, na realização de procedimentos para evitar pre-
juízo às pessoas.

Esse conceito consta na Consolidação das Leis do Trabalho — CLT, art.


157 e na NR-1, item 1.7 – e ressalta o seguinte: “Cabe ao Empregador
cumprir e fazer cumprir as disposições legais e regulamentares sobre se-
gurança e medicina do trabalho”.

Mesmo havendo uma relação contratual entre as partes, com cláusulas


explícitas de transferência de responsabilidade, o contratante (construtor,
incorporador ou empreendedor), idôneo e responsável, que negligencia
a contratação ou a vigilância de prestador de serviços ou fornecedor, tem
que responder civil e criminalmente, direta ou indiretamente, pela má
qualidade do produto final, ocorrência de acidentes ou outros prejuízos.

É também responsabilidade dos contratantes oferecer informações atu-


alizadas aos profissionais em relação aos riscos a que eles estão expostos
durante o trabalho e instruí-los sobre os procedimentos e medidas de
controle que devem ser adotados, caso seja necessário. Essa determi-
nação envolve não só os trabalhadores que atuam diretamente na área,
mas também pessoas que possam ter contato com a instalação, inclusi-
ve, os trabalhadores em ambientes circunvizinhos sujeitos às influências
das instalações ou execução de serviços elétricos.

A norma estabelece que essas pessoas devem informadas para poderem


Achou importante? reconhecer os riscos e os métodos recomendados para a prevenção dos
riscos. Em caso de acidentes envolvendo eletricidade, cabe à empresa pro-
Faça aqui suas anotações.
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por e adotar medidas de prevenção e correção. Também é determinado
que, nesse caso, seja feita uma análise criteriosa das causas do acidente e
definidas medidas para melhorar as condições de segurança no trabalho.

As responsabilidades dos profissionais que atuam em instalações elétri-


cas serão abordadas a seguir.

Responsabilidades dos trabalhadores


É função dos profissionais que trabalham com eletricidade zelar por sua
segurança e saúde e, também, pelas de outras pessoas que possam ser
afetadas por suas ações ou omissões no trabalho, pois podem responder
civil ou criminalmente por elas. As pessoas que recebem permissão para
atuar nesses locais, devem atentar para as ações que realizam visando a
evitar negligência, imprudência ou imperícia.

Além disso, os trabalhadores devem se comprometer, junto com a empre-


sa, em garantir o cumprimento das disposições legais e regulamentares,
inclusive em relação aos procedimentos internos de segurança e saúde.

Caso identifiquem riscos à segurança e à saúde, eles devem informar imedia-


tamente ao setor responsável. Essa atitude possibilita a análise do problema
e a definição de orientações e esclarecimento de dúvidas e pontos controver-
sos. É necessário ressaltar, porém, que essa recomendação está diretamente
relacionada ao conceito de direito de recusa que será abordado a seguir.

Os trabalhadores devem interromper suas tarefas exercendo o direito de re-


cusa sempre que constatarem evidências de riscos graves e iminentes para
sua segurança e saúde ou a de outras pessoas, comunicando imediatamen-
te o fato a seu superior hierárquico, que tomará as medidas cabíveis.

O direito de recusa está previsto no artigo 13 da Convenção 155 da Or-


ganização Internacional do Trabalho (OIT) e promulgado pelo Decreto n.
1.254, de 29 de setembro de 1994. Essa norma garante ao profissional o
direito de recusar expor sua saúde e integridade física durante o traba-
lho. Esse fato deve resultar em medidas corretivas, indicando a responsa-
bilidade dos níveis hierárquicos superiores para as providências necessá-
rias. É necessário ressaltar que essa atitude está associada à obrigação da
comunicação imediata, conforme estabelece a norma.

Responsabilidade Civil e Criminal


A lei brasileira define acidente de trabalho como aquele ocorrido durante
o exercício do trabalho e que provoca lesão corporal ou perturbação fun-
cional que leve à morte, à perda ou à redução da capacidade de trabalhar.

É função da instituição empregadora oferecer condições de trabalho se-


guras aos seus empregados. Para isso, antes de determinar a tarefa a ser
executada, devem ser observadas algumas questões básicas, como:
- Habilitação do profissional para realizar o trabalho.
- Viabilidade da operação.
- Condições de segurança para a execução da tarefa.

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A CLT também aborda a necessidade de o trabalhador estar atento às
normas de segurança. Dessa forma, ele poderá contribuir com a em-
presa na tomada de providências para evitar acidentes do trabalho e
doenças ocupacionais.

A Responsabilidade Criminal do empregador é evidenciada pela omis-


são e pela permissão da realização de uma operação sem condições de
segurança adequadas. Essa atitude é considerada pelo Código Penal Bra-
sileiro homicídio culposo e no artigo 121 relaciona a hipótese de a morte
ser provocada por acidente de trabalho cuja culpa pode ser atribuída à
chefia ou pessoa confiada do empregador.

Esse tipo de homicídio é caracterizado pela imprudência, negligência ou


imperícia e a culpa pode ser evidenciada pelos seguintes fatores:
- Falta de qualificação do empregado para executar a tarefa.
- Falta de fiscalização e supervisão dos serviços.
- Omissão, falta de cautela ou atenção nas guardas do bem, entre outros.

A Responsabilidade Civil, que é originada pelo dolo e pela culpa, obriga


a reparação do dano causado por meio de indenização.

Para evitar a ocorrência de acidentes, as empresas devem divulgar aos


empregados mapas de controle de riscos em suas instalações elétricas e
denunciar eventuais problemas aos órgãos competentes.

Quando forem identificadas situações perigosas nas instalações elé-


tricas, causadas por uso inadequado, aproximação indevida, constru-
ções vizinhas ou qualquer outra ação de terceiros, as empresas res-
ponsáveis devem adotar as medidas de controle imediato e denunciar
a situação aos órgãos públicos que tenham competência para intervir
a favor da segurança e eliminar a situação perigosa, além de tomar as
providências necessárias.

No caso de as normas citadas acima não serem cumpridas, o Ministério


do Trabalho e Emprego tomará as providências estabelecidas na NR-3,
que incluem procedimentos de fiscalização com o embargo de obra de
instalação ou montagem elétrica ou interdição de setor de serviço, má-
quina ou equipamento elétrico, mediante requerimento emitido por Au-
ditor Fiscal do Trabalho.

A documentação prevista por essa norma também deve estar sempre ao


dispor dos profissionais que trabalham em serviços ou instalações elétri-
cas. Esse material deve incluir ainda interferências, respeitar limitações
estabelecidas pelos treinamentos, competências da capacitação, suas
atribuições e área de atuação. Um método de acesso deve possibilitar
a consulta da documentação, mesmo se houver falta de energia, que é
uma situação normal nesse tipo de atividade.

É função da empresa conservar e armazenar a documentação original


para que ela esteja sempre à disposição da Fiscalização do Trabalho.

É importante ressaltar que essa norma não é aplicada para instalações


elétricas alimentadas por extra baixa tensão. Assim, as instalações elétri-
cas de processos de galvanoplastia ou as adotadas em veículos e outras

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instalações não são obrigadas a adotar os procedimentos e exigências
dessa NR. É importante observar que todas as medidas de proteção rela-
cionadas aos demais riscos devem ser consideradas.

Nesta unidade você estudou as leis que abordam as responsabilidades


civil e criminal em caso de acidentes durante as atividades em instala-
ções elétricas. A seguir, você vai aprender como é realizada a distribuição
de energia elétrica.

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Distribuição de energia elétrica

A distribuição de energia elétrica é uma etapa realizada após a transmissão


e responsável por fazer a energia chegar até os consumidores. Cada local
possui uma necessidade específica de energia elétrica. Médios clientes,
por exemplo, são abastecidos por tensões, como 11,9 kV / 13,8 kV / 23 kV.
Residências, comércio e indústrias recebem potência de até 75 kVA, nesse
caso, o abastecimento de energia é realizado no potencial de 110, 127, 220
e 380 Volts. Já a distribuição subterrânea é feita no potencial de 24 kV.

O processo de distribuição de energia é feito em etapas. A primeira con-


siste no recebimento e na medição da energia nas subestações, em se-
guida, ocorre o rebaixamento dela ao potencial de distribuição e, por
fim, a construção de redes de distribuição e de estruturas e obras civis.
Depois desse processo, são feitas as montagens de subestações de dis-
tribuição e montados transformadores e acessórios em estruturas nas
redes de distribuição.

Manutenções das redes de distribuição aérea e subterrânea, a poda de


árvores, montagem de cabinas primárias de transformação, limpeza e
desmatamento das faixas de servidão, a medição do consumo de ener-
gia elétrica e a operação dos centros de controle e supervisão da distri-
buição são outras etapas que fazem parte desse processo.

Os trabalhos executados em linha viva devem ser feitos por profissionais


devidamente capacitados.

A seguir, você vai conhecer mais sobre os métodos de manutenção para


linhas desenergizadas – mortas – e energizadas – vivas.

Manutenção com linha desenergizada


É essencial que as operações de manutenção de energia elétrica sejam
realizadas principalmente em circuitos desenergizados. Mesmo nesses
casos é necessário seguir procedimentos de segurança adequados.
Para ser considerada desenergizada, a instalação elétrica deve ser libera-
da para serviços com procedimentos específicos, que incluem:

- Seccionamento;
- Impedimento de reenergização;
- Confirmação da ausência de tensão;
- Instalação de aterramento temporário com equipotencialização dos
condutores dos circuitos;
- Proteção dos elementos energizados existentes,
Achou importante? - Instalação da sinalização de impedimento de energização.
Faça aqui suas anotações.
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Manutenção com linha energizada
A manutenção com linha energizada pode ser feita somente mediante a apli-
cação de procedimentos que garantam a segurança dos profissionais envol-
vidos, já que eles estão expostos a riscos oferecidos por redes de alta tensão.
Há três técnicas que podem ser utilizadas para que essas operações sejam
promovidas de modo seguro. Confira mais detalhes sobre elas a seguir.

Método ao contato
Nesse caso, o profissional tem contato direto com a rede energizada, mas
não fica no mesmo potencial da rede elétrica, ou seja, está isolado dela
por meio de sua localização dentro de uma cesta aérea, em cima de uma
plataforma isolada ou escada isolada (fiberglass). Esse trabalhador tam-
bém usa ferramentas selecionadas de acordo com a tensão da rede e
equipamentos de proteção individual, como mangas de borracha, luvas
de borracha isolante, entre outros, para realizar seu trabalho com segu-
rança. Veja a ilustração a seguir que demonstra essa operação.

Método ao potencial
O método ao potencial é utilizado em locais que possuem campo mag-
nético elevado e, por isso, demanda maior afastamento do profissional
em relação ao potencial. Nesse caso, é necessária a adoção de medidas
de segurança que o corpo do trabalhador tenha mesmo potencial elé-
trico em toda sua extensão. Para isso, ele deve utilizar um conjunto de
vestimentas, como roupas, capuzes, luvas e botas, chamadas de roupas
condutivas, que realizam blindagem elétrica e anti-chamas. Nesse mé-
todo, o profissional realiza as operações utilizando um cabo condutor
elétrico e cinto, ligados à rede e ao objeto da atividade. Veja a ilustração.

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Método à distância
Com esse método, o trabalhador é integrado com a parte energizada,
respeitando uma distância segura. Isso é possível devido à aplicação de
procedimentos, estruturas, equipamentos, ferramentas e dispositivos
isolantes apropriados.

Nesse caso, os eletricistas atuam posicionados em escadas comuns ou


em esporas e fazem todo o serviço utilizando ferramentas e equipamen-
tos apropriados. O operador deve estar perfeitamente acomodado na
escada, calçando luva de borracha com luva de cobertura na classe de
tensão da rede e desenvolver todo o serviço com o uso de bastões. Em
hipótese alguma o eletricista poderá tocar nas redes de forma direta,
mesmo que esteja equipado com luvas de borracha.

Nos locais de difícil acesso, como em alto de morros ou locais que não po-
dem ser alcançados por cesta aérea, esse método pode ser aplicado com
eficiência. Também é bastante útil em estruturas das subestações para se
executar manutenção, limpeza de isoladores, pára-raios, entre outros.

Neste capítulo, você estudou os métodos de distribuição de energia elé-


trica e de manutenção dela. Outras técnicas de trabalho em espaços con-
finados serão abordadas na unidade a seguir e possibilitarão que você
amplie ainda mais seus conhecimentos.

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Técnicas de trabalho em espaços confinados

O trabalho sob tensão em espaços confinados requer alguns procedimen-


tos além dos que você já conhece, pois apresenta mais riscos de provocar
acidentes. Para compreender melhor como são esses passos, é necessário
que, primeiramente, você estude as definições abordadas a seguir.

Definições
Algumas definições são essenciais para o trabalho em espaços confi-
nados, como:

Abertura de linha: Representa o alívio de um tubo, linha ou duto de


forma intencional ou que tenha transportado substâncias tóxicas, cor-
rosivas, inflamáveis, gás inerte ou qualquer fluído em volume, pressão e
temperatura capazes de causar lesão.

Aprisionamento: Significa a retenção de um trabalhador dentro do espa-


ço confinado, sem que seja possível sua saída do local por meio de proce-
dimentos normais ou que proporcione lesões e até a morte da pessoa.

Área classificada: É o local em que estão presentes gases combustíveis,


que podem ser incluídos em grupos I e II, em subgrupos IIA, IIB e IIC e,
também, em zonas 1 e 2.

Atmosfera pobre de oxigênio: Significa que o ar contém volume de oxi-


gênio menor que 19,5%.

Atmosfera rica de oxigênio: Significa que o ar contém volume de oxigê-


nio maior que 23%.

Atmosfera de risco: É a condição no espaço confinado em que a atmosfera


ofereça riscos ao local e exponha os profissionais que atuam no local a risco
de morte, incapacitação, restrição da habilidade para autoresgate, lesão ou
doença aguda provocada por um ou mais fatores apresentados a seguir:

- Gás, vapor ou névoa inflamável em concentrações superiores a 10% do


seu Limite Inferior de Explosividade (LIE) ou Lower Explosive Limit (LEL).
- Poeira combustível em concentração igual ou maior que os valores de LIE ou LEL.
- Concentração de oxigênio na atmosfera em volume menor que 19,5 %
ou acima de 23 %.
- Concentração de qualquer substância na atmosfera, além do Limite de
Tolerância estabelecido pela NR-15 ou outra norma restritiva e que pos-
sa expor o trabalhador a riscos.
Achou importante? - Qualquer condição atmosférica Imediatamente Perigosa à Vida ou à
Saúde (IPVS) ou IDLH (Immediately Dangerous to Health and Life).
Faça aqui suas anotações.
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Auto-resgate: É a capacidade, desenvolvida pelo trabalhador, por meio
de treinamento, que o permite escapar em segurança de ambiente con-
finado em que entrou em IPVS.

Avaliação de local: É o processo de análise dos riscos a que os traba-


lhadores poderão estar expostos em espaço confinado, que devem ser
identificados e quantificados. A avaliação inclui ainda a especificação
dos testes que precisam ser realizados e os critérios utilizados para isso.
Esse procedimento permite o planejamento e a implementação de me-
didas de controle adequadas.

Circuito Intrinsecamente Seguro: É quando um circuito ou parte dele


é seguro nas situações em que não pode liberar energia elétrica ou tér-
mica para causar a ignição de uma atmosfera explosiva, em condições
normais – abrindo e fechando o circuito – ou anormais – em caso de
curto-circuito ou falha do terra.

Condição de entrada: São questões ambientais que possibilitam a en-


trada em espaço confinado com critérios técnicos adequados para pro-
teção contra riscos atmosféricos, físicos, químicos, biológicos e/ou mecâ-
nicos e que garantam a segurança dos trabalhadores.

Condição Imediatamente Perigosa à Vida ou à Saúde (IPVS): São con-


dições de ameaça imediata à vida dos profissionais ou que possa pro-
vocar efeitos irreversíveis à saúde deles ou ainda impeçam a habilidade
que eles desenvolveram para escapar de um espaço confinado sozinhos.
Algumas substâncias também são consideradas imediatamente perigo-
sas, como as que podem produzir efeitos imperceptíveis, mas levam a
colapsos fatais após mais de 12 horas de exposição.

Condição Proibitiva de Entrada: É uma condição de risco que impede a


permissão de entrada em espaço confinado.

Emergência: É a ocorrência de evento externo ou interno que cause pe-


rigo para os trabalhadores.

Engolfamento ou envolvimento: Significa que uma substância sólida


ou líquida envolveu uma pessoa ou foi inalada por ela e pode levá-la a
ficar inconsciente e até causar morte por asfixia.

Entrada: É a ação pela qual as pessoas entram no espaço confinado por


meio de uma abertura. Esse processo é considerado concluído assim que
alguma parte do corpo do trabalhador passe pelo plano de abertura.

Equipamentos de resgate: São materiais necessários para a equipe de


resgate realizar operações de salvamento em espaços confinados.

Equipe de resgate: São os profissionais qualificados e regularmente


treinados para retirar trabalhadores dos espaços confinados em estado
de emergência e dar a eles os primeiros socorros.

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Espaço confinado: São locais inadequados para serem permanentemente
ocupados e que apresentam procedimentos limitados de entrada e saída.
Podem ainda não possuir ventilação suficiente para remover contaminan-
tes perigosos, além de deficiência ou enriquecimento de oxigênio.

Espaço confinado representativo: É um local que simula um espaço


confinado em tamanho de abertura, configuração e meios de acesso
para o treinamento do trabalhador, mas que não apresente riscos.

Inertização: É um procedimento de segurança realizado em espaço con-


finado, com o objetivo de evitar a formação de atmosfera potencialmen-
te explosiva por meio do deslocamento dela por fluído inerte. Porém, o
processo resulta em uma atmosfera IPVS deficiente em oxigênio.

Isolamento: Significa a separação física de área ou espaço considerado


próprio e permitido para ser adentrado de uma área ou espaço conside-
rado impróprio e que não está preparado para adentramento.

Permissão de entrada: É uma autorização por escrito emitida pelo em-


pregador, ou o representante legal da empresa, para permitir e controlar
a entrada em um espaço confinado.

Permissão para trabalho a quente: É um documento expedido pelo


empregador ou seu representante legal, que autoriza operações que
possam provocar uma fonte de ignição.

Procedimento de permissão de entrada: É um documento escrito que


regula o processo de preparação e a emissão da permissão de entrada
no espaço confinado e, também, assegura a continuidade do serviço no
local após a entrada.

Programa para entrada em espaço confinado: É um conjunto de méto-


dos elaborados pelo empregador ou seu representante legal para reali-
zar o controle e proteger os trabalhadores de riscos em espaços confina-
dos e que permite ainda a regulamentação da entrada dos trabalhadores
no local.

Reconhecimento: É o processo de identificação dos ambientes confina-


dos e os riscos que apresentam.

Supervisor de entrada: É o profissional com a capacitação e responsa-


bilidade pela determinação das condições de entrada serem adequadas
ou não, conforme determina a norma de Permissão de Entrada.

Trabalhador autorizado: É a pessoa que possui qualificação e é autori-


zada pelo empregador, ou por seu representante legal, a entrar em espa-
ço confinado permitido.

Vedo: Também conhecido como tampa ou tampão. Significa vedação


para qualquer abertura, horizontal, vertical ou inclinada.

Vigia: é o profissional que fica fora do espaço confinado. Tem a função


de monitorar os trabalhadores autorizados e realiza ações previamente
definidas pelo programa para entrada em espaços confinados.

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A seguir, você vai conhecer os requerimentos gerais para trabalho em
espaços confinados. Confira.

Requerimentos gerais
Os espaços confinados devem ser adequadamente sinalizados, identifi-
cados e isolados de modo que impeça a entrada de pessoas não autori-
zadas. Caso o empregador não autorize a entrada de profissionais con-
tratados ou subcontratados, é necessário que ele tome medidas eficazes
para evitar que isso ocorra. Já no caso de conceder autorização, é obriga-
tório que seja desenvolvido e implantado um programa escrito de espa-
ços confinados com permissão de entrada, que deve ser disponibilizado
para conhecimento de todos os profissionais ligados à atividade.

Dados de monitoração e inspeção dão suporte aos empregadores na


identificação dos espaços confinados. Antes da entrada nesses locais, a
atmosfera deve ser testada por profissional capacitado, munido de ins-
trumento de leitura direta, intrinsecamente seguro, protegido contra
emissões eletromagnéticas ou interferências de radiofrequência, calibra-
do e testado antes da utilização e que detecte as seguintes questões:

- Concentração de oxigênio;
- Gases e vapores inflamáveis,
- Contaminantes do ar potencialmente tóxicos.

Esses dados também têm que ser registrados e disponibilizados para todos.

Outras especificações são essenciais para espaços confinados, como:

- Antes da remoção de um vedo, tampa ou tampão de entrada, é necessário


certificar-se de que foram eliminadas condições tornem o espaço inseguro.

- No caso de operações em atmosfera IPVS, ou que é capaz de chegar


a essa condição, os trabalhadores devem ser capacitados e utilizar EPI’s
para conservar sua saúde e integridade física.

Se uma atmosfera perigosa for detectada durante a entrada, é necessário


proceder da seguinte forma:

- Analisar o espaço para determinar como essa situação se desenvolveu


e registrar os dados;

- O empregador ou seu representante legal deve checar se o espaço con-


finado está seguro para entrada e que as medidas que a antecederam
tenham sido tomadas através de permissão de entrada por escrito.

Estude agora o programa de entrada em espaço confinado.

Programa de entrada em espaço confinado


O programa de entrada em espaço confinado deve ser realizado pelo
empregado e inclui alguns procedimentos. Conheça-os a seguir.

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- Possuir um procedimento de permissão de entrada padronizado com a
permissão de entrada, que deve ser arquivada.

- Implantar as medidas necessárias para prevenir as entradas não auto-


rizadas.

- Identificar e avaliar os riscos dos espaços confinados antes da entrada


dos trabalhadores.

- Promover treinamento periódico para os profissionais que atuam nos


espaços e abordar os riscos a que estão expostos, medidas de controle e
procedimentos seguros de trabalho.

- Disponibilizar um manual com informações sobre os direitos e deveres


de todos os trabalhadores envolvidos no processo, como vigias e profis-
sionais autorizados e deve incluir a assinatura e o nome de cada um deles.

- Oferecer e implantar serviços de emergência e resgate e manter os


membros dessa atividade sempre disponíveis, treinados e equipados
com material adequado.

- Solicitar e providenciar exames médicos admissionais, periódicos e demis-


sionais que fazem parte do Atestado de Saúde Ocupacional (ASO), conforme
estabelece a Norma Regulamentadora -7 do Ministério do Trabalho.

- Desenvolver e implementar os meios, procedimentos e práticas ne-


cessários, para que a entrada nos espaços confinados seja realizada de
modo seguro.

- Manter o espaço confinado sinalizado, isolado adequadamente e usar


barreiras para proteger os trabalhadores que entrarão no local.

- Realizar manobras de travas, bloqueio e raqueteamento, em caso de


necessidade.

- Avaliar a atmosfera do local e verificar a presença de gases e vapores


inflamáveis ou tóxicos e a concentração de oxigênio.

- Checar a presença de poeiras, se elas apresentarem riscos para a operação.

- Purgar, inertizar, lavar ou ventilar o espaço confinado para eliminar ou


controlar os riscos atmosféricos.

- Conferir a existência de riscos físicos, químicos, biológicos e mecânicos.

Veja a seguir as especificações relacionadas aos equipamentos utilizados


para o trabalho.

Equipamentos
Os empregadores devem oferecer, sem custos, equipamentos adequa-
dos e em perfeito estado aos trabalhadores, além de assegurar a utiliza-
ção correta deles. Entre os equipamentos necessários para o trabalho em

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espaços confinados estão:

- Dispositivo para sondagem e monitoração contínua da atmosfera, ca-


librado e testado antes do uso, aprovado por órgãos credenciados pelo
Inmetro. Todos esses equipamentos usados dentro e fora dos espaços
confinados devem ser intrinsecamente seguros e protegidos contra in-
terferência eletromagnética e radiofrequência.

- Equipamento de ventilação mecânica usado para promover condições


de entrada adequadas, por meio de insuflamento ou exaustão de ar. Es-
ses dispositivos aplicados dentro e fora do espaço confinado também
devem ser intrinsecamente seguros.

- Equipamento de comunicação e de iluminação intrinsecamente segu-


ros e aprovados por órgãos credenciados pelo Inmetro.

- Equipamentos de proteção individual e movimentadores de pessoas


usados em áreas classificadas também devem apresentar a condição in-
trinsecamente segura.

- Material para atendimento pré-hospitalar.

As recomendações para reconhecer, avaliar e trabalhar em um espaço


confinado serão abordadas a seguir. Confira.

Procedimentos
Depois de reconhecer e avaliar os espaços confinados existentes em uma
área de trabalho, é necessário cadastrá-los e sinalizá-los. O acesso a qual-
quer local que apresente possibilidade de oferecer risco às pessoas deve
ser restrito e essa condição divulgada para todos os demais profissionais
que não tenham autorização.

É necessário ainda designar as pessoas que têm obrigações nas operações


de entrada e também possuem a função de identificar os deveres de cada
trabalhador e providenciar a capacitação adequada para cada função.

Outro procedimento obrigatório é o teste das condições do espaço, para


verificar se são seguras, e a verificação constante dos índices durante as
operações.

Todas as operações realizadas em espaços confinados devem ser reali-


zadas por ao menos duas pessoas, sendo um deles o vigia. A empresa
deve desenvolver e implantar serviços de emergência e de preparação,
utilização e cancelamento de permissões de entrada.

A coordenação desse processo e a interrupção das operações no caso de risco


também devem ser promovidas pela corporação responsável pelo trabalho.
Algumas situações demandam a revisão do procedimento de entrada
em espaços confinados, são elas:

- Entrada não autorizada.


- Detecção de condição proibida ou risco não coberto pela permissão.

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- Ocorrência de um dano ou quase-acidente no processo de entrada.
- Alteração no uso ou na configuração do espaço confinado.
- Informação dos profissionais sobre riscos à segurança e à saúde no trabalho.

Se as permissões de entrada forem canceladas por causa do surgimento


de riscos adicionais, essa informação deve ser arquivada durante um ano
e servirão como base para a revisão do programa.

Permissão de entrada
Antes de autorizar a entrada, o empregador deve documentar o conjun-
to de medidas necessárias para garantir que o processo seja realizado
em condições seguras. A permissão de entrada deve ser assinada pelo
supervisor e ficar à disposição para a consulta dos trabalhadores autori-
zados em um local de fácil acesso.

A permissão de entrada será encerrada ou cancelada, quando for identi-


ficada uma condição não prevista dentro ou nas proximidades do espaço
confinado ou houver saída, pausa ou interrupção dos trabalhos.

A permissão de entrada registra as condições adequadas para o trabalho a au-


toriza a entrada nos locais. Esse documento deve incluir os seguintes dados:

- Espaço confinado que vai ser adentrado.


- Objetivo da entrada.
- Data e validade da permissão de entrada.
- Relação dos profissionais autorizados com nome e função que irão de-
sempenhar.
- Espaço para assinatura e identificação do supervisor que autorizou a
entrada.
- Riscos do espaço confinado a ser adentrado.
- Medidas usadas para isolar o espaço confinado e para eliminar ou con-
trolar os riscos que apresente antes da entrada.

O modelo de permissão de entrada em espaço confinado está no anexo


da sua apostila. Ele deve ter todos os seus itens devidamente preenchi-
dos antes da realização dos procedimentos.

O treinamento é outra questão essencial para o trabalho em espaços


confinados. Estude-o a seguir.

Treinamento
É função do empregador oferecer treinamento e atualização periódica
para os trabalhadores que atuam em espaços confinados, a fim de per-
mitir que eles adquiram capacitação, conhecimento e habilidades neces-
sárias para o desempenho seguro de suas atividade. É necessário promo-
ver capacitação nas seguintes situações:

- Antes que o trabalhador tenha as suas obrigações designadas ou elas


sejam modificadas.

- Sempre que houver uma mudança nas operações que apresentem um


risco sobre o qual trabalhador não tenha sido previamente treinado.

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- Quando forem identificados desvios nos procedimentos de entrada nos
espaços confinados ou constatados que os profissionais não possuem
conhecimento suficiente para realizar os procedimentos.

Esse treinamento inclui um conteúdo mínimo, com as seguintes abordagens:

- Definição de espaço confinado;


- Riscos de espaço confinado;
- Identificação de espaço confinado;
- Avaliação de riscos;
- Controle de riscos;
- Calibração e teste dos instrumentos utilizados;
- Certificação do manuseio correto dos equipamentos;
- Simulação;
- Resgate;
- Primeiros socorros,
- Ficha de permissão.

O certificado de conclusão do curso deve conter o nome do trabalhador,


as assinaturas dos instrutores, o conteúdo programático e as datas de
treinamento. A certificação estará disponível para inspeção dos profissio-
nais e de seus representantes autorizados.

Estudaremos no próximo conteúdo sobre os deveres dos trabalhadores


e dos empregados.

Deveres
Todas as pessoas envolvidas com o trabalho em espaços confinados ter
deveres específicos a serem cumpridos. A seguir, vamos conhecê-los.

Dos trabalhadores autorizados


A partir dos treinamentos oferecidos pelo empregador, os trabalhado-
res autorizados devem conhecer os riscos e as medidas de prevenção
que possam encontrar durante a entrada, incluindo informações sobre o
modo, sinais ou sintomas e consequências da exposição. Operar os equi-
pamentos e os recursos de comunicação, para alertar o vigia em caso de
necessidade de abandonar o espaço por identificar condição proibida,
ou reconhecer sinal de perigo ou sintoma de exposição perigosa tam-
bém é essencial.

A saída deve ser realizada o mais rápido possível e assim que o vigia ou
supervisor ordenarem ou for acionado alarme de abandono.

Dos vigias
O trabalho dos vigias é muito importante em todos os procedimentos
realizados nos espaços confinados, especialmente a coordenação da en-
trada e o desenvolvimento de medidas de segurança. Esses profissionais
devem conhecer os riscos e as medidas de prevenção que podem ocorrer
na entrada, incluindo informação sobre o modo, sinais ou sintomas e con-
sequências da exposição. Eles também devem conhecer os riscos que a

NR10 - Sep Avançado


96
exposição apresenta para os trabalhadores autorizados e manter a conta-
gem precisa do número de profissionais que estão dentro desses locais.

Durante as operações, os vigias devem ficar fora do espaço confinado,


junto à entrada, até que sejam substituídos por outro.

Operar os movimentadores de pessoas em situações normais ou de emer-


gência e manter comunicação com os trabalhadores para monitorar-lhes
o estado e para alertá-los sobre a necessidade de abandonar o espaço
confinado também é função desses profissionais. Os vigias jamais devem
realizar outras tarefas que possam comprometer seu trabalho principal,
que é monitorar e proteger os demais trabalhadores.

O abandono deve ser determinado pelo vigia, se ele identificar uma con-
dição de perigo ou situação externa que apresente riscos aos trabalha-
dores. Caso o vigia não possa desempenhar seus deveres de forma segu-
ra, o abandono também é recomendado.

As funções do supervisor de entrada serão abordadas a partir de agora.


Veja.

Do supervisor de entrada
Saber quais são os riscos envolvidos durante o processo de entrada e
conhecer os modos, sinais, sintomas e as consequências à exposição é
essencial para um supervisor de entrada. Esse profissional deve certifi-
car-se de que a entrada será realizada conforme estabelece a permissão
de entrada e que todos os testes especificados por ela também tenham
sido feitos.

A presença dos equipamentos necessários e a presença de serviços de


emergência e resgate também são itens que devem ser conferidos por
ele antes da emissão da entrada e do início do processo.
O supervisor de entrada tem o poder de cancelar os procedimentos e a
permissão de entrada se julgar necessário. A determinação da troca de
turno do vigia e a transferência da responsabilidade para outro profissio-
nal também deve ser coordenada por ele.

A seguir, você vai conhecer os serviços de emergência e resgate para es-


paços confinados.

Serviços de emergência e resgate


Empregadores que tenham profissionais atuando em espaços confina-
dos para executar serviços de resgate devem assegurar a essas pessoas
todo o equipamento de proteção individual e respiratória, além de ma-
terial de resgate adequado para operação nesses locais.

Cada membro do resgate recebe treinamento para desempenhar um tipo


de tarefa de resgate, além da capacitação realizada pelos trabalhadores
autorizados. Os profissionais da emergência também são qualificados
para realizar primeiros socorros básicos e reanimação cardiopulmonar
(RCP). Ao menos um deles deve estar disponível e possuir certificação
atual em primeiros socorros e em RCP.

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Simulações de resgates devem ser promovidas a cada dois meses e in-
cluir remoção de bonecos ou pessoas confinadas em espaços represen-
tativos, simulando os espaços confinados.

Para facilitar a retirada de pessoas do interior de espaços confinados, sem


que a equipe de resgate precise adentrar no mesmo, poderão ser utiliza-
dos movimentadores individuais de pessoas, atendendo aos princípios
dos primeiros socorros, desde que não prejudiquem a vítima.

NR10 - Sep Avançado


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Direção defensiva

A direção defensiva é um conjunto de medidas desenvolvidas para que


as pessoas que conduzem veículos sigam visando a evitar acidentes. Di-
rigir de forma segura ou defensiva é a forma mais eficiente de reduzir os
altos índices de acidentes de trânsito que ocorrem no Brasil.

Os profissionais que trabalham em áreas onde há risco elétrico devem


conhecer e seguir as normas de direção defensiva para desenvolver seu
trabalho com segurança e responsabilidade. Nesta unidade, você vai
aprender algumas técnicas que vão te ajudar a se tornar um motorista
habilidoso e preparado para atuar no trânsito e realizar seu trabalho de
forma consciente. Por isso, o primeiro tema abordado serão as noções
básicas que devem ser seguidas por todos os motoristas.

Garantindo a segurança no trânsito


Solidariedade, responsabilidade, respeito e técnicas de direção são os
princípios fundamentais para garantir a segurança no trânsito e prevenir
acidentes. Esses conceitos fazem parte da direção defensiva.

Dirigir segundo essas técnicas significa não cometer infrações, não abu-
sar da velocidade e ser cortês no trânsito. O motorista que procede dessa
forma planeja bem sua viagem e programa com antecedência a sua che-
gada e, se houver algum atraso, ele não tenta solucionar fazendo mano-
bras arriscadas na estrada. Prefere chegar com segurança ao seu destino.
Em suma, esse condutor dá prioridade à sua vida.

O trânsito apresenta condições adversas que devem ser conhecidas para


que os motoristas possam superá-las sem causar acidentes. A seguir você
vai estudá-las.

Condições adversas
Uma condição adversa significa uma circunstância desfavorável com a
qual uma pessoa pode se deparar ao conduzir um veículo ou realizar seu
trabalho no trânsito. Muitos acidentes ocorrem pela falta de conheci-
mento e de habilidade dos motoristas para contorná-las. É isso que você
vai aprender a seguir.

Achou importante?
Faça aqui suas anotações.
NR10 - Sep Avançado
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Luz
A intensidade da luz, forte ou fraca, prejudica o desempenho do moto-
rista, pois compromete sua visão. O excesso de luz é consequência de
um fenômeno natural, como a incidência de raios solares ou artificial,
causado pelo uso de faróis altos de veículos que se aproximam na dire-
ção oposta.

Luz natural
A incidência direta de luz solar sobre os olhos do motorista pode provo-
car o ofuscamento de sua visão e, normalmente, ocorre no período da
manhã ou no final da tarde, quando a inclinação da incidência dos raios
solares é muito acentuada. A reflexão de luz solar em objetos polidos,
como por exemplo, vidro de outros veículos, também pode provocar o
fenômeno.

A proteção dos olhos, nesse caso, pode ser feita com o uso da proteção
interna automóvel e/ou óculos de sol. Utilizar faróis baixos para ser per-
cebido por outros motoristas também contribui para reduzir os riscos.

Luz artificial
A luz artificial também pode ofuscar a visão do motorista. Nessa situa-
ção, é recomendado piscar os faróis do seu veículo, para alertar ao outro
motorista que o farol alto dele está aceso. Caso ele não o reduza, procure
voltar os olhos para o acostamento do lado direito.

Do mesmo modo que a luminosidade em excesso é prejudicial, a falta


dela também pode causar danos. Por isso, a utilização dos faróis, mesmo
nas cidades durante a noite, é essencial. Em estradas com pouca lumino-
sidade, pisque os faróis nas curvas e nas lombadas.

Utilize corretamente os faróis: acenda o alto somente à noite e nas es-


tradas. Mas não se esqueça de que, quando cruzar com outro veículo ou
quando estiver próximo do veículo à frente, deve utilizar o farol baixo.
Apesar de serem simples, essas técnicas contribuem muito para evitar
acidentes, especialmente no Brasil, onde são registrados altos índices de
incidentes envolvendo pedestres.

Tempo
Os fenômenos atmosféricos, como chuva, vento, neblina, entre outros, de-
mandam a observação de medidas preventivas adequadas. Chuvas fortes
ou nevoeiro denso, por exemplo, atrapalham a visão da estrada e das pes-
soas, que também não conseguem vê-lo. As más condições do tempo tam-
bém deixam as estradas escorregadias e podem provocar derrapagens.

O período mais crítico é o início da chuva, quando a água é misturada


com poeira, óleo e combustíveis da pista e forma uma camada desli-

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100
zante. Essas condições exigem ainda mais cuidados dos motoristas. Se
a chuva é forte e passageira, o problema tende a desaparecer em pouco
tempo, mas se ela se prolonga, a falta de aderência persiste.

Se um carro estiver em velocidade excessiva e passar por uma camada


de água, pode ocorrer um fenômeno chamado aquaplanagem, que con-
siste na perda do contato entre os pneus e a pista e faz o automóvel ficar
sem controle e deslizar.

Para evitar esse tipo de acidente, tire o pé do acelerador imediatamente,


não acione o freio, nem faça movimentos bruscos com o volante, apenas
gire-o levemente para a esquerda e para a direita. Assim, você retomará o
controle do veículo no momento em que os pneus voltarem ter contato
com o solo.

Em caso de as condições atmosféricas serem mais brandas, como chuva,


nevoeiro ou fumaça não muito densos, reduza a velocidade, acenda os
faróis e redobre a sua atenção.

Nas situações em que as condições são muito adversas, como quando o


nevoeiro ou fumaça formam uma camada densa, pare o veículo em um
lugar seguro e aguarde o tempo melhorar para seguir viagem.

Pânico diante de situações adversas não é recomendável. Procure ter


calma e evite se prejudicar e aos demais passageiros. A sua habilidade
e capacidade nesses momentos serão determinantes para solucionar
quaisquer problemas.

Estrada
Conhecer com antecedência as condições de conservação das estradas, o
seu contorno, largura e acostamentos é fundamental. Se isso não for possí-
vel, a melhor alternativa é conduzir o veículo com atenção e ter cautela nas
curvas, morros, elevações e prevenir-se contra desníveis, buracos, lomba-
das, trechos escorregadios, entre outros, para não ser surpreendido.

Alguns cuidados importantes devem ser tomados pelo motorista que se


encontra em local de risco para prevenir acidentes. Nas descidas, utilize
sempre o freio motor. Verifique os freios antes de longos declives e nunca
desça sem engrenar a marcha. Reduza a velocidade antes das curvas e
acelere levemente quando já estiver saindo delas. Em pistas molhadas,
redobre os cuidados, pois a chuva aumenta o risco de derrapagens. Se o
carro enguiçar na estrada, coloque o triângulo de sinalização a 50 metros
de distância. Tenha cuidado com animais na pista.

Se ficar sem freios, não entre em pânico. Reduza a marcha aos poucos,
buzine continuamente, e quando conseguir reduzir a velocidade, saia
para o acostamento e utilize o freio de mão.

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Trânsito
As condições do trânsito têm sido apontadas como causa de estresse en-
tre a maioria dos motoristas dos grandes centros urbanos, obrigados a
conviver diariamente com os engarrafamentos.

Nos horários de entrada e saída das atividades de trabalho, a hora do


“rush”, há intensa movimentação de pessoas e veículos, o que causa con-
gestionamentos e problemas de circulação nas cidades.

Em algumas épocas do ano como na véspera de carnaval, Natal e feriados


prolongados também há intensificação do fluxo do trânsito. Já em áreas
rurais, tratores, carroças e animais extraviados que circulam livremente
provocam alterações nas condições de circulação e podem provocar en-
garrafamentos e até acidentes.

Isso evidencia o fato de que, quando o trânsito não é controlado, plane-


jado e organizado, representa uma condição adversa para o motorista.
Você pode contribuir para melhorar essa situação com atitudes, preven-
do as situações desfavoráveis e agindo de maneira cautelosa, como por
exemplo, evitando viajar nos horários em que o trânsito é mais intenso.

Veículo
A falta de conservação do veículo é um fator que causa acidentes. Por
isso, é essencial realizar vistorias periódicas para identificar defeitos, tro-
car peças gastas e manter o veículo em boas condições. Isso evita proble-
mas e colabora para a melhoria da qualidade do trânsito.
Entre os defeitos mais comuns de veículos que podem provocar aciden-
tes estão: pneus gastos, freios desregulados, lâmpadas queimadas, entre
outros. De acordo com o Código de Trânsito Brasileiro, o motorista que
insistir em dirigir um veículo nessas condições pode ser punido.

Motorista
O motorista também pode ser considerado uma condição adversa para o
trânsito, pois a direção segura depende de suas condições físicas e men-
tais. Dirigir sob efeito de álcool ou drogas, acima do limite de velocidade
ou não usar o cinto de segurança são atitudes que vão ao sentido contrá-
rio da direção defensiva e causam acidentes e até morte no trânsito.
Conduzindo de modo agressivo e ignorando medidas de segurança, o
motorista e os passageiros do veículo ficam vulneráveis e causam riscos
também para as demais pessoas.

Desde 2008, o Código de Trânsito Brasileiro proíbe o consumo de qualquer


quantidade de bebidas alcoólicas por condutores. Quem infringir essa re-
gra, além da multa de R$ 955 , perde o direito de dirigir por 12 meses.

Com o bafômetro – aparelho que afere o teor de álcool no sangue – e o


drogômetro – que identifica ingestão de cocaína, maconha, anfetaminas
e outras drogas – é possível avaliar o estado geral do motorista e deter-
minar a sua responsabilidade.

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Por isso, seja consciente no trânsito e procure seguir as medidas preven-
tivas recomendadas. Não dirija depois de ingerir álcool, nem se tiver in-
gerido tranquilizantes, pois quase todo medicamento interfere em sua
capacidade de dirigir. Utilize o cinto de segurança, respeite a velocidade
máxima da pista, pare somente no acostamento e fazendo uso da sinali-
zação adequada.

Lembre-se de acomodar as crianças no banco traseiro, respeite as faixas


e placas da pista e ultrapasse somente em pontos permitidos. Esses e
outros cuidados farão de você um motorista consciente e defensivo.

Raramente os acidentes de trânsito ocorrem por causa de uma situação


isolada. Ele é, na maioria das vezes, o conjunto de duas ou mais condi-
ções adversas. Por exemplo, um motorista embriagado que dirige um
carro com problemas no freio está se arriscando sob duas condições ad-
versas: a do próprio motorista e a do veículo e, provavelmente, ele mes-
mo será a vítima do acidente.

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Postura de trabalho

Os postos de trabalho devem oferecer para todos os trabalhadores condi-


ções de variação de postura e alternância entre a postura sentada e em pé.
O tempo de manutenção de uma postura deve ser o mais breve possível,
pois seus efeitos nocivos ou não, ocorrerão em função do tempo durante o
qual ela será mantida. Todo esforço de manutenção da postura leva a uma
tensão muscular estática (isométrica) que pode ser nociva à saúde.

Os efeitos fisiológicos desses esforços incluem a compressão dos vasos


sanguíneos, que impede o sangue de fluir, consequentemente, o múscu-
lo não recebe oxigênio nem nutrientes, os resíduos metabólicos não são
retirados, acumulando-se e provocando dor e fadiga muscular. Manu-
tenções estáticas prolongadas podem também induzir ao desgaste das
articulações, discos intervertebrais e tendões.

Por isso, nesta unidade, você vai conhecer os métodos recomendados


para ter uma postura adequada durante o tempo em que estiver traba-
lhando. Seguindo corretamente as recomendações, você evitará o de-
senvolvimento de problemas de saúde.

Ergonomia
O conceito de ergonomia representa a indicação da postura a ser ado-
tada nos postos de trabalho. Recomendações do Ministério do Trabalho,
como a nota técnica 0602001, visam a oferecer orientação a emprega-
dos, empregadores, auditores fiscais, profissionais ligados à área e outros
interessados sobre a melhor postura a ser adotada na concepção dos lo-
cais onde serão realizadas as atividades.

Conheça a seguir os postos de trabalho.

Posto de trabalho
Normalmente, quando são definidos os postos de trabalho, o conforto
do trabalhador não é levado em consideração. Em longo prazo, isso pode
causar lesões para ele. Conheça agora os tipos de postos de trabalho.

Posição em pé
Mesmo os músculos do tronco sendo vigorosos para sustentar a postu-
ra gravitacional contra o tronco, eles não são adequados para manter
a postura em pé. Eles são mais eficazes na produção dos movimentos
necessários às principais mudanças de postura. Por mais econômica que
possa ser em termos de energia muscular, a posição em pé ideal não é
Achou importante? usualmente mantida por longos períodos, pois as pessoas tendem a uti-
Faça aqui suas anotações.
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lizar alternadamente a perna direita e a esquerda como apoio, para pro-
vavelmente facilitar a circulação sanguínea ou reduzir as compressões
sobre as articulações.

A manutenção da postura em pé imóvel tem ainda as seguintes desvantagens:

- Tendência à acumulação do sangue nas pernas, o que pode levar ao


surgimento de insuficiência valvular venosa nos membros inferiores, re-
sultando em varizes e sensação de peso nas pernas.
- Sensações dolorosas nas superfícies de contato articulares que supor-
tam o peso do corpo, como pés, joelhos e quadris.
- Dificuldade de execução de tarefas com precisão, provocada pela ten-
são muscular permanentemente desenvolvida para manter o equilíbrio.
- Os fatores problemáticos podem ser reforçados, se a pessoa mantiver pos-
turas inadequadas dos braços, realizar inclinações ou torções, entre outros.

A escolha da postura em pé pode ser justificada somente nas seguintes


condições:

- Tarefas que demandam deslocamentos contínuos, como no caso de


carteiros e pessoas que fazem rondas.
- Trabalhos de manipulação de cargas com peso igual ou superior a 4,5 quilos.
- Tarefas que necessitam de alcances amplos frequentes, para cima, para
frente ou para baixo. Nesse caso, porém, é preciso tentar reduzir a ampli-
tude desses alcances para possibilitar o trabalho sentado.
- Exigência de operações frequentes em locais de trabalho, fisicamente
separados.
- Trabalhos com aplicação de forças para baixo, como empacotamento.

Em outras situações não é recomendado, em nenhuma hipótese, o traba-


lho contínuo em pé. A adaptação dos postos de trabalho para possibilitar
que os profissionais sejam acomodados sentados demanda pequenos
custos para os empregadores e, por isso, são obrigatórias.

Posição sentada
Na posição sentada, o esforço sobre as articulações é bem menor que em
pé. Nessa posição é possível controlar melhor os movimentos e reduzir
o esforço de equilíbrio. Por isso, essa postura é ideal para o desempenho
de atividades que demandem precisão.

Em atividades realizadas em escritórios e outros locais com o uso de


computadores, a tendência é que o trabalhador permaneça sentado por
longos períodos. Geralmente, os problemas lombares causados por essa
postura ocorrem pelo fato da relação da compressão dos discos interver-
tebrais serem maiores na posição sentada, do que na posição em pé. Po-
rém, esse problema é causado principalmente pela manutenção de uma
só postura durante muito tempo. Por isso, é importante fazer intervalos
para alternar as posturas, sentada e em pé, com pequenos movimentos.

O trabalho sentado, se feito de forma adequada, ou seja, com apoios e


inclinações corretas, pode até apresentar pressões intradiscais inferiores
à posição em pé imóvel, desde que o esforço postural estático e as soli-
citações articulares sejam reduzidos ao mínimo. Trabalhar sentado per-

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mite maior controle dos movimentos, porque o esforço para manter o
equilíbrio postural é reduzido.

As vantagens da posição sentada são:


- Baixa solicitação da musculatura dos membros inferiores e consequen-
te redução da sensação de desconforto e cansaço.
- Possibilidade de evitar posições forçadas do corpo.
- Menor consumo de energia.
- Facilitação da circulação sanguínea pelos membros inferiores.

As desvantagens são:
- Pequena atividade física geral.
- Adoção de posturas desfavoráveis, como lordose ou cifoses excessivas.
- Estase sanguínea nos membros inferiores, que pode ser agravada quan-
do há compressão da face posterior das coxas ou da panturrilha contra a
cadeira, se estiver mal posicionada.

Medidas para oferecer mais conforto em cada uma das posições apre-
sentadas serão abordadas a seguir.

Conforto de trabalho na posição sentada e na posição


em pé
O conforto para trabalhar nas posições sentada e em pé depende das
seguintes questões:

- Do tempo de manutenção da postura.

- Da adaptação do local às necessidades visuais: O posicionamento das


informações visuais vai determinar o posicionamento da cabeça, que
pode influenciar a postura do tronco e levar o trabalhador a adotar pos-
turas inadequadas prolongadas ou repetitivas da nuca em flexão, exten-
são e torção extrema ou de inclinação/torção do tronco. Um exemplo
muito comum dessa situação é colocar monitores de vídeo na lateral ou
muito baixos em relação à cabeça.

- Dos espaços para pernas e pés: A falta de espaço suficiente para per-
nas e pés induz o trabalhador a adotar posturas que podem ser prejudi-
ciais a ele, como inclinação e torção do tronco, pernas muito flexionadas,
aumento do braço de alavanca.

- Da altura do plano de trabalho: Esse elemento é essencial para o con-


forto postural. Se for muito alto, a pessoa eleva os ombros e os braços
durante toda a jornada. Se for muito baixo, trabalhará com as costas
inclinadas para frente. Essa questão é importante para as posições
sentada e em pé.

O ponto de referência utilizado para determinar a altura confortável de


trabalho é a altura dos cotovelos em relação ao piso, mas a natureza da
tarefa tem que ser levada em consideração. No planejamento e adapta-
ção do posto de trabalho sentado é preciso levar em consideração duas
medidas principais: a altura da cadeira e a altura do plano de trabalho. O
fato de as dimensões das pessoas serem diversas traz a necessidade de
essas serem reguláveis, para facilitar a adaptação.

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- Das características da cadeira: o assento de trabalho ideal deve ser de-
terminado em função da atividade desenvolvida, das condições ambien-
tais de trabalho e, principalmente, da opinião dos usuários.

A seleção do assento
A seleção do assento ideal vai depender do tipo de atividade e das di-
mensões do profissional que irá executá-la. Um exemplo dessa necessi-
dade é uma cadeira confortável para assistir à televisão, que não é ade-
quada para uma secretária a qual precisa se movimentar entre a mesa,
um arquivo e uma impressora, por exemplo.

A altura do assento deve permitir que os pés estejam bem apoiados. De-
pois, é ajustada a altura do assento em função da superfície de trabalho.

A regulagem inadequada do assento prejudica o conforto postural. Se


ele for muito alto, o apoio dos membros inferiores não será ideal e uma
parte do peso passa a ser suportada pelas coxas, levando à compressão
da parte posterior das mesmas. Para diminuir essa pressão as pessoas
tendem a se sentar na parte anterior da cadeira, exigindo contração es-
tática dos membros inferiores e das costas. No assento muito baixo, o ân-
gulo coxa-tronco diminui induzindo a uma cifose lombar e pressão sobre
os órgãos abdominais.

Quando o plano de trabalho e o assento são reguláveis em altura, a ade-


quação do posto de trabalho é facilitada, o único problema que pode
ainda existir é o de espaço para as coxas.

Quando a altura do plano de trabalho for fixa, a regulagem do assento


deve satisfazer três critérios:

- O conforto dos membros inferiores: Os pés devem estar bem apoiados


sobre o solo e não pode haver compressão das coxas. Para adequar o
posto de trabalho a todos, deve ser disponibilizado suporte para os pés
para os que têm estatura menor. O suporte não deve ser uma barra fixa,
mas uma superfície inclinada em ângulo de no máximo 20º, que apoie
uma grande parte da região plantar e com material antiderrapante. Este
objeto pode demandar ainda regulagem em altura para melhor adapta-
ção ao comprimento das pernas dos trabalhadores.

- O conforto do braço e do antebraço: Os ângulos de conforto para as


partes do corpo não são os de mobilidade articular, mas limites de con-
forto, determinados em função da opinião subjetiva dos trabalhadores,
da análise de dados médicos e de medidas com eletromiografia. Estudos
com eletromiografia demonstram que, quando as mãos estão em um ní-
vel superior ao dos cotovelos, a atividade muscular é maior no antebraço
e nos ombros, do que quando elas estão um pouco abaixo deles. Isso
porque as pessoas tendem a elevar lateralmente os cotovelos ou os om-
bros, o que gera um esforço estático.

- O conforto visual: É a função da distância olho-plano de trabalho, das


características da atividade e da necessidade visual do trabalhador.

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Outras questões relacionadas aos assentos também devem ser conside-
radas, entre elas a profundidade, que não pode ser muito reduzida, nem
muito grande. O tamanho deve levar em conta que o maior percentil –
pessoas mais altas - mantenha seu centro de gravidade sobre o assento.

A conformação do assento deve também permitir alterações de postu-


ra, aliviando, dessa forma, as pressões sobre os discos intervertebrais e
as tensões sobre os músculos dorsais de sustentação. Portanto, assentos
anatômicos, em que as nádegas se encaixam neles, não são recomenda-
dos, pois permitem poucos movimentos. A densidade do assento tam-
bém é importante para suportar as tuberosidades isquiáticas (densidade
mínima recomendável de 50 kg/cm3).

É importante também que o encosto forneça um bom suporte lombar e seja


regulável em inclinação e altura, para favorecer a adaptação das pessoas.

Qualquer postura mantida por muito tempo é mal tolerada. A alternância de


posturas deve ser sempre privilegiada, pois permite que os músculos rece-
bam seus nutrientes e não fiquem fatigados. Esse processo deve sempre ser
realizado conforme as necessidades identificadas pelo próprio trabalhador,
pois ele vai saber se a melhor posição para realizar a tarefa é sentada ou em
pé. As tarefas apresentam exigências variadas, por isso, nunca se pode afirmar
qual é a melhor postura, baseando-se apenas em critérios biomecânicos. Por
exemplo, um caixa de supermercado prefere ficar sentado quando manipula
mercadorias leves, faz um troco ou confere cheques. Mas, prefere se levantar
quando lida com mercadoria pesada ou frágil, assim como quando percebe
um cliente potencialmente agressivo. Permanecendo em pé, os olhos de am-
bos situam-se na mesma altura, diminuindo a sensação subjetiva de inferiori-
dade. Logo, não são os fisiologistas que têm a palavra final sobre o conforto.

A postura adotada é função da atividade desenvolvida, das exigências da


tarefa, dos espaços de trabalho, da ligação do trabalhador com máqui-
nas e equipamentos de trabalho. Um posto de trabalho, mesmo quando
bem projetado do ponto de vista antropométrico, pode se revelar des-
confortável, se os fatores organizacionais, ambientais e sociais não forem
levados em consideração.

A opinião dos trabalhadores antes da compra de mobiliário apresenta


bons resultados. Algumas empresas colocam opções para teste e deci-
dem por aqueles que tiveram melhor aceitação.

Pode-se notar que, quando o usuário tem influência na escolha, os fabrican-


tes dos equipamentos investem mais em pesquisas para aperfeiçoá-los.

Depois de conhecer as posturas ideais para o trabalho, você estudará os


aspectos comportamentais necessários para trabalhar em harmonia.

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Aspectos comportamentais

Nesta unidade você vai estudar os aspectos comportamentais essenciais


para promover um bom relacionamento durante o trabalho e, também,
as questões que motivam os profissionais a quererem desenvolver cada
vez melhor suas funções dentro de uma empresa. Essas questões são pri-
mordiais em qualquer empresa ORGANIZAÇÃO. Por isso, fique atento!

Teoria de Maslow
A teoria de Maslow explica o comportamento motivacional das pesso-
as, com base na hierarquia das necessidades humanas. A motivação é
o resultado de estímulos que levam os indivíduos a agir. Para que uma
ação ou reação sejam realizadas, é necessário um estímulo proveniente
de algo externo ou do próprio organismo, que resulta no chamado ciclo
motivacional.

Se esse processo não se realiza, o indivíduo fica frustrado e pode agir de


diversas formas, como:

- Apresentar comportamento ilógico ou sem normalidade.


- Ser agressivo por não poder dar vazão à insatisfação.
- Nervosismo, insônia, distúrbios circulatórios e digestivos.
- Falta de interesse pelas tarefas ou objetivos.
- Passividade, baixa autoestima, má vontade, pessimismo, resistência a
mudanças, insegurança, não colaboração, entre outros.

Ter uma necessidade não satisfeita não significa que a pessoa ficará eter-
namente frustrada, pois de alguma forma essa necessidade será transfe-
rida ou compensada. Com isso, é possível concluir que a motivação é um
ciclo que se realiza constantemente na vida das pessoas.

A teoria desenvolvida por Maslow é uma das principais abordagens re-


lacionadas à motivação. Segundo o autor, as necessidades dos seres hu-
manos se revelam de acordo com uma hierarquia, ou seja, uma escala de
valores e objetivos a serem alcançados. Assim que essas necessidades
são satisfeitas, surgem outras em seu lugar. O que leva as pessoas a sem-
pre buscarem um novo objetivo.

Quase nenhuma pessoa buscará reconhecimento pessoal, se estiver in-


satisfeita com suas necessidades básicas.

Achou importante?
Faça aqui suas anotações.
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111
Maslow considerou não só as questões financeiras como elemento mo-
tivacional e apresentou uma teoria de motivação, segundo a qual as
necessidades humanas estão organizadas e dispostas em níveis, numa
hierarquia de importância e de influência numa pirâmide. Na base dela
estão as necessidades mais baixas – fisiológicas – e no topo as necessida-
des mais elevadas - as necessidades de realização pessoal. Confira.

Necessidades de
Auto Realização

necessidades de status e estima

necessidades de segurança

necessidades fisiológicas

Para Maslow, as necessidades fisiológicas são fatores relacionados à so-


brevivência do indivíduo e à preservação da espécie e incluem alimenta-
ção, sono, repouso, abrigo, entre outros. As necessidades de segurança
constituem a busca de proteção contra a ameaça ou privação, a fuga e o
perigo. Já as necessidades sociais incluem a necessidade de associação,
de participação, de aceitação por parte dos companheiros, de troca de
amizade, de afeto e amor.

A estima envolve a apreciação própria, a autoconfiança, a necessidade


de aprovação social e de respeito, de status, prestígio e consideração,
além de desejo de força e de adequação, de confiança perante o mundo,
de independência e autonomia. A realização pessoal é a que fica no topo,
pois é por meio dela que cada pessoa realiza o seu próprio potencial e se
auto desenvolve a cada dia.

Motivação
A motivação de uma pessoa é um estímulo que vem dela mesma, de suas
próprias necessidades e não das dos outros. Por isso, é simples identificar
pessoas que atribuem a outros, necessidades e vontades que, na verda-
de, são delas.

Motivação não é algo que pode ser diretamente observado, ela só pode
ser identificada após a observação do comportamento de cada indiví-
duo. Um comportamento motivado é caracterizado pela energia contida
nele, que está diretamente dirigida para o alcance de uma meta ou rea-

NR10 - Sep Avançado


112
lização de um objetivo. Os motivos pelos quais isso ocorre podem ser:
algo interno que leva o indivíduo a manter um comportamento orienta-
do para um objetivo e outros, como fome, sede, sexo, entre outros, que
são naturais da espécie.

Questões externas também podem estimular o aparecimento do com-


portamento motivado. Na sociedade em que vivemos, por exemplo,
aprendemos a desejar a aprovação social, afiliação, almejar dinheiro, en-
tre outras questões. Compreender as motivações contribui para melhor
compreensão do comportamento humano. O motivo de afiliação é o
que leva um indivíduo a querer participar de um grupo esportivo, de um
clube de pais e mestres, de um movimento político. Também é necessá-
rio considerar que um comportamento motivado pode ser resultado de
vários motivos atuando ao mesmo tempo. Assim, procurar ter bom de-
sempenho na profissão pode ser um fator motivador pelas necessidades
de dinheiro, de aprovação social e de afiliação.

Herzberg, outro estudioso sobre motivação, também levou em conside-


ração em suas pesquisas fatores que causam insatisfação, como falta de
boas condições de trabalho, bons salários e de boas relações interpesso-
ais, chamados por ele de fatores higiênicos. O autor considera que, nes-
ses casos, mesmo se fatores de motivação estiverem presentes, o indiví-
duo não se sentirá motivado.

Assim, o pesquisador concluiu que maximizar a motivação das pessoas e


minimizar a insatisfação, são processos diferentes. Para ele, é necessário
primeiro eliminar os fatores que causam insatisfação nas pessoas, para
depois, dar ênfase nos fatores que motivam.

Motivação é definida como uma tendência para a ação, provocada por


uma necessidade. Um fator motivador nada mais é que uma necessidade
não atendida. Entretanto, muitas vezes, aquilo que satisfaz a necessida-
de, é confundida, erroneamente, como a necessidade.

A água, por exemplo, é confundida com a necessidade, sede. Refletindo


sobre o assunto, é possível perceber que a água não é uma necessidade,
mas o fator de satisfação da necessidade sede. Uma pessoa que não es-
teja com sede, de forma nenhuma será motivada pela água.

Da mesma forma pode-se pensar o reconhecimento. O reconhecimento


não é a necessidade. A necessidade é o afeto. É ela que induz o indivíduo
a buscar afiliação, estima e, também, motiva um indivíduo e não o reco-
nhecimento. Esses erros de percepção são bastante comuns nas organi-
zações, na tentativa de motivação das pessoas.

Um dos problemas básicos em qualquer organização é a busca de como


induzir as pessoas a trabalharem mais e melhor. Atualmente, isso não é uma
tarefa fácil, pois a maioria das pessoas não obtém satisfação em seus em-
pregos. Nas grandes organizações, as pessoas devem trabalhar cumprindo
ordens que podem não entender, nem aprovar, e obedecer a instruções de
superiores que não ajudaram a escolher. Poucos têm a oportunidade de
realização pessoal, de autoexpressão ou a liberdade de controle. De que
forma então é possível induzir as pessoas a trabalharem nessas condições?

NR10 - Sep Avançado


113
A forma mais tradicional e aparentemente mais simples de ser aplicada
é o uso da autoridade, que faz as pessoas trabalharem, simplesmente
pelo medo de serem despedidas, caso não cumpram uma determinação.
Nessa abordagem é considerado que o dinheiro é a única questão a levar
as pessoas ao trabalho e supõe que elas não gostam de trabalhar e, por
isso, tem de ser rigidamente supervisionadas.

Isso leva os trabalhadores a reagirem lutando através do sindicato, realizan-


do as tarefas mais lentamente, sabotando o trabalho, entre outras reações.

Atualmente, as pessoas nessa situação começaram a mudar e as empre-


sas apresentaram-se mais abertas para discutir questões relacionadas à
satisfação no trabalho.

Algumas administrações têm procurado proporcionar boas condições


de trabalho, bons salários, benefícios adicionais e supõem que as pesso-
as gostam de trabalhar. Segundo essas teorias, boas condições de traba-
lho, boa supervisão, benefícios elevados, produzem pessoas satisfeitas e
resultam em profissionais mais empenhados e eficientes. Dessa forma,
a empresa e os empregados passam a compartilhar benefícios, como
aumento da produtividade e dos lucros. Quando aplicados de modo
adequado, esses cuidados fortalecem a reputação da empresa na comu-
nidade e atraem os melhores talentos. Além disso, ajudam a reduzir a
instabilidade e a mobilidade no emprego e diminuem a tensão nas rela-
ções de trabalho.

Motivação nas empresas


A função do administrador de empresas é criar condições para que as
pessoas trabalhem motivadas. Essa é uma tarefa bastante complexa, es-
pecialmente pelo fato de cada profissional possuir sua própria individu-
alidade. Porém, há consenso em relação a uma série de questões que in-
centiva a maioria das pessoas, especialmente a possibilidade de melhor
remuneração. Melhorar de posição na empresa e ter desafios a superar,
além de condições de trabalho adequadas, como ambiente aprazível,
boas instalações, bom refeitório, preocupação com segurança, influem
para tornar as pessoas mais produtivas.

Os profissionais se empenham mais quando se sentem úteis, interessan-


tes e têm oportunidade de opinar e participar das decisões. Todo indiví-
duo deseja progredir, tornar-se mais experiente e, sobretudo, ser reco-
nhecido como bom profissional.

A verdadeira motivação só é efetivamente conseguida, quando os co-


laboradores conseguem realizar suas necessidades e seus objetivos de
vida, dentro e através da própria empresa. A motivação só é possível
em ambientes em que a confiança e a lealdade estejam no centro das
relações da empresa. É preciso que prevaleça a ética e o respeito entre
as pessoas e que haja esforços contínuos para compatibilizar ambições
pessoais com objetivos corporativos.

A motivação plena só ocorre se houver esforços por parte da alta admi-


nistração, para que as decisões tomadas não comprometam a vontade

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dos trabalhadores de serem cada vez melhores. A seguir, você pode con-
ferir uma lista com alguns fatores que motivam as pessoas.

- Reconhecimento.
- Ser bem tratado.
- Ser ouvido.
- Ter desafios a superar.
- Vislumbrar novas oportunidades.
- Sentir orgulho do próprio trabalho.
- Possuir condições de trabalho adequadas.
- Ter sensação de ser útil.
- Ser aceito como é.

A comunicação é outro fator essencial para o desenvolvimento de um


profissional e para o crescimento da empresa em que ele atua. O tema
será abordado a seguir.

Comunicação
Comunicar significa entender e se fazer entendido. E por isso é uma ques-
tão essencial para qualquer atividade humana. O êxito de uma empresa
depende essencialmente da habilidade de os indivíduos se comunicarem.

Para entender melhor como usar a comunicação a seu favor e da em-


presa em que atua, você precisa conhecer alguns elementos básicos da
comunicação, segundo Chester Bernard:

- Emissor: É quem emite a mensagem.


- Mensagem: É o objeto da comunicação ou da transmissão.
- Receptor: É quem recebe a mensagem.
- Código: A forma utilizada para transmitir a mensagem: linguagem oral,
escrita, gestual, expressões, entre outros.
- Canal: Meio pelo qual a mensagem será enviada ao receptor.
- Informação: É a medida estatística da originalidade da mensagem transmitida.

A comunicação entre as pessoas pode ser realizada conforme as seguin-


tes classificações:

- Unidirecional: Não tem resposta.


- Recíproca: É realizada entre duas ou mais pessoas.
- Em cadeia: A mensagem parte de uma pessoa e é aperfeiçoada por outra.
- Multidirecional: Uma mensagem transmitida a vários receptores de
uma só vez.

As informações podem ser passadas às pessoas através da escrita, da fala,


de meios eletrônicos, entre outros, mas todas têm um só objetivo: trans-
mitir uma mensagem ao receptor.

Uma comunicação eficaz possibilita o entendimento e respostas que le-


vam a novas trocas de informação. Comunicar-se no ambiente de tra-
balho permite a obtenção e passagem de informações com qualidade,
eficácia, além de garantir melhorar as relações entre as pessoas.

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Um termo bastante utilizado nos ambientes corporativos é o feedback. A
seguir você vai aprender o que ele significa.

Feedback
O feedback é uma avaliação ou parecer sobre o comportamento do ser
humano em relação a determinadas atividades ou metas e tem grande
relevância para o comportamento humano e para as relações entre as
pessoas. A partir dele, é possível identificar sinais que visam a reorientar
o comportamento das pessoas em relação a metas buscadas.

No processo de desenvolvimento da competência interpessoal, o fee-


dback é um processo de ajuda para mudanças de comportamento. Ele
também representa comunicação a uma pessoa ou grupo, no sentido
de oferecer informações sobre como sua atuação está afetando outras
pessoas. O feedback eficaz ajuda a pessoa ou o grupo a melhorar seu
desempenho e, dessa forma, alcançar seus objetivos.

Para se tornar realmente um processo útil, o feedback deve ser:

- Descritivo, ao invés de avaliativo.


- Específico, ao invés de geral.
- Compatível com as necessidades e motivações de ambos.
- Dirigido.
- Solicitado, ao invés de imposto.
- Oportuno.
- Esclarecido.

É difícil para as pessoas aceitar suas dificuldades e admiti-las publica-


mente. Porém, é importante receber essas informações, pois quando
identificado um problema, é mais fácil resolvê-lo.

Dar conselhos faz as pessoas se sentirem competentes e importantes.


Mas, é muito perigoso usar o feedback para demonstrar inteligência e
habilidade, ao invés de pensar na sua utilidade para o receptor. Isso deve
ser feito com muito cuidado, pois pode levar a reações, como mágoa e
agressão. Se o receptor se torna defensivo, tente argumentar mais para
convencê-lo, sem pressioná-lo.

Todas as pessoas precisam receber feedback, negativo ou positivo, para


saber se estão desempenhando suas funções de forma adequada, a fim
de corrigir eventuais problemas e manter os acertos. Ao receber feed-
back de outra pessoa, é necessário confrontá-lo com reações de outras
para verificar se é realmente necessário mudar um comportamento de
maneira geral ou somente em relação àquela pessoa.

É importante ressaltar que as mesmas questões abordadas em relação a


uma só pessoa também podem ser aplicadas aos grupos de trabalho.

A seguir serão abordadas algumas questões sobre o relacionamento in-


terpessoal que contribuem para o trabalho nas empresas. Confira.

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Relacionamento interpessoal
Relações interpessoais são as trocas, comunicações e contatos entre pes-
soas e que podem ser de grande valor para ambas as partes. Veja a seguir
uma lista com cinco maneiras de ter melhor relacionamento no trabalho.

- Decida sozinho o que é importante em seu relacionamento com as pessoas.


- Pergunte às pessoas sobre elas próprias e escute o que têm a dizer.
- Reconheça e valorize as pessoas como indivíduos.
- Torne-se um incentivador.
- Compartilhe suas preocupações e anseios com as outras pessoas.

Um dos pilares fundamentais no desenvolvimento de equipes nas estru-


turas modernas é a comunicação entre as pessoas. Por isso, estabelecer
comunicação eficaz e conciliar pessoas e tarefas, sem perder de vista os
objetivos e metas organizacionais, é um dos maiores desafios para o pro-
fissional moderno.

Atualmente, o relacionamento interpessoal é o maior foco de conflitos e


insatisfação de quem convive no mundo corporativo. Isso porque as pes-
soas passam a maior parte de seus dias no trabalho, o que faz com que os
relacionamentos nesses ambientes sejam extremamente delicados.

As pessoas ainda não consideram que podem mudar e melhorar até


acrescentar novos padrões nos seus relacionamentos no trabalho. Um
dos caminhos é a autoestima, que pode ser algo extremamente positivo
para modificar atitudes negativistas e gerar um ambiente mais saudável
para todos.

A capacidade do ser humano em superar deficiências e dificuldades, tan-


to por suas aptidões quanto por seu esforço, é surpreendente e desafia
os pressupostos das teorias já existentes. Sabe-se, também, que o reco-
nhecimento das próprias limitações, bem como das condições desfavo-
ráveis do ambiente é condição básica para superá-las bem.

Tanto na vida social quanto na pessoal, é necessário haver afeto e consi-


deração com os demais. Se uma pessoa é capaz de dar afeto, também é
apta a receber. Por isso, uma palavra ou um sorriso podem, de maneira
poderosamente inexplicável, desmanchar incompreensões e restabele-
cer a harmonia, o que beneficia a todos.

Para ter uma vida profissional produtiva e de alta qualidade, fique atento
a algumas atitudes:

- Adote uma postura de simpatia diante das adversidades.


- Desenvolva o hábito de enfrentar o inevitável de maneira inteligente.
- Procure ver um lado positivo em todas as coisas.

Depois de conhecer os aspectos comportamentais essenciais para a boa


convivência no trabalho, você vai aprender sobre os acidentes típicos en-
volvidos no trabalho em SEP.

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118
Acidentes típicos

Nesta unidade você vai aprender alguns conceitos relacionados aos aci-
dentes de trabalho, doenças profissionais e do trabalho e saber como
proceder em cada uma dessas situações.
Bons estudos!

Acidente de trabalho
O acidente do trabalho ocorre durante o exercício do trabalho ou duran-
te a realização de serviço pela empresa e que provoca lesão corporal ou
perturbação funcional. Recebem essa denominação acidentes que cau-
sam morte, perda ou redução, permanente ou temporária, da capacida-
de para o trabalho.

São considerados acidentes de trabalho:

- O acidente ligado ao trabalho que, embora não tenha sido a causa úni-
ca, haja contribuído diretamente para a morte do segurado, para redu-
ção ou perda da sua capacidade para o trabalho, ou produzido lesão que
exija atenção médica para a sua recuperação.

- O acidente sofrido pelo segurado no local e no horário do trabalho, em


consequência de:

- Ato de agressão, sabotagem ou terrorismo praticado por terceiro ou


companheiro de trabalho.
- Ofensa física intencional, inclusive de terceiro, por motivo de disputa
relacionada ao trabalho.
- Ato de imprudência, de negligência ou de imperícia de terceiro ou de
companheiro de trabalho.
- Ato de pessoa privada do uso da razão.
- Desabamento, inundação, incêndio e outros casos fortuitos ou decor-
rentes de força maior.
- Doença proveniente de contaminação acidental do empregado no
exercício de sua atividade.
- Acidente sofrido pelo segurado, ainda que fora do local e horário de
trabalho.
- Na execução de ordem ou na realização de serviço sob a autoridade
da empresa.
- Na prestação espontânea de qualquer serviço à empresa, para lhe evitar
prejuízo ou proporcionar proveito.
- Em viagem a serviço da empresa, inclusive para estudo, quando finan-
ciada por esta, dentro de seus planos para melhor capacitação da mão-
Achou importante? de-obra, independentemente do meio de locomoção utilizado, inclusive
veículo próprio do trabalhador.
Faça aqui suas anotações.
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- No percurso da residência para o local de trabalho ou deste para aquela,
qualquer que seja o meio de locomoção, inclusive veículo de proprieda-
de do segurado.

Doença Profissional
A doença profissional é um tipo de doença desencadeada pelo exercício
de trabalho em uma atividade específica e que faz parte de uma relação
elaborada pelo Ministério do Trabalho e da Previdência Social.

Doença do Trabalho
Ocorre em função das condições em que o trabalho é realizado e com
ele se relacione diretamente. Esse tipo de doença também faz parte da
relação elaborada pelo Ministério do Trabalho e da Previdência Social.
Não são consideradas doenças do trabalho, as seguintes:

- Doença degenerativa.
- Relacionada a um grupo etário.
- Doença que não produz incapacidade para o trabalho.
- Doença endêmica adquirida por segurado habitante de região em que
ela se desenvolva, salvo comprovação de que é resultante de exposição
ou contato direto determinado pela natureza do trabalho.

Nos períodos destinados à refeição ou ao descanso, ou em ocasiões desti-


nadas a outras necessidades fisiológicas, no local do trabalho, o empregado
é considerado no exercício do trabalho. Não é considerada agravação ou
complicação de acidente do trabalho uma lesão resultante de acidente de
outra origem, se associe ou se superponha às consequências do anterior.

Estudo dos acidentes e incidentes


Estudos realizados sobre acidentes e incidentes indicaram um núme-
ro de incidentes muito maiores do que de acidentes graves. Esse fato
é importante para que seja voltada mais atenção para a correção ou a
prevenção desses pequenos incidentes que, geralmente, resultam em
acidentes com perdas materiais e pessoais.

Veja a seguir a pirâmide com os resultados.

1
10
30
600

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1. Lesão grave ou fatal
• Inclui lesões sérias e incapacitantes.
10. Lesões menores
• Qualquer lesão relatada que não for séria.
30. Acidentes com danos à propriedade
• Todos os tipos.
600. Incidentes sem lesão ou Dano visível
• Quase-acidentes

Na maioria das vezes, um acidente ocorre por um conjunto de eventos e


não somente por um fator. O tipo e o grau das perdas variam de acordo
com a gravidade de seus efeitos, que poderão ser insignificantes ou ca-
tastróficos, e que geram altos custos para a empresa.

Para que as perdas sejam cada vez menores na ocorrência dos aciden-
tes, é necessário conhecer as causas deles e tentar evitá-las. Um Modelo
Causal de Perdas apresentado a seguir exemplifica a sequência em que
um acidente ou incidente pode ocorrer.

FALTA DE CAUSAS CAUSAS ACIDENTE


CONTROLE BÁSICAS IMEDIATAS E PERDA
INCIDENTE
Programa Fatores
inadequado Pessoais Atos Contato Pessoa
padrões & com Propriedade
do programa Condições Energia Produto
Cumprimento Fatores de Abaixo do ou Meio Ambiente
dos Padrões Trabalho Padrão Substância Serviços

A falta de controle é o primeiro dos fatores que dão origem a um aciden-


te. A partir dessa informação é possível concluir que o controle é uma das
funções essenciais em uma administração efetiva, independente do seg-
mento de atuação. O administrador deve realizar planejamentos e orga-
nizar a direção e o controle de suas principais funções. Ele deve conhecer
os padrões, planejar e organizar o trabalho e guiar seu grupo de trabalho,
para que cumpra as determinações. Avaliar seu próprio desempenho e
o dos outros, avaliar os resultados e as necessidades e corrigir de forma
construtiva o desempenho das mesmas, fazem parte das atribuições de
um bom administrador.

A falta de controle pode ocorrer pelas seguintes razões:

Programa inadequado: Ocorre quando o programa é desenvolvido


com atividades mal desenvolvidas ou com poucas atividades.

Padrões inadequados do programa: Representa formulação de padrões


pouco específicos, claros e de baixo nível. Esse fator não permite que os
trabalhadores tenham as informações e habilidades necessárias, nem per-
mitem uma medição significativa do grau de cumprimento dos padrões.

Cumprimento inadequado dos padrões: É uma das origens da falta de


controle, sendo um dos motivos do fracasso no controle de perdas cau-
sadas pelos acidentes.

As causas básicas são as razões pelas quais ocorrem os atos e condições


abaixo do padrão. Geralmente elas são bastante evidentes, mas para ter

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121
um controle administrativo eficiente sobre elas, é necessário investigá-
las. A partir desse conhecimento, é possível explicar por que as pessoas
têm atitudes que afetam a segurança no trabalho. É importante conside-
rar ainda duas categorias de causas imediatas, os fatores pessoais e os
fatores de trabalho, exemplificados a seguir:

Fatores pessoais
- Capacidade física e fisiológica inadequadas;
- Capacidade mental ou psicológica insuficientes;
- Tensão física ou fisiológica;
- Tensão mental ou psicológica;
- Falta de conhecimento;
- Falta de habilidade,
- Pouca motivação.

Fatores de trabalho
- Liderança ou supervisão inadequada;
- Engenharia inadequada;
- Compra inadequada;
- Manutenção incorreta;
- Ferramentas, equipamentos e materiais errados;
- Padrões de trabalho inadequados;
- Uso e desgaste,
- Abuso e maltrato.

Causas imediatas
As causas imediatas são as circunstâncias que precedem imediatamente
o contato e que podem ser vistas ou sentidas.
Atualmente, os termos a seguir constituem padrões e condições baixos e
podem manifestar-se da seguinte forma:

Atos ou práticas abaixo dos padrões:


- Operação de equipamentos sem autorização.
- Falta de sinalização ou advertência.
- Falha ao bloquear ou resguardar equipamentos.
- Operação em velocidade inadequada.
- Dispositivos de segurança inoperantes ou removidos.
- Utilização de equipamento defeituoso.
- Uso de equipamentos de maneira incorreta.
- Uso incorreto do EPI.
- Manuseio e armazenamento de materiais de modo incorreto.
- Posição inadequada para o trabalho.
- Manutenção de equipamentos em operação.
- Brincadeiras durante o trabalho.
- Trabalhar sob a influência de álcool e/ou outras drogas.

Condições abaixo os padrões


- Proteções e barreiras inadequadas.
- Equipamentos de proteção inadequados ou insuficientes.

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- Ferramentas, equipamentos ou materiais defeituosos.
- Espaço restrito ou congestionado.
- Sistemas de advertência inadequados.
- Perigos de explosão e incêndio.
- Ordem e limpeza deficientes, desordem.
- Condições ambientais perigosas: gases, poeira, fumaça, vapores.
- Exposições a ruídos e a radiação.
- Exposição a temperaturas extremas.
- Iluminação excessiva ou inadequada.
- Ventilação inadequada.

Os incidentes são eventos que antecedem as perdas, ou seja, são os con-


tatos que poderiam causar uma lesão ou dano. Quando é permitido o
desenvolvimento de condições ou atos abaixo do padrão, as chances de
ocorrerem incidentes e acidentes aumentam consideravelmente. Essas
condições são causas potenciais de acidentes, que provocam os contatos
e trocas de energia que causam danos às pessoas, às propriedades, ao
processo e ao meio ambiente. Os tipos mais comuns de troca de energia
estão listados a seguir. Confira.

- Golpeado contra (correndo em direção a, ou tropeçando em).


- Golpeado por (atingido por objeto em movimento) .
- Queda para um nível inferior (o corpo ou o objeto que caia e atinja o corpo) .
- Queda no mesmo nível: deslizar e cair, inclinar-se.
- Apanhado por: pontos agudos ou cortantes.
- Apanhado em: agarrado, pendurado.
- Apanhado entre: esmagado ou amputado.
- Contato com: eletricidade, calor, frio, radiação, substâncias cáusticas,
substâncias tóxicas, ruídos.
- Sobretensão, sobre-esforço, sobrecarga.

Perdas
As perdas são os resultados de um acidente, que geram prejuízos diver-
sos às pessoas, à propriedade, aos produtos, ao meio ambiente e aos ser-
viços. O tipo e o grau das perdas vão depender da gravidade de seus efei-
tos, que podem ser insignificantes ou catastróficos, e variam conforme as
circunstâncias casuais e as ações realizadas para minimizá-las, como:

- Realizar adequadamente os primeiros socorros e oferecer assistência médica.


- Controlar e combater os incêndios de forma rápida e eficaz.
- Reparar imediatamente equipamentos e instalações danificados.
- Implementar planos de ação de emergência eficientes.
- Promover a reintegração das pessoas ao trabalho de modo eficaz.

Se as práticas abordadas não forem aplicadas, as chances de elevação do


grau das perdas são ainda maiores e geram maiores custos para a empresa.

Entre os tipos de perda estão:

- Tempo do trabalhador ferido: É o período de trabalho do profissional


ferido que não é reembolsado pelas leis de inadequação do trabalhador.

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- Tempo do companheiro de trabalho: É o tempo que os companheiros
de trabalho do profissional ferido perdem para deslocá-lo para o local de
atendimento. A lástima, curiosidade e a interrupção do trabalho ao ocor-
rer à lesão, e mais tarde, ao comentar o caso. Limpeza do local do aciden-
te e horas extras dos outros trabalhadores que têm que cobrir o trabalho
do companheiro ferido, e o tempo gasto pelo pessoal de segurança em
relação ao acidente também são contabilizados pela empresa.

Tempo do supervisor: O tempo do supervisor após o acidente inclui:

- Assistência ao trabalhador ferido.


- Investigação da causa do acidente, acompanhamento, pesquisa sobre
como prevenir a repetição, entre outros.
- Planejar a continuação do trabalho, obter material novo, reprogramar
as atividades.
- Seleção e treinamento de novos trabalhadores, incluindo a solicitação
de candidatos ao posto, suas avaliações, treinamento do empregado
novo ou transferido.
- Preparação de relatórios do acidente, de lesões, de danos à proprieda-
de, de incidentes, de anomalias, dos acidentes de veículos, entre outros.
- Participação de audiências sobre o acidente.

Perdas gerais
As perdas decorrentes de um acidente incluem ainda:

- Tempo de produção devido ao transtorno, choque, manifestações de


trabalhadores, redução de rendimento.
- Paradas de máquinas, veículos, plantas, instalações, que podem ser
temporárias ou de longo prazo e afetar equipamentos e cronogramas
relacionados.
- A produtividade do trabalhador ferido reduzida após o retorno ao tra-
balho, devido às restrições de trabalho, à redução de sua eficiência, aos
impedimentos físicos, às muletas, gessos, entre outros.
- A perda de novos negócios e de prestígio, publicações negativas, pro-
blemas na obtenção de novas contratações.
- Gastos adicionais legais devido a processos judiciais com relação aos
benefícios de indenizações, demandas de responsabilidade civil, que re-
querem contratação de serviços legais, além dos gastos com agentes de
seguro, incluídos nos custos diretos.
- Os custos podem aumentar devido às reservas de seguro e aos itens que
aumentam os impostos e que correspondem, respectivamente, às peque-
nas porcentagens anuais de perdas brutas, assim como os impostos base-
ados nos valores em dólares das perdas que estão amarradas às reservas.
- Itens variados adicionais, que podem ser específicos para certas opera-
ções e que são apropriados para casos específicos de acidente.
- Perdas de propriedade.
- Gastos no fornecimento de equipamentos e recursos de emergência.
- Custo de equipamentos e materiais, como consequência da recupera-
ção ou restauração devido ao uso acima do normal.
- Gasto com material para reparo e peças de reposição.
- Custo de tempo de reparo e de substituição de equipamentos, em ter-
mos de perda de produtividade e atraso na manutenção planejada de
outros equipamentos.

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- Custo de ações corretivas que não sejam as de reparo.
- Perdas pela reposição de partes sobressalentes em estoque para os
equipamentos destruídos.
- Custos proporcionais de equipamentos de resgate e de emergência.
- Perda de produção durante o período de recuperação do empregado,
investigação, limpeza, reparo e certificação.
- Penalidades, multas, citações por embargo, entre outras.

Os danos à propriedade e gastos com documentação também devem


ser incluídos na contabilização dos gastos provocados por um acidente.
São eles:

- Danos a estruturas;
- Danos a equipamentos e ferramentas;
- Danos a produtos e materiais;
- Interrupções e atrasos de produção;
- Custos legais;
- Despesas com equipamentos e provisões de emergência,
- Aluguel de equipamentos de substituição.

Comunicação de acidente de trabalho (CAT)


Quando ocorre um acidente de trabalho, ele deve ser informado à empre-
sa, que deve comunicar o fato à Previdência Social através da Comunicação
de Acidente do Trabalho (CAT). A comunicação gera um processo adminis-
trativo com a finalidade de proteger o empregado, e vai apurar as causas e
consequências do fato, liberando o benefício adequado ao acidentado.

Esse comunicado deve ser feito até o 1º dia útil depois da ocorrência e,
em caso de morte, de imediato, à autoridade competente, sob pena de
multa. A CAT é composta por documentos que relacionam a história dos
acidentes na empresa. Essas informações possibilitam, por exemplo, se-
lecionar os acidentes por ordem de importância, de tipo, de gravidade
da lesão ou localizá-los no tempo, além de possibilitar o resgate das atas
da CIPA - Comissão Interna de Prevenção de Acidentes - com as investi-
gações e informações complementares relacionadas aos acidentes.

Relatório de acidentes
A empresa deve também elaborar um relatório de investigação e análise
de acidente, conduzido e assinado pelo SESMT - Serviço Especializado
em Engenharia de Segurança e Medicina do Trabalho e a CIPA, com todo
o detalhamento necessário ao perfeito entendimento da ocorrência. Es-
ses documentos devem conter as seguintes informações:

- Qualificação do acidentado;
- Descrições do ambiente e dos fatos da ocorrência;
- Entrevistas com o acidentado, quando possível;
- Entrevistas com testemunhas e outros empregados;
- Descrições dos métodos e processos, dos procedimentos de trabalho
prescritos, da habitualidade e práticas regularmente adotadas, dos equi-
pamentos ou sistemas de proteção coletiva adotados e dos equipamen-
tos de proteção individuais,

NR10 - Sep Avançado


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- Medidas a serem tomadas pela empresa para que acidentes semelhan-
tes não ocorram também devem ser incluídas.

No caso de acidente com trabalhador de empresa prestadora de serviço


é configurado um caso especial: o ambiente de trabalho geralmente é da
concessionária e o trabalhador é da contratada. Nessa situação a respon-
sabilidade solidária envolve contratante e contratada, por isso, as duas
devem elaborar o relatório de análise de acidente do trabalho, realizar
reunião extraordinária da CIPA, adotar medidas preventivas e tomar as
demais precauções.

Além disso, os responsáveis pela empresa onde tenha ocorrido o aci-


dente devem ser orientados a divulgar o ocorrido, para que emprega-
dos estejam cientes. Isso contribui para que o acidente não se repita,
conscientizando o empregador ou preposto das vantagens de se alertar
os seus empregados sobre os riscos da atividade e sobre as consequên-
cias do acidente. Essa conduta estimula a seriedade e o compromisso da
empresa junto aos seus empregados, para atendimento do acidentado e
correção das irregularidades relativas às medidas de controle dos riscos.
A seguir, serão apresentados alguns casos de acidentes de origem elétri-
ca e as causas básicas que os levaram a ocorrer. Confira.

Casos de acidentes de origem elétrica


Nas páginas a seguir serão dados alguns exemplos de acidentes com o
envolvimento de energia elétrica e abordados os motivos pelos quais
eles ocorreram.

Acidente de geração
Caso 1: O empregado estava debruçado sobre a tampa da turbina, reali-
zando reparo em chave-boia, utilizada para comandar bomba de drena-
gem. Ele retirou a proteção que envolvia o relé de acionamento, expon-
do fiações energizadas com 127 VCA. Ao esticar o braço para concluir o
reparo na boia, tocou na parte energizada e o aterramento elétrico ocor-
reu através de seu corpo.

Como estava com o queixo apoiado em estrutura metálica sobre a qual


estava debruçado, sofreu vários espasmos decorrentes do contato elétri-
co e, em seguida, soltou-se dele sozinho. Houve lesões decorrentes do
choque, como queimadura no braço e na boca, além de lesão aberta na
boca e gengiva.
A causa imediata desse acidente foi a exposição de partes energizadas
que não foram isoladas e a área de risco não foi delimitada. Entre as cau-
sas básicas podem ser citadas: falta de supervisão, ausência de padrões
de segurança para essa tarefa e trabalho executado em condições de ris-
co e sem acompanhamento.

Caso 2: Os trabalhadores estavam realizando trabalhos de finalização de


montagem de uma turbina, dentro do poço da mesma. Em um determi-
nado momento, um empregado que estava utilizando uma lixadeira so-
freu choque elétrico. O contato foi desfeito e o acidentado foi socorrido.
A causa imediata do acidente é a má condição de conservação da ferra-
menta, ou seja, falta de inspeção preliminar na ferramenta de trabalho. Já
a causa básica é a inexistência de padrões de segurança para a tarefa.

NR10 - Sep Avançado


126
Acidente de distribuição
Caso 1: O eletricista, ao chegar à caixa de medição em área rural, realizou
inspeção visual e constatou que não havia ser vivo no frontal da caixa.
Ele tentou abri-la, mas foi atacado por abelhas. Após o ataque, verificou
que elas estavam alojadas no cano dos condutores de entrada na lateral
da caixa de medição. Para concluir a inspeção foi utilizado o fumacê. De-
pois de finalizar o serviço, o eletricista observou que seu rosto começou
inchar e sentiu fortes dores.

Causas imediatas: Condições ambientais perigosas, no caso presença


de animais e inspeção incompleta.

Causas básicas: Equipamento exposto ao tempo e motivação inadequada.

Caso 2: O eletricista, ao subir na escada para efetuar reparos na ilumina-


ção pública, recebeu choque elétrico no cabo mensageiro e caiu no solo.
O profissional foi encaminhado ao hospital para exames, e foi constatado
apenas um pequeno corte na cabeça e luxação no pé esquerdo, receben-
do alta após algumas horas.

Causas imediatas: Contato com o cabo mensageiro energizado, sem a


utilização dos equipamentos de proteção individual recomendados para
a atividade, como luva isolante de borracha com luva de proteção.
Causas básicas: Supervisão e motivação inadequadas e equipamento
energizado acidentalmente.

Caso 3: O empregado, ao subir na escada para efetuar uma religação no


postinho (pingadeira), se desprendeu da base e causou a queda do ele-
tricista bem no portão do cliente, que possui lanças. O acidentado foi
levado ao hospital, passou por cirurgia e foi afastado do trabalho.

Causas imediatas: falta de inspeção do postinho do cliente, base do


postinho do cliente podre.
Causas básicas: Não cumprimento dos padrões de execução da tarefa e
desgaste natural do postinho.

Caso 4: A equipe de 15kV, composta por dois eletricistas, realizava inspe-


ção e medição preventiva no religador. Eles posicionaram duas escadas
no poste, uma abaixo do painel de controle e a outra abaixo da cinta
inferior de sustentação do religador. Após essas operações, solicitaram a
autorização ao Centro de Operação (CO) para executar o serviço.
A execução das tarefas foi iniciada com a realização de proteção terra no
painel de controle. As chaves facas “By-Pass” foram fechadas e abertas as
chaves facas fonte e carga do religador, mas chave faca fonte foi esqueci-
da fechada. Os profissionais não realizaram o teste de ausência de tensão
e não aterraram as chaves verticais fonte e carga.

Posicionado o suporte de sustentação do religador, com a perna esquer-


da encostada em uma das saias das buchas, um profissional levou a chave
em direção ao terminal da bucha fonte, lado rua. Isso provocou a abertura
de um arco elétrico e, consequentemente, a condução de corrente elé-
trica pelo corpo do acidentado até a panturrilha da perna esquerda que

NR10 - Sep Avançado


127
estava encostada na saia de uma das buchas. O trabalhador ficou desfale-
cido temporariamente, mas foi resgatado pelo outro companheiro.

Causas imediatas: Não cumprimento de procedimentos de abertura de


chaves e trabalho em estrutura desenergizada, falta de teste e de aterra-
mento do circuito.

Causas básicas: Motivação inadequada e falta de supervisão e planejamen-


to.

Caso 5: Uma dupla de eletricistas estava realizando uma ligação provi-


sória secundária para um show na praça. Rapidamente, o eletricista que
iria subir pegou a escada extensível e a posicionou no poste, pegou seu
cinturão e talabarte, já munido de capacete, óculos de segurança e luva
de vaqueta. Iniciando a subida sem esperar o outro eletricista preparar
os EPC’s necessários, como mantas de isolamento e lençol de borracha,
o primeiro eletricista chegou perto do topo da escada em frente à rede
secundária e amarrou a escada.

Ele, então, pediu que o eletricista de baixo fornecesse a fiação provisória e


puxou bruscamente, pois eles estavam enroscados. Nesse momento ele to-
cou o cotovelo esquerdo na fase “A” da secundária e a perna direita no braço
de Iluminação Pública, sofrendo fibrilação cardíaca, e acabou morrendo.

Causas imediatas: Falta de integração e planejamento entre os inte-


grantes da equipe e posicionamento inadequado da escada, que deixou
o eletricista com espaço restrito para o trabalho, desobedecendo à dis-
tância de segurança.

Causas básicas: Motivação inadequada e falta de supervisão dos traba-


lhos pelo eletricista posicionado no solo.

Caso 6: Um serralheiro estava executando serviços de soldagem em es-


truturas metálicas de edificação civil, com esticadores fixos e fixação de
telhas metálicas em uma construção. Ao manusear uma barra de ferro,
com seis metros de comprimento e de bitola 3/8”, ele não observou a
rede de energia elétrica de alta tensão (13,8 kV), que se encontrava a
uma distância legal, pela norma, do ponto em que estava executando
os serviços. O serralheiro encostou a barra de ferro na fase da calçada,
sofreu choque elétrico, caiu do telhado e veio a falecer.

Causas imediatas: Falta de atenção ao manusear a barra de ferro e não


observação dos riscos ao seu redor.

Causas básicas: Não houve planejamento da equipe em relação aos ser-


viços a serem executados de montagem das estruturas metálicas com
relação às condições existentes no local.

Caso 7: Uma equipe recebeu solicitação para realizar ligação nova em


condomínio residencial. Um dos eletricistas apoiou a escada na coluna
de concreto, subiu até o topo da coluna, amarrou-se com talabarte e no
momento em que se posicionava na escada para iniciar o trabalho, a co-
luna de concreto quebrou na base e fez com que o eletricista também ca-
ísse no solo. O eletricista sofreu traumatismo craniano, mas sobreviveu.

NR10 - Sep Avançado


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Causas imediatas: Não foi realizado teste de tração na coluna antes da subida.

Causas básicas: Coluna construída em desacordo com o padrão e falha


de supervisão que, nesse caso, permitiu que o eletricista subisse sem efe-
tuar o teste de tração na coluna.

Acidentes de transmissão
Caso 1: Uma equipe de manutenção de Linhas de Transmissão efetuava
a substituição de cruzetas em regime de linha desenergizada, em uma
estrutura 69 kV. Em certo momento, houve a quebra do topo do poste de
concreto fazendo com que os cabos tocassem a Rede Primária da Distri-
buição, em cruzamento logo abaixo, levando três eletricistas a sofrerem
choque elétrico.

Causas imediatas: Realizar manutenção em regime de linha morta aci-


ma de estrutura energizada, sem as devidas proteções, falta de bloqueio
para o religamento da rede logo abaixo e quebra da ponta do poste.

Causas básicas: Falta de isolamento ou desenergização da rede de dis-


tribuição na área de possível contato com a linha de transmissão e estru-
tura comprometida, internamente, pelo tempo.

Caso 2: A equipe de Linhas de Transmissão realizava serviço de substi-


tuição de discos de porcelana da coluna do braço da chave seccionadora
da SE. A atividade consistia na substituição dos isoladores de discos, que
teriam de ser retirados através de contato físico, ou seja, com as próprias
mãos, não sendo permitida a utilização de nenhum caminhão guindaste
para auxílio e nem andaimes isolados. Os serviços seriam realizados em
regime de linha energizada, conforme solicitado pela equipe de manu-
tenção através do pedido inicial. Porém, a tarefa ocorreu em regime de
linha morta, quando os trabalhos foram interrompidos por um Técnico de
Segurança. Além disso, um dos polos da seccionadora estava energizado.

Causas imediatas: falha de procedimento na execução da tarefa (linha dese-


nergizada), falha na análise da operação e descumprimento da norma interna.

Causas básicas: Dúbia interpretação pelo técnico operacional respon-


sável do termo regime de linha “energizada”. Ele entendeu que a tarefa
poderia ser realizada em regime de rede desenergizada (linha morta)
com um lado energizado e outro desenergizado, pois trabalhariam em
regime de linha morta do lado desenergizado.
- Falha no planejamento e na emissão do pedido e autorização.
- Falha na liberação do serviço.
- Desconhecimento dos procedimentos da tarefa, em relação às ativida-
des que podem ser realizados pelas equipes de linha viva.

Caso 3: Uma calculadora foi esquecida em uma banca de capacitor da SE,


o operador da SE é solicitado para pegá-la. Existia um cercado para aces-
so, em que era necessária a chave 02 para entrar. Havia ainda duas chaves
interlock não separáveis. Para pegar a chave do cadeado do cercado, o
operador deveria desligar a banca com a chave 01, retirá-la juntamente

NR10 - Sep Avançado


129
com a chave 02. Neste dia, o padrão estava alterado e o operador retirou
a chave 02(com argola removível) sem desligar a banca. Abriu o cadeado
do cercado e foi em direção à calculadora, que estava em cima da banca,
com aproximadamente 40 kV de carga. Recebeu descargas elétricas que
provocaram queimaduras de terceiro grau. O acidentado veio a falecer
após cinco dias.

Causas imediatas: Descumprimento de normas e procedimentos, falta


de comunicação do operador com o Centro de Operação, falha na inter-
pretação do risco.

Causas básicas: Irregularidade no jogo de chaves, anomalia não comu-


nicada ao Centro de Operação.

NR10 - Sep Avançado


130
Condições impeditivas para o serviço

As condições impeditivas para o serviço são aquelas que impossibilitam


a realização de trabalhos elétricos, de acordo com as normas de seguran-
ça. A seguir, você vai conhecer cada uma delas.

Dispositivo de proteção subestação


Caso o dispositivo de proteção na subestação e no religador instalado ao
longo da rede não permitam o bloqueio do religamento automático, o
serviço não deve ser realizado.

Condições meteorológicas
As condições meteorológicas também devem ser consideradas em todo
o trabalho em equipamentos energizados. Eles só devem ser iniciados,
se houverem boas condições. Por isso, não são permitidos os trabalhos
sob chuva, neblina densa ou ventos. Isso porque a presença de umidade
reduz a rigidez dielétrica do ar.

Pode-se determinar a condição de umidade favorável ou não com a utiliza-


ção de um aparelho chamado termo-higrômetro. Outro método utilizado
é umedecendo levemente, com um pano úmido, a superfície de um bas-
tão de manobra e aguardar aproximadamente cinco minutos. Se a película
de umidade desaparecer, há condições seguras à execução dos serviços.

Achou importante?
Faça aqui suas anotações.
NR10 - Sep Avançado
131
A existência de umidade no ar propicia a diminuição da capacidade dis-
ruptiva do ar e aumenta, desta forma, o risco de acidentes elétricos.

Comunicação com órgão de operação do sistema


É imprescindível a existência de rádio transceptor ou qualquer outro
meio de comunicação na viatura para permitir a comunicação com o ór-
gão de operação do sistema. Caso não haja comunicação, o serviço deve
ser cancelado e reprogramado.

Nesta unidade, você estudou as condições que impedem a realização


dos trabalhos. A seguir, você estudará os métodos de transporte de víti-
mas em caso de ocorrerem acidentes.

NR10 - Sep Avançado


132
Transporte da vítima

O resgate e o transporte de acidentados são determinantes para que a presta-


ção dos primeiros socorros seja eficaz. Um transporte mal feito, sem técnica, sem
conhecimentos, pode provocar danos muitas vezes irreversíveis ao acidentado.

Existem várias maneiras de se transportar uma pessoa que sofreu acidente


e a seleção delas deve ser feita de acordo com a situação em que o aciden-
tado se encontra e as circunstâncias gerais do acidente. Cada técnica de
transporte requer habilidade e maneira certa para que seja executada.

Quase sempre é necessário o auxílio de outras pessoas, orientadas por


quem estiver prestando os primeiros socorros. De uma maneira geral, o
transporte bem realizado deve adotar princípios de segurança para a pro-
teção da integridade do acidentado. É preciso conhecer as técnicas e ma-
teriais de transporte de pessoas conscientes e inconscientes, e também ter
cuidados específicos com o tipo de lesão que o acidentado apresenta.

Procedimentos de resgate e transporte


Os primeiros socorros são técnicas para atendimento do acidentado no local
em que aconteceu uma emergência, acidente ou problema clínico. Muitas
vezes pode haver perigo para quem está socorrendo e para as vítimas.

Se um acidentado, por exemplo, está se afogando ou exposto a descar-


gas elétricas, gases e outras substâncias tóxicas, inflamáveis ou explosi-
vas e corrosivas, o primeiro cuidado a ser tomado é o resgate do mesmo.
Quem socorre deverá ser capaz de identificar a quantidade e a qualidade
dos riscos que se apresentam em cada caso e saber como resolver o pro-
blema, evitando se expor sem necessidade.

É preciso também ter consciência de que é preciso agir rigorosamente


dentro de seus limites e de sua competência. Nos casos de resgate de
vítimas de acidentes, somente depois de o resgate ter sido realizado é
permitido prestar os primeiros socorros.

Independentemente da atuação do pessoal da segurança, se existir,


quem for socorrer deverá estar sempre preparado para orientar ou re-
alizar, ele mesmo, o resgate. É preciso estudar com atenção as noções
de resgate que estão contidas nos itens sobre choque elétrico, incêndio,
gases e substâncias tóxicas. A pessoa que faz o salvamento deve ainda
ter sempre consigo informações e números de telefones dos hospitais,
serviços de ambulância e centro de informações tóxico-farmacológicas.

Achou importante? Os procedimentos de resgate e transporte de uma, duas, três ou mais


pessoas é o que você vai aprender agora. Vamos lá?
Faça aqui suas anotações.
NR10 - Sep Avançado
133
Com um socorrista
Esta técnica é realizada por uma só pessoa socorrendo a vítima. Veja os
tipos de transporte e as técnicas para fazer cada um deles a seguir:

De Apoio

O primeiro passo desta técnica é passar o braço do acidentado por trás


de sua nuca, segurando-a com um de seus braços e passando seu outro
braço por trás das costas do acidentado, em diagonal.

Este tipo de transporte é usado para as vítimas de vertigem, de desmaio,


com ferimentos leves ou pequenas perturbações que não os tornem in-
conscientes e que lhes permitam caminhar.

No Colo

Uma pessoa sozinha pode levantar e transportar um acidentado, colo-


cando um braço debaixo dos joelhos do acidentado e o outro, bem fir-
me, em torno de suas costas, inclinando o corpo um pouco para trás.

O acidentado consciente pode melhor se fixar, passando um de seus


braços pelo pescoço da pessoa que o está socorrendo. Caso se encontre
inconsciente, ficará com a cabeça estendida para trás, o que é vantajoso,
pois melhora bastante a sua ventilação.

NR10 - Sep Avançado


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Este tipo de transporte é usado em casos de envenenamento ou picada
por animal peçonhento em que o acidentado esteja consciente, ou em
casos de fratura, exceto da coluna vertebral.

Nas Costas

Uma só pessoa socorrendo também pode carregar o acidentado nas cos-


tas. Ela deve pôr os braços sobre os ombros da vítima por trás, de modo
que suas axilas fiquem sobre os ombros de quem está socorrendo. A pes-
soa que está socorrendo deve pegar os braços do acidentado e segurá-
los, carregando o acidentado arqueado, como se ela fosse um grande
saco em suas costas.

O transporte nas costas é usado para remoção de pessoas envenenadas ou


com entorses e luxações dos membros inferiores, previamente imobilizados.

Arrasto de Bombeiro

Por meio desta técnica o acidentado deve ser colocado em decúbito ven-
tral, conforme mostra a figura. Em seguida, ajoelha-se no chão com um
só joelho e, com as mãos passando sob as axilas do acidentado, o levan-
ta, ficando agora de pé, de frente para ele.

A pessoa que está prestando os primeiros socorros coloca uma de suas


mãos na cintura do acidentado e com a outra toma o punho, colocando
o braço dela em torno de seu pescoço. Abaixa-se, então, para frente, dei-
xando que o corpo do acidentado caia sobre os seus ombros.

A mão que segurava a cintura do acidentado passa agora por entre as


coxas, na altura da dobra do joelho, e segura um dos punhos do aciden-
tado, ficando com a outra mão livre, conforme a sequência de procedi-
mentos mostrados na figura acima.

NR10 - Sep Avançado


135
Esse transporte pode ser aplicado em casos que não envolvam fraturas
e lesões graves. É um meio de transporte eficaz e muito útil, se puder ser
realizado por uma pessoa ágil e fisicamente capaz.

Remoção dentro do veículo

A pessoa que for prestar os primeiros socorros deve se posicionar por


trás e passar as mãos sob as axilas do acidentado. Em seguida precisa se-
gurar um dos braços da vítima de encontro ao seu tórax, e a arrastar para
fora do veículo, apoiando suas costas nas coxas, como pode ser visto na
sequência de procedimentos mostrados na figura acima. Esta manobra
deve ser feita apenas em situações de extrema urgência.

Com dois socorristas


Esta técnica é realizada por duas pessoas socorrendo a vítima. Veja al-
guns tipos de transporte:

Transporte de apoio

Para fazer o transporte de apoio, passa-se o braço do acidentado por trás


da nuca das duas pessoas que estão socorrendo. Eles devem segurar a
vítima com um dos braços, passando o outro braço por trás das costas
do acidentado, em diagonal.

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Este tipo de transporte é usado para pessoas obesas, na qual uma única
pessoa não consiga socorrê-las e removê-las. Geralmente são de verti-
gem, de desmaio, com ferimentos leves ou pequenas perturbações que
não os tornem inconscientes.

Cadeirinha

O transporte cadeirinha é feito da seguinte forma:

a) As duas pessoas se ajoelham, cada uma de um lado da vítima. Ambos


passam um braço sob as costas e outro sob as coxas da vítima. Então,
cada um segura com uma das mãos o punho e, com a outra, o ombro
do companheiro. As duas pessoas erguem-se lentamente, com a vítima
sentada na cadeira improvisada.

b) Cada uma das pessoas que está prestando os primeiros socorros se-
gura um dos seus braços e um dos braços do outro, formando-se um
assento onde a vítima se apoia, abraçando ainda o pescoço e os ombros
das pessoas que a estão socorrendo.

Com três socorristas


Esta técnica é realizada por três pessoas socorrendo a vítima. Veja:

Havendo três pessoas, por exemplo, elas devem se colocar enfileiradas,


ao lado da vítima, que deve estar de abdômen para cima. O grupo deve
abaixar-se apoiado num dos joelhos e, com seus braços, levantam a víti-
ma até a altura do outro joelho.

Em seguida, erguem-se todos ao mesmo tempo, trazendo a vítima de


lado ao encontro de seus troncos e a conduzem para o local desejado.
Veja o passo-a-passo na figura acima.

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Anexo - Modelo

Permissão de Entrada em Espaço Confinado

Nome da empresa: __________________________________________


Local do Espaço Confinado: Espaço Confinado nº:
_______________________________ ______________________
Data e Horário da Emissão: Data e Horário do Término:
__________________________________ ______________________
Trabalho a ser Realizado:______________________________________
__________________________________________________________
Trabalhadores Autorizados: ___________________________________
__________________________________________________________
Vigia: _____________________________ Equipe de Resgate:_______
__________________________________ ______________________
Supervisor de Entrada:_______________________________________
__________________________________________________________
Procedimentos que devem ser completados antes da entrada
1- Isolamento: _____________________ ( )S ( )N
_________________________________
2- Teste Inicial da Atmosfera:
Horário: ___________________________
Oxigênio __________________________ % O2
__________________________________
Inflamáveis ________________________ % LIE
__________________________________
Gases/vapores tóxicos _______________ ppm
__________________________________
Poeiras/fumos/névoas mg/m
tóxicos: ___________________________
__________________________________
Nome Legível/ Assinatura do Supervisor dos Testes________________
__________________________________________________________
3- Bloqueios/Travamento/Raqueteamen- N/A( ) S( ) N( )
to e Etiquetagem ___________________
__________________________________
4- Purga e/ou Lavagem ______________ N/A( ) S( ) N( )
__________________________________
5- Ventilação/Exaustão – tipo e equipa- N/A( ) S( ) N( )
mento ____________________________
__________________________________
Achou importante?
Faça aqui suas anotações.
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6- Teste após Ventilação e Isolamento:
Horário___________________________
Oxigênio __________________________ % O2 > 19,5% ou > 22,0%
__________________________________
Inflamáveis ________________________ % LIE < 10%
__________________________________
Gases/vapores tóxicos _______________ Ppm
__________________________________
Poeiras/fumos/névoa tóxcos __________ mg/m
__________________________________
Nome Legível / Assinatura do Supervisor dos Testes:
__________________________________________________________
7- Iluminação Geral _________________ N/A( ) S( ) N( )
__________________________________
8- Procedimentos de Comunicação: N/A( ) S( ) N( )
_________________________________
_________________________________
9- Procedimentos de Resgate: _________ N/A( ) S( ) N( )
__________________________________
10- Procedimentos e Proteção de Movi- N/A( ) S( ) N( )
mentação Vertical: __________________
__________________________________
11- Treinamento de Todos os Trabalha- S( ) N( )
dores? É atual? _____________________
__________________________________
12- Equipamentos:
13-Equipamento de Monitoramento Contínuo de Gases de Leitura
Direta com:
Alarmes em condições: ______________ S( ) N( )
__________________________________
Lanternas__________________________ N/A( ) S( ) N( )
__________________________________
Roupa de Proteção__________________ N/A( ) S( ) N( )
__________________________________
Extintores de Incêndio _______________ N/A( ) S( ) N( )
__________________________________
Capacetes, Botas, Luvas ______________ N/A( ) S( ) N( )
__________________________________
Equipamentos de Proteção Respiratória/Autônomo ou Sistema
de ar mandado com cilindro de escape
Cinturão de Segurança e Linhas de Vida S( ) N( )
para os Trabalhadores Autorizados
__________________________________
Cinturão de Segurança e Linhas de Vida N/A( ) S( ) N( )
para a Equipe de Resgate____________
__________________________________
Escada____________________________ N/A( ) S( ) N( )
__________________________________

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Equipamentos de movimentação verti- N/A( ) S( ) N( )
cal/suportes externos________________
__________________________________
Equipamentos de Comunicação Eletrônica N/A( ) S( ) N( )
___________________________________
___________________________________
Equipamento de proteção respiratória S( ) N( )
autônomo ou sistema de ar mandado
com cilindro de escape para a Equipe de
Resgate ?__________________________
__________________________________
Equipamentos Elétricos e Eletrônicos
Procedimentos que devem ser completados durante o desenvol-
vimento dos trabalhos
14- Permissão de Trabalhos à Quente N/A( ) S( ) N( )
__________________________________
__________________________________
Procedimentos de emergência e resgate
Telefones e Contatos: Segurança:
Ambulância : _____________ ________
Bombeiros : _______________________

• A entrada não pode ser permitida se algum campo não for preenchi-
do ou contiver a marca na coluna “não”. Obs.: “N/A” não se aplica, “S” sim
e “N” não;

• A falta de monitoramento contínuo da atmosfera no interior do espa-


ço confinado, alarme, ordem do vigia ou qualquer situação de risco à
segurança dos trabalhadores, implica no abandono imediato da área;

• Qualquer saída de toda equipe por qualquer motivo implica na emis-


são de nova Permissão de Entrada;

• Esta Permissão de Entrada deverá ficar exposta no local de trabalho até


o término do mesmo. Após o trabalho, a mesma deverá ser arquivada.

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Referências bibliográficas

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ção. Rio de Janeiro.

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AYRES, J. A.; NITSCHE, M. J. T. - Primeiros socorros: guia básico. São Paulo:


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Toledo Pinto, Márcia V. dos Santos Windt e Lívia Céspedes. São Paulo: Sa-
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Céspedes. São Paulo: Saraiva, 2002. 1167 p.

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CAMILO JUNIOR, Abel Batista - Manual de prevenção e combate a in-


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DENIPOTTI, Cláudio Sérgio - Os aspectos legais da responsabilidade


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Faça aqui suas anotações.
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