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FUNDAÇÃO DE ENSINO E PESQUISA DO SUL DE MINAS – FEPESMIG

CENTRO UNIVERSITÁRIO DO SUL DE MINAS – UNIS

CURSO DE MEDICINA VETERINÁRIA

Êmynie Gabriela Maria Silva

Jaqueline Santiago D'Martin

Rebeka Machado de Oliveira

Nutrição de Cães Em Diferentes Fases de Vida

Disciplina: Nutrição de Monogástricos


Professora Luciane Tavares da Cunha

VARGINHA/MG

Novembro de 2020

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Sumário
1. Introdução 3
2. Revisão de Literatura 3
2.1. Nutrição 3
2.2. Exigências Nutricionais 3
2.3. Cálculo da Quantidade de Alimento 4
2.4. Fornecimento do Alimento 5
2.4.1. Alimentos Secos 5
2.4.2. Alimentos Úmidos 5
2.4.3. Alimentos Semi Úmidos 6
2.5. Fibras 6
2.6. Probióticos e Prebióticos 6
2.7. Carboidratos 7
2.8. Proteínas e Aminoácidos 7
2.9. Lipídeos 8
2.10. Vitaminas 8
2.11. Minerais 8
3. Nutrição de Cães em Suas Diferentes Fases de Vida 9
3.1. Cães Neonatos 9
3.2. Cães em Crescimento 4
3.3. Cães Adultos 4
3.4. Cães Idosos 4
3.5. Cadelas em Gestação 4
3.6. Cadelas em Lactação 4
4. Considerações Finais4
5. Referências 4

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1. Introdução

Atentar para as diferenciações nutricionais que ocorrem nas diversas fases da vida de um
cão é uma importante ferramenta para garantir, entre outros pontos, a longevidade do
animal em questão. Assim como a dieta humana, a saúde dos cães depende de uma
alimentação correta e balanceada que contenha um amplo conjunto de nutrientes para
suprir todas as necessidades diárias. Um manejo nutricional adequado pode retardar ou
prevenir enfermidades, melhorar a qualidade de vida e promover longevidade. A enorme
quantidade de alimentos comerciais prontos para o consumo, com formulações cada vez
mais sofisticadas, facilita que os tutores estejam propensos a cometerem um erro primário
no manejo alimentar: a superalimentação. Nesse caso, pode-se considerar que o grande
problema nutricional em animais de companhia atualmente é um consumo de energia maior
do que a demanda, o que pode ser comprovado pelos altos índices de obesidade. Os
alimentos funcionais englobam tanto alimentos quanto ingredientes que têm as funções
nutricionais básicas e também produzem efeitos metabólicos e/ou fisiológicos benéficos à
saúde. A adição de ingredientes funcionais aos alimentos de cães já é uma realidade na
nutrição de pets. Além disso, há uma variedade de produtos alimentícios sendo classificados
como secos, úmidos e semi-úmidos. O objetivo do presente trabalho é evidenciar os
principais alimentos utilizados e suas exigências nutricionais para as diferentes fases da
espécie.

2. Revisão de Literatura

2.1. Nutrição

A nutrição é o estudo dos alimentos, seus nutrientes e outros componentes, incluindo as


ações dos nutrientes específicos, as suas interacções, seu equilíbrio dentro de uma dieta. As
seis categorias de nutrientes são água, carboidratos, proteínas, gorduras, sais minerais e
vitaminas, os quais têm funções específicas e contribuem para o crescimento, manutenção
dos tecidos do corpo e saúde ótima (Case et al., 2011). Os nutrientes, principalmente
carboidratos, lipídeos e proteínas, produzem energia quando oxidados pelo metabolismo.

2.2. Exigências Nutricionais

Assim como a dieta humana, a saúde dos cães depende de uma alimentação correta e
balanceada que contenha um amplo conjunto de nutrientes para suprir todas as
necessidades diárias (CAPPILLI et al., 2016). É necessário levar em conta os diferentes estilos
de vida dos cães para promover uma dieta balanceada que promova um equilíbrio
nutricional, por exemplo, cães muito agitados necessitam de alimentos ricos em nutrientes
com alto valor energético, já os castrados e sedentários precisam ter a dieta adaptada ao
estilo de vida. O nível reduzido de atividade física precisa ser equilibrado com uma
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alimentação de baixo teor calórico e de nutrientes especiais para apoiar esta condição
(YABIKU, 2003). A falta ou excesso de nutrientes pode desequilibrar o sistema fisiológico do
animal e predispor o organismo ao mau desenvolvimento corporal e constituição óssea,
obesidade, alterações reprodutivas, dentre outros (CARCIOFI, 2005). Os alimentos
funcionais são alimentos ou ingredientes que oferecem benefícios à saúde, além de suas
funções nutricionais básicas. Eles podem, por exemplo, reduzir o risco de doenças crônicas
degenerativas, como câncer e diabetes, entre outras.
A energia dietética corresponde a um dos principais reguladores de consumo voluntário de
animais. Assim, todos os nutrientes se apresentam balanceados conforme a densidade
energética do alimento. Tanto os requisitos energéticos como valor energético dos
alimentos, se expressam em energia metabolizável (EM) uma vez que em carnívoros as
perdas energéticas pela urina são muito importantes. As necessidades energéticas de cães,
como em outras espécies animais, se calculam segundo o peso metabólico (PM). O PM
correlaciona o peso corporal (PC) ao crescimento alométrico do animal, uma vez que a perda
de calor é proporcional a superfície corpórea. Desse modo, as necessidades energéticas de
um animal dependem mais do seu PM do que do seu PC.
Para o cálculo do PM em cães (NRC, 2006) recomenda-se usar o expoente 0,75 por
melhor acomodar variações nas proporções dos órgãos em cães. Isto porque, as inúmeras
raças caninas existentes apresentam uma gama de PC (entre 1,0 a 100kg) e padrões de
crescimentos distintos, consequentemente, requisitos nutricionais e manejos alimentares
diferentes. A necessidade energética para manutenção (NEM) é a energia necessária para
suportar o equilíbrio energético (onde a EM é igual à produção de calor), acima de um longo
período de tempo. Dessa forma, a NEM pode variar com qualquer fator que influencie na
produção de calor. Isso inclui a energia exigida para termorregulação, atividade espontânea
e exercício moderado.

2.3. Cálculo da Quantidade de Alimento

A quantidade de alimento a ser fornecida é calculada considerando a energia metabolizável


do alimento (estimada ou determinada in vivo) e a necessidade energética estimada para o
animal. Sendo assim é determinada como:

Quantidade de alimento (kg) = necessidade energética do animal (kcal por dia) energia
metabolizável do alimento (kcal por kg)

Exemplo: NE=1892kcal por dia


EM alimento: 3258kcal/kg
Quantidade de alimento= 1892 = 0,580kg ou 580 gramas por dia
3258

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2.4. Fornecimento do Alimento

Para alimentar corretamente é preciso conhecer o comportamento e preferências


alimentares dos cães e dos gatos. Na natureza, os canídeos caçam em matilhas, havendo
disputas e dessa maneira ingerem rápido. Dependendo da raça, comem 4 a 8 ou até mesmo
mais refeições, geralmente durante o período diurno, com algumas raças também se
alimentando durante o período noturno (NRC, 2006). Assim, recomenda-se fornecer a
quantidade calculada, de preferência, dividida em no mínimo duas porções diárias e separar
os animais para não haver competição. Até o princípio do século XX, a alimentação dos
animais de estimação se restringia aos restos da alimentação de seu proprietário. Com o
início da produção de rações comerciais as opções nos mercados só têm se expandido. Hoje
a grande maioria dos proprietários só alimentam seus animais com rações comerciais no
lugar de dietas caseiras (WORTINGER, 2009). A classificação geral dos alimentos comerciais
para os animais de estimação é feita de acordo com a fabricação, os métodos de
conservação e a quantidade de umidade. Estas categorias compreendem: os alimentos
secos, os úmidos e os semiúmidos (CASE, et al., 1998).

2.4.1. Alimentos Secos

Os alimentos secos ou desidratados destinados aos animais de estimação como cães


apresentam entre 6 e 10% de umidade e 90% ou mais de matéria seca. Estes alimentos são
vendidos sob a forma de biscoitos, farinhas, pedaços triturados e pellets expandidos e
extrusados. Essas dietas apresentam como maior vantagem sua facilidade de conservação,
manuseio e custo. Mas uma das desvantagens dos alimentos secos relaciona-se com sua
menor palatabilidade, especialmente os produtos com baixo percentual de gorduras ou com
ingredientes de escassa digestibilidade.

2.4.2. Alimentos Úmidos

As rações úmidas estão disponíveis no mercado de forma enlatada, em sachês e bandejas


de plástico. O teor de umidade nestes alimentos varia entre 72 e 85%. Estas rações podem
fornecer desde uma alimentação completa e equilibrada, servir como alimento suplementar
ou petisco saboroso (WORTINGER, 2009). Os alimentos úmidos de alta qualidade devem
atender as exigências nutricionais do NRC (NATIONAL RESEARCH COUNCIL) e do WALTHAM
(CENTRE FOR PET NUTRITION) (WALTHAM, 2007).
Os alimentos mais empregados na produção de rações úmidas incluem: carnes, carne
mecanicamente separada, vísceras de frango, peixes, farinha de soja, amido de milho,

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pectinas, gomas entre outros Normalmente são produtos caros devido a todo o
processamento necessário, elevado teor de água e tipo de embalagem.
Algumas das vantagens dos alimentos úmidos são: Contribui para a manutenção do balanço
hídrico ótimo do organismo animal, textura ideal, é mais facilmente mastigado e engolido,
principalmente por filhotes e animais idosos e níveis próximos dos ótimos para a
concentração de macronutrientes tanto para cães quanto para gatos.

2.4.3. Alimentos Semi Úmidos

Os alimentos semi úmidos apresentam entre 15 e 30% de água, e os ingredientes


comumente utilizados são tecidos animais congelados ou frescos, cereais, gorduras e
açúcares simples. Para conservação destas rações são empregados umectantes como
açúcares, sais e glicerol e outros conservantes. Por conterem alta percentagem de açúcares
simples possuem maior sabor e digestibilidade. O processo de conservação destes produtos
ocorre através de umectantes, antioxidantes, baixo pH, antifúngicos e baixa umidade. Por
causa destes quesitos as embalagens das rações semi úmidas são relativamente mais caras
quando comparadas às das rações secas, pois as mesmas devem evitar a perda de água que
prejudicaria a plasticidade e palatabilidade do produto (FORTES, 2005).

2.5. Fibras

A importância da fibra na alimentação de animais monogástricos era questionada, pois


acreditava-se que possuía função apenas na formação do bolo fecal e na manutenção do
trânsito intestinal, com efeitos sobre a diluição da energia e redução na digestibilidade dos
demais nutrientes (ROQUE et al., 2006). Quanto às propriedades físico-químicas, a fibra
alimentar é dividida em insolúvel e solúvel em água. As fibras insolúveis sofrem fermentação
na flora intestinal de forma muito reduzida e são responsáveis por aumentar e dar
consistência à massa fecal e aumentar o peristaltismo intestinal. Já as solúveis servem como
substrato para a fermentação no cólon, aumenta a viscosidade do bolo alimentar e assim
reduzem o esvaziamento gástrico (MAIORKA e OLIVEIRA, 2014). O NRC (Nutrient
requirements of dogs and cats 2006) não estabelece nenhuma recomendação com relação
aos teores mínimos de fibra e nenhum limite que deve conter nos alimentos destinados a
cães. A grande maioria dos alimentos comercializados contém um teor entre 1 e 4% da
matéria seca, exceto os produtos com fins terapêuticos. A inclusão de fibra na dieta de cães
é hoje reconhecida como necessária para a manutenção da saúde do trato gastrointestinal,
além da prevenção de doenças como o câncer de cólon.

2.6. Probióticos e Prebióticos


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Os probióticos são microrganismos vivos adicionados aos alimentos, que ao serem
fornecidos continuamente na dieta, afetam de forma benéfica o organismo animal no
desenvolvimento da microbiota intestinal. São utilizados a fim de evitar infecções entéricas e
gastrointestinais. Os microrganismos empregados como probióticos são integrantes não
patogênicos da flora microbiana normal, como as bactérias ácido-lácticas e leveduras
(ANFALPET, 2010). Os prebióticos são oligossacarídeos não digeridos no organismo animal,
mas seletivamente fermentados pelos microrganismos do trato gastrintestinal (TGI) que
podem estar presentes nos ingredientes da dieta ou adicionados a ela através de fontes
exógenas concentradas (SILVA; NORNBERG, 2003). O principal papel dos prebióticos é
promover o desenvolvimento e/ou ativar o metabolismo de determinado grupo de bactérias
benéficas ao trato intestinal. Atuam bloqueando os sítios de aderência e assim paralisando e
diminuindo a capacidade de fixação de algumas bactérias patogênicas na mucosa intestinal.

2.7. Carboidratos

Não existe uma exigência mínima de carboidratos ou glicídeos simples para cães, que
possuem necessidade metabólica de glicose. Pesquisas recentes indicam que o sorgo
garante uma taxa glicêmica mais constante que vários outros cereais. A cevada e o milho
produzem uma glicemia pós-prandial inferior à produzida pelo arroz. A digestibilidade dos
cereais é melhorada por processamentos tecnológicos, como os hidrotémicos (cocção,
extrusão, expansão, micronização), que provocam o rompimento da parede celular, a
destruição da estrutura cristalina dos grânulos e a gelatinização do amido.

2.8. Proteínas e aminoácidos

É importante que os animais recebam proteínas de alta qualidade em nível suficiente para
fornecer os aminoácidos essenciais requeridos para as necessidades de manutenção do
organismo e para minimizar as perdas do tecido fibroso (Case et al., 1998). As necessidades
protéicas dietéticas do cão relacionam-se ao fornecimento de aminoácidos essenciais, que
não podem ser sintetizados por seus tecidos, e de nitrogênio para produção de aminoácidos
dieteticamente não essenciais, ambos em quantidades suficientes para garantir ótimas taxas
de crescimento, metabolismo, reparo tecidual e função imunológica. Segundo Case et al.
(1998), os animais que envelhecem devem ser alimentados com dietas que contenham uma
percentagem menor de calorias obtidas das proteínas, em comparação com as dietas
utilizadas para o crescimento, mas com uma percentagem mais alta do que o mínimo
necessário para a manutenção na idade adulta. Além de possuir uma quantidade menor de
reservas de proteínas, a queda total das necessidades energéticas do animal de idade
avançada pode gerar a necessidade de aumentar discretamente a percentagem de calorias
de origem protéica da dieta. Normalmente, as proteínas de origem animal possuem
qualidade superior às proteínas vegetais , além de mais palatáveis para animais
monogástricos.

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2.9. Lipídeos

A gordura na dieta melhora a palatabilidade, proporciona ácidos graxos essenciais,


potencializa a absorção de vitaminas lipossolúveis e constitui uma fonte concentrada de
calorias, mas deve ser considerada com cuidado. Os animais acima do peso devem ser
alimentados com dietas pobres em gorduras (menos de 20% de calorias decorrentes de
gorduras) (Buffington, 1991). Os níveis de gordura maiores que 30% de calorias têm valor
para cães ou gatos abaixo do peso (Goldston, 1999).

2.10. Vitaminas

As vitaminas hidrossolúveis e lipossolúveis, apesar de participarem em pequenas


quantidades na dieta e no organismo, são essenciais em várias funções, mas atuando como
principalmente como co-fatores em sistemas enzimáticos, catalisando processos
metabólicos essenciais. Reforços de vitamínicos em dietas geriátricas são necessários, pois
as alterações imunitárias, digestivas, metabólicas e a susceptibilidade ao estresse
observados na senilidade contribuem para um aumento nas necessidades dietéticas. As
vitaminas do complexo B são necessárias para a produção e maturação de células
sanguíneas, metabolismo intermediário, secreções endócrinas, integridade da pele e anexos,
atividades neurológicas e locomotoras normais e para a manutenção do apetite. A vitamina
E é um potente antioxidante e também modula a liberação de histamina, sendo que pode
ser útil na prevenção das reações de hipersensibilidade. A vitamina A não é um potente
antioxidante, mas seu precursor β-caroteno sim. Para cães, o β-caroteno adicionado às
dietas supre as necessidades fisiológicas de vitamina A, por conversão. A vitamina C não é
convencionalmente suplementada em dietas de manutenção para cães, por serem aptos à
produção desse nutriente. Entretanto, essa produção é limitada e a inclusão em dietas
geriátricas é interessante, pois contribui na prevenção de doenças respiratórias e da
cavidade oral; melhora a capacidade restauradora das cartilagens por estimular a síntese de
colágeno; e ainda garante o efeito antioxidante sinérgico à vitamina E. As vitaminas C e E
agem conjuntamente também como imunoestimulantes.
As carências nutricionais desencadeiam sintomas específicos e prejudicam o metabolismo
intermediário. A longo prazo, podem causar patologias graves.

2.11. Minerais

De acordo com Wortinger (2009) os minerais são a porção inorgânica da dieta, sendo
utilizados pelo organismo como componentes estruturais, como porções dos líquidos
corpóreos e como eletrólitos cofatores de sistemas enzimáticos e hormonais. Os minerais
podem ser denominados como quelatados, ou seja, são todos os compostos formados por
íons metálicos sequestrados por substâncias orgânicas como aminoácidos, peptídeos ou
complexos polissacarídeos que proporcionam a esses íons alta disponibilidade biológica, alta

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estabilidade e solubilidade. (KIEFER, 2005). A maioria dos alimentos para cães fornecem os
minerais em sua forma simples (não quelatada), sendo assim a maioria dos elementos
minerais, para serem absorvido, devem fazer uma ligação iônica com os aminoácidos que se
encontram livres no estômago e intestino, ou aqueles presentes na membrana das células
do trato intestinal, assim frequentemente ocorrem competições de diferentes minerais para
se ligarem aos mesmos aminoácidos, contudo impedindo que alguns minerais sejam
absorvidos (BORGES et. al., 2011).

3. Nutrição de Cães em Suas Diferentes Fases de Vida

De acordo com a nutrição dos cães as 48 horas iniciais pós-parto são os momentos
primordiais para o desenvolvimento e crescimento para toda a vida do animal. Após o
desmame os animais deverão se adaptar a uma nova realidade, sem a mãe e uma nova dieta
alimentar, com somente alimentos processados. O período de crescimento dos animais pode
variar de 7 a 12 meses iniciais, dependendo do porte da raça. Ou seja, deve-se observar que
o crescimento deve ser de forma definitiva e equilibrada. Sendo assim na prática alguns
elementos alimentares devem ser observados como uma dieta altamente digestível,
completa e balanceada para o crescimento do animal, determinar um manejo alimentar
controlado no fornecimento de alimentos

3.1. Cães Neonatos

Para esse período é necessário que as fêmeas forneçam o alimento inicial, o colostro, tendo
como função de alimentar e imunizar os filhotes. Após as primeiras 48 horas o leite perde a
capacidade de imunizar, desenvolvendo somente a função de alimento (LAZZAROTTO,
2000). Nas quatro primeiras semanas, os filhotes devem se alimentar por volta de 3 a 6
vezes por dia. A ingestão intensa de leite materno ajuda a minimizar as enfermidades e
proporciona um melhor desenvolvimento inicial. Segundo o NRC (2006) filhotes neonatos
precisam de cerca de 25 Kcal/100g de PV.

3.2. Cães em Crescimento

Cães em crescimento necessitam cerca de duas vezes mais energia por unidade de peso
corpóreo do que cães adultos da mesma raça. No entanto, uma diminuição para cerca de 1,6
vezes a energia de mantença é recomendada quando o animal atinge 50% do peso adulto e
para 1,2% quando atinge 80%. Esta redução é compensada pelo declínio na energia
necessária na idade adulta. Especialmente em cães de raças grandes e gigantes, o
crescimento ótimo (e não o máximo) é um importante fator para garantir o bom
desenvolvimento ósseo.

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3.3. Cães Adultos

Cães adultos, são os animais que não estão em nenhum estado reprodutivo ou em atividade
intensa e, nesse caso, deve-se adequar uma dieta alimentar completa e balanceada sem
ultrapassar os níveis ideais de energia, para evitar problemas de obesidade (SÁ, 2002). Em
um contexto geral recomenda-se o fracionamento da alimentação em três refeições diárias.
Nesse caso utiliza-se uma fórmula para calcular a necessidade energética desses animais
(BORGES et al., 2011).

NEM = K x P0.67

Onde: ● NEM = necessidade energética ● P = peso vivo do animal em kg, ● K = 99 – inativos;


132 – ativos; ou 160 – grande atividade.

Um ponto muito importante que pode não ser influenciado pelo peso vivo, no entanto, e é
afetado pela alimentação, raça, idade e atividade, é a porcentagem de massa magra. O
tecido adiposo é metabolicamente menos ativo que a massa magra. Dessa forma, os cães
com menor porcentagem de massa magra (por exemplo, sobrepeso em cães) têm
requerimentos energéticos abaixo da média em relação ao seu peso vivo (PV).

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TABELA 2 - Perfil de nutrientes em alimentos caninos - recomendações da AFFCO.

- Supondo a EM em 3500 kcal/kg

3.4. Cães Idosos

Com a expectativa de vida dos cães, deve-se observar os padrões nutricionais e de saúde
desses animais. Quando equilibrada a nutrição desses animais, possibilita melhor qualidade
de vida, reduzindo os possíveis problemas metabólicos em função da idade avançada
(BORGES et al., 2011). As diferenças de raças, porte e ritmos de vida, podem variar os
parâmetros de velhice dos animais, recomenda-se observar cada animal em especial.
Algumas reações clínicas são notadas em cães idosos como: diminuição da constituição de
tecido muscular magro, aumento da quantidade de gordura corpórea, problemas articulares
variáveis, diminuição da quantidade de água corporal (SÁ, 2002).

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3.5. Cadelas em Gestação

Segundo Cappilli et al. (2016) as fases destinadas à reprodução de cães são fases que
requerem maior atenção alimentar, pois além das fêmeas, os filhotes que estão sendo
gestados ou mesmo lactentes, necessitam de uma nutrição adequada para o
desenvolvimento de ambos. A fêmea necessita de uma capacidade de manutenção e
desenvolvimento dos filhotes e condições alimentares e ambientais para a lactação. De
acordo com o NRC (2006) é recomendado que a alimentação extra energia para a gestação
inicie-se quatro semanas antes da cobertura. Meyer et al. (1985) citados pelo NRC (2006)
estimaram que as exigências para a gestação (quatro semanas antes da cobertura até o
parto) seriam 26 kcal/kg PV.

3.6. Cadelas em Lactação

A partir da composição de nutrientes do leite da cadela, o conteúdo de energia bruta é


estimado em cerca de 1,45kcal/g em base úmida. Esse conteúdo apresenta pequena
variação exceto para o período colostral. A produção de leite é de cerca de 8% o peso. A
exigência energética para a produção de leite pode ser calculada fatorialmente. Como
primeiro passo, a energia liberada com o leite pode ser calculada pela produção de leite e
energia bruta dele: produção de leite (g/kg PV) x 1,45 kcal. O resultado representa a energia
metabólica líquida necessária para a produção de leite. Assume-se que a utilização de EM
para a produção de leite é calculada como se segue: EM= produção de leite (g/kg PV) x
1,45kcal/60x100= produção de leite (g/kg PV) x 2,42 kcal.
A produção de leite diária pode ser estimada de acordo com o número de filhotes por
ninhada. De 1-4 filhotes, é 1% do peso vivo da cadela por filhote (ou seja, a exigência de EM
para a produção de leite por filhote é 10x2,42 kcal/kgPV da cadela= 24 kcal/kg PV da cadela
por filhote). De cinco a oito filhotes, a exigência de energia metabolizável é somente 0,5% do
peso da cadela.

Tabela 3- Composição do leite materno

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4. Considerações Finais

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5. Referências

OGOSHI, R.C.S.; REIS, J.S.; ZANGERONIMO, M.G.; SAAD, F.M.O.B. CONCEITOS BÁSICOS SOBRE
NUTRIÇÃO E ALIMENTAÇÃO DE CÃES E GATOS.

NETO, R.F; BRAINER, M.M.A.; COSTA, L.F.X.; RODRIGUES, L.G.S.; JUNIOR, A.R.O.; SOUSA, J.P.B.
NUTRIÇÃO DE CÃES E GATOS EM SUAS DIFERENTES FASES DE VIDA

BORGES, Flávia Maria de Oliveira. ASPECTOS NUTRICIONAIS DE CÃES E GATOS EM VÁRIAS FASES
FISIOLÒGICAS.

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