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É impossível não conhecer o personagem vivido pelo ator Carlos Moreno
durante 26 anos. Desde 1994, ele está presente até no ͞Guiness Book͟, o livro dos
recordes, como o garoto-propaganda mais antigo do planeta, com 337 comerciais
filmados para a mesma empresa. Mas essa história terminou em agosto deste ano:
͞Foi uma decisão das duas partes. Já tinha conversado com a empresa para que o
personagem fosse aposentado no auge.͟
Em 1978, a agência de publicidade DPZ decidiu criar um personagem para os
comerciais da Bombril e estava à procura de uma pessoa para interpretá -lo. Foi
quando Oscar Caporalli, um dos sócios da produtora de todos os co merciais da
Bombril, a ABA, assistiu à peça ͞Folias Bíblicas͟ e viu Moreno. Ele logo intuiu que
tivesse encontrado o garoto-propaganda e o chamou para um teste. ͞Passei e daí
começou a minha história com a Bombril. Estava com 24 anos e nunca imaginaria que
a parceria durasse tanto. Aliás, acho que ninguém acreditava, nem a Bombril nem o
Washington Olivetto que criou todos os comerciais juntamente com a sua equipe.͟
A primeira campanha nem foi para a famosa palha de aço e sim para outros
produtos da empresa. ͞Pagaram o meu cachê e eu fui embora. Mas quando a
campanha foi ao ar fez um sucesso enorme e logo me chamaram para assinar um
contrato de exclusividade. Eu nem sabia direito como funcionava isso, mas durante
todo esse período a direção da Bombril me liberou para alguns comerciais de outras
empresas. Filmei para o jornal "Folha de S. Paulo" e para a empresa de
telecomunicações "Intelig". Participei também de campanhas educativas de vacinação
e saúde.͟
Ao longo dos 26 anos de existência, o Garoto Bombril evoluiu. ͞Ele ficou mais
descontraído, mais solto e estabeleceu uma identidade muito forte com as donas -de-
casa͙͟ Foi quando a equipe de criação desenvolveu novos personagens e o Garoto
Bombril imitou a Monalisa, Padre Marcelo Rossi, Monica Lewinski, Xuxa e Ronaldinho,
entre muitos outros rostos famosos.
A partir de 1997, o que já era um grande sucesso na televisão passou para as
revistas impressas. O resultado destas campanhas também mostrou-se tão positivo
que, no mesmo ano, foi lançado durante a Bienal Int ernacional do Livro, em São Paulo,
o livro "Soy contra capas de revista" ʹ uma coletânea comemorativa das propagandas
impressas.
O contrato com a Bombril encerrou -se em agosto e, segundo Moreno, a
decisão de não renová-lo foi tomada em consenso. ͞Sou muito crítico e em diversas
oportunidades falava para todos ficarem atentos, pois queria sair de cena com
dignidade.͟
Na gravação do derradeiro comercial, o clima era de alegria e ao mesmo tempo
de tristeza e nostalgia. ͞O último filme foi uma despedida do per sonagem para as
donas-de-casa. No dia da gravação, o estúdio estava lotado. Estiveram presentes as
pessoas da agência, o Washington Olivetto e o pessoal da Bombril. Isso nunca
havia acontecido, sempre gravei sozinho! Brindamos com champanhe e sinto que
terminou com todo mundo tendo muito prazer naquele trabalho.͟
Mas ser reconhecido como o Garoto Bombril chegou a incomodar Carlos
Moreno? ͞Por um curto período perturbou um pouco, mas eu logo procurei valorizar o
lado bom: fazia um trabalho como ator que era reconhecido, tinha alcance nacional, o
personagem sempre foi bastante simpático e a produção, muito bem cuidada.͟ O
Garoto Bombril era tão querido e a propaganda tão marcante que, mesmo fora do ar
por 18 meses antes da exibição do último filme,o comercial continuava como um dos
mais lembrados pelo público.