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Lázaro Victor Mulamuleque

1.1

1.2

1.3

1.4

1.5

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1.7
1.8 Mecanismos de Adaptação da Actividade Agrícola Face às Mudanças Climáticas
caso: Posto Administrativo de Mapupulo (1989-2019)

1.9 Curso de Licenciatura em Ensino de Geografia com Habilitações em Turismo


1.10

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1.58 1

Lázaro Victor Mulamuleque

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1.29 Mecanismos de Adaptação da Actividade Agrícola Face às Mudanças


Climáticas caso: Posto Administrativo de Mapupulo (1989-2019)

Monografia Científica a ser apresentada ao


Departamento de Geociências como requisito parcial
para obtenção do grau académico de Licenciatura em
Ensino de Geografia com Habilitações em Turismo.

Supervisor: Dr. Crissantos Arnaldo Matias Reveque

________________________________________
1.30

1.31

1.32

1.33

1.34

1.35
2

Índic

Lista de Gráficos.............................................................................................................................iv
Lista de Tabelas................................................................................................................................v
Lista de mapa...................................................................................................................................vi
Lista de figuras...............................................................................................................................vii
Lista de abreviaturas e símbolos...................................................................................................viii
Declaração.......................................................................................................................................ix
Dedicatória.......................................................................................................................................x
Agradecimentos...............................................................................................................................xi
Resumo...........................................................................................................................................xii
Introdução.......................................................................................................................................13
CAPÍTULO I: FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA.........................................................................15
1.1. Conceitos básicos....................................................................................................................15
1.1.1. Agricultura............................................................................................................................15
1.1.2. Clima....................................................................................................................................15
1.1.3. Mudanças climáticas............................................................................................................16
1.2. Historial das mudanças climáticas...........................................................................................17
1.3. Mecanismos de adaptação a actividade agrária.......................................................................18
1.4. Importância da Agricultura......................................................................................................19
1.5. Influência climática na actividade agrícola (directa e indirecta).............................................21
1.5.1. Influência da Precipitação na agricultura.............................................................................22
1.5.2. Influência da temperatura na agricultura..............................................................................24
1.6. Caracterização da Agricultura em Moçambique.....................................................................25
1.7. Localização geográfica e divisão administrativa do Distrito de Montepuez...........................27
1.7.1. Historial do Posto Administrativo de Mapupulo..................................................................28
1.7.2. Aspectos físico-geográficos do distrito e da área em estudo................................................29
1.7.3. Características socioeconómicas e culturais.........................................................................32
1.7.3.1. Infra-estruturas do local de estudo....................................................................................33
CAPÍTULO II: PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS..........................................................34
2.1. Tipo de Pesquisa......................................................................................................................34
3

2.2. Métodos...................................................................................................................................35
2.2.1. Método de procedimentos....................................................................................................35
2.2.1.1. Método Cartográfico.........................................................................................................35
2.2.1.2. Método estatístico..............................................................................................................36
2.3. Técnica de colecta de dados....................................................................................................36
2.3.1. Observação...........................................................................................................................36
2.3.2. Entrevista..............................................................................................................................36
2.4. Universo e amostra..................................................................................................................37
2.5. Limitações da pesquisa............................................................................................................38
2.6. Considerações éticas do trabalho.............................................................................................38
CAPÍTULO III: APRESENTAÇÃO ANÁLISE E INTERPRETAÇÃO DOS DADOS..............40
3.1. Caracterização do trabalho do campo......................................................................................40
3.2. Aspectos sociodemográficos da amostra estudada..................................................................40
3.2.1. Nível de escolaridade dos participantes da pesquisa............................................................41
3.2.2. Caracterização do nível ocupacional da amostra..................................................................42
3.3. Sistema de rega utilizado.........................................................................................................43
3.4. Tipos de sementes utilizados pelos agricultores......................................................................44
3.5. Técnicas aplicadas para minimizar a incidência dos raios solares nas culturas......................46
3.6. Instrumentos usados na actividade agrícola............................................................................51
3.7. Contributo do SDAE na adaptação a actividade agrícola face as mudanças climáticas.........53
3.8. Verificação das hipóteses........................................................................................................53
Conclusão.......................................................................................................................................55
Sugestões........................................................................................................................................56
Bibliografia.....................................................................................................................................56
Apêndices......................................................................................................................................LX
Anexos......................................................................................................................................LXIV
4

iv

Lista de Gráficos

Gráfico I: Sistemas de rega………………………………………………………………………43

Gráfico II: Técnicas usadas para minimizar a incidência dos raios solares nas culturas ………46

Gráfico III: Precipitação média anual diurna de 1989-2019……………………………………48

Gráfico IV: Temperatura média anual diurna de 1989-2019……………………………………49

Gráfico V: Produção Agrícola do Distrito de Montepuez de 1989/2019 em Toneladas………..50

Gráfico V: Instrumentos usados na actividade agrária …………………………………………51


5

Lista de Tabelas

Tabela I: Distribuição da idade em função do sexo………………………………………………40

Tabela II: Nível de alfabetização/escolarização…………………………………………………41

Tabela III: Situação profissional/ocupacional……………………………………………………42


6

vi

Lista de mapa

Mapa 1: Localização geográfica do Distrito de Montepuez e da área de estudo


7

vii

Lista de figuras

Figura I. Sistema de rega gota-a-gota……………………………………………………………44

Figura II. Tipos de sementes utilizados pelos agricultores………………………………………45

Figura III. Técnicas usadas para minimizar a incidência dos raios solares nas culturas…………47

Figura IV: Instrumentos utilizados para a prática da agricultura ………………………………..52


8

viii

Lista de abreviaturas e símbolos

A – Agricultura.

AA – Actividade Agrária.

CAM – Características da Agricultura em Moçambique.

E – Extensionista.

ICA – Influência Climática na Agricultura.

IA – Importância da Agricultura.

MC – Mudanças Climáticas.

PAM – Posto Administrativo de Mapupulo.

PCPAM – Principais Culturas do Posto Administrativo de Mapupulo.

RH – Recursos Hídricos.

SDAE – Serviço Distrital da Actividades Económicas.

SR – Sistema de Regadio.

T – Temperatura.
9

ix

Declaração

Declaro que este trabalho é resultado da investigação pessoal e das orientações do supervisor, o
seu conteúdo é original e todas as fontes consultadas estão devidamente mencionadas no texto,
nas notas e na bibliografia final.

Declaro ainda, que este trabalho não foi apresentado em nenhuma outra instituição para obtenção
de qualquer grau académico.

Montepuez, ___/___/2020
_________________________________
Lázaro Victor Mulamuleque
10

Dedicatória

Dedico este trabalho aos meus familiares.


11

xi

Agradecimentos

Com o receio de me esquecer de alguém e agradecendo a todos, não deixo de destacar aos que
tornaram possível a concretização do presente estudo onde, de forma alternada, vivi diferentes
momentos, uns mais longos que outros, entre o entusiasmo, desânimo, tristeza e mesmo a
preguiça, onde só a persistência e a perseverança minha e de alguns, conduziram a este resultado.

Em primeiro lugar, aos meus pais, Victor Mulamuleque e Victorina Rupia, pelos ensinamentos,
amor incondicional, dedicação e incentivo, conspirando todas as horas em prol à minha formação
académica.

Em segundo lugar os meus agradecimentos especiais e sinceros ao meu orientador Dr. Crissantos
Arnaldo Matias Reveque, por tudo que me ensinou, atenção, paciência e dedicação concedidas
não apenas na elaboração e correcção desta Monografia, como também durante o curso, no qual
mostrou afeição profissional.

Em seguida importa também reconhecer a todos que fazem parte do corpo directivo do
Departamento de Geociências da Universidade Rovuma de Montepuez, pelo seu papel
imensurável revelado ao longo do curso.

À minha esposa Maria Marcelino Amugi, por todo amparo que me dá nos momentos difíceis da
minha vida e que sempre me apoia as minhas decisões, mesmo quando estas parecem impossíveis
de realizar.

O agradecimento é extensivo a todos que, de maneira humilde e simpática, ajudaram durante a


recolha de dados, refiro-me dos moradores do posto administrativo de Mapupulo, o director dos
serviços distritais da actividade económica da Cidade de Montepuez, o chefe do posto
administrativo de Mapupulo e o extensionista, por permitir a realização deste estudo na sua
instituição.

Como anteriormente me referi, os meus profundos agradecimentos transmito-os a todos aqueles


que directa ou indirectamente contribuíram para a minha presença em Montepuez para a
frequência da Licenciatura em Ensino de Geografia.
12

xii

Resumo

Este trabalho demonstra os mecanismos de adaptação da actividade agrícola face às mudanças


climáticas caso: posto administrativo de Mapupulo (1989-2019). Seu principal objectivo é de
analisar os mecanismos de adaptação da actividade agrícola face às mudanças climáticas. e para
sua materialização, foi preciso identificar as formas da produção no posto administrativo de
Mapupulo; descrever as capacidades de adaptação das formas de produção agrícola no posto
administrativo de Mapupuloe propor mecanismos que permite á adaptação da produção agrícola
face as mudanças climáticas no posto administrativo de Mapupulo. O método empregue durante a
realização do trabalho foi de consulta bibliográfica auxiliado da entrevista dirigida ao director dos
Serviços Distritais da Actividades Económicas, chefe do Posto Administrativo de Mapupulo,
extensionista e agricultores do Posto Administrativo de Mapupulo respectivamente. Após a
investigação foi possível apurar que as actuais mudanças climáticas não ajudam devido ao
resultado do aquecimento global provocado pela poluição do meio ambiente e pelo
desflorestamento para a prática agrícola, constatou-se que os moradores daquela parcela,
cultivam culturas de subsistência como por exemplo, mapira, o milho e a mandioca, seguidas de
amendoim e de rendimento como o algodão requerem temperaturas altas. O período quente e
chuvoso é a melhor época para o cultivo porque, embora as temperaturas sejam altas é nesta
época que geralmente chove muito, o que resulta num balanço hídrico negativo. Neste sentido é
necessário que haja implementação dos sistemas de regadio para ajudarem na rega de cultura no
tempo de seca e uso de culturas de curto ciclo vegetativo para culturas que suportam no tempo
chuvoso e de seca.

Palavras-chave:Mecanismos, Mudanças climáticas, Actividade Agrícola.

Abstract
This work demonstrates the mechanisms for adapting agricultural activity in the face of climate change:
Mapupulo administrative post (1989-2019). Its main objective is to analyze the mechanisms of adaptation
of agricultural activity in the face of climate change. and for its materialization, it was necessary to
identify the forms of production at the Mapupulo administrative post; describe the capacities to adapt the
forms of agricultural production in the Mapupulo administrative post and propose mechanisms that allow
the adaptation of agricultural production in the face of climate changes in the Mapupulo administrative
post. The method used during the work was a bibliographic consultation with the help of an interview
addressed to the director of the District Services of Economic Activities, head of the Administrative Post
of Mapupulo, extension worker and farmers of the Administrative Post of Mapupulo respectively. After
the investigation, it was found that the current climate changes do not help due to the result of global
warming caused by pollution of the environment and deforestation for agricultural practice, it was found
that the residents of that parcel, cultivate subsistence crops as per example, sorghum, maize and cassava,
followed by peanuts and yields like cotton require high temperatures. The hot and rainy season is the best
time for cultivation because, although the temperatures are high, it is during this time that it usually rains a
lot, which results in a negative water balance. In this sense, it is necessary to implement irrigation systems
to assist in crop irrigation in the dry season and the use of crops with a short vegetative cycle for crops that
support in the rainy and dry season.
13

Keywords: Mechanisms, Climate change, Agricultural Activity.

Introdução

O trabalho aborda sobre Mecanismos de adaptação da actividade agrícola face às mudanças


climático caso: posto administrativo de Mapupulo (1989-2019). O seu desenvolvimento emerge
na sequência de que a população vive principalmente de actividades agro-silvo-pecuárias de
pequena escala, com uma heterogeneidade de actividades económicas de geração de rendimentos
dentro das famílias. Dentro das diferentes actividades a produção de alimentos para o consumo
constitui a base principal da estrutura produtiva do sector familiar. Tendo em vista que neste
Posto Administrativo de Mapupulo se manifesta esse tipo de fenómeno e que de alguma forma
incapacita os camponeses enquanto possuem capacidade de cultivar.

A actividade agrícola exige alguns cuidados com a propriedade rural, a saúde do trabalhador, as
práticas utilizadas no cultivo e a protecção ao meio ambiente. Pode-se referir que as quedas na
produção afecte os preços, a demanda doméstica e as exportações líquidas desses produtos. O
clima é um factor extremamente importante pela relação que tem com as culturas da região. As
características climáticas de um lugar definem praticamente o tipo de culturas dessa região e o
momento do seu cultivo. Diante disso existem alguns elementos do clima são; a temperatura e
precipitação. São estes dois elementos do clima que influenciam decisivamente o
desenvolvimento das plantas.

Justifica-se este trabalho por um lado por servir de requisito parcial para obtenção do grau de
Licenciatura em Ensino de Geografia com Habilitações em Turismo; de outro lado, durante a
formação enfatizou-se sobre agricultura sem deixar de lado da importância da agricultura na
sociedade ou da população. Aliado ao reconhecimento de que nos dias de hoje a sociedade
humana no geral, vem debatendo com a participação de todos órgãos de informação a questão da
grande dinâmica climática e suas implicações na produção agrícola.

No que tange ao local, Posto Administrativo de Mapupulo e tempo, 1989 a 2019, escolhidos para
este estudo, a partir de 1989/2019, a distribuição da precipitação assim como das temperaturas é
aleatória isto quer dizer que as temperaturas elevadas associadas à baixa pluviosidade (pouca
chuva) e outros anos com baixas temperaturas associadas a elevadas pluviosidades isso acaba
14

incapacitando os agricultores. Tendo em conta que quase toda população desse local depende da
agricultura para a sua sobrevivência. Acreditou-se que o desenvolvimento deste tema trará uma
contribuição incomensurável no seio dos académicos, políticos e à comunidade em geral por
trazer reflexões sobre as medidas que governo municipal pode tomar no sentido de intervir
positivamente no processo de adaptação das mudanças climáticas em relação a agricultura.
Portanto, o objectivo geral deste trabalho é analisar os mecanismos de adaptação da actividade
agrícola face às mudanças climáticas, e com efeito foi necessário identificar as formas da
produção no posto administrativo de Mapupulo, descrever as capacidades de adaptação das
formas de produção agrícola no posto administrativo de Mapupulo e propor mecanismos que
permite á adaptação da produção agrícola face as mudanças climáticas no posto administrativo de
Mapupulo.

De acordo com a questão, Que mecanismos devem ser adaptados para que as actividades
agrícolas se adaptem as mudanças climáticas no posto administrativo de Mapupulo, o autor
adianta nesta pesquisa, as seguintes ideias hipotéticas: H1: A implementação dos sistemas do
regadio pode ajudar na adaptação da actividade agrícola as mudanças climáticas no posto
administrativo de Mapupulo e H2: O uso de culturas de curto ciclo vegetativo no Posto
Administrativo de Mapupulo pode ajudar na adaptação da actividade agrícola.

A consulta bibliográfica e a entrevista foram essenciais durante o processo de investigação deste


trabalho. O processo de colecta de dados foi realizado através do método observacional e
cartográfico auxiliados pela técnica de entrevista. Quanto à abordagem, os dados foram
analisados quantitativamente.

Para além dos elementos pré e pós textuais, a monografia é estruturalmente constituída por três
capítulos: sendo que o primeiro capítulo está reservado à:fundamentação teórica, onde há
cruzamento das teorias, leis, categorias e conceitos que ajudam a compreender de forma
sistemática o tema em destaque, à caracterização do local de estudo, que trata da localização
geográfica, dos aspectos políticos, socioculturais e económicos do posto administrativo de
Mapupulo; o segundo capitulo é reservado aos procedimentos metodológicos, onde são
demonstrados detalhadamente aspectos como classificação/tipo de pesquisa, técnicas e métodos
adoptadas para analisar e interpretar os dados; e por ultimo, o terceiro capítulo dedica-se à
apresentação, análise e discussão dos dados recolhidos no campo, que aborda das informações
15

obtidas através da entrevista neste capítulo enquadra-se também a conclusão, sugestões e a


bibliografia.

CAPÍTULO I: FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA


Nesta parte do trabalho trata-se dos conceitos como mudanças climáticas, clima, agricultura,
influência do clima na agricultura, influência da temperatura e precipitação na agricultura,
características da agricultura em Moçambique, importância da agricultura inclusive actividades
agrícolas vs Mudanças climáticas. A descrição do espaço físico do Posto Administrativo de
Mapupulo que é o centro deste estudo. Para tal faz-se situação geográfica e caracterização dos
aspectos físico-geográficos, socioeconómicos e culturais e infra-estruturas existentes no posto de
Mapupulo.

1.1. Conceitos básicos

1.1.1. Agricultura
Agricultura: do latim: “agri” – do campo, e “cultura” – cultivo, aproveitamento, portanto,
agricultura consisteno cultivo ou aproveitamento dos campos. A agricultura é a ciência que tem
por finalidade produzir, em condições económicas, plantas úteis ao homem. Por extensão,
também se ocupa pela criação dos animais domésticos e das indústrias que utilizam os produtos
do campo como matéria-prima.

A agricultura permanece como a actividade fundamental das sociedades humanas, a nível global.
Consiste nomeadamente, no cultivo dos campos, no trabalho da terra com vista à produção de
bens alimentares ou respondendo a outras necessidades humanas, como fibras têxteis, plantas
ornamentais, produções energéticas e lenhosas, mas consiste igualmente em a criação de animais
que asseguram alimentos, couros e peles e garantem energia de tracção e transporte.
(Cavaco2005:80).

Como processo, a agricultura é uma combinação intencionalizada dos seguintes elementos: o


material biológico, o contexto económico, o meio ambiente, as técnicas e as práticas de produção
e as ferramentas de trabalho, situados em relações de escalas de tempo e espaço. Percebido desta
16

forma, o processo de produção agrícola mobiliza quatro tipos de componentes básicos: humanos,
mecânicos, edáficos e biológicos.

1.1.2. Clima
Segundo PENA, (s/a), O clima é o conjunto de fenômenos associados às variações do tempo da
atmosfera terrestre em um determinado local. Geralmente, o seu conceito aparece em oposição à
ideia de “tempo”, que seria o estado momentâneo da atmosfera. Portanto, para se conhecer um
clima de um dado lugar, é preciso vários anos de estudos e observações para, finalmente,
estabelecer a conclusão sobre um determinado tipo climático.

Quando dizemos que está chovendo em Recife, estamos falando em tempo, pois é algo
momentâneo, que acabará em breve. Isso não significa que o clima desse local será
predominantemente chuvoso, o que só poderá ser concluído após o registro da sucessão habitual
dos regimes de chuva e de estiagem da região em um período mínimo de trinta anos.

Ainda que, ocasionalmente, o termo clima seja usado como sinónimo de tempo, esses conceitos
não têm o mesmo significado. O tempo refere-se ao estado das variáveis atmosféricas num
determinado local e a uma dada altura. Por exemplo: “O tempo em Santarém é quente, com uma
temperatura, neste momento, a rondar os 27 graus”, “Gostaríamos de saber o estado do tempo em
Albufeira, já que, daqui a poucas horas, chegaremos à cidade e queremos ir até à praia”.

No meu ponto de vista o clima é o conjunto das condições atmosféricas que caracterizam uma
região. De uma forma geral, o uso quotidiano do termo está associado à temperatura e ao registo
ou não de precipitações (a chuva).

1.1.3. Mudanças climáticas

A Convenção - Quadro das Nações Unidas sobre a Mudança do Clima (CQNUMC) citado por
DIAS etal., (2015: 10), define: Mudança do clima – Significa uma mudança de clima que possa
ser directa ou indirectamente atribuída à actividade humana que altere a composição da atmosfera
mundial e que se some àquela provocada pela variabilidade climática natural observada ao longo
de períodos comparáveis.

Para o Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC), citado por DIAS, etal.,
(2015: 10), apresenta outra definição de mudança climática que refere-se a uma variação
17

estatisticamente significativa nas condições médias do clima ou em sua variabilidade, que


persiste por um longo período – geralmente décadas ou mais. Pode advir de processos naturais
internos ou de forçamentos naturais externos, ou ainda de mudanças antropogénicas persistentes
na composição da atmosfera ou no uso do solo.

De acordo com CLIMA EDUMEDIA (s/d: 1):

O clima muda devido a forçamentos naturais do clima, como os ciclos solares de


11 anos, durante os quais varia a quantidade de energia irradiada, alterando a
quantidade de radiação do Sol que atinge a Terra. Contudo, o clima também se
altera devido a forçamentos antropogénicos do clima, uma vez que diversas
actividades humanas contribuem para a acumulação de Gases de Efeitos de
Estufa na atmosfera e, consequentemente, para a intensificação do aumento da
temperatura média global. Destas, destacamos a queima de combustíveis fósseis,
a agro-pecuária (em particular, o cultivo de arroz e a exploração de mamíferos
ruminantes) e a aplicação de fertilizantes nitrogenados na agricultura.

1.2. Historial das mudanças climáticas


Para RIBEIRO, (2002:77), Na era Pré-cambriana Antes de 4,6 bilhões de anos temos o néon
hadeano e, a partir dessa data até cerca de 570 milhões de anos atrás, temos a era pré-cambriana,
que corresponde a cerca de 85% da história da Terra. Pouco se sabe sobre essa era e,
provavelmente, isso se deve ao fato de que as possíveis evidências do clima neste período foram
removidas pelos subsequentes episódios climáticos e geológicos. Foi no final dessa era que
surgiram as primeiras espécies vivas.

Na era Pré-cambriana e no período Cambriano (o primeiro do Paleozóico), estima-se que a


temperatura estava mais alta do que nos dias atuais, em resposta à maior atividade vulcânica e à
maior quantidade de CO2 na atmosfera. Havia, em média, mais precipitação, o que levou a um
aumento do nível médio do mar. Calcula-se que a concentração de CO2 na atmosfera era cerca de
dez vezes maior do que os dias atuais.

No Cretáceo Entre cerca de 200 milhões de anos atrás e o final do Cretáceo, o clima refletia o
efeito da “quebra” da Pangéia. Foi quando ocorreu a formação do Oceano Atlântico, surgiu o Mar
Tropical de Tétis, conectando os Oceanos Tropicais, o platô Antártico movimentou-se em direção
ao Pólo Sul e as placas das atuais África, Índia e Austrália movimentaram-se para o norte. Há
cerca de 100 milhões de anos, houve o mais recente aquecimento do planeta.
18

No Cretáceo, a temperatura era maior do que hoje em dia, sobretudo nas altas latitudes, o que
indica uma diminuição significativa ou a ausência de gelo nesses pontos. Acredita-se que a
quantidade de CO2 na atmosfera era de duas a dez vezes maior do que é hoje. Além disso, o nível
do mar era mais elevado e cerca de 15% a 20% da superfície atual estava submersa. (RIBEIRO,
2002:78).

No Cenozóico, especificamente no período Terciário, verificou-se uma lenta tendência de


formação das calotas polares.Ocorreu um decréscimo do CO2 atmosférico por causa da
diminuição
da atividade vulcânica. Entretanto, entre 55 milhõese 50 milhões de anos atrás, as temperaturas
do ar e do maraumentaram, provavelmente por causa de um aumento daatividade tectônica. Esse
contexto, marcado por intensa atividadevulcânica, redundou em maior concentração de CO2
naatmosfera e, conseqüentemente, no aumento do efeito estufa.

Há aproximadamente 2,4 milhões de anos, já havia mantos de gelo nos continentes do Hemisfério
Norte. A partir daí, observam-se alternâncias rítmicas, de frio e calor, num período próximo de 41
mil anos. Essa situação de oscilações frequentes e relativamente pouco intensas vai até mais ou
menos 900 mil anos atrás, quando as oscilações, tendendo a períodos frios, tornam-se muito mais
intensas e passam a ocorrer a cada 100 mil anos. (RIBEIRO, 2002:79).

Essas variações, que são deduzidas da análise dos isótopos de oxigênio dos sedimentos de fundo
marinho, vêm comprovar a influência que as mudanças na órbita da Terra – e as consequentes
variações da quantidade de calor recebida nos diferentes locais – devem ter exercido na
determinação das alterações climáticas do passado.

A relação entre o nível do mar e as mudanças climáticas é muito significativa. Ao tomarmos


como referência o atual nível médio do mar, podemos inferir que, em momentos históricos em
que a temperatura média do planeta esteve abaixo das atuais, o nível médio do mar se manteve
abaixo do nível que temos hoje. Sempre que a Terra passou por momentos de temperatura mais
baixa, houve o aumento das áreas cobertas por gelo. Da mesma forma, em temperaturas mais
elevadas, o nível médio do mar esteve mais alto do que o atual, indicando degelo em grandes
proporções. Idem.
19

Essas alterações climáticas são cíclicas e vêm ocorrendo em intervalos de, aproximadamente, 100
mil anos, expressando mudanças nas concentrações de gases de efeito estufa, provocadas pela
variação de temperatura.

1.3. Mecanismos de adaptação a actividade agrária


Segundo Brandão, (2006), O desenvolvimento da capacidade adaptativa pressupõe a escolha e a
adopção de sistemas de produção usando tecnologias que permitam melhorar a eficiência do uso
da água e nutrientes, assim como ajustar os itinerários técnicos (datas de sementeira, variedades)
que promovem o uso das práticas de agricultura de conservação. Assim, a principal prioridade
situa-se na eficiência do uso da água e nutrientes (azoto), quer para culturas de Outono/Inverno
quer para culturas de Primavera/Verão. Nas primeiras, o regadio suplementar contribui de forma
decisiva para melhorar o uso da água, porquanto permite maximizar o valor da água da chuva.

 Promover a implementação de regadio, para o que se torna prioritário acumular a água


nos períodos de maior abundância de modo a ser usada nos períodos de escassez;
 Diversificar as culturas no sistema de modo a reduzir o risco;
 Promover a implementação de técnicas e práticas de agricultura de conservação para
protecção do solo;
 Monitorização permanente das culturas para permitir as intervenções técnicas de acordo
com as limitações e potencialidades do sistema;
 Alteração para culturas de regadio em alternativa ao sequeiro;
 Usar sistemas e práticas de rega mais eficientes no uso da água;
 Alargamento do período de produção pela utilização de cultivares mais precoces ou mais
tardias;
 Ajustar a data de sementeira/plantação em função do regime térmico de cada ano para
alargar o ciclo de produção;
 Escolher variedades melhor adaptadas, com necessidades térmicas e de vernalização mais
adequadas e mais resistentes ao stress térmico e hídrico;
 Condução em cultura protegida (túneis, estufas, etc.) em alternativa à cultura de ar livre;
 Reforço dos equipamentos de controlo ambientais em culturas protegidas (cooling’s, etc.);
 Alteração da localização das zonas de produção para algumas culturas de
primavera/verão;
20

 Praticar rotações culturais;


 Adoptar sistemas de produção integrada para conservação do solo, melhoria da eficácia
do uso da água de rega e de nutrientes e do controlo de pragas, doenças e infestantes.
(Brandão, 2006).

1.4. Importância da Agricultura


“Não há profissão que se possa comparar em importância à agricultura, porque dela depende a
alimentação dos homens e dos animais domésticos; nela repousam a saúde e o desenvolvimento
da espécie humana e a riqueza dos Estados” (Liebig).

A agricultura é uma atividade milenar e universal e, com raras exceções, podemos dizer que ela é
praticada por todos os povos em todos os países do mundo. Entretanto, o modo ou a forma de
praticá-la (sistema agrícola) difere muito de um lugar para outro, em função das condições
climáticas, sócio-econômicas, culturais e técnicas das diferentes coletividades humanas, bem
como das influências do meio físico e natural.

No seu artigo “agricultura familiar em Moçambique: ideologias e políticas” MOSCA (2014)


refere que a agricultura do sector familiar contribui para assegurar os níveis ajustados de
segurança alimentar, aumentar o rendimento das famílias.

O autor citado acrescenta que a agricultura familiar cria excedentes produtivos e poupança para
permitir a transformação estrutural da agricultura e da economia no sentido da industrialização.
Esta transformação pressupõe a transferência de recursos da agricultura para o conjunto da
economia e do meio rural para as cidades, tendo como base o aumento da produtividade que
permite a passagem dos factores de trabalho e capital para sectores mencionados sem gerar crises
alimentares e empobrecimento da agricultura rural.

Por outro lado, o Plano Estratégico de Desenvolvimento do Sector Agrário (PEDSA, 2011-2020)
trouxe uma nova concepção sobre o papel da agricultura para o processo de desenvolvimento
sócio-económico onde, espera-se que a agricultura nacional exercerá também o papel de fonte de
expansão de mercado competitivo especialmente com respeito ao desenvolvimento de
tecnologias para a redução de custos de produção e aumento da rentabilidade. Este documento
assenta em 4 pilares, a saber:
21

1. Produtividade - Aumento da produção e produtividade agrárias que possam contribuir para


uma dieta equilibrada.
2. Acesso ao mercado - Através do melhoramento das infra-estruturas e Serviços para garantir
maior acessibilidade ao Mercado conducente ao investimento agrário.
3. Uso sustentável dos recursos naturais - Terra, água, Florestas e Fauna Bravia.
4. Fortalecimento de instituições - Agrárias públicas, privadas e associativas.
A agricultura é o principal agente propulsor do desenvolvimento comercial e, consequentemente,
dos serviços nas pequenas e médias cidades. Basta um pequeno incentivo à agricultura para que
se obtenha resposta nos outros setores econômicos (industriais, comerciais, exportação). A
finalidade primordial da agricultura é a produção de matérias-primas para atender as necessidades
humanas.

1.5. Influência climática na actividade agrícola (directa e indirecta)


O clima é fundamental para a agricultura, pois dele dependem a maioria das práticas agrícolas.
Um dos principais fatores que são influenciados pelo clima é o zoneamento agrícola. Todas as
culturas possuem um para a sua produção.

Em um zoneamento agrícola são levados em consideração o clima, o solo e o ciclo das cultivares,


a fim de definir os riscos climáticos envolvidos na condução das lavouras que podem ocasionar
perdas na produção agrícola. A temperatura e a humidade são os fatores que mais podem afetar a
produtividade das lavouras. Isso porque cada cultura tem uma condição específica na qual se
desenvolve melhor e, que não depende apenas da estação do ano mais adequada para aquele
cultivo, mas sim da temperatura e precipitação mais favoráveis.

Como vimos, cada cultura tem uma condição ideal para que sua germinação, emergência e
desenvolvimento ocorram da melhor forma possível. Para o milho, por exemplo, a melhor
temperatura para germinação está entre 32 e 35°C, já para a soja, esta temperatura é de 32°C. 

A temperatura e a humidade são fundamentais para a germinação das sementes, pois quanto mais
tempo demorar para a semente germinar, mais sujeita ela estará a condições adversas. A soja se
desenvolve melhor em regiões onde as temperaturas ficam entre 20 e 30ºC, com temperatura
ideal para o desenvolvimento em torno de 30°C. 
22

Já, quando pensamos nas exigências hídricas das culturas, nos referimos à quantidade de água
que a cultura precisa durante todo o seu ciclo. Para soja, por exemplo, a demanda hídrica fica
entre 450 e 850 mm, dependendo das variações do clima. Para a cultura do milho, este valor fica
ao redor de 650 mm. Vale lembrar que a quantidade de água é importante, porém, ela precisa
acontecer nas épocas adequadas, de acordo com a exigência da cultura.

A falta ou excesso de água prejudicam todas as culturas. Porque assim como vimos, cada etapa
da cultura necessita de uma quantidade de água ideal.
A água é um fator fundamental em todas as etapas, desde a germinação até a maturação das
sementes. A falta do recurso natural no início do plantio pode afetar a germinação das sementes,
pois a quantidade deve ser suficiente para todo o processo de embebição, ativação da respiração,
indução do crescimento e protrusão da raiz primária. 

Por outro lado, a falta de água durante o desenvolvimento da planta reduz a área foliar, a taxa
fotossintética, que por consequência leva a um menor acúmulo de fotoassimilados e ao menor
desenvolvimento das sementes. Como resultado, a ocorrência de seca durante o florescimento das
culturas leva à redução do número de sementes.

1.5.1. Influência da Precipitação na agricultura


A precipitação alimenta a vida biológica da terra assim como outras vidas, pois é através da
precipitação que os rios, mares, etc, são alimentados. Permitindo que a existência da vida
biológica seja possível. Sem a precipitação a vida biológica não seria possível.

Para SILVA, (2004:87) diz que, “embora pessoas não gostem da precipitação, ela é fundamental
para o nosso planeta, pois contribui para o desenvolvimento das diversas formas de vida (animal
e vegetal)”.

A visão da dinâmica do clima permite visualizar fenómenos de carácter temporal mais exíguo,
como a identificação do ritmo climático expresso pelo regime de chuvas, pelos períodos de
elevada secura do ar, ou mesmo pela variação dos valores da pressão barométrica ao longo da
penetração de frentes frias, acompanhadas pela alteração da velocidade e da direção
predominantes dos ventos. Da mesma forma, em latitudes menores, pode-se observar por meio da
Zona de Convergência Inter-Tropical (ZCIT), a variação do regime pluviométrico. Clima: é a
23

média das condições atmosféricas desse lugar, ou seja, é o resultado da repetição de um


determinado tipo de tempo, por anos sucessivos, nesse lugar.

O tipo de tempo é definido pela interacção de alguns elementos básicos da atmosfera: a


temperatura, a pressão, a humidade e a precipitação, que variam sob a acção de inúmeros
factores, entre os quais se destacam a altitude, a latitude, a maritimidade, o relevo e, sobretudo, as
massas de ar.

NAKANO, (1991:558), para a agricultura ele é considerado a variável mais importante, sendo
que seus elementos constituintes (temperatura, precipitação, radiação solar, ventos, pressão
atmosférica) exercem influência sobre todos os estágios da produção agrícola, incluindo a
preparação da terra, semeadura, crescimento e desenvolvimento das plantas cultivadas, colheita,
armazenagem, transporte e comercialização.

Estas influências, quando saem da normalidade, causam as chamadas adversidades climáticas,


expressas pela geada, seca, granizo, ventos de alta velocidade, veranicos, as quais provocam
efeitos críticos para o desenvolvimento das culturas. Além de estarem sujeitas às variações do
clima, que é muito dinâmico em todas as escalas temporais, as plantas estão sujeitas ao ataque de
pragas e doenças que são responsáveis por significativas quedas na produção, que “uma praga
pode comprometer não somente a safra pendente como também as futuras, chegando ao extremo
de destruir totalmente uma cultura”. Idem.

Segundo AYOADE (1986), a natureza periódica ou sazonal das perdas de muitas lavouras sugere
que as condições climáticas desempenham importante papel em relação à incidência de pragas e
doenças, pois as epidemias são muitas vezes dependentes do clima, tanto em termos de condições
climáticas locais favoráveis ao seu crescimento e desenvolvimento, como em termos de ventos
predominantes que ajudam a transportar os germes e esporos para outras áreas. Também alguns
vírus causadores de doenças são transmitidos ou difundidos por insectos, de modo que as
condições climáticas favoráveis à propagação desses vectores são as que facilitam a transmissão
de tais doenças.

No lugar de separar os elementos do tempo, como é feito na visão tradicional de clima, este
paradigma tem como princípio essencial os tipos de tempo (actuação de sucessivos e encadeados
24

sistemas atmosféricos) e considerando que cada tipo de tempo é analisado em seus elementos
constitutivos (BORSATO, 2000).

Assim, o objectivo primordial da abordagem dos mecanismos de adaptação da actividade agrícola


face às mudanças climáticas é considerar os elementos climáticos de maneira integrada,
considerando a impossibilidade de tratá-los de maneira dissociada dos mecanismos atmosféricos,
quando o que se busca é a compreensão da realidade climática.

De acordo com CARACRISTI (2002) considera que a climatologia dinâmica se baseia na teoria
das massas de ar e dos fenómenos frontogenéticos, o que resulta em novos métodos de análise. A
compreensão dos processos da génese do clima revela a dinamicidade atmosférica e impõe um
carácter explicativo às análises, passando, estas, de meramente quantitativas para
fundamentalmente qualitativas.

As consequências da mudança climática global sobre a agricultura e os ecossistemas são muito


incertas. Com base em modelos de simulação, os impactos mais prováveis são os efeitos
favoráveis gerais para as margens mais frias da zona temperada, bem como consequências
negativas para a zona semiárida subtropical.

As mudanças regionais no clima já afectaram diversos sistemas físicos e biológicos em muitas


partes do mundo. Os períodos de crescimento entre latitudes médias e altas estão mais longos.
Foram observadas mudanças altitudinais e em direcção aos pólos quanto à distribuição geográfica
de plantas e de animais (IPCC, 2001).

Os sistemas naturais em risco de mudança climática incluem geleiras, atóis, ecossistemas polares
e alpinos, zonas húmidas de pradarias e pastagens autóctones restantes. Os sistemas humanos
vulneráveis incluem a agricultura, particularmente a segurança alimentar, e a silvicultura.

1.5.2. Influência da temperatura na agricultura


De acordo com SILVA, (2004:88), A temperatura e a humidade são os fatores que mais podem afetar a
produtividade das lavouras.  Isso porque cada cultura tem uma condição específica na qual se desenvolve
melhor e, que não depende apenas da estação do ano mais adequada para aquele cultivo, mas sim
da temperatura e precipitação mais favoráveis. Assim, é muito importante saber relacionar os dados que
25

temos em mãos, para tomar a melhor decisão sobre os tratos culturais como plantio, irrigação e a
colheita.

O clima e a agricultura estão relacionados no meio rural. As plantações são


totalmente dependentes das variações climáticas, a quantidade de chuvas e
temperaturas, esses fatores intervém diretamente nas colheitas e produção das
lavouras. Assim da para definir quais espécies devem ser plantadas em cada
região de acordo com a temperatura predominante. A planta híbrida vem sendo
desenvolvida com este intuito, de poder ser cultivadas em diversas localidades
com climas diferentes e atípicos. Está técnica possui um custo elevado, nem
sempre vale a pena ser implantada, deve-se estudar o retorno da plantação em
questão.

A influência do clima na agricultura deve ser extremamente estudada a fim de conhecer a


particularidade de cada região, as condições de adaptações das plantas e o seu papel na economia
da agricultura. Pode-se dizer que os períodos de secas atrapalham a produção de todas as
plantações e as atividades socioeconômicas dependentes dela.

Os principais componentes do clima podem ser assim considerados: intensidade luminosa;


temperatura do ar; temperatura do solo; humidade do ar; humidade do solo; precipitação
pluviométrica (chuva); intensidade dos ventos. (SILVA, 2004:88).

Esses componentes, por sua vez, afetam a agricultura de variadas maneiras, ora ajudando a
produção, ora dificultando um bom desempenho. Além disso, a combinação desses fatores
climáticos pode intensificar grandemente os efeitos sobre a lavoura. Assim, por exemplo, a
combinação de ventos fortes com baixas temperaturas pode trazer sérios danos à vegetação em
desenvolvimento. Por sua vez, temperaturas muito elevadas associadas à baixa pluviosidade
(pouca chuva) podem afetar o florescimento e o crescimento de frutos jovens.

Dessa forma, os excessos ou a baixa incidência desses fatores podem facilmente representar
quedas na produção agrícola. Além disso, a intensidade das perdas é variável para as diversas
culturas, isto é, algumas sofrem mais que outras sob determinadas condições.

1.6. Caracterização da Agricultura em Moçambique


Segundo SITOE (2005) a informação do Censo Agro-pecuário (CAP) e do Trabalho de Inquérito
Agro-pecuário (TIA), nas zonas rurais de Moçambique a agricultura do sector familiar é
constituída essencialmente por pequenas explorações (aquelas que cultivam menos de 5ha), este
sector concentra cerca de 99% das unidades agrícolas (3.090.197 unidades familiares) e ocupa
26

mais de 95% da área cultivada do país. A área mediana cultivada pelas pequenas explorações é de
1,3ha contra 6,0ha das médias explorações e 145ha para as grandes explorações.

Segundo o mesmo autor, a população vive principalmente de actividades agro--pecuária de


pequena escala, comum a heterogeneidade de actividades económicas de geração de rendimentos
dentro das famílias. Dentro das diferentes actividades de produção de alimentos existe uma
diversidade de produtos alimentares praticados, nesta diversidade, o milho e a mandioca ocupam
posições preponderantes da área cultivada.

De acordo com TIA, (2002), existe uma diversidade de produtos alimentares praticados; nesta
diversidade, o milho e a mandioca ocupam posições preponderantes da área cultivada, sendo o
milho cultivado por cerca de 80% das explorações e a mandioca por 76%. Apenas 3.3% das
pequenas explorações têm bovinos e cerca de 11% utilizam tração animal, 71% criam galinhas,
27% caprinos e 16% suínos. Dos produtos florestais e faunísticos, destacam-se o corte de lenha e
estacas que são praticados por cerca de 46% e 30% das pequenas e médias explorações
respectivamente.

Como afirmava TIA, (2002), no concernente ao uso de meios de produção e serviços, apenas
cerca de 11% usam rega dentro das pequenas explorações; em termos do uso de insumos,
somente 3.7% das pequenas explorações utilizam fertilizantes e 6.7% utilizam pesticidas; cerca
de 16% das explorações contratam mão-de-obra. Em termos de serviços públicos (assistência
veterinária e serviços de extensão) apenas 2% das famílias vacinaram as suas galinhas e 3%
vacinaram outros animais, enquanto menos do que 3% receberam assistência técnica veterinária.
Idem.

Os serviços de extensão ainda são limitados, de um total de 128 distritos no país, apenas 55 estão
cobertos por serviços públicos de extensão; apesar do reforço que estes serviços recebem da
contribuição das ONG’s a sua cobertura ainda é relativamente fraca. Segundo o TIA 2002, o
número total de extensionistas dos serviços públicos é 485, enquanto a rede de extensão das
ONG’s é composta por 350 extensionistas. Dada a importância da agricultura para a maioria da
população Moçambicana (cerca de 80%) e a concentração da pobreza nas zonas rurais (82% dos
pobres), o GOM definiu a agricultura como sendo a base do desenvolvimento da economia e uma
das áreas chaves do PARPA.
27

Em Moçambique existem mais de 36 milhões de hectares de terra arável, dos


quais apenas 10% em uso e 90% destes pelo sector familiar que cultiva uma área
média abaixo de 2ha. 3,3 Milhões de hectares são potencialmente irrigáveis, mas
apenas 3% estão efectivamente a beneficiar de um sistema de irrigação. A
produção agrária assenta em cerca de 98% de pequenas explorações (MINAG,
2012). Estas explorações são responsáveis por 95% do total da produção
agrícola, enquanto os restantes 5% são atribuídos a cerca de 400 agricultores
comerciais, que se concentram nas culturas de rendimento e de exportação (cana
de açúcar, tabaco, chá, citrinos e pecuária).

A maior parte da produção do sector familiar destina-se ao auto-consumo e caracteriza-se por


rendimentos baixos e retornos modestos e mais de 80% da área total de terra cultivada é usada
para a produção em sequeiro de culturas alimentares básicas, ocupando o milho, a mandioca e os
feijões cerca de 60% da área total cultivada. A horticultura ocupa apenas 5% e as culturas de
rendimento (cana de açúcar, algodão, chá, oleaginosas, tabaco) são produzidas em apenas 6%.
Além disso, 40% dos agregados familiares utilizam plantas e ervas nativas na sua alimentação e
para fins medicinais (MINAG, 2011).

Em todo o país os níveis de produção e de produtividade agrária são baixos, além


de que não há condições de conservação de produtos, e a rede de processamento,
distribuição e comercialização de produtos agrários é bastante fraca, devido à
limitada rede de infra-estruturas básicas (vias de acesso, armazenagem,
industrias de processamento), assim, a pouca produção dos pequenos
agricultores, acaba por se deteriorar nas zonas de produção e por outro lado
agravam-se os custos de transporte para o escoamento dos produtos das zonas
excedentárias para as deficitárias e consequentemente o acesso aos alimentos é
reduzido (TOSTÃO & BRORSEN, 2004).

A necessidade da mão-de-obra é um problema fortemente sentido pelos produtores do sector


familiar que tem -se queixado da sua falta, levando ao subaproveitamento da área disponível que
se manifesta pelas áreas que não são cultivadas na sua totalidade. Esta agricultura não utiliza
factores de produção melhorados ﴾adubos, pesticidas, sementes), porque a pobreza das famílias e
a indisponibilidade dos mesmos nas zonas rurais limita o acesso. O uso de meios de produção de
baixa tecnologia que caracteriza a agricultura familiar moçambicana reflecte-se nos baixos níveis
de rendimentos. Utilizam fertilizantes e 6.7% utilizam pesticidas; cerca de 16% das explorações
contratam mão-de-obra (Raffi & Tayssier, 1998).

1.7. Localização geográfica e divisão administrativa do Distrito de Montepuez


A Cidade de Montepuez, sede do distrito, situa-se no eixo Marrupa - Pemba, na região Sul da
Província de Cabo Delgado. Limita-se a Norte e Oeste pelo Rio Montepuez do qual provém o
28

nome da Cidade, a Sul pelo Rio Palavala e a Este com o Monte Nicuapa até ao rio Palavala,
(Perfil Municipal, 2013:5).

O território Municipal, está localizado entre as coordenadas13º 03’ 30”; 13º 11’ 15” de Latitude
Sul e 38º 55’; 39º 08’ de Longitude Este, (Perfil Municipal, 2013, p. 5).

No que concerne o Posto Administrativo de Mapupulo, localiza-se no corredor do Distrito de


Balama, na região Norte limita-se pelo rio Montepuez no posto Administrativo de Mirate, a Sul
pelo bairro de Nacaca no Distrito de Namuno, a Este pelo Matunda com sede do distrito de
Montepuez e a Oeste com o rio de Mete.

Mapa 1: Localização geográfica do Distrito de Montepuez e da área de estudo

Fonte: Autor/2021
29

No que diz respeito à divisão administrativa do distrito de Montepuez a área municipal é


aproximadamente de 79 km2 equivalente a (7900 hectares). A mesma apresenta características
diversificadas, entre tecido urbanizado, semi-urbanizado, ocupações espontâneas e áreas semi-
rurais. (Perfil Municipal, 2013, p. 5).

1.7.1. Historial do Posto Administrativo de Mapupulo


O nome Mapupulo, provém da palavra (Mabhumbulo) que significa arbusto, era uma mata
fechada que frequentavam os leões, muita das vezes as pessoas que saiam de Balama e Namuno
recebiam informações de que passar naquele Mabhumbulo tem que tomar cuidado dos leões,
aquilo passou por muito tempo a informação sendo alastrado sobre o nome de Mabhumbulo, mais
tarde é quando mudaram do nome para Mapupulo. (C/P1:2020).

Referenciar que antes da colonização portuguesa, o distrito de Montepuez, era conhecido por
Metto, que em língua local significa caminhar a pé, pois nesta região era frequente na altura ver,
pessoas que percorriam distâncias a pé fazendo comércio de marfim e de sal saindo do interior
para costa e vice-versa.

1.7.2. Aspectos físico-geográficos do distrito e da área em estudo


Em termos de relevo o Distrito de Montepuez está numa zona planáltica, com 400-700 m de
altitude, e estende se na direcção SO – NE no eixo Marrupa – Balama – Montepuez. Subsistem
no planalto restos de uma antiga superfície planáltica de 600 a 700 m de altura. Os pontos mais
salientes na área municipal são o Monte N’coripo, com 592 m de altura e o Monte Girimba com
711 m, ambos situados no perímetro urbano.

Em termos de relevo no Posto Administrativo de Mapupulo, encontramos planícies e em algumas


áreas planaltos. Sustentar que as áreas aplanadas de baixa e média altitude são as mais favoráveis
para a prática agrícola. O declive das vertentes influencia a fertilidade do solo e tornam o trabalho
do homem mais penoso. Para contrariar o declive do terreno, o homem procede à construção de
socalcos.

Quando plano, a fertilidade dos solos é geralmente maior, assim como a possibilidade de
modernização das explorações. Se este é mais acidentado, a fertilidade dos solos torna-se mais
30

fraca, e há maior limitação no uso da tecnologia agrícola e no aproveitamento/organização do


espaço.

Em geral: as áreas planas de baixa e média altitude são mais favoráveis à prática agrícola porque
são espaços onde o solo é geralmente mais fértil. A utilização de máquinas é mais fácil em
terrenos planos.

De acordo com GASQUES, (2004), O relevo interfere na distribuição das culturas das seguintes
formas: introduz alterações climáticas em altitudes, obrigando a uma distribuição das culturas por
andares (socalcos); dificulta, mais ou menos, a ocupação das vertentes, consoante a maior ou
menor inclinação das mesmas; impede o desenvolvimento de solos férteis, em função da erosão
provocada pelas águas que escorrem (chuvas e gelo); dificulta a mecanização da agricultura em
função do declive.

O solo dominante na região que se localiza o Posto Administrativo de Mapupulo são muito
profundos com uma camada de textura franco-argilo-arenosa. A cor da camada superficial é
castanha escura ou castanha avermelhada ou ainda vermelho (sombrio) no subsolo. Estes solos
encontram se nos topos dos “interfluves” e são fracos moderadamente estruturados até o máximo
de um metro de profundidade e fracamente estruturados a maciço poroso no subsolo. Os solos
mais férteis para a agricultura, aqueles que são ricos em húmus, localizam-se, principalmente, nas
regiões temperadas.

A fertilidade do solo (natural e criada pelo homem), influência directamente a produção em


quantidade e em qualidade. O tipo de solos também influencia as produções agrícolas porque
serve de suporte para as plantas se fixarem, através das suas raízes. Fornecem os nutrientes que as
plantas necessitam para a sua alimentação. Assim, os solos ricos em matéria orgânica e sais
minerais revelam uma maior aptidão para o uso agrícola. Os solos mais férteis são os solos
castanhos das regiões temperadas e os das planícies aluviais. Os solos menos férteis são os solos
salinos ou argilosos porque são pobres em matéria orgânica e sais minerais. (GASQUES, 2004).

Para aumentar a fertilidade deve-se corrigir os solos com adubos correctivos e fertilizantes
(naturais ou químicos). Para facilitar a circulação da água/ ar/ nutrientes deve-se eliminar as ervas
daninhas, cavar, sachar e lavrar a terra. Para combater as pragas e doenças deve-se colocar
31

herbicidas, pesticidas ou recorrer a insectos (ex: joaninha) ou utilizar plantas aromáticas que
afastem as pragas das culturas.

A influência da vegetação sobre o clima acontece de diferentes formas, influenciando tanto no


albedo quanto na humidade e nas variações de temperatura. Isso significa dizer que alterar a
cobertura vegetal de um dado local é também propiciar alterações climáticas no local da
intervenção e também em outras partes do planeta.

Além de contribuir na composição climática, a vegetação contribui diretamente no solo,


fertilizando-o com matéria orgânica derivada de folhas, galhos, frutos que caem e passam pelo
processo de decomposição transformando-se em nutrientes, sem contar que as raízes das plantas
impedem o desenvolvimento de erosões.

Na visão de GASQUES, (2004), a cobertura vegetal nativa de uma determinada região está
diretamente ligada às características do clima que abrange o espaço. Dessa forma, algumas
espécies vegetais conseguem desenvolver positivamente em condições climáticas de
característica húmida, ao contrário de outras que se adaptam a condições mais secas.

No Posto Administrativo de Mapupulo, a precipitação excede a evapo-transpiração potencial


durante três meses do ano (Janeiro a Março). Nesta região predomina o clima tropical chuvoso
de savana, conforme a classificação de Kopper, com uma temperatura média do ar no mês mais
frio superior a 18º C e uma precipitação média anual variando entre 800 a 1200 mm e durante
estacão seca de Maio a Novembro as chuvas são raras e de pouca intensidade não excedendo os
60 mm, (PERFIL DISTRITAL, 2005:7).

Os principais componentes do clima podem ser assim considerados: intensidade luminosa;


temperatura do ar; temperatura do solo; humidade do ar; humidade do solo; precipitação
pluviométrica (chuva); intensidade dos ventos.Esses componentes, por sua vez, afetam a
agricultura de variadas maneiras, ora ajudando a produção, ora dificultando um bom
desempenho. Além disso, a combinação desses fatores climáticos pode intensificar grandemente
os efeitos sobre a lavoura.

Assim, por exemplo, a combinação de ventos fortes com baixas temperaturas pode trazer sérios
danos à vegetação em desenvolvimento. Por sua vez, temperaturas muito elevadas associadas à
32

baixa pluviosidade (pouca chuva) podem afetar o florescimento e o crescimento de frutos


jovens.Dessa forma, os excessos ou a baixa incidência desses fatores podem facilmente
representar quedas na produção agrícola. Além disso, a intensidade das perdas é variável para as
diversas culturas, isto é, algumas sofrem mais que outras sob determinadas condições.
(GASQUES, 2004).

No que tange a hidrografia no Posto Administrativo de Mapupulo, encontramos alguns rios que
a população usa a água na actividade agrícola. Sustentar que A humidade é o elemento
fertilizador da terra e dissolve os sais minerais do solo para que estes possam ser assimilados
pelas plantas. As exigências de água variam com as espécies agrícolas e com as fases do seu ciclo
evolutivo.
A existência dos recursos hídricos é fundamental para a agricultura, pois esta torna-se mais fácil e
abundante, nas áreas onde a precipitação é mais regular. Em locais onde a precipitação é menor, é
necessário recorrer a sistemas de rega artificial.

1.7.3. Características socioeconómicas e culturais


O distrito de Montepuez tem uma população estimada em 261,535 habitantes, segundo dados do
censo populacional de 2017 sendo 128,108 Homens e 133,427 Mulheres.

A história de Mapupulo à semelhança da sua cidade de Montepuez conta com uma miscigenação
étnica desde os tempos passados, algo que torna este local, centro de diversidade populacional até
hoje. Contudo este fenómeno de heterogeneidade acentuou-se nos últimos anos, devido a recente
descoberta de recursos naturais, fonte de atração de diversos povos do país e de outras
nacionalidades. Apesar disso o grupo étnico maioritário desta cidade é Macua-Metto. Em seguida
os Makondes, Mwanis, Ngonis que se apresentam em números significativamente maiores,
(MAE, 2005, p. 7).

Mapupulo, por ter sido composta por uma heterogeneidade étnica, é acompanhada por duas
línguas, desde a língua emakhuwa e chimakonde, línguas faladas em Moçambique e de outras
nações estrangeiras. Um caso especial deste ponto do país é por predominar o uso da língua
kiswahili pela população local, fruto de contacto com os povos do país vizinho de Tanzânia.

Em Mapupulo são professadas diversas confissões religiosas. A religião nativa da população de


Mapupulo é animista, acreditando na vida pós morte, tendo como característica básica a
33

veneração dos ancestrais e é orientada pelo respeito do que é sagrado e profano 1. Um dos
aspectos que merece consideração desta religião, é o uso de algumas árvores como lugares
sagrados, geralmente possuem santuários para o seu culto ou pedido de qualquer coisa do
interesse individual ou colectivo da comunidade. Muita das vezes é orientada pelo chefe da
família, ancião, em casos da comunidade pela autoridade tradicional.

A prática de ritos de iniciação de ambos sexos neste posto administrativo de Mapupulo também
constitui elemento principal da manifestação cultural deste povo nativo. Estes, ritos, têm como
objectivo principal levar as sociedades mais novas no mundo dos adultos, ou seja, simbolizam a
passagem dos mais novos para a fase adulta. Ainda neste, praticam danças nocturnas, rituais de
casamento, nascimento de um novo filho, boa colheita, cerimónias de vários tipos e consolação.

O posto administrativo de Mapupulo apresenta uma estrutura profissional que conta com três (3)
sectores de actividades, sendo primário, secundário e terciário. Contudo grande parte da
população de Mapupulo pertence a terceira classe que inclui uma infinidade de actividades, como
agricultura, transportes, comercio, saúde, educação, entre outros.

1.7.3.1. Infra-estruturas do local de estudo


O posto administrativo de Mapupulo beneficia-se em grande parte de espaços ou vias rodoviárias
embora grande parte não possua boas condições de conservação excepto a estrada principal que
liga Montepuez-Balama.

O posto administrativo de Mapupulo possui poucas infra-estruturas sociais e económicas. Dentre


várias infra-estruturas lá existentes contam-se escola, centro de saúde, mercado, vias de acesso. O
posto administrativo de Mapupulo apresenta sérias dificuldades de abastecimento de água
potável. Existem poucos poços e fontenárias públicas. Quanto aos postos de saúde importa
destacar que, Mapupulo possui uma unidade sanitária. Há instalações da rede hidroeléctrica mais
a população não começou a usufruir visto que não foi inaugurada. Existe apenas uma escola
primária que compreende de 1ª a 7ª classe. Esta escola lecciona também os dois turnos de 1º das
7:00 às 12:00h, e 2º das 12:30 às 16:30 min.

Conselho Municipal da Cidade de Montepuez. Matriz de acção para o desenvolvimento Municipal, 2009-2013.
1
34

CAPÍTULO II: PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS


Neste capítulo são demonstrados em detalhes como classificação ou tipo de pesquisa, técnicas, e
métodos adoptadas para analisar e interpretar os dados do campo.

2.1. Tipo de Pesquisa


No que concerne à natureza da pesquisa, ela é básica tomando em consideração que segundo GIL
(1999) objectiva produzir conhecimentos novos, úteis para o avanço da ciência sem aplicação
prática prevista. Envolve verdades e interesses universais. Assim, o pesquisador busca satisfazer
uma necessidade intelectual pelo conhecimento e sua meta é o saber. Desta feita, nesta pesquisa o
foco foi de trazer conhecimentos sobre os mecanismos de adaptação da actividade agrícola face
às mudanças climáticas no posto administrativo de Mapupulo, contudo envolve verdades e
interesses universais.

No que concerne aos objectivos, a pesquisa é descritiva, visto que descreve os mecanismos de
adaptação da actividade agrícola face às mudanças climáticas no posto administrativo de
Mapupulo. Nesta tentativa durante a pesquisa, foi necessário usar um levantamento bibliográfico
com vista a torná-lo mais claro sobre ao assunto ou problema pesquisado. Neste método, parte-se
da observação de factos ou fenómenos cujas causas se desejam conhecer. A seguir, procura-se
compara-los com a finalidade de descobrir as relações existentes entre eles. Por fim, procede-se a
generalização, com base na relação verificada entre os factos ou fenómenos.
35

Em termos de abordagem a pesquisa é quantitativa, o método quantitativo caracteriza-se pelo


emprego da quantificação por meio de técnicas estatísticas tais como MS-Excel para digitação
dos dados, construção de tabelas, gráficos, bem como o uso da estatística simples para cálculo de
percentagens. (Marconi & Lakatos, 2010).
Para o presente trabalho, o método quantitativo permitiu agregar as informações sobre a
precipitação media anual diurna e as temperaturas medias anuais diurnas bem como construção
de tabelas de frequência de modo a facilitar a interpretação dos resultados.

A pesquisa foi de campo, porque, o pesquisador, além das informações que extraiu em algumas
referências bibliográficas e/ou documentos legais relativos ao tema pôde obter dados a partir do
contacto directo com os informantes no terreno, como o director dos Serviços Distrital da
Actividades Económicas, Chefe do Posto Administrativo de Mapupulo, extensionista e
moradores do Posto Administrativo de Mapupulo que ajudaram na percepção do problema em
estudo.

De acordo com (GIL, 2002:53), O estudo de campo focaliza uma comunidade, que não é
necessariamente geográfica, já que pode ser uma comunidade de trabalho, de estudo, de lazer ou
voltada para qualquer outra actividade humana. Basicamente, a pesquisa é desenvolvida por meio
da observação directa das actividades do grupo estudado e de entrevistas com informantes para
captar suas explicações e interpretações do que ocorre no grupo.

2.2. Métodos
Trata-se realmente de outra etapa do estudo, descreve como foi operacionalizado o presente
estudo, ou seja, quais foram os caminhos que o pesquisador usou para a consecução dos
objectivos definidos pelo autor.

2.2.1. Método de procedimentos


De acordo com LAKATOS & MARCONI (2009) métodos se situam em níveis claramente
distintos, que se referem à sua inspiração filosófica, ao seu grau de abstracção e à sua finalidade
mais ou menos explicativa. Em termos de procedimentos foram aplicados os métodos
cartográficos e estatístico. No entanto, o método cartográfico foi usado para representar a área de
estudo através de um mapa.
36

2.2.1.1. Método Cartográfico


Inicialmente foi explícito que a pesquisa foi do campo, por simples facto de ter verificado o
problema dos mecanismos de adaptação da actividade agrícola face às mudanças climáticas, num
local físico identificado que é no posto administrativo de Mapupulo, partir do qual foram
colhidos dados.

Desta feita foi usado de igual modo o método cartográfico para devida representação do posto
administrativo de Mapupulo a partir de um mapa, portanto basicamente o método principal dos
procedimentos usados foi o cartográfico. Como esclarecem FONSECA & KIRST (2003:92) o
método cartográfico é responsável pela elaboração e estudo dos mapas e representações
cartográficas em geral, incluindo plantas, croquis e cartas gráficas.

2.2.1.2. Método estatístico


Além do método cartográfico aplicado neste estudo alguns dos dados do campo foram calculados
percentualmente e apresentados em gráficos de modo a determinar a probabilidade de acerto das
conclusões, bem como a margem de erro dos valores obtidos.
Desta feita, as generalizações dos resultados colhidos não foram buscadas do nada, mas
constatada a partir da observação e narração de casos concretos que confirmam a realidade, ou
seja, passou-se a avaliar o grau de precisão de acordo com adjectivos qualificativos. Daí que se
usou o método estatístico que, essencialmente facilitou representar em tabelas e gráficos certos
dados.

2.3. Técnica de colecta de dados


Como afirmava GIL, (2008, p.15), as técnicas de colecta de dados têm por objectivo proporcionar
ao investigador os meios técnicos para garantir a objectividade e a precisão no estudo dos factos
sociais. Mais especificamente, visam fornecer a orientação necessária à realização da pesquisa
social, sobretudo no referente à obtenção, processamento e validação dos dados pertinentes à
problemática que está sendo investigada. Neste estudo foram aplicadas duas técnicas principais
nomeadamente: observação e entrevista.
37

2.3.1. Observação
O método de observação directa foi usado pelo pesquisador em quase todas as fases do seu
trabalho de campo, onde viu detalhadamente a olho nu a organização das machambas, com
tendência de avaliar os mecanismos de adaptação da actividade agrícola face às mudanças
climáticas no posto administrativo de Mapupulo. Esta técnica foi também orientada através de
um guião de observação de modo a não perder o foco de atenção da análise do trabalho. Os
equipamentos que foram usados para documentar foi a maquina fotográfica.

2.3.2. Entrevista
Outra técnica usada durante o processo de recolha dos dados foi a de entrevista. Lembrando-se
que a pesquisa foi de campo, o autor manteve contactos directo tanto com os moradores do posto
administrativo de Mapupulo, o chefe do posto, o extensionista, bem como o director distrital dos
serviços económicos estes todos foram submetidos a entrevista directa para apurar suas
apreciações no que diz respeito os mecanismos de adaptação da actividade agrícola face às
mudanças climáticas no posto administrativo de Mapupulo.

O tipo de entrevista usado nesta pesquisa quanto a estruturação foi entrevista semiestruturada.
Tendo em conta que, este tipo de entrevista permite que o entrevistador esteja livre de abordar
suas questões sem obedecer a ordem das perguntas. Além de que, este modelo de entrevista
permitiu que o entrevistado se sentisse livre de modo a responder questões sem rigidez da
sequência ou ordem numérica das perguntas.

Na entrevista semi-estruturada o entrevistador adapta uma atitude mais flexível na condução da


entrevista e o seu grau de envolvimento na interacção com o entrevistado aumenta. Predominam
neste tipo de entrevista, perguntas que estimulam o entrevistado a apresentar o seu ponto de vista,
exprimindo a sua opinião ou justificar o seu comportamento, (SILVESTRE & ARAUJO,
2012:151).

Assim sendo foram entrevistados cerca de treze (13) participantes entre eles (10) agricultores do
Posto Administrativo de Mapupulo, um (01) chefe do Posto Administrativo de Mapupulo, um
(01) extensionista e um (01) Director dos Serviços Distrital da Actividades Económicas.
38

2.4. Universo e amostra


Na óptica de GIL, (2002). Universo de pesquisa significa o conjunto, totalizados de elementos
que possuem determinadas características definidas para um estudo. Desta feita, o universo deste
estudo envolveu toda população do posto administrativo de Mapupulo.

De acordo com RICHARDSON (1999:158), Amostra é qualquer subconjunto da população.


Neste estudo, foi usado a amostragem aleatória estratificada, na qual os agricultores do Posto
Administrativo de Mapupulo foram considerados de estratos por serem homogéneas. Este tipo de
amostra é utilizado quando a população inteira é reconhecida por certas características precisas,
tais como a idade, o sexo, a incidência de uma condição de saúde, tudo isto para assegurar a
melhor representatividade possível.

Desta feita o estudo envolveu uma amostra representativa de treze (13) informantes, distribuídos
da seguinte forma: dez (10) agricultores do Posto Administrativo de Mapupulo, um (01) chefe do
Posto Administrativo de Mapupulo, um (01) Extensionista e um (01) Director dos Serviços
Distrital da Actividades Económicas.

Estes todos foram aplicados em uma técnica de colecta de dados, a entrevista. A escolha dos
elementos da amostra para o extensionista, o director dos serviços distrital da actividade
económica, o chefe do posto assim como os moradores, foi de forma aleatória de acordo com as
disponibilidades encontradas pelo autor no terreno.

2.5. Limitações da pesquisa


Importa sustentar que no processo de recolha de dados houve dificuldades porque algumas
instituições, por exemplo, na estação meteorológica para colher dados o pesquisador deve pagar
uma taxa, uma vez que a pesquisa tem um intervalo de trinta (30) anos no mínimo precisava de
pagar uma taxa no valor de dezoito mil (18.000.00 mts), e o pesquisador por não ter esse valor
monetário teve dificuldades de colher dados. No SDAE, não foi possível obter alguns dados dos
anos passados.

Em relação aos Serviços Distrital da Actividades Económicas houve uma dificuldade de obter
dados da produção agrícola a partir do ano de 1989-2019. A instituição afirmou que não tem os
39

tais dados. No entanto, essas foram algumas limitações do pesquisador no acto da colheita dos
dados para enriquecer a sua pesquisa.

2.6. Considerações éticas do trabalho


Por ser através da entrevista que foi se obtendo maior parte dos dados desta pesquisa e por
envolver figuras de diferentes estratos sociais o autor do trabalho exclui a menção ou
identificação do pessoal envolvido para manter a integridade moral dos informantes.

Este facto não só serviu para manter a integridade dos participantes, como também a da
instituição abrangida, por este motivo foram respeitados os diretos de manter o seu bom nome,
tanto da instituição como de estação meteorológica, Serviços Distrital da Actividades
Económicas e Posto Administrativo de Mapupulo.

A análise dos materiais obtidos não deve ser conduzida a ponto de possibilitar a
identificação dos respondentes. Se as pessoas forem prevenidas de que sua
identidade será preservada, deverão de fato permanecer anônimas. Isso
corresponde a uma importante obrigação moral dos pesquisadores. A
preservação da identidade dos respondentes constitui problema de alta relevância
ética, (Gil, 2002, pp. 132-133).

Foi a partir deste pressuposto que o investigador primeiro teve que falar dos objectivos da
entrevista bem como a importância que ela tem para com a sociedade em geral, caso aceitassem o
trabalho de entrevista seria feita do contrário também não. Portanto o investigador comprometeu-
se em pedir autorização no que respeita a divulgação dos dados recolhidos, solicitar autorização
da instituição dos participantes da pesquisa no que tange a colaboração do estudo e não manipular
as conclusões.
40

CAPÍTULO III: APRESENTAÇÃO ANÁLISE E INTERPRETAÇÃO DOS DADOS


Neste capítulo são explícitos com detalhes os dados do campo. Assim sendo observa-se nesta
parte a exposição qualitativa dos dados do campo e de seguida contém a representação dos dados
em gráficos, o que faculta a decifração daquilo que foi colhido no âmbito da pesquisa referente
aos mecanismos de adaptação da agricultura face às mudanças climáticas no Posto
Administrativo de Mapupulo.

3.1. Caracterização do trabalho do campo


O trabalho foi feito no Posto Administrativo de Mapupulo, no corrente ano de 2020 no mês de
Março, enfatizar que a realização deste estudo primeiro fui dado credencial pelo Departamento de
Geociências, e dirigiu-se ao SDAE – Serviço Distrital de Actividades Económicas de Montepuez
e ao Chefe do Posto Administrativo de Mapupulo, que permitiram a recolha dos dados, importa
referir que a recolha de dados durou uma semana e um dos meios usados para a realização da
41

pesquisa foi a maquina fotográfica que ajudou a tirar fotos em alguns espaços onde a população
pratica a actividade agrária. Durante o processo da entrevista usou-se bloco de notas para registar
as respostas que os entrevistados forneciam ao pesquisador e a entrevista foi feita nas instituições
como por exemplo nos Serviços Distrital das Actividades Económicas, Posto Administrativo de
Mapupulo e na Estacão Meteorológica.

3.2. Aspectos sociodemográficos da amostra estudada


A amostra era constituída por 13 informantes, dos quais 41% do sexo feminino, e 59% da
amostra eram do sexo masculino. Quanto a idade, a maior parte dos envolvidos era composta de
28 a 35 anos o que correspondia a 43% de seguida pouco mais de 35 a 45 anos representando
ocupava um espaço de 35% e por último constam os da faixa etária de 45 aos 50 anos de idade,
estes representavam 22% da amostra. Vide a tabela 1.

Tabela I: Distribuição da idade em função do sexo


Idade/faixa etária

Sexo 18 - 35 anos 35 - 45 anos 45-50 anos +de 50 anos Total

Masculino 4 27% 02 17,5% 02 15% 0.0 0.0% 22 59%

Feminino 2 16% 02 17,5% 01 7.5% 0.0 0.0% 18 41%

Total 6 43 5 35% 2 22% 0.0 0.0% 40 100%


%

Fonte: (Autor, 2020).

Estes dados demonstram que grande parte dos elementos abrangidos neste estudo são idóneos
merecendo assim confiança às suas palavras, ou seja, não são menores de idade assim sendo
possuem idade suficiente de serem considerados responsáveis. Suas informações são dignas pois
com esta idade podem ser considerados conscientes de suas acções portanto deram respostas de
maneira madura possível. Ademais muitos dos informantes envolvidos são responsáveis de
famílias, ou seja, indivíduos casados e unidos maritalmente, mas nenhum idoso foi abrangido.
Em outras palavras são pessoas com experiências na prática agrícola.
42

3.2.1. Nível de escolaridade dos participantes da pesquisa


O estudo envolveu quase todos estratos sociais pois foram abrangidos indivíduos tanto letrado
como iletrados por outras palavras durante o acto de investigação foram contactadas
personalidades que não possuem nenhum nível escolar/ académico, isto é, nunca tiveram sido
instruídos numa instituição de ensino escolar.

Por outro lado, foram de igual modo envolvidos indivíduos de diferentes níveis de escolaridade
desde o nível básico do ensino primário até ao nível superior, concretamente o grau de
licenciados, contudo grande número de envolvidos foi o de pessoas letradas.

Tabela 2: Nível de alfabetização /escolarização


Dist/ Nível de escolaridade /académico

Nenhum 7ª 9ª classe 10ª 12ª Licenciado Total


sexo
classe

M 1 5% 3 24% 0 0.0% 00 0.0% 2 15% 2 15% 8% 59%

F 4 34% 1 7% 00 0.0.% 00 0.0% 0 0.0% 0 0.0% 5% 41%


0 0

M/F 5 39.% 4 31% 00 0.0% 00 0.0% 2 15% 2 15% 13 100%

Fonte: Autor/2020.

De acordo com os dados contidos na tabela compreende –se que a maior parte dos informantes
possuem determinado nível escolar, mas quando comparado entre homens e mulheres verifica-se
que poucas são as mulheres que aumentaram seus níveis de estudos ou ensino. Desta feita o
índice de analfabetismo dos informantes tem tendência de baixar nos homens enquanto nas
mulheres sobe.

A maior parte dos informantes concluíram a 7ª classe e 12ª classe sendo a minoria da amostra são
do nível superior. Contudo considera-se que o índice de analfabetismo dos elementos abrangidos
é baixo pois o nível de escolaridade dos abrangidos neste estudo não é tão alarmante tendo em
conta que a camada dos iletrados é tão menos quando comparado com os que sabem ler e
escrever. Algo imprescindível nestes últimos é que, embora sem nenhum nível académico
possuem alta capacidade de reflexão sobre os benefícios que podem advir da agricultura.
43

3.2.2. Caracterização do nível ocupacional da amostra


Dos elementos abrangidos no estudo eram todos de estratos sociais diferentes pois houve dentre
eles certos profissionais ou funcionário públicos, entidades ligadas à liderança religiosa e
comunitário, para mais detalhes vide na tabela referente a situação ou profissão dos entrevistados.

Tabela 3: Situação profissional /ocupação


Ocupação/profissão

Sexo S/profissão Líderes Estudantes Funcionári A/serviço Total


o

F 05 41% - - 00 00% 00 0.0% 00 00% 5 41%

M 05 35.0% 00 0% 00 00% 03 24% 00 00% 8 59%

M/F 10 76% 00 0% 00 00% 03 24% 00 0.0% 13 100%

Fonte: (Autor, 2020).

De acordo com a representação dos dados da tabela maior parte dos entrevistados não têm uma
formação profissional desta feita ocupam se tanto dos trabalhos agrários, estes sujeitos que não
possuem um trabalho institucionalizado na sua maioria metade são homens e mulheres que
representam uma média de 76. % da amostra geral e 24% da amostra particular de informantes
que trabalham, refiro-me de extensionista, chefe do posto e director do SDAE.

3.3. Sistema de rega utilizado


No que diz respeito aos sistemas de rega utilizados na actividade agrícola importa destacar que
foi colocada uma questão a todos os agricultores do Posto Administrativo de Mapupulo. Com
esta pergunta pretendia-se saber se a população tem usado os sistemas de regadio para a
actividade agrária.

Em resposta a essa questão, grande parte dos agricultores do Posto Administrativo de Mapupulo
afirmaram que têm usado tais sistemas no tempo de seca que ajudam a regar as culturas de modo
a desenvolverem normalmente até a face que as culturas ficam prontas para serem colhidas. E
sustentaram que um dos sistemas de regadio pode ser de aspersão, rega por gravidade e rega gota-
a-gota. Mais simplesmente os agricultores afirmaram que têm usado frequentemente a rega gota-
a-gota e por gravidade. Vide o gráfico abaixo.
44

Gráfico I: Sistemas de rega

Fonte: Autor/2020
Como indica o gráfico, maior parte dos agricultores de Mapupulo usa a rega gota-a-gota e
minoria parte da população tem usado a rega de gravidade e nenhum agricultor usa a rega por
aspersão visto que a população não possui condições suficientes para obter esse tipo de sistema
de regadio.

Segundo FAO, 2004, p. 23), na irrigação por gotejamento, a água é directamente injectada na
cultura através de pequenos gotejadores montados em tubos de polietileno flexíveis ao longo das
fileiras das culturas. O sistema pode ser muito eficiente em termos de utilização da água que
chega a atingir índices de 90% e a injecção da água é feita com extrema precisão sobre a cultura,
resultando em óptimas colheitas. A irrigação por gotejamento é aplicada com muito sucesso na
maioria das empresas e estufas dedicadas a produção comercial de fruta e hortícolas.

Figura I: Rega gota-a-gota


45

Fonte: Autor/2020

A figura I, ilustra o tipo de regadio gota-a-gota que os agricultores do Posto Administrativo de


Mapupulo tem utilizado para regar as culturas.

Para garantir o potencial de sucesso das novas tecnologias de irrigação na produção de boas
culturas e máximo rendimento das culturas, deve ser prestada atenção adequada, nomeadamente
a: selecção de culturas e suas variedades apropriadas; calendário das safras; práticas agrícolas; e
condições de crescimento das culturas. Por outro lado, os agricultores precisam de ter acesso
garantido aos insumos agrícolas, tais como sementes de qualidade, fertilizantes, pesticidas e
utensílios, assim como ao crédito para comprar os necessários insumos. (FAO, 2004, p. 23).

3.4. Tipos de sementes utilizados pelos agricultores


Após ter colhidas informações referentes aos tipos de sementes utilizados pelos agricultores no
Posto Administrativo de Mapupulo. Com esta pergunta pretendia-se saber quais são os tipos de
sementes que os agricultores utilizam na produção agrícola.
Em resposta a essa questão, 13 agricultores que correspondem 100% afirmaram que os tipos de
sementes que eles utilizam para a produção agrícola são: milho; gergelim; arroz; feijões; e outras
culturas como o plantio das estacas de mandioca assim como as hortícolas.

Sustentar que algumas culturas como a mandioca suporta com as temperaturas altas e outras
culturas requerem temperaturas normais e um pouco de humidade para o seu crescimento, visto
que com temperaturas muito altas com baixa precipitação ou temperaturas baixas com elevada
46

precipitação pode prejudicar o desenvolvimento das culturas, como a cultura de arroz requer um
solo cheio de humidade.

Figura II: ilustra alface e couve

Fonte: Autor/2020

A figura II ilustra a produção de alface e couve no Posto Administrativo de Mapupulo, os


agricultores fazem o plantio dessa cultura nas bermas do rio para aproveitar a água para a rega.

Na óptica da FAO, (2004, p. 23), O potencial produtivo de uma cultivar é um dos


primeiros aspectos considerado pelos agricultores na compra de sua semente. Entretanto,
a sua estabilidade de produção, que é determinada em função do seu comportamento em
cultivos em diferentes locais e anos, também deverá ser considerada. Cultivares estáveis
são aqueles que, ao longo dos anos e dentro de determinada área geográfica, tem menor
oscilação de produção, respondendo à melhoria do ambiente (anos mais favoráveis) e não
tendo grandes quedas de produção nos anos mais desfavoráveis.

De acordo com o método de melhoramento genético, encontram-se hoje no mercado variedades,


híbridos duplos, híbridos triplos e híbridos simples, sendo que os híbridos triplos e simples
podem ser dos tipos modificados ou não. Os híbridos simples são potencialmente mais produtivos
que os outros tipos, apresentando maior uniformidade de plantas e espigas. São também os mais
caros, custando muitas vezes acima de 150,00 o saco de 60.000 sementes, normalmente suficiente
para o plantio de um hectare.

3.5. Técnicas aplicadas para minimizar a incidência dos raios solares nas culturas
Desenvolvendo a questão referente as técnicas que podem ser aplicadas para minimizar a
incidência dos raios solares nas culturas. Com esta pergunta pretendia-se saber das técnicas que
podem ser aplicadas para minimizar a incidência dos raios solares na agricultura.

Em resposta dessa questão, 59% da amostra afirmou que uma das técnicas aplicadas para
minimizar a incidência dos raios solares nas culturas pode ser: uso de cobertura verde, uso de
47

cobertura morta (mulching). Por outro lado 41%, da amostra estudada enfatizou que uma das
técnicas usadas para minimizar a incidência dos raios solares nas culturas, é uso de cobertura
verde. Importa sustentar que quando aplicadas estas técnicas vão ou ajudam a minimizar a
incidência dos raios solares que por sua vez podem prejudicar o desenvolvimento saudável das
culturas.

Gráfico II: Técnicas usadas para minimizar a incidência dos raios solares nas culturas

Técnicas usadas para minimizar a incidência dos raios solares nas culturas

41%

uso de cobertura verde, uso


de cobertura morta
(mulching)
59%

Uso de cobertura verde

Fonte: Autor/2020
Como indica o gráfico, maior parte da população do Posto Administrativo de Mapupulo que
correspondem 59%, uma das técnicas que tem usada na minimização da incidência dos raios
solares nas culturas é o uso de cobertura verde, e a cobertura morta em outra linguagem chama-se
mulching. E menor parte dos agricultores que correspondem uma média de 41%, aplicam a
técnica de cobertura verde.
As telas para sombreamento denominadas sombrite, são destinadas para o controle solar em
diversas culturas agrícolas, onde seu uso correto garante maior produtividade, homogeneidade no
crescimento e melhor sanidade das plantas. O uso de telas de sombreamento em locais de
temperatura e luminosidade elevadas pode contribuir para diminuir os efeitos extremos da
radiação, principalmente a fotorrespiração, e proporcionar maior produtividade e qualidade das
folhas para consumo (SILVA, 1998).

Normalmente, de acordo com os fabricantes, são confeccionadas em polietileno de alta


densidade, recebendo aditivos especiais que as protegem contra a radiação “UV”,
48

tornando-as resistentes e com alta durabilidade. Elas podem ser confeccionadas em cores
e malhas diferentes, o que vai caracterizar o tipo de uso e intensidade de sombra
necessária. Oferecem sombreamento variável, podendo chegar a 80%. As telas de
sombreamento de cor branca normalmente são utilizadas em culturas que necessitam de
sombreamento, porém sem comprometer a qualidade da luz incidente nas plantas. Idem.

Figura III: ilustra a cobertura morta (mulching)

Fonte: Autor/2020

A figura III, ilustra o uso da cobertura morta (mulching) que os agricultores do Posto
Administrativo têm usado como uma das técnicas de minimização a incidência dos raios solares
nas culturas.

Alguns autores evidenciam a crescente utilização de telas de sombreamento para regularizar a


produção, contornando fatores característicos de regiões tropicais, que resultam nos principais
problemas relacionados à elevada temperatura e irradiância, (Silva, 1999 e Queiroga et al. 2001).
O emprego de telas de sombreamento se destaca entre as técnicas utilizadas para a diminuição da
temperatura, por ser uma das soluções de menor custo econômico.

A relação entre a cultura utilizada e o tipo de tela de sombreamento evidenciam que os efeitos da
temperatura e luminosidade elevadas podem ser minimizados de forma significativa em
condições tropicais.

Gráfico III: Temperaturas médias anuais diurnas de 1989-2019


49

Fonte: Autor/2020.

Quando prestarmos atenção neste gráfico sobre a distribuição das temperaturas vamos perceber
que é aleatória, por exemplo em 1998,1999, 2001/2004 nestes anos, as temperaturas eram
elevadas associadas à baixa pluviosidade (pouca chuva) e 1989/1997 as temperaturas eram baixas
influenciando nas altas pluviosidades, isso afecta o crescimento de culturas. Assim sendo, os
excessos ou a baixa incidência desses factores podem facilmente representar quedas/avanços na
produção agrícola.
49

Com essas mudanças aleatórias das temperaturas medias anuais incapacitam os agricultores no
Posto Administrativo de Mapupulo. Além disso, a intensidade das perdas é variável para as
diversas culturas. Sustentar que quando as temperaturas forem elevadas podem matar as culturas
que não suportam com essas temperaturas influenciando na redução da produtividade agrícola.

Gráfico IV: Precipitação média anual diurna de 1989-2019

Fonte: Autor/2020

Fazendo uma análise do gráfico acima no que diz respeito a distribuição da precipitação nota-se
que o ano de 1989, 1994/1997 houve fraca precipitação e outros anos, registou-se elevada
precipitação que atingiu cerca de 949,6 mm no ano de 2002 até que provocou as cheias e
inundações. Isso também afecta na actividade agrícola na medida em que as chuvas forem
intensas acabam destruindo algumas culturas nas machambas sobretudo aquelas culturas que não
suportam muita água e isso vai afectar na fraca produção agrícola para as culturas como o arroz
que suporta muita água fica beneficiado. Sustentando diria que nesses anos houve maior
precipitação que influenciou muito na fraca produtividade.
50

Em relação os anos com mais precipitação foi 2015/2016 em que atingiu cerca de 2063,2
mm/2115,1, mm e outros anos reduziu ate 976,3 mm. E isso afecta directa ou indirectamente na
baixa produção agrícola, por exemplo em 2015/2016 por houver maior precipitação os solos
estavam saturados de água e algumas culturas que não suportam água perdiam suas propriedades
as folhas começam a mudar a cor, os nutrientes do solo foram arrastados para as zonas baixas e
os solos ficavam sem nutrientes influenciando automaticamente na fraca produção devido ao
excesso de água no solo. E outros anos em que a precipitação foi normal junto com temperaturas
amenas houve uma produção aceitável.

Gráfico V: Produção Agrícola do Distrito de Montepuez de 1989/2019 em Toneladas

Quando observarmos o gráfico acima da produção agrícola em toneladas do Distrito de


Montepuez em 1989/2019, notamos que a distribuição da produção agrícola é aleatória, o que
significa, alguns anos verifica-se menor produção agrícola em toneladas e outros anos regista-se
uma produção elevada isso devido as mudanças climáticas aleatórias. Sustentar que as
precipitações e temperaturas médias anuais diurnas afectaram directa e indirectamente na
produção agrícola, o que fez com que alguns anos registou-se fraca produção agrícola devido a
maior queda da chuva que arrastava algumas culturas e outros anos devido a elevadas
temperaturas as culturas não suportavam acabando murchando as suas folhas.
51

Com base na área semeada, a produção média realizada foi de 252.886,02 toneladas de produtos
diversos como os cereais, leguminosas, tubérculos e culturas de rendimento dos quais 238.523,1
de produtos alimentares e 14.362,92 de rendimento, representando um aumento na ordem de
3,6% em relação a produção realizada nas campanhas anteriores. Quando analisarmos esses
dados da produção agrícola dos anos acima referenciados, vamos perceber que as mudanças
climáticas afectam directa ou indirectamente na produção agrícola e isso incapacita os
agricultores.

3.6. Instrumentos usados na actividade agrícola


Com tendência de aprofundar a veracidade referente aos instrumentos usados na actividade
agrícola procurou-se compreender sobre quais são os instrumentos que os agricultores do Posto
Administrativo de Mapupulo têm usado na prática da actividade agrária, assim menor número de
elementos contactados foram de opinião que os instrumentos usados na actividade agrária são:
machado, catana, enxada, pulverizadores, tractores, atomizadores. Por outro lado, a maioria dos
agricultores explicou que os instrumentos que têm usado na prática agrícola são: enxadas de cabo
curto, catanas, machados.

Gráfico VI: Instrumentos usados na actividade agrária

5
Catanas, enxadas de cabo curto, machados

3
Enxadas, catanas, tractores, pulverizadores, atomizadores e machados.

0 1 2 3 4 5 6 7 8 9

Fonte: Autor/2020
Como indica o gráfico, maior parte da população do Posto Administrativo de Mapupulo que
correspondem 70%, usam enxadas de cabo curto, catanas, machados. E menor parte dos
52

moradores que correspondem uma média de 30%, usam pulverizadores, atomizadores, tractores,
catanas para a prática da actividade agrária.
52
52

Se formos a analisar, a maior parte os agricultores do Posto Administrativo de Mapupulo não


usam os tractores, pulverizadores assim como os atomizadores visto que para adquirir esses
instrumentos não é algo fácil, isto quer dizer que envolve muitos custos por exemplo para o caso
de tractor para exercer uma actividade como lavrar a terra é necessário combustível para
abastecer, neste caso, os agricultores não possuem tais condições para usar este instrumento
optando em usar instrumentos que vão de acordo com as suas possibilidades.

Figura IV: Instrumentos utilizados para a pratica da agricultura

Fonte: Autor/2020
Como ilustra a figura a cima vamos perceber que os instrumentos utilizados pelos agricultores no
Posto Administrativo de Mapupulo são: a enxada de cabo curto, catana, machados.
Como afirmava SILVA, (1998), A agricultura é uma das primeiras formas de trabalho realizado
pelo ser humano. Segundo historiadores, o processo iniciou há cerca de 12 mil anos a.C. De lá
para cá, como qualquer outra atividade, a agricultura evoluiu e novas tecnologias foram sendo
desenvolvidas e implementadas na área. 

Hoje em dia, os agricultores possuem vários equipamentos para auxiliar no trabalho no


campo.Atualmente, o agricultor conta com inúmeras ferramentas para realizar o trabalho no
campo. Desde instrumentos mais simples como a enxada, enxadão, rastelo, foice, ancinho,
carrinho de mão, entre outros. Até tecnologias mais modernas como trator, colheitadeira, arado,
grade, pulverizador, plantadeira, etc.
53

3.7. Contributo do SDAE na adaptação a actividade agrícola face as mudanças climáticas


Com vista a apurar o contributo dos Serviços Distrital das Actividades Económicas na adaptação
da actividade agricultura face às mudanças climáticas. Enfatizaram que os agricultores devem
usar a variedades precoces, incentivar o uso de muching; consociação de culturas; adensamento
de culturas e uso de estufas. (C/P3, 2020).

Segundo PAAAMC, (2014), A resiliência dos pequenos agricultores para atender a estes desafios
induzidos pelo clima vai envolver, entre outras mudanças nos sistemas de produção, tecnologias
melhoradas que sustentam e aumentam os rendimentos nestas condições mutáveis e que mitigam
os riscos de declínio da produtividade ao longo do tempo. Por exemplo, melhorando as técnicas
de conservação do solo e da água, adoptando componentes da agricultura de conservação e uso
de variedades de culturas tolerantes à seca e doenças.

A agricultura é uma actividade altamente dependente de factores climáticos, por isso a mudança
no clima pode afetar a produção agrícola de várias formas: mudança na severidade de eventos
extremos, no número de graus-dia de crescimento devido as alterações na temperatura do ar,
modificação na ocorrência e na severidade de pragas e doenças, dentre outros.

A rotação de culturas, cobertura permanente do solo, e a bio-diversificação de culturas (rotação e


consociação ecológica e economicamente positivas), são alguns exemplos. O cultivo de culturas
tolerantes à seca e adequadas às variabilidades dos padrões climáticos, diversificação de sistemas
de produção como práticas agroflorestais e estabelecimento de bancos forrageiros e uso de blocos
minerais para a suplementação animal nas épocas secas constituem outros exemplos de práticas
de resiliência às variabilidades climáticas. (PAAAMC, 2014).

As práticas agrícolas tolerantes ao clima muitas vezes necessitam de insumos específicos, como
culturas tolerantes à seca e de ciclo curto, equipamento especializado, tais como máquinas de
plantio (semeador manual) para pequenas áreas e insumos complementares, tais como
fertilizantes e/ou pesticidas. Actualmente, muitos pequenos agricultores enfrentam dificuldades
na obtenção destes insumos.
54

3.8. Verificação das hipóteses

O trabalho estava sendo orientado ou suportado por duas hipóteses das quais passam a ser
apresentadas a baixo:

 H1: A implementação dos sistemas do regadio pode ajudar na adaptação da actividade


agrícola face às mudanças climáticas no posto administrativo de Mapupulo.

Esta hipótese não é válida na medida em que foi constatado que existem sistemas de regadio
usadas pelos moradores do Posto Administrativo de Mapupulono sentido de facilitar a adaptação
das culturas, contribuindo na actividade agrícola na adaptação às mudanças climáticas, embora
até então não, haja boa adaptação da actividade agrícola face as mudanças climáticas, pois isso
está relacionado com dificuldades em equipamentos suficientes de sistemas de regadio e recursos
financeiros.

 H2: O uso de culturas de curto ciclo vegetativo no posto administrativo de Mapupulo


pode ajudar na adaptação da actividade agrícola.

Esta hipótese não é válida pelo facto de se constatar que, embora haja uso de culturas de curto
ciclo vegetativo este não é abrangente para todos, contudo nem todas pessoas têm espaços
agrários nas zonas baixas ou nas margens dos rios em que no tempo de seca poderiam cultivar os
produtos agrícolas aproveitando as temperaturas daquela faixa.
55

Conclusão
O efeito actual das mudanças climáticas na agricultura varia de ano para ano isto porque as
plantações são totalmente dependentes das variações climáticas, a quantidade de chuvas e
temperaturas, esses fatores intervém diretamente nas colheitas e produção das lavouras. Isto é, se
as temperaturas não forem muito altas ao ponto de prejudicar as culturas vai influenciar
positivamente na produção agrícola.

Observou-se também que a pratica da actividade agrícola no Posto Administrativo de Mapupulo,


os agricultores tem usado varias sementes como é o caso do milho, arroz, mandioca, feijões, entre
outras sementes, e notou-se também que os sistemas de regadio que os agricultores de Mapupulo
tem usado para ajudar na adaptação da agricultura em relação as mudanças climáticas não são das
melhores ou aqueles que regam as culturas sem o proprietário sofrer tanto, desta feita, as
capacidades de adaptação das formas de produção agrícola no Posto Administrativo de Mapupulo
deve ser uma aposta para a melhoria da adaptação das culturas face às mudanças climáticas.

Desta feita, os mecanismos de adaptação da actividade agrícola face às mudanças climáticas para
o caso do Posto Administrativo de Mapupulonão são dos melhores visto que incapacitam os
agricultores desse local. No entanto, as mudanças climáticas aleatórias no Posto Administrativo
de Mapupulo incapacitam os agricultores visto que alguns anos as temperaturas são elevadas
associadas a baixa pluviosidade e outros anos as temperaturas são baixas associadas a elevadas
precipitações, isso influencia directa ou indirectamente na fraca ou elevada produção agrícola.

E para que haja adaptação eficaz face às mudanças climáticas no Posto Administrativo de
Mapupulo é preciso que o governo do distrito de Montepuez possa apoiar com os instrumentos
necessários para a produção agrária visto que quase todos os agricultores de Mapupulo dependem
da agricultura para a sua sobrevivência das suas famílias. Não só deve-se expandir a construção
de algumas barragens para ajudar os agricultores a usufruir a água para o regadio das culturas.
56

Sugestões
Para minimizar este problema, o autor sugere que:

 Os agricultores devem cultivar as sementes que suportam com as temperaturas elevadas


no tempo que há escassez da precipitação.

 Os SDAE devem incentivar os agricultores através de palestras no uso de produtos como


adubos na prática agrícola.

 O governo distrital deve criar condições na construção de algumas barragens de modo que
os agricultores no tempo de seca possam usar a água para regar as culturas;

 Uma vez que os moradores do posto administrativo deMapupulo dependem da agricultura


para a sobrevivência das famílias, neste caso, o governo deve ajudar na doação de
algumas motobombas que poderão ajudar no regadio de suas culturas no tempo de seca;

 Os serviços distritais da actividade económica devem criar algumas redes de canalização


de agua de forma a ajudar a população na adaptação das culturas em relação as mudanças
climáticas;

 No caso dos agricultores que possuem grandes espaços agrários o governo deve ajudar na
instalação de sistema de rega por aspersão para que as culturas não possam se danificar
concretamente no tempo de seca;

 O governo tem de apostar na promoção de palestras relativas de como os agricultores


deve se adaptar quanto as mudanças climáticas na agricultura de modo que não possam se
prejudicar em termos de produção em massa dos produtos agrícolas.

 Se as chuvas forem intensas os agricultores devem apostar muito mais no cultivo de arroz
para os camponeses que têm zonas baixas.

 Apostar na consociação de tubérculos com outras culturas por estes serem resistentes a
seca e por sofrerem poucos ataques de pragas e doenças de modo a garantir a produção.

 Aos extensionistas devem capacitar os agricultores em matéria de uso de pesticidas e


fertilizantes em duas estacoes do ano seca e chuvosa.
57 56

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Suplemento do Boletim da República n.º 24, 1ª série, de 15 de Junho de 2006. Maputo


LX 0

Apêndices
LXI1

Universidade Rovuma
Montepuez
Departamento de Geociências

Guião de entrevista dirigida ao Director Distrital do SDAE

A presente entrevista é dirigida ao Director Distrital do SDAE de Montepuez, visando colher


informações sobre as formas de produção às mudanças climáticas. Os dados fornecidos são
exclusivamente para o desenvolvimento de um trabalho científico para a produção de um
artigo que versa sobre o tema: Mecanismos de adaptação da actividade agrícola face às
mudanças climáticas: posto administrativo de Mapupulo (1989-2019).

1. Quais são os tipos de regadio que SDAE recomenda para o uso na actividade agrícola?

2. Que técnicas podem ser aplicadas para minimizar a incidência dos raios solares nas culturas?

3. Os serviços distritais da actividade económica fazem a distribuição das sementes para


população? Se sim, quantas vezes por ano?

4. Será que os serviços distritais da actividade económica incentivam a população no uso dos
produtos como adubos na prática agrícola?

5. Na sua opinião, quais são as medidas de mitigação que a população deve tomar na actividade
agrícola face às mudanças climáticas?

Obrigado pela colaboração

Montepuez, ___/____/2020.
LXII
2

Universidade Rovuma
Montepuez
Departamento de Geociências

Guião de entrevista dirigida ao extensionista da área agrícola do Distrito de Montepuez

A presente entrevista é dirigida ao extensionista da área agrícola do Distrito de Montepuez,


visando colher informações sobre as formas de produção às mudanças climáticas. Os dados
fornecidos são exclusivamente para o desenvolvimento de um trabalho científico para a
produção de um artigo que versa sobre o tema: Mecanismos de adaptação da actividade
agrícola face às mudanças climáticas: posto administrativo de Mapupulo (1989-2019).

1. Quanto tempo/meses leva uma semente até atingir a fase de maturidade?

2. Quantos tipos de sementes que podem ser produzidos duas vezes no mesmo ano?

3. Quais são os principais equipamentos que são usados na actividade/pratica agrícola?

4. Quais são os tipos de regadio utilizados pelos agricultores na actividade agrícola?

5. Tento em conta que agricultura é a base da sobrevivência do ser humano, que técnicas podem
ser aplicadas para minimizar a incidência dos raios solares nas culturas?

6. Na sua opinião quais são os mecanismos de adaptação da actividade agrícola em relação as


mudanças climáticas?

Obrigado pela colaboração

Montepuez, ___/____/2020.
LXIII
3

Universidade Rovuma
Montepuez
Departamento de Geociências

Guião de entrevista dirigida as Autoridades comunitárias do posto administrativos de


Mapupulo

A presente entrevista é dirigida às autoridades comunitárias do posto administrativos de


Mapupulo, visando colher informações sobre as formas de produção às mudanças climáticas.
Os dados fornecidos são exclusivamente para o desenvolvimento de um trabalho científico
para a produção de um artigo que versa sobre o tema: Mecanismos de adaptação da
actividade agrícola face às mudanças climáticas: posto administrativo de Mapupulo (1989-
2019).

1 Quais são os principais equipamentos que são usados na actividade/agrícola?

2. Quais são os tipos de regadio utilizados na actividade agrícola?

3. Que técnicas podem ser aplicadas para minimizar a incidência dos raios solares nas culturas?

4. Quais são as sementes que os agricultores usam para cultivar?

5. Na sua opinião quais são as medidas de mitigação que os agricultores devem tomar na
actividade agrícola face às mudanças climáticas?

Obrigado pela colaboração

Montepuez, ___/____/2020.
4
LXIV

Anexos