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Música

“Somos uma banda de rock pesado”


Por Frederico F. de Mendonça

Após 4 anos do lançamento do seu primeiro álbum oficial, a banda Madame Saatan
composta por Sammliz, Ed Guerreiro, Ícaro Suzuki e Ivan Vanzar está em estúdio dando
os últimos retoques em seu segundo projeto. Nessa entrevista com Sammliz, ela fala um
pouco sobre o novo disco, arte erótica, metas, influências musicais e a experiência de
morar e trabalhar em São Paulo.
Formada em 2003, a banda tem um som original e inconfundível, através do qual
demonstra versatilidade musical, letras bem escritas e uma excepcional vocalista. Tudo
isso, aliado a uma forte presença de palco, faz com que a legião de fãs fervorosos e fiéis
cresça a cada show.
Com oito anos de estrada, não falta fôlego nem comprometimento com o trabalho.
Sempre correndo atrás, a banda já possui várias participações em festivais de música
pelo Brasil, e o trabalho está dando seus frutos. A boa aceitação do primeiro disco
“Madame Saatan” de 2007, por exemplo, rendeu ao grupo a participação em programas
de televisão como Altas Horas e Jornal Hoje, MTV e Multishow.
O novo álbum do Madame Saatan sairá esse ano, mas ainda não tem nome nem
data certa de lançamento. Sammliz, porém, adianta que o lançamento do novo trabalho,
assim como o início da temporada de shows de 2011, se dará em Belém.

Fred: Como tem sido a experiência de


morar e trabalhar em São Paulo, como
tem sido o contato e a troca com os
artistas dessa cidade? Vocês
presenciaram resistência ou apoio?

Sammliz: Nos adaptamos a nova cidade


muito rapidamente e jamais
encontramos algum tipo de resistência,
muito pelo contrário. Simplesmente tudo
normal e aqui fizemos e reencontramos
vários amigos e parceiros que já
conhecíamos de festivais e andanças
pelo Brasil, assim como muita gente do nosso Estado de origem.

Fred: Muitos artistas acabam sendo moldados pela indústria para tornar o produto final
mais “comercial”. Esse tipo de conduta já aconteceu como Madame? Com vocês encaram
essa situação?

Sammliz: Esse tipo de situação existe, mas não da forma como a maioria das pessoas
pensa que é. Há algumas variáveis e o artista escolhe a forma como quer, pode e vai
trabalhar sua carreira. Bom lembrar que a indústria da música está em mutação e o que
não é visto como "comercial" hoje poderá vir a ser amanhã. Somos uma banda de rock
pesado e que pretende continuar sendo independente de tendências de mercado.

Fred: Você é uma mulher bonita, isso de alguma forma te atrapalhou ou te ajudou durante
esses anos de estrada?
Sammliz: Muito obrigada. Boa aparência conta pontos, mas não garante absolutamente
nada se o que estiver por baixo da casca não vier comprometido com a música e com
todo o trabalho que a envolve.

Fred: A cantora Pitty posou para a revista Inked no ano passado, um trabalho que
valoriza a sensualidade da mulher e suas tatuagens. O que você pensa a respeito desse
tipo de abordagem?

Sammliz: Há diversas publicações onde a sensualidade da mulher é mostrada. Algumas


são bem vulgares, outras comerciais e há aquelas onde realmente vemos o erotismo
sendo trabalhado de forma artística. Essa em particular foca em um conceito que une
cultura pop, música, moda, ensaios, comportamento e achei as fotos de Pitty de muito
bom gosto, na medida mesmo. Sou apaixonada por fotografia, adoro arte erótica e se o
trabalho une bom gosto e doses certeiras de ousadia ele tem minha apreciação.

Fred: As composições do Madame chamam muito a atenção, pois fogem do óbvio, das
rimas fáceis e pobres, primando por um trabalho bastante profundo. Em “Prometeu”, por
exemplo, há intertextualidade quando você cita um trecho de “Buscando a Cristo” de
Gregório de Matos Guerra. A poesia é fonte principal de inspiração? Quais seus poetas
preferidos?

Sammliz: Agradeço suas palavras e bem, não tenho


poetas preferidos e sim fico mais ou menos apegada a “Andar de carro,
alguns em determinadas fases. Ano passado estava metrô, ônibus, avião
envolvida pela poesia russa como as de Anna Akhmatova e até na esteira da
e Bella Akhmadulina. Antônio Tavernard e Hilda Hilst me
fizeram bastante companhia também e toda hora academia me dão
redescubro ou "descubro" algo para desfazer os nós na mais estalos para
cabeça. E não, a poesia não é principal fonte que uso idéias do que minhas
para escrever, não há principal fonte. Andar de carro,
metrô, ônibus, avião e até na esteira da academia me leituras”
dão mais estalos para idéias do que minhas leituras.

Fred: Em seu primeiro álbum, “Madame Saatan” de 2007, a banda mostrou ao público do
Brasil a força do seu som. É um disco pesado, musicalmente riquíssimo e o principal, não
é repetitivo e cansativo. Para o novo álbum que está em produção o Madame seguirá a
mesma linha ou surpreenderá seus fãs com alguma inovação em termos de mescla de
influências?

Sammliz: Bem, não temos pretensão alguma de tentar algum tipo de inovação e nosso
som conserva algumas de suas características originais, mas também não se preocupa
com isso. A banda tem 8 anos e desde nosso último cd
lançado, há quase 4 anos, obviamente amadurecemos
“Adoro arte erótica e como pessoas e músicos e isso virá refletido de alguma
se o trabalho une forma no novo trabalho.
bom gosto e doses
Fred: O novo disco já tem nome e data de lançamento?
certeiras de ousadia
ele tem minha Sammliz: Já temos alguns nomes para poder escolher e
ele ainda não tem data de lançamento.
apreciação”
Fred: Quantas músicas fazem parte do álbum?
Sammliz: 12.
“Possuímos metas
Fred: Há alguma participação especial nas faixas? de curto à médio
Sammliz: Não. prazo, mirando no
objetivo que é viver
Fred: Vocês pretendem disponibilizar as faixas para de música”
downloads da mesma forma como fizeram com o primeiro
álbum?

Sammliz: Não faremos exatamente da mesma forma tal qual foi o primeiro, mas
certamente elas cairão na rede.

Fred: Dependendo da repercussão desse novo álbum, vocês já pensam e produzir um


DVD ou isso é uma idéia ainda não cogitada?

Sammliz: Independente de repercussão um registro da banda ao vivo em forma de dvd é


de praxe.

Fred: Ano passado vocês se apresentaram em Belém no Se Rasgum. Em 2011 haverá


algum show agendado para cá?

Sammliz: O lançamento do cd será em Belém e dará início a nova temporada de shows


pelo Brasil.

Fred: 2011 será o ano dos shows no Brasil. Metallica, Sepultura, Ozzy, Black Label
Society, Motorhead, dentre outros passarão por aqui. O Iron Maiden por exemplo, tocará
em Belém dia 1º de abril. Você acredita que Belém vai realmente entrar na rota dos
grandes shows?

Sammliz: Gostaria imensamente, mas isso só acontecerá se houver demanda de público,


retorno para os investidores e uma logística que justifique a inclusão da cidade na rota.

Fred: Vocês estarão em Belém no dia do show do Iron Maiden?

Sammliz: O Maiden é uma das bandas que tem um dos melhores espetáculos de rock
que já vi e adoraria revê-los em Belém, por que acho que eles terão uma das maiores
demostração de devoção por parte do público brasileiro. Adoraria ver essa reação, mas
infelizmente não será possível já que estaremos trabalhando nessa data aqui em São
Paulo.

Fred: Suas influências musicais com certeza não se restringem somente ao meio do rock
„n‟ roll. Quais são as outras influências musicais da banda?

Sammliz: Blues, jazz, reggae, música brasileira e ritmos oriundos de nossa região.

Fred: O futuro pode reservar ótimas oportunidades para o Madame. Vocês se consideram
preparados para enfrentar uma grande exposição ou vocês não se deixam preocupar com
esse tipo de pensamento, o que “rollar, rollou”?
Sammliz: Corremos atrás de oportunidades, as aproveitamos e estamos preparados para
tudo sem essa de "o que rolar, rolou". Esse é um pensamento que dá entender que não
há comprometimento e isso é algo que temos. Possuímos metas de curto à médio prazo,
mirando no objetivo que é viver de música e o tipo e quantidade de exposição não são o
alvo e sim parte do processo.

Fred: Se você pudesse escolher uma banda internacional para o Madame Saatan fazer o
show de abertura, qual seria sua escolha?

Sammliz: Não temos sonho de abrir para bandas internacionais, aliás, isso quase sempre
é roubada aqui no Brasil. Como público, e sendo até meio rabugenta, nem gosto quando
há bandas de abertura em shows mega por que isso dá uma canseira enorme e acaba
com a minha energia antes da hora (ok, há exceções). O que achamos legal mesmo são
jams com músicos que admiramos e nisso há uma lista gigante que cada um de nós
gostaria que acontecesse.

Fred: Todos possuímos uma frase, lema ou ensinamento que nos faz persistir a chegar
aos nossos objetivos. Se o Madame ou seus integrantes possuem algum, citem como
uma mensagem para seus fãs.

Sammliz: Não possuímos nenhum lema ou frase de efeito especial. Apenas que...
busquem conhecimento (né, Bilú?), trabalhem bastante, estudem sempre, sejam
honestos, não reclamem e façam acontecer.