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César Lattes 1975 Estamos C o m

Setembro
Muhamad Ali
40 páginas
Dr. K. Netta
Joel Rufino
Carlos Morari
Arlindo Silva
Paulinho da Viola
La Mano & A eternidade
Dom Pedro I começou!

JORNAL DE TEXTO

DOCUMENTO:
C O M A PALAVRA
D O M PAULO,
O CARDEAL
WSSrnmgk

DE SÂO PAULO.
(Por motivo
De Força Maior
AGUARDE)

RELAÇÃO: HOMEM
PARA HOMEM.
ENSAIO DE UMA
MULHER. TEXTO
E FOTOS DE
CLÁUDIA ANDUfAR.
PÁGINA 76

O ÚLTIMO BANHO UM LÍDIMO


DE SANGUE. CAMPEÃO!
CHILE, ESQUECEU?
PÁGINAS
20 e 40

OLHE
O RETRATO DO
PÁGINA 37 COMICUS (P.14) PÁGINA 24 VELHO OUTRA VEZ!

DESCOBRIMOS U M N O V O PAÍS:0 BRASIGUAY! (P. 26)


leitores GRADECER POR SUA

Excelente o t r a b a l h o , a i n d a q u e re-
sumido. do repórter Fernando Morais.
C o m o colega e c o n t e r r â n e o , p e r m i t o - m e
um simples r e p a r o : a invasão d a Baía dos
Porcos - o u , c o m o d i z e m os c u b a n o s , Playa
( i i r ó n - n ã o foi em s e t e m b r o d e 1962,
c o m o a p a r e c e na entrevista a Ex-13, n e m
cm s e t e m b r o de 1961, c o m o está n o t e x t o
r e p r o d u z i d o : deu-se, p r e c i s a m e n t e , nos
dias 17.18 e 1 9 d e abril d e 1961. N ã o c h e g a

Qualquer Folha
a comprometer 0 trabalho do repórter, a) Moaey Cirne Os artistas devem cobrar a realização
m a s . c o m o e s p e r o vê-lo p u b l i c a d o e m desse espetáculo. Porque, afinal, todos
livro, c o n v é m corrigir. Poema/processo-75
G o s t a r i a d e enviar m a t é r i a d e o u t r o s nós p a g a m o s os ingressos.
e poemas experimentais
gêneros, c o m o c o n t o s ou críticas literárias ul.lose Guilherme Mendes, Rio. Rio. Rj. a) S i n d i c a t o d o s A r t i s t a s e Técnicos em
etc; p o d e r i a s e r e m folha c o m u m ou vocês E s p e t á c u l o s de Diversões. Rio.
usam laudas próprias?
Aguarde o Ex-15 Música, Maestro!
a) Fernando Pereira da Cunha, Campinas.
Há muitos anos os artistas brasileiros
Os Fins De Juarez
Estou m a n d a n d o m a t e r i a l s o b r e o vem batendo insistentemente n u m a tecla, Q u e Fazia J u a r e z T á v o r a No Fim da
Submundo De Souza Marek Halter, pintor polaco que mora na
F r a n ç a . Dê u m a o l h a d a nos " x e r o x " q u e
sem que o som dessa nota consiga entrar
na partitura da dificil c o m p o s i ç ã o entre
V i d a ? Lutei sob s u a c h e f i a p a r a as ten-
tativas s o c i a l - d e m o c r á t i c a s d e 1922. 1924
R e s p o s t a a Evaristo B l a n c o Pereira, s e g u e m j u n t o . Eles d a r ã o o " c l i m a " d o trabalhadores, governo e empresários: a e p a r a a vitória d e 1930. Depois, combati-o
(seção d o s leitores; Ex 13). Se a c o l u n a d e p e r s o n a g e m . U m a entrevista seria interes- Regulamentação Profissional. nu i m p r e n s a e tia t r i b u n a . M a s sempre
Percival d e Souza é d e s t o a n t e e n ã o se as- s a n t e n a m e d i d a e m q u e os a r t i s t a s Após a diluição de muitós grupos de respeitei s u a g r a n d e z a , já a g o r a incor-
s e m e l h a c o m os objetivos d o Ex, peço-lhe brasileiros, e m especial os plásticos, se trabalho, foi formada u m a Comissão In- p o r a d a à História d o Brasil. Divergi dele
q u e leia a I a p a g . , em s u a a p r e s e n t a ç ã o . n e g a m a q u a l q u e r p o s i ç ã o política, social tcrministerial, c o m p o s t a por representan- q u a n t o aos c a m i n h o s e m é t o d o s , mas
Caso o l i n g u a j a r d o s u b m u n d o (?) dificul- etc. E o M a r e k d e f e n d e e x a t a m e n t e o con- tes dosMinistérios do Trabalho, da c o i n c i d i m o s cm r e l a ç ã o aos fins - um
t a - o e m t o m a r interesse pela c o l u n a , posso t r á r i o . o a r t i s t a c o m o p o r t a - voz, etc... Educação e das Comunicações. Brasil c a d a vez m a i s fiel a si mesmo,
dizer-lhe q u e " a s c o n q u i s t a s e os f r a c a s s o s Fm 1 '72 houve um encontro, c m m a i s livre, m a i s u n i d o , m a i s desenvolvido
a) Edla Van Stein, S P .
de u m a s o c i e d a d e i n v a l i d a n v s u á c u l t u r a Iti asilia, desta Comissão c o m representan- pela j u s t i ç a social e pela s o l i d a r i e d a d e
s u p e r i o r " , e m a i s . a gíria é u s a d a por
Alguém Ainda Tem?
tes da M t F R F e os dirigentes sindicais de h u m a n a ( D e p o i m e n t o d o p r o f e s s o r Rober-
t o d o s a q u e l e s q u e se m a n t ê m à m a r g e m d e Artistas i Radialistas. O Objetivo do en- to Lvra).
u m sistema social, s e r v i n d o a i n d a p a r a o (<in(ro era o de examinar o produto final
e n r i q u e c i m e n t o d a v i t a l i d a d e lingüística. Fiquei conhecendo o seu jornal Ex-13 e de um farlo estudo, antes de ser enviado à a) Sociedade dos Ex-Alunos de Roberto
E para que fique bastante clara a men- me interessei muito por ele. Presidência da República para ser trans- Lvra, Rio.
Gostaria de saber o que fazer para con-
Shazam! (Goooool!)
s a g e m . b a s t a d i z e r - l h e q u e . na r e f e r i d a formado em decreto-lei.
c o l u n a , são t r a t a d o s os c o n s e q ü e n t e s d e seguir as edições atrasadas.
Os empresários discordaram do- resul-
nosso s i s t e m a político-cultural e sócio- Desde j á esperando u m a resposta.
tado elaborado c pediram, antes de qual- Hu tava n u m s u p e r m e r c a d o , e de re-
econômico. Subscrevo-me quer medida por parte da Comissão, um p e n t e . 110 meio d a q u e l a s v e r d u r a s todas,
a) Alberico Neves F ° , SP. a) José Carlos C o u t i n h o , R u a José d e encontro no Rio entre Empresas e Sin- eu vi u m a p o r ç ã o de livros. U m livro,
A l e n c a r . 5 7 8 - Nova Suíça, C E P 30.000, dicatos para rever alguns pontos que eles c h a m a d o a s s i m : S u p e r K. O H o m e m Mais
Maravilha De Souza Belo H o r i z o n t e . julgavam insatisfatórios. Não concor-
davam c o m as normas de trabalho, c o m a
Poderoso do P l a n e t a - A História de
Henry Kissinger. A P o m b a d a Paz.
M e u s p a r a b é n s p a r t i c u l a r m e n t e ao definição das tarefas profissionais, c o m a ü q u e o Pelé t e m a ver com isso? É
Percival de Souza com s u a s m a t é r i a s obrigatoriedade de programação ao vivo, simples: eu tive u m susto, m a s tive l a m -
maravilhosas, n u m a linguagem que ainda com a limitação da exploração do trabalho bem u m a revelação; ou m e l h o r , u.m estalo.
será c i t a d a n a s enciclopédias, pois m u i t a artístico através das Redes de Emissoras
E n t ã o é isso. o h o m e m dos 9 milhões de
g e n t e n ã o s a b e q u e ela existe. N ã o s o m e n t e que provocou o desemprego setorial e m
d ó l a r e s , dos mil gols, e d a s m i l h õ e s de
eu m a s os colegas d a R e d a ç ã o o n d e todo o pais, etc. Foram dez dias de de-
c r i a n c i n h a s p o b r e s d o Brasil vai ser Super-
t r a b a l h o (Folha de S. P a u l o , s u c u r s a l ) es- bates, ao fim dos quais, os empresários
herói . d e revistinhas m e s m o , igual Bat-
tão c o m p r a n d o o Ex. O r e p ó r t e r - f o t o - retiraram-se da mesa dispostos a procurar
m a n . Q u e m s a b e o S u p e r - P e l é , em defesa
grático Ubirajara Dettmar m a n d a ainda outros c a m i n h o s . Os seus próprios ca-
d a p a z e d a j u s t i ç a ? Já p e n s a r a m ? Nós
u m a b r a ç o . D e s e j a m o s q u e o j o r n a l con- minhos.
a q u i v a m o s ligar a tv e ver d e s e n h o ani-
tinue f i r m e a p e s a r d a s c h u v a s e t r o v o a d a s " M a s essa ausência tem gerado abusos m a d o c o m o Pelé?
q u e a Metereologia a n u n c i a d e v e z - e m e violências que o des caso e a indiferença Agora a b r o n c a é c o m vocês: cadê o
quando. pretendem eleger c o m o a praxe, o normal jornal d o índio pô?
e o aceitável" - discurso de posse da Di-
a) Luiz Carlos de Souza, Rio. retoria. v) Júlio Castanheira , Belo Horizonte.
leitores
OCE E U

Mais Demo Na Salada


Vão ai uma fotos e um desenho.
É sobre Central, pingentes etc...
Eu tinha escrito uma carta há
algum tempo dizendo que ia man-
dar um artigo sobre o assunto.
m e t o x n o x f o m e Viajei e durante esse tempo o as-
sunto talvez tenha se esgotado um
pouco. As fotos talvez sejam úteis.
I uma'mordida; ma\ i
P O N T * DO D E D Í . 0 . OUTRA í a) Demo.
E M A I S OUTRA. P E R N A

I Santo Elias!
> INTESTINO P U L M X O . /
0 CEREBRO. C R U N H C !
MACIO E D O C E .
VAI A T E D II Atenção para os roubos de i m a g e n s e'
- crunchcrunch: i objetos sacros q u e vêm ocorrendo e m
DEITA £ DORME ! Marechal D e o d o r o , Alagoas. O saldo da
. última visita foi: e s p a d a de prata da
I i m a g e m de São Miguel Arcanjo, de ta-
;il Itun Maurício, l'E. i bricaçãn portuguesa, século 18. Lam-
i parina trabalhada e m prata c o m q u a s e 2

Leilão De Atrasados
i metros de altura. Castiçais. Pedras pre-
ciosas. Sem falar d a s grandes i m a g e n s de
Nossa Senhora do Carmo, São João Ne-
P a g o 4 0 c r u z e i r o s pelos números
p o m u e e n o . Santo Elias e outros, c o m res-
1.2.3.4 c 5 d e Ex.
pectivas coroas e resplendores.
E n v i a r os 5 n " . ou os q u e o c ê s a i n d a
A professora Eleu/.a Galvão, do único
têm. pelo r e e m b o l s o p o s t a l p a r a : R u a
ginásio da antiga capital de Alagoas, vem
Araçá. 80. < a n u a s . R . S .
d e n u n c i a n d o os s a q u e s , cada vez m a i s
a) Paulo Cezar D a Rosa.
freqüentes nas igrejas da c i d a d e , " u m dos
mais ricos c d e s c u i d a d o s acervos da ar-
Atenção! Literatura. quitetura civil e religiosa do nordeste". D .
Eleuza já endereçou mais de dez a b a i x o
Escritores d a q u i e n c h e r a m o saco de assinados, alguns c o m q u a s e 7(H) assi-
correr a t r á s d e e d i t o r e s e r e s o l v e r a m l a n - naturas, ás mais diversas autoridades:
çar eles m e s m o s seu livro: T E I A . 16 c o n - "Foi pro governador, pro Ministro da Jus-
tos d e 8 a u t o r e s . 80 p á g i n a s , 10 c r u z e i r o s . liça, prá Policia Federal." O resultado até
Pode ser e n c o n t r a d o n a C o l e t â n i a , A n - .agora foi n e n h u m . D o n a Eleuza diz: " E m
d r a d a s . 1117. P. A l e g r e (vale m a i s q u e 10 I protesto, as igrejas permanecerão fe-
cruzeiros!). i cliadas até q u e se elucide o mistério."
a) Paulo Cczar D a Rosa, RS
jj a) E v a n d r o Pagy. Rio

AJUDE
ÔATtK £ pfMTORA À Mt£>} s o e « E
TECIDO, CADA P e s e N H O £ l R f f £ A LIMPAR O NOSSO
P e r i V f L NA B L U S A , NA SAIA, N
A B A T A , MO L O N F I - O ÇFUE V O C Ê O
BANHEIRO *
S A , C O L O R I D O , C O R FL«l*16 poR Ex atrasados a partir do n? 7
Q.ue o processo base t>e ($5) cada exemplar
P A R A f f A f A ) É s e c u t L A X , € TA MI Ex atrasados a partir do
3EM porooe, v o c ê s w e a , a n? 7 ($5) em vale postal
Zül se você « x u s e R j c o w r o ou cheque nominal para
R/ME. v o c ê e N C O M E N O A R , VEMM
Ex-Editora Ltda. Endereço:
À VEMPA s ã AOS A b a d o s , SP, A/A
rim das Vio».€tAs, AT, V. M a r m w a
Rua Santo Antônio, 1043,
SP/SP. CEP 01314.
(5) Nome secular: o avô do siík-screen.
*) Onde estão os encalhes.
Carta Aberta Aos Nossos Leitores
C a r o leitor: E s s a s o p i n i õ e s n ã o s ã o c a s o s i s o l a d o s d e i m p r e n s a . O c o l u n i s t a J a c k A n d e r s o n disse
U m amigo nosso sábio e culto, que t a m b é m é contador, ao olhar a linha inferior do recentemente:
livro-caixa d e R a m p a r t s , d i s s e q u e a r e v i s t a é " t o t a l m e n t e i n v i á v e l " . L i m p a n d o o p ó s d o s " A v e l h a h i s t ó r i a s o b r e r e s p o n s a b i l i d a d e d e g u a r d a r s e g r e d o s e m vez d e d e n u n c i a r
b a l a n ç o s passados, d e s c o b r i m o s q u e a revista tem sido "inviável" há vários anos. E m - a b u s o s t e m v o l t a d o a o c u p a r d e s t a q u e n a i m p r e n s a . O s velhos i d e ais p r é - W a t e r g a t e ,
b o r a isso n ã o seja s i n a l d e n o s s o Fim, é m a i s u m p r o b l e m a . N e n h u m ? r e v i s t a , p o r m a i s p r é - V i e t n a m . e m p a r c e r i a c o m o g o v e r n o , d e e s t r e i t a l i g a ç ã o c o m os r i c o s e poderosos,
d e s p r e o c u p a d a c o m o l u c r o , p o d e viver d e b r i s a . P e l o m e n o s n i s s o o d i i . h e i r o a i n d a de um c o n j u n t o de segredos ocultos do público, voltam a ocupar a i m p r e n s a " .
c o n t a . P o r t a n t o , este é u m p e r í o d o d e b a l a n ç o . A lição t i r a d a d a D e p r e s s ã o d o s a n o s 3 0 foi q u e ela n u n c a m a i s se r e p e t i r i a . M u n i d a
N o a n o p a s s a d o , a v e n d a n a s b a n c a s e as a s s i n a t u r a s c a í r a m m a s a c a b a r a m se e s t a - d e K e y n e s e S a m u e l s o n , a e c o n o m i a a m e r i c a n a ia a b u r g u e s a r - s e i n f i n i t a m e n t e . Mas
b i l i z a n d o . È n o s ú l t i m o s 6 m e s e s n o u v e u m a m o d e s t a a s c e n s ã o . Isto j á é m u i t o , pois es- a g o r a v o l t a m o s a o u v i r e s p e c u l a ç õ e s s o b r e u m a n o v a d e p r e s s ã o . O p r i n c i p a l assessor
tá f o r a d e n o s s a s p o s s i b i l i d a d e s f a z e r p r o g a p a n d a p o r m a l a - d i r e t a , i n d i s p e n s á v e l p a r a e c o n ô m i c o d o e x - p r e s i d e n t e J o h n s o n A r t h u r O k u n , c h e g o u a c o m p a r a r o prognóstico
uma circulação estável. e c o n ô m i c o c o m a v e l h a b r i n c a d e i r a d e m é d i c o s a r e s p e i t o d a g r i p e c o m u m : "Você
A v a l i a ç ã o m a i s p r o f u n d a , q u e n ã o p o d e ser m e d i d a , é a p o s i ç ã o q u e R a m p a r t s as- d e v e r i a t e r t i d o p n e u m o n i a — isto nós s a b e m o s c o m o c u r a r " . R e c e s s ã o c o m inflação
s u m e . Nosso princípio n ã o é o c r e d o liberal, m a s sim o c o m p r o m i s s o com a v e r d a d e . En- c o n f u n d i u os e c o n o m i s t a s , m a s eles s a b e m c o m o c u r a r a d e p r e s s ã o . ( D e f a t o a última
t ã o . o b a l a n ç o l e v o u - n o s a e x a m i n a r as f o r m a s c o m q u e se m e d e a i m p o r t â n c i a d a revis- d e p r e s s ã o , c o m o a l g u n s e c o n o m i s t a s v ê m m o s t r a n d o , foi c u r a d a p e l a S e g u n d a G u e r r a e
ta. E g o s t a r í a m o s d e t r o c a r i d é i a s c o m vocês. não" p e l o New D e a l . )
No fim da g u e r r a d o V i e t n a m e d o caso W a t e r g a t e surgiu u m a m p l o consenso na Vivemos u m t e m p o e m q u e o noticiário provoca i n d i g n a ç ã o e s u r p r e s a . Recebemos
i m p r e n s a a m e r i c a n a , c o m o freio à irresponsabilidade no poder. M a s a i m p r e n s a está u m a c o n f u s ã o d e d a d o s , q u a n d o q u e r e m o s m a i s q u e i n f o r m a ç ã o ; q u e r e m o s q u e nos ex
p e r d e n d o o b r i l h o q u e a c e r c a v a d e s d e as r e v e l a ç õ e s d e W a t e r g a t e e o c a s o d o s p a p é i s d o pliquem a l g u m a coisa. As premissas, definições, justificações, slogans que protegem a
Pentágono. Em março, q u a n d o o presidente Ford lançou o p l a n o trienal p a r a salvar o e x p e r i ê n c i a l i b e r a l s ã o i s o l a d o s d o c o n t a t o c o m a v e r d a d e . S u a s t e n t a t i v a s d e objeti
r e g i m e d e S a i g o n d o a v a n ç o v i e t c o n g , f i c a m o s s u r p r e s o s d e ver o N e w Y o r k T i m e s e o v i d a d e s ã o m o d e r a d a s , q u a n d o as s o l u ç õ e s p a r a os p r o b l e m a s a t u a i s s ã o e x t r e m a s . A
W a s h i n g t o n Post e n d o s s a n d o a tese d e " ú l t i m a t r i n c h e i r a " d o Executivo a m e r i c a n o . i m p r e n s a liberal n ã o c o m p r e e n d e a crise q u e e n f r e n t a m o s p o r q u e , m e s m o quando
D i a s d e p o i s d o n o s s o n ú m e r o d e m a r ç o , f i c a m o s a s s o m b r a d o s d e 7er a c a p a d o H a r - procura explicações com m á x i m a honestidade, não encontra n e n h u m a pista.
per's mostrando a Causa da Intervenção, ilustrada com tropas de choque dos EUA U m a c o m p r e e n s ã o s é r i a d e n o s s o d e s t i n o e c o n ô m i c o d e v e b a s e a r - s e n a p r e m i s s a his-
c a i n d o n o s c a m p o s d e p e t r ó l e o d a A r á b i a S a u d i t a . Só f a l t a v a J o h n W a y n e l i d e r a n d o as t ó r i c a d e q u e e s t a m o s a c a m i n h o d e u m a n o v a D e p r e s s ã o d o s a n o s 30. P r i m e i r o devemos
t r o p a s d a l i b e r d a d e . O a r t i g o ( p u b l i c a d o n o Ex-13) e r a a s s i n a d o p e l o p s e u d ô n i m o M i l e s c o m p r e e n d e r q u e n ã o v i v e m o s s i m p l e s m e n t e u m a c r i s e e c o n ô m i c a , m a s u m a c r i s e d o sis-
Ignotus ( " S o l d a d o Desconhecido", em latim). O a u t o r identificado c o m o "consultor de t e m a e c o n ô m i c o . E s s e c o n h e c i m e n t o p o d e ser r e t i r a d o d a s v e l h a s t e o r i a s s o b r e as con-
defesa ligado ao Pentágono", defende a intervenção no maior produtor de petróleo do t r a d i ç õ e s i n e r e n t e s d o c a p i t a l i s m o . M a s . p a r a u m a c o m p r e e n s ã o m a i s c o n c r e t a , devemos
m u n d o — a Arábia — p a r a desarticular a O p e p — O r g a n i z a ç ã o dos Países Produtores e x a m i n a r c o m o o s i s t e m a d e l u c r o n o s e n t r e g o u a p a d r õ e s d e d e s e n v o l v i m e n t o t ã o dis-
de Petróleo. t o r c i d o s q u e j á n ã o p o d e m ser ' m a n t i d o s .
H a r p e r ' s é u m j o r n a l l i b e r a l . E s t i v e m o s d o m e s m o l a d o v á r i a s vezes. M a s o r e s s u r - C o n s i d e r e o r e t r a t o d a A m é r i c a , d a d o p o r u m a s ó e s t a t í s t i c a : a c a p a c i d a d e d e todas
g i m e n t o d e u m a r a d i c a l i z a ç ã o p a r e c e inevitável e os s i n a i s c o m e ç a m a a p a r e c e r . as f e r r o v i a s , f á b r i c a s , f a z e n d a s , aviões e t o d a s as i n s t a l a ç õ e s p a r a f i n s ú t e i s s o m a 6% do
Em m a i o falamos no perigo de subversão americana contra Portugal e outros países total n a c i o n a l . O s 9 4 % r e s t a n t e s e s t ã o n a c a t e g o r i a " a u t o m o t i v a " , e o c a r r o particular
e u r o p e u s , o n d e se p r e v ê e m m u d a n ç a s à e s q u e r d a . E o N . Y . T i m e s saiu c o m u m fica c o m a p a r t e d o leão. Se f o s s e a p e n a s u m a c r i s e e c o n ô m i c a c o m u m , o r e m é d i o seria
editorial estarrecedor, " O verdadeiro golpe de Lisboa", sobre o avanço comunista em e s t a n c a r a p r o d u ç ã o e v o l t a r a o s 10 m i l h õ e s d e c a r r o s p o r a n o .
Portugal. Para o N. Y. T i m e s a situação " l e m b r a a l g u m a s t o m a d a s de p o d e r pelos M a s i n s i s t i r n o r e m é d i o s ó t r a r i a m a i s l o u c u r a , j á q u e e s t a m o s s o f r e n d o o i m p a c t o do
c o m u n i s t a s n a E u r o p a O r i e n t a l , a p ó s a S e g u n d a G u e r r a " . M a s n ã o se e s p e r a q u e os d e s p e r d í c i o c o r r o s i v o , a terrível d e s f i g u r a ç ã o c a u s a d a e m n o s s a s o c i e d a d e p e l o sistema
soviéticos v e n h a m a i n v a d i r P o r t u g a l . É u m a r e t o m a d a d o j a r g ã o d a G u e r r a F r i a : d e l u c r o . O m a u u s o d o s r e c u r s o s c o n c e n t r a d o s n o s 9 4 % é t ã o e v i d e n t e n o a r q u e res-
" A e m b a i x a d a soviética e m L i s b o a é g r a n d e e a t i v a . A i n f l u ê n c i a d e M o s c o u é c o n - p i r a m o s e n a i m o b i l i d a d e d o s t r a n s p o r t e s , q u e n ó s s a b e m o s q u e o r e m é d i o n ã o p o d e es-
siderável n o P a r t i d o C o m u n i s t a Português, o único a d e f e n d e r a invasão d a Checo- t a r c e r t o . A s o l u ç ã o a g o r a é o u t r a . Q u e b r a r a e s t r u t u r a d o p o d e r e c o n ô m i c o , c u j a ri-
slováquia pelos russos. J u n t o com u m a ação dos c o m u n i s t a s no C a m b o j a e V i e t n a m o q u e z a s ó p r o s p e r a g r a ç a s a p a d r õ e s d e v i d a e p r o d u ç ã o q u e n o s e s g o t a m a t é a morte.
c r e s c e n t e e n v i o d e a r m a s s o v i é t i c a s e o u t r a s p r e s s õ e s s o b r e o O r i e n t e M é d i o , u m a to- R a m p a r t s n ã o c h e g o u a d e s v e n d a r a c o n f u s ã o . M a s t e n t a m o s ver a s o c i e d a d e em
m a d a c o m u n i s t a em Portugal f a t a l m e n t e q u e s t i o n a r i a o q u e resta de u m a frágil déten- d i v e r s o s â n g u l o s , p a r a a t i n g i r d e m a n e i r a d i v e r s a a v i d a d a s p e s s o a s . P r e c i s a m o s mais
te". diz N. Y. T i m e s . d e u m a a n á l i s e d e s i n t e r e s s a d a , i n c a p a z d e a v a l i a r a d o r e s o f r i m e n t o d a vida p o r depres-
sões. M a s d i z e r q u e s ó a r e v o l u ç ã o social p o d e c u r a r o s p a í s e s d o e n t e s n ã o é suficiente.
"Soviéticos" e " c o m u n i s t a s " viraram sinônimos. O editor é incapaz de distinguir o
T a m b é m n ã o b a s t a se i s o l a r n a s o b r e v i v ê n c i a p e s s o a l e m a n d a r t u d o a o i n f e r n o . Ou
e x é r c i t o p o r t u g u ê s d o K h m e r vermelho.. S ó f a l t a d i z e r q u e os c o m u n i s t a s c h i n e s e s s ã o n a
levantar utopias desligadas dos meios de realizá-las.
verdade russos disfarçados.
James Restor redator-chefe d o N. Y. Times pediu a intervenção da CIA no dia E s t a m o s t r a b a l h a n d o c o m e s s e s d e s a f i o s . N e n h u m a i n s t i t u i ç ã o , n e n h u m a publi-
s e g u i n t e : " e s p i o n a g e m é u m a a t i v i d a d e ilegal p o r é m e s s e n c i a l , u m a f o r m a e n c o b e r t a d e c a ç ã o . p o d e d a r c o n t a d a e s p a n t o s a m u l t i p l i c i d a d e d e t a r e f a s . M a s e s p e r a m o s ser uni
g u e r r a , e os c o m u n i s t a s a m o v e m a g o r a , c o m o vingança, em P o r t u g a l , e n q u a n t o a C I A é polo c a p a z d e atrair m o v i m e n t o s isolados, análises e apreciações d o espírito humano.
incapaz de prevenir a subversão neste país estratégicamente i m p o r t a n t e " . Q u e r e m o s a j u d a r a r e u n i r e t a p a s , p a r a u m a s a b e d o r i a q u e n o s g u i e a u m a luta p o r uni
l u t u r o o n d e s e r e s h u m a n o s d e c e n t e s p o s s a m se o r g u l h a r d e viver.
Q u a n d o os Papéis d o P e n t á g o n o f o r a m publicados, o governo a r g u m e n t o u q u e seus
segredos n ã o p o d i a m ser liberados p a r a divulação. O N. Y. T i m e s escandalizou-se. Falou A h i s t ó r i a vai t o m a r u m c a m i n h o d e s e s p e r a d o o u c r i a t i v o . £ t e m p o d e n e c e s s i d a d e s e
em " r e s p o n s a b i l i d a d e " na s a l v a g u a r d a dos interesses americanos. E relembrou q u e n ã o d e l u x o s . N e s s a c r i s e , a c r e d i t a m o s q u e u m a i m p r e n s a f o r t e e r a d i c a l é u m a neces-
sabia m a s não divulgou os planos d a f r a c a s s a d a invasão da Baía dos Porcos. No caso d o sidade essencial. Acreditamos q u e a f u n ç ã o de R a m p a r t s é levantar e m a n t e r desafios.
t r a b a l h o recente d a C I A . p a r a remover o s u b m a r i n o a t ô m i c o russo d o f u n d o d o Pacífico, R a m p a r t s se a p r o f u n d o u e a m a d u r e c e u . M a s p r e c i s a d e s e u a p o i o p a r a c o n t i n u a r . É
e x p l i c o u q u e s ó p u b l i c a v a a h i s t ó r i a p o r q u e a b r i n c a d e i r a já t i n h a t e r m i n a d o . Se o N . Y . difícil p a r a n ó s f a z e r u m a p e l o d e s s e t i p o . M a s , e n q u a n t o a d i g n i d a d e d a pobteza
T i m e s p u d e s s e a j u d a r a C I A a d e s v e n d a r o código d e mísseis russos, os E U A e s t a r i a m p u d e r ser m a n t i d a , n ã o nos i n c o m o d a m o s d e pedir o a p o i o d o s leitores.
m a i s p e r t o d e n e u t r a l i z a r o p o d e r soviético. P e d i m o s a q u a t r o p e s s o a s q u e a p o i a s s e m n o s s o p r o j e t o d e a s s i n a t u r a s . D a n i e l Elis-
O c o l u n i s t a J o s e p h K r a f t , c o n s i d e r a d o o l í d e r d o s c o m e n t a r i s t a s l i b e r a i s , viu n o c a s o b c r g (v. E x - 5 . e n t r e v i s t a s o b r e o s D o c u m e n t o s d o P e n t á g o n o ) . J o s e p h H e l l e r , Denise
d o s u b m a r i n o o lado bom d a supressão d a s notícias: Levertov e K u r t V o n n e g u t c o n c o r d a r a m e m d a r c o p i a s d o s s e u s livros c o m o o f e r t a es-
pecial. A a s s i n a t u r a a n u a l , j u n t o c o m u m d o s 4 livros, c u s t a 2 5 d ó l a r e s . E se a as-
" O episódio mostra d r a m a t i c a m e n t e q u e operações d o gênero p o d e m ter objetivos s i n a t u r a d e 150 d ó l a r e s c o m o s 4 livros é t e n t a d o r a , n ã o p e r c a a o p o r t u n i d a d e .
q u e j u s t i f i c a m p l e n a m e n t e o s e g r e d o . T a m b é m m o s t r a q u e o u t r o s e l e m e n t o s d a so- O q u e a r e s p o s t a d e vocês s i g n i f i c a p a r a R a m p a r t s : s u s t e n t o financeiro, v o t o d e con-
c i e d a d e . inclusive a i m p r e n s a , e s t ã o p r o n t o s a t r a t a r assuntos d e inteligência d e fiança. f o n t e d e o r g u l h o . A o e x p l i c a r a a u s ê n c i a d o n ú m e r o d e f e v e r e i r o , d i s s e m o s cm-
m a n e i r a responsável. O caso d o s u b m a r i n o equilibra a b a l a n ç a . Envolveu a possibili- m a r ç o q u e " o p i o r t i n h a a c a b a d o " . P a r a n ó s . a s o b r e v i v ê n c i a n ã o é m a i s u m a dúvida,
d a d e d e r e c u p e r a r o livro d e c ó d i g o s e a r m a s s o v i é t i c o s " . e m b o r a s e j a u m a l u t a . Se você p o d e m a n t e r e s s a l u t a . n ó s t a m b é m p o d e m o s .

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c a r t a aos seus c o m p a n h e i r o s d e Ex', de- d e s a f i o d e trabalhar com publicações


i tiniu: " O ta.blóide q u e vocês e s t ã o f a z e n d o c o m o a nossa» O s p u b l i c i t á r i o s s ã o m a i s
OAMCU&O?
c o m a i s m o d e r n o e, d i s p a r a d o , o m a i s d e s p o l i t i z a d o s até m e s m o q u e os j o r n a l i s -
a r r o j a d o dos filhos d a i m p r e n s a n a n i c a tas.
( n o m e afetivo q u e resolvi d a r ao "un- 3 — A s s i n a t u r a s : a t u a l m e n t e o Ex c o n -
derground" l u s o - a f r o - t u p i n i q u i m , q u e ta com 5 0 0 a s s i n a n t e s , t o d o s eles j o r n a l i s -
.SS, Terra, SPSP/? 014 )( : 8 - Versüo brazlleira - não é m a i s " u n d e r g r o u n d " , pois esta- tas ou c o m u n i c a d o r e s . E s t ã o e m c a m -
Esta emisão í Komemorativa: a 3 períodos, Times (v. belece as s u a s c o n d i ç õ e s p r ó p r i a s e h o j e é, p a n h a d e a m p l i a ç ã o desse n ú m e r o e t a m -
Kapa) publikava a notisia da deskoberta de um
autèntiko "Ex-34 )( 48", lodo eskrito i brazileiro. isto sim, i m p r e n s a viva, q u e q u e s t i o n a , b é m e s t ã o p a s s a n d o " u m a lista d e 100 as-
Komo se sabe, ate etâo so erã konesidas reprodusòes d u v i d a , e n f r e n t a , v a s c u l h a , a l e r t a , r e m e x e , s i n a n t e s m a i s q u e r i d o s " , u m a espécie d e
cia lirajè dese " E x " na cpoka de apenas 34 )( 18 jor- d e p õ e , d e r r u b a , c h e i r a a l g u m a coisa e " v a q u i n h a p a r a c o m p r a r as c a m i s a s e a
nais. a) P.Pat 8 bola p a r a o t i m e n ã b m o r r e r " . E s s a s as-
lede".
E esta o p i n i ã o d e S a m u e l W a i n e r , d e s i n a t u r a s especiais c u s t a m $ 500. As
q u e m os editores d o Ex se o r g u l h a m : o u t r a s , n o r m a i s , c u s t a m $ 35 (6 edições) e
" V o c ê s são a c o n t i n u a ç ã o d a U l t i m a H o r a . $ 70 (1 ano).
Íntegra Da Matéria Q u e foi. q u e i r a m ou não q u e i r a m , a Volta
R e d o n d a da i m p r e n s a b r a s i l e i r a . "
4 — S i n d i c a t o : os e d i t o r e s a c h a m q u e
"o sindicato dos jornalistas de SP tem u m
Feita Pelo Ex Para íaa. dUA&t:
O s e d i t o r e s se c o n s i d e r a m " b r a s i l e i r o s , desafio: sindicalizar a grande massa de

o I 9 Jornal do
lornalistas filhos de Diretrizes, A M a n h a , j o r n a l i s t a s d o E s t a d o , pois a m a i o r i a d o s
tu**. p&òbo d-£ Tlan. U l t i m a H o r a e P i f - P a f , i r m ã o s d e novos n ã o p e r t e n c e a o ó r g ã o d e classe, e m -

Nosso Sindicato:
q u e m esteja l u t a n d o pela volta d o jornalis- b o r a s e j a m p r o f i s s i o n a i s d e i m p r e n s a " .
m o à i m p r e n s a . Foi com essa p r o f i s s ã o d e De posse destes d a d o s e d e o u t r o s
fé" q u e seus editores m a i s velhos j á p a r - e l e m e n t o s , p o d e r á e n t ã o o j o r n a l i s t a voltar
Para realizar u m a r e p o r t a g e m sobre Ex t i c i p a r a m d o l a n ç a m e n t o d e várias p u - à r e d a ç ã o e f a z e r a m a t é r i a s o b r e o E X .
— " l h e São Paulo politic m o n t h l y news- blicações d e s t e país: E d i ç ã o d e E s p o r t e s
p a p e r " . c o n f o r m e disse o New York T i m e s de O E s t a d o de São P a u l o , J o r n a l d a T a r -
em sua edição de 9 d e julho — deve o jor- de. R e a l i d a d e . Veja, P l a c a r , Revista d e
nalista dirigir-se à r u a S a n t o A n t o n i o . Fotografia, O B o n d i n h o , O Grilo, Jor-
1043. nos altos da Tapeçaria D o m i c i l i a r : nalivro. P a n o r a m a .
trata-se de u m a a n t i g a casa a s s o b r a d a d a Na r e d a ç ã o d e Ex. os e d i t o r e s p a r -
no b a i r r o d o Bexiga, com s a c a d i n h a na ticipam de t u d o , inclusive d a v a s s o u r a n o
Irente. S 1.000 d e aluguel p o r mês (a ta- c h ã o e d o lixo n o p o r t ã o . Coisa com q u e
peçaria subloça os baixos da casa, pela a l g u n s n ã o se c o n f o r m a m . T e l e f o n e , a
m e t a d e d o aluguel tptal, m a s nem s e m p r e r e d a ç ã o tem orelhões d a v i z i n h a n ç a . O
consegue d a r a sua parte). vizinho m a i s p r ó x i m o d a r e d a ç ã o : E m -
t o m a r notas. /\s p a r e d e s f o r a m p i n t a d a s
Notará o j o r n a l i s t a q u e . p a s s a n d o u r i presa Brasileira d e P o r t a d e Aço. d e
pelos p r ó p r i o s editores cm o u t u b r o de 74.
portai' d e ferro, sobe-se u m a e s c a d i n h a d e p r o p r i e d a d e d o ex-jornalista Nelson G a t o .
c a d a u m a d e cor: m a r r o n . rosa, b r a n c o .
10 d e g r a u s e. e n t r a n d o na p o r t a a e s q u e r - No ú l t i m o d i a 10 de j u l h o , pela I a vez
Na p a r e d e d o f u n d o , um d e s p e r t a d o r
da. g e r a l m e n t e e n c o n t r a - s e Armindo na sua história d e 20 meses. Ex p a g o u
p a r a d o no meio-dia . q u e d i r á na meia-
M a c h a d o , espécie de e d i t o r - a d m i n i s t r a d o r u m a a j u d a d e c u s t o de 9 d e seus e d i t o r e s ;
noite. As a r t e s Unais, c a p a s , fotos, e t u d o o
( cr Ex n . ° 12. p á g i n a 30). O s o u t r o s 10 mil c r u z e i r o s divididos em 6 p a r t e s d e
mais de n ú m e r o s a n t e p a s s a d o s e n f e i t a m
editores e n c o n t r a m - s e n a s o u t r a s d u a s 700 cruzeiros p a r a os m a i s jovens, t o d o s
todos os c a n t o s . No b a n h e i r o e m p i l h a m - s e
salas. Na sala d o f u n d o , p o d e o j o r n a l i s t a t r a b a l h a n d o j u n t o s há n ã o m a i s q u e 2
os e n c a l h e s ("só t e m o s n ú m e r o s a t r a s a d o s
conversar com H a m i l t o n A l m e i d a , P a u l o a n o s . a l g u n s universitários, t o d o s interes-
\ i p a r t i r d o 7", d i z e m os a n ú n c i o s d o
P a t a r r a ou Mylton Severiano d a Silva — s a d o s em ser j o r n a l i s t a s p r o f i s s i o n a i s ;
p r ó p r i o Ex). Na c o z i n h a , está u m a espécie
os editores principais, j u n t a m e n t e com d u a s p a r t e s d e 1.900 c r u z e i r o s p a r a H a m i l -
d e arquivo.
Narciso Kalili. ton e M y l t o n ; e 2 mil c r u z e i r o s p a r a Ar-
Dos editores já citados. H a m i l t o n é o
Queira a g o r a ' o jornalista interessado m i n d o M a c h a d o ; os o u t r o s e d i t o r e s con- Ex-editores: H a m i l t o n A l m e i d a F i l h o / -
mais novo. 29 a n o s ; A r m i n d o t e m 30;

UNiDfiDe
t i n u a r a m socorridos por " f r e e - l a n c e s " , ou N a r c i s o K a l i l i / M y l t o n Severiano d a Sil-
Mylton. 3^; Narciso. 39; e P a u l o , 41. A
por seus e m p r e g o s n p u t r o s l u g a r e s , c o m o v a / P a u l o P a t a r r a / A m â n c i o C h i o d i / D á c i o
média d e i d a d e dos o u t r o s 8 ali p r e s e n t e s
é o c a s o d e P a u l o P a t a r r a (já está só n o N i t r i n i / P a l m é r i o D ó r i a d e V a s c o n c e l o -
na r e d a ç ã o n ã o p a s s a d o s 24 a n o s — u m
Ex). Narciso Kalili, J a y m e Leão, P a l m é r i õ s / A r m i n d o M a c h a d o / P e r c i v a l d e Sou-
deles tem 16.
Dória. H e r m e s Ursini e G a b r i e l R o m e i r o . z a / L u í s Carlos G u e r r e r o / A l e x S o l n i k / -
M a s a f i n a l , p o r q u e estaria o j o r n a l i s t a M a s há t a m b é m c o l a b o r a d o r e s efetivos Domingos Cop Jr./Hermes Ursini/Vanira
para que serve os [ i n t e r e s s a d o em s a b e r o q u e se p a s s a n o c o m o J o ã o A n t o n i o . Percival d e Souza C o d a t o / J o ã o A n t o n i o / C l á u d i o Favie-
oPremíolsso? da grande Ex? Simples. O p r ó p r i o Ex se d e f i n e c o m o Demócrito Moura, Marcos Faerman e ri/Jayme Leão/Jota /Hilton Libos/Cláudio
" U m jornal de T e x t o , Foto, Q u a d r i n h o e Oioniel S a n t o s Pereira, q u e n u n c a s e q u e r Edinger/Márcia Guedes/Ivo Patarra/-
>.í'7S •'.'•'!. , Escolas! I m p r e n s a " , d e s d e seu 1.° n ú m e r o , em p e n s a r a m na c o n t a b i l i d a d e d o Ex. Marli A r a ú j o / M ô n i c a T e i x e i r a / G u s t a v o
n o v e m b r o d e 1973, o Ex é u m j o r n a l feito Falcón/Agliberto C u n h a Lima/Demócrito
resomaa Alguns dados complementares que
naECA só por j o r n a l i s t a s e p a r a j o r n a l i s t a s e es- Moura/Elvira Alegre/Gabriel Romei-
p o d e m ser a n o t a d o s pelo j o r n a l i s t a :
t u d a n t e s d e C o m u n i c a ç ã o , s e g u n d o seus ro/Delfim Fujiwara/Sérgio Fujiwara/Lina \
1 — Custo industrial do n ú m e r o que
editores, " n u m a h o r a em q u e a i m p r e n s a Gorenstein/Valdir Oliveira/José Traja- j
está n a s b a n c a s (Ex-13, 30 mil e x e m p l a r e s )
p a s t e u r i z a d a , h e r m a f r o d i t a , oficial assép- no/Beth Costa/Luís Costa. Publicidade:
com d i s t r i b u i ç ã o n a c i o n a l d a Abril: $ 35
tica. etc. e a i n d a d i s t a n c i a d a d o seu povo, Wanderley Pereira.
mil; p o r t a n t o , p a r a a l c a n ç a r o " p o n t o d e
tala u m a l i n g u a g e m n ã o - b r a s i l e i r a , im- Ex-Editora Ltda. R u a S a n t o A n t o n i o
e q u i l í b r i o " , Ex precisa v e n d e r a p e n a s 4 0 %
portada. enlatada tecnocrata, bonitinha, 1043, C E P 01314, S P / S P . N e n h u m d i r e i t o
de sua t i r a g e m (preço d e c a d a , $ 6);
. i r r u m a d i n h a . c h e i r o s i n h a ; n u m a h o r a em reservado/Direitos de reprodução da
2 — P u b l i c i d a d e : e m seu ú l t i m o n ú -
q u e nossa i m p r e n s a p e r d e u a b r a s i l i d a d e . revista Crisis, c e d i d o s g r a t u i t a m e n t e / - .
m e r o (13) o Ex leve 1 p á g i n a p a g a (preço
>> I x a r e t o m a ao lado d e o u t r o s p o u c o s " . Tiragem: 30 mil e x e m p l a r e s . D i s t r i b u i ç ã o
de 6 mil cruzeiros) e o u t r a d e p e r m u t a .
Nacional: Abril S.A. C u l t u r a l e I n d u s t r i a l ,
() escritor e j o r n a l i s t a João A n t o n i o A p e s a r de sobreviver d a v e n d a em b a n c a ,
SP. C o m p o s t o e i m p r e s s o n a s o f i c i n a s d e
i l a m b e m um Ex-editor) b a t i z o u de Im- os editores a c r e d i t a m na existência d e u m a
| O D i á r i o d o Norte d o P a r a n á , av. XV d e
7 TtfÇ^Ur'* prensa N.anica o q u e a n t e s se c h a m o u " m e d i a " p a r a sua faixa. O q u e n ã o existe,
j N o v e m b r o . 391. M a r i n g á , P R .
ite " i i n d e r g r o u n d " . e s c r e v e n d o reeeri- dizem, "são publicitários, sejam criadores
NOSSO POBRE MERCADO OE TRABALHO i c m c n i c iTO P a s q u i m , n ú m e r o 318. E m d a s a g ê n c i a s ou c o n t a t o s , i n t e r e s s a d o s n o
C A P A ' El vira A l ç g r c
Ex-14

CONFESSE Hermes, Ursini, ex-pedreiro, ex-vocalista do "Red


Jets", ex-locutor em Sorocaba, ex-redator da Nor-
ton, Thompson e Standard. Atualmente ilustrador
free-lancer, sem telefone para recados e colabora-
JORNAL DE TEXTO, dor do Ex. Um dos poucos redatores que desenha e
vice-versa.
FOTO,QUADRINHOE O DIABO. — Hermes, é melhor você confessar logo: de onde
j v o c ê chupou os anúncios e ilustrações que você
(•fez?
! — Daquelas revistas bonitas e coloridas lá da Look.
Compre o Ex! M e l h o r ainda: assine o Ex, mandando I— Diz aí o nome das revisitas e não se fala mais
nisso.
este cupon (ou cópia dele, pra não estragar o jornal)
— Não dá.
para a Rua Santo Antônio, 1043, São Paulo - C E P 01314 Por quê?
— Em inglês eu só sei falar "maybe"
Look é o lugar onde você encontra revistas, livros e jornais escritos em
quase todas as línguas, alguns até em português. Tem revistas de
arquitetura, HQ, arte & decoração, cinema, moda, aviação, automobilis-
mo, fotografia, ciências e, naturalmente, os The One Show, Graphis
Annual e Modem Publicity da vida.
Nome: — Mais alguam coisa a dizer, Hermes?
— Queria aproveitar para deixar aqui meu endereço (rua Rodrigo Cláu-
Endereço: dio 478 Aclimação), oferecer ilustrações, textos e campanhas à preços
módicos e agradecer às autoridades civis, militares e eclesiásticas por
terem me deixado vencer na vida.
Cidade: Fçfarlrv

CEP: Data-

E U 12 EDIÇÕES (Cr$ 70) • 6 EDIÇÕES (Cr$ 35!


v©»AGENGA LOOK
galeria Zarvos — av. São Luis com
Forma de pagamento: cheque nominal para a Ex-Editora Ltda.
r. da Consolação — São Paulo.

MOVIMENTO A cidade é sua!


Londrina tem escolas, universidade, faculdade, boutique,
restaurantes, oficinas mecânicas, alfaiatarias,
relojoarias, cinemas, livrarias, emissoras de televisão,
Um jornal feito com o trabalho e o dinheiro de mais de 300 pessoas, estações de rádio, casas de móveis, indústrias , estádio,
ginásio de esportes, escolinhas maternais, clinicas veterinárias,
entre as quais mais de 100 jornalistas; costureiras, imobiliárias, médicos, dentistas, massagistas, sáunas,
— os principais fatos da semana supermercados, bares, revendedores de automóveis, a Prefeitura,
cartórios de paz, o Fórum, a Câmara dos Vereadores,
— a descrição da vida do povo brasi leiro o Centro Comercial, o Com-Tur, jornais, etc.
— em defesa das liberdades democráticas e da melhoria das condições de Voce não gostaria de saber
vida, do povo brasileiro tudo sobre tudo isto?
Agora pode.
— em defesa de nossos recursos naturais e por sua exploração planejada
em benefício da coletividade.

Movimento é dirigido por um conselho de Redação, que tem 51% das


ações da empresa editora do jornal, e orientado por um Conselho Edito- Aproveite!
rial composto por personalidades democráticas. Todos os domingos, de graça, e m sua casa, voce vai receber
o l.o jornal de serviços do Paraná. Um jornal preocupado com voce.

CONSELHO EDITORIAL
E d g a r de G o d ó i d a M a t a M a c h a d o
Francisco Buarque de Holanda
LEIA
H e r m i l o B o r b a C a r v a l h o Filho A HISTORIA E A GLORIA
José de Alencar Furtado
Fernando Henrique Cardoso
O r l a n d o Villas-Boas
Audálio Dantas
m BUS

CONSELHO DEREDAÇÃO EMERSON, LAKE & PALMER


A g u i n a l d o Silva
Antonio Carlos Ferreira JOÃO BOSCO
B e r n a r d o Kucinski
Elifas A n d r e a t o
JORGE BEN YES
Fernando Peixoto MUTANTES
F r a n c i s c o d e Oliveira
F r a n c i s c o Pinto LOU REED
Jean Claude Bernardet
Marcos Gomes
Maurício A / e d o Todas as segundas
R a i m u n d o Rodrigues Pereira
Teodomiro Brasa feiras nas bancas
JA' NAS BANCAS
O r l a n d o volta p a r a lá d e n t r o d e 8 a p a r ê n c i a , c a r r e g a v a a l g u n s li vros de-
luas a p a r t i r d a p r i m e i r a d e s e t e m b r o , baixo do-braço. Não sabia ainda q u a n d o Ramirez Amaya, 30 anos,
q u e r dizer a n t e s d o fim d o a n o . E aceita seria sua p r ó x i m a refeição (talvez tivesse guatemalteco, já expôs em toda a
"Idi Amin"
c o n t r i b u i ç õ e s p a r a levar aos a u r á s d e de e m p e n h a r os livros p a r a comer). América Latina. Veio ao Brasil
l a m a he. Q u e m quiser, c o m u n i q u e - s e — Eu pensei q u e o Pelé fosse u m a es-
para expor no Museu de Arte de
Na Imprensa
com O r l a n d o d e Oliveira, a t r a v é s d e Ex, p é c i e , d e líder h u m a n o . N ã o q u e r e m o s
r u a S a n t o A n t ô n i o , 1043, SP, c a p i t a l . n a d a p a r a nós, negros, m a s p a r a o ho- São Paulo. Agora vai voltar para
Brasileira m e m . E d e s c o b r i q u e Pelé j á é b r a n c o . seu país. Mas está com medo de La
Mano, organização extrema-direita
(Continuação) Mas Qual a Atitude Luís Carlos Assis especialista em "inimigos do re-

Visão (18 d e agosto) p u b l i c a 8 p á g i n a s


Mais Sensata Que gime" na Guatemala. Toda se-
mana, uma mão pintada de preto
sobre C u b a . E c r e d i t a a r e p o r t a g e m a " e n - Um Preto Pode Tomar FALA O P O V O
aparece nas ruas. Embaixo, uma
viados e s p e c i a i s " . Só o r e p ó r t e r F e r n a n d o
Morais esteve lá. P a s s o u 2 m e s e s - feve- Nos Estados Unidos? Seu Freguês lista de pessoas "marcadas para
Faça o Favor
reiro e m a r ç o - f a z e n d o u m a r e p o r t a g e m morrer". Ramirez e alguns colegas
para a revista , depois de ficar m a i s d e 1 E n c o s t a r a m dois c a r r o s d a polícia, entraram na lista porque encheram
ano t e n t a n d o c o n s e g u i r visto d e e n t r a d a . u m de c a d a lado. Foi q u a n d o d e s c o b r i q u e
sou um s u l - a m e r i c a n o . C o m o n ã o estou
De M e Servir a Cidade Universitária de gozações
Depressa
Mas Visão n ã o quis p u b l i c a r as 180 contra a propaganda oficiall. Eram
l a u d a s q u e F e r n a n d o escreveu a o voltar. a c o s t u m a d o , p a r e c i a u m a coisa d o o u t r o
No Ex-13, o r e p ó r t e r c o n t a q u e teve " u m a m u n d o , a q u e l a p a s s e a t a d e 35 negros,
pinturas de até 15 metros de altura.
longa e t e n e b r o s a " conversa c o m o en- jovens c o m p o s i t o r e s d e Nova Y o r k , e m "Não se falava de outra coisa em
genheiro H e n r y M a k s o u d , d o n o d a revista, frente da Warnes Communications — Exllssma Sra. ou SR. toda a Guatemala ; fui obrigado a
que lhe disse: p r o p r i e t á r i a d o t i m e de Pelé (o C o s m o s ) e sair e agora não se quanto .tempo
de mais 22 e m p r e s a s . Venho por meio desta carta fazer-lhe
- Gosto da matéria. Li as primeiras
u m a p e l o d e c a r á t e r filantrópico, e s t a n d o
dá pra ficar". Veja ilustrações de
linhas e não consegui parar. E sei q y e você Os policiais a s s i s t i r a m ao p r o t e s t o dos
não (em n e n h u m a implicação política. negros, eles q u e b r a n d o discos, e n ã o fi- eu sem e m p r e g o e sem a r r i m o , e n c o n t r a n - Ramirez nas páginas 10, 11 e 12
Mandei levantar sua» f i c h a nos órgãos "de zeram n a d a . M a s a polícia estava ali só d o d i f f i c u l d a d e s p a r a a r r a n j a r colocação Acima, seu auto-retrato.
segurança e vi que nada existe a seu res- p a r a g a r a n t i r a pessoa de o u t r o negro, devido às exigências d a i d a d e , pois t e n h o
peito. q u e não precisa q u e b r a r discos (ou r a s g a r c i n c o e n t a e oito a n o s a t u a l m e n t e , 58, ten-
do trabalhado como garçon por muitos
Algum t e m p o d e p o i s F e r n a n d o foi c h u t e i r a s ) p a r a m o s f a r q u e está m a l , sem BAIXA SOCIEDADE
e m p r e g o e s e m d i n h e i r o . Pois, e n q u a n t o anos v e n h o eu e n c o n t r a n d o d i f i c u l d a d e s
Furo: Torcedores
d e m i t i d o . E só a g o r a , n o m e s m o n ú m e r o
Pelé discutia seu s a l á r i o (7 m i l h õ e s de p a r a , requerer minha aposentadoria
que t r a z u m artigo a respeito d e Idi
devido à f a l t a dc registros a n t e r i o r e s . Vejo-
Em Fúria Massacram
A m i m , cinco m e s e s d e p o i s . Visão p u b l i c a d ó l a r e s por 3 anos) em escritórios f o r r a d o s
de peles com 10 c e n t í m e t r o s d e a l t u r a , 35 m e f o r ç a d o a p e d i r - l h e auxilio, pois m i n h a
a reportagem . Segundo Fernando.
s i t u a ç ã o é p r e m e n t e c o m d e s p e s a s for-
Português
" T o t a l m e n t e a d u l t e r a d a " . No m o m e n t o , negros lá e m b a i x o p r o t e s t a v a m — nin-
guém lhes d a v a " t r a b a l h o d e f é r i a s " . E r a ç a d a s aluguel e o u t r o s p r o b l e m a s , es-
F e r n a n d o escreve u m livro s o b r e C u b a e

Nas Arquibancadas
verão, Nova York estava q u e n t e e Pelé p e r a n d o eu d a p a r t e d a s e n h o r a ou s e n h o r
monta u m a editora para lançar jornal de
q u e é b o m saiu pela p o r t a dos f u n d o s , compreensão da evidência d o s f a t o s
polícia.
d e v i d a m e n t e avisado por seu m o t o r i s t a r e l a t a d o s a c i m a , n ã o f a l t a n d o c o m este'
particular, negro t a m b é m . p e d i d o c o m o disse m a i s a c i m a , t e n d o eu Noite d e 7 d e agosto, e s t á d i o d o Pa-
Indinho Tupi No H a r l e m . u m n e g r o mal vestido
t r a b a l h a d o com p a t r õ e s q u e n ã o c u m - c a e m b u , SP. A P o r t u g u e s a g a n h o u d o
p r i n d o c o m s u a s o b r i g a ç õ e s c o n t r a t u a e s C o r i n t h i a n s p o r 4 a 1. U m t o r c e d o r d a
Pede Uma
c o m o sc lí/esse q u e s t ã o d e ser c h o c a n t e na m e l e v a r a m a esta e m e r g e n c i a e a este es- P o r t u g u e s a , b a n d e i r a d o time, n a s m ã o s ,
t a d o d e coisas, n ã o s e n d o c u l p a d o pelo q u e resolve f e s t e j a r n o m e i o d a t o r c i d a corin-
Ajudazinha Pelo me acontece atualmente. t i a n a . Seu c o r p o foi e n c o n t r a d o , m a i s t a r -

Amor De Tupã
Atenciosamente agradecido. de, pelos f a x i n e i r o s d o e s t á d i o , desfi-
Do Criado e Obrigado gu r a d o p o r mil golpes, a o l a d o d a b a n -
Luís F r a n ç a M e s q u i t a . d e i r a de seu t i m e . E r a p o r t u g u ê s .
T a m a h e é u m a m i g o d a gente, u m A história, c o n t a d a p o r u m d e l e g a d o ,
h o m e m b o m q u e m o r a às m a r g e n s d o Xin- foi c i t a d a p o r Percival d e S o u z a (do J o r n a l
gu. T a m a h e é u m a u r á , e o ^ j o r n a l i s t a (O autor, morador n u m a casa de cômodos da rua d a T a r d e e Ex) n o I Ciclo d e D e b a t e s d o
Guaicurus, 311, escreveu a carta a mão; no dia 13 de S i n d i c a t o dos J o r n a l i s t a s d e SP, d i a 18 d e
O r l a n d o Oliveira c o n h e c e u s u a t r i b o n o agosto, ele estava percorrendo o bairro paulistano de
mês d e agosto p a s a d o . Ao fim d e 5 dias, Vila Romana, mostrando a carta de casa em casa.
agosto. O t e m a d o d i a e r a Jornalismo
Orlando partiu e recebeu de T a m a h e Ele diz que muitas donas de casa nem lêem; pensam Policial. E Percival f a l o u d e E s q u a d r ã o ,
u m a lista de p e d i d o s , e m n o m e d a crian- que ele pertence a alguma instituição beneficente.) a u m e n t o d e c r i m i n a l i d a d e e o u t r a s violên-
ç a d a , p r i n c i p a l m e n t e os m e n i n o s Iseb e cias.
Iluah. Estava escrito a s s i m , n u m p e d a ç o D á c i o Nitrini
de papel r a s g a d o de u m p a c o t e d e c i g a r r o : (Interino)
bola. e n x a d a , relógio d e s p e r t a d o r ,
m i ç a n g a , pilhas, m é d i a e g r a n d e , f a c ã o , ANÚNCIOS FÚNEBRES
lima, facas, espelho, p a n o , t i n t a s ver-
melha, azul e a m a r e l a , leite e m pó, m a - A. S O L Z H E N I T S Y N
m a d e i r a , botas, chinelos, anzol, t e s o u r a ,
bala 22. c a r t u c h o 20. fósforos, c a m i s e t a s ,
VoUTH Os editores e funcionários do Ex cum-
p r e m o dever d e c o m u n i c a r o f a l e c i m e n t o .
shorts, gilete, b r i n q u e d o s l a n t e r n a , disco
de R o b e r t o Carlos, l i n h a , a g u l h a , cigarro,
caramelo, pasta de dente, machado, _ 7 d e m a n d s P. F R A N C I S
guisos, óculos escuros. Os e d i t o r e s e f u n c i o n á r i o s d o Ex c u m -
p r e m o dever d e c o m u n i c a r o f a l e c i m e n t o .

Èf
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D li K. NETTA
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Anali.r • I>rlr i,.M> Si.lirrnatur.l (.o CientiliiD)
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-visual <,.• psko-iilfittal.
I Mum^o ..ntiuiriital

l)r. K., um analista.


d e s a p o n t a d o ao e n c o n t r a r a m a i o r i a d a
liderança sindical d o m i n a d a pelos co-
munistas.
Depois, foi p a r a a Itália, o n d e e n c o n - negocios. m a s p a r a isso e necessário en-
trou as coisas a i n d a mais i n q u i e t a n t e s . " 2 5 c o n t r a r d u a s secretárias. E n t ã o p o d e r á in-
anos a t r á s o O c i d e n t e n ã o p e r m i t i a u m stalar-se n u m dos prédios da p r a ç a , de
a v a n ç o c o m u n i s t a na Itália, m a s a g o r a l u m i n o s o 11a f a c h a d a , p i s c a n d o : IN-
parece q u e p e r d e m o s nossa f o r ç a p o l í t i c a " . I E L E C T U S L T D A (é o n o m e d a firma
Na Itália. Brown estava com H o w a r d que pretende fundar).
Milissani. c h e f e d o Cofiselho de T r a b a l h o 0 d r . K. nasceu em S a n t o A n t ô n i o d a
I t a l o - A m e r i c a n o . e deu m u i t o d i n h e i r o aos P l a t i n a . Norte d o P a r a n á , faz 36 a n o s .
sindicatos italianos de direita. T e m e - s e Atendia pelo n o m e de João Avelino dos
u m a intervenção a m e r i c a n a em q u a l q u e r S a n t o s e d e s d e m e n i n o p e r c e b e u q u e era
l mu parada: Santiago, 1 *)75. lugar o n d e a política esteja em m u d a n ç a . diferente:

O Chile Da Europa: ções a m e r i c a n a s em o u t r o s lugares. Kis-


singer r e s p o n d e u ;
Por c a u s a d o Chile, era inevitável q u e os
p o r t u g u e s e s c u l p a s s e m a CIA a p ó s o
— Com 10 anos, senti u m a eletrici-
d a d e pelo c o r p o . M a s n ã o t i n h a i d a d e
a) Itália () — É uma pergunta filosófica interes- f r a c a s s a d o golpe d e 11 de m a r ç o d o ge-
neral Spínola. Vasco Gonçalves p e d i u en-
p a r a e n t e n d e r o q u e se passava. Hoje eu
sei q u e sou um ser d o t a d o , com eletri-
b) Espanha ()
sante. Vamos prosseguir. Qual é a outra
pergunta? tão q u e o e m b a i x a d o r n o r t e - a m e r i c a n o c i d a d e c a p a z até d e m a t a r , d e p a r a l i s a r
saisse d o pais pois não g a r a n t i a s u a se-
c) Portugal ()
Dois dias depois. Kissinger e Ford a n i m a i s . Só com a força d a m i n h a m e n t e .
receberam críticas de congressistas g u r a n ç a . M a s C a r l u c c i ficou. Fala-se que Veio cm 71 p a r a São P a u l o e em 4
a m e r i c a n o s . Uni deles disse q u e , a p e s a r os E U A vão a n e x a r as ilhas dos Açores anos fez-se f a m o s o n o c o r a ç ã o d e São
d a s críticas sobre a ação d a CIA 110 Chile, o n d e têm bases militares, se u m governo P a u l o : " V o u p o d e r m e d e s f o r r a r d a in-
A 19 de julho de 1945, Stálin t i n h a
os E s t a d o s Unidos seriam a t a c a d o s por comunista controlar Portugal. g r a t i d ã o d a s m u l h e r e s . Só p o r q u e tive
unia idéia. Na C o n f e r ê n c i a de P o t s d a m .
disse q u e " o regime f r a n q u i s t a era u m não salvar a Itália, se o P a r t i d o C o m u n i s t a No m o d e l o chileno, os 58 milhões d e paralisia na p e r n a e s q u e r d a , n i n g u é m m e
grave perigo c o n t r a os povos a m a n t e s d a Italiano um dia g a n h a r o controle d o país, dói ares q u e Kissinger a u t o r i z o u a CIA a q u e r i a . Hoje t e m m u l h e r assim m e
l i b e r d a d e da E u r o p a e A m é r i c a " . E su- eleitoralmente. g a s t a r p a r a " d e s e s t a b i l i z a r " o país e r a m q u e r e n d o " . A t a b e l a de preços d o d r . K.
geriu q u e os Aliados c o r t a s s e m t o d a s as A 1 3 d e j a n e i r o d e 1971. C. L. Sulzber- r e l a t i v a m e n t e pouco, m e s m o t e n d o sido Netta:
relações com o governo de F r a n c o , " c o m o ger publicou um artigo n o New York t r o c a d o s 110 m e r c a d o n e g r o d e S a n t i a g o . C a r t a . $ 15; análise geral, $ 15; sal-
apoio às forças d e m o c r á t i c a s na Espa- Times o n d e dizia q u e a " I t á l i a estava " N o dia d o nosso t r i u n f o eleitoral d e 4 d e vação de c a s a m e n t o , $ 4 mil ( a b a t i m e n t o
nha". politicamente doente e que o Partido s e t e m b r o d e 1970". disse Allende nas p a r a operário); c o n s u l t a e m casa $ 100.
Proposta razoável, m a s n ã o exata- C o m u n i s t a I t a l i a n o p o d e r i a c h e g a r ao Nações U n i d a s erii 1972, " s e n t i m o s u m a Esta análise geral d a s i t u a ç ã o brasileira
m e n t e o q u e W i n s t o n Cluirchill t i n h a eni poder através de eleições, c o m o Allende pressão e x t e r n a em g r a n d e escala c o n t r a foi feita e x c l u s i v a m e n t e p a r a o Ex (de
m e n t e . Ele detestava o r e g i m e d e F r a n c o e le/". nós. t e n t a n d o i m p e d i r a posse d e u m graça):
dissei m a s era c o n t r a i n t e r f e r ê n c i a nos Q u a t r o a n o s mais t a r d e a Itália °stá n o governo eleito pelo povo, e s t r a n g u l a r nossa " B a s t a a p e n a s q u e lhe d e m o s u m fiel
p r o b l e m a s internos de o u t r a n a ç ã o . E n t ã o m í n i m o t ã o d o e n t e q u a n t o em 1971 — o e c o n o m i a , p a r a l i s a r as v e n d a s d o nosso e x e m p l o d a nossa a u t o r i d a d e intelectual:
Harrv T r u m a n falou: e m b o r a desejável, governo italiano já se ,declarou p r á t i c a - principal p r o d u t o d e e x p o r t a ç ã o , o c o b f e " . bastaria que convocássemos nossos
achava que u m a m u d a n ç a devia ser m e n t e falido — m a s os c o m u n i s t a s até (Agora q u e a e c o n o m i a socializada foi químicos. l i m i t a n d o - n o s à f u s ã o de
deixada a cargo dos espanhóis. a g o r a n ã o g a n h a r a m o p o d e r . Até de- p r o c l a m a d a em P o r t u g a l , p o d e se e s p e r a r e l e m e n t o s m i n e r a i s sensíveis a o fogo ou
c l a r a r a m q u e . se t o m a s s e m p a r t e d o o pior). eletricidade. T e r í a m o s e n t ã o u m o u r o de
" N ã o é um problema doméstico, mas
um perigo i n t e r n a c i o n a l " , protestou governo, ficariam na O r g a n i z a ç ã o d o Tra- As pressões financeiras e e c o n ô m i c a s fina q u a l i d a d e com o q u a l p o d e r í a m o s n ã o
Stálin. ' I s t o Vale p a r a q u a l q u e r p a í s " . , t a d o d o Atlântico Norte — O T A N . E a conseguiram arrebentar a economia só c o m p e t i r , m a s t a m b é m d e s t r u i r a força
r e t r u c o u Churchil! e p e r g u n t o u se n ã o O T A N só pensa na Itália, q u a n d o se fala chilena e f o r a m um t r e i n o p a r a a E u r o p a . d o d ó l a r q u e nos e s m a g a ou até c o m p r a r
existia em Portugal u m a d i t a d u r a se- em Chile. A técnica d e e m p r é s t i m o s e dívidas em os E s t a d o s U n i d o s e p a g á - l o à vista pelo
m e l h a n t e à e s p a n h o l a . Stálin r e s p o n d e u E m o u t u b r o d o a n o p a s s a d o . Kissinger P o r t u g a l . Itália e E s p a n h a , deve ser a g o r a sistema d e c â m b i o v i g e n t e . "
q u e " o governo s a l a z a r i s t a surgiu de u m e Ford e n c o n t r a r a m - s e em W a s h i n g t o n bem vigiada. S a b o t a g e m financeira e s u b -
desenvolvimento interno, e n q u a n t o o d e com M á r i o Soares, líder d o P a r t i d o versão c a l a d a p o d e m p a r e c e r a r m a s sofis- E m troca, p u b l i c a m o s seu a n u n c i o :
F r a n c o surgiu d a intervenção d e Hitler e Socialista P o r t u g u ê s , e com o general Cos- ticadas. M a s o Chile é u m a l e m b r a n ç a d a
Mussolini". ta G o m e s , q u e mais t a r d e s u c e d e u Spínola eficácia d o seu uso.
O r e s u l t a d o de P o t s d a m e Y a l t a foi a 11a presidência. Um d i p l o m a t a p o r t u g u ê s INTELECTUS LTDA.
(Condensado de Ramparts, ver pág. 4).
realpolitik — divisão em e s f e r a s de in- ouviu Kissinger dizer e n t ã o q u e os E U A
llucneia q u e deu à E u r o p a 30 a n o s que n ã o a d m i t i r i a m um governo c o m u n i s t a e m
Em fase de infusão social, es-
m u i t o s c h a m a r i a m de paz, m a s que Portugal.

Dr. K. Exclusivo:
m u i t o s e u r o p e u s p r e f e r e m c h a m a r de or- tá admitindo duas secretárias
0 golpe d e 25 d e abril pegou o D e p a r -
d e m . Este sistema pode e s t a r finalmente que consigam preencher os
o Brasil Pode
t a m e n t o d e E s t a d o dos E U A d e s u r p r e s a .
e n f r a q u e c i d o . E o d e s g a s t e é m a i s visível Um dos auxiliares de Kissinger chegou a seguintes requisitos: Loiras,
Comprar Os EUA
o n d e parecia ser m a i s improvável. Na f r a s e declarar: "Portugal causou pânico aqui. olhos verdes ou azuis, prática
de Stálin " o governo salazarista surgiu de P r i n c i p a l m e n t e p o r q u e n ã o t e m o s nin- em relações públicas e com am-
e Pagará Vista!
um desenvolvimento i n t e r n o " . Hoje a guém q u e saiba a l g u m a coisa desse povo.
situação em Portugal e na Itália t o r n o u - s e bições artísticas. Ambiente ao ar
Não havia n i n g u é m de q u a l i d a d e na e m -
o s í m b o l o desse desgaste. b a i x a d a p a r a dizer o q u e e r a m os c a p i t ã e s ;
livre e ótimo refeitório. Socie-
Os e u r o p e u s n ã o a c r e d i t a m que os adidos militares s e m p r e a c h a r a m q u e P e r u c a , colar d e b r i l h a n t e s na testa, dade indireta. Preferência sol-
W a s h i n g t o n aceite isso p a s s i v a m e n t e . A era u m a h u m i l h a ç ã o f a l a r com alguém anel de caveira na m ã o d i r e i t a — o d r . K. teira e livre. Tratar com o Dr. K.
d e s e s p e r a d a recusa em d e i x a r o controle a b a i x o de c o r o n e l " . parece u m a m a d a m e s e n t a d a n u m a ca- Netta na praça da Sé, em frente
110 C a m b o j a e 110 V i e t n a m não g a r a n t e 1 )e r e p e n t e o S h e r a t o n Hotel de Lisboa deira velha, d e b r u ç a n d o - s e s o b r e u m
I u m a política de s e r e n i d a d e . E os E U A
da Catedral, das 9 às 18 horas.
licou cheio de gente p a r a corrigir esse caixote. As 9 d a m a n h ã , d e b a i x o d o sol, já
i podem aplicar na E u r o p a as técnicas sub- deleito. E o pessoal da e m b a i x a d a a cres- está a t e n d e n d o na p r a ç a d a Sé. n o meio d a
| versivas a p l i c a d a s no Chile, p a r a d e r r u b a r cer. Em s e t e m b r o . Kissinger m u d o u o e m - p r a ç a , o m a r c o zero de São Paulo. Escreve
i \ l l e n d e . (Ver pág. 3"). S e g u n d o o seu e x - José Trajano
b a i x a d o r : colocou um d e sua c o n f i a n ç a ; c a r t a s de a m o r . de c o n s e l h o , c a r t a s c o m e r -
S diretor William C olbv. <> q u e a CIA léz no F r a n k Carlucci. ciais. cria slogans, poesias, roteiros d e
I ( hile era um "laboratório p a r a testar téc- Em agosto de 74. o g eneral V e r n o n c i n e m a e peças de t e a t r o . S o b r e o caixote,
nicas de g r a n d e s investimentos financeiros Walters. q u e fala f l u e n t e m e n t e p o r t u g u ê s , o q u e é a sua e s c r i v a n i n h a , a p l a c a : D R .
. . . i r a ' d e s a c r e d i t a r e d e r r u b a r um gover- apareceu em Lisboa: e a CIA d e c l a r o u q u e K. NI I I A .
, no" ele estava de férias. Mais poderoso que M a n d r a k e , o dr.
j A IX de s e t e m b r o d e 1974. Kissinger Em m a i o . s e m a n a s a p ó s a q u e d a de K. Netta s a b e q u e é o h o m e m m a i s i m p o r -
justificou a a ç ã o c o n t r a o governo chileno C a e t a n o , irving Brown. o u t r o velho a m i g o t a n t e d o m u n d o , e isso c o n s i d e r a n d o - s e os
em t e r m o s de " s e g u r a n ç a n a c i o n a l " (dos da CIA. chegou a Lisboa com Michael últimos 7r< anos d e história. G a n h a Cr$
Estados Unidos). Ai 11111 r e p ó r t e r e u r o p e u Boggs. d i r e t o r d a seção i n t e r n a c i o n a l d a 300 por d i a . e s c r e v e n d o c a r t a s por en-
p e r g u n t o u se o m e s m o a r g u m e n t o não Al I - C I O . p a r a ver o q u e podia fazer pelos c o m e n d a (a r-0 m e t r o s dali. desenvolvem--
poderia ser u s a d o p a r a j u s t i f i c a r interven- sindicatos p o r t u g u e s e s . Brown ficou sc as o b r a s d o metrô). Precisa a m p l i a r os
Ex-14

A QUEM
salada lENDER A PENA DÊ

(> cientista brasileiro.

C o n d e n a d o s à m o r t e , Sacco e V a n z e t t i
f o r a m e x e c u t a d o s n a c a d e i r a elétrica
depois d e p a s s a r 7 a n o s n a c a d e i a e 6
meses n u m M a n i c ô m i o J u d i c i á r i o , sob
protestos d e n t r o e f o r a d o s E s t a d o s
Unidos. Mais pormenores (muitos mais)
s o b r e este u s o político d a p e n a d e m o r t e ,
Sacco e Yan/.elli, pouco antes de serem mortos n o livro A Tragédia de Sacco e Vanzetti,
d e F r a n c i s RusselI (Civilização Brasileira).
Opinião De Um
Jurista Popular: César Lattes Não Seqüência de Messias Augusto da SiKa. Local: rua Major (Juedinh», Si'.

a Morte Só Está Caduco: a m é t o d o s q u e eu sei q u e f o r a m u s a d o s , pelo a n a l f a b e t i s m o , p e l a subnutrição,

Pertence a Deus. Energia Solar Terá


colocar em recipientes d e c l a r a d a m e n t e
seguros, e n f i a r n ã o sei q u a n t o s m e t r o s
mortalidade infantil.
— E o Centro Brasileiro de Física?

De Ser a Solução.
debaixo da terra, não d e r a m certo. Era tão — P e r a aí, eu t o u f a l a n d o u m a coisa,
— Você é a favor ou c o n t r a p e n a d e
s e g u r o q u e dali a p o u c o c o m e ç o u a n ã o estou c a d u c o a i n d a ! E n t ã o h á m u i t a
morte?
a p a r e c e r r a d i o a t i v i d a d e em c i m a da verba p a r a p e s q u i s a desse tipo... A g o r a é
F i l t r e 96 pessoas e n t r e v i s t a d a s n o cen- 51 anos, físico desde os 19 pela Facul- t e r r a . M e f a z l e m b r a r os r e c i p i e n t e s se- u m a coisa q u e só o f u t u r o r e s p o n d e r á , se
tro d e São P a u l o pela R á d i o Jovem P a n , 87 dade de Filosofia Ciências e Letras da guros dos finlandeses que eram tão essa é a r e s p o s t a a o nosso a t r a s o .
loram a favor (92%). U m d i a a n t e s , 11 d e Universidade de São Paulo. D e p o i s de se seguros q u e eles v i n h a m j o g a r o a r s s ê n i c o — C o m o estão as pesquisas de energia
agosto, o d e p u t a d o e s t a d u a l E r a s m o M a r - formar, trabalhou na Ingltatcrra e nos Es- a q u i n o A t l â n t i c o Sul; m a s , se e r a s e g u r o , solar?
tins P e d r o ( M D B - R i o d e J a n e i r o ) t i n h a tados U n i d o s , o n d e , aos 24 anos, des- j o g a s s e m lá n u m d o s mil lagos q u e eles — B o m , eu a c h o q u e essa t e r á d e ser a
pedido p e n a de m o r t e p a r a os seqües- cobriu u m a das partículas elementares da t ê m . E q u a n t o m a i s e n e r g i a você g e r a r solução. E u . . . você s a b e q u e , n a r e a l i d a d e ,
tradores d o m e n i n o C a r l o s E d u a r d o , matéria: o meson pi. Com esta descober- m a i s lixo vai t e r . T e m , d e vez e m q u a n d o , a e n e r g i a h i d r o e l é t r i c a , é d e f o n t e solar,
.desaparecido há 2 anos e e n c o n t r a d o mor- ta, ficou internacionalmente conhecido, u m a s p r o p o s t a s m a l u c a s — b o t a r e m ór- não é? C o m o é q u e a água subiu pra
to. Eis a l g u m a s r e s p o s t a s , i r r a d i a d a s n o conseguiu a l g u m apoio governamental b i t a , b o t a n u m satélite e m ó r b i t a . E n t ã o a d e p o i s descer... h e m ? O sol f a z e v a p o r a r a
p r o g r a m a São Paulo Agora, produzido para continuar seus trabalhos e passou a p r o p o s t a r a c i o n a l é ir c o m c u i d a d o , ir á g u a , f o r m a n u v e n s , chove e t a l , f o r m a
por M a r c o A n t o n i o G o m e s , d a Jovem pesquisar e lecionar na Universidade de devagar e certamente não esconder, não rios. c a c h o e i r a s e tal?... A h i d r e l é t r i c a é
Pan: São Paulo. R e c e n t e m e n t e , transferiu-se a d i a n t a e n t e r r a r . M e l h o r q u e ele e s t e j a solar. A e n e r g i a solar é l i m p a . , n ã o é ? Ela
" A pessoa p o d e , n a vida, se a r r e p e n - para a Universidade Estadual de Cam- n u m l u g a r e m q u e se p o s s a verificar se está
pinas, onde desenvolve u m projeto so- p o d e t r a z e r q u e i m a d u r a s ou m o r e n a s . ,
der d o q u e fez. U m a a t i t u d e n u n c a é I v v e n d o v a z a m e n t o ou n ã o .
bre u m novo e s t a d o da matéria. M o n t o u m o r e n a s m u i t a b o n i t a s , n ã o é? M a s é ex-
definitiva, o ser h u m a n o m u d a d i a a d i a .
t a m b é m u m grupo de estudos de raios cós- — Dentro da física, n o Brasil, existe ou t r e m a m e n t e l i m p a . A e n e r g i a elétrica, ela
Mesmo que mate, roube, sempre há u m a
micos e m Chacaltaia, nos A n d e s boli- existiu evasão de cérebros? s o z i n h a , é a m a i s l i m p a q u e se c o n h e c e . Se
razão. D e v e r í a m o s e s t u d a r as r a z õ e s q u e
vianos. P r e o c u p a d o c o m a f u n ç ã o social da — F a l a r e m evasão d á idéia d e f u g a ou o s u j e i t o tiver d ú v i d a s , põe o d e d o q u e vai
levam p e s s o a s a a g i r / t e s t a f o r m a . E t e n t a r
ciência, afirma que ela " n ã o é neutra e por negócio desse t i p o ; e f a l a r e m c é r e b r o d á a ver q u e ela n ã o só é l i m p a , m a s a o r i g e m
corrigir, e n t e n d e ? "
isso todo cientista precisa entender seu i m p r e s s ã o q u e é a m e s m a coisa q u e u m é solar, q u e r dizer, a o r i g e m d e s s a e n e r g i a
m o m e n t o histórico. O inventor da b o m b a c o m p u t a d o r , h o j e e m d i a esses b i c h o s aí são as r e a ç õ e s t e r m o - n u c l e a r e s d o sol.
Geni de Souza, 31 a n o s . A g o r a , a q u a n t i d a d e d e e n e r g i a q u e o sol
atômica pode ter sido u m grande cientista, são c h a m a d o s d e c é r e b r o s e l e t r ô n i c o s .
m a s foi u m m i c r o - h o m e m incapaz de en- Você está p e r g u n t a n d o se c i e n t i s t a s d e m a n d a prá terra é uma imensidade, quer
" A m o r t e só p e r t e n c e a D e u s . Sou con- dizer, coisa d a o r d e m d e 1 q u i l o w a t t p o r
tender seu m o m e n t o histórico e a u tili- g a b a r i t o i n t e r n a c o n a l t ê m d e i x a d o o Brasil
tra p o r q u e o q u e n ó s p r e c i s a m o s é levar o m e t r o q u a d r a d o . N ã o se s a b e a i n d a u m a
y.ação q u e seria d a d a ao seu invento. Se p o r s a l á r i o s m e l h o r e s . N o c a m p o d a física,
povo a o c o n h e c i m e n t o d e Jesus Cristo, maneira eficiente de aproveitar e a r m a -
u m a pesquisador percebe que não t e m q u e eu s a i b a , n ã o , q u e r d i z e r , h o u v e a
p o r q u e só Jesus C r i s t o pode transfor- z e n a r , p o r q u e d e noite n ã o t e m sol e eu sei
controle sobre sua descoberta, deve ar- saída há b a s t a n t e t e m p o , m a s n ã o e r a só a
mar o coração de um homem. A pena de que tem havido pesquisas. M a s por
quiva-la". falta de salários era a falta de condições.
m o r t e n ã o resolve." motivos — v a m o s c h a m a r d e e c o n ô m i c o s
A g o r a , se a pessoa q u e t r a b a l h a e m pes-
q u i s a científica s o f r e u m a a p o s e n t a d o r i a — eu a c h o q u e n ã o se investiu o n e c e s s á r i o
Ataliba Silva, 65 anos, aposentado. c o m p u l s ó r i a , ele n ã o t e m o u t r o r e m é d i o , no estudo do aproveitamento prático da
— Sob o ponto de vista científico, quais a n ã o ser m i g r a r ; é o c a s o d o p r o f e s s o r e n e r g i a solar, p o r q u e havia o u t r a s f o n t e s ,
" N a m i n h a o p i n i ã o , esses e l e m e n t o s aí, as vantagens o u desvantagens do acordo Leite Lopes q u e está e m S t r a s b u r g o ( F r a n - não digo mais econômicas, mas mais ren-
se f a z e m isso p o r q u e s t õ e s f i n a n c e i r a s , nuclear? ça). Ele sair p o r u m o r d e n a d o m e l h o r , n ã o d o s a s d e e n e r g i a , q u e p o d e r i a m ser u s a d a s
deve haver u m e s t u d o m a i s p r o f u n d o d a — M a r g i n a l m e n t e isto p o d e ser útil a sei, p r e f i r o n ã o c o m e n t a r , eu a c h o q u e a p a r a o u t r a s coisas m a i s n o b r e s q u e f a -
vida deles, p a r a s a b e r d e o n d e vem essa cientistas. O n d e há c e r t o acesso, n ã o gente t e m c e r t a o b r i g a ç ã o c o m a t e r r a d a b r i c a r e n e r g i a elétrica, e t a m b é m s e m
a t i t u d e q u e eles t o m a , n ã o ? A c h o q u e d i g o livre, m a s u m a p o s s i b i l i d a d e d e aces- ger<;e. s u j a r , n ã o é? Q u a n d o você q u e i m a c e r t a s
devem ser levados a j u l g a m e n t o . E u n ã o so, isso vai b e n e f i c i a r o p e s q u i s a d o r . , n ã o coisas, c a r v ã o , petróleo, o q u e seja, você
a d m i t o a p e n a d e m o r t e pelo s e g u i n t e : se só tísico, biólogo, e n g e n h e i r o s , etc, n é ? — Dr. César, existe mais verba, hoje do n ã o só está q u e i m a n d o u i n a reserva q u e se
houver p e n a d e m o r t e , vai m o r r e r p o r q u e essa q u e s t ã o d e e n e r g i a a t ô m i c a , que no passado para a pesquisa? f o r m o u na n a t u r e z a , /em é p o c a s ime-
muita gente inocente." n ã o é só g e r a r e n e r g i a ; é t o d o o p r o b l e m a — Eu a c r e d i t o q u e sim. N ã o sei se isso m o r i a i s ; você está t a m b é m r o u b a n d o o
de d a n o das radiações, a maior parte é r e s p o n d e d e u m a m a n e i r a c o r r e t a a per- vizinho, q u e r d i z e r , você está s u j a n d o o a r '
Waldomiro Tibúrcio, 35 anos, fotógrafo. d a n o ; m a s às vezes p o d e - s e u s a r t a m b é m g u n t a . Se se p e n s a r e m c e r t a s a t i v i d a d e s d e t o d o o m u n d o , n ã o é só o t e u . Você
p a r a coisas b o a s , às vezes n é ? de pesquisa científica, p o r exemplo pode dizer que o teu f u s q u i n h a não faz
— O senhor falou n o problema do lixo ecologia — n a m i n h a o p i n i ã o a m a i s im- n a d a , m a s s ã o m u i t o s f u s q u i n h a s e as in-
Sacco e V a n z e t t i e r a m dois t r a b a l h a d o r e s , que a pesquisa pode ocasionar. p o r t a n t e n o m o m e n t o , d o p o n t o d e vista d ú s t r i a s . e assim p o r d i a n t e . A e n e r g i a
um s a p a t e i r o e o u t r o peixeiro, i m i g r a n t e s — A p e s q u i s a n ã o g e r a m u i t o lixo, a h u m a n o , ou d a sobrevivência do hidroelétrica é a m a i s l i m p a . A g o r a , a
italianos q u e viviam em B r a i n t r e e , M a s - n ã o ser n o cesto d e p a p é i s . E u falei n o lixo p l a n e t a — n ã o sei se h á m a i s v e r b a p a r a energia solar, t r a n s f o r m a d a d i r e t a m e n t e
s a c h u s s e t t s , USA. O s dois p r o f e s s a v a m a d o s r e a t o r e s , q u e r d i z e r , o r e a t o r neces- a ecologia, ou n ã o . P r á física... eu creio e m elétrica é l i m p í s s i m a . . . O u r â n i o é d a
filosofia a n a r q u i s t a . 1919; n o d i a 15 d e sáriamente produz material radioativo, q u e sim, né, pelo m e n o s , o m e u labo- nucleo-síntese q u e t o r m o u a g a l á x i a es-
a b r i l , os p a g a d o r e s d e u m a e m p r e s a d e n u m a p a r t e é lixo explosivo — c a u s a r a t ó r i o a u m e n t o u a v e r b a , creio q u e sim. trela. sujo.... sujo... s u j o , p r á c h u c h u e
Braintree são assaltados e mortos. Confor- pelo m e n o s declarada de grandes Agora, a u m e n t o substancial tem sido p a r a perigoso...
m e se t e n t o u p r o v a r m a i s t a r d e , os assas- preocupações do governo americano; é o o q u e se c h a m a p e s q u i s a t e c n o l ó g i c a ,
sinos p e r t e n c i a m a u m a q u a d r i l h a : os plutônio, c o m o q u a l se p o d e f a z e r b o m - p a r a c o n s e g u i r f e c h a r a f e n d a e n t r e nós, ( repórter João Russo, da TV Bandeirantes, SP)
Morelli. M a s . rium país q u e vivia o c l i m a b i n h a s p a r a j o g a r e m o u t r o s p a í s e s . Esse q u e s o m o s c h a m a d o s país e m desenvol-
da c a ç a aos c o m u n i s t a s e socialistas e es- n ã o é c h a m a d o lixo, esse é c h a m a d o v i m e n t o — eu a c h o q u e s o m o s u m país
q u e r d i s t a s e m geral, os dois t r a b a l h a d o r e s m a t e r i a l " n o b r e " . A m a i o r p a r t e , pelo q u e atrasado, não é verdade? Não é a feira de
f o r a m presos ( p a r a a g r a v a r s u a s i t u a ç ã o , eu sei, s i m p l e s m e n t e c o n s t i t u i u m a q u a n - a u t o m o v e i s q u e vai m e c o n v e n c e r q u e
eram imigrantes n u m a Massachussetts tidade de material radioativo muito gran- s o m o s u m país a d i a n t a d o . Eu a c h o q u e a
orgulhosa de sua "americanidade"). de., q u e n ã o se s a b e c o m o d i s p o r . O s gente t e m d e ver o a d i a n t a m e n t o d o p a í s
10 salada ADES
Ex-14

V família imperial parte para o exílio.

Últimos Queijos
e Ameixas Que
Dom Pedro Comeu
Em Petrópolis
Uma Recomendação
9 horas, Petrópolis. Mal desperto, o
i m p e r a d o r recebeu um telegrama (o te-

à Imprensa: légrafo. foi inventado em 1832, por Morse;


e chegou ao Brasil em 1852). M a n d a abrir
Vamos Falar as janelas, q u e r ouvir o esporro das ci-
garras. No telegrama, o Presidente do
Português Claro. Conselho de Ministros avisa-lhé: " O
Ministério foi d e p o s t o " . (O Presidente do
I n d e p e n d e n t e há 2 meses, liderado por Conselho chamava-se Afonso Celso, Vis-
Namora Maehel. M o ç a m b i q u e está pas- conde de O u r o Preto). No Império d o
s a n d o um período de t r a n s f o r m a ç õ e s cul- Brasil, só o I m p e r a d o r podia demitir um
turais. O governo pretende t o r n a r a lín- maioria tenha sido hippie — não sei. O Se houvesse r e b a n h o , p o d e r í a m o s ter Gabinete (aliás, também só ele podia dis-
gua portuguesa compreensível para todo o sido ovelhas negras q u a n d o voltamos à solver a C â m a r a ) . Regeu o telegrama:
Brasil mostrava, por u m a e s t r a n h a coin-
povo. e s t i m u l a n d o o jornalista a escrever civilizaç^o. M a s onde havia r e b a n h o ? quem d e p u s e r a , inconsfitucionalmente o
cidência. q u e não estava fora d o m u n d o
palavras simples; a escola a usar textos de Jogamos muito lixo foVa. A p e s a r disso G a b i n e t e ? As cigarras não r e s p o n d e r i a m .
(Hamilton Almeida. Ex n . ° 7). pois em 68
autores africanos; e as livrarias a esquecer m u i t a s f a d a s m á s c o n t i n u a v a m inferni- Ao café — queijos e ameixas de Corre: ias
as gerações de esquerda na E u r o p a e aqui
um pouco o valor comercial dos produtos perdiam sua vigência. z a n d o o c a m i n h o . Dentro de nós mesmos. — disse à m u l h e r :
que vendem. As pessoas d e i x a r a m na escuridão o Fomos o gerente, o chefe, o subchefe, — Cristina. Desceremos imediata-
l ' m a verdadeira c a m p a n h a de lin- corpo, a cara e a coragem. Voltaram-se dono da g r a n d e e da p e q u e n a e m p r e s a . mente para o Rio.
guagem começa na imprensa de Moçam- para d e n t r o de si q u e b r a n d o com t u d o — Vi p a p a s , bispos, padres e freiras. Ca- — O u e m a ç a d a ! , respondeu D. Te-
bique. A palavra de ordem é a convivência cias e valores. M u i t a s vinham de 68. pitães, policiais, agentes secretos e sol- resa.
mais próxima do jornalista com o povo. outras pegaram o processo no auge. C a d a dados. Foi M a o Tse-Tung, Kossinguin e Meio-Dia, no centro do Rio. O ga-
"pois é da sua realidade que se o c u p a m qual teceu no peito sua própria teia, n u m Nixon, Rockefeeller e o c i d a d ã o Kane. binete O u r o Preto está r e u n i d o no quartel-
os jornais e os r á d i o s " — disse o Secretário m o m e n t o em que todos reconheciam que Fomos Romeu e Pierrot. V i a j a m o s ao general. p r o n t o p a r a resistir à sublevação
de l rabalho. José Luís Cobaço. Recomen- participavam de algo novo. Teve gente q u e reino das mulheres p a r a conhecer seu militar. Em frente, na p r a ç a milhares de
da inclusive a eliminação t e m p o r á r i a de diz que viveu mas não e n t e n d e u . C a d a segredo, como O r f e u e as mulheres via- soldados e um cavalo morto, o ventre
palavras difíceis, " a t é que todos vão acos- qual viveu a seu modo. j a r a m ao reino dos homens. Os h o m e n s aberto, beiços a r r e g a n h a d o s . O ministro
t u m a n d o . pouco a pouco, a ler e ouvir a No fim de 73. começo de 74, há u m a viraram mulheres, as mulheres viraram chama o Ajudante-General:
língua p o r t u g u e s a " . necessidade quase u n â n i m e , de volta à homens; e olharam-se como c o m p a - — General, o senhor, que t a n t a
As escolas vã'.» ter um novo sistema saúde e à pureza. — "niens sana in cor- nheiros enigmáticos. bravura mostrou nos c a m p o s d o Para-
de ensino a partir de 1976. mas desde já os pore s a n o " (Antônio Bivar,, d r a m a t u r g o ) . guai, p o r q u e não m a n d a a t a c a r os rebel-
Em c a d a u m de nós, havia t a m b é m
alunos estão conhecendo novos escritores Vi muitos p u l a n d o do caos p a r a u m a des?'
um D u r a n g o Kid, um F a n t a s m a , um
nacionais e textos de líderes africanos g r a n d e claridade. C a d a u m de nós parecia — No Paraguai, lutávamos c o n t r a ini-
Zorro, T a r z a n , e B o m b a , o agente secreto
como Saniora Maehel. Agostinho Neto (de ter e n c o n t r a d o um caminho, u m a solução, migos, respondeu. Naquela t r o p a q u e ali
000 e o Mexicano (aquele q u e vem p a r a
Angola) e Amílcar Cabral (assassinado irradiando u m a alegria e s t r a n h a e serena. está eu vejo a m o c i d a d e militar guiada
matar). Havia u m John Lennon d e n t r o de
pelo salazarismo na Guiné). Essa euforia era o resultado de u m a des- pelo Mestre — q u e foi, t a m b é m o meu
nós. e foi preciso assumi-lo p a r a garantir
E difícil, no entanto, e n c o n t r a r nas coberta: o encontro de Cristo no próprio Mestre.
que o sonho não acabou. Q u a n t o s John
livrarias essas obras, editadas em Lisboa. homem. Tínhamos um sentimento pen- Lennon vi, t ã o belos q u a n t o o verdadeiro. Este A j u d a n t e - G e n e r a l se c h a m a v a
Os estoques ainda não foram reno- teeostiano porque ressuscitamos a figura Floriano Peixoto. O mestre. B e n j a m i m
Jesus Cristo estava m o r t o em c a d a
vados depois de 25 de abril. Ou então bela e terrível. Parecia que t í n h a m o s des- Constant. O u r o Preto estava surpreso. E
h o m e m , d e n t r o de nós t a m b é m . Fomos
paga-se um preço m u i t o alto: de Portugal coberto a Via Lactea.A violência de dois insistiu: q u e m a n d a s s e p r e n d e r os rebel-
J u d a s e Piiatos p a r a nos experimentarmos*
o livro já vem caro e cm M o ç a m b i q u e é mil anos de história passou a ser inter- des. O General cortou, então, a conversa:
r e p u d i a n d o a m b o s , a m a n t e s d a Beleza
acrescido de 25" o. pretada c o m o a característica n a t u r a l de — T e n h o a lhe dizer q u e estes bor-
simbolizada em Jesus. O povo q u e r i a fazê-
unia era que passou, d e dor e sofrimento, d a d o s q u e trago nos p u n h o s ganhei-os
lo Rei m a s Jesus fugiu p a r a a m o n t a n h a
(Extraído de Crisis) simbolizada pela crucificação de Jesus: ao serviço d a Pátria, e n ã o ao serviço de
dizendo: "Sois deuses.'
começaria u m a nova era. Aquário, de paz ministros!
c amor para a h u m a n i d a d e . Antonio Carlos Morari O u r o Preto c o m p r e e n d e u q u e u m a

Encontro Com " O destino de q u e m parte é partir (Jornalista, morreu cm maio deste ano, com 28 anos,
no Hospital São 1'rancisco, em Ribeirão Preto, de
m o n a r q u i a de 66 anos chegara ao fim da
linha. -
Jesus Cristo
sempre. É não voltar j a m a i s em Idade al-
meningite bactcriana, seguida d e uma infecção na
g u m a " . Q u e m disse foi Antônio Ventura, bexiga e pneumonia. Trabalhou cm O Bondinho e (l)o livro Quem l ez a República, de Joel Rufino dos

Através
poeta desta geração. Ultima Hora). Santos, historiador e professor).
Surgimos como seres c o m p l e t a m e n t e

Do Sábio Satã novos, originais na história. Viramos


magos — alquimistas, sem definir u m a
lira unia geração da qual eu esperava forma de luta. Descobrimos q u e
preciso só ser. como cantou Gilberto Gil.
era
Declarações
Amorosas
alguma coisa. Não digo grandioso como da
"Rosa dos Ventos" de Chico B u a r q u e u m a M a n i p u l a m o s a vida no plano da energia.

De Lopez Rega
explosão atlântica e a m u l t i d ã o que vê M e r g u l h a m o s f u n d o na alma h u m a n a e no
atônita seu despertar. Esperava algo homem condicionado pela sociedade,

a Evita Perón
menos poderoso, mas forte. Em plena traduzindo t u d o em m o d a l i d a d e s de ener-
\ivcncia d o processo, cie 71 a 73 (apro- gia.
ximadamente). é possível que tivéssemos Tínhamos o u t r a peculiaridade: su-
d a d o muitos frutos. Eu esperava mais de peramos a visão co stumeira d o Diabo. Si un h o m b r e contiene todos los planos
nossa volta à sociedade, em 74 (aproxi- Para nós passou a ser um a n j o iluminado, de todos los h o m b r e s y u n a mu jer contiene
madamente). um deus terrível parceiro d o Bem. sem o todos los planos de todas Ias m u j e r e s y
Não sei q u a n t o s éramos quando qual não há evolução da h u m a n i d a d e . Nos cada h o m b r e contiene todos.los planos <íê
saímos d o caos: mil. 3 mil. 5 mil espa- o reconhecemos no próprio h o m e m , todas Ias mujeres y todas Ias mujeres con-
lhados pelas principais cidades d o país — a d o t a m o s a magia de Lúcifer que conduz tienen todos los planos de cada hombre,
São Paulo. Rio. Bahia, e t a m b é m no in- os h o m e n s à Beleza através da sabedoria entonces 110 soy solamente yo ni tu es
terior. porque não? K possível q u e a (cm -lírcgo Sat - Satã); • solamente tu. v i v a m o s . m que. cpoca..vi-'
salada

mim é d e s m l l a g r c " ) c realista ( " p a r a m i m


vamos, p u é s t o d a s Ias é p o c a s son u n a
não significa n a d a , talvez p o r q u e não
época, p a s s a d a , p r e s e n t e o f u t u r o d e n t r o y
t r a b a l h o . Se e u t r a b a l h a s s s e s e n t i r i a al-
litera d e n o s o t r o s d o n d e b u s c a m o s s a b e r a
g u m a diferença, m a s assim não").
veces c o m o s o m o s t a n d i f e r e n t e s e o u t r a s
vcces. c o m o s o m o s t a n i d ê n t i c o s , c o n f u n - S o b r e r e p r e s s ã o , 18 a l u n o s d i s s e r a m
dindo n u e s t r o r a c i o c í n i o logico c o n ei d e s - q u e n ã o h á , 4 se a u t o - r e p r i m e m e 12
conocer d e e s t a c o s a t a n p r i m á r i a p e r o ol- acham que a repressão é geral:
vidada h a c e m u c h o h a s t a Ia h o r a en q u e — V o u e s c r e v e r , e s t o u r e p r i m i d a , vou
un h o m b r e d e n u e v o se a c u e r d a d e su in- d e s e n h a r , e s t o u r e p r i m i d a , e m s e x o sou
dividualidád coletiva, u n a p e q u e n a c o n s - r e p r i m i d a . A m i n h a vida i n t e i r a , s a b e ? E u
tatación d e q u e la s o l i t u d n o e x i s t e en ver- sou r e p r i m i d a e a c h o q u e t o d a s a s p e s s o a s
dad. la s o l i t u d es u n a c r i a c i ó n p a r a n ó i d a , são.
vício d c v i d a s j u g a d a s ai v i e n t o c r u , ya Ias A f e b r e d e livros e filmes p o r n o g r á -
lencmos t a m b i é n a d e n t r o e s s a s v i d a s , n o s ficos foi c o n f u n d i d a c o m s e x o . e s e x o c o m

Preto é Gente:
q u e d a m o s al v i e n t o y p o r la n o c h e m u - moda — épocas de maior e m e n o r repres-
pelo escravocrata b r a n c o " . E m 1967, se
rimos llenos d e visiones p e r i ó d i c a s , p a - são sexual:
recusou a lutar no V i e t n a m , a l e g a n d o prin-
ralelas y tal q u a l o l v i d a m o s la m u e r t e e n la c í p i o s religiosos, e p e r d e u o t í t u l o . A — E s t e s u r t o é u m a t e n t a t i v a d e se
vida. o l v i d a m o s Ias visiones n o c t u r n a s e n Campeão mundial dos pesos-pesados. libertar daquele tabu sexual e u m a ten-
S u p r e m a Corte o absolveu d a c o n d e n a ç ã o
d d i a . p u é s en v e r d a d una imensa I d a d e : 34 a n o s . A l t u r a : 1,91 m . E n v e r - tativa de q u e b r a r esse preconceito. M a s ,
— 5 a n o s d e p r i s ã o e 10 mil d ó l a r e s d e
maioria d e o b j e t o s son c i r c u l a r e s y u n a g a d u r a : 2 . 0 8 m . Peso: 97 K g . C o x a : 6 2 c m . n a v e r d a d e , ele p u r a e s i m p l e s m e n t e
m u l t a . Foi i m p e d i d o d e l u t a r p o r 3 a n o s e
imensa m a i o r i a d e m o v i m i e n t o s es cir- P u n h o : 3 3 c m . T ó r a x : 1.61 m . G a n h o u a u m e n t a certos tabus, sexuais d e rela-
m e i o . Viveu d e c o n f e r ê n c i a s e m u n i v e r -
cular. la t o n t u r a es u n a c a r a c t e r í s t i c a t í t u l o p e l a p r i m e i r a vez e m 1964, l u t a n d o cionamento entre homem e mulher. Acho
s i d a d e s a m e r i c a n a s , d e n u n c i a n d o a se-
mundial, g i r a m o s así d e n t r o d e a l g o q u e c o n t r a S o n n y L i s t o n . N e s s a é p o c a cos- inclusive q u e a u m e n t a o m a c h i s m o .
gregação racial e exibições em vários
llamamos infinito por fuerza de nostra tumava festejar suas vitórias com f r a s e d o A crítica mais geral a o colégio S a n t a
países.
palavra, s o m o s los g i r a t ó r i o s c o n t e ú d o s d e tipo: C r u z foi d e q u e t e m m u i t o s g r u p o s f e -
Voltou a e n f r e n t a r u m adversário d e
iodas Ias m a n i f e s t a c i o n e s visibles y in- chados: alguns alunos t a m b é m criticaram
r e s p e i t o e m 1972. N o " c o m b a t e d o sé-
visibles y p o r eso n o sé q u e o t r a c o s a — Sou o m e l h o r e m a i s f a m o s o , s o u u m o fato de haver a p e n a s u m a classe social:
culo", c o n t r a Joe Frazier, n ã o conseguiu
poHria d a r s e e n t r e n o s o t r o s s i n o el a m o r . lindo e cintilante c a m p e ã o . — A q u i , t u d o filhinho d e p a p a i , s ó d a
r e c o n q u i s t a r o título, o q u e só aconteceu
Logo a p ó s á vitória c o n t r a Liston, en- c l a s s e A, você c h e g a e eles s ó f a l a m d e
no ano passado, em outro combate do
Autor argentino desconhecido trou na seita dos M u l ç u m a n o s Negros e m u l h e r , c a r r o , m o t o . O s d e t o r a têm-
século, c o n t r a G e o r g e F o r e m a n . C o m o
psicojjratailo por Alex Solnik outros problemas na cabeça.
trocou d e n o m e : " N ã o q u e r o ser c h a m a d o s e m p r e , dedicou sua vitória aos negros
Cassius Clay, n o m e d a d o à m i n h a f a m í l i a americanos.
(D.iKiiminlii do Museu Paulista — Ipiranga)
CANTE C O M EX
Estudante Argumento
•5
Não Responde De
PROCLAMACAO. Por Milagre Paulinho
De Ninguém Da Viola
" O que representa o milagre brasileiro Tá legal,
H ONRADOS Paulistanos : O a m o r , qnc Eu consagro ao Brasil
ci» g e r a l e á vossa Província em particular, por st r uquella, que p a r a você, c o m o b r a s i l e i r o ? "
perante M i m , e o Mundo inteiro fez cor.?..-cc • j.rime\-'» cac todos o sja-
— Eu f i q u e i c o n t e n t e p o r q u e p r o g r e s s o
| Eu aceito o argumento
tema machiavclico, dcs<.;-gar sr.dor , c faccioso da.-- CorUs tu Li J>oa,
Me obrigou a vir entre vós liizer consolidar a fraterna miú.» c uan- para m i m é f u n d a m e n t a l , certo? Precisa Mas não me altere o samba
quillidade, que varillava , c era-ameaçada por 'dcsorganisaMucs , que
em breve coniieccreis, fechada que seja a üevassa , a que Mandei pro- ter p r o g r e s s o a q u i n o Brasil. E à m e d i d a i Tanto assim.
ceder. Quando Eu mais que -contente estava junto dc vós, cl.c^ão no-
ticias, -que de Lisboa os traidores da N a ç ã o ; os infames Dtpuíadq? q u e vai t e n d o , vou ficando m a i s feliz p o r - Olha que a rapaziada
pertendem fazer atacar ao~ Braiil , e tirar-lhe do seu seio seu l)c.-.:>or: q u e é sinal de q u e a gente tá s a i n d o da-
Cumpre-Me como tal tomar todas as medidas , que Minha^Imapi.nç^i Já está
M e suggerir ; c para que eslas sejfio tomadas com aquellá- ntadurexa. quela condição de 3.° M u n d o , está atin-
S
ie em toes crises se requer , Sou obrigado para servir ao Meu ídolo , o
rasil , a separar-Me de vós, ( o que piuito Sinto ) , indo para o Ri» g i n d o o 1.° c e r t o ? Sentindo a falta
ouvir Meus Conselheiros , e Providenciar sobre negocios de tão alta
monta. Eu vos Asseguro que cousa nenhuma Mé poderia ser mais — N ã o ligo m u i t o . N ã o m e a f e t a . De um cavaco.
sensível, do que o golpe, que Minha Alma soffre, scparando-Mc dc
Meus Amigos Pauiistaims , aquém o Brasil ,<~e Eu Devemos os bens, — 1'udo legal, d á p a r a s e n t i r u m a De um pandeiro
que gozamos, e Esperamos gozar de huma Constituição liberal e ju-
diciosa. Agora , Paulistanos , %(> vos resta conservardes união ei.lre vós,
evolução, m a s para u m a minoria reduzida. E de um tamborim
não s i por ser eísc o dtarer de todos os bons Brasileiros, mas tam-
bém porque a Nossa. P á t r i a está ameaçada de sotfrer huma jíu.rra,
Eles n ã o t ê m c u l p a . Se eu estivesse n o Sem preconceito.
lugar deles faria a m e s m a besteira.
que não só nos ba* de »er feita pelas Tropas, qoe de Portugal forem
mandada* , mas iigualmente pelos seus servia partidistas , è vis emissa- São a l g u m a s respostas dos alunos d o
Sem mania de passado.
rios,, qoe entre: Nós existem', atraiçoando-Nos." Quando
des vos nSó administrarei
bninisti aquelh
. Justiça
.
" as Auth»>rida-
. . . .
imparcial,. que delia* deve colégio S a n t a C r u z ( S ã o P a u l o ) , n u m a pes- Sem querer ficar do lado
ser inseparavel, representai-Me , qoe Eu Providenciarei. A Divisa do
Brasil deve ser = t I N D E P E N D E N C I A O U M O R T E = Sabe» que . quisa o r g a n i z a d a pelo jornal dos alunos, o De quem não quer navegar.
quando Tracio da Causa Publica , não* tenho amigos, e validos cm oc-
Casião alguma.
T a b l ó i d e A p e s q u i s a foi f e i t a c o m 4 6 Faça como o velho marinheiro
Existi trapqoillos: acafctelai-vos dos facciosos Sectários das alunos dos 3 anos colegiais (idades e n t r e Que durante o nevoeiro, (bis),
Cortes de Lisboa; e contai em toda d occasião com o vosso Defensor
!:> e 18 a n o s ) ; c t a m b é m p e r g u t a v a se o
Perpetuo. Paçp em oito de Setembro de tnil oitoceotoj e vinte doas.
a l u n o se a c h a v a r e p r i m i d o , o q u e a c h a d a
Leva o barco devagar.
p o r n o g r a f i a e d o colégio.
PMJVCIPE X.EGEJFTJE.
26 e n t r e v i s t a d o s ( m a i s d a m e t a d e ) (Breque) Tá legal/
nunca tinha ouvido a expressão "milagre
brasileiro". Houve 4 tipos de resposta,
.ipren*a Nacional: s e g u n d o o T a b l ó i d e : ir o n i c a ( " q u e m i -
lagre brasileiro?"), indiferente ( " n ã o a c h o
n a d a . não gosto dc políticos"), entusias-
m a d a ("estou contcnte.com o progresso"),
p e s s i m i s t a ( " n ã o sei o q u e . p o d e r i a ser
leito, s o l u ç õ e s " ) , crítica ( " e n q u a n t o
h o u v e r g e n t e m o r r e n d o d e f o m e , d e po-
r r a d a . e u n ã o a c r e d i t o .em m i l a g r e ; p a r a
salada

Tchau,
Doutor
Breno,
e Adeus!
(Paira um grande silêncio no p e q u e n o
quarto).
O repórter sobe para pegar a eartei- Repórter - E dai? Você gosta? C o m o é Dr. B r e n o - P o r q u e ? Ela n ã o d i s s e p o r
C e n á r i o : Uni q u a r t i n h o d e s u b s o l o , rinlia. O s m e n i n o s e m e n i n a s c o r r e m pelo a história da novela? que?
p a r e d e s c o m d e s e n h o s i n f a n t i s d e cores q u a r t o e Luiz. d e s c o b r i u o g r a v a d o r . E d u a r d o (pensativo) É u m m a e s t r o . . . M a r c o s - N ã o . Só d i s s e p a r a eu m e d e s -
berrantes, banquinhos espalhados no chão Luiz - Ah, u m g r a v a d o r ! M a r a v i l h a ! Ele t e m u m a n a m o r a d a , a C r i s t i n a . . . A c h o p e d i r d o s a m i g o s e q u e n ã o volto m a i s
a i n d a c o b e r t o d e t i n t a f r e s c a . . É a sala d a (como locutor) E m e r s o n F i t t i p a l d i vai q u e cies vão se c a s a r n o d i a I o d e s e t e m - aqui.
Clínica K u k a . P s i c o t e r a p i a e P s i q u i a t r i a c o r r e n d o n a pista a o l a d o d e Niki L a u d a . bro. não me lembro direito. O m a e s t r o tem R e g i n a - Eu t a m b é m . M i n h a m ã e n ã o
S C I.tda.. n a Vila Nova C o n c e i ç ã o . SP, E m e r s o n vai p a s s a n d o , vai p a s s a n d o e u m a m o ç a lá n o sítio e... quer que venha mais aqui na psicoterapia.
o n d e se faz p s i c o t e r a p i a i n f a n t i l c o m deixa Niki p r a t r á s ! Vai E m e r s o n ! Vai! Luiz. - ... eu o d e i o ! Eu t e n h o r a i v a ! As c r i a n ç a s a b r a ç a m M a r c o s e R e g i n ã ,
c r i a n ç a s a t é 12 a n o s . R e p ó r t e r (aproxima-se de Luiz) - O Repórter - Você odeia o q u e ? e vão s a i n d o p o u c o a pouco".
P e r s o n a g e n s : M a r c o s . 10 a n o s ; C á s s i a . q u e é q u e você t e m . Luiz ? P o r q u e e s t á Luiz - Eu o d e i o o n a m o r o d a C r i s t i n a D r . B r e n o - P a r a u n i ' p o u c o aí, d e i x a eu
10 a n o s : C a r l o s , 10 a n o s ; W e r n e r . 10 a n o s ; fazendo tratamento? c o m o m a e s t r o ! M a s sei q u e eles v ã o c a s a r c o n v e r s a r c o m eles. (Para o repórter). E s t á
R o b e r t o . 12 a n o s ; Luiz. 10 a n o s ; E d u a r - Luiz - M i n h a m ã e a c h a q u e eu sou n e r - 110 f i m . M e u ó d i o n ã o a d i a n t a n a d a ! Eles v e n d o ? A g o r a as c r i a n ç a s s o b e m e s t a es-
do. 9 a n o s ; R e g i n a . 9 a n o s ; Dr. B r e n o . 29 voso. l e n h o u m a i r m ã d e 7 a n o s q u e m e vão c a s a r n o f i m , t e n h o c e r t e z a d i s t o , p o r - c a d a . e n c o n t r a m os p a i s e, f i n a l m e n t e ,
a n o s : R e p ó r t e r . Hilton Libos. 20 a n o s ; e n c h e o saco! Eu q u e t e n h o 12 e ela q u e r q u e s ã o os dois a t o r e s p r i n c i p a i s . vão p a r a s u a s c a s a s ; s u a f i s i o n o m i a e seu
F o t o g r a f o D o m i n g o s C o p Jr.. 28 a n o s ; bater em mim: como é que pode u m a W e r n e r pega u m a latinha d e cerveja c o m p o r t a m e n t o se m o d i f i c a m . A s s u m e m
D o u t o r J a i r . 2(i a n o s . menina de 7 anos querer bater n u m vazia, a m a s s a c o m as m ã o s a t é q u e b r a r n o n o v a m e n t e o p a p e l d e filho.
ü Dr. B r e n o e n t r a c o m o r e p ó r t e r e o m e n i n o d e 12? E n t ã o eu fico m u i t o ner- m e i o . E s f r e g a as d u a s m e t a d e s p r o d u z i n d o (Marcos volta para falar c o m o dr.
f o t ó g r a f o . O Dr. J a i r j á está lá. O r e p ó r t e r voso. um som que mistura a gritaria até o final Breno)
liga o g r a v a d o r e n q u a n t o Luiz a g r i d e o d r . E d u a r d o pega o microfone. de sessão. M a r c o s - Posso d i z e r só m a i s u m a
Breno. E d u a r d o (como repórter de rádio) - D r . B r e n o (para o Repórter, se referin- eoisinha no microfone? T c h a u , doutor
Luiz - Se você n ã o t i r a r esta b a r b a f e i a . Agora nós v a m o s f a z e r u m a e n t r e v i s t a c o m d o a o c o m p o r t a m e n t o b a r u l h e n t o de Wer- Breno, e adeus.
nós v a m o s a c e r t a r u m tiro b e m n o m e i o d a o s e n h o r N a p o l e ã o Boa P i n t a . (Dirige-se ner) - Q u a n d o ele c o m e ç o u o t r a t a m e n t o ,
cara do senhor. a Luiz) Quais s ã o s u a s p r i m e i r a s i n t e n - não esboçava qualquer reação perante
Dr. B r e n o - Por q u ê ? P r i m e i r o v a m o s ções. seu N a p o l e ã o ?
d a r b o a noite. Eu a i n d a n e m c h e g u e i Luiz - vai t o m a r b a n h o , x a r o p e !
E d u a r d o - Nós e s t a m o s f a l a n d o di-
q u a l q u e r a t a q u e d o s o u t r o s , q u e b a t i a m e.
g o z a v a m na c a r a dele. O s i m p l e s f a t o d o jornal da cidade
direito. W e r n e r a g o r a e s t a r p r o d u z i n d o estes s o n s
I.urz (' om o d e d o e m riste para o psi- r e t a m e n t e d o i n f e r n o . O q u e o s e n h o r t e m já é u m p r o g r e s s o . Além d e q u e ele e s t á
quiatra) Se n ã o t i r a r . nós d a m o s u m j e i t o a d i z e r . N a p o l e ã o Boa P i n t a ? P o r q u e e s t á se c l e l e n d e n d o d o s c o m p a n h e i r o s . Q u e r
nisto. assim t ã o n e r v o s i n h o ? H e i n . c o n t a a q u i ver uni o u t r o c a s o ? A m ã e d e M a r c o s
1. II mentira da propaganda
0 d r . B r e n o e o d r . Jair se o l h a m en- p r a nós? p e g o u ele f a z e n d o t r o c a - t r o c a c o m o u t r o s
q u a n t o as o u t r a s sete c r i a n ç a s apoiam R e p ó r t e r - O q u e é q u e você t e m ? C o n - e. c o m o e r a d e se e s p e r a r n u m a m ã e classe
2 . 0 escândalo do sistema d água
3. DNOS defende barragem
Luiz. I o d a s g r i t a m j u n t a s e c e r c a m o d r . ta p r a nós. E d u a r d o . m e d i a , ela r e p r i m i u - o v i o l e n t a m e n t e , i' •
4. E se tivesse arrombado ?
Breno. p u x a n d o a barra da camisa, E d u a r d o - N ã o sei. n i n g u é m s a b e . É Depois trouxe o m e n i n o aqui p e d i n d o p a r a
d a n d o socos e m s u a b a r r i g a . Todas - um m i s t é r i o total. N e m C h e r l o q u e R o l m e s f a z e r c o m ele u m t r a t a m e n t o p a r a " c u r a r
C o r t a ! C o r t a ! P a u nele ! Se n ã o c o r t a r a c o n s e q u e resolver. o liomossexualismo". O - m e n i n o começou
b a r b a vai Se a z a r a r ! C o r t a ! Repórter - Nem o dr. Breno? a f r e q ü e n t a r as sessões n ã o p a r a isto, m a s
1 )r. B r e n o (se livrando das crianças) E d u a r d o - Não. ninguém. É um troço p a r a aliviar toda a c a r g a r e p r e s s i v a q u e se
O l h a . hoje vocês vão c u r t i r u m a d i f e r e n - muito complicado. a c u m u l o u d e n t r o dele.
te.... T o d o s v o l t a m as a t e n ç õ e s p a r a a R e p ó r t e r - Q u e m d e v e r i a f a z e r psi-
As c r i a n ç a s f i c a m c u r i o s a s . m á q u i n a d o f o t ó g r a f o . Cássia p e d e p a r a c o t e r a p i a s ã o os p a i s d e s t a s c r i a n ç a s .
I o d a s - Q u e - é . h e i n . d o u t o r , q u e é? ele b a t e r u m a s fotos d e p e r f i l e d e f r e n t e . Q u a n d o é q u e você c o m e ç o u c o m psi-
Dr. B r e n o - Estes dois r a p a z e s s ã o T e m c a b e l o s c r e s p o s e longos, a m a r r a d o s coterapia infantil?
r e p ó r t e r d e u m j o r n a l z i n h o e v i e r a m f a z e r c o m u m a lita v e r m e l h a . C a m i n h a c o m Dr. B r e n o - Foi n o H o s p i t a l C e n t e -
u m a e n t r e v i s t a c o m vocês. Este a q u i é o passos m e d i d o s , r e q u i n t a d o s : o l h a os n á r i o . e m S ã o P a u l o , m a i s ou m e n o s dois
Hilton e este é o D o m i n g o s . companheiros com ar de superioridade. a n o s e m e i o . Lá c u r e i u m a p o r ç ã o d e
R o b e r t o - Vocês são r e p ó r t e r e s , m e s - O s dois p s i q u i a t r a s p e r m a n e c e m s e n t a d o s , criúnças asmáticas. Cheguei a conclusão
mo? observando-os. de que a asma não é nada mais que uma
R e p ó r t e r - sim. Você n ã o a c r e d i t a ? R e p ó r t e r - O u v i d i z e r q u e você q u e r i a reação da criança, uma reação somática
R o b e r t o - E n t ã o d e i x a eu ver a c a r - f u g i r d e c a s a p a r a vir a q u i . . . do processo de repressão psicológica.
teirinha. R e g i n a - É . m a s d e p o i s eu p e d i p r a I o d a s as c r i a n ç a s a g o r a e s t ã o alvo-
R e p ó r t e r - E s t á na m i n h a b o l s a , lá e m m i n h a m ã e . d i r e i t i n h o . e ela d i s s e q u e e s t á roçadas. batendo fotografias. O Jornal da C i d a d e , do Recife, n a s c e u
c i m a . Se q u i s e r eu vou b u s c a r . b o m . p o d e ir m a s volta d e p r e s s a . E eu vim D r . B r e n o (volta-se para as crianças) - e m n o v e m b r o do a n o p a s s a d o , e m cinta da
De r e p e n t e , t o d o s se v o l t a m p a r a o c o r r e n d o . B o m . já s ã o nove h o r a s , v a m o s ver se a ses- c a m p a n h a eleitoral. E fez u m a cobertura
r e p ó r t e r , f u ç a m o bolso d a c a l ç a e g r i t a m Rep órter - Sozinha? são dc hoje a c a b a . tão b o a , q u e não teve outra saída se n ã o
ao m e s m o t e m p o . R e g i n a - S o z i n h a . M a s logo q u e eu saí Marcos— D o u t o r B r e n o , m i n h a m ã e melhorar c a d a vez m a i s . " A c a b o u ga-
I o d a s - M e n t i r a ! P a l h a ! Eles n ã o s ã o ela pediu p r a m i n h a tia vir a q u i . Ela e s t á m a n d o u eu m e d e s p e d i r d e t o d o s os n h a n d o u m a ijnportância maior d o q u e
r e p ó r t e r coisa n e n h u m a ! M o s t r a a c a r - lá c m c i m a m e e s p e r a n d o . a m i g o s e a v i s a r o s e n h o r q u e eu n ã o v e n h o sua estrutura: deu u m a trabalheira in-
l e r i n h a ! M o s t r a q u e eu q u e r o ver! R e p ó r t e r - P o r q u e você g o s t a d e vir m a i s na p s i c o t e r a p i a . crível m a n t e r o ritmo e q u a l i d a d e " , diz
a q u i ? O q u e você t e m . a l g u m p r o b l e m a ? seu editor Ivan Maurício, 24 a n o s , tam-
Regina- N ã o t e n h o n a d a . N ã o sei. bém correspondente tio M o v i m e n t o e m
Eduardo (entra no m e i o da conversa Pernambuco.
entre o repórter e Regina) - Você s a b e o Média de idade da redação: 22 a n o s .
q u e eu g o s t o d e l a z e r d e n o i t e ? A s s i s t o S e g u n d o Ivan, os m e n i n o s t r a b a l h a m
n o v e l a . ' o " ' B r a v o " ! M a s c o m o eu t e n h o m u i t o , g a n h a m p o u c o , m a s estão sedi-
q u e a c o r d a r c e d o p a r a ir p r a escola, m i n h a m e n t a n d o um j o r n a l i s m o h o n e s t o no
m ã e q u a s e n ã o d e i x a eu llcar a s s i s t i n d o a Nordeste. O tablóide tira 3 mil e x e m p l a r e s
novela. dc 20 p á g i n a s por s e m a n a . A distribuição
e própria.
Ex-14 salada •SKALIDADE:
13

pessoas em cada um. Ficamos 12 dias den-


tro do vagão que estava nos levando para
Auschwitz: comer não c o m í a m o s e as
necessidades fisiológicas eram feitas ali
mesmo, no vagão. Não tinha nem jeito da
«ente cair, porque todo m u n d o estava
apertado, um encostado no outro. Muita
gente estava morta q u a n d o c h e g a m o s a
Miloàn, liiiuso <>rj>an cia Rede Globo
Auschvvitz, mas lá morto era coisa normal,
Respo'stci: Armando Nogueira, como uma pedra 110 meio da estrada. Era
diretor-responsável da Central uma coisa que ninguém ligava, você estava
vao pensar que eram bon/.inhos e coita-
conversando com uma pessoa, e ela dizia
Globo de Jornalismo (Jornal dinhos. Só se defendendo...
murmurando: " Q u e inferno! Que inferno!
Nacional, Amanhã, Globo Repór- V a m o s p a r a u m a sala d o I n s t i t u t o
Será que não acaba?". E duas horas
G o e t h e . lazer a entrevista. A l e x a n d e r dele e vi que tinham rebentado uma parle
ter, Fantástico, Hoje, Globo In- tremeu d u r a n t e t o d a a conversa d e 25
depois estava morta. Ao chegarmos em
•da cerca eletrificada, saiam diretamente
terior, Esporte Espetácular, Globo m i n u t o s e f u m o u 9 cigarros. Ele é um dos
Ausclnvitz, o famoso Mcngele - até hoje para um matagal. Fugi, fugi e fugi e de
Pesquisa, Mundo em Guerra, dizem que ele está 110 Brasil, Paraguai , repente me vi num bosque, sozinho. An-
poucos j u d e u s d o c o m é r c i o d e r o u p a s e ar-
I itiguai , quem sabe? - selecionava os dei, andei, andei, até chegar numa es-
Globinho, etc.) m a r i n h o s d e S P - r u a T r ê s Rios. José
"fracos" que iam para a câmara de gás:
Paulino. da G r a ç a - q u e f u g i u de Aus- trada. Cheguei numa estrada, não con-
velhos, mulheres c crianças. Matavam e seguia mais andar e pensei: " B o m , vou
chwitz. Sua fala:
cremavam.
Esses Filmes -- A perseguição c o m e ç o u , quando lodo sentar aqui aconteça o que acontecer". Me
Nestes tempos, foram mortas 2 ou 3 sentei e escutei o som de motores dos tan-
m u n d o sabe que c o m e ç o u , em 1933, com
Nazistas Não
milhões de pessoas. Eu era jovem "forte" ques, rummmrn, r u m m m m , rummm.
propaganda e doutrinações, sob a mão de
e junto com outros, fui levado- para um Pensei: "Sc forem os aliados, estou salvo.
Goebbels. Eu era muito pequeno nessa
Mostram o Que
galpão grande, tiraram nossa roupa, cor- Sc forem os nazistas, o primeiro me dá um
época e morava na Romênia, nasci lá,
taram nosso cabelo, perguntaram qual era tiro e acabou". E por minha sorte, eram
cidade de Mediach - onde a maioria da
Vi Em Auschwitz população era de nazistas. A perseguição
já existia (guando Hitler subiu ao poder,
a nossa profissão. Eu me apresentei c o m o
engenheiro. Dai nos levaram para outro
tanques americanos. De cada tanque,
jogavam uma latinha de "breakfast". Por
lugar onde fomos numerados. Recebi este fim, eslava com (anta comida na minha
em 33. Mas eu nunca tinha medo de nada
ü I n s t i t u t o G o e t h e , SP, a p r e s e n t o u na número aqui: A-6124. Dai em diante , não frente que fui abrindo as latinhas na
c quem viesse me humilhar eu descia
primeira q u i n z e n a de agosto, u m semi- nos chamavam pelo nome, só pelo nú- minha frente e c o m e n d o , abrindo e co-
porrada, era brigar ou apanhar. Lógico,
nário sobre filmes d e p r o p a g a n d a nazista mero. mendo. Depois vieram as ambulâncias.
<|uciii queria apanhar? Eu não. Fui em- Me levaram para o hospital da SS -
- sob a c o o r d e n a ç ã o de Jean C l a u d e Ber- Eu trabalhava onde ficavam os cre-
bora para a Hungria em 1940. ocupado por, americanos - e me fizeram
nadet. Ex levou A l e x a n d e r F e r n e r , 58 matórios, a 7 quilômetros do campo; a
Lá o povo não era lão anti-semita. A Hun- uma lavagem no estômago. Mais gente
anos. j u d e u , p a r a assistir a l g u n s dos fil- fumaça subia alto com o cheiro da carne
gria era aliada da A l e m a n h a , mas lá não morreu porque comeu a comida pesada e o
mes. q u e i m a d a . Nos primeiros dias , eu vo-
linha perseguição de matar, matar, matar, estômago estava ressecado.
O velho n ã o p a r o u d e b a l a n ç a r os mitava toda aquela água que eles cha-
compreende? E passei a viver clandes-
joelhos d u r a n t e a p r o j e ç ã o d o filme mavam de sopa.
tinamente, e m Budapeste, trabalhava Após tudo que tinha passado na
"Batismo de F o g o " , s o b r e os a t a q u e s O banho era coletivo. Todos tiravam a
como tecelão e " s t t r o m a n n " , quer dizer, Furopa, queria emigrar, não queria mais
aéreos n a z i s t a s à Polonia. c m i 940. Nas roupa 110 barracão onde dormíamos, ver os lugares onde tanto sofrimento linha
" h o m e m d e p a l h a " , o camarada que for-
cenas d a q u e d a cie Varsovia e dos 130 mil saiamos todos nus para o outro barracão se passado. F vim para o Brasil.
mava os trabalhadores, que fazia os
prisioneiros feitos pelos a l e m ã e s . Alexan-' onde tomávamos um !.»ai lio quente e vol-
negócios da empresa. Ninguém sabia que
d e r F e r n e r se levanta da c a d e i r a : t a m o s nus pelo vento frio, para dormir.
eu era judeu- Ganhei tanto dinheiro que
-- Acho que já chega, não? Q u e m agüentava, agüentava. Q u e m não
acabei ficando sócio da fabrica.
Peço p a r a ele ficar m a i s a l g u n s mi- agüentava, morria. E111 janeiro de 1945, os
Um dia, a policia húngara deu uma GAVETA LITERÁRIA
nutos. até c o m e ç a r e m a d e b a t e r o filme. russos começaram a se aproximar de Aus-
balida no meu apartamento, fui preso c
O Maior
Ale a n d e r c o n c o r d a , os joelhos b a t e n d o . chvvitz e começaram a evacuar o c a m p o
Na tela. c i d a d e s alem ãs. os p r é d i o s es- deportado para um c a m p o dc concen-
mais para dentro do território alemão. As

Menor Conto
b u r a c a d o s d e b a l a s e - logo d e p o i s - os tração de estrangeiros onde fiquei duas
evacuações eram feitas todo m u n d o ca-
stukas e messerehmidt partindo para a semanas e lugi. Eu e mais 2 amigos. O
minhando em fileiras 11a estrada e foi
Que o Ex
Polônia, cm r e p r e s á l i a . plano era a gente passar a guarda de
quando eu aproveitei para tentar uma
segurança c depois sumir num bosque. E
-- Não c isto! c o n t a A l e x a n d r e . - Foi a fuga. Eram fileiras e fileiras de gente
Já Recebeu
deu: corremos até acabar o fôlego. Quan-
aviação d e Hitler q u e b o m b a r d e o u c i d a d e s agonizando, morrendo pelo caminho, que
do o Io lego acabou, subimos numa árvore.
a l e m ã s p a r a dizer q u e e r a m os poloneses e .nenhum ffline j a m a i s vai apresentar.
A maior árvore. Ficamos lá eni cima eu e
atacar! Acho que não vai passar um filme destes,
Fala c o m raiva e se l e v a n t a :
meus 2 amigos e 1.5 ou 20 minutos depois,
vai? Até que fomos para um c a m p o que se Frágil como um amendoim
de baixo dc nós, ficou coalhado de sol- quando se vê sem casca e urria lín-
-- Agora, vamos. Não quero mais ver chamava Buchenvvald e fui para os tra-
.lados (pie uao nos viram. Ficaram pro- gua molhada começa a conduzí-lo
estas porcarias. balhos forçados. As vezes, de m a n h ã , eu
curando o dia inteiro, a noite inteira. Só na
Ao s a i r m o s d a sala de projeções.
noite seguinte arriscamos descer de lá.
abria a porta do barracão onde dor-' por caminhos desconhecidos. As-
M a r i a n n e - a m o ç a q u e auxiliou a r e a l i z a r miamos c linha pilhas e pilhas de gente sim ela andava naquela tarde.
Descemos e fomos c a m i n h a n d o para a
o s e m i n á r i o - nos c h a m o u : morta - assim c o m o q u a n d o você abre a
cidade mais próxima. K dai fui parar eni
poria de uni depósito de batatas e vê
Os passos eram pequenos e
- - Q u e r o q u e fique b e m c l a r o q u e n ã o
e s t a m o s q u e r e n d o lazer p r o p a g a n d a
Budapeste. Eu ainda linha alguni dinheiro
toneladas de batatas empilhadas. Mi-» rápidos.
que havia recebido na fábrica e fui tra- Alguma coisa molhada lhe
nazista. E n t e n d a isto. lliares de cadáveres que naquele dia iriam
balhai'com o negócio de lios. Ganhei mais
Alexander. duro: dinheiro. I m dia, em março de 1944,
para o crematório. roçou a nuca e ela foi engolida.
— Eu sei, eu sei. Era quase o flni da guerra, em 1945.
deram uma batida num bar, me pren- José Eduardo M e n d o n ç a
--Só q u e r e m o s m o s t r a r as pessoas c o m o l oram 11 meses de prisão. Q u a n d o es-
deram c levaram de volta para o m e s m o
os n a z i s t a s f a z i a m p u b l i c i d a d e . O Ber- capei de lá, pesava apenas 36 quilos.
campo.
nádet deixou isso na c a b e ç a d e t o d o s os Quando entrei, estava com 65. Então, eu
que estão p a r t i c i p a n d o d o s e m i n á r i o . Contratei um advogado para tirar dc lá, era pele e osso, mal podia caminhar. Foi
- Veja aqui, moça - fala Alexander legalmente. Eu estava com dinheiro c pen- quando percebemos que alguma coisa es-
arregaçando a manga do paletó e mos- sei: "com dinheiro, c o m o em lodo o lugar tiva mudando. Eu prestava muita atenção
trando a ela um número gravado no braço do mundo, resolvo esle caso". Mas os sol- nas pessoas que trabalhavam na cozinha,
eu conheço muito bem este tipo de coisa. dados da guarda haviam sido trocados por . rain mais gordos, certamente porque
Sei i|iie vores nau (|ucrcm lazer publi- outros de uniforme prelo , mais duros que íiabalhavam com a contida. U m a tarde,
cidade do nazismo. Então, por (|ue não os outros. Foi q u a n d o os alemães resol- parei para observar aqueles felizardos,
mostram filmes dc c a m p o de concen- veram ocupar a Hungria e não eram mais pela porta da cozinha. Dc repente, saíram
'lac.in.' I W <|uc ficam apenas mostrando o húngaros que m a n d a v a m . Dia 11 dc oiTcndo. Fu pensei: "Se eles estão co-
'ilmcs dc publicidade na/.ista? Acho que maio dc 19 44 nos colocaram naqueles 1 rendo para aquele lado c porque deve ser
sc passar estes filmes na televisão , iodos vagões dc transportar gado - 150 ou 200 i oisa boa", i resolvi sair correndo a l i á s
14
Voee
Grande mas
naõ &
e

Povo.
comicus
EXPOSIÇÃO ABERTA A VISITAÇAO DE BRASILEIROS:
Ex-14

.lota. Angeli. M e n d e s . J a y m e Leão. Airton, to m o d o os grandões viciam a gente. A


M a r e o u . Luiz G ê . M a s s a o . Vicente e lunção do piadista é tirar o pano de cima
Chico. A i n t e n ç ã o destes 10 p i a d i s t a s é da verdade, com humor.
m o s t r a r t r a b a l h o , em p r i m e i r o lugar. São "O desenho tem que acompanhar...estar
todos jovens: J o t a . q u e editou às p i a d a s , no nível da idéia. Que idéia? U m a idéia
tem 16 anos; Angeli. 19; M a s s a o , 25. E são voltada para o Brasil. Ninguém mais faz
deles 3 estas p a l a v r a s : piada pra salão de barbeiro. O Carlos Es-
tevão fazia piadas muito antes de ser in-
"Não temos chance na grande imprensa. ventado o termo cartum (do inglês car-
Esta é a primeira que temos, em conjunto. loon). Mataram ou estão matando A
Surgem muitas revistas novas, onde os Manha do Barão de Itararé, O Malho,
piadistas podiam mostrar seus trabalhos; Carlos Estevão, o próprio Millor do Pif--
mas para mostrar, eles precisam virar car- Paf, o Péricles — em oficina mecânica a
tunistas, desenhar mulher pelada na gente seinpr via um Amigo da Onça
cama. Eles te dão chance se você desenhar pregado na parede, um personagem
um humor água com açúcar, pra pendurar brasileiro.
em banheiro dc executivo. Os cartunistas "Eles acabam com todo cara novo que
estão fazendo desenho pelo desenho, aparece; daqui a 20 anos c o m o é que vai
desenho bonito que não diz coisa ne- ficar? Vai estar todo inundo fazendo traço
n h u m a . Estão olhando prá Europa, de com í-égua e caneta osford zero-um. É im-
costas para o Brasil. portante que apareçam mais publicações
"Nós queremos nos dirigir ao brasileiro como o Balão, o Bicho. Só pra terminar:
cm primeiro lugar. É difícil porque de cer- «amos parar com essas réguas aí?"

Afe que enfim,


s e CQfe tirasse
UMA ATMOfFEP/l o sono. o Bfásii nao j
SEMELHANTE A NOSSA!
S e r t i um Gieahtej
ESTAMOS tALVOS!
acjormeciqfo/i s
comícus
10 PIADAS PARA COLAR EM PAREDE DE OFICINA
a
MECÂNICA.
Relação: Homem Pra Homem
C l a u d i a A n d u j a r t i n h a 7 a n o s c m 1944. na H u n g r i a ,
q u a n d o seu pai foi d e p o r t a d o e a s s a s s i n a d o n u m c a m p o
de concentração nazista. Fsse a c o n t e c i m e n t o marcou-lhe
a vida. M o r o u 6 a n o s nos E s t a d o s U n i d o s , em 1958
c h e g o u a o Brasil. A t u a l m e n t e . C l a u d i a faz e n t r e v i s t a s
c o m totó g r a t o s na I V C u l t u r a . S P ; e o r g a n i z a o acervo
f o t o g r á f i c o n o M u s e u d e A r t e d e São P a u l o , além d e
orientar dois cursos: para princip iantes e para adian-
t a d o s . O texto e as fotos são d e seu t r a b a l h o m a i s recen-
te. e m R o r a i m a , c o m os í n d i o s Y a n o m a m i .
E \ — Q u a n d o você c o m e ç o u a fotografar tinha a l g u m
objetivo?
C l a u d i a — Sim. Q u a s e p o s s o d i z e r q u e a p r e n d i fo-
t o g r a f i a p a r a f o t o g r a f a r índio. P o u c o t e m p o d e p o i s d e ter
c h e g a d o n o Brasil c o m e c e i a v i a j a r , s o z i n h a . M e liguei ao
homem e à terra. Era uma busca tanto de mim mesma
c o m o d e e n t e n d e r , v a m o s d i z e r , a vida. E n t ã o de c e r t a
m a n e i r a m i n h a f o t o g r a f i a c r e s c e u j u n t o c o m esse in-
teresse. e n v o l v i m e n t o e a f i n i d a d e q u e senti pelo índio.
N u n c a foi u m a c u r i o s i d a d e c o m o a c h o q u e m u i t a s pes- Era d e m a n h ã e s a b i a q u e d e t a r d e viriam m e b u s c a r M e senti i n t e g r a d a c o m m i g o . c o m o m a t o . n ã o im-
soas têm p o r l u g a r e s exóticos. N u n c a foi isso. Desde o p a r a m e levar de j i p e na e i d a d e z i n h a d e C a r a c a r a i . p o r t a v a o n d e ía. q u a n t a s h o r a s c a m i n h a v a . S a b i a q u e m e
c o m e ç o p a r a m i m foi u m a r e l a ç ã o d e h o m e m p a r a P r i m e i r a v iagem p o r t e r r a d e volta ao o u t r o m u n d o , o t i n h a e n c o n t r a d o . M c e n c o n t r e i n o s e n s o d e ter e n c o n -
h o m e m . M a s eu na s o c i e d a d e m u i t o d i f e r e n t e , c o m m u n d o tecnológico e compromissos diferentes. O m u n d o t r a d o o essencial. São m o m e n t o s r a r o s q u e a g e n t e s e n t e
valores m u i t o d i f e r e n t e s : u m a pessoa q u e veio (ia Eu- no q u a l nasci e cresci; o n d e a p r e n d i q u e p a r a ser res- às vezes, q u e r e s u m e m t u d o . E a g e n t e se s e n t e integral.
r o p a . foi nos l i s t a d o s U n i d o s , veio a q u i . E n t e n d e r , v a m o s p e i t a d a t i n h a q u e m e i m p o r c o m o pessoa s o r r i d e n t e , D u r a p o u c o , são m o m e n t o s só. E m e l e m b r o q u e suava
d i z e r , os índios, talvez até h o j e n ã o e n t e n d o . Até a m i m com a c a b e ç a l i m p a , o t i m i s t a . t a n t o nesta c a m i n h a d a , q u e e r a t o d a m o l h a d a . A s e d e
m e s m a não e n t e n d o muito bem! C o m o é q u e posso N ã o m e d e s p e d i f o r m a l m e n t e p o r q u e n ã o existe " a t é me apertou. Quis parar e beber, mas não podia porque
p r e t e n d e r q u e e n t e n d o eles? É d e c e r t a m a n e i r a u m l o g o " e n t r e os Índios; e se existisse, t a m b é m n ã o iria m e era a p e n a s u m a e n t r e o u t r o s a c o s t u m a d o s a a n d a r c o m o
a m o r . . . n ã o sei b e m e x p l i c a r o q u e m e liga a eles. G a s t o d e s p e d i r d e q u a l q u e r jeito. Se d e s p e d i r i m p l i c a u m f i m ; se a n d a n u m a g r a n d e a v e n i d a . F. se p a r a s s e e ficasse p a r a
b a s t a n t e t e m p o p a r a e n t e n d e r a n t e s d e f o t o g r a f a r , por- m a s a vida é u m a c o n t i n u a ç ã o e t e r n a d a s coisas q u e se trás. ti m a t o iria m e e n g o l i r . E n t ã o a n d a v a e m e p e r d i a
q u e p a r a m i m a f o t o g r a f i a h o j e é u m a síntese. Q u a n d o l i g a m , d e s l i g a m e ligam d e novo. As vezes d e jeitos di- nos p e n s a m e n t o s . Essa m i n h a p r i m e i r a viagem n o m a t o
hoje f o t o g r a f o , c o m o nesse ú l t i m o t r a b a l h o q u e levou 3 f e r e n t e s . T e m mil m a n e i r a s d e se s e p a r a r e se j u n t a r : é d u r o u u n s c i n c o dias. O s í n d i o s f o r a m c a ç a r e pes car.
a n o s n u m l u g a r só lá em R o r a i m a , c o m os Y a n o m a m i . u m p r o c e s s o m o l e c u l a r . As l o r m a s s ã o i n f i n i t a s , as c o m - O d e s t i n o g e o g r á f i c o d a viagem m e e r a d e s c o n h e c i d o , só
talvez fiquei o b s e r v a n d o e p e n s a n d o t a n t o q u a n t o fo- binações inúmeras, mas essencialmente sempre tudo s a b i a q u e era u m a p r o c u r a i d e c o m i d a e q u e r i a e n t e n d e r
t o g r a f a n d o . Q u a n d o f o t o g r a f e i já s a b i a o q u e q u i s d i z e r . c o n t i n u a ; é o p r o c e s s o d a vida. O m i s t é r i o d a e x i s t ê n c i a . o q u e significava isso. l i n h a d i a s e m q u e a n d á v a m o s
Isso p o r u m c e r t o c o n h e c i m e n t o q u e levou b a s t a n t e t e m - V i d a . o n d e a m o r t e é só u m p r o c e s s o c o m p l e m e n t a r , h o r a s , o u t r o p o u c o . O q u e m e levou e r a o d e s e j o d e en-
po e p e s q u i s a . Estive 4 vezes c o m os í n d i o s Y a n o m a m i . uma outra forma de continuar. Um processo de trans- t e n d e r essa b u s c a pelo a l i m e n t o t ã o essencial nessa
A p r i m e i r a vez foi m u i t o c u r t a , só p a r a ver se era o figurações de m o m e n t o s em fluxo. s o c i e d a d e . C a d a t a r d e , nós l i m p á v a m o s o m a t o p a r a
l u g a r o n d e eu p o d i a f a z e r o t r a b a l h o q u e q u i s . Estava a c o m o d a r p a r a a noite. P e n d u r á v a m o s as r e d e s e n t r e as
p r o c u r a n d o u m g r u p o d e p e s s o a s c o m m u i t o p o u c a acul- Embrulhei minha rede, saco para dormir, m á q u i n a
f o t o g r á f i c a , c a n e q u i n h a , r e m é d i o p a r a i n a l a r i a , calça as árvores, e o b r i n d o - a s c o m u m teto d e f o l h a s d e so-
t u r a ç ã o . q u a s e p u r o s . Esse e r a u m d o s t r a b a l h o s q u e fiz r o r o e a ( b a n a n a selvagem). A noite c h e g a v a c e d o . No
com a bolsa q u e g a n h e i d a F u n d a ç ã o G u g g e n h e i m b l u e - j e a n . c a m i s e t a s . E s t a v a t u d o p r o n t o p a r a d e i x a r os
meses d e t r a b a l h o e n t r e a f a m í l i a e x t e n s a d o m u n d o m a t o o n d e o sol p e n e t r a p o u c o , a o b s c u r i d ã o d a noite é
( E U A ) , faz 3 a n o s . ^ total. Pelas sete h o r a s t o d o s e s t a v a m na r e d e e só se en-
Y a n o m a m i . O s Y a n o m a m i s q u e até p o u c o p e n s a v a m ser
o ú n i c o povo d o m u n d o . Eles a " g e n t e " e o resto, os x e r g a v a m as luzes d a s f o g u e i r a s e d o s v a g a l u m e s .
E x — A n t e s de g a n h a r a bolsa você era financiada
" n a p ê " . os q u e n ã o são Y a n o m a m i . A ú l t i m a coisa q u e D e i t a d a e s c u t a v a as r i s a d a s , as c o n v e r s a s d o s í n d i o s e os
pelas revistas para fotografar índios?
liz. c o m o t i n h a feito t a n t a s vezes, foi d e d a r r e m é d i o a b a r u l h o s d o m a t o . P o r q u e o m a t o r a r a m e n t e é silen-
C l a u d i a — N ã o . N u n c a p a r a f o t o g r a f a r índios. In-
u m d o e n t e . Mil n o v e c e n t o s e s e t e n t a e q u a t r o , o a n o e m cioso. D o r m i a e a c o r d a v a . O í n d i o d e vez. e m q u a n d o
clusive a p r i m e i r a vez f u i p r o c u r a r O C r u z e i r o , em 1959,
q u e t i v e r a m o n z e g r i p e s e o s a r a m p o , t r a z i d o pelos peões l e v a n t a v a p a r a a l i m e n t a r o fogo. As n o i t e s e r a m c o m -
depois d e ter ido d u a s vezes na ilha d o B a n a n a l , nos ín-
da c o n s t r u ç ã o d a e s t r a d a ( M a n a u s - C a r a c a r a i - Ve- p r i d a s . os b a r u l h o s m i s t e r i o s o s . As vezes m e d a v a m e d o
dios C a r a j á . Eu estava séria c o m i g o m e s m a m a s a i n d a
nezuela). e m a l á r i a q u e n ã o a c a b a m a i s . . e ficava e s c u t a n d o o b a r u l h o d o s p a s s o s d e b i c h o s ou u m
não t i n h a l i g a ç ã o p r o f i s s i o n a l c o m ninguém. Queria
p á s s a r o n o t u r n o a c a n t a r . As vezes ouvia u m j a t o b e m
ouvir a o p i n i ã o deles. M e m a n d a r a m e m b o r a . Inclusive E o jipe c h e g o u . Havia três ou q u a t r o í n d i o s o l h a n d o longe em c i m a d o m a t o p a s s a r e p e n s a v a n o p a s s a g e i r o ,
a c h o ó t i m o p u b l i c a r isso: p o r q u e m e m a n d a r a m por q u e com curiosidade m i n h a p a r a f e r n á l i a . Ia e m b o r a . rota Nova Y o r k - R i o - S ã o P a u l o , t o m a n d o seu ú l t i m o
eu e r a m u l h e r . O r e d a t o r , m e l e m b r o m u i t o b e m . f a l o u Falei p o u c o , e r a e m o c i o n a d a . Lá, e s t a v a e m c a s a . M e whisky q u e a a e r o m o ç a servia. M e s e n t i a e n t r e dois m u n -
p a r a m i m : " V o c ê a c h a q u e foi você q u e d e s c o b r i u os ín- sentia b e m . e r a c o m o se s e m p r e tivesse e s t a d o lá, in- dos. u m b e m longe e m t e m p o s e m e n t a l i d a d e e u m o u t r o
dios? " E r a Jorge F e r r e i r a . N u n c a vou e s q u e c e r . t e g r a d a . Esse p e q u e n o m u n d o na i m e n s i d ã o d o m a t o p e r t o q u e q u e r i a p e g a r e n t r e as m ã o s e e n t e n d e r .
" M u l h e r a q u i n ã o t e m l u g a r , m u l h e r n ã o p o d e ser fo- A m a z ô n i c o e r a m e u l u g a r e s e m p r e s e r á . E s t o u l i g a d a ao
t ó g r a f a " . I a b o m . T c h a u . Foi m e u p r i m e i r o c o n t a t o c o m í n d i o , à t e r r a , à luta p r i m á r i a . T u d o isso m e c o m o v e Na é p o c a não m e i m p o r t a v a n ã o e n t e n d e r a língua
esse m u n d o v a m o s d i z e r p r o f i s s i o n a l . E n t ã o desisti d e p r o f u n d a m e n t e . T u d o p a r e c e e s s e n c i a l . E talvez n e m en- dos Y a n o m a m i . Nós nos e n t e n d í a m o s c o m gestos e
lazer q u a l q u e r c o n t a t o n o Brasil. D e p o i s o r e d a t o r - c h e f e t e n d o t u d o . e n ã o p r e t e n d o e n t e n d e r . N e m preciso, b a s t a m í m i c a . As r e s p o s t a s e n c o n t r a v a n o o l h a r . N ã o s e n t i a a
do Life e m e s p a n h o l viu m i n h a s f o t o s e d e u 12 p á g i n a s . a m a r . T a l v e z s e m p r e p r o c u r e i a r e s p o s t a à r a z ã o d a vida falta d e troca d e p a l a v r a s . Queria observar absorver
H foi m e u s e g u n d o c o n t a t o p r o f i s s i o n a l . Isso m e deu u m nessa e s s e n c i a l i d a d e . E fui levada p a r a lá, na mata p a r a r e c r i a r e m f o r m a d e i m a g e n s o q u e s e n t i a . Talvez o
p o u c o d e volta v a m o s dizer m i n h a d i g n i d a d e . Fui aos Es- A m a z ô n i c a , por isso Foi instintivo. A p r o c u r a d e m e d i á l o g o iria até i n t e r f e r i r . Só m a i s t a r d e , q u a n d o a c a b e i
t a d o s U n i d o s , t a m b é m s e m c o n h e c e r n i n g u é m . Deixei o encontrar. de fotografar. eu p r o c u r e i a c o m u n i c a ç ã o ver-
t r a b a l h o n o M u s e u d e A r t e M o d e r n a d e Nova Y o r k . Na
M e a c h o n a s l o n g a s c a m i n h a d a s pelo m a t o . Fiz bal. F o t o g r a f a r é processo de descobrir o outro e
é p o c a o d i r e t o r d o d e p a r t a m e n t o d e f o t o g r a f i a era E d -
várias. M c l e m b r o d o s u o r p i n g a n d o d o n a r i z , q u e i m a n - a t r a v é s d o o u t r o si m e s m o . No f u n d o p o r isso o f o t ó g r a f o
watvl S t e i c h e n . E n t r e o u t r a s c o i s a s g r a n d e s , ele fez u m a
d o os olhos. C a m i n h a m o s h o r a s . H o m e m , m u l h e r , c r i a n - b u s c a e d e s c o b r e novos m u n d o s , m a s a c a b a s e m p r e m o s -
e x p o s i ç ã o m a r a v i l h o s a : A F a m í l i a d o H o m e m . Ele q u e
ça. c r i a n ç a r e c é m - n a s c i d a , n a s c o s t a s d a m ã e . o m a c a c o t r a n d o o q u e tem d e n t r o d e si. M i n h a b u s c a d a inte-
viu m i n h a s fotos e a d q u i r i u d u a s p a r a o m u s e u . Não o
da noite a g a r r a d o n o c a b e l o d a í n d i a , as r e d e s , as p a - r l i g a ç ã o h o m e m - t e r r a estava d e n t r o d e m i m a n t e s de
c o n h e c i p e s s o a l m e n t e . Só r e c e b i u m c o m e n t á r i o p o r es-
nelas . o essencial, t u d o c a m i n h a v a . O h o m e m na f r e n t e ter ido na A m a z ô n i a e as c a m i n h a d a s n o m a t o só s e r v i a m
crito d e q u e eu t i n h a u m o l h o m u i t o p e r c e p t i v o .
com a r c o e flecha p a r a d e f e n d e r a m u l h e r e a c r i a n ç a , ou c o m o c a t a l i s a d o r e s p a r a r e f o r ç a r o q u e estava f u n d a -
Ex — Q u a n d o você c o m e ç o u na imprensa brasileira? p r o n t o p a r a q u a l q u e r c a ç a . S e g u i n d o a t r i l h a , u m ca- m e n t a l m e n t e lá.
C l a u d i a — E m 1968. c o m a R e a l i d a d e . O R o b e r t o m i n h o estreito, c o b e r t o d e u m t a p e t e d e f o l h a s . I g a r a p é s ,
O m e d o da morte me perseguiu muitos anos. É um
Civita ( u m dos d i r e t o r e s d a E d i t o r a Abril) s o u b e d a s p a u s c a í d o s , mil d i f i c u l d a d e s , u m m a t o v i r g e m . O m a t o
p e n s a m e n t o q u e t r o u x e d a i n f â n c i a ; sem d ú v i d a sen-
p u b l i c a ç õ e s q u e eu t i n h a feito f o r a — v á r i a s r e p o r t a g e n s que para o índio é como u m a c i d a d e p a r a nós. Ele
t i m e n t o d e . c u l p a . D u r a n t e a g u e r r a , m e u m u n d o foi
p a r a Life. m e u p r i m e i r o t r a b a l h o c o l o r i d o p a r a Look (8 c o n h e c e c a d a c r u z a m e n t o , s u p e r a - o s c o m o nós atraves-
a r r a s a d o d e u m d i a p a r a o o u t r o . F i q u e i viva e n q u a n t o
p á g i n a s e a c a p a ) . Fiz t r a b a l h o s m e n s a l m e n t e p a r a eles. s a m o s as r u a s .
os o u t r o s m o r r e r a m . M o r r e r a m m e u pai. m o r r e u m i n h a
N u n c a f u i e m p r e g a d a d a A b r i l . A ú l t i m a p u b l i c a ç ã o foi Eu m e senti c a n s a d a , d e h o r a s d e c a m i n h o . E o m a t o avó. m i n h a s a m i g u i n h a s e uni a m i g u i n h o q u e m e
a A m a z ô n i a . M e s m o d e s s a vez a revista n ã o m e m a n d o u todo. m o n ó t o n o , n ã o e n x e r g a v a m a i s . E nós a i n d a es- emocionou e me acordou dos sonhos da infância.
f o t o g r a f a r índios — e o a s s u n t o e r a A m a z ô n i a . Aí t e - t a v a m o s a n d a n d o . De r e p e n t e m e desliguei. Sei q u e es-
tava c a m i n h a n d o , s e g u i n d o o o u t r o , c o l o c a n d o u m pé Os anos passaram. Era m a d r u g a d a ; exausta de
legrafei d e M a n a u s p a r a o R a i m u n d o P e r e i r a - q u e m e d o r e s , apoiei a n u c a 110 t r a v e s s e i r o c o m gelo na t e s t a . M e
c h a m o u p a r a esse t r a b a l h o q u a n d o eu j á e s t a v a no Bon- cm f r e n t e d o o u t r o , e m e u s p e n s a m e n t o s f o r a m fonge.
M e vi c r i a n ç a na E u r o p a . U m a E u r o p a na g u e r r a , u m a senti d e s l i z a r n o l i m b o . E s t a v a p a s s a n d o m u i t o m a l , c o m
d i n h o . " R a i m u n d o , t e n h o c h a n c e d e s u b i r o rio Negro, a m a l á r i a . D e s c o b r i q u e a d o r e r a m a i s terrível q u e a
f o t o g r a f a r í n d i o s " . . . e l e r e s p o n d e u q u e p o d i a . E eu f u i . c r i a n ç a q u e t e n t a d e s e s p e r a d a m e n t e se ligar a a l g u é m .
A m a r c ser a m a d a , c o m p r e e n d i d a , e r a o d e s e j o d a m i n h a m o r t e . M e u ú n i c o d e s e j o e r a q u e a d o r p a r a s s e . E u m dia
D e r a m 3 p á g i n a s d u p l a s e c a p a . T o d o esse t e m p o na p a r o u ; p e r d i o m e d o d a m o r t e . As f o l h a s p o d r e s n o solo
R e a l i d a d e e n o B o n d i n h o voltei p e r i o d i c a m e n t e nos ín- i n f â n c i a . E n ã o c o n s e g u i . Fui p a r a Nova Y o r k e p r o c u r e i
a m e s m a coisa, a i n d a c r i a n ç a . G o s t a v a d e p a s s a r h o r a s d a f l o r e s t a , as c a m i n h a d a s n o m a t o f e c h a d o , o e n c o n t r o
dios. Fui v á r i a s vezes n o M a t o G r o s s o e n t r e os Bororos. com m i g o nos m o m e n t o s r a r o s q u e a vida m e p r o p ô s
n o c a m p o , nos p a r q u e s , n o c e m i t é r i o c o m árvores,
Lá fiz u m e n s a i o s o b r e m u l h e r e s . T a m b é m u m t r a b a l h o
p o r q u e e r a m l u g a r e s q u i e t o s e soli t á r i o s . P a s s a v a h o r a s 1111111 m o m e n t o d e e n t r e g a , é o q u e está c o m m i g o , está n o
m u i t o p e s s o a l . N o Brasil n i n g u é m p u b l i c o u . Dois m u s e u s meu t r a b a l h o . T r a b a l h o q u e p o d e se r e s u m i r n a foto-
em i g r e j a s vazias c o n v e r s a n d o s o z i n h a . M e senti só na
n o r t e a m e r i c a n o s c o m p r a r a m várias, fotos d e s s a s . M a s
grande metrópole. g r a f i a . 110 t r a t a r d e u m d o e n t e , na c o m u n i c a ç ã o , e m mil
q u a n d o m o s t r e i na R e a l i d a d e , n ã o i n t e r e s s a v a . P o r q u e coisas, t o d a s i n t e r l i g a d a s , p o r q u e sou s e m p r e a m e s m a
í n d i o é u m a coisa q u e n ã o q u i s e r a m t o c a r . Eles e s t a v a m M a s a i n d a estava a n d a n d o n o m a t o A m a z ô n i c o c o m pessoa com a m e s m a p r o c u r a .
de a c o r d o d e p u b l i c a r na é p o c a as r e p o r t a g e n s q u e o os í n d i o s , u m a m a r c h a q u e virou a u t o m á t i c a . E senti
l.uigi M a m p r i m fazia c o m os V i l l a s - B o a s . c o m o cies q u e a vida estava t o m a n d o c o n t a de m i m . E r a u m a O jipe c h e g o u , m e levou. D u r a n t e a viagem p a r a
p e n e t r a v a m no m a t o . as d i f i c u l d a d e s q u e p a s s a m p a r a c a m i n h a d a q u e l i m p a v a . L i m p a v a t u d o q u e era d e n t r o ( a r a c a r a i m e a c a l m e i , s a b i a q u e o q u e t i n h a feito e r a
p a c i f i c a r . Eu n ã o e s t a v a i n t e r e s s a d a nisso. Éu q u i s mos- de m i m . O calor, o s u o r . a f a d i g a , o r u í d o s u r d o d o s pas- certo. C e r t o p a r a os d e m a i s q u e deixei p a r a t r á s e c e r t o
t r a r s e m p1 r e essa r e l a ç ã o h o m e m a h o m e m . para mim.

Por Claudia Andujar


\lex Solmk
TRABALHADOR Memórias, Histórias: o Dr. Getúlio Vargas No Beco Da Onça (Hoje Agua Branca,í
—Trabalhadores do Brasil! roupas limpas e em grupo ver Getúlio Vargas. Meu pai, Navio Negreiro, da Barra
Pé no chão, verminose, nariz moncoso, barriga de fora, atolado de trabalho na vendinha da Rua Caióvas número Presidente Altino e de Os
cabeça despenteada, fome na cara, a meninada negra pas- 59. Não ia. Aquilo nos valeu como um esparramado des Getúlio. Isso não era um
sava o dia na rua de terra, mexendo com carrinho de ro- prendimento. Como poderia alguém perder a oportu Confusa, era a nossa refe
lemã, papagaio, bola de vidro, balão, segundo a tempo- nidade de ver Getúlio? ("alemão batata come quei
rada. Uma vez chegou um carro das Industrias Reunidas —Eu vejo ele na moedinha. expressão o Eixo era di
Francisco Matarazzo para a entrega do açúcar vendido em Getúlio nas moedas menores. A negativa de meu pai safardanas que pretendiai
pacotes de meia arroba, pacotes azuis de faixa vermelha, 7 marcou para todos um alto sinal de renuncia. Como podia pequeno, nossas ruas de te
quilos e meio. Os homens taludos do caminhão metiam uns alguém dispensar tal oportunidade? Meu pai é que era era pespegada a admiraçãi
4 daqueles nas costas e iam rápidos, bíceps enormes, cin- homem. Boquejou-se essa qualidade digna por todo o Beco dos norteamericanos.Exer
turas finas, canelas finas, do caminhão à pilha de pacotes da Onça. Por uma semana. amizade. Nossos aliados.
no chão da vendola de meu pai. Quando um pacote no om- A força do velhinho, nunca vista; e depois, jamais re- Hitler era um verme; Mi
bro do homem sofreu um furo, o açúcar correu do cami- petida. Muitos anos me encabujou o fascínio do homem um sabido e Foosevelt, este
nhão à pilha, fino, fininho, pintando um rastro branco na que apareceu entre duas bandeiras brasileiras, de pé em O Beco da Onça, o Nã
terra da rua. A molecada faminta meteu a língua naquilo, carro aberto, sorrindo e estirando os braços para o alto no subúrbios perdoavam,cabe
barriga de fora, nariz ranhento. Esta cena, este aqui nunca portão de entrada da Feira das Nações Unidas. Água do a Canção d„o Expedicion;
pode esquecer e meu pai passou a dá-la como porrada Branca, São Paulo, Capital. No atopetado de gentes, de eu morra/Sem que volte f
viva quandc eu torcia o nariz e não queria comer. cavalinho nos ombros de um tio meu, vi Getúlio. com letra de Guilherme de
—Trabalhadores do Brasil! Seria papo para uma semana. Houvesse o que houvesse Itália. E quando voltaram
O Beco da Onça era getulista, negro, ne^róide, mestiço, com Getúlio era um referencial para a gente, corria com. a saimos de casáde madrugai
cafuso, mameluco, migrante, pobre, operário, corintiano agilidade dos rastilhos de pólvora, virava boato apetitoso e, Voltando daltália os pracin
roxo e paulista da gema, gente que só comia carne de de comum, estrondoso. Engraçado. Mesmo a meninada esculhambação desordem
galinha aos domingos, que andava de tamancos quando sentia que o poder de decisão estava nas mãos dele. Ninguém perguntou se
estava em casa para não gastar sapatos, que mandava —A lei. Ora, a lei. Itália. A guerra,o namorocorr
botar meia-sola nos sapatos, para quem ir ao cinema era Até esta posição ditatorial acabava soando simpática no aturdidos, malucos,desand
um acontecimento, que pagava os aluguéis com dificul- meio do povo do Beco da Onça, da Vila Pompéia, das intermináveis,nada disso n
dades e temia perder os empregos, que ia uma vez cada 6 beiradas da estrada de ferro, para os lados da Barra Funda velhinho estavaacima d o b
meses tomar banho de mar na Praia do Gonzaga, em San- e também em Presidente Altino e Osasco. O mundo era es- pulados, explorados, aguj$
tos, nos trens da Santos-Jundiaí, mas que acompanhava o se. E nele, com toda a força, a sensação que Getúlio trans- prego, gasogêneo eracionaí;
Coríntians em qualquer viagem que o clube fizesse. Tudo mitia era de proteção. Um pai dos pobres. o chão com alingua para lar
getulista. —A lei. Ora, a lei. de meia arrobaMuitos, osi
—Trabalhadores do Brasil! A gente sabia que não fora ele quem nos dera o black- estava acimado bem e do
42, 43 e 44. O que me sobra vivo desse tempo fica nas out. Mas seria provavelmente o homem que nos ia livrar —Trabalhadoresdo Bn
viagens ao Mercado Municipal a apanhar mercadorias nas dele. Assim, quando os pracinhas foram convocados para a Dutra, bom batuta, jxr
beiradas do Tamanduateí, a correria atrás do balcão guerra, imaginavamos o fim do black-out e nunca o inferno Barros, apesar dacaixinhai
enlitrando óleo decozinha.ensacando carvão ajudando meu da soldadesca na Itália. pulou de interventor a ga
pai. Havia o jogo de trilha à noite com os homens da sa- Protetor, moralizador, pai dos humildes. Então, Vargas. Prometeiiiaixar o<
caria, o Coríntians, o Palmeiras, o goleiro Oberdan, o boatavam exemplos. Um governo que governa sem nunca saltou em 250% em dois aa>
goleiro Rato, o Rio Aimberé, os caminhões pesados de ter saído do País, nunca ter saído do País. Nunca fez uma democracia. Falta de meró
areia, água pingando da carroceria, atrás do campo do Pal- só viagem ao exterior; um homem que pensa primeiro nos nas, os rádio cantavam e ap
meiras. Havia o murro da vida e o crioléu do Beco da Onça trabalhadores; um pai exemplar que corrige excessos. No Presidente
ou Navio Negreiro, conforme meu pai batisou, a Rua massacre do cine Alhambra — o incêndio era só na tela — Ademaií
Caióvas, número 59, o black-out fascinante, o Teatro San- morreram 30 meninos pisados na correria do povo apa- e Lucas i
tana, os seriados do cinema Avenida, na São João, o vorado com a sensação de incêndio do cinema. Getúlio Pra Gowi
Edifício Martinelli, o cachorro quente, o cine Alhambra e a legislou: veio a proibição para menores de 18 anos. Firme. É PTB <
voz de Getúlio Vargas: Ainda não era tempo do transistor, mas todos ouvíamos Com Luca
—Trabalhadores do Brasil! rádio. A noite, A Voz do Brasil era uma obrigação para se Nós vaupí
ficar sabendo das coisas; a possibilidade de se sofrer fome,
O U saía muito sulista, demorado, a língua do velhinho presente em todas as noites de black-out; o dinheiro curto, Pouca e fraca memória, C
demorando no céu da boca. Velhinho,nada. Moço e de tes- contado e recontado; havia bondes; os discursos de Hitler e Onça caiu de pau sobre o j
ta larga. O homem pertencia ao quadro de honra das Mussolini (gritados, de meter medo) eram apanhados clan- Culpado e respnsável portic
famílias, das paredes dos botequins, dos barbeiros, das destinamente, não se sabe como. Sentíamos temores assus- fila da carne Nessas filas, n
folhinhas. Em tudo: na fala do meu pai, um transmontano tados, escorregadios, pontudos. Mais do que tudo, um pé mistura da farinha com fubás
chegado ao Brasil - uma mão na frente, outra atrás - com atrás com os italianos, os alemães e os japoneses, a quem levantou grana altaA culpi
30 e poucos dias de idade e, logo, mais brasileiro que eu. chamavamos sonsos. Fora do rádio, as caricaturas de Bel- —Trabalhadores doBns
Getúlio estava até no dinheiro, gravado nas moedinhas monte na "A Gazeta", a presença de " O Cruzeiro" (mais Mamãe tirou título de e(i
amareladas. Saltava nas conversas dos operários, carre- na ultima página). No tempo da guerra, o povo do Beco da de quase um dia para voíi
gadores profissionais,homens do frigorífico, da estrada de Onça vivia informado ou tentando. Esses movimentos e es- Geraldo, lá nas Perdizes, j
ferro, do cortume do Largo da Pompéia, da Vidraria Santa ses rumores alertavam meu avô Virgínio que meneava a meu pai continuava estrana
Marina, das Indústrias Reunidas Francisco Matarazzo. O cabeça, com exemplaridade: tou uma raiva:
argumento era bem assim: Getúlio fizera as leis das férias, —Se estão elegendo o h^
da indenização e alguns diziam que já não trabalhavam —No meu tempo de menino, garoto nenhum nem mes- derrubar?
como escravos. Ferviam ainda o fanatismo, o fascínio, o mo sabia quem era o Presidente da República. Getúlio na democracia, !
talento político do homem, o sorriso do velhinho fazia a Getúliu deposto, eleições a vista, só se falava. Dutra abertos, ferozes apoquenüi
gente trabalhar. Nem era um velhinho, aí está. Moço, testa seria bom, Getúlio dizia que ele era. O velhinho, uma len- sabia que a caixinha,o logrí
larga, baixote, barrigudinho, fotografias não o traziam de da acima de quaisquer suspeitas. Eduardo Gomes e protecionismo,os tubarões il
óculos e era vistosamente simpático. Remexia as emoções: Ademar, dois gostosões, faziam sucesso na ala feminina. azeite, do pão dos aluguéis
—Trabalhadores do Brasil! Getúlio era geral. Só ele tinha a chave: frouxa e apostava alto.Neíi
Um dia, veio a São Paulo. A crioulada do Beco da On- —Trabalhadores do Brasil! velhinho fazií ministros e c
ça, os negros eram maioria - se arrumou e foi ver. Havia, Os boatos repetiam uma vida limpa, sofrida, de vítima e teiras maquiávelicas— d'z
onde é hoje a Sears, defronte às Indústrias Reunidas Fran- sem bandalheiras. Os outros eram pândegos, mentirosos, Chateaubriand.O povo lis
cisco Matarazzo, um pavilhão, a Feira das Nações Unidas. prometiam não cumpriam, oprimiam e enganavam,usavam Boatava-se àgrande. Aro
A gente se aprontou, era ali pertinho, fomos aprumados em impunemente. Getúlio, não. Os olhos do Beco da Onça ou dei de cara com um sujeitos
£S DO BRASIL!
IP Pela Ótica De Um Dos Seus Mais Famosos Ex-Habitantes, o Escritor João Antonio.
Funda, da Agua Branca, de da Moeda acumulando funções na fiscalização da Renda gauchamente, era um carioca, no fundo: mordia e depois
asco viam—homem bom era que me deu, em boa voltagem alcoólica numa uisqueira da soprava., Que molhava a ponta do indicador na boca, es-
sentimento confuso, Rua da Assembléia, esta história, dos tempos de Getúlio. tendia o dedo e sabia para onde ia o vento. Que mani-
ição aos japoneses, alemães, Era o barbeiro do Getúlio e sua vida ia bem. Aquele, pulou os trabalhadores e namorou o fascismo nos seus
o com barata") italianos. E a nas manhãs, exatamente às 7 horas, barbeava o presidente quinze anos de ditador. Que, na volta à presidência, sentiu
o definindo uma cambada de que se acariocara integralmente, vestia terno branco, trazia que o mar de lama era ele mesmo e suas intrigas palacianas
n o mundo. O nosso mundo charuto nos dedos, usava óculos, barrigudinho, asséptico e, e tratou de jogar a culpa e responsabilidade nos outros, até
rra vestíamos pobremente e nos de forma, elegante, além do fascínio, do sorriso, da boa nos filhos, filhas e, triunfalmente, constituiu-se num herói
ipelas qualidades magníficas figura. Uma manhã, Getúlio aparece de bom humor do- de dimensões trágicas. Gregamente marcou o momento de
íplo de capacidade e padrão de brado. Sem pressa, estende um oferecimento ao barbeiro, sua morte. Perdido, proclamou-se um nacionalista e um
depois de varias perguntas: mártir da nossa independência econômica — nossos ex-
issolini,uma besta; Churchil, —Mas você não precisa de nada? Nem de um emprejo ploradores vinham de fora e aqui eram auxiliados pelos
sim, um grande homem. público? crápulas de dentro. No fim, como não podia deixar de ser,
3 Negreiro e outros bairros e A vida do barbeiro vai bem, ganha o suficiente e tem estava só. E bem.
:a alta e baixa, o rádio cantan- até certas imunidades. Mas o presidente insiste, há uma Toda essa argumentação não comovia nem convencia o
irio ("não permita Deus que tensão, é preciso pedir alguma coisa. Pensa, repensa e no povo desconfiado do Beco da Onça e do Navio- Negreiro.
ra lá") um verdeamarelismo clima de sorrisos, joga: Suicídio? Uma conversa pra fazer boi dormir. E, como
\lmeida, a ida dos pracinhas à —Fiscal da Fazenda. naqueles tempos:
sm 45, fomos ao Pacaembu, O ditador pede papel e o nomeia decretando federal-
Ia para ver os que sobravam, mente da cadeira de barbeiro. Seria, a partir daquele "Não faça hora comigo
tias fizeram uma variedade de momento, fiscal da Fazenda com uma obrigação, a de fazer Que eu não sou relógio
.excessos na cidade, a barba presidencial todas as manhãs às 7 em ponto. Da Praça da Sé"
lão teriam enloquecido na Corre, o tempo corre e, de novo, uma manhã de ad-
0 Eixo, a volta dos pracinhas mirável bom humor na vida de Getúlio. Já fiscal da Fazen- Até as beiradas de 70, seu nome era legenda e presença
indo em besteiras e bebedeiras da e ainda barbeiro, o profissional da navalha ouve nova e em lugares inesperados. Vi retratos de Getúlio em ga-
lexeu com a gente.O sorriso do polpuda oferta: pedisse o que quisesse em matéria de em- fieiras, em restaurantes da Praça Tiradentes, em barbeiros,
:m e do mal. Éramos mani- prego. Já tinha e dois, excelentes. Getúlio, paternal, insiste. em farmácias antigas. A parede principal da Estudantina
aramos black-out e desem- O barbeiro justifica a sua negativa. Getúlio fecha o cerco, o Musical tinha uma imagem de São Jorge ao lado de um
,ato, nossos meninos fuçavam velho sorriso. Nova tensão e o presidente ajuda: retrato de Getúlio.
ter o açúcar que caía do saco —Mas você não tem nenhum amigo que esteja mal de
ilpados pelá carestia. Getúlio vida? "Bota o retrato do velho outra vez
mal. O barbeiro, depois de Fiscal da Fazenda, já não tem Bota no mesmo lugar"
il!
amigos mal de vida. Büsca e rebusca alguém que esteja
|ue Getúlio dizia. Ademar de , necessitado. Lá do fundo do poço, traz a figura de um im- Onde a alquimia do fascínio, o talento político, a
loral, safadezas e desmandos, becil, um estúpido, um tal Manoel Floriano, de incom- matreirice de Getúlio, dos Getúlios? Afinal, em 21 anos
nador, levado pela mão de petência e mau humor famosos no subúrbio carioca em que depois de sua morte, quantos gaúchos da região da fron-
sto de vida e o custo de vida mora, a ponto de correr na boca dos gaiatos: teira ocuparam a presidência — Jango, Costa e Silva,
1 (46 a 48) de restauração da —Manoel Floriano é uma besta. Sofre de complexos de Médici, Geisel....Qual a alquimia?
íana volta de Getúlio às ur- coice.
O povo do Beco da Onça nunca teve dinheiro para ir ao
nte entoava, acompanhando: Floriano vive aos coices com o mundo, tem uma gros- Rio Grande do Sul. Mas se tivesse e fosse lá, talvez aten-
Getúlio, sura azeda, uma burrice estrondosa e uma redonda ausên- tasse para um ponto — no Sul se desenvolve cedo, o co-
enador cia de qualquer habilidade. Então, por que não atirar o nhecimento da marcação do tempo, o momento maduro
íarcez coitado do Manoel Floriano naquele jogo? de entrar ou sair, a hora certa de falar ou não. O ir e o vol-
nador Da cadeira de barbeiro, o Presidente Getúlio Vargas tar, dentro da oportunidade, direitinhamente.
PSD! nomeia, através de um bilhete um novo fiscal de Renda, Há o chimarrão tomado no
Garcez cargo próprio para bacharéis em Direito, quando não
vencer" galpão. Ele corre a roda, d
economistas, mas sempre gente que tenha conhecido boca em boca. E a gurizada
iu Getúlio em 45 e o Beco da universidade. aprende cedo que há pouco
:neral Eurico Gaspar Dutra, O mar de lama, a morte de Getúlio, as dúvidas que tempo para falar, há muito
o: fila do pão, fila do açúcar, levantou, Gregório Fortunato, Samuel Wainer, Lacerda, tempo para ouvir e há tempo
mito padeiro fez fortuna na Zenóbio da Costa, Jango, Oswaldo Aranha, Alzira Vargas, certo para cada coisa nesta
muito produtor de rapadura Amaral Peixoto — tudo isso na velocidade de agosto de roda de chimarrão também
? De Dutra. 1954, os acontecimentos se atropelando, vão encontrar o chamada vida. A musica
I! povo do Beco da Onça e do Navio Negreiro sumido ou dis-
popular flagrou, bem rente:
itor e pegou, coitada, uma fila perso na poeira dos anos.
r nas urnas da Igreja de São Para aquele povinho no entanto, mais do que um pesar, "Bota o retrato do velho outra vez
bespinhado, fumando muito, uma dor, uma mágoa, a morte de Getúlio teve o gosto as- Bota no mesmo lugar"
;iro não naturalizado. Susten- sim como de algo errado no sentido da queda do sacros-
santo. A morte do velhinho valeu, como uma cena desnor-
nem de novo, por que o foram teante e desrespeitosa. Quase imoral. Imaginem isto: de JOÃO ANTONIO
repente, no silencioso e gregoriano de uma igreja respei-
utro homem. Tinha desafetos tável desfila uma mulher nua.
os. acordados e sequiosos? se Uma porrada indesculpável e ninguém acredita em
, a prevalência, a ladroeira, o suicídio. Nem a carta que o velho deixou. Para aquele
) açúcar, do leite, da carne, do povo, a carta é conversa dissimulada, manipulada, mais
i ratatuia andava solta, corria um engodo. Leu-se a carta, ouviu-se a despedida pelo rádio
tudo era Volta Redonda. O e se chorou. Tudo bem. Mas no fundo, se teve para ela, o
epois os derrubava com ras- mesmo desdém do velhinho diante da lei escrita e promul-
ia o senhor jornalista Assis gada. A carta intencionava ter força de lei. Mas:
—A lei? Ora, a lei.
> depois, já nos anos sessenta, Que fazia ministros, ate para se ver livre deles. Que dava
Rio, alto funcionário da Casa com uma mão e tirava com as duas. Que, sorrindo muito e
4, Setembro, 1954.
'Quando cruzei os portões do
Palácio do Catete, naquela
manhã fria de 24 de agosto,
não poderia supor que ali iria
assistir ao desenrolar do mais
dramático episódio da nossa
história política e dele
participar até certo ponto.
Era a primeira vez que entrava
no Catete, e, ao fazê-lo, tive
a sensação que estava
descobrindo um mundo novo e
penetrando em território
proibido. Eram 5 e meia da
manhã. Terminara há pouco a
reunião dos ministros com o
Presidente, na qual ficava
assentado que o sr. Getúlio
Vargas deixaria o cargo por 3
meses, sendo substituído pelo
Vice-Presidente Café Filho.
Todos os titulares haviam
partido, e, a não ser os
srs. Lourival Fontes e general
Caiado de Castro, não
restava no Palácio nenhum
outro auxiliar de categoria da
presidência. Reinava o mais
absoluto silêncio nos jardins
e no interior do palácio.
Silêncio e tristeza. Os
soldados do Exército, que haviam
feito p policiamento
interno do Palácio durante
a madrugada, iam aos poucos
ganhando a rua, de volta
aos quartéis. Um continuo
dizia, junto a este repórter, que,
até aquela madrugada, e desde
que a crise começara,,todos os
funcionários do Catete
estavam munidos de armas
automáticas. Aliás, ainda
se podia ver, junto aos
grossos troncos de
figueiras dos jardins, ninhos
de metralhadoras e trincheiras
de sacos de areia. Pelas 6 h
da manhã, d. Darcy Vargas
apareceu numa das janelas dos
fundos da residência,
de óculos escuros, chorando.
Vi o sr. Arisio Viana,
diretor do DASP, entrar e
subir para os aposentos
presidenciais.
Vi o sr. Lourival Fontes sair,
depois de encher o porta-malas de
seu carro de livros e papéis.
Permaneci assim durante
PO.A ÚLTIMA VEZ LM PÚBLICO ,mais de 2 horas, presenciando
o movimento rotineiro dos
funcionários da casa.
Num dado momento, porém,
o sr. Arisio Viana
chegou à portaria correndo,
atônito.
Tomou o telefone e, -
extremamente nervoso,
incontrolado, pediu linha à
telefonista.
Não conseguindo , o sr.
éé
Colt", Calibre 32.
Arisio Viana, excitado, A história de Arlindo Silva não mostrado no número seguinte da deixadas pelo percusor naquele es-
deu violento murro no entrou na edição de O Cruzeiro <jue revista. touro com as de um outro estojo
balcão, exclamando: saiu logo após a morte de Getúlio Por causa das declarações de padrão, obtidas por nós em dis-
"Como é que deixaram este (28/8/54). A revista já estava' pron- Lima Júnior, o perito Antonio paros efetuado$ em laboratório.
homem sozinho, meu Deus?" ta quando o presidente se matou: Carlos Villanova, getulista convicto Verificou-se facilmente que no es-
Compreendi que se passara 550 mil exemplares falando no que fez o levantamento técnico do tojo fatal as marcas estavam bas-
algo extraordinário. O sr. envolvimento de Gregório Fortu- suicídio, consèguiu autorização do tante acentuadas, indicando dis-
Arisio Viana nato, O Anjo Negro de Getúlio, no Instituto de Criminalística para se paro processado com o cão ar-
continuou insistindo na atentado contra o então jornalista defender. E o Cruzeiro 550 mil mado. Qualquer dúvida de que
ligação, sem Carlos Lacerda, em que morreu o exemplares apresentou sua en- aquele tivesse sido o revólver que
consegui-la. Desesperado, major Rubens Florentino Vaz. trevista a Arlindo Silva e o ma- | vitimou o presidente (colt, calibre
deixou o fone no Para dar o suicídio, no número terial de perícia como "exclusi- ! 32, número 148.756) foi dissipada
gancho e saiu seguinte, o I o de setembro, a revis- vidade úiundial". Trecho da en- j com o confronto acima referido , e
pedindo a um continuo que, ta não mudou de estilo. Na capa, o trevista: : <com aquele outro realizado sobre o
pelo telefone oficial, rosto de uma mulher bonita. Mas a "A hipótese de que o presidente projétil extraído do corpo do
chamasse o pronto-socorro, tiragem passou a 700 mil exem- tenha sido assassinado é absoluta. p r e s i d e n t e q u a n d o do exame
para um "caso de ferimento plares, até hoje não superada no Isso porque: 1 - não registramos o cadavérico e que verificamos ter
grave" país, embora o número de habitan- mínimo vestígio de luta, ou ação de sido incontestavelmente expelido
O contínuo, apalermado, tes tenha dobrado. Durante setem- qualquer pessoa, quer nos aposen- pelo mencionado revólver".
ficou paralisado. bro, a tiragem se manteve: cenas do tos presidências, quer no corpo do
Tomei então a iniciativa de velório, reação popular, agitação próprio presidente; 2 - o disparo O Cruzeiro não circula mais,
tentar uma linha atribuídas ao Partido Comunista, que roubou a vida de Vargas foi morreu aos 47 anos. Seu último
pelo telefone comum denuncias de corrupção - o cha- efetuado com a arma colada ao al- número , deste ano, com Pele' na
e fui feliz. mado Mar de Lama vo. Foi efetuado na região precor- capa, nem foi retirado das bancas.
Liguei para o Depois que Getúlio foi enter-, dial, na altura do mamelão, e atin- Seu título agora é propriedade de
pronto-socorro da rado, O Cruzeiro passou a contar giu primeiramente o bolso do Hélio Lo Bianco, antigo diretor de
Praça da República e sua vida em capítulos, com muitas paletó do pijama, tendo a massa de publicidade da revista, que lhe
pedi uma ambulância para ilustrações. Era um presidente gases provocado a ruptura do panó devia 2 milhões em salários e
atender um caso de bom, mas cercado de aproveita- daquele bolso, conforme se pode comissões. No momento,Bianco
"ferimento grave". dores, dava a entender a revista, verificar examinando-se a foto- não sabe o que fazer com o título,
Somente minutos mais tarde que o combatia violentamente. grafia da peça. O disparo, portan- avaliado em 5 milhões . Acha que a
vim a saber que o pedido de O Cruzeiro continuou vendendo to, está bem distante da axila; 3 - a revista está muito desacreditada,
socorro era para o a morte de Getúlio durante muitos mão esquerda do presidente mos- depois da longa crise financeira
próprio presidente Vargas. anos. Em 1958, quase 4 anos trava resíduo anegrados, carac- que a fechou. Arlindo Silva é agora
O destino dera essa tragica depois, ainda se levantava a pos- terístico de polvora combusta, assessor de imprensa do Grupo Sil-
tarefa a um repórter que sibilidade de assassinato. Isso por- como posterioremente foi, aliás, vio Santos.
nunca antes havia entrado no que os documentos oficiais sobre o verificado em exame de Labo-
Palácio do Catete. suicídio ainda não tinham sido ratório. Tal fato nos indicou que a
Mas quando, pouco depois, divulgados. A revista só conseguiu arma fora por ele sustida contra o
os médicos e enfermeiros publicá-los no dia 4 de agosto de peito com as duas mãos, o que tor- (Luiz Guerreiro, nosso enviado
chegaram, era tarde demais. 1958. nava necessário para a auto-eli- especial a
O chefe da equipe médica minação com disparo feito na
coleção de O Cruzeiro)
desceu e disse: Mesmo assim, o historiador região precordial. Outrossim, o
"Não há mais remédio. mineiro Augusto de Lima Júnior exame do picote do estojo do qual
O presidente está morto". insistia em que o laudo não provava saiu o projétil que o matou veio
o suicício, também nas páginas de mostrar que tal disparo fora
ARLINDO SILVA. O Cruzeiro. F a l t a v a m m u i t o s efetuado com a arma engatilhada,
detalhes, como testes de labora- isto é com o cão armado, o que se
tório e as fotos feitas pela polícia no verificou no exame microscópico do
quarto do presidente. Tudo foi confronto, comparando as marcas
Esta reportagem
de Arlindo Silva saiu
na edição
de O Cruzeiro do dia
4 de setembro de 1954.

O P R O J É T I L que fulminou o ex-Presidente Vorgai AS DEFORMAÇÕES constatadas m u l t a m do fato TESTES periciais demonstraram que o projétil foi
de ter a balo atingido partes ósseas do suicida. realmente expelido pelo " C o l t " do Presidente.
foi fotografado d . todos o» ângulos pelos perito..
6, Fevereiro, 1955.
O association c o n t i n u a a i m p o r o seu
r e i n a d o , dai o t u m u l t u a n t e c e n á r i o que
c s t a v a m o s v e n d o n o p r ó p r i o d a munici-
p a l i d a d e . A t r a n s c e d e n t a l i m p o r t â n c i a do
cotejo a u g u r a s o m b r i a s previsões no te-
r r e n o esportivo e disciplinar. Daí. esperar-
mos t u d o desse Derby. E v a m o s a ele den-
tro d o escassíssimo t e m p o hábil q u e dis-
p o m o s p a r a redigir esta depretenciosa
crônica.

II »f" "•1TTTTTT
WÊÊ S u r g e o P a l m e i r a s , com camisetas
mi
**
a / u i s - a n i l . U m a r e c e p ç ã o m o r n a . Mas em
s e g u i d a , senhores, e n t r a n d o pelo outro
MIHM^MHiiNi túnel, eis q u e surge o alvi-negro de Unifor-
m e novinho. E s t o u r a u m m o r t e i r o que
f r a n c a m e n t e p o d e e s b o d e g a r os ouvidos do
público. E. por q u e n ã o dizer os nossos
também.
O P a l m e i r a s c o m e c a p r e j u d i c a d o . Vai
j o g a r c o n t r a o vento q u e b a t e forte con-
tra a m e t a dos portões m o n u m e n t a i s , que
será d e f e n d i d a pelo a r q u e i r o Laércio.
M a s . eis q u e o cotejo tem o seu início, com
D e m a p a s s a n d o p a r a o J a j á Rosa Pinto.
Ele m a n o b r a pelo meio e t e n t a de longe
um tiraço p a r a a m e t a de G i l m a r . Mas o
tiro sai f o r a . torto.
Rafael recebe u m a bola no bico direito
da g r a n d e área. E e x p l o d e um centro. Sal-
t a m vários j o g a o r e s . m a s um deles, no
meio de todos, coloca a bola. com o co-
c o r u t o . p a r a o f u n d o d a s redes de Laércio.
É L u i s i n h o . o P e q u e n o Polegar. o autor do
gol. aos 11 m i n u t o s d o p r i m e i r o tempo. A
m a s s a t o r c e d o r a está f a z e n d o u m a grande
festa.
O prélio e s q u e n t a com o gol d o Corin-
lians. M a s G i l m a r está e m b o l s a n d o tudo.
H u m b e r t o nos p a r e c e nervoso, perdendo
c h a n c e s m u i t o b o a s p a r a s u a s cores. Q u e m
esperava u m a p o r f i a violenta, está se en-
g a n a n d o . E p a ! Assim foi q u e i m a r a lín-
g u a : n ã o é q u e o L i m i n h a a c a b a de d a r
um p o n t a p é sem bola no H o m e r o ?
Aos 25 m i n u t o s t e m o s u m a invasão do
g r a m a d o . São guardas-civis. repórteres,
fotógrafos. U m episódio d e s a g r a d á v e l , que
aos poucos é c o n t o r n a d o . M u i t o nervosis-
m o . m a s n ã o há n a d a grave a t o l d a r a at-
m o s f e r a -animada d o Derby.
Nota-se u m a p r e o c u p a ç ã o m u i t o gran-
de d a defensiva alvi-negra: evitar faltas
p e r t o d a á r e a . T e m e m a violência do
p e t a r d o d e J a j á Rosa Pinto. M a s . surge
•tinia boa c h a n c e p a r a o P a l m e i r a s . Idário
toca a c i d e n t a l m e n t e com a m ã o na bola e
o juiz E s t e b a n M a r i n o assinala h a n d s . Jair

r
. e x p l o d e o tiraço, m a s G i l m a r voa e cede

„ o e n o n z o / escanteio.

IV CENTENÁRIO.
A e t a p a inicial t e r m i n a c o m a van-
t a g e m no p l a c a r de 1 a 0 p a r a o C o r í n t i a n s
P a u l i s t a . A i m p r e s s ã o q u e ficou é q u e o
vento a j u d o u m u i t o o t i m e comandado
pelo jovem e p r o m i s s o r O s v a l d o B r a n d ã o .

A e t a p a final c o m e ç a com o sol a i n d a


m u i t o q u e n t e . O Derby revive u m a d a -

HQMEtJAGEM DE A GAZETA ESPOQT/VA q u e l a s t a r d e s p a r a e n q u a d r á - l a em mol-


d u r a p o r t e n t o s a . Ao se reiniciar o cotejo,
R o d r i g u e s d e s p e r d i ç a excelente opor-
t u n i d a d e , f r e n t e a f r e n t e com G i l m a r .
M a s . aos 5 m i n u t o s , eis q u e surge o t e n t o
de e m p a t e . H o m e r o c o m e t e i n f r a ç ã o em
L i m i n h a , na linha de f u n d o , à e s q u e r d a :
b a t e Jair. com r a r o efeito, j u n t o ao poste
direito. I d á r i o s u s p e n d e d e c a b e ç a e a
bola viaja d e n t r o d a s redes. E, a g o r a , aos
5 m i n u t o s d a f a s e final, estão Sport C l u b e
C o r i n t h i a n s e S o c i e d a d e Esportiva Pal-
m e i r a s e m p a t a d o s : 1 a 1! O e m p a t e dá o
titulo ao alvi-negro. a vitória d o P a l m e i r a s
coloca os 2 em 1°. l u g a r . Se o C o r i n t h i a n s
p e r d e r è não p a s s a r pelo São Paulo, do-
m i n g o q u e vem. o P a l m e i r a s é c a m p e ã o .
Ex-14
Se p e r d e r h o j e e g a n h a r d o m i n g o , h a v e r á
mais u m D e r b y c o m o esse, c a l o r e n t o e
emocionante.
C) e m p a t e p a r e c e a b a l a r o C o r i n t h i a n s .
que já n ã o d e t é m a v e l o c i d a d e ofensiva d o
alvi- verde, ao p a s s o q u e s e u s ' a t a c a n t e s
ficam c o m o q u e p a r a l i s a d o s n o m e i o d o
c a m p o . G i l m a r , em d u a s e x t r a o r d i n á r i a s
ocasiões n e u t r a l i z a , e m c o n d i ç õ e s deli-
cadíssimas, especialmente u m a cabeçada
de L i m i n h a d e s v i a d a c o m a p o n t a dos
dedos, está t r a n c a n d o a s u a m e t a .
Já está n a lpora d o j u i z E s t e b a n M a r i n o
trilar o a p i t o . M a s eis q u e t e m o s , n o úl-
t i m o m i n u t o , a m a i s incrível o p o r t u n i -

Um Lídimo Campeão
dade. Cação falha, é desarmado, e Rafael
lica s o z i n h o com Laércio. Q u e r se
aproximar demasiado para a conclusão e
dá t e m p o p a r a q u e o a r q u e i r o se atire aos
seus pés d e s t r u i n d o a -grande c h a n c e d e S a n g u e , suor e l á g r i m a s , eis o p r e ç o d o PAU—DE—SEBO I.ocal - E s t á d i o M u n i c i p a l d o P a c a e m b u .
vitória. Laércio se m a c h u c a e o prélio vive Derby. F i c a r a m as l á g r i m a s p a r a uns e o Juiz - F.stebari M a r i n o
s a n g u e se c o n v e r t e r i a em j o r r o s d e j ú b i l o 1) - C o r i n t h i a n s - c a m p e ã o - 10 P.p.
seus ú l t i m o s m o m e n t o s de m o n u m e n t a l Gols - Luisinho. aos 11 d o I o . e Nei. aos 5
p a r a o u t r o s . Foi a m u i t o c u s t o q u e este 2) - Palmeiras. - 13
expectativa, até o a p i t o final d e E s t e b a n do 2 o .
r e p ó r t e r c o n s e g u i u a l c a n ç a r os c a m a r i n s , 3) - São P a u l o - 15
Marino. R e n d a - 1.233.055 cruzeiros.
invadidos por u m a verdadeira onda. 4) - S a n t o s - 18
C o r i n t h i a n s , C a m p e ã o d o 4 ° . Cen- l imes - C o r i n t h i a n s : G i l m a r . H o m e r o e
humana. - P o r t u g u e s a de D e s p o r t o s - 22
tenário da c a p i t a l b a n d e i r a n t e ! A l a n ; Idário. G o i a n o e R o b e r t o ; C l á u d i o .
No l a d o alvi-negro, o m á x i m o m e n t o r 6) - XV d e Jaú - 25
O q u e a c o n t e c e neste final é a l u c i n a n t e Luisinho. B a l t a z a r . Rafael e S i m ã o . Téc-
d o clube. A l f r e d o Inácio T r i n d a d e , exul- 7) - G u a r a n i - 26
c apoteótico. Os jogadores corinthianos nico: O s v a l d o B r a n d ã o . P a l m e i r a s : Laér-
tava. Rafael d e s m a i o u , G i l m a r e r a o m a i s 8) - P o n t e P r e t a - 27
saltam d e j ú b i l o , a l g u n s arrancando cio. M a n u e l i t o e C a ç ã o ; Nilo. F i u m e e
c u m p r i m e n t a d o . O solerte L u i s i n h o . a u t o r 9) - Linense - 31
c a m i s e t a s , ao p a s s o q u e a m a s s a t o r c e d o r a D e n t a : L i m i n h a . H u m b e r t o . Nei, Jair da
d o gol. n ã o cabia em si d e alegria. O 10)- Sao Bento, Noroeste e 15 d e Piraci-
i m p e t u o s a , viola o a l a m b r a d o s e festeja os Rosa Pinto e Rodrigues. T é c n i c o : A i m o r é
p r ê m i o pela c o n q u i s t a d o título foi logo c a b a - 32
campeões. Moreira.
a n u n c i a d o : 100 mil c r u z e i r o s p a r a c a d a 1 1 ) - J u v e n t u s - 33
plaver. 12) - I p i r a n g a - 36 T e x t o de José T r a j a n o . nosso e n v i a d o
especial à edição de A G a z e t a Esportiva de
No l a d o alvi-verde. o t é c n i c o A i m o r é GOLEADORES 8 de fevereiro de q u e vendeu 203.040
M o r e i r a dizia q u e o prélio foi d i s p u t a d o exemplares!!
ardorosamente. Humberto se queixa 1) - H u m b e r t o ( P a l m e i r a s ) 36
d a f a l t a de sorte, q u a n d o a bola b a t e u n o 2) - G i n o (São Paulo) - 18
seu joelho e ele n ã o p o d e finalizar, f r e n t e a 3) - O s v a l d i n h o ( P o r t u g u e s a ) , R o d r i g u e s
f r e n t e com G i l m a r . L i m i n h a elogiava a ( P a l m e i r a s ) e A m o r i n (Juventus) - 15
atuação do arqueiro corintiano, dizendo
q u e "ele d e f e n d e u n ã o sei c o m o a c a b e - TRAJETÓRIA DO CAMPEÃO
ç a d a q u e dei com e n d e r e ç o c e r t o " .
C o r i n t h i a n s - 25 jogos, 17 vitórias, 6 e m -
Pelas r u a s da noite e n l u a r a d a de 6 de pates e 2 derrotas.
fevereiro de a legião d e a d e p t o s d o
c h a m a d o c l u b e d o povo invadiu e alegrou N Ú M E R O S DA PORFIA
a m e t r ó p o l e , d a n d o j u s t a e x p a n s ã o ao seu
j ú b i l o pela histórica c o n q u i s t a d o título d e Sport C l u b e C o r i n t h i a n s 1 x S o c i e d a d e Es-
" C a m p e ã o dos Centenários". portiva P a l m e i r a s 1.

Os censores deste
jornal recomendam:
use calças e
camisas do
Jeans Store.

São Paulo: Alameda Lorena, 718; Rua Iguatemi, 455; Alameda Jaú, 1423; Rua Maria Antônia, 116; Rua Princesa Isabel, 235 - Brooklin; Shopping Center Continental - Osasco.
Rio: Rua Santa Clara, 50 - Copacabana; Rua Visconde de Pirajá, 82 - Ipanema.
BRASIGUAY
Ex-14

Se eu tivesse d e b a t i z a r , seria Brasi-


guav. Nessa região s u r g e m ou crescem
c i d a d e s e povoados. C o m o S a n t a Rosa,
H e r n a n d á r i a s . C o r p u s Christi e P a l o m a .
Há a n o s era u n i a á r e a d e s a b i t a d a n o in-
terior d o P a r a g u a i . Hoje é o l u g a r de
a g r i c u l t u r a m a i s desenvolvida.
Não se laia m u i t o o p o r t u n h o l . a mis-
lura d e línguas. A p e n a s o p o r t u g u ê s dos
colonos mineiros, paulistas, c a p i x a b a s ,
nordestinos, g a ú c h o s e p a r a n a e n s e s , o
Uilar d o h o m e m d a t e r r a . Nas escolas, o
g u a r a n i é e n s i n a d o às c r i a n ç a s brasileiras,
louras, p r e t i n h a s . I o d o s os d i a s . três,
q u a t r o famílias a t r a v e s s a m essa f r o n t e i r a ,
s e j a - p e l o s .100 m e t r o s d e P o n t e d a Ami-
zade, ou pelos mil m e t r o s d e á g u a b a r r e n -
ta d o P a r a n à z ã o .
Atravessei o P a r a n a z ã o em G u a í r a .
Mas tive a e s t r a n h a s e n s a ç ã o d e estar
v i a j a n d o no t e m p o . O K s t a d o d o P a r a n á
a c a b a ali. c o m o eu s a b i a , o f e r e c e n d o d u a s
saídas. M a t o G r o s s o e P a r a g u a i . M a s não
a c a b a , a p r ó p r i a g e o g r a f i a d e u opções:
c o n t i n u a prá c i m a . p r o c u r a n d o Acre e
R o n d ô n i a : em Irente n a s t e r r a s para-
pulavím: SOO inil hab g u a i a s . i g u a l z i n h o às p a r a n a e n s e s .
( apitai llaipu Depois d e viajar d i a s n o roteiro
I amoniia: soja, gado, trigo.
< .L-otiiiiiia: são 2 mil Km de (romeiras, M a r i n g á - G u a í r a . n o r a s t r o d a s cidades
enlre o Brasil c os 4 países que com ele n a s c i d a s por c a u s a d a t e r r a , c o l o n i z a d a s e
lormam a Bacia do Prata. Uma das maiores fron- crescidas em m e n o s t e m p o d o q u e t e n h o

SSIIl
teiras agrícolas do mundo; em suas de vida. e n c o n t r e i a o vivo o c e n á r i o e as
terras estão ainda pontos turísticos
histórias c o n t a d a s pelos p i o n e i r o s , sejam
grandiosos, como as cataratas do Iguaçu
e Sele Quedas; e ambiciosos projetos em d e U m u a r a m a . P a l o t i n a ou G u a í r a .
Ü Ü execução: represas, extração de ferro de E s t r a n h a t a m b é m a s e n s a ç ã o de ver
Yltitúm lliolivia), exploração de gás em c o m o o povo a n d a . S u a a v e n t u r a é do
SSVÍIÍÍ
>
II Santa C ru/ Boliviai, ja/.idas de minérios
(La Paz L . •.. l• \ina/oma), 'estradas e pontes de leste a t a m a n h o d e sua t r a g é d i a . O h o m e m não
©•"tf oeste. " p a i s " foi descoberto pelos e n c o n t r a m a i s lugar, a t e r r a está toda
repórteres Hamilton Almeida Filho, o c u p a d a , v a l o r i z a d a , d e leste p a r a oeste.
Mário de Andrade e Leonardo Santos, numa Já c o n s t r u i u as c i d a d e s , já p l a n t o u , colheu.
BOLÍVIA reportagem para o lançamento do jornal
I'.moram.i. de Londrina. PR, em março.
O t e m p o p a s s o u , a t e r r a c a n s o u e a fome
d o m u n d o a u m e n t o u . O e s p a ç o , q u e era
• e n o r m e . Ilcou p e q u e n o p a r a as g r a n d e s
p l a n t a ç õ e s , p a r a as m á q u i n a s q u e vieram
substituir o homem p i o n e i r o (a c o r r i d a
pela m e c a n i z a ç ã o c o m e ç o u e m 1 % 8 e
a l i m e n t o u com o II P l a n o N a c i o n a l de
Desenvolvimento, q u e q u e r r e e d i t a r no
Brasil a " e c o n o m i a d e m e r c a d o " , ao estilo
dos L s t a d o s U n i d o s , t a m b é m n o c a m p o ) .
Pode-se n ã o s a b e r p a r a q u e serve a
Asunción soja. m a s é preciso p l a n t á - l a j u n t o com o
trigo, p o r q u e o c a f é n ã o a l i m e n t a m a i s
n i n g u é m . Não c o n t e n t e d e t o m a r o c a m p o
( s c a l e / a i s estão i l h a d o s por seu verde
claro), a soja invade n a s c i d a d e s os q u i n -
tais. p r a ç a s e até c e m i t é r i o s .
A p e q u e n a p r o p r i e d a d e n ã o serve p a r a
o boi. o g a d o . M a s o g a d o serve p r a se-
g u r a r a terra c a n s a d a , d á m a i s lucro.
( DiiKi eu ouvi isso: " O n d e e n t r a o boi sai o
ARGENTINA h o m e m " . Viajei o c a m i n h o d o colono, via
.1 história m u d a n d o . O m i n i f ú n d i o d o c a f é
na. d a n d o m a i s p a r a a u m e n t a r as t e r r a s
Santiago com o lucro de u m a s a f r a . Assisti à m o -
r > w i m n i a ç a dos novos d o n o s d a s t e r r a s , os
Montevidéu t a / e n d e i r o s de g a d o . os p l a n t a d o r e s d e
Buenos Aires MATO GROSSO
MINAS GERAIS -oja c trigo, voltados p a r a a c o t a ç ã o d o
m e r c a d o i n t e r n a c i o n a l . Só eles c o m di-
José <lo Rio Prcti nheiro p a r a a a v e n t u r a d e a g o r a nessas
terras já c o l o n i z a d a s : P a r a n á , celeiro d o
I Porto Murtinhi^^ 'Araçaluha• Caianduva n'
mundo.
I Bola Vis« Dou„dos SÃO PA LU. O

fI Amambasí jProsicIcnlc Pruitonte • Bauru E n c o n t r e i t a m b é m o h o m e m q u e con-


PARAGUAI
Nova Londrina""'— Vy
* * . . jCambará tinua chegando? v i n d o d e b a i x o e d e c i m a .
•Qucrônci. Marina Londri
# •Cornóiio Procópio
na '( g a ú c h o s e mineiros., a t r á s d a t e r r a . Só que'
do Noric ^Cianórtr
y/*C'lnlP<» Mourão •agora eles se j u n t a m ,com os q u e s a e m .
Areiasjj \ J PARANÁ
\ ão em f r e n t e t a m b é m , na d i r e ç ã o o n d e a
y„ Cascavel *
história m u d a n o v a m e n t e , o e s p a ç o volta a
• s c a b r i r , há l u g a r p a r a os p e q u e n o s e os
•Hul \ T
q u e vão c o m e ç a r . A m a t a a i n d a está c a i n -
M A J do. m a s já s e n t e o c a l o r c h a p a d o d a
m - T—yt I/
SANTA CATARINA derrubada.
U / ' 1/ ^
lX /'p.,«„FU„,lo\ * I n d o cm f r e n t e , c o m p r a n d o t e r r a s
£
L' \ São Il.uis Gonzaga* X
Vat aria n iiores p a r a p l a n t a r soja ou trigo ou nies-
ARGENTINA
' São Borja n o p a r a ler g a d o . a a v e n t u r a q u e c o m e ç a
RIO GRANDE DO SUL
p a r a esses h o m e n s tem. a neeessidíidc cht
Ex-14
a t u a l i z a ç ã o - e o c l i m a d o s t e m p o s pio- Eles ficam ali à e s p e r a d a volta d e seus Fachini chegou d e r r u b a n d o a m a t a , m c r c i a n t e ali d a e s q u i n a é p a r a g u a i o . O s
neiros. A h i s t ó r i a e s t á se m i s t u r a n d o e se d o n o s . O t r â n s i t o é e n o r m e , m u i t o s vêm só t i r a n d o m a d e i r a , se m e t e n d o em rolos d e s o l d a d o s aí d o d e s t a c a m e n t o t a m b é m são
r e p e t i n d o em B r a s i g u a y . p a r a ver. a t e n d e r u m c h a m a d o d e p a r e n t e c o l o n i z a ç ã o . A t e r r a valia 200. 3 0 0 c r u - paraguaios.
O b r a s i g u a y o é ativo e q u e r s e m p r e ou a m i g o q u e já se i n s t a l o u e m a n d o u zeiros o a l q u e i r e , e r a d e g r a ç a . P l a n t o u O resto, brasileiros. No a l t o d a s c á s a s ,
c o n q u i s t a r novas t e r r a s . É u m h o m e m d e notícias, c o n t a n d o as n o v i d a d e s . O p r e ç o m e n t a . q u a n d o a h o r t e l ã e s t a v a c o m os a n t e n a s d e T V q u e s i n t o n i z a m os c a n a i s
poucos r e c u r s o s , p o u c a i n s t r u ç ã o , g r a n d e d a t e r r a , u m negócio a f a z e r . Q u e m vem preços altos, a u m e n t o u suas, t e r r a s , h o j e 12. d e C u r i t i b a , e o 11. d e A p u c a r a n a ,
capacidade de trabalho, mas incapaz de prá ficar já t r a z a m u d a n ç a , m a s é n o r m a l elas valem até 10 mil c r u z e i r o s o a l q u e i r e . c i d a d e n o r t e - p a r a n a e n s e . No b a r p r i n -
c o n c o r r e r com a a u d á c i a d o s i n t e r m e - vir p r i m e i r o s o z i n h o , s e m a f a m í l i a . Fachini me deu a impressão de que todo c i p a l . u m a f a m í l i a p a r a g u a i a fazia seu
diários e d o s i s t e m a c a p i t a l i s t a . Q u a n d o a As lojas e s t ã o vazias, as b a l c o n i s t a s colonizador é inimigo da terra, na medida lanche n u m a mesa a f a s t a d a . Nas outras,
terra d e s b r a v a d a c a n s a , ele n ã o t e m s e n t a d a s em c a d e i r a s n a p o r t a . O m o - de sua corrida atrás do dinheiro. Vai b r a s i l e i r o s b e b e n d o ou j o g a n d o b a r a l h o .
m u i t o s r e c u r s o s com g e r e n t e s d e b a n c o s , v i m e n t o só existe m e s n i no D e p a r t a m e n t o m u d a n d o d e d i r e ç ã o c o n f o r m e os ventos Por t r á s d o b a l c ã o , as 3 j o v e n s q u e a t e n -
não sabe organizar e e s q u e m a t t z a r ra- de Inmigración. Apresento-me como jor- dos negócios. Sem se i m p o r t a r com o d e m são loiras, b o n i t a s : p a r a n a e n s e s d e
c i o n a l m e n t e sua vida. N ã o cria raízes, nalista. p a r a t a l a r com o c h e f e . O s e n o r f u t u r o , além d a p r ó x i m a s a f r a , t i r a n d o I oledo. vivendo há 8 a n o s n o P a r a g u a i .
pretere d e s f a z e r - s e d o p o u c o q u e t e m e Pereira d e m o r a u m p o u c o p a r a s a i r d e t u d o o q u e a t e r r a p o d e d a r . F a c h i n i já —Si. senhor?
seguir a d i a n t e . d e n t r o d a c a s a , vem b e m p e n t e a d o e passou pela m a d e i r a , pela m e n t a e está n o —Você é brasileira?
Há t a m b é m o brasiguaio que não é cheiroso. g a d o e na soja. V o l t a d o p a r a o lucro: —Si. como no?
proprietário — é o meeiro. o porcenteiro, — F i q u e m à v o n t a d e , t o m e m u m uís- — E l B o s q u e são 100 a l q u e i r e s , c o m 31 —Seu sotaque é paraguaio.
d i a r i s t a ou h o r i s t a . I g u a l m e n t e p i o n e i r o , que. Aqui tem m u i t o uísque b o m . p l a n t a d o s d e soja e o resto é p a s t o . M a s — V e r d a d ? É q u e soy c a s a d a c o m
este h o m e m n u n c a s e q u e r s o n h o u c o m as C o n v e r s a m o s m a i s d e 20 m i n u t o s , d o nem sei q u a n t a t e r r a t e n h o . Só a q u i , a 140 xtraguaio.
malíeias b a n c á r i a s . F a z e n d o p a r t e d o l a d o de f o r a d a sala, n a c a l ç a d a . O s e n o r q u i l ô m e t r o s , p e r t o d e P a l o m a , t e n h o 2.500
" s u b s i s t e m a d e t r a b a l h o " d o p i o n e i r o , este Pereira n ã o m e disse q u a s e n a d a . A p e n a s a l q u e i r e s e sem dever. Vou c o n s e g u i r u m O velhote d e o l h o s a z u i s , t o m a n d o
h o m e m o a c o m p a n h a . E, n o P a r a g u a i falou a r r a s t a d o , m a i s e m p o r t u g u ê s um, empréstimo do Fundo Ganadero (do c a c h a ç a (brasileira) 110 b a l c ã o , e r a s i t i a n t e
(país d e 3 m i l h õ e s d e h a b i t a n t e s , m e n o s d a p o u c o em c a s t e l h a n o . G u a y r a é l u g a r P a r a g u a i ) p a r a c o l o c a r 2 mil c a b e ç a s d e cm A r a p o n g a s .
m e t a d e d a p o p u l a ç ã o p a r a n a e n s e ) , ele vai m u i t o novo. em m e n o s d e 12 a n o s d e i x o u g a d o a i n d a este a n o . — A q u i é m u i t o m e l h o r . N ã o t e m im-
f o r m a r j u n t o com o p a r a g u a i o , será o p e ã o d e ser d i s t r i t o d o Alto P a r a n á , p a r a se tor- Conta depois que tem u m a colonização p o s t o d o I n c r a . F u n d o R u r a l , n a d a disso.
de d e r r u b a d a , o t r a b a l h a d o r d e p o u c o nar capital d o D e p a r t a m e n t o de Canend- p a r a v e n d e r . 5 mil h e c t a r e s , e m lotes d e 5 Você p a g a so' i m p o s t i n h o d e n a d a p a r a o
p r e p a r o c u l t u r a l , o e l e m e n t o d e a p o i o ao viú. A e s t r a d a l i g a n d o c o m A s u n c i ó n até 200 a l q u e i r e s a p r e ç o d e 3 mil o al- g o v e r n o p a r a g u a i o e t u d o a q u i l o q u e você
pioneiro. chegou h á 4 a n o s . a p e n a s . Se j u n t a c o m a q u e i r e . T u d o o q u e g a n h a a p l i c a lá m e s - colheu é s e u . o g o v e r n o n ã o m e t e a m ã o .
Qual é a população brasiguaya? Não q u e vem d e P e d r o J u a n C a b a l l e r o , f r o n - m o . só s e n t e s a u d a d e d a costela g o r d a d o Ao e n t r a r p o r Foz. d o I g u a ç u . L e o n a r d o
há c o m o s a b e r o f i c i a l m e n t e . E m b o r a o teira de P o n t a P o r ã , M a t o G r o s s o , a 2 0 0 Rio G r a n d e , d o c a f é d a m a n h ã . N ã o veio e n c o n t r o u g e n t e v i n d a d o N o r t e d o Es-
governo m a n t e n h a d o i s p r o j e t o s d o I n c r a q u i l ô m e t r o s d e G u a y r á . S o b r e os bra- p a r a r n o P a r a g u a i - d e p o i s d e ter s i d o u m tado. de Porecatu. Alvorada. Primeiro de
11a e n t r a d a d o P a r a g u a i — n a r e g i ã o de' sileiros. e s q u i v o u - s e s e m p r e . p e q u e n o a g r i c u l t o r em M a r i n g á , o n d e Maio. p r o c u r a n d o terras p a r a c o m p r a r
Foz e em M u n d o Novo. sul d o M a t o G r o s - — Chega muito brasileiro sim. Aqui é t i n h a 32 a l q u e i r e s d e t e r r a - p r a m u d a r d e com o d i n h e i r o d a s i n d e n i z a ç õ e s d a C e s p
so: e e m b o r a esteja p r e o c u p a d o com a l u g a r novo. a m e s m a coisa q u e n o N o r t e d o c l i m a . O f a l a t ó r i o do'S" c o l o n o s já o tez ir por c a u s a d a U s i n a C a p i v a r a . F. eu e n c o n -
m a r c h a dos colonos, n ã o há m e i o s d e c o n - P a r a n á . Eles s ã o g e n t e b o a , trabalha- ver o q u e está a c o n t e c e n d o e m R o n d ô n i a , trei o u t r o s , s a í d o s d o O e s t e , d e Assis
trolar. deira. p l a n t a m de tudo, café, soja, hortelã, Acre. C h a t e a u b r i a n d . T o l e d o P a l o t i n a , o n d e há
M a s se você p e r g u n t a r p a r a os trigo. g a d o . F i q u e m à v o n t a d e , visitem — P o r isso eu d i g o : o Brasil so t e m t e r r a 1 crescimento econômico, o " b o o m " da
p r i m e i r o s q u e a t r a v e s s a r a m , vai c h e g a r a t u d o aí. T e m o s b o m u í s q u e , iá t o m o u ? á na c a s a d o c h a p é u , o n d e a t é m a c a c o soja. m a s o n d e a t e r r a valorizou d e m a i s
140 mil b r a s i g u a y o s . só na r e g i ã o f r o n - Desde 1961. o P a r a g u a i t e m i n t e r e s s e m o r r e d e m a l e i t a . Você c o m p r a u m c a r r o p a r a os p e q u e n o s p r o p r i e t á r i o s .
teiriça c o m o E s t a d o d o P a r a n á . nessa c o l o n i z a ç ã o b r a s i l e i r a . C h e g o u a im- z e r o q u i l ô m e t r o , vai. volta, t e m q u e c o m -
Estou a t r a v e s s a n d o na p r i m e i r a b a l s a portar colonizadores, loteadores brasi- p r a r o u t r o . N ã o é d e s p r e z a r o Brasil, m a s — E u l i n h a 22 a l q u e i r e s e e m T o l e d o .
de G u a í r a p a r a o P o r t o José Fragelli, leiros p a r a i n c e n t i v a r a e n t r a d a d e co- d e lá só q u e r o m e s m o é d e s f r u t a r o m e u Faz I a n o e m e i o . v e n d i p o r 330 mil
M u n d o Novo, c a m i n h o p a r a D o u r a d o s . lonos. O P a r a g u a i t a m b é m serviu d e Rio G r a n d e . c r u z e i r o s . L-> mil o a l q u e i r e . Vim a q u i .
Campo G r a n d e no M a t o Grosso, à direita, a b r i g o na é p o c a d a e r r a d i c a ç ã o d o c a f é n o (Na f r o n t e i r a c o m a Bolívia, n o s s a c o m p r e i p o r 1.500 o a l q u e i r e . P a g u e i 180
e Salto Del G u a y r á à e s q u e r d a . São 6 P a r a n á , p a r a os f a z e n d e i r o s d e s c o n t e n t e s e c o n o m i a se b a s e i a n a b o r r a c h a e x t r a í d a mil p o r 120 a l q u e i r e s , s o b r o u b a s t a n t e
horas d a m a n h ã d e u m s á b a d o e na b a l s a c o m a política b r a s i l e i r a . Foi o t e m p o d o muitos quilômetros dentro do território dinheiro.
já vai u m c a m i n h ã o d e T e r r a R o x a . c o n t r a b a n d o d e c a f é . d e lá p a r a cá, j á q u e boliviano por milhares de brasileiros. A
m u n i c í p i o ao l a d o d e G u a y r á , l e v a n d o a o e s c o a m e n t o d a p r o d u ç ã o so p o d i a ser produção-sãi por duas estradas brasileiras W a l d o m i r o Kringes. gaúcho, depois de
mudança de u m a família de colonos. São feito p o r a q u i . Esses m e s m o s g r a n d e s e o g o v e r n o boliviano, c o b r a n d o u m im- 15 a n o s c m T o l e d o é a i m a g e m d o q u e
40 m i n u t o s d e travessia d o P a r a n a z ã o , p r o p r i e t á r i o s p a r a n a e n s e s e p a u l i s t a s , im- posto mínimo, não t o m a c o n h e c i m e n t o p o d e lazer h o j e 110 P a r a g u a i , r a p i d a m e n t e
com d u a s b a l s a s q u e f a z e m a viagem a t é 7 plantaram o gado a p r o v e i t a n d o a se- das irregularidades. Em compensação, o 1111.1 p e q u e n o l a v r a d o r b r a s i l e i r o . Tem 115
h o r a s d a noite. U m a g r a n d e , p a r a servir d e melhança do Paraguai com Mato Grosso. Brasil d e i x a os bolivianos c o m p r a r li- a l q u e i r e s d e soja. 2 q u i l ô m e t r o s adiante
p o n t e aos c a m i n h õ e s — eles t r a z e m g a d o M a s . ao a b r i r p a r a o p e q u e n o l a v r a d o r as vremente gêneros de primeira necessidade de H e r r u i n d á r i a s .
de Nova A n d r a d i n a ( M T ) p a r a L o n d r i n a stias t e r r a s , o P a r a g u a i p a s s o u a t e r u m a d o n o s s o lado. D o m G i o c o n d o M a r i a No c o m e ç o desse ciclo d e c o l o n i z a ç ã o ,
(PR). 11a s u a m a i o r i a ; e o u t r a p a r a os ' a v o u r a . n ã o m a i s só a m a n d i o c a t r a d i - G r o t t i . o f a l e c i d o b i s p o d e Rio B r a n c o , não foi t ã o fácil a s s i m . A c o m e r c i a l i z a ç ã o
carros. Até M u n d o Novo. d i s t r i t o d o cional d e seu povo índio. Só q u e a ve- Acre. m e dizia em 1971: " O s p r ó p r i o s difícil d a p r o d u ç ã o fez. m u i t a gente
m u n i c í p i o d e I g u a t e m i , são 9 q u i l ô m e t r o s , locidade dessa o c u p a ç ã o preocupa na bolivianos s ã o os p r i m e i r o s a d i z e r : a t é on- q u e b r a r , voltar p a r a o Brasil. Havia di-
e dali. m a i s 30 até S a l t o dei G u a y r á . Pas- m e d i d a d a e x p l o r a ç ã o política, se p u x a d a de t e m u m a s e r i n g u e i r a , é B r a s i l " . ficuldades p a r a v e n d e r a p r o d u ç ã o n o l a d o
s a n d o pela f i s c a l i z a ç ã o r e c e n t e d o I n c r a e p a r a o l a d o d o s brios n a c i o n a l i s t a s , d e brasileiro e o Paraguai não tinha como ab-
pela d o Exército, n a f r o n t e i r a . U m se perigo d a p e r d a d e s o b e r a n i a . "Você é sorver - n e m s e q u e r c o m o t r a n s p o r t a r a
preocupa com gente, outro com contra- Por isso. a ú n i c a p r e s e n ç a paraguaia brasileira? p r o d u ç ã o . Q u a n d o se o u v e f a l a r m a l d o
b a n d o . c o m o p e q u e n o t u r i s m o , o vaivém q u e se s e n t e m e s m o n a r e g i ã o d e S a l t o dei "Si. como n o ? " Paraguai, de brasileiros que voltaram, são
da f r o n t e i r a . a
G u a y r a é d o Exército, d a 5 . Division d e O Brasiguay é muito perto e tem terras histórias de atravessadores. c o m p r a d o r e s
"Fique à vontade. I n f a n t a r i a , c o m a b a n d e i r a t r e m u l a n d o al- p a r a todos. M e i o a l q u e i r e ou 4 0 mil, t u d o q u e p a g a v a m a m e t a d e d o p r e ç o às vezes
Quer uísque? to, n o p o r t ã o d o q u a r t e l d e e n t r a d a d o a o m e s m o t e m p o . T e m a t é posseiros, g e n t e nem isso.
A q u i tem m u i t o . " Paraguai adentro. que chegou 1 ano e meio para cá. Mas A g o r a , além d o c o m p r a d o r b r a s i l e i r o
M a s o B r a s i g u a y só t e n d e a crescer. q u e já teve t e m p o d e c o n s t r u i r p o v o a d o s cruzar a fronteira atrás da produção,
Damos carona para o guarda Domin- Além d a t e r r a , d a l a v o u r a , a g o r a a hi-
gos. d o I n c r a . t o d o vestido d e b r i m azul, como Maracaju. entre Guayra e Paloma, A s u n c i ó n se interessa t a m b é m p o r a t r a i r o
d r e l é t r i c a d e I t a i p u vai a c a b a r d e mis- o n d e vivem 4 mil f a m í l i a s . N e m a posse c o m é r c i o . As e s t r a d a s t o r n a r a m a c a p i t a l
em m e i o à p o e i r a t i n a , d e a r e i a v e r m e l h a , t u r a r a s coisas. M a i s p e r t o d e Foz d o
do c a m i n h o até M u n d o Novo: problema em toda a área brasileira encos- paraguaia mais presente na região. Os ban
I g u a ç u , d e n t r o d a á r e a j á o c u p a d a pelos t a d a a o Rio P a r a n á , d e i x a d e ter l u g a r . O cos e o g o v e r n o d ã o l i n a n e i m e n t o sem
— T o d o diapassam u m a s q u a t r o fa- b r a s i g u a y o s . será c o n s t r u í d a u m a c i d a d e
mílias p a r a o P a r a g u a i . N e m u m q u a r t o d o g o v e r n o p a r a g u a i o está i n t e r e s s a d o e m p r o b l e m a s . Até d o B a n c o d o Brasil, e m '
de operários brasileiros e paraguaios. Do r e g u l a r i z a r t u d o : vai m e d i r a t e r r a e ven- Asunción. dá pra conseguir empréstimo.
que vai. volta. t a m a n h o d e u m a o b r a d e 10 a n o s , c a p a z
Mais a b a i x o , n a d i r e ç ã o d a s Sete de-la a 3 mil c r u z e i r o s o a l q u e i r e , c o m O c l i m a d e convivência e n t r e b r a s i -
d e d a r e m p r e g o p a r a 10 mil h o m e n s e o p r a z o d e 3 a n o s , p a r a os p r ó p r i o s pos-
Q u e d a s , q u a s e e m f r e n t e d e G u a í r a , está o leiros e p a r a g u a i o s j á foi m a i s p e s a d o , n o
q u e c o m e r p a r a s u a s f a m í l i a s . O q u e vai seiros.
outro porto. Coronel Renato. Em barcos r e l a c i o n a m e n t o dia a d i a . O q u e d á p r a
acontecer? — P o r q u e é q u e voce tá a n o t a n d o , p e r -
de 10 p a s s a g e i r o s , se c h e g a a o P a r a g u a i p e r c e b e r na r e c o m e n d a ç ã o d e u m r a p a z
em 20 m i n u t o s . g u n t a n d o o m e u n o m e ? N ã o tá d i r e i t o ! a m i g o , s e r v i n d o d e eicerone.
- I s s o vai ser u m e s t o u r o . Q u e m tem- Sou 11111 b r a s i l e i r o q u e m o r a - n u m país es- — N ã o fique f a z e n d o m u i t a p e r g u n t a
Os mesmos barcos q u e no a n o passado,
terra de 10 mil c o n t o s , vai p r a 20 mil e m 1 trangeiro, não tenho de dar satisfação a p o r q u e é perigoso. Isso aí deve e s t a r c h e i o
cm 2 a c i d e n t e s , m a t a r a m 32 p e s s o a s ,
ano. I m a g i n e se agüentar terminar n i n g u é m ! P o d e r i s c a r t u d o isso aí!
levadas pelos 5 m i l h õ e s d e m e t r o s c ú b i c o s de b a n d i d o s . Eles m a t a m lá n o Brasil e
Itaipu. É D j a l m a Peres, 4 0 a n o s , f l u m i n e n s e d e
do P a r a n a z ã o , q u e ali se a p e r t a d e 6 mil fogem p a r a cá.
p a r a 300 m e t r o s d e l a r g u r a , p a r a se l a n ç a r C a s i m i r o d e A b r e u . E s t a d o d o Rio, e x - N ã o e r a o caso. No b a r . os r a p a z e s
"Até onde tem p o s s e i r o na r e g i ã o d e C a s c a v e l - G u a i r a ,
num desnível d e m a i s d e 100 m e t r o s . apontados eram de U m u a r a m a , traba-
uma seringueira, posseiro em Paloma desconfiado de m i m .
Kombis como lotações, fazem o resto do l h a v a m p a r a s i t i a n t e s b r a s i l e i r o s , na soja
é Brasil!"
trajeto até o c o n j u n t o d e 4 a v e n i d a s , u m a Estava v o l t a n d o d e G u a i r a , o n d e foi t r a t a r ou 110 a l a m b i q u e d e m e n t a .
principal, q u e f o r m a m Salto dei G u a y r á . O f a z e n d e i r o g a ú c h o Delvino F a c h i n i , de dinheiro em banco, c o m p r a de peça T a m b é m tem p a r a g u a i o q u e t r a b a l h a
Na p r i n c i p a l , a v e n i d a P r e s i d e n t e 39 anos, 8 d e P a r a g u a i o n d e c h e g o u v i n d o p a r a o c a m i n h ã o . . M e c o n f u n d i u c o m al- p a r a brasileiros. M a s s ã o p o u c o s .
Stroessner n a t u r a l m e n t e , está o c o m é r c i o , d o Norte d o P a r a n á , sem u m t o s t ã o , n ã o g u m a autoridade brasileira, daquelas com Os bandidos refugiados no Paraguai,
25 lojas c o m c a l ç a s Lee. Levis, os u í s q u e s , q u e r nem p e n s a r e m s a i r d e lá. A e n e r g i a q u e m já t r a t o u p o r t e r r a s p o r o n d e p a s - os t r a f i c a n t e s ou c o n t r a b a n d i s t a s , esse t i p o
os c i g a r r o s a m e r i c a n o s , a q u i q u i l h a r i a d e d e I t a i p u vai e l e t r i f i c a r t o d o esse i n t e r i o r , sou n o P a r a n á . Depois, j á m a i s à v o n t a d e , ;le g e n t e n ã o se m i s t u r a c o m o c o l o n o
porto livre, d e c o m é r c i o . E n t r e u m a loja e a f i n a l são 12 m i l h õ e s d e q u i l o w a t t s p a r a c o n t o u d o s 10 a l q u e i r e s q u e está c o m p r a n - brasileiro. N e m os p a r a g u a i o s ' t r a t a m
o u t r a , o D e p a r t a m e n t o d e I n m i g r a c i ó n , dividir e n t r e os 2 países. F a c h i n i d e t ã o do do governo paraguaio e dos 4 alqueires i g u a l m e n t e os dois tipo s. O s a t r i t o s c o m
u m a sala a p e r t a d a , com 2 m o ç a s e 2 •branco c h e g a a ser v e r m e l h o . M a s é o d e h o r t e l ã p l a n t a d o s . D j a l m a vai d e i x a r d e os c o l o n o s so a c o n t e c e m q u a n d o os solda
m á q u i n a s d e escrever. S e m p r e 4 ou 5 h o m e m e m p l e n o exercício d a a v e n t u r a ser posseiro, está c o n f i a n t e . dos. q u a s e t o d o s m e n i n o s , f a z e m valer a
b r a s i l e i r o s . d e pé à f r e n t e d a s m o ç a s e d a s com seu jeito d e g a ú c h o , d e c i d i d o . É U n s 20 q u i l ô m e t r o s a d i a n t e d e H e r - soberania paraguaia. Em Guayrá, correm
mesas., f a z e n d o ficha d e e n t r a d a . A fa- c o n h e c i d o c o m o d o n o d a E s t â n c i a El Bos- n a n d á r i a s . lá e m b a i x o , n o c o r r e d o r d e en- as histórias d e colonos q u e a p a n h a r a m d e
mília d o l a d o d e f o r a , as m a l a s e os s a c o s q u e . c o m o t r a b a l h a d o r , q u e c h e g o u ali trada por Foz-Puerto Stroessner, Leonar- fio d e aço p o r n ã o t e r e m t i r a d o o c h a p é u
amarrados. p a r a crescer. d o S a n t o s , d o j o r n a l Panorama, e n c o n t r o u ao p a s s a r pela b a n d e i r a d o P a r a g u a i .
Atrás das moças, de suas perguntas de —Aqui é bom para ganhar dinheiro. O o povoado de Piqueri; u m a s 300 casas, —A turma aqui começou a usar cabelo
praxe. nome. carteira de i d e n t i d a d e , p a r a g u a i o t e m os o l h o s m e i o f e c h a d o s , q u e quase todas ao longo de u m a a m p l a c o m p r i d o , igual n o Brasil. Eles p e g a r a m
q u a n t o t e m p o vai ficar? vários c a i x o t e s nem j a p o n ê s . O b r a s i l e i r o j á c h e g a c o m os avenida. O próprio povoado brasileiro. dois, tres. b o t a r a m d e j o e l h o n o m e i o d a
com p i l h a s de. documentos^, d e ..brasileiros., olhos a b e r t o s . — l e m o s p a r a g u a i o s i m . Aquele, CQ- ru.a.e c o r t a r a m .0 c a b e l o a m a c h e t e . No d i a
s e g u i n t e , t i n h a 111a n a p o r t a d o b a r b e i r o .
P o r essas e o u t r a s , hoje o c l i m a e n t r e
os colonos brasileiros é d e r e s p e i t o . d e ' n ã o
q u e r e r p r o b l e m a s c o m os s o l d a d o s . P a r a
justificar, e n c o n t r a m u m a f o r m a d e n ã o
achar ruim nada do que acontece. Como
Doracil M a r i a n o . c o m e r c i a n t e e l a v r a d o r
110 q u i l ô m e t r o 1 1 d a e s t r a d a ' G u a y r á -
Asunción define:
— S u jeito m a l a n d r o t e m e m t o d a p a r t e .
1 l e s d ã o d u r o em q u e m n ã o a n d a direito.
Q u e m c t r a b a l h a d o r honesto, não tem
problema.
M as d o l a d o brasileiro, em G u a í r a , ao
longo d a m a r g e m d o rio P a r a n á , a invasão
d a s t e r r a s d o P a r q u e N a c i o n a l d e Sete
Q u e d a s tem m a i s p r o b l e m a s , b r i g a s , d o
q u e n o P a r a q u a i . Prá lá v i e r a m , nos úl-
timos 10 a n o s , m i n e i r o s e c a p i x a b a s d a
região d o C o n t e s t a d o , divisa d o s dois Es-
t a d o s . O c u p a r a m 6 0 q u i l ô m e t r o s de te-
r r a s . n u m a l a r g u r a d e 5. 7 a t é 20 qui-
lômetros a p a r t i r d o rio. E é dali q u e
sai t a m b é m m u i t a g e n t e p a r a o B r a s i g u a y .
A m a r g e m direita d o rio P a r a n á é a ul-
t i m a b a r r e i r a d e q u e m vem p r o c u r a n d o
terra p a r a ficar. O s q u e c h e g a m c o m p r a m
.as posses dos q u e s a e m . p a r a d a q u i al-
g u m t e m p o sair t a m b é m .
N ã o sei se a d i a n t a f a l a r d o m e u e s p a n -
to. M a s c a d ê a m a t a ? N ã o vi, a o longo da
viagem d e X) q u i l ô m e t r o s , n e m d a q u i
o n d e o P a r a n a z ã o d á i m p r e s s ã o d e ser a
ú l t i m a forca i n t o c a d a d a n a t u r e z a .
A q u i . os p a r q u e s n a c i o n a i s , a reserva
d o g o v e r n o , são j a r d i n s ilusórios n a s
C a t a r a t a s d e Foz e n a s Sete Q u e d a s d e
G u a í r a . M a t a s p a r a t u r i s t a ver.
O P a r q u e Nacional d e G u a í r a são 44
mil h e c t a r e s : e m a t a a p e n a s em 233 hec-
tares. em volta do' c o n j u n t o d e 18 saltos
d a s Sete Q u e d a s . O r i t m o d e s u a criação-
loi v e n c i d o pela falta d e e s p a ç o p a r a a
c o l o n i z a ç ã o d o P a r a n á . O e s b o ç o é de
o d e c r e t o saiu em 61. e q u a n d o foi
t o m a r posse em 67 o g o v e r n o e n c o n t r o u
um m u n i c í p i o , o d e l c a r a í m a . d e n t r o d á
área.
Depois de um t e m p o nas terras do
g o v e r n o , os p o s s e i r o s e n t r a m n o P a r a g u a i
a t r á s n e m q u e seja d e m e i o a l q u e i r e es-
criturado. Fazem de G u a í r a umtranDolim.
a p e n a s p a s s a g e m . No a r d a c i d a d e fica es-
sa a p a r ê n c i a d e ilha q u e m s a b e fim d e
l i n h a . O m u n i c í p i o está i s o l a d o d o q u e
a c o n t e c e n o n o r t e e n o oeste d o P a r a n á .
N u n c a teve e s t r a d a b o a . o a s f a l t o c h e g o u
até Cascavel (a 1 K m ) e l p o r ã (a 64 K m )
m a s n ã o p r o s s e g u i u . O rio P a r a n á é o
ú n i c o c a m i n h o , em d i r e ç ã o a Porto
E p i t á c i o . E s t a d o de São P a u l o . N ã o vive o
d e s e n v o l v i m e n t o d a soja e d o trigo p o r q u e
s u a s m e l h o r e s t e r r a s f o r a m p i c a d a s pelos
posseiros n o P a r q u e N a c i o n a l .
Guaira é um duplo porto de escoamen-
to: soja e trigo d e P a l o t i n a . T o l e d o , Assisi
c R o n d o u (sai em c h a t a rio a c i m a p a r a
p e g a r ferrovia em São Paulo);-e d e gente,
vinda de toda parte r u m o a M a t o Grosso e
Paraguai.

Seja n o d e s a b a f o d e u m p e ã o na ro-
doviária d e G o i o e r ê ( " u m dia l a r g o t u d o
isso e vou e m b o r a p a r a o P a r a g u a i " ) , ou
na h i s t ó r i a o u v i d a n a s t e r r a s d e s a p r o -
priadas do Parque Nacional do Iguaçu:
— A G u a r d a Florestal p e n s o u q u e o
M á r i o V e r m u t h é q u e m t i n h a feito u m a
q u e i m a d a . . E n t ã o p r e n d e r a m e levaram
p a r a o m a t o e fizeram q u e i a m f u z i l a r , só
p r a a s s u s t a r . Ele ficou c o m raiva, largou
t u d o e foi e m b o r a p a r a o P a r a g u a i .
De t o d a s as f o r m a s , c o m t o d a s as
n u a n e e s . se ouve f a l a r n o ê x o d o .
As h i s t ó r i a s d e pioneiros, a e n t r a d a na
m a t a , t u d o isso n ã o q u e r d i z e r m a i s n a d a
110 oeste d o P a r a n á . Se a i n d a h á a v e n t u r a
n a s t e r r a s d o l a d o d e cá d o P a r a n a z ã o . é
u m a a v e n t u r a q u e e m p u r r a m u i t a gente.,
Palotina. "capital mundial da soja",
aos 11 a n o s d e i d a d e , vai p r o d u z i r em 75 2
m i l h õ e s e 100 mil s a c a s . P a d r e José, e x -
vigário d e P a l o t i n a , c o m p l e t a a infor-
mação:
— N o a n o p a s s a d o . 2.500 f a m í l i a s se.
m u d a r a m d e P a l o t i n a p a r a o P a r a g u a i . Já
tivemos 6 0 mil h a b i t a n t e s , a g o r a t e m o s só
55.

É o B r a s i g u a y , u m país d e f u t u r o . N ã o
sei. m a s se n ã o houvesse os A n d e s , eu d i r i a
q u e esse povo a c a b a c a i n d o n o Pacífico.
Hamilton Almeida Filho
Ex-14
A a g r i c u l t u r a b r a s i l e i r a deve c r e s c e r " f a r e l o " , s u b p r o d u t o d o óleo (2,4 m i l h õ e s a g r o p e c u á r i o s d o R i o G r a n d e d o Sul, e m As á r e a s d e s o j a ficam n a s z o n a s ti-
'/o ao a n o nos p r ó x i m o s 5 a n o s ; é e s t a a de toneladas), t a m b é m exportado na p l e n a z o n a misionera, os p r e ç o s m é d i o s j á p i c a m e n t e d e m i l h a r a i s ; m a s n o Brasil o
cta d o 11 P l a n o N a c i o n a l d e Desenvol- maior parte. e s t ã o e m t o r n o d e $ 8 . 0 0 0 o h e c t a r e (O milho é u m a cultura de muita m ã o de obra
imento ( P N D ) (dia 15 d e a g o s t o o m i n i s - C o m p r e e n d e - s e q u e o cultivo d e soja G l o b o , Rio, 3 d e m a r ç o d e 1975). e difícil m e c a n i z a ç ã o . E n t ã o o m i l h o foi
o Paulinelli a d m i t i u q u e e s t a m o s cres- para exportação tenha provocado no No U r u g u a i , e n t r e t a n t o , os j a p o n e s e s s u b s t i t u í d o . Isso r e p e r c u t e g r a v e m e n t e n a
:ndo m e n o s d e 7%-NR). P a r a isso, os Brasil u m a u n i ã o d e e s f o r ç o s - c r é d i t o s c o m p r a r a m 22 mil h e c t a r e s e n t r e L a g u n a produção de suínos d a zona; a suinocul-
tores de p r o d u ç ã o t a m b é m d e v e m cres- governamentais, investimentos privados, Negra e o Atlântico a 400 dólares t u r a r e a l m e n t e p r o d u t i v a e s t á n o sul, e
;r: 14°/d e m f e r t i l i z a n t e s e 15% e m m a - e n o r m e p r o v i s ã o d e i n s u m o s - q u e pos- ($3.200) o h e c t a r e (El Pais, M o n t e v i d e u , 15 t o d o s os e x c e d e n t e s d a p r o d u ç ã o d e m i l h o
m a r i a agrícola e n t r e o u t r o s i m p l e m e n - s i b i l i t a r a m a m p l i a r as á r e a s c u l t i v a d a s e de j a n e i r o ) e n o n o r t e e n o r o e s t e o p r e ç o do P a r a n á , Santa Catarina e Rio G r a n d e
ocupar novas terras em pouco tempo. •chega a 200 d ó l a r e s o h e c t a r e . N ã o é d o Sul p a r a lá se d e s t i n a m . D e a l g u n s a n o s
Há d u a s b o a s r a z õ e s p a r a se p e n s a r P a r a se ter u m a p e q u e n a idéia d o q u e é demais pensar desde já no incentivo q u e p a r a c á , o Rio G r a n d e d o Sul teve d e c o m -
jue o d e s a f i o d e a u m e n t a r a p r o d u t i v i d a d e a m o v i m e n t a ç ã o d o g r ã o . b a s t a ver esta p o d e m s i g n i f i c a r p a r a as e m p r e s a s b r a - prar milho do Paraná para manter o
ode ser c u m p r i d o . A p r o c u r a m u n d i a l d e notícia d o Correio do P o v o - P o r t o Alegre. sileiras essas t e r r a s férteis, p l a n a s e s e m m e l h o r r e b a n h o d e p o r c o s d o Brasil. Já se
creais e o l e a g i n o s o s vai c o n t i n u a r firme, 22 d e j a n e i r o : " O s u p e r i n t e n d e n t e d a b o s q u e s , a tais preços. começa a notar a q u e d a na produção de
pesar d a s f l u t u a ç õ e s de p r e ç o d e a l g u n s Rede Ferroviária Nacional afirmou que p o r c o s , p r o b l e m a sério p a r a a d i e t a po-
rodutos. E a b a l a n ç a d e p a g a m e n t o s não h a v e r á p r o b l e m a s p a r a o t r a n s p o r t e pular do brasileiro (arroz-feijão-toucinho).
E m síntese: a m o d e r n i z a ç ã o agricola
rasileira r e q u e r d o s e t o r a g r í c o l a e x p o r - d o p r o d u t o . S e r ã o u t i l i z a d o s 3 mil e 2 0 0
brasileira centraliza-se na z o n a do alto A zona de gado era, principalmente, o
íções n o valor d e 5 b i l h õ e s d e d ó l a r e s p o r vagões p a r a t r a n s p o r t a r os 4 m i l h õ e s d e
Uruguai, Iguaçu e oeste do Paraná e se Rio G r a n d e d o Sul; a g o r a está d e c a i n d o e
no. e n t r e p r o d u t o s p r i m á r i o s e i n d u s - t o n e l a d a s q u e se p r o d u z i r ã o n o Rio G r a n -
baseia na m o n o c u l t u r a m e c a n i z a d a da se d e s l o c a a t é o l u g a r q u e lhe d e r a m : n o
•ializados. d e d o Sul e os 3 m i l h õ e s d o P a r a n a . No Rio
soja. Atinge, pois, necessariamente, tam- Norte, em t e r r a s m e n o s férteis, c u j a s p a s -
G r a n d e d o Sul c h e g a r ã o ao p o r t o d e Rio
bém as zonas fronteiriças c o m Paraguai e t a g e n s são e n r i q u e c i d a s c o m f e r t i l i z a n t e s .
Assim, a e x p a n s ã o agrícola brasileira G r a n d e , e n o P a r a n á , a o d e P a r a n a g u á . Se
Argentina. Porque não pode haver gado em terras
ào é para atender o c o n s u m o interno e n ã o e n t e n d e r a m : . t u d o o q u e tiver r o d a
q u e valem m a i s d e $ 8 . 0 0 0 o h e c t a r e
m para a u m e n t a r as exportações. será p o s t o em c i r c u l a ç ã o "
quando, usadas para cultura de alimentos
O cultivo d a soja é m u i t o p r á t i c o , d e O cultivo p o d e ser a l t e r n a d o c o m o básicos.
P a r a c o n s e g u i r isso sem reforma fácil a d a p t a ç ã o e m c l i m a s t e m p e r a d o s . trigo, pois seus ciclos vegetativos são c o m -
N ã o é d e m a i s p e n s a r , p o r t a n t o , n o uso
agrária, o Brasil p r o c u r o u u m a s a í d a O cultivo c o m e ç o u a se e x p a n d i r n o p l e m e n t a r e s e as m e s m a s m á q u i n a s ser-
q u e a i n d a ' s e faz d a s t e r r a s a r g e n t i n a s e
lipicamente c a p i t a l i s t a : a m o d e r n i z a ç ã o Brasil a p a r t i r d o p l a n a l t o m é d i o d o Rio vem p a r a s e m e a r e c o l h e r u m e o u t r o .
u r u g u a i a s , o n d e z o n a s d e solos p r o f u n d o s
ia a g r i c u l t u r a e m t o d o s os níveis e e m G r a n d e d o Sul, p r o v a v e l m e n t e a ú n i c a C o m o se s a b e , o f a t o r m a i s s i g n i f i c a t i v o
e a l t a m e n t e , férteis c o n t i n u a m d e d i c a d a s à
todas as regiões. B e m . n o c e n t r o - n o r t e n ã o m a n c h a d e t e r r a s p r o f u n d a s e férteis, s e m nos c u s t o s d e u m a a g r i c u l t u r a m o d e r n a é
pecuária extensiva e a invernadas em cam-
há á r e a s p a r a i n v e s t i m e n t o s r e a l m e n t e florestas, d e t o d o seu e n o r m e t e r r i t ó r i o . a m e c a n i z a ç ã o ; a o u t i l i z a r os m e s m o s
po natural.
lucrativos c o m i n s u m o s m o d e r n o s , p r ó - Nesses l u g a r e s (Cruz A l t a , C a r a z i n h o , etc) t r a t o r e s , a r a d o s , s e m e a d e i r a s e colhe-
prios p a r a t e r r a s férteis; salvo alguns o trigo c h e g o u p r i m e i r o , nos a n o s 40. d e i r a s , o c u s t o cai s e n s i v e l m e n t e .
grandes p r o j e t o s específicos - f l o r e s t a l na As c o n s e q ü ê n c i a s sociais d a expansão
Q u a n d o essa " m a n c h a d e t e r r a " foi A modernização resulta de iverdadeiro da soja estão ligadas à e x p u l s ã o dos cam-
Amazônia, g a d o e m G o i á s e M a t o G r o s s o t o t a l m e n t e o c u p a d a , os r e c e n t e s em- " p a c t o s o c i a l " e n t r e os g r a n d e s p r o - poneses minifundistas e à substituição de
não há m a i s n a d a . p r e s á r i o s d e s i s t e m a soja trigo, fortale- p r i e t á r i o s d a t e r r a e os d o n o s d a m a - alimentos básicos.
Por isso, a m o d e r n i z a ç ã o esta c o n c e n cidos, p e n e t r a r a m n a " n o v a c o l o n i a " d o q u i n a r i a . Por t r á s desse " p a c t o " e s t ã o ,
trada na região sul: n e s s a á r e a q u e é, p a r a Rio G r a n d e d o Sul - M i s i o n e s e A l t o e v i d e n t e m e n t e , os g r a n d e s c o n s ó r c i o s in-
o s p l a t i n o s , o " p r ó x i m o s u l " b r a s i l e i r o . Aí O ê x o d o r u r a l d o sul d o Brasil o c o r r e
U r u g u a i - o n d e os d e s c e n d e n t e s d o s ternacionais fornecedores de insumos e s o z i n h o ou a l i a d o a o cultivo d a soja.
j modernização não é um projeto, é u m a primitivos colonos a l e m ã e s (1824) e ita- compradores de colheitas; assim, por
realidade a r r a s a d o r a . u m p r o c e s s o irrever- S o z i n h o , c o m o r e s u l t a d o d o irreversível
lianos (1875) à f o r ç a d o f o g o e d o m a - e x e m p l o , n a i n d u s t r i a l i z a ç ã o d o óleo está a f e n ô m e n o d e c r e s c i m e n t o u r b a n o - ex-
sível d e c o n s e q ü ê n c i a s previsíveis. E n o chado, tinham conseguido eliminar a A n d e r s o n Clayton, a B u n g e e B o r n , etc.
« a ç ã o desse p r o c e s s o esta' a s o j a : 6 0 0 mil plosivo n o C e n t r o - S u l - o n d e n o f i m d e
exuberante floresta nativa que cobria u m a d é c a d a a p o p u l a ç ã o u r b a n a cresceu
toneladas em 1966, 1 m i l h ã o e m 1969, 3 a q u e l a s t e r r a s férteis d e o r i g e m b a s á l t i c a , Esses consórcios e s t ã o , a g o r a m e s m o
milhões e m e i o em 1972. (julho), e s p e c u l a n d o c o m o p r e ç o d a soja. de 40 a 60% d a população total.
d e d i c a n d o - s e ás l a v o u r a s t r a d i c i o n a i s d e
A soja é u m a l e g u m i n o s a e t a m b é m As m u l t i n a c i o n a i s d o s g r ã o s d e C h i c a g o e E s s a g e n t e q u e foi p a r a as c i d a d e s e m
m i l h o , feijão e m a n d i o c a .
oleaginosa, d á óleo. M a s s u a s possibili- o D e p a r t a m e n t o d e A g r i c u l t u r a d o s Es- b u s c a d é t r a b a l h o d e i x o u d e p r o d u z i r seu
Os agricultores economicamente mais
dades e s t ã o h o j e m u i t o a b a i x o d e s u a s ex- t a d o s U n i d o s a n u n c i a m , n o inicio d a a l i m e n t o . H á , pois, u m a p r i m e i r a crise
fracos - e eram quase tedos nessa área de
traordinárias utilidades a l i m e n t a r e s : semeadura, uma colheita americana a l i m e n t a r q u e a t i n g e t o d a s as p o p u l a ç õ e s
minifúndios - foram rapidamente expulsos recorde de 40 milhões de toneladas.
pode-se e x t r a i r d e l a d e z e n a s d e p r o d u t o s , m a r g i n a i s d a s c i d a d e s , p o r q u e o Brasil
de s u a s t e r r a s ou p r o l e t a r i z a d o s p e l o A u t o m a t i c a m e n t e os p r e ç o s d o m e r c a d o
entre os q u a i s o leite d e s o j a , t ã o b o m p a r a d i m i n u i s u a p r o d u ç ã o d e a l i m e n t o s po-
p u j a n t e e m p r e s á r i o m e c a n i z a d o d o sis- d e C h i c a g o c a í r a m 180 d ó l a r e s a t o n e l a d a ;
alimentação i n f a n t i l c o m o o leite m a t e r n o . pulares devido à migração de campo-
t e m a soja-trigo. j u s t o n o m o m e n t o e m q u e o Brasil co-
A b a i x o d e s u a u t i l i d a d e p o r q u e o Brasil neses, q u e a n t e s se d e d i c a v a m a esses cul-
Mas a fome de terras p a r a soja não m e ç a v a s u a c o l h e i t a . A C a r t e i r a d e Co-
planta soja p a r a e x p o r t á - l a e m g r ã o . T a m - tivos d e s u b s i s t ê n c i a .
p a r o u aí. A t a c o u t a m b é m a f l o r e s t a vir- m é r c i o E x t e r i o r d o Brasil t e n t a a m e n i z a r a
bém é a política c o m e r c i a l d ó s E s t a d o s gem ou p o u c o d e v a s t a d a d o oeste d o U m novo p r o l e t a r i a d o a p a r e c e h o j e n a
Unidos q u e d á à soja u m d e s t i n o c o n c r e t o : exportação através de cooperativas, por- periferia das cidades (principalmente de
P a r a n á . S e n d o t ã o l u c r a t i v a , a soja a d m i t e q u e se a colheita fosse m u i t o g r a n d e
alimentar r e b a n h o s . p r o j e t o s c a r o s q u e i m p l i c a m inclusive n o São P a u l o e P a r a n á ) ; os " v o l a n t e s " , de-
p o d e r i a h a v e r u m grave e s t r a n g u l a m e n t o p e n d e n t e s d o s " e m p r e i t e i r o s " ou inter-
d e s m a t a m e n t o de grandes áreas por meios de t r a n s p o r t e e a r m a z e n a g e m : isso
Isso implica n u m e n o r m e desperdício m e d i á r i o s q u e c o n t r a t a m t r a b a l h o c o m os
mecânicos. a d i a r i a a c o m e r c i a l i z a ç ã o e as e x p o r t a ç õ e s
de energia: u m a d u p l a transformação p r o p r i e t á r i o s ou as e m p r e s a s . Estes volan-
O processo m a n t é m h o j e e m d i a u m até s e t e m b r o ou o u t u b r o , c o i n c i d i n d o c o m
para que o h o m e m , por hipótese, c o n s u m a tes são t a m b é m c h a m a d o s " b o i a s - f r i a s " ,
r i t m o vertiginoso, se b e m q u e a i m p l a n - a colheita d o s E s t a d o s U n i d o s .
proteínas animais, q u a n d o pode c o n s u m i r p o r q u e levam s e m p r e f r i a s u a p e q u e n a
t a ç ã o d a soja r e m o n t e a 1950, a m o d e r -
diretamente a proteína da soja. marmita, de um lugar para outro.
nização acelerada ainda não completou 5
a n o s . As c i f r a s t e s t e m u n h a m isso: e m 1970 A soja origina diversas formas de O ê x o d o r u r a l a s s o c i a d o a o cultivo d a
O Brasil aceita - p o r e n q u a n t o - as se colhia a p e n a s u m m i l h ã o d e t o n e l a d a s , deslocamento e / o u substituição: substitui
regras d o jogo. Só i n d u s t r i a l i z a o g r ã o soja c a u s a d i r e t a m e n t e o u t r o d e s l o c a m e n -
a g o r a j á se fala em 10 milhões. outras culturas ou sistemas de produção to: d e z e n a s d e m i l h a r e s d e p r o p r i e t á r i o s
necessário p a r a seu c o n s u m o d e óleo, e diferentes e desloca gente há muito fixada
vende o resto, p r i n c i p a l m e n t e p a r a o M e r - m i n i f u n d i á r i o s t e m se r a d i c a d o , nos úl-
Já são q u a s e 8 milhõ.es d e h e c t a r e s cul- nessas terras, o n d e faziam policultivos de t i m o s 5 a n o s , e m o u t r a s t e r r a s , inclusive
cado C o m u m E u r o p e u . tivados n o P a r a n á , S a n t a C a t a r i n a e Rio subsistência alterando radicalmente suas além-fronteiras.
O p r e ç o d a soja triplicou em 1974, pois G r a n d e d o Sul (área e q u i v a l e n t e à m e t a d e dietas alimentares. N ã o se deve e s q u e c e r q u e s o m e n t e n o
caiu a p r o d u ç ã o de f a r i n h a d e p e s c a d o n o d o U r u g u a i ) .
Rio G r a n d e d o Sul, n u m a á r e a a p e n a s
Peru e a colheita de soja nos E s t a d o s O capitalismo dependente, apoiado na As p r i n c i p a i s c o n s e q ü ê n c i a s econô- u m a vez e m e i a m a i o r q u e a d o U r u g u a i ,
Unidos foi p e q u e n a . A e s p e c u l a ç ã o d a s m o d e r n i z a ç ã o , n ã o exclui m é t o d o s sel- micas: substituição do café, do milho e o havia 5 2 0 mil e s t a b e l e c i m e n t o s r u r a i s e m
multinacionais com p r o d u t o s p r i m á r i o s , v a g e n s " d e e x p a n s ã o e c o n ô m i c o - f i n a n - deslocamento do gado. 1970 ( c o n t r a 77 mil n o U r u g u a i nesse mes-
especialmente cereais, t a m b é m a j u d o u . ceira, e n ã o h á d ú v i d a d e q u e a d i n a m i ç a A s u b s t i t u i ç ã o d o c a f é se d á s o b r e t u d o m o ano). E t a m b é m q u e o l a t i f u n d i á r i o
Assim se explica q u e a á r e a s e m e a d a n o da soja d á b o m e x e m p l o disso. Ê c e r t o 110 n o r o e s t e d o P a r a n á e São P a u l o , d a s á r e a s virgens t i n h a u m a q u a n t i d a d e d e
Brasil em 74 t e n h a sido m u i t o m a i o r q u e i m a g i n a r q u e tal processo d e e x p a n s ã o a p o i a d a em tres coisas ao m e s m o t e m p o : t r a b a l h a d o r e s aos q u a i s c o n c e d i a t e r r a s
em 19-73. E m 74 a p r o d u ç ã o p a s s o u d o s 7 gere resistências, m a s q u e f o r ç a é c a p a z d e I) o a t a q u e d a f e r r u g e m , p r a g a q u e a t i n g i u p a r a q u e c o m o p r o d u z i d o se a l i m e n t a s s e ,
milhões de t o n e l a d a s : 17 vezes m a i o r q u e e n f r e n t á - l o q u a n d o são as m u l t i - g r a v e m e n t e as p l a n t a s ; 2) a política d e abastecessem o próprio estabelecimento e
cm 1964. A s a f r a a t u a l será d e 9 ou 10 n a c i o n a i s q u e se e m p e n h a m nele? e r r a d i c a ç ã o d e c a f e z a i s nessas á r e a s m a r - comercializassem o excedente. Com o
milhões d e t o n e l a d a s , q u a s e 20% da Em Ijuí, p o r e x e m p l o , velha z o n a d e ginais o n d e são f r e q ü e n t e s as g e a d a s (nos d e s a p a r e c i m e n t o d e tais d e p e n d e n t e s , o
produção m u n d i a l . colonização a l e m ã n o Rio G r a n d e d o Sul, últimos 3 anos recomeçou o estímulo para p a t r ã o n ã o m a n t é m o cultivo a n t e r i o r
D e s c o n t a d o s 3 m i l h õ e s d e t o n e l a d a s - chegou-se a v e n d e r o h e c t a r e d e t e r r a a $ p l a n t a r c a f é , m a s e m t e r r a s a l t a s livres d e porque seus rendimentos são muitos
para a i n d ú s t r i a (600 mil t o n e l a d a s de 20 mil. g e a d a s , sul d e M i n a s G e r a i s , p o r e x e m - baixos.
óleo p a r a c o n s u m o ) , s o b r a m pelo m e n o s 6 No oeste d o P a r a n á - f l o r e s t a virgem plo); 3) q u e d a dos preços i n t e r n a c i o n a i s ; o Assim, m u d a a d i e t a a l i m e n t a r d o
milhões de t o n e l a d a s d e g r ã o s : a 250 até há m u i t o p o u c o - c o n s i d e r a - s e n o r m a l c a f é é u m p r o d u t o d i s p e n s á v e l e os g r a n - b r a s i l e i r o d e classe b a i x a . O grande

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dólares p o r t o n e l a d a , u m total d e 1,5 o p r e ç o d e $ 12.0000 p o r h e c t a r e . E m San- des países i m p o r t a d o r e s , c o m o Itália, res- p r e j u d i c a d o é o feijão. O s r e n d i m e n t o s n ã o
bilhões d e d ó l a r e s n u m a só s a f r a . E m a i s o to Ângelo, u m dos tres p r i n c i p a i s polos t r i n g i r a m as c o m p r a s . d e i x a m d ú v i d a s : se p r o d u z 500 a 600
pontes de P u e r t o U n z u é a Fray Bentos (is- p r a r terras nessas á r e a s de fronteira. Se a
so vai acelerar a finalização da e s t r a d a 14 a t u a l " i n t e g r a ç ã o " c o n t i n u a r no ritmo que
no U r u g u a i , q u e corta o país de oeste a vai. será difícil classificar de estrangeiros
leste), de Colón a P a y s a n d u (onde j á espera os b o n s sócios capitalistas.
fiel e dócil a e s t r a d a 26 p a r a servir de t r â n - Por ora. no norte u r u g u a i o — ao estilo
sito ao leste, noroeste e norte), de Fede- d o q u e já dissemos ocorrer no extremo sul
ración a Constitución e Belén, de Paso de d o Rio G r a n d e d o Sul — a barreira é es-

Os caminhos da
los Libres a U r u g u a i a n a ; e t a m b é m haverá t r u t u r a l : é o p o d e r e c o n ô m i c o e político do
u m a p o n t e em São Pedro, á g u a a c i m a d a l a t i f ú n d i o pastoril. E não é verdade que o

produção brasiguaya: ponte anterior.


São já notórias, até d e m a i s , as co-
p r e d o m í n i o dessa m e n t a l i d a d e pastoril a
nível nacional n o U r u g u a i e Argentina é
de Asunción a nexões da M e s o p o t â m i a a r g e n t i n a com o responsável direta pelo a t r a s o geopolítico
dos dois países? A e s t r u t u r a latifundiária é
Paranaguá sãol.260 km;
ocidente da Bacia d o P r a t a : via t ú n e l s u b -
lluvial S a n t a - Fé - P a r a n á e g r a n d e p o n t e c a p a z de resistir — a p e s a r da baixa

Paso de los Libres a


rodoviária Resistência - C o r r i e n t e s . p r o d u t i v i d a d e — à concorrência da
O q u e vai acontecer, depois d e 1980, a g r i c u l t u r a m o d e r n a q u e depende de in-

Rio Grande, 900 km; ao p o r t o de M o n t e v i d é u ? Se p e n s a r m o s s u m o s caros: m a q u i n a r i a , fertilizantes, et-


nas m a g r a s e x p o r t a ç õ e s t r a n s o c e â n i c a s de e. M a s a i n d a servirá de b a r r e i r a quando as

e de Colón c a r n e e lã, o p a n o r a m a é s o m b r i o .
Talvez p a r a a A r g e n t i n a seja i m p o r -
m u l t i n a c i o n a i s q u e c o n t r o l a m o comércio
m u n d i a l de grãos e i n s u m o s modernos
a Rio Grande, 700 km. t a n t e m a n t e r u m p o r t o de b o m nível e
b a i x o custo d e m a n u t e n ç ã o . A c o n s t r u ç ã o
decidirem o u t r a s políticas?
Em instâncias histórico-políticas di-
quilos de leijào contra 1200. 1300 quilos vares, q u e é ao m e s m o t e m p o general d o d o c o m p l e x o de B r a z o Largo c o n f i r m a r i a ferentes — às q u a i s se chegará inexo-
de soja por h e c t a r e n u m a m e s m a á r e a ; até exército d o P a r a g u a i — c o m p r o u q u a s e essa hipótese. r a v e l m e n t e , m a s com a t r a s o — o Uruguai
os c a m p o n e s e s médios o p t a m pela soja, 200 mil h e c t a r e s ao Instituto P a r a g u a i o de Já se sente em G u a l e g u a y c h ú (Uru- talvez pudesse t e n t a r a reconquista de seu
m e s m o q u e não utilizem i n s u m o s m o d e r - Bienestar R u r a l . guai) a euforia d e u m i m i n e n t e salto d e s o l a d o norte; isto é, projetar, como
nos. Os c o r r e d o r e s ,de e x p o r t a ç ã o ( i m p l a n - a d i a n t e : antes talvez d o t é r m i n o d a p o n t e t a r e f a patriótica u m tipo d e colonização
Em 1974. a p r o d u ç ã o de feijão foi d e tados pelo J a p ã o , q u e controla o t r a n s p o r - P u e r t o U n z u é - Fray Bentos p o d e r ã o e s t a r fronteiriça q u e permitisse u m a afirmação
2.50 milhões de t o n e l a d a s , u m pouco te m a r í t i m o com g r a n d e s b a r c o s g r a n e - i n s t a l a d a s 68 novas i n d ú s t r i a s . estável d o h o m e m u r u g u a i o com sua
m e n o s q u e os 2,55 milhões d e 7 a n o s an- leiros e repete assim no Brasil o velho es- terra. Há modelos b e m sucedidos no país,
tes: e os r e n d i m e n t o s b a i x a m tanto q u e m a b r i t â n i c o a p l i c a d o na A r g e n t i n a e Pensar nas obras hidrelétricas da c o m o a U n i d a d e C o o p e r á r i a de Cololó, no
q u a n t o os preços q u e o p r o d u t o r recebe, Uruguai) constituem uma forma integrada Bacia significa falar de 20 milhões de d e p a r t a m e n t o de Soriano, que justifi-
e n q u a n t o o c o n s u m i d o r p a g a c a d a vez de d i f e r e n t e s sistemas d e t r a n s p o r t e s — quilowattas — isto é, energia barata e c a r i a m p r o j e t a r u m a colonizaçã autô-
mais caro. devido à insuficiência d a oferta rodoviário, ferroviário, fluvial — q u e per- abundante em curto e médio prazos. noma.
global, m a n i p u l a d a pelos i n t e r m e d i á r i o s . * mitem a e v a c u a ç ã o em m a s s a d a p r o d u ç ã o E até a o r g a n i z a ç ã o d o tipo empre-
Outro alimento popular como a man- d o interior até os portos e x p o r t a d o r e s . T o r n a - s e pois imprescindível d e s e n h a r sarial seria válida, com u m Estado forte,
dioca — c o n s u m i d a d i á r i a m e n t e c o m o São os p o n t o s de ligação d a fase t a m b é m d e s d e já a i n t e g r a ç ã o estável d a n a c i o n a l i z a d o r e a u d a z a t r á s de si. Muitas
f a r i n h a — j á t i n h a s o f r i d o u m processo de p r o d u t i v a com a f a s e a g r o - e x p o r t a d o r a , e a g r i c u l t u r a dos países d a zona e em p a r - vezes se p e n s o u por essas latitudes que as
substituição, i m p u l s i o n a d o pelo trigo. E suas projeções são t a n t o i n t e r n a s q u a n t o ticular de sua a g r o - i n d ú s t r i a alimentícia. explorações a g r o p e c u á r i a s necessitam do
c o m o a sociedade h u m a n a n ã o d á passos internacionais. Pode-se e n u m e r a r 4 co- P o r q u e , por e x e m p l o . se A r g e n t i n a , p r o p r i e t á r i o presente no local, para au-
p a r a trás em seus níveis a l i m e n t a r e s . a rredores, de norte a sul: 2 d o interior in- U r u g u a i e o sul d o Rio G r a n d e têm van- m e n t a r o r e n d i m e n t o . O fenômeno da
.meta brasileira a t u a l é se a u t o - a b a s t e c e r terno e 2 com influência transacional: tagens c o m p a r a t i v a s evidentes p a r a a m o d e r n i z a ç ã o brasileira m o s t r a a pos-
de trigo, o q u e é um d e s a f i o : p a r e c e q u e o Minas G e r a i s — Vitória p a r a m i n e r a i s ; p r o d u ç ã o de c a r n e bovina e leite, n ã o se sibilidade de q u e h a j a proprietários fora e
Brasil já chegou aos 3 milhões d e tone- São P a u l o — S a n t o s p a r a t o d a a p r o d u ç ã o j u s t i f i c a r i a m os g r a n d e s investimentos q u e q u e a p r o d u ç ã o seja a s s e g u r a d a por ad-
ladas. m a s precisa a g o r a d e 4,5 milhões paulista; P u e r t o Stroessner — Foz d e o Brasil p r e t e n d e fazer — P l a n o Polocen- m i n i s t r a d o r e s eficazes, com altos ren-
p a r a se a b a s t e c e r e as necessidades vão Iguaçu — P a r a n a g u á ; Passo de los Libres tro — na m u i t o difícil á r e a de c e r r a d o d o d i m e n t o s devido- à tecnologia utilizada.
continuar aumentando. — Porto Alegre — Rio G r a n d e . p l a n a l t o c e n t r a l c u j o c e n t r o é Brasília. (O Daí b a s t a r i a u m p e q u e n o salto de
Dos p r o d u t o s imprescindíveis p a r a 4 O c o r r e d o r q u e chega a Paranaguá c h a m a d o P l a n o Polocentro está n o c o m e ç o a u d á c i a g o v e r n a m e n t a l p a r a conceber o
de c a d a 5 brasileiros, resta f i n a l m e n t e o •pode ser visto f a c i l m e n t e sobre o t e r r e n o : d e execução, n u m a á r e a - p i l o t o d e 3 mi- p r ó p r i o E s t a d o c o m o proprietário da
arroz. E há indicações recentes d e q u e é só seguir a pista dos silos, p o r q u e já está lhões de h e c t a r e s em M i n a s G e r a i s , G o i á s terra, a p o i a d o em a s s a l a r i a d o s seguros de
t a m b é m com ele as coisas n ã o vão m u i t o montada uma infra-estrutura completa e M a t o Grosso, q u e vai p r e c i s a r d e m u i t o sua fonte d e t r a b a l h o e conscientes do
b e m . Na ú l t i m a s e m a n a de j a n e i r o deste p a r a m o v i m e n t a ç ã o de cereais, m e d i a n t e a fertilizante p a r a m e l h o r a r as p a s t a g e n s . papel histórico a c u m p r i r .
a n o houve u m E n c o n t r o E s t a d u a l d e qual as g r a n d e s e m p r e s a s c o m e r c i a m com M a s o " f e r t i l i z a n t e " principal j á existe: 1 Não se t r a t a , é claro, de jogar um
Rizicultores em I t a q u i . Rio G r a n d e d o toda f a c i l i d a d e d e n t r o d o P a r a g u a i (com- b i l h ã o d e d ó l a r e s j a p o n e s e s p a r a a im- utópico papel histórico de " e n f r e n t a r " o
Sul: p a r t i c i p a r a m 556 p r o d u t o r e s e ao p r a m a m e l h o r preço a p r o d u ç ã o e as- plantação de um complexo agro-industrial Brasil e sim a s s u m i r a responsabilidade
a b r i r sessões o Presidente d a M e s a disse: s e g u r a m u m a saída r á p i d a e o r g a n i z a d a ) . b i n a c i o n a l . " E sem reinvindicar n e n h u m a intransferível d e c o n t r i b u i r p a r a uma or-
- N ã o - aceitamos a marginalização O c o r r e d o r de Paso d e los Libres a Rio facilidade fiscal p a r a e x p o r t a ç ã o d o s g a n i z a ç ã o p r o d u t i v a m a i s racional, com o
e c o n ô m i c a e social d o setor p r i m á r i o . G r a n d e tem c o m o eixo o sistema fluvial d a l u c r o s " , s e g u n d o O E s t a d o d e S. P a u l o d e fim de acompanhar d i g n a m e n t e os
A a g r o p e c u á r i a brasileira está c a r e n t e Lagoa dos Patos e m a i s a e s t r a d a P o r t o m a r ç o de 1975. U m d a d o p a r a c o m p a r a r : projetos d e i n t e g r a ç ã o macroregional- e
de u m a política agressiva p a r a sua revi- Alegre - U r u g u a i a n a , c o n e c t a d a com P a s o 0 p r o d u t o b r u t o i n t e r n o total d o U r u g a i é continental
talização econômica e social; precisa de de los Libres já na A r g e n t i n a . Aí há u m in- 1 bilhão e 500 mil dólares. A era secular d a exploração tradi-
estímulos iguais aos c o n c e d i d o s à orga- tenso t r á f i c o de m e r c a d o r i a s , s u p e r c a - cional agrícola está q u a s e no fim. E
nização industrial e comercial, se é q u e se minhões transportam maçãs e peras do Sintetizando: trata-se de uma corrida p a r e c e q u e vai ter a m o r t e merecida: por
deseja evitar um colapso no a b a s t e c i m e n t o Alto Valle d o Rio Negro e N e u q u é n até as contra o relógio, e muito desequilibrada i n a n i ç ã o ou d e s m a n t e l a m e n t o como acon-
de a l i m e n t o s e d e m a t é r i a s - p r i m a s " . metrópoles brasileiras.~ Seu t e r m i n a l se se atenta aos recursos humanos e m tece com os trastes já imprestáveis.
(Folha d a T a r d e . Porto Alegre. 28 d e definitivo será o já iniciado g r a n d e p o r t o jogo- M o r r e n u m m o m e n t o crucial da his-
janeiro). de Rio G r a n d e . tória l a t i n o - a m e r i c a n a : o d a substituição
Eis a s i t u a ç ã o d e m o g r á f i c a d o sul d o d o s m e r c a d o s t r a n s c o n t i n e n t a i s pelos
N-as m e s m a s sessões se d e n u n c i a v a a BrasH em 1970, s e g u n d o o M i n i s t é r i o d o
existência de mais de u m m i l h ã o d e hec- Parece lógico pensar que toda a m e r c a d o s regionais e continentais.
produção das Misiones e de outros lugares P l a n e j a m e n t o (cm m i l h a r e s d e h a b i t a n -
tares improdutivos, só n o Rio G r a n d e d o tes): P a r a n á 6.930. S a n t a C a t a r i n a 2.902,
Sul. do nordeste argentino vão chegar ao É um lindo desafio esse: empreender o
Atlântico através do território brasileiro, e Rio G r a n d e d o Sul 6.665. T o t a l : 16.497. desenvolvimento total da Bacia do Prata
Sintetizando: sem reforma agrária — que devido a esse deslocamento a eco- Desses q u a s e 17 milhões q u e o c u p a m em beneficio de seus 70 milhões de ha-
elemento básico para redistribuir a renda nomia do norte e do leste do Uruguai será 580 mil q u i l ô m e t r o s q u a d r a d o s , 5 milhões bitantes. Mas para chegar a isso há que
— é pouco alentador o panorama alimen- prejudicada. têm mais d e 10 a n o s . firmando a p o p u - revelar muitas incógnitas e resolver
tar para o brasileiro médio e principal- lação ativa. Ao c o m p a s s o dessa força d e inúmeras contradições.
mente para o p obre, isto é, para os 50 Fatos políticos c o n f i r m a m essas sus- t r a b a l h o e d a s altas t a x a s d e n a t a l i d a d e se
milhões de habitantes que hoje possuem peitas: n o dia 9 de m a r ç o deste a n o deu-se a p e r f e i ç o a m as p o n t a s de lança d a civi- O q u e é r e a l m e n t e a integração? Com
apenas 15% da renda nacional. em C a m p o G r a n d e o e n c o n t r o Geisel — lização u r b a n i z a d a d o novo sul: P o r t o q u e m deve ser feita? Em q u e bases deve se
Stroessner. E n t r e os projetos p a r a início Alegre . 1 m i l h ã o d e h a b i t a n t e s ; C u r i t i b a , e s t r u t u r a r ? Q u a l é a perspectiva inte-
O p r o b l e m a é grave. U m país tão ex- i m e d i a t o q u e a c e r t a r a m estava a e s t r a d a 600 mil; Florianópolis, 250 mil; Pelotas, g r a d o r a q u e m e l h o r se a d a p t a aos países
tenso c o m o o Brasil n ã o tem t e r r a s férteis P u e r t o Stroessner - - E n c a r n a c i ó n , finan- 200 mil; S a n t a M a r i a , Rio G r a n d e e Bagé, p l a t i n o s ? Essas perspectivas têm ligação
suficientes p a r a n ã o precisar i m p o r t a r ciada pelo Brasil A p o t ê n c i a d o norte 100 mil c a d a ; U r u g a i a n a e L i v r a m e n t o , 6 0 e n t r e si? C o m o se c o m p l e m e n t a essa "nos-
a l i m e n t o s d e áreas com v a n t a g e n s com- g a r a n t e assim a s a í d a , até P a r a n a g u á , d a mil c a d a . s a " i n t e g r a ç ã o com os projetos geopo-
parativas notórias: A r g e n t i n a e U r u g u a i . produção da área paraguaia mais dinâ- Só no Rio G r a n d e d o Sul n a s c e m p o r líticos d a á r e a d o C a r i b e ?
Daí q u e é i m p o r t a n t e r e s u m i r agora as mica; e as Misiones a r g e n t i n a s ficam a n o t a n t a s c r i a n ç a s q u a n t o o total d a T r a t a - s e de u m a lista de perguntas
projeções q u e a m o d e r n i z a ç ã o e x p a n - desligadas d o resto d o país, p o r q u e de E n - p o p u l a ç ã o t r a b a l h a d o r a r u r a l q u e está q u e t o d o leitor a t e n t o p o d e a m p l i a r e que
sionista da e m p r e s a agrícola brasileira tem c a r n a c i ó n a P o s a d a s são a p e n a s 150 hoje nos c a m p o s de t o d o o U r u g u a i . E esse devem f o r m u l a r - s e os E s t a d o s e todos nós,
sobre as á r e a s f r o n t e i r i ç a s desses dois quilômetros'. p a n o r a m a d e m o g r á f i c o p o d e se e s t e n d e r com ótica nacional e sem esquecer nunca o
países. Também não é demais lembrar uma aos o u t r o s países limítrofes: na z o n a leste papel q u e joga o imperialismo, aberta-
Dezenas de m i l h a r e s de c a m p o n e s e s situação c o m o essa na Bolívia: a c o n e x ã o d o P a r a g u a i ( D e p a r t a m e n t o s d e Caa- m e n t e ou m a s c a r a d o pelas empresas mul-
brasileiros f o r a m e m p u r r a d o s até a m a r - S a n t a C r u z - C o r u m b á - São P a u l o - San- g u a z u . A m a m b a y e Alto P a r a n á ) há m e n o s tinacionais.
gem direita d o rio P a r a n á , nesta d é c a d a . tos fixa u m a o r i e n t a ç ã o d e f i n i d a p a r a o de 10 h a b i t a n t e s por q u i l ô m e t r o q u a - U m a coisa sim deve ser clara para nós,
Se diz q u e há 150 mil na l a r a n j a d e mil comércio d o leste boliviano. d r a d o ; na zona noroeste d a A r g e n t i n a s e m p r e : a i n t e g r a ç ã o deverá conduzir
q u i l ô m e t r o s q u e vai d e Bella Vista a Os formidáveis projetos hidrelétricos (Chaco. F o r m o s a Misiones, C o r r i e n t e s e n e c e s s a r i a m e n t e a um desenvolvimento
Carlos A. Lopes, e c h e g a m à r a z ã o de 200 binacionais em execução, ou projetados Três D e p a r t a m e n t o s ao norte de S a n t a a u t ê n t i c o e n ã o - d e p e n d e n t e — e no
por dia nessas terras a b s o l u t a m e n t e si- sobre os rios P a r a n á e U r u g u a i , t r a r ã o Fé) a d e n s i d a d e é 6 h a b i t a n t e s por k m e c o n ô m i c o c social, político e cultural, téc-
milares às q u e vinham t r a b a l h a n d o em o u t r a s t a n t a s vias de c o m u n i c a ç ã o . Por- q u a d r a d o ; e aí estão a p e n a s 3% d a pro- nico e científico — essa nova etnia de
sua p á t r i a . q u e com c a d a nova represa q u e se constrói d u ç ã o industrial d o país. "criolios e gringos a c r i o l l a d o s " que somos
E mais: por e x e m p l o . 1 dç c a d a 5 fica estaleeida u m a p o n t e rodoviária e O U r u g u a i não tem possibilidade al- aqui n o sul. P o r q u e já é t e m p o , depois de 4
brasileiros seria r e p r e s e n t a n t e d i r e t o dos u m a eventual via férrea, e assim a u m e n - g u m a de fazer f r e n t e à m a r é d e m o g r á f i c a e- séculos de injustiças e prorrogações, que
mandes empresários. A União de Em- tam as conexões leste - oeste. agrícola sul-brasileira. Serão p o u c o úteis, d e i x e m o s de ser um m e r o objeto da his-
presas Brasileiras s e d i a d a cm A s s u n ç ã o -— Basta p e n s a r no q u e vai a c o n t e c e r com inclusive os freios jurídicos r e f e r e n t e s a tória e nos c o n v e r t a m o s participantes
presidida pelo general brasileiro Sá T a - o rio Uruguai,: antes de 1980 p o d e r á ler limites p a r a q p e , e s t r a n g e i r o s , p o s s a m c o m - ativos d o c o m u m p r o j e t o lationameriçat)Q v
Ex-14

NAIRLÂNDIA
8 horas da manhã. Tempo de geada no 18 anos, vesgo, filho de inspetor de
Entre o Largo do Pelourinho e o Ter
Norte d o Paraná. U m vento frio varre Policia e m Maringá, c a m i s a rosa encar-
reiro de Jesus, pertinho d a Baixa do
papel e bitucas de cigarros das. d u a s ruas dida e cheirosa de suor, mal dormido:

O U JARDIM
Sapateiro, o brçga d o Maciel. Ali se
da Nairlândia - de terra, esburacadas, a — T o m e i sereno, meu!
reúnem mais d e 2 mil pessoas • biscateiros,
rua das Rosas e a das Margaridas. Com o Ele estende na p a l m a da m ã o 3 fo-
pivetes, ladrões, viciados, costureiras, al-
tempo, ficaram sendo rua de Cima (Rosas) tografias 3 x 4 e explica:

DA LIBERDADE
coólatras. E m o r a m as prostitutas da
e rua de Baixo (Margaridas). — A loira é a matriz e as d u a s m o r e n a s
cidade. São 8 ruas, becos, ruelas, tom. -
Afora os cachorros, esparramados por filiais. Por pura falta de sorte as 3 en-
badas pelo Patrimônio Histórico Nacional
tudo quanto é canto sob o solzinho da gataram cobertor de orelha pra noite in-
(é o conjunto arquitetônico colonial mais
Por Tadeu Felismíno m a n h ã , não se vê mais ninguém. As casas teira.
representativo da América Latina). Até a
estão fechadas. Mais d a metade de ma- E o neguinho t o m o u sereno porque, en-
metade do século passado era zona de
deira, pintadas c o m tinta que descorou e tre dormir sozinho n u m quarto de zona e
gente fina, residência das melhores fa
descascou. Montes de lixo reclamam dormir dentro de u m carro, é m u i t o mais
milias de Salvador. Hoje, u m dos maiores
visitas semanais dos caminhões da Lim- digno dormir no carro. A preocupação
Índices de tuberculose do m u n d o , está
Dizem: peza Pública de Arapongas," para quem com a Policia tem explicação. N a noite an-
passando por u m plano de restauração ar-
— A Nairlândia é a maior zona do Nairlândia paga - muito a contragosto - terior teve batida.
quitetônica e social.
Brasil. uma série b e m comprida de taxas e im- — E l e s vieram atrás d o Carlão, sei lá
postos. por que - ele é gente boa, saca? t a m b é m
Dilton Mascarenhas fez as fotos Fica a 35 quilômetros de Londrina,
Baiano, 24 anos, estudante de Comuni- Norte d o Paraná, entre Arapongas e D e dentro de um táxi, estacionado ao não sei onde ele se enfiou na hora, porque
cação da Universidade da Bahia, fotógrafo Apucarana, pouco mais que um quar- lado d o M a x i n g - a casa d o Geraldo - u m eu tive que cair no mato. U m a vez m e
há 2 anos. Antes, Dilton tentou ser repór- teirão de episas, ilhado por um cinturão de rapazola negro m e flagra de m á q u i n a pegaram b o d a n d o n u m q u a r t o e me
ter, mas não deu. Virou jardineiro, acabou mato: nas 4 0 casas d o lugar, vivem mais de fotográfica nas mãos. Não sossegou en- levaram. Naquele dia foi uma limpa geral.
comprando uma m á q u i n a fotográfica. Só 200 pessoas - entre prostitutas, gigolôs, quanto não expliquei direitinho que era T o d o m u n d o tava bodando. Por aqui.
sabia apertar o botão, resolveu se meter homossexuais e donos de boates. A área jornalista e não da polícia. Então, me h o m e m não pode bodá, saca?
pelas ruas de Salvador, "fotografando foi loteada há seis anos, junto à Prefeitura convidou a entrar no carro e me esconder Bodar significa dormir, descansar.
gente, a melhor maneira de aprender". E de Arapongas, por um japonês c h a m a d o do frio, até o seo Vicente abrir o bar. — E q u a n d o a Policia pega, o que acon-
fez este trabalho, O Fim do Brega do Miyake, que lhe deu premeditadamente o — M e u nome é Adelino, mas todo o tece?
1
Maeielv nome de Jardim dá Liberdade. m u n d o ríie c h a m a de Tico, ou Negritiho.' • • ^ S e m p r e eles pedem grana'. N o f u n d o
eies t ã o é a fim de g r a n a . Cê sabe. né, Lá pelas dez h o r a s os gigolos c o m e ç a m t a d o de Goiás. — O u v i dizer q u e ele tá intoxicado,
s a m a n e a não g a n h a l i a d a . Se você n ã o t e m a sair d a s casas. Eles a p a r e c e m n o meio d a Fitético ficou, depois d e receber n a Jus- saca?
eles te levam p r a cadeia e te d e i x a m lá u m r u a , se e s p r e g u i ç a n d o d e b a i x o d o sol, e vão tiça os 1.700 cruzeiros q u e N a i r lhe devia. E os gigolôs:
ou dois dias. b o d a n d o . P o r r a d a na gente direto ao b a r d o Vicente, t o m a r o café. N a i r l â n d i a cresceu e p r o s p e r o u . Já teve — O , F i t é t i c o ! Ouvi dizer q u e você
eles não d ã o . q u e eles c o n h e c e m a gente, D u m c a n t o d o b a r , u m q u a r e n t ã o es- t e m p o q u e 300 m u l h e r e s - as m e l h o r e s d o m o r r e u na s e m a n a p a s s a d a . O q u e houve?
saca? T e m m u i t o s a m a n e a q u e vem p a s s a r quelético olha d e m o r a d a m e n t e as pessoas país. dizem — p a r a r a m de u m a vez só n a Esqueceu d e cair?
as férias a q u i no brega. C h e g a a q u i com as e as coisas. F u m a v a g a r o s a m e n t e u m zona de A r a p o n g a s . Foi o t e m p o dos Dizem q u e já é i m p o t e n t e , m a s q u e
férias na m ã o . d i n h e i r o vivo, e só sai p r a cigarro em cima d o o u t r o , e n c o l h i d o n o coronéis, q u e n ã o vai m u i t o longe. V i n h a c o n t i n u a p r o c u r a n d o as m u l h e r e s .
voltar p r o t r a m p o , d u r o ou com d i n h e i r o seu canto. Não fala n e m ri, a p e n a s olha e delegado d a q u i , p r o m o t o r dali, juiz de n ã o D e n t r o d o b a r t o d o m u n d o f u ç a as
das m u l h é . escuta. Se c o n s u l t a d o , r e s m u n g a respostas sei o n d e , médicos, f a z e n d e i r o s d e t u d o prateleiras, t o m a d o c a f é p a s s a d o ago-
N e g u i n h o conheceu o b r e g a q u a n d o c u r t a s , q u e o pessoal d o b r e g a e n t e n d e . q u a n t o é c a n t o d o Norte d o P a r a n á . E o r i n h a n o c o a d o r , c o m e doces, b e b e p i n g a e
morava com a família, em A p u c a r a n a . O — É o Fitético - cochica N e g u i n h o . t r a n s p o r t e de t o d a essa gente g r a ú d a , q u e c o n h a q u e . O d o n o a i n d a n ã o levantou,
pai largava o c a r r o na m ã o dele t o d o fim Depois de m u i t o s a n o s m o t o r i s t a de fechava as p o r t a s d a s b o a t e s p a r a festejar m a s todos d e i x a m na gaveta o preço d a
de s e m a n a e ele baixava na z o n a com os táxi d e s q u i t o u - s e d a m u l h e r em M i n a s sozinha com as m u l h e r e s , era o Fitético c o m p r a : c a f é em c o p o d e aperitivo, p o r
amigos. Depois foi ficando, foi f i c a n d o , Gerais e veio t r a b a l h a r no Norte do q u e m fazia. Viajava noite e dia sem p a r a r , u m . c r u z e i r o a dose, s o d i n h a p o r dois
a família foi p a r a M a r i n g á , ele disse q u e ia P a r a n á . H á sèis a n o s q u a n d o u m a pros- a c o r d a d o à b a s e de e s t i m u l a n t e s . cruzeiros.
t r a b a l h a r e m o r a r em A r a p o n g a s e ficou •tituta veterana c h a m a d a Nair a b r i u as De uns meses p a r a cá c o m e ç o u a Só depois d o , m e i o - d i a as m u l h e r e s
na N a i r l â n d i a d u m a vez. Reconhece q u e a p r i m e i r a s casas, ele veio ser o seu motoris- emagrecer sem p a r a r e a b a n d o n o u a c o m e ç a m a a p a r e c e r . P r o c u r a m lugares ao
prostituta gosta d o c a r a e n q u a n t o ele é ta p a r t i c u l a r . M a s em m e n o s d e dois a n o s profissão. Vive p l a n t a d o ao l a d o d a s r o d a s sol e ficam ali, em pé ou d e cócoras, so-
novo e dá no c o u r o e q u e " d e p o i s , confor- a " g o r d a s a f a d a " — c o m o é l e m b r a d a hoje de gigolôs. o l h a n d o e e s c u t a n d o . M a n t é m n a d a s . Nas v a r a n d a s , p r o s t i t u t a s aposen-
me a gente vai b r o c h a n d o , elas j o g a m a a f u n d a d o r a — q u e b r o u d e dividas e teve os cabelos, já b r a n c o s , s e m p r e a p a r a d o s , e t a d a s ou gigolôs servis m a n e j a m vassoura,
gente p r a s t r a ç a s " . C h e g a m e s m o a ar- q u e c o r r e r dos credores. Com o q u e lhe um t o p e t e igual ao dos pleibóis d a d é c a d a r o d i n h o e escovão.
g u m e n t a r q u e "isso a q u i n ã o tem f u t u r o " , sobrou, a i n d a conseguiu f u n d a r , p e r t o de de 50, q u a n d o ele estava na casa dos 20.
p a r a t r a ç a r seus planos: Voltar logo-logo A p u c a r a n a , u m a b o a t e de p r i m e i r a , o n d e Veste-se i m p e c a v e l m e n t e : calça de tergal A principal r o d a f o r m a - s e ao l a d o d o
a e s t u d a r , r e t o m a n d o o fio d a m e a d a a só os c a r p e t e s c u s t a r a m m a i s de 20 mil com vinco, c a m i s a b r a n c a com riscas dis- b a r d o Vicente, na v a r a n d a d e u m a casa
p a r t i r da s e g u n d a série, o n d e p a r o u no a n o cruzeiros. M a s o d i n h e i r o n ã o d a v a p a r a cretas, paletó de tergal e s a p a t o "cavalo- a b a n d o n a d a há p o u c o t e m p o . O a s s u n t o
passado, e. se Deus quiser, virar enge- t a n t o e hoje. s e g u n d o se c o m e n t a , ela está d e - a ç o " (desses com sola g r o s s a e salti- d o dia é a b a t i d a d a policia, na noite an-
nheiro eletrônico u m dia. i n a u g u r a n d o novo e m p r e e n d i m e n t o no es- nho). verniz lustrado. terior.
De r e p e n t e , a p a r e c e n o m e i o d a r o d a criou a s u a l i n g u a g e m oficial, p r ó p r i a , t o a l h a n o pescoço, escova d e d e n t e s n u m a m a s n ã o d e i x a d e ser e l e g a n t e . C o m e ç o u a
uma c r i a n ç a , d i z e m q u e a ú n i c a d o l u g a r . p a r a o q u e i n c o r p o r o u d e f i n i t i v a m e n t e a d a s m ã o s . No salão, um músico do c a r r e i r a e m B a u r u , n o Noroeste, aos 17
É o Jefinho, filho d o G e r a l d o e d a I n á , ginga, a m a n h a , o h u m o r , o t r e j e i t o e o M a x i n g d o r m e , m e t i d o até a c a b e ç a a n o s . Becão vigoroso e r a ç u d o , foi logo
casados n o civil e n o religioso e c o m re- palavrão. debaixo de u m cobertor xadrez. Benedito, p a r a r n o São P a u l o , o n d e só p e r d e u a
sidência e s t a b e l e c i d a n o M a x i n g , p o r f o r ç a D o l a d o d e b a i x o d a r u a d e C i m a en- u m g a g o d e 50 a n o s , d e s d e n t a d o , b a r b i c h a posição p a r a o M o n t e Rey, o n d e viveu
de c i r c u n s t â n c i a s f i n a n c e i r a s adversas. O c o n t r o u m a m u l h e r , q u e se d e s p e d e d a cerrada e chapéu de palha desfiado (um m o m e n t o s d e glória, m o s t r a n d o o seu
menino p u l a de colo e m colo e c o m a n d a a N a i r l â n d i a . É a B e t h , 2 2 anos, d e n t a d u r a e p r o t ó t i p o d o Jeca T a t u ) , a j u d a P a r a g u a i a f u t e b o l p a r a os m e x i c a n o s . N o final d a
festa. N ã o e s t r a n h a n i n g u é m . F a l a t u d o , m a l a s p r o n t a s . na a r r u m a ç ã o d a c a s a . M i n e i r o , s e m c a r r e i r a - q u e d u r o u m a i s d e 15 a n o s - vol-
aos 2 a n o s e meio. — T e m m u i t a m u l h e r i n d o lá p r o oeste f a m í l i a e s e m c a s a , veio p a r a r n a N a i r l â n - tou a j o g a r n o A m é r i c a e saiu" d o f u t e b o l
— C u i d a d o c o m o q u e cê p i a n a o r e l h a d o P a r a n á . Diz q u e c o m a soja, o t r i g o e a dia p o r a c a s o , d i a s a t r á s , e p e n s a e m f i c a r . por o n d e e n t r o u , n o N o r o e s t e d e B a u r u .
do Jefinho. O s a f a d i n h o d e d a t u d o , co- u s i n a (Itaipu), d i n h e i r o t á c r e s c e n d o e m Na c o z i n h a , u m a m e n i n a d e u n s 16 a n o s Depois c a s o u c o m a I n á , e n t ã o e m p r e g a d a
chicha N e g u i n h o . h o r t a . M a s n ã o sei se vou p r á lá ou p r á São m e x e u m a c a n j a n o f o g ã o a gás. doméstica em Bauru, e entrou de cabeça
Paulo. Na r o d o v i á r i a eu d e c i d o . Sobre o papel de parede do Maxing, no comércio com o dinheiro que tinha
2 horas da tarde. Pelas r u a s d a Nai-
com t l o r z i n h a s d e u m v e r d e d e s c o r a d o e a j u n t a n d o na antiga profissão. Chegou a
rlândia as m u l h e r e s c i r c u l a m , s e m m a -
—Neguinho, quem é o prefeito daqui? encardido, manchas de terra roxa. Num ter u m e m p ó r i o c o m 3 p o r t a s d e aço. M a s
quilagem," m a i s d i s p o s t a s . M u l h e r e s
— S e i n ã o , s a c a ? A c h o q u e p o d e ser o c a n t o , p a r t e dos i n s t r u m e n t o s d ' O s Invic- faliu e m p o u c o t e m p o .
bonitas e feias, novas e velhas, n e g r a s e
brancas, g o r d a s e m a g r a s . V e s t e m p o u c a s G e r a l d o . tos (o pessoal d o C o n j u n t o , q u e t e m — T e n h o o coração grande demais -
roupas, a l g u m a s t ê m as p e r n a s m a n - Paraguaia é u m a prostituta aposen- amigas na Nairlândia, toca diariamente no discute o Geraldo, c a p r i c h a n d o no por-
chadas. M a s m a i s p a r e c e m a d o l e s c e n t e s t a d a , a m a i s a n t i g a d a N a i r l â n d i a . D e p o i s Maxing a 180 c r u z e i r o s . Nos fins d e t u g u ê s , - O fiado m e a r r u i n o u .
de q u e r m e s s e s d o m i n i c a i s , e m p a r ó q u i a s d e c o r r e r o m u n d o , veio e n c e r r a r a c a r r e i r a s e m a n a vão a n i m a r bailes de clubes Sem e s t u d o - n ã o c o n s e g u i u c o n c l u i r o
de vilas e c i d a d e s p e q u e n a s . A n d a m j u n - a q u i , há 6 a n o s , a i n d a n o t e m p o d a Nair. f a m i l i a r e s , em c i d a d e s d a região). No g i n á s i o - teve q u e c o n t i n u a r se v i r a n d o n o
tas, a l g u m a s de m ã o s d a d a s , e t i r a m Lenço n a c a b e ç a , o inevitável b a t o m ver- o u t r o c a n t o , u m a v e l h a vitrola. c o m é r c i o . Foi ser, e n t ã o , a d m i n i s t r a d o r d e
soslaios p a r a os l a d o s d a s r o d a s , o n d e melho, b a s e s o b r e as r u g a s d o rosto, ela G e r a l d o e n t r a n o s a l ã o . l , 8 0 m , en- um cassino em Bauru, introduzindo-se
outras m u l h e r e s j á t o m a m c o n t a d o s seus v a r r e a v a r a n d a d o M a x i n g , f a c e i r a e v a r e t a d o , c a l m o e sério, p e r n a s g r o s s a s d o s rapidamente nos a m b i e n t e s noturnos.
amigos. O u t r a s c a r r e g a m r a d i n h o à p i l h a , a p r e s s a d a c o m o q u a l q u e r d o n a d e c a s a tempos de jogador profissional, negro. Depois disso a i n d a t e n t o u e n t r a r p a r a a
sintonizando p r o g r a m a s de m ú s i c a . zelosa. A p e s a r d o s 39 a n o s , a l g u n s fiapos b r a n c o s policia, m a s n ã o c o n s e g u i u . N a é p o c a
O vernáculo, m e s m o em rodas mistas, Vou e n c o n t r a r o G e r a l d o , p a i d o se i n s i n u a m na c a b e l e i r a , vasta e e n c a - t i n h a p a s s a d o 3 meses d a i d a d e m á x i m a
não é r e s p e i t a d o . P a r e c e q u e a N a i r l â n d i a m e n i n o J e f i n h o , n a p o r t a d o b a n h e i r o , r a p i n h a d a . Veste-se c o m s i m p l i c i d a d e , (35 anos).
E n t ã o veio p a r a a N a i r l â n d i a , há mais — O El D e d o n é u m j o r n a l z i n h o q u e so filha, sua m ã e c o r r e r i a m ao sair na r u a ? O pinados, o c o r p o inteiriço. O m e u fascínio
de 3 anos. onde a r r e n d o u d u a s casas, mes- diz verdades. Não o f e n d e n i n g u é m , m a s h o m e m , por n a t u r e z a , é mais impetuoso, é c o r t a d o por um alerta d o N e g u i n h o , ao
mo c o n t r a a vontade de Iná. deda e tira s a r r o em todas as p e q u e n a s precisa mais de sexo q u e a m u l h e r . O pé d a m i n h a orelha:
— Q u a n d o eu cheguei a q u i a i n d a havia verdades a q u i d o J a r d i m da L i b e r d a d e . h o m e m , a p r ó p r i a sociedade, precisam
m u i t o dinheiro. T i n h a m u i t o b a n d i d o Ele é feito de notas c u r t a s , fáceis de ler, disso a q u i . No e n t a n t o , o . q u e a gente vê é — I s s o aí é h o m e m , m e u , s a c a ?
t a m b é m , m a s dava pra viver. Com o t e m p o coisas q u e a gente fica s a b e n d o n a s r o d a s um preconceito c o n t r a a z o n a q u e n ã o t e m E n q u a n t o m e refaço, ele d e s c a r t a :
o m o v i m e n t o foi caindo, o d i n h e i r o de- de b a t e - p a p o . Q u a n d o sai, t o d o m u n d o vai cabimento. A própria prefeitura mar- — T e m d u a s dessas a q u i . A o u t r a m o r a
sapareceu de r e p e n t e e eu tive q u e ficar so' no Urias ler. ginaliza. Veja você q u e o J a r d i m d a Liber- na C a r m e m .
com o M a x i n g . d a d e é um l o t e a m e n t o c o m u m d a pre-
U l t i m a m e n t e , com a f a l t a de m e r c a d o feitura de A r a p o n g a s . A q u i t o d o s nós Desço p a r a a r u a d e Baixo, a d a s M a r -
M a s m e s m o o M a x i n g está a t o l a d o p a g a m o s impostos e, aliás, m u i t o m a i s d o g a r i d a s , r u m o à r o d a de b a r a l h o d o Nél-
para a p r o d u ç ã o , p r i n c i p a l m e n t e de café,
em dividas.. Sem pessimismo ele f a z u m a que t o d o m u n d o p a g a p o r aí. P a g a m o s s o n - G o r d o , o d o n o d o é m p ó r i o . No ca-
d o Norte d o P a r a n á , o m o v i m e n t o d e
previsão d a sua falência: Sicam, F u n r e s p o l , I C M , I m p o s t o sobre m i n h o sou s a u d a d o :
c a m i n h õ e s nas e s t r a d a s t e m c a í d o m u i t o .
— É b e m possível que, antes m e s m o d a E u m a g r a v e crise de d i n h e i r o t o m o u c o n t a Serviços de Q u a l q u e r N a t u r e z a , Alvará d a — O repórti gostoso!
sua r e p o r t a g e m sair no jornal, eu j á n ã o do Jardim da Liberdade. — como Geraldo S a ú d e Pública, Alvará de Licença d a D o u as explicações p e d i d a s sobre o
esteja m a i s aqui. insiste em c h a m a r . C o m isso, os p r o b l e m a s P r e f e i t u r a , e I m p o s t o Predial, também meu t r a b a l h o , i n v a r i a v e l m e n t e acabo
foram se a c u m u l a n d o e m u i t a gente p r a p r e f e i t u r a . E o b r e g a n ã o t e m asfalto, d e i x a n d o alguns cigarros e v o u - m e e m -
Ele se tornou m u i t o p o p u l a r logo q u e mudou para outros bregas. E d a í o não t e m serviço d e á g u a , n e m d e lixo, n e m b o r a , c o m convite p a r a voltar depois d a s 2
chegou. F o r m o u o M a d r u g a d a Futebol M a d r u g a d a FC faliu, depois d e c a m p a - de i l u m i n a ç ã o p ú b l i c a , n e m d e esgoto, da m a d r u g a d a , . q u a n d o a c a b a r o mo-
Clube, o t i m e da N a i r l â n d i a , q u e chegou a n h a s m e m o r á v e i s ; o El D e d o n deixou d e nem n a d a . . . . vimento.
jogar mais de 30 p a r t i d a s sem p e r d e r sair, a z o n a ficou m a i s triste. M a s Geral-
n e n h u m a . Depois foi o r e d a t o r - c h e f e d o El do. com m a g n e t i s m o e a s u a l i d e r a n ç a ,
Dedon. em principio um m u r a l s e m a n a l c o n q u i s t a d a n a t u r a l m e n t e , c o n t i n u o u sen- 6 da tarde. Localizo, n o meio d a r u a , 8 da noite. C a r l ã o é o s u j e i t o que,
feito à m ã o . sobre c a r t o l i n a , q u e ficava ex- d o o prefeito. u m a m u l h e r m o r e n a , a l t a e m a g r a , talvez s e g u n d o o N e g u i n h o (de m a n h ã ) estava
posto no 2001. o b a r d o Urias. M a i s t a r d e — I s s o a q u i é u m a válvula d e escape a m a i s b o n i t a q u e vi até a g o r a e m Nairlân- Sendo p r o c u r a d o pela Polícia n a noite an-
teve até n ú m e r o s m i m e o g r a f a d o s em biologico e psicológico p a r a a s o c i e d a d e dia. No fim d a t a r d e , c a m i n h a descalça terior. T e m 24 a n o s . e s t a t u r a m e d i a n a ,
A r a p o n g a s e d i s t r i b u í d o s em t o d o o b r e g a , Se n ã o existissem as z o n a s você j á pensou pela r u a d e t e r r a , c o m leveza. U s a r o u p a s b a r b a e s f i a p a d a , n a r i z v e r m e l h o de res-
g r a t u i t a m e n t e . G e r a l d o fala d o j o r n a l . no risco q u e a s u a i r m ã , s u a m u l h e r , s u a c u r t a s e t r a n s p a r e n t e s , t e m os seios e m - f r i a d o , cabelos c a s t a n h o s em d e s a l i n h o . É
leio. M a s t e m u m jeito alegre e sincero d e c o m o u m a g a r r a f a d e s s a s . Ela só vira pes- p o u c a s s ã o as luzes acesas. No Bar d o sões f a m i l i a r e s e f u g i u p r a N a i r l â n d i a c o m
falar, d e sorrir e d e o l h a r p a r a as pessoas. soa. gente, m u l h e r d e c o r p o e a l m a , q u a n - Urias os gigolôs assistem " M e u Rico Por- o m ú s i c o d e u m c o n j u n t o q u e a n i m a v a as
— M e u velho é rico p a c a . do, vai com você, s a c a ? É isso q u e é. Cê j á t u g u ê s " pela televisão. n o i t a d a s d o C o p ã o . Está corr) ele a t é hoje e
viu coisa m a i s linda q u e a p a l a v r a p u t a ? . m e pede para não espalhar em Londrina o
No b a r d a r u a d e Baixo, ele m e c o n t a M a s ele d o r m e t o d o dia d a s 9 d a n o i t e ' Na m i n h a c a b e ç a u m a d ú v i d a e l e m e n - seu p a r a d e i r o , q u e a f a m í l i a deve e s t a r
sobre a b a t i d a policial d a s e g u n d a - f e i r a : às 2 da m a d r u g a d a , p a r a n ã o ver M a r i z a ir, tar c o m e ç a a g a n h a r c o r p o : o n d e é q u e eu p r o c u r a n d o , " m a s eu t ô legal a q u i " .
coisa d e a l g u m "dedo-duro". p a r a o q u a r t o com o u t r o h o m e m . D a s u a vou p a s s a r a noite. E m p r i n c i p i o , a pers- Nas r u a s . d e f r o n t e as casas, u m n ú -
— T a í u m t i p o d e g e n t e q u e eu n ã o parte, ela t a m b é m t e m u m a s a í d a . pectiva d e c o m p r a r u m a m u l h e r e usá-la m e r o razoável d e c a r r o s , vindos p r i n c i p a l -
agüento. Tem um moleque por aqui, o — F i c o o l h a n d o p r o teto, s a c a ? N ã o como um objeto me parece abominável. mente de Arapongas e Apucarana. Os
Jcsuíno. q u e a n d a v a t i r a n d o u m a d e acontece nada... 9 horas. U m clarão vermelho, sensual e m a i s e l e g a n t e s vão d i r e t o p a r a o S a m a m -
c a g u e t a . O u t r o d i a j u n t e i ele n a p o r r a d a As p r o s t i t u t a s n a N a i r l â n d i a g a n h a m p e c a m i n o s o se e r g u e d a N a i r l â n d i a . e m - baia. a única boate com estacionamento
aqui em b a i x o e f u i m a r r e t a n d o ele até lá em m é d i a . 2 mil c r u z e i r o s p o r m e s . Essa b a l a d o p o r Alternar D u t r a e o u t r o s ro- p r ó p r i o , t a p e t e no c h ã o , g a r ç o m , lustres,
em c i m a . q u a n t i a t e n d e a s u b i r p a r a a t é 3 mil nos m â n t i c o s . As p r o s t i t u t a s e s t ã o t r a n s f o r - sala d e espelhos e, e n f i m , t o d o s os r e q u i n -
M a r i z a n ã o larga dele, é a s u a a m i g a . meses d e calor e a cair p a r a mil cruzeiros, m a d a s : a m a i o r i a a p a r e c e nos salões d e tes e a d i s c r i ç ã o d e u m a b o a t e d e p r i m e i r a .
Fico c o n h e c e n d o , a t r a v é s deles, d u a s no i n v e r n o , q u a n d o d i m i n u i o m o v i m e n t o . p e r u c a , o rosto i n t e n s a m e n t e m a q u i l a d o .
n o r m a i s b á s i c a s d e f i d e l i d a d e : l) H o m e m Parte do dinheiro Mariza dá para o Carlão Nas j a n e l a s , n a s p o r t a s e v a r a n d a s elas se Deu sono. Do o u t r o l a d o d a r u a , n u m a
não p o d e t r a n s a r o u t r a s m u l h e r e s . 2) A - " p r o c i g a r r o e pros p i n g ã o " , o u t r a ela o f e r e c e m . A N a i r l â n d i a virou u m a g r a n d e janela, uma mulatinha c h a m a d a Paula
m u l h e r n ã o p o d e d o r m i r de g r a ç a n e m gasta c o m os m a s c a t e s q u e a p a r e c e m feira. a g i t a d a e f o g u e t e i r a , r e f o r ç a e m altos
p e r m i t i r q u e q u a l q u e r o u t r o h o m e m passe diariamente no b r e g a e a u l t i m a fica Na p r i m e i r a c a s a , a C a r m e l â n d i a , en- b r a d o s , o convite q u e m e fez à t a r d e , p a r a
a noite c m sua c a m a . A vigilância é re- g u a r d a d a . Eles p e n s a m em sair d a Nai- c o n t r o sem m u i t o s u s t o u m a velha co- procurá-la depois das 2 da m a n h ã .
cíproca e i n v a r i a v e l m e n t e envolve u m rlandia um dia - q u a n d o o C a r l ã o tiver lá n h e c i d a . i r m ã de u m a ex-namorada A iminência de u m a c a m a chega a me
ciúme doentio. pelos 28 a n o s - com um filho e d i n h e i r o m i n h a . C h e g o u a c a i r na g a n d a i a em Lon- comover, m a s a i n d a n ã o m e h a b i t u e i c o m
— C ê tá v e n d o essa g a r r a f a - explica deles p a r a c o m e ç a r a vida. M a r i z a está d r i n a m e s m o , d e p o i s d e u m a vida re- a idéia d e u m a t o sexual a t r o c o d e di-
C a r l ã o . d i d a t i c a m e n t e , com u m v a s i l h a m e com 22 a n o s . c a t a d a até os 22 a n o s . M o ç a d e classe n h e i r o . E n q u a n t o c a m i n h o pela N a i r l â n -
d e coca-cola na m ã o - Cê a c h a q u e t e m al- m é d i a , sem m u i t o e s t u d o e sem perspec- d i a . vou b u s c a n d o o u t r a s s a í d a s . A c a b o
g u m a coisa d e m a i s v e n d e r o g a r g a l o .lá c noite na Nairlandia. S u b i t a m e n t e tivas mais a n i m a d o r a s d e c a s a r , d e u d a d e i x a n d o essa m e d i t a ç ã o p a r a m a i s t a r d e .
dela por 50. l(X) c o n t o s ? Não. ne? Pois é as r u a s estão d e novo d e s e r t a s , t o m a d a s p a s s e a r à noite no C o p ã o . b a r n o t u r n o d e Por e n q u a n t o , estou m a i s p r e o c u p a d o
isso. m e u : c o m o u t r o s c a r a s t u a m u l h e r é pelos c a c h o r r o s . As c a s a s e s t ã o f e c h a d a s e L o n d r i n a . Depois, deve ter r e c e b i d o pres- em m e virar p o r a q u i m e s m o . Talvez " e n -
— Eu t r a b a l h a v a n u m a g r a v a d o r a e m v o u r a s d e a l g o d ã o , c a f é e rarni. d e M i n a s — Cê n u n c a p e n s o u e m se a r r a n c a r d a q u i ,
L o n d r i n a e tava g a m a d a n u m d o s d o n o s . G e r a i s e São P a u l o , a n t e s d e c h e g a r a o procurar um emprego, voltar pra casa do
M a s daí o sócio foi c h e g a n d o p r o m e u Jardim Leonor. subúrbio de Londrina. teu p a i . q u a l q u e r coisa a s s i m ?
l a d o . c o m o q u e m tá a f i m d e a l g u m a coisa. —Vamos dançar - proponho. —Pra c a s a d o m e u p a i eu n ã o volto.
C o n h e c e o Celso d a T V ? Pois é. a p r i m e i r a — N u m sei d a n ç á . s a c a ? Q u a l q u e r coisa é m e l h o r q u e a q u i l o lá.
ve/. q u e eu fui. foi c o m ele. e c o n t i n u e i u m Lm c o m p e n s a ç ã o , desenvolve com des- —F. d a í . o q u e voce p e n s a e m f a z e r ?
tempão. Depois a gente começou a treza a a r t e d e s e g u r a r o f r e g u ê s , d e m e x e r — S e i lá. viu? Eu q u e r i a ter u m a c a s a
q u e b r a r o p a u . ele s e m p r e d i z i a p r a m i m por baixo, com o quadril. Q u a n t o a m i m , jóia na c i d a d e , s e m m a r i d o e sem crian-
q u e q u e r i a m e ver na z o n a p r a d e p o i s ir p a s s o b r u s c a m e n t e d e c o n f i d e n t e , d e en- ça p r a e n c h e r o s a c o . Só e u . T e m u m a s
p e d i r a r r e g o p r a ele. L a r g u e i d e l e . m a s in- trevistador, à posição de freguês, sentindo amigas minhas que tão em Londrina,
d a c o n t i n u e i t r a n s a n d o lá e m L o n d r i n a na pele os efeitos d a a r m a s e c r e t a d a s l o d o dia elas b o t a m c a d e r n i n h o d e b a i x o
c o m o u t r o s c a r a s q u e eu c o n h e c i . C o n h e c e p r o s t i t u t a s , n a s u a l u t a d i á r i a c o n t r a os in- d o b r a ç o e vão p r a p e r t o d e e s c o l a , n o f i m
o Darci, l a m b e m d a T V ? Pois é. vasores. É e x c i t a n t e , e x t a s i a n t e , u m a es- d a s a u l a s d a noite. Aí a p a r e c e m os c a r a s a
Ela se l e v a n t a , vai a t e ' o q u a r t o e volta pécie d e a r a p u c a . D e n t r o d e l a , m e e s f o r ç o fim d a s m e n i n i n h a s d a escola e e m b a r -
g a l a r u m a m u l h e r p e l o c o r a ç ã o " - e o m o se c o m u m disco, trilha s o n o r a d a Novela para m a n t e r a calma, d o m i n a r a situação, c a m . Vou ver se e n t r o n e s s a , lá p e l o a n o
iii/ p o r a q u i . e g a n h a r a c a m a d e l a . E s t a Selva d e P e d r a . C o l o c a - o n u m a p e q u e n a sair d e l a m a s n ã o t e m jeito. T e n h o a im- q u e v e m , e c o n s i g o a m i n h a c a s a . Se n ã o
seria u m a s a í d a , p a r a q u e m n ã o g o s t a d a r a d i o l a a t r á s d o b a l c ã o e volta c o m u m p r e s s ã o d e q u e . se ela f i c a r ' u m d i a e u m a d e r legal eu t e n h o q u e ir m e g u e n t a n d o
idéia cie " c o m p r a r " u m a m u l h e r . M a s n ã o copo de uisque na mão. noite s e g u i d o s a q u i . e u tico j u n t o . A p a r e n - por aqui mesmo.
sei se seria h o n e s t o p r a t i c a r o s e x o pelo temente trato de manter a compostura. Ela se d e s p e c o m d e s t r e z a , m a q u i n a l -
— T á o u v i n d o essa m ú s i c a ? S e m p r e
sexo. s e m a b a s e d e c o n h e c i m e n t o , a f e t o , q u e eu e s c u t o l e m b r o d u m a a m i g a m i n h a , Depois ela p a s s a a m ã o n a m i n h a mente. T u d o m u i t o frio. G u a r d a as roupas
s e n t i m e n t o s . E. o q u e é p i o r . n ã o sei se q u e a g o r a tá e m C i a n o r t e . Foi n e s s e s a l ã o cabeça. Depois m e beija n a boca. Existe e m c a b i d e s e se c o b r e d e r o u p a s leves,
c o n s e g u i r i a " e n g a t a r u m a m u l h e r pelo a q u i . U m a m i g o d e l a veio a q u i . b o t o u essa a l g u m a coisa d e m a t e r n a l , d e d e s p r e t e n - transparentes. Levanto-me da cama para
coração". Acabo me decidindo a baixar m u s i c a ai n a vitrola e m a n d o u ela f a z e r sioso. nesse g e s t o . I n t i m a m e n t e a c h o isso d e i x á - l a d e í t a r - s e , t a n i b é m t i r o as r o u p a s e
tia c a s a d a P a u l a c o m 2 h o r a s d e a n t e - u m e s t r i p i t i s e p r o s a m i g o s d e l e ver. Ela estranho e engraçado. d e i t o - m e a o seu l a d o .
cedência. lez. D e p o i s ele d e u a m a i o r s u r r a n e l a , R e s t a n o q u a r t o a luz v e r m e l h a d e u m
c h a m o u ela d e t u d o q u a n t o é nome e A m ú s i c a t e r m i n a e ela volta p a r a o a b a j u r . P o r u m m o m e n t o ela a i n d a fica
M c i a - N o i t e . No c a m i n h o , p a r o e m puxou o carro do b r e g a . E r a u m safado. s o f á . c o m o se n a d a tivesse a c o n t e c i d o . Sin- o l h a n d o p a r a a q u e l a luz, p e s a d a m e n t e .
frente da boate Zélia-Nena. E n t r o e en- Ela t e m u m p e r f i l b e m delineado, t o - m e c o m o se tivesse s i d o d e s p e r t a d o n a P a r e c e a d i v i n h a r q u e a n o s s a c o n v e r s a vai
contro uma mulher negra, sentada n u m b o n i t o . D e L o n d r i n a ela veio p a r a Nai- m e t a d e de u m desses sonhos q u e a gente a c a b a r a p a r e c e n d o no jornal. M a s não
c a n t o d o salão, quieta, o olhar p e r d i d o no rlândia. o n d e ficou p o u c o mais q u e u m q u e r t e r a t é o f i m . D i s s i m u l o e vou p a r a o teme:
papel d a parede. Com um paternalismo ano. Depois foi t e n t a r a vida e m Fa- sofá t a m b é m . — M e u s p a r e n t e s n u n c a v ã o ler o seu
q u e fica m e i o r i d í c u l o e m c i m a d o s m e u s xinai. m a s e m m e n o s d e u m m e s e s t a v a d e jornal, saca? E n t ã o não tem susto.
20 a n o s . t r a t o d e p u x a r a c o n v e r s a . volta: O m o v i m e n t o vai a r r e f e c e n d o na Gira b r u s c a m e n t e p a r a o lado da
— E dai. nega. qualé o problema? N a i r l â n d i a . p o r volta d a s 2 h o r a s d a parede e resmunga, antes de dormir:
Ela se volta p a r a m i m u m i n s t a n t e , d á — S ó dava m a t u t o por aqueles lados. m a d r u g a d a . O u ç o d a v a r a n d a d o Zélia- — R a p a z , às vezes d á u m a b r u t a von-
u m riso d i s s i m u l a d o r : Desses c a r a s q u e c h e g a t r e p a d o n u m N e n a . a voz d o G e r a l d o t r ê m u l a , s i b i l a n t e , tade de sumir.
— N a d a . ué. cavalo, p i c a n d o f u m o d e corda e q u e enfia m e l a n c ó l i c a , a o m i c r o f o n e d ' o s Invictos, No q u a r t o d o outro lado d o corredor, a
a m ã o z o n a f e d i d a n a t u a c a r a . D e t e s t o es- encerrando a noitada do Maxing: N e n a , u m a d a s d o n a s d a c a s a , t o s s e deses-
Já t i n h a visto essa m u l h e r à t a r d e , se t i p o d e s u j e i t o , q u e p e n s a q u e é d o n o d a — O show...já t e r m i n o u / v a m o s voltar à peradamente, rouca e asmática. Ouço
muito mais disposta e descontraída. Lem- gente, saca? T a m b é m tinha m u i t o desses realidade... p a s s o s e c o c h i c h o s n o q u a r t o a o lado.
bro que tinha a testa grande, u m rosto c o r o n e l i z i b i d o . q u e te d á u m c o p o d e uís- índia passa o trinco nas portas do Começa a me dar uma agonia mórbida,
bonito de menina, dentes brancos, o corpo q u e e f a z voce b e b e r ali, n a f r e n t e dele, n a Z é l i a - N e n a . Sem f a z e r m u i t a f o r ç a e s e m incômoda.
rigido. inteiro. A g o r a , e n f i a d a a t é a m a r r a , sem gelo n e m á g u a d e n t r o . m a i o r e s e x p l i c a ç õ e s eu a c a b e i f i c a n d o d o
m e t a d e d a testa n u m a p e r u c a alisada, o lado de dentro. F u i - m e e m b o r a n o d i a s e g u i n t e , pouco
r o s t o l a m b u s a d o d e m a q u i l a g e m . f i c a vul- O s a l ã o t e m luz n e g r a , p a p e l - p a r e d e a n t e s d o m e i o - d i a . As m u l h e r e s a i n d a não
g a r . C h a m a - s e Roseli, m a s é c o n h e c i d a com tlorzinhas vermelhas, balcão de O quarto é pequeno, bem arrumado: t i n h a m a c o r d a d o , m a s os h o m e n s estavam^
p o r t o d o m u n d o , d e s d e m e n i n a , c o m o Ín- madeira, geladeira, u m a pia, a radiola u m a c a m a de casal, u m g u a r d a - r o u p a , t o d o s lá. p e r t o d o b a r d o V i c e n t e , se es-
dia (por p a r t e d e m ã e ) . T e m 24 a n o s . atrás d o balcão, sofá r o d e a n d o o salão, u m a televisão s o b r e u m a p e q u e n a cô- p r e g u i ç a n d o d e b a i x o d o sol: o N e g u i n h o , o
l i n h a 21 q u a n d o se iniciou n a prosti- dois c a r t a z e s d a Skol p r e g a d o s n a p a r e d e . moda. Sobre a penteadeira um infinidade Fitético, t o d o s , c o m o o n t e m . P a s s o u um
tuição. Aos p o u c o s vai f a l a n d o , s e m p r e s - Sinto a m ã o dela sobre a m i n h a : é m a g r a , de frascos e u m a cabeça de plástico, sobre b o m t e m p o , a t é eu c o n s e g u i r m e s a f a r
sa. a m ã o s o b r e a m i n h a m ã o . f o r t e , c a l e j a d a p o r u m a i n f â n c i a e m la- a qual Índia deposita a peruca. daquela agonia desgraçada.

A SEMPRE NOVA
LITERATURA
BRASILEIRA
SEfiGIO SANTANNA

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CIVILIZAÇÃO BRASILEIRA Rua da Lapa, 120 • 1 2 ° andar - R J
Banhos de sangue atuais justificados por banhos de sangue pass* <JS
deixam implícita a possibilidade de banhos de sangue ruturos. A • e é
de Noam Chomskv, norte-americano, 47 anos, considerado o m >r
lingüista vivo. Para ele, o jogo de palavíà^ dos porta-vozes dd
política externa norte-americana não consegue esconder as <nter >es
bélicas de intervenção. E as intervenções são sempre violenta
Estamos reproduzindo a última parte do livro que Cnomskv escre eu
em 1974: Banhos de Sangue Benignos e Construtivos. P r o i b i d o j os
Estados Unidos, foi editado na França. Esta parte chama-se
Documentos - O caso Colby: de Fênix até o Chile.
M Ex-14

Não podemos ficar parados vendo um país se tornar comunista por irresponsabilidade do seu povo! (Kissinger)

PRIMEIRO DOSSIÊ W. Colby explicou em seguida q u e a DOSSIÊ N O A M C H O M S K Y americanos. Os créditos necessários para
(Jean Pierre Fave) extensão d a s " o p e r a ç õ e s c a m u f l a d a s " da (Transmitido em 13 de outubro de 1974) as c o m p r a s de trigo - necessidades vitais -
O caso da CIA no Chile CIA varia com os acontecimentos leste- t a m b é m foram reduzidos.
oeste. i n d e p e n d e n t e da " d e t e n t e " . De O presidente Allende queixou-se várias
A intriga, q u e envolveu Richard Nixon lato, " p o d e acontecer a l g u m a coisa perto 0 chefe da CIA declara à C a m a r a q u e 8 .vezes d o q u e c h a m o u na Õ N U em dezem-
d u r a n t e 17 meses se c h a m o u W a t e r g a t e . de nós tão i m p o r t a n t e q u a n t o longe por milhões de dólares f o r a m utilizaddos con- bro de 72 " u m a pressão estrangeira para
Q u e m se esforça a t u a l m e n t e p a r a proteger razões de política ou s e g u r a n ç a . Pode-se tra Allende entre 1970 - 73. nos desligar d o m u n d o exterior . estran-
G e r a l d Ford é a CIA. S a b e r á o novo chefe imaginar ainda situações o n d e os in-
O diretor da CIA declarou ao Congres- gular nossa economia e paralisar nosso
d o Executivo dos E s t a d o s se d e s e m b a - teresses políticos f u n d a m e n t a i s - sejam so q u e a a d m i n i s t r a ç ã o Nixon autorizou a comércio, nos privar d o acesso às fontes
raçar rapidamente? afetados de m a n e i r a negativa. Em certos
despesa de mais de 8 milhões de dólares internacionais de financiamento".
casos, é mais a p r o p r i a d o usar u m a ação de
O caso. sabemos, estourou há alguns para atividades secretas d a Agencia d o
p e q u e n a - n v e r g a d u r a , c o m o por e x e m p l o
dias. q u a n d o o diretor dos serviços se- Chile entre 70 e 73 p a r a i m p e d i r o pre- COLBY RECUSA QUALQUER
iniciar relações com q u a l q u e r um q u e
cretos. William Colby, a d m i t i u q u e s o m a s sidente Allende de governar. COMENTÁRIO
necessite nosso apoio. M a s insisto: não é
i m p o r t a n t e s t i n h a m sido gastas por seus O objetivo das atividades clandestinas
nossa política no m o m e n t o fazer isso nos
agentes p a r a e n d u r e c e r a vida d o presi- da CIA - William Colby, seu diretor con- Colby reconheceu durante uma breve
cinco c o n t i n e n t e s " .
d e n t e chileno Salvador Allende, de 70 a lessou n u m a sessão ultrasecreta d o Con- conversa telefônica esta semana que havia
73. A pergunta " q u e operação camuflada gresso em abril último - era desesta- testemunhado perante o sub-comite Nedzi
Com f r a n q u e z a b e m a m e r i c a n a - ou da CIA você considera um s u c e s s o " ? Col- bilizar o governo marxista de Allende sobre questões de segurança , relacionadas
seja. um misto de c a n d u r a e cinismo - o by responde: " O laos. Para os Estados que havia sido eleito em 70. com o envolvimento da CIA no Chile, mas
presidente Ford tinha d e i x a d o claro q u e Unidos era i m p o r t a n t e q u e o país con- 0 governo Allende foi i n t e r r o m p i d o em se recusa comentar a carta de Harrington.
tais intervenções f a z i a m p a r t e d a r e a l i d a d e tinuasse a m i g o e não caísse em m ã o s de 11 de s e t e m b r o de 73 por u m violento gol- Nedzi, contactado em Munique onde
da política internacional, " a U R S S faz isso elementos q u e nos fossem hostis. Em vez pe de e s t a d o no qual o presidente m o r r e u . eslava cm viagem de inspeção com outros
d o o u t r o l a d o " e q u e serviam aos interes- de recorrer ao nosso poder militar e em- 1 iii sua exposição na C â m a r a . Colby membros do Comitê de Serviços Armados
ses d o pais. pregar e n o r m e s esforços políticos, é revelou q u e a CIA interveio pela primeira da Camara, também se negou a qualquer
Henry Kissinger t a m b é m deixou claro preferível influenciar personalidades e vez cm 1964. q u a n d o Allende era can- comentário.
q u e as atividades d a CIA no Chile t i n h a m grupos políticos capazes de c o n t r o l a r a d i d a t o de oposição a E d u a r d o Frei d o Par- Harrington disse na carta que pôde ler
por objetivo i m p e d i r o e s t a b e l e c i m e n t o de evolução d a s coisas. O caso d o Laos nos tido. D e m o c r a t a Cristão q u e aceitava a duas vezes as 48 páginas da transcrição do
um governo de p a r t i d o único q u e ia eli- custou s o m a s consideráveis,mas foi b a r a t o proteção n o r t e - a m e r i c á n a . depoimento de Colby praticamente sem
m i n a r os movimentos e os j o r n a i s de cm c o m p a r a ç ã o com o u t r a s m a n e i r a s de As operações da Agência, disse Colby. tomar notas: "minha memória foi a única
oposição. lazer o m e s m o negócio". eram c o n s i d e r a d a s c o m o teste p a r a a téc- fonte para o que constitui a substância
nica de uso de g r a n d e s investimentos de desse depoimento", escreveu.
Le M o n d e . 2 4 / 9 / 7 4 d i n h e i r o p a r a a c a b a r com um governo an- O diretor da CIA disse lambem que
O dedo na engrenagem
tagônico d o p o n t o de vista dos Estados depois da eleição de Allende 5 milhões de
Era de esperar. Longe de se i n t i m i d a r A CIA: é hora de voltar do frio Unidos. C o n t u d o . há noticia de interven- dólares foram cedidos pelo Comitê dos 40
com as " d e c l a r a ç õ e s " hostis de seus ad- ções semelhates da CIA em outros países para nosos esforços de "desestabilização"i
P e r g u n t a : " Q u e lei internacional nos antes da eleição de Allende. de Allende em 71,72 e 73. Mais 1
versários. Ford e Kissinger m e t e r a m o permite t e n t a r t r a n s f o r m a r o governo con-
d e d o n u m a temível e n g r e n a g e m . Depois Colby diz t a m b é m q u e todas as inter- milhão e .->00 mil dólares foi fornecido
stitucionalmente eleito de o u t r o p a í s ? " . venções da CIA contra o governo Allende para apoiar os candidatos anti-Allende
de um cessar fogo de um mes, a influente Resposta: " E u não vou j u l g a r a ques-
i m p r e n s a liberal se lançou de assalto à foram a p r o v a d a s 110 inicio pelo Comitê dos nas eleições municipais do mesmo ano
tão de saber se é p e r m i t i d o ou a u t o r i z a d o 40 em W a s h i n g t o n , u m a instancia su- (sabe-se que os candidatos da Unidade
Casa Branca. C a d a dia trazia novas o n d a s pelo direito internacional. É u m f a t o
de "revelações". O n t e m , o New York prema e secreta dos p r o b l e m a s de infor- Popular obtiveram 44% de votos).
reconhecido h i s t o r i c a m e n t e q u e tais ações mação. c h e f i a d a pelo secretário de Estado
l i m e s escreveu: " A CIA financiou várias Alguns desses fundos, testemunha Col-
são de interesse d o país q u e as e m p r e g a " . Kissinger. O Comitê dos 40 foi instituído by, foram para um jornal influente anti-
greves, c o m o a dos d o n o s de c a m i n h õ e s e Essa resposta b r u t a l d o presidente
de p e q u e n o s c o m e r c i a n t e s q u e contri- pelo presidente Kennedy n u m . , e s f o r ç o Allende ("não identificado") de Santiago.
Gerald Ford, d u r a n t e sua entrevista à im- para por sob controle d o governo as Mas, sem dúvida Irata-se do Mercúrio.
buíram amplamente para por fim ao prensa s e m a n a p a s s a d a foi excessivamente
regime de U n i d a d e P o p u l a r em s e t e m b r o atividades da CIA, depois d o prejuízo com Na sua carta de 18 de julho de 1974 ao
violenta ou excessivamente c â n d i d a . Ela os exilados c u b a n o s treinados e e q u i p a d o s representante Morgan, Harrington cita
de 73. Era necessário a p o i a r j o r n a i s e deixou a impressão c o n f u s a - e o governo
televisões ligadas aos meios anti-Allende pela Agencia q u a n d o invadiram C u b a cm Colby afirmando que o Comitê dos 40
nada fez em seguida p a r a dissipá-la - de 19t> 1.
p o r q u e . s e g u n d o um f u n c i o n á r i o d a - C I A , autorizou uma despesa de 1 milhão de
q u e os Estados Unidos se sentem livres
" n ã o a d i a n t a n a d a haver greves se nin- dólares para atividades com vistas a uma
p a r a subverter o u t r o governo c a d a vez q u e Uma audição especial
guém fica s a b e n d o " . "posterior politica de desestabilização"
a política a m e r i c a n a resolva.
em agosto de 73, um mes antes da junta
A p e r g u n t a fora feita depois d a confir- Os detalhes desse envolvimento d a CIA militar tomar o poder em Santiago.
F r a n c e Soir, 2 2 / 7 4 mação de Ford d o seguinte f a t o : a ad- 110 Chile foram*a principio fornecidos por " 0 plano integral autorizado cm agos-
m i n i s t r a ç ã o Nixon autorizou a CIA a em- Colby ao sub-eoraite de Serviços A r m a d o s to foi cancelado quando o golpe de estado
A proposta do diretor da CIA. "Agir pregar 8 milhões de dólares na c a m p a n h a da C a m a r a , presidido pelo r e p r e s e n t a n t e militar aconteceu menos de um mes mais
sobre uma situação por meios politicos ou de 1970-73 com o objetivo de a j u d a r os ad- I.ucicn N. Nedzi. d e m o c r a t a de Michign, tarde", escreve Harrington. Ele acrescenta
para-militares". versários d o governo marxista de Allende d u r a n t e a u d i ç ã o especial de um dia. em 22 contudo que Colby declarou que 34 mil
ijo Chile. Até a s e m a n a p a s s a d a , m e m b r o s ile abril de 1974. O d e p o i m e n t o foi co- dólares dos fundos foram gastos - inclusive
Além d a s p r o p o s t a s sobre o Chile q u e d o governo Nixon e d o governo Ford insis- locado à disposição d o r e p r e s e n t a n t e 2r> mil dólares depositados para certa
transcrevemos d o Le M o n d e de 24 de tiam em negar q u a l q u e r implicação dos Michel .1. Harrigton, d e m o c r a t a liberal de pessoa comprar uma estação de rádio.
s e t e m b r o . M. Colby disse n u m a entrevista Estados Unidos na m u d a n ç a d o regime Massachussets, q u e há m u i t o t e m p o (...) "No periodo que precedeu o golpe
ao T i m e : Allende. Eles c o n t i n u a m a f i r m a n d o com criticava a CIA. H a r r i n g t o n escreveu a de Estado", disse uma personalidade
- A CIA tem três f u n ç õ e s principais: insistência q u e a CIA n ã o é responsável outros m e m b r o s d o Congresso há 6 se- oficial, "havia um ponto de vista muito
t r a b a l h o científico e técnico (de detecção), pelo golpe de 73 q u e levou Allende à m o r t e m a n a s p a r a protestar contra as atividades firme do Comitê dos 40 - que é Kissinger
avaliação dos d a d o s de u m p r o b l e m a e in- e pos em seu lugar u m a j u n t a represssiva clandestinas da Agencia e contra a recusa mais ninguém - segundo o qual o governo
f o r m a ç ã o clandestina. E n i a i s u m a ^ q u a r t a de direita. de reconhece-las por p a r t e da adminis- A l l e n d e e s t a v a c o m p l e t a m e n t e desa-
r e s p o n s a b i l i d a d e : agir sobre u m a situação Os m e m b r o s d o Congresso se sentiram tração Nixon. a p e s a r de seguidos ques- creditado".
por meios políticos ou p a r a m i l j i a r e s . É u l t r a j a d o s pela notícia, c o n f i r m a d o q u e tionamentos d o Congresso. A cópia de
u m a atividade q u e segue as f l u t u a ç õ e s da M u i t a s p e r s o n a l i d a d e s o f i c i a i s do
mais u m a vez haviam sido b u r l a d o s pelo uma carta confidencial de 7 p á g i n a s en- Departamento de Estado disseram sob
política g o v e r n a m e n t a l . No caso, a ten- poder executivo. M a s i m p o r t a n t e a i n d a , o viada por Harrigton ao r e p r e s e n t a n t e juramento, durante as audiências (peran-
dência a t u a l é p a r a baixo - em t e r m o s de desenvolvimento da o p e r a ç ã o Chile a j u d o u 1 liomas E. M o r g a n , presidente d o Comitê te o sub-comite das Relações Exteriores
prestigio dessa atividade. a clarear o d e b a t e sobre a f u n ç ã o d a CIA e para assuntos estrangeiros da C a m a r a , foi do Senado) que os Estados Unidos não
ampliá-lo no Congresso e n o país. colocada a disposição d o New York Times. fizeram nenhuma tentativa de intervenção
O d e p o i m e n t o de Colby indica q u e na politica interna do Chile
Poucos h o m e n s c o m p r e e n d e m esses personalidades oficiais de alto escalão no Echvard M. Korry, antigo embaixador
choques de exércitos a n ô n i m o s nos pontos d e p a r t a m e n t o de E s t a d o e na Casa Branca no Chile declarou: "os Estados Unidos
obscuros ou conhecem a prática da arte de m a n e i r a d e l i b e r a d a e repetida enga- não procuraram influenciar ou subverter
da c a m u f l a g e m melhor q u e W. Colby. (...) naram público a m e r i c a n o e Congresso um só membro do Congresso chileno, nem
Depois de ter servido em Estocolmo e sobre a extensão d o envolvimento dos Es- sequer pressioná-lo, em nenhum momen-
R o m a . foi n o m e a d o chefe no Leste Lon- tados Unidos nos assuntos internos d o to, durante os 4 anos de minhas funções.
gínquo, divisão de W a s h i n g t o n . Voltou a Chile d u r a n t e os 3 anos de governo Allen- Nenhuma linha dura em relação do Chile
Saigon em 68 p a r a pôr em prática o esfor- de. loi aplicada, em nenhum momento".
ço de pacificação q u e incluía o célebre A vitória de Allende for ratificada pelo
P r o g r a m a Fenix. Em 1971, Fenix causou a Congresso chileno em o u t u b r o de 70 e o New York Times, 8 de setembro de 1974
-morte de 20.587 m e m b r o s e s i m p a t i z a n t e s d e p a r t a m e n t o de E s t a d o declarou mais
vietcongs. s e g u n d o as p r ó p r i a s c o n t a s de tarde q u e a A d m i n i s t r a ç ã o tinha "re- KISSINGER C E N S U R O U O
Colby... jeitado firmemente" q u a l q u e r tentativa de EMBAIXADOR AMERICANO
A p a r e n t e m e n t e , Colby é c o n t r á r i o aos b l o q u e a r sua posse. NO CHILE
t r a b a l h o s sujos. " E u o c h a m a r i a um frio M a s Colby t e s t e m u n h o u q u e o Comitê
guerreiro esclarecido", disse u m f u n - dos 40 cedeu 350 mil dólares p a r a t e n t a r , Segundo declarações de fonte gover-
cionário da CIA. " M a s n ã o e s q u e ç a m q u e sem sucesso, c o m p r a r os m e m b r o s d o namental, hoje, o secretário de Estado
esse t r a b a l h o é f r i o " . Congresso chileno. Kissinger censurou o embaixador ame-
(...) E n q u a n t o a CIA c o n d u z i a suas ricano no Chile, David H. Popper, depois
l inie. 30 de s e t e m b r o de 1974 operações clandestinas, foram reduzidos que Popper discutiu tortura e outras ques-
os e m p r é s t i m o s b a n c á r i o s p a r a o desen- tões pondo em jogo os direitos humanos,
volvimento da política de a j u d a ex- durante uma reunião com personalidades
terna dos Estados Unidos corno t a m b é m 'oficiais chilenas que falava sobre ajuda
os créditos dos b a n c o s comerciais militar.
Ex-14 39
As operações políticas camufladas contra Allende foram feitas para o b e m e no interesse do povo chileno. (Ford)

A cólera de Kissinger No m o m e n t o da q u e d a de Allende os dos Estados Unidos.


p r o g r a m a s secretos e r a m c o o r d e n a d o s nrt A a m e a ç a no Chile foi s e n t i d a sim por
Ao s a b e r d o incidente, Kissinger, Chile por Ravniond A. -Warren, da C I A . certo n ú m e r o d e grandes companhias
segundo as fontes, reagiu colérico ao r e l a c i o n a d o na lisla de pessoal cia em- multinacionais, a I T T e as c o m p a n h i a s
saber, por u m t e l e g r a m a d o d e p a r t a m e n t o b a i x a d a c o m o m e m b r o d a secção política. ' d o cobre que estavam p a r a ser .na-
de E s t a d o q u e P o p p e r havia t o m a d o a \ c a m u f l a g e m d e VVarren não foi sulífeien- cionalizadas através de negociação, po-
iniciativa de u m a discussão sobre direitos ic p a r a i m p e d i r q u e sua casa fosse lítica escolhida pelo Congresso chileno em
h u m a n o s d u r a n t e u m a r e u n i ã o sobre a p e d r e j a d a por p a r t i d á r i o s de Allende nos ITl.
a j u d a militar, em S a n t i a g o . dia 22 de últimos meses de 1973.
julho, com O s c a r Bonilld. m i n i s t r o da Ele-tem ^ 1 nos e chegou ao Chile em A lusiifleativa posterior d o p r e s i d e n t e
(telesa a o Chil. O secretario d o Exercito, • I ' H ) . s e g u n d o o Registro Biográfico do' I ord para os p r o g r a m a s c a m u f l a d o s con-
lloward H. Callaway. t a m b é m estava na D e p a r t a m e n t o de E s t a d o Voltou a ira Allende era cie que o governo socialista
reunião. W a s h i n g t o n um mes depois p a r a U m a pretendia d e s t r u i r a i m p r e n s a e os p a r -
reunião d o Comitê dos 40 ojjxle. s e g u n d o o a d o s cie oposição. Q r a . d u r a n t e os 3 a n o s
" D i g a m a P o p p e r q u e p a r e as con- •depoimento de Colby. sc resolveu a b r i r iftn do governo Allende a i m p r e n s a de opo-
ferências sobre Ciência p o l í t i c a " , grifou i rédito de 3M) mil dólares p a r a i n f l u e n c i a r s.ica e n c a b e ç a d a pelo p o s s a n t e M e r c ú r i o
Kissinger no t e l e g r a m a , s e g u n d o as fontes. os m e m b r o s d o Congresso chileno na não deixou de se m a n i f e s t a r . Os p a r t i d o s
oposição a. Allende d u r a n t e as eleições. políticos c o n t i n u a r a r í i , f u n c i o n a n d o . ínes-
Este primeiro gesto loi seguido por u m a
carta de c e n s u r a redigida s e g u n d o as for- ino os q u e c l a m a v a m a b e r t a m e n t e pela
malidades d o D e p a r t a m e n t o de E s t a d o e (...) O p r o g r a m a d e desestabilizaçào insurreição c o n t r a .Allende.
enviada a P o p p e r . d i p l o m a t a de carreira. dirigido c o n t r a o governo Allende é c o m o
Só depois da m o r t e de Allende e a sub-
(...) S e g u n d o fontes de i n f o r m a ç ã o . u m a reminiscencia forte d a s operações an-
teriores no Chile e no IJrasil . As greves e stituiçà' de seu governo pela j u n t a militar,
Popper disse aos seus assessores em San-
em II de s e t e m b r o de 1973. a c o n t e c e r a m
tiago ter sido " r i d i c u l a r i z a d o " por Kissin- as m a n i f e s t a ç õ e s Ioram f i n a n c i a d a s e
is coisas contra as quais a intervenção da.
ger. e , expressou s u r p r e s a ante o f a t o de e x e c u t a d a s com os recursos d a " e s t a ç ã o "
da CI A local.. < IV sc colocava: a -junta militar leehou o
.que a c e n s u r a ocorreu q u a n d o tentava
fazer respeitar os direitos humanos. (...) Há provas de qu.e grftpós t e r r o r i - u s Congresso. interdiloii os jornais de
Acrescentou a i n d a , s e m p r e s e g u n d o as como Pátria e L i b e r d a d e , o r g a n i z a ç ã o oposição e baniu Iodos os partidos polí-
lontes. q u e esperava mais ser criticado nco lascisia. foram r e c r u t a d o s na b a t a l h a ticos.
pelo apoio q u e havia d a d o à junta, pu- c o n t r a Allende.
blica m e n t e . A i m p r e n s a italiana a c u s a a CIA de
Pesado segredo financiar g r u p o s terroristas de direita
T h e New York Times, 27 de s e t e m b r o de c o o r d e n a d o s pela polícia secreta ita-
1974 I >ois meses antes d o golpe de e s t a d o liana. Servieio Intelligenza Difesa (SID).
militar q u e m a t o u Allende. um funcio- Eles a f i r m a m q u e a S I D c o n d u z u m a "es-'
ULTIMO DOSSIÊ nário de alto escalão d a policia secreta iratégia de t e n s ã o " q u e provoca as
CIA o parceiro silencioso da polilica ex- chilena contou à c o r r e s p o n d e n t e d o atividades de e x t r e m a direita (e de ex-
terior dos Estados Unidos W a s h i n g t o n Post. Marlise Simons. que os t r e m a e s q u e r d a ) a fim de j u s t i f i c a r as
(Por Laurencc Sicrn, Washington Post). 1 lindos da CIA f o r a m d e s t i n a d o s p a r a rigorosas m e d i d a s g o v e r n a m e n t a i s de
P a i r i a e Liberdade. segurança".
Desde o c o m e ç o d a g u e r r a fria até a ex- (...) Em 1962 e 63 a CIA interveio con-
plosão W a t e r g a t e . o e s t a d o de g u e r r a d a o governo João G o u l a r t no Brasil, por Planos
clandestina tem sido o p a r c e i r o silencioso meio cie f u n d o s secretos e m a n i p u l a ç ã o
da política e x t e r n a n o r t e - a m e r i c a n a . política, p r i n c i p a l m e n t e i n s t r u m e n t o s da O c o m i t ê de fiscalização da C a m a r a
A CIA surgiu c o m o a e q u i p e secreta guerra política c a m u f l a d a d e n t r o da im- dos R e p r e s e n t a n t e s se d e s d o b r a na
capaz de c o m p r a r sindicatos e chefes de prensa e d o m o v i m e n t o o p e r á r i o t...). tarefa de seguir a pista d a CIA no Chile,
listado, t r e i n a r exércitos p a r t i c u l a r e s e - se No Vietnã isso começou sob a f o r m a d e l e n t a m e n t e : mais r á p i d o , p o r é m , agiu no
necessário - d e r r u b a r governos. u m a intervenção discreta à s o m b r a da sentido de t o m a r o q u e p o d e m ser m e d i d a s
Seu c o m a n d o c o m p õ e - s e de h o m e n s •decrescente influência f r a n c e s a : a CIA disciplinares contra Miehael H a r r i n g t o n
que l u t a r a m b r a v a m e n t e na S e g u n d a logou um papel-chave na escolha a d e d o (democrata de Massachusetts). o m e m b r o
(iiierra M u n d i a l , filhos d o e s t a b l i s h m e n t d o c a n d i d a t o às funções de p r i m e i r o - da c a m a r a q u e soou a s-ineta d e a l a r m e a
americano, p r o d u t o s de casas confortáveis ministro. Ngo Dinh Diem, e na sua co- proposito d o d e p o i m e n t o d e Colbv n a s
bons colégios e bons s e n t i m e n t o s , de- locação cm cena. A CIA a d m i n i s t r o u os c a r t a s aos presidentes d a s comissões de
\vram Noam Chomskv nasceu em
votados à q u i l o q u e p a r a eles são as tra- p r o g r a m a s de pacificação e c o n t r a - t e r r o r relações exteriores d a C â m a r a e d o Se-
I >28. I iladelfia. Estados' Unidos. Na
dicionais virtudes a m e r i c a n a s , inimigos oue os críticos n ã o - c o n u m i s t a s cio regime nado.
universidade de Pensilvania estudou lin-
resolutos d o inimigo c o m u m : o c o m u n i s - de Saigon d e f i n i r a m c o m o p r o g r a m a s de Por iniciativa de H a r r i n g t o n . Colbv foi güística, matemática e filosofia. Loi aluno
mo. repressão. .. o n v i d a d o a d e p o r p e r a n t e a s u b - e o m i s s ã o de Romait .lacohson. pai da ciência da lin-
I n i ' d e l e s é William Egan Colbv. um <) c a t á l o g o pode prosseguir. Em 1953. V d / i sobre as atividades d a CIA no Chile.
guagem. Em l'').*o. titular da cadeira de
(homem m e t i c u l o s a m e n t e c i n / e n i o q u e rf . ueda d o govero M o s s a d e g h no Irã. com H a r r i n g t o n foi o único m e m b r o da Ca-
I inguisliea e de l ínguas Modernas do In-
linha s a l t a d o por trás d a s linhas inimigas .. a j u d a d o "operativo" da CIA Kermit iu.ira q u e leu o d e p o i m e n t o de Colbv fora
situto de Tecnologia de Massachusetts,
na L u r o p a o c u p a d a , q u e planejou c ad- Kooscvclt. a c|ueda d o governo A r b e n z na da s u b - e o m i s s ã o de fiscalização, até ai
'iderou seus alunos na campanha contra a
ministrou o p r o g r a m a de " p a c i f i c a ç ã o " c ii a i c m a l a cm I 9 M . coin a r m a s norte m a n t i d o cm segredo e e n v i a d o só aos
tentativa do Pentágono e da NASA de
lão discutível da CIA-e de seu diretório de a m e r i c a n a s e u m a torça aérea da CIA. o i c p r e s e n t a n t e s q u e o solicitassem.
iitili/ni- essa universidade. Além de ser
operações até o posto mais alto: d i r e t o r da apoio c a m u f l a d o à rebelião c o n t r a S a k a n o Assim a q u e s t ã o de s a b e r se as ope- considerado o maior lingüista vivo do
Agencia Central. na Indonésia (1958): a j u d a às t r o p a s rações c a m u f l a d a s da CIA serão a b o l i d a s
unindo, criticou severamente as investidas
bolivianas na c a p t u r a de C h e G u e v a r a . cm corre o perigo d e ser a c a d ê m i c a . Os diri
l ie está hoje no c e n t r o d a tempes- iioiie-americanas no sudeste asiático, par-
i«xr. gentes d o C ongresso, o Presidente e o
i.idc púhiica q u e d e s a b a sobre a C IA ticipou de grupos contrários a criação do
ioda \ e / q u e ela a p a r e c e , fora tia g u e r r a (...) Kissinger é hoje a prncipal V c r c i á r i o de E s t a d o já se d e c l a r a r a m , estado de Israel (. pesar de ser judeul e
iria. Nob os relletores da o p i n i ã o p ú b l i c a . ligura na d e c l a r a ç ã o e a r t i c u l a ç ã o cie um p u b l i c a m e n t e ou p a r t i c u l a r m e n t e " c o n t r a dedicou um livro - "A América e Seus
e s t a d o de g u e r r a secreto dos Estados oiialquer m u d a n ç a " Novos Mandarins" - "aos corajosos jovens
O caso do Chile l nidos: seus poderes em t e r m o s d e se- que recusam servir numa guerra crimi-
g u r a n ç a nacional são iguais aos d o pre- Boston Siíndav G l o b e . 13 de o u t u b r o d e nosa". Seu livro de lingüística mais impor-
Quando s u r g i r a m novos d e t a l h e s sobre sidente . Kissinger preside o C o m i t ê dos 19 "4 tante foi escrito em l % 7 : Estruturas Sin-
a g u e r r a secreta n o r t e - a m e r i c a n a c o n t r a o 40. m s t a n c i a s u p r e m a q u e c o n d u z as táticas.
governo Allende. um a n o depois q u e ficou operações c a m u f l a d a s , cujos m e m b r o s Na Grécia... A CIA foi p u b l i c a m e n t e
esclarecido pela p r i m e i r a vez o papel d a l a m b e m são o p r ó p r i o Colbv. o sub-se- c l a c i o n a d a com a j u n t a militar q u e subiu
C IA no Chile, a m a d u r e c e r a m as condições cretário de E s t a d o p a r a a s s u n t o s políticos ao p o d e r em 1967.
para a volta d o c l a m o r de i n d i g n a ç ã o d o .loseph .1. Sisco. o s e c r c t á r i o a d j u n t o d a
povo e d o Congresso. Dclesa William P. C l e m a n t s e o general
( i c o r g e S. Brown. p r e s i d e n t e d a j u n t a d e
O p r e s i d e n t e Ford lê/ bem p o u c o p a r a
chefes d o E s t a d o M a i o r .
.acalmar seus críticos ao dizer q u e as
.operações políticas c a m u f l a d a s c o n t r a Kissinger é o único h o m e m q u e ficou
Allende f o r a m feitas " p a r a o bem e no in- c o n t i n u a m e n t e no p o d e r depois d o fim d o
icresse d o povo c h i l e n o " . governo Nixon. C o m o secretário de E s t a d o
c ao m e s m o t e m p o c a b e ç a d o a p a r e l h o q u e
" N ã o vejo p o r q u e f i c a r í a m o s imóveis
controla a s e g u r a n ç a nacional, consolidou
observando um país em vias d e se t o r n a r
cm imenso p o d e r sobre o m u n d o da infor-
comunista por i r r e s p o n s a b i l i d a d e de seu
maçá - provavelmente mais q u e todos os
próprio povo", disse Kissinger . o ar-
o u t r o s m e m b r o s d o p o d e r executivo da
quiteto da política a m e r i c a n a da d é t e n t e .
história d o país. mais q u e m u i t o s pre-
sidentes.
Coordenador no Chile

No exterior, as operações c l a n d e s t i n a s (...) licou bem d e m o n s t r a d a no Chile


são c e n t r a l i z a d a s nas " e s t a ç õ e s " d a C I A . a lirnieza de Kissinger em a p e r t a r o b o t ã o
domiciliadas h a b i t u a l m e n t e n u m a ala da guerra c a m u f l a d a , m e s m o se pudés-
tranqüila d a s e m b a i x a d a s a m e r i c a n a s (...). semos discutir s e r i a m e n t e a idéia d e q u e o
presidente Allende e sua experiência de
socialismo d e n t r o da d e m o c r a c i a cons-
tituíam grave a m e a ç a p a r a ' a s e g u r a n ç a
Edição fac-similar realizada nas oficinas gráficas da Imprensa Oficial do Estado de São Paulo, junho de 2010.
FOTO E LIBERDADE DE IMPRENSA

4
ERDADE
LIBERDADE
ABRE AS ASAS
SOBRE NOS LEIA EDITORIAL NA PÁGINA 5

N A O PERCA:
A M O R T E
Piroli, o escritor
fedido de Minas
D O (página 30)
O bispo de São Félix
J O R N A L I S T A (página 12)
Jornalista joga
V L A D I M I R sangue no ventilador
(página 29)

H E R Z O G Mulher boa, para


um nazista, é a mãe
páginas 3 3 a 4 0 (página 10)

LACERDA ATACA TV-GLOBO E PEDE ASILO A CUBA


leitores EX-16

ESTUDANTES, FILÓSOFOS, ÍNDIOS, ELEITORES, DEPUTADOS,

EstamosCom o M e d o
b a l h o , f e i j ã o e a r r o z lá t e m t e m p o d e
fazer ioga?
H o j e tá t o d o m u n d o n o m e s m o b a r -
A verdade é q u e quase todo m u n d o c o , n e m dá m a i s p r a t e r m u i t a d i v i s ã o
se c o n t e n t a c o m heróis: heróis d e 1917, ninguém sabe d i r e i t o o q u e o o u t r o p e n - "por uma corrida de taxi não paga..."
heróis d e W o o d s t o c k , heróis d e m a i o d e sa, n i n g u é m f a l a , m a l dá p r a e n t e n d e r ,

Impossível Estudar
68, heróis q u e f o r a m e v o l t a r a m , heróis pedir. E c a b e aqui meus elogios a e » t " "nam-
cada u m reage à suaforma e a gente t e m
q u i s m o " q u e se agiganta e q u e t e m f o r c a para
n a c i o n a i s e i m p o r t a d o s , herói-vizinho- q u e d e s c o b r i r . Se fala d o a m o r ; não j o g o
p e l o m e n o s p o r e m p a u t a c o m mais c o n s t â n -
m e u q u e a p a n h o u , e olha, cara, sou ami- e l e f o r a n ã o ; tá t o d o m u n d o s a b e n d o d a D e s c u l p e m o jeito q u e vai esta carta, cia, esta s i t u a ç ã o , a f i m d e q u e isto l e v e os " i n -
g ã o d e l e , e l e d a n ç o u e s a i u d e lá f u d i d o ; f a l t a d e a f e t o , d o m e d o d e se d a r , d e s e mas e u p r e c i s o escrever rápido senão d i c a d o s " a se v e r e m e n c u r r a l a d o s pela o p i n i ã o
herói q u e a gente julga a d o r m e c i d o e a b r i r , se m o s t r a r , q u e r o c o n h e c e r e a m a r a c a b o m e a r r e p e n d e n d o e i s t o ficará, mais i m p o r t a n t e : a d o p o v o .
d e p o i s o u v e e l e d i z e r q u e vai l e v a n d o , q u e m tá d o m e u l a d o e m e s a c a , t e n h o c o m o muitas outras coisas, g u a r d a d o a) F e r n a n d o " V A S Q S " , B u r u S P
herói q u e fala d i r e t o , q u e cita n o m e s e raiva d e q u e m m e a p e r t a a g a r g a n t a , q u e atrás d o s o l h o s e o u v i d o s e d i s t a n t e d a s PS.: Estamos, c á e m B a u r u , c o n f e c c i o n a n d o
d a t a s , q u e s e e x p õ e , q u e d i z as c o i s a s m e s u f o c a , q u e n ã o e n x e r g a as c o i s a s mãos.
u m a revista. T e r á o n o m e d e O G r i f o e será uma
c o m o são, e a g r a n d e m a i o r i a d e n ó s c o m mudando. O eterno movimento dos revista d e h u m o r , n ã o e x c l u s i v a m e n t e . Nela
C o m o v o c ê s q u e r e m q u e e u seja p o l i - a b o r d a r e m o s arte e assuntos sociais e m geral,
aquele puta m e d o d e se e x p o r (porra, e u barcos m o v i m e n t o m o v i m e n t o dos bar- t i z a d o n u m p a i s o n d e e x i s t e A I - 5 e 477? e n f i m será c u l t u r a l . C o n t e r á t a m b é m o p i n i õ e s
m e i n c l u o ) fica , e s p e r a n d o q u e u m d o s cos m o v i m e n t o m o v i m e n t o . N o d i a 20 d e o u t u b r o d i s s e r a m q u e i a m pessoais d e u m v e l h o c o l u n i s t a p o l i t i c o . N ã o
grandes t o m e alguma iniciativa, q u e diga E p a r a o n d e vai essa e n e r g i a t o d a dissolver u m a classe d o c u r s i n h o d o p o d e r e m o s c o n t a r c o m o m e s m o t e o r politico
alguma coisa q u e a gente quer ouvir, q u e a g e n t e t e m d e n t r o d a g e n t e ? Se Colégio O b j e t i v o . O pessoal a c e i t o u e se d e u m EX (motivos d e f o r ç a maior) mas é uma
q u e a gente q u e r dizer mas não t e m p e r d e , se dissipa, é r e p r i m i d a , m i l tipos e n c a m i n h o u às c l a s s e s d e s i g n a d a s o n d e revista c u l t u r a l , e c u l t u r a é h u m a n i s m o , h u m a -
c o r a g e m ; f i c a m o s aí, e s p e r a n d o a r e p o r - d e energia r e p r i m i d a , m i l tipos d e e n e r - era impossível e s t u d a r p o r c a u s a d o n i s m o è r e i v i n d i c a ç ã o s o c i a l , o l h e m n ó s na
t a g e m , e s p e r a n d o a letra d a música q u e g i a p r a se l i b e r a r , a v o z d a g e n t e é falar excesso d e gente. V o l t a m o s a nossa anti-
politica. .
a g e n t e p r e c i s a sacar nas e n t r e l i n h a s , a l g o , e m t o d o s os l u g a r e s , n a o se e s c o n - g a sala e n o s r e c u s a m o s a sair. O d i r e t o r
e s p e r a n d o d e c l a r a ç õ e s ; f i c a m o s aí,
v i b r a n d o c o m o s C a m õ e s d o E s t a d o {72¬
d e r só n o Riviera, M a i s U m , e t c .
O l h a , é começar pela gente mesmo,
não v e i o falar c o n o s c o p o i s estava e m
" r e u n i ã o " . M a r c a d a reunião para o d i a Pau no Pasquim
73), d e l i c i a d o s c o m o s l i v r o s r e t i r a d o s d e a g e n t e já s a b e a r o t i n a d o o p e r á r i o , m a s s e g u i n t e , o sr. J o r g i n h o (o d i r e t o r ) a p a r e -
circulação (mais u m t e m a p r o s p a p o s ) , c o m e ç a r p o r e l a m u i t a g e n t e já t e n t o u e ceu e a primeira coisa q u e falou foi q u e o Companheiros do EX:
e s c a n d a l i z a d o s c o m a q u e l a música q u e não d e u certo. N ã o adianta se q u e r e r pessoal d o colégio não p o d e reclamar Espero que dê tempo de enfiar isso no n 16, 9

c e n s u r a r a m a letra e n o d i s c o só saiu i n s - s e r o q u e n ã o é , é a s s u m i r a classe-mé- ( e l e n ã o d i s s e p o d e , d i s s e d e v e evitar), que, no momento, é o único capaz de abrigar


t r u m e n t a l ; e se d e p o i s d e t u d o isso, o d i a , o s grilos-classe-média, c o m e ç a r e n t r a r e m c o n f l i t o , p o i s o 4 7 7 tá a i . esse repúdio ao seminário O P a s q u i m , cujo
g r a n d e tá d e s a c o c h e i o d e f a l a r s o z i n h o aqui m e s m o , e m casa. É p e r d e r o cagaço O q u e poderíamos responder? O q u e comportamento nas últimas semanas aproxima
(ou a g e n t e n e m s a b e o q u e é q u e p i n t o u d e e s c r e v e r u m a r t i g o s o b r e prisão - até p o d e m os estudantes dizer? D e i x e m o s
aquele outrora combativo semanário de publi-
d e a m e a ç a p a r t i c u l a r prá e l e ) e n t ã o . . . é , q u a n d o , c a c e t e , ate q u a n d o esse p u t a cações que ele anedoticamente combate,
d e p e r g u n t a s . N ã o haverá respostas m e s - como Manchete e O Globo.
D caetano não é mais o q u e e r a . m e d o , e s s a p e r a n ó i a ? P e l o m e n o s já é m o . P o r q u e nesse m u n d o brasileiro a
alguma coisa dizer alto: A GENTE N Ã O cultura é medida p o r capacidade de Todos sabemos que de achacadores como
C ê o l h a e m v o l t a e tá t o d o m u n d o F A L A P O R Q U E TÂ C O M M E D O - pra Sérgio laguaribe, um contador de anedotas;
ganhar dinheiro. 8 0 % dos estudantes
sentindo a merda feder, a merda d o lado n ã o p e n s a r e m q u e tá t o d o m u n d o q u i e - Ziraldo Alves Pinto, reprodutor da Disneylãn-
F a z e m f a c u l d a d e v i s a n d o a si próprios e à
d e f o r a , a m e r d a q u e tá d e n t r o d a c u c a to p o r q u e c o n c o r d o u . M e d o das coisas dia, especializado em vender personagens ao
m a n e i r a m a i s fácil d e g a n h a r d i n h e i r o .
d a g e n t e . G e n t e q u e c h e g a lá d o e x t e - que a gente conhece, q u e viveu, q u e governo e promover o "Brasil Grande"; Ivan
M e c h a m o M a r i o Roberto Fortunato, Lessa.. Sérgio Augusto..., dos quais Millor Fer-
r i o r (e e u t i v e lá) n ã o e n t e n d e , n ã o ouviu contar, q u e imaginou, q u e n e m m o r o e m São P a u l o e e s t u d o n o melhor nandes se afastou por razões políticas, para não
e n t e n d e p o r q u e t u d o p a r a d o , não i m a g i n a ! M e d o d e ser p a r a d o n a r u a e colégio d o m u n d o inteiro, o O b j e t i v o ser convivente com a conivência - destes
e n t e n d e as a b e r r a ç õ e s . ter e s q u e c i d o o d o c u m e n t o e m casa. (de g a n h a r d i n h e i r o ) . realmente só se podia esperar a omissão em
Isso é B r a s i l , " A m é r i c a d o S u l , 1 9 7 5 M e d o d a mão da arbitrariedade p o r q u e circunstâncias como esta.
(quase 76). N ã o é Estados U n i d o s d a
Taíidomida 477
q u e m manda é ela mesma,
s e g u n d a m e t a d e d a década d e 60, não é a) G e o r g e , SP Mas v e m o s a g o r a q u e a omissão s e transfor-
Paris d e 6 8 ; é p a r t e d i s s o , é d i f e r e n t e , é ma em colaboração. A veleidade pequeno-
u m p o u c o mas é m u i t o mais; puta m e r - O Pasquim v e m , constantemente, exigindo burguesa dos redatores, portanto, nãoé essen-
d a , o s c h a v õ e s t ã o g a s t o s , as d r o g a s t ã o
gastas ( q u e é q u e a d i a n t a só e x p l o r a r o
Uma Aula de Fucô dos leitores q u e l h e e s c r e v e m , q u e se p o l i t i -
z e m , a t r i b u i n d o - l h e s , inclusive, u m c h a m a d o
cial. Da mentira às capas com mulheres semi-
nuas para aumentar a vendagem (qual a dife-
" i n d i c e de politização". rença de M a n c h e t e ? ) estamos diante de um
m u n d o d e d e n t r o , se o m u n d o d e f o r a Muitos dezenas de estudantes e pro- N o e n t a n t o , politizar o estudante paulistano jornal estelionatário. Para usar uma expressão
taí, q u e r e n d o o u n ã o ? ) . O s o m tá g a s t o , fessores da USP foram recentemente o u c a r i o c a é, d e certa f o r m a , a t é f á c i l , o q u e de interesse de seus redatores, um jornal, s e m
d e f i n h a n d o , às v e z e s c o m u n s a r r a n q u e s presos. Talvez sejam torturados - se é n ã o a c o n t e c e e m cidades c o m o B a u r u q u e m e r c a d o , p o i s s e u papel é melhor cumprido
q u e f a z e m l e m b r a r últimos s u s p i r o s ; o que já não o estão sendo nesse momen- m a n t é m u m n ú m e r o incrivel d e estudantes pelas publicações da Editora Bloch - incluindo
q u e s e lê tá g a s t o , o q u e se v ê tá g a s t o , o to. Suas vidas estão ameaçadas. Uma uni- u n i v e r s i t á r i o s : mais o u m e n o s 10.000 r e s i d e n - as fotonovelas.
tes a q u i o u n ã o , q u e e s t ã o c o m p l e t a m e n t e
q u e s e o u v e tá g a s t o , o q u e s e v ê ta g a s t o ; versidade q u e não é plenamente livre Neste momento deve-se confrontar O Pas-
i n c i p i e n t e s n o t o c a n t e à p o l i t i c a . Para a l g u n s ,
r e p i t o : a g e n t e tá e m 1 9 7 5 ! E isso q u e não passa d e uma empresa de servilida- ( c o m o é o m e u caso) é justa a i g n o r â n c i a aos q u i m com o próprio G l o b o , J o r n a l d o Brasil,
atormenta a gente: a impossibilidade de de. Não dá para lecionar sob o f a c ã o de p r o b l e m a s brasileiros, já q u e s o u u m e x e m p l o F o l h a d e S. P a u l o , jornais que não fugiram:
trazer soluções d e f o r a , d e outras é p o - botas, não dá para falar diante do muro dos 50 o u 6 0 % destes u n i v e r s i t á r i o s ; os quais compreenderam inclusive a essência jornalísti-
c a s . O m o m e n t o é o u t r o , e é isso q u e das prisões; não dá para estudar quando t r a b a l h a m d u r a n t e 8 h. p o r d i a e o c o m p l e t a m ca cios fatos e, em editoriais (}B e folha SP),
d e s e s p e r a , não ter n a d a pré-fabricado, as armas ameaçam. A liberdade de (o dia) c o m 4 h. na escola (inclusive aos s á b a - emitiram opinião contrária aos acontecimen-
dos), isto e x i m e d o estudante q u a l q u e r t e m p o tos. Evidentemente, estes jornais não mudam
nada p r o n t o para servir, e n t e n d e ? Porra, expressão e de pesquisa são sinais de
para inteirar-se das atividades d a q u e l e s p o l í t i - sua estratégia; O Pasquim aparentemente
a g e n t e precisa criar a solução d a g e n t e , garantia de liberdade dos povos. Na cos a q u e m , levados p o r u m a c a m p a n h a u m manteve a sua: a colaboração.
e isso é m u i t o m a i s difícil, c r i a r as c o i s a s defesa dos direitos, na luta contra as tor- b o c a d o r o m â n t i c a diante d a r e a l i d a d e , e l e g e -
da gente, c o m palavras, gestos d a gente turas e a infâmia da policia, a luta dos tra- ram e a c r e d i t a r a m . E são justamente estes 50 o u O selo indicando que O P a s q u i m está "sem
m e s m o , s e m fantasias, p r i n c i p a l m e n t e balhadores e intelectuais se unem à dos 6 0 % os maiores interessados nas m a n o b r a s d a censura prévia", o slogan "Um jornal a f a v o r da
sem fantasias. Ê p r e c i s o sintetizar, juntar politica n a c i o n a l pois são n o r m a l m e n t e os p r i - imprensa livre e dos jornalistas idem" mere-
trabalhadores manuais. A USP sabia que
meiros atingidos. cem explicações. A conclusão inevitável é que
reconhecer a individualidade da situa- sua luta de hoje relaciona-se á luta pela sem censura prévia o jornal é isso mesmo.
ção, senão a g e n t e c o r r e o risco d e ficar liberdade em todos os países do mundo. C o m o sanar u m p r o b l e m a desta n a t u r e z a se Dona Linda Nurmi jamais nasceu no Rio; bro-
r e p e t i n d o frases escritas e m 1848, o u Presto minha homenagem à sua cora- a p r ó p r i a escola n a o o f e r e c e m e i o s para p o r o tou de alguma gaveta de alguma agência de
palavras d e profetas q u e v i v e r a m 3 m i l gem e me associo de bom grado às deci- u n i v e r s i t á r i o a par d o s m e n e i o s politicos? S e r á fotos; a Espanha (por que tanto interessei) está
o m o n s t r u o s o 477 u m a e s p é c i e d e t a l i d o m i d a
a n o s atrás. C o m o e r a m e s m o ? K r i s h n a sões que vocês possam tomar para con- a milhares de quilômetros; Glauber Rocha que
d e f o r m a d o r a d a c o n s c i ê n c i a d e nossa ? pare com as frescuras e faça logo seus filmes
d i v i d i u o m u n d o e m 4 classes"... N o Bra- seguir que a justiça não seja aqui uma
N ã o seriam v o c ê s os i n d i c a d o s para imaginar pra AERP. Quanto aos jornalistas livres, que o
sil n u n c a n i n g u é m v i u a l g u é m m o r r e r d e palavra ultrajada. s o l u ç õ e s para p r o b l e m a t ã o d e l i c a d o , t o d o s jornal desejai Aceitar os princípios de certas
f o m e . . . " Q u e m falou foi aquele cara dos A) M . Foucault (filósofo f r a n c ê s q u e , a s a b e m o s , mas c a b e aos ó r g ã o s d e i m p r e n s a religiões, de que o homem só é livre quando
Hare-Krishna d e São Paulo, f o i o q u e 23 d e o u t u b r o ú l t i m o , s u s p e n d e u o s c u r - a p o n t a r os desuses, as falhas d a nossa p o l i t i c a . mortoi
t a v a e s c r i t o n o Ex. O r a vá . t o m a r n o c u , sos q u e estava d a n d o n a U n i v e r s i d a d e d e N ã o é assim t ã o f á c i l d i r i a m o u t r o s , mas a v o c ê s
Desolada mente,
n ã o dá pra ver m e s m o : c o r p o astral n ã o São Pauto, a t é q u e sejam Hbertos s e u s que -nasceram com eíse r<?>jetivo, com uro
m o r r e d e f o m e , e o cara q u e vive d e t r a - colegas presos) idealismo fundado neste propósito, podemos Sérgio Buarque de Gusmão
EX-16 leitores
CINEASTAS, JORNALISTAS, UM ASSUNTO SÓ; REPRESSÃO,

ensaio fotográfico...

Estilo Inquisição
Detenho-me nessas considerações,
antes d e marcar m e u protesto e d o m e u
partido, o M D B , dentro d e u m a linha d e
coerência à sua programática, a o r e t r o -
cesso d a ampliação d a censura-prévia à
i m p r e n s a , n o s últimos dias.
Q u a n d o d o centenário d o g r a n d e ó r -
g ã o l i b e r a l O E s t a d o d e S. P a u l o , p r o m e - de Walter C h e l m a n , Rio.
t i d o o término d a censura-prévia, v e r i f i -
cou-se q u e jornais c o m o Opinião, M o v i -
m e n t o , Ex, n a l i n h a d o s s e m a n á r i o s , e A índio Reclama Do Mau-Humor
e m f i m , se o t r a b a l h o é a própria v i d a d o
esparsas. O o b j e t i v o inicial é u m m a p e a m e n t o
c o m p l e t o d o e s t a d o . O t r a b a l h o seria d i v i d i d o
Tribuna d a Imprensa, d o Rio, e o Jornal Os colonizadores quando chegaram à e m 3 etapas: G r a n d e Recife, Z o n a d a M a t a ,
América, e n c o n t r a r a m t e r r a s férteis, h o m e m ; q u e r e s p o s t a d ã o a esta d e c l a r a - A g r e s t e e Sertão. V a m o s atacar o G r a n d e R e c i -
d e Brasília n a l i n h a d o s d i á r i o s , c o n t i -
montes ricos e m madeira e animais d e ção q u e r e s u m e u m a situação d e t r e - fe. F o t o g r a f a n d o , a p l i c a n d o u m questinário-
n u a m s o f r e n d o censura-prévia. V e j a , a
peles valiosas, minas imensas e m r i q u e - m e n d a exploração e m q u e e s t a m o s o s padrão e d e p o i s u m d e p o i m e n t o . Para isso,
m a i s assídua r e v i s t a d e i n f o r m a ç õ e s d o estamos c o n t a n d o c o m total a p o i o d e H e r m i l o
zas d e o u r o , p r a t a e o u t r o s m i n e r a i s p r e - í n d i o s d e s d e há 5 s é c u l o s . P o r e l e é v o n -
País, j a m a i s s e l i b e r t o u d e u m a c e n s u r a B o r b a F i l h o . P o r e n q u a n t o é isso. G o s t a r i a d e
ciosos. N ó s cultivávamos e trabalhava- tade d o Parlamento d o C o n e Sul: d i z e r mais coisa. M a s vejo q u e o mais i m p o r -
q u e a f a z c a d a v e z m a i s difícil d e s e r
m o s nossas c o m u n i d a d e s , defendíamos 1. S e p o n h a f i m à d i s c r i m i n a ç ã o d o í n - t a n t e é o t r a b a l h o .
mantida.
nossos povos, não t e m e n d o a nada. d i o c o m r e l a ç ã o às t a r e f a s q u e n o s d e t e r - a) Ivan M a u r í c i o , Beth Salgueiro, R e c i f e
N u m p a n o r a m a a s s i m tão t u r v o , q u a n -
Nós o s indígenas e m p r e g a d o s , se m i n a m n a divisão d o t r a b a l h o . Q u e s e
d o o Presidente Geisel, n u m rasgo- m u i -
Salão de Humores
a l g u m d i a o c h e f e o u o patrão a m a n h e c e p a g u e e f e t i v a m e n t e e q u e não se p a g u e
to a o seu f eitio - d e c o r a g e m e altivez d e
de m a u h u m o r , s o m o s rechaçados. Ele n u n c a mais e m vales.
atitude, abriu o verbo d o governo à
não t e m interesse e m q u e o índio a p r e n - 2. N ã o s e r e s e r v e c o m e x c l u s i v i d a d e a o
Nação, c h a m a d a à realidade d o seu F a ç o cartuns h á alguns t e m p o , sem n o e n t a n -
da e siga p r o g r e d i n d o . Estamos c a n s a d o s i n d í g e n a as t a r e f a s m a i s d e s a g r a d á v e i s e
sacrifício a n t e recessão d o c a p i t a l i s m o to ter p u b l i c a d o r e g u l a r m e n t e e m n e n h u m
d e s o f r e r t a n t a injustiça, h o j e nós t r a t a m q u e e x i g e m u m m a i o r d e s g a s t e físico.
m u n d i a l , c o n t i n u a m n o País as p e r s e g u i - jornal o u revista. R e c e n t e m e n t e c o m o c a r t u m
mal p o r q u e nós t e m o s m e d o , p o r q u e 3. Q u e o p r o d u t o d o t r a b a l h o r e a l i z a - INPS, q u e ai lhes e n v i o , tirei 1 lugar n o I S a l ã o
ções a j o r n a i s e jornalistas, n o m e l h o r 9

parecerá q u e o índio não t e m n e n h u m d o p e l o s indígenas nas reservas estatais e d e H u m o r d e S o r o c a b a e mais r e c e n t e m e n t e


estilo d o s t e m p o s d a Inquisição.
d i r e i t o d e ser h u m a n o . missões r e l i g i o s a s d e v e p e r t e n c e r e m s u a e x p u s n o II S a l ã o d e H u m o r d e Piracicaba.
N u n c a se p o d e exigir m u i t o d o s o r g a -
E nós não s o m o s a n i m a i s , n e m f i l h o s t o t a l i d a d e a n o s s o s irmãos e n ã o s e r A g o r a estamos t r a n s a n d o a q u i e m Bauru u m a
n i s m o s p o l i c i a i s , m a s jamais se p o d e
débeis, para viver t r a b a l h a n d o soba e m p r e g a d o e m gastos burocráticos d o s revista h u m o r í s t i c a , q u e está para sair. A s s i m
d o n f u n d i r - l o s c o m o s órgãos d e s e g u - q u e isso a c o n t e c e r n ó s lhes e n v i a r e m o s u m
t u t e l a d o s p a t r õ e s , d o s missionários, o u agentes protecionistas. A s reservas e
rança d o g o v e r n o , e m b o r a s e m p r e n o s exemplar.
d o s f u n c i o n á r i o s q u e n o s e m p r e s t a m as missões o r g a n i z a d a s c o m o empresas
d e f r o n t e m o s c o m revelações e excessos a) G i l b e r t o M a r i n g o n i O l i v e i r a , B a u r u SP
f e r r a m e n t a s , p a r a n o s tirá-las q u a n d o produtivas d e v e m ser administradas p o r
p o l i c i a l e s c o s e m n o m e d o s últimos.
E ninguém nunca conseguiu eliminar
a imprensa d o c a m i n h o d e defesa d a
eles d e c i d e m . E x i g i m o s a segurança e
liberdade de trabalho de que deve gozar
nós o s í n d i o s , o u p e l o m e n o s c o m n o s s a
d i r e t a participação. A Força é Menor
t o d o ser h u m a n o n o século X X . 4. Q u e é d e s e j o d o s p o v o s i n d í g e n a s
l i b e r d a d e p o p u l a r , razão básica, a t é , d e Muito boa essa do Ex-15. Uma carta,
M i l h õ e s d e n o s s o s irmãos r e g a r a m a q u e se a d o t e m m e d i d a s e c o n ô m i c a s t e n -
s u a existência. Censurá-la é , p o i s , t e n t a r forte (de Déc/o Bar,), c o m cheiro de com-
terra a m e r i c a n a d e suor e sangue, traba- dentes a evitar q u e os aborígenes n o s
tapar o sol c o m a p e n e i r a . A s vezes q u e i - petência e domínio dos problemas enfo-
l h a n d o c o m o animais, e m nossos b o s - v e j a m o s a a b a n d o n a r as p o s s a s c o m u n i -
ma mais q u e a d e s c o b e r t o . cados. Uma carta valente e visceral que
ques, e m nossos c a m p o s , para q u e d a d e s ; c o m este f i m que'se c r i e m fontes
me colocou na máquina, para respondê-
a) D e p u t a d o M i l t o n S t e i n b r u c h , Brasília o u t r o s l e v e m nossas r i q u e z a s a o u t r o s d e t r a b a l h o p a r a as c o m u n i d a d e s .
la.
N . R . - O Ex n ã o é s e m a n á r i o , n e m está continentes. 5. Q u e nas t e r r a s o n d e h a b i t a m o s o s
Mas aqui também pintou um lance
sob " C e n s u r a Prévia". E é esse s a n g u e d e r r a m a d o d e nossos indígenas e x i g i m o s q u e o s g o v e r n o s
diferente que quero te contar: foi o
antepassados q u e hoje nos e m p u r r a e p r o v e j a m o s m e i o s necessários p a r a q u e
organizado um Festival 5 8 e 76 por Cen-
nos o b r i g a a nos c o m p r o m e t e r m o s e e x i - s e j a m as p r ó p r i a s c o m u n i d a d e s as q u e
tros Acadêmicos, Assembléia Legislativa
g i r a n t e o m u n d o justiça p a r a e s t a s i t u a - e x p l o r e m as r i q u e z a s n a t u r a i s q u e e x i s t i -
e fornecedores. Tudo bem, todo mundo
ção. r e m e m nosso próprio benefício. E m
com cabeça começou.seu filmezinho
Igrejas d e d i v e r s o s c r e d o s ; g o v e r n o s caso d e ser isto t o t a l m e n t e impossível,
(eu fiz 2 animados curtos, só pra dar for-
d e d i s t i n t o s países; o r g a n i s m o s i n t e r n a - p o r tratar-se d e j a z i d a s s u j e i t a s a l e g i s l a -
ça). No dia da estréia (eram 2 noitadas de
cionais d e defesa dos direitos h u m a n o s e ç õ e s e s p e c i a i s , q u e as c o m u n i d a d e s
gala), um aviso na porta deixava todo
trabalhistas. Se o t r a b a l h o é a c o n t i n u a - r e c e b a m u m a participação dessas e x t r a -
mundo no ar: por motivos de força
ç ã o d a o b r a c r i a d o r a d e D e u s , se o t r a b a - ções.
maior, etc, etc. a Censura tava com eles,
l h o é o e n g r a n d e c i m e n t o d a s n a ç õ e s , se (Parlamento índio A m e r i c a n o d o
Mais de 40, pelo que fui descobrindo.
o t r a b a l h o é u m a das mais e l e m e n t a r e s C o n e Sul, Conclusões Sobre o Trabalho)
Isso fazem uns 20 dias e até agora nin-
l i b e r d a d e s d e q u e d e v e usar o h o m e m , a) Revista M a c a x e i r a , Porto A l e g r e .
guém sabe de nada. Eles levaram, no mí-
d o . Foi b o n i t o v e r os m e n i n o s , recém-saidos nimo 2/3 da possível produção de cine-
o u n e m saídos d a f a c u l d a d e , f i c a r e m a f a v o r d a ma amador de Porto Alegre, de um ano.
A Gente Insiste r e p o r t a g e m . D e t u d o , esse é o m e l h o r s i n a l .
Ficamos na m e r d a e estamos p e n s a n d o e m
a)Rogério Raupp Ruschel,Porto Alegre.

D e i x a m o s coletivamente o Jornal d a C i d a - s a i r d e l a . S e já é d i f í c i l f a z e r j o r n a l i s m o aí n o
de. D o e u m u i t o p o r q u e o j o r n a l e r a e x a t a m e n - e i x o Rio-São P a u l o , i m a g i n e q u i n o N o r d e s t e .
te o q u e a g e n t e t i n h a p e n s a d o e m f a z e r , a ú n i - A experiência d o Jornal d a C i d a d e e n s i n o u q u e
a g e n t e t i n h a q u e ir p a r a gráfica, m o n t a g e m ,
ca coisa q u e estava i m p o r t a n d o p r o f i s s i o n a l -
m e t e r o b e d e l h o na distribuição, t u d o . T u d o é
mente p r o nosso grupo aqui n o Recife. A gente
precário, t u d o é N o r d e s t e . Não tínhamos c o n -
tinha c o n s e g u i d o abrir o jornal para a cidade,
vbdb A? dições tecnológicas e n e m h u m a n a s . M a s
os recifenses p a r t i c i p a v a m d e l e , t e l e f o n a v a m
f o m o s lá. L u t a m o s f e i t o u n s d o i d o s . A g o r a , s e n -
d a n d o sugestões, e s c r e v i a m , v i n h a m à r e d a -
te-se n o g r u p o esse s e n t i m e n t o d e q u e p o d e -
ção. Só q u e o j o r n a l t i n h a u m d o n o q u e não
mos fazer alguma coisa aqui. S e m regionalismo
ralava a m e s m a língua d a g e n t e . Ele r e a l m e n t e
babaca, sem folclorismo barato. M a s c o n s c i e n -
n u n c a c o n s e g u i u e n t e n d e r a diferença e n t r e o te d e q u e o c e n t r o d o m u n d o é o l u g a r o n d e
jornal dele os outros: sabia apenas q u e o dele estamos.
não d a v a d i n h e i r o . Daí r e s o l v e u fazer o i n e v i -
tável: m u d a r t u d o , v e n d e r p r a q u e m t i n h a Começamos a matutar e d e s c o b r i m o s q u e
">x u ".n/y d i n h e i r o p r a c o m p r a r . E aí n ã o i n t e r e s s a v a m a i s o único c a p i t a l q u e nós tínhamos e r a a h o n e s t i -
a g e n t e . M a s t u d o b e m , até q u e e l e d u r o u m u i - d a d e d e propósitos d o n o s s o t r a b a l h o e q u e
õ t o , n ã o é ? 49 n ú m e r o s ! M a i s d o q u e a g e n t e não adiantava ficar r e c l a m a n d o d o d o n o d o
n u n c a i m a g i n o u s e q u e r pensar... j o r n a l , p o i s o s d o n o s d e j o r n a l são e s e r ã o s e m -
Q u e r e r s e r r e p ó r t e r h o j e e m d i a está pre donos de jornal. Resolvemos nos organizar
v i r a n d o r o m a n t i s m o . A r e p o r t a g e m está s e n d o para fazer u m trabalho d e levantamento d a
b a n i d a d o j o r n a l i s m o . M a s a gente insiste, m e s - Arte p o p u l a r e m P e r n a m b u c o , q u e serviria
m o q u e o espaço esteja c a d a v e z mais a p e r t a - p a r a o início d e u m a série d e publicações
4 76

A
A MDB
LUTA E X P L O S Ã O DENUNCIA
DOS OS
JOVENS P E L O RADICAIS

C O L A P S O

CRITICA

QUANDO MENOS AJUDE


O

SE A
RESPOSTA
DE
BRASIL ESPANHA]
A LUTA
CONTRA
MULHER
OGRANDE
COMPRADOR

ESPERA,
ULISSES O TEMPO DEILUiOES

Fora Das
Bancas.
Até Quando?

CHEGA
O semanário Crítica, do Rio, não
aparece nas bancas do país desde o dia
20 de outubro, quando deveria ter saído
seu r)P 63. O fato tem 3 versões: segundo
Alberto Dines (Folha de SP, 2/11 na

O
coluna "jornais dos jornais"), o jornal
parou por motivos financeiros; segundo
a redação de Crítica, foram "problemas
internos" e segundo um funcionário da
Editora Abril, trata-se da censura prévia,
instalada no jornal depois do 62.
A versão de censura é negada por

NATAL
Santos um dos jornalistas da equipe de
Crítica:
- Paramos para reformular o jornal,
porque estava fraco. Nada que ver com
censura. O diretor principal, Geraldo
Melo Mourão, deve voltar de viagem
daqui uns 75 dias e daqui mais umas 3
semanas voltamos às bancas. Com cara
nova.
A Distribuidora Abril não sabe
quando vai receber para distribuir o Crí-
tica que deveria ter distribuído no dia 20
O Ex-17 v a i s e r u m p r e s e n t e d e de outubro. A partir dessa segunda-
feira, de segunda em segunda recebe
g r e g o : 60 páginas, 10 c o n t o s . A o apenas avisos de n o v o s adiamentos. Um
n ú m e r o n o r m a l d e 40 páginas, funcionário da Distribuidora, acha que o
n 6 3 n ã o sai "talvez por que eles não
v a m o s a c r e s c e n t a r 20 c o m " o
p

conseguiram o número de páginas sufi-


m e l h o r d o E x " - u m a seleção d o cientes liberadas pela censura prévia
que entrou talvez por causa da matéria
que conguimos publicar e m 2 que eles deram no n? 6 2 , sobre contratos
de risco. Talvez esse foi o estopim. No
a n o s d e v i d a (Ex-1, n o v e m b r o d e 1973). N ó s s a b e m o s q u e o b o l s o d a c a m b a d a dia em que essa nota é redigida, 2* feira,
a m i g a d ó i c o m u m a f a c a d a d e s s a s , m a s l e m b r e - s e d e nós n e s s e N a t a l . 3 de outubro, a Distribuidora Abril rece-
beu de Critica um novo comunicado de
adiamento da circulação do n? 6 3 .
E s t a m o s v e n d e n d o u m a m é d i a d e 18 m i l e x e m p l a r e s . A $ 3,30 o e x e m p l a r
( d o s $ 6 d o p r e ç o d e c a p a , $ 2,70 vão p a r a a d i s t r i b u i d o r a e p a r a as b a n c a s ) , são $
ANÚNCIOS FÚNEBRES
59.400. N o s s o c u s t o i n d u s t r i a l , só gráfica, é d e $ 40.000. S o b r a m $ 19.400. C o m
d u a s páginas d e a n ú n c i o s p a g o s , t e m o s $ 30.000. D e s c o n t e o u t r o s gastos ( f i l m e s ,

t
I. L E S S A
c o n d u ç ã o , m a t e r i a l d e r e d a ç ã o , a l u g u e l , l u z , água). A g o r a , d ê u m a o l h a n o E x p e -
C. MARQUES
d i e n t e , veja q u a n t o s s o m o s . E i m a g i n e o estapeio na h o r a d e distribuir a grana
O s e d i t o r e s e f u n c i o n á r i o s d a Ex- E d i -
q u e s o b r a . P a r e c e a q u e l a casa o n d e não t e m p ã o : t o d o s c h i a m e n i n g u é m t e m tora c u m p r e m o dever d e c o m u n i c a r
razão. os f a l e c i m e n t o s .

L e m b r e - s e d e nós. Se p u d e r , c o m p r e 2, c o m p r e 3 Ex n e s s e d e z e m b r o . D ê u m EXPEDIENTE

p r e s e n t e a o s a m i g o s , o u t r o a nós. A j u d e a e s g o t a r n o s s a 17? e d i ç ã o . V e n h a d e lá Ex E d i t o r e s : H a m i l t o n A l m e i d a F i l h o / N a r c i s o
K a l i l i / M y l t o n S e v e r i a n o d e Silva/Paulo Patar-
u m p e d a c i n h o d o s e u 1 3 , prá g e n t e b o t a r n a r u a n o s s o 18? m a i s a l i v i a d o s .
9 ra/Amâncio Chiodi/Dácio Nitrini/Palmério
Dória de Vasconcelos/Armindo Machado/-
E, se f o r possível, u m F e l i z N a t a l prá t o d o s nós. Percival d e S o u z a / L u i s Cuerrero/Alexander
Solnik/Hermes Ursini/Vanira Codato/João
Antônio/Cláudio Favieri/Jayme Leão/Cida

JORNAL DE TEXTO. Spinola/Jota/Hilton Libos/Marcia


Mônica Teixeira/lvo
Guedes/-
Patarra/Gustavo Fal-
c o n / A e l i b e r t o C . Lima/Luis P o n t u a l / J o s é Tra-
jano/Elvira A l e g r e / G a b r i e l Romeiro/Demó-

FOTO,QUADRINHO crito Moura/Valdir de Oliveira/Luis C â m a r a


Vitral//Beth Costa/Joel Ruf i n o d o s Santos/Ma-
rília/Chico Carusó-Edison Brenner/Elifas
Andreato/Norma Freire/Otávio Ribeiro/Car-
E O DIABO. los L a c e r d a / S é r g i o B u a r q u e / A d é l i a
ges/Randau M a r q u e s e Vladimir H e r z o g .
Bor-

Ex E d i t o r a L t d a . R u a S a n t o A n t ô n i o , 1.043. SEP
01314, SP. N e n h u m d i r e i t o reservado. Direitos
d e r e p r o d u ç ã o d a revista argentina C r i s i s , c e d i -
d o s g r a t u i t a m e n t e . T i r a g e m : 30 mil e x e m p l a -
res. D i s t r i b u i ç ã o N a c i o n a l : A b r i l S.A. C u l t u r a l e
Industrial, SP. C o m p o s t o e i m p r e s s o nas o f i c i -
nas d a P A T - P u b l i c a ç õ e s e Assistência T é c n i c a
Ltda., rua D r . V i r g í l i o d e C a r v a l h o P i n t o , 412,
SP.
H i n o à R e p ú b l i c a
Letra: Medeiros e Albuquerque (1867-1934)
Música: Leopoldo M i g u e z (1850-1902)

Seja um palio de luz desdobrado


Sob a larga amplidão destes céus
Este canto rebel que o passado
Vem remir dos mais torpes labéus!
Seja um hino de glória que fale
De esperança de um novo porvir!
C o m visões de triunfos embale
Q u e m por ele lutando surgir.

Liberdade! Liberdade!
Abre as asas sobre nós!
Das lutas na tempestade
Dá que ouçamos tua voz.

Nós nem cremos que escravo outrora


Tenha havido em tão nobre país...
Hoje o rubro lampejo da aurora
Acna irmãos, não tiranos hostis.
Somos todos iguais! A o futuro
Saberemos, unidos, levar
Nosso augusto estandarte que, puro,
Brilha, avante, da Pátria no altar.

Liberdade! Liberdade!
Abre as asas sobre nós!
Das lutas na tempestade
Dá que ouçamos tua voz.

Se é mister que de peitos valentes


Haja sangue no nosso pendão,
Sangue vivo do herói Tiradentes:
Batizou este audaz pavilhão!
Mensageiros de paz, paz queremos.
É de amor nossa força e poder;
Mas, da guerra nos transes supremos,
Heis de ver-nos lutar e vencer.

Liberdade! Liberdade!
Abre as asas sobre nós!
Das lutas na tempestade
Dá que ouçamos tua voz.

Do Ipiranga é preciso que o brado


Seja um grito soberbo de fé!
O Brasil já surgiu libertado
Sobre as púrpuras regias de pé!
Eia, pois, brasileiros, avante!
Verdes louros colhamos louçãos!
Seja o nosso País, triunfante,
Livre terra de livres irmãos!

Liberdade! Liberdade!
Abre as asas sobre nós!
Das lutas na tempestade
Dá que ouçamos tua voz.
salada EX-16

O MAIS N O V O REITOR D O PAIS PERSEGUE ATE A S O M B R A

Milagre Brasileiro:
humorista vive
ILUSTRAÇÃO LAURO
u s a d o para desempregar e s t u d a n t e s ) , o s
alunos da Faculdade d e Geografia e
disso desde os 16 G e o l o g i a p a r a l i s a r a m as a t i v i d a d e s d i d á -
ticas d a e s c o l a . P r a u s a r u m a i m a g e m
anos, no Nordeste! nada tropical, a coisa cresceu c o m o u m a
b o l a d e n e v e . A t é o d i a 17, 32 d o s 43 c u r -
sos d a U F B a , e n g l o b a n d o a t é a d i s t a n t e
O R A L ( R o m i l d o A r a ú j o Lima) é u m treal/Canadá); Exposition International Apesar d o s e s f o r ç o s d e O s c a r e seus Faculdade d e A g r o n o m i a d e C r u z das
cara q u e sobreviveu f a z e n d o c a r t u m n o de Caricature Berlin (1975); Exposition auxiliares, t ê m s a í d o d e n ú n c i a s n o s jor- A l m a s ( a 2 horas e meia d e S a l v a d o r ) ,
N o r d e s t e e ainda está vivo. Vai fazer u m a International de Caricature Athenes nais londrinenses, a t r i b u í d a s a " f o n t e s e s t a v a m " p a r a l i s a d o s " . O u seja: a maioria
e x p o s i ç ã o n o f i m d o m ê s para ajudar o (1975): e dos salões nacionais de Soroca- desconhecidas", noticiando dezenas d e a b s o l u t a d o s 8 m i l universitários d o E s t a -
filho d e nascer. Pedi para ele fazer uns ba/Piracicaba )1975). Hoje, aos 24 anos , c o n t r a t a ç õ e s d e professores s e m c o n - d o r e s o l v e u r e v e r a lamentável situação
cartuns sobre i m p r e n s a , q u e s e g u e m ex-priineiranista de Direito (1972) e jor- curso, todas baseadas e m i n d i c a ç õ e s d o e n s i n o e n f r a q u e c i d o p e l a falta d e
junto c o m s e u d e p o i m e n t o : nalismo (1975) descobri o verdadeiro sig- políticas o u familiares. S ó e m agosto a v e r b a s , p e l a evasão e d e t e n ç ã o profissio-
Até o s 75 a n o s morei em Arcoverde, nificado daquele sinal defronte as esco- Reitoria a n u n c i o u 38 c o n t r a t a ç õ e s desse nal d o s p r o f e s s o r e s pessimamente
sertão de Pernambuco. Copiava gibi e las: ATENÇÃO, ESCOLA. jeito. remunerados.
desenhava em carvão nas calçadas. Eu Ivan Maurício - Recife. N o m e s m o m ê s , sem causa justa, O s c a r
vendia também gibi na feira. Tinha fixa- O m o v i m e n t o g r e v i s t a , através d a
d e m i t i u o professor T s u t o m u H i d e s h i . d o
Assembléia G e r a l d o s Estudantes, reinvi-
Em Londrina,
ção em desenho de Zorro pulando de D e p a r t a m e n t o d e Patologia A p l i c a d a d o
um precipício. Gostava de Mandrake e d i c a a suspensão d o j u b i l a m e n t o , o a t e n -
Centro de Ciências e S a ú d e , alegando
d i m e n t o às e x i g ê n c i a s d e c a d a e s c o l a
alunos e mestres
Fantasma.Lá,as revistas da Ebaleramuma q u e " e l e n ã o era c o n v e n i e n t e para a
raridade. Eu usava para vender de segun- q u a n t o a o nível d o s c u r s o s , o a b o n o das
U n i v e r s i d a d e " . H i g h e s h i p e d i u abertura
da mão. As revistas vinham de trem. A faltas, a reposição das aulas e p r o v a s p e r -
em pânico nas mãos
d e i n q u é r i t o para q u e possa se d e f e n d e r ,
gente ficava esperando. Com 73 a n o s , vi d i d a s d u r a n t e a paralisação.Estas as r e i -
se existe a l g u m a coisa contra ele, mas a t é
um anúncio da Escola Panamericana de vindicações principais.

do genro de Ney
agora n ã o foi a t e n d i d o .
Arte. O anúncio era bonito, tinha pro- E m b o r a se c o l o q u e m c o m o u m m o v i -
O s professores d o C e n t r e d e S a ú d e
messas pro cara ficar empregado numa m e n t o e x c l u s i v a m e n t e reivindicatório,
t a m b é m protestaram contra a d e m i s s ã o .
editora. Meu pai pagou o curso e fiz em e m a l g u n s d o c u m e n t o s , crítricas " à f i l o -
A i n d a mais p o r q u e havia i n f o r m a ç õ e s
dois anos porciue o correio atrasava mui- O ginecologista O s c a r Alves, 38 anos, sofia t e c n i c i s t a d a R e f o r m a Universitária
seguras d e q u e viriam outras. C h e g a r a m
to. Na verdade, o diploma recebi, mas o mais j o v e m reitor d o Brasil, gosta d e e aos i n s t r u m e n t o s d e exceção: o D e c r e -
a m a n d a r u m p e d i d o d e esclarecimento
cadê onde publicar os quadrinhos? Vim s e g u r a n ç a . Assim q u e p e g o u a U n i v e r s i - to 477 e a L e i 5 5 4 0 " .
ao reitor, q u e n ã o t o m o u c o n h e c i m e n -
morar no Recife. Mandei novos traba- dade de Londrina, n o Paraná, o genro de O s diálogos c o m o reitor i n t e r i n o ,
to.
lhos para as editoras. Desta feita, um N e y Braga, ministro d a E d u c a ç ã o , t o m o u Augusto Mascarenhas, mostraram-se
pouco esclarecido, os quadrinhos abor- a l i b e r d a d e d e criar a AESI - Assessoria D e p o i s , n o dia 11 d e o u t u b r o , o d i r e - infrutíferos. A s b a n c a d a s d o M D B e d a
davam a eterna temática nossa: o canga- Especial d e S e g u r a n ç a e I n f o r m a ç õ e s . tor d o C e n t r o , N e l s o n R o d r i g u e s d o s A r e n a n a Assembléia Legislativa d e r a m
ço. Antes, influenciado pela temática F u n ç ã o : " l o c a l i z a r os e l e m e n t o s c o n t r á - Santos, f o i preso pelas autoridades m i l i - apoio ao m o v i m e n t o estudantil. O car-
importada, só fazia cowboys. Os dese¬ rios às d i s p o s i ç õ e s regimentares'. tares, q u e ainda n ã o d e r a m o m o t i v o . O deal D o m Avelar Brandão Vilela apare-
nhos (oram devolvidos com o conselho A AESI o r g a n i z o u u m f i c h á r i o , insti- Diretório d a Universidade d e Londrina, ceu c o m u m a espécie d e m e d i a d o r
de "praticar mais, usando modelos vivos, tuiu a " s i n d i c â n c i a i n t e r n a " , para tomar q u e representa os 6.471 estudantes, público entre a direção d a U n i v e r s i d a d e
como fazem os profissionais". O sonho d e p o i m e n t o s d e professores e alunos, e m a n d o u u m d o c u m e n t o d e protesto ao e os estudantes. N o m e i o d o m o v i m e n t o ,
estava virando pesadelo - e p o r mais que presidente d a R e p ú b l i c a : o representante d o M E C , Edson M a c h a -
u m a guarda secreta, cujos integrantes
me beliscasse, não acordaria: o pesadelo d o , esteve 2 v e z e s c o m o s universitários,
quase todos c o n h e c e m na Universidade. "Esta prisão a c o n t e c e e m m e i o a u m
era a infinita realidade batendo nos seus a q u a s e 1 mês d o início d o m o v i m e n t o n a
E mais: u m a C o m i s s ã o Especial e x a m i n a clima d e p â n i c o na c o m u n i d a d e , o n d e
76 a n o s . Parei de fazer quadrinhos. G e o c i ê n c i a s e d e s u a p r o p a g a ç ã o , as e x i -
agora a i m p l a n t a ç ã o d o p r o j e t o d e r e s o - o c o r r e r a m diversas p r i s õ e s " . ,
l u ç ã o 169, u m a e s p é c i e d e c o m p l e m e n t o g ê n c i a s d o s e s t u d a n t e s estão p r a t i c a -
Em 7967, um irmão meu, o Ruy - que M a s , a t é agora, os professores n ã o m e n t e s e m resposta. Pairam ameaças:
por sinal era quem bolava minhas cartas d o d e c r e t o 477. A originalidade d o p r o -
t o m a r a m q u a l q u e r d e c i s ã o . Talvez p o r - ano p e r d i d o para todos, reprovação e m
para as editoras - me aconselhou a fazer jeto d o ginecologista está n o artigo 2,
q u e , e m t o d o lugar q u e se r e ú n e m para massa, e t c , e outras mais sussurradas,
piadas. Meio sem jeito, fui tentando, até q u e p r e v ê a t é s u s p e n s ã o dos alunos q u e discutir o assunto, lá estão os guardas d e v e l a d a s , d e caráter p o u c o e s t u d a n t i l . O s
tjue surgiu o primeiro cartum. Criei o se apresentarem nos trabalhos escolares segurança d e Oscar. universitários c o n t i n u a m a f r e q ü e n t a r
primeiro e saí correndo por dentro de " e m desacordo c o m a moral o u a d e c ê n -
suas e s c o l a s , e s t u d a n d o as q u e s t õ e s e
mim mesmo: havia descoberto o humor. cia". O mesmo acontecerá c o m quem

Estudantes baianos
p r o c u r a n d o s o l u ç õ e s j u n t o às a u t o r i d a -
Consegui, depois de cartas e cartas para "desobedecer a d e t e r m i n a ç ã o superior
des.
as revistas de piadas do sul, publicar os n ã o manifestante i l e g a l " . A s s i m , o a l u n o
primeiros
nas revistas
desenhos
da Editora
profissionalmente
Edrel ("Mil Pia-
p o d e ser p u n i d o p o r fumar " e m lugar
n ã o p e r m i t i d o " , o u p o r ter c a b e l o c o m - gozam de total P r i m e i r a página q u a s e q u e diária n o s
jornais baianos, o m o v i m e n t o estudantil
das", "Garotas e Piadas",
quatro anos que colaborei
etc). Durante
com essa edi-
p r i d o , o u aparecer, na aula sem gravata,
etc. liberdade (quando é o d e maior amplitude d e s d e 6 8 - q u a n -
d o estavam e m m o d a , c o m a vantagem
tora, houve fases de euforia:
os desenhos publicados; e
quando via
desespero
O u t r a a m b i ç ã o d e O s c a r é ter o c o n -
trole absoluto das i n f o r m a ç õ e s q u e saem estão no banheiro) d e estar livre d e " u n s c a s c u d o s " . Ve-se
depois disso, q u e o porta-voz o u os
quando a compensação financeira que da U n i v e r s i d a d e - 554 professores, 6.471 escrevinhadores d e banheiros na UFBs,
era pouca atrasava paca. Eles começaram alunos. N i n g u é m p o d e falar sem a u t o r i - " T r i s t e s i n a / s e r p o e t a d e l a t r i n a " . " O s já n ã o são a q u i l o q u e o u t r o r a c h a m á v a -
a pagar 5 7 5 p o r página, em 7969. N o últi- z a ç ã o d e l e . M a s as vezes n ã o d á . Em c o n t e s t a d o r e s d e latrina são autênticos m o s " l e g í t i m o s r e p r e s e n t a n t e s " d o s
mo ,-no que mandei, final de 1972, eles s e t e m b r o , 40 f u n c i o n á r i o s d o Hospital revolucionários d e m e r d a " . e s t u d a n t e s . D u a s confissões, d o i s d e s a -
pagavam $35 por página. Cada página U n i v e r s i t á r i o , entre auxiliares d e e n f e r - D u a s confissões, d o i s d e s a b a f o s e n t r e b a f o s e m p u r r a d o s para b a i x o , s e m m u i t a
tinha uma média de nove quadros. Eu m a g e m e atendentes_, paralisaram o tra- os m u i t o s - p o l í t i c o s , l i t e r á r i o s , s e x u a i s - força d e e x p r e s s ã o d e p o i s q u e a " p a r a l i -
sentava na prancheta e dizia: Tem de balho p o r 1 hora, reividicando o paga- dos b a n h e i r o s d a F a c u l d a d e d e Filosofia sação" m i n i m i z o u a importância d o
sair. Cot egui anotar a produção até 200 m e n t o d e a u m e n t o já c o n c e d i d o (ga- e Ciências H u m a n a s d a U F B a , U n i v e r s i - ideário político d o s b a n h e i r o s d o c a m -
páginas, i as de 1.500 piadas. Haviam as n h a m 488 cruzeiros). D o i s r e p ó r t e r e s d o d a d e F e d e r a l d a B a h i a . O ideário políti- po, m u r a l d e r r a d e i r o , m u r o das l a m e n t a -
pressões uentro da família (até o Ruy) e ções.
jornal l o n d r i n e n s e P a n o r a m a - Valdir co—poético—contestador d o s f u t u r o s
fora de casa: pois a maioria, apesar de
C o e l h o e Jaelson Lucas - acabaram s e n - cientistas h u m a n o s e m exposição e 20 d e o u t u b r o - T o d a s as e s c o l a s a m a -
admirar os trabalhos, me desestimulava:
d o detidos p e l o administrador d o h o s p i - invenção p e r m a n e n t e não t r a d u z mais, n h e c e r a m " g u a r n e c i d a s " p o r policiais
"não tem futuro", "num dá dinheiro",
tal, Ivo Cristofoli, q u e c h a m o u duas rá- c o m t a n t a e x a t i d ã o , a p s i c o l o g i a d o s u n i - m i l i t a r e s e as r á d i o - p a t r u l h a s p e r m a n e -
"melhor arranjar emprego em escritó-
dio-patrulhas. versitários b a i a n o s . c e r a m e m constante circulação pelos
rio, banco".
D e p o i s c h e g o u o assessor d e i m p r e n s a Não q u e t e n h a m d e s a p a r e c i d o d e campus. N a Faculdade d e Filosofia e
d o reitor, R o b e r t o C o u t i n h o M e n d e s , veaz os poetas e c o n t e s t a d o r e s . C e r t a - Ciências H u m a n a s , os estudantes insisti-
Aí veio o Pasquim.Comecei a mudar a c u s a n d o os r e p ó r t e r e s d e " i n v a s ã o d e m e n t e c o n t i n u a m existir. Prova disso é a ram e m p e r m a n e c e r e m reunião, m e s m o
muita coisa dentro da minha concepção d o m i c í l i o " , mas disposto a e s q u e c e r intensa l i b e r a t u r a d e b a n h e i r o . D e s d e d e após a advertência d o Secretário d a
de humor, antes engraçadinho, aliena- t u d o se eles n ã o publicassem n a d a . O s 23 d e s e t e m b r o , c o n t u d o , o s u n i v e r s i t á - S e g u r a n ç a P ú b l i c a , e f o r a m d i s p e r s a d o s .
do. Daí pra cá publiquei também na r e p ó r t e r e s n ã o aceitaram a p r o p o s t a . rios r e s o l v e r a m criar n o v o s canais d e Boa parte deles t e n t o u n o v a reunião n o
Revista Vozes; Enciclopédia dei Humor Ficaram e s p e r a n d o o fim d e u m a r e u n i ã o expressão e m o d i f i c a r p q u a t r o p o l í t i c o C a m p o G r a n d e e f o i d i s p e r s a d a n o v a -
(Colômbia); Visão; e jornal da Cidade. E d o assessor d e i m p r e n s a c o m dois a g e n - da Universidade. m e n t e . A curva d a coisa começa a d e c l i -
participei do IX e X (197.2/1973) Salon tes d a P o l í c i a Federal. D e p o i s f o r a m l i b e - P r o t e s t a n d o c o n t r a " o b a i x o n í v e l d e n a r e a o p ç ã o f o i v o l t a r às a u ' a s .
International de Ia Caricature (Mon- rados. ensino e o jubilamento" (instrumento G u s t a v o Fa'cón
EX-16 salada
SANTA EDWIGES, PERDOAI 21,5 BILHÕES DE DÓLARES!

José Júlio de A z e v e d o , poeta,cartunista, l o u -


c o , estudante s e m e s c o l a , t e n t a n d o n ã o - v e n -
cer na vida. Ex-estudante d e E c o n o m i a , ex-
repórter d o Panorama-Londrina, colaborador
d o V i v e r / L o n d r i n a . T e m u m livro d e poesiaas
e d i t a d o , " H a v i a u m C a m i n h o n o M e i o das
Pedras". É d e C a m b e . PR.

Decreto-Lei
n<? 477,
De 26 De Fevereiro Graças à Santa,
t e v e a idéia d e a p e l a r p a r a S a n t a E d w i g e s .
" E p a r e c e q u e as c o i s a s estão m e l h o r a n -

De 1969 o Nome Da do".


Em São P a u l o , a santa t e m u m c a n t i n h o

0 Presidente da República, usando


Doutora Não Ficou à e s q u e r d a d e q u e m entra na igreja d e
N.S. d o R o s á r i o , n o l a r g o d o P a i s s a n d u
das atribuições que lhe confere
grafo 7" c/o artigo 2 " do Ato
o pará-
Institucional
Sujo Na Praça c e n t r o d a c i d a d e . M a s , d o j e i t o q u e está
s e n d o p r o c u r a d a , vão ter q u e c o n s t r u i r
n. 5 de 13 de dezembro de 1868, decreta: Santa Edwiges a i n d a acaba v i r a n d o u m a igreja i n t e i r i n h a para ela, c o m o
Art. 7") Comete infração disciplinar o p r e f e r ê n c i a n a c i o n a l . Ela é a p r o t e t o r a aconteceu no Rio.
professor aluno, funcionário ou empre- d o s e n d i v i d a d o s . Há a l g u n s a n o s , t i n h a - N e m N.S. d o R o s á r i o , p r o t e t o r a d o s
gado de estabelecimento de ensino apenas u m c a n t i n h o na capela d o H o s p i - negros, r e c e b e mais velas q u e ela - d i z FALA O P O V O
público, ou particular que: tal S ã o F r a n c i s c o d e P a u l a , n o b a i r r o Maria Benedita, q u e toma conta da ban-
1 - alicie ou incite â deflagração de c a r i o c a d e São Cristóvão. H o j e t e m u m ca d e velas e s a n t i n h o s .
movimento
praralisação
que tenha por finalidade
de atividade escolar ou par-
a edifício d e 6 a n d a r e s - a igreja fica n o ú l -
t i m o - concluído e m 1972, n o m e s m o
O santinho d e Edwiges custa C r $ 1 e
também é o mais v e n d i d o . N o verso, traz Por Uma Nova
ticipe nesse movimento:
II - atente contra pessoas ou bens tan-
b a i r r o . È a santa q u e mais c r e s c e n o B r a -
sil.
a oração, mas é preciso fazer também a
n o v e n a . Foi assim q u e Cecília S i e c z l e a , Superpotência, Os
to em prédio ou instalações, de
natureza, dentro do
qualquer
estabelecimentos
A c o n s t r u ç ã o d o e d i f í c i o , só c o m o
d i n h e i r o d o s fiéis, m o s t r a q u e " a s a n t a
u m a p o l o n e z a d e 45 a n o s , há 33 n o B r a s i l
c o n s e g u i u p a g a r as p r e s t a ç õ e s q u e d e v i a Estados Unidos
de ensino,
III - pratique
como fora dele;
atos destinados à organi-
f u n c i o n a " , c o m o d i z o relaçoes-públicas
d a I g r e j a , W a l t e r N i c e l l i , d e 54 a n o s , s o l -
ao M a p p i n , u m a das mais p o d e r o s a s
lojas d o B r a s i l , a 2 0 0 m e t r o s d a i g r e j a d e Da América do Sul
zação de movimentos subversivos, pas- t e i r o . Ele t a m b é m é relações-públicasdo N.S. d o R o s á r i o . Ela f o i e n t r a n d o n o Cré-
seatas, desfiles ou comícios não autori- M o b r a l e d o Exército, n o b a i r r o , a l é m d e dito Automático d a loja, c o m p r a n d o
Eu A c u s o !
zados, ou dele participe: l o c u t o r d o Estádio d e S ã o J u n á r i o , d o t u d o e m n o m e d a f i l h a - " u m a televisão
Estudando o A p o c a l i p s e - o livro p r o -
IV - conduza ou realize, confeccione, Vasco da Gama. Nicelli tem u m grande aqui, outra geladeira a l i " - e q u a n d o viu
f é t i c o , vê-se q u e o C a v a l o P r e t o M e r c a -
imprima, tenha em depósito,-distribua herói: ele m e s m o não dava mais pra pagar. A i n d a b e m q u e ,
d o r , u m dos 4 d o A p o c a l i p s e , q u e ali está
mateiral subversivo de qualquer nature- - Neste bairro sou o o q u e o Pele é depois da novena, o filho arrumou u m
caracterizado p o r ter d a n i f i c a d o o ó l e o
za: para o f u t e b o l b r a s i l e i r o ! ! E m b o r a a san- e m p r e g o m e l h o r c o m o mecânico e a e p e r d e u o d o m í n i o d o trigo, vai entrar
V - seqüestre ou mantenha em cárcere ta s e j a f o r t e , N i c e l l i n ã o d e i x a d e s u g e r i r pensão d o m a r i d o a u m e n t o u . em confronto c o m o C a v a l o V e r m e l h o
privado diretor, membro de corpo q u e m u i t o d o s u c e s s o d e l a se d e v e a o - Se n ã o , o n o m e d a m i n h a f i l h a ia R e v o l u c i o n á r i o , q u e " t i r o u a paz d a
docenie, funcionário ou empregado de t r a b a l h o q u e e l e f a z há 10 a n o s . F o i d e lá ficar sujo. T e r r a " e construiu " a g r a n d e e s p a d a "
estabelecimento de ensino, agente de p a r a cá q u e o n ú m e r o d e d e v o t o s c o m e - M a s , a f i n a l , q u e s a n t a é essa? É a ( p o d e r militar a t ô m i c o ) . Disso resultará
autoridade ou aluno: ç o u a a u m e n t a r . O pároco d a Igreja d e p a d r o e i r a d a Polônia, u m a r a i n h a d o sé- que o C a v a l o A m a r e l o P o p u l a r , que
IV- use dependência ou recinto esco- Santa Edwiges é G i n o Rigetti, italiano d e c u l o 13, c a n o n i z a d a p e l o p a p a C l e m e n t e t e m d o m í n i o sobre a 4? parte d a p o p u -
lar para fins de subversão ou par a prati- 60 a n o s , u m d e s s e s p a d r e s q u e a i n d a IV. C a s o u - s e a o s 12 a n o s c o m H e n r i q u e , lação da T e r r a " , acabará sendo o h e r d e i -
car ato contrário à moral ou à ordem falam d o inferno. d u q u e d a P o l ô n i a e Silésia. T e v e 7 f i l h o s , ro das d e s t r i b u i ç õ e s , se elas n ã o f o r e m
pública. - Padre G i n o , q u a n d o ela começou a e q u a n d o c o m p l e t o u 20 a n o s , e l e e o i m p e d i d a s a t e m p o . S ó d e p o i s disso é
Parágrafo 7") As infrações definidas ser a d o r a d a n o Brasil? d u q u e r e s o l v e r a m não ter mais n e n h u m . q u e o C a v a l o B r a n c o I n o f e n s i v o , q u e vai
nesse artigo serão punidas: - A d o r a d a não, m e u filho. A d o r a d o é C o m o não havia métodos a n t i c o n c e p - surgir " c o r o a d o pela palavra e p o r sua
I - se se tratar de membro do corpo o b e z e r r o d e o u r o . Santa Edwiges é cionais, f i z e r a m u m v o t o d e continência i n c l i n a ç ã o pacifista", é q u e m "sair á para
docente, funcionário ou empregado de v e n e r a d a - d i z c o m d o u ç u r a eclesiástica. e p a s s a r a m a v i v e r só p a r a D e u s . v e n c e r " , tornando-se a 2* s u p e r - p o t ê n -
estabelecimento de ensino com pena de S e g u n d o o p a d r e , q u e v e i o d a Itália Fred Jorge (aquele q u e fazia rocks e cia d o planeta, já q u e a 1- será o cavalo
demissão ou dispensa, e a proibição de e m 1958, " n ã o t e m r e g i s t r o d e início a versões para C e l l y C a m p e l l o , T o n y C a m - a m a r e l o , c o m sua p o t e n c i a l i d a d e d e m o -
ser nomeado, admitido ou contratado veneração da padroeira dos e n d i v i d a - p e l l o , Sérgio M u r i l o , C a r l o s G o n z a g a e gráfica.
por qualquer outro da mesma natureza dos, pelo menos n o Brasil". Sabe apenas outros), n u m livreto v e n d i d o a $2, c o n t a
pelo prazo de cinco (5) anos. é q u e já n ã o t e m m a i s t e m p o d e l e r as p o r q u e ela é a p r o t e t o r a d o s aflitos e
N o jogo d e xadrez m u n d i a l entre o
II - se se tratar de aluno, com a pena d e cartas q u e c h e g a m a os m o n t e s d e t o d o s endividados:
O c i d e n t e e o O r i e n t e , a rainha preta já
desligamento, e a proibição de se matri- os l u g a r e s d o país, p e d i n d o a i n t e r v e n - "Tornou-se logo u m a figura c o n h e c i -
foi c o m i d a . A rainha b r a n c a , q u e é o vale
cular em qualquer outro estabelecimen- ção da santa. d a n a r e g i ã o . Saía c a m i n h a n d o p e l a
Paraná-Amazonas, e que pertence a
to de ensino pelo prazo de três (3) anos. N a c o m e m o r a ç ã o d o s e u d i a (16 d e a l d e i a p r o c u r a n d o viúvas e órfãos p a r a
todos os países d a A m e r c a d o Sul, c o m
o u t u b r o ) , c e r c a d e 20 m i l p e s s o a s f o r a m praticar a caridade. Não desamparava
e x c e ç ã o d o C h i l e , é a p e d r a q u e vai ser
ninguém. Bastava saber q u e e m a l g u m a
CANTE C O M EX r e z a r n a i g r e j a . Era n a m a i o r i a g e n t e d a
Z o n a Sul q u e subia a rua F o n s e c a Teles parte havia alguém p r e c i s a n d o d e p r o t e -
disputada n o p r ó x i m o g r a n d e lance. T r a -
ta-se d e u m a q u e s t ã o de vida o u m o r t e ,
Uma e m a u t o m ó v e i s d e vários t i p o s , táxis e
até c a r r o o f i c i a l . E x p l i c a N i c e l l i .
ção, p a r a i m e d i a t a m e n t e ir l e v a r d o n a t i -
v o s e p a l a v r a s d e c o n s o l o . Era g r a n d e o
p o r q u e n i n g u é m v e n c e r á u m a guerra
mundial, convencional e depois a t ô m i -
de 1938 - A maioria dos nossos freqüentado-
res são d a c l a s s e m é d i a . Há m u i t a g e n t e
número d e seus p r o t e g i d o s .
" N ã o raro, trazia-os para c o m e r e m
c a , sem as riquezas dos vales d o A m a z o -
nas e d o Prata-Paraná. O V i e t n ã Sul
r i c a t a m b é m . O s p o b r e s são p o u q u í s s i - c o n s i g o e c o m seus familiares e m sua A m e r i c a n o só p o d e r á ser evitado, se sur-
Yes, n ó s t e m o s bananas!
mos, p o r q u e d e v e m ter outros meios própria m e s a n o c a s t e l o . gir a nova g r a n d e p o t ê n c i a , os Estados
Bananas pra dar e v e n d e r .
Banana, m e n i n a , t e m v i t a m i n a , para resolver seus p r o b l e m a s . T a m b é m " T e n d o t u d o para viver f a u s t o s a m e n t e , U n i d o s d a A m é r i c a d o Sul. Torna-se
Banana e n g o r d a e faz crescer. não falta g e n t e f a m o s a : o t e n e n t e B a n - E d w i g e s l e v a v a u m a v i d a d e sacrifícios e n e c e s s á r i o c o m e ç a r a c o n t o r n a r os mal-
bis d e i r a , o e x - d e p u t a d o Eurípedes C a r d o s o abstinência. e n t e n d i d o s e dar i m p u l s o à u n i ã o . A
de M e n e s e s , o Ivon Curi... " S e u santo n o m e é i n v o c a d o por c o n d i ç ã o d e c o m a n d a m e n t o geo-políti-
Vai para a F r a n ç a o c a f é , pois é ! E n t r e o s fiéis, J u l i a d e M e l o , a d v o g a d a todos aqueles q u e p r o c u r a m trabalhar c o d o Brasil q u e lhe permite fazer o q u e
Para o J a p ã o o a l g o d ã o , pois n ã o ! p a r a p a g a r suas d í v i d a s . É a p r o t e t o r a d o s b e m e n t e n d e r n o Rio P a r a n á , o c o l o c a
d e 40 a n o s , d i s s e q u e a b r i u p r e s t a ç õ e s
Pro m u n d o inteiro, bons negócios." e m p o s i ç ã o d e g r a n d e responsabilidade
H o m e m ou mulher,
e m várias l o j a s , " m a s s e a t o l o u m e s m o "
n o P o n t o Frio Bonzão, u m a das maiores A oração a Santa Edwiges é a s e g u i n t e : na c o n s t r u ç ã o dessa s u p e r - p o t ê n c i a .
Banana pra q u e m q u i s e r m .
estribilho lojas d o R i o ( s l o g a n : 7 " e m t u d o o que o " V ó s , Santa Edwiges, q u e fostes na
amor pode dar). Se não fosse a santa, terra a m p a r o d o s p o b r e s e d e s v a l i d a d o s , O fato é q u e os 3 imperialismos, o
M a t e para o Paraguai, n ã o vai! J u l i a e n t r a v a n a lista d o S e r v i ç o d e P r o t e - socorro dos endividados, no Céu, onde capitalista, o social e o sionista, e s t ã o
O u r o d o b o l s o d a gente, n ã o sai! ção a o Crédito. gozais o eterno preêmio da caridade q u e a m e a ç a n d o o nosso planeta. S ó a realiza-
S o m o s d a crise, se ela vier, - A r r a n j e i u m a porção d e casos para p r a t i c a s t e s , c o n f i a n t e vô-lo p e ç o , s e d e a ç ã o d o eixo a n t i - a t ô m i c o Estados U n i d o s
Banana para q u e m quiser.
d e f e n d e r e p u d e pagar t u d o . minha advogada, para q u e e u o b t e n h a da Asia, c o m o polo humanista, e
estribilho
M a r i a C e r q u e i r a , 32 a n o s , é u m a das d e D e u s a graça d e v e r p a g a a d í v i d a b r a - Estados U n i d o s d a A m é r i c a d o Sul, c o m o
q u a s e 2 0 0 m i l p e s s o a s q u e estão c o m as s i l e i r a d e 21,5 b i l h õ e s d e d ó l a r e s , e p o r p o l o auto-def esa, mostram a saída para o
João d e Barro prestações d o B N H a t r a s a d a s . N a v e r d a - f i m a graça d a s a l v a ç ã o . A m é m . " impasse g e r a d o na c o r r i d a a t ô m i c a .
Alberto Ribeiro de é o marido q u e deve. M a s foi ela q u e Palmério Dória Coronel Rolim de M o u r a
salada EX-16

F O T O G R A F O A P A V O R A D O : Q U E M ME PROTEGE D A P O L i C I A?
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Marinaldo Guimarães
apresenta

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De 5 a 9 de novembro
4?, 5? e 6?: 21 h o r a s
S á b a d o : 21:30 e à meia-noite
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8 a p É ^ i ^
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•utlivo, o* ML*»*. 00 ELCB E LUCU.NO. O J0*NAl Dl VOSt • SM 01 VOOt 1

IFAN-PAIIl
JCHN rHui SOfHl n
RmTR
c F:
N Ã 0 T E N H 0
NADA |MAIS Se o Do M e i o Brasília e F u s c ã o . E c u b r a m - s e os d o n o s
d e Passat: o s p a r a g u a i o s g o s t a r a m m u i t o
nesse c a s o , c o m o é d e b a i x a , n ã o se d e u
maior i m p o r t â n c i a . É s e m p r e assim...
Aperta
fl 0 | Z E R fl B U R G U E S f l

d o c a r r o e... lá v i u , n é ? A g o r a , H é l i o v a i F u m a c ê s sifu - A t u r m i n h a q u e g o s t a
mofar uins bons tempos ad galleran, d e debruçar-se s o b r e o implacável artigo

o Gatilho, t o m a n d o café d e c a n e q u i n h a .
Data-vênia piou - N a c o l u n a a n t e -
281 d o vastíssimo c a r d á p i o p e n a l , p r e c i s a
saber dessa: os h o m e n s d e capa preta d o
rior, c o n t e i alguns casos d o Caveirinha Palácio d e Têmis, além d e c a n e t a r e m o
Adeus Fotógrafo!
t

b a n d i d ã o p i r a d o d e Santos, e i n f o r m e i ser q u e p o r t a o u usa a e r v a , estão a p l i -


q u e u m d a t a - v ê n i a integrava a q u a d r i - c a n d o u m a m u l t a . Isso m e s m o : m u l t a . E
f u i n a 7 5 a . delegacia (rua Groelândia, lha, c o m anel n o anular e t u d o . E disse não é fácil: n o c a s o d e u m a n o d e j a u l a ,
jardim Paulista), entrei numa sala e vi uns q u e o b i c h o ia d a n ç a r . U m a s e m a n a por e x e m p l o , o cara t e m q u e pagar cerca
caras tomando uma prensa. E os tiras dis- d e p o i s q u e o Ex ia p a r a as bancas, o d o u - d e 26 q u i l o s d e a l c a t r a , s e m o s s o . A ú n i c a
cutindo se os caras eram bandidos ou tor R a d i o n já p u x a v a c o r d a , apesar d a concessão q u e o s meretíssimos f a z e m é
não. O tira preto dizia que não eram; o b a r b a q u e d e i x o u crescer para desbarati- p a r c e l a r e s s e t u t u , d i v i d i n d o as 26 m i l h a s
branco dizia que eram, conhecia eles. nar. A l i á s , o n ú m e r o d e a d e v o p u x a n d o e m prestações n ã o m u i t o s u a v e s d e 500 e
Os tiras me botaram pra fora, como é c o r d a u l t i m a m e n t e n ã o é s o p a - os q u i - p o u c a s gramas mensais. E se não pagar,

JORNAL
que vai entrando sem avisar? M e desba- p r o c ó s c o n t i n u a m a estourar. já v i u : f i m d e sursis e c h u m b o . A ú n i c a
ratinaram, dando um tempo pro delega- saída é o c a r a p r o v a r q u e é u m i n f e l i z e

daPRAIA
do chegar. O delegado chegou, viu que Edmundo pirou - D e p o i s q u e o Gali- conseguir atestado d e p o b r e z a . M a s
eu era da Folha de SP e maneirou. Auto- nha passou a biritar d e m a i s n o h o t e l d e n e m s e m p r e o c a r a é d u r ã o ; daí c o r r e o
mmrísm s e u G u e d e s , c h u t a r a m - n o para a Penita. risco d e ver a multa c o n v e r t i d a e m p e n a .
rizou a fotografar os bandidos (?).
ANOI-N'1 NATAl 21-9-75 CftS3J0 U l t i m a m e n t e , o s e c r e t á r i o d o diretor C o m o já e s c r e v i a q u i , o b a r a t o s a i c a r o
Aí começa a segunda cena: os caras
mostrando os bandidos. "Olhe pra má- estava s e n d o o E d m u n d o c o m p o r t a d o pacas. C u b r a m - s e !
quina aí! segura firme o revórverí", dizia jovem q u e galgou o posto de confiança.
o tira. Botou os caras tudo iuntinho pre- O b i c h o tanto p e d i u q u e o m e r e t í s s i m o C a ç a às bruxas - O s s h e r l o q u e s
parando o cenário à base de porrada. Fiz corregedor concordou em mandá-lo estão d a n d o e m c i m a d o s d e s m u n h e c a n -
a foto e saí rapidinho. Voltei pro jornal. para a C o l ô n i a Penal d e B a u r u , o n d e f a l - tes s e r e s q u e p u l u l a m e m t o r n o d o H i l t o n
Entrego o filme e n o dia seguinte vejo a tavam d o i s anos para s e r e m c u r t i d o s . E H o t e l e a d j a c ê n c i a s . Isso p o r q u e e s t a b e -
ioto publicada: só então noto duas balas não é que o Edmundo queimou o chão? leceu-se entre eles e o m u l h e r i l m o t o r i -
RECIFE, UMA CIDADE no tambor do 38 que o tira tinha dado Esta p e g o u m a l , p o r q u e e l e vai ter q u e z a d o u m a feroz concorrência: h o u v e
pro bandido posar! Moral da história: viver p i r a d o . . . se vacilar, d a n ç a . L a m e n - u m dia e m q u e o time dos desmunheca-
quando a polícia chegar, chame o t á v e l , E d m u n d o : v o c ê assim p r e j u d i c o u dos e a mulherada trocaram unhadas e
ladrão! toda a turma. p u x õ e s d e c a b e l o atrás d o G i n á s i o C a e -
tano d e C a m p o s , na disputa d o m o n o p ó -
B A I X A S O C Amando
IEDADE Chiodi
Diplomas - Foi c o m o máximo p r a - lio d o trottoir.
Anunciamos zer q u e estive na Casa d e Detenção para
participar da solenidade de entrega de Fumeta inocente - O m e u c o n s i d e r a -

Hoje d i p l o m a s d e m a d u r e z a para u m a patota.


Infelizmente, o maior hotel d a América
d o m e r e t í s s i m o d a Vara n» 23 m e c h a -
m o u para c o n t a r u m a i n c r í v e l : ura tira d o

o Cadáver Latina c o n t i n u a a u m e n t a n d o o número


d e h ó s p e d e s - q u a s e 5.900 a o f i n a l d e
Carrao engrossou c o m u m b e b u m , d e n -
tro d e u m D o t e c o , q u e n ã o se i m p o r t o u

De Amanhã o u t u b r o e, a o q u e t u d o i n d i c a , 6 m i l a t é
dezembro.
m u i t o c o m o clássico " s a b e s c o m q u e m
falas?" R e s u l t a d o : o c o i t a d o foi g r a m -
H é l i o d a n ç o u - N a véspera n a t a l i n a p e a d o , a o m e s m o t e m p o q u e l h e intruja-
de 73, Hélio Rubens d e Carvalho, notó- Presunto na Zona Norte - A o q u e vam u m n a c o d e canabis. N a p r e s e n ç a d o
r i o caranguejeiro, escafedeu-se do xilin- t u d o i n d i c a , aqueles chafras q u e fritaram capa-preta, o tira justificava o flagra:
Estudantes Os caminhos
para a d r ó d e S u z a n o (SP). H é l i o , a s e g u i r , m a n - três m o ç o i l o s n u m a r u a d e bairro e l e - " t a v a n o b o l s o d a camisa d o f u m e t a ,
brincam Hare, Hare.
de trânsito Eles <hegaidm Põs-Craduacão d o u u m a c a r t i n h a para o meretíssimo gante, e m abril, f i z e r a m u m a caca n o E x c e l ê n c i a " . M a s f o i aí q u e o m e r e t í s s i -
c a p a - p r e t a d a II V a r a A u x i l i a r d o J ú r i , m e n o s a p r a z í v e l Jardim C e e i , b u r a q u e i r a mo, c o m notória perplexidade, consta-
da Z o n a N o r t e p a u l i s t a . A l i , numa
Afogados é uma zona inocentando o doutor Paranhos da acu-
t e n e b r o s a n o i t e , as metrancas p i p o c a -
t o u q u e o infeliz trajava uma.camisa sem
b o l s o . O m e r e t í s s i m o n ã o teve d ú v i d a s :
sação de t e r p r e s u n t a d o u m c e r t o D e d é ,
nas águas p r e n c o c r i s t a l i n a s d o r i o S a p u - ram e i m e d i a t a m e n t e , das alturas, S ã o absolveu o b e b u m , a essa altura s ó b r i o , e
caí. C o n s i d e r a n d o - s e q u e H é l i o e r a a P e d r o s a c o u dois c a r t õ e s v e r m e l h o s - e n t u b o u o rato.
testemunha principal e o capa-preta c o m o diria o Beija-Flor. N a v e r d a d e , foi
acusador parecia chamar-se S i d o n , d e t u d o b r o n c a p o r q u e , dias antes, dois C a r t a d a cadeia - F i n i n h o m e e s c r e v e
tão v a s e l i n a , o d o u t o r P a r a n h o s , a q u e l e vagaus h a v i a m faturado o s u p e r m e r c a d o d a P e n i t a : " d e s c u l p e se m e d i r i j o a v o c ê ,
q u e se d i z i n j u s t a m e n t e a c u s a d o d e i n t e - d e u m japa, p e r t o d a l i , e m a n d a d o arre- mas não t e n h o a mais n i n g u é m q u e p o s -
grar esquadrólogas fileiras d e a n t a n h o , bites para c i m a d e d o i s chafras q u e t e n - sa f a z e r a l g o p o r m i m " . F i n i n h o , n a c a r -
livrou-se d a gaiola. E Hélio? T e v e q u e taram i m p e d i r o p i n o t e . t a , p e r g u n t a : " a Justiça é p a r a t o d o s o u
p u x a r p a r a o i n t e r i o r e, e s t e a n o , f o i N o b a n g u e - b a n g u e d o Jardim C e e i , os só p a r a o s m e n o s a f o r t u n a d o s ? Eu n ã o
r e c o m p e n s a d o : passou a integrar u m chafras d i z e m q u e r e c e b e r a m azeitonas t e n h o condições d e pagar u m a d v o g a d o
cartaz a cores c o m o u m d o s d e z mais p r i m e i r o . T e r i a m se limitado a dar o t r o - b o m , e t a m b é m não t e n h o orientação
perigosos b a n d i d o s d a metrópole. A c o . M a s , s e g u r a m e n t e , u m d o s falecidos s u f i c i e n t e p a r a d e s m a s c a r a r essa farsa;
" C l a r i m " é o mais n o v o jornal d e C a m - b e m da verdade, Hélio continuava a era barra l i m p a , o q u e c o m p l i c a a coisa espero q u e você perca uns minutos d e
pinas. O n » 0 t e m d e s e m p r e g o , h o s p í c i o , m a n d a r suas c a r a n g a s p a r a a q u e l e v i z i - c o n s i d e r a v e l m e n t e . Ressaltamos n a o c a - t e u p r e c i o s o t e m p o e v e n h a até a q u i . "
valsa, a s s o m b r a ç ã o , d e s e n v o l v i m e n t o , n h o país q u e , s e a c a b a r a m u a m b a e o s i ã o : n a rua A r g e n t i n a , t o d o m u n d o Fininho m e c o n t a , a i n d a , q u e g u a r d a
etc. Este m ê s sai o n? 1. fumacê, f e c h a para balanço. Aliás, mais b u f o u , p o r q u e a patota e r a d e alta. M a s c o n s i g o u m a Bíblia q u e l h e e n t r e g u e i ,
fX-76 salada
E Q U E M T O M A C O N T A D O NOSSOQUARTEIRÃO?NINGUÈM.
CLASSIFICADOS DE IMPRENSA

VírcTNAM
BALANÇO BALA POR BALA.

Segunda
mm remessa:

E m p a d i n h a , V i c e n t e e D. M a r i a : " n ã o p r e c i s a m o s d e i n s p e ç ã o ' foto d e C l á u d i o Favieri 'O MUNDO


ENCANTADO
q u a n d o c o n s e g u i localizá-lo n o P a r a - s e t e m b r o último p e l o g o v e r n a d o r Paulo DO
g u a i , a n o s atrás. B o a , Fino. V o u visitá-lo Egídio. QUATRO BICOS.

C o m o é o Seu
B r e v e m e n t e , para v e r c o m o a n d a m os Na rua Santo Antônio, Bela Vista,
" U m jornal q u e respeita a g r a n d e
b o x i x o s . Inté. q u a r t e i r ã o e n t r e as r u a s 13 d e M a i o e D r .
i m p r e n s a c o m o se fosse sua m ã e " é o

Pedaço? Fotografe,
C a v e i r i n h a f o i - s e - Israel Assis Luís B a r r e t o ( o n d e f i c a a r e d a ç ã o d o Ex), lema d o n? 1 d e " S c a p s " , l a n ç a d o e m
M a c h a d o , o C a v e i r i n h a , foi d e v i d a m e n - o b a r m a i s m o v i m e n t a d o é o Pássaro P r e - Curitiba p o r L.C. R e t t a m o z o e. V a z . A

Leve A o Museu
te fritado na G u a n a b a r a , p o r s h e r l o q u e s to, q u e t e m u m a vitrola eletrônica e u m g r a n d e r e p o r t a g e m é a respeito' d e u m
paulistas. O m o ç o , d e s d e q u e d e r a o pássaro p r e t o a n d a n d o p e l o b a l c ã o . Lá se b o r d e l d e luxo, o 4 Bicos. T a m b é m v e n -

Prá Gente Ver.


p i r a n d e l o d o p r e s í d i o santista, havia se r e ú n e m os v e l h o s m o r a d o r e s d o t r a d i - d i d o e m St* Catarina e SP.
m o c o z a d o n o M o r r o da Providência, cional bairro d o Bexiga, todos d o t e m p o
sob os a u s p í c i o s , d e u m a vasta curriola e m q u e h a v i a i n s p e t o r d e q u a r t e i r ã o . Eis
Fotos de gente, p o l u i ç ã o , v i o l ê n c i a ,
b a n d i d a l . O f a l e c i d o Caveira fora r e c e b i - o q u e eles a c h a m :
trânsito, lixo, fotos d e profissionais o u
d o c o m todas as honras, g a n h a n d o duas - Lembro de u m inspetor chamado
amadores, equipados c o m N i k o n o u
45 d e presente e mais 5 quilos d e alcatra G a r d i n o . A n d a v a c o m 3 capangas e não
O l y m p u s - P e n . Vale t u d o , d e s d e q u e
de vagau V a n i l , para a g ü e n t a r a m ã o até g o s t a v a d e p r e t o . A s 10 d a n o i t e , t o c a v a
retrate a realidade d a G r a n d e S ã o Paulo.
o p r ó x i m o e s c r u n c h o . O data-vênia t o d o m u n d o pra casa. (Antônio A g i l e r a ,
O M u s e u d e A r t e d e SP. q u e r essas fotos
R a d i o n havia lhe d a d o u m b a n h o , d e p o i s 50 a n o s d e B e x i g a )
para e x p o r n o fim d o a n o . Está c o n v i d a n -
de t e r e m faturado juntos o restaurante - Inspetor d e quarteirão andava d e
d o f o t ó g r a f o s d e bairros finos e d a p e r i -
Lago A z u l , na via A n h a n g u e r a , e - a l é m pau na mão, q u a l q u e r r o d i n h a separava
feria, estudantes e o p e r á r i o s , pais-de-
disso - o a d e v o d e d o d u r o u a fera n u m na p a u l a d a . T a m b é m , t o d o m u n d o b r i -
família e ovelhas-negras, p a t r õ e s e
a p o n t o feito n o H o t e l Salvador. O s sher- g a v a ; o V i c e n t e G a e t a , v a l e n t e , só b a t i a
e m p r e g a d o s , para q u e todos d ê e m sua
l o q u e s paulistas estavam n o p é d o C a v e i - e m velho. Hoje não. Até o sargento, q u e
opinião fotográfica d o que é a Grande
rinha há m u i t o t e m p o . Ele c o c h i l o u e o vivia b r i g a n d o , a g o r a f i c o u m a n s o . ( E m -
Sao Paulo. As fotos d e v e m ser enviadas
c a c h i m o c a i u , c o m o diria o O s m a r . Foi- p a d i n h a , 50 a n o s d e B e x i g a )
para o M u s e u , av. Paulista, 1578, t a m a -
se. N a Penita, seus í n t i m o s amigos fica- - Tinha o preto C h a r u t o , q u e gostava
n h o m í n i m o 18x24, c o m n o m e e e n d e r e -
ram tristonhos. P u n h a m f é n o Israel, de bater e m policial, 2 metros d e altura e
ç o d o a u t o r n o v e r s o , a t é 20 d e
esperando u m pinote. Agora d e v e r ã o sapato 50. T i n h a t a m b é m b r i g a d e r u a
n o v e m b r o . H á u m a v e r b a para eventuais
mofar n o xadrez p r o resto d a vida, p o r contra rua, c o m estilingue, briga de todo
aquisições. A c o o r d e n a ç ã o da exposição
q u e todos eles estão c o m muita c o r d a j e i t o . ( J a n u á r i o F e d e r i , 55 a n o s d e B e x i -
é de Claudia Andujar.
para puxar. ga)
O C h i c o Barbudo trocou titoteio c o m
• Bola preta - N o f e r i a d o d e 7 d e a polícia p o r q u e n ã o q u e r i a p a g a r o PRETO E GENTE
s e t e m b r o , c o m o d e v e i s s a b e r , u m Passat i m p o s t o d a c a s a . Ele a t i r a v a e a m u l h e r
v e r m e l h o e s e m placas p e g o u a m e n i n a carregava a e s p i n g a r d a . (Prefiro não dar
Bartira, d e 4 anos, na Praia G r a n d e . O o n o m e , 50 a n o s d e B e x i g a )
acompanhante d o piloto desceu, tentou - O i n s p e t o r d e q u a r t e i r ã o e r a útil,
desenganchar a menina d o parachoque hoje não, hoje o pessoal é mais civiliza-
e, c o m o n ã o d e u , m a n d o u o m o t o r i s t a d o , t e m recursos... antigamente era t u d o O T? jornal feminista d o Brasil é d e
q u e i m a r o chão. A s s i m , a m e n i n a foi p o b r e , s e m c u l t u r a , b a i x o nível. Só não Londrina. "Brasil M u l h e r " p r e t e n d e
arrastada p o r 3 quilômetros e m o r r e u . havia r o u b o s p o r q u e ninguém r o u b a d e " s e r mais u m a voz na busca d a igualida-
A g o r a , m e i o m u n d o t e m é dó d o s caras p o b r e . ( B a n o , 51 a n o s ) . de p e r d i d a " , q u e r leitores masculinos e
d o c a r r o - i s t o é, são d o i s m a t u t o s b o n z i - - Q u e briga vai ter hoje? N e m b e b e r se c o n s i d e r a i n c o r p o r a d o à " i m p r e n s a
n h o s , f i l h o n ã o sei d e q u e m , b o a g e n t e , se b e b e , até isso tá c a r o . ( P r e f i r o n ã o d a r d e m o c r á t i c a " . Editado p o r Joana Lopes,
p l a n t a m café. F i c a r a m assustados, c o i t a - o nome) está n o n 0; o n? 1 sai e m n o v e m b r o .
9

dos e fugiram. P o d e m observar q u e é - N ã o p r e c i s a mais dessas coisas d e i n s -


s e m p r e assim: o cara usa a caranga para p e t o r , n ã o ! ( V i c e n t e T u f a n o , 56 a n o s d e
m a t a r e m u t i l a r e, d e p o i s , t a d i n h o d e l e , B e x i g a , d o n o d o Pássaro P r e t o ) COMPLEMENTO
é tão b o n z i n h o . P o r m i m b o l a p r e t a p a r a Ivo Patarra E s c r e v e m o s a v o c ê , p a r a s o l i c i t a r q u e faça
o s m a t u t o s i n t e r i o r a n o s . Eu t e n h o d ó é
C A N T E C O M EX u m a a s s i n a t u r a d e " C o m p l e m e n t o " (35 c r u z e i -
d a m ã e d a m e n i n a q u e se f o i . r o s p o r a n o ) . N o m í n i m o , v o c ê estará a j u d a n d o
A propósito, u m b i z u interessante:
atualmente, e m São Paulo, os vagaus
Uma De 1945 o jornal a manter sua independência. Pois,
nosso pessoal não d e p e n d e d o " C o m p l e m e n -
t o " : Está se s u s t e n t a n d o às c u s t a s d o j o r n a l t r a -
que escruncham, d e dia e de noite, C h e g o u o samba m i n h a g e n t e / dicional, mas b u s c a n d o na p e q u e n a imprensa
o f e r e c e m m e n o s perigo q u e os motoris- lá d a terra d e T i o S a m / a compensação intelectual, a fuga aos rigidos
tas. S i m p l e s m e n t e p o r q u e m a t a m e c o m a n o v i d a d e E ele trouxe u m a padrões c o m e r c i a i s , a luta p e l a p l e n a l i b e r d a -
ferem infinitamente menos. C o m u m a de d e imprensa, a defesa da cultura nacional e
cadência/ até u m j o r n a l i s m o m a i s p r ó x i m o d o h o m e m ,
diferença: para o assaltante, não t e m
q u e é m a l u c a pra m e x e r / livre das imposições e m p r e s a r i a i s e d a p a d r o n i -
colher: 5 anos e 4 meses d e galera e f i m
toda a cidade zação d o noticiário d e t e r m i n a d o p e l a s a g ê n -
d e p a p o . Para o assassino d o v o l a n t e , cias n a c i o n a i s e e s t r a n g e i r a s .
não: homicídio c u l p o s o , sursis e t c . e t a l . O Boogie-woogie, boogie-woogie,
boogie-woogie P o r i s s o , s o f r e m o s as m e s m a s r e s t r i ç õ e s

Clementina de Jesus
É o fim da picada. publicitárias d e a n u n c i a n t e s e agências q u e
A nova d a n ç a /
p r e f e r e m investir n o s órgãos t r a d i c i o n a i s . M a s
Percival d e S o u z a q u e b a l a n ç a mas n ã o cansa c o n t a m o s c o m a sua colaboração. Para r e c e b e r
A n o v a d a n ç a q u e faz p a r t e /
Inspetor De
Uma vez disse Villa-Lobos: "Eu sou o " C o m p l e m e n t o " d u r a n t e u m a n o , basta enviar
da " P o l í t i c a d a Boa V i z i n h a n ç a " folclore". Clementina poderia dizer o u m c h e q u e visado e m n o m e d e " C o m p l e m e n -
E lá na favela t o d a b a t u c a d a / mesmo. Passou a infância debruçada nas to E d i t o r i a l " - R u a Frei G a s p a r , 104, sala 35 C E P

Quarteirão Era já t e m b o o g i e - w o o g i e
A t é as c a b r o c h a s só d a n ç a m , /
cantigas de sua mãe, nas modas
por seu pai violeir