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CRIANÇAS DE

0 A 6 ANOS
ÍNDICE

O que é e por que cuidar da criança interior dos pais? | Isaura


Moutinho Ferreira Guimarães .........................................................06

Um olhar para a infância: Como sua história afeta a história do


seu filho | Daniela de Lima Porto ...................................................09

Educação Parental: Conexão, autorresponsabilidade e


autocompaixão | Fernanda Cañete Vebber ..................................14

A importância da conjugalidade e parentalidade no


encorajamento das crianças | Priscilla B. T. Costa ........................19

A identidade da mulher após a chegada dos filhos | Rosana


Baltazar Higino ..................................................................................25

Como pais ocupados podem se conectar com seus filhos? |


Gleisse Nunes Pires da Silva .............................................................30

O que esperar quando a família está esperando...de novo! | Ana


Paula de A. Massaguer Gonçalves ...................................................35

Separação com filhos: o que está por trás e como mudar a


história? | Lila Cunha ........................................................................40

Onde estão as minhas coisinhas? Compreendendo a visão da


criança acerca da separação dos pais | Marivalda Freitas ...........48
O Aprendizado da Conexão | Adriana Salezze Fraga ....................53

Desenvolvendo conexão com os filhos | Rosangela Albuquerque


..............................................................................................................59

Como estabelecer limites com amor? | Verônica de Paula Dieguez


Cândido ...............................................................................................62

O desenvolvimento infantil: levando em consideração o


desenvolvimento cerebral | Kátia da Silva ....................................67

As emoções e o estresse na família | Paula Neri Silva da Costa...72

O estresse em crianças: como identificar e como ajudar | Márcia


Saar ......................................................................................................77

O manejo da raiva e o caminho para o autocontrole | Jessica


Ferreira de Aguiar Bueno ..................................................................83

A Inteligência Emocional e as contribuições no desenvolvimento


infantil | Camila Mello Fantin ..........................................................87

Socorro! O que fazer perante o mau comportamento das


crianças? | Maria Paula Duarte da Silva .........................................92

Tecendo a educação de pais e filhos nos momentos de birra |


Magda Dias Rodrigues Campos ........................................................96
Compreendendo os erros como oportunidades de aprendizagem
na educação dos filhos | Daniele Guimaraes Ramos ..................102

As emoções da infância: Como conectar para redirecionar |


Nelsilene Ferreira ............................................................................108

Educação Socioemocional | Steffani Rissi Miranda .....................115

Como auxiliar seu filho a desenvolver uma mentalidade de


crescimento | Vera Lucia Vieira Santos.........................................119

Preparando para a vida e deixando ir com amor: encorajando a


autonomia dos filhos | Simone Guedes ........................................123

Diferenças entre encorajamento e elogio: a importância do


encorajamento no desenvolvimento saudável da criança | Isabel
Cristina Barbosa Dante Fontes ......................................................130

Quando gritamos com as crianças… | Camila Neves Camargo


............................................................................................................134

Dificuldades na alimentação das crianças e as influências dos


Estilos Parentais | Adriana Cucco ..................................................139

Desenvolvimento infantil: relações entre a fase da oposição (3 a 5


anos) e o encorajamento parental | Julia Aparecida Bianchi
Peretti ...............................................................................................145
Empoderamento infantil: autocontrole e ludicidade | Aline
Zavatiero de Andrade ......................................................................149

A família e o brincar | Thais Ferreira dos Santos Lima ...............155

Permitir sentir | Simone Ferreira Domingues .............................161

A importância de reconhecer e nomear as emoções no universo


infantil | Adriana Pereira Rosa Silva .............................................165

A importância da higiene do sono | Mayara dos Santos de


Queiroz ..............................................................................................171

Amor demais não estraga! | Silvia Cristina Pessoa Guabiraba


Nunes ................................................................................................175

Como a Parentalidade Encorajadora pode nos auxiliar na


educação para a criatividade | Ianna Gomes De Oliveira .........180

A Família que vive em nós: Encorajando Pais no pertencer, no


incluir | Egleide Mélo ......................................................................185

A arte de educar tecendo vínculos entre pais e filhos | Ana Lúcia


Ponce Ribeiro Casanova .................................................................190

Disciplina Positiva e o olhar por trás do mau comportamento |


Caroline Chiarelli Colle ....................................................................195
06

O que é e por que cuidar da


criança interior dos pais?

Isaura Moutinho Ferreira Guimarães | CRP: 03/04932

As experiências que vivemos na infância, não ficam


na infância, elas nos acompanham durante toda uma
vida. Sejam elas boas ou ruins, deixam marcas, muitas
vezes profundas, devido a vivências traumáticas. Cada
criança interpreta a situação vivida de uma forma e vai
construindo suas crenças sobre si mesmo a partir disso,
e então essa pode guardar sem perceber uma criança
assustada, com medo, com raiva, insegura, com
sentimentos de vazio e falta.
Muitos não sabem como identificar essa criança
interior, porém ela está lá escondida sem ser vista e
percebida pelo adulto. Às vezes, nos vemos agindo de
maneira infantil, quando sentimos ciúmes, tendo
reações inesperadas de muita agressividade ou
paralisação diante de situações difíceis e é a criança
atuando, porque não foi cuidada no passado.
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E quando se é pai/mãe ou cuidador, e acontece de


estarem nervosos com os filhos, a atitude que
normalmente se tem de descontrole acontece de acordo
com a criança interior. O primeiro passo para cuidar dela
é identificar seus desejos e necessidades, depois tentar
atender a isso, como por exemplo: comer uma comida
gostosa, brincar, sair para um lugar que goste, ou estar
na natureza, algo que faça a sua criança sentir prazer.
Validar os seus sentimentos também são importantes
para que a mesma se considere vista e aceita.
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Muitas vezes, esse caminho de escuta para olhar a


criança interior leva um tempo, pode gerar sofrimento,
dor, descobertas profundas e desconstrução das pessoas
que foram nossos cuidadores. Porém, é possível
reconstruir uma visão mais saudável e estruturante.
Quando não olhamos para nossa criança corremos
o risco de não avançarmos na vida pessoal ou
profissional, ou não estabelecer uma boa relação com
o(a) companheiro(a) ou filho(a) ou não conseguir lidar
com alguma situação desafiante. Por isso, encorajo você
a entrar em contato com a sua criança e descobrir
muitos potenciais antes não vistos, como também
cuidar de maneira amorosa dando colo, escuta, amor e
carinho para ela se recuperar de experiências dolorosas.

Contato | E-mail: isauramoutinho85@gmail.com


WhatsApp: (71) 99129-0315
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Um olhar para a infância:


Como sua história afeta a
história do seu filho
Daniela de Lima Porto | CRP: 04/50293

“Para amar nossos filhos, antes precisamos reconhecer o que


aconteceu conosco quando fomos crianças. Se não
abordarmos nossa realidade afetiva, nossas deficiências,
nossas necessidades não satisfeitas e nossos medos, não
poderemos dar prioridade às necessidades genuínas do
outro.” (Laura Gutman)

Ao nos depararmos com a nossa história de


infância, ficamos frente a frente com as nossas faltas e
necessidades, e percebemos o quanto aquela criança do
passado ainda vive dentro de cada um de nós. Mesmo
depois de crescidos, buscamos por pertencimento e
amor, necessidades básicas do ser humano.
A família é o lugar onde a criança estabelece o
primeiro laço afetivo. E é nesse contexto que se começa
a formar os padrões de segurança, respeito,
responsabilidade, dentre outros. A forma que fomos
educados por nossos pais, fará diferença na maneira que
percebemos o mundo, o outro e a nós mesmos.
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Nossos pais tinham como modelo de educação de


filhos o autoritarismo, modelo herdado de seus pais.
“Criança não tem vontade”, “Eu falo você obedece”, “Engole
esse choro”... essas foram frases, que com certeza você
deve ter escutado. Acreditavam que se não fossem firmes
os filhos não aprenderiam sobre valores e limites.

Segundo Laura Gutman, fomos educados para sermos


guerreiros obedientes - “(...) a civilização prioriza a
conquista. Para isso precisará de bons guerreiros, seres
frios, prontos para a batalha” (Gutman, 2017) os “propósitos
pessoais e recursos originais” deveriam ser esquecidos. Mas
a que preço?
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Ainda hoje, muitos pais carregam consigo o legado


desse tipo de educação. Trazem como justificativas
frases como: “Eu apanhei e não me fez mal algum”, “Se
eu não for firme com meu filho ele irá se perder” .
Você consegue perceber de que forma a educação
que você recebeu influencia na educação do seu filho?
Pare e reflita: Quais as marcas deixadas pelo tipo de
educação que recebeu? É realmente esse tipo de
relacionamento que quer ter com o seu filho? Que
ensinamentos quer transmitir para o seu filho?
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Em muitos momentos podemos nos sentir perdidos,


ameaçados pelos comportamentos de nossos filhos. Esse
tipo de sentimento é gerado muitas vezes porque o mal-
estar trazido pelo mau comportamento, fala mais de nós
do que deles. Muitos adultos não sabem se conectar com
as demandas dos filhos, pois não têm esse registro
emocional, ou seja, “não tiveram experiência de conexão
e amorosidade na própria infância, e por não
conseguirem se conectar consigo mesmo, não dispõem
de recursos internos para se conectar com o outro”
(Cestaroli, 2019).

E por isso, sim, a sua história de vida, de como foi


educado, o seu relacionamento com seus pais, de como
suas necessidades básicas foram atendidas ou não, fará
toda a diferença na história de vida de seu filho e no seu
jeito de se relacionar com o mundo. Pois, se não sei lidar
com minhas próprias questões, como poderei perceber o
outro? Como posso atender as necessidades de meu
filho, se as minhas não foram atendidas? Como posso
enxergá-lo com respeito, como um ser humano único e
com sentimentos, se eu nunca fui olhada dessa forma
pelos meus pais e nem por mim mesma?
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Não queremos recriminar os nossos pais e colocá-los


como errados. Pelo contrário, temos muito a agradecer a
eles, pois fizeram o seu melhor, dentro das possibilidades
que tiveram. O que queremos, é ter a possibilidade de
lançar um olhar diferente para nós, para nossa família
porque, nós sim, temos escolhas diferentes das que
vivenciamos.
Podemos agora, como adultos, olhar com carinho e
compaixão para as próprias necessidades e curar essa
criança do passado, acolhê-la. Isso evitará que repitamos
padrões desencorajadores de educação, não percebendo as
necessidades dos nossos filhos, pois inconscientemente
estamos buscando satisfazer as nossas.
Podemos transformar nossa família, o mundo, se
mudarmos individualmente. Através do autoconhecimento,
curando nossas feridas de infância, ressignificando a nossa
história, poderemos dar o nosso melhor e produzirmos
mudanças em todos que nos cercam. E a partir dessa
mudança, cada um de nós, juntamente com nossos filhos,
poderemos escrever uma nova história. A história da nossa
família, que passará de geração para geração, como forma
de AMOR.

Contato | E-mail: danielaporto.psi@gmail.com


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Educação Parental: Conexão,


autorresponsabilidade e
autocompaixão
Fernanda Cañete Vebber | CRP: 07/11734

“Quanto mais entendermos de comportamento, o nosso e o


das crianças, mais eficazes seremos como pais”. (Jane
Nelsen)

Durante uma vida no exercício da parentalidade,


tornando-se pai e mãe, não é incomum encontrar pais
com dúvidas e incertezas sobre como agir na
educação dos filhos. Como mãe, encontrei na
Disciplina Positiva uma filosofia de vida que me
comprova que existe sim uma forma de educar
embasada no respeito mútuo, que objetiva facilitar
que as famílias experienciem mais cooperação,
harmonia, responsabilidade compartilhada e amor em
suas vidas.
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Todas as pessoas, especialmente as crianças,


objetivam se sentir aceitas e importantes. Alfred Adler,
psiquiatra vienense e um dos teóricos que embasa a
Disciplina Positiva, acreditava que o comportamento
humano é motivado pelo desejo de pertencimento e
autovalor. Esse senso de aceitação e conexão
incondicional, o “apego”, é essencial para o
desenvolvimento saudável da criança. E tudo o que a
Disciplina Positiva propõe e oferece de ferramentas
auxilia as crianças a alcançarem esse senso de conexão.
Ao mesmo tempo, a aplicação de qualquer método sem
este princípio adleriano pode não funcionar, semelhante
a um carro sem combustível, a um corpo sem energia.

Algumas atitudes dos adultos para gerar conexão


são: estar afetivamente disponível para validar os
sentimentos da criança, nomeando o que ela está
sentindo e compartilhando os próprios sentimentos,
planejar um tempo especial com os filhos, agir sentindo
amor e utilizando um tom de voz encorajador,
comunicar-se olhando nos olhos e na altura da criança,
realizar a escuta ativa, estando plenamente presente
com a criança, fazer perguntas curiosas, demonstrando
seu interesse ao que se passa com a criança.
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Aprendemos em Disciplina Positiva que os erros são


oportunidades maravilhosas para aprender. Na arte de
educar os filhos, temos de considerar nossa própria história,
a criança que fui com suas decisões pessoais, a filha que sou
e o estilo de educar dos meus pais, conhecer as
necessidades dos filhos, suas características, e como tudo
isso junto se inter-relaciona nas relações familiares. Aprendi
que a autocompaixão, esse nosso aliado interno bondoso e
gentil, plenamente presente e com um senso de
humanidade compartilhada, auxilia a lidar com os erros, as
tentativas frustradas de acertar, de dar o melhor, e a me
recolocar na rota quando me perco. A autocompaixão nos
liberta da culpa pelo o que acreditamos que erramos,
porque, em verdade, somos pais imperfeitos e
incansavelmente tentamos dar o nosso melhor e falhamos
em nossa perfeita imperfeição humana. É importante nos
acolhermos amorosamente, os erros fazem parte e nos
ajudam a crescer como pais. Uma das atitudes no respeito
mútuo, que é um dos pilares da Disciplina Positiva, é a
vontade de assumir responsabilidade e consciência sobre a
própria contribuição para o problema. Identifico essa
capacidade como autorresponsabilidade. Trata-se da
consciência sem culpa do adulto sobre sua contribuição, na
maioria das vezes não consciente, muito menos intencional,
em desencadear um comportamento indesejado na criança.
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Considerando a autoconsciência o caminho para a


mudança e que evoluímos como pais, segundo Jane
Nelsen, quanto melhor compreendermos sobre nosso
comportamento e o das crianças, destaco, por fim, duas
atitudes valiosas para os pais. A primeira é “decida o que
você vai fazer”, deixe que as crianças saibam o que você
vai fazer com antecedência, comunicando-se e agindo
com gentileza e firmeza. E a seguinte é “tenha domínio
sobre o seu comportamento”, o seu exemplo ensina a
todo o momento. Como esperar que a criança
desenvolva autocontrole se você não controla seu
comportamento? Crie a própria estratégia para se
acalmar e sinalize às crianças quando precisar utilizar,
sem receio de se desculpar quando cometer erros. A
mudança que você deseja no comportamento de seu
filho ou nas relações em família pode começar por você.
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Questionamentos essenciais para momentos desafiantes:


Estou conseguindo me conectar com meu filho? Como está
nossa comunicação e relação? Está sendo encorajadora ou
desencorajadora? Que comportamento meu pode estar
contribuindo para tal comportamento da criança? E
lembre-se: antes de qualquer “correção”, a conexão.
Expresse seu genuíno amor, conecte, valide seus
sentimentos, e depois oriente, direcione o comportamento.
“Eu te amo, filha, e sei como isso é importante para você, e
a resposta é não”. Manifestações de amor e carinho, de
gentileza e firmeza, regadas por encorajamento e respeito
mútuo, criam proximidade e confiança na relação pais e
filhos. Sejamos fonte de amor incondicional e luz para
nossas crianças!

Contato | E-mail: fernandavebber@gmail.com


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19

A importância da
conjugalidade e
parentalidade no
encorajamento das crianças
Priscilla B. T. Costa | CRP 04/44756

O ser humano é um ser relacional e na construção da


relação conjugal muitos são os desafios, cada indivíduo
traz consigo memórias, crenças e valores de sua família de
origem, que são aprendidos e consolidados à medida que
o ser vai evoluindo e se desenvolvendo.
A base da família de origem é o que compõe a
individualidade de cada membro da relação, tornando-os
seres únicos, onde no compartilhamento de seu modo de
ser, ocorre uma conexão entre o casal dando início a
conjugalidade.
A Disciplina Positiva tem como base três pilares
fundamentais como o afeto, respeito e aprendizado
mútuo, e tais pilares são fundamentais para a união e
conexão entre o casal além de ser um forte alicerce para a
transição da conjugalidade para a parentalidade.
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A parentalidade se inicia com a expectativa da


chegada dos filhos, boa parte dos casais se preparam para
receber a criança, são muitas as expectativas e
idealizações sobre esse novo membro da família. E nesse
momento o casal precisa começar a estabelecer novos
acordos para não se distanciar do papel conjugal.

A principal diferença entre a conjugalidade e a


parentalidade está na forma de se relacionar. Enquanto a
conjugalidade diz respeito ao modo de relacionamento do
casal onde a premissa é o sentimento que os une e os
objetivos em comum de vida a dois, na parentalidade
estão envolvidos a dinâmica da relação entre os pais com
a criança, através do compartilhamento de ensinamentos
de vida social tendo a firmeza e a gentileza como base
para oferecer todos os ensinamentos para essa criança,
dando espaço para que a mesma possa se mostrar como
um ser de possibilidades e potencialidades apesar de sua
pouca idade.
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Quando o casal está alinhado em seus objetivos de


vida, estabelecem uma boa comunicação entre si, sendo
um bom exemplo para os filhos, onde a partir da
observação, a criança internaliza o modo mais saudável
de existir, e aprende o que é mais correto com base nas
crenças e valores dessa família.

Os pilares do relacionamento tais como: comunicação,


respeito, sentimento, individualidade, parceria, liberdade
e objetivos em comum são atitudes simples e que muito
demonstram para a criança a força e união do casal,
servindo de elemento encorajador no processo de
formação.
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As crianças aprendem muito mais pelo que observam,


do que apenas pelo que ouvem. Vai se desenvolver com
base nas experiências que vivencia no seio familiar, e o
grande objetivo para os pais utilizarem a teoria da
Disciplina Positiva é trabalhar o senso de pertencimento,
para que a criança se sinta intimamente conectada a esta
família, reconhecendo seu papel e sua importância nesse
núcleo, para então se sentir encorajada a se construir e
vir a ser sua melhor versão.

Quando o casal cultiva a relação estabelecendo com


clareza os pilares de funcionamento, obtém clareza e uma
postura essencial em cada papel, exercendo com mais
qualidade e obtendo uma relação mais saudável com o
filho.
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É fundamental que o casal se disponha a vivenciar


momentos a dois, buscar redes de apoio para o auxílio dos
cuidados com os filhos, para que assim tanto a
parentalidade quanto a conjugalidade sejam vivenciadas
de forma íntima e agradável. É muito comum casais que
após a chegada dos filhos, se dediquem exclusivamente à
parentalidade, deixando de lado o papel conjugal, com a
diminuição ou ausência de: comunicação, intimidade a
dois, parceira com as tarefas e responsabilidades da
conjugalidade, foco exclusivo no filho, e perda quase que
total da própria individualidade.
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O impacto que a falta de definição clara dos papéis


conjugal e parental causa na educação dos filhos são
inúmeros, pois o distanciamento se torna presente e a
dificuldade de transmitir valores de forma gentil e firme
são fortemente afetados devido à falta de interação do
casal.
Para finalizar, é importante ressaltar que a criança
aprende e se desenvolve pelo exemplo, portanto os pais
precisam agir do modo que esperam que a criança aja.
Casais que têm bem definidos o papel da conjugalidade
com os pilares da relação bem construídos e exercidos,
conseguem agir na parentalidade com qualidade e
excelência, alcançando de forma assertiva o objetivo de
formar crianças encorajadas.

Contato | E-mail: psicologapriscillacosta@gmail.com


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A identidade da mulher
após a chegada dos filhos

Rosana Baltazar Higino | Estudante de Psicologia

Nesse processo transformador que é a maternidade


na vida de uma mulher é comum o surgimento de alguns
questionamentos, em relação aos gostos pessoais, sobre
o seu papel profissional, sobre a esposa que deveria ser,
enfim, ser mãe é viver com sentimento de ambivalência,
nos sentimos perdidas e inadequadas entre quem
eramos antes da maternidade e quem pensamos que
deveriamos ser após a maternidade, o corpo muda, as
relações sociais mudam, e a crise de identidade se
instala.
Poucos acontecimentos na vida são tão contraditórios
quanto a maternidade, ao mesmo tempo em que o amor
pelo bebe cresce, a exaustão com a nova rotina e a crise
de identidade vêm no pacote e podem fazer sua
autoestima despencar. É tendência natural que nos
primeiros anos os cuidados com os filhos tomem boa
parte do nosso tempo, e quando nos damos conta já não
nos reconhecemos mais. O autocuidado? Ah, esse fica lá
no fim da lista de prioridades.
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Como diz Jane Nelsen a questão é que, para cuidar


do outro, primeiro é preciso cuidar de si, isso não tem
nada a ver com egoísmo. Uma mãe mais feliz com
certeza vai criar um filho mais feliz também. Não sabe
como preservar sua identidade como antes, e como mãe
ter sua dignidade de volta? Eu que já passei por tudo isso
senti na pele o desafio que é colocar-se como prioridade,
mesmo que por alguns minutos, mas não desisti de
colocar em pratica estratégias que aprendi ao longo da
minha gravidez, funcionou comigo, então vou lhe
mostrar o caminho, vamos lá:
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Acolha a nova mulher que você se tornou: Não caia na


armadilha de comparar o seu corpo antes de ter filhos
com o de agora. Muito menos o compare com o de
outras mães. Ao invés vez de focar nas partes que não
gosta do seu corpo, valorize o que você tem de melhor
nele. Evite olhar referências externas e busque usar as
roupas que te fazem se sentir bonita e confortável.
Acolha suas vulnerabilidades, todas nós estamos longe
da perfeição.
Separe uma hora inteirinha apenas para você: Para isso,
vale contar com a ajuda do esposo, de um parente ou de
uma amiga mais próxima. Neste tempo você fará algo
para si - seja ler um livro sozinha no quarto, tomar um
café gostoso naquela cafeteria que você sempre gostou,
dar uma volta pelo bairro ou acender uma vela
enquanto toma um chá. O que fizer mais sentido para
você!
5 minutos de atenção plena, só para você: Nessa pausa
durante a correria do dia, coloque os pés descalços no
chão, mantenha a coluna ereta, escute seu corpo e sinta
sua frequência cardíaca, respire fundo o quanto achar
necessário para se acalmar – pode durar 5 minutos ou
mais. Então, direcione a atenção para o que está
acontecendo com o seu corpo naquele momento.
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Reconecte-se: Manter contato com as amigas que já são


mães é muito bom, possibilita trocar experiências e ver
que você não está sozinha em suas dúvidas e angústias.
Mas resgatar o contato com quem você conhece há
tempos pode ser ótimo também para enxergar além da
maternidade. Manter o contato social, tanto por
telefone quanto pessoalmente, é super importante
nessa fase, isso ajuda no processo de reconexão consigo.
Cultive o autocuidado: Aproveite os momentos em que
as crianças estão dormindo e cuide de sua autoimagem,
que seja uma maquiagem, uma roupa mais arrumada,
uma escovada no cabelo, fazer as unhas, exercícios, etc.
Isso ajuda a admirar ainda mais a figura que encaramos
todo dia no espelho. De fato, quando a gente se cuida,
tudo melhora.
Ligue o som: Nada melhor que música e suas canções
favoritas para levantar o astral. Fechar os olhos e,
mesmo que seja com o bebê nos braços, dançar ao som
de seu hit favorito vai trazer sensação de bem-estar e
recordações especiais.
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Coloque no papel: Escrever o que está vivendo contribui


para que você se aproprie da sua história e das
experiências, ajudando também na organização e
reconhecimento dos sentimentos. Além disso, ajuda a
retomar seus objetivos e a lembrar-se de onde quer
chegar, o que pode ser muito útil para sair do modo
“piloto automático” e, aos poucos, você vai lidando
melhor com seus medos e angústias, ao passo que vai
projetando seus sonhos e realizações para o futuro.

Finalizo dizendo que uma mãe encorajada e empoderada


com certeza será uma mãe que promoverá um lar feliz e
que terá mais ferramentas para lidar com as dificuldades
que surgirem pelo caminho da maternidade. Aqui fica meu
convite a você mamãe de fazer as pazes com sua melhor
versão, além dos ganhos pessoais você se sentirá bem mais
preparada para oferecer uma maternidade encorajadora
aos seus filhos. Não se esqueça nunca de que a sua vontade
pode resultar em grandes feitos. É possível, vamos juntas!

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Como pais ocupados


podem se conectar com
seus filhos?
Gleisse Nunes Pires da Silva | CRP 01/17457

Talvez criar um filho seja a tarefa mais desafiadora


para nós adultos. Exercer essa função parental é um dos
empreendimentos mais difíceis que a pessoa assume na
vida (Tsabary S.,2017). Isso porque nós pais estamos
sempre divididos entre a vida pessoal e profissional, já
que o trabalho nos consome uma parcela grande do nosso
tempo, pois somos cada vez mais pressionados pela
excelência e competência e maior produção. Infelizmente
ou felizmente temos de conciliar essas duas ou mais
jornadas, e claro, para os adultos que manifestam tal
desejo. E agora o que fazer para desenvolver ambas
tarefas com competência, criatividade e amor? Talvez
antes de responder essa pergunta temos que nos
questionar sobre alguns hábitos e crenças que nos
impedem de nos conectarmos com a nossa essência e
consequentemente, com o desafio de educar uma criança.
Primeiramente, não podemos esquecer de que hoje somos
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adultos, mas antes disso, fomos crianças, e educados por


outros, como os pais, pessoas da família, babás,
professores, etc. Nós enquanto criança fomos adquirindo
ao longo do tempo compreensão acerca de nós mesmos,
das pessoas e do mundo, as quais influenciam nossa forma
de pensar, sentir e agir, inclusive como exercemos a
função de pai e mãe. Se você recebeu uma educação pouco
reflexiva e rígida, permissiva ou negligente, talvez isso
dificulte o equilíbrio harmonioso da parentalidade, e a
carreira profissional, mas isso não é determinante em suas
relações, você precisará da bússola do autoconhecimento
para não cair nas armadilhas (Lopes & Lopes, 2015).
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Muitos pais acreditam a partir da experiência que para


possuir a tão sonhada autoridade dos filhos precisam agir
com rigidez. No entanto, essa relação baseada em uma
hierarquia vertical nos impede de alcançar o estado de
pureza com seu filho. A Disciplina Positiva, proposta por
Jane Nelsen, em uma perspectiva mais firme e gentil,
demonstra que podemos exercer uma relação mais
empática e respeitosa com nossos filhos. As autoras Jane
Nelsen e Shefali Tsabary, corroboram com a ideia do
autoconhecimento como o caminho para abrir os nossos
olhos, e agir com o coração, perceber as vulnerabilidades
e a partir disso, construir uma autoconfiança genuína,
que nos permite interagir com as crianças e adolescentes.
Da mesma forma que almejamos ter sucesso na vida
profissional, exercer a parentalidade encorajadora,
dependerá da minha autoconfiança, foco e disciplina.
Quando nos tornamos pais, muitos de nós
questionamos a nossa competência, nossos valores,
nossos julgamentos, principalmente, para os pais que
precisam trabalhar, pois acabam aprisionados pelo
sentimento da culpa. Jane Nelsen, aponta que quando os
pais que se sentem culpados, estes estão exaustos,
pressionados, reativos, estressados, operando no piloto
automático, e por isso, utilizam estratégias parentais de
curto prazo, pouco eficazes na educação consciente.
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Passar a maior parte do tempo com os filhos não


significa que estão interagindo, sendo presentes e atentos.
Pais que não priorizam a educação dos filhos, vivem
correndo atrás do prejuízo, pois na maioria das vezes é
causada pela falta de organização (Tiba,Içami, 2014).
Então, parece que os pais estão equivocados, pois o
sucesso parental não está condicionado a quantidade, mas
ao quanto estão dispostos emocionalmente em estar
presentes na vida dos filhos, atendendo suas necessidades
nos cuidados diários, através da educação afetuosa. Ainda
nessa perspectiva, alguns estudos afirmaram que os filhos
que possuem pais que trabalham fora possuem maior
dependência, senso de pertencimento e responsabilidade
(Jane Nelsen, 2020).
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Seguem algumas dicas que podem colaborar com


canais de comunicação mais saudáveis entre pais e filhos:

Mostre que se interessa por seu filho e pelas coisas


que ele gosta;
Planeje um tempo especial com ele;
Faça reuniões em família;
Crie momento de pausa eletrônica, nenhum membro
da família utilizará o celular;
Decida o que vai fazer e siga adiante;
Crie rotina;
Trabalhe seus botões de culpa;
Ofereça escolhas limitadas.

Educar um filho é sim desafiador, independente se


ambos trabalham fora ou não, não podemos “perder
tempo”. E exercer a parentalidade consciente, nos
encoraja a crescer junto e educar os nossos filhos,
ensinando-os princípios universais de vida, que incluem
conexão e encorajamento com todos e em qualquer
contexto.

Contato | E-mail: gleissepsico@gmail.com


WhatsApp: (61) 99647-5528 | Instagram: @psicologagleissepires
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O que esperar quando


a família está
esperando...de novo!

Ana Paula de A. Massaguer Gonçalves | CRP: 06/147342

Já parou para pensar no que muda, quando uma


família que antes era de três pessoas, o casal e mais um
filho, passa a ser de quatro, o casal e mais dois filhos? O
nascimento de mais um bebê na família traz
transformações na forma com que esta família se relaciona
entre si e consequentemente, traz a necessidade de cada
membro se adaptar a esta nova forma de se relacionar.
36

Os pais, precisam configurar uma nova forma de


realizar a manutenção da relação conjugal, enquanto
que, o envolvimento de cada um, pai e mãe, nos
cuidados e educação dos filhos, também se modifica, já
que agora eles têm que dividir sua atenção e cuidados
entre as duas crianças. Além disso, o novo papel da
criança dentro desta nova configuração familiar, é uma
transformação bastante desafiadora. Aquela criança,
antes filha única, passa a ter o posto de irmão, ou irmã
mais velho (a). E isso é uma grande revolução na vida dos
pequenos! O nascimento de um irmão é um
acontecimento chave na vida da criança e traz
oportunidades de desenvolver importantes habilidades
cognitivas, morais e sociais e é também uma experiência
de intensa transformação que vai alterar todo o seu
pequeno universo. Apesar de desafiador, ganhar um
irmão, pode ser uma experiência maravilhosa e para
isso, é preciso apurar o olhar para as necessidades
destes pequenos, grandes irmãos!
37

O ciúme é uma reação facilmente compreensível,


provocado pela chegada de um "intruso" que vai passar
a compartilhar com a criança o amor e a atenção dos
pais. Variados são os comportamentos pelos quais a
criança exterioriza o ciúme. De maneira geral, é comum
percebermos a regressão, onde a criança sinaliza que
têm as mesmas necessidades e desejos do bebê,
retomando comportamentos que já haviam sido
abandonados, como voltar a fazer xixi na cama ou voltar
a pedir a chupeta. A criança pode também exigir
constante atenção, aderindo inclusive, ao mau
comportamento, como forma de conseguir essa atenção.
Uma outra forma de reagir é a atenção e preocupação
constantes com o irmão, rodeando a mãe e o bebê de
cuidados excessivos, com desejo de agradar e recuperar
o "amor perdido" da mãe. Também são frequentes o
aparecimento de doenças psicossomáticas.
38

Além de perceber quais são as respostas que seu


filho está dando a você pela chegada do irmão mais
novo, é importante se atentar também ao equilíbrio na
atenção dispostas a ambas as crianças. Quanto mais
diferenças existirem e quanto mais desarmonioso
estiver esse equilíbrio, maior são as chances de
conflitos, rivalidades e hostilidades aparecerem na
relação entre os irmãos. É necessário que os pais
identifiquem precocemente o problema e atuem de
forma a dar à criança a segurança afetiva que necessita
pois, na base de toda a rivalidade entre irmãos está o
sentimento da criança de não ter o amor dos pais.
39

Mas o que fazer então quando mais um bebê está a


caminho ou acaba de chegar na família? Uma boa
preparação da criança para o nascimento, e o seu
envolvimento junto aos preparativos para a chegada e
cuidados ao recém-nascido são essenciais para que a
sensação de pertencimento desta criança junto a família
vá se fortalecendo. Igualmente importante é colocar-se
no lugar do seu filho. Ele geralmente se sentirá
destronado quando o novo bebê chegar. Permita que ele
sinta o que tiver de sentir, é importante inclusive que
você possa nomear aquilo que seu filho está sentindo.
Diga para ele que ele está sentindo ciúme, ou raiva, ou
medo quando ele demonstrar isso. Diga que está tudo
bem e que você o ama.

Outra dica é não se entusiasmar demais sobre o


novo bebê na frente de um irmão mais velho. Isso
aumentará sua crença de que ela foi “substituída” e além
disso, é importante dedicar um tempo especial para o
filho mais velho durante o dia. Essas dicas, apesar de
serem simples, ajudarão a fazer com que você ajude seu
filho a sentir que é aceito e importante para você e para a
família!

Contato | E-mail: apmassaguer@gmail.com


WhatsApp: (12) 99722-7615
Instagram: @anapaulamassaguerpsicologa
40

Separação com filhos: o


que está por trás e como
mudar a história?
Lila Cunha | CRP: 05/7416

Se a realidade do divórcio e da separação conjugal é


incontestável, a pergunta que não se cala e grita para os
pais é sobre como lidar com os filhos.
Nós, psicólogos parentais, ampliamos o horizonte
para além da psicoterapia e abrimos novos caminhos
para trabalhar com as famílias promovendo o
autoconhecimento individual e familiar. Trabalhamos
na construção da parentalidade nos variados ciclos de
vida, passando pelas diversas etapas de crescimento da
criança e do adolescente. Sempre com objetivo de
estimular os pais a reconhecer padrões que geram
determinados comportamentos, e resgatar a sua
responsabilidade, com fins de melhorar a comunicação
interfamiliar.
41

E por que introduzi o texto questionando o que fazer


em casos de separação com filhos? Porque é fundamental
refletir para além da aparência das coisas. Um casal é um
sistema, formado ao mesmo tempo por dois indivíduos e
uma conjugalidade, ou seja, por duas histórias com
padrões familiares distintos que sob o amparo da vida
conjugal resolvem construir uma vida juntos.
42

Com a chegada da parentalidade (nascimento de um


primeiro filho), algumas questões que envolvem a
dinâmica da conjugalidade, ou seja, como cada um
vivencia a vida a dois tornam-se absolutamente
importantes de serem respondidas. Isto porque a
parentalidade demanda uma reestruturação do sistema
familiar que exige uma reorganização de funções e a
conjugalidade existente implicará na parentalidade.
Alguns estudos, inclusive, apontam que muitas
separações ocorrem nos três primeiros anos após o
nascimento do primeiro filho em virtude desse período de
adaptação. Porém, a conjugalidade não precisa terminar
com a chegada da parentalidade.
Com três anos ou bem mais, seja quando for, uma
separação exige esforços e compromisso dos pais para
minimizar o impacto da exposição dos filhos ao conflito. A
separação e o divórcio, para muitos autores, são uma das
mais graves crises da vida adulta e é natural que os pais
sejam afetados por um período de muito estresse,
ocasionado por desentendimentos contínuos e intensos
que por vezes afetam a confiança, o respeito, a
estabilidade e a rotina diária.
43

No entanto, é comum os pais acreditarem que estão


vivendo um problema de ordem pessoal, mas na realidade
estão também atingindo os filhos em função das inúmeras
mudanças que ocorrem no sistema familiar, entre elas: a
mudança no padrão de vida, o realinhamento familiar
(novo casamento ou adaptação de novos membros na
família), a privação ou redução do tempo com um dos pais
e a reorganização familiar (mudança de residência, escola,
vizinhança, amizade).
44

A operacionalização e reestruturação de toda essa


logística impõe no mesmo passo a reflexão de que a
parentalidade não acaba ou diminui com a separação.
Teóricos dedicados ao tema cada vez mais convergem para
a conclusão de que o processo de adaptação dos filhos à
nova realidade depende, em grande medida, de como os
pais administram a vida pós separação e da qualidade da
relação entre pais e filhos. Isso significa que quanto mais
os pais trazem a conjugalidade para a parentalidade, mais
os filhos ficam expostos aos conflitos. E isso ocorre porque
uma das principais dificuldades dos pais após a separação
está no discernimento entre a conjugalidade e a
parentalidade. Em se perceberem responsáveis pelo
exercício da parentalidade, quando o foco por vezes ainda
permanece no passado, e precisamente, nos conflitos da
experiência conjugal.
45

Portanto, pais que não apresentam cordialidade um


com o outro, que não se comunicam, que são hostis, que
trocam insultos, especialmente na presença dos filhos,
estão acarretando maior sofrimento a eles. Essa falta de
discernimento muitas vezes acaba acarretando a perda do
direito assegurado dos filhos de manter a convivência
saudável com ambos os pais. Prova disso são os inúmeros
processos de guarda e convivência existentes nas Varas de
Família, que aguardam por pais que protelam em
renegociar essas fronteiras para que seja criada uma nova
experiência, agora, como par parental.

Essa parceria parental é fundamental para a criação


dos filhos em ambiente emocionalmente equilibrado. E
aqui cabe salientar: pai e mãe são conexões inseparáveis
para os filhos e não se deve fazê-los escolher entre um ou
outro ou colocá-los em posição de tomar partido, seja qual
for a situação. É importante lembrar que o principal
objetivo de uma criança/adolescente é sentir-se aceita/o e
parte do seu grupo familiar.
46

Hoje, os pais têm acesso a mais informação e


possibilidade de melhores escolhas para lidar com os
desafios colocados pela responsabilidade parental.
Psicólogos parentais podem contribuir encorajando os
pais a desenvolverem suas habilidades parentais,
aperfeiçoando a comunicação com os filhos, mostrando a
importância do autoconhecimento e a possibilidade de
ressignificar experiências dolorosas em estratégias
positivas para criar com os filhos.
Conflitos fazem parte da vida humana e não são
construídos por uma só pessoa. Depende ao menos de
duas ou de uma rede, precisam ser administrados, não
nascem intensos, vão mostrando sinais e se movimentam
em escalada. Se ver como parte do problema para
solucioná-lo é um começo para que os conflitos possam
ser transformados em oportunidades de desenvolvimento
pessoal e de melhoria de vida. Orientar os pais para que
exerçam uma parentalidade saudável é olhar
prospectivamente para a melhoria contínua. E como
fazemos?
47

Com auxílio da Disciplina Positiva que é uma abordagem


socioemocional que visa ajudar as famílias a melhorar o
relacionamento entre pais e filhos baseada no respeito
mútuo e na cooperação. Oferece ferramentas práticas para
exercer uma Parentalidade Encorajadora que tem como
finalidade encorajar os pais a se conectarem com os filhos
através de uma liderança gentil e firme, em que os erros
transformam-se em oportunidades de aprendizagem para
todos. E convidá-los a serem agentes de mudança na vida
dos filhos para que estes possam criar habilidades sociais e
de vida no presente para lidar com os desafios do cotidiano
de forma construtiva e positiva, e por longo prazo.

Contato | E-mail: contato@lilacunha.com.br


WhatsApp: (21) 99133-8293 | Instagram: @separacaopositiva
48

Onde estão as minhas


coisinhas? Compreendendo
a visão da criança acerca da
separação dos pais
Marivalda Freitas | CRP: 02/14424

Meus pais se separaram e eu tive que presenciar de


perto a relação desgastante dos dois. Sei do que eu vivi,
sobretudo sei o que é conter meus sentimentos. Ainda
não entendo muitas coisas, pois sou apenas uma criança
cheia de muitos sonhos e agora só desejo um lugar pra
me sentir acolhida, e isso inclui um ambiente saudável,
principalmente um colo.
Bem, me mudei com a minha mãe para a casa de
minha avó materna e hoje tenho que dividir esse espaço
com mais pessoas, mas lá tenho um quarto só para nós
duas, o que me tranquiliza.
Hoje meu pai vive um novo relacionamento. Na
comemoração do dia dos pais, fui passar o final de
semana com ele e quando cheguei em sua casa corri
direto para minhas coisinhas que lá restaram, porém
tive uma grande surpresa, meu puff não estava lá nem
meus brinquedos que ficavam dentro dele. Foi aí que
desabei!
49

Procurei e não tinha nada lá, a única coisa que me


representava naquele lugar não existia mais e nem era
muita coisa assim, mas era tudo que eu tinha. Meu pai
em nenhum momento me perguntou o que deveria fazer
com as minhas coisinhas, que eram tão importantes pra
mim e agora haviam sumido. Era como se eu não
existisse mais ali, foi assim que eu interpretei: que eu
não existia mais na vida dele.

Eu precisava ser ouvida, pois minhas coisinhas não


estavam mais ali para que ele se lembrasse de mim, nos
momentos em que eu não estivesse por lá. Voltei pra
minha atual casa e não contive meu choro. Ao ver minha
mãe, não aguentei e chorei, chorei tanto que adormeci
de tanta tristeza. Não houve consolo que conseguisse
me tranquilizar naquele momento.
50

Você, pai ou mãe ao ler essa história, o que faria com


seu filho? Escutem seus filhos! Se um dia pensou ou fez
algo parecido comece a agir de outra forma, pois não
desejo que mais crianças sejam feridas e desencorajadas
como fui nesse momento.
Se meu pai conhecesse uma educação encorajadora,
certamente daria vez a minha voz. Ainda que, mesmo
sujeito a errar, ele tentaria me tranquilizar, acolher e
consertar essa situação tão devastadora que foi dentro de
mim. E diria: “Eu entendo que eu tenha causado tudo isso e
que deve ser muito difícil pra você, juntos podemos encontrar
uma solução. O que você acha que podemos fazer?”
51

Isso é só uma sugestão quando um pai ou mãe


precisam reconhecer e acolher o seu filho ou filha. Não
quero aqui buscar na minha imaginação quem está
usando as minhas coisinhas. Meu coração está em
pedaços, mas lá no fundo tenho o mesmo amor pelo
meu pai, ele só precisa perceber do quanto eu preciso
dele e da minha mãe para ser encorajada na vida.
Respeitar uma criança é saber que ela tem voz, que
precisa ser compreendida e amada. Fazer uma criança se
sentir mal é algo desencorajador e enfraquece a sua
autoestima, pois como diz Jane Nelsen é surpreendente
como muitos adultos acreditam que podem ter uma
influência positiva nas crianças depois de criar distância
e hostilidade em vez de proximidade e confiança.
52

O autoritarismo destrói a autoestima dos nossos


filhos, destrói qualquer ser humano. No livro Sua
Criança Competente, o autor refere que a criança
nasce com habilidades inatas maravilhosas, de
empatia, de força interior e autoestima equilibrada.
Pais autoritários, assim como os pais permissivos, vão
minando essas habilidades e não conseguem
preservá-las nos filhos.
Por tudo isso a importância de um diálogo que
leve à consciência, para entender que nossas crianças
nos dão as respostas que a gente precisa para mudar
os nossos comportamentos frustrados e, para isso, é
preciso buscar conhecimento, buscar ajuda para
encontrar com a nossa criança real e não a ideal.
Conecte-se com seu filho! Por uma educação
firme, gentil e encorajadora.

Contato | E-mail: psi.marifreitas8@hotmail.com


WhatsApp: (81) 98821-0912 | Instagram: @marifreitas.psi
53

O Aprendizado da
Conexão
Adriana Salezze Fraga | CRP: 16/0677

Que a qualidade do vínculo entre pais e filhos é


fundamental e interfere diretamente no
desenvolvimento deles, todos já sabemos. Mas que tipo
de vínculo estabelecemos com eles? De Amor, é óbvio.
No entanto, precisamos saber que o funcionamento do
vínculo de amor pode ocorrer de duas formas: Apego ou
Conexão.
Focaremos aqui na manifestação mais saudável e
empática de funcionamento do amor, a conexão, por
acreditar ser ela a responsável pelo fortalecimento dos
vínculos e convivência nas relações parentais.
Durante a gestação o bebê está conectado com a
mãe, veja bem, é ele quem primeiro se conecta, e a
partir disso a mãe se conecta a ele. Além da relação de
dependência física e biológica do bebê, há, naquele
período, uma conexão muito forte entre eles (o bebê
sente e é afetado pelas reações emocionais da mãe), e,
depois de algum tempo de evolução da gestação, ela
54

também sente-se mais conectada ao filho (percebendo sua


inquietação ou calmaria intrauterina, por exemplo);
embora a conexão emocional ocorra já a partir da notícia
da gravidez.
Mas o bebê nasce e essa conexão vai enfraquecendo,
diminuindo com o cansaço, com os choros e
comportamentos indesejados, com a falta de tempo para
atender a tantas demandas. Mesmo com a ruptura da
conexão física e biológica que acontece com o corte do
cordão umbilical, a criança permanece conectada
emocionalmente àquela que deveria lhe oferecer as
mesmas condições que havia no útero: segurança,
pertencimento, confiança, alimento e amor; nada lhe
faltava lá. Por outro lado, a mãe pode, em algumas
situações, migrar para o vínculo do apego (sentindo-se
dona da vida do filho e agindo com dedicação constante e
excessiva), ou apenas deixar enfraquecer a conexão tão
saudável e amorosa que havia antes. Ressalto aqui, que
excetuando a conexão física e biológica (cordão umbilical),
todo o processo ocorre também na relação do pai com a
criança.
55

O bebê não consegue ainda comunicar suas


necessidades biológicas de sono e alimentação aos
cuidadores e só com o passar do tempo, ele vai
desenvolvendo essa habilidade. No entanto, não expressa
adequadamente suas demandas emocionais, sua
necessidade de adequação, de atenção, de sentir-se
amado, seguro, pertencente àquela família, àquele espaço
e lugar. Ele começa a buscar formas de satisfazer tais
necessidades, e surgem os comportamentos desafiadores,
os comportamentos indesejados pelos pais.
56

Com o passar dos anos, acabamos replicando o modelo


de educação que aprendemos como correto, ou aquele que
vimos funcionar em alguém; modelo este, na maioria das
vezes, baseado em um controle externo, onde atuamos
como pais ora permissivos ora autoritários. Se pudermos
manter ou melhorar a conexão do início da vida com os
filhos, fazendo-os se sentirem amados, adequados,
encorajados e seguros; muitos dos comportamentos
desafiadores não teriam razão de existir. Devemos
considerar ainda um outro aspecto importante, que diz
respeito à regulação emocional. Há uma outra conexão
necessária para que os aprendizados e desenvolvimento
aconteçam: A conexão neurobiológica.
57

Siegel (2015) fala de duas formas de dividir o cérebro:


lado direito (emocional, sensorial) e esquerdo (racional,
lógico); e andar de cima (processos mentais mais
complexos, funções executivas) e andar de baixo (mais
primitivo, funções básicas, reações, impulsos e fortes
emoções). O autor enfatiza a importância de integração
dessas partes, o uso do cérebro por inteiro:

Para vivermos uma vida equilibrada, significativa e


criativa, repleta de relacionamentos conectados, é
fundamental que nossos dois hemisférios funcionem
juntos. Dessa forma, nossos filhos valorizarão tanto
a lógica quanto a emoção. (p. 41-42).

(...) o cérebro de uma pessoa funciona melhor


quando o andar de cima e o de baixo estão
integrados um com o outro.... o andar de cima
consegue monitorar as ações do andar de baixo e
acalmar as reações intensas, os impulsos e emoções
que se originam ali, assim como precisamos
considerar nossos sentimentos emocionais e físicos –
que tem origem no andar de baixo – antes de usar o
andar de cima para decidirmos a respeito de um
plano de ação (p. 71-72).
58

Criar e estabelecer conexão com nossos filhos é,


portanto, fundamental sob o ponto de vista relacional e
neurobiológico. Falhas ou rupturas nessa conexão geram,
além dos comportamentos desafiadores, a instalação de
diversos traumas que impactarão no desenvolvimento
das habilidades sociais e de vida neles. Ensiná-los a fazer
a integração das partes e usar o “cérebro inteiro” produz
efeitos profundos e duradouros em suas vidas.
A Disciplina Positiva reforça que a conexão precede a
correção, e há formas simples de criar essa conexão:
descobrir e conversar sobre o que é importante para seu
filho, reconhecer e validar as emoções dele, ter empatia
com as emoções e reações da criança, aprender a
acalmar-se e ensiná-los a se acalmar, entre outros.
Há várias estratégias e ferramentas desenvolvidas
por diversos autores para ajudar nessa integração
cerebral e na conexão parental, mas vale lembrar que
antes de ensinar os filhos, os pais precisam aprender a
integrar o SEU próprio sistema neurobiológico, aprender a
auto regular-se; a usar saudavelmente o cérebro por
inteiro e a praticar a gentileza consigo mesmo.
Dessa forma, desenvolvemos em nossos filhos a
autonomia, a independência, a resiliência, a autoestima e
outras habilidades sociais e de vida, fazendo deles adultos
realizados, felizes e de bem.

Contato | WhatsApp: (27) 99972-8045


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59

Desenvolvendo conexão
com os filhos

Rosangela Albuquerque | CRP: 01/45475

A conexão e a relação de confiança entre pais e


filhos se constrói desde o nascimento. A partir do
primeiro olhar e os primeiros cuidados do bebê, os pais
já estão formando os vínculos com a criança que está
chegando na família.
Na primeira infância, os primeiros estímulos para
o desenvolvimento saudável da criança passam pelo
acompanhamento dos pais nos primeiros passos e,
principalmente no atendimento de suas necessidades
básicas. A felicidade da criança nessa fase consiste em
poucas exigências, e os pais precisam apenas prestar
atenção às características de personalidade de cada
filho para aprender lidar com suas diferenças.
60

À medida que a criança cresce e se relaciona com os


objetos, brinquedos e as primeiras pessoas de fora do
ambiente familiar, os pais podem contribuir interagindo
de forma lúdica e participativa. Nessa fase é importante
incluir o filho na escolha e execução de tarefas diárias e
simples, e nas brincadeiras em grupo, a fim de que
possibilite sua percepção de importância e pertencimento
a esse núcleo familiar. A atenção dedicada à criança gera
confiança, que por sua vez gera segurança e a segurança é
a base para estimular sua autonomia.

A participação dos pais nos momentos de aprendizado


da criança sobre suas emoções, seus comportamentos
desafiadores, seus desejos, suas dificuldades em situações
inusitadas – tais como mudança de casa ou escola - é
fundamental para auxiliá-la no aprendizado de como
utilizar seus recursos internos e se perceber capaz de lidar
com cada momento desafiante.
61

Na adolescência, cujo momento costuma ser de


muitas divergências de pensamentos e atitudes entre
pais e filhos, é importante que os pais estejam abertos e
dispostos a criarem oportunidades de diálogo e muito
aprendizado para ambas as partes. Por exemplo: assistir
juntos um filme preferido do(a) filho(a), convidá-lo(a)
para ir ao jogo do seu time, convidar a filha para ir às
compras ou tomar um sorvete juntas, enfim, demonstrar
interesse por suas atividades prediletas e conversarem
sobre suas próprias vivências de quando passaram por
essa fase.
Estar presente e integrado nos eventos de encontro
com os filhos, olhando nos olhos nos momentos de
conversa e acolhendo num abraço nas situações difíceis,
são atitudes que facilitam a conexão em todas as fases
da vida.
Pais bem conectados com os filhos confiam em suas
escolhas e são respeitados e amados também por isso.

Contato | E-mail: psic.rosangela@gmail.com


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62

Como estabelecer
limites com amor?

Verônica de Paula Dieguez Cândido | CRP: 08/03288

Criar os filhos pode ser uma tarefa fácil e tranquila


se for bem trabalhada, trazendo aprendizado contínuo
para pais e filhos.
A família é o primeiro laço, é o núcleo onde a
criança começa a se desenvolver e aprender as
primeiras coisas da vida, tudo ela aprende lá, desde a
fala, comportamentos adequados e inadequados, ouvir
o sim e o não. Aprende a sobrevivência, recebe
proteção, cuidados básicos, amor e carinho.
Na família a criança aprende a construção dos
valores, costumes, crenças, cultura, educação, disciplina
e limites. Aos pais cabe o papel de mostrar aos filhos o
que pode e o que não pode ser feito, o que é essencial e
o que é supérfluo. Ensinar limites é ensinar as normas
de convívio em grupo, respeitar aos outros e a si
mesmo.
63

Quando a criança não aprende em casa que precisa


respeitar as regras e ter limites, vai se comportar em
outros lugares também dessa maneira. E as consequências
para a falta de limites podem trazer dificuldades
emocionais para sua vida.
O propósito dos limites é manter a segurança e a
socialização das crianças. É necessário entender que para
estabelecer limites não é preciso e nem mesmo saudável
utilizar-se de castigos, punições ou sermões. É possível, é
desejado e adequado que o estabelecimento dos limites
ocorra de maneira agradável, com amor e carinho, para
um aprendizado leve e tranquilo.
64

Em Disciplina Positiva, esse aprendizado vem através


de firmeza e gentileza ao mesmo tempo, respeitando a
criança, o adulto e a situação.

Estabelecer limites com firmeza, gentileza e amor significa


ensinar:
A tolerar pequenas frustrações hoje, para que no
futuro os problemas da vida possam ser superados
com equilíbrio e maturidade;
Evitar que seu filho cresça achando que todos no
mundo tem que satisfazer os seus mínimos desejos;
Que todos temos direitos, mas que também temos
deveres a cumprir em nossa vida social, escolar e
familiar.

Os limites são importantes para:


Preparar a criança para que tenha comportamentos
adequados;
Proporcionar uma melhor adaptação ao meio social e
ao meio escolar;
Favorecer o amadurecimento, autonomia e
responsabilidade;
65

Manter os filhos com sentimento de segurança,


desenvolvendo uma boa socialização;
Criarmos filhos bem sucedidos na vida emocional,
social, escolar, familiar e profissional.

Dicas para estabelecer limites com gentileza e firmeza:


Envolva as crianças quando for estabelecer e fazer
cumprir os limites, para que sintam que estão
contribuindo;
Tenha diálogo com a criança a respeito da importância
dos limites, como devem ser, e porque todos devem
ser responsáveis por eles;
Deixe que a criança exponha sua opinião, deixe-a falar
tanto quanto ou até mais que você. Ouça-a;
Os pais precisam estar conectados com relação aos
limites, isto é, devem “falar a mesma língua”, não
sendo permissivos ou punitivos;
Fale menos e aja mais;
Estabelecer limites sempre que necessário e somente
quando necessário, explicando o que pode causar
danos reais, tanto físico quanto morais;
Estabeleça a medida que crescem, mais e novas
tarefas que lhes mostrem que a família os considera
capazes de assumir responsabilidades;
66

Utilize a pausa positiva - um tempo ou espaço onde a


criança possa se acalmar para sentir-se melhor;
Ofereça escolhas limitadas, para que a criança tenha
opção e com isso você possa validar os sentimentos
dela com gentileza;
Converse com a criança, quando ela não cumprir o
combinado, solicitando uma solução;
Pense antes de agir, se necessário saia de cena quando
algum comportamento estiver incomodando para que
possa conversar com a criança a respeito, com calma e
discernimento.

Contato | E-mail: veronica_psicologa@hotmail.com


WhatsApp: (44) 99909-4093 | Instagram: @psicoveronicadieguez
Facebook: Verônica Dieguez - Psicóloga para Pais e Filhos
Site: www.psicologaveronicadieguez.com.br
67

O desenvolvimento infantil:
levando em consideração o
desenvolvimento cerebral

Kátia da Silva | CRP: 06/106038

Olhar para o desenvolvimento de nossos


pequenos exige mais que o encantamento que
sentimos ao contemplar suas conquistas. Convida-
nos a um período de observação e auxílio comedido,
uma vez que a complexidade do cérebro humano se
modifica com o passar da idade e de forma mais
intensa nos primeiros anos de vida. Trata-se de um
período de transformação contínua e progressiva,
envolvendo aspectos como o crescimento físico,
maturação neurológica, aprendizagem e aspectos
adaptativos, psíquicos e sociais.
Para os educadores, entender as fases do
desenvolvimento é fundamental no sentido de
proporcionar melhores condições de aprendizagem.
Para os pais, entender que há fases diferentes para
aquisição de uma habilidade ou outra lhe permite ser
mais generoso e firme na hora certa e com mais
68

segurança. Cada criança se desenvolve dentro de um


conjunto de circunstâncias, respondendo não apenas aos
seus ambientes, mas também interagindo com eles e os
modificando.
A primeira infância (crianças de 0 a 6 anos) é a fase da
vida representada pela maior abertura e absorção para
aprender coisas, momento em que a presença ou ausência
de estímulos impactam na estrutura cerebral em longo
prazo. Nessa etapa o cérebro humano conta com maior
capacidade de plasticidade, permitindo melhores respostas
às intervenções de prevenção e recuperação.

Os domínios do desenvolvimento humano estão


interligados e influenciam-se mutuamente, porém, podemos
pensar de forma didática separando-os em três áreas:
físico/motor (crescimento do corpo e do cérebro, das
habilidades sensoriais e motoras); cognitivo (processos do
pensamento, percepção e linguagem) e psicossocial
(relacionado à personalidade e aos relacionamentos sociais).
69

No primeiro ano de vida um aspecto importante é o


desenvolvimento afetivo, baseado na interação da
criança com os membros da família que lhes assegura
sua sobrevivência e sua relação com o mundo uma vez
que o desenvolvimento cognitivo está envolvido com a
aprendizagem sensorial; a integração perceptivo-motora;
e a atenção.
A nutrição é também muito importante, aos dois
anos de idade o peso da criança já é o quádruplo daquele
do nascimento e aos quatro anos já possui cerca de 90%
da massa cerebral do adulto.
70

Nas camadas mais profundas do córtex, primeiro são


despertas as funções motoras precedendo o
desenvolvimento da capacidade de percepção. Pesquisas
evidenciam que as primeiras experiências sensoriais têm
uma enorme influência sobre o desenvolvimento do
cérebro. Explorar novos materiais e estímulos atua na
formação de novas sinapses, que ajudam várias partes do
cérebro a trabalhar em conjunto para processar essas
informações. Expor repetidas vezes interações e
experiências positivas constrói conexões fortes que se
mantém ao longo da vida.

A partir do segundo ano a criança tem dois grandes


ganhos: o ganho de palavras conhecidas podendo triplicar
em poucas semanas e a intenção de falar. Essa melhoria no
desenvolvimento da linguagem representa um suporte ao
desenvolvimento da autorregulação (capacidade de
suprimir uma intenção para agir socialmente de acordo
com seus pares). Aos três anos já apresenta maior
capacidade para exercer o controle sobre suas ações. Essa
progressão é relacionada com a maturação e conectividade
do lobo frontal que segue dessa idade e continua até o fim
da adolescência.
71

É uma fase cercada de desafios e oportunidades na


qual a compreensão dos pais da sua responsabilidade
sobre as crianças de forma a não impedir sua capacidade
de autonomia, muito menos temer errar para aprender é
de fundamental importância.
Vocês encontrarão mais sobre os marcos do
desenvolvimento na carteirinha de vacinação de seus
pequenos, podem fazer pesquisas também, porém
sempre se assegurando das fontes de informação.

Contato | E-mail: katiasilvafilhos@gmail.com


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72

As emoções e o
estresse na família
Paula Neri Silva da Costa | CRP: 06/154445

A chegada de um filho traz consigo necessidades


de adaptação dos pais ao novo contexto e nova
dinâmica familiar. Essa necessidade de adaptação exige
do nosso organismo a capacidade de lidar com emoções
como o medo, a ansiedade e insegurança. Conforme a
criança vai crescendo, novos desafios também surgem,
o que coloca os pais constantemente diante da
necessidade de se adaptar à uma nova fase, aos novos
comportamentos e lidar com as suas próprias emoções.
Muitas vezes não sentem-se preparados para lidar com
os comportamentos desafiadores que os filhos
apresentam e a falta de habilidade em conseguir
praticar uma educação consistente e efetiva em longo
prazo, pode levar ao pensamento de incapacidade ou
incompetência, além de trazer resultados ainda mais
desafiadores, que contribuem cada vez mais para o
aumento do nível de estresse na família.
73

A maternidade/paternidade pode proporcionar


experiências maravilhosas para pais e filhos, mas os
desafios enfrentados na criação dos filhos também podem
gerar um desgaste físico e emocional relacionado à
sobrecarga percebida no papel de pais. Já existem estudos
relacionados a exaustão materna e burnout parental, que
mencionam como consequências desse estresse, o
esgotamento físico e emocional, o distanciamento
emocional dos filhos e o sentimento de incompetência no
papel de pais.
74

Uma das formas mais eficazes de se reduzir o nível de


estresse está relacionada à capacidade de gerir as
emoções. Sem autocontrole emocional, vivemos em uma
montanha-russa onde nossos comportamentos não
passam pelo filtro da razão, do pensamento e isso
acontece tanto com os adultos quanto com as crianças,
gerando estresse e desgaste nas relações. Para ter
inteligência emocional é preciso reconhecer, entender e
gerenciar as emoções, o que possibilita autocontrole
suficiente para tomar decisões e se comportar de forma
que os envolvidos na relação sejam respeitados. E esse
aprendizado sobre como lidar com as emoções deve
começar pelos pais, para que sejam capazes de
demonstrar e ensinar aos filhos a importância de
compreender o que estão sentindo e como podem lidar
melhor com as emoções, mesmo que estas tragam
reações desagradáveis, como por exemplo a raiva e a
tristeza.
75

Portanto, comece observando como você lida com as


suas emoções. O que seu filho faz que te deixa irritado? O
que você pensa sobre isso? Como você reage nessas
situações? As crianças aprendem muito mais pela
observação, portanto, estão aprendendo com você como
podem reagir diante de situações que também causam
nelas, as mesmas emoções. Reconhecer para o seu filho
que você está irritado, bravo ou triste e que, precisa de um
tempo para se reestabelecer antes de conversarem sobre o
que te deixou assim, o ensina que todos nós temos
emoções e é possível lidar com elas de uma forma que seja
respeitosa para todos. Além disso, para que a criança
desenvolva o seu autocontrole emocional, é importante
que os adultos sejam capazes de perceber e validar as
emoções na criança, reconhecer na emoção uma
oportunidade de estabelecer uma conexão entre eles e a
partir daí buscarem juntos uma solução adequada dentro
dos limites estabelecidos.
76

Quando adultos são capazes de compreender


melhor as suas emoções, também se tornam capazes de
lidar com as situações desafiadoras nas relações
familiares e na criação dos filhos de forma mais
equilibrada, sentindo-se mais confiantes no seu papel de
pai e mãe. A conexão entre pais e filhos se torna mais
forte e a melhora na relação familiar contribui também
para a redução do desgaste emocional e do estresse.

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77

O estresse
em crianças: como
identificar e como ajudar

Márcia Saar | CRP: 08/19560

O estresse é um fenômeno complexo, que


envolve alterações físicas e emocionais nas pessoas.
É uma reação do organismo diante de uma quebra
em seu equilíbrio, para que consiga enfrentar uma
situação desafiadora e, por isso, foi fundamental
para a sobrevivência da nossa espécie. O homem
primitivo já sentia todo seu corpo se preparar para
lutar ou para fugir quando enfrentava suas feras: as
mãos suavam, o coração acelerava, a adrenalina era
liberada de forma muito intensa, o pensamento
estava fixo no problema. Naquela época, o motivo
gerador de estresse era conhecido e concreto:
animais perigosos, por exemplo.
78

Hoje, na sociedade moderna, o contexto do homem


das cavernas mudou drasticamente. A velocidade e a
quantidade de informações que recebemos e precisamos
administrar é impressionante. As exigências e as demandas
são constantes e infinitas. Muitas vezes não sabemos qual
será “a fera” que enfrentaremos no dia, pois são muitas e
elas mudam constantemente. O imediatismo e a pressa
fazem parte dos nossos dias. E é nesse ambiente que
estamos criando as nossas crianças.

Apesar de vivermos nesse mundo acelerado, a


capacidade de adaptação dos seres humanos caminha em
outro ritmo. O ciclo de vida de um bebê é marcado pela
existência de inúmeras demandas que precisam ser
satisfeitas, a partir do seu nascimento. Ele necessita ser
alimentado, acolhido, aquecido, embalado e amado. Diante
de cada uma dessas necessidades, surge o desequilíbrio do
organismo e o estresse se apresenta. O equilíbrio só é
estabelecido novamente após alguém suprir a demanda do
bebê e, assim, ele se sentir satisfeito. Esse é o ciclo indicado
para lidar com as demandas de um recém nascido e para
lidar de modo adequado com o estresse nas crianças.
79

Por isso, uma importante informação a ser repassada


para os pais é que deixar o filho chorar e não atender às
necessidades de um bebê produz a liberação intensa de
cortisol e desencadeia um estresse tóxico. Passar por
situações de estresse faz parte da nossa existência desde a
infância: exames médicos, mudanças na rotina,
hospitalizações, nascimento de irmãos, etc. Por isso, os pais
não devem intensificar as dores e as dificuldades de seus
filhos; elas ocorrerão independente da nossa vontade e
controle.
80

Após crescerem um pouco, as demandas infantis são


outras, mas os momentos de estresse continuam
presentes. Nos dias de hoje é comum que a sociedade
exija das crianças um bom desempenho,
responsabilidades que estão acima da sua capacidade
atual ou do seu nível de desenvolvimento e que
participem em inúmeras atividades (como se fossem
“mini executivos”). No âmbito pessoal, comumente as
crianças também apresentam diferentes medos (do
fracasso, da punição, da morte, da ridicularização, de não
serem capazes), sentem múltiplas cobranças internas e
intenso desejo de agradar os outros, inclusive como
forma de se sentirem amadas e pertencentes. Esse
desacordo entre as exigências (ambientais ou pessoais) e
o real potencial de enfrentamento das crianças faz surgir
o estresse excessivo e prejudicial. Cada criança vai
manifestar os sintomas do estresse de forma individual,
mas os sintomas físicos mais comuns são: resfriados e
infecções frequentes, dor de estômago, dor de cabeça,
enjôo, dificuldades com sono, tonturas, mãos suadas,
coração acelerado e pesadelos. E os sintomas
psicológicos que frequentemente aparecem são:
ansiedade, choro excessivo, medo, evitação, desânimo,
apatia, retraimento, irritabilidade, regressão de
81

comportamentos e mudanças bruscas. O estresse


excessivo produz inúmeros prejuízos para as crianças:
problemas de aprendizagem, imunidade baixa,
aparecimento de doenças e até transtornos mentais
como a depressão infantil.
O estresse precisa ser proporcional à habilidade que
a criança tem de lidar com ele: maturidade, estágio do
desenvolvimento, temperamento e necessidade da
criança. Passar por situações estressantes é natural e
importante para que a criança possa treinar estratégias
e desenvolver habilidade para lidar com o estresse.
Assim, para ajudar seus filhos a gerenciar o estresse,
os pais precisam:
Reconhecer as necessidades e habilidades de cada
criança;
Baixar o seu nível de tensão, exigências e
expectativas;
Ser modelo: lidando melhor com seu próprio estresse;
Estabelecer regras e limites com firmeza e gentileza
ao mesmo tempo;
Observar e identificar os sintomas iniciais de estresse
na criança;
82

Utilizar técnicas efetivas para os desafios de


comportamento;
Conversar sobre os medos infantis e fazer perguntas
curiosas para seus filhos;
Ajudar a criança a entender o que se passa com ela.

E, por fim, existem algumas dicas que são importantes


tanto para prevenção quanto para o gerenciamento
adequado do estresse nas crianças:
Crianças precisam de previsibilidade e, por isso, a
rotina é fundamental;
Quando aparecerem os problemas, o foco deve estar
na solução;
Os pais devem exercer uma liderança respeitosa - não
autoritária ou permissiva;
Prestar muita atenção na criança e em mudanças de
comportamento;
Educar seus filhos tendo como meta uma cultura para
a paz, sem violência;
As crianças precisam brincar livremente e ter contato
com a natureza;
Buscar sempre manter uma alimentação saudável e
realizar atividade física.

Contato | WhatsApp: (45) 99821-9821 | Instagram: @marcia_saar


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83

O manejo da raiva e o
caminho para o
autocontrole
Jessica Ferreira de Aguiar Bueno | CRP: 06/101622

Muitos de nós crescemos ouvindo dos nossos pais,


cuidadores, e até mesmo dos nossos professores, que não
podíamos sentir raiva ou que devíamos silenciá-la.
Aprendemos que essa emoção é “feia”. Hoje sabemos que
os adultos que conduzem a situação dessa maneira,
muitas vezes, fazem por não saber como lidar.
A raiva é uma emoção primitiva, inata, já nascemos
com ela e em algum momento da vida todos nós vamos
vivenciar momentos desagradáveis. A expressão da raiva
e de outras emoções como a tristeza e o medo, podem ser
desencadeadas em todas as idades, após acontecimentos
altamente estressantes, traumas, frustrações, injustiças e
até mesmo quando as necessidades biológicas não são
atendidas.
Quando somos levados a situações desafiadoras, nosso
cérebro aciona nossos recursos de defesa e sobrevivência,
e quando mal direcionado, pode nos levar a agressividade,
impulsividade, ausência de racionalidade, resultando em
arrependimentos e más escolhas.
84

Por ser uma emoção tão primitiva, a raiva, tem a função


de nos mostrar sensações desagradáveis, e por outro lado,
pode nos conduzir a buscar a proteção e a defesa. Se a
criança é levada a reprimir essa emoção, ela pode silenciar
o sofrimento e não contar com os pais para entender e
resolver a origem da raiva.
Por isso é tão importante ajudar a criança a identificar
e nomear essa emoção, ensinando maneiras apropriadas
de expressá-la, promovendo o autocontrole.

John Gottman, em seu livro, “Inteligência emocional e a


arte de criar nossos filhos”, afirma que ajudar os filhos a
lidarem com suas emoções desagradáveis favorece o
fortalecimento dos vínculos entre pais e filhos de forma
positiva.
Crianças podem manifestar a raiva chorando, gritando,
arremessando os brinquedos, mordendo, enfim, é nesse
momento que o adulto que está mais próximo deve ajudá-
la. Leia as dicas abaixo:
85

1) Os pais são modelos de comportamento para as


crianças, espelhos, portanto o primeiro passo é pensar na
sua própria regulação emocional. O que seu filho vê
quando você está com raiva?
2) Dê importância ao que a criança está sentindo, não
ignore, não critique, não a ridicularize.
3) Ajude-a a identificar e nomear o que sente: “Notei que
você está com raiva porque não comprei o brinquedo que
pediu”; “Percebo que você está furioso, e não é hora de
brincar”.
4) Abaixe-se na altura da criança, olhe no olho, peça um
abraço, e se ela negar diga: “Tudo bem, você pode me
procurar mais tarde e me dar um abraço quando se sentir
melhor”.
5) Respirar profundamente ajuda a acalmar. Ensine a
inspirar pelo nariz e expirar pela boca profundamente, por
várias vezes, peça para a criança prestar atenção no ar que
entra no nariz e sai pela boca.
6) Tempo positivo: ofereça um tempo para a calma. É
preciso esperar a calma chegar antes de discutir sobre o
problema. Mostre para a criança que ela pode ter seu
“Espaço que Acalma”, espaço escolhido pela própria
criança, nele ela poderá ficar até se sentir melhor,
desenhando, escrevendo, lendo, brincando ou ouvindo
música.
86

7) Ofereça recursos lúdicos para expressão da emoção,


como papéis, lápis, giz de cera, tinta, pincéis, massa de
modelar.
8) Explique que a raiva é sentida no corpo, ajude a
identificar como é com o seu filho, explorem como o corpo
dele sente (cabeça quente, rosto vermelho, coração
acelerado, mãos suando).
9) Após o acolhimento, ajude a criança a compreender os
motivos da raiva, como começou, porque se sentiu assim e
o que pode fazer da próxima vez.
10) Ouça com empatia.

Aplique essas dicas no seu dia a dia, veja quais trazem


resultados mais positivos para a relação com o seu filho. E
lembre-se sempre de que toda emoção é legítima!

Contato | E-mail: psicologiaclinica.jessica@gmail.com


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87

A Inteligência Emocional
e as contribuições no
desenvolvimento
infantil

Camila Mello Fantin | CRP: 18/01688

Pessoas e ambientes encorajadores ocupam-se


em desenvolver a inteligência emocional em suas
relações. Inteligência Emocional compreendemos
como a habilidade que nos permite perceber,
apreciar e expressar corretamente nossas emoções,
para acessar, ou gerar sentimentos que facilitam os
pensamentos, pois o indivíduo aprendendo a lidar
com as próprias emoções pode usufruir destas a
favor de seu próprio bem estar.
88

Segundo Daniel Goleman, a inteligência emocional


possui cinco pilares: o primeiro é conhecer as próprias
emoções, ao conhecê-las as possibilidades de êxito
aumentam; o segundo é o controle das emoções, todos
passamos por momentos estressantes, mas mesmo diante de
problemas, manter o equilíbrio é fundamental para encontrar
a melhor solução; o terceiro é a automotivação, aprender a
responder seus estímulos para depois decidir a melhor
estratégia, o quarto é a empatia, aprender a se colocar no
lugar do outro e entender seus comportamentos nos tornam
mais sensíveis e abertos a aceitação de determinadas
situações; o quinto é saber se relacionar interpessoalmente,
ou seja, saber manter boas relações é a base para alcançar o
sucesso no trabalho e na vida em sociedade. Enfim
compreender esses pilares possibilitará a construção de
relações saudáveis e tomada de decisões conscientes,
evitando que o indivíduo tome decisões impulsivas e
posteriormente venha a se arrepender desses atos.

Se desde a infância dermos o acesso às crianças a


informações e práticas como estas teremos a oportunidade
de contribuir e muito com um mundo mais saudável
emocionalmente.
89

Para o desenvolvimento da inteligência emocional


das crianças temos que levar em conta estes pilares
básicos também. Este estímulo desde cedo contribui com
crianças mais seguras ao buscar soluções para seus
problemas, ou seja, ao lidarem com emoções
desagradáveis, oportunizando um crescimento
emocional saudável, administração das emoções
desagradáveis, criando mecanismos de defesa contra
possíveis perturbações psicológicas também no futuro.
O mais importante passo a ser desenvolvido é
ensinar a criança a identificar as próprias emoções e
também as emoções das outras pessoas. Saber o que
está sentindo e o que está fazendo com que se sinta
dessa maneira.
90

O desenvolvimento da inteligência emocional nas


crianças também está relacionado à prática diária. A
seguir destaco algumas formas de ampliar essa
habilidade:

Através das interações entre o bebê e seus


cuidadores e das interações com o outro e com o
mundo ao seu redor;
Brincar regularmente com a criança estimulando a
interação e o respeito pelo outro;
Permitir e estimular a criança a expressar-se e expor
seus sentimentos e opiniões;
Ouvir e conversar com a criança questionando-a
acerca de suas atitudes no dia a dia;
Estimular que ela resolva seus problemas e os
desafios que surgem diariamente;
Diante de experiências desagradáveis o educador
pode motivar, enfatizando que os desafios surgem
para serem superados.

A principal maneira de aprimorarmos o entendimento


das crianças sobre suas próprias emoções e a
administração destas é através do exemplo, os pais,
cuidadores e educadores são os principais responsáveis
em estimular estas atitudes diariamente. Uma grande
91

mudança pode acontecer quando aprendemos a entrar


em sintonia com nossas crianças, demonstrando
acolhimento e empatia.
Diante de experiências difíceis, quando não souber o
que fazer, busque se acalmar primeiro. Desenvolver a
inteligência emocional é um processo que pode demorar
anos para ser dominada e cada conquista deve ser
valorizada e as fragilidades acolhidas.
Lembre-se que estes esforços valem muito, se
tivéssemos uma fórmula pronta que nos oferecesse mais
qualidade de vida, com certeza investiríamos nela, ela
existe e se chama inteligência emocional.
Podemos compreender que oferecer possibilidades para
que as crianças desenvolvam a inteligência emocional
desde a sua infância é colaborar para que ela saiba
pensar, sentir e agir de forma mais inteligente e
consciente, e não permitir que as suas emoções
administrem totalmente sua vida e suas experiências,
sendo assim as crianças que ao longo da vida obtiverem
estímulos e condições para desenvolverem suas
habilidades emocionais poderão vir a desenvolver
capacidades e atingir excelente desempenho nos seus
relacionamentos e nas diversas áreas da vida.

Contato | WhatsApp: (65) 99633-2724 | Instagram: @camilafantinpsi


92

Socorro! O que fazer


perante o mau
comportamento das
crianças?
Maria Paula Duarte da Silva | CRP: 07/04383

Quando vemos uma criança fazendo birra no


restaurante, no supermercado, no shopping ou na
praça, perguntamos o que os pais estão fazendo de
errado que não controlam o seu filho! O que está
acontecendo com a criança para que ela aja com gritos,
choro e pontapés?
Acontece que nós, adultos, acabamos por esperar
que crianças entendam o mundo com a capacidade
adulta e isso é impossível nesta fase da vida. O cérebro
ainda não está formado o suficiente para que a
compreensão da criança alcance todos os aspectos
necessários para a comunicação, como acontece entre
os adultos.
Então, estabelece-se um desentendimento que
frequentemente acaba em disputa de poder entre o
adulto e a criança e a consequência são mágoas,
distanciamentos e muito estresse.
93

Para Alfred Adler, todo comportamento tem um


propósito. O mau comportamento muitas vezes é uma
reação que a criança tem por estar cansada ou com fome,
ou por não conseguir expressar o que quer. As crianças
pequenas estão somente agindo como crianças e não se
comportando mal. Não conhecer sobre o desenvolvimento
infantil e comportamento humano nos leva a este
equívoco, o que interfere negativamente na condução da
educação infantil.
94

Conforme disse Jane Nelsen, em seu livro Disciplina


Positiva, o “mau comportamento nada mais é que a falta
de conhecimento, uma ausência de habilidades eficazes e
comportamentos adequados do ponto de vista do
desenvolvimento”. Muitas vezes, aos adultos também
faltam a consciência e habilidades para lidar com os
desafios de criar filhos. Dessa forma, muitas vezes, os
adultos sentem-se tão desencorajados quanto as crianças.
E as crianças acabam sendo punidas por fazerem birras ou
se comportarem mal quando na verdade seus cérebros
ainda não se desenvolveram o bastante para saberem o
que é esperado delas.

Quando paramos para entender o que se passa entre


a criança e o adulto, começamos a buscar soluções para
essa comunicação ser mais assertiva e efetiva. Rudolf
Dreikurs sempre nos lembra que uma criança que se
comporta mal é uma criança desencorajada.
95

A base de uma educação respeitosa e eficiente passa


pelo encorajamento.
E o encorajamento é olhar para a criança como um ser
em desenvolvimento, que está descobrindo o mundo, que
não o entende completamente, que está buscando agradar
aos adultos que a cercam. A partir disso, estimular a
compreensão da criança frente aos desafios de
convivência e regras sociais é fundamental.
Pode ser extremamente estimulante para os pequenos
convidá-los a pensar em termos de responsabilidade
focando em soluções, conversar sobre seus erros buscando
aprender com eles, usando para isso conversas pontuais
ou reuniões de família, por exemplo.
Passar a olhar a criança desde a perspectiva da mesma,
nos ajuda a compreender melhor o que se passa com ela e
assim, ajudá-la a compreender a sua responsabilidade no
sistema familiar e escolar.
Crianças encorajadas tornam-se adultos mais felizes,
seguros e autoconfiantes.

Contato | Facebook: Maria paula psicologia clínica


WhatsApp: (51) 99969-6924 | Instagram: @mpaulapsico
96

Tecendo a educação de
pais e filhos nos
momentos de birra
Magda Dias Rodrigues Campos | Estudante
de Psicologia

A educação pode ser vista como uma grande “teia”,


onde crenças, estilo de vida, valores e experiências
vivenciadas definem como cada sujeito, que decide
tornar-se pai ou mãe, constrói a educação de seus filhos.
E essa parentalidade não se inicia após essa decisão, ela
vem sendo tecida desde a infância de cada um de nós.
Rudolf Dreikurs, psiquiatra, pioneiro em educação
parental, nos lembra que as crianças precisam de
encorajamento como uma planta precisa de água, e que
aprender a arte do encorajamento é uma das
habilidades mais importantes para educar com eficácia.
Pilares como firmeza e gentileza constituem a fortaleza
dessa teia chamada educação com disciplina, uma vez
que disciplina significa “ensinar ou aprender,” gentileza
nos fala da importância do respeito pela criança, firmeza
nos mostra respeito por nós mesmos. Dessa forma, se
estabelece uma grande conexão entre pais e filhos na
construção de seres humanos mais felizes.
97

Sermos responsáveis por alguém que está em pleno


desenvolvimento nos deixa um convite a uma
introspecção; visitar e sentir a nossa criança interior!
Este é um momento de ressignificação, de sincronizar
nossos sentimentos e emoções, na sintonia do amor, da
sensibilidade para agirmos com o coração.
98

Uma das fases do desenvolvimento que pode deixar


a parentalidade desafiadora é quando as birras se fazem
presentes. As birras podem ser frustrantes para
qualquer pai ou mãe, embora comprovada que é uma
característica normal do desenvolvimento em crianças
de ambos os sexos, com idades compreendidas entre os
18 e os 48 meses. Elas precisam de pais disciplinados,
com empatia, compaixão, calma e conhecimento da sua
imaturidade emocional, pais que sejam sensíveis ao
olhar assustador de alguém que desconhece tais
sentimentos de fúria, de alguém que dentro do seu
processo de evolução ainda não possui habilidades para
controlar os seus impulsos e lidar com suas frustrações,
então a forma de expressar os seus sentimentos é
chorando, gritando, chutando, batendo a cabeça, se
jogando no chão, validando assim o que a ciência
comprova em relação a parte do cérebro responsável
pela regulação emocional e o comportamento social
chamado córtex pré-frontal; última área cerebral a se
desenvolver, iniciando o processo de amadurecimento
após os 04 anos de idade.
99

Jane Nelsen (2018) nos orienta que “quando os adultos


compreendem o motivo dos sentimentos sobrecarregados
das crianças às vezes se tornarem birras, eles podem se
eximir da responsabilidade por eles”. Isso é fato, mas, o
que pais não podem se eximir é da reflexão sobre cada um
em relação às respostas dadas às birras, uma vez
compreendido que eles não fazem para confrontar, os
pais podem aprender a não aumentar o caos.
100

Um dos conselhos de Rudolf Dreikus é fechar a


boca e agir, e essa prática educativa afirma uma
experiência pessoal minha. Certa vez, ouvindo o
depoimento do meu genro Paulinho, sobre um momento
de birra do meu neto Pedro, de 2 anos de idade me
emocionei! Ele dizia: “-Tia, ele estava no chão, chorando,
gritando descontrolado, me sentei pertinho e disse: filho
segure forte no meu dedo, aperte, eu e sua mãe estamos
aqui e entendemos o que você está sentindo... e lá fiquei
sentado e sua mãe Marjory em pé, juntos ficamos
aguardando em silêncio até ele se acalmar!”. O ocorrido
me fez lembrar uma frase de Jane Nelsen (2018);
“crianças pequenas sempre precisarão de amor
incondicional, encorajamento, habilidades, supervisão e
muita paciência”. O que os pais de Pedro confirmaram é
que a empatia, a comunicação, o silêncio e o respeito,
sim, geram momentos de equilíbrio mesmo em
situações estressoras, a partir da escolha de se conectar
com o seu filho com amor!
Não existem receitas nem fórmulas para impedirmos
as birras, o que existe é a necessidade de uma conexão
melhor com o seu filho onde pai e mãe aprendem a
interpretar as mensagens enviadas. O que nos orienta a
literatura para ajudar pais e cuidadores durante e após
101

a birra é: evite sermões, ele não consegue pensar


quando seu cérebro está inundado com emoções, puni-
lo não é justo nem útil, evite falar, o silêncio previne um
segundo ataque, quando essa descarga passar, evite
repreensão, valide seus sentimentos, mostre empatia,
lembre-se, as crianças aprendem com nossos exemplos.
Depois de uma birra, permita que ele se recupere,
um abraço caloroso após uma forte tempestade
emocional sempre será bem-vindo, ajude o seu filho a
recuperar o senso de autocontrole, tente descobrir o
que aconteceu antes da birra. Crianças, segundo
Maldonado (2014), não precisam de pais perfeitos (que
nem existem), precisam de pais amorosos, sensíveis e
respeitosos, dispostos a crescer junto com os filhos ao
acompanhar o seu desenvolvimento. Assim nos
afastamos de práticas educativas autoritárias e
permissivas, tecendo futuros adultos seguros, ajustados
e emocionalmente equilibrados.

Contato | E-mail: magdacampospsi@gmail.com


WhatsApp: (81) 99804-8990
Instagram: @magdadrc
102

Compreendendo os erros
como oportunidades de
aprendizagem na educação
dos filhos
Daniele Guimaraes Ramos | CRP: 05/35056

Precisamos compreender que antes de ser pai ou mãe,


somos seres humanos e sendo assim não se tem como
exigir perfeição, e consequentemente os erros irão surgir e
fazer parte da vida de todos nós e de todas as nossas
relações. No entanto, nossa sociedade possui uma visão de
que os erros são motivos de vergonha ou de se sentir
fracassado e devido a isso se vive buscando uma perfeição
inalcançável, onde os erros não são aceitos ou permitidos,
inclusive das crianças, como se principalmente elas, seres
ainda em fase desenvolvimento, fossem capazes de não
cometer erros.
É preciso se levar em consideração a fase de
desenvolvimento da criança, pois muitos comportamentos
delas que são considerados inadequados ou errados, são
apenas comportamentos típicos da idade, já que crianças
gostam e precisam explorar o seu redor, são curiosas e
103

possuem muita energia. E muitas vezes esses


comportamentos não atingem a expectativa dos pais
que agem como se as crianças devessem saber o que
fazer, esquecendo que as crianças precisam de
orientação e exemplos para aprenderem, inclusive com
os próprios erros. Importante entender e aceitar que os
erros fazem parte da vida e compreender que eles
podem ser algo positivo também, e que podem
contribuir para o desenvolvimento da criança se estes
forem vistos como oportunidades de aprendizagem.
104

Os pais precisam ter em mente que as crianças


nascem prontas para aprender, mas que estão em
processo de desenvolvimento e precisam de alguém
para ensiná-las e mostrá-las o que e como fazer. E são os
pais ou cuidadores da criança os responsáveis em
desempenhar esse papel. Para isso, eles precisam mudar
a forma como veem os erros e encará-los como desafios
que surgem como oportunidades de aprendizagem.
Além disso, as crianças aprendem ao ter como exemplo
os pais, então estes precisam ter uma postura
encorajadora em relação aos erros, demonstrando
coragem ao encarar seus próprios erros e de encorajar a
criança quando ela errar, agindo com compaixão e
amabilidade com frases como: “Não tem problema que
você tenha errado”; “O que podemos fazer e aprender em
relação a isso?”. Ao agir assim, os pais estão inspirando
os filhos a perceberem que é possível aprender com
erros, diferentemente de quando ao errar, reagirem com
culpabilização, humilhações, broncas e castigos,
utilizando frases como: “Você é burro! ”, “Nunca faz nada
certo! ”.
105

Como você acha que a criança se sente ao ouvir esse


tipo de mensagem? Ela pode se sentir inadequada,
indesejada, decepcionada ou magoada. Pois quando as
mensagens que são passadas as crianças são negativas,
elas não as motivam a agir melhor e a desenvolver
habilidades de vida. E nesse caso, não aprendem a ter um
olhar encorajador em relação aos seus próprios erros e
ao dos outros erros. Muitos pais agem assim impelidos
pelo medo de que seus filhos não se comportem melhor,
deles não aprenderem como deve se comportar e de que
se não agirem com autoritarismo e/ou humilhações,
estarão sendo permissivos. Percebendo assim, os erros
como motivos para se culpar ou culpar a criança, não
vendo os erros como oportunidades de ensiná-las, mas
sim como motivos para se envergonhar e muitas vezes se
sentirem fracassados como pais.
No entanto, quando o erro é visto pelos pais como
oportunidades de aprendizado o tom muda e se torna
mais fácil assumir a responsabilidade por ele. Muitos pais
quando erram tem muita dificuldade em assumir seus
erros e consequentemente de repará-los diante de seus
filhos, porém quando entendem que podem aprender
com os erros e corrigi-los sem perder sua autoridade
como pais, estes acabam por ser os exemplos e ensinar as
106

crianças que os erros podem ser oportunidades de


aprendizado ao assumir a responsabilidade pelo que se fez, se
sentindo assim motivados a mudar a forma de agir diante dos
próprios erros.
Na Disciplina Positiva utilizamos os 3 R’s da recuperação de
erros, que são: Reconhecer o próprio erro, Reconciliar (pedir
desculpa pelo erro) e Resolver (buscar soluções junto com a
criança). Os dois primeiros R’s abrem caminho para o terceiro
R, pois estes promovem um ambiente mais leve, para que os
pais consigam se conectar com a criança, criando um
momento para que ambos estejam prontos para encontrar
uma resolução para o problema, já que em um ambiente
hostil em que a criança e o adulto estão magoados, chateados
e/ou com raiva, não é possível agir desta maneira. Pois
quando se está com raiva ou medo reagimos impelidos por
essas emoções e se perde o controle, agindo antes de pensar,
pois não estamos usando a região do cérebro, chamada córtex
pré-frontal, responsável pelo autocontrole, por pensar em
consequências e pela resolução de problemas. Nos momentos
de raiva, quem está no comando é a amígdala cerebral,
responsável pelas emoções mais primitivas, como o medo e a
raiva, que bloqueia a região do córtex pré-frontal e assume o
controle da situação, ativando o modo luta/fuga. Nas crianças
isso ainda é mais forte, pois a região do córtex pré-frontal
ainda está em desenvolvimento, enquanto que a amígdala
quando o bebê nasce ela já está desenvolvida.
107

Então, em vez de agirmos conscientes e pensarmos


antes, reagimos tomados pelas emoções ativadas no
momento da situação. Por isso é necessário integrar essas
duas áreas do cérebro da criança e dos pais, a responsável
pelo autocontrole com a área responsável por essas
emoções mais primitivas, para que assim pai e filho
consigam chegar no terceiro R, o de resolver, em que juntos
possam encontrar soluções úteis e respeitosas para aquele
problema.
Ao utilizar esses passos demonstramos às crianças a
“coragem de ser imperfeito”, como aponta Rudolf Dreikurs,
e essas entendem que podemos errar e ter ações para
corrigirmos nossos erros, e que o erro não é um problema e
sim uma oportunidade. Ao reconhecerem seus erros, os
pais se humanizam diante de seus filhos e isso gera
identificação e aproximação, fortalecendo o vínculo e a
conexão entre si, conexão essa tão fundamental para uma
relação parental mais harmoniosa em que os filhos possam
aprender habilidades socioemocionais para a vida.
Os pais precisam se encorajar e encorajar seus filhos a
encararem os erros como oportunidades de aprendizagem.

Contato | E-mail: danieleguimaraes_psi@yahoo.com.br


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108

As emoções da
infância: Como
conectar para
redirecionar
Nelsilene Ferreira | CRP: 03/18243

A criança por volta de um ano e meio até mais ou


menos os quatro anos de idade, passa pela fase de
desafios. Os pais ficam em sofrimento por não saberem
lidar e as crianças, na grande maioria, por não serem
compreendidas. É a fase dos famosos nãos e as
chamadas birras aparecem. É também a fase em que o
cérebro está se conectando com a vida. As crianças se
tornam mais participativas e querem explorar o meio ao
seu redor, brincam, disputam espaços, imitam e
observam os outros em seu convívio.
109

De repente você gostaria que seu filho fosse calmo,


tranquilo, comportado, que não gritasse e nem chorasse
tanto. Preciso te dizer que isso é um tanto difícil, eu diria
impossível, levando em consideração que cada criança é
única, possui seu próprio desenvolvimento e características,
o ideal é sabermos que os comportamentos que esperamos
que nossos filhos apresentem, não condizem com seu marco
de desenvolvimento e compreender a sua fase ajudará a
entender suas reações e comportamentos.

No entanto alguns pais acreditam que as punições são


as melhores ferramentas a serem utilizadas e que são
necessárias e justas, contudo a punição vem com o cunho
de fazer com que a criança pague pelos seus erros, erros
esses mal interpretados pelos adultos como mau
comportamento, falta de educação e outros, para além do
cunho de pagar pelos seus erros, causam vergonha e
humilhação. É importante entender que esse ¨mau
comportamento¨ pode ser uma oportunidade do adulto
ensinar algo para a criança.
110

Segundo Jane Nelsen, a criança não precisa se sentir


mal para aprender alguma coisa. As punições podem não
ser tão eficazes, podem atrapalhar no desenvolver de
algumas habilidades em nossos filhos como: autoconfiança,
autonomia, independência, inteligência emocional, dentre
outras que ajudarão para uma construção de uma vida
fortalecida e encorajada. O desafio maior é que essas
crenças de que a punição ainda é o melhor caminho, não
são facilmente abandonadas pelos pais, elas são partilhadas
há muito anos. E para desconstruir é necessário que os pais
desenvolvam novas habilidades para educação dos filhos,
dedicando tempo com presença, paciência, supervisão,
tolerância e tomada de consciência. Nossos pais, não
tiveram conhecimento sobre como o cérebro funciona, eles
não sabiam que a educação pelo medo e punição na infância
poderia causar prejuízos socioemocionais na vida adulta.
Contudo o mundo contemporâneo nos oferece um leque de
oportunidades para fazermos diferente, podemos
proporcionar aos nossos filhos uma educação mais eficaz,
com base em uma conexão amorosa, formando vínculos
duradouros na relação entre pais e filhos, gerando respeito
mútuo, empatia, encorajamento e muito aprendizado, nos
permitindo renovar a mentalidade para uma parentalidade
consciente, pois serão nossas atitudes que moldarão nossos
filhos para o futuro.
111

É possível nos conectarmos aos nossos filhos antes


de oferecer qualquer aprendizado, todos nós quando
estamos inundados por uma forte emoção não
conseguimos absorver nenhum tipo de aprendizado,
assim também acontece com as crianças. Isso acontece
porque quando sofremos um forte impacto emocional a
parte do nosso cérebro racional fica desativada e o que
fica acionado é a parte emocional. É por isso que não
adianta discursos, sermões, broncas, ensinamentos e
até mesmo colocá-las de castigo.
112

O ideal é primeiro se conectar com a parte emocional


da criança, ajudá-la a se acalmar e aí sim, será o momento
de conversar, ouvir e ensinar sobre o que quer que tenha
ocorrido antes de apresentar tal comportamento
indesejado, assim nós contribuímos para que nossos
filhos utilizem o cérebro por completo.

Algumas estratégias podem ser utilizadas para que a


conexão aconteça no momento em que a criança estiver
mergulhada em uma emoção. É muito comum uma
criança com dois anos de idade chorar, se jogar no chão,
espernear se de repente o desejo dela não for atendido,
normalmente nós ficamos envergonhados, nos
chateamos, desistimos até mesmo de fazer o que estava
proposto por conta disso. São muitos os fatores que
podem levar a criança a esse comportamento, por
exemplo: sono, fome, cansaço e ou apenas a frustração
por não ter tido seu desejo atendido. Independente do
motivo a estratégia é se conectar com essa emoção. Como
faremos isso? Acolhendo essa criança, sendo empático
com ela, dizendo para ela que você está ali, se possível
retirá-la do ambiente, e levá-la para um lugar mais
113

tranquilo. Você pode abraçá-la e consolá-la, se a emoção


for muito intensa carregue-a no colo e contenha para
não se machucar até tranquilizá-la. Nomeie a emoção
para criança, ela ainda não compreende você que a
ensinará, diga que você percebeu que ela estava com
raiva/ triste (ou qualquer outro) e pergunte o que
aconteceu. Permita um espaço de fala e de escuta ativa,
se fazendo presente, deixando toda e qualquer distração
para escutar o que a criança vai trazer, do jeito dela.
Talvez ela ainda não tenha um repertório de fala tão
elaborado, é muito importante permitir que essa criança
coloque pra fora o que está sentindo, mesmo que ela
ainda balbucie, se conecte com o que ela está sentido de
forma verdadeira, a criança vai perceber que você está
interessada em saber o que ela está sentindo e com isso
ela se sentirá cuidada e protegida.
114

Agora que ela se acalmou, você a redireciona para


outra atividade, você pode solicitar ajuda dela para fazer
alguma coisa, se estiver em um supermercado pode
solicitar que pegue algumas frutas, a criança gosta de
sentir útil. Crie rotinas para ajudar sua criança a
organizar o cérebro, isso ajuda a evitar conflitos, faça
combinados antes de sair.

Na busca em saber quem é e o que sentem pelos


pais e ou responsáveis, por não saberem interpretar e
expressar seus sentimentos e emoções, as crianças
podem se encontrar em constante conflito e não
conseguem pedir ajuda. Por isso a importância de gerar
uma conexão saudável com nossos filhos, validando
suas emoções, acolhendo sua dor, permitindo que eles
coloquem para fora o que sentem, assim construímos
seres humanos com habilidades socioemocionais
fortalecidas.

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115

Educação
Socioemocional
Steffani Rissi Miranda | CRP: 07/33258

O desenvolvimento social e emocional dos indivíduos


acontece desde que o ser humano é reconhecido como
sujeito. Esse processo ocorre por meio das relações
interpessoais nos diferentes contextos que as pessoas
participam.
O desenvolvimento social pode ser considerado pela
forma com que o indivíduo reage frente às diversas
situações que envolvem outras pessoas. É possível
mencionar como habilidades sociais, por exemplo:
socialização, cooperação, respeito, empatia, capacidade de
comunicação assertiva, resolução de problemas, dentre
outras.
O desenvolvimento emocional se mostra pela maneira
pessoal com que a pessoa vivencia e integra as suas
experiências. Quando caracterizado como saudável, se
mostra através da capacidade de identificação, nomeação,
aceitação e manejo das emoções em diferentes momentos.
116

DESAFIO:
1º Pesquise sobre o assunto e faça uma lista das habilidades
socioemocionais que você considera importantes.
2º Classifique essas habilidades em duas colunas: “habilidades
que você considera que estão bem desenvolvidas em você” e
“habilidades que você deseja aprimorar”.
3º Por fim, tome decisões sobre como desenvolvê-las. Se
possível ou necessário, procure apoio e auxílio neste processo.

Estudos sobre os benefícios do desenvolvimento


socioemocional demonstraram que as pessoas com altos
níveis de amadurecimento dessas habilidades apresentam
maior bem estar geral, beneficiando a si mesmas e a
sociedade como um todo.
Diante dessas informações, é possível supor que o
desenvolvimento das competências socioemocionais possui
impacto significativo, já que o mundo é compreendido como o
provável reflexo de quem somos, de nossas escolhas e da
maneira como lidamos com as diferentes realidades.
117

DESAFIO:
* Tendo em mente todas as transformações pelas quais os
indivíduos passam no decorrer das suas vidas, faça uma
lista de acontecimentos em que o seu desenvolvimento
socioemocional se destacou como importante para você!

As variadas competências socioemocionais se tornam


parceiras da pessoa, na medida em que as suas experiências
de vida favorecem o seu desenvolvimento. Desta forma, se
destaca que essas habilidades socioemocionais são passíveis
de aprendizado por meio da teoria e da prática. Esse processo
de ensinar e aprender a respeito das variadas emoções e
habilidades sociais se chama Educação Socioemocional. Um
trabalho que eu realizo, tenho muita identificação e que faz
muito sentido para mim.
A Educação Socioemocional se caracteriza por ser um
percurso de aprendizado, bem como de transformação
pessoal e social. Na realização deste processo, o sujeito é
considerado como um ser único, na medida em que as
experiências e demandas emocionais e sociais dele são
ouvidas e acolhidas. A vivência da educação socioemocional
oportuniza o aprendizado sobre as emoções e habilidades
sociais, bem como a prática por meio da identificação,
nomeação, aceitação e manejo destas.
118

DESAFIO:
* Comece hoje a olhar para você e perceber as suas
emoções e as suas habilidades para lidar com elas e as
demandas sociais que lhe cercam. Há algo que pode ser
aprimorado? Faça uma lista e comece a praticar!
* Acolha as emoções e sentimentos dos seus filhos, valide o
que ele/ela está sentindo ao dizer que compreende a
emoção que está mais aflorada naquele momento e que
você está com ele/ela para ajudar a compreender e
aprender a lidar com essa emoção.

As habilidades socioemocionais têm o poder de


transformar vidas! Quando vidas se modificam, histórias
traçam novos caminhos e o nosso mundo reflete a nossa
mudança interior! Se desejar algum auxílio nesses desafios e
na caminhada da transformação, entre em contato comigo e
juntos abraçaremos essa causa!

Contato | E-mail: psisteffanirm@gmail.com


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119

Como auxiliar seu filho a


desenvolver uma
mentalidade de crescimento
Vera Lucia Vieira Santos | CRP: O6/30028

O termo Mindset (mentalidade), é utilizado para


refletir a mudança de comportamento das pessoas ao
longo da vida e a forma como lidam com o sucesso e o
fracasso. De acordo com a pesquisadora e psicóloga
Carol Dweck em seu livro Mindset: A nova psicologia do
sucesso, existem dois tipos: o mindset fixo e o de
crescimento.

Mindset fixo: Pessoas com esta mentalidade têm uma


crença limitante e imutável. Isto significa que elas
acreditam que nada vai mudar em suas vidas, não
importa o que façam. Elas tendem a evitar desafios ou
novas experiências, acreditam que não conseguem
desenvolver habilidades, além das que já possuem. Para
quem tem este tipo de pensamento o fracasso é sinal de
derrota e humilhação. Dessa maneira muitas pessoas
desistem do objetivo pelo medo de fracassar.
120

Mindset de crescimento: Está baseada na crença de que


você é capaz de cultivar qualidades, por meio de seus
esforços. As pessoas dotadas deste mindset, acreditam que
competências e habilidades podem ser melhoradas e
aprimoradas. Seus esforços estão sempre alinhados à
prática, treinamento e inteligência, porém para se alcançar
seus objetivos, tem ciência de que será necessário anos de
paixão e dedicação. Acreditam que sair da zona de conforto
é sempre uma boa ideia, podendo adquirir um crescimento
significante. Seus interesses estão voltados para um
desenvolvimento constante e aprendem a lidar melhor com
as vulnerabilidades.

Como auxiliar seu filho a desenvolver um mindset de


crescimento

O mindset de crescimento é construído na mais tenra


infância e se os pais querem dar um presente a seus filhos,
a melhor coisa que podem fazer é ensiná-los a amar os
desafios, ficar intrigados com erros, desfrutar do esforço e
se manter aprendendo. Desta forma estes filhos não serão
escravos do medo e conseguirão construir e reparar a
própria confiança por toda a vida. Esta mentalidade passa
por uma educação encorajadora, pautada na gentileza e
firmeza.
121

Importante mostrar interesse pelas estratégias e


escolhas de seus filhos, mesmo que eles não alcancem o
resultado esperado, apreciar e privilegiar a capacidade
para enfrentar novos desafios. Faça-o perceber que em
cada nova experiência, existe uma grande chance para
desenvolver suas habilidades, adquirir novas formas de
resolução de problemas e aprimorar sua capacidade para
tolerar frustrações.
Assim como treinamos o corpo para um desenvolvimento
saudável, se faz necessário treinarmos o “músculo da
mente” com um trabalho árduo e contínuo, um
investimento diário. A vida irá sempre oferecer
oportunidades para trabalhar as habilidades e
competências de seus filhos e talvez seja mesmo na
adversidade, naqueles momentos de birra e rebeldia que
você terá a chance de treinar a tão necessária capacidade
de resiliência. Necessário saber que seu filho só irá
aprender aquilo que você ensinar, treinar e repetir, tantas
vezes for preciso, porque para que o cérebro de seu filho
desenvolva novas habilidades, se faz necessário a força do
hábito.
122

Neste caminho seu filho irá se encantar com suas


novas descobertas, não terá medo de tentar, de se
arriscar, se sentirá respeitado em suas presentes e
temporárias limitações. Aprenderá com seus erros e
descobrirá que eles são excelentes oportunidades de
crescimento. Entenderá que existem várias maneiras de
se chegar a um mesmo resultado, não terá medo de
trilhar novos caminhos e horizontes. Poderá ser o
protagonista de sua própria história.

Talvez esta tarefa seja a missão mais desafiadora:


dar a liberdade de se ter a chance de ser, de existir e
fazer escolhas, descobrir a realidade com suas próprias
lentes. Respeitar o lindo processo de individuação, que só
será possível diante da permissão para ser humano.
Humano para errar, aprender, se reinventar e recomeçar
sempre.
Terá valido a pena quando daqui quinze ou vinte
anos você se encontrar com seu filho e poder dizer:
“Estou fascinado pela pessoa incrível que você se tornou!”

Contato | E-mail: loppes.ve@gmail.com


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123

Preparando para a vida


e deixando ir com
amor: encorajando a
autonomia dos filhos
Simone Guedes | CRP: 06/78416

Autonomia é a capacidade de conduzir a própria vida


levando em conta regras, valores, perspectiva pessoal e
também o outro. Possibilita assumir responsabilidades,
tomar decisões e sentir-se mais confiante e independente.
É possível e imprescindível que seja incentivada desde
cedo. O desenvolvimento da identidade e da autonomia
dos pequenos não ocorre de maneira adequada se não for
estimulado. É importante que o adulto ajude a criança a
desenvolver suas capacidades e a ser consciente delas,
possibilitando que aprendam a confiar em si mesmos.
Assim, passam a se tornar autônomos e capazes de
aprender com os próprios erros.
124

O encorajamento da autonomia costuma ser uma


questão delicada. Por mais que os pais compreendam a
importância da independência dos filhos, existem fortes
sentimentos que atuam no sentido inverso. Primeiro, há
questões puramente relacionadas à comodidade.
Atualmente as pessoas são ocupadas e vivem com pressa.
Geralmente são os pais que acordam as crianças, dizem o
que comer e vestir porque parece mais fácil e rápido fazer
por eles. Outro fator está relacionado puramente ao amor.
Os pais sentem uma dificuldade enorme em permitir que
os filhos se esforcem e errem, pois têm a certeza de que
algumas “sábias” palavras poderiam protegê-los da dor e
do desapontamento. Mas há algo ainda mais profundo que
interfere nesse processo: a intensa necessidade de ser
totalmente indispensável. Apesar dos sentimentos de
orgulho do progresso dos filhos e da alegria por sua
crescente independência, pode haver também a dor e o
vazio de não serem mais absolutamente necessários.
125

Os filhos precisam de autonomia e dependência


saudável dos pais. Eles precisam de um equilíbrio entre a
proteção dos pais e a liberdade de descobrir suas próprias
capacidades. Portanto, o desenvolvimento saudável da
autonomia requer liberdade dentro de limites seguros e
orientação gentil e firme, para que a criança possa iniciar
sua importante jornada rumo à independência.
A seguir, algumas sugestões de como incentivar o
desenvolvimento da autonomia:

Deixe a criança fazer escolhas. Para a criança, cada


pequena escolha representa uma oportunidade de
exercer algum domínio sobre sua própria vida. Deixe claro
o que deve ser levado em consideração e ofereça opções
predeterminadas, lhe proporcionando a possibilidade de
ponderar qual delas considera mais adequada.

Criem juntos um quadro de rotina. Identifiquem as


atividades que devem ser feitas diariamente e, juntos,
organizem a rotina. Permita que a criança opine na ordem
das atividades, sempre que possível.
126

Demonstre respeito e valorize o esforço da criança.


Reconheça a dificuldade do desafio e encoraje. Quando
dizemos à criança que algo é “fácil”, podemos diminuir sua
autoconfiança, pois se ela conseguir, pode não valorizar
seu sucesso. Se falhar, se sentirá frustrada por ter falhado
em fazer algo simples. Se, por outro lado, dissermos que a
tarefa pode ser difícil, se tiver sucesso pode se sentir
encorajada por ter feito algo difícil. Se falhar, pode ao
menos ter a satisfação de saber que sua tarefa era difícil.
Não atingir os objetivos também faz parte da vida, os
erros são parte do aprendizado.

Não se apresse em dar respostas. No processo de


desenvolvimento as crianças fazem uma variedade
absurda de perguntas. Muitas vezes os pais procuram
respostas apropriadas imediatamente. No entanto,
geralmente, quando uma criança faz uma pergunta, já
estava refletindo sobre a resposta. Seria interessante que
o adulto a ajudasse a explorar mais suas ideias,
devolvendo suas perguntas, para que ela pense ainda
mais sobre o assunto. Sempre haverá tempo para se
oferecer a resposta “certa”, se ela ainda for importante.
127

Incentive as crianças a procurar respostas fora de casa.


Mostre às crianças que há um mundo fora de casa, onde
também é possível obter respostas e ajuda quando
necessário, como com a enfermeira da escola, a
professora ou o dentista. Muitas vezes essas fontes
externas acabam sendo mais efetivas que inúmeras
conversas dos pais.

Não lhes tire as esperanças. Muito do prazer da vida se


encontra no sonhar, fantasiar e planejar. Na tentativa de
preparar as crianças para a possibilidade de
desapontamento, os adultos querem privá-las de
experiências importantes.

Ensine, não faça pela criança. Demonstre como fazer,


explique sempre e quantas vezes forem necessárias, mas
não faça por ela. Quanto mais os adultos fazem por elas,
mais necessários se tornam para fazê-lo novamente.

Não fale sobre a criança na presença dela e deixe que


responda por si mesma. É muito comum ouvirmos
perguntas aos pais, na presença do filho. Uma forma de se
respeitar a autonomia da criança é dizer para que ela
mesma responda.
128

Demonstre respeito pelo desenvolvimento da criança. Muitas


vezes a criança quer muito fazer algo, mas não se
encontra apta emocional ou fisicamente. É importante
que os adultos expressem sua confiança em sua
capacidade, de que quando estiver pronto irá conseguir,
em vez de forçar ou apressar a criança.

Ensine o autocuidado. Estimule o cuidado com a higiene


pessoal. Ensine-as a lavar o corpo, de maneira que em
breve, seja a responsável pelo próprio banho. Ensine como
verificar se as roupas estão limpas e onde devem ser
colocadas se estiverem sujas, deixando clara a rotina de
limpeza da casa.

Estimule o cuidado com a casa. Devemos incluir a criança


no cuidado da casa não só porque um dia terá a própria
casa, mas principalmente porque deve participar do
cuidado do ambiente onde mora.

Estimule o cuidado com a saúde. Explique para a criança, de


maneira bem simples, o funcionamento do nosso corpo e
a função dos alimentos, sobre quais são saudáveis e
colaboram com o nosso organismo e os que devem ser
exceção. Explique a importância também do sono, de
brincar e de se exercitar.
129

Estimule o cuidado com as relações. Ensinar a olhar para o


outro com empatia, estimular e valorizar a generosidade e
gentileza é cultivar a responsabilidade social das crianças.
É essencial que as crianças entendam que estamos
conectados uns aos outros, vivendo em uma
interdependência.

Estimular a autonomia é preparar as crianças para


que, no dia em que forem assumir o leme da própria vida,
tenham as ferramentas necessárias para fazê-lo da
melhor forma possível. Entender o quão importante é
para uma criança desenvolver autonomia contribui para
que os adultos cuidadores se divirtam com suas crianças
ao observarem a autonomia e independência se
desenvolvendo nelas, e curtam a promessa de confiança e
coragem no futuro lindo que está por vir!

Contato | E-mail: siguedes@yahoo.com.br


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130

Diferenças entre
encorajamento e elogio: a
importância do encorajamento
no desenvolvimento saudável
da criança
Isabel Cristina Barbosa Dante Fontes | CRP: 04/38395

Você já reparou como nossos filhos nos pedem


aprovação e elogio o tempo todo? Percebe o quanto
gostamos de elogiá-los, e que o fazemos com tanta
facilidade? Você sabe a diferença entre elogio e
encorajamento?
Na medida em que cresce, a criança vai construindo
conhecimento sobre si e sobre o mundo com base nas
crenças e percepções da família. E essas vão sendo
internalizadas pela criança como verdades únicas. Assim,
a forma como os adultos falam com uma criança tem
grande influência na formação dela. Quando dizemos
“Parabéns! Ficou lindo seu desenho!”, expressamos o
nosso sentimento, enquanto adultos, em relação ao que
foi feito. Essa mensagem não evidencia o sentimento da
criança em relação ao que produziu.
131

Logo, a criança pode entender que para receber um


novo elogio, deverá fazer algo tão lindo quanto aquele,
passando a ignorar seus sentimentos e buscando a
perfeição para ser aceita.
Segundo Aguiar (2014), o encorajamento é mais
motivador do que um elogio, pois não envolve juízo de
valor de quem a emite, pelo contrário, o reconhecimento
justo daquilo que a criança pode ser em dado momento,
evidenciando todo seu potencial de vir a ser diferente
em outras oportunidades.
132

Podemos entender que elogio e encorajamento são


completamente diferentes. O elogio se refere a uma opinião
agradável, que ressalta as boas qualidades de uma coisa ou
pessoa. Já o encorajamento valoriza o sentimento da
criança, contribuindo para a aceitação do “erro” e do
processo de construção e não de perfeição.
O elogio aprisiona a criança na necessidade constante
de aprovação externa. O encorajamento libera a criança
para ser ela mesma, aceitar suas limitações e explorar suas
possibilidades.
Vamos tentar substituir o elogio por palavras de
confirmação e encorajamento? Para isso, ao responder
vamos retirar o locus do adulto e colocá-lo na criança. Veja
alguns exemplos:

Mãe olha o que eu fiz! Ficou bonito?


- Você deve estar orgulhosa do que fez. Como você se sente
sobre isso?

Tirei 10 na prova! Você ficou feliz?


- Você se esforçou e merece essa nota!
133

Não consigo fazer isso!


- Cada dia que passa você aprende mais. Você quer tentar de
novo?

Mãe, qual você acha que devo escolher?


- O que te agrada mais?

Uma criança que depende do elogio, é uma criança


desencorajada. O desencorajamento vem das crenças
desencorajadoras e de um senso de não aceitação ou falta
de importância. Não importa se as crenças são baseadas
em fatos ou na percepção das crianças sobre a situação.
Comportamento é baseado no que as crianças pensam que
é verdade, e não no que é verdade (NELSEN, 2016, p.95).
Assim, para contribuirmos com o desenvolvimento
saudável da criança é de suma importância que os pais
aprendam a encorajar as crianças, substituindo o elogio por
palavras de confirmação.

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134

Quando gritamos com


as crianças…
Camila Neves Camargo | CRP: 06/139041

Quem nunca se irritou com crianças gritando,


correndo, fazendo bagunça, se comportando mal e deu um
“grito” para que a criança voltasse sua atenção para você?
Mas será que gritar é a maneira ideal de conseguir com que
as crianças se acalmem e prestem atenção em você? O que
pode acontecer com nosso cérebro quando estamos
constantemente sendo tratados aos “berros”? Como
podemos agir nesses momentos que nos “tiram do sério”,
que “nos levam a loucura”?
Vamos refletir um pouco sobre esse assunto tão
comum de ser encontrado em nossas casas.
Todos nós temos em nosso cérebro os
neurotransmissores, que possibilitam que façamos as
coisas no nosso dia a dia (aprender, memorizar, ter
atenção, regulação de humor, etc). Quando o pai ou a mãe
grita (é estúpido(a), áspero(a), intolerante, impaciente),
ele(a) promoverá no cérebro do seu filho(a) um “derrame”
de neurotransmissores que bloquearão a aprendizagem.
135

Quando gritamos, há uma série de prejuízos no


desenvolvimento psicológico das crianças. Elas acabam por
desenvolver comportamentos mais agressivos ou defensivos,
e na adolescência os problemas comportamentais e sintomas
depressivos tornam-se mais frequentes. Alguns estudos
indicam que uma criança que cresceu sob abuso verbal, de
gritos e humilhação ou os três juntos, tem sua estrutura
cerebral alterada de forma permanente, causando mudanças
na personalidade, no humor, comprometendo a estabilidade
emocional e também dificuldade de manter a atenção.
136

O grito geralmente aparece quando alguém perdeu o


controle e ele não diminui o problema, mas sim o
aumenta. Além de que o grito também agride aqueles que
não merecem ouví-lo, humilha e tem efeito momentâneo.
Se gritar fosse a solução, não haveria indisciplina. Como a
Jane Nelsen diz: “De onde tiramos a absurda ideia de que
para levar uma criança a agir melhor, precisamos antes fazê-
la se sentir pior?” e é exatamente isso que o grito faz com a
criança: com que ela se sinta pior.
137

Um pai e uma mãe que não são coerentes em sua


fala, que não tem integridade, que humilha, que pede
silêncio gritando ou ainda que pede ao filho(a) que seja
justo quando ele próprio tem “dois pesos e duas
medidas”, leva a um problema de relacionamento e
consequentemente a indisciplina.
Todo relacionamento é uma via de mão dupla:
ambos precisam saber ouvir e saber falar para chegarem
a um consenso. Por isso a Pausa Positiva é um bom
recurso quando ambos, pais e filhos, estão fora do seu
controle emocional. Se retirar do local ou ir para o
espaço da pausa positiva dá a oportunidade para que
todos se acalmem, possam voltar a se sentir melhor e
então buscar uma solução juntos.
Como somos seres emocionais e relacionais,
precisamos levar em consideração que a criança não
respeitará o pai ou a mãe só porque eles são pais. O
respeito e a admiração acontecerão quando a criança
perceber que eles se importam com ela, com seus
sentimentos e desejos, que os encoraja através de uma
educação firme e gentil.
138

A reunião de família é um outro recurso muito


importante e que pode ajudar a todos quando houver
momentos de descontrole. Se os pais ficaram nervosos por
algum mal comportamento dos filhos, eles poderão levar o
assunto para a pauta da reunião de família e então, todos
juntos poderão pensar em como solucionar os problemas.
Quando as crianças se envolvem na busca de solução ou na
criação de regras, elas se tornam mais propensas a segui-las.
Promova a autonomia dos seus filhos(as): ao propor e
realizar as tarefas, mostre a eles que você confia neles, que
quando eles cooperam, ajudam e se respeitam, todos se
sentem melhor.
Como pais é importante lembrar que os erros são
oportunidades incríveis para aprender, mas gritar com as
crianças para corrigi-los não está com nada!

Contato | E-mail: camilancpsi@gmail.com


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139

Dificuldades na
alimentação das crianças
e as influências dos
Estilos Parentais
Adriana Cucco | CRP: 05/30204

É comum a maioria das pessoas apresentar algum


tipo de restrição em sua dieta. Não gostamos e nem
precisamos gostar de tudo que nos é oferecido. Temos
preferências e distinção de paladar. Tem quem goste
mais de comidas doces, outras preferem as salgadas,
cítricas ou amargas. É absolutamente normal que cada
pessoa não goste particularmente de algum alimento. E
está tudo bem.
140

Sabemos que para ter uma alimentação saudável é


preciso que seu organismo receba todos os nutrientes
necessários, para isso é importante pensar em
variedade, equilíbrio e quantidade de consumo. O
resultado disso é nosso corpo realizar o metabolismo,
ajudar na manutenção e crescimento dos tecidos, além
de nos fornecer energia. Com uma alimentação
equilibrada estamos menos suscetível ao aparecimento
da obesidade, câncer, anemias e hipertensão. Comer
bem traz benefícios físicos e mentais.

A alimentação no desenvolvimento infantil é um


dos pilares de uma vida saudável. Isso inclui o
desenvolvimento social e o desempenho escolar. Comer
saudavelmente traz impacto em tudo que fazemos
diariamente, fornecendo energia, mantendo o corpo
funcionando e ajudando na evolução do crescimento e
no aprendizado. O início da alimentação se faz desde o
primeiro momento de vida da criança através da
amamentação. A fase de introdução alimentar é vital
para o desenvolvimento do paladar e o início de um
hábito alimentar diversificado. O papel dos pais é de
extrema importância nesse momento.
141

Os estilos parentais permitem perceber a influência


dos pais no desenvolvimento dos filhos. John Gottman
revela o impacto das relações emocionais entre pais e
filhos e o equilíbrio da criança. A forma como eles se
comunicam com os filhos e lidam com suas emoções
influencia diretamente no desenvolvimento infantil. São
quatro os estilos parentais: Permissivo/Laisse-Faire,
Desaprovador/Autoritário, Simplista/Negligente e o
Preparador Emocional/Encorajador. Todos nós temos um
pouco de cada estilo e a maneira como os pais se
comportam na hora das refeições das crianças pode
influenciar no tipo de alimentação que ela aprenderá a ter
na vida.
O estilo permissivo é caracterizado por muita gentileza
e pouca firmeza. Pais com dificuldades de estabelecer
limites aos filhos, superprotetores, mimam e fazem com
que o filho não precise lidar com frustrações. Na hora da
alimentação, provavelmente deixam a criança escolher
que horas vai comer, onde vai realizar a refeição e o que
quer que tenha no prato. Se quiser trocar o prato de
comida por uma mamadeira ou pela sobremesa, é
permitido.
142

Já o estilo desaprovador/autoritário é marcado por


muita firmeza e pouca gentileza, ou seja, os pais
acreditam que seu papel é controlar e comandar a vida
dos filhos. Na alimentação, podem não proporcionar um
momento de experimentação de novos sabores e
texturas. Tem que comer o que está na mesa ou no
prato, gostando ou não.
143

No estilo simplista/negligente a característica é que


não existe nem firmeza, nem gentileza. Marcado por pais
que desistiram de criar e educar os filhos, não dando
muita importância para o que é importante para um
crescimento saudável. Se alimentam com o que é
possível naquele momento, sem a preocupação do que
seria o melhor.

O estilo encorajador apresenta a gentileza e a


firmeza ao mesmo tempo. Marcado por pais preocupados
em orientar e proporcionar o que existe de melhor para
um desenvolvimento saudável. Na hora da alimentação
sentam-se à mesa junto com os filhos, apresentam
diversidade de alimentos, conversam sobre a
importância da ingestão de coisas saudáveis,
reconhecem e aceitam que não gostam de tudo. As
refeições são momentos agradáveis na família.
144

Os pais devem saber que são exemplos para seus


filhos e que eles irão reproduzir e aprender com o que
estão vendo em casa. Como esperar que uma criança se
alimente perfeitamente bem, se não faz parte da sua
rotina se sentar à mesa com os pais, se não veem seus pais
comendo alimentos saudáveis, se a alimentação é sempre
um momento de tensão?
Psicólogos parentais podem ajudar os pais na educação,
no acolhimento e na orientação, identificando o estilo
parental e desenvolvendo melhores soluções para cada
família.

Contato | E-mail: psicoterapia@adrianacucco.com.br


Instagram @psicologa.adrianacucco
145

Desenvolvimento infantil:
relações entre a fase da
oposição (3 a 5 anos) e o
encorajamento parental
Julia Aparecida Bianchi Peretti | CRP: 06/5840

Partindo do pressuposto de que a criança, no seu


desenvolvimento, na fase de 3 a 5 anos de idade, vivencia
a etapa negativista, da oposição, do não, do eu, do meu, e
acrescenta-se ainda o eu posso, eu consigo, eu sei, eu
faço. Há uma necessidade de autoafirmação, a criança já
impõe seu ponto de vista às pessoas e assim vai
constituindo sua autonomia e a afirmação do eu psíquico.
A criança sente-se satisfeita por se tornar mais
independente, percebe-se mais sedutora para si e para os
outros, tornando-se mais graciosa. Nessa fase há uma
tomada de consciência de si próprio, imitando com a
intenção de fazer-se igual ao outro: trata-se de uma fusão
que é ao mesmo tempo oposição, pois ela percebe-se
assim, diferente do modelo imitado, desenvolvendo sua
personalidade através da relação com as pessoas que a
cercam. Nesta idade a criança já consegue reconhecer seu
146

lugar no meio familiar, focando seus sentimentos, decepções,


interesses e exigências relacionadas ao lugar ocupado na
constelação familiar.
Ao vivenciar a idade de 3 a 5 anos, a criança passa por
conflitos entre si e com as pessoas de seu convívio, volta sua
atenção ao próprio comportamento, surge então a timidez.
São os conflitos e as alternâncias entre a idade da graça e a
timidez.
Através dessa breve descrição sobre como se comportam
as crianças na fase opositora, possibilitando aos pais e
cuidadores uma maior compreensão, encorajando-os em
como lidar e conduzir momentos de hábitos de vida diária, de
forma firme, porém gentil, arremetendo essas crianças para
a libertação, à auto-afirmação, podendo expor seus pontos
de vista dentro de suas possibilidades, às pessoas, ao outro e
ao mundo.
147

Sendo respeitada para transcender de forma


encorajadora para nova fase, tomaremos como
exemplo uma atividade de vida diária da criança de 3
a 5 anos: o banho e o vestir-se, para que possamos
compartilhar atitudes encorajadoras aos pais e
cuidadores, possibilitando melhores conexões entre
eles e as encantadoras crianças.

Hora da birra para o banho e o vestir-se:

Demonstrar a importância do banho, de forma


gentil, pelo respeito à criança, porém de forma
firme, respeitando o adulto e a situação em si;
Dar uma pausa positiva, dizendo que irá esperar
até que ela se acalme para continuar a atividade
proposta;
Oferecer brinquedos para que a acompanhe no
banho criando situações fantasiosas e prazerosas.
Exemplo: o patinho vai nadar, brincar com o
espirrador de água, etc;
No ato de vestir-se, é encorajador permitir que a
criança escolha sua própria roupa, dentro das
possibilidades. O adulto pode dar duas opções e
pedir para a criança escolher dentre elas;
148

Depois da “birra”, demonstrar durante o ato de


trocar-se o quanto o banho possibilitou um bem
estar, fazer a “leitura” dos benefícios recebidos pela
ação.

As brigas, gritos e punições podem representar


soluções imediatistas para determinadas oposições,
como o ato de banhar-se, mas em longo prazo voltarão
através de atitudes de rebeldia, agressões e mais
birras. Com o encorajamento, os momentos
desafiadores os quais a criança apresenta, serão
revertidos a médio e em longo prazo em
desenvolvimento de habilidades sociais e de vida,
resultando em habilidades respeitosas à própria
criança e para com o outro.
No desenvolvimento infantil a criança de 3 a 5 anos
se opõe e nega, transcendendo para o eu consigo, eu
sei... Os pais e cuidadores, sem compreenderem esses
comportamentos travam disputas de poder por não
saberem conduzir a educação, sentindo-se
desencorajados. O encorajamento parental e a
Disciplina Positiva promoverão uma harmonia entre
pais, cuidadores e as encantadoras crianças.

Contato
E-mail: contato@juliabperetti.com.br
WhatsApp: (16) 99237-5804 | Telefone clínica: (16) 3252-5674
Instagram: @psicologajuliabperetti | Facebook: /psicologajuliabperetti
149

Empoderamento
infantil: autocontrole
e ludicidade
Aline Zavatiero de Andrade | CRP: 06/74008

Empoderar sua criança é cultivar suas forças pessoais


a fim de que ela possa dar e receber apoio social, saber
em que aspectos ela tem melhor desempenho e quando
melhor utilizá-lo. Integrando a força do autocontrole em
todos os setores da vida cria-se um amortecedor natural
contra as adversidades.
150

Desenvolver a habilidade de autocontrole significa


conseguir manter os desejos, os impulsos e as emoções de
maneira apropriada. O autocontrole está no clube da
virtude que nos protege dos excessos – a Temperança.

Você sabe como aumentar o manejo do autocontrole


na sua criança? Nós pais e educadores, precisamos de
atitudes intencionais que auxiliem na gestão das
emoções.
Este informativo tem como proposta apresentar
algumas posturas mais funcionais, diretrizes para que
possa educar de modo mais assertivo e com amorosidade,
conduzindo sua criança para uma vida mais feliz. Vamos
conhecer sobre algumas ações que podem contribuir para
um desenvolvimento emocional mais saudável, pois a
melhor herança e presente que podemos oferecer para
nossos filhos é o autocontrole.
151

Crianças capazes de tolerar emoções desconfortáveis,


tornam-se adultos mais estáveis, mais saudáveis, com
melhor desempenho acadêmico e maior sucesso
profissional.
O universo da criança é lúdico e precisamos usar isso
a nosso favor. Para ensinar o autocontrole para que a
criança tolere emoções desconfortáveis para alcançar
um objetivo, precisamos utilizar da ludicidade, a
imaginação, o olho no olho, se conectar com a criança.
Sejamos práticos: “Só se pode pensar depois de se
acalmar” – este é um mantra para a vida, para nós pais e
educadores.
A primeira ação que devemos ter para praticar a
educação emocional é ajudar a criança a se acalmar.
Lembrando que, quanto mais nova a criança, mais
emoção ela é, e por trás de todo mau comportamento há
um sentimento.
152

Depois que a criança se acalmar, começamos então a


nomear suas emoções, ajudando-a a perceber seu estado
emocional. Em seguida, conversamos sobre estes
sentimentos. E, por conseguinte, emprestamos nosso
cérebro adulto e maduro para planejar quais ações tomar,
auxiliando a criança a pensar nas consequências,
ensinando como nosso comportamento atinge o outro.
153

Através da ludicidade podemos usar a atividade


“Método do Semáforo”, esta nos indica de maneira
sistematizada os passos para o autocontrole:

Estabeleça uma zona de paz na sala da sua casa,


sinalizada com pôster de semáforo para a melhor
compreensão da criança. Cada uma das cores do
semáforo representa um passo no processo de
aprendizagem do autocontrole. Vejamos:

Vermelho: Pare e respire profundamente


Amarelo: Refletir com a criança – “O que fazer? Isso irá
funcionar?” – é nessa fase que nós pais e educadores
emprestamos nosso cérebro maduro para falar nas
consequências que surgirão com o mau comportamento,
saber que seu comportamento atinge o outro.
Verde: “Faça o que é certo!” – experimentar a melhor
ideia e ver o resultado.

A ideia central deste exercício é certificar que as


emoções transmitem informações, de que devemos
parar, acalmar-nos e nomear a emoção. Na condução da
atividade, é necessário reforçar para a criança a
importância da expressão de como se sente, tanto com
154

os outros quanto consigo mesmo, assim como ensinar o


significado da cor vermelha e da amarela, gerando
soluções alternativas e exercitando o aprendizado por
meio da encenação. Não esperar que a pior situação
ocorra. Quando observar o surgimento da perturbação
emocional, gentilmente, direcione a criança para o
semáforo.
Educar filhos conhecendo e empoderando suas
forças pessoais, corrigindo pensamentos distorcidos,
regulando estados emocionais perturbadores, com
amorosidade e ludicidade, é a maior herança que
podemos conceber. Auxiliar a criança e a nós pais no
controle dos sinais da emoção é um bom caminho rumo
ao processo de autocontrole, quesito fundamental da
educação emocional.
Aprendemos! Só se pode pensar depois de se
acalmar. Alinhe a ludicidade para ensinar a sua criança
a controlar, de maneira lúdica e prazerosa, as emoções
perturbadoras e mais intensas.

Indicação de Filmes sobre a Força do Autocontrole:


Curta Metragem da Pixar “Coisas de Pássaro”; Animação
“Madagascar” e “Cada um na sua casa”.

Contato | E-mail: psiqpositiva@gmail.com | WhatsApp: (13) 99677-7771


Instagram: @psique_positiva | Facebook: @psique_positiva
Site: www.psiquepositiva.site.psc.br
155

A família e o brincar
Thais Ferreira dos Santos Lima | CRP: 06/125901

Mamãe, papai, vamos brincar? Quando temos uma


criança em casa essa frase faz parte da nossa vida não é
mesmo?
O brincar é a forma que a criança usa para se
expressar, ela consegue se desenvolver por inteiro, não
só de forma física, mas, emocional e cognitivamente.
Através da brincadeira a criança pode desenvolver
habilidades e funções importantes, tais como: a
atenção, memória, motricidade, flexibilidade, imitação,
sociabilidade e especialmente a imaginação.
156

Por ser a família a primeira porta da criança para o


mundo, principalmente nos primeiros anos de vida, o brincar
se torna tão essencial para o papai e a mamãe quanto para
os seus pequenos, pois contribuirá para formação de
conceitos e interações ao longo de suas vidas. Essa
participação se torna tão importante quanto os demais
cuidados que terão com a criança no decorrer do tempo.

O brincar vai além do entretenimento. Para os pais é a


oportunidade de participar da vida de seus filhos de forma
efetiva, proporciona momentos únicos e inesquecíveis,
transpassando segurança e ensinando a interagir entre
pares de forma saudável.
Para a criança é a oportunidade de experimentar a sua
criatividade e a curiosidade em um espaço seguro, tendo a
oportunidade, em alguns casos, de diminuir sua ansiedade,
insegurança e timidez. Sendo assim, o brincar entre pais e
filhos amplia o companheirismo, a cumplicidade e o afeto da
família para outros ambientes que essa criança participe.
157

Mas em tempos tão tecnológicos onde o brincar está


atrás da tela, em apenas um clique, onde nossos filhos
possuem agendas tão cheias quanto as nossas, com
atividades escolares e extracurriculares, o brincar se
torna essencial para não perder os laços familiares, por
isso reserve um tempo para brincadeiras entre pais e
filhos, mesmo que ambos trabalhem fora, proporcione um
tempo de qualidade com seus pequenos.

Lembre-se que o fato de você já ter passado pela


idade do seu filho não o torna especialista naquela fase da
vida e que você saberá qual brinquedo ou brincadeira ele
vai gostar. Os tempos mudaram e a forma de brincar
também. É por isso que você e seu filho precisam migrar
de um mundo para o outro, saber interagir no universo
dele, e ele no seu. Por isso, aqui vão algumas dicas de
brincadeiras para vocês aproveitarem juntos, pois,
quando a criança se tornar adulto, ela não se lembrará
dos diversos brinquedos que ganhou, mas sim dos
momentos em que vocês estavam juntos.
158

Blocos de montar: Além de estimular a criatividade,


concentração, raciocínio lógico e coordenação motora
fina, essa é uma atividade que não limita a quantidade
de participantes. Imagine vocês construindo uma
cidade, um robô ou um castelo. Vocês podem combinar
de montar tudo junto ou cada um montar uma parte e
conectar tudo, essa brincadeira proporciona mesmo a
uma criança muito pequena o olhar de que ela é capaz
de criar algo para si e as possibilidades são infinitas,
pois, basta desmontar e começar tudo de novo.

Fui à feira: Para essa brincadeira não é preciso


material, um dos participantes começa dizendo “fui à
feira e comprei...” e diz o nome de um item que
encontramos na feira, por exemplo: banana, maçã,
melancia, alface e por aí vai. O próximo repete a frase
e acrescenta mais um produto e assim por diante.
Ganha quem se lembrar de mais nomes que foram
ditos. Auxilia na flexibilidade e memória operacional e
amplia o vocabulário.
159

Stop: Também conhecido como adedanha ou


adedonha. Se o seu pequeno já for alfabetizado é um
ótimo jogo para exercitar velocidade de
processamento, flexibilidade, memória operacional e
ampliar seu vocabulário. A versão resumida pode ser
jogada em qualquer lugar, como em uma fila. Escolhe-
se apenas uma categoria e com os dedos dos
participantes sorteia-se uma letra, os participantes
precisam encontrar palavras que iniciam com a letra
sorteada. Já na sua versão mais elaborada é necessário
caneta e papel. Desenhe colunas na folha e, em cada
uma coloque uma categoria, por exemplo: nome,
objeto, animal, cor, fruta, cidade, minha sogra é, entre
outros. Quem preencher primeiro todas as categorias
daquela rodada grita stop e todos param de escrever.
Critério de avaliação: 10 pontos respostas diferentes,
05 pontos respostas repetidas e zero para categorias
não preenchidas, ganha quem no final de todas as
rodadas tiver ao maior pontuação.
160

Crie seu próprio jogo: Por que não utilizar dos recursos
que você já possui em casa e criar o seu próprio jogo? A
ideia é utilizar tabuleiros de jogos antigos que estão
faltando peças, usar materiais recicláveis como caixa
de ovos, garrafas, tubo de papel, enfim, abusar da
criatividade. Que tal aproveitar o conteúdo que ele
está aprendendo na escola para criar um jogo com
perguntas e respostas? Faça fantoches de meias e
criem histórias, ou um boneco com dentes e o ensine a
importância de escová-los, use uma caixa de papelão
para fazer uma casa ou um foguete. O intuito aqui é
aproveitar bem a fase do seu pequeno para se
conectarem e criarem algo único e especial para vocês,
além de mostrar o valor do uso consciente de utilizar
os recursos que temos de formas variadas e não
apenas ganhar um novo brinquedo.

Agora é só escolher a brincadeira e se divertir!

Contato | E-mail: thaisfsl.psico@gmail.com


WhatsApp: (11) 97479-1598
161

Permitir sentir

Simone Ferreira Domingues | CRP: 06/564169

Muitos de nós aprendemos no contexto social e


familiar que sentimentos devem ser disfarçados, que
chorar é coisa de “manteiga derretida” ou é “para os
fracos”. Geralmente os meninos crescem escutando
que “homem não chora”. Essas crenças dificultam o
desenvolvimento de nossas habilidades para
reconhecer e resolver sentimentos. Imagine, nesse
contexto, a dificuldade que apresentamos para lidar
com os sentimentos de nossos filhos?
Quando uma criança pode experimentar seus
sentimentos, esse contato tende a proporcionar o
desenvolvimento de habilidades para resolver
questões afetivas e emocionais de maneira saudável
e equilibrada. Isto acontece principalmente em
situações adversas que a vida traz. Tal oportunidade
favorece situações de aprendizagem ao descobrir um
162

caminho ou resolução para um conflito, descobrir “pra


que” serve, ou seja, o que você aprende com aquela
experiência. Este é um processo para os fortes! Então,
homens fortes choram sim!
Em Disciplina Positiva, encorajar seu filho envolve,
dentre um dos aspectos do desenvolvimento, você
permitir o contato com os sentimentos, a expressão e
resolução destes, utilizando a gentileza e firmeza.
Podemos direcionar e orientar limites para o
comportamento inadequado, caso ele ocorra. Pois não
é porque a criança está triste ou com raiva que vai
poder bater ou quebrar objetos. Não é porque a
criança está muito feliz com algo, que eu vou deixar
que ela pinte a parede ou destrua algo da casa. Não é
porque está feliz que vou deixar que grite para
expressar sua alegria, de forma a desrespeitar os
vizinhos com o barulho! Não! E não há problema em
chorar, rir, sentir, expressar seus sentimentos. A
criança pode falar sobre o que a faz sentir, como ela se
percebe e conversar sobre tudo isto! Pode sentir e se
expressar!
163

Nesse contexto, quando seu filho experimenta um


sentimento, por exemplo uma tristeza que precisa de
auxílio, você poderá conduzi-lo ao cantinho que acalma ou
aguardar um tempo para que ele se tranquilize. Podem
juntos buscar uma solução para resolver o que o deixa
triste. Com as explosões de alegria pode fazer a mesma
coisa.

Objetivando facilitar o processo de contato, expressão e


resolução dos sentimentos de forma saudável, a expressão
artística é uma sugestão de atividade para que os pais
possam auxiliar a criança na elaboração dos seus
sentimentos. Deixarei abaixo um exemplo de atividade que
pode ser adaptada na situação familiar.
164

Dica de atividade

Material: Massa de modelar ou giz colorido/lápis de cor e


uma folha de papel sulfite ou um papel maior.

Quando a criança entra em contato com um sentimento,


os pais podem convidá-la a expressar com formas e cores
aquele sentimento ou fazer uma forma com massa de
modelar. Caso a criança esteja numa crise emocional, a
birra, aguarde até que ela se acalme, e então proponha
que ela faça com formas ou cores o que ela sente. A
partir da expressão artística da criança os pais
conversam, questionam o que é o desenho ou forma que
ela faz, podem pedir para dar um nome para a expressão
dela. O que ela percebe de positivo ou negativo. O que ela
aprende com essa experiência. Questionam se ela quer
falar algo mais, e como se sente agora, uma excelente
oportunidade para ensinar o contato e a resolução dos
sentimentos. Podemos assim proporcionar às nossas
crianças condições de serem melhor resolvidas em seus
sentimentos, afetos e consequentemente mais felizes.

Contato | E-mail: psicologasimonedomingues@gmail.com


WhatsApp: +971 55 8604496
Instagram: @psicologasimonedomingues
165

A importância de
reconhecer e nomear
as emoções no
universo infantil
Adriana Pereira Rosa Silva | CRP: 06/76446

“Quando olho uma criança ela me inspira dois sentimentos: Ternura


pelo que é, e respeito pelo que possa ser.” (Louis Pasteur)

Você já assistiu o filme Divertida Mente?


Não! Então, vai aqui uma sugestão. Corre pegar o
balde de pipoca e convide as crianças para a hora do
cinema. Afinal, quem já assistiu, sabe que a história
retrata a importância de identificarmos nossos
sentimentos e emoções.
Através do enredo é possível compreender os
conflitos vivenciados por Riley, uma garota de onze
anos, que ao se mudar para uma nova cidade fica
confusa diante da raiva, alegria, tristeza, medo e nojo,
mas aos poucos vai percebendo a importância de cada
emoção e a necessidade de aprender a lidar com elas.
166

Uma das lições do filme é a importância de nomear e


conversar sobre os sentimentos desde muito cedo.
Sabemos que a habilidade para discriminar diferentes
emoções, a partir das expressões faciais, é algo que se
desenvolve precocemente. Existem estudos que apontam
que aos quatro meses os bebês já são capazes de
discriminar expressões de raiva e felicidade e demonstram
preferência por emoções positivas.
167

Crianças pequenas, que ainda estão adquirindo a


capacidade de se comunicar, simplesmente sentem e seu
corpo pode reagir a tais sensações com gritos, birras,
agitação, entre outras ações, muitas vezes não
compreendidas. Nesse momento, o papel do adulto é
fundamental para nomear aquilo que a criança ainda não
tem capacidade de nomear por si mesma.
Assim, se ela chora, pode dizer os motivos que a
fizeram chorar e ajudá-la a entender se o choro é de raiva,
medo, dor, fome ou mesmo alegria. As palavras podem
ressignificar e transformar o que sentimos, assim
podemos aprender a lidar melhor com nossas emoções.
Habilidades referentes ao processamento de emoções
básicas, tais quais são citadas no filme, são desenvolvidas
desde os primeiros meses de vida, enquanto as emoções
mais complexas, necessárias para diferentes situações
sociais, como a culpa, vergonha, orgulho, ciúmes, estão
associadas aos processos de aprendizagem e socialização.
168

Por exemplo, quando uma criança bate em seu irmão


porque provavelmente está com ciúmes, os pais podem
nomear o que ela sentiu, ou seja, ajudá-la a compreender
qual sentimento foi expressado naquela emoção e
ressaltar que é normal e pode ser aceita, mas também
colocar o limite ao comportamento para que a mesma seja
manifestada de outra forma e não com agressão física.
Também é possível, a partir desse exemplo, utilizar um
dos princípios da Disciplina Positiva que é ajudar as
crianças a experimentarem os erros como oportunidades
para aprender e encorajá-las a buscarem melhores
respostas para lidar com suas emoções, aprimorando
assim seu comportamento, focando sempre na busca por
melhores soluções.
Esse aprendizado é um processo lento e não ordenado,
que ocorre ao longo da vida. Amadurecemos e nos
conhecemos melhor quando refletimos sobre as
experiências que vivemos. Sendo assim, é necessário ouvir
as crianças e adolescentes em suas angústias, medos ou
quando estão com raiva e agem agressivamente. Afinal,
qual adulto que nunca reagiu mal a determinadas
situações?
169

Ao falar sobre nossos sentimentos e sermos ouvidos


legitima-se a experiência e o aprendizado, tornando mais
fácil o gesto de compartilhar e ser empático com os
sentimentos do outro. Podemos, desde muito jovens,
praticar um conceito explorado nas Terapias
Colaborativas e Narrativas que é o da Escuta Generosa –
ouvir para compreender. É preciso escutar com atenção
e respeito, assim o relacionamento familiar pode ser
fortalecido e também todas as demais relações sociais
que estão inseridos.
170

O filme Divertida Mente pode ser uma ótima


oportunidade para conversar sobre o tema e ajudar as
crianças sobre a importância de compreender suas
emoções. Um dos objetivos da Psicoterapia Infantil
também é este, compreender o que as crianças e
adolescentes estão vivendo, sentindo e ajudá-los a
ressignificar as experiências, superar suas dificuldades e
tornar-se resilientes.
Encerro destacando o principal objetivo da Disciplina
Positiva que é permitir que adultos e crianças, assim
como os adolescentes, experimentem mais alegria,
harmonia, cooperação, responsabilidade compartilhada,
respeito mútuo e amor em seus relacionamentos e
“lembrem-se de que as crianças fazem melhor quando se
sentem melhor”. Nelsen J.(2015)

Deixo o meu carinho e respeito a todas as crianças e


adolescentes que fazem dos meus dias, dias mais felizes,
de muito aprendizado e troca. Gratidão!

Contato | WhatsApp: (19) 99156-9265 | E-mail: adriprs@gmail.com |


Instagram : @adrianapereirarosasilva | Facebook: Adriana Pereira Rosa Silva
171

A importância da
higiene do sono
Mayara dos Santos de Queiroz | CRP: 06/150596

Algumas famílias não conseguem compreender a


importância da higiene do sono, por isso neste
capítulo vamos falar sobre como ter uma rotina do
sono e a sua relevância para a família e a criança.
O sono é uma das nossas necessidades básicas de
existência, sendo assim é fundamental para todos,
em especial para as crianças, no sentido de fornecer
um crescimento e desenvolvimento saudável.
A higiene do sono pode trazer como benefício a
redução da ansiedade tanto dos pais quanto dos
filhos que vem acompanhada de um medo gerado
antes do momento do sono, devido a alguns
pensamentos que antecedem, como por exemplo:
“não vai querer dormir e vai começar a chorar”; “essa
hora é sempre estressante”. Esses pensamentos
podem atrapalhar ainda mais essa ocasião e a
higiene do sono pode auxiliar.
172

A interação carinhosa, dedicada e assertiva no momento


de colocar a criança para dormir são primordiais, a fim de
fazer com que essa criança se sinta protegida e segura,
visto que em algumas situações se sente como se os pais
quisessem se livrar dela por isso precisa dormir logo, essa
insegurança pode deixar a criança ainda mais agitada e com
mais dificuldade em pegar no sono.
Antes de colocá-la para dormir o ideal é que tenha um
tempo de qualidade, conversando sobre o que aconteceu de
bom em seu dia, além de auxiliar a reduzir a ansiedade e
frustração.

A rotina do sono pode parecer mais difícil no começo,


porém é de extrema importância para as crianças, seja qual
for a idade, os pais ou responsáveis têm um papel essencial
na criação dessa rotina, abrangendo também o bebê que,
por mais que tenha imaturidade neurológica e social, é
primordial essa rotina gerando, desde cedo, uma segurança
para aprender a dormir sozinho.
173

Toda família precisa estar em sintonia quanto aos novos


hábitos antes de dormir, a fim de evitar brigas e discussões,
próximo ao horário de ir para cama, sendo de extrema
importância permanecer o processo com paciência e
acolhimento.
Existem vantagens em aplicar a rotina do sono, visto
que, ao colocá-la em prática sempre no mesmo horário os
pais podem utilizar o período da noite com a finalidade de
realizar algumas tarefas domésticas, pendências do
trabalho, ter um momento juntos, se divertir e relaxar.
174

A seguir algumas sugestões para criar uma rotina


do sono:

Mantenha sempre o mesmo horário, frequência e


constância para dormir e acordar.
Determine um horário para começar e realize
sempre as mesmas tarefas antes de ir para cama.
Evitar que se quebre essa rotina é de extrema
importância. Modelo de rotina: tomar banho, colocar
o pijama, jantar, arrumar a cama, escovar os dentes, ir
ao banheiro, contar uma história calma e tranquila.
Distancie-se de televisão, telas de celular e
aparelhos com luz, não realize atividades que
podem deixar a criança agitada por pelo menos
uma hora antes de ir para cama, não utilize a cama
como lugar para brincar e deixe-a restrita apenas
para descansar e dormir.

O local deve estar tranquilo, acolhedor, escuro e


silencioso, cama adequada a idade da criança, ter
apenas o necessário na cama como: travesseiro,
cobertores/edredons, propenso para proporcionar o
conforto da criança. Caso a criança tenha medo de
escuro, proporcione uma luminária.

Contato | Instagram: @psicologa.mayaraqueiroz


E-mail: mayaraqueirozpsi@gmail.com | WhatsApp: (15) 99662-1078
175

Amor demais não


estraga!

Silvia Cristina Pessoa Guabiraba Nunes


| Estudante de Psicologia

Quem nunca presenciou uma cena onde a criança


se joga no chão, chora e esperneia por querer ficar um
pouco mais no parquinho, um brinquedo novo ou até
por desejar mais uma fatia de bolo? Pois é, o padrão de
reação da maioria dos adultos é bem conhecido nosso:
eles batem, tentam gritar mais alto que a criança,
fazem ameaças, perdem o controle. E se esses pais
reagirem de forma amável? Se forem gentis e
respeitosos com a criança? Eles correm um grande risco
de serem julgados como omissos e permissivos,
escutando opiniões do tipo: “Você está mimando essa
criança”, “merecia levar umas boas palmadas”, “se
fosse meu filho seria diferente”, entre tantas outras.
176

“Mimar” uma criança é diferente de dar amor. Esses


dois conceitos se misturam causando grande confusão em
nossa cabeça. "Mimar" na Disciplina Positiva, é fazer pela
criança aquilo que ela já pode fazer sozinha, pois já é
capaz. Isso não inclui abraço, beijo, colo, acolhimento ou
carinho. Para Alfred Adler, psicólogo vienense, "o
desenvolvimento da criança não é determinado pelas suas
atitudes, nem pelas circunstâncias objetivas, mas pela
interpretação que dá ao mundo exterior e da relação que
estabelece com ele" (2003, p.65).
177

Então por que será que ainda temos adultos com medo
de dar para criança aquilo que todos nós desejamos ter?
Somos bombardeados pela afirmativa: "amor demais
estraga". Não, o amor não estraga, ele dá segurança, nos
faz sentir importantes, confiantes, pertencentes e aceitos,
isso gera independência e fortalece vínculos. Rudolf
Dreikurs, psiquiatra e educador que desenvolveu o
sistema da psicologia individual de Alfred Adler, disse
muitas vezes: "uma criança mal comportada é uma criança
desencorajada". A criança amada se sente encorajada a
explorar o mundo de coisas novas ao seu redor, se sente
livre e segura para expressar seus próprios sentimentos e
tende a expressá-los sem medo de repressão. Quando
encorajamos, estamos estimulando e incentivando,
fazendo com que a criança desenvolva o senso de
capacidade, de autoavaliação e de autonomia. Um dos
maiores presentes que você pode dar ao seu filho é ajudá-
lo a acreditar na própria capacidade, isso ele aprende
passando pelos altos e baixos da vida, tendo ao seu lado
pessoas empáticas e geradoras de conexão.
178

Mas não pense que os comportamentos desafiadores


sumirão como num passe de mágica, para Beth P. Rodrigues
(2020, p.10), a Disciplina Positiva é "uma mudança de
paradigma, uma filosofia de vida: uma abordagem
socioemocional que ajuda mães, pais e educadores a
desenvolver habilidades de vida e a compreender e lidar
com os comportamentos desafiadores das crianças e dos
adolescentes”.

Precisamos educar e criar nossos filhos com sabedoria,


mas esperando o resultado com paciência. Devemos estar
em busca de melhoria, não de perfeição. Comportamentos
e crianças perfeitas são expectativas irreais, portanto como
disse Maria Montessori: "ensine ensinando, não corrigindo”.
Rotular crianças como “mimadas” limitam e formam uma
imagem negativa que elas próprias vão alimentar de si. Isso
impacta diretamente na autoestima e pode gerar
inseguranças que serão levadas para a vida adulta.
179

Vejam só o tamanho de nossa responsabilidade com o que é


dito (ou não) sobre as crianças, elas são verdadeiras
“esponjinhas”: absorvem tudo a sua volta e aprendem,
observam tudo e assimilam com facilidade, repetem o que
os adultos e amigos fazem. Passe a observar como seu
discurso pode estar reforçando imagens negativas do seu
filho e escolha pela comunicação não violenta, sendo firme
e gentil ao mesmo tempo. Esse equilíbrio nos ajuda a
resolver situações desafiadoras com foco na solução, não
apenas em brigas e punições. Sempre devemos procurar
espaço para o aprendizado mútuo. Errar e tentar
novamente faz parte de nosso crescimento e
desenvolvimento, por isso comemorar pequenas conquistas
é essencial. Isso também cria laços afetuosos e ajuda as
crianças a entenderem que elas são capazes. Como nos
ensinou Paulo Freire "é fundamental diminuir a distância
entre o que se diz e que se faz".
Amar sem “mimar” não é fantasia, é realidade
aprendida, com altos e baixos, erros e acertos, amar é uma
questão de decisão. Quem ama consegue enxergar valor e
potencial no ser amado. Acredite todos os dias na relação
de amor construída e vivenciada. Como disse Jane Nelsen:
"A criança que mais precisa de amor é que age de maneira
menos amável".

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180

Como a Parentalidade
Encorajadora pode nos
auxiliar na educação para a
criatividade
Ianna Gomes De Oliveira | CRP: 04/44651

Evolução, diferenciação talvez estas sejam palavras


familiares para você no mundo contemporâneo, talvez
não. Eu quero aqui propor uma breve reflexão com
aplicação no contexto da educação de filhos, acerca de
como essas palavras permeiam a visão do que é
necessário para educar e encorajar crianças que vivem
numa geração diferenciada, e que possivelmente
viverão num mundo evoluído que caminha
constantemente imerso num processo recorde de
mudanças tecnológicas, culturais, de ideias e visão de
mundo. É notório como o mercado de trabalho veio
sendo alterado ao longo dos anos e continua em
constante mudança e, então podemos compreender
dentro deste cenário que as pessoas que fazem parte
desse novo mercado precisam acompanhá-las. Minha
contribuição nesse sentido é chamar a sua atenção para:
que tipo de crianças estamos educando para esse novo
mundo?
181

Você a essa altura, com certeza já deve ter compreendido


a importância de se educar crianças de maneira respeitosa e
o quanto essa postura faz diferença na educação através de
maneiras que conservam bons comportamentos e
assertividade em longo prazo, em comparação com práticas
que somente produzem resultados no âmbito do
comportamento, e ainda a curto prazo, diga-se como
exemplo: punições, ameaças e chantagens.

Falando da criança que queremos deixar para o mundo,


necessitamos compreender que muito mais do que apenas os
ensinamentos teóricos que recebíamos na escola tradicional
num passado não tão distante, hoje é necessário atentar para
a necessidade de presentear essas crianças do futuro com
virtudes que orientam para a vida prática, que as dotam das
habilidades que serão imprescindíveis para a vivência diária
nos diversos contextos e áreas da vida, mas que sobretudo as
conectarão com a sua própria essência.
Acerca das habilidades necessárias nesse novo mundo,
novo mercado e nova sociedade é certo afirmar que todas
elas são construídas no carácter de uma criança a partir de
um contexto ENCORAJADOR.
182

Ser empático, perceber que a criança embora


pequena tem seu modo de estar no mundo e exprime de
maneira única e individual as suas necessidades, gostos e
preferência, respeitar o tempo e dinâmica de
funcionamento da mesma, entender que seus
pensamentos e sentimentos precisam ser validados,
tudo isso é de suma importância no encorajamento das
crianças e quero aqui acrescentar que dentro da
intenção de se criar crianças mental, emocional e
socialmente saudáveis também vai requerer que sejam a
elas permitidas se expressar com uma qualidade que é
inerente ao ser humano nesta fase da vida e que já é
apontada como uma força pessoal requisitada para os
sujeitos diferenciados e evoluídos dessa nova geração.
Falamos da CRIATIVIDADE. Toda criança tem potencial
criativo e imaginativo.
183

A criatividade é uma habilidade treinável e deve estar


inserida no modelo de educação encorajadora. Os pais e
demais adultos que interagem diretamente com as crianças
precisam encorajá-las de modo que a criatividade seja ainda
mais despertada, considerando que na infância o ser humano
se mostra muito mais propício para o desenvolvimento pleno
de tal habilidade cognitiva.
Diversas pesquisas já apontam a criatividade como uma
virtude que é e será analisada e requerida nos melhores e
mais distintos profissionais e indivíduos do mundo moderno e
em constante evolução.

As crianças são criativas natas, o que parece ocorrer é


que ao longo dos anos adolescentes, jovens e adultos
parecem embotar essa qualidade por conta dos discursos que
tendem a fazer crianças curiosas e imaginativas acreditarem
que suas posturas criativas e curiosas são inapropriadas e
inadequadas.
184

Portanto encorajamos a você pai, mãe, tio, tia, avô, avó,


padrinho, madrinha, professor e a qualquer adulto que
lida com criança em qualquer ambiente, a estimular as
ações criativas e imaginativas nestes pequeninos,
permitindo a exploração por parte da criança de coisas
pelas quais ela demonstra interesse, estimule sua
curiosidade de maneira orientada para que ela esteja a
cada momento tendo a oportunidade de explorar,
aprender, avaliar e criar a partir de novas aprendizagens.
Educar crianças criativas é consequência no processo
de educação respeitosa onde o encorajamento leva as
crianças num lindo caminho de respeito próprio, de
autoestima saudável, de autonomia para a vida e
desenvolvimento crescente. Diante disso: DESENCORAJAR
certamente deve estar FORA do nosso dicionário e da
nossa postura enquanto as ações que fomentam A
CRIATIVIDADE DAS CRIANÇAS, estas sim devem ser
incluídas em nossas rotinas.

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185

A Família que vive em


nós: Encorajando Pais no
pertencer, no incluir
Egleide Mélo | CRP: 08/06261

Pertencer é a força para a vida. Pertencer é simplesmente viver.


(Egleide Mélo)

Viemos de uma família, vivemos em família e é na


família que nos desenvolvemos. Viver em família é como
participar de uma peça de teatro, sem direito a ensaio.
Cada nova família inicia-se com novos personagens,
novas roupagens, novas histórias, novos sonhos. Os filhos
que dela nascem, passam a fazer parte e outros vão
chegando por meio das adoções e juntos iniciam sua
caminhada. Sabemos que essa caminhada nem sempre
acontece de maneira tranquila. Uma família é sempre
uma bênção, mas também o palco de muitos desafios e
sofrimentos.
A cada família constituída, trazemos dentro de nós
também os nossos ancestrais com seus legados, suas
histórias. São familiares de grande valor e representação
e que muito nos influenciam.
186

O Pertencer é a força para a vida, desde que o mundo


é mundo pertencemos a algo muito maior. Pertencemos a
uma família, a uma história, a um país, estado, cidade,
comunidade, bairro. O Pensamento Sistêmico considera o
mundo como um sistema, onde tudo está interligado, onde
o tempo todo somos influenciados e recebemos influências
de todos.
187

Em um dos fundamentos da Disciplina Positiva, Jane


Nelsen fala que devemos ajudar as crianças e os
adolescentes a sentirem-se conectados: sentir-se
conectado é sentir-se pertencente à família, é sentir-se
importante, aceito, necessário e isso só poderá
acontecer com a contribuição dos pais.

Encorajar pais no pertencer, no incluir, na conexão


dos filhos à família é nos darmos conta de todo esse
conteúdo, é nos darmos conta de que a maneira como
nos relacionamos, as situações que vivemos, as
decisões que tomamos desempenham fator primordial
no desenvolvimento global dos nossos filhos.
188

Podemos enquanto pais ajudar nossos filhos a


desenvolver o senso de pertencimento e isto geralmente
acontece a partir dos exemplos e atitudes que temos para
com eles. Vamos trazer algumas sugestões de como
podemos fazer isso:

Todos fazem parte: O pai, a mãe, os filhos nascidos, os


não nascidos, aqueles que nos geram dores, decepções,
todos fazem parte. Muitas vezes devido a algumas
situações difíceis os excluímos e quando fazemos isso
geramos mais dificuldades, principalmente quando
excluímos o pai/mãe dos nossos filhos, não os
beneficiamos. Quem sabe possamos tratar o pai/mãe
dos nossos filhos com mais respeito. Quando tratamos
o pai/mãe com respeito, os filhos sentem-se
pertencentes e amados.
Preste atenção ao que seus filhos estão falando: Muitas
vezes o filho pergunta algo e continuamos a fazer
outras coisas sem lhes dar a devida atenção,
continuamos envolvidos com nossos afazeres, às vezes
no celular, cozinhando, limpando a casa. Podemos
parar um pouco o que estamos fazendo, dar a atenção
devida e seguirmos em nossas atividades. Dessa
maneira eles sentirão que são importantes.
189

Olhe nos olhos dos seus filhos: Ao olhar nos olhos dos
filhos estabelecemos conexão pelo contato visual. Se nos
abaixarmos para ficarmos na mesma altura dos olhos
deles, será muito melhor. Quando olhamos nos olhos,
falamos de forma mais gentil e respeitosa.
Demonstre empatia pelo seus filhos se colocando no
lugar deles: Procure validar os sentimentos deles sempre
que possível. Você pode dizer: “Eu posso imaginar que
difícil para você deve ser passar por essa situação”.
Elabore perguntas de como podem resolver determinada
situação. Você pode perguntar: “Qual sugestão você
pode dar para resolver essa situação?”; “Você tem
alguma ideia de como se pode resolver isso?”.
Ofereça-se para ajudar no lugar de impor: Seus filhos
irão perceber que você se importa com eles. Eles irão
sentir o seu amor por eles. Você pode dizer: “Deve estar
difícil para você. Como posso auxiliá-lo?”

A vida é um grande “nós” e a família que vive em nós


também. Sem o eu e o outro fica difícil de seguir. Ao
ampliarmos nossa consciência e praticarmos o pertencer
podemos desfrutar da força motriz que nos leva a vida e
entregar isto aos nossos filhos fará toda diferença na vida
deles e na nossa enquanto pais.

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190

A arte de educar
tecendo vínculos
entre pais e filhos
Ana Lúcia Ponce Ribeiro Casanova | CRP: 06/134763

Você vive o velho conflito na árdua tarefa de educar


filhos e alunos, e se vê “girando em círculos”, repetindo
sempre as mesmas atitudes sem encontrar solução? Frente
aos desafios e frustrações, acredita que já tentou de tudo
para obter respeito, obediência, e um relacionamento
familiar harmonioso, mas, sente que foi tudo em vão?
Diante dos comportamentos desafiadores dos filhos e
alunos, você já agiu com firmeza e autoritarismo para
mostrar a todos que é você quem manda, mas com tanta
contrariedade, se desanimou, e acabou indo a outro
extremo e fazendo a vontade deles? De onde surgiu a ideia
absurda de que, para levar uma criança, adolescente ou
adulto a agir melhor, antes precisamos fazê-los se sentir
pior? Infelizmente, muitas pessoas ainda acreditam que
disciplina é sinônimo de punição. Recentes pesquisas
demonstram que tanto punição ou autoritarismo, quanto
permissividade, prêmios ou recompensa se mostram
ineficazes em longo prazo e são desencorajadores na
educação de crianças e adolescentes.
191

Quando pais, professores e cuidadores são muito rígidos e


controladores, ou são permissivos demais, impedem que
crianças e adolescentes desenvolvam responsabilidade.
Que filhos eu vou deixar para o mundo? Antes da
correção vem a conexão, então mude o foco e conecte-se
com seus filhos! Com amor, sabedoria, gentileza e firmeza
ao mesmo tempo, os pais devem aprender como tecer um
vínculo empático e respeitoso e se tornarem
companheiros de seus filhos, guiar seus passos e orientá-
los, sempre no bom caminho. Aos pais, educadores e
cuidadores, cabe compreender as causas dos
comportamentos desafiadores das crianças e
adolescentes, encorajar um comportamento respeitoso,
responsável e de cooperação, e incentivá-los a criarem
relacionamentos saudáveis na família, na escola e na
sociedade.
Pais, olhem com amor e compaixão para a sua
criança interior e acolham as decisões que ela tomou,
sabendo que você adulto pode escolher e fazer diferente.
Tenha a coragem de ressignificar suas experiências da
infância, para que possa se conectar verdadeiramente
com seu filho, e ser o agente de transformação.
192

Família, alicerce da sociedade, é o ambiente natural


e fundamental para o crescimento e desenvolvimento
saudável de todos os seus membros, onde aprendemos
nossos valores pessoais, baseamos nossas decisões
sobre como devemos ou não nos comportar perante as
situações. E a educação que recebemos de nossos pais,
ou cuidadores, impacta na lógica pessoal que formamos
acerca de nós mesmos, dos outros, do mundo e de como
a vida deveria ser.
193

Precisamos refletir a respeito da nossa prática


parental, da relação e das habilidades sociais e de vida
que queremos construir, e da resolução de problemas que
gostaríamos que nossos filhos desenvolvessem. Prepare
as crianças para uma vida saudável e feliz, separe um
tempo especial para criar memórias afetivas edificantes e
que agreguem valor ao seu filho. O caos da vida nos
oferece uma rica oportunidade para aprender, ensinar,
amar, encorajar, rir, perdoar e abraçar as crianças. Se
você vive mergulhado em culpa, descontrole, discursos
sem fim, medo e humilhação, saiba que é a sua postura
como educador que determina a reação da criança diante
das birras e desobediências, e que pode encorajá-la a ser
melhor.

A coragem de sermos imperfeitos nos permite


lidarmos com as imperfeições de nossos filhos, exige
autocontrole, paciência, empatia, escuta ativa e amorosa
e respeito mútuo para agirmos com gentileza para
acolher, e firmeza para ensinar. Enxergue os erros, birras,
desobediências como oportunidade de educar. Reuniões
familiares são eficazes na solução de problemas em
conjunto, e oferecem oportunidade às crianças de serem
co-responsáveis e se tornarem agentes de mudança
positiva nos conflitos familiares.
194

Crie desafios, jogos e brincadeiras e juntos fortaleçam


o vínculo entre erros e acertos, conflitos e celebrações.
Respeitando as diferentes fases de idade de cada
criança, valorize e agradeça seu empenho e dedicação
nos afazeres domésticos, ao guardar seus próprios
brinquedos, na organização de seu quarto. Isso a faz se
sentir importante, eleva a autoestima, renova o
sentimento de pertencimento, favorece a cooperação e
parceria.
Olhe no olho e abaixe-se na altura da criança para
corrigi-la. A minha neta de 4 anos é educada com base
na Disciplina Positiva, seus pais criam oportunidades
para que ela ajude na elaboração das refeições, lave
louça sem perigos, brincam com a filha, e por meio de
fotos e vídeos constroem com ela a sua própria história
recriando cada momento desde o namoro, casamento,
gestação, nascimento dela, e assim, reforçam o seu
senso de importância e pertencimento.

Contato | E-mail: anacasanovapsicologa@gmail.com


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Instagram: @psicoanacasanova
195

Disciplina Positiva e o
olhar por trás do mau
comportamento
Caroline Chiarelli Colle | CRP: 08/12825

Você já ouviu uma criança de três ou quatro anos


verbalizar: “Queria muito brincar no parque para
extravasar minha energia, e como não posso, estou
frustrado e irritado” ou “Meu pai saiu de casa e mamãe
vive chorando e agora sinto que a culpa é minha e que
mamãe também pode me abandonar”, ou ainda “Este
bebezinho que estava na barriga da mamãe e que agora
chegou na minha casa está tendo mais atenção do que eu,
e isso me faz ter medo de não ser mais importante e aceito
como era antes’? Praticamente impossível, pois crianças
pequenas não apresentam maturidade neurológica para
perceber suas emoções, se autorregularem e a se expressar
assertivamente através de seu comportamento.
Então, como ela vai manifestar todos esses pensamentos
e emoções? Através do mau comportamento, tais como:
morder, rabiscar paredes, quebrar objetos, se jogar no
chão, gritar, desafiar, bater, etc.
196

Porém, estes comportamentos são apenas a ponta


do Iceberg! O que vemos nos Icebergs, seja
pessoalmente, ou em fotos, ou no filme ‘Titanic’, é
apenas 10% (em média) do real tamanho dele. Todo o
resto encontra-se abaixo d’água. Os comportamentos
disfuncionais infantis funcionam da mesma forma: o que
vemos não é nada comparado a real causa, a dor, o
sofrimento que está por detrás. Para entender melhor,
outro exemplo é a febre que as crianças têm: a febre é
apenas o sinal de que algo não está bem, que há algo por
detrás deste sintoma, há uma causa, uma razão de ser.
197

Geralmente, percebemos um mau comportamento


como: falta de castigo/punição; umas palmadas resolve
isso; os pais não sabem dar limites; a criança está
provocando/manipulando; essa criança tem uma
personalidade ou gênio ‘ruim’; os pais não souberam
educar ou ela é mal educada.
As crianças ainda não possuem habilidades coerentes
para lidar adequadamente com as diversas situações
que vivenciam. E por isso é fundamental sairmos desta
posição de desencorajadores e nos empenhar na
identificação da real necessidade por trás do mau
comportamento. Da próxima vez que seu filho se
comportar mal, olhe além e se pergunte: “o que ele
realmente está tentando me dizer?”.
Aqui vão algumas possibilidades gerais do mau
comportamento:

Necessidades físicas como fome ou sono;


Faz parte do desenvolvimento normal esperado para
sua faixa etária;
Emoções como tristeza, ansiedade, medo, dentre
outras;
Insegurança por sentimento de desamor, menos
valia, por não sentir-se importante e significativa;
198

Dificuldade de se conectar com os pais;


Necessidade de independência e autonomia;
Situações diversas que a criança tem vivenciado.

Assim que identificar a causa real, poderá agir de forma


mais respeitosa, empática, acolhedora e encorajadora.

Dicas para lidar diante do mau comportamento da criança:

Mantenha-se calmo e atento enquanto adulto.


Estabeleça ou restabeleça uma conexão com seu filho.
Se conecte a ele.
Seja um espelho para a criança e verbalize a emoção
que ela está demonstrando: “Filho, eu percebo que
está com raiva e nervoso. É isso que está sentindo ou
pode ser outra emoção? Posso te ajudar de alguma
forma?”.
Ajude-o a reconhecer e expressar suas emoções de
modo mais assertivo. Alfabetize-o emocionalmente.
199

Valide o que a criança está sentindo. Não faça pouco


caso de seus sentimentos.
Demonstre à criança que a ama e a aceita como é,
independente do comportamento dela.
Brinque com seu filho! Ao brincar, ele ressignifica suas
emoções mal elaboradas.
Veja formas que você pode consolidar em seu filho as
crenças de pertencimento, aceitação, importância e de
ser amado.
Auxiliar as crianças para a responsabilidade,
autodisciplina, autorregulação de suas emoções e
cooperação.
Limites devem ser estabelecidos sim, com firmeza e
gentileza.

Não há uma varinha mágica que vai resolver os


problemas de uma hora para outra, mas com persistência,
paciência e muito amor você terá cada vez mais habilidades
de se conectar com seu filho e criar elos de afeto, parceria e
cooperação.

Contato | E-mail: Email: carochiarelli@gmail.com


WhatsApp: (41) 99137-8890 | Facebook: ComAlmaComAfeto
Instagram: @psicologacarochiarelli | Spotify: Elo de Afeto
Site: www.clinicachiarelli.com
200

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