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SUMÁRIO

1 CIÊNCIA DO SOLO ........................................................................... 3

2 MORFOLOGIA DO SOLO ................................................................. 5

2.1 O perfil do solo e seus horizontes ............................................... 6

3 HISTÓRICO DO SISTEMA PLANTIO DIRETO ................................. 9

3.1 Origem do sistema de plantio direto ............................................ 9

3.2 Introdução do sistema plantio direto no Brasil ........................... 11

3.3 Evolução do sistema plantio direto no brasil ............................. 13

3.4 Evolução de técnicas voltadas ao sistema plantio direto no Brasil


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3.5 Evolução dos modelos de produção relacionados com o sistema


plantio direto no Brasil .................................................................................. 21

3.6 Novo enfoque da conservação do solo voltada ao sistema plantio


direto 24

4 FERTILIDADE DO SOLO E CICLO DOS NUTRIENTES................. 25

5 NUTRIENTES ESSENCIAIS PARA AS PLANTAS .......................... 27

6 CICLO DO CARBONO..................................................................... 28

7 NUTRIENTES NO SOLO ................................................................. 34

8 ACIDIFICAÇÃO E PERDA DE NUTRIENTES DO SOLO ................ 37

9 ORIGEM DOS ADUBOS.................................................................. 43

10 ADUBAÇÃO E PROBLEMAS AMBIENTAIS ................................ 46

BIBLIOGRAFIA ...................................................................................... 48

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1 CIÊNCIA DO SOLO

Fonte: contextoexato.com.br

Solo é o resultado da interação dos fatores clima, organismos, relevo e


tempo sobre determinado material de origem. Em condições naturais, o solo
mantém-se em equilíbrio dinâmico com os fatores do ambiente. Sob essa
condição, desenvolve-se a vegetação natural cuja qualidade e exuberância
dependem da intensidade de ação de cada um dos fatores de formação do solo.
Quando a vegetação natural sofre interferência de natureza antrópica, em virtude
do estabelecimento de sistemas agrícolas produtivos, ocorre rompimento dos
ciclos naturais que se encontravam em sincronia. Esse, rompimento pode ser
efêmero ou definitivo, dependendo da intensidade e do tipo de interferência. Em
decorrência, o desequilíbrio estabelecido entre o solo e os demais fatores
ambientais pode tender a um novo padrão de equilíbrio e ser ecologicamente
sustentável ou ser de difícil reversão. Em termos gerais, o desequilíbrio entre o
solo e os demais fatores do ambiente. Provoca variadas formas de degradação
ambiental. Uma das mais claras, extensiva e danosa forma de degradação é a
erosão do solo. Portanto! A conservação do solo visa manter ou restabelecer o
equilíbrio dinâmico do sistema solo sob interferência antrópica.
A conservação do solo pode ser entendida de diversas formas. Envolve
grande número de ações e atividades voltadas à manutenção e à melhoria das
propriedades do solo, de modo a torná-la fértil e potencializador de atividades
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lucrativas, sem promover danos à ambiência. Sob esse conceito, portanto,
entende-se que conservar o solo não é impedir seu uso, mas usá-lo com o
mínimo de dano ou de desperdício. Do ponto de vista do uso agrícola, a
conservação do solo envolve a água tanto quanto o solo e considera mais do
que a prevenção ou o controle da erosão, mesmo que esta seja um aspecto
especialmente importante. Para a conservação do solo, preocupa-se com a ideia
do uso eficiente da terra para o maior retorno. Líquido, em termos econômicos,
sociais e ambientais, e, para tanto, conta-se com a aplicação da ciência,
habilidade, conhecimento e experiência. Em muitos aspectos, é um processo de
longo prazo e está intimamente ligado a outros programas ambientais, tais como:
conservação de floresta e de, fauna e prevenção de inundações.
Vários usos do solo podem degradá-la destacando-se a mineração, a
construção de estradas, de ferrovias e de aeroportos, o desenvolvimento de
conglomerados urbanos e o uso agrícola. Dentre esses, o uso agrícola do solo
destaca-se pelo potencial de degradação que apresenta especialmente pela
ocorrência de erosão. Com exceção do uso agrícola, as demais formas citadas
podem causar problemas pontuais de erosão, cujo controle poderá ser
relativamente fácil. A erosão provocada pelo uso agrícola do solo é uma forma
difusa de erosão, de mais difícil controle. A intensidade da erosão do solo está
diretamente relacionada com a intensidade do uso agrícola e com a adequação
de sistemas de manejo do solo. A utilização agrícola do solo sob manejo
inadequado e, ou, sem considerar a capacidade de uso do solo, pode levar a sua
degradação, acarretando acentuada erosão, tanto hídrica quanto eólica.
No uso agrícola do solo, com culturas anuais em sucessão ou em rotação,
os cuidados com o manejo visam, em primeiro lugar, realizar efetivo controle da
erosão. Dessa forma, busca-se encontrar o "manejo ideal do solo", o qual, além
de evitar a degradação, propicie sustentabilidade ao sistema agrícola produtivo.
Dentre todas as ações realizadas para conservar o solo, uma das mais
recentes e, talvez, a mais eficiente foi o sistema plantio direto. Inicialmente, as
expressões plantio direto, semeadura direta e semeadura sem preparo do solo
foram conceituadas como simples prática conservacionista, especialmente
voltada ao controle da erosão hídrica. Com o passar do tempo, o enfoque
concedido a essa prática foi ampliado, passando a ser percebida como um amplo

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e complexo sistema de manejo focado nos fundamentos da agricultura
conservacionista, sendo por isso representado pela expressão sistema plantio
direto.

2 MORFOLOGIA DO SOLO

Fonte: goconqr.com

Morfologia é o estudo das formas de um objeto ou de um corpo natural.


Na Ciência do Solo seu objetivo é a descrição, através de metodologia
padronizada, da aparência que o solo apresenta no campo, segundo
características visíveis a olho nu, ou perceptíveis por manipulação. A descrição
morfológica do solo é o primeiro passo para a identificação e a caracterização
do mesmo, constituindo pressuposto fundamental para estudos de gênese,
levantamento, classificação e planejamento do uso dos solos.
A caracterização morfológica do solo compreende duas etapas. Na
primeira, é feita a descrição das características morfológicas internas,
correspondendo, portanto, a “anatomia do solo”. Nesta, leva-se em conta a
espessura, cor, textura, estrutura, consistência, cerosidade, porosidade,
distribuição de raízes e transição entre os diferentes horizontes que formam o
perfil do solo. Na segunda etapa é feita a descrição do ambiente onde se
encontra o solo, constando do relevo, drenagem, vegetação, pedregosidade,

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erosão e uso atual, que constituem as características morfológicas externas do
solo.
Esta caracterização é feita de acordo com a metodologia descrita no
“MANUAL DE DESCRIÇÃO E COLETA DE SOLO NO CAMPO” editado pela
Sociedade Brasileira de Ciência do Solo e pelo Serviço Nacional de
Levantamento e Conservação de Solos.

2.1 O perfil do solo e seus horizontes

O solo é um corpo natural, tridimensional, com características próprias,


ocupando uma seção definida da paisagem. As características próprias de cada
solo podem ser analisadas e descritas no perfil do solo, que é a seção vertical
que se estende da superfície até o material que lhe deu origem e com dimensão
lateral suficiente para observar a variação das características (Figura 1).
Observando o perfil de um solo em um barranco de estrada ou na parede
de uma trincheira, verifica-se que ele apresenta uma sucessão de camadas mais
ou menos paralelas à superfície, diferenciadas entre si pela espessura, cor,
distribuição e arranjo das partículas sólidas e poros, pela distribuição de raízes
e por outras características identificadas mediante exames mais apurados.
Estas camadas, diferenciadas por processos pedogenéticos, denominam-
se horizontes do solo. Camadas que possam ocorrer no perfil de um solo e que
não sejam produto de processos pedogenéticos não são consideradas como
horizontes do solo.
O desenvolvimento dos horizontes do solo é um processo dinâmico. Num
primeiro estágio, pela alteração da rocha, forma-se uma camada de material
mineral não consolidado (regolito), composta por partículas de diversos
tamanhos, denominadas material de origem do solo. Sobre este material
desenvolvem-se plantas e outros organismos vivos (bactérias, fungos,
actinomicetos e animais superiores) que incorporam material orgânico ao
mesmo. Este enriquecimento orgânico resulta na formação de um horizonte
superficial mineral, escurecido, denominado horizonte A. Em alguns locais, sobre
este horizonte A ocorre deposição de resíduos vegetais e/ou animais, mais ou

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menos decompostos, originando um horizonte orgânico que em condições de
boa drenagem é denominado de horizonte O e em condições de má drenagem
de horizonte H.
Em alguns solos, as partículas mais finas encontradas no horizonte A
constituídas por micelas coloidais orgânicas ou minerais, podem ser
translocadas em profundidade pela ação da água que se infiltra no perfil do solo
(veja iten processos de podzolização e lessivagem). Em solos onde há eluviação
muito intensa forma-se uma camada de cores claras com menor concentração
de partículas finas (argila), abaixo do horizonte A. Esta camada é denominada
horizonte E.
Abaixo do horizonte A e/ou E, pode se formar uma camada mineral pobre
em material orgânico e enriquecida em argila, denominada horizonte B. A argila
do horizonte B pode ser formada “in situ” ou pode ser proveniente do horizonte
A. Este acúmulo de argila proveniente de horizontes superiores denomina-se
iluviação. O conjunto de horizontes A e B denomina-se solum, que pode ser
definido como a parte do solo que sofre a influência das plantas e animais.
Abaixo do horizonte B pode ocorrer uma camada de material mineral não
consolidado, parcialmente alterado, onde as características dos horizontes A e
B estão ausentes. Esta parte do perfil é denominada horizonte C, podendo ou
não corresponder ao material de origem do solo.
O substrato rochoso não alterado, sobre o qual se encontra o perfil do solo
e do qual pode ou não ser proveniente, é designado pela letra R.

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Fonte: portalmacauba.com.br

Os horizontes O ou H, A, E, B e C são os horizontes genéticos principais


de um perfil de solo, por refletirem a atuação dos processos que podem ocorrer
nos diversos estágios de desenvolvimento do mesmo. A simbologia dos
horizontes genéticos principais e suas definições adotadas pelo SNLCS a partir
de 1984 são apresentadas abaixo.
O - Horizonte orgânico situado sobre horizonte mineral superficial formado
por resíduos vegetais, folhas, talos, ramos, etc., acumulados em condições de
boa drenagem. Estes resíduos podem ser bem decompostos ou não
decompostos. Ocorre principalmente, sob vegetação florestal.
H - Horizonte orgânico superficial ou não, formado pela acumulação de
resíduos orgânicos em condições hidromórficas. Os resíduos orgânicos
apresentam estágios de decomposição variados.
A - Horizonte superficial mineral, que pode estar sob horizontes ou
camada O ou H, e que apresenta coloração escurecida pelo enriquecimento com
material orgânico humificado.
E - Horizonte mineral que ocorre sob o horizonte A, e que apresenta
máxima eluviação de argilas, óxidos ou matéria orgânica, pelo que apresenta
textura mais arenosa e coloração mais clara que os horizontes subjacentes.
B - Horizonte mineral formado sob um A ou E, por intensa alteração do
material de origem com formação de argilominerais, com ou sem produção de
óxidos e em conjunção ou não com iluviação de argilominerais, óxidos e matéria
orgânica.
C - Horizonte mineral inconsolidado pouco ou não afetado pela ação de
organismos e que pode ou não corresponder ao material de origem do solo. Pode
corresponder a material transportado que está em alteração ou material
resultante da alteração “in situ” da rocha subjacente. O C também pode
representar uma camada de areia quartzosa não alterada pedogeneticamente,
designando neste caso uma camada e não um horizonte genético principal.
O substrato rochoso contínuo ou praticamente contínuo pouco fendilhado,
que corresponde a rocha sã ou, quando já alterada corresponde a material
suficientemente coeso, não cortável com a pá, que ocorre abaixo do horizonte

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C, não é considerado horizonte, mas camada, sendo designado por R. O R pode
ou não corresponder ao material de origem do solo.
Os horizontes de transição miscigenados são representados pela junção
das letras dos horizontes principais entre os quais estão situados por exemplo,
AB ou BA, onde o primeiro apresenta maior semelhança com o horizonte A mas
possui características de B, e o segundo apresenta maior semelhança com o B
mas possui características de A.
Também podem ocorrer horizontes de transição mesclados, onde
ocorrem partes identificáveis, mas misturadas dos horizontes principais
adjacentes, por exemplo, o A/E, que deveria ser classificado como A, exceto pela
inclusão de áreas dentro do horizonte, que constituem menos de 50% do volume,
com características de E.

3 HISTÓRICO DO SISTEMA PLANTIO DIRETO

Fonte: portalmacauba.com.br

3.1 Origem do sistema de plantio direto

A exploração de sistemas agrícolas produtivos sem preparo de solo é tão


antiga quanto a própria agricultura, tendo sido praticada, pelo menos, até cerca
de 4.000 anos A.C., época em que surgiu o arado, inventado pelos egípcios.
Segundo Muzilli (1999), há evidências de que essa técnica também era
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empregada por civilizações nativas da América Latina, em que sementes de
milho eram semeadas em covas, abertas com varas pontiagudas de madeira, e
as plantas daninhas manejadas manualmente. Portanto, o ato de semear sem
preparo de solo surgiu com a própria agricultura, evoluindo, contudo, para o
emprego de arados e de grades e intensa mobilização da camada superficial do
solo (Derpsch, 1998).
As primeiras referências relativas ao manejo motomecanizado de
sistemas agrícolas produtivos sem preparo de solo foram manifestadas por
Edward H. Faulkner, em 1943, no livro "P/awman's Fall,/' (A tolice do lavrador),
que enfatizava não haver razão científica para arar o solo (Baker et aI., 1996),
Foi, entretanto, na segunda metade da década de 1940, na Estação
Experimental de Rothamsted, Inglaterra, que o preparo de solo passou a ser
considerado dispensável, desde que não houvesse competição por plantas
daninhas (Koronka, 1973). Para identificar esse processo surgiram inúmeras
expressões: "zero-ti//age", "no-til/age", "no-til!', "directseeding', "direct dri/ling',
"sod-planting', "sod-seeding', "chemica/-ploughing', "direct-planting', "residue
farming' (Baker et aI, 1996) e "plowless farming' (Little, 1987). No Brasil, essas
expressões foram traduzidas para "semeadura direta", "semeadura sem preparo
do solo" ou "plantio direto" e, na atualidade, para "sistema plantio direto".
O plantio direto, entretanto, só se tornou viável em áreas extensivas de
lavoura, a partir do desenvolvimento de técnicas de controle químico de plantas
daninhas (Derpsch, 1998). O pioneirismo dessa linha tecnológica é creditado à
Imperial Chemicallndustries - ICI, da Inglaterra, por ter lançado no mercado, em
1961, a molécula "Paraquat", herbicida de contato e de ação total. O
desenvolvimento desse herbicida pode ser considerado o evento de maior
relevância para a propulsão do plantio direto em larga escala.
A primeira lavoura comercial motomecanizada sob plantio direto de que
se tem notícia foi implementada, em 1966, por Harry Young e Lawrence Young,
em Herndon, Kentucky, EUA (Phillips & Young, 1973). Em 1967, esses
agricultores viabilizaram a sucessão de culturas trigo/soja, em decorrência do
ganho de tempo na semeadura da soja em sequência imediata à colheita de
trigo, proporcionado pelo plantio direto (Derpsch, 2007).

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3.2 Introdução do sistema plantio direto no Brasil

O ano de 1969 é apontado como marco histórico da introdução do plantio


direto no Brasil. Nesse ano, os professores Newton Martins e Luiz Fernando
Coelho de Souza, da Universidade Federal do Rio Grande do Sul - UFRGS,
semearam, experimentalmente, no Posto Agropecuário do Ministério da
Agricultura, em Não-Me-Toque, RS, um hectare de sorgo, sem preparo prévio
de solo, mantendo os resíduos da cultura antecedente na superfície do solo. A
semeadura foi realizada com uma semeadora específica para plantio direto,
marca Buffalo, importada dos EUA pela UFRGS, por meio do Convênio
MEC/USAID. Essa é considerada a primeira operação de semeadura direta, em
escala experimental, registrada no Brasil (Borges, 1993). Em escala de lavoura
motomecanizada, o pioneirismo é creditado ao Sr. Herbert Bartz, no município
de Rolândia, no Estado do Paraná, em 1972 (Borges, 1993).
O processo de introdução do plantio direto no Brasil, a partir desse fato,
voltou a ter registros em 1971, mediante a implementação de ensaios com a
sucessão de cultura trigo/soja, no Instituto de Pesquisas e, Experimentação
Agropecuária Meridional do Ministério da Agricultura 7' IPEAME/MA, nas
estações experimentais de Londrina e de Ponta Grossa,' PR (Reunião ..., 1977),
bem como na Fundação Centro de Experimentação e Pesquisa da Fecotrigo -
FUNDACEP, em Cruz Alta, RS (Borges, 1993) e na Estação Experimental de
Passo Fundo, RS, atualmente Embrapa Trigo (Reunião ..., 1977). Somente a
partir de 1975 é que o plantio direto passou a ser incorporado, de modo
sistemático, nos programas de pesquisa de outras instituições de pesquisa do
País. Nesse ano de 1975, em trabalho conjunto entre o Departamento de Solos
da UFRGS e o então Instituto de Pesquisas de Recursos Naturais Renováveis
(IPRNR) da Secretaria da Agricultura do Rio Grande do Sul (atualmente
integrante da FEPAGRO), foi instalado um experimento de campo para avaliar
perdas de solo e água por erosão sob chuva natural, em sistemas de manejo
(incluindo plantio direto), o qual originou uma das primeiras dissertações de
mestrado sobre o assunto no Brasil (Eltz, 1977).
A ICI do Brasil ocupou lugar de destaque no processo de viabilização do
plantio direto. A partir de 1972, além da implementação de intenso processo de

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difusão dessa técnica junto a produtores rurais, incentivou e apoiou inúmeras
entidades a efetuarem investigações técnico-científicas orientadas à avaliação
de sistemas de manejo e fertilização de solo sobre a produtividade das culturas,
ao desenvolvimento de equipamentos para semeadura e aplicação de herbicidas
e, fundamentalmente, ao manejo de plantas daninhas (Borges, 1993).
Essas constatações demonstram que o processo de introdução do plantio
direto no Brasil ocorreu de forma simultânea em nível de pesquisa e em escala
de lavoura. Como é próprio de processos de pesquisa demandarem determinado
tempo para a geração de conhecimentos e para transformar conhecimentos em
técnicas prontas para uso, a adequação do plantio direto aos agroecossistemas
do Brasil não fugiu à regra. Houve nítida defasagem de tempo entre as
demandas técnicas emanadas dos produtores rurais, pioneiros na adoção do
plantio direto rio País, e as soluções geradas pela pesquisa e transferi das à
assistência técnica. A percepção mais imediata e de maior motivação à adoção
do plantio direto no País foi sua eficiência no controle da erosão hídrica, com
resultados mostrados pelos pesquisadores brasileiros, em reuniões nacionais,
como os apresentados por Cassol (1977) na Reunião sobre Plantio Direto da
Embrapa-Soja, em Londrina, PR. Posteriormente, vários trabalhos realizados por
longos anos enfatizaram a importância do sistema plantio direto no controle da
erosão hídrica do solo (Quadro 1). A partir dessa relevante contribuição à
conservação do solo, o plantio direto passou a ser adotado e entendido,
simplesmente, como um método alternativo de preparo de solo, com potencial
para minimizar a erosão hídrica (Denardin et aI. 2001).

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Fonte: Tópicos em ciência do solo – vol.1 (2007) – viçosa, MG; Sociedade Brasileira de Ciência
do Solo, 2007.

A partir da década de 1980, porém, essa visão reducionista do plantio


direto passou a ser substituída por um enfoque mais holístico e mais sistêmico.
O plantio direto é um sistema de manejo para a exploração agropecuária,
constituído de práticas que envolvem, necessariamente, rotação de culturas,
mobilização de solo exclusivamente na linha de semeadura e cobertura
permanente do solo. Dada essa complexidade, é, atualmente, denominado
sistema plantio direto.

3.3 Evolução do sistema plantio direto no brasil

A evolução do sistema plantio direto no Brasil evidencia três distintos


períodos caracterizados por diferentes taxas de adoção - até 1979; de 1979 a
1991, e a partir de 1991 (Figura 1).
No período antecedente a 1979, a inadequação de equipamentos, a
carência de conhecimentos técnicos e a inexistência de capacitação específica
para técnicos geraram grande instabilidade no processo de adoção. Era comum
o abandono do plantio direto após períodos de três a

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Fonte: Tópicos em ciência do solo – vol.1 (2007) – viçosa, MG; Sociedade Brasileira de Ciência
do Solo, 2007.

Quatro anos de adoção. Em decorrência, a área mantida sob plantio direto


ora crescia, ora decrescia, sendo raros os produtores que conseguiam manter o
plantio direto desde a introdução do sistema no País. Assim, no período
transcorrido entre 1974 e 1979, a evolução da área de lavoura sob plantio direto
apresentou baixa taxa de adoção, correspondente a cerca de 11.900 há ano
(Figura 1). Nesse período, as semeadoras específicas para plantio direto
apresentavam limitações operacionais. A técnica de aplicação de herbicidas era
pouco desenvolvida. Os herbicidas dessecantes, para uso em pré-semeadura,
apresentavam limitações técnicas e, em decorrência, certas espécies de plantas
daninhas perenizavam-se na lavoura. O controle de plantas daninhas em pós-
emergência era insatisfatório, enquanto o uso de herbicidas pré-emergentes era
de elevado custo, uma vez que requeria o dobro da dose indicada para o preparo
convencional. Os modelos de produção predominantes eram a sucessão de
culturas trigo/soja e a monocultura de soja - pousio invernal/soja. O uso
continuado desses modelos de produção contribuía para a proliferação de

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fitopatógenos, favorecia a seletividade e a predominância de certas espécies de
plantas daninhas e gerava quantidade insuficiente de resíduos culturais para
proporcionar os benefícios associados à cobertura de solo. Os eventos de
capacitação técnica em plantio direto reuniam, indistintamente, técnicos e
produtores rurais e apresentavam estrutura típica de ações de desenvolvimento
de produto e de mercado. Embora essas atividades tenham sido intensamente
realizadas, o aspecto conservacionista, fortemente convincente ao agravante
processo de erosão e de degradação de solo em evidência na época, por si só
não sustentava a adoção do plantio direto.
O período de 1979 a 1991 foi caracterizado pela implementação de
diferentes eventos e atitudes com vistas em ampliar conhecimentos, aprimorar
processos e equipamentos e organizar a difusão do plantio direto. Em
consequência, a taxa de adoção do plantio direto apresentou considerável
crescimento em relação ao período anterior, passando de 11.900 para 80.570
há ano (Figura 1).
No Estado do Rio Grande do Sul, ação relevante nesse período foi a
implementação do Projeto Integrado de Uso e Conservação do Solo - PIUCS
(Wünsche et aI, 1980), sob auspícios da Comissão Estadual Coordenadora da
Conservação do Solo no Rio Grande do Sul- CESSOLO, contemplando
entidades públicas e privadas de ensino, pesquisa, extensão rural,
cooperativismo e assistência técnica. Esse projeto, centrado em capacitação
técnica e transferência de tecnologia, resultou na percepção de que o plantio
direto, para ser viabilizado técnica economicamente, necessitava ser entendido
como um sistema de exploração agropecuária, constituído por um complexo de
processos inter-relacionados, complementares e" interdependentes (Denardin et
aI, 2001). Foi por meio desse projeto que foram criados a consciência e o
entendimento de que o "plantio direto" deveria ser tratado como um "sistema
conservacionista de manejo do solo" e não como uma "prática conservacionista".
Assim, passou-se a enfatizar a preparação prévia para a adoção do sistema,
consistindo, fundamentalmente, em três ações: descompactação do solo,
utilização de plantas recuperadoras da estrutura do solo (plantas de cobertura,
plantas precursoras) e manutenção de altas taxas de cobertura do solo por
plantas e por resíduos de plantas.

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Nesse período, teve início a formação de grupos de troca de experiência,
envolvendo produtores rurais, assistentes técnicos e pesquisadores. Esses
grupos, denominados Clube da Minhoca - criado em 1979, em Ponta Grossa,
PR, e Clubes Amigos da Terra - criados a partir de 1982, em inúmeros municípios
do RS -, tinham por objetivo difundir experiências e buscar soluções para
problemas encontrados, na tentativa de suprir lacunas do conhecimento ainda
não preenchidas pela pesquisa. Atitudes dessa natureza, indubitavelmente,
constituíram e ainda constituem os mais expressivos atos de fomento e de
subsídio à evolução do sistema plantio direto no Brasil, por gerarem demandas
e soluções e influenciarem toda diversidade de segmentos relacionados com a
agricultura - científico, técnico, econômico, político, social e ambienta.
Destacam-se, ainda nesse período, avanços da pesquisa brasileira em
relação ao manejo de plantas daninhas, às técnicas de pulverização, ao
desenvolvimento de semeadoras, às práticas da calagem e da adubação e à
adoção da integração lavoura-pecuária, em ampla interação com os grupos de
troca de experiência, com o setor agroindustrial e com produtores rurais.
A ampliação do enfoque de "plantio direto" para "sistema plantio direto",
diante da percepção de que a viabilização do sistema não estava vinculada única
e exclusivamente ao abandono do preparo de solo, mas à associação dessa
prática à rotação de culturas e à cobertura permanente do solo, pode ser
considerada como marco de inovação tecnológica. Sob esse novo enfoque, na
região subtropical do Brasil, a aveia preta despontou como espécie potencial
para diversificar os modelos de produção existentes, constituindo pastagem
anual de inverno destinada à terminação de bovinos de corte. Para a safra de
verão, despontou a cultura de milho para compor rotação com a cultura de soja
(Denardin et ai, 2001).
Na região tropical do Brasil, o modelo de produção trigo/soja ou pousio
invernal/soja passou a ser substituído pela sucessão soja/milheto. A cultura de
milheto, destinada à cobertura de solo, em razão do regime pluvial da região,
caracterizado por deficiência hídrica no inverno, era semeada duas vezes na
entressafra de soja, abril e setembro, representando relevante rubrica do custo
de produção a ser ressarcida pela cultura de soja (Hernani et aI., 1995; Embrapa,
2007).

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Esse novo modelo de produção, entretanto, era técnica e
economicamente viável apenas para estabelecimentos rurais capitalizados e, ou,
de grande porte, que dispunham de infraestrutura para explorar pecuária de corte
e logística para cultivar milho em larga escala, marginalizando sua aplicabilidade
em pequenas unidades produtivas dominantes na região. Em adição, a indústria
de semeadoras para plantio direto postulava a tese de que esse equipamento
deveria ser de grande peso, para viabilizar o corte de resíduos culturais mantidos
na superfície do solo. Dessa forma, as semeadoras ofertadas pelo mercado da
época eram, exclusivamente, de grande porte e, consequentemente, de elevado
custo, acessíveis apenas a produtores capitalizados e, ou, de grandes
estabelecimentos rurais. Semeadoras dimensionadas para pequenas unidades
produtivas e agroecossistemas configurados por solos pedregosos e topografia
acidentada não eram, então, comercialmente disponibilizadas. Assim, embora
nesse período o conceito de plantio direto tenha evoluído ele uma visão
reducionista para um enfoque holístico e sistêmico, os modelos de produção
preconizados e as semeadoras disponibilizadas configuravam opções técnicas
descontextualizadas da realidade técnica, fundiária e econômica do País. Ambos
os aspectos constituíam limitações à adoção do sistema plantio direto (Denardin,
1998).
O período transcorrido a partir do início dos anos 1990 destacou-se por
ações promotoras da institucionalização do sistema plantio direto como
ferramenta da agricultura conservacionista, por contribuir para a conservação do
solo, da água, do ar e da biota de agroecossistemas, e, por consequência,
imprimir sustentabilidade a sistemas agrícolas produtivos. Em decorrência, as
resistências à adoção do sistema plantio direto foram expressivamente
reduzidas, percebendo-se que, praticamente, todos os segmentos vinculados à
agricultura passaram a incorporar ações voltadas ao desenvolvimento e ao
aprimoramento do sistema. Esse nível de institucionalização do sistema plantio
direto envolveu, inclusive, agências de fomento à pesquisa científica e
tecnológica e à formação de recursos humanos.
Nesse contexto, fato de relevância foi a constatação de que inúmeras
instituições de ensino e pesquisa passaram a implementar investigações com
base nos fundamentos do modelo de Pesquisa e Desenvolvimento (P&D) junto

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a entidades de extensão rural, assistência técnica e cooperativismo, bem como
a grupos de troca de experiências e outras organizações de produtores rurais do
País, em substituição aos programas típicos de desenvolvimento de mercado,
até então predominantes, promovidos e liderados por empresas produtoras de
insumos e de equipamentos.
Exemplo de aplicação desse modelo foi o Projeto METAS - "Viabilização
e Difusão do Sistema Plantio Direto no Rio Grande do Sul", implementado de
1993 a 1998 mediante ações multidisciplinares e parceria de entidades públicas
e privadas dos segmentos' de pesquisa, ensino, extensão rural, cooperativismo,
assistência técnica, administração pública municipal e comércio e indústria de
insumos e de equipamentos agropecuários. O resultado de maior impacto
gerado por esse projeto foi a expressiva contribuição para a expansão do
sistema plantio direto no RS, que passou de 320.000 ha, em 1992, para
3.817.000 ha, em 1998 (Denardin, 1998).
Concomitantemente à crescente implementação do modelo de P&D,
focado no aprimoramento e na expansão do sistema plantio direto no País, foi
criada, em 1990, na região tropical brasileira, a Associação de Plantio Direto no
Cerrado (APDC). Em 1992, foram criadas a Confederação de Associações
Americanas para a Produção da Agricultura Sustentável (CAAPAS) e a
Federação Brasileira de Plantio Direto na Palha (FEBRAPDP). Essas entidades,
graças à necessidade de estruturação dos inúmeros grupos de troca de
experiência em proliferação no Brasil e no continente americano, foram criadas
com a missão de congregar produtores rurais e entidades de pesquisa, de
extensão rural e de assistência técnica, de natureza pública e privada, bem como
fornecedoras de insumos e de equipamentos, a promoverem intercâmbio de
experiências, capacitação técnica e aperfeiçoamento profissional, com a
finalidade de gerar, desenvolver, validar, difundir e transferir técnicas orientadas
à otimização do sistema plantio direto. 'Em decorrência, proliferaram reuniões,
seminários, simpósios e congressos, em escalas regional, nacional e
internacional, focados no sistema plantio direto, objetivando oferecer trocas de
experiências, promover socialização do conhecimento e difundir técnicas,
mediante contatos pessoais, demonstrações em escala de lavoura, publicações
científicas, técnicas e jornalísticas e elaboração, divulgação e encaminhamento

18
de moções reivindicatórias de natureza política, econômica, social e ambiental.
Essas entidades foram e ainda são responsáveis por um eficiente e singular
processo de fomento ao desenvolvimento do sistema plantio direto no Brasil e
na América Latina. Às ações empreendidas e, ou, promovidas por essas
organizações, indubitavelmente, pode-se creditar o grau de institucionalização
que o sistema plantio direto representa atualmente.

3.4 Evolução de técnicas voltadas ao sistema plantio direto no Brasil

Em referência à evolução dos aspectos de natureza tecnológica voltados


ao sistema plantio direto, durante as diferentes fases de expansão do sistema
no Brasil, destacam-se as semeadoras para plantio direto as quais
experimentaram êxito no processo de aprimoramento, passando a competir,
técnica e economicamente, no mercado interno e no mercado externo. Contudo,
em decorrência da estrutura fundiária predominante no Brasil, caracterizada por
mais de 97 % dos estabelecimentos rurais com menos de 100 ha, o início dos
anos 90s foi marcado pela transformação de semeadoras originalmente
projetadas para preparo convencional em semeadoras com performance para
operar em sistema plantio direto. Na segunda metade dos anos 90s, a indústria
nacional passou a industrializar semeadoras acessíveis também por
estabelecimentos rurais de médio porte, promovendo maior compatibilidade
entre equipamentos e estrutura fundiária do País. Em adição, semeadoras
específicas para trabalhos de pesquisa em sistema plantio direto foram
projetadas, desenvolvidas e disponibilizadas no mercado. Semeadoras manuais,
de tração animal e tratória e autopropelida, foram desenvolvidas e aprimoradas
em atendimento à demanda oriunda de pequenos estabelecimentos rurais,
caracterizados por relevo acidentado e solo pedregoso.
A tecnologia de fertilização química do solo foi ajustada especificamente
para o sistema plantio direto, alterando o procedimento de amostragem de solo,
o método de correção da acidez do solo e os critérios para o estabelecimento da
dose de fertilizante para cada espécie cultivada (Wiethólter, 2000; Schlindwein
& Anghinoni, 2002; SBCS, 2004). A amostragem de solo foi limitada à camada
de 0-10 cm e o número de subamostras passou a ser dependente do

19
espaçamento entre linhas da cultura no momento da amostragem. O uso de
calcário, como corretivo da acidez do solo, foi reduzido em até 66 % (SBCS,
2004). O critério para o estabelecimento da dose d~ fertilizante assumiu a
exportação potencial de nutrientes pelas culturas, em decorrência da redução da
erosão do solo e da menor imobilização de determinados nutrientes pela fração
argila (SBCS, 2004; Correia et aI, 2004).
Do ponto de vista da microbiologia do solo, a elucidação do potencial do
sistema plantio direto em "sequestrar" C, em virtude da redução do coeficiente
metabólico do solo e do aumento da biomassa microbiana do solo (Hungria et
aI, 2002; Balota et aI, 2003), vem valorizando a conotação de "tecnologia limpa",
já creditada ao sistema. Essa maior retenção de compostos orgânicos no solo
sob sistema plantio direto tem sido associado ao aumento da agregação do solo,
que protege fisicamente a matéria orgânica contra a ação dos microrganismos
(Beare et aI, 1995). A percepção de que o sistema plantio direto favorece a
sobrevivência de Rhizobium e de Bradyrhizoium e leva plantas de soja e de
feijoeiro a manifestarem genes indutores de nodulação, confere ao sistema
maior potencial de fixação biológica de N2 e, consequentemente, maior equilíbrio
ao balanço de N e maior produtividade (Ferreira et aI, 2000).
O manejo de plantas daninhas, um dos problemas de maior complexidade
e de maior custo operacional do sistema, foi consideravelmente aprimorado pela
diversidade de herbicidas ofertados e pela evolução de equipamentos e da
técnica de aplicação. A introdução da soja transgênica, "Soja Roundup Ready®",
a partir do início dos anos 2000, facilitou o manejo de plantas daninhas, em razão
da elevada seletividade e flexibilidade temporal para a aplicação do princípio
ativo glifosato. Essa inovação tecnológica pode ser considerada como mais um
fator impulsionador da adoção do sistema plantio direto, principalmente no
Estado do Rio Grande do Sul (Denardin et aI, 2005b).
O vencimento da patente de considerável número de herbicidas,
essenciais para o êxito do manejo integrado de plantas daninhas, e a
consequente fluência de produtos genéricos acirraram a concorrência no
mercado de herbicidas, resultando em expressiva queda no preço desse insumo.
Nesse sentido, o destaque refere-se aos herbicidas genéricos de princípio ativo
glifosato. O preço por litro do glifosato, comercializado pela Monsanto, por

20
exemplo, decresceu de R$ 85,34, no ano de 1986, para R$ 15,43, em 2000
(ABDG, 2007), e para R$ 8,00, na atualidade. A queda do preço de herbicidas,
associada à economia de mão-de-obra, de hora-máquina, de combustível, de
calcário e de fertilizante (Quadro 2), contribuiu, expressivamente, para a redução
do custo de produção da lavoura sob sistema plantio direto, tornando-se o fator
de maior contribuição motivacional à adoção.

Fonte: Tópicos em ciência do solo – vol.1 (2007) – viçosa, MG; Sociedade Brasileira de Ciência
do Solo, 2007.

3.5 Evolução dos modelos de produção relacionados com o sistema


plantio direto no Brasil

No âmbito da diversidade de agroecossistemas das regiões subtropical e


tropical do Brasil, a contextualização de modelos de produção, estruturados em
sistemas de rotação de culturas, ocorreu mediante a conversão do sistema
agrícola produtivo de grãos para integração lavoura-pecuária e a intensificação
da exploração agrícola, pela instituição do processo concatenado e ininterrupto
de colher semear.
Na região subtropical, a consequente oferta de biomassa, resultante da
diversificação de culturas e do cultivo de espécies forrageiras anuais de inverno,
e a ampliação regional de indústrias de laticínios estimularam a expansão da

21
pecuária leiteira, por ser uma atividade plenamente compatível com a
infraestrutura de estabelecimentos rurais de médio e pequeno porte. Nesse
sentido, espécies cultivadas para cobertura de solo passaram a ser substituídas
por espécies produtoras de forragem. A produção de leite na Região Fisiográfica
Planalto Médio, do RS, por exemplo, que, no início dos anos 90s, era da ordem
de8 ML ano' passou para mais de 340 ML no ano 2002.
Em referência ao processo colher semear, exemplo de sucesso na região
subtropical vem sendo proporcionado pela cultura de milho. Na região tropical, a
cultura de milheto, cultivada como cobertura de solo, no início da década de 1990
passou a ser utilizada como pastagem anual, estimulando a integração lavoura-
pecuária, como alternativa para ressarcir o custo de produção conferido, até
então, à cultura de soja (Hernani et aI., 1995; Embrapa, 2007). Contudo, o regime
pluvial da região, caracterizado por rigoroso déficit hídrico no inverno, constituía
fator limitante à quantidade e à qualidade de forragem ofertada pelo milheto nos
meses de julho a setembro. Portanto, a fragilidade técnica e econômica da
sucessão soja/milheto demandou da pesquisa solução tecnológica, resultando
no desenvolvimento de cultivares de soja e de híbridos de milho de ciclo mais
curto e, consequentemente, na viabilização da sucessão soja/milho safrinha. A
redução do ciclo dessas espécies, em mais de 30 dias, propiciou mudança
radical nos modelos de produção dessa região do País, instituindo o binômio
safra-safrinha, que representa a duplicação da safra de grãos em uma mesma
safra agrícola. Essa inovação tecnológica, que bem caracteriza o processo
colher semear, pode ser apontada como responsável por parte do expressivo
aumento de produção de grãos do País, sem a correspondente expansão da
área cultivada.
A sucessão de culturas soja/milho safrinha, embora tenha imprimido à
agricultura tropical maior competitividade econômica, apresentava problemas
similares aos das sucessões soja/trigo e soja/milheto, caracterizados pelo pousio
invernal e pela limitada diversidade de espécies contempladas pelos modelos de
produção. A partir da década de 2000, entretanto, essa sucessão foi aprimorada
mediante consorciação de milho safrinha com cultivares de Brachiaria spp. ou
de Panicum spp., tolerantes ao acentuado déficit hídrico de inverno, viabilizando

22
a integração lavoura pecuária, com oferta de forragem durante o período
invernal.
Esse novo modelo de produção, denominado Santa Fé (Kluthcouski &
Aidar, 2003), singularmente estruturado por rotação e consorciação de .culturas
anuais e semiperenes (soja/milho safrinha + pastagem) sob sistema plantio
direto, caracteriza-se por: manter o solo permanentemente coberto; instituir o
processo colher semear, com supressão dos períodos de entressafra; manter
permanente aporte de material orgânico ao solo, mesmo no período de déficit
hídrico, e gerar benefícios decorrentes da rotação de culturas e da diversidade
de formas de exploração, principalmente de natureza econômica.
Acredita-se que a evolução de sistemas agrícolas produtivos, tanto na
região subtropical como na região tropical do Brasil, fundamentada nos
princípios do sistema plantio direto e no uso de culturas oriundas de programas
de melhoramento vegetal orientados não só à criação de cultivares com
flexibilidade para compor novos modelos associados à correção de deficiências
químicas do solo, mas também à nutrição equilibrada das plantas cultivadas
segundo princípios da agricultura de precisão, esteja tornando a agricultura
brasileira na mais moderna e eficiente agricultura conservacionista praticada no
mundo. Percebe-se, portanto, que é a interação entre sistema plantio direto e
espécies/cultivares portadoras de características específicas que otimizam o
sistema agrícola produtivo e imprimem caráter de sustentabilidade aos
agroecossistemas.
O efeito da convergência de percepções e das inovações tecnológicas
promotoras de vantagens econômicas e, consequentemente, instigadoras de
tomadas de decisão, resultou em vertiginoso e singular incremento da taxa anual
de adoção do sistema plantio direto no Brasil. Observa-se que esse crescimento
é da ordem de 21 vezes a do período anterior, passando de 80.570 há ano para
cerca de 1.770.000 ha ano1 a partir de 1991 (Figura 1).
A magnitude dessa taxa de adoção do sistema plantio direto pode ser
interpretado como uma revolução da agricultura brasileira, sob a égide dos
princípios da agricultura conservacionista.

23
3.6 Novo enfoque da conservação do solo voltada ao sistema plantio
direto

Do ponto de vista da conservação do solo, a substituição do preparo


convencional pelo sistema plantio direto alterou, fundamentalmente, a
abordagem aplicada ao controle da erosão hídrica. Desde os trabalhos pioneiros
de Ellison (1946, 1947a, b, c, d,e) e de Ellison & Ellison (1947a,b), sabe-se que
a erosão do solo é um processo de desagregação, transporte e deposição de
partículas de solo, sendo, na erosão hídrica, a desagregação basicamente,
realizada pela energia cinética do impacto da gota de chuva diretamente na
superfície do solo. Como um dos fundamentos essenciais do sistema plantio
direto é manter o solo continuamente coberto, o impacto direto da gota de chuva
sobre a superfície do solo é evitado. Com isso, a energia cinética do impacto da
gota da chuva é dissipada pela cobertura do solo.
Assim, em não havendo desagregação de partículas de solo, não há
erosão; consequentemente, seria possível inferir que não há necessidade de
utilizar prática conservacionista complementar à cobertura do solo para controlar
a erosão hídrica em lavoura manejada sob sistema plantio direto. Em
decorrência dessa percepção, alguns profissionais, com formação insuficiente
nos fundamentos científicos da conservação do solo, passaram a apregoar o
abandono de estruturas hidráulicas para controle de erosão hídrica em lavouras
manejadas sob sistema plantio direto. Passou a ser disseminada a ideia da
retirada indiscriminada de terraços da lavoura, sob o argumento de que ele não
mais era necessário, uma vez que, com a adoção do sistema plantio direto, não
haveria risco de perdas de solo por erosão hídrica. Essa, sem dúvida, é uma
visão parcial do problema, de certa forma equivocada, simplista e reducionista.
Ocorre que as principais formas de erosão hídrica do solo são: a erosão em entre
sulcos ou erosão laminar e a erosão em sulcos. Na, erosão em entre sulcos,
predomina a desagregação pela ação do impacto da gota de chuva e o
transporte pelo fluxo laminar raso, o qual se pode tornar turbulento pelo impacto
da gota de chuva. Onde o fluxo superficial se concentra, tanto o processo de
desagregação quanto o de transporte são realizados pelo fluxo concentrado,
caracterizando uma área de erosão em sulcos (Ellison, 1947a, b, c, d,e; Meyer

24
et al., 1975). Portanto, na presença de escoamento superficial, principalmente
quando fluir de forma concentrada, poderá promover erosão em sulcos, forma
de erosão possível mesmo em área com elevada cobertura do solo.
Perda de solo por erosão hídrica é consequência de vários fatores inter-
relacionados, quais sejam: água da chuva e do escoamento superficial, natureza
do solo e suas características de resistência à erosão, aspectos do relevo,
especialmente relacionados com as características topográficas de declividade,
comprimento e forma do declive, sistemas de manejo de solo utilizados e práticas
conservacionistas empregadas. 1

4 FERTILIDADE DO SOLO E CICLO DOS NUTRIENTES

Fonte: organicforecast.org

A fertilidade do solo consiste na capacidade do solo em suprir os


nutrientes necessários ao desenvolvimento das plantas e, indiretamente, dos
animais. Na natureza, os nutrientes fazem parte de ciclos, ou seja, são
reutilizados na cadeia alimentar dos seres vivos. O solo fornece os nutrientes

1 Texto Extraído: Tópicos em Ciência do Solo. – Vol. 1 (2007) – Viçosa,


MG: Sociedade Brasileira de Ciência do Solo, 2007.

25
para as plantas, que são utilizadas como alimentos pelos animais e seres
humanos. Assim, os nutrientes que estavam no solo passam a fazer parte do
crescimento e desenvolvimento de todos os seres vivos. Por exemplo, o cálcio
que está no solo é absorvido pelos vegetais, fazendo parte das células da folha,
do caule, etc. Quando nos alimentamos de uma salada, estamos reutilizando o
cálcio que a planta absorveu do solo. Em nosso organismo, este cálcio vai fazer
parte de diversos metabolismos, como a formação dos ossos. Outros exemplos
são o nitrogênio (N), que forma os tecidos, a proteína e os aminoácidos das
plantas e dos seres humanos, e o potássio (K), que atua na regulação osmótica
das plantas e dos animais.
Na produção rural, os agricultores podem modificar os teores de
nutrientes do solo para aumentar a produtividade das culturas. Para isso, eles
utilizam calcários, adubos químicos e orgânicos, assim os vegetais se
desenvolvem adequadamente, sem que no solo exista “falta” ou deficiência dos
nutrientes. É neste caso, que o solo é considerado “fértil”.
Um solo fértil sempre apresenta algumas características, como:
a) Grande reserva de nutrientes que garante o adequado crescimento
das plantas durante um longo período de tempo (vários anos, por
exemplo);
b) Não possuir elementos tóxicos em quantidades que diminuam o
crescimento das plantas. Um exemplo de elemento tóxico é o alumínio,
que quando existe no solo em altas quantidades prejudica o
desenvolvimento das raízes das plantas;
c) Ter quantidade equilibrada de nutrientes, de modo a evitar
desproporção nutricional das plantas.
É importante observar que as palavras-chave quantidade de nutrientes
(reserva) e balanço não são muito diferentes do que se ouve dos médicos e
nutricionistas.

26
5 NUTRIENTES ESSENCIAIS PARA AS PLANTAS

Fonte: aclimatecolombia.org

Dos elementos químicos que a planta absorve, 17 são essenciais:


carbono (C), oxigênio (O), hidrogênio (H), nitrogênio (N), fósforo (P), potássio
(K), cálcio (Ca), magnésio (Mg), enxofre (S), boro (B), cloro (Cl), cobre (Cu), ferro
(Fe), manganês (Mn), molibdênio (Mo), níquel (Ni) e zinco (Zn). A falta de um ou
mais desses elementos interfere no desenvolvimento da planta, que não cresce
saudável nem se multiplica.
Cabe destacar que esses não são os únicos elementos que existem nas
plantas. Estas podem conter algumas dezenas de outros elementos, como o
alumínio, que, como indicado anteriormente, é tóxico quando encontrado em
quantidade elevada; e o chumbo, o cádmio e o cromo, encontrados em pequenas
quantidades no geral, ou em elevada quantidade devido a locais naturalmente
ricos ou poluídos pela atividade humana.
Existe ainda o elemento sódio (Na), mas ele é considerado essencial
apenas para algumas plantas adaptadas a ambientes salinos, em que existe
muito sal, cloreto de sódio (NaCl), como, por exemplo, próximo ao mar e em
áreas de manguezais. Assim como o Na, outros elementos, tais como selênio
(Se), silício (Si) e cobalto (Co), podem melhorar o crescimento das plantas em
algumas situações de solo. Isso pode explicar a ideia popular de que a planta de
coco melhora seu crescimento com a aplicação de sal de cozinha (NaCl).
27
Os nutrientes mais abundantes nas plantas são C, O, H, N, P, K, Ca, Mg
e S, e, por isso, os seis últimos são frequentemente aplicados na agricultura com
adubos e calcários. Essas informações são muito específicas para serem
transmitidas aos estudantes do ensino fundamental, assim deve-se chamar a
atenção para fatos do cotidiano que relacionam os nutrientes do solo à saúde de
animais e seres humanos. Como exemplo, pode-se citar o N como elemento
constituinte de todas as proteínas e aminoácidos encontrados nos alimentos
(carne, soja, feijão, etc.), o Ca na formação dos ossos (dentes), o Fe no controle
da anemia, o P na formação dos ossos, etc.
O carbono (C), oxigênio (O) e hidrogênio (H) são fornecidos às plantas
através do ar [gás carbônico (CO2) e oxigênio (O2) e da água (H2O). Dessa
forma, o ser humano praticamente não tem controle sobre o fornecimento de C,
O e H. Entretanto, isso não significa que esses três nutrientes não são
importantes, pois eles formam, aproximadamente, 94% de toda a matéria
vegetal. Apenas o restante, 6%, é formado pelos demais elementos minerais.
Para mostrar de forma simples a composição das plantas, coloque um
pedaço de madeira em uma fogueira e observe o produto de sua queima. De
modo simplificado, teremos o calor, a liberação de CO2 e a cinza (6% da parte
mineral). Os 94% do volume total do pedaço de madeira voltam para o ar.
Lembre-se também dos hidratos de carbono ou carboidratos – substâncias que
contêm água (o termo “carbo” vem do carbono e “hidrato” por conter H e O). A
base da pirâmide alimentar está repleta de carboidratos, ou seja, COH.

6 CICLO DO CARBONO

A atmosfera terrestre é formada por diversos gases. Os dois mais


conhecidos por são o gás carbônico (CO2) e o oxigênio (O2), que fazem parte de
importantes processos, como a fotossíntese dos vegetais e a respiração dos
seres vivos.
Atualmente, existe uma grande preocupação com o chamado “efeito
estufa”. Esse efeito está relacionado com o aumento dos níveis de CO2 na
atmosfera do planeta. Qualquer atividade que emita (libere) CO 2 para a

28
atmosfera pode estar contribuindo para o efeito estufa. No mundo, a principal
responsável por essa emissão é a queima de combustíveis fósseis que libera
grandes quantidades de CO2, aumentando em muito os seus teores na
atmosfera. No Brasil, a maior responsável por esses aumentos são as
queimadas de pastagens e florestas.
Quando a luz chega a uma superfície, parte dela é absorvida e parte é
refletida. Os raios solares que chegam ao nosso planeta são absorvidos para o
aquecimento da terra, para a fotossíntese dos vegetais e, também, para a
regulação do ciclo das águas, através da evaporação. Outra parte desses raios
é refletida pela terra, voltando para o “espaço”. Quando os níveis de CO2 de
nossa atmosfera estão muito elevados, esses raios que deveriam voltar para o
espaço “batem” nas moléculas de CO2 e novamente são refletidos para a terra.
O que acontece é um efeito acumulativo, porque o Sol não para de emitir raios
solares que são incididos constantemente à Terra. E os raios, que deveriam sair
da atmosfera terrestre, não conseguem, e são novamente refletidos, conforme a
imagem a seguir.

Fonte:.mrlima.agrarias.ufpr.br

As consequências ambientais do efeito estufa são sentidas principalmente


sobre o clima, pois o efeito estufa ocasiona o aquecimento do planeta. Contudo,
o CO2 atmosférico não causa apenas efeitos prejudiciais, pois sua presença é

29
necessária para que as plantas realizem a fotossíntese, conforme a imagem a
seguir.

Fonte: mrlima.agrarias.ufpr.br

30
Os vegetais podem ajudar o ser humano a diminuir o teor de CO 2 na
atmosfera, processo chamado de “sequestro de carbono”. O carbono (C),
além de fazer parte da molécula de CO2, representa a maior parte do tecido
vegetal. As florestas, as pastagens e os cultivos podem retirar o C do ar, através
da absorção de CO2 no processo de fotossíntese, diminuindo, assim, o efeito
estufa.
Neste caso, o efeito nocivo da queima de combustíveis e das queimadas
de pastagens e florestas pode ser revertido quando a mesma quantidade de CO2
liberado na atmosfera for fixada através das plantas.
Todo esse processo pode ser estudado do ponto de vista de energia,
através de um ciclo. As plantas e outros organismos vivos que fazem a
fotossíntese absorvem a energia do sol. Esta transforma a água absorvida do
solo pelas raízes e o CO2 absorvido da atmosfera pelas folhas em carboidratos,
proteínas, óleos e muitos outros compostos, que serão armazenados no tecido
vegetal. Então, quando nos alimentamos dos vegetais, estamos consumindo
diretamente a energia que estes armazenaram, ou quando nos alimentamos de
outros seres vivos que consumiram os vegetais, estamos consumindo
indiretamente a energia armazenada na fotossíntese.
Essa energia, primeiramente, é utilizada no metabolismo de vegetais e
organismos autótrofos (que produzem seu próprio alimento através da
fotossíntese); posteriormente, torna-se fonte de energia para os demais
organismos da terra que se alimentam desses seres vivos, conforme a imagem
a seguir.

31
Fonte: mrlima.agrarias.ufpr.br

Outra forma do ser humano utilizar a energia acumulada pelas plantas é


através da queima de lenha e carvão vegetal, para assar um churrasco ou pão,
por exemplo. Essa energia acumulada é chamada de biomassa, e por se tratar
de uma queima, também libera CO2 para a atmosfera. Ou seja, qualquer queima
representa o processo inverso do sequestro de C.
Assim, quando se utiliza derivados de petróleo, gás natural e carvão
mineral, que foram formados há milhões de anos através da morte e acumulação
de microrganismos, por isso chamado combustíveis fósseis, também é
liberado o C.
Como a grande maioria deste C preso no interior dos sedimentos é
formando de material resistente, que só voltaria à atmosfera ao longo de milhões
de anos, não se tem ainda um meio de retornar o C para uma forma pouco ativa
no interior da terra, inativando o efeito do uso. No entanto, por exemplo, quando
se planta a cana-de-açúcar (fixar carbono), produz-se álcool (etanol – contém
CHO) e o utiliza como combustível de carro, coloca-se de volta um C tirado a
menos de um ano da atmosfera. Embora não se tenha um carro na imagem
anterior, basta substituir o carneiro pelo carro, e substituir o dejeto por CO 2 para

32
se ter a retirada e a volta do C em curto espaço de tempo - por isso o etanol
(biocombustível) é visto como mais sustentável.
Os resíduos de planta que caem no solo e são utilizados pelos
microrganismos também fazem com que uma grande parte do C volte
rapidamente para a atmosfera. No entanto, uma parte do resíduo que resta,
gruda nas partículas do solo (argila) na forma de matéria orgânica, formando
uma substância de cor escura chamada húmus. Uma vez presa ou grudada na
argila, o C contido nos húmus continua sendo utilizado pelos microrganismos,
mas numa velocidade muito menor, que pode demorar dezenas, até centenas
de anos para retornar à atmosfera.
Outra forma de preservar o C, é mantê-lo como parte viva, como na
Floresta Amazônica, onde a planta viva mantém o C na forma de madeira, folha
e galho. Ao substituir a floresta por pasto, geralmente via queima, com menor
quantidade de massa e C, coloca-se esse carbono na atmosfera. No entanto, se
a retirada de árvores for de modo racional, deixando outras crescerem no mesmo
local, e a utilização da madeira for para construir casas, por exemplo, é possível
manter o C preso e assim diminuir o retorno para atmosfera. A utilização de
madeira de reflorestamento também ajuda a manter o C por mais tempo fora da
atmosfera.
Na figura anterior, tem-se representado o C preso aos combustíveis
fósseis, que foram depositados a centenas de milhões de anos, e cobertos por
centenas de metros ou quilômetros de lama e rocha, ou seja, o C está preso ou
inerte no interior da superfície da terra e não atua praticamente como fonte de C
para a atmosfera. Entretanto, quebra-se esta inércia do C quando se escava e
utiliza esses combustíveis fósseis, o que permite um grande aumento de C na
atmosfera.
Assim, é importante informar aos alunos que todo ser humano é parte da
cadeia do carbono e que está sempre intervindo no ciclo do mesmo. Conhecendo
esse ciclo, o aluno terá condições de entender os problemas de poluição (efeito
estufa), a importância ambiental das florestas e de sua preservação, o sol como
fonte primária de energia ao planeta, e a planta como transformadora de luz e
minerais de alimento para todos os seres vivos (fotossíntese). Também
compreenderá que a decomposição possibilita a reutilização dos nutrientes e

33
que no caso específico do CO2 significa a renovação do seu ciclo, através da
reutilização no processo de fotossíntese.

7 NUTRIENTES NO SOLO

Fonte: revistacampoenegocios.com.br

Recordando um pouco as aulas de Química... Quando se adiciona sal de


cozinha (NaCl) na água, o sódio (Na) e o cloro (Cl) se separam nos íons Na+ e
Cl-, isto é, se dissociam em elementos com carga positiva (Na +), chamados de
“cátions”, e elementos com carga negativa (Cl-), chamados de “ânions”. É nessa
perspectiva que tem-se a famosa frase: “cargas opostas se atraem”. Um exemplo
disso é o sal de cozinha, em que o Na+ (positivo) e o Cl- (negativo) se ligam para
formar a molécula do sal (NaCl). Outro exemplo, são os experimentos com
eletricidade, em que um fio ligado a um polo positivo e outro em um polo negativo
de uma bateria, quando colocados em água contendo Na+ e Cl-, atraem cargas
opostas, ou seja, o polo positivo atrai o Cl-, e o negativo, o Na+.
Recordando um pouco as aulas de Química... Quando se adiciona sal de
cozinha (NaCl) na água, o sódio (Na) e o cloro (Cl) se separam nos íons Na+ e
Cl-, isto é, se dissociam em elementos com carga positiva (Na +), chamados de
“cátions”, e elementos com carga negativa (Cl-), chamados de “ânions”. É nessa
perspectiva que tem-se a famosa frase: “cargas opostas se atraem”. Um exemplo

34
disso é o sal de cozinha, em que o Na+ (positivo) e o Cl- (negativo) se ligam para
formar a molécula do sal (NaCl). Outro exemplo, são os experimentos com
eletricidade, em que um fio ligado a um polo positivo e outro em um polo negativo
de uma bateria, quando colocados em água contendo Na+ e Cl-, atraem cargas
opostas, ou seja, o polo positivo atrai o Cl-, e o negativo, o Na+.
Reação similar ocorre com a maioria dos adubos adicionados no solo. O
solo contém água, que é chamada de “solução do solo”. Quando um adubo entra
em contato com a solução do solo (água), dissolve-se formando cátions (íons
com cargas positivas) e ânions (íons com cargas negativas). Uma parte desses
cátions e ânions do adubo fica na solução do solo, da mesma forma que o sal de
cozinha fica dissolvido num copo com água.
Conforme visto na unidade 2, “Composição do Solo”, as partículas
minerais e orgânicas do solo apresentam cargas negativas e positivas que retêm
em sua superfície os nutrientes que foram adicionados no solo, como o adubo.
No entanto, esses nutrientes não ficam retidos para sempre.
Normalmente, as plantas absorvem os nutrientes que estão dissolvidos na
solução do solo, de forma que, com o passar do tempo, os nutrientes da solução
vão se acabando. Então, os nutrientes retidos pelos minerais e pela matéria
orgânica vão sendo liberados aos poucos para a solução do solo, tornando-se
disponíveis para as plantas, conforme a imagem a seguir.

35
Fonte: mrlima.agrarias.ufpr.br

A quantidade de cargas varia de solo para solo. Solos que possuem alta
quantidade de cargas retêm maior quantidade de nutrientes, que servirão de
reserva para as plantas. Dessa forma, quanto mais cargas o solo possui, maior
será a sua capacidade de reter os nutrientes aplicados como fertilizantes. Além
disso, quanto mais o solo reter, menores serão as perdas de nutrientes através
da lixiviação, que é a lavagem (perda) dos nutrientes do solo através da água,
que infiltra até alcançar o lençol freático.
É importante saber que a força com que os nutrientes são retidos no solo,
pode variar de muito fracamente retido a muito fortemente retido. Os elementos
que são muito fortemente retidos no solo podem acumular ao longo dos anos
quando aplicados. Já os elementos fracamente retidos não se acumulam e são
perdidos por lixiviação.

36
8 ACIDIFICAÇÃO E PERDA DE NUTRIENTES DO SOLO

Quando se fala sobre acidez, deve-se lembrar de pH. A acidez é


representada pela concentração de íons hidrogênio (H+) existente em uma
solução, ou seja, seu pH. Quando um solo é ácido, significa que seu pH é menor
que 7, e quando é alcalino, seu pH é maior que 7. Solos muito ácidos podem
conter poucos nutrientes e grandes quantidades de elementos tóxicos às
plantas, sendo o alumínio (Al+3) o mais frequente, prejudicando o crescimento
das plantas.
Uma forma de adicionar íons H+ no solo é através da água da chuva.
Lembre-se que a molécula de água (H2O) contém 2 H. No item anterior desta
unidade, foi tratado sobre as cargas do solo, e também sobre a lixiviação (perda)
dos nutrientes. Quando a água (H2O) da chuva infiltra, está havendo adição de
íons H+ no solo, uma vez que o pH da água da chuva normalmente é inferior a
7,0. Esses íons H+ podem “retirar” os nutrientes que estão retidos nas cargas do
solo (existentes nos minerais e matéria orgânica), “trocando” de lugar com eles,
ou seja, deslocando os nutrientes para a solução do solo. Quando os nutrientes
da solução do solo não são absorvidos pelas plantas, e como eles não estão
retidos por nenhuma carga (estão “livres”), eles podem ser perdidos através da
lixiviação (“lavagem”).
A lixiviação é simplesmente a perda dos nutrientes junto com a água que
infiltra no solo. Essa água é aquela que vai até os lençóis freáticos, que formarão
lagos e rios, que chegarão até o oceano. Então, os nutrientes perdidos são
levados pela água da chuva, podendo se acumular em mares e lagos. Uma prova
disso é a composição química da água mineral (Tabela 1), que contém os
nutrientes lavados do solo.

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Cada água mineral tem composição variada dependendo do solo da


região. Deve-se também considerar que a água que passa pelo solo entra em
contato com as rochas e os sedimentos do subsolo e estes também contribuem
com a disponibilização de elementos químicos para a água. Logo, a composição
da água mineral sofre influência do solo e subsolo.
Para corrigir a acidez excessiva do solo, aplicam-se corretivos como o
calcário. Assim, é possível atingir o pH ideal para o crescimento das plantas e
também eliminar o alumínio para não causar toxidez às mesmas. A imagem a
seguir mostra o efeito da correção da acidez através da aplicação de um
corretivo (calcário) sobre o crescimento do milho.

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É importante saber que nossas florestas e campos estão cheios de


plantas que são resistentes à acidez e conseguem crescer normalmente ou
sobreviver em tais condições. Algumas plantas mantêm esta característica
mesmo quando selecionadas pelo homem, um exemplo são as plantas de chá
(China ou Índia) e a erva mate (nativa do sul da América do Sul), que conseguem
sobreviver em solo muito ácido.
Nas áreas urbanas, os restos de construção, que possuem resíduos de
cimento e cal, também podem contribuir para reduzir a acidez do solo. Assim,
pode-se encontrar solos cuja fertilidade química foi melhorada na área urbana,
embora as condições físicas estejam piores devido à compactação de máquinas
e dos operários da construção civil.

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A Tabela 2 mostra alguns dados de uma análise química de um solo muito
“lavado” e acidificado (solo velho) e de um solo menos “lavado” (solo jovem),
vindo de uma mesma rocha (basalto). Observa-se que o Ca++, Mg++ e o K+ são
bem menores no solo velho (muito intemperizado) do que no solo jovem (pouco
intemperizado). Ao contrário, o pH e os teores de Al+3 são maiores no solo velho
(muito intemperizado), do que no solo jovem (pouco intemperizado). Isso ocorre
justamente porque o solo velho passou durante um tempo maior pelo processo
de intemperismo (“envelhecimento”), ou seja, o tempo de acidificação e perda de
nutrientes foi maior. No solo jovem, como esse tempo de envelhecimento
(intemperismo) é menor, ainda existem nutrientes, e sua acidificação é menor.

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Como se pode observar o Ca++ e Mg++ são elementos que formam


compostos pouco solúveis em água e, quando chegam aos oceanos, se
acumulam no fundo (depositam), ou são absorvidos pelos organismos formando
conchas e corais. Um bom exemplo destes compostos são os carbonatos de Ca
e Mg (CaCO3, MgCO3), parentes dos bicarbonatos de Na (NaHCO3), usados
contra a acidez do estômago. Esses compostos se acumularam no decorrer de
milhões de anos no fundo de mares e lagos, formando os depósitos de calcários
e mármores. Essas rochas, depois de moídas, são novamente utilizadas no solo
para a correção da acidez.

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Observa-se, nas imagens a seguir, a exploração de calcário em Almirante
Tamandaré (PR), da mina até o produto final. Este produto será aplicado no solo
para reduzir sua acidez.

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É possível, então, verificar que na natureza os elementos fazem parte de


ciclos, onde são perdidos e retornam ao solo. O Ca++ perdido do solo há milhares
de anos, retorna na forma de corretivo da acidez. Esse Ca++ será absorvido pela
planta, onde irá fazer parte de seus tecidos. Quando os seres humanos se
alimentam da planta, o Ca++ passa a fazer parte do seu metabolismo, como, por
exemplo, na formação dos ossos. Assim, na natureza nada é perdido, e todos
os elementos são reaproveitados.

9 ORIGEM DOS ADUBOS

Ao contrário do que se imagina, os solos do Brasil têm, em geral, uma


baixa fertilidade.

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Contudo, tem-se boas condições de clima na maior parte do território,
onde se pode cultivar mais de uma cultura por ano a céu aberto, fato impossível
em clima temperado, onde o intenso frio mata as plantas ou inibe o crescimento.
Todavia, existem regiões no Brasil com solos de média a alta fertilidade
natural, como em parte do Centro-Sul, com solos originados de basalto, e no
interior da região Nordeste, onde o clima seco com poucas chuvas resulta em
menor lixiviação de nutrientes (perda) e pouca acidificação.

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Muitas pessoas acham que não é conveniente utilizar fertilizantes (adubos


químicos) no solo, por se tratarem de compostos não naturais, que diminuem a
qualidade dos alimentos e poluem a natureza. Assim, cabe aqui a discussão
sobre os adubos e os possíveis problemas decorrentes de seu uso.

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O que acontece com o Na+, K+, Ca++ e Mg++ perdidos através da
lixiviação? A alta concentração de sódio (Na+) nos mares e oceanos tem relação
com essas perdas. O Na+ hoje existente nos oceanos e mares veio, em sua
maior parte, do solo. Sabe-se também que o K+ e Na+ precipitam com o Cl-
quando ocorre a secagem de lagos e mares, formando depósitos de KCl e NaCl,
atualmente explorados na fabricação do adubo cloreto de potássio (KCl), que é
um dos mais usados na agricultura em todo o mundo.
Os adubos contendo fósforo também são em sua maioria originados da
deposição desse elemento em sedimentos, lagos e mares, assim como ocorre
com o calcário. Atualmente existem, no mercado de adubos, rochas
sedimentares apenas moídas chamadas de fosfatos naturais [Ca 3(PO4) 2], que
vêm sendo muito empregadas na agricultura orgânica e convencional.
Estas rochas são simplesmente moídas ou tratadas quimicamente para a
produção dos adubos. Desta forma, é possível concluir que a maioria dos adubos
(K e P) e dos corretivos da acidez (que também são fonte de Ca e Mg) tem
origem em rochas sedimentares, ou seja, fontes naturais.
Os adubos nitrogenados (N) são produzidos de maneira diferente, sendo,
em sua maioria, sintetizados a partir do N2 (do ar), H2 (do gás natural ou carvão)
e CO2 (subproduto da indústria do petróleo).
A ureia sintetizada é o adubo mais comum de N utilizado pelos
agricultores. Contudo, a ureia também é uma das formas de excreção do N pelos
animais, sendo encontrada em abundância nos resíduos orgânicos, reforçando
mais uma vez que grande parte dos adubos utilizados na agricultura são
compostos encontrados na natureza ou semelhantes.
Cabe destacar que, na natureza, não apenas a aplicação de adubos
fornece nutrientes às plantas. Existem também alguns organismos “auxiliares”
na captação e absorção de nutrientes, do ar ou mesmo das rochas que formam
o solo.
Esse fato é bom tanto para as plantas quanto para as bactérias, pois ao
mesmo tempo em que as plantas recebem o nitrogênio que as bactérias retiram
do ar, as bactérias recebem compostos orgânicos que as plantas produzem. É
uma troca de nutrientes, em que ambos os organismos se beneficiam. Esse
processo é chamado de “fixação biológica do N”.

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A simbiose com bactérias fixadoras de N é tão importante para algumas
plantas, que no caso da soja, por exemplo, não se faz mais adubações
nitrogenadas (adubos com N), de forma que todo o N que a cultura necessita é
fornecido pelas bactérias. Assim, é necessário que antes de se plantar a cultura
da soja, as bactérias (conhecidas por Rhizobium) sejam inoculadas na semente,
através de um produto chamado inoculante.
Atualmente, o agricultor aproveita essa fixação de N, pensando também
na próxima cultura. Assim, existem algumas plantas leguminosas de inverno
(como o trevo, a ervilhaca, etc.), que também fixam N através de simbiose com
bactérias. Essas plantas são cultivadas no inverno, e em seu resíduo de cultura
(palha, raízes, restos vegetais), fica parte do N que as bactérias fixaram. Esse N
que fica no resíduo da cultura será liberado aos poucos para o solo, podendo ser
aproveitado pela próxima cultura, a que será plantada no verão, como, por
exemplo, o milho, que não faz simbiose com bactérias fixadoras de N. Esse
processo é chamado de “adubação verde”, pois são aproveitados os nutrientes
(“adubação”) que ficam nos resíduos de uma cultura (“verde”).

10 ADUBAÇÃO E PROBLEMAS AMBIENTAIS

Os adubos são as principais fontes de nutrientes para que as plantas


cresçam adequadamente. Mas isso não quer dizer que não existam limites para
a aplicação de adubos, sejam orgânicos ou minerais, ou que, quanto mais se
aplicar adubos, mais fértil será o solo e maior será a produtividade. Um dos
maiores problemas do uso excessivo de adubos está no descontrole do
crescimento das plantas, devido, principalmente, ao uso de N. Com muito N as
plantas crescem demais, ficando mais tenras (tecido mais “mole”) e menos
resistentes ao ataque de pragas e doenças, obrigando os produtores a intervirem
frequentemente com o uso de agrotóxicos.
Outro efeito negativo do uso excessivo de fertilizantes está relacionado
com a qualidade da água. Quando são utilizadas altas doses de adubos, o N e
o P podem ser perdidos do solo, por exemplo, por erosão, se acumulando em
rios, lagos, baías e mares. Esse acúmulo gera um excesso de nutrientes em

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ambientes aquáticos, favorecendo o crescimento de algas, no processo
conhecido como eutrofização. Como a população de algas aumenta muito, sua
morte ocasiona consumo do oxigênio da água através da decomposição por
microrganismos. Assim, animais aquáticos, como os peixes, não sobrevivem
devido a essa falta de oxigênio na água. Além disso, a proliferação dessas algas
pode interferir na qualidade da água, com cheiro e sabor desagradáveis, ou até
mesmo a formação de compostos tóxicos em alguns casos.
O uso de adubos orgânicos em altas quantidades também provoca
contaminação nas águas. Atualmente, muitos países europeus têm grandes
problemas com a produção em larga escala de suínos, bovinos e aves, sendo
impostas por lei, limitações ao uso de resíduos aplicados ao solo. Problemas
com resíduos orgânicos também têm sido constatados com maior frequência nos
estados brasileiros, onde a produção de suínos é grande e, em muitos casos, o
resíduo é despejado diretamente nos rios.
Diante de possíveis problemas ambientais causados pelo uso de adubos
químicos e orgânicos, surge uma pergunta: seria possível cultivar os solos sem
aplicação de adubos? Pode-se responder esta questão com um exemplo bem
brasileiro e importante de nossa história: muitos índios da região amazônica têm
por hábito mudar a aldeia de local frequentemente. Mas, após alguns anos, eles
voltam a se instalar no mesmo local e, continuamente, adicionam resíduos
orgânicos que se transformam em húmus, dando ao solo uma cor escura (rico
em matéria orgânica e N) e muito fértil.2

2 Texto extraído do site: http://www.mrlima.agrarias.ufpr.br

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BIBLIOGRAFIA

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