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VER S OS

AND ARIL HOS

A VIDA
FILMES E
NÃO PASSA
ADAPTAÇÕES
DE UMA
LITERÁRIAS
MONOTONIA.
POR GUILBERTH GOUVEIA
POR ISAAC CARDOSO

COMO
O PESO DO FORMAR
PÁSSARO NOVOS
MORTO LEITORES?
POR GUILBERTH GOUVEIA POR REGINALDO CALEGARI

JANEIRO
2021
ÍNDICE

03 COMO FORMAR NOVOS LEITORES?

Regi nal do Cal egari mostra al ternati vas a al go


que pode mudar a consci ênci a de futuros
aful tos.

09 A VIDA NÃO PASSA DE UMA


MONOTONIA
Crônica original de Isaac Cardoso

15 O PESO DO PÁSSARO MORTO

UUma anál i se l i terári a do l i vro da autora Al i ne


Bei .

19 E

Isaac Cardoso lembra sentimentos de um


amor perdido.

21 FILMES QUE VOCÊ NÃO SABIA


QUE ERAM ADAPTAÇÕES
LITERÁRIAS

Trazemos uma l i sta de fi l mes que podem


compl ementar a sua l ei tura (ou trazer um
ponto de vi sta di ferente)!

“O declínio da literatura
indica o declínio de uma nação”.
- GOETHE
COMO FORMAR
NOVOS LEITORES
REGINALDO CALEGARI

A formação de leitores no Brasil é O Brasil pode levantar a bandeira


um tema extremamente importante de ser um dos países que mais se
para a sociedade e que precisa ser compra livros no mundo. Em recente
olhado com atenção pelos pesquisa, o país ocupou a oitava
governantes e órgãos responsáveis posição em um ranking mundial que
pela educação no país. considerava quem comprou pelo
O acesso à leitura permite ao cidadão menos um livro durante o ano. Esse
um conhecimento maior sobre fatos, resultado pode ser animador, mas
com o qual ele poderá se embasar deve ser observado alguns pontos
para argumentar e sustentar sua importantes que nos faz pensar em
opinião sobre algum assunto. O que duas questões: o Brasil é o país que
precisa ser levado em consideração mais se lê ou mais se compra livros
não é somente o incentivo em ler, para decorar estantes? Ou ainda, o
mas estimular os futuros leitores a brasileiro precisa comprar livros por
terem acesso a um conteúdo de não ter acesso a uma biblioteca de
qualidade. qualidade?

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A primeira questão pode ser
respondida em uma reportagem da
Folha de São Paulo. Nesse
levantamento, o Ibope mostrou que
há uma diminuição do número de
livros lidos pelos brasileiros, mas em
contrapartida o mercado editorial do
país continua crescendo. Esse
resultado mostra um reflexo
incoerente com o aumento pelo
fetichismo da mercadoria que, nada
mais é, do que comprar um livro
apenas para tê-lo sem pretensão ou Com relação a segunda pergunta,

qualquer projeto de leitura futura. essas situações das bibliotecas se


tornam delicadas até mesmo em um
ambiente escolar, uma vez que
muitas instituições de ensino não têm
biblioteca, mas sim as chamadas
“Salas de Leitura”. Tudo porque, para
se ter uma “biblioteca” com a
propriedade do termo, é preciso ter
um bibliotecário efetivo e, muitas
escolas ou órgãos públicos, não
dispõem de orçamento para a
contratação desse profissional.
Mesmo com sua importância, as salas
de leitura não possuem profissional
apto para dar apoio e suporte ao
leitor.
VERSOS ANDARÍLHOS | 4
Além desses pontos levantados,
em sua maioria, as escolas não
trabalham a leitura como um prazer
a ser desenvolvido com o hábito de
ler. Muitos docentes impõem obras
de difícil compreensão ao aluno
adolescente, que pode não ter
despertado ainda o deleite pela
Títulos densos como
leitura. estes precisam ser
Para que essa cobrança possa
ser feita, o estudante deve ter
discutidos e trabalhados,
acesso a conteúdo literário desde a mas são cobrados do
sua base educacional que seja
condizente com sua faixa etária e
aluno para serem lidos
ano escolar. Assim, o aluno em poucos dias.
consegue despertar desde cedo o
hábito pela leitura e essa
necessária cobrança futura tenha
os resultados esperados. Quando
o estudante já teve o seu hábito
despertado ainda criança e
conseguiu formar seu perfil
opinativo, tais atividades serão
trabalhadas com um melhor
resultado e com toda a importância
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que o tema propõe.


Quem nunca se deparou com um Considerando tais pontos, é
trabalho escolar no qual era preciso fundamental o incentivo do governo
fazer uma análise profunda de em disponibilizar para a população
“Memórias Póstumas de Brás Cubas”, mais bibliotecas de qualidade com
de Machado de Assis? Ou ainda, bibliotecários capacitados,
precisou ler em uma semana poemas principalmente em cidades do
de Fernando Pessoa e fazer uma interior. Como uma alternativa para
análise objetiva, quando um poema é prover essa verba, poderiam ser
tão subjetivo? feitas parcerias com editoras e
Caso essa formação leitora não livrarias do mercado brasileiro. Seus
comece desde cedo, o jovem que já nomes levados para a área pública,
poderia ter desenvolvido seu hábito e assim se mostrariam acessíveis
literário no começo de sua vida de para todas as camadas sociais do
estudante, se viu obrigado a ler agora país.
algo de difícil compreensão, e assim
pode se sentir desencorajado em
procurar outros títulos que lhe
agradem.

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Em sala de aula, o professor deve
estar preparado com propostas de
leitura conjunta desde o início da vida
escolar do discente com discussões
sobre o tema abordado, dando ao
aluno uma melhor percepção da obra
e assim, entender como é que está
sendo formada essa nova base de
leitores. Os docentes podem se
preparar em cursos de especialização
voltados para as boas práticas de
leitura, o bom estudo de um texto e
com direcionamento de obras de
acordo com a faixa etária que se
propõe trabalhar.
Utilizando como exemplo essas
propostas apresentadas ou com
outras que podem ser difundidas
dentro e fora da sala de aula, pode-se
evitar a decadência literária em um
país, e assim como disse Goethe: “O
declínio da literatura indica o declínio
de uma nação”.

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A VIDA

NÃO PASSA DE UMA

MONOTONIA.
ISAAC CARDOSO
A gente dorme à noite cansado de lutar e às vezes nem
dorme. A vida é uma monotonia. Às vezes a insônia não
deixa.

Nós tentamos pôr a culpa no café, no açaí, no chá


preto, no energético, na cápsula de cafeína… mas a culpa
mesmo é da preocupação.

Nos pegamos pensando… Pensando que a mobília


poderia ser trocada, naquela moça linda que eu vi no café,
no chuveiro estragado, na pia que eu quebrei (de novo).

A vida não passa de uma monotonia.

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A insônia vem e a gente tenta
de tudo: remédio (bendito Rivotril!),
medium, TV, terapia, sonífero,
sexo, antialérgico, música,
acupuntura, livros, chá, suco de
maracujá, chá de maracujá…

Nós dedicamos nessas noites a


inventar todo tipo de coisa: a gente
se dispõe a pintar, desenhar,
compor, dançar, até finge ser
escritores, brincando com as
palavras.

A vida não passa de uma


monotonia.
Finalmente
conseguimos dormir às
três da manhã só que
temos que estar no
serviço ou na escola ou
na faculdade às seis e
conseguimos dormir
apenas até às cinco.

Foram apenas duas


horas de sono.

A vida não passa de


uma monotonia.

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Na madrugada a gente sai
para aliviar a tensão, pede
comida chinesa, tailandesa,
italiana, portuguesa, inglesa
brasileira… sai para correr
para ver se “espaira” a cabeça,
fica horas falando com a
telefonista, fica vendo o canal
da polishop, vai ler um livro ou
dois quem sabe 5 ou 7…
Durante a noite não dormimos,
de dia estamos com sono: é
um ciclo vicioso. A gente se
pega pensando todo tipo de
coisa: na vida, na morte, na
vida após a morte, nos
conceitos de bom, mau, mal
ou bem; a gente chora, ainda
precisando de motivos para as
lágrimas, a gente aprende a
cozinhar cinquenta e duas
variedades de miojo, a gente
escreve poesia, fala sozinho e
cita Shakespeare, ouve
música se torna um zumbi da
Netflix.

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A gente estuda gramática, Literatura e caligrafia. Fica
horas olhando o perfil do(a) crush, se desespera, se sente
sozinho, se sente solitário, se sente feliz, se sente alegre, se
sente triste, anda pela casa descalço, anda pela rua descalço,
anda pela rua de pijamas, vai comprar um sapato ou dois
quem sabe 3.

Quando estamos com insônia fazemos tanta coisa, e


ainda tem doido que diz que a vida não passa de uma
monotonia.
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O Peso Do Pássaro Morto
Um Livro Sobre Tragédias Cotidianas
GUILBERTH GOUVEIA

O Peso Do Pássaro Morto


de Aline Bei foi uma das
minhas experiências literárias
mais impactantes de 2020.

De início, confesso, torci o


nariz ao saber que a história
era inteiramente narrada em
versos. Temi que o recurso
fosse apenas uma tentativa de
trazer um rebuscamento
desnecessário com o intuito de
atingir uma parcela do público
que engrandece o ego apenas
por consumir algo que é
rejeitado pelas massas.

Fico feliz de dizer que jamais estive tão errado. A autora


entrelaça linguagem e narrativa de uma maneira que um é
essencial para o funcionamento do outro. E a voz do eu lírico
se torna mais real quando ambos se misturam.

Um exemplo dessa genialidade é perceber que a escrita


evolui e se torna mais direta à medida que a protagonista
envelhece.
O livro acompanha a vida
de uma mulher dos 8 aos 52
anos e dialoga de maneira
sensível sobre as relações e
frustrações humanas e
principalmente sobre o quão
comum é morrer por dentro e
continuar vivendo.

Nesse sentido, a autora


traz uma abordagem delicada
das pequenas tragédias
cotidianas e estabelece de
maneira brilhante uma relação
de causa e efeito entre os
acontecimentos ao longo da
vida da protagonista.

Esse elemento narrativo é bem sucedido não apenas para a


criação de personagens tridimensionais como também para
criar um espelho fiel do mundo real. Pelas linhas de Aline é
possível observar a existência humana de uma maneira que
raramente temos a oportunidade.

Quantas tragédias sucessivas me tornaram a pessoa que sou


hoje? Quantas dessas tragédias eu sequer me lembro e
mesmo assim moldaram meu modo de agir e de pensar?

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Esse retrato da realidade se faz presente, principalmente,
ao narrar a constante crueldade e solidão que assombram o
universo feminino.

O final é assustadoramente trágico e por isso mesmo tem


um força especial que nos faz questionar: Quantas pessoas ao
nosso redor passaram por tragédias parecidas com as do livro
e sequer percebemos?

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E
ISAAC CARDOSO

Eu estava lendo Bukowski e lembrei de você e


percebi que lembrava de você o tempo todo. Mandei
uma foto do poema sobre solidão, mas você ainda
não respondeu.
Deve estar com ele. Eu te amei, você sabe?
Desde aquele primeiro dia... Você me contando das
suas primas e tios e pai e mãe e padrasto e eu queria
socar o rosto dele por você. Mas eu sou um pacifista.
Viramos amigos e eu me apaixonei, mas você gostou
de outro e eu não lutei por você e me arrependo e
você foi morar com ele viver com ele e me deixou e o
curso das coisas mudou e eu fingi que estava tudo
bem e não contei nem para mim mesmo.
Mas, o clima está de chuva e você ama chuva e
frio e café e sangue e morte e Stephen King e seus
cabelos loiros falsos e só usa cores gritantes menos
seu pijama cinza.
Rosa! e foi lendo Bukowski que percebi que te
amava e ainda te amo, mas há um ano você embora
para insira seu lugar e eu fiquei e você nunca mais
voltou.
E...
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FILMES QUE VOCÊ
NÃO SABIA QUE
SÃO ADAPTAÇÕES
LITERÁRIAS

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1 - PSICOSE (1960)
Pouca gente sabe que o
grande clássico de Alfred
Hitchcock, na verdade é uma
adaptação literária. O livro,
escrito por Robert Bloch em
1959 ganhou sua versão para o
cinema já no ano seguinte e foi
um sucesso estrondoso de
público e crítica.
Uma das histórias mais
interessantes sobre a produção
é que, após a liberação do
estúdio para as filmagens,
Hitchcock teria comprado
anonimamente TODOS os
exemplares do livro em
circulação para garantir que o
público não soubesse nenhuma
das viradas da história até vê-la
no cinema.

Psicose é um dos raros casos em que sua versão


cinematográfica é um clássico do cinema e a original não é um
clássico da literatura.

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2 - O PODEROSO
CHEFÃO (1972)

Considerado uma das


maiores obras primas do
cinema, O Poderoso Chefão de
Coppola é uma adaptação do
romance homônimo, escrito por
Mario Puzo e publicado em
1969.

Coppola continuou a
adaptar os livros do escritor nas
continuações - O Poderoso
Chefão II e O poderoso Chefão
III. E ambos narram a história da
família Corleone, uma poderosa
família da máfia Italiana nos
estados Unidos.

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3 - RAMBO - PRIMEIRO
SANGUE (1982)
Originalmente chamado de
First Blood, o livro foi escrito por
David Morrell e publicado em
1972 o livro busca fazer uma
crítica à maneira com a qual
veteranos de guerra - em
especial da guerra do Vietnã -
são tratados após o retorno para
os Estado Unidos. Em especial
no que se refere a falta de
assistência psicológica para os
mesmos.
Diferentemente do John
Rambo das produções
cinematográficas, o protagonista
do livro tem um ar menos
heróico e mais anárquico além
de ser uma narrativa com tons
de cinza, onde o certo e o
errado é apenas uma questão
de perspectiva do leitor.

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4 - SILENCIO DOS
INOCENTES (1991)
Hannibal talvez seja o
psicopata fictício mais famoso
da cultura pop, mas poucos
sabem que sua origem é, na
verdade, literária.
A série de livros foi escrita
por Thomas Harris e adaptada
para o cinema por diversos
diretores. O mais famoso
desses filmes é O Silencio Dos
Inocentes dirigido por Jonathan
Demme.
Ambos são focados na
história do psicopata Hannibal
Lecter um psiquiatra que
também é um famoso assassino
em série e canibal.
Além dos filmes, os livros
também foram adaptados para
uma série chamada apenas de
Hannibal, sucesso e crítica e
público - e já resenhada em
outras edições da revista.

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5 - A LISTA DE
SCHINDLER (1993)

O premiado filme de Steven


Spielberg é inspirado em um
livro escrito por Thomas
Keneally e publicado em 1982.

Tanto livro quanto filme


contam a história do alemão
Oskar Schindler que durante a
Segunda Guerra Mundial
abrigava centenas de judeus em
sua fábricas.

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6 - CLUBE DA LUTA
(1999)
Clube Da Luta é o filme que
marca a virada na carreira do
cineasta David Fincher e
também a reaproximação com a
20th Century Fox após o
desastre nos bastidores de Alien
3.
O livro original foi escrito
pelo transgressor Chuck
Palahniuk em 1996 após chegar
no trabalho de olho roxo e o fato
passar quase despercebido.
Embora não tenha sido um
sucesso na época, o filme
conquistou o público nos anos
seguintes através das locadoras
e levantou a carreira do (hoje)
consagrado diretor.

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7 - EU ROBÔ (2004)
Uma vez que o livro escrito
por Asimov em 1950 é
inteiramente composto de
contos, essa adaptação apenas
pega elementos presentes
nessas histórias e tenta - e na
minha opinião falha
miseravelmente - fazer um
emaranhado onde esses
elementos se tornem algo coeso
durante a história.
O filme conta a história de
um policial com partes robóticas
que é encarregado de investigar
o assassinato do Dr. Miles, cujo
principal suspeito é um robô.

Já o livro, que é um dos maiores clássicos da ficção científica


conta a história da criação e da evolução dos robôs através de
contos que atravessam décadas. Esses contos são amarrados uns
aos outros por interlúdios de entrevistas de uma jornalista à uma
personagem da trama.

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8 - 007 - CASSINO
ROYALE (2006)

James Bond o espião mais


famoso do cinema, nasceu da
mente do escritor Ian Fleming.
Durante a segunda guerra
mundial Fleming trabalhou na
Divisão de Inteligência Naval. O
que serviu de pano de fundo
para as histórias do 007.
Cassino Royale é o primeiro
dos livros do espião, mas
Fleming ainda escreveu outros
13 livros co o personagem entre
1953 e 1966.
Depois disso, dezenas de
outros escritores continuaram o
legado de James Bond.

Vale ressaltar que nem todos os filmes da franquia 007 são


adaptações das obras literárias. Apesar disso, o filme de 2006 é
quase que uma releitura do livro original, apenas atualizando a
tecnologia. inclusiva a famosa cena da tortura na cadeira, está no
livro...

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9 - ONDE OS FRACOS
NÃO TÊM VEZ (2007)
O filme levado ao cinema
pelas mãos dos irmãos Coen
nada mais é que uma
adaptação de um livro publicado
em 2005 por Cormac McCarthy.
A história segue Llewelyn
Moss que é perseguido por um
assassino impiedoso após
roubar uma grande quantia de
dinheiro de uma gangue de
traficantes.
O filme foi sucesso de
crítica, sendo talvez a obra mais
conhecida da dupla criativa
Ethan Coen e Joel Coen.

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10 - CURIOSO CASO DE
BENJAMIN BUTTON
(2008)
Outro filme de David
Fincher. Não tenho culpa se ele
é um excelente diretor.
O livro foi escrito por F.
Scott Fitzgerald de O Grande
Gatsby.
Esse é mais um caso onde
livro e filme apresentam
grotescas diferenças, apesar de,
ambos, serem clássicos de suas
mídias.
No filme Benjamin Button
nasce com aparência de velho
mas com uam mente infantil, e
conforme os passam ele adquire
a aparência de jovem e a mente
de um adulto. Já no livro, o
protagonista nasce com a
aparência e mente de um idoso,
e conforme regride, tem a
mentalidade que faz jús a sua
aparência física.

VERSOS ANDARÍLHOS | 31
Além disso, cada obra tenta
apresentar uma crítica diferente.
Enquanto a produção
cinematográfica vai mais para o
lado do romance - inexistente no
original - o livro faz uma crítica
a rejeição social do diferente e
do incompreendido.

VERSOS ANDARÍLHOS | 32
11 - MILLENNIUM: OS
HOMENS QUE NÃO
AMAVAM AS
MULHERES (2011)
Outro filme de David
Fincher, Millennium: Os Homens
que Não Amavam as Mulheres
nada mais é do que a
adaptação do primeiro livro da
Trilogoa Millennium, escrita por
Stieg Larson e publicada entre
2005 e 2009.
Os três livros tratam sobre a
normalização social da violência
contra as mulheres e reza a
lenda que a temática da obra se
deve ao fato de que aos 15
anos, o autor foi obrigado a
assistir estupro coletivo de uma
jovem chamada Lisbeth (assim
como a protagonista da série).
Larson nunca teria se
perdoado por não ter
conseguido ajudar a garota e os
livros seriam sua maneira de
trazer luz ao tema.
12 - GAROTA EXEMPLAR
(2014)
Novamente filme dirigido por
David Fincher da lista, Garota
Exemplar conta a história de
Amy, que desaparece no dia do
seu aniversário de casamento.

Com o decorrer da investigação,


descobre-se que a sua relação
com o marido não era tão feliz
quanto parecia e ele torna-se o
principal suspeito.

O Livro foi escrito por Gillian


Flynn (que também é autora de
Objetos Cortantes e A Garota
No trem) e publicado em 2012,
dois anos antes de sua
adaptação cinematográfica.

O filme também marca a


habilidade de Fincher em
adaptar histórias difíceis para as
telas, sem que essas percam
suas qualidades primordiais.

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OS AUTORES

GUILBERTH GOUVEIA

22 anos.
Amante do cinema
e da literatura

Nas horas vagas escreve poesias


e devaneios no perfil do
instagram: @sexoalcoolepoesia
A REVISTA
A revista Versos Andarilhos nasceu da necessidade
dos autores de se expressar sobre aspectos culturais e
ISAAC CARDOSO sociais que muitas vezes não recebem a devida
atenção do público e da mídia em geral.
Nasceu em 1999
em uma tarde O objetivo é que a publicação possa se tornar um
chuvosa do final
de dezembro.
canal de comunicação e interação entre artistas
independes. Sempre debatendo a nossa - precária -
situação social e intelectual.
Adora livros e não vive sem
música; anda flutuando como Esperamos ser capazes de apresentar para o público,
qualquer leitor de Clarice. Siga-o obras que questionem as diversas realidades - muitas
em seu instagram isaaccardo5o. vezes silenciadas - do nosso país, proporcionando voz
para a arte periférica e visibilidade para a boa arte que
se perde no grande volume de informações do séc.
XXI.

REGINALDO
CALEGARI CONTATO:
Nasceu
versosandarilhos@gmail.com
no interior do
estado de São
Paulo em 1985.

Ama livros, filmes, séries e café.


Graduado em Sistemas de 36
Informação, se descobriu um
amante dos livros e um
apaixonado pela escrita, o que
JANEIRO 2021

o levou à graduação de
Letras.
Instagram: @reginaldocalegari
AS SESSÕES

A sessão “Contos Caminhantes” apresenta sempre um

conto inédito escrito por um de nossos colaboradores.

A sessão “Caixa de Pandora” nos traz uma lista de

sugestões imperdíveis. Só abra se tiver coragem o

bastante.

A sessão “Passeio” sempre chega com uma resenha

que te ajuda a caminhar pelas trilhas da literatura.

A sessão “Ponto de vista” acompanha uma crítica a

um trabalho artístico: cinematográfico, plástico,

teatral, literário – e tudo o que vier junto.

A sessão “Dor crônica” traz sempre uma crônica de um

de nossos colaboradores.

A sessão “Carvalho” apresenta indicações sobre

mídias que te acompanham por toda a vida, como o 37


tempo de um carvalho.
JANEIRO 2021