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br Nº 68 ano 6 junho 2008


2 REVISTA NOTÍCIAS DA CONSTRUÇÃO
EDITORIAL

Moradia Digna João Claudio Robusti *

V
amos imaginar todas as maze- mílias, diminuiria os gastos públicos nos mitindo-lhes ter acesso à habitação.
las de quem não dispõe de ren- setores de segurança e saúde e daria um Como fruto desta articulação, no fecha-
da suficiente para ter acesso a passo definitivo no rumo do desenvolvi- mento desta edição estava prevista a apre-
uma moradia digna. A família se desagre- mento sustentado. sentação em 18 de junho, à Câmara dos
ga. Há grande dificuldade de educação
para os filhos. A baixa qualidade de vida e
a ausência de saneamento abalam a saú- Orçamento precisa prever recurso perene
de. Esse quadro dificulta a inserção social
e favorece o acesso à criminalidade. para assegurar o direito à habitação social
Agora imaginemos o prejuízo para o
Estado. Recursos direcionados para a
educação são desperdiçados. Doenças Com esta convicção, os movimentos Deputados, de uma PEC (Proposta de
freqüentes e internações em hospitais pú- nacionais pela moradia, as centrais sindi- Emenda Constitucional), visando assegu-
blicos oneram o sistema oficial de saúde. cais, o Fórum de Secretários Estaduais da rar a destinação de no mínimo 2% da arre-
Cidadãos marginalizados não contribuem Habitação, as entidades da cadeia produ- cadação da União e 1% dos Estados e
com a arrecadação. O aparato policial e tiva da construção e um expressivo grupo dos Municípios ao subsídio habitacional.
prisional é obrigado a drenar cada vez de deputados federais acabam de lançar A medida vigoraria por 30 anos ou até
mais recursos que poderiam ser utilizados a Campanha Nacional pela Moradia Dig- a erradicação do déficit habitacional. Para
em outras finalidades. na – Uma Prioridade Social. novembro, planeja-se uma grande mobili-
Se o Estado direcionasse uma peque- Esta ampla mobilização, que conta com zação, com a presença de milhares de
na parte de seu Orçamento para solucio- o apoio do SindusCon-SP, objetiva asse- pessoas, com vistas à aprovação da PEC.
nar o problema, ele faria muito mais do gurar, por meio de instrumento legal, a des- A campanha pretende assegurar que
que erradicar o déficit habitacional. Contri- tinação de recursos do Orçamento para o direito à moradia digna tenha a pereni-
buiria para dar dignidade a milhões de fa- subsidiar as famílias de baixa renda, per- dade de uma política de Estado e não so-
mente a transitoriedade que caracteriza as
políticas de governo. Para tanto, é neces-
sário garantir a vinculação de recursos or-
Ecológico e eficiente çamentários, de modo que as famílias de
baixa renda contem com um fluxo de re-
Realizado em maio pelo CTQ e pelo sões eco-eficientes sejam tomadas na cursos contínuo e livre de oscilações polí-
Comasp, o 5º Seminário de Tecnologia fase de projeto; e tudo isso requer uma ticas. Os subsídios permitirão a essas fa-
de Sistemas Prediais: Qualidade e Ino- gestão atualizada e eficiente. mílias que complementem, com recursos
vação trouxe vários lições: sistemas sus- Vamos avançar mais se os articula- próprios e financiamentos do mercado, o
tentáveis podem custar mais, mas pa- dores das políticas ambientais atenta- volume necessário para ter acesso a uma
garão o investimento feito se forem viá- rem para a necessidade de a inovação moradia digna.
veis; é preciso investir em inovação tec- tecnológica ser eco-eficiente. Isto requer
nológica e no desenvolvimento de fer- mudança de atitude e incentivos, em vez
ramentas de projeto e gestão de infor- de legislações coercitivas sem o devido
mação de edifícios, para que as deci- aprofundamento técnico. * PRESIDENTE DO SINDUSCON-SP
PRESIDENTE@SINDUSCONSP.COM.BR

REVISTA NOTÍCIAS DA CONSTRUÇÃO 3


SUMÁRIO
ESCREVA PARA Presidente
ESTA SEÇÃO JOÃO CLAUDIO ROBUSTI

VOZ DO LEITOR noticias@sindusconsp.com.br Vice-presidentes


Fax (11) 3334-5646 CRISTIANO GOLDSTEIN
DELFINO PAIVA TEIXEIRA DE FREITAS
R. Dona Veridiana 55, 2º andar EDSON ANTONIO COGHI
01238-010 São Paulo FRANCISCO ANTUNES DE VASCONCELLOS NETO
ISKANDAR AUDE
JOÃO BATISTA DE AZEVEDO
UM BRASIL MELHOR DA ACADEMIA - 2 JOSÉ ANTONIO MARSIGLIO SCHUVARZ
JOSÉ CARLOS MOLINA
Parabenizo-os pelo excelente conteúdo da Revista Solicito o envio de exemplares da Revista Notícias JOSÉ ROMEU FERRAZ NETO
Noticias da Construção, afinal ninguém consegue fazer da Construção para nosso acervo. O corpo docente da LUIZ ANTONIO MESSIAS
tanto se não com os pés no chão, mas sempre olhando PUC Minas considera muito importante a publicação. MARISTELA ALVES LIMA HONDA
ODAIR GARCIA SENRA
e andando para frente, construindo o futuro. Aos amigos Beatriz Marques SERGIO TIAKI WATANABE
a esperança por um Brasil melhor. Meus votos de êxito (PUC Minas)
para a publicação e sua valorosa missão. Diretores regionais
JOSÉ BATISTA FERREIRA
Antonio de Sousa Ramalho TESE DE MESTRADO JOSÉ LUIZ GOULART BOTELHO
(Presidente do Sintracon-SP e vice-presidente da Farei referência ao texto "Moradia para todos é pos- LUIZ BONIFÁCIO UREL
Força Sindical e da Feticom-SP) sível - déficit habitacional atinge um sétimo das 56
LUIZ CLÁUDIO MINNITI AMOROSO
RALPH RIBEIRO JUNIOR
milhões de famílias brasileiras", de Nathalia Barboza RICARDO BESCHIZZA
(Edição 63), em minha tese de doutorado. RONALDO DE OLIVEIRA LEME
DA ACADEMIA - 1 Alda Rosana D. de Almeida ROSANA ZILDA CARNEVALLI HERRERA
SILVIO BENITO MARTINI FILHO
Como professor da Faculdade de Engenharia Civil da (São Paulo)
Representantes - Fiesp
Universidade Federal do Pará, considero a Revista No- Titulares:
tícias da Construção útil pela sua qualidade e elevado RETIFICAÇÃO EDUARDO CAPOBIANCO, SERGIO PORTO
nível tecnológico. O advogado Alexandre Tadeu Navarro é sócio do Suplentes:
João Frutuoso Dantas Filho escritório "Navarro e Marzagão Advogados Associa- CRISTIANO GOLDSTEIN, ISKANDAR AUDE
(UFPA - Belém, Pará) dos". Seu mail: tadeu@navarro.adv.br . As informações Assessoria de Imprensa
constantes do rodapé biográfico de seu artigo "Incide ou RAFAEL MARKO - (11) 3334-5662
não?" (Edição 67, pág. 44) estavam desatualizadas. NATHALIA BARBOZA - (11) 3334-5647
CASSIA DOMINGUES E RAFAEL VASQUEZ
(11) 3107-7104 / 7062

20 Imobiliário
Força nas parcerias
6 Capa CONSELHO EDITORIAL: DELFINO TEIXEIRA DE FREITAS, EDUARDO
Xô, emaranhado MAY ZAIDAN, JOSÉ ROMEU FERRAZ NETO, MAURÍCIO LINN BIANCHI,
FRANCISCO ANTUNES DE VASCONCELLOS NETO, SERGIO PORTO
de fios e cabos! 30 Insumos
Os dois lados das importações da China COORDENAÇÃO-GERAL: CARLOS MARTINS
GERÊNCIA DE MERCADO: IGOR ARCHIPOVAS

32 SindusCon-SP em Ação SECRETARIA: MARCIA LAURINO


Crescimento persistirá, diz Nakano EDITOR RESPONSÁVEL: RAFAEL MARKO
Assinados mais acordos coletivos REDAÇÃO:
10 Qualidade SindusCon-SP tem Semana Jurídica NATHALIA BARBOZA (SÃO PAULO)
Foco no usuário COM COLABORAÇÃO DAS REGIONAIS:
ALEXANDRE BRANCO (SOROCABA)
ANDRE LUIZ RESENDE (RIBEIRÃO PRETO)
37 Notícias das Regionais SUELI OSÓRIO (SANTO ANDRÉ)
17 Eleições no SindusCon-SP Maristela coordena Deinfra em Sorocaba ESTER MENDONÇA (SÃO JOSÉ DO RIO PRETO)
Construção unida e fortalecida Royalties geram expectativa em Santos GISELDA BRAZ (SANTOS)
HOMERO FERREIRA (PRESIDENTE PRUDENTE)
JOSÉ CARLOS DUCATTI (SÃO JOSÉ DOS CAMPOS)
MÔNICA MONTEIRO (CAMPINAS)
19 Habitação popular 40 Segurança SABRINA MAGALHÃES (BAURU)
Setor lança PEC da Habitação Megasipat sugere nova atitude COMUNICAÇÃO:
MARCELO DA COSTA FREITAS/CHEFE DE ARTE
SANDERS CAPARROZ GIULIANI, ELAINE CRISTINA STEOLLA/
DESIGNERS GRÁFICOS; TEREZA CRISTINA PAIÃO/WEB
COLUNISTAS
COLUNISTAS
SILENE MARCHI/SECRETÁRIA
PUBLICIDADE:
5 PAULO GALA - CONJUNTURA 28 MARIA ANGELICA LENCIONE PEDRETI - GESTÃO EMPRESARIAL diaslimaconsultoria@globo.com
Tel. (11) 9212-0312
14 VANDERLEY M. JOHN - CONSTRUÇÃO SUSTENTÁVEL 34 BENEDICTO PORTO NETO - JURÍDICO elianasc@uol.com.br
Tel. (11) 9106-4548
comercial@sindusconsp.com.br
16 JOSÉ CARLOS BAPTISTA PUOLI - LEGISLAÇÃO AMBIENTAL 38 JOSÉ CARLOS DE ARRUDA SAMPAIO - SEGURANÇA cmtrade@uol.com.br
Tel. (11) 9132-9711

18 CELSO PETRUCCI - FINANCIAMENTO 42 NORMA ARAÚJO - PREVENÇÃO E SAÚDE ENDEREÇO:


R. DONA VERIDIANA, 55, CEP 01238-010 SÃO PAULO-SP
CENTRO DE ATENÇÃO AO ASSOCIADO
22 LUIZ HENRIQUE CEOTTO - QUALIDADE E PRODUTIVIDADE 44 ANTONIO JESUS DE BRITTO COSENZA - MARKETING TEL. (11) 3334-5600
CTP/ IMPRESSÃO: VAN MOORSEL
26 PEDRO LUIZ ALVES - MOTIVAÇÃO 46 VAHAN AGOPYAN - INOVAÇÃO Tiragem desta edição: 9 MIL EXEMPLARES
As opiniões dos colaboradores não
refletem
necessariamente as posições do SindusCon-SP
4 REVISTA NOTÍCIAS DA CONSTRUÇÃO
noticias@sindusconsp.com.br
CONJUNTURA

Melhor prevenir
Paulo Gala *

A
bril voltou a apresentar déficits prevê déficit de US$ 20 bi nas contas há sobra de dólares originada pela vita-
em contas correntes ou, no jar- correntes e saldo de US$ 30 bi na conta lidade do comércio exterior. Esse qua-
gão dos economistas, utiliza- capital e financeira. Portanto, em 2008 o dro está se alterando rapidamente. Nos-
ção de poupança externa. A conta cor- déficit seria facilmente financiável pela sa sobra de dólares depende cada vez
rente é composta pela balança comer- conta financeira. mais de fluxos de capital (dívida, em-
cial, que inclui importações e exporta- Os déficits em conta corrente são préstimos etc.) do que de resultados
ções, e pela balança de serviços, que preocupantes. Significam que o país po- positivos do comércio externo.
engloba as contas de juros da dívida derá voltar a se endividar em dólares. Muitos analistas chamam a atenção
externa, remessas de lucros das multi- Nossas condições de financiamento para a importância de evitar uma apre-
nacionais e salários dos trabalhadores, externo melhoraram muito. O nível de ciação excessiva do Real que, aliada
além dos gastos com turismo, fretes in- reservas em US$ 200 bi é bastante con- ao aumento da atividade econômica,
ternacionais e transferências unilaterais. fortável e a atribuição de grau de inves- tem contribuído para a piora recente nas
O déficit em conta corrente de abril foi timento ao país por duas agências de contas externas. O próprio Banco Cen-
de U$ 3,310 bilhões contra um superá- risco facilitou o acesso ao mercado fi- tral tem feito compras pesadas no mer-
vit de U$ 1,806 bi no mesmo mês do
ano passado. Em 12 meses, o déficit foi
de US$ 14,655 bi, ou 1,08% na relação De olho nas contas externas, governo
com o PIB. De janeiro a abril, o déficit
acumulado foi US$ 14,068 bi (3,09% do quer evitar uma nova crise em 2010
PIB). No mesmo período do ano passa-
do, o resultado foi superavitário em US$
2,047 bi (0,49% do PIB). O resultado de nanceiro internacional. O aumento de cado de câmbio para evitar uma aprecia-
abril decorreu de saldo positivo de US$ importações de máquinas é positivo, ção ainda maior: em 2007,comprou cer-
1,744 bi na balança comercial somado especialmente se comparado ao boom ca de US$ 90 bi. A Fazenda também se
a um déficit de US$ 5,331 bi na conta de de importação de bens de consumo nos esforça em evitar o problema. O aumen-
serviços e rendas. Entraram US$ 276 anos 90. Por todos esses motivos, uma to do IOF, a tentativa de criar um fundo
milhões nas transferências unilaterais. reviravolta cambial não está no horizon- soberano e a política industrial lançada
A conta capital e financeira do balan- te de curto prazo. recentemente vão todos nessa linha. O
ço de pagamentos, que registra as tran- Contudo, uma das grandes explica- governo teme que o cenário de 2001 e
sações financeiras do país com o resto ções para a melhora recente da econo- 2002, com pesados déficits externos e
do mundo, foi positiva em US$ 8,679 bi mia brasileira está na eliminação da vul- dificuldade de financiamento, se repita
contra US$ 9,635 bi no mesmo mês do nerabilidade externa. Ao triplicarmos as no futuro, especialmente em 2010, ano
ano passado. Ou seja, apesar da falta de exportações e quadruplicarmos o nível de eleição. Melhor prevenir do que re-
dólares na conta corrente, sobraram dó- de reservas nos últimos 5 anos, deixa- mediar.
lares na conta capital. A entrada de capi- mos para trás um histórico de crises e
tais para investir em títulos públicos, bol- instabilidade cambial. O grau de inves-
sa, derivativos, fornecer empréstimos e timento e a redução dos juros reais es-
fazer investimento direto (IDE) mais do tão certamente ligados a essa melhora * PROFESSOR DA ESCOLA DE ECONOMIA DE
que compensou a saída de dólares pela externa. Desde 2003 o país apresenta SÃO PAULO DA FUNDAÇÃO GETULIO VARGAS
conta corrente. Para 2008, o mercado superávits nas contas correntes, ou seja, E-MAIL: PAULO.GALA@FGV.BR

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CAPA

Xô, emaranhado
de fios e cabos!
Nathalia Barboza

A
s novas tecnologias desen- gente o suficiente para que não se- da é um problema porque alguns sis-
volvidas para sistemas pre- jam jogados fora sempre que se pre- temas, como o de telefonia, resistem
diais de comunicações e cise aumentar a capacidade das ins- a ter uma interface com a fibra e ain-
instalações especiais estão revolu- talações”, afirma Ricardo Daizem, da exigem os cabos de cobre”, diz.
cionando a maneira como as edifi- gerente de vendas da CommScope “O cabo coaxial nem é mais previsto
cações já estão projetadas e ergui- Systimax Solutions. em novas redes de cabos”, comenta
das. Parte disso pôde ser constata- Daizem conta que os cabos dos Álvaro Yamada, da DMI Network Hou-
da em palestras do 5º Seminário Tec- sistemas de transmissão de dados já se. Ele alerta ainda para o fato de
nologia de Sistemas Prediais – Qua- operam com velocidades de até 10 que “já há uma forte tendência na dis-
lidade e Inovação, promovido pelo Gb por segundo, o que justificaria co- ponibilização do sistema de telefo-
SindusCon-SP em 28 de maio, em meçar a pensar no uso de sistemas nia por IP”.
São Paulo. O evento contou com uma de fibra ótica ou na adoção de cabe- Para ilustrar a dificuldade que se-
platéia de mais de 200 pessoas, for- amento estruturado de última gera- ria optar por sucessivos serviços de
mada por construtores, incorporado- ção (a chamada 6A). Isso porque, se- troca de cabos antigos em sistemas
res, engenheiros, empresários e pro- gundo ele, a tendência é que em cin- inteligentes de cabeamento, Daizem
fissionais de toda a cadeia produtiva co anos todos os sistemas de trans- uso o exemplo do site YouTube, que
da construção civil. missão de dados e voz sejam interli- hospeda hoje mais de 15 milhões de
“A quantidade de dispositivos de gados por fibra ótica. “Hoje, isso ain- vídeos de até 100 megabytes cada.
rede adotados em todos Segundo ele, isso significa mais de
os níveis, desde os mais 125 de terabytes de arquivos arma-
simples até os mais so- zenados à disposição dos internau-
fisticados, tende a cada
dia aumentar. A estrutura
de cabeamento que vai
conectar esse emara-
nhado de equipamentos
tem de atender a tudo
isso hoje e no futuro. Por
isso é cada vez mais ne-
cessária a adoção de um
sistema de alta capaci-
dade de cabos, inteli- Para Daizem (acima),
prédios devem ter
cabos inteligentes;
Data Center requer
cuidados especiais,
diz Yamada (ao lado)
6 REVISTA NOTÍCIAS DA CONSTRUÇÃO
tas. “São mais de 100 milhões de ví- e da quantidade de energia consumi- trada de serviços das concessioná-
deos assistidos diariamente, o que da pela edificação”. rias/operadoras, pelo projeto de
corresponde ao nível de tráfego que Da mesma forma, o especialista shafts para telecomunicações com
toda a internet operava no ano 2000”, recomenda planejar o sistema de ma- intercomunicação, distribuição hori-
compara. “E a capacidade do You Tube neira integrada. “Um edifício pode ter zontal, leitos e esteiras, adequação
deve subir logo: diariamente, são ane- de 10 a 46 sistemas de baixa tensão para sala de equipamentos (Data
xados aos arquivos do site mais de instalados em cabeamento indepen- Center) e armários que abriguem a
65 mil vídeos. Estima- rede de teleco-
se que em breve o site municações.
precisará ter 200 Tb/ “A localiza-
dia de capacidade”, ção disso tudo
aponta. deve ser a mais
Neste sentido, centralizada
“pense no longo pra- possível e ter
zo”, recomenda Dai- prevenção con-
zem. “Escolha uma in- tra vazamentos e
fra-estrutura que irá controle ambien-
durar pelo menos 5 tal”, enumera.
gerações de equipa- Com isso tudo,
mentos e compre a “uma solução in-
melhor infra-estrutura tegrada inteli-
disponível, o que aju- gente pode aju-
da a manter o investi- dar a reduzir a
mento em cabeamen- quantidade de
to menor do que 5% Mais de 200 pessoas participaram do Seminário de Sistemas Prediais do SindusCon-SP computadores
dos custos das opera- para gerencia-
ções de TI a longo prazo”, diz. Não dente que poderiam operar todos em mento da rede, o uso de energia em
bastasse isso, segundo ele, a esco- um só tipo”, diz Ricardo Daizem. 5% e eliminar a troca de cabos para
lha de uma instalação bem estrutura- Para Yamada, o planejamento do suportar a substituição de equipa-
da dos cabos “pode ajudar no impac- sistema passa pelo encaminhamen- mentos”, resume o gerente da
to positivo do gerenciamento térmico to e infra-estrutura seca, pelas en- CommScope.

Elevador agora tem drive regenerativo


Uma das atrações do Seminário energia potencial seja convertida em pode garantir que a energia reapro-
de Sistemas Prediais do Sindus- energia elétrica. Essa energia elétri- veitada é segura e outros equipa-
Con-SP foi a palestra do gerente de ca convertida irá realimentar a rede mentos do edifício podem utilizá-la.”
engenharia da Elevadores Otis, Mar- do edifício por meio do drive regene- Bovo também apresentou o ele-
cos Bovo, que apresentou exemplos rativo, podendo ser reaproveitada vador sem casa de máquinas da
de elevadores com drives regene- pelo sistema de iluminação ou de ar Otis, que vem conquistando cada
rativos, capazes de acumular uma condicionado. vez mais fatias de mercado desde
carga potencial de energia que o O engenheiro garante que a uni- 2000, quando foi lançado; a solução
equipamento “economiza” ao trans- dade de conversão do drive pode mo- já responde por 30% das vendas no
portar menos passageiros. Bovo ex- dular a energia reaproveitada para Brasil. O equipamento tem uma má-
plica que o princípio do elevador que ela tenha a mesma freqüência e quina mais compacta e resistentes
com drive regenerativo é que, du- tensão que a da rede de energia do cabos de aço revestidos em peque-
rante o movimento da cabina cheia edifício. “Dentro do drive existe um fil- nas cintas planas de poliuretano, que
no sentido descendente ou durante tro e um indutor de entrada que ge- são mais flexíveis e 20% mais leves,
o movimento da cabina vazia no ram interferência de onda harmônica além de durarem até 3 vezes mais,
sentido ascendente, a redução da para a energia reaproveitada. Isto segundo o fabricante.

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vos empreendimentos pontuou boa parte
das discussões. O vice-presidente do Sin-
dusCon-SP e coordenador do Comasp
(Comitê de Meio Ambiente), Francisco
Vasconcellos Neto, esclareceu que a en-
tidade não é contra a criação da lei, mas
José Jereissati,
Vasconcellos,
expôs os pontos que considera equivo-
Robusti e Maurício cados. Para ele, é um erro impor a todos
Bianchi no evento os novos edifícios o uso do sistema como
primeira opção de geração de energia, já

Sustentabilidade que os fabricantes admitem existir, em


muitos casos, dificuldades técnicas, so-
bretudo em edifícios altos. “A lei não pode

continua na pauta ser imposta de cima para baixo mas, se


existe, devemos cumpri-la”, afirmou.
A contribuição de novas tecnologias mento e a preservação”, disse. Leonardo Charmone Cardoso, da
para fomentar a sustentabilidade na cons- “A sustentabilidade deveria estar no Transsen Aquecedor Solar, apresentou
trução civil também foi debatida no 5° escopo de qualquer projeto”, confirmou detalhes das tecnologias. “Tudo começa
Seminário de Sistemas Prediais. Na aber- Carla Sautchúk, engenheira da consulto- com a avaliação do perfil de consumo de
tura, o presidente do SindusCon-SP, João ria Tesis, que proferiu palestra sobre as água quente da edificação e das caracte-
Claudio Robusti, enfatizou que a preocu- tendências de mercado. rísticas do local de instalação.” Em segui-
pação com o meio ambiente deve perme- Já a polêmica lei municipal de São da, vêm o dimensionamento do sistema,
ar o pensamento das empresas. “Temos Paulo que exige o uso de sistema de aque- segundo o volume de água quente a ser
de encontrar o equilíbrio entre o cresci- cimento de água por energia solar em no- fornecido e a área coletora disponível.

Concepção do projeto

Gás lá como cá Outro ponto de destaque do seminá-


rio foi o alerta sobre a necessidade de
O Brasil dispõe dos mais avança- esse percentual pode chegar a 30%. inserção do projetista de sistemas predi-
dos sistemas de fornecimento de ener- Em geral, a tendência mundial aponta ais desde a concepção do projeto. A ad-
gia a gás do mundo. A constatação veio para o uso de prumadas aparentes, em vertência foi feita pelo membro do CTQ
da pesquisa inédita Roadmap Instala- shafts, molduras e até expostas. “Não do SindusCon-SP, Luiz Alberto Lúcio, e
ções para gás, sobre há preocupação esté- pelo engenheiro da Sanhidrel, Cristiano
novas tecnologias de tica e sim com o aces- Benvindo. Ambos discorreram sobre as
instalações internas so para manutenção”, características e necessidades dos siste-
de gás voltadas ao diz o superintendente mas prediais em empreendimentos resi-
uso residencial, apre- comercial da Com- denciais de grande porte.
sentada pela Com- gás, Fábio Morgado. Segundo Benvindo, instalações mal
gás no seminário. O levantamento projetadas até podem inviabilizar um pro-
O estudo analisou da companhia mos- jeto e itens que aparentemente não teri-
os sistemas de ener- trou ser preciso de- am a ver com a atividade, como a locali-
gia a gás de 12 paí- senvolver no país a in- zação do terreno com face para apenas
ses, entre eles Estados Unidos, Japão, fra-estrutura necessária para levar o gás uma rua, podem onerar em até 20% o
França e Colômbia, e constatou que o natural às classes de baixa renda. Ele custo final da obra. “Um grande empreen-
Brasil possui tecnologias tão avança- comentou ainda ser possível seguir o dimento com face para várias ruas bara-
das quanto esses países, mas ainda exemplo da Colômbia, que obteve êxi- teia o projeto de instalações por possibili-
precisa criar condições para aumentar to nisso e proporcionou um bem-estar tar, às vezes, até entradas individuais das
a participação do gás na matriz ener- social maior à população, já que, se- conexões com os serviços públicos”, jus-
gética – o Brasil utiliza somente 9% de gundo ele, o uso do gás como fonte de tificou. “Dependendo de como se faz e da
gás natural na produção de energia, energia “reduz os preços nas contas e solução escolhida para ser aplicado no
enquanto em países desenvolvidos não polui o meio ambiente”. projeto, o custo de instalação pode variar
muito”, disse Lúcio.

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QUALIDADE

Foco no usuário
C
orriqueiro em países de primei- parte de uma engrenagem, que vai da dos e definidos na norma que a solução
ro mundo há mais de 40 anos, criação do empreendimento ao dia-a- responda a todos os seus requisitos e a
o conceito de desempenho nas dia de sua manutenção”, diz. padrões mínimos de desempenho tér-
edificações parece ser ainda uma no- Na avaliação de Carlos Alberto de mico, acústico, de iluminação e de se-
vidade no Brasil que poderá passar a Moraes Borges, membro do Conselho gurança estrutural.
fazer parte do dia-a-dia da construção Consultivo do SindusCon-SP e coor-
civil brasileira: a ABNT (Associação Bra- denador da Comissão de Estudos da Oito anos
sileira de Normas Técnicas) publicou Norma de Desempenho, a NBR 15575 A elaboração da NBR é batalha an-
em maio a Norma de Desempenho deixará as regras do jogo mais claras, tiga. Vem desde 2000, quando a Caixa
para Edifícios Habitacionais de até cin- inclusive na contratação de obras pú- Econômica Federal, no âmbito da Finep
co pavimentos (NBR15575-1 a 6), con- (Financiadora de Estudos e Projetos) fi-
siderada a “Norma-mãe” de todas as nanciou um projeto de consolidação do
que envolvem a atividade no país. Introdução do conceito conhecimento acumulado até então.
A nova NBR tem dois anos de ca- “Imagine uma escola de samba que
rência: entrará em vigor oficialmente em de desempenho da recebeu nota dez em todos os quesitos
12 de maio de 2010. Para João Clau- do carnaval. Ela é o ‘destaque’ da nova
dio Robusti, presidente do SindusCon- Norma-mãe é sua maior norma”, afirma César Pinto, do Instituto
SP, a norma eleva o setor a outro pata- Falcão Bauer da Qualidade.
mar, estimulando a qualidade e a ex-
ousadia e desafio Após a participação de uma cente-
celência e cobrando responsabilida- na de profissionais e entidades do se-
des. “As empresas tenderão a se nive- blicas, que ficarão mais técnicas, além tor, entre elas o SindusCon-SP, e a for-
lar e isso vai ajudar a eliminar a con- de trazer menos subjetividade às ques- mulação de 700 contribuições, o con-
corrência predatória”, diz. tões jurídicas e valorizar o projeto e as ceito de desempenho poderá mudar as
“A Norma de Desempenho traz uma boas empresas. regras do jogo. “A carência de 2 anos é
significativa mudança no modo de pen- Para Jorge Batlouni Neto, coorde- absolutamente necessária porque a
sar o projeto”, concorda Maurício Linn nador do Grupo de Trabalho que redi- norma impacta em toda a cadeia pro-
Bianchi, coordenador do Comitê de giu a parte 2 da norma, sobre o desem- dutiva, que precisa se familiarizar com
Tecnologia e Qualidade (CTQ) do Sin- penho de sistemas estruturais, a NBR o seu texto”, afirma Carlos Borges.
dusCon-SP. “Seu grande mérito é fazer também estimulará a inovação tecnoló- O horizonte dos empreendedores
com que não só projetistas e constru- gica. “A norma foi escrita de modo a per- mudará. Mais do que nunca, eles de-
tores mas também os usuários façam mitir isso, pois inclui critérios capazes verão se preocupar com as exigências
de avaliar o desempenho dos usuários em relação a desempe-
Tabela de vida útil de projeto (VUP) de qualquer novo sistema”, nho e eficiência do edifício. O foco será
afirma. Assim, presume-se, no comportamento do edifício em uso
Sistemas mínima (em anos)
o engenheiro ou arquiteto e não na prescrição da forma como os
Estrutura ........................................ igual ou maior 40
vai ficar mais livre para tra- seus sistemas são construídos. No tex-
Pisos internos ................................ igual ou maior 13
balhar até com um insumo to da NBR, fica claro que, à medida que
Vedação vertical externa ............... igual ou maior 40
ou sistema construtivo total- as chamadas “Exigências do usuário”
Vedação vertical interna ................ igual ou maior 20
mente novo. Bastará que forem atendidas, o objetivo da norma
Cobertura ....................................... igual ou maior 20
prove em ensaios adequa- está cumprido. “Para ele, não importa
Hidrossanitário .............................. igual ou maior 20

10 REVISTA NOTÍCIAS DA CONSTRUÇÃO


Garantia e vida útil
são conceitos diferentes
No novo tabuleiro da construção ci- penho inferior àquele previsto”. Quer di-
vil, a regra do jogo mandará a construto- zer que, se nada acontecer nesse perío-
ra informar ao adquirente, já no momen- do, e se o usuário mantiver as manuten-
to da compra, qual o prazo de vida útil ções preventivas em dia, é muito prová-
do bem que está comprando. A partir da vel que a construtora tenha feito um bom
prescrição da qualidade e o prazo de serviço e que o sistema tenha sido bem
vida útil dos produtos pelos fabricantes, projetado. Já a assistência técnica ao
os projetistas poderão definir o nível de imóvel é devida por 5 anos pela cons-
desempenho condizente para os siste- trutora, que tem por obrigação providen-
mas construtivos executados pelas ciar reparos motivados por defeitos “de
construtoras. fabricação”.
A diferença conceitual entre prazo A vida útil de projeto (VUP - veja na
de garantia, assistência técnica e vida tabela ao lado) é a durabilidade previs-
útil está na NBR. O primeiro é o “período ta, inferida a partir de dados históricos
de tempo em que é elevada a probabili- de desempenho desse produto ou de
dade de que eventuais vícios ou defei- testes de envelhecimento acelerado.
tos em um sistema, em estado de novo, A norma também poderá balizar
venham a se manifestar, decorrentes de futuras ações judiciais e as relações
anomalias que repercutam em desem- de compra e venda de imóveis.

que tenha plástico, contanto que este mas prescritivas específicas. A interre-
resista ao fogo”, exemplifica Borges. lação com as normas anteriores possi-
Neste sentido, o texto estabelece bilitará o atendimento às exigências do
como exigências do usuário que o imó- usuário, com soluções tecnicamente
vel lhe dê segurança, habitabilidade e adequadas”, pondera Borges.
sustentabilidade. “Já a definição das “A demanda para avaliações segun-
incumbências dos envolvidos resulta- do a nova norma é enorme. Já estamos
rá na qualidade geral das edificações”, com quatro processos de certificação
diz Borges. Essas incumbências, se- em andamento”, conta César Pinto.
gundo ele, abrangem incorporadores, A nova NBR 15575 se preocupa
projetistas, construtores e os respon- com a edificação como um todo e leva
sáveis pela manutenção do pós-obra. em conta também seu entorno, preven-
A idéia é garantir a rastreabilidade dos do as interações entre construções pró-
responsáveis. ximas. Ela estabelece critérios e méto-
dos de avaliação do desempenho de
Complementar sistemas construtivos, independente-
Mais do que isso, o que a nova nor- mente dos materiais usados. Em outras
ma deseja é saber como determinado palavras, o construtor terá de garantir,
material vai se comportar ao longo dos já no memorial descritivo, qualidade,
próximos 10, 20, 40 anos. Ela não subs- prazo de vida útil e de garantia e, so-
tituirá as normas prescritivas; será com- bretudo, o desempenho operacional
plementar a estas. “A abordagem da dos sistemas da obra comercializada,
norma explora conceitos que muitas além da integração de todos eles na
vezes não são considerados nas nor- construção do empreendimento.

REVISTA NOTÍCIAS DA CONSTRUÇÃO 11


Desempenho terá mensuração clara
A Norma-mãe é composta de seis bom desempenho dos sistemas de uma todos de Avaliação, os quais sempre
partes com objetivos específicos e que edificação. Cada parte está subdividi- permitem a mensuração clara do seu
utilizaram referências de normas nacio- da em Requisitos (qualitativos), Crité- cumprimento. Veja a seguir um resumo
nais e internacionais para garantir o rios (quantitativos ou premissas) e Mé- de cada uma delas.

Parte 1 – Requisitos Gerais


Estabelece os requisitos e critérios de desempenho que se aplicam ao
edifício habitacional de até cinco pavimentos, como um todo integrado, e que
podem ser avaliados de forma isolada para um ou mais sistemas específicos.
É nela que a Norma de Desempenho estabelece níveis mínimo, intermediário
e superior de desempenho de alguns sistemas do edifício. A classificação
mínima refere-se apenas às condições básicas de salubridade, de sanea-
mento e de segurança. Quando se fala em paredes internas, por exemplo, o
item conforto acústico é um dos mais importantes para a obtenção de um bom
desempenho. O edifício também deve ter dispositivos que dificultem o início
de incêndios, especialmente quanto à proteção contra descargas atmosféri-
cas, ignição em instalações elétricas e vazamento de gás. As rotas de fuga
devem atender ao disposto na NBR 9077.

Parte 2 – Sistemas Estruturais


Determina os requisitos de desempenho relativos à estabilidade e à resis-
tência estrutural, a deformações, fissurações e outras falhas. Traz valores de
desempenho mínimo, intermediário e superior para quesitos como resistência
a ruínas e a impactos de corpo mole e duro (em lajes e colunas).

Parte 3 – Pisos Internos


Traz os requisitos e critérios de desempenho aplicáveis a pisos internos
ou a sistemas de pisos de edifícios habitacionais. A parte da norma diz que o
piso não pode sofrer qualquer dano quando submetido a cargas localizadas,
exposto à água ou a produtos de limpeza. O piso deve dificultar a propagação
do incêndio e ser constituído por materiais que, em caso de incêndio, gerem
fumaça de baixa densidade óptica. Pisos internos devem ser estanques tanto
à umidade vinda de ambientes externos quanto à água proveniente do inte-
rior da habitação. Entre as habitações, o piso deve atenuar a passagem de
som resultante de ruídos de impacto (passos, queda de objetos etc.) e de som
aéreo (conversas, TV, música). E, pensando na acessibilidade do prédio, a
NBR pede a indicação visual de desníveis, por mudança abrupta de cor ou
por faixas de sinalização.

12 REVISTA NOTÍCIAS DA CONSTRUÇÃO


Parte 4 – Vedações
Verticais Internas e
Externas
Exige que as paredes tenham
perfeito encaixe às portas, suas li-
gações e vinculações e resistência
às solicitações originadas pela fi-
xação de armários, prateleiras, hi-
drantes etc. e apresenta limites mí-
nimos de resistência a impactos em
guarda-corpos e parapeitos. As ve-
dações devem proporcionar isolamento acústico entre o exterior e o interior, entre
unidades condominiais e entre as dependências do imóvel. E não podem apre-
sentar falhas quando submetidas a operações de fechamento brusco das portas.

Parte 5 – Coberturas
Objetiva estabelecer os requisitos e critérios de desempenho exigidos dos
sistemas de coberturas principais e secundárias, que devem suportar cargas con-
centradas sem falhas. O telhado não pode sofrer ruptura sob a ação de impactos
de granizo, mas toleram-se lascamentos, fissuras e outros pequenos danos, des-
de que não impliquem perda de es-
tanqueidade. Os componentes da
cobertura devem ter índice de pro-
pagação de chamas menor ou igual
a 25 e promover o isolamento acús-
tico a ruídos de impacto. Um siste-
ma que permita atender facilmente
a vistorias, manutenções e instala-
ções também deve estar previsto
em projeto.

Parte 6 – Sistemas
Hidrossanitários
Não podem propagar vibrações
nos demais elementos da edificação
nem provocar ruídos desagradáveis.
São vetados o refluxo de água e de
gases do esgoto. As tubulações em-
butidas não devem sofrer ações ex-
ternas que comprometam estanquei-
dade ou fluxo. Exige-se ter reservató-
rio para combater incêndios. Apare-
lhos de acumulação, elétricos ou a gás, devem ter dispositivo de alívio contra sobre-
pressão e cortar a alimentação no superaquecimento. (Nathalia Barboza)

REVISTA NOTÍCIAS DA CONSTRUÇÃO 13


Estudo de demanda futura da FGV para o SindusCon-SP leva em conta déficit e formação de novas famílias

CONSTRUÇÃO SUSTENTÁVEL

foto Mario Takeashi


O inimigo interno
Vanderley M. John *

A
informalidade é obstáculo que ciado a esta prática em todo o mundo. A O desmatamento da floresta amazô-
precisamos ultrapassar para o corrupção, pequena ou grande, destrói nica é nossa informalidade classe mun-
Brasil ser um país mais susten- o aparato estatal. Uma vez corrompido, dial: o mundo nos observa e condena. A
tável, do qual todos nos orgulhemos. É um agente público perde sua função. O sociedade brasileira está dividida e im-
mais difícil fazê-lo porque, mais do que o Estado perde a sua função. As leis se potente. Vamos reconhecer: polícia não
resultado da fraqueza do Estado, ela está tornam inúteis ou outra fonte de ganhos vai resolver o problema. É muito mais
nos nossos corações. privados. A corrupção também drena re- complicado, há 20 milhões de pessoas
O vínculo da informalidade com a cursos do Estado. É necessário reconhe- que querem viver melhor e um mundo
sustentabilidade não é óbvio: enfrenta- cer que o estado brasileiro está organi- disposto a comprar carne, soja, madeira.
mos verdadeiras ameaças ambientais,
como mudanças climáticas, poluição das
águas, escassez de matérias-primas pró- Qualquer informalidade destrói o Estado e
ximas às grandes cidades, crescimento
exponencial no consumo energético etc.. nos afasta do desenvolvimento sustentável
Mas sem superar a informalidade, não
vamos longe na direção que desejamos.
Informalidade significa qualquer desres- zado, e muitas leis e regulamentações Talvez nossa floresta seja hoje a síntese
peito ao contrato social, ao código legal são “engenheiradas” para tornar a cor- do desafio do desenvolvimento social,
e à ética que guiam nossa sociedade. rupção mais necessária e “lucrativa”. ambiental e economicamente sustentá-
"Com ou sem nota? Nota fria?" Quan- Corromper é insustentável. E é possível vel. Não será facilmente resolvido. Preci-
do a informalidade aparece na forma de parar. samos: a) diminuir a atratividade da ca-
sonegação fiscal, ela reduz a capacida- Leis que “não pegam”? Cada dia tem deia de negócios que põe a floresta abai-
de do Estado em investir na ampliação mais uma! Muitas leis, especialmente as xo; b) descobrir como gerar riqueza para
da infra-estrutura, na manutenção da bem intencionadas, são aprovadas por- os locais e para o país com a floresta de
existente, em enfrentar nossos proble- que a informalidade torna esta aprova- pé. Pelo menos, temos o poder de dizer
mas sociais. Também impede o Estado ção possível. Nossa sociedade produz não à madeira de origem desconhecida.
de reduzir a alíquota de impostos. Em leis sem qualquer discussão real, sem É pouco, mas ajuda.
outras palavras, precisamos reduzir a analisar o custo embutido ou buscar al- Tudo começa com a consciência de
sonegação. Não é fácil. Muitas vezes, isso ternativas de maior custo-benefício. Pa- que a informalidade –qualquer uma–
não pode ser feito individualmente, mas recem boas e adequadas para o país que destrói o tecido social, destrói o Estado.
cada um de nós precisa dar os primeiros imaginamos, mas na verdade apenas E cada um de nós precisa mudar. Na vida
passos. Cidadania e sustentabilidade: só aumentam a informalidade, aumentam pessoal e na profissional. Em conseqü-
com nota quente. as oportunidades de corrupção. É preci- ência, construção sustentável não com-
"Dá para dar um... jeitinho?" A cor- so qualificar o processo de elaboração bina com informalidade.
rupção é o outro aspecto da informalida- de leis e políticas públicas, ajustar nos-
de. Somos uma sociedade que aceita o sas leis à dura realidade do país.
corruptor (ou finge que ele não existe) e Como identificar os limites e possibi- * ENGENHEIRO E PROFESSOR POLI-USP, É MEMBRO DA
culpa somente os corruptos –como se lidades de transformação? Que tal parti- CÂMARA AMBIENTAL DA INDÚSTRIA DA CONSTRUÇÃO
houvesse diferença entre a ética de um cipar como cidadão da discussão de leis CIVIL E CONSELHEIRO DO CONSELHO BRASILEIRO DE
e outro. E o setor da construção é asso- e normas técnicas? CONSTRUÇÃO SUSTENTÁVEL.

14 REVISTA NOTÍCIAS DA CONSTRUÇÃO


REVISTA NOTÍCIAS DA CONSTRUÇÃO 15
LEGISLAÇÃO AMBIENTAL

A boa notícia José Carlos Baptista Puoli *

N
a última edição, abordamos a todos os custos incorridos. elevar o valor total da obra, se via des-
importância da compensação Ou seja, a lei deixava de lado a efeti- prestigiada por uma lei que, em vez de
ambiental na aprovação de um va mensuração do dano ambiental a ser premiar tal preocupação, acabava por
empreendimento. Em abril, o STF reali- compensado e criava, em seu lugar, um penalizá-la.
zou julgamento de importância funda- “tributo ambiental” disfarçado. Esta dis- Outra relevante repercussão desta
mental para o encaminhamento das pro- torção provocou a reação da Confede- decisão vai ligada a casos em que a rea-
postas de compensação ambiental. É que, ração Nacional da Indústria, que propôs lização de obras esteja sendo questiona-
por meio da Lei 9.985/00, as primeiras a ação declaratória de inconstitucionali- da judicialmente e onde se postule que o
regras relativas ao tema foram alçadas dade (ADI 3378) ora julgada, para dei- Judiciário ordene condenações pecuniá-
ao nível legal, criando-se arbitrariamente

STF: compensação ambiental não deve


uma espécie de “contrapartida” para pro-
jetos cuja aprovação, à vista do nível de
impacto resultante para o meio ambiente,
dependesse da elaboração prévia de ter como base investimento feito na obra
Estudo de Impacto Ambiental (EIA).
Este é um estudo complexo que ne-
cessita da participação de profissionais xar claro que as compensações devem rias por supostos danos decorrentes da
de diversas especializações que deve- ter relação com a extensão do dano que edificação. É que, com o modelo traçado
rão mensurar os possíveis resultados po- se quer compensar. pelo STF, fica afastada a possibilidade de
sitivos ou negativos para o meio ambien- Por exemplo, empreendimentos de serem arbitrados valores aleatórios, exi-
te da realização do empreendimento. Tra- menor custo (ou investimento), mais im- gindo-se que eventual repercussão patri-
ta-se de documento exigido de obras ou pactantes, deverão “pagar” mais do que monial da realização da obra seja aferida
empreendimentos de maior vulto. outras obras com custo total mais eleva- mediante a concreta verificação do “ta-
A “taxa” de compensação foi estipu- do, mas que, por suas peculiaridades, manho” do dano causado, o que não tem,
lada, nos termos dos parágrafos do arti- produzam menor nível de decorrências necessariamente, relação direta com o
go 36 da Lei 9985/00, como um “incen- para o meio ambiente. valor da obra.
tivo” à criação de unidades de conser- Fica, pois, revigorado o critério sinali- Em suma, trata-se de importante vitó-
vação ambiental, o qual deveria ser cal- zando que uma “compensação” não pode ria para o setor produtivo, que passa a
culado com base nos “custos totais do ir além do dano efetivo e que a valoração contar com reforço de peso na luta para
empreendimento”, aos quais se deve- deste “dano” e desta providência repara- que os praticantes de atividades econô-
ria aplicar alíquota mínima de 0,5%. Ou dora não tem necessária relação com o micas de risco não sejam sobre-onera-
seja, a lei, fugindo a qualquer critério de vulto do investimento total realizado pelo dos para além do justo no tocante às even-
razoabilidade e proporcionalidade, pre- empreendedor. tuais e muitas vezes incontornáveis reper-
sumia que o empreendimento, indepen- Em suma, fica definida a necessida- cussões ambientais de uma obra.
dentemente da preocupação ecológica de de basear em critérios justos o equilí-
do projeto e dos investimentos (muitas brio entre os investimentos e a proteção
vezes elevados) na busca por tecnolo- do meio ambiente, prestigiando-se, ain- * ADVOGADO DO ESCRITÓRIO DUARTE GARCIA, CASELLI
gias que reduzam os impactos da obra, da que indiretamente, a pesquisa tecno- GUIMARÃES E TERRA, DOUTOR PELA FACULDADE DE
deveria pagar como compensação am- lógica. Esta muitas vezes representa im- DIREITO/USP E MEMBRO DO CONSELHO JURÍDICO DO
biental, sempre e no mínimo, 0,5% de portante item da planilha de custos e, por SINDUSCON-SP

16 REVISTA NOTÍCIAS DA CONSTRUÇÃO


ELEIÇÕES NO SINDUSCON-SP

Construção unida e fortalecida


A construção civil finalmente conquis- voltada a Tecnologia e Qualidade envol-
tou um papel decisivo no desenvolvimen- vendo o CTQ, e outra dedicada ao Meio
to do país e, por sua importância, deve
Chapa eleita almeja Ambiente, com a participação do Comasp.
exercer sua relevante função. Neste cená-
rio, o SindusCon-SP tem um papel tripla-
setor forte e entidade As Regionais serão fortalecidas e te-
rão representação eleita por elas próprias
mente estratégico: unir e fortalecer as em- mais representativa na Diretoria. As ações da Assembléia Le-
presas do setor em uma sociedade sus- gislativa e da Câmara Municipal de São
tentável, comprometida com o meio ambi- Paulo serão acompanhadas mais de per-
ente; ampliar a representatividade do sin- dusCon-SP, Sergio Tiaki Watanabe, a cha- to. E a gestão interna ganhará reforço, vi-
dicato, e manter a qualidade dos serviços pa eleita pretende "manter e intensificar sando ampliar a eficácia nas ações da
prestados às suas empresas associadas. nossas ações; fazer as associadas se be- entidade.
Esta é a missão a que se propõe a neficiarem do crescimento econômico, e "Nossas bandeiras continuam as mes-
chapa única eleita em 17 de junho para a preparar os empresários para este novo mas: valorizar a empresa e o empresário
Diretoria do SindusCon-SP e representan- tempo de atividade aquecida". da construção, combater a informalidade
tes à Fiesp, no pleito que também elegeu Será criada uma nova Vice-Presidên- e a burocracia, lutar em favor da desone-
os 12 candidatos ao Conselho Consultivo cia, de Responsabilidade Social, voltada ração da construção, cobrar a melhoria da
e os 6 ao Conselho Fiscal do sindicato. à saúde e à qualidade de vida dos traba- qualidade dos gastos públicos e da agili-
Segundo o vice-presidente de Obras lhadores. A vice-presidência de Desenvol- zação da Justiça, e erradicar o déficit habi-
Públicas e candidato à presidência do Sin- vimento será desmembrada em duas, uma tacional", afirma Watanabe.

REVISTA NOTÍCIAS DA CONSTRUÇÃO 17


FINANCIAMENTO

A primeira onda
Celso Petrucci *

A
credito que chegou o momento representavam 33,19% do saldo da Ca- desenvolva mecanismos equilibrados
de pensar sobre o futuro das derneta e, em março passado, apenas para essa transição e, mais ainda, traba-
aplicações dos recursos do Sis- 3,60% do saldo de Poupança no mês. lhe incansavelmente na remoção dos
tema Brasileiro de Poupança e Emprés- A redução do cômputo do FCVS vir- obstáculos existentes para que ela ocor-
timo (SBPE). Mas para que isso possa tual terminará em menos de um ano e até ra sem grandes traumas no mercado imo-
ser feito, é preciso entender melhor o que lá não acreditamos em mudanças nas po- biliário. Afinal, no início de junho, o Banco
aconteceu com a exigibilidade das apli- líticas de aplicações dos agentes finan- Central continuou aumentando substan-
cações de 65% dos saldos de Caderne- ceiros, que vão bem. cialmente a taxa básica de juros como
ta de Poupança em financiamentos imo- Segundo os últimos dados da Abecip forma de controlar a alta inflacionária. Na
biliários. (Associação Brasileira das Entidades de outra ponta, até abril, a Poupança havia
Para tanto, vamos avaliar o que acon- Crédito Imobiliário e Poupança), em abril registrado captação líquida de R$ 113 mi-
teceu desde 2002, quando se iniciou o o SBPE acumulava aplicações dos últi- lhões –volume irrisório se comparado aos
retorno do FCVS (Fundo de Compensa- mos 12 meses de R$ 21,708 bilhões, com R$ 3,094 bilhões do mesmo período de
ção das Variações Salariais) ao mercado a contratação para produção e aquisição 2007.
imobiliário, até março de 2008, último mês de mais de 222 mil unidades. É bastante provável que a primeira
com registros oficiais do Banco Central.
Ressalvo que o cumprimento de exi-
gibilidade apontada deveria ser compa- A proposta: Poupança deveria financiar
a produção e o SFI, a comercialização
rado, conforme resolução do Banco Cen-
tral, com os menores saldos devedores
diários da Poupança dos últimos 12 me-
ses da base. Como não há registros des-
tes números, comparamos dados de de- Projetamos para 2008 a aplicação to- onda do crédito imobiliário deste Século
zembro de 2002 e de março de 2008 com tal de R$ 23 bilhões, com o financiamento 21 esteja no final. O país tem colhido óti-
o saldo da Poupança dos próprios me- de aproximadamente 230 mil unidades. mos resultados de crescimento do mer-
ses. Essa defasagem não é significativa Isso representa um incremento, em rela- cado imobiliário nos últimos anos e é pre-
para o raciocínio a ser desenvolvido. ção ao ano passado, de 25% nos valores ciso, com equilíbrio, bom senso e parci-
Os financiamentos imobiliários repre- e 17% nas unidades. mônia, imaginar o que será melhor para
sentavam, em dezembro de 2002, tão É chegada a hora de pensar como o Brasil continuar usufruindo os benefí-
somente 25,24% do saldo da Poupança viabilizar a transição deste modelo do cios deste crescimento, principalmente a
e em março de 2008 chegaram a 47,12%. SBPE para um novo, para permitir que os fim de a população alcançar o tão alme-
Notamos que houve incremento de qua- recursos da Caderneta de Poupança fi- jado sonho da casa própria. Que venha a
se 90% nas operações de crédito imobi- nanciem prioritariamente a produção de segunda onda!
liário, se comparadas com o saldo da novas unidades e que o Sistema de Fi-
Poupança. nanciamento Imobiliário (SFI) entre no
Esse crescimento demonstra o acerto jogo financiando a comercialização por
do Conselho Monetário Nacional em obri- 15, 20, 25 e até 30 anos. * CELSO PETRUCCI É ECONOMISTA-CHEFE DO SECOVI-
gar os agentes financeiros a retornar para Para tanto, será necessário que o go- SP, DIRETOR -EXECUTIVO DA VICE-PRESIDÊNCIA DE

o mercado imobiliário os recursos do verno federal, com a participação do se- INCORPORAÇÃO IMOBILIÁRIA DO SINDICATO E MEMBRO

FCVS "virtual", que em dezembro de 2002 tor produtivo e dos agentes financeiros, TITULAR DO CONSELHO CURADOR DO FGTS

18 REVISTA NOTÍCIAS DA CONSTRUÇÃO


HABITAÇÃO POPULAR

Setor lança PEC da Habitação

E
m junho, a indústria da construção, Participam da campanha: Confede- No mesmo dia, uma audiência públi-
liderada pela CBIC, em conjunto ração Nacional das Associações de Mo- ca na Comissão de Desenvolvimento Ur-
com vários movimentos sociais, as radores (Conam); Central de Movimentos bano (CDU) da Câmara marcaria o lança-
centrais sindicais e o Fórum Nacional de Populares (CMP); Movimento Nacional de mento oficial da campanha. A idéia era
Secretários de Habitação de todo o país Luta pela Moradia (MNLM); União Nacio- conquistar a adesão dos deputados à PEC.
está lançando a Campanha Nacional pela nal pela Moradia Popular (UNMP); Fórum
Moradia Digna - Uma Prioridade Social. Nacional de Secretários de Habitação e Voz das ruas
A mobilização pretende assegurar, por Desenvolvimento Urbano dos Estados; A força de mobilização dos movimen-
meio de uma PEC (Proposta de Emenda Secovi-SP; ABCP; Abramat; Anamaco; tos sociais, dos trabalhadores, de lideran-
Constitucional), a destinação de 2% da ar- Força Sindical; Central dos Trabalhadores ças políticas e empresariais e de autorida-
recadação da União e de 1% dos des ligadas à questão é vista co-
Estados e dos Municípios para mo fundamental. Por isso a cam-
subsidiar o acesso de famílias à panha não vai dialogar só com os
habitação de interesse social. parlamentares. “A idéia é recolher
O SindusCon-SP sediou as mais de um milhão de assinaturas
reuniões preparatórias da campa- e conquistar toda a sociedade. A
nha, em São Paulo, sob a lideran- campanha nacional tem um cará-
ça de Miguel Sastre, membro do ter pedagógico e mobilizador, em
Núcleo de Habitação Popular do nome da melhoria da qualidade
sindicato e representante da CBIC de vida de toda a população. Es-
no Conselho Nacional das Cida- tamos falando de 8 a 10 milhões
des. O presidente Paulo Simão e o de reais por ano para a habitação
vice-presidente da CBIC José Car- social. Diante do que se gasta com
los Martins, além do presidente do saúde é até pouco”, afirma Bene-
SindusCon-SP, João Claudio Ro- dito Barbosa, presidente da CMP.
busti, participaram dos encontros. “Não há bandeiras mais importan-
“Queremos assegurar que o tes do que a casa do cidadão e
direito à moradia digna tenha a perenida- e Trabalhadoras do Brasil; e ABC (Associa- sua carteira assinada. E é um engano di-
de de uma política de Estado e não so- ção Brasileira de Cohabs), além de várias zer que haverá moradia para todos sem
mente a transitoriedade que caracteriza as Frentes Parlamentares. ‘verba carimbada’”, diz Antonio Ramalho,
políticas de governo. Por este motivo, de- No dia 18, estava previsto um café- presidente do Sintracon-SP e represen-
fendemos a vinculação de recursos orça- da-manhã no anexo 4 da Câmara, em Bra- tante da Força Sindical. As articulações
mentários, para que as famílias de baixa sília, para apresentar aos deputados os entre o setor produtivo e os movimentos
renda contem com um fluxo de recursos argumentos da proposta que postula via- sociais que levaram à campanha inicia-
contínuo e livre de oscilações políticas”, bilizar a erradicação do déficit habitacio- ram-se há mais de um ano. Ganharam
argumenta Miguel Sastre. "Tais subsídios nal. Também se pretendia discutir com o força em novembro, na Conferência Naci-
permitirão que essas famílias complemen- deputado Sandro Mabel (PR-GO), relator onal das Cidades, quando foi assinado um
tem, com recursos próprios e financiamen- da PEC da reforma tributária, a incorpora- termo de cooperação entre a CBIC e os
tos do mercado, o volume necessário para ção da vinculação da verba para a habita- movimentos sociais, para trabalharem em
ter acesso a uma moradia digna." ção à proposta final que iria a plenário. favor dos pontos convergentes. (NB)

REVISTA NOTÍCIAS DA CONSTRUÇÃO 19


IMOBILIÁRIO

Força nas parcerias


S
istemas construtivos cada vez de buscar o aprimoramento por meio de des. “Nosso objetivo é ter um programa
mais industrializados e a formali- muita pesquisa de desenvolvimento tec- estruturado capaz de inovar nosso por-
zação de parcerias entre as cons- nológico, em parceria com a indústria e tfólio para soluções menos artesanais,
trutoras e as universidades para o de- a universidade, para criar novos produ- típicas da maioria dos fornecedores de
senvolvimento tecnológico na área são tos, adaptados a essa nova realidade. telhas”, comentou.
os principais atalhos para acelerar a vi- Não por outro motivo, o encontro reuniu Os fabricantes precisam assimilar
abilização dos empreendimentos volta- em torno desse tema presidentes e di- um novo cenário, após a entrada das
dos à classe econômica. A constatação retores de algumas das maiores empre- empresas do setor na Bolsa de Valores,
foi unânime entre os participantes do sas da cadeia produtiva de construção o que mudou as regras de qualidade e
Primeiro Encontro Cytec+ da Cadeia civil no país. de prazos. “O impacto disso é enorme.
Produtiva, promovido em maio pela in- “As parcerias no âmbito da cadeia Estamos num jogo completamente dife-
corporadora e construtora que nasceu produtiva são fundamentais”, disse Élio rente para a maioria das construtoras,
da parceria entre a Tecnum e a Cyrela. Martins, presidente da Eternit. Para ele, principalmente em relação aos prazos
Para Yorki Estefan, diretor da Cytec+, a industrialização dos canteiros é a for- de entrega de materiais”, afirmou Dani-
o setor está diante de uma demanda re- ma de a construção civil driblar eventu- lo Talanskas, presidente da Elevadores
primida por muitos anos e que ainda tra- ais gargalos. A Eternit mantém um Cen- Otis. Para Estefan, a solução é o diálo-
rá desafios imensos pela frente. O en- tro de Desenvolvimento de Novas Tec- go. “Ao conhecer a realidade dos outros
contro discutiu um desses desafios, o nologias, em parceria com universida- parceiros da cadeia produtiva, torna-se

Investment grade é bom para o setor, diz agência


O Brasil tem um pouco do me- gamentos e uma chance remota de mantêm tanto os investimentos
lhor de cada país considerado con- decretar moratória. quanto o crescimento do país abai-
fiável pelo mercado internacional: Segundo Regina Nunes, o Brasil xo do nível atingido por outras eco-
o nível de investimento dos euro- demorou mais do que alguns pares nomias emergentes.
peus, o consumo dos Estados Uni- para chegar a este status, mas tem De acordo com Eduardo
dos e o ritmo de exportações dos hoje “um grau de investimento inter- Chehab, diretor da agência, o setor
asiáticos, resume Regina Nunes, no muito forte e certamente muito imobiliário será beneficiado com o
presidente da Standard & Poor’s no maior que vários outros emergentes. novo patamar de investimento no
Brasil, agência classificadora de As condições de governabilidade país. “O segmento acompanha uma
risco que elevou recentemente o também são melhores”, aponta Nu- tendência exponencial de cresci-
rating de crédito soberano de lon- nes. mento neste ano e até 2010”. De
go prazo em moeda estrangeira do Segundo a agência, os pontos acordo com ele, o principal impac-
país para BBB-. vulneráveis da qualidade de crédito to da nova classificação do Brasil
O país é o 14º país soberano a do país ainda são a elevada carga para a construção civil é que “abre-
ter sua dívida em moeda estrangei- da dívida líquida do governo geral e se agora a possibilidade de capta-
ra elevada para o grau de investi- de juros; a inflexibilidade orçamen- ções não só no mercado nacional
mento, o que significa que o Brasil tária e alto nível de despesas cor- mas internacional e, finalmente, no
tem capacidade de honrar seus pa- rentes; e as barreiras estruturais que de securitização.”

20 REVISTA NOTÍCIAS DA CONSTRUÇÃO


mais fácil sugerir mudanças e encon- Eternit e Elevadores Otis afastaram qual- tou ainda preocupar-se com “fatores li-
trar a saída”, afirmou. quer risco de desabastecimento. Mas mitantes” do crescimento do setor como
Uma delas pode ser a mudança de Walter Schalka, presidente da Votoran- um todo. O trânsito pode ser o primeiro
abordagem das construtoras em suas tim Cimentos, admitiu que “alguns re- deles. “Com a expansão das fábricas,
compras. Segundo Martins, as empre- passes” serão inevitáveis. “Os gastos receio que em dois anos tenhamos ex-
sas deveriam passar a incorporar uma com energia e combustíveis represen- cesso de cimento no mercado se os gar-
cultura de aquisição de soluções com- tam 47% dos custos de fabricação do galos de legislação e operação não fo-
pletas e não apenas de materiais isola- rem superados”, lamentou.
dos. “Gostaria de vender telhados para “Isso também impacta na organiza-
as construtoras no lugar de telhas”, ex- ção das obras, que terão de se equipar
plicou o executivo.
Encontro discute para receber os insumos à noite. Assim,

Profissionais e custos
estratégias de talvez os pré-moldados industrializados
tenham que se apresentar como uma ne-
O encontro também expôs a preo- integração da cessidade”, ponderou Estefan.
cupação do setor de construção civil Talanskas, da Otis, confirmou as pres-
com a qualificação da mão-de-obra, que cadeia produtiva sões de custos, segundo ele, em respos-
já enfrenta carência de trabalhadores ta às elevações do aço, principal maté-
capacitados. Talanskas, da Otis, confir- ria-prima dos elevadores. Mas o executi-
mou que o maior desafio da empresa insumo”. Segundo ele, a cimenteira está vo afastou qualquer possibilidade de
tem sido formar novos profissionais para realizando os maiores investimentos de desabastecimento. “Trabalhamos com um
as áreas técnicas. sua história (cerca de R$ 1,7 bilhão), ciclo longo, uma média de um ano entre
“Precisamos profissionalizar os pro- que contemplam a abertura de oito no- o pedido e a entrega”, lembrou. “Temos a
cessos de qualificação de mão-de-obra vas unidades de produção. “A pressão válvula de escape do fornecimento glo-
por meio de parcerias sólidas em toda a de aumento de volume é enorme, mas bal, com unidades de produção em di-
cadeia”, disse Yorki Estefan. não vamos forçar prazos e manteremos versos países”, concluiu o executivo.
Pelo menos, Votorantim Cimentos, a qualidade”, afirmou. Schalka ressal- (Nathalia Barboza)

REVISTA NOTÍCIAS DA CONSTRUÇÃO 21


QUALIDADE E PRODUTIVIDADE

Acessibilidade em
edificações – parte 2 Luiz Henrique Ceotto *

N
a parte 1, discutimos os fun- zados, mas requerem muita atenção a figura que ilustra este artigo, o mó-
damentos jurídicos da obri- no detalhamento do projeto. O impac- dulo de referência necessita de um
gatoriedade da utilização to no custo também não é grande, acréscimo de aproximadamente 1 a
da NBR 9050 nos projetos de edifi- embora o custo unitário das peças 1,7 m² de área na caixa de escada
cações. Nesta edição, vamos discu- da sinalização seja muito alto por não em cada andar, em função da neces-
tir os impactos da aplicação dessa haver ainda muitos fornecedores sidade de área de manobra. Assim,
norma nos projetos arquitetônicos e para esses itens. Entretanto, o impac- essa mesma área tem que ser redu-
nas especificações de materiais. to diz respeito a dois importantes zida da área privativa e isso vai im-
Parte 2 - Impacto nos projetos e aspectos: perda de área de venda e pactar diretamente na receita bruta
nas especificações estética dos pisos externos das áre- de vendas, tornando-se mais impor-
A NBR 9050 destina-se a viabili- as comuns. tante para apartamentos menores.
zar a acessibilidade de pessoas por-
tadoras de deficiência visual e/ou de-
ficiência de mobilidade. Exigências devem ser observadas desde a
fase do projeto e reduzem a área privativa
Para portadores de deficiência vi-
sual, a norma define sinalização tátil
e sonora a ser colocada em ambien-
tes, pisos e corrimãos que indicam
caminho a ser seguido, mudança de Perda de área de venda: isso Uma forma de se minimizar o impac-
direção, presença de obstáculo ou acontece principalmente devido à to é o aprimoramento do código mu-
desnível. Também determina sinali- necessidade de se prever um módu- nicipal de obras, determinando que
zação tátil a ser colocada em portas, lo de referência para refúgio de uma as áreas reservadas à segurança
paredes e comandos, de forma a pessoa usando cadeira de rodas num (módulo de segurança, antecâmara
identificar o objetivo de cada um des- hall ou escada de segurança, a cada etc.) não sejam consideradas como
ses itens. 500 pessoas por andar. Essa é uma computáveis. A norma também fixa a
Para portadores de deficiência de interpretação minha, pois a norma dimensão mínima dos pisos dos de-
mobilidade, a norma define em de- não é clara quanto à aplicação des- graus da escada em 28 cm, 1 cm a
talhe, entre outros itens, especifica- se critério, ao não deixar explícito se mais do que os pisos usados normal-
ções físicas de acessos tais como di- isso se refere ao total da população mente nos projetos, redundando tam-
mensões mínimas de cômodos, vias do edifício ou especificamente de bém num pequeno aumento da cai-
de circulação, elevadores, escadas cada andar. Como implica aumento xa de escada e na conseqüente re-
e portas; inclinação máxima dos pi- de área construída computável, e dução na área privativa.
sos; dimensões de degraus, além da como o total de área computável pre-
altura máxima de ressaltos e de irre- cisa ser constante, é necessária a re- Estética dos pisos: A NBR 9050
gularidades nos pisos. Define tam- dução da área privativa para essa tem como um dos seus objetivos
bém alturas máximas e mínimas para compensação. (Item 1.2 e 1.3):
instalação de comandos, maçanetas, Para edifícios comerciais, isso 1.2 - No estabelecimento desses
louças e metais. pode ser facilmente resolvido, mas critérios e parâmetros técnicos fo-
Todos os itens definidos acima para edifícios residenciais pode ter ram consideradas diversas condi-
não são complicados de serem utili- um impacto considerável. Conforme ções de mobilidade e de percepção

22 REVISTA NOTÍCIAS DA CONSTRUÇÃO


do ambiente, com ou sem a
ajuda de aparelhos específi-
cos, como: próteses, apare-
lhos de apoio, cadeiras de ro-
das, bengalas de rastreamen-
to, sistemas assistivos de
audição ou qualquer outro que
venha a complementar ne-
cessidades individuais.
1.3 - Esta Norma visa pro-
porcionar à maior quantidade
possível de pessoas, inde-
pendentemente de idade, es-
tatura ou limitação de mobili-
dade ou percepção, a utiliza-
ção de maneira autônoma e
segura do ambiente, edifica- Representação esquemática de uma escada com módulo de
ções, mobiliário, equipamen- referência com e sem área de manobra
tos urbanos e elementos.
Além disso, o documento Acessi-
bilidade –Mobilidade Acessível para as com deficiência visual, como acon- bre aquilo que precisa ser modifica-
a Cidade de São Paulo, publicado tece nas ruas das cidades, deixando do ou mesmo complementado. Sabe-
pela Secretaria Especial da Pessoa a sinalização tátil para as rotas de mos que no Brasil existem normas
com Deficiência e Mobilidade Redu- fuga e para os degraus de escada? que pegam e normas que não pe-
zida (Seped), define como princípio Outro ponto importante que a nor- gam, mas o desuso da lei não a re-
(além de outros): ma não prevê diz respeito à necessi- voga, deixando sempre margem a al-
• todas as entradas devem ser dade de sinalização entre os aparta- guma atuação do Poder Público, de
acessíveis, bem como as rotas de
interligação às principais funções
do edifício.
• ao menos um dos itinerários
É necessário um grande empenho do setor
que comuniquem horizontalmente e
verticalmente todas as dependên-
para o aperfeiçoamento da NBR 9050
cias e serviços do edifício, entre si
e com o exterior, deverá cumprir os
requisitos de acessibilidade. mentos e a caixa de escada e eleva- terceiros, do Ministério Público ou de
Dessa forma, fica claro que todos dores nos halls dos andares. Essa si- alguma ONG para exigir sua aplica-
os ambientes das áreas comuns de nalização não tem sentido para to- ção pelas vias administrativa ou ju-
um edifício, sejam eles internos ou dos os apartamentos, bastaria fazê- dicial. Sem uma melhor adequação
externos, devem ser interligados por la para as unidades habitadas por normativa, nossos empreendimentos
rotas com sinalização tátil. Isso im- pessoas com essa necessidade es- ficam sujeitos a correções e adequa-
plica uma enorme quantidade de fai- pecífica. ções que poderão ser impostas pela
xas de cor diferente do piso original, Como demonstrado nos parágra- atuação fiscalizatória, ainda que
tornando as áreas comuns muito mais fos acima, a NBR 9050 deu um salto hoje inexistente.
parecidas com pisos de hospitais do importante na forma como deve ser
que ambientes paisagísticos. Será tratado o assunto acessibilidade no
que tudo isso é realmente necessá- Brasil. Entretanto, ela precisa ser
rio? Não existiria um meio termo viá- mais bem discutida e adaptada. Para
vel como, por exemplo, considerar isso é necessário um empenho gran-
que os rodapés (tentos) que limitam de de todo setor em sua revisão, uma (*) ENGENHEIRO E PROFESSOR CONVIDADO DA POLI-
jardins sejam considerados como vez que já está em vigor por 14 anos USP, É DIRETOR DA TISHMAN SPEYER E MEMBRO DO
orientadores de direção para pesso- e merece uma reflexão profunda so- CTQ DO SINDUSCON-SP

REVISTA NOTÍCIAS DA CONSTRUÇÃO 23


24 REVISTA NOTÍCIAS DA CONSTRUÇÃO
REVISTA NOTÍCIAS DA CONSTRUÇÃO 25
MOTIVAÇÃO

Inteligência emocional
Pedro Luiz Alves *

N
esta edição abordo os estudos preender suas reações frente às condi- ca habilidade. Ao adquirir nova habilida-
de T. Bradberry e J. Greaves, so- ções diversas do dia-a-dia, preservando de, o melhor caminho é buscar algo novo
bre as habilidades necessárias o equilíbrio nas suas decisões. ou diferente. Ou seja:
ao desenvolvimento de Inteligência Emo- As duas seguintes estão mais relaci- Procure pessoas que possam ser ado-
cional –IE. Afinal, o crescimento individu- onadas em você com os outros, o que tadas como padrão na referida habilida-
al está relacionado à auto-motivação e denomino de “extraser”: de e que sejam modelo naquele compor-
ao impacto de nosso comportamento na 3) Conscientização Social - Analisar tamento; observe-as utilizando esta habi-
motivação dos outros. as emoções alheias e descobrir o que está lidade; peça que expliquem como o fa-
Desenvolver IE exige uma reflexão so- acontecendo. Entender o que os outros zem; relacione os comportamentos neces-
bre suas habilidades e depende de sua pensem e sentem mesmo que você não sários ao uso dessas habilidades; prati-
vontade de assumir muitas vezes um pa- sinta o mesmo. que acompanhado das pessoas que ser-
pel inconveniente. Isso requer pensar so- 4) Administração da Relacionamen- viram como modelo; peça-lhes feedback
bre como você age inclusive nas situa- to Interpessoal - Interagir utilizando suas sempre que necessário, ou até que se
ções desconfortáveis. próprias emoções e as dos outros com sinta confiante; continue praticando, mes-
Responda: você conhece e confia nas sucesso. mo que se sinta estimulado a agir como
suas habilidades? Reconhece os senti-
mentos dos outros? Compreende suas
emoções? Sabe do impacto de seu com- Obtenção de feedback e forte motivação
para aprender e mudar são fundamentais
portamento sobre a motivação dos de-
mais? Identifica quando outros influenci-
am seu estado emocional e sua motiva-
ção? É reservado em situações sociais?
Tolera a frustração sem ficar irritado? As quatro habilidades baseiam-se na antes; estabeleça um plano de ação: des-
Essa reflexão pode nos situar sobre conexão entre o que você vê e o que você creva seus pontos fortes (suas forças na-
nosso grau de evolução, bem como de- faz consigo e como age em relação aos turais) e os pontos de melhoria (suas vul-
terminar nossa capacidade de motivar a demais, conforme ilustração abaixo. nerabilidades); estabeleça três objetivos
nós e aos outros. Siga as dicas apresentadas a seguir relacionados à cada uma das habilida-
O coeficiente de IE pode ser obtido para ampliar sua força e melhorar suas des a serem desenvolvidas.
através da análise de quatro habilidades. habilidades “intraser e extraser”. Elas são Mudar pode também ser uma experi-
As duas primeiras concentram-se em flexíveis e podem ser rapidamente apren- ência maravilhosa e formidável. Espero
você, o que denomino de “intraser”: didas, mas não da mesma maneira que que essas dicas melhorem suas habili-
1) Auto-Consciência - Perceber com fatos ou informações. As pessoas cons- dades e sua IE. Sempre haverá algo para
precisão suas emoções à medida que troem melhor sua IE quando há forte mo- fazer em prol da motivação, afinal tudo
elas se manifestam. tivação para aprender e mudar, e obten- muda o tempo todo.
2) Auto-Administração - Controlar ção de feedback do seu comportamento.
suas emoções mantendo-o atento, e com- Na mudança de comportamento, as
pessoas conseguem focar-se
O QUE EU VEJO O QUE FAÇO em até três ações simultanea- ADMINISTRADOR E SÓCIO DA ACT –AÇÃO
Auto- Auto-
mente. Será melhor se você se CONSULTORIA E TREINAMENTO, MEMBRO DO BOARD
COMIGO
Consciência Administração focar apenas em algumas DA ASTD-BRASIL
ações pertinentes a uma úni- PEDRO @ACAOCONSULTORIA .COM .BR
Administração do
Conscientização
COM OUTROS Relacionamento
Social
Interpessoal
GESTÃO EMPRESARIAL

O que sobra
Maria Angelica Lencione Pedreti *

N
a edição passada, discutimos a tante; portanto, você não pode perder a digamos, $100. O modelo mais sofisti-
abordagem de Custeio Variável, negociação, então, se os gastos do pe- cado possui uma Margem de Contribui-
como uma boa alternativa a aná- ríodo estão cobertos, a contra-proposta ção de $150. No entanto, ambos os
lises gerenciais, sobre os custos da dele poderá ser aceita se for, pelo me- modelos utilizam o mesmo tipo de pro-
companhia. Nesta edição, abordaremos nos, suficiente para pagar os gastos va- fissional, mas o modelo simples utiliza-
o conceito de Margem de Contribuição riáveis que esta venda ocasionará. rá 1 hora deste profissional, enquanto o
em maior profundidade. A Margem de Contribuição também mais sofisticado consumirá 2 horas do
Lembre-se: Margem de Contribuição pode ser aplicada na priorização de ven- mesmo.
é o dinheiro que sobra, depois de pa- da entre os produtos de seu mix. Por Assim, o produto mais simples pro-
gos os gastos variáveis do produto, para exemplo, se uma empresa tem dois pro- porcionará $100 de Margem de Contri-
se cobrirem os gastos fixos e o Lucro. dutos, um com alto preço e outro com buição por hora de trabalho dessa pes-
Como esse conceito pode ser usado, alta Margem de Contribuição, ela deve- soa, enquanto o produto sofisticado
em termos práticos? rá incentivar seus vendedores a fatura- oferecerá $75 de margem por hora.
Em primeiro lugar, a Margem de Con- rem o de maior Margem de Contribui- Fica evidente que, neste caso, o pro-
tribuição pode ajudar numa negociação. ção, mesmo não garantindo o maior fa- duto de maior produtividade por hora
O menor preço pelo qual a companhia turamento, mas assegurando o melhor de trabalho foi o mais simples. Portan-
poderá aceitar vender será aquele que resultado para a companhia. to, dada a situação crítica do insumo,
cubra exatamente os gastos variáveis
(custos mais despesas variáveis), fazen-
do a Margem de Contribuição ser zero. Saiba como tomar decisões raciocinando
No entanto, uma negociação destas só
deve ser aprovada se houver algum ou- com o conceito da Margem de Contribuição
tro cliente ou produto que se responsa-
bilize pelos gastos fixos da companhia.
Um exemplo: sua companhia traba- Finalmente, se a companhia prevê que seria considerado um gargalo de
lha com capacidade ociosa, mas os que irá enfrentar escassez de algum produção, o produto de Margem de
produtos vendidos atualmente já são insumo, por exemplo, alguma matéria Contribuição, em termos absolutos,
suficientes para cobrirem gastos fixos; prima, ou até falta de mão-de-obra para menor, é priorizado pois a produtivida-
se ela deseja mesmo ganhar uma con- entregar determinado trabalho em um de de sua Margem de Contribuição por
corrência, o menor preço que poderá período reduzido, ela poderá usar o hora de trabalho é maior.
fazer para aproveitar aquela ociosida- conceito de Margem de Contribuição Em prosseguimento ao nosso tema,
de será o preço que cubra gastos variá- para priorizar o produto que deverá na próxima edição abordaremos o Cus-
veis dessa nova negociação, fazendo produzir primeiro. Neste caso, ela fará teio ABC como alternativa de análise
a Margem de Contribuição ser zero, a conta de qual a Margem de Contri- de custos.
mas sem prejudicar o pagamento das buição por unidade de insumo que cada
contas do período. produto proporcionará.
Outra situação seria a de um cliente Por exemplo: uma empresa possui
em potencial, que não aceita seu preço, dois modelos de casas, num mesmo em- (*) PROFESSORA DE CONTABILIDADE E FINANÇAS DA

mas se oferece para fazer uma contra- preendimento. O modelo mais simples FGV, MESTRA EM ADMINISTRAÇÃO DE EMPRESAS,
proposta. Trata-se de um cliente impor- possui uma Margem de Contribuição de, TRABALHA EM PLANEJAMENTO ESTRATÉGICO

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REVISTA NOTÍCIAS DA CONSTRUÇÃO 29
INSUMOS

Realidade e mercado
H
oje em dia, tudo passa pela Chi- bom negócio porque o importador tem Na construção civil, a comprovação
na. Inclusive os insumos da cons- como garantir o fornecimento”, completa de atendimento às normas técnicas é vá-
trução civil, que já chegam aos Basílio Jafet, da área de Construção Civil lida para cabos e conexões, fios elétricos
montes a portos e aeroportos brasilei- da trading Comexport. e vergalhões de aço. Para certificações
ros. Somente o Instituto Falcão Bauer da Segundo Bernardo Roesler de Cas- voluntárias, a exigência dependerá do
Qualidade (IFBQ) recebe diariamente tro e Silva, diretor da trading Full Comex, mercado comprador. Fornecedor e impor-
caixas e mais caixas de produtos para a viagem de navio dura 40 dias. Um pedi- tador são responsáveis pelo atendimen-
certificação, sendo 90% deles com o ca- do leva de 120 a até mais de 150 dias to às normas. Já a assistência técnica e a
rimbo “Made in China” ou “Made in para chegar ao canteiro de obra. “Bem reposição de peças têm de ser equa-
Taiwan”, segundo César Augusto de planejado, o processo de importação é cionadas com os fornecedores, comenta
Paula Pinto, coordenador do Pólo de tranqüilo”, diz. “Para que dê certo, é preci- Basílio Jafet.
Construção Civil do instituto. so investir em volume, fechar pelo menos “A construtora tem de lembrar-se de
“A importação de produtos de quali- um contêiner (33 m³)”, alerta Jafet. que muitas vezes precisará de uma es-
dade da China é uma porteira que vai É o caso dos trutura de apoio,
escancarar de vez ou vai fechar”, garante equipamentos pe- que envolve tam-
Maurício Bianchi, diretor da BKO Enge- sados (gruas, guin- bém uma equipe
nharia. Ele conta estudar a importação de dastes e elevado-
Importação da China de manutenção”,
alguns insumos “por pura infelicidade de
não haver mais clareza do mercado for-
res), que levam até
um ano para serem
tem lados yin e yang, diz Benevides.
Segundo César
necedor nacional em relação à manu- entregues pelo for- mas é solução cada Pinto, o cuidado
tenção dos preços praticados”. necedor brasileiro, com a qualidade
Para Salvador Benevides, diretor da segundo Walter An- vez mais usada precisa ser redobra-
Projeto Engenharia, a operação é cara, tonio Scigliano, dire- do. “Um porcelana-
pois exige acompanhar desde a produ- tor da Grumont. “A to exibia certificado
ção até o desembaraço do material, que diferença de preços das gruas é, infeliz- e norma menos exigentes que as nossas.
muitas vezes passa por problemas de gre- mente, muito grande, algo em torno de Após 60 dias da nossa avaliação, nos trou-
ves, aumentos de frete e “atravancamen- 30% diz. “Se der para comprar em 3 ou 4 xeram ensaios de produtos recém-desen-
tos”. “Os caminhos têm de ser seguidos meses, mesmo que seja um pouco mais volvidos que já atendiam nossas especi-
com muito cuidado. A construtora deve se cara, vale a pena, pois a grua vai entrar ficações. É a velha história: produto de pri-
cercar de gente acostumada a lidar com muito mais rápido em operação”, aponta meira qualidade tipo A ou B. Depende do
‘as nuances da burocracia’”, recomenda. Jafet. “Mas recentemente os chineses ma- freguês...”
“O objetivo é ter vantagem econômica, joraram os preços em 13%. É a lei da ofer- Para ele, dentro do novo conceito da
embora hoje em dia, se o custo final for ta e da procura”, ressalta Benevides. Norma de Desempenho, a preocupação
muito próximo do praticado no país, já é Expedito Arena, presidente da Alec com as adaptações, variações geométri-
(associação das locadoras de equipa- cas ou da natureza do material não é im-
mentos), conta que o mercado também portante. “O que nos interessa é avaliar,
oferece máquinas de pequeno porte de com rigor, se atendem ao tripé de exigên-
qualidade a preços convidativos. “As gran- cias Segurança, Habitabilidade e Susten-
des empresas do setor agora têm suas tabilidade. Se atendem, os detalhes são
linhas de produção na China”, comenta. detalhes”, diz. (Nathalia Barboza)

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REVISTA NOTÍCIAS DA CONSTRUÇÃO 31
aumento do valor das commoditties lá fora.
Já poderíamos estar crescendo a 8%, 9%
ao ano. Os empresários estão investindo
para valer: a taxa de investimentos nos pri-
meiros meses deste ano já subiu 30% em
comparação ao mesmo período do ano
passado. Hoje ela está em 18%."
O economista comentou que a infla-
ção, de uma certa forma, também é ali-
mentada por aqueles que relutam em ex-
pandir a oferta, escaldados por retrações
econômicas do passado.
A solenidade foi aberta pelo presiden-
Yoshiaki Nakano, Robusti e Zaidan na formatura do MBA da Construção, no SindusCon-SP
te do SindusCon-SP, João Claudio Robusti.
Ele destacou que o MBA da Construção,

Nakano prevê mais resultado da parceria do sindicato com a


FGV, "faz parte do esforço de qualificação
em todos os níveis de nossos colaborado-

crescimento em 2008
res da construção civil".
O diretor de Economia do SindusCon-
SP, Eduardo Zaidan, falou da importância
"Apesar dos altos juros, há bons sinais nacional chegou aqui pelo mercado de de a construção civil aliar-se aos meios
de que vamos continuar a crescer", afir- capitais, via Bolsa, fundos ou aplicações acadêmicos para "dar um up grade no
mou o diretor da Escola de Economia de diretas de investidores. Este capital chega conhecimento do pessoal de nível geren-
São Paulo da FGV, Yoshiaki Nakano, ao a um custo muito baixo, sustentando o cres- cial, diante dos novos desafios colocados
falar na solenidade de formatura da 3ª Tur- cimento. Assim, o juro alto está recebendo pelo crescimento econômico." Já o coor-
ma do MBA Executivo para a Construção um by pass", disse. denador do MBA da Construção, Rogério
Civil, do SindusCon-SP e da FGV, em 5 de Ressalvou, contudo, que "agora preci- Mori. agradeceu a confiança depositada
junho, no sindicato. samos completar esse processo comba- pelos alunos no programa.
Segundo ele, mesmo com o juro mais tendo o câncer que corrói o país, o sistema Ao final, o orador da turma e vice- pre-
alto do mundo, os investimentos continu- de formação de juros. O câmbio também sidente do SindusCon-SP José Romeu
am crescendo no Brasil. "A liquidez inter- trava, mas tem seu efeito neutralizado pelo Ferraz Neto elogiou o curso.

Novos acordos coletivos são assinados


Convenções Coletivas de Trabalho de 8,51% desde 1º de maio. Os detalhes dignidade de nossos parceiros."
com data-base de 1º de maio foram acor- de cada acordo estão em Valdemar Pires de Oliveira, da Fede-
dadas no fim de maio entre o Sindus- www.sindusconsp.com.br, Jurídico, Con- ração Solidária/CUT, manifestou que o
Con-SP e os Sindicatos de Trabalhado- venções Coletivas. relacionamento "melhorou, mas pode
res da Construção Civil ligados à Fede- Na assinatura, o presidente do Sindus- avançar", e propôs a criação de condi-
ração Solidária/CUT: Guarulhos, São Con-SP, João Claudio Robusti, afirmou ções para que os trabalhadores do setor
Bernardo do Campo e Diadema, Cam- que, além de aumentos reais de salário, o possam ter acesso a uma moradia dig-
pinas e região, Mogi das Cruzes e re- sindicato tem procurado elevar a dignida- na. Robusti respondeu que a própria
gião, São Caetano do Sul, Adamantina, de dos trabalhadores, por meio de ações Convenção Coletiva dispõe a articula-
Bernardino de Campos, Fartura, Flórida como ConstruSer, Megasipat e qualifica- ção conjunta do setor em favor de metas
Paulista, Ipaussú, Lucélia, Mariápolis, ção. "A construção civil depende do traba- como essa, "que só poderá ser alcança-
Manduri, Piraju, Pacaembu, Santa Cruz lhador e hoje ele já começa a se orgulhar da mediante uma política nacional de
do Rio Pardo, Jacareí e Itapevi e região. de pertencer ao setor. Precisamos avan- habitação de interesse social, com a con-
Pelo acordo, os salários têm reajuste çar mais na linha do reconhecimento e da cessão de subsídio pelo governo".

32 REVISTA NOTÍCIAS DA CONSTRUÇÃO


SINDUSCON-SP EM AÇÃO

Trabalhador terá nove cursos gratuitos


No início de junho, o SindusCon- Eletricista Instalador Predial. Já o cur- tar as aulas em três períodos (manhã,
SP firmou com o Senai-SP (Serviço so de Instalador de Painel de Gesso tarde e noite) e, possivelmente, aos
Nacional de Aprendizagem da Indús- Acartonado terá duração de 40h. sábados.
tria) mais uma parceria que vai bene- A meta do SindusCon-SP e do Para se inscrever, o interessado
ficiar os trabalhadores da construção Senai-SP é qualificar, até fevereiro de deverá ter no mínimo 18 anos de ida-
civil e as empresas associadas ao sin- 2009, aproximadamente 16 mil pro- de e ser alfabetizado (para o curso
dicato. O acordo prevê a realização fissionais do setor em todo o Estado de Eletricista, o trabalhador deverá ter
de nove cursos gratuitos, voltados de São Paulo. concluído no mínimo o Ensino Fun-
para a qualificação da mão-de-obra Os cursos serão realizados nas damental).
na construção civil. Com 100 horas- unidades do Senai localizadas em As vagas estarão disponíveis pre-
aula de duração, a parceria organi- todas as cidades nas quais o Sindus- ferencialmente aos trabalhadores
zará os cursos de Pedreiro Assenta- Con-SP possui suas regionais. As que atuam em construtoras associa-
dor, Pedreiro Revestidor, Instalador aulas também poderão acontecer em das ao SindusCon-SP. As inscrições
Hidráulico/Encanador, Pintor de canteiros de obras oferecidos pelas devem ser realizadas nas unidades
Obras, Carpinteiro de Fôrmas, Metro- empresas, desde que sejam cumpri- locais do Senai. Quem quiser saber
logia Aplicada à Construção Civil, das as normas exigidas pelas Esco- mais também pode se dirigir às uni-
Leitura e Interpretação de Desenho e las Senai. As turmas poderão freqüen- dades do Senai.

REVISTA NOTÍCIAS DA CONSTRUÇÃO 33


JURÍDICO

Decisão inédita Benedicto Porto Neto *

O
s contratos celebrados pela Ad- a invalidação), mas deve ser indenizado adiante, em decisão recente (RE n.º
ministração Pública em descon- pelos encargos que suportou (efeito atri- 408.785-RN). Entendeu que, em caso de
formidade com o ordenamento buído à situação fática consistente no invalidação de contrato por fraude prati-
jurídico devem ser invalidados, com des- cumprimento de contrato que deixou de cada pelo contratado na fase de licitação
constituição de seus efeitos. Até aí, ne- produzir efeitos jurídicos). (falsificação de documentos), ele tinha
nhuma novidade. A solução é óbvia. Se há ilegalidade direito ao recebimento do preço pela exe-
Questão mais polêmica é como tratar para a qual o particular não concorreu nem cução da obra objeto da avença.
os efeitos fáticos produzidos por contrato contribuiu, ele não deve suportar os ônus A decisão está fundamentada no prin-
invalidado. Que fazer quando o contrato decorrentes do vício. cípio que veda o enriquecimento sem
invalidado foi parcial ou integralmente Mas em muitos casos o Ministério Pú- causa. Se o Poder Público recebe o obje-
cumprido? blico tem sustentado que o particular dá to do contrato e dele se beneficia, não
A idéia de que a invalidação do con- causa à ilegalidade por aderir ao contra- pode se locupletar à custa do particular.
trato desconstitui os efeitos por ele produ- to. Segundo esse raciocínio, sem essa Se o particular é responsável por ile-
zidos tem sentido no plano estritamente adesão, o contrato não teria sido cele- galidade de contrato, com ou sem o con-
jurídico, mas não no fático. No mundo real, brado e a ilegalidade não teria se consu- curso da Administração, deve responder
dos fatos, não é possível desfazer o que mado. pelos danos decorrentes de seu compor-
já aconteceu. Qual é a solução para os
efeitos práticos produzidos por contratos
inválidos (a construção da estrada, o for- Poder público precisou pagar obra depois
necimento de equipamento, a alienação
de bens, o pagamento do preço)? de contrato ter sido invalidado por fraude
A lei só pode disciplinar as conseqüên-
cias produzidas por contratos inválidos.
Note-se a diferença: os efeitos jurídi- A tese tem inconsistência lógica. Se o tamento e arcar com eventuais multas ou
cos do contrato invalidado são desfeitos fato de o particular celebrar contrato ile- outras sanções, mas não pode perder to-
(ele não produz os efeitos que lhe eram gal lhe atribui responsabilidade pelo ví- dos os investimentos feitos em benefício
próprios); o ordenamento jurídico então cio, não haveria hipótese de indenização do Poder Público ou da coletividade.
define solução para as conseqüências em caso de sua invalidação, porque to- A decisão é muito recente para refletir
práticas que ele gerou. dos os contratos aperfeiçoam-se dessa a posição que o STJ assumirá em casos
A Lei Geral de Regência dos Contra- maneira. Por esse raciocínio, a Lei 8.666 semelhantes, mas ela definitivamente
tos Administrativos (Lei 8.666) prescreve estaria prevendo caso de indenização enfraquece a já debilitada tese do Minis-
que, em caso de invalidação do contrato, impossível de ocorrer. tério Público para os casos em que o úni-
o particular seja indenizado pelos encar- O encaminhamento do problema é co pecado do particular seja firmar con-
gos suportados (execução de obra, pres- muito diferente. A Administração somen- trato em que a própria Administração te-
tação de serviço ou fornecimento de te deve obediência às normas voltadas nha descumprido a lei.
bens), desde que não tenha dado causa para seu controle. Não é papel do particu-
ao vício. Se o contrato foi invalidado sem lar fiscalizar o cumprimento das leis pelo
culpa do particular, este não tem mais di- Poder Público. Há tempos, o STJ vem de- * Coordenador do Conselho Jurídico do
reito ao recebimento do preço (efeito jurí- cidindo nesse sentido. SindusCon-SP e sócio da Porto Advogados
dico que decorria do contrato, desfeito com Mas o mesmo Tribunal deu um passo e-mail: portoneto@porto.adv.br

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NOTÍCIAS DAS REGIONAIS

Maristela coordena Deinfra em Sorocaba


A vice-presidente do SindusCon-SP No Feirão
Maristela Honda foi nomeada para in- A Regional Sorocaba do Sindus-
tegrar e coordenar o Deinfra (Departa- Con-SP participou como parceira do 4º
mento de Infra-estrutura) do Ciesp de Feirão de Imóveis da Caixa, realizado
Sorocaba. Uma de suas missões será no início de junho, no Esplanada Sho-
prestar assessoria e suporte aos asso- pping. No estande do sindicato, foram
ciados em questões técnicas e políti- divulgados os trabalhos realizados em
cas em infra-estrutura, de abrangência prol da qualidade continuada dos pro-
individual ou coletiva. dutos das construtoras associadas, por
Também direcionará suas ativida- meio de folders, publicações e um bom
des aos setores que mais influenciam bate-papo.
a competitividade das indústrias, como O Feirão negociou a venda de 1.560
energia elétrica, gás natural, logística imóveis novos e usados, no valor de
de transportes e telecomunicações. R$ 75 milhões; 16 mil pessoas visita-
Organizará seminários, palestras e en- ram os estandes. Na semana anterior,
contros para proporcionar a troca de a Caixa expediu comunicações de
idéias e trabalhará na identificação das Maristela: aumentar a competitividade 11.695 créditos pré-aprovados para
situações críticas que possam afetar a aqueles que quiserem adquirir seus
competitividade das empresas, bus- esp), Luiz Leite (Esamc Sorocaba), imóveis em 58 municípios da região. O
cando atuar de forma preventiva. Marcos Carneiro (Facens) e José Fer- balanço foi divulgado pela consultora
Ao lado de Maristela, compõem o rari (secretário de Urbanismo e Meio da Caixa de Sorocaba, Maria Julia
Departamento Renê Leonel Filho (Ci- Ambiente da Prefeitura de Sorocaba). Athayde. (Alexandre Branco)

Royalties geram expectativa em Santos


A Regional Santos do SindusCon- mãos dadas com o crescimento da dos royalties pelos municípios paulis-
SP participou no final de maio de uma construção civil, o que justifica o gran- tas. Ele pretende obrigar os municí-
audiência pública na Associação de interesse dos empresários santis- pios a investirem uma parte em quali-
Comercial de Santos, sobre possíveis tas pelo assunto’’, afirma o diretor. ficação profissional. Para Beschizza,
alterações legais em favor de uma di- Com a descoberta de novos poços os empresários entendem que a apli-
visão mais justa de royalties sobre de petróleo na região, num prazo de cação disciplinada dos recursos po-
petróleo e gás. Em 2007, dos R$ 5 15 a 20 anos o valor dos royalties po- derá trazer mais crescimento a longo
bilhões destinados aos estados, mais derá triplicar, ficando com Rio e São prazo para a região, o que justifica o
de R$ 4 bilhões ficaram com o Rio de Paulo. ‘‘Na audiência pública, defen- entrosamento da construção nesse
Janeiro, enquanto São Paulo recebeu deu-se que ninguém saia prejudicado. movimento. A estimativa para esse
apenas R$ 4 milhões. Haverá ganho econômico, político e ano é que mais de 70 municípios rei-
Segundo o diretor da Regional, social e Santos quer assegurar sua vindiquem na Justiça os royalties.
Ricardo Beschizza, a expectativa dos parte’’, diz o diretor. A Petrobras e seus parceiros de-
empresários santistas é grande, as- O deputado estadual Paulo Alexan- verão investir cerca de US$ 18 bi-
sim como o potencial das reservas en- dre Barbosa (PSDB), que esteve na lhões, nos próximos 10 anos, em ati-
contradas na Bacia de Santos. ‘‘O audiência, apresenta neste mês proje- vidades de exploração e produção na
crescimento da economia anda de to de lei para regulamentar a utilização Bacia de Santos. (Giselda Braz)

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REVISTA NOTÍCIAS DA CONSTRUÇÃO 37
SEGURANÇA

Ergonomia - conclusão
José Carlos de Arruda Sampaio *

A
aplicação de uma lista de Dicas Práticas em caso de ferramentas de bater);
verificação de ergonomia na Movimentação e armazenamen- escolher as que possam ser manu-
construção é uma ferramen- to de materiais seadas com um mínimo de esforço;
ta eficaz e ágil para avaliar as condi- Usar prateleiras em várias altu- fornecer as ferramentas manuais
ções do trabalho nos canteiros de ras ou estantes, próximo à área de que tenham formato de cabo, com-
obras. Pode ser aplicada em várias trabalho, para diminuir o transporte primento e forma apropriados para o
etapas, porém as mais importantes manual de materiais; usar mecanis- manejo confortável; providenciar fer-
são ao receber um equipamento ou mos para levantar, baixar e mover ramentas manuais com pega em pre-
instalação e nos trabalhos sentados materiais pesados; em vez de trans- ensão que tenham a fricção adequa-
(ver lista abaixo) . portar cargas pesadas, repartir o da ou com dispositivos de seguran-
peso em pacotes menores e mais ça ou retenção para evitar que desli-
Ginástica Laboral leves, em recipientes ou bandejas; zem ou escapem; minimizar sua vi-
Também é importante fazer Gi- manter objetos junto ao corpo, en- bração e ruído; inspecioná-las e man-
nástica Laboral, uma atividade física quanto são transportados; combinar tê-las regularmente; dar treinamento
leve no ambiente de trabalho, no iní- o erguimento de cargas pesadas com antes da utilização de ferramentas
cio, durante ou final da jornada, me- tarefas mais leves, para evitar lesões mecânicas, pneumáticas ou elétricas;
diante avaliação criteriosa do indiví- e fadiga, aumentando a eficiência. providenciar espaço suficiente e
duo e de sua atividade laboral. Obje- apoio estável dos pés para o seu
tivo: preparar o corpo e a mente para Ferramentas manuais manuseio.
a atividade, buscando prevenir pro- Em tarefas repetitivas, empregar
blemas e manter a saúde. Alonga- ferramentas específicas para o seu * ENGENHEIRO, É DIRETOR DA JDL - QUALIDADE -
mento é o exercício mais indicado. uso; minimizar o peso delas (exceto SEGURANÇA DO TRABALHO - MEIO AMBIENTE

Ao receber um Equipamento ou Instalação, verificar se: C NC NA


O ponto de operação foi projetado ou construído para a altura do cotovelo da média da população da obra (103 cm).
A distância entre os comandos bi-manuais está entre 50 e 60 cm entre centros.
A força para acionamento dos comandos ou botoeiras é menor que 0,6 kg.
A força para abertura e fechamento de portas é menos que 0,6 kg.
Os acionamentos freqüentes estão no alcance normal para os trabalhadores.
Os acionamentos menos freqüentes estão posicionados em alcance máximo para os trabalhadores.
Os comandos estão posicionados entre a linha de ombros e a linha dos joelhos dos trabalhadores.
As ferramentas com peso superior a 12 Kg estão suspensas por balancins.
Os monitores ou displays estão posicionados abaixo da linha dos olhos dos trabalhadores.
A força para encaixe/ posicionamento de produtos no equipamento ou dispositivo é menor de 1 Kg.
As tarefas ou acionamentos com precisão estão posicionados a 30 cm dos olhos.
As tarefas ou acionamentos normais estão posicionados na linha do cotovelo da média da população (103 cm).
As tarefas ou acionamentos pesados estão posicionados na linha da cintura da média da população (88 cm).

Para operar sentado, verificar se: C NC NA


A bancada para atividades de monitoramento e controle está inclinada.
A altura da parte frontal da bancada inclinada é 75 cm e a altura da parte alta da bancada é, no máximo, 120 cm.
O espaço mínimo para as pernas sob o tampo da bancada aos trabalhadores.
Bancadas, mesas ou outra superfície de trabalho possuem 75 cm de altura em relação ao piso.
Há previsão de instalação de apoio para os pés, a funcionários até 178 cm.
Há previsão de instalação de cadeiras ergonômicas para os postos avaliados.
C: Conforme NC: Não Conforme NA: Não se Aplica

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SEGURANÇA

Megasipat sugere
nova atitude
O
tema central da edição 2008 tiva dos participantes. As idéias serão
da Megasipat (Mega Semana expostas em forma de dicas, aconse-
Interna de Prevenção a Aci- Tema central é “Você”, lhamentos, receitas e manual de instru-
dentes do Trabalho), evento promovido ção para que cada trabalhador partici-
pelo SindusCon-SP, em parceria com
em busca de um pante analise como está conduzindo
Senai-SP, Sesi-SP e Seconci-SP, é a novo posicionamento sua própria vida pessoal (saúde e cida-
busca por uma nova atitude perante a dania) e profissional, encontrando pon-
família, o trabalho e a sociedade, volta- do trabalhador tos que podem ser melhorados. As dis-
da à qualidade de vida, segurança, saú- cussões deverão ajudar a esclarecer os
de e cidadania do trabalhador da cons- procedimentos para evitar acidentes de
trução civil. espaço frentes de trabalho de vários trabalho, como prevenir a Aids/DST, o
Sob o título “Você”, a Megasipat 2008 canteiros de obra diferentes, ajudando alcoolismo e doenças contagiosas e
já está percorrendo a Capital e as 9 cida- a reciclar o conhecimento do maior nú- como preservar o meio ambiente e cul-
des-sede de Regionais do sindicato em mero possível de trabalhadores da tivar a cidadania.
todo o Estado de São Paulo – em San- construção civil. Nela, a campanha con- À tarde, o evento será dedicado a
tos, aconteceu em 11 de junho (confira a tra acidentes não se limita a incentivar educar os trabalhadores da construção
cobertura do evento santista na próxima o uso de capacetes e luvas. Há a preo- civil sobre o que é a NR 18 (Norma Re-
edição da revista). cupação de aprimorar as relações in- gulamentadora que rege as Condições
Na Megasipat, trabalhadores de vá- terpessoais, a nutrição dos trabalhado- e Meio Ambiente do Trabalho na Indús-
rias empresas construtoras unem-se em res e o conceito de cidadania. Desde tria da Construção). Em vigor desde
um dia dedicado essencialmente à saú- seu lançamento, o Projeto Megasipat 1995, a norma determina todos os pro-
de e segurança do trabalho. A propos- já atendeu mais de 10.000 trabalhado- cedimentos e as providências que de-
ta do evento é agrupar em um mesmo res, de 1.400 empresas em todo o Es- vem ser adotados em relação à Saúde
tado. O público beneficiado e Segurança do Trabalho no canteiro de
ultrapassa esse número, já obra, mas ainda é pouco conhecida pe-
que os participantes se tor- los operários.
nam multiplicadores de in- O evento também oferece a oportu-
formação nos seus locais de nidade de os trabalhadores realizarem
trabalho. exames médicos (glicemia, acuidade vi-
sual e pressão arterial) e atividades físi-
Talk show cas. Além disso, são disponibilizadas re-
Tradicionalmente segui- feições gratuitas aos participantes. De-
das de esquetes teatrais, as pois de Santos, a Megasipat seguirá até
Foto: Divulgação

palestras da Megasipat te- 29 de outubro, em São José dos Cam-


rão neste ano um formato di- pos (veja a programação no quadro).
ferente. Desta vez um criati- O evento é apoiado por Sintracon, Fe-
vo talk show pretende pro- ticom, Força Sindical, DRT-SP/MTE, Fun-
vocar, de maneira positiva, dacentro, Sinpait, Sintesp e ADJ (Asso-
a reflexão individual e cole- ciação de Diabetes Juvenil). (NB)

Exame de glicemia é uma das atividades da Megasipat


PREVENÇÃO E SAÚDE

Construindo saúde – parte 1


NormaAraujo*

P
ara o Seconci-SP, apoiar a reali- apenas das Unidades ambulatoriais, cedimentos, dos quais 33,3% medi-
zação do ConstruSer é o cami- como também dos três hospitais públi- ções de pressão arterial, 32,2% testes
nho natural para uma entidade cos que gerenciamos. de glicemia, 23,2% de acuidade visual
que há mais de 40 anos se dedica a E também porque foi o primeiro e 11,4% de colesterol, representando
prestar atendimento médico-ambulato- evento dessa amplitude que contou em média 2,5 procedimentos por pes-
rial e odontológico aos trabalhadores com a participação do Instituto de En- soa (ver gráfico abaixo).
da construção e seus dependentes. sino e Pesquisa Armênio Crestana (Ie- O ConstruSer cumpriu com méritos
Mais do que isso, participar de iniciati- pac), no seu planejamento e organiza- o objetivo de valorizar os trabalhado-
vas como essa está no cerne da nossa ção. Dessa feita, mobilizamos mais de res da construção e seus familiares e
missão, “promover ações de saúde, 250 pessoas, entre profissionais do Se- também foi uma ótima oportunidade
educação e assistência social”. conci-SP e alunos de Escolas Técni- para podermos estudar e conhecer
Por essa razão, embora não tenha- cas de Enfermagem. melhor esse trabalhador. A construção
mos Unidades em todos os dez muni-
cípios onde foram promovidos os even-
tos, decidimos estar presentes de for- No ConstruSer, o Seconci-SP proporcionou
ma global, consolidando nossa parce-
ria com o SindusCon-SP, o Sesi, o Se- vários exames médicos para 4.700 pessoas
nai e as demais entidades que colabo-
raram para concretizar esse projeto.
Se o ConstruSer foi um marco para Introduzimos a prática de avaliar a é reconhecida como o setor que em-
o setor da construção, também foi para organização nos seus mais diversos prega muita mão-de-obra, mas o nú-
o Seconci-SP. Primeiro porque exem- aspectos, desde o treinamento recebi- mero de estudos sobre o perfil dessa
plificou bem nosso crescimento institu- do e as condições locais para a reali- categoria é inversamente proporcional
cional, pois pudemos contar com vo- zação do trabalho, até a participação a esse contingente. Está na hora de mu-
luntários do corpo de Enfermagem, não dos alunos e das Escolas, englobando darmos esse placar.
a infra-estrutura e as aco- Sob a coordenação do Iepac, a
modações oferecidas aos análise dos dados apurados no Cons-
voluntários. truSer está em fase de processamen-
Em um evento caracte- to e, na próxima edição, apresentare-
rizado por múltiplas ativida- mos o diagnóstico por procedimento
des, o Seconci-SP ficou res- e por faixa etária, trazendo subsídios
ponsável pelas orientações para uma discussão que deve estar
de saúde, oferecendo tes- sempre em pauta.
tes de glicemia, colesterol
e acuidade visual, e aferi-
ção de pressão arterial. De
um universo de 17 mil pes- * MÉDICA PEDIATRA, MESTRE EM SAÚDE PÚBLICA, DOU-
soas, segundo levantamen- TORA EM CIÊNCIAS PELA USP, É SUPERINTENDENTE DO
to do SindusCon-SP, reali- INSTITUTO DE ENSINO E PESQUISA ARMÊNIO CRESTANA
zamos cerca de 4.700 pro- (IEPAC) DO SECONCI-SP

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MARKETING

Um grande engodo
Antonio Jesus de Britto Cosenza *

D
e acordo com a American Marke- pação no processo eleitoral, única ferra- as correções necessárias para atingi-los.
ting Association, a nova definição menta à disposição para influenciar os No Brasil, não há utilização do ma-
de marketing estabelece que ele rumos do país. rketing político, mas de ações que maqui-
tem responsabilidade pela sociedade: As instituições e os processos para am a realidade e transformam o candida-
"Marketing é a atividade, o conjunto de criação, comunicação e entrega desses to em um “pop star”. É um desfile de moda
instituições e processos para criação, serviços de valor, traduzidos em obras de mau gosto, más intenções e resultado
comunicação, entrega e troca de ofer- de infra-estrutura, saúde, educação, la- deplorável.
tas que tenham valor para os clientes, zer etc., são integrados por profissionais Profissional de marketing não é “mar-
consumidores/usuários, sócios e para de marketing, estrategistas que estabe- keteiro/marqueteiro”. Isso é sinônimo de
a sociedade em geral." Em outras pala- leceram por objetivo servir à sociedade e “marreteiro” ou maquiador e mesmo, ma-
vras, todos se beneficiam do marketing. por meta melhorar a qualidade de vida quinador. Em nosso país, os maquinado-
Se fizermos a transposição desses de seus concidadãos. res pesquisam a popularidade e o conhe-
conceitos para o marketing político, ele

No Brasil não há marketing político,


deve ter por objetivo levantar as necessi-
dades e expectativas de cada comunida-
de sobre a qual o candidato político terá
influência para que a sua plataforma de só ações que maquiam a realidade
campanha contemple os aspectos priori-
tários a serem trabalhados dentro dos li-
mites do orçamento público da sua área É a prática do marketing na sua mais cimento do nome do candidato e, se ne-
de abrangência, seja bairro (vereadores), bela e legítima essência, de acordo com cessário, até mudam seu nome e sua ima-
município (prefeitos), região (deputados) Raimar Richers –professor fundador da gem de marca. Transformam sua figura
estado (governadores) o país (presiden- EAESP-FGV, berço de empresários, em- em um modelo estrela e comunicam ao
te e senadores). preendedores, executivos e políticos bra- público como um produto a ser consumi-
Assim, pesquisas devem ser condu- sileiros–, que integra uma análise, uma do em uma TRANSAÇÃO, a eleição. Ex-
zidas para orientar as equipes dos candi- adaptação, uma ativação e uma avalia- perimentem, parecem dizer, mas a expe-
datos de forma que elas possam enten- ção. Análise para investigar junto aos ci- riência é infelizmente de longa duração.
der o contexto e o ambiente social para dadãos seus anseios e seus problemas. Um dia teremos marketing político no
atender, através de projetos e orientações Adaptação para que o projeto político do Brasil. Os eleitores despertarão e se cons-
às secretarias e ministérios, os anseios candidato não esteja desalinhado com cientizarão de sua força. A ética será pa-
dos cidadãos eleitores, propiciando que as necessidades dos eleitores que re- lavra de ordem e os verdadeiros profis-
escolham objetivamente seu represen- presentará. Ativação para comunicar e sionais de marketing poderão mostrar sua
tante legal legítimo. entregar esses serviços de valor, de- valia e dar sua legítima contribuição.
Todo esse esforço terá como resulta- monstrando as reais e legítimas intenções
do o emprego do dinheiro público em de representar o eleitorado, ao retribuí-lo
obras de utilidade indiscutível e em uma com projetos que melhorem o seu bem
melhora das condições de vida da socie- estar. Avaliação para, novamente por
dade em geral, permitindo que o eleitor meio de pesquisa, assegurar-se de que
perceba exercício de seu direito de cida- os resultados esperados são alcançados * CONSULTOR DE EMPRESAS E PROFESSOR DA EAESP-
dania e sinta a importância de sua partici- e, em caso de desvios, sejam efetuadas FGV E DA BBS

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INOVAÇÃO

Faça você mesmo


Vahan Agopyan *

V
ivencio uma experiência profis- inovações que influem em toda cadeia ço, chega-se aos sistemas prediais e di-
sional bastante interessante. produtiva. Para esse público não é dife- visórias. Segundo a Anamaco, os resul-
Após quase 30 anos atuando na rente: o setor tem-se adaptado de forma tados são bastante entusiasmantes e o
Cidade Universitária, um oásis na flores- exemplar para atendê-lo e tornar suas setor vem obtendo bom retorno.
ta de edifícios da cidade de São Paulo, atividades mais fáceis e prazerosas. O A participação das construtoras para
trabalho desde fevereiro perto da av. Pau- parceiro importante da indústria de ma- esse segmento de consumidor é quase
lista. A mudança foi radical, mas não dra- teriais tem sido o setor de comércio vare- nula. No entanto, algumas micro e pe-
mática: troquei o conforto de convívio com jista, principalmente as grandes redes de quenas empresas estão começando a
a natureza pela facilidade de acesso a lojas de materiais de construção, que descobrir o mercado e atuando junto
todo tipo de serviço. Pude também, cons- assimilaram as técnicas internacionais e com o comércio varejista, oferecendo o
tatar, olhando os edifícios vizinhos, o gran- conseguem incentivar os clientes a rea- produto instalado. No caso de divisórias
de número de reformas em andamento. lizar melhorias nas suas residências e leves, a experiência é mais antiga e bem
Praticamente todos que compram ou alu-
gam um apartamento ou escritório o
adaptam a suas necessidades, e assim Bricolage abre oportunidade para construção
trabalhar junto com o comércio de materiais
realizam reformas e serviços de manu-
tenção de monta.
Muitas vezes esses serviços são exe-
cutados pelos próprios usuários que não
têm experiência nessas atividades e locais de trabalho. Confesso: eu também sucedida. Mesmo no exterior, o mercado
muito menos conhecimento dos materiais já comprei ferramentas que utilizei uma é restrito para as construtoras de porte
e componentes empregados. A tendên- única vez (ou nenhuma, continuam den- maior.
cia de "faça você mesmo" já está incor- tro dos invólucros) e novo produto de O ponto importante para esse seg-
porada no Brasil, seguindo a prática in- acabamento, sem que o anterior estives- mento, em que o consumidor é de fato
ternacional de DIY ("do it yourself") ou se deteriorado. leigo e necessita de orientação para sua
bricolage –fazer por conta própria de Colegas mais experientes podem compra, é a certificação do produto, que
maneira esporádica, não habitual. Não comprovar que nas duas últimas déca- se torna imprescindível. Alguns setores
estou incluindo nessa análise a auto- das os materiais e componentes ganha- da indústria estão atentos ao fato e já
construção, um tema complexo que me- ram variedade, versatilidade e facilida- apresentam essa abordagem, apoiando
rece discussão específica. de de aplicação, de maneira significati- as iniciativas do PBQP-H. O comércio
O que a indústria da construção civil va. Mais: o comércio, além de apresentar varejista também está amadurecido e
tem feito para colaborar com os adeptos mostruários estimulantes, incorporou a incorporou a necessidade de realizar
do DIY? Os construtores têm como atuar prestação de pequenos serviços, como uma venda mais técnica para esse tipo
nesse setor? Essas reformas/manuten- o corte de madeira, vidro etc., incentivan- de cliente.
ção são principalmente dos revestimen- do ainda mais o cliente a realizar as re-
tos, e um pouco dos sistemas prediais, formas. Hoje, além de renovar a pintura
notadamente de água e esgoto. ou trocar um carpete, é possível um não * PROFESSOR DA POLI-USP E COORDENADOR DE

Em um artigo anterior, frisei que o profissional mudar revestimentos, inclu- CIÊNCIA E TECNOLOGIA DA SECRETARIA DO DESEN-
setor de materiais e componentes da sive cerâmicos, metais sanitários e es- VOLVIMENTO DO GOVERNO DO ESTADO DE SÃO PAULO
construção é o mais ativo para introduzir quadrias. Com um pouco mais de esfor- E-MAIL: VAHAN.AGOPYAN@POLI.USP.BR

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