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PLANO NACIONAL DE SEGURANÇA HÍDRICA

Ficha Resumo de Termos de Referência


Estudo de Alternativas de Intervenções para Prevenção e Mitigação dos Efeitos de Cheias na Bacia do
Rio Acre (AC/AM)

ANTECEDENTES / JUSTIFICATIVA
A bacia do rio Acre abrange uma área de aproximadamente 36.700 km2, sendo 23.433 km² inseridos no Estado do Acre, desde sua nascente na divisa
entre Brasil e Peru até a capital Rio Branco. A bacia é caracterizada por possuir solos de baixa capacidade de infiltração e grandes áreas de
desmatamento ocupadas pela pecuária. Estes fatores, associados aos elevados índices pluviométricos característicos da bacia amazônica, fazem com
que o rio Acre responda rapidamente às chuvas intensas com significativa elevação de níveis, tornando a região propensa a inundações.
De acordo com o Atlas brasileiro de desastres naturais , foram registradas 14 ocorrências de inundações extremas no estado do Acre entre os anos de
1991 e 2012. O Vale do Acre acumula o maior número de ocorrências no período (10) e a maior parcela das regiões afetadas. Ainda de acordo com
esta publicação, o estado atravessou diversos anos sem ocorrência de enchentes, entre 1998 e 2005. No entanto, o número de ocorrências vem
aumentando nos últimos anos, com o nível das águas ultrapassando recordes históricos - como na cheia do rio Acre de março de 2015, em que o nível
d’água alcançou 17,66 metros, afetando mais de 5 mil pessoas nos municípios de Rio Branco, Assis Brasil, Xapuri, Tarauacá, Epitaciolândia e
Brasiléia. Os prejuízos chegaram a quase um milhão de reais na produção rural, devido ao alagamento de cerca de 77 hectares de produção de
banana e mandioca.
Atualmente, o estado conta com o Sistema de Alerta Hidrológico da Bacia do Rio Acre - SAH Rio Acre, sistema de monitoramento do nível do rio,
altura pluviométrica, umidade e temperatura do ar, por meio de estações automáticas. O sistema foi desenvolvido pela Companhia de Pesquisa de
Recursos Minerais - CPRM após a cheia de 2012, à época a maior em 15 anos, e opera desde 2014 com 10 estações telemétricas.
O Atlas de Vulnerabilidade a Inundações, publicado pela atual Superintendência de Operações e Eventos Críticos - SOE da Agência Nacional de
Águas – ANA e empregado como base para a definição do nível de segurança hídrica relativa às cheias em território nacional, identificou que os
principais cursos d’água da bacia do rio Acre são vulneráveis a inundações em grande parte de sua extensão (Figura 1), resultado da combinação
entre frequência de ocorrência e grau de impacto dos eventos.

Figura 1: Classificação dos cursos d’água inundáveis na bacia do rio Acre (AC/AM)–esc. 1:1.000.000 (ANA, 2014)
Diante deste quadro, evidencia-se a necessidade de elaboração de estudo de alternativas de intervenções para a prevenção e mitigação dos efeitos
de cheias na bacia hidrográfica do rio Acre, objeto deste Termo de Referência. O estudo deverá avaliar amplo rol de medidas não estruturais e
estruturais, excluindo-se as intervenções vinculadas à drenagem urbana das cidades localizadas na bacia, cuja responsabilidade é das respectivas
prefeituras municipais.

¹ Universidade Federal de Santa Catarina. Centro Universitário de Estudos e Pesquisas sobre Desastres. Atlas brasileiro de desastres naturais: 1991 a 2012. Volume Santa Catarina
/ Centro Universitário de Estudos e Pesquisas sobre Desastres. 2. ed. Revisão Ampliada – Florianópolis: CEPED UFSC, 2013. 168 p.

Esta Ficha Resumo de Termos de Referência é parte integrante do Plano Nacional de Segurança Hídrica. Agência Nacional de Águas - Brasília: ANA, 2019. 1/3
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Ficha Resumo de Termos de Referência
Estudo de Alternativas de Intervenções para Prevenção e Mitigação dos Efeitos de Cheias na Bacia do
Rio Acre (AC/AM)

OBJETIVOS
O objetivo do estudo a ser desenvolvido é o de definir alternativas de intervenções para prevenir e mitigar os efeitos das cheias na bacia hidrográfica
do rio Acre (AC/AM).
Além desse objetivo principal, há outros objetivos específicos também previstos para serem atendidos:
• Atualizar e sistematizar informações sobre as características hidrológicas da bacia hidrográfica do rio Acre, com atenção especial aos eventos
extremos de cheias;
• Aplicar modelos matemáticos de simulação hidrológica e hidrodinâmica do escoamento, visando subsidiar ações de prevenção e mitigação de
impactos de cheias na bacia;
• Analisar e compreender o desencadeamento de cheias nos cursos d’água da bacia, identificando os trechos mais críticos;
• Identificar, em nível de pré-viabilidade, alternativas de intervenções estruturais para prevenir e mitigar os efeitos dos eventos de cheia na bacia,
reduzindo a exposição ao risco por meio da proteção de comunidades ou bens, ou controlando a variabilidade dos eventos naturais através da
modificação das características hidráulicas e hidrológicas do escoamento;
• Identificar alternativas de intervenções não estruturais para prevenir e mitigar os efeitos dos eventos de cheia na bacia, com o intuito de conciliar as
funções de armazenamento e escoamento das águas no sistema de drenagem com o espaço disponível e as necessidades relacionadas à ocupação
humana sustentável;
• Avaliar comparativamente as intervenções identificadas, indicando aquelas mais viáveis e mais atrativas para compor o elenco de medidas a serem
implementadas na bacia.

ÁREA DE ABRANGÊNCIA
A área de abrangência do estudo é a bacia hidrográfica do rio Acre, com área total de cerca de 36.700 km2, abrangendo os estados do Acre e
Amazonas.

ATIVIDADES A SEREM DESENVOLVIDAS


a) Detalhamento do plano de trabalho e roteiro metodológico dos estudos;
b) Coleta de dados sobre a bacia, incluindo, mas não se limitando, a bases cartográficas, imagens de satélite, dados hidrometeorológicos e hidráulicos
e informações sobre eventos críticos já ocorridos e seus efeitos;
c) Coleta de dados de projeto (preferencialmente executivo ou as built) e dados operativos das barragens já implantadas para o controle de cheias na
bacia, se existentes;
d) Reconhecimento de campo da bacia; dos pontos críticos ao longo dos cursos d’água vulneráveis que podem exercer influência hidráulica e interferir
nos níveis d´água em episódios de cheias; das intervenções já implantadas para o controle de cheias; e das cidades a serem beneficiadas com as
intervenções propostas;
e) Levantamentos topobatimétricos:
• Programação dos serviços de campo de topobatimetria;
• Execução de levantamentos topobatimétricos de seções transversais nos cursos d’água identificados como vulneráveis inundações na bacia. Os
levantamentos contemplarão a batimetria do leito submerso e a topografia do leito não submerso, além da topografia da planície de inundação
adjacente (no mínimo 500 m a partir de cada uma das margens do rio).
f) Avaliação e consistência das informações hidrometeorológicas e hidráulicas existentes:
• Análise das informações hidrometeorológicas e hidráulicas das estações de monitoramento existentes na bacia;
• Seleção das estações a serem empregadas nos estudos;
• Consistência, preenchimento de falhas e extensão das séries das estações selecionadas.
g) Caracterização das Cheias e da Planície de Inundação:
• Estudos e modelagem hidrológica de toda a bacia do rio Acre, através da aplicação de modelo de transformação chuva-vazão, para determinação
das vazões de cheia a serem consideradas no estudo;
• Estabelecimento dos hidrogramas de cheias afluentes em pontos de controle na bacia, para os períodos de retorno de 2, 5, 10, 25, 50, 100, 500 e
1.000 anos;
• Geração de Modelo Digital do Terreno - MDT com base na cartografia disponível e nas informações levantadas em campo;
• Caracterização da planície de inundação, da infraestrutura e núcleos urbanos nela situados, e avaliação de sua vulnerabilidade aos diferentes
níveis de cheias que podem ocorrer na bacia;
• Seleção do período de recorrência da cheia a ser adotada no dimensionamento das estruturas e dos níveis de mitigação a alcançar.

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Rio Acre (AC/AM)

ATIVIDADES A SEREM DESENVOLVIDAS


h) Estudo de alternativas de intervenções para o controle de cheias na bacia dos rios Tubarão e Araranguá:
• Identificação e proposição de alternativas de intervenções estruturais e não estruturais para a prevenção e mitigação dos efeitos de cheias na
bacia, considerando a infraestrutura já implantada, as diretrizes técnicas de uso e ocupação do solo na bacia e os planos de desenvolvimento urbano
das cidades a serem beneficiadas;
• Estudo e modelagem hidrodinâmica de propagação das cheias e geração dos perfis da linha d’água e dos mapas de inundação ao longo dos
cursos d’água modelados. As simulações devem ser realizadas para os 3 maiores eventos históricos ocorridos na bacia e para os períodos de
retorno citados no item anterior, e considerar a situação atual (infraestrutura já implantada) e cada uma das alternativas concebidas;
• Caracterização dos benefícios produzidos a jusante e de performance das alternativas avaliadas, no que se refere à mitigação das cheias;
• Análise comparativa entre as alternativas identificadas, com vantagens e desvantagens de cada uma delas, considerando aspectos de engenharia,
de operação e manutenção, ambientais, financeiros, sociais e institucionais;
• Análise multicritério com as alternativas propostas, de forma a estabelecer a seleção e hierarquização das intervenções a serem implementadas;
• Arranjos gerais, no nível dos estudos realizados, pré-dimensionamento, estimativa de custos de investimento, operação e manutenção, ficha
técnica e estabelecimento de sequenciamento e cronograma de implantação das estruturas selecionadas;
• Identificação e definição de ações necessárias para a concretização das intervenções estruturais e não estruturais selecionadas;
• Diretrizes para detalhamento das intervenções selecionadas.

PRAZO DE EXECUÇÃO
18 (dezoito) meses.

CUSTO ESTIMADO
R$ 3.800.000,00 (três milhões e oitocentos mil reais).

PRODUTOS E PRAZOS
Fase Produto Prazo de Entrega (dias corridos)
1 Plano de Trabalho 30
2 Relatório de Coleta de Dados e Reconhecimento de Campo 90
3 Relatório de Programação dos Serviços de Campo de Topobatimetria 120
Relatório de Avaliação e Consistência das Informações Hidrometeorológicas e
4 180
Hidráulicas
5 Relatório Consolidado de Serviços de Campo de Topobatimetria 240
6 Relatório de Caracterização das Cheias e da Planície de Inundação 330
Relatório do Estudo de Alternativas de Intervenções para o Controle de Cheias na
7 480
Bacia do Rio Acre
8 Relatório Final Consolidado 540

EQUIPE TÉCNICA SUGERIDA


Profissional Custo Total
Coordenador Geral 720
Engenheiro Civil ou Hidrólogo Sênior, especialista em Hidrologia e modelagem hidrológica, modelagem
2.880
hidrodinâmica de propagação de cheias em cursos d’água e regularização de vazões
Engenheiro Civil Sênior, especialista em projetos de Obras Hidráulicas - arranjos gerais e dimensionamento de
2.880
estruturas hidráulicas, barragens, vertedouros e canais
Profissional de Nível Superior Sênior, Especialista em Geoprocessamento e Sensoriamento Remoto 1.440
Engenheiro Geotécnico Sênior 1.080
Engenheiro Hidrólogo Pleno 2.160
Engenheiro Hidráulico Pleno 2.160
Engenheiro de Planejamento & Custos Sênior 720
TOTAL 14.040

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