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UNIVERSIDADE LÚRIO

Departamento de Engenharia Civil

MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO 1
2019

Victor Alfredo Buene & Isak Matemanga Nindi


victor.buene@unilurio.ac.mz isaknindi@gmail.com
MATERIAIS METÁLICOS-O AÇO
CONSIDERAÇÕES GERAIS
Todos os diversos ferros e aços são formas de ferro metálico, distinguindo-se pelo
processo de fabrico e pelos teores de carbono e outros elementos que fazem parte da sua
constituição. O carbono é o elemento mais importante na criação destas ligas metálicas,
sendo o principal responsável por grande parte das propriedades da liga, como por
exemplo a resistência.
O aço é um produto siderúrgico constituído essencialmente por ferro, apresentando
habitualmente entre 0,2 a 2,1% de carbono, sendo ainda constituído por diversos outros
elementos que são utilizados em menor quantidade, tal como o crómio, o manganês e o
vanádio. Quando é ultrapassado o valor de 2,1% obtêm-se ferro fundido.
Estes elementos que são adicionados ao ferro têm como função melhorar as propriedades
do aço, impedindo deslocamentos na estrutura cristalina do ferro e conferindo-lhe melhores
propriedades de resistência à corrosão, entre outras.
Devido à maneira como pode influenciar o comportamento do aço, o teor de carbono é
bastante importante, sendo geralmente medido em percentagem de massa de carbono
relativamente à massa total da amostra.
A variação da quantidade destes elementos permite obter aços com diferentes
propriedades mecânicas, fazendo variar características como a dureza, ductilidade e a
tensão de cedência. Por exemplo um aumento do teor de carbono leva a uma aumento
da resistência e dureza do aço, tendo no entanto um efeito negativo na ductilidade pois
torna-se um material mais frágil. Tem também implicações ao nível da soldabilidade,
sendo esta mais difícil, quanto maior for o teor de carbono do aço.
As propriedades mecânicas do aço estão relacionadas não só com a composição química,
mas também com o modo de organização dos elementos, que dão origem às chamadas
microestruturas.
Existem seis tipos comuns de microestrutura num aço. Estas são: a austenite, a ferrite,
a cementite, a perlite, a martensite e a bainite, estando o aparecimento destas
microestruturas relacionado com a composição química do aço e com as variações de
temperatura a que este é sujeito.
Uma temperatura muito importante para o comportamento dos aços é a temperatura crítica,
também designada por temperatura de austenização. Esta varia com as propriedades
químicas do aço e corresponde à temperatura a partir da qual todo o aço se encontra
totalmente austenizado. Esta temperatura é importante pois é nesta fase que o aço em
estado sólido apresenta a sua maior capacidade de dissolver carbono, permitindo assim
que este se distribua uniformemente antes de se iniciar qualquer processo de
arrefecimento.
Austenite
A austenite é de todas as microestruturas possíveis a que apresenta maior
deformabilidade, conferindo ao aço uma elevada ductilidade, tenacidade e ainda uma
elevada resistência ao desgaste. Estas características devem-se a uma estrutura
semelhante a um cristal, organizando-se os átomos em estruturas CFC (cúbicas de faces
centradas).
Ferrite
A ferrite é o constituinte mais macio do aço, sendo indesejável a sua presença no aço,
excepto quando se pretende obter aço extra macio. Esta microestrutura apresenta uma
quantidade muito reduzida de carbono (inferior a 0,02%), não sendo portanto comum
encontrala em aço comum (% de carbono bastante superior).
Cementite
A cementite, por seu lado, é o constituinte mais duro das ligas ferro-carbono, sendo
constituída por carboneto de ferro (Fe3C), constituinte extremamente duro (entre 6 e 7 da
escala de Mohs). Esta microestrutura apresenta a particularidade de possuir manganês na
sua constituição no lugar de ferro. Presença esta que em pequenas quantidades pode ser
desprezada na à determinação do tipo de aço, mais especificamente a determinação do teor
de carbono pois a massa atómica do ferro e do manganês são muito semelhantes (56 e 55
respectivamente), não influenciando a massa total das amostras. Devido à elevada dureza a
cementite apresenta um comportamento muito frágil, razão pela qual é difícil determinar as
suas características mecânicas.
Perlite
Este tipo de microestrutura obtém-se conjugando lamelas de ferrite e cementite na
proporção de 89% para 11% respectivamente. As suas propriedades mecânicas dependem
da maneira como estas lamelas se conjugam, mais exactamente do espaço existente entre
estas, variando este espaço essencialmente devido às condições de arrefecimento.
Este espaçamento é determinante nas propriedades mecânicas da perlite pois o
deslocamento médio que pode existir na estrutura está condicionado a estes espaços. A
dureza e a tensão de rotura aumentam e a extensão de rotura diminui com a redução do
espaço entre as lamelas.
Martensite
Existem dois tipos de martensite, a martensite cúbica e a martensite acicular.
A martensite acicular é constituída por ferrite sobressaturada em carbono e com uma
estrutura cristalina altamente deformada, sendo o seu comportamento mecânico
dependente da quantidade de carbono existente e da finura das lamelas de martensite. A
sua estrutura altamente deformada é constituída por lamelas. No entanto, quando se
observa uma secção de martensite ao microscópio esta aparenta ter uma estrutura em
forma de agulhas, sendo assim diversas vezes descrita erradamente. Este tipo de
martensite apresenta uma dureza bastante elevada aliada a um alongamento reduzido e a
uma resiliência quase nula, o que significa que o aço com este tipo de microestrutura tem
uma ductilidade e uma tenacidade muito reduzida, apresentando um comportamento frágil.
A martensite cúbica por seu lado exibe uma fraca distorção da rede cristalina, a ausência
de austenite e a precipitação de cloretos. O que confere, relativamente à martensite
acicular, uma melhor ductilidade e tenacidade, mantendo ainda uma elevada resistência e
dureza, em especial após ser submetida a um revenido para redução das tensões internas.
Ambas as formas de martensite são obtidas pelo rápido arrefecimento de austenite, não
permitindo a dissipação do carbono, ficando este retido na estrutura cristalina.
Esta microestrutura não é representada nos diagramas de equilíbrio de fase do açocarbono
pois estes apenas representam os estados de equilíbrio de fase, ou seja, as
microestruturas que são obtidas através de arrefecimentos lentos que permitam a
organização estrutural e a difusão dos elementos.
Bainite
A bainite é uma microestrutura intermédia entre a martensite e a perlite, sendo as suas
propriedades mecânicas bastante variáveis, estando compreendidas entre os valores da
martensite e da perlite. A sua dureza é tanto maior quanto menor for a temperatura a que
se forma, sendo a bainite inferior mais dura que a bainite superior, que por sua vez tem
uma dureza superior à perlite.
A dureza da bainite deve-se à formação de grãos cada vez maiores com a diminuição da
temperatura, aumentando o teor de carbono e a quantidade de carbonetos retidos.
A PRINCIPAL APLICAÇÃO EM ENG. CIVIL
A PRINCIPAL APLICAÇÃO EM ENG. CIVIL: AS ARMADURAS
• Aço para betão armado

• Aço para betão pré-esforçado

• Aço para construção metálica


Ponte Maputo-Katembe
PRODUÇÃO DE AÇO E LIGA Fe-C: Nota histórica
HISTÓRIA DA PRODUÇÃO DO FERRO Metalurgia: ciência dos metais e ligas metálicas
Redução Directa Estuda: Constituição; Estrutura; Propriedades;
Processos de fabrico; Tratamentos posteriores;
Forno do tipo poço fechado
Alterações das propriedades dos metais
Século XVIII Forja catalã causadas pelo tratamento.
Forno de REVERBERO (CEMENTAÇÃO)
ALTO FORNO Metalurgia do Ferro SIDERURGIA
• Reacções
Produtos siderúrgicos: Fe e Ligas de Fe Gusa
• Matérias primas (minério de Fe; carvão; fundente)
e aço; Ligas de Alumínio e Ligas de Cobre.
• Partes do Alto Forno (boca, cuba, ventre, cadinho)
• Fluxo de matérias primas
• Preparação das matérias primas
• Reacções no forno
• Produto gusa ou ferro fundido
• Subprodutos escória de alto forno e gases
• Aplicações da escória
Aço – Definição e classificação actuais
Aço (NP EN 10020)
Material que contém mais Fe do que qualquer outro elemento, cuja % C é em
geral inferior a 2% e que contém outros elementos (que conferem determindas
propriedades ao aço); Um número limitado de aços com Cr pode ter uma % C
superior a 2% (que é o teor limite corrente que separa o aço dos ferros
fundidos)
Classificação quanto à quantidade de carbono:
Aço de carbono ultra baixo < 0.01% Ex. Chapa automóvel; rede de galinheiro
Aço de carbono extra baixo < 0.02% Ex. Chapa automóvel; Tubagem
Mild steel 0.10-0.15% Ex. aço laminado como varões para b. armado
Aço de carbono médio 0.25-0.5% Ex. máquinas; perfís caminho de ferro
Aço de carbono elevado 0.5-0.9% Ex. Máquinas; aço pré-esforço
Aço de feramentas 0.9-1.7% Ex. Ferramentas; molas (inox)
Ferro Fundido
Aços ligados: em que nenhum dos teores atinge os valores limites do quadro.
Aços não ligados: aços inoxidáveis: aços com pelo menos 10,5% de Cr e no
máx 1,2% C; Outros aços ligados: aços não conforme com a definição de
inoxidáveis nos quais os teores atingem pelo menos um dos valores limites do
quadro
História…
Ao longo dos tempos a principal fonte de
Fe foi o minério de Fe em geral os óxidos,
por Ex. Hematite ( ), Magnetite
( )
A técnica de “separar” o Fe tem sido
por redução pelo CO
Depois do Forno de Pré-Aquecimento…