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Atual sistema de justiça administrativa

O quadro constitucional da justiça administrativa

A Constituição quis estabelecer as garantias dos administrados, mas não pretendeu impor um
modelo processual determinado. A concretização desse modelo compete ao legislador, que, no
uso da sua liberdade constitutiva, pode optar entre diversas fórmulas de instituição da justiça
administrativa, desde que respeite o quadro constitucionalmente estabelecido – concretamente, o
modelo organizatório judicialista e a proteção efetiva dos direitos dos administrados. A
concretização deste modelo compete ao legislador que no uso da sua liberdade constitutiva pode
optar entre diferentes fórmulas de instituição na justiça administrativa desde que respeite o quadro
constitucionalmente estabelecido. O artigo 268º CRP, não pretende estabelecer uma
regulamentação global da justiça administrativa, mas apenas definir as garantias dos
administrados nas suas relações com a Administração, assegurado por um direito fundamental
específico de acesso aos tribunais administrativos, um direito a um procedimento.

A reforma do modelo legal

A discussão pública de 2000 teve três anteprojetos: “Estatuto dos Tribunais Administrativos e
Tributários” de um “Ccdigo de Processo nos Tribunais Administrativos” e de um diploma sobre
“Comissões de Conciliação Administrativa”. Tendo resultado na aprovação pelo Governo, em
junho de 2001, de duas propostas de lei: uma, de alteração do “Estatuto do Tribunais
Administrativos e Fiscais”, outra, de aprovação de um “Ccdigo de Processo nos Tribunais
Administrativos”. Disto resultou o ETAF, aprovado pela Lei nº13/2002, de 19 de fevereiro, bem
como o Ccdigo de Processo nos Tribunais Administrativos (CPTA), aprovado pela Lei nº15/2002,
de 22 de fevereiro, que entraram em vigor no dia 1 de janeiro de 2004.

Aspetos mais relevantes da reforma:

a) Atribui-se aos tribunais administrativos, a competência para administrar a justiça nos


litígios emergentes das relações jurídicas administrativas (1º e 4º ETAF);
b) Consagra-se o princípio da tutela jurisdicional efetiva, incluindo a tutela cautelar,
compreendendo o direito de obter, em prazo razoável, uma decisão judicial que aprecie,
com força de caso julgado, cada pretensão regularmente deduzida em juízo, bem como a
possibilidade de a fazer executar e de obter as providências cautelares, antecipatcrias ou
conservatcrias, destinadas a assegurar o efeito útil da decisão (2º/1º CPTA);
c) Cria-se duas formas processuais, a ação administrativa comum e a ação administrativa
especial;
d) Admite-se a cumulação de pedidos (4º, 4º/2º, e 47º CPTA);
e) Sobre a tramitação das ações administrativas especiais, estabelecem-se regras uniformes
(35º/ 2º e 78º C PTA) relativas à impugnação de atos (50º e ss), (66º e ss), (72º e ss), (97º e
ss);
f) Mantém-se um conceito muito vasto de legitimidade para a impugnação de atos (55º e 9º/
2º CPTA);
Continua a reconhecer-se um papel processual relevante ao Ministério Público para fiscalização

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