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Seama mostra avaliação do rio

“Um dos grandes problemas da bacia do Rio Jucu é a carga de nutrientes e


agrotóxicos originados principalmente pelo escoamento superficial de áreas
cultivadas, localizadas em sua parte alta. Por sua parte baixa passar nas
imediações de perímetros urbanos da Região da Grande Vitória, recebendo
grande quantidade de matéria orgânica provenientes do lançamento de esgoto
in natura, tem se verificado uma maior degradação de suas águas”.

A constatação é da Secretaria de Estado para Assuntos do Meio Ambiente


(Seama) e foi divulgada pela Coordenação de Recursos Hídricos.

Os principais pontos do documento estão abaixo, com adaptações apenas para


edição jornalística. Ele destaca que “um dos obstáculos ao desenvolvimento
sócio-econômico em várias partes do Estado do Espírito Santo é a escassez de
água, decorrente de fatores naturais, como a distribuição irregular das chuvas.

Decorrem ainda de fatores antrópicos, como a utilização desordenada dos


recursos hídricos através de represamento dos corpos d’água, poluição dos
rios e outras atividades humanas. Soma-se a esses fatores, a inexistência de
alguns procedimentos e normas para utilização desses recursos natural.

A falta de informação básicas e conceituais, tanto para pesquisadores do setor,


como para a sociedade em geral, inibe o surgimento de soluções e ações
necessários para a utilização racional dos recursos hídricos”.

Localização – A bacia do Rio Jucu é formada nos municípios de Cariacica,


Domingos Martins, Guarapari, Marechal Floriano, Viana e Vila Velha.

Ela possui característica muito semelhante à bacia do Rio Santa Maria da


Vitória. Suas partes médias e superiores estão situadas na região serrana.
Ambas possuem o mesmo formato, desenvolvendo-se na direção W-E. Possui
uma área de drenagem de aproximadamente 2.200 km², é um dos mananciais
de abastecimento da Grande Vitória. São seus formadores o rio Braço Norte,
no município de Domingos Martins e, Braço Sul no município de Marechal
Floriano. Deságua no Oceano Atlântico, na localidade de Barra do Jucu.
A bacia do Rio Jucu engloba municípios compreendendo uma população
aproximada de 275.000 habitantes (1993).

Clima - O clima é diferenciado, sendo tropical nas partes baixas, temperado


brando nas partes mais elevadas, e pela chuva é semi-úmido nas partes baixas,
úmido nas partes médias, voltando a se semi-úmido nas cabeceiras.

A temperatura média anual decresce de 24º C na foz até 18º C nas cabeceiras.
A umidade relativa média anual cresce na mesma direção, de 80% a 85% e a
evaporação anual decresce de 1.000 à 800 mm da foz para a nascente.

Pluviosidade - A pluviosidade sofre a sua variação segundo os eixos da


bacia, de E para W, crescendo a partir dos estuários (1.100 mm anuais) até
o meio das bacias (1.600 mm anuais), e daí decrescendo até as cabeceiras
(1.100 mm, no extremo NW).
A época chuvosa é o verão amplo, e a seca o inverno. Entretanto, nas partes
centrais da bacia, que são as mais chuvosas, a estação seca é muito atenuada,
havendo chuva suficiente em todos os meses.

Fluviosidade - Tratando-se de bacias de pequenas dimensões, a resposta das


descargas às precipitações é rápida, podendo as alturas máximas durar
poucas horas, coincidindo o regime pluvial com o fluvial. Os níveis
máximos ocorrem em dezembro e janeiro, e os mínimos em agosto e
setembro.

Recursos hídricos superficiais - O Rio Jucu é formado por dois braços, o


Braço Norte e o Braço Sul. Ainda a jusante (acima) da confluência dos dois
braços, o Rio Jucu recebe alguns afluentes em ambas as margens.

O desenvolvimento do Braço Norte até a confluência com o Braço Sul é


estimado em 120 Km, enquanto que este segundo apresenta-se com
aproximadamente com 80 Km. O trecho do rio desde a confluência dos dois
braços Norte e Sul até o mar é estimado em 84 Km.

O período de águas altas vai de dezembro a março, sendo que as maiores


vazões ocorrem com maior freqüência em dezembro. O período de águas
baixas vai de julho a setembro, com as vazões mínimas ocorrendo mais
freqüentemente em setembro.
Quantidade - A disponibilidade hídrica do Rio Jucu é estimada em torno de
15,3 m3/s (Estação Fluviométrica da Ponte do Rio Jucu)

Qualidade - Um dos grandes problemas da bacia do Rio Jucu é a carga de


nutrientes e agrotóxicos originados principalmente pelo escoamento
superficial de áreas cultivadas, localizadas em sua parte alta. Por sua parte
baixa passar nas imediações de perímetros urbanos da Região da Grande
Vitória, recebendo grande quantidade de matéria orgânica, provenientes do
lançamento de esgoto in natura, tem se verificado uma maior degradação de
sua águas.

No ano de 1994, a Secretaria de Estado para Assuntos do Meio Ambiente


(Seama) concluiu o seu Relatório de Qualidade das Águas Interiores do
Estado do Espírito Santo. Neste relatório foi apresentado o monitoramento
realizado pela secretaria entre os anos de 1991 e 1993, abrangendo as 12
bacias hidrográficas do Estado.

No período em questão, a metodologia adotada pela Seama para o


monitoramento qualitativo das águas interiores, foi a da determinação do IQA
– Índice de Qualidade das Águas -, de caráter valorativo, elaborado a partir da
ponderação de nove parâmetros, onde a partir de cálculo efetuado pode-se
determinar a qualidade das águas brutas.

Atualmente, esta metodologia não é mais utilizada pela Seama, pois apresenta
algumas limitações quanto a análise e interpretação dos resultados.

Pontos de monitoramento em 1993:

JUC2C001 – BRAÇO NORTE, SOB A PONTE PRÓXIMA A CASCATA


DO GALO
JUC2C005 – BRAÇO SUL NA SAÍDA DE MARECHAL FLORIANO,
SOB A PONTE NA BR-262
JUC2C008 – BRAÇO SUL , SOB A PONTE DE MADEIRA EM
MARECHAL FLORIANO
JUC2C009 – BRAÇO SUL, NA USINA JUCU EM DOMINGOS
MARTINS
JUC2C010 – BRAÇO NORTE, SOB A PONTE DO RIO NA BR-262
SEAMA/DNAEE
JUC1C025 – CALHA PRINCIPAL, SOB A PONTE NA BR-101
No braço Norte do rio Jucu, a Seama possui dois pontos de monitoramento: o
ponto JUC2C001, que fica localizado próximo a Cascata do Galo, a montante
de Domingos Martins e é representativo da área rural, que apresenta os
povoados de Barbados e o ponto de monitoramento Alto, às suas margens, e
as vilas de Parajú e Melgaço, situadas às margens dos seus afluentes: Ribeirão
São Vicente e o rio Melgaço. Das coletas realizadas, três apresentaram índices
de coliformes fecais acima dos padrões estabelecidos pela Resolução Conama
Nº 20/86.

O ponto de monitoramento JUC2C010, está localizado à jusante da cidade de


Domingos Martins, recebendo toda a contribuição de efluentes desta cidade e
do povoado de Biricas através do córrego Biriricas. Dos parâmetros
analisados, a turbidez apresentou índices acima dos padrões estabelecidos pela
Resolução Conama, na coleta de 05/93, o fosfato total nas coletas de 08,11/93
e 11/95 e os coliformes fecais em todas as coletas realizadas neste período.

O ponto de monitoramento JUC1C025, situa-se no rio Jucu, na ponte da BR-


101. No trecho da bacia entre os pontos de monitoramento JUC2C010 (braço
Norte) e JUC2C009 (braço Sul) estão os povoados de São Paulo de Cima e
Bom Jesus, as vilas de Rio Calçado e Araçatiba e a cidade de Viana. Nesse
trecho são lançados efluentes da fábrica de cerveja Antártica, da Dumilho
(ração animal) e CCPL ( laticínios). As análises das coletas realizadas
apresentaram resultados parâmetros turbidez, fosfato total e coliformes fecais
todas as coletas.

O ponto de monitoramento JUC2C005, localizado à montante de Marechal


Floriano, no rio Jucu braço Sul, recebe contribuição de bacia
predominantemente rural, representando a vila de Araguaia e o povoado de
Vítor Hugo. Das análises realizadas os parâmetros turbidez, fosfato total e
coliformes fecais apresentam índices que ultrapassam aos padrões
estabelecidos, sendo que para os valores da turbidez este ultrapassa ao limite
apenas na campanha de 05/93.

O ponto de monitoramento JUC2C008 situa-se no rio Jucu braço Sul, a


jusante de Marechal Floriano, no pontilhão de madeira. Entre o ponto de
monitoramento JUC2C005 e este, o rio recebe toda a carga dos esgotos
domésticos desta cidade. De todos os parâmetros analisados foram registrados
altos índices de coliformes fecais, chegando a ultrapassar o limite de 10 a 24
vezes, bem como o fosfato total que mesmo em menores proporções sempre
manteve-se acima dos limites estabelecidos na Resolução Conama Nº20/86.

O ponto de monitoramento JUC2C009, está localizado no Rio Jucu Braço Sul,


na ponte situada na estrada que liga a BR-262 à Usina Hidrelétrica de Jucu.
Com uma distância de aproximadamente 5 Km do ponto anterior. As análises
deste ponto verifica-se ainda altos índices de coliformes fecais, o que
evidencia as altas cargas de efluentes lançadas no manancial. Quantos aos
valores de fosfato total e turbidez, os índices apresentam-se em limites
inferiores em cerca de 90% das coletas.

Existe uma grande variedade de indústrias nesta bacia, porém a maioria não é
potencialmente poluidora, e os resíduos das mesmas são provenientes,
geralmente da lavagem de equipamentos. Estas estão localizadas
principalmente nos municípios de Viana, Vila Velha e Cariacica. No
município de Viana, existem ainda algumas indústrias do gênero alimentício,
de fertilizantes e de ferro (CBF).

No município de Domingos Martins foi identificada uma pequena


concentração de indústrias de aguardente, além de refrigerantes. Ainda a bacia
do Jucu, em sua parte baixa, encontra-se uma fábrica de cerveja.

De uma forma geral, os seis pontos de monitoramento analisados nas três


campanhas, apresentaram valores de IQA na classe considerada boa para
tratamento convencional em água de abastecimento doméstico. Deve-se
salientar que de todos os parâmetros analisados os coliformes fecais e o
fosfato total tem estado sempre acima do limite estabelecido pela Resolução
do Conama, principalmente os pontos de monitoramentos localizados
imediatamente a jusante dos centros urbanos, indicando que o lançamento de
esgotos sem qualquer tratamento prévio tem sido um dos fatores de grande
degradação do manancial.

Na análise dos valores de IQA nos pontos de monitoramento, o Rio Jucu foi
classificado com qualidade da água Boa para uso como abastecimento através
de tratamento convencional, exceto pelo ponto JUC2C008 cujos valores de
IQA revelaram qualidade da água Aceitável para usos de abastecimento
através de tratamento convencional.
Meio biótico –

Cobertura Vegetal - A cobertura vegetal sofreu um intenso desamamento nas


bacia, principalmente nas partes inferiores, estando preservadas em alguns
locais, notadamente nas partes médias e altas. Dessa forma, o processo
erosivo vem se intensificando ao longo do tempo.

Unidades de Conservação Legalmente Definidas

Parque Municipal do Morro da Mantegueira (Vila Velha) – Municipal


Parque Estadual Ilha das Flores (Vila Velha) – Estadual
Área de Preservação Permanente da Lagoa do Cocal (Vila Velha) – Municipal
Parque Ecológico do Jabaeté (Vila Velha) – Estadual
Parque Estadual de Pedra Azul (Domingos Martins) – Estadual
Área de Proteção Permanente Morro da Concha (Vilia Velha) – Municipal
Reserva Biológica Estadual de Jacarenema (Vila Velha) – Municipal
Parque Ecológico Morro do Penedo (Vila Velha) – Municipal
Área de Preservação Permanente da Lagoa Grande (Vila Velha) – Municipal
Morro do Cruzeiro (Guarapari) – Bem Tombado pelo CEC

Fauna Aquática –

Meio antrópico

Perfil Sócio-Econômico - Existe uma grande variedade de indústrias nesta


bacia, porém a maioria não é potencialmente poluidora, e os resíduos das
mesmas são provenientes, geralmente da lavagem de equipamentos. Estas
estão localizadas principalmente nos municípios de Viana, Vila Velha e
Cariacica.

No município de Viana existem ainda algumas indústrias do gênero


alimentício, de fertilizantes e de ferro (CBF). No municípios de Domingos
Martins foi identificada um pequena concentração de indústrias de
refrigerantes.

Outras atividades impactantes na bacia são: extração de areia para construção


civil, sem nenhum planejamento; lançamento de resíduos sólidos domésticos,
industriais e hospitalares nas margens do rio ou imediações com aterros
inadequados; lançamento de efluentes de pocilgas, currais e abatedoras de
aves sem tratamento, etc.
Contexto Político E Institucional De Gestão

Problemas Prioritários
Assoreamento - Áreas críticas

proximidade dos pontos de captação de água da Cesan e Sae`s


nascentes dos rios e córregos
áreas agrícolas às margens dos rios
estuário dos rios e mangue

Aspectos relevantes -

desmatamento nas nascentes


ausência de mata ciliar nas margens dos rios práticas agrícolas inadequadas
diminuição da atividade pesqueira

Deterioração dos recursos hídricos


Áreas críticas –
pontos de captação de água da Cesan e Sae`s
pontos de descarga das redes de esgoto
áreas agrícolas próximo as nascentes dos mananciais
região de estuário e mangue

Aspectos relevantes -
risco de contaminação da qualidade das águas de superfície pelo uso
indiscriminado de agrotóxicos e defensivos agrícolas
poluição devido à disposição inadequada de esgotos sanitários e resíduos
sólidos práticas agrícolas inadequadas
serviços insuficientes de esgotamento sanitário e disposição final de resíduos
sólidos

Índice de cobertura vegetal

Áreas críticas -
todos os municípios da bacia

Aspectos relevantes

ausência de um plano diretor florestal e de uso e ocupação do solo para a bacia


Problemas de médio e longo prazos

Deterioração dos recursos hídricos, devido à evolução da ocupação do solo na


bacia e das atividades agroindustriais

Áreas críticas

áreas agrícolas dos municípios integrantes da bacia e principalmente nos


municípios serranos.
margens de rios e fundos de vale nos municípios de Viana e Cariacica.
região litorânea

Aspectos relevantes –

risco de contaminação da qualidade das águas de superfície pelo uso


indiscriminado de agrotóxicos e defensivos agrícolas.
poluição devido à disposição inadequada de esgotos sanitários e resíduos
sólidos
práticas agrícolas inadequadas
surgimento de conjuntos populares de baixa renda sem serviços de esgoto
satisfatórios
crescimento da ocupação irregular de áreas de mangue e restinga nos
municípios de Cariacica e Vila Velha
crescimento das atividades de turismo nas regiões litorânea e serrana

Conflito entre usuários de água

Áreas críticas
abastecimento público e industrial
agricultura irrigada
aproveitamento hidrelétrico
turismo e recreação

Aspectos relevantes

ausência de gestão do uso das águas


inexistência de plano diretor da bacia
inexistência de instrumentos de outorga da água
LINK
Leia mais: Conheça a geologia das bacias do Jucu e Santa Maria

Os estudos sobre a formação geológica das bacias destes rios foram


divulgados pela Seama. O relatório sobre o tema é detalhado e está sendo
publicado integralmente.

I.5 – Solos

I.6 – Geologia

CARACTERIZAÇÃO GEOLÓGICA DAS BACIAS DOS RIOS JUCU E


SANTA MARIA DA VITÓRIA

Neste ítem, descrevem-se as unidades e as estruturas geológicas identificadas


nas bacias dos rios Jucu e Santa Maria da Vitória.

2.1. UNIDADES GEOLÓGICAS


A geologia das bacias dos rios Santa Maria da Vitória e Jucu está representada
por rochas com idades variando desde o Pré-Cambriano até o Terciário-
Quaternário / Recente, havendo grandes lacunas estratigráficas do Paleozóico
ao Mesozóico.

O Mapa HAB-V2-002/97, em anexo, apresenta o mapa da distribuição


espacial das unidades geológicas identificadas na área de estudo, além de
características estruturais.

Para a elaboração do mapa, foram consultados relatórios técnicos e cartas


geológicas em diversas escalas. Para complementar os dados, foram
analisados os mosaicos de Radar e as imagens do satélite Landsat, TM, canal
4, branco e preto e composição colorida, canais 3, 4 e 5. Esta análise teve
como objetivo dar uma visão regional melhor das macro-estruturas. Por fim,
foi empreendida uma inspeção de reconhecimento no campo, para checagem,
ajuste e refinamento dos dados.

Houve necessidade de incorporação da base geológica da faixa costeira, não


publicada, com a base geológica publicada da CPRM, que representava área
montanhosa das bacias.

3.1.1. Complexo Paraíba do Sul


O Complexo Paraíba do Sul é representado nas bacias por duas unidades:
Gnaisses Aluminosos e Sillimanita - Biotita Gnaisses.

3.1.1.1. Gnaisses Aluminosos (Pps1)


Essa unidade é constituída por uma seqüência de gnaisses aluminosos de alto
grau, informalmente denominados de kinzigitos, com intercalações
subordinadas de rochas calcossilicáticas e raras ocorrências de quartzitos e de
anfibolitos. O termo kinzigito, que corresponde a um grafita - sillimanita-
cordierita - granada - biotita gnaisse, já é amplamente utilizado na literatura
geológica brasileira, e tem sido empregado correntemente.

Diferem-se dos gnaisses portadores de cordierita, granada e biotita pelo fato


de K-feldspato estar ausente no kinzigito, apesar de alguns autores reportarem
esse mineral como um dos essenciais na rocha.
Possuem ampla distribuição na área em estudo. Distribuem-se desde a porção
sul, região de Araguaia, Bom Jesus do Morro de Baixo e Baía Nova, ocupando
o leste e o norte da área nas localidades de Santa Maria de Jetibá, Alto
Possmoser, Barracão, Francisco Correia, Santa Joana e Alto Serra Pelada, indo
até Melgaço e Perobas. As melhores exposições situam-se ao longo da rodovia
BR-262 e da ES-355, entre Santa Leopoldina e Santa Maria de Jetibá.

O contato entre as unidades Pps1 e Pps2 é transicional, a não ser na região do


Araguaia, onde se dá através de zona de Cisalhamento Araguaia
(Transcorrente Dextral), que também serve de limite entre os gnaisses
aluminosos (Pps1) e os ortognaisses tonalíticos (Pγ 1b) e entre Rio Fundo (ao
sul da BR-262 e oeste de Marechal Floriano) e São José do Recreio (na porção
centro norte da área). Com outros corpos de ortognaisse tonalítico (Pγ 1b), o
contato é definido, apesar do corpo entre Holanda e Mangaraí ter contato
aproximado e, entre Santa Maria de Jetibá e Melgaço, se dá através de zona de
cisalhamento contracional de baixo ângulo. Com os ortognaisses graníticos
(Pγ 1c), é transicional, enquanto que com os gnaisses enderbíticos (Pγ gl2), é
sempre aproximado. Com os granitos (Cγ 3), o contato é brusco.

Em afloramentos, observa-se uma rocha muito bandada, de cor cinza-


esverdeada quando fresca, que cede lugar ao marrom escuro quando
intemperizada, localmente magmatizada, com estrutura estromática. Apresenta
granulação predominantemente grossa a média, raras vezes fina, e freqüentes
veios remobilizados, graníticos ou pegmatíticos, que formam lentes e exibem,
não raro, o fenômeno de boudinage e estruturas do tipo pinch and swel.
São tanto concordantes quanto discordantes da foliação do gnaisse aluminoso.
É muito comum junto a esses mobilizados a presença de granada em cristais
bem formados, e de cordierita em aglomerados e/ou em grandes cristais
azulados de aspecto vítreo, às vezes ocorrendo apenas manchas esverdeadas
devido à total pinitização do mineral.

São observadas também abundantes palhetas de grafita dispersas nos


mobilizados menos espessos. Variam em espessura desde subcentimétricos a
decimétricos, predominando os últimos. Nesse contexto, a designação de
metaxitos (no sentido de Mehnert, 1968) é apropriada. O material
melanossomático forma, por sua vez, salbandas com a foliação geral ou ocorre
como inclusões no interior da porção leucossomática.

3.1.1.2. Sillimanita - Biotita Gnaisses (Pps2)


Esta unidade, que ocupa a parte sudoeste da área, compreende uma associação
de sillimanita-biotita gnaisses granatíferos, biotita-hornblenda gnaisses,
anfibolitos, quartzitos e rochas calcossilicáticas. Em uma parte dessa unidade,
não ocorrem os gnaisses a anfibólio, as intercalações de anfibolitos, nem as
lentes de rocha calcossilicática. Assim separou-se uma porção, denominando-a
Pps2qtxt.

Os contatos entre as subunidades são sempre aproximados. Com rochas da


unidade Pps1, são transicionais, a não ser na região de Araguaia, onde uma
zona de cisalhamento transcorrente dextral (denominada de Zona de
Cisalhamento Araguaia) separa as duas unidades. Com as rochas plutônicas,
os contatos são bruscos. No maciço Aracê observa-se que, durante a intrusão
do granito, houve uma ligeira migmatização de borda no gnaisse encaixante
(Pps2).

Na subunidade Pps2, as rochas apresentam-se geralmente bandadas, dobradas,


com alternância de leitos claros e escuros, de espessuras variáveis, sendo estes
sempre mais finos que aqueles. Os níveis máficos compõem-se de biotita e
anfibólio, com algum quartzo e feldspato. Os leitos claros são constituídos por
quartzo e plagioclásio, em quantidades bastantes variáveis. Localmente,
observa-se a presença de granada. A granulação varia de fina a média. Em
alguns afloramentos, foi verificada a ocorrência de rocha calcossilicática cinza
esverdeada intercalada no gnaisse. São rochas constituídas de quartzo,
plagioclásio, hornblenda e diopsídio.

Na subunidade Pps2qtxt, o sillimanita - biotita gnaisse encontra-se sempre


muito dobrado e intemperizado, com coloração avermelhada e aspecto xistoso,
podendo-se, localmente, reconhecer cristais de granada e biotita. Sillimanita,
pela sua abundância, forma verdadeiros leitos, enquanto grafita e cordierita
ocorrem raras vezes. É onde são observadas as mais expressivas exposições de
rocha quartzosa, constituída por grãos sacaroidais de quartzo com contornos
angulosos, achatados e imbricados e, às vezes, pouca muscovita. Transiciona e
está intercalado no sillimanita-biotita gnaisse, apresentando-se como possantes
“bancos” constituídos por quartzo e pouca biotita, com um fraturamento
bastante repetitivo (clivagem) com mergulhos verticais e direções
aproximadamente NS e EW. Ocasionalmente, tem-se a impressão de que se
trata de grandes veios de quartzo e, com base também na composição e
textura, a natureza sedimentar dessas rochas foi posta em dúvida pela equipe
do projeto RADAMBRASIL (Machado Filho et al., 1983).
3.1.2. Instrusivas Sin a Tardi-tangenciais

3.1.2.1 Ortognaisse de Cachoeiro (Pg1a)


Trata-se de uma região aplainada, com escassos afloramentos, cujo modelado
é tido como remanescente do Ciclo Sul Americano de erosão. A unidade
caracteriza-se como um produto da granitização de rochas paraderivadas. Sua
área de ocorrência está parcialmente recoberta por matacões graníticos
similares aos observados nos maciços de Aracê e Castelo.

A rocha é de granulação média a grosseira, bandada, com marcante foliação


gnáissica caracterizada pelas escamas de biotita. Apresenta uma composição
mineral de quartzo, feldspato e biotita. Nota-se desenvolvimento de cristais
maiores de feldspato que crescem ao longo da foliação. Em outros pontos,
surgem cristais de granada, sugerindo íntima associação com os termos
paraderivados. A rocha predominante nesse domínio é classificada como
gnaisse granítico com textura granoblástica bem homogênea.

3.1.2.2. Ortognaisse Tonalítico Tipo Jequitibá (Pg1b)


Trata-se de um litótipo de ampla distribuição na área, dispondo-se em faixas
alongadas geralmente com direção NE a NNE. Constitui corpos bem
definidos, em contato com diferentes tipos litológicos da área pesquisada. Na
região de Jequitibá, o grande corpo que aí aflora estende-se de Soído,
passando por Alto Caramuru, Jequitibá até São Luiz, e apresenta contorno
irregular.
O contato a leste com as rochas da unidade Pps1 se dá através da Zona de
Cisalhamento (Transcorrente Dextral) Araguaia, enquanto a oeste o contato
com os ganisse aluminosos (Pps1) e sillimanita - biotita gnaisses (Pps2) se dá
através de cisalhamento contracional de baixo ângulo. Com as rochas das
unidades Pγ 1c e Pγ gl2, os contatos são transicionais.

Outros corpos desse gnaisse estão em contato brusco com as rochas do


Complexo do Paraíba do Sul (unidades Pps1 e Pps2). As rochas pertencentes a
todos esses corpos apresentam características muito similares. Geralmente,
têm cor cinza-clara a esbranquiçada, às vezes cinza escura, granulação
grosseira, e são compostas de quartzo, feldspato, biotita, pouca granada e,
localmente, anfibólio. Pirita é ocasional e geralmente associada a veio de
quartzo. Localmente, a estrutura torna-se isotrópica. Ocorrem com muita
freqüência veios de quartzo, aplíticos e pegmatíticos, que cortam o conjunto
ou preenchem fraturas. Há locais onde se tem diques de anfibolito cortando o
gnaisse.

Localmente, aparecem zonas de blastese sobre os ortognaisses, onde


megacristais de feldspato potássico com arranjo aleatório e hábito tabular
estão dispersos na rocha.

3.1.2.3. Ortognaisse Granítico Tipo Colatina - Granatífero (Pg1c)


Esse tipo litológico corresponde aos ortognaisses graníticos granatíferos,
caracterizados no presente estudo como produtos de anatexia parcial dos
gnaisses aluminosos (kinzigitos). Sua distribuição vai desde Santa Leopoldina
até Domingos Martins.
Na maior parte das vezes, esse material leucossomático é observado in situ ou
muito próximo do seu local de geração, mas nem sempre ocorre. Nesse caso,
podem formar corpos de espessuras decimétricas a métricas (e até
quilométricas), injetados na forma de sills ou de diques que truncam não
somente as supracrustais (Gnaisses Aluminosos - Pps1), mas também os
ortognaisses, podendo ser encontrados em locais tão distantes das raízes que a
vinculação com os gnaisses aluminosos poderia ser contestada (arteritos).

Onde o material leucossomático migrou do seu sítio de formação, permitindo


a separação do material melanossomático, houve condições de formação de
corpos independentes de leucogranitóides granatíferos (peraluminosos) do tipo
“S” (Chappel & White, 1974).

Está em contato transicional com os gnaisses aluminosos (Pγ 1b) e, na região


de Luxemburgo, com gnaisse tonalítico (Pγ 1b). No domínio desse
ortognaisse granítico granatífero, ocorrem dois corpos de gnaisses
enderbíticos, originados, muito provavelmente, por um processo de
granulitização do próprio gnaisse, observando-se em afloramentos a passagem
de um para outro. São rochas leucocráticas discretamente foliadas, de
granulação grosseira, constituídas de quartzo, feldspatos (geralmente mais
plagiclásio que feldspato potássico), pouca biotita e granada, que ocorre em
cristais bem formados. Estrutura granítica não é rara. Localmente, observa-se
a presença de grafita.

3.1.2.4. Gnaisse Enderbítico Tipo Santa Tereza (Pggl2)


Na área em estudo, essa unidade é constituída de gnaisses enderbíticos e
charnockíticos, além de noritos. Estão intimamente associados aos gnaisses
aluminosos (Pps1), aos ortognaisses granatíferos (Pγ 1c) e aos ortognaisses
tonalíticos (Pγ 1b), constituindo corpos geralmente alongados, concordantes
com a estruturação regional.

Normalmente, o que se observa, principalmente no âmbito dos ortognaisses


tonalíticos (Pγ 1b), é apenas uma mudança na coloração da rocha, que passa
do cinza para o esverdeado, e o aparecimento de hiperstênio. No domínio dos
gnaisses aluminosos, geralmente estão associados às faixas que sofreram
anatexia. Localmente, encontram-se porções de gnaisses aluminosos ainda
preservadas, bem como de ortognaisse tonalítico. Às vezes, o oposto, com
porções de enderbitos circundadas por ortognaisse tonalítico (Pγ 1b) ou
ortognaisse granatífero (Pγ 1c).

Estão delimitados vários corpos desse tipo gnáissico na área em estudo.


Alguns desses corpos foram delimitados mais como zona de predominância,
pois, além do gnaisse enderbítico, ocorrem também ortognaisses tonalíticos e
granatíferos, bem como gnaisses aluminosos.

Esses gnaisses constituem corpos normalmente alongados, com área variando


de 4 a 40 km, concordantes e em contato transicional com os gnaisses
tonalíticos (Pγ 1b) e graníticos (Pγ 1c).

O contato com os gnaisses aluminosos geralmente é aproximado, com os


gnaisses enderbíticos cortando e englobando blocos daqueles. No domínio dos
ortognaisses tonalíticos (Pγ 1b), nota-se, em vários locais, a presença do
gnaisse enderbítico, sempre em pequenas ocorrências semelhantes a manchas
de óleo, onde a tonalidade esverdeada dos tipos hiperstênicos passa
gradativamente ao cinza claro dos ortognaisses, que, próximo ao contato,
tornam-se também ligeiramente esverdeados, com essa tonalidade se
intensificando até a cor característica do tipo enderbítico.

Esses parecem estar bastante associados às zonas do gnaisse aluminoso que


sofreram anatexia, sendo observáveis ainda restos desse processo na forma de
restitos do gnaisse aluminoso dentro do gnaisse enderbítico, ou porções deste
englobadas por aquele, bem como dos ortognaisses granatíferos associados.

Os gnaisses enderbíticos tipo Santa Tereza são cinza-esverdeados a


caramelados, têm granulação grosseira e são constituídos de quartzo,
plagiclásio, biotita, rara granada, às vezes hornblenda e pontuações pretas a
amarronzadas de hiperstênio.

3.1.2. Intrusivas Tardi a Pós – Transcorrentes

3.1.3.1. Maciço Garrafão (Cg3g)


Apresenta-se como um expressivo corpo granítico situado na porção oeste da
área, englobando as serras Tijuco Preto e Garrafão. É limitado pelas
localidades de Cristo Rei, ao sul, Garrafão, a leste, e Sabino, ao norte.

O corpo granítico possui forma irregular, alongada, com cerca 20 km de eixo


maior, alinhado na direção NE-SW, apresentando um estrangulamento na
região de Bom Parto. Ocupa uma área de aproximadamente 120 km2 e está em
contato com diferentes tipos litológicos, como sillimanita-biotita gnaisses
(Pps2), a sudoeste e oeste, ortognaisses tonalíticos (Pγ 1b), a sul e leste, e
gnaisses aluminosos (Pps1), a norte e noroeste.

O contato com esta última litologia é discordante e abrupto, conforme pode


ser visto nos afloramentos das estações, enquanto que, com as outras unidades,
o contato, apesar de definido, encontra-se localmente mascarado devido ao
intemperismo.

O litótipo predominante é um microclina-granito de cor rosa a cinza clara,


granulação variável, geralmente grossa (porfirítica), com foliação incipiente e
estrutura isotrópica. Observa-se um aumento da granulação de sudoeste para
nordeste, do mesmo modo para a relação borda/centro. Nas porções nordeste e
sudoeste, observa-se uma borda tonalítica até gabróica. A textura da rocha
varia de granular hipidiomórfica a xenomórfica e sua composição
mineralógica é de microclina, plagioclásio, quartzo e biotita.

3.1.3.2. Maciço Aracê (Cg3a)


Trata-se de uma associação de rochas graníticas intrusivas, localizadas na
porção sudoeste, constituindo um corpo de contorno ovalado, alongado no
sentido EW. Possui como limites a fazenda Alto do Castelinho, bem como a
localidade de Alto do Redentor, a sul, a fazenda Caixal, a leste, e a BR-262, a
norte. A oeste, o corpo granítico apresenta mais da metade de sua exposição,
onde ocorre o pico da Pedra Azul, considerado como pedra símbolo do Estado
do Espírito Santo.

Ocupa uma área de aproximadamente 33 km2 e encontra-se em contato com


sillimanita - biotita gnaisses (Pps2). Contato observado na BR-262 mostra
uma migmatização de borda no gnaisse. O litótipo predominante é um
microclina granito de coloração cinza clara a discretamente rosa, de
granulação fina a média e estrutura isotrópica (homófana). Nas bordas do
maciço, ocorrem exposições de quartzodiorito, granodiorito e quartzo-sienito,
formando interdigitações com o granito dominante.

3.1.3.3. Granito Rio Ponte (Cgrp)


Trata-se de um pequeno corpo de forma alongada, com cerca de 4,2 km de
comprimento, de direção aproximada NW-SE, que aflora ao sul do povoado
homônimo. Está em contato discordante com gnaisse fino bandado. No
contato nordeste, ocorre também rocha diorítica fina interdigitada com o
granito. É uma rocha acinzentada de granulação média a fina, composta
essencialmente por feldspato, quartzo, biotita e allanita. Apresenta estrutura
maciça.

3.1.3.4. Norito Recreio (Cdnr)


Está situado na porção centro-norte da folha, a leste da cidade de Santa Maria
de Jetibá. Trata-se de um pequeno corpo arredondado, com uma área de cerca
de 3,8 km2, situado no contato entre os Gnaisses Aluminosos (Pps1) e o
Ortognaisse Tonalítico tipo Jequitibá (Pg1b). Na porção oeste, está
interdigitado com o gnaisse tonalítico. Na porção NNE, está em contato
discordante com gnaisse aluminoso, através de uma borda quartzo-diorítica.

Tem coloração cinza-esverdeada, granulação média a grossa, localmente fina,


e é constituído de pouco quartzo, feldspato (com geminação polissintética),
biotita e piroxênio, com composição norítica, mas que localmente passa a
diorítica.
3.1.3.5. Quartzo - Diorito (Cgqd)
Ocorre como pequenos corpos geralmente arredondados, intrusivos,
principalmente nos Gnaisses Aluminosos (Pps1). Os corpos de maior
expressão estão localizados a sudeste, no local denominado Mocambo, e na
porção central, na região de Pena, ao sul de Melgaço e imediatamente a leste
de Alto Possmoser. Geralmente, observam-se apenas blocos arredondados
(matacões) com desplacamento esferoidal.

Apresentam coloração esverdeada a acinzentada, granulação média a grossa,


estrutura isotrópica e são compostos por quartzo, plagioclásio, biotita e
hornblenda. Normalmente, ocorre pirita disseminada.

3.1.3.6. Diques Básicos (Cddb)


Essas rochas ocorrem em forma de diques não mapeáveis que cortam
discordantemente diversas litologias, tais como gnaisses aluminosos,
ortognaisses tonalíticos, gnaisses enderbíticos, ortognaisses granatíferos, etc.
Os contatos são sempre bruscos. São diques estreitos, geralmente com cerca
de 0,20 m de espessura, raras vezes apresentando possança mais expressiva.

Na maior parte da área, trata-se de anfibolitos, mas, em alguns locais, esses


diques apresentam algumas particularidades. São sempre rochas esverdeadas a
acinzentadas, de granulação variando de fina até grossa.

3.1.4. Intrusivas Pós-Transcorrentes (Og4)


Ocorrem como um verdadeiro conjunto de diques, entrecruzando-se
principalmente no quadrante sudoeste da bacia do Jucu. Um deles estende-se
de Domingos Martins até Mocambo, enquanto que outros dois, de direção
aproximada norte-sul, situam-se no canto noroeste, um deles cortando o
Maciço Garrafão.

São diques descontínuos e de espessura reduzida, só localmente ocorrendo


como pequenos corpos arredondados a ovalados, às vezes alongados.

Geralmente são constituídos por um alinhamento de blocos arredondados


ocasionais, que se estendem por até dezenas de quilômetros, produtos de
intemperismo.

Compõem-se de granito cinza claro a esbranquiçado, isotrópico, de granulação


fina a média, com feldspato potássico, quartzo, plagioclásio e biotita. Em
vários desses diques, observa-se a presença de allanita em cristais escuros
circundados por uma auréola esverdeada a avermelhada, conforme o grau de
alteração. Localmente, a composição varia para granodiorítica e até diorítica.

3.1.5. Formação Barreiras (TQ)


O Barreiras Terciário da região litorânea tem suas melhores exposições na
rodovia BR-101, que contorna Vitória, onde se observa que a unidade
apresenta camadas tabulares de areias arcoseanas, conglomerados feldspáticos
e, secundariamente, argilas sílticas.

Em furos de sondagem realizados próximo a Nova Almeida, localidade


próxima e ao norte da bacia do rio Santa Maria, constatou-se que a espessura
desses sedimentos é de cerca de 80 m, aumentando gradativamente em direção
à plataforma continental, podendo atingir 150 m. A unidade basal repousa em
discordância erosiva sobre os gnaisses granitóides do Complexo Paraíba do
sul e apresenta-se recoberta por depósitos de diversas fases de sedimentação,
pertencentes ao Barreiras Pleistocênico.

O Barreiras Superior está separado por discordância erosiva do Barreiras


Terciário e do Complexo Paraíba do Sul. Os sedimentos são extremamente
variáveis. Na região sul do estado, são reconhecidas duas fases de deposição,
sendo que a unidade inferior é representada por sedimentos grosseiros
compostos por areias arcoseanas e cascalhos e, secundariamente, por lentes de
argila. Na unidade superior, os sedimentos são mais variados e formam lentes
ou estreitas camadas de material areno-argiloso ou argilo-arenoso. Raramente,
as duas unidades somam mais de 20 m de espessura.

Na região de Vitória-Cariacica-Nova Almeida, o Barreiras Pleistocênico


apresenta três fases de sedimentação, totalizando até 50 m de espessura,
estando sobreposto por discordância erosiva ao Barreiras Terciário e ao
embasamento cristalino. Duas dessas unidades são bem características. A
unidade inferior é basicamente formada por estratos regulares de areias
arcoseanas, localmente conglomeráticas, e níveis subordinados argilosos. A
unidade superior é formada principalmente de lentes irregulares de material
areno-argiloso ou argilo-arenoso.

Os sedimentos deste grupo distribuem-se sempre próximos ao litoral. Ocorrem


a partir do município do Rio de Janeiro em direção à cidade de Vitória, onde
se prolongam para norte continuamente. As maiores exposições estão sobre a
parte emersa da bacia de Campos, no Estado do Rio de Janeiro.
As análises realizadas nos sedimentos Barreiras levam a concluir que seus
minerais sofreram curto transporte, mais ou menos rápido e por meio de
correntes que foram incapazes de realizar um selecionamento, devido à curta
distância, tipo de relevo e volume de material transportado, e que tal material
teve como origem a decomposição de rochas gnáissicas.

Os teores relativamente elevados de feldspatos (nunca superiores a 40 %), de


minerais pesados instáveis ou moderadamente instáveis, e o predomínio de
montmorilonita nas argilas sugerem que, na área-fonte, o clima era
provavelmente seco (do tipo semi-árido ou semi-úmido).

3.1.6. Coberturas Quaternárias

3.1.6.1. Quaternário Marinho e Fluviomarinho


Os sedimentos litorâneos apresentam-se onde predominam áreas mais planas,
que possibilitaram sua maior continuidade. São formados pela ação das águas
de inundação provocadas pelas variações dos regimes hidrológicos e das
marés, causando sedimentação, ação de abrasão marinha e ação eólica,
constituindo ou reativando dunas.

Os sedimentos são formados basicamente por areias quartzosas, de cores


esbranquiçadas e amareladas, de granulação fina a grosseira, com certo
selecionamento, podendo também ser mal selecionadas. Seus grãos variam de
subangulares a arredondados, sendo encontrados grãos de feldspatos e
minerais máficos, principalmente biotita e, mais raramente, minerais pesados.
Estão reunidas nesta unidade as planícies e terraços marinhos e
fluviomarinhos, dunas, restingas e falésias.
3.1.6.2. Quaternário Aluvionar
Os depósitos aluvionares têm expressão cartográfica bem distribuída na área,
em forma de várzeas alongadas, das quais a maior parte, na região
montanhosa, está sendo utilizada pelos agricultores. São constituídos
essencialmente de sedimentos argilo-arenosos. Um perfil típico mostra a
seguinte distribuição, da base para o topo: cascalho fino a grosso com areia,
areia com seixos, areia fina a grossa, areia argilosa e argilo-arenosa. A matéria
orgânica distribui-se aleatoriamente. Às vezes, são observados níveis bastante
argilosos, de dimensões decimétricas.

3.2. ESTRUTURAS
A área encontra-se inserida na denominada Província Mantiqueira, de Hasui
(1982), cujos limites coincidem com os do Cinturão Ribeira (Almeida et al.,
1973). É considerada como de natureza ensiálica por Cordani & Brito Neves
(1982), com atuação muito forte do Ciclo Brasiliano sobre um embasamento
de idade arqueana a proterozóica inferior, denominado por sua vez de
Cinturão Paraíba do Sul por Cordani et al. (1973), com mesmo trend estrutural
e com idades amplamente indicadas por isócronas Rb/Sr em Rocha Total e
medidas U-Pb em zircões.

Todas essas unidades geotectônicas fariam parte de uma unidade maior, o


Cinturão Móvel Costeiro, de Mascarenhas (1973) e Almeida (1979, 1981), de
idade Jequié (2.700 m.a.), que se estende através do Brasil oriental desde a
Faixa Sergipana, a norte, atingindo o Uruguai, a sul.
Reportando-nos aos trabalhos de cunho geofísico, desenvolvidos por Haralvi
& Hasui (1982) para o Brasil oriental, a área encontra-se inserida no domínio
do Bloco Vitória, dentro da compartimentação regional em blocos proposta
por aqueles autores, com base em anomalias gravimétricas lineares,
indicativas de importantes descontinuidades, com a origem dessa estrutura
relacionada ao Evento Jequié.

Os principais grupamentos litológicos cartografados dentro da área incluem


terrenos granito-gnáissicos com encraves de supracrustais associados, aqui
subdivididos em ortognaisses tonalíticos e paragnaisses bandados, com níveis
de quartzitos, e ainda terrenos de alto grau, representados por gnaisses
aluminosos tipo kinzigítico, com corpos charno-enderbíticos intimamente
associados, todos relacionados a um Cinturão Granulítico Atlântico, de
Leornados Jr. & Fyfe (1974). Corpos de granitos intrusivos ocorrem
principalmente na metade oeste.

Em termos deformacionais, as estruturas regionais mais notáveis observadas


na área são a foliação e bandamento gnáissico de direção geral N-S, de baixo
ângulo, com mergulhos de 10 a 30 graus para leste, resultado de forte
transposição que afetou as estruturas pretéritas de todos os litótipos nela
individualizados, à exceção dos tipos graníticos intrusivos presentes.

A essa deformação estão associadas algumas zonas de cisalhamento


contracional curvilíneas (zona do Galo, rio das Pedras, rio Claro), também de
baixo ângulo, interpretadas aqui como resultado da evolução do próprio
processo de transposição, visíveis nas imagens de radar de forma marcante.
A essa deformação segue-se uma outra representada por dobras com trend, em
geral, segundo N-S, bem visível na base hypsométrica, com estilos variando
desde fechados a até muito abertos, às quais, possivelmente, estariam
relacionadas zonas de cisalhamento do Batatal e represa Suíça de alto ângulo,
de mesma direção. Essas estruturas são também visíveis e bem marcantes nas
imagens de satélite.

A terceira fase de deformação é representada por um dobramento muito


aberto, provavelmente do tipo flexural, de trend E-W, assim considerado face
à sua interferência com a deformação anterior, resultando padrões locais do
tipo domo.

Finalmente, seguem-se fraturas de distensão, algumas preenchidas por rochas


básicas, predominantemente de direção NW-SE (Tijuco, Bom Parto, Volta
Peçanha, Domingos Martins; Viana - Leopoldina, Pedra Preta; e Pedra Azul) e
NE-SW de menor extensão regional (Granja Califórnia, Rio Jequitibá).

Esses sistemas de estruturas regionais são importantíssimos para prospecção


de águas subterrâneas, a exemplo de Domingos Martins.

Fonte: Diagnóstico e Plano Diretor das Bacias dos Rios Santa Maria da
Vitória e Ju

I.7. Geomorfologia

4. GEOMORFOLOGIA DAS BACIAS DOS RIOS SANTA MARIA DA


VITÓRIA E JUCU
4.1. CONSIDERAÇÕES GERAIS
O relevo das bacia dos rios Santa Maria da Vitória e Jucu apresenta uma
variedade de feições geomorfológicas, decorrentes de sucessivas mudanças
climáticas, das características litológicas e estruturais e dos fatores biológicos.

Nas bacias, foram identificadas as seguintes unidades geomorfológicas,


mostradas no Mapa HAB-V2-004/97, em anexo, e apresentadas no Quadro 4.1
abaixo:

QUADRO 4.1
DIVISÃO GEOMORFOLÓGICA DA BACIA DOS
RIOS SANTA MARIA DA VITÓRIA E JUCU

DOMÍNIOS REGIÃO UNIDADE


MORFOESTRUTURAI GEOMORFOLÓGICA GEOMORFOLÓGICA
S

Depósitos Planícies Costeiras Planícies Litorâneas


Sedimentares Tabuleiros Costeiros Tabuleiros Costeiros

Faixas de Colinas e Maciços Colinas e Maciços


Dobramentos Costeiros Costeiros

Remobilizados Mantiqueira Patamares


Setentrional Escalonados do Sul
Capixaba
O mapa geomorfológico é resultante da compilação de dados bibliográficos
disponíveis, bem como da análise dos mosaicos semi-controlados de radar na
escala 1:250.000 e das imagens do satélite Landsat TM, canal 4, preta e branca
e composição colorida dos canais 4, 5 e 6.
As representações no mapa foram feitas seguindo a orientação do Manual
Técnico de Geomorfologia do IBGE (1992) e de Argento (1994).

Como instrumento auxiliar de análise, foi elaborado o Mapa HAB-V2-003/97,


que apresenta a hipsometria das bacias.

4.2. EVOLUÇÃO DO RELEVO


Os ciclos de erosão que sucederam ao ciclo Sul-Americano na região
ocidental do Brasil, após os soerguimentos epirogênicos do Terciário médio e
posteriores, são mascarados pelo entalhamento e abertura de vales, que
destruíram a maior parte do planalto produzido. Localmente, esses ciclos
posteriores atingiram uma fase avançada de aplainamento. O ciclo de erosão
Velhas, que sucedeu o ciclo Sul-Americano e atingiu um dos níveis de base no
Terciário superior, dissecou o planalto anteriormente produzido, criando vales
e formas erosivas.

Mesmo quando atinge o aplainamento, a superfície Velhas freqüentemente


apresenta remanescentes, isolados ou em grupos, que se destacam como
morros testemunhos, tais como a Pedra Azul, Serra do Garrafão e o maciço do
Rio Ponte, situados nas cabeceiras das bacias.

De forma geral, a paisagem é ondulada e pedimentada e a superfície se


apresenta delineada por profundos vales, entalhados no ciclo que sucedeu o de
Velhas: o Paraguaçu. A superfície desenvolvida no ciclo Velhas apresenta
depósitos denominados “Barreiras”, na região costeira, que são considerados
de idade pleistocênica, apesar da ausência de fósseis. Por sua vez, a erosão
cíclica quaternária acha-se representada na área adjacente a esta, destruindo,
em alguns lugares, as formas de relevo anteriormente geradas. Trata-se
essencialmente de um ciclo de vales recentes que margeiam o continente.

Após o entalhamento dos vales no ciclo Paraguaçu, somente pequenas


variações dos níveis da costa e do mar estão marcados no litoral. Destaca-se
ainda o pronunciado afogamento que afetou as extremidades inferiores dos
vales principais, a profundidade de 50 a 80 metros, dando origem, por
exemplo, à Baía de Vitória.

4.3. DOMÍNIOS MORFOESTRUTURAIS


A área abrangida pelas bacias dos rios Santa Maria da Vitória e Jucu comporta
dois domínios morfoestruturais brasileiros: Depósitos Sedimentares e Faixa de
Dobramentos Remobilizados. Estes domínios ou macro estruturas de relevo
subdividem-se em quatro regiões e quatro unidades geomorfológicas. A
influência das estruturas geológicas na evolução geomorfológica foram
ressaltadas principalmente na faixa de Dobramentos Remobilizados.

4.3.1. Domínio dos Depósitos Sedimentares


Neste domínio, foram considerados alguns conjuntos de depósitos com maior
expressão regional que ocorrem ao longo da faixa costeira do Estado do
Espírito Santo. Esses conjuntos sedimentares e coluviais são descontínuos no
litoral. São representados, na área em estudo, por sedimentos continentais do
Grupo Barreiras e por sedimentos de origem marinha, fluvial e fluviomarinha,
acumulados durante o Terciário e o Quaternário.
De acordo com a diversidade de combinações morfoestruturais e
morfoclimáticas, destacam-se duas regiões neste domínio:
• as Planícies Costeiras;

• os Tabuleiros Costeiros.

Essas regiões encerram aspectos fisiográficos que condicionam ambientes


genéticos e modelados de acumulação e de dissecação das unidades que as
compõem, conforme apresentado a seguir.

4.3.1.1. Região das Planícies Costeiras


A Região das Planícies Costeiras é representada na bacia pela Unidade
Geomorfológica Planícies Litorâneas, estendendo-se de forma heterogênea
próximo ao litoral, separada dos Maciços, Colinas e Tabuleiros. Sua
denominação se justifica pelo fato de que suas feições planas estão situadas
próximo à costa. Compreende uma série de ambientes diversificados e
complexos, afetados por oscilações eustáticas e climáticas e pelo controle
tectônico regional, refletindo esses condicionamentos a distribuição espacial.
A Unidade encontra-se bem distribuída nos municípios de Vitória, Serra,
Viana e Vila Velha.

A configuração espacial dessas feições acumulativas demonstra as variações e


tipos de fluxos de energia e massas atuantes, com os processos de solifluxão
gerando as rampas de colúvios e os desmoronamentos de massa. Por outro
lado, as características hidrológicas dos canais influenciam, juntamente com
outros processos, o modelado das feições.
A planície litorânea é constituída, em sua maioria, por materiais acumulativos
do tipo aluvial e coluvial, com larguras e extensões variáveis.

Os depósitos coluviais encontram-se normalmente mais próximos às encostas,


como resultado do transporte de material de alteração, em períodos mais
secos, quando era menos densa a distribuição da cobertura vegetal e ocorria
atuação mais efetiva de chuvas torrenciais sobre o solo. A estes depósitos
seguem-se os de origem marinha, principalmente nas partes topograficamente
mais baixas. Os modelados de origem fluviomarinha estão relacionados ao
retrabalhamento de depósitos de origem marinha, fluvial ou mesmo coluvial
anteriormente localizados nos fundos das enseadas. Os sedimentos marinhos e
fluviomarinhos mais recentes correspondem às praias atuais e às áreas sob
influência das marés. Formam, por exemplo, o substrato dos manguezais, que
chegam a avançar alguns quilômetros nos rios Santa Maria da Vitória e Bubu.

Segundo Ferreira (1989), a sucessão de eventos que culminou na atual


configuração da baía de Vitória se iniciou na penúltima transgressão
(aproximadamente 120.000 anos antes do presente — A.P.), quando houve
uma elevação do nível do mar e o conseqüente afogamento dos vales e os
sedimentos arenosos marinhos depositaram-se aos pés dos sedimentos
Terciários da Formação Barreiras, acabando por originar um terraço arenoso
Pleistoceno, característico no norte da Baía de Vitória.

Posteriormente a esta fase interglacial, houve um novo período glacial


(Glaciação de Würm ou Winconsin), que teve início há cerca de 74.000 A.P. e
apresentou seu ponto crítico no Pleistoceno (entre 18.000 e 13.000 anos A.P.),
quando o nível do mar chegou a atingir 100 m abaixo do atual. Em
conseqüência deste fato, as linhas de costas avançaram plataforma adentro,
criando fontes de areias depositadas na paleoplanície em forma de
paleorestingas e paleodunas.

A partir de 18.000 A.P., houve a última transgressão marinha que ultrapassou


o nível atual do mar por volta dos 7.000 anos A.P. De acordo com Suguio et
alli, citado por Ferreira, os profundos vales entalhados no Pleistoceno foram
progressivamente invadidos por lagunas e as partes frontais intactas dos
terraços foram erodidas formando importantes depósitos de areia sobre a
plataforma continental.

Na bacia do rio Santa Maria da Vitória, a Unidade está muito bem


representada próximo à Baía de Vitória, na desembocadura do rio entre as
cotas altimétricas de 0 a 80 m. Na porção sudoeste do município de Serra, as
Planícies Litorâneas ocupam a grande parte das sub-bacia do Ribeirão Brejo
Grande e Córrego Aruaba. A nordeste do município de Cariacica, próximo à
foz dos rios Duas Bocas e Bubu, a altitude é de 40 m , e os terrenos estão
apenas sujeitos à inundação durante um determinado período do ano.

Na zona entre a bacia do rio Jacarandá e a desembocadura do rio Jucu, a


distribuição das Planícies Litorâneas está entre as cotas 0 e 60 m. Próximo ao
litoral, a Unidade se limita, a norte, pelos bairros da Glória e Santa Mônica.
Na sua porção noroeste, é limitado pelo rio Marinho e, na parte sul, pelos
Tabuleiros Costeiros. Parte considerável de Vila Velha é constituída pela
Unidade de Planícies Litorâneas, que se estende desde o norte deste município
até o sudoeste, adentrando no município de Viana na sub-bacia do rio
Jacarandá.
a. Planícies Litorâneas de Origem Fluviais
Os sedimentos de origem fluvial distribuem-se nas várzeas alongadas,
formadas pela ação das ação das águas de inundação. A declividade é mínima
e os depósitos são constituídos essencialmente de sedimentos do tipo aluvial e
coluvial, cujos materiais são argilosos e argilo-arenosos, onde a matéria
orgânica se distribui de forma aleatória.

As Planícies Litorâneas de origem fluvial concentram-se nos vales mais largos


onde a topografia suave possibilita a acumulação. O vale do rio Jacarandá
possui espessos depósitos de origem fluvial, que se distribuem também ao
longo do rio Jucu, estendendo-se desde a cota 200, aproximadamente, até a
sua foz. Na porção norte, nas bacias dos córregos Fundo e Itaiobaia, no
município de Serra, os materiais ocorrem ao longo do vale, acompanhando
ainda o rio Santa Maria da Vitória, à retaguarda dos sedimentos
fluviomarinhos.

De forma geral, a morfologia das Planícies Fluviais não condiz com os


fenômenos geomorfológicos que atuam no período atual (Holocênico),
sugerindo que foram formadas quando o ritmo de acumulação e a energia dos
cursos era muito diferente. O fundo deposicional plano, substancialmente
alargado, sugere uma oscilação do nível do mar, com uma submersão recente
da costa próximo às desembocaduras dos rios.

b. Planícies Litorâneas de Origem Marinha


Estas planícies são constituídas de material acumulativo oriundo da ação das
marés, atualmente, ou dos movimentos de elevação e rebaixamento do nível
do mar nos períodos de alternâncias das glaciações. Em sua maioria, os
depósitos distribuem-se ao longo do litoral e no fundo da Baía de Vitória.
Aparecem no interior, nas áreas rebaixadas que, outrora, estiveram sob a
influência marinha. Em sua maioria, são sedimentos não consolidados
formados por areias quartzosas.

Nas bacias do rios Jucu e Santa Maria, esta unidade ocorre ao


longo do litoral. Alcançam maiores expressões à retaguarda
das lagoas costeiras da Praia Grande.

c. Planícies Litorâneas de origem fluviomarinha


Predominam nas áreas planas que sofrem a ação das águas marinhas e fluviais,
formadas pela variação dos regimes hidrológicos e das marés, ou seja, são
porções terrestres de topografia rebaixada, permitindo tanto o afogamento pelo
mar, como a ação dos caudais dos rios que cortam a região. Os sedimentos são
compostos em sua maioria por materiais argilo-arenosos e areno-argilosos.
Apresentam solos salino-sódicos e encontram-se quase que totalmente
cobertos pela vegetação de mangue.

Na Baía de Vitória, esta unidade concentra-se próximo à foz do rio Santa


Maria da Vitória e Bubu, e no extremo norte da baía, estendo-se em direção ao
ribeirão Brejo Grande, bem como nas áreas rebaixadas (4 m de altitude) a
oeste e sudoeste da localidade de Carapina. Na bacia do rio Jucu, as planícies
litorâneas de origem fluviomarinha se encontram em pontos isolados da sua
desembocadura.

4.3.1.2. Região dos Tabuleiros Costeiros


A Região dos Tabuleiros Costeiros é representada na bacia pela Unidade
Geormofológica Tabuleiros Costeiros, que estende-se de maneira descontínua,
sendo formada por depósitos argilo-arenosos do Grupo Barreiras e argilitos.

Os Tabuleiros Costeiros são limitados, a oeste, tanto pelas Colinas e Maciços


Costeiros, quanto pelas Planícies Litorâneas; a leste, na sua maior extensão,
entra em contato com o mar. Constituem-se de relevos dissecados de topos
aplainados a convexizados, com aprofundamento dos vales. O litoral norte e
sul das bacias do rio Santa Maria da Vitória e Jucu apresenta Tabuleiros
Costeiros, com altitudes que variam entre 15 e 40 m. Aparecem de maneira
mais contínua nos municípios de Vila Velha e Serra. Geralmente, a área
ocupada por esta Unidade é controlada por um sistema de drenagem com
padrão subdendrítico com canais largos e que formam planícies coluvionadas.

O contato com as Colinas e Maciços Costeiros é feito de maneira gradual, sem


que muitas vezes seja observada a passagem de uma unidade para outra. Isto
se deve a uma acentuação na dissecação dos Tabuleiros Costeiros, que
assumem formas semelhantes às daquela unidade. Esta cobertura sobre
relevos esculpidos em rochas pré-Cambrianas posicionadas à retaguarda dos
Tabuleiros demonstra a extensão destes depósitos em direção ao interior,
ocupando área maior que a atual, e que em parte foram removidos das
encostas e vales, tendo sido preservados apenas nas partes mais elevadas.

Em direção ao litoral, os Tabuleiros Costeiros comumente apresentam-se


marcados por falésias que podem estar ou não em contato com o mar. No
primeiro caso as falésias apresentam perfis intercalados por estratos
ferruginizados correspondendo a variações do nível do lençol freático, em
função de flutuações do nível do mar. Na base desses perfis, encontram-se
níveis areníticos calcificados do tipo beach rock (arrecifes).

Na porção norte, por exemplo, a Unidade ocupa todo o extremo sul do


município de Serra, sendo cortada por pequenos cursos que nascem em cotas
de até 40 m, como os córregos Maringá e Manguinhos, Palado e Carapina.
Áreas contíguas às Planícies Litorâneas se destacam na paisagem por suas
cotas mais elevadas e uma vegetação muito diferente.

Por sua vez, os Tabuleiros Costeiros do sul da área de estudo estão


marcadamente representados por morros e morrotes de topos suaves e
aplainados, como é o caso do Morro da Lagoa, e são cortados pelos rio Chury
e pelo córrego do Congo.

4.3.2. Domínios das Faixas de Dobramentos Remobilizados


As Faixas de Dobramentos Remobilizados caracterizam-se pelas evidências de
movimentos crustais, com marcas de falhas, deslocamentos de blocos e
falhamentos transversos, impondo nítido controle estrutural sobre a
morfologia atual.

Este controle estrutural pode ser evidenciado pelas extensas linhas de falha,
escarpas de grandes dimensões e relevos alinhados, coincidindo com os
dobramentos originais e/ou falhamentos mais recentes, que, por sua vez,
atuaram sobre antigas falhas. Os processos morfoclimáticos que têm
submetido todo o conjunto não obliteraram os traços das estruturas primárias.
O domínio está representado na área em estudo por duas regiões
geomorfológicas, a saber: Colinas e Maciços Costeiros e Mantiqueira
Setentrional.

4.3.2.1. Região das Colinas e Maciços Costeiros


Engloba uma única unidade geomorfológica, que recebeu a mesma
denominação da região. A Unidade Colinas e Maciços Costeiros distribui-se
por uma área de topografia deprimida, com reduzidos valores altimétricos em
relação a outras unidades, refletindo estrutura fraturada e dobrada. A oeste,
está a Unidade Patamares Escalonados do Sul Capixaba e, a leste, estão as
Unidades Planícies Litorâneas e Tabuleiros Costeiros.

Esta Unidade, nas bacias focalizadas, ocorre entre as cotas de 0 a 400 m,


aproximadamente, estendendo-se nos municípios de Vitória, Cariacica, Serra,
Santa Leopoldina, Viana e Vila Velha.

A posição geográfica da Unidade Colinas e Maciços Costeiros determinou,


através da atuação dos controles geológicos, climato-eustáticos e processos
subatuais, os diferentes tipos de modelados de dissecação, compreendendo
colinas côncavo-convexas e um conjunto morfológico mais elevado, integrado
pelas serras e maciços litorâneos.

As colinas englobam fácies de dissecação de densidade de drenagem fina e


média. As fácies que ocorrem nas pequenas áreas nos sopés da escarpa da
serra, separadas pelas Planícies Fluviais, são caracterizadas por colinas
aprofundadas e convexas. Próximo a Vitória, as colinas tornam-se
heterogêneas, refletindo diferentes modelados de dissecação com áreas pouco
expressivas. As colinas de forma convexa e/ou convexo-côncava, separadas
por depressões alvejares colmatadas e planícies aluviais, são semelhantes em
toda a sua continuidade espacial.

As colinas apresentam cobertura coluvial no topo e linha de pedra angulosa


e/ou subarredondada separando aquele material superior da alteração dos
gnaisses. Predominam sedimentos areno-siltosos e/ou areno-argilosos,
observando-se muitas vezes concentrações ferruginosas. Matacões e blocos
ocorrem nas encostas em áreas onde não se registram espessuras significantes
de colúvio.

As linhas de pedra e o colúvio são indicadores do balanço


alteração/desnudação equivalente à pedogênese/morfogênese. O colúvio no
qual se fossilizam os acamamentos de seixos estão relacionados a fluxos de
massas oriundos de encostas dos maciços e serras circundantes. A desnudação
é provocada pelo remanejamento das formações superficiais devido ao
escoamento superficial sob condições climáticas mais secas. Esses colúvios
aparecem em maior espessura nas concavidades das bases das vertentes e
diminuem gradativamente em direção ao topo das colinas. Quanto à cobertura
vegetal, são os campos que dominam na área colinosa, em decorrência das
devastações e queimadas. Somente nas áreas mais elevadas encontram-se
restos da mata.

Em Vitória, a unidade está representada pelo Morro do Alagoano, com 273 m


de altitude, o Morro da Fonte, com 300 m, e o Morro do Quadro, com 290 m.
Todo o centro urbano de Vila Velha está assentado sobre esta Unidade, onde
se destacam os Morros do Pão de Açúcar (235 m) e o Morro do Exército
(295 m). No município de Serra, sobressai-se na paisagem o Morro do Céu e a
Serra Mororon, com 414 e 328 m, respectivamente. Em Santa Leopoldina, os
maciços costeiros são cortados pelos córregos da Poça e São Miguel. Em
Cariacica, estas formações geomorfológicas não alcançam valores altimétricos
muito elevados, variando entre 20 e 200 m. Enfim, em Viana, a única elevação
convexa a se destacar é o Morro Grande, com 295 m de altitude.

São significativos, nesta unidade, os movimentos de massas devido à


existência de espessos mantos de alteração nas vertentes, favorecidos pelos
altos índices pluviométricos e pela ocupação antrópica.

4.3.2.2. Região da Mantiqueira Setentrional


A Região da Mantiqueira Setentrional na área em estudo engloba unicamente
a unidade geomorfológica denominada Patamares Escalonados do Sul
Capixaba.

Os Patamares Escalonados do Sul Capixaba são constituídos por conjuntos de


relevos que funcionam como degraus de acesso aos diferentes níveis
topográficos. Limitam-se, a leste, com as Colinas e Maciços Costeiros.
Distinguiram-se, na área em estudo, dois compartimentos morfológicos
alicerçados sobre gnaisses, kinzigitos, quartzitos e alguns granitóides. Tais
compartimentos compreendem o Patamar Oriental e o Patamar Ocidental.

O Patamar Oriental possui características de um elevado bloco basculado para


leste e está localizado entre o topo deste planalto e as Colinas e Maciços
Costeiros, a leste. É destacado pela presença de sulcos estruturais, orientados
no sentido N-S, aproximadamente, e falhas menores intercruzadas, criando
formações extensas e peculiares, notadamente próximo à borda leste, onde as
encostas são marcadas por falhamentos, evidenciados nos planos de falhas
existentes em quase toda a sua extensão. Os solos são predominantemente
Cambissolos.

A pequena profundidade da alteração, inferior a dois metros, denuncia


também o controle da estrutura na esculturação do relevo, fato atestado ainda
nas formas alongadas e pela presença de grandes blocos angulares nas
encostas. Os pontões rochosos constituem feição notável dos modelados
diferenciais deste setor. O relevo é acidentado, fortemente declivoso,
apresentando muitas vezes afloramentos rochosos, como é o caso das Pedras
do Tirol (690 m), Boqueirão (90 m), Preta (1.044 m) e Martha (630 m).

Na bacia do rio Santa Maria da Vitória, destacam-se algumas elevações com


encostas íngremes, típicas desta unidade, como as Serras da Santa Lúcia (785
m), da Andorinha (810 m), Bragança (640 m), Escalvada (619 m), da
Samambaia (510 m) e do Mestre Álvaro (833 m), todas com cotas
altimétricas acima de 500 m. Na bacia do rio Jucu, grandes formações são
encontradas as Serras do Batatal, cujo ponto culminante tem 885m de altitude,
do Galo (930 m) e Pé de Urubu (615 m).

Os rios são encaixados, geralmente possuindo leitos pedregosos e


encachoeirados. Na bacia do rio Santa Maria da Vitória, destacam-se, em
Santa Leopoldina, os rios Crubixá-Mirim, Crubixá-Açú, dos Pardo, ribeirão
Timbuí e o rios Cachoeira da Fumaça e das Farinhas, com orientação
nitidamente estrutural.
Nesse município, o rio Santa Maria da Vitória corta estas formações
estruturais no sentido ONO-ESE, aproveitando as pequenas falhas,
constituindo o coletor dos longos e estreitos vales que comportam os cursos
fluviais. Os rios do Batatal e Galo são os principais cursos localizados nas
grandes linhas estruturais descontínuas, sem ligações entre si. São visíveis os
sinais de escorregamento de terra e intensos ravinamentos.

O setor correspondente ao Patamar Ocidental tem um aspecto mais uniforme,


com relevos dissecados em formas colinosas ou alongadas com topos
convexos. A existência de ravinamentos é perceptível e associa-se inclusive às
características texturais finas e arenosas dos colúvios que recobrem os relevos,
principalmente na parte sul.
O relevo é menos acidentado que o do Patamar Oriental e as encostas são
longas e uniformes. Na bacia do rio Santa Maria, as Serras do Garrafão e
Tijuco Preto são as únicas grandes elevações dignas de destaque, com 1.462 m
e 1.305 m, respectivamente. É muito comum, em escala ampla, a presença de
vales abertos e colmatados, e o rio Santa Maria da Vitória não foge à regra,
com um vale amplo, cujo curso possui longos trechos de gradientes suaves e
sinuosos. Por sua vez, na bacia do rio Jucu, os maiores acidentes geográficos
são as Serras do Redentor (1.860 m) e da Pedra Azul (1.909 m).

Esta unidade corresponde a quase 40 % das bacias em estudo. Está localizada


na porção Centro-Oeste, distribuindo-se pelos municípios de Santa Maria do
Jetibá, São Domingos e Marechal Floriano.

As várzeas estão representadas nas áreas planas, resultantes da acumulação


fluvial ou de enxurradas, contendo várzeas atuais. Estas nem sempre
possibilitam representação em pequena escala. Os depósitos aluviais
coalescem, através de ressaltos topográficos, com a parte terminal dos planos
inclinados, constituídos de materiais arenosos, de granulometria fina a média,
sendo recobertos periodicamente por uma película de argila resultante das
inundações.

As várzeas são de grande importância econômica, sendo amplamente


utilizadas para olericultura.

Fonte: Diagnóstico e Plano Diretor das Bacias dos Rios Santa Maria da
Vitória e Jucu.