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Metodologia

Científica
Universidade Pedagógica
Maputo 2020
TRABALHO DE CONCLUSÃO DE CURSO – TCC (MONOGRAFIA)
• MONO: único; GRAFIA: estudo
• Objectiva: maior qualificação teórica e metodológica do aluno;

• Documento que representa o resultado de estudo, devendo expressar


conhecimento do assunto escolhido, que deve ser obrigatoriamente emanado da
disciplina, módulo, curso... Deve se feito sob a coordenação de um
ORIENTADOR/SUPERVISOR.

• 1º momento: PROJECTO DE PESQUISA; 2º momento: ARTIGO FINAL – TCC.

OBS: O aluno deve procurar um assunto que atenda às suas condições


intelectuais, predileções de leitura e motivações profissionais
O que é Metodologia Científica ?
Conjunto de técnicas e processos utilizados pela ciência para formular e
resolver problemas de aquisição objectiva do conhecimento de
maneira sistemática.
Etapas da Pesquisa Científica
1) Escolha do tema (área ou campo de estudo);

2) revisão de literatura;
3) formulação do problema;
4) justificativa;
5) determinação de objetivos;
6) metodologia;
7) coleta de dados;
8) tabulação de dados;
9) análise e discussão dos resultados;
10) conclusão da análise dos resultados;
11) redação e apresentação do trabalho científico (monografia).
Identificação do problema
Fase Lógica Pergunta
Hipótese (causalidade) Requer revisão literatura
Objectivo

Metodologia
Resultados Requer revisão literatura
Fase Metodológica Discussão
Conclusão
Recomendações
Fase Lógica

Identificação do problema: Toda pesquisa tem origem num problema e


todo problema exige uma solução.
Pergunta: qual é a causa do problema (causalidade)

Hipótese: resposta provisória, palpite (revisão bibliográfica); clara relação


entre a causa e o efeito.
Objectivo: responder à pergunta ou determinar se a hipótese é V ou F
Os componentes lógicos do método
científico

ou
Como se constrói intelectualmente uma
investigação ou pesquisa
ou
Aprendendo a conhecer
Ver e observar

• São a mesma coisa?


Ver e observar

• Ver é uma percepção natural, casual e passiva


• Observar é “ver percebendo”, “ ver antecipando”, “ver com uma
intenção”
• Observar é ver estabelecendo relações e conexões, a partir de nossa
experiência e do conhecimento que já temos
O que vemos ou observamos pode adquirir
diferentes significados dependendo do contexto
A importância do contexto para o que se vai
ver

• O que vemos ou observamos nós?

• O que vê ou observa um cientista


treinado?
Ver e observar são os primeiros componentes
lógicos da investigação

Ao “observarmos”, a experiência simplesmente sensorial


de se “ver” alguma coisa é transformada

O sentido da observação é dado por nossa experiência e


pelo conhecimento previamente adquirido
O que observamos no mundo que nos rodeia?
Objectos, factos ou situações regulares
(regularidades ou padrões)

Objectos, factos ou situações


irregulares (distorções ou anomalias)

Objectos, factos ou situações neutros


ou aleatórios
Observar nos traz
problemas ou
dúvidas que
exigem uma
revisão das nossas
crenças ou
conhecimentos:
por que as coisas
são assim?
Os problemas que surgem podem se transformar
nos temas ou objectos da investigação ou
pesquisa.

Eles só são problemas por não poderem ser


resolvidos com o conhecimento disponível no
momento
Como definimos nossos temas de
pesquisa?

Nossa curiosidade, nossos interesses individuais


e nossa personalidade

Demandas sociais, causadas por emergências


ou circunstâncias

Modismos
Como aprendemos a respeito de
um tema de pesquisa?

Antes de tudo, OBSERVANDO (ou seja, expandindo


a nossa própria experiência)

Estudando o referencial teórico (estado da arte) já


existente sobre o tema

Com os outros (para “acelerar” o processo)


O que devemos esperar de um tema de
pesquisa?
• Que responda aos interesses de quem investiga ou da
sociedade que o sustenta.

• Que esteja ao alcance da capacidade individual de quem


investiga (compatibilidade com sua “inteligência” ou seu
nível de conhecimento)

• Que já tenha sido objecto do interesse de outras pessoas


(ou não?)
Um bom problema deve ser formulado sob a
forma de uma pergunta

Que respostas esperamos para nossas


perguntas?
Uma viagem “intelectual” pelos costões rochosos
Mais um costão rochoso
Observando de perto
Observando de perto
O costão rochoso se tornou nosso
tema de estudo
• Este tema já é um problema em si?

• Será objectivo da ciência (vista como investigação


controlada) simplesmente descrever os fatos ou situações
observados?

• Qual é a pergunta óbvia que nos fazemos ao observarmos


vários costões rochosos?
Como equacionar esta pergunta?

?  zonação ecológica em costões

 

Variável desconhecida Variável (facto) conhecida


Esta pergunta já expressa uma dúvida, mas
é ainda incompleta

É uma pergunta que a natureza não tem condições de responder, já que


ela mesma não oferece uma resposta, pelo menos de forma explícita ou
evidente.

Precisamos dar uma mãozinha para a natureza!

Nossa dúvida genérica deve ser particularizada


Como delimitar ou demarcar um problema de
investigação científica?

É preciso eliminar a incógnita, estabelecendo uma relação possível


entre duas ou mais variáveis conhecidas.

Isto pode ser feito através de uma pergunta inteligente que já indique
ou sugira os próximos passos da investigação.
Quais são as qualidades exigidas do investigador
neste momento?

Domínio do conhecimento disponível (pela experiência


empírica e/ou pelo saber adquirido)

Imaginação criativa ou capacidade de estabelecer relações


entre fatos e situações (=“inteligência?”)

Acaso (serendipitidade)
Vamos demarcar o problema?

• A zonação ecológica é causada por (pela)


..................................................................?

[preencheremos os pontinhos com explicações possíveis baseada(s)


em nosso conhecimento e criatividade]
Está demarcado o nosso problema de
pesquisa
Nossa pergunta traz em si
uma possível explicação
ou solução provisória

Nossa pergunta é um
modelo de
causalidade para o
problema
Porque demarcar um problema?
Esclarecemos os limites precisos de nossas dúvidas e focamos o
problema com um mínimo de precisão para que o campo de
investigação não se torne muito vago e amplo.

Se não demarcamos um problema, vamos simplesmente empilhar


dados e informações sem uma linha condutora da investigação

É impossível checar se o modelo causal faz sentido sem que o


problema tenha sido demarcado
Hipótese Científica

Com origem no termo latino hypothĕsis, o qual, por sua vez, deriva de
um conceito grego, uma hipótese é a suposição de algo possível ou
impossível para tirar uma consequência.

Segundo o Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora, uma


hipótese de trabalho é toda aquela que se estabelece provisoriamente
como base numa investigação e que pode confirmar ou negar a
validez da mesma.
Hipótese é um conjunto estruturado de argumentos e
explicações que possivelmente justificam dados e informações,
mas, que ainda não foram confirmados por observação ou
experimentação.

É a afirmação positiva, negativa ou condicional


(ainda não testada)
sobre determinado problema ou fenômeno
Tentativa de oferecer uma solução possível mediante
uma proposição, ou seja, uma expressão verbal
suscetível de ser declarada verdadeira ou falsa
(GIL, 2002).

As hipóteses, respostas possíveis e provisórias em


relação às questões de pesquisa tornam -se também
instrumentos importantes como guias na tarefa de
investigação (LAKATOS e MARCONI, 1995).
As hipóteses possuem características como:
Ter enunciado, ser uma sentença declarativa;
Possuir uma relação entre duas ou mais variáveis (parâmetros);
Ser testável, passível de (comprovação), por processos de
observação e/ou experimentação.
UMA HIPÓTESE DEVE SER
Clareza refere-se a como a hipótese foi enunciada, isto é, constituída
por termos que ajudam realmente a entender o que se pretende
Clara afirmar e indiquem de modo compreensível os fenômenos a que se
referem.

Verificável pelos Não deve conter julgamentos morais, embora possa estudar
processos científicos julgamentos de valor.
O enunciado deve ser especificado, dando as características para
Específica identificar o que deve ser observado e incluindo uma referência aos
indícios que serão usados.

Deve indicar uma situação possível de ser admitida, de ser aceita.


Plausível
O enunciado não deve estar em contradição nem com a teoria, nem
Consistente com o conhecimento científico mais amplo; também não deve existir
contradição dentro do próprio enunciado.
Hipótese afirmativa – positiva
“O aquecimento dos microprocessadores é resultante das reduzidas
dimensões dos gabinetes dos microcomputadores”
(O resultado da pesquisa deve comprovar a afirmação)

Hipótese afirmativa – negativa


“Não ocorrem danos elétricos aos sistemas microcontrolados que
possuem aterramento igual a 2 Ohms de resistência”
(O resultado da pesquisa deve comprovar a afirmação)

Hipótese condicional
“Se o sistema não possui proteção contra descargas atmosféricas, o
mesmo pode estar sujeito a danos elétricos”
(O resultado da pesquisa é condicionado aos resultados do
experimento)
Hipótese de Ocorrência?
São hipóteses que não encontram apoio nas evidências experimentais dos
fatos ou fenômenos e nem fundamentação no conjunto das teorias
existentes.

São palpites ou especulações sem evidência científica.

“Acho que provavelmente o espírito deixou o corpo


Aproximadamente 8 minutos após a morte do indivíduo”
Hipótese Empírica?
São hipóteses que têm a seu favor algumas evidências experimentais
preliminares que justificam a escolha das suposições e das correlações
estabelecidas com as teorias e leis existentes.

Estas hipóteses não possuem consistência lógica

“Acho que o regulador automático de tensão foi danificado hoje,


também, por sobretensão, assim como vem acontecendo
periodicamente logo após a incidência de descargas elétricas
atmosféricas na rede de alimentação de baixa tensão”.
Hipótese Plausível?
São hipóteses que se inter-relacionam de forma consistente com as teorias
existentes. São produto da dedução lógica do conhecimento científico aceito.

As proposições plausíveis devem possuir fundamento, no entanto, devem


apresentar características que ainda não podem ser totalmente verificadas.

“Os resultados obtidos em X revelam que possivelmente este facto pode


ocorrer se ainda levadas em conta outros fatores como Z, Y e H”
Hipótese Convalidada?
São hipóteses que se fundamentam em um sistema de teorias, assim
como as plausíveis, e ao mesmo tempo encontram apoio em
evidências experimentais que ocorrem na realidade factual.

Podem ser passíveis de verificação (testagem) oportunizando a análise


de suas consequências, possuindo embasamento em um referencial
teórico, sendo consistentes, coerentes e razoáveis.

“O microprocessador MT455 aquece mais que o MT556, quando é


instalado em um gabinete modelo 4J78CIL, durante um período de
funcionamento de 24 horas contínuas”
Justificativa (por que fazer a pesquisa?)
É uma das partes mais críticas de uma trabalho acadêmico e científico e
representa a razão pela qual você está escrevendo sobre determinado
tópico e sua finalidade é precisamente justificar por que esse tópico é
relevante para ser estudado.

O aluno deve explicitar os motivos de ordem teórica e prática que


justificam a pesquisa. Deve-se responder à pergunta “por que se deseja
fazer a pesquisa?”.

Consiste na apresentação, de forma clara, objectiva e rica em detalhes, das


razões de ordem teórica ou prática que justificam a realização da pesquisa
ou o tema proposto para avaliação inicial.
A justificativa deve indicar:
A relevância científica do problema a ser investigado;
Contribuições para compreensão ou solução do problema que poderá
advir com a realização de tal pesquisa;
O estágio de desenvolvimento dos conhecimentos referentes ao
tema;
A possibilidade de sugerir modificações no âmbito da realidade
proposta pelo tema.
Objectivos
A palavra objectivo deriva do latim objectivus, que vem de objectum e
significa algo colocado à frente dos olhos ou da mente.

Segundo o dicionário Aurélio objectivo significa um fim a atingir, uma


meta de pesquisa, propósito de pesquisa, ou seja, é a finalidade de um
trabalho de pesquisa, que indica o que o pesquisador vai desenvolver.

Os objectivos constituem a finalidade de um trabalho científico, ou


seja, a meta que se pretende atingir com a elaboração da pesquisa.
São eles que indicam o que um pesquisador realmente deseja fazer. Sua
definição clara ajuda em muito na tomada de decisões quanto aos aspectos
metodológicos da pesquisa, afinal, temos que saber o que queremos fazer,
para depois resolvermos como proceder para chegar aos resultados
pretendidos.

Podemos distinguir dois tipos de objetivos em um trabalho científico: os


gerais e os específicos.

O objectivo geral é baseado na questão norteadora da pesquisa e está ligado


a uma visão global e abrangente do tema. É mais amplo, entretanto, deve ser
formulado em uma única frase.

Ele dá a direção que a pesquisa tomará em seu percurso. Para formular o


objetivo geral o pesquisador deve perguntar: Para quê pretendo pesquisar?
Por exemplo, se o objetivo geral de um projeto é o de contribuir para o
estudo de uma dada realidade social, os objetivos específicos deverão
estar orientados para esta meta: descrever a realidade; compará-la com
outras situações similares; sistematizar os pontos determinantes para sua
ocorrência.

Os objectivos específicos são assuntos complementares da questão,


fazendo assim, o desdobramento do objetivo geral.
São mais delimitados, são o caminho a ser percorrido para alcançar o
objectivo geral, ou seja, caracteriza as etapas ou fases de uma pesquisa.

Para os objectivos específicos o pesquisador deve perguntar: O que farei


para desenvolver a pesquisa?
Portanto, os objectivos específicos são o desmembramento do objectivo
geral, facilitando o percurso da pesquisa.

O objectivo específico pode ser:


a) Exploratório – no qual o pesquisador identifica, levanta, descobre,
conhece, busca informações necessárias sobre o tema ou assunto;
b) Descritivos – no qual o pesquisador descreve, caracteriza conceitos;
c) Explicativo – no qual o pesquisador analisa, verifica, avalia, compara,
explica as informações.
Verbos para elaboração dos objectivos

Na elaboração dos objectivos a escolha do verbo é importantíssima,


pois ele vai manifestar a intenção do pesquisador no desenvolvimento
da pesquisa.
É necessário utilizar verbos no infinitivo, que apresente apenas uma
interpretação e que seja de ação, nunca de estado.
Alguns verbos usados na formulação dos objectivos, de acordo com o
processo cognitivo de Bloom e que se pretende trabalhar na realização da
pesquisa:
Exemplos aplicáveis a objetivos:
a) quando a pesquisa tem o objectivo de conhecer:
Apontar, citar, classificar, conhecer, definir, descrever, identificar, reconhecer,
relatar;
b) quando a pesquisa tem o objectivo de compreender:
Compreender, concluir, deduzir, demonstrar, determinar, diferenciar, discutir,
interpretar, localizar, reafirmar;
c) quando a pesquisa tem o objectivo de aplicar:
Desenvolver, empregar, estruturar, operar, organizar, praticar, selecionar,
traçar, otimizar, melhorar;
d) quando a pesquisa tem o objectivo de analisar:
Comparar, criticar, debater, diferenciar, discriminar, examinar, investigar,
provar, ensaiar, medir, testar, monitorar, experimentar;
e) quando a pesquisa tem o objectivo de sintetizar:
Compor, construir, documentar, especificar, esquematizar, formular,
produzir, propor, reunir, sintetizar;

f) quando a pesquisa tem o objeticvo de avaliar:


Argumentar, avaliar, contrastar, decidir, escolher, estimar, julgar, medir,
selecionar.
Definir objectivos de pesquisa é um requisito para desenvolver uma
pesquisa científica. É necessário ser claro, preciso e coerente com o tema
de pesquisa, pois ele apresenta os motivos para o desenvolvimento da
pesquisa.
Os objectivos têm função norteadora no momento da leitura e avaliação da
monografia. Isto porque, um trabalho acadêmico é julgado, em grande
parte, pela capacidade de cumprir os objectivos que se propõem em suas
páginas iniciais.

Então, o alerta é: cuidado na hora de estabelecer os objectivos. Além de


claros, estes têm que ser exequíveis.
Actividades da Próxima Aula

Fase lógica
Identificação do problema
Pergunta
Hipóteses
Objectivos Geral e Específicos
Fase Metodológica

Metodologia: o que se deve fazer para alcançar o objectivo, ou, como obter
informação que vai dar resposta à pergunta

Resultados: sistematização das informações ou dados obtidos

Discussão: interpretar os resultados obtidos e, se possível, compará-los


com os resultados de outros autores.

Conclusão: resposta à pergunta inicialmente formulada ou dizer se a


hipótese é V ou F

Recomendações: conjunto de hipóteses para sugerir soluções aos


problemas encontrados ao longo da pesquisa
Revisão de Literatura/Bibliográfica/
Fundamentação Teórica
Revisão da literatura é o processo de busca, análise e descrição de um
corpo do conhecimento em busca de resposta a uma pergunta
específica.

“Literatura” cobre todo o material relevante que é escrito sobre um


tema: livros, artigos de periódicos, teses e dissertações e outros tipos.

A revisão bibliográfica é a base que sustenta qualquer pesquisa científica.

Para proporcionar o avanço em um campo do conhecimento é preciso


primeiro conhecer o que já foi realizado por outros pesquisadores e
quais são as fronteiras do conhecimento na área.
A revisão bibliográfica é indispensável para a delimitação do problema
em um projecto de pesquisa e para obter uma ideia precisa sobre o
estado atual dos conhecimentos sobre um tema, sobre suas lacunas e
sobre a contribuição da investigação para o desenvolvimento do
conhecimento.

Além de auxiliar na definição dos objectivos da pesquisa científica, a


revisão bibliográfica também contribui nas construções teóricas, nas
comparações e na validação de resultados das monografias.
1. Saiba aonde quer chegar
Antes de começar a revisão bibliográfica, leia os chamados “livros clássicos”
sobre o tema, para descobrir/relembrar os conceitos e as ideias principais
relacionados ao seu trabalho.
Com uma visão geral sobre o tema, e com os pontos principais em mente, é
possível elaborar um roteiro para a revisão bibliográfica, com os itens e subitens
que o texto deverá ter para chegar à sua conclusão.

2. Selecione as fontes de referência


As principais fontes a serem consultadas para a elaboração da revisão
bibliográfica são artigos científicos, livros, teses, dissertações, monografias e
resumos de congressos.
Dê prioridade (nesta ordem) a:
(i) artigos publicados em periódicos internacionais;
(ii) artigos publicados em periódicos nacionais reconhecidos;
(iii) livros;
(iv) teses, dissertações e monografias;
(v) anais de conferências internacionais;
(vi) anais de conferências nacionais.
3. Escreva a revisão bibliográfica de forma clara e objectiva
Evite apresentar a revisão bibliográfica no formato de ficha de leitura (isto é,
o autor “A” disse isso, o autor “B” disse aquilo, o autor “C” disse outra coisa,
etc.).
Encontre os pontos de concordância e divergência entre os autores e conte a
história da pesquisa.

Exemplo:
 Segundo Shingo (1996), a idéia central do Sistema Toyota de Produção
é promover um fluxo harmônico dos materiais entre os postos de
trabalho, produzindo componentes nas quantidades e nos momentos
em que são necessários. Para tanto, a comunicação entre postos de
trabalho deve ser promovida de forma eficiente.
Para Ohno (1994), o Sistema Toyota de Produção pode ser resumido
como “produzir nas quantidades certas e no momento em que as
partes são necessárias”. O autor frisa a importância do fluxo de
informações entre os trabalhadores nas diferentes células ou postos
de trabalho.

Observe como os dois autores estão dizendo essencialmente a mesma


coisa, apesar de manifestarem suas ideias de maneira diferente. O seu
trabalho como pesquisador é compreender qual a ideia central,
identificar os pontos divergentes e pontos em comum entre os autores
e escrever de forma clara e objectiva.
Os parágrafos acima poderiam ser resumidos da seguinte forma:
A ideia central do Sistema Toyota de Produção é promover um fluxo
harmônico de materiais entre os postos de trabalho, produzindo
componentes nas quantidades e nos momentos em que são
necessários. Neste sentido é importante promover um fluxo eficiente
de informações entre trabalhadores nas diferentes células ou postos de
trabalho (SHINGO, 1996; OHNO, 1994).

Vejam como o texto fica mais fácil de ler, contendo as ideias comuns a
ambos os autores expostas de maneira directa, sem repetições. Além
disso, os parágrafos não iniciam com “Segundo Ohno (1994)” ou “Para
Shingo (1996)”, ou “De acordo com Shingo (1996)”, que são formas não
muito elegantes de redação.
4. Organize os trabalhos consultados
Existem várias ferramentas que permitem gerenciar sua coleção de
referências bibliográficas e que podem facilitar seu trabalho.
Essas ferramentas permitem obter os dados das referências diretamente
nas bibliotecas digitais, criam uma base de dados com essas informações,
permitem inserir as citações e referências diretamente nos textos que
estão sendo editados, e também organizam a coleção de textos originais
dos artigos.
Exemplos: JabRef, EndNote e Mendeley.
5. Evite os principais erros
Revisão bibliográfica muito breve (por pressa, falta de tempo,
desinteresse, etc.); obras e autores essenciais não foram incluídos no
trabalho.

Revisão bibliográfica construída em cima de muito poucos autores ou


estudos (normalmente, este erro ocorre em paralelo com o primeiro
erro, acima).

Áreas afins não abordadas na revisão bibliográfica.

Referências incompletas ou erradas, indicando que você na realidade


não conseguiu encontrar um fio condutor nas obras que consultou.
Ausência de uma secção de conclusões que reúna as ideias principais
abordadas no texto.

Má organização do material: revisão bibliográfica com seções muito


curtas (com um ou dois parágrafos, apenas), com repetição de ideias
(o estilo “ficha-de-leitura”), ou sem uma estrutura ou lógica
identificável de apresentação.

Interpretação ou adaptação de ideias de outros autores para que elas


fiquem parecidas ou reforcem as suas.
Identificação do problema
Fase Lógica Pergunta
Hipótese (causalidade) Requer revisão da literatura
Objetivo

Metodologia
Resultados Requer revisão da literatura
Fase Metodológica Discussão
Conclusão
Recomendações
Metodologia (Material e Métodos)
É a explicação dos passos que o pesquisador seguirá para atingir os seus
objectivos.
A Metodologia é o tópico do projecto de pesquisa que abrange maior
número de itens, pois responde às seguintes questões: Como? Com quê?
Onde? Quanto?
Deve descrever clara e completamente todos os procedimentos
experimentais e analíticos;
Deve ser organizado lógica e cronologicamente;
Deve ser redigido em terminologia técnica específica.
Organização dos M&M
As informações do M&M devem permitir:
 Que o leitor entenda o que foi feito;
 Que o outro pesquisador repita os mesmos procedimentos;
 A validação do seu estudo – a comunidade só aceita um estudo que pode ser repetido.

A redação dos M&M deve incluir quatro etapas:


I. Organismo ou região de estudo;
II. Estratégia da pesquisa (delineamento, tratamentos, variáveis medidas);
III. Procedimentos específicos (descrição de medidas de compartimentos, técnicas de
descrição ou análise etc.);
IV. Análise estatística (restrita aos testes efetuados).
Formato: tempo verbal
• Escreva tudo que será feito sempre no futuro (projecto)
• As amostras serão medidas...
• A actividade de protease ácida será determinada através da hidrólise de
hemoglobina bovina (Sigma, St. Louis, EUA) a pH 2.0 pelo método de Anson
(1938)
• Os dados serão submetidos a análise de variância unifatorial (ANOVA) depois
que será testada a homogeneidade das variâncias usando o teste de Levene.

• Escreva tudo que foi feito sempre no passado (monografia)


• As amostras foram medidas...
• A actividade de protease ácida foi determinada através da hidrólise de
hemoglobina bovina (Sigma, St. Louis, EUA) a pH 2.0 pelo método de Anson
(1938)
• Os dados foram submetidos a análise de variância unifatorial (ANOVA) depois
que foi testada a homogeneidade das variâncias usando o teste de Levene.
Formato: descrições de metodologias
Não é necessário descrever metodologias consagradas, mas modificações
efetuadas devem ser explicadas com detalhes.
• Metodologia bem conhecida:
• “Nestas amostras, os radicais de gordura foram extraídos (Bligh et al 1959) para
determinação da quantidade de fósforo e para a cromatografia (Poorthuis 1976).

• Metodologia pouco conhecida (incluir uma breve explicação)


• O osso cortical foi isolado fragmentado segundo os procedimentos relatados por
Marison et al (1980). Este procedimento emprega um fragmentador ósseo.....
Descrição da Análise Estatística
• Informar brevemente os testes estatísticos usados;
• Explique qualquer transformação feita com os dados e o porque do
teste estatístico;
• Consulte um bioestatístico ou estatístico para verificar: o tamanho da
amostra, transformação de variáveis, poder da amostra estudada.
Atenção para não descrever no item “análise estatística” o pacote
computacional estatístico usado, deixando de incluir os testes usados.
E, se usou Anova, não deixe de incluir o teste post hoc utilizado.
Ética
• Mencione a aprovação do comitê de ética em estudo com animais e
seres humanos
• Mencione a forma de aquisição de consentimento em estudos que
envolvam seres humanos.
Importante
Todos os métodos descritos devem ter gerado
algum resultado e todos os resultados que
serão apresentados devem ter sido obtidos por
algum método descrito.
Resultados
(O que foi observado?)
Este item tem uma importância adicional do estudo, além de ser a base
que norteará toda sua discussão.
Os resultados devem ser descritos de maneira objectiva, sem
interpretação, obedecendo uma sequência lógica usando texto, figuras
e/ou tabelas, induzindo o leitor a tirar suas conclusões sobre os
resultados encontrados, manter uma constância na sequência nas
descrições.
Devem ser organizada de tal forma que se destaque as evidencias
necessárias para responder cada questão de pesquisa ou hipótese que
você investigou.
Toda forma de apresentação dos resultados deve ressaltar os aspectos mais
importantes de seus dados, que serão aqueles que você irá fazer referência
e comentar na discussão.

Não há padrão para apresentar resultados.


Por Exemplo: Numa monografia os valores de densidade do solo podem ser
apresentados numa tabela, mas em outra podem ser mostrado em gráfico.

Lembre–se: só apresente cada resultado em uma dessas formas. Nunca


repita dados de tabela no texto ou no gráfico, ou ainda dados da tabela
no gráfico.
Figuras
Compreendem os gráficos, os esquemas, as fotos e os desenhos.
Devem ser simples, sem muita informação para poder ser objetiva,
pontual.

Um mesmo conjunto de resultados pode ser expresso em diferentes


formas de figuras, mas apenas uma deve ser escolhida. E deve–se
escolher a que mais enfatiza os pontos centrais desses resultados.

Os gráficos devem reforçar visualmente o que a estatística mostrou


matematicamente.
Todo sinal colocado num gráfico deve ter uma razão; do contrário, deve
ser eliminado.
Evite colocar siglas que não informam directamente o sentido,
como T1, T2, T3, ou G1, G2, G3, ou A, B, C, ou ainda I, II, III.

Prefira ser mais informativo. Por exemplo, para representar


doses, indique D10, D20 e D40.
Tabelas
Quando o estudo inclui uma série de tratamentos e variáveis, a tabela pode
ser preferível por evitar um gráfico extremamente complexo e poluído.

Para comparar tratamentos, a melhor forma são os gráficos, pois permite


que o leitor rapidamente perceba as diferenças na altura das barras.
Legendas
Incluem informações adicionais (lembre–se, adicionais!) às figuras e
tabelas.
São compostas de um título (primeira frase) e explicações adicionais.
Nesse título, evite repetir as variáveis que estão já apresentadas na tabela
ou na figura.
Nas figuras a legenda deve ser redigida abaixo e nas tabelas acima.

Diga o fenômeno estudado, as variáveis teóricas usadas. Por exemplo:


“Efeito da densidade no estresse hídrico em plantações de tomate”. Na
tabela ou figura aparecerão as densidades usadas e as variáveis usadas
para quantificar a variável teórica “estresse hídrico”.
Texto
Nos trabalhos que possuem os dados apresentados nas formas de
gráficos e/ou tabelas, os textos são geralmente muito curtos.
Não se impressione se ele todo ficar restrito a um curto parágrafo. O
texto não deve repetir valores que estão nos gráficos ou nas tabelas,
nunca!
Além de referências a figuras ou tabelas, o texto pode incluir qualquer
outro resultado importante, mas que seja de menor expressão e,
portanto, apenas descrito.
Ao se referir a uma tabela ou a uma figura, diga ao leitor apenas o que
ele deve olhar com ênfase nessa tabela ou figura.
Exemplo:
The percentage of mortality, median lethal concentrations and the respective
confidence intervals of TAN and NH3-N are presented in Table 1.
Discussão
É um texto argumentativo, onde se demonstram certas conclusões.
Tem como objectivo interpretar os resultados com relação aos achados
encontrados no estudo e explicar o novo entendimento sobre o assunto
com base nos novos resultados.
De certa forma, a seção de discussão estabelecerá uma ligação entre o
que você falou na introdução, com as questões de pesquisa e hipóteses, e
a bibliografai citada. Portanto, essa seção irá mostrar ao leitor como o
estudo se desenvolveu a partir dos questionamentos deixados na
introdução.
Use a voz activa sempre que possível. Cuidado com frases prolixas
(longas, extensas), seja conciso e escreva claramente.
Evite a discussão fofoca (aquela que se limitam a comparar seus
dados com os das literatura).

“O tempo médio de floração foi de 5 dias. Segundo Silva (2003) esse tempo foi de 4
dias, mas Zaccharias (2001) registrou tempo de 7 dias”.
Ou seja, fulano achou X, sicrano Y, beltrano Z e eu achei W.

A Discussão Fofoca pode até ser uma parte da Discussão, mas não sua
essência. Você pode comparar dados para chegar a alguma conclusão.
Pode comparar para demonstrar ao leitor que seus dados são válidos (não
basta usar a técnica apropriada, é necessário mostrar que a usou
adequadamente).
Uma estratégia bastante usada é iniciar a Discussão com um parágrafo
onde você apresenta (sem demonstrar) as principais conclusões do estudo.
Depois disso, começa a validar cada parte de seus achados que, ao final,
conduzirão o leitor a perceber a validade de suas conclusões gerais.

Nesse caminho argumentativo, converse com o leitor através de seu texto.


Argumente com ele, valide suas metodologias, seus dados e análises.
Mostre que sua interpretação está correta.

Na Discussão você deve interpretar os resultados de seu estudo. Mostre ao


leitor que ideias teóricas esses dados corroboram.
Os dados da literatura não devem ser citados apenas porque existem. Eles
aparecem na medida em que você precisa de uma informação que está na
literatura.

Ao apresentar os dados da literatura, evite incluir o autor na frase [ex. Silva


(2006) mostrou que o estresse hídrico esporádico...]. Prefira a forma mais
sintética: “Estresse hídrico esporádico estimula o crescimento de eucalipto
Eucaliptus grandis (Silva, 2006)”.

Sua Discussão deve se limitar a fundamentar as conclusões obtidas a partir


dos seus dados, com suportes da literatura. Muita “achologia” não
funciona.
Evitar juntar Resultados e Discussão. Ao ler o tópico “Resultados e Discussão”
e, posteriormente, separar os “Resultados” da “Discussão”, é muito
frequente que o que reste de Discussão seja algo em torno de 10 a 20% do
item.

Isso geralmente significa que no texto conjunto (Resultado e Discussão)


praticamente não houve discussão. Como está tudo junto, o autor não
percebe essa falta de discussão e acha que o texto está adequado.
Conclusão
Consiste na interpretação dos argumentos ou dos elementos mencionados
no desenvolvimento do trabalho ou seja nada mais é do que o desfecho do
trabalho acadêmico.
A conclusão de um trabalho está intimamente ligada aos objectivos.
Podendo ser apresentada em forma de um texto corrido ou em tópicos,
porém, precisa conter as respostas para cada objectivo específico
previamente proposto.

Visto que serão respondidos na conclusão, é de suma importância que


todos os objectivos estabelecidos tenham sido alcançados.
Características de uma conclusão
‒ Não admite nenhuma ideia, facto ou argumento novo;
‒ Não deve conter abreviações, acrônimos e citações;
‒ Deve ser breve, exata, concisa; ser decorrente da pesquisa; formulada
para responder aos objetivos propostos no trabalho.
‒ Especulações devem ser evitadas a todo custo.

Se o trabalho não for conclusivo recomenda-se colocar Considerações


Finais.
Sugerir recomendações ou futuras pesquisas deve ser considerado
apenas quando oportuno e necessário.
Cronograma
(Em quanto tempo fazer?)
É o plano de distribuição das diferentes etapas de sua execução, em
períodos de tempos verdadeiros.

Serve a diferentes propósitos: permite verificar se o pesquisador tem


conhecimento consistente acerca das diferentes etapas que deverá
percorrer, para executar a pesquisa que planejou, e do período de tempo
que deverá despender, ao fazê-lo.

Serve, também, para organizar e distribuir, racionalmente, em suas


etapas, o tempo disponível para a execução da pesquisa.
Meses
Actividades 1 2 3 4 5 6
Revisão Bibliográfica X X X X X
Realização da pesquisa X X X
Análise e Interpretação de Dados X X
Redação da monografia X X X X X
Submissão da monografia X
Defesa da monografia X
Referências Bibliográficas
As referências formam o conjunto de indicações precisas e minuciosas que
permite a identificação de um documento citado no todo ou em parte
durante o trabalho acadêmico/científico.

Uma referência deve oferecer os elementos fundamentais para a


identificação e localização da obra citada: autoria, título, editora, ano,
título da revista, informar o endereço eletrônico quando disponível.

Todas as referências citadas no texto deverão estar listadas no capítulo de


referências seguindo as normas de acordo com a orientação dada pela
faculdade.

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