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INTRODUÇÃO À FILOSOFIA

3º MÓDULO

PROFº EDIVANDO FERREIRA LARA

DR. ENEY DE ALMEIDA LIMA

Índice

Introdução Geral.......................................................................................................03

Definições dos Filósofos sobre a Filosofia...........................................................04

Concepções de Filosofia.........................................................................................04

Definição da filosofia e metafilosofia.....................................................................05

Tradições filosóficas................................................................................................07

Pensamento mítico e pensamento filosófico........................................................07

Depois dos pré-socráticos......................................................................................07

História da Filosofia.................................................................................................10

Filosofia ocidental....................................................................................................11

Tipo de filosofias......................................................................................................11

Origem da filosofia...................................................................................................12

Período pré-socrático..............................................................................................13

Período socrático.....................................................................................................13

Período sistemático.................................................................................................14

Período helenístico..................................................................................................14

Filosofia medieval....................................................................................................14
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Principais períodos..................................................................................................14

Patrística...................................................................................................................14

Medieval....................................................................................................................15

Renascença...............................................................................................................15

Principais filósofos..................................................................................................15

Filosofia da Renascença..........................................................................................16

Filosofia do século XVII...........................................................................................17

Filosofia do século XVIII..........................................................................................17

Filosofia do século XIX............................................................................................17

Filosofia do século XX.............................................................................................17

Escolas filosóficas...................................................................................................18

Filosofia cristã..........................................................................................................19

Aspectos Históricos da Filosofia cristã.................................................................19

Características da Filosofia Cristã..........................................................................21

Justificação das verdades de fé.............................................................................21

A Sagrada Escritura.................................................................................................21

Filósofos cristãos.....................................................................................................22

Existência de Deus...................................................................................................90

A idéia de Deus.........................................................................................................90

Argumento ontológico.............................................................................................90

As Cinco Vias de São Tomás de Aquino...............................................................90

O Mal no Mundo........................................................................................................92

Imagem e semelhança de Deus..............................................................................93

Argumento da existência do Mundo.......................................................................93

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Argumento da Lei Moral..........................................................................................93

Argumento Psicológico...........................................................................................93

Conhecimento de Deus por analogia.....................................................................94

Argumento da imaterialidade..................................................................................96

Argumento da Evolução Darwiniana......................................................................97

Posição da Ciência...................................................................................................98

Bibliografia..............................................................................................................100

Filosofia

Introdução Geral

Filosofia (do grego Φιλοσοφία: philos - que ama + sophia - sabedoria,


« que ama a sabedoria ») é a investigação crítica e racional dos princípios
fundamentais relacionados ao mundo e ao homem.

Surgiu nos séculos VII-VI a.C. nas cidades gregas situadas na Ásia Menor.
Começa por ser uma interpretação des-sacralizada dos mitos cosmogônicos
difundidos pelas religiões do tempo. Não apenas de mitos gregos, mas dos mitos de
todas as religiões que influenciavam a Ásia menor. Os mitos foram, segundo Platão
e Aristóteles, a matéria inicial de reflexão dos filósofos. Eles tornaram-se num campo
comum da religião e da filosofia, revelando que a pretensa separação entre esses
dois modos do homem interpretar a realidade não é tão nítida como aparentemente
se julga.

Modernamente é a disciplina, ou a área de estudos, que envolve a


investigação, a argumentação, a análise, discussão, formação e reflexão das ideias
sobre o mundo, o Homem e o ser. Originou-se da inquietude gerada pela
curiosidade em compreender e questionar os valores e as interpretações aceitas
sobre a realidade dadas pelo senso comum e pela tradição.

As interpretações comumente aceitas pelo homem constituem inicialmente o


embasamento de todo o conhecimento. Essas interpretações foram adquiridas,
enriquecidas e repassadas de geração em geração. Ocorreram inicialmente através
da observação dos fenômenos naturais e sofreram influência das relações humanas
estabelecidas até a formação da sociedade, isto em conformidade com os padrões
de comportamentos éticos ou morais tidos como aceitáveis em determinada época
por um determinado grupo ou determinada relação humana. A partir da Filosofia
surge a Ciência, pois o Homem reorganiza as inquietações que assolam o campo
das idéias e utiliza-se de experimentos para interagir com a sua própria realidade.
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Assim a partir da inquietação, o homem através de instrumentos e procedimentos


equaciona o campo das hipóteses e exercita a razão. São organizados os padrões
de pensamentos que formulam as diversas teorias agregadas ao conhecimento
humano. Contudo o conhecimento científico por sua própria natureza torna-se
suscetível às descobertas de novas ferramentas ou instrumentos que aprimoraram o
campo da sua observação e manipulação, o que em última análise, implica tanto a
ampliação quanto o questionamento de tais conhecimentos. Neste contexto a
filosofia surge como "a mãe de todas as ciências". Podemos resumir que a filosofia
consiste no estudo das características mais gerais e abstratas do mundo e das
categorias com que pensamos: Mente (pensar), matéria (o que sensibiliza noções
como quente ou frio sobre o realismo), razão (lógica), demonstração e verdade.
Pensamento vem da palavra Epistemologia "Episteme" significa "ter Ciência" "logia"
significa Estudo. Didaticamente, a Filosofia divide-se em:

• Epistemologia ou teoria do conhecimento: trata da natureza crença, da


justificação e do conhecimento.
• Ética: trata do certo e do errado, do bem e do mal.
• Filosofia da Arte ou Estética: trata do belo.
• Lógica: trata da preservação da verdade e dos modos de se evitar a
inferência e raciocínio inválidos.
• Metafísica ou ontologia: trata da realidade, do ser e do nada.

Definições dos Filósofos sobre a Filosofia

Em "Eutidemo" de Platão, é o uso do saber em proveito do homem, o que


implica, 1º, posse de um conhecimento que seja o mais amplo e mais válido
possível, e , 2º , o uso desse conhecimento em benefício do homem.

Para René Descartes, significa o estudo da sabedoria.

Para Thomas Hobbes, é o conhecimento causal e a utilização desse em


benefício do homem.

Para Immanuel Kant, é ciência da relação do conhecimento finalidade


essencial da razão humana, que é a felicidade universal; portanto, a Filosofia
relaciona tudo com a sabedoria, mas através da ciência.

Para John Dewey, é a crítica dos valores, das crenças, das instituições, dos
costumes, das políticas, no que se refere seu alcance sobre os bens ("Experience
and Nature", p. 407).

Para Johann Gottlieb Fichte, é a ciência da ciência em geral.

Para Auguste Comte, é a ciência universal que deve unificar num sistema
coerente os conhecimentos universais fornecidos pelas ciências particulares.

Para Bertrand Russell, a definição de "filosofia" variará segundo a filosofia que


adotada. A filosofia origina-se de uma tentativa obstinada de atingir o conhecimento

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real. Aquilo que passa por conhecimento, na vida comum, padece de três defeitos: é
convencido, incerto e, em si mesmo, contraditório. ("Dúvidas Filosóficas", p. 1)

Concepções de Filosofia

Há três formas de se conceber a Filosofia:

1º) Metafísica: a Filosofia é o único saber possível, as demais ciências são


parte dela. Dominou na Antiguidade e Idade Média. Sua característica principal é a
negação de que qualquer investigação autônoma fora da Filosofia com validade,
produzindo estas um saber imperfeito, provisório. Um conhecimento é filosofico ou
não é conhecimento. Desse modo, o único saber verdadeiro é o filosófico, cabendo
às demais ciências o trabalho braçal de garimpar o material sobre o qual a Filosofia
trabalhará, constituindo não um saber, mas um conjunto de expedientes práticos.
Hegel afirmou: “uma coisa são o processo de origem e os trabalhos preparatórios de
uma ciência e outra coisa é a própria ciência.”

2º) Positivista: o conhecimento cabe às ciências, à Filosofia cabe coordenar


e unificar seus resultados. Bacon atribui à Filosofia o papel de ciência universal e
mãe das outras ciências. Todo o iluminismo participou do conceito de Filosofia como
conhecimento científico.

3º) Crítica: a Filosofia é juízo sobre a ciência e não conhecimento de objetos,


sua tarefa é verificar a validade do saber, determinando seus limites, condições e
possibilidades efetivas. Segundo essa concepção, a Filosofia não aumenta a
quantidade do saber, portanto, não pode ser chamada propriamente de
“conhecimento”.

Definição da filosofia e metafilosofia

A palavra "filosofia" ganha, em dimensões específicas de tempo e espaço,


concepções novas e diferentes tornando difícil sua exata definição. São muitas as
discussões sobre sua definição e seu objeto específico. [1] Definir a filosofia é realizar
uma tarefa metafilosófica. Em outras palavras, é fazer uma filosofia da filosofia. Aqui
se vê que a melhor maneira de se abordar inicialmente a filosofia talvez não seja
definindo-a, pois tal definição já exige alguma filosofia.

Esse problema devia ser visto em toda sua seriedade. Não há como se definir
sem que se tenha alguma compreensão dada de definição, do mesmo modo que
não há como responder adequadamente a uma pergunta, se não partimos de uma
compreensão dada de pergunta e resposta. (Sobre a filosofia do perguntar ver
Martin Heidegger, Ser e tempo, §2.)

Historicamente, a filosofia é conhecida por ser difícil de definir com precisão,


não conseguindo a maioria (se não todas) das definições cobrir tudo aquilo a que se
chama filosofia.

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Há outros modos de se chegar a uma concepção da filosofia, mesmo sem


uma definição.

À falta de uma definição "definitiva", as introduções à filosofia geralmente apostam


em apresentar uma lista de discussões e problemas filosóficos, e uma lista de
questões que não são filosóficas.

Algumas questões filosóficas incluem, por exemplo, "O que é o


conhecimento?", "Será que o homem pode ter livre arbítrio?", "Para que serve a
ciência?" ou, até mesmo, "O que é a filosofia?" (vide metafilosofia). A forma de
responder a estas questões não é, por seu lado, uma forma científica, política ou
religiosa, nem muito menos se trata de uma investigação sobre o que a maioria das
pessoas pensa, ou do senso comum. Envolve, antes, o exame dos conceitos
relevantes, e das suas relações com outros conceitos ou teorias.

O método da listagem de discussões e problemas filosóficos tem sua


limitação: o limite, é o próprio ser. Por si só, ele (o método) não permite que se veja
o que unifica os debates e as discussões. É por isso, talvez, que os filósofos não
costumam apelar a esse método. Ao invés disso apresentam imagens da filosofia.

Imagens da filosofia

Alguns filósofos apresentaram a filosofia através de quadros, ou imagens:

• A principal característica que Aristóteles vê num filósofo é que ele não é um


especialista. O sophós (o sábio, tomado aqui como sinônimo de filósofo), é
um conhecedor de todas as coisas sem possuir uma ciência específica. O seu
olhar derrama-se pelo mundo, sua curiosidade insaciável o faz investigar
tanto os mistérios do kosmos (o universo) como o da physis (a natureza),
como as que dizem respeito ao homem e à sociedade. No fundo, o filósofo é
um desvelador, alguém que afasta o véu daquilo que está a encobrir os
nossos olhos e procura mostrar os objetos na sua forma e posição original,
agindo como alguém que encontra uma estátua jogada no fundo do mar
coberta de musgo e algas, e gradativamente, afastando-as uma a uma, vem a
revelar-nos a sua real forma.

• Para Platão, a primeira atitude do filósofo é admirar-se. A partir da admiração


faz-se a reflexão crítica, o que marca a filosofia como busca da verdade.
Filosofar é dar sentido à experiência.

• Segundo Whitehead, a filosofia ocidental é uma nota de rodapé à obra de


Platão.

• Para Wittgenstein, a filosofia é uma espécie de terapia através da qual o


sujeito, embaralhado pela metafísica, volta a utilizar as palavras no seu
sentido empírico.

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• Para Strawson, a filosofia é um análogo da gramática. Assim como a


gramática de uma língua natural explicita as regras que os falantes seguem
explicitamente, a filosofia explicita os conceitos-chave que seguimos
implicitamente (vide "A Filosofia como Gramática Conceptual" de P.F.
Strawson).

• Para Richard Rorty, no espírito da posição de Whitehead, a filosofia ocidental


é um gênero literário.

Etimologia

A palavra "filosofia" (do grego φιλοσοφία) resulta da união de outras duas


palavras: "philia" (φιλία), que significa "amizade", "amor fraterno" e respeito entre os
iguais e "sophia" (σοφία), que significa "sabedoria", "conhecimento". De "sophia"
decorre a palavra "sophos" (σοφός), que significa "sábio", "instruído".

Filosofia significa, portanto, amizade pela sabedoria, amor e respeito pelo


saber. Assim, o "filósofo" seria aquele que ama e busca a sabedoria, tem amizade
pelo saber, deseja saber.

A tradição atribui ao filósofo Pitágoras de Samos (que viveu no século V antes


de Cristo) a criação da palavra.

Filosofia indica um estado de espírito, o da pessoa que ama, isto é, deseja o


conhecimento, o estima, o procura e o respeita.

Tradições filosóficas

Entre os povos que desenvolveram escritas fonéticas ou ideogramáticas, as


principais tradições filosóficas são a filosofia indiana, a filosofia chinesa e a filosofia
ocidental.

É provável que povos que não desenvolveram tais tipos de escrita também
tivessem algum tipo de tradição filosófica. O antropólogo Eduardo Viveiros de Castro
("Perspectivismo e multinaturalismo na América indígena", capítulo 7 de A
inconstância da alma selvagem, São Paulo, Cosac & Naify, 2002) aponta para o fato
de encontrarmos pontos de vista perspectivistas entre os ameríndios desde a Terra
do Fogo até o Alasca, por exemplo. (Para saber mais sobre o estudo dos
pressupostos do pensamento indígena veja o Projeto AmaZone.)

Pensamento mítico e pensamento filosófico

Histórica e tradicionalmente, a filosofia inicia-se com Tales de Mileto. Ele foi o


primeiro dos filósofos pré-socráticos a buscarem explicações de todas as coisas
através de um princípio ou origem causal (arché) diferentemente do que os mitos
antes mostravam.
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Ao apresentarem explicações fundamentadas em princípios para o


comportamento da natureza, os pré-socráticos chegaram ao que pode ser
considerado uma importante diferença em relação ao pensamento mítico. Nas
explicações míticas, o explicador é tão desconhecido quanto a coisa explicada. Por
exemplo, se a causa de uma doença é a ira divina, explicar a doença pela ira divina
não nos ajuda muito a entender porque há doença.

Depois dos pré-socráticos

Platão é quem inicia esta nova linguagem, a filosofia como a conhecemos, a


busca da essência, a ontologia dos conceitos universais em detrimento do
conhecimento vulgar e sensorial.

Por muito tempo a Filosofia concebia tudo o que era conhecimento, basta ver
a vasta obra de Aristóteles, que abrange desde a física até a ética. Ainda hoje é
difícil definir o objeto exato da filosofia.

Seus objetos próprios são:

• Metafísica: Concerne os estudos daquilo que não é físico (physis), do


conhecimento do ser (ontologia), do que transcende o sensorial e também da
teologia.

• Epistemologia: Estudo do conhecimento, teoriza sobre a própria ciência e de


como seria possível a apreensão deste conhecimento.

• Ética: Para Aristóteles, é parte do conhecimento prático já que nos mostraria


como devemos viver e agir.

• Estética: A busca do belo, sua conceituação e questionamento. O


entendimento da arte.

• Lógica: A busca da verdade, seu questionamento, a razão.

Correntes e Tópicos

• Filosofia Antiga
o Os Pré-Socráticos
o Sócrates e os Sofistas
o Platão e Aristóteles
o Helenismo
 Ceticismo
 Cinismo
 Estoicismo
 Epicurismo
o Neoplatonismo
• Filosofia Medieval e Escolástica
• Renascimento e Humanismo

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• Filosofia Moderna e Filosofia Contemporânea


o Racionalismo
o Empirismo
o Iluminismo
o Liberalismo
o Marxismo
o Positivismo
o Utilitarismo
o Materialismo
o Idealismo
o Niilismo
o Pragmatismo
o Fenomenologia
o Existencialismo
o Estruturalismo
o Teoria Crítica e Escola de Frankfurt
o Pós-estruturalismo
o Pós-modernismo

• Filosofia analítica
• Filosofia continental

• Filosofia da Libertação
• Filosofia da Arte
• Filosofia da Religião
• Antropologia filosófica
• Filosofia Política
• Filosofia da Economia
• Filosofia do Direito
• Filosofia da Educação
• Filosofia da Informação
• Filosofia da História
• Filosofia da Linguagem
• Filosofia da Matemática
• Filosofia da Mente
• Filosofia da Física
• Filosofia da Ciência
• Filosofia cristã

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História da Filosofia

História da filosofia é um ramo da história e da filosofia. Ela é uma disciplina


filosófica à parte, e ocupa bastante espaço no ensino secundário e universitário de
filosofia no Brasil. Enquanto ramo da história, ela se ocupa de documentar e
preservar os debates filosóficos. Enquanto ramo da filosofia, ela se ocupa em
discutir filosoficamente, com os conceitos atuais da filosofia, tendo em vista o
problema do anacronismo e os conceitos filosóficos do passado.

A História da Filosofia é a disciplina que se encarrega de estudar o


pensamento filosófico em seu desenvolvimento diacrônico, ou seja, a sucessão
temporal das idéias filosóficas e de suas relações. Ela é uma parte da ciência
positiva da História, exigindo o mesmo rigor nos métodos, a fim de reconstituir a
seqüência da Filosofia.

Como as idéias influenciam os acontecimentos e vice-versa, é comum que a


História da Filosofia precise recorrer a conhecimentos da História Geral, para
esclarecer seus conteúdos, assim como é costumeiro que esta recorra àquela, para
contribuir na explicação dos determinantes de certos fatos. Dentro da História da
Filosofia, é possível fazer delimitações materiais e formais. No primeiro caso, assim

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como a História da Filosofia é subdivisão da História, pode haver a História da


Lógica, do Empirismo ou do Aristotelismo. No segundo caso, o das delimitações
formais, a divisão que se faz diz respeito ao tempo, caso em que se equipara à
organização empreendida pela História Geral.

Assim, costuma-se estudar a História da Filosofia com a seguinte disposição:


filosofia antiga, filosofia medieval, filosofia moderna e filosofia contemporânea.

A história da filosofia rastreia as várias teorias que buscaram ou buscam


algum tipo de compreensão, conhecimento ou sabedoria sobre questões
fundamentais, como por exemplo a realidade, o conhecimento, o significado, o valor,
o ser e a verdade. O fazer filosófico, como toda construção do conhecimento, requer
acúmulo das contribuições dos pensadores do passado. Sempre que um pensador
se debruça seriamente sobre uma questão filosófica, está, mais ou menos
conscientemente, rendendo tributo a seus antecessores, seja para contrapor-se a
eles, seja para ratificar suas idéias, esclarecê-las e melhorá-las.

Filosofia ocidental

A filosofia ocidental tem uma longa história. Ela costuma ser dividida em
quatro grandes eras:

• Filosofia antiga - Estuda-se, em Filosofia Antiga, o surgimento da Filosofia e


seu desenvolvimento pelos gregos, especialmente, e pelos romanos. Em
geral, ela é repartida, tomando-se Sócrates como referência. Assim, há o
período pré-socrático e o pós-socrático. Corresponde ao período
compreendido entre os séculos VI e V a.C. Suas figuras de destaque são
Platão e Aristóteles, além de outros de quem se sabe menos, como Tales,
Anaximandro, Anaxímenes, Heráclito, Parmênides, Empédocles e Demócrito.
A transição entre esta etapa e a Filosofia Medieval não é muito nítida. Ela se
dá quando o cristianismo ganha status e recorre ao pensamento grego, para
dar fundamento teórico a suas teses. Em termos cronológicos, esse período
coincide aproximadamente com a queda de Roma, no século V.
• Filosofia medieval - A Filosofia Medieval se estende até aproximadamente o
século XV, quando ocorre o que se chama Renascença. Ela está
principalmente subordinada à Igreja Católica, e seus representantes capitais

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são Santo Agostinho e São Tomás de Aquino. É quase totalmente uma


filosofia escolástica. Há ainda alguns filósofos de origem árabe ou judaica,
mas não fazem parte da tradição filosófica ocidental, embora seus trabalhos
tenham sido fundamentais para que o pensamento antigo atingisse nossos
dias.
• Filosofia moderna - O período que compreende a Filosofia Moderna vai do
final da Idade Média até fins do século XIX. Há propostas de que seja dividido
em Filosofia da Renascença e Filosofia Moderna. A primeira é marcada pela
descoberta de obras desconhecidas de Platão e Aristóteles, além de outras
obras do mundo grego, sendo seus principais pensadores Maquiavel,
Montaigne, Erasmo, More, Giordano Bruno etc. Na segunda, predomina “a
idéia de conquista científica e técnica de toda a realidade, a partir da
explicação mecânica e matemática do Universo e da invenção das
máquinas”, nas palavras de Marilena Chaui, e seus representantes mais
destacáveis foram Galileu, Bacon, Descartes, Pascal, Hobbes, Espinosa,
Leibniz, Locke, Berkeley, Newton, Hume e Kant.
• Filosofia contemporânea - Estendendo-se de meados do século XIX até
nossos dias, é o período mais complexo de definir, afinal está em construção,
e não temos o distanciamento afetivo e cronológico para nos ajudar a
entendê-lo.

Tipo de filosofias

• Filosofia Greco-Romana
• Filosofia Medieval
• Filosofia Moderna
• Filosofia Contemporânea
• Filosofia da Ciência
• Filosofia da Mente
• Filosofia da Matemática
• Filosofia da Linguagem
• Filosofia Linguística
• Filosofia Política
• Filosofia da Religião
• Filosofia do Direito
• Filosofia analítica
• Filosofia da Física
• Filosofia da Biologia

Filosofia antiga

Filosofia antiga é o período compreendido entre o surgimento da filosofia e a


queda do Império Romano.

Origem da filosofia

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A filosofia antiga nasceu de uma necessidade em explicar o mundo com explicações


reais, sem buscar explicação no mitológico, no incompreensível; derrubando assim o
mito para introduzir uma nova forma de analisar e compreender o mundo e seus
fenômenos. O primeiro filósofo foi Tales de Mileto. Originalmente, todas as áreas
que hoje denominamos ciências faziam parte da Filosofia: expressão, no mundo
grego, de um conjunto de saber nascido em decorrência de uma atitude. E, de fato,
tanto Platão, no Fédon, quanto Aristóteles, na Metafísica, puseram na atitude
admirativa, no admirar tò thaumázein, e também no páthos ("um tipo de afetação,
que pode ser definido como um estranhamento"), a archê da Filosofia. "No Teeteto,
Sócrates diz a Teodoro que o filósofo tem um páthos, ou seja, uma paixão ou
sensibilidade que lhe é própria: a capacidade de admirar ou de se deixar afetar por
coisas ou acontecimentos que se dão à sua volta" [1]. O thaumázein, assim como o
páthos, têm a ver com "um bom ânimo ou boa disposição (...) que levou certos
indivíduos a deixar ocupações do cotidiano para se dedicar a algo extraordinário, a
produção do saber: uma atividade incomum, em geral pouco lucrativa, e que sequer
os tornava moralmente melhores que os outros" [1].

Na arché da Filosofia também se impôs a busca pela arché do Universo.

Outros filósofos importantes desse período foram Sócrates, Platão e


Aristóteles.

Subdivisões da filosofia antiga

Este período se divide em quatro períodos, que acompanham as alterações de


pensamento da Grécia Antiga, vista no mundo ocidental como berço de sua filosofia.
Eles são:

Período pré-socrático

Inicia-se no fim do século VII a.C., pressupostamente com Tales de Mileto e


vai até ao fim do século V a.C., quando a filosofia se ocupa fundamentalmente com
a essência do mundo e as causas das transformações na natureza. Por isso, este
período é também chamado de período cosmológico, e os filósofos deste período
são também denominados naturalistas.

A filosofia pré-socrática se diferencia das explicações mitológicas, pois busca


explicar os fenômenos naturais com elementos na própria natureza, podendo assim
ser facilmente explicada e facilmente aprendida, pois todas as explicações poderiam
ser entendidas, pois qualquer um podia contemplá-las observando a natureza. Os
pré-socráticos derrubaram os mitos fantasiosos e os permutaram por explicações
plausíveis e prováveis.

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Os filósofos pré-socráticos, portanto, se preocupavam muito com questões


tais como qual seria o princípio (arché) do universo, aquilo a partir do qual tudo o
mais teria sido originado – questão essa que hoje não mais comparece nos debates
filosóficos, constituindo antes trabalho para os físicos.

Os principais filósofos do período pré-socrático foram Tales, Anaximandro,


Anaxímenes, Pitágoras, Parmênides, Heráclito e Demócrito.

Foi durante o período Pré-Socrático que surgiu o primeiro grande conflito da


filosofia, entre as duas maiores correntes filosóficas do momento: Monismo X
Mobilismo, representados respectivamente por ^Parmênides e os Filósofos Eleatas;
e Demócrito, com a escola mobilista.

Entre as contribuições deixadas pelos filósofos naturalistas, destacam-se a


teoria atômica, a matemática pitagórica e o Teorema de Tales.

Período socrático

Sócrates

Inicia no fim do século V a.C., com Sócrates e cobre todo século IV a.C.,
quando a filosofia investiga as questões humanas, isto é, a ética, a política e as
técnicas. Em grego, ântropos quer dizer homem, e por isso este período também é
conhecido como antropológico.

Além do próprio Sócrates, também se destacaram neste período Platão e


Aristóteles.

Os pensamentos desta época estão registrados principalmente nos diálogos


de Platão e no conjunto da obra de Aristóteles (o corpus aristotelicum. Sócrates não
deixou obra escrita. Entre o vasto legado do período, destacam-se o método
socrático (a maiêutica), o mito da caverna, a teoria das formas, a noção da
universidade (surgida da Academia de Platão e do Liceu de Aristóteles), a lógica, a
metafísica, e importantes estudos de ética, política e retórica.

Período sistemático

Inicia no fim do século IV a.C., e vai até ao fim do século III a.C., quando a
filosofia busca reunir e sistematizar tudo quanto foi pensado sobre a cosmologia e a
antropologia, interessando-se sobretudo em mostrar que tudo pode ser objeto do
conhecimento filosófico, desde que as leis do pensamento e de suas demonstrações
estejam firmemente estabelecidas para oferecer os critérios da verdade e da ciência.

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Período helenístico

O período helenístico, ou ainda greco-romano, inicia no fim do século III a.C.


e termina com a queda do Império Romano e início da Idade Média (século VI da era
cristã). Nesse longo período, a filosofia se expande da Grécia para outros centros
como Roma e Alexandria e alcança o pensamento dos primeiros padres da Igreja.
Ocupa-se sobretudo com as questões da ética, do conhecimento humano e das
relações entre o homem e a Natureza e de ambos com Deus.

As principais escolas filosóficas helenísticas são:

• Estoicismo
• Epicurismo
• Ceticismo
• Cinismo

Filosofia medieval

Na Idade Média, ocorreu um intenso sincretismo entre o conhecimento clássico e as


crenças religiosas. De fato, uma das principais preocupações dos filósofos
medievais foi a de fornecer argumentações racionais, espelhadas nas contribuições
dos gregos, para justificar as chamadas verdades reveladas da Igreja Cristã e da
Religião Islâmica, tais como a da existência de Deus, a imortalidade da alma, etc.

Principais períodos

• Patrística (I d.C <--> VII d.C):

É um período que se caracteriza pelo resultado dos esforços dos apóstolos


(João e Paulo) e dos primeiros “lideres da Igreja” para conciliar a nova religião com o
pensamento filosófico mais corrente da época entre os gregos e os romanos. Não
obstante, tomou como tarefa a defesa da fé cristã, frente as diversas críticas
advindas de valores teóricos e morais dos “antigos”. Os nomes mais salientes desse
perído são os de Justino, Tertuliano, Clemente de Alexandria, Orígenes, Gregório de
Nazianzo, Basílio, Gregório de Nissa. "Eles representam a primeira tentativa de
harmonizar determinados princípios da Filosofia grega (particularmente do
Epicurismo, do Estoicismo e do pensamento de Platão) com a doutrina cristã. (...).
Eles não só estavam envolvidos com a tradição cultural helênica como também
conviviam com filósofos estóicos, epicuristas, peripatéticos (sofistas), pitagóricos e
neoplatônicos. E não só conviviam, como também foram educados nesse ambiente
multiforme da Filosofia grega ainda antes de suas conversões" (SPINELLI, Miguel.
Helenização e Recriação de Sentidos. A Filosofia na época da expansão do
Cristianismo – Séculos II, III e IV. Porto Alegre: Edipucrs, 2002, p.5).

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• Medieval (VIII d.C <--> XIV d.C):

Período bastante influenciado pelo pensamento socrático e platônico (conhecido


aqui como neoplatônismo, vindo da filosofia de Plotino). Ocupou-se em discutir e
problematizar “Questões Universais”. É nesse período que o pensamento cristão
firma-se como "Filosofia Cristã", que mais tarde se torna Teologia.

• Renascença (XIV d.C <--> XVI d.C):

É marcada pela descoberta de obras de Platão desconhecidas na Idade


Média e novas obras de Aristóteles, ainda temos a recuperação de trabalhos de
grandes autores e artistas gregos e romanos. São três as linhas de
Pensamento:Neoplatonismo e Hermetismo;Pensamentos florentinos e por fim o
Antropocentrismo iniciático(homem dono do seu destino). Foi um período marcado
por uma efervescência teórica prática, alimentada principalmente por descobertas
marítimas e crises politico-culturais que culminaram em profundas críticas à Igreja
Católica, que evoluíram para Reforma Protestante(a Igreja Católica responde com a
Contra-Reforma e com a Inquisição).

Principais filósofos

• Agostinho de Hipona (354-430)


• Pseudo-Dionísio, o Areopagita(Século V)
• João Escoto Erígena (810-877)
• Anselmo de Cantuária (1034-1109)
• Pedro Abelardo (1079-1142)
• Petrus Lombardus (c. 1105-1160)
• Maimónides (1135-1204)
• Robert Grosseteste (1175-1253)
• Alberto Magno (1193-1280)
• Roger Bacon (1220-1292)
• Tomás de Aquino (1224-1274)
• Ramon Llull (1235-1315)
• Duns Scot (1266-1308)
• William de Ockham (1285-1347)
• Jean Buridan (1300-1358).

Filosofia moderna

Filosofia moderna é toda a filosofia que se desenvolveu durante os séculos


XV, XVI, XVII, XVIII, XIX; começando pelo Renascimento e se estendento até
meados do século XX, mas a filosofa desenvolvida dentro desse período está
fragmentada em vários subtópicos, e escolas de diferentes períodos, tais como:

• Filosofia da Renascença
• Filosofia do século XVII

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• Filosofia do século XVIII


• Filosofia do século XIX

Na modernidade passou-se a delinear melhor os limites do estudo filosófico.


Inicialmente, como atestam os subtítulos de obras tais como as Meditações de René
Descartes e o Tratado de George Berkeley, ainda se fazia referência a questões tais
como a da prova da existência de Deus e da existência e imortalidade da alma. Do
mesmo modo, os filósofos do início da modernidade ainda pareciam conceber suas
teorias filosóficas ou como fornecendo algum tipo de fundamento para uma
determinada concepção científica (caso de Descartes), ou bem como um trabalho de
"faxina” necessário para preparar o terreno para a ciência tomar seu rumo (caso de
John Locke), ou ainda como competindo com determinada conclusão ou método
científico (caso de Berkeley, em The Analyst, no qual ele criticou o cálculo
newtoniano-leibniziano – mais especificamente, à noção de infinitesimal – e de
David Hume com o tratamento matemático do espaço e do tempo). Gradualmente,
contudo, a filosofia moderna foi deixando de se voltar ao objetivo de aumentar o
conhecimento material, i.e., de buscar a descoberta de novas verdades – isso é
assunto para a ciência – bem como de justificar as crenças religiosas racionalmente.
Em obras posteriores, especialmente a de Immanuel Kant, a filosofia claramente
passa a ser encarada antes como uma atividade de clarificação das próprias
condições do conhecimento humano: começava assim a chamada "virada
epistemológica".

Filosofia da Renascença

Filosofia da Renascença é o período da História da Filosofia que na Europa


está entre a Idade média e o Iluminismo. Isso inclui o século XV; alguns estudiosos a
estendem até os princípios do ano de 1350 até os últimos anos do século XVI, ou o
começo do século XVII, sobrepondo as Reformas religiosas e os princípios da idade
moderna. Dentre os elementos distintivos da Filosofia da renascença está a
renovação (renascença significa "renascimento") à civilização clássica e o seu
aprendizado; um parcial retorno de Platão sobre Aristóteles, que havia predominado
sobre a Filosofia Medieval; e dentre alguns filósofos, havia o entusiasmo pelo
ocultismo e o Hermetcismo.

Com todos esses períodos, há um extenso período de datas, razões por


categorização, e limites dos eventos relatados. Em particular, o renascimento,
pricipalmente nos últimos períodos, o seu pensamento que começou na Itália com o
Renascimento Italiano se espalhou por toda a europa. O renascimento Inglês inclui
geralmente em seus pensadores Shakespeare, mesmo no tempo em que a Itália
estava passando pelo maneirismo para o Barroco. Como um movimento importante
do Século XVI ele foi suscetível para várias divisões. Alguns historiadores observam
que as Reformas e as contra-Reformas são marcos do final da renascença e os
mais importantes para a Filosofia, enquanto outros a vêem como um único e extenso
período.

Filosofia do século XVII

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A Filosofia do século XVII é, no ocidente, considerada como a visão do


princípio da filosofia moderna, e o distanciamento do pensamento medieval,
especialmente da Escolástica. Frequentemente é chamada de "idade da razão" e é
considerada a sucessora da renascença e predecessora da Idade do iluminismo.
Alternativamente, ela pode ser vista como uma visão prévia do Iluminismo.

Filosofia do século XVIII

O Iluminismo ou filosofia do século XVIII foi um movimento filosófico do século


XVIII na europa e em alguns países americanos, e nos seus mais distantes períodos
também inclui a Idade da razão.O termo pode se referir simplesmente ao movimento
intelectual do Iluminismo que defendia a razão como base primária da autoridade.
Desenvolvida na França, Grã-Bretanha e Alemanha, o seu círculo de influências
também incluíram a Austria, Itália, os Países Baixos, Polônia, Rússia, Escandinávia,
Espanha e em fato, toda a Europa. Muitos dos Fundadores dos Estados Unidos
foram fortemente influenciados pelas idéias iluministas, principalmente na esfera
religiosa (Deísmo) e, paralelamente com o Liberalismo Clássico, na esfera política
(que teve grande influência na Carta de diretos, em paralele com a Declaração de
direitos do Homem e do Cidadão)

O período do iluminismo geralmente encerra-se entre os anos de 1800, e o


começo das Guerras napoleônicas (1804-1815).

Filosofia do século XIX

No século XVIII, os filósofos do Iluminismo começaram a exercer um efeito


dramático, tendo como ponto de referência o trabalho de filósofos como Immanuel
Kant e Jean-Jacques Rousseau, e isso infuenciou uma nova geração de
pensadores. No final do século XVIII, um movimento conhecido como Romantismo
surgiu para reunir o formalismo racional do passado , com uma grande, maior e
imediata visão emocional do mundo. Idéias chaves que mostraram essa mudança
foram a evolução, como foi proposta por Johann Wolfgang von Goethe, Erasmus
Darwin, e Charles Darwin, que podem agora ser chamada de ordem emergente
como o mercado Livre de Adam Smith. Pressões do Igualitarismo, e as mais rápidas
mudanças culminaram em um períiodo de revolução e turbulência em que poderiam
ser bem visíveis as mudançãs da filosofia.

Filosofia do século XX

A(s) Filosofia(s) do século XX trouxe(ram) uma série de desenvolvimentos


teóricos contrários em relação ao que se refere a validade do conhecimento através
de conceitos e abstrações absolutas i.e. afirmaçõs universais ou leis gerais. As
certezas decorrentes do pensamento clássico foram derrubadas, embora
permaneçam como problemas sociais, econômicos e científicos, juntamente com
formas novas de conflito e reivindicações concernetes à organização geopolítica e
epistêmica do sistema-mundo contemporâneo. O que é a lógica e o que é a ética?

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São perguntas que existem novas perguntas a partir da filosofia do séc. XX


Entretanto, essa filosofia era demasiado diferente para que se possa fixar um
padrão, que não seja uma série de tentativas de reformar, preservar ou alterar os
limites antes concebidos. As formas e caminhos para estes empreendimentos são
diversos e distintos. Contudo, suponhamos que seja essencial uma unidade de
sentido, diríamos que estas filosofias contestam princípios da ciência moderna
(aproximadamente do séc. XVI ao séc. XX) Novos estudos na filosofia da ciência,
Filosofia da matemática, Epistemologia acrescentaram aparentemente tendências
antagônicas na contabilidade da consciência e seus objetos, como expresso nas
profundas diferenças entre filosofia analítica e continental, as quais tiveram lugar em
fundações, no ínicio do século. Os avanços na relatividade, na quântica, na física
nuclear e, nas ciências generativas, como a ciência cognitiva, cibernética, genética e
generativa linguística, e na rica produção literária, artística, como no Cinema e na
Música, foi uma forma enriquecedora de propagar pensamentos filosóficos.

Escolas filosóficas

• Filosofia analítica
• Filosofia continental
• Desconstrução
• Existencialismo
• Marxismo (Praxis School)
• Neo-pragmatismo
• Neo-Confucionismo
• Objectivismo
• Filosofia pós-moderna
• Estruturalismo

A filosofia contemporânea A Filosofia do século XX trouxe uma série de


desenvolvimentos contraditórios em cima da base de conhecimento e a validez de
variações absolutas. Com o pensamento clássico certezas foram derrubadas, e
problemas sociais, econômicos, científicos, formas novas do que é a lógica e a ética,
a filosofia do século 20 era diferentemente fixa para uma série de tentativas de
reformar, preservar, alterar os limites antes concebidos.

Principais filósofos

• Jean-Paul Sartre, (1905-1980) • Jean-François Lyotard, (1924-


• Jean Baudrillard, (1929-2007) 1998)
• Albert Camus, (1913-1960) • Donald Davidson, (1917-2003)
• Richard Taylor, (1919-2003)

Filosofia cristã

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A Filosofia cristã é o conjunto de ideias filosóficas iniciadas pelos seguidores


de Jesus Cristo do século II aos dias de hoje. Esta filosofia surgiu com o intuito de
distinguir ciência e fé, partindo de explicações racionais naturais tendo o auxílio da
revelação cristã. Vários pensadores acreditavam que havia uma relação harmoniosa
entre a ciência e a fé, outros afirmavam que havia contradição e outros tentavam
diferençá-las. Esta mesma discussão era questionada no campo da filosofia e da fé.
Diversos filósofos relacionavam o pensamento grego com o pensamento cristão.

Há estudiosos que questionam a existência de uma filosofia cristã


propriamente dita. Esses afirmam que não há originalidade no pensamento cristão e
seus conceitos e ideias são herdadas da filosofia grega. Sendo assim, a filosofia
cristã seria resguardadora do pensamento filosófico, que já estaria definitivamente
elaborado pela filosofia grega, e defensora da fé. No entanto, Boehner e Gilson
afirmam que a filosofia cristã não é simples repetição da filosofia antiga, embora que
devam à ciência grega os conhecimentos elaborados por Platão, Aristóteles e os
Neo-platônicos. Chegam a afirmar que na filosofia cristã a cultura grega sobrevive
em forma orgânica.[1] Os mestres gregos eram assim os pedagogos dos pensadores
cristãos. A filosofia cristã não é um conjunto de escolas inúteis, pois tais
preconceitos constituem radicalismos que desejam destruir o pensamento da
tradição e reconstruir um edifício totalmente novo, negando o que se construiu no
passado.

Aspectos Históricos da Filosofia cristã

A Filosofia cristã inicia-se por volta do século II. Ela surge através do
movimento da comunidade cristã chamada Patrística, que tinha como principal
objetivo a defesa da fé. É provável que a Patrística tenha finalizado por volta do
século VIII. Do século XI em diante a filosofia cristã manifestou-se através da
Escolástica. Este é o período da filosofia medieval ou da Idade Medieval que
estendeu-se até o século XV, como assinala T. Adão Lara. A partir do século XVI a
filosofia cristã, com suas teorias, passa a conviver com teorias científicas e
filosóficas independentes.

O desenvolvimento das ideias cristãs representa uma ruptura em relação a


filosofia dos gregos, tendo em vista que o ponto de partida da filosofia cristã é a
mensagem religiosa cristã. A actividade missionária dos apóstolos, seguidores de
Jesus Cristo, contribuiu para a difusão da mensagem cristã, mesmo que no seu
início o cristianismo tenha sido alvo de perseguições.

A partir do império de Constantino I, o Grande o cristianismo torna-se


oficialmente reconhecido. Este é momento histórico inicial da História Ocidental
propriamente dita. A justiça romana, a cultura grega e o cristianismo ascendente
imbricados, pode-se dizer até com alguns objectivos éticos comuns, estabelecem
novos rumos para o pensamento cristão.

A estrutura da obra de T. Adão Lara nos indica uma importante divisão dos
aspectos da filosofia cristã na Idade Média:

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"I. A filosofia medieval, em gestação: a Patrística (séc. II-VII).


II. A filosofia medieval, no período da constituição e de maior riqueza
conceitual: a Escolástica (séc. IX-XIII).
III. A filosofia medieval em processo de mutação e superação: os Pré-
modernos (séc. XIV-XV)."[2]

Esta estrutura de Lara mostra a caracterização histórico-temática clara e sem


preconceitos, o que efectivamente demonstra os aspectos históricos da filosofia
cristã na era medieval.

Características da Filosofia Cristã

Demonstração natural

Suas proposições necessitam ser demonstradas de forma natural e utiliza-se de


reflexões condicionadas pela experiência - com o uso da razão. O ponto de partida
filosófica da filosofia cristã é a lógica, não excluindo as doutrinas teológicas cristãs.[3]
Embora haja relação entre as doutrinas teológicas e a reflexão filosófica na filosofia
cristã, as reflexões desta possui caracterização estritamente racional.

Justificação das verdades de fé

Não deve haver contrariedade entre a filosofia cristã e as verdades de fé. Em


seus argumentos e proposições a filosofia cristã procurar aperfeiçoar-se, embora
não gozando de total infalibilidade. Não há aberta oposição à doutrina da igreja, pois
a filosofia que assim o fizer não pode ser chamada de filosofia cristã, mas filosofia. A
verdade revelada é benéfica porque evita erros em questões essenciais.

Fundamentalmente o ideal filosófico cristão é tornar evidente racionalmente,


através da razão natural, as convicções religiosas. A atitude do filósofo cristão é
determinada pela fé em questões referentes à cosmologia e o quotidiano. Diferente
do filósofo, o filósofo cristão busca condições para a identificação da verdade eterna,
sendo caracterizado pela religiosidade [4]

Há críticas à essa filosofia pelo fato da religião cristã ser hegemônica desta
época e centralizar a elaboração de todos os valores. Questiona-se a coesistência
de filosofia e religião, pois a filosofia em si é crítica e a religião fundada na revelação
e dogmas estabelecidos. Lara acredita que houve questionamento e escritos com
características filosóficas no Medievo, embora tendo predominância da religião e da
Teologia.[5] Desta forma era estabelecido pelos dogmas, em alguns aspectos, não
impediram que houvesse construções filosóficas significativas.

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A tradição

A filosofia cristã desenvolveu-se a partir de filosofias predecessoras. Justino


fundamenta-se na filosofia grega, a escolástica em Agostinho e na Patrística. Está
na tradição do pensamento filosófico cristão o Judaísmo, de quem foi herdado o
Antigo Testamento e mais fundamentalmente a mensagem do Evangelho, que
constitui o centro da mensagem defendida pelo cristianismo.

A concepção cristã européia em seu início, a Patrísitica, recebe influência


tanto dos Judeus quanto dos Árabes. Esta Europa Cristã não permaneceu
enclausurada em si mesma, mas sofreu fortes influências de outras culturas.[6]

Elucidação da fé

Clarificar a fé é um dos principais problemas investigados pela filosofia cristã.

Os problemas de base são: Imortalidade da alma, liberdade; Os problemas


imprescindíveis: questões lógicas e epistemológicas e divisão das ciências; Os não-
essenciais: a filosofia da natureza.[7]

Visão sistematizadora

Existe a tentativa de sistematizar de forma ampla e total os problemas da


realidade num todo harmónico. Há carência de espírito criativo, o que é compensado
com a visão de conjunto. A própria revelação proporciona ao cristão uma visão
geral.

A Sagrada Escritura

O cristianismo surge como religião fundamentada em fatos históricos que


envolvem Jesus de Nazaré e um pequeno grupo de galileus. Coube a estes o
anúncio do aparecimento do Messias esperado pelos profetas do antigo testamento.

A filosofia procura interpretar racionalmente os fenómenos do mundo. Como


religião, houve necessidade do cristianismo defrontar-se com a filosofia helénica por
causa da posição religiosa dos gregos. As especulações gregas são questionadas
tanto como fundamento da verdade absoluta dada pela revelação e a cura pela fé e
pela graça.

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Filósofos cristãos

Justino, também conhecido como Justino Mártir (100 - 165 d.C.) foi um
teólogo do século II.

Biografia

Seu lugar de nascimento foi Flávia Neápolis, na Síria-Palestina, ou Samaria. A


educação infantil de Justino incluiu retórica, poesia e história. Como jovem adulto
mostrou interesse por filosofia e estudou primeiro estoicismo e platonismo.

Justino foi introduzido na fé diretamente por um velho homem que o envolveu


numa discussão sobre problemas filosóficos e então lhe falou sobre Jesus. Ele falou
a Justino sobre os profetas que vieram antes dos filósofos, ele disse, e que falou
"como confiável testemunha da verdade". Eles profetizaram a vinda de Cristo e suas
profecias se cumpriram em Jesus. Justino disse depois que "meu espírito foi
imediatamente posto no fogo e uma afeição pelos profetas e para aqueles que são
amigos de Cristo, tomaram conta de mim; enquanto ponderava nestas palavras,
descobri que a sua era a única filosofia segura e útil". Justino "se consagrou
totalmente a expansão e defesa da religião cristã."

Justino continuou usando a capa que o identificava como filósofo e ensinou


estudantes em Éfeso e depois em Roma. Os trabalhos que escreveu inclui: 2
apologias em defesa dos cristãos e sua terceira obra foi Diálogo com Trifão.[1]

A convicção de Justino da verdade do Cristo era tão completa que ele teve
morte de mártir sendo decapitado no ano 165 d.C..

Participação das criaturas racionais no Logos

O ponto central da apologética de Justino consiste em demonstrar que Jesus Cristo


é o Logos do qual todos os filósofos falaram, e, portanto, a medida que participam
do Logos chegando a expressar uma verdade parcial - vendo a verdade de modo
obscuro - graças à semente do Logos que neles foi depositada podem dizer-se
cristãos. Mas uma coisa é possuir uma semente e outra é o próprio Logos:

“Aprendemos que Cristo é o primogênito de Deus e que é o Logos, do qual


participa todo o gênero humano” (Justino - Apol. Prima, 46).

“Consequentemente, aqueles que viveram antes de Cristo, mas não segundo


o Logos, foram maus, inimigos de Cristo (...) ao contrário aqueles que viveram e
vivem conforme o Logos são cristãos, e não estão sujeitos a medos e perturbações”
(Justino – I Apologia).

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Toda pessoa, criada como ser racional, participa do Logos, que leva desde a
gestação e pode, portanto perceber a luz da verdade.

Justino, convencido de que a filosofia grega tende para Cristo, "acredita que
os cristãos podem servir-se dela com confiança" e em conjunto, a figura e a obra do
apologista "assinalam a decidida opção da Igreja antiga em favor da filosofia, em vez
de ser a favor da religião dos pagãos", com a qual os primeiros cristãos "rechaçaram
com força qualquer compromisso".

Justino, em particular, notadamente em sua primeira Apologia, conduziu uma


crítica implacável com relação à religião pagã e a seus mitos, que ele considerava
como «caminhos falsos» diabólicos no caminho da verdade.

Assim, Justino, e com ele os outros apologistas, marcaram a tomada de


posição nítida da fé cristã pelo Deus dos filósofos contra os falsos deuses da religião
pagã. Era a escolha pela verdade do ser, contra o mito do costume.

Pensamento teológico

Sobre o batismo

“Vamos expor de que modo, renovados por Cristo, nos consagramos a Deus.
Todos os que estiverem convencidos e acreditarem no que nós ensinamos e
proclamamos, e prometerem viver de acordo com essas verdades, exortamo-los a
pedir a Deus o perdão dos pecados, com orações e jejuns; e também nós rezaremos
e jejuaremos unidos a eles. Em seguida, levamo-los ao lugar onde se encontra
água; ali renascem do mesmo modo que nós também renascemos: recebem o
batismo da água em nome do Senhor Deus Criador de todas as coisas, de nosso
Salvador Jesus Cristo e do Espírito Santo. Com efeito, foi o próprio Jesus Cristo que
afirmou: Se não renascerdes, não entrareis no reino dos céus (cf. Jô 3,3.5). É
evidente que não se trata, uma vez nascidos, de entrar novamente no seio materno”.
(Justino – I Apologia Cap. 61 : PG 6,419 - 422)

"Os que são batizados por nós são levados para um lugar onde haja água e
são regenerados da mesma forma como nós o fomos. É em nome do Pai de todos e
Senhor Deus, e de Nosso Senhor Jesus Cristo, e do Espírito Santo que recebem a
loção na água. Este rito foi-nos entregue pelos apóstolos" (Justino, ano 151 d.C., I
Apologia 61).

O culto perpétuo dos cristãos

“Os apóstolos em suas memórias que chamamos evangelhos, nos


transmitiram a recomendação que Jesus lhes fizera. Tendo ele tomado o pão e dado
graças, disse: Fazei isto em memória de Mim. Isto é o Meu Corpo [Lc 22,19 ; Mc
14,22]; e tomando igualmente o cálice e dando graças, disse: Este é o Meu Sangue
[Mc 14,24], e os deu somente a eles. Desde então, nunca mais deixamos de
recordar estas coisas entre nós” (Justino – I Apologia Cap. 66-67 : PG 6,427 - 431).

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O Dia do culto dos cristãos

Justino afirma que os cristãos guardavam como dia sagrado a Deus o


Domingo, pois foi neste dia que Jesus Cristo ressuscitou dos mortos:

“Reunimo-nos todos no dia do Sol, não só porque foi o primeiro dia em que
Deus, transformando as trevas e a matéria, criou o mundo, mas também porque
neste mesmo dia Jesus Cristo, nosso Salvador, ressuscitou dos mortos.
Crucificaram-no na véspera do dia de Saturno; e no dia seguinte a este, ou seja, no
dia do Sol, aparecendo aos seus apóstolos e discípulos, ensinou-lhes tudo o que
também nós vos propusemos como digno de consideração” (Justino I – Apologia
Cap. 66-67 : PG 6,427 - 431).

Descrição do culto dos cristãos

“No chamado dia do Sol, reúnem-se em um mesmo lugar todos os que


moram nas cidades ou nos campos. Lêem-se as memórias dos apóstolos ou os
escritos dos profetas, na medida em que o tempo permite. Terminada a leitura,
aquele que preside toma a palavra para aconselhar e exortar os presentes à
imitação de tão sublimes ensinamentos.

Depois, levantamo-nos todos juntos e elevamos as nossas preces; como já


dissemos acima, ao acabarmos de rezar, apresentam-se pão, vinho e água. Então o
que preside eleva ao céu, com todo o seu fervor, preces e ações de graças, e o
povo aclama: Amém. Em seguida, faz-se entre os presentes a distribuição e a
partilha dos alimentos que foram eucaristizados, que são também enviados aos
ausentes por meio dos diáconos.

Os que possuem muitos bens dão livremente o que lhes agrada. O que se
recolhe é colocado à disposição do que preside. Este socorre os órfãos, as viúvas e
os que, por doença ou qualquer outro motivo se acham em dificuldade, bem como
os prisioneiros e os hóspedes que chegam de viagem; numa palavra, ele assume o
encargo de todos os necessitados” (Justino - I Apologia Cap. 66-67 : PG 6,427 -
431).

Eucaristia

A Fé dos cristãos primitivos na eucaristia: Corpo e Sangue de Cristo:

"Designamos este alimento eucaristia. A ninguém é permitido dele participar,


sem que creia na verdade de nossa doutrina, que já tenha recebido o batismo de
remissão dos pecados e do novo nascimento, e viva conforme os ensinamentos de
Cristo. Pois não tomamos estas coisas como pão ou bebida comuns; senão, que
assim como Jesus Cristo, feito carne pela palavra de Deus, teve carne e sangue
para salvar-nos, assim também o alimento feito eucaristia (...) é a Carne e o Sangue
de Jesus encarnado. Assim nos ensinaram." (Primeiro livro das Apologias de
Justino, pag. 65-67.)

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Maria

Justino afirma que Jesus nasceu de uma Virgem (Maria) e também que Maria é
descendente do rei Davi:

"Dizia-se [Jesus] portanto, filho do homem, seja em razão de seu nascimento


de uma Virgem que, como assinalei, era da raça de Daví, de Jacó, de Isaac e de
Abraão, etc..." (Justino, mártir, Diálogo com Trifão, cap.94-100, PG VI, 701ss).

Os evangelhos canônicos

Justino freqüentemente cita os evangelhos: de Mateus, de Marcos, de Lucas


e possivelmente de João, contudo não cita sob o nome de Mateus, de Marcos, de
Lucas, e sim de “Memória dos apóstolos”. Por isso chegou-se afirmar que Justino
desconhecia a divisão em quatro evangelhos, afirmada, por exemplo, fortemente por
Ireneu mais ou menos 30 anos mais tarde.

Portanto, é provável que os 4 evangelhos andassem juntos desde o inicio do


século II d.C. e referia-se a esses 4 evangelhos com um nome genérico, como
“Memória dos apóstolos”. Ou, também, que já no inicio do II século se conhecia a
distinção dos 4 evangelhos, mas de acordo com o testemunho de Justino era mais
comum citá - los com um único nome.

Clemente de Alexandria

Clemente de Alexandria (150 - 215), ou Tito Flávio Clemente, escritor


grego, teólogo e mitógrafo cristão nascido em Atenas, pesquisador das lendas
menos compatíveis com os valores cristãos, defensor da rebelião contra a opressão,
que levou ao conceito de guerra justa, considerado o fundador da escola de teologia
de Alexandria.

Vida

Combateu também o racismo, que via como base moral da escravidão. De


pais pagãos, convertido ao cristianismo por seu mestre patrístico Panteno (século II),
abraçou a nova fé e sucedeu-lhe como líder espiritual da comunidade cristã de
Alexandria, onde permaneceu durante vinte anos, tornando-se um dos mais
inteligentes e ilustrados dos padres primitivos. Entre suas obras de ética, teologia e
comentários bíblicos destaca-se a trilogia formada por Exortação, Pedagogo e

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Miscelâneas. Do período de formação da patrística e pré-nissênico com nomes da


escola cristã de Alexandria, combateu os hereges gnósticos.

Embora ele tenha sido instruído profundamente na filosofia neoplatônica,


decidiu voltar-se ao cristianismo. Estabeleceu o programa educativo da escola
catequética alexandrina, que séculos mais tarde serviria de base ao trivium e ao
quadrivium, grupos de disciplinas que constituíam as artes liberais na Idade Média.
Defendeu a teoria da causa justa para a rebelião contra o governante que
escravizasse seu povo. Em O Discurso escreveu sobre a salvação dos ricos e sobre
temas como o bem-estar, a felicidade e a caridade cristã. Durante a perseguição aos
cristãos (201) pelo imperador romano Sétimo Severo transferiu seu cargo na escola
catequética ao discípulo Orígenes e refugiou-se na Palestina, junto a Alexandre,
bispo de Jerusalém, lá permanecendo até sua morte.

Como se vê, Clemente de Alexandria teve um papel importantíssimo na


história da interpretação biblica entre os judeus e os cristãos no período patrístico.

Em Alexandria a religião judaica e a filosofia grega se encontraram e se


influenciaram mutuamente criando a escola que influenciou a interpretação bíblica.
Esta escola influenciada pela filosofia platônica, encontrou um método natural de
harmonizar religião e filosofia na interpretação alegórica da Bíblia. Clemente de
Alexandria foi o primeiro a aplicar o método alegórico na interpretação do Antigo
Testamento. A interpretação bíblica alégorica acreditava que era mais madura do
que o interpretação no sentido literal.

Datam do período helenístico as primeiras aproximações do budismo com o


mundo ocidental. Mercadores indianos que viviam em Alexandria propagaram sua fé
budista pela região. Clemente de Alexandria foi o primeiro autor ocidental a citar em
suas obras o nome de Buda.

Inspirados em Orígenes e na Escola de Alexandria, muitos escritores cristãos


desenvolveram suas obras: Júlio Africano, Amônio, Dionísio de Alexandria, o
Grande, Gregório, o Taumaturgo, Firmiliano, bispo de Cesareia, na Capadócia,
Teognostos, Pedro de Alexandria, Pânfilo e Hesíquio.Held

Tertuliano

Tertuliano (Cartago, 155-222) é um dos mais importantes escritores


eclesiásticos da Antiguidade.

Vida

Tertuliano, o mais importante e original dos escritores latinos, tirando


Agostinho de Hipona, nasceu por volta de 155, em Cartago, filho de pagãos.
Formou-se como jurista e exerceu advocacia em Roma. Converteu-se ao

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Cristianismo por 193, e estabeleceu-se em Cartago, pondo a sua erudição ao


serviço da fé.

A partir de 207 passou ao montanismo, e permaneceu separado da Igreja até


à morte, ocorrida por volta de 222.

De temperamento violento e enérgico, quase fanático, lutador empedernido,


todos os seus escritos são polémicos. Este temperamento, impressionado com o
exemplo dos mártires, que o levou à conversão, permite compreender a sua
passagem ao montanismo.

Obras

Podemos dividir o conjunto das suas obras em três grandes grupos:

• Escritos apologéticos (de defesa da fé contra os opositores): Aos pagãos,


Apologeticum (a sua obra mas conhecida), O testemunho da alma, Contra
Escápula, Contra os judeus.
• Escritos polémicos: A prescrição dos hereges, Contra Marcião, Contra
Hermógenes, Contra os valentinianos, O baptismo, Scorpiace, A carne de
Cristo, A ressurreição da carne, Contra Práxeas, A alma.
• Escritos disciplinares, morais e ascéticos: Aos mártires, Os espectáculos, O
vestido das mulheres, A oração, A paciência, A penitência, À esposa, A
exortação da castidade, A monogamia, O véu das virgens, A coroa, A fuga na
perseguição, A idolatria, O jejum, A pudicícia, O manto.

Teologia

Apesar de ser considerado por muitos o fundador da teologia ocidental, a


verdade é que tal designação é exagerada, porque Tertuliano não tem propriamente
um sistema teológico. De facto, para isso faltou-lhe o equilíbrio necessário para
organizar os vários artigos da fé, assim como a preocupação pela coerência, pois
não era do seu interesse conciliar a fé com a razão humana.

A Fé e a Filosofia

Para Tertuliano, a questão das relações entre a fé e a filosofia nem sequer se


colocavam, pois entre ambas nada existia de comum. A filosofia era vista como
adversária da fé, e os filósofos antigos como patriarcas dos hereges. Para ele, de
facto, fé e razão opõem-se, e podemos encontrar na filosofia a origem de todos os
desvios da fé. No entanto, é forçado a reconhecer que algumas vezes os filósofos
pensaram como os cristãos, e denuncia algumas influências de correntes filosóficas
antigas, nomeadamente do Estoicismo.

É bem conhecida a frase credo quia absurdum. Apesar de ela não se


encontrar nos escritos de Tertuliano, mas apenas algumas semelhantes, ela

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condensa bem o seu pensamento acerca da razão. Note-se que o seu significado é
não apenas "creio embora seja absurdo", mas sim "creio porque é absurdo". A
verdadeira fé tem de se opor à razão.

A teologia e o direito

Tertuliano era jurista, advogado, e isso reflectiu-se na sua teologia e nos seus
escritos a dois níveis:

• a nível do método de argumentação: nascia na Igreja a procura duma


argumentação precisa e cerrada, sem falhas, à imagem daquela usada nos
tribunais. Foi Tertuliano que usou contra os hereges o argumento da
prescriptio, que mostrava que apenas a Igreja unida a Roma provinha das
origens, enquanto que todos os outros surgiram depois e são, por isso,
falsificadores;

• a nível da linguagem: Tertuliano introduziu na teologia latina, e na da Igreja


em geral, uma série de termos e conceitos provenientes do direito. Concebeu
a vida cristã e a salvação à semelhança dum processo penal, em que Deus é
o legislador, o Evangelho a lei, quem obedece recebe a compensação, quem
desobedece torna-se culpado e é castigado. Tertuliano introduziu ou
consagrou algumas distinções importantes, como por exemplo a de preceito e
conselho evangélico.

A regra da fé

Para Tertuliano, a regra da fé constitui-se como lei da fé. Nos seus escritos
encontramos fórmulas de dois elementos, com menção do Pai e do Filho, e outras
de três, que acrescentam o Espírito Santo. As várias fórmulas apresentadas por
Tertuliano, semelhantes entre si na forma e no conteúdo, mostram a existência dum
resumo da fé próximo do símbolo baptismal.

A Trindade

O maior contributo de Tertuliano para a teologia foi a sua reflexão acerca do


mistério trinitário. Criou um vocabulário que passou a fazer parte da linguagem
oficial da teologia cristã. Foi ele que introduziu a palavra “Trinitas”, como
complemento da “Unitas”. Segundo Tertuliano, Pai, Filho e Espírito Santo são um só
Deus porque uma só é a substância. Mas, por outro lado, distinguem-se, sem
separação, pelo grau, pela forma e pela espécie.

Tertuliano introduz assim o termo “pessoa”, (persona), para significar cada um


dos três, considerado individualmente. Este vocabulário passou a vigorar, até hoje,
para referir as realidades trinitárias. No entanto, Tertuliano deixa transparecer
alguma influência subordinacionista. Ao falar da geração do Filho, sem querer
comprometer a sua divindade, admite uma certa gradação, desde uma fase anterior
à criação, em que o Logos de Deus se contempla a Si mesmo, para passar a
contemplar a economia salvífica, e é engendrado de forma imanente em Deus, até à

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criação, em que a Palavra se realiza como tal ao ser proferida. Cristo é, assim, o
primogénito do Pai, gerado antes de todas as coisas, mas não é eterno. O Filho é
como que uma porção ou emanação do Pai.

Tertuliano, apesar de ter dotado a teologia trinitária dum vocabulário preciso,


e de ter procurado a exactidão, não se livrou dalgumas ambiguidades e deficiências.

Cristologia

Tertuliano formulou algumas doutrinas relativas à pessoa de Cristo, que


haviam de ser reconhecidas mais tarde em Concílios, de tal modo que podemos
dizer que a sua cristologia tem os méritos da sua teologia trinitária, sem os seus
defeitos.

Tertuliano afirma com clareza as duas naturezas de Cristo, sem confusão


entre as duas, nem redução de alguma delas. Nisso, proclama já o que mais tarde
havia de ser solenemente afirmado no Concílio de Calcedónia (451).

Mariologia

Na sequência da sua cristologia, Tertuliano acentua que Maria deu realmente


à luz o Verbo Encarnado. Reconhece que ela era virgem quando concebeu mas,
para lutar contra a cristologia doceta, que defendia que o nascimento de Jesus tinha
sido apenas aparente, nega a virgindade de Maria no parto e após o parto (pois isso
parecia-lhe dar argumentos ao adversário). Do mesmo modo, entende que os
“irmãos de Jesus” são filhos de Maria.

Apesar de tudo, Tertuliano proclama Maria como a nova Eva.

Eclesiologia

Tertuliano considera a Igreja como Mãe, numa expressão de extremo respeito


e veneração. Tal como Eva foi formada da costela de Adão, também a Igreja teve a
sua origem na chaga do lado de Cristo.

A Igreja é guardiã de Fé e da Revelação. Assim, as Escrituras pertencem-lhe,


e só ela mantém o ensinamento dos Apóstolos e pode transmiti-lo.

Esta concepção, do período católico de Tertuliano, é ortodoxa, e semelhante


à defendida por Ireneu de Lyon. Na sua fase montanista, porém, torna-se
visivelmente herege, concebendo a Igreja como um corpo puramente espiritual, de
tal modo que bastam dois ou três cristãos para que se possa dizer que se manifesta
a totalidade da Igreja una. Essa seria a Igreja do Espírito, oposta à “Igreja dos
bispos”. É por esta teoria que Tertuliano, já herege, substitui a da sucessão
apostólica.

A penitência

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Tertuliano fornece-nos pormenores importantes acerca da disciplina


penitencial da Igreja, mas a sua teologia da penitência sofre das mesmas
contradições e insuficiências da sua eclesiologia. Mas é o primeiro a descrever
concretamente com clareza o processo e as formas da penitência.

Há possibilidade duma nova conversão após o baptismo, conseguida na


sequência duma confissão pública do pecado. Ao pedir perdão, o pecador usufrui da
intercessão da Igreja e recebe a absolvição final pela pessoa do bispo.

Na sua fase católica, Tertuliano mostra considerar que todo o pecador, por
maior que fosse, tinha direito a esta penitência. Distinção entre pecados, só entre
corporais e espirituais, consumados ou de desejo, mas todos eles podendo ser
perdoados através da Igreja. Quando se torna montanista, porém, passa a
considerar alguns pecados irremissíveis, tais como a fornicação, a idolatria e o
homicídio. Isto é um dado novo, sem precedentes na disciplina primitiva, e
testemunha o aparecimento duma facção rigorista, sob a influência do montanismo.

Os católicos argumentavam com a Escritura, mostrando que Cristo perdoou


todos os pecados, mesmo os “irremissíveis”. Tertuliano responde a isto dizendo que
perdoar tais pecados era um poder pessoal e exclusivo do Salvador, não transmitido
à Igreja.

Para Tertuliano, por conseguinte, só Deus perdoa os pecados. Confrontado


com a passagem do Evangelho em que Cristo concede o poder de ligar e desligar,
Tertuliano nega que assim a Igreja detenha o poder das chaves, pois tal poder foi
dado pessoalmente só a São Pedro, não a todos os bispos. Quando muito, para o
Tertuliano montanista, o poder de perdoar os pecados pertence a “homens
espirituais”, não aos bispos.

A Eucaristia

Tertuliano emprega vários nomes para referir a Eucaristia. São contudo poucas as
suas referências explícitas a esse mistério. Ao falar dos sacramentos da iniciação
cristã, diz que “a carne é alimentada com o Corpo e Sangue de Cristo, para que a
alma seja saciada de Deus (De resurrectione mortuorum, 8). Isto manifesta a sua fé
na presença real de Cristo na Eucaristia. O mesmo se torna patente quando
manifesta a sua indignação por alguns se aproximarem indignamente do Corpo do
Senhor.

Tertuliano testemunha também o carácter sacrificial da Eucaristia. Fá-lo ao


referir o temor que alguns tinham de quebrar o jejum ao receberem o pão
eucarístico. Tertuliano refere o costume de levar a espécie eucarística para casa e
tomá-la privadamente. É esta uma das mais antigas alusões à reserva eucarística.

Apesar de algumas palavras ambíguas, Tertuliano manifesta a fé na presença real,


que acontece mediante as palavras da instituição, mas salvaguarda a sua natureza
sacramental pois refere as espécies como sinal e representação (no sentido de
tornar presente). A fé nessa presença real exprime-se ainda na condenação

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daqueles que negam a realidade do corpo crucificado de Cristo, mas celebram a


Eucaristia: tal comportamento é absurdo, pois tratam-se da mesma coisa.

Escatologia

Tertuliano admite a ideia duma penitência da alma após a morte. Somente os


mártires escapam a ela. Todos os outros têm um tempo de espera até ao juízo final,
e só a intercessão dos vivos lhes pode valer.

Tal como os milenaristas, Tertuliano considera que, no fim, os justos,


ressuscitados, reinarão durante mil anos com Cristo. Depois do juízo final, os justos
estarão com Deus, enquanto que os ímpios irão para o fogo eterno.

Aurélio Agostinho

Aurélio Agostinho (em latim: Aurelius Augustinus), Agostinho de Hipona[1],


ou Santo Agostinho[2] (Tagaste, 13 de Novembro de 354 — Hipona, 28 de Agosto
de 430), foi um bispo, escritor, teólogo, filósofo, padre e Doutor da Igreja Católica.

Agostinho é uma das figuras mais importantes no desenvolvimento do


cristianismo no Ocidente. Agostinho foi muito influenciado pelo neoplatonismo de
Plotino.[3] Ele criou o conceito de pecado original e guerra justa. Quando o Império
Romano do Ocidente começou a se desintegrar, Agostinho desenvolveu o conceito
de Igreja como a cidade espiritual de Deus (em um livro de mesmo nome), distinta
da cidade material do homem.[4] Seu pensamento influenciou profundamente a visão
do homem medieval. A igreja se identificou com o conceito de Cidade de Deus de
Agostinho, e também a comunidade que era devota de Deus.[5]

Agostinho nasceu na cidade de Tagaste,[6], atual Souk Ahras, Argélia, e sua


mãe, católica, se chamava Mônica. Foi educado no Norte da África e resistiu aos
pedidos da mãe para se tornar cristão. Vivendo como um intelectual pagão, ele
tomou uma concubina e se tornou um maniqueísta. Posteriormente se converteu
para a Igreja Católica, se tornou um bispo, e se opôs às heresias, como a crença
que as pessoas possuem a habilidade de escolher fazer um bem tão forte que
poderia merecer a salvação sem receber a ajuda divina (pelagianismo).

Na Igreja Católica Romana, e na Igreja Anglicana, é um santo, e um


importante doutor da Igreja, e o patrono da ordem religiosa agostinha; seu memorial
é celebrado no dia 28 de agosto. Muitos protestantes, especialmente calvinistas, o
consideram como um dos pais teólogos da Reforma Protestante ensinando a
salvação e a graça divina. Na Igreja Ortodoxa Oriental ele é louvado, e seu dia
festivo é celebrado em 15 de junho, apesar de uma minoria ser da opinião que ele é
um herege, principalmente por causa de suas mensagens sobre o que se tornou
conhecido como a cláusula filioque.[7] Entre os ortodoxos é chamado de "Agostinho
Abençoado", ou "Santo Agostinho o Abençoado".[8]

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Biografia

Agostinho nasceu na cidade de Tagaste, a atual Souk Ahras, uma província


romana da cidade no Norte de África, na Argélia, filho de pai pagão, Patrício e mãe
católica, Santa Mônica. Foi educado no Norte de África e resistiu aos ensinamentos
de sua mãe para se tornar cristão.

Agostinho era de ascendência berbere. Com 11 anos de idade, foi enviado


para a escola em Madaura, uma pequena cidade da Numídia. Lá ele tornou-se
familiarizado com a literatura latina, bem como práticas e crenças pagãs. Em 369 e
370, ele permaneceu em casa.

Durante esse período ele leu o diálogo Hortensius de Cícero (hoje perdido),
que deixou uma impressão duradoura sobre ele e despertou-lhe o interesse pela
filosofia e passou a ser um seguidor do maniqueísmo.

Com 17 anos, graças à generosidade de um concidadão Romaniano, o pai de


Agostinho pode enviá-lo para Cartago para continuar sua educação na retórica.
Vivendo como um pagão intelectual, ele tomou uma concubina; numa tenra idade,
ele desenvolveu uma relação estável com uma mulher jovem em Cartago, com a
qual teve um filho, Adeodato.

Durante os anos 373 e 374, Agostinho ensinou gramática em Tagaste. No


ano seguinte, mudou-se para Cartago a fim de ocupar o cargo de professor da
cadeira municipal de retórica, e permanecerá lá durante os próximos nove anos.

Desiludido pelo comportamento indisciplinado dos alunos em Cartago, em


383, mudou-se para estabelecer uma escola em Roma, onde ele acreditava que os
melhores e mais brilhantes retóricos ensinaram. No entanto, Agostinho ficou
desapontado com as escolas romanas, que ele encontrou apática. Quando chegou o
momento para os seus alunos para pagar os seus honorários eles simplesmente
fugiram.

Amigos maniqueístas apresentaram-lhe o prefeito da cidade de Roma,


Symmachus, que tinha sido solicitado a fornecer um professor de retórica imperial
para o tribunal provincial em Milão. Agostinho ganhou o emprego e ocupou o cargo
no final de 384.

Conversão

Enquanto ele estava em Milão, Agostinho mudou de vida. Ainda em Cartago,


começou a abandonar o maniqueísmo, em parte devido a um decepcionante
encontro com um chefe expoente da teologia maniqueísta, Fausto.

Em Roma, ele relata ter completamente se afastado do maniqueísmo, e


abraçou o movimento cético da Academia Neoplatónica. Sua mãe insistia para que
ele se tornasse cristão e também seus próprios estudos sobre o Neoplatonismo
também foram levando-o neste sentido, e seu amigo Simplicianus instou-o dessa

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forma também. Mas foi a oratória do bispo de Milão, Ambrósio, que teve mais
influência sobre a conversão de Agostinho.

A mãe de Agostinho havia seguido-o para Milão e insistiu para que


abandonasse a relação com a mulher com quem vivia ilegalmente e procurasse
outra para casar, conforme as leis do mundo e a doutrina cristã. A amada foi
mandada de volta para a África e Agostinho deveria esperar dois anos para contrair
casamento legal; mas logo ligou-se a uma concubina.

No Verão de 386, após ter lido um relato da vida de Santo António do


Deserto, de Santo Atanásio de Alexandria, que muito inspirou-lhe, Agostinho sofreu
uma profunda crise pessoal. Decidiu se converter ao cristianismo católico,
abandonar a sua carreira na retórica, encerrar sua posição no ensino em Milão,
desistir de qualquer idéia de casamento, e dedicar-se inteiramente a servir a Deus e
às práticas do sacerdócio.

A chave para esta transformação foi à voz de uma criança invisível, que ouviu
enquanto estava em seu jardim em Milão, que cantava repetidamente, "Tolle, lege";
"tolle, lege" ("toma e ler"; "toma e ler"). Ele tomou o texto da epístola de Paulo aos
romanos, e abriu ao acaso em 13:13-14, onde ler-se: Não caminheis em glutonerias
e embriaguez, nem em desonestidades e dissoluções, nem em contendas e rixas,
mas revesti-vos do Senhor Jesus Cristo e não procureis a satisfação da carne com
seus apetites.

Ele narra em detalhes sua jornada espiritual em sua famosa "Confissões"


(Confessions), que se tornou um clássico tanto da teologia cristã quanto da literatura
mundial. Ambrosio batizou Agostinho, juntamente com seu filho, Adeodato, na Vigília
da Páscoa, em 387, em Milão, e logo depois, em 388 ele retornou à África. Em seu
caminho de volta à África sua mãe morreu, tal como fez logo após o seu filho,
deixando-o sozinho, sem família.

Bispo

Após o regresso ao Norte da África, vendeu seu patrimônio e deu o dinheiro


aos pobres. A única coisa que ele ficou foi a casa da família, que se converteu em
uma fundação monástica para si e um grupo de amigos.

Em 391 ele foi ordenado sacerdote em Hipona (hoje Annaba, na Argélia). Em


396 foi eleito bispo coadjutor de Hipona (auxiliar, com o direito de sucessão depois
da morte do bispo corrente) e pouco depois bispo principal. Ele permaneceu nessa
posição em Hipona até sua morte em 430.

Ele deixou o seu mosteiro, mas continuou a levar uma vida monástica na
residência episcopal. Ele deixou uma regra (latim, regulamentos) para seu mosteiro
que o levou ser designado o "santo padroeiro do clero regular", isto é, sacerdotes
que vivem por uma regra monástica.

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Sua vida foi registrada pela primeira vez por seu amigo São Possídio, bispo
de Calama, no seu Sancti Augustini Vita. Descreveu-o como homem de poderoso
intelecto e um enérgico orador, que em muitas oportunidades defendeu a fé católica
contra todos os detratores.

Possídio também descreveu traços pessoais de Agostinho com detalhe,


desenhando um retrato de um homem que comia com parcimónia, trabalhou
incansavelmente, desprezando fofocas, rejeitadando as tentações da carne, e que
exerceu a prudência na gestão financeira conforme sua posição e autoridade de
bispo.

Sua vida não é tranquila: missa diária, prega até duas vezes ao dia, dá
catequese, administra bens temporais, resolve questões de justiça (cerca, muro,
dívidas, brigas de família...), atende aos pobres e orfãos, etc.

Pouco antes da morte de Agostinho, a África romana foi invadida pelos


Vândalos, uma tribo guerreira com simpatias com o Arianismo. Pouco depois de
Hipona ser cercada pelos bárbaros Agostinho adoeceu; Possídio relata que ele
gastou seus últimos dias em oração e penitência, pedindo para que os Salmos
penitenciais de Davi fossem pendurados em sua parede para que ele pudesse ler.
Pouco tempo após sua morte, os Vândalos levantaram o cerco de Hipona, mas não
muito tempo depois eles voltaram e queimaram a cidade. Eles destruíram tudo, mas
a catedral de Agostinho e a biblioteca ficaram inalteradas.

Agostinho foi canonizado por reconhecimento popular e reconhecido como


um Doutor da Igreja. O seu dia é 28 de Agosto, o dia no qual ele supostamente
morreu. Ele é considerado o santo padroeiro dos cervejeiros, impressores, teólogos
e de um grande número de cidades e dioceses.

Obras

Agostinho foi um autor prolífico em muitos géneros - tratados filosóficos,


teológicos, comentários de escritos da Bíblia, além de sermões e cartas.

Dele restaram algumas centenas de cartas (Epistulae) e de sermões


(Sermones) considerados autênticos. Além disso, deixou 113 obras escritas.

Santo Agostinho é chamado de o "Doutor da Graça", por sua compreensão sobre


o tema.

• Textos autobiográficos:

As suas Confissões (Confesiones), escritas entre os anos 397-398, são


geralmente consideradas como a primeira autobiografia. Agostinho descreve sua
vida desde sua concepção até à sua então relação com Deus, e termina com um
longo discurso sobre o livro do Génesis, no qual ele demonstra como interpretar as
escrituras. A consciência psicológica e auto-revelação da obra ainda impressionam
leitores.

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No fim da sua vida, Agostinho revisitou os seus trabalhos anteriores por


ordem cronológica e sugeriu que teria falado de forma diferente numa obra intitulada
Retratações, que nos daria uma imagem considerável do desenvolvimento de um
escritor e os seus pensamentos finais.

• Filosóficos:

Diálogos: Solilóquios, (Soliloquiorum libri duo), etc..

Contra acadêmicos (Contra academicos, em que combate o cepticismo).

Disciplinarum libri (é uma vasta enciclopédia com o fim de mostrar como se


pode e se deve ascender a Deus a partir das coisas materiais. Não está acabada).

Apologéticos: Da vida religiosa livro I (De vera religione liber I), etc..

A Cidade de Deus, (iniciado c. de 413, terminado 426, uma de suas obras


capitais, nela nos oferece uma síntese de seu pensamento filosófico, teológico e
político.). O De civitate Dei libri XXII.

• Dogmáticos:

Entre 399-422, escreveu A Trindade, uma das principais obras que apoia a
crença na Santíssima Trindade de Deus. O De Trinitate libri XV.

Enquirídio (Enchiridion, ad Laurentium o De fide, spe et caritate liber I, é um


manual de teologia segundo o esquema das três virtudes teológicas. Contém uma
explicação do Credo, da Oracão do Padre Nosso e dos Preceitos Morais da Igreja
Católica).

Da fé e do credo livro I (De fide et símbolo liber I), etc..

• Morais e pastorais:

Contra mendacium, Da Catequese dos não instruídos livro I (De catechizandis


rudibus liber I), Da continência livro I (De continentia liber I), Da paciência livro I (De
patientia liber I), etc..

• Monásticos:

Regula ad servos - a mais antiga das regras monásticas do ocidente.

• Exegéticos:

A Sagrada Escritura teve um papel decisivo para Agostinho. Se pode


destacar:

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Da Doutrina Cristã livro IV (De doctrina christiana libri IV (é uma síntese


dogmática que servirá de modelo para as Sententiae os pensadores da Idade
Média), De Genesi ad litteram libri XII, Da harmonia dos evangelhistas livro IV (De
consensu Evangelistarum libri IV, (foram escritos em resposta aos que acusavam os
evangelistas de contradizer-se e de haver atribuído falsamente a Cristo a
divinidade), etc..

• Tratados:

Tratados sobre o Evangelho de João, (In Iohannis evangelium tractatus), As


enarrações, ou exposições, dos Salmos, (Enarrationes in Psalmos), etc.

• Polémicos:

Muitas de suas obras tem caráter polêmico por causa dos conflitos que ele
enfrentou. Isso levou São Posídio a classificá-las conforme os adversários
combatidos: pagãos, astrológos, judeus, maniqueus, priscilianistas, donatistas,
pelagianos, arianos e apolinaristas.

De natura boni liber I, Psalmus contra partem Donati, De peccatorum meritis


et remissione et de baptismo parvolorum ad Marcellium libri III (de 412, primeira
teología bíblica da redencão, do pecado original e da necessidade do batismo), De
gratia et libero arbitrio liber I (de 426, em que demonstra a necessidade da graça, da
existência do livre arbitrío), De haeresibus, etc..

Pensamento

O Problema do Mal

Em seu livro 'O Livre-arbítrio', Santo agostinho tenta provar de forma filosófica
de que Deus não é o criador do mal. Pois, para ele, tornava-se inconcebível o fato
de que um ser tão bom, pudesse ter criado o mal.

A concepção que Agostinho tem do mal, esta baseada na teoria platônica,


assim o mal não é um ser, mas sim a ausência de um outro ser, o bem. O mal é
aquilo que “sobraria” quando não existe mais a presença do bem. Deus seria a
completa personificação deste bem, portanto não poderia ter criado o mal.

No diálogo com seu amigo Evódio, Agostinho tenta explicar-lhe de que a


origem do mal esta no Livre-Arbítrio concedido por Deus. Deus em sua perfeição,
quis criar um ser que pudesse ser autônomo e assim escolher o bem de forma
voluntária. O homem, então, é o único ser que possuiria as faculdades da vontade,

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da liberdade e do conhecimento. Por esta forma ele é capaz de entender os sentidos


existentes em si mesmo e na natureza. Ele é um ser capacitado a escolher entre
algo bom (proveniente da vontade de Deus) e algo mal (a prevalência da vontade
das paixões humanas).

Entretanto, por ter em si mesmo a carga do pecado original de Adão e Eva,


estaria constantemente tendenciado a escolher praticar uma ação que satisfizesse
suas paixões (a ausência de Deus em sua vida). Deus, portanto, não é o autor do
mal, mas é autor do livre-arbítrio, que concede aos homens a liberdade de exercer o
mal, ou melhor, de não praticar o bem.

Influência como pensador e teólogo

Na história do pensamento ocidental, sendo muito influenciado pelo


platonismo e neoplatonismo, particularmente por Plotino, Agostinho foi importante
para o baptismo do pensamento grego e a sua entrada na tradição cristã e,
posteriormente, na tradição intelectual europeia. Também importantes foram os seus
adiantados e influentes escritos sobre a vontade humana, um tópico central na ética,
que se tornaram um foco para filósofos posteriores, como Schopenhauer e
Nietzsche, mas ainda encontrando eco na obra de Camus e Hannah Arendt (ambos
os filósofos escreveram teses sobre Agostinho).

É largamente devido à influência de Agostinho que o cristianismo ocidental


concorda com a doutrina do pecado original. Os teólogos católicos geralmente
concordam com a crença de Agostinho de que Deus existe fora do tempo e no
"presente eterno"; o tempo só existe dentro do universo criado.

O pensamento de Agostinho foi também basilar na orientação da visão do


homem medieval sobre a relação entre a fé cristã e o estudo da natureza. Ele
reconhecia a importância do conhecimento, mas entendia que a fé em Cristo vinha
restaurar a condição decaída da razão humana, sendo portanto mais importante.
Agostinho afirmava que a interpretação das escrituras deveria ser feita de acordo
com os conhecimentos disponíveis, em cada época, sobre o mundo natural. Escritos
como sua interpretação do livro bíblico do Génesis, como o que chamaríamos hoje
de um "texto alegórico", iriam influenciar fortemente a Igreja medieval, que teria uma
visão mais interpretativa e menos literal dos textos sagrados.

Tomás de Aquino tomou muito de Agostinho para criar sua própria síntese do
pensamento filosófico grego e do cristão. Dois teólogos posteriores que admitiram
influência especial de Agostinho foram João Calvino e Cornelius Jansen.

Boécio

Anício Mânlio Torquato Severino Boécio (em latim Anicius Manlius


Torquatus Severinus Boethius, Roma, c. 475 a 480 — Pavia, 524), mais conhecido
simplesmente por Boécio, foi um filósofo, estadista e teólogo romano que se

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notabilizou pela sua tradução e comentário do Isagoge de Porfírio, obra que se


transformou num dos textos mais influentes da Filosofia medieval europeia.
Traduziu, comentou ou resumiu, entre outras obras dos clássicos gregos, para além
do Isagoge de Porfírio e do Organon de Aristóteles, vários tratados sobre
matemática, lógica e teologia. Notabilizou-se também como um dos teóricos da
música da antiguidade clássica greco-latina, escrevendo a obra De institutione
musica, também aparentemente com base em antigos escritos gregos. Sendo
senador de Roma, no ano de 510 foi nomeado cônsul e em 520 foi elevado a chefe
do governo e dos serviços da corte pelo rei ostrogodo Teodorico o Grande. Pouco
depois, devido a desacordos políticos e por ter apoiado um senador apontado pelo
rei como traidor, foi ele próprio acusado de traição a favor do Império Bizantino e de
magia, sendo subsequentemente torturado, condenado à morte e executado.
Enquanto aguardava sob prisão a execução, escreveu De Consolatione
Philosophiae (Do Consolo pela Filosofia), obra que versa, entre outros temas, o
conceito de eternidade e na qual tenta demonstrar que a procura da sabedoria e do
amor de Deus é a verdadeira fonte da felicidade humana. Membro de uma família
ligada ao então nascente cristianismo, é considerado pela Igreja Católica Romana,
pelo seu contributo para a teologia cristã e pelos serviços que prestou aos cristãos,
um mártir e um dos Padres da Igreja.

Biografia

Iluminura de um manuscrito da De Consolatione Philosophiae, feita em Itália


no ano de 1385, mostrando Boécio a ensinar os seus pupilos.

Boécio na prisão (iluminura de um manuscrito da De Consolatione


Philosophiae feito em Itália no ano de 1385).

Anício Mânlio Severino Boécio nasceu em Roma por volta do ano 480,
quando o Império Romano do Ocidente vivia os seus últimos anos e quando na
Europa a Antiguidade Clássica já cedia lugar à Idade Média. Era filho de Flávio
Mânlio Boécio, pertencente a uma importante e antiga família patrícia dos Anicii,
cristianizada há mais de um século, que tinha dado a Roma vários cônsules e o
imperador Anício Olíbrio. Na linha paterna contava, pelo menos, dois papas e a
linhagem materna incluía alguns imperadores romanos. O pai seria feito cônsul em
487, já depois de Odoacro depor o último imperador romano do ocidente. O pai
faleceu pouco depois de ter sido nomeado cônsul, deixando órfão Severinus com
apenas sete anos, que em resultado foi educado por Quintus Aurelius Memmius
Symmachus, amigo da família, também ele um patrício e cristão pio.

Desconhece-se onde Boécio aprendeu a língua grega com tamanha


proficiência e profundidade e onde adquiriu os profundos conhecimentos sobre os
autores clássicos greco-latinos que a sua obra demonstra. Os documentos históricos
conhecidos são ambíguos, mas alguns estudiosos apontam como muito provável
que tenha estudado em Atenas ou em Alexandria, sendo esta última hipótese mais
provável dado existirem referências a um Boécio, talvez o seu pai, que seria, por
volta do ano de 470, proctor de uma escola daquela cidade.

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Qualquer que tenha sido a sua origem, os conhecimentos de grego e de


literatura e filosofia grega que Boécio demonstrou estava muito além do que era
então a norma, mesmo para a classe mais educada, até porque se vivia um período
de grande conturbação social, marcado pelo desmoronar do Império e pelas
invasões bárbaras, em que o ensino estava em decadência e havia um marcado
recuo no conhecimento da filosofia clássica.

Casou com Rusticiana, uma filha do seu mentor Symmachus, tendo, pelo
menos dois filhos. Seguindo a tradição familiar, era senador e em 510 foi escolhido
cônsul, já quando Roma se encontrava sob domínio dos ostrogodos.

Face à crescente escassez de pessoas com formação avançada, resultado


das convulsões do tempo e do declínio dos estudos clássicos, o jovem Severino
Boécio entrou ao serviço do rei ostrogodo Teodorico, o Grande, sendo encarregado
de múltiplas funções de grande responsabilidade.

Por volta do ano 520, quando tinha cerca de 40 anos de idade, Severino
Boécio já ocupava a posição de magister officiorum, posição correspondente à de
governador da corte e chefe dos serviços governamentais do rei Teodorico, o
Grande. Reflectindo a importância política e o prestígio do pai, os seus dois filhos
foram escolhidos para co-cônsules no ano de 522.

Acabou por se tornar amigo e confidente daquele rei, o que o não livraria de
no ano de 523 ser preso por sua ordem. A prisão ocorreu supostamente por Boécio
ter defendido abertamente o senador Albino, caído em desgraça e acusado de
traição por ter escrito uma missiva oa emperador bizantino Justino I queixando-se da
governação de Teodorico. Outras fontes acusam-no de estar envolvido numa
conspiração para restaurar a república, com o favor do imperador bizantino.

Estas acusações têm como enquadramento a profunda rivalidade política e


religiosa existente entre Justino I, um cristão ortodoxo imperador de Bizâncio e
Teodorico, que defendia as teses do arianismo e pretendia manter o domínio sobre
Roma. Apesar de no ano de 520 se ter conseguido ultrapassar o cisma religioso
existente entre Bizâncio e Roma, as relações eram tensas e seguramente o
helenismo de Boécio fazia dele um alvo óbvio. Foi acessoriamente acusado de
magia, por estar envolvido em estudos de astrologia, algo então considerado como
sacrílego, mas que ele negou veementemente, atribuindo a sua prisão a difamação
pelos seus rivais pessoais.

Qualquer que tenha sido a causa, foram-lhe retiradas todas as honras, viu os
seus bens confiscados e foi aprisionado em Pavia, onde foi torturado. Ainda assim,
pôde escrever na prisão a obra De Consolatione Philosophiae, um dos seus
melhores trabalhos, na qual reflecte sobre a instabilidade de um Estado cujo
governo depende de um único homem, como era o caso do rei Teodorico, e sobre
conceitos metafísicos, entre os quais o conceito de eternidade.

Por ordem de Teodorico, ratificada pelo Senado aparentemente sob coacção,


foi executado em Pávia em finais do ano de 524 ou princípios de 525, sem chegar a

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ser julgado. Considerado desde logo como um mártir cristão, morto pela sua
ortodoxia face ao arianismo do rei, os seus restos mortais foram recolhidos e ainda
hoje repousam como relíquias num altar da basílica de San Pietro in Ciel d'Oro de
Pavia.

Considerado o "Último dos Romanos" e o primeiro dos filósofos escolásticos,


a fama de Boécio foi duradoira, propagando-se através da suas obras, as quais
serviram durante a Idade Média europeia como forma de acesso à filosofia, à
matemática e à música da Antiguidade Clássica, com destaque para os autores
greco-latinos. É também afamado como importante teólogo, um dos padres da
Igreja, e considerado como um santo e um mártir pela Igreja Católica Romana, que o
celebra a 23 de Outubro.

Em sua homenagem, o nome de Cratera Boécio foi dado a uma estrutura da


orografia da Lua e de Mercúrio.

Entre as obras de Boécio, a mais conhecida é De consolatione philosophiae


(A Consolação pela Filosofia), sua última obra, escrita na prisão enquanto
aguardava a execução da pena de morte. É um texto neo-platónico, no qual a
procura da sabedoria e do amor de Deus é considerada como a verdadeira fonte da
felicidade humana. Contudo, toda a sua obra, e um esforço intelectual que ocupou
toda a sua vida, foi uma tentativa deliberada de preservar o conhecimento antigo,
particularmente a filosofia, então em risco face ao desmoronar do Império Romano e
das suas estruturas sociais perante a chegada das hordas de bárbaros incultos que
submergiam a sociedade romana.

Tencionava traduzir do original grego para o latim e comentar todas as obras


de Aristóteles e traduzir e talvez comentar as de Platão, o que infelizmente não
conseguiu. Pretendia com isso restaurar as ideias daqueles pensadores e formar
com elas um todo harmónico. Neste labor, Boécio prosseguia o mesmo ideal de
helenismo que já tinha animado Cícero.

Apesar de não ter conseguido atingir o objectivo a que se propunha, ainda


assim traduziu os seis volumes de lógica do Organon de Aristóteles, com o seus
comentários gregos, num trabalho que produziu a única porção significativa das
obras de Aristóteles disponíveis na Europa até ao século XII. Algumas das suas
traduções aparecem enriquecidas com o seu próprio comentário, reflectindo os
conceitos aristotélicos e platónicos que perfilhava. É o caso da sua tradução de
Topica de Aristóteles, onde as bases retóricas do inventio são apresentadas
numa perspectiva bem diferente da original.

Outras obras de Boécio que teve profunda repercussão no pensamento


europeu foi a sua tradução comentada do Isagoge de Porfírio, feita antes do ano
510, na qual ele ressalta o problema dos universais, discutindo se os conceitos são
entidades auto-subsistentes, isto é que existiriam independentes do pensamento, ou
se eles são meramente ideias cuja existência é resultado directo do pensamento.
Este tópico, relativo à natureza ontológica das ideias universais alimentou um das

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controvérsias mais duradouras da filosofia medieval, com reflexos que atingem a


filosofia contemporânea.

Também traduziu, por volta do ano 511 e quando era cônsul, o tratado
Kategoriai e escreveu comentários ao tratado Peri hermeneias ("Sobre a
interpretação"), ambos de Aristóteles. Um curto comentário a outra das obras de
Aristóteles, a Analytika Protera ("Análise prévia"), bem como dois curtos textos sobre
silogismos também parecem datar desta época.

Para além de obras de Filosofia, Boécio também traduziu, acrescentando-lhes


muito do seu pensamento, textos gregos de carácter didáctico, cobrindo os tópicos
do Quadrivium. Entre esses textos destacam-se os relativos aos campos da
aritmética e da música, que são conhecidos, e que são baseados em textos
didácticos de Nicómaco de Gerasa, um matemático palestiniano do século I. Pouco
sobreviveu da parte do Quadrivium relativa à geometria e perdeu-se toda a parte
referente à astronomia.

Apesar de hoje incompletas, as suas obras para o Quadrivium, foram, na


acepção moderna do termo, um dos manuais que serviram de base à educação
europeia durante muitos séculos.

Boécio também escreveu trabalhos sobre teologia, em boa parte propondo


argumentos para suportar a ortodoxia cristã contra o arianismo e o debate de temas
importantes da cristologia da época. A autoria desses trabalhos foi frequentemente
disputada, em parte por uma aparente falta de congruência com a sua obra De
Consolatione Philosophiae, onde não é feita qualquer menção a Cristo ou a
conceitos claramente cristãos. Contudo, a descoberta de uma sua biografia, escrita
pelo seu contemporâneo e colega senador Cassiodoro, veio afastar essas dúvidas.
Naquela biografia, Cassiodoro aponta-o como um poeta, autor de um poema
pastoril, tradutor dos clássicos gregos, e como um orador consagrado, a quem
coubera fazer o eulogio do rei Odoacro.

A Roda de Boécio, ou mais comummente a Roda da Fortuna, foi um conceito


explicitado por Boécio na sua De Consolatione Philosophiae que ganhou grande
popularidade por toda a Europa durante a Idade Média e que ainda mantém
actualidade. Baseia-se na aceitação de que a sorte dos indivíduos se alterna,
permitindo que os ricos e poderosos sejam humilhados e destruídos e que os
desprotegidos possam ascender à grandeza. Múltiplas obras de arte, pictóricas,
escultóricas, poemas e textos vários, incluindo composições musicais recentes
(como a canção Wheel in the Sky da banda rock Journey).

Boécio é autor de múltiplas obras, das quais as mais conhecidas são:

• De categoricis syllogismis
• De consolatione philosophiae ou Philosophiae consolatio
• De differentiis topicis, comentário a Topica de Cícero
• De divisione
• De fide catholica

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• De institutione arithmetica
• De institutione musica
• Quomodo trinitas unus Deus ac non tres dii ou De Trinitate
• Geometria Euclidis a Boethio in latinum translata
• Introductio ad syllogismos categoricos
• Liber contra Eutychen et Nestorium
• Tractatus Theologici
• Quomodo substantiae in eo, quod sint, bonae sint ou De hebdomadibus
• Utrum Pater et Filius et Spiritus sanctus de diuinitate substantialiter
praedicentur
• In Porphyrii Isagogen commentorum editio prima, tradução e comentário à
Isagoge de Porfírio
• Tradução e comentário dos tratados de lógica de Aristóteles

João Escoto Erígena

João Escoto Erígena (Irlanda, 810 — Paris, 877) [também conhecido como
Escoto de Erigena, John Scotus Erigena ou Johannes Scotus Eriugena].
Filósofo, teólogo e tradutor irlandês da corte de Carlos, o Calvo, nascido na Scotia
(hoje Irlanda), expoente máximo do renascimento carolíngio, no século IX, que
escolheu como tema principal de seus estudos as relações entre a filosofia grega e
os princípios do cristianismo.

Convidado pelo rei franco Carlos, o Calvo (845), viveu na corte onde ensinou
gramática e dialética. Sua obra caracterizou-se por sua poderosa síntese filosófico-
teológica e pela obscuridade estrutural. Seus principais livros foram De
praedestnatione (851), obra condenada, em concílio, pelas autoridades
eclesiásticas, e De divisione naturae (862-866), sua obra mais conhecida e também
a mais importante, mostrava sua visão sobre a origem e a evolução da natureza, na
tentativa de conciliar a doutrina neoplatônica da emanação com o dogma cristão da
criação, também um livro posteriormente condenado. Também desenvolveu
inúmeras traduções de textos de outros autores, principalmente atendendo pedidos
do rei, Carlos. Suas traduções de Pseudo-Dionísio, o Areopagita, São Máximo, o
Confessor e São Gregório de Nissa tornaram acessíveis aos pensadores ocidentais
os escritos dos fundadores da teologia cristã.

Anselmo de Cantuária

Anselmo de Cantuária (1033/1034, Aosta - 21 de Abril 1109, Canterbury),


nascido Anselmo de Aosta (por ser natural de Aosta, hoje na Itália), e também
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conhecido como Santo Anselmo, foi um influente teólogo e filósofo medieval italiano
de origem normanda.

Foi Arcebispo de Cantuária entre 1093 e 1109 (sucedendo a Lanfranco,


também um italiano), por nomeação de Henrique I de Inglaterra, de quem foi amigo
e confessor, mas depois divergiu com ele na Questão das Investiduras. É
considerado o fundador do escolasticismo e é famoso como o criador do argumento
ontológico a favor da existência de Deus.

Viria mais tarde a ser canonizado pela Igreja Católica, e declarado Doutor da
Igreja em 1720, pelo Papa Clemente XI. Santo Anselmo nasceu em Aosta, filho de
um nobre, e de uma mãe rica, Ermenberga. Seguiu a carreira religiosa, estudou os
clássicos e escreveu sempre em latim. Foi eleito prior em 1063, porque era
considerado inteligente e piedoso. Sua biografia nos é contada pelo seu discípulo,
Eadmero. Foi comum na Idade Média que os religiosos buscassem o apoio da fé na
razão. Anselmo escreveu uma obra sobre esse assunto. É considerado um dos
iniciadores da tradição escolástica. "Não só a habilidade dialética fez de Anselmo o
precursor da Escolástica, como também o princípio teológico fundamental que
adotou: fides quarens intelectum<a fé em busca da inteligência>. Foi ele também
quem forjou uma nova orientação à teoria dos universais e que reverteu em grande
proveito para os intuitos da Teologia racional" (SPINELLI, Miguel. O itinerário
filosóffico de Anselmo de Cantuária, In: Revista Portuguesa de Filosofia, Braga, t.64,
f.1 2008, p.247). Anselmo buscava um argumento para provar a existência de Deus,
e sua bondade suprema. Fala que a crença e a fé correspondem à verdade, e que
existe verdadeiramente um ser do qual não é possível pensar nada maior. Ele não
existe apenas na inteligência, mas também na realidade. Anselmo desenvolveu uma
linha de pensamento sobre essas bases, chamados de argumento ontológico, que
foi retomada por Descartes e criticada por Kant, e ela estava numa obra chamada
Proslógio. Ele parte do fato de que o homem encontra no mundo muitas coisas,
algumas boas, que procedem de um bem absoluto, que é necessariamente
existente. Todas as coisas tem uma causa, menos o ser incriado, que é a causa de
si mesmo e fundamenta todos os outros seres. Esse ser é Deus. Seus argumentos
não foram totalmente aceitos. Anselmo chegou a arcebispo da Cantuária em 1093.
Escreveu outras obras importantes, Do Gramático e Da Verdade, ambos em latim.
Recebeu doações de terras para a Igreja, mas brigou com Guilherme, o ruivo, rei da
Inglaterra pois não queria fazer comércio com os bens da Igreja. Isso foi considerado
um desrespeito ao poder real, e Guilherme impediu Anselmo de viajar para Roma,
desafiando o poder da Igreja.

Num dos seus primeiros livros, Monológio, em que apresenta sua visão de
Deus, Anselmo fala que a essência suprema existe em todas as coisas e tudo
depende dela. Reconhece nela onipotência, onipresença, máxima sabedoria e
bondade suprema. Ela criou tudo a partir do nada. Anselmo procurava desenvolver
um raciocínio evolutivo sobre o que considerava ser a verdade, que estava contida
na Bíblia. Para Anselmo, o pensamento tem algo de divino, e Deus tem uma razão.
Sua palavra é sua essência, e Ele é pura essência (essa noção não é nova)
infinita, sem começo nem fim, pois nada existiu antes da essência divina e nada
existirá depois. Para ela o presente, o passado e o futuro são juntos ao tempo, são

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uma coisa só. E Ela é imutável, uma substância, embora seja diferente da
substância das outras criaturas. Existe de uma maneira simples e não pode ser
comparado com a consciência das criaturas, pois é perfeito e maravilhoso e tem
todas as qualidades já citadas. O verbo e o espírito supremo são uma coisa só, pois
este usa o verbo consubstancial para expressar-se. Mas a maneira intrínseca que o
espírito supremo se expressa e conhece as coisas é incogniscível para nós. O verbo
procede de Deus por nascimento, e o pai passa a sua essência para o filho. O
espírito ama a si mesmo, e transmite esse amor.

Para Anselmo, a alma humana é imortal, e as criaturas seriam felizes e


infelizes eternamente. Mas nenhuma alma é privada do bem do Ser supremo, e
deve buscá-lo, através da fé. E Deus é uno. Para contemplá-lo devemos nos afastar
dos problemas e preocupações cotidianos e buscá-lo. Ele é onipotente embora não
possa fazer coisas como morrer ou mentir. É piedoso, em parte por ser impassível, o
que não o impede de exercer sua justiça, pois ele pensa e é vivo. Anselmo fala
muito da crença divina do Pai, do filho e do espírito humano. Grandes coisas
esperam por aquele que aceitar Deus e buscá-lo. Santo Anselmo influenciou muito o
pensamento teológico posterior.

Pedro Abelardo

Pedro Abelardo, Petrus Abaelardus (Le Pallet próximo de Nantes, Bretanha,


1079 – Chalons-sur-Saône, 21 de abril 1142) ficou conhecido do público por sua
vida pessoal e o relacionamento com Heloísa, de que fala em sua História das
Minhas Calamidades.

Vida, Pensamento e Obras

Na filosofia ocupa uma posição importante por ter formulado o


conceitualismo, posição que não pertence propriamente nem ao idealismo, nem
ao materialismo.

A obra principal de Abelardo, chamada Dialética, inspirada no pensamento


de Boécio foi a obra de lógica mais influente até o final do século XIII em Roma,
onde foi usada como manual escolar, já que a lógica era ministrada como parte do
trivium, fornecendo aos estudantes os argumentos e armas para às disputas
metafísicas e teológicas.

Abelardo identificava o real ao particular e considerava o universal como o


sentido das palavras (nominum significatio), rejeitando o nominalismo. Dessa forma,
o significado dos nomes permitiria esclarecer os conceitos, de forma a emancipar a
lógica da metafísica, tornando-a uma disciplina autônoma.

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Foi o mais ilustre teólogo e filósofo do século XII, nasceu em Pallet, perto de
Nantes, França. Destinado à carreira das armas, escolheu, no entanto, a das letras.
Foi discípulo de Roscelino de Compiègne e Guilherme de Champeaux, chamou a
atenção para a divergência que os separava quanto aos universais.

A controvérsia centrava-se na qualidade empírica ou abstracta dos conceitos:


os universais têm uma entidade genérica real ou são coisas puramente pensadas ?
O problema despertava interesse em todo o campo teológico. Enquanto Guilherme
os considerava reais e necessários, Roscelino só lhes atribuía o valor de palavras.
Abelardo adoptou uma posição intermédia: Definia como não sendo meras palavras,
mas também não estabelecendo um saber real, visto que, sendo a sua significação
subjectiva, o que exprimem são tão só opiniões pessoais sobre o ser (sermones),
que, contudo, possibilitam o entendimento entre os homens. As palavras importantes
tornam-se universais ao serem aceites como tal, e como tal «usam-se» para
exprimirem as verdades necessárias.

Enfrentando não poucas dificuldades e lutas, ensinou desde 1108, com


grande êxito, na escola de Santa Genoveva. De 1113 a 1118 ocupou, finalmente,
um lugar na escola catedral de Paris. A agitação doutrinal provocada por Abelardo,
repercutiu-se, também, no modo de ensino que sofreu completa revolução.
Romperam-se as formas de ensino da velha escola platónica, criando-se o embrião
do que viria a ser o ensino universitário, inteiramente diferente do das escolas locais
existentes.

Mas o conteúdo doutrinário do seu ensino era, também ele, revolucionário.


Para aprofundar o estudo dos temas, utilizou o método, embora já usado, mas que
ele desenvolveu e que consistia em analisar os diferentes pontos de vista
contraditórios em relação a uma mesma questão, lançando, assim, as bases da
escolástica, em especial, a técnica das disputaciones que culminou na Summa. Este
método foi tratado por ele na obra conhecida como (Sim e não). Original foi também
a sua concepção ética: afirmava que a intenção é tão importante como o acto que
dela dimana.

Abelardo, desde as primeiras dificuldades em Paris, mostrou-se sempre


rebelde tendo até sido vítima de uma castração por causa do seu envolvimento
amoroso com Heloísa, sobrinha do cónego Fulberto. Depois disso, Heloísa entrou
para um convento e Abelardo, para um mosteiro. A partir desse período, trocaram
cartas regularmente. Do relacionamento entre os dois nasceu um filho, Astrolábio.
Abelardo foi condenado duas vezes, uma no Concilio de Soissons no ano de 1121, a
que respondeu, como forma de desafio, fundando um oratório dedicado ao Espírito
Santo (Paracleto), e depois no Concilio de Sens em 1141 devido a pressões de São
Bernardo de Claraval, com quem se envolvera em polémica. Poucos meses mais
tarde morria no Priorado de Saint-Marcel (Chalons-sur-Saône).

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Alberto Magno

Santo Alberto Magno (Albertus Magnus) OP, também conhecido como


Alberto de Colônia, Bispo de Regensburg e Doutor da Igreja, foi um Frade
Dominicano que tornou-se famoso por seu vasto conhecimento e por sua defesa da
coexistência pacífica da ciência e da religião. Ele é considerado o maior filósofo e
teólogo alemão da Idade Média, e foi o primeiro intelectual medieval a aplicar a
filosofia de Aristóteles no pensamento cristão.

Nasceu na Baviera, possivelmente no ano de 1193 ou 1206, numa família


militar que desejava para Alberto uma carreira militar ou administrativa. Mas, após
de concluir os seus estudos em Pádua e em Paris, optou por seguir um caminho
sacerdotal, entrando na Ordem de São Domingos. Devido à sua crescente fé em
Deus e em Jesus Cristo e à sua dedicação à Ordem, foi promovido a superior
provincial e mais tarde, nomeado Bispo pelo Papa.

Alberto dominava bem a Filosofia e a Teologia (matérias em que teve Tomás


de Aquino como discípulo) e mostrou também grande interesse em ciências naturais
ao ponto de dispensar, com a autorização do Papa, o episcopado, para continuar a
prosseguir os seus estudos e a sua investigação com tranquilidade. Ocupou-se em
várias áreas de conhecimento, como a mecânica, zoologia, botânica, meteorologia,
agricultura, física, química, tecelagem, navegação e mineralogia. Ele inseriu estes
conhecimentos no seu caminho único de santidade, afirmando que a intenção última
dele era conhecer a ciência de Deus. A suas obras escritas encheram 22 grossos
volumes e exemplificou como viver com equilíbrio e graça a fé que não contradiz a
razão.

Morreu em Colónia, no ano de 1280, proclamado Doutor da Igreja e Patrono


dos cultores das ciências naturais.

Tomás de Aquino

São Tomás de Aquino OP (Roccasecca, 1225 — Fossanova, 7 de Março


1274) foi um padre dominicano, teólogo, distinto expoente da escolástica,
proclamado santo e cognominado Doctor Communis ou Doctor Angelicus pela Igreja
Católica.

Biografia

Tomás de Aquino que foi chamado o mais sábio dos santos e o mais santo dos
sábios. Nasceu em família nobre em março de 1225 no castelo de Roca-Seca, perto
da cidade de Aquino, no reino de Nápoles, na Itália. Com apenas cinco anos seu pai,
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conde de Landulfo d'Aquino, o internou no mosteiro de Monte Cassino onde recebeu


a educação, a sua família esperava que viesse a ser monge beneditino e tinha a
esperança de um dia vir a ser o abade daquele mosteiro.

Aos 19 anos fugiu de casa para, contra o desejo dos pais, se juntar aos
dominicanos mendicantes, entrando na Ordem fundada por São Domingos de
Gusmão. Estudou filosofia em Nápoles e depois em Paris, onde se dedicou ao
ensino e ao estudo de questões filosóficas e teológicas. Estudou teologia em
Colônia e em Paris se tornou discípulo de Santo Alberto Magno que o "descobriu" e
se impressionou com a sua inteligência. Por este tempo foi apelidado de "boi mudo".
Dele disse Santo Alberto Magno: "Quando este boi mugir, o mundo inteiro ouvirá o
seu mugido."

Foi mestre na Universidade de Paris no reinado de Luís IX da França


morrendo, com 49 anos, na Abadia de Fossanova, quando se dirigia para Lião a fim
de participar do Concílio de Lião, a pedido do Papa.

Filosofia

Seu maior mérito foi a síntese do cristianismo com a visão aristotélica do


mundo, introduzindo o aristotelismo, sendo redescoberto na Idade Média, na
escolástica anterior, compaginou um e outro, de forma a obter uma sólida base
filosófica para a teologia e retificando o materialismo de Aristóteles. Em suas duas
"Summae", sistematizou o conhecimento teológico e filosófico de sua época : são
elas a "Summa Theologiae", a "Summa Contra Gentiles".

A partir dele, a Igreja tem uma teologia (fundada na revelação) e uma filosofia
(baseada no exercício da razão humana) que se fundem numa síntese definitiva: fé
e razão, unidas em sua orientação comum rumo a Deus. Sustentou que a filosofia
não pode ser substituída pela teologia e que ambas não se opõem. Afirmou que não
pode haver contradição entre fé e razão.

Explica que toda a criação é boa, tudo o que existe é bom, por participar do
ser de Deus, o mal é a ausência de uma perfeição devida e a essência do mal é a
privação ou ausência do bem.

Além da sua Teologia e da Filosofia, desenvolveu também uma Teoria do


Conhecimento e uma Antropologia, deixou também escrito conselhos políticos: Do
governo do Príncipe, ao rei de Chipre, que se contrapõe, do ponto de vista da ética,
ao "Príncipe" de Maquiavel.

Com o uso da razão é possível demonstrar a existência de Deus, para isto


propõe as 5 vias de demonstração:

Primeira via
Primeiro Motor Imóvel: Tudo o que se move é movido por alguém, é
impossível uma cadeia infinita de motores provocando o movimento dos
movidos, pois do contrário nunca se chegaria ao movimento presente, logo há

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que ter um primeiro motor que deu início ao movimento existente e que por
ninguém foi movido.
Segunda via
Causa Primeira: Decorre da relação "causa-e-efeito" que se observa nas
coisas criadas. É necessário que haja uma causa primeira que por ninguém
tenha sido causada, pois a todo efeito é atribuída uma causa, do contrário
não haveria nenhum efeito pois cada causa pediria uma outra numa
sequência infinita.
Terceira via
Ser Necessário: Existem seres que podem ser ou não ser (contingentes), mas
nem todos os seres podem ser desnecessários se não o mundo não existiria,
logo é preciso que haja um ser que fundamente a existência dos seres
contingentes e que não tenha a sua existência fundada em nenhum outro ser.
Quarta via
Ser Perfeito: Verifica-se que há graus de perfeição nos seres, uns são mais
perfeitos que outros, qualquer graduação pressupõe uma parâmetro máximo,
logo deve existir um ser que tenha este padrão máximo de perfeição e que é
a Causa da Perfeição dos demais seres.
Quinta via
Inteligência Ordenadora: Existe uma ordem no universo que é facilmente
verificada, ora toda ordem é fruto de uma inteligência, não se chega à ordem
pelo acaso e nem pelo caos, logo há um ser inteligente que dispôs o universo
na forma ordenada.

A verdade

"A verdade é definida como a conformidade da coisa com a inteligência”.


Tomás de Aquino concluiu que a descoberta da verdade ia além do que é visível.
Antigos filósofos acreditavam que era verdade somente o que poderia ser visto.
Aquino já questiona que a verdade era todas as coisas porque todas são reais,
visíveis ou invisíveis, exemplificando: uma pedra que está no fundo do oceano não
deixa de ser uma pedra real e verdadeira só porque não pode ser vista. Aquino
concorda e aprimora Agostinho quando diz que “A verdade é o meio pelo qual se
manifesta aquilo que é”. A verdade está nas coisas e no intelecto e ambas
convergem junto com o ser. O “não-ser” não pode ser verdade até o intelecto o
tornar conhecida, ou seja, isso é apreendido através da razão. Aquino chega a
conclusão que só se pode conhecer a verdade se você conhece o que é o ser. A
verdade é uma virtude como diz Aristóteles, porém o bem é posterior a verdade. Isso
porque a verdade está mais próximo do ser, mais intimamente e o que o sujeito ser
do bem depende do intelecto, “racionalmente a verdade é anterior”.

Exemplificando: o intelecto apreende o ser em si; depois, a definição do ser,


por último a apetência do ser. Ou seja, primeiramente a noção do ser; depois, a
construção da verdade, por fim, o bem.

Sobre a eternidade da verdade ele, Tomás, discorda em partes com


Agostinho. Para Agostinho a verdade é definitiva. Imutável. Já para Aquino, a
verdade é a conseqüência de fatos causados no passado. Então na supressão

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desses fatos à verdade deixa de existir. O exemplo que Tomás de Aquino traz é o
seguinte: A frase “Sócrates está sentado” é a verdade. Seja por uma matéria, uma
observação ou analise, mas ele está sentado. Ao se levantar, ficando de pé, ele
deixa de estar sentado. Alterando a verdade para a segunda opção, mudando a
primeira. Contudo, ambos concordam que na verdade divina a verdade por não ter
sido criada, já que Deus sempre existiu, não pode ser desfeita no passado e então é
imutável.

Ética

Segundo São Tomás de Aquino, a ética consiste em agir de acordo com a


natureza racional. Todo o homem é dotado de livre-arbítrio, orientado pela
consciência e tem uma capacidade inata de captar, intuitivamente, os ditames da
ordem moral. O primeiro postulado da ordem moral é: faz o bem e evita o mal.

Há uma Lei Divina, revelada por Deus aos homens, que consiste nos Dez
Mandamentos.

Há uma Lei Eterna, que é o plano racional de Deus que ordena todo o
universo e uma Lei Natural, que é conceituada como a participação da Lei Eterna
na criatura racional, ou seja, aquilo que o homem é levado a fazer pela sua natureza
racional.

A Lei Positiva é a lei feita pelo homem, de modo a possibilitar uma vida em
sociedade. Esta subordina-se à Lei Natural, não podendo contrariá-la sob pena de
se tornar uma lei injusta; não há a obrigação de obedecer à lei injusta - (Este é o
fundamento objectivo e racional da verdadeira objecção de consciência).

A Justiça consiste na disposição constante da vontade em dar a cada um o


que é seu - suum cuique tribuere - e classifica-se como Comutativa, Distributiva e
Legal, conforme se faça entre iguais, do soberano para os súbditos e destes para
com aquele, respectivamente.

Tomás de Aquino na cultura

Tomás de Aquino sou; está-me vizinho / À destra de Colónia o grande Alberto / A


quem de aluno e irmão devo o carinho. // Se do mais todos ser desejas certo, / Na
santa c´roa atenta cuidadoso, / A tua vista a voz me siga perto.

(Dante Alighieri, A Divina Comédia, Canto X, 97 – 102).

Obra

As obras completas do Aquinate são:

OPERA MAIORA

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• Scriptum super Sententiis


• Summa contra Gentiles
• Summa Theologiae

QUAESTIONES

• Quaestiones disputatae
• Quaestiones de quolibet

OPUSCULA

• Opuscula philosophica
• Opuscula theologica
• Opuscula polemica pro mendicantibus
• Censurae
• Rescripta
• Responsiones

COMMENTARIA

• In Aristotelem
• In neoplatonicos
• In Boethium

COMMENTARIA BIBLICA

• In Vetus Testamentum
• Commentaria cursoria
• In Novum Testamentum
• Catena aurea
• In Epistolas S. Pauli

COLLATIONES ET SERMONES

• Collationes
• Sermones

DOCUMENTA

• Acta
• Opera collectiva
• Reportationes Alberti Magni Super Dionysium

OPERA PROBABILIA AUTHENTICITATE

• Lectura Romana in primum Sententiarum Petri Lombardi


• Quaestiones
• Opera liturgica

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• Sermones
• Preces

OPERA DUBIA AUTHENTICITATE

• Quaestiones
• Opuscula philosophica
• Rescripta
• Opera liturgica
• Sermones
• Preces
• Opera collectiva
• Reportationes

OPERA ALIQUA FALSE ADSCRIPTA

• Quaestiones disputatae
• Opuscula philosophica
• Opuscula theologica
• Rescripta
• Concordantiae
• Commentaria philosophica
• Commentaria theologica
• Commentaria biblica
• Sermones
• Opera liturgica
• Preces
• Carmina

Duns Scot

O Beato John Duns Scot, ou Scotus (escocês) ou Escoto 1 OFM - Nasceu


em Maxton, condado de Roxburgh na Escócia (ou Ulster) em 1265, viveu muitos
anos em Paris, em cuja universidade lecionou, e morreu em Colônia no ano de
1308. Membro da Ordem Franciscana, filósofo e teólogo da tradição escolástica,
chamado o Doutor Sutil, foi mentor de outro grande nome da filosofia medieval:
William de Ockham. Foi beatificado em 20 de Março de 1993, durante o pontificado
de João Paulo II.

Formado no ambiente acadêmico da Universidade de Oxford, onde ainda


pairava a aura de Robert Grosseteste e Roger Bacon, posicionou-se contrário a São
Tomás de Aquino no enfoque da relação entre a razão e a fé. Seu
pensamento é agostiniano, mas de forma menos extremada que São Boaventura ou,
mesmo, Matheus de Aquasparta; as diferenças entre ele e São Tomás de Aquino,

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como as dos outros, provem de uma mistura maior de platonismo (derivado de


Santo Agostinho) em sua filosofia. Para Scot, as verdades da fé não poderiam ser
compreendidas pela razão. A filosofia, assim, deveria deixar de ser uma serva da
teologia, como vinha ocorrendo ao longo de toda a Idade Média e adquirir
autonomia.

Obra filosófica

Suas principais obras são o "Opus Oxioniense" (Obra de Oxford),


"Quaestiones de Metaphysica" (Questões de Metafísica) e "De Primo
Princípio"(Do Primeiro Princípio). Um dos grandes contributos de Scot para a
história da filosofia, afirmam os historiadores, está no conceito de hecceidade (
haecceitas ). Por esta teoria, valoriza a experiência, e distancia a preocupação
exclusivista da filosofia com as essências universais e trancendentes.

Notas

Nota: 1Há várias grafias utilizadas, pela variação idiomática, e, mesmo, dentro
de cada idioma, para o nome do filósofo: Jonh Scott, Duns Scotus, João Scoto,
Johannes Scotus, João Duns Escoto etc. O Catálogo de Autoridades Pessoa da
Biblioteca Nacional do Brasil indica como entrada padrão: Duns Scotus, John.

William de Ockham
William de Ockham ou Guilherme de Occam (1285 em Ockham, Inglaterra
— 9 de abril de 1347, Munique), provavelmente o criador da teoria da Navalha de
Occam, foi um filósofo da lógica e um teólogo escolástico inglês, considerado como
o representante mais eminente da escola nominalista, principal corrente das escolas
tomista e escotista.

William de Ockham, conhecido como o « doutor invencível » e o « iniciador


venerável », nasceu na vila de Ockham, nos arredores de Londres, na Inglaterra, em
1285, e dedicou seus últimos anos ao estudo e à meditação num convento de
Munique, onde morreu em 9 de abril de 1347, vítima da peste negra.

Biografia

Quando ainda em idade precoce, ingressou na Ordem Franciscana, onde


estudou Filosofia. Jovem ainda, foi para a Universidade de Oxford ensinar ciências
filosóficas e matemática, teve contato com outro franciscano, o filósofo e teólogo,
Duns Scot, do qual se tornou discípulo. Escreveu vários ensaios sobre as
Sententiarum Libri (Sentenças) do teólogo Pedro Lombardo.

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Um ponto drástico de sua vida ocorreu quando Occam chegou à conclusão de


que o papa João XXII estava defendendo uma heresia acerca da pobreza
evangélica.[1] Em função da controvérsia que surgiu, Occam fugiu para Pisa, e, em
seguida, acompanhou o imperador Luís da Baviera para Munique. Em Munique,
continuou a atacar a figura do Papa, redigiu vários ensaios abordando a infalibilidade
papal, defendendo a tese de que a autoridade do líder é limitada pelo direito natural
e pela liberdade dos liderados, esta afirmada nos Evangelhos, deixando sua
situação com a Igreja cada vez mais difícil. Um de seus argumentos mais fortes foi a
afirmação categórica que um cristão não contraria os ensinamentos evangélicos ao
se colocar ao lado do poder temporal em disputa com o poder papal.

Guilherme de Ockham e o conceito de Liberdade

É um filósofo que deixa transparecer sua intensa luta pela liberdade e que ao
longo de sua vida jamais permitiu que lha tirassem e, mais, buscou através de suas
obras orientar para que os homens de sua época também não o permitissem. Não é
por acaso que seu pensamento ficou relegado nos compêndios e seu nome citado
entre os adversários da Igreja juntamente com outros nomes bem conhecidos, tais
como, Pelágio, Ario, Berengário e Lutero. Para a ética a liberdade é o assunto por
excelência. A liberdade é muito importante para a ética, porque se ocupa do agir
humano, da finalidade de nossa vida e existência. Para Ockham, a liberdade
apresenta-se como a possibilidade que se tem de escolher entre o sim ou o não, de
poder escolher entre o que me convém ou não e decidir e dar conta da decisão
tomada ou de simplesmente deixar acontecer. A preocupação de Guilherme de
Ockham é com o fato de que o poder tirânico é contrário a liberdade a nós
concedida por Deus e a natureza. Isto não é admitido como verdade por todos os
filósofos, mas para o pensamento medieval do qual Ockham é um representante,
mesmo que tenha sido rejeitado ao romper com algumas questões medievais, isso é
uma verdade, pois o filósofo medieval aceita a verdade revelada como verdade e a
fé como critério de conhecimento. Ockham denuncia aqueles que em nome da
religião, passaram a usurpar a liberdade. E que tais usurpadores entendem, assim
como ele, a liberdade como um dom de Deus da natureza. Ele pergunta-se, ao
contrário dos pensadores do século XIII, pela validade do conhecimento universal
enquanto aqueles perguntavam pelo conhecimento das coisas singulares. Ao fazer
isso, chama a atenção para o mundo dos indivíduos. Ockham situa a ação humana
no indivíduo e suas escolhas reais e concretas, presentes não em verdade ou entes
universais, mas nas coisas e situações particulares, singulares. Distingue faculdades
humanas de faculdades animais, ou seja, o homem possui a capacidade de viver
pela arte e pela razão, que no entendimento do filósofo seriam as faculdades
humanas e é por elas que deve agir e não pelas faculdades animais (seus instintos).
Pressupõe-se assim que é de nossa própria natureza a capacidade de escolha
exercida por meio da liberdade, entendida como presente de Deus e da natureza.

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O princípio de Occam

Occam escreveu sua obra cognominada Ordinatio, esta discorria que todo
conhecimento racional tem base na lógica, de acordo com os dados
proporcionados pelos sentidos. Uma vez que nós só conhecemos entidades
palpáveis, concretas, os nossos conceitos não passam de meios lingüísticos para
expressar uma idéia, portanto, precisam realidade física, para as comprovações.
Criou a máxima pluralidades não devem ser postas sem necessidade, ou (sic)
pluralitas non est ponenda sine neccesitate, chamado de a Navalha de Ocam, no
inglês, Occam's Razor.

A Navalha de Occam

Conceito bastante revolucionário numa época onde eram facilmente acusados


pela igreja cristã de hereges, os cientistas e filósofos, a Navalha de Occam defende
a intuição como ponto de partida para o conhecimento do universo. Occam com
destreza conseguiu demonstrar que o "Duns Scotus", princípio da economia,
conhecido como "navalha de Occam" estabelece que "as entidades não devem ser
multiplicadas além do necessário, a natureza é por si econômica e não se multiplica
em vão".

O confronto de duas teorias

Este é um princípio filosófico que reza o seguinte: existindo diversas teorias e


não havendo evidências que comprovem se é mais verdadeira alguma em relação a
outras, vale a mais simples, ou se existirem dois caminhos que levem ao mesmo
resultado, usa-se o mais curto, e que pode ser provado sensorialmente. Em outras
palavras, não se deve aplicar a um fenômeno nenhuma causa que não seja
logicamente dedutível da experiência sensorial. A regra, inspirada na economia
medieval, foi usada pelo filósofo para eliminar muitas das entidades com que os
pensadores escolásticos explicavam a realidade.

O erro do simplismo

O simplismo aparente da Navalha de Occam, se mal aplicado, pode muitas vezes


nos induzir a erros de avaliação em determinados momentos da lógica. Por
exemplo, ao efetuarmos determinados experimentos, nem sempre a simplificação é
correta, mesmo que o resultado seja muito próximo, ou até idêntico, porém é
bastante útil quando o utilizamos em experimentos práticos para comprovar se
teorias matemáticas num determinado campo são concordantes.

Simplicidade e perfeição

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Nem sempre a simplicidade é a perfeição, mas a perfeição quase sempre é


simples. Muitos autores usam a expressão de que, a simplicidade é a perfeição,
quando se lida com experimentos que exigem um certo grau de complexidade. Ao
utilizar soluções simplistas de análise, poder-se-á incorrer em erros que podem
destruir muitas vezes um trabalho de anos. Simplicidade não é sinônimo de
facilidade ou simplismo. Em geral obter uma visão ou uma explicação simples para
temas complexos exige um esforço maior do que criar visões complexas, mesmo
que corretas, sobre o mesmo tema.

O Cálculo Diferencial e Integral, assim como grande parte das descobertas


científicas da humanidade certamente passou, ao longo de sua história, por
inúmeras reformulações decorrentes do aprendizado e realimentação pelas
comunidades científicas (Em geral na física e na matemática) até chegar ao
currículo básico de qualquer curso de matemática de nível superior. A simplicidade é
consequência da experiência, da criatividade e da capacidade de sintetização, além
de outros talentos.

Princípios de análise lógica

Um dos mais importantes é a falta de dados para comprovar se a teoria A é


mais correta que a teoria B, ambas tendo o mesmo resultado, porém os cálculos e
argumentos da teoria A sendo muito mais complexos que para a teoria B. A
comunidade científica escolherá sempre a segunda opção, a mais simples.

Einstein e as simplificações

Provavelmente, quando escreveu que as teorias devem ser tão simples


quanto possível, mas nem sempre devemos escolher as mais simples, Albert
Einstein estava se referindo ao princípio de Occam em sua Teoria da Relatividade,
pois sabia que as hipóteses testadas muitas vezes caíam em contradições, apesar
do resultado ser aparentemente perfeito. Daí pode ter sido a utilização do princípio
de Occam em alguns pontos considerados contraditórios em seu postulado, pois em
matemática, às vezes verdades claras à luz das deduções tornam-se contraditórias
ao passar para a linguagem coloquial.

Nicolau de Cusa

Nicolau de Cusa ou Nicolau Krebs ou Chrypffs (Cusa, Tréveris, Alemanha


1401 - Todi, Úmbria, Itália 11 de agosto de 1464) foi um cardeal da Igreja Católica
Romana e filósofo do Renascimento. Também autor de inúmeras obras sendo a
principal delas Da Douta Ignorância publicada em 1440.

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Biografia

Filho de um barqueiro João Cryfts e de Catarina Roemer. Teólogo e filosófo


humanista, é considerado o pai da filosofia alemã e, como personagem chave na
transição do pensamento medieval ao do Renascimento, um dos primeiro filósofos
da Idade Moderna

Entre seus pensamentos está a divisão do saber humano em dois graus, o


intelectual e o racional. O primeiro nos conferiria a noção mística de Deus, e o
segundo tinha origem na sensibilidade. Este dualismo é muito peculiar ao
pensamento místico.

Em 1425 matricula-se em Teologia em Colônia, ali recebe as doutrinas de


Santo Alberto Magno, do platonismo e de Ramón Llull. A partir de 1426 o legado
papal (Orsini) pede-lhe que seja seu secretário, isto lhe permite ascender ao mundo
dos Humanistas, o introduz no mundo da política eclesiástica e do estudo. Dedica-se
ao estudo dos códices e descobre até 800 textos de Cícero, 16 comédias de Plauto,
etc.

É ordenado presbítero em 1430, e entre 1432 e 1436 defendeu de maneira


ativa o conciliarismo, mas a partir do Concílio de Basiléia se desconcerta e se
reconcilia com as teses do Papa, convertendo-se no personagem mais relevante.

Doutor em Direito canônico, participou no Concílio de Basiléia em 1431.


Identificado como anti-aristotélico ou antiescolástico, introduziu a noção de
coincidentia oppositorum (coincidência de opostos), que é Deus, para superar todas
as contradições da realidade. Foi um dos primeiros filósofos a questionar o modelo
geocêntrico do mundo. Conseguiu um breve período de conciliação entre as igrejas
Católica e Ortodoxa, se empenhou em aproximar a Igreja dos hussistas, predicou a
cruzada contra os turcos e mediou na pacificação das relações entre França e
Inglaterra.

Em 1450 foi nomeado Cardeal e Bispo de Bressanone. O duque Segismundo


não aceitou sua nomeação.

Códice Cusano 220

Nicolau de Cusa fundou um asilo para idosos em Kues, hoje conhecida como
Bernkastel-Kues, cidade localizada a cerca de 130 quilómetros ao sul de Bona,
capital da Alemanha. Este edifício abriga hoje a biblioteca de Cusa, com mais de
310 manuscritos.

Entre os manuscritos ali preservados encontra-se o Códice Cusano 220 que


inclui um sermão proferido por Nicolau de Cusa em 1430, intitulado In principio erat
verbum (No princípio era o Verbo). Nesse sermão em defesa da Trindade, Nicolau
de Cusa utiliza a grafia latina Iehoua para se referir ao nome de Deus, hoje
conhecido pelas grafias Jeová ou Javé, em português. Na folha 56, em referência ao
nome divino, há a seguinte declaração:

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"Ele [o nome] é dado por Deus. É o Tetagrama, isto é, nome composto por
quatro letras. [...] Esse é, sem dúvida, o santíssimo e grande nome de Deus."

Este códice, do início do Século XV, é um dos mais antigos documentos


existentes onde o Tetragrama é traduzido pela forma latinizada Iehoua, indicando
que formas do nome do Deus mencionado na Bíblia, similares a Jehovah ou Jeová,
têm sido por séculos a transcrição literária mais comum do nome divino. [1]

Obras mais importantes

• In principio erat verbum, incluído no Códice Cusano 220 (1430)


• De concordantia catholica (1434)
• De docta ignorantia (1440)
• De coniecturis (1441)
• Idiota de mente, Idiota de sapientia, Idiota de staticis experimentis (1450)
• De visione Dei (1453)
• De Possest (1460)
• Compendium sive compendiossisima directio (1463)
• De apice theoriae (1464)

Martinho Lutero

Martinho Lutero (Eisleben, 10 de novembro de 1483 — Eisleben, 18 de


fevereiro de 1546) foi um monge agostiniano alemão[1], teólogo, professor
universitário, "Pai do Protestantismo",[2][3][4][5] e reformista da Igreja Católica, cujas
ideias influenciaram a Reforma Protestante e mudaram o curso da Civilização
ocidental.

Primeiros anos de vida

Martinho Lutero, cujo nome em alemão era Martin Luther ou Luder, era filho de Hans
Luther e Margarethe Lindemann. Mudou-se para Mansfeld, onde seu pai dirigia
várias minas de cobre. Tendo sido criado no campo, Hans Luther desejava que seu
filho viesse a se tornar um funcionário público; melhorando, assim, as condições da
família. Com esse objetivo, enviou o jovem Martinho para escolas em Mansfeld,
Magdeburgo e Eisenach.

Aos dezessete anos, em 1501, Lutero ingressou na Universidade de Erfurt,


onde tocava alaúde e recebeu o apelido de "O filósofo". O jovem estudante graduou-
se bacharel em 1502 e concluiu o mestrado em 1505, sendo o segundo entre
dezessete candidatos[7]. Seguindo os desejos paternos, inscreveu-se na escola de
Direito da mesma Universidade. Mas tudo mudou após uma grande tempestade com
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descargas elétricas, ocorrida naquele mesmo ano (1505): um raio caiu próximo de
onde ele estava passando, ao voltar de uma visita à casa dos pais. Aterrorizado,
gritou então: "Ajuda-me, Sant'Ana! Eu me tornarei um monge!"

Tendo sobrevivido aos raios, deixou a faculdade, vendeu todos os seus livros,
com exceção dos de Virgílio, e entrou para a ordem dos Agostinianos, de Erfurt, a 17
de julho de 1505.[8]

Vida monástica e acadêmica

O jovem Martinho Lutero dedicou-se por completo à vida no mosteiro,


empenhando-se em realizar boas obras a fim de agradar a Deus e servir ao próximo
através de orações por suas almas. Dedicou-se intensamente à meditação, às
autoflagelações, às muitas horas de oração diárias, às peregrinações e à confissão.
Quanto mais tentava ser agradável ao Senhor, mais se dava conta de seus
pecados[9]

Johann von Staupitz, o superior de Lutero, concluiu que o jovem necessitava de


mais trabalhos, para afastar-se de sua excessiva reflexão. Ordenou, portanto, ao
monge que iniciasse uma carreira acadêmica. Em 1507, Lutero foi ordenado
sacerdote. Em 1508, começou a lecionar Teologia na Universidade de Wittenberg.
Lutero recebeu seu bacharelado em Estudos bíblicos a 19 de março de 1508. Dois
anos depois, visitou Roma, de onde regressou bastante decepcionado. [10]

Em 19 de outubro de 1512, Martinho Lutero graduou-se Doutor em Teologia


e, em 21 de outubro do mesmo ano, foi "recebido no Senado da Faculdade
Teológica" com o título de "Doutor em Bíblia". Em 1515, foi nomeado vigário de sua
ordem tendo sob sua autoridade onze monastérios.

Durante esse período, estudou grego e hebraico, para aprofundar-se no


significado e origem das palavras utilizadas nas Escrituras - conhecimentos que logo
utilizaria para a sua própria tradução da Bíblia.

A teologia da graça de Lutero

O desejo de obter títulos acadêmicos levaram Lutero a estudar as Escrituras


em profundidade. Influenciado por sua formação humanista a buscar "ad fontes"
(nas fontes), mergulhou nos estudos sobre a Igreja Primitiva. Devido a isso, termos
como "penitência" e "honestidade" ganharam novo significado para ele.

Já convencido de que a Igreja havia distorcido sua visão acerca de várias das
verdades do Cristianismo ensinadas nas Escrituras - sendo a mais importante delas
a doutrina da chamada "Justificação" apenas pela fé; ele começou a ensinar que a

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Salvação era um benefício concedido apenas por Deus, dado pela


Graça divina através de Jesus Cristo e recebido apenas por meio da fé.[11]

Mais tarde, Lutero definiu e reintroduziu o princípio da distinção própria entre


a Torá (Pentateuco, ou Lei Mosaica) e os Evangelhos, que reforçavam sua teologia
da graça. Em conseqüência, Lutero acreditava que seu princípio de interpretação
era um ponto inicial essencial para o estudo das Escrituras. Notou, ainda, que a falta
de clareza na distinção da Lei e dos Evangelhos, era a causa da incorreta
compreensão dos Evangelhos de Jesus pela Igreja de seu tempo, instituição a quem
responsabilizava pela criação e fomento de muitos erros acerca de princípios
teológicos fundamentais.

A controvérsia acerca das indulgências

Além de suas atividades como professor, Martine Lutero ainda colaborava


como pregador e confessor na igreja de Santa Maria, na cidade. Também pregava
habitualmente na igreja do Castelo (chamada de "Todos os Santos" - porque ali
havia uma coleção de relíquias, estabelecidas por Frederico II de Sabóia). Foi
durante esse período que o jovem sacerdote se deu conta dos problemas que o
oferecimento de indulgências aos fiéis, como se esses fossem fregueses, poderiam
acarretar.

A indulgência é a remissão (parcial ou total) do castigo temporal imputado a


alguém por conta dos seus pecados. Naquele tempo qualquer pessoa poderia
comprar uma indulgência, quer para si mesmo, quer para um parente já morto que
estivesse no Purgatório. O frade Johann Tetzel fora recrutado para viajar através
dos territórios episcopais do arcebispo Alberto de Mogúncia, promovendo e
vendendo indulgências com o objetivo de financiar as reformas da Basílica de São
Pedro, em Roma.

Lutero viu este tráfico de indulgências como um abuso que poderia confundir
as pessoas e levá-las a confiar apenas nas indulgências, deixando de lado a
confissão e o arrependimento verdadeiros. Proferiu, então, três sermões contra as
indulgências em 1516 e 1517. Segundo a tradição, a 31 de outubro de 1517 foram
pregadas as 95 Teses na porta da Igreja do Castelo de Wittenberg, com um convite
aberto ao debate sobre elas. Essas teses condenavam a avareza e o paganismo na
Igreja como um abuso, e pediam um debate teológico sobre o que as Indulgências
significavam. Para todos os efeitos, contudo, nelas Lutero não questionava
diretamente a autoridade do Papa para conceder as tais indulgências.

As 95 Teses foram logo traduzidas para o alemão e amplamente copiadas e


impressas. Ao cabo de duas semanas se haviam espalhado por toda a Alemanha e,
em dois meses, por toda a Europa. Este foi o primeiro episódio da História em que a
imprensa teve papel fundamental, pois facilita a distribuição simples e ampla de
qualquer documento.

A resposta do Papado

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Depois de fazer pouco caso de Lutero, dizendo que ele seria um "alemão
bêbado que escrevera as teses", e afirmando que "quando estiver sóbrio mudará de
opinião"[12] o Papa Leão X ordenou, em 1518, ao professor de teologia dominicano
Silvestro Mazzolini que investigasse o assunto. Este denunciou que Lutero se
opunha de maneira implícita à autoridade do Sumo Pontífice, quando discordava de
uma de suas bulas. Declarou ser Lutero um herege e escreveu uma refutação
acadêmica às suas teses. Nela, mantinha a autoridade papal sobre a Igreja e
condenava cada "desvio" como uma apostasia.

Lutero replicou de igual forma (academicamente), dando assim início à


controvérsia.

Enquanto isso, Lutero tomava parte da convenção dos agostinianos em


Heidelberg, onde apresentou uma tese sobre a escravidão do homem ao pecado e a
graça divina. No decorrer da controvérsia sobre as indulgências, o debate se elevou
até ao ponto de duvidar do poder absoluto e autoridade do Papa, pois as doutrinas
de "Tesouraria da Igreja" e "Tesouraria dos Merecimentos", que serviam para
reforçar a doutrina e venda e das indulgências, haviam se baseado na bula papal
"Unigenitus", de 1343, do Papa Clemente VI. Por causa de sua oposição a esta
doutrina, Lutero foi qualificado como heresiarca e o Papa, decidido a suprimir por
completo os seus pontos de vista, ordenou que ele fosse chamado a Roma, viagem
que deixou de ser realizada por motivos políticos.

Lutero, que anteriormente professava a obediência implícita à Igreja, negava


agora abertamente a autoridade papal e apelava para que fosse realizado um
Concílio. Também declarava que o papado não formava parte da essência imutável
da Igreja original.

Desejando manter relações amistosas com o protetor de Lutero, Frederico, o


Sábio, o Papa engendrou uma tentativa final de alcançar uma solução pacífica para
o conflito. Uma conferência com o representante papal Karl von Miltitz em Altenburg,
em janeiro de 1519, levou Lutero a decidir guardar silêncio, tal qual seus opositores.
Também escreveu uma humilde carta ao Papa e compôs um tratado demonstrando
suas opiniões sobre a Igreja Católica. A carta nunca chegou a ser enviada, pois não
continha nenhuma retratação; e no tratado que compôs mais tarde, negou qualquer
efeito das indulgências no Purgatório.

Quando Johann Eck desafiou um colega de Lutero, Andreas Carlstadt, para


um debate em Leipzig, Lutero juntou-se à discussão (27 de junho-18 de julho de
1519), no curso do qual negou o direito divino do solidéu papal e da autoridade de
possuir o "as chaves do Céu" que, segundo ele, haviam sido outorgados à Igreja
(como congregação de fé). Negou que a salvação pertencesse à Igreja Católica
ocidental sob a autoridade do Papa, mas que esta se mantinha na Igreja Ortodoxa,
do Oriente. Depois do debate, Eck afirmou que forçara Lutero a admitir a
semelhança de sua própria doutrina com a de João Huss, que havia sido queimado
na fogueira da Inquisição.

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Aumenta a cisão

Lutero durante os acontecimentos

Não parecia haver esperanças de entendimento. Os escritos de Lutero


circulavam amplamente, alcançando França, Inglaterra e Itália, em 1519, e os
estudantes dirigiam-se a Wittenberg para escutar Lutero que, naquele momento,
publicava seus comentários sobre a Epístola aos Gálatas e suas "Operationes in
Psalmos" (Trabalho nos Salmos).

As controvérsias geradas por seus escritos levaram Lutero a desenvolver


suas doutrinas mais a fundo, e o seu "Sermão sobre o Sacramento Abençoado do
Verdadeiro e Santo Corpo de Cristo, e suas Irmandades", ampliou o significado da
Eucaristia para incluir também o perdão dos pecados e ao fortalecimento da fé
naqueles que a recebem. Além disso, ele ainda apoiava a realização de um concílio
a fim de restituir a comunhão.

O conceito luterano de "igreja" foi desenvolvido em seu "Von dem Papsttum


zu Rom" (Sobre o Papado de Roma), uma resposta ao ataque do franciscano
Augustin von Alveld, em Leipzig (junho de 1520). Enquanto o seu "Sermon von
guten Werken" (Sermão das Boas Obras), publicado na primavera de 1520, era
contrário à doutrina católica das boas obras e dos atos como meio de perdão,
mantendo que as obras do crente são verdadeiramente boas, quer para o secular
como para o clérigo, se ordenadas por Deus.

Os tratados de 1520

A Nobreza alemã

A disputa havida em Leipzig, em 1519, fez com que Lutero travasse contato
com os humanistas, especialmente Melanchthon, Reuchlin e Erasmo de Roterdã,
que por sua vez também influenciara ao nobre Franz von Sickingen. Von Sickingen e
Silvestre de Schauenbur queriam manter Lutero sob sua proteção, convidando-o
para seus castelos na eventualidade de não ser-lhe seguro permanecer na Saxônia,
em virtude da proscrição papal.

Sob essas circunstâncias de crise, e confrontando aos nobres alemães,


Lutero escreveu "À Nobreza Cristã da Nação Alemã" (agosto de 1520), onde
recomendava ao laicado, como um sacerdote espiritual, que fizesse a reforma
requerida por Deus, mas abandonada pelo Papa e pelo clero. Pela primeira vez
Lutero referiu-se ao Papa como o Anticristo[13].

As reformas que Lutero propunha não se referiam apenas a questões


doutrinárias, mas também aos abusos eclesiásticos:

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• a diminuição do número de cardeais e outras exigências da corte papal;


• a abolição das rendas do Papa;
• o reconhecimento do governo secular;
• a renúncia da exigência papal pelo poder temporal;
• a abolição dos Interditos e abusos relacionados com a excomunhão;
• a abolição das peregrinações nocivas;
• a eliminação dos excessivos dias santos;
• a supressão dos conventos para monjas, da mendicidade e da suntuosidade;
a reforma das universidades;
• a abrogação do celibato do clero;
• a união dos boêmios;
• e, finalmente, uma reforma geral na moralidade pública.

Muitas destas propostas refletiam os interesses da nobreza alemã, revoltada


com sua submissão ao Papa e, principalmente, com o fato de terem que enviar
riquezas a Roma.

O cativeiro babilônico

Lutero gerou muitas polêmicas doutrinárias com seu "Prelúdio no Cativeiro


Babilônico da Igreja", em especial no que diz respeito aos sacramentos.

• Eucaristia - apoiava que fosse devolvido o "cálice" ao laicado; na chamada


questão do dogma da transubstanciação, afirmava que era real a presença do
corpo e do sangue do Cristo na eucaristia, mas refutava o ensinamento de
que a eucaristia era o sacrifício oferecido por Deus.
• Batismo - ensinava que trazia a justificação apenas se combinado com a fé
salvadora em o receber; de fato, mantinha o princípio da salvação inclusive
para aqueles que mais tarde se convertessem.
• Penitência - afirmou que sua essência consiste na palavra de promessa de
desculpas recebidas com fé.

Para ele, apenas estes três sacramentos podiam assim ser considerados,
pois sua instituição era divina e a promessa da salvação de Deus estava conexa a
eles. Contudo, em sentido estrito, apenas o batismo e a eucaristia seriam
verdadeiros sacramentos, pois apenas eles tinham o "sinal visível da instituição
divina": a água no batismo e o pão e vinho da eucaristia. Lutero negou, em seu
documento, que a confirmação (Crisma), o matrimônio, a ordenação sacerdotal e a
extrema-unção fossem sacramentos.

Liberdade de um Cristão

Da mesma forma, o completo desenvolvimento da doutrina de Lutero sobre a


salvação e a vida cristã foi exposto em "A Liberdade de um Cristão" (publicado em
20 de novembro de 1520, onde exigia uma completa união com Cristo mediante a
palavra através da fé, e a inteira liberdade do cristão como sacerdote e rei sobre
todas as coisas exteriores, e um perfeito amor ao próximo).

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As duas teses que Lutero desenvolve nesse tratado são aparentemente


contraditórias, mas, em verdade, são complementares:

• "O cristão é um senhor libérrimo sobre tudo, a ninguém sujeito";


• "O cristão é um servo oficiosíssimo de tudo, a todos sujeito".

A primeira tese é válida "na fé"; a segunda, "no amor".

A excomunhão

A 15 de junho de 1520, o Papa advertiu Lutero, com a bula "Exsurge Domine",


onde o ameaçava com a excomunhão, a menos que, num prazo de sessenta dias,
repudiasse 41 pontos de sua doutrina, destacados pela Igreja.

Em outubro de 1520, Lutero enviou seu escrito "A Liberdade de um Cristão"


ao Papa, acrescentando a frase significativa:

"Eu não me submeto a leis ao interpretar a palavra de Deus".

Enquanto isso, um rumor chegara de que Johan Ech saíra de Meissem com
uma proibição papal, enquanto este se pronunciara realmente a 21 de setembro. O
último esforço de paz de Lutero foi seguido, em 12 de dezembro, da queima da bula,
que já tinha expirado há 120 dias, e o decreto papa de Wittenberg, defendendo-se
com seus "Warum des Papstes und seiner Jünger Bücher verbrannt sind" e "Assertio
omnium articulorum". O Papa Leão X excomungou Lutero a 3 de janeiro de 1521, na
bula "Decet Romanum Pontificem".

A execução da proibição, com efeito, foi evitada pela relação do Papa com
Frederico III da Saxônia, e pelo novo imperador, Carlos I de Espanha (Carlos V de
Habsburgo), que julgou inoportuno apoiar as medidas contra Lutero, diante de sua
posição face à Dieta.

A Dieta de Worms

O Imperador Carlos V inaugurou a Dieta real a 22 de janeiro de 1521. Lutero


foi chamado a renunciar ou confirmar seus ditos e foi-lhe outorgado um salvo-
conduto para garantir-lhe o seguro deslocamento.

A 16 de abril, Lutero apresentou-se diante da Dieta. Johann Eck, assistente


do Arcebispo de Trier, mostrou a Lutero uma mesa cheia de cópias de seus escritos.
Perguntou-lhe, então, se os livros eram seus e se ele acreditava naquilo que as
obras diziam. Lutero pediu um tempo para pensar em sua resposta, o que lhe foi
concedido. Este, então, isolou-se em oração e depois consultou seus aliados e
amigos, apresentando-se à Dieta no dia seguinte. Quando a Dieta veio a tratar do
assunto, o conselheiro Eck pediu a Lutero que respondesse explicitamente à
seguinte questão:

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"Lutero, repeles seus livros e os erros que eles contêm?"

Lutero, então, respondeu:

"Que se me convençam mediante testemunho das Escrituras e claros


argumentos da razão - porque não acredito nem no Papa nem nos concílios
já que está provado amiúde que estão errados, contradizendo-se a si
mesmos - pelos textos da Sagrada Escritura que citei, estou submetido a
minha consciência e unido à palavra de Deus. Por isto, não posso nem quero
retratar-me de nada, porque fazer algo contra a consciência não é seguro
nem saudável."

De acordo com a tradição, Lutero, então, proferiu as seguintes palavras:

"Não posso fazer outra coisa, esta é a minha posição. Que Deus me ajude![14]

Nos dias seguintes, seguiram-se muitas conferências privadas para


determinar qual o destino de Lutero. Antes que a decisão fosse tomada, Lutero
abandonou Worms. Durante seu regresso a Wittenberg, desapareceu.

O Imperador redigiu o Édito de Worms a 25 de maio de 1521, declarando


Martinho Lutero fugitivo e herege, e proscrevendo suas obras.

Processo Romano

Em Junho de 1518, foi aberto o processo contra Lutero, com base na


publicação das suas 95 Teses. Alegava-se, com o exame do processo, que ele
incorria em heresia. Nas aulas que ministrava na Universidade de Wittenberg,
espiões registravam seus comentários negativos sobre a excomunhão. Depois
disso, em agosto de 1518, o processo foi alterado para heresia notória. Lutero foi
convidado a ir a Roma, onde teria que desmentir sua doutrina.

Lutero recusou-se a fazê-lo, alegando razões de saúde; e pretendeu uma


audiência em território alemão. O seu pedido baseava-se no argumento (Gravamina)
da Nação Alemã. Seu pedido foi aceito, ele foi convidado para uma audiência com o
cardeal Caetano de Vio (Tomás Caetano), durante a reunião das cortes (Reichstag)
imperiais de Augsburg. Entre 12 e 14 de outubro de 1518, Lutero falou a Caetano.
Este pediu-lhe que revogasse sua doutrina. Lutero recusou-se a fazê-lo.

Do lado romano, o caso pareceu terminado. Por causa da morte de Imperador


Maximiliano I (Janeiro de 1519), houve uma pausa de dois anos no andamento do
processo. O Imperador tinha decidido que o seu sucessor seria Carlos (futuro Carlos
V). Por causa das pertenças de Carlos em Itália, o papa renascentista Leão X

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receava o cerco do Estado da Igreja e procurava evitar que os príncipes-eleitores


alemães (Kurfürsten) renunciassem a Carlos.

O papel de protetor de Lutero assumido por Frederico, o sábio, levou a que


Roma pedisse que Karl von Miltiz intercedesse junto ao príncipe por uma solução
razoável. Após a escolha de Carlos V como imperador (26 de junho de 1519), o
processo de Lutero voltaria a ser alvo de preocupações e trabalhos.

Em junho de 1520, reapareceu a ameaça no escrito "Exsurge Domini" e, em


janeiro de 1521, a bula "Decet Romanum Pontificem" excomungou Lutero. Seguiu-
se, então, a ameaça oficial do imperador (Reichsacht).

Notável é, no entanto, que Lutero foi, mais uma vez, recebido em audiência, o
que também deixou claras as diferenças entre o papado e o império. Carlos foi o
último rei (após uma reconciliação) a ser coroado imperador pelo papa. Nos dias 17
e 18 de Abril de 1521 Lutero foi ouvido na Dieta de Worms (conferência governativa)
e, após ter negado a revogação da sua doutrina, foi publicado o Édito de Worms,
banindo Lutero.

Exílio no Castelo de Wartburg

O seqüestro de Lutero durante a sua viagem de regresso da Dieta de Worms


foi arranjado. Frederico, o sábio ordenou que Lutero fosse capturado por um grupo
de homens mascarados a cavalo, que o levaram para o Castelo de Wartburg, em
Eisenach, onde ele permaneceu por cerca de um ano. Deixou crescer a barba e
tomou as vestes de um cavaleiro, assumindo o pseudônimo de Jörg. Durante esse
período de retiro forçado, Lutero trabalhou na sua célebre tradução da Bíblia para o
alemão.

Com o início da estadia de Lutero em Wartburg, começou um período muito


construtivo de sua carreira como reformista. Em seu "Deserto" ou "Patmos" (como
ele mesmo chamava, em suas cartas) de Wartburg, começou a tradução da Bíblia,
da qual foi impresso o Novo Testamento, em setembro de 1522.

Em Wartburg, ele produziu outros escritos, preparou a primeira parte de seu


Guia para Párocos e "Von der Beichte" (Sobre a Confissão), em que nega a
obrigatoriedade da confissão, e admite como saudável a confissão privada
voluntária. Também escreveu contra o Arcebispo Albrecht, a quem obrigou, com
isso, a desistir de retomar a venda das indulgências. Em seus ataques a Jacobus
Latomus, avançou em sua visão sobre a relação entre a graça e a lei, assim como
sobre a natureza revelada pelo Cristo, distinguindo o objetivo da graça de Deus para
o pecador que, por acreditar, é justificado por Deus devido à justiça de Cristo, pois a
graça salvadora reside dentro do homem pecador. Ainda mostrou que o "princípio da
justificação" é insuficiente, ante a persistência do pecado depois do batismo - pela
inerência do pecado em cada boa obra.

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Lutero, amiúde, escrevia cartas a seus amigos e aliados, respondendo-lhes


ou perguntando-lhes por seus pontos de vista e respondendo-lhes aos pedidos de
conselhos. Por exemplo, Felipe Melanchthon lhe escreveu perguntando como
responder à acusação de que os reformistas renegavam a peregrinação e outras
formas tradicionais de piedade. Lutero respondeu-lhe em 1 de agosto de 1521:

"Se és um pregador da misericórdia, não pregues uma misericórdia


imaginária, mas sim uma verdadeira. Se a misericórdia é verdadeira, deve
penitenciar ao pecado verdadeiro, não imaginário. Deus não salva apenas
aqueles que são pecadores imaginários. Conheça o pecador, e veja se os
seus pecados são fortes, mas deixai que tua confiança em Cristo seja ainda
mais forte, e que se alegre em Cristo que é o vencedor sobre o pecado, a
morte e o mundo. Cometeremos pecados enquanto estivermos aqui, porque
nesta vida não há um só lugar onde resida a justiça. Nós todos, sem
embargo, disse Pedro (2ª Pedro 3:13), estamos buscando mais além um novo
céu e uma nova terra onde a justiça reinará".

Enquanto isso, alguns sacerdotes saxônicos haviam renunciado ao voto de


castidade, ao mesmo tempo em que outros tantos atacavam os votos monásticos.
Lutero, em seu De votis monasticis (Sobre os votos monásticos), aconselhava-os a
ter mais cautela, aceitando, no fundo, que os votos eram geralmente tomados "com
a intenção da salvação ou à busca de justificação". Com a aprovação de Lutero em
seu "De abroganda missa privata (Sobre a abrogação da missa privada), mas contra
a firme oposição de seu prior, os agostinianos de Wittenberg realizaram a troca das
formas de adoração e terminaram com as missas. Sua violência e intolerância
certamente desagradaram Lutero que, em princípios de dezembro, passou alguns
dias entre eles. Ao retornar para Wartburg, escreveu "Eine treue Vermahnung... vor
Aufruhr und Empörung" (Uma sincera admoestação por Martinho Lutero a todos os
cristãos para que se resguardem da insurreição e rebelião). Apesar disso, em
Wittengerg, Carlstadt e o ex-agostiniano Gabriel Zwilling reclamavam a abolição da
missa privada e da comunhão em duas espécies, assim como a eliminação das
imagens nas igrejas e a abrogação do celibato.

Regresso a Wittenberg e os Sermões Invocavit

No final do ano de 1521, os anabatistas de Zwickau se entregam à anarquia.


Contrário a tais concepções radicais e temendo seus resultados, Lutero regressou
em segredo a Wittenberg, em 6 de março de 1522. Durante oito dias, a partir de 9 de
março (domigo de Invocavit) e concluindo no domingo seguinte, Lutero pregou
outros tantos sermões que tornaram-se conhecidos como os "Sermões de Invocavit".

Nessas pregações, Lutero aconselhou uma reforma cuidadosa, que leve em


consideração a consciência daqueles que ainda não estivessem persuadidos a
acolher a Reforma. A consagração do pão foi restaurada por um tempo e o cálice
sagrado foi ministrado somente àqueles do laicado que o desejaram. O cânon das
missas, devido ao seu caráter imolatório, foi suprimido. Devido ao sacramento da
confissão ter sido abolido, verificou-se a necessidade que muitas pessoas ainda

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tinham de confessar-se em busca do perdão. Esta nova forma de serviço foi dada a
Lutero em "Formula missæ et communionis" (Fórmula da missa e Comunhão), de
1523. Em 1524 surgiu o primeiro hinário de Wittenberg, com quatro hinos.

Como aquela parte da Saxônia era governada pelo Duque Jorge, que proibira
seus escritos, Lutero declarou que a autoridade civil não podia promulgar leis para a
alma. Fez isso em sua obra: "Über die weltliche Gewalt, wie weit man ihr Gehorsam
schuldig sei" (Autoridade Temporal: em que medida deve ser obedecida).

Matrimônio e família

Em abril de 1523, Lutero ajudou 12 freiras a escaparem do cativeiro no


Convento de Nimbschen. Entre essas freiras encontrava-se Catarina von Bora, filha
de nobre família , com quem veio a se casar, em 13 de junho de 1525. Dessa união
nasceram seis filhos: Johannes, Elisabeth, Magdalena, Martin, Paul e Margaretha.

O casamento de Lutero com a ex-freira cisterciense incentivou o casamento


de outros padres e freiras que haviam adotado a Reforma. Foi um rompimento
definitivo com a Igreja Romana.

A guerra dos camponeses

A guerra dos camponeses (1524-1525) foi, de muitas maneiras, uma resposta


aos discursos de Lutero e de outros reformadores. Revoltas de camponeses já
tinham existido em pequena escala em Flandres (1321-1323), na França (1358), na
Inglaterra (1381-1388), durante as guerras hussitas do século XV, e muitas outras
até o século XVIII. Mas muitos camponeses julgaram que os ataques verbais de
Lutero à Igreja e sua hierarquia significavam que os reformadores iriam igualmente
apoiar um ataque armado à hierarquia social. Por causa dos fortes laços entre a
nobreza hereditária e os líderes da Igreja que Lutero condenava, isso não seria
surpreendente.

Já em 1522, enquanto Lutero estava em Wartburg, seu seguidor Thomas


Münzer, comandou massas camponesas contra a nobreza imperial, pois propunha
uma sociedade sem diferenças entre ricos e pobres e sem propriedade privada[15],
Lutero por sua vez defendia que a existência de “senhores e servos” era vontade
divina[15], motivo pelo qual eles romperam[16]. Lutero, desde cedo, argumentou com a
nobreza e os próprios camponeses sobre uma possível revolta e também sobre
Müntzer, classificando-o como um dos "profetas do assassínio" e colocando-o como
um dos mentores do movimento camponês. Lutero escreveu a "Terrível História e
Juízo de Deus sobre Tomas Müntzer", inaugurando essa linha de pensamento.

Na iminência da revolta (1524), Lutero escreveu a "Carta aos Príncipes da


Saxônia sobre o Espírito Revoltoso", mostrando a tirania dos nobres que oprimiam o
povo e a loucura dos camponeses em reagir através da força e a confiar em Müntzer
como pregador. Houve pouca repercussão sobre esse escrito.

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Ainda em 1524, Müntzer mudou-se para a cidade imperial de Mühlhausen,


oferecendo-se como pregador. Lutero escreveu a "Carta Aberta aos Burgomestres,
Conselho e toda a Comunidade da Cidade de Mühlhausen", com o propósito de
alertar sobre as intenções de Müntzer. Também esse escrito não teve repercussão,
pois o conselho da cidade se limitou a pedir informações sobre Müntzer na cidade
imperial de Weimar.

O principal escrito dos camponeses eram os "Doze Artigos", onde suas


reivindicações eram expostas. Neles havia artigos de fundo teológico (direito de
ouvir o Evangelho através de pregadores chamados por eles próprios) e artigos que
tratavam dos maus tratos (exploração nos impostos, etc.) impostos a eles pelos
nobres. Os artigos eram fundamentados com passagens bíblicas e dizia-se que se
alguém pudesse provar pelas Escrituras que aquelas reivindicações eram injustas,
eles as abandonariam. Entre aqueles que se consideravam dignos de fazer tal coisa
estava o nome de Martinho Lutero.

De fato, Lutero escreveu sobre os "Doze artigos" em seu livro "Exortação à


Paz: Resposta aos Doze artigos do Campesinato da Suábia", de 1525. Nele, Lutero
ataca os príncipes e senhores por cometerem injustiças contra os camponeses e
ataca os camponeses pela rebelião e desrespeito à autoridade.

Também esse escrito não teve repercussão e, durante uma viagem pela
região da Turíngia, Lutero pôde testemunhar as revoltas camponesas, o que o
motivou a escrever o "Adendo: Contra as Hordas Salteadoras e Assassinas dos
Camponeses", onde disse: “Contras as hordas de camponeses (...), quem puder que
bata, mate ou fira, secreta ou abertamente, relembrando que não há nada mais
peçonhento, prejudicial e demoníaco que um rebelde”.[15] Tratava-se de um apêndice
de "Exortação à Paz...", mas que, rapidamente, tornou-se um livro separado. O
Adendo foi publicado quando a revolta camponesa já estava no final e os príncipes
cometiam atrocidades contra os camponeses derrotados, de modo que o escrito
causou grande revolta da opinião pública contra Lutero. Nele, Lutero encorajava os
príncipes a castigarem os camponeses até mesmo com a morte.

Essa repercussão negativa obrigou Lutero a pregar um sermão no dia de


pentecostes, em 1525, que se tornou o livro "Posicionamento do Dr. Martinho Lutero
Sobre o Livrinho Contra os Camponeses Assaltantes e Assassinos", onde o
reformador contesta os críticos e reafirma sua posição anterior.

Como ainda havia repercussão negativa, Lutero novamente se posicionou


sobre a questão no seu "Carta Aberta a Respeito do Rigoroso Livrinho Contra os
Camponeses", onde lamenta e exorta contra a crueldade que estava sendo
praticada pelos príncipes, mas reafirma sua posição anterior.

Por fim, a pedido de um amigo, o cavaleiro Assa von Kram, Lutero redigiu
"Acerca da Questão, Se Também Militares Ocupam uma Função Bem-Aventurada",
em 1526, com o propósito de esclarecer questões sobre consciência do cristão em
caso de guerra e sua função como militar.

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A discordância com João Calvino

No movimento reformista (também chamado de Reforma), Lutero não


concordou como o "estilo" de reforma de João Calvino. Martinho Lutero queria
reformar a Igreja Primitiva, enquanto João Calvino, acreditava que a Igreja estava
tão degenerada, que não havia como reformá-la. Calvino se propunha a organizar
uma nova Igreja que, na sua doutrina (e também em alguns costumes), seria
idêntica à Igreja Primitiva. Já Lutero decidiu reformá-la, fundando, então, o
Protestantismo, que não seguia tradições, mas apenas a doutrina registrada na
Bíblia, e cujos usos e costumes não ficariam presos a convenções ou épocas. A
doutrina luterana está explicitada no "Livro de Concórdia", e não muda, embora os
costumes e formas variem de acordo com a localidade e a época.

Obras importantes

Foi o autor de uma das primeiras traduções da Bíblia para alemão, algo que,
naquela época, não era permitido pela Igreja católica sem especial autorização
eclesiástica. Lutero, contudo, não foi o primeiro tradutor da Bíblia para alemão. Já
havia traduções mais antigas. A tradução de Lutero, no entanto, suplantou as
anteriores porque, além da qualidade da tradução, foi amplamente divulgada em
decorrência da sua difusão por meio da imprensa, desenvolvida por Gutenberg, em
1453.

O latim, língua do extinto Império Romano, permanecia a lingua franca


européia, imediatamente conotada com o passado romano glorioso, uma era de
ciência, de progresso econômico e civilizacional, sendo também a língua dos textos
sagrados, tal como tinham sido transmitidos às províncias do Império. Por mais
longínquas que fossem, nos menos de cem anos que separam a oficialização da
religião cristã pelo Imperador Romano Teodósio I em 380 d.C. e a deposição do
último imperador de Roma pelo Germânico Odoacro, em 476 d.C.(data avançada
por Edward Gibbon e convencionalmente aceita como ano da queda do Império
Romano do Ocidente), toda a região, de forma mais ou menos homogênea, se
cristianizou. O fim da perseguição à religião cristã pelo império romano se deu em
313 d.C. (Ver: Édito de Milão, Concílio de Niceia, Constantino I, A história do declínio
e queda do império romano, Santo Jerónimo).

No entanto, o domínio do latim era, no século XVI, no fim da Idade Média


(terminada oficialmente em 1453, com a tomada de Constantinopla pelos Otomanos)
e princípio da chamada Idade Moderna, apenas o privilégio de uma percentagem
ínfima de população instruída, entre os quais os elementos da própria Igreja. A
tradução de Lutero para o alemão foi simultaneamente um ato de desobediência e
um pilar da sistematização do que viria a ser a língua alemã, até aí vista como uma
língua inferior, dos servos e ignorantes. É preciso adicionar que Lutero não se
opunha ao latim, e chegou mesmo a publicar uma edição revisada da tradução latina
da Bíblia (Vulgata). Lutero escrevia tanto em latim como em alemão. A tradução da
Bíblia para o alemão não significou, portanto, rejeição do latim como língua
acadêmica.

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Foi também autor da polêmica obra "Sobre os judeus e suas mentiras". Pouco
conhecida, mas muito apreciada pelo próprio Lutero, foi sua resposta a "Diatribe" de
Erasmo de Roterdã intitulada De servo arbitrio (Título da publicação em português:
Da vontade cativa).

Giordano Bruno

Giordano Bruno (1548 — Roma, 17 de fevereiro de 1600) foi um teólogo,


filósofo, escritor e frade dominicano italiano, condenado à morte na fogueira, pela
Inquisição romana (Congregação da Sacra, Romana e Universal Inquisição do Santo
Ofício), por heresia. É também referido como Bruno de Nola ou Nolano.

Vida

Filho do militar João Bruno e de Flaulissa Savolino, seu nome de batismo era
Filippo, tendo adotado o nome de Giordano quando ingressou na Ordem
Dominicana (no convento de Nápoles em 1566). Lá, estudou profundamente a
filosofia de Aristóteles e de São Tomás de Aquino, doutorando-se em Teologia.

Sempre contestador, não tarda a atrair contra si próprio opiniões contrárias e


perseguições. Em 1576 abandona o hábito ao ser acusado de heresia por duvidar
da Santíssima Trindade. Inicia, então, uma peregrinação que marcou sua vida,
visitando Gênova, Toulouse, Paris e Londres, onde passou dois anos (1583 a 1585)
sob proteção do embaixador francês, freqüentando o círculo de amigos do poeta
inglês Sir Philip Sidney. Em 1585, Bruno retornou a Paris, indo em seguida para
Marburg, Wittenberg, Praga, Helmstedt e Frankfurt, onde conseguiu publicar vários
de seus escritos.

Defensor do humanismo, corrente filosófica do Renascimento (cujo principal


representante é Erasmo), Bruno defendia o infinito cósmico e uma nova visão do
homem. Embora a filosofia da sua época estivesse baseada nos clássicos antigos,
dentre os quais principalmente Aristóteles, Bruno teorizou veementemente contra
eles. Sua forma e conteúdo são muito semelhantes às de Platão, escrevendo na
forma de diálogos e com a mesma visão.

Nômade por natureza e modo de vida, Bruno baseou sua filosofia apoiado
nas suas intuições e vivências fora do comum. Defendeu teorias filosóficas que
misturavam um neo-platonismo místico e panteísmo. Acreditava que o Universo é
infinito, que Deus é a alma universal do mundo e que todas as coisas materiais são
manifestações deste principio infinito. Por tudo isso, Bruno é considerado um
pioneiro da filosofia moderna, tendo influenciado decisivamente o filósofo holandês
Baruch de Espinoza e o pensador alemão Gottfried Wilhelm von Leibniz.

Ideais

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Ao contrário do que se pensa comumente, Giordano Bruno não foi queimado


na fogueira por defender o heliocentrismo de Copérnico.

Um dos pontos chaves de sua teoria é a cosmologia, segundo a qual o


universo seria infinito, povoado por milhares de sistemas solares, e interligado com
outros planetas contendo vida inteligente. Para esta perspectiva bebeu na fonte de
Nicolau da Cusa, Copérnico e também de Giovanni Della Porta.

John Gribbin, em seu livro "Science: A History 1543-2001" explica que Bruno
participava de um movimento chamado Hermetismo, que se baseava em escrituras
que, de acordo com o que era dito, teriam se originado no Egito na época de Moisés.
Entre outras referências, esse movimento utilizava os ensinamentos do deus egípcio
Thoth, cujo equivalente grego era Hermes (daí hermetismo) - conhecido pelos
seguidores como Hermes Trimegistus. Bruno teria abraçado a teoria de Copérnico
porque ela se encaixava bem na idéia egípcia de um universo centrado no Sol.

Deus seria a força criadora perfeita que forma o mundo e que seria imanente
a ele. Bruno coaduna com os poderes humanos extraordinários, mas enfrentou
abertamente a Igreja Católica e seus preceitos.

Obras

Monumento erguido em 1889 por círculos maçônicos italianos, no local onde


Giordano Bruno foi executado. Campo de Fiori, Roma, Itália
Il Candelaio, em 1582
Cena de le Ceneri, em 1584
De l’infinito universo e mondi, em 1584
De la causa, principio e uno, em 1584
Gli eroici furori, em 1585

Morte

O nobre veneziano chamado Giovanni Mocenigo encontrou Bruno em


Frankfurt em 1590 e convidou-o para vir a Veneza, sob o pretexto de ensinar a
mnemotécnica, a arte de desenvolver a memória, em que Bruno era perito. Como
Mocenigo quisesse usar as artes da memória com fins comerciais, segundo alguns,
ou para prejudicar seus concorrentes e inimigos conforme outros, Bruno negou-se a
lhe ensinar. Por isso Mocenigo trancou-o num quarto e chamou os agentes da
Inquisição para levarem-no preso, acusando de heresia. Bruno foi preso no San
Castello no dia 26 de maio de 1592.

Por estas opiniões quentes e perigosas para a época que Giordano Bruno foi
condenado pela Inquisição, tendo passado seus últimos oito anos sofrendo torturas
e maus tratos de todos os tipos.[carece de fontes?] No último interrogatório não se
submete, mostra força e coragem. Por não abjurar, é condenado à morte na
fogueira, mas antes de morrer queimado no Campo de Fiori, ele afronta ainda mais

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uma vez seus inquisidores. É dito que cuspiu no crucifixo dos os que o mataram.
Porém alguns consideram que não o tenha feito e este relato seja para tentar
depreciar mais sua imagem. Morreu na fogueira com tábua e pregos na língua, para
parar de "blasfemar".

Ao ser anunciada a sentença de que seria executado piamente, sem profusão


de sangue (que em verdade significava a morte pela fogueira) disse: "Teme mais a
Força em pronunciar a sentença do que eu em escutá-la"

Bruno também escreveu um livro polêmico, "A ceia das Cinzas", que foi
queimado pela Igreja Católica.

Blaise Pascal

Blaise Pascal (Clermont-Ferrand, 19 de Junho de 1623 - Paris, 19 de Agosto


de 1662) foi um filósofo religioso, físico e matemático francês, que como filósofo
criou uma das afirmações mais pronunciadas pela humanidade nos séculos
posteriores:

O coração tem razões que a própria razão desconhece.

Frase esta síntese de sua doutrina filosófica: o raciocínio lógico e a


emoção.Considerado um gênio,ele foi uma criança prodígio educado por seu pai, um
funcionário público.

Vida

Blaise Pascal fez célebres contribuições para as Ciências Naturais Aplicadas


onde realizou trabalhos importantes para a construção da calculadora mecânica,
estudos de fluidos, e esclareceu os conceitos de pressão e vácuo por generalizar o
trabalho de Evangelista Torricelli.

Pascal também escreveu em defesa do Método Científico.Foi um matemático


de primeira ordem.Ajudou a criar duas novas e importantes áreas de
pesquisa.Escreveu um importante tratado sobre o tema da geometria projetiva com
dezesseis anos de idade e mais tarde trocara correspondência com Pierre de
Fermat sobre Teoria da Probabilidade, influenciando fortemente o desenvolvimento
da Economia Moderna como Ciência Social. Seguindo o programa de Galileu e
Torricelli, em 1646 ele refutou seguidores de Aristóteles que insistiam que a
natureza tinha horror ao vazio. Seus resultados causaram muitas controvérsias
antes de serem aceites.[1]
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Filho de um professor de matemática, Etienne Pascal, foi educado sob forte


influência religiosa e tornou-se extremamente ascetista, escrevendo várias obras
religiosas. Seu talento precoce para as ciências físicas levou a família para Paris,
onde ele se dedicou ao estudo da matemática.

Acompanhou o pai quando este foi transferido para Rouen e lá realizou as


primeiras pesquisas no campo da Física. Realizou experiências sobre sons que
resultaram em um pequeno tratado (1634) e no ano seguinte chegou à dedução de
32 proposições de geometria estabelecidas por Euclides. Publicou Essay pour les
coniques (1640), contendo o célebre teorema de Pascal.

Como matemático, especializou-se em cálculos infinitesimais e criou um tipo


de máquina de somar que chamou de La pascaline (1642), a primeira calculadora
mecânica que se conhece, conservada no Conservatório de Artes e Medidas de
Paris.

Em uma citação de Anders Hald:

Para aliviar o trabalho do seu pai como um agente fiscal, Pascal inventou
uma máquina de calcular para adição e subtração e cuidava de sua
construção e venda.

Em 1646 a família dele se convertera para Jansenismo. De volta a Paris


(1647), influenciado pelas experiências de Torricelli, enunciou os primeiros trabalhos
sobre o vácuo e demonstrou as variações da pressão atmosférica. A partir de então,
desenvolveu extensivas pesquisas utilizando sifões, seringas, foles e tubos de vários
tamanhos e formas e com líquidos como água, mercúrio, óleo, vinho, ar, etc, no
vácuo e sob pressão atmosférica.

Seu pai morrera em 1651. Na sequência de uma experiência mística em finais


1654, ele fizera a sua "segunda conversão", abandonou o seu trabalho científico, e
se dedicou à filosofia e teologia. Suas duas obras mais famosas datam dessa época:
as Lettres Provinciales e as Pensées, tempo este durante o conflito entre
Jansenistas e jesuítas. Neste ano, também escreveu um importante tratado sobre a
aritmética dos triângulos.[2]

Aperfeiçoou o barômetro de Torricelli e, na matemática, publicou o célebre


Traité du triangle arithmétique (1654). Juntamente com Pierre de Fermat,
estabelecendo as bases da teoria das probabilidades e da análise combinatória
(1654), que o neerlandês Huygens ampliou posteriormente (1657).Entre 1658 e
1659, escreveu sobre o ciclóide e a sua utilização no cálculo do volume de sólidos.[3]

Neste mesmo ano, após uma "visão divina", abandonou as ciências para se
dedicar exclusivamente à teologia, e no ano seguinte recolheu-se à abadia de Port-
Royal des Champs, centro do jansenismo, só voltando às ciências após "novo
milagre" (1658). Neste período publicou seus principais livros filosófico-religiosos:
Les Provinciales (1656-1657), conjunto de 18 cartas escritas para defender o

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jansenista Antoine Arnauld, oponente dos jesuítas que estava em julgamento pelos
teólogos de Paris, e Pensées (1670), um tratado sobre a espiritualidade, em que fez
a defesa do cristianismo e marcou o início de seu afastamento dos jansenistas,
facção católica inspirada numa deturpação do pensamento de Santo Agostinho.[3]

Como Teólogo e escritor destacou-se como um dos mestres do racionalismo


e irracionalismo modernos e sua obra influenciou os ingleses Charles e John
Wesley, fundadores da Igreja Metodista. Um dos seus tratados sobre hidrostática,
Traité de l'équilibre des liqueurs, só foi publicado postumamente, um ano após sua
morte (1663). Esclareceu finalmente os princípios barométricos, da prensa hidráulica
e da transmissibilidade de pressões. Estabeleceu o princípio de Pascal que diz: em
um líquido em repouso ou equilíbrio as variações de pressão transmitem-se
igualmente e sem perdas para todos os pontos da massa líquida. É o princípio de
funcionamento do macaco hidráulico. Na Mecânica é homenageado com a unidade
de tensão mecânica (ou pressão) Pascal (1Pa = 1 N/m²; 105 N/m² = 1 bar).

Pascal viveu sob más condições sanitárias ao longo da sua vida e o seu
falecimento veio apenas dois meses após seu 39º aniversário, em 19 de agosto de
1662.

Obras de Pascal em português

• "Pensamentos", Trad. Sérgio Milliet, Col. Os Pensadores, volume XVI, editora


Abril Cultural. São Paulo, 1973.
• "Pensamentos", São Paulo: Martins Fontes, 2005.
• Diálogo de Pascal com o Sr. de Saci, Princípios: revista de filosofia, 2005.

Livros e artigos sobre Pascal em português

• Gérard Lebrun, Pascal Coleção Encanto Radical. Editora Brasiliense, São


Paulo.
• Scarlett Marton, "Pascal: a busca do ponto fixo e a prática do anatomia
moral", in Revista Discurso nº 24. Discurso Editoral, São Paulo, 1994.
• Henri Gouhier, Blaise Pascal Conversão e apologética, Sâo Paulo: Discurso
editorial

Immanuel Kant

Immanuel Kant ou Emanuel Kant (Königsberg, 22 de Abril de 1724 —


Königsberg, 12 de Fevereiro de 1804) foi um filósofo alemão, geralmente
considerado como o último grande filósofo dos princípios da era moderna,
indiscutivelmente um dos seus pensadores mais influentes. Depois de um longo
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período como professor secundário, começou em 1755 a carreira universitária


ensinando Ciências Naturais. Em 1770 foi nomeado professor catedrático da
universidade de Königsberg, cidade da qual nunca saiu, levando uma vida
monotonamente pontual e só dedicada aos estudos filosóficos.Realizou numerosos
trabalhos sobre ciência, física , matemática ,etc.

Kant operou, na epistemologia, uma síntese entre o Racionalismo continental


(de René Descartes e Gottfried Leibniz, onde impera a forma de raciocínio dedutivo),
e a tradição empírica inglesa (de David Hume, John Locke, ou George Berkeley, que
valoriza a indução).

Kant é famoso sobretudo pela elaboração do denominado idealismo


transcendental: todos nós trazemos formas e conceitos a priori (aqueles que não
vêm da experiência) para a experiência concreta do mundo, os quais seriam de
outra forma impossíveis de determinar. A filosofia da natureza e da natureza
humana de Kant é historicamente uma das mais determinantes fontes do relativismo
conceptual que dominou a vida intelectual do século XX. No entanto, é muito
provável que Kant rejeitasse o relativismo nas formas contemporâneas, como por
exemplo o Pós-modernismo.

Kant é também conhecido pela filosofia moral e pela proposta, a primeira


moderna, de uma teoria da formação do sistema solar, conhecida como a hipótese
Kant-Laplace.

Vida

Kant nasceu, viveu e morreu em Königsberg (atual Kaliningrado), na altura


pertencente à Prússia. Foi o quarto dos nove filhos de Johann Georg Kant, um
artesão fabricante de correias (componente das carroças de então) e da mulher
Regina. Nascido numa família protestante, teve uma educação austera numa escola
pietista, que frequentou graças à intervenção de um pastor.

Passou grande parte da juventude como estudante, sólido mas não


espetacular, preferindo o bilhar ao estudo. Tinha a convicção curiosa de que uma
pessoa não podia ter uma direcção firme na vida enquanto não atingisse os 39 anos.
Com essa idade, era apenas um metafísico menor numa universidade prussiana,
mas foi então que uma breve crise existencial o assomou. Pode argumentar-se que
teve influência na posterior direcção.

Kant foi um respeitado e competente professor universitário durante quase


toda a vida, mas nada do que fez antes dos 50 anos lhe garantiria qualquer
reputação histórica. Viveu uma vida extremamente regulada: o passeio que fazia às
15:30 todas as tardes era tão pontual que as mulheres domésticas das redondezas
podiam acertar os relógios por ele.

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Kant nunca deixou a Prússia e raramente saiu da cidade natal. Apesar da


reputação que ganhou, era considerado uma pessoa muito sociável: recebia
convidados para jantar com regularidade, insistindo que a companhia era boa para a
constituição física.

Por volta de 1770, com 46 anos, Kant leu a obra do filósofo escocês David
Hume. Hume é por muitos considerados um empirista ou um cético, muitos autores o
consideram um naturalista.

Kant sentiu-se profundamente inquietado. Achava o argumento de Hume


irrefutável, mas as conclusões inaceitáveis. Durante 10 anos não publicou nada e,
então, em 1781 publicou o massivo "Crítica da Razão Pura", um dos livros mais
importantes e influentes da moderna filosofia.

Neste livro, ele desenvolveu a noção de um argumento transcendental para


mostrar que, em suma, apesar de não podermos saber necessariamente verdades
sobre o mundo "como ele é em si", estamos forçados a percepcionar e a pensar
acerca do mundo de certas formas: podemos saber com certeza um grande número
de coisas sobre "o mundo como ele nos aparece". Por exemplo, que cada evento
estará causalmente conectado com outros, que aparições no espaço e no tempo
obedecem a leis da geometria, da aritmética, da física,etc.

Nos cerca de vinte anos seguintes, até a morte em 1804, a produção de Kant
foi incessante. O seu edifício da filosofia crítica foi completado com a Crítica da
Razão Prática,

Inscrições ao longo da tumba de Kant, dentre elas (...)"O céu estrelado por
sobre mim e a lei moral dentro de mim" (...)

que lidava com a moralidade de forma similar ao modo como a primeira crítica
lidava com o conhecimento; e a Crítica do Julgamento, que lidava com os vários
usos dos nossos poderes mentais, que não conferem conhecimento factual e nem
nos obrigam a agir: o julgamento estético (do Belo e Sublime) e julgamento
teleológico (Construção de Coisas Como Tendo "Fins"). Como Kant os entendeu, o
julgamento estético e teleológico conectam os nossos julgamentos morais e
empíricos um ao outro, unificando o seu sistema.

Uma das obras, em particular, atinge hoje em dia grande destaque entre os
estudiosos da filosofia moral. A Fundamentação da Metafísica dos Costumes é
considerada por muitos filósofos a mais importante obra já escrita sobre a moral. É
nesta obra que o filósofo delimita as funções da ação moralmente fundamentada e
apresenta conceitos como o "Imperativo categórico" e a "Boa vontade".

Os trabalhos de Kant são a sustentação e ponto de início da moderna filosofia


alemã; como diz Hegel, frutificou com força e riqueza só comparáveis à do
socratismo na história da filosofia grega. Fichter, Hegel , Schelling, Schopenhauer,
para indicar apenas os maiores, inscrevem-se na linhagem desse pensamento que

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representa um etapa decisiva na história da filosofia e está longe de ter esgotado a


sua fecundidade.[1]

Kant escreveu alguns ensaios medianamente populares sobre história,


política e a aplicação da filosofia à vida. Quando morreu, estava a trabalhar numa
projetada "quarta crítica", por ter chegado à conclusão de que seu sistema estava
incompleto; este manuscrito foi então publicado como Opus Postumum. Morrera em
12 de fevereiro de 1804 na mesma cidade que nascera e permanecera durante toda
sua vida.

Filosofia

Na "Crítica da razão pura"

O trabalho filosófico de Kant está na afluência do racionalismo, do empirismo


inglês (David Hume) e a ciência física-matemática de Isaac Newton. Seu caminho
histórico está assinalado pelo governo de Frederico II, a independência americana e
a Revolução Francesa. As questões de partida do Kantismo são o problema do
conhecimento, e a ciência, tal como existe. A ciência se arranja de juízos que podem
ser juízo analítico|analíticos e sintéticos. Nos primeiros (o quadrado tem quatro lados
e quatro ângulos internos), fundados no princípio de identidade, o predicado aponta
um atributo contido no sujeito. Tais juízos independem da experiência, são
universais e necessários. Os sintéticos, a posteriori resultam da experiência e
sobrepõem ao sujeito no predicado um atributo que nele não se acha previamente
contido (o calor dilata os corpos ), sendo, por isso , privados e incertos.

Uma indagação eminente que o levara à sintetização do pensar: Que juízos


constituem a ciência físico matemática? Caso fossem analíticos, a ciência sempre
diria o mesmo (e não é assim ) ,e , se fossem sintéticos um hábito sem fundamento
(o calor dilata os corpos porque costuma dilatá-los).Os juízos da ciência devem ser,
ao mesmo tempo, a priori, quer dizer , universais e necessários, e sintéticos
objetivos, fundados na experiência. Trata-se pois, de saber como são possíveis os
juízos sintéticos a priori na matemática e na física.(“Estética transcendental” e
“Analítica transcendental”), e se são possíveis na metafísica (“Dialética
transcendental ”,Partes da Crítica da razão pura). Para os juízos sintéticos a priori
são admissíveis na matemática porque essa ciência se fundamenta no espaço e no
tempo, formas a priori da sensibilidade, intuições puras e não conceitos de coisas
como objetos. O espaço é a priori, não deriva da experiência, mas é sua condição
de possibilidade. Podemos pensar o espaço sem coisas, mas não coisa sem
espaço. O espaço é o objeto de intuição e não conceito, pois não podemos ter
intuição do objeto de um conceito (pedra, carro, cavalo, etc,), gênero ou espécie.
Ora, o espaço não é nem uma coisa nem outra, e só há um espaço (o nada,
referindo ao espaço).

Na apresentação “transcendental” do espaço, Kant determina as condições


subjetivas ou transcendentais da objetividade. Se o conhecimento é relação, ou
relacionamento (do sujeito com o objeto), não, pode conhecer as coisas “em si”, mas
“para nós”. A geometria pura , quando aplicada , coincide totalmente com a

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experiência, porque o espaço é a forma a priori da sensibilidade externa. O tempo é,


também, a priori. Podemos concebê-lo sem acontecimentos, internos ou externos,
mas não podemos conceber os acontecimentos fora do tempo. Objeto de intuição ,
não pode ser conceito. Forma vazia, intuição pura ,torna possíveis por exemplo os
juízos sintéticos a priori na aritmética , cujas operações
(soma,subtração,etc.)ocorrendo sucessivamente, o pressupõem. O tempo é , pois, a
forma a priori da sensibilidade interna e externa. Esse privilégio explica a
compenetração da geometria e da aritmética. A geometria analítica (Descartes)
permite reduzir as figuras a equações e vice-versa. O cálculo infinitesimal (Leibniz)
arremata essa compenetração definindo a lei de desenvolvimento de um ponto em
qualquer direção do espaço. A matemática é pois, um conjunto de leis a priori, que
coincidem com a experiência e a tornam cognoscível. As condições de possibilidade
do conhecimento sensível são, portanto, as formas a priori da sensibilidade. Não
existe a “coisa em si”. Se existisse não se poderia a conhecer enquanto tal, e nada
se poderia dizer a seu respeito. Só é possível conhecer coisas extensas no espaço e
sucessivas no tempo, enquanto se manifestam, ou aparecem, ou seja,
“fenômenos”.[2]

Na “analítica transcendental”, Kant analisa a possibilidade dos juízos


sintéticos a priori na física. Compreendemos que a natureza é regida por leis
matemáticas que ordenam com rigor o comportamento das coisas (o que permite
ciências como engenharia, etc, serem possíveis o determinismo com certa
regularidade). Não há como saber das coisas com apenas percepções sensíveis,
impressões. Há um conhecimento a priori da natureza. A função principal dos juízos
da natureza. Ora, a função principal dos juízos é pôr, colocar a realidade e, em
seguida, determiná-la. As diversas formas do juízo deverão, portanto, conter as
diversas formas da realidade.

Essa formas estão estudadas desde Aristóteles, que as classifica de acordo


com a quantidade, a qualidade, a relação e a modalidade. Na “Dedução
transcendental“ das categorias, Kant volta a classificação aristotélica, dando-lhe
novo sentido. Assim, à quantidade, correspondem a unidade, a pluralidade e a
totalidade; à qualidade a essência, a negação e a limitação; a relação a substância,
a causalidade e a ação recíproca; à modalidade, a possibilidade, a existência e a
necessidade. Tais categorias são as condições de possibilidade dos juízos sintéticos
a priori em física. As condições do conhecimento são, enfim, como se acabe de ver,
as condições prévias da objetividade. A ciência da natureza postula a existência de
objetos, sua consistência e as relações de causa e efeito. Se as categorias
universais, particulares e contingentes, devem proceder de nós mesmos, de nosso
entendimento. Em tal descoberta consiste a “inversão copernicana”, realizada por
Kant. Não é o objeto que determina o sujeito, mas o sujeito que determina o objeto.
As categorias são conceitos, todavia, puros, a priori, anteriores à experiência e que,
por isso, a tornam possível. Em suma, o objeto só se torna cognoscível na medida
em que o sujeito que determina o objeto. As categorias são conceitos, todavia puros,
à priori, anteriores à experiência e que por isso, a tornam possível. Em suma, o
objeto só se torna cognoscível na medida em que o sujeito cognoscente o reveste
das condições de cognoscibilidade.[3]

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Na “dialética transcendental”, finalmente Kant examina a possibilidade dos


juízos sintéticos a priori na metafísica. A “coisa em si” (alma, Deus, essência do
cosmos, etc.) não nos é dada em experiência alguma. Ora, como chega a razão a
formar esses objetos? Sintetizando além da experiência, fazendo a síntese das
sínteses, porque aspira ao infinito, ao incondicionado, ao absoluto. Nas célebres,
”antinomias”, Kant mostra que a razão pura demonstra, “indiferentemente”, a finitude
e a infinitude do universo, a liberdade e o determinismo, a existência e a inexistência
de Deus. Ultrapassando os limites da experiência, aplica arbitrariamente as
categorias e pretende conhecer o incognoscível. A metafísica é impossível como
ciência, pois não se pode chegar mais, além disso.

Juízo Estético Kant

O juízo estético é abordado no livro Crítíca da Faculdade do Juízo. De acordo


com Kant para se ter uma investigação crítica a respeito do belo, devemos estar
orientados pelo poder de julgar. E a indagação básica que move essa investigação
crítica a respeito do belo é: existe algum valor universal que conceitue o belo e que
reivindique que outras pessoas, a partir da minha apreciação de uma forma bela da
natureza ou da arte, confirmem essa posição? Ou então somos obrigados a admitir
que todo objeto que julgamos como sendo belo é uma valoração subjetiva? O poder
de julgar, pertencendo a todo sujeito, é universal e congraça o julgamento estético,
especulativo e prático. Portanto a investigação crítica que Kant se refere diz respeito
às possibilidades e limitações das faculdades subjetivas que agem sob princípios
formulados e que pertencem à essência do pensamento.

Como podemos desnudar o fenômeno que explica o nosso gosto? Se


fizermos uma experiência com vários indivíduos e o defrontarmos com um objeto de
arte, observaremos que as impressões causadas serão as mais diversas. Então
chegaremos à conclusão de que a observação atenta e valorativa daquele objeto,
somada as diferentes opiniões que foram apresentadas pelos indivíduos, nos dá
respaldo para afirmar que o gosto tem que ser discutido. Para Kant apenas sobre
gosto se discute, ao passo que, representa uma reivindicação para tornar universal
um juízo subjetivo.

A universalidade do juízo estético é detectada por envolver um exercício


persuasivo de convencimento de outro sujeito que aquela determinada forma da
natureza ou da arte é bela. E, dessa forma, torna aquele valor universal. Os sujeitos
têm em comum um princípio de avaliação moral livre que determina a avaliação
estética e, portanto, julga o belo como universal.

O juízo estético está relacionado ao prazer ou desprazer que o objeto


analisado nos imprime e, como se refere Kant, o belo “é o que agrada
universalmente, sem relação com qualquer conceito”. Essa situação fica bem
evidente quando visitamos um museu. Digamos que essa experiência fosse
realizada no Museu do Louvre, em Paris, com o quadro Monalisa. Se nos
colocarmos como observador, perceberemos que os mais diversos comentários
serão tecidos a cerca dessa obra tão famosa. Detendo-nos na análise dos
comentários favoráveis notaremos que, ratificando Kant, o belo não está arraigado

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em nenhum conceito. Pois, dos vários indivíduos que vão apreciar a obra de
Leonardo da Vinci, encontraremos desde pessoas especializadas em arte até leigos,
como eu ou você, que vão empregar cada qual um conceito, de acordo com a
percepção, após a contemplação da Monalisa. Então isso comprova que não existe
uma definição exata a cerca do belo, mas sim um sentimento que é universal e
necessário.

A Paz Perpetua

A paz perpetua, trata que o direito cosmopolitico deve circunscrever-se às


condições de uma hospitalidade universal. Dessa forma, Emmanuel Kant traz no
terceiro artigo definitivo de um tratado de paz perpetua,o fato de que existe um
direito cosmopolitano relacionado com os diferentes modos do conflito dos
indivíduos intervirem nas relações com outros indivíduos.A pessoa que está em seu
território, no seu domínio, pode repelir o visitante se este interfere em seu domínio.
No entanto, caso o visitante mantenha-se pacifico, não seria possível hostiliza-lo.
Também, não se trata de um direito que obrigatoriamente o visitante poderia exigir
daquele que o tem assim, mas sim, de um direito que persiste em todos os homens,
o do direito de apresentar-se na sociedade.

O direito de cada um na superfície terrestre pode ser limitada no sentido da


superfície. Já o indivíduo deve tolerar a presença do outro, sem interferir nele, visto
que tal direito persiste a toda espécie humana. Então, o direito da posse comunitária
da superfície terrestre pertence a todos aqueles que gozam da condição humana,
existindo uma tolerância de todos a fim de que se alcance uma convivência plena.
Veja que o ato de hostilidade está presente no ato do direito de hospitalidade.
Mesmo que o espaço seja limitado, os indivíduos devem se comportar pacificamente
com o intuito de se alcançar a paz de convívio mútuo. O relacionamento entre as
pessoas está na construção dos direitos de cada um, sendo indispensável para a
compreensão do direito cosmopolitico de modo a garantir as condições necessárias
para termos uma hospitalidade universal.

Por fim, a violação do direito cosmopolitano e o direito público da humanidade criará


condições para o favorecimento da paz perpetua, proporcionando a esperança de
uma possível aproximação do estado pacífico.

Filosofia de Kant em geral

"Só a crítica pode cortar pela raiz o materialismo, o


fatalismo, o ateísmo, a incredulidade dos espíritos
Kant, Crítica
fortes, o fanatismo e a superstição, que se podem
da razão
tornar nocivos a todos e, por último, também o
pura, B
idealismo e o cepticismo, que são sobretudo [4]
XXXIV .
perigosos para as escolas e dificilmente se
propagam no público"

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Apesar de ter adaptado a idéia de uma filosofia crítica, cujo objectivo primário
era "criticar" as limitações das nossas capacidades intelectuais, Kant foi um dos
grandes construtores de sistemas, levando a cabo a ideia de crítica nos seus
estudos da metafísica, ética e estética.

Uma citação famosa - "o céu estrelado por sobre mim e a lei moral dentro de
mim" - é um resumo dos seus esforços: ele pretendia explicar, numa teoria
sistemática, aquelas duas áreas. Isaac Newton tinha desenvolvido a teoria da física
sob a qual Kant queria edificar a filosofia. Esta teoria envolvia a assunção de forças
naturais de que os homens não se apercebem, mas que são usadas para explicar o
movimento de corpos físicos.

O seu interesse na ciência também o levou a propor em 1755 que o sistema


solar fora criado a partir de uma nuvem de gás na qual os objectos se condensaram
devido à gravidade. Esta Hipótese Nebular é amplamente reconhecida como a
primeira teoria moderna da formação do sistema solar e é precursora das actuais
teorias da formação estelar.

Metafísica e epistemologia de Kant

O livro mais lido e mais influente de Kant é a Crítica da Razão Pura (1781).
De acordo com o próprio autor, a obra, também conhecida como "primeira crítica", é
resultado da leitura de Hume e do seu despertar do sono dogmático, a saber: Kant
se perguntou como são possíveis juízos sintéticos a priori? Para responder a essa
pergunta, Kant escreveu esse livro portentoso, de mais de 800 páginas.

Na primeira crítica, Kant vai mostrar que tempo e espaço são formas
fundamentais de percepção (formas da sensibilidade) que existem como
ferramentas da mente, mas que só podem ser usadas na experiência.

Tente imaginar alguma coisa que existe fora do tempo e que não tem
extensão no espaço.[5] A mente humana não pode produzir tal idéia. Nada pode ser
percebido excepto através destas formas, e os limites da física são os limites da
estrutura fundamental da mente. Assim, já vemos que não podemos conhecer fora
do espaço e do tempo.

Mas além das formas da sensibilidade, Kant vai nos dizer que há também o
entendimento, que seria uma faculdade da razão. O entendimento nos fornece as
categorias com as quais podemos operar as sínteses do diverso da experiência.

Assim, como são possíveis juízos sintéticos a priori? São possíveis porque há
uma faculdade da razão - o entendimento - que nos fornece categorias a priori -
como causa e efeito - que nos permitem emitir juízos sobre o mundo.

Contudo, diz Kant, as categorias são próprias do conhecimento da experiência. Elas


não podem ser empregadas fora do campo da experiência. Daí porque, na filosofia

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crítica de Kant, não nos é possível conhecer a coisa em si, ou aquilo que não está
no campo fenomenológico da experiência.

Na perspectiva de Kant, há, por isso, o conhecimento a priori de algumas


coisas, uma vez que a mente tem que ter estas categorias, de forma a poder
compreender a massa sussurrante de experiência crua, não-interpretada que se
apresenta às nossas consciências. Em segundo lugar, ela remove o mundo real (a
que Kant chamou o mundo numenal ou númeno) da arena da percepção humana.

Kant denominou a filosofia crítica de "idealismo transcendental". Apesar da


interpretação exacta desta frase ser contenciosa, uma maneira de a compreender é
através da comparação de Kant, no segundo prefácio à "Crítica da Razão Pura", da
filosofia crítica com a revolução copernicana na astronomia.

Até aqui, foi assumido que todo o nosso conhecimento deve conformar-
se aos objectos. Mas todas as nossas tentativas de estender o nosso
conhecimento de objectos pelo estabelecer de qualquer coisa a priori a
seu respeito, por meios de conceitos, acabaram, nesta suposição, por
falhar. Temos pois, por tentativas, que ver se temos ou não mais sucesso
nas tarefas da metafísica, se supusermos que os objectos devem
corresponder ao nosso conhecimento.

Tal como Copérnico revolucionou a astronomia ao mudar o ponto de vista, a


filosofia crítica de Kant pergunta quais as condições a priori para que o nosso
conhecimento do mundo se possa concretizar.

O idealismo transcendental descreve este método de procurar as condições


da possibilidade do nosso conhecimento do mundo. Mas esse idealismo
transcendental de Kant deverá ser distinguido de sistemas idealistas, como os de
Berkeley. Enquanto Kant acha que os fenómenos dependem das condições da
sensibilidade, espaço e tempo, esta tese não é equivalente à dependência-mental
no sentido do idealismo de Berkeley.

Para Berkeley, uma coisa é um objecto apenas se puder ser percepcionada.


Para Kant, a percepção não é o critério da existência dos objectos. Antes, as
condições de sensibilidade - espaço e tempo - oferecem as "condições epistémicas",
para usar a frase de Henry Allison, requeridas para que conheçamos objectos no
mundo dos fenómenos. Kant tinha querido discutir os sistemas metafísicos mas
descobriu "o escândalo da filosofia": não se pode definir os termos correctos para
um sistema metafísico até que se defina o campo, e não se pode definir o campo até
que se tenha definido o limite do campo da física - física, no sentido de discussão do
mundo perceptível.

Kant afirma, em síntese, que não somos capazes de conhecer inteiramente


os objetivos reais e que o nosso conhecimento sobre os objetos reais é apenas fruto
do que somos capazes de pensar sobre eles.

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Filosofia Moral

Immanuel Kant desenvolve a filosofia moral em três obras: Fundamentação


da metafísica dos costumes (1785), Crítica da razão prática (1788) e Metafísica dos
costumes (1798).

Nesta área, Kant é provavelmente mais bem conhecido pela teoria sobre uma
obrigação moral única e geral, que explica todas as outras obrigações morais que
temos: o imperativo categórico.

Age de tal modo que a máxima da tua ação se possa tornar princípio de
uma legislação universal.

O imperativo categórico, em termos gerais, é uma obrigação incondicional, ou


uma obrigação que temos independentemente da nossa vontade ou desejos (em
contraste com o imperativo hipotético).

As nossas obrigações morais podem ser resultantes do imperativo categórico.


O imperativo categórico pode ser formulado em três formas, que ele acreditava
serem mais ou menos equivalentes (apesar de opinião contrária de muitos
comentadores):

§ A primeira formulação (a fórmula da lei universal) diz: "Age somente em


concordância com aquela máxima através da qual tu possas ao mesmo tempo
querer que ela venha a se tornar uma lei universal".

§ A segunda fórmula (a fórmula da humanidade) diz: "Age por forma a que


uses a humanidade, quer na tua pessoa como de qualquer outra, sempre ao mesmo
tempo como fim, nunca meramente como meio".

§ A terceira fórmula (a fórmula da autonomia) é uma síntese das duas


prévias. Diz que deveremos agir por forma a que possamos pensar de nós próprios
como leis universais legislativas através das nossas máximas. Podemos pensar em
nós como tais legisladores autônomos apenas se seguirmos as nossas próprias leis.

Kant e a Revolução francesa

Em 1784, no seu ensaio "Uma resposta à questão: o que é o Iluminismo",


Kant visava vários grupos que tinham levado o racionalismo longe de mais: os
metafísicos que pretendiam tudo compreender acerca de Deus e da imortalidade; os
cientistas que presumiam nos seus resultados a mais profunda e exacta descrição
da natureza; os cépticos que diziam que a crença em Deus, na liberdade, e na
imortalidade, eram irracionais.

Kant mantinha-se no entanto optimista, começando por ver na Revolução


francesa uma tentativa de instaurar o domínio da razão e da liberdade. Toda a

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Europa do Iluminismo contemplava então fascinada os acontecimentos


revolucionários em França.

A Revolução francesa vai no entanto ser um marco de viragem, também na


filosofia de Kant. Observando a evolução e as realizações práticas, Kant volta a
reflectir sobre a prometida razão e liberdade.

No plano religioso, em 1792, Kant, ao escrever a obra Der Sieg des guten
Prinzips über das böse und die Gründung eines Reichs Gottes auf Erden (A vitória
do princípio bom sobre o princípio mau e a constituição de um reino de Deus sobre a
terra), afirma ainda cheio de optimismo: “A passagem gradual da fé eclesiástica ao
domínio exclusivo da pura fé religiosa constitui a aproximação do reino de Deus”.[6]

Nessa obra, o "reino de Deus" anunciado nos Evangelhos recebia como que
uma nova definição e uma nova presença: a Revolução podia apressar a passagem
da fé eclesiástica à fé racional; onde chegasse a Revolução a “fé eclesiástica” seria
superada e substituída pela “fé religiosa”, ou seja, pela "mera fé racional."

Em 1795, no livro « Das Ende aller Dinge » (O fim de todas as coisas), a


perspectiva é já completamente diferente. Kant toma agora em consideração a
possibilidade de que, a par do fim natural de todas as coisas, se verifique também
um fim contrário à natureza, perverso:

“Se acontecesse um dia chegar o cristianismo a não ser mais digno de amor,
então o pensamento dominante dos homens deveria tomar a forma de rejeição e de
oposição contra ele; e o anticristo [...] inauguraria o seu regime, mesmo que breve,
(baseado presumivelmente sobre o medo e o egoísmo). Em seguida, porém, visto
que o cristianismo, embora destinado a ser a religião universal, de facto não teria
sido ajudado pelo destino a sê-lo, poderia verificar-se, sob o aspecto moral, o fim
(perverso) de todas as coisas." [7]

Face à violência inaudita da Revolução francesa, e ao novo tipo de


autoritarismo que se firmava nas "Luzes" da razão, Kant vai também reflectir acerca
dos seus conceitos políticos [8].

Marcos na vida de Kant

1724 - Kant nasce a 22 de Abril

1740 - (Kant tem 16 anos) - Neste ano, Frederico II torna-se Rei da Prússia.
Foi um rei que trouxe sinais de tolerância à Prússia, que era uma nação célebre pela
disciplina militar. Trouxe iluministas (Voltaire, o mais famoso) para a corte e
continuou a política de encorajamento à imigração que o pai tinha seguido.

1746 - (Kant tem 22 anos) - Falecimento do pai de Kant. Kant deixou de ter
sustento. Teria de encontrar trabalho como professor particular.

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1748 - 1754 (entre os 24 e os 30 anos) - Kant dá aulas a crianças em


pequenas vilas das redondezas.

1755 - (Kant tem 31 anos) Publicação do Livro "História natural genérica e


teoria dos céus". Kant consegue o título de Mestre e o direito a dar aulas na
Universidade Alberto. Daria aulas como docente privado. Não pago pela
Universidade mas pelos próprios alunos. Nesse ano, Kant foi influenciado pelo
desastre que foi o Terramoto de 1755, em Lisboa/Portugal, em parte pelo resultado
de tentar entender a enormidade do sismo e as conseqüências, publicou três textos
distintos sobre o assunto.

1762 - (Kant tem 38 anos) Kant lê as recentes publicações de Rousseau,


"Emile" (uma obra filosófica sobre a educação do indivíduo) e o ensaio "Contrato
social"

1770 - (Kant tem 46 anos) Kant torna-se professor de Lógica e Metafísica na


Universidade, após 14 anos como docente (pago pelos alunos). Kant lê por volta
desta altura a obra de David Hume, que o terá despertado do seu "sono dogmático",
como ele próprio disse.

1773 - (Kant tem 49 anos) Ironicamente, Frederico II, um protestante,


concede refúgio à Ordem dos Jesuítas, banidos pelo Papa.

1774 - (Kant tem 50 anos) Auge do movimento romântico chamado "Sturm-


und-Drang". Herder publica "Também uma filosofia da História para educação da
Humanidade"

1781 - (Kant tem 57 anos) Kant publica em Maio "Crítica da razão pura". A
reacção é pouco encorajadora. Moses Mendelssohn e Johann Georg Hamann
pronunciam-se com indecisão.

1783 - (Kant tem 59 anos) Kant escreve um artigo intitulado "O que é o
Iluminismo?" para a revista "Berlinischen Monatsschrift", como resposta a uma
discussão na mesma. Um anónimo tinha escrito que a cerimónia do casamento já
não se conformava ao espírito dos tempos do iluminismo. Um pastor perguntou na
resposta, que era então o iluminismo. Kant respondeu com o seu artigo.

1788 - (Kant tem 64 anos) Publicação de "Crítica da razão prática". Morte do


amigo Johann Georg Hamann.

1789 - (Kant tem 65 anos) Início da Revolução Francesa. Kant pronuncia-se


inicialmente de forma favorável à Revolução, e sobretudo à secularização resultante,
após o qual o Rei da Prússia Friedrich Wilhelm II proíbe Kant de se pronunciar sobre
quaisquer temas religiosos.

1795 - (Kant tem 71 anos) Publicação do tratado "Para a paz eterna", na qual
surge a perspectiva de um cidadão do mundo esclarecido.

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1804 - Com 80 anos de idade, Kant faleceu em Königsberg, após prolongada


doença que apresentava sintomas semelhantes à Doença de Alzheimer. Já não
reconhecia sequer os seus amigos íntimos.

Obras

• Crítica da Razão Pura


• Crítica da Razão Prática
• Crítica do Julgamento
• Doutrina do Direito
• Fundamentação da Metafísica dos Costumes
• Prolegómenos a Toda a Metafísica Futura
• Crítica da Faculdade do Juízo
• 1770;Dissertação sobre a forma e os princípios do mundo sensível e
inteligível
• 1783;Prolegômenos para toda metafísica futura que se apresente como
ciência
• 1785; Fundamentos da metafísica da moral
• 1786; Primeiros princípios metafísicos da ciência natural
• 1793 ; A Religião dentro dos limites da mera razão
• 1797; A Metafísica da moral
• 1798; Antropologia do ponto de vista pragmático

Emmanuel Mounier

Emmanuel Mounier (Grenoble, 12 de abril de 1905 — Châtenay-Malabry, 22


de março de 1950) foi um filósofo francês, fundador da revista Esprit e raiz do
personalismo.

As obras deste filósofo influenciaram a ideologia da "Democracia cristã". "Na


sua obra O Personalismo, Mounier apresenta-nos, em plena elaboração e em plena
vida, uma filosofia que escapa a todas as sistematizaçoes, exactamente porque
assente na pessoa que é livre e sempre imprevisível" (Joao Bénard da Costa, no
prefácio da obra em português).

Emmanuel Mounier nasceu em 1905 numa família de tradições cristãs de


Grenoble.

Em 1932, está entre os intelectuais que criaram o movimento da revista


Esprit, consagrando-se Mounier à animação intelectual e à direcção prática desta
revista, cuja palavra de ordem era "ruptura com a ordem estabelecida". As reflexões
de Emmanuel Mounier tiveram a pessoa no centro, constituindo um novo modo de
pensar que se veio a designar por "personalismo".

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Emmanuel Mounier foi uma voz muito activa contra o fascismo e o nazismo,
atribuindo-lhes, além de uma mesma origem, um propósito comum: o fim da
civilização cristã ocidental. Em resultado da sua reflexão filosófica, Mounier
defendeu a ideia de uma nova civilização na qual os cristãos e os não crentes
podessem cooperar.

Tomou posição contra as ligas fascistas em 1934, pela Frente popular em


1936, contra Munique em 1938, e pelos republicanos espanhóis em 1939. Em 1940,
a revista Esprit surgiu em Lyon, na zona não ocupada pelos alemães, durante dez
meses. O texto "Supplément aux mémoires d’un âne", foi censurado pelo regime de
Vichy. Emmanuel Mounier foi preso durante alguns mesas por causa da sua
participação no movimento da resistência. Viveu depois na clandestinidade até à
libertação da França, após o que publicou, em 1946, o Traité du Caractère (Tratado
do Carácter). Emmanuel Mounier morreu em 1950, continuando a revista Esprit o
seu combate pelo personalismo.

Em Portugal, a influência do personalismo cristão de E. Mounier fez-se sentir


em vários sectores políticos anti-salazaristas. Francisco Rolão Preto, por exemplo,
no livro Justiça!, publicado em 1936, insurge-se contra a doutrina totalitária do
Fascismo e do Salazarismo, inspirando-se directa e expressamente na obra de
Emmanuel Mounier, Révolution personnaliste et communautaire (Revolução
personalista e comunitária, 1935). Rolão Preto não virá a acompanhar Mounier no
apoio que este manifestou à República espanhola.

Obras de Emmanuel Mounier

• Œuvres, 4 volumes, Paris, Edition du Seuil , 1961-1962; I - 1931-1939; II -


Traité du Caractère (1° ed, Édition du Seuil, 1946); III - 1945-1950; IV -
Recueils posthumes et correspondances.
• L’engagement de la foi, Seuil, 1968. Textes choisis et présentés par Paulette
Mounier.
• Le Personnalisme, PUF, coll. Que Sais-je ?, n° 395, 1950.

Gabriel Marcel

Gabriel Marcel (7 de dezembro de 1889, Paris – 8 de outubro de 1973, Paris)


foi um autor e crítico teatral além de filósofo e existencialista cristão. Ele próprio
designa seu pensamento como neo-socrático ou socrático-cristão. Aceitou certa feita
ser chamado de existencialista cristão.

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Carreira

Formou-se em Filosofia aos vinte anos. Abandonou os estudos e dedicou-se


ao jornalismo e a produção e crítica teatral. Sua melhor peça de 1932 foi “O Mundo
Partido”.

Seu pai, conselheiro de Estado e ministro da França em Estocolmo foi diretor


de Belas Artes na Biblioteca Nacional, era católico e possuía um conceito severo de
vida. A mãe de ascendência israelita faleceu quando Marcel estava com quatro
anos. Foi criado com uma tia materna que se casou com seu pai. Esta madrasta
educou-o na severa disciplina do protestantismo como meio de garantir uma
convivência feliz entre as pessoas.

Marcel participou da Cruz Vermelha na Primeira Guerra Mundial quando


conviveu com a triste realidade da desolação e isto o levou a valorizar a existência
concreta: pensar, julgar, formular, parecem-lhe traição à realidade, o que realmente
conta para ele é este indivíduo real que "eu sou", com toda singularidade, que vive
sua experiência, "ele só" e nenhum outro.

Em 1929 converteu-se ao catolicismo e o testemunhou no baptismo, com as


seguintes palavras: “... nenhuma exaltação, mas um sentimento de paz, de
equilíbrio, de esperança, de fé.”. Morreu em 1973.

Obras

Seu trabalho foi produzido em fragmentos, notas de diário, ensaios. Toma


clara posição, em seu "Diário Metafísico", contra o racionalismo rejeitando ao
mesmo tempo o cientificismo que tenta explicar o homem como coisa e a teocracia
que utiliza o homem como objeto.

Teatrais

• "Um Homem de Deus" (1922)


• "Mundo Partido" (1932)
• "Roma não está mais em Roma" (1951)

Sua obra dramática assume o porte de obra filosófica, pois, segundo ele, “é no
drama que o pensamento filosófico se apreende in concreto.”

Em 1927, funda em Paris o "Jornal Metafísico" onde expõe suas idéias e posições.
Neste jornal Marcel descreve sua trajetória filosófica de 1913 a 1923.

Filosóficas

• “Ser e Ter” (1935) – aborda a diferença entre pesquisa científica e pesquisa


filosófica (problema e mistério).
• “Da recusa à invocação” (1939) – encontram-se aqui os trações fundamentais
de sua “metafísica da interioridade”.

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• “Homo Viator” (1944 ) – homem itinerante reflecte o sentido da vida.


• “Os homens contra o humano” (1951)
• “O mistério do ser” – o mais denso e sistemático de seus livros.
• "O Declínio da Sabedoria" (1954).
• “O homem problemático” (1955).
• "A Dignidade Humana" (1964).
• "Ensaios de Filosofia Concreta" (1967).
• "Fé e Realidade" (1967).
• "Para uma Sabedoria Trágica" (1969).

O Pensamento de Gabriel Marcel

Partindo de sua própria existência, acentua ter vivido problemas filosóficos


que o oprimiram e afirma: “a filosofia concreta nasce somente de uma tensão
criadora, continuamente renovada, entre o eu e as profundezas do ser, da mais
estrita e rigorosa reflexão, fundada na experiência vivida até o limite de sua
intensidade”. Gabriel procura dar à existência aquela prioridade metafísica que lhe
havia tirado o idealismo.

Gabriel Marcel se aproxima de Kierkegaard e Jaspers mesmo sem ter lido


algo deles anteriormente, segundo confessa. Seu existencialismo é anterior ao
alemão. Sua ontologia é existencial e quer, de certo modo enlaçar-se com a
tradicional. Marcel está dentro da tradição francesa não cartesiana de Pascal a
Bergson e Raja.

O método de Gabriel aproxima-se de Husserl, tomando situações concretas


como as relações entre "mim e outro", a representação de uma cena passada ou de
uma cena à distancia, a esperança, e faz das mesmas uma análise fenomenológica
aprofundada.

Motivos fundamentais do pensamento filosófico

• a defesa da singularidade irrepetível do existente e do mistério do ser, contra


o racionalismo que pretende reduzir a existência à experiência conhecida pelo
método da verificação empírica;

• reconhecimento da inobjetividade fundamental do sentido corpóreo. O homem


é um ser encarnado. Analisa a proposição “eu existo” e segundo ele, a
reflexão metafísica revela que esta proposição significa “eu sou o meu corpo”.
Corpo que não é só a matéria visível, mas também a intimidade –
concretização do eu, isto é, a individualização do existir.

A pesquisa do homem encarnado de Marcel orienta-se para a descoberta de


um sentido para a vida, o qual é sempre o sentido da minha vida. Recusar-se a
esclarecer o sentido da vida é renunciar a própria identidade profunda, é dissolver-
se no Ter.

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O Ter e o Ser

Esta distinção é fundamental na ontologia de Marcel. Ter diz respeito a coisas


que me são externas e que de mim não dependem, embora eu seja proprietário e
delas me disponho. Ser é fonte de alheamento: os objetos que possuímos possuem
significados que ameaçam tragar-nos. Os que estão apegados ao Ter estão prestes
a sofrer de deficiência ontológica com a perda do Ser. Para quem vive na dimensão
do Ter todas as coisas são problemas. Exemplo: Dom Juan vive na zona do Ter: vê
a mulher do ponto de vista da posse e por sequência, um mero problema, por isso
passa de uma para outra sem poder saciar-se com nenhuma.

O corpo e o Ter-típico: é a exterioridade em comunicação com o “eu” interior.


Entre a realidade e mim, o corpo é mediador absoluto. O corpo é a primeira coisa
possuída.

O Ser tem a primazia na pesquisa metafísica em relação ao pensamento e ao


Ter. Não há e não pode haver passagem do pensamento ao ser; esta passagem é
impensável; o pensamento já está no ser e não pode sair dele, não pode fazer
abstracção dele. É necessário dizer que o pensamento é interno ao ser, que ele é
certa modalidade do ser. O pensamento está para o ser assim como os olhos para a
luz.

O Ser tem primazia sobre o Ter. O Ter é aquilo que é objetivável, é a


exteriorização do Ser, ele é o coisificar-se do Ser, o seu vir para fora. O Ter,
acentuando a si mesmo anula o Ser; mas tornando-se instrumento, subirá ao plano
do Ser. Somente assim é que poderemos abordar o Ser sem transformá-lo em Ter,
em objeto, em espectáculo, em suma, a relação Ser-Ter é uma relação de essencial
tensão dialéctica na qual o Ser está sempre ligado ao Ter e deve purificá-lo, não
deixando-se absorver por ele, mas orientando-o para si.

O Ser e a Fidelidade

O Ser é o lugar da fidelidade e se faz presente na fidelidade. Marcel entrevê


que a fidelidade não é fidelidade a si mesmo mas do Ser sobre os outros. Nietzsche
diz que o homem é o único animal que faz promessas e que a fidelidade é a mais
jovem das virtudes.

O ser humano tem a faculdade de obrigar-se a si mesmo. Se prometo algo


sob certa situação de desejo e noutro momento mudo o meu desejo, me forço a
cumprir a promessa apesar de. Prometi ante mim mesmo. A fidelidade implica uma
participação do Ser no que excede minha vida e suas situações.

O Ser é disponibilidade

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Estar indisponível é estar ocupado de si mesmo, é estar fechado para os


outros é só estar ocupado consigo mesmo, com sua saúde, fortuna, êxito, etc. O
indisponível está sempre inquieto e isto o põe em insegurança, medo e cuidado. Na
raiz da inquietude Marcel vê uma desesperança. Está fechado por trás dos muros de
si mesmo e não pode esperar de mais ninguém.

Desta maneira de ser, indisponível, se compreende as raízes metafísicas do


pessimismo. O Ser verdadeiro é participação, é disponibilidade, júbilo, esperança,
amor e fidelidade que são antídotos para o pessimismo e a indisponibilidade. Todas
elas implicam exceder-se rumo a um mais participado: Deus.

O problema e o mistério

O problema é algo que encontro diante de mim, que posso objetivamente


delimitar e reduzir. Mistério é algo em que meu próprio Ser está implicado e
comprometido. Diante do problema sou espectador, no mistério eu mesmo sou ator.
Problema é, simplesmente um dado externo que me é proposto enquanto mistério
não está inteiramente ante mim.

Todo sobrenatural é mistério mas nem todo mistério é sobrenatural. Marcel


afirma que só os mistérios interessam à filosofia e estão fora do alcance do
conhecimento objetivo.

A fé

“Toda fé autêntica está enraizada no ser e no mistério”. O indivíduo só se


realiza quando reafirma a transcendência de Deus e sua própria condição de
criatura de Deus. A fé se converte então no ato ontológico mais significativo.

Não existe o problema de Deus, isso implica tratar Deus como objeto, como
ausente. Não falamos de Deus, mas com Ele. Deus é presença absoluta. Deus só
me pode ser dado como presença absoluta na adoração.

Para Marcel crer é sentir-se como no interior de Deus. Contudo a relação ao


Eu Creio com a divindade, não pode ser pensada, pois trataria o crente como sujeito
e a divindade como objeto. Esta relação estaria contida em um ato de fé. Ato que
supõe mais do que a subjectividade. O pensar em Deus é encarado como uma
relação absolutamente incluída no ato de fé.

Deus é o tu absoluto. O outro absoluto. E na fé, agora chamada invocação, eu


construo a realidade do meu espírito, a minha realidade do sentir-me sendo no
interior da divindade. Diz Marcel: “Eu sou mais quanto mais Deus é para mim. A
crença em Deus é um modo de ser e não opinião sobre a existência de uma
pessoa”. Esta transformação, plenitude que sobrevem à invocação, esta participação
no amor é o ser – a forma mais alta da realidade. Este ser fala a linguagem da
intimidade, de ser possuído, da plenitude, da saborosa ligação, vínculo, afeto e
comunhão.

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O Deus de Marcel não é objeto susceptível de demonstração objetiva


(racionalismo) nem uma mera função (subjectivismo), mas o “Indemonstrável
Absoluto”. O drama da existência humana é um encontro pessoal entre Deus e o eu
e alterna entre o sim e o não, entre a fidelidade e a infidelidade, entre o amor e o
ódio e ao homem é dado o poder único de decidir, afirmar ou negar. O dilema
sempre persiste como a essência de sua liberdade.

C.S Lewis

Lewis voltou à fé cristã no início da década de 1930 e dedicou-se a defendê-la


e permaneceu na Igreja Anglicana (o conhecido téologo evangélico J. I. Packer foi
clérigo na igreja onde C. S. Lewis freqüentava). Tem sido chamado o porta-voz não
oficial do Cristianismo que ele soube divulgar de forma magistral, através de seus
livros e palestras, onde ele apresenta sua crença na verdade literal das Escrituras
Sagradas, sobre o Filho de Deus, sua vida, morte e ressurreição. Isto foi certamente
verdade durante sua vida, mas de forma ainda mais evidente, após a sua morte. Foi
chamado até de "Elvis Presley evangélico" devido à sua popularidade,

Tornou-se popular durante a II Guerra Mundial, por suas palestras


transmitidas pelo rádio e por seus escritos, sendo chamado de "apóstolo dos
céticos", especialmente nos Estados Unidos. Suas palestras tocavam
profundamente seus ouvintes da rádio BBC de Londres. Na sua última palestra "O
Novo Homem", Lewis disse: "Olhe para você, e você vai encontrar em toda a longa
jornada de sua vida apenas ódio, solidão, desespero, ruína e decadência. Mas olhe
para Cristo e você vai encontrá-Lo, e com Ele tudo o mais que você necessita"

Lewis notabilizou-se por uma inteligência privilegiada, e por um estilo


espirituoso e imaginativo. "O Regresso do Peregrino", publicado em 1933, "O
Problema do Sofrimento" (1940), "Milagres" (1947), e "Cartas de um diabo ao seu
aprendiz" (1942), são provavelmente suas obras mais conhecidas. Escreveu
também uma trilogia de ficção científico-religiosa, conhecida como a "Trilogia
Espacial": "Longe do Planeta Silencioso" (1938), "Perelandra" (1943), e "That
Hideous Strength" (1945). Para crianças ele escreveu uma série de fábulas,
começando com "O Leão, A Feiticeira e o Guarda-Roupa" em 1950. Sua
autobiografia, "Surpreendido pela Alegria", foi publicada em 1955.

C. S. Lewis morreu em 22 de Novembro de 1963, no mesmo dia em que o


presidente dos Estados Unidos, John F. Kennedy foi assassinado e no mesmo dia
em que morre Aldous Huxley.

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Existência de Deus

A idéia de "Deus"

Existem diferentes definições para Deus, o qual tanto pode ser um ser com
poderes sobrenaturais, amado ou temido, quanto representar o princípio criador e
mantenedor de todas as coisas do universo.

A definição de Deus abraâmico é de um Ser Supremo, um espírito dotado de


entendimento e de vontade, infinitamente perfeito que existe por si mesmo - porque
de ninguém recebeu a existência, ninguém O fez - e de quem todos os outros seres
recebem a existência. É o único Ser necessário que existe desde toda a eternidade,
sempre existiu e sempre existirá. Deus é Aquele que é.

Argumentos pela existência de Deus

Argumento ontológico

O assim denominado argumento ontológico da existência de Deus foi


desenvolvido por Santo Anselmo de Canterbury na obra "Proslogion". Os passos do
raciocínio anselmiano são os seguintes: [1]

• Existe na mente de todo homem a idéia de um ser que não se pode pensar
outro maior;
• Existir só na mente é menos perfeito do que existir na mente e também na
realidade;
• Se o ser maior do que o qual não se pode pensar outro só existisse na mente
seria menor do que qualquer outro que também existisse na realidade;
• Logo, o ser do qual não se pode pensar outro maior deve existir também na
realidade (existência real necessária), logo conclui-se que existe Deus e esse
ser é perfeitíssimo.

Em poucas palavras: "algo existe em meu pensamento, logo, existe também


no mundo material!".

Defenderam esta tese com argumentos distintos São Boaventura, Duns


Scoto, Descartes, Leibniz, Hegel, Karl Bath, N. Malcom

As Cinco Vias de São Tomás de Aquino

Santo Tomás de Aquino, na sua obra Suma Teológica ensina que Deus é o princípio
e o fim de todas as coisas e que, fazendo apenas o uso da luz natural da razão a
partir das coisas criadas, é possível demonstrar a Sua existência, sem ter de
recorrer a nenhum outro argumento de natureza religiosa ou dogmática, para isto
propõe cinco vias de demonstração de natureza exclusivamente filosófico-
metafísica.
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As cinco vias são provas a posteriori, que têm como ponto de partida as
criaturas enquanto entes causados para se atingir como termo de chegada a
necessidade da existência de Deus; são demonstrações metafísicas (causalidade do
ser) e não científico-positivas (causalidade apenas dos fenômenos), mesmo partindo
da experiência sensível e, aplicando o princípio da causalidade, mostram ser
impossível se proceder ao infinito na cadeia de causas.[1]

1a. via - Primeiro Motor Imóvel Nossos sentidos atestam, com toda a
certeza, que neste mundo algumas coisas se movem. Tudo o que se move é movido
por alguém, é impossível uma cadeia infinita de motores provocando o movimento
dos movidos, pois do contrário nunca se chegaria ao movimento presente, logo há
que ter um primeiro motor que deu início ao movimento existente e que por ninguém
foi movido, e um tal ser todos entendem: é Deus.

O movimento aqui é considerado no sentido metafísico, isto é passagem da


potência - como sendo aquilo que uma coisa pode vir a ser, para o ato - aquilo que
a coisa é no momento. Deus é ato puro e não sofre mudança o seu Ser confunde-se
com o Agir.

2a. via - Causa Primeira ou Causa Eficiente Decorre da relação "causa-e-


efeito" que se observa nas coisas criadas. Não se encontra, nem é possível, algo
que seja a causa eficiente de si próprio, porque desse modo seria anterior a si
prórpio: o que é impossível. É necessário que haja uma causa primeira que por
ninguém tenha sido causada, pois a todo efeito é atribuída uma causa, do contrário
não haveria nenhum efeito pois cada causa pediria uma outra numa sequência
infinita e não se chegaria ao efeito atual. Logo é necessário afirmar uma Causa
eficiente Primeira que não tenha sido causada por ninguém. Esta Causa todos
chamam Deus. Assim se explica a causa da existência do Universo.

3a. via - Ser Necessário e Ser Contingente Existem seres que podem ser ou
não ser, chamados de contingentes, isto é cuja existência não é indispensável e que
podem existir e depois deixar de existir. Todos os seres que existem no mundo são
contingentes, isto é, aparecem, duram um tempo e depois desaparecem. Mas, nem
todos os seres podem ser desnecessários se não o mundo não existiria, alguma vez
nada teria existido, logo é preciso que haja um Ser Necessário e que fundamente a
existência dos seres contingentes e que não tenha a sua existência fundada em
nenhum outro ser.

Igualmente, tudo o que é necessário tem, ou não, a causa da sua


necessidade de um outro. Aqui também não é possível continuar até o infinito na
série das coisas necessárias que têm uma causa da própria necessidade. Portanto,
é necessário afirmar a existência de algo necessário por si mesmo, que não
encontra em outro a causa de sua necesidade, mas que é causa da necessidade
para os outros: o que todos chamam Deus.

Do Nada não surge e nem advém o Ser. Como se observa que as coisas
existem, não pode ter havido um momento de Nada Absoluto, pois daí não se
brotaria a existência de algo ou coisa alguma.

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4a. via - Ser Perfeito e Causa da Perfeição dos demais Verifica-se que há
graus de perfeição nos seres, uns são mais perfeitos que outros, o universo está
ontologicamente hierarquizado - seres racionais corpóreos, animais, vegetais e
inanimados) qualquer graduação pressupõe uma parâmetro máximo, logo deve
existir um ser que tenha este padrão máximo de perfeição e que é a Causa da
Perfeição dos demais seres.

5a. via - Inteligência Ordenadora Existe uma ordem admirável no Universo


que é facilmente verificada, ora toda ordem é fruto de uma inteligência ordenadora,
não se chega à ordem pelo acaso e nem pelo caos, logo há um ser inteligente que
dispôs o universo na forma ordenada. Com efeito aquilo que não tem conhecimento
não tende a um fim, a não ser dirigido por algo que conhece e que é inteligente,
como a flecha pelo arqueiro. Logo existe algo inteligente pelo qual todas as coisas
naturais são ordenadas ao fim, e a isso nós chamamos Deus.

Há uma ordem em todos os seres, o menor vegetal, p. ex. tem órgãos para
cada função ordenados para a preservação da espécie. Esta ordem pressupõe uma
Inteligência ordenadora, pois a ordem não vem do caos e nem do acaso. Da mesma
forma as letras de um livro não são colocadas ao acaso. Logo a ordem existente no
mundo prova a existência de uma Inteligência que ordenou todas as coisas nos
mínimos detalhes. É necessário que exista uma Inteligência Suprema que tenha
ordenado o Universo criado.

O Mal no Mundo

A existência do "mal" tem sido usada como argumento para a inexistência, ou


pelo menos, da incongruência da existência de Deus. Hume (1711-1776) adianta:
"Quererá [Deus] impedir o mal, mas não é capaz? então é impotente. Será que é
capaz, mas não o deseja? então é malévolo. Terá tanto o desejo como a
capacidade? então porque é que existe o mal?".

Em relação a estes argumentos, Santo Tomás explica que "Deve-se dizer


com Santo Agostinho: 'Deus soberanamente bom, não permitiria de modo algum a
existência de qualquer mal em suas obras, se não fosse poderoso e bom a tal ponto
de poder fazer o bem a partir do próprio mal'. Assim, à infinita bondade de Deus
pertence permitir males para deles tirar o bem".

"O mal é ideia do homem, não de Deus. Ele, que deu ao homem o livre-
arbítrio e pôs em marcha o Seu plano para a humanidade, não interfere
continuamente para tirar ao homem o dom da liberdade. Se o inocente e o justo têm
de sofrer a maldade dos maus, a sua recompensa no final será maior, os seus
sofrimentos serão superados com sobra pela felicidade futura"[2].

O mal, ou infortúnio, decorre do fato da criatura ser limitada e imperfeita,


porque dele pode tirar um bem maior: aprendizados que geram novas virtudes e
méritos pela superação das condições adversas. Assim, o mal teria a função de
ensinar aos homens os seus próprios limites, corrigindo e reordenando a criatura
pela aplicação de provas e expiações.[1]

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Imagem e semelhança de Deus

A existência de deficiências fisicas nos humanos, ou a presença de órgão vestigiais


têm sido usados como argumentos contra a existência de Deus, no entanto,
segundo Santo Tomás de Aquino deve-se dizer que o homem é a imagem de Deus,
não segundo seu corpo, mas segundo aquilo pelo que o homem supera os outros
animais. O homem é superior aos outros animais pela razão e pelo intelecto.
Portanto, é segundo o intelecto e a razão, que são incorpóreos, que o homem seria
a imagem de Deus.

Argumento da existência do Mundo

O mundo exige uma causa de si, que se chama Deus. Não há efeito sem
causa. Todo o ser que começa a existir tem uma causa. O universo tem um grau de
complexidade superior a qualquer obra humana conhecida. Logo não se pode
admitir que tenha aparecido sem que um Ser lhe tenha dado a existência. Assim
como um edifício pressupõe um engenheiro ou um quadro o pintor. Esse Ser chama-
se Deus.[3]

Argumento da Lei Moral

Dá-se o nome de Lei Moral ao conjunto de preceitos que o homem descobre


na sua consciência e que o fazem distinguir o bem do mal, o certo do errado, o justo
do injusto e o impelem a praticar o bem e a evitar o mal. A lei moral, segundo os
teólogos Ricardo Sada e Pablo Arce, teria três condições: [4]

1. Obriga a todos os homens, por exemplo prescreve-lhes o respeito à vida e à


propriedade alheia, proíbe o assassinato e o roubo.
2. É superior ao homem, ninguém pode mudá-la ou revogá-la, por exemplo,
ninguém poderá fazer com que o estupro de uma criança seja algo bom.
3. Obriga em consciência,[5] isto é quando a cumprimos, sentimos a satisfação
do dever cumprido; quando a transgredimos, mesmo que às ocultas, sentimos
remorsos.[6] A lei moral supõe um legislador que atenda a estas três
condições, que seja superior ao homem, que possa obrigar a todos e que lhes
possa ler na consciência, a este legislador chamamos Deus.

Argumento Psicológico

Conhecido também como argumento eudenomológico, funda-se na afirmação


de Agostinho de Hipona: «Criaste-nos para vós, Senhor, e o nosso coração anda
inquieto enquanto não descansar em Vós» (Confissões). Funda-se na constatação
de que todo homem busca a felicidade e que esta felicidade plena e eterna não dura
se se alcança, e mesmo quando se alcança não dura pois um dia chega a morte.

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Logo deve existir um bem cuja posse seja capaz de dar ao homem a felicidade
infinita e eterna que tanto busca.[1]

Argumento Histórico

Cícero, senador romano, parte da constatação da universalidade do fenômeno


religioso. Não se tem notícia de sociedade humana que não tivesse culto à
divindade, este grande consenso histórico e quase universal tem grande
probabilidade de ser retrato da realidade existente.

Argumento da impossibilidade científica da negação

Não se pode cientificamente provar que Deus não existe. Este argumento é usado
para mostrar que não se consegue provar a inexistência, mas não prova a
existência.

Conhecimento de Deus por analogia

A partir do conhecimento das criaturas pode-se atribuir a Deus todas as


perfeições que nelas se encontram e as que se pode conceber, bem como n'Ele
negar tudo o que as criaturas têm de limitado e imperfeito.

Assim, são atributos de Deus, segundo Santo Tomás:

• Unidade - é indivisível (tanto em ato como em potência), não possui


composição alguma.
• Unicidade - é unico, não pode haver mais que um Deus, a onipotência de um
comprometeria a do outro.
• Suprema perfeição - "perfeito é aquilo que está totalmente feito". Todas as
perfeições das criaturas (efeitos) se encontram em Deus de modo indiviso e
em grau eminente (causa).
• Beleza suprema - é a suprema harmonia de todas as perfeições criadas e o
seu conhecimento é a máxima felicidade possível
• Simplicidade - não é composto de partes, o que implica que não tem corpo e
nem partes de nenhuma espécie.
• Imensidade - não está sujeito a espaço, pode estar em todos os lugares sem
estar circunscrito a eles.
• Infinidade - é infinito, tem todas as perfeições em grau máximo e ilimitado. Se
pudesse ser aperfeiçoado não seria Deus e sim aquele que Lhas desse.
• Imutabilidade - não está sujeito a mudanças nem no seu Ser e nem nos seus
desígnios.
• Eternidade - não teve princípio e não terá fim, sempre existiu e não deixará de
existir.

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• Onisciência - possui inteligência e entendimento ilimitados, tudo sabe e tudo


conhece.
• Onipotência - a vontade de Deus é onipotente, não tem limites, e é
perfeitamente boa e justa. Sendo infinitamente justo retribui a cada um
segundo as suas obras.
• Onipresença - tem a capacidade da ubiqüidade, pode estar em todos os
lugares e, mais do que estar num lugar, dá a existência ao próprio lugar.
• Suprema bondade - Deus é a bondade infinita. Quanto mais perfeito é um ser
tanto mais é desejável, Deus é o mais desejável dos seres é o Bem Supremo.
• Sabedoria - é mais que sábio, é a própria Sabedoria ilimitada.
• Santidade - é infinitamente santo e belo e fonte de toda a beleza e santidade.
• Misericordioso - Deus é todo misericórdia, perdoa tantas vezes quantas nos
arrependemos.
• Transcendência - não se confunde com o mundo, está fora do mundo e acima
da realidade material.

Conhecimento divino e liberdade humana

Que Deus saiba quais os atos o homem praticará não implica dizer que Ele
seja a causa destes atos; pelo contrário, é a decisão do homem de praticar o ato que
permite que Deus saiba que ele será praticado. Da mesma forma, quando o serviço
de meteorologia prevê a ocorrência de um tornado amanhã, esta previsão não o
torna a causa do tornado. Ao contrário, aquilo mesmo que fará com que haja a
tempestade amanhã é que proporciona ao meteorologista a base da sua previsão.

Argumentos pela inexistência de Deus

Argumento da inexistência de Deus segundo a contrariedade da


existência

Utilizando métodos da lógica e racionalidade humanas, pode-se dizer que ao


tentar provar a existência de Deus e esta tentativa resultar em uma, comprovada,
impossibilidade da prova, neste caso onde existem apenas duas possibilidades
(existência ou inexistência), tal impossibilidade de prova determina a prova da
possibilidade contrária, ou seja, a impossibilidade de provar a existência de Deus
conclui determinadamente a prova de sua inexistência.

Ex: Tentativa de prova da existência de uma hipotética quantidade de água


em um hipotético copo: Supondo que ao virar o referido copo, percebe-se que não
cai nenhuma quantidade de água e que o fato de a água cair ao virar o copo
provaria a existência da mesma, prova-se então o contrário, ou seja, não existe
nenhuma quantidade de água no copo neste caso hipotético.

Ex2: Tentativa de prova da existência de Deus: Se Deus existe, pode-se


supor duas possibilidades em relação ao fato de existir:

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1ª. Deus foi criado: Se Deus foi criado, quem teria o criado? O fato de ter sido
criado requisita uma ação criadora, ação esta que requisita uma entidade criadora,
sendo assim existiria uma entidade criadora que teria criado Deus, o que é
impossível, já que as propriedades de Deus o caracterizam como atemporal,
onipresente, onisciente e onipotente, ou seja, não poderia haver outra entidade mais
poderosa que Deus,impossibilitando a sua criação por uma entidade superior, logo
prova-se que Deus não teria sido criado.

2ª. Deus não foi criado: Mesmo utilizando o pressuposto de que algo pode
existir sem ser criado, pode-se supor que, se Deus sempre existiu, então para ser
considerado como uma entidade concreta, ele deveria ter: I- Alguma forma: mutável
ou não. II- Alguma matéria: sólida, líquida, gasosa, ou qualquer outra desconhecida.
III- Ocupar algum lugar no "espaço" ou qualquer outro "lugar" desconhecido não
abstrato.

Se Deus possui alguma matéria e ocupa algum lugar em algum "espaço" não
abstrato, então significa que a "matéria" que o compõe e o "lugar" que ocupa,
também sempre existiram, ou seja a "matéria" e o "lugar" também são Deus.
Supondo que Deus seja onipresente, significa que o "lugar" que ele ocupa é o
conjunto do todo, logo conclui-se que Deus, que também é o "lugar" que ocupa, é
TUDO.

Porém o "TUDO" é a abstração do conjunto concreto do todo, logo Deus não


poderia ser o "TUDO", pois não seria concreto, sendo assim Deus não poderia ser
onipresente.

Se Deus não poderia ser onipresente, então não poderia ser onipotente, pois
não PODERIA estar em qualquer lugar. Se Deus não poderia ser onipotente, então
não poderia ser onisciente, pois não PODERIA saber de tudo; logo, é impossível a
existência de uma entidade concreta que tenha as características divinas, sendo
assim Deus não poderia ser concreto e não sendo concreto ele não poderia sempre
existir.

Conclui-se que se Deus não pode ter sido criado e que não poderia existir
desde sempre como um ser concreto, então comprova-se que a tentativa de provar
que Deus existe é impossível, logo prova-se o contrário.

Argumento da incoerência ou das propriedades incompatíveis

Uma versão popular do argumento das propriedades incompatíveis questiona a


possibilidade de um Deus ser ao mesmo tempo onisciente e onipotente. Um Deus
onisciente, que tem todo o conhecimento acerca dos acontecimentos futuros, é
impotente para mudá-lo visto que este futuro (que já é conhecido de antemão) já
está determinado, embora o cristianismo aponta que o ser humano possui livre
arbítrio então o futuro já não precisa ter sido alterado.

Argumento da imaterialidade

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Existem aqueles que crêem que se não conseguimos ver, medir ou testar deus de
nenhuma forma rigorosa com métodos físicos e experimentais, possivelmente ele
não existiria. Qualquer coisa para existir necessitaria ter existência no espaço-
tempo. Até o momento deus não foi medido através de qualquer equipamento
científico desenvolvido pelo homem, da mesma forma que a consciência humana
não foi devidamente localizada no corpo.

Argumento da Evolução Darwiniana

A evolução Darwiniana fornece explicação para a complexidade dos seres


vivos, que ocorreria sem nenhuma necessidade de intervenção divina.

O Darwinismo, todavia, não se propõe a "provar" a não existência de Deus,


mas tenta apenas explicar a grande diversidade das espécies pelo mundo com base
meramente no que é observado na natureza. Tanto é assim que, segundo Francis S.
Collins, Darwin concluiu a obra A Origem das Espécies com o seguinte texto: "Há
uma grandeza nessa visão da vida, com seus vários poderes, tendo ela sido lançada
como o sopro da vida originalmente pelo Criador em poucas formas ou em uma; e
que, enquanto este planeta vinha orbitando de acordo com a lei da gravidade
estabelecida, a partir de um início tão simples, inúmeras formas, cada vez mais
belas e maravilhosas foram, e continuam, evoluindo."[9] Esse discurso, ao admitir a
possibilidade de existir um "Criador", é totalmente incompatível com a intenção de
provar a não existência de Deus.

Darwin expressou acreditar na origem divina da existência quando, em outra


oportunidade, escreveu: "pela extrema dificuldade, ou quase impossibilidade, de
conceber este universo imenso e maravilhoso, incluindo o homem com sua
capacidade de examinar o passado tão distante e o futuro tão longínquo, como
resultado de uma oportunidade ou necessidade cegas. Quando medito dessa
maneira, sinto-me atraído a observar a Primeira Causa como tendo uma mente
inteligente em algum grau análoga a essa dos homens; e mereço ser chamado de
Teísta."[10]

Argumento da improbabilidade

Não se tem como provar cientificamente a existência de um ser que, caso exista,
extrapolaria o espaço-tempo perceptível ao homem e aos equipamentos por este
criado. O único meio de pesquisa e estudo das demais dimensões que constituem o
universo só pode se dar através de conceitos de física, de filosofia e de fórmulas
matemáticas, que são todas imateriais. Devido a isto, pela impossibilidade de medir
Deus através de instrumentos científicos, muitos declaram a inexistência de Deus.

Segundo Argumento da Incoerência

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Este argumento prende-se no facto da existência de certas incoerências nas


propriedades de Deus. Por exemplo, se Deus é omnipotente, ele poderia criar uma
pedra tão pesada que nem mesmo ele poderia erguer. Se não a conseguisse erguer,
deixaria de ser omnipotente. Mas se ele é omnipotente, então ele deveria ter força
suficiente para erguer qualquer peso. No entanto, se não conseguisse criar tal
pedra, deixaria de ser omnipotente. Se Deus é omnisciente, então ele sabe tudo
sobre o nosso passado, o nosso presente e o nosso futuro. Sabe o que já fizemos e
o que vamos fazer (apesar de nos conceder livre-arbítrio). Se sabe, então o livre-
arbítrio não faz qualquer sentido, e não há razão para não nascermos logo ou no
paraíso ou no inferno. Se não conhece as nossas acções futuras, então Deus não é
nem omnisciente nem omnipotente.

Outros argumentos

• Teodicéia ou o Problema da Existência do Mal


• Argumento do Livre-Arbítrio
• Crítica do Argumento Cosmológico
• Crítica do Argumento Teleológico (ou Argumento do Desígnio)
• Crítica do Argumento Ontológico
• Argumento da Dor e Prazer
• Navalha de Occam
• Argumento das Revelações Inconsistentes
• Problema da Erraticidade Bíblica
• Variante da Aposta de Pascal

É notável também a questão do ônus da prova.

Posição da Ciência

A comunidade científica tende a distanciar-se de uma corroboração ou


refutação de Deus. Actualmente não existe nenhuma prova científica conclusiva de
existência ou inexistência de Deus, o que é perfeitamente coerente com a
declaração de que Deus não faz parte do escopo analítico da Ciência.

Por outro lado, individualmente, cientistas não deixam de expressar suas


convicções em relação ao tema. Richard Dawkins, no seu livro "The God Delusion",
discute e defende a improbabilidade de Deus existir, enquanto o diretor do Projeto
Genoma Humano, Francis Collins, em seu livro "A Linguagem de Deus"[11], defende
evidências da existência divina e afirma não haver incompatibilidades entre Deus e a
ciência[12].

Aristóteles e Sócrates estavam convencidos da necessidade da existência de


Deus, juntamente com Nicolau Copérnico, Galileu Galilei, Johannes Kepler, Lineu,
Rene Descartes, Isaac Newton, Michael Faraday, Gregor Mendel, Alexis Carrel, Max
Planck[13] [14] von Braun[15], Carlos Chagas Filho, que presidiu a Pontifícia Academia
das Ciências, e Jérôme Lejeune, dentre outros.

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Estudos apontam que uma larga maioria[16], dos cientistas de elite (entre a
NAS, Academia das Ciências dos EUA, por exemplo) de hoje, não acreditam em
Deus. No entanto, existem cientistas de elite da própria NAS que acreditam em Deus
e são pessoas religiosas como o próprio presidente da NAS, Bruce Alberts observa:
"Existem muitos destacados membros de nossa academia que são pessoas
religiosas, pessoas que acreditam na evolução, entre elas muitos biólogos"[16]. Ao
mesmo tempo, a própria NAS publicou um documento manifestando a opinião de
que A existência ou não de Deus é uma questão para a qual a ciência é neutra [16]
("Whether God exists or not is a question about which science is neutral"). A maior
parte dos cientistas da Pontifícia Academia das Ciências e da qual fazem parte, por
exemplo, dois prêmios Nobel: o físico alemão Klaus von Klitzing e o químico
taiwanês Yuan Tseh-Lee[17] acreditam na existência de Deus e consideram que fé e
ciência podem conviver harmoniosamente.

A religiosidade de Albert Einstein tem sido contestada. Einstein parecia ser


deísta e via Deus como a maravilha do universo complexo. A frase "Deus não joga
aos dados" tem sido vista como uma demonstração de religiosidade. Contudo, ele
mesmo proferiu: “Eu não acredito num Deus pessoal e nunca o neguei, mas
exprimi-o com clareza. Se há algo em mim a que se pode chamar religioso, então
esse algo é a infinita admiração pela estrutura do mundo tanto quanto a nossa
ciência o consegue revelar”. Porém, é provável que ele acreditasse em um Deus
"impessoal" (seja lá o que isso signifique), caso contrário a especificação "Deus
pessoal" não faria sentido e seria redundante, bastaria apenas mencionar "Deus".

Independentemente das convicções, os cientistas actuais nunca


demonstraram a existência ou inexistência de Deus.

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Bibliografia

Filosofia e Cosmovisão Cristã / J. P. Moreland, William Lane Craig. – SÃO


PAULO: Vida Nova , 2005.

Teles, Antônio Xavier "Introdução ao Estudo da Filosofia"

Nunes, César Aparecido - 1959 - Aprendendo Filosofia

FRANCA, Leonel. Noções de História da Filosofia. Rio de Janeiro: AGIR, 1960.

AQUINO, Tomás, Santo. Suma teológica. Vol I, questão 2. São Paulo: Edições
Loyola, 2001.

KNOX, Ronald. Deus e eu. Tradução de José Eduardo Vieira Coelho. São Paulo:
Quadrante.

MELENDO, Tomás. Metafísica da Realidade. São Paulo: Instituto Raimundo Lúlio,


2002.

TRESE, Leo J. A fé explicada. Tradução de Isabel Perez. São Paulo: Quadrante,


1995.

GASPAR ET AL. 2007. Evolução e Criacionismo, uma relação impossível. Quasi


ed. Lisboa.

CHAUÍ, Marilena. Convite à Filosofia. 7. ed. 2. reimp. São Paulo: Ática, 2000, p. 19.

BEZIAU, Jean-Yves. Tendências Atuais da Filosofia. Desterro: Nefelibata, 2004.

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