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Reabilitação da ETAR do Magoito Recorrendo a Reactores

Biológicos por Membranas


(Volume I)

Projecto Base

Cátia Liliana Pereira Henriques

Dissertação/Projecto para a obtenção do Grau de Mestre em:


Engenharia Civil

Júri
Presidente: Prof.º João Hipólito
Orientador: Prof.º José Saldanha Matos
Eng.ª Marisa Silva
Vogal: Prof.ª Helena Pinheiro

Setembro de 2009
i
Reabilitação da ETAR do Magoito Recorrendo a Reactores
Biológicos por Membranas
(Volume I)

Projecto Base

Cátia Liliana Pereira Henriques

Dissertação/Projecto para a obtenção do Grau de Mestre em:


Engenharia Civil

Júri
Presidente: Prof.º João Hipólito
Orientador: Prof.º José Saldanha Matos
Eng.ª Marisa Silva
Vogal: Prof.ª Helena Pinheiro

Setembro de 2009

ii
iii
Agradecimentos

Eu gostaria de agradecer a todas as pessoas que de algum modo contribuíram para a elaboração da
minha dissertação.

Em primeiro lugar, queria agradecer ao P rof.º José Saldanha Matos do IS T que me orientou e sem o
qual a realização deste trabalho não teria sido possível.

Gostaria, igualmente, de deixar o meu obrigada a todos os elementos da HIDRA, Hidráulica e


Ambiente, Lda, que me apoiaram e que nunca hesitaram em ajudar-me, ao longo da execução do
Projecto Base. Sem des valorizar ninguém, gostaria de salientar a ajuda e apoio constante da
Eng.ª Marisa Silva, Eng.ª Inês Trindade, Eng. ª Margarida Custódio e da Técnica Des enhadora Marta
Almeida.

Gostaria, também, de agradecer a todos os meus colegas de trabalho do Instituto Regulador de


Águas e Resíduos (IRA R) que me apoiaram e que me prestaram muitas vezes ajuda, durante a
realização do trabalho. Sem menosprezar ninguém, gostaria de destacar a ajuda da E ng. ª Paula
Freixial e da Eng. ª Maria José Franco.

Gostaria de agradecer ao meu padrinho, o Arquitecto Isidro Almeida, pelo esclarecimento de dúvidas
e pelos conselhos prestados sobre as Peças Des enhadas.

Queria, ainda, agradecer a todos os meus amigos e colegas que me acompanharam em todos os
moment os, altos e baixos. Em especial gostaria de agradecer o grande apoio do Bruno Santos,
Elisabete Marques, Miguel Contente, David Cardoso, João Rocha e Daniel Martins.

E por último, falt a agradecer à minha família por todo o infindável apoio e paciência prestados que,
mesmo nos piores momentos, nunc a deixaram de me consolar, nomeadamente ao meu pai,
Eng.º José Henriques, à minha mãe, Maria José Oliveira, à minha irmã, Eng.ª Fedra Oliveira e aos
meus avós.

A todos eles devo a realização deste primeiro grande sonho, na minha carreira profissional!

iv
Resumo

A ETAR de Magoit o localiza-se no concelho de Sintra e foi projectada inicialmente para receber o
efluente de 5200 habitantes. Actualmente, apresenta problemas de funcionamento, sendo nec essário
proceder à sua reabilitação. Uma das soluções elegíveis consiste na aplicação de membranas nos
reactores biológicos (MBR). Esta tecnologia, baseada frequentemente num tratamento de lamas
activadas de arejamento prolongado conjugado com a filt ração de membranas, exige um tratamento
preliminar adequado permitindo eliminar a etapa de decantação secundária e o tratamento terciário
de desinfecção por radiação ultra-violet a. Quando comparada com as tecnologias convencionais
apresenta, como vantagens, um efluente com maior qualidade, uma menor área de implantação, um
tempo de retenção de lamas superior, um MLSS mais elevado e um menor risco de libertação de
odores. Contudo, apresenta algumas des vantagens, como sejam os elevados custos de investimento
inicial, elevados consumos energéticos e uma maior complexidade de exploração.

Em Portugal, não existem ainda E TA R que recorram a esta tecnologia para o t ratamento de efluentes
domésticos, não represent ando, este facto, nat uralmente, impedimento à sua utilização.

Este trabalho pret ende constituir uma contribuição para a divulgação da tecnologia MBR em E TA R, e
também, indirectamente, um incentivo à reutilização de águas residuais tratadas.

Neste documento apresenta-se uma síntese da aplicação e aspectos relevantes da utilização de


sistemas MBR, com aplicação ao caso de estudo da E TAR de Magoito.

A reabilitação da E TA R de Magoito foi projectada para uma população aproximada de


6000 habitantes, no ano horizonte projecto. O custo da reabilitação estima-se em 1.000.000 €, dos
quais mais de 50% dizem respeito ao forneciment o e instalação do sistema MBR.

Palavras-chaves: Águas Residuais; Biorreactores de Membranas; ETA R; Reabilitação; Tratamento.

v
Abstract

The Magoito’s WWTP is located in Sintra County, and it was designed to receive the effluent of
5200 inhabitants. It has, nowadays, operational problems the reason why it´s import ant to promote its
rehabilitation. One of the most realistic solutions is the application of mem branes (MBR) on the
existing reactors. This technology is a result of the combination between activated sludge proc ess and
membranes filt ration. It requires a suitable preliminary t reatment and allows the elimination of the
secondary settlement stage and the tertiary treatment by UV disinfection. When compared with
conventional technologies, MBR has as advantages the effluent of better quality, the lower projected
area, the higher age of sludges and MLSS, and lower odors emissions. However, the MBR has
disadvant ages such as higher capital costs, higher energy consumptions and more complexity in
operations and maintenance.

In Portugal, t here is not yet any WWTP with t his new technology for domestic sewage. However, this
doesn’t constitute an obstacle to the implementation of MBR in our country.

This doc ument can allow the dissemination of this technology on WWTPs and encourage t he reusing
of wastewater treatment.

This study consists on the development of the application as well as the relevant details associat ed to
the MBR technology, for the case study of WWTP of Magoito.
th
The rehabilitation of Magoito WWTP is designed for a population around 6000 inhabitants for the 40
year. The global cost for the rehabilitation is estimated in 1.000.000 €. Fifty percent of this value is due
to MBR system.

Keywords: Membranes Bioreactor; Rehabilitation; Treatment; Wastewater; WWTP.

vi
Volume I
Índice do texto

1 Introdução............................................................................................................................... 1
1.1 Enquadramento................................................................................................................ 1
1.2 Objectivos ....................................................................................................................... 2
1.2.1 Objectivo geral.......................................................................................................... 2
1.2.2 Objectivos específicos ............................................................................................... 2
1.3 Estrutura do trabalho......................................................................................................... 3
2 Considerações gerais ............................................................................................................... 5
2.1 Situação portuguesa no sector de saneamento de águas residuais ......................................... 5
2.1.1 Aspectos gerais ........................................................................................................ 5
2.1.2 Níveis de atendimento em drenagem e tratamento em Portugal ...................................... 5
2.1.3 Infra-estruturas de tratamento de águas residuais em Portugal........................................ 8
2.1.4 Reutilização e descargas de águas residuais em Portugal .............................................. 9
2.2 Aspectos de tratamento de águas residuais ....................................................................... 11
2.2.1 Capitação em águas residuais .................................................................................. 11
2.2.2 Tipos de tratamento de águas residuais ..................................................................... 11
2.3 Reactor biológico por membranas..................................................................................... 14
2.3.1 Considerações gerais .............................................................................................. 14
2.3.2 Processo de filtração por membranas ........................................................................ 15
2.3.3 Tipos de reactores biológicos por membranas............................................................. 24
2.3.4 Factores que influenciam o funcionamento do sistema MBR ......................................... 26
2.3.5 Estimativa de custos ................................................................................................ 30
2.3.6 Consumos de energia.............................................................................................. 34
2.3.7 Limpeza das membranas ......................................................................................... 36
2.3.8 Vantagens e desvantagens dos sistemas MBR ........................................................... 37
3 Esquema e cálculos para o Projecto Base de reabilitação da ETAR de Magoito ............................. 39
3.1 Enquadramento.............................................................................................................. 39
3.2 Situação actual .............................................................................................................. 39
3.2.1 Considerações introdutórias ..................................................................................... 39
3.2.2 Descrição e caracterização do sistema de tratamento .................................................. 39
3.2.3 Problemas de funcionamento e exploração................................................................. 46
3.3 Elementos base ............................................................................................................. 47
3.3.1 Considerações gerais .............................................................................................. 47
3.3.2 População de Projecto ............................................................................................. 48
3.3.3 Caudais de Projecto ................................................................................................ 48
3.3.4 Carga poluente de Projecto ...................................................................................... 50
3.3.5 Geologia e geotecnia............................................................................................... 50
3.4 Solução adoptada........................................................................................................... 50
3.4.1 Considerações introdutórias ..................................................................................... 50
3.4.2 Aspectos legislativos e critérios de qualidade.............................................................. 50
3.4.3 Objectivos de qualidade do efluente tratado................................................................ 51
3.4.4 Destino final dos resíduos ........................................................................................ 51
3.4.5 Descrição do futuro sistema de drenagem afluente a adoptar........................................ 52
3.4.6 Esquema de tratamento da solução adoptada............................................................. 52
3.4.7 Reabilitações/remodelações propostas ...................................................................... 53
3.4.8 Descrição e caracterização dos edifícios da ETAR ...................................................... 56
3.5 Dimensionamento hidráulico do sistema............................................................................ 57
3.5.1 Fase líquida............................................................................................................ 57
3.5.2 Fase sólida............................................................................................................. 64
3.5.3 Perfil hidráulico e perfis longitudinais ......................................................................... 65
3.5.4 Arruamentos e vedação ........................................................................................... 65
3.5.5 Rede de “água de serviço”........................................................................................ 66
3.6 Equipamento electromecânico.......................................................................................... 66
3.6.1 Fase líquida............................................................................................................ 66
3.6.2 Fase sólida............................................................................................................. 74
3.7 Estimativa de investimento inicial...................................................................................... 76
3.8 Síntese ......................................................................................................................... 76
4 Conclusões finais ................................................................................................................... 79
Referências bibliográficas............................................................................................................... 83

vii
Índice de Figuras do texto

Figura 2.1 - E volução do nível de at endimento da população com rede de drenagem e com
tratamento de águas residuais (adaptado de PEAASAR 2007-2013). ................................................6
Figura 2.2 - Níveis de atendimento em drenagem e t ratamento em diferentes regiões do p aís
(adaptado de REAADTA R, 2006, e PEAASAR 2007-2013)...............................................................7
Figura 2.3 - Variação dos níveis de atendiment o em drenagem e tratament o ao longo do país
(adaptado de REAADTA R, 2006). ...................................................................................................7
Figura 2. 4 - Distribuição das instalações de t ratamento ao longo do país (adaptado de
REAADTA R, 2006). .......................................................................................................................8
Figura 2.5 - Níveis de tratamento aplicados em Portugal (adaptado de Silva, 2007). ..........................9
Figura 2.6 - Pontos de rejeição existentes em Portugal (adaptado de REAA DTAR, 2006). ...............10
Figura 2.7 - Distribuição dos pontos de descarga ao longo do país (adaptado de REAADTA R,
2006). .........................................................................................................................................10
Figura 2.8 - Diferenças entre os sistemas MBR e convencional. .....................................................15
Figura 2.9 - Esquema representativo da filt ração por membranas (adapt ado de E venblij, 2006). .......15
Figura 2.10 - Esquema representativo dos diferentes tipos de processos de filtração por
membranas (adaptado de E venblij, 2006). .....................................................................................16
Figura 2.11 - Membranas com diferentes tipos de materiais............................................................17
Figura 2.12 - Estrutura de membranas isotrópicas e anisotrópicas (adaptado de Maestri, 2007). ......18
Figura 2.13 - Tipos de filtração por membrana (adaptado de E venblij, 2006). ...................................18
Figura 2.14 - Unidade do módulo (adaptado de Lorente, 2007). ......................................................19
Figura 2.15 - Rede de drenagem entre as membranas dispostas na vertical (adaptado de
Lorente, 2007). ............................................................................................................................20
Figura 2.16 - Módulo de fibra oc a em tubagem (adaptado de Lorente, 2007). ..................................20
Figura 2.17 - Módulos de fibra oca: a) Em tubagem, b) Em placas (K ubota e Zenon). ......................21
Figura 2.18 - Módulos tubulares: a) em aço inoxidável; b) em PVC (adaptado de Maestri, 2007). .....22
Figura 2.19 - Esquema de funcionamento de um módulo tubular (adaptado de Lorente, 2007). ........22
Figura 2.20 - Esquema do corte trans versal dum módulo enrolado em espiral (adapt ado de
Lorente, 2007). ............................................................................................................................23
Figura 2.21 - Esquema representativo de um módulo enrolado em es piral (adapt ado de
Lorente, 2007). ............................................................................................................................23
Figura 2.22 - Esquema representativo de um módulo enrolado em es piral (adapt ado de
Lorente, 2007). ............................................................................................................................24
Figura 2.23 - Esquemas dos sistemas SMB R. a) SMBR com módulo de membranas planas; b)
SMBR com módulos de membranas de fibra oca (adapt ado de KUB OTA). ......................................25
Figura 2.24 - Esquema dos sistemas EMBR e EMB R com módulos de membranas de fibra oca
na fotografia (adaptado de K UBOTA). ...........................................................................................25
Figura 2.25 - Curva de crescimento da biomassa (adaptado de Metcalf & Eddy, 2003). ....................27
Figura 2.26 - Comport amento do caudal produzido de permeado à medida que se aumenta o
parâmetro P TM (adapt ado de TARDIEU, 1997, in Maestri, 2007). ...................................................28

viii
Figura 2.27 - Fenómeno de polarização de concentraç ão (adaptado de E venblij, 2006). ..................28
Figura 2.28 - Camada acumulada na superfície da membrana (biofilme) (adaptado de
KUBOTA). ...................................................................................................................................29
Figura 2.29 - Estreitamento dos poros da membrana (adaptado de Metcalf & Eddy, 2003). ..............30
Figura 2.30 - Obstrução dos poros (adaptado de Metcalf & Eddy, 2003). .........................................30
Figura 2.31 - Fenómeno de polarização de concentraç ão (adaptado de Metcalf & Eddy, 2003). ........30
Figura 2.32 - E volução do custo do sistema MB R para a capacidade de 44 l/s (adaptado de
Adham et al., 2007). .....................................................................................................................31
Figura 2.33 - P eso dos diferentes custos de operação e manutenção no custo t otal do sistema
MBR com capacidade de 44l/s (ada ptado de Adham et al., 2007). ..................................................33
Figura 2.34 - Percentagem do Consumo energético das componentes do sistema EMBR
(Zhang, 2003). .............................................................................................................................35
Figura 2.35 - Consumo total de energia do sistema EMBR analisado por Zhang, 2003. ....................35
Figura 2.36 - Aspecto do afluente inicial e do efluente final após atravessar do sistema MBR. ..........37
Figura 3.1 - Fot ografia aérea da Praia e da E TAR de Magoito. .......................................................40
Figura 3.2 - Esquema do sistema de drenagem da área servida. ....................................................40
Figura 3.3 - Esquema dos emissários afluentes à E TAR de Magoito. ..............................................41
Figura 3.4 - Esquemas de tratamento das fases líquida e sólida da situação actual. .........................41
Figura 3.5 - Esquema de tratamento da actual E TAR do Magoito. ...................................................42
Figura 3.6 - Fotografias de diferentes órgãos da E TA R de Magoito: a) estação elevatória inicial;
b) gradagem; c) desarenador; d) canal “Parshall”. ..........................................................................42
Figura 3. 7 - Fotografias da E TA R de Magoito: a) e b) t anques de lamas activadas; c)
decantadores secundários; d) sistema de tratamento de lamas móvel. ............................................44
Figura 3.8 - Fot ografia do a) microtamis ador e b) da estação elevatória final da ETA R do
Magoito. ......................................................................................................................................44
Figura 3.9 - Caudal médio diário nos anos 2005, 2006, 2007 e nos primeiros 5 meses de 2008. .......45
Figura 3.10 - Fotografia da foz da ribeira da Mata no período estival. ..............................................46
Figura 3.11 - Qualidade microbiológica na ribeira da Mata antes da E TA R, em 2007 e 2008, em
termos de coliformes fecais, coliformes totais, Escherichia coli e estreptococos. ..............................47
Figura 3.12 - Represent ação esquemática do futuro traçado do emissário afluente à E TA R de
Magoito. ......................................................................................................................................52
Figura 3.13 - Esquema de tratamento da soluç ão adoptada (MBR). ................................................53
Figura 3.14 – Vista frontal do equipamento “Monobelt”. ..................................................................75

ix
Índice de Quadros do Texto

Quadro 2.1 - P rocessos de filtração por membranas (adaptado de Mulder, 1996, Koros et al.,
1996, in E venblij, 2006, e de Schneider & Tsutiya, 2001 in Maestri, 2007). ......................................16
Quadro 2. 2 - Materiais constituintes das membranas (adaptado de Mulder, 1996, in Evenblij,
2006). .........................................................................................................................................17
Quadro 2.3 - Vantagens e des vantagens dos diferentes tipos de tecnologias MB R (adaptado de
Torres, 2006 in Maestri, 2007). .....................................................................................................26
Quadro 2.4 - Diferent es substâncias que podem afectar o desempenho de uma membrana
(adaptado de Metcalf & Eddy, 2003)..............................................................................................29
Quadro 2.5 - Empres as que cont ribuíram para a realização do estudo económico da MWH
Americas, Inc (adaptado de Adham et al., 200 7). ...........................................................................31
Quadro 2.6 - Dados base da estimativa orçamental (adaptado de Adham et al., 2007). ....................32
Quadro 2.7 - Custos de investimento inicial (em milhares de euros) (adapt ado de Adham et al.,
2007). .........................................................................................................................................32
Quadro 2. 8 - Custos de operação e manutenção (milhares de euros por ano) (Adham et al.,
2007). .........................................................................................................................................33
Quadro 2.9 - Características do sistema EMBR (Zhang, 2003)........................................................34
Quadro 3.1 - Características dos principais órgãos de tratamento da fase líquida. ...........................44
Quadro 3.2 - Eficiências da E TAR (2005 a 2008). ..........................................................................45
Quadro 3.3 - Quadro síntese dos dados base de dimensionamento. ...............................................47
Quadro 3.4 - Estimativa populacional de projecto. ..........................................................................48
Quadro 3.5 - Capitações e factor de afluência à rede. ....................................................................49
Quadro 3.6 - Caudais de projecto. .................................................................................................49
Quadro 3.7 - Concentração e cargas poluentes afluentes à E TAR. .................................................50
Quadro 3.8 - Objectivos mínimos de qualidade do efluente. ............................................................51
Quadro 3.9 - Características da Bacia de Ret enção. ......................................................................57
Quadro 3.10 - Características do Descarregador da Bacia de Ret enção. .........................................58
Quadro 3.11 - Dimensionament o do grupo elevat ório: dados gerais. ...............................................59
Quadro 3.12 - Características do Sistema Elevat ório. .....................................................................59
Quadro 3.13 - Canal de recurso: Características geomét ricas e condições de funcionamento. ..........60
Quadro 3.14 - Canal principal: Características geométricas e condições de funcionamento. .............61
Quadro 3.15 - Valores indicativos para o dimensionamento do desarenador/desengordurador e
respectivo equipamento................................................................................................................61
Quadro 3.16 - Valores adoptados para o dimensionamento do desarnador/desengordurador. ..........62
Quadro 3.17 - Desarenador/desengordurador: Características geométric as. ....................................62
Quadro 3.18 Desarenador/desengordurador: Condições de funcionament o. ....................................62
Quadro 3.19 - Tanque de homogeneização: Características geométricas. .......................................63
Quadro 3.20 - Tanque de homogeneização: Características de funcionamento. ...............................63
Quadro 3.21 - Tanque de membranas: Condições de funcionamento. .............................................63
Quadro 3.22 - Reservatório final: Características geométricas. .......................................................63

x
Quadro 3.23 - Reservatório final: Condições de funcionamento. .....................................................64
Quadro 3.24 - Estação elevatória de escorrências e drenados: Características geométricas. ............64
Quadro 3.25 - Valores adoptados para o tanque de lamas. .............................................................64
Quadro 3.26 - Tanque de lamas - características geomét ricas. .......................................................65
Quadro 3.27 - Grupo electrobomba da estação elevatória de “by-pass”: Características. ..................66
Quadro 3.28 - Grade manual: Características geomét ricas. ............................................................67
Quadro 3.29 - Grade manual: Velocidades estimadas. ...................................................................67
Quadro 3.30 - Tamisador: Características geométricas e condições de funcionamento. ...................68
Quadro 3.31 - Critérios de dimensionamento do canal “Parshall”. ...................................................68
Quadro 3.32 - Características geomét ricas do canal “Parshall”. ......................................................69
Quadro 3.33: Condiç ões de funcionamento do canal “Pars hall”. ......................................................69
Quadro 3.34 - Quantidade de ar. ...................................................................................................70
Quadro 3.35 - Características do sistema de injecção de ar. ...........................................................70
Quadro 3.36 - Características dos agitadores. ...............................................................................71
Quadro 3.37 - Grupo electrobomba do tanque de homogeneização: Características. .......................71
Quadro 3.38 - Critérios de dimensionamento das membranas. .......................................................72
Quadro 3.39 - Características das membranas. .............................................................................72
Quadro 3.40 - Produção de lamas em excesso. .............................................................................73
Quadro 3.41 - Grupo electrobomba de lamas: Características. .......................................................73
Quadro 3.42 - Grupo electrobomba de escorrências e drenados: Características. ............................74
Quadro 3.43 - Monobelt: Critérios de dimensionament o..................................................................74
Quadro 3.44 - Monobelt: Características de funcionamento e geométricas. .....................................74
Quadro 3.45 Características das bombas doseadoras. ...................................................................75
Quadro 3.46 - Armazenamento de lamas desidratadas: características. ..........................................75
Quadro 3.47 - Armazenamento de lamas desidratadas: condições de funcionamento. .....................76
Quadro 3.48 - S íntese do orçament o. ............................................................................................76

xi
Volume II

Índice de Peças Desenhadas

Número Designação Escala


1 Planta de localização da ETAR de Magoito 1:25 000/1:5 000
2 Planta topográfica e de cadastro da ETAR de Magoito 1:500
3 Diagrama de Blocos da ETAR – Situação actual -

4 Diagrama de Blocos da ETAR – Solução adoptada -


5 Planta de Implantação da ETAR – Situação Actual 1:500
6 Planta de Implantação da ETAR – Sobreposição 1:500
7 Planta de Implantação da ETAR – Solução Adoptada 1:500
Planta de Funcionamento da ETAR – Solução
8 1:500
Adoptada
9 Perfil da ETAR de Magoito 1:200
10 Bacia de retenção – Planta, Cortes e Pormenores 1:100
11 Obra de entrada – Planta, Cortes e Pormenores 1:100
Tanque de homogeneização e reactor biológico por
12 1:200
membranas – Planta, Cortes e Pormenores
13 Reservatório final – Planta, Cortes e Pormenores 1:100
Estação elevatória de escorrências e drenados –
14 1:100
Planta, Cortes e Pormenores
Edifício de tratamento de lamas – Alçados e
15 1:100
Pormenores
Edifício de tratamento de lamas – Planta, Cortes e
16 1:100
Pormenores
Perfil longitudinal dos colectores gravíticos do circuito H - 1:2 000; V -
17
principal e da conduta elevatória do circuito de lamas 1:200
Perfil longitudinal dos colectores gravíticos e conduta H - 1:2 000; V -
18
elevatória do circuito de escorrências e drenados 1:200
Perfil longitudinal dos colectores gravíticos e da H - 1:2 000; V -
19
conduta elevatória do circuito by-pass 1:200
Rede de distribuição de água de serviço e rega da
20 1:200
ETAR
21 Portão e vedação da ETAR – Desenho Tipo 1:50
22 Câmaras de visita – Desenho Tipo 1:50
23 Câmara de visita 1 e 4 - Planta, Cortes e Pormenores 1:50
24 Câmara de visita 9 e 18 - Planta, Cortes e Pormenores 1:50
Ligação de Tubagens a Paredes de Betão – Desenho
25 1:50
Tipo
26 Valas – Desenho Tipo 1:50

xii
Simbologia

Símbolos Designação Unidade


Ax Área da superfície x m2
b Largura m
be Largura efectiva m
bg Espaçamento entre barras m

bteo Largura teórica m


c Coeficiente de Hazen-Williams -
Cap Capitação l/(hab.dia)
Cseg Coeficiente de segurança -
Cx Cota do lugar x m
d Distância m
Dx Diâmetro do objecto x m
E Consumo específico de energia kWh/m 3
ex Espessura do objecto x m

fafl Coeficiente de afluência -


fp Factor de ponta -
FS Factor de segurança -
 Peso volúmico N/m 3
h Altura m
Hm Altura manométrica m
J Perda de carga Unitária m/m
keμ Parâmetros associados à geometria do Canal Parshall -
L Comprimento m
 Velocidade na conduta elevatória m/s
nx Número de objectos x -
P Potência kW
p Profundidade m
Pop População hab.
px Pressão na zona x bar
Qar Caudal médio de ar m 3/dia ou l/s
Qe Caudal elevado m 3/dia ou l/s

Qinf Caudal de infiltração m 3/dia ou l/s


Qlam as Caudal médio de lamas m 3/dia ou l/s
Qm Caudal médio m 3/dia ou l/s
3
Qp Caudal de ponta m /dia ou l/s
R Raio hidráulico m
S Submergência -
t Tempo s

xiii
Símbolos Designação Unidade
tr Tempo de retenção s
v Velocidade m/s
V Volume m 3 ou L
vr Velocidade de rotação rpm
α Ar ejectado por unidade de comprimento m 3/m.min ou l/m.s
3
β Produção de lamas em excesso m /dia ou l/s
ΔHc Perda de carga contínua m
ΔHl Perda de carga localizada m

ΔHt Perda de carga total m


Δl Bordo livre m
ΔN Desnível m
Δp Variação de pressão bar
η Rendimento do grupo electrobomba %

Abreviaturas

Abreviatura Designação

AR Águas residuais
CA Acetato de celulose

CBO Carência bioquímica de oxigénio


CBO5 Carência bioquímica de oxigénio aos 5 dias e a 20ºC
CF Coliformes fecais
COT Carbono orgânico total
CQO Carência química de oxigénio
CT Coliformes totais
EDTA Ácido etilenodiamino tetra-acético
EF Estreptococos fecais
EMBR Biorreactor de membranas externo
ETAR Estação de tratamento de águas residuais
F/M Relação entre substrato e microrganismos
MBR Memb rane Bioreactor ou Biorreactor de membranas
MF Microfiltração
MLSS Licor misto
NF Nanofiltração
O&M Operação e manutenção
OI Osmose Inversa
PAN Poliacrilonitrilo
PE Polietileno
Plano Estratégico de Abastecimento de Água e Saneamento de Águas
PEAASAR
Residuais
PEI Poliéterimida

xiv
Abreviatura Designação

PES Sulfato de polieter


PP Polipropileno
PVC Policloreto de Vinílo
PVDF Floreto de polivirílico
RASARP Relatório Anual do Sector de Águas e Resíduos em Portugal
Relatório do Estado do Abastecimento de Água e Drenagem e Tratamento
REAADTAR
de Águas Residuais
SMAS Serviços municipalizados de água e saneamento
SMBR Biorreactor de membranas submerso
SST Sólidos suspensos totais
TMP ou PTM Pressão transmembranar
UF Ultrafiltração
UV Radiação ultra-violeta
WWTP Wastewater tratament Plant ou estação de tratamento de águas residuais

xv
1 INTRODUÇÃO

1.1 ENQUADRAMENTO
A ETAR de Magoito loc aliza-se junto à margem esquerda da Ribeira da Mata, a cerca de 300 m da
2
foz (praia de Magoito), e ocupa uma área de cerca de 3700 m . Esta ETAR trata as águas residuais
provenientes dos aglomerados de Bolembre, Magoito, Tojeira, Aldeia Galega, Arneiro dos
Marinheiros, Font anelas, Gouveias e P ernigem. A E TA R entrou em funcionamento em 2001 e foi
dimensionada para s ervir uma população, em ano horizont e de projecto, de 5200 habitant es,
3
correspondendo a um caudal médio diário de projecto de 1150 m /dia, muito superior ao que
actualmente se verifica.

O presente trabalho surge no seguimento do Estudo Prévio “Redimensionamento e Adaptação da


ETA R de Magoito”. No Estudo P révio foram avaliadas diferentes alternativas possíveis para a
reabilitação da E TA R. Para o desenvolvimento deste Projecto B ase, foi s eleccionada a solução de
reabilitação da E TAR de Magoito, recorrendo a biorreactor de membranas.

Segundo dados fornecidos pelos SMAS de Sintra e da recolha de informação, a partir de visitas
efectuadas à E TAR, deduziu-se que os principais problemas actuais da E TA R (a chegada do efluente
à ETA R por bombagem, uma deficiente decantação, a inexistência de uma etapa de espessament o e
desidratação adequada para as lamas e a descarga próximo da praia do Magoito) justificam a
necessidade de reabilitação. Com vista à eliminação destes problemas, desenvolveram -se duas
soluções possíveis de t ratamento. A solução “1” preconizava a adaptação e remodelação do actual
esquema de tratamento da E TA R de Magoito (lamas acti vadas de arejamento prolongado) para um
sistema de reactor biológico de membranas (MB R). A solução “2” previa a reabilitação da E TAR,
mantendo o actual esquem a de tratamento da fas e líquida (arejament o prolongado com decantaç ão
secundária e desinfecção por UV), e melhorando o esquema de trat amento da fase sólida.

A solução “1” foi a adopt ada visto ser a que promovia qualidade superior do efluente final, permitindo
a eliminação da operação de decantação secundária. Esta solução é a que exige menor área de
implantaç ão e a que minimiza o risco de libertação de odores. Apresent a como pri ncipais
des vantagens o custo do investimento inicial e os elevados c onsumos de energia. O sistema MB R
resulta da junção do tratament o de lamas activadas com arejamento prolongado com a filtraç ão de
membranas, tirando partido das vantagens destes dois tipos de tratamento. De modo a que o
processo de tratamento decorra nas melhores condições , é necessário recorrer a um tratamento
preliminar adequado e, só de seguida o afluent e pode entrar no tanque de arejamento onde estão
instaladas as membranas. As membranas funcionam como barreira física à passagem de sólidos e
de bactérias, sendo responsáveis pela separação líquido-sólido.

Actualmente, em Portugal, vê-se que ainda não existem ETA R em funcionamento, para águas
residuais domésticas, que recorram a este tipo de tecnologia. Contudo, no estrangeiro já é uma
tecnologia em desenvolvimento desde os anos 70, existindo já muitas estações de t ratamento que

1
recorrem a membranas. Sendo o sistema MBR uma tec nologia nova em Portugal, não existe
informaç ão de campo disponível.

A água é um recurso limitado e indispensável à sobrevivência do ser humano e, apesar da água ser o
recurso em maior abundância na superfície da Terra, apenas uma pequena parte desta pode s er
tratada em condições viáveis para consumo humano. Este facto, associado ao problema de se
assistir a um forte crescimento demográfico, económico e industrial, a nível mundial, ao aquecimento
global e ainda ao facto de se verificar um uso descuidado e intensivo da água, leva à escassez deste
recurso tão precios o. Por estes motivos, devem-se foment ar e estimular as tecnologias que garantam
o desenvolvimento s ustentável e assegurem a quantidade e qualidade de água nec essária à
preservação do meio ambiente. Nesta vert ente, é important e que se promova e incentive, de uma
forma geral, a reutilização de efluentes. Em várias zonas do País onde se verific a escassez de água,
por exemplo no Alentejo e no Algarve, torna-se essencial uma aposta na reutilização da água, numa
perspectiva de sustent abilidade a médio e longo praz o. Face a um sucessivo aumento d o preço da
água para consumo público, a reutilização torna-se cada vez mais necessária. As águas residuais
convenientemente tratadas podem ser usadas para resolver problemas de falta de água nas origens,
nomeadamente para a agricultura, rega de espaços verdes urbanos e lavagem.

As crescentes exigências impostas legalmente para a descarga de águas residuais fiz eram com que
a reutilização de águas residuais tratadas se justifique, também, como fonte alt ernativa para
abastecimento ou para fins compatíveis. Em muitos casos, as descargas ocorrem em meios
receptores ec ologicamente s ensíveis, o que obrigará a um aumento do grau de tratamento nas
ETA R. Para minimizar a área de implantação e para garantir um efluente com qualidades elevadas ,
pode recorrer-se à instalação da tecnologia de Bior reactores de Membranas. Assim, o efluente
tratado causará, em princ ípio, menor impacte negativo ambiental no meio receptor e apres entará
qualidade suficiente para ser reutilizado na própria instalação de tratamento na lavagem de
equipamentos e para rega dos terrenos circundantes.

1.2 OBJECTIVOS

1.2.1 OBJECTIVO GERAL


O objectivo geral deste trabalho consiste na elaboração do Projecto Base de reabilitação da E TAR de
Magoito, recorrendo a reactor biológico por membranas. Com vista à obtenção deste objectivo foi
necessário, previament e, desenvolver uma investigação da tecnologia, rec orrendo a bibliografia
diversa e cons ulta de fornecedores, dado ser inovadora no nosso País. Com base nos conhecimentos
adquiridos foi possível proceder ao desenvolviment o do Projecto Base de “Reabilitação da E TAR de
Magoito recorrendo a reactor biológico por membranas”.

1.2.2 OBJECTIVOS ESPECÍFICOS


O presente trabalho teve em conta os seguintes objectivos específicos:
a) divulgar o conceito e ideias base que dizem res peito à tecnologia dos biorreactores de
membranas;
b) exemplificar a aplicação desta tecnologia a u m caso de estudo;

2
c) desenvolver, além dos cálculos, as peças desenhadas e medições e orçamento corres pondentes.

1.3 ESTRUTURA DO TRABALHO


O presente trabalho é dividido em dois volumes. No Volume I inclui-se a memória descritiva e
justificativa do Projecto Base da “Reabilitação da Estação da ETA R do Magoito Recorrendo a
Reactores Biológicos por Membranas”. No Volume II apresentam-se as peç as desenhadas.

O Volume I desenvolve-se ao longo de quatro capítulos. No presente capít ulo, é introduzido o tema
do Projecto B ase, são descritos os objectivos e é des envolvida a estrutura do trabalho. No capítulo 2
descreve-se sucintamente a situação Portuguesa no sector de saneamento de águas residuais, são
apresentados conceitos importantes para o tratamento de águas residuais, e as principais noç ões e
características do funcionament o de um reactor biológico por membranas. Apres entam -se os
diferentes processos de filtração por membranas, tipos de reactores biológicos por membranas e
factores que influenciam o funcionamento do sistema MBR. Apresentam-s e ainda estimativas de
custos (investimento inicial e de operação e manutenção) de diferent es sistemas MBR, consumos de
energia e, por fim, as principais vantagens e des vantagens deste processo. No terceiro capít ulo
descrevem -se as opções tomadas no âmbito do esquema de trat ament o e os cálculos associados à
reabilitação da E TAR de Magoito. Apresent a-se a situação actual da E TAR de Magoito, os dados
base de dimensionament o, e a solução adoptada para a reabilitação da E TA R. Por fim, é
apresentada a estimativa do investimento inicial e desenvolve-se uma síntese geral. No quarto e
último capítulo sintetizam -se as principais conclusões. Ainda no V olume I descrevem -se, em anexo,
as medições e o orçamento que serviu de base à estimativa do investimento inicial.

O Volume II é constituído por 26 peças desenhadas, nomeadamente: a planta de localização da


ETA R de Magoito, a planta topográfica e de cadastro da E TA R de Magoito, o diagrama de blocos da
situação actual da E TA R, o diagrama de blocos da solução adoptada da E TA R, a planta de
implantaç ão da situação actual da E TA R, a planta de implantação de sobreposição da situação actual
com a solução adoptada para a E TAR de Magoito, a planta de implantação da solução adoptada da
ETA R, a planta de funcionamento da E TA R para a solução a doptada, o perfil da E TAR de Magoito,
os detalhes da bacia de retenç ão, os det alhes da obra de entrada, os detalhes do tanque de
homogeneização e do reactor biológico por membranas, os detalhes do reservat ório final, os detalhes
da estação elevat ória de escorrências e drenados, os det alhes do edifício de tratamento de lamas, os
perfis longitudinais dos colectores gravític os do circuito principal e da conduta elevatória do circuito de
lamas, os perfis l ongitudinais dos colectores gravíticos e c onduta elevatória do circuito de
escorrências e drenados, os perfis longitudinais dos colectores gravíticos e da conduta elevat ória do
circuito “by-pass”, a rede de distribuição de água de s erviço e rega da E TAR, o desenho tipo do
portão e vedação da E TA R, o desenho tipo das câmaras de visita, os detalhes das câmaras de visita,
o desenho tipo da ligação de tubagens a paredes de bet ão, e o desenho tipo assent ament o de
colecta em valas.

3
4
2 CONSIDERAÇÕES GERAIS

2.1 SITUAÇÃO PORTUGUESA NO SECTOR DE SANEAMENTO DE ÁGUAS RESIDUAIS

2.1.1 ASPECTOS GERAIS


O sector de saneamento de águas residuais diz res peito ao ciclo desde a utilização da água à
recolha, tratament o e descarga no meio receptor. As águas residuais , após a recolha, s ão
transportadas, em regra, para uma estação de tratamento, e após o t ratamento deverão s er
encaminhadas, através de um emissário final, para descarga em meio receptor.

O desenvolvimento deste sector no País é importante para a preservaç ão da saúde pública e


segurança colectiva das populações, para a protecção do meio ambiente e para a promoção de
actividades económicas.

No s ector de saneamento distinguem-se dois tipos de sistemas, nomeadamente, sistema em “alta” e


sistema em “baixa”. Em geral, o primeiro abrange as estações de tratamento e as infra -estruturas
(emissários, interceptores e estações elevatórias) que se localizem a jusante das redes com serviço
de percurso. Em contrapartida, o sistema em “baixa” compreende toda a rede de drenagem
(colectores com serviço de percurso), incluindo infra-estrut uras associadas à rede de drenagem,
como colectores, câmaras de visita e, por regra, estações elevat órias.

A situação portuguesa no sector de saneamento de águas residuais ainda se encontra em evoluç ão


significativa, nomeadamente porque:

 os sistemas em “baixa” servem já a maioria da população. Contudo, apresentam um


desenvolvimento assimétrico ao longo do P aís, existindo ainda algumas povoações sem rede de
drenagem;
 nem todas as águas residuais recolhidas são sujeitas a tratamento adequado.

2.1.2 NÍVEIS DE ATENDIMENTO EM DRENAGEM E TRATAMENTO EM PORTUGAL


Nas últimas décadas têm sido desenvolvidos esforços, numa t entativa de reduzir o número de
aglomerados populacionais sem um adequado sistema de saneamento de á guas residuais, e com
vista a que Portugal consiga cumprir o normativo nacional e comunitário em matéria de t ratamento de
efluentes e de qualidade da água.

O Plano Estratégico de A bastecimento de Á guas e Saneamento de Á guas Residuais II,


PEAASAR 2007-2013, materializa as orientações estrat égicas e os objectivos para o sector de
abastecimento de água e de saneamento de águas residuais, tornando-se num documento
estratégico importante no contexto da resoluç ão dos problemas ainda em abert o neste sector. S ão
exemplos destes problemas a articulação ent re sistemas em “baixa” e os sistemas em “alta”, a
separação da componente de caudais pluviais em sistemas unitários e a erradicaç ão de ligações
cruzadas nos sistemas separativos.

5
O PEAASAR 2007-2013 impõe como um dos objectivos principais servir 90% da populaç ão de
Portugal com redes de drenagem e tratamento de águas residuais urbanas, sendo que cada sistema
deverá at ender pelo m enos 70% da população, garantindo t arifas compat íveis com a capacidade
económic a dos respectivos utentes. O objectivo nacional de 90% de serviç o, também já fazia parte
das metas do PEAASAR 2000-2006. Cont udo, apesar de se ter registado, nestes anos, um elevado
incremento no sector, não foi cumprida esta meta. Na Figura 2.1 apresenta-se a evolução da taxa de
atendimento da população com rede de drenagem e com tratamento de águas residuais , entre 1990 e
2006.

Nível de atendimento

PEAASAR 2007-2013 90%

77%
73% 72%
68% 66%
62% 64%
61%
58%

42%

31%

0%

1990 1994 1998 2002 2005 2006

Índice de drenagem Índice de tratamento


Figura 2.1 - Evolução do nível de atendimento da população com rede de drenagem e com tratamento de
águas residuais (adaptado de PEAASAR 2007-2013).

Segundo o Relatório do Estado do Abastecimento de Á gua e Drenagem e Tratamento de Águas


Residuais (REAADTA R), as regiões hidrográficas do Tejo, S ado, Mira, Guadiana, e Ribeiras do
Algarve são as que apresentam maiores níveis de atendimento em drenagem e tratamento. De um
modo geral, as regiões do Norte apresentam níveis de atendiment o em drenagem e tratamento
inferiores às regiões do Cent ro e Sul do país. Tanto os níveis de atendiment o em drenagem c omo de
tratamento são superiores no Continente quando comparados com os das Regiões Autónomas.
Através da Figura 2.2 é possível verificar os níveis de atendimento em drenagem e tratamento nas
diferentes regiões do País.

6
Nível de atendimento
89% 89%
86%
82% 81%
77% 77% 76% 77% 78%
72% 71% 68% 72%
68% 67% 69% 70%
59%

46% 45%
39%

25%

Continente Minho e Cavado, Douro Vouga, Tejo Sado e Guadiana Ribeiras Açores Madeira
Lima Ave e Mondego, Mira do
Leça Lis e Algarve
Ribeiras
do Oeste

Índice de drenagem Índice de Tratamento PEAASAR 2007-2013


Figura 2.2 - Níveis de atendimento em drenagem e tratamento em diferentes regiões do país (adaptado de
REAADTAR, 2006, e PEAASAR 2007-2013).

Os mapas da Figura 2. 3 ilustram, respectivamente, os níveis de atendiment o em drenagem e


tratamento, no território nacional.

Drenagem de AR (%) Tratamento de AR (%)


0 0
1-20 1-20
21-50 21-50
51-70 51-70
71-90 71-90
> 90 > 90
Sem dados Sem dados
Regiões Hidrográficas Regiões Hidrográficas

Figura 2.3 - Variação dos níveis de atendimento em drenagem e tratamento ao longo do país (adaptado
de REAADTAR, 2006).

Pela análise da Figura 2.3 conclui-se que, de facto, são as Regiões Autónomas e as Regiões do
Nort e do país que apres entam os níveis mais reduzidos de atendimento. O facto destas regiões

7
apresentarem índices de drenagem e de tratamento menores , deve-se, nomeadamente, à densidade
populacional e à topografia muit o acidentada.

2.1.3 I NFRA- ESTRUTURAS DE T RATAM ENTO DE ÁGUAS RESIDUAIS EM PORTUGAL


Em Portugal existem aproximadamente 4300 instalações de tratamento de águas residuais,
consistindo a maioria em simples Fossas Sépticas Colectivas (FS C). Excluindo as FS C, as Estações
de Tratamento de Águas Residuais (E TA R) r ondam cerc a de 1600 unidades.

Os mapas da Figura 2. 4 ilustram a distribuição de instalaç ões de tratamento ao longo do território


português, no ano de 2006.

ETAR FSC
Massas de água Massas de água
Regiões Hidrográficas Regiões Hidrográficas
Limite de Concelho Limite de Concelho

Figura 2.4 - Distribuição das instalações de tratamento ao longo do país (adaptado de REAADTAR, 2006).

A disposição das ETA R, ao longo do país, é bastante dispersa, enquanto que as FSC se encontram
maioritariamente no norte e interior de Portugal Continental, nomeadamente nas regiões hidrográficas
do Douro e do Vouga, Mondego, Lis e Ribeiras do Oeste. Este facto acontece não só porque os
aglomerados populacionais apresentam uma densidade populacional reduzida com distâncias
consideráveis entre eles, mas também devido à topografia bastante acidentada que dificulta e
condiciona a construção de longos emissários.

As ETAR encontram-se mais concentradas no litoral, nomeadamente nas regiões hidrográficas do


Cávado, A ve e Leça, do Douro e do Vouga, Mondego, Lis e Ribeiras do Oeste, devido à maior
concentração populacional.

Numa avaliação global, verifica-se que o número de FSC é superior ao número de E TA R. Contudo, o
número destas últimas tem vindo a aumentar com a des activação, nos últimos anos, de muitas FSC

8
para dar lugar à construção de novas E TA R, dispondo de trat amento secundário ou de tratamento
terciário.

A maioria das E TA R existentes em P ortugal apresenta tratamento secundário, como se pode verific ar
pela Figura 2.5.

Tipos de Tratamento aplicados em Portugal

19% 18%

6%

12%

45%

Não tratado Preliminar Primário Secundário Terciário


Figura 2.5 - Níveis de tratamento aplicados em Portugal (adaptado de Silva, 2007).

No que se refere ao tipo de tecnologia de trat amento utilizada, verifica-se uma grande variedade em
todo o país, desde as tecnologias convencionais, como lamas activadas, até tecnologias patenteadas
de última geração. S egundo o Relatório A nual do Sector de Águas e Resíduos em P ortugal
(RASARP, 2007), em tempos houve tendência para a utilização de tecnologias como sistemas de
tanques Imhoff, leitos percoladores e discos biológicos. Mais tarde, verificou-se a preferência pela
utilização de lamas activadas, designadamente na variante de arejamento prolongado para
populações novas, ou sistemas de lagunagem. Hoje em dia são utilizadas as várias tecnologias do
mercado, adoptando-se a solução que se considera mais adequada para cada caso. As ETAR, que
apresentam trat ament o terciário para desinfecção, recorrem maioritariamente a tecnologias como a
cloragem, e a radiação ultra-violeta.

Actualmente, que se saiba, não existe em Portugal nenhuma E TAR, para águas residuais
domésticas, que recorra ao sistema de Biorreactores de Membranas, sendo esta uma tecnologia, por
isso, inovadora no país, do pont o de vista da aplicação.

2.1.4 R EUTILIZAÇÃO E DESCARGAS DE ÁGUAS RESIDUAIS EM PORTUGAL


Actualmente, apenas uma pequena percentagem de águas residuais é descarregada directamente no
meio rec eptor (Figura 2.6).

9
Pontos de rejeição de águas residuais

12%

88%

Descarga após tratamento Descarga directa

Figura 2.6 - Pontos de rejeição existentes em Portugal (adaptado de REAADTAR, 2006).

Segundo o REAADTA R, o número de descargas directas nos meios hídric os receptores tem vindo a
diminuir, o que se reflecte na melhoria da qualidade da água desses meios.

Através da Figura 2.7 pode-se ter uma breve ideia da distribuição dos pontos de descarga, ao longo
do país.

Descargas em meio receptor Descargas directa no meio


após tratamento receptor
Massas de água Massas de água
Regiões Hidrográficas Regiões Hidrográficas
Limite de Concelho Limite de Concelho

Figura 2.7 - Distribuição dos pontos de descarga ao longo do país (adaptado de REAADTAR, 2006).

É possível referir, também, que as regiões hidrográficas do Cávado, A ve e Leça, do Douro e do


Vouga, Mondego, Lis e Ribeiras do Oeste apresentam um índice superior de descargas de águas
residuais, após tratamento.

10
Numa tentativa de diminuir os impactes negativos que advêm das descargas de águas residuais,
pode ser import ante implementar sistemas que promovam a reutilização das águas tratadas. A
reutilização das águas residuais é um aspecto important e, não só porque a água é um bem essencial
para a saúde pública, que corre sérios riscos de escassez (devido ao us o descuidado e ao
aquecimento global), mas também porque poderá ser uma alternativa viável, económica e segura,
quer do ponto de vista sanitário quer ambiental para os diversos tipos de utilização.

Em muitos casos de E TA R ao longo do país, as descargas ocorrem em meios receptores


ecologicamente sensíveis, o que obriga ao aumento do grau de tratamento da ETA R. Para viabilizar
os elevados custos de tratamento, pode utilizar-se o efluente tratado para reutilização em regas e
lavagens dentro ou fora da ETA R. Em algumas ETA R de Portugal já se realiza a reutilização dos
efluentes t ratados para esses fins, e para a irrigação de pomares, rega de jardins e relvados de
Campos de Golfe.

O sistema de Biorreactores de Membranas constitui uma tecnologia muit o aliciant e, visto que permite
obter um efluente de elevada qualidade e pronto a ser reutilizado para variados fins. No capítulo 2.3.
é efectuada uma análise mais detalhada desta temática.

2.2 ASPECTOS DE T RATAMENTO DE ÁGUAS RESIDUAIS

2.2.1 CAPITAÇÃO EM ÁGUAS RESIDUAIS


Segundo o Decreto-Lei nº236/98, de 1 de Agosto, as águas residuais domésticas são “águas
residuais de instalações residenciais e serviç os, essencialmente provenientes do metabolismo
humano e de actividades domésticas”. As águas residuais domésticas são caracterizadas por
apresentarem aproximadamente as seguintes capitações médias de carga poluente:
9
60 g CB O5/hab.dia, 90 g SS T/hab.dia, 10 g N/hab.dia, 4 g P/hab.dia e 2×10 nº CF/hab.dia. Em
termos quantitativos, em Port ugal, as capitações domésticas variam, em regra, entre 80 l/hab.dia e
200 l/hab.dia.

2.2.2 TIPOS DE T RATAMENTO DE ÁGUAS RESIDUAIS


Uma E TAR é concebida, em geral, para efectuar o t ratamento das águas residuais (domésticas,
pluviais e industriais) e ainda o tratamento das lamas produzidas. É comum definirem -se as etapas do
tratamento de águas por fase líquida e as etapas do t ratamento de lamas por fase sólida. Estas duas
fases estão interligadas, uma vez que as lamas a tratar na fase sólida são as resultantes da fase
líquida e as escorrências e drenados result antes da fase sólida são encaminhados, em geral, para
tratamento na fase líquida. Cont udo, existem E TAR, vulgarmente as de menor capacidade, que não
apresentam tratamento da fase sólida. Nestes casos, as lamas resultantes costumam ser
encaminhadas para E TA R próximas, de maiores capacidades, para se proceder ao devido
tratamento.

A fase líquida é constituída por várias etapas de tratamentos correspondendo a diferentes proc essos
e/ou operações de tratamento. As etapas de tratamento podem ser divididas em quatro grupos:
tratamento preliminar; tratamento primário, tratamento secundário e, por fim, tratamento terciário.

11
Pode ainda ser considerado um quint o tratamento, o chamado pré-tratamento. O pré-tratamento é
efectuado quando se realiza o tratamento conjunto de águas residuais domésticas e águas residuais
industriais para garantir a compatibilid ade entre estes dois tipos de águas e visa eliminar, por
exemplo, s ubstâncias tóxicas (pH elevados, temperaturas elevadas, elevadas quantidades de
gorduras, metais pesados, etc.) que possam interferir negativamente no funcionamento da E TAR. O
pré-tratamento pode ser efectuado à entrada do c olector industrial, ou na intercepção do colector
industrial com o colector doméstico.

Em seguida realiza-se uma breve descrição dos principais tipos de tratamentos mais realizados em
ETA R.

PRELI MINA R
O tratamento preliminar consiste numa sucessão de etapas, tendo como principal objectivo assegurar
um melhor funcionamento dos órgãos de tratamento a jusante, evit ando o desgaste precoce de
determinados equipamentos como consequência dos efeitos nocivos de alguns constituintes da s
águas residuais. Nesta etapa pode proceder-s e à remoção de sólidos grosseiros, areias e óleos e
gorduras.

O tratamento preliminar é realizado recorrendo a processos físicos, tais como: gradagem manual e/ ou
mecânica; desarenação e remoção de escumas e gorduras.

É habitual, nesta etapa, visto ser a primeira, realizar-se a medição do caudal afluente à E TA R.

TRATA MENTO PRI MÁ RIO


No tratamento primário realiza-se a remoção dos sólidos suspensos totais recorrendo a proc essos
físicos ou físico-químicos. No âmbito do Decret o Lei nº152/97, c onsidera-se que ao tratamento
primário correspondem eficiências mínimas de remoção de SS T e CBO 5, respectivamente de 50% e
de 20%.

Os processos de tratament o primário mais comuns em Port ugal são os seguint es:

 decantaç ão estática;
 decantaç ão lamelar.

Por vezes, para aumentar a eficiência do tratamento primário, recorre-se à adição de reagentes
(tratamento primário físico-químico).

TRATA MENTO SECUNDÁ RIO


De acordo com a legislação, o tratamento secundário, que consiste muitas vezes em tratamento
biológico, deve garantir a remoção de mais de 70% da matéria orgânica do afluente. Em regra, a
eficiência de remoç ão de matéria orgânica no tratamento secundário é superior a 80%, e a eficiência
de remoção de sólidos suspensos totais é superior a 90%.

É no tratamento secundário que se consegue remover a maioria da matéria orgânica e a maioria dos
sólidos suspensos totais, e por este motivo é considerada uma etapa relevante da fase líquida.

Os processos de tratament o secundário mais correntes em Port ugal são os seguintes:

12
 lamas activadas por arejamento prolongado (baixa carga) na variante de vala de oxidação – trat a-
se de um sistema de lamas activadas que opera com valores baixos da relação F/M
(substrato/microrganismos ), com elevadas concentraç ão de MLSS (“licor misto”), elevados
períodos de arejamento, idade de lamas elevada, elevada taxa de recirculação de lamas e
reduzida taxa de lamas em excesso. Este tipo de tratamento inclui tanque de arejamento (forma
oval em planta), decantador secund ário e sistema de recirculação de lamas, sistema de lamas em
excesso e sistema de arejamento. A vala de oxidação dispensa a decantação primária por reagir
bem às eventuais pontas de carga orgânica, e a etapa de estabilização de lamas uma vez que as
lamas em excesso se apresentam suficientement e mineralizadas;
 lamas activadas (média carga) de mistura complet a – trata-s e de um sistema de lamas activadas
que opera com valores médios da relação F/M, com elevadas concent ração de MLSS, elevados
períodos de arejamento e consumo de oxigénio, idade das lamas elevada, moderada taxa de
recirculação de lamas e uma taxa muito reduzida de lamas em excesso. Este tipo de tratamento
inclui decantador primário, t anque de arejamento (forma rectangular em plant a), decantador
secundário e sistema de recirculação de lamas, de lamas em excesso e de arejamento. Este tipo
de tratamento exige um processo de estabilização de lamas, pois as lamas purgadas não se
encontram suficientemente mineralizadas;
 leitos percoladores – t rata-se de um tipo de trat ament o que ocorre devido à filtração da água
residual através de um meio poroso parcialmente submerso. A configuração ideal para este tipo
de processo inclui o decantador primário seguido de leito perc olador e por fim pelo decantador
secundário. As lamas em excesso res ultantes do processo não são suficientemente
mineralizadas e por este motivo necessitam do de vido processo de estabilização;
 lagunagem – os processos de lagunagem podem ser classificados consoante os níveis de
oxigénio, nomeadamente, em lagoas aeróbias, anaeróbias e facultativas. As lagoas aeróbias
operam na presença de oxigénio. O oxigénio é obtido de um modo natural, através do contacto
com a atmosfera, ou mecânico, através de agitadores de superfície ou difusores instalados no
fundo da lagoa. O arejamento mecânico t em a vantagem de cont ribuir para que a biomassa se
mantenha em suspensão. As lagoas aeróbias podem ainda dispor de sistema de recirculação de
lamas. As lagoas anaeróbias funcionam na ausência de oxigénio, para tal são, por vez es,
cobertas evitando o cont acto com a atmosfera. Têm a facilidade de trat ar águas residuais com
características bastante variáveis a nível de sólidos, óleos e gorduras, sendo indicadas para o
tratamento de águas residuais industriais. Nas lagoas facultativas o arejamento é, apenas,
garantido através do contacto com a atmosfera. Cons equentemente, parte dos afluentes sólidos
tem tendência a sedimentar e formar uma camada de substrato orgânico, no fundo da lagoa. Com
o tempo há tendência para que a camada de substrat o aumente e, por conseguinte, se formem
condições anaeróbias. Periodicamente, é acons elhável a extracção de lamas. Assim parte da
depuração das águas residuais, numa lagoa facultativa, é feita em condições aeróbias e outra é
realizada em condições anaeróbias (Metcalf & Eddy, 2003). Os processos de lagunagem têm
como principais vantagens os baixos custos de investimento e exploração e razoáveis
percentagens de remoç ão de CBO5 e SS T;
 discos biológicos rotativos – neste processo de tratamento utiliza-se uma série de discos
agrupados e instalados segundo um eixo horizontal. Os discos rotativos podem ser de
poliestireno ou de policloreto de vinil o e são instalados num reactor biológico, parcialmente

13
imersos na água residual. O movimento circular efec tuado pelos discos, é induzido pelo eixo
horizontal (activado por um motor). Em geral, uma unidade de discos apresenta as dimensões d e
2
cerca de 3.5 m de diâmetro, 7.5 m de comprimento e 9300 m de área s uperficial, em que cerca
de 40% fica submersa. Neste tipo de tratamento por vezes, junt o à periferia dos discos, proceder-
se à instalação de difusores que facilitam o arejamento e cont ribuem para a rotação dos discos.
Grande parte do arejamento deste processo é garantida pelo contacto dos discos com a
atmosfera. Quando as águas residuais atravessam os discos, estes funcionam como barreiras
aos sólidos. Este tipo de tratamento exige um adequado tratamento preliminar (Metcalf & Eddy,
2003). Apresenta como principais vantagens os baixos custos de manutenção, dis pensa da
recirculação de lamas, reduzido tempo de retenção e baixos níveis de ruídos. Este tratamento
obriga à c onstrução de uma infra -estrutura de cobertura (para proteger o equipamento de
temperaturas muito baix as) e exige uma manutenção regular.

Existem ainda outros tipos e vertent es de tratamento biológico designadamente por leitos de
macrófitas (também designadas por fito -E TAR ou lagoa de macrófitas) e biofiltração.

TRATA MENTO TE RCIÁRIO DE DESINFECÇÃO


Os processos de tratament o terciário, para desinfecção, mais usuais em Portugal, são:

 Radiação UV – trata-se de um tratament o de desinfecção que permite a remoção ou inactivaç ão


de microrganismos através de um conjunto de lâmpadas de vapor de mercúrio que promovem a
descarga eléctrica na forma de radiação ultra-violeta (Silva, 2007);
 Lagoa de maturação – este processo permite também remover microrganismos. Os cistos e os
ovos dos organismos acabam por sedimentar e seguidamente através de diversos factores
naturais são eliminados. Estes factores são a temperatura, a insolação ou radiação solar, o pH, a
escassez de alimento, os organismos predadores e a competição (Silva, 2007).

2.3 R EACTOR BIOLÓGICO POR MEMBRANAS

2.3.1 CONSIDERAÇÕES GERAIS


A tecnologia de tratament o de águas residuais com recurso a membrana (“Membrane Bioreactor”)
teve a sua primeira aplicação comercial nos finais dos anos 70, nos Estados Unidos da América. No
princ ípio dos anos 80 esta tecnologia começou a ser aplicada no Japão. Actualmente, vê-s e que
existem muitas instalações de tratamento de águas residuais que recorrem ao uso de membranas.

O sistema MBR envolve duas fases distintas. Numa primeira fase o afluente, após tratamento
preliminar, entra num tanque de lamas activadas e é submetido ao tratamento biológico. Em seguida,
o efluente passa por um sistema de filtração de membranas onde se realiza a separaç ão
sólido-líquido, (Figura 2. 8).

14
Sistema Sistema
MBR Convencional
Águas Residuais Águas Residuais
Afluentes Afluentes

Tratamento Tratamento
Preliminar Preliminar

Reactor
Reactor biológico
Biológico
(com Membranas)

Decantador
Descarga do efluente secundário

Tratamento
terciário

Descarga
do efluente
Figura 2.8 - Diferenças entre os sistemas MBR e convencional.

Assim, graças à barreira física (membranas) que impede a passagem das bactérias, o sistema MBR
facilita o controlo dos parâmetros principais de operaç ão do sistema. A tecnologia MB R permite
eliminar a etapa de decantação secundária e garante a redução do volume do reactor biológico. O
efluente tratado será extraído a partir do interior das membranas, enquant o que a biomassa se
mantem no int erior do reactor biológico. A conjugação do trat amento por membranas com o
tratamento de lamas activadas garante a elevada qualidade do permeado produzido, com baixas
concentrações de SS T, de compostos orgânicos e de nutrientes. Em alguns c asos, o tratamento
terciário específico (nomeadamente a desinfecção por radiação ultra-violeta) também pode s er
eliminada, devido à elevada qualidade, do ponto de vista microbiológico, do permeado à saída do
reactor biológico de membranas.

2.3.2 PROCESSO DE FILTRAÇÃO POR MEMBRANAS

2.3.2.1 ASPECTOS GERAIS


O processo de filtração por membrana consiste em fazer passar o afluente por um meio poroso
(membrana). O afluente quando é pressionado contra a membrana divide-se em permeado (água
tratada) e em concentrado (lamas). O permeado é conduzido pelo interior da membrada e
seguidamente encaminhado para os diferent es fins. O concentrado fica acumulado na superfície da
membrana (Figura 2.9).

Afluente

Poros da
Membrana
Membrana

Permeado

Figura 2.9 - Esquema representativo da filtração por membranas (adaptado de Evenblij, 2006).

15
Pode deste modo afirmar-se que a membrana é um equipamento que funciona como filtro semi-
permeável que separa a parte sólida, da parte líquida, do afluente. A membrana tem a capacidade de
filtrar a nível molec ular, permitindo apenas a passagem de partículas que sejam inferiores à dimens ão
dos poros da mesma. De acordo com o tamanho dos poros da membran a, o processo de filtração por
membranas pode ser classificado como:

 microfiltração (MF);
 ultrafiltração (UF);
 nanofiltração (NF);
 osmose inversa (OI).

Na Figura 2.10 podem visualizar-s e as componentes removidas por cada processo de filtração.

Iões Metálicos Macromoléculas Partículas

Iões / Moléculas Partículas coloidais Areias


Componentes
removidas Sais dissolvidos Vírus

Açucares Bactérias

Dimensão dos poros 0.0001 0.001 0.01 1.0 10 100 1000


0.1
da membrana (μ m)

MF

UF
Processo de
Filtração
NF

OI

Figura 2.10 - Esquema representativo dos diferentes tipos de processos de filtração por membranas
(adaptado de Evenblij, 2006).

Através do Quadro 2.1 pode analisar-se a gama de pressões, a dimensão dos poros das membranas,
exemplo de aplicação e os componentes removidos , que estão associados a cada processo por
filtração de membranas.

Quadro 2.1 - Processos de filtração por membranas (adaptado de Mulder, 1996, Koros et al., 1996, in
Evenblij, 2006, e de Schneider & Tsutiya, 2001 in Maestri, 2007).

Processos de Filtração Pressão Dimensão dos Exemplo de


Componentes Removidos
por membrana (bar) Poros (μm) aplicação
Protozoários, bactérias, alguns Esterilização de
Microf iltração (MF) 0.1-2 0.1-1
vírus e partículas. bactérias
Componentes removidos em
Clarif icação de
Ultraf iltração (UF) 0.1-2 0.01-0.1 MF, partículas coloidais e os
sucos de f ruta
restantes vírus.
Moléculas de peso molecular Purif icação de
Nanof iltração (NF) 4-20 0.001-0.01
médio. enzimas
Todo a matéria solúvel e em Dessalinação da
Osmose Inversa (OI) 10-30 0.0001-0.001
suspensão água

É import ante referir que, de um modo geral, quanto menor é a dimensão dos poros da membrana,
maior é a pressão necessária para realizar a filtraç ão e c onsequentemente maior es serão os
consumos de energia associados.

16
Para o tratament o de águas residuais os proc essos de filtração por membrana mais utilizados são a
ultrafiltração e a microfiltraç ão.

2.3.2.2 TIPOS DE MEMBRANAS

MATERIAL
As membranas podem ser fabricadas a partir de diferent es matérias, tais como cerâmica, metal e
materiais orgânicos. As membranas mais comercializadas são as de materiais orgânic os, porque
apresentam c aracterísticas adequadas à obtenção de permeados de boa qualidade, associados a
custos reduzidos quando comparadas com membranas de out ros materiais. As membranas de
cerâmica, são em média 10 vez mais caras que as membranas de material orgânico (Owen et al.,
1995, in E venblij, 2006).

No Quadro 2.2 apresentam-s e diferentes tipos de materiais utilizados para a fabricação de


membranas:

Quadro 2.2 - Materiais constituintes das membranas (adaptado de Mulder, 1996, in Evenblij, 2006).

Membranas de material orgânico

Acetato de celulose CA

Poliéterimida PEI

Poliacrilonitrilo PAN

Sulf ato de polieter PES

Fluoreto de polivinilideno PVDF

Polietileno PE

Membranas de cerâmica

Dioxido de titanio TiO2

Óxido de zircónio ZrO2


Membranas de metal

Óxido de Alumínio Al2O3

Figura 2.11 - Membranas com diferentes tipos de materiais.

Através da Figura 2.11 podem visualizar-se, à esquerda membranas de material orgânico, e à direita
membranas de material cerâmico.

ESTRUTURA
A nível estrutural as membranas podem ser classificadas em is otrópicas e anisotrópicas. As
membranas isotrópicas apresentam uma estrutura uniforme ao longo de toda a sua extensão. Em
contrapartida, as membranas anisotrópicas, também conhecidas como membranas assimétricas
apresentam diferentes camadas com diferentes permeabilidades (E venblij, 2006).

17
Na Figura 2.12 s ão apresent ados esquemas representando diferentes tipos de membranas
isotrópicas e anisot rópic as.
Membranas Isotrópicas
Porosa Densa

Membranas Anisotrópicas
Porosa Densa

Figura 2.12 - Estrutura de membranas isotrópicas e anisotrópicas (adaptado de Maestri, 2007).

As membranas podem ainda ser classificadas de densas e poros as, dependendo das características
da superfície das membranas em c ontacto com o afluente. As membranas densas não apresentam
poros na superfície de contacto com o afluent e. As membranas porosas, como o nome indica
apresentam poros ao longo da sua superfície na sua constituição.

TIPOS DE FILTRAÇÃO
O processo de filtração pode processar-se de dois modos distintos: filtração convencional (da
literatura inglesa “dead-end filtration”) ou filtração tangencial (da literatura inglesa “c ross flow
filtration”).

Na filtração c onvencional o afluente é pressionado trans versalmente à membrana. Este tipo de


filtração facilita a concentração de part ículas na superfície da membrana e cons equentemente pode
levar a problemas (“fouling”, polarizaç ão de concentração).

Na filtração tangencial o afluente escoa paralelament e à superfície da membrana. Neste tipo de


filtração, o material que possa ficar retido na superfície da membrana é facilmente removido no
decorrer do processo.

A partir da Figura 2.13 pode-se averiguar as principais diferenças entra a filt ração convencional e a
filtração tangencial.

Filtração convencional Filtração tangencial

Afluente
Afluente
Material
retido
Membrana
Membrana
Permeado

Permeado

Figura 2.13 - Tipos de filtração por membrana (adaptado de Evenblij, 2006).

18
Apesar da filtração convencional ser mais suscept ível a problemas de acumulação de material na sua
superfície, o caudal de permeado filtrado é superior ao da filtração tangencial.

A nível de custos, a filtração convencional torna-se num método mais económic o, isto porque a
filtração tangencial exige uma constante recirculação do afluente o que provoca elevados consumos
de energia.

2.3.2.3 TIPO DE MÓDULOS


As membranas, por regra, encontram-se inseridas em módulos e apresentam diferentes tipos de
configurações cons oant e o tipo de módulo. Os módulos são constituídos pelos seguintes
equipamentos:

 membranas;
 estruturas de suporte que garantem a resistência necessária ao bom funcionament o do processo
de filtração, assegurando o suporte das pressões envolvidas;
 rede de drenagem que encaminha o permeado para o reservat ório final.

Os módulos são responsáveis por encaminhar o permeado que resulta da filtração por membrana ,
impedindo o contacto do permeado com o afluente não tratado. Segundo Luque, 1999 (in Lorente,
2007), para se dimensionar um módulo de membranas é nec essário ter -se em conta que:

 o preço de fabrico não deve ser elevado;


 deve proporcionar um suporte adequado de modo a evitar danos nas membranas;
 deve ser estanque;
 deve ter adequadas características hidrodinâmicas de modo a favorecer a filtração, minimizar a
polarização de concent ração e o consumo energético;
 deve ser constituído por estruturas fáceis de montar e desmontar;
 deve facilitar a limpeza das membranas.

MÓDULOS PLANOS
Este tipo de módulos foi dos primeiros a aparecer no mercado, e tem uma estrutura bastante simples.
Estes módulos são os mais utilizados em Estações de Tratamento de Água Residuais.

Cada unidade do módulo é constituída por uma placa plana rígida e por duas membranas que s ão
instaladas nas faces da placa. Entre as membranas e a placa é instalada uma rede de drenagem que
é responsável pelo encaminhamento do permeado (Figura 2. 14).

Permeado Membranas

Retido

Afluente
Placa rígida

Permeado

Figura 2.14 - Unidade do módulo (adaptado de Lorente, 2007).

19
Os constituintes do módulo são colocados verticalment e ou horizontalmente na estrutura e selados
nos bordos, facilitando apenas o escoamento do permeado através de tubagens até à extremidade do
módulo. Em seguida, são colocados os restantes módulos, também na mesma posição. Estes
apresentam o mesmo processo de funcionament o que o primeiro (Figura 2.15).
Permeado

Afluente Retido

Figura 2.15 - Rede de drenagem entre as membranas dispostas na vertical (adaptado de Lorente, 2007).

A densidade volumétrica dos módulos planos é relativamente baixa quando c omparada com módulos
de fibras ocas ou espirais. Os módulos de membranas planas permitem uma fácil montagem e
desmont agem das membranas. O custo e o c onsumo de energia dos módulos planos é reduzido
quando comparado com os outros módulos.

MÓDULOS DE FIBRA OCA


Os módulos de fibra oca, são módulos mais recentes que os módulos planos. São c onstituídos por
um tubo colector, membranas de fibra oca e uma tubagem exterior. As membranas são ins taladas no
interior de uma tubagem e são fixadas nas duas extremidades a um tubo colector.

Neste tipo de módulos o escoamento é efectuado, em geral, do interior para o exterior das fibras. Em
seguida, o permeado é encaminhado para o exterior da tubagem como se pode visualizar na Figura
2.16.

Permeado Permeado

Tubo
Fibras Ocas colector Tubagem

Afluente Retido

Figura 2.16 - Módulo de fibra oca em tubagem (adaptado de Lorente, 2007).

Cada fibra da membrana é bastante densa e apresent a o tamanho de um poro. Segundo Lorente,
2007, são comercializadas fibras com diâmetros compreendidos entre 0.19 e 1. 25 mm.

O número de fibras instaladas na tubagem varia ent re aproximadamente 100 e 22 500 fibras (Maestri,
2007). Estes valores dependem das variáveis: diâmet ro da fibra; diâmet ro do módulo; do fabricante e
do tipo do processo de filtração por membrana (MF, UF, NF, OI) em uso (Figura 2.17).

20
a)

b)
Figura 2.17 - Módulos de fibra oca: a) Em tubagem, b) Em placas (Kubota e Zenon).

Em geral, a velocidade de operação recomendada em módulos de fibra oca é de 0.5 m/s a 2.5 m/s o
que faz com que o escoament o se dê em regime laminar. Deste modo, as fibras ficam sujeitas a
elevadas tensões tangenciais (velocidades elevadas e diâmetros muito reduzidos) (Lorente, 2007).

Os módulos de fibra oc a apresentam as seguintes vantagens:


2 3
 a área da membrana por volume do módulo é bastante elevada (varia entre 1 000 m /m a
2 3
10 000 m /m , dependendo do tipo de processo de filtração de membranas que se pretenda
utilizar) (Maestro, 2007);
 as perdas de carga são pequenas (Lorente, 2007);
 são mais económicos, em termos de consumo de energia (Lorente, 2007);
 permitem que se efectue a lavagem contra-corrente (Lorente, 2007).

No que se refere a des vantagens, é importante destacar que:

 não podem ser sujeitos a elevadas pressões de funcionamento, o que limita o caudal do
permeado;
 as fibras entopem facilmente porque apresentam diâmetros reduzidos, sendo por este motivo
necessário realiz ar um adequado tratamento preliminar;
 os custos de substituição são elevados (Lorente, 2007).

MÓDULOS TUBULARES
Este género de módulo é um dos mais simples que existe no mercado. As membranas são instaladas
no interior de uma tubagem (em geral de PV C ou aço inoxidável) (Figura 2. 18). No interior da
tubagem existem também canais tubulares que permitem o escoamento do afluente. Estes canais
apresentam diâmetros que variam aproximadamente entre 3 a 25 mm e comprimentos que podem
variar de 25 cm e alguns metros. O dimensionamento destes canais é efectuado tendo em conta a
minimização do consumo de energia e a minimização dos custos de fabrico (Lorent e, 2007).

21
a) b)
Figura 2.18 - Módulos tubulares: a) em aço inoxidá vel; b) em PVC (adaptado de Maestri, 2007).

Neste tipo de módulos o afluente escoa pelo interior da tubagem e à medida que é filtrado pelas
membranas vai dando origem ao permeado. O permeado é então encaminhado para o exterior
através de uma tubagem adjac ente (Figura 2.19).

Membrana Tubagem Permeado

Afluente Retido

Figura 2.19 - Esquema de funcionamento de um módulo tubular (adaptado de Lorente, 2007).

Os módulos tubulares apresentem as seguintes vantagens:

 operam a velocidades elevadas, compreendidas entre 2 a 6 m/s, o que permite o transporte de


part ículas de dimens ões consideráveis (Lorente, 2007);
 apresentam número de Reynolds elevado e por isso facilitam a limpeza (Lorente, 2007);
 apresentam baixos custos de substituição (Lorente, 2007).

No que se refere a des vantagens, é importante destacar:

 uma baixa relação área de superfície vers us volume;


 uma elevada área de instalação.

MÓDULOS ENROLADOS EM ESPIRAL


Os módulos enrolados em espiral são bastante utilizados em processos de nanofiltração e em
osmose inversa pois apresentam elevada relação área de superfície versus volume. Neste tipo de
módulos são utilizadas membranas planas em série. As membranas apresent am -se enroladas a um
tubo central que é responsável por receber o permeado. Entre as membranas encontram -se espaços
alternados onde se dá o escoamento do afluente ou do permeado, respectivamente. As membranas
encontram-s e protegidas no interior de uma tubagem (Figura 2. 20).

22
Espaço de escoamento
do afluente

Espaço de escoamento
do permeado
Membrana

Figura 2.20 - Esquema do corte transversal dum módulo enrolado em espiral (adaptado de Lorente, 2007).

Nos módulos enrolados em espiral tanto o escoament o do afluente como do permeado é realizado no
interior da tubagem. O escoamento efectua-se em direcção ao tubo central. O tubo central é o
equipamento responsável por encaminhar, em condições óptimas, o permeado para destino final
(Figura 2. 21).

Permeado

Espaço de escoamento Membrana Espaço de escoamento do afluente


do permeado
Figura 2.21 - Esquema representativo de um módulo enrolado em espiral (adaptado de Lorente, 2007).

Os módulos enrolados em espiral, em funcionamento, apresentam baixas velocidades e baixos


consumos de energia. Neste tipo de módulos ocorrem, com frequência, problemas a nível de limpeza.
Esta situação resulta da sua forma espiral que apresenta muitas “áreas mort as”, onde não é fácil
efectuar a devida lim peza.

MÓDULOS COM DISCOS ROTATIVOS


Nestes módulos as membranas são instaladas em plac as redondas, que são montadas num eixo oco
no interior de um suporte cilíndrico. As placas para além de serem constituídas pelas membranas ,
apresentam também materiais de suporte poroso e canais onde se realiza o escoamento do
permeado. As placas funcionam como discos rotativos que efectuam o movimento em torno do eixo
oco (Figura 2.22).

23
Permeado

Disco de membrana

Permeado

Material de suporte poroso


Afluente

Membrana Canais do permeado

Eixo
oco

Figura 2.22 - Esquema representativo de um módulo enrolado em espiral (adaptado de Lorente, 2007).

O afluent e entra nos discos lateralment e, trans versalmente ao eixo oco. O processo de filtraç ão
ocorre ao longo do disco rotativo. À medida que o permeado s e vai formando é escoado, através de
canais, até ao interior do eixo oco, para depois ser encaminhado para os seus diferentes fins.

O movimento uniforme circular garante a remoção cont ínua do material que possa ficar retido na
superfície das membranas.

Estes módulos apresentam como des vantagens os elevados consumos de energia e a grande
dificuldade na ampliação do sistema. Por este motivo, estes módulos são utilizados em aplicações de
pequena escala.

2.3.3 TIPOS DE REACTORES BIOLÓGICOS POR MEMBRANAS

2.3.3.1 ASPECTOS GERAIS


Para realizar o tratamento de um afluente recorrendo à t ecnologia MBR é necessário utilizar um
determinado módulo de membranas, no interior ou no exterior de um reactor biológico. Se o módulo
de membranas for instalado no interior do reactor biológico a tecnologia é denominada por bior reactor
de membranas submerso (SMBR). Em contrapartida, se o módulo de membranas for montado no
exterior do reactor biológico, a tecnologia designa-se por biorreactor de membranas externo (EMB R).

2.3.3.2 MÓDULOS SUBMERSOS


Em biorreactores de membranas submersos a filtração mais utilizada é a filtração c onvencional. Este
tipo de filtração exige uma determinada turbulência no afluente, dentro do bio rreactor, para evitar a
acumulaç ão de material na superfície das membranas. A turbulência é garantida através do
arejamento do sistema.

Na Figura 2.23 são ilustrados esquemas tipo de biorreactores de membranas submersos e um


esquema representativo do respectivo funcionamento.

24
Água
Residual

Módulo de
Membranas Permeado

b)
Bioreactor
a)
Figura 2.23 - Esquemas dos sistemas SMBR. a) SMBR com módulo de membranas planas; b) SMBR com
módulos de membranas de fibra oca (adaptado de KUBOTA).

Nos MBR com módulos submersos, o permeado é obtido por diferenças de pressão ent re a coluna de
líquido no interior do biorreactor e os canais do permeado. Em geral, estes MBR têm um caudal de
permeado menor que os MBR de módulos externos. Isto, porque a pressão t ransmembranar (P TM) é
limitada e o mec anismo de limpeza não é tão eficiente (Viana, 2004).

2.3.3.3 MÓDULOS EXT ERNOS


Nos MB R com módulos externos é mais frequente recorrer-se à filtração tangencial. Este tipo de
filtração garante uma velocidade tangencial suficiente para que não haja acumulação de material
junto à superfície da membrana.

Na Figura 2. 24 são ilustrados: um esquema tipo de biorreactores de membranas externos e um


esquema representativo do respectivo funcionamento.
Água
Residual

Módulo de
Membranas

Bioreactor
Permeado

Figura 2.24 - Esquema dos sistemas EMBR e EMBR com módulos de membranas de fibra oca na
fotografia (adaptado de KUBOTA).

Nos MBR com módulos externos, o permeado é obtido por diferenças de pressão positivas entre a
coluna de líquido no interior do biorreactor e uma válvula reguladora de pressão. Nestes MBR pode
também recorrer-se a uma bomba de sucção que pode ser ligada aos canais do permeado. Com a
instalação de uma bomba deste tipo no sistema garante-se o aumento do caudal do permeado
(Viana, 2004).

Este tipo de MBR tem maior flexibilidade de operação. Contudo, apresenta maior consumo de
energia. Devido ao elevado consumo de energia, este tipo de MB R é mais viável em pequenas ou
médias instalações (Schneider & Tsutiya, 2001 in Maestri, 2007).

25
Em seguida, apres enta-se um quadro s íntese, Quadro 2.3, com as vantagens e des vantagens de um
sistema de SMBR e de um sistema de EMBR.

Quadro 2.3 - Vantagens e desvantagens dos diferentes tipos de tecnologias MBR (adaptado de Torres,
2006 in Maestri, 2007).

Tipo de
Vantagens Desvantagens
MBR

Redução do fouling (formação de incrustações e biof ilme) Necessidade de arejamento contínuo e


irreversível pela operação a menores pressões; rigoroso;
SMBR
A limpeza química é exigida com menor f requência; Baixa resistência a hidrocarbonetos/óleos e
Pode-se realizar a lavagem contra-corrente. gorduras.

Maior consumo de energia devido ao sistema


Membranas resistentes; de recirculação;
Facilidade na interrupção do sistema para ef eitos de Aumento do fouling (f ormação de incrustações
EMBR
manutenção; e biof ilme) pela operação a maiores pressões;
Facilidade de manutenção. Necessita de uma limpeza f requente;
Elevados custos operacionais.

2.3.4 FACTORES QUE INFLUENCIAM O FUNCIONAMENTO DO SIST EMA MBR

2.3.4.1 ASPECTOS GERAIS


A tecnologia MBR, como outras tecnologias, apresent a determinados factores externos que podem
interferir na eficiência de funcionamento do sistema. Desses factores alguns afectam o processo de
filtração e outros afectam directamente o sistema MBR. Os factores mais relevant es que influenciam
o funcionamento do sistema MBR são:

 características do afluente, designadamente temperat ura, pH e substâncias tóxicas ;


 concentração de biomassa;
 arejamento;
 concentração de sólidos suspensos totais (SST);
 pressão transmembranar (na literatura inglesa: trans membrane pressure – TMP);
 fenómenos de colmatação da membrana.

Estes factores serão descritos, em seguida, mais detalhadamente.

2.3.4.2 CARACTERÍSTICAS DO AFLUENT E


Tal como acont ece no sistema de lamas activadas, também o sistema MB R é influenciado pelas
características do afluente. Parâmetros como a temperatura (muito elevad as ou muito baixas), pH
(muito ácido ou muito alcalino) e substâncias tóxicas podem inibir os processos biológicos no
biorreactor e, consequentemente, a qualidade do permeado final.

Relativamente ao parâmetro de pH é importante que o afluent e, em processo aeróbios, apresente


valores entre 6.0 e 8.0. Caso o afluente não cumpra estes valores os microrganismos poderão
provocar a formação de substâncias tóxicas (ácidos orgânicos, CO 2, catiões alcalinos ou amónia), o
que levará à diminuição da eficiência do processo biológico.

No que se refere a substâncias tóxicas, estas devem ser evitadas pois podem inibir directamente, a
partir de c erta concentração, o metabolismo dos microrganismos. São exemplo destas substâncias,
designadamente os metais pesados (por exemplo, chumbo e zinc o), a amónia, os catiões alcalinos e
alcalinos terrosos, entre outros.

26
2.3.4.3 CONCENTRAÇÃO DE BIOMASSA
A concentração de biomassa é também um parâmetro que deve s er controlado para s e manter em as
condições necessárias a um eficiente tratamento biológico. No biorreactor, é necessário que a
concentração de biomassa se encontre na fase de crescimento exponencial, conforme se apresenta
na Figura 2. 25.

exponencial
crescimento

estacionária
adaptação
Fase de

endógena
Fase de

Fase

Fase
Concentração

Substrato

Biomassa

Tempo
Figura 2.25 - Curva de crescimento da biomassa (adaptado de Metcalf & Eddy, 2003).

Através da curva anterior é fácil verificar que é na fase de crescimento exponencial que se garante
maior velocidade de crescimento dos microrganismos, e o maior consumo de substrato.

2.3.4.4 AREJAMENTO
O arejamento é necessário, de forma cont ínua, para fornecer oxigénio à biomassa para que se possa
promover o processo biológico em condições aeróbias. Em sistemas de MBR com módulos
submers os, como já foi referido ant eriormente, o arejament o garante ainda a turbulência necessária
para evit ar a acumulação de matéria sólida na superfície da membrana.

2.3.4.5 CONCENTRAÇÃO DE SÓLIDOS SUSPENSOS TOTAIS


Uma elevada concentração de SS T no biorreactor pode provocar o aumento da viscosidade da
biomassa, o que consequentement e pode levar ao aumento de matéria sólida retida na superfície das
membranas. Nesta situação verifica-s e uma diminuição brusca na produção de permeado.

Assim, segundo Vis vanat han, 2000 (in Maestri, 2007), para que um sistema MB R opere em boas
condições, as concentrações de SS T devem ser inferior es a 40 000 mg/ L. Segundo Metcalf & Eddy,
(2003), a concentração óptima de SS T num biorreactor varia ent re 5 000 e 20 000 mg/L.

2.3.4.6 PRESSÃO TRANSMEMBRANA R (PTM)


O processo MBR implica a aplicação de uma dada força motriz. Neste caso específico, essa força é
gerada pela diferença de energia total do escoamento afluent e e do permeado. Esta diferença ocorre
na superfície da membrana e é denominada por pressão transmembranar.

27
Deduz-se que quanto maior for o P TM maior será o caudal de permeado produzido. Contudo, na
prática, esta linearidade só se verifica nos primeiros instant es, porque à medida que se aumenta a
PTM, a quantidade de partículas retidas na superfície da membrana aumenta também rapidamente.
Esta variação pode ser ilustrada pelo gráfico apresentado na Figura 2.26.

Caudal

Caudal máximo
Caudal crítico

PTM PTM
crítico
Figura 2.26 - Comportamento do caudal produzido de permeado à medida que se aumenta o parâmetro
PTM (adaptado de TARDIEU, 1997, in Maestri, 2007).

Pela anális e da Figura 2.26 pode constatar-se que numa fase inicial o caudal aumenta até se atingir
um determinado patamar, correspondente ao caudal máximo. A partir deste valor, por mais que se
aumente a P TM o caudal não aumenta significativamente, o que significa que a membrana acumulou
matéria sólida à superfície, resultando no aumento da perda de carga. Nesta situação, deve proceder-
se à limpeza das membranas. Para controlar esta situação, é fixado um caudal crítico que permite
controlar o desempenho do biorreactor. S empre que se atinja este valor crítico deve proceder-se à
limpeza das membranas.

2.3.4.7 FENÓMENOS DE COLMATAÇÃO


Os fenómenos de colmatação, devido à acumulação de partículas na superfície da membrana,
provocam a diminuição do caudal do permeado. Os mais conhecidos fenómenos de colmatação são
a polarização de concentração (da literatura inglesa, “concentration polarisation”) e o “f ouling”.

POLARIZAÇÃO DE CONCENTRAÇÃO
O fenómeno de polarização de concentração refere-se à acumulação de substâncias na interface
membrana/solução até formar uma camada que c onsequentemente vai avançando em direcção ao
afluente (Figura 2.27).

Afluente Permeado

Polarização de
concentração

Pressão p 1 Pressão p 2

Membrana
Δp = p1 -p2

Figura 2.27 - Fenómeno de polarização de concentração (adaptado de Evenblij, 2006).

28
A camada formada por partículas retidas acaba por funcionar t ambém como filtro e pode levar à
diminuição significativa do caudal do permeado produzido.

O fenómeno de polarização é mais frequente na filtração convencional, tratando-se de um fenómeno


que se desenvolve na superfície da membrana, não afectando directamente o seu interior.

FOULING

Em contrapartida, o “fouling” provoca danos total ou parcialmente irreversíveis à membrana, podendo


ser definido por qualquer fenómeno que leve ao decréscimo contínuo do caudal de permeado
produzido ao longo do t empo, e que seja responsável pela reduç ão da eficiência da membrana. O
“fouling” é um fenómeno importante a ter em cont a no dimensionamento das membranas e que se
refere a precipitação de compostos e/ou formação de biofilme ou outros danos. A valiando este
fenómeno, pode ter-se uma ideia do tipo de tratament o preliminar necessário, o tipo e a frequência
com que as membranas têm de ser limpas, condições de operação, custos e o desempenho das
membranas. Segundo Metcalf & Eddy, (2003), existem diferentes constituintes do afluente que podem
afectar o des empenho de uma membrana e que constam no Quadro 2. 4.

Quadro 2.4 - Diferentes substâncias que podem afectar o desempenho de uma membrana (adaptado de
Metcalf & Eddy, 2003).

Constituintes responsáveis pelo


Tipos de fouling observações
mau desempenho da membrana
Óxidos metálicos
Camada acumulada na Os danos deste tipo podem ser minimizados
Coloidais orgânicos e inorgânicos
superf ície da membrana através do controlo destas substâncias,
Bactérias
(biof ilme) através de tratamentos preliminares
Microrganismos

Sulf ato de cálcio


Carbonato de cálcio Este problema pode ser evitado através do
Camadas formadas na
Fluoreto de cálcio controlo deste tipo de substâncias no
superf ície da membrana
Sulf ato de bário bioreactor. Pode ser minimizado através de
(precipitação)
Óxidos metálico tratamentos químicos.
Sílica

Este tipo de danos pode ser reduzido através


Ácidos f ortes do controlo deste tipo de substâncias. Note-se
Danos na membrana Bases f ortes que este tipo de danos podem apresentar
Bactérias dif erentes níveis, dependendo do tipo de
membrana em causa.

Na Figura 2.28 apres enta-se uma fotografia que define o aspecto do biofilme formado na superfície
da membrana.

Figura 2.28 - Camada acumulada na superfície da membrana (biofilme) (adaptado de KUBOTA).

Metcalf & Eddy (2003) definem ainda três processos que podem provocar o “fouling”/ polarização de
concentração. São eles os seguintes:

 estreitamento dos poros da membrana (Figura 2.29);

29
Afluente

Permeado

Membrana Poro Membrana


Figura 2.29 - Estreitamento dos poros da membrana (adaptado de Metcalf & Eddy, 2003).

 obstrução dos poros (Figura 2.30);


Afluente

Permeado

Membrana Poro Membrana


Figura 2.30 - Obstrução dos poros (adaptado de Metcalf & Eddy, 2003).

 formação de uma camada devido à polarização de concentração – ocorre quando a maioria dos
sólidos suspensos do afluent e apresentam um diâmetro superior ao dos poros da membrana
(Figura 2. 31).

Afluente

Permeado

Membrana Poro Membrana


Figura 2.31 - Fenómeno de polarização de concentração (adaptado de Metcalf & Eddy, 2003).

2.3.5 ESTIMATIVA DE CUSTOS

2.3.5.1 ASPECTOS GERAIS


Com bas e em estudos realizados em 2007 por Adham é possível ter informação sobre o custo de
diferentes sistemas MB R (para diferentes capacidades, de 44 l/s a 220 l/s) destinados ao tratamento
de águas residuais domésticas. Este estudo foi efectuado com base na análise em projectos de
desenvolvimento de diversos sistemas MBR.

A avaliação de custos de investimento inicial e de operação e manutenção foi efectuada tendo em


conta os encargos fornecidos por empresas especializadas na tecnologia MBR, designadamente a
Koch, Huber, Parkson e Krüger. Estas empresas encontram-se em des envolvimento no mercado e
em constante evolução, cada uma apresenta ndo produt os distintos, a nível de funcionalidade, e
consequentemente preços diferentes. No Quadro 2.5 indicam-se os objectivos e impactes de custos
na aplicação dos diversos tipos de MBR, fornecidos por estas empresas.

30
Quadro 2.5 - Empresas que contribuíram para a realização do estudo económico da MWH Americas, Inc
(adaptado de Adham et al., 2007).
Fornecedores Tipo de MBR Objectivo Impacte de custos
Koch Membrane Systems
Módulos de Valorizar a área ef ectiva
Reduzir os custos de
f ibra oca da membrana; minimizar a
substituição das membranas
submersos ruptura das f ibras
Huber Technologies Inc.
Módulos com
discos rotativos Reduzir o arejamento Reduzir os custos de energia
submersos

Parkson Corporation
Módulos Reduzir o arejamento e Reduzir os custos de energia,
tubulares aumentar o f luxo reduzir custos de capital das
externos operacional membranas
Kruger Inc. Reduzir os custos de limpeza e
Módulos planos Melhorar a ef icácia na
os custos de substituição das
submersos limpeza das membranas
membrana

As características espec íficas de cada módulo podem influenciar directamente o preço do


equipamento. As estimativas de custos realiz adas neste estudo foram comparadas com custos de
outros anos (1998, 2000, 2004), fornecidos pela empresa Zenon e Kubota. Deste modo, verifica-se
que desde 2000 até 2006 os c ustos do sistema MBR, propriamente dito, têm vindo a diminuir
conforme consta na Figura 2.32. Em contrapartida o peso dos orçamentos relativos às instalações
complementares associadas ao sistema MBR (como tanques e edifícios) têm vindo a aumentar.
Custos do sistema MBR
3 500
Custo (milhares de euros)

3 000

2 500

2 000

1 500

1 000

500

0
2000 2003 2006
Ano
Figura 2.32 - Evolução do custo do sistema MBR para a capacidade de 44 l/s (adaptado de Adham et al.,
2007).

A diminuição do custo dos sistemas MBR, que se t em verificado na última década, deve-se
essencialmente ao desenvolvimento da tecnologia e ao aumento da concorrência no mercado. O
aumento dos custos associados às instalações está ligado ao aument o do custo do cimento e das
matérias -primas necessárias à realização das obras de construç ão civil e do equipamento.

Os dados base considerados para a determinação da estimativa de custos dos sistemas MBR (para a
capacidade de 44 l/s e 220 l/s) são apresentados no Quadro 2.6.

31
Quadro 2.6 - Dados base da estimativa orçamental (adaptado de Adham et al., 2007).
Critérios Unidades Valor
Água bruta
CBO5 mg/l 290
CQO mg/l 630
SST mg/l 320
Amónia mg/l 30
Fósf oro total mg/l 2
Temperatura ºC 20
Condições de dimensionamento do reactor biológico
Carga hidráulica m3/m2/dia a 25 ºC 0.7 Submersos 1.2 Externo
MLSS g/l 8
Tempo de retenção hidráulico h 6
Idade de lamas dias 10
Efluente final
CBO5 mg/l <2
Amónia mg/l <1.0
Azoto mg/l <10
Fósf oro total mg/l <2.0

Os dados base referem-s e a parâmetros característicos de água residual bruta, e que se podem
considerar aceitáveis em Portugal, para águas residuais domésticas, condições adequadas de
funcionament o do reactor e características ou requisitos do efluente final. É importante referir que são
apresentados dois valores para a carga hidráulica: o que caracteriza um sistema MB R submerso,
3 2 3 2
0.7 m /m /dia e o que caracteriza o sistema MB R externo, 1.2 m /m /dia. O sistema MB R externo
apresenta um valor superior ao do sistema MB R submerso porque para a limpeza das membranas
exige-se a recirculaç ão do MLSS em toda a superfície das membranas , para evitar a deposição de
sólidos à superfície.

2.3.5.2 INVESTIMENTO INICIAL


O mesmo estudo mencionado anteriormente apresenta uma síntese com os principais custos de
investimento inicial para sistemas MB R c om diferentes capacidades, de 44 l/s e 220 l/s, conforme se
apresenta no Quadro 2.7.

Quadro 2.7 - Custos de investimento inicial (em milhares de euros) (adaptado de Adham et al., 2007).

44 220
Caudal médio
(l/s) (l/s)
Trabalhos prévios 410 1 638
Tanques 399 1 862
Sistema mecânico de elevação do equipamento 44 55
Sistema de membranas 1 126 - 1 849 4 606 - 6 151
Material mecânico 381 2 195
Edifício dos ventiladores e bombas 217 763
Sistema de dosagem de cloro 197 986
Subtotal 2 775 - 3 498 12 105 - 13 650
Equipamento eléctrico 417 - 525 1 763 - 2 143
Equipamento mecânico 361 - 455 1 529 - 1 857
Trabalhos de campo 250 - 315 1 058 - 1 286
Subtotal 3 802 - 4 792 16 455 - 18 936
Custos de estrutura 571 - 719 2 416 - 2 936
Subtotal - Custos de construção e equipamento 4 373 - 5 511 18 871 - 21 871
Terreno 655 1 528
Contigencias 656 - 827 2 779 - 3 376
Projecto de engenharia/Jurídico/Administrativo 656 - 827 2 779 - 3 376
Total - Investimento Inicial
326 339 - 7 820 25 956 - 30 152
O Quadro 2. 7 apresenta os custos de investimento inicial (em milhares de euros ). Para uma
capacidade de 44 l/s estima-se que o investimento inicial, excluindo terrenos, contingências e
projecto, varie entre 4 373 000 € e 5 511 000 €, enquanto que para um sistema com capacidade de
220 l/s, varie entre 18 871 000 € e 21 871 000 €.

2.3.5.3 ENCARGOS DE OPERAÇÃO E MANUT ENÇÃO


Ainda no mesmo estudo, encontra-se um quadro sínt ese onde se referem os principais custos de
operação e manutenção de sistemas MBR (Quadro 2.8).

Quadro 2.8 - Custos de operação e manutenção (milhares de euros por ano) (Adham et al., 2007).

44 220
Caudal médio
(l/s) (l/s)
Consumo de energia 70 348
Reparação/substituição do equipamento 30 - 45 126 - 177
Limpeza química 7 37
Desinfecção química 4 21
Substituição dos difusores 2 11
Substituição das membranas 32 - 84 153 - 379
Trabalhadores 28 78
Total - O&M 173 - 240 773 - 1 050

O Quadro 2. 8 inclui custos associados ao consumo de energia, reparação e substituição de


membranas e grupos electrobombas, limpeza química, desinfecção química, substituição dos
difusores e mão-de-obra. O custo referente à substituição das membranas foi obtido t endo em conta
que estas teriam 8 anos de vida útil.

Assim, para uma capacidade de 44 l/s estima-se que o custo de operaç ão e manut enção do sistema
MBR varie entre 173 000 €/ ano e 240 000 €/ ano, enquanto que num sistema com capacidade de
220 l/s varie entre 773 000 €/ano e 1 050 000 €/ano. Através da Figura 2.33 é possível visualizar
quais as operações e actividades de manutenção que, em média, têm maior influência no c usto total
de operação e manutenção do sistema MBR com capacidade de 44 l/s.

13%

34%

28%

6% 19%

Energia Substituição e reparação de equipamento Químicos Substituição das membranas Trabalhadores


Figura 2.33 - Peso dos diferentes custos de operação e manutenção no custo total do sistema MBR com
capacidade de 44l/s (adaptado de Adham et al., 2007).

Assim, verifica-se que os custos de energia (34%), e os custos relacionados com a substituição das
membranas (28% ), são os que apresentam maior “peso” nos custos de operação e manutenção. As
operações que exigem maior consumo de energia são o arejamento e a limpeza das membranas.

33
2.3.6 CONSUMOS DE ENERGIA
O consumo de energia é um aspecto importante a ter em conta no dimensionament o de uma estação
de tratamento de águas residuais pois afecta directamente os encargos de operação e manutenç ão
durante todo o período de vida útil da E TAR.

Uma das des vantagens da aplicação do sistema MBR é o elevado consumo energético. O consumo
energético depende do tipo de sistema MB R adoptado, do tipo de filtraç ão e do caudal de permeado.
Para o tratamento de mesma carga orgânica, o sistema SMBR exige, em geral, muito menor
consumo energético que um sistema EMBR. As componentes que contribuem para o aumento do
consumo de energia no sistema SMBR são o sistema de arejamento, os grupos electrobomba, o
módulo de membranas propriamente dito e os agitadores. Destas componentes, a que apresenta
maior influência no consumo total de energia é o sistema de arejamento (c erca de 30%) (Lopetegui e
Trouvé). Segundo Côté et al. (1998), in Viana (2004), o consumo de energia num sistema de EMBR
3
apresenta valores típicos que variaram entre 2 e 10 kWh/m e o consumo de energia num sistema de
3
SMBR situa-se habitualmente entre 0.2 e 0.4 kWh/m .

Os sistemas MBR que recorrem à filtração convencional apresentam menores consumos de energia
quando comparados com os sistemas MBR com filtração t angencial, para a mesma carga orgânica
afluente e para a produção da mesma quantidade de permeado.

O elevado consumo de energia do sistema EMBR deve -se principalmente ao sistema de arejamento,
aos grupos electrobomba, ao sistema de tubagens, ao módulo de membr anas propriamente dito e à
perda de carga ao longo do circuito de recirculação de lamas. Segundo Zhang (2003) o módulo de
membranas é a componente que consome mais energia num sistema EMBR, variando entre 38% e
52% do total da energia consumida. Segundo o mesmo autor, o consumo total de energia de um
sistema EMBR em condições normais, com as características apresentadas no Quadro 2. 9, sujeito a
um efluente com aproximadamente 653 mg/l de CQO, e 56 mg/l de azoto, no qual se realize lavagens
periódicas às membranas (em contracorrente) e no qual tenha lugar constante recirculação de lamas,
3
é cerca de 2 kWh/m de permeado.

Quadro 2.9 - Características do sistema EMBR (Zhang, 2003).


Características Unidade Valor
Volume do tanque de arejamento l 650
Módulo de membranas
•Comprimento mm 1022
•Área superfícial m2 2.6
•Diâmetro dos poros μm 0.2
•Tipo de fibras PES/PVC
•Tipo de filtração Convencional
•Máxima PTM bar 1
•Pressão máxima bar 5
•Caudal Afluente m3/h 10
Tempo de retenção h 8
pH - 6.5 a 7.2
Temperatura no tanque de arejamento ˚C 21 a 25
Oxigenio dissolvido mg/l 2.8 a 3.8
MLSS g/l 4.5 a 6.0

34
O consumo total de energia de um sistema EMB R de baixo consumo energético é, em geral, 5 vezes
superior ao de um sistema convencional de lamas activadas (L opet egui e Trouvé).

O consumo de energia do sistema EMBR, caracterizado pelos parâmetros do Quadro 2. 9, varia


3 3
desde 0.4 kWh/m de permeado, após o arranque do sistema, até cerca de 3 kWh/m de permeado.
O sistema de arejamento é respons ável, em média, por cerca de 9% a 31% do consumo total de
energia (Figura 2.34 e Figura 2.35).

80.00
70.00
60.00
Percentagem (%)

50.00
40.00
30.00
20.00
10.00
0.00
0 48 96 168 216 240 264 288 312 336 360 384 386 387 388 408 421 432
Tempo (horas)
Sistema de aerejamento Sistema de tubagens Grupos electrobomba
Módulo de Membrana Sistema de Recirculação
Figura 2.34 - Percentagem do Consumo e nergético das componentes do sistema EMBR (Zhang, 2003).

3.50
Consumo total de energia
(kWh/m3 de permeado)

3.00

2.50

2.00

1.50

1.00

0.50

0.00
0 100 200 300 400
Tempo (horas)
Figura 2.35 - Consumo total de energia do sistema EMBR analisado por Zhang, 2003.

Através dos gráficos averigua-se que existe um período inicial, de adaptação do sistema, onde se
verificam baixos consumos de energia. O período inicial diz respeito ao tempo necessário para que se
atinja a concentração ideal de MLSS no interior do reactor biológico. A pós este período, o caudal de
permeado vai diminuindo gradualmente, devido à acumulação de sólidos nos interstícios das
membranas, e consequentemente verifica -se o aumento do consumo total de energia. Para minimiz ar
a possibilidade de ocorrência de fenómeno do tipo “fouling” pode realizar-se uma lavagem rápida
(5 min), em contrac orrente, que garanta uma diminuição do consumo total de energia. Quando o
consumo de energia atinge valores elevados, é importante que se efectue a limpez a das membran as
de um modo mais eficiente.

35
2.3.7 LIMPEZA DAS MEMBRANAS
A limpeza das membranas é um processo muito importante, que contribui para a boa eficiência do
sistema MBR. Como mencionado anteriormente, à medida que se vai realizando o processo, as
membranas vão ret endo partículas que são res ponsáveis pela diminuição do caudal do permeado
produzido. Para manter relativamente constante o caudal de permeado, deve efectuar-se a limpeza
das membranas com dada frequência. Segundo Cheryan, 1998, in Lorente (2007) a limpeza pode s er
de nat ureza física, química e térmica:

 física: através de jactos de água a elevada pressão. Os jactos de água são utilizados quando os
agentes químicos não se revelam muito eficientes.
 química: na limpeza são utilizados diferentes agentes químicos que permitem eliminar e destruir
determinadas substâncias;
 térmica: sob a forma de calor, permite acelerar a velocidade das reacções químicas;

LIMPEZA FÍSICA
A limpeza de membranas inicia-se, em geral, com uma operação física, que consiste em mergulhar
as membranas em água. Esta primeira operação permite eliminar algumas partíc ulas que se
encontram acopladas à membrana e ainda a maioria das partículas que se encontra à superfície da
mesma. Esta operação garante a redução dos reagentes necessários para eliminar as partículas que
ainda ficam associadas à membrana (Lorente, 2007).

Em alguns módulos de membranas é possível realizar a limpez a contra-corrente. Neste tipo de


operação física, o escoamento é realizado em sentido oposto ao do funcionamento normal. Neste
caso, a pressão transmembranar é negativa. Por vez es, nesta operação são adicionados ao
escoamento agentes químicos que levam ao aumento da eficácia do processo. A limpeza c ontra -
corrente é bastant e eficaz, permitindo eliminar o “gel” que se forma na superfície da membrana e as
part ículas que se encontram nos interstícios. Uma variante à limpeza contra-corrente convencional é
a limpez a em pressão transmembran ar alternada, que consiste em fazer circular o escoamento em
sentido contrário, mas de um modo cíclico e descontínuo, em curtos períodos de tempo (Lorente,
2007).

LIMPEZA QUÍMICA
Os agentes químicos podem actuar de diferentes maneiras . Por este motivo, distinguem-se os
seguintes mecanismos de limpeza química:

 rotura de ligações entre a m embrana e as partículas poluentes (processos de adsorção, p. e.);


 modificações químicas (reacções de oxidação, p. e.);

O tipo de mecanismo recomendável depende do agent e químico a utilizar e da constituição química


das part ículas. (Lorente, 2007).

Os agent es químicos podem ser classificados em:

 ácidos: que permitem eliminar sais met álicos e óxidos metálicos. Os agent es mais utilizados para
a limpeza química de membranas são o ácido clorídrico e ácido sulfúric o (preço reduzido), ácido
nítrico (oxidante forte que actua facilmente sobre compostos orgânicos que tem a des vantagem

36
de ser bastante corrosivo), ácido fosfórico (bastante eficaz na eliminação de catiões metálicos e
permite controlar o pH da solução que tem a des vantagem de ser oneroso) e os ácidos orgânicos;
 alcalinos: permitem remover a sílica, part ículas inorgânicas coloidais e orgânicas . São exemplos
de agentes alcalinos soda cáustica (base muito simples), o carbonato de sódio (económico mas
em contrapartida pode levar à formação de depósitos de carb onato de cálcio na superfície da
membrana), os fosfatos e o hipoclorito de sódio;
 tensioactivos: permitem eliminar substancia hidrofóbicas. Os mais conhecidos são os sulfonat os,
os sulfatos e os fosfatos;
 agentes quelantes: são agentes que reagem com os átomos metálicos e permitem sequestrar
catiões metálicos e, consequentement e, reduzir a formação de sais metálicos. O agente quelante
mais utilizado é o EDTA;
 enzimas: são agentes especialmente importantes para a limpeza de membranas que não
suportam alt as temperaturas. As proteases são um exemplo de enzimas muito utilizadas neste
âmbito, pois facilitam a eliminação de proteínas (Lorente, 2007).

2.3.8 VANTAGENS E DESVANTAGENS DOS SIST EMAS MBR


A tecnologia de membranas aplicadas ao tratamento de águas residuais apresenta vantagens
relativamente aos processos convencionais, nomeadamente ao tratamento de lamas activadas de
baixa carga. Esta tecnologia permite geralmente, obter um efluente final de elevada qualidade, com
elevado interesse quando se pretende reutilizar as águas residuais tratadas (Figura 2.36).

A B

a) Aspecto do b) Dif erença entre o c) Aspecto do permeado no


af luente no aspecto do af luente (A) e reservatório f inal
bioreactor do permeado (B).

Figura 2.36 - Aspecto do afluente inicial e do efluente final após atravessar do sistema MBR.

Além de se apresentar como uma tec nologia fiável, necessita de menor área de aplicaç ão quando
comparada com as tecnologias convencionais. Deste modo, podem enumerar-se as seguintes
vantagens do sistema de MB R, quando comparado com os sistemas convencionais de lamas
activadas e de leitos percoladores:

 elevada qualidade do efluente final, com possibilidade da reutilização das águas residuais
tratadas para usos compat íveis;
 redução da área de implantação da E TAR;
 pode operar com idade das lamas elevadas o que pode conduzir a uma reduç ão de produção de
lamas;
 concentração elevada de biomassa no reactor biológico;
 eliminação da etapa de decantação sec undária e, cons equentemente, dos problemas associados
a esta etapa;
 redução da emissão de odores, permitindo a sua instalaç ão em ambientes fechados.

37
As des vantagens dizem respeito ao elevado investimento inicial, assim como aos elevados encargos
energéticos. Alguns problemas de operação passam pela colmatação das membranas. Assim,
sucintamente, apres entam -se as principais des vantagens:

 elevado custo do investimento inicial;


 elevados consumos de energia;
 o caudal que atravessa as membranas diminui significativament e com o aumento dos SST;
 maior complexidade de exploração e manutenção.

As membranas funcionam adequadamente com concentrações de MLSS na ordem de 8 000 a


12 000 mg/l. Em contrapartida, os sistemas de lamas activadas funcionam com concentrações
bastante inferiores, em regra, da ordem de 2 000 a 3 000 mg/l.

38
3 ESQUEMA E CÁLCULOS PARA O P ROJECTO BAS E DE REABILITAÇÃO DA ETAR DE
MAGOITO

3.1 ENQUADRAMENTO
O presente Projecto Base foi elaborado na sequência do Estudo Prévio e visa a reabilitação da
Estação de Tratamento de Águas Residuais (E TAR) de Magoito. A ETA R de Magoito localiza-se no
concelho de Sintra, na margem Sul da ribeira da Mata, próximo da praia de Magoito. Esta estação de
tratamento recebe os efluentes das povoações de Bolembre, Magoito, Tojeira, Aldeia Galega, Arneiro
dos Marinheiros, Fontanelas, Gouveia e Pernigem da freguesia de São João Das Lampas.

No Desenho 1 do Volume II apresenta-se a planta de localização da E TA R de Magoito e no Desenho


2 a planta fornecida pelos SMAS, da respectiva E TA R. Da análise dos Desenhos 1 e 2 é possível
concluir que:

 a estação de tratamento localiza-se a cerca de 300 metros da orla costeira;


 os perfis do terreno, na zona da loc alização da ETA R, são bastante acidentados;
 os actuais emissários afluentes à E TA R atravessam a ribeira da Mata obrigando à elevaç ão do
caudal à entrada da estação de tratamento;
 a ribeira da Mat a (onde actualmente tem lugar a descarga do efluente tratado) at ravessa a praia
de Magoito.

Em fase anterior ao present e Projecto Base foram estudadas duas soluções de trat amento para a
ETA R. A denominada Solução “1” preconiza va a adaptação e remodelação do actual esquema de
tratamento da E TAR de Magoito (lamas activadas de arejament o prolongado) para um sistema de
MBR (Membrane bioreactor) a instalar nos reactores biológicos existentes . Por outro lado, a
Solução “2” previa a reabilitação da E TAR mantendo o mesmo esquema de tratamento da fase
liquida: lamas activadas na variante de arejamento prolongado, incluindo desinfecção por radiaç ão
UV, e melhoramento do esquema de tratamento da fase sólida. Tendo em conta os vários critérios de
selecção (solução mais vantajosa do ponto de vista técnico, social, económico e ambiental) acabou
por ser adoptada, para desenvolvimento posterior, a solução “1”.

3.2 SITUAÇÃO ACTUAL

3.2.1 CONSIDERAÇÕES INTRODUTÓRIAS


No âmbito deste capítulo faz-se uma síntese das actuais etapas de tratamento e operações unitárias
que constituem a actual E TAR, fazendo referência aos principais problemas de funcionamento.

3.2.2 D ESCRIÇÃO E CARACTERIZAÇÃO DO SIST EMA DE TRATAMENTO

3.2.2.1 D ESCRIÇÃO DO ACTUAL SISTEMA DE D RENAGEM AFLUENT E À ETAR


A ETA R de Magoito é limitada a Norte pela ribeira da Mata onde actualmente é realizada a descarga
do efluente. O ponto de descarga localiza -se a cerca de 300 m da foz da ribeira da Mata.

39
A Figura 3.1 diz respeit o a uma fotografia aérea da Praia e da ETA R de Magoit o.

Figura 3.1 - Fotografia aérea da Praia e da ETAR de Magoito.

Na Figura 3.2 apresenta-se, esquematicament e, o sistema de drenagem da área servida.

Figura 3.2 - Esquema do sistema de drenagem da área servida.

Actualmente o sistema apresenta três emissários afluentes à E TA R. Os dois emissários que chegam
a Nort e da E TA R unem-se numa câmara de visita localizada na margem Norte da ribeira da Mata
imediatamente a mont ante da estação. Esta câmara de visita apresenta uma queda gravítica, de
forma a que o colector possa passar sob a ribeira da Mata. No interior do recinto da E TAR existe uma
estação elevatória que permite bombar os caudais para a cabeça da obra de entrada.

40
A sul da E TA R aflui o emissário que transporta as águas residuais provenientes da freguesia de
Fontanelas. Este emissário aflui graviticament e à ETA R e entra directamente na obra de entrada.

Na Figura 3.3 apresent a-se o esquema de chegada dos emissários à estação de tratament o de
Magoito.

Figura 3.3 - Esquema dos emissários afluentes à ETAR de Magoito.

3.2.2.2 D ESCRIÇÃO E CARACTERIZAÇÃO DO ACTUAL SISTEMA DE TRATAMENTO DA ETAR


A estação de tratamento encont ra-se em funcionamento desde 2001 e foi dimensionada para servir
uma população de 5200 habitantes, no ano horizonte de projecto, correspondendo a um caudal
3
médio diário de 1150 m /dia.
2
A ETAR desenvolve-se numa área de cerca de 3700 m , onde se incluem as respectivas infra-
estruturas e equipamentos. A ETAR de Magoit o apresenta os esquemas de tratamento das fases
líquida e sólida que estão ilustrados na Figura 3.4.

Fase Fase
Líquida Sólida
Águas Residuais
Lamas
Afluentes

Gradagem Desidratação de lamas (Sacos


e Unidade de Filtros banda ) ou
Desarenamento Leitos de secagem
Medição de
caudal Descarga em
contentores
Tratamento
Biológico por
lamas activadas
Decantação
secundária

Tamisação

Desinfecção

Descarga do efluente
Figura 3.4 - Esquemas de tratamento das fases líquida e sólida da situação actual.

41
A desidratação mecânica das lamas era feita inicialmente através de um sistema de sacos. Mais
tarde, veio a recorrer-s e a uma unidade móvel de filtro de banda. Actualmente, a E TAR apresenta
ainda dois leitos de secagem de recurso.

Deste modo, o esquema de tratamento existente na E TAR de Magoito é o indicado na Figura 3.5.
EE Obra de Entrada

Tanque de Arejamento

Decantadores Secundários

Linha
Desinfecção por Cloro de Água
Ultra-Violeta

Desidratação
Mecânica
Legenda

Fase Líquida
Leitos de Secagem
Fase Sólida

Figura 3.5 - Esquema de tratamento da actual ETAR do Magoito.

O efluente bruto é elevado até à obra de entrada a partir de uma estação elevat ória localizada à
cabeça da E TAR. Na obra de ent rada, o efluente elevado passa por uma grelha mecânica onde tem
lugar a gradagem mecânica. Caso seja necessário realizar eventuais manutenções na grelha
mecânica, o efluente é des viado para um c anal lateral em “by-pass” onde existe uma grelha manual.
Em seguida, o efluente é encaminhado para um desarenad or onde as areias acumuladas no fundo
são removidas manualmente e encaminhadas para um aterro sanitário. Após o desarenador, o
efluente passa por um canal “Parshall” onde é efectuada a medição do caudal.

Na Figura 3.6 apresent am-se fotografias da estação elevat ória inicial, da gradagem, do desarenador
e do canal “Pars hall”.
a) b)

a) b) c) d)
Figura 3.6 - Fotografias de diferentes órgãos da ETAR de Magoito: a) estação elevatória inicial;
b) gradagem; c) desarenador; d) canal “Parshall”.

42

c) d)
Após a obra de entrada, o efluente é encaminhado até aos tanques de arejamento por uma conduta
com escoamento sob pressão. O tratamento biológico é concretizado em duas linhas independentes
constituídas por um tanque de arejamento (planta rectangular) e um decantador secundário, cada
uma. Nos tanques de lamas activadas o arejamento e a agitação do “licor misto” são garantidos
através de arejadores superficiais conforme se pode ver na Figura 3.7 b). Parte das lamas
provenientes da decantação são recirculadas, de modo a manter uma c oncent ração suficiente de
lamas frescas nos tanques de arejamento.

O efluente é encaminhado para os decantadores secundários de planta rectangular. O efluente


clarificado é encaminhado para o tratamento de afinação, enquanto as lamas afluem, graviticamente,
à estação elevatória de lamas secundárias. A estação elevatória de lamas secundárias permite a
recirculação de lamas para os tanques de arejamento e a extracção das lamas em excesso para
desidratação mecânic a. Em seguida, estas são encaminhadas para os leitos de sec agem e
posteriormente devidamente conduzidas para fins agrícolas.

O proc esso de trat ament o de lamas em excesso foi seleccionado tendo em conta a di mensão da
ETA R de Magoito e o esquema de tratamento biológico adoptado, compreendendo as seguintes
etapas:

 espessamento mecânico das lamas;


 desidratação em “filtro de banda”, precedida de condicionamento químico (adição de
polielectrólito);
 armazenamento das lamas desidratadas correspondent e a um mínimo de 3 dias úteis de
produção.

As lamas em excesso são conduzidas p ela acção de grupos electrobomba para um tanque coberto,
situado no int erior do edifício de tratamento de lamas, afluindo posteriormente, por bombagem, ao
equipamento de espessamento e desidratação das lamas.

As escorrências e drenados resultantes do tratamento de lamas e da caixa de areias , bem como as


águas residuais do edifício de apoio, são graviticamente encaminhadas para uma estação eleva tória
e depois bombadas para a cabeça da E TA R.

Actualmente apenas uma das linhas segue o tratamento secundário descrito anteriormente. O out ro
tanque de arejamento serve de reservatório para afluências excessivas , em tempo húmido, e o
respectivo decantador secundário está a ser utilizado para espessar as lamas em excesso, antes de
serem encaminhadas para desidrat ação mecânica.

Na Figura 3.7 apresent am-se fotografias dos tanques de lamas activadas, dos decant adores
secundários e do tratamento de lamas móvel.

43
a) b)

c) d)

Figura 3.7 - Fotografias da ETAR de Magoito: a) e b) tanques de lamas activadas; c) decantadores


secundários; d) sistema de tratamento de lamas móvel.

O tratamento de afinação é constituído por uma mic rotamisação para diminuir a conc entração de
sólidos suspensos antes da et apa de desinfecção por ultravioleta. A pós a desinfecção por radiaç ão
UV é adicionado hipoclorito de sódio ao efluente, antes da descarga no meio receptor.

A Figura 3. 8 diz respeito a fot ografias do microt amisador e da estação elevat ória final da E TA R do
Magoito.

a) b)
Figura 3.8 - Fotografia do a) microtamisador e b) da estação elevatória final da ETAR do Magoito.

No Quadro 3. 1 apresentam-se algumas características das principais etapas de tratamento da fase


líquida.
Quadro 3.1 - Características dos principais órgãos de tratamento da fase líquida.
Etapa Descrição Características
2 canais (canal com limpeza automatica em
Gradagem -
paralelo com canal com limpeza manual)
Desarenação 2 canais em paralelo -
2 tanques paralelos em regime de arejamento
Tratamento biológico V = 800 m3
prolongado
Decantação 2 decantadores em paralelo A = 36 m2
Tamisação 1 tamisador rotativo -
desinfecção por radiação UV seguida de
Desinfecção -
injecção de hipoclorido de sódio

O diagrama de blocos e a planta de implantação da actual E TA R são apresentados respectivamente


nos Desenhos 3 e 5 do Volume II deste Projecto Base.

44
EFICIÊNCIA DA ETAR
Foram avaliados os resultados das análises para o controlo de qualidade da ETA R de Magoit o para
os anos de 2005 a 2008, fornecidos pelos SMAS de Sintra. Analisaram -se os resultados de caudal
afluente à ETA R e ainda alguns parâmetros de qualidade, nomeadamente oxidabilidade,
condutividade, pH, CBO5, CQO, amónia, nitritos, nitratos, azoto Kjldhal, azoto total, fósforo total,
oxigénio dissolvido, SST, sulfatos, óleos e gorduras e d etergentes. Em seguida, efectua-se uma
síntese das principais ideias desta pesquisa.

Desde a entrada em operação da E TAR de Magoito, até 2008, verific a-se que o caudal afluente à
ETA R aumentou significativamente, para mais do dobro do valor inicial, nos períodos estivais. Este
facto é justificado devido ao aumento significativo da população servida pela E TA R, à desactivaç ão
de fossas sépticas existentes e consequente ligação à rede de drenagem , e ao aumento da
população flutuante durante a época balnear, potenciado pela proximidade da cidade de Lisboa. O
aumento de caudal torna-se mais gravoso nos períodos chuvosos, devido às afluências indevidas à
rede de drenagem e às infiltrações ao longo da rede. Na Figura 3.9 apresenta-se a curva de evoluç ão
do caudal médio, desde Janeiro de 2005 até Abril de 2008.
1600
2005 2006 2007 2008
1400

1200

1000
Caudal (m 3/dia)

800

600

400

200

0
Jul-05

Jul-06

Jul-07
Mar-05

Mar-06

Mar-07

Mar-08
Mai-05

Mai-06

Mai-07
Set-05

Set-06

Set-07
Jan-05

Nov-05
Jan-06

Nov-06
Jan-07

Nov-07
Jan-08

Mês
Figura 3.9 - Caudal médio diário nos anos 2005, 2006, 2007 e nos primeiros 5 meses de 2008.

No que se refere à qualidade da água residual afluent e à E TA R de Magoito, a avaliação tem sido
efectuada através de um programa de controlo analítico com determinação de parâmet ros físico s,
químicos e microbiológicos. No Quadro 3.2 apresenta-se um resumo das eficiências da E TA R em
relação aos parâmetros CB O5, CQO, SS T, entre 2005 e 2008.

Quadro 3.2 - Eficiências da ETAR (2005 a 2008).

Parâmetro Unidade 2005 2006 2007 2008


Caudal médio diário 3 366 755 588 335
m /dia
CBO5 médio mg/l 411 240 299 194
Eficiência CBO5 % 94 92 74 81
CQO médio mg/l 622 357 500 310
Eficiência CQO % 75 80 82 75
SST médio mg/l 297 147 253 170
Eficiência SST % 68 86 87 81

45
Da análise do Quadro 3.2, verifica-se que a E TA R de Magoito tem apresentado eficiências globais de
tratamento que variam entre 74% e os 94% para a CBO5, e entre 75% e 82% para a CQO. As
eficiências de trat ament o nos últimos anos foram sempre superiores a 80% para os SS T. No que diz
respeito à remoção de microrganismos, os valores obtidos no efluente cumprem geralmente os
critérios de qualidade após o tratamento de desinfecção por radiação ult raviolet a e a adição de cloro.

3.2.3 PROBLEMAS DE FUNCIONAMENTO E EXPLORAÇÃO

3.2.3.1 ASPECTOS GERAIS


Numa apreciaç ão global do funcionamento da E TAR podem apontar-se os seguintes riscos e
deficiências:

 a chegada do efluente bruto à E TA R é feita por bombagem;


 uma deficiente distribuiç ão de caudal para os tanques de lamas activadas;
 uma afluência de caudal inadequada aos decantadores secundários;
 a deficiente decantação secundária;
 a inexistência de uma etapa especifica de espessamento de lamas;
 uma desidratação insuficiente da fase sólida (apenas resolvida pela aquisição de um filt ro de
banda - unidade móvel);
 a descarga na ribeira da Mata muit o próximo da praia do Magoito.

Na Figura 3.10 ilustra-se o aspecto actual da ribeira da Mata, junto da foz, em período estival.

Figura 3.10 - Fotografia da foz da ribeira da Mata no período estival.

Com vista à reabilitação do sistema será necessário aument ar a eficiência do pré-tratamento


existente, nomeadamente melhorar a remoção de gradados e de areias , e ainda aumentar a
eficiência do tratamento secundário. Com o aumento da qualidade do efluente, após tratamento
secundário, dever-se-á ainda proceder ao ajustament o do actual trat amento terciário, em termos de
desinfecção, de modo a garantir elevada qualidade do efluente final.

3.2.3.2 QUALIDADE DA ÁGUA DA RIBEIRA DA MATA


A montante da E TA R de Magoito verificam-se descargas directas de efluentes domésticos na ribeira
da Mata, provenientes de ligações indevidas. Estas descargas provocam impactes ambientais
negativos. Na Figura 3.11 apresenta-se a evolução da qualidade microbiológica (coliformes fecais,
coliformes totais, “Escherichia coli” e estreptococ os) na ribeira da Mata a montante da ETA R de
Magoito, nos anos 2007 e 2008.

46
100000
2007 2008

10000

(ufc/100 mL)
1000

100

10

Abr-08
Dez-07
Jun-07

Jul-07

Out-07

Mar-08
Fev-08

Mai-08
Ago-07

Set-07

Nov-07

Jan-08
Mês
Coliformes Fecais Coliformes Totais Escherichia Coli Estreptococos

Figura 3.11 - Qualidade microbiológica na ribeira da Mata antes da ETAR, em 2007 e 2008 , em termos de
coliformes fecais, coliformes totais, Escherichia coli e estreptococos.

Pelo gráfico apres entado verifica-se que a ribeira da Mata apresenta elevado grau de poluição já
antes da descarga do efluente da ETA R. Através de análises recolhidas verificou -se, por diversas
vezes, que a ribeira da Mata apresent a uma qualidade inferior à qualidade do efluente final da E TAR,
no que diz respeito aos parâmetros microbiológicos.

Existem ainda outros factores que puderam conduzir ao agravamento da qualidade da água da ribeira
da Mata, que são as descargas directas de colectores pluviais e o escoamento de efluentes de fossas
sépticas. As descargas directas de colectores pluviais podem causar impactes negativos signific ativos
nos meios receptores, ao nível de qualidade da água.

3.3 EL EMENTOS BASE

3.3.1 CONSIDERAÇÕES GERAIS


As contribuições da população dizem respeito a população residente e à população flutuante. A
população flutuante apresenta contribuições significativas no período estival, devido à proximidade da
zona balnear.

No que se refere à componente industrial, não existem quaisquer registos de contribuições de


efluentes nos colectores municipais, pelo que se considerou esta parcela nula.

No presente trabalho, considerou-se para o ano de reabilitação da E TAR o ano de 2008 e para os
anos de horizonte de projecto o ano 2028 e 2048, respectivament e para o equipamento
electromecânico e para as obras de construção civil. Em s íntese, os dados bas e principais
encontram-s e no Quadro 3. 3.

Quadro 3.3 - Quadro síntese dos dados base de dimensionamento.


Ano
Parâmetros Unidade Ano 0 Ano HP
População Residente hab 4393 4929
População Flutuante hab 1167 1167
População Total hab 5560 6096
Caudal médio diário m3/dia 468 572
Caudal de ponta m3/dia 1782 2154

47
3.3.2 POPULAÇÃO DE PROJECTO
As estimativas populacionais nos anos horizonte projecto foram obtidas a partir dos res ultados dos
Cens os Populacionais, admitindo que a variação populacional apresenta um comportamento em
evolução geométrica.

Dos resultados obtidos é importante salient ar que a freguesia de S ão João das Lampas evoluiu de
7690 habitant es para 9665 habitant es entre 1991 e 2001. Estes result ados corres pondem a uma taxa
geométrica de evolução de 2.3%. Contudo não é expectável que a taxa de crescimento verificada
nesse período se mantenha em anos posteriores. Antes pelo contrário, poderá ter tendência para
diminuir.

Assim, para estimar a população nos anos horizonte projecto optou-se por considerar uma taxa de
crescimento de 2.3% até 2028, e uma taxa de crescimento nula nos anos seguintes, até 2048.

Uma vez que a E TA R de Magoito fica localizada junto à praia de Magoito verifica-s e, nos períodos
estivais, um aumento signific ativo da população. Por este motivo foi ainda estimada uma populaç ão
sazonal flut uant e. A população flutuante foi determinada com base em informação retirada dos
Cens os de 2001, analisando a capacidade total associada aos alojamentos existentes. Considerou-se
2 habitantes flut uant es por fogo.

Em síntese, os resultados obtidos apresentam -se no Quadro 3.4.

Quadro 3.4 - Estimativa populacional de projecto.

População Residente [hab] População


Lugar
2008 2028 2048 Flutuante [hab]
Aldeia Galega 105 118 118 0
Arneiro dos Marinheiros 368 412 412 65
Bolembre 747 838 838 65
Codiceira 146 164 164 0
Chilreira 120 134 134 0
Fachada 81 91 91 0
Fontanelas 1 059 1 188 1 188 263
Gouveia 283 318 318 38
Magoito 706 792 792 460
Pernigem 118 132 132 23
Tojeira 603 676 676 75
Casal dos Eis 28 32 32 25
Pedregal 17 19 19 138
Mato Novo Rocio do Casal 14 15 15 15
Total 4 395 4 929 4 929 1 167

3.3.3 CAUDAIS DE P ROJECTO


Com vista à determinação dos caudais de projecto é nec essário fixar determinados parâmetros, tais
como a capitação, a percent agem de população ligada à rede de drenagem, o factor de afluência e
ainda a percentagem associada à população flutuante. Os valores considerados para os parâmetros
enunciados anteriormente apresentam -se no Quadro 3.5.

48
Quadro 3.5 - Capitações e factor de afluência à rede.
Valores (Pop. Residente)
Simbolo Unidade
2008 2028 2048
Capitação (Ano 0) I/(hab.dia) 160 150 140
Capitação (pop flutuante - Ano 0) I/(hab.dia) 160 160 160
Precentagem de População ligada % 70% 80% 90%
Factor de afluência - 0.80 0.80 0.80
População Flutuante % 50% 50% 50%

Considerou-se 50% do t otal do pot encial da população flutuante, para efeito de cálculo,
correspondente aos períodos de maior afluência.

Tendo em atenç ão os valores mencionados é possível determinar os caudais de projecto através das
seguintes expressões:

Qm  (Pop  Cap  f afl )


(1)
Q p  (Q m  f p )  Qi
(2)
Onde:
Qm - caudal médio;
Pop - população equivalent e;
Cap - capitação;
faf l - coeficiente de afluência;
Qp - caudal de ponta;

fp - factor de ponta, determinado pela expressão: f p  1.5  60 /Pop1/ 2 , segundo o


Artº. 125º do Decreto Regulamentar nº 23/ 95, de 23 de Agosto.
Como se pode verificar pela equação (1), o caudal médio anual doméstico resulta, assim, da
multiplicação da capitação de águas residuais domésticas pela população, residente e flutuante, dos
aglomerados. O valor do caudal de pont a instantâneo, equação (2), obtém-s e multiplicando o valor de
caudal médio por um factor de ponta instantâneo, a que se deve adicionar o caudal de infiltração e,
eventualment e, os caudais industriais e caudais de origem pluvial. No presente estudo, o valor do
caudal industrial e o valor do caudal pluvial são nulos, visto que só afluem à E TAR águas residuais de
origem doméstica.

A valiando a curva do caudal afluente à E TA R nos últimos anos, que se encontra na Figura 3.9,
considerou-se um caudal de infiltração 1.5 vez es superior ao caudal médio.

Assim, através do raciocínio descrito, foi possível obter os valores dos c audais de projecto que se
encontram apres entados no Quadro 3. 6.

Quadro 3.6 - Caudais de projecto.


Valores
Parâmetro Unidade
2008 2028 2048
3
m /dia 468 548 572
Qm
l/s 5.4 6.3 6.6
Qinf l/s 8.1 9.5 9.9
fp - 2.30 2.27 2.27
3
m /dia 1782 2065 2154
Qp
l/s 20.6 23.9 24.9

49
3.3.4 CARGA POL UENT E DE PROJECTO
Com base no estudo efectuado relativo aos resultados das análises para o controlo de qualidade da
ETA R de Magoito (entre o ano 2005 e o ano 2008), estimaram-se os valores das cargas poluent es de
projecto, considerando as concentraç ões médias e o c audal médio afluent e à E TA R. Esta estimativa
foi determinada apenas para o período estival, em que não há influência significativa de caudais
indevidos de origem freática. No Quadro 3.6 apresenta-se a síntese de resultados, em termos da
CBO5, CQO e SST, assim como da população equivalente, e da capitação correspondente.
Quadro 3.7 - Concentração e cargas poluentes afluentes à ETAR.

Parâmetro Unidade 2005 2006 2007 2008


CBO5
CBO5 médio mg/l 411.8 239.8 298.8 194.0
CBO5 máximo mg/l 660.0 660.0 483.0 290.0
CQO
CQO médio mg/l 621.8 357.2 500.0 310.0
CQO máximo mg/l 890.0 738.0 700.0 440.0
SST
SST médio mg/l 297.0 146.6 252.8 170.0
SST máximo mg/l 750.0 335.0 480.0 270.0
CBO5 (Considerando apenas o periodo estival)
CBO5 médio mg/l 450.0 473.3 461.0 -
Caudal médio l/s 4.0 5.2 5.4 -
CBO5 g/dia 154206 214107 216063 -
Pop. Equivalente hab 2570 3568 3601 -
Capitação águas residuais l/had/dia 133 127 130 -

3.3.5 GEOLOGIA E GEOT ECNIA


O local de implantação da E TAR de Magoito enc ontra-se cartografado na folha 401A da Carta Militar
de Portugal à escala 1:25 000. No Desenho 1, Volume II, apresenta-se um extracto da Carta Militar
do loc al de implantação da E TAR e em pormenor apresenta-se um ortofotomapa fornecido pelos
SMAS de Sintra.

3.4 SOLUÇÃO ADOPTADA

3.4.1 CONSIDERAÇÕES INTRODUTÓRIAS


Neste capítulo apresenta-se uma descrição da solução adoptada para a reabilitação da estação de
tratamento de águas residuais de Magoito.

Para se entender melhor a solução adoptada apresenta-se, em seguida, uma descrição dos principais
aspectos legislativos e os critérios de qualidade do efluente tratado. Descreve-se, também,
sumariament e, o sistema de drenagem afluente à E TA R d e Magoito, apresentando-se seguidamente
o esquema de tratamento adoptado. Por fim, procede-se à caracterização dos vários processos e
operações que ocorrem na E TA R.

3.4.2 ASPECTOS LEGISLATIVOS E CRIT ÉRIOS DE QUALIDADE


O presente Projecto Base foi realizado tendo em cont a, nomeadament e o Decreto-Regulament ar
nº 23/95, de 23 de A gosto; o Decreto-Lei nº 152/97, de 19 de Junho e o Decreto-Lei nº 236/98, de

50
1 de Agosto. Os Dec retos referidos transpõem, para o direito interno, di versas Directivas
Comunitárias.

O Decreto-Lei nº 23/95 e o Decreto-Lei nº 152/97 transpõem, em parte, a Directiva 91/270/CEE,


referente a tratamento de águas residuais.

O Decreto-Lei nº 236/98 faz a transposição, entre outras, das seguintes Directivas pertinentes do
Cons elho Europeu:

 7//464/CEE e 80/68/ CEE, referent es à poluição causada por det erminadas substâncias perigosas
lançadas no meio aquático;
 78//659/CEE, referente à qualidade das águas doces que necessitam de ser protegidas ou
melhoradas a fim de estarem aptas para a vida dos peixes;

Teve-se também em cont a o normativo Europeu já aprovado e adoptado em Portugal, referente a


Sistemas de Drenagem de Águas Residuais (EN 271 – partes 1, 2, 3 e 4), respeit ante a definições,
requisitos de comportamento, concepç ão e planeamento e considerações hidráulicas e ambientais.

3.4.3 OBJECTIVOS DE QUALIDADE DO EFLUENTE T RATADO


A definição dos objectivos de qualidade das águas residuais tratadas numa E TAR é um aspecto
essencial para a det erminação do esquema de tratamento a estabelecer. O nível de qualidade
exigível ao efluente tratado dependerá do meio receptor e, por este facto, é important e analisar as
características e usos deste meio. Outro aspecto a ter em cont a para a definição dos objectivos de
qualidade do efluente tratado é a legislação vigente, relativa a normas de descargas das águas
residuais, que estipulam det erminados limites que minimizam riscos para a saúde pública.

A descarga é efectuada muito próxima do mar, em zona balnear. Sendo a praia de Magoito o meio
receptor indirecto, e pelo Decreto-Lei 236/98 para águas balneares, o valor máximo recomendado de
coliformes fecais é 100 NMP/100 ml, pelo que se optou por considerar este valor c omo um dos
objectivos de qualidade do efluente trat ado.

Assim, pela análise da legislação em vigor, aplicada ao present e caso de estudo, consideram-se os
objectivos de qualidade do efluente trat ado da E TAR de Magoito apresentados no Quadro 3.8.

Quadro 3.8 - Objectivos mínimos de qualida de do efluente.


Parâmetro
Valor
Grandeza Unidade
CBO5 mg/l 25
CQO mg/l 125
SST mg/l 35
Coliformes fecais NMP/100 ml 100

3.4.4 D ESTINO FINAL DOS RESÍDUOS


O destino final das lamas tratadas mais indicado para este caso, é o agrícola e pode também ter lugar
a deposição em locais apropriados (aterros sanit ários). A utilização das lamas tratadas na agricultura
é uma mais-valia, pois é uma solução, em regra, económica e eficient e. As lamas tratadas são ricas
em elementos fertilizantes como o fós foro, o azoto e em matéria orgânica humífera.

51
Os gradados e as areias deverão ser encaminhados para deposição em aterro, de modo controlado.

3.4.5 D ESCRIÇÃO DO FUTURO SISTEMA DE DRENAGEM AFLUENT E A ADOPTAR


É importante efectuar uma breve análise às alterações previstas para os três emissários afluentes, de
modo a averiguar eventuais características que possam influenciar o dimensionamento da E TAR de
Magoito. De not ar que o dimensionamento dos emissários não faz parte do present e Projecto Base.

A solução proposta para o sistema de drenagem afluent e permite que os três emissários cheguem
graviticamente à E TA R, possibilitando a desactivaç ão da actual estação elevat ória inicial. Em seguida
apresenta-se, na Figura 3.12, o traçado do novo emissário afluente à ETA R.

Figura 3.12 - Representação esquemática do futuro traçado do emissário afluente à ETAR de Magoito.

O traçado do emissário da solução adoptada permite a chegada do colector gravítico à E TA R a uma


cota superior a 16.0 m, e consequentemente garante a ligação gravítica à obra de entrada.

O emissário termina na primeira câmara de visita da E TA R, câmara 1, onde está prevista a instalaç ão
de uma válvula mural. A função desta válvula será a de poder obturar a passagem das águas
residuais para o colector que termina na obra de entrada. Consequentemente, garante-se que o nível
da água na câmara 1 suba e descarregue o efluente para um out ro colector que permite a ligaç ão a
uma bacia de retenção (para emergência).

3.4.6 ESQUEMA DE TRATAMENTO DA SOLUÇÃO ADOPTADA


O esquema de tratamento define a ordem sequencial dos proc essos e operações unitárias que se
encontram previstas, no âmbito deste Projecto Base. Para o desenvolvimento do esquema de
tratamento teve-se em consideração os aspectos legislativos mencionados anteriormente, e o estado
de conservação das várias infra-estrut uras da ETA R.

Em conformidade com o definido recomenda-se que a solução de tratamento, para a fase líquida,
possa ser constituída por obra de entrada e reactor biológico por membranas.

52
A solução proposta prevê a aplicação e remodelação do actual esquema de t ratamento da E TA R de
Magoito (lamas activadas de arejamento prolongado) para um sistema de MB R. O sistema MB R será
instalado nos tanques (reactores biológicos) existentes.

Na fase s ólida, as lamas serão encaminhadas previamente para um tanque de lamas para, de
seguida, serem tratadas mecanicamente através de equipamento tipo “Monobelt”, que permite
realizar o espessamento e a desidratação das lamas. Este equipamento será descrito com maior
detalhe no capítulo 3.6.2.

A ETAR de Magoito passará a dispor do esquema de tratamento indicado na Figura 3.13.

Fase Líquida Legenda


Águas Residuais
Circuito Principal
Afluentes
Meio de
Bacia de Escorrências e drenados
disposição final
Gradados Retenção Circuito de lamas

EE Tratamento de Odores
Areias Gradagem
Gorduras Tamisador
Manual By-pass

Classificador
de Areias
Desarenador/
Fase Sólida
Separador de Desengordurador
Gorduras
Tanque de
Lamas

Tanque de Tanque de Lamas em


EE

Lamas
Regularização Membranas excesso

EE de Reservatório Monobelt
Escorrências (água de serviço)
e Drenados
Descarga – Ribeira da Mata
(Boca do Lobo) Meio de
disposição final
Figura 3.13 - Esquema de tratamento da solução adoptada (MBR).

No Desenho 4, V olume II, apresenta-se, com maior detalhe, o diagrama de blocos da soluç ão
adoptada.

3.4.7 R EABILITAÇÕES/REMODELAÇÕES PROPOSTAS

3.4.7.1 BACIA DE RET ENÇÃO


Será construída uma bacia de retenção que entra em funcionamento sempre que o sistema não
tenha capacidade para suportar “pontas” de caudais, ou para o caso de ser necessário isolar a E TA R
para realização de acções de manutenção.

Como já atrás referido, à cabeç a da E TA R prevê -se a construção de uma câmara de visita (caixa 1),
que terá a função de encaminhar a água para a obra de entrada (ou bacia de ret enção).

Da bacia de retenção a água residual bruta poderá ser encaminhada posteriormente para a estação
elevatória inicial.

53
Para colmatar event uais emergências, como seja um tempo de manutenção superior ao tempo de
retenção da bacia, prevê-s e a construção de um descarregador de superfície que encaminhará o
efluente directamente para a ribeira, evitando o galgamento da bacia de retenção.

A bacia de retenção será implantada entre o reactor biológico e a estação elevat ória actualmente
existentes.

3.4.7.2 ESTAÇÃO ELEVATÓRIA


A estação elevat ória inicial existente passa a ser utilizada apenas em casos esporádicos, quando a
bacia de ret enção entrar em funcionamento. Assim, a estação elevat ória passará a receber o efluente
proveniente da bacia de retenção e eleva-o para a obra de entrada.

O efluente, antes de ent rar na estação elevat ória, passa por uma câmara de visita (caixa 4), que
também já existe na E TA R. A caixa 4 actual já inclui um ces to de gradagem que será mantido, pois
permite uma gradagem prévia, o que facilita a conservação dos grupos electrobomba e aumenta o
respectivo rendimento.

Na estação elevatória serão efectuadas pequenas intervenções de reabilitação, como pintura,


selagem de eventuais fendas e substituição de serralharia danificada. O equipamento será
substituído e adaptado à actual função da estação elevatória.

3.4.7.3 OBRA DE ENTRADA


O tratamento preliminar inclui as operações de gradagem e desarenação/desengorduramento, que
visam a remoção dos s ólidos grosseiros, areias e gorduras, que podem c olocar em risco a eficiência
do tratamento ou mesmo danificar equipamentos.

O sistema MB R exige um trat amento preliminar bastante eficiente, para evitar que possam s er
danificadas as membranas. Tendo em conta este facto, optou-se por desactivar a obra de entrada
actual, uma vez que esta não garante a qualidade mínima do efluente suficiente para evitar danos
nas membranas.

Assim, prevê-se a construção de uma nova obra de entrada localizada no mesmo local da anterior,
mas disposta segundo a direcção S ul-Nort e. A nova obra de entrada será constituída pelos seguintes
órgãos: tamisação (gradagem manual no “by-pass”), desarenador/desengordurador e canal
“Parshall”.

À entrada da E TAR as águas residuais são descarregadas na câmara 1 que, em condições normais
de funcionamento, encaminha as águas para a obra de entrada. Na obra de entrada, se o circuit o se
der normalmente, as águas ficam sujeitas à tamisação. Caso contrário, são des viadas para o canal
de recurso (canal “by-pass”) onde será instalada a grade manual. A jusante do canal de recurso as
águas residuais poderão ser reencaminhadas novamente para a obra de entrada, para prosseguir o
tratamento, ou ser des viadas, através de um colector gravítico, para a bacia de retenção. No canal
principal, os gradados serão compactados e removidos mecanicamente de modo a reduzir
substancialmente o volume e t eor de humidade, sendo posteriorment e armaz enados em contentores
e transportados a destino final.

54
Em seguida o efluente é encaminhado para um canal “P arshall”onde se procede à medição do caudal
afluente à ETA R.

Segue-se a remoção de areias e gorduras, que ocorre no desarenador/desengordurador. Este órgão


é constituído por uma zona ventilada, na qual o ar proveniente dos difus ores (localizados no fundo),
assegura que só as partículas de areia acima de uma c erta dimensão sejam depositadas, e por uma
zona de repouso, na parte superior do desarenador, que permit e a acumulação superficial de óleos e
gorduras.

A areia depositada é arrastada, através de uma ponte raspadora, at é um pequeno poço, de onde é
bombada para um classificador de areias, at ravés de uma bomba centrífuga. No classific ador de
areias, a areia é separada da água e em seguida é armazenada em contentores apropriados. As
gorduras, acumuladas à superfície, são removidas por meio de um raspador de superfície preso à
ponte rolante que as conduz a uma caleira. Esta caleira estará ligada a um equipament o denominado
de separador de gorduras, onde se procede à extracção de grande parte da água que as gorduras
contêm. As fracções separadas são colocadas em contentor e transportadas a destino final e o
líquido é conduzido até à estação de escorrências e drenados para posteriormente volta r a entrar no
circuito de tratamento ao nível da obra de entrada.

Após o desarenador/desengordurador existirá um descarregador que conduz o efluente para uma


caixa final. Nesta caixa será nec essário que o efluente garanta carga suficiente para que consiga
atravessar uma c onduta em pressão (sifão), que inicialmente apresenta declive positivo, at é ao ponto
de cota menor, passando depois a apresentar declive contra-inclinado, até à c aixa de recepção de
caudal do reactor biológico.

3.4.7.4 TANQUE DE HOMOGENEIZAÇÃO


A caixa de recepção de caudal do reactor biológico encaminhará o afluente, a t ratar, por uma
tubagem até à caleira do reactor biológico. A caleira actual é c onstituída por quatro descarregadores
de orifício rectangular, dos quais dois serão desactivados pois fazem a ligação directa para o tanque
onde serão instaladas as membranas.

Na reabilitação do actual reactor biológico não serão efectuadas alterações a ní vel estrut ural, apenas
a nível de funcionalidade. A primeira linha de tratamento dos actuais tanques de arejamento será
utilizada como tanque de homogeneização, enquanto que a segunda permitirá a instalação do
sistema MBR. O local onde actualmente existem os decant adores e a estação elevatória de lamas,
será aproveit ado para a instalação dos equipamentos e acessórios associados ao sistema MBR.

O tanque de homogeneização tem como finalidade principal amortecer as flutuações de caudal,


reduzindo o factor de ponta.

No tanque de homogeneiz ação serão instaladas bombas submers íveis para elevação do efluente
para o tanque de membranas, e quatro agitadores para rearejamento e evitar a libertação de odores.

No tanque de homogeneização serão ainda efectuadas pequenas intervenções de reabilitação como


de pintura, selagem de eventuais fendas e a substituição de serralharia danificada.

55
3.4.7.5 TANQUE DE MEMBRANAS
É no tanque de lamas activadas que serão instaladas as membranas e onde serão garantidas todas
as condições óptimas para que o processo decorra com a melhor eficiência.

As membranas irão operar na gama de ult rafiltração, de modo a garantir elevados rendimentos de
remoção de sólidos suspensos e elevados graus de depuração. O equipamento operará no interior do
tanque de lamas activadas com elevadas concent rações de sólidos.

O efluent e tratado será extraído a partir do interior das membranas, enquanto que a biomassa se
manterá no interior do tanque. A conjugação do tratamento por membranas com a produç ão de lamas
activadas concent radas garante a elevada qualidade do permeado produzido, com baixas
concentrações de SS T, compostos orgânicos e nutrientes, bem como a sua desinfecção. A qualidade
do permeado é tal que permite a reutilização para rega de es paços verdes.

No tanque de membranas será ainda instalada uma bomba submers ível, para elevar as lamas até ao
tanque de lamas, no interior do edifício de lamas.

Após a filtração por membranas, o permeado é encaminhado por um colector gravítico até ao
reservat ório final.

3.4.7.6 R ESERVATÓRIO FINAL


O reservatório final, já existente, será reaproveitado para armaz enar a água tratada para reutilizações
na E TAR. A água tratada será bombada do reservatório final, por um grupo hidropressor que estará
ligado à rede de distribuição de água de serviço da E TA R. Esta água poderá ser utilizada para rega,
lavagem dos vários órgãos, equipamentos e pavimentos e descarga de aut oclismos.

3.4.7.7 ESTAÇÃO EL EVATÓRIA DE ESCORRÊNCIAS E DRENADOS


A estação elevatória de drenados e escorrências existente será ampliada para garantir a elevaç ão de
todos os drenados e todas as escorrências até à cabeça da E TAR (obra de entrada).

Os drenados e escorrências são provenientes do classificador de areias, separador de gorduras e do


tratamento de lamas. Para evitar a c onstrução de uma out ra estação elevat ória encaminharam-se as
águas residuais do edifício de apoio at é à estação elevat ória de escorrências e drenados, através de
um colector gravítico. Na câmara de visita anterior à estação elevatória (caix a 18), existirá um cesto
que permitirá a gradagem dos sólidos mais grosseiros que possam danificar a bomba.

3.4.8 D ESCRIÇÃO E CARACTERIZAÇÃO DOS EDIFÍCIOS DA ETAR

3.4.8.1 EDIFÍCIO DE TRATAMENTO DE LAMAS


Tendo em conta o tipo de tratamento que se pretende aplicar às lamas da E TA R de Magoito,
averiguou-se não ser viável o reaproveitamento do actual edifício de tratamento de lamas. Este
edifício apresenta um espaço bastante reduzido, face ao que é necessário.

Assim, os leitos de secagem e o actual edifício de tratamento de lamas serão demolidos , para permitir
a construção do novo edifício.

56
No interior deste novo edifício será construído o tanque de lamas e instalado o equipamento de
espessamento e desidrataç ão das lamas.

3.4.8.2 EDIFÍCIO DE APOIO


O edifício de apoio à ETA R de Magoito existente irá ser conservado, e como tal não irá sofrer
quaisquer alterações.

3.4.8.3 EDIFÍCIO DE APOIO AO SIST EMA MBR


Será construído um edifício de apoio ao sistema MB R, onde serão instalados os equipamentos e
peças de res erva necessários ao funcionamento e manutenç ão do sistema de membranas. O edifício
será construído no local dos decantadores secundários, que serão demolidos.

Nos Desenhos 6, 7 e 8, Volume II, apresentam-se respectivamente, a situação actual e a soluç ão


adoptada, a planta de implantação da solução adoptada e a respectiva planta de funcionamento da
ETA R.

3.5 DIMENSIONAMENTO HIDRÁULICO DO SISTEMA

3.5.1 FASE LÍQUIDA

3.5.1.1 BACIA DE RET ENÇÃO


As bacias de ret enção são estruturas que regularizam os caudais e amortecem as “pontas”, pelo que
contribuem para melhorar o comportamento do sistema.

Nesse sentido, a bacia de retenção para a E TA R de Magoito foi projectada não só para permitir
amort ecer os caudais de ponta, mas também facilitar qualquer acção de manutenção que s eja
necessário realiz ar na E TA R.

A bacia de retenção foi dimensionada para o caudal previsto do ano horizonte projecto (40 anos) e de
modo a garantir um tempo de retenç ão de aproximadamente 10 h. No Quadro 3.9 são apresentadas
as características da bacia de retenção.
Quadro 3.9 - Características da Bacia de Retenção.
Grandeza Símbolo Unidade Valor
Caudal médio (Ano 40) Qm m3/s 0.007
Tempo de retenção tr h 10
Largura do reservatório b m 6.50
Comprimento do reservatório L m 12.00
Área superficial As m2 78.00
Profundidade do reservatório p m 3.00
3
Volume do reservatório V m 234.00

Na bacia de retenção será instalado um descarregador de orifício rectangular com as características


apresentadas no Quadro 3.10.

57
Quadro 3.10 - Características do Descarregador da Bacia de Retenção.

Grandeza Símbolo Unidade Valor


Largura do descarregador b m 1.00
Altura do orifício h m 0.40

O descarregador funcionará em casos de emergência. Neste caso, as águas serão encaminhadas


através do descarregador para uma caixa de drenagem situada a jus ante da bacia de ret enção. Em
condições normais, as águas deverão ser descarregadas através de uma tubagem instalada na
soleira da bacia de retenção, à cota 8.99 m, em direcção à estação elevatória.

O Desenho 10, Volume II, apresent a a planta, cortes e pormenores da bacia de retenção.

3.5.1.2 R EABILITAÇÃO DA ESTAÇÃO EL EVATÓRIA


As águas residuais que irão afluir à bacia de retenção não irão apresentar as características
necessárias para s erem descarregadas directamente no meio receptor e, por este motivo, foi
necessário avaliar uma soluç ão para conduzir estas águas à cabeça da E TAR. Assim, foi previsto a
elevação destas águas, uma vez que a cota de soleira da bacia de ret enção é inferior à cota de
soleira da obra de ent rada (14.86 m). Considerou-se, como solução mais viável, o aproveitamento e
consequente reabilitação da antiga estação elevatória inicial.

A potência do grupo electrobomba foi determinada com base na expressão (3).

γ  Qe  H m
P  1.2  10 3 (3)
η
onde,
P - potência a instalar [k W];
Qe - caudal elevado [l/s];
Hm - altura manométrica [m];
η - rendimento do grupo [-];
3
 - peso volúmico [N/m ];
1.2 - coeficiente de segurança [-].
A altura manométrica foi det erminada tendo em conta o desnível geométrico (entre o nível mínimo do
poço e a cota de soleira da obra de entrada), e as perdas de carga cont ínuas e localizadas ao longo
do circuito. A perda de carga unitária foi obtida através da expressão de Hazen-Williams,
expressão (4).

v  0.849  c  R 0,63  J 0,54 (4)


onde,
 - velocidade na conduta elevatória [m/s];
1
c - coeficiente de Hazen-Williams [-] ;
R - raio hidráulico [m];
J - perda de carga unit ária [-];

1
Varia em função do material da conduta elevatória. No presente caso considerou -se 130, visto tratar-se de uma
tubagem em PP corrugado.

58
O volume do poço de bombagem existente garant e o bom funcionamento dos grupos electrobomba,
isto porque o volume mínimo necessário é inferior ao disponível. Assim, é possível garantir:

 o volume útil nec essário em função do núme ro de arranques por hora admitidos e do caudal
elevado:   15  Q  T ;
 a diferença de níveis entre as sondas correspondentes ao arranque dos grupos (mínimo de
15 cm);
 o nível mínimo no poço (função do tipo e características do grupo);
 a folga admitida em relação à entrada do afluente (considerada não inferior a 20 cm).

No Quadro 3. 11 apresenta-s e uma síntese dos valores obtidos e das constantes utilizadas para o
dimensionamento do grupo elevatório e do poç o de bombagem.
Quadro 3.11 - Dimensionamento do grupo elevatório: dados gerais.

Grandeza Símbolo Unidade Valor


Cota do terreno de implatação da EE Cterreno m 12.41
Cota de soleira à entrada da EE Csoleira m 8.55
Distância entre Csoleira à entrada EE e Cpoço bombagem d m 1.70
Cota da soleira do poço de bombagem Cpoço bombagem m 6.85
Cota da extremidade de jusante (OE) COE m 14.90
Comprimento da conduta elevatória L m 28.90
Desnível geométrico da conduta elevatória DN m 8.05
Peso volúmico da água  N/m 3
9800

No Quadro 3. 12 é apres entado um resumo das características do sistema elevatório projectado.


Quadro 3.12 - Características do Sistema Ele vatório.
Grandeza Símbolo Unidade Valor
Dimensão minima dos corpos sólidos Dsólidos mm 75
Caudal afluente à EE (Qponta - Ano 20) Qp l/s 23.90
Caudal afluente à EE (Qponta - Ano 40) Qp l/s 24.93
Caudal a elevar (Ano 20) Qe l/s 23.90
Caudal a elevar (Ano 40) Qe l/s 24.93
Diâmetro exterior da conduta elevatória De mm 180
Espessura da parede da conduta elevatória e CE mm 11
Diâmetro interior da conduta elevatória Di mm 159
Número de grupos em funcionamento ng - 1
Número de grupos em reserva nr - 1
Rendimento dos grupos elevatórios η - 0.45
Coeficiente de segurança (relativo à P grupo) FS - 1.2
Coeficiente da expressão de Hazen-Williams c - 130
Número de arranques admitidos por hora na - 10
Tempo entre arranques sucessivos t min 6
Velocidade máxima na conduta elevatória vmáx m/s 1.26
Perda de carga unitária na conduta elevatória J m/m 0.01093
Perda de carga contínua  H m 0.32
Perdas de carga localizadas  HL m 0.05
Perda de carga total  HT m 0.36
Altura manométrica (altura de elevação) he m 8.41
Potência a instalar P kW 5.25
Volume útil mínimo do poço de bombagem V m3 2.24

59
Neste caso, considerou-se um grupo elevatório operacional e um outro de res erva (1+1 grupos
electrobomba). Ambos deverão ser do tipo submersível, permitindo elevar um caudal de 24.9 l/s
(caudal de pont a do ano horizonte projecto), a uma altura de elevação de aproximadamente 24 m,
com uma pot ência de cerca de 5 k W.

As tubagens e acessórios da estação elevatória deverão ser em ferro fundido, não dispensando o
devido tratamento anti-c orrosivo, aplicado no interior e exterior.

3.5.1.3 OBRA DE ENTRADA

CANAL DE RECURSO
O dimensionamento do canal de gradagem manual inclui a determinação da largura do canal, que
depende e do tipo de grade a instalar. Será necessário cumprir os limites de velocidade, máxima e
mínima, de passagem na grade. Este facto é indispensável para garantir o bom funcionamento desta
etapa, evit ando a sedimentação da matéria orgânica no canal (incumprimento da velocidade m ínima)
e o arrastamento dos sólidos grosseiros (incumprimento da velocidade máxima).

A velocidade máxima de atravessamento não deverá exceder 0.8 m/s e nem deverá ser inferior a
0.5 m/s, para o caudal médio. Para o caudal de ponta, a velocidade de atravessamento deverá rondar
o valor 0.9 m/s.

Assim sendo, foram considerados os seguintes parâmet ros e critérios de dimensionamento:

 tipo de grade: grade média, de limpeza manual, inclinada a 45º relativamente à soleira do canal;
 um grau de colmatação máximo nas grades de 50% da secção de passagem;
 velocidade de aproximação às grades compreendida ent ra 0.5 e 0.8 m/s;
 velocidade máxima de passagem na grade, de 0.9 m/s;
 espaçamento entre barras de 27 mm;
3
 capitação média de produção de gradados 50 L/1000 m .

Para que a grade manual esteja instalada nas devidas condições, o canal de recurso deverá ter no
mínimo uma largura de 0.4 m, proporcionando as condições de escoamento apresentadas no Quadro
3.13.
Quadro 3.13 - Canal de recurso: Características geométricas e condições de funcionamento.
Características do canal a montante da grelha Unidade Valor
Rebaixamento após grelha m 0.10
Largura do canal m 0.40
Declive m/m 0.005
Coeficiente de rugosidade m1/3/s 85
Caudal médio (Ano 0) m3/s 0.005
Caudal de ponta (Ano 40) m3/s 0.025
Altura do escoamento (Qponta) m 0.07
Velocidade de escoamento (Qponta) m/s 0.85

O escoamento afluente ao canal de recurso será controlado por meio de um sistema de comportas.

60
CANAL PRINCIPAL
No canal principal da obra de entrada processar-se-á a gradagem mecânica através de um t amisador
construído em aço inoxidável, seguindo-se a medição de caudal. O tamisador permite remover os
sólidos grosseiros presentes na água residual afluente e efectuar a compactação dos mesmos,
direccionando-os para num contentor apropriado. Este equipamento será caracterizado com maior
detalhe no parágrafo 3.6.1. 2. A medição de caudal será efectuada através de um canal “Parshall”.

O canal principal deverá apresentar dimens ões suficientes de modo a assegurar uma adequada
instalação do tamisador e do canal “Parshall”, assim como o escoamento adequado dos caudais
afluentes. As características principais do canal principal estão indicadas no Quadro 3.14.
Quadro 3.14 - Canal principal: Características geométricas e condições de funcionamento.
Características do canal de montante do tamisador Unidade Valor
Rebaixamento após Tamisador m 0.05
Largura do canal m 0.40
Declive m/m 0.005
Coeficiente de rugosidade m1/3/s 85
Caudal médio (Ano 0) m3/s 0.005
Caudal de ponta (Ano 40) m3/s 0.025
Altura do escoamento (Qponta) m 0.07
Velocidade de escoamento (Qponta) m/s 0.85
O escoamento afluente ao canal principal será contr olado por meio de um sistema de comportas.

DESARENADOR/DESENGORDURADOR
Os processos de desarenaç ão e desengorduramento oc orrerão num tanque rectangular, a jus ante do
canal “P arshall”. O dimensionamento deste órgão realizou -se com base na gama de valores de
2
parâmetros específicos que se encontram definidos no Quadro 3.15 .
Quadro 3.15 - Valores indicativos para o dimensionamento do desarenador/desengordurador e respectivo
equipamento.
Grandeza Unidade Gama de Valores
3
Ar injectado por unidade de comprimento m /(m.min) 0.2 a 0.5
3 3 3
Quantidade de areia retida m /10 m 0.004 a 0.2
Tempo de retenção min 2a5
Profundidade m 2a5
Comprimento m 7.5 a 20
Largura m 2.5 a 7
Relação entre largura e profundidade - 1:1 a 5:1
Distância dos difusores ao fundo m 0.45 a 0.6

O desarenador/desengordurador projectado é do tipo canal, de fluxo helicoidal com secção


trapezoidal, e é dot ado de sistema de arejamento com insuflação de ar, servindo também para
separar a matéria orgânica.

No Quadro 3.16 apresentam -se os valores adoptados para o dimensionamento do


desarenador/des engordurador.
2
Adaptado de Metcalf & Edd y, 2003.

61
Quadro 3.16 - Valores adoptados para o dimensionamento do desarnador/desengordurador.
Grandeza Unidade Valor Adoptado
Diametro minimo das partículas removidas mm 0.15
3
Ar injectado por unidade de comprimento m /(m.min) 0.3
3 3 3
Quantidade de areia retida m /10 m 0.05
Tempo de retenção min 3
Temperatura ºC 22
Caudal de ponta (40 anos) m3/s 0.025
Através dos valores indicados obtiveram-se as características geomét ricas do
desarenador/des engordurador, que constam do Quadro 3.17.
Quadro 3.17 - Desarenador/desengordurador: Características geométricas.

Grandeza Unidade Valor Adoptado


Área por unidade de caudal m2/(103m3 .dia) 1.50
Bordo livre m 0.10
Profundidade m 1.70
Comprimento m 4.00
Largura m 1.00
Relação entre largura e profundidade - 1:4
Área de sedimentação m2 4.00
Volume m3 6.80
Note-se que os valores da profundidade, comprimento e largura não se encont ram dentro da gama de
valores indicada no Quadro 3.15. Este facto é justificado pelo facto do caudal de dimensionamento
ser ligeiramente inferior aos caudais indicados na literatura.

Por fim, apres entam-se, no Quadro 3. 18, as condições de funcionamento previstas para o
desarnador/ desengordurador.
Quadro 3.18 Desarenador/desengordurador : Condições de funcionamento.
Grandeza Unidade Valor Adoptado
Tempo de retenção min 4.5
Ar ejectado m3/dia 1728
Areia removida m3/dia 0.108
No Desenho 11 do Volume II apresenta-se a planta, cortes e pormenores da obra de entrada.

3.5.1.4 R EACTOR BIOLÓGICO

TANQUE DE HOMOGENEIZAÇÃO
Em conformidade com o referido anteriormente, o tanque de homogeneização será reabilitado, mas
não sofrerá modificações a nível de estrutura e características geométricas.

As características geométricas e condições de funcionamento previstas para o tanque de


homogeneização são indicadas, respectivamente, no Quadro 3.19 e Quadro 3.20.

62
Quadro 3.19 - Tanque de homogeneização: Características geométricas.
Características do Tanque existente Símbolo Unidade Valor
Formato Paralelipipedo quadrado
Lado da base L m 10.00
Profundidade p m 4.00
Área superfícial As m2 100.00
Volume V m3 400.00
Bordo livre* Δl m 0.50
Altura total hmax m 4.50
* Valor estimado

Quadro 3.20 - Tanque de homogeneização: Características de funcionamento.


Caracteristicas do Tanque existente Símbolo Unidade Valor
Tempo de retenção (Ano 40, Qp) trmín h 4.5
Tempo de retenção (Ano 40, Qm) trméd h 16.8
Tempo de retenção (Ano 0, Qm) trmáx h 24.4

TANQUE DE MEMBRANAS
O tanque de membranas também será somente reabilitado e não sofrerá modificações a nível de
estrutura. As características geométricas que o tanque de membranas apresenta são iguais às
características geomét ricas do tanque de homogeneização ( Quadro 3.19).

As condições ideais de funcionamento do tanque de membranas serão as apresentadas no Quadro


3.21.
Quadro 3.21 - Tanque de membranas: Condições de funcionamento.
Grandeza Unidade Valor
3
Caudal médio diário m /dia 571.6
3
Caudal médio horário m /h 23.8
Factor de ponta - 1.8
MLSS mg/l 10
Produção de lamas Kg MS/kg CBO5 0.6
Azoto nas lamas em excesso % 6.0
No Desenho 12 do Volume II apresenta-se a planta, cortes e pormenores do reactor biológico.

3.5.1.5 R ESERVATÓRIO FINAL


Apenas serão efectuadas intervenções de reabilitação no reservatório final , sem modificações a nível
estrutural.

As características geométricas e condições de funcionamento previstas do reservatório final


apresentam -se no Quadro 3.22 e Quadro 3.23, respectivamente.
Quadro 3.22 - Reservatório final: Características geométricas.
Gradezas Unidade Valor
Formato Paralelipipedo quadrado
Largura do reservatório m 6.00
Comprimento do reservatório m 8.50
Área do reservatório m2 51.00
Profundidade do reservatório m 1.50
3
Volume do reservatório m 76.50

63
Quadro 3.23 - Reservatório final: Condições de funcionamento.
Caracteristicas do Tanque existente Símbolo Unidade Valor
Tempo de retenção (Ano 40, Qp) trmín h 0.9
Tempo de retenção (Ano 40, Qm) trméd h 3.2
Tempo de retenção (Ano 0, Qm) trmáx h 4.7
No Desenho 13 do Volume II apresenta-se a planta, cortes e pormenores do reservat ório final.

3.5.1.6 ESTAÇÃO ELEVATÓRIA DE ESCORRÊNCIAS E DRENADOS


As características geométricas da estação elevatória de escorrências e drenados são condicionadas
pela cota mínima de soleira de chegada dos colectores afluentes e pelas condições de funcionamento
dos grupos electrobomba.

As principais características geomét ricas da estação de tratamento são apresentadas no Quadro


3.24.
Quadro 3.24 - Estação elevatória de escorrências e drenados: Características geométricas .
Grandeza Unidade Valor
Cota do terreno de implatação da EE m 13.88
Cota de soleira do colector condicionante m 8.45
Cota de soleira do poço m 6.85
Distância entre as soleiras do colector e do poço m 1.60
Cota de soleira da Obra de Entrada m 14.86
Comprimento da conduta elevatória m 13.00
Desnível geométrico da conduta elevatória m 8.01
Cota de soleira da câmara de manobras m 12.22
No Desenho 14 do Volume II apresenta-se a planta, cortes e pormenores da estação elevatória de
escorrências e drenados.

3.5.2 FASE SÓLIDA

3.5.2.1 EDIFÍCIO DE LAMAS

TANQUE DE LAMAS
As lamas produzidas no tratamento biológico podem ser classificadas em lamas em excesso e em
lamas recirculadas. As lamas produzidas em excesso no tratament o biológico, serão elevadas do
fundo do t anque de membranas até ao tanque de lamas que será instalado no edifico de lamas. Este
tanque será coberto de forma a controlar os efeitos da libertação de eventuais odores.

Os critérios e parâmetros de dimensionamento adoptados apresentam -se no Quadro 3.25.


Quadro 3.25 - Valores adoptados para o tanque de lamas.
Grandeza Símbolo Unidade Valor Adoptado
Tempo de retenção Tr dias 3
3
Caudal médio de lamas Qlamas m /dia 11.05
Volume mínimo V m3 33.14

As características geométricas do tanque de lamas apresent am-se no Quadro 3.26.

64
Quadro 3.26 - Tanque de lamas - características geométricas.
Grandeza Símbolo Unidade Valor
Largura/comprimento b/L - 1
Largura b m 3.10
Profundidade p m 3.50
Volume V m3 33.64
Os Desenhos 15 e 16, V olume II, apresentam os alçados e a planta, cortes e p ormenores do edifício
de tratamento de lamas.

3.5.3 PERFIL HIDRÁULICO E PERFIS LONGITUDINAIS


No estudo hidráulico efectuado foram tidos em consideração os condicionamentos impostos pelas
infra-estruturas existentes e pela topografia do terreno, nomeadamente:

 cota de soleira do emissário a montant e da E TAR – 16.12 m;


 cota de soleira da caixa de recepção de caudal do reactor biológico – 12.50 m;
 cota do nível do leito da ribeira – 8.00 m.

O troço que promove a ligação ent re a obra de entrada e o tanque de homogeneizaç ão será mantido.
O funcionamento deste troç o, em pressão, condicionou o circuito da fase líquida a montante, pois,
para que o escoamento s e dê neste troço é necessário garantir c arga hidráulica suficiente a
montant e, na caixa final da obra de entrada.

ASPECTOS CONSTRUTIVOS
Relativamente ao assentamento das tubagens ou colectores, este deve ser realizado em
conformidade com os perfis longitudinais e com os pormenor es apresentados nos Desenhos 22, 25 e
26, do Volume II. Recomenda-se, para este efeito, que se proceda à implantação de marcos
indicadores de altimetria e planimetria, ao longo do traçado. Este procedimento será da
responsabilidade do Empreiteiro e deverá ser aprovado pela Fiscalização. Como tal, o Empreiteiro
deverá respeitar os procedimentos usuais para este tipo de operações e dispor do equipamento
necessário. Caso a Fiscalização assim o entenda, as tubagens serão envoltas em saibro ou areia
devidamente compactada.

As coordenadas das câmaras de visita, que se apres entam nas plantas respectivas, devem ser
cumpridas, independentemente do posicionament o, não muit o rigoroso, dos colectores nas plantas.

O traç ado dos perfis longitudinais dos colectores gravíticos e c ondutas elevatórias da E TA R s ão
apresentados nos Desenhos 17, 18 e 19, Volume II. O perfil hidráulico da E TA R de Magoito é
apresentado no Des enho 9, Volume II.

3.5.4 ARRUAMENTOS E VEDAÇÃO


No âmbito da modelação dos terrenos da E TA R prevê-s e a execução de terraplanagens de acordo
com os desenhos.

Os acessos ao edifício de desidratação de lamas e à obra de entrada devem ser regularizados,


procedendo-se à beneficiação e alargamento do caminho junto a essas infra -estruturas. Os restantes
acessos às outras infra-estruturas deverão ser devidamente reabilitados.

65
A vedaç ão do recinto e o portão actuais da E TAR apresentam -se em mau estado de conservação e
por este motivo aconselha-se a sua substituição, conforme se apresenta no Desenho 2 1 do
Volume II.

3.5.5 R EDE DE “ ÁGUA DE SERVIÇO”


Para além das infra-estrut uras já mencionadas, foi também projectada a rede de “água de serviço” da
ETA R de Magoito para a reutilização da água residual tratada. Para t al, deverá ser instalado um
grupo hidropressor na caseta existente, anexa ao res ervatório final.

Esta água servirá essencialmente para a limpeza de órgãos, equipamentos e arruamentos e ainda
para a rega dos jardins da E TA R. Para consumo humano, s erá mantida a rede de água potável
existente.

O traçado da rede de distribuição da “água de serviço” é apresentado no Desenho 2 0 do Volume II.

3.6 EQUIPAMENTO EL ECTROMECÂNICO

3.6.1 FASE LÍQUIDA

3.6.1.1 ESTAÇÃO EL EVATÓRIA DE BY -PASS

GRUPOS ELECTROBOMBA
Segundo o dimensionamento efectuado é indicado que se proceda à substituição do grupo
electrobomba da estação elevatória de “by-pass”. Será instalado um grupo electrobomba do tipo
submers ível, adequado para águas residuais. O cesto de gradagem existente na E TA R (localizado
imediatamente a mont ante da estação elevat ória “by-pass”) encontra-se em boas condições, quer de
conservação quer de funcionamento, e por este motivo será mantido para prot eger o grupo
electrobomba.

O grupo electrobomba deverá apresentar características que constam no Quadro 3.27.


Quadro 3.27 - Grupo electrobomba da estação elevatória de “by-pass”: Características.

Grandeza Símbolo Unidade Valor


Potência P kW 5.50
Diâmetro da tubagem D mm 100.00
Pressão máxima pmáx bar 6.00
Caudal máximo Qmáx l/s 25.00
Altura manométrica máxima Hm m 9
Consumo energético E kWh/a 6001

Deverá ser armazenado, no edifico de apoio, um grupo electrobomba de reserva que funcionará no
caso de avaria do grupo instalado. Este grupo electrobomba deverá apresentar as mesmas
características que as que estão apres entadas no Quadro 3. 27.

66
3.6.1.2 OBRA DE ENTRADA

COMPORTAS E VÁLVULAS
Serão instaladas c omportas manuais na obra de entrada, para permitirem o isolamento do canal
principal ou do canal de rec urso. As comportas serão em aç o inox AIS I 304.

A jusante do canal de recurso será instalada uma válvula mural para impedir ou accionar o des vio da
água para “by-pass”. Este tipo de válvula á constituído por um tabuleiro metálico rectangular que se
desloca na vertical e é guiado lateralmente. O tabuleiro em aço inox é apoiado e embebido numa
soleira quando a válvula está fecha da. No caso em estudo, a válvula será accionada manualmente
por meio de um volante. As características das válvulas murais que se encontram na caixa 1, 4 e 9,
são idênticas à descrita anteriormente.

No Desenho 23 e 24 do Volume II apresenta-s e a planta e cortes das caixas 1, 4 e 9.

GRADE MANUAL
Nos Quadros 6.2 e 6.3 apresentam-se, respectivamente, as características geométricas e as
velocidades de projecto da grade manual.
Quadro 3.28 - Grade manual: Características geométricas.
Grandeza Símbolo Unidade Valor
Espessura das barras eb m 0.01
Espaçamento entre barras bg m 0.027
Comprimento das barras Lg m 0.05
Número de barras a instalar nb - 12
Número de espaços ne - 12
Largura efectiva do canal, na grade be m 0.32
Largura teórica do canal bteórica m 0.43

Quadro 3.29 - Grade manual: Velocidades estimadas.


Grandeza Símbolo Unidade Valor
Velocidade teórica de aproximação às grades va m/s 0.37
Velocidade de atravessamento na grade v m/s 0.50
Velocidade de atravessamento na grade (colmatação de 50%) v50% m/s 0.79

Note-se que se optou por uma grade manual média, para reduzir o risco de danos nas membranas.
As grades deverão s er construídas em aço inox AISI 304 e a secção trans versal deverá s er
rectangular. Com as grades manuais deverão ser fornecidos ancinhos de limpeza.

TAMISADOR
A gradagem mecânica prevista no canal principal será realizada através de um tamisador. O
tamisador previsto será constituído por um cilindro formado por grelha ou chapa perfurada e por um
parafuso sem -fim, vertical. Tant o a grelha como a chapa perfurada garantem a retenção de s ólidos
com diâmet ro superior a 3 mm e possuem um pente de limpeza automática. O parafuso sem fim
permite o transporte e compactação dos sólidos, que serão descarregados num contentor anexo ao
tamisador. Deste modo, o tamisador garante não só a gradagem mecânica, mas também o transporte
e compactação dos res íduos sólidos.

67
Este equipamento electromecânico deverá ser igual ou equivalente ao tamisador da Huber
®
Technology Rotamat , modelo R09 de 300 mm, cujas características principais são indicadas no
Quadro 3.30.

Quadro 3.30 - Tamisador : Características geométricas e condições de funcionamento.


Características do Tamisador Unidade Valor
Marca aconcelhada - Huber Rotamat®
Modelo - R09 - 300 mm
Nº de unidades instaladas - 1
Tipo de instalação - inclinado
Material - Aço Inox
Diâmetro do tambor mm 300
Espassamento entre barra mm 3
Ângulo da instalação ° 40
Altura máxima de água no canal m 0.495
Comprimento total m 5.1
Superficie filtrante apresentada m2 0.5
Caudal máximo l/s 120
O tamisador será ainda constituído por um sistemas para ensacagem hermética de resíduos,
lavagem automática da zona de prensagem e válvula de isolament o do tipo guilhotina com haste
prolongada, peanha e volant e de manobra.

MEDIÇÃO DE CAUDAL
A jusante da gradagem mecânica encont ra-s e, no canal principal, um medidor de caudal em canal do
tipo “Pars hall”.

Para o dimensionamento do canal “Parshall” recorreu-se à expressão (5).

(5)
onde:
3
Q – caudal de afluente (m );
Keu – constantes adimensionais;
h – altura de escoamento (m).
Os critérios de dimensionamento considerados para o dimensionament o do canal “P arshall”
apresenta-se no Quadro 3.31.
Quadro 3.31 - Critérios de dimensionamento do canal “Parshall”.
Critérios de dimensionamento Símbolo Unidade Valor
Caudal máximo Qmáx m3/s 1.11E-01
Caudal mínimo Qmín m3/s 1.50E-03
Altura mínima hmín m 0.03
Altura máxima hmáx m 0.45
Submergência (h´/h) S - 0.60
O canal “P arshall” deverá verificar os critérios de dimensionamento (no ano 0, no ano 20 e no ano 40)
e também deverá apresentar dimensões compat íveis com o canal principal.

Após efectuadas várias iterações averiguou-se que o c anal “Parshall” mais adequado a este caso é o
tipo 6’’ (6 polegadas), cujas características geométricas se encontram definidas no Quadro 3.32.

68
Quadro 3.32 - Características geométricas do canal “Parshall”.
Caracteristicas geométricas Símbolo Unidade Valor
Expressão - - Q=Khu
Designação - - Parshall de 6´´
Parâmetro K K - 0.38
Parâmetro u u - 1.58
Largura a montante bm mm 397.0
Largura na zona crítica bc mm 152.4
Largura a jusante bj mm 394.0
Comprimento da zona convergente L< mm 610.0
Comprimento da zona crítica Lc mm 305.0
Comprimento da zona divergente L> mm 610.0

As condições de funcionamento do “P arshall” desde o ano zero até ao ano horizont e projecto,
apresentam -se no Quadro 3.33.
Quadro 3.33: Condições de funcionamento do canal “Parshall”.
Condições de Funcionamento
Qafluente h
Ano
m 3/s m
Verão
Qm 0.005 0.068
2008
Qp 0.021 0.158
Qm 0.006 0.075
2028
Qp 0.024 0.173
Qm 0.007 0.077
2048
Qp 0.025 0.178
Inverno
Qm 0.005 0.061
2008
Qp 0.018 0.144
Qm 0.005 0.068
2028
Qp 0.021 0.160
Qm 0.006 0.070
2048
Qp 0.022 0.165

Associado ao medidor de c audal “P arshall” será ainda instalada uma sonda de nível do tipo
ultrasónic o. A sonda de nível permite monitorizar continuamente a altura das águas residuais,
efectuando a conversão automática de nível para caudal e emitindo sinais para registo à distância no
sistema informático de gestão e controlo. O sistema transmissor cons iste num transdutor electrónico
que detecta o nível do líquido no canal “Parshall”, e de um conversor electrónic o que dará um sinal
analógico proporcional à altura de escoamento no canal. O transdutor será montado numa cons ola
metálica, sobre o canal, respeitando as distâncias indicadas pelo fabricant e. As unidades electrónicas
serão instaladas em caixa estanque com protecção adequada.

SISTEMA DE INJECÇÃO DE AR - ELECTROCOMPRESSOR


Os critérios de dimensionamento do electrocompressor e do difusor a utilizar encontram -se definidos
no Quadro 3.34.

69
Quadro 3.34 - Quantidade de ar.
Quantidade de ar Símbolo Unidade Valor
Ar injectado por unidade de comprimento α L/(m.s) 7.50
Factor de segurança FS - 1.50
Caudal de Ar Qar l/s 19.13

O sistema de injecção de ar será constituído por um conjunto de difusores de bolha grossa em


borracha e respectivas t ubagens. Os difusores deverão ser instalados junt o a uma das paredes do
desarenador/des engordurador. As características indicadas para o sistema de injecção de ar
apresentam -se definidas no Quadro 3.35.
Quadro 3.35 - Características do sistema de injecção de ar.
Características Símbolo Unidade Valor
Distância de instalação relativa ao fundo d m 0.60
Espaçamento entre difusores ddif m 0.40
Direcção do fluxo de ar - - De baixo para cima
Nº de difusores de bolha grossa - - 8.00
Vazão em cada difusor Qar l/s 2.39
Tubagem de ar
Caudal de ar Qar m3/min 1.15
Velocidade máxima vmax m/min 500.00
Área necessária Anec m2 0.002
Diâmetro necessário Dnec mm 54.06
Diâmetro comercial mais próximo Dcom mm 50.00
2
Área real Areal m 0.004
Velocidade real vreal m/min 292.21
Distribuidor
Caudal de cada difusor Qar m3/min 0.14
Diâmetro comercial mais próximo Dcom mm 20.00
Área real Areal m2 0.001
Velocidade real vreal m/min 228.29
O electroc ompressor de ar deverá ser do tipo soprador e será dimensionado para o caudal de
3
68.85 m /h e uma pressão de 300 mbar. Este equipamento será dot ado de um sistema de controlo de
ruídos (canópia acústica) para minimizar a emissão de ruídos.

CLASSIFICADOR DE AREIAS
A remoção das areias depositadas no fundo é feita por uma pont e raspadora que se desloca
longitudinalment e ao longo do desarenador e encaminha as areias para um poço a montante do
canal. As areias são extraídas do poço por meio de um sistema de “air lift” e são drenadas para um
classificador de areias que será instalado ao lado do canal. O classificador de areias fará a separaç ão
das areias do líquido e a lavagem e extracção das areias através de um parafuso sem fim, para um
contentor anexo. As águas resultantes do processo são descarregadas através de um sistema de
“overflow” para um colector de ligação à caixa 14.

70
SEPARADOR DE GORDURAS
A remoç ão das gorduras e sobrenadantes, do desarenador/desengordurador, é feita através de um
raspador de superfície acoplado à pont e referida, sendo posteriormente enc aminhados para uma
calha colectora, no topo do canal, e em seguida conduzidos para um separador de gorduras instalado
em caixa metálica em aço inox.

A remoção das gorduras é feita através de um s eparador mecânico, constituído por um sistema de
correntes associado a um raspador de superfície que desbasta a superfície do líquido e deposita as
gorduras no contentor de recolha. As gorduras serão descarregadas di rectament e em contentor,
anexo ao separador de gorduras, enquant o que as escorrências são des viadas para a caixa 13.

3.6.1.3 R EACTOR BIOLÓGICO

AGITADORES
De modo a homogenizar, do ponto de vista de parâmetros de qualidade, a água residual no interior
do tanque, serão instalados três agitadores submersíveis. Cada agitador será instalado junto a um
canto do tanque de homogeneização de modo a também minimizar a sediment ação ao longo do
tanque e a acumulação de sólidos nos cant os do tanque de homogeneização. Os agitadores deverão
apresentar as características apresentadas no Quadro 3.36.
Quadro 3.36 - Características dos agitadores.
Características Unidade Valor
Número de agitadores - 3
Potência nominal do motor kW 1.50
Diâmetro da hélice m 0.21
Velocidade de rotação da hélice rpm 1 350

Os agitadores e res pectivos acoplamentos deverão ser em aço inox A IS I 316L, excepto a câmara de
óleo e cobert ura da hélic e que deverá ser em “vinylester” SMC CR30.

GRUPO ELECTROBOMBA DO TANQUE DE HOMOGENEIZAÇÃO


No tanque de homogeneização será instalado um grupo electrobomba do tipo submersível num dos
cantos do órgão que efectuará a transição do afluente para o tanque de membranas. O grupo será
adequado para águas residuais e deverá ser equipado com mot or estanqu e de classe de protecção
adequada.

O grupo electrobomba deverá garantir as características apresentadas no Quadro 3.37.


Quadro 3.37 - Grupo electrobomba do tanque de homogeneização: Características.
Grandeza Símbolo Unidade Valor
Potência P kW 4.00
Diâmetro da tubagem D mm 100.00
Pressão máxima pmáx bar 6.00
Caudal máximo Qmáx l/s 25.50
Altura manométrica máxima Hm m 5.52
Consumo energético E kWh/a 4538

A conduta de elevação deverá ser devidament e amarrada nas paredes do reactor biológico.

71
Deverá s er armazenado, no edifico de apoio, um grupo electrobomba de reserva que s ubstituirá, em
caso de avaria, o grupo instalado. Este grupo electrobomba deverá apresentar as mesmas
características que as apresentadas no Quadro 3.37.

MEMBRANAS
As membranas escolhidas foram as planas submers íveis, pois para além de apresentarem as
vantagens descritas do capítulo 2.3.2.3, são as que apresentam, de ac ordo com a informaç ão
disponível, maior fiabilidade.

Para o dimensionament o das membranas é necessário ent rar em linha de conta com os dados
indicados no Quadro 3.38.
Quadro 3.38 - Critérios de dimensionamento das membranas.

Ano
Critérios de dimensionamento Unidade 2028 2048
Caudal médio diário m3/dia 547.9 571.6
Caudal médio horário m3/h 22.8 23.8
Factor de ponta - 1.8 1.8
3
Dimensões do tanque m 10×10×4
As membranas a instalar no t anque de membranas deverão ser do Modelo EM A ISI 316D da Kubota,
ou equivalente. As características das membranas do Modelo EM AIS I 316D s ão indicadas no
Quadro 3.39.
Quadro 3.39 - Características das membranas.
Características das membranas Unidade Valor
Modelo - Modelo EM AISI 316D
Módulos de membranas de microfiltração - 4.0
2
Superfície de membrana por módulo m 250.0
2
Superfície de membrana total m 1000
2
Carga hidráulica adequada l/m /h 23
Concentração de sólidos na camara das membranas g/l 11
Número de câmaras de membranas - 1.0
Número de linhas de módulos por câmara - 1
Largura da câmara m 5
Comprimento da câmara m 4.6
Altura da câmara m 3.8
Volume útil de cada câmara das membranas m3 78.7

GRUPO ELECTROBOMBA DE LAMAS


No tanque de membranas será instalado um grupo electrobomba do tipo submers ível num dos cantos
do órgão, que elevará as lamas em excesso para o tanque de lamas, no edifício de lamas. O grupo
electrobomba será adequado para águas residuais e deverá ser equi pado com motor estanque de
classe de protecção adequada. Neste caso, como o fluido em análise é c onstituído por lamas,
3
considerou-se, no dimensionamento, um peso volúmico do líquido de 1029 0 N/m (densidade das
lamas de 1.05).

Para o dimensionamento do grupo electrobomba de lamas, é necessário avaliar a quantidade de


lamas produzida ao longo do período de vida útil da obra (ver Quadro 3.40).

72
Quadro 3.40 - Produção de lamas em excesso.
Condições de Funcionamento
Ano Produção de Lamas em excesso
Verão
β m3/dia 8.0
2008
β l/s 0.09
β m3/dia 9.9
2028
β l/s 0.11
β m3/dia 11.0
2048
β l/s 0.13
Inverno
β m3/dia 6.7
2008
β l/s 0.08
β m3/dia 8.7
2028
β l/s 0.10
β m3/dia 9.8
2048
β l/s 0.11
O grupo electrobomba foi dimensionado para o caudal do ano horizonte projecto, durante a época
balnear que é a mais des vantajosa. Assim, o grupo deverá apresentar as características do Quadro
3.41.
Quadro 3.41 - Grupo electrobomba de lamas: Características.
Grandeza Símbolo Unidade Valor
Potência P kW 1.30
Diâmetro da tubagem D mm 80.00
Pressão máxima pmáx bar 6.00
Caudal máximo Qmáx l/s 0.29
Altura manométrica máxima Hm m 8.67
Consumo energético E kWh/a 1245

A conduta de elevação, na fase inicial, deverá ser devidament e amarrada às paredes do t anque de
membranas e no trajecto final, às paredes do edifico de lamas.

Deverá s er armazenado, no edifico de apoio, um grupo electrobomba de reserva que s ubstituirá, em


caso de avaria, o grupo instalado.

3.6.1.4 ESTAÇÃO EL EVATÓRIA DE ESCORRÊNCIAS DE DRENADOS

CESTO DE GRADAGEM
Uma vez que a estação elevatória de escorrências e de drenados recebe não só as escorrências e
drenados, mas também as águas residuais provenientes do edifício de apoio, projectou-se um cesto
de gradagem que será instalado na c aixa de visita (caixa 18), imediatamente a montante da estação.
Este equipamento permite a retenção de sólidos grosseiros que poderiam reduzir a eficiência ou
mesmo danificar o grupo electrobomba. O cesto de gradagem deverá apresentar a forma de obelisco
com base rectangular, sendo perfurado em t odas a faces. Para garantir o bom funcionamento do
2
grupo elevatório, cada secção de vazão do cesto deverá possuir, no máximo, 900 mm
(30mm×30mm). Este cesto deverá ser construído totalmente em aço inox AIS I 316 e de verá possuir
uma tampa no fundo para facilitar a descarga dos detritos para o contentor. A operação de limpeza do
cesto deverá ser realizada periodicamente, para evitar a acumulação excessiva de detritos.

73
As dimensões finais do cesto deverão ser definidas pelo fornecedor, tendo em cont a o Desenho 24
do Volume II.

GRUPO ELECTROBOMBA
O grupo electrobomba deverá ser do tipo submers ível adequado para águas residuais e deverá s er
equipado com mot or estanque de classe de protecção adequada. O grupo deverá apresentar as
características do Quadro 3.42.
Quadro 3.42 - Grupo electrobomba de escorrências e drenados: Características.
Grandeza Símbolo Unidade Valor
Potência P kW 1.30
Diâmetro da tubagem D mm 80.00
Pressão máxima pmáx bar 6.00
Caudal máximo Qmáx l/s 0.23
Altura manométrica máxima Hm m 8.68
Consumo energético E kWh/a 1245

Deverá ser armaz enado, no edifico de apoio, um grupo electrobomba de res erva que substituirá, no
caso de avaria, o grupo instalado. Este grupo electrobomba deverá apresentar as mesmas
características que as que estão apres entadas no Quadro 3. 42.

3.6.2 FASE SÓLIDA

MONOBELT
Para o tratamento de lamas prevê-se a utilização de equipament o “Monobelt” ou equivalente, porque
se trata de um equipamento compacto que realiza o espessamento e a desidratação das lamas.
Admite lamas com concentrações entre 0.5% e 15%. Para o dimensionamento deste equipamento
• Nº de u
recorreu-se aos critérios de dimensionamento apresentados no Quadro 3.43.
Quadro 3.43 - Monobelt: Critérios de dimensionamento. • Capaci

Critérios de dimensionamento Unidade Valor • Largur


Tempo de funcionamento do equipamento numa semana h 40
Caudal médio de lamas afluente ao tanque de lamas m3/dia 11.05 • Conce n
Volume de lamas armazenadas numa semana m3 77.32 • Conce n
O Monobelt ou equipamento equivalente deverá apres entar as características de funcionamento e
geométricas apresentadas no Quadro 3.44.

Quadro 3.44 - Monobelt: Características de funcionamento e geométricas.


Características Unidade Valor
Funcionais
Caudal médio de lamas m3/h 1.93
Capacidade máxima 3 8.00
m /h
Concentração de lamas à entrada % 1,5
Concentração de lamas à saida % >20
Geométricas
Largura da banda m 0.8
Potência da banda kW 0.70
Potência da bomba de lavagem kW 2.20
Peso do Monobelt kg 1100

74
A alimentação das lamas em excesso ao Monobelt deve ser realizada recorrendo a uma bomba do
3
tipo parafus o excêntrico, de velocidade variável, com a capacidade de 2. 0 a 8.0 m /h à pressão de
2
2.0 k gf/cm . O motor de accionamento apresentará velocidade variável e uma potência de 2.2 k W.

Na Figura 3.14 pode visualizar-se o equipamento Monobelt e o “bolo” resultante do tratamento de


lamas, que deverá ser encaminhado para um contentor próprio.
Vista frontal do Monobelt

Bolo resultante

Figura 3.14 – Vista frontal do equipamento “Monobelt”.

UNIDADE DE PREPARAÇÃO E INJECÇÃO DE POLIELECTRÓLITO


A unidade de preparação deverá ser do tipo semi-automático c onstituída por uma cuba com a
capacidade total de 1000 l, equipada com electroagitador, com veio e pás em aç o inox.

Na zona injecção do polielectrólito, na tubagem de lamas, à entrada do espessador, deverão s er


instaladas duas bombas doseadoras, do tipo parafuso excêntrico, de velocidade variável, como se
verifica pelo desenho 16 do V olume II. As bombas mencionadas deverão apresentar as
características indicadas no Quadro 3.45.

Quadro 3.45 Características das bombas doseadoras.


Características das bombas Unidade Valor
Caudal mínimo l/h 10
Caudal máximo l/h 40.00
Pressão kg/cm2 2.00
Potência do motor kW 0.37
Classe do motor IP54
Velocidade Variavel

CONTENTOR PARA ARMAZENAMENTO DE LAMAS


O armazenamento do bolo, resultante da desidratação de lamas, será efectuado num content or
normalizado, adequado para o efeito. P ara o dimensionamento do cont entor considerou-se um tempo
de ret enção de duas semanas. As características deste contentor constam do Quadro 3.46.
Quadro 3.46 - Armazenamento de lamas desidratadas: características.
Grandeza Unidade Valor
Tipo - Contentor
Número de unidades - 1
Capacidade unitária máxima m3 6

No Quadro 3. 47 apresentam -se as condições de armazenamento de lamas desidratadas.

75
Ano Lamas desidra- TRH

Verão
Quadro 3.47 - Armazenamento de lamas desidratadas: condições de funcionamento.
2003 1.49 12.1
Lamas desidratadas Tempo máximo de 2023 1.46 12.3
Ano
(m 3/dia) retenção (dias uteis) 2043 1.45 12.4
Verão Inverno
2008 0.30 20.00 2003 1.30 13.8
2023 1.28 14.1
2028 0.37 16.11
2043 1.27 14.2
2048 0.41 14.48
Inverno
2008 0.25 23.79
2028 0.32 18.49
2048 0.37 16.38

3.7 ESTIMATIVA DE INVESTIMENTO INICIAL


A estimativa de custos para a E TA R de Magoito foi realizada tendo em conta os encargos relat ivos ao
investimento inicial, incluindo construção civil e equipamento. A estimativa orçamental foi efectuada
com base na medição dos trabalhos necessários à reabilitação da E TAR e está det alhada no Anexo
1. No c aso da tecnologia de membranas (MBR) foram consultados quatro fornecedores, tendo sido
considerado como preço unitário deste item a média ponderada dos quatro valores analisados. Os
valores apresentados no Quadro 3.48 correspondem a uma s íntese da estimativa de investiment os,
de construção civil e equipamento, para a E TAR de Magoito.

Quadro 3.48 - Síntese do orçamento.


Resumo do Investimento Inicial
Trabalhos Preliminares
Estaleiro 25 000 €
Trabalhos Preparatórios 15 000 €
Acessos, Arruamentos e Arranjos Exteriores 16 700 €
Trabalhos Finais 3 500 €
Reabilitação da ETAR
Bacia de Retenção e reabilitação da Estação Elevatória 82 000 €
Obra de Entrada 102 900 €
Reactor Biológico 549 300 €
Tratamento de Lamas 198 700 €
Estação Elevatória de escorrências e drenados 7 200 €
Diversos 22 100 €
Total 1 000 000 €

O valor global desta empreitada deverá rondar 1 milhão de euros, dos quais cerca de metade diz
respeito a reabilitaç ão do reactor biológico, recorrendo ao sistema de membranas. O investiment o em
tratamento de lamas ascende a cerca de 20% do valor total da empreitada.

3.8 SÍNTESE
Como síntes e deste capít ulo é importante re ferir que o Sistema MB R se afigura c omo uma soluç ão
viável para a reabilitação da E TAR do Magoito.

A vantagem mais significativa do Sistema MBR é o facto de poder produzir um efluente final com uma
+
qualidade bastante elevada (CBO5 < 5 mg/l, SS T < 5 mg/l, NH4 < 5 mg/l e coliformes totais < 100
NMP/100 ml). Note-se que para s e obter, no sistema convencional de lamas activadas a mesma

76
qualidade microbiológica do efluente final, seria necessário recorrer a tratamentos de desinfecção,
que podem constituir soluções bastante onerosas.

O sistema MBR torna-se bastante vantaj oso em locais onde é importante a reutilização de águas
residuais, por exemplo, na proximidade de zonas urbanas muito desenvolvidas, em locais onde existe
escassez de água e na proximidade de campos de golfe.

Esta solução causa menores impactes ambientais pois o grau de contaminação da água e solo do
meio rec eptor será significativamente reduzido.

O Sistema MBR apresenta menores riscos de libertação de odores que o sistema convencional, o
que minimiza os impactes negativos na envolvente da E TAR. Existem E TAR que possuem o sistema
MBR em edifício fechado, ou seja, o biorreactor é instalado dentro de um edifício, sem causar riscos
para os operadores ou visitantes da E TAR.

Para além dos factores mencionados anteriormente, o sistema MB R, quando comparado com o
sistema convencional, permite reduzir a área de impl antação.

As vantagens que este sistema apresenta a nível de funcionalidades são a idade de lamas e a
elevada concentração de biomassas no reactor. A idade de lamas é superior à do sistema
convencional de lamas activadas, reduzindo-se a produção de lamas.

O sistema MB R permit e ainda eliminar a etapa de decantação secundária e todos os problemas


associados e dispensa a etapa adicional de desinfecção por radiaç ão ultra-violet a. Esta tecnologia
pode ser implementada em zona urbanas, pois exige menor área de implementação quando
comparada com outras tecnologias.

Actualmente, o custo de investiment o inicial do Sistema MBR constitui uma des vantagem. Contudo,
verifica-se uma tendência para a redução desse custo, devido à contínua evolução da tecnologia e ao
aumento da concorrência no mercado. Por outro lado, o custo do investimento inicial pode s er
compens ado, pelo menos parcialmente, at ravés de event uais benefícios retirados da reutilização de
efluentes para rega e outros usos compatíveis. A utilização deste sistema torna-se bastante
interessante em zonas onde exista escassez de água, não só do ponto de vista económico, mas
cultural e social.

O sistema MBR apresenta ainda des vantagens associadas à operação e manutenção,


nomeadamente o elevado consumo de energia, a necessidade de mão-de-obra especializada e os
encargos com a substituição das membranas.

77
78
4 CONCLUSÕES FINAIS

A situação Portuguesa no sector de s aneamento de águas residuais enc ontra -se em constante
desenvolvimento. Segundo o PEASAAR II, espera-se que, em 2013, 90% da população nacional seja
servida com redes de drenagem e tratamento de águas residuais urbanas e cada sistema atenda pelo
menos 70% da população da bacia tributária. Para atingir estes objecti vos será necessário incentivar
a construção de novas infra-estruturas, designadamente colectores gravíticos, estações elevatórias,
condutas elevat órias e estações de tratamento de águas residuais. E se este tipo de obra for
devidamente projectada e planeada, contribuirá para a qualidade da água dos meios receptores.
Cons equentemente, os impactes negativos que ainda se verificam sobre os meios receptores terão
tendência a diminuir.

Note-se que quanto maior for o grau de tratamento numa E TA R, maior será a qualidade do efluente
final e menor será o impacte negativo causado no meio receptor. Isto, porque quanto maior o grau de
tratamento maior o grau de remoção e eliminação de parâmetros poluentes. O tratamento preliminar
remove apenas os sólidos grosseiros, óleos e gorduras, tendo como principal função remover
parâmetros que possam danificar equipamentos ou infra -estrut uras que se desenvolvem a jusant e, no
circuito de tratamento. O tratamento primário remove, nat uralmente, mais de 20% de CBO5 e 50% de
sólidos suspensos totais. O tratamento secundário permite remover, frequentemente, mais de 70% de
CBO5 e dos sólidos suspensos totais.

É importante que uma E TA R funcione com condições óptimas, para que não haja riscos de obt er
efluentes finais de má qualidade, que consequentemente possam poluir o meio ambiente e coloc ar
em risco a saúde pública.

O presente estudo diz respeito ao Projecto Base de “Reabilitação da E TAR de Magoito, recorrendo a
Reactores Biológic os por Membranas ”, que tratará os efluentes das povoações de Bolembre,
Magoito, Tojeira, Aldeia Galega, Arneiro dos Marinheiros, Fontanelas, Gouveia e Pernigem da
freguesia de São João das Lampas.

A ETA R de Magoito apres enta actualmente problemas operacionais e funcionais que resultam numa
fraca fiabilidade, nomeadamente, decorrentes da chegada do efluente bruto à E TAR por bombagem
(que é interrompida em caso de falta de energia), de uma deficient e decantação, da inexistência de
uma etapa de espessamento e desidratação de lamas adequada e da descarga no meio receptor,
próximo da praia do Magoito. Uma das soluções de tratamento pass íveis de adoptar, com vista a
eliminar os problemas existentes, e que se afigura como uma solução tecnicament e viável, consiste
no tratamento biológico recorrendo à tecnologia MBR.

O sistema MBR seleccionado para a E TAR de Magoito é do tipo SMB R que apresent a experiência
comprovada no mercado int ernacional. Recorreu-se a módulos planos porque apresent am preços
mais acessíveis comparativament e com outros tipos de módulos.

79
O sistema MBR exige uma manutenção adequada e um t ratamento preliminar eficiente, para que
funcione em condições óptimas. Os factores que mais podem influenciar o funcionamento do sistema
são a concent ração de biomassa no biorreactor, arejamento no biorreactor, a concentração de sólidos
suspensos totais, pressão transmembrana r e o fenómeno de colmatação da membrana.

Actualmente, a tec nologia MB R aplicada ao tratamento de águas residuais domésticas é muit o pouco
conhecida no contexto nacional. Contudo, o sistema MBR garante elevada qualidade do efluente
final, com possibilidade da reutilização das águas residuais tratadas, redução da área de implantaç ão
da E TA R, menor produção de lamas e eliminação das et apas de dec antação secundária e e de
desinfecção adicional.

As des vant agens do sistema MBR residem nos custos elevados de investimento inicial, nos custos de
manutenção e operaç ão (associados maioritariamente ao consumo de energia e à substituição das
membranas) e à necessidade de mão-de-obra es pecializada.

Prevê-se que os custos deste tipo de sistema venham a sofrer, no futuro, reduç ão mais ou menos
significativa. Assim, crê-se que esta t ecnologia pode vir a ganhar progressivamente “expressão” no
nosso país, num contexto de necessidade de reutilização dos efluentes.

O facto de não existir experiência neste domínio em Portugal não deve, por si só, inviabilizar a s ua
utilização. Esta tecnologia tem vindo a des envolver-se, a nível mundial, a um ritmo acentuado.

No caso c oncreto da Reabilitação da E TA R de Magoito, prevê -se a construç ão de uma bacia de


retenção a montante do tratamento, com o objectivo de fazer face às flutuações de caudais afluentes
(regularização dos caudais) e às eventuais necessidades de intervenções na E TA R, para acções de
manutenção.

Prevê-se também a substituição total da obra de entrada e do sistema de tratamento da fase sólida, e
a substituição parcial do reactor biológic o. A substituição da obr a de entrada deve-se ao facto de
apresentar diversos problemas de funcionalidade, associado ao facto do sistema MBR exigir um
tratamento preliminar muito eficiente, para que as membranas não se danifiquem. Em casos
extremos, o funcionamento deficiente do tratamento preliminar pode provocar graves situações ao
nível da qualidade do efluente final.

Para além das modificações do esquema de tratamento, prevê-se ainda a reabilitação de infra-
estruturas existentes. Alguns dos equipamentos existentes serão aproveitados e outros serão
desactivados ou substituídos por equipament o novo. As alterações projectadas implicam, também, a
remodelação das instalações eléctricas e da instrumentação e controlo das operações e proc essos
da E TAR. Contudo, esta vertent e não foi objecto do presente estudo.

Em cenário conservativo, a população servida pela E TAR no ano 40 (incluindo população flutuante) é
3
da ordem de 6000 habit antes, à qual corresponde um caudal médio de 572 m /dia e uma carga
orgânica de 259 kg de CB O5/dia.

80
Prevê-se que o custo da empreitada ascenda a um valor próximo de 1 000 000 €, dos quais pelo
menos metade diz respeito às intervenções a realizar no reactor biológico. Cerca de 250 000 € diz em
respeito ao custo de construção civil e 750 000 € ao custo do equipamento.

Apesar da verba de investimento inicial ser elevada poder-se-á tirar partido, no futuro, da qualidade
do efluente final, at ravés da venda da água residual tratada para fins agríc olas, industriais e/ou
sócio-culturais. O benefício será tanto maior quanto mais elevado for, no futuro, o custo da água de
3
abastecimento no Conc elho de Sintra, e que actualmente ronda 0.5 €/m .

81
82
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Sítios na internet:

Empresa Huber: www.huber.co.uk

Empresa Kubota: www.kubota.com

Empresa Zenon: www.zenon.com

Empresa Siemens: www. water.siemens.com

Empresa Koch: www.kochmembrane.com

Empresa Kruger: www.krugerusa.com

Tecnologia Monobelt: www.sludge-technology.com

85
86
Anexo I

(Medições e Orçamento)

DESIGNAÇÕES UNID. ORÇAMENTO


Quantidades Preços Totais

Parciais Totais Unit. (€) (€)


ETAR DE MAGOITO
TRABALHOS AUXILIARES
1 Estaleiro
1.1 Montagem de estaleiro geral incluindo todos os
encargos referentes aos trabalho definidos no
caderno de encargos, nomeadamente, os
custos relativos a pessoal, montagem,
manutenção e desmontagem de máquinas,
equipamento e instalações fixas, provisórias de
redes de água, electricidade e telefone,
respectivos encargos de utilização e consumo,
redes de alimentação e distribuição, redes das
instalações, vedações do estaleiro e do local
da obra, sinalização, protecções de segurança,
execução e manutenção de acessos
exteriores/interior, seguros e licenças
associadas à execução da obra, taxas
camarárias de ocupação da via pública e
tapumes, segurança, etc. VG 1 1 1 15.000,00 15.000,00
TOTAL 15.000,00
1.2 Desmontagem de estaleiro geral incluindo
todos os encargos referentes aos trabalho
definidos no caderno de encargos,
nomeadamente, os custos relativos a pessoal,
montagem, manutenção e desmontagem de
máquinas, equipamento e instalações fixas,
ligações provisórias de redes de água,
electricidade e telefone, respectivos encargos
de utilização e consumo, redes de alimentação
e distribuição, redes das instalações, vedações
do estaleiro e do local da obra, sinalização,
protecções de segurança, execução e
manutenção de acessos exteriores/interior,
seguros e licenças associadas à execução da
obra, taxas camarárias de ocupação da via
pública e tapumes, segurança, etc. VG 1 1 1 10.000,00 10.000,00
TOTAL 10.000,00
TOTAL (do Subcapítulo) 25.000,00
TOTAL (do Capítulo) 25.000,00
2 Trabalhos preparatórios
2.1 Desvio e alteração do tráfego no local de
interferência dos trabalhos, de acordo com o
Plano de Trabalhos apresentado pelo
empreiteiro, incluindo todos os pavimentos
provisórios, toda a sinalização provisória, todos
os trabalhos, equipamentos e mão-de-obra
necessários. Elaboração do Estudo de Tráfego
a submeter à aprovação do Dono de Obra e
todas as Entidades Licenciadoras. VG 1 1 1 1.500,00 1.500,00
TOTAL 1.500,00

A1
2.2 Desenvolvimento prático e adaptação para a
obra do Plano de Segurança e Saúde e da
Compilação Técnica e implementação das
medidas necessárias, para os trabalhos de
execução previstos de acordo com o definido
no Caderno de Encargos.
Nota: Deve ser apresentado o desenvolvimento
prático para uma das empreitadas das infra-
estruturas previstas. VG 1 1 1 3.500,00 3.500,00
TOTAL 3.500,00
2.3 Desmatagem, demolições genéricas e limpeza
dos locais de intervenção e órgãos a reabilitar
ou desactivar, incluindo o transporte a
va zadouro (ou outro destino que a fiscalização
indique) dos resíduos produzidos e lamas
retiradas, designadamente no recinto da ETAR,
obra de entrada, tanques de arejamento,
decantadores secundários, estações
elevatórias, edifício de lamas existente e leitos
de secagem VG 1 1 1 7.500,00 7.500,00
TOTAL 7.500,00
2.4 Desactivação, desmontagem e transporte a
va zadouro (ou outro destino que a fiscalização
indique) das serralharias, tubagem e
equipamentos metalomecânicos e
electromecânicos a substituir ou desactivar no
âmbito da presente empreitada,
designadamente grupos electrobomba
submersíveis, grades mecânicas e manuais,
arejadores de superfície, unidade de
tratamento de lamas e, eventualmente,
microtamisador e sistema de desinfecção por
UV. VG 1 1 1 2.500,00 2.500,00
TOTAL 2.500,00
TOTAL (do Subcapítulo) 15.000,00
TOTAL (do Capítulo) 15.000,00
3 Acessos, arruamentos e arranjos exteriores
3.1 Beneficiação do trecho final do caminho de
acesso à ETAR, incluindo drenagem de águas
superficiais para a linha de água adjacente,
eventual beneficiação do pavimento e todos os
trabalhos necessários à boa realização da
tarefa. VG 1 1 1 2.000,00 2.000,00
TOTAL 2.000,00
3.2 Substituição parcial da vedação existente por
nova em paneis de rede plastificados a
polyester, na cor verde RAL 6005, com 2.00m
de altura, e postes de aço galvanizado DN1
1/2", com 2.40 de altura cravados no betão,
plastificados a polyester, na cor verde RAL
6005, incluindo a desmontagem e transporte a
va zadouro da existente, fundação dos novos
postes e todos os trabalhos e acessórios
necessários VG 1 1 1 10.000,00 10.000,00
TOTAL 10.000,00
3.3 Alteração e beneficiação dos arruamentos e
caminhos de circulação no interior da ETAR,
incluindo eventual remoção de pavimento
existente, execução de camadas de forma,
aplicação de revestimento superficial e
construção de valetas e lancis VG 1 1 1 3.200,00 3.200,00
TOTAL 3.200,00

A2
3.4 Construção de valetas ao longo da periferia sul
da ETAR e arruamentos confinantes, incluindo
condução das águas de escorrência
superficiais até à linha de água. VG 1 1 1 1.500,00 1.500,00
TOTAL 1.500,00
TOTAL (do Subcapítulo) 16.700,00
TOTAL (do Capítulo) 16.700,00
4 Trabalhos finais
4.1 Organização e entrega das Telas Finais da
obra de cada uma das empreitadas das infra-
estruturas previstas, em papel e suportes
informáticos, de acordo com o definido no
Caderno de Encargos. VG 1 1 1 1.000,00 1.000,00
TOTAL 1.000,00
4.2 Organização e entrega do Manual de
Instruções de Funcionamento e de Manutenção
e cada uma das empreitadas das infra-
estruturas previstas, de acordo com o definido
no Caderno de Encargos. VG 1 1 1 1.000,00 1.000,00
TOTAL 1.000,00
4.3 Fornecimento e instalação de todas as telas e
placas identificadoras da Empreitada, incluindo
a publicitação de eventuais comparticipações
da Comunidade Europeia, de acordo com o
definido no Caderno de Encargos. VG 1 1 1 1.500,00 1.500,00
TOTAL 1.500,00
TOTAL (do Subcapítulo) 3.500,00
TOTAL (do Capítulo) 3.500,00
TOTAL DOS TRABALHOS AUXILIARES 60.200,00

DESIGNAÇÕES UNID. ORÇAMENTO


Quantidades Preços Totais
Parciais Totais Unit. (€) (€)
ETAR DE MAGOITO
REABILITAÇÃO DA ETAR
1 BACIA DE RETENÇÃO E REABILITAÇÂO
DA ESTAÇÂO ELEVATÓRIA
1.1 Movimento de terras
1.1.1 Execução de escavação em terreno semi rijo
para implantação das fundações, por meios
mecânicos adequados, incluindo todas as
entivações necessárias a uma perfeita
estabilização das valas, rebaixamento do
nível freático quando necessário, eventuais
reparações e desvios de infra-estruturas, e
todos os trabalhos necessários. m3
Nota: o volume é calculado como o dos
sólidos geométricos limitados inferiormente
pela cota da superfície do b etão de limpeza
das fundações, lateralmente por superfícies
verticais tangentes às faces exteriores das
paredes ou das fundações e superiormente
pela cota do terreno existente 602,42 602,42 602 9,00 5.421,80
TOTAL 5.421,80
1.1.2 Remoção e transporte dos produtos
sobrantes a vazadouro, incluindo todos os
trabalhos necessários, com empolamento de
25%. m3 753,03 753,03 753 4,00 3.012,11
TOTAL 3.012,11
TOTAL (do Subcapítulo) 8.434,00
1.2 Betões

A3
1.2.1 Fornecimento, aplicação, vibração e cura de
betão C30/37 (EC3), incluindo armaduras de
aço A400NR e cofragens, descofragens,
ensaios de controlo, execução de aberturas e
todos os trabalhos e materiais necessários
3
para a boa execução da tarefa. m
a) Em fundações ou lajes de fundo 49,80 49,80
b) Em paredes 76,97 76,97
Nota: inclui cofragem para betão à vista nas
superfícies das faces expostas e em contacto
com o efluente
c) Em lajes e caleiras 2,29 2,29 129 350,00 45.170,97
TOTAL 45.170,97
1.2.2 Fornecimento e aplicação de betão de
regularização e limpeza (C12/15), aplicado
em camada de 0,10 m de espessura,
incluindo todos os trabalhos necessários . m3 12,26 12,26 12 75,00 919,62
TOTAL 919,62
1.2.3 Fornecimento colocação vibração e cura de
Betão simples C20/25 para enchimentos, com
25kg de fibras "Dramix" por m 3 de betão
aplicado, misturado na autobetoneira,
afagado à colher quando necessário,
incluindo moldes e resinas de colagem, em
enchimentos de acordo com a geometria dos
desenhos do projecto, e todos os trabalhos
necessários. m3 22,59 22,59 23 110,00 2.485,14
TOTAL 2.485,14
1.2.4 Execução de juntas de trabalho, incluindo a
colocação de perfil "water-stop", todos os
varões e cofragens adicionais, tratamento das
superfícies do betão e todos os trabalhos
necessários. ml 38,80 38,80 39 20,00 776,00
TOTAL 776,00
TOTAL (do Subcapítulo) 49.352,00
1.3 Revestimentos
1.3.1 Impermeabilização exterior das paredes de
betão enterradas, com pintura betuminosa do
tipo "INERTOL F" da "SIKA", ou equivalente,
em duas demãos cruzadas, incluindo todos
os trabalhos e materiais necessários. m2 264,16 264,16 264 9,00 2.377,42
TOTAL 2.377,42
1.3.2 Pintura, após acabamentos, das faces de
estrutura de betão armado em contacto com o
efluente com resina epóxidica do tipo
"POXITAR-N" da "SIKA", ou equivalente,
aplicada em duas demãos cruzadas, incluindo
todos os trabalhos e materiais necessários. m2 111,00 111,00 111 13,00 1.443,00
TOTAL 1.443,00
1.3.3 Pintura em superfícies exteriores à vista com
tinta acrílica para protecção do betão, de alta
resistência, do tipo "SIKAGARD 681-S
BETONCOLOR-incolor" da "SIKA", ou
equivalente, incluindo todos os trabalhos e
materiais necessários. m2 112,51 112,51 113 11,00 1.237,62
TOTAL 1.237,62
TOTAL (do Subcapítulo) 5.058,00
1.4 Serralharia
1.4.1 Fornecimento e montagem de guarda corpos
em PRFV, com uma altura de 0,90 m,
incluindo todos os trabalhos e acessórios
necessários. m 16,79 16,79 17 45,00 755,55
TOTAL 755,55

A4
1.4.4 Fornecimento e colocação de tampas em
chapa xadrez, para abertura com 1.00 x 1.00
m na câmara de válvulas, incluindo um aro
comum em perfis de ferro, metalização,
tratamento anti-corrosivo, pintura e todos os
trabalhos acessórios e complementares,
conforme Peças Desenhadas e C.E. Un 1 1 1 300,00 300,00
TOTAL 300,00
TOTAL (do Subcapítulo) 1.056,00
1.5 Equipamentos
1.5.1 Medidor de caudal electromagnético,
flangeado, DN 80, PN 10. Un 1,00 1 1 2.000,00 2.000,00
TOTAL 2.000,00
1.5.2 Picagem para a instalação de Manómetro. Un 1,00 1 1 270,00 270,00
TOTAL 270,00
1.5.3 Grupo electrobomba submersível
caracterizado por: Q= 25 l/s; Hm=6 m,
Nº<1500 rpm, incluindo curva a 90º fixação e
sistema para elevação. Un 2,00 2 2 2.744,48 5.488,95
TOTAL 5.488,95
1.5.4 Sondas de nível do tipo bóia de plástico com
interruptor mecânico para comando dos
grupos electrobomba, incluindo todos os
acessórios e trabalhos necessários. Un 3,00 3 3 150,00 450,00
TOTAL 450,00
1.5.5 Fornecimento e montagem de ventilador
helicoidal tubular de insuflação de ar,
Q= 800 m³/h, Ps= 100 a 150 Pa, para
instalação em chaminé de arejamento,
incluindo todos os acessórios e trabalhos
complementares. Un 1,00 1 1 500,00 500,00
TOTAL 500,00
1.5.6 Fornecimento e montagem de tubagem para
insuflação ou extracção de ar com DN 100
mm, curva a 180º e troço recto flangeado
numa extremidade, comprimento de 1 m e 5
mm de espessura em aço, incluindo placas,
parafusos, anilhas e porcas de fixação,
metalização, tratamento anti-corrosivo,
pintura e todos os trabalhos acessório e
complementares conforme Desenhos e C.E. Un 5 5 5 250,00 1.250,00
TOTAL 1.250,00
1.5.7 Fornecimento e montagem de braçadeiras
para suporte da tubagem para insuflação ou
extracção de ar, incluindo todos os trabalhos
acessório e complementares. Un 4 4 4 45,00 180,00
TOTAL 180,00
1.5.8 Fornecimento e montagem de deflector em
chapa de aço inox, incluindo todos os
trabalhos acessórios e complementares
conforme Desenho e C.E. Un 1,00 1 1 450,00 450,00
TOTAL 450,00
TOTAL (do Subcapítulo) 10.589,00
1.6 Tubagens e acessórios
1.6.1 Fornecimento e montagem de troços de
tubagens em FFD, DN 100, PN 10 com
extremidades flangeadas e comprimento
aproximado de 4.00 m. Un 1,00 1 1 948,36 948,36
TOTAL 948,36
1.6.2 Tubo em FFD, DN 100, PN 10 com
extremidades flangeadas e comprimento
aproximado de 0.50 m. 2,00 2 2 102,24 204,48
TOTAL 204,48

A5
1.6.3 Tubo em FFD, DN 100, PN 10 com
extremidades flangeadas e comprimento
aproximado de 1 m. Un 1,00 1 1 438,91 438,91
TOTAL 438,91
1.6.4 Fornecimento e montagem de ligador boca
flange em FFD para PVC, DN 100 x 110. Un 1,00 1 1 71,90 71,90
TOTAL 71,90
1.6.5 Cone de redução 80 x 100 em FFD, PN 10,
com extremidades flangeladas. Un 1,00 1 1 73,19 73,19
TOTAL 73,19
1.6.6 Curva a 90º em FFD, DN 80, PN 10 com
extremidades flangeadas. Un 7,00 7 7 73,19 512,31
TOTAL 512,31
1.6.7 Válvula de cunha elástica em FFD, DN 80
flangeada, tipo curto, para PN 10, de
comando manual por volante. Un 3,00 3 3 228,40 685,21
TOTAL 685,21
1.6.8 Válvula de retenção esférica elástica, em
FFD, DN 80, flangeada, para PN 10. Un 1,00 1 1 462,91 462,91
TOTAL 462,91
1.6.9 Tê flangeado em FFD, DN 80 x 80, PN 10. Un 1,00 1 1 108,38 108,38
TOTAL 108,38
1.6.10 Junta de desmontagem auto-travada em FFD,
DN 80, PN10, flangeada. Un 4,00 4 4 353,28 1.413,13
TOTAL 1.413,13
1.6.11 Passa-muros em FFD, DN 80, PN 10 com
extremidades flangeadas na passagem do
poço de bombagem, com aro de ancoragem.
Un 2,00 2 2 516,35 1.032,70
TOTAL 1.032,70
1.6.12 Passa-muros em FFD, DN 100 mm, PN 10
com extremidades flangeadas na passagem
da câmara de válvulas, com aro de
ancoragem. Un 1,00 1 1 578,63 578,63
TOTAL 578,63
TOTAL (do Subcapítulo) 6.530,00
1.7 Diversos
1.7.1 Fornecimento e montagem de pórtico "Turco",
rotativo, com caixa redutora desmultiplicadora
e capacidade de 250kg, incluindo todos os
acessórios e trabalhos complementares. Un 1,00 1 1 450,00 450,00
TOTAL 450,00
1.7.2 Fornecimento de bóias salva-vidas de 2,5 kg
com cintas reflectoras, incluindo retenida de
8 mm de diâmetro com 30 m de comprimento
e cor de laranja. Un 2,00 2 2 100,00 200,00
TOTAL 200,00
1.7.3 Placas de identificação de perigo, em PVC
rígido opaco, com as dimensões de 300 x 300
mm, para aparafusamento e incluindo todos
os acessórios necessários:
Perigo de afogamento Un 2,00 2 2 150,00 300,00
TOTAL 300,00
TOTAL (do Subcapítulo) 950,00
TOTAL (do Capítulo) 82.000,00
2 OBRA DE ENTRADA
2.1 Movimento de terras

A6
2.1.1 Execução de escavação em terreno semi rijo
para implantação das fundações, por meios
mecânicos adequados, incluindo todas as
entivações necessárias a uma perfeita
estabilização das valas, rebaixamento do
nível freático quando necessário, eventuais
reparações e desvios de infra-estruturas, e
todos os trabalhos necessários. m3
Nota: o volume é calculado como o dos
sólidos geométricos limitados inferiormente
pela cota da superfície do b etão de limpeza
das fundações, lateralmente por superfícies
verticais tangentes às faces exteriores das
paredes ou das fundações e superiormente
pela cota do terreno existente 18,90 18,90 19 9,00 170,06
TOTAL 170,06
2.1.2 Remoção e transporte dos produtos
sobrantes a vazadouro, incluindo todos os
trabalhos necessários, com empolamento de
25%. m3 23,62 23,62 24 4,00 94,48
TOTAL 94,48
TOTAL (do Subcapítulo) 265,00
2.2 Betões
2.2.1 Fornecimento, aplicação, vibração e cura de
betão C30/37 (EC3), incluindo armaduras de
aço A400NR e cofragens, descofragens,
ensaios de controlo, execução de aberturas e
todos os trabalhos e materiais necessários
3
para a boa execução da tarefa. m
a) Em fundações ou lajes de fundo 5,22 5,22
b) Em paredes 10,78 10,78
Nota: inclui cofragem para betão à vista nas
superfícies das faces expostas e em contacto
com o efluente
c) Em lajes e caleiras 7,46 7,46 23 300,00 7.037,25
TOTAL 7.037,25
2.2.2 Fornecimento e aplicação de betão de
regularização e limpeza (C12/15), aplicado
em camada de 0,10 m de espessura,
incluindo todos os trabalhos necessários. m3 0,81 0,81 1 75,00 60,68
TOTAL 60,68
2.2.3 Fornecimento colocação vibração e cura de
Betão simples C20/25 para enchimentos, com
25kg de fibras "Dramix" por m3 de betão
aplicado, misturado na autobetoneira,
afagado à colher quando necessário,
incluindo moldes e resinas de colagem, em
enchimentos de acordo com a geometria dos
desenhos do projecto, e todos os trabalhos
necessários. m3 0,94 0,94 1 110,00 103,86
TOTAL 103,86
2.2.4 Execução de juntas de trabalho, incluindo a
colocação de perfil "water-stop", todos os
varões e cofragens adicionais, tratamento das
superfícies do betão e todos os trabalhos
necessários. ml 6,70 6,70 7 20,00 133,93
TOTAL 133,93
TOTAL (do Subcapítulo) 7.336,00
2.3 Revestimentos
2.3.1 Impermeabilização exterior das paredes de
betão enterradas, com pintura betuminosa do
tipo "INERTOL F" da "SIKA", ou equivalente,
em duas demãos cruzadas, incluindo todos
os trabalhos e materiais necessários. m2 129,25 129,25 129 9,00 1.163,25

A7
TOTAL 1.163,25
2.3.2 Pintura, após acabamentos, das faces de
estrutura de betão armado em contacto com o
efluente com resina epóxidica do tipo
"POXITAR-N" da "SIKA", ou equivalente,
aplicada em duas demãos cruzadas, incluindo
todos os trabalhos e materiais necessários. m2 112,63 112,63 113 13,00 1.464,22
TOTAL 1.464,22
2.3.3 Pintura em superfícies exteriores à vista com
tinta acrílica para protecção do betão, de alta
resistência, do tipo "SIKAGARD 681-S
BETONCOLOR-incolor" da "SIKA", ou
equivalente, incluindo todos os trabalhos e
materiais necessários. m2 10,24 10,24 10 11,00 112,64
TOTAL 112,64
TOTAL (do Subcapítulo) 2.740,00
2.4 Serralharia
2.4.1 Fornecimento e colocação de tampas em
chapa xadrez, para abertura com 1.00 x 1.00
m na câmara de válvulas, incluindo um aro
comum em perfis de ferro, metalização,
tratamento anti-corrosivo, pintura e todos os
trabalhos acessórios e complementares,
conforme Peças Desenhadas e C.E. Un 1 1 1 300,00 300,00
TOTAL 300,00
TOTAL (do Subcapítulo) 300,00
2.5 Equipamentos
2.5.1 Comportas para canal em aço inox com 500
mm de largura e uma altura de 1000 mm,
incluindo guias também em aço inox
embutidas nas paredes dos canais VG
c/400 x 900mm 2,00 2 2 244,41 488,82
c/400 x 800mm 2,00 2 2 215,08 430,16
TOTAL 918,99
2.5.2 Tamisador/compactador de grelha fixa com
fuso de 3 mm para canal de 400 mm,
incluindo quadro de alimentação e comando e
dispositivo de ligação a saco plástico Un 1,00 1 1 33.806,93 33.806,93
TOTAL 33.806,93
2.5.3 Grade de limpeza manual em aço inox para
canal de 400 mm de largura e 1 m de altura,
com espaçamento entre barras de 27 mm VG 1,00 1 1 596,36 596,36
TOTAL 596,36
2.5.4 Contentor de recolha dos gradados de
plástico, com 200 litros e rodas de
deslocamento VG 3,00 3 3 240,93 722,78
TOTAL 722,78
2.5.5 Canal Parshall de 6", pré-fabricado equipado
com sensor de nível ultrassónico com
indicador instantâneo local e indicador
instantâneo e totalizador na sala de comando VG 1,00 1 1 4.692,69 4.692,69
TOTAL 4.692,69
2.5.6 Fornecimento e montagem de deflector em
chapa de aço inox, incluindo todos os
trabalhos acessórios e complementares
conforme Desenho e C.E. Un 1,00 1 1 450,00 450,00
TOTAL 450,00
2.5.7 Fornecimento e montagem de ponte
raspadora de fundo e superfície, para
desarenador/desengordurador com
comprimento total de 4 m e largura 1 m Un 1,00 1 1 14.874,15 14.874,15
TOTAL 14.874,15

A8
2.5.8 Válvula mural em aço inox diâmetro 200 mm,
incluindo guias também em aço inox e volante
de manobra VG 1,00 1 1 300,00 300,00
TOTAL 300,00
2.5.9 Fornecimento e montagem do sistema de
extracção das areias composto por "Air-lift"
incluindo grupo compressor Un 1,00 1 1 1.606,12 1.606,12
TOTAL 1.606,12
2.5.10 Fornecimento e montagem do sistema de
difusão de ar de bolha grossa incluindo
tubagem e sistema de fixação Un 1,00 1 1 1.967,51 1.967,51
TOTAL 1.967,51
2.5.11 Fornecimento e montagem do classificador de
areia, incluindo todos os trabalhos acessório
e complementares Un 1,00 1 1 10.523,64 10.523,64
TOTAL 10.523,64
2.5.12 Fornecimento e assentamento de separador
de gorduras conforme o projecto, incluindo
caixa de colecta de drenados, tubagem de
entrada e saída, acessórios e todos os
trabalhos necessários Un 1,00 1 1 21.774,50 21.774,50
TOTAL 21.774,50
TOTAL (do Subcapítulo) 92.234,00
TOTAL (do Capítulo) 102.900,00
3 REACTOR BIOLÓGICO
3.1 Trabalhos preliminares
3.1.1 Reabilitação e regularização das superfícies
em contacto com efluente, incluindo remoção
total da pintura, picagem das superfícies
degradadas, aplicação de novo revestimento
à base de argamassas para reparação não-
retrátil tipo "MOTEX DUR PLUS" da
"WEBER", tratamento anti-corrosivo de
eventuais armaduras expostas e todos os
trabalhos e acessórios necessários à boa
2
realização do trabalho (valor estimado). m 180 180 180 37,50 6.750,00
TOTAL 6.750,00
3.1.2 Reabilitação e regularização das superfícies
exteriores, incluindo remoção total da pintura,
picagem das superfícies degradadas,
aplicação de novo revestimento à base de
argamassa para reparação não-retrátil tipo
"MOTEX DUR BASIC" da "WEBER", ou
equivalente, tratamento anti-corrosivo de
eventuais armaduras expostas e todos os
trabalhos e acessórios necessários à boa
realização do trabalho (valor estimado). m2 60 60 60 27,50 1.650,00
TOTAL 1.650,00
3.1.3 Selagem de eventuais fissuras em estruturas
de betão mediante a injecção de caldas
poliméricas de baixa viscosidade isentas de
solventes, à base de resinas epoxídicas, do
tipo "SIKADUR 52 INJECTION" da "SIKA" ou
equivalente em fissuras com menos de 5mm
de afastamento, e à base de resina de
poliuretano, do tipo "SPETEC PUR 51" da
"TECNOCRETE" ou equivalente, nas
restantes situações (valor estimado). ml 26 26 26 60,00 1.560,00
TOTAL 1.560,00

A9
3.1.4 Demolição de elementos de betão dos
tanques de arejamento e decantadores
secundários existentes para acomodar o
sistema de tratamento por membranas,
nomeadamente do sistema de distribuição de
efluente aos tanques de arejamento e as
câmaras de saída dos decantadores
secundários de acordo com as peças
desenhadas, incluindo transporte dos
materiais sobrantes a aterro. m3 1,00 1,00 1 70,00 70,00
TOTAL 70,00
TOTAL (do Subcapítulo) 10.030,00
3.2 Betões
3.2.1 Preparação das superfícies de betão
endurecido nas zonas de contacto com novo
betão, incluindo picagem para tornar rugosa,
limpeza, desengorduramento e aplicação de
um ligante do tipo "IKOSIT KC 220/60" da
"SIKA", ou esquivalente. m2 4,00 4,00 4,00 22,50 90,00
TOTAL 90,00
3.2.2 Fornecimento e aplicação de betão C35/45
(XA3, NP EN206), incluindo, armaduras de
aço A400NR, cofragens, descofragens,
escoramentos, juntas de trabalho na base das
paredes e ou quando indicado nos desenhos,
tratamento das juntas de betonagem,
operações de cura e todos os trabalhos e
materiais necessários e complementares, de
acordo com o definido no Caderno de
Encargos e com os desenhos e pormenores
do projecto. m3 8,55 8,55 9 450,00 3.847,50
TOTAL 3.847,50
3.2.3 Fornecimento e aplicação de betão simples
C25/30 em enchimentos, incluindo cofragens
e descofragens e todos os materiais e
trabalhos necessários. m3 81,70 81,70 82 90,00 7.353,00
TOTAL 7.353,00
TOTAL (do Subcapítulo) 11.291,00
3.3 Revestimentos
3.3.1 Pintura, após acabamentos, das faces de
estrutura de betão armado em contacto com o
efluente com resina epóxidica do tipo
"POXITAR-N" da "SIKA", ou equivalente,
aplicada em duas demãos cruzadas, incluindo
todos os trabalhos e materiais necessários. m2 791,00 791,00 791,0 13,00 10.283,00
TOTAL 10.283,00
3.3.2 Pintura em superfícies exteriores à vista com
tinta acrílica para protecção do betão, de alta
resistência, do tipo "SIKAGARD 681-S
BETONCOLOR-incolor" da "SIKA", ou
equivalente, incluindo todos os trabalhos e
2
materiais necessários. m 247,50 247,50 247,5 11,00 2.722,50
TOTAL 2.722,50
TOTAL (do Subcapítulo) 13.006,00
3.4 Equipamento electromecânico
3.4.1 Fornecimento e instalação de sistema de
tratamento por MBR completo, incluindo
módulos de membranas, grupos
electrobombas, sistema de ar comprimido,
tubagens, acessórios e todos os acessórios e
trabalhos necessário à boa realização da
tarefa. Un 1 1 1 480.000,00 480.000,00
TOTAL 480.000,00

A10
3.4.2 Fornecimento e montagem de deflector em
chapa de aço inox, incluindo todos os
trabalhos acessórios e complementares
conforme Desenho e C.E. Un 3,00 3 3 450,00 1.350,00
TOTAL 1.350,00
3.4.3 Fornecimento e montagem de grupo
electrobomba submersível a instalar no
tanque de homogeneização de caudal de
impulsor tipo vortex para água residual com
uma concentração de sólidos máxima de 1%,
para Q = 25 l/s, H = 6 m.c.a., incluindo
pedestal, guias de elevação e todos os
acessórios de montagem necessários. Un 2 2 2 2.744,48 5.488,95
TOTAL 5.488,95
3.4.4 Fornecimento e montagem de grupo
electrobomba submersível de impulsor tipo
vorte x ou monocanal para água residual com
uma concentração de sólidos máxima de 3%,
para Q = 3 l/s, H = 9,8 m.c.a., pedestal, guias
de elevação e todos os acessórios de
montagem necessários, para instalar no
tanque de membranas. Un 2,00 2,00 2 2.068,74 4.137,47
TOTAL 4.137,47
3.4.5 Fornecimento e montagem de sondas de
nível do tipo bóia com interruptor mecânico,
incluindo cabos de ligação ao quadro eléctrico
e caixas de transição Un 4,00 4,00 4 125,00 500,00
TOTAL 500,00
3.4.6 Fornecimento e montagem de agitador
submersível para instalar no tanque de
homogeneização. O agitador será fornecido
com a respectiva guia de instalação que
permite o posicionamento do agitador a altura
ajustável e respectivos suportes, base para
turco de elevação, incluindo plataforma para
operações de manutenção e todos os
trabalhos e acessórios necessários. Un 3,00 3,00 3 5.200,00 15.600,00
TOTAL 15.600,00
TOTAL (do Subcapítulo) 507.076,00
3.5 Serralharia
3.5.1 Substituição, fornecimento e montagem de
guarda corpos em PRFV, com uma altura de
0,80 m de cor verde ou amarela, incluindo
todos os trabalhos e acessórios necessários. ml 60 60 60 50,00 3.000,00
TOTAL 3.000,00
3.5.2 Fornecimento e assentamento de porta em
perfil de alumínio, com painel de vidro de 6
mm, almofada em chapa de alumínio e
bandeira em grelhas fixas de alumínio,
incluindo todos os trabalhos inerentes,
conforme peças desenhadas Un
a) Com 0.80 x 2.00 m (Pe2) 1,00 1 1 443,00 443,00
TOTAL 443,00
3.5.3 Fornecimento e assentamento de janela em
perfil de alumínio com quatro folhas
basculantes e vidro de 6 mm, incluindo todos
os trabalhos inerentes, conforme peças
desenhadas Un
a) Com 2.00 x 2.00 m (J1) 2,00 2 2 1.106,00 2.212,00
TOTAL 2.212,00
TOTAL (do Subcapítulo) 5.655,00
3.6 Tubagens e acessórios

A11
3.6.1 Fornecimento e montagem de tubagem e
acessórios em ferro fundido dúctil, para águas
residuais, com juntas automáticas, incluindo
suportes chumbados à estrutura de betão,
juntas de estanquidade do tipo “SIKASWELL
P-PERFIS” da SIKA na ligação com
elementos de betão e todos os trabalhos e
acessórios necessários. Un
Troços rectilíneos DN 250 (de 0,51 m a
1.00 m) 1 1 1 600,00 600,00
Troços rectilíneos DN 250 (de 5.01 m a
5,90 m) 1 1 1 900,00 900,00
Curvas a 90º DN 250 1 1 1 450,00 450,00
Braçadeiras DN 250 3 3 3 90,00 270,00
TOTAL 2.220,00
TOTAL (do Subcapítulo) 2.220,00
TOTAL (do Capítulo) 549.300,00
4 TRATAMENTO DE LAMAS
4.1 Movimento de terras
4.1.1 Escavação em terreno de qualquer natureza
para implantação do edifício incluindo
entivação, baldeação dos produtos
escavados e rebaixamento do nível freático
(se necessário), todas as rampas
sobrelargurais e trabalhos acessórios
necessários para a boa execução da tarefa m3 16,50 16,50
1,16 1,16
5,44 5,44
18,75 18,75 42
35% rocha 15 30,00 439,40
65% terra 27 8,00 217,61
TOTAL 657,01
4.1.3 Transporte a vazadouro dos produtos
sobrantes, incluindo carga, descarga e
espalhamento em local aprovado pelo Dono
de Obra, admitindo empolamento de 25% m3 52,31 52,31 52 3,00 156,93
TOTAL 156,93
4.1.4 Fornecimento, colocação e espalhamento de
brita D 50 = 0.05 em fundação de laje de
3
pavimento, incluindo todos os trabalhos m 13,25 13,25 13 59,00 781,99
TOTAL 781,99
TOTAL (do Subcapítulo) 1.596,00
4.2 Betões
4.2.1 Fornecimento e colocação de betão de
3
limpeza com 200 kg de cimento por cada m ,
incluindo a regularização do aterro de
fundação m3 0,55 0,55 1 110,00 60,50
TOTAL 60,50
4.2.2 Fornecimento e colocação em obra de betão
C30/37 XS1, incluindo cofragens, aço
A400ER e todos os trabalhos inerentes m3
16,50 16,50
4,43 4,43
6,92 6,92
4,47 4,47
1,60 1,60 34 425,00 14.414,88
TOTAL 14.414,88

A12
4.2.3 Fornecimento, colocação, vibração e cura de
betão armado em betão C25/30 XC2 e aço
A400NR, incluindo cofragens, ensaios de
controlo dos materiais e todos os trabalhos
necessários para a boa execução da tarefa m3 8,33 8,33 8 400,00 3.333,60
TOTAL 3.333,60
4.2.4 Execução de laje de pavimento em betão
simples C20/25 XC1, incluindo malhasol
CQ38 e todos os trabalhos inerentes. m3 13,25 13,25 13 375,00 4.970,25
TOTAL 4.970,25
TOTAL (do Subcapítulo) 22.779,00
4.3 Alvenarias, Emboços e Rebocos
4.3.1 Execução paredes exteriores em alvenaria de
tijolo furado com 0.25 m de espessura,
incluindo argamassa de assentamento ao
traço 1/4, verga para vãos, todos os trabalhos
e materiais necessários m2 258,83 258,83
a deduzir -18,00 -18,00
a deduzir -37,54 -37,54 203 19,00 3.862,42
TOTAL 3.862,42
4.3.2 Execução de paredes interiores em alvenaria
de tijolo furado com 0.15 m de espessura,
incluindo argamassa de assentamento ao
traço 1/4, verga para vãos, todos os trabalhos
e materiais necessários m2 16,24 16,24
a deduzir -2,80 -2,80 13 17,00 228,48
TOTAL 228,48
4.3.3 Salpico, emboço e reboco de paredes
exteriores com argamassa de cimento e areia
ao traço 1/4, com 0.02 m de espessura,
incluindo todos os trabalhos e materiais
necessários m2 201,50 201,50
22,34 22,34
a deduzir -18,00 -18,00
a deduzir -30,14 -30,14 176 15,00 2.635,50
TOTAL 2.635,50
4.3.4 Fornecimento e assentamento de placas de
granito rugoso com 8 mm de espessura
assentes com cimento cola em alçados
exteriores, incluindo cortes, remates, fecho de
juntas e todos os trabalhos e materiais
necessários m2 50,00 50,00
a deduzir 1,10 1,10
a deduzir 7,40 7,40 59 121,00 7.078,50
TOTAL 7.078,50
4.3.5 Salpico, emboço e reboco de paredes
interiores com argamassa de cimento, cal e
areia ao traço 1/3/6, com 0.02 m de
espessura, incluindo todos os trabalhos e
materiais necessários m2 183,08 183,08
a deduzir -18,00 -18,00
a deduzir -36,14 -36,14
a deduzir -4,20 -4,20
15,60 15,60 140 15,00 2.105,10
TOTAL 2.105,10
4.3.6 Salpico, emboço e reboco de tectos interiores
com argamassa de cimento, cal e areia ao
traço 1/3/6, com 0.02 m de espessura,
incluindo todos os trabalhos e materiais
necessários m2 114,05 114,05 114 17,00 1.938,77
TOTAL 1.938,77

A13
4.3.7 Emboço e reboco interior com argamassa de
500 kg de cimento por m 3, com 0.02 m de
2
espessura e aditivo impermeabilizante m 24,00 24,00 24 17,00 408,00
TOTAL 408,00
TOTAL (do Subcapítulo) 18.257,00
4.4 Pinturas e revestimentos
4.4.1 Pintura com tinta de água nas demãos
convenientes nas paredes interiores m2 140,34 140,34 140 5,00 701,70
TOTAL 701,70
4.4.2 Pintura a duas demãos de tinta plástica para
exteriores, na cor branca, nas superfícies
exteriores m2 175,70 175,70 176 6,00 1.054,20
TOTAL 1.054,20
4.4.3 Pintura a tinta plástica de cor branca, a duas
demãos em tectos interiores. m2 114,05 114,05 114 6,00 684,27
TOTAL 684,27
4.4.4 Pintura das superfícies interiores em contacto
com o esgoto com duas demãos de tinta à
base de resina epoxídica do tipo "Inertol
Poxitar" ou equivalente 24,00 24,00 24 8,00 192,00
TOTAL 192,00
4.4.5 Fornecimento e colocação de betonilha de
0.05 m de espessura com argamassa de
cimento e areia ao traço 1/4, incluindo todos
os trabalhos e materiais necessários. m2 114,05 114,05 114 9,00 1.026,41
TOTAL 1.026,41
4.4.6 Fornecimento e assentamento de
revestimento em azulejo cerâmico, incluindo
cortes, remates, cimento cola, refecho das
juntas, todos os trabalhos e materiais
necessários. m2 2,26 2,26
12,60 12,60
-1.20 x
a deduzir 0.70 -0,84
- 0.70
a deduzir x 2.00 -1,40 13 26,00 327,99
TOTAL 327,99
4.4.7 Fornecimento e assentamento de mosaico
hidráulico assente sobre betonilha 2
m 111,79 111,79 112 29,00 3.241,91
TOTAL 3.241,91
4.4.8 Fornecimento e assentamento de lajetas de
betão 0.50x0.50 no exterior, incluindo todos
os materiais e trabalhos inerentes m2 21,00 21,00 21 30,00 630,00
TOTAL 630,00
TOTAL (do Subcapítulo) 7.858,00
4.5 Cantarias
4.5.1 Fornecimento e assentamento de peitoril
completo em pedra da região com canal e
pingadeira, incluindo todos os materiais e
trabalhos inerentes Un
a) Com 2.20 x 0.30 x 0.10 m (J1 e J2) 5,00 5 5 121,00 605,00
b) Com 1.20 x 0.30 x 0.10 m (J3) 1,00 1 1 66,00 66,00
TOTAL 671,00
4.5.2 Fornecimento e assentamento de ombreiras
completas em pedra da região, incluindo
todos os materiais e trabalhos inerentes Un
a) Com 2.00 x 0.30 x 0.10 m (J1) 8,00 8 8 110,00 880,00
b) Com 1.00 x 0.30 x 0.10 m (J2) 2,00 2 2 56,00 112,00
c) Com 0.50 x 0.30 x 0.10 m (J3) 2,00 2 2 28,00 56,00
d) Com 4.50 x 0.30 x 0.10 m (Pe1) 2,00 2 2 246,00 492,00

A14
e) Com 2.00 x 0.30 x 0.10 m (Pe2) 2,00 2 2 110,00 220,00
TOTAL 1.760,00
4.5.3 Fornecimento e assentamento de verga
completa em pedra da região, incluindo todos
os materiais e trabalhos inerentes Un
a) Com 2.20 x 0.30 x 0.10 m (J1 e J2) 6,00 6 6 121,00 726,00
b) Com 1.20 x 0.30 x 0.10 m (J3) 4,00 4 4 66,00 264,00
c) Com 3.70 x 0.30 x 0.10 m (Pe1) 2,00 2 2 203,00 406,00
c) Com 1.00 x 0.30 x 0.10 m (Pe2) 1,00 1 1 56,00 56,00
TOTAL 1.452,00
TOTAL (do Subcapítulo) 3.883,00
4.6 Serralharias
4.6.1 Fornecimento e assentamento de portões em
perfil de alumínio, incluindo todos os
trabalhos inerentes, conforme peças
desenhadas Un
a) Com 3.50 x 4.50 m (Pe1) 2,00 2 2 3.438,00 6.876,00
TOTAL 6.876,00
4.6.2 Fornecimento e assentamento de porta em
perfil de alumínio, com painel de vidro de 6
mm, almofada em chapa de alumínio e
bandeira em grelhas fixas de alumínio,
incluindo todos os trabalhos inerentes,
conforme peças desenhadas Un
a) Com 0.80 x 2.00 m (Pe2) 1,00 1 1 443,00 443,00
TOTAL 443,00
4.6.3 Fornecimento e assentamento de porta em
perfil de alumínio, com folha em chapa de
alumínio, incluindo todos os trabalhos
inerentes, conforme peças desenhadas Un
a) Com 2.00 x 0.70 m (Pi) 3,00 3 3 388,00 1.164,00
TOTAL 1.164,00
4.6.4 Fornecimento e assentamento de janela em
perfil de alumínio com quatro folhas
basculantes e vidro de 6 mm, incluindo todos
os trabalhos inerentes, conforme peças
desenhadas Un
a) Com 2.00 x 2.00 m (J1) 3,00 3 3 1.106,00 3.318,00
TOTAL 3.318,00
4.6.5 Fornecimento e assentamento de janela em
perfil de alumínio, com duas folhas
basculantes e vidro de 6 mm, incluindo todos
os trabalhos inerentes, conforme peças
desenhadas Un
a) Com 2.00 x 1.00 m (J2) 1,00 1 1 553,00 553,00
TOTAL 553,00
4.6.6 Fornecimento e assentamento de janela em
perfil de alumínio, com uma folha basculante
e vidro de 6 mm, incluindo todos os trabalhos
inerentes, conforme peças desenhadas Un
a) Com 1.00 x 0.50 m (J2) 1,00 1 1 139,00 139,00
TOTAL 139,00
4.6.7 Fornecimento e colocação de guarda em aço
galvanizada completa com altura de 1.00 m,
incluindo pintura a tinta de esmalte sobre
sub-capa e todos os materiais e trabalhos
inerentes. m 8.15 8.15 0 139,00 0,00
TOTAL 0,00
TOTAL (do Subcapítulo) 12.493,00
4.7 Cobertura

A15
4.7.1 Fornecimento e colocação de laje aligeirada 9.40 x
tipo PREMOLDE ou equivalente 9.40 +
4.70 x
m2 4.40 109,04 109 47,00 5.124,88
TOTAL 5.124,88
4.7.1.1 Execução de cobertura completa em telha do
tipo aba-canudo, incluindo estrutura pré-
fabricada e todos os trabalhos e materiais
necessários. m2 145,36 145,36 145 59,00 8.576,24
TOTAL 8.576,24
TOTAL (do Subcapítulo) 13.701,00
4.8 Redes internas
4.8.1 Execução de rede de água fria completa em
aço inox, incluindo abertura e fecho de roços,
válvula de seccionamento roscada,
acessórios de montagem e todos os trabalhos
e materiais necessários. Un 1,00 1 1 1.601,00 1.601,00
TOTAL 1.601,00
4.8.2 Execução de rede interior de drenagem de
águas residuais domésticas completa em
PVC para 0,40 MPa, incluindo acessórios e e
todos os trabalhos inerentes. Un 1,00 1 1 1.383,00 1.383,00
TOTAL 1.383,00
4.8.3 Fornecimento e instalação de tubagem em
PVC com f150 para drenagem de águas
pluviais da cobertura, incluindo acessórios e
todos os trabalhos necessários. Un 1,00 1 1 1.601,00 1.601,00
TOTAL 1.601,00
TOTAL (do Subcapítulo) 4.585,00
4.9 Desidratação de lamas
4.9.1 Unidade compacta de
espessamento/desidratação de lamas do tipo
"MONOBELT", com tela de 1,5 m incluindo
bomba de lavagem e todos os acessórios. Un 1,00 1 1 48.882,19 48.882,19
TOTAL 48.882,19
4.9.2 Sistema de preparação manual e doseamento
de polielectrólito em polietileno de 1000l, com
electroagitador e indicador de nível, bomba
doseadora de rotor excêntrico incluindo todas
as tubagens e acessórios. Un 1,00 1 1 11631,97 11631,97
TOTAL 11631,97
4.9.2 Fornecimento e montagem de
electrocompressor próprio para um caudal de
7m 3/h. e uma pressão de 7 bar Un 1,00 1 1 1.132,00 1.132,00
TOTAL 1.132,00
4.9.3 Fornecimento e montagem de electroagitador
no tanque de lamas Un 1,00 1 1 1.317,00 1.317,00
TOTAL 1.317,00
4.9.4 Fornecimento e montagem de indicador de
nível do tipo ultrassónico no tanque de lamas,
com indicação no quadro eléctrico
Un 1,00 1 1 1.198,00 1.198,00
TOTAL 1.198,00
4.9.5 Fornecimento e montagem de bomba de
alimentação de lamas do tipo rotor excêntrico
de caudal regulável, própria para um caudal
de 2-8 m 3/h e uma pressão de 2 bar m 1,00 1 1 3.089,00 3.089,00
TOTAL 5.485,00
4.9.6 Fornecimento e assentamento de tubagem e
acessórios em aço inox para alimentação de
lamas Conj 1,00 1 1 2.514,00 2.514,00
TOTAL 2.514,00

A16
4.9.7 Fornecimento e assentamento de tubagens,
válvulas e acessórios em PVC p/ as bombas
doseadoras Conj 1,00 1 1 420,00 420,00
TOTAL 420,00
4.9.8 Fornecimento e montagem de grupos
electrobomba p/água de lavagem de eixo
vertical para Q= 6.0 m 3/h e Hm=70 m.c.a un 1,00 1 1 1.400,00 1.400,00
TOTAL 1.400,00
4.9.9 Fornecimento e montagem de reservatório de
água em PRV com capacidade para 5.0 m 3
un 1,00 1 1 1.200,00 1.200,00
TOTAL 1.200,00
4.9.10 Fornecimento e assentamento de tubagens,
válvulas e acessórios p/as bombas água de
lavagem Conj 1,00 1 1 2.096,00 2.096,00
TOTAL 2.096,00
4.9.11 Fornecimento montagem de ventilador de
tecto, para o caudal de 1600 m 3/h a 6 m.c.a.
Un 1,00 1 1 839,00 839,00
TOTAL 839,00
4.9.12 Fornecimento de contentores apropriados
para armazenamento de lamas desidratadas
com capacidade para 6 m 3 Un 1,00 1 1 1.467,00 1.467,00
TOTAL 1.467,00
TOTAL (do Subcapítulo) 67.950,00
4.10 Ventilação e remoção de odores
4.10.1 Fornecimento e montagem de filtro de carvão
activado com 3.0 m de diâmetro e 3538 kg de
carvão, incluindo electroventilador centrífugo
para um caudal de 8500 m 3/h e todos os
acessórios inerentes Un 1,00 1 1 45.600,00 45.600,00
TOTAL 45.600,00
TOTAL (do Subcapítulo) 45.600,00
TOTAL (do Capítulo) 198.700,00
ESTAÇÃO ELEVATÓRIA DE
5 ESCORRÊCIAS E DRENADOS
5.1 Trabalhos preliminares
5.1.1 Reabilitação e regularização das superfícies
em contacto com efluente, incluindo remoção
total da pintura, picagem das superfícies
degradadas, aplicação de novo revestimento
à base de argamassas para reparação
não-retrátil tipo "MOTEX DUR PLUS" da
"WEBER", tratamento anti-corrosivo de
eventuais armaduras expostas e todos os
trabalhos e acessórios necessários à boa
2
realização do trabalho (valor estimado). m 6,40 6,40 6 37,50 240,00
TOTAL 240,00
5.1.2 Reabilitação e regularização das superfícies
exteriores, incluindo remoção total da pintura,
picagem das superfícies degradadas,
aplicação de novo revestimento à base de
argamassa para reparação não-retrátil tipo
"MOTEX DUR BASIC" da "WEBER", ou
equivalente, tratamento anti-corrosivo de
eventuais armaduras expostas e todos os
trabalhos e acessórios necessários à boa
realização do trabalho (valor estimado). m2 6 6 6 27,50 165,00
TOTAL 165,00

A17
5.1.3 Selagem de eventuais fissuras em estruturas
de betão mediante a injecção de caldas
poliméricas de baixa viscosidade isentas de
solventes, à base de resinas epoxídicas, do
tipo "SIKADUR 52 INJECTION" da "SIKA" ou
equivalente em fissuras com menos de 5mm
de afastamento, e à base de resina de
poliuretano, do tipo "SPETEC PUR 51" da
"TECNOCRETE" ou equivalente, nas
restantes situações (valor estimado). ml 2 2 2 60,00 120,00
TOTAL 120,00
TOTAL (do Subcapítulo) 405,00
5.2 Betões
5.2.1 Preparação das superfícies de betão
endurecido nas zonas de contacto com novo
betão, incluindo picagem para tornar rugosa,
limpeza, desengorduramento e aplicação de
um ligante do tipo "IKOSIT KC 220/60" da
"SIKA", ou esquivalente. m2 1,00 1,00 1,00 22,50 22,50
TOTAL 22,50
5.2.2 Fornecimento e aplicação de betão C35/45
(XA3, NP EN206), incluindo, armaduras de
aço A400NR, cofragens, descofragens,
escoramentos, juntas de trabalho na base das
paredes e ou quando indicado nos desenhos,
tratamento das juntas de betonagem,
operações de cura e todos os trabalhos e
materiais necessários e complementares, de
acordo com o definido no Caderno de
Encargos e com os desenhos e pormenores
do projecto. m3 2,50 2,50 3 450,00 1.125,00
TOTAL 1.125,00
5.2.3 Fornecimento e aplicação de betão simples
C25/30 em enchimentos, incluindo cofragens
e descofragens e todos os materiais e
trabalhos necessários. m3 1,00 1,00 1 90,00 90,00
TOTAL 90,00
TOTAL (do Subcapítulo) 1.238,00
5.3 Revestimentos
5.3.1 Pintura, após acabamentos, das faces de
estrutura de betão armado em contacto com o
efluente com resina epóxidica do tipo
"POXITAR-N" da "SIKA", ou equivalente,
aplicada em duas demãos cruzadas, incluindo
todos os trabalhos e materiais necessários. m2 6,40 6,40 6 13,00 83,20
TOTAL 83,20
5.3.2 Pintura em superfícies exteriores à vista com
tinta acrílica para protecção do betão, de alta
resistência, do tipo "SIKAGARD 681-S
BETONCOLOR-incolor" da "SIKA", ou
equivalente, incluindo todos os trabalhos e
2
materiais necessários. m 6,00 6,00 6,0 11,00 66,00
TOTAL 66,00
TOTAL (do Subcapítulo) 150,00
5.4 Equipamento electromecânico
5.4.1 Fornecimento e montagem de grupo
electrobomba submersível de impulsor tipo
vorte x ou monocanal para água residual com
uma concentração de sólidos máxima de 3%,
para Q = 6.0 l/s, H = 3,55 m.c.a., pedestal,
guias de elevação e todos os acessórios de
montagem necessários. Un 2,00 2,00 2 2.068,74 4.137,47
TOTAL 4.137,47

A18
5.4.2 Fornecimento e montagem de sondas de
nível do tipo bóia com interruptor mecânico,
incluindo cabos de ligação ao quadro eléctrico
e caixas de transição Un 4,00 4,00 4 125,00 500,00
TOTAL 500,00
TOTAL (do Subcapítulo) 4.637,00
5.6 Serralharia
5.6.1 Fornecimento e colocação de tampas em
chapa xadrez, para abertura com 1.00 x 0.80
m na câmara de válvulas, incluindo um aro
comum em perfis de ferro, metalização,
tratamento anti-corrosivo, pintura e todos os
trabalhos acessórios e complementares,
conforme Peças Desenhadas e C.E. Un 1 1 1 280,00 280,00
TOTAL 280,00
5.6.2 Fornecimento e colocação de tampas em
chapa xadrez, para abertura com 1.60 x 1.00
m na câmara de válvulas, incluindo um aro
comum em perfis de ferro, metalização,
tratamento anti-corrosivo, pintura e todos os
trabalhos acessórios e complementares,
conforme Peças Desenhadas e C.E. Un 1 1 1 500,00 500,00
TOTAL 500,00
TOTAL (do Subcapítulo) 780,00
TOTAL (do Capítulo) 7.200,00
6 DIVERSOS
6.1 Tubagem de ligação entre órgãos
6.1.1 Reabilitação do circuito de tubagens de
ligação entre órgãos, incluindo fornecimento e
assentamento de tubagem corrugada nos
trechos gravíticos, parede lisa nos circuitos
em pressão e ferro fundido dúctil quando à
vista, construção de câmaras de visita tipo e
maciços de amarração e todos os trabalhos e
materiais acessórios necessários à realização
da tarefa, nomeadamente a eventual remoção
de tubagens, câmaras de visita e outros
elementos existentes que interfiram com os
novos circuitos. VG 1 1 1 8.000,00 8.000,00
TOTAL 8.000,00
6.1.2 Execução de câmara de by-pass quadrada,
em betão simples, com tampa metálica
incluindo válvula mural VG 4 4 4 586,50 2.346,00
TOTAL 2.346,00
6.1.3 Fornecimento e montagem de cesto de
recolha de detritos em aço inoxidável AISI
316 e cabo de material sintético com
resistência à rotura não inferior a 5kN,
incluindo guias e todos os trabalhos e
acessórios necessários VG 1 1 1 300,00 300,00
TOTAL 300,00
TOTAL (do Subcapítulo) 10.646,00
6.2 Instalações eléctricas e de comando
6.2.1 Execução de circuitos alimentação e controlo
dos novos equipamentos instalados e
compatibilização ou substituição dos
equipamentos existentes que se verifiquem
desadequados ou defeituosos, incluindo
fornecimento e instalação de cabos eléctricos,
reabilitação de quadros eléctricos,
compatibilização do sistema de controlo
(autómato programável) e todos os trabalhos
e acessórios necessários ao correcto VG 1 1 1 7.000,00 7.000,00

A19
funcionamento da instalação.

TOTAL 7.000,00
TOTAL (do Subcapítulo) 7.000,00
6.3 Rede de água de serviço
6.3.1 Execução de rede de água de serviço para
reutilização da água tratada em trabalhos de
operação e manutenção da ETAR, incluindo
fornecimento e montagem de grupo
hidropressor, fornecimento e instalação de
tubagem de distribuição e bocas de rega, e
todos os trabalhos, materiais e acessórios
necessários à realização da tarefa. VG 1 1 1 4.500,00 4.500,00
TOTAL 4.500,00
TOTAL (do Subcapítulo) 4.500,00
TOTAL (do Capítulo) 22.100,00
TOTAL DA REABILITAÇÃO DA ETAR 962.200,00

Resumo do Orçamento
Trabalhos Preliminares 60 200 €
Estaleiro 25 000 €
Trabalhos Preparatórios 15 000 €
Acessos, Arruamentos e Arranjos Exteriores 16 700 €
Trabalhos Finais 3 500 €
Reabilitação da ETAR 962 200 €
Bacia de Retenção e reabilitação da Estação Elevatória 82 000 €
Obra de Entrada 102 900 €
Reactor Biológico 549 300 €
Tratamento de Lamas 198 700 €
Estação Elevatória de escorrências e drenados 7 200 €
Diversos 22 100 €
Total sem arredondamento 1 022 400 €
Arredondamento -22 400 €
Total 1 000 000 €

A20
Reabilitação da ETAR do Magoito Recorrendo a Reactores
Biológicos por Membranas
(Volume II)

Projecto Base

Cátia Liliana Pereira Henriques

Dissertação/Projecto para a obtenção do Grau de Mestre em:


Engenharia Civil

Júri
Presidente: Prof.º João Hipólito
Orientador: Prof.º José Saldanha Matos
Eng.ª Marisa Silva
Vogal: Prof.ª Helena Pinheiro

Setembro de 2009
i
Reabilitação da ETAR do Magoito Recorrendo a Reactores
Biológicos por Membranas
(Volume II)

Projecto Base

Cátia Liliana Pereira Henriques

Dissertação/Projecto para a obtenção do Grau de Mestre em:


Engenharia Civil

Júri
Presidente: Prof.º João Hipólito
Orientador: Prof.º José Saldanha Matos
Eng.ª Marisa Silva
Vogal: Prof.ª Helena Pinheiro

Setembro de 2009

ii
iii
Índice de Peças Desenhadas

Número Designação Escala


1 Planta de localização da ETAR de Magoito 1:25 000/1:5 000
2 Planta topográfica e de cadastro da ETAR de Magoito 1:500
3 Diagrama de Blocos da ETAR – Situação actual -

4 Diagrama de Blocos da ETAR – Solução adoptada -


5 Planta de Implantação da ETAR – Situação Actual 1:500
6 Planta de Implantação da ETAR – Sobreposição 1:500
7 Planta de Implantação da ETAR – Solução Adoptada 1:500
Planta de Funcionamento da ETAR – Solução
8 1:500
Adoptada
9 Perfil da ETAR de Magoito 1:200
10 Bacia de retenção – Planta, Cortes e Pormenores 1:100
11 Obra de entrada – Planta, Cortes e Pormenores 1:100
Tanque de regularização e reactor biológico por
12 1:200
membranas – Planta, Cortes e Pormenores
13 Reservatório final – Planta, Cortes e Pormenores 1:100
Estação elevatória de escorrências e drenados –
14 1:100
Planta, Cortes e Pormenores
Edifício de tratamento de lamas – Alçados e
15 1:100
Pormenores
Edifício de tratamento de lamas – Planta, Cortes e
16 1:100
Pormenores
Perfil longitudinal dos colectores gravíticos do circuito
17 H - 1:2 000; V - 1:200
principal e da conduta elevatória do circuito de lamas
Perfil longitudinal dos colectores gravíticos e conduta
18 H - 1:2 000; V - 1:200
elevatória do circuito de escorrências e drenados
Perfil longitudinal dos colectores gravíticos e da
19 H - 1:2 000; V - 1:200
conduta elevatória do circuito by-pass
Rede de distribuição de água de serviço e rega da
20 1:200
ETAR
21 Portão e vedação da ETAR – Desenho Tipo 1:50
22 Câmaras de visita – Desenho Tipo 1:50
23 Caixa de visita 1 e 4 - Planta, Cortes e Pormenores 1:50
24 Caixa de visita 9 e 18 - Planta, Cortes e Pormenores 1:50
Ligação de Tubagens a Paredes de Betão – Desenho
25 1:50
Tipo
26 Valas – Desenho Tipo 1:50

iv

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