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Francisco Lobão

Manuel Lobão

Bioquímica e Biofísica
Professora Ana Cristina Santos – acsantos@fmed.uc.pt

Professora Vera Silva – vera.7.silva@gmail.pt


Licenciatura de Enfermagem – 1º Ano

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Francisco Lobão
Manuel Lobão

Índice
Revisões ........................................................................................................................................ 5
Química Orgânica ..................................................................................................................... 5
Hidrocarbonetos .................................................................................................................... 5
Marcadores Tumorais.................................................................................................................. 10
Susceptibilidade genética ........................................................................................................ 10
Alteração genética em tumores ............................................................................................... 11
Progressão do cancro............................................................................................................... 11
Cancro: Manifestações clinicas ............................................................................................... 11
Marcadores tumorais ............................................................................................................... 12
Natureza Bioquímica ............................................................................................................... 12
Mama....................................................................................................................................... 14
Cancro Colorrectal .................................................................................................................. 14
Adenocarcinoma da próstata ................................................................................................... 14
Pâncreas................................................................................................................................... 15
Bexiga ..................................................................................................................................... 15
Ácidos gordos – Lípidos ............................................................................................................. 16
Esteróis e Esteróides ............................................................................................................... 18
Ácidos Biliares ........................................................................................................................ 19
Revisões de DNA e RNA ............................................................................................................ 20
Estrutura DNA ........................................................................................................................ 20
Estrutura RNA ......................................................................................................................... 20
DNA e RNA ............................................................................................................................ 21
Mutações ................................................................................................................................. 22
Clonagem ................................................................................................................................ 22
Estrutura da membrana celular .................................................................................................... 24
Transporte da membrana ......................................................................................................... 25
Movimento de macromoléculas através da membrana ........................................................... 26
Vitaminas .................................................................................................................................... 27
Metabolismo de Lípidos – Oxidação lipídica.............................................................................. 28
Metabolismo dos Esfingolípidos ............................................................................................. 30
Metabolismo dos Glícidos....................................................................................................... 30
Obtenção de ATP ................................................................................................................ 33

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Proteínas – metabolismo proteico ............................................................................................... 35


Catabolismo proveniente do azoto de aminoácidos .................................................................... 37
Catabolismo dos aminoácidos ................................................................................................. 37
Metabolismo dos aminoácidos ................................................................................................ 37
Formação da amónia ................................................................................................................... 38
Ciclo da ureia – 4 passos ......................................................................................................... 38
Bioquímica – TP’s ........................................................................................................................ 39
Osmolaridade .......................................................................................................................... 39
Problema 1: ......................................................................................................................... 39
Problema para casa 1: ......................................................................................................... 40
Pressão osmótica .................................................................................................................... 41
Exercício 1: .......................................................................................................................... 41
Problema para casa 2: ......................................................................................................... 41
Água e massa muscular ........................................................................................................... 42
Oxidação dos ácidos gordos .................................................................................................... 42
Rendimento energético: ..................................................................................................... 42
Exercício 1: .......................................................................................................................... 43
Exercício 2: .......................................................................................................................... 43
Exercício 3: .......................................................................................................................... 44
Rendimento energético .......................................................................................................... 44
Exercício 1: .......................................................................................................................... 44
Exercício 2: .......................................................................................................................... 46
Exercício 3: .......................................................................................................................... 49
Hemoglobinémia ..................................................................................................................... 51
Exercício 1: .......................................................................................................................... 51
Exercício 2: .......................................................................................................................... 51
Exercício 3: .......................................................................................................................... 51
PH ............................................................................................................................................ 53
Exercício 1: .......................................................................................................................... 53
Exercício 2: .......................................................................................................................... 54
Exercício 3: .......................................................................................................................... 54
Exercício 4: .......................................................................................................................... 56
Exercício 5: .......................................................................................................................... 56

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Álcool....................................................................................................................................... 57
Exercício 1: .......................................................................................................................... 57
Exercício 2: .......................................................................................................................... 58

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Revisões
Química Orgânica
Hidrocarbonetos
 Alifáticos
 Aromáticos (contém benzeno)
C1 Met
C2 Et
Alifáticos C3 Prop
C4 But
Estrutura – cadeia aberta ou fechada
C5 Pent
Nomenclatura – prefixo depende do nº de átomos carbonos
C6 Hex

Alcanos
Fórmula geral
 Cadeia aberta – CnH2n+2
 Cíclicos – CnH2n
Estrutura – todas as ligações são simples
Nomenclatura
 Sufixo: -ano
 Nos compostos cíclicos o nome deve ser precedido do prefixo
“ciclo”

Alcenos
Fórmula geral
 Cadeia aberta – CnH2n
 Cíclicos – CnH2n-2
Estrutura – uma ou mais ligações duplas
Nomenclatura
 Sufixo: -eno
 Nos compostos cíclicos o nome deve ser precedido do prefixo
“ciclo”

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Alcinos
Fórmula geral
 Cadeia aberta – CnH2n-2
 Cíclicos – CnH2n-4
Estrutura – uma ou mais ligações triplas
Nomenclatura
 Sufixo: -ino
 Nos compostos cíclicos o nome deve ser precedido do prefixo
“ciclo”

Aromáticos

Compostos aromáticos

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Necessário saber a fórmula


química do colestano para
poder fazer as fórmulas
químicas de outros compostos a
partir dele.

Muito importante saber pois é a


fórmula química do colesterol.

Δ5 – Significa que há uma


ligação dupla no carbono 5 até
ao seguinte, carbono 6.
Δ5-10 – Significa que se verifica
a ligação dupla do carbono 5
para o carbono 10.

Grupos Funcionais

1. Álcoois 6. Aminas
2. Éteres 7. Amidas
3. Aldeídos 8. Ésteres
4. Cetonas 9. Aminoácidos
5. Ácidos 10. Ácidos nucleicos
carboxílicos

Álcoois
Estrutura: possuem um ou mais grupos hidroxilo (R – OH) ligados há cadeia
carbonada
Nomenclatura: substitui-se o O (de etano por ex.) por OL como etanol ou
ÁLCOOL mais o alcano terminado em ÍLICO como álcool etílico

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Éteres
Estrutura: R – O – R’
Nomenclatura: éter acompanhado pelo nome dos 2 radicais ligados ao O, por
ordem alfabética

Aldeídos
Estrutura:

Nomenclatura: substitui-se o O (de etano por ex.) por al como etanal

Cetonas
Estrutura:

Nomenclatura: substitui-se o O (de etano por ex.) por ona como propanona
(acetona)

Ácidos carboxílicos
Estrutura:

Nomenclatura: adiciona-se anteriormente a palavra ácido e substitui-se o


O (de etano por ex.) por óico como ácido butanóico

Ésteres
Estrutura:

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Nomenclatura: substitui-se o sufixo ico (dos correspondentes ácidos


carboxílicos) por ato de alquilo ou arilo

Amidas
Estrutura:

Nomenclatura: acrescenta-se ao nome do hidrocarboneto correspondente


o sufixo amida

Aminas
Estrutura:

Nomenclatura: indica-se o nome dos radicais ligados ao átomo de azoto,


por ordem alfabética, seguido do termo Amina

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Marcadores Tumorais
DNA- Molécula orgânica que reproduz o código genético

Divisão celular

 Interfase: Aumento de volume e duplica os seus cromossomas


 Mitose: Processo de divisão celular
Gene-> sequência de nucleótido na molécula de DNA que codifica a síntese de uma
determinada proteína
Oncogene-> activado é causador do cancro
Proto oncogene -> gene oposto ao normal do oncogene
Gene supressor -> gene que controla negativamente o ciclo de divisão celular
Exão-> segmento do gene codificante de aminoácidos de uma proteína
Intrão-> segmento de gene não codificante

Avaliação mutagenicidade

 Análise citogenética – avalia a alteração estrutural do cromossoma


 Pesquisa micronúcleos (teste do micronúcleo)
 Analise de aberrações cromossómicas
 Identificados na fase interfásica
 Fragmentos resultantes de deleções cromossómicas
 Linfócitos de sangue periférico, fibroblastos; células epiteliais da boca…
 Método não invasivo
 Permite colheitas sucessivas

Susceptibilidade genética
 Variações interindividuais na herança de genes envolvidos no metabolismo do
agente mutagénico
 Enzimas:
 Citocromo P450 (fígado)
 Glutatitão S – Transferase

Como surgem os tumores?

 Exposição a agentes mutagénicos


 Capacidade adaptativa de reparação no DNA
 Susceptibilidade genética

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Alteração genética em tumores


 Activação de oncogenes
 Aumento da expressão do mye, erb-2; factor de crescimento epidérmico (EGFR)
 Amplificação genética do bcl-1, int-2, hist-1…
 Inactivação de genes supressores (geralmente estão inactivadas nas células
cancerigenicas)
 Mutações: diminuição da expressão ; deleções cromossómicas
 P16 e P53 inibe crescimento e multiplicação celular se detectar danos no DNA

Carcinogénese:
1. Lesão do DNA inicial (efeitos carcinogénicos) – tabaco; radiações;
produtos químicos; vírus
2. Quebras e rearranjos cromossómicos, replicação genética
3. Selecção de células mutantes – Clonacidade - reactivação de proto
oncogenes e activação de genes supressores de tumor

Progressão do cancro
1. Iniciação (células com alteração genética);
2. Promoção (hiperplasia- aumento do nº de células)
3. Progressão (displasia, cancro benigno e cancro invasivo “maligno”)

Cancro: Manifestações clinicas


Factores:

 Tipo de tumor
 Tecido afectado
 Estágio de desenvolvimento do tumor

Avaliação Laboratorial:

 Detecção (triagem)
 Confirmação
 Classificação e estadionese
 Monotorização da terapia

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Marcadores tumorais
 Qualquer parâmetro bioquímico cuja detecção em tecido ou líquido biológico
possa indicar a presença de um tumor

Tipos de marcadores:

Directos – Substancias normalmente presente no individuo e produzida em muito


maior quantidade no paciente com cancro, ou apenas presente num determinado

momento da vida e que volta a produzir-se quando o doente tem cancro (onco-fetais).
Ex: algumas hormonas
Indirectos – Substancia normalmente presente no individuo sadio e que passa a ser
produzida em quantidades anormais, em resposta a presença de um tumor.
Ex: algumas enzimas

Natureza Bioquímica
 Proteínas
 Enzimas
 Receptores celulares
 Hormonas
 Regiões genéticas
Marcador tumoral ideal:

 Alta especificidade (não ser detectado em doenças benignas ou indivíduos


saudáveis)
 Alta sensibilidade (detectado precocemente, quando apenas algumas células
neoplásicas estiverem presentes)
 Órgão específico
 Boa correlação como volume tumoral
 Boa correlação como prognostica
 Fácil execução
 Baixo custo
Enzimas como marcadores tumorais:

 Fosfatase alcalina = tecido e órgão – alvo


 Fígado; ossos; testículos

Proteínas como marcadores tumorais

 Alfa-fetoproteína  Fígado
 Ferritina  Mama

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Compostos baixo peso molecular

 Hidroxiprolina  Osso (metástase)


 Poliaminas  Cólon; recto ….

Hormonas como marcadores tumorais

 Paratormona  Hepático renal; mamário; pulmonar


 Gastrina  Glucogonoma (Glucose +agonista)
 Calcitonina  Tiróide

Marcadores de risco de CANCRO

 Oncogenes (genes que são reactivados)


 Genes supressores: P53

P53:

 Gene supressor de tumor localizado no braço curto de cromossoma 17


 Regula a transcrição de outros genes
 Deleções e mutações no gene P53, ocorrem na carcinogénese do cancro do cólon
 Envolvido na morte programada (apoptose de células anormais)
O P53 é importante pelo menos de dois modos:
1. A presença de mutações P53 em tumores, sobretudo no cólon e mama indicam
um cancro mais agressivo com menores perspectivas de sobrevivência
2. O P53 usado na prevenção de tumores
a. A inserção do P53 normal em pacientes com cancro pode ser um
tratamento efectivo do cancro

Células em crescimento: Ki67


Facilmente detectada em células de crescimento, é útil para determinar a taxa de
crescimento de um tumor
 Biopsias
 Amostras de tecido tumoral
(acompanhar o crescimento do tumor e para possíveis terapêuticas apropriadas ao tumor
em causa)

PCNA – células em crescimento


Proteína que atua como factor de progressão para a polimerase delta do DNA nas
células eucariotas.

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Mama
 CEA  Antigénio carcinoembrionário
 CAs Carbohidratos
 CA 15-3 (antigénio Carbohidrato)
 Utilizado para avaliação de massas pélvicas
 Monitorização de pacientes com adenocarcinoma de ovário

Em doenças não neoplásicas, os valores podem estar elevados (hepatite cronica;


infecção urinaria e cirrose).
 CA27-29
 Na detecção de recorrência do cancro da mama.

Glicoproteína P170 (encontra-se na membrana plasmática do fígado e do intestino)

 Actua como uma bomba que expulsa substâncias nocivas do interior das células
para o exterior, participando em desintoxicações.
 Pode apresentar níveis elevados no tumor da mama e conferir resistência a
numerosos fármacos antineoplásicos
Porque os expulsa e não permite que eles actuem

Cancro Colorrectal
Pode estar elevado em fumadores; patologias benignas
Antigénio carcinoembrionário = CEA (avaliação prognostica; seguimento de doentes
com cancro com cancro Colorrectal tratado)
 Valores elevados devido a neoplasias malignas do colon e recto; fígado;
pâncreas e doenças não neoplásicas (hepatite cronica; linfoma)

Adenocarcinoma da próstata
 Antigénio específico – PSA
 Valores normais: abaixo 4 (ng/ml)
 Valores elevados por:
 Hiperplasia prostática;
 Neoplasia da próstata;
 Prostatite.
PSA Densidade  Relação entre PSA sérico e o volume prostático definido pela
ecografia transrectal.

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Indicações
 Exame anual para os homens a partir dos 50 anos;
 Detecção precoce de progressão ou recorrência da neoplasia da próstata;
 Seguimento de pacientes apos terapia sistémica cirúrgica ou radioterapia

Pâncreas
 CA-19-9
 Avaliação de lesões pancreáticas;
 Avaliação de eficácia da quimio pré-operatória em cancro do pâncreas;
 Seguimento de doentes com cancro tratado;
 Avaliação prognostica pós-operatória
Valores normais: menores que 40 UI/ml
Valores aumentam devido à neoplasia maligna do pâncreas; mama; próstata;
cabeça; cálculo biliar; cólon

 Não é útil para rastreio; utilizada como diagnóstico diferencia entre pancreatite
cronica e cancro do pâncreas; existe correlação entre o nível sérico e o tamanho
do tumor.

Bexiga
BTA (o antigénio de tumores da bexiga é uma proteína de elevado peso molecular)
Como identificar um marcador tumoral?

Citoquímica; Citometria de fluxo; Histoquímica; Análises citoplasmáticas do sangue;


urina; Líquido amniótico
Tecnologia de microarrays (identificação de novos marcadores tumorais)

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Ácidos gordos – Lípidos


Ácidos gordos saturados com número par de carbonos mais comuns

Fórmula geral: H₃C(CH₂)c COOH

C1 – ácido metanóico ou fórmico C14 – ácido mirístico


C2 – ácido etanóico ou acético C16 – ácido palmitico
C3 – ácido propamóico C18 – ácido esteárico
C4 – ácido butirico C20 – ácido araquidico
C5 – ácido valérico C22 – ácido beémico
C6 – ácido capróico C24 – ácido liguocirico
C8 – ácido caprilico C26 – ácido ceródico
C10 – ácido cáprico C28 – ácido montâmico
C12 – ácido láurico

Ácidos gordos derivados dos hidrocarbonetos


Saturação:
 Insaturados – monoinsaturados e polinsaturados
Ligações duplas entre carbonos
 Saturados – sem ligações duplas
 C16 (acido palmítico)
 C18 (acido esteárico)
Não são reutilizados pelos mamíferos e são indispensáveis na dieta alimentar.

Lípidos derivados de ácidos Gordos

1. Triacilgliceróis

 Síntese no fígado; Formam-se 3 ácidos gordos que se ligam a um glicerol


(palmítico; oleico e cáprico)
 Simples: Composta por 3 ácidos gordos iguais
 Mistos: composta por pelo menos 2 ácidos gordos
diferentes

Função:
 Reserva energética;
 Isolamento térmico;
 Flutuação.

Monoglicerídeo = éster de glicerol +1 ácido gordo (palmítico)


Diglicerídeo = éster de glicerol + 2 ácidos gordos (palmítico e oleico)

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2. Glicerofosfolipídeos
 Deriva do ácido fosfatídico
 Anfipáticos (cauda hidrofóbica e cabeça hidrofílica)
Ácidos gordos (apolar) Grupo fosfato
Função – Componentes estruturais da membrana

3. Esfingolípidos
 Derivados da esfingosina (amina alcoólica)
 Cabeça polar e duas caudas apolares mas não contem glicerol
 Três componentes fundamentais:
 Um grupo polar
 Ácido gordo
 Uma estrutura esfingóide

4. Ceras
 Álcool oleoil e ácido esteárico

Função
 Reserva energética;
 Impermeabilização;
 Lubrificação;
 Flutuação.

5. Eicosanóides
 Substancias com vinte átomos de carbono derivados de ácidos gordos essenciais;
 São produzidos pela maioria das células, excepto hemácias, a partir de ácidos
gordos essenciais (Ex: Ácido Linoléico, Ácido Araquidónico e ∝-Linoléico);
Origina
Ácido Linoléico  Ácido Araquidónico  Prostaglandinas; Tromboxanos;
Leucotrienos

 Medidores da resposta inflamatória.

Função – Moléculas sinalizadoras


 Sistema cardiovascular
 Dor e inflamação (asma)
 Sistema respiratório (broncodilatadores)
 Sistema digestivo
 Sistema reprodutivo

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Os Eicosanóides subdividem-se em 3 classes:

 Prostaglandinas:
 Controlo da Pressão Arterial;
 Estimulação contracção da musculatura lisa;
 Indução da resposta inflamatória;
 Inibição da agregação de plaquetas.

 Tromboxanos:
 Estimulação contracção da musculatura lisa;
 Indução da agregação de plaquetas.
 Leucotrienos:
 Estimulação contracção da musculatura lisa;
 Indução da resposta alérgica;
 Indução da resposta inflamatória.

Esteróis e Esteróides
 Componentes membranares (esteróis)
 Sinalização hormonal (esteróides)
 Precursores de ácidos biliares e vitamina D3 (esteróis)
 Tratamento de Doenças inflamatórias (Ex: asma, arterite e reumatismo)

Esteróis (Colesterol)
Molécula anfipática
Percursor de hormonas esteróides (Ex: testosterona e
progesterona)
Funções:
 Constituinte das membranas celulares;
 Regula a fluidez da membrana em diversas faixas da temperatura;
 Reduz a permeabilidade da membrana plasmática aos iões de Hidrogénio e
sódio;
 Ajuda na produção da bílis;
 Importante para o metabolismo das vitaminas A, D, E e K.

Testosterona: Funções-
 Hormona sexual masculino que controla o crescimento e desenvolvimento dos
órgãos reprodutores masculinos e das características sexuais secundaria

Progesterona e estrogénio  Estimula a ovulação e afecta proteínas no fígado


Hormona sexual feminina que actua na preparação do endométrio do útero para
a implantação do óvulo fecundado.

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Ácidos Biliares

Derivados polares do colesterol que actuam como detergentes no intestino promovendo


a emulsificação dos lípidos para os tornarem mais acessíveis às lípases digestivas
Ex: acido tanrocócico
Acido glicocólico

Colesterol (3-hidroxi-Δ5 colesterol)

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Revisões de DNA e RNA


Ácidos nucleicos;
 Armazenam e transitem a informação hereditária
 Dois tipos:
 Ácido desoxirribonucleico (DNA)
 Ácido ribonucleico (RNA)
 São polímeros de nucleótidos
 Cada nucleótido é composto por três elementos:
 Base azotada
 Pentose
 Grupo de fosfato

 Dois tipos de bases azotadas quer o DNA como no RNA:


 Pirimidinas:
 No DNA- Adenina e Timina
 No RNA- Uracilo e Adenina
 Purinas: Guanina e citosina

 Quer o DNA quer o RNA são polinucleótidos. Os nucleótidos estão ligados uns aos
outros através de ligações fosfodiesterase entre o C3’ de um nucleótido e o C5’ do
nucleótido contiguo

Estrutura DNA = HELICOIDAL DUPLA


 Molécula dupla em que as duas cadeias polinucleotidicas estão ligadas uma à
outra através de um emparelhamento de bases específicas. A adenina de uma
cadeia forma ligações de hidrogénio com a timina da outra cadeia e a guanina d
uma cadeia com a citosina da outra cadeia  Diz-se que as duas cadeias são
complementares mas são antiparalelas
 Localiza-se no núcleo de mitocôndrias e cloroplastos
 Nos ácidos nucleicos, os nucleótidos ligam-se por ligações covalentes que se
estabelecem entre o grupo fosfato de um nucleótido e a pentose do nucleótido
seguinte

Estrutura RNA
 Cadeias poliribonucleicas (adenia, uracilo, guanina e citosina)
 Cadeia simples de polinucleótidos
 Localiza-se no hieloplasma
 Três tipos:
 RNA de transferência
 RNA mensageiro
 RNA ribossómico

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DNA e RNA
Histomas são as proteínas principais da cromatina “actuam como molas” em torno do
DNA
Ex: H1; H2A; H2B; H3 E H4

 A molécula de DNA possui capacidade de se auto-reproduzir, isto é, copiar a sua


própria informação, no processo designado por replicação.

Replicação do DNA
 Replicação Semi-conservativa
 Ocorre de 5’ para 3’
 As duas cadeias antiparalelas são replicadas em simultâneo
 Usam-se primeres de RNA para iniciar uma nova cadeia

 A hipótese mais aceite para a replicação do DNA é a replicação semi-conservativa.


As duas cadeias de dupla hélice de DNA, na presença de enzimas especificas
(DNApolimerases) separam-se por rotura das ligações de hidrogénio. Cada cadeia serve
de molde à formação de uma cadeia complementar a partir dos nucleótidos livres.
As cadeias complementares desenvolvem-se em direcção antiparalela em relação à
cadeia que serve de molde, no sentido 5’ 3’

Semi-conservativa = assim designada por permanecer, em cada uma das moléculas


formadas, uma das cadeias de polinucleótidos da molécula inicial.
Assim designada por permanecer em cada uma das moléculas formadas uma das cadeias
de polinucleótidos da molécula inicial.

A passagem da linguagem do DNA para a linguagem das proteínas envolve duas etapas:
 Transcrição – Síntese do mRNA a partir do DNA
O complexo enzimático RNApolimerase, fixa-se sobre uma curta sequencia do DNA e
desliza ao longo dela, provocando a sua abertura e iniciando a transcrição e a síntese do
mRNA.
A cadeia molde é lida de 3’  5’ e o mRNA é sintetizado de 5’  3’
 Tradução- (3 etapas)
 Iniciação – Começa com um codão específico: codão iniciação (AUG)
 Alongamento
 Reticulo endoplasmático

O código genético baseia-se em conjuntos de base de DNA (4 bases para 20 aa com 64


combinações diferentes entre eles)

Codões de stop (UAA; UAG; UGA)

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Estabilidade de DNA:
 Pontos de hidrogénio entre cadeias
 Forças de Van der Walls entre as bases empilhadas
O emparelhamento de bases devido à complementaridade entre as bases tem um papel
importante na manipulação dos ácidos nucleicos.
RNA absorve mais luz que o DNA

Factores que afectam a desnaturação/renaturação da dupla hélice:


 Sequencia de DNA
 Força iónica
 Agentes desnaturantes – temperatura; soluções alcalinas; formamida e ureia
 Concentração de DNA
 Dimensão da molécula
Agentes químicos que destabilizam pontes de hidrogénio

Mutações
 Pontual – alteração de uma só base pode alterar a proteína
 Missense – resulta na alteração de aminoácido
 Nonsense – resulta num codão stop
 Frame-shift – alteração “Reading- frame” da mensagem genética

Decorrem geralmente por um de dois processos:


 Danificação de DNA por agentes ambientais (UV; radiação nuclear ou produtos
químicos)
 Erros que ocorrem quando uma célula replica o DNA para a divisão celular

Extracção do:
 DNA – células da mucosa, ossos, tecidos ou moléculas isoladas (molécula altamente
estável)
 RNA – células e tecidos frescos; células e tecidos conservados em reagentes (molécula
altamente instável)

Arrays de DNA – permitem analisar padrões de expressão genética em diferentes tempos numa
célula viva

Clonagem
Processo natural ou artificial onde são produzidos clones/cópias fiéis geneticamente de
outro ser, por reprodução assexuada (por meio de técnicas que excluem a fertilização)

Enzimas de restrição ou endonucleoses de restrição:


 Componentes de defesa molecular de bactérias contra DNA estranho
 Cortam o DNA estranho em sequencias nucleotídicas especificas, geralmente
com simetria dupla em ermos de um ponto central  Sequências palindrómicas

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Vector
 Plasmídeo, fago ou cosmideo no qual é possível inserir sequencias de DNA
estranho para proceder à sua clonagem
 Facilmente detectáveis e isoladas das células

Características Funções
São estáveis numa célula hospedeira Replicação
Controlam a sua própria replicação Multiplicação (aumento do numero de
copias)
Cortados num só local por uma enzima de Inibição do DNA dador e a circulação do
restrição plasmídeo

Plasmídeo
 Segmento circular de DNA de cadeia dupla que se encontra no interior das
bactérias e se replica autonomamente
Cosmídeo
 Vectores sintéticos para clonagem de genes que podem inserir grandes
quantidades de DNA estranha

Componente para uma clonagem:


 DNA dador – fonte de DNA ou gene a ser clonado;
 Endonuclease de restrição – enzima utilizada para cortar o DNA do dador e o
vector em locais específicos (para o DNA do dador ser inserido no vector);
 Vectores – plasmídeo utilizado para introduzir o gene a ser clonado numa célula
hospedeira adequada;
 Ligase do DNA – enzima para ligar as extremidades livres e adaptáveis do
DNA dador e do DNA vector, formando um vector recombinante;
 Célula hospedeira – onde se inserem os vectores recombinantes.

Técnica de amplificação in vitro (PCR)


PCR  Reacção de polimerização em cadeia utilizada para amplificar determinadas
sequencias do DNA, fazem-se replicações sucessivas da sequencia do DNA inicial.

Amplificação do DNA  Produção de múltiplas copias de uma sequencia de DNA

Primer  Sequencia de DNA ou RNA complementar para uma sequencia nucleótidica


e que serve de ponte de partida para esta ser copiada por uma polimerase.

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Ciclo de amplificação
1. Destruição do DNA (90ºC);
2. Hibridização dos primers;
3. Elongação pela taq polimerase (reproduz a temperatura elevada)

A reacção PCR  Com um fragmento de DNA podem fazer-se milhares de copias


utilizando a enzima taq polimerase.

A PCR é usada em diversos diagnósticos médicos porque é, rápida, sensível, especifica


e não necessita de clonagem porque permite multiplicar um fragmento de DNA sem
recorrer a clonagem.
Com a PCR pode fazer-se a sequência do genoma, mas utilizando varias técnicas de
biologia molecular.

Estrutura da membrana celular


Funções:
 Barreira  Lípidos (+colesterol)
 Receber informação da membrana  Proteínas
 Importam e exportam moléculas
 Glícidos
 Movimenta-se/expande-se

Lípidos:
 Anfipáticos (cabeça hidrofílica polar e cauda hidrofóbicas apolar)
 Formam bicamadas estáveis com baixa energia
 Termodinamicamente favorável
 Assimétricas
 Actuam como barreiras
 Fluidas a temperaturas fisiológicas

Colesterol:
 Molécula pequena e rígida
 Propriedades hidrofóbicas
 Torna a bicamada + rígida
 Modula a fluidez da membrana
 Mantem longas cadeias separadas

Proteínas:
 Integrais = transmembranares Córtex medular  Rede de
proteínas
 Periféricas = Lípidos e proteínas ancoradas fibrosas no lado citoplasmático

Proteínas que atravessam a bicamada – estruturas secundárias (responsáveis pela


resistência da membrana)

24
Francisco Lobão
Manuel Lobão

 Hélice alfa
 Hélice beta

Lado externo da bicamada = proteínas externas e glicolípidos


 Reconhecimento; protecção; lubrificação e adesão

(membrana transmite informação do exterior para o interior da célula)

Modelo mosaico fluido


Maior fluidez  Maior a permeabilidade à água

Transporte da membrana
Transporte passivo – A favor do gradiente de concentração
Difusão simples – Sem gasto de energia e sem ajuda| forma mais simples de transporte
Ex: difusão de H2O: osmose (movimento da agua na direcção à solução
mais concentrada)

Hipertónica  Solução + concentrada


Hipotónica  Solução - concentrada
Isotónica  Solução de concentração igual

Nota:
A difusão depende:
 Gradiente de concentração
 Potencial eléctrico
 Temperatura
 Permeabilidade da substancia
 Gradiente de pressão hidrostática

Difusão facilitada – (sem gasto de energia)


Uniport = movimenta apenas um tipo de moléculas bidireccionalmente
Simport = movimenta os dois solutos na mesma direcção
Antiport = Movimenta duas moléculas em direcções diferentes

Transporte activo – Unidireccional


Transporte de substâncias da região menos concentrada para a região mais concentrada
(requer gasto de energia)

25
Francisco Lobão
Manuel Lobão

Movimento de macromoléculas através da


membrana
Endocitoses – Formam-se vesiculas endocíticas quando os segmentos da membrana
plasmática invaginam. Esta vesicula funde-se com outras estruturas. O seu conteúdo é
digerido produzindo aa, açúcares e nucleótidos

Requer: energia Ca2⁺ e elementos contrácteis na célula


Dois tipos: fagocitose = células especializadas (macrófagos) que envolvem a ingestão
de grandes moléculas, tais como os vírus.

Pinocitose – propriedade de todas as células, promove a entrada de fluidos e seus


conteúdos pela célula.
 Ocorre quando as células ingerem moléculas em estado líquido;
 Queima de energia.

- Primeira fase (fluida) = não selectiva


- Segunda fase (absortiva) = selectiva; mediada por receptores

Exocitose:
 Transporte para exterior de macromoléculas, remodelação da membrana quando
os componentes são sintetizados e o sinal para a exocitose é muitas vezes uma
hormona. (ex. Glândulas salivares);
 Gasto de energia metabólica;
 Usada pelas células para libertarem para o meio exterior moléculas grandes que
não passam por difusão ou transporte activo.

As moléculas libertadas por exocitose classificam-se em:


 Podem ligar-se á superfície celular e tornam-se proteínas;
 Podem passar a fazer parte da matriz extracelular. (ex. Colagénio);
 Espaço extracelular e servir de sinal para outras células. (ex. Insulina)

Transmissão dos sinais bioquímicos:


 Neurotransmissores, hormonas  Ligam-se a receptores específicos (proteínas
integrais) expostos ao lado exterior da membrana celular e transmitem
informação para o citoplasma;
 Receptor Beta adrenérgico

26
Francisco Lobão
Manuel Lobão

Vitaminas
 São nutrientes importantes para o funcionamento do organismo e protegem-no
contra diversas doenças

Avitaminose = deficiência de vitaminas

Vitaminas hidrossolúveis: B1; B2; B5; B12; C; H; N e PP


 Solúveis em água;
 Absorvidas pelo intestino e transportadas pelo sistema
 Podem ser armazenadas no organismo e são excretadas através da urina

Vitaminas Lipossolúveis: A;D;E;K


 Solúveis em gorduras
 Absorvidas pelo intestino humano através de sais biliares segregados pelo fígado
e são transportados pelo sistema linfático para diferentes partes do corpo;
 Organismo humano tem mais capacidade para armazenar as Lipossolúveis do
que as Hidrossolúveis.

A e D  Armazenadas no fígado
E  Tecidos gordos e órgãos reprodutores

Nota:
A capacidade de armazenamento da K é reduzida

Vitamina A: Retinol e carotenóides (de fontes animal e vegetal, respectivamente)


 Carotenóides dão cor amarela ou alaranjada às frutas e vegetais. O carotenóide
mais conhecido é o ß-caroteno (vitaminas mais estáveis nos vegetais)
 Os alimentos ricos em ß-carotenos são as cenouras, os vegetais de folhas
verde-escuras e amarelas (espinafres, brócolos, abóboras…)
 Pode ser encontrada no fígado, gema de ovo, leite, manteiga, sardinha
 É sensível à oxidação pelo ar. A perda de actividade é acelerada pelo calor e pela
exposição à luz. A presença de anti-oxidantes, como a VITE contribui para a
protecção da vitamina A.

Principais interacções com a vitamina A


 Doenças e infecções (sarampo), excesso de álcool, anemia

Funções
 Essencial para a visão, crescimento adequado e diferenciação dos tecidos

Riscos de avitaminose A
Um dos sinais de deficiência da vitamina A nos animais é a perda de apetite e
retardamento no crescimento

27
Francisco Lobão
Manuel Lobão

Xeroftalmia  Deficiência grave de vitamina A, que produz cegueira parcial ou


total

 Principal causa de cegueira na infância associada a malnutrição e infecções, leva


a elevadas taxas de mortalidade

Metabolismo de Lípidos – Oxidação lipídica


 A maior parte da reserva energética do organismo encontra-se armazenada sob a
forma de Triacilgliceróis (triglicerídeos)
 A oxidação dos ácidos gordos constitui a via central de obtenção de energia em
muitos órgãos e tecidos (ex.: fígado, musculo cardíaco)
 O catabolismo dos ácidos gordos designa-se ß – oxidação
 Cada triglicerol tem um “esqueleto” de glicerol, ao qua estão ligados
(ligação éster) 3 ácidos gordos
As lípases hidrolisam os triglicerídeos, libertando um ácido gordo de cada vez,
produzindo diacilgliceróis, monogliceróis ou glicerol

Oxidação dos ácidos gordos: 3 fases

Ocorre na matriz mitocondrial (animais), podendo também ocorrer nos peroxisossomas


(plantas)

1 – Activação
 Precede a oxidação citoplasmática
 Essencial para que ocorra a oxidação
 Requer energia
 Dá-se a conversão do ácido gordo em Acetil-coA (localiza-se no retículo
endoplasmático e na mitocôndria)

A presença de pirofosfatase inorgânica assegura que a activação se complete facilitando


a perda de energia da ligação fostato do pirofosfato

PPI + H2O  2PI

Ácido gordo + ATP  acilademinato + PPI

PPI  2PI

Acilademinato + HS-coA  Acil-coA + AMP

Total:
Ácido gordo + ATP + HS-coA  Acil-coA + AMP + 2PI

Nota: muitas das enzimas são proteínas localizadas na matriz mitocondrial. Mas as
enzimas específicas para os ácidos gordos de cadeia muito longa estão associados à
membrana.

28
Francisco Lobão
Manuel Lobão

2 – Transporte
Acetil-CoA formados serão usados na síntese de lípidos membranares e serão oxidadas
no interior da matriz mitocondrial.

A membrana interna da mitocôndria é impermeável aos Acil-CoA, pois para entrarem


na mitocôndria estes reagem com um aminoácido “especial” (Carnitina  Distribuída
por todo o organismo, nos músculos)

O controlo da oxidação dos ácidos gordos é feito principalmente no passo de entrada


dos ácidos gordos na mitocôndria

A activação dos ácidos gordos mais curtos e a sua oxidação podem ocorrer na
mitocôndria independentemente da carnitina, mas os Acil-CoA de cadeia longa não
conseguem penetrar na mitocôndria sem a ajuda da enzima, que os converte em acil-
carnitina, que já consegue entrar na mitocôndria a acudir ao sistema de ß-oxidação

3 – Oxidação

ß-oxidação nos ácidos gordos com número par de C na cadeia (saturada)


 O Acil-CoA pode agora entrar na via da ß-oxidação, e conduzirá a um novo
Acil-CoA com menos 2 átomos de carbono que o anterior
 A degradação de um Acil-CoA processa-se numa sequência repetida de 4
reacções

1ª Reacção
Oxidação catalisada pela Acil-CoA desidrogenase
Fad  FadH2

2ª Reacção
Oxidação catalisada por Enoil-CoA-hidratase
(H2O)  Formando-se ß-hidroxiacil-CoA

3ª Reacção
Desidrogenação catalisada pela ß-hidroxiacil-CoA-desidrogenase com formação da ß-
cetoacil-CoA

4ª Reacção
Tiolise catalisada pela tiolase = formação de acetil-CoA com menos dois carbonos do
acil-CoA inicial

Β- Oxidação nos ácidos gordos com número par de carbonos na cadeia


(monoinsaturada)

Esta oxidação requer uma enzima adicional a Enoil- CoA isomerase


Ex: Oleico
 Ligações duplas em posições erradas e não têm a configuração certa
 Requer uma segunda enzima adicional a dienoil-CoA redutase

29
Francisco Lobão
Manuel Lobão

 Ex: linoleico (polinsaturado – 2 enzimas)


Β- Oxidação nos ácidos gordos com número impar de carbonos na cadeia
Ex: Cobalamina (vitamina B12)

Energética de oxidação
Cetogenese – síntese de corpos cetónicos
Causas:
 Predominância da oxidação dos lípidos sobre o catabolismo glucídico
 O acetil-CoA, não podendo entrar no ciclo de Krebes, é convertido em corpos
cetónicos
 Regime alimentar exageradamente rico em lípidos
 Ocorre no fígado e acumula-se no sangue e urina
*O cérebro, quando não existe disponibilidade de glucose, adapta-se à utilização do
ácido acetónico como fonte de energia (jejum)

Metabolismo dos Esfingolípidos


Fosfoesfingolipidos ou esfingomielinas são fosfolípidos que contêm:
 1 Ácido gordo
 Fosfato
 Colina
 Aminoalcoil complexo

Glicoesfingolipidos contêm:

 Ceramida
 Glícido (monossacárido ou oligossacárido)

Metabolismo dos Glícidos


Os glícidos também são conhecidos como glúcidos, hidrocarbonetos e carbohidratos
Imediatamente utilizável  Glucose
Como reserva  Amido; glicogénio
Função estrutural  Celulose; quitina; ácido hialurónico

Açúcar – Oses simples e di- e tri- sacarídeos


Os glúcidos são poli-Hidroxialdeídos ou poli-hidroxiacetonas ou polímeros susceptíveis
de libertar por hidrólise os seguintes compostos

Oses Ósidos
(Glúcidos simples ou (Hidrolise origina várias oses)
Monossacáridos)
Possuem várias funções álcool e uma função
Redutora, aldeído ou acetona.

30
Francisco Lobão
Manuel Lobão

Aldoses – átomo de carbono da função aldeído é o nº 1


Cetoses- átomo de carbonilo tem o nº mais baixo possível
Vitamina C – ácido ascórbico
Ósidos – são poliálcoois cíclicos existentes sobretudo nos tecidos vegetais
Principal representante  mioinositol  Fosfolípidos
Heterósidos – por hidrólise originam, além de oses,
compostos não glucídicos (ou aglíconas)
Holósidos – Cuja hidrólise origina o seguinte:
 Apenas oses:
 Di-holósidos (dissacáridos) Ex: Lactose; maltose; sacarose
 Tri-holósidos (trissacáridos)
 poli-holósidos (polissacáridos) Ex: Amido; glicogénio; celulose

Homopoli-holósidos Heteropoli-holósidos
 Oses ou derivados:
 Poli-Heterósidos (ou heteropoliósidos)

Holósidos (oligossacárido ou polissacáridos)


 Oligossacárido – por hidrólise liberta apenas monossacáridos. Ex: Lactose;
maltose; rafinose; celobiose
 Polissacárido – Apresenta grau elevado de polimerização (grande numero de
moléculas da mesma ose ou de oses diferentes) Ex: amido; glicogénio
 Di-Holósidos ou dissacáridos redutores – Maltose e Lactose
 Di-Holósidos ou dissacáridos não-redutores - Sacarose (duas oses estão ligadas
pelas suas funções semicetálicas)

Polissacáridos - grande nº de moléculas da mesma ose (homopoli-holósidos) ou de oses


diferentes (heteropoli-holósidos)

Amido, amilose e amilopectina


 São glucosanas – apenas constituídas por unidades de glucose
 O Amido é a forma de reserva glucídica nos vegetais, podendo ser constituído
por amilopextica ou, mais frequentemente por amilose e amilopectina

Glicogénio
 É a forma de reserva de glucose nos animais

Celulose
 Composto orgânico mais abundante
 Principal substancia pela estrutura das paredes celulares dos vegetais
 O monómetro estrutural é a celobiose

Outros Homopoliósidos – Quitina; frutosanas (como a insulina); dextranas…

Heterósidos – Glucoroconjugados – Glicoproteínas

31
Francisco Lobão
Manuel Lobão

 Resultam da reacção de uma ose com um composto que não é uma ose nem um
derivado de ose
 Abundantes nos vegetais

Glucoroconjugados – ose é o ácido glucurónico  Proteoglicanos


Glicoproteinas e os glicolípidos – são heterósidos cuja parte glucida é chamada de
glicano

Resultam da associação por ligações covalentes, de uma proteína com um grupo


glucídico (glicano) e está nos tecidos (animais e vegetais); líquidos biológicos (saliva:
urina; bilis); sangue e hormonas

Destino da glicose
 Armazenada (polissacarídea/sacarose)
 Oxidada a componentes de 3 carbonos (glicólise)
 Oxidada a pentoses (via pentoses fosfato)

Lise da glucose – Via metabólica que compreende uma serie de reacções enzimáticas
com o objectivo de oxidar a glicose a piruvato, na qual uma parte da energia é
conservada na forma de ATP

Via das pentoses fosfato – via multifactorial; produz NADPH e robose-5-fosfato; ocorre
no citoplasma das células (fígado; glândula mamaria; córtex supra-renal)

Funções:
 Permite a combustão total da glicose numa serie de reacções independentes do
ciclo de Krebes
 Formar NADPH extra- mitocondrial (necessário à síntese dos lípidos)

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Francisco Lobão
Manuel Lobão

Obtenção de ATP
Destinos gerais da glicose:
1. Armazenada
2. Oxidada a componente de 3 C  Glicólise
3. Oxidada a pentoses

Lise da Glicose
Via metabólica que compreende uma serie de reacções enzimáticas com o objectivo de
oxidar a glicose a piruvato

Em:
Anaerobiose (Fermentação láctica)

Fermentação alcoólica

33
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Manuel Lobão

Metabolismo
Anaerobiose 2ATP
Aerobiose  38 ATP
Frutose  35 ATP
Acetil- CoA  14 ATP
Piruvato  8 ATP

34
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Proteínas – metabolismo proteico


Proteína: macromolécula construída por unidades (aminoácido)

Ligação peptídica (grupo amino + grupo carboxilo)


Reacção de desidratação (libertação da molécula de água)

Proteína é formada por 20 aminoácidos (todas tem carbono; hidrogénio; azoto e


oxigénio; quase todas tem enxofre)  Algumas ainda podem ter elementos adicionais
(fósforo; ferro; zinco; entre outros)

Tipos básicos
 Naturais: o organismo sintetiza
 Ex. Insulina e hemoglobina
 Essenciais: o organismo não produz mas conseguem-se obter através da
alimentação
 Ex: lisina e isoleucina (feijão)
Leucina e valina (arroz)

As proteínas diferem umas das outras por:


 Ordem dos aminoácidos;
 Tipo de aminoácidos;
 Número de aminoácidos.

Uma cadeia de aminoácidos denomina-se “peptídeo”: 2 aminoácidos (dipeptideo), 2


aminoácidos (tripeptideo), Etc.. Muitos aminoácidos (polipeptídeo)

Classificação:
Proteína simples: só aminoácidos
Proteínas conjugadas (ligadas a outras Substâncias)
Núcleoproteínas; Glicoproteinas; Metaloproteinas e Lipoproteínas

35
Francisco Lobão
Manuel Lobão

Quanto ao número de cadeias Polipeptídicas:


 Proteínas mononúmericas: apenas 1 cadeia polipeptídica
 Proteínas oligoméricas: mais do que uma cadeia polipeptídica

São as proteínas de estrutura e função mais complexas

Quanto à forma:
 Proteínas fibrosas: longas moléculas e paralelas (colagénio; queratinas dos
cabelos)
 Proteínas globulares: estrutura especial complexa mais esféricas (proteínas
activas como as enzimas)

Funções das proteínas


 Estrutural: Participam na constituição dos tecidos, dando-lhes riqueza,
consistência e elasticidade (Ex: Colagénio, miosina, queratina, albumina);
 Hormonal: Exerce função sobre algum órgão ou estrutura, como a insulina;
 Defesa: Anticorpos são proteínas que realizam a defesa do organismo;
 Enzimática: Catalisação (Ex. lípases – reduzem os triglicerídeos);
 Transportadora de gases: Transporte de O2 e CO2 realizado pela hemoglobina.

Níveis de organização
 Estrutura primária: longa cadeia de aminoácidos (mais simples e mais
importante)
 Estrutura secundaria: em hélice alfa α (rotação das ligações entre carbono α dos
aminoácidos e seus grupo amina e carboxilo)
 Estrutura terciaria: peptídeos enrolados; cadeias Polipeptídicas muito longas,
ocorre em proteínas globulares;
 Estrutura quarternária: surge das proteínas oligoméricas (2 ou mais peptídeos)

Actividade Biológica
 Anticorpos
 Estrutural
 Hormonal
 Enzimática  Catalisador biológico (factores que interferem com a actividade
enzimática (PH, a Temperatura; concentração do substrato)

36
Francisco Lobão
Manuel Lobão

Catabolismo proveniente do azoto de


aminoácidos
Amónia (tóxica para organismos)
O organismo excreta-a transformando-a num composto não tóxico a ureia

O ciclo da ureia é essencial para a saúde


Balanço N = Ntotal ingerido – perda total de N
Excreção de N > ingestão N  balanço (-)
Ingestão > excreção  balanço (+)

Catabolismo dos aminoácidos


Os aminoácidos em excesso no são armazenados nem excretados sob esta forma

A biossíntese da ureia tem 4 etapas:


1. Transaminação;
2. Desaminação oxidativa;
3. Transporte de amónia
4. Reacções do ciclo da ureia;

Metabolismo dos aminoácidos (ao fornecerem azoto e


carbonos)

Transaminação = transferência reversível do grupo amina de um aminoácido para α-


cetoácido sem libertação de NH3 (amónia)

Glutamato – transaminase  Dador do grupo amina que participa em duas reacções


importantes que origina ácido aspártico e alamina.

Descarboxilação: fosfato piradoxal (PLP) catalisado por descarboxilases presentes nos


microorganismos forma-se um composto intermédio entre a coenzima e o substrato aa
(Base de schiff)

Desaminação: pode ocorrer por desaminação oxidativa


Serina, treonina e cisteína – por desaminação forma o ácido pirúvico

Desaminadas directamente e formam o amoníaco

37
Francisco Lobão
Manuel Lobão

Formação da amónia
Além da produção nos tecidos, também há formação pelas bactérias intestinais
Transporte de amónia: (Excretada na forma de ureia)
No cérebro o mecanismo mais importante de renovação de amónia é a formação de
glutamina, no fígado é a formação de ureia

Ciclo da ureia – 4 passos


Ciclo começa na mitocôndria, mas três passos ocorrem no citosol
1. Um grupo amino entra no ciclo através do carbamil fosfato (formado na matriz)
2. Outro é derivado do aspartado, formato na matriz por meio da transaminação do
oxaloacetato com o glutamato, reacção catalisada pelo aspartato
aminotransferase
3. Formação da citrulina a partir da ornitina e carbamil fosfato, a citrulina passa
para o citosol
4. Formação do argininossuccinato por meio de um intermediário citrulil-AMP
5. Formação de arginina a partri de argininossuccinato, liberando fumarato que
entra no TCA
6. Formação da uréia

Requer 3 ATPs + Amónia + Aspartato +Bicarbonato


Produz ureia + fumarato + 2ADP + 2 Pi + AMP + PPi

Desordens metabólicas no ciclo da ureia


 Hiperanorémia tipo l – defeito da carbamoilfosfato-sintase
 Hiperanorémia tipo ll – defeito da ornitina-carbamoil transferase

38
Francisco Lobão
Manuel Lobão

Bioquímica – TP’s
Osmolaridade
Problema 1:
-4 -4 -4
Sol. A = Cloreto de sódio (CaCl2) 3,5x10 M + Glicose 1,2x10 mol/l + Colagénio 0,3x10 mol/l
-4
+ NaOH 2,3x10 M

-4 -4 -4
Sol. B = NaCl 3,5x10 + Frutose 0,5x10 M + Ca(PO4)2 1,5x10 M

a) Qual a osmolaridade relativa das soluções? (Se há osmose e em que sentido)

osmose

A B
2+ -4 + -4
[Ca ] = 3,5x10 M [Na ] = 3,5x10 M
- -4 - -4
[Cl ] = 2x(3,5x10 ) M [Cl ] = 3,5x10 M
-4 -4
[glicose] = 1,2x10 M [frutose] = 0,5x10 M
-4 2+ -4
[colagénio] = 0,3x10 M [Ca ] = 1,5x10 M
+ -4 -4
[Na ] = 2,3x10 M [ ] = 2x(1,5x10 ) M
- -4
[OH ] = 2,3x10 M

2+ -
CaCl2 Ca + 2Cl

+ -
NaOH Na + OH

+ -
NaCl Na + Cl

2+
Ca(PO4)2 Ca +2

-4 -4
[sol.A]total = (3,5 + 7 + 1,2 + 0,3 + 2,3 + 2,3)x10 M = 16,6x10 M

-4 -4
[sol.B]total = (3,5 + 3,5 + 0,5 + 1,5 + 3)x10 M = 12x10 M

R.: A solução A é hiperosmótica em relação à solução B.

39
Francisco Lobão
Manuel Lobão

b) Qual a tonicidade na membrana?

Para a tonicidade na membrana apenas conta o que não passa através da membrana. Neste
caso, o único composto que não passa pela membrana facilmente é o colagénio. Portanto, a
solução A é hipertónica em relação à solução B.

Problema para casa 1:

-5 -5 -5
Sol. I = Iodeto de potássio (KI) 2x10 M + lactose 5x10 mmol/ml + MgCl2 3,6x10 mol/l +
-5
glicina 2,3x10 M

-5 -5 -5
Sol. II = KOH 3x10 M + triptofano 5x10 mol/l + Mg(PO4)2 4,1x10 M

a) Qual a osmolaridade relativa das soluções?


-5
Lactose = = 5x10 mol/l

A B
+ -5 + -5
[K ] = 2x10 M [K ] = 3x10 M
- -5 - -5
[I ] = 2x10 M [OH ] = 3x10 M
-5 -5
[lactose] = 5x10 mol/l [triptofano] = 5x10 mol/l
+ -5 + -5
[Mg ] = 3,6x10 mol/l [Mg ] = 4,1x10 mol/l
-5 -5
[ ] = 2x(3,6x10 ) mol/l [ ] = 2x(4,1x10 ) M
-5
[glicina] = 2,3x10 M

-5 -5
[sol.I]total = (2 + 2 + 5 + 3,6 + 7,2 + 2,3)x10 M = 22,1x10 M

-5 -5
[sol.II]total = (3 + 3 + 5 + 4,1 + 8,2)x10 M = 23,3x10 M

R.: A solução II é hiperosmótica em relação a solução I.

b) Qual a tonicidade na membrana?


Para a tonicidade conta o que não passa através da membrana. Neste caso, como em ambas
as soluções têm um composto que não passa através da membrana, a lactose e o triptofano na
solução I e II, respectivamente. Portanto, as soluções são isotónicas.

40
Francisco Lobão
Manuel Lobão

Pressão osmótica

2
1 Pa = 1 N.m
1 J = N.m
-1 -1
R = 8,314 J.K .mol

Exercício 1:
Calcule a pressão osmótica de um exsudato recolhido de um doente em que se detectou a
-4 3
presença de uma proteína com uma concentração de 4x10 g/dm .

T = 25 ºC + 273 = 298 K

C=
πV = nRT ↔ π = RT

↔ π = cRT C=
-1
↔ π = (4x10 ) x (8,314) x 298
C=
↔ π = 991,03 Pa
C = 4x10-1 g/m3

Problema para casa 2:


Calcule a massa molecular de um composto isolado da urina de um doente com problemas
renais que tem uma massa detectada de 10 g num volume de 100 ml de urina e gerou uma
pressão osmótica de 525 Pa.

M2 = ?

π → mmHg
1 Pa = 133,3 mmHg

1 Pa 133,3 mmHg
525 Pa x
x = 69982,5 mmHg

πV=nRT
69982,5 x 100 = 10000 x 8,314 x 298
M2
M2 = = 3,54 M

41
Francisco Lobão
Manuel Lobão

Água e massa muscular

a) Calcule a quantidade de água presente no organismo de um indivíduo do sexo


masculino com 1,75 m de altura e 77 kg, sendo um indivíduo saudável.

60% H2O

1,75 m
77 kg

77 kg 100 %
x 60 %
3
x = 46,2 kg H2O = 46,2x10 g

b) Determine a massa muscular deste individuo.


½ H2O → tecido muscular
3
= 23,1x10 g H2Omúsculo

Músculo é rico com 75% de H2O


3
23,1x10 g 75%
y 100%
3
y = 30,8x10 gmúsculo

Oxidação dos ácidos gordos

Rendimento energético:
 Estágio 1:
o 1 NADH
o 1 FADH2
 Estágio 2:
o 3 NADH
o 1 FADH2
o 1 GTP ≈ 1 ATP

L = [( ) ( ) ]

Β-oxidação Ciclo de Krebs


42
1 NADH = 3 ATP 3 NADH = 9 ATP
1 FADH2 = 2 ATP 1 FADH2 = 2 ATP
1 GTP ≈ 1 ATP
Francisco Lobão
Manuel Lobão

Exercício 1:
Ácido montânico (28:0)
a) Escrever a fórmula de estrutura simplificada do ácido montânico.
b) Calcular o lucro energético da oxidação mitocondrial completa de 1 mol de ácido
montânico.

a) H3C(CH2)26COOH

b) L = [( ) ( ) ] = 65 + 166 = 231

Exercício 2:
Para realizar uma prova de esforço, um doente consumiu 50 mg de ácido oleico, 30 mg de
ácido esteárico e 10 mg de ácido butírico.
a) Escrever a fórmula de estrutura simplificada de cada ácido gordo.
b) Calcular a massa molar.
c) Calcular o consumo energético para a realização desta prova. (Resultado em mmol
ATP).

a) Ácido esteárico (18:0) → H3C(CH2)16COOH


Ácido butírico (4:0) → H3C(CH2)2COOH
9
Ácido oleico (18:1 Δ ) → H3C(CH2)7HC CH(CH2)7COOH

b) Ácido esteárico → MM = 18x12 + 2x16 + 1x36 = 284 g/mol


Ácido butírico → MM = 4x12 + 2x16 + 1x8 = 88 g/mol

c) Ácido esteárico (L1)

L1 = [( ) ( ) ] = 146 mol ATP = 16,2 mmol ATP

284 mg 146 mol ATP


30 mg x
x = 16,2 mmol ATP

L2 = [( ) ( ) ] = 27 mol ATP = 3,07 mmol ATP

88 mg 27 mmol ATP
10 mg x
x = 3,07 mmol ATP

43
Francisco Lobão
Manuel Lobão

O ácido gordo teria de ser saturado, originando o ácido esteárico e só depois seria oxidado e
se poderia calcular o rendimento energético.

LTOTAL = 16,2 + 3,07 + L3 (ácido oleico) = 19,27 + L3 mmol ATP

Exercício 3:
Administrou-se uma emulsão lipídica parentérica com uma concentração de 14,5g de ácido
5, 8, 11, 14
araquidónico (20:4 Δ ) que foi totalmente metabolizado, ou seja, retiraram-se as ligações
duplas, formando-se ácido araquídico (20:0).
a) Escrever a estrutura simplificada do ácido araquídico.
b) Massa molar.
c) Rendimento energético da emulsão lipídica em cal ATP.

a) H3C(CH2)18COOH

b) MM = 20x12 + 2x16 + 1x40 = 240 + 32 + 40 = 312 g/mol

c) 1 cal = 4,18J
1 mol ATP ≈ 7300 cal

L = [( ) ( ) ] = 45 + 118 = 163 mol ATP = 1 189 900 cal ATP

1 mol ATP 7300 cal


163 mol ATP x
x = 1 189 900 cal ATP

Rendimento energético

Exercício 1:
Chocolate (50 mg) – 29,9 g glúcidos (glicose)
Barritas energéticas (50 g) – 33,4 g glúcidos (23,4 glicose + 10 g frutose)
Bolachas maria (50 g) – 38,2 g glúcidos (glicose)

a) Escreva a formula de estrutura da frutose e da glicose.


b) Calcule a massa molar destes glícidos.
c) Compare o rendimento energético da oxidação completa dos glúcidos para os vários
produtos alimentares.

44
Francisco Lobão
Manuel Lobão

Até ao fim do processo: - glicose → 38 mol ATP


- frutose → 35 mol ATP

a)

b)
1 mol glicose 180 g
a 29,9 g
a = 0,166 mol glicose

1 mol glicose 38 mol ATP


0,166 a1
a1 = 6,308 mol ATP

1 mol glicose 180 g


b 23,4 g
b = 0,13 mol glicose

1 mol glicose 38 mol ATP


0,13 mol glicose b1
b1 = 4,94 mol ATP

1 mol frutose 180 g


c 10 g

45
Francisco Lobão
Manuel Lobão

c = 0,055 mol frutose

1 mol frutose 35 mol ATP


0,055 c1
c1 = 1,94 mol ATP

b1 + c1 = 4,94 + 1,94 = 6,88 mol ATP

1 mol glicose 180 g


d 38,2 g
d = 0,21 mol glicose

1 mol glicose 35 mol ATP


0,21 d1
d1 = 7,98 mol ATP

Exercício 2:
Considere um enfermeiro cujo pequeno-almoço tenha sido um iogurte, flocos e uma maça.
Iogurte – 31 g de glicose
Flocos – 19,4 g de glicose
Maça – 7,5 g de frutose

a) Escreva a fórmula estrutural da glicose e da frutose.


b) Calcule a massa molar (como no exercício anterior).
c) O enfermeiro ao chegar ao serviço foi solicitado para mudar um doente com 92 kg.
Para realizar a tarefa o enfermeiro oxidou a frutose e a glicose parcialmente a Acetil
CoA até 60%. Calcule o rendimento associado.
Glicose – 14 mol ATP
Até Acetil-CoA – 60%
Frutose – 11 mol ATP

d) Para continuar a trabalhar o enfermeiro oxidou completamente 30% da glicose e da


frutose. Calcule o rendimento associado.
Glicose (15,12g) – 38 mol ATP
Até ao fim 30%
Frutose (2,25g) – 35 mol ATP

e) À hora de almoço fez uns exercícios de relaxamento e consumiu os 10% de glicose em


anaerobiose. 10% (5,04g) glicose em anaerobiose – 2 mol ATP

46
Francisco Lobão
Manuel Lobão

a)

b)

c) 31g + 19,4g glicose = 50,4 g glicose


50,4 100%
i 60%
i = 30,24 g

1 mol glicose 180g


a 30,24g
a = 0,168 mol glicose

1 mol glicose 14 mol ATP


0,168 a1
a1 = 2,352 mol ATP

1 mol frutose 180 g


b 4,5 g
b = 0,025 mol frutose

1 mol frutose 11 mol ATP


0,025 b1
b1 = 0,275 mol ATP

tot = 2,627 mol ATP

47
Francisco Lobão
Manuel Lobão

d)
1 mol glicose 180g
c 15,12g
c = 0,084 mol glicose

1 mol glicose 38 mol ATP


0,084 c1
c1 = 3,192 mol ATP

1 mol frutose 180 g


d 2,25g
d = 0,0125 mol frutose

1 mol frutose 35 mol ATP


0,0125 d1
d1 = 0,4375 mol ATP

tot = 3,6295 mol ATP

e)
1 mol glicose 180 g
e 5,04g
e = 0,028 mol glicose

1 mol glicose 2 mol ATP


0,028 e1
e1 = 0,056 mol ATP

No caso da frutose, 10% da frutose em anaerobiose, não há rendimento energético, pois gasta
3 mol ATP e recebe apenas 2 mol ATP, logo não compensa.

48
Francisco Lobão
Manuel Lobão

Exercício 3:
O bebé bebe 300ml de leite. Lactose = glicose + galactose.
100ml de leite materno – 6,9g lactose (:2 = 3,45g x 3 = 10,35g glicose)
Leite vaca – 4,7g lactose (:2 = 2,35g x 3 = 7,05g glicose)
NAN2 (6-12M) – 58g lactose (:2 = 29g x 3 = 87g glicose)
APTAMIL2 (6-12M) – 54,4g lactose (:2 = 27,2g x 3 = 81,6g glicose)

a) Escreve a fórmula de estrutura da glicose e da galactose.


b) Escreva a massa molar.
c) Calcula e compare os rendimentos energéticos, considerando a oxidação completa da
glicose (em kcal). 1 mol ATP = 7300 cal = 7,3 kcal

a)

b)

c)
1. 1 mol glicose 180g
x 10,35g
x = 0,0575 mol glicose

1 mol glicose 38 mol ATP


0,0575 x1
x1 = 2,185 mol ATP

1 mol ATP 7,3 kcal


2,185 x2
x2 = 15,95 kcal → o leite materno fornece 15,95 kcal

2. 1 mol glicose 180g


y 7,05g
y = 0,0399 mol glicose

49
Francisco Lobão
Manuel Lobão

1 mol glicose 38 mol ATP


0,0399 y1
y1 = 1,488 mol ATP
1,488 x 7,3 = 10,86 kcal → leite de vaca

3. 1 mol glicose 180g

z 87g
z = 0,483 mol glicose

1 mol glicose 38 mol ATP


0,483 z1
z1 = 18,36 mol ATP

18,36 x 7,3 = 134,08 kcal → NAN2

4. 1 mol glicose 180g


w 81,6g
w = 0,453 mol glicose

1 mol glicose 38 mol ATP


0,453 w1
w1 = 17,124 mol ATP

17,124 x 7,3 = 125,66 kcal → APTAMIL2

50
Francisco Lobão
Manuel Lobão

Hemoglobinémia
Exercício 1:
1g Hb → 1,34 ml O2 = 100%
0,33ml O2/dl sangue arterial → concentração no plasma

a) Considere um individuo do sexo masculino com uma hemoglobinémia de 15,2 g/dl no


sangue e as analises mostram que esta hemoglobina estava com uma concentração
de O2 no sangue de 17,3 ml/dl sangue.

[Hb] = 15,2 g/dl sangue


[O2] = 17,3 ml/dl sangue

[O2] = ([Hb] x 1,34 x %sat.) + 0,33


17,3 = (15,2 x 1,34 x %sat.) + 0,33
%sat. = 0,833 = 83,3 %

Exercício 2:
Calcula a hemoglobinémia, sabendo que a concentração de O 2 é de 12,8 ml/dl sangue e tem
uma saturação de 80%.
1g Hb → 1,34 ml O2 = 100%
0,33ml O2/dl sangue arterial → concentração no plasm
[O2] = 12,8 ml/dl sangue
Saturação = 80%

[O2] = ([Hb] x 1,34 x %sat.) + 0,33


12,8 = ([Hb] x 1,34 x 0,80) + 0,33
[Hb] = 5,827 g/dl sangue

Exercício 3:
3 biscoitos (30g)
Lípidos saturados (ác. esteárico) – 1,5g
Glúcidos (sacarose) – 21g
Leite achocolatado (200ml)
Lípidos saturados (ác. esteárico) – 1,6g
Glúcidos (sacarose) – 13,2g
2 bolachas digestivas (20g)
Lípidos saturados (ác. esteárico) – 0,9g
Glúcidos (sacarose) – 12,4g

51
Francisco Lobão
Manuel Lobão

Sacarose = glicose + frutose

a) Escreva a fórmula de estrutura da glicose, da frutose e do ác. esteárico.


b) Calcule a massa molecular.
c) Se ao lanche, comer os 3 produtos alimentares, calcule o rendimento energético
obtido, em termos de lípidos e glúcidos, apresentando os resultados em kcal.

a)

ou H3C(CH2)16COOH

Ácido esteárico

b)
Glicose
Fórmula geral: C6H12O6
C = 12
O = 16
H=1

6x12 + 6x16 + 12x1 = 180 g/mol

Ácido esteárico
18x12 + 2x16 + 36x1 = 284 g/mol

c) 1 mol glicose – 38 mol ATP


1 mol frutose – 35 mol ATP
Glicose
180g – 38 mol ATP
23,3g – x
X = 4,92 mol ATP

1 mol ATP – 7,3 kcal


4,92 – x1

52
Francisco Lobão
Manuel Lobão

X1 = 35,9 kcal

Frutose
180g – 35 mol ATP
23,3g – y
y = 4,53 mol ATP

1 mol ATP – 7,3 kcal


4,53 – y1
y1 = 33,1 kcal

Ácido esteárico

L = [( ) ( )] – 2  rendimento energético

L = [( ) ( )] – 2 = 146 mol ATP

284 g/mol – 146 mol ATP

4g – z
Z = 2,06 mol ATP x 7,3 = 15,01 kcal
Ltotal = 35,9 + 33,1 + 15,01 = 84,01 kcal

PH
Exercício 1:
+ -
HCl → H + Cl
+ 2-
H2SO4 → 2H + SO 4
+ 3-
H3PO4 → 3H + PO 4

a) Calcule o pH e o pOH de uma solução aquosa diluída de ác. clorídrico e com uma
-3
molaridade = 10,95x10 M (mol/l).
+ +
[H ] = molaridade x nº H

+ +
pH = log = log 1 – log [H ] = - log [H ]

+ -3
[H ] = 10,95x10

53
Francisco Lobão
Manuel Lobão

-b
- log a x 10 = b – log a

HCl
-3
pH = - log (10,95 x 10 ) = 1,96

pH + pOH = 14
1,96 + pOH = 14
pOH = 12,04

Exercício 2:
Calcule o pH e o pOH de uma solução aquosa diluída de ác. sulfúrico, com uma concentração
-2
de 2,45x10 g/dl.

MM g/mol = 2x1 + 32 + 4x16 = 98 g/mol

+ -3
Molaridade = [H ] = 5x10

+ 2-
H2SO4 → 2H + SO 4

-3
pH = - log (5x10 ) = 2,3
2,3 + pOH = 14
pOH = 11,7

Exercício 3:
Ác. acético  etanóico (2C)
- +
H3CCOOH ↔ H3CCOO + H

-5
Ki = 1,5 x 10

+
[H ] = √

a) Calcule o pH e o pOH de uma solução aquosa diluída de ácido acético, com uma
-3
concentração de 9x10 mg/cl.

54
Francisco Lobão
Manuel Lobão

C = 12
O = 16 MM = 2x12 + 2x16 + 4x1 = 60 g/mol
H=1

g/l
Molaridade =

g/mol

Molaridade = mol/l

[H ] = √
+

-5
pH = - log (1,5x10 ) = 4,82

pH + pOH = 14
4,82 + pOH = 14

pOH = 9,18

+ - -
NH3 + H2O → NH4 + OH → base fraca, porque não tem grupo OH na sua fórmula

+ -
KOH → K + OH
+ -
NaOH → Na + OH bases fortes
2+ -
Ca(OH)2 → Ca + 2OH
2+ -
Mg(OH)2 → Mg + 2OH são ainda mais fortes

55
Francisco Lobão
Manuel Lobão

Exercício 4:
considere uma solução aquosa diluída de hidróxido de cálcio com uma concentração de
-3
2,28x10 dg/cl. Calcule o pH e o pOH.

2+ -
Ca(OH)2 → Ca + 2OH
Ca = 40
O = 16 MMCa(OH)2 = 40 + 2x16 + 2x1 = 74 g/mol
H=1

pH + pOH = 14
-
pOH = log = - log [OH ]
-
Molaridade = x nº OH

-3 -2
[ ] = 2,28x10 dg/cl = = 2,28x10 g/l

- -4
Molaridade (OH ) = x10

-4
pOH = - log [ x10 ] = 3,21

pH + pOH = 14
pH + 3,21 = 14
pH = 10,79

Exercício 5:
-2
considere uma solução aquosa diluída de amoníaco com uma concentração de 34x10 mg/ml.
Calcule o pH e o pOH.

NH3
N = 14 MMNH3 = 14 + 3x1 = 17 g/mol
H=1

-2 -2
[ ] = 34x10 mg/ml = g/l

Molaridade =

-5
Ki = 1,5x10

56
Francisco Lobão
Manuel Lobão

-
[OH ] = √

[OH ] = √
- -4
=√ = 5,48x10

-4
pOH = - log (5,48x10 ) = 3,26

pH + 3,26 = 14
pH = 10,74

Álcool

Exercício 1:
cálculo da taxa de álcool no sangue
TAS =

Q – quantidade de álcool ingerido


P – peso (kg)
K – coeficiente

c/ comida = 0,81
s/ comida = homens – 0,7; mulheres – 0,6

a) Três amigos foram almoçar, onde ingeriram 1,5 l de vinho. No final do almoço queria
saber qual deles apresentava uma TAS mais baixa, para poder levar o carro.
Cada copo = 150 ml – 14,4 g álcool

Dominik (75kg) – 3 copos = 450 ml – 14,4x3 = 43,2 g álcool


TAS = = 0,71

Manuel (89kg) – 525 ml – 50,4 g álcool


TAS = = 0,69

Tiago (95kg) – 525 ml = 50,4 g álcool


TAS = = 0,65

57
Francisco Lobão
Manuel Lobão

b) Calcule a alcoolemia de cada um dos amigos, se tivessem consumido a mesma


quantidade, mas sem comer (s/comida).

c) Calcule a alcoolemia de cada um dos amigos, se tivessem bebido dois copos de vinho
à refeição

Exercício 2:
a)
I = idade Homens Mulheres Homens Mulheres
18-40 1 0,85 Altura – 1,73 m Altura – 1,61 m
41-60 0,92 0,80 Peso – 70 kg Peso – 58 kg
>60 0,84 0,75 Massa muscular – Massa muscular –
45% 39%
Idade – 43 A Idade – 43 A
S/comida S/comida

No prazo de 3h o casal consumiu:


 1 garrafa whisky
 1 garrafa vinho cada um cada um = 102 g álcool
 2 cálices de licor

TAS =

i = idade

TAS (homem) = = 2,27

TAS (mulher) = = 3,7

b) Calcule a taxa de alcoolemia de cada um deles se tivessem comido.

c) Calcule a taxa de alcoolemia se tivessem 27 anos.

58