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Corno é uma coisa que tão botando na sua cabeça

https://www.correio24horas.com.br/noticia/nid/amansa-corno-associacao-orienta-homens-traidos-e-
prega-fim-da-violencia/

“Muitos homens agridem a mulher, matam a mulher. Sou técnica de enfermagem e já vi


muitas mulheres chegando na emergência feridas pelo marido. Muitos somente imaginavam
que tinham tomado corno. Outros tomavam chumbinho para morrer porque a mulher largou.
Isso não existe, gente! O homem tem que aprender a tomar corno! São muitas mulheres
mortas porque o homem não entende que não é dono da mulher”, ensina Albeia, conhecida
como Abelhinha.

“Se a gente souber que o cara bateu ou ameaçou a mulher, a gente vai lá. Se não resolver na
conversa, a gente denuncia”, explica Reginaldo Sales de Oliveira, 50 anos, um dos fundadores
do grupo dos cornos de Lauro.
Casado há 17 anos, Reginaldo, também conhecido como Malhado,  é o tipo corno tricolor. Ele
conta que tudo começou quando levou chifre de uma namorada quando foi assistir a um jogo
do Bahia.

Tipos de corno:
 corno elétrico : “tô ligado!”
 corno tricolor : foi ver um jogo do Baêa …
 O amnésia, que bebe e esquece o chifre.
 O ateu, que não acredita.
 O churrasco, que bota a mão no fogo pela mulher.
 O geladeira, que não esquenta.
 O repetente, que troca de mulher e leva chifre de novo.

todo castigo pra corno é pouco

“Orgulho Corno
O atual presidente da associação em Lauro, Antônio Fernando Correia Filho, 32 anos, talvez
seja o mais manso e submisso entre os cornos de Lauro de Freitas. No bairro de Itinga, é
conhecido como “Quero Meu Amor de Volta”.
 Isso porque, há oito anos, ele procurou um programa de televisão para chorar pela esposa,
que acabou trocando ele por outro. “Chorei muito por ela! Pedi, implorei pra voltar, mas ela não
quis de jeito nenhum”, conta.
Fernando chegou a ir até a passarela que fica em frente ao Supermercado Maxxi e pensou em
se jogar. “Entrei em depressão”, recorda. A Associação dos Cornos de Lauro de Freitas foi um
dos seus alicerces para retomar a vida, conta Fernando: “Fui orientado pelo pessoal”.

Tenho orgulho de dizer que fui corno, mas daí ser novamente é outra história.
Só quero saber de esquema”, declara Fernando.

Entre os cornos da associação, tem até um vereador. Amarílio Topó contou que está
elaborando um projeto de lei para que, no dia 23 de julho, se comemore na cidade o Dia
Municipal do Corno. 

“Todos os 17 vereadores da cidade são cornos. Mas, só eu assumo. Espero que pelo menos
eles aprovem o projeto”, disse o vereador, que já foi casado 12 vezes e garante nunca ter
flagrado um corno de uma de suas mulheres.
“Mas sei que tomei corno. Não tem como não ter tomado”, acredita Amarílio, que tem 45
anos. “Tenho seis filhos e nunca fiz DNA. Melhor não fazer, né?”, afirmou.

“Fui trabalhar. Quando saí, deixei a cama fria, quando voltei, a cama tava quente”, disse Valdir
Assis de Melo, 62, que conta a história do próprio corno às gargalhadas.

“Perdi, parceiro. O Ricardão tava lá na hora, em cima da minha cama. Eu


olhei e saí. Vou fazer o quê?”, disse Valdir, que mora no bairro de Areia
Branca e era casado há 25 anos.

“Jornalista tem tudo cara de corno mesmo!”


repensando seu conceito de masculinidade

Falcão:

Vai se tornando uma coisa corriqueira ao ponto de o cabra que toma chifre não liga mais,
vê que isso é uma coisa muito mais bem humorada do que trágica para a vida dele.
Nesse sentido, o brega foi bastante didático porque transformaram o chifre numa coisa
nobre na vida do cidadão. O cabra que hoje não leva um chifre, não sabe o que é bom na
vida.

Isso é herança da sociedade altamente machista que a gente sempre teve.

Hoje em dia, você chama o cabra de corno no meio da rua e ele já dá aquele sorrisinho
amarelo e tal, já não fica zangado como antigamente. Acho que daqui uns 50 anos, mais
ou menos, vai acabar essa história.

Essa história da mulher estar se empoderando e o homem estar sentindo que a mulher
tem seu espaço e é igual a nós, isso é muito importante e tem mais é que haver mesmo